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Raquel Prado

Aula 01
9 meses da Reforma da Previdência: E agora?
Professora: Priscila Machado
O que é a previdência social? A previdência social não é um ente isolado no sistema. A
previdência faz parte de uma estrutura maior que é a estrutura de seguridade social.
Artigo 194 da CF/88: A seguridade social foi criada com a finalidade de promover uma
sociedade mais justa e igualitária.
Quando olhamos para essa estrutura de seguridade social, precisamos saber que ela é dividida
em três “pernas”. A primeira “perna” é a saúde. A segunda “perna” é a assistência social. A
terceira “perna” é a previdência social.
A seguridade social é dividida em saúde, assistência social e previdência.
Quando pensamos na saúde, nós temos que a saúde não depende de contribuição direta, ela é
um dever do Estado e é devida para todos, sem necessariamente haver uma contrapartida
financeira direta para esse sistema.
Quando olhamos para a assistência, também não precisa haver contribuição. A pessoa não
precisa contribuir para ter acesso à prestação de assistência social. O único critério é que ela
seja necessitada. A assistência social é devida para aquelas pessoas que dela necessitem.
Já quando olhamos para a previdência social, estamos falando de um sistema que para que
aquela pessoa tenha acesso ela precisa contribuir, precisa ser segurada. Além de ter caráter
contributivo, a depender do tipo de pessoa que está relacionada com a previdência social,
temos uma obrigatoriedade de recolhimento. Temos na previdência um caráter contributivo e
compulsório.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC, popularmente conhecido como LOAS), não é um
benefício previdenciário, ele é um benefício assistencial, apesar de ser um benefício que é
administrado pelo INSS.
Quando olhamos para benefício previdenciário precisa ter contribuição, se não tiver
contribuição não temos acesso a essa parcela.

A previdência social é dividida em: Regime Geral de Previdência Social (RGPS), Regime
Próprio de Previdência Social (RPPS) e Previdência Complementar (que é facultativa, só vai
contribuir quem quiser, quem tiver o interesse de contribuir para essa previdência
complementar).
Regime Geral de Previdência Social (RGPS), Regime Próprio de Previdência Social (RPPS)
são sistemas com contribuição obrigatória.
O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) é formado por todos os servidores federais,
estaduais e também municipais que detenham o RPPS, porque existem municípios que não
tem RPPS, eles administram seu pessoal na esfera previdenciária através do RGPS.
Quando olhamos para o RGPS, temos a grande massa da população. Todos aqueles que
desempenham uma atividade remunerada e que não estão vinculados ao RPPS, estão
vinculados ao RGPS. Essas pessoas precisam verter contribuições para ter acesso às parcelas
previdenciárias.

Pirâmide do Direito Previdenciário – Legislação Base


Constituição Federal (EC 103/19)
Lei 8.213/91 – Lei de benefícios
8.212/91 – Lei de Custeio
Decreto 3048 – Regulamento da Previdência recentemente alterado pelo Decreto 10.410/2020
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Instrução Normativa 77 – “Bíblia” do INSS, traz todos os procedimentos administrativos que


precisamos conhecer para que a gente caminhe dentro do processo administrativo
previdenciário.
Essa Instrução normativa deve ser lida com cautela, pois está desatualizada pela EC 103/2019
(reforma da previdência), pelo ofício circular 64, pela portaria 450, pelo decreto 10.410/2020.
Se for estudar concessão, critérios de concessão, carência, tempo de contribuição através
desse documento é melhor que utilize o decreto 3048 para isso.
No que tange a procedimentos administrativos, pode utilizar a Instrução Normativa 77 salvo
raras exceções que foram promovidas pelo decreto 10.410/2020.
Além da Instrução Normativa 77, temos várias portarias, memorandos circulares do INSS
Lei 8742/91 Benefícios Assistenciais
Portaria 03/18

Benefícios em Espécie
Pagamos a contribuição ao INSS para ter acesso aos benefícios previdenciários.
Temos 3 grupos principais de benefícios: aposentadorias programadas, os benefícios por
incapacidade e os benefícios que são devidos á família.
Aposentadorias programáveis: aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de
contribuição, aposentadoria do professor, aposentadoria especial e aposentadoria da pessoa
com deficiência.
Alguns doutrinadores incluem a aposentadoria do professor dentro de aposentadoria por
tempo de contribuição, alguns entendem que ela é uma subespécie da aposentadoria por
tempo. E pela jurisprudência que temos tido, entende-se que sim. Mas alguns doutrinadores
classificam de forma separada, indicando a existência dos 5 benefícios.
Quanto aos benefícios de proteção à família e à maternidade: pensão por morte, auxílio
reclusão, salário família e salário maternidade.
Dentro dos benefícios por incapacidade laboral: auxílio por incapacidade temporária
(antigo auxílio doença), aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por
invalidez) e o auxílio acidente.
Auxílio acidente não é uma espécie de auxílio doente, são benefícios diferentes.
Auxílio por incapacidade temporária é um benefício que é devido para aquela pessoa que está
incapacitada para a atividade laborativa.
Auxílio acidente é um benefício devido para a pessoa que já recuperou a atividade laborativa,
porém em decorrência de algum acidente teve uma sequela que gerou uma redução da sua
capacidade laborativa.

O basicão... Critérios de concessão


Segurado, dependente, qualidade de segurado, tempo de contribuição e carência = é muito
importante saber, é fundamental.

O processo previdenciário é dividido em duas “pernas” principais:


1 – processo administrativo previdenciário
O processo administrativo é, em regra, necessário para entrar com o processo judicial.
Via de regra para ter interesse de agir no processo judicial, eu preciso ter passado em um
processo administrativo, salvo exceções do tema 350 do STF.
O processo administrativo vai se iniciar formalmente com o requerimento administrativo (seja
pelo meu INSS, pelo INSS digital, pelo guichê do advogado, pelo telefone). Formalmente
porque o processo previdenciário começa no atendimento.
Uma vez que demos entrada nesse processo, ele passará por uma instrução, uma análise do
INSS. Nesse momento, caso a documentação juntada não seja suficiente para provar aquele
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direito pleiteado, o INSS vai abrir um procedimento para apresentar um documento, vai fazer
um procedimento chamado justificação administrativa, que é uma audiência na esfera
administrativa, o segurado vai levar testemunhas para serem ouvidas pelo servidor do INSS.
Essas testemunhas vão prestar juramento, assinar termo de responsabilidade penal, etc.
O servidor pode ao invés de abrir exigência, ao invés de fazer justificação administrativa, ele
pode fazer uma diligência externa, ele pode ir no local verificar se a situação narrada é
verídica.
Passado o momento de instrução, chegamos no momento de decisão desse processo.
Nessa etapa, o processo pode ser deferido ou indeferido/ o benefício pode ser concedido ou
negado.
Sendo o pedido negado, surgem duas possibilidades:
1ª) Continuar com o processo na via administrativa, usando o conselho de recursos
administrativos da previdência social
2ª) Ingressar com o processo judicial previdenciário.

2 – processo judicial previdenciário


Juntando a negativa do INSS, temos o interesse de agir na ação levando a esfera judicial.
Não é necessário fazer o recurso, nem passar por todas as fazes do processo administrativo.
Uma vez tendo a negativa, já pode ingressar no processo judicial.

Por que o processo administrativo?


Interesse de agir: Se não entrar com o processo administrativo, não teremos interesse de agir
na ação judicial, salvo as exceções previstas no tema 350 do STF. São as exceções:
1) Quando aquele direito que estou pleiteando junto ao INSS de forma notória e reiterada é
negada pelo INSS, ou seja, todo mundo sabe que essa pretensão é negada pelo INSS.
Exemplo: Revisão da vida toda. O INSS não processa esse tipo de revisão, essa revisão não
passa no administrativo. Nesse caso, posso ingressar diretamente na esfera judicial. Outro
exemplo é o adicional de 25% da grande invalidez, para aquela pessoa que depende do auxilio
de terceiros. Esse adicional só é concedido na esfera administrativa para aquele segurado que
se aposentou na aposentadoria por invalidez. Se ele tiver se aposentado em qualquer outro
benefício, administrativamente ele não pode pleitear essa concessão.
2) Revisão: É dever da autarquia conceder o melhor benefício, se ela não concede o melhor
benefício eu posso ingressar diretamente na esfera judicial.
Muitas decisões administrativas são mais favoráveis aos segurados do que as decisões
judiciais, por isso é importante um bom trabalho no administrativo.

Emenda Constitucional número 103/2019


A reforma previdenciária veio com o discurso de garantir a sustentabilidade do sistema,
combater privilégios, mas está destoando muito dos entendimentos atuais.
A reforma da previdência terá impacto direto no RGPS e no RPPS impactando diretamente
neste caso os servidores federais.
Algumas prefeituras não possuem RPPS e que os seus servidores estão vinculados ao RGPS,
então eventualmente esses municípios que possuem vinculação do seu pessoal com o RGPS
também terão seu público afetado.

O direito adquirido foi resguardado pela EC 103/19 no art. 3°, mesmo se não fosse o direito
adquirido já estaria resguardado pelo art. 5° da CF e pelo art. 6° da LINDB. Há uma discussão
sobre até quando esse direito seria resguardado, porque no art. 3° dispõe que ele será
resguardado o direito adquirido até a data da EC, ou seja, se ele resguarda até a data inclui
também o dia 13/11/2019.
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Se for na portaria 450, no art. 47, que dispõe sobre a pensão por morte, vemos que: as novas
regras (as regras da reforma da previdência), para aquelas pensões serão aplicadas para o fato
gerador a partir do dia 14/11/2019. A EC é do dia 13/11/2019 e a portaria 450 dispõe
expressamente que os requisitos da pensão por morte serão aplicados para aqueles segurados a
partir do dia 14/11/2019, entendendo assim que quem preencheu os requisitos no dia
13/11/2019 ainda tinha direito adquirido.
Quando vamos no decreto 3048/1999, com a redação atualizada pelo decreto 10410/2020
temos que, ao contrário do que fala a portaria, ele resguarda o direito até o dia 12/11/2019,
porque ele vai indicar que os novos requisitos são aplicáveis a partir do dia 13/11/2019.
Temos um número muito reduzido de segurados que terão seus fatos geradores no dia
13/11/2019, mas temos uma possibilidade de discussão.
O direito adquirido não precisa ser exercido para ser resguardado, ou seja, se eu tinha direito
adquirido a uma concessão de um determinado benefício, posso fazer uso desse meu direito
adquirido daqui a 5,10,15 anos, eu não preciso praticar aquele meu direito para ter ele de fato
adquirido, incorporado ao meu patrimônio jurídico. O simples fato de eu ter preenchido os
requisitos para a concessão de determinado benefício, mesmo que eu não tenha requerido esse
benefício, já faz com que eu detenha o direito adquirido à aquela concessão.
Portanto, há diferença entre direito adquirido e expectativa de direito. Uma coisa é o segurado
ter preenchido todos os requisitos para a concessão de um determinado benefício. Nesse caso,
dizemos que ele tem direito adquirido à aquela concessão. Outra coisa é aquele segurado não
ter preenchido na totalidade aqueles requisitos. Exemplo: Aposentadoria por tempo de
contribuição, estava faltando um dia para ele preencher os requisitos para a concessão da
aposentadoria por tempo antes da reforma. Ele tinha direito adquirido? Não, somente mera
expectativa de direito e o sistema jurídico brasileiro não protege expectativa de direito,
protege apenas direito adquirido. Mas e as regras de transição? A regra de transição não é
obrigatória, se o legislador quisesse fazer a reforma e não colocar nenhuma regra de transição,
ele poderia. Mas ele o faz por uma questão de paz social, porque sabe que teremos vários
processos questionando essa situação, mas não é obrigado/compelido a isso pela CF.
Ainda nesse sentido, uma coisa é o preenchimento dos pressupostos para a concessão de um
determinado benefício. Esse preenchimento, quando pensamos em direito adquirido, é direito
adquirido a tudo que ele havia preenchido naquele momento, não podemos fazer uma
miscigenação desses direitos.
Exemplo:

10/11/2019 EC 103/2019 01/01/2020 01/02/2020


TC + fator 13/11/2019 afasta o fator requereu o benefício
Um homem preencheu todos os requisitos para a concessão da aposentadoria por tempo de
contribuição no dia 10/11/2019, antes da reforma da previdência. Só que ele preencheu os
requisitos da concessão dessa aposentadoria por tempo de contribuição com aplicação do fator
previdenciário, ou seja, um homem que preencheu os 35 anos de requisito para a concessão
desse benefício, ele preencheu com o fator. Quando chegou no dia 01/01/2020 ele preencheu
a pontuação necessária para afastar a incidência do fator previdenciário e ele requereu o
benefício dele em 01/02/2020. Pergunta: Quando ele foi requerer a aposentadoria dele com
base no direito adquirido, como vai ser a concessão? Ele terá direito a aposentadoria por
tempo sem a aplicação do fator já que ele conseguiria fechar essa pontuação em 01/01/2020
ou terá o direito adquirido com a aplicação do fator previdenciário? COM O FATOR! Esse
benefício concedido em 01/02/2020 com base no direito adquirido será concedido com
aplicação do fator previdenciário porque não podemos ter um sistema híbrido, ele tem o
direito adquirido com todos os requisitos que ele havia preenchido até essa data. Direito
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adquirido no ordenamento jurídico brasileiro leva em conta todos os requisitos preenchidos


até a data da publicação.
Desde a EC 103/2019 tivemos muitas mudanças, destacando: o ofício circular 064, portaria
450 e o decreto 10.410/2020, mas não foram somente essas mudanças no direito
previdenciário, mas essas são as principais alterações que tivemos tomando como base a EC
103/2019. Vamos focar nas alterações promovidas pelo decreto 10.410/2020, porque esse
decreto vem consolidando o que existia no ofício circular 064 e na portaria 450.

Da Manutenção e da Perda da Qualidade de Segurado


Esse decreto 10410/2020 que é do dia 30/06/2020 alterou o decreto 3048/99, que é o
regulamento da previdência social.
Qualidade de segurado é uma das coisas mais importantes do direito previdenciário.
Precisamos contribuir para fazer parte do sistema, essas pessoas que contribuem para o
sistema previdenciário, ou que deveriam contribuir, (porque a depender do caso temos
pessoas que têm seus recolhimentos presumidos), elas têm uma característica em comum, são
pessoas seguradas da previdência
Dentro desse grupo de segurados da previdência social, teremos o contribuinte individual, que
é o empresário, é o vendedor de bala, é manicure que trabalha por conta própria, todos aqueles
que exercem atividade laborativa por conta própria, é toda pessoa que exerce atividade
remunerada e não está em um dos outros grupos.
Temos ainda outros grupos: empregado (aquele que trabalha com carteira assinada ou que de
fato é um empregado), o doméstico (aquele que trabalha em âmbito familiar por mais de 2
vezes na semana), o segurado especial (não confunda segurado especial com aposentadoria
especial. Segurado especial é o rural) e o trabalhador avulso (exemplo: o portuário). Todos
esses grupos são obrigados a contribuir com a previdência social, não tem opção. O advogado
é um contribuinte individual, se não for empregado de algum escritório.
Fora esse grupo dos segurados obrigatórios, temos o grupo do segurado facultativo, que é
aquele que não exerce atividade remunerada, mas opta contribuir para o sistema, ele contribui
porque em algum momento ele deseja ter acesso à parcela previdenciária, faz a contribuição
porque ele quer.
Essas pessoas que contribuem são denominadas seguradas.
Período de graça: Determinado período que aquela pessoa poderá receber parcela
previdenciária mesmo sem verter contribuição. Esse período está regulado pelo art. 15 da lei
de benefícios.
Quando o segurado que exerce atividade laborativa para de verter contribuições, ele terá 12
meses de qualidade de segurado, ou seja, ele era segurado e foi demitido da empresa, ele
continua com a qualidade de segurado por até 12 meses.
Caso esse segurado tenha vertido mais de 120 contribuições de forma consecutiva para o
sistema, ele vai ter mais 12 meses de período de graça.
Se esse segurado tiver em condição de desemprego, que administrativamente é provado pelo
recebimento de seguro desemprego ou inscrição no SINE, terá mais 12 meses.
Em síntese, depois que eu paro de pagar a previdência social, eu posso ter ainda mais 36
meses, a depender do caso concreto, de qualidade de segurado.
Em que momento se adquire a qualidade de segurado?
Essa qualidade de segurado para quem é responsável pelo seu recolhimento, como o
contribuinte individual, por exemplo, se inicia com o primeiro pagamento. Se for o segurado
empregado, o empregado doméstico, o trabalhador avulso vai se iniciar quando ele “pisar” na
empresa para trabalhar.

EXEMPLO DO PERÍODO DE GRAÇA DE 24 MESES


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Desligamento 12/janeiro/2021
Última contribuição do segurado foi Janeiro de 2021
referente ao mês de
Projeção de 24 meses Janeiro de 2023
Mês imediatamente posterior Fevereiro de 2023
Último dia para o recolhimento para o 15 de março de 2023
mês de abril (qualidade de segurado até)
– obs.: soma 1 mês e 15 dias.

Essa manutenção da qualidade de segurado vai ser de 12, 24 ou 36, e não soma direto 12, 24
ou 36, tem que fazer uso dessa tabela acima. Esse segurado do exemplo terá a qualidade de
segurado até 15 de março de 2023.
No art.13 do decreto 3048 tínhamos uma previsão de que todo aquele que deixou de receber
benefício por incapacidade tinha direito a 12 meses de manutenção de qualidade de segurado
(leia-se: 1 ano, 1 mês e 15 dias). O decreto 10.410/2020 revogou a previsão do inciso II do
art. 13 que dava direito a esses 12 meses de qualidade de segurado após a cessação do
benefício por incapacidade. E não existe previsão legal dizendo que mantém a qualidade de
segurado por 12 meses após o término do benefício por incapacidade.

Exemplo: Segurada mantém qualidade de segurado até 15/03/2023, e enquanto está na


manutenção de qualidade de segurado, sofre um acidente (dia 01/01/2023) e precisa receber
um auxílio por incapacidade temporária. Ela recebe esse auxílio até 01/03/2023. Como o
decreto não traz mais o período adicional de 12 meses após o término do benefício, podemos
ter 2 interpretações:
1ª) A qualidade de segurada dela acaba em 01/03/2023, logo após o término do benefício ela
perderia imediatamente a qualidade de segurada, o que significa que perdendo a qualidade de
segurada qualquer evento posterior não ensejaria o direito a benefício. Sendo assim, se ela
falece em 02/03/2023, seus filhos não tem direito à pensão por morte.
2ª) Suspensão na qualidade de segurado, esses 2 meses que essa segurada ficou em gozo do
auxílio por incapacidade, essa qualidade de segurada que acabaria em 01/03/2023, tem que ser
majorada em dois meses, com base no art. 15, I da lei de benefícios que vai dizer que todo
aquele que está em gozo de benefício mantém a qualidade de segurado.

Contagem do tempo de contribuição


Antes da EC 103/2019 quando a gente olhava para tempo de contribuição fazíamos uma
contagem de dias, meses e anos, ou seja, contávamos efetivamente os dias, meses e anos que
aquele segurado desempenhou a atividade laborativa ou contribuiu com a previdência social.
Quando olhamos para a carência contamos a carência em número de recolhimentos mensais.
Exemplo: Segurado empregado que começou a trabalhar na empresa como segurado
empregado no dia 16/07/2019 e parou de trabalhar no dia 10/08/2019.
Antes da reforma da previdência e do decreto 10410/2020 entendia-se que o tempo de
contribuição era contado com a somatória dos dias, meses e anos.
Nesse exemplo, o tempo de contribuição era de 25 dias e a carência é contada em número de
recolhimentos, ou seja, se a pessoa trabalhou um dia dentro daquele mês a empresa precisa
fazer recolhimento para aquele um dia, porque o recolhimento para a pessoa jurídica vai ser
feita mensalmente, independentemente dos dias que o segurado trabalhou dentro daquele mês.
Para fins de carência, ele tem dois meses de carência. No momento anterior a reforma eu
poderia ter um tempo de contribuição inferior ao tempo de carência, então o decreto 10410
fez uma alteração no art. 19-C e passou a dizer que serão computados integralmente como
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tempo de contribuição independentemente dos dias trabalhados caso aquele mês tenha sido
recolhido um valor superior ao salário mínimo. (Essa não é uma novidade do decreto e sim da
portaria 450)
Exemplo: Segurado empregado que começou a trabalhar na empresa como segurado
empregado no dia 16/07/2020 e parou de trabalhar no dia 10/08/2020. Segundo essa previsão,
é preciso olhar para a remuneração do segurado e entender se aquela remuneração foi superior
ao salário mínimo no mês de julho e se foi superior ao salário mínimo no mês de agosto. No
exemplo, o segurado recebeu R$ 3000,00 em julho e R$ 2000,00 em agosto. Então, agora
conta-se o mês inteiro para fins de tempo de contribuição, e não mais em dias, meses e anos,
mesmo que tenha trabalhado alguns dias dentro daquele mês. Então, o tempo de contribuição
que antes era de 25 dias, passa a ser de 60 dias, e o conceito se iguala ao conceito de carência,
há uma equivalência de carência e tempo de contribuição. Temos uma vantagem para quem
recebe valor de remuneração mais alta, o que destoa da intenção da reforma que é combater
privilégios. A EC 103/2019 veda expressamente a contagem de tempo ficto, e isso é uma
contagem de tempo ficto.

Tivemos a previsão no art. 19-E do decreto 3048 regulamentando uma previsão da EC


103/2019 dizendo que desde o dia 13/11/2019 para a contagem de qualidade de segurado,
tempo de contribuição, carência, para a contagem desses três institutos o segurado precisa
auferir dentro daquele mês uma remuneração superior ao salário mínimo.

Art. 195 §14 da CF que foi incluído pela EC 103/2019: o período de recolhimento abaixo do
mínimo não será computado como tempo de contribuição, nada fala sobre carência ou
qualidade de segurado.
O decreto, portaria, ofício circular não pode criar lei, o decreto é feito para regulamentar
legislação, portaria e oficio circular podem dar uma instrução de como aquilo será aplicado na
esfera administrativa.

O legislador vai trazer a possibilidade de que essas contribuições que foram recolhidas abaixo
do mínimo passem por 3 processos para ensejar àquele segurado a possibilidade de contagem
de qualidade de segurado, carência ou tempo de contribuição. Possibilidades:
1ª) Complementação: aquele segurado que recolheu abaixo do salário mínimo poderá
complementar essa contribuição, esse valor está definido pelo decreto no art. 216, que dispõe
que será com alíquota de 7,5%, se for contribuinte individual esse complemento será com
alíquota de 20%
2°) Utilizar o excedente do salário de contribuição de um mês para o outro.
Exemplo: Segurado trabalhou:
Mês 1: R$ 500,00
Mês 2: R$ 1.500,00
Mês 3: R$ 1.500,00
Mês 4: R$ 1.500,00
Esse segurado pode tirar 500 dos meses onde recebeu R$ 1.500,00 e passar R$ 500 para o mês
que ele não atingiu a remuneração de um salário mínimo (que no exemplo é R$ 1000,00),
para que em todos os meses ele fique com remuneração superior a um salário mínimo, ficando
assim:
Mês 1: R$ 1000,00
Mês 2: R$ 1.000,00 Pegar R$ 500,00 do mês 2 e juntar com R$ 500,00 do mês 1
Mês 3: R$ 1.500,00
Mês 4: R$ 1.500,00
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3ª) Agrupamento: Poder juntar contribuições de valores inferiores ao salário mínimo em uma
única contribuição.
Exemplo:
Antes assim...
Mês 1: R$ 500,00
Mês 2: R$ 500,00
Mês 3: R$ 1.500,00
Mês 4: R$ 1.500,00
Agora assim...
Mês 1: ___________
Mês 2: R$ 1.000,00 Pegar os R$ 500,00 do mês 1 e juntar com os R$ 500,00 do mês 2.
O mês
Mês 3: R$ 1.500,00 um ficará sem computar.
Mês 4: R$ 1.500,00

Nesse exemplo, o segurado trabalhou 4 meses e terá apenas 3 meses computando para fins de
qualidade de segurado, carência e tempo de contribuição.
Ou ainda...
Mês 1: R$ 1000,00
Mês 2: R$ 1.000,00 Pegar R$ 500,00 do mês 3 e juntar com mês 1 e pegar R$ 500,00 do
mês 4 e
Mês 3: R$ 1.000,00 juntar com mês 2.
Mês 4: R$ 1.000,00

O que vai ser a posição do INSS? Não se sabe. O que vai ser mais vantajoso? Dependerá do
caso concreto.

Aula 02
Evolução Histórica e Direito Constitucional
Previdenciário
Professor: Miguel Horvath Júnior
Evolução Histórica da Proteção Social no Brasil (Seguridade Social) e Princípios
Constitucionais: Teoria Geral da Seguridade Social sob o prisma da CF/88.
Para situarmos o momento de construção dos instrumentos de proteção social, precisamos
retroceder e revisitar o período do fim do feudalismo, o período do chamado “antigo regime”.
Nesse período, estamos no momento de renascimento comercial, de reforma protestante,
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período em que há o surgimento de uma nova classe social: a classe burguesa. Os burgueses
surgem fruto dessas alterações/revoluções/modificações e essa classe burguesa nasce das
feiras comerciais, que se transformam em vilas, cidades e mais a frente do que denominamos
“Estado”. Nesse período vemos a formação das monarquias nacionais e também o início da
chamada “corrida colonial mercantilista”. Temos o início de uma acumulação primitiva de
capital e o surgimento da manufatura. Esse é o plano de fundo que dará condições para
compreensão da construção histórica do início da proteção social. Essa superação do antigo
regime pelo capitalismo implica na alteração radical de uma série de circunstâncias, que
provocará várias revoluções, dentre elas as revoluções burguesas, a revolução gloriosa na
Inglaterra e a revolução francesa. OBS: Não podemos esquecer da importância para a criação
do Estado Moderno, para a democracia da revolução americana. Nesse contexto, vamos ver
surgir também a revolução industrial.
Para a proteção social nos interessa de imediato a segunda fase da revolução industrial, que se
dá a partir de 1850. É em decorrência da segunda fase da revolução industrial que nós vamos
ter a organização capitalista da produção, o surgimento do capitalismo, o capitalismo
industrial, quando será aplicado os princípios do liberalismo. Isso vai fazer com que aja, em
decorrência da revolução industrial que prometia melhores condições de vida para os
trabalhadores rurais que migraram para os centros urbanos, uma pressão continuada desses
trabalhadores (operários) buscando uma proteção do Estado, proteção diante dos riscos que
todo ser humano (principalmente o trabalhador está exposto).
Neste período, observamos:
- Marcos iniciais – revolução industrial
- Produz uma mudança na forma da produção econômica e no mercado de trabalho, como se
compõe essas relações de trabalho
- Produz o êxodo rural
- Causa o surgimento de tensões entre Estado e operários/trabalhadores, com o surgimento de
uma série de teorias sociais econômicas. Dentre essas teorias, temos toda teoria social e
econômica de Karl Marx e isso vai apontar para o momento de surgimento da proteção social.
Nesse momento os operários estavam completamente fora de proteção social e nessa busca do
reconhecimento da proteção eles vão utilizar de protestos, que visava chamar a atenção do
Estado para a necessidade de criar mecanismos de proteção social.
O direito do trabalho e o direito previdenciário nascem juntos, no mesmo momento histórico.
Máquinas que proporcionaram a segunda fase da revolução industrial, com todas as alterações
quanto a questão de Estado, com as repercussões do surgimento dessa proteção social,
proporcionando uma revolução exponencial.
Nesse período não havia nenhuma regulação quanto as normas de proteção do trabalho: não
havia CIPA, não havia limitação de jornada de trabalho, não havia regras de quem poderia
exercer. Nesse período trabalhavam homens, mulheres, crianças, idosos, adultos, com
jornadas de 12,14, 15,16h. Sem treinamento algum. Tudo isso fazia surgir necessidades
sociais ou os riscos sociais aconteciam e essas pessoas eram descartadas.
Nesse momento, por conta da 2ª fase da revolução industrial aparece o capitalismo industrial.
Na sequência, aparecerá o fordismo. O fordismo é baseado na ideia de uma produção em série
e que proporciona uma produção em larga escala. O trabalhador operário era visto não na sua
dimensão humana, mas na dimensão de uma parte da linha de produção.
Buscando essa proteção, surgirá na Prússia (Estado Alemão) um modelo de seguro social por
instrumentalidade de Otto Von Bismarck, que era o Chanceler da Prússia/Alemanha nesse
período. Ele desenvolve um projeto para que o Estado assuma a proteção e efetive proteção
social.
Essa forma de proteção, para que ele possa lograr êxito na aprovação pelo parlamento, ele
precisa fazer todo um trabalho de convencimento político, a partir do convencimento do
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Raquel Prado

imperador Guilherme I. Se ele não obtivesse apoio do imperador, haveria uma resistência à
aprovação e ao êxito da aprovação ao final pelo parlamento desse projeto de aprovação.
Bismarck convence Guilherme I, que vai trabalhar junto ao parlamento para que viesse essa
aprovação. O projeto de Bismarck é fundado na Escola do Socialismo Catedrático” que
pregava que os indivíduos e as classes de uma mesma nação devem ser solidários entre si, e
essa solidariedade se manifesta através de uma mesma língua, de costumes em comum, e que
o Estado deve implementar, partindo dessa solidariedade um modelo de proteção daqueles
que impulsionam a economia e daqueles que estão produzindo para que o Estado possa obter
recursos e cumprir com a sua finalidade.
Essas são as bases gerais do que Bismarck desenvolve e do que vai chamar de Seguro Social.
Esse modelo social é apresentado de forma segmentada.
A partir do ano de 1883 Bismarck vai apresentando ao parlamento projeto de lei que previa
proteção específica de riscos.
Começa com a proteção do risco de incapacidade temporária que até pouco tempo era
chamada de auxilio doença no Brasil e que agora por força da EC 103/2020 é benefício por
incapacidade temporária. No ano de 1984 proteção contra acidente do trabalho, depois contra
invalidez, depois contra morte e assim vai sendo construído o que vem sendo chamado de
seguro social.
Esse projeto segmentado obtém a sua totalidade em 1911, quando todas essas leis isoladas são
consolidadas em uma única lei, chamada de “Código Seguro Social Alemão”.
Características desse modelo de proteção social alemã/modelo bismarckiano
O Estado foi pressionado e vai dar proteção social, porém essa proteção social vai ser
compartilhada, inclusive sob ponto de vista financeiro, de custeio.
Portanto, o seguro social adota desde a sua origem o caráter contributivo.
Seguro Social que hoje nós identificamos e denominamos de Previdência Social e desde a sua
origem deve ser pago para ter proteção.
Outro aspecto é que o Estado não reconhece de maneira ampla e para todos os integrantes da
sociedade. O modelo de seguro social alemão previa proteção exclusiva para os operários
(trabalhadores urbanos), mais para frente os trabalhadores rurais serão incluídos nessa
proteção.
Outro ponto é que o Estado prevê a proteção, legisla e também se coloca na condição e na
posição de gestor, de administrador do sistema. O Estado poderia ter autorizado a proteção,
colocado os limites e ter delegado isso para a iniciativa privada, aos empregadores, mas no
modelo de Bismarck a administração do sistema é feita pelo Estado.
Esse modelo de seguro social surge na Alemanha, mas atende as necessidades de vários
outros países que participavam desse período de Revolução Industrial, principalmente
Inglaterra e França, mas essa ideia ultrapassa as barreiras, alcançando outros continentes,
como o americano, por exemplo.
Então esse modelo com essas características passa a ser efetivado e passa pelo seu primeiro
grande teste na “Crise do Capitalismo Liberal”, a crise econômica de 1929, ali tivemos a
primeira crise de mercado, a primeira crise financeira conhecida como “Quebra de Nova
York” e ali mesmo diante o caos econômico que se estabelece, quanto a questão de proteção
social se aplicavam os mecanismos ou instrumentos de proteção social.
Como uma resposta a essa Crise Econômica, em 1935 surge o Ato da Seguridade Social nos
Estados Unidos e os Estados Unidos se rende à ideia de que o Estado tem que prever
minimamente proteção social aos seus integrantes, mas conquanto tenha esse ato importante
os países em geral continuavam utilizando o modelo de seguro social.
Esse modelo de seguro social passa também pelas duas grandes guerras mundiais: 1ª Guerra
Mundial em 1914 e Segunda Guerra Mundial em 1939. Neste período de finalização da 2ª
Guerra Mundial é que vai surgir um novo modelo de proteção social, que é criado e
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Raquel Prado

desenvolvido por William Henry Beveridge e o mecanismo de funcionamento desse novo


modelo é apresentado no relatório Beveridge de 1942, alguns anos antes da finalização da 2ª
Guerra Mundial. A Inglaterra nesse período não sabia se sairia vitoriosa ou derrotada diante
do quadro do conflito bélico, mas antecipando-se a resolução encomenda a Beveridge que ele
faça uma investigação social e apresente um novo modelo de proteção social.
Esse modelo apresentado por Beveridge primeiramente com limite para aplicação na
Inglaterra é criado a partir da análise da identificação de 5 Gigantes do Mal, ou seja, 5
Grandes Problemas que precisavam ser combatidos ou criadas Políticas Públicas para sua
atenuação ou eliminação.
Os 5 Gigantes são:
- Gigante da necessidade social: A Inglaterra estava em um período de aguda necessidade
social. Todas as ferramentas de suporte de assistência social, mesmo as ferramentas de seguro
social aplicadas até então se mostraram insuficientes, tinham sérios problemas quanto a
questão de assistência médica, de mercado de trabalho, de mão de obra, de desemprego e ele
aponta todo esses gigantes do mal e apresenta um modelo de proteção social que ele vai
denominar de Seguridade Social.
A ideia básica de seguridade social é que ele é um sistema de responsabilidade do Estado que
permite a libertação da necessidade dos integrantes da sociedade e o Estado britânico
inserindo seguridade social ele fica obrigado a garantir que todos os seus cidadãos fiquem
protegidos, uma proteção de responsabilidade do Estado.
Uma das fases decorrentes desse modelo de seguridade social atribuída a Beveridge, ele diz
que esse modelo de seguridade social visa garantir proteção dos integrantes da sociedade do
berço ao túmulo. Durante, portanto, todo o período de vida das pessoas cabe ao Estado
efetivar a sua proteção.
Essa ferramenta que ele chama de Seguridade Social vai atuar em 3 áreas específicas: saúde,
assistência social e previdência social, modelo este que tem necessidade de financiamento,
mas é criado mecanismo diverso daquele que se tinha lá no Seguro Social, ou seja, nesse
primeiro momento esse sistema será financiado pelas receitas que o Estado obtém via
tributação (poder de tributar). Essa é a ideia básica em relação à seguridade social.

Características da Seguridade Social (Sistema Social Britânico)


1ª) Universalidade: É a característica da seguridade que vai garantir proteção a todos os
integrantes da sociedade, não interessando qual atividade profissional que esse indivíduo
desenvolve, qual nível de renda desse indivíduo e como uma proteção que não é apenas e tão-
somente para trabalhadores, porque seguridade social nessa dimensão social vai dar proteção
a trabalhadores e não trabalhadores, a nacionais e a estrangeiros com residência no país. Essa
característica da Universalidade vai mostrar o DNA da seguridade social.
Quando o Brasil implementa a seguridade social na carta de 1988 o princípio fundante, o
primeiro princípio expressamente previsto é o principio da universalidade.
2ª) Financiamento Unificado: Custeio vai ser feito via ordenamento fiscal baseado em um
principio de cotização única
3ª) Proteção Uniforme: Todos os integrantes da sociedade vão ter direito e acesso à proteção
na área de saúde, assistência social e previdência social, mas todos vão ter acesso na forma
padronizada.
Beveridge desenvolve esse modelo analisando a realidade da Inglaterra nesse período, não é
pretencioso em criar um modelo global, mas como essa realidade era muito próxima de outros
países também, esse modelo de proteção social vai ganhar adesão no restante do mundo. Esse
modelo será universalizado a partir da convenção da OIT (Convenção de Filadélfia de 1944).
Nessa Convenção de Filadélfia, a OIT apresentando ferramentas para o reerguimento no
momento posterior a finalização da 2º Guerra Mundial que era iminente, ele apresenta esse
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modelo de Beveridge, que tem uma adesão de imediato. A OIT define de imediato a
seguridade social como instrumento que vai proporcionar aos integrantes da sociedade através
de organismos próprios, proteção contra certos riscos a que seus membros estão expostos
(contingencias que o indivíduo está exposto e por si só não tem condições de prove-los, nem
em colaboração com os seus companheiros, daí a característica ser a universalidade.
Características da Seguridade Social destacada pela OIT na Convenção de Filadélfia:
Contingencia do comprometimento com o atendimento das contingencias que comprometem
a capacidade de trabalho e em decorrência disso a manutenção individual desse integrante da
sociedade e de sua família.
A partir da Convenção da OIT vários países naquele momento pós segunda guerra acolhem e
trazem para seus ordenamentos jurídicos, a maior parte deles colocando como
responsabilidade do Estado dentro dos próprios textos constitucionais.
No Brasil temos essa realidade a partir da Carta de 1988, a seguridade social é um direito
fundamental social, ou seja, é responsabilidade do Estado efetivar essa proteção, que está
prevista no texto constitucional. É direito fundamental qualificado, pois estamos diante de
direitos sociais. Na construção da CF/88, a CF não define o que são direitos sociais. O art. 6°
da CF apenas vai dizer essas áreas são, para fins constitucionais, direitos sociais e quando
lemos o art. 6° não encontramos a expressão seguridade social, mas encontramos que são
direitos sociais: saúde, assistência aos desamparados e previdência social, portanto, as 3 áreas
que integram a seguridade social.
A função da seguridade social é de garantia da pessoa humana que é assumida pelo Estado e o
Estado passa então a tutelar todos os integrantes da sociedade, sempre que esses integrantes
estão em situação de necessidade social.
Os direitos a saúde, a previdência e a assistência social são direitos prestacionais, porque o
Estado vai cumprir a sua obrigação de efetivar essa proteção com a entrega de prestações. Por
isso que nós temos prestações previdenciárias, prestações de saúde e prestações de assistência
social.
O auxilio emergencial da COVID 19 não demanda ter vinculo com a previdência social,
cumpridos os requisitos há o pagamento do benefício emergencial.
Por esses motivos, é importante a manutenção da seguridade social com essa função de
garantir a dignidade da pessoa humana. Cabe ao Estado criar condições e meios para que essa
sua ligação seja criada. Nós identificamos sob o prisma constitucional a questão de
alinhamento de ordem econômica e ordem social, uma não é mais importante que a outra.
Não podem ser criadas prestações novas ad infinutum sem que haja a determinação e a
previsão de onde virão os recursos (regra da contrapartida), ou seja, o benefício ou serviço de
seguridade social não pode ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de
custeio.
Esse modelo de seguridade social que surge neste momento de finalização da 2ª Guerra vai
projetar uma importância tão grande que vai criar um modelo de Estado, o chamado “Modelo
de Estado de Bem Estar Social.
Quais são as premissas/fundamentos desse Estado Social criado a partir desse marco:
Industria Fordista e para isso havia necessidade de aumento de consumo, porque consumo
aumentando, a produção aumentava, a economia se fortificava e a proteção social tinha
recursos para que essa engrenagem continuasse funcionando adequadamente.
O Estado de Bem Estar Social surge na década de 40 do século passado, vai ter seu
desenvolvimento, seu apogeu e vai atingir seu ápice na década de 70 do século XX. Na
década de 70 identificamos a Crise do Petróleo que dá sinais evidentes por volta de 74/75 se
agudiza e vai se projetar até o final da década de 70.
Com a Crise do Petróleo, esse Estado de Bem Estar Social que foi implementado em boa parte
sob a ótica política (Com o fim da 2ª Guerra surge a Guerra Fria, os países colocados em
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Raquel Prado

blocos antagônicos – Bloco Capitalista e Bloco Socialista – URSS X EUA. O bloco capitalista
diz que o Estado garante proteção quando adota o Estado de Proteção Social, portanto não há
necessidade de achar que a proteção social do Bloco dos países que integram o Bloco
Socialista é melhor). Então, nessa ótica sob o prisma político os países vão colocando nas suas
cartas constitucionais a obrigação de garantir proteção social.
Ainda nessa evolução sob o ponto de vista político, também que vai ter um conectivo com
uma crise econômica, mas com uma crise institucional política. No final da década de 70
vamos ter o início da queda da cortina de ferro, a perestroika e a questão de que ele vai
desaparecer porque a URSS vai ser dissolvida. Sob a proteção de políticas sociais aliado a
Crise do Petróleo (Crise Economica) e a Crise Política Institucional temos uma consequência
grave para a proteção social. A partir do final da década de 70 dois países vão mudar as suas
diretrizes de forma e de como enxergam e efetivam a proteção social.
1º País: EUA. Em 1979 eleito Ronald Reagan com o ideário de implementação do Estado
Mínimo (Neoliberalismo). O Estado cresceu muito, chamou para si muitas responsabilidades
e é momento desse Estado ser condensado, ir para o tamanho mínimo para que ele possa
cumprir melhor a sua função.
2º País: Inglaterra. É o berço da Seguridade Social, mas no final da década de 70, inicio da
década de 80 a primeira ministra eleita é Margareth Tatcher, apelidada de “Dama de Ferro”,
firme na condução das políticas que ela achava viáveis e necessárias para a manutenção do
Estado Britânico e de todas as Políticas e Garantias Sociais.
Ronald Reagan e Margareth Tatcher se implementam sob a ótica de proteção social o período
que ainda estamos nele, o período de sucessivas fases e reformas dos sistemas de proteção
social. Essas ondas de reformas são sempre no sentido de condensação de proteção, não são
ondas de expansão social.
Isso deixa marcos. O Brasil no contratempo, enquanto EUA e Europa estavam imersos nessa
discussão Neoliberal, o Brasil promulga sua carta de 1988 com o Estado de Bem Estar Social,
o Estado assumindo, garantindo e expandindo proteção social. A carta de 1988 adota a partir
do preâmbulo esse Estado de Bem Estar Social. A partir da década de 80, temos uma
mudança até do tipo de capitalismo, a partir da década de 80 se abandona o chamado
“Capitalismo Industrial” e é inserido um novo padrão de Capitalismo: o Capitalismo
Financeiro. Cada vez mais o cálculo econômico e o impacto da proteção social, inclusive para
o Estado vai ser observado milimetricamente.
No ano de 2019 o Brasil passou por mais uma dessas reformas de sistemas, que culminou com
a promulgação da EC 103/19, conhecida como Reforma Previdenciária, que para cada passo
da manutenção do que se tinha, ao se tentar manter a proteção social eram apresentados
planilhas e dados econômicos em que diziam que a mudança desse projeto implica no custo
de X bilhões em Y anos.
Século XXI – Século do Mal Estar Social
Limiar do início da 2ª Década.
Sociólogos já denominam o Século XXI como o Século do Mal Estar Social. Enquanto o
Século XX ficou conhecido como Século do Bem Estar Social, Século das Aposentadorias.
O Estado de Bem Estar Social foi criado para injetar compaixão ao Capitalismo Selvagem, ao
Capitalismo Industrial.
O Presidente Norte Americano Roosevelt naquele período entre o aguardo da finalização da 2ª
Guerra e momento de reconstrução, desenvolve um conjunto de programas e projetos em que
ele buscava a eliminação de todas as necessidades sociais, o que é utópico nos dias atuais.
Decisão Paradigmática da Corte Europeia de Direitos Humanos – decisão de set. de 2015 e
nessa decisão a corte foi instada a se manifestar acerca da modificação da legislação
portuguesa, fruto da grande crise econômica dos anos 2010/2011, Portugal muda sua
legislação, estreitando acesso a jubilação (aposentadoria para eles), como também naquele
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Raquel Prado

momento agudo da crise a legislação é alterada e é determinada uma redução nominal do


valor das aposentadorias para os aposentados que ganhavam acima de um determinado
patamar em euros.Isso é levado à apreciação da Corte Europeia de Direitos Humanos por
conta das características de Direito da Seguridade Social, de Direito Previdenciário e as
questões dos valores e princípios de retrocesso ou não, a questão da manutenção do padrão de
proteção.
A linha proferida pela Corte diante da situação atípica de uma grande crise econômica em sua
decisão foi de que é compatível a alteração promovida por Portugal em sua legislação e nessa
mesma esteria a corte europeia de DH valida as modificações graves feitas também pela
Espanha.
A esse conjunto de decisões que muda paradigma se denomina jurisprudência de crise.
Como se deu a proteção social no Brasil (marco tido de maneira genérica/padrão é o ano
de 1923). Não que não houvesse instrumentos/mecanismos antes, mas não havia mecanismos
do ponto de vista sistemático de proteção contra riscos.
Em 1919 tivemos a primeira lei de proteção contra acidente de trabalho
Se entendeu que em 1923 e o decreto lei 4682 conhecido como Lei Elói Chaves, a partir
dessas leis que a proteção é feita do ponto de vista sistêmico, em que se dava a proteção sob o
risco morte, idade avançada e invalidez.
Esse decreto legislativo autorizava que as empresas ferroviárias criassem as caixas de
aposentadorias e pensões. Esse é o início. E o modelo inicial embrionário no Brasil o Estado
não era administrador do sistema previdenciário. O Estado autorizava que as empresas
criassem e a legislação dizia como essa proteção seria financiada.
Nós temos um modelo de previdência social no Brasil que em 2020 acaba de completar 97
anos e esse modelo inicial é tão importante que ficou impregnado na história. Ainda hoje
encontramos segurados que quando estão sob proteção previdenciária no regime geral junto
ao INSS dizem que estão “na caixa”, fazendo menção a esse marco histórico do início da
proteção de 1923. Esse modelo durou até 1930. Nesse curto espaço de tempo as caixas
cresceram muito. Muitas empresas criaram caixas prevendo proteção para seus empregados
urbanos. Sob o ponto de vista esse modelo de proteção não era eficaz, as vezes a empresa
criava caixa, mas quando o trabalhador tinha contato com o risco, ele não obtinha a proteção.
Em decorrência disso, em 1930 quando Vargas assume o poder quanto a questão de proteção
social um dos seus atos inicialmente foi exatamente a intervenção em todas as caixas de
aposentadorias e pensões, porque elas eram ineficazes e não garantiam a efetiva proteção do
trabalhador.
Ele cria uma comissão de notáveis e determina a criação de um novo modelo de previdência
social para o Brasil, esse modelo era um modelo de Institutos. A proteção seria dada a
trabalhadores urbanos por categorias, ou seja, para cada categoria profissional seria criado um
instituto de aposentadorias e pensões, em custeios e pensões em que o Estado, empregado e
empregador participariam, em 1931 esse modelo é apresentado e passa a ser efetivo com a
criação do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Marítimos (IAPM) em 1933. Na
sequencia tivemos: IAPB (bancários) em 1934, IAPC (comerciários) em 1934, IAPI
(industriários) em 1936, IPASE (servidores do Estado – Servidores da União em 1938 e
IAPTEC (empregados em transporte e carga) em 1938.
Esse modelo de institutos, aqui tinham natureza jurídica de autarquias federais, nesse novo
modelo o Estado passa a ser administrador do sistema previdenciário.
Esse modelo era melhor que o anterior, mas ainda era um modelo de segregação, porque
grupos mais fortes do ponto de vista econômico/político conseguiam uma proteção social
melhor. Apesar disso, vai ser mantido no Brasil até a década de 1960. Em 1960 vemos a
edição da Lei Orgânica da Previdencia Social (LOPS), lei 3807, de agosto de 1960. A LOPS
unifica o sistema sob o prisma legislativo. Ao invés de cada instituto ter uma lei de benefício
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Raquel Prado

e uma lei de custeio, todos os institutos continuavam existindo, porém a proteção social e
forma de financiamento aplicáveis passaria a ser o mesmo para todos, mas sob o ponto de
vista de gestão permanecia ainda o modelo de institutos e a gestão feita por autarquias
distintas.
O Brasil chegou a ter 17 benefícios obrigatórios, era uma proteção abrangente mas era uma
proteção efetivada apenas para trabalhadores urbanos, os trabalhadores rurais estavam fora de
proteção.
Em 1966 tivemos a unificação do sistema de proteção social com a criação da autarquia social
chamada INPS (Instituto Nacional de Previdencia Social).
O INPS vem como modelo de fusão de institutos.
Há problemas da adoção desse modelo:
1) Período de Democracia Não-Plena (Ditadura)
2) Alta inflação no Brasil (volume patrimonial imenso para ser administrado)
Todos esses problemas fazem com que esse modelo de gestão apresente dificuldades em um
curto espaço de tempo.
No Brasil a proteção aos trabalhadores rurais só ocorre na década de 70. Só com a edição da
lei complementar n° 11 conhecida como Pró Rural é que o Brasil efetiva proteção social aos
trabalhadores rurais, em um modelo híbrido. Nesse momento em 1971 trabalhador urbano
tinha proteção vinculada ao INPS trabalhador rural passou a ter proteção, vinculado ao
FUNRURAL. Em 1972 a legislação previdenciária passa a prever proteção aos empregados
domésticos (ampliação de outros trabalhadores para debaixo do teto protetivo).
Em 1977/1978 como o modelo de gestão de 1966 estava com muitos problemas, o Brasil se
preparava para o período de redemocratização e dentre essas alterações, o sistema de proteção
é modificado e é criado o SINPAS (Sistema Integrado Nacional de Previdencia e Assistencia
Social), composto por vários órgãos e cada órgão isoladamente que cumpria a sua função para
que o sistema se tornasse eficaz.
Essa ideia básica do SINPAS apenas para trabalhadores urbanos, quem não era trabalhador e
os demais integrantes da sociedade estavam fora da proteção social, ou seja, não tinha acesso
a assistência social, previdência social e assistência médica.
O SINPAS era composto por:
DATAPREV
IAPAS – Instituto de Administração Financeiro de Previdência Social
FUNABEM – Fundação Nacional de Bem Estar do Menor
INPS – Instituto Nacional de Previdencia Social
CEME – Central de Medicamentos
INAMPS – Instituto Nacional de Assistencia Médica da Previdencia Social
LBA – Fundação Legião Brasileira de Assistencia
Cada um tinha uma finalidade própria e especifica. O INPS que é uma nova autarquia
diferente da de 1966 ficou com a função de processar os requerimentos administrativos,
conceder e controlar portanto os benefícios administrativos.
O IAPAS com responsabilidade de arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições
previdenciárias, além de fazer também a gestão do patrimomio imoniliário.
INAMPS era autarquia responsável pela prestação de assistência médica
DATAPREV é uma empresa pública federal, tendo essa natureza até o momento e que foi
adolocado no SINPAS para adotar um serviço de processamento de dados.
Logística para que todos os órgãos integrantes no SINPAS pudesse cumprir a sua finalidade.
CEME é a central de medicamentos vinculado ao então ministério da previdência social e
tinha a função de distribuir medicamentos aos usuários do SINPAS
LBA é fundação federal com finalidade de prestar assistência às pessoas carentes.
FUNABEM é o braço da assistência social que dava proteção aos menores carentes.
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Raquel Prado

O modelo do SINPAS é o modelo que vai se aplicar a parir de 1977 e chega até 1988.
Em 05 de outubro de 1988 vamos ter a publicação da carta de 1988 (Carta Cidadã) e
finalmente é inserida a seguridade social no Brasil, com o atraso de mais de 40 anos em
relação a apresentação dessa forma de proteção social feita na Convenção de Filadélfia.
Depois da Carta de 1988, dentro da fase de sucessivas reformas vamos ter:
A EC n° 20 de dezembro de 1998 que trouxe profundas modificações no sistema de proteção
social no regime geral e regime próprio e mesmo previdência complementar.
A EC 41 e 42 ambas de 2003
A EC 103/19
Em 2020 observamos a edição da lei 13.982 de 02 abril que veicula o auxilio emergencial,
que possibilita o aumento do critério econômico para concessão do BPC e cria os mecanismos
para manutenção dos benefícios por incapacidade temporária que venceriam durante a
pandemia e pela perícia estar fechada, a sua prorrogação e também o adiantamento no valor
de 1 salário mínimo em relação aos benefícios por incapacidade temporária para aqueles
segurados que tivessem contato com este risco durante o período da pandemia.

Com isso, chegamos a carta constitucional de 1988


Seguridade social está inserida dentro do título VIII, que trata da ordem social. A ordem
social é aberta a partir do artigo 183 e a base/fundamento da ordem social é o primado do
trabalho e tem como finalidade a justiça e o bem estar social.

A primazia do trabalho: forma como cada um insere na sociedade, é visto e é reconhecido e


que dá a sensação de pertencimento à sociedade.
Isso é importante porque impacta a ordem social. O título VII da CF que trata da ordem
econômica, também a questão da iniciativa privada, da geração de empregos, faz parte dos
fundamentos, dos princípios constitucionais.
A forma de se efetivar a Dignidade da Pessoa Humana é através da oportunizarão dela
exercitar sua capacidade laborativa, isso na forma padrão, para aqueles que não tem
capacidade laborativa são criados instrumentos para dar atendimento a essa necessidade
social.
No artigo 194, a CF vai apresentar como ferramenta de efetivação de proteção social a
seguridade social. O parágrafo único do mesmo artigo vai tratar dos princípios de seguridade
social e o artigo 195 vai tratar do financiamento da seguridade social, ou seja, das fontes de
custeio, isto é, de onde virá os recursos econômicos para que o Estado possa cumprir e
efetivar sua obrigação prestacional.
Conceito de Seguridade Social na Convenção de Ottawa: Seguridade social deve ser
instrumento de autentica política social para garantir um equilibrado desenvolvimento
socioeconômico e uma distribuição equitativa da renda nacional. Em consequência, os
programas de seguridade social devem ser integrados na política econômica do Estado com o
fim de destinar a estes programas o máximo de recursos financeiros compatíveis com a
capacidade econômica de cada país.(Convenção da OIT – 1966)
Parametrização = as coisas tem que andar juntas (ordem social e ordem econômica, uma não
pode se sobrepor a outra)
O art. 6° da CF vai identificar o direito a saúde, assistência social aos desamparados e
previdência social como direitos sociais, parâmetros constitucionalmente determinados e de
responsabilidade do Estado.
Conceito de Seguridade previsto na carta de 1988
O art. 194 diz que seguridade é o conjunto integrado de iniciativa dos poderes públicos e da
sociedade que vai atender três áreas específicas: saúde, assistência social e previdência social.
É responsabilidade do Estado a sua efetivação, conquanto com participação da Sociedade.
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Raquel Prado

Seguridade Social não é instrumento, não é política pública que vai ser atuada em todas as
áreas. Seguridade Social trata apenas de saúde, assistência social e previdência social.
Seguridade Social é o conjunto social integrado de iniciativa dos poderes públicos +
sociedade.
Poderes Públicos = poder legislativo, executivo e judiciário.
Seguridade Social são direitos fundamentais sociais e como tais precisam ser regulamentados.
A previsão, os limites da proteção, quem são os destinatários e o arcabouço geral está previsto
e determinado na CF, porém para a criação das prestações, a regulamentação e o “desenho
fino” de como essa proteção se efetivará, para isso é preciso a atuação do poder legislativo.
Por isso que se diz que os direitos fundamentais sociais exigem interposição legislativa,
regulamentação.
O próprio ADCT, reconhecendo essa característica dá prazo para que o Congresso Nacional,
uma vez que é competência dele a regulamentação da Seguridade Social, legisle sobre:
previdência social no regime geral, assistência social e saúde.
Por força desse cumprimento e dessa regulamentação, vamos ver a construção sob o ponto de
vista legislativo infraconstitucional do sistema de seguridade social.
Quando falamos de seguridade, uma das áreas é a previdência. E dentro da subárea da
previdência, no Brasil temos 3 regimes previdenciários: Regime Geral de Previdencia Social,
que é gerido e administrado pela autarquia federal INSS. Chamado de Regime Geral porque é
o regime que a maior parte das pessoas que tem proteção previdenciária estão vinculadas.
O marco legislativo do regime geral é a lei 8212 (lei de custeio) e 8213 (lei de benefícios)
ambas de 1991.
Além do regime geral, temos os regimes próprios de previdência social que é o regime
previdenciário que trata de proteção dos servidores públicos.
Paralelamente a regimes próprios e a regime geral temos a previdência complementar, todas
elas com regulamentação, todas com necessidade desta atuação e da criação do marco
legislativo.
Na área da saúde, a lei que regulamenta o SUS é a lei 8080/1990
A Lei Organica de Assistencia Social (LOAS) é a lei 8742/1993, houve uma resistência do
legislador para regulamentar a assistência social, pressionado por decisões do STF por
mandado de injunção. Cria um obstáculo que agora começa a ser desfeito com a edição da lei
13982, que é o acesso ao BPC com um critério econômico muito estreito, em que a renda per
capta familiar não poderia ser superior a ¼ do salário mínimo, agora com alteração na lei
13982 de 02 de abril de 2020 esse critério econômico durante o período de pandemia até
dezembro de 2020 é aumentado para ½ salário mímimo.
Construção do Conceito de Seguridade Social: Conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos.
O poder executivo tem como função precípua o gerenciamento, a criação de estruturas para
que essas prestações possam ser entregues. E dentro dessa linha vamos ver a criação do INSS
na área da previdência social no regime geral, que é a autarquia federal gestora desse regime
geral.INSS criado em abril de 1990. A estruturação administrativa é criada antes da
regulamentação da própria previdência de acordo com os parâmetros da carta de 1988.
Na parte de saúde é criado toda uma operacionalização para que o SUS possa desenvolver.
OBS: O SUS é compartilhado com todos os entes federativos. Saúde náo é responsabilidade
apenas da União, é responsabilidade compartilhada entre União, Estados, Municípios e DF.
Na parte de assistência social não foi criada estrutura administrativa para processamento e a
entrega das prestações de assistência social, notadamente do benefício de prestação
continuada que tem previsão constitucional. E então é realizado utilizando ferramentas de
direito administrativo, convenio entra a união e o INSS para que o INSS processe os
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requerimentos e efetive de maneira imediata o pagamento dos benefícios assistenciais de


BPC, que vulgarmente é chamado de benefício LOAS.
BPC é de natureza e caráter assistencial.
Em 2011/2012 é criado o Sistema Único de Assistencia Social em que é alterada a lei 8742
para dispor que os benefícios de assistência social seriam condensados e quem teria a
responsabilidade de processa-los e fazer a entrega seria os benefícios, mas isso não se aplica
ao BPC. O BPC continua sendo processado e pago pelo INSS, conquanto tem natureza
assistencial.
Quanto a questão de pagamento/custeio, o INSS paga e juridicamente deve haver
ressarcimento, porque é benefício assistencial e não previdenciário.
Poder judiciário: São direitos fundamentais sociais, direitos prestacionais, o Estado tem
obrigação de efetivar, se essa proteção não se efetiva a CF garante o acesso ao judiciário
(direito de ação) e se houver não acesso/obstaculização cabe aos beneficiários da
previdência/usuários da assistência/quem utilizará os serviços de saúde, levar isso para
apreciação do poder judiciário.
Na parte específica de previdência o órgão da justiça responsável que tem competência para
processar e julgar as ações previdenciárias é a justiça federal nos termos do art. 109, I, CF.
Exceção: Salvo se a ação for de natureza acidentária do trabalho, quando a competência é da
justiça estadual por conta da competência residual.
Ainda, para analisar como os poderes públicos atuam na vertente do judiciário temos que
analisar o art. 109, §3° da CF, que vai cuidar exatamente da possibilidade da justiça estadual
processar ações previdenciárias, onde não haja justiça federal (nesse ponto houve alteração
por intercorrência da EC 103/19). Essa delegação de competência foi mantida, mas com
ressalvas: só é mantida a delegação de competência se não houver justiça federal em um raio
de 70 km entre esta comarca e o local onde haja justiça federal.

Aula 03
Evolução Histórica e Direito Constitucional
Previdenciário
Professor: Miguel Horvath Júnior
Conceito de Seguridade Social – Como se dá a participação na sociedade na formatação e
manutenção do sistema de seguridade social.

“E sociedade” = Quem integra a sociedade brasileira: brasileiros natos, naturalizados e


estrangeiros aqui com residência. Portanto, seguridade social (saúde, assistência e
previdência) é destinado para todas essas pessoas.
Mais especificamente em relação à assistência social houve a necessidade de análise pelo STF
para dirimir dúvidas acerca se o estrangeiro residente no Brasil teria direito às prestações de
assistencial (mais especificamente o BPC). Interpretando os artigos 1°, 3° e 5°da CF, o STF
decidiu que o estrangeiro residente no Brasil tem direito às prestações de assistência social.
19
Raquel Prado

A que dimensões a definição de seguridade se aplica:


1° momento: Proteção social é devida às pessoas físicas (brasileiro nato, naturalizado e
estrangeiros com residência no Brasil).
Quem vai participar do financiamento? Ao mesmo tempo que a sociedade é destinatária da
proteção, ela também vai participar do financiamento da seguridade social na forma e dos
padrões do art. 195 da CF. O art. 195 da CF diz que o financiamento será feito de forma direta
e indireta. Direta quer dizer que é feita por meio de contribuições e financiamento direto se dá
por meio das receitas orçamentárias. Esse é o modelo de financiamento da seguridade como
um todo. Na parte da previdência aplica-se o financiamento direto e indireto, na parte da
saúde e da assistência apenas o financiamento indireto.
Na seguridade, os destinatários são pessoas físicas, mas no momento do financiamento as
pessoas jurídicas também colaboram e contribuem com o financiamento da seguridade social,
porque dentro do art. 195 há as contribuições devidas pelas empresas.

Como a CF trata e estabelece essa proteção dentro de cada uma das áreas que compõe a
seguridade social:

Previdência Social
RGPS – regulado pelas leis 8212 e 8213, ambas de 1991
RPPS – lei geral 9717/1998
Previdência Complementar: Regulado pelas leis complementares 108 e 109, ambas de maio
de 2001.

Características do regime geral de previdência social:


Art. 201 da CF: A previdência compõe a seguridade mas mantém o seu caráter contributivo e
de filiação obrigatória, ou seja, aqueles que exercem atividade remunerada (não importa qual
atividade e nem o montante da sua remuneração) eles estão obrigatoriamente vinculados ao
RGPS.
A CF exige, justamente por seu caráter contributivo, que a previdência seja em seu regime
geral, próprio ou complementar, preserve o equilíbrio financeiro e atuarial, ou seja, a proteção
previdenciária é de trato contínuo (trato continuado), portanto) as estruturas que vão ser
utilizadas para cumprimento dessa proteção, elas devem se manter rígidas e com capacidade
para cumprimento das suas obrigações no curto, médio e longo prazo.
O equilíbrio financeiro é o equilíbrio contábil: o que é arrecadado em um mês deve ser
suficiente minimamente para os deveres do sistema. A CF exige que além desse equilíbrio
financeiro se obtenha também o equilíbrio atuarial, ou seja, equilíbrio projetado no tempo,
isto é, o sistema tem que ser rígido para cumprir as obrigações daqui 2, 5, 10, 15 anos e para
isso há necessidade de que os regimes previdenciários sejam mantidos com essa capacidade
do cumprimento de suas obrigações.
A atuária é uma ciência que permite a quantificação (monetarização) os riscos e quanto é
necessário para sua proteção.
Exemplo: Seguro de automóvel. Será perguntado quem utiliza o automóvel, em que
município fica esse automóvel, se há pessoas com mais de 18 anos neste móvel, se esse móvel
tem garagem, etc.
Tudo isso é para que se aplique fórmulas atuariais e para que a seguradora diga se tem
interesse nessa proteção e quanto fica o prêmio para realização desse seguro.
É isso que é feito pela previdência, porém por ser social a previdência não pode rejeitar o
risco, não existe mal risco. Existe algumas vedações. Previdência trabalha com risco e risco é
evento futuro e incerto, se já há consolidação ou se já houve o sinistro, está se trabalhando
com o passado e isso não é objeto de proteção da previdência.
20
Raquel Prado

Art. 59 da lei 8213: Não se dá a proteção diante de doença pré existente. Na verdade, não se
dá cobertura quando o segurado ingressa no sistema já com a incapacidade laborativa já
consolidada, como regra geral.
Mas a pessoa que já tem a situação consolidada pode se vincular ao INSS, pode vincular ao
RGPS, com a ressalva de que ela terá cobertura em relação ás demais contingências, aos
demais riscos que são objetos de cobertura e que estão elencados dentro do art. 201, mas não
terá acesso aos benefícios de incapacidade porque já consolidada essa situação.

Caráter Contributivo – Filiação obrigatória – equilíbrio financeiro e atuarial.

Regimes de financiamento da previdência


Sistema de repartição
Sistema de Capitalização
Sistema Misto

Se tentou modificações no sistema de financiamento no bojo da PEC 6, foi rejeitada pelo


Congresso, porém há uma revisitação na tentativa de alteração do regime de financiamento da
previdência, e o que se fala é na adoção do regime de capitalização.

Regime financeiro: Bases adotadas pelo regime previdenciário visando a manutenção do


equilíbrio financeiro
Nova Zelândia adota um regime não contributivo direto, mas mesmo não sendo não
contributivo ele não é gratuito porque é financiado pelas receitas tributárias.

No regime de repartição, a geração que está em atividade, que está vinculada ao sistema neste
momento, contribui para financiar os gastos e pagamento das prestações das gerações
anteriores.
Por isso, o que é pactuado é o pacto entre gerações, e o Brasil adota isso. Porém, esse regime
tem alguns pontos de pressão: a diminuição da taxa de natalidade e o aumento da longevidade
(envelhecimento).
O regime de repartição é fortemente impactado por taxas de desemprego, porque tem que ter
uma massa de uma geração atual que pague a anterior e essa geração atual tem que ter acesso
ao emprego para que possam se vincular ao sistema e o sistema ter recursos para sustentar
como um todo.
O emprego informal também é um aspecto sensível do sistema de repartição, por isso vários
países estão procurando adotar um regime misto ou migrar para o regime de capitalização,
mas essa opção implica de um custo de transição. Em momento de ruptura em que quem
ingressar dali para frente vai acumular capital e este capital que vai garantir o seu benefício
futuro, como fica o rompimento? Vai ter uma geração que não vai ter financiamento. A
anterior está em gozo de benefício e a atual vai fazer o seu financiamento. Esse espaço terá
que ser financiado pelo Estado e isso dependendo das características de maturação do sistema
é caro.
O Brasil anda pensando nessa mudança de regime.
A preocupação é o custo e o sério problema de distribuição de renda existente no Brasil.
A adoção do regime de capitalização pode gerar um aumento de desproteção, mesmo que se
adote o regime de capitalização para quem tem uma renda de X para cima, isso também
impacta no regime de repartição, pois na medida em que essas pessoas com renda X ou
superior deixarão de financiar o regime de repartição e são alocadas ao regime de
capitalização.
21
Raquel Prado

Regime de capitalização: Cada pessoa financia sua proteção social a partir da formação de
uma poupança individual, de uma reserva de capitais.
Sistemas de proteção que tem o regime de capitalização tem dois momentos: momento
contributivo (período de pagamento) e momento de fruição (sob proteção).
Dependendo das características desse regime de capitalização, ela pode estimular a
informalidade ou gerar uma proteção que fique aquém para a manutenção das pessoas no
futuro.

Aspectos sensíveis do regime de capitalização: taxas de juros, níveis dos salários e


longevidade.
Mesmo no regime de capitalização, o aumento de expectativa de vida é um ponto sensível,
porque o capital acumulado para garantir um padrão adequado de proteção, tem que ser
grande.
Em regime de crise, o regime de capitalização depende de taxa de juros que mundo a fora
vem diminuindo significativamente, então a questão de um retorno, de um fruto civil de um
determinado patamar cada vez mais é difícil.
Fruto também de políticas globais, de globalização, de revolução tecnológica, cada vez mais o
nível salarial vem diminuindo, a informalidade crescente.

O regime próprio pode adotar ou mesclar repartição, capitalização ou misto.

Dentro dos regimes próprios, temos a proteção dos servidores públicos. Sempre houve uma
crítica sobre o porquê de existir um regime geral e um regime próprio, sendo que deveria ter
um regime só e isso vem sendo afunilado a partir da EC 41/42 e esse afunilamento vem se
estreitando com a promulgação da EC103, na medida em que os riscos passam a ser os
mesmos, os critérios passam a ser os mesmos, bem como ficou vedado a criação de novos
regimes próprios.

Previdência Complementar é conhecida como Previdência Privada visa proporcionar


prestações de previdência para além daqueles padrões que garantam a tutela de base e que vão
ser efetivados pelos regimes geral e próprio.
A previdência complementar (art. 202 da CF):
- é de caráter de facultativo, enquanto RGPS e RPPS são de caráter obrigatório
ela veicula relação jurídica de direito privado, relação jurídica contratual, enquanto no RGPS
e RPPS são relações jurídicas de direito público. Ser de direito público significa que se
aplicará a proteção como na forma prevista e determinada em lei, a lei tem caráter cogente.
Enquanto que na relação jurídica de direito privado aplica-se o princípio da autonomia da
vontade, logo temos o caráter facultativo e bem como posso modular como será essa
contribuição (quando começo a pagar, quando paro de pagar e quanto vou pagar por mês).
Essa previdência complementar vem sendo robustecida.

Saúde
Art. 196 e seguintes da CF
Saúde é direito de todos e dever do Estado, isso dá a dimensão de saúde enquanto integrante
de seguridade e com natureza de direito fundamental social. Não obtida a efetividade da
proteção, pode-se utilizar da instrumentalidade do direito de ação e buscar essa proteção.
O direito a saúde tem uma dupla dimensão:
- dimensão coletiva: passa pela criação de marcos mínimos de defesa de fiscalização da saúde
pública (controle sanitário dos alimentos, produtos de consumo humano, controle na produção
22
Raquel Prado

de medicamentos e de vacinas, medicina social para manutenção da saúde da população).


Forma preventiva e reparadora da saúde.
- dimensão individual: atua no enfoque preventivo e reparador. Conquanto que cada pessoa
adoeça de forma diferente uma da outra, todos tem acesso de maneira universal à proteção
dentro de parâmetros constitucionais.
Saúde é direito fundamental, direito à vida qualificado como direito às condições mínimas
necessárias para uma existência digna.
É um direito inclusivo, fundamental e de responsabilidade do Estado, de todos os entes
federativos.

Assistência Social
Art. 203 da CF
A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição
a seguridade social e tem por objetivos:
I – a proteção a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice
II – o amparo às crianças e aos adolescentes carentes
III – promoção da integração ao mercado de trabalho
IV – A habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção e sua integração à
vida comunitária
V – cabe à assistência social e tem por objetivo a garantia de um salário mínimo de benefício
mensal à pessoa com deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover com
sua própria manutenção ou de tê-la provida pela sua família, conforme dispuser a lei (lei
8742/93 – LOAS)

Assistência social deve ser financiada usando o financiamento indireto de contribuição, e não
usa contribuição direta com pagamento.

Limite estreito do critério orgânico, a LOAS nasce com esse problema, que agora com a
edição da lei 13982 no período de pandemia começa a ser resolvido. Antes houve ADIn,
decisão do STF, revisitação à este tema sem eficácia, na tentativa de alargar o critério
econômico para o acesso ao BPC.
Esse conceito de vulnerabilidade, a última vez que o STF disse sobre isso foi no Recurso
Extraordinário 567986, em que declarou o critério de ¼ do salário mínimo inconstitucional,
mas uma inconstitucionalidade superveniente porque na década de 90 o STF já havia
declarado constitucional e esse alargamento precisava ter posição legislativa que começa a ser
feito durante o período de pandemia e o critério econômico até 31/12/2020 passa a ser de ½
salário mínimo, podendo ser adotadas outras formas de comprovação do estado de
miserabilidade ou do estado de necessidade social.

Essa assistência social é fortemente requisitada no período de pandemia e talvez é reacendido


o projeto sobre a inclusão de renda mínima ou renda básica, que é o benefício assistencial
estendido àqueles brasileiros que estejam sem renda e fora do manto da proteção e sem acesso
ao mercado de trabalho, utilizando-se parâmetros técnicos e observando-se o real estado da
população brasileira no atual momento.

Princípios Constitucionais de Seguridade Social

Valores protegidos pela CF no preâmbulo e no art. 1° e 3°: dignidade da pessoa humana, valor
social do trabalho, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, erradicação da
marginalização e da pobreza, redução das desigualdades sociais e promoção do bem de todos.
23
Raquel Prado

Valores protegidos pela CF e que estão em todas as relações jurídicas, inclusive nas relações
jurídicas de direito social, inclusive nas relações de seguridade social (saúde, assistência e
previdência social).
O bem estar e a justiça social são finalidades que vão ser buscadas pela seguridade social, pela
ordem social como um todo e serão promovidos com a concretização de princípios.

Definição de princípio, de acordo com Celso Antonio Bandeira de Melo: Mandamento


nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce, disposição fundamental que se irradia sob
diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata
compreensão e inteligência, exatamente para definir a lógica e racionalidade do sistema
normativo, no que lhe confere a tônica de lhe dá sentido harmônico.

Princípio é a diretriz que é lançada a partir da CF e que na construção dessa relação o


legislador tem que adotar, sob pena dessa legislação poder ser questionada quanto à sua
constitucionalidade.

Objetivos (princípios): §único do art. 194 CFParágrafo único. Compete ao poder público,


nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: (princípios
aplicáveis à seguridade social – saúde, assistência e previdência)
I -  universalidade da cobertura e do atendimento;
No DNA de seguridade social, desde o projeto embrionário, da concepção de beveridge é a
universalidade.
Cobertura devemos entender como proteção contra riscos sociais.
A universalidade da cobertura é objetiva, contra o quê o sistema previdenciário dará proteção.
É uma linguagem jurídica, constitucional.
Universalidade da cobertura: O Estado é responsável por dar proteção diante de todo e
qualquer risco social? Precisamos olhar na CF e como a CF criou o modelo de proteção
social, especificamente o sistema previdenciário
Essa universalidade da cobertura é a proteção e a dimensão objetiva da universalidade.
Para entender de maneira ampla e total essa universalidade da cobertura precisamos continuar
lendo o §único deste art. 194.
O direito cria sua própria realidade e essa realidade é efetivada no art. 201 CF quando o
constituinte seleciona quais riscos são objetos de proteção previdenciária. Essas contingencias
constituem o núcleo mínimo de proteção constitucional social previdenciária. Novos riscos
além desses podem ser acrescidos, porém para isso é necessário que a lei que insere novos
riscos diga de onde vem os recursos, pois deve existir a ampliação da proteção com a
aplicação da regra da contrapartida.
Como estabelecer essa expansão? Qualquer instrumento que integre o processo legislativo
previsto no art. 59 é hábil. (MP, lei ordinária, lei complementar, etc)
A universalidade do atendimento é uma dimensão objetiva, aspecto de inovação/positivo de
ampliação da proteção social.
Antes o modelo era somente para trabalhadores e de segregação, na medida em que existia
uma previdência urbana (SINPAS) e a previdência rural (FUNRURAL)
Todos têm direito à proteção.
Na lei 8213 identificamos a figura dos segurados obrigatórios, que têm vinculação obrigatória
e são aqueles que exercem alguma atividade remunerada e são os trabalhadores. Como
também existe na lei 8213, art. 13, a figura dos segurados facultativos, que é o não
trabalhador que quer ter proteção previdenciária. A condição para que ele obtenha essa
proteção é por meio de pagamentos. O obrigatório também tem a participação no custeio.
24
Raquel Prado

Não significa que todos tem direito a previdência, significa que todos tem o acesso,
possibilidade de proteção previdenciária, desde que pague, porque o caráter é contributivo.
A seguridade social, a proteção social passa a ser para todos os integrantes da sociedade,
trabalhadores e não-trabalhadores.
II -  uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
Antes o modelo era somente para trabalhadores e de segregação, na medida em que existia
uma previdência urbana (SINPAS) e a previdência rural (FUNRURAL)
Os rurais só passaram a ter proteção no Brasil a partir da lei de 1971
Urbanos e rurais vão ter a mesma proteção, a mesma lei de regência.
A proteção social previdenciária será quantificada/calculada da mesma forma, terá igual valor.
Como até então tínhamos modelos diferidos, por um tempo e até a legislação
infraconstitucional vai prever regras de transição para que isso se efetive, dando o prazo de 15
anos para que se aplique as mesmas regras e a mesma forma de cálculo. E mesmo depois de
transcorridos 15 anos após a lei do regime geral de 1991, esse período foi prorrogado por mais
uns anos.
Desdobramento do principio da isonomia e veicula uma igualdade tanto qualitativa quanto
quantitativa.
III -  seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
Se fosse para toda e qualquer proteção, não teria sentido dois incisos depois do primeiro a CF
falar em seleção.
A universalidade da proteção é um universo criado constitucionalmente, um universo de
proteção que a própria CF vai determinar.
Cabe ao legislador efetivar essa seleção, mas essa seleção poderia ser feita pelo próprio
constituinte ou poderia ser delegado ao legislador infraconstitucional. Na carta de 1988 o
legislador delegou a si mesmo a seleção da proteção.
É um princípio, diretriz.
Distributividade: Não basta ser beneficiário, segurado ou dependente da previdência para se
ter acesso a todas as prestações.
A forma de entrega e a distribuição dessa proteção é dada ao legislador infraconstitucional.
Do RGPS quem distribuiu a proteção previdenciária foi o congresso nacional, porque cabe ao
congresso legislar sobre seguridade e consequentemente sobre previdência regime geral.
Dentro da lei 8213 o legislador diz que “essa proteção é dada à esses segurados, à aqueles
não”, ou “só para dependentes, segurado não tem acesso”. Isso compõe exatamente o objeto
desse principio da distributividade.
Essa distributividade passou por uma universalização. Algumas prestações que em 1991 não
eram previstas para todos os segurados, isso foi sendo expandido.
Ex: Maternidade. Não havia a previsão de salário maternidade para empregada doméstica,
para autônomas (hoje contribuintes individuais). Em 1999 os últimos grupos excluídos foram
alcançados e houve essa universalização.
Com relação ainda à universalidade: A proteção contra o acidente de trabalho era muito
restrita e basicamente à empregados. Hoje com a LC que regulamentou a alteração
constitucional que amplificou o direito dos empregados domésticos, estes passam a ter as
prestações decorrentes a acidentes do trabalho.
Principio da distributividade veicula justiça social e forma de entrega e efetivação dessa
proteção.
O art. 11 da lei 8213/91 modaliza segurados obrigatórios como: empregados, empregados
domésticos, trabalhadores avulsos, contribuintes individuais e segurado especial, cada um
com suas características e dentro dessas características o legislador infraconstitucional atuou e
trabalhou essa distribuição.
A seletividade será efetivada quando vamos até o art. 201 que dispõe:
25
Raquel Prado

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter
contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a:
I -  cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
II -  proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III -  proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (seguro desemprego,
apesar de não ser pago pelo INSS, mas isso não tira a natureza previdenciária)
IV -  salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda;
V -  pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e
dependentes, observado o disposto no § 2º.
§ 10. Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho, a ser atendida
concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor privado.
Já havia previsão de que o acidente do trabalho poderia ser também efetivada pelo INSS e
pela previdência privada desde a EC 20/98, isso não foi regulamentado, mas a EC 103/19
renova essa possibilidade, desde que aprovada lei complementar a iniciativa privada pode
atuar conjuntamente com o INSS na cobertura e na proteção do acidente de trabalho. Proteção
que de novembro de 2019 para cá não surgiu. A possibilidade da iniciativa privada atuar na
proteção social também tem uma possibilidade na EC 103/19 em relação aos benefícios não
programáveis.

Ainda com relação ao art. 194 da CF:


(...)
IV -  irredutibilidade do valor dos benefícios;
Antes de 1988 não havia esse benefício. Era um período de alta inflação e rapidamente o valor
dos benefícios previdenciários não se prestavam mais para garantir a proteção dos
beneficiários.
A CF insere esse principio e na regulamentação terão que ser criados mecanismos para
garantir essa irredutibilidade.
Aqui temos o principio, o mandamento nuclear e a própria CF impõe alguns marcos que o
legislador infraconstitucional terá que adotar quando for regulamentar esse princípio.
Art. 201 §4° É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter
permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei.
 § 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão
devidamente atualizados, na forma da lei.
No momento da irredutibilidade do valor dos benefícios tudo que entrar no calculo do
benefício tem que ser devidamente atualizados.
O salário de contribuição é a base de cálculo da contribuição previdenciária e sobre o que vai
haver a incidência da contribuição, é a base, e tudo que entra e que compõe o conceito de
salário de benefício (que foi recriado com a EC 103/19) tudo que entra na contribuição
previdenciária, e dentro do salário de benefício temos a presença do salário de contribuição e
que tem que ser devcidamente atualizados para que não haja uma perda no cálculo da primeira
prestação.
Antes de 1988 o período de cálculo era curto, se utilizava só os 36 últimos salários de
contribuição e a lei falava que para o calculo deveria ser considerado os últimos 36 salários de
contribuição, contados da data do requerimento do benefício para trás, porém os 12 meses
imediatamente anteriores ao benefício não se atualizava, só se atualizava os 24 meses mais
afastados,
§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do
segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo.
26
Raquel Prado

Exemplo: Aposentadoria por idade, aposentadoria por incapacidade, benefício de


incapacidade temporária, salário maternidade, pensão por morte, prestações acidentárias,
auxílio reclusão.
Aplica-se o cálculo, se o valor der menos de um salário mínimo, o INSS deve pagar um
salário mínimo.
Quando a lei de custeio foi criada, lá no art. 96 (a redação não é mais essa), dizia que como
tem essa garantia a contribuição previdenciária tem que ser no mínimo sob o valor do salário
mínimo, mas com o tempo isso desapareceu e então era permitido que o trabalhador fizesse
pagamento de contribuição em valor inferior ao salário mínimo e a CF determina, inserindo
um § no art. 195 que nenhuma contribuição pode ter como base de cálculo menor que o
salário mínimo. Se o segurado pagou sob um valor menor que o salário mínimo ele pode ou
agrupar ou pagar a diferença, mas fazer essa adequação. Isso a EC 103/19 determina e a
regulamentação (como se pode fazer, momento, como será feita a atualização) está dentro do
decreto 10.410/2020
A determinação de como vai atuar esse principio cabe a legislação infraconstitucional, a partir
da emenda 20, no nosso caso é o art. 41-A da lei 8213 que vai dar os parâmetros de como se
faz o reajustamento dos benefícios previdenciários.

É vedada a redução nominal, podendo haver correção real.


Art. 41-A. O valor dos benefícios em manutenção será reajustado, anualmente, na mesma
data do reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou
do último reajustamento, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC,
apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
Reajustamento a cada 12 meses (anual) na data base de 1° de janeiro.
Não é o índice de aumento do salário mínimo, é o índice é o INPC, calculado pelo IBGE.
O índice vai ser aplicado pró rata, ou seja, se em 1° de janeiro, quando o benefício será
majorado o segurado já tinha acesso aos benefícios nos últimos 12 meses, ele terá acesso ao
índice cheio. Porém, se o segurado se aposentou em julho e em janeiro teve reajustamento, ele
não vai receber o índice cheio, e sim proporcionalmente, pro rata, 6/12 da variação do INPC
dos 12 últimos meses.

Se houver perda mesmo com o critério de reajustamento, pode ser resolvido de duas formas:
ou o conselho nacional de previdência social pede ao congresso nacional o reajustamento
extraordinário ou se vai ao poder judiciário e se ingressa com uma ação revisional de
benefício (temos as ações revisionais que questionam os índices que foram aplicados no
cálculo da renda mensal inicial ou ações revisionais que discutem o índice de reajustamento,
que mesmo aplicando o índice legal economicamente isso gerou perda do valor real)

V -  eqüidade na forma de participação no custeio;


Como a natureza jurídica das contribuições sociais de seguridade social tem natureza
tributária, esse princípio é constitucional se aplica a seguridade, aqui especificamente na
relação previdenciário, temos todo um destaque tributário.
Esse principio carrega dentro dele o principio da solidariedade e da capacidade contributiva e
o principio da isonomia. É um principio específico do Custeio da Seguridade Social
Quem está diante da mesma realidade vai ter um custeio específico e dentro dessa realidade,
quem está dentro dessa mesma forma de incidência se tiver mais capacidade contributiva vai
pagar mais contribuição.
Quem ganha mais, quem tem mais capacidade contributiva/econômica, paga mais porque
suas alíquotas são maiores.
27
Raquel Prado

O percentual das contribuições em relação a empregados, trabalhadores domésticos e


trabalhadores avulsos sofreu alteração por força da EC 103/19. Houve uma diminuição para
aqueles que ganham até 1 salário mínimo, antes era de 8%, agora é 7,5% e ganha mais houve
toda uma estruturação, até se chegar uma alíquota de 14%, ou seja, as alíquotas que antes
eram de 8, 9, 10%, agora partem de 7,5 podendo chegar a 14%.
No RGPS tem teto, não se pode pagar contribuições sob valores menores que o salário
mínimo pela ação da EC 103, mas também não se paga contribuição além do teto do salário
de contribuição, que está por volta de R$ 6000,00.
Veicula isonomia, capacidade contributiva e trabalha com o princípio da solidariedade.
VI -  diversidade da base de financiamento
Alteração pela EC 103/19
As bases de financiamento da seguridade social são diversas na CF: empresas e pessoas
físicas contribuem.
Diversidade da base de financiamento identificando-se rubricas contábeis específicas para
cada área, as receitas e as despesas vinculadas às questões de saúde, assistência e previdência,
preservado o caráter contributivo.
As bases de financiamento vão ser plurais e vão ser criadas no próprio texto constitucional, no
art. 195, I, II e III e a partir da EC 103/19 houve a disposição de que precisa existir uma
rubrica contábil própria para o que entra e o que paga a título de saúde, assistência e
previdência

VII -  caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação da


comunidade, em especial de trabalhadores, empresários e aposentados.
O art. 10 da CF diz que todo colegiado que trate sobre direito do trabalho e previdenciário
deve haver participação do trabalhador. No art. 194 há o caráter democrático da gestão
quadripartite, dos conselhos que veiculam gestão, melhoria e ampliação qualitativa da
proteção social, dentro do Conselho Nacional de Previdência, Conselho Nacional de Saúde,
Conselho Nacional de Assistência Social devem ter vagas para representantes dos
trabalhadores, empregadores, aposentados e membros do governo.
Seguridade social é direito social e como tal tem que haver participação da sociedade dentro
desses mecanismos de gestão.

Aula 04
Atendimento, entrevista e Contrato de honorários
Professora Ana Júlia Avansi Osório
Perguntas frequentes:

1) Tenho câncer e negaram meu benefício. O que fazer?


Em qualquer atendimento de benefício por incapacidade: não se prenda à causa da
incapacidade. É necessário saber se o suposto cliente é vinculado à previdência, se mantinha à
época do início da incapacidade, do diagnóstico dessa doença a qualidade de segurado; saber
do vínculo do cliente com a previdência. Muitas vezes a configuração da incapacidade passa a
ser secundária diante da ausência de qualidade de segurado.
Pedir carteira de trabalho, carnês. Precisa ver como é a sua situação hoje junto à previdência
social.
28
Raquel Prado

Não precisa dar uma resposta imediata, é preciso colher informações para dar subsídios para
garantir o melhor benefício para o cliente.
Pedir documentação para análise, verificar se à época do início da incapacidade, do
diagnóstico da doença, do início do tratamento o cliente mantinha a qualidade de segurado.

2) Eu comecei a contribuir antes da reforma. Será que já tenho direito adquirido?


Precisamos explicar para o cliente o que é direito adquirido.
Muitos clientes acham que pelo simples fato de estarem contribuindo antes da reforma, eles
terão acesso às aposentadorias sob a égide da lei antiga.
Direito adquirido de acordo com o art. 3° da EC 103/19 acontece quando você preenche todos
os requisitos para determinados benefícios.
Só terá direito adquirido se até 13/11/2019, antes do início de vigência da reforma da
previdência, a pessoa já preenchia todos os requisitos para determinados benefícios.
O simples fato de estar contribuindo antes do início da vigência da EC 103/19 não dá direito
adquirido à ninguém.

3) Em só vou poder me aposentar aos 65 anos ou me enquadro em alguma regra de


transição?
Essa resposta só pode ser dada depois de uma boa análise contributiva, depois de uma
simulação de tempo, depois de verificar a idade do segurado, se o segurado tinha atividade
especial, se o segurado era segurado especial (que é o aquele que exerce atividade rural no
regime de economia familiar).
Só é possível responder a essa pergunta depois da análise de toda documentação. Não precisa
de fazer essa análise na hora, precisa colher documentação.

4) Eu vou receber 100%? Vai ter fator previdenciário?


O cliente sempre acha que 100% é o valor que ele recebe na sua última atividade, no mês que
antecede o início da aposentadoria.
Deve explicar para o cliente que se ele preencheu os requisitos após a EC 103/19, será feito
uma média desde julho/1994, vão ser somadas todas as contribuições e divididas pelo número
de meses contribuídos. Se preencheu os requisitos antes da reforma, há a aplicação do fator
previdenciário, só que essa média não será de 100%, será de 80%
É feito uma média, se a pessoa teve contribuições boas desde julho/1994 provavelmente
vamos ter uma boa base de cálculo hoje, mas se ela teve um período de contribuições ruins,
como é média, esse período vai acabar afetando a aposentadoria dela.
Só vai ter fator previdenciário se ele se aposentar pelas regras anteriores ao início de vigência
da EC 103/19 ou pela regra de transição de 50%, nas demais não tem fator previdenciário.
Só vai ser possível responder isso depois de uma análise de toda a vida contributiva do
cliente. O problema é ter pressa. Tenho que pegar a documentação, avaliar o CNIS e analisar
o que o cliente quer.

5) Eu recebi muitos anos insalubridade, será que aumenta o tempo?


Sim, se recebeu periculosidade/insalubridade e conseguir comprovar as atividades
especiais.
O advogado jamais deve perguntar para o cliente: o senhor estava exposto de modo
habitual e permanente aos agentes físicos, químicos e biológicos prejudiciais à saúde e à
integridade física?”. O cliente não vai entender!
Deve perguntar ao cliente se ele recebeu periculosidade/insalubridade.
Se ele disser que recebeu, trouxer os formulários PPPs, DSS 8030, DIRBEN 8030, o
antigo SB40 e o advogado conseguir visualizar o direito a esse enquadramento de
29
Raquel Prado

atividade especial, por óbvio que aumenta o tempo de contribuição, porém só pode
converter tempo de contribuição até 13/11/2019, mas antes disso eu posso = princípio
tempus regit actum, posso elevar o tempo que for, desde que comprove a exposição aos
agentes agressivos

6) Posso me aposentar e ficar com a pensão do meu marido?


Pode. Se o fato gerador pensão por morte e o fato gerador aposentadoria se derem antes do
início de vigência da EC 103/19, pode cumular os dois sem redução alguma. Se for depois, é
necessário analisar qual o benefício mais vantajoso, o índice vai ser resguardado e vai existir
umas faixas salariais que vão reduzir um pouquinho o benefício acumulado (art. 24 da EC
103/19)

7) Eu recebo auxílio doença e não quero mais passar por perícia médica. Dá para me
aposentar por invalidez?
Cuidado: advocacia previdenciária exige responsabilidade.
Com a EC 103/19 existe um risco em fazer a conversão do auxilio doença, hoje auxílio por
incapacidade temporária em auxilio por incapacidade permanente, a antiga aposentadoria por
invalidez. Houve uma redução no valor da aposentadoria. É indispensável que se saiba quanto
tempo de contribuição que o segurado da previdência pretende converter de auxilio doença
em aposentadoria por incapacidade permanente, para saber qual será o coeficiente do
benefício.
Existem algumas hipóteses em que o coeficiente é 100% ou se for salário mínimo, vale a
pena, mas é preciso responsabilidade.

8) Eu quero revisar meu benefício porque pagava sobre 10 salários e recebo 2 salários.
O teto da previdência hoje é R$ 6100,00, o que passa um pouquinho de 5 salários, não chega a
6 salários, então ele não pdoe pagar sobre 10 salários.
Essa revisão do valor real não se aplica, é necessário que o cliente mostre porque quer revisar,
tenho prazo decadencial para revisar, mas a simples vinculação do salário mínimo ao reajuste
da aposentadoria, não posso aplicar.

O que o advogado precisa saber para responder essas perguntas?


- Íntegra da EC 103/19
(Regra do direito adquirido – art. 3°/ art. 26 que trata da base de cálculo dos benefícios /
regras de transição que estão nos arts. 15, 16, 17, 18 e 20 – regras de transição de
aposentadoria por tempo e aposentadoria por idade/ conhecer a aposentadoria programada
- Decreto 10.410/2020, que deu nova redação ao decreto 3048/99
Cada tema do benefício que for tratar, tem que conhecer.
Regras de transição: art. 188 e seguintes / Base de cálculo – art. 32)
- Conhecer lei antiga - 8213/91, inclusive no que tange à questão da base de cálculo, para
mostrar para o cliente como era e como ficou, se ele vai ter direito adquirido ao benefício ou
não, se ele vai ter direito a um benefício sob a égide da EC 103/19, qual benefício vai ser o
critério de cálculo utilizado.
(Sistemática de cálculo – art. 29)

Quais são os serviços disponibilizados pelos escritórios previdenciários?


Principal serviço: Concessão administrativa e judicial a benefícios.
Meu produto principal de venda é a concessão da aposentadoria, quero aposentar os clientes,
seja de forma administrativa ou judicial.
É o ticket mais caro do escritório.
30
Raquel Prado

Mas se eu tenho um produto principal, eu preciso ter serviços secundários que vão me levar a
venda do produto principal. Os produtos secundários, chamados de pré aposentadorias são
indispensáveis.
Os produtos secundários são:
- Simulação de tempo do INSS x Simulação do escritório
Mostrar para o cliente quanto tempo ele tem de contribuição. Mostro o que o INSS considera
e vou mostrar até onde eu consigo chegar (o enquadramento a uma atividade especial, período
da carteira de trabalho que não consta no CNIS, período como MEI que vou tentar somar,
período abaixo do salário mínimo, período que o segurado prestou serviço militar).
Esse serviço pré aposentadoria, essa simulação de tempo tenho que oferecer para chegar a
venda do meu produto principal

- Análise do direito adquirido antes da reforma e regras de transição


O cliente quer saber se ele tem direito adquirido ou não, e eu preciso mostrar isso para ele.

- Cálculo do valor do benefício


Se o cliente já tem tempo, ele quer saber quando vai poder se aposentar, então eu tenho que
oferecer dentro do pré processo previdenciário o cálculo do valor do benefício, para que o
cliente tenha uma aposentadoria consciente.

- Planejamento previdenciário
Queridinho dos previdenciáristas.
Serve para saber qual será a melhor regra de transição ao segurado, se vale a pena aumentar o
salário de contribuição ou não, se ele consegue aumentar o tempo ou não, qual o melhor
momento para se aposentar, ou seja, fazer a análise contributiva de uma vida
O segurado de hoje sente necessidade de um planejamento previdenciário, só que para isso o
advogado tem que ter uma boa base legal, entender todas as regras de transição.

Pós aposentadoria

- Revisão: Após a concessão da aposentadoria, o cliente precisa revisar para ver se tem “algo
a mais”
- CTC: Para aquelas pessoas que querem levar o tempo do INSS para averbação em regime
próprio.
Não adianta constar na carteira de trabalho o “SPPREV”, nenhum regime próprio vai pegar e
averbar, o INSS precisa fazer uma certidão de transferência de tempo para o regime próprio,
chamada de certidão de tempo de contribuição, pode levar o tempo para o regime próprio,
mas eu preciso dessa liberação do INSS

Preencher um cadastro previdenciário do cliente

NOME:
DATA:
SERVIÇO PRETENDIDO:
( ) APOSENTADORIA ESPECIAL
( ) APOSENTADORIA POR IDADE
( ) APOSENTADORIA POR IDADE DO TRABALHADOR RURAL
( ) APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE/APOS. POR
INVALIDEZ
31
Raquel Prado

( ) APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO


( ) AUXÍLIO POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA / AUXÍLIO DOENÇA
( ) AUXÍLIO ACIDENTE
( ) AUXÍLIO RECLUSÃO
( ) CERTIDÃO DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO - CTC
( ) CONTAGEM DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
( ) LOAS ( ) IDOSO ( ) DEFICIENTE
( ) PLANEJAMENTO PREVIDENCIÁRIO
( ) PENSÃO POR MORTE
( ) REABILITAÇÃO PROFISSIONAL
( ) RETIFICAÇÃO DE CNIS
( ) REVISÃO DE VALOR DO BENEFÍCIO
( ) SALÁRIO FAMÍLIA
( ) SALÁRIO MATERNIDADE
( ) SEGURO DESEMPREGO
( ) SIMULAÇÃO DE VALOR DE BENEFÍCIO
COMPOSIÇÃO FAMILIAR:
Nº COMPONENTES:
RENDA FAMILIAR: RENDA PER CAPITA:

DADOS PESSOAIS:
DATA DE NASCIMENTO: ___/___/___ IDADE:
PROFISSÃO:
ESTADO CIVIL:
RG: ÓRGÃO/UF: CPF:
CTPS: SÉRIE:
ENDEREÇO:
CIDADE: UF:
CEP:
TELEFONE FIXO: CELULAR:
CARACTERÍSTICAS:
Ex.: tempo especial; deficiência; vigilante; professor

PROBLEMAS DE SAÚDE:
( ) NÃO
( ) SIM
QUAIS?
MEU INSS:
SENHA:
PERGUNTAS:
1) Recebeu algum benefício do INSS nos últimos 5 anos?
( ) SIM Qual? ( )NÃO
2) Pagou carnê do INSS nos últimos 5 anos?
( ) SIM Valor? ( )NÃO
3) Perdeu alguma CTPS?
( ) SIM Quando? ( )NÃO
4) Qual valor do último salário ou contribuição? R$
5) Qual o nome da sua mãe?
Outras informações:
32
Raquel Prado

CAD ÚNICO:
NIS:
DATA INSCRIÇÃO: ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO:
DOCUMENTOS DEIXADOS:

DOCUMENTOS SOLICITADOS:
RETORNO:
DATA: ___/___/___ HORÁRIO:

VALOR: PG: ( ) SIM ( ) NÃO

Declaro que todas as informações prestadas nesta ficha de atendimento são verdadeiras.
Informo que estou ciente de que sou responsável, nos termos da lei, por quaisquer
consequências administrativas e judiciais que possam ser geradas a partir destas informações.

__________________ , __ de __________ de 2020

______________________________________________________
NOME DO CLIENTE
CPF:

Nunca dar resposta imediata ao cliente.


Escrever quais e quantos documentos foram deixados é importante.
Se o advogado pediu um documento, deve escrever também.
Fazer termo de retenção e devolução de documento.
Retorno sempre é sempre depois de 7 dias, exceto se de pronto eu conseguir visualizar que
meu cliente não tem direito ao benefício.
Caso contrário, sempre vou reter a documentação para analisar, simular o tempo, ver se
verifico ou não a possibilidade de entrarmos com a concessão do benefício, fazer análise de
valor.
A primeira coisa não é dar a resposta para o cliente, e sim pegar a documentação, analisar os
vínculos empregatícios, verificar se tem a possibilidade de aumentar o tempo de contribuição.
Pedir telefone fixo; pedir mais de um endereço.

Importante perguntar se possui alguma característica, deficiência, se tem algum problema de


saúde (para o caso de se não der certo um benefício programado, pensar em benefício por
incapacidade); perguntar a composição familiar (isso interfere no benefício assistencial ao
idoso e ao deficiente); se tem CAD Único, renda declarada no CAD Único, data de inscrição,
a última atualização dentro dos 2 anos.

Tem documentos que o INSS pede, informações que ele solicita que só as carteiras de
trabalho não adiantam, por isso é necessário colher o máximo de informações possível.
Recebeu auxílio doença ou benefício do INSS nos últimos 5 anos?
Pagou carnê no INSS nos últimos 5 anos? Contribuiu como segurado facultativo ou
contribuinte individual, RGPS nos últimos 5 anos?
Mostrar o carnê laranja para o INSS, o cliente precisa visualizar, porque muitas vezes não
lembra.
33
Raquel Prado

Perdeu alguma carteira de trabalho? Uma das perguntas do meu INSS para confirmar os
dados do segurado para fazer a senha é se ele trabalhou em tais empresas e às vezes na
carteira não está escrito. É muito importante saber se o segurado trabalhou em alguma
empresa que não consta naquela carteira.
Outra pergunta importante é qual o valor do último salário de contribuição. Perguntar quanto
o segurado ganha atualmente, sem desconto.

O atendimento previdenciário é assim: devemos colher o máximo de informações possíveis,


para só assim saber qual benefício o cliente tem direito.
O rol de benefícios previdenciários está no art. 25 do decreto 3048/99 com redação dada pelo
decreto 10.410/2020

Grande tendência nos escitorios de advocacia pós reforma que estão fora do rol de benefícios
atual: a antiga aposentadoria por idade que hoje vem passando por sua regrinha de transição.
A mulher hoje precisa ter 60 anos e 6 meses até chegar em 62 anos e homem que ingressou no
RGPS até 13/11/19 ainda pode usufruir da sua aposentadoria por idade aos 65 anos com 15
anos de contribuição + carência mínima. Para aqueles que ingressaram depois é 20 anos. É a
regrinha da aposentadoria programada.

O que está em alta nos escritórios hoje é a aposentadoria por idade e a sua regra de transição e
aposentadoria por tempo, que foi extinta. Atualmente tenho a aposentadoria por tempo para
aqueles que preencheram os requisitos até 13/11/2019, aposentadoria por tempo aos 30 anos
se mulher e aos 35 se homem e tenho as quatro regras de transição de aposentadoria por
tempo. A tendência dos escritórios hoje são as regras de transição, o cliente quer saber se já
tem direito adquirido ou se enquadra em regra de transição.

Análise inicial dos benefícios programados:

Quadrinômio perfeito
- Idade: Quanto mais idade um segurado tem, mais fácil é a concessão de uma aposentadoria
por idade, ou aposentadoria por tempo em uma das 4 regras de transição.
Até para aposentar uma pessoa por incapacidade permanente é mais vantajoso que ela tenha
mais idade, porque sempre para o mais jovem se vislumbra a possibilidade de recuperação.
- Tempo de contribuição: Demanda simulação de tempo.
- Categoria de segurado: Para saber se quer parar de pagar e passar a receber ou se é
empregado e se ainda não se aposentar se é vantagem continuar no trabalho.
O segurado facultativo e o contribuinte individual não vê a hora de parar de pagar para se
aposentar. O empregado pensa na hora de se aposentar. Ver se ele vai querer o 1° ou o melhor
benefício.
- Salários de contribuição: O segurado de alta renda (+ de 2.500,00) sempre vai pensar no
melhor momento para se aposentar, aquele que ganha salário mínimo, o que vier ele gosta,
não pensa duas vezes.

Documentação indispensável para análise inicial da simulação do tempo:

- Carteiras de trabalho
- Todos os carnês
- Formulários PPPs
- DSS 8030
- DIRBEN 8030
34
Raquel Prado

- Laudo técnico
- Se pagou MEI, pedir os carnês
- Se prestou serviços para pessoa jurídica, pedir os LPAs para ver se está tudo dentro do CNIS
- Se exerceu trabalho rural com o pai, com o avô, pedir provas do exercício da atividade rural
para tentar subir o tempo
- Prestou serviço militar, pedir certificado de reservista

Passo a passo da análise de direito


- Simulação de tempo de contribuição
1 – Acesso ao portal “meu INSS”
Aumentar o tempo de contribuição até 13/11/2019 para saber se o cliente tem direito
adquirido ou não, se ele vai se enquadrar em uma das regras de transição – parar a contagem
do tempo em 13/11/2019

Quanto tempo de contribuição meu cliente tem?


Simulação de tempo de contribuição até 13/11/2019

Estratégia para aumentar o tempo de contribuição até a EC 103/19


A estratégia para alcançar a melhor regra de transição, o melhor direito para o seu cliente,
para dar opção para o seu cliente querer aposentar antes ou depois da reforma, regra de
transição mais rápida ou mais vantajosa é aumentar o máximo de tempo até 13/11

Eu só posso converter em tempo comum a atividade especial até 13/11/2019. Eu tenho que
fazer um esforço para juntar tudo que tem até 13/11/2019 (art. 25 da EC 103/19 e ar. 188P §5
do decreto 3048/99)

Períodos em gozo de benefício por incapacidade intercalado com tempo de contribuição (art.
19-C da EC 103/19)

A simulação do escritório é imprescindível, porque muitas vezes não está no CNIS e está na
carteira de trabalho e o INSS não computa o tempo. – Art. 19-B
Se tem uma anotação que não consta no CNIS, posso usar como estratégia para aumentar o
tempo de contribuição do meu cliente.

Contribuições abaixo do salário mínimo


Hoje, de acordo com o decreto, só serão computadas como tempo de contribuição as
contribuições que forem superior ao salário mínimo, ou seja, se o cliente verteu contribuição
abaixo, cabe ao advogado complementá-las, isso deve ser feito de forma preventiva dentro do
processo de concessão de benefício
Isso é feito em um requerimento através do processo administrativo de concessão de benefício
ou se for fazer preventivamente procurando uma das agências do INSS.
Após a complementação, esse período pode ser contado como tempo de contribuição.
Tem uma guia que pode ser emitida para essa complementação.
Caso contrário vai aparecer no CNIS PREC menor que salário mínimo

Período de MEI
Nas aposentadorias por tempo de contribuição e nas aposentadorias por tempo em regra de
transição não é computado, exceto se houver a complementação.
Serviço Militar
35
Raquel Prado

Fez tiro de guerra, não estava concomitante com atividade laboral remunerada, esse período
de 6 meses deve ser computado (art. 188-G), será contado desde o início da atividade até a
data do desligamento.
Se prestou serviço militar vai computar, não é só o mês de serviço, é de data a data, da entrada
ao desligamento.

Deve aumentar o tempo de contribuição ao máximo até 13/11/2019 porque tem uma
flexibilidade maior, inclusive ao enquadramento de atividade especial. Depois dessa data, ela
tornou-se complicada, então quanto mais tempo até 13/11/2019 eu conseguir aumentar para
meu cliente vou dar a opção dele escolher, a possibilidade de aposentar quando ele quiser.

Análise conclusiva
Deve analisar todas as possibilidades até 13/11/2019 (juntar todas as contribuições até
13/11/2019).
Se eu configurar direito adquirido, ou seja, por exemplo, uma aposentadoria por tempo um
homem com 35 e a mulher com 30 anos de contribuição, posso requerer esse benefício a
qualquer tempo, porque todas as análises do INSS param em 13/11/2019, inicio de vigência
da EC 103/19.
A configuração do direito adquirido está na EC 103/19, no art. 3°, inclusive com relação aos
valores do benefício.

Retorno do cliente
Depois que eu analiso, chamo o cliente para um retorno, para saber se ele quer a
aposentadoria com base no direito adquirido.
Se o cliente já tem o tempo, mostro para ele o valor do benefício, se o cliente não tem o tempo
eu ofereço um planejamento previdenciário, mostrando a situação atual e fazendo uma análise
contributiva para verificar melhoras da situação.

Quando o cliente chega, devo mostrar todas as estratégias utilizadas para aumentar o tempo e
que o advogado é indispensável, que ele sozinho não consegue, mostrar as deficiências do
sistema do INSS.

Contrato de honorários
É um contrato só, pouco importa se será administrativo ou judicial. O objeto do contrato é a
concessão do benefício.
Se for 100% administrativo, somente cobrar a concessão do benefício. Só cobro sobre os
atrasados se tiver.
Cláusulas indispensáveis:
Cláusula 3: “Para a execução dos trabalhos acima mencionados, o CONTRATADO fará jus
ao pagamento das seguintes importâncias:
- O Equivalente a (número de benefícios) salário de benefício que o CONTRATANTE fará
jus na implantação do benefício
- o equivalente a _____ % do valor que o CONTRATANTE vier a receber no processo a
título de atrasados, quando o mesmo receber, e se ele receber”

Exclusiva de processos judiciais:


Cláusula 4: “Se o CONTRATANTE optar por destituir o CONTRATADO, ficará sujeito ao
imediato pagamento de ______, independentemente do estado e resultado final da ação
judicial.”
36
Raquel Prado

Cláusula 5: O CONTRATANTE concorda que seja destacado da RPV (requisição de pequeno


valor) ou precatório o valor dos honorários contratados e afirma através deste instrumento que
está ciente de que referido valor será descontado das parcelas atrasadas e que por ventura
tenha direito.

O contrato deve ser transparente, deve ser para ambas as partes.

Cliente esquece quanto deve? Protegendo o advogado


PAGAREI A TÍTULO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS A IMPORTÂNCIA DE

____ SALÁRIOS DE BENEFÍCIOS (RENDAS)


+
____ % DOS VALORES ATRASADOS

Data:
Assinatura do segurado:
Testemunhas:

Caso o segurado não tenha implementado todos os direitos para aposentadoria: Regras de
transição

Regra de transição 1 – regra de pontos:


Requer no mínimo 35 anos de contribuição para homem
No mínimo 30 anos de contribuição para mulher
No ano de 2020, precisa ter 87 pontos para mulheres e 97 para homens.
Não tem fator previdenciário
A cada um ano, aumenta 1 ponto
Não tem idade mínima
Para homens, bloqueia quando chega em 105 pontos (2028), para mulher em 100 em 2033
A aposentadoria nas regras de transição, exceto na regra de pedágio de 50% ela começa em
60% e aumenta 2% por ano que exceder 15 anos para mulher e 20 anos para homem, o
homem com no mínimo 35 anos vai ter 90% sem incidência de fator. Se for um homem com
42/44 anos de contribuição, 24 excedeu 20 vezes 2 vai se aposentar com 108 %
Quanto mais tempo de contribuição o segurado tem, menos idade ele precisa ter

Regra de transição 2 – Idade mínima


Requer 30 anos para mulher / 35 anos para homem
Mulher: 56,5 e homem 61,5 de idade e assim até chegar em 2027, que será exigido 65 para
homens e mulheres 62 anos.
Não tem fator previdenciário
60% + 2% por ano de contribuição que exceder os 15 anos mulher/20 para homem, no
mínimo vai ser 90%
Não precisa ter 30/35, muitas vezes precisa esperar a idade chegar
Essa regra é legal para quem tem uma idade mais avançada

Regra de transição 3 (regra exclusiva)


Para quem tem mais de 28 anos de contribuição se mulher e mais de 33 anos se homem.
Essa regra serve para quem estava a menos de 2 anos de preencher os 30 anos se mulher e os
35 se homem
37
Raquel Prado

Não tem idade mínima, não tem pontuação, tem um pedágio de 50%, ou seja, o cliente tem
que pagar metade do tempo que faltava para preencher 30 anos se mulher e 35 se homem na
data da reforma da previdência. Ex: Mulher com 29 anos de contribuição, faltava 1 ano, ela
vai ter que pagar + 6 meses
Nessa regra no máximo se aposenta com 31 e o homem no máximo aposenta com 36
Ela tem fator de previdenciário. Eu uso o salário de benefício pós reforma que é a média dos
100% com aplicação do fator previdenciário. O coeficiente nessa regra é 100%
Financeiramente é a regra mais desvantajosa para o cliente

Regra de transição 4 – pedágio 100%


Possui idade mínima
Tem que pagar o dobro.
60 anos de idade se homem e 57 se mulher
35 anos se homem e 30 se mulher + 100% do tempo que faltava para atingir o tempo de
contribuição.
Ex: Homem com 31 anos de contribuição, terá que pagar 4+4 e terá que ter também 60 anos
de idade.
OBS: essa idade não é progressiva
Tem o coeficiente de 100%, não aumenta, bloqueia ali nos 100%

Quem escolhe é o cliente, o cliente precisa viabilizar possibilidades através de planejamento


previdenciário, análise contributiva
É importante manter um vínculo com o cliente. Fazer uma pasta de futuros contatos.

Técnicas de atendimento nos benefícios por incapacidade

Análise inicial – reconhecendo direitos


- CTPS/Carnês
- CNIS – “o melhor”
- Carta do INSS concedendo/indeferindo o benefício
- Laudos médicos

Portal “Meu INSS” é imprescindível

Atenção com as ações de conversão de auxilio doença em aposentadoria por invalidez


Tem que fazer o cálculo, a análise contributiva do cliente para ver se é viável solicitar a
aposentadoria permanente (invalidez)

Atendimento ao cliente é a base de um processo com êxito.


O CNIS do cliente deve ser analisado a fundo.
O segurado que recebe um salário maior que o salário mínimo, pode receber menos na
aposentadoria por invalidez.
O coeficiente do auxilio doença é o mesmo desde 1991, já o de aposentadoria por invalidez
mudou.

Art. 44, I, II e alíneas do DEC 10410/2020

Aula 05
38
Raquel Prado

Apresentação dos Benefícios


Professora Gláucia Cordeiro
A previdência social faz parte de um grande sistema que se chama seguridade social.
A seguridade social é formada por saúde, assistência e previdência.
O INSS está encarregado de garantir a concessão, a manutenção de alguns benefícios, em sua
maioria previdenciários. Mas temos também benefício assistencial (BPC para idoso ou para o
deficiente), tendo em vista o pagamento de um salário mínimo e a organização do INSS em
todo país, ele também faz a gestão desse benefício. Esse benefício é mantido, gerido e pago
pelo INSS

Lei de benefícios: Lei 8213/91


Lei de custeio: Lei 8212/91
Várias outras leis, decretos e portarias que regulamentam (destaque para o regulamento da
previdência social = Decreto 3048/99 e a IN 77/2015, que é a instrução normativa que o INSS
aplica para conceder os benefícios e para administrar os processos administrativos em curso
de concessão, revisão e manutenção de benefícios.
Muitos segurados chegam até o advogado querendo se aposentar, quando na verdade querem
esse benefício assistencial, portanto, vale lembrar que o BPC não trata-se de aposentadoria.
A CF/88 regulamenta quais são os riscos/sinistros que são cobertos pelo INSS.

Art. 201 CF – Forma de participação


A previdência social é organizada e nós temos uma cobertura em que a filiação é obrigatória,
ou seja, o segurado não tem uma margem para escolher participar ou não desse seguro social.
A filiação é obrigatória, então ele deve recolher as contribuições, participar do plano de
benefícios e ter uma contrapartida lá na frente. Além disso, o sistema previdenciário deve
manter um equilíbrio financeiro e atuarial para que ele consiga pagar os benefícios e atender
os segurados.

Temos duas classes: dependentes e os segurados.


Os segurados estão ligados diretamente à previdência social pelo trabalho remunerado e
também pela contribuição.
Os segurados facultativos estão ligados ao INSS porque querem voluntariamente participar do
seguro social e acontecendo algum fato da vida que enseja um benefício, possam usufruir
desses benefícios existentes.
A outra classe é a dos dependentes, que embora não tenham nenhuma ligação com a
previdência social (pode ser que tenham, mas em regra não precisam ter), eles têm um vínculo
com o segurado que está vinculado ao sistema.
O dependente tem uma relação com o segurado, e em razão desse liame, que pode ser um
critério familiar e também a dependência econômica, ele pode fazer jus a algum benefício.
São dois benefícios pagos aos dependentes:
- auxilio reclusão
- pensão por morte

Os demais benefícios são pagos aos segurados.


Quais são os benefícios?
4 aposentadorias = aposentadoria por invalidez, (agora com a nomenclatura alterada para
incapacidade permanente), aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de contribuição
39
Raquel Prado

(extinta, tendo em vista que hoje se exige idade + tempo de contribuição) e aposentadoria
especial:
Embora a aposentadoria por tempo de contribuição tenha sido extinta, para quem já estava no
sistema quando foi alterada, promulgada e alterada a EC 103/19, aquele segurado que tiver
direito adquirido vai poder usufruir da aposentadoria por tempo de contribuição. Aquele que
não tiver direito adquirido vai poder acessar alguma das regras de transição. Aquele que
adentrar no sistema depois e que não preenche nenhum dos pressupostos das regras de
transição, terá que fazer jus a alguma aposentadoria programada existente no sistema.

3 auxílios = auxilio doença (agora com a nomenclatura alterada para auxilio por incapacidade
temporária).
O que dá ensejo a um benefício previdenciário não é a doença, mas sim a incapacidade. Pode
ser que o segurado esteja doente e aquela doença o incapacite para a atividade habitual, aí sim
ele terá a concessão do benefício, mas pode acontecer também da pessoa estar doente e
totalmente apta laboral remunerada.
Auxílio acidente
Auxílio reclusão

2 salários = salário família, pago para aquele que é baixa renda, em razão do número de filhos
até 14 anos de idade (existe um critério legal em uma portaria estabelecendo o valor que
configura a pessoa como baixa renda). Nessa possibilidade o segurado vai ter uma cota parte
de acordo com o número de filhos que ele tenha até 14 anos de idade ou inválido de qualquer
idade.
Além disso, temos o salário maternidade, que é em razão do parto ou adoção

Pensão por morte e seguro desemprego, todos eles são benefícios pagos em espécie, em $

Serviços prestados aos dependentes e aos segurados:

Habilitação: Para aquele segurado que nunca exerceu uma atividade laborativa remunerada
possa entrar no mercado de trabalho, mas quer exercer e precisa passar por um conhecimento,
um curso.

Reabilitação : Benefício pago em razão de uma órtese/prótese; ou pagamentos para que o


segurado realize sua própria reabilitação, se feita em município diverso daquele que ele
reside; ou até mesmo necessite de estadia se tiver que ficar em outra cidade, inclusive, se
comprovada a necessidade, o benefício pode ser pago a acompanhantes. É devido para
aquelas pessoas que trabalhavam e precisam voltar ao mercado de trabalho, mas em razão de
alguma situação ficou incapacitada para o trabalho, então ela precisa voltar a exercer um novo
ofício ou ser reabilitada na mesma atividade que já exercia.

Serviço social: tudo aquilo que é ofertado na agencia de previdência social como serviço de
informação, além de todos os serviços multidisciplinares. (Assistente Social)

Relação Segurado x INSS = Inscrição e Filiação

Para que uma pessoa tenha direito a um benefício (dependente ou segurado), ela precisa estar
vinculada ao INSS de alguma forma.
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Raquel Prado

Como segurado ou dependente, a pessoa precisa manter uma inscrição perante o INSS e essa
inscrição embora seja um ato único, observa-se que vários segurados tem mais de uma
inscrição.
Posso estar inscrito para o INSS e não ser filiado. Então, existem inscrições de pessoas
filiadas e não filiadas.
Quando a pessoa passa a ser cadastrada do INSS, ela passa a constar no extrato do CNIS
(extrato previdenciário), onde serão identificados os dados do segurado (informações pessoais
e vínculos laborais) que constarão nesse grande banco de dados da previdência social. A partir
desse cadastro, a pessoa se torna visível para o INSS. É um ato formal, ato único, em que o
INSS vai ter acesso a todas as informações (pode ser filiado ou não).

Existe uma vedação quanto a inscrição post mortem. A regra deve ser o segurado se filiar e
vincular ao INSS quando ele está vivo, o dependente da mesma forma.
Existe uma exceção quanto ao segurado especial. O segurado especial não tinha um cadastro,
isso vai ser implementado gradualmente, mas a tendência é que o segurado especial também
tenha esse cadastro e não venha apenas fazer a prova perante o INSS somente no momento da
aposentadoria ou no momento de requerer um benefício à previdência social, mas o segurado
especial busca o INSS quando precisa de algum benefício, então via de regra o seu cadastro e
seus dados não constam no CNIS.

Formas de inscrição
- NIT – Número de inscrição do trabalhador
- PIS e PASEP que antigamente eram o NIT , serve para identificar o trabalhador perante à
previdência social, quando ele vai recolher o carnê é aquele número que ele vai utilizar no
preenchimento da guia da previdência social.
- NIS – serve de base para fins de cadastramento para programas do governo social, SUS,
bolsa família

Em MEU CADASTRO – MEU INSS, constará o número de inscrições. Existem pessoas que
têm mais de um número de identificação, se isso ocorrer pode ser que essa informação não
esteja unificada no mesmo extrato previdenciário.
Como faço para unificar essa informação?
É preciso solicitar o ELO, quando o INSS faz o ELO ele junta todas as informações. Toda vez
que ele for pesquisar no banco de dados da Previdência pelo NIT “x”, toda a informação do
NIT “x”, “y”, “z” e quantos mais o segurado tenha, vai trazer toda a informação unificada em
um único extrato previdenciário.
Isso é importante, pois quando vamos identificar o CNIS e não achamos informações (falta
muita coisa), acaba sendo um sinal de alerta, porque pode ser que o cliente tenha mais de uma
inscrição e temos que pedir a unificação (chamada de ELO). Uma vez unindo esses NIT’s
toda vez que a informação for solicitada virá num único extrato previdenciário.

Entendendo como o segurado, dependente e a própria previdência irão se relacionar e nisso


terei direito a uma prestação previdenciária: o benefício.
O benefício decorre então de uma hipótese de fato gerador.
Exemplo: Estou grávida. A partir do momento em que eu der à luz, tiver o parto, surge a
hipótese de um fato gerador.

Tem que demonstrar para a previdência os pressupostos legais preenchidos. A partir do


momento que eu preenchi todos os pressupostos legais, o INSS tem um ato vinculado que é
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Raquel Prado

conceder aquele benefício, porém, além dos pressupostos legais, tem que demonstrar um ato
de vontade.

Para que tenha direito a qualquer benefício, tem que estar filiado a previdência ou ter
qualidade de segurado. Se for dependente necessita demonstrar qualidade de dependente.

O que é filiação quando se trata dos segurados?


Art. 201 CF/88 – Filiação Obrigatória e Facultativa
Filiação é aquela pessoa que se relaciona com a Previdencia Social, na qualidade de segurado
mediante recolhimentos para a previdência social, como segurado obrigatório ou facultativo.

Quando a filiação é automática?


Quando a pessoa exerce atividade laboral remunerada, ou seja, toda vez que exercer uma
atividade laboral remunerada, ou seja, toda vez que exercer uma atividade laboral
remunerada, seja ela formal ou informal, será segurado obrigatório da previdência social.
Observação: Revendedora AVON é segurada obrigatória, e se não está contribuindo, está
inadimplente com a previdência social. Mas ela tem um dever para que tenha direito a uma
contraprestação

Segurado facultativo: Não tem filiação obrigatória, ou seja, ele não exerce nenhuma atividade
laboral remunerada, mas pode fazer parte do sistema se filiando de forma facultativa. Nesse
caso, ele vai recolher entre o salário mínimo até o valor do teto, o valor que ele quiser,
enquanto os segurados OBRIGATÓRIOS recolhem com base na sua remuneração dele ou
com base no que vem na carteira.

Segurados obrigatórios são: segurado individual, segurado especial, doméstica, trabalhador


avulso, empregado.

A filiação para o segurado facultativo é formalizada por meio de uma inscrição e por meio do
primeiro pagamento sem atraso.

Formalidades para o segurado obrigatório:


O segurado empregado, por exemplo, vai preencher o documento do contrato de trabalho que
é a própria CTPS
Para o trabalhador avulso, os pressupostos são muito parecidos com o do empregado, até
mesmo por força Constitucional que estabelece, que a relação é muito parecida com a do
empregado embora tenha uma categoria diferente de filiação. O trabalhador avulso é pelo
preenchimento do documento de cadastro e registro no órgão gestor de mão de obra ou então
no sindicato.
O empregado doméstico, pelo preenchimento do contrato de trabalho também e pelas
informações prestadas no e-Social.
O contribuinte individual, pela apresentação do documento que caracterize a sua condição no
exercício da atividade profissional, liberal, autônoma, empresários (antigamente havia uma
nomenclatura diferente, o empresário tinha uma categoria própria, agora faz parte da categoria
de contribuinte individual). O MEI é um contribuinte individual também.
O especial, exerce em regime de economia familiar, sua atividade rural. Como provar? Quem
é o segurado especial? Como se filia? Através do documento que compra o exercício daquela
atividade rural e no grupo familiar, de subsistência, mútua coloboração, desenvolvimento
socieconomico familiar (esse segurado vai comprovar sua atividade laboral, ele tem uma
definição diferente quanto a prova da qualidade de segurado – Pode contribuir de forma
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Raquel Prado

facultativa, pois a contribuição para o segurado especial não é obrigatória. Então trata-se de
figura diversa, pois o regime é contributivo/retributivo. O segurado especial não precisa
recolher, é facultativo. A contribuição dele é sobre a comercialização, sobre a venda da
produção que ele produz no exercício da sua atividade rural)
O segurado facultativo é aquele que pode se filiar ao sistema mediante a contribuição, então
com a apresentação de seus documentos pessoais, sua inscrição e sua expressa declaração de
que não exerce nenhuma atividade laboral remunerada, porque se exercer alguma atividade
laboral remunerada, ele é segurado obrigatório e não facultativo. Além disso, o segurado
facultativo não pode ter nenhuma outra vinculação com relação ao segurado obrigatório ou
outro regime.
Exemplo: Um servidor público vinculado ao RPPS não pode de forma alguma se vincular de
forma facultativa ao RGPS. De forma obrigatória poderá, pois decorre da lei. Exerceu
atividade remunerada que vincule ao RGPS, iniciativa privada, portanto, ele vai ter que
contribuir porque é uma obrigação. E assim ele está filiado e vai poder fazer jus aos
benefícios desse sistema que é o RGPS
Agora como facultativo, há uma vedação está no artigo 201 §5 CF/88

Qual serviço ofertar para quem contribuía nessa modalidade e é servidor público?
A devolução desses valores das últimas 60 contribuições vertidas nessa modalidade (últimos 5
anos). Não consegue buscar mais.

Diante de todas as filiações que existem, o segurado ao longo da vida pode ter passador por
várias dessas categorias. Quando fazemos análise de um benefício, a dificuldade maior é
identificar, pois cada espécie de benefício existe uma forma diferente de mostrar que aquela
pessoa está filiada em determinada categoria.

Se o segurado começou como especial, depois começou a trabalhar como empregado, com 2
filiações ao mesmo tempo. O segurado que tenha mais de uma filiação ao mesmo tempo é
segurado em ambas e deve recolher em ambas filiações. Depois ele foi exercer uma atividade
informal e foi recolher, ficou desempregado. Então existem várias formas de filiação, no
entanto quando pegamos o histórico do cliente e vamos fazer a análise, vamos olhar todo esse
histórico e prestar atenção que cada período é uma forma diferente, são documentos diferentes
para fazer aquela comprovação. Se administrativamente, é necessário fazer uma justificação
administrativa (J.A.), preciso buscar prova mais robusta, prova testemunhal, tudo isso será
observado diante daquela particularidade, diante daquela categoria que o segurado está filiado
naquele momento.
Inscrição: Uma única vez
Filiação: São várias

O segurado desempregado pode contribuir como facultativo.

Beneficiário é toda pessoa física que pode usufruir dos benefícios ou serviços da previdência
social.

Beneficiários:
- Segurados obrigatórios
- Segurados facultativos
- Dependentes
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Raquel Prado

Segurados obrigatorios são os empregados, empregados domésticos, trabalhador avulso,


segurado especial, contribuinte individual.
Existe alguns requisitos legais para que o segurado se enquadre naquela situação. Pode ser
que eu veja um segurado e embora ele esteja filiado, cadastrado numa situação, a gente passa
a observar os pressupostos que caracterizam aquela situação e observamos que não está
condizente
Ex: Um segurado diz que trabalha das 7h as 17h, tem subordinação, o patrão dá ordens, tem
que estar na empresa todos os dias nesse mesmo horário, obedece funções (subordinado), mas
não tem registro em carteira.
Esse segurado embora tenha todas características de um trabalhador empregado, na prática as
vezes recolhe como pessoa jurídica, quando na verdade deveria ser caracterizado como
empregado. Tudo isso tenho que observar, porque pode ser que eu tenha que fazer prova da
real filiação que aquele segurado esteja na prática exercendo.

Todos os trabalhadores urbanos e rurais podem ser caracterizados como empregado


O segurado especial NÃO é o único trabalhador rural, temos empregados rurais, contribuintes
individuais que também é rural, trabalhadores avulsos que também podem se caracterizar
como trabalhadores avulsos rurais.
Preciso entender se meu cliente é empregado rural, segurado especial, contribuinte individual
rural, trabalhador avulso rural, porque na prática vai mudar. O empregado rural tem as
mesmas características de um empregado urbano, salvo que a atividade é predominantemente
rural.

Todos esses segurados são segurados obrigatórios da previdência

Segurados:
- Art. 11 da Lei 8013/91
- Art. 12 da Lei 8.212/91
- Art. 9° do Decreto 3048/99
- Art. 2° e seguintes da IN77/2015 INSS PRES.

Obrigatórios:
- Empregado – Pessoa física que presta serviço; remunerada; subordinação (não
eventualidade) onerosidade (contraprestação pelo exercício daquele trabalho) pessoalidade
(ele mesmo exerce aquela atividade, não pode mandar outra pessoa em seu lugar), seja
empregado urbano ou rural.
- Empregado doméstico: Trabalhador que presta serviço na residência de uma pessoa ou
família, sem qualquer finalidade lucrativa. Devemos lembrar que não é só a empregada
doméstica que exerce atividade limpando a residência ou cuidando das crianças que é
empregado doméstico, vários trabalhadores podem caracterizar (exemplo: motorista particular
da família, cuidadora de idosos, enfermeira que cuida de alguém na residência da pessoa);
pessoas físicas que exercem a atividade com pessoalidade; não eventualidade; subordinação
jurídica; onerosidade; presta serviços à família ou à pessoa no âmbito familiar com finalidade
não lucrativa.
Ex: Dona Maria trabalha na minha casa. Se resolvo fazer salgadinhos em casa e coloco dona
maria para me ajudar, a partir desse momento dona Maria não é mais minha empregada
doméstica, passa a ser somente empregada, porque passa a ter cunho de atividade lucrativa,
dona Maria passa a exercer uma atividade comercial
- Trabalhador avulso: trabalha pra empresa, mas não tem vínculo empregatício e a contratação
ou é feito pelo órgão gestar da mão de obra ou sindicato. Temos um tomador de serviço, o
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Raquel Prado

sindicato e o órgão gestor de mão de obra. Em regra funciona com o trabalhador avulso
prestando serviço para o tomador, mas todas as obrigações, todos os recolhimentos são
efetuados pelo sindicato, então o tomador vai repassar para o sindicato, para o órgão e assim
ele vai fazer o pagamento da remuneração e todos os encargos, como as contribuições social.
Por força do art. 7°, inciso XXXIV, CF, ele terá a mesma característica que os empregados.
Ex: Ensacador de frutas, portuários
- Contribuinte individual: empresário; profissional liberal que trabalha de forma autônomo;
presta serviço tanto para pessoa física, quanto para pessoa jurídica (taxistas, diretores,
síndicos que tem remuneração, pipoqueiro, dentista, advogado, empresários, comerciantes,
médicos, médico residente é contribuinte individual – para que ele conte aquele período deve
contribuir; uma característica do contribuinte individual ele mesmo efetua a contribuição,
exceto se trabalhar para a pessoa jurídica, pois esta deverá recolher, desde abril/2003 existe
essa particularidade. Ex: Morreu o contribuinte individual e ele prestava serviço para pessoa
jurídica, se a pessoa jurídica não fez a retenção ou não recolheu aquela contribuição, ele não
sofrerá prejuízos, porque nesse caso a destinação da realização daquela contribuição não é
própria, ou seja, não é ele que deve efetuar, mas sim O MEI também tem sua característica
específica, regulamentada pela LC 128/2008 e a 123/2006, ele vai ter faturamento limitado a
R$ 81.000,00 ao ano, contando de jan a dez. Se ele trabalhou metade do ano, ele poderia
auferir 40,500 (MEI). Também tem algumas características: não pode ser servidor, não pode
participar como sócio administrador, nem titular de uma outra empresa, pode contratar no
máximo 1 empregado e deve exercer algumas atividades definidas em uma resolução, não são
todas atividades que se enquadram nessa situação. O boia fria (trabalhador volante), mao de
obra rural, também é contribuinte individual. Depende do serviço típico e a relação, porque
via de regra muitas empresas por exemplo empregam esses trabalhadores, então ao invés de
serem considerados como contribuintes individuais boia frias, de repente eles exercem uma
atividade e uma relação de emprego, tendo em vista que o caráter não é eventual, então
devemos identificar essa particularidade inclusive quando formos fazer a prova
- Segurado especial: Trabalha com atividade rural (pecuária, agricultura, produtor, parceiro,
meeiro, arrendatário, pescador artesanal. Todos eles trabalham em regime de economia
familiar, ou seja, um dos critérios que tem que demonstrar para que faça jus a esse benefício
(trabalho desenvolvido por todos os membros do grupo familiar: cônjuge, companheira, filhos
maiores de 16 anos, muito embora tenha decisões reconhecendo o trabalho de menor de 12,
14 anos). Esse segurado especial desenvolve atividade rural no âmbito familiar, com mútua
colaboração e finalidade da sua subsistência. Ele planta para comer e para trabalhar.

Atividade reconhecida é aquela considerada lícita, mas existe a possibilidade de atividade


ilícita ser reconhecida? Sim. Contravenção Penal do jogo do bicho por exemplo já teve
reconhecimento pela Justiça do Trabalho como pagamento, inclusive para fins previdenciários
o seu recolhimento. Temos recolhimento do TRT e TST nesse sentido.

Filiação que excluídas todas essas ditas acima, aquele que não exerce atividade laboral
remunerada pode se filiar perante à previdência de forma facultativa, mediante recolhimento,
ou seja aqui é voluntária, não existe obrigatoriedade, se filia e recolhe para a previdência se
quiser e eu tenho uma contraprestação se assim o fizer, se cumprir com essas obrigações.

Segurados facultativos são:


- Dona de casa
- Estudante (16 anos)
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Raquel Prado

- Estagiário bolsista, que não são considerados como empregados, não tem contribuição,
somente será contado esse período de estágio se eles efetivamente recolherem para a
previdência social, porém, se não for respeitado todos os critérios da lei de estágio poderá sim
ser considerado como empregado, mas isso dependerá de uma prova.
- A pessoa que está desempregada, ou seja, não está vertendo contribuições porque não exerce
atividade laboral remunerada, ela pode passar como desempregada a recolher como
facultativa? Sim. A vantagem que será aplicada quando a gente for olhar para a qualidade de
segurado a anterior filiação, não a filiação como facultativo que ela tem uma qualidade de
segurada mais reduzida, um período de graça menor. Vamos ver que pode ser aplicada a
anterior
- Brasileiro residente no exterior pode contribuir se não tiver filiado a nenhum regime
previdenciário
- Membro de conselho tutelar
- Segurado afastado em gozo de benefício pelo decreto 10410/2020 (novidade)
- Síndico não remunerado, que não tem isenção nenhuma do condomínio
- Segurado baixa renda, que é aquele que tem renda familiar de até 2 salários mínimos inscrito
no CadÚnico (cadastro dos programas sociais do governo federal) pode recolher 5% do
Salário Mínimo, ou seja, ele vai poder ter direito a um benefício no valor de salário mínimo.
Isso veio para favorecer às donas de casa que se dediquem exclusivamente à sua residência,
então não é qualquer pessoa. Só pode se aposentar pela aposentadoria por idade, então não sai
a aposentadoria por tempo de contribuição, tem essa previsão. (art. 21 da lei de custeio)

OBS: Temos também a filiação obrigatória a partir dos 14 anos na condição de aprendiz. Na
condição de segurado facultativo é a partir dos 16 anos de idade.

Contribuinte em dobro: é o antigo nome do contribuinte facultativo, quando ele deixava de


contribuir porque tinha acontecido uma situação de desemprego, ele podia contribuir. Por que
era chamado de contribuinte em dobro? Porque ele contribuía como se fosse para ele e a
contribuição do empregador, ou seja, era em dobro.
Foi criada pela lei 3817/60 (LOPS – Lei orgânica da previdência social), e foi mantida até 24
de julho de 1991. Com a Lei 8213/91 (lei de benefícios atual) tivemos alteração, e o
contribuinte em dobro passou a se chamar segurado facultativo. É a mesma coisa. Mas
devemos entender, porque no CNIS pode constar essa expressão.

O segurado aposentado tem que contribuir para a previdência social?


Sim. É segurado obrigatório (art. 18, §2°), mas temos a seguinte particularidade, a própria lei
declara ele como segurado obrigatório, portanto tem que contribuir para a previdência social
se voltar a exercer atividade laboral remunerada, ou então nem ter se desvinculado à ela, mas
esse segurado tem muito pouca contraprestação dessa contribuição. Antes tinha uma ação
chamada desaposentação para reconhecer os períodos pós aposentadoria para rever, ele
acabava renunciando a aposentadoria para conceder uma nova aposentadoria considerando os
períodos anteriores e posteriores, isso caiu em 26/10/2016. Quais são os direitos que esse
segurado que volta ao trabalho teria como contraprestação? Teria só como contraprestação a
reabilitação profissional e o salário maternidade que é uma previsão do decreto (art. 103) o é
da lei, salário família se fosse baixa renda.
Tinhamos a discussão do princípio da contraprestação, porque contribui igual a todos os
segurados, mas a contraprestação é diversa.
O STF decidiu que não era possível a desaposentação, porque não havia uma criação por lei.
Tínhamos vários julgados repetitivos, teve a repercussão geral reconhecida no RE 661256 e
RE 827833, todos os dois de relatoria do Ministro Luís Roberto Barroso. Tínhamos uma outra
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Raquel Prado

discussão que estava com o Ministro Marco Aurélio, que era o RE 38367 para decidir se era
possível alterar a aposentadoria em curso tendo em vista as contraprestações vertidas com
relação as contribuições.
Ele debate foi encerrado e nós temos o tema 1065, que definiu que é constitucional a
contribuição previdenciária sobre aquele trabalho exercido pelo segurado aposentado.
A aplicação legal foi que sim, deve continuar a contribuir e este art. 18 §2° é totalmente
constitucional.

Dependentes:
São subdivididos em 3 classes: (lei 8213/91: art. 16)
1ª classe: cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado de qualquer
condição, menor de 21 anos ou uinvalido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o
torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente.
2º classe: os pais
3ª classe: o irmão não emancipado menor de 21 anos ou irmão inválido de qualquer idade,
assim declarado judicialmente.
(Antigamente tinha a 4ª classe: dependente por designação, foi vedada pela lei 9032/95, mas
até 28/04/1995 o segurado podia determinar/designar um dependente para fazer jus a pensão
por morte ou auxilio reclusão, que são benefícios pagos ao dependente)
A primeira classe é considerada classe preferencial e essa classe então não precisa demonstrar
a dependência econômica, apenas a relação de filiação, de companheiro (questão de critério
familiar)
A segunda e a terceira classe além do critério familiar, tem que demonstrar que dependem
economicamente daquele segurado.
O critério de dependência econômica pode ser total ou parcial, mas deve ser demonstrado.8

Alteração recente pela MP 871 convertida na lei13846/2019 que estabelece que essa prova do
critério de dependência econômica ou até mesmo da união estável, não pode mais ser
produzida por prova testemunhal, então desde jan/2019 temos que pelo menos ter um início
de prova material, ou início de prova documental que comprove a dependência econômica ou
então a união estável. No mínimo, o INSS vai exigir dois documentos, isso foi alterado pelo
decreto 10410/2020. Se esses documentos não forem suficientes à prova, mas tiverem o início
de prova documental, o INSS deve ofertar a parte a prova por meio de J.A. (justificativa
administrativa), por meio de oitiva de testemunhas. Então na esfera administrativa é possível
fazer essa prova desse vínculo ou da dependência econômica por meio da justificação
administrativa. Então apresenta os documentos e não sendo suficientes esses pode realizar
essa prova, é bom que peça.
No caso do dependente inválido, ou com deficiência intelectual mental, é importante para fins
de inscrição a perícia médica. O INSS vai fazer essa perícia médica federal para constatar essa
deficiência através de uma avaliação biopsicossocial (feita tanto por médio do médico, quanto
por uma avaliação social, é multidisciplinar)
A pensão por morte de dependente inválido maior de 21 anos que detenha de uma deficiência
mental ou intelectual: o INSS só vai conceder esse benefício se ela tiver ocorrido antes da
emancipação e antes da pessoa completar 21 anos de idade e desde que isso fique reconhecido
por perícia médica. Vão observar se essa invalidez surgiu antes do óbito e antes da
emancipação.
Como o Decreto 10.410/2020 que alterou o decreto 3048, que é o regulamento da previdência
social não houve alteração dessa situação, mas foi perdida uma oportunidade. Temos uma
ACP (ação civil pública) reconhecendo essa situação.
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Raquel Prado

A união estável é reconhecida, inclusive, para pessoas do mesmo sexo, desde 2001 temos esse
reconhecimento, porque o INSS em razão de uma ação civil pública veio reconhecer na
portaria 513.

O ex companheiro ou cônjuge também tem direito a pensão por morte?


Duas situações para observar:
Se ele já recebia prestação alimentícia por decisão judicial, essa situação é meio automática,
vai bastar que o ex cônjuge ou ex companheiro, comprove junto ao INSS, essa dependência
econômica mostrando o título executivo judicial que ele recebia pensão alimentícia. Nos
mesmos critérios legais que é exigido para um cônjuge, só que o cônjuge não tem a
dependência econômica.

E para o ex cônjuge que tenha renunciado os alimentos depois do divórcio?


Ele também terá direito, é reconhecida a dependência econômica superveniente, porque os
alimentos por mais que tenha renúncia, eles são considerados irrenunciáveis. Então há sim o
reconhecimento (súmula 336 do STJ, que reconhece que a mulher que renunciou os alimentos
tem direito a pensão previdenciária caso ela venha comprovar a necessidade econômica
superveniente, ou seja, naquele momento ela não tinha aquela necessidade, mas ela surgiu
posteriormente e isso já está pacificado)

Temos a proteção à família – art. 226 §3 CF/88 – inclusive estabelece que deve ser
privilegiada essa união estável, não necessariamente entre homens e mulheres, podendo ser
relações homoafetivas, inclusive sendo facilitada sua conversão em casamento.

União estável – Quais requisitos e critérios legais?


São aquelas pessoas que querem constituir uma entidade familiar, configurado na convivência
publica, duradoura, temos um objetivo de constituição de família. A união estável é protegida,
a proteção é garantida independentemente se houver ou não casamento.

Relações entre as concubinas: Temos algumas regulamentações no Código Civil, dizendo que
as relações não eventuais entre homens e mulheres impedidos de casar constituem
concubinato. Tivemos várias decisões nesse sentido em que o STF chegou a se manifestar
(não em repercussão geral) não reconhecendo essas relações de concubinato para fins de
concessão da prestação pecuniária de pensão por morte ou de auxilio reclusão. Temos
inclusive uma decisão do STF que diz que a relação de concubinato ela não é reconhecida.
Muito embora tivemos essa decisão, existem também reiteradas decisões do poder judiciário,
uma delas que chegou ao STF e virou tema 526 determinando que aquelas decisões de
concubinato de longa duração, elas também seriam respeitadas para fins de concessão de
benefício previdenciário (há decisões desfavoráveis, porém o STF vêm mudando sua
jurisprudência e pode alterar). Foi entendido pelo TRF da 3ª região que tem várias decisões
favoráveis que essa longa duração do concubinato ela seria protegida, tendo em vista que
ninguém fica com ninguém por um longo período de tempo se não queira formar uma família.

Qual a diferença da união estável para o concubinato?


Na união estável temos aquele companheiro desconhecendo a outra relação. Pode ser que o
segurado que veio a óbito, tinha um casamento e forma outra família, sem que uma família
que ele é casado saiba da existência da outra e vice-versa. Então nesse caso existe a proteção,
porque realmente existia a constituição de família naquela relação. Vai ter situações em que
os benefícios serão meados entre o cônjuge e a companheira ou entre mais de uma
companheira, pois a relação era desconhecida. Portanto, aquela que já tinha conhecimento
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Raquel Prado

daquela relação, já sabia que ele tinha esposa e filhos e interferiu naquela relação (relação
imprópria) não seria reconhecida, somente a união estável, mas temos várias situações que
temos que observar.
Exemplo: João era representante comercial em seu trabalho, ora estava na filial do RJ e ora
estava na filial em SP, sendo assim ele dividiu seu tempo entre as duas cidades. João
mantinha uma união estável com Maria há 15 anos, tendo inclusive um filho, e essa família
residia no RJ. Quando ele veio a falecer a sua esposa e seu filho passaram a receber a pensão
por morte. Acontece que o Pedro veio a requerer um benefício. A companheira que tinha
união estável achou estranho: Será que João tinha um filho fora do casamento? Quando foi-se
descobrir que havia uma meação, uma outra pessoa, descobriu que era uma pessoa maior de
21 anos. Então, o que acontecia era que João tinha uma relação homoafetiva com Pedro e
tinha uma relação de união estável também com Maria, e houve o reconhecimento de 02
uniões estáveis e tivemos a meação desse benefício na esfera judicial.
Temas 526 (possibilidade de reconhecimento da União estável) e 529 (reconhecimento de
relações homossexuais serem reconhecidas na união estável a meação)

Exemplo: Felipe é dependente do pai que era segurado da previdência social. Quando seu pai
veio a falecer e ele vai se habilitar na pensão por morte, ele tem menos de 21 anos, mas agora
em 2022 ele vai completar 21 anos e cursa faculdade. Felipe que é dependente poderá
estender com base na súmula 358 do STJ que diz que se um filho estiver cursando um curso
universitário ele pode receber pensão alimentícia até 24 anos de idade? Essa situação se aplica
também ao direito previdenciário? Pode-se trazer essa analogia? Essa é uma questão que foi
muito discutida, temos a Súmula 37 TNU/2015 – o maior de 21 anos mesmo cursando
qualquer faculdade, não detém a possibilidade de prorrogação desse prazo até 24 anos de
idade. Também é o entendimento do STJ já pacificado

Irmão ou filho maior inválido de 21 anos. Tivemos, em razão de uma ação civil pública de
MG que vale para todo território nacional, o reconhecimento de que o INSS deve já na via
administrativa, independentemente de quando ocorreu a invalidez, desde que tenha ocorrido
até a data do óbito, que seja considerado pelo INSS. Então temos a produção dos efeitos
conforme a portaria conjunta n° 4 que é do dia 05/03/2020 dizendo que para a data de entrada
do requerimento a partir do dia 19/08/2019 essa decisão alcança todos os dependentes. Essa
questão, houve a pensão por morte, a dependência do filho inválido ou irmão inválido quando
a invalidez tenha se manifestado após a maioridade ou emancipação mas até a data do óbito
do segurado, ela deve ser considerada. Inclusive o INSS trata que desde essa data de
19/08/2019 os benefícios que foram concedidos ou indeferidos por esse motivo, eles poderão
ser reanalisados.

O menor sob guarda vai deter a proteção?


Tínhamos a exclusão do menor sob guarda, pela lei 9528/97, muito embora existisse então
essa previsão legal da exclusão, nós tínhamos o reconhecimento desse menor sob guarda
porque é constitucional a defesa dos menores (inclusive o ECA que é uma lei própria
determinava essa situação), Temos essa particularidade reconhecida por uma decisão
(tema732 STJ), que disse que é dever da família e do Estado toda a proteção aos menores e
aos adolescentes, inclusive evitando que eles caiam em situação de negligencia e
discriminação então era pacifico na jurisprudência, o INSS deferia e tínhamos a concessão
mas renasce essa discussão porque a CF na EC 103/19 excluiu, trazendo afronta ao art. 227 e
afronta às decisões do STJ. Então teremos que discutir tudo de novo, a prioridade das crianças
e dos adolescentes e a proteção social.
49
Raquel Prado

E os filhos inválidos de qualquer idade?


A lei 13.063 trouxe uma particularidade – estabeleceu que o exercício de atividade
remunerada como microempreendedor não impede a concessão e a manutenção da quota
individual de pensão por morte que esse maior que tenha deficiência intelectual ou mental ou
deficiência grave possua. Então eles podem ser exercer a sua atividade e ainda assim receber
o benefício de pensão por morte. Temos outra particularidade: É isento de exame médico
pensionista inválido que complete 60 anos de idade. Ele só teria o dever de fazer exame
médico caso ele mesmo solicitasse. Então se ele quiser solicitar o exame para comprovar que
não é mais pensionista, que tem capacidade para o trabalho ele pode fazer ou até mesmo para
fins de concessão da curatela, mas não é obrigatório. Inclusive se o INSS exigir isso cabe
mandado de segurança, porque é um direito líquido e certo.

INSCRIÇÃO DOS DEPENDENTES


Se inscrevem quando eles forem requerer o benefício para comprovar aquela relação de
parentesco.
(Antes quando a gente tinha a designação do dependente, isso poderia ser feito pelo segurado
em vida, isso não existe mais)

Requisitos
- Ter qualidade de dependente do requerente
* O menor enteado se comprovar dependência econômica também tem direito á concessão do
benefício.
- Qualidade de segurado do segurado mantenedor à época do óbito

Cônjuge/Companheiro
- Comprovação de que o segurado tenha vertido 18 contribuições mensais, não é carência,
porque para esse benefício não existe carência
- Tempo mínimo de casamento ou união estável de 2 anos, ou a soma delas (ex: casado a 1
ano + união estável de 5 anos). Cuidado: Se não comprovar algum dos dois benefícios, o
INSS indefere o benefício ou concede benefício por apenas 4 meses para esses cônjuges ou
companheiros e depois cessa o benefício
Antes da alteração legal o benefício era vitalício, mas depois dependendo da idade do cônjuge
ou companheiro na data do óbito do segurado terá prazo de duração. Se for companheiro ou
cônjuge deficiente, invalido, ele comprovando essa situação não caberia esse prazo de
duração.

Segurado mantenedor: segurado que faleceu


OBS: independente de carência – art. 26, I, da lei de benefício.

Se na data do óbito ele não tinha qualidade de segurado, ainda assim seus dependentes farão
jus ao benefício?
Se ele já estava aposentado, já tinha o direito adquirido. Se ele não estava aposentado, mas já
preenchia os pressupostos para uma aposentadoria, também os dependentes terão direito. (art.
102, §2 da lei de benefícios)

A súmula 416 do STJ, diz que ainda que é devida a pensão por morte aos dependentes do
segurado que, apesar de ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para sua
manutenção de aposentadoria até a data do seu óbito.
50
Raquel Prado

Existe a hipótese do segurado que tenha alguma situação de emparedamento ou que estava
incapaz, é possível que o dependente comprove que ele estava incapaz naquela data, e assim
faça prova da sua qualidade de segurado dentro do período de graça. Mas é possível fazer essa
prova e assim configurar aquela qualidade de segurado alocando aquele dependente como
qualidade de dependente.

É possível a regularização da contribuição do contribuinte individual, após a sua morte?


A TNU, quanto o STJ (súmula 52), diz que não é possível a regularização, mas a partir do
decreto 10410/2020 existe uma particularidade, mas é recente (de junho para cá). Antes de
junho tínhamos o entendimento pacífico de que não era possível a regularização das
contribuições após o óbito do segurado.

Classe superior exclui para sempre classes inferiores. Ex: Se o segurado faleceu e não tinha
dependente de primeira classe, posso ir para a 2º classe. Se não tinha dependente de 2ª classe,
mas tinha de 3ª, pode passar para a terceira classe, mas uma vez que não tenha dependentes de
1ª classe exclui para sempre a 2ª e a 3ª classe. Vamos supor que a mãe tenha dependência
econômica, não importa, se tiver dependentes de 1ª classe a mãe não vai poder receber quota
parte de pensão por morte.
Os dependentes de mesma classe concorrem em igualdade de condições, cada um vai ter uma
cota parte no mesmo valor E após a EC 103/19 não temos mais a reversão da cota parte.

Legislação aplicada será aquela vigente na data do óbito do segurado, então se for requerer
uma pensão por morte hoje antes da EC 103/19 tem umas regras bem diferentes com relação
ao cálculo do benefício e posteriormente temos um benefício muito mais desvantajoso para os
seus dependentes, então são situações que vamos olhar sempre na data do óbito.
Art. 3° EC 103/2019

QUALIDADE DE SEGURADO (1:17:00)


Como me vinculo como segurado obrigatório/segurado facultativo?
A qualidade de segurado advém de uma condição que é atribuída para o segurado que está
filiado ao INSS por meio de uma inscrição e mensalmente por meio de uma contribuição
social, a Previdência Social, então nós temos um recolhimento. São considerados segurados
do INSS: empregado, empregada doméstica, trabalhador avulso, contribuinte individual,
segurado especial, segurado facultativo.
Acontece que o INSS é um grande Seguro Social, então ele protege também os segurados que
não conseguem verter contribuições. Não há perda da qualidade de segurado de forma
automática. Essa perda vai acontecer depois que o segurado passar por um período de graça.
Esse período de graça é um período que mesmo sem haver recolhimentos para a Previdência
Social, ainda assim o segurado mantem sua “qualidade de segurado” perante a previdência
social e tem a sua proteção garantida a todo e qualquer benefício. Após esse período,
extingue. Temos um prazo no qual o INSS não vai penalizar, não vão caducar os direitos, mas
se ele não recolher nesse prazo legal que vai depender da categoria em que o segurado está
filiado, podendo ser maior, menor, ou até mesmo estendido em algumas situações, então após
esse prazo perde a qualidade de segurado e aquele cidadão perde a proteção social, seja
segurado ou dependente.
Temos que observar no momento da concessão do benefício se aquele segurado preenche os
pressupostos, um deles é observar se ele detém a qualidade de segurado
Desde 2003, pela lei 10.666/2003, para as aposentadorias por idade, tempo de contribuição e
para a aposentadoria especial, não é necessário que o segurado tenha a qualidade de segurado,
51
Raquel Prado

basta ter preenchido os pressupostos legais de idade, carência, tempo de contribuição. Mas
deve-se observar que a maioria dos benefícios necessita de qualidade de segurado.
Quando ele está vertendo contribuições ele detém qualidade de segurado. Se ele começou a
trabalhar, mês seguinte terá que contribuir até o dia 15 se ele for individual, facultativo. Se ele
for empregado, trabalhador avulso, empregado doméstico no momento da filiação, no caso de
doméstico, trabalhador avulso, individual que presta serviço para PJ e o empregado para eles
a contribuição não é contribuição propriamente dita deles, é do empregador, do próprio
sindicato, do órgão gestor de mão de obra, da própria PJ, e nessa situação como eles são
substitutos, eles tem o dever de reter a contribuição dos trabalhadores e repassar para a
previdência social, então ela é de forma presumida, basta que se comprove o exercício da
atividade laboral nessas condições

Definição período de graça


- Art. 15 lei 8213/91, I , exceto auxílio acidente, que veio com a alteração da Lei 13.846/2019.
Antes o auxílio acidente contava para esses fins de manutenção da qualidade de segurado.
Pergunta: Como fica a situação daquelas pessoas que já tinham direito adquirido a ter mantido
a sua qualidade de segurado por prazo indeterminado enquanto estivessem recebendo auxilio
acidente? Lembrar que esse benefício tem caráter indenizatório, ou seja, aquele segurado pode
continuar vertendo contribuições e ele conta inclusive como salário de contribuição,, então
quando tivemos essa alteração não se soube como seria aplicado a norma para aqueles
segurados que já tinha direito àquele benefício, porque em tese ele teria direito adquirido a
pelo menos gozar de 12 meses de qualidade de segurado.
Tivemos então a portaria 231 de 23/03/2020 que veio dispor essa situação. Como fica aqueles
segurados que tinham aquela qualidade de segurado?
Destacou o seguinte: auxílio acidente concedido, ou que tenha a consolidação das lesões, até
dia 17/jun/2019, véspera da publicação da lei 13.846/2019, teria o período de manutenção da
qualidade de segurado mantido por 12 meses iniciado a partir de 18/jul/2019, ou seja, todos
aqueles que tiveram o benefício concedido até o dia 17/jun/2019 terão respeitados então,
contados a partir do dia 18, esses 12 meses do período de qualidade de segurado.
Para todos os demais benefícios, nós temos então essa situação mantida. O auxílio acidente
então com fato gerador a partir do dia 18 ele não terá esses efeitos automaticamente.
Ex: Teve um auxílio acidente concedido até dia 17/jun/2019 perfeitamente essa pessoa vai ter
extensão por 12 meses. Benefícios concedidos a partir do dia 18/jun terão então a concessão
desse benefício, claro, porém quando for contar aquele auxilio acidente ele não será
computado para fins de manutenção dessa qualidade de segurado por 12 meses.

- Art. 13 do decreto 3048/99


Período que o segurado vai manter a sua condição perante a previdência, independentemente
de estar realizando contribuições

Hipótese em que não perde qualidade de segurado (período de graça)

- Art. 15, inciso II da lei 8213/91: Mantém a qualidade de segurado, independentemente de


contribuições, até 12 meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de
exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou
licenciado sem remuneração
Ou seja, aquele que estava exercendo atividade remunerada abrangida pela previdência e
deixar de exercer essa atividade (ficar desempregado, preserva a condição de segurado por 12
meses, então vamos olhar qual foi a última contribuição vertida e 12 meses para frente ainda
ele vai manter a qualidade de segurado.
52
Raquel Prado

Discussão: Emparedamento: Quando o segurado retorna para a empresa e a empresa não


quer por conta da alta médica programada, entendendo que o segurado não está apto, e aquilo
pode causar um acidente no ambiente de trabalho, prejudicando a saúde do trabalhador e
também a dos próprios colaboradores que ali trabalham, a empresa às vezes cria um obstáculo
ao retorno daquela atividade, então o segurado fica no emparedamento: o INSS diz que ele
está apto, a empresa diz que não está. Como fica essa situação? O empregado acaba ficando à
própria sorte, porque ele não tem nem o pagamento do benefício por incapacidade nem o seu
salário garantido.
Sempre lembrar que a alta médica programada goza de presunção de veracidade, de
legalidade, de auto executoriedade.

Quando o segurado sai em benefício por incapacidade acontece o seguinte: o contrato dele
fica suspenso. Quando então ele tem alta programada, aquele contrato de trabalho ele volta a
fluir normalmente, todas as obrigações retornam, inclusive o pagamento do salário. Então
quando é criado esse obstáculo sempre temos que tomar cuidado com relação a isso: sempre
notificar a empresa, para que aquela pessoa não tenha caracterizado abandono de emprego,
porque se ele não comparece no trabalho uma vez que ele teve alta médica 30 dias, a pessoa
não precisa nem notifica-lo, já pode diretamente demitir por justa causa, por abandono de
emprego. Sempre orientar ao segurado para sempre retornar à empresa, se ele não se encontra
apto, deve demonstrar por meios de atestados médicos e assim ele não tenha nenhum
problema com relação à isso. E uma vez criado o obstáculo, o segurado terá, inclusive por
meio de uma ação trabalhista que pode ser proposta, um pedido que não é de reintegração,
porque o vínculo não foi rompido, mas é de recondução, para que ele possa assumir aquele
posto de trabalho.

A lei diz que se ele estiver suspenso ou licenciado sem remuneração o segurado tem o prazo
de 12 meses, mas nesse caso ele está licenciado com remuneração (a empresa não está
pagando ele, mas o contrato de trabalho está fluindo). Se ele não está trabalhando porque a
empresa não deixa, ele está licenciado mas a empresa deveria pagar sim aquela remuneração.

- Doença que o mantém afastados da sociedade – segregação compulsória (até 12 meses após
cessar a segregação compulsória) Ex: Tuberculose, pessoa com problema de álcool, drogas
que ficam internadas por muito tempo
- O segurado que estiver retido ou recluso (até 12 meses após livramento)
- Segurado incorporado às Forças Armadas para prestar serviço militar (até 3 meses após o
licenciamento)
- Segurado facultativo (até 6 meses após a cessação das contribuições)
Todavia, a lei de custeio quem vai tratar desses prazos.
 O segurado que ficou desempregado, que deixou de verter contribuições, ele tem uma
manutenção da qualidade de segurado por 12 meses. Essa situação se for comprovada o
seguro desemprego que é consultado no site do ministério do trabalho se teve alguma
concessão de período de seguro desemprego.
Tem como consultar no site do ministério do trabalho pelo NIT, PIS/PASEP a concessão ou
não do seguro desemprego.

Alteração de uma situação:


Particularidade que não estava prevista no art. 15 da lei de benefícios, porém tínhamos uma
redação promovida pelo art. 13 do decreto 3048/99 que sofreu uma alteração pelo decreto
53
Raquel Prado

10410/2020 que alterou uma situação em que não temos regulamentação, há uma lacuna, e até
que venha a ser preenchida devemos fazer um raciocínio lógico
O art.. 13 previa que quando um segurado recebia um benefício por incapacidade, ele
mantinha a qualidade de segurado por 12 meses (a lei não previa isso). Mas agora por meio do
decreto 10.410/2020 há supressão dessa parte do art. 13 do decreto 3048/99 que fala da
cessação de até 12 meses do benefício por incapacidade.
Havendo essa supressão temos a seguinte lacuna: aquele segurado que estava em benefício
por incapacidade ele vai perder automaticamente a qualidade de segurado? No mínimo
deveria ter uma garantia de direito adquirido para aquelas pessoas que já tinham a concessão
desse benefício anteriormente à mudança promovida pelo decreto 10.410/2020. Inciso XII

Outra mudança é que o segurado que esteja afastado em benefício por incapacidade vai poder
recolher a contribuição, o que antes era vedado. Lei10.410/2020

Temos a súmula 27 do TNU em relação ao seguro desemprego, que independe de ter recebido
o seguro desemprego, é uma situação que o segurado nem preenche os pressupostos para o
recebimento do seguro desemprego, e isso não é empecilho para que ele prove de outros
meios admitidos em direito que ele estava mesmo desempregado, mas só a ausência do
registro na CTPS, não constitui prova, ou até mesmo inscrição, filiação.
Imprescindível que tenha meios de prova, pode ser testemunhal, por meio de cadastro no
PAT, no SINE...

Os prazos de 12 meses podem ser prorrogados por mais de 12 meses quando o segurado
detenha a condição de mais de 120 meses de contribuição vertida para o sistema, ou seja, se
ele verteu mais de 10 anos de contribuição e a lei trata de forma ininterrupta (temos uma
jurisprudência dizendo que isso se incorpora ao patrimônio jurídico daquele segurado, então
uma vez que ele verteu 120 contribuições, terá direito) –
Art. 15 lei 8213/91, §1– uma vez que ele já teve mantida os 120 meses sem a perda de
qualidade de segurado isso irá se incorporar ao patrimônio jurídico dele, e ele vai poder usar
essa prorrogação, não precisaria de novo ter 120 meses para poder utilizar a prorrogação.

2 hipóteses de prorrogação:
1°: + 12 meses pelo seguro desemprego
2º: +12 meses em relação a questão de +120 contribuições vertidas no sistema que equivalem
a 10 anos.

Jurisprudência do STJ: Estando desempregado o segurado, vai prevalecer o livre


consentimento motivado do juiz. Se os registros não forem feitos, é aceita a prova
testemunhal.
Art. 15 §1 Lei 8213/91

PRORROGAÇÃO DO PERÍODO DE MANUTENÇÃO DA QUALIDADE DE


SEGURADO
Art. 15 da lei 8213/91
 Após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade
remunerada abrangida pela previdência social ou estiver suspenso ou licenciado sem
remuneração (pode chegar até 12 meses do período de graça)
 Tiver vertido mais de 120 contribuições (pode chegar até 24 meses do período de graça)
54
Raquel Prado

 Comprovar situação de desemprego (pode chegar até 36 meses do período de graça)

Exemplo: Dona Maria me procura hoje no meu escritório para saber se tem direito a pensão
por morte de seu marido. Viveram juntos por 30 anos, ele ainda não era aposentado. Você
como advogado, verifique se ele tinha qualidade de segurado.

Seu João foi demitido da empresa em 15/08/2017, onde trabalhou por 12 anos. Em razão do
desemprego recebeu 5 parcelas do seguro-desemprego.

Qual é o prazo de manutenção da qualidade de segurado?


Até quando preserva seus direitos da previdência sem contribuir?

R: Se ele foi demitido em ago/2017 significa que ele tem um período de 12 meses. Até
31/08/18 ele preserva a qualidade de segurado.
Precisamos avaliar se ele tem direito às prorrogações:
Será que ele tem direito à prorrogação do §1° que estabelece que se ele tiver + de 120
contribuições vertidas ele tem direito a mais 12 meses? No caso do exemplo, ele tinha 12
anos na empresa, ou seja, tinha + de 120 contribuições, portanto, tem direito a mais 12 meses.
Até 31/08/19 ele mantem a qualidade de segurado.
Ele tem direito a prorrogação por conta do seguro desemprego? Sim, segundo o problema ele
tinha recebeu 5 parcelas de seguro desemprego. Então até 31/08/2020 ele mantem a qualidade
de segurado.
Mas temos um detalhe:

A lei diz que os prazo para recolhimento da contribuição, são aqueles após finalizados o
período de graça, o segurado tem o dever de contribuir na forma do plano de custeio. Plano de
custeio é a lei de custeio 8212/91 e ela estabelece que o segurado deve recolher no mês
sequente.
Se está desempregado, para não perder a qualidade de segurado, quando terminar esses 36
meses, ele tem que voltar, ou verter alguma contribuição na qualidade de facultativo, ou então
retornar para o mercado de trabalho, caso não retorne, vai perder essa qualidade.

Como se conta isso?


Exemplo: Se o prazo vence dia 31/08/2020 depois que ele teve direito as 3 prorrogações, ele
deveria retornar para o sistema quando?
Em SETEMBRO de 2020, mas em 09/2020 quando é que ele tem o dever de recolher a
contribuição? Se ele se filiar na condição de facultativo, já que não está filiado de forma
obrigatória, a lei de custeio estabelece que ele tem que recolher até o dia 15 do mês
subsequente, ou seja, se ele retorna para o sistema em SETEMBRO ele tem que recolher para
o sistema até dia 15 de OUTUBRO de 2020. Até dia 15/10/2020 ele mantém a qualidade de
segurado. A partir do dia 16/10/2020 se não recolheu até dia 15, perderá essa qualidade de
segurado. Então ele está protegido até 15/10/2020.

Como observar isso?


Art. 15 da lei de benefícios §4
Art. 13 do decreto 3048/99
Anexo 24 IN77/15 – Tabela

Esses prazos contam para todos os segurados. Ex: segurado facultativo teria 6 meses, no 7°
mês ele teria que voltar a recolher, pagaria então até o dia 15 do 8° mês.
55
Raquel Prado

O mês trabalhado é recolhido no mês subsequente (seguinte)

CARÊNCIA E TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO

Carência é o número mínimo indispensável de recolhimentos que o segurado tem que ter feito
para que ele faça jus a algum benefício, alguma prestação.
Carência não é ausência, carência é presença de recolhimento.

O que vou observar?


- Qual benefício estou requerendo:
* Carência de 12 meses: benefício por incapacidade temporária ou benefício por incapacidade
permanente.

* Salário maternidade: Dependa da segurada, se ela for doméstica, trabalhadora avulsa ou até
mesmo empregada (não terá carência); mas se for individual, facultativa ou especial (carência
de 10 meses), portanto é necessário observar a categoria.

* Carência de 180 meses: aposentadoria


OBS: Esses 180 meses de carência não vieram definidos, porque não foi a lei de benefícios
que foi alterada, foi a EC 103/2019 que trouxe as previsões legais e não tratou da carência,
tratou como tempo de contribuição. Mas quando nós tivemos o Ofício Circular 64/2019
tratando que a carência permanece de 180 contribuições mensais para as aposentadorias
programáveis e 12 contribuições para aposentadoria por incapacidade permanente,
classificada como não-programável. Portadora n. 450.

* Carência de 24 meses: auxilio reclusão: antigamente pela MP 871 não havia carência para
esse benefício, mas a partir da sua conversão pela lei 13.846 passou a ter carência para sua
concessão.

* Segurados especiais (10 meses de trabalho e não de recolhimento), pois a contribuição é


facultativa, deve comprovar o exercício da atividade laboral nessa condição de segurado
especial por 10 meses. E o art. 39 da lei 8213/91 vai tratar que a segurada especial em razão
do salário maternidade tem que comprovar os últimos 12 meses. Então temos a carência de
10, mas dentro desse período dos últimos 12 meses.

Existem casos em que há a isenção da carência. Quais são?


 Pensão por morte
 Salário família
 Auxilio Acidente

Para obtenção desses benefícios é necessário ter qualidade de segurado, mas não carência.
No auxílio doença e na aposentadoria por invalidez temos a seguinte particularidade: quando
for um acidente seja ele de qualquer natureza (doença do trabalho, doença profissional ou um
acidente típico do trabalho) não temos exigência de carência, porque trata-se de um acidente
do trabalho, então o acidente do trabalho é um tipo dessas três subespécies: doença do
trabalho, doença profissional e o acidente típico.
Auxílio doença de qualquer natureza é aquele que não tem nenhuma ligação com trabalho.
Exemplo: segurado viajando, sofreu acidente de carro.
56
Raquel Prado

Art. 151 da lei 8213/91 – rol de doenças que isentam de carência em razão das suas
particularidades.

Outras observações:
Algumas situações particulares: critérios de estigma, pessoa que sofre mutilação, tem
deficiência, outros fatos que confiram uma especialidade em razão de um tratamento
particularizado, também evitam a necessidade de prova da carência. São isentos.
Outros serviços como serviço social, reabilitação profissional não tem carência. E para a
segurada avulsa, doméstica e empregada não tem carência.

E se a segurada que vai sair em salário maternidade esteja desempregada, ela vai ter direito?
Vai ser exigida carência para ela? (não está contribuindo como facultativa), qual natureza que
aplico?
No caso dela, nem precisaria comprovar carência (art. 148 IN77/15), pois no caso de salário
maternidade, quanto a carência a contribuinte tem que provar 10 contribuições mensais para
individual, facultativa e especial, assim como para os que estiverem em período de
manutenção da qualidade de segurado decorrente dessas categorias. Então se ela era
empregada a categoria que ela estava filiada era como empregada, e esta não tem carência por
conta da redação do art. 148 da IN77 fica bem claro essa proteção social.

Já o art. 151 define algumas doenças que isentam a carência. São doenças graves
estabelecidas por Portaria Interministerial
 Tuberculose ativa
 Esclerose múltipla
 Paralisia irreversível/incapacitante
 Doença de Parkinson
 AIDS
 Entre outras estabelecidas no artigo.

No art. 27 da lei 8213/91 temos estabelecido que para o cômputo do período de carência serão
consideradas as contribuições referentes ao período a partir da nova data de filiação. Então se
aquele segurado, perdeu a qualidade de segurado, o INSS vai olhar para as contribuições a
partir da nova filiação. Realizados a contar de quando? A partir do primeiro recolhimento, ou
seja, primeira contribuição sem atraso. (Contribuir no prazo, essa contribuição não será
contada para os fins de carência)

O que acontece quando o segurado perde a qualidade de segurado? (art. 27-A Lei 8213/91)
Quando isso acontece é como se ele tivesse criado uma barreira, pois toda a carência que ele
tinha, histórico de contribuição que tinha, não será contado. Só volta a contar quando ele
verter metade das contribuições exigidas para a concessão do benefício que ele vai pleitear.

Ex: Segurada me procura para pleitear salário maternidade, mas ela perdeu a qualidade de
segurada para que ela volte a contar com aquelas contribuições anteriores, deverá recolher
metade. Recolhendo mês a mês e em dia, não podendo recolher de uma vez. Recolhendo essa
metade, ela volta a contar com a carência anterior.

Vamos supor que ela tinha 100 meses de contribuições vertidas para o sistema, ela tinha 100
meses de carência. Perdeu a qualidade de segurado, quando ela voltar para o sistema, se
filiando novamente, tendo qualidade de segurado (adquire essa qualidade no primeiro mês que
57
Raquel Prado

retorna e contribui). Todavia, para fins de carência terá que recolher a metade. Então para
adquirir o Salário maternidade terá que ter recolhido por 5 meses (tendo em vista que para a
carência do salário maternidade nessa condição é necessário 10 meses de carência). Se fosse
um benefício por incapacidade que são exigidos 12 meses, seria a metade (6)
Isso não acontece com as aposentadorias programáveis que a carência é 180 meses, por
motivos óbvios, por isso a lei 10.666/2003 estabeleceu que não é necessária a qualidade de
segurado para as aposentadorias programáveis.

E o período em que o segurado recebeu o benefício previdenciário por incapacidade? Conta


ou não para fins de carência?
A própria lei de benefício (art. 55 da lei 8213/91) estabelece que conta para fins de tempo de
contribuição aquele mês em que houve ou um benefício acidentário, ou então um benefício
previdenciário, ou seja, que não tenha causas ligadas ao trabalho, mas que houvesse
intercalamento de atividade de contribuição. Exemplo: Se tivesse um segurado que sai do
benefício por incapacidade, antes ele era empregado, depois volta a ser empregado após o
afastamento, esse período é contado para tempo de contribuição
O problema é com a carência em razão do que dispõe o art. 29 §5 da Lei 8213/91, que trata:
Se no período de cálculo, o segurado que tiver recebido benefícios por incapacidade, sua
duração será contada, considerando-se como salário de contribuição (alíquota que recolhe de
contribuição), no período, o salário de contribuição que serviu de base para o cálculo da renda
mensal, reajustado nas mesmas épocas e bases dos benefícios em geral, não podendo ser
inferior ao valor de um salário mínimo. Ou seja, aquele benefício por incapacidade, o seu
salário de benefício será contado como salário de contribuição, que nada mais é que o
recolhimento. Se é assim, temos uma presunção legal então do que seja recolhimento =
carência, portanto salário de contribuição é igual a carência.
Existem várias decisões que contam esse período como carência, mas o INSS não conta.
Portaria n°12 reconhece para fins de carência e já está na IN77/15 art. 153
Com relação a carência de 180 meses, devemos lembrar que antes da lei 8213/91 tinhamos
uma carência de 60 meses para o benefício programável e essa carência se alterou com a lei
de benefícios. Para as pessoas que se filiaram até o dia 24/06/91, a lei trouxe uma regra
progressiva, ou seja, aquelas pessoas ao longo do tempo iam sentindo, pois a carência ia
aumentando gradualmente para elas.

Art. 142 lei 8213/91 – tabela

Quando a pessoa atinge esses pressupostos, ela congela.


Os benefícios por incapacidade, se tiverem intercalamento de contribuição, eles serão
considerados = súmula 73 da TNU e Portaria n° 12
Então o INSS deve reconhecer a partir de 19/05/2020 (Ação Civil Pública)
Adotado também para os segurados especiais

O auxílio acidente conta como carência. Antes ele era vitalício, a pessoa recebia a
aposentadoria e o auxílio acidente, mas em 1997 isso mudou. Ele agora entra como salário de
contribuição (STJ). Ele é válido para contar como salário de contribuição e para fins de
carência, porque onde a lei não restringe, não cabe à lei fazer essa restrição. O INSS não pode
inovar.

A carência é presumida para o contribuinte individual que presta serviço para PJ, a partir de
abril de 2003, antes disso ele mesmo tinha que efetuar o recolhimento.
58
Raquel Prado

Para o empregado, trabalhador avulso e empregada doméstica, temos essa previsão. Se a


empresa não recolheu, não vai indeferir benefício, basta que ele comprove aquela situação de
emprego, aquela condição como filiação obrigatória.
- Enunciado n. 2 do Conselho de Recursos que trata do empregado segurado quanto da
carência estabelece que não se indefere benefício previdenciário quando o recolhimento não é
de responsabilidade do próprio segurado.

TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO

Conceito: EC 20/98
Art. 4°: Observado o que dispõe o art. 40 §10 da CF/88, o tempo de serviço considerado pela
legislação vigente para efeito de aposentadoria, cumprido até que a lei discipline a matéria,
será contado como tempo de contribuição. Tempo de trabalho = tempo de contribuição.
O tempo de contribuição para ser considerado tem que ser pelo menos igual ao salário mínimo
ou mais. Se ele for inferior não será contado para fins de tempo de contribuição. Inclusive não
será contado para contagem recíproca. O que é contagem recíproca? Eu posso trazer um
pouco de RPPS para o RGPS ou levar um tempo de RGPS para RPPS – temos uma lei da
compensação financeira, que um sistema vai compensar o outro (lei 9796)

Também trouxe a particularidade de que tempo ficto não é reconhecido, vedada essa
contagem. Para os servidores isso já era vedado, mas a partir da EC também foi vedada a
contagem de tempo ficto para o próprio segurado.

A EC trouxe que o tempo de contribuição não vai ser considerado se for menor que 1 salário
mínimo (decreto 10.410) – A reforma disse que não ia mexer em direito dos mais pobres, mas
não é isso que o art. 19-C do decreto traz, pois veja: considera-se tempo de contribuição os
períodos correspondentes para os quais o segurado tenha vertido contribuição obrigatória para
o RGPS. Dentre eles a contribuição efetuada por segurado que tenha deixado de exercer
atividade remunerada, ou seja, ela pode verter como segurado facultativo e também que tenha
recebido salário maternidade, então é considerado a licença remunerada também
Mas na análise do §1 diz que só será computado o benefício por incapacidade para fins de
tempo de contribuição, se houver o intercalamento, mas EXCETO para fins de carência (havia
sido dito que havia uma portaria, uma ação civil pública? Sim. E mesmo tendo tudo isso, uma
oportunidade de ter regulamentado um decreto da forma como vinha sendo aplicada, o INSS
veio e trouxe EXCETO PARA FINS DE CARÊNCIA
Foi trazido também pelo decreto que as competências em que o salário for inferior ao salário
mínimo, não serão considerados nem para fins de tempo de contribuição, nem para fins de
carência, nem para fins de qualidade de segurado.

Indagação da professora: Então como o segurado pode ter qualidade de segurado, ou seja, a
hipótese de incidência do fato gerador que ocorre que é o trabalho remunerado e aquele
segurado não pode ser considerado como segurado?

Como o segurado vai fazer para ajustar essas contribuições que forem inferiores a um salário
mínimo?
Ele terá que fazer o recolhimento da diferença da contribuição. Pode fazer por meio de 3
modalidades:
1 – complementar, até atingir o mínimo legal (qualquer tempo). Empregado, empregado
doméstico e trabalhador avulso a complementação será efetuada por meio da aplicação da
59
Raquel Prado

alíquota de 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Já o contribuinte individual ou
facultativo, a complementação será efetuada por meio da aplicação da alíquota de 20%.
Sempre a complementação é para salário mínimo, não pode complementar acima.
Aquele mês que eu fiz a complementação depois eu posso complementar? A lei trouxe a
faculdade de complementação.
2 – Utilização do excedente de uma contribuição em outra competência (pode ser feito a
qualquer tempo): Acontece quando pega-se o valor excedente dos meses anteriores e joga
para o mês que foi abaixo do salário mínimo.
3 – Agrupamento de contribuições (pode ser feito a qualquer tempo): quando nenhuma
contribuição dá o valor de um salário mínimo, mas a partir do momento que as juntar irá obter
o valor de um salário mínimo
Aqueles meses no quais eu retirei a contribuição depois se quiser pode fazer a
complementação,

inclusive a lei prevê que pode haver uma opção do segurado fazer esse ajuste de forma
automática ou pode fazer posteriormente.

Quando se tratar da utilização ou do agrupamento de contribuições, ele só pode agrupar


contribuições do mesmo ano civil (janeiro a dezembro) e o excedente também.

O dependente pode fazer o recolhimento dessas contribuições após o óbito?


Com a mudança do decreto em razão dessas contribuições inferiores, o dependente poderá
fazer, mas só quando for ajuste. Podendo fazer até o dia 15 do mês de janeiro do ano
subsequente ao óbito
Crítica: ferimento a isonomia, porque um dependente dependendo da data do óbito de um
segurado, ele terá um prazo maior para efetuar esse recolhimento. Enquanto, vamos supor que
um segurado morra 31 de dezembro, o dependente terá até 15 de janeiro. Gera distinção entre
os dependentes.

Antes do decreto 10.410/2020


Carência (Conta-se do mês efetivo de recolhimento) era DIFERENTE de tempo de
contribuição (conta-se de data a data – anos, meses e dias)
Depois do decreto
Carência e tempo de contribuição foram tratados como se a mesma coisa fosse, porque
independente de dias trabalhados, aquele período valeria como mês cheio, como todos os dias
contados para fins de tempo de contribuição.

Art. 30 portaria 450


Art. 19-C §2, decreto 10410/20

Exemplo antes do decreto


Período de atividade
Data de início: 25/04/2017
Data fim: 06/05/2017
Tempo de contribuição: 12 dias de tempo de contribuição
Carência: 02 contribuições para efeito de carência

Exemplo depois do decreto


Período de atividade
Data de início: 15/07/2020
60
Raquel Prado

Data fim: 31/07/2020


Tempo de contribuição: 30 dias de tempo de contribuição (1 mês) de tempo de contribuição
Carência: 1 contribuição mensal para efeitos de carência

Exemplo antes do decreto


Período de atividade
Data de início: 30/06/2020
Data fim: 03/07/2020
Tempo de contribuição: 04 dias de tempo de contribuição
Carência: 2 contribuições para efeito de carência

Exemplo depois do decreto


Período de atividade
Data de início: 30/06/2020
Data fim: 03/07/2020
Tempo de contribuição: 60 dias de tempo de contribuição
Carência: 2 contribuições para efeito de carência

Isso é vantajoso para o segurado, mas o decreto não tem poder para regulamentar, já que a
própria EC 20/98 define que teria que vir uma lei regulamentar essa questão
O decreto não pode inovar.

Aula 06
Benefícios Programáveis – Aposentadoria por
idade Urbana
Professora Priscila Machado
Os benefícios são divididos em 3 grupos

 Primeiro grupo: aposentadorias programáveis


 Segundo grupo: benefícios destinados a proteção da família e da maternidade
 Terceiro grupo: benefícios por incapacidade

Aposentadorias programáveis:

Aposentadoria por idade


Quando falamos de aposentadoria por idade, é necessário entender com propriedade 02
requisitos de concessão
- Requisito de carência
- Requisito de tempo de contribuição
61
Raquel Prado

Antes da reforma a aposentadoria por idade urbana não existia como requisito de concessão
15 anos de tempo de contribuição. Uma coisa é o requisito de 180 meses de tempo de
contribuições que de fato existia, outra coisa é o requisito de tempo de contribuição.

Qual o fato gerador da aposentadoria por idade urbana? Qual é o risco protegido?
Cada benefício tem o objetivo de proteger um determinado risco social.
“A proteção se justifica não só como um direito ao descanso, mas tem por base uma situação
de necessidade social provocada pela redução da capacidade laboral em decorrência de
um processo biológico de envelhecimento, que acarreta lentidão de raciocínio, reações mais
lentas, dificuldade de aprendizado, diminuição auditiva, etc” (Miguel Horvath Júnior)

Quando olhamos para esse benefício, devemos entender onde buscar fundamentação legal
(onde buscar fundamentação legal para a aposentadoria por idade):
 CF/88 (EC 103/19)
 Art. 48 e ss da lei 8213/91 – a lei de benefícios ainda não está com a redução atualizada pela
reforma de previdência, então ali nos art. 48 e seguintes estamos olhando para os critérios da
concessão da aposentadoria por idade antes da reforma da previdência.
 Art. 51 e ss do decreto 3048/99
 Art. 225 e ss da IN 77/2015
 Memorandos circulares, ofícios, portarias

Antes da Reforma:

Quando analisamos a aposentadoria por idade ANTES DA REFORMA, veremos no art.


8213/91,art. 48 que a aposentadoria por idade era devida para a pessoa se homem 65 anos, se
mulher 60 anos, uma vez cumprida a carência exigida para a concessão desse benefício.
O tempo de contribuição não era requisito para concessão da aposentadoria por idade urbana,
apenas idade + carência de 180 meses. APÓS a reforma, pós decreto 10410/2020, pós portaria
450, o conceito de tempo de contribuição e o conceito de carência são equiparados, mas
ANTES não, eram conceitos completamente diferentes.

CARÊNCIA X TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO (ANTES DA EC 103/2019)


 Tempo de contribuição: é o tempo de efetivo contribuição previdenciária
 Carência: é medida pelo número de contribuições (recolhimentos) mensais.
Ou seja, tempo de contribuição era a soma dos dias, meses e anos. Somo de dia a dia o tempo
de trabalho daquele segurado. Chego ao somatório que vai levar em conta os dias, meses e
anos. A carência era e continua sendo contada em número de recolhimentos mensais. Isso
significa que cada recolhimento feito por aquele segurado vai contar como um mês para fins
de carência.
Exemplo: Antes da Reforma da Previdência. Um segurado começou a trabalhar em uma
empresa dia 31 de janeiro de determinado ano e parou de trabalhar dia 01 de janeiro do ano
seguinte (02 dias), para fins de contagem de tempo de contribuição ele terá 02 dias de
contribuição e para fins de carência ele terá 02 meses, porque 2 meses? Porque essa empresa
precisará fazer um recolhimento pelo mês de dezembro e um recolhimento pelo mês de
janeiro
62
Raquel Prado

“Embora se trate de contribuição mensal, não é necessário que o trabalho e a contribuição


correspondente seja relativa ao mês inteiro. Basta, por exemplo, um dia de trabalho em
determinado mês que a contribuição a ele relativa tenha efeito para fins de carência. A
contribuição previdenciária proporcional a um dia, nesse caso, valerá como contribuição
mensal, para fins de carência. (Savaris)
Temos aqui uma diferenciação entre conceito de tempo de contribuição e carência.

Exemplo: Uma pessoa iniciou suas atividades no dia 30/11/2018 e findou as atividades no dia
30/12/2018. Seu tempo de contribuição é de 4 dias e a carência é igual a duas contribuições
mensais.
Exempo 2: Início das atividades: 29/11/2018 e fim das atividades 30/11/2018. Tempo de
contribuição: 2 dias. Carência: 1 contribuição mensal, pois só houve recolhimento em
novembro para fins de carência
Exemplo 3: Uma pessoa iniciou suas atividades no dia 06/05/2009 e findou as atividades no
dia 05/04/2010 Seu tempo de contribuição é de 11 meses e a carência é igual a 12
contribuições mensais.
Exemplo 4: Um segurado que tem 65 anos de idade, 14 anos de contribuição, mas tem 180
meses de carência tem direito adquirido, mesmo não tendo 15 anos de tempo de contribuição,
porque precisa de carência e não de tempo de contribuição.
Exemplo 5: Sr José, procura seu escritório em dezembro de 2019 (após a reforma). Ele possui
65 anos e 6 meses de idade e deseja concessão da aposentadoria por idade urbana com base
em seu suposto direito adquirido.
Ao analisar o CNIS do segurado, você observa que até um dia antes da EC 103/2019 entrar
em vigor, o segurado possuía 14 anos, 2 meses e 13 dias de tempo de contribuição, 195 meses
de carência e 65 anos e 6 meses de idade.
Esse segurado possui direito adquirido a concessão de aposentadoria por idade?
Lembrar que a EC 103/19 em seu artigo 3, garante o direito adquirido até a data da publicação
da emenda. E mesmo que não houvesse essa previsão na EC, teríamos o direito resguardado
no art. 5 da CF/88. Direito adquirido não se mexe.

Tempo de contribuição: 14 anos, 2 meses e 13 dias


Carência: 195 meses
Idade: 65 anos e 6 meses de idade.
Requisitos: carência de 180 meses + idade 65 anos e 6 meses
Ele terá direito adquirido, pois o tempo de contribuição não importa pois ANTES DA
REFORMA não era requisito para concessão.
Olhar sempre o direito adquirido antes da reforma, e analisar o tempo de carência + idade e
não o tempo de contribuição.

Art. 142 da lei 8213/91– exceção a carência de 180 meses.


O que acontece é que, antes da lei de benefícios, a carência para concessão das aposentadorias
era de 60 meses. Mas aí a lei de benefícios veio e colocou essa carência para 180 meses.

Imagina a situação do segurado que tinha 57, 58, 59 meses de carência e aí surge a lei de
benefício mudando para 180. O que o legislador fez? Para aqueles segurados que já estavam
no sistema antes da publicação da lei de benefícios, criou-se uma tabela (art. 142) que a
63
Raquel Prado

depender do ano em que o segurado preencher o requisito etário para concessão da


aposentadoria por idade, ele precisará cumprir uma determinada carência.
A depender do ano, ele terá que ter preenchido x de carência.
Ex: Se preencheu no ano 2000, ele precisa cumprir 114 meses de carência.

Discussão: Esse segurado preencheu o requisito etário, mas não o requisito de carência. Como
fica? Quando ele preencher esse requisito da carência será a carência de 180 ou a carência da
tabela? Ou seja, esses dois requisitos idade e carência devem ser preenchidos no mesmo
momento para que se garanta ao segurado essa redução ou não?
Ficou definido: a carência congela, ou seja, quando estiver sendo aplicada a tabela do art. 142
vamos olhar para o ano que esse segurado preencheu o requisito etário e faremos um
comparativo com a carência desse segurado dentro desse ano correspondente. Ex: Ano 2000,
cumprindo o requisito etário dentro do ano 2000, a carência necessária para a concessão desse
benefício seria de 114 meses. Essa carência vai ficar congelada. Vamos imaginar que João
completou o requisito etário no ano de 2000, mas ele não tinha 114 meses de carência,
somente 90 meses de carência. Então ele vai continuar contribuindo, quando ele alcançar essa
carência de 114 meses ele terá direito a concessão desse benefício, mesmo que isso ocorra em
2004, 2005, 2006... Essa carência será congelada.
Súmula 44 da TNU nesse sentido: Iremos olhar para aquela carência, congelar aquela carência
e aplicaremos ela no momento que o segurado completar o requisito etário.

Exemplo: Segurada com 73 anos de idade procurou seu escritório buscando a concessão de
aposentadoria por idade.
Em 2007 ela completou 60 anos de idade. E deu entrada no pedido de aposentadoria por idade
pela 1ª vez, à época foi negado, pois ela possuía 130 meses de carência apenas.
A segurada deu entrada novamente no seu pedido de aposentadoria em 2017 e o mesmo foi
negado por falta de carência.
À época a segurada possuía apenas 170 meses de carência e o INSS informou que seriam
necessários 180 meses de carência.
Depois dessa data a segurada não verteu nenhuma contribuição.

Perguntas:
1 – O INSS acertou em negar essa primeira solicitação? Se sim, por qual motivo?
2 – É possível receber atrasos desde a DER (Data de entrada do requerimento)? Da primeira
ou da segunda?

Respondendo...
Essa segurada cumpriu o requisito etário em 2007, a carência necessária em 2007, de acordo
com a tabela é de 156 meses para fins de carência.
Nessa época ela tinha 130 meses de carência.

1 – – O INSS acertou em negar essa primeira solicitação? Se sim, por qual motivo?
Sim, porque ela não havia preenchido o requisito carência para a concessão desse benefício.
Quando ela fez a segunda solicitação em 2017, ela tinha 170 meses de carência. O INSS
negou dizendo que seriam necessários 180 meses de carência.
– O INSS acertou em negar a segunda solicitação? Por qual motivo?
64
Raquel Prado

A carência é congelada. Essa segurada que completou a idade em 2007 não precisa completar
os 180 meses de carência, e sim somente 156 meses. Independentemente de quando ela fechar
a carência ela só vai precisar cumprir 156.
O INSS indeferiu o benefício de forma indevida. A solicitação de 2017 deveria ter sido
concedida.

2 – É possível receber atrasos desde a DER (Data de entrada do requerimento)? Da primeira


ou da segunda?

Na primeira DER a segurada não tinha direito a concessão dos benefícios, não dá para buscar
os atrasados desde ali. Mas a segunda DER, em 2017, a segurada já havia preenchidos os
requisitos para a concessão do benefício e sim, deve-se buscar os atrasados desde 2017.

DICA: Não confie no que o segurado fala. Ele pode dizer que nunca requereu o benefício,
porque pode ter sido negado outras vezes e ele está com medo de nessa nova análise você não
querer fazer por achar que ele não tem direito. E aí ao fazer o requerimento, por exemplo, em
2020 na esfera administrativa, tendo a negativa, e levando para a esfera judicial buscaríamos
os atrasados desde 2020, pois não saber que havia perdido em 2017.
Se soubesse que o segurado já havia feito requerimento anterior em 2017, e identificando que
desde 2017 ele tinha direito, poderíamos buscar os atrasados desde 2017.
Pela plataforma do meu INSS acessando o extrato previdenciário CNIS que é um verdadeiro
extrato da vida daquele segurado, vai ter todas as contribuições que a autarquia reconhece
como sendo daquele segurado. Terão as contribuições, as empresas que ele trabalhou.

Quando o segurado fez um requerimento de aposentadoria e esse requerimento foi negado, via
de regra vai constar lá no CNIS. O que fazer? Fazemos uma cópia desse processo
administrativo e vamos analisar nesse processo administrativo se aquele segurado já não tinha
o direito a concessão desse benefício lá atrás quando foi indeferido e vamos buscar os
atrasados desde lá de trás, não importa se o cliente procurou só agora.

Apontamento: A professora disse em esfera judicial no caso do indeferimento do exemplo,


mas há recurso na esfera administrativa, pois toda vez que uma pessoa é comunicada do
indeferimento do seu requerimento, abre-se o prazo de 30 dias para recurso, se não foi
comunicada, ainda não abriu prazo. Mas ainda que tenha passado o prazo para fazer essa
revisão, nós podemos fazer uma REVISÃO DE ATO DE INDEFERIMENTO – art. 561 IN
77/15, essa revisão vai buscar a revisão da negativa desse benefício, buscando os atrasados na
esfera administrativa, caso não seja preciso fazer prova nova.

Súmula 44 TNU: Para efeito de aposentadoria urbana por idade, a tabela progressiva de
carência prevista no art. 142 da lei 8213/91 deve ser aplicada em função do ano em que o
segurado completa a idade mínima para a concessão do benefício, ainda que o período de
carência só seja preenchido posteriormente.

APOSENTADORIA POR IDADE COMPULSÓRIA


IN 77/2015 – Art. 228 – A lei passou a prever que a empresa que tem seu trabalhador com 70
anos de idade se homem, se mulher com 65 anos de idade, ela poderá fazer a requisição da
aposentadoria por idade compulsória (5 anos a mais que na idade). Essa aposentadoria não
65
Raquel Prado

vingou na prática porque não é vantajoso para as empresas, porque na prática as empresas
continuam tendo que pagar todas as verbas trabalhistas para esse segurado.

APOSENTADORIA POR IDADE ANTES DA EC 103/2019 RENDA MENSAL (VALOR)


Antes da reforma, a alíquota da aposentadoria por idade era de 70% do salário de benefício +
1% a cada grupo de 12 contribuições
Quando falamos em valor de benefício, nós temos uma regra geral que é:
RMI (Renda Mensal Inicial) é igual ao Salário de Benefício x Alíquota do benefício
Salário de benefício NÃO é valor de benefício, é apenas uma base de cálculo.
Salário de benefício ANTES DA REFORMA: Nada mais é que a média dos 80% maiores
salários de contribuição. O valor que o segurado recebe a crédito do benefício previdenciário
é o RMI = renda mensal inicial, não é salário de benefício. Salário de benefício é uma base de
cálculo, o valor do benefício é a renda mensal inicial
Salário de benefício é a média dos 80% maiores salários de contribuição
Ex: Segurado tem 100 contribuições. 80% de 100 = 80 contribuições. Para calcular o salário
de benefício desse segurado, vou pegar as 80 contribuições desse segurado já atualizadas
monetariamente, somar todas elas e dividir por 80.
São contribuições de jul/94 pra frente, porque julho? Data do plano real. Sempre que estiver
falando em cálculo do benefício, estamos pegando as contribuições de jul/94 para frente, o
que não impede que a gente considere para carência e para tempo de contribuição as
contribuições anteriores a jul/94. Mas para fins de cálculo, pegamos apenas de jul/94 pra cá.
Ex: 200 contribuições
80% de 200: 160
Pego as 160 contribuições maiores, somo elas e divido por 160

As 20% serão descartadas, não usa na base de cálculo desse benefício.

A renda mensal inicial = salário de benefício x alíquota, onde salário de benefício é a média
dos 80% maiores de contribuição e essa alíquota será 70% de alíquota base + 1% para cada
grupo de 12 contribuições.

Antes o fator previdenciário só era aplicado na aposentadoria por idade se ele fosse positivo,
ou seja, se ele fosse majorar o valor do benefício, apenas se ele fosse superior a 1, se ele fosse
abaixo de 1 ele não era aplicado na aposentadoria por idade.

Fórmula de Cálculo
RMI = renda mensal inicial = 1° valor de recebimento de salário = salário que o segurado vai
receber:
Salário de benefício (média dos 80% maiores salários de contribuição) multiplicado pela
alíquota

Exemplo: Maria, com 60 anos de idade acaba de se aposentar por tempo de contribuição
Maria possui 180 meses de carência (15 anos de tempo de contribuição)
A média dos 80% maiores salários de contribuição de Maria é R$ 5000,00
Qual a RMI do benefício de Maria?
- Listaria todos esses salários de contribuição
- Atualizaria todos esses salários de contribuição monetariamente
66
Raquel Prado

- Listaria quais os 80% maiores salários de contribuição


- Somaria todos eles e dividiria pelo número de salários
Exemplo:
Média dos salários de contribuição (80% maiores): R$ 5000,00
Carência: 180 meses
Tempo de contribuição = 15 anos
Grupo de 12 contribuições = 15
Percentual aplicado: 70% + 15% = 85%
RMI = 85% (porque 85? Porque ela tem 15 anos de tempo de contribuição, ou seja, 15 grupos
de 12 meses, a alíquota é 70% mais 1% a cada grupo de 12, logo 70% + 15% = 85%) de R$
5000,00 = R$ 4240,00
Esse percentual é de acordo com o grupo de 12 contribuições
(RMI = salário de benefício x alíquota)

Conversão de tempo especial para comum

Ex: Segurado que se aposentou com 20 anos de contribuição. Tinha a carência superior a 180
meses e se aposentou por idade antes da reforma. Ele te procura e quer a revisão do benefício.
Você conversa com ele, ele fala que trabalhava em uma usina e o barulho era ensurdecedor
(aposentadoria especial). Ele possui o PPP
Vamos imaginar que esse segurado tinha 10 anos de atividade especial.
Esse período especial pode ser convertido para comum e majorar o tempo dele de
contribuição? Sim. Esse segurado então que contava com 20 anos de tempo de contribuição,
sendo 10 em especial, quando pega os 10 anos de tempo especial e converte para tempo
comum, esses anos virarão 14 anos (antes da EC).
Mas esses 4 anos NÃO faz com que eu possa aumentar o valor do benefício dele, pois o
cálculo da aposentadoria por idade é feita em número de recolhimentos mensais, quando a
gente faz essa conversão estamos falando em uma conversão de tempo de contribuição e o
tempo de contribuição não entra como critério de concessão da aposentadoria por idade e
também não entra no cálculo desse benefício.
Via de regra não há que se falar em revisão da aposentadoria por idade mesmo entes da
reforma da previdência pela conversão de tempo especial em comum.
REVISITAR: A única possibilidade de conseguir a majoração na aposentadoria por idade,
levando esse tempo especial é se a gente conseguisse aumentar o valor do fator previdenciário
OBS: Fator previdenciário apenas será aplicado se for superior a 1, se for positivo.

* Jurisprudência: Embora a conversão de período especial em comum reflita na contagem de


tempo para fins de aposentadoria por tempo de serviço/contribuição, esta não repercute na
majoração da aposentadoria por idade, pois o tempo ficto apurado não influencia o número de
contribuições efetivamente recolhidas *

Quando falamos em conversão de tempo especial em tempo comum, estamos falando em uma
majoração de TEMPO, o que NÃO vai influenciar no número de recolhimentos mensais. Não
há que se falar em revisão nesses casos.

APOSENTADORIA POR IDADE PÓS REFORMA


Temos 2 aposentadorias por idade pós reforma:
67
Raquel Prado

Temos uma regra de transição da aposentadoria por idade e tempos uma regra definitiva da
aposentadoria programada
Temos da aposentadoria por idade essas duas aposentadorias: uma é a regra de transição e
outra é a regra definitiva da aposentadoria programada
Regra de transição da aposentadoria por idade DIFERENTE da regra definitiva da
aposentadoria programada
Nesse momento pós reforma nós conseguimos então conceder aposentadoria por idade através
das regras de transição, através da regra definitiva e também pelo direito adquirido.
Não esquecer que caso o segurado tenha preenchido os requisitos para concessão da
aposentadoria antes da reforma, ele terá direito adquirido que será respeitado/será
resguardado.

APOSENTADORIA PROGRAMADA – Art. 201, §7 CF/88


- Art. 19 EC 103/19
Temos a regra geral e temos a regra específica para o professor
Pela regra GERAL poderá se aposentar:
Homem: 65 anos de idade e 20 de tempo de contribuição
Mulher: 62 anos de idade e 15 anos de tempo de contribuição

No caso de PROFESSOR:
Homem: 60 anos de idade e 25 anos de tempo de contribuição
Mulher: 57 anos de idade e 25 de tempo de contribuição

Por professor deve-se entender aquele que exerce funções de magistério, no ensino médio,
fundamental e básico

Antes da reforma: idade + carência


Depois da reforma: idade + tempo de contribuição

O INSS pelo ofício SEI Circular n° 064/2019/DIRBEN/INSS, Portaria 450 de 2020 do INSS
e art. 29,II, do decreto 3048/99, disse que ele irá aplicar esse requisito carência na concessão
de todas as aposentadorias mesmo não estando previsto na CF/88

COMO FICOU O CÁLCULO DESSES BENEFÍCIOS PÓS REFORMA?


RMI = salário de benefício multiplicado pela alíquota
- Salário benefício: média de todos os salários (100%) de contribuição em julho/94 em diante.
Plano real. O que não impede que considere para tempo de contribuição, para carência as
contribuições anteriores a jul/94, para cálculo de benefício é jul/94 em diante.
- RMI: Após o cálculo da média, o valor será calculado com base em uma alíquota de 60% da
referida média, com acréscimo 2% para cada ano de contribuição que exceda os 20 anos de
tempo de contribuição, se homem ou 15 anos se mulher.

RECOLHIMENTO EM ATRASADO E CARÊNCIA


- Art. 27 da lei 8213/91 – para cômputo do período de carência é necessário que tenhamos um
recolhimento anterior como contribuinte individual, sem atraso.

Quem consegue recolher em atraso?


68
Raquel Prado

Contribuinte individual: - até antes do decreto 10.410/2020 ele poderia recolher em atraso a
qualquer tempo, mesmo que ele não tivesse qualidade de segurado. Porém tinha uma
condição: se ele tivesse prova desse período de atividade dele, esse período seria contado para
tempo de contribuição sem problema algum (mesmo que não tivesse nenhum recolhimento
como contribuinte individual ele poderia recolher esse período em atraso e fazendo provas de
atividade nessa situação onde não houvesse recolhimentos anteriores esse período recolhido
por ele contaria para tempo de contribuição.). Todavia, pelo art. 27 da lei 8213/91 esse
período não contava para fins de carência porque só teríamos a contagem desse período para
fins de carência se ele tivesse um recolhimento anterior como contribuinte individual
Situação 1: (antes do decreto 10.410/2020)
Segurado em jan/2000 teve um recolhimento como contribuinte individual.
Ele ficou sem recolher de fev/2000 até dez/2004.
Voltou a recolher em jan/2005
Se o segurado recolher em atraso, esse período de fevereiro de 2000 até dezembro de 2004,
serão considerados para carência e tempo de contribuição, isso porque ele tinha um
recolhimento anterior feito em dia, existia um recolhimento como contribuinte individual em
jan/2000.
Situação 2:
O segurado começou a trabalhar como contribuinte individual em jan/2000, mas não recolheu.
Ele ficou sem recolher até jan/2005.
Ele começou a recolher em jan/2005.
Ele te procura em meados de 2019, antes da reforma, dizendo que quer se aposentar por
tempo de contribuição. Esse segurado pode recolher em atraso? Se ele tiver a prova do
exercício de atividade pode, e terá todo esse período reconhecido para fins de tempo de
contribuição, mas esse período mesmo com prova de atividade não seria reconhecido para fins
de carência, por conta da limitação do art. 27 da lei de benefícios, essa limitação é que haja
uma contribuição anterior na condição de contribuinte individual.
Agora, pós reforma, o segurado pode recolher em atraso e conseguir se aposentar, porque o
requisito é tempo de contribuição e idade. E o INSS vislumbrando que teria uma “chuva” de
recolhimentos em atraso para a concessão de aposentadoria colocou uma trava para impedir
que as pessoas façam recolhimentos em massa para concessão do benefício. Será aplicado,
portanto, de acordo com o INSS o requisito de carência, mesmo que a CF não preveja.

Segurado facultativo: só conseguirão recolher em atraso dentro do período de manutenção da


qualidade de segurado (nos próximos 6 meses)
O decreto 10.410/2020 trouxe em seu art. 28 §4 a previsão de que para esse segurado possa
recolher em atraso, ele precisa estar na qualidade de segurado.
O INSS pode emitir guias de pagamento em atraso, mas isso não quer dizer que eles vão
reconhecer esse período

REGRAS DE TRANSIÇÃO DA APOSENTADORIA POR IDADE


Aposentadoria por idade – art. 18 EC 103/19
Requisitos:
(idade em 2019)
- Homem: 65 anos, 15 anos de tempo de contribuição e 180 meses de carência
- Mulher: 60 anos, 15 anos de tempo de contribuição e 180 meses de carência
69
Raquel Prado

¨ Essa regra não está vindo por lei de 180 meses de carência não está vindo por lei

Por que diz sobre idade no ano 2019? Porque a EC prevê que esses 60 anos da mulher serão
acrescidos em 06 meses a cada ano, até atingir 62 anos de idade. Então em 2019 o requisito
era 60 anos e 2020 o requisito é 60 anos e 6 meses, 2021 = requisito 61 anos.

Fórmula de Cálculo

Renda mensal inicial = salário de benefício (média de todos os salários de contribuição a


partir de contribuição ) x alíquota (que será de 60%+ 2% para cada ano que exceder de tempo
de contribuição (15 para mulher e 20 para homem)

Voltando ao assunto sobre MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO COM A


CONVERSAO DO PERÍODO ESPECIAL EM COMUM ANTES DA EC 103/19
Essa conversão não vai majorar o valor do benefício, isso porque a alíquota ela é calculada
com base no número de recolhimentos.

Mas pós reforma da previdência, como é o cálculo dessa alíquota?


Essa alíquota passa a ser calculada com base no tempo de contribuição (alíquota base de 60%
+ 2% para cada ano que exceder o tempo de contribuição = 15 para mulher e 20 para homem).
Aqui nesse momento pós reforma a variação na alíquota desse benefício não é mais pelo
número de recolhimentos e sim pelo tempo de contribuição.
Nesse caso na regra de transição por idade e na regra definitiva aqui sim teremos a majoração
do valor do benefício se conseguirmos comprovar a existência de tempo especial
(lembrando que a conversão do tempo especial em comum, apenas é possível até a data de
publicação da EC 103/19; Para períodos trabalhados após a EC 103/19, nós não podemos
fazer essa conversão de tempo especial em comum)

DATA DO INÍCIO DO PAGAMENTO: (Isso se aplica na aposentadoria por idade e


aposentadoria especial)
Art. 49, 54 e 57 §2 lei 8213/91
- Empregado e empregado doméstico:
1) a partir da data de desligamento do emprego, quando requerida em até 90 dias de
desligamento
Ex: DER 01/03/2020 – segurado foi afastado de suas atividades laborativas (pediu
demissão/foi demitido, não importa) no dia 01/01/2020. Entre janeiro e março temos
aproximadamente 60 dias que é inferior a 90, então a data do inicio do pagamento não será
01/03, a data de início do pagamento será 01/01, iremos retroagir esse pagamento até o início.
O INSS não vê isso, ele vai conceder o benefício com a data de 01/03. Mas pode pedir uma
revisão para que essa data de início do pagamento não seja fixada na data da DER
2) A partir do requerimento, quando requerer após 90 dias do desligamento da empresa, ou
quando não houver desligamento
- Demais segurados: a partir da data de entrada do requerimento

ALTERAÇÕES NA CONTAGEM DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO E CARÊNCIA


ATENÇÃO: AFETA A REGRA DE TRANSIÇÃO E A REGRA PERMANENTE
70
Raquel Prado

Decreto 10.410/2020 (art. 19-E) – indicando que desde a reforma da previdência, desde
13/11/2019 para que tenhamos os períodos de recolhimento daquele segurado, para serem
computados para fins de carência, tempo de contribuição, manutenção da qualidade de
segurado, o recolhimento dentro daquele mês deve ser de pelo menos 1 salário mínimo.
Exemplo: Antes da reforma, se tinha 1 dia de trabalho como segurado empregado, aquele mês
inteiro era válido para fins de carência.
Mas agora pós reforma não mais, esse mês só poderá ser computado para carência naquele
mês que tiver um recolhimento de pelo menos 1 salário mínimo (só se aplica para os períodos
trabalhados após a reforma, para os períodos trabalhados antes da reforma fica valendo o
direito adquirido)

O art. 195 §14 CF/88 (incluído pela EC 103/19) só trará essa limitação para tempo de
contribuição, não para fins de carência e para qualidade de segurado.

Tivemos também uma alteração no conceito do TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO APÓS A


REFORMA DA PREVIDENCIA
Antes o tempo de contribuição era contado em dias, meses e anos. Carência era contada por
número de contribuições mensais.
Ex: Início das atividades – Art. 16/07/2019
Fim das atividades: 10/08/2019
Tempo de contribuição: 25 dias
Carência: 2 contribuições mensais

Alteração: art. 19-C do decreto 3048/99 (incluído pelo decreto 10.410/2020), todavia essa
alteração já era prevista no art. 30 da portaria 450/20 do INSS. Qual essa alteração? O tempo
de contribuição agora passa a ser contado da mesma forma que a carência.

Serão computados integralmente como tempo de contribuição, independentemente da


quantidade de dias trabalhados aquele mês onde tiver uma contribuição superior a um salário
mínimo. Ex: Se o segurado trabalhou apenas 10 dias e esses 10 dias foram suficientes para ele
verter contribuição superior ou de pelo menos igual ao salário mínimo, esse segurado terá
então o direito da contagem do mês integral para fins de tempo de contribuição.

Exemplo atualmente:
Segurado com remuneração de R$ 6000,00 mensais, que foi contratado em 16/07/2020 e
laborou até 10/08/2020.
Recebeu em julho – 15 dias – R$ 3000,00
Recebeu em agosto – 10 dias – R$ 2000,00
(os dois são maiores que um salário mínimo contando para todos os efeitos)
Tempo de contribuição – 60 dias de tempo de contribuição, porque o mês de julho e agosto
contará integralmente para fins de tempo de contribuição, julho e agosto contará como se
fosse 30 dias, pois passa de 1 salário mínimo
Carência: 2 contribuições mensais de carência.

Como ficou a carência levando-se em conta a carência congelada?


71
Raquel Prado

O INSS vai manter esse requisito de carência na concessão das aposentadorias programadas.
Mas o art. 142 será aplicado? Sim.
- Art. 5° portaria 450/2020
- Art. 182 do decreto 3048 – com redação dada pelo decreto 10.410/2020

Cômputo dos benefícios por incapacidade para fins de carência


Art. 55 da lei 8213/91 – o tempo em que o segurado esteve afastado recebendo benefício por
incapacidade, ele deveria ser contado para fins de tempo de contribuição, desde que houvesse
o intercalamento.

Antes se fosse benefício acidentário não precisava ter intercalamento para contar para tempo
de contribuição, hoje precisa ter esse intercalamento.

Intercalamento: precisa ter recolhimento anterior a concessão desse benefício e também


posterior a cessação do benefício.
Uns entendem que esse recolhimento deve ser feito imediatamente em momento posterior à
cessação do benefício por incapacidade e outra corrente entende que pode ser feito a qualquer
momento dentro da manutenção da qualidade de segurado. Outra corrente entende que ainda
que a pessoa não tenha a qualidade de segurado mais (ela demorou para fazer o recolhimento)
ainda assim haveria o intercalamento.

Problema: Contagem desse período de recebimento para fins de carência porque não existia
previsão legal e expressa dizendo que esse benefício deveria ser contado para fins de carência.

Tínhamos um problema na concessão da aposentadoria por idade que previa 180 meses de
carência. Na aposentadoria por tempo de contribuição as vezes também tínhamos essa
discussão porque ela também previa carência. Se o segurado tivesse ficado muito tempo
afastado ele podia ter 35 anos de contribuição e não ter os 180 meses.
Estaríamos desprestigiando a aposentadoria por idade.
Vários previdenciaristas questionaram na justiça se era correto esse entendimento de que esse
período de recebimento de benefício por incapacidade servia para tempo e não servia para
carência, isso com base no art. 29 da lei de benefícios, que dizia que o período de recebimento
de benefício por incapacidade teria sua duração contada (não fala contada para que)
Esse período por incapacidade, serve também para fins de carência (várias jurisprudências
nesse sentido) – Súmula 73 do TNU. Precisa ter o intercalamento
Mesmo sendo decorrente de acidente de trabalho, quando para contagem de tempo de
contribuição não se precisa do intercalamento antes do decreto 10.410, para fins de carência
precisávamos.
Algumas jurisprudências diziam que não era necessário o intercalamento, mas a maioria dizia
que precisava.
Nesse meio tempo tivemos uma ACP dizendo que esse período de afastamento de benefício
por incapacidade devia ser computado para fins de carência. ACP do Rio de Janeiro, mas vale
para todo o território brasileiro. Recebeu o benefício por incapacidade, intercalou contribuição
esse benefício será computado para fins de carência e tempo de contribuição.
72
Raquel Prado

Art. 19-C decreto 3048/99 – será computado o tempo intercalado de recebimento de benefício
por incapacidade para fins de tempo de contribuição, mas não será computado para efeito de
carência
Esse decreto é de 30/06/2020.
O decreto não pode nada.
Temos uma ação civil pública, válida em todo território nacional mandando computar esse
período para fins de carência e tempo de contribuição
Essa decisão da ação civil pública vem com base no art. 29 da lei de benefícios e até essa
decisão ser revista continua sendo computado para fins de carência.

Não há que se falar em sobreposição do decreto sob a ação civil pública.


O decreto não tem o condão de criar regras (art. 84, IV, CF)., serve apenas para regulamentar.
A ação civil pública = com base legal

Resumindo ...

- Requisitos da concessão da aposentadoria por idade antes da reforma da previdência e após a


reforma da previdência.
- Após a reforma da previdência temos uma aposentadoria definitiva (aposentadoria
programável) e temos também regra de transição da aposentadoria por idade.
- Aposentadoria por idade antes da reforma tinha 2 requisitos para concessão: idade e carência
e esse requisito de carência, antes da reforma, não se confundia com o requisito de tempo de
contribuição
- Após a reforma da previdência os requisitos passam a ser: idade + tempo de contribuição
- O INSS disse que vai aplicar um terceiro requisito, que é o requisito de carência, mas que
podemos questionar porque tivemos a constitucionalização dos requisitos de aposentadoria
por idade e ali não temos carência
- Discussão da contagem de tempo especial e a revisão dos benefícios de aposentadoria por
idade. Antes da reforma da previdência, não temos um impacto direto no exercício da
atividade especial e com o valor da concessão da aposentadoria por idade. Temos a
possibilidade desse impacto na aposentadoria por regra de transição e na aposentadoria
definitiva, isso porque esse benefício deixa de ser calculado com base no n° de recolhimentos
mensais e passa a ser calculado com base no tempo de contribuição e a conversão de tempo
especial em comum é sensível nesse sentido, ela majora o tempo de contribuição.
- Parênteses para falar do recolhimento em atraso
- Alteração no conceito de tempo de contribuição, onde passamos a igualar o requisito tempo
de contribuição com o requisito carência e que isso só é aplicável após a reforma da
previdência, ou seja, para aposentadorias concedidas após e para o tempo de trabalho
posterior a 13/11/2019 esse entendimento não é válido
- Possibilidade do tempo de recebimento de benefício por incapacidade ser computado para
fins de carência. Computando para fins de carência podemos pensar na concessão de
aposentadoria por idade urbana antes da reforma da previdência e na aposentadoria por idade
urbana após da reforma da previdência, não só porque esse período de recebimento de
benefício por incapacidade será computado para fins de tempo de contribuição de forma
pacífica (desde que intercalado), mas também computará para carência com toda a
fundamentação.
73
Raquel Prado

Aula 07
Benefícios Programáveis – Aposentadoria por
Tempo de Contribuição Convencional
Professora Gisele Paiva
Aposentadoria Convencional
Aposentadoria por tempo de contribuição e sua evolução constitucional e legislativa
Preciso ler e conhecer:
- CF
- EC
- Lei 8213
74
Raquel Prado

- Decreto 3048 agora alterado pelo decreto 10410


- IN 77
A advocacia previdenciária tem duas frentes: administrativa e judicial.
Judicial: Quando faço um pedido muitas vezes obrigacional, de concessão de benefício
Administrativa: Quando chego ao INSS enquanto autarquia e solicito a análise e a concessão
de um benefício. O pedido administrativo inaugura muitas vezes o pedido judicial, então eu
preciso conhecer todas as normativas do INSS para advogar bem no administrativo. Eu estar
preparada, com conhecimento legal/jurídico, facilita o que eu quero pedir para o servidor.

Panorama geral: 3 momentos marcantes na aposentadoria por tempo de contribuição 9

1 - EC 20/98 (do dia 16/12/1998)


2- Lei 9876/99 (alteração da forma de cálculo da aposentadoria)
3- EC 103/19

Antes da EC 20/98 tínhamos a aposentadoria por tempo de serviço (art. 52 lei 8213/91), não
se falava em aposentadoria por tempo de contribuição. A aposentadoria por tempo de
contribuição do jeito que a gente conhece hoje é inovação da EC 20/98, então a gente falava
em aposentadoria por tempo de serviço.
Tínhamos duas modalidades de aposentadoria por tempo de serviço:
INTEGRAL: Quem se aposentava aos 30 anos de serviço (mulher) e 35 anos de serviço
(homem)
Se chamava integral porque o valor era 100% do salário de benefício
PROPORCIONAL: Quem tinha 25 anos de serviço (mulher) e 30 anos de serviço (homem) –
Não tinha pedágio.
Qual era a fórmula de cálculo na proporcional?
70% (coeficiente fixo) + 6% para cada ano novo completo de atividade, até o máximo de
100% do salário de benefício.

Ex: Maria quer se aposentar proporcional. Ela tem 26 anos de serviço. O mínimo exigido era
25 anos, com 25 anos, a pessoa se aposentava com 70% do salário de benefício. Cada ano que
se trabalhava além do mínimo exigido aumentava-se 6% (70% + 6% amo) = 76 anos (nesse
exemplo).
Com a EC 103/19 a gente resgata o conceito de pedágio, que na verdade existindo desde a EC
20, por causa dessa aposentadoria proporcional.
Todavia, não era apenas esses requisitos que bastavam, pois a lei 8213/91 sempre colocou
carência nos benefícios, inclusive nas aposentadorias.
Art. 26 – 180 meses de contribuições mensais, a título de carência.
Ou seja, em uma aposentadoria por tempo de serviço teria que ter obrigatoriamente 180 meses
de contribuição (pagamento), o que faltava para alcançar o tempo de serviço, poderia somar
com tempo de serviço “puro” sem contribuição. Veja:
Dentro dos 30 anos de serviço para mulher e 35 anos de serviço para o homem; ou na
proporcional 25 para a mulher e 30 para o homem; dentro desse tempo tinha que ter a
carência, que era efetivamente tempo pago (180 meses). E aí, 180 meses muitas vezes seria 15
anos (parra empregado se conta diferente, ou seja, não seria 15 anos). Então preciso de pelo
menos 15 anos contribuídos pagos. E o restante para atingir os 30 anos (mulher) ou os 35 anos
75
Raquel Prado

(homem); ora sendo na proporcional 25 anos (mulher) ou 30 anos (homem)?? Teria que ter
tempo trabalhado de serviço.

E o que a lei considerava/considera como tempo de serviço? Tudo aquilo que está no art. 55
da lei 8213/91, ou seja, tudo que está nesse artigo é computado como tempo de serviço e não
como carência.

Exemplo: Uma pessoa ficou 15 anos recebendo benefício por incapacidade (antigo auxilio
doença). O INSS deu alta para ela, quanto tempo ela ficou no benefício? 15 anos, então isso
vai contar como tempo de serviço (consta no art.55), desde que, intercalado com atividade.
Logo se essa pessoa tiver 180 meses de contribuição – conta como carência (15 anos) + 15
anos de tempo de serviço, a somatória dá 30 anos, se for mulher, no caso, ela conseguirá se
aposentar por tempo de contribuição.
A carência nem sempre foi 180 meses, se for olhar no art. 142 da lei 8213/91 – ela é uma
tabela progressiva, e 180 meses é uma carência fixa. Entretanto se for observar a tabela haverá
situações em que não teremos 180 meses de carência. Situações, por exemplo, que teremos
aposentadoria com 156 meses de carência. Em 2008 tínhamos 156 meses de carência. O que
isso significa? Que uma pessoa que completou o tempo mínimo para se aposentar em 2008 eu
não vou falar em 180 meses de carência, eu vou falar em 156 meses. Todavia, o tempo de
serviço continua sendo o mesmo para mulher e homem.
Para usar essa tabela do art. 142 é necessário que tenha o ingresso do segurado no RGPS antes
da lei 8213/91.
O que vimos? Que até a vigência EC 20/98 tínhamos 2 tipos de aposentadoria por tempo de
serviço: integral e proporcional
A EC 20/98 mudou o termo “tempo de serviço” para “tempo de contribuição”. Todavia não
teve muitos problemas, pois ela continuou determinando no art. 4° que o tempo de serviço
considerado pela legislação vigente para efeito de aposentadoria, cumprido até que a lei
discipline a matéria, será contado como tempo de contribuição (continua valendo, pois não foi
revogado com a EC 103)

Art; 55 lei 8213/91 – estabelece o que é tempo de serviço


A EC 20/98 art. 201 §7 revogou também a proporcional na forma anterior (mantendo o direito
adquirido), deixando apenas a modalidade integral: 30 (mulher), 35 (homem)
A proporcional continuou existindo em uma regra de transição (art. 9° EC 20/98) – com idade
mínima + pedágio

E como isso foi estabelecido?


- 53 anos de idade (homem) e 48 anos de idade (mulher) + 30 anos de contribuição (homem) e
25 anos de contribuição (mulher) + pedágio: período adicional equivalente 40% que faltaria
para atingir o limite de tempo de 30 anos de contribuição (homem) e 25 anos de contribuição
(mulher).

Com a reforma da EC 20/98 o valor da aposentadoria era de 70%, mas o ano que excedia em
que se acrescentava 6%, mudou para 5%.
Ex: Na data da EC 20/98, uma mulher tinha 24 anos de contribuição e 47 anos de idade,
querendo se aposentar, com expectativa de no ano que vem se aposentar.
76
Raquel Prado

Só que a EC 20/98 criou um pedágio de 48 anos de idade e faltava 01 ano para ela. Então em
1999 ela completaria 48 anos de idade e também completaria os 25 anos de tempo de
contribuição.
Teria que cumprir também o pedágio de 40% do que faltava para ela completar o mínimo (25
anos tempo de contribuição). O pedágio dela seria de 5 meses (12 meses x 40%). Qual a
ideia? Completar os 25 e pagar o pedágio que é o acréscimo.
Teria que ter 25 anos + 5 meses e 48 anos de idade. Sendo assim, ela se aposentará com 70%
apenas. Sem acréscimo porque não há ano excedente.

Se aposentava com 70%, 100% de que?

Art. 52 lei 8213/91 – art. 29: O art. 52 dizia que a aposentadoria se dava nos termos do art. 29,
falava que o salário de benefício era a média dos últimos 36 meses, calculados num período
não superior a 48. E o que acontecia? A pessoa contribuía em um valor baixo e aí 3 anos antes
de se aposentar em um planejamento previdenciário, ela pagava teto e se aposentava muitas
vezes por teto. Não tinha fator previdenciário, não tinha nada. A pessoa completou os
requisitos nessa sistemática, ela tem direito de se aposentar e isso acontece até hoje. Quem se
aposenta nesse caso hoje em dia? Pessoa que tem muito tempo trabalhado ou contribuído.

Não esquecer: Atividade rural até 1991 conta como tempo de serviço
Quanto mais tempo de contribuição a pessoa tem, mais chances tenho pra ela, inclusive de
aposentadoria nessa sistemática

Mudança com a lei 9876/99


Mudou salário de benefício e ela é responsável pelo salário de benefício que conhecemos
hoje.

Art. 29, I – diz que o salário de benefício consiste na média aritmética simples dos maiores
salários de contribuição correspondentes a 80% de todo período contributivo – desde julho de
94 (art. 3 dessa lei), multiplicada pelo fator previdenciário. Essa lei é responsável pelo período
básico de cálculo e também pelo fator previdenciário, este que foi aplicado por todas as
aposentadorias por tempo de contribuição, sendo divisor ou multiplicador.

Estudar o mínimo divisor (art. 3, §2)

Essa lei criou também o fator previdenciário, que era aplicado obrigatoriamente nessa época
para todas as aposentadorias por tempo de contribuição, não tinha opção.
OBS: Fator previdenciário é uma variante que leva em conta tempo de contribuição, idade
mínima, tempo de sobrevida pela tábua do IBGE (tábua da tabela mista da tabela do IBGE) e
ele é um divisor ou um multiplicador. Ele é sempre 0, ou 1,. O fator previdenciário continua
existindo até hoje na regra de transição, por isso é importante saber. Ele foi uma criação da lei
9876/99 e começou a ser aplicado a partir do dia 26/11/1999, e lá naquela época tinha o fator
previdenciário progressivo.

Eu tive aposentadoria por tempo de serviço, alterada para aposentadoria por tempo de
contribuição pela EC 20. Revogada a proporcional, mantida só em regra de transição. Ato
seguinte: 9876 criou o fator previdenciário e mudou o período básico de cálculo (ou PBC),
77
Raquel Prado

tirando de média dos últimos 36 meses e passando para média dos 80% maiores salários de
contribuição a partir de jul/94.
Essa foi a grande mudança: eu sai de 100% nos últimos 36 meses e cai 80% maiores salários
de contribuição a partir de jul/94.

Mudança em 2015 MP 676


Amenizou o impacto do fator previdenciário, porque ela trouxe uma regra em substituição.
A lei 13.183/15 que veio na conversão da MP 686/15, criou o 29-C da lei 8213/91 que
estabeleceu a regra de pontuação. A regra de pontuação ela é uma opção a regra do fator, o
fator é obrigatório na aposentadoria por tempo de contribuição.

Eu tenho a opção de não aplicar o fator previdenciário quando?


Nessa época de 2015, quando a soma entre a idade e o tempo de contribuição fossem igual ou
superior a 95 pontos (homem) e 85 pontos (mulher), observando sempre o tempo mínimo de
contribuição: 35 anos (homem) e 30 (mulher). Não tem idade mínima obrigatória fixada, o
que tem é tempo de contribuição mínimo.

Ex: homem que tivesse 35 anos de tempo de contribuição, ele teria que somar 95 pontos, para
somar 95 pontos, ele deveria ter 60 anos de idade.
Se ele tivesse 36 anos de tempo de contribuição, com 59 anos de idade, ele pontuaria 95.

O que a lei não permitia era:


34 de tempo de contribuição e 61 anos de idade = 95. Ou seja, não poderia ter menos que a
contribuição mínima.
O mesmo 29-C da lei 8213/91 criou uma pontuação progressiva, que de tempo em tempo
aumenta 1 ponto.

Observar o art. 29 – C lei 8213/91 §22


§2 aumentaria um ponto a cada dois anos, então:
31/12/2018 – teria a primeira majoração, sairia de 85/95 e passaria para 86/96
31/12/2020 – 87/97
Acontece que eu parei aqui, porque eu tive a EC 103 que não deixou esperar 31/12 para eu
começar 87/97, então eu tive a fórmula 85/95 que teve vigência até 30/12/2018, no dia
31/12/2018 virou 86/96

Eu tinha o fator previdenciário criado pela lei 9876 que continuou existindo até a EC 103. Aí
veio a lei 13183 e deu uma opção para não incidência do fator previdenciário, que seria a
regra de pontos. Tanto o fator previdenciário quanto a regra de pontos virou regra de transição
na emenda 103/2019.
A regra de pontos começou com 85/95 onde eu somo idade + tempo de contribuição. Tempo
de contribuição eu sempre tenho um tempo para observar que é 35 para o homem e 30 para
mulher, isso continua existindo até hoje e essa somatória tinha que dar 85 (mulher), 95
(homem). Veio 85/95 até 2018, em 31/12/2018 de 85/95 para 86/96.

Ai veio a EC 103/19 que revogou tudo: a aposentadoria integral e a aposentadoria


proporcional.
78
Raquel Prado

Até agora estamos estudando regras que não existem mais, mantidas apenas por direito
adquirido.
A aposentadoria por tempo de contribuição, que nasceu lá atrás, com a lei 8213 deixou de
existir com a EC 103. Continua existindo em regras de transição, mas a regra de transição tem
um requisito obrigatório: pessoas que já fazem parte do sistema, eu não tenho regra de
transição para quem ingressa no sistema depois.
Então a EC 103 acabou com a aposentadoria por tempo de contribuição, mantendo essa
modalidade apenas na regra de transição, ou seja para quem já estava no sistema RGPS antes
do dia 13/11/2019.
A aposentadoria por tempo de contribuição deixou de existir como regra permanente,
existindo apenas como regra de transição.

A EC 103 criou uma única forma de aposentadoria como regra permanente, onde eu tenho
idade mínima + tempo de contribuição juntos = nova aposentadoria chamada aposentadoria
programada.

A aposentadoria passa a ser apenas uma, onde tenho Idade mínima de 65 (homem) e 62
(mulher), observando o tempo mínimo de contribuição.
Se observarmos o art. 201 na redação da EC ele não fala qual o tempo de contribuição, ele
deixou a cargo da lei que não temos ainda. Entao foi criada uma regra transitória EC 103/19,
art. 19, que diz que ate que a lei disponha sobre o tempo de contribuição que o art. 201 fala
(que lei? Não tem ainda, mas não é lei complementar, é lei ordinária, então futuramente posso
ter uma lei que altere o tempo de contribuição tanto para mais quanto para menos)
Com a EC 103 eu não tenho garantia de tempo de contribuição mínima, eu tenho garantia de
idade mínima que isso está no 201, 65 – homem e 62 – mulher, o tempo de contribuição quem
vai estabelecer é a lei, só que até que tenha essa lei, o art. 19 disciplinou: 15 anos para mulher
e 20 anos para o homem.
Essa regra a gente chama de transitória, não é de transição, porque depende de uma lei para
muda-la, é para quem ingressar no sistema previdenciário após a EC, porque quem já
ingressou no sistema ou tem direito adquirido se por ventura implementou os requisitos antes
da EC 103/2019, ou tem direito às regras de transição.

Entendendo...
Eu venho em uma sistemática em ascendente: aposentadoria por tempo de serviço integral e
proporcional. Com a EC 20, caiu a proporcional, continua existindo somente em regra de
transição. Já vimos os requisitos.
A seguir veio a lei 9876 e criou o fator previdenciário e tirou a regra da aposentadoria da
média dos últimos 36 salários de contribuição e passou para média dos 80% maiores salários
de contribuição a partir de jul/94.
A seguir veio a lei 13183/2015 que criou a regra de pontos em opção ao fator previdenciário,
que continua sendo obrigatório com a opção de aplicar a regra de pontos. Na regra de pontos
eu afasto o fator previdenciário e o cálculo da aposentadoria fica 100% do salário de
contribuição, que é a media aritmética simples dos 80% maiores salários a parir de julho/94

Regra de cálculo da transição da EC 20/98


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Raquel Prado

Aquela aposentadoria por tempo de contribuição proporcional, que continuou existindo pela
regra de transição, da EC 20/98, a sua regra de cálculo segue a lei 9876/99. E quer dizer que,
aplica-se o fator previdenciário para ela também.
DISCUSSÃO: Aposentadoria proporcional da EC 20/98 ela já não é integral, ela é
proporcional Já tem uma redução. E mesmo com essa redução eu vou aplicar o fator
previdenciário? Sim, porque o fator previdenciário é um elemento do salário de benefício.
(Art. 29,I), ele não é coeficiente. Coeficiente tenho: 100% para integral e 70% + 5% para o
que exceder o mínimo para proporcional.
Fator previdenciário é um elemento do salário de benefício.
Salário de benefício do art. 29 é assim: média aritmética simples dos 80% maiores salários de
contribuição de jul/94 pra frente multiplicado pelo fator previdenciário.
Aí veio a lei 13183 e criou o art. 29-C e deixou que o segurado tivesse a média aritmética
simples dos 80% maiores salários de contribuição a partir de jul/94, sem o fator desde que se
pontue 85/95 (naquela época) e tenha no mínimo 35 anos de contribuição (homem) e 30
(mulher) e o que tiver de idade some nessa pontuação. Nessa situação exclui o fator
previdenciário do salário de benefício, o salário de benefício termina com a média, sem nada.
O valor da aposentadoria = 100%
Em 31/12/2018 teve uma transição na regra de pontos saiu de 85/95 para 86/96.
A EC 103/19 veio fazendo uma revolução, mantendo apenas o direito adquirido.
Determinando idade mínima + tempo de contribuição. O tempo de contribuição a lei vai
definir o que é, a idade será 65 (homem) e 62 (mulher). Como não existe a lei, não posso
deixar a regra sem tempo, temos o art. 19 da EC 103, que até que a lei seja criada estabelece
15 anos de contribuição (mulher) e 20 anos de contribuição (homem)
. O salário de benefício é de 100% da média de jul/94 pra frente, não é mais 80%. Art. 26 EC
103, teremos também em um dos seus parágrafos a regra de descarte, onde posso descartar de
contribuição que teve além do mínimo exigido se a média for baixa, mas em regra a média é
de 100%. E coeficiente? Saio. Sai de um coeficiente de 100% de uma aposentadoria por
tempo de contribuição e passo para um coeficiente de 60% na aposentadoria programável. E
vai se assemelhar com a regra de transição, porque esses 60% ele aumenta 2% do que tiver
além do mínimo exigido.

Resumindo...
As aposentadorias por tempo de contribuição eram por tempo de serviço: integral e
proporcional até a EC 20/98. Com a EC 20/98 houve a revogação da proporcional, ela
continua existindo apenas como regra de transição da própria EC 20, e o nome mudou para
aposentadoria por tempo de contribuição. Na prática não mudou muita coisa, porque eu
mantinha o conceito do que era tempo de serviço era considerado como tempo de
contribuição até que a lei disciplinasse, nunca veio lei para disciplinar a diferença.
Na lei eu ia no art. 55 buscar o que se considera como tempo de contribuição e de serviço, e
eu vou até hoje.
Aí eu tive a primeira noção de pedágio, de idade mínima.
Aí veio em 1999 a lei 9876 e criou o fator previdenciário e mudou o período básico de
cálculo, tirando os últimos 36 meses (PBC enxuto) e transformando em um PBC enorme, que
começava em jul/94 e parava no mês anterior ao pedido
Em 2015 veio a lei 13183, conversão da MP 686 e criou a regra de pontos, fazendo com que o
salário de benefício pudesse, por opção do segurado, não ter a aplicação do fator
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Raquel Prado

previdenciário (art. 19-C da lei 8213). Se eu aplicar a regra de pontos o meu salário apenas é a
média dos 80% maiores salários de contribuição a partir de jul/94.
Lembrando que aqui eu já falo em aposentadoria por tempo de contribuição, não falo em
proporcional e integral, a qual é 100% do salário de contribuição, porque eu só tenho uma, a
proporcional continua valendo apenas como regra de transição.
O sistema de pontos afasta o fator previdenciário desde que eu tenha no mínimo tempo de
contribuição 35 anos se homem e 30 anos para mulher e uma idade, inclusive com as frações
me deixem ter 85 pontos para mulher e 95 pontos para o homem. Isso lá em 2015 já se teve a
previsão de que em 2018 seria alterado. Sairia de 85/95 e no dia 31/12/2018 seria 86/96 e a
cada 2 anos aumentaria 1 ponto. A gente chegou no 86/96 que começou no dia 31/12/2018.
Só que em 2019 veio a EC 103. Ela foi publicada no Diário Oficial no dia 13/11 mantendo-se
o direito adquirido até dia 13/11. Quais direitos adquiridos? As regras antigas, inclusive
aquela proporcional vista anteriormente.
A EC 103 acabou com a aposentadoria proporcional, simplesmente porque ela previu apenas
uma modalidade: a aposentadoria programável ou programada, que prevê idade mínima +
tempo mínimo de contribuição.
Idade: 65 anos homem e 62 mulher (art. 201 §7)
Isso se aplica para os novos integrantes da previdência social, para quem fizer parte do
sistema a partir do dia 12/11/2019
E o tempo de contribuição? A CF não falou nada, fica a cargo da lei ordinária e não
complementar.
Até que venha a lei, o art. 19 da EC 103 estabeleceu que será de 15 anos (mulher) e 20 anos
(homem).
Antes não tinha idade mínima, agora tem. Antes o valor da aposentadoria era 100% do salário
de benefício, agora 60% + 2% além do mínimo exigido.

Chegamos ao cenário atual...

As quatro regras de transição


A aposentadoria por tempo de contribuição continua existindo porque ela tem previsão em 4
regras de transição da EC 103/19, aplicáveis para as pessoas que já estavam no RGPS antes da
EC 103/19, ou seja, aquelas pessoas que já tinham aquela expectativa em se aposentar por
tempo de contribuição. Devemos saber que a lei ela não mexe no direito adquirido, mas não
temos a proteção sobre a expectativa de direito. E para não gerar essa frustração totalmente a
expectativa de direito, foram criadas 4 regras pela EC 103/19

O decreto 3048 continua existindo, ele foi ALTERADO pelo decreto 10.410.
O 10410 alterou o 3048 nas regras de transição de aposentadoria por tempo, e não mudou
nada da leitura. A única coisa que ele acrescentou (manteve) foi a carência. Na verdade não
alterou, manteve. Se dermos uma olhada, a aposentadoria programável tem apenas dois
requisitos pela CF: Idade Mínima e Tempo, que a lei que vai estabelecer. A carência não está
na CF, sempre esteve na lei 8213. Como não tenho uma lei para regulamentar a EC, o que
veio foi o decreto, e o decreto dispõe que em todas as regras de transição eu tenho que ter
carência de 180 meses. O decreto não podia regulamentar dessa forma, muito menos a EC,
tem que ter lei, mas o que tenho que entender é que enquanto não tem lei, o INSS vai aplicar o
decreto, para discutir isso tem que ser em vias judiciais, pois ao INSS se aplica o principio da
legalidade estrita, o que está no decreto ele vai seguir.
81
Raquel Prado

Atenção: 2 regras que possuem basicamente a mesma forma de cálculo; 2 regras que tem
formas de cálculo própria.

1 – Pontos (art. 15):


A partir de 1° de jan. de 2020 mudou para 87/97 e a cada ano eu amento 1 ponto.

Regra de pontos criada em 2015


35 anos de contribuição mínimo para homem e 30 para mulher, o que sobra eu acrescento
para a mulher.
Em 31/12/2018 85/95 virou 86/96.
Depois de 2 anos ia aumentar mais um ponto.
Veio a reforma.
Criou a regra de transição de pontos do art. 15, ou seja, a cada ano que passa a partir da
reforma aumenta mais um ponto, até estabilizar.
A primeira mudança será no dia 1° de jan. de 2020, saio de 86/96 e passo para 87/97
30 de tempo de contribuição para mulheres, e 35 anos de contribuição para homens.
A cada ano aumenta-se 1 ponto até em 2033 estabilizar 100 pontos (mulher)
Ex: Minha cliente em 2033 não vai ter 100 pontos, vai ter 98. Não tem problema, porque para
ela vai ser 100 pontos, independentemente de quando ela preencher, porque a partir de 2033
eu não aumento mais nada, estabiliza.

Como a regra de pontos é idade + tempo de contribuição, se a pessoa continuar trabalhando, a


cada ano ela terá 2 pontos (1 do tempo de contribuição e 1 da idade)
Ex: em 2020, uma mulher tinha 35 anos de tempo de contribuição e 50 de idade. Em 2021 ela
vai ter 36 anos de tempo de contribuição e 51 de idade, ou seja, aumenta 2 pontos.
Se a pessoa parar de trabalhar, aumenta 1 ponto só, que é a pontuação da idade.

Nessa regra de transição, como se aposenta financeiramente?


60% + 2% que exceder o mínimo exigido de 20 anos para os homens e 15 anos de
contribuição para as mulheres, se limitando a 100%.

Ex: Uma mulher completou 87 pontos em setembro/2020. Ela vai conseguir se aposentar pela
regra de pontos? Sim. Então ela tem 30 anos de tempo de contribuição e 57 anos de idade =
87 pontos
Com 30 anos de tempo de contribuição qual será seu coeficiente?
60% (fixo) + 2% do que exceder o mínimo exigido que é 15. Sendo que ela tem 30, neste caso
excede 15 (60+2% multiplicado por 15) =90. O coeficiente dela será 90% da média de 100%
do salário de contribuição a partir de julho de 94. (art. 26)

Para eu aplicar a regra de pontos, eu já sei que uma mulher tem no mínimo 30 anos de
contribuição e o homem no mínimo 35. Então aqui vai ter excedente, ninguém aqui vai
aposentar com 60%, porque eu preciso de um tempo mínimo para atingir o direito à regra.

Resumindo...

Para as mulheres vai funcionar assim:


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Raquel Prado

30 anos de tempo de contribuição


86 pontos, que é a somatória da sua idade e do seu tempo de contribuição
+ 1 ponto por ano a partir de 2020, até chegar no total de 100 pontos.

Para os homens foi aprovado


35 anos de tempo de contribuição
96 pontos
+ 1 ponto por ano a partir de 2020, até chegar no total de 105 pontos.

O valor do benefício nessa regra será:


Média aritmética de todos os salários
60% + 2% para cada ano de contribuição que exceder os 20 anos de contribuição para os
homens.
60% + 2% para cada ano de contribuição que exceder os 15 anos de contribuição para as
mulheres.
Até o limite de 100%

Na regra de pontos, cada ano que passa aumenta 01 ponto, a contar de 2020.

2) Idade mínima (art. 16)


A idade mínima também vai ser calculada nos termos do artigo 26.
Aqui, ao contrário da regra de pontos, eu tenho uma idade mínima obrigatória
Eu tenho tempo de contribuição obrigatório, porque estou em uma regra de transição da
aposentadoria por tempo.
Na idade mínima, eu tenho uma idade mínima progressiva, que a cada ano aumenta um “X”
Art. 16: Para se enquadrar nessa regra, tem que ter 30 anos de contribuição se for mulher, e 35
anos se homem.

Pergunta-se: Não vou ter nenhuma regra de transição da aposentadoria por tempo de
contribuição que tenha menos do que 30 anos e 35? Não, porque regra de transição da
aposentadoria por tempo de contribuição. A aposentadoria por tempo de contribuição exigia
antes da reforma 30 anos de contribuição para a mulher e 35 anos para o homem.
Então não vai ter nenhuma regra que o tempo de contribuição é menos que isso.
Estou estudando regra da aposentadoria por tempo de contribuição. Se são regras da
aposentadoria por tempo de contribuição, eu tenho que ter o tempo mínimo exigido que já era
de antes, porque se eu diminuir o tempo eu vou ter uma regra de transição melhor que a
permanente, antiga.
O tempo mínimo SEMPRE vai ser 35 anos para homem e 30 para mulher, independentemente
da regra.

A transição das 4 regras cada uma se faz de um jeito, uma é de pontos, uma é de idade
mínima e as outras duas são pedágio. Uma é só pedágio de tempo e a outra é pedágio de
tempo e idade mínima.

Para gravar posso pensar assim: pontos, idade mínima, pedágio, pedágio e idade mínima.

Vou precisar de tempo mínimo de contribuição? Sim. 30 anos (mulher) e 35 anos (homem)
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Raquel Prado

A idade mínima começou em 56 anos para a mulher e 61 anos para o homem


Isso foi até 2019.
A partir de 1° de jan. de 2020, a idade será acrescida de 6 meses a cada ano, até atingir a idade
prevista na CF, que é de 62 para mulher e 65 para homem.
Eu tenho 6 meses de acréscimo a cada ano, que vai subindo até chegar em 62 para mulher e
65 para homem.
Começa em quanto? 56 para mulher e 61 para o homem, só que nesse ano de 2020 já tem 6
meses de acréscimo.
Então é assim:
30 anos para mulher + idade mínima de 56 anos e 6 meses em 2020
35 para homem + idade mínima de 61 anos e 6 meses em 2020

30 e 35 são fixos e a idade aumenta 6 meses por ano. Ano de 2021 será 57 para a mulher e 62
para o homem, Completou idade mínima e tempo de contribuição mínimo, aposenta. Aqui
não tem pontuação para somar.

Se por ventura uma pessoa completou os 30 anos de contribuição e parou de pagar, completou
a idade mínima aposenta nessa regra de transição.

Qual o valor da aposentadoria?

O valor do benefício nessa regra será:


Média aritmética de todos os salários
60% + 2% para cada ano de contribuição que exceder os 20 anos de contribuição para os
homens.
60% + 2% para cada ano de contribuição que exceder os 15 anos de contribuição para as
mulheres.
Até o limite de 100%

Na regra da idade mínima, cada ano que passa aumenta 6 meses na idade mínima estabelecida
a contar de 2020

 A regra de transição de pontos e de idade mínima tem a mesma forma de cálculo

Muita gente vai até o escritório, com o sistema de cálculo do portal Meu INSS e fala por
exemplo: Doutora, de acordo com o sistema falta 06 pontos para eu completar a pontuação
mínima. Então se continuar trabalhando e contribuindo, daqui 03 anos eu me aposento,
considerando que a cada ano eu aumento 02 pontos, certo? ERRADO!! Porque? Porque o
sistema do INSS não faz cálculo de planejamento previdenciário, ele calcula hoje. Então
faltaria 03 anos sim para se aposentar, se eu não tivesse o aumento de pontos a cada ano, só
que a cada ano que passa eu aumento 01 ponto, então quer dizer que daqui 03 anos que é
quando esse segurado vai completar a regra de pontos escrita no papel, eu não tenho mais
aquela pontuação mínima, eu já aumentei 03 pontos, ou seja, ele pode muitas vezes enquadrar
em alguma regra que ainda não foi analisada.

3) Pedágio de 50% (art. 17): Regra própria de cálculo


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Raquel Prado

Regra mais simples de memorizar, porque:


1 – Não cabe para qualquer pessoa e eu só tenho pedágio de tempo, mais nada.
Se for mulher deve contar com + de 28 anos de tempo de contribuição, e se for homem + de
33 anos de tempo de contribuição (não é 28 e nem 33 é mais), até a data de publicação da EC
103/19, que é dia 13/11/2019.
Então para o segurado ou a segurada se enquadrar nessa regra de transição tem que ter no
mínimo se for mulher 28 anos e 01 dia e se for homem 33 anos e 01 dia se for homem.

O que eu preciso pagar de pedágio?


A CF fala: período adicional correspondente a 50% do tempo que na data da entrada em vigor
dessa emenda faltaria para atingir 30 anos se mulher e 35 se homem.

Quais são os requisitos para ESTA regra de transição:


- No mínimo se for mulher 28 anos e 01 dia e se for homem 33 anos e 01 dia se for homem na
data da emenda 103 de tempo de contribuição.
- Ter no mínimo 30 anos de contribuição se for mulher e 35 anos de contribuição se for
homem.
- Pedágio de 50% do que faltava para completar 30 anos para a mulher e 35 para o homem na
data da emenda 103.

Os 3 requisitos são cumulativos. O pedágio de 50% vai se aplicar sob o que faltava para eu
completar 35 anos de contribuição para o homem e 30 anos de contribuição para a mulher na
data da emenda.
Exemplo: Mulher, 29 anos de tempo de contribuição no dia 13/11/2019. Quanto ela precisa
para se aposentar? No mínimo 30 anos de tempo de contribuição. Qual vai ser o pedágio dela?
Faltava 01 ano. 50% disso são 06 meses. Então para ela se aposentar, ela vai ter que ter 30
anos + 06 meses do tempo de contribuição.
Em outras palavras, ela tinha 29, precisava de 30, faltava 01 ano. O pedágio aqui que é 50%
serão 6 meses. Então para ela se aposentar = 30 anos e 6 meses de tempo de contribuição.
Considerando que os 29 anos ela tinha no dia 13/11/2019, 13/11/2020 ela completa 30 anos.
Em maio de 2021 ela terá 30 anos e 6 meses.

Valor da aposentadoria:
O benefício terá seu valor apurado de acordo com a média aritmética simples dos salários de
contribuição e das remunerações calculada na forma da lei, multiplicada pelo fator
previdenciário.

Que média? A do art. 26. Média de 100% dos salários de contribuição, só que eu aplico o
fator previdenciário, o que quer dizer que o pedágio de 50% ele mantém a aplicação do fator
previdenciário, na mesma sistemática da lei 9876/99: tempo de contribuição, idade e
expectativa de sobrevida. Só que a média eu não vou fazer mais por 80%, eu vou fazer por
100%. Nenhuma aposentadoria eu calculo com média de 80%, exceto direito adquirido.
Então eu vou fazer a média nos termos do art. 26 da EC, que hoje está no art. 32 do decreto
3048, com redação do decreto 10.410, só que eu vou aplicar o fator previdenciário, ou seja, o
pedágio de 50%, o menor dos pedágios INCIDE A APLICAÇÃO DO FATOR
PREVIDENCIÁRIO, só que a média é de 100%. Às vezes é a única opção para quem está
muito próximo de se aposentar e quer aposentar.
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Raquel Prado

4) Pedágio de 100% (art. 20) “Regra 100/100 – Regra Própria de Cálculo


Tem como um requisito, além do pedágio, idade mínima obrigatória
Art. 20: O segurado ou o servidor público federal que se tenha filiado ao RGPS ou ingressado
no serviço público efetivo até a data de entrada em vigor da EC 103/19 poderá aposentar,
cumprindo, cumulativamente os
seguintes requisitos:
1 – idade mínima de 57 anos para a mulher e 60 anos de idade para o homem.
OBS: A idade não aumenta, a idade é fixa.
II – 30 anos de contribuição para a mulher e 35 anos de contribuição para o homem (tempo
mínimo de contribuição exigido porque estou na regra de transição da aposentadoria por
tempo de contribuição)
III - Pedágio: período adicional de contribuição correspondente ao que, na data de entrada em
vigor dessa EC, faltaria para atingir o tempo mínimo de contribuição. (dobrar o tempo que
faltava, por isso pedágio de 100%)

Ex: Na data da emenda 103 a mulher tinha 29 anos de tempo de contribuição. Período
adicional de contribuição correspondente ao tempo que faltava. Se ela tinha 29, para atingir
30, faltava 01. Então qual é o período adicional? 01. Então ela vai se aposentar com 31, ela
vai dobrar o tempo, desde que ela tenha a idade mínima. Aqui eu não tenho tempo mínimo
exigido, a pessoa não tem que ter 28, 25, 27 anos, tem que ter idade mínima, só que essa idade
de 57 anos mulher e 60 homem, não é na data da emenda. É quando a pessoa implementar os
requisitos. Então para aplicar a regra do pedágio de 100%, tem que ter,
CUMULATIVAMENTE:
- Idade mínima: 57 – mulher; 60 – homem
- Tempo mínimo de contribuição – 30 anos para mulher e 35 anos para homem
- Pedágio de 100% do que faltava para atingir o mínimo de 30 anos para mulher e 35 anos
para homem

Ex: Mulher, 57 anos de idade em 2019, 29 anos de contribuição em 13/11. Aqui na regra de
100% ela vai ter que dobrar o tempo faltante, se ela tinha 29, o pedágio dela é 01 ano, então
ela vai se aposentar com 31 de tempo de contribuição e com 59 anos de idade.

Imagina uma pessoa que na data da EC 20, tinha 20 anos de contribuição. Nessa regra do
pedágio, considerando que falta 10 anos para ela completar os 30, ela teria que pagar mais 10
anos. Ela pensava que ia ter que pagar mais 10 anos. Pela regra do pedágio de 100%, ela terá
que pagar mais 20 anos.

Qual o valor do benefício?


Nessa regra de transição a pessoa se aposenta com 100% da média dos 100%. Não tem fator,
não tem nada.
E aqui não tem 60% + 2% para cada ano excedente.
Por isso chamada pela professora de regra 100/100

Uma mulher que tem 56 anos e 6 meses e tem direito ao pedágio de 50%. Implementou as
regras. Ela dá entrada no INSS e o INSS concede, porém se ela tivesse procurado um
86
Raquel Prado

advogado, com mais 6 meses de contribuição e espera ela completava 57 anos de idade e o
pedágio de 100%.
Vamos imaginar que ela tinha 29 anos e 6 meses de contribuição.
Na regra de 50% ela pagou 03 meses de pedágio
29 anos e 6 meses, com mais 6 meses são 30 anos.
Dali 6 meses ela implementava os 30 anos e tinha direito ao pedágio de 100%, porque ela
tinha a idade mínima de 57 e pagava o pedágio de 6 meses, que era de 100% e se aposentava
com 100% da média, sem fator.

Exemplo:
Uma mulher que na data da EC 103 tenha 56 anos de idade e 29 anos de tempo de
contribuição. Se ela pensar no pedágio de 50%, o pedágio dela será 6 meses, com 30 anos e 6
meses ela consegue se aposentar na regra do pedágio de 50%, porque ela tinha mais de 28
anos e 01 dia. Eu não tenho idade mínima. Com 29 anos de contribuição o pedágio era 6
meses, com 30 anos e 6 meses ela aposenta, dali 01 e meio. Aqui ela pegou fator, porque 57 e
30, dá 87 não dá a pontuação de 2021 que é 88
Dali 01 ano e meio ela já vai ter 57 anos de idade e 06 meses.
No pedágio de 100% ela teria que ter 57 anos de idade e vai se aposentar com 31 de tempo de
contribuição. 31 de tempo de contribuição ela vai ter 58 anos de idade.

Ou seja, com 57 anos e 6 meses ela aposenta no 50%, só que ela pega fator, se ela esperar
mais 6 meses contribuindo ela aposenta com 100% da média.

Ex: Uma mulher que na data da EC 103 tenha 55 anos de idade e 29 anos de tempo de
contribuição. Ela vai completar o pedágio de 50%, ela vai ter 56 anos e 6 meses. Se ela
esperar mais 6 meses contribuindo, ela completa 57 de idade com 31 de contribuição e
aposenta com 100%.
Somando dá 87, que serão os pontos exigidos em 2021, então como ela vai ter que completar
31 e em 2019 tinha 29, em 2021 ela vai ter 31. Logo, ela vai bater a pontuação em 2021

Em 2021 ela tem direito a aposentadoria por tempo de contribuição na regra de transição da
pontuação e na regra de transição do pedágio de 100%, só que na regra de pontuação ela não
aposenta com 100%, ela aposenta com 60% + 2% do que exceder a 15 anos. Se ela tem 31 de
contribuição e o mínimo é 15, ela tem 16 de sobra. 16 multiplicado por 2 = 32. Ela se
aposentará com 92% na regra de pontos em 2021. Só que na regra de 100% do pedágio, ela
vai se aposentar com 100% da média em 2021.

Isso quer dizer que para uma mesma situação posso ter 1,2,3,4 regras.
Uma mesma situação com pouco tempo de espera ela atingiu 100%.

Data de início do benefício


Art. 54 da lei 8213/91 remete ao art. 49, I alínea a; b e II
A data de inicio é em regra a data do requerimento (DER)
Mas pode ser na data de desligamento de emprego (para empregados e empregados
domésticos), quando requerida até essa data ou até 90 dias depois dela.
Ex: Uma pessoa me procura com direito a uma regra de transição e pergunto se ela está
trabalhando, mas ela diz que foi demitida faz 2 meses, devo entrar então com a aposentadoria
87
Raquel Prado

dessa pessoa porque faz 2 meses que ela foi demitida (60 dias). Logo se eu entrar com pedido
agora, a data do inicio do benefício será na data na data do desligamento, pois a DER está
dentro de 90 dias.
Se protocolar agora a DIB (Data do início do requerimento) não vai ser da DER (Data de
entrada do requerimento), vai ser da data do desligamento, porque está dentro de 90 dias, se
passaram somente 60 dias.

Se passar dos 90 dias, vai receber da data de entrada do requerimento (DER)

Temos o decreto 10.410/2020 que alterou o 3048/99


- Manteve a necessidade de carência de 180 meses em todas as regras de transição.
Art. 188 do decreto 10.410 trata de todas as regras de transição.
A EC 103/19 não fala nada.

O art. 188 fala o que se considera tempo de contribuição, que é igual tempo de serviço
É o que está no art. 55 da lei de benefícios, que eu considero até hoje para aposentadoria por
tempo de contribuição, inclusive para as regras de transição.

Aula 08
Benefícios Programáveis – Aposentadoria por
Tempo de Contribuição
Professora Gisele Paiva
O que é tempo de contribuição? O que pode ser considerado,
principalmente depois da reforma da previdência como tempo de
contribuição?

Nesse primeiro momento da aula será feito um complemento da aula anterior (aula n° 07),
mostrando ponto a ponto o que a nova EC e o decreto alteraram no cenário de tempo de
contribuição.
O material de estudo para essa primeira parte da aula é o decreto 3048, com a alteração
causada pelo decreto 10.410.
A primeira coisa é pegar o decreto 3048 (não é o decreto 10.410!), O decreto 10.410 alterou o
decreto 3048, então precisamos do decreto 3048 alterado pelo 10.410.
Nesse decreto 3048, vamos trabalhar com o art. 19-C e o artigo 188.
O art. 19-C coloca de forma permanente o que é considerado como tempo de contribuição.
O art. 188 ele trás o que era considerado como tempo de contribuição até a vigência da EC
103.
Com a EC 103 eu não tive a revogação da EC 20/98, do art. em que fala que tempo de
contribuição será considerado como tempo de serviço até que a lei discipline. A gente não tem
lei ainda, a gente tem decreto.
88
Raquel Prado

Então, por conta dessa situação veio o decreto 3048 na redação do 10.410 e criou mecanismos
para estabelecer o que é considerado tempo de contribuição e o que não é.
1ª coisa que tenho que entender:
Tudo que é contribuído é considerado como tempo de contribuição.
A ideia do art. 19-C e do art. 188 é considerar períodos da vida do segurado que não há
contribuição ou períodos um pouco diferentes do usual que sejam considerados como tempo
de contribuição sim, na medida regulamentar. Ex: atividade rural, serviço militar, benefício
por incapacidade.
Tecnicamente atividade rural é trabalhada e não é recolhida
O serviço militar é uma prestação de serviço à nação de origem obrigatória, mas não há
contribuição.
Benefício por incapacidade não há contribuição.
Então devemos se atentar para situações que computam e situações que não computam
Tudo o que verificarmos nesse bloco da aula, se refere a TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO e
não há CARÊNCIA.
CARÊNCIA: Presume pagamento
Discussão a respeito do pagamento de benefício por incapacidade intercalados se computa ou
não computa como carência, o decreto 3048 deixa muito claro que não computa.
Aqui estamos nos referindo a TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
Lembrando que todas as aposentadorias que estudamos na aula passada, eu tenho tempo de
contribuição e carência como requisitos obrigatórios.
Ex: Na aposentadoria por tempo de contribuição de um homem, direito adquirido eu tenho 35
anos de contribuição como requisito obrigatório. Se eu trouxer essa regra para o pedágio de
100% de um homem que no dia 13/11/19 tenha 34 anos de contribuição, o pedágio dele vai
ser de 1 ano, porque faltaria 1 ano para completar os 35 anos. Então ele só completaria o
requisito do pedágio de 100% com 36 anos de contribuição e com a idade mínima de 60 anos.
Então quando eu falo em tempo mínimo de contribuição para o pedágio de 100% de 36 anos
de contribuição nesse exemplo eu subentendo o art. 19-C e o art. 188. Só que dentro desse
benefício eu tenho uma carência de 180 meses e não posso esquecer.

Vamos começar falando de uma hipótese que não está no decreto. Foi revogado pelo decreto
10.410 que é a conversão de tempo especial em tempo comum, conversão da atividade
especial em atividade comum. São as atividades realizadas em exposição à agentes nocivos e
à saúde, previstas no art. 57 da lei de benefícios.
A aposentadoria especial não acabou, o que acabou com a reforma da previdência foi a
conversão, foi aquele “plus” pelo indicador de 1,4 para o homem no caso de aposentadoria
aos 25 anos e para a mulher de 1,2 no caso também de aposentadoria aos 25 anos.
Aquele “plus” considerado na conversão acabou.

Ex: Homem, exposto a ruído de 95 decibéis. Essa aposentadoria é considerada como especial,
se aposenta aos 25 anos. Só que como ele trabalhou 10 anos apenas, não completou os 25, a
lei me possibilitava realizar a conversão para atividade comum para ele acrescer o tempo dele.
Nesse exemplo, eu pegaria os 10 anos e multiplicaria por 1,4, daria 14 anos. 4 anos é
considerado tempo fictício, porque não houve trabalho. Embora o STF tenha falado que não é
tempo fictício, que é ajuste legal, a realidade é uma só: não houve trabalho. Isso acabou com a
reforma da previdência.
89
Raquel Prado

Se precisar realizar conversão da atividade especial em atividade comum, devemos parar no


dia 13/11/2019
Tenho o marco legal que é 13/11/2019 e tenho tempo antes e tempo depois.
Tempo antes eu converto (ainda falando de tempo especial na conversão em tempo comum)
Tempo depois eu não converto.

Exemplo: Uma pessoa que tenha 11 anos de atividade especial até hoje. Vamos imaginar (só
para facilitar) que hoje eu esteja a um ano da reforma, ou seja, que nesses anos eu tenha 01
ano pra frente da reforma, isto é, que antes da reforma eu tenho 10 anos. Isso quer dizer que
esses 10 anos eu converto, multiplicador de 1,4 que vai dar 14 anos. O que tem para frente da
reforma eu não converto, 1 ano continua sendo 1 ano, principalmente para as regras de
transição.

Hipóteses trazidas pelo decreto 3048 com a redação do decreto 10.410


Art. 19-C: Considera-se como tempo de contribuição (considera sempre, para trás e para
frente)
I – de contribuição efetuada por segurado que tenha deixado de exercer atividade remunerada
que o enquadrasse como segurado obrigatório da previdência social.
Esse art. fala que computa como tempo de contribuição, a contribuição facultativa. Segurado
facultativo, as contribuições vertidas para previdência social, computam no requisito tempo de
contribuição.
Qual seria a possibilidade de contribuir para a previdência e não ser considerado como tempo
de contribuição? Nenhuma.

II – em que a segurada tenha recebido salário-maternidade: O período em que se esteve


afastado em gozo de salário-maternidade se computa como tempo de contribuição (exemplo:
cliente que tem 4 filhos, recebeu 4 salários maternidade de 120 dias cada um, ou seja, 16
meses (4 meses de cada um: 4+4+4+4 = 16) de contribuição.

III – de licença remunerada, desde que tenha havido desconto de contribuições

IV – em que que o segurado tenha sido colocado em disponibilidade remunerada pela


empresa, desde que tenha havido desconto de contribuições

V - de atividade patronal ou autônoma, exercida anteriormente à vigência da lei n° 3807, de


26 de agosto de 1960, desde que tenha sido indenizado conforme o disposto no art. 122.

VI – de atividade na condição de empregador rural, desde que tenha havido contribuição na


forma prevista na lei 6260, de 6 de novembro de 1975, e indenização do período anterior,
conforme disposto no art. 122.
O empregador rural sempre foi considerado como segurado obrigatório contribuinte, ou seja,
o empregador rural nunca foi segurado especial. O empregador rural não prova trabalho,
prova pagamento, inclusive possibilitando a indenização.
Se meu segurado é empregador rural, mas não pagou, posso recolher em atraso? Sim. Na
verdade não seria recolhimento em atraso, seria indenização se eu estou fora do período
prescricional de 5 anos, mas pode.
Do empregador rural, a lei nunca isentou a contribuição para se computar o tempo.
90
Raquel Prado

O que se quer dizer é que ele não se enquadra no conceito de trabalhador rural, ainda que ele
trabalhe e empregue. Se ele emprega ele é predominantemente empregador rural, ele não é
trabalhador, então ele não prova trabalho, ele prova contribuição

VII – de exercício de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, desde que
tenha havido contribuição na época apropriada e este não tenha sido contado para fins de
aposentadoria por outro regime de previdência social; - Mandato eletivo desde 97 enquadra a
pessoa como segurado obrigatório empregado (art. 11, inciso I e alíneas da lei de benefícios).
Antes de 1997 não tinha, por exemplo, o vereador com filiação obrigatória. E o que
acontecia? Ele era considerado como facultativo. Por isso fala-se: “desde que tenha havido
contribuição na época apropriada”. Isso quer dizer que ele tem que ter a contribuição da
época, não se permite indenização, desde que tenha havido contribuição na época apropriada.
Então cargo eletivo anterior a 97, se a pessoa não verteu as contribuições na época própria,
não conseguiu computar como tempo de contribuição, EXCETO, se a pessoa era vinculada ao
RPPS, inclusive usando esse tempo lá. O que está falando aqui é sobre aquela pessoa que é da
iniciativa privada que se tornou vereador.
Se tornou vereador, ele recebe o valor pelo exercício do cargo e esse recebimento desde 97 o
enquadra como segurado obrigatório empregado. Tecnicamente, a câmera que faz a retenção e
repassa para a previdência social as contribuições devidas. Só que antes de 97 não era assim,
o próprio vereador que era incumbido, ficava a cargo da contribuição e se não realizou em
época própria não computa como tempo.

VIII – de licença, afastamento ou inatividade sem remuneração do segurado empregado,


inclusive o doméstico e o intermitente, desde que tenha havido contribuição na forma prevista
no §5 do art. 11; b31/b91 e – tem um período em que a pessoa está em afastamento da
atividade e não recebe remuneração que é o período de incapacidade que se recebe o B31 e
B91. Tanto o benefício de incapacidade temporária, quanto o benefício de incapacidade
permanente, faz com que o segurado fique afastado de seu trabalho (contrato de trabalho fica
suspenso, ele não recebe remuneração. O que recebe é o benefício). Sendo que o decreto 3048
criou uma exceção para esse inciso VIII que está no §1 que diz: Será computado o tempo
intercalado de recebimento de benefício por incapacidade, na forma do disposto no inciso II
do caput do art. 55 da lei 8213/91, exceto para efeitos de carência. Ou seja dentre as diversas
formas de licença, afastamento, inatividade sem remuneração do empregado, eu tenho o
período de afastamento com recebimento de benefício. Indaga-se: “vou precisar contribuir
durante esse período?” Se for para computar como tempo de contribuição a resposta é não,
porque tem a isenção do §1. Se for para computar como carência, tem que contribuir.

O decreto 3048/99 ele foi alterado no período do que se diz “manutenção da qualidade de
segurado”, antes do dec 10410 a pessoa que estava em gozo de período de incapacidade, se
ela parasse de receber o benefício, ela mantinha sua vinculação com o sistema/seu período de
graça por 12 meses (isso foi revogado).

Então agora finalizou o benefício por incapacidade, tecnicamente não se mantém a qualidade
de segurado.

Discussões a partem eu posso orientar o meu cliente a recolher com base no inciso VIII,
porque ele estava em afastamento da atividade. Veja bem, não é para computar como tempo
91
Raquel Prado

de contribuição, porque para computar como tempo de contribuição eu tenho a hipótese no §1


do art. 19-C. Neste caso seria para manter a qualidade de segurado para que não haja perda da
qualidade de segurado, e também, por óbvio, para computar como carência.

IX – em que o segurado contribuinte individual e o segurado facultativo tenham contribuído


na forma prevista no art. 199-A, observando o disposto em seu § 2° complementação para
B42/CTC. Isso quer dizer que o período em que o contribuinte individual e o facultativo
recolham nos planos simplificados de previdência social que são as alíquotas de 11% e 5%, o
tempo é considerado como tempo de contribuição. Se esse tempo for utilizado para
recebimento de aposentadoria por tempo de contribuição (nas regras de transição) e emissão
de CTC (certidão de tempo de contribuição, que é uma compensação de regimes e que é para
uso em regime próprio) vai ter que completar. Então esse inciso trabalha com as hipóteses das
pessoas que participam dos planos de inclusão de previdência social, que são planos
simplificados. Alíquota 5% e 11%. Computa como tempo de contribuição? Sim. Na
aposentadoria programada computa, na aposentadoria por tempo de contribuição em regra de
transição computa.

Agora o §2 do 199-A trata das hipóteses de tempo de contribuição e CTC. Para essas duas
situações: recebimento de aposentadoria por tempo de contribuição (B42) ou emissão de
certidão de tempo de contribuição para utilização em regime próprio, essas contribuições de
plano simplificado terão que ser complementadas. Complementadas em que percentual?
Complementar até que chegue a 20%, que é o que chamamos de alíquota cheia.

Questão específica do §1: Aqui computa como tempo de serviço não é o período em gozo do
benefício por incapacidade, mas sim, o período em gozo de benefício por incapacidade
INTERCALADO com atividade.
Assim: Atividade > beneficio por incapacidade> atividade
Quando eu falo em atividade a IN77 entende o recolhimento como facultativo. O
recolhimento de contribuição tecnicamente onde não tenha atividade,
Para computar como tempo de contribuição, tem que ser atividade do segurado > benefício >
retorno a atividade.
Para computar eu exijo esse retorno quando o benefício foi cessado.
Teve alta do benefício deve haver pelo menos 1 dia de trabalho se for empregado ou
doméstico; ou pelo menos 1 mês de contribuição se for contribuinte individual ou facultativo.

Caso o benefício cesse e não houver retorno a atividade, ou contribuição e entrar com um
pedido de aposentadoria, todo aquele período em que se estava de benefício não será
computado para fins de tempo de contribuição, pois não teve intercalação.

Agora com a questão do decreto 10.410, fala-se de benefício por benefício por incapacidade
intercalada em qualquer modalidade tanto acidentário, quanto previdenciário. Antes havia
uma diferença, agora não há mais. Cessou benefício, intercala. Não intercalou, não computa
como tempo de tempo de contribuição.

Art. 188-G, decreto 3048/99: O tempo de contribuição até 13/11/2019 será contado de data a
data, desde o início da atividade até a data do desligamento, considerados, além daqueles
referidos no art. 19-C, os seguintes períodos:
92
Raquel Prado

I – o tempo de serviço militar, exceto se já contado para inatividade remunerada nas forças
armadas ou auxiliares ou para aposentadoria no serviço público federal, estadual, distrital ou
municipal, ainda que anterior à filiação ao RGPS, obrigatório, voluntário ou alternativo, assim
considerado o tempo atribuído pelas Forças Armadas aqueles que, após o alistamento,
alegaram imperativo de consciência, entendimento com tal aquele decorrente de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter
militar; serviço militar obrigatório quando não é utilizado para fins de aposentadoria em outro
regime, ele computa no RGPS como tempo de contribuição, até dia 13/11/2019, depois dessa
data não mais, EXCETO, se houver contribuição, que neste caso deverá trabalhar com
compensação de regimes.

Serviço Militar Obrigatório computa como tempo de contribuição, mas com tanto que faça
prova pela reservista. Apresenta-se o título de reservista, e no verso tem o tempo de serviço
militar obrigatório, isso basta para considerar como tempo de contribuição.
Indaga-se: “E se não tiver o título de reservista? Terá que se dirigir ao Comando do Exército,
se por ventura for Exército ou o Comando de Forças Armadas em que prestou o Serviço
Militar Obrigatório, e solicitar uma Certidão do Tempo.

II- (..)
III - (...)
IV – O tempo de serviço do segurado trabalhador rural ANTERIOR à competência de
novembro de 1991 – Quando fala-se em segurado trabalhador rural, estamos falando de
pessoas que exercem atividade rural ou atividades análogas (pescaria artesanal, extrativismo
vegetal). O período trabalhado dessas pessoas que exercem atividade rural ou atividade
análogas. O período trabalhado dessas pessoas até Novembro de 1991 é computado como
tempo de contribuição, independentemente da existência da efetiva contribuição. De
Novembro de 1991 para frente, só será computado o período dessas pessoas se houver efetiva
contribuição. Com EXCEÇÃO do Segurado Especial, que é o agricultor familiar.

IMPORTANTE: A obrigação de recolhimento do trabalhador rural empregado não é dele, é


do empregador. Então ele tem que comprovar trabalho prestado na CTPS, porque a obrigação
de recolhimento não é dele. Mas antes de novembro de 1991 não se recolhia de ninguém,
apenas do empregado de agroindústria, porque ele era considerado urbano.

O que é importante saber aqui? Que todo tempo rural da pessoa, independentemente de qual
categoria seja (empregado rural, diarista rural, segurado rural), até novembro de 1991
computa como tempo de contribuição, exceto como carência. Para frente de novembro de
1991 tem que ter recolhimento, exceto do segurado especial, pois este não se aposenta por
tempo de contribuição se ele não pagar, se não recolher de forma facultativa para a
previdência. Ele se aposenta por idade, logo a atividade do segurado especial pra frente de
novembro de 1991 só é computada para uma aposentadoria por idade na modalidade rural ou
na modalidade híbrida. Na modalidade aposentadoria por tempo de contribuição não. Isso
quer dizer que atividade rural sem recolhimento de qualquer categoria eu paro de contar até
novembro de 91. Para frente não se conta mais nada para uma aposentadoria por tempo de
contribuição.
93
Raquel Prado

Instrução da professora: Se eu tenho um cliente que é segurado especial e ele quer se


aposentar por IDADE, devo computar sim, independente de recolhimento, para frente de
1991, pois aqui é uma exceção à regra.

Explica-se: “Segurado especial, trabalhador rural gênero (empregado rural, diarista, segurado
especial, avulso, rural) até novembro de 1991 computa independentemente de recolhimento,
pois fala-se de tempo de serviço. Para qual finalidade? Para as aposentadorias por tempo de
contribuição, essas computam. Agora, para frente de novembro de 1991, ou seja, a partir de
novembro de 1991, só vai computar se tiver recolhimentos, inclusive do segurado especial
como facultativo na hipótese se for para aposentadoria por tempo de contribuição. Existe
exceção, mas apenas na aposentadoria por idade, na híbrida e na rural, onde eu não exijo
recolhimento do segurado especial, apenas a prova do trabalho para frente de 1991.

Ou seja:
- Se o que eu quero para o meu cliente é uma aposentadoria por tempo de contribuição, ele
tem atividade rural, eu paro de contar em nov/1991, exceto se para frente houver recolhimento
ou se ele for um empregado rural, que aí o dever de recolhimento não é dele, é do
empregador.

Se o segurado é especial devo pensar para qual modalidade de aposentadoria quero usar o
tempo dele? R: Quero usar para aposentadoria por tempo de contribuição (por exemplo).
Nesse caso, devo parar em nov/91. Exceto se contribuir como facultativo.
Quero usar para aposentadoria por idade híbrida: vai para frente de 1991, mesmo sem
recolhimento.

IX – O tempo exercido na condição de aluno aprendiz, referente ao período de aprendizado


profissional realizado em escola técnica, desde que comprovados a remuneração pelo erário,
mesmo que indireta, e o vínculo empregatício.
São pessoas que estudaram em escola técnica do Governo, ou seja, pública, não sendo
privada. Estudo/tempo exercido até dia 13/11/2019. Uma escola técnica em que eu tenha a
contraprestação recebida (remuneração ainda que de forma indireta) alimentação, transporte,
alojamento, materiais para aula, é computado como tempo de contribuição.

A escola emite uma Certidão, esta certidão tem validade, desde que conste na certidão que o
aluno recebia como remuneração, ainda que de forma indireta.
§único – o tempo de contribuição de que trata este artigo será considerado para fins de cálculo
do valor da renda mensal de qualquer benefício – coeficiente.

Lembrando: As aposentadorias por tempo de contribuição, principalmente na Regra de


Transição, tanto no direito adquirido, quanto na regra de transição trabalha-se com
coeficiente. Nas Regras de Transição temos um coeficiente de 60% + 2% a cada ano
contribuído. Todo tempo que está previsto no art. 188-G conta para fins do coeficiente.

Indaga-se: Meu cliente tem 35 anos efetivos de contribuição, só que ele tem mais 5 anos de
rural antes de 1991. Posso computar? Sim. Ele sai de 35 anos e vai para 40 anos. Quais
impactos gera na vida desse cliente? Primeiro que ele pode se enquadrar em alguma regra de
94
Raquel Prado

transição melhor ou ter direito adquirido. E esses 5 anos de atividade rural, ele é somado para
fins de coeficiente.

Ex: Se eu tiver numa regra de transição, o homem só aumenta 2% quando ele tiver mais de 20
anos de contribuição. No exemplo acima ele tinha 40 contado com os 5 anos de rural (35+5),
então ele teria 20 anos além dos 20 exigidos. 20x2=40+60 que é o coeficiente base, ele
alcançaria 100%. Logo, por vezes, não utilizamos o tempo de atividade rural apenas para fins
de complementação do tempo necessário, mas sim para mudar o coeficiente de renda mensal
de qualquer benefício, seja ele qual for. A atividade rural hoje ganhou uma relevância maior
que antes, porque eu tiro a pessoa de um coeficiente extremamente prejudicial a aposentadoria
dele (que foi o que a reforma fez)

Para aumentar tempo de contribuição do cliente: trabalhar artigos 19-C e 188-G (lembrando
que aqui não computa como carência. Apenas para fins de tempo de contribuição).

Todos os benefícios têm carência

Aposentadoria por tempo de contribuição do professor

As situações aqui abordadas serão sobre o RGPS (Regime Geral de Previdência Social).
Situações vinculadas a regime próprio serão tratadas em outra aula.
Aqui serão estudadas sobre as regras de transição, direito adquirido, regra transitória do
Regime Geral.

1ª regra: direito adquirido dos professores (lembrando que essa regra, ainda que comprove
agora ou ano que vem, ou em 2022, existe o direito. A questão não é a data que faço o pedido,
mas sim a data da implementação dos requisitos. Para o professor (a), trabalha-se com a
implementação dos requisitos até 13/11/2019 (as outras situações também, quando trata-se de
direito adquirido não há exceção à regra). Mas como está se falando de professor, deve-se
entender que se houver o preenchimento até o dia 13/11/2019 há direito adquirido sim!
Garantido tanto pela EC103/19, quanto pela portaria 450, como também pelo decreto 10.410
que alterou o 3.048.

Como os professores se aposentavam até 13/11/2019? Atividade de professor é considerada


penosa e pelo fato de ser penosa a CF/88 protege essa classe de profissionais.

A aposentadoria do professor NÃO É uma aposentadoria especial. Aposentadoria especial é


aquela do art. 57 da lei 8213 (os trabalhadores que trabalham expostos à agentes nocivos à
saúde e a integridade física, inclusive há uma discussão sobre o que é integridade física). Lá é
especial, aqui é por tempo de contribuição. Aqui é uma classe protegida pela CF/88, mas se
aposenta por tempo de contribuição (n° de benefício B57, mas é uma modalidade do B42),
vale dizer que na plataforma do Meu INSS e nos acordos de operação técnica entre OAB-
INSS não tem como protocolizar pedido de aposentadoria do professor, apenas protocolizar
aposentadoria por tempo de contribuição, indicando que a pessoa trabalhou como professor. É
importante entender isso, porque no direito adquirido do professor tem fator previdenciário
obrigatório e só escapa dele se tiver pontuação (regra de pontos), os requisitos são diferentes,
95
Raquel Prado

todavia o jeito do entendimento é o mesmo. Lá no art. 57 não tenho redutor da renda, na


aposentadoria do professor eu tenho. Se a pessoa não atingir a pontuação que é exigida, será
aplicado o fator previdenciário, porque é uma modalidade de aposentadoria por tempo de
contribuição.

Indaga-se: Todos os professores são abrangidos pela aposentadoria dos professores (regras
diferenciadas de professor)? Não! A CF/88 previu o direito da aposentadoria de determinados
professores. Art. 188-A, II, alínea “a”, onde determina: Professores de educação infantil,
ensino fundamental ou ensino médio. Há EXCEÇÃO no art. 54, §2°, DEC 3048/99, que diz:
Para fins de concessão de aposentadoria de que trata esse artigo, considera-se função de
magistério aquela exercida por professor em estabelecimento de ensino de educação básica
em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as funções
de direção de unidade escolar e de coordenação e assessoramento pedagógicos.
Quando eu falo de aposentadoria do professor, tecnicamente eu não falo só de professor.
Quando eu falo de aposentadoria do professor eu falo de educação infantil, fundamental e
médio. Só que eu incluo no conceito função de magistério para fins de aposentadoria as
pessoas que exercem a função de direção da unidade escolar, coordenação e assessoramento
pedagógico. Quem deixou a sala de aula para se tornar coordenador também tem direito,
quem deixou a sala de aula para se tornar diretor da escola também tem direito, quem auxilia
o professor em sala de aula também tem direito.
Monitor tem direito? Sim. Professor auxiliar tem direito? Sim. Inspetor de aluno tem direito?
Sim.
Como estamos falando em regime geral, minha cabeça pensa em primeiro momento em
escola particular, porque todas escolas particulares são vinculadas ao RGPS. Quando falo em
municípios são aqueles que possuem RGPS, os que possuem RPPS é outra situação.

Quando eu falo de município com regime geral, coordenador da educação tem que trabalhar
nas unidades escolares, se for dentro da administração pública, onde o convívio não seja com
professores e alunos, eu tenho uma resistência do INSS e da jurusprudencia também. Na
escola particular eu não tenho isso.

Na modalidade professor com tempo reduzido se aposenta os professores da educação


infantil, ensino fundamental e médio, em qualquer modalidade, desde que destinada a
educação básica, aquele também que exerce direção, coordenação e assessoramento
pedagógico.

É considerado professor todo aquele que exerce uma função, que leciona uma matéria que faz
parte da educação básica. Tudo que é vinculado a educação básica, é considerado professor
todo aquele que exerce uma função, que leciona uma matéria que faz parte da educação
básica. Tudo que é vinculado a educação básica, é considerado professor para fins de
aposentadoria. Ex: professor de educação física: a educação física faz parte da grade
curricular da educação básica, e se faz parte da grade curricular da educação básica, esse
professor, ainda que sua atividade não seja em “sala de aula”, ele se aposenta como professor.

Indaga-se: Como se aposenta?


30 anos de contribuição, se homem (exclusivo de magistério)
25 anos de contribuição, se mulher (exclusivo de magistério)
96
Raquel Prado

 Esses anos não precisam ser ininterruptos, mas na somatória tem que dar o total.
- Desde que cumprida a carência de 180 meses.
Indaga-se: Tenho uma cliente que foi 20 anos professora de educação infantil e hoje é
comerciante. Ele se aposenta pela aposentadoria de professor? Não! Será pela aposentadoria
na modalidade convencional. Os 20 anos que ela tem, continua sendo 20, não cria-se
acréscimo nenhum, ela precisará tecnicamente de mais 10 anos para completar os 30 e aí, por
ventura, verificar em qual pedágio ela se enquadra.
(o período em que não se trabalhou como professor não será perdido, contará como carência)
Nessa situação que vimos, se trabalhava com tempo mínimo de contribuição, mas não com
idade, e se transformasse essa situação para cálculo, o que tinha de previsão era: eu aplicaria o
fator previdenciário para os casos em que a pontuação mínima não fosse atingida.
1ª coisa a se pensar: Salário de benefício até o dia 13/11/2019: - 80% dos maiores salários de
contribuição a partir de julho/94, até o mês anterior ao pedido.
Então tinha uma linha do tempo que começava em jul/94: isso para apurar a renda mensal
inicial da aposentadoria, e que terminava no mês anterior a data de entrada do requerimento.
Dentro dessa linha do tempo, eu observava tudo o que a pessoa tinha de salário de
contribuição; eu faria uma média aritmética simples dos 80% maiores salários de contribuição
(que foi até a reforma da previdência). Fazendo essa média, achava-se o salário de benefício,
não o valor da aposentadoria.
O salário de benefício ele seria aplicado pelo fator previdenciário ou não caso atingisse a
pontuação mínima.
No sistema de pontuação, vimos que para aposentadoria convencional, terminamos o ano de
2019 com 86 mulher, 96 homem.
Para professor e professora o cálculo era o mesmo, a única diferença é que na somatória da
pontuação acrescentava-se 5 pontos a mais. Ex: A professora tinha 30 de magistério (no
mínimo exigido 25) e 49 de idade = 30+49 = 79 pontos, nesse caso com 79 pontos, a lei
mandava aumentar mais 5. Logo, 30+49+5=84, se ela pontuou esse 84 em 2019, não pontuou,
pois em 2019 era necessário 86 pontos, então aplicava a pontuação sim, afastando o fator
previdenciário, desde que eu atingisse até o ano passado 86 pontos.

Para criar um equilíbrio considerando que o professor se aposenta com menos tempo de
contribuição a lei estabelece lá no art. 29-C o acréscimo de 5 pontos. Então eu somava a
pontuação, acrescia 5 pontos e via se chegava à pontuação fixada. E se não alcançar, ela não
vai aposentar? Sim, porque ela tem 25 anos de magistério, só que ela pegava o fator
previdenciário. Aplicava-se obrigatoriamente o fator previdenciário.
Claro que neste caso o fator previdenciário também tinha uma alteração, porque para aplicar o
fator previdenciário aqui, havia uma previsão de se aumentar 5 anos no tempo de contribuição
do professor e 10 anos no tempo de contribuição da professora. Isso será aumentado na
fórmula do fator. Ex: A professora aqui tinha 30 anos de contribuição de efetivo magistério.
Na hora de calcular o fator previdenciário dela, colocava-se mais 5 anos para dar 35 para não
criar um desequilíbrio com a aposentadoria convencional. Isso é direito adquirido, que não
depende da idade do professor para se aposentar. A idade ela vai ter um peso na hora do valor,
porque na modalidade de pontos, ela precisa pontuar até o ano passado 86 professora e 96
sendo professor, onde eu tenho um tempo mínimo de 25 anos de magistério para professora e
30 anos para professor, e aí, na idade, quanto mais jovem menos pontua. Nesses casos em que
não há pontuação não deixa de se aposentar, o que ocorre é a incidência do fator
previdenciário. É bem claro: se atinge a pontuação não incide fator previdenciário, se não
97
Raquel Prado

atinge a pontuação incidirá o fator previdenciário. Só não pode esquecer de colocar o tempo
de contribuição com acréscimo de 5 anos para professor e 10 anos para professora.

Indaga-se: Como comprovo o tempo de magistério do meu cliente? Basta a CTPS? Não. Ver
art. 54; §3 I e II. A apresentação será feita por meio de diploma e registros em CTPS (ver
artigo na íntegra). Se a CTPS for suficiente não precisa de mais nada, se na CTPS tiver escrito
só “professor”, preciso da declaração da escola em que ela está vinculada.
Isso que vimos é de direito adquirido, independentemente da data que eu entro com o pedido
eu continuo tendo direito adquirido

Reforma da previdência – o que ela causou na vida do professor (a)?

- Trouxe uma regra transitória que deixou a cargo de uma LC situações pertinentes à
aposentadoria do professor (a), só prevendo uma redução de idade e não mais de tempo de
contribuição, então eu vou depender de uma lei complementar que vai regulamentar isso,
enquanto essa lei não vem eu tenho uma regra transitória e criou 3 regras de transição.

Na aposentadoria convencional eu tenho 4 regras de transição. Na aposentadoria do professor


são 3 porque pedágio de 50% não se aplica ao professor. Só se aplica na aposentadoria
convencional.
Só existe: pontos, idade mínima e pedágio de 100%
Exemplo: Professora com 24 anos de efetivo magistério na data da EC, posso aplicar o
pedágio de 50% para ela? Não, porque para professor não existe.

A forma de cálculo é igual a convencional.

1ª regra: Idade mínima: Professor vai ter uma redução de 05 anos na regra da idade mínima,
então o homem começa com 56 anos de idade e a mulher com 51, isso para o ano passado,
porque esse ano já mudou. Devo trabalhar com a projeção de 6 meses a cada ano. E o tempo
de contribuição é 30 (homem) e 25 (mulher).
Art. 188-N (regras cumuladas).
Redução para a mulher e para o homem em 05 anos, porque na aposentadoria convencional a
mulher começa em 56 e o homem com o homem em 61 anos.
Carência
Escala progressiva a partir de 2020: para a mulher 51 anos e 6 meses; para o homem em 56
anos e 6 meses. Cada ano que passa aumenta 6 meses até atingir 57 anos para as mulheres e
60 anos para os homens.

Na escala progressiva estabiliza em 2027 para o homem e em 2031 para a mulher. Se a


professora não atingir 57 anos até 2031 quando atingir 57 tecnicamente ela aposenta, se não
tiver aposentado em outra regra.

Valor:
Art. 188-N 60% + 2% que exceder o mínimo exigido. Aqui eu não tenho nenhuma
possibilidade de aumentar alguma coisa no tempo, porque na verdade com a reforma da
previdência o valor ficou alocado na aposentadoria programada, que exige 15 anos da mulher
e 20 para o homem, então as variantes partem disso. A professora qual é a benesse para ela
98
Raquel Prado

com a reforma da previdência? Nessa regra de transição a diminuição da idade, e para o


professor a mesma coisa.
Média de 100% dos salários de contribuição, a contar de julho/94

Então, por exemplo, um professor que completa esse ano 56 anos e 6 meses de idade e 30
anos de contribuição.
Ele precisa de no mínimo 20 anos, se ele tem 30, ele tem 10 de sobra, então ele se aposenta
com:
60% + 2.10%
60% + 20% = 80%

A mulher que por ventura tenha 25 anos de contribuição e precisa de 15 no mínimo. Se ela
tiver 25, ela vai ter 10 de sobra, e vai ser a mesma matemática.

Pelo menos nessa regra e na próxima tem um prejuízo grande para os professores, porque eu
pego o coeficiente e o coeficiente segue a regra convencional.
A vantagem do professor e da professora é aposentar com a redução na idade, mas valor é
cruel.
A regra da idade mínima é igual vimos na aula passada, a diferença é que o tempo de
magistério eu tenho que ter exclusivamente 30 anos para o homem e 25 para a mulher e a
idade mínima reduz em 5 anos se comparada na idade mínima da aposentadoria convencional.
Professora eu comecei em 51 de idade e professor eu comecei em 56. Professor eu estou em
56 e 6 meses e professora estou em 51 e 5 meses neste ano de 2020.

2° Regra: De pontos:

Regra de pontos convencional na transição


Na transição nós começamos com 86/96 ano passado e cada ano acelera um ponto. Então esse
ano estamos em 87/97, cada ano aumenta um ponto.
Requisitos exigidos na convencional são:
- 30 anos de contribuição para mulher e 35 anos de contribuição para o homem.
Quando eu trago essa regra de pontos para o professor, eu tenho que saber que vou ter uma
benesse de pontos, claro que não vai ser 86/96, e 87/97. Só que a regra de pontos exige tempo
mínimo de efetivo magistério 25 anos para professora e 30 anos para professor. O resto
tecnicamente eu posso ter idade ou outro tipo de contribuição para que eu possa somar a
pontuação exigida
- Professores terão redução de 5 pontos
- Tempo mínimo de contribuição em efetivo magistério: 30 homem e 25 mulher
- Idade mínima, que somada ao tempo de contribuição dê 82/92 pontos em 2020; subindo 1
ponto a cada ano até estabilizar em 100 pontos para o professor em 2028 e 92 pontos para a
professora em 2030. Essa regra de transição estabiliza/congela, ela não acaba em 2028 e 2030.
Vamos imaginar que uma professora vai completar a pontuação de 92 pontos apenas em 2034.
Não tem problema, ela vai aposentar com 92 pontos em 2034. Não tenho uma elevação de
pontos em 2034. Não vai ter uma elevação de pontos a partir de 2030, mas ela continua
valendo, até mesmo porque eu só aplico as regras de transição para quem já “está no
caminho”, para quem é considerado filiado professor antes da reforma da previdência.
99
Raquel Prado

Caso concreto:
Professora, 26 anos de magistério; educação básica infantil; tem 53 anos de idade.
26 + 53=79 (esse ano estamos em 82 pontos), devemos estender a regra para saber quando ela
vai completar. Então imagine que a cada ano que passe, aumenta-se 2 pontos: 1 da idade e 1
de tempo de contribuição. Veja.:
79 – vai ser 82 em 2020
81 – vai ser 83 em 2021
83 – vai ser 84 em 2024
85 – vai ser 85 em 2025
Então nessa regra, ela vai se aposentar em 2025.
Para não esquecer: tem que ter tempo mínimo exigido. Ainda que pontue 92 pro homem, se
ele não tiver 30 anos de magistério, não se enquadra nessa regra.
Para saber a idade necessária, pega-se o tempo que a pessoa tem de magistério e diminui pelo
ponto exigido naquele ano.

Qual a regra de cálculo?


Art. 188-M decreto 3048/99 §3
60% + 2% que exceder o mínimo exigido.
Indaga-se: “Professora, com 25, sendo 15 o mínimo?” Ela tem 10 anos de excedente,
10x2=20 com + 60% =80%
Média dos 100% dos salários de contribuição, a contar de julho/94 (atenção com a regra do
descarte, pois pode haver descarte)

3° Regra: Pedágio 100% - aqui não tem 60% +2, tenho 100%
- Tempo mínimo de contribuição exigido 25 para mulher e 30 homem.
- Pedágio dobrado
- Idade mínima de 52 se mulher e 55 se homem
- Carência (3048 com a redação do decreto 10.410) – 180 contribuições
Completou tudo, aposento.

Diferença da regra convencional para a de professor:


= Bônus de 5 anos na idade (redução)
- Tempo de contribuição é o de professor mesmo
Art. 188-O
Para o pedágio do professor eu exijo o pedágio de efetivo magistério

Aqui tem que trabalhar com variantes. Viemos falando da professora que tinha 25 anos de
magistério no começo de 2019, mas que tinha 50 anos de idade em 2019, pois bem, essa
pessoa com 50 anos de idade no início de 2019. Vamos imaginar que em janeiro de 2019 ela
completou 50; em janeiro de 2020, 51; em janeiro de 2021, 52. Só que ela não tem que
cumprir pedágio porque ela já tem os 25 anos, ela só tem que esperar a idade. Na regra da
idade mínima ela já poderia se aposentar, todavia com a regra de 60 + 2, ela teria 80%. Na
regra de pedágio de 100% se ela esperar mais 6 meses, ela aposenta com 100%. 20% de
aumento em 6 meses de espera.
Ver art. 188-0 §2

Valor: 100% da média de 100%


100
Raquel Prado

Agora falaremos sobre a REGRA TRANSITÓRIA, alguns chamam de Regra Permanente,


mas ela não é permanente, porque a regra permanente será definida por lei complementar, e
nós não temos uma lei ainda. Temos na CF/88 uma regra transitória até que venha a lei e
altere isso.
Como eu tenho também na aposentadoria programada. A diferença é que na aposentadoria
programada é falado em lei ordinária, aqui é falado em lei complementar.
Regra Permanente – Art. 201 §8 que por enquanto se aplica na regra transitória. Logo, a única
previsão que a CF/88 faz como regra permanente é da idade reduzida do professor: 57, se
mulher; 60, se homem. A partir do dia 14/11/2019 só se aposenta com a idade mínima de 57
(mulher) e 60 (homem). O tempo de contribuição do efetivo magistério ficou da seguinte
maneira:

Como não veio a lei eu aplico a regra transitória do art. 19

Art. 19 EC103: Até que a lei complementar disponha sobre a redução de idade mínima ou
tempo de contribuição do §1 e §8 do art. 201.

II – Ao professor que comprove 25 anos de contribuição exclusivamente em efetivo exercício


das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio e tenha 57
anos de idade, se mulher, e 60 anos de idade, se homem.

Professora: 57 anos de idade + 25 de magistério


Professor: 60 anos de idade + 25 de magistério
- Redução do tempo de contribuição

Valor de cálculo: 60% + 2%


Todas as regras que vimos até agora exigia 30 anos para o professor, essa daqui exige 25
anos.
Será que vamos ter um professor que por ventura exige essa idade sem ter cumprido nenhuma
regra de contribuição? Se o professor não implementar nenhuma regra de transição, mas
implementar a regra transitória ele pode ir para a regra transitória e na regra transitória eu
tenho 25 anos e não 30. Então isso quer dizer que um professor com 30 anos de magistério e
60 de idade ele tem a regra para aqui.

Ver art. 54 do decreto 3048/99 na redação do 10410, II, §1 e art. 53 deste decreto ]
Lembrando: Só vou aplicar a regra de transição para quem estava filiado ao RGPS até o dia
13/11/2019. Para os professores que ingressam no dia 14/11/2019 só tenho a regra transitória,
nenhuma outra. Mas para os professores que já estavam eu posso escolher a melhor regra que
meu cliente se enquadra, dentre todas.

Pegar o caso do cliente e fazer em todas as regras para ver em qual regra ele se enquadra,
quando ele vai se aposentar e qual vai ser o valor da aposentadoria dele. Às vezes esperar
aumenta o valor do benefício.

Caso prático (ver no material)


101
Raquel Prado

Benefícios Programáveis – Aposentadoria da


Pessoa com Deficiência
Professora Gisele Paiva
Duas modalidades de aposentadoria de um determinado segurado.
1ª coisa: Estamos falando de uma aposentadoria, isso quer dizer que estamos falando de uma
pessoa que contribui ou contribuiu para a previdência social, de uma pessoa que implementou
os requisitos para uma aposentadoria, mediante trabalho ou mediante contribuição, seja como
individual ou facultativo.
Não estamos falando de uma pessoa que não é ou nunca foi filiada ao RGPS.
EX: Tenho um vizinho que tem paralisia, ele pode aposentar na lei do deficiente? Não pode,
se ele não contribuiu ele não pode. Aí eu estaria falando talvez do benefício assistencial
previsto na LOAS (Lei Orgânica da Previdência Social). Aqui eu preciso de uma pessoa que
tenha contribuído pelo mínimo exigido por lei.

Lei complementar 142/2013.


Essa lei complementar 142/2013, ela veio em razão de um mandamento constitucional que
nós temos que criar requisitos diferenciados para as pessoas que trabalham em condições
nocivas à saúde (aposentadoria especial) e para as pessoas com deficiência.
Então são as pessoas que trabalham e que possuem uma deficiência nos termos que a lei
define como tal.

Antes de 2013 as pessoas com deficiência não tinham nenhuma benesse quando o assunto era
aposentadoria, seja de aposentar com idade reduzida, seja de aposentar com menos tempo de
contribuição, isso não existia.

Ex: Se eu tivesse uma pessoa sem deficiência e uma pessoa cadeirante, mas que sempre
trabalhou, esse cadeirante ele ia se aposentar igualzinho a essa pessoa que não tem
deficiência, não ia mudar nada. Por idade (65 anos se fosse homem) ou por tempo de
contribuição (35 anos de contribuição).

Aí veio a lei 142/2013 em razão de um mandamento constitucional e criou uma aposentadoria


diferenciada para essa classe de trabalhadores.
A reforma da previdência não mexeu com os requisitos dessa aposentadoria. A reforma da
previdência, mais especificamente falando do decreto 3048 na redação do decreto 10410, só
alterou relações ao salário de benefício (quais salários de contribuição eu utilizo para o salário
de benefício). A única mudança que a reforma da previdência fez nesse tipo de benefício foi
alterar o que é o salário de benefício, passando a ser 100% e não mais 80% como era antes.
Requisitos continuam da lei complementar 142, não mudou nada. Aqui eu não falo em regra
de transição, em aposentadoria programada nova, eu continuo falando em
APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO E APOSENTADORIA POR
IDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, NOS TERMOS DA LEI 142.
102
Raquel Prado

1ª coisa que temos que entender é que quando trabalhamos com esse benefício é quem são os
destinatários dessa aposentadoria.
Essa aposentadoria foi criada para quem? Deficiente. A questão é: como eu conceituo
deficiente nos termos da lei complementar 142?
Temos uma lei que trata da aposentadoria da pessoa com deficiência e nessa lei ela define
quem é deficiente. É o que chamamos de conceito de deficiente para aposentadoria, então
eu não busco conceito em nenhuma outra lei, o conceito é da LC 142. Para eu determinar se
uma pessoa é ou não é deficiente eu vou buscar na lei complementar 142 o seu conceito
porque é ela quem define quem é pessoa com deficiência.
O conceito de deficiência é amplo, aberto, é fácil de entender. É uma análise objetiva de
deficiência. Existe perícia. Acontece que o Brasil adotou o conceito de deficiência
estabelecido pela CIF (classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde),
ela foi criada pela convenção de Nova Iorque em 2009 que foi recepcionada pela nossa CF.
A CIF serve de parâmetro para definir o que é deficiência (então serve para LC 142 e para
LOAS).
A CIF definiu deficiência e cada lei criou o seu instrumento com base na CIF. O nosso
instrumento da LC
142 é a portaria n° 01/2014 que regulamentou a lei complementar 142 e criou o IFBra ou
IFBr.
O IFBra ou IFBr foi criado com base na CIF e ele significa índice de funcionalidade brasileiro
aplicado para fins de aposentadoria do deficiente, da lei complementar 142.

OBS: Precisamos conhecer o IFBra, precisa saber que a aposentadoria do deficiente ela se dá
por análise do IFBra que é essa portaria.
O conceito da CIF é um conceito internacional e aí nós tivemos uma criação brasileira com
base na CIF que para a lei complementar 142 é o IFBra.
A CIF determina o conceito de deficiência não somente pelo conceito médico, ou conceito
patológico, ou conceito orgânico. Ela puxa para o conceito de deficiência fatores contextuais e
sociais, isso quer dizer que para eu considerar uma pessoa deficiente além de uma análise
médica, eu preciso de uma análise social, eu preciso saber qual o contexto pessoal e social que
essa pessoa está inserida, porque as vezes a pessoa que tem uma alteração orgânica inserida
em um contexto social de SP, não é deficiente para fins da lei complementar 142 e a mesma
pessoa com a mesma alteração orgânica inserida em um conceito social do interior da Bahia é
deficiente.

O conceito de deficiência ele é um conceito de impedimento de longo prazo, de natureza


física, mental, intelectual ou sensorial (elemento patológico), os quais, em interação com
diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade
de condições com as demais pessoas.

Esse impedimento ele tem que ser de no mínimo 2 anos para ser considerado de longo prazo.
Pode ser um impedimento mental, intelectual, síndromes, autismos, impedimento sensorial,
impedimento físico (elemento orgânico).
Esse elemento orgânico precisa atuar como uma barreira na vida em sociedade dessa pessoa
de forma plena e efetiva se comparada com outras pessoas.

O conceito de deficiência para a lei complementar 142 é: pessoa que tem um impedimento
considerado de longo prazo. Esse impedimento pode ser físico, mental, intelectual ou
sensorial e esse impedimento com interação com uma barreira impede essa pessoa de viver
em sociedade em pé de igualdade com outra pessoa.
103
Raquel Prado

Ou seja, João tem uma deficiência auditiva. Penso assim: O que o João não consegue fazer em
uma vida efetiva em sociedade em suas “n” variantes: vida doméstica, vida particular, vida
laborativa, vida social; o que ele não consegue fazer comparado com a Gisele que não tem
deficiência auditiva? Qual a barreira que o João tem que a Gisele não tem? O que essa perda
auditiva acarreta de dificuldade na vida do João se comparado com quem não tem? Esse é o
conceito de deficiente.
Eu posso ter uma pessoa que é cardiopata e ela não consegue andar rápido, correr e subir
escada. Ela tem impedimento? Sim. Esse impedimento é de que natureza? Física. É de longo
prazo? Não sei, depende há quanto tempo ela tem esse impedimento. Esse impedimento atua
como uma barreira da vida dela em sociedade? Sim, porque ela não pode por exemplo subir
escada, sair correndo no caso de um incêndio em sua casa, não pode trabalhar em um prédio
no 10° andar e que não tenha elevador, não pode longos períodos, porque ela corre risco de ter
uma morte súbita por conta da cardiopatia grave.
Impedimento de longo prazo tem um conceito amplo.

Se uma pessoa é ou não é considerada deficiente: o IFBra criou um sistema de pontos para
classificar as pessoas como deficientes e não deficientes, e se for deficiente qual o grau de
deficiência (leve, moderada ou grave).
Esse sistema é de pontos:
Se a pessoa tiver uma pontuação maior que 7585 -> não há direito ao benefício
Se a pessoa tiver uma pontuação maior que 7584 -> deficiente da forma leve.
Se a pessoa tiver uma pontuação maior ou igual a 5740 e menor ou igual a 6354 -> deficiente
da forma moderada.
Se a pessoa tiver uma pontuação menor ou igual a 5739 -> deficiente da forma grave
(Essa pontuação está prevista no anexo)

O IFBra é um formulário. A portaria n°01/2014 traz um formulário que é o IFBra. Esse


formulário é dividido em domínios: ambiente laborativa, ambiente doméstico, ambiente
social. Dentro de cada domínio eu tenho uma determinada situação e para essa situação eu
tenho que atribuir uma resposta, que é chamada de qualificador e são essas respostas que
pontuam acerca da pessoa ser ou não deficiente e qual o grau da deficiência.
Para eu ser deficiente eu não posso pontuar 7585, porque se eu pontuar 7585 eu não sou
deficiente para a lei complementar 142.

Então eu vou ter cada domínio respondido, dentro de cada domínio resposta a todas as
perguntas e dentro de cada pergunta é atribuído um qualificador que seria uma nota. A soma
dos qualificadores me leva a uma pontuação. Se essa pontuação for muito alta, a pessoa pode
não ser deficiente ou ela pode ser deficiente leve. Quanto mais baixa a pontuação, mais grave
é a deficiência.
OBS: Se eu tive uma pergunta de um domínio com qualificador atribuído errado (deveria ser
atribuído o qualificador 2 porque a pessoa não consegue fazer sem a ajuda de terceiros e a
assistente social atribuiu o qualificador 5 que ela consegue fazer sozinha está errado. Se eu
mudo o qualificador tecnicamente eu já diminuo a pontuação final e aí fica mais fácil eu
questionar porque a pessoa foi considerada deficiente ou não foi ou se por ventura o grau está
errado).

Na aposentadoria por tempo de contribuição (veremos adiante) eu preciso saber qual é o grau
da deficiência, porque cada grau demanda um tempo de contribuição diferente.
104
Raquel Prado

OBS: Toda vez que ingressar com aposentadoria do deficiente, é necessário solicitar cópia do
laudo pericial. Aqui é perícia biopsicossocial (médica + social). Tenho que pedir uma cópia
do anexo 1, só que ele aparece no sistema do meu INSS como cópia de laudo médico, aí
quando eu vou no agendamento presencial eu falo o que eu realmente quero, para eu entender
como foi interpretada aquela situação do meu cliente. Aquela situação de impedimento e de
barreira como o INSS interpretou? Como foi atribuído os qualificadores?
Primeiro devemos estudar a portaria 01/2014, entender o que é o IFBra, entender como ele se
aplica e aí obter de um caso concreto essa análise e interpretar a análise. A análise sempre vai
ser médica e social (o perito médico analisa o impedimento de longo prazo e a assistente
social analisa as barreiras da vida em sociedade).
Tem alguns domínios que parte são atribuídos pela perícia médica e parte a perícia social.
Mas basicamente é a conjunção dessa perícia biopsicossocial (médica + social) que má a
pontuação adequada em cada caso.

Eu defini o que é deficiente, eu já sei que eu posso estar na LC 142 ou não.


A pessoa foi considerada deficiente. OK. Ela está na LC 142.
Se ela vai conseguir aposentar pela lei complementar 142 é outra história, porque aí eu tenho
que implementar os requisitos de cada benefício previsto na lei 142. Ou é por idade, ou é por
tempo de contribuição.

Passos:
1 – A pessoa é deficiente? Se a resposta for positiva passa para o passo 2.
2 – Ela implementa as condições para o benefício que eu estou pleiteando?

Perícia Biopsicossocial

O que é uma perícia biopsicossocial? A perícia biopsicossocial é realizada por uma equipe
multidisciplinar. Nesse caso aqui é um perito médico + a assistente social.
No INSS desde que foi implementada essa lei complementar 142 essa perícia é realizada.
Na justiça, há uma preocupação, pois há alguns juízos que não estão preparados para a LC
142. Então, quando entra-se com um pedido de aposentadoria da pessoa com deficiência, a
perícia é feita somente pelo médico e num cunho de avaliação de incapacidade (aqui eu não
tenho incapacidade, eu tenho deficiência). Incapacidade é quando a pessoa não tem condições
para o trabalho. A pessoa pode sim ficar incapacitada durante algum momento da sua vida
ficar incapacitada para o trabalho, ficar em gozo de benefício por incapacidade e depois
voltar. Mas aqui é outra coisa.
Então na minha inicial eu já tenho que demonstrar que para o juiz que eu quero a perícia
biopsicossocial, composta de pelo menos médico e assistente social.

Eu apresento quesitos?
Sim, quesitos voltados tanto para a análise médica, quanto para análise social.
Se não sabe fazer quesitos, apresente o IFBra que é o anexo da portaria n° 01/2014 e peça
para que tanto o médico quanto a assistente social respondam, apliquem os qualificadores aos
domínios do IFBra, porque o IFBra é um instrumento que regulamenta a lei, então
tecnicamente há uma obrigatoriedade tanto da perícia médica quanto social responderem o
IFBra, pontuar no sistema o IFBra. Tanto que se eu não apresento, o juiz pode apresentar de
ofício.
105
Raquel Prado

OBS: Se no INSS eu já tive o reconhecimento de alguns domínios e esses domínios foram


favoráveis. Quando eu entro com a aposentadoria na justiça, eu não vou discutir a
aposentadoria como um todo, eu vou discutir aquele domínio específico que eu entendo
deficiente.

Qual é a função da perícia biopsicossocial?


1 – avaliar se realmente a pessoa é deficiente;
2 – avaliar o início da deficiência (aqui eu tenho o impedimento disso ser feito com base em
testemunha, tem que ser feito com base legal, com documentos, inclusive seu início);
3 – marcar o grau da deficiência (se a deficiência é leve, moderada ou grave), porque para a
aposentadoria por tempo de contribuição eu dependo dessa avaliação, porque cada tipo de
deficiência demanda um tempo de contribuição específico
4 – fazer as marcações se houve variação no grau da deficiente, porque eu tenho a
possibilidade de converter tempo sem deficiência em tempo com deficiência e tempo com
deficiência leve em deficiência moderada. A lei possibilita essas conversões, para que na
somatória dos períodos eu atinja o tempo para a aposentadoria por tempo de contribuição.
Na idade eu não vou trabalhar com grau de deficiência e nem variação, porque na
aposentadoria por idade basta ser deficiente.

IN 77/15 o art. 414 fala da perícia biopsicossocial, inclusive para fixar o grau da deficiência.

Para ter direito à aplicação da LC 142 de 2013, eu preciso provar a deficiência ou na data da
implementação dos requisitos ou na data do requerimento.

Perícia: biopsicossocial
Instrumento com importância para se analisar deficiência: IFBra

IN 77/15 art. 424

Fotos podem ser utilizadas para comprovar.

Para definir se uma deficiência é leve moderada ou grave eu dependo obrigatoriamente das
falas do perito médico e da assistente social.

Cuidado: Decreto 3048/99 art. 70-H


A critério do INSS, o segurado com deficiência, deverá, a qualquer tempo, submeter-se à
perícia própria para avaliação ou reavaliação do grau de deficiência.
Isso quer dizer que uma vez firmada a existência da deficiência e o grau, essa deficiência e
esse grau não é definitivo, pode ser reavaliado.
Estando a pessoa não aposentada ainda, caso ela provocou a perícia somente para caracterizar
a deficiência e o seu início, porque agora isso é possível, ou estando a pessoa aposentada na
condição de deficiente, porque eu tenho o período de revisão do benefício no prazo de 10
anos.
Então, eu só tenho uma aposentadoria “segura” quando passa o prazo decadencial de 10 anos,
porque ai não cabe mais revisão por parte do INSS, salvo má fé ou prazo.

Posso solicitar uma perícia para caracterizar deficiência antes do pedido do benefício

Ainda que a legislação sobre essa aposentadoria especial só tenha surgido em 2013, a
existência de deficiência em momento anterior autoriza a concessão do benefício especial,
106
Raquel Prado

desde que ela seja certificada pericialmente, inclusive quanto ao seu grau e data provável do
seu início.

Nem sempre eu vou pedir para que se responda o IFBrA todo, porque tem situações que
podem ser incontroversas no administrativo, por isso é importante solicitar cópia de laudo
médico lá no administrativo e levar para a justiça.

Benefícios em espécie

1 – Aposentadoria por idade


Independo do grau, basta que seja deficiente.

Todos os segurados possuem direito. Na data do requerimento não se exige que seja segurado,
o que eu preciso é ter a implementação das condições.
A benesse dessa aposentadoria é a redução da idade.
A idade é igualzinho do rural, não muda nada.
O homem aposenta com 60 anos
A mulher aposenta com 55 anos

Se comparar com a regra permanente da reforma da previdência eu reduzo 5 anos da idade do


homem e 7 anos da idade da mulher.

Além disso eu preciso de uma carência de 180 meses (essa carência pode ser com ou sem
deficiência). Carência= pagamento. Carência são contribuições mensais pagas, a 1º tem que
ser em dia e eu conto por mês. Na aposentadoria do deficiente eu preciso de 180 meses. A lei
não exige que esse período seja pago já na condição de deficiente, a lei exige que tenha
pagamento.
Lembrando que as pessoas podem se tornar deficientes, nem todas nascem deficientes para se
enquadrar nessa lei. Nem todas elas tem todo o período contribuído como deficiente.
Ex: Pessoa se tornou deficiente no ano de 2015. Ela tem 05 anos de deficiente, mas o que ela
tem para trás sem deficiência computa como carência.
Mas não é só isso que a lei exige. A lei exige:
- Idade mínima
- Carência
- Tempo de contribuição de 15 anos COM deficiência, que INDEPENDE do grau.

Muito cuidado porque carência e tempo de contribuição são expressões distintas!


Carência é pagamento mensal
Tempo de contribuição: Tenho situações em que não há pagamento mas é considerado como
tempo de contribuição. A lei possibilita que tudo que tiver previsão no art. 55 da lei 8213, no
art. 19-C e no art. 188 do decreto seja considerado como tempo de contribuição. Então muitas
vezes eu consigo ter carência parte contribuída com deficiência e parte sem e eu consigo
completar o tempo de contribuição todo com deficiência.

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