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Grolla - Cap.


Afasia de Broca (lesões no lobo frontal esquerdo)
➔ Agramatismo: incapacidade ou dificuldade em compreender e utilizar a
gramática;
➔ Fala lenta e com muitas interrupções;
➔ Consciência de seus erros;
➔ Dificuldade em encontrar as palavras que deseja;
➔ Gramática simplificada, especialmente com relação a elementos de ligação.

Afasia de Wernicke (lesões no lobo temporal esquerdo)


➔ Enunciados desprovidos de sentido;
➔ Sem problemas gramaticais;
➔ Utilização de jargão;
➔ Pouca ou nenhuma consciência de seus erros.

Os sistemas linguísticos humanos são flexíveis e versáteis (Lyons, 1987). Isso


se deve à presença de quatro propriedades: arbitrariedade, dualidade,
descontinuidade e produtividade.

Arbitrariedade: as relações entre partes do sistema linguístico são fruto de


convenção entre os falantes. Por exemplo, a relação entre a palavra “amor” e o som
que ela produz. Se não fosse por convenção, palavras como “mordaça”
automaticamente seriam semelhantes a “amor”, e não é esse o caso. Isso torna a
língua flexível, fazendo com que um som não esteja preso a nenhum significado.
Dualidade: as línguas naturais possuem dois níveis de estrutura, sendo que o
nível inferior fornece as unidades do superior. Estruturalistas chamavam essa
propriedade de dupla articulação da linguagem. Por exemplo, fonemas se combinam
segundo regras, e formam morfemas. Os morfemas são o nível mais alto (primeira
articulação) por possuírem significado, enquanto os fonemas, nível mais baixo
(segunda articulação) não possuem significado. Isso torna a língua flexível porque,
com um número pequeno de fonemas, milhares de morfemas e palavras são
formados. A dualidade é uma maneira simples e econômica de gerar várias formas a
partir de poucas e básicas unidades.
Descontinuidade: nossa percepção linguística não é contínua ou gradual -- é
tudo ou nada (ex.: mesmo que uma máquina faça uma interpretação graduada dos
fonemas /p/ e /b/, só iremos perceber um dos dois de cada vez. Nunca os dois ao
mesmo tempo, nunca algo de diferente no meio dos dois). Essa propriedade é
vantajosa no sentido de que, mesmo que /p/ e /b/ sejam sons próximos, seus
significados no meio de palavras são tão diferentes quanto qualquer outro par de
palavras que também o são.

Questão: a fala humana é semelhante à comunicação animal? => É verdade


que animais podem ter sistemas impressionantes de comunicação, mas, em primeiro
lugar, o gerativismo não entende a língua como um sistema de comunicação. Na
verdade, afirma que a língua sequer é necessária para a comunicação, e até apresenta
falhas nesse quesito. Assim, linguagem é um conceito especificamente humano.

Dessarte, há duas propriedades que pertencem somente aos humanos:

Produtividade: possibilidade infinita de construção e interpretação de novos


sinais. Somos capazes de combinar e recombinar elementos da língua em prol de
formar, por exemplo, frases novas e coerentes. Isso se liga ao conceito de criatividade
regida por regras: recursividade.
Recursividade: um dado objeto pode ser definido com base na sua própria
definição. A regra que nos permite fazer coordenações exige que o elemento a ser
coordenado seja do mesmo tipo dos que ele vai se coordenar com. Os enunciados de
qualquer língua possuem estrutura gramatical, e é isso que possibilita a incrível
diversidade de conteúdo das mensagens (Quadrilha - Carlos Drummond de
Andrade).

A linguagem tem suporte material em certas áreas do cérebro.


Cérebro/Mente => Hardware/Software

Estudos sugerem que a experiência crescente dos bebês com sua língua
materna, na verdade, funciona como um guia para uma seleção, dentro do inventário
de sons humanos, daqueles que serão relevantes para a criança falar sua língua
materna. Aprender uma língua, nesse caso, é desaprender todas as outras.
A criança deve ter contato constante com sua língua materna até o início da
puberdade, caso contrário, poderá até aprender, mas não será fluente (estudos de
caso: Genie; Newport).
O desenvolvimento da linguagem como um todo ocorre par a par com o
desenvolvimento do cérebro.
Há duas visões distintas que tentam explicar a origem do conhecimento.
Ambas são, de alguma forma, inatistas.
Empirista: todo o conhecimento vem da experiência com o ambiente. As
crianças nascem sem nenhum conhecimento linguístico e o adquirem através de
analogias, associações e raciocínio indutivo. Nesse caso, essa capacidade de realizar
analogias e etc. seria inata.
Racionalista: a criança nasce dotada de conhecimentos específicos sobre
linguagem, que, sendo assim, seriam inatos. A exposição a uma língua particular
somente enriqueceria tal conhecimento prévio.

Há também a hipótese de imitação, que não dá conta de diversos aspectos da


fala das crianças em fase de aquisição. Não há dúvidas de que palavras possam ser
imitadas, mas a linguagem não se baseia apenas em vocabulário. Além de que, por
exemplo, imitar perfeitamente a palavra “globalização” não implica em saber o
significado da mesma, por exemplo. Ademais, crianças são capazes de juntar duas
palavras e recombiná-las de maneiras que os adultos nunca fizeram. Maneiras que,
muitas vezes, estão gramaticalmente incoerentes.

Hipótese comportamentalista (behaviorismo) => a criança aprenderia sua


língua materna porque seria estimulada positivamente, quando falasse corretamente,
e negativamente, quando houvesse algum erro. Essa hipótese pressupõe que os
adultos estão sistemática e constantemente monitorando a fala da criança, o que não
é verdade. Além disso, a maioria das correções que os adultos fazem é sobre o
conteúdo do enunciado, não sua gramática, o que não garante de forma alguma que a
criança irá aprender. No geral, adultos estão mais preocupados em educar
(corrigindo mentiras, por exemplo) do que exercitar a gramática. A capacidade que
crianças têm de produzir sentenças inteiramente novas, no behaviorismo, é
simplesmente atribuída a mecanismos da mente humana, como analogia, o que se
prova impraticável em certas especificidades da língua.

Aquisição de linguagem baseada no uso => as crianças adquirem a linguagem


do mesmo modo que adquirem conhecimento em outros domínios cognitivos.
Problemática: As sentenças que as crianças ouvem podem ser analisadas de diversas
formas, inclusive sob regras independentes de estrutura, mas as crianças parecem
nunca utilizar esse tipo de regra ao produzir suas sentenças. Como elas “aprendem”
isso?

Conexionismo: movimento das ciências cognitivas que tenta explicar


habilidades intelectuais usando redes neurais artificiais.
****Redes neurais: modelos simplificados do cérebro. São compostas por um
grande número de unidades (input e output units) ligadas em um padrão de
conexões.

Exercícios
1. De acordo com Lyons (1987), a linguagem humana é flexível e versátil,
possuindo as seguintes propriedades: arbitrariedade (as relações entre partes
do sistema linguístico são fruto de convenção entre os falantes), dualidade (a
partir de simples unidades, de nível inferior, infinitas unidades de nível
superior são formadas), descontinuidade (a percepção linguística não é
gradual), produtividade (criatividade linguística: somos capazes de combinar
e recombinar itens da língua, criando um número infinito de resultados) e
recursividade (com itens semelhantes, podemos repetir a mesma regra
gramatical infinitas vezes e, ainda assim, criar sentenças possíveis).
2. Arbitrariedade, dualidade e descontinuidade.
3. A afasia de Broca é caracterizada por agramatismo; fala lenta e com muitas
interrupções; dificuldade em encontrar as palavras que deseja usar; e
consciência dos próprios erros e dificuldades na fala. Por outro lado, a afasia
de Wernicke apresenta enunciados desprovidos de sentido, porém sem
problemas gramaticais, contendo até jargões, e o indivíduo possui pouca ou
nenhuma consciência de seus erros de fala.
4. Primeiramente, a hipótese de imitação desconsidera o fato de que a linguagem
não se baseia apenas em palavras soltas. A criança pode imitar perfeitamente
a palavra “globalização” sem saber o significado da mesma, e isso não implica
em uma aquisição de linguagem. Além disso, crianças constantemente
combinam e recombinam palavras, formando sentenças jamais proferidas
pelos adultos a seu redor. É inegável que imitação é uma parte da aquisição da
linguagem, mas é ineficiente como uma explicação generalizada.
5. A hipótese behaviorista pressupõe que os adultos estão constante e
sistematicamente observando as crianças, premiando-as por seus acertos e
corrigindo-as por seus erros. Isso não ocorre em um ambiente real: nenhum
adulto permanece as 24 horas do dia junto à criança, e muito menos
observando -- quase cientificamente -- cada acerto e erro linguístico.
Geralmente, os pais estão mais preocupados em educar seus filhos:
premiando boas ações e corrigindo as más. De fato, alguns adultos apreciam
os erros gramáticos das crianças, por serem condizentes à idade. Mesmo que
corrijam, nem sempre a criança compreenderá qual exatamente foi o erro, ou
nem terá interesse em fazer a correção.