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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA MESTRADO E DOUTORADO EM ECONOMIA DO


DESENVOLVIMENTO

Questão- Tópico 4

Disciplina: Macroeconomia I, ECOP 20

Aluno: Gabriel Leite Ferreira

Professora: Fernanda Ultremare

Questão: Qual a crítica de Minsky ao modelo de tomada de decisão de portfólio presente na


Teoria geral de Keynes e , por conseguinte, a reconstrução que aquele realiza daquela, com base
nos determinantes de investimento?

R: Minsky compartilhava com Keynes a preocupação com os ciclos econômicos e a visão da moeda
como mais que um mero meio de troca neutro. Porém, o primeiro possuí diferenças quanto às
teorias do economista de Cambridge no tocante a composição do portfólio que decorriam da
distinção que Keynes abraçava e que Minsky rejeitava, entre especulação e empreendimento no seio
do sistema capitalista de produção.

Keynes distingue três tipos de ativos: capital de consumo, cujo objetivo essencial é garantir um
retorno que exceda seu custo de manutenção. O segundo tipo são estoques de bens finais e de
excedentes de capital, cujo custo de manutenção é alto. O terceiro tipo é a moeda cuja liquidez é
altíssima. Sendo assim, o processo de aquisição de ativos é relacionado com taxas marginais de
eficiência maiores que as taxas de juros; sendo que a aquisição destes é declinante pela queda da
eficiência.

Para Minsky, há um reducionismo em colocar estes ativos apenas como bens de capital e não ativos
financeiros que, segundo ele, seriam mais vantajosos pois teriam menos imprevisibilidade nos
ganhos e uma liquidez maior, graças a um mercado secundário mais organizado e menores taxas de
manutenção. Além disso, tal sistematização abandonaria a ideia do capitalismo como um sistema
inerentemente instável, pois tal procura pela eficiência marginal seria um fator estabilizante no
circuito econômico em geral.

Outro ponto é que, nessa analise, Keynes ainda teria uma concepção neoclássica de investimentos,
já que os determinantes do investimento ficam inteiramente em função da produtividade marginal
do capital, o que acarretaria numa separação entre fatores reais e monetários.

Assim, Minsky começa sua construção com a variável de investimentos sendo o preço dos ativos e
não as respectivas taxas de eficiência marginal, relacionando assim a moeda circulante e a função
preço de demanda dos bens de capital. Assim, haveriam três meios de financiamento de
investimentos: moedas em portfolio, o lucro bruto de investimentos anteriores e recursos externos,
como o crédito bancário ou recursos advindos da emissão de ações.

Outra característica é que em Minsky os prêmios de liquidez são de todos os ativos, tanto
financeiros como os de capital, sendo que o que os determinam é a capacidade destes de serem
transformados em moeda. Nesse caso, os passivos são parte do portfólio, o que aumenta a
atratividade das reservas financeiras frente as de capital.
Nisso, nessa reformulação das decisões de investimento, os investimentos acarretam riscos
inerentes nas seguintes formas:

A) Risco do devedor, quando se toma recursos externos, decorrente da obrigação do pagamento de


juros;

B) Aumento da imobilização do portfólio, graças a segurança declinante que advém do crescimento


das taxas de investimento;

C) Diminuição na rentabilidade acionária da companhia, pelo aumento na oferta destas;

D) Aumento nos custos de aquisição de bens de capital;

E) Risco do credor, onde esse pode encarar a inadimplência dos devedores e causar crises no sistema
financeiro.

Assim, Minsky tenta sanar duas características em Keynes , julgadas problemáticas: aparente
dicotomia entre finança e investimento e uma concepção neoclássica de investimento privado; o
capitalismo assim é um sistema financeirista por excelência.

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