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Electrodinamica Clássica

Equações de Proca
Marco Robalo
22 de Fevereiro de 2007

Resumo
São dadas algumas motivações para o estudo de massa de fotões.
Postula-se uma densidade lagrangeana electromagnética e deduzem-se as
equações de Maxwell utilizando as equações de Euler-Lagrange.
Altera-se a densidade lagrangeana anterior passando a considerar um
termo de massa e deduzem-se as equações de Proca.
Estudam-se algumas soluções das equações de Proca.
Apresentam-se alguns casos em que é possı́vel atribuir massa a fotões
estimativas para o valor da massa.

1
Conteúdo
1 Notação 3

2 Motivação 4

3 Formulação Clássica do Electromagnetismo 5


3.1 Equações de Maxwell . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
3.2 Invariância de Gauge no Electromagnetismo . . . . . . . . . . . . 6

4 Formulação Lagrangeana do Electromagnetismo 7


4.1 Formalismo Lagrangeano em Teoria de Campo . . . . . . . . . . 7
4.2 Densidade Lagrangeana Electromagnética . . . . . . . . . . . . . 8

5 Equação de Proca 10

6 Soluções das Equações de Proca 11


6.1 Equações para os Campos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
6.2 Equações para os Potenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
6.3 Solução Electroestática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
6.4 Ondas Electromagnéticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
6.4.1 Propagação de Ondas Electromagnéticas no Vácuo . . . . 14
6.4.2 Dispersão da Luz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
6.4.3 Ondas Electromagnéticas Longitudinais . . . . . . . . . . 16
6.5 Solução Magnetoestática - Campo Magnético Terrestre . . . . . . 17

7 Aplicações - Plasmas 19

8 Conclusões 20

9 Anexo I 21
9.1 Laplaciano em Coordenadas Esféricas . . . . . . . . . . . . . . . 21

Referencias 23

2
1 Notação
1. Admite-se a convenção de soma de Einstein
∂Xb
2. Admite-se a notação ∂a Xb := ∂xa

3. A letra M designa um espaço-tempo de Minkowski de dimensão 4.

4. Utiliza-se em M o sistema de coordenadas dado por

x(p ∈ M ) = (x0 (p), x1 (p), x2 (p), x3 (p)) = (ict, x, y, z) (1)

5. Neste sistema de coordenadas a métrica escreve-se g = dxi ⊗ dxi .

6. Ωk (M ) designa o espaço das k-formas diferenciais em M.[2]

7. d : Ωk (M ) → Ωk+1 (M ) designa a derivada exterior de formas diferenciais.


Este operador verifica d ◦ d = 0. Em coordenadas, se ω = wi1 ,...,ik dxi1 ∧ ... ∧ dxik
é uma k-forma então
∂wi1 ,...,ik j
dω = dx ∧ dxi1 ∧ ... ∧ dxik (2)
∂xj

8. ∗ : Ωk (M ) → Ω4−k (M ) designa o operador de Hodge.

9. Admitem-se Unidades SI

3
2 Motivação
O electromagnetismo é uma das teorias mais sólidas da fı́sica. As equações de
Maxwell adequam-se na perfeição à fı́sica de campos e partı́culas que conhece-
mos da experimentação e estas equações implicam que os fotões tenham massa
nula.
Generalizar a teoria, de forma a estudar fotões de massa não nula e analisar o
parâmetro de massa, pode ser entendido como um outro teste à teoria.
O estudo de massa de fotões não é algo recente. Remete-se aos testes experimen-
tais das leis básicas da electrostática, em particular, a Lei de Coloumb segundo
a qual o potencial eléctrico criado por uma carga Q pontual em repouso tem
uma dependência da distância da forma 1r .Várias experiências procuraram já
medir a precisão desta lei, como por exemplo a realizada por Cavendish. São
1
vários os métodos utilizados evidenciando-se testes do tipo r2+ onde se procu-
−µr
ram valores para a constante  e outros em que se admite uma lei do tipo e r
(forma de Yukawa) e se tenta determinar valores para o parâmetro µ. Neste
contexto µ pode ser interpretado como um número de onda k e o seu inverso,
µ−1 com um certo comprimento de onda. Dado que o momento de um fotão
h h
é dado por p = 2π k = 2π µ e procurando dar sentido fı́sico à massa do fotão,
podemos ainda escrever p = mc e obter a igualdade µ = mc h .

De forma a estudar campos electromagnéticos massivos é necessário proceder
a algumas alterações nas equações de Maxwell, generalizando-as. As equação
generalizadas para fotões massivos denominam-se Equações de Proca.
O objectivo deste trabalho consiste em obter essas equações e estudar algumas
das suas soluções tentando em alguns casos apresentar uma estimativa para o
valor do parâmetro µ. São ainda dados como exemplo alguns meios onde se
pode dar um significado fı́sico concreto à massa dos fotões.
Note-se que este tipo de análise nunca permitirá concluir se a massa do fotão é
de facto nula. Quanto muito poderá permitir concluir que não é nula, tendo em
conta o principio da incerteza de Heisenberg. Apresentar uma massa não nula,
por mais pequena que seja, como veremos, será suficiente para surgirem alguns
fenómenos extra como a dependência da velocidade da luz com a frequência, no
vácuo; a propagação de ondas electromagnéticas longitudinais; a substituição do
potencial (1/r) pelo potencial de Yukawa que virá afectar mesmo a propagação
das ondas electromagnéticas, atenuando-as, e ainda algumas propriedades novas
para os campos magnéticos.

4
3 Formulação Clássica do Electromagnetismo
3.1 Equações de Maxwell
As equações de Maxwell para o electromagnetismo escrevem-se em notação
clássica como

~
~ ×E
∇ ~ = − ∂B (3)
∂t
~ ~
∇.B = 0 (4)
~
∇ ~ = J~ + 0 ∂ E
~ ×H (5)
∂t
~ ~ ρ
∇.E = (6)
0
~ eB
para B = µ0 H 1 e D = 0 E 2 , onde E ~ são respectivamente, os campos
~
Eléctrico e Magnético, J = ρ~v é a densidade de corrente eléctrica e ρ é a
densidade de carga eléctrica.

~
~ = − ∂ A − ∇φ
E ~ (7)
∂t
~ =∇
B ~ ×A~ (8)
(9)

sendo A~ é o vector potencial magnético e φ é o potencial escalar eléctrico.


Estas equações podem
P ainda ser escritas numa forma tensorial covariante como
uma 2-forma F = b<a Fba dxb ∧ dxa designada por Tensor de Faraday, cujas
componentes são definidas por

Fba := ∂b Aa − ∂a Ab (10)
onde A = Ab dxb é uma forma-1 correspondente ao quadrivector potencial
electromagnético, escreve-se como A = i φc dx0 + A1 dx1 + A2 dx2 + Ae dx3 , em
coordenadas (−ct, x, y, z) no espaço de Minkowski, sendo (A1 , A2 , A3 ) as com-
ponentes do vector potencial magnético e φ o potencial eléctrico.
Com esta definição as componentes do tensor de Faraday são
E
i Ecx i Ecz
 
0 i cy
 −i Ex 0 Bz −By 
Fba = c 
 −i Ey −Bz 0 Bx 
c
−i Ecz By −Bx 0

0 a constante magnética do meio
2  a constante dielétrica do meio
0

5
(11)

As equações (1) a (4) podem ser reescritas como

∂Fba ∂Fcb ∂Fac


c
+ a
+ =0 (12)
∂x ∂x ∂xb
∂Fba Jb
a
= (13)
∂x 0 c2
A primeira contém a informação das duas equações homogéneas e surge da
própria definição do tensor de Faraday, enquanto que a segunda corresponde às
não-homogéneas. Estas equações podem ainda ser escritas em notação tensorial
independente do sistema de coordenadas como

dF = 0 (14)
J
∗d ∗ F = (15)
0 c2
onde as componentes da 1-forma J são iguais ás do quadrivector densidade de
corrente, escrito de forma covariante, J = iρcdx0 + ρvx dx1 + ρvy dx2 + ρvz dx3 ,
com ρ = γρ0 , ρ0 a densidade de carga no referencial próprio. As equações
homogéneas surgem como pura consequência de F ser definido como F := dA e
d2 = 0.

3.2 Invariância de Gauge no Electromagnetismo


No electromagnetismo designa-se por invariância de Gauge o facto da escolha do
potencial electromagnético não ser única, para um mesmo campo fı́sico. Con-
cretizemos:
O campo electromagnético é descrito por uma 2-forma F fechada, isto é dF=0.
No caso do espaço de trabalho ser simplesmente conexo3 [1] existe sempre uma
1-forma A tal que F=dA. Tendo em consideração que d ◦ d = 0, podemos definir
um novo potencial A’ como A0 := A + dφ, onde φ é uma qualquer função es-
calar. Verificamos que F 0 = dA0 = d(A + dφ) = dA + ddφ = dA = F e o campo
electromagnético associado aos diferentes potenciais é o fisicamente o mesmo e
as equações de Maxwell não são alteradas. Temos portanto, para uma mesmo
campo fı́sico F, tantos potenciais electromagnéticos como funções escalares φ.

3 Um espaço diz-se simplesmente conexo se dados quaisquer dois pontos do espaço e quais-

quer duas curvas com extremos nesses pontos, for possı́vel deformar continuamente uma curva
na outra.

6
4 Formulação Lagrangeana do Electromagnetismo
Apresentamos em primeiro lugar uma generalização da teoria da mecânica la-
grangeana e dos princı́pios variacionais, ao estudo de campos contı́nuos, assim
como uma generalização das equações de Euler-Lagrange. Na segunda parte é
apresentada a densidade lagrangeana que permite obter as equações Clássicas
de Maxwell.

4.1 Formalismo Lagrangeano em Teoria de Campo


No formalismo lagrangeano clássico[4], utilizam-se as equações de Euler-Lagrange
para determinar as equações do movimento de uma partı́cula pontual, sujeita a
campos de natureza arbitrária.
d ∂L ∂L
= (16)
dt ∂ ẋb ∂xb
sendo L o Lagrangeano da partı́cula. Dados dois pontos p e q do espaço
fı́sico, a solução destas equações é a curva que minimiza a acção S
Z 1
S= L(x, ẋ, t)dt (17)
0
Este método para determinar as equações do movimento pode ser general-
izado. Procuramos um método sistemático que nos permita obter as equações
do campo electromagnético através de um processo variacional, isto é, utilizando
as equações de Euler-Lagrange. Para tal, em vez de considerarmos partı́culas
pontuais, as suas posições xb e as suas velocidades x˙b , consideram-se respecti-
vamente as componentes dos campos que pretendemos estudar,φµ (xb ) e as suas
derivadas ∂a φµ (xb ). Deste modo, deixamos de procurar caminhos correspon-
dentes a trajectórias de partı́culas e passamos a pretender curvas no espaço
das componentes dos campos. A equação de Euler-Lagrange deve assim ser
generalizada para

∂L ∂L
∂a = (18)
∂(∂a φµ ) ∂φµ

onde em vez de termos uma derivada em ordem ao parâmetro da curva t,


que descreve a trajectória, passamos a ter uma derivada em ordem a todas as
componentes espaciais de forma indiferenciada. Também a acção é generalizada
para
Z
S= L(φb , ∂a φb )dV 4 (19)
M
4L designa-se agora por densidade Lagrangeana

7
4.2 Densidade Lagrangeana Electromagnética
Na seguinte análise, consideremos um sistema de coordenadas arbitrário com
uma métrica g = gij dxi ⊗ dxj , de forma a mostrar que as equações não depen-
dem do sistema de coordenadas escolhido.
Para começar, consideramos que a função real que pretendemos encontrar não
deverá depender do sistema de coordenadas escolhido, isto é, deverá ser um
invariante sobre transformações de Lorentz, ou mais geralmente, sobre qualquer
mudança de coordenadas. Deste modo reduzimos a pesquisa à procura de in-
variantes possı́veis de construir com as equações de Maxwell já conhecidas. É
disso exemplo, o produto interno de quaisquer quadrivectores, ou neste caso
de k-formas no espaço-tempo quadridimensional. O produto interno de duas
k-formas diferenciais ω e α , é dado por ω ∧ ∗α, sendo o resultado um invariante
por difeomorfismos. Procuramos assim invariantes que possam ser construı́dos
utilizando o potencial electromagnético ou as suas derivadas. São disso exemplo

X X
F ba Fba | A ∧ ∗A = Ab Ab | A ∧ ∗J = J b Ab
P
F ∧ ∗F = b (20)
a,b b

O termo F ∧∗F = dA∧∗dA pode ser interpretado como cinético, por analogia
com a expressão para Energia cinética onde entram o produto das velocidades,
que neste caso é substituı́do pelo produto das derivadas da potencial. O segundo
termo escolhido, A ∧ ∗J, tendo em conta os resultados obtidos, é designado pelo
termo das fontes do campo electromagnético, sendo J a 1-forma que contem
informação sobre as fontes do campo electromagnético.
Postulamos assim[6], uma densidade lagrangeana utilizando dois dos invariantes
atrás mencionados. Como veremos é esta escolha que nos permite, através das
equações de Euler-Lagrange, obter as equações de Maxwell.
1 X ba 1 X b
L=− F Fba + J Ab (21)
4 0 c2
a,b b

As equações de Euler-Lagrange permitem-nos escrever

∂L ∂L
∂a = (22)
∂(∂a Ab ) ∂Ab
Utilizando a métrica para descer os ı́ndices podemos reescrever (9), renome-
ando os ı́ndices
1 X X iα kj 1 X i
L=− ( g g Fαk )Fij − J Ai (23)
4 i,j 0 c2 i
k,α

Usando (6) obtém-se a seguinte densidade lagrangeana

1 X iα kj 1 X i
L=− g g (∂α Ak − ∂k Aα )(∂i Aj − ∂j Ai ) − J Ai (24)
4 0 c2 i
i,j,k,α

8
Tendo em conta que ∂(∂ α Ak ) k α
∂(∂a Ab ) = δb δa , podemos proceder ao cálculo do
primeiro membro da equação de lagrange

∂L 1 X iα kj  k α 
=− g g (δb δa − δbα δak )Fij + (δbj δai − δbi δaj )Fαk = (25)
∂(∂a Ab ) 4
i,j,α,k
1 X iα kj  k α 
=− g g δb δa Fij − δbα δak Fij + δbj δai Fαk − δbi δaj Fαk (26)
4
i,j,α,k

Tendo em consideração a anti-simétria do tensor de Faraday (15) e a simetria


do tensor da métrica (16) podemos reescrever

1 X iα kj  k α 
=− g g δb δa Fij + δbα δak Fji + δbj δai Fαk + δbi δaj Fkα (27)
4
i,j,α,k

Separando os termos
1 X iα kj k α 1 X iα kj α k
=− g g δb δa Fij − g g δb δa Fji (28)
4 4
i,j,α,k i,j,α,k
1 X iα kj j i 1 X iα kj i j
− g g δb δa Fαk − g g δb δa Fkα (29)
4 4
i,j,α,k i,j,α,k

Tratando-se de uma soma, os únicos termos não nulos são aqueles em que
os deltas de kronecker não se anulam, pelo que podemos reescrever o somatório
anterior como

1 X ia jb 1 X ib ja
=− g g Fij − g g Fji (30)
4 i,j 4 i,j
1 X aα bk 1 X bα ak
− g g Fαk − g g Fkα = (31)
4 4
α,k α,k
1
= − (F ab + F ab + F ab + F ab ) = F ba (32)
4
Por fim, obtém-se para o primeiro membro da equação de Euler-Lagrange
∂L
∂a = ∂a F ba (33)
∂(∂a Ab )
Por outro lado, o segundo termo dá directamente

∂L 1 b
= J (34)
∂Ab 0 c2
pelo que
1 b
∂a F ba = J (35)
0 c2

9
Recuperamos assim a equação de Maxwell (8) não-homogénea, em notação
contravariante.5
As equações homogéneas são automaticamente satisfeitas, tendo em conta a
definição (6) das componentes do tensor de Faraday.

5 Equação de Proca
Uma vez encontrada a densidade lagrangeana que permite obter, por um prin-
cipio de acção-mı́nima, as equações do electromagnetismo, Procuraremos agora
modificar essa densidade de forma a considerar fotões de massa não nula. Para
tal, comecemos por considerar o lagrangeano clássico do oscilador harmónico
1 1
L=T −U = mx˙a x˙a − Kxa xa (36)
2 2
onde temos K = mω 2 , sendo ω a frequencia do oscilador. Por analogia, aten-
dendo a esta relação entre K e m, podemos adicionar à densidade lagrangeana
estudada na secção anterior, um novo termo[5] da forma 21 µ2 A ∧ ∗A. Esta nova
constante µ poderá ser analogamente interpretada como um parâmetro com
uma relação linear com uma massa. Para tal, introduziremos um termo

1X 1 X b µ2 X
L=− Fba F ba + J Ab − Ab Ab (37)
4 0 c2 2
b,a b,a b

Recorrendo à equação de Lagrange


∂L
∂a = ∂a F ba (38)
∂(∂a Ab )
Apenas o segundo membro da equação de Euler-Lagrange (12) é alterado
face aos cálculos da secção anterior

∂L 1 ∂ µ2 X
= + 2 Jb − ( Ak Ak ) = (39)
∂Ab 0 c ∂Ab 2
k
1 b µ2 ∂ X X
=+ J − Ak g ki Ai = (40)
0 c2 2 ∂Ab i k
1 b µ2 X X ki ∂
=+ J − g (Ak Ai ) = (41)
0 c2 2 i ∂Ab
k
1 b µ2 X X ki k
=+ J − g (δb Ai + δbi Ak ) = (42)
0 c2 2 i
k
5 Caso tivéssemos utilizado a métrica para subir os ı́ndices em vez que descer, na equação

(11), terı́amos obtido a expressão covariante

10
!
1 µ2 XX XX
= + 2 Jb − g ki δbk Ai + g ki δbi Ak = (43)
0 c 2 i i
k k
!
1 µ2 X X
= + 2 Jb − g bi Ai + g kb Ak = (44)
0 c 2 i k
1 b µ2
2Ab =

=+ J − (45)
0 c2 2
1
= + 2 J b − µ2 Ab (46)
0 c

Obtem-se assim a equação de Proca para o Electromagnetismo.6


1 b
∂a F ba + µ2 Ab = J (47)
0 c2
em notação contravariante, ou, ainda, numa notação independente do sis-
tema de coordenadas
J
∗d ∗ F + µ2 A = (48)
0 c2
Verificamos assim que se µ = 0 recuperamos as equações de Maxwell Clássicas.
Enquanto que nas equações clássicas de Maxwell apenas os campos Fba têm um
significado fı́sico e intervêm nas equações, constata-se que o novo termo fornece
um significado fı́sico ao potencial electromagnético. Por este motivo, e da forma
como o potencial electromagnético surge nas equações, estas não apresentam in-
variância por transformações de Gauge, isto é, substituindo A por A0 = A + dφ,
a forma das equações é alterada e passamos a descrever outra situação fı́sica.

6 Soluções das Equações de Proca


Voltemos agora ao sistema de coordenadas (ict,x,y,z) no espaço-tempo de Minkowski
onde a matriz dos coeficientes da métrica é a identidade. Então
X
F ba = g ib g ja Fij = Fba (49)
i,j

Da mesma forma, com esta métrica temos que Ab = Ab e J b = Jb , ∀b ∈


{0, 1, 2, 3}. Assim, podemos reescrever a equação de Proca em notação covari-
ante.
1
∂a Fba + µ2 Ab = Jb (50)
0 c2
6 Tal como no caso anterior, as equações homogéneas resultam novamente da definição do

tensor de Faraday

11
6.1 Equações para os Campos
Resolvendo para o ı́ndice b=0

∂F00 ∂F01 ∂F02 ∂F03 J0


0
+ 1
+ 2
+ 3
+ µ2 A0 = 2 ⇔ (51)
∂x ∂x ∂x ∂x c 0
E
∂i Ecx ∂i cy ∂i Ecz φ iρc
⇔ + + + µ2 i = 2 ⇔ (52)
∂x ∂y ∂z c c 0
~ E
⇔ ∇. ~ = ρ − µ2 φ (53)
0
Para os ı́ndices espaciais, a tı́tulo de exemplo, b = 1

∂F10 ∂F11 ∂F12 ∂F13 J1


0
+ 1
+ 2
+ 3
+ µ2 A1 = 2 ⇔ (54)
∂x ∂x ∂x ∂x c 0
∂ iEc x ∂Bz ∂By ρvx
⇔− + − + µ2 A1 = 2 ⇔ (55)
∂ict ∂y ∂z c 0
~ × µ0 H)
⇔ (∇ ~ x = µ0 Jx − µ2 Ax + 0 µ0 ∂Ex (56)
∂t
podemos reescrever

~ 2
∇ ~ = J~ + 0 ∂ E − µ A
~ ×H ~ (57)
∂t µ0

6.2 Equações para os Potenciais


Escrevendo as equações para os potenciais, temos que

∂a Fba = ∂a (∂b Aa − ∂a Ab ) = ∂a ∂b Aa − ∂a ∂a Ab (58)

onde
!
∂i φc ∂A1 ∂A2 ∂A3
∂a ∂b Aa = ∂b ∂a Aa = ∂b + + + = (59)
∂ict ∂x ∂y ∂z
 
= ∂b ∇. ~ + 1 ∂φ := ∂b 0 = 0
~ A (60)
c2 ∂t

é a chamada condição de Lorenz para os potenciais. Então

∂a Fba = −∂a ∂a Ab (61)

A equação de Proca pode então ser reescrita como

12
1
−∂a ∂a Ab + µ2 Ab = Jb (62)
0 c2
(63)

Esta nova equação descreve a propagação dos potenciais e surge aqui com
um termo adicional µ2 Ab que contem informação acerca da massa do fotão.
Podemos agora tentar analisar algumas soluções, isto é, ondas electromagnéticas
e campos associados às equações de Proca.

6.3 Solução Electroestática


No limite estático em que J 1 = J 2 = J 3 = 0 e J 0 = iρc, os potenciais não
variam no tempo, as componentes do potencial magnético anulam-se (A1 =
A2 = A3 = 0) sobrando apenas a componente temporal do potencial (A0 = i φc ),
correspondente ao potencial eléctrico. A equação (63) escreve-se em coordenadas
em coordenadas como
!
∂ 2 i φc ∂ 2 i φc ∂ 2 i φc φ iρc
− + + + µ2 i = (64)
∂x2 ∂y 2 ∂z 2 c 0 c2

Em coordenadas esféricas7 , considerando simetria esférica, a equação escreve-


se
1 ∂ ∂φ 2 ρ
− ( r ) + µ2 φ = (65)
r2 ∂r ∂r 0
Podemos agora verificar que um potencial do tipo φ = Ar−1 e−µr (Yukawa)
é solução da equação homogénea. Calculando as derivadas
∂φ
= −Ar−2 e−µr − Aµr−1 e−µr (66)
∂r
∂φ 2
r = −Ae−µr − Aµre−µr (67)
∂r
pelo que
∂ ∂φ 2
( r ) = Aµe−µr − Aµe−µr + Arµ2 e−µr (68)
∂r ∂r
= Arµ2 e−µr = µ2 φr2 (69)
(70)

finalmente, substituindo na equação () obtém-se


1 2 2
− µ φr + µ2 φ = 0 (71)
r2
7 Demonstração em Anexo I

13
verificando-se a solução.

Para uma carga pontual ρ(r) = Qδ(r) a solução geral é da forma

Q e−µr
φ(r) = (72)
4π0 r
sendo o campo eléctrico, em coordenadas polares dado por

∂φ Q  2 µ  −rµ
E(r) = − =− −r − e = (73)
∂r 4π0 r
 
Q 1 µ −rµ
= + e (74)
4π0 r2 r

onde se pode verificar que se r << µ−1 então a lei usual é uma boa aprox-
imação. Caso contrário a nova lei diverge bastante dos resultados previstos pelas
leis de maxwell usuais. Concluı́mos assim que de facto a equação de Proca, no
limite estático, admite como solução um potencial de Yukawa. Note-se que se
µ = 0, recuperamos o potencial clássico da forma 1r . O termo de massa produz
aqui um efeito de atenuação do campo, finita, mais rápido que no caso clássico.

6.4 Ondas Electromagnéticas


Consideremos agora a propagação de ondas electromagnéticas obedecendo às
equações de Proca:

~
~ ×E
∇ ~ = − ∂B (75)
∂t
~ B
∇. ~ =0 (76)
~ E
∇. ~ = ρ − µ2 φ (77)
0
~
∇ ~ = µ0 J~ + ∂ E 1 − µ2 A
~ ×B ~ (78)
∂t c2

6.4.1 Propagação de Ondas Electromagnéticas no Vácuo


Determinemos agora a equação de propagação dos campos eléctrico e magnético,
~ ×∇
no vácuo. Dada a entidade vectorial ∇ ~ ×V ~ = ∇(
~ ∇.
~ V~ ) − ∇2 V
~ , temos, por
um lado, que

~ ×∇
∇ ~ ×E
~ = ∇(−µ
~ 2 ~
φ) − ∇2 E (79)

por outro

14
~ ~ ~
~ ×∇
∇ ~ = − ∂ ∇ × B = − ∂ ( ∂ E 1 − µ2 A)
~ ×E ~ = (80)
∂t ∂t ∂t c2
∂2E~ 1 ∂A~
= − 2 2 + µ2 (81)
∂t c ∂t
~ = −∇φ
~ − ~
∂A
então, como E ∂t , obtemos a seguinte equação de propagação.

~ 1
∂2E
~−
∇2 E ~ =0
− µ2 E (82)
∂t c2
2

~ D
Da mesma forma, obtêm-se equações idênticas para B, ~ e H.
~ Concluı́mos
assim que no vazio, a propagação dos campos obedece à mesma lei que a
propagação dos potenciais.

6.4.2 Dispersão da Luz


Considere-se novamente a equação (91) e testemos a solução E ~ =E ~ 0 ei(ωt−~k.~r+φ)
caracterı́stica de uma onda electromagnética que satisfaça as equações de Maxwell
no vácuo.

~ = −|k|2 E
∇2 E ~ (83)
∂2E~
~
= −ω 2 E (84)
∂t2
Obtém-se

ω2
k2 = − µ2 ⇔ ω 2 = k 2 c2 + µ2 c2 (85)
c2
(86)
ω
Dado um grupo de ondas a propagar-se no vazio, a velocidade de fase vf = k
e a velocidade de grupo, vg = ∂ω
∂k são dadas por

− 21  12
µ2 c2 µ2 c2
 
vf = c 1 − 2 vg = c 1 − 2 (87)
ω ω

devido a uma massa µ não nula, verifica-se que ambas as velocidades adquirem
uma dependência da frequência.
É, como veremos mais a frente, a equação (94) que nos permite encontrar
situações fı́sicas já conhecidas onde é possı́vel atribuir massa aos fotões. Ainda a
respeito da equação (94), e tendo em conta a expressão de Planck para a energia
h
E = 2π ω, obtém-se

15
 2  2  2
2 h 2 h 2 2 h
E = ω = k c + µ2 c2 (88)
2π 2π 2π
Comparando com a expressão relativista da Energia E 2 = p2 c2 + m2 c4
obtém-se

   
h µ h
p= k m= (89)
2π c 2π

Determina-se assim uma relação entre o parâmetro µ introduzido e a massa


do fotão. Este relação tinha já sido alcançada, na introdução deste trabalho, no
âmbito da identificação do parâmetro µ no potencial de Yukawa com um inverso
de um comprimento de onda.

6.4.3 Ondas Electromagnéticas Longitudinais


Considerem-se as equações de Proca (81) a (84) no vazio e suponha-se novamente
uma onda electromagnética a propagar-se E ~ =E ~ 0 ei(ωt−~k.~r+φ) . Como vimos na
secção anterior esta onda é solução das equações de Proca se e só se se verificar
a condição (92). Estudemos agora o tipo de propagação destas ondas. Em
primeiro lugar vemos que

~ = ∂Ex + ∂Ey + ∂Ez = ∂ E0x ei(ωt−(kx x+ky y+kz z)+φ) +


 
~ E
∇. (90)
∂x ∂y ∂z ∂x
∂   ∂  
E0y ei(ωt−(kx x+ky y+kz z)+φ) + E0z ei(ωt−(kx x+ky y+kz z)+φ) = (91)
∂y ∂z
= −ikx Ex − iky Ey − ikz Ez = −i~k.E ~ (92)

onde ~k é o vector de onda, que se pode escrever ~k = |k|~n sendo ~n o vector


unitário que dá a direcção de propagação da onda.
Atendendo ás equações de Maxwell, dado que no vazio a divergência de E ~ é
~ ~
nula, sabemos que k.E = 0 pelo que a onda tem uma variação transversal, em
relação à direcção da propagação.

No âmbito das equações de Proca tem-se

~ E
∇. ~ = −i~k.E
~ = −µ2 φ (93)
Desta forma a onda adquire uma variação longitudinal e podemos decom-
~ =E
por E ~⊥ + E~ || . Este efeito permite-nos concluir que caso o campo electro-
magnético tenha de facto uma massa então o seu valor deverá ser extremamente
pequeno visto que até hoje não foram ainda detectadas ondas electromagnéticas
com propagação longitudinal.

16
6.5 Solução Magnetoestática - Campo Magnético Terrestre
Considere-se uma densidade de corrente uniforme da forma J~ = ρ~v . As equações
de Proca permitem escrever

~ − µ2 A
∇2 A ~ = −µ0 J~ (94)
A solução geral desta equação é da forma
Z
~
A(~r) = ~ r~0 )G(~r − r~0 )dr~0
J( (95)
V

com ~r = (x0 , x1 , x2 , x3 ) e onde G(~r − r~0 ) é a função de Green, que toma a


forma do potencial de Yukawa.
~0
µ0 e−µ|~r−r |
G(~r − r~0 ) = (96)
4π |~r − r~0 |

pelo que
Z r −r~0 |
−µ|~
~ r) =
A(~ ~ r~0 ) µ0 e
J( dr~0 (97)
V 4π |~r − r~0 |
Considere-se agora por conveniência da análise pretendida, uma corrente
eléctrica com momento magnético m ~ constante. Admita-se também que o vec-
tor de magnetização M~ := dm~ ~
dV é dado por M = f (~ r)m
~ onde f é uma função
escalar. Admitimos ainda que o efeito da magnetização pode ser traduzido pelo
aparecimento de correntes de magnetização em volume dadas por J~ = ∇~ ×M ~ [3]
e ficamos com

J~ = ∇
~ × (f (~r)m) ~ (~r) × m
~ = ∇f ~ ×m
~ − f (~r)∇ ~ (~r) × m
~ = ∇f ~ = −m ~ (~r) (98)
~ × ∇f

e assim

Z r −r~0 |
−µ|~
~ r) = −
A(~ ~ ×∇
m ~ 0 f (r~0 ) µ0 e dr~0 = (99)
V 4π |~r − r~0 |
Z −µ|~r −r~0 |
= −m~ × ∇~ 0 f (r~0 ) µ0 e dr~0 (100)
V 4π |~r − r~0 |

Integrando por partes, assumindo que na fronteira do volume V o integral


se anula e tendo em conta que ∇~ 0 G(~r − r~0 ) = −∇G(~
~ r − r~0 ) obtém-se

~0
!
e−µ|~r−r |
Z
µ0 ~ 0
~ ×
=m f (r~0 ) ∇ dr~0 = (101)
V 4π |~r − r~0 |
~0
!
e−µ|~r−r |
Z
µ0 ~
= −m
~ × f (r~0 ) ∇ dr~0 = (102)
V 4π |~r − r~0 |

17
Z r −r~0 |
−µ|~
~ µ0 e
= −m
~ ×∇ f (r~0 ) dr~0 (103)
V 4π |~r − r~0 |

Por ultimo, se considerar-mos que o dipolo magnético é pontual f (r~0 ) =


δ(r~0 )
ou seja, que estamos suficientemente afastados, concluimos que, admitindo
simetria esférica com r a distância à origem

e−µr e−µr
 
~ = − µ0 m
A ~
~ ×∇ =
µ0
(1 + µr) 3 m ~ × ~r (104)
4π r 4π r

O campo magnético é

e−µr
 
~ ~ ~ µ0 ~
B =∇×A= ∇ × (1 + µr) 3 m ~ × ~r =(105)
4π r
e−µr e−µr ~
 
µ0 ~ µ0
= ∇ (1 + µr) 3 ~ × ~r) +
(m (1 + µr) 3 ∇ (m~ × ~r) =(106)
4π r 4π r
µ0 e−µr µ0 e−µr ~ r − (m. ~ r) =(107)
= − (3 + 3µr + µ2 r2 ) 3 ~r × (m ~ × ~r) + (1 + µr) 3 (m( ~ ∇.~ ~ ∇)~
4π r 4π r
µ0 e−µr 2µ0 e−µr
= − (3 + 3µr + µ2 r2 ) 3 (m ~ − ~r(~r.m))
~ + (1 + µr) 3 m ~ =(108)
4π r 4π r
µ2 r2 e−µr µ0 2 2 e−µr

µ0
= ~ − m)
(3~r(~r.m) ~ 1 + µr + − µ m ~ (109)
4π 3 r3 4π 3 r

Para facilitar a visualização do resultado considere-se um referencial ortonor-


mado {e~x , e~y , e~z } e um momento magnético m ~ = m~ez . Nestas circunstâncias o
campo magnético no plano equatorial, onde se tem ~r.m ~ = 0, é dado por
 −µr
2 2
µ0 2 2 e−µr

B~ = − µ0 m 1 + µr + µ r e
~ez − µ m ~ez (110)
4π 3 r 3 4π 3 r
no pólo superior do dipolo (o ponto de posição ~r = r~ez ) o campo escreve-se
 −µr
2 2
µ0 2 2 e−µr

~ = µ0 m(3z 2 − 1) 1 + µr + µ r
B
e
~ez − µ m ~ez (111)
4π 3 r 3 4π 3 r

Verificamos assim que em ambos os casos o segundo termo do campo magnético


é negativo e tem sempre a direcção do momento magnético. Este campo não
aparece se considerármos que µ = 0 constituindo assim um novo fenómeno
fı́sico. Constata-se que este novo campo, que definimos agora como B ~µ =
µ0 2 2 2 e−µr
− 4π 3 r µ m ~ r3 , no equador, intensifica o campo do dipolo, enquanto que no
pólo tem um sinal contrário diminuindo o efeito do campo criado pelo dipolo.
Este campo foi estudado por Schrödinger8 ([8],[6]) e constitui um dos principais
argumentos a favor da atribuição de uma massa não nula aos fotões.
8 Designou este campo por ”‘Campo Exterior”’

18
Utilizando a precisão dos satélites foi possı́vel determinar que o módulo deste
campo exterior é cerca de 4 × 10−3 menor que campo do dipolo, no equador.
Com esta majoração podemos apresentar uma estimativa para a massa do fotão.
Sendo r o raio da terra, temos que

µ2 r2
 
2 2 2 −3
r µ < 4 × 10 1 + µr + (112)
3 3

Determinando os zeros da inequação, obtemos µr < 4 × 10−3 e considerando


r = 6.38 × 108 cm conclui-se que a massa m do fotão pode ser majorada por
µh
m = 2cπ = 1.64 × 10−49 g. Foi através deste método que se obtiveram as
estimativas mais precisas para o valor da massa do fotão.

7 Aplicações - Plasmas
Analisemos agora, sucintamente, a propagação de ondas electromagnéticas num
Plasma [7]. Por definição, um plasma é um meio onde os átomos e moléculas se
encontram parcialmente ionizados, apresentando no global uma carga eléctrica
nula. Num plasma sujeito a campos E ~ eH~ harmónicos de frequências ω, e adop-
tando uma descrição dieléctrica do meio definimos uma permitividade complexa
equivalente da forma
σ
eq = 0 − i (113)
ω
sendo i a unidade imaginária. Define-se uma permitividade do plasma por
eq = p 0 com p = 1 − i ωσ0 .
Num plasma com uma densidade electrónica ne onde os electrões estejam
~ e exista uma frequência de colisões
submetidos à acção de um campo eléctrico E
νc a condutividade é dada por

e2 ne 9
σ= (114)
me (νc + iω)
Outra propriedade do plasma é a frequência das oscilações electrónicas livres,
ωpe 10 , dada por
s
e2 ne
ωpe = (115)
0 me
e podemos reescrever
2
ωpe
p = 1 − i (116)
ω(νc + iω)
9 onde e é a carga do electrão e me a sua massa
10 também designada por frequência de corte

19
Utilizando a descrição dielétrica, a equação de propagação dos campos pode-
se escrever
∇2 E ~ + ω 2 eq µ0 E
~ =0 (117)
~ = −k 2 E
como ∇2 E ~ temos que

ω√
k 2 = ω 2 eq µ0 = p (118)
c
2
ωpe
Num plasma não colisional, νc << ω temos p = 1 − ω2 e obtém-se

q
ω 2 − ωpe
2
k= ⇔ ω 2 = k 2 c2 + ωpe
2
(119)
c
Chegamos assim a uma equação semelhante à relação (91) e podemos identi-
ficar o caso de um plasma com um caso de massa de fotões, definindo µc = ωpe .
Dada esta relação de dispersão e tendo em conta a expressão relativista para
h
a energia E 2 = p2 c2 + m2 c4 e a expressão de Planck para a energia E = 2π ω,
obtém-se para a massa do fotão num plasma
s
h ωpe h 1 e2 ne √
m= = = 6.62 × 10−50 ne (120)
2π c2 2π c2 0 me

8 Conclusões
Limitámo-mos a apresentar uma pequena introdução a um assunto muito vasto
e que nos dias correntes está em voga. Foram apresentadas as equações para
fotões massivos e analisadas algumas soluções dessas equações. Actualmente os
testes mais precisos são feitos recorrendo a medições do campo magnético ter-
restre embora o estudo de ondas electromagnéticas em plasmas também forneça
estimativas bastante precisas. Existem contudo alguns pontos experimentais
onde ainda não foram observados indicios de massa em fotões, como é o caso do
fenómeno de propagação longitudinal das ondas electromagnéticas.

20
9 Anexo I
9.1 Laplaciano em Coordenadas Esféricas
O operador laplaciano pode ser escrito numa notação covariante utilizando for-
mas diferenciais, o operador d : Ωk (M ) → Ωk+1 (M ) e o operador estrela de
Hodge ∗ : Ωk (M ) → Ωn−k (M ). Sem recorrer a sistemas de coordenadas, pode
ser definido por d ∗ d.
Seja M = R3 e f : M → R. Dado um sistema de coordenadas xµ define-se o
operador laplaciano a actuar em f como

d ∗ df := ∇2 f dV (121)
√ 1 2 3 3
onde dV = gdx ∧ dx ∧ dx é o elemento de volume de R escrito no
sistema de coordenadas xµ . Podemos então escrever a expressão deste operador
em coordenadas esféricas

x = rcosφsenθ (122)
y = rsenφsenθ (123)
z = rcosθ (124)

Nestas coordenadas a métrica de R3 escreve-se

g = dr ⊗ dr + r2 dθ ⊗ dθ + r2 sen2 θdφ ⊗ dφ (125)


√ 2
e g = r senθ 
Podemos então considerar um novo co-referencial ω r , ω θ , ω φ em que

ω r = dr (126)
ω θ = rdθ (127)
ω φ = rsenθdφ (128)

Assim
∂f ∂f ∂f
dφ = dr + dθ + dφ (129)
∂r ∂θ ∂φ
reescreve-se como

∂f r ∂f ω θ ∂f ω φ
dφ = ω + + (130)
∂r ∂θ r ∂φ rsenθ
e

21
∂f θ ∂f ω φ ∧ ω r ∂f ω r ∧ ω θ
∗dφ = ω ∧ ωφ + + (131)
∂r ∂θ r ∂φ rsenθ
∂f 2 ∂f dφ ∧ dr ∂f dr ∧ dθ
= r senθdθ ∧ dφ + + (132)
∂r ∂θ senθ ∂φ senθ
(133)

pelo que
 
1 ∂ ∂f 2 ∂ ∂f 1 ∂ ∂f 1
d ∗ dφ = 2 ( r senθ) + ( )+ ( ) dV (134)
r senθ ∂r ∂r ∂θ ∂θ senθ ∂φ ∂φ senθ

Concluindo, pela definição (51)

1 ∂ ∂f 2 1 ∂ ∂f 1 ∂ ∂f 1
∇2 f = 2
( r )+ 2 ( )+ ( ) (135)
r ∂r ∂r r senθ ∂θ ∂θ senθ ∂φ ∂φ r sen2 θ
2

22
Referências
[1] John Baez. Gauge theories, knots and gravity.
[2] Paul Bamberg and Shlomo Sternberg. A course in mathematics for students
of physics vol 2.
[3] Alfredo Barbosa Henriques e Jorge Romão. Electromagnetismo.

[4] Goldstein. Classical mechanics.


[5] Griffiths. Introduction to elementary particles.
[6] John David Jackson. Classical electrodynamics.
[7] B. Lehnert and S.Ray. Extended electromagnetic theory- space-charge in
vacuo and the rest mass of the photon.
[8] Schrodinger. Proc. r. irish acad a49, 135 (1943).

23