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CIÊNCIA

Quão dramático você é? Psicólogos


elaboram teste para descobrir
Algumas pessoas precisam do drama; entenda

3 min de leitura

Cláudia Fusco ... Ver mais


06 Abr 2016 - 16h34 | Atualizado em 28 Abr 2016 - 12h14

Afinal, o que é a necessidade de drama? (Foto: Reprodução)

Afinal, o que é a necessidade de drama? (Foto:


Reprodução)

Você certamente conhece alguém dramático. Pode ser algum


parente, que parece que adora ter um motivo banal para sofrer,
ou aquele amigo que já começa a fazer pipoca quando a treta
acontece. E por mais que pareça, na nossa sociedade, que este
seja um traço de personalidade meio questionável, psicólogos
estão cada vez mais interessados em entender como certas
personalidades buscam se inserir no drama (ou criá-lo para si
mesmas), uma vez que essa atitude pode ter sérias
consequências não apenas para si mesmo, mas para os
outros ao redor. 

"Pessoas com personalidades dramáticas têm, em geral, vidas


caóticas, e frequentemente criam crises entre familiares,
amigos e colegas de trabalho", explica o time de
pesquisadores da Universidade do Texas. Pessoas "altamente
dramáticas" normalmente possuem longas histórias de
relacionamentos fracassados, tendem a procurar conflito no
trabalho ou nas redes sociais e, além de apreciarem a fofoca,
reclamam quando são alvo dela. 

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personalidade

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"Essas pessoas parecem ver o mundo como se tudo só
acontecesse com elas", explicaram os pesquisadores no
periódico Personality and Individual Differences, "o que em
geral os torna reativos a contradições". Os estudiosos, então,
chegaram a um tipo de traço psicológico, chamado "Need For
Drama" (NFD). Pessoas com NFD tem um traço de
personalidade que "manipula outros para a posição de
vitimização", e a partir desse levantamento, o time criou uma
nova escala de avaliação para medir o efeito deste traço de
personalidade em um indivíduo. A escala é baseada em três
fatores: 

Manipulação interpessoal: "caracterizada pelo impulso de


influenciar outras pessoas para se comportarem de maneira
que sirvam para que o manipulador conquiste seu objetivo";
Impulsividade conversacional: "caracterizada pela compulsão
de uma pessoa a falar de si e compartilhar opiniões, mesmo
que de forma inapropriada e sem se importar com as
consequências sociais";
Auto-vitimização persistente: "a propensão a constantemente
perceber a si mesmo como vítima das circunstâncias da vida
que muitas pessoas entenderiam como benignas".

Após testarem uma variedade de medidas diferentes para


identificar os NFD, o time, liderado por Scott Frankowski,
chegou a este teste com doze perguntas, que testam
características como paranoia, comunicatividade e
autoabsorção: 

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1) Às vezes é divertido deixas as pessoas agitadas


2) Às vezes falo mal de alguém e torço para que a pessoa
descubra
3) Eu digo e faço coisas só pra ver como os outros vão reagir
4) Às vezes jogo as pessoas uma contra a outra para conseguir
o que quero
5) Eu penso muito antes de falar
6) Eu sempre falo o que penso, mas pago o preço por isso
depois
7) É difícil para mim guardar a minha opinião
8) Pessoas que agiam como se fossem meus amigos já me
traíram pelas costas
9) Muita gente fala mal de mim pelas costas
10) Já me perguntei muito por que tanta coisa maluca
acontece comigo
11) Sinto que muita gente quer se vingar de mim ou me fazer
mal
12) Muita gente já fez coisas ruins para mim

Segundo o psicólogo Scott Barry Kaufman, da Universidade da


Pensilvânia (e que não foi envolvido na pesquisa), após
escolherem quase 500 voluntários para o teste, perceberam
que quem fez uma pontuação alta na escala NFD eram mais
propensos a demonstrar traços de personalidade mais
sombrios, como psicopatia, narcisismo e traços
maquiavélicos. 

Pessoas com altos índices de comportamento NFD também


possuem alta tendência à fofoca, comportamento neurótico e
foco externo de controle, ou seja, o sentimento de que você
não pode evitar as coisas ruins que acontecem a você, mesmo
que sejam em parte sua culpa.

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Ainda que o teste pareça divertido e claramente não seja a


última palavra nos estudos de personalidade, esses resultados
são importantes, porque permitem que os pesquisadores
diferenciem a necessidade de drama de outros traços, como
borderline ou personalidade histriônica. Também é importante
porque todos esses traços possuem características similares,
embora borderlines e histriônicos sintam necessidade de se
ferirem, enquanto o NFD não age desta forma. Logo, o traço
NFD é menos severo, uma versão não-clínica desses outros
comportamentos, e saber disso pode ajudar psicólogos e
psiquiatras a entender e tratar melhor seus pacientes. 

O estudo também coloca fim ao mito da "drama queen", que é


sexista e falso. Como Kaufman explica, a personalidade NFD
não depende de gênero; homens e mulheres pontuaram
igualmente no teste. "Clínicos sempre atribuíram esses traços
de personalidade a mulheres, mas conheço um monte de
homens que também exibem personalidadades bastante
dramáticas", explicou. É hora de deixar a expressão "drama
queen" morrer. 

06 Abr 2016 - 16h34 | Atualizado em 28 Abr 2016 - 12h14


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