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Ética e Educação, E- Fólio B, Maria José Aires Saturnino da Palma, nº 1501236, Turma 7

O papel da escola e dos seus atores na superação de crise de valores contemporânea

Face ao solicitado “elabore uma reflexão pessoal” sobre o papel da escola e dos seus
atores na superação da crise de valores, coloco então uma questão, será que existe uma
crise de valores generalizada? Assistimos com frequência a uma consciência de “crise”
não só ao nível dos valores éticos e morais como também nas diversas dimensões
socioeconómicas. Esta dimensão de crise está presente nos dias de hoje, relativamente à
escola não é exceção, no entanto como refere Sílvio Gallo (2014) no texto facultado“…
a tão afirmada “crise da escola” ou “crise da educação”, de modo mais geral nada mais
é da percepção do descompasso entre a instituição escolar moderna e as práticas
educativas modernas e os seres humanos atuais…”. Estes seres humanos atuais, com a
vivência de um mundo globalizado e de um crescente progresso científico-tecnológico e
económico, são os intervenientes em todo o processo educativo, professores, pais,
encarregados de educação, psicólogos, elementos da autarquia e do poder central, entre
outros, cujos critérios de distinção entre o bem e o mal, entre o justo e injusto, variam
fruto do processo de hominescência, noção proposta por Serres, o que tal como refere
Silvio Gallo (2014) “Para novos tempos, com corpos outros, mundos outros, outros
“outros”, precisamos de uma outra educação, de uma outra escola”. Citando Barros Dias
(2004) “…o progresso histórico… não gera, por si só, um qualquer tipo de progresso
moral porque os seres humanos não evoluem sempre na direcção moralmente boa mas
também evoluem na direcção má: enveredam pela violência, pelo crime ou mesmo pela
degradação moral”.
Assim como professora, e ao reflectir acerca da superação da crise de valores na escola,
coloco então uma outra questão: O que devo fazer? Segundo Barros Dias (2004) “A
educação é uma espécie de acção…promotora e instauradora de valores”. A relevância
da ética na acção educativa é inegável, o respeito pela sociedade multicultural, a
mobilidade social, as diferentes visões da vida e do mundo na sociedade democrática e
pluralista em que vivemos, não reduz necessariamente a uma unicidade de valores.
A escola está assim perante um grande desafio, embora sujeita a um código
deontológico que responsabiliza todos os intervenientes no ato educativo e promoção de
valores, não basta qualificar jovens, educar para a cidadania, prevenir a
toxicodependência e os comportamentos desviantes, promover hábitos ecológicos, deve
educar no sentido do respeito pelo humano, da liberdade de escolha, promovendo nos

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alunos uma consciência crítica, responsável e autónoma permitindo o respeito por si


próprios e pelos outros, enquanto cidadãos e agentes de mudança do amanhã.
Frequentemente o estado, as famílias e a sociedade em geral demitem-se das suas
responsabilidades, exigindo à escola uma educação ética capaz de colmatar a crise de
valores de que tanto se fala.
A escola no seu todo, os professores e os alunos em particular estão conscientes da
importância da promoção dos valores éticos e da formação moral dos indivíduos, há
então que sensibilizar não só o poder central como as famílias para uma melhoria no seu
desempenho. Relativamente à família a transmissão de valores morais, está cada vez
mais em crise, pelo crescente aumento de famílias desestruturadas, pela exigência cada
vez maior de disponibilidade ao nível profissional. Na sequência deste pensamento, não
consigo deixar de partilhar aqui a minha experiência enquanto directora de turma numa
escola profissional, na última década verificou-se um nítido decréscimo do
envolvimento das famílias no percurso escolar dos seus educandos, a típica reunião para
constatar comportamentos disruptivos e entregar a ficha de informação deixou de fazer
sentido, no entanto aumentou significativamente a presença dos familiares e o
consequente interesse pelo que se faz e transmite na escola, quando se começou a fazer
demonstrações do que se faz na área técnica e sociocultural, nomeadamente a
preparação de lanche pelos alunos dos cursos de cozinha e serviço de mesa.
Tal como refere Sílvio Gallo (2014) “A suposta crise da escola …não significa
necessariamente a agonia da escola” , “Chegamos a ser o que somos hoje…porque o
processo educativo tem conseguido dosar a transmissão do legado cultural sem paralisar
a capacidade criativa”. Em suma, a crise de valores não é mais do que uma mera ilusão,
a criatividade e a inteligência para a superar são a chave do sucesso, é necessário a
reinvenção permanente das práticas pedagógicas neste contexto de mudança
permanente.

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Referências bibliográficas:

BARROS DIAS, J. M. – Ética e Educação, Lisboa, Universidade Aberta, 2004.

GALLO, Sílvio; “Desafios contemporâneos à Educação em um Mundo em Rede” in


Teixeira, A., M.; Ferreira, M., L., R.; Ensinar e Aprender Filosofia num Mundo Digital,
Lisboa: CFUL, 2014, pp. 97-109.

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