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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Juliana Ernesto

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

Trabalho de Campo da cadeira de Introdução a Teoria da Administração Pública


Curso: Licenciatura em Administração Publica
Ano: 1º

Tema:

O Papel da Administração Pública na Governação

Lichinga, Junho de 2020


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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Juliana Ernesto

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

Trabalho de Campo de Introdução a Teoria da Administração Pública.


Curso: Licenciatura em Administração Publica

Curso: Licenciatura em Administração Publica

Ano: 1º

Tema:

O Papel da Administração Pública na Governação

Os Tutores:

Lichinga, Junho de 2020


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Índice

1. Introdução............................................................................................................................ 3
1.1. Objectivos .................................................................................................................... 3
1.1.1. Geral ..................................................................................................................... 3
1.1.2. Específicos ............................................................................................................ 3
2. Administração Pública ........................................................................................................ 4
3.1. Organigrama da Administração Pública ...................................................................... 6
3.2. Governação e a corrupção no sector da Administração Pública .................................. 8
4. Conclusão ............................................................................................................................ 9
5. Referências Bibliográficas ................................................................................................ 10
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1. Introdução
Muitos são os casos em que confunde-se Administração Pública com o Governo. Em muitos
desses casos, por causa da maneira como alguns governos agem, praticamente não há limites
visíveis.

Com este trabalho, pretende-se falar da Administração Pública de forma ampla e também
restrita assim como relacioná-la com a governação. Ainda, vai abordar a questão de corrupção
que muitas das vezes tem manchado a Administração Pública e claro, fazendo-se sentir as
suas consequências negativas na governação.

1.1. Objectivos

1.1.1. Geral
 Falar da Administração pública na governação.

1.1.2. Específicos
 Descrever a influência da Administração Pública na governação;
 Indicar os mecanismos de boa governação através da aplicação dos preceitos das políticas
Administração Pública.
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2. Administração Pública
A administração compreende um conjunto de decisões e operações, mediante as quais alguém
procura prover a satisfação regular de necessidades humanas, obtendo e empregando
racionalmente os recursos adequados.

Enquanto a Administração Pública pode ser conceituada como o conjunto de decisões e


operações com o objectivo de satisfazer as necessidades publicas colectivas de modo a se
mater h6armonia de vivencia e convivência no seio social.

O conceito da Administração Pública pode ser abordado em duas vertentes:

 Sentido amplo
Refere-se ao próprio Estado ou seja, como um conjunto de órgãos e entidades
incumbidos de realização da actividade administrativa, no intuito real de cumprimento
das finalidades do Estado.
A Administração Pública em sentido amplo, portanto, compreende tanto a função
politica, que estabelece as directrizes governamentais, quanto a função administrativa,
que executa.
 Sentido restrito
Refere ao exercício da actividade administrativa exercida pelos entes da
Administração, ou seja, é o Estado agindo, administrando. Aqui, tem-se a
Administração Pública como actividade desenvolvida pelo Estado.
Em outras palavras, o conceito de Administração Pública em sentido restrito não
alcança a função política de Governo de fixação de planos e directrizes e
governamentais, mas tão-somente a função propriamente administrativa, de execução
de actividades administrativas, ou seja, ela é voltada para os órgãos que desempenham
funções administrativas.

Em suma, a Administração Pública é o conjunto de práticas realizadas pelo Estado no que


tange a elaboração e implementação de políticas justas e equitativas, em benefício os
indivíduos num determinado estado ou nação.
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3. O Papel da Administração Pública na Governação


Segundo o Banco Mundial, governação é a maneira pela qual o poder é exercido na
administração dos recursos económicos e sociais de um país visando o desenvolvimento e a
capacidade dos governos de planificar, formular e programar politicas, bem como cumprir
com as suas funções legais.

Em muitos países e estados, o governo é formado periodicamente, através de um sufrágio


universal. A formação de um governo por si só não consolida esse fim. É ai que entra a
administração pública, aliás que é a ferramenta de manutenção e bem gerir da coisa pública.

Nestes países, a cada período é eleito um novo presidente que por sua vez forma o seu
governo. Esse conjunto de cidadãos juntamente com os demais contratados para prestar
serviços aos cidadãos, servem de funcionários do Estado.

Pode-se assim afirmar que os elementos da Administração Pública não são periódicos tal
como os elementos do governo. A Administração Pública pertence ao Estado e serve como
combustível para a máquina governamental mover-se com precisão e contribuir desta para o
alcance do fim: bem servir ao público.

Apenas para elucidar, a Constituição da República de Angola, no seu número 1 do Artigo


198, a Administração Pública prossegue o interesse público, devendo, no exercício da sua
actividade, reger-se pela igualdade, justiça, proporcionalidade, imparcialidade,
responsabilidade, probidade e respeito pelo património público.

Em continuidade, com o número 1 do Artigo 199, da Constituição de Angola, diz que a


Administração Pública deve ser estruturada de modo a aproximar os serviços às populações e
simplificar os seus procedimentos.

No caso de Moçambique, a Administração Pública é a chave para boa governação. Sem ela, o
governo não existiria pois é nela que faz-se presente.

De Acordo com a Constituição da República de Moçambique, no seu Artigo 249, defende a


necessidade da independência política do sector publico. Este preceito está também no
Decreto 30/2001 de 15 de Outubro, relativo ao funcionamento da Administração Pública e a
prestação de serviços públicos, que introduz ainda alguns dispositivos que abrem espaço:

a) Uma maior celeridade dos procedimentos administrativos (artigo 11);


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b) Garantia dos direitos das pessoas singulares e colectivas através da apresentação de


sugestões, requerimento, reclamação e recurso a entidades de dentro e fora da própria
administração pública (artigos 15 e 45).
c) Obrigatoriedade do encaminhamento das reclamações e sugestões;
d) Definição de impedimentos de participação dos agentes de administração pública de
decisões em que sejam parte interessada.

Em paralelo com isto, o governo moçambicano introduziu os Balcões de Atendimento Único


(BAU), que integram serviços de muitos sectores, em particular, os de licenciamento de
negócios.

No que refere à gestão de Recursos Humanos na função pública, destaque vai os seguintes
instrumentos: Estatuto Geral do Funcionários e Agentes do Estado (EGFAE), aprovado pelo
decreto-lei 14/87, de 20 de Maio, o Sistema de Carreiras e Remunerações (Decreto nº 64/98,
de 3 de Dezembro), os Qualificadores das Carreiras, Categorias e Funções Comuns do
Aparelho do Estado (Resolução nº12/99, de 09 de Dezembro, do Conselho Nacional da
função Pública).

Estes instrumentos definem os mecanismos de recrutamento de funcionários que fazem parte


da Administração Pública, sua integração nas carreiras profissionais, avaliação de
desempenho e definição de remuneração, progressão na carreira, procedimentos disciplinares.

3.1. Organigrama da Administração Pública


Em Moçambique o regime em decurso é o presidencial, a que cada cinco anos é eleito um
presidente ou pode renovar esse cargo. O presidente por sua vez, forma o seu governo que
juntos vão mover a máquina administrativa pública. O Estado, duma forma forma metafórica,
pode dizer-se assim, que já possui suas carruagens já formadas e ancoradas e faltando
somente o maquinista (presidente) e os gestores das carruagens (os ministros e governadores).
Todos estes elementos trabalham para uma organização/empresa (o Estado) e os cidadãos, os
passageiros, procurando satisfazer seus interesses através dos variados tributos.

Para se materializar todo esse processo, o Estado foi dividido em três poderes nomeadamente
o Legislativo, o Jurídico e o Executivo.

O poder executivo compreende os membros do governo e como diz o próprio nome, os


indivíduos que executam ou movem a máquina administrativa do estado mas duma forma
periódica podendo ou não renovar, o dito Mandato.
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A função executiva tem por objecto directo e imediato promover e assegurar o cumprimento
das leis, aplicando sanções aos infractores das leis, enquanto a função legislativa está virada à
produção de leis.
A intervenção do Estado na execução de leis pode ser feita de diversas maneiras.

O poder Legislativo, também periódico, compreende cidadãos que foram escolhidos durante o
sufrágio previamente realizado, com a tarefa de monitorar o poder executivo e ainda e
elaborar e apreciar leis e decretos concebidos para satisfazer uma necessidade de interesse
pública.

O poder Jurídico, para além de monitorar os poderes citados anteriormente, faz cumprir a lei,
sancionando qualquer cidadão que infringi-la.

Para além de sancionar os indivíduos que desacatem a lei, o poder jurídico tem por missão
garantir os dirigentes eleitos governem o país legalmente como manda a Constituição da
República, criando dessa forma a igualdade no cumprimento de deveres assim o benefício do
direito instituído pela Constituição.

Abaixo, eis o organigrama da Administração Pública

PODER EXECUTIVO

PODER JURÍDICO PODER LEGISLATIVO

ESTADO

Apesar dos três poderdes serem independentes um dos outros, pode observar-se que eles
trabalham de forma conjunta, pois todos têm o mesmo fim: satisfação dos interesses e bem-
estar dos cidadãos – o Estado.

Todos os intervenientes dos três poderes do Estado, soa funcionários públicos, com
obrigações e direitos iguais, respeitando claro, as suas competências.
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3.2. Governação e a corrupção no sector da Administração Pública


Tal como citado anteriormente, a Constituição da Republica de Mocambique, no seu Artigo
249, defende a necessidade de independência política do sector público. Este preceito está
também presente no Decreto 30/2011 de 15 de Outubro, relativo ao funcionamento da
administração pública e à prestação de serviços públicos.

A Administração Pública, no que concerne a gestão de recursos humanos, segundo a Pesquisa


Nacional de Base de Governação e Corrupção, enfrenta muitos desafios, pois ela está baseada
em nepotismo, filiação e afinidade política, o que fere o Artigo 249 da Constituição da
República que defende a necessidade de independência política do sector público para além
dos baixos salários dos funcionários públicos que têm sido apontados como influência na
corrupção na administração pública.

Como legislação, os funcionários públicos que exercerem funções com competências


decisórias no sector público, têm obrigatoriedade de apresentar uma declaração de bens e
valores que compõem o seu património antes da ocupação desse cargo e assim como declarar
anualmente as suas posses

O cumprimento destas e outras questões são tidas como desafios em Moçambique, sendo
considerando um dos países mais corruptos do mundo na administração pública.

Os Gabinetes Anticorrupção e os constantes processos que estão sendo movimentados, têm


diminuído o teor da corrupção no sector público actualmente.

A Administração Pública tem tido papel muito importante nessa luta, pois é nela onde
combater-se ou ainda alastrar-se.

Seminário sobre esta temática tem sido realizados nos diferentes sectores públicos, com
destaque para os sectores da saúde, educação e segurança. Desses esforços, muitos canais
foram criados para receber relatos e denúncias de corrupção ou mau atendimento. Como
resultado, o ambiente de atendimento no sector público melhorou muito e os índices de
corrupção baixaram consideravelmente.
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4. Conclusão

A Administração Pública é um processo fundamental para fazer valer a presença do Estado


numa nação.

A governação só pode acontecer se a máquina administrativa estiver a funcionar


correctamente. Criação de políticas que mantenham os funcionários públicos deve ser uma
tarefa interminavél de modo que administração estatal preste os erviços a que foi incumbida.

A necessidade despolitizar a sector público é um desafio enorme que o Estado moçambicano


tem travado. A má gestão do que pertence ao Estado tem criado transtornos aos
g5overnadante e prejudicado os utentes. A corrupção é outro mal que assola a administração
pública, há quem afirma que é pelos baixos salários que os funcionários tem tido ou pela
morosidade das progressões nas carreiras. A verdade é que esse mal tem manchado o país
Moçambique.
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5. Referências Bibliográficas

1. Simango, Egídio P. Manganhela (2014) Módulo de Administração Pública – 1º ano.


ISCED. Beira: ISCED
2. Moreira, José Manuel & Alves, André Azevedo (2009) Gestão Pública: entre a visão
clássica da Administração Pública e o novo paradigma da Governação Pública.
Revista Enfoques VII nº 11. Portugal: Revista Enfoques
Disponível em dialnet.unirioja.es/articulo/308h6128.pdf
3. Coelho, Ricardo Correa (2013) Administração Pública e o Contexto Institucional
Contemporâneo DGG. Escola Nacional de Administração Pública. Brasília: ENAP
Disponível em repositório.enap.g5ov.br/1/22h60/1/1.apostila
4. Ilal, Abdul et al (2008). Governação e Integridade em Moçambique. Centro de
Integridade de Moçambique. Maputo: CIEDIMA
Disponível em https://escola.mmo.co.mz/governacao-e-integridade-em-mocambique-
problemas-praticos-e-desafios-reais-pdf/
5. Constituição da República de Moçambique (2004). Imprensa Nacional. Maputo

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