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Biologia

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Biologia

Circulação comparada

Resumo

O sistema circulatório tem como função a distribuição de nutrientes e oxigênio para o organismo, bem como
manter o equilíbrio hídrico do corpo e transportar excretas e hormônios. Seu órgão central é o coração,
bombeando o fluido sanguíneo ao longo de vasos. Este líquido que circula pode ser a hemolinfa, incolor,
como no caso dos insetos, ou o sangue pigmentado, como é o caso dos vertebrados, cujas células
apresentam um pigmento transportador conhecido como hemoglobina.
O sistema circulatório pode ser:
• Aberto: O sangue abandona os vasos, sendo derramado em lacunas corporais (hemocele). O sangue
retorna ao coração, de onde será novamente bombeado aos tecidos.

Esquema anatômico de um inseto, mostrando a cavidade corporal (hemocele). Neste tipo de circulação, quando vasos sanguíenos
estão presentes, eles não formam um circiuto fechado, como indica a imagem inferior.

• Fechado: O sangue corre sempre em vasos sanguíneos, sem abandoná-los para banhar os tecidos.

Esquema anatômico de uma minhoca, mostrando um sistema circulatório fechado, onde o sangue está em todo a momento dentro de
vasos condutores..

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A circulação pode ser:

• Simples: quando o sangue passa uma única vez pelo coração.


• Dupla: quando o sangue passa duas vezes pelo coração para cumprir todas as suas funções.

O trajeto do sangue é sair do coração, ir em direção dos órgãos respiratórios (brânquias ou pulmões), receber
oxigênio através da hematose, seguir ao corpo (no caso da circulação simples) ou ao coração novamente
(no caso da circulação dupla), seguir ao corpo e então retornar ao coração.

A circulação fechada dupla ainda pode ser dividida em:

• Incompleta: quando há mistura de sangue venoso (pobre em O2) e sangue arterial (rico em O2) no
coração.
• Completa: O sangue venoso não se mistura ao sangue arterial no ventrículo.

O sistema circulatório é o mais demorado a aparecer na escala evolutiva dos animais, surgindo
primeiramente nos anelídeos. Entre os animais, a circulação é classificada como:
• Poríferos, Cnidários, Platelmintos, Nematelmintos: sistema circulatório ausente.
• Anelídeos: Circulação fechada. Ocorre pelo bombeamento de sangue por corações laterais.

Circulação fechada, com vasos e corações, de um anelídeo

Moluscos: Circulação aberta, com exceção dos cefalópodes (polvos, lulas e nautilus), cuja circulação é
fechada.

Circulação aberta de um molusco, onde observamos lacunas onde o sangue circula fora de vasos.

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Artrópodes: Aberta (embora alguns crustáceos apresentem circulação semi-fechada), sem conexão com o
sistema respiratório no caso dos insetos, sua hemolinfa não apresenta pigmentos respiratórios.

Circulação aberta de um artrópode

A evolução da circulação fechada está relacionada com as cavidades encontradas no coração, onde o
sangue sempre entrará pelos átrios e sairá pelos ventrículos.

Esquema do coração e das circulações dos grupos de vertebrados: peixes, anfíbios, répteis e aves e mamíferos. Disponível em:
http://pedropimpaocn.blogspot.com.br/

Vamos entender como se deu a evolução deles:


• Peixes: circulação é simples e venosa, pois o coração com apenas um átrio e um ventrículo bombeia
apenas o sangue venoso.
• Anfíbio: possui circulação dupla e incompleta, pois possui dois átrios e um ventrículo. Cada átrio
receberá um tipo de sangue (arterial ou venoso) e ocorrerá a mistura no ventrículo.
• Réptil: possuem circulação dupla e incompleta, pois possui dois átrios e um ventrículo. Cada átrio
receberá um tipo de sangue (arterial ou venoso) e ocorrerá a mistura no ventrículo. A diferença em
relação aos Anfíbios é que o ventrículo já possui uma estrutura que permite que ocorra menos mistura,
chamada Septo de Sabatier.
• Crocodilianos: eles já possuem o coração com 4 cavidades, tendo uma maior separação do sangue
arterial com o venoso, porém ainda ocorre uma pequena mistura de sangue arterial com venoso no
Forâmen de Panizza (circulação dupla e incompleta).
• Aves e Mamíferos: Possuem circulação dupla e completa, com o coração dividido em dois átrios e dois
ventrículos os quais não ocorre mistura do sangue arterial com o sangue venoso. Acredita-se que a
circulação completa favoreceu o maior transporte de oxigênio aos tecidos e a endotermia.

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Exercícios

1. Para quem tem preocupação com a preservação do meio ambiente e com a fauna em extinção, no site
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – podemos encontrar informações sobre
animais brasileiros em extermínio. Dentre alguns, podemos citar o pica-pau de cara amarela
(Dryocopus galeatus), a onça pintada (Pantera onca palustris) e a tartaruga de couro (Dermochelys
coriacea).
Disponível em: http://www.ibge.com.br/home/geociencias/recursosnaturais/levantamento/default.shtmc=2

Nas três espécies citadas acima, quais características são verdadeiras com relação à sua circulação
sanguínea, na sequência em que foram mencionadas no texto?
a) Fechada, dupla e completa; fechada, dupla e completa; fechada, dupla e incompleta.
b) Fechada, simples e completa; fechada, dupla e completa; aberta, dupla e incompleta.
c) Fechada, dupla e incompleta; fechada, dupla e completa; aberta, dupla e completa.
d) Aberta, dupla e completa; fechada, simples e completa; fechada, simples e incompleta.
e) Aberta, dupla e incompleta; fechada, dupla e incompleta; fechada, dupla e completa.

2. O sistema circulatório dos vertebrados mostra uma evolução ocorrida entre os grandes grupos. Na
maioria das espécies de cada grupo, há um padrão na divisão das cavidades do coração. Isto pode
ser confirmado na frase:
a) O coração dos peixes tem dois átrios e um ventrículo, ocorrendo a mistura do sangue venoso com
o sangue arterial nos primeiros.
b) O coração dos anfíbios tem dois átrios e um ventrículo, ocorrendo a mistura de sangue venoso
com o sangue arterial neste último.
c) O coração dos répteis tem dois átrios e um ventrículo, não ocorrendo mistura do sangue venoso
com o sangue arterial.
d) O coração dos répteis é igual ao das aves, ocorrendo em ambos mistura do sangue venoso com
sangue arterial.
e) O coração dos mamíferos apresenta dois átrios e dois ventrículos, parcialmente separados,
ocorrendo mistura do sangue venoso com o sangue arterial em pequena escala.

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3. As figuras 1 e 2 a seguir representam, esquematicamente, os dois tipos de sistemas circulatórios


apresentados pelos vertebrados. As setas indicam o trajeto percorrido pelo sangue em cada tipo de
circulação.

Com base nas informações anteriores, assinale a alternativa que apresenta, pela ordem, um exemplo
de um grupo de vertebrados com o tipo de circulação representado na figura 1 e outro com o tipo de
circulação representado na figura 2.
a) Anfíbios – aves.
b) Répteis- mamíferos.
c) Anfíbios – mamíferos.
d) Peixes – répteis.
e) Mamíferos – peixes.

4. Comparando-se a estrutura e a fisiologia dos corações dos vertebrados, podemos considerar válida
a seguinte afirmativa:
a) no coração dos peixes passa apenas sangue venoso.
b) o coração dos anfíbios é dotado de quatro câmaras, duas aurículas (ou átrios) e dois ventrículos.
c) no coração das aves passa apenas sangue arterial.
d) o coração dos répteis apresenta-se com três câmaras, uma aurícula (ou átrio) e dois ventrículos.
e) no coração dos mamíferos, as duas aurículas (ou átrios) recebem sangue venoso e os dois
ventrículos recebem sangue arterial.

5. A taxa de consumo de oxigênio em relação à massa corpórea é muito mais alta no mamífero pequeno
que no grande. Por exemplo, 1g de tecido de um camundongo consome oxigênio numa taxa até 100
vezes maior que 1g de tecido de um elefante. Esse elevado consumo de oxigênio do animal pequeno
requer um maior suprimento desse elemento para os tecidos. Assim sendo, espera-se que mamíferos
menores apresentem:
a) Maior frequência cardíaca e menor frequência respiratória que mamíferos maiores.
b) Menor frequência cardíaca e maior frequência respiratória que mamíferos maiores.
c) Menor frequência cardíaca e menor frequência respiratória que mamíferos maiores.
d) Maior frequência cardíaca e maior frequência respiratória que mamíferos maiores.
e) Frequência cardíaca e respiratória igual à dos mamíferos maiores.

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6. O que diferencia, basicamente, a circulação das aves da circulação dos mamíferos é:


a) a circulação das aves é aberta e a dos mamíferos é fechada.
b) nas aves, o sangue flui dos pulmões para o ventrículo direito.
c) o coração das aves não possui septo interventricular.
d) nas aves, a curvatura da aorta é para a direita, e nos mamíferos, para a esquerda.
e) na circulação das aves, o sangue bem oxigenado circula somente nas artérias.

7. Dois animais, A e B, têm sistema circulatório aberto. O sistema respiratório de A é traqueal, e o de B,


branquial. Com base nessa descrição, escolha a alternativa correta.
a) A pode ser uma barata e B pode ser um peixe.
b) A pode ser um gafanhoto e B pode ser um mexilhão.
c) A pode ser um caracol e B pode ser uma mariposa.
d) A pode ser uma minhoca e B pode ser uma aranha.
e) A pode ser uma aranha e B pode ser uma planária

8. O sistema circulatório é responsável pelo transporte de nutrientes, excretas, gases, hormônios e


outras substâncias, entre as diferentes partes do organismo da maioria dos animais. Com relação ao
sistema circulatório, assinale a alternativa correta.
a) Os parasitas do gênero Taenia apresentam sistema circulatório aberto, sem capilares, com um
coração que bombeia sangue para vasos, de onde o sangue segue para banhar as células.
b) Os peixes e as larvas de anfíbios apresentam um coração constituído de um átrio e de um
ventrículo, e o sangue arterial não entra no coração.
c) Os anfíbios adultos e répteis não crocodilianos apresentam coração com um átrio e dois
ventrículos, um dos quais envia o sangue para os pulmões, e, o outro, para todo o corpo.
d) Nas aves e nos mamíferos, o coração apresenta dois átrios e dois ventrículos, mas, nas aves, a
separação entre os ventrículos é incompleta.
e) Na circulação humana, o ritmo da contração cardíaca é determinado pela geração de impulsos
elétricos no fascículo atrioventricular, o que provoca contração dos átrios.

9. A figura a seguir representa diferentes padrões de coração de vertebrados. Qual a seqüência indica a
ordem crescente da eficiência circulatória, com relação ao transporte de gases, conferida pelos três
corações?

a) 1, 2, 3
b) 1, 3, 2
c) 3, 2, l
d) 2, 1, 3
e) 3, 1, 2

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10. Num exame de Biologia foi formulada uma questão que se solicitava uma descrição da circulação de
sangue nos mamíferos. Em uma das provas constava a seguinte resposta:
“A parede do coração possui uma musculatura que se contrai com força considerável, lançando o
sangue para a pequena e grande circulação (1). Cada metade do coração é uma bomba com dois
compartimentos: o átrio, de paredes relativamente grossas, e o ventrículo de pares finas (2). O sangue
proveniente dos tecidos entra no átrio direito, passa para o ventrículo direito, sendo bombeado através
das artérias pulmonares aos pulmões, onde o gás carbônico é eliminado e o oxigênio apreendido (3).
Os tecidos usam o oxigênio, cedendo o gás carbônico ao sangue, que retorna, pelas artérias, ao lado
direito do coração (4)”.
O número entre parênteses, ao final da cada período, facilitará a resposta a ser dada. Em relação ao
texto, pode-se afirmar que:
a) todos os períodos são certos.
b) apenas o período (4) é errado.
c) apenas os períodos (2) e (4) são errados.
d) apenas os períodos (1) e (3) são errados.
e) apenas os períodos (1), (2) e (3) são errados.

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Gabarito

1. A
A circulação de aves e mamíferos é fechada, dupla e completa, enquanto em répteis é fechada, dupla e
incompleta, já que há mistura de sangue venoso e arterial.

2. B
O coração dos anfíbios não apresenta divisão ventricular, sendo um ventrículo único, no qual há mistura
de sangue venoso e arterial.

3. D
Peixes têm circulação simples, com o sangue passando apenas uma vez pelo coração para realizar suas
funções. Répteis possuem circulação dupla, com o sangue passando duas vezes pelo coração para
realizar suas funções.

4. A
A circulação dos peixes ocorre em um coração com apenas duas cavidades, por onde passam apenas
sangue venoso, do sentido do corpo para as branquias.

5. D
Espera-se que sua frequência cardíaca e respiratória seja maior que a do mamífero maior, tendo em vista
que o aporte de oxigênio deverá ser maior no mamífero menor.

6. D
A diferença entre as circulações de mamíferos e aves está em pequenos detalhes, como a curvatura das
aortas, já que ambos apresentam coração tetracavitário, circulação dupla, fechada e completa.

7. B
Insetos, como o gafanhoto, apresentam circulação aberta e sistema respiratório traqueal. Já mexilhões,
que são moluscos aquáticos, respiram por brânquias, e também possuem sistema circulatório aberto.

8. B
Peixes e as larvas de anfíbios possuem circulação simples e venosa, pois possuem um coração
constituído de um átrio e de um ventrículo, onde só passa sangue venoso.

9. E
O coração 3 possui apenas 3 cavidades (equivalente aos anfíbios) e há mistura completa do sangue no
ventrículo. O coração 1 apresenta o início da separação do ventrículo (como alguns répteis), sendo a
mistura de sangue mais reduzida. Por fim, o coração 2 possui cavidades completamente separadas
(como aves e mamíferos).

10. C
As paredes dos átrios são espessas e o sangue retorna dos tecidos para o coração através das veias.

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Animalia: cordados
Resumo

Os cordados são animais deuterostômios, triblásticos e celomados, com simetria bilateral, segmentação no
período embrionário e sistema digestório completo. O que define um representante do filo Chordata é
presença, em alguma etapa da vida, de notocorda, fendas branquiais e tubo nervoso dorsal, além de uma
cauda.
A notocorda pode permanecer em alguns indivíduos, mas é substituída nos vertebrados pela coluna
vertebral. Importante lembrar que a notocorda não forma o sistema nervoso. Sua função é orientar o eixo do
embrião e ajudar na sustentação dos organismos. No desenvolvimento embrionário, além da notocorda, os
cordados apresentam um sistema nervoso dorsal, fendas branquiais e cauda. Nós, seres humanos,
pertencemos ao filo dos cordados.
É dividido em 3 subfilos: Urocordados, Cefalocordados e Vertebrados, também chamados de Craniados. Os
urocordados e os cefalocordados são chamados de protocordados, de ambiente aquático marinho. Os
craniados englobam as feiticeiras e os vertebrados.

Filogenia simplificada, mostrando as relações entre os grupos de cordados e as principais características dos grupos.

Urochordata
Urocordados não possuem uma coluna vertebral, mas ainda são dotados de notocorda durante a fase larval.
Em sua maioria, são seres vivos sésseis, e recobertos por uma túnica de tunicina, uma molécula semelhante
a celulose. São seres filtradores, e apresentam sistemas bem simples. Podem ser tanto assexuados quanto
sexuados, com reprodução por brotamento nos assexuados.

Exemplo de uma colônia de ascídias e um esquema de sua anatomia interna.

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Cephalochordata
São cordados marinhos e pequenos, que vivem soterrados no substrato. Sua notocorda é permanente e
apresenta um tubo neural dorsal. Sua boca é envolta por estruturas que impedem a passagem de partículas
demasiado grandes, e grande parte de sua digestão ocorre no meio intracelular. São valiosos no estudo da
embriologia, tendo em vista que seu desenvolvimento embrionário inicial é comparável ao dos seres
humanos.

Foto de um anfioxo e um esquema de sua anatomia interna.

Vertebrata
Vertebrados são um grupo de seres vivos extremamente diverso. Compreendem os agnatos, peixes
(cartilaginosos, como os chondrichthyes, e ósseos, como os osteichthyes), anfíbios, mamíferos, répteis e
aves. São caracterizados pela presença de uma coluna vertebral e de um crânio, capaz de proteger o cérebro.

Filogenia de Vertebrados com as principais características evolutivas.

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Agnatha
Agnatos são vertebrados desprovidos de mandíbulas. Essa Classe compreende lampreias e peixes-bruxa.
Em geral, estes seres não apresentam nadadeiras peitorais, e seu esqueleto é cartilaginoso, não havendo
calcificação. Apresentam uma única narina e olho diferenciado. No caso das lampreias, sua alimentação se
dá por parasitismo externo, ou seja, elas se prendem a peixes por sua boca repleta de dentículos e se
alimentam do sangue. Apresentam fendas branquiais.

Ilustração de uma lampreia, representante dos Agnatha.

Chondrichthyes
Esse grupo inclui os peixes cartilaginosos, como tubarões e raias. São peixes geralmente oceânicos, dotados
de escamas que recobrem sua pele e de um esqueleto totalmente formado por cartilagem, com suas fendas
branquiais laterais sem proteção. É interessante ressaltar que esses animais habitam ambientes marinhos,
e que por estarem sempre em meio hipersalino, precisam de mecanismos para garantir sua osmorregulação
(controle do equilíbrio da concentração de sais e água). Para isso, contam com o armazenamento de
excretas (ureia, ao contrário da maioria dos animais aquáticos, que excretam amônia) como forma de não
perder água para o meio, através da manipulação de concentração de sais no meio intra e extracorpóreo.
Não apresentam bexiga natatória como os peixes ósseos (Osteichthyes), portanto contam com o fígado
gorduroso para manter flutuabilidade.

O tubarão é um exemplo de condricte, e podemos observar, logo acima da barbatana, as fendas branqiuais expostas.

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Osteichthyes
Os peixes ósseos (Osteichthyes) são peixes que apresentam esqueletos ósseos. É a vasta maioria dos
peixes, representando a maior biodiversidade dentre os vertebrados. É importante saber que esses animais
apresentam arcos branquiais (responsáveis por sua respiração) protegidos por um opérculo, esqueleto
predominantemente ósseo, excreção de amônia e uma bexiga natatória que os confere flutuabilidade. Peixes
que habitam ambientes de água doce e peixes que habitam ambientes marinhos apresentam diferentes
formas de osmorregulação, sendo os peixes de água doce obrigados a eliminar grandes quantidades de
urina extremamente diluída e não beberem água (tendo em vista o ganho constante de água pelo meio).
Peixes de água salgada, por outro lado, eliminam sal de seu corpo de maneira ativa através de células
especializadas, e bebem água salgada para evitar perda de água excessiva para o meio.

Peixes ósseos. Repare que não vemos fendas branquiais, pois elas estão recobertas por um opérculo.

Amphibia
São os primeiros representantes do grupo dos Tetrapoda, animais que apresentam quatro membros para
locomoção (dois anteriores e dois posteriores). Nos anfíbios inicia-se a conquista do ambiente terrestre.
Apresenta três principais grupos: os anuros (sapos, pererecas e rãs), as gimnofionas (ou cecílias, são
popularmente chamadas de cobras cega) e as salamandras. Seres vivos deste filo apresentam um pulmão
pouquíssimo eficaz, e precisam realizar respiração cutânea para auxiliar no suprimento de sua demanda
gasosa. Isso significa que sua pele deve estar sempre úmida, e, com isso, não podem se distanciar
totalmente de corpos d’água e aventurar-se em ambientes muito secos. Sua reprodução ainda é totalmente
dependente da água, tendo em vista que a vida dos imaturos é aquática. Sendo assim, a conquista do
ambiente terrestre por parte dos anfíbios é apenas parcial.
Grande parte dos anuros apresenta uma fase juvenil chamada de girino, que vive em água doce, fazem
respiração branquial e eliminam amônia como excreta principal; após sofrerem uma metamorfose, os
anfíbios podem deixar a água e viverem em ambiente terrestre. Sua nova forma adulta permite a excreta de
ureia, composto menos tóxico e menos solúvel, mais adaptado a uma vida terrestre. Há algumas espécies
de salamandras que são totalmente aquáticas, e estas apresentam brânquias durante toda a vida.

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Exemplos de anfíbios: uma gimnofiona (superior esquerda), dois anuros e uma salamandra (inferior direita).

Os grupos que evoluíram após os anfíbios formam o grupo Amniota, onde os animais apresentam o
desenvolvimento de anexos embrionários e outras estruturas que permitem a conquista definitiva do
ambiente terrestre, como espessamento da pele, ovo com casca e modos de excreção.

Répteis
Estes animais apresentam esqueleto completamente ossificado. Seus pulmões são mais eficientes,
permitindo o abandono da respiração cutânea, o que por sua vez permite que a pele destes seja revestida
por fortes escamas impermeáveis, que impedem a perda de água para o meio. A excreção destes animais é
com ácido úrico. Dentre os grupos de répteis, podemos citar os testudines (tartarugas), escamados (lagartos
e serpentes) e os crocodilianos (crocodilos e jacarés).

Os lagartos fazem parte do grupo Lacertilia, dentro dos escamados. Na imagem, podemos ver em destaque as escamas que ajudam a
impermeabilizar o corpo.

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Aves
As aves apresentam endotermia (capacidade de regular a própria temperatura, devido a um alto
metabolismo), presença de penas, membros modificados em asas, bico córneo (sem dentes) e ossos
pneumáticos, muitas delas diretamente relacionadas ao voo. O desenvolvimento das penas auxilia na
aerodinâmica (como as penas das asas) e no equilíbrio (penas da cauda), facilitando o voo do animal. Os
ossos pneumáticos, ocos, dotados de orifícios que permitem passagem de ar, conferem resistência e leveza
ao esqueleto desses seres vivos.

Anatomia interna de uma ave, com destaque para o sistema respiratório, sacos aéreos e suas expansões.

Seus pulmões são dotados de sacos aéreos, que, ao inflarem, diminuem a densidade do animal, permitindo
maior facilidade para o voo. Seu esterno é expandido, formando uma quilha, abrindo espaço para a inserção
de músculos peitorais mais desenvolvidos e capazes de movimentar as asas, apêndices geralmente
adaptados ao voo. A ausência de uma bexiga urinária também auxilia em reduzir o peso das aves, e resulta
em constante eliminação de fezes junto a ácido úrico (excreta nitrogenada das aves).

As aves apresentam uma grande diversidade de formas de bico e cores de penas, muitas vezes havendo diferença de cores entre
machos e fêmeas.

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Mammalia
Mamíferos são seres vivos caracterizados pela presença de glândulas mamárias (que produzem leite para o
filhote), diafragma, pulmão alveolar e presença de pelos em alguma fase de seu desenvolvimento. Assim
como as aves, são endotérmicos. São divididos em três grupos:
• Prototérios (ou monotremados): São mamíferos que colocam ovos, com casca e anexos embrionários,
pois não apresentam placenta. São representados pelos ornitorrincos e equidnas.
• Metatérios (ou marsupiais): São mamíferos com placenta parcialmente desenvolvida, porém ela não
suporta o desenvolvimento embrionário até o final da gestação. Por isso, os animais apresentam uma
bolsa, chamada de marsúpio, onde os filhotes terminam o seu crescimento. São representados pelos
gambás, cangurus e coalas, dentre outros.
• Eutérios (ou placentários): São mamíferos com placenta completa, e todo o desenvolvimento do filhote
ocorre dentro do ventre da mãe. São representados por primatas, ruminantes, baleias e golfinhos,
felinos, dentre vários outros.

Exemplos de mamíferos. A) Echdina, um monotremado ou prototério; B) Um gambá, do grupo dos marsupiais, ou metatérios; C)
Veado, um placentário, ou eutério.

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Exercícios

1. A árvore filogenética abaixo foi construída a partir das informações contidas na tabela que a sucede

Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que os números I, II e III, na figura, correspondem,
respectivamente, a
a) mandíbula, pulmões, moela.
b) pulmões, garras ou unhas, pelos e glândulas mamárias.
c) mandíbula, garras ou unhas, escamas queratinosas.
d) pulmões, moela, dentes incisivos com crescimento constante.
e) garras ou unhas, escamas queratinosas, penas.

2. “Até recentemente, o aparecimento das baleias era um dos mistérios mais inexplicáveis enfrentados
pelos biólogos evolucionários. Sem pelos e membros posteriores, e incapazes de ir à terra sequer para
um gole de água fresca, os cetáceos atuais são um desvio dramático da norma dos mamíferos”
(Scientific American Brasil, n.1, 2002, pág. 64.)

A característica marcante que inclui os cetáceos na classe dos mamíferos, apesar de sua aparência
pisciforme, está relacionada ao fato desses animais:
a) respirarem o ar.
b) serem triblásticos.
c) serem celomados.
d) apresentarem circulação fechada.
e) terem reprodução sexuada.

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3. Observe a tira abaixo:

Em relação ao ciclo de vida de um anfíbio, é correto afirmar que


a) a respiração ocorre através da pele somente nos indivíduos do primeiro quadrinho.
b) a respiração é unicamente pulmonar na fase adulta.
c) a ordem de surgimento dos membros posteriores e anteriores, ilustrada na tira, está invertida.
d) os indivíduos do primeiro e do segundo quadrinhos apresentam respiração por brânquias.
e) os indivíduos, na fase adulta, possuem estruturas que mantêm a pele impermeável.

4. Num exercício prático, um estudante analisou um animal vertebrado para descobrir a que grupo
pertencia, usando a seguinte chave de classificação

O estudante concluiu que o animal pertencia ao grupo VI. Esse animal pode ser:
a) um gambá.
b) uma cobra.
c) um tubarão.
d) uma sardinha.
e) um sapo.

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5. As temperaturas corporais de um felino e de uma serpente foram registradas em diferentes condições


de temperatura ambiental. Os resultados estão apresentados na tabela.

Com base nesses resultados, pode-se considerar que


a) a serpente é ectotérmica, pois sua temperatura corporal é variável e independe da temperatura
ambiente.
b) o felino é ectotérmico, pois a variação da temperatura ambiente não interfere na sua temperatura
corporal.
c) a serpente e o felino podem ser considerados ectotérmicos, pois na temperatura ambiente de 10°C
apresentam as menores temperaturas corporais.
d) o felino é endotérmico, pois sua temperatura corporal é pouco variável e independe da temperatura
ambiente.
e) a serpente é endotérmica, pois a variação de sua temperatura corporal acompanha a variação da
temperatura ambiente.

6. Em 1861 foi anunciada a existência de um fóssil denominado Arqueopterix, que revolucionou o debate
acerca da evolução dos animais. Tratava-se de um dinossauro que possuía penas em seu corpo. A
partir dessa descoberta, a árvore filogenética dos animais acabou sofrendo transformações quanto
ao ancestral direto das aves. Nessa nova árvore filogenética, de qual grupo as aves se originaram?.
a) Peixes ósseos.
b) Répteis.
c) Mamíferos.
d) Peixes cartilaginosos.
e) Anfíbios

7. A maior parte dos mamíferos -especialmente os grandes - não pode viver sem água doce. Para os
mamíferos marinhos, água doce e ainda mais difícil de ser obtida. Focas e leões-marinhos captam
água dos peixes que consomem e alguns comem neve para obtê-la. Os peixes-boi procuram
regularmente água doce nos rios. As baleias e outros cetáceos obtêm água de seu alimento e de
goladas de água do mar. Para tanto, os cetáceos desenvolveram um sistema capaz de lidar com o
excesso de sal associado à ingestão de água marinha.
WONG, K. Os mamíferos que conquistaram os oceanos. In: Scientific American Brasil. Edição Especial N°5: Dinossauros e
Outros Monstros. (adaptado).
A grande quantidade de sal na água do mar
a) torna impossível a vida de animais vertebrados nos oceanos.
b) faz com que a diversidade biológica no ambiente marinho seja muito reduzida.
c) faz com que apenas os mamíferos adaptados a ingestão direta de água salgada possam viver nos
oceanos.
d) faz com que seja inapropriado seu consumo direto como fonte de água doce por mamíferos
marinhos, por exemplo, as baleias.
e) exige de mamíferos que habitam o ambiente marinho adaptações fisiológicas, morfológicas ou
comportamentais que lhes permitam obter água doce.

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8. Com relação aos animais do grupo Chordata, além da presença de notocorda e da cauda propulsora,
quais dos caracteres abaixo os distinguem de outros grupos de animais?
a) Fendas faringeanas e tubo nervoso dorsal.
b) Respiração pulmonar ou branquial e sistema circulatório com coração.
c) Celoma derivado do arquêntero e clivagem radial indeterminada.
d) Sistema bilateral e triblásticos.
e) Enterocelomados e corpo metamerizado.

9. O filo dos cordados compreende três subfilos: urocordados, cefalocordados e vertebrados. Os dois
primeiros são, costumeiramente, agrupados sob designação de protocordados. A notocorda existe:
a) somente na fase embrionária dos vertebrados e durante toda a vida dos protocordados;
b) na fase adulta dos vertebrados e na vida embrionária dos protocordados;
c) nos embriões de todos os cordados e no estágio adulto de apenas alguns protocordados;
d) durante toda a vida dos cordados;
e) somente na fase embrionária.

10. Uma evolução importante dos répteis em relação aos anfíbios, na conquista do habitat terrestre, é o
fato dos répteis possuírem:
a) respiração pulmonar;
b) coração dividido em quatro cavidades imperfeitas;
c) ovos com casca mole e com pouco vitelo;
d) queratinização da camada superficial da epiderme
e) fecundação interna e desenvolvimento interno do ovo.

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Gabarito

1. C
I indica presença de mandíbula, presente em todos os vertebrados exceto nas lampreias; II indica
garras/unhas, presente apenas nos representantes de amniota; III indica escamas queratinosas,
presentes apenas em répteis e aves.

2. A
Baleias são mamíferos, e todos os mamíferos respiram ar atmosférico através de pulmões alveolares,
ao contrário dos peixes, que respiram oxigênio dissolvido na água por meio de brânquias.

3. D
Os girinos, fase larval dos anfíbios anuros, apresentam respiração branquial, enquanto os adultos
apresentam tanto respiração pulmonar quanto cutânea indireta.

4. B
O animal, segundo o cladograma, apresenta ausencia de pelos, ausencia de penas, presença de
mandíbulas, ausencia de nadadeiras pares e presença de escamas córneas. Isso caracteriza um réptil,
e, dentre os animais descritos, o único réptil é a cobra.

5. D
A variação de temperatura no corpo do felino é mínima e não depende do ambiente, ao contrário da
serpente, logo, o felino é endotérmico e a serpente é ectotérmica.

6. B
Com base na ordem evolutiva: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos e sabendo que os dinossauros
são répteis, observa-se que as aves se originaram dos répteis. Lembrando que aves possuem penas.

7. E
Apenas mamíferos bem adaptados a esse ambiente e com capacidade de obter água doce através de
algum mecanismo estarão aptos a habitar água salgada.

8. A
As fendas faringeanas e o tubo nervoso dorsal são algumas das principais características dos
cordados. Apesar de alguns seres não apresentarem as fendas faringeanas, esta estrutura estará
presente em pelo menos uma fase do desenvolvimento embrionário.

9. C
A notocorda presente nos cordados estará presente pelo menos no desenvolviemnto embrionário de
alguns seres. Nos vertebrados, a notocorda é substituída pela coluna vertebral.

10. D
A queratinização da camada superficial da epiderme permite uma proteção contra a dessecação,
ajudando na conquista do ambiente terrestre.

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Biologia

Circulação humana

Resumo

Através do sistema circulatório há o transporte de oxigênio, hormônios e de nutrientes pelo corpo, bem
como a eliminação de resíduos tóxicos.
Nos seres humanos, a circulação é fechada, dupla e completa, e o órgão central deste processo é o coração.
A circulação humana envolve:
• sistema fechado: o sangue permanece dentro dos vasos sanguíneo;
• órgão central é o coração: musculo que movimenta o sangue e possui 4 cavidades (2 átrios e 2
ventrículos);
• circulação dupla: o sangue passa duas vezes pelo coração até ser enviado para o corpo todo;
• vasos sanguíneos: veias (trazem sangue para o coração), artérias (levam o sague do coração para o
corpo), arteríolas;
• circulação completa: em condições normais (sem patologias) o sangue venoso não se mistura ao
sangue oxigenado;
• circulação pulmonar ou pequena circulação: coração-pulmão;
• circulação sistêmica ou grande circulação: coração-corpo;
• as trocas ocorrem nos capilares.

Imagem representando o coração, suas cavidades e seus componentes.

A circulação humana ocorre em um coração com quatro cavidades. A circulação é separada em duas
fases:
• Circulação sistêmica ou grande circulação: Percorre do ventrículo esquerdo até o átrio direito;
nessa circulação, o sangue oxigenado fornece gás oxigênio aos diversos tecidos do corpo, além
de trazer ao coração o sangue não oxigenado dos tecidos.

1
Biologia

• Circulação pulmonar ou pequena circulação: Percorre do ventrículo direito até o átrio esquerdo.
Nessa circulação, o sangue passa pelos pulmões, onde é oxigenado.

Imagem representando a pequena e a grande circulação.

O coração humano possui válvulas importantes: a tricúspede (lado direito) e a bicúspede (lado esquerdo).
Estas válvulas abrem-se em direção aos ventrículos durante a contração dos átrios e, em seguida, fecham-
se, impedindo o refluxo do sangue.
O coração humano é dividido em quatro cavidades: Dois átrios e dois ventrículos, esquerdos e direitos.
O sangue venoso chega ao coração pelas veias cavas, indo para o átrio direito. Do átrio direito, o sangue é
bombeado ao ventrículo direito, que manda o sangue para os pulmões pelas artérias pulmonares, onde o
sangue venoso será oxigenado, tornando-se arterial, através do processo da hematose.
O sangue, agora arterial, volta ao coração através das veias pulmonares, chegando ao átrio esquerdo, passa
ao ventrículo esquerdo, e deixa o coração pela artéria aorta, que distribuirá o sangue pelo corpo,
completando o ciclo.
Entre o átrio direito e o ventrículo direito há a válvula tricúspide, que impede o refluxo de sangue durante a
contração do ventrículo. Entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, há a válvula mitral, ou bicúspide. Os
movimentos cardíacos são conhecidos como sístole e diástole.
A contração é chamada sístole, enquanto o relaxamento é chamado diástole.
Para manter o ritmo cardíaco, enquanto os átrios estão em sístole, os ventrículos estão em diástole, e vice-
versa.

2
Biologia

Imagem ilustrando o ciclo cardíaco.

Os principais vasos sanguíneos são as veias, as artérias e os capilares. As artérias são aquelas que
saem do coração, levando sangue aos tecidos ou aos pulmões, e não aquelas que carregam sangue
oxigenado, como se acreditava antes. Suas paredes vasculares são fortes, pois o sangue passa por
elas com alta pressão.
As veias conduzem sangue para (chegam) o coração, vindo dos tecidos ou dos pulmões, não
necessariamente carregando apenas sangue venoso (pobre em oxigênio). Como a pressão é menor,
não apresentam paredes tão espessas quanto as artérias. Válvulas auxiliam no percurso do sangue
ao coração, impedindo o refluxo de sangue na direção contrária devido a gravidade ou outras forças.
Os capilares são canais extremamente finos, e permeiam substâncias entre a corrente sanguínea e as
células.

3
Biologia

Exercícios

1. Sabemos que o sangue é composto por uma porção líquida, o plasma, e algumas células e
fragmentos celulares. Esse sangue circula sempre dentro dos vasos sanguíneos, caracterizando um
sistema circulatório fechado. A respeito dos vasos sanguíneos, marque a alternativa incorreta:
a) As artérias levam o sangue do coração para outras partes do corpo.
b) Os vasos sanguíneos de diâmetro microscópio são chamados de capilares sanguíneos.
c) As veias são vasos sanguíneos responsáveis por levar o sangue de diversas partes do corpo
para o coração.
d) As artérias apresentam parede relativamente fina quando comparadas à das veias.
e) As paredes das artérias e veias são constituídas por três camadas de tecidos, denominadas
túnicas.

2. A função do nódulo sinoatrial no coração humano é:


a) regular a circulação coronariana.
b) controlar a abertura e o fechamento da válvula tricúspide.
c) funcionar como marca-passo, controlando a ritmicidade cardíaca.
d) controlar a abertura e o fechamento da válvula mitral.
e) controlar a pressão diastólica da aorta.

3. A imagem representa uma ilustração retirada do livro De Motu Cordis, de autoria do médico inglês
Willian Harvey, que fez importantes contribuições para o entendimento do processo de circulação do
sangue no corpo humano. No experimento ilustrado, Harvey, após aplicar um torniquete (A) no braço
de um voluntário e esperar alguns vasos incharem, pressionava-os em um ponto (H). Mantendo o
ponto pressionado, deslocava o conteúdo de sangue em direção ao cotovelo, percebendo que um
trecho do vaso sanguíneo permanecia vazio após esse processo (H - O).

A demonstração de Harvey permite estabelecer a relação entre circulação sanguínea e


a) pressão arterial.
b) válvulas venosas.
c) circulação linfática.
d) contração cardíaca.
e) transporte de gases.

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Biologia

4. A Circulação sanguínea que se estabelece entre o CORAÇÃO -> PULMÕES -> CORAÇÃO, mais
precisamente entre o ventrículo direito e o átrio esquerdo, tem a função de:
a) Promover a condução apenas do sangue arterial.
b) Promover a oxigenação do sangue, direcionando-o para todo o corpo.
c) Promover a oxigenação dos pulmões e do próprio coração.
d) Promover a oxigenação dos tecidos intermitentes.
e) Promover a condução apenas do sangue venoso.

5. No sistema circulatório humano,


a) a veia cava superior transporta sangue pobre em oxigênio,coletado da cabeça, dos braços e da
parte superior dotronco, e chega ao átrio esquerdo do coração.
b) a veia cava inferior transporta sangue pobre em oxigênio,coletado da parte inferior do tronco e
dos membrosinferiores, e chega ao átrio direito do coração.
c) a artéria pulmonar transporta sangue rico em oxigênio, docoração até os pulmões.
d) as veias pulmonares transportam sangue rico em oxigênio,dos pulmões até o átrio direito do
coração.
e) a artéria aorta transporta sangue rico em oxigênio para ocorpo, por meio da circulação sistêmica,
e sai do ventrículodireito do coração.

6. Se pudéssemos marcar uma única hemácia do sangue de uma pessoa, quando de sua passagem por
um capilar sanguíneo do pé, e seguir seu trajeto pelo corpo a partir dali, detectaríamos sua passagem,
sucessivamente, pelo interior de:
a) artérias -> veias -> coração -> artérias -> pulmão -> veias -> capilares.
b) artérias -> coração -> veias -> pulmão -> veias -> coração -> artérias -> capilares.
c) veias -> artérias -> coração -> veias -> pulmão -> artérias -> capilares.
d) veias -> pulmão -> artérias -> coração -> veias -> pulmão -> artérias -> capilares.
e) veias -> coração -> artérias -> pulmão -> veias -> coração -> artérias -> capilares.

7. O coração humano apresenta uma série de peculiaridades para que a circulação sanguínea se dê de
forma eficiente.
Assinale a opção que apresenta a afirmativa correta em relação a estas características.
a) A musculatura mais espessa do ventrículo esquerdo é necessária para aumentar a pressão do
sangue venoso.
b) O sangue oxigenado nos pulmões entra no coração pela veia pulmonar, e o sangue rico em gás
carbônico entra nos pulmões pela artéria pulmonar.
c) As válvulas do coração têm por função permitir o refluxo do sangue para a cavidade anterior
durante o processo de diástole.
d) As paredes internas do coração permitem uma certa taxa de difusão de gases, o que faz com que
esse órgão seja oxigenado durante a passagem do sangue por ele.
e) A separação das cavidades do coração impede o maior controle do volume sanguíneo.

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Biologia

8. Considerando a trajetória do sangue e o transporte de substâncias através do sistema circulatório,


espera-se atuação mais rápida de um medicamento no cérebro se
a) inalado pelos pulmões
b) injetado numa veia do braço
c) ingerido sob forma líquida ou como comprimido
d) injetado diretamente numa veia acima da linha dos ombros.

9. A configuração anatômica do sistema circulatório humano apresenta, por analogia com os circuitos
elétricos, estruturas posicionadas em série e em paralelo, o que permite a identificação de
resistências vasculares contrárias ao fluxo sanguíneo. A figura mostra como algumas estruturas
estão associadas no sistema circulatório humano.

Assim como na associação entre resistores de um circuito elétrico, no sistema circulatório humano
há aumento da resistência ao fluxo sanguíneo na associação de estruturas em que ocorre
a) filtração do sangue e absorção de nutrientes.
b) produção da bile e reabsorção de água.
c) produção da bile e controle da temperatura.
d) absorção de nutrientes e controle da temperatura.
e) Filtração do sangue e reabsorção de água.

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Biologia

10. Analisando a figura do sistema circulatório do homem, podemos afirmar que

a) cada ciclo cardíaco é iniciado em I pela geração espontânea de um potencial de ação, que se
propaga diretamente para II, promovendo sua contração.
b) o fato de a sístole em II ocorrer primeiro é importante, pois possibilita a IV maior enchimento de
sangue antes de bombeá-lo para a circulação sistêmica.
c) quando II e IV se encontram em diástole, as artérias relaxam, mantendo assim uma pressão
adequada para que o sangue continue circulando até a próxima sístole.
d) ao final da sístole, após o fechamento de V, a pressão em VI cai lentamente durante toda a
diástole.
e) a estimulação parassimpática é responsável pelo aumento das contrações em III, aumentando
também o volume e a pressão de bombeamento do sangue.

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Biologia

Gabarito

1. D
As paredes das artérias são muito mais espessas que as paredes das veias.

2. C
As células do nódulo sinoatrial funcionam como marca-passo, gerando contrações e controlando o ritmo
cardíaco.

3. B
O experimento de Harvey comprovou a existência de estruturas das válvulas venosas. Essas estão
presentes nas veias e nos vasos linfáticos e são responsáveis de impedir retorno do sangue venoso para
o sentido contrário do fluxo, por isso, quando ele empurrou o sangue do ponto H para o O, o sangue não
retornou e preencheu novamente o vazo.

4. B
O sangue sai do ventrículo direito pelas artérias pulmonares, ocorre a hematose, e volta ao coração no
átrio esquerdo pelas veias pulmonares, já oxigenado, pronto para ser direcionado ao corpo.

5. B
A veia cava inferior carrega sangue venenoso (pobre em O2) dis membros inferiores e tronco (parte
inferior) até o coração, mais especificamente, até chegar ao átrio direito.

6. E
Essa hemácia corre para as veias, indo para a veia cava, chegando ao coração, indo para as artérias
pulmonares, pulmão, veias pulmonares, coração, artéria aorta, capilares.

7. B
Há passagem de sangue venoso pelas artérias pulmonares e passagem de sangue arterial pelas veias
pulmonares, após a hematose.

8. A
Se inalada, a substância entra no sangue pelos alvéolos, misturando-se ao sangue arterial, que segue ao
coração para ser distribuído ao corpo (incluindo o cérebro) pela artéria aorta. É o caminho mais curto
dentre os descritos.

9. E
O aumento da resistência ao fluxo sanguíeno ocorre entre as estruturas associadas em série: glomérulo
(filtração sanguínea) e túbulos renais (porção do rim onde ocorre a reabsorção de água do sangue para o
organismo).

10. D
Durante a sístole (contração) a válvula em V se abre, e após a sístole ela se fecha. Durante a diástole, a
válvula está fechada, e a pressão em VI vai diminuindo.

8
Biologia

Criptógamas: briófitas e pteridófitas

Resumo

As briófitas e pteridófitas fazem parte das plantas criptógamas. Esse nome é dado por não terem seus
órgãos sexuais aparentes.

Briófitas

(Disponível em: https://bityli.com/r1JrI)

Conhecidas como “musgos” ou “hepáticas“, são pequenas plantas de ambiente úmido, totalmente
dependentes da água para a reprodução (deslocamento do anterozoide flagelado até a oosfera).
As briófitas não possuem vasos de condução, assim, as substâncias são transportadas célula a célula,
limitando o seu tamanho.
As briófitas não possuem órgãos verdadeiros. Fixam-se ao solo por meio de rizoides, que absorvem a água
e os sais minerais. Além disso, possuem uma haste
denominada cauloide que sustenta o vegetal, sem vasos
condutores. Por fim, suas "folhas" denominam-se filoides

Reprodução
A reprodução se divide em uma fase assexuada e outra
sexuada, conhecido como ciclo haplodiplobionte com
metagênese, sendo que a fase predominante é a gametofítica.
Os gametas masculinos são flagelados e conhecidos como
Anterozoides, enquanto o feminino é chamado de oosfera.
Segue abaixo o ciclo das briófitas.
(Disponível em: https://bityli.com/JwtUV)

1
Biologia

(Disponível em: https://bityli.com/qd4fl)

Pteridófitas
São os primeiros vegetais a apresentarem vasos de condução. Portanto, conseguem atingir um tamanho
maior e já possuem órgãos verdadeiros como raiz, caule e folhas. No entanto, apesar de terem o esporófito
como fase dominante, ainda dependem de água para a reprodução. Os maiores exemplos desse grupo são
as samambaias e as avencas.
Apresentando também o ciclo haplodiplobionte com metagênese, a fase predominante nas pteridófitas é a
esporofítica, sendo o esporófito a forma clássica das samambaias.

(Disponível em: https://bityli.com/SFtk3)

Na época da produção de esporos, são observadas estruturas abaixo das folhas das pteridófitas, os quais
são denominados soros.
Após o amadurecimento dos esporos, se soltam e caem em solo úmido. A partir deles, formam os prótalos,
produtores de gametas (anterozoides e as oosferas) (fase gametofítica). A água é fundamental para o
alcance da oosfera pelos anterozoides e essa fusão originará um novo esporófito.

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Biologia

Exercícios

1. Alguns mutantes de tomate ajudam a entender como as plantas resistem à seca e percebem a luz.
Quando há sol, é preciso avisar ao organismo que é hora de produzir clorofila para a fotossíntese. Os
responsáveis por essa visão vegetal são pigmentos chamados fitocromos. Um mutante com
deficiência de fitocromo percebe mal a luz, e mesmo que esteja em pleno sol fica amarelado e com
ramos compridos, como se faltasse luminosidade.
(Adaptado de Pesquisa FAPESP. Maio 2007. n. 135. p. 53-54)
Num terreno úmido situado ao lado de uma plantação de tomate cresceram musgos e samambaias.
Considerando-se os ciclos de vida desses dois tipos de vegetais, pode-se afirmar corretamente que
a) os esporos do musgo e da samambaia são transportados por correntes de ar, germinando
somente se caírem no solo seco.
b) o esporófito do musgo, bem como o da samambaia, é capaz de realizar fotossíntese e de
absorver nutrientes do solo.
c) o gametófito do musgo e o da samambaia têm tamanho muito pequeno e dão origem a um
esporófito grande e rico em clorofila.
d) a fecundação do musgo necessita de água para o encontro dos gametas, ao passo que na
samambaia o encontro entre os gametas ocorre por meio de correntes de ar.
e) o esporófito do musgo é nutrido pelo gametófito, enquanto, na samambaia, o esporófito realiza
fotossíntese e absorve nutrientes do solo.

2. Leia o texto abaixo.


"Musgo renasce 1.500 anos depois de ficar congelado na Antártica. Pesquisa descreveu pela 1ª vez
espécie que sobreviveu por longo tempo.
Um musgo na Antártica renasceu após passar mais de 1.500 anos sob uma camada de gelo, um
recorde que marca o maior ciclo vital de qualquer planta conhecida, revelou um estudo feito por
cientistas britânicos e divulgado esta semana nos Estados Unidos.
Os cientistas capturaram amostras das profundezas de um banco de musgos congelados na
Antártica. Eles cortaram os núcleos destas plantas e os colocaram em uma incubadora, a
temperaturas e níveis de luz que estimulariam seu crescimento em condições normais.
Depois de algumas semanas, o musgo começou a crescer.”
(Disponível em: https://bityli.com/P9qW7)
Sobre os musgos é correto afirmar que:
a) pertencem ao grupo das pteridófitas, são plantas de grande porte e sua reprodução sexuada não
depende de água para levar o gameta masculino ao encontro do gameta feminino.
b) pertencem ao grupo das pteridófitas, são plantas de pequeno porte e sua reprodução sexuada
depende de água para levar o gameta feminino ao encontro do gameta masculino.
c) pertencem ao grupo das gimnospermas, são plantas de grande porte e sua reprodução sexuada
não depende de água para levar o gameta masculino ao encontro do gameta feminino.
d) pertencem ao grupo das briófitas, são plantas de pequeno porte e sua reprodução sexuada
depende de água para levar o gameta masculino ao encontro do gameta feminino.
e) pertencem ao grupo das briófitas, são plantas de grande porte e sua reprodução sexuada não
depende de água para levar o gameta feminino ao encontro do gameta masculino.

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Biologia

3. Em uma região de mata, um dos efeitos causados pela redução da quantidade de chuva é o prejuízo à
reprodução dos vegetais. O grupo vegetal cuja reprodução é mais prejudicada pela redução da
quantidade de chuva é o das
a) fanerógamas.
b) angiospermas.
c) monocotiledôneas.
d) briófitas.
e) gimnospermas

4. Este trabalho diz respeito ao primeiro registro de fósseis na Bacia de São Paulo, bem como à primeira
ocorrência de restos bem preservados do grupo no Brasil. Isotachis simonesii é uma nova espécie,
que, proposta com base em gametófitos carbonificados, vivia em um paleoambiente úmido.
(Revista do Instituto Geológico, v. 23, 2002, p. 19-22. Adaptado.)
Se a espécie referida no fragmento anterior apresenta, ainda, como característica o protalo como fase
duradoura, infere-se que ela pertence à categoria taxonômica denominada
a) briófita.
b) pteridófita.
c) gimnosperma.
d) angiosperma.
e) Monocotiledônea.

5. Um organismo multicelular, fotossintetizante, que possui sistema vascular e não possui frutos ou
sementes é uma
a) alga.
b) briófita.
c) pteridófita.
d) gimnosperma.
e) angiosperma.

6. Pesquisadores da Unemat e da UnB têm investigado a diversidade das briófitas do cerrado mato-
grossense. Algumas espécies ainda desconhecidas pela comunidade científica estão em processo de
descrição.
Sobre as briófitas, marque a alternativa correta:
a) Se os pesquisadores fizessem o cariótipo das briófitas coletadas, as células seriam diploides
(2n) na parte superior (esporófitos) e haploides (n) na parte inferior (gametófitos) e nos esporos.
b) Os pesquisadores encontraram muitas briófitas no cerrado desmatado, já que briófitas são
organismos pioneiros comuns na sucessão ecológica, graças à sua tolerância a ambientes
secos e ensolarados.
c) Os pesquisadores precisaram usar técnicas de escalada para subir nas briófitas e coletá-las,
porque esse grupo de vegetais alcança alturas consideráveis por possuírem xilema, floema e
tecido de sustentação com lignina.

4
Biologia

d) Os pesquisadores sempre coletaram as flores das briófitas, já que a forma e a composição


dessa estrutura são importantes para identificar e diferenciar as espécies de briófitas entre si.
e) Os pesquisadores diriam, com razão, que a maior biomassa vegetal do cerrado é composta por
briófitas, ou seja, se retirássemos a vegetação do cerrado e pesássemos cada grupo, o grupo
com o maior peso seria o das briófitas.

7. Leia o texto seguinte,


“Em uma trilha dentro da Mata Atlântica, no Parque Estadual de Murici, próximo a um riacho, entre
rochas, observou-se uma planta pequena, delicada, com um rizoma crescendo sobre uma rocha
úmida, com folhas simples de filotaxia alterna tendo na superfície abaxial esporângios organizados
em soros e a folha nova com venação circinada.”
refere-se a qual grupo de organismos?
a) Fungos.
b) Briófitas.
c) Pteridófitas.
d) Gimnospermas.
e) Angiospermas.

8. São plantas que se caracterizam por apresentar grandes folhas, geralmente pinadas, chamadas
frondes. O esporófito é a geração dominante, mas o gametófito é independente. O anterozoide é
flagelado e os esporângios formam-se, caracteristicamente, na face inferior das folhas. Assinale a
alternativa que contém os vegetais aos quais o texto se refere.
a) Cavalinhas
b) Briófitas
c) Samambaias
d) Selaginelas

9. São vegetais que apresentam estruturas chamadas rizoides, as quais, servindo à fixação, também se
relacionam à condução de água e dos sais mineiras para o corpo da planta. Apresentam sempre
pequeno porte, em decorrência da falta de um sistema vascular. Nenhum dos seus representantes é
encontrado no meio marinho.
O texto acima se aplica a um estudo:
a) das pteridpófitas.
b) dos mixofitos.
c) das briófitas.
d) das clorofitas.
e) das gimnospermas.

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Biologia

10. Atualmente, encontram-se catalogadas mais de 320 mil espécies de plantas, algumas de estruturas
relativamente simples, como os musgos, e outras de organizações corporais complexas, como as
árvores. Assim sendo, a alternativa que melhor explica a classificação dos vegetais é:
a) Gimnospermas: plantas avasculares, com raízes, caule, folhas, flores e frutos, cujas sementes
estão protegidas dentro desses frutos. Ex.: arroz.
b) Briófitas: plantas de pequeno porte, vasculares, sem corpo vegetativo. Ex.: algas cianofíceas.
c) Angiospermas: plantas cujas sementes não se encontram no interior dos frutos. Ex.: pinheiros.
d) Gimnospermas: plantas avasculares; possuem somente raízes, caule, plantas de pequeno porte.
Ex.: musgo.
e) Pteridófitas: plantas vasculares, sem flores; apresentam raízes, caule e folhas; possuem maior
porte do que as briófitas. Ex.: samambaias.

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Biologia

Gabarito

1. E
Nas briófitas, o esporófito é dependente do gametófito, enquanto nas pteridófitas, o esporófito é
independente do gametófito, sendo a fase dominante.

2. D
As briófitas são plantas de pequeno porte, pois não possuem vasos condutores de seiva e a fase
dominante no ciclo reprodutivo é gametofítica, tendo a dependência da água para reprodução com
gametas flagelados.

3. D
Briófitas são o grupo vegetal cuja reprodução é mais prejudicada pela falta de água, já que são os
vegetais mais dependentes.

4. A
Protalo é sinônimo de gametófito, e a planta cujo protalo é a fase duradoura, a questão refere-se a
briófitas.

5. C
As pteridófitas são vasculares (traqueófitas), porém não possuem sementes e frutos.

6. A
O esporófito é 2n, e sofre meiose para originar os esporos (n), que dão origem aos gametófitos, também
n.

7. C
As pteridófitas possuem órgãos verdadeiros (raiz, caule e folhas) e os soros como estrutura reprodutiva.

8. C
Formação de esporófitos na parte inferior da folha e anterozoide flagelado indicam que é uma pteridófita,
como samambaias.

9. C
Briófitas são plantas avasculares e sem órgaõs verdadeiros, apresentando rizoides, ao invés de raízes,
por exemplo.

10. E
As Pteridófitas são plantas vasculares (traqueófitas) com órgãos verdadeiros (raízes, caule e folhas),
permitindo assim maior porte do que as briófitas.

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Biologia

Excreção comparada e humana

Resumo

Excreção é o mecanismo de eliminação das excretas, restos do metabolismo celular, de modo que essas
excretas não acumulem no organismo e causem possíveis estragos. Entre as excretas, podem-se destacar
as excretas nitrogenadas, oriundas do metabolismo dos aminoácidos. A metabolização destes aminoácidos
gera amônia, que em alguns animais será convertida em outros compostos. As excretas nitrogenadas são
as principais excretas do organismo.
Ao contrário do que se pensa, fezes não são excretas, e sim restos da digestão fisiológica. No corpo humano,
um exemplo mais correto de excreta seria a ureia, contida na urina.
Entre as excretas nitrogenadas, destacam-se a amônia, a ureia e o ácido úrico.
• Amônia: Altamente tóxica, altamente solúvel, adotada por animais que habitam ambientes aquáticos,
como equinodermos, moluscos, larvas de anfíbios, peixes ósseos, crustáceos e cnidários.
• Ureia: Toxicidade média, solubilidade média, adotada por alguns animais terrestres, como minhocas,
mamíferos e anfíbios adultos, e também é adotada por peixes cartilaginosos, influenciando na sua
osmorregulação.
• Ácido Úrico: baixa toxicidade, baixa solubilidade, excreta mais adaptada ao meio terrestre, devido ao
baixo gasto de água em sua eliminação, ideal para animais ovíparos, adotada por aves, répteis e insetos.
A conversão da amônia nestes compostos ocorre no fígado. Mamíferos adotam a ureia como excreta
nitrogenada para economizar água (já que a amônia é tóxica demais e gasta um excesso de água em sua
eliminação) e devido a sua solubilidade maior que o ácido úrico, já que há trocas entre o organismo do feto
e o organismo da mãe, sendo as excretas do feto eliminadas pelo corpo da mãe, e a pouca solubilidade do
ácido úrico tornaria isso inviável.

Protrozoários
Protozoários de água doce fazem uso de um vacúolo pulsátil para realizar sua osmorregulação, já que são
hipertônicos com relação ao meio. Isso faz com que a água adentre a célula por osmose, e esse processo
poderia, com o tempo, levar ao rompimento da célula (plasmoptise). No entanto, o vacúolo pulsátil permite
a expulsão de água e excretas do meio intracelular, impedindo que a água se acumule em excesso e destrua
a célula.

Platelmintos
Planárias apresentam protonefrídeas, também conhecidas como
células-flama, que são células ciliadas ligadas a dutos. Por difusão,
excretas e substâncias úteis, como sais minerais, caem nestes
dutos junto a água, que chega lá por osmose. As células-flama
então expulsam da célula todos os compostos que caem naqueles
dutos, desempenhando então papel de osmorregulação e de
excreção, ainda que de maneira pouco eficiente.

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Biologia

Anelídeos e Moluscos
Em anelídeos e moluscos, há o surgimento de metanefrídeas. As metanefrídeas apresentam uma
extremidade ciliada que puxa tanto excretas quanto água quanto substâncias úteis do celoma do animal. No
entanto, o duto condutor destas nefrídeas é contorcido, aumentando a superfície de contato e permitindo
assim a reabsorção de substâncias úteis, como sais, glicose e água. Sendo assim, somente excretas e
substâncias em excesso são eliminadas pelo nefridióporo, a extremidade que leva ao meio extracorpóreo.

Artrópodes

Em artrópodes, as estruturas secretoras são variadas. Nos insetos, dutos coletores captam excretas na
hemolinfa do animal, e esses túbulos levam ao intestino, por onde serão eliminadas as excretas junto as
fezes. Esses túbulos são conhecidos como Túbulos de Malpighi, também presentes em miriápodes
(gongolos e lacraias).
Aracnídeos apresentam glândulas coxais, que eliminam as excretas destes animais na região das pernas
que seria equivalente a coxa, enquanto crustáceos excretam pelas glândulas verdes, também conhecidas
como glândulas subantenais, localizadas abaixo das antenas.

Vertebrados
Nos vertebrados, o principal órgão excretor é o rim. O rim surge primeiro nas lampreias, com um rim
pronéfreo, ou cefálico, bem primitivo, que se assemelha a um conjunto de nefrídeas. As excretas passam do
sangue a uma cavidade corpórea e só depois são captadas pelo rim, ou seja, não é um mecanismo muito
eficaz. O rim mesonéfro, ou torácico, está presente em peixes e larvas de anfíbios, e capta excretas do
celoma, mas já apresenta a estrutura de néfrons. Anfíbios adultos, répteis, aves e mamíferos apresentam
rins metanéfricos, ou abdominais, captando excretas direto da corrente sanguínea, sendo o mais eficiente
de todos.

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Biologia

Peixes Cartilaginosos
Quanto a osmorregulação, tubarões e outros peixes cartilaginosos são capazes de se manter isotônicos com
relação ao meio aquático marinho, garantindo assim que não desidratem por osmose. Realizam isso através
do acúmulo de ureia no corpo. O excesso de sais é eliminado através de uma glândula localizada no intestino,
liberando esses sais pelo ânus.

Peixes Ósseos

Peixes ósseos de água salgada estão constantemente perdendo água por osmose para o meio, já que estão
em meio hipertônico. Para compensar isso, eles ingerem a água salgada e eliminam o excesso de sal através
das brânquias, permitindo assim manter sua hidratação. Eles urinam pouco, como outra medida para evitar
a perda de água.
Peixes de água doce estão constantemente ganhando água do meio, já que a água doce é hipotônica em
relação aos seus corpos. Para regular isso, eles evitam ingerir a água e apresentam uma grande liberação
de urina, já que não precisam se preocupar com suas reservas hídricas.

Seres Humanos
A principal excreta nitrogenada humana é a ureia, sintetizada no
fígado a partir da amônia, no ciclo da ureia. O principal órgão
excretor humano são os rins, que sintetizam a urina a partir de suas
unidades funcionais, os néfrons.
Os rins podem ser divididos em uma região periférica (córtex) e uma
região mais interna (medula). Os néfrons estão localizados no
córtex, e terminam em túbulos coletores que, juntos, formam as
pirâmides renais. Essa urina formada nos néfrons segue das
pirâmides renais até o cálice renal, uma câmara no interior do rim, e
de lá segue até a pelve renal, que forma um tubo, originando o ureter,
que segue até a bexiga, onde a urina será armazenada até ser
eliminada pelo canal da uretra.

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Biologia

Néfron
O néfron é a unidade funcional renal, onde ocorre a filtração de sangue para a eliminação da ureia pela urina.
O sangue chega ao glomérulo em alta velocidade por arteríolas, e a alta pressão extravasa diversas
substâncias, como água, glicose, sais minerais (como Sódio), ureia e aminoácidos (não proteínas, já que
estas são moléculas grandes demais). Essas substâncias formam o filtrado glomerular, que é captado pela
Cápsula de Bowman. Ao longo do túbulo contorcido proximal e da alça descendente (parte proximal da Alça
de Henle) há uma reabsorção dos solutos, com exceção da ureia, mediada pelo hormônio aldosterona.O
retorno destas substâncias à corrente sanguínea pode aumentar a pressão arterial, sendo então inibidores
de aldosterona populares remédios contra alta pressão arterial.
A partir da segunda metade da Alça de Henle (porção da alça ascendente) e do tubulo contorcido distal, há
a reabsorção de água, mediada pelo hormônio ADH, que abre canais proteicos conhecidos como
aquaporinas, filtrando a água presente nessa urina semi-formada, deixando-a mais concentrada e evitando
a desidratação por desperdício de água. A produção de ADH pode ser inibida pelo consumo de álcool, o que
significa que a reabsorção de água estará prejudicada, o que causa a exagerada diurese quando o indivíduo
está alcoolizado.
A deficiência na produção ou insensibilidade ao efeito do ADH é causa resultante da doença Diabetes
Insipidus, que é caracterizada por intensa diurese, sede e potencial desidratação do indivíduo.
No caso da diabetes mellitus, doença agregada a um quadro de excesso de açúcar no sangue, essa glicose
excedente permanece na urina, não sendo completamente absorvida, e retendo água por ser osmoticamente
ativa. Essa retenção de água é o motivo dos diabéticos terem muita vontade de urinar.

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Biologia

Exercícios

1. A degradação dos aminoácidos ingeridos na alimentação gera como subproduto a amônia. Nos
mamíferos, a amônia é transformada em ureia. Esse processo ocorre
a) no pâncreas.
b) no fígado
c) nos rins.
d) na bexiga urinária
e) no baço.

2. Borboleta, lula e avestruz têm como principal excreta nitrogenado, respectivamente:


a) ácido úrico, amônia e ácido úrico.
b) ácido úrico, ureia e amônia.
c) amônia, ácido úrico e amônia.
d) amônia, ureia e ácido úrico
e) ureia, amônia e ácido úrico.

3. A excreção é um processo natural que tem como finalidade a eliminação de rejeitos provenientes do
metabolismo, garantindo o equilíbrio interno nos animais. A fisiologia do sistema excretor e a
anatomia dos órgãos que o constitui estão relacionadas ao hábito e ao nicho de cada espécie, pois
funcionam de acordo com a disponibilidade de água no auxílio da excreção de substâncias
nitrogenadas. Com relação à excreção, dentre as alternativas a seguir, os animais que eliminam,
respectivamente, amônia, ureia e ácido úrico, são:
a) pargo, rato e pombo.
b) sapo, lambari e jacaré.
c) jacaré, macaco e lambari.
d) peixe-boi, galinha e pato.

4. Animais aquáticos e terrestres de diferentes classes possuem adaptações morfofisiológicas para


excreção de compostos tóxicos do organismo de forma a manter a homeostase. Sobre este assunto,
é correto afirmar que:
a) mamíferos, como os golfinhos, assim como outros mamíferos terrestres, eliminam compostos
nitrogenados principalmente na forma de ureia.
b) peixes, como os tubarões, eliminam principalmente amônia na água derivada do metabolismo de
aminoácidos.
c) répteis, como o camaleão, eliminam principalmente ureia, esta gerada a partir da amônia, através
da urina.
d) anfíbios, como as tartarugas marinhas, eliminam principalmente ácido úrico, menos tóxico que a
amônia.
e) insetos eliminam amônia e ureia especialmente quando trocam o exoesqueleto durante o
crescimento.

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Biologia

5. Leia a tira a seguir.

Sobre esses peixes e suas relações com o meio, é correto afirmar que os
a) cartilaginosos marinhos apresentam bexiga natatória.
b) ósseos de água doce absorvem sais através das brânquias por transporte ativo.
c) cartilaginosos ocorrem, na maioria, na água doce.
d) ósseos de água doce apresentam uremia fisiológica.
e) ósseos marinhos não possuem opérculo protegendo as brânquias.

6. No homem, várias substâncias presentes no sangue chegam ao néfron, atravessam a cápsula de


Bowman e atingem o túbulo renal. Várias dessas substâncias são, normalmente, reabsorvidas, isto é,
do néfron elas são lançadas novamente ao sangue, retornando a outras partes do corpo. Entre essas
substâncias normalmente reabsorvidas, no nível do néfron, podem ser citadas:
a) água e ureia;
b) água e glicose;
c) glicose e ureia;
d) água e ácido úrico;
e) aminoácidos e ureia.

7. O “The Kidney Project” é um projeto realizado por cientistas que pretendem desenvolver um rim
biônico que executará a maioria das funções biológicas do órgão. O rim biônico possuirá duas
partes que incorporam recentes avanços de nanotecnologia, filtração de membrana e biologia
celular. Esse projeto significará uma grande melhoria na qualidade de vida para aquelas pessoas que
dependem da hemodiálise para sobrevivência.
Disponível em: https://pharm.ucsf.edu. Acesso em: 26 abr. 2019(adaptado)
O dispositivo criado promoverá diretamente a:
a) remoção de ureia
b) excreção de lipídios
c) síntese de vasopressina
d) transformação de amônia
e) fabricação de aldosterona

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Biologia

8. Os consumidores de cerveja sabem que, depois de algum tempo de consumo, é inevitável o desejo de
micção. Esse fenômeno é decorrente da diminuição da secreção de ADH (hormônio antidiurético),
levando a um aumento do volume de urina. Os usuários de cerveja também sabem que, se tomada em
excesso, o álcool nela presente causa distúrbios comportamentais que só se extinguem,
paulatinamente, com a degradação metabólica do álcool. Com base nessas informações e nos
conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, o efeito do
ADH nos túbulos renais e o local de degradação metabólica do álcool.
a) Aumento de secreção de água para o filtrado glomerular; peroxissomos de células tubulares do
rim.
b) Diminuição da reabsorção de água do filtrado; retículo liso de células tubulares renais.
c) Aumento da reabsorção de sódio do filtrado glomerular; retículo granular de macrófagos
hepáticos.
d) Aumento da reabsorção de água do filtrado glomerular; retículo liso de células hepáticas.
Diminuição da reabsorção de sódio do filtrado glomerular; lisossomos de células das glândulas
sudoríparas.

9. O deserto é um bioma que se localiza em regiões de pouca umidade. A fauna é, predominantemente,


composta por animais roedores, aves, répteis e artrópodes.
Uma adaptação, associada a esse bioma, presente nos seres vivos dos grupos citados é o(a)
a) existência de numerosas glândulas sudoríparas na epiderme.
b) eliminação de excretas nitrogenadas de forma concentrada.
c) desenvolvimento do embrião no interior de ovo com casca.
d) capacidade de controlar a temperatura corporal.
e) respiração realizada por pulmões foliáceos.

10. Durante uma expedição, um grupo de estudantes perdeu-se de seu guia. Ao longo do dia em que esse
grupo estava perdido, sem água e debaixo de sol, os estudantes passaram a sentir cada vez mais
sede. Consequentemente, o sistema excretor desses indivíduos teve um acréscimo em um dos seus
processos funcionais. Nessa situação o sistema excretor dos estudantes
a) aumentou a filtração glomerular.
b) produziu maior volume de urina.
c) produziu urina com menos ureia.
d) produziu urina com maior concentração de sais.
e) reduziu a reabsorção de glicose e aminoácidos.

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Biologia

Gabarito

1. B
No fígado ocorre a conversão da amônia em ureia, ao longo do Ciclo da Ornitina.

2. A
A borboleta (inseto) e o avestruz (ave) excretam ácido úrico; a lula (cefalópode/molusco aquático),
excreta amônia.

3. A
Pargo é um tipo de peixe ósseo, logo, excreta amônia. Mamíferos, como o rato, excretam ureia, enquanto
pombos, aves, excretam ácido úrico.

4. A
Todos os mamíferos, incluindo mamíferos aquáticos, como baleias, golfinhos e peixes-boi, excretam
ureia como principal excreta nitrogenada.

5. B
Como forma de manter seu equilíbrio hídrico, peixes ósseos de água doce absorvem sais pelas brânquias
ativamente, ou seja, com gasto de energia.

6. B
Água e glicose são recursos muito úteis e importantes ao corpo, e não podem ser desperdiçados na
excreção, sendo então reabsorvidos.

7. A
A principal excreta nitrogenada humana é a ureia e, o principal órgão excretor humano são os rins, que
sintetizam a urina a partir de suas unidades funcionais, os néfrons.

8. D
O ADH é responsável por aumentar a reabsorção de água no néfron, sendo então fundamental para a
manutenção da hidratação corporal. O álcool, por sua vez, é metabolizado pelo Retículo Endoplasmático
Liso dos hepatócitos.

9. B
A eliminação de urina mais concentrada reduz a perda de água, evitando a desidratação em ambientes
secos. Isso acontece pois há liberação do hormônio ADH, que promove o aumento da permeabilidade e
a reabsorção de água no sistema excretor, além de estruturas glomerulares pequenas e uma alça néfrica
desenvolvida, como no caso dos roedores. Já as aves, répteis e artrópodes excretam ácido úrico, que é
insolúvel em água e evita a perda deste recurso.

10. D
Por causa da necessidade de água, haverá uma maior produção do hormônio ADH, responsável pela
reabsorção de água nos rins. Dessa forma, a urina terá menos água e consequentemente ficará mais
concentrada.

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Biologia

Fanerógamas

Resumo

O reino Plantae também pode ser chamado de reino vegetal, Metaphyta ou mesmo Embriófitas. Apresentam
organismos eucariontes com parede celular de celulose, são autotróficos, capazes de realizar fotossíntese
(apresentam cloroplastos), e uma das principais características do grupo é que, após a fecundação, forma-
se um embrião que fica protegido por células estéreis, chamadas de gametângios. Todas as plantas também
apresentam um ciclo reprodutivo haplodiplobionte, que apresenta duas gerações (metagênese): uma
haploide assexuada (forma o gametófito) e outra diplóide sexuada (forma o esporófito. As Fanerógamas
também podem ser chamadas de Espermatófitas, e são as Gimnospermas e Angiospermas, que apresentam
sementes e não dependem diretamente da água para reprodução. É a partir deste grupo que há conquista
definitiva do ambiente terrestre, onde o gameta não depende da água para realizar a fecundação.

Gimnospermas
São plantas vasculares com tecidos vedadeiros. Possuem folhas perenefólias (permanecem durante todo o
ano) e aciculifoliada (forma de agulha que evita a perda de água). Apresentam sementes que não ficam
protegidas em frutos, sendo um grupo de árvores de médio a grande porte, e comuns de regiões mais frias e
temperadas. Apresentam tecidos verdadeiros e suas folhas recebem o nome de aciculadas, por conta do
formato de agulha. Seus principais representantes são as Coníferas (A; ex. Pinheiros), as Gnetophyta (B –
comuns de áreas subtropicais, não apresentam caule desenvolvido), as Ginkoáceas (C; ex. Ginko biloba) e
as Cicadáceas (D – comuns em regiões tropicais, podem ser semelhantes à samambaias, porém
desenvolvem pinha).

Exemplos de cada um dos filos de Gimnospermas.

A reprodução de Gimnospermas não é dependente da água, e os gametas são formados em estruturas


chamadas estróbilos (pinha) que vão realizar meiose. Nos estróbilos masculinos, formam-se os
microspóros, que dão origem ao grão de pólen (com gametas masculinos, chamados de células
espermáticas), enquanto no interior do óvulo forma-se o megásporo, onde se desenvolvem os arquegônios
(com gametas femininos, chamados de oosfera) (fase haploide – gametofítica). A polinização ocorre
majoritariamente pelo vento (anemofilia) Quando o pólem chega até o estróbilo feminino, de desenvolve o

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Biologia

tubo polínico, que alcança a região do arquegônio e liberando o núcleo espermático, ocorrendo assim a
fecundação e formando um embrião 2n. O óvulo se desenvolve em semente (popularmente chamado de
pinhão), que então cresce na planta adulta (fase diplóide – esporofítica).

Esquema das flores e da formação da semente em Gimnospermas.

Angiospermas
É o grupo vegetal de maior diversidade no planeta. Este sucesso se deve principalmente com a relação dos
animais, principalmente com os insetos. São as únicas plantas que apresentam flores e frutos, possuindo
uma grande diversidade de espécies. As angiospermas são divididas em dois principais grupos:
Monocotiledôneas (ex. Bambu, milho, cana de açúcar) e Dicotiledôneas (ex. roseira, feijão, cacto, tomate).
As principais diferenças entre esses grupos estão listados abaixo. Conceitos importantes:
• cotilédone é primeira folha que surge quando a semente germina
• câmbio é o tecido que auxilia no desenvolvimento e organização dos vasos condutores de seiva
• carpelo é uma estrutura feminina da flor, localizada no ápice do ovário, e no desenvolvimento do
fruto está relacionado a quantos segmentos este fruto terá

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Biologia

Características e exemplos de monocotiledôneas.

Características e exemplos de dicotiledôneas.

As flores chamativas são características das Angiospermas. Elas variam bastante de tamanho, cores e
cheiros, que servem como atrativo para diferentes espécies animais que funcionam como polinizadores (ex.
Enfomofilia – polinização por insetos, Quiropterofilia – polinização por morcegos, Ornitofilia – polinização
por aves). As flores são formadas a partir de folhas modificadas, onde as sépalas formam o cálice
(usualmente verde) e as pétalas a corola (usualmente coloridas). Elas podem ser hermafroditas (produzem
estruturas masculinas e femininas – androceu e gineceu) ou monoicas (possuem apenas androceu ou
apenas gineceu, respectivamente). No androceu, os estames formarão o pólen na região da antera, enquanto
no gineceu, o carpelo formará o óvulo, na região do ovário.

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Biologia

Esquema mostrando as estruturas de uma flor hermafrodita. O nectário é a região onde o néctar é produzido; o pedúnculo também
pode ser chamado de eixo floral.

Assim como nas Gimnospermas, a reprodução não depende da água. Nas anteras, ocorre meiose para a
produção dos micrósporos, que por mitose formam o pólen por meiose, enquanto no óvulo a meiose forma
o megásporo, e neste, por mitose, se formam oosferas (fase haploide – gametofítica). Após o processo de
polinização, o grão de pólen chega ao estigma, desenvolve o tubo polínico e ocorrem duas fecundações: a
primeira forma um zigoto 2n, e a segunda se funde a outras duas células do gametófito feminino (núcleos
polares) e forma o endosperma, que é 3n. O zigoto se desenvolve em um novo indivíduo (fase diplóide –
esporofítica), utilizando o endosperma como fonte de nutriente para o crescimento inicial. Nas
angiospermas, o ovário se desenvolve para formar o fruto, protegendo a semente.

Esquema do ciclo reprodutivo das Angiospermas. No lado esquerdo, a formação do gameta feminino (oosfera), e do lado direito, a
formação do grão de pólen.

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Biologia

Exercícios

1. Ao longo da evolução as plantas desenvolveram estratégias para a vida no ambiente terrestre. Do


ponto de vista reprodutivo uma importante novidade das plantas fanerógamas (gimnospermas e
angiospermas) foi a independência da água líquida para a fecundação. Em briófitas e pteridófitas
ocorrem anterozoides que são flagelados e devem nadar até atingir a oosfera. Nas fanerógamas, as
estruturas adquiridas que tornaram as plantas independentes de água para este processo foram os:
a) Óvulos.
b) Feixes vasculares.
c) Frutos.
d) Grãos de pólen.
e) Estróbilos.

2. Pesquisadores da Universidade de Passo Fundo estão desenvolvendo uma pesquisa sobre a


Conservação e Biodiversidade no Parque Municipal de Sertão e já registraram 22 espécies de anfíbios.
Além de conhecer as espécies da fauna, esses registros contribuem para a conservação de um
fragmento de floresta ombrófila mista do bioma mata Atlântica, que hoje corresponde a menos de 2%
da floresta original. Nesta unidade de conservação destaca-se o pinheiro-do-paraná (Araucaria
angustifolia), planta do grupo das Pinophytas (Gimnospermas). Essa planta tem como característica
reprodutiva:
a) A polinização feita por animais como a entomofilia (insetos), ornitofilia (aves) e quiropterofilia
(morcegos).
b) Estruturas produtoras de gametas pouco evidentes como nas criptógamas.
c) Sementes protegidas no interior dos frutos que se originam do desenvolvimento do ovário da flor.
d) O transporte dos grãos de pólen até o óvulo pelo vento e a transformação do óvulo em semente.
e) A dependência da água para a reprodução sexuada, porque seus gametas masculinos flagelados
precisam alcançar os gametas femininos que são imóveis.

3. Em relação às espermatófitas, é correto afirmar:


a) Gimnospermas e angiospermas apresentam embriões unicelulares que se desenvolvem dentro de
sementes envolvidas por frutos.
b) Nas angiospermas, a geração esporofítica (2n) é dominante, enquanto nas gimnospermas a
geração gametofítica (n) é dominante.
c) Nas espermatófitas, a semente é bitegumentar e envolvida por fruto.
d) As espermatófitas apresentam grão de pólen haploide que corresponde ao gametófito masculino.
e) Briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas possuem embrião multicelular bem como
sementes, motivo pelo qual são denominadas espermatófitas.

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Biologia

4. As angiospermas são o grupo de plantas com o maior número de espécies, disseminadas nos mais
variados ambientes. Como sua fecundação independe da água, adaptaram-se com facilidade ao meio
terrestre. Com relação as estruturas envolvidas e ao processo de reprodução dessas plantas, todas
as afirmativas abaixo estão corretas, exceto:
a) Tanto o embrião quanto o endosperma, formados no processo de dupla fecundação, são
estruturas diploides.
b) O grão de pólen, ao germinar, origina o tubo polínico que abriga dois núcleos espermáticos e um
núcleo vegetativo.
c) Dos verticilos de reprodução, denomina-se androceu ao conjunto de estames e, gineceu ao
conjunto de carpelos.
d) A semente em desenvolvimento produz AIA (ácido indolilacético) e giberelinas, que promovem o
desenvolvimento do ovário para a formação do fruto.

5. Nas plantas superiores (gimnospermas e angiospermas), a fase gametofítica é bastante reduzida e


desenvolve-se no interior do próprio esporângio. Os gametófitos masculino e feminino, nessas
plantas, correspondem, respectivamente, ao:
a) Grão-de-pólen e óvulo.
b) Célula do tubo polínico e endosperma.
c) Tubo polínico e saco embrionário.
d) Microsporócito e megasporócito.
e) Célula espermática e oosfera.

6. Considere o texto a seguir para responder esta questão


O pinhão é uma semente comestível da Araucária, ou Pinheiro-do-Paraná. Essa árvore é uma
gimnosperma. A sazonalidade e a regionalidade de ocorrência da Araucária fazem de suas sementes
iguarias, apreciadas normalmente nos meses frios do sul e sudeste do Brasil.
De acordo com o texto, é incorreto afirmar que:
a) Os frutos da Araucária se desenvolvem a partir do pinhão, que são as sementes da planta.
b) As gimnospermas possuem ramos reprodutivos femininos e masculinos distintos, que podem
estar num mesmo indivíduo ou em indivíduos separados de acordo com a espécie.
c) O pinhão é a semente da Araucária contendo o embrião da planta. Para que haja o
desenvolvimento do pinhão, há necessidade de os grãos de pólen chegar às estruturas femininas
adultas e ocorrer a fecundação.
d) Para se reproduzir, a Araucária depende do processo de polinização, que é a transferência (por
vento ou por insetos) dos gametas masculinos para as estruturas femininas, onde ocorrerá a
fecundação.

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Biologia

7. Dicotiledôneas e monocotiledôneas são duas classes de angiospermas. O que caracteriza as


monocotiledôneas é:
a) Raiz fasciculada, folhas paralelinérveas, flores geralmente trímeras, fruto com um cotilédone.
b) Raiz fasciculada, folhas paralelinérveas, flores geralmente pentâmeras, sementes com dois
cotilédones.
c) Raiz fasciculada, folhas peninérveas, flores geralmente tetrâmeras, fruto com um cotilédone.
d) Raiz axial, folhas peninérveas, flores somente pentâmeras, fruto com um cotilédone.
e) Raiz axial, folhas peninérveas, flores tetrâmeras e pentâmeras, sementes com dois cotilédones.

8. Em algumas espécies de plantas, ocorre autoincompatibilidade entre o grão de pólen e o estigma da


mesma flor. Esse mecanismo, geneticamente determinado, impede que nessas espécies ocorra a:
a) Polinização.
b) Partenogênese.
c) Autofecundação.
d) Fecundação interna.
e) Fecundação cruzada.

9. Camões, em sua obra Os Lusíadas, faz alusão à preciosa madeira do Pau Brasil, árvore símbolo
nacional:
“Mas cá onde mais se alarga ali tereis
Parte também co’o pau vermelho nota,
De Santa Cruz o nome lhe poreis…”

Sobre o Pau-Brasil, esta planta leguminosa, nativa da Mata Atlântica, que possui raiz axial, caule,
folhas, flores, frutos e sementes, podemos afirmar que é:
a) Um exemplo de pteridófita.
b) Uma planta avascular.
c) Uma gimnosperma.
d) Uma monocotiledônea.
e) Uma fanerógama e espermatófita.

10. A polinização, que viabiliza o transporte do grão de pólen de uma planta até o estigma de outra, pode
ser realizada biótica ou abioticamente. Nos processos abióticos, as plantas dependem de fatores
como o vento e a água.
A estratégia evolutiva que resulta em polinização mais eficiente quando esta depende do vento é o(a)
a) diminuição do cálice.
b) alongamento do ovário.
c) disponibilização do néctar.
d) intensificação da cor das pétalas.
e) aumento do número de estames.

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Biologia

Gabarito

1. D
os grãos de pólen permitiram que as fanerógamas não necessitassem mais da água para a reprodução,
pois ele poderá ser carreado pelo vento ou por animais diminuindo a dependência da água.

2. D
As Gimnospermas possuem o transporte dos grãos de pólen pelo vento, onde ocorrerá a polinização e
posteriormente será gerada uma semente, diminuindo a dependência da água para a reprodução.

3. D
as Angiospermas se diferem evolutivamente das Gimnospermas pela presença de fruto, no qual assim
consegue um número maior de dispersores de sementes.

4. A
o endosperma é uma estrutura triploide formado pelo gameta masculino com dois núcleos polares
femininos.

5. C
o tubo polínico e saco embrionário são os gametófitos das plantas superiores ou fanerógamas.

6. A
as Gimnospermas não produzem fruto, sendo esta uma característica somente das Angiospermas.

7. A
Raiz fasciculada, folhas paralelinérveas, flores geralmente trímeras, fruto com um cotilédone, são
características das monocotiledôneas. Além disso, os feixes vasculares são dispostos irregularmente,
diferentemente das dicotiledôneas.

8. C
a autofecundação não geraria variabilidade genética, que é o fator principal da reprodução sexuada
representada pela estrutura das flores.

9. E
as fanerógamas são as únicas que possuem sementes e podem gerar frutos.

10. E
O aumento do número de estames aumenta também a produção de grão de pólen, o que compensa as
possíveis perdas no processo de polinização pelo vento (anemofilia).

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Biologia

Coordenação endócrina: hipófise, pineal, tireoide e paratireóides

Resumo

Glândulas
Podem ser classificadas em endócrinas, exócrinas e mistas.
As glândulas endócrinas liberam hormônios que são lançados no sangue. Por exemplo: Hipófise, suprarrenal,
tireoide.
As glândulas exócrinas liberam sua secreção para o exterior por meio de ductos. Como exemplos, temos as
glândulas sudoríparas, sebáceas, salivares, mamária.
Por fim, as glândulas mistas são aquelas que possuem regiões endócrinas e regiões exócrinas. O maior
exemplo de glândula mista é o pâncreas.

O sistema endócrino é formado por diversas glândulas endócrinas, responsáveis pela síntese e secreção de
hormônios na corrente sanguínea, que regulam diversas funções no organismo, incluindo a atividade de
outras glândulas, como é o caso da hipófise.

Disponível em: <http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/descomplica-blog/wp-content/uploads/2015/07/hormonio3.jpg>.


Acesso em 10/05/2017

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Biologia

Hipófise (pituitária)
A hipófise é extremamente importante, pois regula diversas outras glândulas.
É dividida em adeno-hipófise (anterior) e neuro-hipófise (posterior)

Neuro-hipófise
Secreta ocitocina e vasopressina (ADH), que foram produzidos no hipotálamo.
A ocitocina é responsável pela contração uterina durante o parto e pela ejeção do leite durante a
amamentação.
A vasopressina atua nos túbulos coletores renais, na reabsorção de água.

Adeno-hipófise
Secreta diversos hormônios regulatórios de outras glândulas, como ACTH (adrenal), TSH (tireóide), FSH e LH
(gônadas), prolactina (produção do leite), além do GH, responsável pelo crescimento.

Pineal
A Glândula pineal se localiza no interior do terceiro ventrículo (por onde circula o líquido cerebrospinal). É
responsável pela secreção de Melatonina, com maior liberação desse hormônio na ausência de luz. Assim,
a melatonina pode regular o ciclo circadiano e o sono

2
Biologia

Tireoide
Localizada na região anterior do pescoço, possui formato de borboleta. É estimulada pelo TSH (hipofisário)
a secretar os hormônios T3 e T4, que possuem iodo na sua composição. Assim, na deficiência de iodo, há o
aumento da glândula na tentativa de aumentar sua eficácia. A isso se denomina bócio, cuja incidência
reduziu drasticamente após a adição de iodo ao sal de cozinha.
A função dos hormônios tireoidianos é regular o crescimento, desenvolvimento e metabolismo corporal, por
meio da regulação da expressão gênica.
Quando há baixa dos hormônios tireoidianos (pouco T3 e T4), há o hipotireoidismo, caracterizado pelo baixo
metabolismo, fadiga e intolerância ao frio. Já o hipertireoidismo se manifesta por alto metabolismo, perda
de peso e taquicardia (aumento da frequência cardíaca).

A tireoide secreta, ainda, o hormônio calcitonina, que antagoniza as ações do paratormônio. A calcitonina
induz a mineralização do osso, a partir da utilização de cálcio e fósforo presentes no sangue.

Paratiroide
Responsável pela produção do paratormônio, cuja liberação é estimulada por uma redução do cálcio no
sangue (hipocalcemia). Esse hormônio provoca a desmineralização óssea, com o objetivo de aumentar a
calcemia. A calcitonina (tireoidiana) induz a mineralização óssea, com o consequente consumo do cálcio
sanguíneo

3
Biologia

Exercícios

1. O esquema a seguir representa o mecanismo regulador da secreção de hormônios T3e T4 pela


tireoide. Os sinais (+) e (–) significam, respectivamente, ativação e inibição. Baseado nestes dados,
assinale a alternativa correta:

a) Os hormônios tireoidianos T3 e T4 são inibidores da produção de TRF pelo hipotálamo.


b) O hipotálamo, através do TRF estimula a tireoide para a produção dos hormônios tireoidianos T3
e T4.
c) A produção dos hormônios tireoidiano T3 e T4 não sofre influência do hipotálamo.
d) Os hormônios tireoidianos T3 e T4 não interferem na produção hipotalâmica de TFR.
e) O único hormônio regulador da secreção tireoidiana é o THS hipotalâmico.

2. Os hormônios do crescimento, da regulação da glicemia, da regulação de metabolismo basal e da


regulação do cálcio, são produzidos, respectivamente, pelas seguintes glândulas endócrinas.
a) Hipófise, pâncreas, tireoide e paratireoide.
b) Tireoide, pâncreas, hipófise e paratireoide.
c) Hipófise, tireoide, pâncreas e paratireoide.
d) Tireoide, paratireoide, pâncreas e hipófise.
e) Hipófise, pâncreas, paratireoide e tireoide.

4
Biologia

3. A hipófise produz e secreta uma série de hormônios que têm ação em órgãos distintos, sendo,
portanto, considerada a mais importante glândula do sistema endócrino humano. Sobre os hormônios
hipofisários, é correto afirmar que:
a) O FSH, produzido na hipófise anterior, facilita o crescimento dos folículos ovarianos e aumenta a
motilidade das trompas uterinas durante a fecundação.
b) A vasopressina, secretada pelo lobo posterior da hipófise, é responsável pela reabsorção de água
nos túbulos renais.
c) O hormônio adrenocorticotrópico (ACTH) é um esteroide secretado pela adenohipófise e exerce
efeito inibitório sobre o córtex adrenal.
d) O comportamento maternal e a recomposição do endométrio, após o parto, ocorrem sob a
influência do hormônio prolactina.
e) O hormônio luteinizante atua sobre o ovário e determina aumento nos níveis do hormônio folículo
estimulante (FSH) após a ovulação.

4. A glândula tireoide produz os hormônios triiodotironina (T3), tiroxina (T4) e calcitonina. O excesso dos
hormônios T3 e T4 causa uma doença que apresenta sintomas como irritabilidade, pele quente e
úmida, insônia, perda de peso e exoftalmia. Essa doença é denominada de:
a) Hipotireoidismo.

b) Hipertireoidismo.

c) Anemia.

d) Nanismo.

e) Acromegalia.

5. A hipófise produz e secreta uma série de hormônios que têm ação em órgãos distintos, sendo,
portanto, considerada a mais importante glândula do sistema endócrino humano. Sobre os hormônios
hipofisários, é CORRETO afirmar que:
a) o FSH, produzido na hipófise anterior, facilita o crescimento dos folículos ovarianos e aumenta a
motilidade das trompas uterinas durante a fecundação.
b) a vasopressina, secretada pelo lobo posterior da hipófise, é responsável pela reabsorção de água
nos túbulos renais.
c) o hormônio adenocorticotrópico (ACTH) é um esteróide secretado pela adeno-hipófise e exerce
efeito inibitório sobre o córtex adrenal.
d) o comportamento maternal e a recomposição do endométrio, após o parto, ocorrem sob a
influência do hormônio prolactina.
e) o hormônio luteinizante atua sobre o ovário e determina aumento nos níveis do hormônio folículo
estimulante (FSH) após a ovulação.

5
Biologia

6. A adrenalina é extremamente importante para a sobrevivência de muitos organismos em variadas


situações de estresse. Sobre este hormônio, podemos afirmar:
a) É produzido pelas glândulas supra-renais e intervém na função glicogênica do fígado.
b) É produzido pela hipófise e produz taquicardia e eriçamento de pelos.
c) É produzido pela mesma glândula exócrina que produz a sudorese.
d) É produzido pela hipófise e intervém na velocidade dos movimentos musculares.
e) É produzido pelo timo e provoca uma redução na velocidade dos atos reflexos.

7. Três pacientes com disfunções hormonais apresentam os seguintes sintomas:


paciente 1: contração da musculatura do útero;
paciente 2: elevado nível de cálcio no sangue e estímulo de liberação de cálcio nos ossos;
paciente 3: aceleração dos batimentos cardíacos.
As glândulas e os hormônios envolvidos na sintomatologia apresentada pelos pacientes 1, 2 e 3 são,
respectivamente,
a) tireoide e calcitonina – pâncreas e insulina – pineal e melatonina.
b) hipófise e ocitocina – paratireoides e paratormônio – adrenal e adrenalina.
c) ovário e progesterona – tireoide e calcitonina – hipófise e luteinizante.
d) hipófise e luteinizante – ovário e progesterona – tireoide e calcitonina.
e) hipófise e tiroxina – tireoide e calcitonina – adrenal e adrenalina.

8. A figura abaixo mostra a localização de uma importante glândula endócrina. Essa glândula apresenta
duas porções: uma anterior e uma posterior e está relacionada com o controle de diversas outras
glândulas na espécie humana. Sobre essa glândula, seus hormônios e respectivas funções, assinale
a única alternativa correta.

a) A adenohipófise ou porção anterior da hipófise produz o hormônio luteinizante que age sobre as
gônadas.
b) A neuro hipófise produz a prolactina ou hormônio lactogênico que age sobre as glândulas
mamárias.
c) A neuro hipófise produz o hormônio antidiurético que age sobre os rins, diminuindo o volume de
urina produzido.
d) A adeno hipófise produz o hormônio tiroxina (T ) que age sobre a tireoide, estimulando o seu
4

funcionamento.
e) A neuro hipófise produz o hormônio adrenocorticotrófico que age sobre o córtex das glândulas
adrenais, controlando as suas funções.

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Biologia

9. Os distúrbios por deficiência de iodo (DDI) são fenômenos naturais e permanentes amplamente
distribuídos em várias regiões do mundo. Populações que vivem em áreas deficientes em iodo tem o
risco de apresentar os distúrbios causados por essa deficiência, cujos impactos sobre os níveis de
desenvolvimento humano, social e econômico são muito graves. No Brasil, vigora uma lei que obriga
os produtores de sal de cozinha a incluírem em seu produto certa quantidade de iodeto de potássio.
Essa inclusão visa prevenir problemas em qual glândula humana?
a) Hipófise.
b) Tireoide.
c) Pâncreas
d) Suprarrenal
e) Paratireoide

10. Um dos fatores determinantes da perda de cálcio dos ossos é o envelhecimento, sobretudo em
mulheres. O esquema abaixo representa a regulação do cálcio no sangue humano, realizada pelas
glândulas X e Y, responsáveis diretas pela produção dos hormônios A e B, respectivamente.

Esse processo de perda de cálcio resulta, principalmente, da atuação intensa do hormônio e da


glândula indicados em:
a) calcitonina - tireoide
b) adrenalina - suprarrenal
c) somatotrófico - hipófise
d) paratormônio - paratireoide

7
Biologia

Gabarito

1. A
Os hormônios T3 e T4 realizam o feedback negativo inibindo a produção de TRF. Assim, ele cessa a
produção cada vez maior de T3 e T4 no organismo, o que é benéfico para o corpo.

2. A
O hormônio do crescimento, conhecido como GH é produzido pela adenohipófise e a regulação da
glicemia é feita pela insulina, produzida no pâncreas. Já a tireóide regula o metabolismo basal com a
produção dos hormônios T3 e T4 e a paratireoide produz o paratormônio que regula o nível de cálcio nos
ossos e no sangue.

3. A
o FSh é produzido pela adenohipófise e vai amadurecer o folículo que junto com o LH promove a ovulação.

4. B
O excesso de T3 e T4 no corpo causa uma aceleração do metabolismo e com issoacarreta os problema
citados no texto. Como se trata de uma hiperatividade da tireóide, chamamos de hipertireoidismo.

5. B
Também chamado de hormônio antidiurético ou ADH, a vasopressina ajuda na reabsorção de água no
néfron.

6. A
A adrenalina é produzida pela região medular das glândulas supra-renais, sendo que isto estimula a
glicogenólise, que é quando ocorre a quebra do glicogênio em glicose no fígado.

7. B
A ocitocina liberada pela neurohipófise promova e contração involuntária do útero que ajuda no parto. A
paratireoide secreta o paratormônio que promove o aumento de cálcio no sangue retirando dos ossos e
a adrenalina secretada pela adrenal possui a função de acelerar os batimentos cardíacos.

8. A
A adenohipófise produz tanto FSH quanto LH que vão atuar juntos na ovulação da mulher.

9. B
O iodo é fundamental para a função da glândula tireoide, que produz os hormônios T3 e T4, envolvidos
no metabolismo corporal. (hormônio, endócrino, tireóide, iodo, T3 e T4).

10. D
O processo da perda de cálcio pelos ossos resulta principalmente pela produção do hormônio
paratormônio pela glândula paratireoide. Esse hormônio estimula a saída de cálcio dos ossos.

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Biologia

Histologia vegetal: meristemas e revestimento


Resumo

Os tecidos vegetais são agrupamentos de células vegetais com forma e funções similares. São responsáveis
por formar as folhas, caules, raízes e outras partes do vegetal. Os tecidos podem ser divididos em tecidos
meristemáticos, constituídos por células indiferenciadas, e em tecidos adultos, que possuem funções
específicas.

Tecidos Meristemáticos
É um tecido de crescimento que possui células indiferenciadas, ou seja, todas podem dar origem a outros
tipos de células. Também são chamadas de células precursoras, ou células totipotentes. Os meristemas dão
origem a todos os tecidos e órgãos vegetais no embrião. O meristema apical dá origem ao caule e à raiz. Os
meristemas podem ser divididos em meristemas primários e meristemas secundários de acordo com o
sentido de seu crescimento.

Corte histológico dos meristemas apicais do caule (superior) e da raiz (inferior). O meristema apical do caule é protegido pelos
primórdios foliolares, enquanto o meristema apical da raiz se encontra abaixo de um tecido de proteção chamado coifa. Dinsponível
em: https://professores.unisanta.br/maramagenta/meristemastecidos.asp

Meristemas primários:
Os meristemas primários são responsáveis pelo crescimento primário, no sentido longitudinal (vertical) dos
tecidos. Estão localizados no ápice do caule e da raiz, e formam:
• protoderme, que originará a epiderme;
• meristema fundamental, que originará diversos tecidos de preenchimento e sustentação;
• procâmbio, que originará os tecidos condutores de seiva.

1
Biologia

Esquema de um vegetal, indicando os meristemas primários. Disponível em: http://www.anatomiavegetal.ib.ufu.br/exercicios-


html/Caule.htm

Meristemas secundários:
São tecidos responsáveis pelo crescimento lateral (horizontal) do vegetal, em espessura, promovendo o
crescimento em diâmetro do caule e da raiz. São eles:
• felogênio, que originará tecidos da parte externa do caule,
• câmbio vascular (que pode ser fascicular ou interfascicular), que faz o crescimento secundário nos
tecidos condutores de seiva.

Corte transversal de um caule, mostrando o felogênio e o câmbio, que são meristemas secundários.

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Biologia

Tecidos Adultos
Os tecidos adultos apresentam células diferenciadas, com formas celulares e funções variadas. São
chamados de tecidos permanentes. Um destes tecidos é o de Revestimento. Os tecidos de proteção e
revestimento se localizam externamente na planta. Esse tecido pode ser a epiderme ou a periderme.

Corte de uma folha e os tecidos vegetais encontrados.

• Epiderme: possui células vivas achatadas e justapostas, podendo existir estômatos e outras estruturas,
e são frequentemente impermeabilizadas pela cutícula (cobertura de cera).
• Periderme: reveste órgãos que estão em crescimento secundário, sendo formada pelo feloderma (um
tipo de tecido de reserva – parênquima), felogênio (também chamados de câmbio da casca) e súber
(também chamado de cortiça). É o tecido que forma a casca das árvores. Aqui, o súber funciona como
impermeabilizante, e é formado por células mortas.

Esquema das camadas de um tronco. O xilema pode ser encontrado na forma de cerne (xilema inativo) ou de alburno (xilema
funcional).

Os estômatos e as lenticelas são estruturas presentes nos tecidos de revestimento dos vegetais.

3
Biologia

• Estômatos se localizam na epiderme e são cercados por um conjunto específico de células, formando
um poro por onde ocorrem trocas gasosas e a transpiração. Quando as células guarda estão túrgidas
(cheias de água) os estômatos se abrem; quando elas estão murchas, os estômatos ficam fechados.
Essa variação da maior ou menor quantidade de água nas células guarda se dá pela presença ou não
de íons de potássio, respectivamente.

Esquema de um estômato aberto e fechado.

• Lenticelas são poros abertos que aparecem em caules lenhosos, servindo para a ventilação e
transpiração do vegetal

Ramo com lenticela e um esquema de corte histológico do tecido com esta estrutura.

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Biologia

Exercícios

1. Em pesquisas desenvolvidas com eucaliptos, constatou-se que a partir das gemas de um único ramo
pode-se gerar cerca de 200.000 novas plantas, em aproximadamente duzentos dias; enquanto os
métodos tradicionais permitem a obtenção de apenas cerca de cem mudas a partir de um mesmo
ramo. A cultura de tecido é feita a partir
a) de células meristemáticas.
b) de células do esclerênquima.
c) de células da epiderme.
d) de células do lenho.
e) de células do súber.

2. Sabemos que os meristemas podem ser classificados em primários e secundários. Como exemplo
desse último tipo, podemos citar o(a):
a) meristema apical da raiz e do caule.
b) meristema apical da raiz e o procâmbio.
c) felogênio e câmbio vascular.
d) periderme e procâmbio.
e) câmbio vascular e protoderme.

3. “Típica de florestas com vegetação de cerrado predominante na Floresta Nacional do Araripe FLONA,
a janaguba tem várias ‘irmãs’ nos cerrados espalhados pelo Brasil. Mas o gênero da planta encontrado
no Cariri é o único utilizado para a cura de doenças. O uso medicinal já ultrapassou os limites da
crença popular e tem chamado a atenção da ciência. Pesquisadores de importantes universidades do
País estão estudando as propriedades da janaguba.
O Povo Online – 15/04/2009.
Sobre essa importante árvore da família Apocynaceae é correto dizer que entre os componentes
histológicos constitutivos de sua casca há:
a) Coifa, parênquima cortical e meristemas primários.
b) Tricomas, meristema intercalar e parênquima aerífico.
c) Felogênio, súber e feloderme.
d) Colênquima, parênquimas aquífero e amilífero.
e) Xilema, floema e endosperma.

4. O estômato é uma estrutura encontrada na epiderme foliar, constituída por duas células denominadas
células-guarda. Estas absorvem água quando há grande concentração de íons potássio em seu
interior, o que leva o estômato a se abrir. Se o suprimento de água na folha é baixo, ocorre saída de
íons potássio das células-guarda para as células vizinhas e, nesse caso, as células-guarda tornam-
se
a) flácidas, provocando o fechamento do estômato.
b) flácidas, provocando a abertura do estômato.
c) flácidas, não alterando o comportamento do estômato.
d) túrgidas, provocando o fechamento do estômato.
e) túrgidas, provocando a abertura do estômato.

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Biologia

5. No corpo de uma planta superior, qual é o tecido que apresenta numerosas mitoses, sendo sempre
formado por células indiferenciadas?
a) parênquima paliçadico
b) colênquima angular
c) colênquima tabular
d) meristema primário

6. O palmito, muito explorado por parte das indústrias de conserva, é retirado da extremidade do caule,
região responsável pelo crescimento longitudinal da palmeira. Essa região é formada, principalmente,
por tecido
a) parenquimático.
b) epidérmico.
c) meristemático.
d) de condução.
e) de sustentação.

7. O meristema é um tecido vegetal cujas células possuem alta capacidade de se dividir, dando origem
aos diversos tecidos vegetais. Com relação a esse tecido e aos tipos de gemas por ele formados, é
correto afirmar que
a) o meristema lateral, existente na maioria das eudicotiledôneas, é responsável pelo crescimento
em espessura do caule dessas plantas.
b) o meristema apical, também localizado na raiz, tem seu desenvolvimento inibido pelo meristema
lateral.
c) é composto por células indiferenciadas, as quais sofrem uma série de divisões celulares
reducionais, promovendo crescimento das plantas.
d) o meristema subapical se localiza abaixo da epiderme e auxilia no crescimento do caule,
estimulando seu meristema apical.
e) quando as células do meristema resultam da desdiferenciação de tecidos maduros, fala-se em
meristema primário.

8. No caule de uma planta dicotiledônea, aparecem dois meristemas que fazem crescerem espessura.
Um deles produz líber para fora e lenho para dentro; o outro, mais periférico, forma súber ou cortiça.
Esses meristemas secundários são respectivamente:
a) Feloderma e esclerênquima.
b) Câmbio e felogênio.
c) Felogênio e endoderma.
d) Câmbio e esclerênquima.
e) Felogênio e câmbio.

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Biologia

9. Pode-se afirmar que os meristemas são tecidos:


a) Formados por células pequenas, de paredes grossas e com muitos vacúolos grandes.
b) Inadequados para observação de células em divisão.
c) Que funcionam como reservatório de nutrientes e preenchimento.
d) Permanentes com funções idênticas às do parênquima.
e) Indiferenciados, que originam os tecidos adultos.

10. O súber é:
a) Um tecido de condução encontrado em vegetais superiores com crescimento primário e
secundário.
b) Um tecido com função de proteção encontrado em vegetais superiores apenas com crescimento
secundário.
c) Uma estrutura utilizada para armazenamento de amido primário, resultante da atividade da
periderme.
d) Um pigmento que é responsável pela coloração das flores.
e) Um tecido de revestimento que permite o aumento ou decréscimo na transpiração da planta.

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Biologia

Gabarito

1. A
Células meristemáticas são indiferenciadas, sendo ideais para a realização de culturas de tecidos.

2. C
O felogênio e o câmbio vascular são exemplos de meristemas secundários. O felogênio é responsável
por originar a periderme, enquanto o câmbio origina os tecidos vasculares secundários.

3. C
A casca é constituída por felogênio, súber e feloderme, tecidos de revestimento.

4. A
Quando as células perdem água, ela também perde sua turgidez, ficando murcha e fechando o orifício
estomatal.

5. D
Dentre os tecidos citados, o único tecido com numerosas mitoses e sempre formado por células não-
diferenciadas é o meristema primário.

6. C
A região responsável pelo crescimento longitudinal da palmeira é formada principalmente por tecido
meristemático, um tecido de células indiferenciadas que é responsável por formar tecidos adultos e
crescimento vegetal.

7. A
O meristema secundário, responsável pelo crescimento em espessura do vegetal, também é chamado
de meristema lateral nas plantas eudicotiledôneas (Angiospermas dicotiledôneas) e nas Gimnospermas.

8. B
O câmbio é o tecido que origina os vasos condutores, enquanto o felogênio dará origem ao súber.

9. E
Os meristemas agem como “células-tronco” vegetais, sendo tecidos de células indiferenciadas que
darão origem a outros tecidos.

10. B
O súber é um tecido morto com função de revestimento para vegetais com crescimento secundário.

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Filosofia

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Filosofia

Sartre e o existencialismo

Resumo

Um dos mais influentes filósofos contemporâneos, o francês Jean-Paul Sartre é


famoso especialmente por ser o maior representante da corrente filosófica
conhecido como existencialismo.
Como seu próprio nome indica, o existencialismo é aquela concepção filosófica
que tem como meta central buscar compreender a existência humana.
Naturalmente, esta pode parecer uma definição bastante vaga, no entanto, para
os existencialistas, ela tem um significado bastante preciso. Com efeito,
segundo Sartre, o grande mal da filosofia ao longo da história foi a sua excessiva
preocupação com temas abstratos e distantes de nossa experiência imediata,
como a existência de Deus, a imortalidade da alma, o fundamento das normas
morais, as bases do conhecimento seguro, etc. Indo, por sua vez, numa direção inteiramente oposta, o
existencialismo entende a busca por compreender a existência humana como uma busca por entender o
homem na sua concretude, na sua experiência real e diária.
Em termos teóricos, afirma Sartre, o ponto de partida do existencialismo é a admissão de uma verdade
básica: no homem, a existência precede a essência. Ora, o que isto significa? Significa basicamente que, para
os existencialistas, não existe uma natureza humana uma essência eterna e inalterável, comum a todos os
homens, um modelo prévio ao qual o homem deve se adequar e que lhe cabe realizar. Ao contrário, segundo
Sarte, o homem, por si mesmo, naturalmente, é apenas um grande vazio, uma grande possibilidade em aberto.
Será a sua história, a sua trajetória de vida, será aquilo que o homem fizer por si mesmo que definirá sua
identidade, sua essência.
Diz Sartre a respeito: “O que significa, aqui, dizer que a existência precede a essência? Significa que, em
primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define. O
homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é
nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe
natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão-somente, não apenas como
ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer
após esse impulso para a existência.”
Percebe-se aqui facilmente a grande ênfase existencialista no tema da liberdade. De fato, para Sartre, é
justamente porque o homem não tem uma natureza pré-determinada que ele é livre. Os animais, os objetos
inanimados e as plantas, por exemplo, têm essências fixas e estabelecidas previamente, por isso não são
livres, não decidem por si mesmos o que serão. O homem, ao contrário, justamente porque é pura
possibilidade, justamente porque não tem uma natureza própria, é inteiramente livre para construir a si
mesmo, para fazer a si mesmo, para construir sua própria identidade. Escrevendo tecnicamente, o filósofo
existencialista dizia que o homem é para-si, enquanto que os demais seres são apenas em-si. A cada ação
que tomamos, a cada decisão que fazemos, nós estamos constituindo nossa própria essência. Tal processo
só se encerra com a morte, onde, de acordo com Sartre, nossa essência torna-se destino, isto é, uma
realidade efetivamente inalterável e permanente.
Em sua filosofia, Sartre foi um incansável defensor da liberdade. Crítico de todas as espécies de
determinismo, o filósofo existencialista francês negava que houvesse qualquer elemento, seja social,

1
Filosofia

psicológico ou histórico que limite nossa liberdade. De fato, para ele, ainda que nós não possamos escolher
os fatores que atuam sobre nós, podemos sempre escolher o que fazemos com os fatores que atuam sobre
nós. Assim, uma mulher não escolhe quando de seu nascimento viver numa sociedade que lhe exige tais e
quais comportamentos, mas ela pode escolher o que fazer com essas exigências, se irá cumpri-las ou não.
Nota-se neste ponto o vínculo imediato que há, para o existencialismo, entre liberdade e responsabilidade.
Em verdade, como é inteiramente livre e senhor de si mesmo, o homem é também inteiramente responsável
por aquilo que ele faz. A responsabilidade não é oposta à liberdade, mas sim sua consequência inevitável.
Vê-se assim que, para Sartre, a liberdade, ao mesmo tempo que é um dom, um poder, é também um fardo,
um peso, uma vez que o homem é sempre responsável por aquilo que ele faz. Este conflito entre o poder de
autoconstrução permanente que o homem possui e as consequências drásticas de seu exercício (“estamos
condenados a ser livres”, diz Sartre) é a origem da angústia, isto é, do desespero diante das inúmeras
possibilidades de escolha e da dificuldade de se decidir qual sentido dar à própria vida.
Mais: para os existencialistas, a responsabilidade do ser humano não é puramente individual. Com efeito, ao
tomar uma decisão qualquer o homem elege, explicitamente ou implicitamente, valores que julga corretos e
que devem servir como critério de conduta. Assim, ao ser responsável por suas ações, o homem é também
responsável por toda a humanidade, uma vez que promove um modelo de conduta com pretensões
universais. Vê-se, pois, que, ao contrário de um individualismo banal, a liberdade existencialista sempre se
constrói na relação (muitas vezes conflituosa) com o outro.
Diz Sartre sobre o tema: “Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo
que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele é de
submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. Assim, quando dizemos que o homem é responsável
por si mesmo, não queremos dizer que o homem é apenas responsável pela sua estrita individualidade, mas
que ele é responsável por todos os homens. (...) Ao afirmarmos que o homem se escolhe a si mesmo,
queremos dizer que cada um de nós se escolhe, mas queremos dizer também que, escolhendo-se, ele
escolhe todos os homens. De fato, não há um único de nossos atos que, criando o homem que queremos
ser, não esteja criando, simultaneamente, uma imagem do homem tal como julgamos que ele deva ser.
Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não
podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser
para todos. Se, por outro lado, a existência precede a essência, e se nós queremos existir ao mesmo tempo
que moldamos nossa imagem, essa imagem é válida para todos e para toda a nossa época. Portanto, a
nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira. Se
eu sou um operário e se escolho aderir a um sindicato cristão em vez de ser comunista, e se, por essa adesão,
quero significar que a resignação é, no fundo, a solução mais adequada ao homem, que o reino do homem
não é sobre a terra, não estou apenas engajando a mim mesmo: quero resignar-me por todos e, portanto, a
minha decisão engaja toda a humanidade. Numa dimensão mais individual, se quero casar-me, ter filhos,
ainda que esse casamento dependa exclusivamente de minha situação, ou de minha paixão, ou de meu
desejo, escolhendo o casamento estou engajando não apenas a mim mesmo, mas a toda a humanidade, na
trilha da monogamia. Sou, desse modo, responsável por mim mesmo e por todos e crio determinada imagem
do homem por mim mesmo escolhido; por outras palavras: escolhendo-me, escolho o homem.”
Chegamos aqui ao conceito de engajamento, central na obra de Sarte. Ora, uma vez que não há uma essência
universal do homem ou natureza humana, não há um padrão pré-estabelecido a respeito de como homem
deve se comportar e, portanto, não faz sentido perguntar-se qual é o tipo de conduta correto ou adequado
para o ser humano, como fizeram tantos filósofos morais, como Kant e Aristóteles. Na verdade, dado que
esse padrão moral universal não existe, o único critério que resta para a avaliação do comportamento dos
indivíduos é o engajamento, isto é, o grau de comprometimento do sujeito com sua própria vida, o nível de
responsabilidade que ele assume por ela, em suma, o grau de intensidade com que o homem exerce sua

2
Filosofia

liberdade. Em suma, como não há um sentido pré-estabelecido para a vida humana, cabe ao homem criar o
seu sentido - cada um criará o seu - e ser vivê-lo com intensidade. Como diz Sartre, o homem é sempre um
projeto que se vive subjetivamente, ou seja, é sempre aquilo que projetar para si mesmo. Neste sentido, o
filósofo existencialista distingue dois tipos de comportamento: o autêntico e o inautêntico.
Para Sartre, por um lado, há aqueles indivíduos que tomam conscientemente suas decisões, exercem sua
liberdade com franqueza e assumem a responsabilidade por seus atos. Estes são os indivíduos autênticos.
Independentemente do que concretamente fizeram, do conteúdo de suas ações, sua conduta tem um mérito:
ela possui engajamento e, portanto, é honesta, assume sua própria natureza, reconhece que a existência
precede a essência, que o homem é o único responsável por seu ser.
Por outro lado, há os indivíduos inautênticos, aqueles que padecem do que Sartre chamava de má-fé, isto é,
aquela tendência de terceirizar responsabilidades, de tentar justificar as próprias ações não pelo puro e
simples exercício da própria liberdade, mas por motivos outros, sejam mandamentos religiosos normais
morais, convenções sociais, etc. Os indivíduos que agem assim não suportam a angústia e por isso fogem
dela, negando sua própria responsabilidade por aquilo que fazem.

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Filosofia

Exercícios

1. Sobre a Liberdade Humana, analise os textos a seguir:


É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a
si próprio; e, no entanto, livre porque, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um Humanismo. São Paulo: 1973, p. 15.

Com base no pensamento filosófico de Sartre sobre a liberdade, assinale a alternativa CORRETA.

a) O homem não é, senão o seu projeto, escolha e compromisso.


b) O homem não está condenado à liberdade; ele tem escolha.
c) O homem é livre sem escolha e sem compromisso.
d) O homem é seu projeto responsável sem escolha.
e) O homem é responsável e livre sem escolha.

2. Sobre a dimensão do homem na perspectiva existencialista, considere o texto a seguir:


O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada.
Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto
que não há Deus para a conceber.
SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 12.

O enfoque existencialista questiona o modo de ser do homem. Entende esse modo de ser como o
modo de ser-no-mundo. Na perspectiva existencialista, sobre o homem, assinale a alternativa
CORRETA.
a) É um projeto de ser.
b) É um seguidor das escolhas dos outros.
c) Na sua própria essencialidade e no trajeto de sua liberdade, não tem escolha.
d) Tem uma natureza concebida por Deus em sua essência.
e) É irresponsável por si próprio ao conceber seus atos.

3. Considere o seguinte trecho, extraído da obra A náusea, do escritor e filósofo francês Jean Paul Sartre
(1889-1980).
"O essencial é a contingência. O que quero dizer é que, por definição, a existência não é a necessidade.
Existir é simplesmente estar presente; os entes aparecem, deixam que os encontremos, mas nunca
podemos deduzi-los. Creio que há pessoas que compreenderam isso. Só que tentaram superar essa
contingência inventando um ser necessário e causa de si próprio. Ora, nenhum ser necessário pode
explicar a existência: a contingência não é uma ilusão, uma aparência que se pode dissipar; é o
absoluto, por conseguinte, a gratuidade perfeita."
SARTRE, Jean Paul. A Náusea. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986. Tradução de Rita Braga, citado por: MARCONDES, Danilo
Marcondes. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000.
Nesse trecho, vemos uma exemplificação ou uma referência ao existencialismo sartriano que se
apresenta como
a) recusa da noção de que tudo é contingente.
b) fundamentado no conceito de angústia, que deriva da consciência de que tudo é contingente.
c) denúncia da noção de má fé, que nos leva a admitir a existência de um ser necessário para aplacar
o sentimento de angústia.
d) crítica à metafísica essencialista.

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Filosofia

4. O tema da liberdade é discutido por muitos filósofos. No existencialismo francês, Jean-Paul Sartre,
particularmente, compreende a liberdade enquanto escolha incondicional.

Entre as afirmações abaixo, a única que está de acordo com essa concepção de liberdade humana é:
a) O homem primeiramente tem uma essência divinizada e depois uma existência manifestada na
história de sua vida.
b) O homem não é mais do que aquilo que a sociedade faz com ele.
c) O homem primeiramente existe porque sendo consciente é um ser-em-si e para-o-outro.
d) O homem é determinado por uma essência superior, que é o Deus da existência, pois,
primeiramente não é nada.
e) O homem primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.

5. Para J.P. Sartre, o conceito de “para-si” diz respeito

a) a uma criação divina, cujo agir depende de princípio metafísico regulador.


b) apenas à pura manutenção do ser pleno, completo, da totalidade no seio do que é.
c) ao nada, na medida em que ele se especifica pelo poder nadificador que o constitui.
d) a algo empastado de si mesmo e, por isso, não se pode realizar, não se pode afirmar, porque está
cheio, completo.

6. Na obra “O existencialismo é um humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta

a) desenvolver a ideia de que o existencialismo é definido pela livre escolha e valores inventados
pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua natureza humana essencial.
b) mostrar o significado ético do existencialismo.
c) criticar toda a discriminação imposta pelo cristianismo, através do discurso, à condição de ser
inexorável, característica natural dos homens.
d) delinear os aspectos da sensação e da imaginação humanas que só se fortalecem a partir do
exercício da liberdade.

7. “Quando dizemos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se
escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher-se a si próprio, ele
escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que
desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser.
Escolher isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, porque nunca podemos
escolher o mal, o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem que o seja para
todos. Se a existência, por outro lado, precede a essência e se quisermos existir, ao mesmo tempo em
que construímos a nossa imagem, esta imagem é válida para todos e para a nossa época. Assim, a
nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a
humanidade”.
Sartre.

Considerando o texto citado e o pensamento sartreano, é INCORRETO afirmar que

a) o valor máximo da existência humana é a liberdade, porque o homem é, antes de mais nada, o
que tiver projetado ser, estando “condenado a ser livre”.

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Filosofia

b) totalmente posto sob o domínio do que ele é, ao homem é atribuída a total responsabilidade pela
sua existência e, sendo responsável por si, é também responsável por todos os homens.
c) o existencialismo sartreano é uma moral da ação, pois o homem se define pelos seus atos e atos,
por excelência, livres, ou seja, o “homem não é nada além do conjunto de seus atos”.
d) o homem é um “projeto que se vive subjetivamente”, pois há uma natureza humana previamente
dada e predefinida, e, portanto, no homem, a essência precede a existência.
e) por não haver valores preestabelecidos, o homem deve inventá-los através de escolhas livres, e,
como escolher é afirmar o valor do que é escolhido, que é sempre o bem, é o homem que, através
de suas escolhas livres, atribui sentido a sua existência.

8. “O que significa aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem
primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o
concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será
alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. (...) O homem é, não apenas como ele se concebe, mas
como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este
impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. (...) Assim, o primeiro esforço do
existencialismo é o de por todo o homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total
responsabilidade de sua existência. (...) Quando dizemos que o homem se escolhe a si, queremos dizer
que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher-
se a si próprio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao
criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos
que deve ser”.
Sartre.

Considerando a concepção existencialista de Sartre e o texto acima, é incorreto afirmar que

a) o homem é um projeto que se vive subjetivamente.


b) o homem é um ser totalmente responsável por sua existência.
c) por haver uma natureza humana determinada, no homem a essência precede a existência.
d) o homem é o que se lança para o futuro e que é consciente deste projetar-se no futuro.
e) em suas escolhas, o homem é responsável por si próprio e por todos os homens, porque, em seus
atos, cria uma imagem do homem como julgamos que deve ser.

9. “Subjetividade” e “intersubjetividade” são conceitos com os quais Sartre pontua o seu existencialismo.
Nesse contexto, tais conceitos revelam que
a) o cogito cartesiano desabou sobre o existencialismo na mesma proporção com que a virtu
socrática precipitou-se sobre o materialismo dialético do século XX.
b) “Penso, logo existo” deve ser o ponto de partida de qualquer filosofia. Tal subjetividade faz com
que o Homem não seja visto como objeto, o que lhe confere verdadeira dignidade. A descoberta
de si mesmo o leva, necessariamente, à descoberta do outro, implicando uma intersubjetividade.
c) o Homem é dado, é unidade, é união e é intersubjetividade; portanto, a sua existência é agregadora
e desapegada da tão apregoada subjetividade clássica, por isso mesmo tão crucial para Sartre.
d) não há um só lampejo de subjetividade que não tenha se reinaugurado na intersubjetividade, isto
é, na idealidade que instrui as prerrogativas para se instalarem as escolhas do sujeito, definindo-
o.

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Filosofia

10. Leia o excerto abaixo e assinale a alternativa que relaciona corretamente duas das principais máximas
do existencialismo de Jean-Paul Sartre, a saber:
I. “a existência precede a essência”
II. “estamos condenados a ser livres”

Com efeito, se a existência precede a essência, nada poderá jamais ser explicado por referência a uma
natureza humana dada e definitiva; ou seja, não existe determinismo, o homem é livre, o homem é
liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontramos já prontos, valores ou ordens que
possam legitimar a nossa conduta. [...] Estamos condenados a ser livres. Estamos sós, sem desculpas.
É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se
criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por
tudo o que faz.
SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. 3ª. ed. S. Paulo: Nova Cultural, 1987.

a) Se a essência do homem, para Sartre, é a liberdade, então jamais o homem pode ser, em sua
existência, condenado a ser livre, o que seria, na verdade, uma contradição.
b) A liberdade, em Sartre, determina a essência da natureza humana que, concebida por Deus,
precede necessariamente a sua existência.
c) Para Sartre, a liberdade é a escolha incondicional, à qual o homem, como existência já lançada
no mundo, está condenado, e pela qual projeta o seu ser ou a sua essência.
d) O Existencialismo é, para Sartre, um Humanismo, porque a existência do homem depende da
essência de sua natureza humana, que a precede e que é a liberdade.

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Filosofia

Gabarito

1. A
O pensamento filosófico existencialista sartreano tem como fundamento central que a compreensão da
vida dos indivíduos se dá a partir da condição da existência humana. Com efeito, para os pensadores
dessa vertente filosófica, a existência precede a essência, o que leva à uma perspectiva da existência
humana que independe de qualquer definição preexistente do indivíduo. Assim, para Sartre, a essência
humana se constrói a partir das escolhas que, dentro da sua liberdade, o indivíduo realiza. Nesse sentido,
o sujeito seria um projeto de ser, haja vista que não existiria uma natureza ou essência humana, mas
sim a ação dos homens sobre a construção de si mesmos a partir do seu livre arbítrio.

2. A
O pensamento filosófico existencialista tem como fundamento central que a compreensão da vida dos
indivíduos se dá a partir da condição da existência humana, de modo que, para os existencialistas, a
existência precede a essência, o que leva à uma perspectiva da existência humana independente de
qualquer definição preexistente sobre o indivíduo. Com efeito, na concepção existencialista, a essência
humana se constrói a partir das escolhas que, dentro da sua liberdade, o indivíduo realiza. Nesse sentido,
o sujeito seria um projeto de ser, haja vista que não existiria uma natureza ou essência humana, mas
sim a ação dos homens sobre a construção do ser no seu livre arbítrio.

3. D
Para Sartre, representante do existencialismo, a existência precede a essência, ou seja, o indivíduo,
assim como a realidade e o conhecimento, primeiramente existe e posteriormente se realiza por suas
ações concretas e pela forma que conduz a sua existência. Assim, segundo Sartre, o indivíduo é
condenado à liberdade de suas escolhas e à efetivar a sua existência através delas, pensamento que
vai de encontro à metafísica essencialista, segundo a qual os objetos e o homem possuiriam duas
realidades: uma exterior, caracterizada pela matéria física, e uma interior, onde encontraria-se a
essência, enquanto para Sartre essas realidades se equivalem.

4. E
Para Sartre a existência precede a essência no caso do humano. Somos seres para-si, o que significa
dizer que a essência do ser humano é construída conforme esse vive, pensa e age no mundo de acordo
com a liberdade de que goza, que é na verdade incondicional, ou seja, uma condição a qual todos
estamos condenados.

5. C
O homem é uma entidade que combina características mutuamente exclusivas, a saber, o ser para-si e
o ser em-si. O ser em-si se diz pela identidade, pela inércia, já o ser para-si se diz pela diferença, pela
dinâmica, isto é, o ser para-si depende da negação do ser em-si. Dessa maneira, a essência, ou seja,
aquilo que define a identidade não garante a exposição daquilo que é livre. Isso que é livre apenas é não
sendo aquilo que lhe define circunstancialmente. O homem sendo livre é um projeto, um vir a ser
dependente da sua escolha a qual está condenado a realizar devido a sua condição fundamental.

6. B
A escolha, na concepção sartreana, se refere à vida e esta é a expressão de um projeto que se desdobra
no tempo. Esse projeto não é algo próprio do qual se pode ter um conhecimento óbvio, sendo assim o
projeto é uma interpretação possível e as escolhas específicas de um indivíduo são, portanto, temporais,
derivações de um projeto original desenrolado temporalmente.
Esse desenrolar é descrito pela ontologia de Sartre. Nesta ele diz que o ser em-si e o ser para-si
possuem características mutuamente exclusivas, todavia a vida do homem combina ambas. Aí se
encontra a ambiguidade ontológica da nossa existência. O em-si é sólido, idêntico a si mesmo, passivo,
inerte; já o para-si é fluido, diferente de si mesmo, ativo, dinâmico. O primeiro apenas é, o segundo é sua
própria negação. De maneira mais concreta podemos dizer que um é “facticidade” e o outro é
“transcendência”. O dado da nossa situação como falantes de certa língua, ambientados em certo

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Filosofia

entorno, nossas escolhas prévias e nós mesmo enquanto em-si constituem nossa “facticidade”. Como
indivíduos conscientes “transcendemos” isso que é dado. Ou seja, somos situados, porém na direção
da indeterminação. Somos sempre mais do que a situação na qual estamos e isto é o fundamento
ontológico de nossa liberdade. Estamos, como Sartre diz, condenados a ser livres.
Então, o existencialismo é um humanismo, pois é a única doutrina que abre totalmente a possibilidade
de escolha ao homem. Se Deus não existe e a existência precede a essência, isto é, o homem não é nada
até que ele livremente se defina durante sua vida, então o ser possui fundamentalmente liberdade. O ser
aparece no mundo e depois se define; não há natureza humana pré-concebida por Deus. O homem é
um lançar-se para um futuro, é se projetar conscientemente no futuro. Desse modo, o existencialismo
deve pôr o homem no interior de sua existência e lhe atribuir a total responsabilidade por suas escolhas.

7. D
O homem está condenado à liberdade. Durante sua vida, ele não pode deixar de escolher, e ao fazer
escolhas ele irá sempre escolher aquilo que considera o melhor. Desse modo, o homem ao se posicionar
também posiciona todos os outros homens, pois define, juntamente com a sua escolha, quem são seus
semelhantes e dessemelhantes. Se a sua posição não considerar isto, então ela irá criar confrontos dos
quais foi desde sua primeira escolha responsável. Assim, em cada escolha nos responsabilizamos pela
humanidade que escolhemos.

8. C
A alternativa [C] é justamente o inverso do que defende Sartre. Segundo ele, a existência precede a
essência e não há nada que define o homem de maneira a priori.

9. B
Sartre se apropria do cogito cartesiano considerando que esse é o ponto de partida subjetivo para a
filosofia. A partir dessa descoberta de si, o homem pode descobrir o outro, em uma relação de
intersubjetividade. Dessa forma, podemos dizer que somente a alternativa [B] está correta.

10. C
O homem é uma entidade que combina características mutuamente exclusivas, a saber, o ser para-si e
o ser em-si. O ser em-si se diz pela identidade, pela inércia, já o ser para-si se diz pela diferença, pela
dinâmica, isto é, o ser para-si depende da negação do ser em-si. Dessa maneira, a essência, ou seja,
aquilo que define a identidade não garante a exposição daquilo que é livre. Isso que é livre apenas é não
sendo aquilo que lhe define circunstancialmente. O homem sendo livre é um projeto, um vir a ser
dependente da sua escolha a qual está condenado a realizar devido a sua condição fundamental.

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Filosofia

Hannah Arendt

Resumo

Quem foi Hannah Arendt?


Hannah Arendt (1906 – 1975) foi uma filósofa política alemã de
origem judaica, cujo pensamento constituiu um marco importante
na análise filosófica dos fenômenos políticos do século XX,
especialmente o fenômeno do totalitarismo vivido na Europa – o
fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha. Em seu livro de 1951,
“As origens do totalitarismo”, ela aborda a questão, oferecendo uma
interpretação bastante original sobre as razões pelas quais
governos totalitários conseguem ascender ao poder e sobre a
lógica de funcionamento desses governos.

Sapere aude!
Profundamente influenciada por Kant, Arendt viveu as consequências de praticar uma “filosofia sem
corrimão”. Sapere aude é a essência do pensamento da autora. Sua obra é fiel a essa postura de não se
deixar tutelar, de não ter corrimãos para segurar, tanto que não é fácil encaixar a pensadora numa escola,
tradição, ideologia ou campo político. Seu pensamento é tanto conservador como liberal, de direita e de
esquerda.
Recentemente (2020) o Museu histórico Alemão montou uma exposição sobre a autora. Como chamada do
evento há uma fotografia de Hannah Arendt em uma pose já eternizada pela autora, cigarro entre os dedos,
uma das mãos apoiando a cabeça e um olhar profundo. Na imagem a frase "Nenhum ser humano tem o
direito de obedecer." Essa frase tem tudo a ver com o pensamento de Arendt. Seja na relação entre poder e
violência ou na análise do totalitarismo, o indivíduo deve sempre se manter atento e alerta à ordem que se
estabelece na sociedade.

Sobre a banalidade do mal


Em 1961, a filósofa foi a Jerusalém para assistir ao julgamento de Adolf Eichmann, alemão que participou de
maneira ativa no extermínio de judeus comandado pelo regime nazista. Seus relatos sobre o julgamento de
Eichmann – que viria a ser condenado à morte – ficaram registrados em sua obra “Eichmann em Jerusalém,
um relato sobre a banalidade do mal”, publicado em 1963.
Havia, segundo Hannah Arendt, um contraste entre a figura apática e aparentemente comum de Eichmann
com as atrocidades por ele praticadas. Como pode uma pessoa, que aparentemente não possui nada de
diferente, que não parece ter nenhuma inclinação para a maldade, ser responsável pela morte de tantas
outras pessoas? Arendt vai explicar esse fenômeno, então, dizendo que pessoas como Eichmann fazem
parte das massas politicamente neutras e indiferentes. Na medida em que são indiferentes às questões
políticas, essas pessoas são facilmente manipuláveis, podendo ser levadas a considerar atitudes de
crueldade em relação ao ser humano como “normais”. É dessa maneira que a filósofa vai formular a ideia
da “banalidade do mal”, ou seja, fenômeno que ocorre quando a crueldade acaba se tornando algo banal,
algo corriqueira na vida das pessoas. Elas não se importam mais, pois estão habituadas e naturalizaram a

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Filosofia

maldade. Eichmann apenas seguia ordens, sem questioná-las e sem refletir sobre as consequências dos
seus atos.
Herdando o conceito de mal radical de Kant, Hannah diferencia o mal banal do mal radical não pela
intensidade, mas pela raiz. Figuras como Goebbels, Himmler e Hitler encarnavam o mal radical. Eles
acreditavam em suas ações e eram realmente antissemitas. Observar Eichmann fez Hannah perceber, no
entanto, que havia uma categoria de pessoas no nazismo que simplesmente não questionava, obedecia
cegamente e só pensava em questões particulares, como progredir na carreira e ser bem visto. Essas
pessoas não necessariamente entendem o mal que produzem, pois ele está banalizado. Segundo Arendt,
Eichmann era uma pessoa medíocre, e o mundo estava cheio dessas pessoas medíocres, incapazes de
refletir sobre a vida e sobre suas ações. Hannah Arendt, pela primeira vez, não analisou o mal pelo viés moral,
mas pelo viés político.
O totalitarismo, no entanto, segundo Hannah Arendt, não teria surgido apenas como consequência da
neutralidade política das pessoas em geral. A crise econômica, que traz o desemprego, o aumento da
pobreza, e muitas dificuldades, leva as pessoas a se sentirem insatisfeitas e, ainda que não sejam engajadas
politicamente, acabam aderindo a projetos políticos cujos fundamentos e objetivos elas desconhecem.
Portanto, quanto menos politizados e críticos são os indivíduos, mais eles estão sujeitos a aceitar projetos
totalitários ou autoritários de poder de acordo com a filósofa alemã.

Crítica a Marx e o trabalho


A condição humana se dá em dois planos: os da preservação da espécie (coletivo) e da individualidade de
cada ser (individual). É nesse ponto que Arendt critica a concepção marxista do trabalho. Diferenciando o
trabalho entre os dois planos, a pensadora apresenta os conceitos de labor e de trabalho. O labor se refere
às atividades básicas de manutenção da vida, são objetivas e mecânicas. Em essência, o labor não é uma
expressão da capacidade criativa humana, antes, é um limitador da liberdade como condição sine qua non
(indispensável). Já o trabalho é um nível de atividade individual e de expressão da pessoa. É uma produção
espelhada e que busca a inserção social marcada pela subjetividade. Arendt então admite a possibilidade
do trabalho produtivo e improdutivo, ambos resultando na produção de objetos.
Um terceiro plano surge no pensamento de Arendt, o da ação. O discurso é a marca distintiva do homem. A
capacidade de narrar, discursar e discutir é a expressão máxima da vida humana em comunidade. As
atividades humanas inclusive encontram permanência no discurso, que revive a ação e atribuí sentido a ela.
É por meio das ações realizadas exclusivamente entre os homens mediadas pelo discurso que é possível
construir a sociedade baseada nos planos anteriores.
Esses conceitos também podem ser encontrados no pensamento da autora como: vida (labor), já que se
trata da sobrevivência imediata do ser; mundanidade (trabalho), que se relaciona com a produção do mundo
a sua volta; e pluralidade (ação), porque traz a construção coletiva para um novo nível, um conceito de forte
sentido político.
Entretanto, para a filósofa, no mundo moderno houve uma sobreposição da garantia da vida sobre a
criatividade do trabalho. O plano do labor é hipervalorizado e a que esfera social passa a priorizar a
reprodução e manutenção da vida. Para Arendt esse movimento é um movimento de inversão de valores em
comparação com a Antiguidade clássica. Para os gregos a vida ativa se expressava através da participação
nas decisões da pólis, na contemplação do eterno e na dedicação aos prazeres do corpo. N mundo moderno,
ao contrário, o que é valorizado é o contínuo fazer, um desassossego de ação e produção constantes. Para
Arendt essas características levam a homogeneização dos discursos levando a todo tipo de despotismo
moderno, inclusive totalitarismos.

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Filosofia

Exercícios

1. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, o totalitarismo é uma forma de governo essencialmente
diferente de outras formas de opressão política conhecidas, como o despotismo, a tirania e a ditadura.
Considerando as características e as expressões históricas do totalitarismo no século XX, assinale a
afirmativa INCORRETA.
a) O totalitarismo procura reforçar a distinção entre esfera pública e esfera privada.
b) Nazismo e stalinismo são dois exemplos históricos de regimes totalitários.
c) A propaganda é um meio importante para a difusão da ideologia oficial nos governos totalitários.
d) Terror é um princípio fundamental da ação política totalitária.
e) No totalitarismo o discurso do líder é importante tanto no que diz quanto no que não diz. A mentira
é uma ferramenta fundamental na narrativa totalitária

2. Três décadas – de 1884 a 1914 – separam o século XIX – que terminou com a corrida dos países
europeus para a África e com o surgimento dos movimentos de unificação nacional na Europa – do
século XX, que começou com a Primeira Guerra Mundial. É o período do Imperialismo, da quietude
estagnante na Europa e dos acontecimentos empolgantes na Ásia e na África.
ARENDT. H. As origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

O processo histórico citado contribuiu para a eclosão da Primeira Grande Guerra na medida em que
a) difundiu as teorias socialistas.
b) acirrou as disputas territoriais.
c) superou as crises econômicas.
d) multiplicou os conflitos religiosos.
e) conteve os sentimentos xenófobos.

3. As histórias, resultado da ação e do discurso, revelam um agente, mas este agente não é autor nem
produtor. Alguém a iniciou e dela é o sujeito, na dupla acepção da palavra, mas ninguém é seu autor.
ARENDT, Hannah. A condição humana. Apud SÁTIRO, A.; WUENSCH, A. M. Pensando melhor – iniciação ao filosofar.
São Paulo: Saraiva, 2001. p. 24.

A filósofa alemã Hannah Arendt foi uma das mais refinadas pensadoras contemporâneas, refletindo
sobre eventos como a ascensão do nazismo, o Holocausto, o papel histórico das massas etc. No
trecho citado, ela reflete sobre a importância da ação e do discurso como fomentadores do que chama
de “negócios humanos”. Nesse sentido, Arendt defende o seguinte ponto de vista:
a) a condição humana atual não está condicionada por ações anteriores, já que cada um é autor de
sua existência.
b) a necessidade do ser humano de ser autor e produtor de ações históricas lhe tira a
responsabilidade
sobre elas.
c) o agente de uma nova ação sempre age sob a influência de teias preexistentes de ações anteriores.
d) o produtor de novos discursos sempre precisa levar em conta discursos anteriores para criar o
seu.
e) Toda ação é original, pois é resultado da inventividade e criatividade humana.

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Filosofia

4. LEIA, abaixo, o comentário que a filósofa Hannah Arendt fez sobre as ações do comandante do Reich,
Adolf Karl Eichmann, acusado de crimes contra o povo judeu: “Os feitos eram monstruosos, mas o
executante (...) era ordinário, comum, e nem demoníaco nem monstruoso.”
Hannah Arendt, A vida do espírito.In: Eduardo Jardim de Moraes e Newton Bignotto, Hannah Arendt:
diálogos, reflexões e memórias. Belo Horizonte: Editora UFMG, p.138.

Assinale a alternativa em que o fator cultural presente nas ações comentadas explicado
CORRETAMENTE o fenômeno histórico acima mencionado:
a) A execução de atos criminosos com requintes de crueldade, ordenada pelas autoridades, foi
praticada por pessoas comuns, afetadas principalmente pela falta de alimento e de emprego.
b) A banalidade na execução de crimes contra a humanidade se deve à burocratização do genocídio,
implementada pela cúpula nazista, para liberar as pessoas de preocupações com a moral comum
e com as leis.
c) A participação da juventude hitlerista no processo de construção do nacionalismo reforçou o
senso político de oposição aos regimes socialistas autoritários.
d) A experiência nazista é um exemplo de fortalecimento da sociedade pelo Estado, criador de
símbolos e valores culturais, que reforçam os princípios autoritários de governo.
e) A banalidade do mal é uma adesão eticamente consciente ao mal radical. A única diferença entre
o mal radical e o mal banal é que o primeiro é a origem e o segundo o desdobramento

5. Durante o século XX, a filósofa Hannah Arendt afirmou que existe uma antiga resposta para a pergunta
sobre o sentido da política tão simples e concludente, que poderia dispensar outras respostas por
completo. De acordo com o que explana Hannah Arendt em O que é política? esse sentido da política
é:
a) o poder
b) a administração
c) a liberdade
d) a igualdade
e) o bem

6. Hannah Arendt, em “A Condição Humana”, aponta que os modos pelos quais os seres humanos se
manifestam uns aos outros, não como meros objetos físicos, mas enquanto homens, são:
a) ação e discurso
b) arte e linguagem
c) liberdade e expressão
d) trabalho e discurso
e) ação e liberdade

4
Filosofia

7. Um tema contemporâneo que faz parte das nossas reflexões é a cidade como espaço cívico. Segundo
Otília Arantes (1993), a principal inspiração de revalorização da vida pública vem de Hannah Arendt
que foi buscar na polis grega o modelo a partir do qual é possível julgar as transformações modernas
da esfera pública. A transição do antigo para o moderno desfez essa distribuição harmoniosa das
funções sociais, alargando indefinidamente o território privado conforme se implantava a propriedade
burguesa. Essa prática não só debilitou como propiciou o declínio do caráter público da liberdade.
Assinale a alternativa que apresenta a definição CORRETA que Hannah Arendt dá para o “privado”:
a) É o cerceamento da coletividade, absoluto e restrito.
b) É o direito de usar, gozar e dispor de uma coisa, a princípio de modo absoluto, exclusivo e perpétuo.
c) É o que não aparece, é o reino do obscuro, do irrelevante, da mais aguda limitação.
d) É o que permanece em função de poucos, totalitário.
e) É o campo da ação humana individual, da expressão de sua liberdade

8. O julgamento de Eichmann no Tribunal de Nuremberg tornou-se um exemplo do tribunal Militar


Internacional, criado na cidade alemã do mesmo nome, para julgar os principais criminosos da
Segunda Guerra Mundial. As querelas envolvendo as defesas e acusações dos réus foram expressas
numa das obras-primas do século XX da filósofa política Hannah Arendt: Eichmann em Jerusalém. Os
argumentos de Arendt são expressos no axioma
a) A singularidade do mal.
b) A raridade do bem.
c) A banalidade do mal.
d) A excepcionalidade do bem.
e) A radicalidade do mal.

9. Subjaz na propaganda tanto política quanto comercial a ideia de que as massas podem ser
conquistadas, dominadas e conduzidas, e, por isso, toda e qualquer propaganda tem um traço de
coerção. Nesse sentido, a filósofa Hanna Arendt diz que “não apenas a propaganda política, mas toda
a moderna publicidade de massa contém um elemento de coerção".
AGUIAR, O. A. Veracidade e propaganda em Hannah Arendt. In: Cadernos de Ética e Filosofia Política 10.
São Paulo: EdUSP, 2007 (adaptado).

À luz do texto, qual a implicação da publicidade de massa para a democracia contemporânea?


a) O fortalecimento da sociedade civil.
b) A transparência política das ações do Estado.
c) A dissociação entre os domínios retóricos e a política.
d) O combate às práticas de distorção de informações.
e) O declínio do debate político na esfera pública.

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Filosofia

10. TEXTO I
Aquele que não é capaz de pertencer a uma comunidade ou que dela não tem necessidade, porque se
basta a si mesmo, não é em nada parte da cidade, embora seja quer um animal, quer um deus.
ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

TEXTO II
Nenhuma vida humana, nem mesmo a vida de um eremita em meio à natureza selvagem, é possível
sem um mundo que, direta ou indiretamente, testemunhe a presença de outros seres humanos.
ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense, 1995.

Associados a contextos históricos distintos, os fragmentos convergem para uma particularidade do


ser humano, caracterizada por uma condição naturalmente propensa à
a) atividade contemplativa.
b) produção econômica.
c) articulação coletiva.
d) criação artística.
e) crença religiosa.

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Filosofia

Gabarito

1. A
De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, o fenômeno político do século XX denominado
totalitarismo não é caracterizado pelo reforço da distinção entre o âmbito público e o âmbito privado.
Pelo contrário, os regimes totalitários fazem essa distinção desaparecer, de modo que na vida privada
dos indivíduos seja sempre estimulada a obediência e a aceitação passiva da ideologia oficial do
regime. Desse modo, a única alternativa incorreta é a letra (a)

2. B
O texto, hoje clássico de Hannah Arendt sobre o totalitarismo, apresenta um trecho que começa
afirmando que a transição do século XIX para o XX durou três décadas. O texto destaca o imperialismo,
que se estendeu até o continente africano e asiático, expondo os interesses territoriais das potências
europeias, como diz a alternativa b. Tudo isso desemboca na Primeira Guerra Mundial.

3. C
Do trecho citado da filósofa Hannah Arendt pode-se deduzir muito claramente que qualquer ação nova
deverá ocorrer sob a influência de uma gama de acontecimentos anteriores, ou seja, toda ação tem a
influência de uma teia de ações que foram praticadas anteriormente da qual não podemos nos afastar
totalmente. Esse é o nível AÇÃO da condição humana, o plano da pluralidade. Nesse sentido, a única
alternativa correta é a letra (c).

4. B
Quando pensamos na análise que Hannah Arendt faz do julgamento do oficial nazista Adolf Eichmann,
devemos relembrar do seu conceito de “banalidade do mal”. Esse conceito nos remete a ideia de que
nos regimes totalitários há uma naturalização da maldade, que é vista como algo cotidiano, como algo
que faz parte da rotina e que, portanto, não mereceria uma reflexão mais profunda. Em última análise,
numa sociedade voltada para a obediência, nem mesmo o genocídio passa a ser questionado como
algo que poderia ser evitado. Por conta disso tudo, a alternativa correta é a letra (b).

5. C
De acordo com a filósofa, palavra e ação, para se converterem em política, requerem a existência de um
espaço que permite o aparecimento da liberdade. O sentido da política é a liberdade na medida em que
a ação humana pode desencadear um mundo de possibilidades, pois a existência da humanidade se
deve à necessidade de renovação, mesmo diante do esgotamento do possível. Para Arendt, o milagre
não é algo extra-humano, mas sim a capacidade humana de realizar o improvável e é justamente por
isso que o sentido da política é a liberdade.

6. A
A comunicação entre os seres humanos só existe, de acordo com Hannah Arendt, na medida em que
somos simultaneamente agentes e espectadores. O agente se revela no discurso e na ação, tal como
afirma a filósofa em sua obra A condição humana. É assim que o agente se revela para os outros, para
aqueles que se posicionam como espectadores, ou para si próprio. Nessa medida, os modos pelos quais
os seres humanos se manifestam uns aos outros são ação e discurso.

7. C
De acordo com Hannah Arendt, é preciso buscar na polis grega o modelo para que se possa julgar as
mudanças trazidas pelo mundo moderno. Na antiguidade havia uma distribuição harmoniosa de
funções sociais, favorecendo uma noção forte de comunidade e a valorização daquilo que é público. Já
no mundo moderna, há um alargamento do espaço privado, enquanto se implantava a propriedade
burguesa. Dessa forma, a única alternativa correta é a representada pela letra (c) ao afirmar que o
privado é “o que não aparece, é o reino do obscuro, do irrelevante, da mais aguda limitação.”

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Filosofia

8. C
Os argumentos de Hannah Arendt são explicados com a expressão “banalidade do mal”. O caso do
julgamento de Eichmann leva a filósofa alemã a considerar que aquele homem não parecia ser
monstruoso, não parecia ser capaz de ter participado das atrocidades do regime nazista. Isso ocorre
por conta da banalização do mal, ou seja, quando o mal se torna algo corriqueiro, cotidiano. Essa
situação acontece quando as pessoas aceitam passivamente ordens sem questionar, tornando-se
meros funcionários que obedecem a ordens.

9. E
A propaganda se estabelece como uma forma de convencer e resulta na produção de uma
homogeneidade do pensamento levando ao declínio do debate público. É notável o avanço da influência
da mídia e da propaganda nos tempos atuais em que algoritmos de redes sociais definem o que teremos
contato da esfera supostamente pública e ofertam a nós produtos personalizadamente escolhidos de
acordo com nosso comportamento. Isso tem levado ao isolamento dos grupos sociais em bolhas e ao
atrofiamento do espaço público impedindo o diálogo.

10. C
Hannah Arendt, inspirada nas concepções políticas da Antiguidade, percebe o ser humano como
invariavelmente político, só podendo atribuir sentido à vida quando em coletividade e ativo na esfera
pública. O que distingue o ser humano é o discurso e esse é uma ação estreitamente política que se
manifesta na pluralidade gerando o espaço público

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Focault e a microfísica do poder

Resumo

Nascido em 1926 e morto em 1984, Michel Foucault é, sem dúvida alguma,


um dos mais importantes filósofos contemporâneos. Sua extensa obra, que
influencia áreas do conhecimento tão diversas, como a história, o direito, a
sociologia e a medicina social, tem como central a questão do poder. Todos
os livros de Foucault, por mais diferentes entre si, têm como objetivo central
desvendar o que é o poder e as formas como ele se exerce. Obviamente,
antes do filósofo francês, vários outros filósofos como Maquiavel e Marx,
por exemplo, já haviam discutido esse tema. Entretanto, a abordagem
foucaultiana foi totalmente inovadora – e por várias razões. Em primeiro
lugar, diferentes dos filósofos que o precederam, Foucault não acreditava
que o poder é apenas uma parte, uma área, um âmbito específico das
relações humanas. Ao contrário, para ele, o poder é a própria base das
relações humanas, é a malha a partir da qual essas relações se efetivam. Por isso, todas as relações
humanas são relações de poder. Por outro lado, Foucault também não concordava com a ideia, típica antes
dele, de que haveria formas de poder mais significativas do que as outras, como se a violência e a dominação
pudessem se reduzir a uma única forma ou modelo. Na verdade, para Foucault, como o poder está presente
em tudo o que o homem faz, o que há são variadas formas de exercício do poder, múltiplas e irredutíveis
entre si. Por fim, Foucault também não concordava com a tese de que, nas relações de poder, há alguns
sujeitos que detêm a força e a dominação, enquanto outros são meramente passivos, oprimidos e
violentados. Ao contrário, segundo o filósofo, o poder é sempre relacional, ou seja, ele é sempre uma via de
mão-dupla, de modo que, onde há poder, há resistência: onde se exerce o poder, se constituem também
contrapoderes.
A visão geral que Foucault desenvolveu a respeito do poder, obviamente, moldou também as suas pesquisas
e o seu trabalho como intelectual. Ao pensarem o poder como algo localizado, uniforme e não-relacional, os
filósofos tradicionais, sempre que se dispuseram a analisar o exercício da dominação, acabaram por
privilegiar o estudo das grandes instituições sociais, daqueles que obviamente exercem poder, tais como o
Estado, as forças armadas, as organizações religiosas e o sistema econômico. Por sua vez, ao pensar o
poder como algo sempre presente, múltiplo e relacional, Foucault procurou mostrar, acima de tudo, como o
poder se encontra presente nos ambientes, circunstâncias e relações que menos imaginamos, tais como a
escola, a ciência, o hospital, a loucura, a sexualidade, etc. Desvendar como o poder exercido através das
teorias científicas ou dos discursos a respeito do sexo, por exemplo, foi o modo que Foucault encontrou para
mostrar que o poder se encontra presente em de fato todas as relações humanas, mesmo nas que possam
nos causar mais surpresa.
“Por outro lado, a tarefa mais urgente, imediata, antes de qualquer outra coisa, é considerar a
atitude de que estamos acostumados a pensar, pelo menos em nossa sociedade europeia, que o
poder está localizado nas mãos do governo e é exercido por algumas instituições em particular,
tais como os governos locais, a polícia, o exército. Estas instituições transmitem as ordens, as
aplicam e punem as pessoas que não obedecem. Mas, penso eu, que o poder político também é
exercido por um certo número de outras instituições que não parecem ter nada em comum com o
poder político, o qual parece ser independente, mas que na verdade não é. Todos nós sabemos
que as universidades e todo o sistema educacional, que aparentemente deveria distribuir o saber,

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Filosofia

servem, na verdade, para manter o poder nas mãos de uma certa classe social e para excluir as
demais classes sociais deste instrumento de poder. A psiquiatria, por exemplo, que em aparência
parece se destinar ao bem da humanidade, também é uma maneira de impor o poder político a
um determinado grupo social. A Justiça também. Então me parece que a real tarefa política atual
em uma sociedade como a nossa é criticar os trabalhos das instituições que aparentam tanto ser
neutras quanto independentes; é criticar e atacar estas instituições, de tal maneira que a
violência política que sempre foi exercida e obscurecida por meio destas instituições, surgisse,
para que assim pudéssemos combatê-la”
(Fala de Foucault em um debate com Noam Chomsky)

Em seu esforço por desvendar os mecanismos da dominação, Foucault elaborou uma teoria a respeita da
forma de exercício do poder que ele considerava dominante em nossa sociedade capitalista: o biopoder ou
biopolítica. Como o próprio nome indica, o biopoder está associado à vida, mas como assim? Foucault
considerava que a melhor forma de compreender o biopoder é compará-lo com o modo de exercício do poder
tipicamente vigente antes dele: o chamado poder de morte ou direito de soberania. De fato, nas sociedades
absolutistas e pré-capitalistas, o rei, como soberano, concentrava todo o poder política e tinha total domínio
sobre seus súditos. Esse enorme poder, porém, não se manifestava no dia-a-dia. O rei não tinha um controle
cotidiano da vida de seus súditos, normatizando o que deveriam fazer ou não. Ao contrário, a força do
soberano não se mostrava através da vida, mas sim da morte, seja quando ele condenava alguém à pena
capital, matando tal pessoa diretamente, seja quando ele enviava um súdito à guerra, expondo-o à
possibilidade de morrer. Em outras palavras, o direito de soberania, exercidos pelos reis, era um poder que
controlava a vida encerrando-a, que exercia sua dominação extinguindo as forças vitais do indivíduo. O que
ocorre, porém, com a vitória definitiva do capitalismo, ocasionada pela Revolução Industrial? Com a
industrialização, o ritmo da produtividade aumenta de maneira exponencial e não é mais possível que os
trabalhadores mantenham o ritmo de trabalho antigo. É preciso que os funcionários sejam mais rápidos,
mais proativos, mais eficientes, enfim, que eles acompanhem o ritmo das máquinas. Torna-se necessária,
então, a constituição de um novo tipo de poder, voltado não para diminuir ou violentar a vitalidade dos
indivíduos, mas sim para aumentá-la, desenvolvê-la, fortalecê-la. É necessário um biopoder: um poder que
aumente a vitalidade dos indivíduos para melhor controlá-los. Não à toa, dizia Foucault, o século XIX é o
século da formação da biologia como ciência, do malthusianismo, da preocupação com o controle de
natalidade, do darwinismo social, da condenação da homossexualidade como doença (e não apenas como
pecado), dos ideólogos do racismo, etc. Mais: para Foucault, o próprio nazismo, no século XX, é um fruto e
uma radicalização do biopoder, afinal, genocídios houve vários na história, mas o nazismo é o primeiro deles
justificado em bases biológicas. A própria preocupação com saúde, a anorexia e bulimia, a cultura fitness, a
rejeição da velhice, características tão comuns de nossa sociedade, seriam vistos como esferas de exercício
do biopoder por Foucault. De fato, o biopoder ou biopolítica, em todas as suas manifestações (umas julgadas
comumente como boas e outras como terríveis), parte sempre do mesmo princípio: trata-se de potencializar
a vida humana, de fortalecer a saúde do indivíduo, para que este se torne mais produtivo. Em outras palavras:
para que ele se torne mais útil ao sistema econômico vigente e ao organismo social como um todo. Diferente,
portanto, do direito de soberania, que se exercia pela violência física e pela extinção da vida do indivíduo, o
biopoder se exerce de modo sutil: não pelo enfraquecimento das forças vitais, mas pelo seu controle mais
eficiente; não pela diminuição da saúde do corpo, mas pelo seu adestramento. O modo como o biopoder se
exerce é através, sobretudo, das normas, das regras, dos regulamentos. Sua lógica é a da disciplinarização
dos corpos.
Segundo Foucault, o símbolo por excelência da sociedade disciplinar em que vivemos é um modelo de prisão
que foi proposto pelo filósofo Jeremy Bentham, justamente na época da Revolução Industrial: o panóptico.
Neste modelo prisional, através de uma simples mudança de arquitetura, os vigias não precisariam mais
transitar por entre os corredores para controlar os presos. Ao contrário, a torre de vigia seria posta no centro

2
Filosofia

de um círculo, em cujas extremidade estariam as celas. Assim, sem qualquer uso de violência explícita,
apenas pelo controle do olhar, o panóptico permitia um domínio e disciplinarização total da vida dos presos.
Na verdade, para Foucault, em virtude do biopoder, todos vivemos em um constante panóptico, inteiramente
controlados, não pela força física, mas pelo domínio sutil do olhar. É o Panoptismo social, a sociedade da
disciplina, a sociedade de vigilância.
Os indivíduos nessa sociedade, segundo Foucault, são levados a desenvolver um vigor físico invejável,
incomparável com a condição do camponês medieval. Entretanto, são docilizados, disciplinados, de forma a
não perceber todo o poder que possuem. De fato, estudos recentes demonstram que, em quantidade de
trabalho por ano, nós trabalhamos muito mais que os camponeses do medieval. Voltando 200, 300 ou 400
anos no tempo e principalmente para antes da invenção da lâmpada, podemos perceber que as pessoas
estavam longe de desempenhar oito horas contínuas de trabalho. Longos feriados eram comuns. Além disso,
o camponês passava boa parte do seu tempo se dedicando a manutenção da própria vida (cuidando de sua
residência, cozinhando, alimentando-se e até tirando cochilos diários toda tarde). Em vez de acumular
dinheiro, acumulava-se tempo livre.
Na relação entre conhecimento e poder, Foucault afirma que todo poder é uma forma de conhecimento e
todo conhecimento é uma forma de poder. Podemos supor que Foucault está se referindo ao
estabelecimento da autoridade daquele que sabe, mas o autor está um passo atrás (ou à frente). Por meio
dos métodos da arqueologia e genealogia (graças à influência de Nietzsche), Foucault conclui que o
conhecimento não é natural ao ser humano, não faz parte de sua essência. O saber é contranatural e contra
instintivo. Estudando a história do conhecimento Foucault percebe que este é uma relação de poder e
dominação e que o estabelecimento da verdade pouco tem a ver com sua correspondência a qualquer objeto
ou fato. A verdade, como o conhecimento, é artificial e fruto da construção social. Vejamos o caso da tese
vencedora da Antiguidade Clássica. A filosofia grega defendida por Sócrates, Platão e Aristóteles é devedora
da certeza, da declaração de que há uma verdade absoluta e universal. Quase dois mil anos depois
Descartes, concordando com a possibilidade de se estabelecer uma verdade absoluta, busca outras formas
ter certeza. Entretanto, hoje em dia, poucos filósofos e raros cientistas se atreveriam a afirmar que uma
verdade absoluta existe. E não se trata de admitir os pensadores de hoje como corretos e os de antes como
equivocados. Aqui o ponto é perceber que, primeiro: A verdade flutua socio-historicamente. Segundo: havia
(e há hoje) resistências as concepções de verdade assumidas como certas (por exemplo, os sofistas).
O mesmo ocorre com o Direito. Para o pensador a lei é uma verdade construída de acordo com as
necessidades do poder. O sistema socioeconômico vigente precisa, para se estabelecer e se manter, de uma
delimitação formal, uma justificação abstrata que permita que os indivíduos não percebem sua artificialidade
e converta suas regras em verdade universal e a priori. As regras do direito são a resposta do poder no
sistema social para essa necessidade de produção de “verdades”. Ou seja, as leis e o direito são resultado
de uma construção social que expressa relações de poder e nada tem a ver com um senso universal de
justiça ou de bem. As leis não expressam a justiça, elas expressam o poder.

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Filosofia

Exercícios

1. Eis como ainda no início do século XVII se descrevia a figura ideal do soldado. O soldado é antes de
tudo alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de seu vigor e coragem, as marcas
também de seu orgulho: seu corpo é o brasão de sua força e de sua valentia. [...] Na segunda metade
do século XVIII, o soldado tornou-se algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto,
fez-se a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas; lentamente uma coação
calculada percorre cada parte do corpo, se assenhoreia dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente
disponível e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos.
(FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In: FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 162.)

Levando em conta essa passagem e a obra em que está inserida, é correto afirmar que, para Michel
Foucault, instituições como escolas, quartéis, hospitais e prisões são exemplos de espaços em que, a
partir do século XVIII, os indivíduos:
a) são educados de modo a se tornarem autônomos.
b) aprendem a conviver uns com os outros.
c) encontram as condições de segurança e bem-estar.
d) se tornam mais vigorosos e valentes.
e) se fazem objeto do poder disciplinar.

2. O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa
não unicamente o aumento das suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a
formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil,
e inversamente. Forma-se então uma política das coerções, que são um trabalho sobre o corpo, uma
manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987.

Na perspectiva de Michel Foucault, o processo mencionado resulta em


a) declínio cultural.
b) segregação racial.
c) redução da hierarquia.
d) totalitarismo dos governos.
e) modelagem dos indivíduos.

3. Gilberto Cotrim (2006. p. 212), ao tratar da pós-modernidade, comenta as ideias de Michel Foucault,
nas quais “[...] as sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder que se
desenvolveu a partir do século XVIII. Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas no
setor político e nas suas formas de repressão, pois está disseminado pelos vários âmbitos da vida
social [...] [e] o poder fragmentou-se em micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Assim, em vez
de se deter apenas no macro poder concentrado no Estado, [os] micropoderes se espalham pelas mais
diversas instituições da vida social. Isto é, os poderes exercidos por uma rede imensa de pessoas, por
exemplo: os pais, os porteiros, os enfermeiros, os professores, as secretarias, os guardas, os fiscais
etc.”
Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006. (adaptado)

Pelo exposto por Gilberto Cotrim sobre as ideias de Foucault, a principal função dos micropoderes no
corpo social é interiorizar e fazer cumprir
a) o ideal de igualdade entre os homens.

4
Filosofia

b) o total direito político de acordo com as etnias.


c) as normas estabelecidas pela disciplina social.
d) a repressão exercida pelos menos instruídos.
e) o ideal de liberdade individual.

4. Texto para a questão.


Para dizer as coisas mais simplesmente: o internamento psiquiátrico, a normalização mental dos
indivíduos, as instituições penais têm, sem dúvida, uma importância muito limitada se se procura
somente sua significação econômica. Em contrapartida, no funcionamento geral das engrenagens do
poder, eles são, sem dúvida, essenciais. Enquanto se colocava a questão do poder subordinando-o à
instância econômica e ao interesse que garantia, dava-se pouca importância a estes problemas.
Michel Foucault. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1977.

Foucault, ao explicar suas ideias no texto, faz-nos inferir que


a) não podemos entender as relações de poder reduzindo-as à sua dimensão econômica ou à esfera
do Estado.
b) devemos entender as relações do poder como responsabilidade somente do Estado.
c) as estruturas de poder não extrapolam o Estado e não são evidentes nas diversas práticas
sociais.
d) os governantes detêm o poder em todas as esferas das relações sociais.
e) o interesse do poder está relacionado às práticas sociais e desvinculado do Estado.

5. Para Foucault, [...] nós sentimos que, a todo momento, estamos sendo vigiados, muito embora não
saibamos se existe realmente alguém nos vigiando. Com o passar do tempo, internalizamos o vigia:
nos tornamos úteis, dóceis e disciplinados, uma vez que incorporamos as regras e normas sociais,
como se houvesse uma torre e alguém a nos vigiar e punir. O fato de termos nossas ações registradas,
vigiadas e gravadas, combinado ao fato de que nós mesmos, espontaneamente, vigiamos uns aos
outros, garantem o funcionamento automático do poder.
[...] Foucault nos mostra como esse sistema nos impõe uma disciplina e um mecanismo de
autorrepressão, que aponta uma única forma de existir, uma única maneira de pensar, uma única
maneira de ser feliz, em suma, uma única maneira de construir-se a si mesmo. Na prática, seria uma
“ditadura interna”, que pode ser tão terrível quanto uma ditadura no sentido político, já que atinge o
âmago de nossa individualidade.
(PARA FOUCAULT... 2018. p. 178).

O processo de disciplinarização, descrito pelo filósofo Michel Foucault, pode ser identificado
a) nos mecanismos de controle estabelecidos dentro das fábricas, como a regulamentação dos
horários de intervalo na produção, e na regulação da vida dos operários fora das indústrias, como
o lazer, no processo da Revolução Industrial.
b) na fase do governo jacobino, durante a época do Terror, no processo da Revolução Francesa,
quando o governo revolucionário suprimiu os princípios básicos da liberdade e fraternidade, em
nome do estabelecimento da igualdade social.
c) na proibição das greves e das organizações trabalhistas, como os sindicatos, como mecanismos
de controle do Estado sobre a vida cotidiana da população, buscando a superação dos efeitos da
Crise de 1929, na sociedade estadunidense.
d) no franquismo, quando o governo fascista espanhol, buscando fortalecer o poder estatal,
controlou as instituições civis, políticas e religiosas, provocando a oposição da Igreja Católica,
dos grandes latifundiários e empresários ao governo de Francisco Franco.

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Filosofia

e) na concepção política do Partido Menchevique, no processo da Revolução Russa, defensor de um


Estado autoritário que controlasse todos os aspectos da vida cotidiana e possibilitasse a
transição imediata do regime czarista para o socialista.

6. Penso que não há um sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos
encontrar em os lugares. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através das práticas de
sujeição ou, de maneira mais autônoma, através de práticas de liberação, de liberdade, como na
Antiguidade — a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, que podemos encontrar
no meio cultural.
FOUCAULT, M. Ditos e escritos V: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

O texto aponta que a subjetivação se efetiva numa dimensão


a) legal, pautada em preceitos jurídicos.
b) racional, baseada em pressupostos lógicos.
c) contingencial, processada em interações sociais.
d) transcendental, efetivada em princípios religiosos.
e) essencial, fundamentada em parâmetros substancialistas.

7. Michel Foucault, em Vigiar e Punir, apresenta duas imagens de disciplina: a disciplina-bloco e a


disciplina-mecanismo. Para mostrar como esses dois modelos se desenvolveram, o autor destaca
dois casos: o medieval da peste e o moderno do panóptico. Assinale, portanto, a alternativa incorreta:
a) A disciplina-bloco se estabeleceu com o esquema moderno do panóptico, uma vez que a
disciplina mecanismo, desenvolvida no período medieval para resolver o problema da peste,
estava em falência.
b) A disciplina-bloco se refere à instituição fechada, totalmente voltada para funções negativas,
proibitivas e impeditivas.
c) A disciplina-mecanismo é um dispositivo funcional que visa otimizar e tornar mais rápido o
exercício do poder, mediante o modelo panóptico.
d) É possível dizer que houve um processo de mudança da disciplina-bloco para a disciplina
mecanismo, passando pelas etapas de inversão funcional das disciplinas, ramificação dos
mecanismos e estatização dos mecanismos disciplinares.
e) A disciplina-mecanismo tem como estratégia a vigilância múltipla, inter-relacionada e contínua,
pela qual o indivíduo deve saber que é vigiado e, por consequência, o poder se exerce
automaticamente.

8. Um dos principais pensadores da pós-modernidade, Michel Foucault, afirma, por exemplo, que
vivemos numa sociedade em que há “múltiplas formas de dominação” e que, em grande parte, “marcha
„ao compasso da verdade‟ – ou seja, que produz e faz circular discursos que funcionam como
verdade, que passam por tal e que detêm, por esse motivo, poderes específicos”.
Fonte: FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 2009, p. 181; 321.

Essas afirmações exemplificam o modo pelo qual Foucault compreende a sociedade pós-moderna

Sobre os resultados das investigações de Foucault acerca das novas formas de organização social,
assinale a alternativa CORRETA.
a) Há uma organização do poder disciplinar que se concentra antes de tudo no terreno político,
independentemente dos diferentes âmbitos da vida social.

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Filosofia

b) Há uma nova forma de compreender o conhecimento, mas sem mudar a noção de verdade,
porquanto esta não pode depender jamais das circunstâncias sociais.
c) Há uma relação direta entre saber e poder enquanto o caminho do conhecimento está
essencialmente ligado às estruturas da organização social.
d) Há uma fragmentação do poder que o torna menos eficaz do que foi nos grandes regimes das
sociedades pré-modernas, quando se concentrava nas mãos do Estado.

9. “O edifício é circular. Os apartamentos dos prisioneiros ocupam a circunferência. Você pode chamá-
los, se quiser, de celas. O apartamento do inspetor ocupa o centro; você pode chamá-lo, se quiser, de
alojamento do inspetor. A moral reformada; a saúde preservada; a indústria revigorada; a instrução
difundida; os encargos públicos aliviados; a economia assentada, como deve ser, sobre uma rocha; o
nó górdio da Lei sobre os Pobres não cortado, mas desfeito — tudo por uma simples ideia de
arquitetura!”
BENTHAM, J. O panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
Essa é a proposta de um sistema conhecido como panóptico, um modelo que mostra o poder da
disciplina nas sociedades contemporâneas, exercido preferencialmente por mecanismos
a) religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê.
b) ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da dominação sofrida.
c) repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por meio da tortura física.
d) sutis, que adestram os corpos no espaço-tempo por meio do olhar como instrumento de controle.
e) consensuais, que pactuam acordos com base na compreensão dos benefícios gerais de se ter as
próprias ações controladas.

10. “A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas pelos primeiros pastores; a lei nasce das
batalhas reais, das vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror:
a lei nasce das cidades incendiadas, das terras devastadas; ela nasce com os famosos inocentes que
agonizam no dia que está amanhecendo.”
(FOUCAULT, M. Aula de 14 de janeiro de 1976. In: Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.)

O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao pensar a política e a lei em relação ao poder e à
organização social.
Com base na reflexão de Foucault, a finalidade das leis na organização das sociedades modernas é:
a) combater ações violentas na guerra entre as nações.
b) coagir e servir para refrear a agressividade humana.
c) organizar as relações de poder na sociedade e entre os Estados.
d) estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações bélicas entre países inimigos.
e) criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os indivíduos de uma mesma nação.

7
Filosofia

Gabarito

1. E
Como aponta Foucault, na passagem do antigo Regime para a modernidade um novo tipo de poder
passou a ser exercido na sociedade, o biopoder. Ele se faz presente através das instituições
responsáveis por docilizar os corpos e adestrar os indivíduos. Essas instituições são escolas, empresas,
hospitais, prisões e quartéis, onde a rígida, porém sutil, disciplina atua sobre o corpo e subjetividade das
pessoas.

2. E
Para Foucault, as formas de poderes existentes na sociedade impõem modificações nos modos de agir
dos indivíduos, a partir da coação de seus corpos, transformando-os em corpos úteis e passíveis de
sujeição. Desse modo, incorporam-se características disciplinadoras nos corpos através do controle e
do adestramento que mede, corrigi e hierarquiza corpos em um processo que modela indivíduos.

3. C
Foucault entende o poder não como um objeto natural, mas uma prática social expressa por um
conjunto de relações. Temos que pensar o poder não como uma "coisa" que uns tem e outros não, como,
por exemplo, o pai e o filho, o rei e seus súditos, o presidente e seus governados, etc., mas como uma
relação que se exerce, que opera entre os pares: o filho que negocia com o pai, os súditos que
reivindicam ao rei, os governados que usam dispositivos legais para fiscalizar o presidente, etc. Deste
ponto de vista, poder não se restringe ao governo, mas espalha-se pela sociedade em um conjunto de
práticas, a maioria delas essencial à manutenção do Estado. O poder é uma espécie de rede formada
por mecanismos e dispositivos que se espraiam por todo cotidiano - uma rede da qual ninguém pode
escapar. Ele molda nossos comportamentos, atitudes e discursos. Compreender o Estado como
portador do poder é um equívoco, pois além de ser dispendioso, o poder externo não é capaz de dar
conta dos corpos individuais, este poder não permeia a vida e não é capaz de controlar os indivíduos.
Os micro poderes atuam de forma capilar e moldam por meio dos instrumentos do Estado as reações,
domesticando os indivíduos, hierarquizando-os, normatizando comportamentos em suas relações. Isto
ocorre desde as relações mais simples até as relações mais complexas, criando condições para
estabelecer uma disciplina social ampla.

4. A
Pela perspectiva de Foucault, o poder não é exercido apenas por instituições do poder por excelência.
O poder está em todas as relações, mesmo longe da máquina estatal o do aparato econômico. O poder
está na brincadeira de rua, na relação familiar, em instituições de saúde, na escola etc.

5. A
A alternativa A traz descrito o tipo de procedimento que promove a disciplinarização e que foi adotado
pelas fábricas durante a revolução industrial. Antes do suplício, a instrução. Antes do castigo, o controle.
Desde jovens os membros dessas sociedades são condicionados a ficar em salas fechadas sentados
por longas horas realizando atividades relativamente vazias de sentido. As instituições disciplinadoras
são conhecidas como instituições de sequestro.

6. C
Para Foucault, o corpo está inserido no social e, por isso, é marcado pelo social. Todas as relações
sociais são relações de poder e, de acordo com cada momento sócio histórico, as dinâmicas de sujeição
ou liberação são subjetivadas pelos indivíduos.

7. A
A disciplina-bloco é apresentada por Foucault mediante o caso da peste, enquanto que a disciplina-
mecanismo relaciona-se com o modelo panóptico. Ainda que o aluno não conheça a obra e a
terminologia de Foucault, ele poderá compreender que a alternativa [A] está incorreta, dado que esta
contraria todas as outras alternativas.

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Filosofia

8. C
Como vimos, o conhecimento não é natural nem puro. Não está definido fora da artificialidade das
atividades sociais humanas. O conhecimento é construído e está ligado às estruturas sociais sendo
reflexo, dessa forma, das relações de poder. Por isso, o saber e o poder estão intimamente relacionados

9. D
O panóptico – também citado por Foucault – vai ser uma forma sutil de controle dos comportamentos
humanos, onde, estando o homem ciente das normas sociais, além de obedecê-la, ele vai controlar o
comportamento dos outros indivíduos.

10. E
De acordo com Michel Foucault, as relações humanas se dão através de relações de poder, em que o
ordenamento de forças é que estabelece uma organização das sociedades. É importante ressaltar que,
para Michel Foucault, o poder não é estático, ou seja, de cima para baixo. Não acredita em poder puro e
simples, mas em relações de poder que pode ser utilizado como forma de diálogo de indivíduos em uma
sociedade.

9
Filosofia

Bauman

Resumo

Um dos mais importantes sociólogos da história, Zygmunt Bauman teve como principal objetivo compreender
as especificidades da sociedade contemporânea. Com efeito, em seu entendimento, as teorias tradicionais
de sociólogos como Marx e Weber, ainda que úteis para explicar as origens do capitalismo e o início do
processo de modernização, não são capazes de dar conta da explicação do mundo social de hoje, do
capitalismo globalizado, da sociedade de espetáculo e de consumo.
Embora não haja um consenso sobre o momento exato em que a modernidade se inicia, dois eventos
históricos foram decisivos para o seu desenvolvimento. O primeiro deles, a Revolução Industrial, foi um
conjunto de mudanças ocorridas na Europa, marcadas, sobretudo, pelo êxodo rural e pela invenção da
máquina a vapor que levaram ao aumento da velocidade de produção e, por conseguinte, ao aumento da
quantidade de mercadorias produzidas. O segundo, a Revolução Francesa, foi um momento de ruptura com
as estrututras políticas e sociais do Antigo Regime, que culminou com a proclamação da Assembleia
Constituinte e a queda da Bastilha, ambas em 1789.
Para Bauman, a principal característica da modernidade é a capacidade de derreter sólidos, isto é, de fazer
com que as estruturas políticas, sociais e econômicas, assim como as próprias relações sociais, se dissolvam.
Segundo ele, a modernidade se divide em duas etapas. Na primeira etapa, a modernidade sólida, a
preocupação não é apenas a de dissolver o que foi recebido da tradição, mas também a de construir as bases
para os novos sólidos. Tomemos como exemplo a Revolução Francesa, que destruiu (dissolveu) o Antigo
Regime com o propósito de construir um novo sólido, fundamentado na razão e guiado pelos ideiais de
Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Na segunda metade do século XX, os fenômenos sociais da globalização, da individualização e o avanço das
tecnologias de comunicação transformaram a modernidade. Na segunda etapa, a modernidade líquida, os
indivíduos, as instituições e a relação entre eles não têm mais uma forma rígida, duradoura e não há a
perspectiva de criação de novos sólidos. Tudo está em constante transformação. Bauman encontra, na
metáfora do líquido, a chave para descrever as características da sociedade atual, quais sejam, a
incapacidade de manter a forma, a instabilidade e a mobilidade.
Na perspectiva baumaniana, o que caracteriza o mundo em que vivemos é a liquidez das relações sociais.
Essa liquidez, consiste em uma espécie de cultura do descartável, onde tudo se torna fluido, volátil,
impermanente. Os valores substanciais e tradicionais tendem a se enfraquecer, bem como o senso
comunitário, enquanto o individualismo e as novas modalidades de interação social tendem a ganhar força.
A modernidade líquida está presente nos mais diversos aspectos da vida social. A própria percepção do
tempo foi transformada pela liquidez. O tempo já não é mais cíclico, como nas mitologias; também não traz
a ideia de linearidade, comum à visão ocidental. Nosso tempo é pontilhado, isto é, consiste em um conjunto
de instantes encerrados em si mesmos e que não guardam qualquer relação com os instantes anteriores e
nem com os que estão por vir.
As relações afetivas, como o amor e a amizade também sofreram os efeitos da modernidade líquida. As novas
tecnologias de comunicação, sobretudo as redes sociais e os sites de relacionamento, possibilitaram novas
formas de interagir e se relacionar como, por exemplo, o relacionamento online. Escolher um(a) parceiro(a)
pela internet é uma operação que se assemelha, de algum modo, a acessar um site de vendas para comprar
um determinado produto. Tanto o site de vendas quanto o site de relacionamento nos colocam diante de uma
espécie de catálogo, no qual podemos escolher aquilo que mais nos agrada. Nesse sentido, as relações

1
Filosofia

amorosas se confundem com as relações de mercado. A amizade, por sua vez, resume-se ao duplo
movimento de conectar e desconctar. O grande atrativo das redes sociais não está, segundo Bauman, na
facilidade de fazer amizades, mas sim na facilidade de desfazê-las. Os conflitos e constragimentos
provocados pelo término de uma amizade podem ser evitados, no ambiente virtual, com apenas um click.
Outro aspecto importante da teoria de Bauman é o consumo. Segundo ele, o consumo organiza as relações
sociais, sendo capaz de mudar o modo como as pessoas veem a si mesmas e como elas projetam a sua
própria imagem para os demais. Nessa sociedade de consumidores, ninguém se torna sujeito sem primeiro
virar mercadoria, o que também contribui para a instabilidade ou liquidez das relações.

2
Filosofia

Exercícios

1. Zygmunt Bauman e Tim May afirmam que a Sociologia “é uma disciplina dinâmica e progressiva,
produzindo permanentemente novos estudos – o que, aliás, não surpreende, considerando que nossa
vida muda de várias maneiras e de diferentes momentos” (p. 8). Diante do exposto por esses autores
contemporâneos e de seus estudos de Sociologia, assinale a alternativa CORRETA.
a) A Sociologia contribui para o pensar de forma individual e auxilia a nos distanciar das redes de
relações sociais.
b) A Sociologia estuda processos sociais, funções, normas e ações individuais, bem como analisa as
estruturas presentes na sociedade.
c) A Sociologia contribui para a produção de uma visão acrítica dos fenômenos sociais.
d) Por ser uma ciência da pós-modernidade, a Sociologia procura respostas sobre a complexidade
social, apontando situações a serem analisadas em sociedade.
e) Pelo fato da Sociologia ser uma ciência do século XIX, não podemos considera-la como pós-
moderna.

2. Segundo Zygmunt Bauman, a Sociologia é constituída por um conjunto considerável de conhecimentos


acumulados ao longo da história. Pode-se dizer que a sua identidade forma-se na distinção com o
chamado senso comum. Considerando que a Sociologia estabelece diferenças com o senso comum e
estabelece uma fronteira entre o pensamento formal e o senso comum, é correto afirmar que
a) a Sociologia se distingue do senso comum por fazer afirmações corroboradas por evidências não
verificáveis, baseadas em ideias não previstas e não testadas.
b) o pensar sociologicamente caracteriza-se pela descrença na ciência e pouca fidedignidade de
seus argumentos. O senso comum, ao contrario, evita explicações imediatas ao conservar o rigor
científico dos fenômenos sociais.
c) pensar sociologicamente é não ultrapassar o nível de nossas preocupações diárias e expressões
cotidianas, enquanto o senso comum preocupa-se com a historicidade dos fenômenos sociais.
d) o pensamento sociológico se distingue do senso comum na explicação de alguns eventos e
circunstâncias, ou seja, enquanto o senso comum se preocupa em analisar e cruzar diversos
conhecimentos, a Sociologia se preocupa apenas com as visões particulares do mundo.
e) um dos papéis centrais desempenhados pela Sociologia é a desnaturalização das concepções ou
explicações dos fenômenos sociais, conservando o rigor original exigido no campo cientifico.

3. Texto 1
“A insegurança ambiente concentra-se no medo pela segurança pessoal; que por sua vez aguça ainda
mais a figura ambígua e imprevisível do estranho. Estranho na rua, gatuno perto de casa… Alarmes
contra assalto, bairros vigiados e patrulhados, condomínios fechados, tudo isso serve ao mesmo
propósito: manter os estranhos afastados. A prisão é apenas a mais radical dentre muitas medidas —
diferente do resto pelo suposto grau de eficiência, não por sua natureza. As pessoas que cresceram
numa cultura de alarmes contra ladrões tendem a ser entusiastas naturais das sentenças de prisão e
de condenações cada vez mais longas. Tudo combina muito bem e restaura a lógica ao caos da
existência.”
(Zygmunt Bauman. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999)

3
Filosofia

Texto 2
“Depois de vinte anos sem prestar atenção nas consequências sociais e humanas de um capitalismo
global incontido, o presidente do Banco Mundial chegou à conclusão de que, para a maior parte da
população mundial, a palavra ‘globalização’ sugere ‘medo e insegurança’ em vez de ‘oportunidade e
inclusão’.”
(Eric Hobsbawn, Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)

Texto 3
“Entre os jovens, cada vez mais prevalece o ‘cada um por si’. Mais do que a amizade, são redes de
cumplicidade que orientam a busca da sobrevivência, a abstenção da balbúrdia política. A sociedade
pretensamente sem classes resulta num egoísmo cheio de cautela. Tal como o capitalismo. Isso
significa que as ‘derivações’, para falar como Pareto, têm pouca influência e o homem continua a ser o
que é (mais hobbesiano e menos rousseauísta), sejam quais forem o sistema político e a ideologia que
o legitimam.”
(Gerard Vincent, Uma história do segredo? São Paulo: Companhia das Letras, 2009)

A cultura contemporânea é marcada pelo medo do outro, pelo egoísmo e pela intolerância; é possível
identificar, ainda, uma ideologia que é caracterizada pela ausência de fraternidade, pela desintegração
dos laços humanos e pela solidão. Entre as principais críticas relacionadas a essa problemática (guerra
civil, democracia e exclusão) estão as queixas ao sistema representativo, as queixas de direito e justiça,
as queixas econômicas. Sobre o tema assinale a alternativa incorreta.
a) O ceticismo quanto à política – sobretudo a democracia – acompanha esta mesma linha de
raciocínio. As relações autônomas minoram a criação de uma identidade e os direitos já
reconhecidos, poucas vezes são efetivados. A solidão cresce na mesma proporção da atitude
cética.
b) Embora haja medo do outro, as culturas de um modo geral estão se abrindo para acolher o
diferente, e isso pode ser percebido tanto na Europa, com relação ao mulçumano, quanto no Brasil,
com relação aos negros e indígenas, por exemplo.
c) As queixas de representatividade se dirigem tanto às distorções de representação internas de cada
Estado, quanto externas, voltadas a atacar as distorções de representatividade existentes na
Organização das Nações Unidas, por exemplo.
d) As queixas de direito e justiça ocorrem porque, a despeito de serem frequentemente reconhecidos
nas constituições nacionais, não são efetivados especialmente no tocante aos grupos minoritários,
isso tanto no mundo desenvolvido quanto no mundo subdesenvolvido, o que tem colaborado para
o aumento do número de movimentos que têm por escopo a reivindicação de direitos, ou da
efetivação dos já reconhecidos.
e) Quanto às queixas econômicas, diga-se que estão relacionadas ao alcance da pobreza no mundo
de hoje. Embora presente no mundo todo, ela é distribuída de forma desigual, de acordo com
critérios de raça, etnia e gênero. Por exemplo, encontram-se no sul da Ásia e na África subsaariana
aproximadamente 70% da população mundial que vivem com menos de um dólar por dia.

4
Filosofia

4. Como observam os pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados da Cultura da Universidade de


Virgínia, os executivos globais que entrevistaram “vivem e trabalham num mundo feito de viagens entre
os principais centros metropolitanos globais – Tóquio, Nova York, Londres e Los Angeles. Passam não
menos do que um terço de seu tempo no exterior. Quando no exterior, a maioria dos entrevistados
tende a interagir e socializar com outros globalizados… Onde quer que vão, hotéis, restaurantes,
academias de ginástica, escritórios e aeroportos são virtualmente idênticos. Num certo sentido
habitam uma bolha sociocultural isolada das diferenças mais ásperas entre diferentes culturas
nacionais… São certamente cosmopolitas, mas de maneira limitada e isolada.” […] A mesmice é a
característica mais notável, e a identidade cosmopolita é feita precisamente da uniformidade mundial
dos passatempos e da semelhança global dos alojamentos cosmopolitas, e isso constrói e sustenta
sua secessão coletiva em relação à diversidade dos nativos. Dentro de muitas ilhas do arquipélago
cosmopolita, o público é homogêneo, as regras de admissão são estrita e meticulosamente (ainda que
de modo informal) impostas, os padrões de conduta precisos e exigentes, demandando conformidade
incondicional. Como todas as “comunidades cercadas”, a probabilidade de encontrar um estrangeiro
genuíno e de enfrentar um genuíno desafio cultural é reduzida ao mínimo inevitável; os estranhos que
não podem ser fisicamente removidos por causa do teor indispensável dos serviços que prestam ao
isolamento e autocontenção ilusória das ilhas cosmopolitas são culturalmente eliminados – jogados
para o fundo “invisível” e “tido como certo”.
(BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 53 -55.)

De acordo com o texto, é correto afirmar que a globalização estimulou


a) a disseminação do cosmopolitismo, que rompe as fronteiras étnicas, quando todos são viajantes.
b) um novo tipo de cosmopolitismo, que reforça o etnocentrismo de classe e de origem étnica.
c) a interação entre as culturas nativas, as classes e as etnias, alargando o cosmopolitismo dos
viajantes de negócio.
d) o desenvolvimento da alteridade através de uma cultura cosmopolita dos viajantes de negócios.
e) a emergência de um novo tipo de viajantes de negócios, envolvidos com as comunidades e
culturas nativas dos países, onde se hospedam.

5. As relações amorosas, após os anos de 1960/1980, tenderam a facilitar os contatos feitos e desfeitos
imediatamente, gerando uma gama de possibilidades de parceiros e experimentos de prazer. Essa
forma de contato amoroso tem sido denominada pelos jovens como “ficar”. Assim, em uma festa pode-
se “ficar” com vários parceiros ou durante um tempo “ir ficando” em diferentes situações, sem que isso
se configure em compromisso, namoro ou outra modalidade institucional de relação. Os processos
sociais que provocaram as mudanças nas relações amorosas, bem como suas consequências para o
indivíduo e para a sociedade, têm sido problematizados por vários cientistas sociais. Assinale a
alternativa em que o texto explica os sentidos das relações amorosas descritas acima.
a) “Hoje as artes de expressão não são as únicas que se propõem às mulheres; muitas delas tentam
atividades criadoras. A situação da mulher predispõe-na a procurar uma salvação na literatura e
na arte. Vivendo à margem do mundo masculino, não o apreende em sua figura universal e sim
através de uma visão singular; ele é para ela, não um conjunto de utensílios e conceitos e sim uma
fonte de sensações e emoções; ela interessa-se pelas qualidades das coisas no que têm de
gratuito e secreto [...]”.
(BEAUVOIR, S. O segundo sexo. 5 ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1980. p. 473.)

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Filosofia

b) “Hoje, no entanto, existe uma renovação, o que significa dizer que os cientistas, quando chegam
através do seu conhecimento a esses problemas fundamentais, tentam por si próprios
compreendê-los e fazem um apelo à sua própria reflexão. Nos próximos anos, por exemplo, após
as experiências do Aspecto, a discussão sobre o espaço e sobre o tempo – problemas filosóficos
– vai ser retomada”.
(MORIN, E. A inteligência da complexidade. 2. ed. São Paulo: Peirópolis, 2000. p. 37.)

c) “Nova era demográfica de declínio populacional não catastrófico pode estar alvorecendo. Fome,
epidemias, enchentes, vulcões e guerras cobraram seu preço no passado, mas que grandes
populações não se reproduzam por escolha individual é uma mudança histórica notável. Na
Europa Ocidental, esse padrão está se estabelecendo em tempos de paz, sob condições de grande
prosperidade, embora, sejam ainda visíveis oscilações conjunturais, significativas na depressão
escandinava do início dos anos de 1990.”
(THERBORN, G. Sexo e poder. São Paulo: Contexto, 2006. p. 446).

d) “É assim numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto para o uso imediato, o
prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados,
receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro. A promessa de aprender a
arte de amar é a oferta (falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira) de
construir a ’experiência amorosa’ à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem
exibindo todas essas características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e
resultados sem esforço.
(BAUMAN, Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. p.21-22).

e) “Viver na grande metrópole significa enfrentar a violência que ela produz, expande e exalta, no
mesmo pacote em que gera e acalenta as criações mais sublimes da cultura.[...] Nesse sentido,
talvez a primeira violência de que somos vítima, já no início do dia, é o jornalismo, sempre muito
sequioso de retratar e reportar, nos mínimos detalhes, o que de mais contundente e chocante a
humanidade produziu no dia anterior [...]”.
(NAFFAH NETO, A. Violência e ressentimento. In: CARDOSO, I. et al (Orgs).
Utopia e mal-estar na cultura. São Paulo: Hucitec, 1997. p. 99.)

6. “Ver TV é um dos principais deveres do sociólogo. É ali, no mundo tal como ele é visto na TV, que a
maioria das pessoas passa boa parte de suas vidas e adquire grande parcela de seu conhecimento do
mundo. O Lebenswelt [mundo em que vivemos], o principal objeto de nosso estudo e o principal alvo
de nossas mensagens, estaria dolorosamente incompleto hoje se fosse privado dos ingredientes
fornecidos pela TV on-line. Recusar-se a ver TV equivale a dar as costas a uma parte considerável, e
ainda em crescimento, da experiência humana contemporânea. Essa é uma consideração que deveria
orientar e ditar a seleção daquilo que os sociólogos devem ver, e não, lamentavelmente, sua estética
ou outras preferências voltadas para a busca do prazer. Mas quem disse que o trabalho dos sociólogos
deve ser – está fadado a ser – invariavelmente prazeroso?”.
(BAUMAN, Z. P. Para que serve a sociologia? Diálogos com Michael Hviid Jacobsen e Keith Tester.
Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 129 e 130).

A partir do texto acima e de teorias sociológicas sobre mídias, publicidade e consumo, assinale o que
for correto.
a) A televisão, em nossa sociedade, está relacionada ao entretenimento, o que anula o interesse de
qualquer pesquisa objetiva sobre a sociedade a partir de sua observação.

6
Filosofia

b) A análise sociológica de telejornais, telenovelas, programação infantil, pode enfocar os indivíduos


em situação de vulnerabilidade intelectual.
c) Pesquisar programas televisivos é algo irrelevante para a sociologia contemporânea devido à baix
qualidade da programação.
d) Considerando o caráter subjetivo da pesquisa sociológica, seus praticantes devem se ocupar
apenas daquilo que lhes seja agradável.
e) O papel social da TV como meio de expressão, canal midiático e mediador de publicidade e
consumo, a torna um fenômeno sociologicamente relevante.

7. A Conceito central do pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), a


“modernidade líquida” seria o momento histórico que se vive atualmente, em que as instituições, as
ideias e as relações estabelecidas entre as pessoas se transformam de maneira muito rápida e
imprevisível: “Tudo é temporário, a modernidade – tal como os líquidos – caracteriza-se pela
incapacidade de manter a forma”.
Para melhor compreender a modernidade líquida, é preciso voltar ao período que a antecedeu, chamado
por Bauman de modernidade sólida, que está associada aos conceitos de comunidade e laços de
identificação entre as pessoas, que trazem a ideia de perenidade e a sensação de segurança. Na era
sólida, os valores transformavam-se em ritmo lento e previsível. Assim, tinham-se algumas certezas e
a sensação de controle sobre o mundo – sobre a natureza, a tecnologia, a economia, por exemplo.
Alguns acontecimentos da segunda metade do século XX, como a instabilidade econômica mundial, o
surgimento de novas tecnologias e a globalização, contribuíram para o enfraquecimento da ideia de
controle sobre os processos do mundo, trazendo incertezas quanto à capacidade de adequação aos
novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam constantemente. Nessa passagem do mundo
sólido ao líquido, Bauman chama atenção para a liquefação das formas sociais: o trabalho, a família, o
engajamento político, o amor, a amizade e, por fim, a própria identidade. Essa situação produz angústia,
ansiedade constante e o medo líquido: temor do desemprego, da violência, do terrorismo, de ficar para
trás, de não se encaixar nesse novo mundo.
Assim, duas das características da modernidade líquida são a substituição da ideia de coletividade e
de solidariedade pelo individualismo; e a transformação do cidadão em consumidor. Nesse contexto,
as relações afetivas se dão por meio de laços momentâneos e volúveis e tornam-se superficiais e
pouco seguras (amor líquido). No lugar da vida em comunidade e do contato próximo e pessoal,
privilegiam-se as chamadas conexões, relações interpessoais que podem ser desfeitas com a mesma
facilidade com que são estabelecidas, assim como mercadorias que podem ser adquiridas e
descartadas. Exemplo disso seriam os relacionamentos virtuais em redes sociais.
A modernidade líquida, no entanto, não se confunde com a pós-modernidade, conceito do qual Bauman
é crítico. De acordo com ele, não há pós-modernidade (no sentido de ruptura ou superação), mas sim
uma continuação da modernidade (o núcleo capitalista se mantém) com uma lógica diferente – a
fixidez da época anterior é substituída pela volatilidade, sob o domínio do imediato, do individualismo
e do consumo..
Com base no texto, é correto afirmar que:
a) a possibilidade de manter a economia mundial estável, o surgimento de novas tecnologias e a
capacidade de adequação do ser humano aos novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam
constantemente, contribuem para a redução de sentimentos como a angústia, a ansiedade e o
medo.

7
Filosofia

b) o conceito de modernidade líquida traz a palavra “liquidez” de modo metafórico para referir-se ao
momento atual, em que as instituições, as ideias e as relações estabelecidas entre as pessoas são
perenes e transformam-se de maneira previsível.
c) o sociólogo polonês Bauman entende que, na época atual, o ritmo incessante das transformações
gera angústias e incertezas e dá lugar a uma nova lógica, pautada pelo individualismo e pelo
consumo.
d) o conceito de modernidade líquida pressupõe a substituição da ideia de coletividade e de
solidariedade pelo individualismo; assim, as conexões e os relacionamentos virtuais perdem lugar
para a vida em comunidade que privilegia o contato próximo e pessoal.
e) a pós-modernidade, que segundo Bauman só poderia existir com a manutenção do núcleo
capitalista, consolidaria o consumo e a solidariedade, mas romperia com a ideia de individualidade.

8. “Mas a vocação da sociologia é fornecer orientação em um mundo reconhecidamente em mudança. E


essa vocação só pode ser realizada delineando-se as mudanças e suas consequências, assim como
investigando as estratégias de vida adequadas para lidar com suas exigências. Creio que um mundo
que exige uma reorientação contínua é o hábitat natural da pesquisa sociológica e dos serviços que a
sociologia pode e deve oferecer”.
(BAUMAN, Z. Para que serve a sociologia? Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 59).

Considerando o texto citado e conhecimentos sobre o surgimento e a institucionalização das Ciências


Sociais, assinale o que for incorreto.
a) Uma das tarefas da sociologia é mostrar como os problemas pessoais estão interligados a
questões de ordem pública e coletiva.
b) A sociologia se constitui num tipo de conhecimento relevante tanto para os cientistas e
especialistas quanto para todos aqueles afetados pelos resultados de suas pesquisas, ou seja, o
grande público.
c) A sociologia é um conhecimento originário do mundo contemporâneo e, como tal, se mostra
necessária para entender as novas formas de interação e comunicação da pós-modernidade.
d) O pensamento sociológico e as metodologias por ele empregadas não utilizam recursos
matemáticos ou estatísticos na constituição de análises sobre a história e a estrutura social de
grupos ou nações.
e) A sociologia é uma ciência, portanto estabelece problemas, dúvidas e questionamentos sobre a
realidade. Por isso, ela é também uma forma de consciência, na medida em que permite
desenvolver uma nova perspectiva sobre o próprio mundo em que vivemos.

9. Texto 1
O livro Cultura do narcisismo, escrito por Christopher Lasch em 1979, é um clássico. O texto de Lasch
mostra como o que era diagnosticado como patologia narcísica ou limítrofe nos anos 50 torna-se uma
espécie de “normalidade compulsória” depois de duas décadas. Para que alguém seja considerado
“bem-sucedido”, é trivialmente esperado que manipule sua própria imagem como se fosse um
personagem, com a consequente perda do sentimento de autenticidade.
(Christian Dunker. A cultura da indiferença . www.mentecerebro.com.br. Adaptado.)

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Filosofia

Texto 2
Zigmunt Bauman: Afastar-se da percepção de mundo consumista e do tipo de atitude individualista
contra o mundo e as pessoas não é uma questão a ponderar, mas uma obrigação determinada pelos
limites de sustentabilidade desse modelo da vida que pressupõe a infinidade de crescimento
econômico. Segundo esse modelo, a felicidade está obrigatoriamente vinculada ao acesso a lojas e ao
consumo exacerbado.
(“Lojas são alívio a curto prazo, diz o sociólogo Zigmunt Bauman”. www.mentecerebro.com.br. Adaptado.)

Considerando os textos, é correto afirmar que:


a) para Bauman, as diretrizes liberais de crescimento econômico ilimitado prescindem de reflexão
ética.
b) ambos tratam do irracionalismo subjacente aos critérios de normalidade e de felicidade.
c) a “cultura do narcisismo” apresenta um estilo de vida incompatível com a mentalidade consumista.
d) a patologia narcísica analisada por Lasch é um fenômeno restrito ao domínio psiquiátrico.
e) ambos abordam problemas historicamente superados pelas sociedades ocidentais modernas.

10. O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Globalização: as consequências humanas, afirma que a
globalização‘ tem sido apresentada como o destino irremediável do mundo, mas que, no fenômeno da
globalização, há mais coisas do que pode o olho apreender, pois o fenômeno da globalização tanto
divide como une.
(BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. (adaptado).)

Essa crítica do autor é, também, expressa em outras linguagens como na charge abaixo.

Com base na charge e nas ideias de Zygmunt Bauman, pode-se afirmar que o fenômeno da globalização
a) seleciona povos, países e setores que serão inseridos no processo, determinando a forma da
inserção.
b) uniformiza todos os países e atinge a todos da mesma maneira, sem distinção de etnia, credo e
ideologia.

9
Filosofia

c) distribui igualmente entre povos e países os produtos advindos do desenvolvimento econômico e


tecnológico.
d) transforma as nações em uma só, criando uma verdadeira ―aldeia global‖, na qual todos os povos
são iguais.
e) padroniza o mundo social, cultural, política e economicamente, reduzindo as desigualdades entre
as nações.

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Filosofia

Gabarito

1. D
A Sociologia é uma disciplina contemporânea que busca compreender e explicar os fenômenos sociais.
Nessa medida, a única alternativa correta é a representada pela letra (d).

2. E
A única alternativa que apresenta a relação adequada entre a Sociologia e o senso comum, de acordo com
o pensamento de Zygmunt Bauman, é a representada pela letra e, que afirma que “um dos papéis centrais
desempenhados pela Sociologia é a desnaturalização das concepções ou explicações dos fenômenos
sociais, conservando o rigor original exigido no campo cientifico.” Aquilo que para o senso comum pode
ser compreendido como algo “natural” ou “normal” deve ser estudado pela sociologia no sentido de tentar
desnaturalizá-lo e, portanto, de compreender as razões para a existência de determinados fenômenos
sociais.

3. B
Somente a alternativa [B] está errada. Ainda que a questão do preconceito e do racismo esteja colocada
de maneira mais nítida, verifica-se um movimento de manutenção do etnocentrismo e da intolerância. Isso
pode ser percebido, sobretudo no caso da França, onde, em abril de 2011, entrou em vigor uma lei que
proibia o uso do véu por mulheres muçulmanas em lugares públicos.

4. B
A questão exige do aluno leitura atenta do texto do enunciado. Ali, o autor faz referência explícita à forma
de vida de executivos que vivem em uma “bolha sociocultural”, sendo, por isso, cosmopolitas “de maneira
limitada e isolada”. Assim, o etnocentrismo tradicional é mantido e realocado e as diferenças étnicas não
são superadas. Portanto, somente a alternativa [B] é correta.

5. D
A alternativa [D] é a única correta. O próprio título do livro de Zigmunt Bauman (Amor Líquido) já se mostra
como indício da adequação da sua teoria para a interpretação das relações afetivas contemporâneas. É
assim que as relações sociais podem ser interpretadas no sentido da sociedade do consumo: fluidas e
descartáveis. Na própria terminologia do autor, uma afetividade líquida.

6. E
Todas as outras alternativas apresentam a TV como não possuindo relevância para a abordagem
sociológica, o que não é verdadeiro de acordo com o texto de Bauman.

7. C
No enunciado da questão, há referências explicitas à angústia provocada pela liquidez, à substituição da
ideia de coletividade e solidariedade pelo individualismo e à transformação do cidadão em consumidor.
Portanto, a alternativa [C] é a correta.

8. D
A sociologia continua a ser importante, mesmo nesse contexto de pós-modernidade. Além disso, vale
ressaltar que desde os estudos de Émile Durkheim sobre o suicídio, a estatística e a matemática continuam
sendo importantes para as pesquisas sociológicas.

11
Filosofia

9. B
Os textos-base da questão fazem crítica ao estilo de uma sociedade que impõe critérios para a
“normalidade” e para a “felicidade”. Dunker afirma que, para ser bem-sucedido, é necessário que haja a
construção artificial de um personagem. A busca por uma “normalidade” imposta, paradoxalmente, geraria
a perda da autenticidade. No mesmo sentido, Bauman aponta para a necessidade de se afastar de um
modelo de felicidade imposto – vinculado ao consumo exacerbado – que por si só traz uma clara
incongruência aos próprios limites de sustentabilidade, pois pressupõe crescimento infinito.

10. A
A alternativa (b) está errada na medida em que o processo de globalização não atinge a todos da mesma
maneira. Já a alternativa (c) está equivocada porque a globalização não distribui nada igualmente, mas
aumenta a desigualdade. A letra (d), por sua vez, está errada, pois não se pode afirmar que todos os povos
são iguais. Por fim, a letra (e) não está correta, pois a globalização não reduz a desigualdade entre as
nações. Nesse sentido, apenas a letra (a) aparece como alternativa correta de acordo com o pensamento
de Bauman.

12
Física

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Física

Indução eletromagnética - Fluxo magnetico e Lei de Faraday

Resumo

A experiência de Oersted
O físico Hans Christian Oersted demonstrou experimentalmente, em 1820, que um fio condutor com corrente
elétrica criava um campo magnético a sua volta que provocava o desvio em uma bússola colocada em sua
proximidade. Foi um grande passo para mostrar que fenômenos elétricos e magnéticos estavam ligados.

Figura 01 – Experiência de Oersted (chave aberta)

Ao fechar a chave, a bússola muda de posição

Figura 02 – Experiência de Oersted (chave fechada)

A importância dessa experiência é mostrar que cargas elétricas em movimento provocam campo magnético
nas proximidades do espaço em volta desse movimento.

Cerca de 12 anos depois o físico Michael Faraday conseguiu provar o caminho inverso, isto é, campos
magnéticos variáveis produzem corrente elétrica. Esse princípio é chamado de indução eletromagnética e é
o princípio de funcionamento do gerador mecânico de energia elétrica.
Para se conseguir corrente elétrica é preciso variar o campo magnético em uma região delimitada por fios
condutores.
Imagine a seguinte situação:
Um copo colocado embaixo de um chuveiro.
Coloca-se o copo primeiro de lado e depois vai virando-se o copo até ficar direito.

Figura 03 – Copo embaixo do chuveiro

1
Física

É fácil perceber que na primeira situação não vai entra água no copo, enquanto que na segunda situação
teremos muita água entrando no copo. Podemos dizer que o fluxo de água pela área de entrada do copo é
zero na primeira situação e máximo na segunda. Assim, à medida que o copo vai sendo girado o fluxo vai
aumentando.
Para o fluxo magnético a analogia é igual. No lugar da água, pense em um campo magnético uniforme de
módulo 𝐵. No lugar do copo pense em um aro circular de área 𝐴.

Figura 04 – Fluxo magnético

Isso quer dizer que se modificando a posição do aro (espira), teremos um fluxo magnético (𝜑) através da
área 𝐴 que será dado por

𝛗 = 𝐁. 𝐀. 𝐜𝐨𝐬𝛉

𝛗 = 𝐁𝐀 𝐧𝐚 𝐬𝐢𝐭𝐮𝐚çã𝐨 𝐝𝐞 𝐦á𝐱𝐢𝐦𝐨 𝐟𝐥𝐮𝐱𝐨 (𝐜𝐨𝐬𝛉 = 𝟏)

É importante perceber que aparecerá uma corrente elétrica induzida na espira devido a essa variação do
campo magnético. Há outras formas de produzir essa variação e criar corrente elétrica.
Modificando o campo magnético. Por exemplo aumentando o número de linhas de campo.

Figura 05 – Aumento de fluxo de linhas de campo


• Movimentar a espira através do campo.

Figura 06 – Movimentação da espira no campo magnético

2
Física

• Pela variação na área. Por exemplo, modificando a área da espira.

Figura 07 – Modificação na área da espira

Para calcular o módulo da força eletromotriz induzida (𝜀) por essas variações devemos dividir a variação do
fluxo pelo intervalo de tempo dessa variação.
∆∅
𝛆=−
∆𝐭
∆∅
|𝛆| =
∆𝐭

Lei de Faraday-Neumann

Obs.: O sinal negativo aparece na fórmula anterior porque a corrente induzida aparece no sentido que produz
um fluxo contrário à variação do fluxo indutor. É a chamada Lei de Lenz.

Dica: É importante perceber que:


• cargas elétricas em movimento produzem campo magnético;
• campos magnéticos variáveis podem produzir corrente elétrica.

Os transformadores de tensão, chamados normalmente de transformadores, são dispositivos capazes de


aumentar ou reduzir valores de tensão.
Um transformador é constituído por um núcleo, feito de um material altamente imantável, e duas bobinas
com número diferente de espiras isoladas entre si, chamadas primário (bobina que recebe a tensão da rede)
e secundário (bobina em que sai a tensão transformada).
O seu funcionamento é baseado na criação de uma corrente induzida no secundário, a partir da variação de
fluxo gerada pelo primário.
A tensão de entrada e de saída são proporcionais ao número de espiras em cada bobina. Sendo:
𝐔 𝐏 𝐍𝐏
=
𝐔 𝐒 𝐍𝐒

Onde:
• 𝑈𝑃 é a tensão no primário;
• 𝑈𝑆 é a tensão no secundário;
• 𝑁𝑃 é o número de espiras do primário;
• 𝑁𝑆 é o número de espiras do secundário.

3
Física

Exercícios

1. Um ímã natural está próximo a um anel condutor, conforme a figura.

Considere as proposições:
I. Se existir movimento relativo entre eles, haverá variação do fluxo magnético através do anel e
corrente induzida.
II. Se não houver movimento relativo entre eles, existirá fluxo magnético através do anel, mas não
corrente induzida.
III. O sentido da corrente induzida não depende da aproximação ou afastamento do ímã em relação
ao anel.

Estão corretas:
a) todas
b) somente III
c) somente I e II
d) somente I e III
e) somente II e III

2. Um imã preso a um carrinho desloca-se com velocidade constante ao longo de um trilho horizontal.
Envolvendo o trilho há uma espira metálica, como mostra a figura.

Pode-se afirmar que, na espira, a corrente elétrica:


a) é sempre nula;
b) existe somente quando o imã se aproxima da esfera;
c) existe somente quando o imã está dentro da espira;
d) existe somente quando imã se afasta da espira;
e) existe quando o imã se aproxima ou se afasta da espira.

4
Física

3. A figura mostra um imã e um anel metálico. O eixo do imã (eixo x) é perpendicular ao plano do anel e
passa pelo seu centro.

Não haverá corrente elétrica induzida no anel se ele:


a) deslocar-se ao longo do eixo x
b) deslocar-se ao longo do eixo y
c) girar em torno do eixo x
d) girar em torno do eixo y
e) girar em torno do eixo z

4. A figura abaixo representa um gerador elétrico de corrente alternada. Girando-se a espira colocada
entre os pólos do imã, nela é induzida uma corrente elétrica. Com relação a esse procedimento,
considere as alternativas:

I. O pólo norte do imã deve ficar necessariamente na parte superior e o pólo sul, na inferior para que
a intensidade da corrente seja grande.
II. A corrente elétrica aparece, porque varia o fluxo magnético na espira.
III. A intensidade da corrente elétrica independe da rapidez com que a espira é girada

Das suposições levantadas, está correto a indicada por


a) I
b) II
c) III
d) I e II
e) I e III

5
Física

5. Uma barra metálica condutora de 25 cm de comprimento é movida sobre trilhos condutores a uma
velocidade de 36 km/h. Sendo 10−5 T o módulo do campo magnético externo, a força eletromotriz
induzida sobre a barra, em Volts (V), equivale a:
a) 2,5. 10−5 V
b) 0,25. 10−5 V
c) 25. 10−5 V
d) 2. 10−5 V
e) 5. 10−5 V

6. Determine o valor da tensão elétrica induzida entre as extremidades de um fio condutor de 60 cm de


comprimento que se move com velocidade constante de 40 m/s perpendicularmente às linhas de
indução magnética de um campo de 12 T.
a) ε= 288 V
b) ε = 2,88 V
c) ε = 28,8 V
d) ε = 8,28 V
e) ε = 88,2 V

7. Quando um corpo condutor em formato de barra move-se sobre trilhos condutores e na presença de
um campo magnético externo, uma força eletromotriz (ddp) é induzida sobre os seus extremos.
Assinale a alternativa correta em relação a esse potencial elétrico induzido:
a) A força eletromotriz é inversamente proporcional ao comprimento da barra.
b) A força eletromotriz induzida é nula, pois não haverá corrente elétrica na barra.
c) A força eletromotriz induzida é proporcional ao comprimento da barra metálica, bem como ao
módulo do campo magnético externo e à velocidade da barra em relação a esse campo magnético.
d) A força eletromotriz induzida não depende da velocidade da barra em relação ao campo
magnético.
e) O campo magnético não interfere no módulo da força eletromotriz induzida.

8. Um campo magnético constante, de módulo igual a 10−4 T, atravessa uma espira de área igual a 10−5
m², formando um ângulo de 45º com a reta normal dessa espira. Calcule a intensidade do fluxo de
campo magnético sobre essa espira.
a) (√3/2).10−9 Wb
b) (√2/2). 10−9 Wb
c) 10−9 Wb
d) 10−5 Wb
e) (√3/4). 10−5 Wb

6
Física

9. O fluxo magnético é uma grandeza física que depende diretamente do ângulo θ, utilizado para seu
cálculo. Esse ângulo pode fazer o fluxo magnético assumir valor máximo ou até mesmo nulo. Os
ângulos que maximizam e minimizam o módulo do fluxo magnético, respectivamente, são iguais a:
a) θ = 45° e θ = 90°
b) θ = 90° e θ = 0°
c) θ = 0° e θ = 90°
d) θ = 30° e θ = 60°
e) θ = 90° e θ = 90°

10. Na figura f1 e f2 representam fios condutores paralelos que conduzem a mesma corrente
𝑖0 =constante. ABCD é uma espira de cobre, quadrada, no mesmo plano dos fios. Nas condições do
problema, podemos afirmar que:

a) aparece na espira uma corrente i, constante, no sentido de A para B.


b) aparece na espira uma corrente i, crescente com o tempo, no sentido de A para B.
c) na espira a corrente é nula.
d) aparece na espira uma corrente i, constante, no sentido de B para A.
e) aparece na espira uma corrente i, crescente com o tempo, no sentido de B para A.

7
Física

Gabarito

1. C
I. Correta. Para que haja corrente elétrica induzida, deve haver movimento relativo entre eles e claro que
variação de fluxo magnético
II. Correta. Só existirá corrente elétrica induzida se houver variação de fluxo magnético
III. Falsa. Depende sim — aproximação num sentido e afastamento em sentido contrário

2. E
Devemos lembrar que o fluxo magnético é um fenômeno físico pelo qual os materiais exercem forças de
atração ou repulsão em outros materiais.
A produção de uma força eletromotriz em um meio ou corpo exposto a um campo magnético variável,
seja em um meio móvel em relação a um campo magnético estático não uniforme, seja na variação do
linhas de campo que atravessam essa superfície por um turno é dado pela indução eletromagnética.
Quando o imã preso ao carrinho se aproxima espira metálica, o fluxo magnético aumenta, gerando uma
corrente elétrica na espira metálica, que é induzida num sentido.
Quando o imã preso ao carrinho se afasta da espira metálica, o fluxo magnético diminui, gerando na
espira uma corrente elétrica induzida com sentido oposto ao caso anterior.

3. C
O único caso em que não surgirá variação de fluxo magnético no interior do anel é a alternativa C

4. B
I. Falsa. A intensidade da corrente elétrica induzida independe da polaridade dos imãs.
II. Verdadeira. A espira, ao girar, varia o fluxo magnético que a atravessa.
III. Falsa. Quanto mais rápida a espira gira, maior é a variação do fluxo magnético que a atravessa e
consequentemente, maior corrente i.

5. A
Podemos calcular a força eletromotriz induzida na barra com a equação:
𝜀 = 𝐵. 𝑙. 𝑣
Tomando os dados fornecidos pelo enunciado do exercício, percebe-se que algumas unidades estão
fora do Sistema Internacional de Unidades, dessa forma, a velocidade deve ser transformada para m/s
(metros por segundo). Nesse caso, divide-se o seu módulo pelo fator 3,6, passando a valer 10 m/s. O
comprimento da barra deve ser dado em metros, logo, 0,25 m.
𝜀 = 10−5 . 0,25.10 = 2,5. 10−5 𝑉

6. A
Para determinar a tensão elétrica induzida nos terminais, isto é, nas extremidades de um fio condutor
retilíneo, fazemos uso da seguinte equação:
𝜀 = 𝐵. 𝐿. 𝑣
𝜀 = 12.0,6.40
𝜀 = 288 𝑉

7. C
A força eletromotriz induzida sobre uma barra condutora de comprimento L e que se move em trilhos
condutores, em uma região de campo magnético B, a uma velocidade v, apresenta uma diferença de
potencial induzida em suas extremidades igual a:
𝜀 = 𝐵. 𝑙. 𝑣
Dessa forma, podemos dizer que o valor da ddp induzida sobre a barra é diretamente proporcional a três
grandezas: a intensidade do campo magnético externo (B), ao comprimento da barra (L) e à velocidade
relativa entre a barra e o campo magnético (v).

8
Física

8. B
O fluxo de campo magnético pode ser calculado por meio da equação abaixo:
𝜙 = 𝐵. 𝐴. cos 𝜃
Usando os dados fornecidos pelo enunciado do exercício, teremos o seguinte cálculo:
𝜙 = 10−4 . 10−5 . cos 45°
√2
𝜙 = 1. 10−9 .
2
√2
𝜙= . 10−9 𝑊𝑏
2

9. C
Como o fluxo magnético é diretamente proporcional ao cosseno do ângulo θ, os valores máximos e
mínimos dessa grandeza física surgem para ângulos de 0º e 90º, respectivamente.

10. C
Como o campo magnético 𝐵 ⃗ originado por cada fio é fornecido por 𝐵 = 𝜇𝑖 , em cada ponto entre os fios
2𝜋𝑟
o campo magnético é constante (i constante), não havendo variação de fluxo magnético com o tempo e ,
consequentemente não surgindo corrente elétrica induzida

9
Física

Exercícios de Lentes

Exercícios

1. Um professor resolveu fazer algumas afirmações sobre óptica para seus alunos. Para tanto, contou
com o auxílio de óculos com lentes bifocais (figura abaixo). Esses óculos são compostos por duas
lentes, uma superior para ver de longe e outra inferior para ver de perto.

Com base no exposto acima e nos conhecimentos de óptica, analise as afirmações a seguir, feitas pelo
professor e seus alunos.
I. As lentes inferiores dos óculos são aconselhadas para uma pessoa com miopia.
II. As lentes superiores são lentes divergentes.
III. Pessoas com hipermetropia e presbiopia são aconselhadas a usar as lentes inferiores.
IV. As lentes inferiores possibilitam que as imagens dos objetos, que se formam antes da retina, sejam
formadas sobre a retina.
V. As lentes inferiores podem convergir os raios do Sol.
Todas as afirmações corretas estão em:
a) III e IV
b) IV e V
c) II, III e V
d) I, II e III

2. A receita de óculos para um míope indica que ele deve usar lentes de 2,0 graus, isto é, o valor da
vergência das lentes deve ser 2,0 dioptrias. Com base nos dados fornecidos na receita, conclui-se que
as lentes desses óculos devem ser
a) convergentes, com 2,0 m de distância focal.
b) convergentes, com 50 cm de distância focal.
c) divergentes, com 2,0 m de distância focal.
d) divergentes, com 50 cm de distância focal.

1
Física

3. Numa família composta por 4 pessoas, cada uma com um defeito na visão diferente dos demais, tem-
se que:
• o pai apresenta enrijecimento dos músculos ciliares, e com limitação de sua capacidade de
acomodação visual tem dificuldades para enxergar objetos próximos e longínquos.
• a mãe apresenta um alongamento do globo ocular na direção ântero-posterior com dificuldade para
enxergar objetos distantes;
• a filha apresenta irregularidades na curvatura da córnea e enxerga imagens embaçadas dos objetos
próximos ou distantes;
• o filho apresenta um encurtamento do globo ocular na direção ântero-posterior com dificuldade
para enxergar objetos próximos.

As lentes corretivas indicadas para os membros dessa família, considerando-se a ordem em que foram
citados, são, respectivamente,
a) cilíndricas, bifocais, convergentes e divergentes.
b) divergentes, bifocais, convergentes e cilíndricas.
c) bifocais, divergentes, cilíndricas e convergentes.
d) convergentes, cilíndricas, divergentes e bifocais.

4. No laboratório de Física de uma escola, um aluno observa um objeto real através de uma lente
divergente. A imagem vista por ele é:
a) virtual, direita e menor.
b) real, direita e menor.
c) virtual, invertida e maior.
d) real, invertida e maior.

5. Uma lente convergente de vidro possui distância focal f quando imersa no ar. Essa lente é mergulhada
em glicerina, um tipo de álcool com índice de refração maior que o do ar. Considerando-se que o índice
de refração do vidro é o mesmo da glicerina (iguais a 1,5), conclui-se que o diagrama que representa o
comportamento de um feixe de luz incidindo sobre a lente imersa na glicerina é o seguinte:

2
Física

6. No dia 29 de maior de 1919, uma equipe de astrônomos ingleses visitou a cidade de Sobral, no Ceará,
na tentativa de comprovar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, publicada em 1915. O objetivo da
comitiva era verificar se a luz que vinha de uma estrela sofreria algum desvio ao passar nas
proximidades do Sol. Nessa teoria, movimentos sob a ação de campos gravitacionais são
compreendidos como movimentos em um espaço curvo, conforme mostra a figura a seguir. Nela
ilustramos como a massa do Sol muda a nossa percepção da posição de uma estrela. Que tipo de
instrumento óptico representa, de forma mais precisa, a função da massa do Sol na alteração do
caminho da luz?

a) Espelho plano.
b) Espelho côncavo.
c) Espelho convexo.
d) Lente convergente.
e) Lente divergente.

7. Ao posicionar um objeto diante de uma lente esférica de características desconhecidas, é conjugada


uma imagem real, invertida e com as mesmas dimensões do objeto. Tanto o objeto quanto sua imagem
estão a 40 cm do plano da lente. Com relação a essa lente, podemos afirmar que:
a) Trata-se de uma lente divergente com distância focal igual a 10 cm.
b) Trata-se de uma lente bicôncava com distância focal superior a 25 cm.
c) Trata-se de uma lente convergente com distância focal inferior a 10 cm.
d) Trata-se de uma lente divergente com distância focal superior a 30 cm.
e) Trata-se de uma lente convergente com distância focal igual a 20 cm.

3
Física

8. A figura abaixo mostra esquematicamente o olho humano, enfatizando nos casos I e II os dois defeitos
de visão mais comuns.

Nessa situação, assinale a alternativa correta que completa, em sequência, as lacunas da frase a seguir.
No caso I trata-se da _______________, que pode ser corrigida com uma lente _______________; já no caso
II trata-se de ________________, que pode ser corrigida com uma lente _______________.

a) hipermetropia – convergente – miopia – divergente.

b) hipermetropia – divergente – miopia – convergente.

c) miopia – divergente – hipermetropia – convergente.

d) miopia – convergente – hipermetropia – divergente.

9. Considere quatro lentes esféricas delgadas de distância focal f1 = +5,0cm, f2 = -10,0 cm, f3 = +20,0 cm
e f4 = -40,0 cm. A justaposição de duas lentes terá a maior convergência quando associarmos as lentes
a) 1e2
b) 2e3
c) 1e3
d) 2e4
e) 1e4

4
Física

10. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas no fim do enunciado que segue, na ordem
em que aparecem.
O olho humano é um sofisticado instrumento óptico. Todo o globo ocular equivale a um sistema de
lentes capaz de focalizar, na retina, imagens de objetos localizados desde distâncias muito grandes até
distâncias mínimas de cerca de 25 cm. O olho humano pode apresentar pequenos defeitos, como a
miopia e a hipermetropia, que podem ser corrigidos com o uso de lentes externas. Quando raios de luz
paralelos incidem sobre um olho míope, eles são focalizados antes da retina, enquanto a focalização
ocorre após a retina, no caso de um olho hipermétrope. Portanto, o globo ocular humano equivale a um
sistema de lentes_________________. As lentes corretivas para um olho míope e para um olho
hipermétrope devem ser, respectivamente, _________________ e _________________.
a) convergentes – divergente – divergente
b) convergentes – divergente – convergente
c) convergentes – convergente – divergente
d) divergentes – divergente – convergente
e) divergentes – convergente – divergente

5
Física

Gabarito

1. C

2. D

3. C

4. A

5. E

6. D

6
Física

7. E

8. A

9. C

7
Física

10. B

8
Física

Lentes: método analítico

Resumo

Método analítico
Uma outra forma de encontrar grandezas ópticas e formar imagens em lentes é através do método analítico,
em que usamos equações no lugar dos raios notáveis. Para isso, é preciso definir as grandezas:
• Distância focal = f
• Distância entre o objeto e a lente = p
• Distância entre a imagem e a lente = p’
• Tamanho do objeto = o
• Tamanho da imagem = i
• Aumento linear transversal = A

Equação dos Pontos Conjugados de Gauss


Igualmente em espelhos, a Equação de Gauss relaciona a distância focal e as distâncias entre o
objeto/imagem e a lente:

Equação do Aumento Linear Transversal


Igualmente em espelhos, a Equação do Aumento Linear relaciona os Tamanhos e/ou as distâncias entre o
objeto/imagem e a lente.

1
Física

O valor de A indica o que aconteceu com a imagem. Sendo:


• A < 0 → Imagem invertida
• A > 0 → Imagem direita

Por exemplo, digamos que o valor de A tenha dado A = -2. Isso significa que a imagem é invertida e 2x maior
que o objeto. Outro exemplo pode ser visto quando A = ½. Isso significa que a imagem é direita e tem metade
do tamanho do objeto.

Óptica da Visão
Dentro do assunto de lentes, uma aplicação comum de encontrar é do olho humano, que funciona como uma
lente. Na imagem abaixo é possível ver a formação da imagem no olho humano. OBS: Apesar da imagem
formada ser invertida, a informação que é passado pelo nervo óptico recebe uma correção pelo cerebelo antes
de chegar no cérebro.

Note que o valor da lente até a imagem (P´) não pode ser alterado pelo ser humano. Logo, analisando pelo
Equação de Gauss, a construção da imagem está relacionada a distância do objeto até o olho e o valor da
distância focal, sendo ambos possíveis de alteração pelo ser humano. Por isso que quando você foca a sua
visão em algum objeto, as imagens dos demais perdem nitidez (turvo). O olho humano normal (sem
problemas visuais) é chamado de olho emétrope.
Um dos problemas de visão conhecido é o da Miopia. A miopia é uma deformidade no globo ocular, fazendo
com que a retina esteja mais afastada. Essa nova distância P´ ocasiona problemas na formação de imagens,
uma vez que os raios luminosos não são focalizados na retina, como mostra a imagem abaixo.

2
Física

Uma das formas de correção é a utilização de óculos, onde as lentes divergentes dos óculos têm a função
de abrir esses raios, focalizando na retina.
Outro problema de visão conhecido é o Hipermetropia. A hipermetropia é o inverso da miopia, fazendo com
que a retina esteja mais próxima. A correção para essa deficiência é a mesmo, só que utilizaremos lentes
convergentes, para os raios incidentes são fechados.

3
Física

Exercícios

1. Um boneco é colocado em frente a uma lente delgada convergente, de distância focal igual a 2,0 m.

A posição da imagem sobre o eixo ótico e o fator de ampliação da imagem do boneco valem,
respectivamente,
a) 2,0 m à direita da lente e -2.
b) 2,0 m à esquerda da lente e -1.
c) 4,0 m à direita da lente e -1.
d) 6,0 m à esquerda da lente e -1.
e) 6,0 m à direta da lente e -2.

2. Uma câmera com uma lente de 50 mm de distância focal é utilizada para fotografar uma árvore de 25
m de altura. Se a imagem da árvore no filme tem 25 mm de altura, nas condições propostas acima, a
distância entre a câmera e a árvore vale
a) 20,25 m
b) 50,05 m
c) 50,25 m
d) 25,50 m

3. Um estudante decidiu fotografar um poste de 2,7 m de altura em uma praça pública. A distância focal
da lente de sua câmera é de 8,0 cm e ele deseja que a altura da imagem em sua fotografia tenha 4,0
cm. A que distância do poste o estudante deve se posicionar?
a) -540 cm
b) -548 cm
c) 532 cm
d) 542 cm
e) 548 cm

4
Física

4. Sabe-se que o objeto fotografado por uma câmera fotográfica digital tem 20 vezes o tamanho da
imagem nítida formada no sensor dessa câmera. A distância focal da câmera é de 30 mm. Para a
resolução desse problema, considere as seguintes equações:

𝑝′ 𝑖
𝐴=− =
𝑝 𝑜
1 1 1
= +
𝑓 𝑝 𝑝′

Assinale a alternativa que apresenta a distância do objeto até a câmera.


a) 630 mm
b) 600 mm
c) 570 mm
d) 31,5 mm
e) 28,5 mm

5. Um datiloscopista munido de uma lupa analisa uma impressão digital. Sua lupa é constituída por uma
lente convergente com distância focal de 10 cm. Ao utilizá-la, ele vê a imagem virtual da impressão
digital aumentada de 10 vezes em relação ao tamanho real. Com base nesses dados, assinale a
alternativa correta para a distância que separa a lupa da impressão digital.
a) 9,0 cm.
b) 20,0 cm.
c) 10,0 cm.
d) 15,0 cm.
e) 5,0 cm.

6. Um objeto delgado, com 10 cm de altura, está posicionando sobre o eixo central de uma lente esférica
delegada convergente, cuja distância focal é igual a 25 cm.
Considerando-se que a distância do objeto à lente é de 50 cm, a imagem formada pela lente é:
a) real e de mesmo tamanho que o objeto.
b) virtual e de mesmo tamanho que o objeto.
c) real e menor que o objeto.
d) virtual e menor que o objeto.
e) virtual e maior que o objeto.

5
Física

7. As figuras mostram um mesmo texto visto de duas formas: na figura 1 a olho nu, e na figura 2 com o
auxílio de uma lente esférica. As medidas nas figuras mostram as dimensões das letras nas duas
situações.

Sabendo que a lente foi posicionada paralelamente à folha e a 12 cm dela, pode-se afirmar que ela é
a) divergente e tem distância focal – 20 cm.
b) divergente e tem distância focal – 40 cm.
c) convergente e tem distância focal 15 cm.
d) convergente e tem distância focal 20 cm.
e) convergente e tem distância focal 45 cm.

8. A macrofotografia é uma técnica utilizada para fotografar pequenos objetos. Uma condição que deve
ser obedecida na realização dessa técnica é que a imagem do objeto no filme deve ter o mesmo
tamanho do objeto real, ou seja, imagem e objeto devem estar na razão 1:1. Suponha uma câmera
formada por uma lente, uma caixa vedada e um filme, como ilustra, esquematicamente, a figura.

Considere que a distância focal da lente é 55mm e que D e 𝐷0 representam, respectivamente, as


distâncias da lente ao filme e do objeto á lente. Nesse caso, para realizar a macrofotografia, os valores
de D e 𝐷0 devem ser
a) D = 110mm e 𝐷0 = 55mm.
b) D = 55mm e 𝐷0 = 110mm.
c) D = 110mm e 𝐷0 = 110mm.
d) D = 55mm e 𝐷0 = 55mm.
e) D = 55mm e 𝐷0 = 220mm.

6
Física

9. Um projetor de slide é um dispositivo bastante usado em salas de aula e/ou conferências, para projetar,
sobre uma tela, imagens ampliadas de objetos. Basicamente, um projetor é constituído por lentes
convergentes. Nesse sentido, considere um projetor formado por apenas uma lente convergente de
distância focal igual a 10 cm. Nesse contexto, a ampliação da imagem projetada, em uma tela de 2 m
de distância do projetor, é de:
a) 20 vezes
b) 19 vezes
c) 18 vezes
d) 17 vezes
e) 16 vezes

10. Um objeto é colocado perpendicularmente ao eixo principal e a 20 cm de uma lente divergente


estigmática de distância focal igual a 5 cm. A imagem obtida é virtual, direita e apresenta 2 cm de
altura. Quando essa lente é substituída por outra convergente estigmática de distância focal igual a
4 cm e colocada exatamente na mesma posição da anterior, e mantendo-se o objeto a 20 cm da lente,
a imagem agora apresenta uma altura de _____ cm.
a) 2,5
b) 4,0
c) 5,0
d) 10,0

7
Física

Gabarito

1. E

2. B

3. E

8
Física

4. A

5. A

6. A

7. D

9
Física

8. C

9. B

10
Física

10. A
Dados do enunciado:
p = 20 cm f2 = 4 cm
f1 = −5 cm i2 = ?
i1 = 2 cm

Posição da imagem para a lente divergente:


1 1 1 1 1 1
= + − = +  p1 ' = −4 cm
f1 p p1 ' 5 20 p1 '

Altura do objeto:
i1 p ' 2 (−4)
=− 1  =−  o = 10 cm
o p o 20

Posição da imagem para a lente convergente:


1 1 1 1 1 1
= +  = +  p2 ' = 5 cm
f2 p p2 ' 4 20 p2 '

Altura da segunda imagem:


i2 p ' i 5
=− 2  2 =−  i2 = −2,5 cm
o p 10 20
Portanto, a nova imagem apresentará uma altura de 2,5 cm.

11
Física

Exercícios sobre Magnetismo

Exercícios

1. Considere um imã em forma de barra apoiado sobre uma mesa. Você segura entre os dedos outro imã
em forma de barra, e investiga as forças magnéticas que agem sobre ele, nas proximidades do imã
apoiado sobre a mesa. Você conclui que o imã entre seus dedos:

a) será sempre atraído pelo imã fixo


b) será sempre repelido pelo imã fixo
c) tenderá sempre a girar
d) não será atraído nem repelido
e) poderá ser atraído ou repelido

2. A figura I adiante representa um imã permanente em forma de barra, onde N e S indicam,


respectivamente, polos norte e sul.

Suponha que a barra seja dividida em três pedaços, como mostra a figura II. Colocando lado a lado os
dois pedaços extremos, como indicado na figura III, é correto afirmar que eles:
a) se atrairão, pois A é polo norte e B é polo sul.
b) se atrairão, pois A é polo sul e B é polo norte.
c) não serão atraídos nem repelidos.
d) se repelirão, pois A é polo norte e B é polo sul.
e) se repelirão, pois A é polo sul e B é polo norte.

1
Física

3. Quatro ímãs iguais em forma de barra, com as polaridades indicadas, estão apoiados sobre uma mesa
horizontal, como na figura, vistos de cima. Uma pequena bússola é também colocada na mesa, no
ponto central P, equidistante dos ímãs, indicando a direção e o sentido do campo magnético dos ímãs
em P.

Não levando em conta o efeito do campo magnético terrestre, a figura que melhor representa a
orientação da agulha da bússola é:

a) c) e)

b) d)

4. Na figura pode-se ver a representação de um ímã. As letras N e S identificam os polos do ímã,


respectivamente, Norte e Sul. Uma carga positiva passa com uma velocidade pela região entre os
polos desse ímã e não sofre nenhum desvio em sua direção. Nessas condições, é correto afirmar que
a direção e o sentido de cujo módulo é diferente de zero, podem ser, respectivamente:

a) perpendicular ao plano desta folha, entrando nele.


b) perpendicular ao plano desta folha, saindo dele.
c) paralela ao plano desta folha, da esquerda para a direita.
d) paralela ao plano desta folha, de cima para baixo.
e) paralela ao plano desta folha, de baixo para cima.

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Física

5. Sabe-se que no ponto P da figura existe um campo magnético na direção da reta RS e apontando de
R para S. Quando um próton (partícula de carga positiva) passa por esse ponto com a velocidade 𝑣⃗
mostrada na figura, atua sobre ele uma força, devida a esse campo magnético,

a) perpendicular ao plano da figura e “penetrando” nele.


b) na mesma direção e sentido do campo magnético.
c) na direção do campo magnético, mas em sentido contrário a ele.
d) na mesma direção e sentido da velocidade.
e) na direção da velocidade, mas em sentido contrário a ela.

6. Assim como ocorre em tubos de TV, um feixe de elétrons move-se em direção ao ponto central O de
uma tela, com velocidade constante. A trajetória dos elétrons é modificada por um campo magnético
vertical B, na direção perpendicular à trajetória do feixe, cuja intensidade varia em função do tempo t
como indicado no gráfico.
Devido a esse campo, os elétrons incidem na tela, deixando um traço representado por uma das
figuras a seguir. A figura que pode representar o padrão visível na tela é:

a) c) e)

b)
d)

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Física

7. Dentro do tubo de imagem de um televisor, a corrente elétrica, numa bobina, aplica sobre um elétron
passante um campo magnético de 5. 10−4 T, de direção perpendicular à direção da velocidade do
elétron, o qual recebe uma força magnética de 1. 10−14 𝑁. Qual o módulo da velocidade desse elétron?
Considere o módulo da carga do elétron como 1,6. 10−19 𝐶
a) 3,34. 103 𝑚/𝑠
b) 1,60. 105 𝑚/𝑠
c) 7,60. 106 𝑚/𝑠
d) 4,33. 107 𝑚/𝑠
e) 1,25. 108 𝑚/𝑠

8. Sob a ação exclusiva de um campo magnético uniforme de intensidade 0,4 T, um próton descreve um
movimento circular uniforme de raio 10 mm em um plano perpendicular à direção deste campo. A
razão entre a sua massa e a sua carga é de 8. 10−8 𝑘𝑔/𝐶 kg C. A velocidade com que o próton descreve
este movimento é de:
a) 4. 105 𝑚/𝑠
b) 2. 105 𝑚/𝑠
c) 8. 104 𝑚/𝑠
d) 6. 104 𝑚/𝑠
e) 5. 103 𝑚/𝑠

9. Analise as proposições relacionadas às linhas de campo elétrico e às de campo magnético.


I. As linhas de força do campo elétrico se estendem apontando para fora de uma carga pontual
positiva e para dentro de uma carga pontual negativa.
II. As linhas de campo magnético não nascem nem morrem nos ímãs, apenas os atravessam, ao
contrário do que ocorre com os corpos condutores eletrizados que originam os campos elétricos.
III. A concentração das linhas de força do campo elétrico ou das linhas de campo magnético indica,
qualitativamente, onde a intensidade do respectivo campo é maior.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
b) Somente a afirmativa II é verdadeira.
c) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

4
Física

10. Um ímã em forma de barra, com seus polos Norte e Sul, é colocado sob uma superfície coberta com
partículas de limalha de ferro, fazendo com que elas se alinhem segundo seu campo magnético. Se
quatro pequenas bússolas, 1, 2, 3 e 4, forem colocadas em repouso nas posições indicadas na figura,
no mesmo plano que contém a limalha, suas agulhas magnéticas orientam-se segundo as linhas do
campo magnético criado pelo ímã.

Desconsiderando o campo magnético terrestre e considerando que a agulha magnética de cada


bússola seja representada por uma seta que se orienta na mesma direção e no mesmo sentido do
vetor campo magnético associado ao ponto em que ela foi colocada, assinale a alternativa que indica,
correta e respectivamente, as configurações das agulhas das bússolas 1, 2, 3 e 4 na situação descrita.
a) c)

b) d)

e)

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Física

Gabarito

1. E
Poderá ser atraído ou repelido dependendo de quais polos estarão próximos

2. E
Observe nas figuras abaixo como ficam as polaridades:

3. A
Observe que na horizontal os dois polos sul anulam a orientação da agulha da bússola, que se alinha na
vertical segundo a alternativa A

4. C
Inicialmente observamos que o campo magnético B parte do polo norte e chega ao polo sul. Para que a
carga elétrica passe com uma velocidade v pela região entre os polos desse ímã e não sofra nenhum
desvio em sua trajetória, a força magnética deve ser nula. Isso acontece, por exemplo, quando v tem o
mesmo sentido de B, isto é, da esquerda para a direita.

5. A
Pela regra da mão esquerda a força magnética sobre a carga estará penetrando na folha

6. E
Utilizando a regra da mão esquerda a força 𝐹⃗𝑚 estaria saindo da folha, mas como a carga é negativa
(elétrons) ela estará desviando os elétrons para dentro da folha, na direção horizontal da tela

6
Física

7. E
𝐹 = |𝑞|. 𝑣. 𝐵. sin 𝜃
𝐹 1,4. 10−14
𝑣= =
𝑞. 𝐵. sin 90° 1,6. 10−19 . 5. 10−4
𝑣 = 1,25. 108 𝑚/𝑠

8. A
A força magnética é a força centrípeta. Portanto
𝑣² 𝑞. 𝐵. 𝑅
𝑞. 𝑣. 𝐵 = 𝑚. ⟶𝑣=
𝑅 𝑚
𝑣 = 4,0. 105 𝑚/𝑠

9. E
Todas as afirmações são verdadeiras.

10. C
As agulhas das bússolas se orientarão no sentido das linhas de indução; como as linhas devem ser
orientadas do polo magnético norte do ímã para o polo magnético sul, as agulhas ficarão com as
seguintes configurações:

7
Física

Indução eletromagnética

Resumo

A experiência de Oersted
O físico Hans Christian Oersted demonstrou experimentalmente, em 1820, que um fio condutor com corrente
elétrica criava um campo magnético a sua volta que provocava o desvio em uma bússola colocada em sua
proximidade. Foi um grande passo para mostrar que fenômenos elétricos e magnéticos estavam ligados.

Figura 01 – Experiência de Oersted (chave aberta)

Ao fechar a chave, a bússola muda de posição

Figura 02 – Experiência de Oersted (chave fechada)

A importância dessa experiência é mostrar que cargas elétricas em movimento provocam campo magnético
nas proximidades do espaço em volta desse movimento.

Cerca de 12 anos depois o físico Michael Faraday conseguiu provar o caminho inverso, isto é, campos
magnéticos variáveis produzem corrente elétrica. Esse princípio é chamado de indução eletromagnética e é
o princípio de funcionamento do gerador mecânico de energia elétrica.
Para se conseguir corrente elétrica é preciso variar o campo magnético em uma região delimitada por fios
condutores.
Imagine a seguinte situação:
Um copo colocado embaixo de um chuveiro.
Coloca-se o copo primeiro de lado e depois vai virando-se o copo até ficar direito.

Figura 03 – Copo embaixo do chuveiro

1
Física

É fácil perceber que na primeira situação não vai entra água no copo, enquanto que na segunda situação
teremos muita água entrando no copo. Podemos dizer que o fluxo de água pela área de entrada do copo é
zero na primeira situação e máximo na segunda. Assim, à medida que o copo vai sendo girado o fluxo vai
aumentando.
Para o fluxo magnético a analogia é igual. No lugar da água, pense em um campo magnético uniforme de
módulo 𝐵. No lugar do copo pense em um aro circular de área 𝐴.

Figura 04 – Fluxo magnético

Isso quer dizer que se modificando a posição do aro (espira), teremos um fluxo magnético (𝜑) através da
área 𝐴 que será dado por

𝛗 = 𝐁. 𝐀. 𝐜𝐨𝐬𝛉

𝛗 = 𝐁𝐀 𝐧𝐚 𝐬𝐢𝐭𝐮𝐚çã𝐨 𝐝𝐞 𝐦á𝐱𝐢𝐦𝐨 𝐟𝐥𝐮𝐱𝐨 (𝐜𝐨𝐬𝛉 = 𝟏)

É importante perceber que aparecerá uma corrente elétrica induzida na espira devido a essa variação do
campo magnético. Há outras formas de produzir essa variação e criar corrente elétrica.
Modificando o campo magnético. Por exemplo aumentando o número de linhas de campo.

Figura 05 – Aumento de fluxo de linhas de campo


• Movimentar a espira através do campo.

Figura 06 – Movimentação da espira no campo magnético

2
Física

• Pela variação na área. Por exemplo, modificando a área da espira.

Figura 07 – Modificação na área da espira

Para calcular o módulo da força eletromotriz induzida (𝜀) por essas variações devemos dividir a variação do
fluxo pelo intervalo de tempo dessa variação.
∆∅
𝛆=−
∆𝐭
∆∅
|𝛆| =
∆𝐭

Lei de Faraday-Neumann

Obs.: O sinal negativo aparece na fórmula anterior porque a corrente induzida aparece no sentido que produz
um fluxo contrário à variação do fluxo indutor. É a chamada Lei de Lenz.

Dica: É importante perceber que:


• cargas elétricas em movimento produzem campo magnético;
• campos magnéticos variáveis podem produzir corrente elétrica.

Os transformadores de tensão, chamados normalmente de transformadores, são dispositivos capazes de


aumentar ou reduzir valores de tensão.
Um transformador é constituído por um núcleo, feito de um material altamente imantável, e duas bobinas
com número diferente de espiras isoladas entre si, chamadas primário (bobina que recebe a tensão da rede)
e secundário (bobina em que sai a tensão transformada).
O seu funcionamento é baseado na criação de uma corrente induzida no secundário, a partir da variação de
fluxo gerada pelo primário.
A tensão de entrada e de saída são proporcionais ao número de espiras em cada bobina. Sendo:
𝐔 𝐏 𝐍𝐏
=
𝐔 𝐒 𝐍𝐒

Onde:
• 𝑈𝑃 é a tensão no primário;
• 𝑈𝑆 é a tensão no secundário;
• 𝑁𝑃 é o número de espiras do primário;
• 𝑁𝑆 é o número de espiras do secundário.

3
Física

Exercícios

1. Um ímã permanente cai por ação da gravidade através de uma espira condutora circular fixa, mantida
na posição horizontal, como mostra a figura. O polo norte do ímã está dirigido para baixo e a trajetória
do ímã é vertical e passa pelo centro da espira.

Use a lei de Faraday e diga o sentido da corrente induzida na espira no momento ilustrado na figura
e a direção e o sentido da força resultante exercida sobre o ímã, respectivamente.
a) Anti-horário; Vertical para cima.
b) Anti-horário; Vertical para baixo.
c) Horário; Vertical para cima.
d) Horário; Vertical para baixo.

2. Um pequeno corpo imantado está preso à extremidade de uma mola e oscila verticalmente na região
central de uma bobina cujos terminais A e B estão abertos, conforme indica a figura.

Devido à oscilação do ímã, aparece entre os terminais A e B da bobina:


a) Uma corrente elétrica constante
b) Uma corrente elétrica variável
c) Uma tensão elétrica constante
d) Uma tensão elétrica variável
e) Uma tensão e uma corrente elétrica, ambas constantes

4
Física

3. Uma espira circular está imersa em um campo magnético. O gráfico representa o fluxo magnético
através da espira em função do tempo.

O intervalo de tempo em que aparece na espira uma corrente elétrica induzida é de:
a) 0 a 1 s, somente
b) 0a3s
c) 1 s a 2 s, somente
d) 1 s a 3 s, somente
e) 2 s a 3 s, somente

4. (Enem 2011) O manual de funcionamento de um captador de guitarra elétrica apresenta o seguinte


texto:
Esse captador comum consiste de uma bobina, fios condutores enrolados em torno de um ímã
permanente. O campo magnético do ímã induz o ordenamento dos polos magnéticos na corda da
guitarra, que está próxima a ele. Assim, quando a corda é tocada, as oscilações produzem variações,
com o mesmo padrão, no fluxo magnético que atravessa a bobina. Isso induz uma corrente elétrica na
bobina, que é transmitida até o amplificador e, daí, para o alto-falante.
Um guitarrista trocou as cordas originais de sua guitarra, que eram feitas de aço, por outras feitas de
náilon. Com o uso dessas cordas, o amplificador ligado ao instrumento não emitia mais som, porque
a corda de náilon
a) isola a passagem de corrente elétrica da bobina para o alto-falante.
b) varia seu comprimento mais intensamente do que ocorre com o aço.
c) apresenta uma magnetização desprezível sob a ação do ímã permanente.
d) induz correntes elétricas na bobina mais intensas que a capacidade do captador.
e) oscila com uma frequência menor do que a que pode ser percebida pelo captador.

5
Física

5. (Enem 2ª aplicação 2010) Os dínamos são geradores de energia elétrica utilizados em bicicletas para
acender uma pequena lâmpada. Para isso, é necessário que a parte móvel esteja em contato com o
pneu da bicicleta e, quando ela entra em movimento, é gerada energia elétrica para acender a lâmpada.
Dentro desse gerador, encontram-se um imã e uma bobina.

O princípio de funcionamento desse equipamento é explicado pelo fato de que a


a) corrente elétrica no circuito fechado gera um campo magnético nessa região.
b) bobina imersa no campo magnético em circuito fechado gera uma corrente elétrica.
c) bobina em atrito com o campo magnético no circuito fechado gera uma corrente elétrica.
d) corrente elétrica é gerada em circuito fechado por causa da presença do campo magnético.
e) corrente elétrica é gerada em circuito fechado quando há variação do campo magnético.

6. (Enem 2018) A tecnologia de comunicação da etiqueta RFID (chamada de etiqueta inteligente) é usada
há anos para rastrear gado, vagões de trem, bagagem aérea e carros nos pedágios. Um modelo mais
barato dessas etiquetas pode funcionar sem baterias e é constituído por três componentes: um
microprocessador de silício; uma bobina de metal, feita de cobre ou de alumínio, que é enrolada em
um padrão circular; e um encapsulador, que é um material de vidro ou polímero envolvendo o
microprocessador e a bobina. Na presença de um campo de radiofrequência gerado pelo leitor, a
etiqueta transmite sinais. A distância de leitura é determinada pelo tamanho da bobina e pela potência
da onda de rádio emitida pelo leitor.
Disponível em: http:eleletronicos.hsw.uol.com.br. Acesso em: 27 fev. 2012 (adaptado).

A etiqueta funciona sem pilhas porque o campo


a) elétrico da onda de rádio agita elétrons da bobina.
b) elétrico da onda de rádio cria uma tensão na bobina.
c) magnético da onda de rádio induz corrente na bobina.
d) magnético da onda de rádio aquece os fios da bobina.
e) magnético da onda de rádio diminui a ressonância no interior da bobina.

6
Física

7. (Enem 2ª aplicação 2010) Há vários tipos de tratamentos de doenças cerebrais que requerem a
estimulação de partes do cérebro por correntes elétricas. Os eletrodos são introduzidos no cérebro
para gerar pequenas correntes em áreas específicas. Para se eliminar a necessidade de introduzir
eletrodos no cérebro, uma alternativa é usar bobinas que, colocadas fora da cabeça, sejam capazes
de induzir correntes elétricas no tecido cerebral.
Para que o tratamento de patologias cerebrais com bobinas seja realizado satisfatoriamente, é
necessário que
a) haja um grande número de espiras nas bobinas, o que diminui a voltagem induzida.
b) o campo magnético criado pelas bobinas seja constante, de forma a haver indução
eletromagnética.
c) se observe que a intensidade das correntes induzidas depende da intensidade da corrente nas
bobinas.
d) a corrente nas bobinas seja contínua, para que o campo magnético possa ser de grande
intensidade.
e) o campo magnético dirija a corrente elétrica das bobinas para dentro do cérebro do paciente.

8. (Upf 2018) A indução eletromagnética é um fenômeno que se encontra presente em diversos


equipamentos que utilizamos cotidianamente. Ela é utilizada para gerar energia elétrica e seu princípio
físico consiste no aparecimento de uma força eletromotriz entre os extremos de um fio condutor. Para
que essa força eletromotriz surja, é necessário haver variação de
a) campo elétrico.
b) resistência elétrica.
c) capacitância elétrica.
d) temperatura.
e) fluxo magnético.

9. (Fuvest 2010) Aproxima-se um ímã de um anel metálico fixo em um suporte isolante, como mostra a
figura. O movimento do ímã, em direção ao anel,

a) não causa efeitos no anel.


b) produz corrente alternada no anel.
c) faz com que o polo sul do ímã vire polo norte e vice versa.
d) produz corrente elétrica no anel, causando uma força de atração entre anel e ímã.
e) produz corrente elétrica no anel, causando uma força de repulsão entre anel e ímã.

7
Física

10. (Ufjf-pism 3 2015) Uma espira circular está imersa em um campo magnético criado por dois ímãs,
conforme a figura abaixo. Um dos ímãs pode deslizar livremente sobre uma mesa que não interfere no
campo gerado. O gráfico da figura, a seguir, representa o fluxo magnético através da espira em função
do tempo.

O intervalo de tempo em que aparece na espira uma corrente elétrica induzida é de:
a) 0 a 1 s, somente.

b) 0 a
1 s e de 3 a 4 s.

3s 5 s.
c) 1 a e de 4 a
2s 5 s.
d) 1 a e de 4 a
e) 2 a 3 s somente.

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Física

Gabarito

1. B
Como o imã esta caindo em direção à espira, o número de linhas de campo magnético que atravessa a
área definida pela espira está aumentando, o que faz surgir uma corrente induzida na espira. O sentido
da corrente é tal que esta gera um campo magnético que se opõe à variação da densidade de linhas de
campo magnético (veja o desenho)

O campo gerado pela corrente induzida na espira comporta-se como um imã cujo polo norte está dirigido
para cima tendendo a repelir verticalmente o imã. Portanto, a força resultante é vertical para baixo e tem
modulo menor que o peso do imã.

2. D
Devido ao movimento do imã haverá uma variação de fluxo magnético que irá originar uma fem induzida
variável no decorrer do tempo. Como os terminais a e b da bobina estão em aberto, a corrente elétrica
será nula, mas entre estes haverá uma tensão variável.

3. D
Para que exista uma corrente induzida é necessário uma fem induzida. Pela lei de faraday, temos:
∆𝝓
𝜺=
∆𝒕
Ou seja, é necessário uma variação de fluxo para que exista uma fem induzida. O intervalo de tempo
durante o qual há variação de fluxo é de t = 1s até t = 3 s.

4. C

De acordo com o enunciado: “O campo magnético do ímã induz o ordenamento dos polos magnéticos
na corda da guitarra...”. Trocando-se as cordas de aço (material ferromagnético) por cordas de nylon, o
efeito de magnetização torna-se muito fraco, desprezível, não enviando sinais ao amplificador.

5. E
De acordo com a lei de Faraday-Neumann, a corrente elétrica induzida num circuito fechado ocorre
quando há variação do fluxo magnético através do circuito.

6. C
De acordo com a Lei de Faraday, uma corrente elétrica é induzida na bobina quando há variação do fluxo
do campo magnético.

7. C
A intensidade da corrente induzida depende da variação do fluxo magnético gerado pela corrente na
bobina: quanto mais intensa for a corrente na bobina, maior será a intensidade da corrente induzida no
cérebro.

9
Física

8. E
Para haver indução eletromagnética é necessária que haja variação do fluxo magnético que atravessa
os condutores por movimento relativo entre imã e enrolamento elétrico.

9. E
A aproximação do ímã provoca variação do fluxo magnético através do anel. De acordo com a Lei de
Lenz, sempre que há variação do fluxo magnético, surge no anel uma corrente induzida. Essa corrente é
num sentido tal que produz no anel uma polaridade que tende a ANULAR a causa que lhe deu origem, no
caso, o movimento do ímã. Como está sendo aproximado o polo norte, surgirá na face do anel frontal ao
ímã, também um polo norte, gerando uma força de repulsão entre eles.

10. C
Só há o surgimento de corrente induzida na espira quando houver variação no fluxo magnético, isto é,
durante os intervalos de 1 a 3 s e de 4 a 5 s.

10
Física

Óptica geométrica: fases da lua

Resumo

O ser humano sempre foi fascinado pela luz. Espelhos simples são encontrados em sítios arqueológicos
antigos estendendo-se do Egito até a China. Nossos ancestrais aprenderam por volta de 1500 anos A.C. a
fazer fogueiras ao focalizar a luz do Sol usando lentes rudimentares. Daí, é só um pequeno passo até
conseguirmos fazer perfurações com feixes a laser.
Para começarmos a contemplar o conteúdo básico por trás da imensidão que a luz nos
proporciona, precisamos entender os princípios e os fenômenos que envolvem a óptica geométrica.

O Modelo de Raios Luminosos


Um holofote produz um facho de luz que corta a escuridão do céu.
Raios de Sol penetram numa sala mal iluminada através da fresta na
janela. Nossa experiência cotidiana de que a luz viaja em linha reta é a
base do modelo de raios luminosos da luz, que, apesar de ser uma
simplificação da realidade, é um pressuposto bem útil em seu domínio
de validade, caracterizando a Óptica Geométrica.

Conceitos básicos
• Luz: onda eletromagnética que se propaga no vácuo e em alguns meios materiais. Velocidade da luz no
vácuo: c = 300.000km/s.
• Raio de luz: segmento de reta orientado no sentido da propagação.

• Fontes primárias: corpos que emitem luz própria.


Ex.: Sol.

• Fontes secundárias: corpos que refletem a luz emitida pelas fontes primárias.
Ex.: Lua.

1
Física

Meios de propagação da luz


• Meio transparente: propagação regular da luz; observador vê objeto com nitidez.

• Meio translúcido: propagação irregular da luz; observador vê objeto sem nitidez.

• Meio opaco: não permite a propagação de luz; ex.: a pele humana.

Princípios da Óptica Geométrica


A luz, durante sua propagação, obedece a uma série de princípios:
• Princípio da Propagação Retilínea dos Raios Luminosos: em meios homogêneos e transparentes, a luz
se propaga em linha reta.

2
Física

• Princípio da Independência dos Raios Luminosos: quando dois raios de luz ou feixes de luz se cruzam,
continuam suas trajetórias individualmente. Um raio não interfere na trajetória de outro.

• Princípio da Reversibilidade dos Raios Luminosos: o caminho seguido por um raio de luz independe do
sentido de propagação.

Sombra e Penumbra
Quando um obstáculo opaco é colocado entre uma fonte de luz e um anteparo, é possível delimitar regiões
de sombra e penumbra.

Se pensarmos em uma fonte de luz pontual, essas regiões recebem o nome de SOMBRA ou UMBRA.

3
Física

Agora, se pensarmos em uma fonte extensa ou várias fontes pontuais, teremos duas regiões distintas. A
região que não recebe luz de região alguma é chamada de sombra, mas a região parcialmente iluminada –
que recebe luz da fonte extensa ou de alguma das fontes pontuais – é chamada de PENUMBRA.

Câmara Escura com Orifício


Uma câmara escura com orifício é constituída por uma caixa de paredes opacas; um pequeno orifício é feito
em uma das faces. Com isso, a luz vinda de um objeto incide pelo orifício e é refletida no fundo da caixa,
gerando uma imagem projetada e invertida em relação ao objeto.

Eclipses

4
Física

As regiões de sombra e penumbra de corpos e fontes esféricas são conceitos importantes para entender o
fenômeno dos eclipses. Trata-se de um fenômeno natural que acontece com relativa frequência. O último
eclipse total do Sol registrado ocorreu em 1999. Como o Sol, a Lua e a Terra são corpos esféricos, valem as
considerações anteriores sobre sombra e penumbra.
O eclipse do Sol ocorre quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra; o Sol fica eclipsado pela Lua. Já
o eclipse da Lua ocorre quando a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua; nesse caso, a Lua entra primeiro no
cone de penumbra da Terra e depois na região de sombra da Terra.
Obs.: Eclipse solar só ocorre em fase de Lua Nova e eclipse lunar só ocorre em fase de Lua Cheia.

Fases da Lua

No hemisfério sul, as fases da Lua seguem, em média, os seguintes períodos de visibilidade:


• Lua Cheia: nasce, tem seu ápice e se põe, respectivamente, às 18h – 24h – 06h.
• Lua Nova: nasce, tem seu ápice e se põe, respectivamente, às 06h – 12h – 18h.
• Lua Crescente: nasce, tem seu ápice e se põe, respectivamente, às 12h – 18h – 24h.
• Lua Minguante: nasce, tem seu ápice e se põe, respectivamente, às 24h – 06h – 12h.

5
Física

Lembre-se que cada fase da Lua dura sete dias, tendo o período lunar, então, uma duração de 28 dias, em
média.

A cor de um Corpo
Ao realizar experimentos com a luz solar no século XVII, Isaac Newton verificou que ela dava origem a feixes
de luz coloridos quando atravessava um prisma, correspondentes às cores do arco-íris. Dispondo de outro
prisma, verificou também que era capaz de recombinar as luzes, fazendo luz solar emanar do prisma, o que
chamou de luz branca.

Um feixe de luz é chamado de monocromático se for formado por apenas uma das cores do espectro
eletromagnético (vermelho, amarelo, alaranjado, verde, azul, anil e violeta), como acontece em um laser.
Falaremos do espectro eletromagnético e a teoria ondulatória em outro momento. Ao contrário, um feixe de
luz é chamado de policromático quando é formado por várias cores, como é o caso da luz branca.
A cor de um corpo iluminado é determinada pela constituição da luz que ele reflete difusamente. Se, por
exemplo, um corpo iluminado com luz branca refletir a luz verde e absorver as demais, este corpo terá cor
verde; quando iluminado com luz branca, absorvendo-a totalmente, terá cor preta.

Se iluminarmos um corpo de cor verde com luz monocromática vermelha, ele nos parecerá preto, pois
absorve a luz vermelha, não enviando nada aos nossos olhos.

6
Física

Exercícios

1. (G1 – cps 2020) SOHO, abreviação de Solar & Heliospheric Observatory, é uma sonda que orbita o Sol
e coleta informações de nossa estrela utilizando vários instrumentos. Um deles registra o
comportamento da coroa solar e, para isso, conta com um pequeno disco opaco que fica
estrategicamente posicionado à frente da câmera, ocultando a visão do disco solar.
Esse instrumento simula o que acontece quando, devidamente protegidos, estamos observando, daqui
da Terra, o Sol no momento em que ocorre um eclipse

a) lunar total, com a Lua se interpondo entre a Terra e o Sol.


b) lunar parcial, com a Terra se interpondo entre a Lua e o Sol.
c) solar total, com a Lua se interpondo entre a Terra e o Sol.
d) solar total, com a Terra se interpondo entre a Lua e o Sol.
e) Solar parcial, com a Lua se interpondo entre a Terra e o Sol.

2. (Enem PPL 2019) A figura mostra, de forma esquemática, uma representação comum em diversos
livros e textos sobre eclipses. Apenas analisando essa figura, um estudante pode concluir que os
eclipses podem ocorrer duas vezes a cada volta completa da Lua em torno da Terra. Apesar de a figura
levar a essa percepção, algumas informações adicionais são necessárias para se concluir que nem o
eclipse solar, nem o lunar ocorrem com tal periodicidade.

A periodicidade dos eclipses ser diferente da possível percepção do estudante ocorre em razão de:

a) eclipses noturnos serem imperceptíveis da Terra.


b) planos das órbitas da Terra e da Lua serem diferentes
c) distância entre a Terra e a Lua variar ao longo da órbita.
d) eclipses serem visíveis apenas em parte da superfície da Terra.
e) o Sol ser uma fonte de luz extensa comparado ao tamanho da lua.

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Física

3. (G1 - cftrj 2019) Durante o ano de 2018, ocorreram 5 eclipses: 3 eclipses solares e 2 eclipses lunares.
No Brasil, só nos foi possível observar o eclipse lunar total que ocorreu em 27 de julho.

O eclipse lunar ocorre porque a Terra se alinha com o Sol e com Lua. O Sol emite seus raios para a
Terra que, devido a suas dimensões, cria uma sombra na Lua. Este efeito será mais visível quanto
melhor for a visibilidade da Lua e, por isso, em alguns casos, o eclipse lunar deixa a Lua com uma
coloração próxima ao vermelho.

Podemos afirmar que a fase em que se encontrava a Lua para o fenômeno do eclipse lunar total,
observado no Brasil, era a:
a) Nova.
b) Crescente.
c) Cheia.
d) Minguante.

4. (Uece 2019) A energia solar fotovoltaica é uma das fontes de energia em franca ascensão no Brasil.
Dentre os diversos componentes de um sistema solar fotovoltaico, destaca-se o painel solar. De modo
simplificado, esse componente é constituído por uma camada de vidro para proteção mecânica,
seguida de uma camada formada por células solares e uma última camada, na parte inferior, também
para proteção e isolamento.
Sendo o vidro um material semitransparente, um raio solar que chega ao painel é
a) parcialmente refletido e totalmente refratado pelo vidro.
b) parcialmente refletido e parcialmente refratado pelo vidro.
c) totalmente refratado pelo vidro.
d) Totalmente refletido pelo vidro.

5. (Unioeste 2019) No dia 27 de julho deste ano de 2018, aconteceu um fenômeno celeste denominado
de “Lua de Sangue”. Considerado o eclipse lunar com maior duração já ocorrido no século 21, o
fenômeno acontece devido à luz do Sol, que é refratada pela atmosfera da Terra e chega à superfície
da Lua no espectro do vermelho (REVISTA GALILEU, 2018). Sobre o fenômeno dos eclipses, a
propagação da luz e as cores dos objetos, assinale a alternativa CORRETA.
(Fonte: REVISTA GALILEU, Lua de Sangue: por que o eclipse será o mais longo do século? Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/07/lua-de-sangue-por-que-o-eclipse-sera-o-mais-longo-
doseculo.html. Acesso em: 20 de agosto de 2018.

a) O eclipse lunar ocorre quando a Lua se encontra entre o Sol e a Terra, em perfeito alinhamento,
projetando sua sombra sobre a superfície do planeta.
b) Eclipses são fenômenos que acontecem como consequência imediata do princípio de
propagação retilínea da luz.
c) O fenômeno da interferência explica a decomposição da luz branca nas diversas cores que
formam o espectro da luz visível quando essa atravessa a atmosfera terrestre.
d) Dentre as cores visíveis, a vermelha é a que possui maior energia, por isso ela consegue
atravessar a atmosfera terrestre e atingir a superfície da Lua durante o eclipse.
e) No fenômeno da “Lua de Sangue”, a Lua absorve apenas a frequência do vermelho e reflete as
demais frequências da luz solar.

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Física

6. (Enem 2019) Os olhos humanos normalmente têm três tipos de cones responsáveis pela percepção
das cores: um tipo para tons vermelhos, um para tons azuis e outro para tons verdes. As diversas
cores que enxergamos são o resultado da percepção das cores básicas, como indica a figura.

A protanopia é um tipo de daltonismo em que há diminuição ou ausência de receptores da cor


vermelha. Considere um teste com dois voluntários: uma pessoa com visão normal e outra com caso
severo de protanopia. Nesse teste, eles devem escrever a cor dos cartões que lhes são mostrados.
São utilizadas as cores indicadas na figura.
Para qual cartão os dois voluntários identificarão a mesma cor?
a) Vermelho
b) Magenta
c) Amarelo
d) Branco
e) Azul

7. (G1 - ifsp 2017) Durante algum tempo, acreditou-se que o eclipse solar representava a ira dos deuses
sobre a humanidade. Hoje, sabe-se que este eclipse é um fenômeno natural no qual a Lua encobre
alguns raios provenientes do Sol, causando uma sombra sobre alguns pontos da Terra. Sobre o eclipse
solar e a propagação da luz, analise as assertivas abaixo.
I. A Lua precisa estar na fase cheia para absorver alguns raios vindos do Sol e causar o eclipse na
Terra.
II. A posição dos astros no eclipse solar é: Sol – Lua – Terra.
III. O princípio da propagação retilínea da luz explica o fenômeno de sombra feito pela Lua sobre a
Terra.
IV. O eclipse solar demonstra a face circular da Terra sobre a Lua.

É correto o que se afirma em


a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, apenas.
e) III, apenas.

9
Física

8. (G1 - cps 2017) Os centros urbanos possuem um problema crônico de aquecimento denominado ilha
de calor.
A cor cinza do concreto e a cor vermelha das telhas de barro nos telhados contribuem para esse
fenômeno.
O adensamento de edificações em uma cidade implica diretamente no aquecimento. Isso acarreta
desperdício de energia, devido ao uso de ar condicionado e ventiladores.
Um estudo realizado por uma ONG aponta que é possível diminuir a temperatura do interior das
construções. Para tanto, sugere que todas as edificações pintem seus telhados de cor branca,
integrando a campanha chamada “One Degree Less” (“Um grau a menos”).

Para justificar a cor proposta pela ONG, o argumento físico é de que a maioria das ondas incidentes
presentes na luz branca são
a) absorvidas pela tinta branca, sendo mantida a energia no telhado.
b) refletidas pela tinta branca, sendo mantida a energia no telhado.
c) refletidas pela tinta branca, sendo devolvida a energia para o exterior da construção.
d) refratadas pela tinta branca, sendo transferida a energia para o interior da construção
e) refratadas pela tinta branca, sendo devolvida a energia para o exterior da construção.

9. (Imed 2016) Um observador na superfície do planeta observa num arco-íris primário, que o vermelho
é a cor que sempre está em __________ da cor azul. Isso porque sofre __________ refração em relação
ao azul. Além disso, é correto dizer que, durante a refração nas gotas de chuva, as frequências das
cores __________.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

a) baixo – menor – aumentam


b) cima – menor – aumentam
c) cima – menor – permanecem inalteradas
d) baixo – maior – permanecem inalteradas
e) baixo – maior – diminuem

10. (Unicamp 2016) O Teatro de Luz Negra, típico da República Tcheca, é um tipo de representação cênica
caracterizada pelo uso do cenário escuro com uma iluminação estratégica dos objetos exibidos. No
entanto, o termo Luz Negra é fisicamente incoerente, pois a coloração negra é justamente a ausência
de luz. A luz branca é a composição de luz com vários comprimentos de onda e a cor de um corpo é
dada pelo comprimento de onda da luz que ele predominantemente reflete. Assim, um quadro que
apresente as cores azul e branca quando iluminado pela luz solar, ao ser iluminado por uma luz
monocromática de comprimento de onda correspondente à cor amarela, apresentará,
respectivamente, uma coloração
a) amarela e branca.
b) negra e amarela.
c) azul e negra.
d) Totalmente negra.

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Física

Gabarito

1. C
Se o pequeno disco fica posicionado à frente da câmera, ocultando o disco solar, trata-se de um eclipse
total do Sol. Como mostra a figura, nesse eclipse a Lua posiciona-se entre a Terra e o Sol.

2. B
De acordo com a figura, seria possível concluir que a Lua fica entre a Terra e o Sol, bloqueando os raios
solares (eclipse solar) e também fica bloqueada dos raios solares pela Terra (eclipse lunar) a cada volta
completa. Contudo, esses fenômenos não se dão com tal periodicidade devido à diferença entre os
planos das órbitas da Terra e da Lua.

3. C
O eclipse lunar ocorre quando a Terra está entre o Sol e a Lua e esse fenômeno ocorre na Lua cheia.
O esquema ilustra os eclipses solar e lunar.

4. B
Os raios que incidem num material semitransparente são parcialmente refletidos e parcialmente
refratados.

5. B
O eclipse lunar ocorre quando a Lua penetra a região de sombra da Terra projetada pelo Sol. A
decomposição da luz branca ao atravessar a atmosfera é devido ao fenômeno da refração. Dentre as
cores a que apresenta maior energia é a violeta, a cor vermelha, ao contrário tem a menor energia e maior

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Física

comprimento de onda. A cor que enxergamos no fenômeno é a cor refletida pela Lua, ou seja, a vermelha.
Logo, a resposta correta é da alternativa [B].

6. E
Dentre as opções, o único cartão que não apresenta componente de tom vermelho, é o cartão azul.

7. B
Justificando os itens falsos:
[I] Falso. Como vemos pela figura abaixo o eclipse solar só pode acontecer na fase da Lua Nova.

[IV] Falso. Podemos ver o que acontece na figura abaixo.

8. C
A luz branca é composta por todas as cores, sendo assim, ao pintarmos os telhados de branco, teremos
a reflexão de todo o espectro da luz visível, diminuindo a energia luminosa absorvida pelos telhados, pois
parte do espectro das ondas eletromagnéticas recebidas pelo Sol será enviado de volta para a atmosfera.

9. C
O fenômeno do arco-íris ocorre devido à mudança de meio da luz branca que incide sobre gotas de
chuva, ocorrendo a mudança de velocidade das diversas cores que compõe a luz branca. Cada cor sofre
a refração, sendo que o vermelho tem maior velocidade e refrata em um ângulo menor em relação ao
azul que possui menor velocidade depois de refratado e um ângulo de refração maior, sendo assim, no
arco-íris vemos o vermelho por fora e o azul por dentro do cone de luz. Neste fenômeno, as frequências
das luzes monocromáticas são mantidas constantes.
A alternativa [C] está de acordo com o fenômeno.

10. B
Como somente incide radiação da cor amarela,
- na porção azul, que reflete apenas o comprimento de onda referente a essa radiação, não ocorre
reflexão alguma, e ela apresenta coloração negra;
- na porção branca, que reflete igualmente todas as radiações, há reflexão somente da radiação amarela
e ela apresenta, então, coloração amarela.

12
Física

Efeito Doppler

Resumo

Quando estudamos os fenômenos ondulatórios, falamos do comportamento das ondas em determinadas


situações propostas. Mas sabe o que todas elas têm em comum? Todas estão sendo analisadas por um
referencial inercial, ou seja, todas partem do pressuposto de um observador parado!
O fenômeno ondulatório chamado de Efeito Doppler veio para ser o diferente! O Efeito Doppler é o fenômeno
ondulatório que descreve como o comportamento de ondas emitidas ou refletidas por fontes em movimento
relativo ao observador. Isso que dizer que para ocorrer esse fenômeno, teremos ou um observador em
movimento ou uma fonte em movimento.
O efeito foi descrito teoricamente pela primeira vez em 1842 por Johann Christian Andreas Doppler,
recebendo o nome Efeito Doppler em sua homenagem.

Efeito Doppler em ondas sonoras

Figura 01 – Efeito Doppler no som

Falando de ondas sonoras, o efeito Doppler constitui o fenômeno pelo qual um observador percebe
frequências diferentes das emitidas por uma fonte. Isso ocorre devido à velocidade relativa entre a onda
sonora e o movimento relativo entre o observador e/ou a fonte.
Caso a fonte esteja se afastando de ponto de referencial (observador), notaremos valores de frequência
baixos. Já se a fonte se aproxima do ponto de referencial (observador), notaremos valores de frequência alto.
Consequentemente, já que a velocidade da onda não é alterada durante esse fenômeno (a velocidade do som
é definida no meio que ele pertence e a onda sonora não muda de meio durante o Efeito Doppler), temos que
o aumento da frequência observada provoca uma diminuição no comprimento de onda. Da mesma forma, a
diminuição da frequência observada provoca um aumento no comprimento de onda.
Isso explica por que quando você está na rua e vê um carro de polícia, bombeiro, ou qualquer veículo com
que emita som apresentar um “som diferente” quando ele passa por você. O que você nota é uma mudança

1
Física

nos valores de frequência do som que chega aos seus ouvidos. Mas cuidado! Lembre que a frequência não
é alterada, o que muda é a percepção que temos dessa frequência.

Efeito Doppler na luz


Apesar de grande parte dos exemplos de Efeito Doppler mencionar o fenômeno ocorrendo em ondas sonoras,
esse fenômeno não é exclusivo dela! Podemos notar o Efeito Doppler em todas as ondas, inclusive, na luz. O
Efeito Doppler em ondas eletromagnéticas (como a luz) funciona da mesma forma, ou seja:
• Quando há aproximação entre a fonte de ondas eletromagnéticas e um observador, este perceberá um
aumento nas frequências observadas e uma diminuição do comprimento de onda;
• Quando há afastamento entre a fonte de ondas eletromagnéticas e um observador, este perceberá uma
diminuição nas frequências observadas e um aumento do comprimento de onda.

O Efeito Doppler na luz é um fenômeno bastante observado na astronomia, já que estudamos a emissão da
luz visível pelas estrelas. Quando observamos a luz emitida por estrelas de galáxias distantes, observamos
aumentos na frequência da luz. Esse aumento na frequência é chamado pelos astrônomos de blue-shift, já
que a luz visível tende a aproximar-se da frequência da cor azul. Para os casos em que as estrelas se afastam
da Terra, o fenômeno é chamado de red-shift, já que a luz visível tende a aproximar-se da frequência da cor
vermelha.

Figura 02 – Efeito Doppler na luz

2
Física

Exercícios

1. (Uel 2014) As ambulâncias, comuns nas grandes cidades, quando transitam com suas sirenes ligadas,
causam ao sentido auditivo de pedestres parados a percepção de um fenômeno sonoro denominado
efeito Doppler.
Sobre a aproximação da sirene em relação a um pedestre parado, assinale a alternativa que apresenta,
corretamente, o efeito sonoro percebido por ele causado pelo efeito Doppler.
a) Aumento no comprimento da onda sonora.
b) Aumento na amplitude da onda sonora.
c) Aumento na frequência da onda sonora.
d) Aumento na intensidade da onda sonora.
e) Aumento na velocidade da onda sonora.

2. (Ufrgs 2018) Existe uma possibilidade de mudar a frequência de uma onda eletromagnética por
simples reflexão. Se a superfície refletora estiver em movimento de aproximação ou afastamento da
fonte emissora, a onda refletida terá, respectivamente, frequência maior ou menor do que a onda
original.
Esse fenômeno, utilizado pelos radares (RaDAR é uma sigla de origem inglesa: Radio Detection And
Ranging ), é conhecido como efeito
a) Doppler.
b) Faraday.
c) Fotoelétrico.
d) Magnus.
e) Zeeman.

3. (G1 - ifsul 2015) Leia com atenção o texto que segue:


O som é um tipo de onda que necessita de um meio para se propagar. Quando estamos Analisando a
produção e a captação de uma onda sonora, estamos diante de três participantes: a fonte sonora, o
meio onde ela se propaga e o observador que está captando as ondas. Temos então três referenciais
bem definidos.
O tipo de onda captada dependerá de como a fonte e o observador se movem em relação ao meio de
propagação da onda. Vamos considerar o meio parado em relação ao solo. Neste caso temos ainda
três situações diferentes: a fonte se movimenta e o observador está parado; a fonte está parada e o
observador está em movimento; a fonte e o observador estão em movimento. Nos três casos podemos
ter uma aproximação ou um afastamento entre a fonte e o observador.
Adaptado de:< http://www.fisica.ufpb.br/~romero/ - Notas de Aula – Física Básica Universitária: Ondas Sonoras>

O texto refere-se a um fenômeno ondulatório facilmente observado nas ondas sonoras. Esse
fenômeno é denominado
a) Superposição.
b) Ressonância.
c) Polarização.
d) Efeito Doppler.
e) Interferência.

3
Física

4. (Ufsm 2013) Um recurso muito utilizado na medicina é a ecografia Doppler, que permite obter uma
série de informações úteis para a formação de diagnósticos, utilizando ultrassons e as propriedades
do efeito Doppler. No que se refere a esse efeito, é correto afirmar:
a) A frequência das ondas detectadas por um observador em repouso em um certo referencial é
menor que a frequência das ondas emitidas por uma fonte que se aproxima dele.
b) O movimento relativo entre fonte e observador não afeta o comprimento de onda detectado por
ele.
c) O efeito Doppler explica as alterações que ocorrem na amplitude das ondas, devido ao movimento
relativo entre fonte e observador.
d) O efeito Doppler é um fenômeno que diz respeito tanto a ondas mecânicas quanto a ondas
eletromagnéticas.
e) O movimento relativo entre fonte e observador altera a velocidade de propagação das ondas.

5. (Usf 2018) Há muitas aplicações da Física que são extremamente úteis na Medicina.
Indubitavelmente, o estudo das ondas e de seus fenômenos auxilia a área em vários exames e no
diagnóstico de doenças. A seguir, temos um exemplo de aplicabilidade desse conhecimento.

As características das ondas sonoras ou luminosas sofrem alterações com a movimentação da fonte
emissora de ondas ou do observador. Pode haver a variação da frequência de uma onda quando
refletida em células vermelhas (hemácias) em movimento. Por exemplo, quando uma onda é emitida
pelo equipamento e é refletida em hemácias que se deslocam em sentido oposto à localização do
aparelho, a frequência da onda refletida é maior do que a onda emitida.

Com base nas informações do texto, a partir dessa diferença de frequência da onda emitida e recebida,
sabe-se
a) o número de células presentes no sangue, a partir do fenômeno resultante do batimento das
ondas.
b) a densidade do sangue, a partir da ressonância das ondas na superfície das células sanguíneas.
c) o fluxo sanguíneo decorrente da difração das ondas na superfície das células.
d) a densidade do sangue, a partir da amplitude da onda resultante da entre a onda incidente e a
refletida.
e) a velocidade com que o sangue se movimenta, a partir das relações matemáticas originárias do
efeito Doppler.

4
Física

6. (Fatec 2019) Para explicar o efeito Doppler, um professor do curso de Mecânica brinca com o uso de
personagens de um desenho animado. Ele projeta uma figura do carro de Fred Flintstone no episódio
em que ele e Barney Rubble eram policiais. A figura mostra a representação do carro visto de cima se
deslocando para a direita com velocidade constante em módulo.
Na figura ainda, ele representa, em outra perspectiva, as personagens Betty Rubble e Wilma Flintstone.
Os círculos representam as frentes de ondas sonoras de “YABBA DABBA DOO” emitidas pela sirene.

Considere que as observadoras Betty Rubble e Wilma Flintstone estejam em repouso na posição
apresentada na figura.

Em relação ao som emitido do carro de Fred e Barney, é correto afirmar que


a) Wilma o escutará com uma frequência menor que a de Betty.
b) Wilma o escutará com uma frequência maior que a de Betty.
c) Betty o escutará mais intenso que Wilma.
d) Betty o escutará mais agudo que Wilma.
e) Betty o escutará mais alto que Wilma.

7. (Pucrs 2010) INSTRUÇÃO: Responder à questão relacionando o fenômeno ondulatório da coluna A


com a situação descrita na coluna B, numerando os parênteses.
Coluna B
( ) Um peixe visto da margem de um rio parece estar
a uma profundidade menor do que realmente
Coluna A está.
1 – Reflexão
2 – Refração ( ) Uma pessoa empurra periodicamente uma criança
3 – Ressonância num balanço de modo que o balanço atinja
4 – Efeito Doppler alturas cada vez maiores.
( ) Os morcegos conseguem localizar obstáculos e
suas presas, mesmo no escuro.
( ) O som de uma sirene ligada parece mais agudo
quando a sirene está se aproximando do
observador.

5
Física

A numeração correta da coluna B, de cima para baixo, é:


a) 2 – 4 – 1 – 3
b) 2 – 3 – 1 – 4
c) 2 – 1 – 2 – 3
d) 1 – 3 – 1 – 4
e) 1 – 3 – 2 – 4

8. (Acafe 2014) A previsão do tempo feita em noticiários de TV e jornais costuma exibir mapas
mostrando áreas de chuva forte. Esses mapas são, muitas vezes, produzidos por um radar Doppler,
que tem tecnologia muito superior à do radar convencional. Os radares comuns podem indicar apenas
o tamanho e a distância de partículas, tais como gotas de chuva. O radar Doppler é capaz, além disso,
de registrar a velocidade e a direção na qual as partículas se movimentam, fornecendo um quadro do
fluxo do vento em diferentes elevações.
Fonte: Revista Scientific American Brasil, seção: Como funciona. Ano 1, N 8, Jan 2003, p. 90-91.(Adaptado)

O radar Doppler funciona com base no fenômeno da:


a) difração das ondas e na diferença de direção das ondas difratadas.
b) refração das ondas e na diferença de velocidade das ondas emitidas e refratadas.
c) reflexão das ondas e na diferença de frequência das ondas emitidas e refletidas.
d) interferência das ondas e na diferença entre uma a interferência construtiva e destrutiva.
e) Nenhuma das alternativas.

9. (Unisinos 2012) A expansão do universo foi descoberta em 1926, pelo astrônomo americano Edwin
Hubble, que, ao observar o espectro de emissão das galáxias, percebeu que este estava desviado para
o vermelho. Esse efeito poderia ser explicado devido ao fato de as galáxias estarem se afastando de
nós. A base dessas conclusões é o Efeito Doppler, descrito como uma característica observada em
ondas emitidas ou refletidas por fontes em movimento relativo a um observador. Esse efeito foi
descrito, teoricamente, pela primeira vez, em 1842, por Johann Christian Andreas Doppler, tendo
recebido o nome de Efeito Doppler em sua homenagem.

Uma fonte fixa emite uma onda com certa frequência, que se propaga com determinado comprimento
de onda e é percebida por um observador também fixo. Se, no entanto, a fonte se mover, afastando-

2
Física

se do observador fixo, este perceberá uma onda, comparativamente àquela em que a fonte estava fixa,
de comprimento de onda _____________ e de frequência _____________.

As lacunas são corretamente preenchidas, respectivamente, por


a) maior ; maior.
b) menor ; menor.
c) menor ; maior.
d) maior ; menor.
e) igual ; menor.

Texto para a próxima questão:


Considere um observador O parado na calçada de uma rua quando uma ambulância passa com a sirene
ligada (conforme a figura). O observador nota que a altura do som da sirene diminui repentinamente
depois que a ambulância o ultrapassa. Uma observação mais detalhada revela que a altura sonora da
sirene é maior quando a ambulância se aproxima do observador e menor quando a ambulância se afasta.
Este fenômeno, junto com outras situações físicas nas quais ele ocorre, é denominado efeito Doppler.
(...)
Adaptado de JUNIOR, F. R. Os Fundamentos da Física. 8. ed. vol. 2. São Paulo: Moderna, 2003, p. 429)

10. (Uepb 2013) Acerca do assunto tratado no texto, que descreve o efeito Doppler, analise e identifique,
nas proposições a seguir, a(as) que se refere(m) ao efeito descrito.
I. Quando a ambulância se afasta, o número de cristas de onda por segundo que chegam ao ouvido
do observador é maior.
II. As variações na tonalidade do som da sirene da ambulância percebidas pelo observador devem-
se a variações de frequência da fonte sonora.
III. Quando uma fonte sonora se movimenta, a frequência do som percebida pelo observador parado
é diferente da frequência real emitida pela fonte.
IV. E possível observar o efeito Doppler não apenas com o som, mas também com qualquer outro tipo
de onda.

Após a análise feita, conclui-se que é (são) correta(s) apenas a(s) proposição(ões):
a) I
b) III e IV
c) II
d) I e III
e) II e IV

3
Física

Gabarito

1. C
Quando há aproximação relativa entre o ouvinte e a ambulância, o som se torna mais agudo, portanto,
ocorre aumento na frequência da onda sonora percebida pelo pedestre.

2. A
O efeito Doppler é a alteração da percepção da frequência de uma onda devido ao movimento relativo
entre a fonte emissora e o observador. Este é o princípio físico utilizado em radares. Letra [A].

3. D
Efeito Doppler é o fenômeno ondulatório que ocorre quando há variação na frequência captada pelo
observador devido ao movimento relativo entre ele e a fonte.

4. D
O efeito Doppler é um fenômeno ondulatório, valendo, portanto, para ondas mecânicas ou
eletromagnéticas.

5. E
É o mesmo princípio utilizado em radares pelas polícias rodoviárias chamado efeito Doppler que baseia-
se em descobrir a velocidade relativa entre a fonte da onda e um objeto em movimento através da
diferença entre a frequência de onda emitida e recebida após a reflexão no objeto em movimento.
Portanto, é possível saber a velocidade de circulação do sangue em alguma artéria do corpo com o
mesmo princípio.

6. B
Para Wilma, as frentes de onda sentidas estão sendo comprimidas devido ao movimento do carro em
seu sentido e tem menor comprimento de onda, com isso maior frequência, pois essas grandezas são
inversamente proporcionais.
v = λf

Para Betty, o corre o contrário, os comprimentos de onda são maiores e a frequência menor.

7. B
Analisando cada uma das situações:
Um peixe visto da margem de um rio parece estar a uma profundidade menor do que realmente está.
Refração. A luz refrata da água para o ar, indo do peixe para o observador.

Uma pessoa empurra periodicamente uma criança num balanço de modo que o balanço atinja alturas
cada vez maiores.
Ressonância. Fenômeno que ocorre quando um sistema recebe impulsos na mesma frequência de sua
vibração natural, absorvendo energia e aumentando a amplitude de oscilação.

Os morcegos conseguem localizar obstáculos e suas presas, mesmo no escuro.


Reflexão. Os sons são refletidos nos obstáculos, permitindo que os morcegos possam percebê-los.

O som de uma sirene ligada parece mais agudo quando a sirene está se aproximando do observador.
Efeito Doppler. Variação ocorrida na frequência detectada, quando há movimento relativo entre o
detector e a fonte.

8. C
O efeito Doppler baseia-se no fato de a frequência recebida após a reflexão ser diferente da frequência
emitida. Isso ocorre devido à velocidade relativa entre o detector e o objeto refletor.

4
Física

9. D
Pela figura, nota-se que o observador 1, do qual o veículo se afasta, está recebendo um comprimento
de onda maior. Como a velocidade do som é constante nesse meio, aplicando a equação fundamental
da ondulatória:
v
v=λf  f = .
λ
Se o comprimento de onda é maior, a frequência é menor.

10. B
I. Incorreta. Quando a ambulância se afasta, o número de cristas de onda por segundo que chegam
ao ouvido do observador é menor.
II. Incorreta. As variações na tonalidade do som da sirene da ambulância percebidas pelo observador
devem-se ao movimento relativo entre o observador e a fonte.
III. Correta. Há movimento relativo entre o observador e a fonte.
IV. Correta. O efeito Doppler é um fenômeno ondulatório e não exclusivamente sonoro.

5
Física

Óptica geométrica

Resumo

1. Luz: uma forma de energia radiante


Energia radiante é aquela que se propaga por meio de ondas eletromagnéticas. Dentro dessa concepção,
podemos destacar as ondas de rádio, de TV e de radar, os raios infravermelhos, a luz, os raios ultravioleta, os
raios X, os raios gama etc.1
Sol envia à Terra energia radiante, constituída de radiações infravermelhas (denominadas “ondas de calor”
por interagirem com a matéria aumentando o estado de agitação das partículas), luz e radiações ultravioleta,
entre outras. Essa energia chega ao nosso planeta à taxa de 1,92 caloria por minuto, em cada centímetro
quadrado de superfície normal aos raios solares, denominada constante solar.
Uma característica importantíssima da energia radiante é sua velocidade de propagação, que, no vácuo, vale
aproximadamente:

c ≅ 3,00 . 105 km/s = 3,00 . 108 m/s

Nos meios materiais, como o ar, a água e o vidro, a velocidade de propagação da energia radiante é menor
que c. No diamante, por exemplo, chega a 0,4c, aproximadamente.
Pelo exposto, vimos que a luz é uma forma de energia radiante. Sabe-se, ainda, que a luz difere das demais
radiações eletromagnéticas por sua frequência característica, que se estende desde 4.10 14 Hz (vermelho) até
8.1014 Hz (violeta), aproximadamente.
Entretanto, o conceito de luz que utilizaremos em nosso estudo de Óptica tem um caráter mais específico.
Diremos que:
Luz é o agente físico que, atuando nos órgãos visuais, produz a sensação da visão.

A vida na Terra subordinada à energia radiante recebida do Sol. Todos os seres vivos se nutrem dessa energia, produzida pela fusão
nuclear do hidrogênio, que, ao ser submetido a temperatura de milhões de graus Celsius, se transforma em hélio.

1
Tópico que será estudado em Ondulatória.

1
Física

2. Ótica: divisão e aplicações


A Óptica é a parte da Física que trata dos fenômenos que têm como causa determinante a energia radiante,
em particular a luz.
Por questões de ordem didática, costuma-se estudá-la em dois grandes capítulos: Óptica Geométrica e Óptica
Física.
a) Óptica geométrica: estuda os fenômenos ópticos com enfoque nas trajetórias seguidas pela luz.
Fundamenta-se na noção de raio de luz e nas leis que regulamentam seu comportamento.
b) Óptica física: estuda os fenômenos ópticos que exigem uma teoria sobre a natureza constitutiva
da luz.
A Óptica é um ramo da Física que tem largo emprego prático. Dos simples óculos aos sofisticados
dispositivos de observação, a Óptica, aliada a outros campos do conhecimento científico, dá sua contribuição
por meio de seus princípios e leis. Algumas aplicações da Óptica são:
• Correção de defeitos da visão;
• Construção de instrumentos de observação: lupas, microscópios, periscópios, lunetas e telescópios;
• Fixação de imagens (fotografia e cinematografia);
• Construção de equipamentos de iluminação;
• Medidas geométricas de alta precisão (interferômetros);
• Estudo da estrutura do átomo.

3. Fontes de luz
Os diversos corpos que nos cercam podem ser vistos porque deles recebemos luz, que, incidindo sobre
nossos órgãos visuais, promove os estímulos geradores da sensação da visão. O Sol, a Lua, uma pessoa e
um livro, por exemplo, enviam luz aos olhos, o que lhes permite enxergá-los. No entanto, os corpos
absolutamente negros não são visíveis. Desses corpos não emana luz de espécie alguma e, eventualmente,
nota-se sua presença em razão do contraste com as vizinhanças.
São considerados fontes de luz todos os corpos dos quais se pode receber luz.
Dependendo da procedência da luz distribuída para o meio, os corpos em geral podem ser classificados em
duas categorias: fontes primárias e fontes secundárias.
a) Fontes primárias: são os corpos que emitem luz própria. Por exemplo: o Sol, a chama de uma vela,
as lâmpadas (quando acesas) etc.
b) Fontes secundárias: são os corpos que enviam a luz que recebem de outras fontes. O processo ocorre
por difusão, ou seja, a luz é espalhada aleatoriamente, em geral por reflexão ou mesmo por refração,
para todas as direções dos arredores do corpo. Por exemplo: a Lua, as nuvens, uma árvore, as
lâmpadas (quando apagadas) etc.
Uma fonte de luz é considerada pontual (ou puntiforme) quando suas dimensões são irrelevantes em
comparação com as distâncias aos corpos iluminados por ela. A grande maioria das estrelas
observadas da Terra comporta-se como fonte pontual de luz. De fato, embora as dimensões dessas estrelas
sejam enormes, as distâncias que as separam de nosso planeta são muito maiores.
Fontes de luz de dimensões não desprezíveis são denominadas extensas. O Sol, observado da Terra,
comporta-se como uma fonte extensa de luz.

2
Física

4. Meios transparentes, translúcidos e opacos


Meios transparentes são aqueles que permitem que a luz os atravesse descrevendo trajetórias regulares e
bem definidas.
O único meio absolutamente transparente é o vácuo. Contudo, em camadas de espessura não muito grande,
também podem ser considerados transparentes o ar atmosférico, a água pura, o vidro hialino e outros.

Esquema de meio transparente

Meios translúcidos são aqueles em que a luz descreve


trajetórias irregulares com intensa difusão (espelhamento
aleatório), provocada pelas partículas desses meios. É o que
ocorre, por exemplo, quando a luz atravessa a neblina, o vidro
leitoso, o papel vegetal e o papel-manteiga.

Esquema de meio translúcido

Meios opacos são aqueles através dos quais a luz não se propaga.
Depois de incidir em um meio opaco, a luz é parcialmente absorvida
e parcialmente refletida por ele, sendo a parcela absorvida
convertida em outras formas de energia, como a térmica. Quando se
apresentam em camadas de razoável espessura, são opacos os
seguintes meios: alvenaria, madeira, papelão, metais etc.

Esquema de meio opaco

5. Frente de luz – Raio de luz


Considere uma pequena lâmpada L acesa em uma região de
vácuo. Nessas condições, da lâmpada emanam ondas
luminosas, que atingem todos os pontos de sua vizinhança.
Frente de luz é a fronteira entre a região já atingida por um
pulso luminoso e a região ainda não atingida.
No caso da lâmpada L, a propagação luminosa se faz por meio A região interna à superfície esférica (frente de
de ondas eletromagnéticas esféricas, concêntricas com a luz) já foi atingida pelo pulso luminoso, enquanto
lâmpada. A figura seguinte representa uma frente de luz em um a região externa ainda não foi.
instante t.
Cada frente de luz emitida pela lâmpada L se expande através do vácuo propagando-se com velocidade igual
a c.
Raio de luz é uma linha orientada que tem origem na fonte de luz e é perpendicular às frentes de luz. Os
raios de luz indicam a direção e o sentido de propagação da luz em um meio ou sistema.

3
Física

Para uma onda luminosa esférica, os raios de luz são retilíneos e radiais.

Em pontos situados a grandes distâncias da lâmpada L, as frentes de luz lá recebidas têm raio de curvatura
muito grande, podendo, por isso, ser consideradas praticamente planas. Isso ocorre com a luz que a Terra
recebe do Sol. Essa luz constitui-se de ondas eletromagnéticas esféricas. Entretanto, o diâmetro da Terra
(aproximadamente 12800 km) é desprezível em comparação com a distância do planeta ao Sol (cerca de 150
milhões de quilômetros), permitindo-nos geralmente considerar planas as frentes de luz que nos atingem.

Uma frente de luz tem existência física, mas isso não ocorre com um raio de luz, que apenas indica a direção
e o sentido da propagação luminosa em certo local.

6. Pincel de luz – Feixe de luz


Observe a figura a seguir, que representa uma lanterna comum colocada diante de um anteparo que tem um
orifício de diâmetro relativamente pequeno (da ordem de 2 mm). O conjunto encontra-se sobre uma mesa,
em um ambiente escurecido.

4
Física

Se acendermos a lanterna e espalharmos fumaça na região da montagem, notaremos, à direita do anteparo,


uma região cônica do espaço diretamente iluminada. Essa região, que tem pequena abertura angular em
virtude do pequeno diâmetro do orifício, denomina-se pincel de luz.
Considere, agora, uma lâmpada instalada no interior de um globo difusor. Com a lâmpada acesa, partem de
cada elemento de superfície do globo vários pincéis de luz. Reunindo-se os pincéis emanados de um mesmo
elemento de superfície, obtém-se uma região iluminada de abertura angular relativamente grande, que recebe
o nome de feixe de luz.

Na figura estão representados quatro feixes de luz emanados do globo difusor. Cada feixe é um conjunto de pincéis de luz.

Os pincéis de luz (e também os feixes de luz) admitem a seguinte classificação:


a) Cônicos divergentes: os raios de luz divergem a partir de um mesmo ponto P.

b) Cônicos convergentes: os raios de luz convergem para um mesmo ponto P.

c) Cilíndricos: os raios de luz são paralelos entre si.

5
Física

7. Princípio da independência dos raios de luz


Considere a situação experimental seguinte, em que há, sobre uma mesa no interior de um quarto escuro,
duas lanternas dirigidas para os orifícios existentes em dois anteparos. A figura representa a montagem vista
de cima.

Ligando-se as lanternas e espalhando-se fumaça na região da montagem, dos anteparos “sairão” dois pincéis
de luz que se interceptarão, provocando na região da interseção o fenômeno de interferência. O experimento
mostra, no entanto, que, após essa interseção, cada pincel de luz segue seu caminho — como se não houvesse
o cruzamento. Com base nesse e em outros experimentos similares, podemos enunciar que:
A propagação de um pincel de luz não é perturbada pela propagação de outros na mesma região; um
independe da presença do outro.
Utilizando a noção de raio de luz, podemos dizer que:
Quando ocorre cruzamento de raios de luz, cada um deles continua sua propagação independentemente
da presença dos outros.
A importância prática do Princípio da Independência dos Raios de Luz é que, nos problemas de Óptica,
podemos concentrar nossa atenção em determinado raio de luz sem nos preocuparmos com a presença de
outros, que certamente não perturbam o raio em estudo.

8. Princípio da propagação retilínea da luz


Observe a montagem da figura seguinte, em que a lâmpada L (presa ao suporte S) tem dimensões muito
pequenas. Os anteparos A1 e A2, feitos de material opaco, são dotados dos orifícios O1 e O2, de diâmetros
também muito pequenos. Para que o resultado do experimento seja mais pronunciado, admitamos que os
componentes da montagem estejam no interior de um quarto escuro.

Ao se acender a lâmpada L, um observador, com um dos olhos próximo de O1, perceberá luz direta da lâmpada
somente se L, O2 e O1 estiverem alinhados.

6
Física

Esse e outros experimentos de mesma natureza formam a base prática que permite a seguinte conclusão:
Nos meios transparentes e homogêneos, a luz propaga-se em linha reta.
É importante observar que meio homogêneo é aquele que apresenta as mesmas características em todos os
elementos de volume.
O ar contido em equipamentos ópticos, como microscópios e telescópios, ou mesmo aquele existente em
ambientes pequenos, como uma sala de aula, podem ser considerados um meio transparente e homogêneo
em que a luz se propaga em linha reta.
Se pensarmos, no entanto, na atmosfera terrestre como um todo, essa consideração já não poderá ser feita
em virtude das diferentes constituições físico-químicas encontradas no ar. À medida que sobe, verifica-se que
o ar vai ficando mais rarefeito (menos denso) e praticamente isento de vapor de água. A temperatura e a
pressão vão se tornando diferentes das encontradas nas proximidades do solo e esses fatores bastam para
dizer que a atmosfera terrestre é um meio heterogêneo. Por isso, em geral, a luz não se propaga em linha reta
ao atravessar a atmosfera, realizando curvas espetaculares em situações de incidência oblíqua. Isso ocorre
em razão da sucessão de refrações que a luz sofre até sua chegada ao solo, o que será explicado com mais
detalhes no tópico de Refração da luz.
Obs.: Do ponto de vista óptico, chama-se meio isótropo (ou isotrópico) todo aquele em que a velocidade de
propagação da luz e as demais propriedades ópticas independem da direção em que é realizada a medida.
Obs.: Chama-se meio ordinário todo aquele que é ao mesmo tempo transparente, homogêneo e isótropo. O
vácuo é um meio ordinário.

9. Sombra e penumbra
Na montagem experimental sugerida na figura a seguir, F é uma
fonte luminosa puntiforme, D é um disco opaco e A é um anteparo
também opaco.
Tendo em vista que a propagação da luz é retilínea no local do
experimento, teremos, na região entre D e A, um tronco de cone
desprovido de iluminação direta de F. Essa região é denominada
sombra. Em A, notaremos uma região circular também isenta de
iluminação direta de F. Essa região é chamada de sombra
projetada.
É importante observar que o fato de a sombra de um corpo ser
semelhante a ele atesta que a luz se propaga em linha reta no
meio considerado.
Admita agora o esquema seguinte, em que L é uma fonte extensa de
luz, D é um disco opaco e A é um anteparo também opaco.

Nesse caso, pelo fato de a fonte de luz ser extensa, além das regiões
de sombra e de sombra projetada, teremos ainda regiões de penumbra
e de penumbra projetada. Nas regiões de penumbra a iluminação será
parcial, e aí se observará transição entre sombra e iluminação total.

7
Física

Eclipses são fenômenos astronômicos regulares e previsíveis, mas que aterrorizaram sobremaneira nossos
ancestrais em eras não muito distantes. Acreditava-se que essas ocorrências eram manifestações da ira dos
deuses e serviam de alerta quanto à chegada de pestes, pragas e catástrofes naturais.
A explicação dos eclipses está relacionada ao fato de a luz propagar-se em linha reta. É com base nesse
princípio que se justifica o desaparecimento temporário da Lua em certas ocasiões de lua cheia ou mesmo
do Sol em algumas situações de lua nova. Dois casos merecem destaque:
1º caso: eclipse da Lua
Neste caso, a Lua situa-se no cone de sombra da Terra.

O eclipse da Lua ocorre na fase de lua cheia.

Este eclipes da Lua foi fotografado em 08 de novembro de 2003. Na sequência de imagens podemos notar a gradual imersão do
satélite no cone de sombra da Terra.

8
Física

2º caso: eclipse do Sol


Neste caso, a Lua projeta sobre a Terra uma região de sombra e uma de penumbra.

Ilustração com tamanhos e distâcias fora de escala e em cores-fantasia.

• Região 1: sombra da Lua;


• Região 2: penumbra;
• Região 3: sombra da Lua projetada na Terra. Nessa região ocorre eclipse total ou anular do Sol.
• Região 4: penumbra projetada. Nessa região ocorre o eclipse parcial do Sol, caso em que uma parte
do “disco solar” permanece visível.
• Região 5: não há eclipse nessa região e o “disco solar” é visualizado integralmente.

O eclipse do Sol ocorre na fase de lua nova.

Nos locais da Terra que o esclipse do Nos locais que o eclipse é parcial, uma
Sol é total, o “disco solar” é observado fração do “disco solar” é observada
completemanete encoberto pela Lua. descoberta.

10. Câmara escura de orifício


Esse dispositivo nada mais é que uma caixa de paredes
opacas, sendo uma delas dotada de um orifício O, diante do
qual é colocado um corpo luminoso.
Os raios emanados desse corpo, após atravessarem O,
incidem na parede do fundo da caixa, lá projetando uma
figura semelhante ao corpo considerado, em forma e em
colorido. Tal figura, no entanto, apresenta-se invertida em
relação ao corpo.

9
Física

Observando o esquema, você pode constatar que os triângulos OAB e OA’B’ são semelhantes. Por isso:

𝐀′ 𝐁′ 𝐛
=
𝐀𝐁 𝐚

Para uma mesma câmara e um mesmo corpo luminoso, os comprimentos b (profundidade da câmara) e AB
(comprimento do corpo luminoso) são constantes. Por isso, podemos afirmar que, nesse caso, A’B’
(comprimento da figura projetada) é inversamente proporcional à distância a do corpo luminoso à parede
frontal da câmara. Se, por exemplo, dobrarmos a, A9B9 se reduzirá à metade.
É importante destacar que a figura projetada na parede do fundo da
câmara pode ser contemplada por um observador situado na
posição sugerida no esquema. Para tanto, basta que ele substitua a
parede do fundo por uma lâmina de vidro fosco ou papel vegetal, por
exemplo.
Para obter uma boa definição na figura projetada (boa nitidez), não
se deve aumentar o diâmetro do orifício além de 2 mm.
Pode-se dizer que a câmara escura de orifício constitui um ancestral
da câmara fotográfica, sendo ainda um dispositivo que comprova o
Princípio da Propagação Retilínea da Luz.
O renascentista italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) utilizou a
técnica das câmaras escuras de orifício, já conhecidas em sua
época, em seus estudos sobre propagação da luz. Esses
dispositivos serviram também de ferramenta para a elaboração de
algumas de suas perspectivas e pinturas. Há em seus livretos de
anotações — os códices — citações sobre a obtenção de figuras
luminosas invertidas projetadas em anteparos planos. O Homem vitruviano, de Leonardo da Vinci.

Leonardo da Vinci foi um verdadeiro gênio. Já no século XV esboçava aquilo que serviria de base à tecnologia
de nossos tempos. Idealizou uma série de engenhos de rara sofisticação, até mesmo para os padrões atuais.
Há em seus desenhos sistemas utilizando engrenagens, parafusos e rolamentos. São dele as primeiras
concepções do automóvel (com transmissão empregando diferencial), do helicóptero, da bicicleta e do
paraquedas. O estudo acima, um verdadeiro ícone da publicidade globalizada, denomina-se Homem
vitruviano. Nele, Leonardo analisa aquilo que seriam as proporções perfeitas para o corpo humano com base
nos preceitos do arquiteto romano Marcus Vitruvius (século I a.C.).

11. Fenômenos físicos fundamentais na ótica geométrica


A óptica geométrica trata basicamente das trajetórias da luz em sua propagação. São de especial interesse
nesse estudo dois fenômenos físicos fundamentais: a reflexão e a refração.
Considere uma superfície S separadora de dois meios transparentes, 1 e 2. Admita um pincel luminoso
cilíndrico que, propagando-se no meio 1, incide sobre ∑.
Uma parte da energia luminosa incidente retorna ao meio 1, caracterizando, assim, o fenômeno da reflexão.
Reflexão é o fenômeno que consiste no fato de a luz voltar a se propagar no meio de origem, após incidir
na superfície de separação deste com outro meio.

10
Física

Outra parte da energia luminosa incidente poderá passar para o meio 2, caracterizando, assim, o fenômeno
da refração.
Refração é o fenômeno que consiste no fato de a luz passar de um meio para outro diferente. 2
A figura a seguir ilustra a reflexão e a refração da luz.

Imagine, por exemplo, que você está em um local bastante iluminado, diante de uma porta de vidro
transparente que dá acesso a outro ambiente mais escurecido. Parte da luz difundida por seu corpo sofrerá
reflexão na porta de vidro, permitindo que você veja uma imagem sua. Outra parte da luz difundida por seu
corpo atravessará a porta de vidro, refratando-se e possibilitando que pessoas situadas dentro do outro
ambiente — o mais escurecido — também o vejam.

12. Reflexão e refração regulares e difusas


A maior ou menor regularidade da superfície sobre a qual incide a luz pode determinar dois tipos de reflexão
e de refração: a regular e a difusa. Considere, por exemplo, a superfície da água de um lago isenta de qualquer
perturbação. Nessas condições, essa superfície apresenta-se praticamente desprovida de ondulações ou
irregularidades.
Fazendo incidir sobre a água do lago um pincel cilíndrico de luz monocromática (uma só cor ou frequência),
podemos observar reflexão e refração regulares. Os pincéis luminosos refletido e refratado também serão
cilíndricos, os raios de luz componentes desses pincéis serão paralelos entre si, da mesma forma que os raios
luminosos constituintes do pincel incidente. A figura a seguir ilustra a reflexão e a refração regulares.

2Veremos em Ondulatória que na reflexão se conservam a frequência e a intensidade da velocidade de propagação, enquanto na refração
a frequência conserva-se, mas a intensidade da velocidade de propagação varia na proporção direta do comprimento de onda.

11
Física

Imagine, agora, que a superfície da água do lago seja perturbada pelas gotas de uma chuva torrencial.
Fazendo incidir sobre a água do lago um pincel cilíndrico de luz monocromática, poderemos observar reflexão
e refração difusas. Os pincéis luminosos refletido e refratado não serão cilíndricos, os raios de luz
componentes desses pincéis terão direções diversas, expandindo-se de modo aleatório por todo o espaço. A
figura abaixo ilustra a reflexão e a refração difusas.

Na reflexão e na refração difusas, ao contrário do que se pode imaginar, valem as leis da reflexão e da
refração, o que veremos em breve.
As direções diversas assumidas pelos raios refletidos e refratados devem-se às irregularidades da superfície
de incidência. Como não há superfície perfeitamente lisa, sempre que ocorre reflexão ou refração uma parte
da luz incidente é difundida. É claro que tal parcela será tanto menor quanto mais regular for a superfície.

12
Física

A difusão da luz é decisiva para a visão das coisas que nos cercam. Um pincel de luz que atravessa um quarto
escuro, por exemplo, poderá ser observado se na região abrangida por ele espalharmos fumaça, cujas
partículas constituintes difundem a luz, enviando-a aos nossos olhos.

13. Reflexão e refração seletivas


A luz solar (ou a luz emitida por uma lâmpada fluorescente) é denominada luz branca.
A luz branca solar é policromática, isto é, composta de diversas cores, das quais se costumam destacar sete:
vermelha, alaranjada, amarela, verde, azul, anil e violeta.

Quando iluminadas pela luz solar, as folhas de uma árvore nos parecem verdes, por quê?
Porque essas folhas “selecionam” no espectro solar
principalmente a cor componente verde, refletindo-a de
modo difuso para o meio. Ao recebermos luz verde em
nossos olhos, enxergamos as folhas em verde.
Cumpre observar que as demais cores componentes da
luz branca são predominantemente absorvidas pelas
folhas.
A figura a lado (com tamanhos e distâncias fora de
escala e em cores-fantasia) ilustra a reflexão seletiva.

13
Física

• Se vemos um corpo branco, é porque ele está refletindo todas as cores do espectro solar.
• Se vemos um corpo preto, é porque ele está absorvendo todas as cores do espectro solar.
• Um corpo que nos parece vermelho quando iluminado pela luz branca solar se apresentará escuro
quando iluminado por luz monocromática de cor diferente da vermelha (azul, por exemplo).
Observando os objetos que nos cercam através de uma lâmina de acrílico vermelha, por exemplo,
distinguiremos nesses objetos apenas regiões vermelhas e regiões bem escuras. Isso ocorre porque a lâmina
de acrílico constitui um filtro, que refrata (deixa passar) seletivamente a luz vermelha, absorvendo
substancialmente as demais cores do espectro.

Os filtros são largamente utilizados em fotografia, permitindo que penetrem no interior da câmara apenas as
colorações desejadas.

14. Generalidades sobre sistemas óticos


Em geral, há dois tipos principais de sistemas ópticos: os refletores e os refratores.
No grupo dos sistemas ópticos refletores se encontram os espelhos, que são superfícies polidas de um corpo
opaco, com alto poder de reflexão.

14
Física

No grupo dos sistemas ópticos refratores, por sua vez, encontram-se os dioptros, que são constituídos de
dois meios transparentes separados por uma superfície regular. Associações convenientes de dioptros dão
origem a utensílios ópticos de grande importância prática, como lentes e prismas, entre outros.

15. Ponto objeto e ponto imagem


Definições:
Os conceitos de ponto objeto e ponto imagem são essenciais no estudo de óptica geométrica. Considere as
três figuras a seguir, em que são representados três sistemas ópticos genéricos, S1, S2 e S3, nos quais incide
luz:

Relativamente a determinado sistema óptico, chama-se ponto objeto o vértice do pincel luminoso
incidente.
É importante destacar que:
a) Ponto Objeto Real (POR) é o vértice de um pincel incidente divergente, sendo formado pelo
cruzamento efetivo dos raios de luz. Relativamente a S1, temos um ponto objeto real;
b) Ponto Objeto Virtual (POV) é o vértice de um pincel incidente convergente, sendo formado pelo
cruzamento dos prolongamentos dos raios de luz. Relativamente a S2, temos um ponto objeto virtual;
c) Ponto Objeto Impróprio (POI) é o vértice de um pincel incidente cilíndrico, estando situado no
“infinito”3. Relativamente a S3, temos um ponto objeto impróprio.
Considere, agora, as três figuras a seguir, em que são representados três sistemas ópticos genéricos, S 4, S5 e
S6, dos quais emerge luz:

Relativamente a determinado sistema óptico, chama-se ponto imagem o vértice do pincel luminoso emergente.

3
Essa classificação ficará mais clara quando estudarmos formação de imagens em espelhos e lentes .

15
Física

Convém destacar que:


a) Ponto Imagem Real (PIR) é o vértice de um pincel emergente convergente, sendo formado pelo
cruzamento efetivo dos raios de luz. Relativamente a S4, temos um ponto imagem real;
b) Ponto Imagem Virtual (PIV) é o vértice de um pincel emergente divergente, sendo formado pelo
cruzamento dos prolongamentos dos raios de luz. Relativamente a S5, temos um ponto imagem
virtual;
c) Ponto Imagem Impróprio (PII) é o vértice de um pincel emergente cilíndrico, estando situado no
“infinito”4. Relativamente a S6, temos um ponto imagem impróprio.
Para facilitar a assimilação, observe os exemplos a seguir.
Ex.1:

Ex.2:

A imagem que L1 conjuga (faz corresponder) a P1 é imprópria: essa imagem comporta-se como objeto
impróprio em relação a L2.
Ex.:3

Embora P1 tenha sido formado pelo cruzamento dos prolongamentos dos raios de luz, ele se comporta, em
relação à lente, como ponto imagem real, pois corresponde ao vértice de um pincel emergente convergente.

4
Essa classificação ficará mais clara quando estudarmos formação de imagens em espelhos e lentes.

16
Física

Ex.4:
Uma lupa (lente de aumento) pode concentrar a luz recebida do Sol
em uma pequena região, como P. Colocando-se uma tampinha de
garrafa cheia de água em P, o conjunto irá se aquecer. Em relação
ao sistema óptico lupa, o Sol, situado a grande distância, comporta-
se como objeto impróprio, enquanto P é uma imagem real do Sol
(formada efetivamente por raios luminosos).

Comentários:
As imagens reais podem ser projetadas em anteparos, como telões
ou paredes. Isso ocorre pelo fato de os pontos de imagens reais
constituírem vértices efetivos de feixes luminosos emergentes do
sistema óptico.

Depois de incidir no anteparo, a luz que determina a imagem real é difundida para o ambiente, permitindo a
observação coletiva, isto é, a visão da figura projetada por vários observadores simultaneamente. No cinema,
por exemplo, a imagem projetada na tela é real. Convém salientar, entretanto, que uma imagem real também
pode ser visualizada diretamente, isto é, sem estar projetada em anteparos. Para isso, basta que o observador
posicione seu bulbo do olho de modo que seja atingido pela luz, conforme mostra o esquema a seguir.

As imagens virtuais não podem ser projetadas em


anteparos. Isso ocorre porque não há luz na região em
que se forma uma imagem virtual. Observe que, embora
não possa ser projetada em anteparos, uma imagem
virtual pode ser vista por um observador, comportando-
se em relação ao seu bulbo do olho como um objeto
real. No esquema abaixo representamos o exposto.

Em relação ao sistema óptico S, P’ é um ponto imagem virtual


que não pode ser projetado em anteparos. Entretanto, em
relação ao bulbo do olho do observador, esse ponto comporta-
se como ponto objeto real.

2
Física

16. Reversibilidade na propagação da luz


O experimento que será relatado envolve um observador,
um espelho, uma lente e uma pequena lanterna capaz de
emitir um estreito pincel cilíndrico de luz monocromática.
Ligando a lanterna — ver a figura a seguir —, inicialmente
situada na posição A, o pincel luminoso emitido por ela
descreverá a trajetória mostrada, atingindo o olho do
observador situado na posição B.

Permutando-se, agora, as posições da lanterna e do olho do


observador, notaremos que, acendendo-se a lanterna na
posição B, a luz emitida por ela descreverá a mesma
trajetória do caso anterior, atingindo o olho do observador
situado na posição A. A figura a seguir ilustra o exposto.

Esse experimento e outros similares constituem a evidência de que a propagação da luz é reversível, isto é:
Em idênticas condições, a trajetória seguida pela luz independe do sentido de propagação.
É comum um motorista de táxi, ao olhar pelo retrovisor interno do veículo, ver a imagem dos olhos do
passageiro, que está sentado no banco de trás, fornecida pelo espelho plano retrovisor interno. Graças à
reversibilidade da luz, se o motorista consegue ver no espelho a imagem dos olhos do passageiro, este
também consegue ver, no mesmo espelho, a imagem dos olhos do motorista.

3
Física

4
Física

Exercícios

1. Considere um observador frente a três anteparos, em um meio homogêneo e transparente, cada um


com um orifício em seu respectivo centro, conforme mostra a figura que se segue. Através desses
orifícios, o observador consegue enxergar a chama de uma vela devido a um princípio da Óptica
Geométrica denominado __________.

a) Princípio da independência dos raios de luz.


b) Princípio da reversibilidade dos raios de luz.
c) Princípio da propagação retilínea da luz.
d) Princípio da reflexão dos raios de luz.

2. A uma certa hora da manhã, a inclinação dos raios solares é tal que um muro de 4,0 m de altura projeta,
no chão horizontal, uma sombra de comprimento 6,0 m.
Uma senhora de 1,6 m de altura, caminhando na direção do muro, é totalmente coberta pela sombra
quando se encontra a quantos metros do muro?
a) 2,0
b) 2,4
c) 1,5
d) 3,6
e) 1,1

5
Física

3. Considere a ilustração da bandeira do estado do Amazonas:

A cor de um objeto iluminado é determinada pela radiação luminosa que ele reflete. Assim, corpo verde
reflete apenas luz verde, corpo branco reflete luz de qualquer cor que nele incide, enquanto corpo negro
não reflete luz alguma. Caso a bandeira do Amazonas venha a ser iluminada apenas por luz
monocromática vermelha, as cores que ela mostrará serão somente
a) vermelha e branca.
b) vermelha, branca e preta.
c) vermelha e verde.
d) vermelha, branca e verde.
e) vermelha e preta.

4. A figura ilustra, fora de escala, a ocorrência de um eclipse do Sol em determinada região do planeta
Terra. Esse evento ocorre quando estiverem alinhados o Sol, a Terra e a Lua, funcionando,
respectivamente, como fonte de luz, anteparo e obstáculo.

Para que possamos presenciar um eclipse solar, é preciso que estejamos numa época em que a Lua
esteja na fase
a) nova ou cheia.
b) minguante ou crescente.
c) cheia, apenas.
d) nova, apenas.
e) minguante, apenas.

6
Física

5. A 1 metro da parte frontal de uma câmara escura de orifício, uma vela de comprimento 20 cm projeta
na parede oposta da câmara uma imagem de 4 cm de altura.

A câmara permite que a parede onde é projetada a imagem seja movida, aproximando-se ou afastando-
se do orifício. Se o mesmo objeto for colocado a 50 cm do orifício, para que a imagem obtida no fundo
da câmara tenha o mesmo tamanho da anterior, 4 cm, a distância que deve ser deslocado o fundo da
câmara, relativamente à sua posição original, em cm, é de
a) 50.
b) 40.
c) 20.
d) 10.
e) 5.

6. Em 29 de maio de 1919, em Sobral (CE), a teoria da relatividade de Einstein foi testada medindo-se o
desvio que a luz das estrelas sofre ao passar perto do Sol. Essa medição foi possível porque naquele
dia, naquele local, foi visível um eclipse total do Sol. Assim que o disco lunar ocultou completamente o
Sol foi possível observar a posição aparente das estrelas. Sabendo-se que o diâmetro do Sol é 400
vezes maior do que o da Lua e que durante o eclipse total de 1919 o centro do Sol estava a 151 600
000 km de Sobral, é correto afirmar que a distância do centro da Lua até Sobral era de
a) no máximo 379 000 km
b) no máximo 279 000 km
c) no mínimo 379 000 km
d) no mínimo 479 000 km
e) exatamente 379 000 km

7
Física

7. A figura 1 mostra um quadro de Georges Seurat, grande expressão do pontilhismo.

De forma grosseira podemos dizer que a pintura consiste de uma enorme quantidade de pontos de
cores puras, bem próximos uns dos outros, tal que a composição adequada dos pontos causa a
sensação de vibração e efeitos de luz e sombra impressionantes.
Alguns pontos individuais podem ser notados se chegarmos próximo ao quadro. Isso ocorre porque a
resolução angular do olho humano é θmin  3,3  10−4 rad. A figura 2 indica a configuração geométrica
para que uma pessoa perceba a separação d entre dois pontos vizinhos à distância L  30 cm do
quadro.

Considerando que para ângulos θ  0,17 rad é válida a aproximação tg θ  θ , a distância d aproximada
entre esses dois pontos, representados na figura 2, é, em milímetros, igual a
a) 0,1.
b) 0,2.
c) 0,5.
d) 0,7.
e) 0,9.

8
Física

8. Para que uma substância seja colorida ela deve absorver luz na região do visível. Quando uma amostra
absorve luz visível, a cor que percebemos é a soma das cores restantes que são refletidas ou
transmitidas pelo objeto. A Figura 1 mostra o espectro de absorção para uma substância e é possível
observar que há um comprimento de onda em que a intensidade de absorção é máxima. Um observador
pode prever a cor dessa substância pelo uso da roda de cores (Figura 2): o comprimento de onda
correspondente à cor do objeto é encontrado no lado oposto ao comprimento de onda da absorção
máxima.

Qual a cor da substância que deu origem ao espectro da Figura 1?


a) Azul.
b) Verde.
c) Violeta.
d) Laranja.
e) Vermelho.

9
Física

9. Uma câmara escura de orifício reproduz uma imagem de 10 cm de altura de uma árvore observada. Se
reduzirmos em 15 m a distância horizontal da câmara à árvore, essa imagem passa a ter altura de
15 cm. Qual é a distância horizontal inicial da árvore à câmara?

a) D = 15 cm.
b) D = 30 cm.
c) D = 45 cm.
d) D = 40 cm.
e) D = 50 cm.

10. A figura a seguir (evidentemente fora de escala) mostra o ponto O em que está o olho de um observador
da Terra olhando um eclipse solar total, isto é, aquele no qual a Lua impede toda luz do Sol de chegar
ao observador.

Sabendo que o raio do Sol é 0,70 x 106 km, o da Lua, 1,75 x 103 km, e que a distância entre o centro do
Sol e o observador na Terra é de 150 x 106 km, calcule a distância d entre o observador e o centro da
Lua para a qual ocorre o eclipse total indicado na figura.
a) d = 4,75  105 km.
b) d = 3,90  105 km.
c) d = 3,70  104 km.
d) d = 3,75  105 km.
e) d = 3,75  109 km.

10
Física

Gabarito

1. C
O princípio que explica a situação descrita é o princípio da propagação retilínea dos raios de luz.

2. D
Observe que os triângulos sombreados são semelhantes

Portanto:
4 1,6
= → 24 − 4x = 9,6 → 4x = 14,4 → x = 3,6 m.
6 6−x

3. E
• a faixa vermelha continua refletindo a radiação vermelha, mantendo-se na cor vermelha;
• as duas faixas brancas e o preenchimento branco das estrelinhas passam a refletir apenas a radiação
vermelha, passando, então, a apresentar cor vermelha;
• a faixa azul passa a não refletir radiação alguma, apresentando, então, cor preta.
Concluindo: a bandeira mostrará somente as cores vermelha e preta.

4. D
A figura mostra a Lua em duas posições diferentes. Na situação I, está ilustrado um eclipse solar. A face
escura da Lua está voltada para a Terra, portanto é Lua nova. A situação II mostra um eclipse lunar, que
ocorre na Lua cheia, estando a Lua no cone de sombra da Terra.

11
Física

5. D
Observe a figura abaixo onde se mostra a formação da imagem.

Os triângulos sombreados são semelhantes, portanto:


H h
=
D d
Na primeira situação:
20 4
= → d = 20cm
100 d
20 4
Na segunda situação: = → d' = 10cm
50 d
Portanto: d = d'− d = 10 − 20 = −10cm
O fundo da câmera deve ser deslocado 10 cm para a esquerda.

6. A
Dados: DS = 400 DL; dS = 151.600.000 km.
A figura ilustra a situação descrita.

Da semelhança de triângulos:
dL d dL 151.600.000 1.516.000
= S  =  dL = 
DL DS DL 400 DL 4
dL = 379.000 km.

7. A
d
θ= → d = θ.L = 3,3x10−4 x300 = 0,1mm .
L

8. E
O gráfico nos mostra que essa substância apresenta maior absorção para comprimentos de onda em
torno de 500 nm, o que corresponde à cor verde. De acordo com o enunciado: ... “o comprimento de onda
correspondente à cor do objeto é encontrado no lado oposto ao comprimento de onda da absorção
máxima.”
Na roda de cores, notamos que o comprimento de onda oposto ao da cor verde é o da cor vermelha.

12
Física

9. C
Antes:

Depois:

H → 10cm 
 H.d = 10D
D→d 
H → 15cm 
 H.d = 15(D + 15)
D − 15m → d
10D = 15(D − 15)
10D = 15D − 225
5D = 225
 D = 45m

10. D
Dados: RS = 0,70  106 km; RL = 1,75  103 km, dS = 150  106 km.

Da semelhança de triângulos na figura:


d d d 150  106 1,75  106  150
= S  =  d= 
RL RS 1,75  103 0,7  106 0,7
d = 3,75  105 km.

13
Física

Efeito Doppler - Equação

Resumo

Quando estudamos os fenômenos ondulatórios, falamos do comportamento das ondas em determinadas


situações propostas. Mas sabe o que todas elas têm em comum? Todas estão sendo analisadas por um
referencial inercial, ou seja, todas partem do pressuposto de um observador parado!
O fenômeno ondulatório chamado de Efeito Doppler veio para ser o diferente! O Efeito Doppler é o fenômeno
ondulatório que descreve como o comportamento de ondas emitidas ou refletidas por fontes em movimento
relativo ao observador. Isso quer dizer que para ocorrer esse fenômeno, teremos ou um observador em
movimento ou uma fonte em movimento.
O efeito foi descrito teoricamente pela primeira vez em 1842 por Johann Christian Andreas Doppler,
recebendo o nome Efeito Doppler em sua homenagem.

Equação do Efeito Doppler


Antes de demonstrarmos a equação que descreve os fenômenos ondulatório conhecido como Efeito Doppler,
vamos definir algumas grandezas que vamos utilizar:

𝑓0 = 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑝𝑒𝑟𝑐𝑒𝑏𝑖𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑜 𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑑𝑜𝑟


𝑓𝑓 = 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙 𝑒𝑚𝑖𝑡𝑖𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑎 𝑓𝑜𝑛𝑡𝑒
𝑣0 = 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑑𝑜𝑟
𝑣𝑓 = 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑓𝑜𝑛𝑡𝑒
𝑣 = 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑜𝑛𝑑𝑎

Tanto para um observador em movimento quanto para uma fonte em movimento, podemos calcular a
frequência aparente percebida pelo observador da seguinte forma:

𝑣 ∓ 𝑣0
𝑓0 = ( ) . 𝑓𝑓
𝑣 ∓ 𝑣𝑓

O caso mais comum é quando o observador está parado e a fonte está em movimento (exemplo da
ambulância com a sirene ligada trafegando pela rua). Para essa situação, temos que a velocidade do
observador é nula, logo, 𝑣0 = 0. Nossa situação a equação fica:

𝑣
𝑓0 = ( ) . 𝑓𝑓
𝑣 ∓ 𝑣𝑓

A função do sinal da equação é representar o afastamento ou o distanciamento entre a fonte e o observador.


• Caso ocorra uma aproximação entre a fonte e o observador, a expressão utiliza sinal positivo (+)
• Caso ocorra um afastamento entre a fonte e o observador, a expressão utiliza sinal negativo (-)

1
Física

Exercícios

1. (Enem cancelado 2009) Os radares comuns transmitem micro-ondas que refletem na água, gelo e
outras partículas na atmosfera. Podem, assim, indicar apenas o tamanho e a distância das partículas,
tais como gotas de chuva. O radar Doppler, além disso, é capaz de registrar a velocidade e a direção
na qual as partículas se movimentam, fornecendo um quadro do fluxo de ventos em diferentes
elevações.
Nos Estados Unidos, a Nexrad, uma rede de 158 radares Doppler, montada na década de 1990 pela
Diretoria Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), permite que o Serviço Meteorológico Nacional
(NWS) emita alertas sobre situações do tempo potencialmente perigosas com um grau de certeza
muito maior.
O pulso da onda do radar ao atingir uma gota de chuva, devolve uma pequena parte de sua energia
numa onda de retorno, que chega ao disco do radar antes que ele emita a onda seguinte. Os radares
da Nexrad transmitem entre 860 a 1300 pulsos por segundo, na frequência de 3000 MHz.
FISCHETTI, M., Radar Meteorológico: Sinta o Vento. Scientific American Brasil. nº- 08, São Paulo, jan. 2003.

No radar Doppler, a diferença entre as frequências emitidas e recebidas pelo radar é dada por Δ f =
(2ur/c)f0 onde ur é a velocidade relativa entre a fonte e o receptor, c = 3,0 . 10 8 m/s é a velocidade da
onda eletromagnética, e f0 é a frequência emitida pela fonte. Qual é a velocidade, em km/h, de uma
chuva, para a qual se registra no radar Doppler uma diferença de frequência de 300 Hz?
a) 1,5 km/h.
b) 5,4 km/h.
c) 15 km/h.
d) 54 km/h.
e) 108 km/h.

2. (G1 - ifsc 2012) O que define a frequência de uma onda, seja mecânica ou eletromagnética, é a fonte.
Mas existe uma situação em que a frequência percebida por um observador é diferente da frequência
emitida pela fonte. Esta diferença entre a frequência percebida e a emitida é explicada pelo Efeito
Doppler. Este fenômeno é consequência do movimento relativo entre fonte e observador.

Vamos analisar a seguinte situação: Uma viatura da polícia se move com velocidade constante, com
a sirene ligada, emitindo uma frequência de 900Hz. Um observador parado na calçada observa o
movimento da viatura e ouve o som da sirene com uma frequência de 1000Hz. Sabendo que a
velocidade do ar é de 340 m/s, é CORRETO afirmar que a viatura se:
a) aproxima do observador com uma velocidade de 68 m/s.
b) afasta do observador com uma velocidade de 34 m/s.
c) aproxima do observador com uma velocidade de 37,77 m/s.
d) afasta do observador com uma velocidade de 37,77 m/s.
e) aproxima do observador com uma velocidade de 34 m/s.

3. (Ufu 2011) O efeito Doppler recebe esse nome em homenagem ao físico austríaco Johann Christian
Doppler que o propôs em 1842. As primeiras medidas experimentais do efeito foram realizadas por
Buys Ballot, na Holanda, usando uma locomotiva que puxava um vagão aberto com vários
trompetistas que tocavam uma nota bem definida.
Considere uma locomotiva com um único trompetista movendo-se sobre um trilho horizontal da
direita para a esquerda com velocidade constante. O trompetista toca uma nota com frequência única
f. No instante desenhado na figura, cada um dos três observadores detecta uma frequência em sua
posição. Nesse instante, a locomotiva passa justamente pela frente do observador D2.

2
Física

Analise as afirmações abaixo sobre os resultados da experiência.


I. O som percebido pelo detector D1 é mais agudo que o som emitido e escutado pelo trompetista.
II. A frequência medida pelo detector D1 é menor que f.
III. As frequências detectadas por D1 e D2 são iguais e maiores que f, respectivamente.
IV. A frequência detectada por D2 é maior que a detectada por D3.

Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.


a) Apenas I e IV.
b) Apenas II.
c) Apenas II e IV.
d) Apenas III.
e) Apenas a IV.

Texto para a próxima questão:


O radar é um dos dispositivos mais usados para coibir o excesso de velocidade nas vias de trânsito. O
seu princípio de funcionamento é baseado no efeito Doppler das ondas eletromagnéticas refletidas pelo
carro em movimento.
Considere que a velocidade medida por um radar foi V m = 72 km/h para um carro que se aproximava do
aparelho.

4. (Unicamp 2011) Para se obter Vm o radar mede a diferença de frequências Äf, dada por Äf = f – f0 = ±
𝑉𝑚
f0, sendo f a frequência da onda refletida pelo carro, f0 = 2,4 x1010 Hz a frequência da onda emitida
𝑐
pelo radar e c = 3,0 x108 m/s a velocidade da onda eletromagnética. O sinal (+ ou -) deve ser escolhido
dependendo do sentido do movimento do carro com relação ao radar, sendo que, quando o carro se
aproxima, a frequência da onda refletida é maior que a emitida.
Pode-se afirmar que a diferença de frequência Äf medida pelo radar foi igual a
a) 1600 Hz.
b) 80 Hz.
c) –80 Hz.
d) –1600 Hz.
e) 2800 Hz.

Texto para a próxima questão:


Considere um observador O parado na calçada de uma rua quando uma ambulância passa com a sirene
ligada (conforme a figura). O observador nota que a altura do som da sirene diminui repentinamente
depois que a ambulância o ultrapassa. Uma observação mais detalhada revela que a altura sonora da
sirene é maior quando a ambulância se aproxima do observador e menor quando a ambulância se afasta.
Este fenômeno, junto com outras situações físicas nas quais ele ocorre, é denominado efeito Doppler.
(...)
Adaptado de JUNIOR, F. R. Os Fundamentos da Física. 8. ed. vol. 2. São Paulo: Moderna, 2003, p. 429)

3
Física

5. (Uepb 2013) Ainda acerca do assunto tratado no texto, que descreve o Efeito Doppler, resolva a
seguinte situação-problema:
Considere ainda o observador (conforme a figura) parado na calçada munido de um detector sonoro.
Quando uma ambulância passa por ele a uma velocidade constante com a sirene ligada, o observador
percebe que o som que ele ouvia teve sua frequência diminuída de 1000 Hz para 875 Hz. Sabendo que
a velocidade do som no ar é 333,0 m/s, a velocidade da ambulância que passou pelo observador, em
m/s, é
a) 22,2
b) 23,0
c) 24,6
d) 32,0
e) 36,0

6. (Uefs 2017 - adaptada) Uma onda é um pulso energético que se propaga através do espaço ou através
de um meio líquido, sólido ou gasoso, com velocidade que está relacionada com as propriedades do
meio em que se propaga. Um tipo de onda muito importante é a onda sonora que pode sofrer vários
fenômenos, tais como o Efeito Doppler.

Considerando uma pessoa sentada em uma praça quando se aproxima um carro de som com
velocidade de 28,8 km/h emitindo um som de frequência de 522,0 Hz e sendo a velocidade do som no
ar igual a 340,0 m/s então o comprimento de onda percebido pela pessoa, em mm é,
aproximadamente, igual a
a) 712
b) 650
c) 589
d) 455
e) 314

4
Física

7. (Uepg 2016 - adaptada) Considere uma sirene fixa na parede de uma escola que é acionada a cada
50 minutos. O som produzido por ela tem frequência de 650 Hz. Em um dos intervalos, um aluno sai
correndo da sala de aula pelos corredores, a uma velocidade de 2,6 m/s no sentido da sirene, para
chegar ao campo de futebol da escola.
Dados: 𝑣𝑠𝑜𝑚 = 340 𝑚/𝑠

Sobre o efeito Doppler-Fizeau, assinale o que for correto.


a) O aluno, quando sai da sala de aula correndo, ao se aproximar da sirene, perceberá a frequência
do som com um valor igual a 650 Hz.
b) Em um dia muito frio, se o garoto fizer o mesmo trajeto correndo em direção ao campo de futebol,
aproximando-se da sirene, a frequência do som percebida por ele será de 650 Hz.
c) Caso a sirene fosse móvel e se estivesse na mão de uma pessoa caminhando pelos corredores da
escola, a velocidade de propagação do som produzido (no meio) seria maior se a pessoa passasse
a correr pelos corredores.
d) O efeito Doppler-Fizeau explica as variações que ocorrem na velocidade das ondas mecânicas
com natureza transversal.
e) Caso o menino passe a correr como um atleta olímpico na direção da sirene, a uma velocidade de
10 m/s, ele passará a ouvir um som mais agudo, com frequência de aproximadamente 669 Hz.

8. (EFEI-MG) Uma pessoa parada na beira de uma estrada vê um automóvel aproximar-se com
velocidade 0,1 da velocidade do som no ar. O automóvel está buzinando, e a sua buzina, por
especificação do fabricante, emite um som puro de 990 Hz.
O som ouvido pelo observador terá uma frequência de:
a) 900 Hz
b) 1 100 Hz
c) 1 000 Hz
d) 99 Hz
e) Não é possível calcular por não ter sido dada a velocidade do som no ar.

9. Uma pessoa está sentada em uma praça quando se aproxima um carro de polícia com velocidade de
80 km/h. A sirene do carro está ligada e emite um som de frequência de 800 Hz. Sabendo que a
velocidade do som no ar é 340 m/s, calcule a frequência aparente percebida pelo observador;
a) 850 Hz.
b) 830 Hz.
c) 750 Hz.
d) 730 Hz.
e) 900 Hz.

10. Um trem parte de uma estação com o seu apito ligado, que emite um som com frequência de 940 Hz.
Enquanto ele afasta-se, uma pessoa parada percebe esse som com uma frequência de 900 Hz. Sendo
a velocidade do som no ar igual a 340 m/s, calcule a velocidade do trem ao passar pela estação.
a) 30,5 m/s.
b) 10,0 m/s
c) 15,1 m/s
d) 25,5 m/s
e) 30,0 m/s

5
Física

Gabarito

1. D
Dados: c = 3  108 m/s; f0 = 3.000 MHz = 3  109 Hz; f = 300 Hz.
Da expressão dada:
2 ur  fc  3  10 2  3  10 8 
f= f0 ur = ur = v = 15 m/s  v = 54 km/h.
c 2 f0 2  3  109

2. E
Como o som ouvido tem frequência maior que o som emitido, há aproximação relativa entre o
observador (ouvinte) e a fonte, ou seja, a viatura aproxima-se do observador.
Dados:
Frequência aparente (ouvida): fap = 1.000 Hz;
Frequência emitida pela fonte: fF = 900 Hz;
Velocidade do observador: vO = 0.
Velocidade da fonte: vF = ?

De acordo com a expressão do Efeito Doppler, para o referencial adotado na figura:

v + vO 340 + 0 1 34
fap = f  1.000 = 900  =  vF = 306 − 340 
v + vF 340 + vF 9 340 + vF
vF = −34 m / s.

O sinal negativo indica que o movimento da viatura é em sentido oposto ao adotado, ou seja,
aproximando-se do observador.

3. A
V  Vobservador
Efeito Doppler: f ' = f
V  Vfonte
Vobservador → componente da velocidade do observador na direção que liga o observador à fonte
Vfonte → componente da velocidade da fonte na direção que liga o observador à fonte.
V → velocidade do som.

Numerador: (+) observador aproximando; (-) observador afastando.


Denominador: (-) fonte aproximando; (+) fonte afastando.
Observe a figura.

Os três observadores estão parados ( Vobservador = 0 ) .

6
Física

A fonte está aproximando-se de D1, parada em relação a D2 e afastando-se de D3.


V
f1 = f f
D1 →
V − Vfonte

D2 → f2 = f
V
f3 = f f
D3 →
V + Vfonte

I. O som percebido pelo detector D1 é mais agudo que o som emitido e escutado pelo trompetista.
(Verdadeiro)
II. A frequência medida pelo detector D1 é menor que f. (Falso)
III. As frequências detectadas por D1 e D2 são iguais e maiores que f, respectivamente. (Falso)
IV. A frequência detectada por D2 é maior que a detectada por D3. (Verdadeiro)

4. A
Dados: f0 = 2,4  1010 Hz; v = 72 km/h = 20 m/s; c = 3  108 m/s.
V
Analisando a expressão dada: ∆f = f – f0 = ± m f0. Como o carro se aproximava, de acordo com o
c
enunciado, a frequência refletida é maior que a emitida (f > f 0).

Assim a diferença ∆f = f – f0 deve ser positiva, ou seja, devemos escolher o sinal (+).

Então:
Vm 20
∆f = + f0  ∆f =  2, 4  1010  f = 1.600 Hz.
c 3  10 8

5. A
Aplicando a expressão do efeito Doppler para as duas situações:
 v onda + v fonte
 Aproximação : faparente = ffonte
 v onda 1000 333 + v fonte
   = 
 Afastamento : f v onda − v fonte 875 333 − v fonte
 aparente = ffonte
 v onda
333
7 ( 333 + v fonte ) = 8 ( 333 − v fonte )  (7 + 8 ) v fonte = (8 − 7 )  333  v fonte = 
15
v fonte = 22,2 m / s.

6. B
Esta questão explora o efeito Doppler cuja expressão para o caso de afastamento é dada por:
 v + vo 
f ' = f  
 v − vf 
Onde:
f ' = frequência aparente recebida pelo observador;
f = frequência real emitida pela fonte;
v = velocidade da onda;
vo = velocidade do observador;
v f = velocidade da fonte.

Transformando a velocidade da fonte para o SI:

7
Física

1m s
v f = 28,8 km h   vf = 8 m s
3,6 km h

Substituindo os valores, achamos a frequência aparente observada:


 v + vo   340 + 0 
f ' = f   = 522     f ' = 534,6 Hz
 v − v f   340 − 8 

Logo, o comprimento de onda será;


( 340 + 8 ) m s
v ' = λ ' f '  λ ' =  λ ' = 0,650 m = 650 mm
534,6 Hz

7. E
[I] Falso. Aplicando a fórmula do efeito Doppler para a situação descrita, temos:
v + v ob   340 + 2,6 
fap = f0  som  = 650     fap  655 Hz
 v som   340 

[II] Falso. Análogo ao item acima.

[III] Falso. O que mudaria neste caso seria a frequência aparente, não a velocidade de propagação do
som.

[IV] Falso. O efeito Doppler-Fizeau explica as variações nas ondas de natureza longitudinal.

[V] Verdadeiro. Aplicando novamente a fórmula do efeito Doppler, temos:


 340 + 10 
fap = 650     fap  669 Hz
 340 

8. B
Dados:
𝑣𝑓 = 0,1 𝑣𝑎𝑟
𝑓 = 990 𝐻𝑧

Utilizamos a equação:
𝑓 (𝑣𝑎𝑟 + 𝑣0 )
𝑓0 =
(𝑣𝑎𝑟 − 𝑣𝑓 )
990 (𝑣𝑎𝑟 + 0)
𝑓0 =
(𝑣𝑎𝑟 − 0,1𝑣𝑎𝑟 )
990𝑣𝑎𝑟
𝑓0 =
0,9𝑣𝑎𝑟
Simplificando var, temos: f0 = 1.100 Hz

9. A
Dados:
𝑣𝑓 = 80 𝑘𝑚/ℎ = 22,2 𝑚/𝑠
𝑓 = 800 𝐻𝑧
𝑣𝑎𝑟 = 340 𝑚/𝑠
𝑣0 = 0

Utilizamos a equação:
𝑓 (𝑣𝑎𝑟 + 𝑣0 )
𝑓0 =
(𝑣𝑎𝑟 − 𝑣𝑓 )

8
Física

Substituindo os dados, temos:


800(340 + 0)
𝑓0 =
(340 − 22,2)
𝑓0 = 855 𝐻𝑧

10. C
Dados:
𝑓0 = 900 𝐻𝑧
𝑓 = 940 𝐻𝑧
𝑣𝑎𝑟 = 340 𝑚/𝑠
𝑣0 = 0

Utilizamos a equação:
𝑓 (𝑣𝑎𝑟 + 𝑣0 )
𝑓0 =
(𝑣𝑎𝑟 − 𝑣𝑓 )

Substituindo os dados, temos:


940(340 + 0)
900 =
(340 + 𝑣𝑓 )
𝑣𝑓 = 15,1 𝑚/𝑠

9
Física

Espelhos esféricos: método gráfico

Resumo

Classificação e elementos geométricos dos espelhos esféricos


Você já deve ter notado que, além dos sempre comuns espelhos planos, há
também espelhos com outros formatos, como os esféricos. Estes estão
presentes em situações em que se almeja produzir imagens aumentadas
(espelhos côncavos) ou campos visuais maiores, necessários em
determinados ambientes (espelhos convexos).
O desenhista e pintor holandês Mauritz Cornelis Escher (1898-1972) tem
um trabalho fundamentado em xilografias, litografias e meios-tons que
instiga a imaginação do observador. São figuras impressionantes, algumas
verdadeiras distorções da realidade. Em sua obra reproduzida ao lado, o
artista se autorretrata em seu escritório refletido em uma esfera espelhada
— um espelho convexo — que permite uma visualização mais ampla
do ambiente. Autorretrato de M. C. Escher segurando uma
esfera refletora. Litografia de janeiro de 1935.

Considere a superfície esférica ∑ da figura a seguir, secionada por um plano π. O secionamento corta ∑ e
determina uma “casca” esférica denominada calota.

Chama-se espelho esférico qualquer calota esférica polida e com alto poder refletor.

Se a superfície refletora da calota estiver voltada para dentro da esfera, o espelho esférico correspondente
será denominado côncavo.

Representação de um espelho esférico côncavo.

1
Física

Se a superfície refletora da calota estiver voltada para fora da esfera, o espelho esférico correspondente será
denominado convexo.

Representação de um espelho esférico convexo.

Uma colher de aço inoxidável tem comportamento semelhante ao dos espelhos esféricos. A face sobre a qual
são colocados os alimentos é um espelho côncavo, enquanto a face oposta é um espelho convexo. É
importante observar, entretanto, que essas colheres em geral não são superfícies esféricas.

2
Física

Veja a seguir o esquema de um espelho esférico com seus principais elementos geométricos:

• O centro C da esfera que originou a calota é chamada de centro de curvatura do espelho.


• O polo V da calota é chamado de vértice do espelho .
• A reta que passa por C e V é chamada de eixo principal do espelho.
• Todas as demais retas que contêm o centro C são chamadas de eixos secundários.
• O ângulo α, que tem o vértice no centro C e os lados passando por pontos diametralmente opostos
da calota, é chamdo de abertura do espelho.
• O raio R da esfera que originou a calota é denominado raio de curvatura do espelho.
• Qualquer plano perpendicular ao eixo principal é denominado plano frontal.

Espelhos esféricos gaussianos


Em geral, os espelhos esféricos não são sistemas ópticos estigmáticos, nem aplanéticos, nem ortoscópicos,
como ocorre nos espelhos planos, uma vez que as imagens fornecidas por eles são sensivelmente distorcidas
em comparação com os objetos correspondentes. As distorções provocadas por esses espelhos são
denominadas aberrações de esfericidade.

Entretanto, o físico e matemático alemão Carl Friedrich Gauss (1777-1855) observou que, operando- se com
raios luminosos pouco inclinados e pouco afastados em relação ao eixo principal (raios paraxiais), as
aberrações de esfericidade inerentes aos espelhos esféricos ficavam sensivelmente minimizadas.

3
Física

Neste capítulo, salvo recomendação em contrário, abordaremos os espelhos esféricos gaussianos, isto é,
aqueles em que os raios luminosos envolvidos são pouco inclinados e pouco afastados em relação ao eixo
principal. Por raios luminosos “pouco afastados” em relação ao eixo principal entendemos aqueles cuja
distância do ponto de incidência ao referido eixo é pequena em comparação com o raio de curvatura do
espelho. A representação esquemática dos espelhos esféricos gaussianos é a seguinte:

Em relação ao pincel luminoso incidente representado na figura ao lado, o espelho esférico côncavo pode ser
considerado gaussiano. Note que, nessas condições, o ângulo de abertura da região do espelho sobre a qual
a luz incide não deve exceder 10°.

Focos dos espelhos esféricos


De maneira geral:
O foco de um sistema óptico qualquer é um ponto que tem por conjugado um ponto impróprio (“situado no
infinito”).
Ex.1:
Radiotelescópios são equipamentos que rastreiam o espaço em busca de sinais — ondas eletromagnéticas
compatíveis com as radiofrequências — provenientes dos mais remotos pontos do Universo. O elemento
receptor desses dispositivos é uma superfície parabólica, cuja parte côncava tem alto poder de reflexão.
Ondas planas incidem sobre o sistema, originando ondas esféricas refletidas que convergem para o foco do
paraboloide, onde está instalado o elemento detector das informações.

Fotografia mostrando radiotelescópios.

4
Física

O fogão solar, projetado para ser utilizado no campo, funciona de maneira similar aos radiotelescópios. Raios
solares paralelos incidem sobre um captador parabólico e, depois de refletidos, convergem para o foco do
sistema, onde é colocada a panela contendo os alimentos.

Esquema de um fogão solar.

Ex.2:
Nos colimadores, holofotes e refletores que emitem feixes luminosos cilíndricos (constituídos de raios
paralelos), uma pequena lâmpada é instalada sobre o foco de um espelho parabólico côncavo que conjuga à
fonte de luz uma imagem imprópria.

Considere os espelhos esféricos gaussianos a seguir, nos quais incidem raios luminosos paralelos entre si e
ao eixo principal. A experiência mostra que as direções dos raios refletidos passam, necessariamente, por um
mesmo ponto do eixo principal, denominado foco principal (F):

Representação esquemática de espelho côncavo. Representação esquemática de espelho convexo.

5
Física

Suponhamos, agora, o caso em que incidem nos espelhos raios luminosos paralelos entre si e a um dos eixos
secundários. Pode-se verificar, também nessa situação, que as direções dos raios refletidos passam por um
mesmo ponto, mas do eixo secundário considerado. Esse ponto é denominado foco secundário (φ):

Prova-se, ainda, que o foco principal e os infinitos focos secundários de um espelho esférico gaussiano se
alojam em um mesmo plano frontal, denominado plano focal.
É importantíssimo perceber que os focos de um espelho côncavo são reais, enquanto os de um espelho
convexo são virtuais. A explicação para esse fato é simples: nos espelhos côncavos, os focos são
determinados efetivamente pelos raios de luz (os focos apresentam-se “na frente” do espelho), enquanto nos
espelhos convexos os focos são determinados pelos prolongamentos dos raios (os focos apresentam-se
“atrás” do espelho). Observe agora o espelho esférico côncavo representado a seguir, no qual incide um raio
luminoso paralelo ao eixo principal. Ao se refletir, o raio intercepta o eixo principal do espelho no ponto F (foco
principal).

Na figura, temos:
𝐂𝐈̂𝐏 ≡ 𝐅𝐈̂𝐂 (𝟐ª 𝐥𝐞𝐢 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐟𝐥𝐞𝐱ã𝐨)
𝐂𝐈̂𝐏 ≡ 𝐈𝐂̂𝐅 (𝐚𝐥𝐭𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬)

Portanto, 𝐹𝐼̂𝐶 ≡ 𝐼𝐶̂ 𝐹, e o triângulo 𝐹𝐼𝐶 é isósceles, valendo a igualdade:


𝐂𝐅 = 𝐅𝐈

Mas 𝐹𝐼 ≅ 𝐹𝑉, pois o raio incidente considerado é paraxial. Assim:


𝐂𝐅 ≅ 𝐅𝐕
Ou também:
𝐑
𝐟≅
𝟐

2
Física

A conclusão acima permite afirmar:


Nos espelhos esféricos gaussianos, o foco principal é aproximadamente equidistante do centro de
curvatura e do vértice.

Raios luminosos particulares


Nos espelhos esféricos, alguns raios luminosos particulares de simples traçado apresentam grande interesse,
pois facilitam a construção gráfica das imagens.

1º raio particular
Todo raio luminoso que incide no espelho alinhado com o centro
de curvatura se reflete sobre si mesmo.
Essa afirmação pode ser constatada de imediato, pois um raio
luminoso que incide alinhado com o centro de curvatura é normal
à superfície refletora. Como a incidência é normal, o ângulo de
incidência é nulo, o mesmo devendo ocorrer com o ângulo de
reflexão. Daí dizermos que “o raio se reflete sobre si mesmo”.

Usando a representação gaussiana, temos as figuras:

A propriedade que esse raio tem de refletir-se sobre si mesmo é verificada em qualquer tipo de espelho
esférico, gaussiano ou não.

2º raio particular
Todo raio luminoso que incide no vértice do espelho gera,
relativamente ao eixo principal, um raio refletido simétrico.
Essa afirmação é consequência da 2ª Lei da Reflexão. A reta
normal à superfície refletora em V é o próprio eixo principal.
Como o ângulo de reflexão deve ser igual ao de incidência,
justifica-se a simetria citada.

2
Física

Usando a representação gaussiana, temos as figuras:

A propriedade que esse raio tem de refletir-se simetricamente em relação ao eixo principal é verificada com
qualquer tipo de espelho esférico, gaussiano ou não.

3º raio particular
Todo raio luminoso que incide paralelamente ao eixo principal se reflete alinhado com o foco principal.

Note que essa afirmação decorre da própria definição de foco principal.

Considerando a reversibilidade dos raios de luz, podemos enunciar também:


Todo raio luminoso que incide alinhado com o foco principal se reflete paralelamente ao eixo principal.

Esse raio só é verificado em espelhos esféricos gaussianos.

3
Física

Construção gráfica das imagens nos espelhos esféricos


Para construir a imagem de um ponto conjugada por um sistema óptico, necessitamos de pelo menos dois
raios luminosos incidentes. Em relação ao traçado das imagens fornecidas pelos espelhos esféricos,
devemos utilizar os raios luminosos particulares descritos na seção anterior.
Considere, por exemplo, o espelho convexo abaixo, diante do qual há um objeto AB que tem o extremo B no
eixo principal. Nesse caso, para obter a imagem de AB, basta obtermos a imagem do extremo A, pois a
imagem correspondente ao extremo B estará situada no eixo principal.

Observe que, nessa situação, a imagem formada é:


• Virtual: obtida pelo cruzamento dos prolongamentos dos raios refletidos (situada “atrás do espelho”);
• Direita: “de cabeça para cima” em relação ao objeto;
• Menor: o “tamanho” da imagem é menor que o do objeto.
É importante destacar que:
A um objeto real, um espelho esférico convexo conjuga uma imagem sempre virtual, direita e menor,
compreendida entre o foco principal e o vértice, independentemente da distância do objeto à superfície
refletora.

Aumentando ou dimuindo a distâcia entre a vela e a superfície refletora do espelho convexo, a imagem mantém suas
características: virtual, direita e a menor que o objeto.

As características das imagens produzidas pelos espelhos côncavos, por sua vez, dependem da posição do
objeto em relação ao espelho. Há cinco casos importantes a considerar:

4
Física

1º Objeto além do centro de curvatura

Características da imagem:
• Real: formada pelo cruzamento efetivo dos raios refletidos;
• Invertida: “de cabeça para baixo” em relação ao objeto;
• Menor: o “tamanho” da imagem é menor que o do objeto.

Na fotografia, imagem real, inevrtida e menor produzida por um espelho esférico côncavo de um objeto situado além do
seu centro de curvatura.
2º Objeto no plano frontal, que contém o centro de curvatura

Características da imagem:
• Real;
• Invertida;
• Do mesmo tamanho que o objeto.

5
Física

3º Objeto entre o centro de curvatura e o foco

Características da imagem:
• Real;
• Invertida;
• Maior: o “tamanho” da imagem é maior que o do objeto.
Obs.: Observe que as imagens reais obtidas de objetos também reais são sempre invertidas.

4º Objeto no plano focal

Nesse caso, como os raios luminosos emergentes do sistema são paralelos entre si, a imagem “forma-se no
infinito”1, sendo, portanto, imprópria.

5º Objeto entre o foco e o vértice

1
Cuidado! O termo “infinito” não significa que a imagem está super longe e que se forçar os olhos você conseguirá enxerga-lo. Na verdade,
o que ocorre é que a imagem fica borrada quando o objeto se posiciona sobre o foco do sistema ótico. Imagens borradas são imagens
impróprias.

6
Física

Características da imagem:
• Virtual;
• Direita;
• Maior.
Esse é o único caso em que, de um objeto real, o espelho côncavo conjuga imagem virtual.2
Obs.: É muito comum se ouvir falar dos pares: imagem real é sempre invertida e imagem virtual é sempre
direita! Cuidado! Isso só vale para sistemas óticos simples, isto é, um espelho ou uma lente!

2
Observe que o ponto focal do espelho é um ponto de transição, isto é, enquanto o objeto está entre o “infinito” e o foco F, as imagens
conjugadas por esse objeto serão reais. Quando o objeto se posicionar entre o foco F e o vértice V do espelho, as imagens conjugadas
serão virtuais.

7
Física

Exercícios

1. A figura mostra um objeto e sua imagem produzida por um espelho esférico.

Escolha a opção que identifica corretamente o tipo do espelho que produziu a imagem e a posição do
objeto em relação a esse espelho.
a) O espelho é convexo e o objeto está a uma distância maior que o raio do espelho.
b) O espelho é côncavo e o objeto está posicionado entre o foco e o vértice do espelho.
c) O espelho é côncavo e o objeto está posicionado a uma distância maior que o raio do espelho.
d) O espelho é côncavo e o objeto está posicionado entre o centro e o foco do espelho.
e) O espelho é convexo e o objeto está posicionado a uma distância menor que o raio do espelho.

2. Considere a figura a seguir.

Com base no esquema da figura, assinale a alternativa que representa corretamente o gráfico da
imagem do objeto AB, colocado perpendicularmente ao eixo principal de um espelho esférico convexo.

a) c) e)

b) d)

8
Física

3. Os espelhos retrovisores, que deveriam auxiliar os motoristas na hora de estacionar ou mudar de pista,
muitas vezes causam problemas. É que o espelho retrovisor do lado direito, em alguns modelos,
distorce a imagem, dando a impressão de que o veículo está a uma distância maior do que a real.
Este tipo de espelho, chamado convexo, é utilizado com o objetivo de ampliar o campo visual do
motorista, já que no Brasil se adota a direção do lado esquerdo e, assim, o espelho da direita fica muito
mais distante dos olhos do condutor.
Disponível em: <http://noticias.vrum.com.br>. Acesso em: 3 nov. 2010 (adaptado).

Sabe-se que, em um espelho convexo, a imagem formada está mais próxima do espelho do que este
está do objeto, o que parece estar em conflito com a informação apresentada na reportagem. Essa
aparente contradição é explicada pelo fato de
a) a imagem projetada na retina do motorista ser menor do que o objeto.
b) a velocidade do automóvel afetar a percepção da distância.
c) o cérebro humano interpretar como distante uma imagem pequena.
d) o espelho convexo ser capaz de aumentar o campo visual do motorista.
e) o motorista perceber a luz vinda do espelho com a parte lateral do olho.

4. Quando entrou em uma ótica para comprar novos óculos, um rapaz deparou-se com três espelhos
sobre o balcão: um plano, um esférico côncavo e um esférico convexo, todos capazes de formar
imagens nítidas de objetos reais colocados à sua frente. Notou ainda que, ao se posicionar sempre a
mesma distância desses espelhos, via três diferentes imagens de seu rosto, representadas na figura a
seguir.

Em seguida, associou cada imagem vista por ele a um tipo de espelho e classificou-as quanto às suas
naturezas.
Uma associação correta feita pelo rapaz está indicada na alternativa:

a) o espelho A é o côncavo e a imagem conjugada por ele é real.


b) o espelho B é o plano e a imagem conjugada por ele é real.
c) o espelho C é o côncavo e a imagem conjugada por ele é virtual.
d) o espelho A é o plano e a imagem conjugada por ele é virtual.
e) o espelho C é o convexo e a imagem conjugada por ele é virtual.

9
Física

5. A figura ao lado mostra um espelho esférico côncavo de raio de curvatura R, apoiado sobre a horizontal,
com a face refletora voltada para cima. A reta tracejada vertical OP passa sobre o ponto
correspondente ao centro do espelho esférico. Determine a distância y, acima do ponto O e ao longo
da reta OP , para a qual ocorrerá maior incidência de luz solar refletida no espelho, suposta de
incidência vertical. Considere o espelho esférico com pequeno ângulo de abertura, de modo que os
raios incidentes são paralelos e próximos ao seu eixo principal.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa distância.


a) R/2
b) 3R/4
c) R
d) 3R/2
e) 2R

6. Um estudante dispunha de um espelho côncavo e de uma lente biconvexa de vidro para montar um
dispositivo que amplia a imagem de um objeto. Ele então montou o dispositivo, conforme mostrado no
diagrama. O foco do espelho é F e os das lentes são f e f '. O objeto O é representado pela seta.

Após a montagem, o estudante observou que era possível visualizar duas imagens. As características
dessas imagens são:
a) Imagem 1: real, invertida e maior.
Imagem 2: real, invertida e menor.
b) Imagem 1: real, direta e maior.
Imagem 2: real, invertida e menor.
c) Imagem 1: virtual, direta e maior.
Imagem 2: real, invertida e menor.
d) Imagem 1: virtual, direta e menor.
Imagem 2: real, invertida e maior.

10
Física

7. Um objeto real é colocado perpendicularmente ao eixo principal de um espelho esférico convexo. Nota-
se que, nesse caso, a altura da imagem virtual é i1. Em seguida, o mesmo objeto é aproximado do
espelho, formando uma nova imagem com altura i2 .
Quando se traz para mais perto o objeto, a imagem se
a) aproxima do espelho, sendo i1  i2 .
b) aproxima do espelho, sendo i1  i2 .
c) afasta do espelho sendo i1 = i2 .
d) afasta do espelho sendo i1  i2 .

8. Um jovem odontólogo, desejando montar um consultório, sai em busca de bons equipamentos por um
preço que caiba em seu bolso. Diante da diversidade de instrumentos, pede orientação a um colega
físico sobre qual tipo de instrumento óptico comprar para visualizar com maiores detalhes os dentes
dos seus futuros pacientes. Irá atender às necessidades do dentista
a) um espelho plano, por ser um material de produção em grande escala, seu valor é mais barato e o
mesmo é capaz de produzir aumentos superiores a três vezes.
b) um espelho convexo, pois funciona como uma lupa, produzindo imagens ampliadas de ótima
qualidade independentemente da posição do dente do paciente.
c) uma lente divergente, já que a mesma produz o maior tipo de aumento. No entanto, a posição do
dente deve estar entre o foco e o centro óptico da lente para conseguir uma ampliação satisfatória.
d) um espelho côncavo, pois uma vez que coloque o dente do paciente entre o foco e o vértice desse
espelho, a imagem produzida será maior, virtual e direita.

e) uma lente multifocal. Assim, independentemente da posição em que se encontra o dente em


relação ao espelho, a ampliação será satisfatória.

11
Física

9. A figura representa um espelho esférico gaussiano (E), seu centro de curvatura (C), seu foco principal
(F) e seu vértice (V). A figura também mostra quatro regiões (I, II, III e IV) identificadas por cores
diferentes.

Se um objeto pontual for colocado sucessivamente nos pontos 1 e 2, as imagens conjugadas pelo
espelho se formarão, respectivamente, nas regiões
a) II e IV.
b) III e I.
c) III e IV.
d) II e III.
e) II e I.

10. O edifício 20 Fenchurch Street, localizado em Londres e conhecido como Walkie Talkie, tem causado
diversos problemas para a sua vizinhança. Moradores e funcionários da região têm argumentado que,
desde a sua construção, os ventos estão mais intensos nas imediações do prédio. Além disso, houve
registros de carros estacionados nas proximidades do prédio que tiveram suas pinturas danificadas e
suas peças derretidas por conta da reflexão da luz solar ocasionada pelo arranha-céu.

Os carros foram danificados porque pelo menos uma das faces do prédio tem formato semelhante a
a) um espelho côncavo.
b) um espelho convexo.
c) uma lente divergente.
d) uma lente convergente.

12
Física

Gabarito

1. D
Analisando a figura dada, notamos que a imagem do objeto real está invertida e ampliada. Esse caso só
acontece para um espelho esférico côncavo, quando o objeto está entre o centro de curvatura (C) e o foco
(F) , como ilustra a figura a seguir.

2. D
Todo raio que incide paralelo reflete pelo foco e todo raio que incide pelo centro de curvatura reflete sobre
si mesmo.
Trata-se de um espelho convexo, então a imagem é sempre virtual direita e menor, entre o foco e o vértice.

3. C
Nossos olhos estão acostumados com imagens em espelhos planos, onde imagens de objetos mais
distantes nos parecem cada vez menores.
Esse condicionamento é levado para o espelho convexo: o fato de a imagem ser menor que o objeto é
interpretado pelo cérebro como se o objeto estivesse mais distante do que realmente está.
Essa falsa impressão é desfeita quando o motorista está, por exemplo, dando marcha a ré em uma
garagem, vendo apenas a imagem dessa parede pelo espelho convexo. Ele para o carro quando percebe
pela imagem do espelho convexo que está quase batendo na parede. Ao olhar para trás, por visão direta,
ele percebe que não estava tão próximo assim da parede.

4. C
Para espelhos planos ou esféricos, a imagem de um objeto real é virtual e direita ou é real e invertida.
Essa imagem virtual é reduzida no convexo, de mesmo tamanho no plano e ampliada no côncavo.
Assim, tem-se:
Espelho A → convexo, pois a imagem é virtual direita e menor.
Espelho B → plano, pois a imagem é virtual direita e de mesmo tamanho.
Espelho C → côncavo, pois a imagem é virtual direita e maior.

5. A
Sabemos que os raios solares que atingem a Terra são praticamente paralelos. De acordo com o
enunciado, esses raios solares são verticais, atingindo o espelho paralelamente ao eixo principal. Como
o espelho é gaussiano, os raios refletidos passam pelo foco principal, que fica à distância R/2 do vértice
do espelho.

6. B

13
Física

Para a imagem do objeto no espelho côncavo, através do desenho, nota-se que o mesmo se encontra
entre o foco e o centro de curvatura do espelho, logo, a imagem é real, invertida e maior, mas a mesma
só é vista a partir da lente fazendo novamente a construção para a lente, formando, finalmente a
imagem 1, real, direta e maior, mostrada na figura mais abaixo.
Para a imagem 2 da lente biconvexa, observa-se que o objeto está além do ponto antiprincipal e, sendo
assim, sua imagem é real, invertida e menor.
As construções das imagens estão indicadas nas figuras abaixo:

7. A

14
Física

A figura ilustra a situação proposta.

Essa figura mostra que quando um objeto real se aproxima do vértice de um espelho esférico convexo,
sua imagem virtual também se aproxima do espelho e aumenta de tamanho (i1  i2 ).

8. D
Para ver melhor a imagem de um dente, essa imagem deve ser ampliada e direita. Isso se consegue
com um espelho esférico côncavo, quando o objeto está entre o foco e o vértice.

9. A
As construções das imagens são realizadas nas figuras abaixo:

10. A

15
Física

Uma das faces do prédio é curva, concentrando os raios solares refletidos, semelhante a um espelho
côncavo.

16
Física

Gabarito

1. X

2. X

3. X

4. X

5. X

6. X

7. X

8. X

9. X

10. X

17
Física

Espelhos Planos

Resumo

Reflexão: conceito, elementos e leis


Esse assunto refere-se ao fenômeno da reflexão da luz e suas aplicações em sistemas ópticos, como
espelhos planos e esféricos. Dentro de equipamentos ópticos de larga utilização, a luz também se reflete, o
que pode ser verificado em algumas câmeras fotográficas, periscópios, binóculos e telescópios.
Já vimos previamente que:
Reflexão é o fenômeno que consiste no fato de a luz voltar a se propagar no meio de origem, após incidir
na superfície de separação desse meio com outro.
324
Elementos
Considere o esquema a seguir, que representa a reflexão de um raio de luz, destacando os elementos nela
envolvidos.

S = superfície polida e refletora;


AB = raio incidente;
BC = raio refletido;
N = reta normal a S no ponto de incidência;
T = reta tangente a S no ponto de incidência;
i = ângulo de incidência, formado pelo raio incidente (AB) e pela reta normal (N);
r = ângulo de reflexão, formado pelo raio refletido (BC) e pela reta normal (N).

A reta normal a uma superfície em um plano tangente à superfície no ponto considerado. Veja a figura a
seguir, em que:
• S é a superfície considerada;
• π é o plano tangente a S o ponto P;
• N é a reta normal a S no ponto P.

1
Física

As retas normais a uma superfície esférica são radiais, isto é, têm a mesma direção do raio da superfície em
cada ponto.
Ao plano formado pelo raio incidente e pela reta normal dá-se o nome de plano de incidência.

Leis
O fenômeno da reflexão é regido por duas leis, que podem ser verificadas teórica e experimentalmente.

1ª Lei da Reflexão
O raio refletido pertence ao plano de incidência, ou seja, o raio refletido, a reta normal no ponto de
incidência e o raio incidente são coplanares.

2ª Lei da Reflexão
O ângulo de reflexão é sempre igual ao ângulo de incidência.
Veja o esquema a seguir, que representa a reflexão de um raio luminoso em uma superfície S.

De acordo com as leis da reflexão, se AB e N estiverem contidos no plano do papel, o mesmo deverá acontecer
com BC, e teremos ainda a igualdade r = i. Na fotografia abaixo, um estreito pincel cilíndrico de luz proveniente
de um apontador laser é refletido por um pequeno espelho.

Podemos observar que os pincéis incidente e refletido são coplanares, isto é, estão quase totalmente contidos
no plano de apoio do espelho, e também que o ângulo de reflexão é igual ao de incidência. É possível verificar
ainda a reversibilidade da luz. Repare que, independentemente de a luz provir de cima ou de baixo, sua
trajetória é a mesma.

2. O espelho plano
Chama-se espelho plano qualquer superfície plana, polida e com alto poder refletor.
Bons espelhos planos são obtidos com o polimento de chapas metálicas. Entretanto, os espelhos obtidos
assim nem sempre são baratos e funcionais.

2
Física

Em geral, os espelhos planos são confeccionados a partir de uma lâmina de vidro hialino (transparente) de
faces paralelas, sendo uma delas recoberta por uma película de nitrato de prata que se reduz a prata metálica.
A fixação dessa película é obtida colocando-se sobre ela uma fina camada de cobre que recebe demãos de
tinta e verniz.
Os espelhos planos têm emprego bastante diversificado. São utilizados domesticamente, prestando-se a
variados fins, e também como componentes de vários sistemas ópticos.
Adotaremos o esquema abaixo para representar os espelhos planos.

Convém notar que, em um espelho plano, há predominância da reflexão regular.

3
Física

4
Física

Construção gráfica de imagens nos espelhos planos


Consideremos o espelho plano abaixo e o ponto luminoso P. Pretendemos traçar a imagem de P conjugada
pelo espelho. Para isso, utilizamos dois raios luminosos (pelo menos) que, partindo de P, incidem no espelho.
Esses raios incidentes determinam raios refletidos, cujos prolongamentos se interceptam no ponto P'.

O ponto P', que é o vértice do pincel luminoso emergente do sistema, é a imagem do objeto P, conjugada pelo
espelho. Observe que, no caso, P é um objeto real, enquanto P' é uma imagem virtual (formada “atrás do
espelho”, isto é, obtida pelo cruzamento dos prolongamentos dos raios refletidos). É importante destacar que,
em relação ao olho do observador, P' se comporta como objeto real, como se a luz fosse proveniente desse
ponto.

Nesta ilustração, você pode notar a imagem virtual da


vela situada “atrás do espelho”. Essa imagem não tem Nesta fotografia, você vê um brinquedo de madeira e
existência luminosa, mas funciona como objeto real em sua respectiva imagem fornecida por em espelho plano
relação ao olho do observador. vertical.

Façamos, agora, o traçado da imagem conjugada ao ponto P pelo espelho plano indicado na figura abaixo.

Note que, nesse caso, em relação ao espelho, P é um objeto virtual (formado “atrás do espelho”, ou seja, obtido
pelo cruzamento dos prolongamentos dos raios incidentes), enquanto P' é uma imagem real (vértice efetivo
do pincel luminoso emergente do sistema).

5
Física

O que acaba de ser exposto, além de mostrar o processo de construção gráfica das imagens, permite
uma conclusão importante:
Nos espelhos planos, o objeto e a respectiva imagem têm sempre naturezas opostas, isto é, se o primeiro
for real, o outro será virtual e vice-versa.

Em razão da reflexão regular da luz nos espelhos planos, a um objeto impróprio (“situado no infinito”)
corresponde uma imagem imprópria (“situada no infinito”).

Pelo fato de conjugarem uma imagem imprópria a um objeto impróprio, os espelhos planos são sistemas
ópticos afocais.

Propriedade fundamental dos espelhos planos: a simetria


Considere o espelho plano representado na figura a seguir, diante do qual se situa um objeto luminoso pontual
P. Os raios luminosos PR e PQ incidem no espelho, respectivamente, normal e obliquamente. O raio PR se
refletirá sobre si mesmo, enquanto PQ dará origem a um raio refletido oblíquo em relação ao espelho. A
imagem de P é P', obtida pelo cruzamento dos prolongamentos dos raios refletidos. A fim de apresentar a
Propriedade Fundamental dos Espelhos Planos, demonstremos a congruência dos triângulos PQR e P'QR.

- O lado 𝑄𝑅 é comum aos dois triângulos.


- 𝑄𝑃̂ 𝑅 ≡ 𝑖̂ (alternos internos) e 𝑄𝑃′̂ 𝑅 ≡ 𝑟̂ (correspondentes). Mas, como 𝑟̂ = 𝑖̂ (2ª Lei da Reflexão), tem-
se 𝑄𝑃̂ 𝑅 = 𝑄𝑃̂ ′𝑅.
- 𝑄𝑃̂ 𝑅 = 𝑄𝑃̂ ′𝑅 = ângulo reto (por construção).

Demonstrada a congruência dos dois triângulos, podemos afirmar que:


𝐏𝐑 = 𝐏 ′ 𝐑

2
Física

Isso significa que a distância do objeto ao espelho (PR) é igual à distância da imagem ao espelho (P'R). Tal
verificação é conhecida por Propriedade Fundamental dos Espelhos Planos e pode ser enunciada assim:
Nos espelhos planos, a imagem é sempre simétrica do objeto em relação ao espelho.

Estas fotografias ilustram satisfatoriamente a Propriedade Fundamental dos Espelhos Planos: a simetria. Observe que a
distância da imagem ao espelho é idêntica à distância do objeto ao espelho.

A superfície da água do lago comporta-se como um espelho plano, fazendo corresponder aos objetos reais da paisagem
imagens virtuais e simétricas em relação a eles.

Na situação esquematizada a seguir, uma pessoa se aproxima de um espelho plano E, fixo, com velocidade
de módulo v. Por causa da simetria, a imagem também se aproxima do espelho com velocidade de módulo v.
Se, entretanto, adotarmos a pessoa como referencial, a imagem se aproximará dela com velocidade de
módulo 2v.

3
Física

Na situação representada na figura a seguir, um observador O contempla a imagem de uma vela de altura h
por meio de um espelho plano vertical.

Em razão da simetria entre o objeto e a respectiva imagem, a altura da imagem também será h, mesmo que a
vela seja aproximada ou afastada do espelho.
No caso de uma aproximação, por exemplo, o observador terá a sensação de que a altura da imagem aumenta,
mas isso apenas decorre do aumento do ângulo visual de observação.

Quanto mais próxima do olho estiver a imagem, maior será o ângulo visual de observação, dando a impressão de
aumento em sua altura.
Ângulo visual

Nestas fotografias uma câmera fotográfica simples, instalada sobre um tripé, “viu” (fotografou) de uma
mesma posição um mesmo homem. Na fotografia A, o homem estava distante da câmera e, na fotografia B,
ele estava mais próximo dela. Veja como o homem aparenta uma altura maior em B.

4
Física

Isso se deve ao fato de, nessa fotografia, o ângulo visual de obeservação ser maior que em A. Note, no entanto,
que a altura do homem é a mesma. Daí se conclui que, quanto maior for o ângulo visual, maior aparentará ser
o objeto observado.

Imagem e objeto não superponíveis


É importante observar que, devido à simetria, a imagem de um objeto extenso fornecida por um espelho plano,
embora idêntica a ele, não lhe é, em geral, superponível.
Considere, por exemplo, a ilustração abaixo, que representa um espelho plano diante do qual se coloca a letra
F.
Nessas condições, a imagem fornecida pelo espelho é um F ao contrário não superponível ao objeto que lhe
deu origem. Há uma aparente inversão lateral da letra. Diz-se que a imagem é enantiomorfa, isto é, tem forma
contrária à do objeto.

Entretanto, a imagem fornecida por um espelho plano de um objeto monocromático que admite um eixo de
simetria é superponível a ele.
Se, por exemplo, tivermos uma letra A vertical e simétrica diante de um espelho plano vertical, o objeto
produzirá uma imagem que lhe será superponível.

Fotografia mostrando como as palavras aparecem


estampadas em uma ambulância.

Em viaturas utilizadas em emergências, como ambulâncias e carros de bombeiros, é comum pintar a palavra
que as designa “ao contrário”. O objetivo é proporcionar aos motoristas que estão à frente uma leitura
adequada em seus espelhos retrovisores.

Campo de um espelho plano


Chama-se campo de um espelho plano, para determinado observador, a região do espaço que pode ser
contemplada por ele pela reflexão da luz no espelho.

5
Física

A demarcação do campo do espelho é feita da seguinte maneira: na figura a seguir, O é o olho do observador
e PO e QO são raios refletidos na periferia do espelho, que atingem O.

A região destacada corresponde ao campo do espelho em relação a O.

A demarcação do campo pode ser feita de forma mais imediata. Dada a posição do observador O, determina-
se a posição simétrica O' em relação à superfície refletora. A região do espaço visível por
reflexão é determinada ligando-se o ponto O' ao contorno periférico do espelho.

Tudo se passa como se o observador 0 estivesse olhando a partir 0’.

Convém apontar que o campo de um espelho qualquer é uma região tridimensional.

Vista espacial do campo de um espelho plano retangular em relação ao observador 0.

Observação final: Translação de espelhos planos, rotação de espelhos planos e imagens múltiplas em dois
espelhos planos associados serão vistos nas aulas de aprofundamento! Você pode se adiantar e estudar
pelos módulos gravados também!

1
Física

Exercícios

1. A figura abaixo mostra um espelho retrovisor plano na lateral esquerda de um carro. O espelho está
disposto verticalmente e a altura do seu centro coincide com a altura dos olhos do motorista. Os pontos
da figura pertencem a um plano horizontal que passa pelo centro do espelho. Nesse caso, os pontos
que podem ser vistos pelo motorista são:

a) 1, 4, 5 e 9.
b) 4, 7, 8 e 9.
c) 1, 2, 5 e 9.
d) 2, 5, 6 e 9.

2. Na noite do réveillon de 2013, Lucas estava usando uma camisa com o ano estampado na mesma. Ao
visualizá-la através da imagem refletida em um espelho plano, o número do ano em questão observado
por Lucas se apresentava da seguinte forma

a)

b)

c)

d)

2
Física

3. Analise o esquema abaixo referente a um espelho plano.

A imagem do objeto que será vista pelo observador localiza-se no ponto


a) 1
b) 2
c) 3
d) 4

4. Um aluno colocou um objeto “O” entre as superfícies refletoras de dois espelhos planos associados e
que formavam entre si um ângulo θ, obtendo n imagens. Quando reduziu o ângulo entre os espelhos
para θ/4, passou a obter m imagens. A relação entre m e n é:

a) m = 4n + 3
b) m = 4n – 3
c) m = 4(n + 1)
d) m = 4(n – 1)
e) m = 4n

3
Física

5. O ângulo entre dois espelhos planos é de 20°. Um objeto de dimensões desprezíveis é colocado em
uma posição tal que obterá várias imagens formadas pelo conjunto de espelhos. Das imagens
observadas, assinale na opção abaixo, quantas serão enantiomorfas.
a) 8
b) 9
c) 10
d) 17
e) 18

6. Um objeto extenso de altura h está fixo, disposto frontalmente diante de uma superfície refletora de
um espelho plano, a uma distância de 120,0 cm. Aproximando-se o espelho do objeto de uma distância

de 20,0 cm, a imagem conjugada, nessa condição, encontra-se distante do objeto de

a) 100,0 cm

b) 120,0 cm

c) 200,0 cm

d) 240,0 cm

e) 300,0 cm

7. A figura a seguir representa um dispositivo óptico constituído por um laser, um espelho fixo, um espelho
giratório e um detector. A distância entre o laser e o detector é d = 1,0 m, entre o laser e o espelho fixo
é h = 3 m e entre os espelhos fixo e giratório é D = 2,0 m.

Sabendo-se que α = 45, o valor do ângulo β para que o feixe de laser chegue ao detector é:
a) 15°
b) 30°
c) 45°
d) 60°
e) 75°

4
Física

8. Na figura a seguir, o logo do Núcleo de Seleção da UEG é colocado em frente a dois espelhos planos
(E1 e E2) que formam um ângulo de 90º.

Qual alternativa corresponde às três imagens formadas pelos espelhos?

a) c)

b) d)

5
Física

9. Imagine que um raio de luz incida na superfície da janela lateral de um edifício, formando um ângulo de
30°, conforme mostra a figura a seguir.

Considerando o vidro da janela como uma superfície plana e lisa, o valor do ângulo de reflexão é
a) 15°.
b) 25°.
c) 30°.
d) 45°.
e) 60°.

10. A figura a seguir mostra dois espelhos planos, E1 e E2 , que formam um ângulo de 140 entre eles.
Um raio luminoso R1 incide e é refletido no espelho E1, de acordo com a figura a seguir.

Nessa situação, para que o raio refletido R2 seja paralelo ao espelho E2 , o ângulo de incidência de R1
no espelho E1 deve ser de:
a) 20
b) 30
c) 40
d) 50
e) 60

6
Física

Gabarito

1. C
Obs:
1ª) pela simbologia adotada, conclui-se tratar-se de um espelho plano.
2ª) Para ver os pontos, o motorista teria que olhar para o lado esquerdo ou para trás.

Corretamente, a última linha do enunciado deveria ser: “Nesse caso, os pontos cujas imagens podem ser
vistas pelo motorista são:”
Assim entendendo, vamos à resolução:
– por simetria, encontra-se o ponto imagem dos olhos do observador;
– a partir desse ponto, passando pelas bordas do espelho, traçamos as linhas que definem o campo visual
do espelho;
– Serão vistas as imagens dos pontos que estiverem nesse campo, ou seja: 1, 2, 5 e 9.

A figura ilustra a solução:

2. B
No espelho plano, objeto e imagem são simétricos em relação ao plano do espelho. Como consequência,
a imagem é revertida em relação ao objeto.

3. D
No espelho plano, objeto e respectiva imagem são sempre simétricos em relação ao plano do espelho.
Portanto, a imagem desse objeto localiza-se no ponto 4.

7
Física

4. A
Utilizando a expressão que dá o número de imagens formadas numa associação de espelhos planos para
as duas situações propostas:
 360 360
n = θ − 1  = n + 1 (I)
 θ m +1
 360 360 m + 1  (II) = (I)  = n +1 
m =
θ
−1  = (II) 4
 θ 4
 4
m = 4 ( n + 1) − 1  m = 4n + 3.

5. B
O número de imagens formadas é:
360 360
n= −1  n = − 1 = 18 − 1  n = 17.
α 20
Cada reflexão gera uma imagem em cada espelho, sendo a última formada pela superposição de duas
imagens. A primeira reflexão gera duas imagens enantiomorfas, a segunda gera duas imagens diretas, a
terceira, duas imagens enantiomorfas e, assim por diante, até a nona reflexão que gera duas imagens
enantiomorfas superpostas. Chamando de A e B os dois espelhos e ordenando as imagens enantiomorfas
em cada espelho, temos:
1A e 1B; 3A e 3B; 5A e 5B; 7A e 7B; 9AB.

São, portanto, 9 imagens enantiomorfas.

6. C
A distância do objeto à sua imagem em um espelho plano é sempre o dobro da distância entre o objeto e
o espelho, portanto ao mover o espelho 20 cm em direção ao objeto, este fica do espelho 100 cm
distante, logo a sua distância à sua imagem será o dobro deste valor, ou seja, 200 cm.

7. D
A figura simplifica a situação dada.

No triângulo destacado:
3
tg θ = = 3  θ = 60.
1

θ + 2 β = 180  60 + 2 β = 180  β = 60.

8
Física

8. A
Propriedade Fundamental do Espelho Plano: Objeto e imagem são sempre simétricos em ralação ao plano
do espelho. A duas primeiras imagens, nos quadrantes vizinhos ao do objeto, são obtidas girando de 180°
o objeto em torno de um eixo contido no plano de cada espelho. A terceira imagem, no quadrante oposto
ao do objeto, pode ser obtida fazendo o mesmo processo anterior com cada uma das duas primeiras
imagens.

Dica: numa prova, o estudante pode escrever a frase ou desenhar a figura numa folha de papel de forma
que se possa percebê-la quando olha o verso da folha, e fazer a dobradura em cima da linha que simboliza
o espelho.

9. E
Conforme ilustrado na figura a seguir, i = r = 60°.

30° normal
60°

60°

10. D
A figura abaixo mostra os raios e os ângulos envolvidos. Analisando-a de acordo com as leis da reflexão,
concluímos que i = 50.

9
Física

Exercícios de espelhos esféricos

Exercícios

1. Um objeto linear é colocado diante de um espelho côncavo, perpendicularmente ao eixo principal.


Sabe-se que a distância do objeto ao espelho é quatro vezes maior que a distância focal do espelho.
A imagem conjugada por este espelho é
a) virtual, invertida e maior que o objeto.
b) virtual, direita, e menor que o objeto.
c) real, invertida, menor que o objeto.
d) real, direita e maior que o objeto.
e) real, direita e mesmo tamanho do objeto

2. “Tentando se equilibrar sobre a dor e o susto, Salinda contemplou-se no espelho. Sabia que ali
encontraria a sua igual, bastava o gesto contemplativo de si mesma”.
EVARISTO, 2014, p. 57.

Um espelho, mais do que refletir imagens, leva-nos a refletir. Imagens reais, imagens virtuais.
Imagens. Do nosso exterior e do nosso interior.
Salinda contemplou-se diante de um espelho e não se viu igual, mas menor. Era a única alteração vista
na sua imagem. Uma imagem menor.
Diante disso, podemos afirmar que o espelho onde Salinda viu sua imagem refletida poderia ser:
a) Convexo.
b) Plano.
c) Convexo ou plano, dependendo da distância.
d) Côncavo, que pode formar todo tipo de imagem.
e) Côncavo ou plano, dependendo da distância.

3. Observe a figura abaixo.

Na figura, E representa um espelho esférico côncavo com distância focal de 20cm, e O, um objeto
extenso colocado a 60cm do vértice do espelho.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do enunciado abaixo, na ordem em que
aparecem.
A imagem do objeto formada pelo espelho é __________, __________ e situa-se a __________ do vértice
do espelho.

1
Física

a) real – direita – 15cm


b) real – invertida – 30cm
c) virtual – direita – 15cm
d) virtual – invertida – 30cm
e) virtual – direita – 40cm

4. Um objeto foi colocado sobre o eixo principal de um espelho côncavo de raio de curvatura igual a 6,0
cm. A partir disso, é possível observar que uma imagem real foi formada a 12,0 cm de distância do
vértice do espelho. Dessa forma, é CORRETO afirmar que o objeto encontra-se a uma distância do
vértice do espelho igual a
a) 2,0 cm
b) 4,0 cm
c) 5,0 cm
d) 6,0 cm
e) 8,0 cm

5. Uma usina heliotérmica é muito parecida com uma usina termoelétrica. A diferença é que, em vez de
usar carvão ou gás como combustível, utiliza o calor do sol para gerar eletricidade. A usina
heliotérmica capta o calor fornecido pelo sol e os direciona para uma tubulação, conforme mostra o
esquema abaixo. Nessa tubulação encontra-se um fluido que, ao ser aquecido, movimenta uma
turbina que, por sua vez, gera eletricidade.

O melhor dispositivo para captação da energia solar e envio para a tubulação será
a) lente divergente.
b) espelho esférico convexo.
c) espelho plano.
d) lente convergente.
e) espelho esférico côncavo.

2
Física

6. Uma garota encontra-se diante de um espelho esférico côncavo e observa que a imagem direita de
seu rosto é ampliada duas vezes. O rosto da garota só pode estar
a) entre o centro de curvatura e o foco do espelho côncavo.
b) sobre o centro de curvatura do espelho côncavo.
c) entre o foco e o vértice do espelho côncavo.
d) sobre o foco do espelho côncavo.
e) antes do centro de curvatura do espelho côncavo.

7. Muitos profissionais precisam de espelhos em seu trabalho. Porteiros, por exemplo, necessitam de
espelhos que lhes permitem ter um campo visual maior, ao passo que dentistas utilizam espelhos que
lhes fornecem imagens com maior riqueza de detalhes. Os espelhos mais adequados para esses
profissionais são, respectivamente, espelhos
a) planos e côncavos.
b) planos e convexos.
c) côncavos e convexos.
d) convexos e côncavos.
e) Côncavos e planos

8. Na figura abaixo, ilustra-se um espelho esférico côncavo E e seus respectivos centro de curvatura
(C), foco (F) e vértice (V). Um dos infinitos raios luminosos que incidem no espelho tem sua
trajetória representada por r. As trajetórias de 1 a 5 se referem a possíveis caminhos seguidos pelo
raio luminoso refletido no espelho.

O número que melhor representa a trajetória percorrida pelo raio r, após refletir no espelho E, é
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

3
Física

9. Uma árvore de natal de 50 cm de altura foi colocada sobre o eixo principal de um espelho côncavo, a
uma distância de 25 cm de seu vértice. Sabendo-se que o espelho possui um raio de curvatura de
25 cm, com relação a imagem formada, pode-se afirmar corretamente que:
a) É direita e maior do que o objeto, estando a 20 cm do vértice do espelho.
b) É direita e maior do que o objeto, estando a 25 cm do vértice do espelho.
c) É invertida e maior do que o objeto, estando a 25 cm do vértice do espelho.
d) É invertida e do mesmo tamanho do objeto, estando a 25 cm do vértice do espelho.
e) É invertida e do mesmo tamanho do objeto, estando a 35 cm do vértice do espelho.

10. Um espelho esférico côncavo tem distância focal (f) igual a 20 cm. Um objeto de 5 cm de altura é
colocado de frente para a superfície refletora desse espelho, sobre o eixo principal, formando uma
imagem real invertida e com 4 cm de altura. A distância, em centímetros, entre o objeto e a imagem é
de
a) 9
b) 12
c) 25
d) 45
e) 75

4
Física

Gabarito

1. C
Resolução Gráfica
A figura mostra o objeto posicionado de acordo com o enunciado. Nota-se que a imagem é real, invertida
e menor que o objeto.

Resolução Analítica
Aplicando a equação de Gauss para espelhos esféricos, tem-se:
1 1 1 pf 4f f 4f2 + 4f
= −  p' =  p' = =  p' = . (p'  0  Imagem real )
p' f p p−f 4f − f 3f 3
Da equação do aumento linear transversal:
−1
 A  0  Imagem invertida
f f f 
A= = =  A= .  1
f −p f − 4f − 3f 3 A =  Imagem três vezes menor
 3
Portanto, a imagem é real, invertida e 3 vezes menor que o objeto.

2. A
Sendo a única alteração da imagem de Salinda diante do espelho a redução do seu tamanho, ela está
diante de um espelho convexo. O espelho côncavo daria uma imagem invertida e real além de menor e o
espelho plano daria uma imagem de mesma altura.

3. B
Fazendo a construção da imagem para o objeto além do centro de curvatura do espelho, obtemos uma
imagem real, invertida e menor conforme a figura abaixo:

Observa-se também, que a distância da imagem ao vértice do espelho é de 30 cm, que pode ser
comprovada pela equação de Gauss:
1 1 1
= +
f di do
sendo:
f = 20 cm e do = 60 cm.
1 1 1 1 1 1
= +  − =  di = 30 cm
20 di 60 20 60 di

5
Física

4. B
Dados: R = 6 cm; p' = 12 cm.
A distância focal do espelho é:
R 6
f= =  f = 3 cm.
2 2
Aplicando a equação dos pontos conjugados:
1 1 1 p' f 12  3 36
+ =  p= = = 
p p' f p'− f 12 − 3 9

p = 4 cm.

5. E
O melhor dispositivo para captação é um espelho esférico côncavo, pois os raios solares, praticamente
paralelos, que atingem a sua superfície refletem pelo foco, por onde deve passar a tubulação. A figura
abaixo ilustra a situação.

6. C
No espelho esférico côncavo, para que a imagem seja virtual direita e maior, o objeto deve estar entre o
foco e o vértice do espelho, como ilustra o esquema.

7. D
O espelho que fornece maior campo visual são os convexos. Para ampliar imagens, são usados espelhos
côncavos.

6
Física

8. D
Esta questão envolve conhecimentos de fundamentos de óptica, com relação á reflexão em espelhos
quaisquer, que nos diz que o raio refletido sempre terá o mesmo ângulo de incidência em relação à reta
normal. O raio incidente r está deslocado em relação à reta normal no ponto de incidência no espelho,
representada pela reta que passa pelo centro (C) e o ângulo entre elas nos revela o trajeto da luz
refletida e tem o mesmo ângulo entre a reta normal, sendo, portanto a reta 4, conforme representação
na figura abaixo.

9. D
Aplicando a equação de Gauss, vem:
1 1 1 1 1 1 2 1 1
= +  = +  − =  p ' = 25 cm
f p p' 25 25 p ' 25 25 p '
2
Pela equação do aumento linear, obtemos:
i −p' i −25
=  =  i = −50 cm
o p 50 25
Portanto, a imagem é invertida, do mesmo tamanho do objeto e está a 25 cm do espelho.

10. A
p' 4 4p
= → p' =
p 5 5
1 1 1 1 1 5 9
= + → = + = → p = 45cm
f p p' 20 p 4p 4p
4x45
p' = = 36cm
5
DO/I = 45 − 36 = 9cm .

7
Física

Refração da luz

Resumo

O assunto deste Tópico, além de possibilitar o entendimento de muitos fenômenos comuns no nosso dia a
dia – como a aparente profundidade menor de uma piscina, as miragens nas rodovias em dias quentes e o
arco-íris –, é a base para a fabricação de muitos instrumentos ópticos extremamente úteis, como lunetas,
microscópios, câmeras fotográficas, óculos, binóculos e projetores de imagens.

A profundida desta piscina é maior do que parece. É a refração da luz que dá ideia de profundidade menor.

Índice de refração

Índice de refração absoluto


Uma grandeza de destaque no estudo da luz, relacionada à sua velocidade de propagação, é o índice de
refração.
Considere uma dada radiação monocromática, que se propaga no vácuo com velocidade c e num
determinado meio com velocidade v. Por definição, o índice de refração absoluto (densidade óptica ou,
simplesmente, índice de refração) desse meio para a radiação monocromática considerada é a grandeza
adimensional n, definida por:
c
n=
v
Observe que, se o meio considerado for o próprio vácuo, teremos v = c e n = c /c = 1. Assim, o índice de
refração absoluto do vácuo é igual a 1. Num meio material, porém, temos sempre v < c, consequentemente o
índice de refração de um meio material é sempre maior que 1.
É importante notar que o índice de refração absoluto de um meio é inversamente proporcional à velocidade
de propagação da luz no meio e nunca é inferior a 1:
No vácuo: n = 1
Nos meios materiais: n > 1

Obs.: É comum em muitos exercícios de vestibulares a adoção do índice de refração absoluto para o ar como
sendo aproximadamente 1.

1
Física

Influência da frequência da luz no índice de refração


O índice de refração do vácuo é igual a 1, qualquer que seja a luz considerada. O índice de refração de um
meio material, por sua vez, mantidas as condições físicas, depende da frequência da luz considerada. Como
a velocidade da luz num meio material diminui com o aumento da frequência (ver representação gráfica no
item anterior), concluímos que o índice de refração aumenta quando a frequência aumenta:

A tabela a seguir mostra os valores do índice de refração do vidro “crown leve” para algumas cores:

O quadro a seguir mostra os índices de refração absolutos de diversos materiais para a luz amarela emitida
pelo sódio, quando, por exemplo, queimamos cloreto de sódio numa chama.

2
Física

Refringência e dioptro

Refringência
O conceito de refringência é importante, sobretudo, para o estudo da refração da luz.
Dizemos que um meio é mais refringente que outro quando seu índice de refração é maior que o do outro.
Assim, a água (n ≈ 1,3) é mais refringente que o ar (n ≈ 1) e menos refringente que o diamante (n ≈ 2,4).
Em outras palavras, podemos dizer que um meio é mais refringente que outro quando a luz se propaga através
dele com velocidade menor do que no outro.
Dioptro
Dioptro é um sistema constituído por dois meios transparentes de diferentes refringências, que fazem entre
si fronteira regular. Se a fronteira (superfície dióptrica) for plana, teremos o dioptro plano; se for esférica,
teremos o dioptro esférico, e assim por diante.
Os sistemas ar/água e ar/vidro, por exemplo, são dioptros, desde que as fronteiras entre esses meios sejam
regulares.

Refração

Definição e propriedades
Refração da luz é o fenômeno que consiste no fato de a luz ser transmitida de um meio para outro
opticamente diferente.
Nessa passagem de um meio para outro, a velocidade (v) de propagação da luz necessariamente se altera.
A frequência (f) não se altera na refração, fato que é observado não só com ondas luminosas, mas com
qualquer tipo de onda.1 Como você verá, a alteração da velocidade de propagação provoca, em geral, um
desvio2 da luz.
Leis da refração
O fenômeno da refração é regido pelas duas leis seguintes:
1ª Lei da Refração
O raio incidente, o raio refratado e a reta normal traçada pelo ponto de incidência estão contidos no
mesmo plano.
2ª Lei da Refração (Lei de Snell)
A razão entre o seno do ângulo de incidência e o seno do ângulo de refração é constante para cada dioptro
e para cada luz monocromática.

1 Voltaremos a esse assunto em Ondulatória.


2 Cuidado! Refração não é o desvio da luz! O desvio PODE ser uma consequência desse fenômeno, ocorrendo quando há incidência oblíqua
da luz sobre uma superfície! Se o raio incidir perpendicularmente à superfície, NÃO haverá desvio!

3
Física

A Lei de Snell é expressa por:


𝐧𝐨𝐫𝐢𝐠𝐞𝐦 𝐬𝐞𝐧𝐢̂ = 𝐧𝐝𝐞𝐬𝐭𝐢𝐧𝐨 𝐬𝐞𝐧𝐫̂
norigem = índice de refração absoluto do meio material do qual a luz está partindo;
senî = seno do ângulo de incidência;
ndestino = índice de refração absoluto do meio material do qual a luz se destina;
senr̂ = seno do ângulo de refração.

Ângulo limite e reflexão total


Quando a luz incide na fronteira de um dioptro, ocorrem em geral tanto a refração quanto a reflexão. Para
dado dioptro e determinado pincel de luz incidente, a quantidade de luz refletida é tanto maior quanto maior
o ângulo de incidência.
Considere determinado pincel cilíndrico de luz monocromática dirigindo-se de um meio mais refringente para
outro menos refringente, do vidro (meio 1) para o ar (meio 2), por exemplo, como mostram as figuras abaixo.
Observe que, conforme aumenta o ângulo de incidência, aumenta a quantidade de luz refletida e diminui a
quantidade de luz refratada.
Na figura I, o ângulo de incidência é igual a zero. Nesse caso, a quantidade de luz refratada é bem maior que
a refletida (a reflexão é parcial).

4
Física

Na figura II, o ângulo de incidência aumentou, o que provocou aumento da quantidade de luz refletida
e redução da refratada (a reflexão continua parcial).
Na figura III, o ângulo de incidência aumentou mais ainda, o que acarretou um novo aumento da quantidade
de luz refletida em detrimento da refratada (a reflexão ainda é parcial).
Observe que, enquanto o ângulo de incidência aumenta, o ângulo de refração aumenta, mas a quantidade de
luz refratada é cada vez menor.
Quando o ângulo de incidência tende a um valor L, denominado ângulo limite, o ângulo de refração tende a
90°, mas a quantidade de luz refratada tende a zero. Atingido esse ângulo limite, não mais ocorre refração e
a luz incidente é totalmente refletida. Esse fenômeno é denominado reflexão total e está ilustrado na figura
IV. Para ângulos de incidência maiores que o ângulo limite, continua ocorrendo, evidentemente, a reflexão
total.

Cálculo do ângulo limite


O ângulo limite (L) é calculado pela Lei de Snell, admitindo-se o ângulo de refração igual a 90° (emergência
rasante).

Temos, então:

Fazendo θ1 = L e θ2 = 90°, vem:

Observe que o seno do ângulo limite na fronteira de um dioptro é obtido dividindo-se o menor índice de
refração pelo maior. Nesse cálculo, o engano é inconcebível, pois se dividirmos o índice maior pelo menor
obteremos senL maior que 1, o que é absurdo.
Obs.: É muito importante observar que a consideração desse raio emergente rasante só é válida para efeito
de cálculo do ângulo limite L. Na verdade, esse raio rasante não existe! Das várias razões para a sua
inexistência, podemos citar:
• Se o raio emergente rasante existisse, ele deveria obedecer à reversibilidade da propagação da luz,
isto é, “incidindo” rasante à fronteira (ver figura anterior), passaria “misteriosamente” para o meio 1,
adentrando esse meio por um ponto privilegiado, que evidentemente não existe. “Incidir rasante” é,
na realidade, “não incidir”!

5
Física

• A emergência rasante de luz causaria o colapso do pincel de luz.

Qualquer pincel incidente tem, evidentemente, uma espessura e, diferente de zero. Se houvesse pincel
refratado rasante, sua espessura seria nula (colapso do pincel). Essas e outras razões permitem afirmar, mais
uma vez, que ocorre reflexão total e nenhuma refração quando o ângulo de incidência se iguala ao valor-limite
L. É correto dizer, porém, que, quando o ângulo de incidência tende ao valor-limite L, o ângulo de refração
tende a 90°.
Obs.: Embora o raio rasante, incidente ou emergente, não exista, frequentemente ele aparece em questões
propostas em livros didáticos, em vestibulares e até mesmo em olimpíadas de Física. Nessas situações, se
tivermos que resolver tais questões, não nos restará outra alternativa senão fazer de conta que o raio rasante
existe.

Condições para ocorrer a reflexão total


• A reflexão total só pode ocorrer se forem satisfeitas as seguintes condições:
• A luz deve dirigir-se a o meio mais refringente para o meio menos refringente;
• O ângulo de incidência deve ser igual ou superior ao ângulo limite

Dispersão da luz
Dispersão de uma luz policromática é a sua decomposição nas diversas luzes monocromáticas que a
constituem.
A dispersão é possível porque diferentes luzes monocromáticas, isto é, luzes de diferentes frequências,
propagam-se na matéria com diferentes velocidades, ou seja, percebem na matéria diferentes índices de
refração. Veja, na figura abaixo, a representação esquemática de frentes planas de luz branca solar
propagando-se no ar e incidindo obliquamente na fronteira entre o ar e a água. Todas as luzes
monocromáticas componentes perdem velocidade quando passam do ar para a água. Essa perda de
velocidade é mais acentuada, porém, para a luz violeta e menos acentuada para a vermelha. Por isso, as
diversas cores separam-se.

6
Física

7
Física

É importante notar que:


Na dispersão da luz, a luz monocromática de maior frequência sempre sofre o maior desvio.

Arco-íris (primário)
O arco-íris é um exuberante fenômeno natural decorrente da dispersão da luz solar em gotas de chuva.
Basicamente, o que ocorre é o seguinte: a luz branca penetra na gota, decompondo-se em diversas cores, que
em seguida sofrem reflexão (parcial) nas paredes da gota, como mostra a figura:

Pode-se demonstrar que, se um raio de determinada cor fizer o trajeto indicado na figura acima, de modo que
seu desvio total seja máximo, todos os raios de mesma cor, vizinhos dele, emergirão da gota muito juntos,
reforçando o feixe emergente em determinada direção. A figura a seguir mostra dois feixes de luz
monocromática atingindo uma gota. Observe que os raios do feixe superior emergem da gota muito juntos.
Nesse feixe, o raio em traço mais grosso é o que sofre desvio máximo para a cor considerada.

Para a luz vermelha, esse reforço da luz refletida ocorre quando o ângulo θ indicada na figura vale
aproximadamente 42°; e para a luz violeta, ocorre quando θ é próximo de 40°.

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Física

Refração na atmosfera
Segundo o Princípio da Propagação Retilínea da Luz, a luz propaga-se em linha reta nos meios transparentes
e homogêneos. A atmosfera, porém, não é um meio homogêneo, pois apresenta uma densidade tanto menor
quanto maior a altitude. Além disso, as predominâncias gasosas variam com a altitude. Consequentemente,
quanto maior a altitude, menor é o índice de refração do ar. Então, a trajetória de um raio de luz na atmosfera
é, em geral, curvilínea.

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Física

A atmosfera pode ser representada por meio de um modelo constituído de várias camadas gasosas de
refringência tanto maior quanto menor a altitude. Um raio de luz originário do vácuo segue trajetória
semelhante à da figura acima quando incide obliquamente na atmosfera. Vamos analisar agora algumas
consequências interessantes da refração da luz na atmosfera.

Posição aparente dos astros


Veja, na figura seguinte, um astro representado na posição P, sendo contemplado por um observador O,
situado na Terra.
A luz proveniente do astro situado em P desvia-se ao atravessar a atmosfera. Por isso, quando essa luz atinge
o observador, ele tem a impressão de que o astro está na posição P', que é uma posição aparente. Concluímos,
então, que, em geral, vemos os astros com uma aparente elevação em relação à sua posição real.

Miragens
A temperatura junto ao solo pode determinar a ocorrência do curioso fenômeno da miragem. Quando a
temperatura do solo se torna muito elevada, o ar aquecido junto ao solo fica menos denso e,
consequentemente, menos refringente que o ar que se encontra um pouco mais acima. Por causa disso, um
raio de luz que desce obliquamente de encontro ao solo pode sofrer reflexão total antes de atingi-lo, como se
vê no modelo a seguir.

Esse fenômeno pode ocorrer tanto em temperaturas altas, como em desertos ou no solo em dias quentes,
quanto em temperaturas baixas, especialmente nas regiões polares. A miragem que ocorre sob temperaturas
altas é chamada de inferior, devido ao fato de formar a imagem sob o objeto, como é representado na
ilustração abaixo.

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Física

O observador recebe do objeto P tanto luz direta (a) como luz que o atinge após a reflexão total (b).
Consequentemente, o observador enxerga tanto o objeto (P) como a sua imagem especular (P'), que ele tem
a impressão de estar sendo produzida por um lago.
Pelo mesmo motivo, temos a impressão de que as estradas asfaltadas estão molhadas em dias quentes e
ensolarados, quando observadas de posições convenientes, como mostra a fotografia a seguir.

Também pode ocorrer que a temperatura do solo fique tão baixa que o ar junto dele se torne mais frio e,
portanto, mais denso e mais refringente que o ar situado um pouco acima. Nesse caso, os raios de luz que
partem do objeto e sobem obliquamente passam de camadas de ar mais refringentes para camadas menos
refringentes, até a ocorrência da reflexão total. O observador vê a imagem do objeto “pairando” no ar. É a
chamada miragem superior.

Obs.: A rigor, não é necessário que ocorra a reflexão total da luz para que se observe uma miragem. Basta
que o ângulo de incidência aumente o suficiente para que a reflexão seja bastante acentuada.

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Física

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Física

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Física

Exercícios

1. Em um experimento, coloca-se glicerina dentro de um tubo de vidro liso. Em seguida, parte do tubo é
colocada em um copo de vidro que contém glicerina e a parte do tubo imersa fica invisível.
Esse fenômeno ocorre porque a
a) intensidade da luz é praticamente constante no vidro.
b) parcela de luz refletida pelo vidro é praticamente nula.
c) luz que incide no copo não é transmitida para o tubo de vidro.
d) velocidade da luz é a mesma no vidro e na glicerina.
e) trajetória da luz é alterada quando ela passa da glicerina para o vidro.

2. A figura abaixo representa um raio luminoso propagando-se do meio A para o meio B. Sabendo-se que
a velocidade da luz, no meio A, é 240 000 km/s e que o ângulo α vale 30°, calcule o índice de refração
relativo do meio A em relação ao meio B.

√3
a)
2
√3
b)
3
√2
c)
3
d) √3
e) √2

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Física

3. Um raio de luz monocromática passa do meio 1 para o meio 2 e deste para o meio 3. Sua velocidade
de propagação relativa aos meios citados é v1, v2 e v3, respectivamente.
O gráfico representa a variação da velocidade de propagação da luz em função do tempo ao atravessar
os meios mencionados, considerados homogêneos:

Sabendo-se que os índices de refração do diamante, do vidro e do ar obedecem à desigualdade n diam >
nvidro > nar, podemos afirmar que os meios 1, 2 e 3 são, respectivamente:
a) diamante, vidro, ar.
b) diamante, ar, vidro.
c) ar, diamante, vidro.
d) ar, vidro, diamante.
e) vidro, diamante, ar.

4. A tabela abaixo mostra o valor aproximado dos índices de refração de alguns meios, medidos em
condições normais de temperatura e pressão, para um feixe de luz incidente com comprimento de onda
de 600 nm
Material Índice de refração
Ar 1,0
Água (20º C) 1,3
Safira 1,7
Vidro de altíssima dispersão 1,9
Diamante 2,4

O raio de luz que se propaga inicialmente no diamante incide com um ângulo i = 30º em um meio
desconhecido, sendo o ângulo de refração r = 45º .
O meio desconhecido é:
a) Vidro de altíssima dispersão
b) Ar
c) Água (20ºC)
d) Safira

15
Física

5. Considerando as velocidades de propagação da luz em dois meios homogêneos e distintos,


respectivamente iguais a 200.000 km s e 120.000 km s, determine o índice de refração relativo do
primeiro meio em relação ao segundo. Considere a velocidade da luz no vácuo, igual a 300.000 km s.

a) 0,6

b) 1,0

c) 1,6

d) 1,7

6. Um feixe de luz monocromática, propagando-se em um meio transparente com índice de refração n1,
incide sobre a interface com um meio, também transparente, com índice de refração n2 . Considere θ1
e θ2 , respectivamente, os ângulos de incidência e de refração do feixe luminoso. Assinale a alternativa
que preenche corretamente as lacunas do enunciado abaixo, na ordem em que aparecem. Haverá
reflexão total do feixe incidente se __________ e se o valor do ângulo de incidência for tal que __________.
a) n1  n2 – sen θ1  n2 n1

b) n1  n2 – sen θ1  n2 n1

c) n1 = n2 – sen θ1 = n2 n1

d) n1  n2 – sen θ1  n2 n1

e) n1  n2 – sen θ1  n2 n1

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Física

7. Uma lente de Fresnel é composta por um conjunto de anéis concêntricos com uma das faces plana e
a outra inclinada, como mostra a figura (a). Essas lentes, geralmente mais finas que as convencionais,
são usadas principalmente para concentrar um feixe luminoso em determinado ponto, ou para colimar
a luz de uma fonte luminosa, produzindo um feixe paralelo, como ilustra a figura (b). Exemplos desta
última aplicação são os faróis de automóveis e os faróis costeiros. O diagrama da figura (c) mostra um
raio luminoso que passa por um dos anéis de uma lente de Fresnel de acrílico e sai paralelamente ao
seu eixo.

Se sen(θ1) = 0,5 e sen(θ2 ) = 0,75, o valor do índice de refração do acrílico é de

a) 1,50.

b) 1,41.

c) 1,25.
d) 0,66.

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Física

8. Para determinar o índice de refração de um material, uma peça semicilíndrica polida desse material foi
colocada sobre um disco de centro O, como sugere a figura.

Um raio de luz monocromática R1, emitido rente ao disco, incide na peça, obtendo-se o raio refratado
R2. As distâncias s e t foram medidas, encontrando-se s = 8,0 cm e t = 5,0 cm. Calcule o índice de
refração do material da peça.
a) n = 1,2
b) n = 1,3
c) n = 1,6
d) n = 1,4
e) n = 1,8

9.

Um raio de luz monocromática incide em um líquido contido em um tanque, como mostrado na figura.
O fundo do tanque é espelhado, refletindo o raio luminoso sobre a parede posterior do tanque
exatamente no nível do líquido. O índice de refração do líquido em relação ao ar é:
a) 1,35
b) 1,44
c) 1,41
d) 1,73
e) 1,33

18
Física

10. Um grupo de cientistas liderado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech),
nos Estados Unidos, construiu o primeiro metamaterial que apresenta valor negativo do índice de
refração relativo para a luz visível. Denomina-se metamaterial um material óptico artificial,
tridimensional, formado por pequenas estruturas menores do que o comprimento de onda da luz, o que
lhe dá propriedades e comportamentos que não são encontrados em materiais naturais. Esse material
tem sido chamado de “canhoto”.
Disponível em: <http://inovacaotecnologica.com.br>. Acesso em: 28 abr. 2010 (adaptado).

Considerando o comportamento atípico desse metamaterial, qual é a figura que representa a refração
da luz ao passar do ar para esse meio?

a) c) e)

b) d)

19
Física

Gabarito

1. D
A glicerina e o vidro se confundem, pois têm o mesmo índice de refração, ou seja, a velocidade da luz é a
mesma nesses dois meios.

2. B

3. D

4. D
Lei de Snell: n1.senθi = n2 .senθr

2
2,4.sen30º = n2 .sen45º → 2,4  0,5 = n2 . → n2  1,70
2

5. A
Pela definição de índice de refração, temos que:
c
n=  c = nv
v
Portanto:
n1 v 2 120000
n1v1 = n2 v 2  = =
n2 v1 200000
n1
 = 0,6
n2

20
Física

6. E
Usando a Lei de Snell-Descartes:
n1  sen θ1 = n2  sen θ2
Para a reflexão total, θ2 = 90 e θ1 = θL (ângulo limite).
n1  sen θL = n2  sen 90
n1  sen θL = n2  1
n
sen θL = 2
n1
Como sen θL  1  n1  n2
Para reflexão total o ângulo de incidência deve ser maior que o ângulo limite, portanto:
n2
sen θ1 
n1
7. A
Dado: nar = 1.
Aplicando a lei de Snell:
sen θ1 nar 0,5 1 0,75
=  =  nac =  nac = 1,5.
sen θ2 nac 0,75 nac 0,5

8. C

21
Física

9. A
Observe o triângulo sombreado da figura

10
X2 = 102 + 143 = 243 → X  15,6 → senr =  0,64
15,6

3 2
Snell → 1xsen60 = nxsenr → n =  1,35
0,64
10. D
Nos materiais naturais, quando ocorre incidência oblíqua da luz, os raios incidente e refratado estão em
meios diferentes e em quadrantes opostos, definidos pela superfície e pela normal a essa superfície. No
metamaterial, esses raios estão em meios diferentes, mas em quadrantes adjacentes.

22
Física

Fenômenos ondulatórios - Interferência

Resumo

Imagina que você está viajando de carro para um outro estado, você passou no vestibular e decidiu se dar
de presente uma viagem para conhecer um lugar novo. Durante a sua viagem você sintoniza uma rádio que
você conhece para dar aquele ar de viagem em alto estrada e, durante a viagem, a estação de rádio que você
tinha sintonizado começa a perder sinal. Você escuta um aquele barulho chato de “chuvisco” e, do nada,
entra uma nova estação de rádio que você não conhece, na mesma frequência. O que você acabou de
presenciar é um fenômeno ondulatório chamado de Interferência. A interferência é o resultado da
superposição entre ondas. Essa superposição pode provocar um aumento na amplitude (interferência
construtiva) ou diminuição na amplitude (interferência destrutiva). Vamos entender isso com calma em
ondas unidimensionais.

Interferência em cordas (superposição)


Como foi dito, a superposição das ondas ou interferência consiste no encontro entre duas ondas. Para que
essa interferência seja capaz de fazer alteração em valores de amplitude, precisamos que essas ondas
tenham a mesma frequência, assim garantimos que as cristas e os vales se encontrem no mesmo ponto.
A interferência é dita construtiva quando as ondas de mesma frequência produzem pulsos em mesma fase

Figura 01 – Interferência construtiva

Nesses casos, teremos a soma das amplitudes geradas pelos pulsos, gerando um pulso resultante maior
que os envolvidos.
𝐴𝑟𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 = 𝐴1 + 𝐴2

Figura 02 – Amplitude resultante na interferência construtiva

Note também que a base aumento, ou seja, a distância no eixo x também é uma soma.

𝑥 = 𝑥1 + 𝑥2

1
Física

Após o encontro dos pulsos, notamos que cada pulso segue o seu caminho, permanecendo com suas
características iniciais conservadas. Isso significa que o fenômeno de interferência não altera a onda.

Figura 03 – Pulsos após a interferência construtiva

Já a interferência é dita destrutiva ocorre quando as ondas de mesma frequência produzem pulsos em fases
opostas

Figura 04 – Interferência destrutiva

Nesses casos, teremos a subtração das amplitudes geradas pelos pulsos. Vamos adotar a amplitude 𝐴1
como negativa, já que ela aponta para o lado negativo do eixo vertical (utilizando o referencial usual)

𝐴𝑟𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 = −𝐴1 + 𝐴2

Figura 05 – Amplitude resultante na interferência destrutiva

Note também que a base diminui, ou seja, a distância no eixo x também é uma subtração.

𝑥 = −𝑥1 + 𝑥2

2
Física

Da mesma forma que na interferência construtiva. Após o encontro dos pulsos, notamos que cada pulso
segue o seu caminho, permanecendo com suas características iniciais conservadas.

Figura 06 – Pulsos após a interferência construtiva

Equação da interferência
Imagine que temos, em uma sala, duas caixas de som ligadas. Essas caixas conseguem produzir
interferências construtivas e destrutivas em determinados pontos dessa sala. Para analisar essa situação,
podemos utilizar a equação da interferência. A fórmula que identifica a interferência é:
𝜆
|𝑃𝐹 1 − 𝑃𝐹2 | = 𝜂.
2
onde o 𝑃𝐹 1 é a distância do ponto até a fonte 𝐹1 e 𝑃𝐹 2 é a distância do ponto até a fonte 𝐹2 . O valor 𝜂 é um
número inteiro (1, 2, 3...) e 𝜆 é o comprimento de onda. Para saber a interferência no ponto deve-se descobrir
se o n é par ou ímpar. Fontes em fase são fontes ligadas simultaneamente e em oposição de fase há um
atraso entre elas, geralmente o exercício diz se estão ou não em fase.

Fontes em fase Fontes em oposição de fase

N par Int. Construtiva Int. Destrutiva


N ímpar Int. Destrutiva Int. Construtiva

3
Física

Exercícios

1. (Enem 2018) Nos manuais de instalação de equipamentos de som há o alerta aos usuários para que
observem a correta polaridade dos fios ao realizarem as conexões das caixas de som. As figuras
ilustram o esquema de conexão das caixas de som de um equipamento de som mono, no qual os alto-
falantes emitem as mesmas ondas. No primeiro caso, a ligação obedece às especificações do
fabricante e no segundo mostra uma ligação na qual a polaridade está invertida.

O que ocorre com os alto-falantes E e D se forem conectados de acordo com o segundo esquema?
a) O alto-falante E funciona normalmente e o D entra em curto-circuito e não emite som.
b) O alto-falante E emite ondas sonoras com frequências ligeiramente diferentes do alto-falante D
provocando o fenômeno de batimento.
c) O alto-falante E emite ondas sonoras com frequências e fases diferentes do alto-falante D
provocando o fenômeno conhecido como ruído.
d) O alto-falante E emite ondas sonoras que apresentam um lapso de tempo em relação às emitidas
pelo alto-falante D provocando o fenômeno de reverberação.
e) O alto-falante E emite ondas sonoras em oposição de fase às emitidas pelo alto-falante D
provocando o fenômeno de interferência destrutiva nos pontos equidistantes aos alto-falantes.

2. (Famerp 2017) Dois pulsos transversais, 1 e 2 propagam-se por uma mesma corda elástica, em
sentidos opostos, com velocidades escalares constantes e iguais, de módulos 60 cm/s No instante t
= 0s a corda apresenta-se com a configuração representada na figura 1.

4
Física

Após a superposição desses dois pulsos, a corda se apresentará com a configuração representada na
figura 2.

Considerando a superposição apenas desses dois pulsos, a configuração da corda será a


representada na figura 2, pela primeira vez, no instante
a) 1,0 s
b) 1,5 s
c) 2,0 s
d) 2,5 s
e) 3,0 s

3. (Esc. Naval 2017) Analise a figura abaixo.

A figura acima ilustra quatro fontes sonoras pontuais ( 𝐹1 , 𝐹2 , 𝐹3 𝑒 𝐹4 ), isotrópicas, uniformemente


espaçadas de d = 0,2 m ao longo do eixo x Um ponto P também é mostrado sobre o eixo x. As fontes
estão em fase e emitem ondas sonoras na frequência de 825 Hz, com mesma amplitude A e mesma
velocidade de propagação, 330 m/s. Suponha que, quando as ondas se propagam até P suas
amplitudes se mantêm praticamente constantes.

Sendo assim a amplitude da onda resultante no ponto P é


a) zero
b) A/4
c) c)A/2
d) A
e) 2A

5
Física

4. (Enem PPL 2017) O debate a respeito da natureza da luz perdurou por séculos, oscilando entre a teoria
corpuscular e a teoria ondulatória. No início do século XIX, Thomas Young, com a finalidade de auxiliar
na discussão, realizou o experimento apresentado de forma simplificada na figura. Nele, um feixe de
luz monocromático passa por dois anteparos com fendas muito pequenas. No primeiro anteparo há
uma fenda e no segundo, duas fendas. Após passar pelo segundo conjunto de fendas, a luz forma um
padrão com franjas claras e escuras.

Com esse experimento, Young forneceu fortes argumentos para uma interpretação a respeito da
natureza da luz, baseada em uma teoria
a) corpuscular, justificada pelo fato de, no experimento, a luz sofrer dispersão e refração.
b) corpuscular, justificada pelo fato de, no experimento, a luz sofrer dispersão e reflexão.
c) ondulatória, justificada pelo fato de, no experimento, a luz sofrer difração e polarização.
d) ondulatória, justificada pelo fato de, no experimento, a luz sofrer interferência e reflexão.
e) ondulatória, justificada pelo fato de, no experimento, a luz sofrer difração e interferência.

5. (Enem 2013) Em viagens de avião, é solicitado aos passageiros o desligamento de todos os aparelhos
cujo funcionamento envolva a emissão ou a recepção de ondas eletromagnéticas. O procedimento é
utilizado para eliminar fontes de radiação que possam interferir nas comunicações via rádio dos
pilotos com a torre de controle.
A propriedade das ondas emitidas que justifica o procedimento adotado é o fato de
a) terem fases opostas.
b) serem ambas audíveis.
c) terem intensidades inversas.
d) serem de mesma amplitude.
e) terem frequências próximas.

6
Física

6. (Unesp 2009) A figura mostra um fenômeno ondulatório produzido em um dispositivo de


demonstração chamado tanque de ondas, que neste caso são geradas por dois martelinhos que batem
simultaneamente na superfície da água 360 vezes por minuto. Sabe-se que a distância entre dois
círculos consecutivos Mdas ondas geradas é 3,0 cm.

Pode-se afirmar que o fenômeno produzido é a:


a) interferência entre duas ondas circulares que se propagam com velocidade de 18 cm/s.
b) interferência entre duas ondas circulares que se propagam com velocidade de 9,0 cm/s.
c) interferência entre duas ondas circulares que se propagam com velocidade de 2,0 cm/s.
d) difração de ondas circulares que se propagam com velocidade de 18 cm/s.
e) difração de ondas circulares que se propagam com velocidade de 2,0 cm/s.

7. (Enem 2017) O trombone de Quincke é um dispositivo experimental utilizado para demonstrar o


fenômeno da interferência de ondas sonoras. Uma fonte emite ondas sonoras de determinada
frequência na entrada do dispositivo. Essas ondas se dividem pelos dois caminhos ADC e AEC e se
encontram no ponto C a saída do dispositivo, onde se posiciona um detector. O trajeto ADC pode ser
aumentado pelo deslocamento dessa parte do dispositivo. Com o trajeto ADC igual ao AEC capta-se
um som muito intenso na saída. Entretanto, aumentando-se gradativamente o trajeto ADC até que ele
fique como mostrado na figura, a intensidade do som na saída fica praticamente nula. Desta forma,
conhecida a velocidade do som no interior do tubo (320 m/s) é possível determinar o valor da
frequência do som produzido pela fonte.

O valor da frequência, em hertz, do som produzido pela fonte sonora é


a) 3.200
b) 1.600
c) 800
d) 640
e) 400

7
Física

8. (Fuvest 2014) O Sr. Rubinato, um músico aposentado, gosta de ouvir seus velhos discos sentado em
uma poltrona. Está ouvindo um conhecido solo de violino quando sua esposa Matilde afasta a caixa
acústica da direita (Cd) de uma distância l, como visto na figura abaixo.

Em seguida, Sr. Rubinato reclama: _ Não consigo mais ouvir o Lá do violino, que antes soava bastante
forte! Dentre as alternativas abaixo para a distância l, a única compatível com a reclamação do Sr.
Rubinato é
Note e adote: O mesmo sinal elétrico do amplificador é ligado aos dois alto-falantes, cujos cones se
movimentam em fase.
A frequência da nota Lá é 440 Hz.
A velocidade do som no ar é 330 m/s.
A distância entre as orelhas do Sr. Rubinato deve ser ignorada.

a) 38 cm
b) 44 cm
c) 60 cm
d) 75 cm
e) 150 cm

8
Física

9. (FGV) A figura mostra dois pulsos que se movimentam em sentidos contrários, um em direção ao outro
sobre a mesma corda, que pode ser considerada ideal.

No momento em que houver sobreposição total, a disposição esperada para os pontos da corda estará
melhor indicada por:
a) c) e)

b) d)

10. (Enem PPL 2018) Alguns modelos mais modernos de fones de ouvido contam com uma fonte de
energia elétrica para poderem funcionar. Esses novos fones têm um recurso, denominado “Cancelador
de Ruídos Ativo”, constituído de um circuito eletrônico que gera um sinal sonoro semelhante ao sinal
externo de frequência fixa. No entanto, para que o cancelamento seja realizado, o sinal sonoro
produzido pelo circuito precisa apresentar simultaneamente características específicas bem
determinadas.
Quais são as características do sinal gerado pelo circuito desse tipo de fone de ouvido?
a) Sinal com mesma amplitude, mesma frequência e diferença de fase igual a 90° em relação ao sinal
externo.
b) Sinal com mesma amplitude, mesma frequência e diferença de fase igual a 180° em relação ao
sinal externo.
c) Sinal com mesma amplitude, mesma frequência e diferença de fase igual a 45° em relação ao sinal
externo.
d) Sinal de amplitude maior, mesma frequência e diferença de fase igual a 90° em relação ao sinal
externo.
e) Sinal com mesma amplitude, mesma frequência e mesma fase do sinal externo.

9
Física

Gabarito

1. E
Com a inversão da polaridade da caixa de som D, as ondas passam a ser emitidas em oposição de fase,
o que causa uma interferência destrutiva em pontos equidistantes dos alto-falantes.

2. A
Podemos perceber que a situação da figura 2 se dará quando o vale do pulso 1 encontrar o pico do
pulso 2. E isso se dará após cada um deles percorrer 60 cm. Logo:
60 cm
60 cm s =
Δt
 Δt = 1 s

3. A
Cálculo do comprimento de onda das ondas emitidas:
v = λf
330 = λ  825
λ = 0,4 m

Como as fontes estão em fase e as distâncias entre elas são iguais a um número ímpar de semiondas
λ 
 2 = 0,2 m  , ocorrerão interferências destrutivas entre elas, sendo nula a amplitude resultante no
 
ponto P.

4. E
O experimento de Young consistiu no desenvolvimento de um método para a obtenção de duas fontes
de luz em fase pela dupla difração dos raios luminosos através de fendas no anteparo, para assim
provar a natureza ondulatória da luz devido à interferência entre as ondas geradas, ilustrada pelo
aparecimento de franjas claras (interferência construtiva) e franjas escuras (interferência destrutiva).

5. E
Os receptores de rádio possuem filtros passa-faixa, selecionando a frequência a ser decodificada (onda
portadora). Havendo mais de um emissor operando em frequências próximas, poderá haver
interferência.

6. A
O fenômeno mostrado na figura é o da interferência.
A distância entre dois círculos consecutivos é o comprimento de onda:
λ = 3 cm.

A frequência das ondas emitidas é:


360 vezes 360 vezes
f= =  f = 6 Hz.
minuto 60 segundos

Da equação fundamental da ondulatória:


v = λ f = 3(6) = 18 cm s.

10
Física

7. C
Como a intensidade do som foi de muito intensa para nula, a interferência no ponto C foi de construtiva
para destrutiva, sendo a condição para esta última dada por:
λ
dADC − dAEC =
2

Logo, o comprimento de onda deverá ser de:


λ
2 ( 40 − 30 ) =  λ = 40 cm = 0,4 m
2

Pela Equação Fundamental da Ondulatória, obtemos a frequência pedida:


v = λf
320 = 0,4f
 f = 800 Hz

8. A
Dados: v = 330 m/s; f = 440 Hz.
Se o Sr. Rubinato não está mais ouvindo o Lá é porque está ocorrendo interferência destrutiva. Para que
ocorra tal fenômeno é necessário que a diferença de percurso entre o ouvinte e as duas fontes ( no caso,
) seja um número ímpar (i) de meios comprimentos de onda. O menor valor de é para i = 1.
v
 330
=  = f  =  = 0,375 m 
2 2 2  400

= 38 cm.

9. C
No momento da superposição total, ocorrerão interferências construtivas e destrutivas.

As partes da onda em rosa sofreram interferência destrutiva, pois possuem fases invertidas. Como suas
amplitudes são iguais, as ondas serão aniquiladas. As partes da onda em azul sofreram interferência
construtiva, pois possuem fases iguais. Nesse caso, as amplitudes serão somadas.

10. B
Para que o cancelamento seja realizado tem que haver interferência destrutiva. Para tal, os pulsos têm
que tem mesma amplitude, mesma frequência e estar em oposição de fases, ou seja, defasados de
180.

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Geografia

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Geografia

Processos geomorfológicos e a formação da Terra

Resumo

A geomorfologia estuda os processos de formação do relevo terrestre em sua origem e evolução. Os relevos da terra têm
sua formação associada a processos endógenos e exógenos. Os processos endógenos são os processos do interior da
terra, como a movimentação de placas tectônicas, o vulcanismo, a liberação de material do interior da terra que forma
rochas, cordilheiras montanhosas e a própria crosta terrestre. Enquanto os processos exógenos são os agentes externos,
ou seja, que atuam de fora pra dentro na terra, como a ação da chuva, dos rios, o calor do sol, o vento, responsáveis pela
erosão e intemperismo, formando também bacias e rochas sedimentares. Chama-se agentes geomorfológicos os
processos que atuam sobre as formas das terras, ou seja, o que age para compor o formato, as formas de relevo da
terra. Os processos endógenos são chamados de processos formadores de relevo e os exógenos modeladores de relevo.
Processos endógenos
Os agentes internos são aqueles que atuam através da sismicidade do vulcanismo. A movimentação das placas tectônicas,
nos casos convergentes, é responsável por formar cordilheiras de montanhas. O derrame magmático pode formar ilhas e
domos vulcânicos. As placas tectônicas podem se movimentar tanto na horizontal, quanto na vertical.

A Formação da Terra
A geologia estuda o processo de composição e formação do
planeta terra. A terra se formou a cerca de 4,6 bilhões de anos.
Uma das teorias mais aceitas sobre a formação do planeta é a
teoria da Nebulosa, de Kant e Laplace. Ela fala sobre uma grande
nuvem de gás e poeira de estrelas que começa a entrar em colapso
pelas forças gravitacionais, criando forças de explosão e
agregando elementos químicos e causando um movimento de
giro num movimento orbital. Essas reações químicas causaram
um processo de aquecimento. Pode-se dizer com isso que a terra
num primeiro momento era uma grande bola de fogo e, posterior
a esse momento, houve um grande processo de resfriamento,
onde as rochas se formaram a partir desses aglomerados
minerais.
A fusão dos materiais ocorreu de forma que os elementos mais leves ficassem sobre a superfície, enquanto os mais pesados
foram para o interior da terra, causando a diferenciação da estrutura interna da terra, o núcleo interno composto de
ferro e níquel, elementos mais pesados, o manto, material submetido a altíssimas temperaturas e pressão, e a crosta, com
minerais mais leves como sílica e alumínio.
A crosta terrestre começou a se formar a cerca de 600 milhões de anos atrás. Após vários períodos de aquecimento e
resfriamento, a superfície que era mais instável e gasosa passa a se tornar mais estável, reduzindo também a ocorrência
desses eventos. Com isso, se solidificou uma grande massa de terra, o mega continente conhecido como Pangeia, a cerca
de 350 milhões de anos atrás. O processo de separação da Pangeia passa a ocorrer a cerca de 150 milhões de anos atrás.
Isto ocorreu há muito tempo e existe uma escala geológica para entendermos a evolução do planeta até como está hoje.
São esses períodos de evolução da terra, sendo o Cenozoico o mais recente;

1
Geografia

Eras geológicas
Era Período Principais Eventos Duração
Quaternário Surgimento do Homem
1 milhão de anos
Última Era do Gelo
Cenozoica Terciário Formação das montanhas
Surgimentos das aves 70 milhões de anos
Formação dos atuais Continentes
Cretáceo Divisão
Mesozoica Jurássico Extinção do Dinossauros 170 milhões de anos
Triássico Surgimento dos Dinossauros
Permiano Surgimento dos tipos de rocha
Carbonífero Formação das florestas
Devoniano Eras de Gelo
Paleozoica 320 milhões de anos
Siluriano Surgimento do primeiro Continente (Pangeia)
Ordoviciano Surgimento dos peixes e vegetais
Cambriano Surgimento dos répteis
Proterozoico Primeiras formas de vida
Pré-cambriana 4 bilhões de anos
Arqueozoico Formação dos escudos cristalinos

Teoria da Deriva Continental


Criada pelo alemão Alfred Wegener, na qual afirmava que há 200 milhões de anos não existia separação entre os
continentes, existia um único supercontinente, Pangeia, rodeado por um oceano, Pantalassa. Sua teoria era fundamentada
na coincidência entre os contornos dos continentes sul-americano e africano, além das semelhanças entre os tipos de rocha
e de fósseis de plantas e animais encontrados nesses continentes. Depois de milhões de anos, houve uma fragmentação
formando a Laurásia e Godwana. Infelizmente, ele não conseguiu explicar o motivo pelo qual os continentes se movem
e sua teoria foi esquecida após sua morte, em 1930. Em 1960, os geólogos americanos, Harry Hess e Robert Dietz,
resgataram a teoria de Wegener para fundamentar sua Teoria da Expansão dos Fundo dos Oceanos. Juntando os
pontinhos, criou-se a base para Teoria das Placas Tectônicas.

2
Geografia

Teoria da Tectônica de placas


As placas tectônicas são blocos da parte sólida da terra que se movimentam pela diferença de temperatura e pressão do
centro da terra. Elas flutuam sobre a astenosfera, onde o material pastoso está em estado de semifusão. Com o tempo,
viu-se que essas placas não estão à deriva, mas acompanham movimentos que explicam e remontam a posição continental
ao longo dos anos.
Sabe-se que a formação da terra está associada com a teoria da Deriva Continental, no qual as placas tectônicas, pedaços
rachados da crosta, se movimentam sobre um magma que está submetido a condições superiores de temperatura e pressão.
Esse calor gera o movimento convectivo, que quebra a crosta mais dura sobre esse magma.
Essa movimentação ocorre sempre para o mesmo sentido. Por exemplo, a placa sul-americana se separou da africana no
sentido oeste, num movimento divergente, abrindo o oceano Atlântico. Mas
do outro lado ela se encontra com a placa de nazca, num movimento
convergente, formando uma cordilheira de montanhas, os Andes. O limite
leste da placa sul-americana portanto está divergindo, mas o limite oeste está
convergindo.
Esse movimento de separação e convergência ocorre com a subducção das
placas. As placas continentais são menos densas, compostas de materiais
mais leves e tendem a sempre ficar por cima das placas oceânicas, mais
densas, que se reincorporam ao magma do interior da terra. No limite da placa
onde ocorre a convergência a placa mais densa se reincorpora ao material interno e a mais leve “cavalga” sobre a mais
densa, formando as cordilheiras de montanhas. No limite onde ela está divergindo há também interação entre a crosta e o
magma que se expele e solidifica, criando novos pedaços de placa e crosta, uma vez que o magma que ascende à crosta
perde temperatura e pressão e se solidifica. No limite de placas divergentes o material interno tende a ser expelido. Esse
movimento foi responsável pela abertura do oceano atlântico e pela formação da dorsal mesooceânica ou mesoatlântica,
uma cordilheira que está embaixo do oceano, criada por esse material expelido a partir da separação das placas.

3
Geografia

A dinâmica interna do planeta portanto está sempre em movimento, de modo que as porções continentais não são estáticas.
Sobretudo nas áreas de limite das placas, é onde essa movimentação se dá de forma mais intensa. Pode-se dizer que as
placas tectônicas se movem cerca de três centímetros ao ano em média. O material interno da terra está submetido sobre
grande pressão, buscando sair. Então nessas áreas limites é onde existe a maior incidência da liberação dessa energia
presa no interior da terra. Quando há a movimentação desses enormes pedaços do planeta, uma onda de energia é liberada.
Quando essa energia encontra a superfície na área continental, gera os terremotos, quando encontra a superfície na área
oceânica, gera os maremotos ou tsunamis, que vamos ver de maneira aprofundada posteriormente.
As placas, portanto, possuem três diferentes tipos de
encontro. No local onde as placas se chocam formam
limites convergentes, na parte que separam, limites
divergentes e na parte que as placas deslizam uma do lado
da outra, limite transformante. No movimento
transcorrente ou transformante, as placas nem se
chocam nem se divergem, mas deslizam uma ao lado da
outra. Esse atrito é responsável por gerar terremotos, e um
relevo de falhas ou riftes. Um grande exemplo disso é a
falha de San Andreas na Califórnia.

Formação de montanhas
Existem dois processos diferentes de formação de montanhas. O movimento horizontal das placas tectônicas é
denominado orogênese e está associado a formação de cadeias montanhosas. O movimento vertical, que pode ocorrer no
interior da placa continental é denominado epirogênese e está associado à formação de horst (bloco soerguido) e graben
(bloco rebaixado).
Epirogênese é quando o movimento tectônico ocorre verticalmente. São os chamados soerguimento e subsidência.

4
Geografia

Epirogênese negativa Epirogênese positiva

Orogênese; significa a formação de montanhas, quando os movimentos tectônicos se dão de maneira horizontal, a partir
do encontro de placas.

5
Geografia

Exercícios

1. No início do século XX, um jovem meteorologista alemão, Alfred Wegener, levantou uma hipótese que hoje se
confirma, qual seja: há 200 milhões de anos, os continentes formavam uma só massa, a Pangeia, que em grego
quer dizer “toda a terra”, rodeada por um oceano contínuo chamado de “Pantalassa”. Com a intensificação das
pesquisas, também se pode afirmar que, além dos continentes, toda a litosfera se movimenta, pois se encontra
seccionada em placas, conhecidas como “placas tectônicas”, que flutuam e deslizam sobre a astenosfera,
carregando massas continentais e oceânicas.
Muitas teorias foram elaboradas para tentar explicar tais movimentos e, recentemente, descobriu-se que a
explicação está relacionada:
a) ao vulcanismo que movimenta o magma.
b) ao princípio da isostasia (ísos = igual em força + stásis = parada).
c) ao princípio formador de montanhas conhecido por orogênese.
d) aos terremotos e vulcanismos, em razão de sua força na alteração das paisagens.
e) ao movimento das correntes de convecção que ocorrem no interior do planeta.

2. (Enem 2019)

Disponível em: https://hypescience.com. Acesso em: 1 dez. 2018 (adaptado).

A divisão política do mundo como apresentada na imagem seria possível caso o planeta fosse marcado pela
estabilidade do(a)
a) ciclo hidrológico.
b) processo erosivo.
c) estrutura geológica.
d) índice pluviométrico.
e) pressão atmosférica.

3. (Enem 2014)

6
Geografia

Disponível em: www.telescopionaescola.pro.br. Acesso em: 3 abr. 2014 (adaptado).

A partir da análise da imagem, o aparecimento da Dorsal Mesoatlântica está associado ao(à)


a) separação da Pangeia a partir do período Permiano.
b) deslocamento de fraturas no período Triássico.
c) afastamento da Europa no período Jurássico.
d) formação do Atlântico Sul no período Cretáceo.
e) constituição de orogêneses no período Quaternário.
4. A Litosfera é fragmentada em placas que deslizam, convergem e se separam umas em relação às outras à medida
que se movimentam sobre a Astenosfera. Essa dinâmica compõe a Tectônica de Placas, reconhecida inicialmente

7
Geografia

pelo cientista alemão Alfred Wegener, que elaborou a teoria da Deriva Continental no início do século XX, tal
como demonstrado a seguir.

As bases da teoria de Wegener seguiram inúmeras evidências deixadas na superfície dos continentes ao longo do
tempo geológico. Considerando as figuras e seus conhecimentos, indique o fator básico que influenciou o
raciocínio de Wegener.
a) As repartições internas atuais dos continentes no Hemisfério Norte.
b) A continuidade dos sistemas fluviais entre América e África.
c) As ligações atuais entre os continentes no Hemisfério Sul.
d) A semelhança entre os contornos da costa sul‐americana e africana.
e) A distribuição das águas constituindo um só oceano.

5. Leia o trecho abaixo

8
Geografia

Há 250 milhões de anos, no fim da Era Paleozoica, existia na Terra o supercontinente Pangeia, que era circundado
pelo Oceano Pacífico. Há 200 milhões de anos esse supercontinente teria começado a se fragmentar em vários
continentes, adquirindo, com o tempo, as configurações atuais. Essa teoria foi idealizada pelo meteorologista
Alfred Wegener. Ele concebeu a ideia de que os continentes seriam compostos por materiais mais leves que o
fundo oceânico. Desse modo, os continentes estariam “flutuando” e migrariam sobre o fundo oceânico, tal como
os icebergs.
SUGUIO, K., SUZUKI, U. A evolução geológica da Terra e a fragilidade da vida. São Paulo: Blücher, 2009. p. 18.

A teoria citada explicita a ideia de que


a) as áreas oceânicas mantêm-se inalteradas.
b) existem ciclos de movimentação das placas tectônicas.
c) há evidências de reações nucleares no interior do planeta.
d) movimentos convergentes predominam sobre os divergentes.
e) as placas tectônicas não sofrem alterações

6.

Sobre a figura acima, é possível afirmar que:


a) endossa didaticamente o princípio do Atualismo, empregado na análise físico-geográfica do mundo.
b) representa graficamente um dos argumentos da teoria de Alfred Wegener, que antecedeu a hipótese da
Expansão dos Fundos Oceânicos.
c) ilustra graficamente o princípio da superposição de camadas litológicas da litosfera, utilizado na análise
geológica.
d) representa didaticamente o princípio da Geografia Física, conhecido como “Princípio do Catastrofismo”,
defendido por Carl Troll.
e) exemplifica um sistema de projeção cartográfica, conhecido como Projeção Cilíndrica, empregado na análise
geográfica.

7. Observe abaixo a representação do supercontinente do sul.

9
Geografia

Disponível em: <http://www.reservataua.com.br/origens_geologicas_de_buzios_2.htm> Acesso em: 18 maio 2011.

Em 1912, a ideia do movimento dos continentes foi seriamente considerada como uma teoria científica designada
"Derivados Continentes" e publicada em dois artigos pelo meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener. Ele
argumentou que há cerca de 200 milhões de anos, ainda na Era Paleozoica, havia um supercontinente do sul
denominado:
a) Pantalassa.
b) Gondwana.
c) Laurásia.
d) Pangeia.
e) Litosfera.

8. Graben e Horst são formas de relevo associadas às falhas tectônicas.

Terra – feições ilustradas. UFRGS. 2003


No Brasil, os exemplos para I e II são, respectivamente,
a) Vale do Itajaí e Serra Geral.
b) Vale do Paraíba e Serra do Mar.
c) Planície Amazônica e Serra do Cachimbo.
d) Vale do São Francisco e Chapada Diamantina
e) Planície Costeira e Serra do Espinhaço.

9. Observe o mapa abaixo

10
Geografia

A partir do mapa, é correto afirmar que


a) a divergência das Placas Sul-Americana e Africana é responsável pela expansão do assoalho marinho no
Oceano Pacífico.
b) os terremotos ocorrem com frequência nos limites das placas tectônicas, como, por exemplo, na costa leste
da América do Sul.
c) grandes dobramentos modernos são formados na convergência das Placas Euro-Asiática e Indo-Australiana.
d) o movimento das placas tectônicas indica que a crosta terrestre não é estática e apresenta maior instabilidade
no interior dessas placas.
e) Os grabens se formam na área de contato das placas tectônicas onde o movimento é estático.

10. Tectônica de placas é uma teoria que demonstra a crosta terrestre formada por um conjunto de placa que deslizam
por causa das correntes de convecção no interior da terra. Muitas dessas falhas ocorrem nos oceanos, embora elas
possam se estender para o interior do continente, como por exemplo a Falha de San Andréas, na Califórnia, nos
Estados Unidos.

11
Geografia

Observe a gravura abaixo.

TEIXEIRA, Wilson e outros (org.) Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

Na gravura acima a letra “A” corresponde ao movimento da placa que exemplifica a origem da Falha de San
Andréas. Essa falha se movimenta com bordas
a) construtivas.
b) destrutivas.
c) transformantes.
d) divergentes.
e) Convergentes

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Geografia

Gabarito

1. E
O processo de formação da Terra associa-se ao fato de possuir um interior uma alta temperatura e pressão, sendo o
magma um fluido. Quanto mais próximo da superfície, menor a temperatura e pressão, quanto mais próximo do
núcleo maior é a pressão e respectivamente a temperatura. Tais diferenças resulta em um movimento do magma
denominado de correntes de convecção.

2. C
Na imagem observamos todos os países juntos como se formassem um supercontinente. Isso seria possível se não
tivéssemos o movimento das placas tectônicas, isto é, se tivéssemos uma estabilidade da estrutura geológica.

3. D
Para solucionar a questão é importante saber que a formação da Dorsal Mesoatlântica está associada à separação do
continente africano do continente europeu. A primeira imagem que apresenta uma fratura nesta localidade é a que se
refere ao Cretáceo.

4. D
A deriva continental resulta da dinâmica das placas tectônicas ao longo das Eras Geológicas. Uma das evidências da
deriva é o contorno dos continentes, a exemplo do “encaixe” entre a África e a América do Sul.

5. B
A deriva continental é explicada pela movimentação ininterrupta das placas tectônicas.

6. B
A figura representa a Pangeia, grande continente existente na Era Paleozoica e que depois foi fragmentado conforme
explica a Teoria da Deriva Continental.

7. B
Segundo a teoria da “Deriva dos Continentes”, elaborada por Alfred Wegener, havia originalmente uma única massa
emersa denominada Pangeia, que ao se dividir formou a Laurásia (América do Norte, Europa e Ásia) e a Gondwana
(América do Sul, África, Austrália, Antártica e parte da Ásia)

8. B
O Graben indica uma área baixa, correspondente ao Vale do Paraíba. O vale sempre está próximo de elevações como
serras, podendo ser elucidado como a Serra do Mar que fica principalmente no Rio de Janeiro.

9. C
A placa euroasiática e indo-australiana estão em convergência como mostra o mapa, formando uma área de muitos
dobramentos modernos.

10. C
A gravura A ilustra o movimento conhecimento como transformante entre as placas tectônicas.

13
Geografia

Vulcanismo e abalos sísmicos

Resumo

A relação entre vulcanismo e sismicismo


O vulcanismo e o sismicismo são processos que têm origem na dinâmica interna da Terra e mantêm estreita
relação entre si. Esta relação existe porque a atividade vulcânica pode ocasionar sismos no momento em
que o magma é expelido por uma alta pressão, assim como os tremores de terra podem gerar fraturas na
Terra, levando à ocorrência de atividade vulcânica. Ou seja, sismicidade e vulcanismo esculpem e/ou formam
o relevo da Terra. Esses fenômenos são mais frequentes em áreas de limites de placas tectônicas, pela
interação com o interior da terra se dar de maneira mais ativa, podendo liberar para a superfície esse material
ou causar tremores a partir do alívio de tensão geológica.

O que é vulcanismo?
Vulcanismo é o nome dado ao processo geológico que ocorre no interior da Terra e que alcança a superfície
terrestre. Neste processo, há o extravasamento do magma por uma abertura na superfície terrestre, chamada
de vulcão, estrutura geralmente cônica e montanhosa. Cabe destacar que o magma, ao chegar à superfície,
é chamado de lava.
A maioria dos vulcões surgem nos limites entre placas tectônicas, já que é nessas áreas que acontece maior
interação entre a crosta e o material interno da terra. Isso possibilita que, nesta área de instabilidade
tectônica, seja possível o extravasamento do magma. Um exemplo evidente disso é o Círculo de Fogo do
Pacífico, também conhecido como Anel de Fogo do Pacífico, uma área muito conhecida pelas ocorrências
de tremores de terra e atividade vulcânica, por ser uma área de limites de placas tectônicas. Existem
diferentes formas de liberação desse magma que variam de acordo com a morfologia do vulcão e também
da composição do material magmático.

Erupção
Saída do magma de maneira explosiva. O magma mais básico ou basáltico tende a ser menos destrutivo. Já
o magma granítico ou ácido, rico em sílica, normalmente possui mais dificuldade de sair, entupindo o duto
vulcânico. Quando ele consegue vencer esse entupimento, causa as explosões liberando nuvens de fumaça.
Importante também colocar que, se tratando de erupções, a fumaça cheia de gases e vapor em altíssimas

1
Geografia

temperaturas avinda dessa explosão pode ser muito nociva e causar mortes mesmo antes de algum contato
com a lava.

Erupção explosiva, Ilhas Kurilasw, Russia. Disponível em: "Vulcão de Fogo" Guatemala. Disponível em:
http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm https://g1.globo.com/mundo/noticia/fluxo-piroclastico-
?infoid=272&sid=9 entenda-o-fenomeno-que-tornou-mortifera-a-erupcao-de-
vulcao-na-guatemala.ghtml

Erupção do Vesúvio – Pompeia. Disponível em:


https://conhecimentocientifico.r7.com/pompeia-a-cidade-petrificada-por-vulcao/

Derrame
O magma pode sair de maneira lenta. Pode ocorrer a partir de riftiamentos, com a abertura da terra criando
um caminho para o magma escorrer. Isso também depende da composição do magma, sendo o magma
mais básico ou basáltico, o típico desse tipo de liberação. O resfriamento vai ocorrendo e o material se
consolidando de forma mais lenta, formando assim as rochas basálticas. O solo advindo do intemperismo
químico dessas rochas é muito rico em minerais.

Disponível em: https://ferdinandodesousa.com/2018/08/01/o-derrame-de-trapp-e-a-formacao-dos-solos-de-terra-roxa/

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Geografia

Tipos de vulcão
Os vulcões podem ser classificados em três tipos:

• Ativos: são aqueles considerados perigosos, pois a qualquer momento estão sujeitos à atividade
eruptiva.
• Inativos: são aqueles que possuem condições de entrar em erupção, mas passam por momento de
calmaria.
• Extintos: já tiveram períodos de atividade vulcânica, mas, a curto prazo, não entraram em erupção.

Hotspots

Os hotspots (“pontos quentes”) se referem à atividade vulcânica intraplaca tectônica. São áreas no interior
de algumas placas tectônicas em que há a ocorrência de vulcões e a possibilidade de tremores de terra. Esse
tipo de vulcanismo origina vulcões isolados no interior das placas continentais, além de ilhas e vulcões no
interior de placas oceânicas, que são placas que se movimentam sobre um ponto quente fixo.

Sismicidade
Os sismos, também chamados de tremores de terra, abalos sísmicos ou terremotos, são fortes tremores de
terra originados pela liberação da energia acumulada no interior da Terra, gerando ondas sísmicas. Isso
ocorre porque o material que está no interior da terra está submetido a altos índices de temperatura e
pressão, onde essa energia tenta sempre sair.
Existem dois pontos portanto, a área do interior da terra onde
ocorreu a movimentação e liberou uma energia, e o ponto na
crosta terrestre onde essa energia chega e é sentida,
causando os tremores. São esses pontos;
• Hipocentro: região no interior da terra de onde a energia
é liberada;
• Epicentro: ponto na superfície onde o tremor se
manifesta;
Quando essa energia é liberada e encontra uma área continental, causando tremores, chamamos o evento
de terremoto. Quando essa tensão do interior da terra é liberada e encontra a superfície oceânica, damos o
nome de maremotos, que podem causar as ondas gigantes chamadas de tsunamis.

3
Geografia

Terremotos
O Brasil não é um país que possui experiência com terremos e abalos sísmicos no geral. Isso ocorre por
estarmos no centro de uma placa tectônica, e é nas regiões de limites de placa onde existe maiores
movimentações. Apesar disso, é possível que a tensão de dentro da terra provoque tremores no centro das
placas tectônicas.
Os terremotos podem ser classificados quanto a sua Magnitude e quanto a sua Intensidade:
• Magnitude: grau de energia liberado, o quão forte foi a ocorrência. É baseado em cálculos sismográficos,
as medições da intensidade e da força da energia liberada. A escala de medição mais comum para esse
tipo é a Escala Richter.
• Intensidade: não mede apenas a energia, mas a percepção humana e os estragos sociais. A medição
comum para esse tipo de medida é a Escala de Mercalli. Seu diferencial é que ela mede também os
danos causados pelo terremoto. Por exemplo, o Japão é um país desenvolvido que tem muita ocorrência
de tremores. Por isso suas construções urbanas são de certo modo preparadas para esses eventos.
Países mais pobres ou mesmo áreas no Japão onde a infraestrutura urbana adequada não atende todas
as pessoas terão também as maiores consequências desses eventos, e é isso que esse índice leva em
consideração.

Os maremotos
Os maremotos ocorrem quando a energia liberada decorrente
dos movimentos do interior da terra encontra o seu epicentro
em área oceânica e não continental. A propagação de energia
se dá de maneira diferente entre corpos sólidos e líquidos. A
assoalho oceânico ou as placas tectônicas oceânicas também
estão sujeitas a quebras e falhas, advindas da pressão do
interior da terra. Quando isso acontece, a energia propagada
causa um maremoto. Como resultado a esse evento, a
dinâmica de ondas também será afetada, podendo causar
ondas gigantes chamadas de tsunamis.

4
Geografia

Exercícios

1. Observe a imagem da Falha de Santo André, na Califórnia (EUA).

Disponível em: http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/04/falha-de-san-andreas.jpg

A importante Falha de Santo André está relacionada


a) ao deslizamento horizontal entre as placas do Pacífico e Norte-Americana.
b) ao rebaixamento da placa de Nazca em relação à placa do Pacífico.
c) à meteorização da plataforma continental do litoral Pacífico.
d) à corrosão das rochas que formam o substrato cristalino californiano.
e) ao ravinamento das rochas resultante da semiaridez do oeste californiano.

2. (Enem 2017) De repente, ouve-se uma explosão. Espanto! Num instante, todos estão na rua.
Espetáculo alucinante, o topo do Vesúvio havia se partido em dois. Uma coluna de fogo escapa dali.
Logo depois é a agitação. Em volta começa a desabar uma chuva de projéteis: pedras-pomes, lapíli e,
às vezes, pedaços de rochas — fragmentos arrancados do topo da montanha e da tampa que obstruía
a cratera.
GUERDAN, R. A tragédia de Pompeia. Disponível em: www2.uol.com.br. Acesso em: 24 out. 2015 (adaptado).

A destruição da cidade relatada no texto foi decorrente do seguinte fenômeno natural:


a) Atuação de epirogênese recente.
b) Emissão de material magmático.
c) Rebaixamento da superfície terrestre.
d) Decomposição de estruturas cristalinas.
e) Metamorfismo de horizontes sedimentares.

5
Geografia

3. O vulcanismo é um dos processos da dinâmica terrestre que sempre encantou e amedrontou a


humanidade, existindo diversos registros históricos referentes a esse processo. Sabe-se que as
atividades vulcânicas trazem novos materiais para locais próximos à superfície terrestre. A esse
respeito, pode-se afirmar que o vulcanismo
a) é um dos poucos processos de liberação de energia interna que continuará ocorrendo
indefinidamente na história evolutiva da Terra.
b) é um fenômeno tipicamente terrestre, sem paralelo em outros planetas, pelo que se conhece
atualmente.
c) traz para a atmosfera materiais nos estados líquido e gasoso, tendo em vista originarem-se de
todas as camadas internas da Terra.
d) ocorre, quando aberturas na crosta aliviam a pressão interna, permitindo a ascensão de novos
materiais e mudanças em seus estados físicos.
e) é o processo responsável pelo movimento das placas tectônicas, causando seu rompimento e o
lançamento de materiais fluidos.

4.

TEIXEIRA et al. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000.

Sobre a dinâmica geológica apresentada, é correto afirmar que se


a) observa a geração de um sismo por liberação de esforços em uma ruptura.
b) evidenciam áreas de subducção com mergulho de uma camada sobre a outra.
c) percebem camadas que se comprimem e acumulam energia no núcleo terrestre.
d) destacam diferentes linhas de ruptura que propagam vibrações para a superfície.
e) ressalta uma zona de metamorfismo com deformação de rochas sedimentares químicas.

6
Geografia

5. As usinas geotérmicas são uma forma alternativa de geração de energia elétrica por utilizarem as
elevadas temperaturas do próprio subsolo em algumas regiões. Considere as informações do
esquema e do mapa a seguir:

O país cuja localização espacial proporciona condições ideais para amplo aproveitamento da energia
geotérmica é:
a) Islândia
b) Nigéria
c) Uruguai
d) Austrália
e) França

6. (Enem 2012) De repente, sente-se uma vibração que aumenta rapidamente; lustres balançam, objetos
se movem sozinhos e somos invadidos pela estranha sensação de medo do imprevisto. Segundos
parecem horas, poucos minutos são uma eternidade. Estamos sentindo os efeitos de um terremoto,
um tipo de abalo sísmico.
ASSAD, L. Os (não tão) imperceptíveis movimentos da Terra. Com Ciência: Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, n.º
117, abr. 2010. Disponível em: http://comciencia.br. Acesso em: 2 mar. 2012.

O fenômeno físico descrito no texto afeta intensamente as populações que ocupam espaços próximos
às áreas de
a) alívio da tensão geológica.
b) desgaste da erosão superficial.
c) atuação do intemperismo químico.
d) formação de aquíferos profundos.
e) acúmulo de depósitos sedimentares.

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Geografia

7. Forte terremoto atinge a cidade do méxico no aniversário do tremor de 1985


"Um terremoto de magnitude 7.1 atingiu o México na tarde desta terça-feira (19). O forte tremor foi
sentido em 18 municípios, incluindo a Cidade do México, onde edifícios caíram e pessoas estão
soterradas. Na atualização mais recente, as autoridades do pais confirmaram que ao menos 224
pessoas morreram na região central mexicana."
Reportagem do UOL noticias de 19/09/2017. Disponível em:<https://noticias.uol.com.br/internadonal/ultimas-
noticias/2017/09/19/terremoto-cidade-do mexico.htm>. Acesso em: 08 out.2017.

No que se refere à dinâmica da litosfera terrestre, podemos afirmar que

a) eventos como o que ocorreu recentemente no México estão diretamente relacionados com a
dinâmica das placas tectônicas.
b) a magnitude do terremoto retratado não tem capacidade de destruição em grande proporção, os
desastres ocorridos foram acarretados por ação humana.
c) os limites divergentes de placas tectônicas são os que desencadearam os maiores tremores já
registrados.
d) ocorrem grandes tremores quando duas placas tectônicas colidem, mas isso não provoca
deformação na sua estrutura.
e) surgem estruturas como as grandes cordilheiras, a exemplo dos Andes, Alpes e Himalaia, a partir
de movimentos divergentes de placas tectônicas.

8. Observe o mapa a seguir.

Disponível em: www.gfe-potsdam.de. Adaptado

Pautado na linguagem cartográfica e em aspectos naturais do planeta, o mapa reúne informações


acerca
a) da escassez hídrica, com predomínio nas parcelas meridionais das terras emersas.
b) do impacto antrópico, com ocupações urbanas concentradas nas bordas continentais.
c) do desmatamento, com maior ocorrência em áreas próximas à faixa equatorial.
d) do perigo sísmico, com maior suscetibilidade em áreas de limite de placas.
e) da poluição dos solos, com maior impacto em parcelas densamente povoadas.

8
Geografia

9. A figura abaixo apresenta a ocorrência de derrames basálticos na porção centro-sul do Brasil.

Sobre essa ocorrência, é correto afirmar:

a) Trata-se de uma manifestação eruptiva do Mesozoico, associada com o rifteamento que formou
o Oceano Atlântico, sendo uma das maiores manifestações vulcânicas da história geológica da
Terra. As alterações dessas rochas formam solos muito férteis, chamados de Nitossolos.
b) Trata-se de uma manifestação eruptiva do Quaternário, relacionada a uma série de hotspots
associados à bacia do Paraná. As alterações dessas rochas formam solos muito ácidos, que
acabam por dificultar as atividades agrícolas.
c) Corresponde a um evento vulcânico que foi ativo durante milhões de anos, associado à deriva
continental da América do Sul, em direção leste. As alterações dessas rochas formam solos
extremamente férteis, classificados atualmente como "Terras Roxas”.
d) Foi uma atividade vulcânica entre as maiores da história da Terra, que ocorreu durante o
Paleógeno (antigo Terciário Inferior), quando se iniciou a separação América do Sul-África. Os
solos desenvolvidos sobre essas rochas são extremamente férteis.
e) Corresponde a uma manifestação magmática do Terciário, associada ao processo de criação da
Dorsal Mesoatlântica, formada durante a separação da América do Sul e da África. Os solos
extremamente férteis são denominados Litossolos.

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Geografia

10. (Enem 2017) O terremoto de 8,8 na escala Richter que atingiu a costa oeste do Chile, em fevereiro,
provocou mudanças significativas no mapa da região. Segundo uma análise preliminar, toda a cidade
de Concepción se deslocou pelo menos três metros para a oeste, enquanto Santiago, mais próxima do
local do evento, deslocou-se quase 30 centímetros para a oeste-sudoeste. As cidades de Valparaíso,
no Chile, e Mendoza, na Argentina, também tiveram suas posições alteradas significativamente (13,4
centímetros e 8,8 centímetros, respectivamente).
Revista InfoGNSS, Curitiba, ano 6, n. 31,2010.

No texto, destaca-se um tipo de evento geológico frequente em determinadas partes da superfície


terrestre. Esses eventos estão concentrados em
a) áreas vulcânicas, onde o material magmático se eleva, formando cordilheiras.
b) faixas costeiras, onde o assoalho oceânico recebe sedimentos, provocando tsunamis.
c) estreitas faixas de intensidade sísmica, no contato das placas tectônicas, próximas a
dobramentos modernos.
d) escudos cristalinos, onde as rochas são submetidas aos processos de intemperismo, com
alterações bruscas de temperatura.
e) áreas de bacias sedimentares antigas, localizadas no centro das placas tectônicas, em regiões
conhecidas como pontos quentes.

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Geografia

Gabarito

1. A
A falha de santo André é um exemplo de movimento transcorrente em placas tectônicas, típicas de
placas continentais, que formam essa morfologia observada na imagem.

2. B
O texto descreve a destruição da cidade romana de Pompeia pela explosão vulcânica do Vesúvio. Como
resultado desse processo de erupção é possível observar a ascensão de material magmático em forma
de fragmentos de rochas, cinzas e lava vulcânica.

3. D
O vulcanismo pode ser compreendido didaticamente como um cano que libera a pressão do interior da
terra, expelindo o magma para fora. Ao chegar na superfície o magma se condensa podendo formar até
arcos de ilhas.

4. A
Observa-se a geração de sismo a partir da ruptura em um ponto profundo (hipocentro) de uma estrutura
geológica sedimentar. Após essa ruptura ocorre a liberação de energia que atinge a superfície no ponto
do epicentro.

5. A
A Islândia é conhecida mundialmente pela exploração de energia geotérmica, uma vez que seu território
se encontra no limite das placas eurasiana e norte americana.

6. A
Os terremotos ocorrem pela liberação da energia ocorrida numa movimentação de placas.

7. A
Terremoto é a propagação de ondas sísmicas causadas pela liberação de energia com a ruptura ou
acomodação de camadas da crosta e estão associadas as placas tectônicas.

8. D
O mapa indica a intensidade dos movimentos sísmicos do planeta, cujo hipocentro ocorre em bordas de
placas tectônicas quando há liberação de energia em razão dos movimentos da crosta.

9. A
Com a fragmentação da Gondwana e consecutiva separação entre a América do Sul e a África no
Mesozoico, ocorre um grande derrame vulcânico na região da Bacia Sedimentar do Paraná. Com o tempo,
o processo intempérico transformou essa rocha basáltica em um solo extremamente fértil, denominado
Terra Roxa, cientificamente conhecido como Nitossolo.

10. C
A propagação de ondas sísmicas tem sua origem em áreas de bordas de placas tectônicas, como a
Cordilheira dos Andes localizada em parte, no Chile.

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Geografia

Agentes externos: Intemperismo

Resumo

O processo de intemperismo, também conhecido como meteorização, consiste na


transformação/desintegração das rochas em fragmentos (sedimentos). O principal produto do
intemperismo é o solo. Esse processo de formação dos solos é denominado pedogênese.

Processo de formação do solo e seus horizontes a partir do processo intempérico. Disponível em: https://image.slidesharecdn.com/.
Adaptado.

O intemperismo pode ser classificado em:


• Físico: Transformações que derivam de fenômenos físicos,
tais como a temperatura e a pressão. A temperatura é um
dos principais agentes desse tipo de intemperismo.
• Químico: Transformações que derivam de fenômenos
químicos, tais como a hidrólise, acidificação e a oxidação. A
água é um dos principais agentes.
• Biológico: Transformações que derivam da ação de seres
vivos e que frequentemente aparecem associadas à um dos
outros dois tipos de intemperismo. Alguns exemplos do
intemperismo biológico podem ser destacados, tais como,
a ação das minhocas, da decomposição de organismos e de
raízes de árvores
Na legenda do mapa, entenda intemperismo de grau muito fraco
como predomínio do intemperismo físico. Enquanto Mapa das regiões de intemperismo do Brasil
intemperismo de grau forte corresponde ao predomínio do
intemperismo químico.
Cabe destacar que as áreas mais secas têm predomínio do intemperismo físico, a exemplo do Sertão
Nordestino. As áreas mais úmidas têm o predomínio do intemperismo químico, a exemplo das áreas
litorâneas e da Amazônia brasileira.

1
Geografia

Mapa mental – Erosão e Intemperismo

Assista o QQD que deu origem a esse mapa clicando aqui.

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Geografia

Exercícios

1. Analise os diagramas

(Dirce Maria A. Suertegaray (org.). Terra: feições ilustradas, 2008. Adaptado.)

Esses diagramas demonstram o processo de


a) desintegração mecânica acompanhada pela decomposição química das rochas na exposição aos
agentes atmosféricos.
b) formação de novos aquíferos pela concentração de fluxos de água em terrenos arenosos.
c) metamorfismo sofrido por rochas magmáticas quando sujeitas ao calor e à pressão.
d) diastrofismo da crosta terrestre pelo falhamento da superfície ao longo das eras geológicas.
e) afloramento de rochas ricas em matéria orgânica na formação de novos escudos cristalinos._

2. As rochas são desagregadas e decompostas e os materiais resultantes de sua ação, tais como seixos,
cascalhos, areias, siltes e argilas, são carregados e depois depositados e, também, substâncias
dissolvidas na água podem precipitar. Em virtude de sua atuação, quaisquer rochas,
independentemente de suas características, podem ficar destacadas no relevo.
BELLOMO, H. R. et al. (Org.). Rio Grande do Sul: aspectos da geografia. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1997 (adaptado).

O texto refere-se à modelagem do relevo pelos processos naturais de


a) magmatismo e fusão.
b) vulcanismo e erupção.
c) intemperismo e erosão.
d) tectonismo e subducção.
e) metamorfismo e recristalização.

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Geografia

3. Observe o diagrama abaixo. Esse diagrama representa a relação entre o intemperismo físico e químico
e o clima.

Fonte: PETERSEN, J. S. et al. Fundamentos de Geografia Física. São Paulo: Cengage Learning, 2014, p. 296.

Sobre o intemperismo físico e químico, podemos afirmar:

a) as regiões localizadas em baixa latitude e que possuem climas úmidos possuem intemperismo
químico menos intenso.
b) nas florestas tropicais úmidas e nos climas de monções, o intemperismo químico é mais
significativo do que o intemperismo físico.
c) nas regiões áridas e frias, onde o intemperismo químico predomina, as rochas tendem a ser mais
pontudas, angulares e recortadas.
d) o intemperismo físico é elevado nos climas úmidos de latitudes medianas, sendo evidenciado
pela profundidade dos solos e formas arredondadas.
e) o intemperismo químico é considerado mais intenso em regiões de baixa temperatura e média
precipitação.

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Geografia

4. Intemperismo é o nome que se dá ao conjunto de processos que modificam as rochas, fragmentando-


as (intemperismo físico) ou alterando-as (intemperismo químico). O predomínio de um tipo em relação
a outro, nas diversas regiões da Terra, vai depender das temperaturas, combinadas ao volume das
precipitações e do estado físico da água

Observando o mapa, é possível afirmar que nas regiões A, B e C, há predomínio, respectivamente, do


intemperismo
a) químico – físico – químico.
b) físico – químico – químico
c) químico – químico – físico
d) físico – físico – químico.
e) químico – físico – físico.

5. Tempo rei – Gilberto Gil


“A letra da canção enfoca o tempo e o espaço que transcorrem e transformam tanto a matéria quanto
o pensamento. Os versos da canção de Gilberto Gil, “Pães de Açúcar/ Corcovados/ Fustigados pela
chuva e pelo eterno vento”, podem referir-se a um conceito da geografia física, o qual “constitui o
conjunto de processos operantes na superfície terrestre que ocasionam a decomposição dos minerais
das rochas, graças à ação de agentes atmosféricos e biológicos”
Leinz, V. e Amaral, S. Geologia Geral.
O conceito acima referido é o:
a) Intemperismo;
b) Metamorfismo;
c) Magmatismo;
d) Maganicismo;
e) Tectonismo

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Geografia

6. "O solo não é estável, nem inerte; muito pelo contrário: constitui um meio complexo em perpétua
transformação, submetendo-se a leis próprias que regem sua formação, sua evolução e sua
destruição. Forma-se no ponto de contato da atmosfera, da litosfera e da biosfera; participa
intimamente nesses mundos tão diversos, pois mantém relações constitutivas com o mundo mineral,
assim como com os seres vivos."
Extraído de DORST, Jean. Antes que a natureza morra: por uma ecologia política. São Paulo: ED. USP, 1973.

A partir do texto acima, é possível afirmar que:

a) Em áreas desmatadas, a velocidade de escoamento superficial é acelerada, e a água diminui sua


capacidade de transportar partículas sólidas em suspensão.
b) As características do solo não estão relacionadas com as formas de relevo e a drenagem da água
dos terrenos.
c) O tipo de solo predominante no Brasil é o permafrost, próprio das regiões de clima quente e úmido,
devido ao processo intenso de lavagem e dissolução dos sais minerais que o compõem - a
lixiviação.
d) O plantio de espécies leguminosas intercaladas entre os cultivos permanentes, como o café, não
garante o equilíbrio orgânico do solo e o protege da erosão.
e) Os solos se desenvolvem a partir de um processo lento de intemperismo físico e químico sobre
uma determinada rocha e sob a influência de seres vivos.

7. Examine a figura a seguir:

A figura ilustra o processo de


a) processo de desertificação em ambientes temperados.
b) formação de terraço fluvial.
c) origem e evolução de solos.
d) efeito da poluição dos neossolos, em face das atividades agrícolas.
e) conjunto de horizontes de uma dobra geológica.

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Geografia

8. (Enem 2015)

FONTES, M. P. F. Intemperismo de rochas e minerais. In: KER, J. C. et al. (Org.). Pedologia: fundamentos. Viçosa (MG): SBCS,
2012 (adaptado).

De acordo com as figuras, a intensidade de intemperismo de grau muito fraco é característica de qual
tipo climático?
a) Tropical.
b) Litorâneo.
c) Equatorial.
d) Semiárido.
e) Subtropical.

9. Analise a imagem abaixo.

ECIENCIA-USP. Disponível em: <http://www.eciencia.usp.br/>. Acesso em: 24 de jul. 2013.

Trata-se da Pedra da Tartaruga, situada no Parque Nacional de Sete Cidades-PI, que retrata o
resultado do processo da desagregação de uma rocha. Nela, os minerais constituintes se dilatam

7
Geografia

quando aquecidos e se contraem quando resfriados. Seus principais agentes de intemperismos são a
variação de temperatura e a cristalização que ocorrem nas áreas de grande amplitude térmica,
desérticas e semiáridas.
O que caracterizou essa modelagem da Pedra da Tartaruga foi o intemperismo
a) cratônico.
b) biológico.
c) químico.
d) fluvial.
e) físico.

10. As variações de temperatura ao longo dos dias e noites nas diferentes estações do ano causam
expansão e contração térmica nos materiais rochosos, levando à fragmentação dos grãos minerais.
Além disso, os minerais, com diferentes coeficientes de dilatação térmica, comportam-se de forma
diferenciada às variações de temperatura, o que provoca deslocamento relativo entre os cristais,
rompendo a coesão inicial entre os grãos.

Todos os processos que causam desagregação das rochas, com separação dos grãos minerais antes
coesos e com sua fragmentação, transformando a rocha inalterada em material descontínuo e friável,
constituem o processo de
a) intemperismo físico.
b) laterização.
c) lixiviação.
d) formação das voçorocas.
e) ravinamento.

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Geografia

Gabarito

1. A
Os blocos diagramas demonstram o processo de intemperismo físico (desintegração mecânica) e
químico (decomposição química das rochas) resultando o processo de formação dos solos,
pedogênese.

2. C
O intemperismo físico (variação de temperatura) e químico (ação da água) é responsável pela
desagregação das rochas. A erosão consiste no desgaste da superfície com remoção de partículas
minerais (cascalho, argila, areia e silte) e matéria orgânica, com a ação de agentes exógenos, como a
água e o vento. Por vezes, a combinação desses processos leva à exposição de rochas na superfície,
inclusive os blocos chamados de matacões.

3. B
O intemperismo químico é mais significativo em áreas de clima úmido, como o clima monçônico e o
tropical.

4. D
Analisando a influência da temperatura, da precipitação e do estado físico da água temos a ocorrência,
respectivamente, de intemperismo físico e químico. A variação de temperatura das rochas, principal
fator do intemperismo físico, se deve ao constante aquecimento pelo sol seguido do brusco
resfriamento pelas chuvas. Com isso, as rochas contraem e dilatam continuamente, o que causa sua
fragmentação. Já nas regiões polares ou de grandes altitudes, a água congela nas fissuras das rochas
e as dilata, fragmentando-as em partes menores. A água, agente mais importante do intemperismo
químico, reage quimicamente com os minerais componentes das rochas, produzindo substâncias
ácidas que as corroem, o que favorece a degradação. Em regiões de climas tropicais, em que os índices
de umidade são elevados, o intemperismo químico é mais intenso.

5. A
O referido trecho da canção de Gilberto Gil faz referência ao processo de intemperismo que consiste na
alteração física, química ou biológica das rochas, que promove a degradação e enfraquecimento delas,
tornando-as mais suscetíveis à erosão.

6. E
O processo de pedogênese – formação de solos – se dá a partir do intemperismo que transforma uma
determinada rocha a partir da qual se desenvolve um determinado tipo de solo dotado de características
particulares.

7. C
A sequência de quadros da figura mostra a evolução de um perfil rochoso sofrendo intemperização e
formando os horizontes do solo.

8. D
Ao relacionar o diagrama e o mapa, é possível identificar que a região que apresenta um grau de
intemperismo muito fraco é aquela com baixas médias de precipitação (espaços de clima semiárido),
visto que a maior ocorrência do processo de intemperismo é decorrente das altas taxas de pluviosidade.
Por isso, o gabarito só poderia ser aquele que destaca o sertão nordestino brasileiro.

9. E
A imagem retrata uma área que está sujeita ao intemperismo físico, visto que ocorre a dilatação da
rocha devido à variação de temperatura.

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Geografia

10. A
O intemperismo físico é a desagregação física das rochas e seus minerais pela variação de temperatura.
Tal tipo de intemperismo predomina em regiões áridas e semiáridas.

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Geografia

Agentes externos: Erosão

Resumo

A erosão é um processo que consiste no desgaste, transporte e deposição dos sedimentos. Nesse sentido é
importante ficar atento aos tipos de erosão e respectivas formas que resultam de cada um desse processo.
Entre os tipos de erosão e suas formas é possível:

• Pluvial: Provocada pela precipitação que leva a formação de sulcos no solo, isto é, ranhuras ou
pequenas fissuras. Com o contínuo processo de escoamento superficial da água, essas ranhuras
evoluem para cicatrizes maiores, levando ao processo de ravinamento do solo e a formação de uma
voçoroca. É agravada pela remoção da cobertura vegetal para ocupação ou atividade agrícola. Nas
encostas, essa erosão produz os movimentos de massa, podendo levar a grandes perdas materiais e
humanas.

Adaptado de: https://professorjamesonnig.files.wordpress.com/

• Fluvial: Provocada pela ação dos rios e leva à formação de vales e cânions.

Adaptado de: http://s2.glbimg.com/

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Geografia

• Eólica: Provocada pela ação dos ventos e é comumente associada ao relevo em forma de taça.

Adaptado de: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/

• Marinha: Provocada pelo mar, principalmente a ação das ondas. É denominada abrasão marinha e
produz formas características, como a falésia.

Adaptado de: https://www.abc.net.au/

• Glacial ou nival: Provocada pela ação de geleiras, que conseguem carregar grandes massas. Formam
vales em forma de U, denominados fiordes. São grandes vales rochosos com paredões. Também
produzem as morainas e as estrias glaciares.

Adaptado de: https://wikimedia.org/

A erosão pode ainda ser agravada pelas ações antrópicas; dentre estas, cabe destacar as seguintes:

• Retirada da cobertura vegetal: em muitos casos, ao ocupar uma área, por exemplo, de encosta, o ser
humano aumenta a possibilidade de erosão. Isso ocorre porque, ao retirar a cobertura vegetal de um

2
Geografia

solo, este se torna mais vulnerável à infiltração da água das chuvas, pois as plantas e raízes que antes
a absorveriam não existem mais.
• Atividades mineradoras: a mineração também é um exemplo de causa humana da erosão. Isso porque
uma das etapas desta atividade é a retirada de parte do solo para a descoberta de um minério, o que
ocasiona a perda da estrutura de sustentação do solo, podendo levar à erosão das áreas próximas.

Mapa mental – Erosão e Intemperismo

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Geografia

Exercícios

1. […] causado pela água das chuvas, tem abrangência em quase toda a superfície terrestre, em especial
nas áreas com clima tropical, cujos totais pluviométricos são bem mais elevados do que em outras
regiões do planeta. O processo tende a se acelerar à medida que mais terras são desmatadas […] uma
vez que os solos ficam desprotegidos da cobertura vegetal e, consequentemente, as chuvas incidem
direto sobre a superfície dos terrenos.
GUERRA, A. J. T. Geomorfologia urbana. Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 2011.

O texto descreve um processo que pode ser acelerado com:


a) a manutenção da vegetação.
b) a construção de curvas de nível.
c) o planejamento urbano e ambiental.
d) o aumento da matéria orgânica do solo.
e) a construção nas encostas de morros.

2. (Enem 2010)

O esquema representa um processo de erosão em encosta. Que prática realizada por um agricultor
pode resultar em aceleração desse processo?
a) Plantio direto.
b) Associação de culturas.
c) Implantação de curvas de nível.
d) Aração do solo, do topo ao vale.
e) Terraceamento na propriedade.

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Geografia

3. (Enem 2017 PPL) A destruição, o transporte e a deposição de pequenos fragmentos rochosos


dependem da direção e intensidade com que este agente atua na superfície terrestre, sobretudo em
regiões áridas e semiáridas, com pouca presença de vegetação. É nesse ambiente que se verifica o
constante trabalho de formação, destruição e reconstrução de elevações de areia que recebem o nome
de dunas.
LEINZ, V.; AMARAL, S. E. Geologia geral. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1995 (adaptado).

A modelagem do relevo apresentado relaciona-se ao processo de erosão decorrente da ação


a) glacial.
b) fluvial.
c) eólica.
d) pluvial.
e) marinha.

4. Enem 2017 PPL

SUERTEGARAY, D. M. A. (Org.). Terra: feições ilustradas. Porto Alegre: UFRGS, 2008.

As características morfológicas do terreno estão representadas no bloco diagrama, que mostra uma
região acometida por processos erosivos decorrentes da
a) resistência geológica.
b) instabilidade do terreno.
c) profundidade do solo.
d) intervenção antrópica.
e) ação de cursos de água.

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Geografia

5.

Disponível em: http://www.botanic.com.br. Acesso em: 08/12/2013

A imagem mostra um dos maiores problemas da atualidade, a perda de solo devido à ocupação
irregular ou o mau aproveitamento da terra. O processo de destruição do solo mostrado na figura, uma
vez iniciado, não tem retorno, há medidas para conter seu avanço, mas não há garantias de
recuperação da fertilidade perdida. Esses buracos são chamados de
a) deslizamento.
b) voçoroca.
c) afundamento.
d) assoreamento.
e) lixiviação.

6. A figura representa o processo de evolução de uma forma de relevo associada à água

Assinale a alternativa que contém o tipo de paisagem, o processo geomorfológico atuante e o


resultado final.
a) Paisagem lacustre; sedimentação; desaparecimento do lago.
b) Paisagem marinha; assoreamento; falésia.
c) Paisagem fluvial; abrasão; terraço.
d) Paisagem pluvial; desmatamento; revegetação.
e) Paisagem desértica; pedimentação; dunas.

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Geografia

7. (Enem 2015)

SUERTEGARAY, D. M. A. (Org.). Terra: feições ilustradas. Porto Alegre: EdUFRGS, 2003 (adaptado).

A imagem representa o resultado da erosão que ocorre em rochas nos leitos dos rios, que decorre do
processo natural de
a) fraturamento geológico, derivado da força dos agentes internos.
b) solapamento de camadas de argilas, transportadas pela correnteza.
c) movimento circular de seixos e areias, arrastados por águas turbilhonares.
d) decomposição das camadas sedimentares, resultante da alteração química.
e) assoreamento no fundo do rio, proporcionado pela chegada de material sedimentar.

8. (Enem 2011) Um dos principais objetivos de se dar continuidade às pesquisas em erosão dos solos é
o de procurar resolver os problemas oriundos desse processo, que, em última análise, geram uma série
de impactos ambientais. Além disso, para a adoção de técnicas de conservação dos solos, é preciso
conhecer como a água executa seu trabalho de remoção, transporte e deposição de sedimentos. A
erosão causa, quase sempre, uma série de problemas ambientais, em nível local ou até mesmo em
grandes áreas.
GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de
bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 (adaptado).

A preservação do solo, principalmente em áreas de encostas, pode ser uma solução para evitar
catástrofes em função da intensidade de fluxo hídrico. A prática humana que segue no caminho
contrário a essa solução é
a) a aração.
b) o terraceamento.
c) o pousio.
d) a drenagem.
e) o desmatamento.

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Geografia

9. (Enem 2018 PPL)

LEINZ, V. Geologia geral. São Paulo: Editora Nacional, 1989 (adaptado).

A causa da formação do curso-d'água encachoeirado, tal como ilustrado na imagem, é a


a) deposição de fragmentos rochosos.
b) circulação das águas em redemoinho.
c) quantidade de material sólido transportado.
d) escavação de caldeirões pelo turbilhonamento.
e) diferente resistência à erosão oferecida pelas rochas.

10. O conceito de erosão apresenta definições mais amplas ou mais restritas. A mais abrangente envolve
os processos de denudação da superfície terrestre de forma geral, incluindo desde os processos de
intemperismo de todos os tipos até os de transporte e deposição de material. Outro conceito, mais
restrito, envolve apenas o deslocamento do material intemperizado, seja solo ou rocha, por agentes
de transporte como a água corrente, o vento, o gelo ou a gravidade, produzindo formas erosivas
características.
R. Fairbridge. The Encyclopedia of Geomorphology, 1968. Adaptado.

Exemplo de processo ao qual se aplica o conceito mais restrito de erosão é


a) a formação de rochas.
b) a oxidação de rochas.
c) a formação de sulcos no solo.
d) a formação de concreções no solo.
e) o vulcanismo da crosta.

8
Geografia

Gabarito

1. E
A construção nas encostas de morros contribui para a aceleração do processo erosivo visto que exerce
um peso sobre o solo, solo este que em muitos casos já está instável devido à retirada de vegetação e
outras ações antrópicas somadas às condições naturais como incidência de chuvas, ocasionando os
chamados movimentos de massa.

2. D
Caso um agricultor promovesse a aração no solo representado no esquema isto intensificaria o
processo de transporte de sedimentos, isso porque a prática consiste em “soltar” a terra em que as
sementes serão depositadas, tornando-a mais fofa e permeável. Por outro lado, essa técnica contribui
para que o solo fique mais suscetível à erosão, visto que os sedimentos estarão menos agregados.

3. C
Em regiões áridas e semiáridas, com escassez de água, predomina o intemperismo físico
(desagregação das rochas pela variação de temperatura: dilatação e contração) e a erosão eólica
(desgaste da superfície com remoção de partículas minerais pelo vento). Esses processos levam à
modelagem das formas de relevo dessas regiões, como os inselbergs do semiárido do Sertão
Nordestino, os cogumelos (formas residuais) e as dunas nos desertos.

4. E
No bloco diagrama é possível observar a formação de vales fluviais bem como da rede de drenagem a
partir da ação de cursos de água. Não é possível observar intervenção antrópica e nem possuímos
informação sobre a profundidade dos solos. Não há indicação da instabilidade do terreno pela
existência de falhas e a resistência geológica não está bem definida para afirmar que o rio segue um
curso determinado por falhas.

5. B
O buraco apresentado pela imagem é chamado de voçoroca, fenômeno geológico que consiste na
formação de grandes buracos a partir da erosão, causados pela chuva principalmente, em solos onde a
vegetação é escassa e não mais protege o solo, que fica cascalhento e suscetível de carregamento por
enxurradas.

6. A
A evolução da paisagem apresentada evidencia uma consequência do processo erosivo em que
incialmente tem-se um lago que ao longo do tempo sofre o processo de sedimentação – acúmulo no
fundo do lago de sedimentos resultantes de processo erosivo – o que culmina no desaparecimento do
lago.

7. C
A forma resultante da ação erosiva – tendo como a gente as águas dos rios – aponta que o processo
que a originou foram sucessivos movimentos circulares, com a presença de sedimentos. Sendo assim,
a única opção que faz a descrição destes movimentos é a que fala sobre as águas turbilhonares com a
presença de seixos e areias.

8. E
É necessário conhecer os impactos do desmatamento e o nome de algumas técnicas que ajudam a
conservar o solo, visando não deixa-lo sobrecarregado, como o pousio. A questão é sobre impactos
ambientais, porém um conhecimento sobre os impactos da agricultura e algumas soluções auxiliariam
a resolver a questão.

9
Geografia

9. E
Conforme a figura, a formação da cachoeira deve-se a erosão diferencial provocada pela água do rio
nas rochas. A queda d’água ocorre onde a rocha oferece maior resistência à erosão remontante.

10. C
A erosão em seu conceito mais restrito limita-se ao transporte e sedimentação. Nesse sentido, a ação
da chuva pode levar a formação de feições erosivas no solo, como pequenos sulcos, que devido a
remoção de sedimentos, pode evoluir para uma ravina e, posteriormente, uma voçoroca.

10
Geografia

Estrutura Geológica (Arcabouço)

Resumo

A estrutura geológica refere-se à composição interna de uma determinada área, sua distribuição, idade e o
processo geológico que a formou, enquanto o relevo
refere-se à forma que a superfície terrestre assume.
Nesse sentido, a estrutura geológica pode conter
diferentes formas de relevo; em uma bacia sedimentar
(estrutura) é possível observar a formação de uma planície
ou de planaltos escarpados denominados chapadas. As
estruturas do relevo também chamadas de províncias
geológicas, são importantes para se compreender a
composição de um relevo de uma determinada localidade,
mesmo que se refira à uma área que pouco se conheça o
relevo. São três as estruturas geológicas conhecidas: os
Disponível em: https://slideplayer.com.br/. Adaptado.
dobramentos modernos, os maciços antigos e as bacias
sedimentares.

• Dobramentos modernos: formados a partir do choque entre placas tectônicas (movimento convergente
de placas) em que uma das placas desce e a outra soergue (dobra). Essa estrutura é chamada de
moderna pois, na escala geológica, teve origem em um período recente, o Cenozoico. A consequência
disto é a formação de um relevo pontiagudo, alto e pouco erodido e, devido à altitude e ao gradiente de
inclinação elevado, as áreas de dobramentos modernos tendem a possuir alto potencial hidrológico.
Cabe destacar ainda que são áreas propensas à ocorrência de terremotos e vulcanismos. A Cordilheira
dos Andes, na América do Sul, as Montanhas Rochosas na América do Norte e o Himalaia na Ásia, são
exemplos de dobramentos modernos.
• Maciços antigos ou escudos cristalinos: estrutura formada a partir de um processo lento, antigo e
resistente de formação que data do período Arqueano (entre 3,8 a 2,5 bilhões de anos atrás) e do
Proterozoico (entre 2,5 bilhões a 542 milhões de anos), ou seja, são formações Pré-cambrianas. É uma
formação de um relevo rebaixado, devido à ação erosiva, e mais arredondado. Cabe destacar que estes
escudos são ricos em diferentes minerais, principalmente, os metálicos, como ferro, manganês, estanho,
bauxita e cobre. No Brasil destacam-se o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, a Serra do Carajás no
Pará e o Maciço do Urucum no Mato Grosso do Sul, como importantes áreas de escudo cristalino e de
recursos minerais.
• Bacias sedimentares: são áreas mais baixas formadas pela deposição de sedimentos que levam à
formação de camadas de deposição. O acesso à esta estrutura é muito disputado pelos países, isso
porque nessas áreas chega também matéria orgânica que pela ação da pressão se transforma em
combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral e xisto). Um exemplo de bacia sedimentar é
a região do Golfo Pérsico, no Oriente Médio, que conta com extensas áreas de exploração de petróleo.
No Brasil, a maior disponibilidade de petróleo está localizada nas bacias costeiras como a de Campos
e a Santos.
No caso brasileiro só existem duas estruturas geológicas que compõem o território, os maciços antigos,
representando 36%, e as bacias sedimentares, com 64%.

1
Geografia

Exercícios

1. Observe a estrutura geológica esboçada a seguir.

Nesse esboço, a seta está indicando a seguinte estrutura:


a) bacia sedimentar.
b) dobra assimétrica.
c) fiorde.
d) falha geológica.
e) domo.

2. A Eurásia apresenta uma grande variedade de compartimentos de relevo, explicados pelas ações
tectônicas, morfoclimáticas e litológicas. Afigura esquemática a seguir explica, didaticamente, a
gênese de um importante compartimento de relevo dessa região do planeta.

Fonte www.google com.br

Assinale a alternativa que indica o principal compartimento de relevo representado na figura.


a) Península Arábica
b) Cordilheira do Himalaia
c) Planície do Ganges
d) Península da Indochina
e) Peneplano soerguido da Rússia

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Geografia

3. A estrutura geológica do Brasil é basicamente constituída por crátons (ou escudos cristalinos e
maciços antigos) e bacias sedimentares. Essas últimas são predominantes, ocupando cerca de 60%
do território, o que pode indicar:
a) uma boa disponibilidade de combustíveis fósseis
b) a predominância de áreas de planície
c) a ausência de depressões relativas
d) uma acentuada amplitude altimetria
e) a não existência de terras verdadeiramente férteis

4. Leia o texto e analise os mapas.


As terras-raras formam um grupo de 17 elementos químicos, com propriedades muito semelhantes
entre si, em termos de maleabilidade e resistência, que permitem aplicações diversas. Indispensáveis
à indústria de alta tecnologia, elas estão no centro de uma disputa global. As maiores reservas em
potencial estão situadas no Brasil. A extração e principalmente o refino das terras-raras são, porém,
altamente poluentes; por esta razão, cientistas estudam novos meios de exploração e novas
aplicações que poluam menos.

(Martha San Juan França. Terras que valem ouro. Unesp Ciência, abril de 2012. Adaptado.) (IBGE. Atlas Geográfico Escolar,
2009. Adaptado.)

De acordo com a leitura do texto e a observação dos mapas, é correto afirmar que as duas maiores
concentrações de reservas de terras-raras estão localizadas nas regiões de integração e
desenvolvimento do
a) Oeste e Araguaia-Tocantins.
b) Sudoeste e Sul.
c) Arco Norte e Madeira-Amazonas.
d) São Francisco e Transnordestino.
e) Sudeste e Transnordestino.

3
Geografia

5. Atente à seguinte definição de minerais:


“Minerais são elementos ou compostos químicos com composição definida dentro de certos limites,
cristalizados e formados naturalmente por meio de processos geológicos inorgânicos
Filho. J. B. M.; Atendo. D.; McReath. I. In: Teixeira, Wilson. Decifrando a Terra. São Paulo, 2000. p. 28.

Os minerais são muito importantes para o homem em todos os aspectos, desde a alimentação até os
processos industriais. No entanto, os processos e fatores ligados às suas origens
a) estão intimamente ligados às condições físicas locais e aos elementos químicos.
b) limitam-se apenas às condições presentes no interior da Terra.
c) estão presentes somente na superfície da Terra, e nas áreas oceânicas.
d) são eminentemente químicos, não sofrendo as influências das condições de temperatura e
pressão.
e) não se relacionam com a estrutura geológica e são encontrados por acaso em diferentes
condições.

6. Leia o texto que descreve uma estrutura geológica localizada na porção ocidental da América do Sul:
Observamos como principais características da estrutura o fato de ser um relevo mais recente que o
encontrado no restante do continente, bem como o fato de apresentar áreas de instabilidade
geológica. Além do retratado observamos sinais de vulcanismo ativo e de tectonismo recente.
A leitura do texto nos permite afirmar que a estrutura geológica encontrada pode se tratar de um(a):
a) Escudo cristalino
b) Bacia Sedimentar
c) Plataforma cratônica
d) Dobramentos modernos
e) Maciços antigos

7. (Enem 2012) As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por
muitas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevalecendo as rochas
metamórficas muito antigas (Pré-Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas
antigas e resíduos de rochas sedimentares. São três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a
das Guianas, a Sul amazônica e a São Francisco.”
ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998.

As regiões cratônicas das Guianas e a Sul amazônica têm como arcabouço geológico vastas
extensões de escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram a ação de empresas nacionais e
estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geológica por
a) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês).
b) corresponderem ao principal evento geológico do Cenozoico no território brasileiro.
c) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país.
d) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural.
e) serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura.

4
Geografia

8. No Brasil encontramos grandes depósitos importantes de minérios. Parte destes minerais


encontrados são metálicos e estão presente em 4% do território brasileiro. O que poucos sabem é que
os minerais metálicos não são renováveis, ou seja, a natureza não repõe.
Disponível em: <http://www.citra.com.br/minerais-metalicos-no-brasil/>Acesso em: 14 de fev. 2015

A ocorrência, no território brasileiro, do recurso natural apresentado está relacionada


a) à antiguidade de sua estrutura geológica associada a afloramentos cristalinos.
b) à formação de bacias sedimentares acompanhada de processos erosivos.
c) à geração de dobramentos modernos seguida de intemperismo físico.
d) aos processos tectônicos da era cenozoica coligada a formação de rochas metamórficas.
e) a deposição de sedimentos orgânicos ao longo do tempo geológico.

9. Todos os continentes têm um núcleo de crosta continental estável, total ou amplamente formado por
rochas pré-cambrianas com estruturas complexas, normalmente gnáissicas e xistosas, e injetadas
por batólitos graníticos.
ADAS, M. Panorama geográfico do Brasil. São Paulo: Moderna, 2001.

Sobre a estrutura geológica descrita, pode-se afirmar:


a) Possui importantes jazidas de combustíveis fósseis e de minerais não metálicos.
b) Corresponde a grandes curvamentos, resultantes de forças tectônicas orogenéticas antigas.
c) Apresenta sedimentação contínua, causada por agentes externos, como a água, o vento e a
temperatura.
d) Configura-se como planícies fanerozoicas ou assumem feições de depressões interplanálticas.
e) Apresenta relevos rebaixados, por sofrer intenso processo erosivo, no decorrer do tempo
geológico.

10. Observe o mapa.

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Geografia

No mapa observa-se a distribuição das indústrias siderúrgicas no país, além de uma mancha escura
sem legenda. Essa mancha no Sul do país possui intima ligação com a distribuição desse tipo de
indústria.
Essa mancha pode ser identificada como:
a) Gasoduto Bolívia-Brasil
b) Maciço do Urucum
c) Cinturão Carbonífero
d) Hidrovia Tietê-Paraná
e) Quadrilátero Ferrífero

6
Geografia

Gabarito

1. A
O esboço representa uma depressão preenchida por sedimentos correspondendo, portanto, ao conceito
de bacias sedimentares.

2. B
A ilustração destaca o cavalgamento das placas tectônicas formando a Cordilheira do Himalaia, um
dobramento moderno.

3. A
Os combustíveis fosseis são formados em áreas de bacias sedimentares que facilitam a formação de
petróleo e gás natural.

4. E
A maioria das terras-raras, recursos minerais estratégicos para a indústria de alta tecnologia e com
reservas limitadas na crosta terrestre, localizam-se nas regiões de integração e desenvolvimento do
Sudeste e Transnordestino. São exemplos as reservas de lítio em MG e no CE.

5. A
Em sua maioria, os minerais apresentam formação natural, composição química definida e estado físico
sólido. A formação está associada a características e processos ambientais físicos e químicos.

6. D
O texto apresenta as características da estrutura chamada dobramentos modernos. Este tipo de
estrutura surgiu na Era Cenozoica e corresponde às formas jovens de relevo e por isso são mais flexíveis
e maleáveis. Situam-se nas regiões de encontro de placas tectônicas onde, devido à pressão ocasionada
pelo movimento convergente em que uma placa desce e a outra soergue, as rochas – magmáticas e
sedimentares – são deformadas, formando as montanhas. Alguns exemplos são a Cordilheira do
Himalaia, os Alpes e os Andes.

7. A
Os escudos cristalinos (crátons) são estruturas geológicas muito antigas que datam do pré-cambriano.
Essas áreas se caracterizam pela formação de minerais metálicos, tais como ferro, ouro e manganês.

8. A
As principais jazidas de minerais metálicos são encontradas em áreas de maciço antigo / escudo
cristalino (rochas magmáticas intrusivas e metamórficas) formados no Pré-Cambriano. Assim, a
ocorrência desses minerais no território brasileiro está associada a antiguidade de sua estrutura
geológica.

9. E
O texto refere-se aos Escudos Cristalinos, a estrutura geológica mais antiga (Eon Pré-Cambriano) e
integrada principalmente por rochas magmáticas intrusivas (granito) e metamórficas (gnaisse). Devido
à idade, estas estruturas foram bastante desgastadas pela erosão dando origem na superfície a
depressões e planaltos com média e baixa altitude.

10. C
O mapa mostra a localização das mais importantes reservas de carvão mineral encontrada no território
brasileiro, este encontrado nas bacias sedimentares da região Sul. Neste sentido, as indústrias
siderúrgicas por se utilizarem deste recurso como principal matéria prima no processo produtivo, se
localizam próximas à estas reservas.

7
Geografia

Relevo brasileiro e as riquezas minerais

Resumo

O relevo brasileiro formou-se sobre estruturas geológicas compostas, principalmente, por bacia sedimentar
(64% do território) e escudo cristalino (36% do território). Nesse sentido, caracteriza-se pelo predomínio de
áreas de médias e baixas altitudes, já que não há dobramentos modernos, uma vez que o território brasileiro
está no meio da placa tectônica. Maciços antigos ou escudos cristalinos são ricos em minerais metálicos,
nesse sentido as províncias minerais que se destacam no Brasil são: Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais,
a Serra do Carajás no Pará e o Maciço do Urucum no Mato Grosso do Sul. As Bacias sedimentares são
caracterizadas pela grande riqueza em combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral e xisto).
No Brasil, a maior disponibilidade de petróleo está localizada nas bacias sedimentares costeiras como a de
Campos e a de Santos.

Classificações do relevo brasileiro


A primeira classificação do relevo brasileiro foi
proposta por Aroldo de Azevedo, em 1949, e tinha por
critério a altitude, isto é, o nível altimétrico das
estruturas. O relevo foi dividido em planalto e planície.
A segunda classificação foi de Aziz Ab’Saber, proposta
em 1962. Adotou-se um critério baseado em
processos geomorfológicos – erosão e intemperismo.
O relevo seria então formado por planícies, em que
predominam a sedimentação, e por planaltos, em que
predominam a erosão. A terceira e atual a classificação
foi proposta por Jurandyr Ross, que se baseou nos
estudos anteriores e no projeto RadamBrasil, que
realizou mapeamento sistemático do território
brasileiro com o auxílio de imagens aéreas. Essa
classificação utilizou como critérios o processo de
formação das formas de relevo, o nível altimétrico e a
estrutura geológica do terreno. De acordo com essa
classificação, o relevo brasileiro pode ser dividido em Disponível em: https://www.slideshare.net/agendab/slide-relevo-brasileiro
28 unidades, sendo elas áreas de:
• Planaltos: Áreas de médias a altas altitudes, com superfícies irregulares e predomínio de processos de
erosão. De acordo com essa classificação, as áreas de planalto no Brasil constituem onze unidades do
relevo: Planalto da Amazônia Oriental, Planalto da Amazônia Ocidental, Planalto e Chapadas da Bacia
do Parnaíba, Planalto e Chapadas da Bacia do Paraná, Planaltos Residuais Norte-amazônicos, Planaltos
Residuais Sul-amazônicos, Planaltos e Chapadas dos Parecis, Planalto da Borborema, Planalto sul-rio-
grandense, Planalto e Serras do Atlântico Leste, Planaltos e Serras de Goiás-Minas, Serras Residuais do
Alto Paraguai.
• Planícies: Superfícies, geralmente planas e de baixa altitude, formadas a partir do acúmulo de
sedimentos de origem marinha, lacustre ou fluvial. Segundo essa classificação, o país possui seis áreas
de planície: Planície do Rio Amazonas, Planície do Rio Araguaia, Planície e Pantanal do Rio Guaporé,
Planície e Pantanal do Rio Paraguai ou Mato-grossense, Planície das Lagoas dos Patos- Mirim,
Planícies e Tabuleiros Litorâneos.

1
Geografia

• Depressões: Áreas formadas a partir de processos erosivos nas áreas de contato entre as bacias
sedimentares (material menos resistente) e os maciços cristalinos (material mais resistentes). Nessa
classificação, o Brasil possui onze unidades de depressões: Depressões Marginal Norte-amazônica,
Depressão Marginal Sul-amazônica, Depressão do Araguaia, Depressão Cuiabana, Depressão do Alto
do Paraguai-Guaporé, Depressão do Miranda, Depressão Sertaneja e do Rio São Francisco, Depressão
do Tocantins, Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná e Depressão Periférica Sul-rio-
grandense.

Outras formas do relevo brasileiro


• Escarpa: forma de relevo localizada nas bordas dos planaltos que apresenta declive acentuado. Existem
dois tipos, a escarpa de falha, originada a partir de movimento tectônico, e a escarpa de erosão,
originada pela ação dos agentes externos. Exemplo: Escarpada Serra do Mar (SP).
• Cuesta: forma de relevo com declividade suave de um lado e declividade abrupta em outro, originada
pela ação dos agentes externos sobre rochas que apresentam diferentes resistências. Exemplos:
Cuesta de Botucatu (SP).
• Chapada: relevo de altitude considerável, em formato tabular e encostas escarpadas, encontradas no
Nordeste e Centro-Oeste. Exemplo: Chapada Diamantina (BA).
• Morro ou monte: forma do relevo que corresponde a uma elevação no terreno de topo arredondado.
Exemplo: Monte Pascoal (BA).
• Montanha: relevo protuberante, com o cume definido. Na maioria das vezes tem a origem associada ao
choque entre placas tectônicas, contudo, pode ter também como origem o vulcanismo. A um conjunto
de montanhas dá-se o nome de cordilheira. Exemplo: Pico da neblina (AM).
• Inselberg: forma do relevo que é uma protuberância encontrada em áreas que apresentam o clima árido
ou clima semiárido e que foi formada pela maior resistência à erosão do que a área no seu entorno.
Exemplo: Inselberg de Itaberaba (BA).

Disponível em: https://lyrics-letra.com/PT/Ensino-Fundamental. Adaptado.

2
Geografia

Exercícios

1. “A Amazônia, até o Terciário Médio, comportava-se como um paleogolfão[1] da fachada pacífica do


continente, intercalado entre os terrenos do escudo guianense e o escudo brasileiro. Era uma espécie
de mediterrâneo de “boca larga”, voltada para o oeste. Quando se processou o desdobramento e
soerguimento das Cordilheiras Andinas, restou um largo espaço no centro da Amazônia, exposto à
sedimentação flúvio-lacustre e fluvial extensiva.”
Aziz Nacib Ab’ Saber (1924-2012) Escritos Ecológicos. São Paulo:Lazuli Editora, 2006- p. 130-131. Adaptado

Glossário:
Paleogolfão: ampla reentrância da costa, com grande abertura, constituindo em amplas baías,
constatada em antiga era geológica.

As características atuais do domínio morfoclimático amazônico têm sua origem na dinâmica dos
processos naturais que ocorreram no passado, conforme explica o geógrafo Aziz Ab S
́ aber. Sobre
esses processos mencionados, avalia-se que
a) contribuíram para a formação das planícies e dos tabuleiros.
b) favoreceram a gênese da bacia sedimentar.
c) alteraram a direção da drenagem, de leste para oeste.
d) atenuaram as características do clima regional.
e) provocaram a expansão do cerrado sobre a floresta

2. “As altitudes do relevo brasileiro são, em geral, modestas. O ponto mais alto do país não ultrapassa
os 3 mil metros: o pico da Neblina (2993m), perto da fronteira do Amazonas com a Venezuela. Cerca
de 41% do território nacional tem, no máximo, 200m de altitude; 78% tem até 500m; e 92,7% até 900m
de altitude”.
Adaptado de: VESENTINI, J. W. Brasil: sociedade e espaço. Geografia do Brasil. 32º edição. São Paulo: Editora Ática, 2006.
p.252.

As características descritas acima indicam que o relevo brasileiro é:

a) bastante acidentado, com elevada incidência de dobramentos modernos.


b) diretamente influenciado pelas ações recentes de tectonismos.
c) geologicamente antigo, portanto mais desgastado.
d) pouco transformado pelos agentes erosivos e intempéricos.
e) totalmente aplainado, com poucas áreas de depressão.

3
Geografia

3. A mineração é o ato de extrair minerais existentes nas rochas e/ou nos solos. É uma atividade
econômica que tem importância significativa para muitos países. O principal minério exportado pelo
Brasil é o de ferro. A formação desse minério esta relacionada com as lentas transformações
geológicas da Terra e ele é encontrado na natureza na forma de rochas, misturado com outros
compostos. Por meio de diversos processos, esse minério é beneficiado para poder ser
comercializado.

No Brasil, a extração do minério de ferro ocorre principalmente em


a) bacias sedimentares recentes.
b) dobramentos modernos.
c) depressões absolutas.
d) escudos cristalinos.
e) planícies costeiras.

4. O município de Caçapava do Sul/RS está localizado em uma formação geológica de escudos


cristalinos antigos. Suponha que a prefeitura local pretende estimular a pesquisa e o aproveitamento
econômico dessa área. Que minérios poderíam ser encontrados nesse tipo de formação geológica?
Marque a alternativa que contém os minérios encontrados nessa formação geológica.
a) Granito, ouro, quartzo, carvão mineral.
b) Ouro, cobre, zinco, chumbo.
c) Carvão mineral, ouro, xisto betuminoso, granito.
d) Calcário, granito, ouro, carvão mineral.
e) Granito, xisto betuminoso, carvão mineral, chumbo.

5. Para a atual proposta de identificação das macrounidades do relevo brasileiro, elaborada por Ross
(1989), foram fundamentais os trabalhos de Ab’Saber e os relatórios e mapas produzidos pelo
Projeto Radambrasil. Ross passou a considerar para o relevo brasileiro, conforme as suas origens, as
unidades de planaltos, depressões e planícies.
Adaptação: ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2005.
Quais as unidades do relevo brasileiro que, de acordo com a gênese, segundo Ross, são resultantes
de deposição de sedimentos recentes de origem marinha, lacustre ou fluvial?
a) Planícies.
b) Depressões.
c) Planaltos cristalinos.
d) Planaltos orogenéticos.
e) Planaltos residuais.

4
Geografia

6. O relevo terrestre é fortemente influenciado pela estrutura geológica. Por exemplo, o tipo de rocha e a
sua disposição na parte superficial da litosfera exercem um papel destacado na definição
das morfoestruturas, como pode ser observado na fotografia a seguir.

Pelas características morfológicas e estruturais, é possível afirmar que esse compartimento de relevo
é do tipo
a) Morfoestrutura tabular.
b) Morfoestrutura dômica.
c) Morfoescultura de planície lacustre.
d) Morfoescultura de crista dissecada.
e) Morfoestrutura de arqueamento.

7. Do ponto de vista tectônico, núcleos rochosos mais antigos, em áreas continentais mais
interiorizadas, tendem a ser os mais estáveis, ou seja, menos sujeitos a abalos sísmicos e
deformações. Em termos geomorfológicos, a maior estabilidade tectônica dessas áreas faz com que
elas apresentem uma forte tendência à ocorrência, ao longo do tempo geológico, de um processo de
a) aplainamento das formas de relevo, decorrente do intemperismo e da erosão.
b) formação de depressões absolutas, gerada por acomodação de blocos rochosos.
c) formação de canyons, decorrente de intensa erosão eólica.
d) produção de desníveis topográficos acentuados, resultante da contínua sedimentação dos rios.
e) geração de relevo serrano, associada a fatores climáticos ligados à glaciação.

8. As áreas de planície no Brasil estão basicamente situadas nas proximidades de grandes rios, lagos e
em algumas zonas costeiras. Dentre essas áreas, merece destaque a planície do Rio Amazonas, que
basicamente segue o leito principal do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. Existe, nesse
contexto, um debate sobre a possibilidade do aproveitamento das águas desse rio para a construção
de hidrelétricas, o que pode ser considerado como algo:
a) não recomendado, pois a elevada declividade do terreno não favorece a criação de barragens.
b) recomendado, em função da possibilidade de rápido armazenamento das águas nas áreas mais
planas.
c) recomendado, pois as áreas da planície amazônica favorecem a intervenção humana sem
grandes prejuízos ambientais.
d) não recomendado, haja vista que áreas de planície não possuem uma queda d'água acentuada
para a instalação de barragens e turbinas.
e) Recomendado, em função da baixa declividade o que aumenta a velocidade do rio e a
possibilidade de geração de energia

5
Geografia

9. Esta foto ilustra uma das formas do relevo brasileiro, que são as chapadas

É correto afirmar que essa forma de relevo está


a) distribuída pelas regiões Norte e Centro-Oeste, em terrenos cristalinos, geralmente moldados
pela ação do vento.
b) localizada no litoral da região Sul e decorre, em geral, da ação destrutiva da água do mar sobre
rochas sedimentares.
c) concentrada no interior das regiões Sul e Sudeste e formou-se, na maior parte dos casos, a partir
do intemperismo de rochas cristalinas.
d) restrita a trechos do litoral Norte-Nordeste, sendo resultante, sobretudo, da ação modeladora da
chuva, em terrenos cristalinos.
e) presente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, tendo sua formação associada, principalmente, a
processos erosivos em planaltos sedimentares

10. Observe o mapa.

Assinale a alternativa que contém as formas de relevo predominantes em cada porção do território
brasileiro indicada, de acordo com a classificação de Ross.
a) Faixa litorânea: depressões.
b) Amazônia Legal: planícies.
c) Fronteira com o Mercosul: planaltos.
d) Região Sul: planícies.
e) Pantanal: planaltos

6
Geografia

Gabarito

1. B
Quando ocorreu o afastamento do escudo das Guianas e do escudo brasileiro formou-se a bacia
sedimentar amazônica, a qual foi em parte alagada, formando assim os rios da região, e possibilitando
a expansão de espécies vegetais que originaram os recursos encontrados ali.

2. C
O relevo brasileiro é composto por maciços antigos, estruturas antigas que já foram bastante
intemperadas e por isso perderam a altitude. Se difere dos dobramentos modernos por exemplo que
são as grandes cordilheiras, formadas mais recentes no tempo geológico.

3. D
As jazidas de minerais metálicos como ferro, manganês e níquel são encontradas em Escudos
Cristalinos (rochas magmáticas e metamórficas) formadas no Pré-Cambriano (Era Proterozoica).

4. B
Os minerais metálicos são recursos minerais associados aos escudos cristalinos e, portanto, ouro,
cobre, zinco e chumbo são encontrados essa região.

5. A
As planícies são áreas onde predomina a sedimentação, enquanto nos planaltos predomina a erosão.

6. A
Pela imagem podermos perceber a formação de chapadas, de origem sedimentar, com topo aplainado
em formato tabular.

7. A
Os escudos cristalinos apesar de serem uma estrutura do relevo composta por rochas resistentes, por
ser a mais antiga estrutura (datam da Era Pré-cambriana), encontra-se a muito tempo exposta às
intempéries e aos processos erosivos, o que origina formas do relevo mais aplainadas e de média a
baixa altitude.

8. D
A instalação de barragens deve contar com a declividade, que aumenta a potência do rio em gerar
energia.

9. E
As chapadas correspondem à um relevo de altitude considerável, em formato tabular e encostas
escarpadas, encontradas no Nordeste e Centro-Oeste. Exemplo: Chapada Diamantina (BA).

10. C
A partir do mapa verifica-se corretamente que na fronteira do Brasil com países como Paraguai, Uruguai
e Argentina, que compõem o Mercosul, há a presença de planaltos.

7
Geografia

Clima: elementos e fatores

Resumo

Ao estudar a dinâmica atmosférica é importante entender a diferença entre clima e tempo. Nesse sentido,
tempo refere-se à condição momentânea da atmosfera, se está chovendo, nebuloso ou ensolarado. Enquanto
clima refere-se a sucessão habitual do tempo atmosférico em determinada região por um período de 30 anos.
Por exemplo, o clima equatorial significa que é possível observar elevadas temperaturas e precipitação
naquela região. Feita a diferenciação entre clima e tempo, é importante o aprofundamento sobre os fatores e
elementos dos vários tipos de clima, aspectos igualmente importantes para o estudo climático.

Elementos climáticos
Resumidamente, corresponde aos elementos mensuráveis da atmosfera, isto é, que podem ser medidos,
calculados. Temperatura, umidade e pressão atmosférica são os principais, mas não os únicos (radiação,
direção e velocidade do vento, além da precipitação). Porém, inicialmente, vamos focar nestes três:
• Temperatura: É a quantidade de calor na atmosfera. A energia primária do Sol aquece a superfície da
Terra (a hidrosfera e a litosfera) e essa irradia calor para o ar. Portanto, a temperatura do ar é um calor
indireto, já que é irradiado da superfície para a atmosfera.
• Umidade: É a quantidade de vapor de água existente no ar. Varia de um lugar para outro e até em um
mesmo lugar, dependendo do dia, do mês ou da estação do ano. Quando o vapor de água da atmosfera
atinge seu ponto de saturação, ocorrem as precipitações, que podem se apresentar sob várias
formas: chuva, neve e granizo. São as chamadas precipitações não superficiais, pois a condensação
acontece nas camadas mais elevadas da atmosfera. Quando a condensação ocorre na superfície,
formam-se o orvalho, a geada e o nevoeiro, que, por isso, são considerados condensações superficiais,
e não propriamente precipitações.
• Pressão atmosférica: corresponde à força exercida pela coluna de ar sobre uma determina superfície, é
expressa em milibares (mb). Nas áreas de maior temperatura, menor é a pressão, pois as moléculas de
ar estão agitadas e afastadas. O vento é simplesmente o ar em deslocamento e ele sempre se mova das
áreas de alta pressão, para as de baixa pressão.

Fatores climáticos: Os fatores climáticos são aspectos que determinam e alteram os elementos do clima.
São eles que explicam as diferentes condições climáticas dos lugares, inclusive daqueles relativamente
próximos.
Latitude: As diferenças de latitude ou de localização das zonas climáticas podem alterar tanto a temperatura
como a pressão atmosférica. Menor latitude = maior temperatura/menor pressão. Ex.: Zona Equatorial. Maior
latitude = menor temperatura/maior pressão. Exemplo: Zona Polar.

(Disponível em: https://docplayer.com.br/. Adaptado.)

1
Geografia

Altitude: quanto maior é altitude menor é a temperatura.

(Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/)

Maritimidade e Continentalidade: Os corpos


hídricos (grande volume de água) são um
importante regulador do clima, principalmente, nas
regiões litorâneas, e por isso o fenômeno é
denominado maritimidade. Essas regiões
apresentam menores amplitudes térmicas
(diferença entre a máxima e a mínima), decorrente
dos ventos úmidos oceânicos. As áreas situadas no
interior dos continentes (continentalidade) e longe
de grandes corpos hídricos apresentam maiores
amplitudes térmicas essas características.
(Disponível em: https://slideplayer.com.br/slide/12100585/)
Massas de ar: Em função das diferenças de
pressão atmosférica, ocorre a movimentação do ar. Quando esse movimento ocorre em blocos de ar com a
mesma temperatura e umidade, formam-se as massas de ar, que transferem suas características para o clima
dos locais por onde passam. Massas de ar frias e úmidas, por exemplo, são responsáveis por diminuírem as
temperaturas e provocarem precipitação. Quando uma massa de ar frio se desloca sobre uma região com ar
quente, forma-se uma frente fria, e quando uma massa de ar quente se desloca sobre uma região com ar frio,
forma-se uma frente quente.

(Disponível em: https://slideplayer.com.br/slide/1241995)

2
Geografia

Vegetação: Interfere no clima de várias formas diferentes. As principais delas são a contenção ou absorção
dos raios solares, minimizando os seus efeitos, e a elevação da umidade por meio da evapotranspiração, o
que ajuda a diminuir as temperaturas e elevar os índices de chuva. É aqui que a Amazônia possui grande
importância na formação dos rios voadores.

(Disponível em https://arvoresertecnologico.tumblr.com/)

Relevo: Também influencia o clima quando as formações funcionam como obstáculo para as massas de ar,
induzindo a precipitação em uma das vertentes (barlavento) e reduzindo a umidade na outra (sotavento). Pode
contribuir para formação de desertos.

(Disponível em: https://www.ige.unicamp.br/terraedidatica)

Correntes marítimas: Apresentam condições específicas de temperatura, influenciando diretamente o clima.


Em regiões de influência de correntes quentes ocorre mais evaporação induzindo maiores volumes de
precipitação. Quando as correntes são mais frias, a umidade local diminui, influenciando na formação de
áreas áridas ou semiáridas.

(Disponível em: MOREIRA, J. C. Geografia geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2010.)

3
Geografia

Exercícios

1. Clima é a sucessão habitual dos estados do tempo meteorológico. A grande variação climática no
planeta é resultante da interação dos fatores climáticos, que são os responsáveis pela grande
heterogeneidade climática da Terra e estão diretamente relacionados com a geografia de cada porção
da superfície terrestre.
Os fatores do clima contribuem para determinar as condições climáticas de uma região do globo. São
considerados fatores climáticos a(s):
a) Correntes marítimas, temperatura do ar, umidade relativa do ar e grau geotérmico.
b) Temperatura do ar, pressão altitude, hidrografia e massas de ar.
c) Hidrografia, correntes marítimas, latitude e relevo.
d) Altitude, massas de ar, maritimidade e latitude.
e) Temperatura do ar, umidade relativa do ar, insolação e grau geotérmico.

2. Um dos elementos climáticos mais importantes para a humanidade é a temperatura atmosférica, ou


seja, o estado térmico do ar atmosférico, de frio ou de calor. A temperatura pode variar de um lugar
para outro, assim como em um mesmo lugar, no decorrer do tempo.
Sobre os fatores responsáveis pela variação da temperatura é correto afirmar que
a) A influência da latitude ocorre fundamentalmente devido à forma esférica da Terra. A insolação
diminui a partir do Equador em direção aos polos, assim a temperatura diminui com o aumento da
latitude.
b) A altitude exerce grande influência, pois o calor é irradiado da superfície terrestre para cima e a
atmosfera aquece por irradiação. Quanto menor a altitude, mais rarefeito se torna o ar, ocorrendo
menor irradiação e aumento da temperatura.
c) A temperatura é aumentada pela presença de serras, chapadas e planaltos nas regiões tropicais,
via de regra muito quentes, assim como, nas regiões temperadas, as altitudes acentuam ainda
mais o rigor da temperatura.
d) A diferença do comportamento térmico das rochas e da água explica o aquecimento e
resfriamento mais lento dos continentes, fazendo com que as variações de temperatura nos
oceanos sejam maiores.
e) As correntes marítimas não apresentam capacidade de provocar alterações de temperatura nas
áreas litorâneas por onde circulam, apesar de possuírem temperaturas diferentes, podendo ser
quentes, quando se formam nas áreas equatoriais, ou frias, quando formadas nas áreas polares.

3. (Enem 2009) Umidade relativa do ar é o termo usado para descrever a quantidade de vapor de água
contido na atmosfera. Ela é definida pela razão entre o conteúdo real de umidade de uma parcela de ar
e a quantidade de umidade que a mesma parcela de ar pode armazenar na mesma temperatura e
pressão quando está saturada de vapor, isto é, com 100% de umidade relativa. O gráfico representa a
relação entre a umidade relativa do ar e sua temperatura ao longo de um período de 24 horas em um
determinado local.

4
Geografia

Considerando-se as informações do texto e do gráfico, conclui-se que


a) a insolação é um fator que provoca variação da umidade relativa do ar.
b) o ar vai adquirindo maior quantidade de vapor de água à medida que se aquece.
c) a presença de umidade relativa do ar é diretamente proporcional à temperatura do ar.
d) a umidade relativa do ar indica, em termos absolutos, a quantidade de vapor de água existente na
atmosfera.
e) a variação da umidade do ar se verifica no verão, e não no inverno, quando as temperaturas
permanecem baixas.

4. A média da amplitude térmica na cidade de Cuiabá (MT) durante o mês de junho é de 15,25 °C, ao passo
que em Salvador (BA) é de 4,8 °C.
(Fonte: http://www.dados.mt.gov.br/)
Considerando-se a localização geográfica dessas cidades, o principal fator climático responsável por
essa diferença na amplitude térmica é a:
a) altitude
b) latitude
c) longitude
d) pressão atmosférica
e) maritimidade/continentalidade

5. (Enem 2012) A interface clima/sociedade pode ser considerada em termos de ajustamento à extensão
e aos modos como as sociedades funcionam em uma relação harmônica com seu clima. O homem e
suas sociedades são vulneráveis às variações climáticas. A vulnerabilidade é a medida pela qual a
sociedade é suscetível de sofrer por causas climáticas.
(AYOADE. J. O. Introdução à climatologia para os trópicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010 (adaptado). )

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Geografia

Considerando o tipo de relação entre ser humano e condição climática apresentado no texto, uma
sociedade torna-se mais vulnerável quando
a) concentra suas atividades no setor primário.
b) apresenta estoques elevados de alimentos.
c) possui um sistema de transporte articulado.
d) diversifica a matriz de geração de energia.
e) introduz tecnologias à produção agrícola.

6. (Enem 2005) A água é um dos fatores determinantes para todos os seres vivos, mas a precipitação
varia muito nos continentes, como podemos observar no mapa abaixo:

(Robert E. Ricklefs. A Economia da Natureza, 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. p. 55)
Ao examinar a tabela da temperatura média anual em algumas latitudes, podemos concluir que as
chuvas são mais abundantes nas latitudes próximas do Equador, porque
a) as grandes extensões de terra fria das latitudes extremas impedem precipitações mais
abundantes.
b) a água superficial é mais quente nos trópicos do que nas regiões temperadas, causando maior
precipitação.
c) o ar mais quente tropical retém mais vapor de água na atmosfera, aumentando as precipitações.
d) o ar mais frio das regiões temperadas retém mais vapor de água, impedindo as precipitações.
e) a água superficial é fria e menos abundante nas latitudes extremas, causando menor precipitação.

7. Leia os trechos a seguir:


"17/07/2017- Canela, Gramado e Caxias do Sul, [...] registraram o fenômeno. Frio chegou com
intensidade ao estado e temperatura deve cair ainda mais ao longo do dia."
(https://g1 .globo.com)

"31/03/2016- Com chances de neve já no outono, o frio em Gramado promete chegar com tudo [...]”
(https://www.dicasdegramado.com.br)

Nos últimos anos, temos observado na mídia uma série de notícias evidenciando o rigor do inverno na
região acima referida. Esta região tem atraído inúmeros turistas que gostam de contemplar o frio, as
comidas típicas locais e têm o anseio de conhecer, ao vivo, a neve e o congelamento das águas em
pleno Brasil. A associação de dois importantes fatores climáticos justifica a ocorrência de tais
fenômenos meteorológicos nesta região. São eles:

6
Geografia

a) latitude e altitude.
b) maritimidade e latitude.
c) continentalidade e maritimidade.
d) altitude e longitude.
e) correntes marítimas e massas de ar.

8. A diversidade de vegetação que acontece em cada um dos sistemas indicados no mapa se dá


principalmente em relação às diferenças de

(Fonte: Adapt. HUDSON, 1999)


a) continentalidade.
b) longitude.
c) maritimidade.
d) idade geológica.
e) altitude.

9. O mapa adiante ilustra a localização de duas cidades paulistas: São Paulo e Campos do Jordão.

O Regime térmico apresentado por estas duas cidades contraria a regra geral, segundo a qual as
temperaturas são menores nas latitudes mais altas. Tal fato é explicado pela influência da:
a) maritimidade.
b) longitude.
c) altitude.
d) latitude.
e) pluviosidade.

7
Geografia

10. (Enem 2019)

(SALGADO-LABOURIAL, M. L. História ecológica da Terra. São Paulo: Edgard Blucher, 1994 (adaptado). )

No Hemisfério Sul, a sequência latitudinal dos desertos representada na imagem sofre uma interrupção
no Brasil devido à seguinte razão:
a) Existência de superfícies de intensa refleti vi d a de.
b) Preponderância de altas pressões atmosféricas.
c) Influência de umidade das áreas florestais.
d) Predomínio de correntes marinhas frias.
e) Ausência de massas de ar continentais.

8
Geografia

Gabarito

1. D
Dentre os aspectos considerados como “causas” dos climas podem ser destacados Altitude, massas de
ar, maritimidade e latitude.

2. A
A latitude está associada à distância de um ponto em relação à Linha do Equador. Este fator climático
relaciona-se com os elementos climáticos radiação e temperatura: quanto maior a latitude, menor será a
radiação recebida e por sua vez menor será a temperatura. Isso ocorre porque os raios solares atingem a
superfície terrestre com diferentes inclinações, devido à forma esférica da Terra. Esta inclinação aumenta
conforme o afastamento da Linha do Equador em direção aos polos, ou seja, quando há o aumento da
latitude. Quanto maior a inclinação, maior é a latitude e a área de abrangência dos raios solares é maior;
sendo assim, o calor deve ser distribuído por uma área maior, fazendo com que as temperaturas sejam
mais baixas.

3. A
Podemos interpretar no gráfico que os horários com a temperatura mais elevada são também os de menor
umidade relativa, sendo eles inversamente proporcionais. Assim, a insolação é um fator que provoca
variação da umidade relativa do ar.

4. E
Considerando a localização das duas cidades, Salvador (litoral Nordeste) e Cuiabá (Centro-Oeste) o fator
climático que explica essa diferença na amplitude térmica é a maritimidade e continentalidade. A água
funciona como um regulador térmico e, aquelas localidades próximas, a grandes corpos hídricos possuem
uma menor amplitude térmica devido à regulação térmica pela maior umidade da atmosfera.

5. A
O setor primário é aquele referente às atividades agrícolas e, mesmo com a evolução das técnicas, muito
dependente das condições climáticas. Sendo assim, uma sociedade cuja relação econômica é dependente
do setor primário se torna mais vulnerável às intempéries climáticas como a seca, por exemplo.

6. C
As áreas de maior insolação situam-se na zona intertropical, isto é, na região entre os trópicos. Essas áreas
apresentam maior evaporação e condensação, favorecendo a precipitação. À medida que se distancia do
Equador, menor é o volume de precipitações.

7. A
Os fragmentos de textos descrevem a ocorrência de frio intenso associado a precipitação de neve, na
região da Serra (Cuesta) Gaúcha no Rio Grande do Sul. Dois fatores contribuem para tal fenômeno, a
latitude, pois a região é localizada mais ao sul do país e a altitude, pois é uma região de serras. Nessa
situação, a combinação desses fatores é responsável pelo frio e ocorrência de precipitação.

8. E
A vegetação indicada no mapa está localizada em regiões montanhosas, como a Cordilheiras do Andes,
na América do Sul, as Rochosas, nos Estados Unidos e a Cordilheira do Himalaia, entre a Índia e a China.
Nesse caso, a altitude é o principal fator que pode influenciar na diversidade da vegetação nessas regiões.

9
Geografia

9. C
A diferença de altitude entre as duas cidades é o fator climático determinante na menor média de
temperatura que a cidade de Campos do Jordão apresenta, mesmo estando em uma latitude menor, que
São Paulo.

10. C
O mapa ilustra a formação de áreas áridas e semiáridas no mundo determinadas a partir do fator latitudinal.
Segundo a distribuição dessas áreas deveria haver uma área semiárida/árida sobre o Sudeste e Centro-
Oeste brasileiro. Entretanto, não ocorre a formação dessa área devido a influência da evapotranspiração
decorrente das florestais ao norte (Floresta Amazônica). Com isso, ocorre a formação de rios voadores
que carregam a umidade da Amazônia para a região Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

10
Geografia

Relevo brasileiro e as riquezas minerais

Resumo

O relevo brasileiro formou-se sobre estruturas geológicas compostas, principalmente, por bacia sedimentar
(64% do território) e escudo cristalino (36% do território). Nesse sentido, caracteriza-se pelo predomínio de
áreas de médias e baixas altitudes, já que não há dobramentos modernos, uma vez que o território brasileiro
está no meio da placa tectônica. Maciços antigos ou escudos cristalinos são ricos em minerais metálicos,
nesse sentido as províncias minerais que se destacam no Brasil são: Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais,
a Serra do Carajás no Pará e o Maciço do Urucum no Mato Grosso do Sul. As Bacias sedimentares são
caracterizadas pela grande riqueza em combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral e xisto).
No Brasil, a maior disponibilidade de petróleo está localizada nas bacias sedimentares costeiras como a de
Campos e a de Santos.

Classificações do relevo brasileiro

(Disponível em: https://www.slideshare.net/agendab/slide-relevo-brasileiro)

A primeira classificação do relevo brasileiro foi proposta por Aroldo de Azevedo, em 1949, e tinha por critério
a altitude, isto é, o nível altimétrico das estruturas. O relevo foi dividido em planalto e planície. A segunda
classificação foi de Aziz Ab’Saber, proposta em 1962. Adotou-se um critério baseado em processos
geomorfológicos – erosão e intemperismo. O relevo seria então formado por planícies, em que predominam
a sedimentação, e por planaltos, em que predominam a erosão. A terceira e atual a classificação foi proposta
por Jurandyr Ross, que se baseou nos estudos anteriores e no projeto RadamBrasil, que realizou mapeamento
sistemático do território brasileiro com o auxílio de imagens aéreas. Essa classificação utilizou como critérios

1
Geografia

o processo de formação das formas de relevo, o nível altimétrico e a estrutura geológica do terreno. De
acordo com essa classificação, o relevo brasileiro pode ser dividido em 28 unidades, sendo elas áreas de:
• Planaltos: Áreas de médias a altas altitudes, com superfícies irregulares e predomínio de processos de
erosão. De acordo com essa classificação, as áreas de planalto no Brasil constituem onze unidades do
relevo: Planalto da Amazônia Oriental, Planalto da Amazônia Ocidental, Planalto e Chapadas da Bacia do
Parnaíba, Planalto e Chapadas da Bacia do Paraná, Planaltos Residuais Norte-amazônicos, Planaltos
Residuais Sul-amazônicos, Planaltos e Chapadas dos Parecis, Planalto da Borborema, Planalto sul-rio-
grandense, Planalto e Serras do Atlântico Leste, Planaltos e Serras de Goiás-Minas, Serras Residuais do
Alto Paraguai.
• Planícies: Superfícies, geralmente planas e de baixa altitude, formadas a partir do acúmulo de
sedimentos de origem marinha, lacustre ou fluvial. Segundo essa classificação, o país possui seis áreas
de planície: Planície do Rio Amazonas, Planície do Rio Araguaia, Planície e Pantanal do Rio Guaporé,
Planície e Pantanal do Rio Paraguai ou Mato-grossense, Planície das Lagoas dos Patos- Mirim, Planícies
e Tabuleiros Litorâneos.
• Depressões: Áreas formadas a partir de processos erosivos nas áreas de contato entre as bacias
sedimentares (material menos resistente) e os maciços cristalinos (material mais resistentes). Nessa
classificação, o Brasil possui onze unidades de depressões: Depressões Marginal Norte-amazônica,
Depressão Marginal Sul-amazônica, Depressão do Araguaia, Depressão Cuiabana, Depressão do Alto do
Paraguai-Guaporé, Depressão do Miranda, Depressão Sertaneja e do Rio São Francisco, Depressão do
Tocantins, Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná e Depressão Periférica Sul-rio-
grandense.

Outras formas do relevo brasileiro


• Escarpa: forma de relevo localizada nas bordas dos planaltos que apresenta declive acentuado. Existem
dois tipos, a escarpa de falha, originada a partir de movimento tectônico, e a escarpa de erosão, originada
pela ação dos agentes externos. Exemplo: Escarpada Serra do Mar (SP).
• Cuesta: forma de relevo com declividade suave de um lado e declividade abrupta em outro, originada
pela ação dos agentes externos sobre rochas que apresentam diferentes resistências. Exemplos: Cuesta
de Botucatu (SP).
• Chapada: relevo de altitude considerável, em formato tabular e encostas escarpadas, encontradas no
Nordeste e Centro-Oeste. Exemplo: Chapada Diamantina (BA).
• Morro ou monte: forma do relevo que corresponde a uma elevação no terreno de topo arredondado.
Exemplo: Monte Pascoal (BA).
• Montanha: relevo protuberante, com o cume definido. Na maioria das vezes tem a origem associada ao
choque entre placas tectônicas, contudo, pode ter também como origem o vulcanismo. A um conjunto
de montanhas dá-se o nome de cordilheira. Exemplo: Pico da neblina (AM).
• Inselberg: forma do relevo que é uma protuberância encontrada em áreas que apresentam o clima árido
ou clima semiárido e que foi formada pela maior resistência à erosão do que a área no seu entorno.
Exemplo: Inselberg de Itaberaba (BA).

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Geografia

(Disponível em: https://lyrics-letra.com/PT/Ensino-Fundamental. Adaptado.)

3
Geografia

Exercícios

1. “A Amazônia, até o Terciário Médio, comportava-se como um paleogolfão[1] da fachada pacífica do


continente, intercalado entre os terrenos do escudo guianense e o escudo brasileiro. Era uma espécie
de mediterrâneo de “boca larga”, voltada para o oeste. Quando se processou o desdobramento e
soerguimento das Cordilheiras Andinas, restou um largo espaço no centro da Amazônia, exposto à
sedimentação flúvio-lacustre e fluvial extensiva.”
( -2012) Escritos Ecológicos. São Paulo:
Lazuli Editora, 2006- p. 130-131. Adaptado.)
Glossário:
Paleogolfão: ampla reentrância da costa, com grande abertura, constituindo em amplas baías,
constatada em antiga era geológica.
As características atuais do domínio morfoclimático amazônico têm sua origem na dinâmica dos
processos naturais que ocorreram no passado, conforme explica o geógrafo Aziz Ab ́Saber. Sobre
esses processos mencionados, avalia-se que
a) contribuíram para a formação das planícies e dos tabuleiros.
b) favoreceram a gênese da bacia sedimentar.
c) alteraram a direção da drenagem, de leste para oeste.
d) atenuaram as características do clima regional.
e) provocaram a expansão do cerrado sobre a floresta

2. “As altitudes do relevo brasileiro são, em geral, modestas. O ponto mais alto do país não ultrapassa os
3 mil metros: o pico da Neblina (2993m), perto da fronteira do Amazonas com a Venezuela. Cerca de
41% do território nacional tem, no máximo, 200m de altitude; 78% tem até 500m; e 92,7% até 900m de
altitude”.
(Adaptado de: VESENTINI, J. W. Brasil: sociedade e espaço.
Geografia do Brasil. 32º edição. São Paulo: Editora Ática, 2006. p.252.)

As características descritas acima indicam que o relevo brasileiro é:


a) bastante acidentado, com elevada incidência de dobramentos modernos.
b) diretamente influenciado pelas ações recentes de tectonismos.
c) geologicamente antigo, portanto mais desgastado.
d) pouco transformado pelos agentes erosivos e intempéricos.
e) totalmente aplainado, com poucas áreas de depressão.

4
Geografia

3. A mineração é o ato de extrair minerais existentes nas rochas e/ou nos solos. É uma atividade
econômica que tem importância significativa para muitos países. O principal minério exportado pelo
Brasil é o de ferro. A formação desse minério esta relacionada com as lentas transformações
geológicas da Terra e ele é encontrado na natureza na forma de rochas, misturado com outros
compostos. Por meio de diversos processos, esse minério é beneficiado para poder ser comercializado.

No Brasil, a extração do minério de ferro ocorre principalmente em


a) bacias sedimentares recentes.
b) dobramentos modernos.
c) depressões absolutas.
d) escudos cristalinos.
e) planícies costeiras.

4. O município de Caçapava do Sul/RS está localizado em uma formação geológica de escudos cristalinos
antigos. Suponha que a prefeitura local pretende estimular a pesquisa e o aproveitamento econômico
dessa área. Que minérios poderíam ser encontrados nesse tipo de formação geológica? Marque a
alternativa que contém os minérios encontrados nessa formação geológica.
a) Granito, ouro, quartzo, carvão mineral.
b) Ouro, cobre, zinco, chumbo.
c) Carvão mineral, ouro, xisto betuminoso, granito.
d) Calcário, granito, ouro, carvão mineral.
e) Granito, xisto betuminoso, carvão mineral, chumbo.

5. Para a atual proposta de identificação das macrounidades do relevo brasileiro, elaborada por Ross
(1989), foram fundamentais os trabalhos de Ab’Saber e os relatórios e mapas produzidos pelo
Projeto Radambrasil. Ross passou a considerar para o relevo brasileiro, conforme as suas origens, as
unidades de planaltos, depressões e planícies.
(Adaptação: ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2005.)

Quais as unidades do relevo brasileiro que, de acordo com a gênese, segundo Ross, são resultantes de
deposição de sedimentos recentes de origem marinha, lacustre ou fluvial?
a) Planícies.
b) Depressões.
c) Planaltos cristalinos.
d) Planaltos orogenéticos.
e) Planaltos residuais.

5
Geografia

6. O relevo terrestre é fortemente influenciado pela estrutura geológica. Por exemplo, o tipo de rocha e a
sua disposição na parte superficial da litosfera exercem um papel destacado na definição
das morfoestruturas, como pode ser observado na fotografia a seguir.

Pelas características morfológicas e estruturais, é possível afirmar que esse compartimento de relevo
é do tipo
a) Morfoestrutura tabular.
b) Morfoestrutura dômica.
c) Morfoescultura de planície lacustre.
d) Morfoescultura de crista dissecada.
e) Morfoestrutura de arqueamento.

7. Do ponto de vista tectônico, núcleos rochosos mais antigos, em áreas continentais mais interiorizadas,
tendem a ser os mais estáveis, ou seja, menos sujeitos a abalos sísmicos e deformações. Em termos
geomorfológicos, a maior estabilidade tectônica dessas áreas faz com que elas apresentem uma forte
tendência à ocorrência, ao longo do tempo geológico, de um processo de
a) aplainamento das formas de relevo, decorrente do intemperismo e da erosão.
b) formação de depressões absolutas, gerada por acomodação de blocos rochosos.
c) formação de canyons, decorrente de intensa erosão eólica.
d) produção de desníveis topográficos acentuados, resultante da contínua sedimentação dos rios.
e) geração de relevo serrano, associada a fatores climáticos ligados à glaciação.

8. As áreas de planície no Brasil estão basicamente situadas nas proximidades de grandes rios, lagos e
em algumas zonas costeiras. Dentre essas áreas, merece destaque a planície do Rio Amazonas, que
basicamente segue o leito principal do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. Existe, nesse
contexto, um debate sobre a possibilidade do aproveitamento das águas desse rio para a construção
de hidrelétricas, o que pode ser considerado como algo:
a) não recomendado, pois a elevada declividade do terreno não favorece a criação de barragens.
b) recomendado, em função da possibilidade de rápido armazenamento das águas nas áreas mais
planas.
c) recomendado, pois as áreas da planície amazônica favorecem a intervenção humana sem grandes
prejuízos ambientais.
d) não recomendado, haja vista que áreas de planície não possuem uma queda d'água acentuada
para a instalação de barragens e turbinas.
e) Recomendado, em função da baixa declividade o que aumenta a velocidade do rio e a possibilidade
de geração de energia

6
Geografia

9. Esta foto ilustra uma das formas do relevo brasileiro, que são as chapadas

É correto afirmar que essa forma de relevo está


a) distribuída pelas regiões Norte e Centro-Oeste, em terrenos cristalinos, geralmente moldados pela
ação do vento.
b) localizada no litoral da região Sul e decorre, em geral, da ação destrutiva da água do mar sobre
rochas sedimentares.
c) concentrada no interior das regiões Sul e Sudeste e formou-se, na maior parte dos casos, a partir
do intemperismo de rochas cristalinas.
d) restrita a trechos do litoral Norte-Nordeste, sendo resultante, sobretudo, da ação modeladora da
chuva, em terrenos cristalinos.
e) presente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, tendo sua formação associada, principalmente, a
processos erosivos em planaltos sedimentares.

10. Observe o mapa.

Assinale a alternativa que contém as formas de relevo predominantes em cada porção do território
brasileiro indicada, de acordo com a classificação de Ross.
a) Faixa litorânea: depressões.
b) Amazônia Legal: planícies.
c) Fronteira com o Mercosul: planaltos.
d) Região Sul: planícies.
e) Pantanal: planaltos

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Geografia

Gabarito

1. B
Quando ocorreu o afastamento do escudo das Guianas e do escudo brasileiro formou-se a bacia
sedimentar amazônica, a qual foi em parte alagada, formando assim os rios da região, e possibilitando a
expansão de espécies vegetais que originaram os recursos encontrados ali.

2. C
O relevo brasileiro é composto por maciços antigos, estruturas antigas que já foram bastante
intemperadas e por isso perderam a altitude. Se difere dos dobramentos modernos por exemplo que são
as grandes cordilheiras, formadas mais recentes no tempo geológico.

3. D
As jazidas de minerais metálicos como ferro, manganês e níquel são encontradas em Escudos Cristalinos
(rochas magmáticas e metamórficas) formadas no Pré-Cambriano (Era Proterozoica).

4. B
Os minerais metálicos são recursos minerais associados aos escudos cristalinos e, portanto, ouro, cobre,
zinco e chumbo são encontrados essa região.

5. A
As planícies são áreas onde predomina a sedimentação, enquanto nos planaltos predomina a erosão.

6. A
Pela imagem podermos perceber a formação de chapadas, de origem sedimentar, com topo aplainado em
formato tabular.

7. A
Os escudos cristalinos apesar de serem uma estrutura do relevo composta por rochas resistentes, por ser
a mais antiga estrutura (datam da Era Pré-cambriana), encontra-se a muito tempo exposta às intempéries
e aos processos erosivos, o que origina formas do relevo mais aplainadas e de média a baixa altitude.

8. D
A instalação de barragens deve contar com a declividade, que aumenta a potência do rio em gerar energia.

9. E
As chapadas correspondem à um relevo de altitude considerável, em formato tabular e encostas
escarpadas, encontradas no Nordeste e Centro-Oeste. Exemplo: Chapada Diamantina (BA).

10. C
A partir do mapa verifica-se corretamente que na fronteira do Brasil com países como Paraguai, Uruguai e
Argentina, que compõem o Mercosul, há a presença de planaltos.

8
Geografia

Massas de ar e fenômenos climáticos

Resumo

Massas de ar
As massas de ar possuem características próprias, como temperatura, umidade e pressão, de acordo com o
local em que foram formadas. O deslocamento dessas massas ocorre devido à diferença de pressão e
temperatura entre as regiões do globo. Essa interação atmosférica é um importante fator climático.
Áreas de alta temperatura formam centros de baixa pressão atmosférica (ciclonal), e áreas de baixa
temperatura formam centros de alta pressão atmosférica (anticiclonal), condicionando os mecanismos de
circulação atmosférica. Os ventos ocorrem pelo deslocamento de uma massa de ar de uma zona de alta para
baixa pressão. As zonas de baixa pressão atmosférica são quentes e podem formar nuvens e chuva,
enquanto as zonas de alta pressão, com ventos frios e densos, impendem a formação de precipitação, sendo
associados a regiões mais secas.

Adaptado de MOREIRA, J. C. Geografia geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização.

Ventos alísios e contra-alísios


Os ventos alísios ocorrem em uma escala planetária e são ventos constantes, deslocando-se das regiões
subtropicais e tropicais (alta pressão) para a região equatorial (baixa pressão). Os ventos alísios ascendem,
condensando e provocando chuva no Equador, criando a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Em alta
altitude, esses ventos começam a soprar no sentido contrário, do Equador para os Trópicos, e passam a ser
denominados contra-alísios.

1
Geografia

Brisas marítima e continental


Ocorrem em uma escala local e são ventos com variação diária.

Brisa marítima ou diurna: ventos originados do mar (alta pressão)


em direção ao continente (baixa pressão), pois o continente se
aquece mais rapidamente durante o dia formando uma célula de
baixa pressão sobre essa área.

Brisa continental ou noturna: ventos originados do continente (alta


pressão) em direção ao mar (baixa pressão), pois o continente
perde calor rapidamente durante à noite apresentando uma
temperatura menor que a superfície do oceano.

Principais fenômenos climáticos


El Niño e La Niña
Esses dois fenômenos são indissociáveis. Primeiramente, antes de estudá-los, é importante compreender a
situação normal na região do Pacífico Equatorial. Nessa área, ventos alísios fortes empurram as águas
superficiais quentes do Pacífico no sentido da Oceania, aumentando a precipitação nesse continente. Na
porção oeste da América do Sul, o fenômeno da ressurgência disponibiliza maior quantidade de nutrientes
nas águas superficiais, atraindo peixes e pescadores.
Nos anos de El Niño, esses ventos alísios enfraquecem (motivo desconhecido) e as águas quentes
superficiais acumulam-se ao longo do Pacífico Equatorial, por isso, é comumente referenciado como
aquecimento superficial das águas do Pacífico Equatorial. Isso altera a dinâmica climática intertropical e
força uma maior precipitação sobre a costa oeste da América do Sul. Nos anos de La Niña, ocorre o inverso,
os ventos alísios sopram com mais intensidade, aumentando as chuvas e tempestades na Oceania e
ampliando o fenômeno da ressurgência na costa oeste da América do Sul.

Adaptado de Giovanna Gomes/Ed. Globo

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Geografia

Impactos do El Niño

Fonte: http://enos.cptec.inpe.br

Impactos da La Niña

Fonte: http://enos.cptec.inpe.br

3
Geografia

Clima tropical de monções


Como em qualquer clima tropical, existem duas estações bem definidas, uma estação seca e outra chuvosa.
O clima tropical de monções diferencia-se no sentido de levar essa condição aos extremos, apresentando
um clima superúmido no verão e uma seca severa no inverno. São dois os fatores climáticos principais que
influenciam esse fenômeno: a continentalidade/maritimidade e as massas de ar. Resumidamente, são
ventos periódicos cuja variação ocorre de uma estação (verão) para outra (inverno).
Monções de inverno: ventos secos originados do continente (alta pressão) em direção ao mar (baixa
pressão), pois o continente perde calor durante o inverno formando uma célula de alta pressão sobre essa
região.

Adaptado de ALMEIDA, L. M. A. de. Fronteiras da globalização.

Monções de verão: ventos úmidos originados do oceano (alta pressão) em direção ao continente (baixa
pressão), pois o continente se aquece mais rapidamente durante o verão formando uma célula de baixa
pressão sobre essa região.

Adaptado de ALMEIDA, L. M. A. de. Fronteiras da globalização.

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Geografia

Ciclones e tornados
Todos esses fenômenos remetem ao movimento de ar giratório ascendente. Correspondem a células de
baixa pressão atmosférica que formam rápidos movimentos de subida do ar quente.
Ciclones tropicais: são sistemas de baixa pressão cujos ventos atingem velocidade superior a 118 km/h.
Formam-se em áreas tropicais e possuem grande calor em seu núcleo. Os furacões formam-se no Oceano
Atlântico e leste do Pacífico, e os tufões formam-se nos Oceanos Pacífico e Índico. São nomes regionais
para o mesmo fenômeno. Uma condição fundamental para sua formação são as águas aquecidas dos
oceanos, com temperaturas superiores a 26,5° C. São enormes tempestades, possíveis de serem
visualizadas por satélites. Quando essas tempestades atingem o continente, elas perdem sua força.

Foto: AFP

Ciclones extratropicais: ocorrem em áreas de latitude média e possuem baixo calor em seu núcleo. Apenas
esse tipo de ciclone associa-se com uma formação de frente fria, que interage com o ar quente ascendente.

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Geografia

Tornado: assim como o ciclone, é um movimento de ar giratório ascendente, todavia em uma área muito
menor e com mais intensidade. Sabe aquele funil que estamos acostumados a ver em filmes e que encosta
no chão causando grande destruição? Então, esses são os tornados. São mais concentrados e podem ser
vistos claramente a olho nu. Seu diâmetro não passa de 2 km e apresenta por característica ter baixa
duração. Formam-se no continente, e não no oceano.

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/

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Geografia

Exercícios

1. (Enem 2017)

Disponível em: <http://img0.cptec.inpe.br>. Acesso em: 25 ago. 2014 (adaptado).

Disponível em: <http://imagens.climatempo.com.br>. Acesso em: 25 ago. 2014 (adaptado).

No dia em que foram colhidos os dados meteorológicos apresentados, qual fator climático foi
determinante para explicar os índices de umidade relativa do ar nas regiões Nordeste e Sul?
a) Altitude, que forma barreiras naturais.
b) Vegetação, que afeta a incidência solar.
c) Massas de ar, que provocam precipitações.
d) Correntes marítimas, que atuam na troca de calor.
e) Continentalidade, que influencia na amplitude da temperatura.

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Geografia

2. Frio mata no Brasil


“17 de agosto, 1999 — Duas pessoas morreram numa das mais intensas ondas de frio que atingiram
o sul do Brasil nos últimos anos. Em São Paulo, o frio foi a causa da morte de duas pessoas.”
Adaptado de Earth Alert: 1999.

Considerando a dinâmica atmosférica de inverno na faixa litorânea brasileira, o episódio acima


referido está relacionado com
a) a alternância entre fluxo polar e os sistemas intertropicais, provocando chuvas no Paraná e Santa
Catarina.
b) a carência de ar frio na Patagônia, com diminuição da pressão e domínio do ar tropical marítimo.
c) a forte influência dos sistemas frontais no Sul e Sudeste do país, que se deslocam para o Atlântico.
d) o fluxo de ar frio contínuo dominante que encontra a massa tropical atlântica.
e) a entrada frequente de massas de ar polar muito frio que atingem a América do Sul pela Argentina.

3. Com base na figura, aponte a alternativa correta:

MOREIRA, J.C. e SENE, E. Geografia Geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização. São Paulo: Scipione, 2007, p.95.
(adaptado).

a) A massa de ar úmido (1), deslocando-se em direção ao continente, aumenta sua temperatura ao


passar sobre a corrente de Humboldt, retardando as chuvas.
b) A corrente fria de Humboldt, no Hemisfério Sul, causa queda da temperatura nas áreas litorâneas
(2). Isso provoca condensação e precipitação. Ao chegar ao continente, a massa de ar se torna
seca (3).
c) Quando a massa de ar úmido (1) se desloca para o continente, resfria-se ao passar sobre a
corrente de Humboldt, atrasando o processo de precipitação e chegando ao continente como
massa de ar seco (3).
d) Ao chegar ao continente, as massas de ar estão quentes e úmidas e originam desertos, como o de
Atacama (Chile) e o da Califórnia (Estados Unidos).
e) A corrente do Golfo, por ser quente, impede o congelamento do Mar do Norte e ameniza os rigores
climáticos do inverno na porção ocidental da Europa. Já a corrente de Humboldt causa queda da
temperatura em áreas litorâneas, diminuindo o processo de condensação do ar e de chuvas no
oceano.

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Geografia

4. (Enem 2017)

SALGADO-LABOURIAU, M. L. História ecológica da Terra. São Paulo: Edgard Blucher, 1994 (adaptado).

Nas imagens constam informações sobre a formação de brisas em áreas litorâneas. Esse processo é
resultado de
a) uniformidade do gradiente de pressão atmosférica.
b) aquecimento diferencial da superfície.
c) quedas acentuadas de médias térmicas.
d) mudanças na umidade relativa do ar.
e) variações altimétricas acentuadas.

5. (Enem 2018)

Disponível em: http://globalwarmingart.com. Acesso em: 12 jul. 2015 (adaptado).

Qual característica do meio físico é condição necessária para a distribuição espacial do fenômeno
representado?
a) Cobertura vegetal com porte arbóreo.
b) Barreiras orográficas com altitudes elevadas.
c) Pressão atmosférica com diferença acentuada.
d) Superfície continental com refletividade intensa.
e) Correntes marinhas com direções convergentes.

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Geografia

6. Observe a figura e leia o texto abaixo.

Fonte: NASA. Disponível em <https://earthobservatory.nasa.gov/ Acesso em: 16 set 2017.

Entre agosto e setembro de 2017, a Nasa reportou as consequências da passagem do furacão Harvey,
em Houston, a quarta cidade mais populosa dos EUA, quando milhares de pessoas foram resgatadas
das enchentes devido ao volume de precipitação ocorrido. Dias depois, o furacão Irma foi registrado
como o de maior intensidade no Atlântico, quando atingiu áreas como Flórida e ilhas da América
Central, gerando grandes repercussões socioeconômicas.
Sobre essas ocorrências na região, é correto afirmar que os furacões estão relacionados a
a) ciclones tropicais.
b) ciclones extratropicais.
c) monções.
d) margens tectônicas ativas junto ao Golfo do México.
e) ciclones extratropicais formados nas águas aquecidas do Golfo do México.

7. (Enem PPL 2012) Desde a sua formação, há quase 4,5 bilhões de anos, a Terra sofreu várias
modificações em seu clima, com períodos alternados de aquecimento e resfriamento e elevação ou
decréscimo de pluviosidade, sendo algumas em escala global e outras em nível menor.
ROSS, J. S. (Org.) Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003 (adaptado).

Um dos fenômenos climáticos conhecidos no planeta atualmente é o El Niño que consiste


a) na mudança da dinâmica da altitude e da temperatura.
b) nas temperaturas suavizadas pela proximidade com o mar.
c) na modificação da ação da temperatura em relação à latitude.
d) no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera o clima.
e) na interferência de fatores como pressão e ação dos ventos do Oceano Atlântico.

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Geografia

8. Observe atentamente a figura a seguir:

Fonte: Modificado de MARTIN e SUGUIO. 1992.


Essa situação atmosférica é típica em anos nos quais
a) só sopram, sobre o Nordeste brasileiro, os ventos planetários alísios de nordeste.
b) se instalam, sobre a região Sul do Brasil, fluxos de ar polar setentrional.
c) se configura o fenômeno “El Niño”.
d) se espalham anomalias térmicas negativas na superfície das águas do Pacífico Equatorial.
e) só agem, sobre a região Sudeste do Brasil, os fluxos de ar advectivo polar.

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Geografia

9.

O mapa apresenta os efeitos do fenômeno climático de interação atmosfera-oceano denominado


a) El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico nas proximidades do
equador.
b) Alísios de Nordeste, caracterizado pela atuação em escala local e em curto período de tempo sobre
as águas do Oceano Pacífico.
c) La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico na costa
peruana.
d) Zona de Convergência Intertropical, caracterizado pela formação de núcleos de aumento nas
temperaturas superficiais do Oceano Pacífico.
e) Zona de Convergência do Atlântico Sul, caracterizado pela diminuição da temperatura e da
umidade no equador.

10. Leia o segmento abaixo.


Os 13 membros da equipe de futebol Wild Boar ficaram presos na caverna no dia 23 de junho, após
chuvas fortes inundarem a entrada principal do local. Naquela ocasião, os militares tailandeses
afirmaram que os jovens teriam aulas de mergulho para conseguir deixar o complexo de cavernas de
Tham Luang, localizado em Chiang Rai, no norte da Tailândia, e que é o quarto mais extenso do país,
com cerca de 10 quilômetros.
Disponível em: <https://www.climatempo.com.br/verao/noticia/2018/07/03/o-dificil-resgate-de-jovensem-cavema-na-
tailandia-2473>. Acesso em: 03 jul. 2018.
As chuvas fortes citadas no texto podem estar diretamente relacionadas
a) ao efeito da nevasca sazonal.
b) ao gradiente adiabático sísmico.
c) às monções tropicais.
d) à ondulação extratropical.
e) à circulação termohalina.

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Geografia

Gabarito

1. C
Observa-se que o Sul apresenta baixa temperatura e alta umidade, e o Nordeste, alta temperatura e alta
umidade. O fator do clima responsável por essas características é a ação das massas de ar. Nesse
sentido, massas que nascem no oceano são úmidas e influenciam o clima por onde passam. O Nordeste
e o Sul do país são influenciados por essas massas, o que explica a umidade nessas regiões.

2. E
No inverno e no verão do Brasil, as dinâmicas das massas de ar são distintas. A mPa (Massa Polar
Atlântica), caracterizada por ser fria e úmida, tem sua atuação restrita ao inverno no país e em alguns
países da América do Sul, e acarreta a queda brusca das temperaturas.

3. B
A imagem mostra a ação da Corrente de Humboldt, uma corrente marítima fria que contribui para o
aumento da umidade da região por onde passa, o que provoca a ocorrência de chuvas. Sendo assim, as
massas de ar úmidas que passam sobre essa corrente passam a ficar mais secas e chegam ao
continente nessas condições. Esse fenômeno é um dos principais responsáveis pela existência do
Deserto do Atacama, no Chile.

4. B
As brisas formam-se em razão da diferença de pressão atmosférica provocada pelo aquecimento
diferencial das superfícies, em que, durante o dia, o continente mais aquecido que o oceano forma áreas
de baixa pressão (ciclonais), atraindo os ventos, e, durante a noite, ocorre o inverso, os ventos são
atraídos em direção ao oceano, que está mais aquecido que o continente.

5. C
Os ciclones tropicais se formam devido à diferença de pressão atmosférica.

6. A
A imagem ilustra a formação de um ciclone tropical, que também pode ser denominado furacão ou tufão.
Eles formam-se na atmosfera sobre os oceanos aquecidos a partir de 26,5° C, na Zona Intertropical e
com núcleo de baixa pressão atmosférica. Os ventos atingem velocidades superiores a 118 km/h. Essas
tempestades apresentam alto índice de chuvas, ventos fortes e estimulam a formação de ondas gigantes.

7. D
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre em um período de aproximadamente dois a sete anos.
Refere-se ao aquecimento acima da média (de 3 a 7° C) das águas do Oceano Pacífico próximo à Linha
do Equador, e à redução dos ventos alísios (ventos que sopram de leste para oeste) na região equatorial.
Na situação normal, no Hemisfério Sul, os ventos alísios sopram a uma velocidade média de 15 m/s,
aumentando o nível das águas do Oceano Pacífico nas proximidades da Austrália, que é 50 cm maior
que nas proximidades da América do Sul. Além disso, esses ventos provocam correntes que levam as
águas superficiais, que são quentes, nessa direção.

8. C
A situação atmosférica indicada no mapa é uma anomalia ocorrida nos anos em que se registra o
aquecimento das águas do Pacífico, fenômeno conhecido como El Niño.

9. A
O El Niño pode ser definido como o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico
Equatorial. Causa alterações no clima de diversas regiões do mundo. No Brasil, causa aumento de
temperatura no Sudeste, chuva excessiva no Sul, além de seca no Nordeste e Amazônia.

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Geografia

10. C
As fortes chuvas citadas no texto são decorrentes do clima tropical de monções, atuante no verão, sobre
o Sudeste Asiático, levando os ventos úmidos do oceano para o continente, provocando intensa
precipitação.

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História

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História

A República Democrática: Redemocratização e o governo Dutra


(1945-50)

Resumo

Os militares depuseram Getúlio Vargas em outubro de 1945. O então


presidente, que concordou com a deposição, deixou o cargo e foi para a sua
cidade natal. As novas eleições presidenciais estavam marcadas para o
início de dezembro do mesmo ano. Doze partidos apresentaram candidatos
a deputados e senadores para a Constituinte. Do conjunto, destacavam-se
os quatro maiores: Partido Social Democrático (PSD), União Democrática
Nacional (UDN), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Partido Comunista do
Brasil (PCB). Dois candidatos com maiores chances eleitorais disputavam a
presidência: Eurico Gaspar Dutra, pela coligação PSD/PTB, e o brigadeiro
Eduardo Gomes, pela UDN.
O PSD era um partido composto por getulistas e, nesse momento, se
mostrou o maior partido do Brasil: elegeu Dutra presidente, além de um
grande número de deputados federais e senadores. A UDN era um partido
ferrenhamente anti-getulista, enquanto o PTB disputava um eleitorado (Jornal Gazeta de Notícias, 1945)
similar ao do PCB que – vale ressaltar – nesse momento teve um curto
período de legalidade.
Em 31 de janeiro de 1945 Dutra tomou posse e governou até 1950. No contexto de sua posse, a atenção do
país estava voltada para a Constituinte recém-eleita. A Constituição foi promulgada no dia 18 de setembro
de 1946, após meses de elaboração, e foi responsável por trazer de volta – ainda que parcialmente –
direitos políticos e democráticos aos cidadãos brasileiros. Com a nova Constituição, homens e mulheres
alfabetizados eram eleitores a partir dos 18 anos. No que diz respeito aos direitos sociais e trabalhistas,
prevaleceu a legislação do Estado Novo. Assim, a Constituição de 1946 determinou:
• A autonomia dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário);
• 5 anos de mandato presidencial;
• A eleição direta para os cargos de presidente, governadores e prefeitos;
• A garantia de liberdade de expressão (em teoria, como veremos);
• O pluripartidarismo;
• O voto obrigatório, mantendo o voto feminino, excluindo ainda os analfabetos;
• A manutenção das leis trabalhistas.
As principais ações tomadas por Dutra, durante o seu governo, estavam diretamente relacionadas com o
contexto da Guerra Fria. Com a bipolarização do mundo em dois blocos hegemônicos, o governo brasileiro
alinhou-se incondicionalmente como aliado dos Estados Unidos e do bloco capitalista. Assim, internamente,
iniciou-se uma forte repressão contra organizações políticas e de trabalhadores que se alinhavam com a
esquerda e o comunismo.
As ações de Dutra nesse sentido levaram ao rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e União
Soviética em 1947. Posteriormente, o governo brasileiro colocou o Partido Comunista do Brasil na
ilegalidade a partir de um dispositivo da Constituição contra partidos “antidemocráticos”. Por fim, no
começo de 1948, os políticos eleitos pelo PCB tiveram seus mandatos políticos cassados.

1
História

A política de perseguição aos comunistas também


foi utilizada pelo governo como justificativa para
intervenções nos sindicatos e repressão aos
movimentos trabalhistas. Ao todo, o governo Dutra
interveio em 143 sindicatos e estipulou condições
extremamente rígidas para a realização de greves.
Do ponto de vista econômico, o Governo Dutra
promoveu grande abertura para o mercado
estrangeiro, principalmente para os produtos norte-
americanos. Essa medida causou o desequilíbrio
das taxas de importação e exportação, e o
esvaziamento das reservas monetárias nacionais. (Jornal do Brasil, 1948)

Nesse mesmo contexto, foi criado o Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e
Energia), projeto que previa investimentos na infraestrutura nacional. Entretanto, as
crises econômicas enfrentadas pelo país comprometeram a eficácia do Plano.
Em 1950, com a convocação de novas eleições, o PSD lançou Cristiano Machado como
candidato à presidência da República, a UDN, por sua vez, apostou em Eduardo
Gomes. No entanto, as eleições de 1951 foram vencidas pelo candidato do PTB,
Getúlio Vargas, vitorioso com 18% dos votos, marcando o início do segundo governo
Vargas.

2
História

Exercícios

1. No combate à inflação, o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) buscou direcionar os gastos
públicos em investimentos nos setores considerados prioritários. Nasceu, então, o Plano Salte,
destinado a investir em saúde, alimentação, transporte e energia. Mas o desenvolvimento brasileiro,
especialmente da indústria, ficou abaixo das aspirações dos industriais brasileiros. Isso ocorreu em
razão:
a) de políticas econômicas que regulavam os preços dos produtos essenciais, para proteger a
indústria nacional.
b) das facilidades à exportação de bens duráveis, promovidas pelas políticas econômicas do
governo.
c) da abertura do mercado brasileiro à importação de bens supérfluos.
d) de políticas econômicas voltadas para a seleção das importações, priorizando os bens duráveis.
e) da captação de recursos a partir da construção das indústrias de base e da política econômica
nacionalista do governo.

2. (PUC-Camp 2016) No fim de 1944 estávamos em regime de ditadura no Brasil, como todos sabem.
Uma ditadura que já se ia dissolvendo, porque o ditador de então começara a acertar o passo com as
chamadas Potências do Eixo; mas quando os Estados Unidos entraram na guerra e pressionaram no
mesmo sentido os seus dependentes, ele não só passou para o outro lado, como teve de concordar
que o país interviesse efetivamente na luta, como aliás pedia a opinião pública, às vezes em
manifestações de massa que foram as primeiras a quebrar a rotina disciplinada de tranquilidade
aparente nas grandes cidades.
(CÂNDIDO, Antonio. Teresina etc. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980, p. 107-108)

Sobre a dissolução do regime político brasileiro, a que o texto de Antonio Cândido se refere, é correto
afirmar:
a) A oposição da nascente burguesia industrial da região Sudeste às leis trabalhistas formuladas
pelo Ministro do Trabalho e a agitação da Força Pública contribuíram para a desestabilização do
regime autoritário no Estado Novo.
b) As repercussões da Segunda Guerra Mundial se entrelaçaram à crise política interna, formando
uma complexa rede de contradições que resultou na criação de uma conjuntura favorável ao
desmantelamento do Estado Novo.
c) A acirrada disputa entre a esquerda, representada pela Aliança Nacional Libertadora, e a direita
radical e fascista da Ação Integralista Brasileira criou as condições necessárias para a derrocada
da ditadura varguista.
d) A extrema instabilidade política, marcada por tentativas de golpes e contragolpes de caráter
nacionalista, desestabilizou a estrutura do Estado e levou à decadência do governo totalitário
implantado por Getúlio Vargas.
e) As contestações ao regime autoritário, expressas pelo descontentamento de parcelas
significativas da sociedade brasileira, incentivaram rebeliões populares que levaram à queda do
Estado Novo.

3
História

3. A Segunda Guerra Mundial e as transformações subsequentes abalaram profundamente o equilíbrio


de poderes até então existente, abrindo caminho para uma nova ordem político-econômica e militar,
com evidentes implicações no Terceiro Mundo. Neste contexto, a política externa do Governo Eurico
Gaspar Dutra expressava:
a) favorecimento ao bloco socialista.
b) alinhamento à política norte-americana.
c) postura neutralista.
d) visão terceiro-mundista de resistência ao imperialismo.
e) posição de defesa da autodeterminação latino-americana

4. A gestão do Presidente Eurico Gaspar Dutra foi marcada pela adoção de medidas que visavam à
modernização das instituições político-administrativas. Entre essas mudanças, pode ser destacada:
a) a aprovação de uma nova Constituição que, embora seguisse princípios liberais e democráticos,
mantinha a proibição ao direito de voto das mulheres.
b) a aproximação com a União Soviética, em função do enorme prestígio dos parlamentares ligados
ao PCB.
c) a extinção do corporativismo, com a regulamentação de centrais sindicais livres da tutela do
Estado.
d) a implantação de um plano de metas (Plano Salte) que visava atender às necessidades da
industrialização e do abastecimento doméstico.
e) que visava atender às necessidades da industrialização e do abastecimento doméstico e a
recusa de participação na Organização dos Estados Americanos (OEA), por considerá-la um
instrumento de consolidação da hegemonia norte-americana na América Latina.

5. O processo de redemocratização, instaurado no Brasil, em 1946, foi ameaçado durante o governo de


Eurico Gaspar Dutra, em razão da sua posição política, uma vez que o presidente
a) alinhou-se à União Soviética, o que provocou pressões políticas e econômicas dos Estados
Unidos.
b) cassou os mandatos dos representantes do Partido Trabalhista Brasileiro, por ser um partido de
oposição ao seu governo.
c) perseguiu os integralistas e tornou ilegal a Ação Integralista Brasileira, prendendo, inclusive, o
seu líder Plínio Salgado.
d) desenvolveu uma política econômica planificada, que provocou insatisfação das multinacionais
instaladas no país.
e) colocou o Partido Comunista do Brasil na ilegalidade, rompendo inclusive relações diplomáticas
com a URSS.

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História

6. "(...) Todos ainda se lembram dos discursos megalomaníacos de Carlos Prestes (...) nos quais (...)
previa que as hostes da U.D.N. se desagregariam, (...). Quanto ao P.S.D. era uma colcha de retalhos
costurados uns aos outros pelo fio precário da ditadura, e se dissolveria a uma simples ordem do
"Chefe" nacional. Vê agora, o pobre ex-cavaleiro, (...) que nada saiu como previra, (...) Em lugar dos
grupos burgueses se desintegrarem, foi Prestes quem se isolou, quem ficou sozinho com Getúlio, e
agora é obrigado a seguir, direitinho, a reboque, seja de Eduardo Gomes, seja de Dutra; ou levantar um
dr. Jacarandá qualquer para "seu" candidato. A saída forçada de Getúlio obriga os grupos a se
consolidarem definindo-se melhor e, finalmente, a disputarem as eleições como adversários. (...)
Pode-se dizer que a verdadeira campanha de "sucessão presidencial" só iniciou-se a partir de 30 de
outubro."
(Jornal Vanguarda Socialista (16/11/1945) citado de CARONE, Edgard. "Movimento Operário no Brasil"
(1945/1964). São Paulo, Difel, 1998. p.258-9. v.2.)
A conjuntura política brasileira do segundo semestre de 1945 é analisada neste artigo a partir de uma
ótica crítica à ação desenvolvida pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) e seu líder Luís Carlos
Prestes. Abriam-se, na época, novos horizontes para o país com a derrubada da ditadura getulista e
de eleições constituintes e presidenciais. Nestas, saiu vitorioso:
a) o grupo de oposição à ditadura getulista representado pela UDN, que apresentou como
candidato o antigo "tenente" Eduardo Gomes, à frente de um projeto liberal-conservador.
b) o candidato do PCB, Eurico Gaspar Dutra, apoiado por setores do getulismo voltados a levar
adiante as conquistas da legislação trabalhista.
c) o PSD, que acabou por apresentar a candidatura de Getúlio Vargas, seu fundador, o qual
derrubado pouco antes do poder, acabou a ele voltando pelo voto popular.
d) o ex-ministro da Guerra do governo Vargas, Eurico Dutra, com uma política conservadora que
incluiu a perseguição aos comunistas e a movimentos populares.
e) o projeto, articulado por Vargas, de manter o controle do poder a partir do presidente eleito,
Eurico Dutra, apoiado pelos getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

7. A partir de 1945 e até a década de 50, observaram-se intensas transformações na esfera política
brasileira, impulsionadas pelos resultados da 2° Guerra Mundial. Dentre tais transformações, destaca-
se:
a) o processo de "redemocratização" baseado no multipartidarismo oriundo do fim do Estado Novo;
b) a modernização industrial sob a liderança das oligarquias nordestinas;
c) a manutenção da economia agroexportadora brasileira com o fim do processo de substituição
de importações;
d) a industrialização regional do Vale do Cariri fortalecida pela ação do Estado Novo;
e) a consolidação dos poderes locais determinada pelos projetos de modernização industrial do
Governo Dutra.

8. A política econômica refletia as tensões da política internacional do pós-guerra. Os Estados Unidos


lideravam os países do mundo capitalista e pretendiam deter o crescimento do mundo comunista,
liderado pela União Soviética. A respeito da política econômica de Dutra é INCORRETO afirmar.
a) Promoveu a associação do capital nacional ao capital internacional.
b) Defendeu a intervenção do Estado na economia.
c) Liberou as importações de bens manufaturados.
d) Criou o Plano SALTE.
e) Permitiu a interferência norte-americana na economia brasileira.

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História

9. (ENEM PPL - 2017) Estão aí, como se sabe, dois candidatos à presidência, os senhores Eduardo
Gomes e Eurico Dutra, e um terceiro, o senhor Getúlio Vargas, que deve ser candidato de algum grupo
político oculto, mas é também o candidato popular. Porque há dois “queremos”: o “queremos” dos
que querem ver se continuam nas posições e o “queremos” popular… Afinal, o que é que o senhor
Getúlio Vargas é? É fascista? É comunista? É ateu? É cristão? Quer sair? Quer ficar? O povo,
entretanto, parece que gosta dele por isso mesmo, porque ele é “à moda da casa”.
(A D M. C. Getulismo
e trabalhismo. São Paulo: Ática, 1989.)

O movimento político mencionado no texto caracterizou-se por


a) reclamar a participação das agremiações partidárias.
b) apoiar a permanência da ditadura estadonovista.
c) demandar a confirmação dos direitos trabalhistas.
d) reivindicar a transição constitucional sob influência do governante.
e) resgatar a representatividade dos sindicatos sob controle social.

10. Senado devolve mandatos de senador a Luiz Carlos Prestes e seu suplente.
O Senado Federal promoveu nesta quarta-feira (22/05/2013) sessão especial para a devolução
simbólica dos mandatos de senador ao líder comunista Luiz Carlos Prestes (1898-1990) e a seu
suplente Abel Chermont (1887-1962). Eleito em 1945 pelo então Partido Comunista do Brasil (PCB),
com a maior votação proporcional da história política brasileira até aquela época, Prestes teve o
mandato cassado em 1947, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter cancelado o registro de seu
partido.
Em discurso de agradecimento na tribuna, a viúva de Luiz Carlos Prestes considerou a devolução
simbólica do mandato de seu marido uma vitória não apenas de sua família, mas de todo o povo
brasileiro, que o elegeu em 1945 com mais de 150 mil votos.
Maria do Carmo destacou o compromisso de Prestes com as causas dos trabalhadores brasileiros e
lembrou sua permanente preocupação com a qualidade dos sistemas públicos de saúde e educação,
com a garantia do direito à moradia e com a defesa de salários decentes a fim de que todos
pudessem viver com dignidade.
(Agência Senado, 22/05/2013.)
A matéria jornalística acima apresentada refere-se a uma reparação por parte do Congresso Nacional
da cassação de mandatos realizada contra membros do PCB em 1947. Essa medida foi deflagrada
pelo governo de Dutra, no contexto do início da Guerra Fria. Entretanto, essa medida entrava em
contradição com a Constituição promulgada em 1946, já que ela tinha um caráter:
a) fascista.
b) liberal.
c) totalitário.
d) autocrático.
e) socialista

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História

Gabarito

1. C
A política econômica de Dutra foi marcada por uma abertura do mercado brasileiro à entrada de
mercadorias importadas principalmente dos EUA. Era uma consequência dos acordos da II Guerra
Mundial e uma tentativa de superar o nacionalismo econômico existente durante o Estado Novo.

2. B
A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial apontou as contradições cada vez mais evidentes no
governo de Vargas que chegará ao fim após o termino do conflito bélico.

3. B
No contexto da Guerra Fria, Dutra se alinha ao bloco capitalista, representado pelos Estados Unidos. Ele
chega, inclusive, a colocar o Partido Comunista (PCB) na ilegalidade.

4. D
O Plano SALTE pretendia estimular as áreas de Saúde, Alimentação, Transporte e Energia – áreas que
correspondiam às letras iniciais do plano. Ele visava direcionar o dinheiro público para setores
emergenciais.

5. E
O Governo Dutra foi marcado por um alinhado com os Estados Unidos, do Bloco capitalista.

6. D
Dutra foi eleito pelo Partido Social Democrático (PSD) em coligação com o Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB).

7. A
A redemocratização será marcada pela volta do multipartidarismo e pelas eleições diretas para
presidente.

8. B
Dutra adotou, ao contrário disso, uma política liberal.

9. D
O trecho fala sobre o final da Era Vargas e as eleições diretas para presidente naquele momento. Relata
também sobre o movimento Queremista que desejava a permanência de Getúlio Vargas no poder.

10. B
A Constituição de 1946 contrastava com o período anterior, o do Estado Novo, que era marcado pela
supressão das liberdades políticas e do poder centrado no Executivo e no fechamento do parlamento.
Mas como houve uma aproximação de Dutra com os EUA, a cassação dos parlamentares do PCB foi
uma consequência da posição tomada na Guerra Fria

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História

O Segundo Governo Vargas (1951-54)

Resumo

Em 1951 Getúlio Vargas retornou ao posto de Presidente da República, agora eleito


democraticamente. Em um clima de tensão política o atual presidente vai assumir em um
momento de instabilidade e crescimento da oposição em relação a sua figura e ao seu
projeto político. Sua atuação vai gerar um importante debate: a forma que o
desenvolvimento econômico do Brasil deveria ser feito. A comunidade política se
fragmentou claramente durante este período: de um lado, aqueles que defendiam o
desenvolvimento através do capital nacional; de outro, aqueles que defendiam a
intervenção do capital internacional.
Com o retorno de Vargas, o populismo, o nacionalismo e o trabalhismo estavam novamente em evidência.
Adepto de um forte intervencionismo na economia, o investimento na indústria de base era um dos pilares
de seu novo governo. Com um forte caráter nacionalista, vai continuar investindo na construção de estatais
nos setores primordiais para a economia brasileira.

“O petróleo é nosso.”
Estrategicamente, Vargas vai investir pesado nos setor de energia e de exploração do petróleo brasileiro
com a criação da Petrobrás. A descoberta de novas reservas de petróleo gerou toda uma discussão em
relação a sua exploração, acirrando ainda mais as disputas entre os defensores da soberania nacional, e
consequentemente apoiadores da construção da estatal e aqueles que defendiam a entrada de empresas
estrangeiras na exploração petrolífera. Os apoiadores do nacionalismo iniciaram uma campanha em favor
do monopólio estatal na exploração do produto com o slogan “O petróleo é nosso.” Contando com o apoio
de uma boa parcela da população, incluindo civis e militares, Vargas vai conseguir que a lei de criação da
estatal seja aprovada em 1953.
O então presidente ainda vai tentar solucionar o problema da energia elétrica que era vista como um
impasse para a expansão industrial brasileira, uma vez que empresas estrangeiras dominavam o setor.
Getúlio vai tentar aprovar o projeto de construção da Eletrobrás no ano de 1954, contudo não vai obter
sucesso porque a oposição, representada principalmente pela UDN e por Carlos Lacerda, ao seu governo
estava cada vez mais forte. Embora a oposição acusasse o presidente de afastar os investimentos de
empresas estrangeiras, é importante salientar que na verdade Vargas era a favor do monopólio estatal em
setores estratégicos e seu governo promoveu uma aproximação com os Estados Unidos, por exemplo, com
a criação da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos (CMBEU). O acordo entre os dois países visava a
aprovação de crédito ao governo brasileiro que seria utilizado para o investimento em obras de
infraestrutura para o país.
Ainda no âmbito econômico, Vargas vai criar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) para
assegurar o investimento e financiamento nos diversos setores da economia brasileira. A organização ainda
tinha a missão de estudar a realidade brasileira para compreender qual era a necessidade de investimento
de forma a potencializar a expansão da indústria nacional.

1
História

Aspectos sociais
Apesar de todo investimento, Vargas passava por uma crise econômica com a alta da
inflação que tornava a vida das classes mais baixas cada vez mais difícil. O presidente vai
ter que lidar com a crescente insatisfação da população, que vai começar a promover uma
série de greves com intuito de reivindicar melhores condições de vida. A greve dos 300 mil
é a mais famosa e a que vai causar um grande impacto no governo, uma vez que o
proletariado vai parar o trabalho por quase um mês. A solução encontrada por Getúlio vai
ser a nomeação de João Goulart, popularmente conhecido como Jango, para o cargo de ministro do
trabalho. Jango possuía a simpatia dos trabalhadores e logo em seguida a sua nomeação tomou uma das
medidas mais polemicas do governo Vargas, o aumento de 100 % do salário-mínimo.
Essa medida vai causar aumentar o desgaste do governo
Vargas com a oposição. O acirramento da tensão entre ambos
foi o fato de que nem os empresários, nem os militares e nem
os conservadores estavam de acordo. O desagrado dos
militares foi tão grande que eles enviaram ao presidente um
manifesto relatando o descontentamento, entretanto Vargas
não retirou o aumento. O então presidente contornou a situação
com duas medidas: demitindo Jango e colocando no lugar um
militar.
Toda essa movimentação aumentou a crise política e o
acirramento das críticas da oposição ao governo Vargas.
Lacerda vai utilizar a imprensa a seu favor e as criticas a Getúlio vai aumentar exponencialmente,
principalmente com denúncias de corrupção dentro do governo.

O atentado da Rua Tonelero


Em 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda sofreu um atentado na
Rua Tonelero onde morava em Copacabana. Foi ferido na perna,
mas Rubens Florentino Vaz, um major da aeronáutica que o
acompanhava, foi morto. O jornalista fez questão de acusar
abertamente o governo de Vargas, criando uma comoção
nacional pela descoberta dos mandantes do atentado. A
investigação chegou até o chefe da guarda pessoal do
presidente, Gregório Fortunato, o que levou os opositores a
apontarem Vargas como o mandante.
Mediante a rápida investigação e aos indícios que apontavam
para um dos funcionários de Vargas, a insatisfação com o
governo vai ficar cada vez maior. A UDN e alguns setores do
exército pressionavam pela saída de Vargas do poder. Após uma intensa pressão, Vargas avisa que não
aceita renunciar depois de receber no dia 23 de agosto um manifesto de generais pedindo a sua saída. No
dia seguinte, Getulio Vargas é encontrado morto com um tiro no coração dentro do palácio do Catete,
deixando uma carta que ficou conhecida como, “A carta-testamento”. Sua morte causou uma comoção no
país e seu enterro foi acompanhado por milhares de pessoas. Em sua carta, Vargas toma um
posicionamento de mártir da pátria ao afirmar:

2
História

“E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto
para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício
ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do
Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não
abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente
dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.” (Trecho da carta de
Getúlio Vargas)
Com sua carta, Vargas conseguiu desestabilizar a oposição. Ela foi suprimida pela reação de pesar da
população com a morte trágica do presidente. Sucedido por seu vice, Café Filho, Getúlio Vargas acaba
assegurando a vitória do candidato da sua base partidária na eleição seguinte.

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História

Exercícios

1. (PUC- Camp 2017) Ao longo da década de 1950, período marcado pelo que se chamou de
“desenvolvimentismo”, manifestou-se uma nova geração de escritores, bastante viva, apostando em
profundo mergulho num Brasil histórico e mítico, como no caso singular de Guimarães Rosa, ou em
tendências de vanguarda, como a dos poetas do “Concretismo”, que concebiam a linguagem como
objeto visual, disposta na página em relação funcional com o espaço branco ou colorido, e
aproveitando ainda, por vezes, o chamamento de recursos gráficos usuais nas mensagens de
propaganda.
(MOREIRA, Tibúrcio. Inédito)
Na década de 1950, o discurso nacionalista ganhou espaço especial a partir do governo de Getúlio
Vargas. Nesse período, o nacional-desenvolvimentismo
a) foi marcado pela ambiguidade e deixava dúvidas sobre qual caminho cultural a ser seguido no
campo das artes e da literatura brasileiras.
b) impediu, em parte, que a estrutura social das cidades se modificasse por influência de valores
culturais, exportados da Europa.
c) buscava definir uma nova cidadania, identificada com os valores culturais nacionais herdados
dos movimentos artísticos europeus.
d) fazia parte dos projetos dos governos e também das discussões culturais na busca dos valores
autênticos, característicos do Brasil.
e) representou a repulsa de setores da elite e também das camadas populares à grande
efervescência cultural e ao movimento concretista.

2. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma agressão constante, incessante, tudo
suportando em silêncio. […] Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo
de quem fui escravo não será mais escravo de ninguém. […] Lutei contra a espoliação do povo. Eu vos
dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte.
(Carta Testamento de Getúlio Vargas, 1954)

Acerca do contexto e personagem identificados no documento citado, é INCORRETO afirmar que:


a) a referência à escravidão feita pelo ex-presidente é um recurso de retórica para afirmar a sua
identificação com os trabalhadores.
b) os mais poderosos adversários de Vargas, nessa conjuntura, os quais ele alega agredi-lo
constantemente, são os comunistas liderados por Luiz Carlos Prestes.
c) a UDN, oposição ao varguismo, pagou um alto preço político por isso, como evidenciou a eleição
de JK.
d) o mais duradouro legado varguista, a legislação trabalhista, permaneceu sem sofrer grandes
alterações por praticamente todas as décadas subsequentes à sua morte.
e) o suicídio de Vargas é um desdobramento da acentuação da crise política em seu governo após
o Atentado da Rua Tonelero.

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História

3. Apesar das pressões e da inexistência, a essa altura, de uma sólida base de apoio a seu governo,
Getúlio equilibrava-se no poder. Faltava à oposição um acontecimento suficientemente traumático
que levasse as Forças Armadas a ultrapassar os limites da legalidade e depor o presidente. Esse
acontecimento foi proporcionado pelo círculo dos íntimos de Getúlio.
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013, p. 355. )
A respeito do trecho acima, qual foi o acontecimento que levou ao desmoronamento do segundo
governo de Getúlio Vargas?
a) vazamento da proposta de criação da Petrobras.
b) nomeação de João Goulart como ministro.
c) escândalos de corrupção envolvendo propriedades ilegais de Vargas denunciado pelo jornal
Tribuna da Imprensa.
d) Atentado da Rua Tonelero, organizado contra Carlos Lacerda.
e) envolvimento clandestino de familiares de Getúlio Vargas com partidos comunistas.

4. (PUC–RS 2012) Em 1950, Getúlio Vargas foi eleito pelo voto direto e implementou inúmeras medidas
características de sua concepção de governo.
Dentre tais medidas aprovadas no mandato 1951-1954, destacam-se:
a) a consolidação das leis trabalhistas e a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social.
b) a consolidação das leis trabalhistas e a estatização da Eletrobrás.
c) a criação da Petrobrás e o aumento de 100% do salário-mínimo.
d) a consolidação das leis trabalhistas e a criação da Companhia Siderúrgica Nacional.
e) a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e o aumento de 100% do salário-mínimo.

5. (UEA 2012)

A caricatura de Getúlio Vargas e a música tocada no rádio referem-se


a) à candidatura de Vargas pela Aliança Liberal, contrária aos interesses da política do café-com-
leite, no final dos anos 1920.
b) à convocação da Assembleia Nacional Constituinte após o movimento armado dos paulistas
realizado em 1932.
c) à censura dos meios de comunicação durante o Estado Novo, permitindo apenas referências
positivas ao presidente.
d) ao apoio popular conquistado por Getúlio em sua candidatura à Presidência da República nas
eleições de 1950.
e) à forma encontrada pela população para expressar a comoção causada pelo suicídio de Getúlio
em 1954.

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História

6. (UNESP-SP 2015) Examine a charge do cartunista Théo, publicada na revista Careta em 27.12.1952.

O apelido de "pai dos pobres", dado a Getúlio Vargas, pode ser associado
a) ao autoritarismo do presidente diante dos movimentos sociais, manifesto na repressão as
associações de operários e camponeses.
b) aos esforços de negociação com a oposição, com a decorrente distribuição de cargos
administrativos e funções políticas.
c) ao caráter popular do regime, originário de uma revolução social e empenhado no combate à
burguesia industrial brasileira.
d) à política de concessões desenvolvida junto a sindicatos, como contrapartida do apoio político
dos trabalhadores.
e) à supressão de legislação trabalhista no país, que obrigava o governo a agir de forma
assistencialista.

7. (ENEM 2009) Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos
grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o
trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo
nos braços do povo. [...] Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através
da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.
(VARGAS, Getúlio. Carta Testamento, Rio de Janeiro, 23/08/1954 (fragmento). Disponível em:
<http://www.rio.rj.gov.br/memorialgetuliovargas/>.Acesso em: 26 jun. 2009.)

O contexto político tratado refere-se a um significativo período da história do Brasil, o 2º Governo de


Vargas (1951-1954), que foi marcado pelo aumento da infiltração do Partido Comunista Brasileiro
(PCB) nos sindicatos e pelo distanciamento entre Getúlio e os militares que o haviam apoiado durante
o Estado Novo. O conteúdo da carta testamento de Getúlio aponta para a
a) existência de um conflito ideológico entre as forças nacionais e a pressão do capital
internacional.
b) tendência de instalação de um governo com o apoio do povo e sob a égide das privatizações.
c) construção de um pacto entre o governo e a oposição visando fortalecer a Petrobrás.
d) iminência de um golpe protagonizado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).
e) pressão dos militares contra o monopólio estatal sobre a exploração e a comercialização do
petróleo.

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História

8. Zuenir Ventura, em seu livro "Minhas memórias dos outros" (São Paulo: Planeta do Brasil, 2005),
referindo-se ao fim da "Era Vargas" e ao suicídio do presidente em 1954, comenta: Quase como
castigo do destino, dois anos depois eu iria trabalhar no jornal de Carlos Lacerda, o inimigo mortal de
Vargas (e nunca esse adjetivo foi tão próprio). Diante daquele contexto histórico, muitos estudiosos
acreditam que, com o suicídio, Getúlio Vargas atingiu não apenas a si mesmo, mas o coração de seus
aliados e a mente de seus inimigos.
A afirmação que aparece "entre parênteses" no comentário e uma consequência política que atingiu
os inimigos de Vargas aparecem, RESPECTIVAMENTE, em:
a) a conspiração envolvendo o jornalista Carlos Lacerda é um dos elementos do desfecho trágico e
o recuo da ação de políticos conservadores devido ao impacto da reação popular.
b) a tentativa de assassinato sofrida pelo jornalista Carlos Lacerda por apoiar os assessores do
presidente que discordavam de suas ideias e o avanço dos conservadores foi intensificado pela
ação dos militares.
c) o presidente sentiu-se impotente para atender a seus inimigos, como Carlos Lacerda, que o
pressionavam contra a ditadura e os aliados do presidente teriam que aguardar mais uma
década para concretizar a democracia progressista.
d) o jornalista Carlos Lacerda foi responsável direto pela morte do presidente e este fato veio
impedir definitivamente a ação de grupos conservadores.
e) o presidente cometeu o suicídio para garantir uma definitiva e dramática vitória contra seus
acusadores e oferecendo a própria vida Vargas facilitou as estratégias de regimes autoritários no
país.

9. (PUC-RS 2009) Com base no texto a seguir, sobre as características do governo de Vargas no período
1951-1954.O retorno de Getúlio Vargas ao poder, em 1951, produziu controvérsias, especialmente
com os países alinhados ao bloco liderado pelos EUA, quando do estabelecimento da Guerra Fria. É
possível observar características desse governo pelas afirmações do próprio presidente em relação à
situação econômica do Brasil:
“...é preciso atacar a exploração das forças internacionais para que o país conquiste sua
independência econômica. Assim como é preciso valorizar o trabalhador.”
As características fundamentais desse governo populista de Vargas são
a) intervencionismo e patrimonialismo.
b) entreguismo e nacionalismo.
c) desenvolvimentismo e empreguismo.
d) nacionalismo e trabalhismo.
e) sindicalismo e internacionalismo.

10. Depois de decênios de domínios e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais,
fiz-me chefe de uma revolução e venci. [...] A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-
se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros
extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário-mínimo se
desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade individual na potencialização das nossas riquezas
através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi
obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja

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História

independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho.
Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. [...] Lutei contra a exploração do
Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. [...] Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte.
Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar
na História."
(Carta Testamento de Getúlio Vargas - 24/08/1954.)

O documento expressa uma política de


a) liberalismo econômico e nacionalismo, características do período em que governou
provisoriamente.
b) estatização, restrição ao capital externo e financeiro, que corresponde ao período no qual foi
eleito diretamente pelo povo.
c) abertura ao capital externo, criação de empresas estatais, como a Eletrobrás e a Petrobrás,
representando o período do Estado Novo.
d) protecionismo estatal e populismo, sintetizando a ditadura legalizada pela constituição "Polaca",
momento político no qual a Carta foi redigida.
e) assistência aos trabalhadores e liberalismo, que ensejava o "Estado mínimo", durante o seu
Governo Constitucional".

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História

Gabarito

1. D
Essa ideologia vai marcar a forma dos governos agirem em prol do desenvolvimento da nação brasileira
e também vai incidir em outros setores, como o da cultura, que cada vez mais buscará fortalecer a
identidade nacional valorizando aquilo que é produzido aqui dentro.

2. B
A oposição de Luiz Carlos Prestes a Getúlio ocorreu durante o primeiro governo varguista, entre 1930 e
1945, sobretudo na luta idealizada pela ANL e pelo PCB, que resultou na Intentona Comunista, de 1935.
Durante o segundo governo de Getúlio Vargas, seu principal adversário político era Carlos Lacerda,
representante da UDN que possuía um discurso inflamado contra Vargas e utilizava do espaço em seu
jornal, Tribuna da Imprensa, para realizar denúncias contra o governo.

3. D
O Atentado da Rua Tonelero foi o acontecimento que levou ao desmoronamento do segundo governo de
Getúlio Vargas. Que teria sido organizado pelo chefe de segurança do Palácio do Catete (palácio
presidencial), Gregório Fortunato, que havia contratado uma pessoa para matar Carlos Lacerda. O
atentado fracassou e o político teve ferimentos leves. O guarda-costas de Lacerda, o major Rubens Vaz,
foi morto durante a ação. As investigações chegaram ao nome de Gregório Fortunato e, em razão disso,
Vargas começou a ser acusado de mandante da tentativa de assassinato.

4. C
Durante seu mandado democrático, Vargas vai investir em indústria de base e o setor energético vai
encontrar um campo propicio com a criação da Petrobrás e o monopólio da exploração do petróleo.
Algumas medidas polêmicas também foram tomadas durante o governo, como o aumento de 100% no
salário-mínimo.

5. D
Embora houvesse uma grande oposição política, Vargas possuía um forte apoio popular a sua
candidatura democrática.

6. D
O apelido pode ser associado ao fato de Vargas ter sistematizado os sindicatos e ter aprovado
benefícios trabalhistas que vinham sendo batalhados pelos proletariados.

7. A
Vargas fala em sua carta testamento sobre a relação conturbada entre aqueles que acreditavam que o
país deveria ser desenvolvido através do capital nacional e aqueles que queriam que a economia
brasileira se abrisse completamente para o capital estrangeiro.

8. A
A oposição de Lacerda ao então presidente, assim como o atentado da Rua Tonelero são fundamentais
para compreendermos a crise política e culminou no suicídio de Vargas e na enorme mobilização
popular em seu favor.

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História

9. D
O governo de Vargas é marcado por medidas que visavam a melhoria da infraestrutura do país com o
capital nacional, a estatização de setores estratégicos e a promoção de melhorias para as classes
trabalhadoras. Entretanto, se faz importante ressaltar que Vargas também atendeu ao interesse das
elites com diversas medidas econômicas e políticas.

10. B
Essa política promoveu o acirramento do clima político que culminou no suicídio de Getúlio Vargas.

10
História

Os Anos JK (1955 – 1961)

Resumo

O Governo de Juscelino Kubitschek


Juscelino Kubitschek foi eleito nas eleições presidenciais de 1955,
após o suicídio de Getúlio Vargas, tendo João Goulart como vice. Sua
candidatura se dá em uma eleição conturbada marcada pelo suicídio
e pela “carta testamento” deixada por Getúlio.
Para aqueles que lutavam contra o Governo de Vargas, JK significava
a continuidade do getulismo. A Escola Superior de Guerra, por exemplo,
vetou a candidatura de JK e rumores de um golpe, começaram a
circular. Uma vez concluídas as eleições, JK foi vitorioso com 36% dos
votos, no entanto, a oposição tentou impugnar as eleições, sob a
justificava de que o novo presidente eleito não havia obtido maioria
absoluta, ou seja, pelo menos 51% dos votos.
Com o crescimento de rumores de um possível golpe, o general Henrique Teixeira Lott precisou intervir para
garantir a posse de JK, em um movimento que ficou conhecido como “golpe preventivo”. O golpe
proporcionou a continuidade da constituição ao assegurar a chegada de Kubitschek ao poder.

O Plano de Metas
O Governo de JK ficou conhecido como um período de desenvolvimento
econômico, cujo principal instrumento foi o Plano ou Programa de Metas. Sob
o slogan “50 anos em 5”, que sintetizava a promessa de obter cinquenta anos
de progresso em cinco anos do governo, esta foi a principal diretriz
econômica do governo de JK. O Programa estabelecia 31 metas distribuídas
em cinco grandes grupos: energia, transportes, alimentação, educação e
indústrias de base. A construção de Brasília, nova capital, foi apresentada
como a síntese de todas as metas.
Para atingir tal objetivo, JK buscou reorganizar a distribuição de incentivos
fiscais, tecnologias e financiamentos, através de “grupos de trabalho” ligados
diretamente à presidência.
Para JK o projeto só poderia ser viabilizado com o auxilio do capital
estrangeiro aliado ao capital nacional, tanto o privado quanto o capital
estatal. Deste modo, abrindo a economia para o capital internacional, atraiu o
investimento de grandes empresas. Foi no governo JK que entraram no país
grandes montadoras de automóveis como, por exemplo, Ford, Volkswagen,
Willys e GM (General Motors).
Com a maior parte dos investimentos concentrados no setor energético, algumas usinas hidroelétricas
foram construídas no Brasil, contudo é importante ressaltar que boa parte do projeto desenvolvimentista se
concentrou na região sudeste. O bom momento era pautado de relativa tranquilidade política e de grande
desenvolvimento econômico para o país que vivia os chamados “anos dourados”, marcado também por uma
efervescência cultural com o surgimento da Bossa Nova.

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História

Criou a SUDENE - Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste,


que tinha por objetivo desenvolver a indústria e melhorar a agricultura
da região Nordeste devido ao alto índice de pobreza e a seca que
acometia esse território constantemente. Dentre as cinco categorias do
Plano de Metas descritas lá em cima a que recebeu menos investimento
foi o campo da educação. Enquanto isso, o investimento maciço ficou
com o setor de transportes com a construção de novas estradas e a
melhoria na infraestrutura de aeroportos.

De 1955 a 1961, o Brasil recebeu mais de 2 bilhões de dólares


destinados ao Programa de Metas e o valor da produção industrial
cresceu 80%. Nesse mesmo período, o país cresceu ao timo de 7,9% ao
ano, o que representava uma alta taxa de crescimento. No entanto, com
os elevados gastos públicos o Programa começou a entrar em déficit, promovendo o endividamento do
Estado.

A Construção de Brasília
Um dos grandes objetivos do governo de JK, a construção de
Brasília tinha como o objetivo a maior integração do território
nacional e o desenvolvimento de seu interior. Com um projeto
de Óscar Niemeyer e Lúcio Costa[, a construção de Brasília se
deu a partir da mão de obra de trabalhadores imigrantes vindo,
sobretudo da região nordeste, estes ficaram conhecidos como
candangos.

Embalados pela vitória do Brasil na copa de 58 e com a Bossa


Nova representando os bons ventos no país, a construção da
nova capital representou um ideal nacionalista e
integracionista ambicionado por JK, tornando-se o símbolo da modernização pela qual o país estava
passando.

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História

Aquele spoiler maroto

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História

Exercícios

1. (ENEM 2010) Não é difícil entender o que ocorreu no Brasil nos anos imediatamente anteriores ao
golpe militar de 1964. A diminuição da oferta de empregos e a desvalorização dos salários, provocadas
pela inflação, levaram a uma intensa mobilização política popular, marcada por sucessivas ondas
grevistas de várias categorias profissionais, o que aprofundou as tensões sociais. Dessa vez, as
classes trabalhadoras se recusaram a pagar o pato pelas “sobras” do modelo econômico juscelinista.
MENDONÇA S.R. Alndustraiação Brasileira, Sio Paulo: Modema, 2002 (atta)

Segundo o texto, os conflitos sociais ocorridos no início dos anos 1960 decorreram principalmente
a) da manipulação política empreendida pelo governo João Goulart.
b) das contradições econômicas do modelo desenvolvimentista.
c) do poder político adquirido pelos sindicatos populistas.
d) da desmobilização das classes dominantes frente ao avanço das greves.
e) da recusa dos sindicatos em aceitar mudanças na legislação trabalhista.

2. Leia o trecho da música abaixo:


“Bossa nova é ser presidente
desta terra descoberta por Cabral.
Para tanto basta ser tão simplesmente:
simpático, risonho, original.
Depois desfrutar da maravilha
de ser o presidente do Brasil,
voar da Velhacap pra Brasília,
ver Alvorada e voar de volta ao Rio.
Voar, voar, voar.[...]”
(Juca Chaves Apud Isabel Lustosa. Histórias de presidentes, 2008.)

A canção Presidente bossa-nova, escrita no final dos anos 1950, brinca com a figura do presidente
Juscelino Kubitschek. Ela pode ser interpretada como a:
a) representação de um Brasil moderno, manifestado na construção da nova capital e na busca de
novos valores e formas de expressão cultural.
b) celebração dos novos meios de transporte, pois Kubitschek foi o primeiro presidente do Brasil a
utilizar aviões nos seus deslocamentos internos.
c) rejeição à transferência da capital para o Planalto Central, pois o Rio de Janeiro continuava a ser
o centro financeiro do país.
d) crítica violenta ao populismo que caracterizou a política brasileira durante todo o período
republicano.
e) recusa da atuação política de Kubitschek, que permitia participação popular direta nas principais
decisões governamentais.

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História

3. “A ideia da transferência da capital se constituiu num dos problemas mais importantes de nossa
evolução histórica, remontando à própria Inconfidência Mineira. As Constituições de 1891, 1934 e
1946 acolheram, expressamente, as aspirações gerais nesse sentido, estabelecendo de forma taxativa
que a transferência se faria para o planalto central do país, sendo que a constituição em vigor ainda
foi mais explícita do que as anteriores, formulando, inclusive, normas para a localização da futura
capital e estabelecendo o processo para a aprovação do local e início da delimitação da área
correspondente, a ser incorporada ao domínio da União.”
BONAVIDES, Paulo, AMARAL, Roberto. Textos políticos da História do Brasil. 3 ed. Brasília: Senado Federal, Conselho
editorial, 2002. v. 7, p. 32.

Na mensagem de JK é claro o histórico interesse do Estado brasileiro em transferir a capital que então
se localizava no Rio de Janeiro. Entre os argumentos favoráveis à transferência da capital, encontrava-
se:
a) a integração nacional, estimulando a ocupação do sertão brasileiro.
b) a saída do Rio de Janeiro, devido à corrupção latente da cidade.
c) a necessidade de deixar a capital longe das ondas modernizantes que chegavam rapidamente às
regiões litorâneas.
d) a necessidade de ocupação do interior do Brasil, já que não houve movimento populacional algum
para essa região durante a história do país.
e) a necessidade de proteger os governantes, na região central do Brasil, era uma estratégia para
em caso de ser deflagrada uma guerra.

4. Observe a Imagem abaixo:

Uma das características do governo de Juscelino Kubitschek foi o estímulo à produção industrial e ao
aumento de consumo por parte das camadas urbanas de rendimento médio. Tal político obteve
sucesso junto à população, e economicamente não teve como consequência:
a) a consolidação do setor de bens de consumo.
b) o aumento da inflação.
c) o aumento da dívida pública.
d) a intensificação da industrialização.
e) o aumento da qualidade de vida da classe operária.

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História

5. (ENEM 2009) A mais profunda objeção que se faz à ideia da criação de uma cidade, como Brasília, é
que o seu desenvolvimento não poderá jamais ser natural. É uma objeção muito séria, pois provém de
uma concepção de vida fundamental: a de que a atividade social e cultural não pode ser uma
construção. Esquecem-se, porém, aqueles que fazem tal crítica, que o Brasil, como praticamente toda
a América, é criação do homem ocidental.
PEDROSA, M. Utopia: obra de arte. Vis – Revista do Programa de Pós-graduação em Arte (UnB), Vol. 5, n. 1, 2006 (adaptado).

As ideias apontadas no texto estão em oposição, porque


a) a cultura dos povos é reduzida a exemplos esquemáticos que não encontram respaldo na história
do Brasil ou da América.
b) as cidades, na primeira afirmação, têm um papel mais fraco na vida social, enquanto a América é
mostrada como um exemplo a ser evitado.
c) a objeção inicial, de que as cidades não podem ser inventadas, é negada logo em seguida pelo
exemplo utópico da colonização da América.
d) a concepção fundamental da primeira afirmação defende a construção de cidades e a segunda
mostra, historicamente, que essa estratégia acarretou sérios problemas.
e) a primeira entende que as cidades devem ser organismos vivos, que nascem de forma
espontânea, e a segunda mostra que há exemplos históricos que demonstram o contrário.

6. (ENEM 2019) Tratava-se agora de construir um ritmo novo. Para tanto, era necessário convocar todas
as forças vivas da Nação, todos os homens que, com vontade de trabalhar e confiança no futuro,
pudessem erguer, num tempo novo, um novo Tempo. E, à grande convocação que conclamava o povo
para a gigantesca tarefa, começaram a chegar de todos os cantos da imensa pátria os trabalhadores:
os homens simples e quietos, com pés de raiz, rostos de couro e mãos de pedra, e no calcanho, em
carro de boi, em lombo de burro, em paus-de-arara, por todas as formas possíveis e imagináveis, em
sua mudez cheia de esperança, muitas vezes deixando para trás mulheres e filhos a aguardar suas
promessas de melhores dias; foram chegando de tantos povoados, tantas cidades cujos nomes
pareciam cantar saudades aos seus ouvidos, dentro dos antigos ritmos da imensa pátria... Terra de
sol, Terra de luz... Brasil! Brasil! Brasília!
MORAES, V.; JOBIM, A. C. Brasília, sinfonia da alvorada. Ill — A chegada dos candangos. Disponível em:
www.viniciusdemoraes.com.br. Acesso em: 14 ago. 2012 (adaptado).

No texto, a narrativa produzida sobre a construção de Brasília articula os elementos políticos e


socioeconômicos indicados, respectivamente, em:
a) Apelo simbólico e migração inter-regional.
b) Organização sindical e expansão do capital.
c) Segurança territorial e estabilidade financeira.
d) Consenso partidário e modernização rodoviária.
e) Perspectiva democrática e eficácia dos transportes.

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História

7. O presidente Juscelino Kubitschek visita a fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP),
em novembro de 1959. Nesse período, a indústria brasileira ingressa definitivamente no restrito clube
de países que dominam a tecnologia de fabricação de automóveis.

A foto e o texto indicam a política adotada por JK durante seu governo. Analise as alternativas abaixo
e assinale a que NÃO apresenta relação com as medidas adotadas por esse governo.
a) Em seus discursos, o referido presidente divulga a ideia de um amplo desenvolvimento industrial
e infra estrutural, com o slogan "50 anos em 5".
b) Ao adotar o "Plano de Metas", JK privilegia setores de infraestrutura, como transporte e produção
(ou geração) de energia.
c) Com a política de incentivos governamentais, como a redução de tarifas, várias multinacionais
foram implantadas em nosso território.
d) A criação da Petrobrás e da Eletrobrás, ambas estatais, serviriam como estratégia para a
implantação de indústrias automobilísticas.
e) Promoção do desenvolvimento regional, com destaque para a criação da SUDENE e abertura de
novas estradas no interior do País.

8. Em um de seus discursos, o presidente Juscelino Kubitschek afirmou: "O puro, o nobre e inteligente
nacionalismo não se confunde com xenofobia. Da mesma maneira que a independência política de
uma nação não significa animosidade contra os estrangeiros, nem a recusa aos intercâmbios
econômicos ou relações financeiras com os países mais ricos ou mais favorecidos em valores
econômicos".
(In: CARDOSO, Miriam Limoeiro. "Ideologia do Desenvolvimento". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. p. 158.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o período JK, é correto afirmar:

a) O discurso nacionalista sob a ótica desenvolvimentista de JK possuía conteúdo semelhante


àquele estabelecido na Era Vargas: ambos minimizaram a importância do capital externo.
b) A ideologia do "desenvolvimentismo" no período JK assumiu a entrada de capitais estrangeiros
no país como um recurso legítimo que expressava o verdadeiro patriotismo.

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História

c) O "desenvolvimentismo" do período JK objetivou a consolidação da vocação agrícola da


economia brasileira, promovendo a "Marcha para Oeste", política que alavancou a agricultura de
exportação.
d) Para a indústria brasileira, que passava por uma fase de retração, o"desenvolvimentismo" de JK
foi pernicioso, pois propunha um nacionalismo xenófobo.
e) O "Plano de Metas", programa de governo do então candidato JK, colocado em prática logo após
sua eleição, visava primordialmente ao desenvolvimento da agricultura de exportação, instituindo,
para esse fim, o "confisco cambial".

9. Existem dois países, entre os quais é difícil distinguir o verdadeiro; na fazenda do interior, o homem do
campo trabalha de enxada e transporta uma colheita insignificante em carroças rangentes (...); na
cidade de São Paulo, a cada hora termina-se um prédio.
(LAMBERT, Jacques. Os dois Brasis. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.)

META DE FAMINTO JK - Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas
com asfalto brasileiro, com gasolina brasileira. Que mais quer? JECA - Um prato de feijão brasileiro,
seu doutô!
(THÉO, 1960. In: LEMOS, Renato. "Uma história do Brasil através da caricatura". Rio de Janeiro: Bom Texto, Letras e
Expressões, 2001.)

O texto e a charge representam, de formas diferentes, um dos principais dilemas do


desenvolvimentismo no governo Juscelino Kubitschek, durante a metade da década de 1950. A
alternativa que melhor apresenta esse dilema é:
a) os contrastes culturais e educacionais entre as elites paulistas e nortistas
b) a desigualdade política e ideológica entre as oligarquias nordestinas e sulistas
c) a defasagem histórica e tecnológica entre o setor petrolífero e o agroexportador
d) as disparidades econômicas e sociais entre os setores agrário e urbano-industrial
e) o aumento do poder econômico das classes C e D elevou o consumo no país.

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História

10. Bossa-nova mesmo é ser presidente desta terra descoberta por Cabral. Para tanto basta ser tão
simplesmente simpático... risonho... original.
(Juca Chaves)
RETRATO DO VELHO
Bota o retrato do velho outra vez Bota no mesmo lugar O sorriso do velhinho Faz a gente se animar,
oi. (...) O sorriso do velhinho Faz a gente trabalhar.
(Marino Pinto e Haroldo Lobo)

Os estilos de governar de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek são abordados nas letras de
música acima.

Um elemento comum das políticas econômicas destes dois governos está indicado na seguinte
alternativa:
a) trabalhismo
b) monetarismo
c) industrialismo
d) corporativismo
e) consumismo

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História

Gabarito

1. B
O desenvolvimentismo, uma das características do governo de JK, proporcionou o crescimento da
produção industrial de bens de consumo, como eletrodomésticos e automóveis. Os principais
beneficiados com essa medida foram as camadas urbanas de rendimento médio e os capitalistas
industriais, que viram suas indústrias crescerem. Entretanto, o custo desse crescimento acelerado foi a
alta na inflação, o endividamento do país e o aumento das desigualdades sociais.

2. A
O moderno que é expresso na canção diz respeito tanto à novidade da criação artística do período, com
a bossa-nova, quanto às modernizações que JK se propunha a realizar, como a possibilidade de
encurtar as distâncias, através da utilização de novos meios de transporte.

3. A
Com a construção da nova capital no interior do país, JK pretendia iniciar um projeto histórico de
integração das diversas regiões do país.

4. E
O incentivo ao consumo de bens individuais, como eletrodomésticos e automóveis, beneficiou
principalmente as classes de rendimento mais alto ou médio. O crescimento da inflação aumentava o
custo de vida principalmente para a classe operária, cujo consumo se direcionava a produtos mais
básicos, como alimentação, vestuário e habitação.

5. E
O autor entende que a construção da cidade deve se dar de forma natural, mas ao mesmo tempo cita a
colonização americana pelo ocidente como uma forma de contrapor a afirmativa anterior.

6. A
O texto retrata o apelo criado em torno da construção da nova capital do país, assim como mostra o
intenso fluxo migratório estimulado pela necessidade de mão de obra e pela péssima qualidade de vida
enfrentada pela população, principalmente do nordeste.

7. D
A Eletrobrás e a Petrobrás foram criadas durante o governo de Getúlio Vargas.

8. B
Para JK, os investimentos estrangeiros seriam fundamentais para o desenvolvimento econômico e por
esse motivo expressaria patriotismo.

9. D
A charge e o texto trazem críticas a desigualdade social – especialmente nas zonas agrárias – que o
plano de metas não pôde superar.

10. C
O investimento no desenvolvimento industrial é um dos aspectos comuns dos governos de JK e Getúlio
Vargas.

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História

João Goulart e o Golpe Militar (1961 – 1964)

Resumo

Com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, a presidência da República deveria ser


assumida por João Goulart. Porém, ao longo de sua vida política esteve ligado a
forças getulistas e era visto pelas camadas conservadoras como inclinado ao
comunismo. Para o agravamento das suspeitas, quando Jânio renunciou, Jango se
encontrava em visita a China comunista, o que motivou os setores conservadores a
conspirarem contra a sua posse.
Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, liderou a Campanha da Legalidade
para garantir que o então vice-presidente ocupasse o cargo. Como solução para o
impasse político, adotou-se, então, o sistema de governo parlamentarista, por meio
do qual o poder do presidente estaria limitado. Contudo, em janeiro de 1963 um
plebiscito decidiu pela volta do presidencialismo. João Goulart, conhecido
popurlamente como
Com seus plenos poderes restituídos, Goulart esteve atento às reivindicações Jango.

sociais, o que desagradava os grandes proprietários de terra e empresários. No âmbito econômico, Jango
procurou diminuir a participação de empresas estrangeiras em importantes setores e instituiu um limite para
a remessa de lucros internacionais. Precisou lidar com a alta inflação que rondava o país a anos e para isso
criou o Plano Trienal. O propósito da sua criação visava mais do que a estabilização da economia, mas
também uma forma de intermediar um aumento no salário mínimo que estivesse de acordo com o aumento
da inflação.
Goulart defendia ainda as chamadas reformas de base, que incluíam reforma agrária, tributária,
administrativa, bancária e educacional. Entretanto, como possuía pouca base de apoio da direita brasileira
que olhava para seu mandato com suspeita, o então presidente vai se aproximar da esquerda para dar inicio
as reformas citadas a cima. Com muitos tópicos polêmicos, como uma maior intervenção do Estado na
economia, Jango vai aumentar o descontentamento do Congresso com seu governo e as tensões ao seu
redor ao começar a participar de diversos comícios para promover suas
reformas.
No dia 13 de março de 1964, durante um comício na Central do Brasil, no
Rio de Janeiro, no qual havia mais de 300 mil pessoas, Jango anunciou o
início às reformas de base. Toda essa movimentação política vai despertar
a preocupação dos setores contrários ao governo de Jango em torno de
uma suposta preocupação com a segurança nacional. Além disso, como
estava inserido no contexto da guerra Fria, muitas de suas medidas serão
vistas como um alinhamento com o bloco socialista, o que vai levar aos
EUA a se juntar com a oposição para a derrubada de João Goulart.
A reação da oposição em relação as medidas tomadas pelo presidente
Reportagem relatava o comicio na central e
foi imediata. Dias depois ocorreu a Marcha da Família com Deus pela
o inicio das reformas de base. Última Hora,
Liberdade, reunindo setores da população contrários às reformas de 1964
base, como empresários, grandes emissores de televisão e até
mesmo setores da Igreja Católica.

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História

Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

No dia 25 de março eclode a Revolta dos marinheiros, aos quais Jango se recusou a punir anistiando-os
após o fim do levante, levando a um descontentamento dos militares de patente mais alta devido a quebra
de hierarquia. Em 31 de março de 1964, os militares, com o apoio dos Estados Unidos, deram início a um
golpe de Estado. O presidente se refugiou no Rio Grande do Sul, de onde seguiu para o exílio no Uruguai e
Argentina.

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História

Exercícios

1. (UNESP 2017) Observe o cartaz, relativo ao plebiscito realizado em janeiro de 1963.

O cartaz alude à situação histórica brasileira marcada por

a) estabilidade política, crescimento da economia agroindustrial e baixas taxas de inflação.


b) renúncia presidencial, debates sobre sistema de governo e projetos de reforma social.
c) ascensão de governos conservadores, despolitização da sociedade e abolição de leis trabalhistas.
d) deposição do presidente da República, privatizações de empresas estatais e adoção do
neoliberalismo.
e) autoritarismos governamentais, restrições à liberdade de expressão e cassações de mandatos
de parlamentares.

2. Após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, os ministros militares julgaram


inconveniente à segurança nacional o regresso do presidente João Goulart (então no estrangeiro) ao
Brasil, a fim de tomar posse. Temendo a deflagração de uma guerra civil ou golpe militar, o Congresso
contornou a crise aprovando um Ato Adicional à Constituição de 1946 para limitar os poderes do novo
presidente. Por esse Ato Adicional:
a) Foi instaurado o sistema parlamentarista de governo.
b) O vice-presidente não seria mais considerado presidente do Congresso Nacional.
c) Admitia-se a pena de morte para os casos de subversão.
d) Instalava-se a Revolução de 1964
e) Estabeleceu-se o Ato Institucional nº 5, e o Congresso entrou em recesso.

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História

3. Após o parlamentarismo ter sido derrubado no plebiscito de 1963 e os plenos poderes presidenciais
terem sido restabelecidos para João Goulart, foi montado um quadro administrativo com nomes como
Celso Furtado e San Tiago Dantas. A partir disso, foi criado o plano trienal, que tinha como objetivo:
a) promover a emissão de papel-moeda para combater a inflação.
b) promover o combate à inflação e o crescimento econômico.
c) combater a influência estrangeira, principalmente americana, na economia brasileira.
d) promover a integração econômica do Brasil com a China.
e) promover reformas no Exército a fim de anular os elementos que defendiam uma intervenção no
governo.

4. "Perdendo o terreno na luta mobilizatória, os golpistas militares e civis aceitaram uma solução de
compromisso aprovada no Congresso: a instauração do regime parlamentarista. Entre os dias 5 e 7
de setembro, Jango retornou a Brasília, prestou juramento como presidente da República e iniciou um
governo extremamente tenso e instável." (Edgard Luiz de Barros. "O Brasil de 1945 a 1964") Esta "perda
de terreno na luta mobilizatória", à qual o texto se refere, é:
a) ampla participação dos trabalhadores no comício da Central do Brasil, em apoio às medidas
nacionalistas propostas pelo presidente Jango;
b) denominada Rede da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, com apoio de outros governadores
e do III Exército, pela posse constitucional de Jango;
c) ampla participação de diferentes setores sociais progressistas na Marcha de Família com Deus
pela Liberdade na defesa do parlamentarismo, como uma saída controlada para a posse de
Jango;
d) articulação de Tancredo Neves com parlamentares, radicalizando-os contra os militares e civis
golpistas em prol da política proposta por Jango;
e) apoio e, simultaneamente, paralisação, por 72 horas, de trabalhadores da cidade e do campo pela
posse de Jango.

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História

5. Observe a charge

A charge publicada no início dos anos 60, apresenta um momento de crise na política brasileira.
Marque a alternativa que APRESENTA a mensagem contida na charge sobre essa crise.
a) João Goulart tentou implementar uma política voltada para os descamisados.
b) A reforma agrária proposta por João Goulart levaria o Brasil a fome e a miséria.
c) o estilo de governo de João Goulart estava entre os modelos soviéticos e americanos.
d) o modelo canadense e americano seria de abundância e fartura para o estrangeiro.
e) o modelo russo é apresentado como a morte, em função do resultado da 2ª Guerra.

6. Observe a charge:

Charge de Lan, Jornal do Brasil, Junho de 1963. In: MOTTA, Rodrigo P. Sá. Jango e o golpe de 1964 na caricatura. Rio
de Janeiro: Zahar, 2006. P. 74

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História

Considerando o contexto em que a charge foi veiculada e as informações por ela mostradas, é possível
relacioná-la ao fato de
a) o presidente colocar-se acima dos embates políticos, valendo-se de um amplo programa
reformista que agradava a todas as tendências políticas.
b) o radicalismo das esquerdas obrigar o presidente a buscar apoio nos setores militares, únicos
capazes de mantê-lo no poder.
c) o crescimento das reivindicações de trabalhadores rurais obrigar o presidente a aprofundar a
reforma agrária, a despeito da oposição conservadora.
d) a intensa pressão soviética sobre o Brasil colocar o presidente numa difícil situação, levando-o a
romper relações com os Estados Unidos.
e) a ambiguidade política do presidente enfraquecia seu poder, e colocava-o sob o risco de ser
derrubado tanto por forças de esquerda quanto pelas Forças Armadas.

7. Observe a foto a seguir. Ela ilustra um acontecimento que levou às ruas 300 mil pessoas e ficou
conhecida como “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

Fonte: Arquivo O Globo

A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, realizada em março de 1964 na cidade de São Paulo,
foi:
a) uma demonstração de forças conservadoras de direita contra o que chamavam de esquerdismo
e comunismo do governo João Goulart.
b) uma manifestação de apoio das famílias de trabalhadores brasileiros ao governo do presidente
Goulart.
c) uma resposta das massas populares, apoiando as Reformas de Base, após o Comício na Central
do Brasil em 13 de março de 1964.
d) um movimento das classes trabalhadoras em de repúdio as propostas do atual presidente João
Goulart.
e) as “marchas" foram organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas e
trabalhadores Urbanos descontentes com o governo.

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História

8. (MACKENZIE 2014) Havia dois golpes em marcha. O de Jango viria amparado no “dispositivo militar”
e nas bases sindicais, que cairiam sobre o Congresso, obrigando-o a aprovar um pacote de reformas
e a mudança das regras do jogo da sucessão presidencial. (...)O ex-governador gaúcho Leonel Brizola
achava que viria de cá, do presidente, seu cunhado....Fazia tempo que Brizola repetia:“Se não dermos
o golpe, eles o darão contra nós”.
Elio Gaspari. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p.51

O texto acima relata os momentos decisivos que levaram ao golpe contra João Goulart, em 1964. Nele,
há a citação de “dois golpes em marcha”. Um está explicitado do excerto, o outro está corretamente
indicado em uma das alternativas abaixo. Trata-se
a) das articulações do capital externo, capitaneado pelos Estados Unidos, tendo à frente, no Brasil,
partidos da oposição ao presidente Goulart, como o PTB.
b) do golpe civil-militar - setores opositores das medidas tidas como esquerdizantes do até então
presidente Goulart - apoiados decisivamente pelos Estados Unidos.
c) do golpe militar que resultou na retirada de João Goulart da presidência, impondo um governo de
exceção ao Brasil, marcado, por sua vez, pelas garantias das liberdades individuais.
d) de conspirações oposicionistas às “Reformas de Bases” - amplo programa de base populista,
visando às reformas estruturais -, consolidando uma reforma agrária radical já em curso no Brasil.
e) da luta armada a João Goulart, pois com sua ascensão, o capital externo passou a consolidar seu
domínio sobre o país, com a marginalização das camadas populares.

9. (ENEM 2011) Em meio às turbulências vividas na primeira metade dos anos 1960, tinha-se a
impressão de que as tendências de esquerda estavam se fortalecendo na área cultural. O Centro
Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) encenava peças de teatro que
faziam agitação e propaganda em favor da luta pelas reformas de base e satirizavam o imperialismo”
e seus “aliados internos”.
KONDER, L. História das Ideias Socialistas no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2003 .

No início da década de 1960, enquanto vários setores da esquerda brasileira consideravam que o CPC
da UNE era uma importante forma de conscientização das classes trabalhadoras, os setores
conservadores e de direita (políticos vinculados à União Democrática Nacional - UDN -, Igreja Católica,
grandes empresários etc.) entendiam que esta organização
a) constituía mais uma ameaça para a democracia brasileira, ao difundir a ideologia comunista.
b) contribuia com a valorização da genuína cultura nacional, ao encenar peças de cunho popular.
c) realizava uma tarefa que deveria ser exclusiva do Estado, ao pretender educar o povo por meio da
cultura.
d) prestava um serviço importante à sociedade brasileira, ao incentivar a participação política dos
mais pobres.
e) diminuía a força dos operários urbanos, ao substituir os sindicatos como instituição de pressão
política sobre o governo.

7
História

10. (ENEM 2017) No período anterior ao golpe militar de 1964, os documentos episcopais indicavam para
os bispos que o desenvolvimento econômico, e claramente o desenvolvimento capitalista, orientando-
se no sentido da justa distribuição da riqueza, resolveria o problema da miséria rural e,
consequentemente, suprimiria a possibilidade do proselitismo e da expansão comunista entre os
camponeses. Foi nesse sentido que o golpe de Estado, de 31 de março de 1964, foi acolhido pela Igreja.
MARTINS, J. S. A política do Brasil: lúmpen e místico. São Paulo: Contexto, 2011 (adaptado).

Em que pesem as divergências no interior do clero após a instalação da ditadura civil-militar, o


posicionamento mencionado no texto fundamentou-se no entendimento da hierarquia católica de que
o(a)
a) luta de classes é estimulada pelo livre mercado.
b) poder oligárquico é limitado pela ação do Exército.
c) doutrina cristã é beneficiada pelo atraso do interior.
d) espaço político é dominado pelo interesse empresarial.
e) manipulação ideológica é favorecida pela privação material.

Gabarito

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História

1. B
O cartaz se refere ao plebiscito de 1963 sobre a continuação do parlamentarismo ou a volta do
presidencialismo. A propaganda certamente era favorável a volta do presidencialismo, o que ampliaria
o poder do então presidente João Goulart que havia prometido colocar em prática as reformas de base.

2. A
Com o parlamentarismo, Jango teria seus poderes limitados, no entanto, o modelo acabou sendo um
acordo entre políticos e militares que defendiam a legalidade de Jango, político do centro e os grupos
que temiam uma postura de esquerda e de reformas sociais do então vice-presidente. O acordo evitou
confrontos mais tensos entre os lados.

3. B
O plano trienal foi adotado pelo governo de João Goulart após o plebiscito de 1963 ter restituído a
integridade de seus poderes políticos. Esse plano pretendia combater a escalada da inflação e promover
o crescimento da economia brasileira, que mostrava sinais de enfraquecimento; entretanto, ele falhou,
pois não havia colaboração dos grupos da sociedade que criticavam as suas propostas. O sinal do
fracasso foi dado pelos índices econômicos de 1963, pois a inflação alcançou 25% até maio, e o PIB
cresceu apenas 1,5% em 1963, diferentemente dos 5,2% do ano anterior.

4. B
Enquanto setores militares tentaram impedir a posse de João Goulart, a Campanha da legalidade
defendeu a manutenção da ordem jurídica e a posse do então vice presidente.

5. C
Adotando medidas reformistas, João Goulart buscava transformações sociais sem o questionamento
do modo de produção capitalista. Por este motivo, podemos dizer que buscava um modelo entre o norte
americano e o soviético.

6. E
As ambiguidades o afastavam tanto de setores das esquerdas (que reivindicavam medidas
revolucionárias), quanto da direita, que temia as suas medidas reformistas.

7. A
A marcha se opunha as “reformas de base” propostas por Jango, acusando-o de uma aproximação ao
comunismo.

8. B
O outro golpe é o civil-militar que se concretizou com o apoio de setores da população que eram contra
o governo de João Goulart e que foram apoiados pelos Estados Unidos através da Operação Condor,
que visava barrar o crescimento do comunismo na América Latina.

9. A
Todas essas manifestações culturais eram vistas como uma forma de doutrinar os trabalhadores em
favor do comunismo, uma vez que eles teciam criticas a exploração promovida pelo capitalismo em
cima do proletariado.

10. E
A Igreja Católica foi uma das instituições civis que apoiaram o golpe civil-militar com o intuito de barrar
uma suposta expansão comunista dentro do país. Pelo texto podemos identificar que um dos ideais da
igreja era o de que a privação material faria com que as pessoas fossem mais facilmente doutrinadas.
Então a solução seria uma ampliação do capitalismo aliado a uma distribuição de riquezas.

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História

O Governo Jânio Quadros (1961)

Resumo

Jânio Quadros saiu vitorioso das eleições diretas para presidente do Brasil em 1960,
apoiado pela União Democrática Nacional (UDN) que buscava barrar a continuidade
do getulismo e o candidato da oposição marechal Henrique Lott. Embora tenha
conseguido se eleger, seu vice não teve o mesmo sucesso e ele precisou governar ao
lado de João Goulart, o vice da oposição.
Apesar da aparência excêntrica, Jânio Quadros foi um político conservador. Desde o
início, não hesitou em reprimir os protestos camponeses, controlar os sindicados e
mandar prender estudantes em manifestação. No âmbito da política interna, também
levantava a bandeira do combate a corrupção. Durante a campanha eleitoral usou a
vassoura como o símbolo do seu governo, pois prometia varrer do país a corrupção
Jânio Quadros.
nos meios políticos e administrativos.
Para facilitar a administração e diminuir a burocracia, o então presidente ficou conhecido por enviar
memorandos diretamente a sua base governamental que foram apelidados de “bilhetinhos de Jânio”.
No que diz respeito a economia, Jânio se deparou com o endividamento do Estado, herança dos tempos do
governo JK. Para tentar contornar essa situação, adotou medidas impopulares, como o congelamento dos
salários, a restrição ao crédito, desvalorização da moeda nacional e a retirada de subsídios para o petróleo
e outras áreas.
No âmbito da política interna, Jânio buscou uma alternativa para melhorar a sua governabilidade: se
distanciar dos antigos partidos políticos e da “politicagem” que estava alastrada no país. Além disso,
instalou uma corrida contra a corrupção dentro do governo, denunciando políticos independentemente de
partidarismo. Contudo, sua medida causou exatamente o efeito oposto levando a um descontentamento por
parte dos partidos políticos com sua “caça as bruxas”, inclusive daqueles que faziam parte da sua base de
apoio, como a UDN.
Apesar do curto mandato, deu inicio a uma série de medidas importantes, como a criação de reservas
indígenas brasileiras e o Parque Nacional