Você está na página 1de 43

Síntese de conteúdo da disciplina

Comunicação e Linguagem
CICLO 1
Professora responsável: Amanda Raiz
Claretiano – Centro Universitário
O QUE É COMUNICAÇÃO?
Definição:
1. Ação ou resultado de (se) comunicar, de transmitir e receber mensagens.
2. Conceito, capacidade, processo e técnicas de transmitir e receber ideias, mensagens,
visando a troca de informação, instrução etc.

Para a Linguística:
“A comunicação é a troca verbal entre um falante, que produz um enunciado destinado a
outro falante, o interlocutor [receptor], de quem ele solicita a escuta e/ou uma resposta [...]. “
(DICIONÁRIO DE LINGUÍSTICA, 2006, p. 129.)

Alguém que fala (que emite uma mensagem/ideia) – EMISSOR


Alguém que escuta – RECEPTOR
Algo que é falado/escutado - MENSAGEM
Por que precisamos estudar a Comunicação e a Linguagem?
Porque faz parte de nossa essência.
Porque os seres que convivem em sociedade precisam se comunicar.
Porque um precisa fazer o outro entender algo que quer, pensa, fala.
A COMUNICAÇÃO É ESSENCIAL AO SER HUMANO!

Como nos comunicamos? Por meio de...


• Gestos
• Imagens
• Sons
• Palavras

Somente o homem é dotado da capacidade de se comunicar?


Não. Os animais também se comunicam, mas por meio da linguagem não verbal.
O QUE É LINGUAGEM?
É a capacidade específica à espécie humana de
comunicar por meio de um sistema de signos vocais (ou
língua).

Linguagem não verbal: sons, imagens, gestos, desenhos


etc.

Linguagem verbal: palavras – signos linguísticos.


Língua: instrumento de comunicação, um sistema de signos
vocais específicos aos membros de uma mesma
comunidade.

Sistema de signos.

Conjunto de convenções e regras adotadas por um corpo social


para exercer a faculdade da linguagem.

Sistema de relações – signos não têm valor se não estiverem


relacionados uns aos outros.
CASA
CASA MODERNA
LINGUAGEM VERBAL: constituída de palavras – signos linguísticos.

SIGNO LINGUÍSTICO

/kaza/

CASA
1. Maria não foi à aula hoje.
2. Maria está doente.

Maria não foi à aula hoje PORQUE está doente.

1. Há profundidade nas palavras da canção de Chico Buarque.


2. Percebi isso ao ler a letra da canção mais de uma vez.

SOMENTE percebi que há profundidade nas palavras da canção de


Chico Buarque ao ler a letra mais de uma vez.
LÍNGUA x FALA
Língua: é um produto social.
conjunto de regras ordenadas e seguidas por
todos os falantes.

Fala: tem caráter individual.


apropriação individual desse conjunto de signos
e suas regras.
expressão do ato de criação.
é um ato livre.
Língua falada x Língua escrita

Língua falada: expressão da oralidade.


pode ou não estar adequada à norma padrão.
adequada à situação de fala (gírias, jargões profissionais etc.).

Língua escrita: forma de expressão não oral.

precisa estar adequada à situação de comunicação, que pode ser


formal ou informal.

a situação de comunicação formal requer que sejam seguidas as


regras da norma padrão.
PRODUÇÃO DE TEXTO

• Transmitir uma mensagem ao leitor.


• Utilizar o código (língua portuguesa)
adequadadamente.

O QUE ESCREVER?
PARA QUE/QUEM ESCREVER?
COMO ESCREVER?

EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR


RELAÇÃO LINGUAGEM – SOCIEDADE – CULTURA

Vivência em sociedade.

Necessidade de se comunicar uns com os outros.

não verbal
Uso da linguagem
verbal

Produto da cultura.
A
O cartaz.
O desejo.
O pai.
O dinheiro.
O ingresso.
O dia. Questões dissertativas para discussão
A preparação.
A ida. 1. A contém enunciados com erros gramaticais? E
O estádio. B?
A multidão.
A expectativa. 2. Em A, vemos somente artigos e substantivos e
A música. não há verbos. Isso prejudica a compreensão do
A vibração. texto? Explique.
A participação.
O fim. 3. B tem enunciados “completos”, ou seja, estão
A volta. presentes artigos, substantivos, adjetivos, verbos
O vazio. etc. que formam enunciados com a estrutura
gramatical clássica (SUJEITO + PREDICADO). O
modo como tais enunciados foram construídos e
B relacionados uns aos outros propicia a
O sol é quadrado, azul como a goiaba. No entanto, se compreensão? Explique.
você realmente me ama, porque não desata o nó da
gravata do cachorro, que voa alto e livre pela maré
solta.
4. Partindo do pressuposto de que se considera como texto toda unidade
básica de manifestação linguística, dotada de certa lógica, o que vai permitir
que o leitor compreenda o que foi escrito, responda: o texto A e o texto B
podem ser considerados textos? Explique.
_________________________________________________

Veja o que está escrito abaixo:


1. Fogo 2. Fogo!
Nota-se que há somente uma palavra em 1 e em 2. Contudo, em 2, há a
presença do ponto de exclamação. Então:

a. explique o que é possível ser compreendido na situação 2.

b. em 2, a construção de somente uma palavra, caso faça sentido a quem


ouve ou lê, por exemplo, pode ser considerada um texto? Explique.
Texto: toda unidade básica de manifestação linguística destinada à
comunicação de mensagens, ideias, informações etc. e dotada de certa lógica, o
que vai permitir que o leitor compreenda o que foi escrito.

Contexto: todo e qualquer texto é baseado no conhecimento do mundo real


dos falantes - condição cuja finalidade é contribuir com a significação global.
Considera-se, então, os elementos que influenciam a mensagem.
Está relacionado à situação de comunicação.
As palavras são as mesmas, os sons são os mesmos, mas o significado vai
depender e mudar conforme o contexto.
Discurso: “[...] toda atividade comunicativa entre interlocutores; atividade
produtora de sentidos que se dá na interação entre falantes. O falante/ouvinte,
escritor/leitor são seres situados num tempo histórico, num espaço geográfico;
pertencem a uma comunidade, a um grupo e por isso carregam crenças, valores
culturais, sociais, enfim a ideologia do grupo, da comunidade de que fazem
parte. Essas crenças, ideologias são veiculadas, isto é, aparecem nos discursos. É
por isso que dizemos que não há discurso neutro, todo discurso produz sentidos
que expressam as posições sociais, culturais, ideológicas dos sujeitos da
linguagem. Às vezes, esses sentidos são produzidos de forma explícita, mas na
maioria das vezes não. Nem sempre digo tudo que penso, deixo nas entrelinhas
significados que não quero tornar claros ou porque a situação não permite que
eu o faça ou porque não quero me responsabilizar por eles, deixando por conta
do interlocutor o trabalho de construir, buscar os sentidos implícitos,
subentendidos. Isso é muito comum, por exemplo, nos discursos políticos, no
discurso jornalístico, e mesmo nas nossas conversas cotidianas.”
BRANDÃO, H. H. N. Analisando o discurso. [s/d]. Disponível em:
http://paginapessoal.utfpr.edu.br/cfernandes/analise-do-
discurso/textos/analisandoodiscursonagaminebrandao.pdf/view.
FATORES DE TEXTUALIDADE
Permitem que um texto seja considerado texto.

1. Coerência.
2. Coesão.
3. INTENCIONALIDADE.
4. ACEITABILIDADE.
5. SITUACIONALIDADE.
6. INFORMATIVIDADE.
7. INTERTEXTUALIDADE.
INTERTEXTUALIDADE: um texto faz alusão a outro.
Há um “diálogo” de um texto com outro.
Acontece quando há uma referência explícita ou implícita de um texto em
outro.
Quadrilha
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo


que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Quadrilha
Zack Magiezi

João que amava Teresa que curtia as fotos de Raimundo


que seguia todos os posts da Maria
que adorava conversar no Whatsapp com Joaquim
que acha perfeita a vida fotográfica de Lili,
que na verdade era uma solitária.
João foi para os Estados Unidos, Teresa deletou sua conta,
Raimundo criou um perfil fake para continuar seguidor,
Maria foi bloqueada, Joaquim sentiu-se invisível
e Lili cansou de falsificar felicidade que às vezes está no simples encontro real.
Texto: Fatores de textualidade - Coesão e Coerência

Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa


esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraquinho que
mal podia carregar a cesta em que estavam os pacotinhos de
amendoim.

Um dia, na esquina em que ficava, um motorista, que vinha em alta


velocidade, perdeu a direção. O carro capotou e ficou de rodas para o
ar. O menino não pensou duas vezes: correu para o carro e tirou de lá
o motorista, que era um homem corpulento. Carregou-o até a calçada,
parou um carro e levou o homem ao hospital.

Assim, salvou-lhe a vida.


É só isso.
Não tem mais jeito.
Acabou!
Boa sorte!
Não tem o que dizer.
São só palavras.
Saiba que o que eu sinto não
mudará...
(Vanessa da Mata)
Coesão é a ligação textual por meio de elementos linguísticos.

• A magia das palavras é imensa.


• As palavras expressam a força do pensamento.
• As palavras têm poder de transformar.
• As palavras têm poder de conscientizar.
• As palavras têm o poder de nos fazer sentir que somos capazes.

A magia das palavras é imensa, pois elas expressam a força do pensamento.


Além disso, elas têm o poder de transformar, de conscientizar e de nos fazer
sentir que somos capazes.
Coerência: o que é?
O termo coerência está relacionado ao que
tem ligação, nexo ou harmonia entre fatos,
ideias. Desse modo, o texto pode ser
compreendido pelo leitor.

É a relação harmônica que garante a conexão


entre as ideias, as informações, os fatos
apresentados na mensagem veiculada por um
texto.
Coesão: o que é?
Também está relacionada à harmonia de
que um texto precisa para ser
compreensível.

É a ligação harmônica entre duas (ou mais


partes), utilizada na gramática como forma
de obter um texto coerente, claro em sua
compreensão.
Texto com coesão mas sem coerência
Fui à praia me bronzear porque estava nevando e, quando
isso ocorre, o calor aumenta, o que faz com que sintamos
frio.

Precisa-se de um empresário desempregado. O emprego


está cada vez mais difícil e, se você pretende arrumar um
emprego, pode conseguir. Então, prepare-se para estudar e
fazer um bom currículo.
Texto com coerência mas sem coesão
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de
barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina,sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para
cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis,
documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa,
cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo.
Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de
notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro,
fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales,
cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras,
esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara,
cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha,
cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos.
Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro,
fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta,
cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal,
cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona,
copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e
fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa,
sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental,
espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
(Circuito fechado, conto de Ricardo Ramos)
1. Há um partido ladrão traidor e enganador.

Há um partido ladrão, traidor e enganador.


1 2 3

2. A criança brincou correu pulou e dormiu.

A criança brincou, correu, pulou e dormiu.


1 2 3 4
4. Naqueles olhos ela viu uma forte paixão.

Naqueles olhos, ela viu uma forte paixão.

5. Ela viu naqueles olhos uma forte paixão.

Ela viu naqueles olhos uma forte paixão.


6. O silêncio engoliu o ego e a escuridão engoliu o silêncio.

O silêncio engoliu o ego, e a escuridão engoliu o silêncio.

7. O silêncio engoliu o ego e trouxe consigo a escuridão.

O silêncio engoliu o ego e trouxe consigo a escuridão.