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COORDENAÇÃO

Dl ISOLAMENTO
CURSO DE ENGENHARIA
EM SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

- SÉRIE PTI -

RELAÇÃO DE VOLUMES E TRADUTORES

1 - Análise de Circuitos de Sistemas de Potência -


Arlindo R. Mayer
2 - Teòria das Linhas de Transmissão I - J.Wagner Kaehler
3 - Teoria das Linhas de Transmissão II - Felix A. Farret
4 - Dinâmica das Máquinas Elétricas I - Somchai Ansuj,
Arlindo R. Mayer
5 - Dinâmica das Máquinas Elétricas II - Elvio Rabenschlag
6 - Dinâmica e Controle da Geração - Almoraci S. Algarve,
João M. Soares
7 - Proteção de Sistemas Elétricos de Potência -
Fritz Stemmer
8 - Coordenação de Isolamento - J. Wagner Kaehler
9 - Operação Econômica e Planejamento - Paülo R. Wilson
10 - Métodos Probabilísticos para Projeto e
Planejamento de Sistemas Elétricos - M.Ivone Brenner

Supervisão técnica: Somchai Ansuj

Coordenação geral: Arlindo R. Mayer


Norberto U. de V. Oliveira
Waldemar C. Fuentes
CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

GE ISOLAMENTO

D. E. HEDMAN

Tradução: José Wagner M. Kaehler


Prof. Visitante do CPGEE da UFSM
..................... Eng.° da CEEE
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CURSO DE ÉNCÊNRARIA EM
SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA
SÉRIE P. T. I.

S A N TA MARIA - RS - 1979
Título do original:.

Insulation Coordination

Direitos para ó Brasil reservados à Centrais Elétricas


Brasileiras S.À. - ELETROBRÂS

Av. Presidente Vargas, 624 - 109 andar


Rio de Janeiro - RJ

1979

F I C H A C A T A L O G R Â F I C A

H452c Hedman, D.E.


Coordenação de isolamento. Trad. /de/ J.
Wagner Kaehler. Santa Maria, Universidade
Federal de Santa Maria, 1979.
200p. ilust. 23cm. (Curso de Enge­
nharia em Sistemas Elétricos de Potência -
Série PTI, 8)

Título original: " Insulation Coordination"

1. Eletricidade - Isoladores. I. Kaehler,


J. Wagner (trad.) II. Título.

CDD 621.319 37
CDU 621.316.93
Obra publicada
Com a colaboração
do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico
da CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A — ELETROBRÁS
em Convênio com a
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
APRESENTAÇÃO

Ha cerca de 10 anos vem a ELETROBRÂS patrocinan­


do a realização de Cursos na área de Sistemas Elétricos
de Potência, visando o aperfeiçoamento de engenheiros
eletricistas das Empresas do Setor de Energia Elétrica,
Assim, cerca de 200 profissionais, nesse período, recebe­
ram formação a nível de Mestrado, tanto no exterior como
no Brasil, em obediência a currículos estabelecidos pela
ELETROBRÂS, tendo em vista as necessidades detectadas por
seu pessoal especializado.

Como resultado da experiência de realização des­


ses e de outros Cursos, por vezes contando com a partici­
pação de professores estrangeiros especialmente contrata­
dos para reforçar as equipes docentes nacionais, vêm sen­
do publicados livros especializados em regime de co-
edição com Universidades, e â conta de Recursos do Fundo
de Desenvolvimento Tecnológico da ELETROBRÂS.

É constante a preocupação desta Empresa em


apoiar as Instituições de Ensino Superior, razão pela qual,
entre outras ações, têm sido sistematicamente oferecidas
vagas a docentes universitários, sempre que grupos de en­
genheiros são enviados ao exterior para freqüência a cur­
sos especiais ainda não oferecidos regularmente no Brasil.
Isso tem propiciado mais rãpida resposta das Universidades
no atèndimento de necessidades especiais no Setor de Ener­
gia Elétrica, inclusive pela imediata implantação de tais
cursos no País, a mais baixo custo e possibilitando am­
pliar a faixa de atendimento de profissionais das Empre­
sas .

Em uma dessas ações, a ELETROBRÂS contratou com


o Power Technologies, Inc. - P.T.I., de Schenectady -USA,
a ministração de um curso especial em Sistemas Elétricos,
e constante dos tópicos que se seguem:
1 - Analise de Sistemas Elétricos de Potência
2 - Teoria das Linhas de Transmissão
3 - Releamento - Características e Princípios
Fundamentais de Operação dos
Reles
4 - Coordenação de Isolamento
5 - Operação Econômica e Planejamento
6 - Dinâmica e Controle .da Geração
•7 - Dinâmica das Maquinas Elétricas
8 - Métodos Probabilísticos para Projeto e
Planejamento de Sistemas Elétricos
9 - Economia das Empresas de Energia Elétrica
Esses tópicos, na forma como foram inicialmente
ministrados pela equipe dò P.T.I., e posteriormente re­
produzidos por outros docentes brasileiros em diversas
oportunidades, constituem, a nosso ver, uma fonte de in­
formações capaz de proporcionar uma formação equilibrada
de profissionais de alto nível que se destinam âs Empresas
de Energia Elétrica e que delas precisem ter inicialmente
boa visão técnica de conjunto. Posteriormente tais profis­
sionais poderão aprofundar seus estudos em tópicos especí­
ficos, conforme necessário âs suas áreas de atuação.

Foi, pois, com esta intenção que a ELETROBRÂS de­


cidiu adquirir ao P.T.I. os direitos de reprodução do Cur­
so, e contratou com a Universidade Federal de Santa Maria
a tradução e edição do mesmo, visando sua distribuição às
Empresas do Setor de Energia Elétrica e demais Institui­
ções de Ensino Superior que ministram cursos na área de
Engenharia Elétrica. Estamos certos de que a divulgação
desse material, agora em língua portuguesa,atingira apre­
ciável numero de profissionais e estudantes universitários
proporcionando-lhes um nível de aperfeiçoamento mínimo ho­
je desejável naquelas Empresas, e ao mesmo tempo consti­
tuindo-se em obra de referência para docentes especiali­
zados .

Arnaldo Rodrigues Barbalho


Presidente da ELETROBRÂS
PREFACIO

Raros são os livros publicados em português so­


bre Sistemas Elétricos de Potência. Isso fez com que os
professores do Departamento de Engenharia e professores que
atuam no Curso de Põs-Graduação em Engenharia Elétrica, da
Universidade Federal de Santa Maria, aceitassem o desafio
de realizar a estafante, porem, atraente tarefa de tradu­
ção, revisão e acompanhamento na impressão do Curso orga­
nizado por Power Technologies, Inc. - PTI, e cujos direi-
tos de reprodução foram adquiridos pela ELETROBRÂS.

Foi muito valiosa, para a realização desta tare­


fa, a união e o espírito de equipe de um conjunto de pro­
fessores que, além de suas atividades docentes, administra­
tivas e de pesquisa, passaram a dedicar-se a mais essa im­
portante tarefa.

É nosso dever deixarmos assinalados os nossos a-


gradecimentos a todos os que contribuiram para a elaboração
dessa obra. Destacamos a ajuda'prestada pelo Diretor do Cen­
tro de Tecnologia, Prof. Gilberto Aquino Benetti, pelo Che­
fe do Departamento de Engenharia Elétrica, Prof. Wilson An-
tonio Barin, pelo Coordenador do Convênio UFSM/ELETROBRÂS,
Prof. Arlindo Rodrigues Mayer, como também pelo Professores
Waldemar Correia Fuentes,Milton Fabbrin,Norberto V.Oliveira
e Maria Beatriz Bolzan de Moraes.

Pela Companhia Estadual de Energia Elêtrica-CEEE-


tiveram participação destacada, nesta realização, o Eng9
Paulo Roberto Wilson, Coordenador do Convênio CEEE/UFSM ,
e os Engenheiros José Wagner Kaehler e Fritz Stemmer, todos
eles Professores visitantes do CPGEE da UFSM.

Nossos agradecimentos âs Professoras Neuza Martins


Carson e Celina Fleig Mayer e ã Jornalista Veronice Lovato
Rossato, pelos seus vãrios serviços de revisão. E ã Profes­
sora June Magda Scharnberg e Carmem Silvia Taday pelo auxí­
lio na organização das fichas catalogrãficas.
Nossos agradecimentos, também, ao datilografo U-
byrajara Tajes e ao desenhista Délcio Bolzan.
Aos Professores Ademir Carnevalli Guimarães e
Hélio Mokarzel, da Escola Federal de Engenharia de Itaju-
bã, agradecemos a gentileza de nos terem enviado a tradu­
ção parcial de alguns dos volumes, os quais serviram como
valiosas referências em nosso trabalho.

Finalmente, ê nosso dever deixar registrado


nossos agradecimentos ã Centrais Elétricas Brasileiras
S.A. - ELETROBRÂS, por seu apoio e confiança em nós depo­
sitados .

Derblay Galvão
Reitor
SUMÁRIO

Capítulo 1 - Uma visão geral da coordenação de


isolamento................................. 1
I - Introdução ..................................... 1
II - Natureza fundamental da tecnologia............. 5
IÍI - Uma perspectiva histórica...................... 8
IV - Esforços elétricos............................. 12
A. Esforços de sobretensoes de impulso......... 12
Descarga atmosférica em uma torre......... 13
Descarga atmosférica numa fase............ 14
Proteção contra sobretensoes impulsivas.... 15
B. Sobretensoes resultantes de manobras no sis­
tema........ 16
Sobretensoes de manobra................... 17
Sobretensoes temporárias.................. 21
Proteção contra surtos de manobra......... 24
C. Considerações da tensão do estado permanente. 25
Considerações de condições normais em 60Hz.. 26
Condições de sobretensoes anormais em 60Hz... 27
D. Sumário das sobretensoes de manobra em 60Hz.... 28
Referências bibliográficas..... ....... ............ 32
APÊNDICE I - Conceitos modernos de coordenação de
isolamento............................. 34
Parte I- Proteção e sobretensoes............. 34
Sobretensoes em sistemas de potência. 36
Sobretensoes atmosféricas........ 36
Sobretensoes de manobra. ........ 37
áobretensões temporárias......... 39
As regras dos métodos de proteção.... 42
Proteção por centelhadores a ar... 43
Proteçãopor dissipadoçes de surto..... 45
Parte II - Procedimentos e métodos estatísticos..49
Procedimentos da coordenação de isolamento..50
Procedimentos convencionais............ 50
Métodos estatísticos....................51
Aplicações dos métodos de coordenação de
isolamento....... ......................... 53
Método convencional..................... 53
Métodos estatísticos de coordenação de
isolamento.............................. 54
Método estatístico simplificado.........58
Sumario.....................................59
Glossário dos termos modernos de coordena­
ção de isolamento.......................... 60

Capítulo 2 - Descargas em estruturas isolantes e sua


proteção.................................... 68
I - Introdução....................... 68
II - Discussão geral dos testes de laboratório....... 69
III - Natureza generalizada da descarga disruptiva
nos centelhadores................................ 72
IV - O uso da descrição estatística da ruptura elé­
trica............................................. 78
V - Capabilidade do isolamento interno.............. 80
VI - Alguns dados gerais das estruturas de centelha­
dores a ar........................................83
A. Centelhadores esféricos........................84
B. Centelhadores de haste.........................85
C. Centelhadores de chifres...... 87
D. Estrutura das linhas detransmissão.............92
E. Fatores de correção atmosférica. .............. 94
VII - A função de proteção......................... 96
VIII- Proteção por centelhadores...................... 96
IX - Proteção por dissipadores de surto.............. 98
A. Características físicas de um dissipador de
surto..........................................98
B. Testes padrões em dissipadores de surto...... 101
C* Tipos de dissipadores de surto............... 102
D. Considerações sobre a aplicação de dissi-
padores de surto............................ 10 3
Referências. ......................................... 107

Capítulo 3 - Padrões de relevância nas necessidades


de isolamento........................... 109
I - Introdução..................................... 10 9
II - Padrões da coordenação de isolamento.......... 109
III - Metodologia e tipos de testes padrões......... 111
IV - Algumas considerações especiais quanto à me­
todologia de aceitação de equipamento do EAT... 113
A. Metodologia para surtos impulsivos........ 113
B. Metodologia para surtos de manobra........ 114
C. Metodologia em freqüência industrial....... 116
V - Considerações estatísticas nos testes de acei­
tação (surtos de manobra)...................... 117
VI - Propósitos atuais nos testes de transformadores. 119
A. Revisão histórica dos níveis de testes de
transformadores............................. 120
B. Uma breve descrição dos testes de alta ten­
são......................................... 121
C. Independência das condições dos surtos e da
freqüência industrial....................... 122
C. Proposição dos testes de alta tensão....... 123
VII - Testes padrões para motores e transformadores.. 124
Referências........................................ 126

Capítulo 4 - Dispositivos de interrupção de circuitos


de potência. .............................. 127
I - Introdução........... 127
II - Tipos de dispositivos de interrupção.......... 128
Disjuntores a ar.............................. 129
Disjuntores a ar comsopro magnético........... 129
Disjuntores a óleo............................ 130
Disjuntores a gãs............................. 130
Disjuntores a vãcuo........................... 130
Fusíveis....................................... 131
Chaves seccionadoras........... 132
Combinações de tipos de disjuntores........... 133
III - Descrição do mecanismo de interrupção básico... 133
A. Mecanismo de interrupção da corrente....... 134
B. Tensão de restabelecimento do sistema apõs
a interrupção...... 136
IV - Fatores a serem considerados no projeto dos
contatos dos disjuntores....................... 139
V - O processo físico da interrupção.............. 140
Características dos arcos elétricos......... 141
Produção e manutenção do arco.... ........... 143
Corrente nula e põs-arco.................... 146
O meio ambiente do arco e disjuntores n i ­
trogênio e ar................................ 147
Disjuntores imersos em oleo............... 148
Haxafluoreto de enxofre (SF6)............. 148
Vãcuo...................................... 149
VI - Finalidades do circuito disruptivo............ 150
A. Chaveamento de carga........................ 150
B. Interrupção da corrente de falta........... 151
C. Chaveamento capacitivo...................... 152
D. Chaveamento de correntes indutivas......... 153
E. Interrupção de faltas em linhas de transmis­
são curtas................. '................ 156
F. Chaveamento defasado....... 158
PROBLEMAS.......................................... 16 0

Capítulo 5 - Bases do projeto de coordenação de isola­


mento..................................... 169
1. Introdução............. 169
2. Esforços de isolamento.......................... 171
2.1 Efeitos do tempo......... 172
2.2 Distribuição dos esforços de isolamento.... 176
2.3 Características dos espaçadores............. 176
3. Esforços no sistema...... ...................... 178
4. Comportamento em freqüência industrial......... 180
4.1 Comportamento sob condições de contaminação. 180
4.2 Condições de oscilação extrema.............. 184
5. Comportamento do surto de manobra............... 185
6. Comportamento da descarga atmosférica........... 186
6.1 Falhas de blindagem......................... 187
6.2 Descargas subseqüentes...................... 188
7. Seleção do critério de comportamento........... 189
8. Coordenação da distância condutor-torre........ 190
9 . Figuras .......................................... 191
Referências........................................ 200
CAPITULO I

UMA VISÃO GERAL DA


COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

I - INTRODUÇÃO

Muitos aspectos de um projeto de sistema de potên-


elêtrico, devem ser avaliados em detalhes primários quanto â
construção e operação. Este curso tratará do problema geral
da escolha das características elétricas dos equipamentos,
de forma que o sistema operará como o planejado pelo proje­
tista do sistema. A escolha das necessidades de isolamento
no equipamento de um sistema de utilização de energia elé­
trica ê ditada tanto pelas condições de estado permanente,
bem como pelas sobretensões que possam ocorrer no sistema,e
o projetista deve decidir na escolha entre a economia e o
comportamento.

E irrealístico esperar um projeto de engenharia com­


pletamente independente em cada parte do equipamento ou com­
binação de partes do equipamento.

Para evitar excessiva redundância, a industria tem


trabalhado para uma definição padronizada de termos usados
por engenheiros na aplicação de equipamentos. Em adição co­
mitês de padronização esforçam-se para coordenar as neces­
sidades dos usuários e a capacidade dos fabricantes. Um dos
maiores propósitos deste Capítulo ê apresentar uma visão do
problema total do planejamento de isolamento, com uma ênfa­
se no fato de que muito deste planejamento deve ser apre­
sentado como uma arte, em lugar de ciência. Por exemplo,po­
de haver muitas razões plausíveis para a escolha de um equi­
pamento padrão que depende de julgamento e não pode ser de­
monstrado num aspecto quantitativo. Um conjunto de defini­
ções preferidas, para um numero de termos associados com
problemas de coordenação de isolamento, são apresentados no
Apêndice 1. 0 conceito fundamental para esta proposição pa­
drão para coordenação de isolamento ê:
Coordenação de Isolamento
"0 processo de correlação do esforço de isolamen­
to do equipamento elétrico com respeito a sobretensões e com
as características dos dispositivos de proteção contra sur­
tos" .

Então, para o desempenho da coordenação de isola­


mento, ê necessário ter um entendimento completo de:

1. Solicitações dielêtricas - isto ê, o módulo, a dura­


ção e a probabilidade de ocorrência de sobretensões
em sistemas de potência. Estas sobretensões são co-
mumente agrupadas em três categorias:
a) Sobretensões impulsivas resultantes de surtos
atmosféricos.
b) Sobretensões de manobra resultantes da operação
de disjuntores.
c) Solicitações de tensão na freqüência de 60Hz,
resultantes de condições normais e anormais.
2. Dispositivos de proteção - isto ê, naturezae carac­
terísticas dos dispositivos, com um entendimento de
como o dispositivo de proteção pode controlar a mag­
nitude do surto incluindo a influência na confiabi­
lidade do próprio dispositivo
3. Esforços elétricos - isto ê, a capacidade das várias
partes do equipamento de resistir a descarga disrup-
tiva sob condições especificadas.
4. Nível de comportamento - isto é, as conseqílências
econômicas e operacionais de falhas de isolamento.
A função da coordenação de isolamento é aquela de
proporcionar a combinação entre os itens acima, ate um pon­
to onde uma decisão de engenharia (ditada pela economia e
confiabilidade de operação) possa ser tomada, considerando a
capacidade do equipamento planejado. Esta função pode ser
conseguida tanto pela consideração de "condições do pior ca­
so" antecipando, por exemplo, o surto máximo (solicitação
dielêtrica) que pode, possivelmente, ocorrer no sistema,co­
mo especificando um valor maior de tensão nominal (esforço
elétrico), tal que o equipamento possa operar com alta con­
fiabilidade sob estas condições, ou ainda, colocando mais
ênfase e confiança, nos dispositivos de proteção, em manter
o nível de surto abaixo de um certo valor, possibilitando a
redução dos níveis de isolamento do equipamento elétrico
(o objetivo econômico ê reduzir o custo do equipamento pela
redução do nível de isolamento).

A terceira alternativa seria considerar a combi­


nação dos fatores acima, numa avaliação estatística dos re­
quisitos nécessãrios à coordenação de isolamento. 0 equacio-
namento estatístico poderia ser usado para proporcionar uma
base científica solida para o julgamento finale decisão so­
bre os requisitos de coordenação de isolamento, ou como um
fator de calibração para um equacionamento menos científico
que poderia estar baseado, em experiências anteriores, no
próprio sistema. Geralmente, as informações correspondentes
à coordenação de isolamento são traçadas numa curva tensão x
tempo similar â mostrada na Figura 1.01.Neste grafico repre­
sentamos tanto a capabilidade de proteção de um pãra-raios ou
centelhador, bem como a capabilidade do isolamento ê geral­
mente mostrada como uma linha ou curva tracejada, indicando
um valor mínimo de capabilidade para as ondas de longo tem­
po de crista. Esta curva nada mais é que a representação gra­
fica das características físicas do equipamento, observadas
em testes controlados.

Correspondentemente, a descarga do dispositivo de


proteção ê geralmente influenciada pela inclinação (taxa de
crescimento do surto de tensão incidente, tal como pode ser
TENSÃO
DE
PICO

Coordenação de Isolamentos
+ - 4—
I IO IOO 1000 100

TEMPO EM MICROSEGUNDOS

Figura 1.01
observado pelos níveis de proteção do dispositivo.

É possível traçar outra informação com esta curva,


tal como a tensão (IR) do pãra-raios durante um impulso, ou
mesmo do nível esperado de sobretensões, as quais podem che­
gar à parte do equipamento. Haverã maiores informações nos
Capítulos seguintes, numa discussão mais detalhada das va­
rias partes desta curva de coordenação de isolamento.

II - NATUREZA FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA


Muitas vezes as decisões de coordenação de isola­
mento devem ser baseadas em experiência prévia do sistema,
regras gerais praticas, ou hipóteses com muitos dados de pou­
ca confiabilidade. Ê vantajoso considerar a qualidade dos
dados disponíveis para os estudos de coordenação de isola­
mento, antes de proceder com os métodos de aplicação.

Muito embora as descargas atmosféricas sejam uma


das maiores causas de sobretensões em sistemas de potência,
após 40 anos de coleta de dados, o fenômeno ainda possui mui­
tos pontos de discordância, com relação a uma detalhada des­
crição da descarga incidente. Por outro lado existem apenas
poucos dados a respeito das magnitudes e forma das ondas que
atingem usualmente os equipamentos elétricos. Esta falta de
informação não é surpresa quando consideramos os limitados
dias disponíveis para leituras e o custo de instalação de
uma quantidade suficiente de registradores, a fim de permi­
tir o registro de um numero estatisticamente adequado de im­
pulsos.

Se medidas de surtos atmosféricos forem feitas em


pontos onde hã alta incidência de descargas, tais como o to­
po do edifício Empire State1 ou o cimo de alguma montanha a-
dequada2 9 K *Ber9e r ^ nãQ segurança de que estes surtos se­
rão da mesma característica dos surtos atmosféricos que po­
derão atingir uma linha de transmissão (situada, digamos, em
uma planície baixa ou em um vale de montanhas). Portanto,
onde a grande maioria dos dados existem, é acompanhado por
um mínimo de confiança de sua validade. As medidas feitas em
linhas de transmissão são geralmente feitas em uma torre ou
subestação e, portanto, são os resultados tanto do surto at­
mosférico propriamente, como da resposta a este surto de uma
linha particular ou estrutura de uma subestação.

Se muitas medidas são feitas num sistema de 138kV,


por exemplo, muito cuidado deve ser tomado quando se apli­
car estes dados ao projeto de um sistema de transmissão em
3 / k

500kV

Desde que a forma de onda das descargas atmosfé­


ricas e módulos das correntes sejam conhecidos, variando em
uma larga margem, foi reconhecido, desde os primõrdios da
história da Engenharia de Potência, que alguma forma padrão
de onda teria de ser adotada como uma base para definir a
capabilidade de alternativas de isolamento de sistemas. Pa­
drões desta ordem serão discutidos nos Capítulos subseqüen-
tes.

Surtos atmosféricos são geralmente referidos como


descargas geradas externamente. Em contraste, surtos de ma­
nobra são comumente referidos como descargas geradas inter­
namente ao sistema, porque eles resultam da operação normal
do próprio sistema. Existe um melhor entendimento a respei­
to dos surtos de manobra, no que concerne à forma de onda e
magnitudes, do que a respeito dos surtos provocados por des­
cargas atmosféricas5. Mas, mesmo no caso dos surtos de ma­
nobra, é difícil fazer uma predição única para um sistema par­
ticular. Surtos de manobra, resultantes da operação de dis­
juntores monofãsicos e de disjuntores tripolares, apresentam
um certo grau de probabilidade de ocorrer dependendo do tem­
po de fechamento dos mesmos. De igual importância é o fato
de que os surtos de manobra são influenciados pela configu­
ração do sistema, no instante em que o surto ê gerado. As­
sim sendo, quando diferentes linhas são colocadas em servi­
ço, ou a medida que o sistema cresce, mudanças nos níveis de
surto podem jser esperados.
Uma ferramenta de grande importância para o enten­
dimento dos surtos de manobra em sistemas elétricos é o TNA
(Analisador Transitório de Redes). 0 TNA é um análogo elé­
trico, no qual um equivalente trifásico do sistema é monta­
do. Testes e medidas efetuadas no modelo permitem predizer
a natureza dos surtos que podem ser esperados num sistemal.
A confirmação da credibilidade dos resultados do TNA ê obti­
da em testes reais de campo e subseqüentes comparações com
os modelos de teste do TNA. Afora a dificuldade em acurada­
mente descrever os esforços elétricos que podem ocorrer num
sistema, é também difícil estabelecer precisamente a capa-
bilidade elétrica do equipamento. Se, por exemplo, uma dada
tensão ou impulso é aplicada a uma cadeia de isoladores re­
petitivamente, a cadeia poderá, algumas vezes, sofrer a des­
carga ou não, mesmo que o módulo e forma da sobretensão per­
maneça constante. Então, qualquer descrição detalhada das
capacidades de isolamento de qualquer estrutura deve ser es­
tatística por natureza. Mesmo se alguém está disposto a a-
ceitar uma descrição estatística da capacidade de isolamento,
é importante ter em mente que as medidas de laboratório são
feitas sob condições controladas, enquanto que a estrutura
isolante de uma parte de um equipamento do sistema de po­
tência está exposta a uma larga margem de condições de con­
torno, dominadas pelo tempo.

Aceitando-se o fato de que a capabilidade de iso­


lamento de uma parte do equipamento ê puramente estatística,
o problema ê criado muitas vezes pela impossibilidade (eco­
nomicamente) de testar a estrutura de isolamento à descar­
ga, de forma a estabelecer a sua distribuição em freqüência,
por exemplo, é irreal determinar, por teste, a probabilidade
de falha de isolamento no enrolamento de um transformador,
porque o próprio teste danificaria o transformador. Entre­
tanto, em algumas partes do equipamento ê desejável, unida-
mente, demonstrar a capabilidade em um teste não destrutivo.
Em adição, pode ser desejável minimizar o numero de testes
para evitar qualquer degeneração na estrutura isolante, o que
poderia ocorrer mesmo a partir de um teste não destrutivo.
No caso de um transformador, a aptidão de julgar a capaci­
dade suportável da estrutura isolante torna-se complicada
pelo envelhecimento. Testes controlados indicam indicam que
o ciclo térmico, bem como outros fatores de envelhecimento,
tenderiam a degenerar a estrutura de isolamento, tornando
sua capabilidade, por exemplo, 10 anos apõs a instalação,me­
nor do que quando foi instalada. Normalmente, seria desejá­
vel que a vida de um grande equipamento do sistema de po­
tência fosse da ordem de 30 anos ou mais.

III - UMA PERSPECTIVA HISTÕRICA


Nos idos de 1900, as imposições de isolamento num
equipamento elétrico eram baseadas nas tensões em freqüên-
cia industrial. O teste de"isolamento pleno" era aquele onde
ao menos o dobro da tensão de linha operacional era aplica­
da em cada erirolamento, em relação à terra. Este teste pre­
conizava a sobretensão normal que poderia ocorrer durante u-
ma falta fase-terra em um sistema desaterrado, Experiências
eram realizadas, especialmente em estruturas isolantes, por
fabricantes isolados. Porém havia poucas maneiras de compa­
ração entre uma parte do equipamento e outra. Novas prãti-
vas foram desenvolvidas, muitas vezes como resultado de mu­
danças no sistema que resultaram em falhas do equipamento.
Por exemplo, as concessionárias tentaram minimizar a taxa
de desligamento por descarga em linhas aéreas de transmis­
são, aumentando o número de isoladores na cadeia, o que de
fato funcionava. Mas a subseqüente elevação do nível de iso­
lamento de uma linha de transmissão foi seguido por um nu­
mero maior e de magnitude superior de surtos em subestações,
por conseguinte, resultando em maiores falhas de equipamen­
to. Este tipo de experiência guiou os fabricantes de equi­
pamentos e usuários a especificar e projetar para sobreten-
sões impulsivas, em adição aos testes normais requeridos na
freqüência nominal.

Em 1941, um comitê conjunto AIEE-EEI-NEMA, apre­


sentaram um relatório de coordenação de isolamento8. O re­
latório de 1941 culminou um estudo de 10 anos e apresentou u-
ma série de níveis de impulso básicos de isolamento para di­
ferentes classes de tensão. Daí, o conceito de nível de iso­
lamento básico (BIL) foi estabelecido. O BIL forneceu uma ca­
pacidade isolante ao impulso estabelecido para cada classe de
tensão. Informações substanciais tinham sido coletadas de to­
da a industria de utilização de eletricidade, para estabele­
cer estes níveis de isolamento. Informações gerais, conside­
rando o tipo de sobretensões no sistema, que poderiam ser es­
peradas , tinham sido obtidas, e daí, testes de forma de onda
padrões foram feitos de forma a concordar com estes.Práticas
e experiências em laboratórios de teste foram revistos, tan­
to que resultados repetitivos poderiam ser obtidos em qual­
quer um dos muitos laboratórios. Fabricantes tinham analisa­
do estruturas isolantes', em maior detalhe, de forma a asse­
gurar que os níveis de isolamento fossem obtidos. A compre­
ensão e a evolução dos dispositivos de proteção, tais como
centelhadores de hastes e pãra-raios, tinham sido alcançados
e incorporados nas decisões dos níveis de isolamento solici­
tados. Este processo geral ê uma função contínua que deve ser
avaliada numa base regular, para assegurar que a novíssima tec­
nologia possa ser aplicada prática e confiavelmente nos equi­
pamentos do sistema de potência, deste modo alcançando melho-
rias econômicas no sistema. Como um exemplo, as primeiras nor­
mativas para teste de impulso em transformadores especifica­
vam que o teste de impulso deveria ser superposto ã onda de
tensão em freqüência nominal com a polaridade do impulso o-
posta ao pico de tensão na freqüência industrial. Ficou de­
monstrado, durante este período, que, com as melhorias nos
pãra-raios, havia uma margem adequada entre a proteção do trans­
formador e a capabilidade do mesmo e que a aplicação simultâ­
nea de tensões de impulso e de freqüência industrial poderiam
ser dispensadas. Isto simplificou enormemente os testes de
transformadores e também simplificou a detecção de faltas du­
rante os testes de impulso.

Desde os primeiros trabalhos sobre as necessidades


de isolamento dos equipamentos, novas pesquisas têm sido im­
plementadas. Obviamente, melhorias nos materiais e conheci­
mento das estruturas de isolamento têm permitido menores, po­
rem ainda confiáveis, sistemas de isolamento para determina­
das classes de tensão de equipamentos.

A evolução nos sistemas de aterramento e nos níveis


e a duração da proteção pelos pãra-raios têm resultado em
"níveis de isolamento reduzidos"(isto é, valores de BIL abai­
xo do proposto nível de "teste de isolamento pleno"). O "teste
de isolamento pleno" é, realmente, visto somente pelo inte­
resse histórico, porque atualmente existem relações padrões
de níveis de teste de isolamento para a maior parte dos equi­
pamentos . No extremo do espectro das extra altas tensões, o
projetista pode escolher níveis de teste a partir de um con­
junto de níveis de proteção possíveis, os quais estão também
relacionados nos padrões. Um melhor entendimento das neces­
sidades de isolamento,para surtos de manobra em 60 Hz e con­
dições de impulso, está levando a industria a novas proposi­
ções na metodologia de especificação da capabilidade e neces­
sidades das estruturas de isolamento de transformadores. Por
exemplo, testes de Corona (a serem discutidos em Capítulo pos­
terior) em transformadores podem ser usados para dar infor­
mações substanciais sobre a integridade do sistema de iso-
lação acima do espectro de tensões de surto e em freqüência
industrial.

Melhoria nos níveis de proteção dos pára-raios têm


permitido uma redução nas necessidades de isolamento ditadas
por condições de impulso, especialmente em níveis altos de
tensão. Esta redução no nível de proteção dos pãra-raios tem
tido lugar com muito ênfase nas especificações de surto de
manobra dos equipamentos. Surtos de chaveamento tomam-se im­
portantes, em níveis de extra e ultra altas tensões, por duas
razões básicas. Primeiro, a capabilidade de isolação do equi­
pamento tem a tendência de saturação. Isto é, um aumento na
distância de ruptura não corresponde a um incremento propor­
cional na capacidade de isolamento. Então, duplicando a dis­
tância de ruptura teremos menos que o dobro da capacidade de
isolação nominal. Em segundo lugar, para níveis de ultra e
extra alta tensão, a energia dos surtos de manobra é substan­
cialmente maior do que a energia que poderia ocorrer a par­
tir de surtos atmosféricos típicos que incidem em uma subes­
tação. Dispositivos de proteção devem ser projetados para
absorver estes grandes blocos de energia.

Historicamente, a maior ênfase, na coordenação de


isolamento, tem sido no equipamento, primariamente, na ca-
pabilidade de isolamento dos transformadores. Isto porque o
trânsformador tem o mais alto preço de todos os equipamentos
expostos a sobretensões excessivas. Muitos dos conceitos e
regras, que foram desenvolvidos para transformadores, têm
sido aplicados para outros equipamentos. Quando entramos em
tensões mais altas, hã incentivos econômicos, em usar con­
ceitos de projeto de coordenação de isolamento, mesmo para
estudos de projetos de linhas de transmissão. No caso de e-
quipamentos isolantes, o projetista poderia escolher um pro­
jeto com probabilidade nula de falha, se possível, enquanto
que, no estudo do projeto da linha, poderia ser especifica­
da uma probabilidade razoável de descarga na linha, porque
um defeito de linha ê eliminado uma vez que a parte em fal­
ta seja temporariamente desenergizada. Estes conceitos es­
tatísticos estão também sendo discutidos na indústria, em
relação â auto-restauração de estruturas isolantes em subes­
tações. Neste caso, o custo, em termos econômicos, de uma
falha de auto-restauração de parte do equipamento da subes­
tação é geralmente maior do que o custo resultante da aber­
tura de uma linha isolada, porque teriamos, então, uma per­
da maior da capabilidade do sistema.

Com o uso de tensões cada vez altas em sistemas


elétricos de potência, haverá uma contínua reavaliação dos
conceitos de coordenação de isolamento para estes novos sis­
temas. As regras fundamentais usádas nos conceitos de coor­
denação de isolamento podem ser modificadas, tanto quanto
maiores detalhes das sobretensões em sistemas de potência
forem sendo acumulados. Nçvos materiais, maior conhecimento
das estruturas isolantes, e mesmo, novos tipos de equipa­
mentos podem ser trazidos ã luz, no futuro, para modificar
as regras de coordenação de isolamento existentes. Mas,como
estas regras são revisadas, haverã sempre uma tendência a
manter uma certa margem entre os níveis de tensões espera­
dos (esforços) e as capabilidades nominais esperadas do e-
quipamento, para assegurar-lhe uma vida longa e disponível,
tanto no sistema planejado como em suas variações alguns a-
nos mais tarde.

IV - ESFORÇOS ELÉTRICOS

O propósito desta seção ê revisar, de maneira ge­


ral, os vários tipos de esforços elétricos que podem ocor­
rer em sistemas de potência elétrica. A intenção aqui ê re­
visar todo o espectro de surtos, em lugar de limitar a dis­
cussão a, somente, alguns surtos que podem, por exemplo,in­
fluenciar decisões de coordenação de isolamento em transfor­
madores de potência. Então, com esta fundamentação, deci­
sões posteriores poderão ser avaliadas no projeto de coor­
denação de isolamento de linhas de transmissão na auto-res-
tauração do isolamento, em subestações e na inexistência desta
auto-restauração em certos equipamentos.

A. ESFORÇOS DE SOBRETENSÕES DE IMPULSO

Como foi frisado anteriormente, sobretensões de


impulso são comumente encaradas como resultantes de descar­
gas atmosféricas em sistemas de transmissão. Enquanto hã uma
considerável controvérsia a respeito da detalhada natureza
dos surtos atmosféricos, existe um grande numero de obser­
vações de caráter geral, as quais podem ser comumente con­
sideradas 10 rl x. Descargas atmosféricas diretas podem ter um
módulo de pico de corrente desde algumas centenas , até va­
lores permissíveis da ordem de 200 000 ampêres, com um tem­
po de alcance db pico, que vai desde uma fração de micros-
segundo até vários microssegundos. A descarga atmosférica ê
mais comumente vista como um impulso isolado, mas hã muitos
registros que mostram a possibilidade de ocorrer ‘‘múltiplas
descargas". Estas descargas,em geral, repetem-se no mesmo
ponto da ocorrência original, podendo ocorrer em grupos va­
riados em um segundo, ou o conjunto de descarga pode ocorrer
durante vários segundos10. Ha provavelmente alguma correlação
entre o módulo de pico medio da corrente e o tempo para a-
tingir o pico, mas isto não é bem entendido e geralmente não
ê fatorizado dentro de estudos analíticos, usando esta in­
formação. Em estudos de aplicação, uma descarga atmosféri­
ca ê comumente suposta como uma injeção de corrente no sis­
tema de potência, e em tal modelo, a corrente dentro do sis­
tema ê independente da tensão deste, resultante da corren­
te. Se uma corrente de, digamos, 50 000 ampêres ê injetada
por um surto, numa impedância de 400 ohms, a sobretensão re­
sultante poderia ser da ordem de 20 000 kV. Para razoes tí­
picas de crescimento da corrente, qualquer uma poderia an­
tecipar uma taxa alta típica de crescimento de tensão (1 000
â 10 000 kV por microssegundo).

Descarga atmosférica em uma torre


Este problema foi discutido em detalhe no Capítulo
9 do livro Teoria das Linhas de Transmissão e pode ser su-
marizado como segue. Quando uma descarga atmosférica incide
em uma torre, o potencial do topo da torreé determinado pri­
mariamente pela corrente dè descarga e pela resistência do
pê da torre. Se a tensão da torre excede a capabilidade de
isolamento da cadeia de isoladores numa fase dos condutores,
esta rompe, resultando numa corrente de impulso fluindo nu­
ma fase (observe-se que nenhuma corrente flui na fase antes
do isolamento romper). Esta corrente de impulso pode propa­
gar-se em direção a uma subestação e, neste processo, pode
ser atenuada pelas perdas resistivas no sistema, bem como pe­
lo efeito Corona. Se a corrente na fase flui após ocorrer a
ruptura, produz-se uma tensão através da cadeia de isola­
dores de uma corrente adjacente com módulo significante, e
esta torre adjacente pode também ter sua cadeia rompida.En­
tretanto, a tensão impulsiva, que pode atingir a subestação,
é limitada pela mãxima tensão nominal de isolamento da li­
nha de transmissão e da corrente de impulso de descarga re­
sultante, a qual pode atingir uma subestação, e serã deter­
minada aproximadamente pelo impulso nominal da linha de trans­
missão, dividido pela impedância de surto efetiva da linha.

Exemplo: tipicamente, uma linha de transmissão de


345kV com 18 isoladores terá uma tensão de impulso nominal
de aproximadamente 2 500kV. Supondo uma impedância de surto
efetiva de aproximadamente 350 ohms, a mãxima corrente im­
pulsiva, que poderã chegar a uma subestação, é:

_____ ^Impulso nominal______ _ 2 500 000 = ^ 150A


Impedância de surto efetiva 350

Descarga atmosférica numa fase


Muitas linhas de transmissão são projetadas com
cabos de cobertura sobre os condutores. Os cabos reduzem o
esforço de tensão através do isolamento das fases dos con­
dutores, após ocorrer uma descarga atmosférica em uma torre
e, adicionalmente, propõe-se a interceptar o surto atmosfé­
rico, minimizando a possibilidade de incidência direta da des­
carga nas fases.

Uma descarga atmosférica, incidindo nos condutores


sem atingir os cabos guarda e produzindo a ruptura do iso­
lamento da linha, ê comumente chamada de falha de blindagem.
Se a descarga atmosférica alcança poucos milhares de ampê-
res, seria possível que a tensão resultante, através da ca­
deia de isoladores, seja menor do que o isolamento impulsi­
vo nominal da linha, permitindo, então, que um impulso de
corrente atinja a subestação. Se a descarga numa fase dos
condutores é um surto alto de corrente, a tensão, através da
cadeia de isoladores da fase atingida na proximidade da tor­
re, causara a ruptura. Entretanto, mesmo por falha da blin­
dagem, o modulo da corrente incidente numa subestação pró­
xima, estaria limitada pelo nível de impulso nominal da iso-
lação da linha de transmissão. Nestas condições, correntes
impulsivas atmosféricas típicas numa subestação são da or­
dem de poucos milhares de ampêres. Obviamente, se um impul­
so atmosférico resulta de uma falha de blindagem, digamos,
nas proximidades de uma subestação, seria possível ter um
modulo muito superior de corrente impulsiva entrando na su­
bestação. Freqüentemente a blindagem de uma linha de trans­
missão ê projetada para manter uma proteção melhor para sur­
tos atmosféricos para as primeiras milhas de linhas que par­
tem da subestação.

Ê possível ter também uma descarga atmosférica di­


reta numa fase dos condutores da subestação. Enquanto que o
mais alto surto de corrente registrado numa subestação se­
ja da ordem de 20 000A, alguns engenheiros estimam que ní­
veis de surtos de correntes mais altos poderiam ocorrer a
partir de uma falha de blindagem numa subestação. As altas
correntes dos testes padrões de curta duração em pãra-raios
determinam a necessidades destes de ter possibilidade de condu­
zir surtos de corrente de curta duração sem danos mecânicos
ou descargas externas no pãra-raios. Normalmente, as subes­
tações usam cabos de blindagem para efetivamente proteger os
condutores da subestação, da possibilidade de incidência di­
reta de descarga. Uma descarga atmosférica no cabo de co­
bertura da subestação deveria ser conduzida â terra pela ma­
lha de terra da mesma.

Proteção contra sobretensões impulsivas


Pãra-raios(*) foram originalmente projetados para
proteger os equipamentos de sistemas de potência das sobre­
tensões atmosféricas impulsivas e ainda são usados com este
fim. 0 pãra-raio deve disparar, provendo um caminho para a
terra para a corrente impulsiva e, apõs, restaurar-se, ou
seja, parar de conduzir a corrente resultante da tensão em

N.T. - Prefere-se usar hoje o termo "dissipador de surto",


. em lugar de pãra-raios.
freqüência nominal. O pãra-raios executa esta função de pro­
teção, drenando a corrente do sistema de potência, atuando
como uma carga e, deste modo, mantendo baixa a tensão do sis­
tema durante a ocorrência do impulso. Um resistor não linear
é usado em serie com centelhadores para limitar a corrente
em 60Hz, permitindo aos centelhadores auto-restaurarem-se.
Para manter a tensão impulsiva no pãra-raios baixa, mesmo du­
rante correntes muito altas, é necessário usar resistores não
lineares nos pãra-raios. Valores tabulados da tensão IR
do pãra-raios para intervalos de correntes, normalmente com­
preendidas entre 5kA, lOkA e 20kA, dão uma indicação do mo­
dulo de tensão esperada no pãra-raios durante o intervalo em
que este está conduzindo a corrente para terra. A tensão re­
sultante, no pãra-raios ê aquela em que o resto do equipamen­
to estará exposto. Comumente, a coordenação de isolamento terã
a tensão IR do pãra-raios associada com uma corrente da or­
dem de 5 a lOkA, a qual pode tipicamente entrar numa subes­
tação (como a calculada no exemplo anterior). Este ponto se­
rá discutido novamente no Capítulo das característica dos
pãra-raios.

Em alguns casos, centelhadores no ar (hastes es-


paçadoras são usadas na função de proteção)12; 0 centelhador
no ar não tem resistência limitante da corrente; então, um
centelhador rompido é equivalente a uma falta no sistema.
Quando o centelhador protege o isolamento pela descarga faz-
se necessário a operação de um disjuntor do sistema, neces­
sário para eliminar a corrente no espaçador.

B. SOBRETENSÕES RESULTANTES DE MANOBRAS NO SISTEMA

Surtos de manobra são resultantes da operação de


chaveamento dos disjuntores do sistema de potência. Estes
podem ser classificados em dois tipos principais:

1. Surtos de manobra (1 ou' 2 ciclos em 60Hz)


a) energização de linhas, cabos, transformadores
reatores e barramentos
b) reenergização ou religamento de alta velocidade
de linhas
c) surto devido às tensões de restabelecimento de­
vido a faltas em linhas ou cabos
2. Sobretensões temporárias (muitos ciclos em 60Hz)
a) manobras em transformadores situados em terminais
de linhas de transmissão
b) rejeição de carga
c) ferro-ressonância
Cada um destes tipos de sobretensões será discutido
brevemente.

Sobretensões de manobra

Uma energização transitória5 resulta da conexão de


uma linha, cabo, transformador, reator derivação, ou barra-
mento a um sistema energizado pelo fechamento de um disjun­
tor. Normalmente, o equipamento a ser energizado estã des­
ligado por algum tempo; portanto, não hã condições iniciais
no mesmo (algumas vezes referidas como condiçõesquiesoentes).
Em muitos casos, a injeção brusca de corrente produzira u-
ma tensão, a qual atingira o valor duplo da fonte de tensão
(valor típico para condições monofãsicas).

Figura 1.02
Tensão transitória de energização

Em um sistema trifãsico hã acoplamento entre as fa­


ses, o que pode resultar em módulos de surto de energização
*.
maiores do que aqueles que poderiam ser previstos, baseados
no estudo de circuitos monofãsicos. Tipicamente, surtos de
tensão de energização em linhas de transmissão trifãsicas es­
tão na ordem de 2,5 a 3,0 p.u. Muitos disjuntores de cir­
cuitos em extra alta tensão usam resistores de prê-inserção
no fechamento dos contatos do circuito do disjuntor, o qual
tende a reduzir o modulo do surto de energizaçãoa níveis da
ordem de 1,5 a 2,1 p.u..

Os religamentos transitórios5 resultam, para os


propósitos desta discussão, da reenergização em alta velo­
cidade de uma linha, transformador, cabo ou barramento do
sistema, o qual estava previamente energizado. Esta reener­
gização normalmente ocorrerá após um tempo morto 15 a 30 ci­
clos, depois de ter ocorrido a desenergização. Uma linha de
transmissão, energizada somente em uma extremidade,apresen­
ta uma corrente avançada, ou seja, capacitiva e a interrup­
ção da corrente excitação em 60Hz, tendo-se, então, corren­
te nula resultando numa carga distribuída ou uma tensão i-
gual â fonte de tensão na linha. Isto ocorre porque existe
uma carga localizada na capacitância efetiva da linha. En­
tretanto, o religamento da linha pode resultar num grande
transitório, se a fonte de tensão e a carga distribuída te­
nha polaridade oposta, e resultará em nenhum transitório,se
a fonte de tensão e a carga distribuída tiverem a mesma po­
laridade e módulo.

CARGA DISTRIBUÍDA NEGATIVA

3-
^TRANSITÓRIO DE RELIGAMENTO

I CARGA D ISTR IB U ÍD A

Figura 1.03
Tensão transitória de religamento
Num circuito simples monofãsico mostra-se que o transitório
resultante de um religamento pode alcançar tensões de 3,0
p.u. Como no caso de energização, o acoplamento entre fa­
ses num circuito trifãsico pode resultar em níveis de sur­
to elevados. Tipicamente, surtos de religamento transitórios
em sistemas de potência estão entre 2,5 e 3,5 ate 4,0 p.u.
Através do uso de resistores de pré-inserçio em disjuntores
de extra ultra tensão, os níveis de surtos de religamento podem
ser reduzidos a 1,2 ate 2,5 p.u. No caso de religamento de
linhas de transmissão, tendo-se a elas conectado reatores em
derivação, a carga distribuída normalmente, durante o tempo
morto, produzirá uma tensão oscilante de valor situado entre
zero e um por unidade da tensão do sistema. A freqüência de
oscilação ê uma função do comprimento da linha e da capaci­
dade dos reatores em derivação. Em ambos os casos, isto ê,
com o religamento de uma linha de transmissão e com o reli-
gamento0desta com reatores em derivação a ela conectados, o
religamento toma lugar num sistema, com alguma carga distri­
buída no mesmo. Isto resulta em sobretensões transitórias de
energização e reenergização, cada vez mais severas do que a-
quelas energizações de circuitos no estado permanente (ou
seja, com condições iniciais não nulas).

O religamento de uma combinação de linha de trans-


missão/transformador, geralmente produzirá um surto igual à-
quele resultante de uma energização, devido a que a carga terá
de decair a zero em um tempo morto normal. A capacitância da
linha e a reatância magnetizante não linear do transformador
torna um circuito oscilador não linear de grandes perdas que
dissipam energia. Neste caso, as tensões transitórias de *e-
energização normalmente será de mesmo módulo das sobretensões
de energização.

A forma de onda e a natureza dos transitórios de


energização e reenergização são basicamente as mesmas. O tran­
sitório de religamento, entretanto, será naqueles casos on­
de a carga distribuída está presente, mais oscilatõrio por
natureza e contém mais energia do que o transitório de ener­
gização para este mesmo sistema.
Os resultados da tensão de escorvamento 13'11+,a par­
tir do colapso da tensão, cresce através dos contatos de cir­
cuito aberto do disjuntor, após a subseqüente abertura do cir­
cuito.

Disjuntores de sistemas devem ser projetados para


um valor padrão ou especificado de taxa de crescimentoe mó­
dulo da tensão de escorvamento.

Se a tensão de escorvamento cresce numa taxa maior


do que a capabilidade do dielêtrico cresce numa interrupção
normal, o disjuntor terã a formação de arco. Se isto ocorre
repetitivamente, a tensão transitória do sistema pode tor­
nar- se excessiva e/ou podendo ocorrer falha no disjuntor.

. CHAVE ABERTA QUANDO OCORRE


INDUTANCIA DA FONTE O ARCO VOLTAICO
xmam-
CARGA CAPACITIVA

‘0

CORRENTE
CHAVE

Figura 1.04
Tensão transitória de escorvamento
Tensões transitórias de escorvamento geralmente
tem um módulo de 2,0 a 3,0 por unidade, mas em alguns sis­
temas desaterrados, escorvamentos repetidos podem teorica­
mente sobrepor-se a um efeito correspondente a valores mui­
to altos. Ha tentativas de projetar disjuntores que permi­
tam o livre escorvamento, mas o problema ainda permanecera
com alguma extensão. Os projetos ou aproximações fundamen­
tais (disjuntores a óleo, ar, gãs ou vãcuo) influenciam a
sensitividade para este tipo de sobretensões. Disjuntores
modernos têm, em geral, uma probabilidade muito menor de es-
corvar, do que o equipamento usado nos primordios da indus­
tria de energia elétrica.

Tensões de escorvamento resultantes do colapso da


tensão de restabelecimento através dos contatos do disjuntor
podem também ser geradas quando são energizados transforma­
dores através da corrente magnetizante. Este problema exis­
te quando não hã outro equipamento no lado de alta tensão do
transformador e geralmente resulta da interrupção da cor­
rente pelo disjuntor, para fracas correntes magnetizantes
do transformador. Hoje, o problema é menos severo do que al­
guns anos atras. A diferença resulta do tipo de núcleo de
aço usado nos modernos transformadores.

Sobretensões temporárias

A energização ou religamento de linha de transmis-


são/transformador5 pode produzir tensões de longa duração de­
vido à corrente de surto no transformador. Neste caso, o sur­
to produzido não será necessariamente altamente oscilatõrio,
mas conterá tanto componentes harmônicas como sub-harmonicas,
e, como resultado, freqüentemente serão sustentadas por mui­
tos ciclos. Desta forma, o surto de manobra pode ser referido
como "sobretensões dinâmicas", porque freqüentemente são in­
terpretadas mais como uma tensão em 60Hz do que como um im­
pulso de sobretensão.
INDUTÂNCIA da FONTE a CAPACITÂNCIA d a l i n h a d e t r a n s m i s s ã o p o d e
✓ TO R N A R -S E PARTE DE UM C IR C U ITO RESSONANTE
X * -' U_.
|L EQUIVALENTE DO TRANSFORMADOR
60 Hí Q 1 1 1 i III®— COMO UMA DERIVAÇÃO MAQNETICA
NÃO LIN EAR

TRANSITÓRIO

Figura 1.05
Energização do transformador

O modulo dos transitórios iniciais em manobras de


linha/transformador ê de mesma ordem daqueles resultantes da
energização de linha, mas as sobretensões de longa duração
seguintes podem causar problemas de coordenação de isola­
mento pela influência da operação de dissipadores de surto.
Isto serã discutido em um Capítulo posterior.

A rejeição de carga15916 pode ser considerada como


uma sobretensão induzida no sistema, a qual inicialmente a-
parece a partir de uma súbita perda de carga no sistema. O
problema rejeição de carga normalmente ocorre em sistema onde
fontes de geração suprem cargas radialmente através de uma
única linha de transmissão. Isto ê mais comum em sistemas hi-
dro, onde sobrevelocidades podem ser maiores, mas algumas
usinas térmicas que podem suprir uma carga através de uma
linha radial podem também resultar sobretensões devido a re­
jeição de carga.

A abertura do disjuntor do terminal de carga da


linha resultará num possível problema de rejeição de carga.
Antes da abertura do disjuntor do receptor, a tensão inter­
na do gerador ê mais alta do que sua tensão terminal. Na o­
corrência da abertura do disjuntor, a tensão terminal do ge­
rador e sua associada no lado de alta do transformador ele­
vador imediatamente tenderão para um nível de tensão interna
superior, dependendo da capacitância da linha ou cabo. De­
vido à sobretensão, os transformadores podem imediatamente
saturar, e, devido â perda de carga, o gerador disparara. 0
regulador de velocidade do gerador e do controle de excita­
ção tendera a reduzir seus valores controlados de velocida­
de e tensão aos.valores normais. A tensão no lado receptor
da linha pode ser significantemente maior do que aquela do
gerador, devido à elevação Ferranti, enquanto o efeito adi­
cional da sobrefreqüência aumenta a reatância indutiva série,
bem como a corrente de excitação da linha. Um transformador
ligado ao lado receptor da linha também satura, requerendo
correntes harmônicas que podem resultar em sobretensões no
sistema, devido a condição de ressonância. O efeito de har­
mônicos gerados em transformadores aumenta consideravelmente
a extensão da sobretensão que ê sustentada pelo sistema. A-
través de todo o período de sobrevelocidade, os equipamentos
da linha, transformador e qualquer outro equipamento asso­
ciado a eles experimentarão condições de sobretensão.Sobre­
tensões de rejeição de carga não são, geralmente, tão seve­
ras em módulo, como aquelas resultantes da energização da
linha, mas a natureza de longa duração da sobretensão pode
influenciar a aplicação de dissipadores de surto.

Ferro-ressonância 17 pode ocorrer em sistemas com


reatância de magnetização não linear de um transformador em
ressonância com alguma capacitância associada. Tais condi­
ções podem existir em sistemas EAT, quando transformadores
são energizados através de capacitores série.Freqüentemente,
o problema é associado com sistemas de distribuição, onde
grandes valores de capacitâncias estão presentes na forma de
cabos subterrâneos, e transformadores estão presentes em su­
bestações. A queima de fusíveis série, ou ligação das chaves
monofãsicas ou bifãsicas dentro de sistemas de distribuição
são duas condições capazes de posicionar uma rede a ter pro­
priedades ferro-ressonantes. As sobretensões ferro-ressonantes
podem ser de natureza aleatória, onde a rede se posicionar,
dentro ou fora da área de ressonância, por período de alguns
ciclos, ate alguns poucos segundos. Para chaveamentos tri-
fãsicos normais, as sobretensões ferro-ressonantes geralmente
_ t
não influem.

GERADOR

Figura 1.06
Sobretensão de rejeição de carga

Proteção contra surtos de manobra

Geralmente, dissipadores de surtos são previstos


para proteger o sistema contra surtos transitórios decres­
centes. Isto é, qualquer surto de manobra, que basicamente,
seja uma tensão de alto valor, resultará na descarga do dis-
sipador e subseqüente proteção do sistema. É necessário que
o dissipador de surto seja capaz de dissipar a energia ar­
mazenada no surto de manobra. Em sistemas EAT, a proteção
contra surtos de tensão pode ser alcançada pela modificação
de disjuntores para minimizar os surtos gerados. Ito é fei­
to pela pré-inserção de um resistor em serie com o disjun­
tor quandoo sistema é energizado, possivelmente somente para
uma fração de ciclo. Então o resistor ê curto-circuitado pe­
lo fechamento dos contatos principais do disjuntor. Neste ca­
so, dois transitórios são gerados; um quando energizamos a-
travês do resistor, e outro quando curto-circuitamos este.
O efeito total destes dois transtõrios podem, por projeto,
ser menores do que os transitórios resultantes da ligação
normal sem o resistor.

A proteção contra sobretensões temporárias, ou de


longa duração, são algo diferentes.

Geralmente, um dissipador de surto não pode ser u-


sado para descarregar repetitivamente para um período demui-
tos ciclos para controlar estes surtos de longa duração. Tais
descargas repetitivas podem provavelmente causar danos ou fa­
lhas mesmo em modernos dissipadores, especialmente se estas
descargas ocorrem em sistemas com alta capabilidade de cur­
to-circuito em MVA. Sobretensões temporárias podem ser con­
troladas através da operação do sistema, isto ê, evitando
condições de operação que produzam sobretensões , ou através
de qualquer outra técnica, tal como o uso de reatores em de­
rivação de alta tensão. Sobretensões do tipo de rejeição de
carga podem ser influenciadas substancialmente pelo contro­
le de excitação dos geradores das usinas do sistema.

C. CONSIDERAÇÕES DA TENSÃO DO ESTADO PERMANENTE


Todo o equipamento do sistema pode ser projetado
para tensões de linha normal em 60Hz. Isto ê verdade para to­
do o caminho isolante, desde o transformador até a cadeia de
isoladores da estrutura da linha de transmissão. Alguns as­
pectos do projeto de coordenação de isolamento pode ser dis­
cutido com relação a tensões em 60Hz sob condições de ope­
ração normal, enquanto outros aspectos do problema dividir-
se-ão em tensões anormais que são, efetivamente, sobreten­
sões permanentes. Sobretensões anormais geralmente resultam
de alguma condição não usual ou temporária no sistema de trans­
missão.
Considerações de condições normais em 60Hz

A distância de ruptura isolante^tanto para linhas


de transmissão como para os equipamentos da subestação de­
vem ser suficientes para evitar descargas em condições nor­
mais. Uma das restrições limitantes do projeto ê a mãxima
oscilação da linha próxima à cadeia de isoladores, durante
condições de vento forte (possivelmente 30 graus, ou mais,a
partir de sua posição vertical durante ventos fortes). A dis­
tancia de ruptura sob condições de vento é um dos fatores que
devem ser incorporados ao projeto mínimo de transmissão. Is­
so é melhor feito pela consideração estatística do vento e
predizendo características da configuração da cadeia de iso-
ladores do condutor. 0 uso de cadeia em V elimina este pro­
blema.

A contaminação de isolamento 18'19 esta tomando um


dos maiores problemas em níveis altos de tensão,enquanto, em
algumas áreas, isto tem sido do maior interesse, mesmo em
níveis de baixas tensões. A contaminação normal, a partir da
neblina marítima ou respingos salgados vindos o oceano, bem
como poeira vinda de fertilizantes ou adubos para plantas,
acumula-se nas superfícies dos isoladores. A contaminação
tem pouca influência quando os isoladores estão secos; mas
com isoladores molhados, devido ao orvalho ou durante ne­
blina, tendem a conduzir correntes substanciais através des­
ta contaminação, resultando na formação de faixas secas.Al­
ternando com regiões condutoras (região molhada) e não con-
dutoras (faixas secas) resulta em um gradiente de tensão não
muito uniforme ao longo da cadeia de isoladores, e em des­
cargas, mesmo em tensão normal. Há vários estudos que estão
sendo levados a efeito em todo o mundo para desenvolver in­
formações de projeto quantitativas sobre este problema.

A contaminação ê um problema de projeto importan­


te tanto para todos os isoladores dos equipamentos elétri­
cos numa subestação, bem como para os isoladores de subes­
tação das estruturas da subestação. Além disso, a contami­
nação em superfícies externas de dissipadores de surto pode
produzir gradientes diferentes ao longo da superfície do
dissipador com descarga reduzida. Se a descarga no dissipa-
dor ocorre em tensão normal, na freqüência industrial, pode
ocorrer danos ou mesmo falha no dissipador. Em algumas áreas
a grande contaminação força as companhias a periodicamente,
lavar as superfícies dos isoladores com jatos de água em al­
ta pressão.

Condições de sobretensões anormais em 60Hz


(Sobretensões temporárias)
Sobretensões em 60Hz, que podem ocorrer sob con­
dições anormais, incluem:
1. Faltas fase-terra
2. Acoplamento ressonante
3. Abertura de condutores

Faltas fase-terra10 , em um sistema desaterrado, produzem ten­


sões de linha elevadas nas duas fases sem defeito. Em sis­
temas aterrados, o mõdulo da tensão nas fases sem defeito
será determinado pela impedância de aterramento (Veja Capí­
tulo 9 - Analise de Sistemas de Potência).

Adicionalmente, a necessidade de reduzir as con­


dições de isolamento, prevendo-se níveis garantidos de pro­
teção através de dissipadores de surto tão baixos quanto
possível, resulta, então, que o problema de tensões transi­
tórias causa um possível perigo para a vida do próprio dis­
sipador.

Sobretensões ressonantes podem ocorrer em muitas situações.


Um exemplo ê o que resulta de uma linha com circuito duplo
com reatores em derivação20. Se um dos circuitos é energi-
zado, enquanto o outro esta desenergizado, o reator em de­
rivação da linha energizado combina-se com a capacitância
mútua entre linhas formando uma malha ressonante. Tensões
elevadas poderão ser geradas nos terminais do reator em de­
rivação pela tensão de seqüência zero do circuito energiza­
do. Um valor típico da reatância em derivação, escolhido a­
dequadamente para o controle de tensão ou potência reativa
da linha de circuito duplo, pode formar o circuito resso­
nante com a capacitância entre circuitos. Este problema foi
discutido no Capítulo 10 da Teoria das Linhas de Transmis­
são.

Condutores abertos 17 21, em sistemas de potência trifásicos,


introduzem um possível problema de ressonância série. Capa-
citâncias de linhas ou de cabos podem interagir com a rea-
tância magnetizante do transformador ou reatância do siste­
ma para formar um circuito serie ressonante, quando uma das
três fases esta aberta. Isto pode resultar em ferro-resso-
nância. Como para faltas fase-terra isoladas, a sobretensão
que aparece entre a linha e a terra serã normalmente uma
função dos parâmetros de impedâncias de seqüência zero, po­
sitiva e negativa.

D. SUMÃRIO DAS SOBKETENSÕES DE MANOBRA E EM 60Hz

As tabelas I e II sumarizam os tipos e módulos das


sobretensões geralmente esperadas em sistema. Isto inclui as
sobretensões tanto de manobra como temporárias. Os módulos
lançados dentro das tabelas são típicos e têm sido compro­
vados através de muitos anos em analisadores digitais e a-
nalõgicos e testes de campo.

A Tabela I mostra o efeito significante do dis­


juntor de prê-inserção durante a seqüência de energização e
religamento de linhas aéreas. Esta modificação ê indispen­
sável para elevar o nível de EAT e, além disso, se o siste­
ma isolante dos espaçadores da torre permanecem ainda eco­
nomicamente alcançados, uma conseqüência fortuita do uso de
disjuntores modificados é que reduz-se significativamente o
esforço no dissipador de surtos, o qual tem de proteger ab­
sorvendo a energia do surto transitório de manobra.

Ocorrendo sobretensões temporárias, nenhuma modi­


ficação ê feita nos equipamentos de manobra, para expressa­
mente limitar tais sobretensões. A escolha de reatores de
compensação, o projeto de controle da excitação de geração
e a escolha dos reles de proteção podem ser usados para con­
trolar o mõdulo e a duração de tais surtos. Adicionalmente,
os sistemas de isolação requerem capacidades de longa dura­
ção que permitam suportar os esforços impostos.

O estudo cuidadoso dos procedimentos de operação


do sistema serve como função de proteção, reduzindo a taxa
de ocorrências e a duração destas sobretensões temporárias.
TABELA X
SUMARIO DOS NlVEIS DE SOBRETENSÕES D E MANOBRA. o

Surtos de fechamento d o disiuntor Surtos de abert u r a do disiuntor


Equipa m e n t o Disju n t o r s e m r e sistor de Sobretensão
Disjuntor com'resistor de S o b r etensão de
p e l a_inter­
man o b r a d o p r ê - i nserção p r é -inserção . restabelecimen- rupção de C O M E N T Á R I O S
Energi z a ç a o Rs ligamento E n e r gizaçao Re ligamento to corrente

(1)* A abertura d a linha o u a capabili-


dade de chaveamento co m caracteris­
L i n h a de
2,5 a 3,0 p.u. 2,5 a 4,0 p.u. 1,5 a 2,1 p.u. 1.7 a 2,5 p.u. 2,0 a Nada c a capacitiva de u m disjuntor fre-
transmissão qüentemente determina a probabili­
3,0* p.u. esperado
dade de re acendimento d o arco

Li n h a de
tr a n smissão e 2,5 a 3,0 p.u. 2,5 a 3,0 p.u. 1,5 a 2,1 p.u. 1,5 a 2,1 p.u. 2.0 a Nada
trans formador 3.0 p.u. es perado

(2)* Sobretensões p o r interrupção de


1,5 a corrente n ã o são comuns nos di s ­
juntores modernos de m anobra dos
Tran s f o r m a d o r 1,2 a 1,5 p.u. 1,2 a 1,5 p.u. Nada 3,0* p.u.
transformadores modernos; é mais
c o n c e r n e n t e aqui com disjuntores
a vácuo

Cabo
Nada
subterrâneo 2,0 a 2,5 p.u. 2,0 a 3,0 p.u. 1,5 a 2,0 p.u. 1,5 a 2,0 p.u. 2,0 a 3,0 p.u.
esperado
L i n h a de trans
missão com rea
Nada
to r e m d e r i v a ­ 1,8 a 2,5 p.u. 2,0 a 3,5 p.u. 1,2 a 2,0 p.u. 1,5 a 2,0 p.u. 1,5 a 2,5 p.u.
es perado
ção para co m ­
pen s a ç ã o

Manobra (3)* Geralmente os disjuntores de


em 1,0 a potência, usados p a r a m a n o ­
1,0 a 1,5 p.u. 1,0 a 1,5 p.u.

Coordenação de Isolamentos
reator bras c o m reatores, de v e m ser
2,0* p.u.
de r i vação especialmente projetados

Manobra e m 1,8 a
1,5 a 3,0 p.u. 2,0 a 3,5 p.u. Nada * (Veja observação (1) acima)
capacitor 3,5* p.u.

Abe r t u r a de (4) * e ** Os disjuntores n ã o geram


1,5 a tais sobret e n s õ e s , mas chaves des­
ba r r a m e n t o de 3,0** p.u. Nada
ligadas p o d e m gerar sobretensões
3,0* p.u.
subestações p o r múltiplos reaoendimentos n o
fechamento e múltiplos reaoendi­
mentos d o arco quando d a abertura
TABELA II

Capítulo 1
SUMÁRIO DAS SOBKETENSÕES DE LONGA DURAÇÁO EM 60Hz

Tipo de Sistemas onde


Parâmetros que afetam a Parâmetros que afetam o
o problema ê Evento in ic ia l Duração Módulo
sobre tensão duração modulo
mais comum
Energização de

U m a visão geral d a coordenação isolamento


Energização 2 a 20 ou 30 Constantes do sistema: 1,1 â Os mesmos que afetam ã
linhas de t r ifa s ic a
transmissão e EAT & AT indutância, capacitância e 1/5 duração
.transformador. normal ciclos perdas p.u.
Operação de disjunto­ 0,5 a 2,0 Constantes do sistema, indutância
São os mesmos parâmetros que afetam a
res produzindo a per­ do gerador, capacitância da linha
Rejeição EAT & AT segundos 1,1 a
reatores em derivação, controle do duração da sobre tensão sendo freqüen-
da de carga em um gerador, sobreve locidade do gera­ 2,0
de temente agravados pelos harmônicos
dor, condição in ic ia l de carga,
sistema radial p.u.
manobras adicionais, is to ê, resultantes da saturação dos transfor­
carga transferência de disparo
madores

Energização de um Poucos c i­
Ferro- 1,0 a
ramo magnetizante de clos ou mais Tamanho do transformador e do Mesmos parâmetros que afetam a
ressonâncias EAT um transformador do disparo 2,5
através de um capar capacitor serie duração
do disjuntor
cito r p.u.

Operação de manobra Função da fa­ Capacitância do sistema, irtpedân-


Perro-' Subtransmissão lha do equi­ cia magnetizante do transforma­ 1,3 a Mesmos parâmetros que afetam a
e monofãsica - Operar
ressonâncias ção de fusíveis pamento dor, perdas, operação outras sec- 2,5 duração
Distribuição cionadoras ou fu síveis [_£.u.

Faltas Ocorrência da 2,0 a 5,0 Tenpo de abertura do 1,1 a Aterramento do sistema e , em alguns
EAT & AT 1/3 casos, a sobretensão pode se agravada
fa se-terra fa lt a ciclos disjuntor p.u pelos harmônicos devido â saturação
do transformador

Faltas Aterramento do sistema; um sistema de­


Subtransmissão Tempo de abertura dos disjunto­
Ocorrência 3,0 a 20,0 1,1 a sate r r ado ou ocm a lta iitpedância de a-
fa se-terra res ou fu sív eis, também podendo terramento resultará em tensões mais
da 2,0
e ser pela reincidência devido a elevadas do que as que ocorrem em s is ­
fa lt a ciclos p.u. temas solidamente aterrados. A corren­
re ligamentos te capacitiva em capacitores de d eri­
Distribuição vação ou cabos podem produzir uma a lta
tensão capacitiva (efeito Ferranti) a-
gravando a sobretensão.
Condutores Subtransmissão Fusível io u operação Poucos c i­ Outras funções de proteção ou
e de abertura monofã­ 1,2 a Mesmas constantes anotadas na
abertos clos até ccn- falhas de equipamento determi­ 2,0
Distribuição sica ferro-ressonância
%— !____________ i tinuamente nando sobretensões p.u.
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Conductors on 3-Phase Circuits Using Shunt Ca-
pacitors", Hendrickson, Johnson, Schultz, AIEE
Transactions, 1953.
APÊNDICE I
CONCEITOS MODERNOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

PARTE I - PROTEÇÃO E SOBRETENSÕES

(*) D. E. Hedman
J. D. Mountford

A escolha das necessidades de isolamento elétrico


em sistemas de potência são comumente baseadas nos concei­
tos de "coordenação de isolamento". O problema pode ser de­
finido como o processo de correlação da rigidez isolante do
equipamento elétrico em relação às sobretensões esperadas e
com as características dos meios de proteção contra surtos,
assim reduzindo a um nível econômica e operacionalmente a-
ceitãvel da probabilidade de que os esforços de tensão re­
sultantes causem danos ao isolamento do equipamento, ou a-
fetando a continuidade de serviço. A aplicação desta breve
descrição nas atuais instalações requer o conhecimento dos
surtos que podem ocorrer em sistemas, bem como o claro en­
tendimento da natureza estatística do problema e da rigidez
elétrica do equipamento, bem definido por testes, tanto es­
pecificados pelo comprador como imposto pelos padrões. Cer­
tamente, o fator de controle na escolha da coordenação de
isolamento ê a economicidade, a qual demanda a minimização
dos investimentos para um dado nível de comportamento.

(*) Ambos do Power Technologies, Inc. - Schenectady, New York


Geralmente, esforços dielêtricos no isolamento sao
caracterizados em quatro tipos orincipais:

- sobretensões em freqüência industrial, não excedendo


a taxa mais alta de tensão do equipamento;
- sobretensões temporárias oscilantes em torno da fre­
qüência industrial;
- sobretensões de manobra;
- sobretensões atmosféricas.

O modulo de cada um dos três últimos tipos de ten­


sões podem ser avaliados de varias maneiras de analise, in­
cluindo cálculos em computadores digitais, estudos em com­
putadores analógicos, tal como usando o analisador transi­
tório em redes (TNA) , e em analise final pela experiência de
campo em sistemas de potência. Aplicações com sucesso no
campo ê a melhor demonstração de que as decisões primarias
«foram adequadas do ponto de vista de comportamento, mas in-
fortunadamente, muitas das experiências de campo não dão uma
orientação definitiva dos sistemas futuros, onde ê desejá­
vel, ou essencial, a redução dos níveis de isolamento do
sistema. 0 desenvolvimento de novos sistemas em 500kV e 765
kV tem demonstrado a inutilidade da analise de engenhariana
predição dos níveis de surto do sistema, bem como na avali­
ação das maneiras de controlar estes níveis de surto. Em
muitos sistemas EAT, estudos específicos têm sido feitos com
o propósito de definir os níveis de surto para uso da ana­
lise de coordenação de isolamento.

Qualquer analise de coordenação de isolamento po­


de ser feita de forma mais efetiva se o Engenheiro tiver uma
referência bãsica,com a qual os resultados dos estudos podem
ser comparados.

O propósito da Parte I destas notas ê apresentar


uma visão geral dos níveis de sobretensões do sistema, que
podem comumente ocorrer no sistema, então, proporcionando, al­
guma indicação de quais níveis de surtos de tensão podem ser
considerados mais amplamente numa analise detalhada do sis­
tema. Adicionalmente, a função e comportamento dos disposi­
tivos de proteção serão revistos relacionando-os a estes ní­
veis de surto. A Parte II destas notas apresentara informa­
ções mais interpretativas, definições detalhadas dos termos
usados nos estudos de coordenação de isolamento, e também
mostrarão o significado da interpretação estatística do pro­
blema e relacionando-o aos métodos de coordenação de isola­
mento convencionais.

SOBRETENSÕES EM SISTEMAS DE POTÊNCIA

Uma sobretensão de sistema e qualquer tensão va­


riável no tempo, fase-terra ou entre fases, que excede ao
valor especificado correspondente à mais alta tensão contí­
nua do equipamento. Comumente, as sobretensões são conside­
radas em três grupos: sobretensões atmosféricas, sobreten­
sões de manobra e sobretensões temporárias em torno da fre-
qüência industrial.

A maior distinção entre estes tipos de sobretensões de-


ve-se a suas durações

Sobretensões atmosféricas - vários microssegundos até


1 milissegundo;
Sobretensões de manobra - vários milissegundos até
vários ciclos;
Sobretensões temporárias - vários ciclos até vários
segundos ou mais.

Sobretensões atmosféricas
Resultam das descargas atmosféricas nas proximi­
dades, ou diretamente nas linhas de transmissão, e são al­
tamente atenuadas pela resistência e perdas por corona, an­
tes de incidir na subestação.

Os impulsos podem viajar pelas linhas de transmis­


são e incidir na subestação através das fases dos condutores,
primeiramente, e seguindo a descarga que produz a ruptura
por arco na linha de transmissão.

A rigidez ao impulso dos isoladores da li­


nha de transmissão limitará o modulo do surto que pode
incidir na subestação, apôs qualquer descarga na linha de
transmissão, mais do que alguns vãos distantes da própria subes­
tação, e tendo dissipadores de surto convenientemente ade­
quados a proteger o equipamento de tais sobretensões impul­
sivas. O mõdulo das sobretensões subseqüentes à descarga do
dissipador ê definido pela característica de tensão RI do
dissipador de surto. O nível da corrente de surto produzido
por esta tensão RI ê a razão existente entre a rigidez die-
lêtrica da torre e a impedância de surto da linha. Tipica­
mente, a corrente de surto, que excede de 5 a 10 mil ampêres,
rompera o isolamento da linha, resultando na autoproteção da
linha de transmissão.

A proteção de descargas atmosféricas impulsivas de


todos os equipamentos terminais no sistema pode,geralmente,
ser alcançada sem estudos de engenharia específico, caso a
caso, de um sistema.

Sobretensões de manobra
Sobretensões de manobra, freqüentemente, ocorrem
durante operação normal de um sistema, por exemplo, a aber­
tura e fechamento de disjuntores do sistema. O mais signi-
ficante surto de manobra, do ponto de vista da severidade e
probabilidade de ocorrência, são aqueles devido â energiza-
ção e religamento de alta velocidade de linhas de transmis­
são, cabos e bancos de capacitores.

Além disso, a limitação ou corte de correntes em


sobretensões pode ser experimentado na desenergização de li­
nhas, capacitores, reatores e transformadores por certos ti­
pos de disjuntores. Do ponto de vista de coordenação de iso­
lamento em sistemas EAT, a escolha da capacidade nominal do
dissipador de surto ê baseada primariamente nos surtos de e-
nergização e religamento. Tipicamente, o planejamento de
sistemas EAT proíbe o chaveamento de equipamentos de manobra
e portanto, surtos resultantes da desenergização são rele­
vantes somente quando uma possibilidade de escorvamento ou
corte de corrente existe. Isso ê,•normalmente, considerado
somente no que concerne a equipamentos de manobra,tais como
cabos, reatores ou transformadores. Em muitos sistemas de
baixas tensões, a economicidade, ou restrições programadas,
freqüentemente evitam cálculos excessivos antes de escolher
o equipamento, e, como resultado, falhas do equipamento,re­
sultante das deficiências de equipamentos de manobra são mais
comuns.

Surtos de manobra, em sistemas de EAT, têm como


característica transitórios com decréscimos rápidos e são de
natureza altamente oscilatõria. Surtos de energização e de
religamento de alta velocidade ocorrem em uma linha de trans­
missão, a carga será distribuída da linha, durante o perío­
do de desenergização. Se compensação reativa em derivação ê
ligada ã linha, a carga distribuída oscilará numa freqüên-
cia dependente tanto da capacitância da linha como da indu-
tância do reator em derivação. A presença desta carga serve
para tornar os transitórios de religamento mais severos do
que aqueles resultantes da energização da linha sem tensão.
Se um transformador de potência, ou mesmo potencial, ê li­
gado ã linha de transmissão, a saturação do núcleo do trans­
formador provocará a drenagem da carga distribuída da linha,
durante o período de desenergização. A carga oscilatõria
decairá a zero no circuito formado pela indutância não-li-
near do enrolamento do transformador e da capacitância da
linha e, portanto, não estará presente na reenergização. Um
fator adicional na determinação dos níveis de surto em li­
nhas EAT ê a influência dos resistores para supressão de sur­
tos, os quais são, algumas vezes, inseridos na seqüência de
fechamento dos disjuntores do sistema, com o propósito úni­
co de reduzir o módulo dos surtos de energização e religa­
mento.

Resistores para supressão de surto têm provado se­


rem muito efetivos no controle dos níveis de sobretensões an
500 e 765kV, correspondendo à economidade, em isolamento de
linha e tamanho de torres. Especialmente quando as linhas são
prê-dimensionadas para níveis superiores de tensão.
Dados de sobretensões, devido a surtos de manobra,
obtidos em analisadores transitórios de redes ou em compu­
tadores digitais, podem ser caracterizados de três formas.
As escolhas das técnicas de analise de coordenação de iso­
lamento, a serem usadas no sistema, ditam as necessidades
descritivas do surto apropriado. As escolhas, canumente con­
sideradas, são:

a. 0 nível máximo de sobretensão convencional de ma­


nobra .
b. A distribuição estatística do surto de manobra.
c. 0 nível estatístico de surto de manobra.

Cada uma destas sobretensões características se-


rã discutida com mais detalhes em artigos subseqüentes,mas
um breve comentário será feito aqui. O nível máximo de sur­
to de manobra ê usado como uma margem de segurança para de­
finir a rigidez mínima para o equipamento operante exposto
a cada surto. A rigidez mínima seria escolhida como o “Ní­
vel Básico de Impulso de Manobra" (NBIM). A distribuição
estatística do surto de manobra ê usada numa análise esta­
tística completa do risco de descarga, o qual pode incluir
a influência estatística do tempo. O resultado de tais cál­
culos ê a probabilidade de risco de descarga, a qual deve
ser avaliada relativamente ao comportamento e custo de cons­
trução. O nível estatístico de surto de manobra ê um nível
de probabilidade de referência isolado, caracterizado por
um ünico ponto da distribuição de sobretensões de um surto
de manobra. A maioria dos Engenheiros são a favor de níveis
de tensão tendo 2%, ou menos, de probabilidade de ocorrên­
cia. Este nível de sobretensão pode ser usado numa análise
estatística simplificada, resultando numa probabilidade de
descarga para o sistema.

Sobretensões temporárias
Sobretensões temporárias são uma classificação parti­
cularmente importante dos esforços de tensão e, devido a sua
duração, exclue a possibilidade de limitação pela descarga
repetitiva dos dissipadores de surto. Sobretensões tempo-
rãrias resultam da operação dos disjuntores do sistema, ou
faltas nestes, e normalmente são pouco ou nada amorteci­
dos. Fontes típicas de tais surtos, sãos

a. Tensões nas fases sem defeito, durante uma falta


fase-terra na linha.
b. Resposta do sistema e sobretensões dinâmicas apõs
rejeição de carga em um sistema.
c. Sobretensões ressonantes, ou quase ressonantes,
resultantes do surto de corrente que ocorre em
transformadores, quando manobramos estes, ou
linhas acopladas a transformadores, utilitaria-
mente.
d. Sobretensões resultantes de condições anormais,
ou não, previstas de operação do sistema, equi­
pamentos ou dispositivos de manobra.

Em sistemas EAT, a ocorrência de uma falta fase-


terra produzira uma sobretensão temporária em 60Hz nas de­
mais fases sem defeito, de modulo superior a 1,4 p.u. A
duração da sobretensão ê determinada pelos tempos de opera­
ção dos disjuntores, onde o tempo deveria ser considerado-,
ao menos, igual aos tempos dos relês de retaguarda. O mo­
dulo ê determinado pelo aterramento do sistema ou "fator de
falta a terra". Enquanto sistemas de baixas tensões fre-
qüentemente são projetados para operarem desaterrados, â
tensão fase-fase o fator de falta a terra ê menor do que
1,4 se a razão entre as reatâncias de seqüência zero e po­
sitiva for menor do que três, e a razão da resistência de
seqüência zero, para a reatância de seqüência positiva,for
menor do que um.

Rejeição de carga ê a perda de carga súbita no


receptor de um sistema geração/transmissão, resultando em
uma ou mais linhas de transmissão descarregadas e energi-
zadas pela geração. O gerador dispara devido â perda de car­
ga, a qual, em retorno, aumenta a tensão do sistema. O re­
gulador de tensão e sistema de excitação tentam controlar
esta sobretensão pela redução da excitação. A conseqüência
ê que o sistema pode sofrer sobretensões de duração supe­
rior a 2 segundos. Durante este intervalo, a saturação do
transformador e harmônicos resultantes podem agravar as so-
bretensões do sistema. Em cada sistema hã possibilidade a-
dicional da auto-excitação resultante do disparo da maquina
e da reatância capacitiva da linha. A auto-excitação provo­
ca sobretensões que não são controladas pela excitação da
maquina. Estas sobretensões podem persistir por mais de dois
segundos e alcançar níveis perigosos.

Manobra de transformadores, ou linhas com trans­


formadores rigidamente acoplados como uma unidade, podem re­
sultar em um tipo ressonante de sobretensão, a qual normal­
mente não ê sustentada. A energização de um transformador
resulta num surto de corrente que ê rico de harmônicos. Es­
ta corrente harmônica, interage com os elementos dos circui­
tos do sistema produzindo tensões harmônicas através de um
ou mais caminhos ressonantes. Estes harmônicos adicionam-se
às sobretensões em 60Hz e podem ser uma seria consideração,
devido a seu modulo e duração. Esta pode ser desde alguns pou­
cos, ate 20 ou mais ciclos. Alêm disso, nas sobretensões har­
mônicas, 0 surto de corrente devido à saturação do transfor­
mador, podem também produzir oscilações sub-harmônicas, que
podem contribuir para o problema de sobretensões.

A operação de sistema de modo anormal ou não-pre-


visto pode resultar em sobretensões em qualquer sistema,de­
vido à operação inadvertida de um disjuntor por um operador,
erro de operação ou de aplicação de um relê ou causas si­
milares. Em sistemas de EAT, isto pode resultar na descarga
do excesso de carga capacitiva da linha,num gerador ou trans­
formador, resultando numa condição de sobretensão em 60Hz,
tipo Ferranti. Em sistemas de tensões menores, a abertura de
condutores, resultante da operação de desligamento por fu­
síveis ou chaves monofásicas, pode ser severa, devido aos ní­
veis de tensão em 60Hz serem sustentados acima de 2,0 p.u.,
comumente devido ã ferro-ressonância. Esta causa ê a mais
comum em sistemas de tensões menores, apôs este tipo de con­
tingência monofásica, enquanto que, em sistemas de EAT, a
ferro-ressonância pode ser um fator onde a capacitância da
linha ou do cabo ê acoplada através da impedância magneti-
zante do transformador, podendo resultar quando energizamos
transformadores através de capacitores serie.

Todas as sobretensões temporárias, se elas forem


devidas à ocorrência de falta ou manobra, são geralmente tor­
nadas mais severas pela distorção da forma de onda da tensão
resultando na saturação dos transformadores. Sempre que tais
sobretensões possam ocorrer, a capacidade dos dissipadoresde
surtos locais deve ser baseada acima destes mõdulos , sus­
tentados de forma a limitar o risco de falha dos dissipado-
res, ou seja, não conduzirem, se ocorrer descarga. A falha
de condução pode resultar em perigo térmico, como um resul­
tado da multiplicidade de descargas apõs a primeira, devido
a sobretensões impulsivas de manobra ou atmosféricas.

AS REGRAS DOS MgTODOS DE PROTEÇÃO

Nas subestações - onde um alto grau de proteção é


necessária - faz-se desejável minimizar a dispersão das dis­
tribuições estatísticas de surtos, pela redução dos níveis
altos de surto através do uso de dispositivos de proteção.
Isto concorda com os projetos convencionais de coordenação
de isolamento de subestações. Tal coordenação necessita con­
siderar o numero de caminhos de descarga, bem como a capa-
bilidade de isolamento dos componentes. O maior número de
componentes isolantes de uma subestação ê constituído pelos
isoladores de suporte de barras, mas, em geral, o espaço e
capabilidade mínima ocorre entre as partes internas de dis­
juntores, transformadores e reatores. Em estruturas isolan­
tes fechadas, o sistema de isolamento envolvido ê protegido
da atmosfera e, portanto, tem características de rigidez e-
létricas que são bem definidas quando comparadas àquelas de
isolamento de linhas, e podem ser previstas que se mantenham
inalteradas tais características através de todo o seu tem­
po de vida. Descargas neste tipo de isolante são, certamen­
te, um evento catastrófico, resultando em altos custos de
reparo da redução da confiabilidade do sistema(e, freqüen-
temente, custos de fornecimento de energia aumentados. Um
maior isolamento na subestação ê, entretanto,"suplementado"
por dispositivos de proteção que permitam desviar para a ter­
ra todos os surtos que excedem os níveis especificados de
proteção do dispositivo e, conseqüentemente, redução da pro­
babilidade de descarga do isolante protegida a um nível tal,
que para todos os propósitos práticos, podem ser reduzidos a
zero.

As características do dispositivo de proteção de­


ve ser avaliada acima da faixa de condições, e esta infor­
mação global ê normalmente traçada em uma curva tensãoxtempo.

A Figura 1.07 mostra uma curva tensãoxtempo de um dis­


juntor de potência típico e a capabilidade nominal do trans­
formador de potência, como definido pelos testes padrões.

A curva também apresenta bandas de descarga de um


dispositivo de proteção centelhador típico, bem como aquelas
de um dissipador de surtos.

Estas curvas mostram que o dissipador de surto po­


de alcançar uma margem de proteção aceitável para toda a ca­
racterística nominal tensãoxtempo, tanto do transformador como
do disjuntor, enquanto que o centelhador pode somente pro­
porcionar uma proteção razoável para o disjuntor.

Cada um destes dois dispositivos de proteção será


discutido aqui, indicando em mais detalhes suas vantagens e
desvantagens.

Proteção por centelhadores a ar


Enquanto centelhadores a ar tenham sido usados na
proteção de sistemas de isolamento interno, a vantagem eco­
nômica do reduzido isolante alcançado pela proteção com dis-
sipadores de surto, em sistemas de EAT, relega a proteção por
centelhadores a uma função secundária.

Centelhadores a ar são usados em alguns sistemas na


entradas de linhas, para cortar qualquer surto incidente ca­
paz de produzir descargas no isolamento das barras, bem cano
para proteger o lado da linha com disjuntores abertos.
FAIXAS TÍP IC A S DE P E S C A W A

Coordenação de Isolamentos
DE CENTELHADORES A AR

I 10 100 10 OO 10000
TEMPO EM MICROSEO UNDOS

Figura 1.07
Curva tensão x tempo de coordenação de isolamento
Enquanto centelhadores a ar proporcionam um meio
barato de proteção, as características de p ro teç ão não são tio
desejáveis como aquelas dos dissipadores de surto. A des­
carga não pode ser controlada acuradamente por ambos,porque
o gradiente de tensão não ê uniforme em centelhadores com
grandes espaçamentos e, também, porque o centelhador é ex­
posto a atmosfera e a superfícies de terras adjacentes que
podem ter influência no nível do surto. Em condições extre­
mas de tempo, a banda de descargas pode ser muito maior do
que aquela indicada na Figura 1.07. Também, a rãpida mudança
das características de descarga de centelhadores a ar não
proporcionam proteção para capabilidade de curto tempo de
sistemas isolantes internos típicos. Se uma margem sufici­
ente for obtida nesta região por um abaixamento da caracte­
rística de descarga do centelhador a ar, então, a larga dis­
persão do nível de descarga do espaçador exposto permitira
a possibilidade de descarga em tensões menores, não permi­
tindo surtos perigosos e resultando em operações desne­
cessárias apôs ocorrer descarga no centelhador, porque o es­
paçamento não se auto-restaura. Não hã resistência limitan­
do a corrente em série com o centelhador, e, portanto, re­
sulta numa corrente de freqüência fundamental igual a de
curto-circuito de barra.

Proteção por dissipadores de surtos

Os dissipadores são caracterizados pela habilida­


de de agirem como um circuito aberto para baixos níveis de
surtos e condições normais de tensão, enquanto que, para al­
tos níveis de surto, o dissipador apresenta um caminho com
baixa resistência à terra. Isso ê obtido pelo disparo sobre
uma série de centelhadores localizados dentro de um suporte
de porcelana.

A capacidade do dissipador ê definida pela sua es­


pecificação nominal, ou seja, pelas descargas por sobreten-
são impulsiva e de manobra máximas, e o nível de proteção ou
seja pela capacidade de restabelecimento e tensão IR de sur­
to atmosférico.

A especificação do dissipador ê a definição bási­


ca, em torno da qual todas as demais devem ser correlatadas.
Normas americanas especificam um certo conjunto de testes
para cada especificação de dissipador, mas os fabricantes co-
mumente incluem outras capacidades não prescritas pelas nor­
mas. Os padrões descrevem procedimentos de teste para serem
usados na medição do surto de manobra e de impulso,bem como
da tensão IR do dissipador. A tensão de descarga determina o
mais alto surto que pode ocorrer no dissipador, antes do mesmo
descarregar, e a tensão IR descreve o modulo da tensão do
surto, após uma descarga do mesmo, devido a uma tensão im­
pulsiva atmosférica. A tensão IR do dissipador ê determina­
da pelas características do dissipador e da corrente de sur­
to que pode incidir na subestação. Consideração será feita
a um teste padrão, que descreverá essencialmente a tensão IR
do dissipador, durante a descarga de um surto de manobra que
ê comumente chamado de nível de proteção do dissipador. No
sentido convencional, a especificação de um dissipador é o
nível de tensão, no qual se extiguirã com sucesso (restabe-
lecer-se), após uma primeira descarga, por conseguinte,evi­
tando múltiplas descargas. O teste cíclico de atuação padrão
demonstra esta capabilidade para sobretensões atmosféricas,
tipo impulsivas. Alguns fabricantes fornecem uma capacidade
de surto para dissipadores, isto ê, especificam uma capaci­
dade de restabelecimento para o dissipador,numa tensão que
excede a nominal por vários ciclos, mesmo após conduzir a
energia de sobretensões de manobra à terra. Esta elevada ca­
pacidade de restabelecimento é comumente obtida pela redução
da capacidade térmica requerida através da limitação da du­
ração do fluxo de corrente em cada operação, usando dissi­
padores capazes de gerar uma tensão de retorno em oposição
ao fluxo de corrente do sistema. Esta tensão que cria a ha­
bilidade do centelhador ê comumente chamada "limitador de
corrente". A alta capabilidade de restabelecimento ê par­
ticularmente importante nas aplicações, onde tensões tem­
porárias resultantes de manobras com transformadores são en­
contradas.

0 nível de descarga de dissipadores de surto mo­


dernos ê, em geral, cuidadosamente projetado para ter um va­
lor máximo que deve ser garantido pelo fabricante. Isto per­
mite a margem de proteção entre os surtos de tensão,que são
previstos num dado sistema, e a rigidez básica necessária com
um alto grau de confiabilidade. A consistência da descarga
no dissipador ê obtida pela combinação de um gradiente de
tensão controlado através de uma serie de múltiplos cente-
lhadores com prê-ionização dos mesmos,que ficam protegidos
das variações de condições atmosféricas, devido a estarem con­
tidos em uma coluna de porcelana selada.
Cada centelhador está em série com uma resistência
não-linear que serve a dois propósitos. O primeiro é apre­
sentar um baixo caminho resistivo aos altos valores de cor­
rente de impulso e, conseqtientemente, drená-lo para a terra,
sem permitir grandes quedas de tensão na linha. O segundo ê
prover um caminho de alta resistência à tensão do sistema e,
por conseguinte, reduzir o fluxo de potência na freqüência
fundamental, dado pela corrente apôs a descarga e,então,per­
mitir o restabelecimento dos centelhadores.

Os limites operacionais dos dissipadores de surto


são determinados pela sua habilidade de manter a tensão de
descarga baixa durante a vida operante do dissipador; sua
habilidade de absorver a energia dos surtos, sua habilidade
de eliminar o fluxo de potência que segue a corrente de des­
carga (restabelecimento), frente à tensão do sistema.

Para assegurar a capacidade de restabelecimento,


as regras de aplicação de dissipadores ditam que a especifi­
cação do mesmo deve ser maior do que as tensões sustentadas
num sistema. Adicionalmente, a proteção de surto de manobra
por dissipadores pode impor restrições térmicas severas em
dissipadores, resultantes da alta dissipação de energia ne­
cessária, especialmente se o surto ê de nível muito alto ou
ê de duração muito longa. Uma tensão que ã alta (acima da ca­
pacidade de descarga do dissipador), por vários meios ciclos
de uma onda em 60Hz, pode resultar em descargas múltiplas
(falhas de restabelecimento) do dissipador e provocar peri­
go térmico ao elemento resistivo não-lineareâ estrutura do
centelhador, e, conseqüentemente, falha do dissipador.

Para equipamento protegido, a função da coordena­


ção de isolamento, quando usamos dissipadores de surtos,con­
siste, então, na escolha da especificação do mesmo, de modo
que possa suportar impulsos, surtos de manobra e tensões no­
minais que podem ocorrer no sistema. Se o dissipador ê es­
colhido baseado nestas imposições do sistema, sua capacida­
de de proteção determina as necessidades isolantes do iso­
lamento protegido. Uma margem mínima entre o nível de pro­
teção do dissipador e da capacidade especificada do isola­
mento protegido ê comumente 20 % na região de impulso e 15%
na região de surtos de manobra. Freqüentemente, uma mesma lar­
ga margem ê usada em novos sistemas ou em equipamentos, re­
querendo um comportamento de alto nível. A Figura 1.07 mostra
as relações entre os níveis de proteção de um dissipador e
a característica nominal tensão x tempo do isolamento de um
transformador.
CONCEITOS MODERNOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

PARTE II - PROCEDIMENTOS E MÉTODOS ESTATÍSTICOS

(*) D.E. Hedman


J.D. Mountford

A Engenharia de Coordenação de Isolamento em um


sistema elétrico de potência é uma correlação feita entre os
níveis de sobretensões esperados, características dos méto­
dos de proteção e da capacidade nominal de isolamento dos e-
quipamentos.

Na Parte I foram discutidos os tipos e módulos das


sobretensões, que podem ser normalmente esperadas que existam em
um sistema de potência e o efeito destas na seleção dos dis­
positivos de proteção. O propósito deste artigo é o de re­
visar os procedimentos de coordenação de isolamento comu-
mente usados e desenvolvidos pelas concessionárias, fabri­
cantes e comitês de padronização para aplicação nos siste­
mas EAT e UAT atuais e futuros. Estes métodos serão demons­
trados com exemplos simples, indicando onde as aplicações de
aproximações estatísticas e convencionais são relevantes.

Os conceitos de coordenação de isolamento e pro­


cedimentos têm sido desenvolvidos sobre a história global dos

(*) Ambos do Power Technologies, Inc. Schenectady, New York


sistemas de energia elétrica. As especificações dos equipa­
mentos são comumente baseadas em padrões oficializados que
detalham os procedimentos de teste aceitáveis, que, em re­
torno, definem níveis aceitáveis das capacidades dos equipa­
mentos, em termos da terminologia convencional ou padrão.
O processo ê na escolha dos níveis de teste em fabrica, tal
que o equipamento opere satisfatoriamente sobre uma margem
ampla do sistema e condições de entorno.

Os atuais procedimentos de coordenação de isola­


mento convencionais são universalmente usados abaixo de 138kV,
enquanto que, em sistemas de EAT, procedimentos estatísticos
são encontrados numa larga margem de aplicabilidade. Devido
às mudanças no "estado das ciências", modificações contínuas
da terminologia são necessárias, as quais freqüentemente re­
sultam na queda de termos largamente usados que tenham per­
dido relevância. O rol que aparece neste artigo mostra a ter­
minologia usada no texto e indica mudanças na terminologia
anterior.

PROCEDIMENTOS DA COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

Procedimentos convencionais

Os métodos de coordenação convencionais têm sido


largamente usados pela industria de utilização para equipa­
mentos de alta e baixa tensão e para a maioria dos equipa­
mentos aplicados em níveis de EAT.

No níveis de EAT ou superior, os métodos conven­


cionais encontram sua maior aplicabilidade no isolamento sem
auto-restauração típica de transformadores de potênciae re­
atores em derivação. O impacto econômico da falta de tais dis­
positivos requer esta aproximação conservativa que são pro­
jetados para minimizar os aspectos estatísticos da correla­
ção esforço/capabilidade.

O método pode ser definido com maior simplicidade


pelas seguintes afirmações:
Determinando ou estimando as sobretensões atmos­
féricas e de manobras máximas convencionais ê possível a es­
colha de um dissipador de surto para limitar os surtos ao
nível de proteção desejado. As tensões nominais impulsivas
convencionais, são, então, escolhidas com alguma margem ou
fator de segurança. Estudos específicos com o TNA podem ser
feitos para assegurar o comportamento, a longo prazo, dos
dissipadores. Além disso, a escolha ê feita com testes de e-
quipamentos específicos, tais como, testes de impulso nomi­
nal atmosférico, testes de impulso nominal de manobrae tes­
tes em freqüência industrial (testes de alto potencial).

Muitos fatores são incorporados dentro da escolha


dos níveis de testes de aceitação, para uma aplicação par­
ticular, incluindo as recomendações feitas em normas ou pro­
cedimentos de aplicação industrial, recomendações feitas por
fabricantes, procedimentos primários e práticas das conces­
sionárias e experiência ganha por outras companhias sobre o
grau de risco que pode ser considerado em uma determinada
instalação.

Os métodos de coordenação convencional são freqtien-


temente usados na aplicação em sistemas, onde sobretensões
mais severas ou níveis isolantes são determinados pelas so­
bretensões temporárias. Estas sobretensões ditam a mínima
capacidade aceitável do dissipador de surto e , portanto,di­
tam os níveis de isolantes mínimos permissíveis do equipa­
mento.

Métodos estatísticos
Procedimentos estatísticos consideram tanto a ca­
pacidade de isolamento e esforços de tensão como as quanti­
dades estatísticas. O procedimento está em sua infância, mas
ê esperado no futuro para determinar maiores aplicações, quan­
do todos os fatores envolvidos no procedimento forem plena­
mente conhecidos. O procedimento ê aplicado somente a isola­
mentos auto-restaurativos, quando a capabilidade pode ser es-
tatisticamente descrita. Isto elimina seu uso em sistemas
de isolamento sem auto-restauração.

Fundamentalmente, o método ou métodos combinam a


distribuição de surtos de sobretensões e a curva de probabi­
lidade de surto para o isolamento, para fornecer o risco de
falha como um resultado desta analise. Este risco deve, en­
tão, ser avaliado levando em conta, o comportamento do sis­
tema e a influência econômica da descarga. O risco de falha
na aproximação estatística ê relatada, como interpretação,
para um fator, ou margem de segurança, que é usado na apro­
ximação convencional, no sentido de que ambos os níveis de­
vem ser escolhidos com base na experiência e bom senso. Os
métodos estatísticos podem também incluir influências meteo­
rológicas pela aplicação de fatores corretivos atmosféricos
nos dados de laboratório baseados numa analise do tempo, u-
sando dados temporais históricos. Esta aproximação estatís­
tica completa preferencial tem sido usada por muitas firmas
para o projeto de coordenação de isolamento de linhas de trans­
missão.

Devido às informações detalhadas de entradae cál­


culos computacionais sofisticados necessários para este mé­
todo estatístico, um método simplificado de analise foi pro­
posto pelo Comitê IEC-28. Este método requer hipóteses que
resguardam a natureza das curvas de distribuições de surtos
e descarga, a partir de cálculos simples e curvas que apre­
sentam resultados generalizados. Estudos paramêtricos têm
permitido avaliar a influência das hipóteses simplificado-
ras e fazer recomendações em valores referenciais padrões
propostos para tais dados.

Com valores referenciais padrões e resultados pa-


ramétricos generalizados apresentados em curvas, ê possível
analisar estatisticamente, de forma manual e simplifiçada,o
comportamento do sistema.

O procedimento estatístico simplificado ê usado,


primariamente, na avaliação do projeto primário do equipa­
mento ou do sistema onde cálculos mais detalhados podem ser
feitos para a analise do projeto final. Estes resultados dão
ao usuário e ao projetista do equipamento, bases comuns para dis­
cussão dos projetos propostos e, provavelmente, com o acumu­
lo de experiência e o aprimoramento de técnicas, tais méto­
dos serão largamente usados no projeto final de equipamen­
tos e sistemas.

APLICAÇÕES DOS MfiTODOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

Método convencional

, A natureza do isolamento sem auto-restauração de­


termina que deveriamos ter uma margem entre a capacidade
nominal isolante e o esforço de tensão máxima esperada. Com
esta margem pretende-se cobrir todas as condições,incluindo
surtos de tensão extrapolado ou anormalmente alto. A taxa
de proteção é a relação existente entre a capacidade de iso­
lamento e o esforço de tensão. A margem de proteçãoé a taxa
de proteção menos um. Os mínimos recomendados são 1,15 e
1 ,2 0 , para taxas de proteção de impulsos de manobrae impul­
sos atmosféricos, respectivamente. Se dissipadores de surto
são empregados, os esforços de tensão máximos são superio­
res à: a) tensão de descarga impulsiva de manobra, ou b)
descarga impulsiva de manobra. Se dissipadores não forem u-
sados, o esforço máximo de tensão é o surto máximo de mano­
bra.

Como um exemplo, supomos que um dissipador de sur­


to de 444kV está sendo usado em uma subestação de 550kV pa­
ra proteger um transformador que está imediatamente adja­
cente ao dissipador. A Tabela a seguir indica os esforços de
tensão que podem ser experimentados no transformador e da
capabilidade isolante requerida, para dar margem adequada a-
cima do esforço.
ESFORÇO DE TENSÃO CAPABILIDADE DE ISOLÃÇÃO REQUERIDA

Descarga no dissipador de 1,2x1255 = 1506kV para frente


frente de onda = 1255V de onda
Descarga de 1,2x50 micros- 1,2x1070 = 1284kV para onda
segundos = 1070kV plena
Tensão de descarga de 1,2x990 = 1188kV para cnda
10,000 ampêres = 990kV plena
Descarga de impulso de 1,15x993 = 1142kV para impul-
manobra 993kV so de manobra

O BIL de um transformador da ordem de 1300kVé ob­


tido num teste de onda cortada de 1500kV e um BSL de 1080kV.
Embora o nível de teste com BIL de 130OkV seja adequado pa­
ra esforços de 1,2x50 microssegundos, os valores de surtos de
manobra e testes de onda cortada são inadequados para os es­
forços indicados. Alternativamente, umtransformador.de 1425kV
tem um valor de onda cortada de 1640kV e um BSL de 1180kV.
Porque esses valores são iguais ou maiores do que as capa­
cidades isolantes necessárias, logo o transformador com BIL
de 1425kV poderá ser empregado.

Métodos estatísticos de coordenação de isolamento

O risco de falha ê a probabilidade cumulativa das


falhas de isolamento, e é igual à probabilidade otimizada
cumulativa, que o esforço de tensão aplicada ao isolamento
excede a capacidade isolante. 0 processo de uso do método es­
tatístico de coordenação de isolamento requer conjuntos de
variáveis diferentemente combinadas dos dados estatísticos
para a capacidade de isolamento, com a distribuição esta­
tística esperada dos esforços, até o risco de falha encon­
trar um nível prê-determinado. Este é um procedimento cor­
reto, mas a tarefa matemática tediosa ê normalmente anali­
sada através de computadores digitais.

Por exemplo, o isolamento nominal de uma janela


de torre será uma função do vão livre e será estatístico por
natureza. O CFO é determinado pela distância entre a torre e
o condutor, e pode variar tanto, que o risco de descarga de
um condutor à torre, para.uma dada distribuição de esforço
de surto de manobra, alcança o risco desejado da falha. O
risco de falha ê, como o fator ou margem de seguraça na a-
proximação convencional, baseado sobre o bom senso e expe­
riência, bem como das conseqüências econômicas e operacio­
nais de descarga na linha. A aplicação desta aproximação re­
quer uma descrição da natureza estatística do sistema, in­
cluindo uma curva.de capabilidade cumulativa e a função den­
sidade da probabilidade de descarga.

A distribuição da capacidade de isolamento para


centelhadores sob condições atmosféricas padrões ê,comumen-
te, um dado disponível. Afim de se ter a solução valida pa­
ra uma dada região geográfica e representativa da vida to­
tal de operação, a distribuição poderã ser corrigida usando
um modelo estatístico das condições do tempo na região.Tais
dados como, por exemplo, umidade relativa, densidade rela­
tiva do ar, precipitação pluviométrica, etc., são disponí­
veis numa base horária, a partir de relatórios meteorológi­
cos permitindo a construção da função de densidade probabi-
lística para cada parâmetro temporal. Esta descrição do tem­
po, complementada com os fatores de correção necessários,pode,
então, ser aplicada à distribuição da capabilidade de iso­
lamento para condições padrões. Assim, é possível traçar a
distribuição característica da região em consideração.

A distribuição dos esforços de tensão pode ser des­


crita como uma função de densidade probabilística, e pode
ser obtida a partir de estudos digitais ou analógicos onde
os esforços de tensão à torre são normalmente obtidos sem
interessar à forma de onda ou polaridade. Uma forma de onda
representativa de altas tensões, ou de capabilidade mínima
isolante, pode ser usada na análise subseqüente.

Supondo conhecidas as distribuições de freqüência


das sobretensões e da capabilidade isolante, o risco de fa­
lha pode ser expresso numericamente.A Figura 1.08 mostra aden-
sidade probabilística pg (Vj descrevendo uma distribuição de
sobretensões e a probabilidade cumulativa PT (V) da capabili-
Figura 1.08

p (V) = A função densidade prdbabilística do esforço de tensão


s

PT (V) = A probabilidade cumulativa da capabilidade de isolamento pa­


ra cada dado nível de surto

p^ (V) = A função de risco de falha prdbabilística

r°°
Risco de Falha = \ P^(V) dV

= área da seção hachurada


dade de isolamento.

A probabilidade de que um surto tenha um valor en­


tre V e V+dV ocorrera como p (V).dV. A probabilidade de fa­
lha do isolamento, devido à ocorrência desta mesma sobreten-
são, será então:

dR - p f (V) = PS (V).PT (V) dV

ou de probabilidade de falha para qualquer ou todos V's de­


finidos por pg (V)/ como:

R = PS (V).PT (V).dV

então, a área, descrevendo o produto desta integral,ê o ris­


co de falha. O risco que esta sendo calculado por este mé­
todo ê baseado em quatro probabilidades básicas:

a) A probabilidade que retrata a influência combinada


das condições metereolõgicas (umidade,densidade do
ar, precipitação) correspondera a uma capabilidade
de descarga determinada em isoladores e centelha-
dores.
b) A probabilidade de que uma cadeia de isoladores
oscile devido ao vento, dentro de certa posição.
c) A probabilidade de incidência de um surto a uma
dada magnitude.
d) A probabilidade de que um centelhador ou cadeia de
isoladores descarregue acima ou abaixo da capabi­
lidade crítica de descarga.

Tal analise estatística capacita detalhar o com­


portamento de projetos alternativos a serem analisados, u-
sando descrições da geometria da torre e configuração do
barramento.

A complexidade do problema matemático pode ser re­


duzido a soluções praticas somente pelo uso de computadores
digitais. Basicamente, o problema ê um dos que requer maior
quantidade de dados disponíveis, especialmente quando in­
fluências meteorolõgicas são incluídas na analise. Neste úl­
timo caso, registros horários dos dados meteorológicos de
uma área geográfica em consideração serão acumulados para
mais de dez ou quinze anos. A complexidade de solução é gran­
demente aumentada quando consideradas muitas variações nos
caminhos de descarga, de acordo com a geometria da janela da
torre e variações no comprimento da cadeia, mesmo quando ca­
minhos de descarga são supostos de serem fenômenos indepen­
dentes. Comitês de padronização, reconhecendo este proble­
ma, estão propondo métodos simplificados alternativos de a-
nãlise, que necessitam hipóteses considerando a natureza das
distribuições de surto e descarga.

Método estatístico simplificado

0 método estatístico de coordenação de isolamento


requer a integração numérica de funções complexas para cada
calculo de risco. Isto limita a aplicabilidade da aproxima­
ção. Engenheiros trabalhando extensivamente nesta ãrea ob­
servaram a similaridade dos dados de entrada, em muitos ca­
sos, e propuseram uma aproximação paramêtrica para este pro­
blema. Supondo conhecida a forma estatística das sobreten-
sões, a distribuição de surto pode ser descrita por um nu­
mero isolado, "surto estatístico". Correspondentemente, a
curva nominal pode ser descrita por um numero isolado, "o
padrão estatístico", se a forma e o desvio padrão são man­
tidos fixos. Usando as curvas definidas desta maneira sim­
ples, um estudo paramétr:co, cobrindo um intervalo típico de
valores, permite a construção de uma tabela de resultados.

Neste caso, uma tabela, coma margem existente en­


tre o "surto estatístico" e o "padrão estatístico", defi­
ne o "risco de falha" que ê a probabilidade de descarga pa­
ra esta condição.

A probabilidade de surtos de referência propostos


pela IEC ê de 2%, e a probabilidade de referência associada
com o padrão estatístico ê de 90%. Este valor mais antigo
de 90% ê preferido em lugar do valor de CFO mais convencio­
nal de 50%, de modo a usar os dados, na região de comporta­
mento estimado, baseado nas tensões de impulsos ncminais,sen­
do para alguns equipamentos tomada a tensão padrão conven­
cional .

Desvios padrões médios em geral são empregados, con­


vencionalmente usa-se 3% para impulsos padrões nominais e 6 %
para distribuições nominais de impulsos de manobra..

Atualmente, o Comitê IEC-28 esta desenvolvendo u-


ma norma de aplicação de coordenação de isolamento que per­
mite avaliar o risco de falha usando uma tabela simples ou
conjuntos de curvas. Neste trabalho, um fator de segurança es­
tatístico ê considerado e definido como a razão do padrão es­
tatístico e o surto de tensão estatístico. A interpretação do
risco de falha ê a mesma para a aproximação estatística nor­
mal, ccmo observado na Figura 1.08. A diferença está no método
de calculo deste resultado.

SUMÃRIO

A arte de coordenação de isolamento, agora e no


futuro, dependera mais ainda de uma avaliação estatísticado
comportamento do sistema.

Isto requer, substancialmente, uma maior quanti­


dade de dados e analise. Então, a aproximação da coordenação
de isolamento convencional prevê uma maneira de alcançar e-
conomicidade através deste detalhe.

Por outro lado , nas ãreas onde a perda de uma par­


te do equipamento principal ê uma catástrofe, métodos con­
vencionais com grandes margens de segurança podem ser uma a-
proximação prudente. Um dos valores principais, na pesquisa
e empenho da engenharia, aplicado a uma aproximação esta­
tística, atualmente abre uma porta a mais no entendimento do
problema de Coordenação de Isolamento.
GLOSSÁRIO DOS TERMOS MODERNOS

DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

Coordenação de isolamento - O processo de correlação de ca-


pabilidade isolante do equipamento elétrico com sobretensoes
esperadas e com características dos dispositivos de proteção
de surto, assim como para reduzir a um nível aceitável ope­
racional e econômico a probabilidade de que um esforço de
tensão resulte em perigo de dano no isolamento do equipamen­
to ou afete a continuidade de serviço

Definições dos parâmetros estatísticos

Função densidade probabilidade p(V) é comumente usada pa­


ra descrever a freqüência de ocorrência de surtos no siste­
ma; isto ê, a ãrea sob a função pg (V) de um pequeno inter­
valo ou margem AV^ (ãrea = ps (V).AV) é igualâprobabilidade
de ocorrência de surto do sistema, dentro do intervalo AV.

Função distribuição cumulativa P(V) é comumente usada pa­


ra descrever a capabilidade de isolamento, e ê igual à pro­
babilidade da rigidez ser menor do que, ou igual aos valo­
res da função.

Desvio padrão ê o parâmetro que descreve a dispersão dos


dados, obtido pelo quadrado esperado do desvio das informa­
ções, a partir da média.

Descarga de 5.0% é a chamada "descarga crítica", CFO, do ní­


vel de tensão, no qual o isolamento descarregaria pela me­
tade das aplicações.

Risco de falha é a probabilidade ideal de que uma sobre-


tensão existira e que e que o padrão de isolamento serã me­
nor do que o surto, quando todas as tensões possíveis forem
descritas por uma densidade de distribuição estatística pg
(V) e a capàbilidade isolante for definida pela distribui­
ção cumulativa PT (V).

Risco (R) Pg (V) PT (V) dV


— 00

Distribuição normal - Ê uma função bem tabulada e largamente


usada, descrevendo a estatística de muitas situações natu­
rais. Embora não seja provavelmente uma descrição acurada dos
dados de capabilidade e de esforços nos estudos de coorde­
nação de isolamento, a hipótese de uma distribuição normal ê
freqüentemente usada para simplificar o trabalho numérico.

Descarga desruptiva - E o súbito e largo aumento na corren­


te , através do meio isolante, devido a uma falha completa do
meio sobre o esforço eletrostãtico.

Testes em equipamentos - Vãrios tipos de testes podem ser fei­


tos em equipamentos elétricos, tanto durante, como após a
fabricação. Enquanto não hã uma uniformidade completa nos
nomes dos testes em todos os padrões, hã algumas observações
de caráter geral que podem ser feitas resguardando os pro­
pósitos fundamentais dos testes.

Testes ou provas de aceitação - São aqueles feitos após a


fabricação do equipamento.

Testes de projeto - São feitos somente em amostras represen­


tativas, ou protótipos construídos especificamente para con­
substanciar as capacidades especificadas para um tipo par­
ticular, estilo ou modelo de equipamento, e para mostrar suas
condições de operar satisfatoriamente sob condições de ser­
viço normal.

Testes e provas de manutenção - São feitos em equipamentos


que têm estado em serviço comercial, e proveem meios para a-
valiar o grau possível de degradação que tenha resultado,de­
vido a transporte, instalação e serviço. Tais testes não são
feitos ao mesmo nível dos testes correspondentes em fabrica
(por exemplo, os testes de alto potencial são geralmente de
60 a 80% dos níveis usados nos testes de fabrica).

Testes de produção - Podem ser especificados por normas pa­


dronizadas ou podem ser baseados nas exigências do fabrican­
te e são feitos para testar a qualidade e uniformidade dos
materiais e da mão-de-obra usada na fabricação do equipamen­
to.

Aterramento - O aterramento intencional do neutro de um sis­


tema trifãsico, para estabilizar a tensão dos mesmos duran­
te faltas ou anormalidades.

Coeficiente de aterramento - É a razão (E0«p/E0 ^) expressa co­


mo uma porcentagem industrial de uma fase em boas condições
durante uma falta fase-terra (E^) para a tensão (E^) coma
falta removida.

Fator de falta a terra - É a razão entre a tensão mais alta


em freqüência industrial fase-terra de uma fase normal, du­
rante uma falta fase-terra, e a tensão em freqüência indus­
trial sem defeito com a falta removida.

Isolamento - O material usado para suportar a tensão do sis­


tema.

Isolamento externo - Ê o isolamento do ar e das superfícies


expostas do isolante sólido do equipamento que estã sujeito
a esforços dielétricos e aos efeitos atmosféricos, bem como
outras condições externas.

Isolamento interno - São os elementos isolantes líquidos, só­


lidos ou gasosos internos do equipamento, que estão prote­
gidos dos efeitos atmosféricos, bem como outras condições
externas.

Isolamento sem auto-restauração - Ê o meio isolante que per­


de suas propriedades isolantes e não se recompõe completa­
mente, após uma descarga desruptiva.

Isolamento auto-restaurativo - É o isolamento que restaura a


integridade de suas propriedades isolantes, rapidamente, após
uma descarga desruptiva.
Nível de isolamento - E a capabilidade do isolamento expresso
em termos de uma tensão nominal(C92.1).

Nível de____ isolamento básico a um impulso atmosférico(BIL)


E o n ív e l de isolam ento e s p e c ific a d o , expresso em termos do
v a lo r de p ico de um impulso atm osférico padrão (C92.1).

Nível de isolamento básioo a um impulso de manobrá(BSL) - É o nível de


isolamento especificado, expresso em termos do valor de pi­
co de um impulso de manobra padrão (C92.1).

Nível de isolamento a um impulso atmosférico - É um nível i-


solante expresso em termos do valor de pico de uma tensão no­
minal de impulso atmosférico(C92.1).

Nível de isolamento a um impulso de manobra - É o nível i-


solante expresso em termos do valor de pico da tensão nomi­
nal, para uma forma de onda transitória específica; por exem­
plo, um impulso atmosférico ou de manobra. Níveis isolantes
transitória (TIL), a partir dos quais, níveis básicos de im­
pulsos atmosféricos (BILs) e níveis básicos de impulsos de
manobra (BSLs) foram escolhidos e listados abaixo. Estes ní­
veis são expressos em termos de valores de pico em quilovolt
do impulso padrão(C92.1).

30 300 825 1925


45 350 900 2050
60 400 975 2175
75 450 1050 2300
95 500 1175 2425
110 550 1300 2550
125 600 1425 2675
150 650 1550 2800
200 700 1675 2925
250 750 1800 3050

Fator de segurança ou de margem - Mede a diferença entre


sobretensões esperadas e a capabilidade de isolamento.

Margem de proteção - Ê o incremento de tensão percentual en­


tre o nível de proteção e o nível nominal de isolamento.
Isolamento Nominal - Nível de Proteção
Margem = 100 x
Nível de Proteção

Fator de segurança convencional - 2 razão existente entre a


tensão nominal convencional e a sobretensão mãxima conven­
cional correspondente.

Fator de segurança estatístico - 2 a razão existente entre a


tensão nominal de impulso estatístico correspondente e a so­
bretensão estatística devido a um dado tipo de evento.

Sobretensão - 2 qualquer tensão variável no tempo, entre uma


fase e a terra e/ou entre fases, excedendo a tensão mais al­
ta correspondente num equipamento.

Surto atmosférico ou de manobra máxima convencional - 2 uma


sobretensão atmosférica òu de manobra, queé geralmente con­
siderada como a máxima sobretensão num procedimento de co­
ordenação de isolamento convencionai.

Surto fase-terra em npor unidade” - 2 a relação existente en­


tre os valores de pico da sobretensão fase-terra e da ten­
são fase-terra base.

Surto fase-fase em "por unidade” - 2 a razão existente en­


tre os valores de pico do surto fase-fase e da tensão da li­
nha base.

Sobretensão atmosférica ou de manobra - 2 um surto fase-terra


ou de linha, em local determinado do sistema, devido a uma
operação específica de manobra, falha ou descarga atmosfé­
rica.

Surto de manobra ou atmosférico estatístico - 2 a sobreten­


são atmosférica, ou de manobra, aplicada ao equipamento co­
mo resultado de uma ocorrência de tipo específico(energiza-
ção da linha, religamento, ocorrência de falta,descarga at­
mosférica,. .. ) no sistema, cujo valor de pico tem uma pro­
babilidade de exceder, determinada pela "probabilidade de
referência".

Sobretensão temporária - 2 um surto de linha, ou de fase- terra


de duração relativamente longa, com uma dada localização,que
não ê amortecida ou fracamente amortecida. Sobretensões tem­
porárias são usualmente originadas de operações de manobra
ou falhas (por exemplo, rejeição de cargas, faltas monofã-
sicas, ou operações monofásicas de disjuntores) e podem ser
agravadas por não linearidades (ferroressonância, harmôni­
cos) .

Impulso padrão - E uma onda de tensão de teste, definida co­


mo padrão,para ser usada no teste de equipamentos.

Impulso atmosférico padrão - É um impulso padrão, que tem um


tempo de frente de onda de 1,2 microsegundos e um tempo de
valor médio de 50 microsegundos. É descrito como um impulso
de 1,2/50. (C92.1)(Veja C68.1)

Impulso de manobra padrão - É um impulso pleno, tendo um tem­


po de frente de onda de 250 microsegundos e um tempo de va­
lor médio de 2500 microsegundos. É descrito como um impulso
de 250/2500. (C92.1)(Veja C68.1)

Dissipador de surto (pára-raios ) - E um dispositivo usado com


função de proteção que dissipa surtos â terra, de uma manei­
ra desejável e previsível.

Nível de proteção ao impulso atmosférico de um dispositivo


de proteção - E a tensão de impulso atm osférico máximo,ope­
rado nos terminais de um dispositivo de proteção de surto,
sob condições específicas de operação (C92.1).

Nível de proteção de manobra de um dispositivo de proteção


é a tensão de impulso de manobra máxima, esperada nos ter­
minais de um dispositivo de proteção de surto, sob ccndições
específicas de operação (C92.1).

Tensão RI - É a tensão através do terminal de um dissipador,


quando conduzindo uma corrente específica (I).

Restabelecimento - Ê o nível de tensão aplicado, no qual o


dissipador conduzirá por somente um meio ciclo; isto ê, a
tensão na qual o dissipador não descarregará, no primeiro meio
ciclo ou ciclos subseqüentes, imediatamente apôs a condução
de corrente.
Nominal - É a designação básica, na qual todas as capabili-
dades podem ser assinaladas.

EAT (Extra Alta Tensão) - Ê a designação usada em sistem as


com tensão nominal entre 230kV e 800kV.

AT (Alta Tensão) - E a designação usada para tensões de trans­


missão abaixo de 230kV.

Tensão fase-fase ou de linha - E a tensão medida entre duas


fases de um sistema trifãsico de potência.

Tensão fase-neutro, ou fase-terra - E a tensão medida entre


uma fase e a terra, num sistema trifãsico de potência.

Tensão máxima de projeto do equipamento - É o valor eficaz


mais alto da tensão fase-fase, para o qual o equipamento é
projetado, considerando especialmente seu isolamento.

Tensão máxima de operação do sistema - E a tensão mais alta


fase-fase- eficaz, que ê esperada em condições normais de o-
peração, em qualquer instante em em qualquer ponto do sis­
tema.

Tensão nominal - £ a tensão fase-fase eficaz, na qual o sis­


tema ê projetado.

UAT (Ultra Alta Tensão) - E a designação dos sistemas, onde


a tensão nominal excede de 800kV.

Tensão suportável - E a tensão que o equipamento elétrico


pode suportar sem falha ou descarga desruptiva, quando tes­
tado sob condições especificadas.

Tensão suportável de impulso estatístico - E o pico de ten­


são, tanto no impulso de manobra como de descarga, deduzido
a partir de uma série de resultados de testes previstos pa­
ra cálculos estatísticos, para os quais o isolamento expos­
to à condições específicas com uma probabilidade de suportar
o surto, igual a probabilidade de referência (comumente, a
probabilidade de referência ê de 90%).

Tensão suportável na freqüência industrial de curta duração


(Teste de alto potencial) - E o valor eficaz prescrito da
tensão, na freqüência industrial senoidal, que o equipamen­
to pode suportar durante testes feitos sob condições espe­
cíficas para um tempo usualmente não excedente a um minuto.
CAPITULO

DESCARGAS EM ESTRUTURAS ISOLANTES


E SUA PROTEÇÃO

I - INTRODUÇÃO

A maioria dos possíveis caminhos de descarga no


isolamento de um sistema de potência são através do ar. Is­
to inclui qualquer isolamento externo, como: torres das li­
nhas de transmissão, estruturas dos barramentos, descargas
externas dos disjuntores do sistema, transformadores ou bu­
chas, bem como a descarga dos centelhadores de proteção. Mes­
mo a descarga em um dissipador de surto é ,fundamentalmente,
uma descarga num centelhador a ar de uma estrutura de um es-
paçador, dentro de uma coluna de porcelana que ê mantida sob
condições ideais. Outros tipos de ruptura elétrica,comumen-
te associadas com equipamentos terminais, incluindo descar­
ga através de oleo, õleo e papel, ou ruptura de um dielétri-
co solido de um motor ou cabo.

A discussão da ruptura elétrica de centelhadores


sem ar serã abordada em um Capítulo posterior. 0 propósito
deste Capítulo é apresentar os dados de base dos tipos de
ruptura de espaçadores a ar, comumente encontrados em sis­
temas de potência. Isto incluira a discussão de alguns as­
pectos fundamentais do fenômeno de ruptura, bem como infor­
mação interpretativa de como os dispositivos de proteção podem
ser usados para proteger o isolamento. Dados de centelhado­
res de haste e dissipadores de surto são incluídos.
II - DISCUSSÃO GERAL DOS TESTES DE LABORATÓRIO

A ruptura elétrica de um centelhador a ar em sis­


temas de potência ê influenciada por um número de parâmetros
estatísticos. Mesmo sob condições de laboratório os parâme­
tros estatísticos são importantes. Dentro do bom sentido,
hã um certo número de parâmetros que podem influenciar as
atuais tensões de ruptura elétrica, em situações particula­
res, onde alguns dos quais são:

1. A natureza estatística do processo de ruptura elé­


trica.
2. A forma de onda e a polaridade da tensão aplicada.
3. A configuração geométrica do centelhador.
4. A proximidade de um centelhador das estruturas ater­
radas .
5. Condições atmosféricas
a) Condições secas ou molhadas (chuva e/ou índice
pluviomêtrico)
b) Densidade relativa do ar (fundamentada na pres­
são barométrica)
c) Umidade
d) Temperatura

Para podermos usar os dados de laboratório nas ca­


racterísticas de isolamento e descarga das varias estruturas,
tem sido necessário padronizar um número de procedimentos para
a realização dos testes de laboratório. Isso é feito para as­
segurar que os testes realizados em um laboratório possam ser
repetidos em outros laboratórios, com propósitos comparati­
vos, e também para assegurar que o usuário do equipamento
possa ter segurança ao aplicar estas informações em aplica­
ções específicas. A repetição de testes, sob várias condi­
ções, tem sido usada para gerar fatores de correção, tais
que os dados de laboratório obtidos 'através do tempo possam
ser corrigidos pelos fatores e apresentar as características
de equipamento sob "condições padrão". As condições de pa­
drão americanas são:

1. Temperatura - 779f (25°C) |20°C para os padrões da IEC|


2. Pressão barométrica - 29,92 polegadas de Hg (7ó0mm Hg)
|0,3 polegadas de Hg para o IEC|
3. Umidade - 0,6085 polegadas de Hg (15,5mm Hg)

Além disso, ê necessário estabelecer as formas de


onda padrões que permitam a comparação dos dados em vários
equipamentos. A forma de onda é geralmente especificada por
dois números, isto ê, o tempo de crescimento(para atingir o
pico) e o tempo do valor médio (tempo para atingir o valor
médio da onda, após atingir o pico da mesma) da onda (isto
é, l,2x50ys, ou um impulso de l,5x40ys). Esta especificação
tem sido usada a muito tempo para condições de teste de im­
pulso e otimamente descrito por uma dupla exponencial. Esta
descrição da forma de onda de impulso é usada ao longo dos
anos, porque, na prática, o equipamento de teste em labora­
tório poderia ser facilmente usado para fornecer uma onda de
teste que fundamente esta característica.

Surtos de manobra são também descritos por uma de­


signação a dois números (isto é, tempo para atingir o valor
de pico e tempo decorrente para alcançar o valor médio). U-
ma descrição mais detalhada da onda exata ê dada nos padrões
onde a definição da onda ê compatível com as formas de onda
que são obtidas em laboratório sob condições práticas.

A definição das formas de onda de laboratório de­


vem ser não somente baseadas nas saídas típicas que são fa­
cilmente obtidas com equipamentos de laboratório padrões,
mas também devem ser baseadas em considerações práticas e que
possam ser medidas e obtidas em condições práticas sob con­
dições de laboratório.

Por exemplo, pode ser muito difícil, senão impos­


sível, determinar precisamente a tensão nula, no instante ze­
ro de uma onda impulsiva do oscilograma de laboratório. En­
tretanto, o 11zero virtual" da onda, e também o valor de pi­
co da onda, são definidos como extrapolações dos pontos que
podem ser facilmente lidos no oscilograma (isto ê, um tempo
de 30 a 90% de alcance de pico). Isso ê mostrado na Figura
2 .01 .
Para um pioo de tensão de 1,2x50113 = valor máximo atingido
tzezo = zero ~ extrapolado de v0,3 e v0,9 pontos
t . = 1,67 x (t - n - t ~ 0)
pico ' v0,9 v0,3

Siedio = tv0,5 _ fc0

Figura 2.01
Descrição de um impulso 1,2x50

Para todos estes valores, as tolerâncias devem ser


consideradas nas condições prãt*icas de laboratório. As to­
lerâncias para uma onda de impulso são mostradas na Tabela
11

TABELA I
ONDAS DE TESTE IMPULSIVO E TOLERÂNCIA1

Ondas Outros tipos


Grandeza média_______ 1,2x50_______________ de ondas

Valor de pico ± 3% + 10%


Tempo de frente
de onda ± 30% + 10%
Tempo do valor
médio ± 20% ± 10%
Razão nominal de
crescimento da
frente de onda + 10%
Testes de surto de manobra são, agora, comumente
executados, se especificados, em transformadores de potên­
cia. O teste de surto de manobra para um transformador ê de-
2
finido na literatura como :

"Um teste de surto de manobra consiste na aplicação ou


inclusão, em cada fase de uma linha, de um surto de ten­
são transitória de manobra. ... A tensão transitória ex­
cedera os 90% do valor de pico, num mínimo de 200ys. O
tempo de ascendência ao pico, atualmente, é maior do
que lOOys, e o instante de tensão nula da queda da onda
não será menor do que lOOOys, à excessão onde a satu­
ração dos núcleos provoquem o decréscimo num tempo me­
nor" .

Nos testes de interruptores de extra alta tensão, a


forma de onda do surto de manobra é definida com alguma di-
ferença^.

"A onda de surto de manobra, para propósitos de testes


dielêtricos, consiste de um surto unidirecional cres­
cendo para seu valor de pico, num tempo que admite uma
margem de 70 a 250ys, e decrescendo para seu valor mé­
dio, num tempo não inferior a 3000ys. O tempo de cres­
cimento deve ser admitido como 1,67 vezes o tempo reque­
rido para alcançar 90% do valor de pico da frente de
onda. Quando, devido à instrumentação, o tempo zero ê
dificultado para ser determinado acuradamente, o ponto
de tempo nulo virtual pode ser considerado como a in­
terseção com abcissa de uma linha traçada entre os pon­
tos de tensão correspondentes a 30 e 90% da frente de
onda. O tempo para atingir o valor de pico destes ca­
sos deve, então, ser considerado como duas vezes a di­
ferença entre o tempo para alcançar 30 e 90% do valor
de pico".

III - NATUREZA GENERALIZADA DA CESCARGA DISRUPTIVA NOS CENTELHADORES

Quando uma tensão ê aplicada entre dois eletrodos,


um campo elétrico serã estabelecido entre estes eletrodos.
O gradiente do campo elétrico (taxa de variação do campo e-
létrico em relação à distância) serã uma função do modulo da
tensão aplicada, bem como da forma da superfície de que ê
feita a estrutura do eletrodo. Um campo elétrico traçado po-
deria mostrar que hã um gradiente maior do campo elétrico na
vizinhança das mudanças abruptas na superfície do eletrodo.
Então, um ponto agudo ou uma haste saliente de uma superfí­
cie grande e plana resultaria, geralmente, num gradiente de
campo elétrico de alto valor, nas proximidades desta protu-
berância.

A tensão de ruptura ou de descarga da estrutura de


um centelhador ê altamente relacionada com o gradiente de
campo elétrico no dielétrico (neste caso,o ar). Se o gradi­
ente de campo elétrico excede a rigidez elétrica do ar, a
ionização (corona) ocorrera, isto é, as moléculas do ar dis-
sociar-se-ão, deixando elétrons livres (carga negativa) e ions
positivos (uma molécula que tenha perdido elétrons). Um gran­
de numero destes pares ionizados atuarão como um caminho de
/
condução e, neste "condutor", modificarão o gradiente no ar
não ionizado nas vizinhanças da descarga por corona. Se a
tensão ê somente um pouco superior ao nível limite de coro­
na, a ionização invisível, ou levemente visível, resultará,
automanifestanao-se com a geração de rãdio-interferência,
no ponto de ionização. Com a tensão bem maior do que o nível
limite de corona, uma fluorescência visual mais intensa a-
parecerã. Tal efeito corona requer energia substancial para
manter a ionização, e desta energia pode resultar em grandes
perdas de potência em 60Hz, sob condições anormais de sobre-
tensões. É também antecipado que tal efeito corona pode in­
fluenciar o modulo do surto de manobra no sistema, pela ex­
tração desta energia do surto de manobra. No caso da ruptu­
ra do centelhador, a tensão ê geralmente muito superior ao
nível limite de corona, e o efeito corona ê mesmo muito in­
tenso. Tal efeito ê geralmente manifestado como eflüvio e-
manando do condutor, que eventualmente propagam-se através
do espaçador, resultando na ruptura elétrica ou descarga.
Ha alguns comentários de caráter geral que podem
ser feitos, resguardando os aspectos fundamentais da ruptu­
ra elétrica sob impulso e condições de surto de maçobra,sem
entrar em grandes detalhes dos aspectos físicos do fenômeno.

Primeiro, a descarga elétrica, mesmo sob condições quase


ideais, tem natureza estatística, isto ê, não podemos pre­
dizer, numa forma definitiva, exatamente onde o efeito co-
rona no condutor serã iniciado, exatamente qual a direção de
um efluvio particular que poderá iniciar com a propagação de
um eletrodo.

Ê possível ter um efluvio iniciado a partir de um


eletrodo sem ter completado seu percurso para um outro ele­
trodo falhando na produção da descarga. Entretanto, quando
uma série de testes são realizados num laboratório, alguns
testes com módulo de tensão idênticos produzirão descargas,
enquanto outros não. Portanto, a representação deste fenô­
meno é geralmente apresentado com um parâmetro estatístico.
Em geral, um grande número de testes devem ser realizados pa­
ra descrever a função estatística que caracteriza o compor­
tamento de um centelhador, em particular sob condições es­
pecificas. Isto poderia incluir a determinação da tensão de
descarga média e o desvio padrão (CFO a ser discutido mais
tarde) da característica de descarga estatística.

Segundo, é difícil extrapolar dados a partir da confi­


guração de um centelhador e usá-los para predizer o compor­
tamento de outras estruturas diferentes de centelhadores.
Portanto, testes laboratoriais devem ser feitos independen­
temente para cada tipo de estrutura de centelhador que for
desejado para ser usado num sistema.

Terceiro, a polaridade da onda aplicada à estrutura po­


de influenciar a tensão de descarga do centelhador. Por exem­
plo, para um centelhador tipo haste-plano, se um surto de
polaridade positiva ê aplicado à haste, com o plano aterra­
do, a tensão de descarga serã bastante menor do que se um
surto de polaridade negativa ê aplicada â haste, com o pla­
no aterrado. Esta diferença ê caracterizada pelo fato de que
os eflüvios emanados do eletrodo de polaridade positiva, no
limite de corona, ê menor do que um de terminal de polari­
dade negativa correspondente. Também, a natureza fundamen­
tal dos eflúvios de corona são diferentes para as condições
positivas e negativas. A discussão das razões para este fe­
nômeno envolveria uma interpretação detalhada, a partir do
ponto de vista físico, e não serã considerado aqui, mas es­
te fato é notado como uma indicação do porquê ambos os tes­
tes de polaridade positiva e negativa devam ser feitos numa
estrutura de centelhador.

Dados de teste indicam que, sob condições de im­


pulso, a rigidez do centelhador de polaridade negativa êmaior
do que a rigidez do centelhador de polaridade positiva. Sob
condições de surto de manobra, em geral, o mesmo é verdade,
enquanto alguns dados sugerem que, sob condições úmidas do
surto de manobra, a rigidez do centelhador de ar negativo ê
menor do que a rigidez do centelhador de ar positivo corres­
pondente. Também, pode ser explicado, com alguma extensão,o
porquê da rigidez entre fases de um centelhador. Isto é, um
surto negativo em um eletrodo do centelhador e um positivo
no outro eletrodo, resultará numa rigidez inerentemente di­
ferente, como uma função da razão existente entre os níveis
de surto positivo e negativo dos dois eletrodos.

Adicionalmente, a natureza da descarga serã dife­


rente para diferentes formas de onda e espaçamentos dos cen-
telhadores. Há um substancial" quadro para especulação res­
guardando os vários fenômenos físicos que podem ser intro­
duzidos dentro do problema, para cada uma das possíveis es­
truturas do centelhador e formas de ondas testadas.Por exem­
plo, alguns de teste sugeririam que a natureza física do fe­
nômeno de ruptura pode ser agrupada de acordo com o tempo de
descarga, sob algumas condições especiais3 . Mas a maioria dos
dados acumulados em testes de laboratório são meramente com­
pilados e analisados como um fenômeno estatístico sem Inter­
pretação especial ou classe dos dados, dentro das regiões de
ruptura característica, por algum detalhe particular ou fe­
nômeno físico. Existe a separação dos dados entre testes tí­
picos dos surtos de manobra e de impulso mas, digamos, den­
tro de um dado conjunto de testes de impulso não hã geral­
mente classes. Então, do ponto de vista pratico,todo o pro­
cesso é visto como um acumulo de dados que podem ser inter­
pretados por processos estatísticos. Isto, prova ser uma a-
proximação pratica em geral, mesmo neste nível, ê mais de­
talhado do que o usuário típico requer.

A definição estatística dos dados de laboratório,


usualmente, incluem informações do CFO (tensão de descarga
crítica), que é a tensão que produzira uma descarga em uma
amostra com 50% do tempo e a (desvio padrão) dos dados de
teste, que ê uma medida da extensão dos mesmos sobre o CFO.
O exame das publicações técnicas detalhadas dos dados de la­
boratório em parâmetros estatísticos das características de
descarga de isolamento mostra que alguma interpretação adi­
cional deve ser feita nos próximos dados. Ao mesmo tempo em
que completos resultados acurados de CFO podem ser obtidos,
as informações relativas ao o (desvio padrão), geralmente,
devem ser baseadas em um grande numero de testes e é inter­
pretado com base na acumulação de dados a partir de uma sé­
rie de testes0 .

Além disso, para a descrição estatística do fenô­


meno da descarga por tensão, hã uma característica tensãox
tempo da descarga de um centelhador. Isto ê, um centelhador
típico pode suportar uma tensão elevada por um curto espaço
de tempo, o que jã não ocorre quando ê de longa duração. O
tempo de descarga ê comumente interpretado como sendo asso­
ciado com o "atraso de tempo formativo" do próprio arco(como
ê o tempo requerido para formar o caminho do arco no cente­
lhador) . Isto ê, considera-se um tempo finito para que o e-
flüvio positivo mova-se do eletrodo positivo para o. eletro­
do negativo.

Também, este atraso de tempo ou de velocidade de


propagação é relacionado â tensão aplicada (a velocidade de
propagação do arco é maior do que a alta intensidade de cam­
po) . Isto ê, o tempo para descarga por uma alta tensão serã,
em geral, menor do que o tempo para a descarga de uma onda
de tensão menor.

A descrição da característica tensãoxtempo da des­


carga de um centelhador é melhor executada usando uma onda
de impulso padrão. Isto é, dado um impulso padrão (onda de
l,2x50ys) e uma peça de teste (estrutura centelhadora) , a ten­
são aplicada poderia crescer para cada teste sucessivo,dan­
do uma forma fundamental de impulso constante.

Se oscilogramas da tensão através da peça de tes­


te forem observados, seria notado que descargas de tensões
mínimas poderiam ocorrer fora do ponto de corte da onda p o s ­
sivelmente para um nível de tensão igual a somente 50% do
pico da onda aplicada. Isto implica que o eflüvio positivo
iniciado prõximo do pico de onda, tenha sido acelerado pelo
campo elétrico, mesmo quando este esteja declinando em mo­
dulo, resultando num tempo de descarga mais longo para o pi­
co da onda. Com o aumento do pico da onda de teste, o ins­
tante para a descarga ocorre cada vez mais prõximo do pico
da onda e, finalmente, ocorrera na frente de onda. O traça­
do da característica tensãoxtempo para um impulso típico é
mostrado na Figura 2.02^ . Observe, na característica tem-
poxtensão, o ponto assinalado como "instante de descarga” e
pico da tensão aplicada.

Figura 2.02
Séries de ondas de impulso que ilustram a termino­
logia e as definições relacionadas com o Ensaio de
Tensões de Impulso
Então, mesmo através do traçado grafico da onda de
impulso, encontra-se completamente sob a característica de
tempo traçada, que pode ainda esperar uma descarga na peça
de teste sob algumas condições.

Certamente, cada um destes pontos de teste poderia


propriamente ter a estatística associada com seu valor 4 .

IV - O USO DA DESCRIÇÃO ESTATÍSTICA DA RUPTURA EIÉTRICA


As informações anteriores têm dado alguma apreci­
ação do fato de que a ruptura elétrica é estatística em na­
tureza, na vizinhança de 50% do ponto de descarga, e pode ser
definida pelo CFO e desvio padrão da descarga. No sentido
tensãoxtempo, o instante para a descarga pode ser relacio­
nado com a duração da tensão aplicada, no mínimo para uma
onda padrão ou para uma forma de onda usada nos testes de
laboratório. Tais testes podem ser feitos em alguns equipa­
mentos elétricos, onde a própria descarga não danifique o e-
quipamento sob teste. Para tais casos, um teste de CFO pode
usualmente ser determinado com um número relativamente pe­
queno de testes. Para testar uma peça de equipamento numa re­
gião com probabilidade de descarga baixa, a analise estatís­
tica do problema mostra que um grande numero de testes teria
de ser feito para definir um ponto da curva; isto é, pode
ser feito varias centenas de testes para definir a probabi­
lidade de 1% de descarga. A única alternativa para um gran­
de número de testes nesta região é conhecer a descrição fun­
cional atual da estatística que define o fenômeno de descar­
ga, isto ê, se pode ser suposto, ou se pode ser conhecido que
a característica de descarga de um centelhador é uma função
de Gauss por natureza, um teste de laboratório pode definir
o CFO e o desvio padrão da característica de descarga nas
proximidadp.s do CFO. Então, estes dados de teste podem ser
extrapolados para outras regiões da curva estatística (por
exemplo, o ponto 1%), mas, devido àdistribuição de Gauss ter
algum valor, mesmo para muitos a's a partir do médio,então,
poderiamos concluir que descargas ocasionais ocorreriam em
tensões muito baixas, mesmo na tensão nominal do sistema. Isto
conduz à conclusão de que provavelmente nenhuma função ma­
temática descreverá o fenômeno sobre toda a região. Pode ser
razoável supor uma descrição funcional e adequada sobre par­
te da região disponível.

Comumente, hipóteses são feitas resguardando a "su­


portabilidade " da peça do equipamento onde a sustentação ê
definida como a tensão para a ou possivelmente 3a abaixo de
CFO. Por tal definição, é suposto que a distribuição esta­
tística da descarga é na forma de Gauss por natureza, e que
para o nnível suportável", há, de fato, 15% (CFO - a) de pro­
babilidade de descarga ou 0,1% (CFO - 3a) de probabilidade
de descarga. Isto é, então,uma definição intuitivamente sa­
tisfatória da suportabilidade, mas, quando tal definição é
usada, implica num valor dentro do bom senso em importância
da definição. Isto se o (CFO - a) é escolhido como o "nível
suportável", implica que uma descarga é tolerávele é somen­
te de conseqüência menor. Quando o (CFO - 3a) é escolhido
como o "nível suportável", implica que uma importância maior
ê a de evitar as descargas e os consequentes resultados e-
conômicos de tais descargas. Fatores adicionais devem também
ser tomados dentro da consideração, em tal valor de bom sen­
so. Isto ê, a definição da suportabilidade da estrutura de
isolamento de uma linha de transmissão, deve considerar cui­
dadosamente o fato de que poderá haver centenas de torres em
paralelo, especialmente sob condições de surto de manobra.

Isto se deve por ser o surto de manobra de baixa


freqüência, sendo mais ou menos uniforme quando considerado
em grandes distâncias. Portanto, a definição da capacidade
de uma linha de transmissão deve considerar não só o fato de
que as descargas por surto atmosférico na linha possam ser
toleradas do ponto de vista estatístico, mas, também, do fa­
to de que caminhos paralelos resultaram em uma maior proba­
bilidade de descarga, do que um caminho isolado.
Exemplo; Se uma estrutura de isolamento tem uma probabili­
dade de descarga de 10%, qual ê a probabilidade de
um dos 10 caminhos em paralelo.

Pg = Probabilidade de descarga de uma estrutura.

(1 - P ) = É a probabilidade de não ocorrer a descarga


de uma estrutura.

(1 - Ps )n= Ê a probabilidade de não ocorrer a descarga


em n estruturas.

1 - (1 - Ps)n = É a probabilidade de descarga em uma das


n estruturas.

Para Pc = 0,1, (1 - P ) = 0,9; (1 - P )n = 0,910 = 0,348


s s s
1 - (1 - pg)n = 0,752

Podemos então concluir que, para um oentelhador u-


sado como um dispositivo de proteção, de modo geral,serã ne­
cessário fazer uma analise estatística para avaliar o com­
portamento4'7. Isso ê verdade, em especial, para um centelha-
dor com um grande o (dispersão do desvio padrão).

V - CAPABILIDADE DO ISOLAMENTO INTERNO

Em alguns equipamentos, é desejável determinar al­


guma medida da "suportabilidade" sem produção de descarga no
próprio equipamento. Isso ê verdade, em especial, para o i-
solamento da transformação ou para o isolamento de outros e-
quipamentos, nos quais uma descarga poria em risco a estru­
tura do isolamento. Em tais casos, a capacidade é definida
com base em um teste particular e poderia ser mais acurada­
mente chamada de uma medida da capacidade de suporte. Enge­
nheiros do setor teriam a completa definição da suportabi­
lidade neste sentido, pois esta é a forma que o termo "ten­
são suportável" é comumente usado. Como ê encpntrado nos pa­
drões :^

"Uma tensão de impulso suportável é o valor de pico de


um impulso que, sob condições específicas, pode ser a-
plicada sem causar descarga disruptiva".
"Descarga disruptiva ê um súbito e grande aumento da cor­
rente através de um meio isolante, devido à completa fa­
lha do meio sob esforço eletrostático".

Portanto, a tensão suportável para uma parte do equipamento


é definida como a tensão que pode ser aplicada ao equipamento
sem provocar falha, sob um conjunto específico de condições.
Este conjunto pode ser para um surto ou para um grupo de sur­
tos, dependendo do equipamento, mas, em qualquer caso, deve
ser especificado pelas normas, pelo fornecedor ou pelo usu­
ário. Vários padrões usados comumente nos U.S.A. serão con­
siderados, em Capítulos posteriores, neste conjunto de no­
tas .

No caso de muitos tipos de equipamentos de siste­


mas de potência, um teste de suportabilidade ê especificado
para níveis de teste de frente de onda, onda cortada e onda
plena.

Para o teste de onda plena, o impulso é aplicado


de acordo com as condições do teste especificado e não deve
haver descarga disruptiva. Em ambos os testes de frente de
onda e onda cortada, um centelhador auxiliar,normalmente um
centelhador esférico, ê colocado em paralelo com a amostra a
ser testada. O espaçamento do centelhador esférico ê acura­
damente ajustado para produzir uma descarga em um ponto par­
ticular do corte da onda, logo apõs o pico. Correspondente­
mente, no teste de frente de onda, o centelhador esférico ê
ajustado para descarregar, antes de atingir o pico do impul­
so de teste aplicado. Tipicamente, a tensão do teste de on­
da cortada ê aproximadamente 15% acima do nível de teste de
impulso â onda plena, e o teste com frente de onda é tipi­
camente 30%, ou mais, acima do nível de teste com onda ple­
na. Estas normas de onda típicas são mostrada na Figura 2.03.

A curva tensãoxtempo associada com estas formas de


onda sugeriria que a estrutura de isolamento sob teste po-
deria ter uma característica tensãoxtempo um pouco superior
ao nível de teste. Isto deixa ao fabricante projetar seu e-
quipamento dentro do mínimo, se nenhuma falha ocorrer durante
os testes de produção dos mesmos. 0 usuário, então, pode
projetar sua coordenação de isolamento, ou dispositivos de
proteção, com uma curva tensãoxtempo, suficiente abaixo da
curva tensãoxtempo mínima esperada do equipamento, permitindo
uma margem adequada, Como ê mostrado da Figura 1.01 do Ca­
pítulo 1, muitas das características de coordenação de iso­
lamento são similares âs características tensãoxtempo da Fi­
gura 2.03. Certamente, na análise final, as decisões de co­
ordenação de isolamento devem ser tomadas com base nas ex­
periências de campo.

Curva tensão x tempo suportável


obtida por teste padrão

Além disso as características de surto de impulso


e de manobra, dados de teste em 60Hz também são previstos em
muitos tipos de equipamentos elétricos. Estes são referidos
como testes em baixa freqüência, ou testes de altos poten­
ciais. Novamente, especificações ou padrões determinam as
condições, sob as quais os testes são feitos, mas, tipica­
mente, estes podem ser especificados como testes a seco, de
um minuto, ou testes sob chuva, de 10 segundos. No caso de
transformadores, o teste de baixa freqüência ê geralmente não
analisado em 60Hz, porque sobretensões, nesta freqtiência de
2 p.u. ou mais, causariam saturação e aquecimento do núcleo.
Portanto, testes em baixa freqüência são feitos normalmente
em 240 ou 400Hz. Na maioria dos equipamentos hã uma relação
íntima razoável entre os testes em 60Hz e os níveis de tes­
te de surto de manobra. Tipicamente, os testes em 60Hz in­
dicam a capacidade de aproximadamente 5% menos do que a ca­
pacidade de surto de manobra. Antes uma larga aplicação do
teste de surto de manobra o nível de teste em 60Hz era usa­
do para definir a rigidez ao surto de manobra do equipamento.
Quando um teste de surto de manobra adequado ê usado no e-
quipamento, hã provavelmente menor necessidade para um teste
em 60Hz de tão alto nível como foi definido antes de usar o
teste de surto de manobra. Os testes em 60Hz fornecem uma
noção compreensível do teste na qualidade da fabricação de
uma parte do equipamento e, devido à duração do teste, tuna
maior fidelidade estatística pode ser colocada no teste, o
que não seria conseguido em um teste, digamos, de descarga
isolada.

VI - ALGUSÍS DADOS GERAIS DAS ESTRUTURAS DE CENTEIHADORES A AR

Hã uma grande quantidade de dados publicados das


medidas de laboratório de vãrias estruturas de isolamento de
centelhadores de ar. Algumas poucas referências são citadas,
as quais sumarizam a maioria dos dados aplicáveis. Estes po­
dem, geralmente, ser enquadrados dentro das características
de estruturas típicas, como

a) Centelhadores esféricos
b) Centelhadores de haste
c) Centelhadores tipo chifres
d) Estruturas de torres de linhas de transmissão
e) Isoladores de suspensão e ancoragem
f) Equipamentos característicos

Alguns dados dos quatro primeiros itens acima se­


rão apresentados neste Capítulo.

Os dados de teste em equipamentos deveriam ser re­


ferenciados especificamente aos equipamentos sob teste, e
não serão apresentados aqui como informações generalizadas.

Comumente, as características das varias estrutu­


ras de centelhadores, sob condições de surto de manobra e
impulso, são diferentes e, adicionalmente, a polaridade dos
surtos, tanto em condições a seco como sob chuva, devem ser
dadas para uma interpretação completa dos resultados, todos
estes parâmetros devem ser fatorados dentro da aplicação do
equipamento particular pelo usuário dò equipamento. Tanto os
dados como os comentários, em cada um destes pontos, serão
apresentados para as configurações dos centelhadores dis­
cutidos .

A. Centelhadores esféricos

Estes são usados em laboratório, historicamente


como dispositivos de medida de tensão, bem como os métodos
de corte das ondas de impulso usados durante testes de su-
portabilidade. Centelhadores esféricos são meramente esfe­
ras polidas com posicionadores de espaçamento ajustáveis. Os
tipos usados nos trabalhos de laboratório devem ser mantidos
limpos e polidos. Tais dispositivos têm um nível de descar­
ga previsível (a ou desvios padrões pequenos), especialmen­
te para posições de centelhadores pequenos. Níveis de des-
carga em centelhadores esféricos típicos são mostrados na
Tabela II.

T A B E L A II
Diâmetro Espaçamento do Impulso negativo Impulso positivo
esférico centelhador em 60Hz em 60Hz
cm cm kV kV
6,25 1,0 31 31
12,25 5,0 127 132
25 10,0 241 252
50 30,0 573 605
75 50,0 707 758
100 70,0 1163 1209
150 100,0 1682 1678
B. Centelhadores de haste
São freqüentemente usados em trabalhos de labora­
tório e, além disso, têm sido usados em sistemas de potên­
cia como um dispositivo de proteção. Tal informaçãoê melhor
sintetizada por uma série de curvas, a partir das fontes de
A 9 10 ^
referencia ' . Isso e mostrado nas Fiquras 2.04 ate 2.11.

«100 200 300


DISTANCIA 0 0 C E N T E L H A DOR (D ) EM P OLESADA S

Figura 2.04
Capacidade de descarga de surto de manobra de
centelhadores de hastes e de haste-para plano

tfnn

soo

•* 040OS N80IS1rRADOS 00 R ALCKS/IN ONOV C OUTROS

°(1 sO M»0 II1 0 to o t 80 S(>0 SI10 40


DISTÂNINA 00 CCNTtLHAOC m - p

1» 1 a S 4 8 s T l i "
DISTÂNCIA 00 CCNTKLHAD0N

Figura 2.05
Capabilidade de descarga AC de grandes centelhadores
a ar e cadeias de isoladores relatados por Aleksandrov
CAPABILIDADE DE DESCARGA CRITICA DE IMPULSOS A SECO
DE CENTELHADORES TIPO HASTE PARA HASTE E H ASTE
PARA PLANO

Figura 2*06
Capabilidade de descarga critica
de impulsos a seco de centelhado-
res tipo haste para haste e haste
para plano

& & léó ilo &Ò 300 350


D ISTÂN CIA 00 CENTELHAOOR (D ) EM POLEGADAS

Figura 2.07
Tensão de descarga de impulso
com polaridade positiva de cen-
telhador de haste cano uma fun­
ção do tempo de abertura
Figura 2.08
- QUILOVOLTS

Tensão de descarga de impulso


de polaridade negativa em cen-
telhadores de haste com fun­
ção do tempo para romper o
OESCARSA

arco
TE N S AO DE

Figura 2.09
Características de descarga de
impulso de centelhadores de has
te-padrões.
Distâncias curtas para ondas de
1,5 x 40 para 779F, pressão ba­
rométrica 30 polegadas e pres­
são do vapor 0,6085.
a) ondas positivas
b) ondas negativas t« ) ( b )
(a) (b)
Figura 2.10
Características de descargas de impulso em padrões de 40 polegadas
e centelhadores verticais tipo haste, seco e úmido, para ondas de
1^. x 40, 0,2 polegadas por minuto de agua, 1350 ohm por polegada
cúbica.
a) ondas positivas
b) ondas negativas
A- Curva media para centelhadores padrões do tipo haste
B- Curva de teste para centelhadores padrões de 40 polegadas
C- Gentelhador padrão,teste úmido
C- Gentelhador vertical
D- Gentelhador vertical,teste úmido

Figura 2.11
Tensões de descarga de impulso crítica e em 60 Hz de centelhadores
padrões do tipo haste, avaliados pelos comitês do AIEE, EEI, NEMA,
a partir dos resultados de testes de vários laboratórios
Muitos pontos gerais podem ser anotados com base na avalia­
ção destes dados.

1. Sob condições de impulso, um CFO de impulso negati­


vo ê maior do que um CFO de impulso positivo.
2. A rigidez a impulso ê maior do que a rigidez a 60Hz,
para uma dada posição do centelhador.
3. Um plano na vizinhança de um centelhador de haste
pode influenciar a rigidez do centelhador tanto pa­
ra surtos de manobra como de impulso. Tanto para con­
dições de surto de manobra e impulso, o nível CFO,
- de haste-para-plano é maior para um surto negativo
na haste.
4. Pode haver bem mais do que uma distribuição de dois-
para-um na rigidez a um surto de manobra de um cen­
telhador tipo haste-para-plano, quando comparada à
capabilidade de surto de manobra positivo ou nega­
tivo.

Hã alguns dados na literatura sobre desvio padrão


(a) da tensão de descarga para centelhadores tipohaste^'^'^.
Estudos de publicações mostram que hã uma distribuição nos
dados de a. Os seguintes dados dão o intervalo de o e tam­
bém valores típicos de o para centelhadores tipo haste.

T A B E L A III
Valores de a para centelhadores a haste

Tipo de teste Haste-para-haste Haste-para-plano


o típico intervalo dos 0típico intervalo dos
o a

Freqüencia Industrial 0,02 0,01 - 0,06 0,02 0,015-0,045


Impulso 0,03 0,015-0,07 0,04 0,02 -0,08
Surto de manobra 0,04 0,025- 0,09 0,05 0,03 -0,11

C. Centelhadores de chifres
Tem sido enfatizado que cada estrutura do cente­
lhador tem suas características próprias, que devem ser de­
terminadas pelos testes de laboratório. Alguns testes anali­
sados por Wagner e Hileman, nos idos de 1960, demonstraram
uma característica única de um centelhador entre dois chi­
fres horizontais. Estes testes demonstraram que uma corren­
te flui entre os eletrodos do centelhador antes de ocorrer a
descarga no mesmo (chamada corrente de prê-descarga). Istoê,
sob condições próprias, possivelmente milhares de ampêres,
pelo efeito corona, podem fluir de chifre para chifre, e,se
a sobretensão ê de duração bastante curta, o centelhador não
descarregara; ou seja, a corrente por efeito corona se extin-
guirã após a remoção da alta tensão, e qualquer tensão bai­
xa residual não produzira uma corrente, como seria esperado
após uma descarga completa. O módulo da corrente ê uma fun­
ção tanto da sobretensão, do espaçamento do centelhadore da
duração do surto, logo o incremento de qualquer dos itens a-
cima, pode resultar num incremento da corrente de prê-des-
carga ocorrida antes da descarga.

Este tipo de estrutura do centelhador ê especifi­


camente mencionado por duas razões: primeiro, é usado como
um centelhador de proteção^, e segundo, como o conhecimento
deste centelhador ê estendido pelos testes de laboratório e
aplicado em estudos ou sistema, provavelmente serã disponí­
vel para a explanação dos fenômenos do sistema. Tal infor­
mação ê provavelmente essencial para uma avaliação completa
do comportamento de circuito de sistema de distribuição,on­
de condutores são relativamente muito próximos e, também,
completamente expostos âs altas sobretensões atmosféricas.
Tal condutor da linha de distribuição atuaria como um cen­
telhador de chifre e pode, sob condições de impulso, ter um
considerável fluxo de corrente, de condutor para condutor,an­
tes da descarga.

Alguns dados em centelhadores de chifre, a partir


da Referência 7, são apresentados na Figura 2.12 e na Tabe­
la IV.

i Os dados de CFO e a, nesta Tabela, não são comple­


tamente consistentes com os primeiros dados em centelhadores
a haste, por isso estes pontos trazem dificuldades no uso
dos dados, a partir das referencias publicadas. Deve-se ter muito^ cui­
dado na interpretação e uso de tais dados e, numa aplicação específica,
o engenheiro deve decidir qual o risco que serã permitido e por aí de­
cidir quão conservativa uma hipótese deva ser, para que seja aplicada
aos dados usados na analise . *

CM M NTE MtfttA DC PltÍ-OCSCAft«A CM AMPVNCS

Figura 2.12
Características volt x ampere de centêlhadores de chifre. A figura
mostra o circuito equivalente do centelhador antes do colapso corple-
to. S é fechada quando Vg >Eq . 0 numero de pontos do teste de polari­
dade positiva são tempos formativos e são os mesmos para os testes
de polaridade negativa.

T A B E L A IV
COMPARAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DE RUPTURA CRlTICA
DE CENTELHADORES TIPO HASTE E CHIFRE, COM ESPAÇA­
MENTO DE 36 POLEGADAS

Centelhador
Chifre Haste
Ruptura com impulso a seco l1/2 por 40ys
Polaridade positiva kV............ 680 530
Polaridade positiva a*............ 1,5 1,0
Polaridade negativa kV............ 745 675
Polaridade negativa a............. 1,3 3,0
Ruptura com surto de manobra a seco 250 por
525ys
Polaridade positiva kV............ 682 515+
Polaridade positiva a............. 1,0 -

Polaridade negativa kV............ 815 700+


Polaridade negativa o............. 1,0 -
Descarga a 60Hz
Pico em kV a seco................ 808 * 495§
a a seco........................ —
Pico em kV sob chuva.............. 453 446
a sob chuva...................... 1,3 -
* desvio padrao em porcentagem
14
t testes de Jacotett , testes com onda de 250 por
1250ys
+- extrapolado
§ referência 15
|| 0,9 x descarga a seco

D. Estrutura das linhas de transmissão

Muitos fatores devem ser considerados na avalia­


ção da rigidez aos surtos de manobra e impulso de uma torre
da linha de transmissão. Inúmeras referências são disponí-
6 9 16
veis, apresentando dados de tais estruturas ' ' . Na maio­
ria das estruturas de aço de EAT, a rigidez ao impulso serã
ditada pela menor distância de descarga, enquanto que a ri­
gidez ao surto de manobra serã determinada pelo projeto da
janela da torre da fase central. No caso do surto de mano­
bra, a mudança em uma dimensão pode ou não afetar a rigidez
ao surto de manobra total; isto ê, os caminhos de descarga,
a partir do condutor em direção às varias partes da janela,
não serão independentes. Por esta razão, as medidas atuais da
rigidez ao surto de manobra em laboratório, têm sido feitas
em muitas estruturas atuais de EAT.

Por razões práticas, muitas torres EAT podem ser


descritas por uma dimensão característica. Isso não ê, ne­
cessariamente, a distância do centelhador mínimo, mas ê uma
dimensão que caracteriza mais ou menos a dimensão mínima da
torre e uma curva de rigidez â descarga, como uma função desta
dimensão pode ser usada para avaliar mudanças relativas re­
queridas na geometria da torre como uma função do surto de
sobretensão da linha. A Figura seguinte mostra as dimensões
características do surto de manobrai

Notemos aqui que a tensão de descarga numa janela


de torre é uma função da espessura do pê da torre. Então, u-
ma torre muito espessa terã uma descarga baixa, digamos,uma
estrutura tipo H de madeira com cabos de terra descendo pe-
los pês. Esta redução na rigidez â descarga ê freqüentemen-
te chamada de efeito de proximidade. A janela central de um
arranjo horizontal de condutores, geralmente dita a rigidez
ao surto de manobra na linha. As fases externas, com menor
proximidade dos elementos de aço aterrados, terão uma rigi­
dez aproximadamente 5% maior.

Figura 2.i 3
Capacidade de surto de manobra de polaridade positiva de
centelhadores aéreos entre o condutor da linha e o braço
ou estrutura da torre.

A descarga impulsiva em uma torre é, basicamente,


uma função da distância mínima de arco e ê, aproximadamente
600kV por metro.

Os dados de desvio padrão da descarga em torres,não


são tão bem definidos como os dos centelhadores a arco,por­
que poucos testes de laboratório identificam estruturas. Al­
guns valores típicos para a são dados aqui^.

T A B E L A V
Valores típicos de o para torres de linha de transmissão
Tipo de surto a Intervalo de variação de a

Surto de manobra 5% 2-7%

Impulso 2% 1-4%
Alguns testes indicam que o RAD (densidade re­
lativa do ar) pode influenciar o a de um teste, bem como o
CFO.

E. Fatores de correção atmosférica

Como mencionado inicialmente, a maioria dos dados


de laboratório ê corrigido e apresentado como informação em
condições padrões. Este é um dos métodos de redução do des­
vio padrão, ou dispersão dos dados de laboratório. Também,
qualquer desvio dos fatores de correção tenderão, portanto,
a aumentar a dispersão dos dados.

Quando usamos dados de laboratório em qualquer a-


plicação particular, é necessário incluir fatores de corre­
ção atmosférica nos dados, para dar uma avaliação realísti-
ca a qualquer aplicação. As condições padrão de um labora­
tório não são representativas das condições medidas que pre­
dominam num sistema. Uma consideração completa da estatís­
tica das correções atmosféricas requeriria um programa de
1 Ç.
computador . Numa média (50% do tempo), o CFO do centelha-
dor pode ser de 2,5 a 5% menor do que aquele medido em con­
dições padrão; e, sob condições extremas, o CFO pode ser re­
duzido para 10 a 15%.

Os maiores fatores de correção sao:

RAD (Densidade relativa do ar)


Umidade
Precipitação

O RAD é dominado pela pressão barométrica, e, por­


tanto, é o fator significante na redução da rigidez do cen-
telhador a ar, em altas altitudes.

A correção de RAD ê dada por:

CFO CFO /RADn


condutor condutoj:
padrao nao padrao
onde:
n = 1 para centelhadores curtos (surtos de manobra)

n = 0,7 para centelhadores a ar longos (surtos de manobra)

n = 1,0 para condiçõés de impulso

As mudanças no fator n com um comprimento do cen-


telhador podem ser explicadas pela saturação na rigidez dos
grandes centelhadores a ar, com uma mudança efetiva do com­
primento dos mesmos.

O fator de correção de umidade pode ser mostrado pela


9
curva .

Figura 2.14
Correção da umidade para capabilidade de isolação de surto de ma­
nobra com polaridade positiva

A precipitação influencia a rigidez de isolamento.


Isso ê geralmente demonstrado por testes em 60Hz, em condi­
ções a seco ou sob chuva (o teste de alto potencial a seco,
por um minuto, e o teste sob chuva, de 10 segundos). Dados
desta redução são mostrados nos dados de centelhadores a haste.
A redução atual em rigidez de 60Hz, para uma cadeia de iso-
ladores sob condições de chuva, é uma função da média de chu­
va. Isto nao aparenta reduzir a rigidez de outros centelha-
dores a ar, mas reduz a descarga através da cadeia de iso-
ladores. Isto resulta devido ao fluir das gotlculas de ãgua
de um isolador para outro.

Sõ condições de chuva (não usual) extremamente pe­


sadas podem reduzir a rigidez em 60Hz a mais de 30%.

VII - A FUNÇÃO DA PROTEÇÃO

Esta pode ser obtida em um certo numero de cami­


nhos, incluindo:

1. As tensões suportáveis pelo equipamento da subesta­


ção projetada podem ser maiores do que os surtos que
possam entrar na subestação.
2. O uso de centelhadores tipo haste ou chifre, nas en­
tradas de linhas da subestação, para limitar o_ mo­
dulo dos surtos incidentes na subestação, a um nível
mais baixo que o nível de tensão suportável do equi­
pamento da subestação.
3. O uso de um ou mais dissipadores de surto dentro da
subestação, para manter o nível de surto dentro dos
níveis desejáveis e inferiores aos níveis suportá­
veis pelos equipamentos.

Em cada um dos casos citados há uma alternância en­


tre o custo da implantação e o comportamento do sistema. A a-
valiação de cada um destes métodos requer o conhecimento dos
níveis de surto que são gerados no sistema. Níveis de surto
de manobra foram discutidos em Capítulos anteriores. Níveis
de impulso que entram numa subestação são ditados pelo ní­
vel suportável da linha, e podem ser estimados a partir de
dados prévios neste Capítulo. As características de proteção
dos centelhadores tipo haste podem também ser avaliados a
partir dos dados apresentados anteriormente.

VIII - PROTEÇÃO POR CENTELHADORES

Quando consideramos as características de proteção


dos centelhadores tipo haste, deveria ser considerado tanto
os aspectos estatísticos da descarga no centelhàdor, bem co­
mo os fatores de correção atmosféricos. A avaliação da fun­
ção da proteção deve considerar os mais altos surtos que são
possíveis de sobrepassar o centelhador.

As tensões admissíveis dos equipamentos devem ser


altas para comportar os surtos que podem ocorrer sqb algu­
mas condições atmosféricas, resultando em descargas altas no
centelhador, e devem também acomodar alguns surtos que, numa
base estatística, podem ser mais altos do que o CFO, sem re­
sultar em descarga no centelhador. Se os limites superiores
são considerados em cada caso, as tensões admissíveis ne­
cessárias podem ser bem altas. Entretanto, a suscitação es­
tatística da função de proteção, bem como a análise estatís­
tica do grau de proteção devem também ser consideradas.

Adicionalmente à função de proteção, ê necessá­


rio considerar o comportamento operativo do sistema. Quando
um centelhador de proteção descarrega, o resultado, sob o
ponto de vista do sistema, é quase o mesmo que uma falta do
mesmo neste ponto. Correntes altas fluirão e os disjuntores
do sistema devem operar para eliminar a condução no cente­
lhador. Este tipo de operação pode interromper o atendimento
ao consumidor. Por esta razão, a descarga mínima ê importan­
te quando se escolhe a capacidade do centelhador. Tempo, ou
condições atmosféricas e influências estatísticas que podem
causar descargas em 60Hz, como surtos de manobra, podem in­
fluenciar a especificação mínima do centelhador.

A preferência por uma larga margem entre a descar*-


ga mínima ditada pelas condições de surto de manobra, ou em
60Hz, e a descarga máxima ditada pelas condições de impulso,
normalmente ê imposta pelos altos níveis de proteção do e-
quipamento da subestação. Isto faz o uso da proteção por cen­
telhador geralmente não ser econômico para equipamento de
porte, como, por exemplo, transformadores. Porém, a proteção
por centelhadores ê algumas vezes usada em disjuntores onde
a rigidez ao impulso ê alta, podendo ser tolerada e onde o
custo de dissipadores de surto, em cada modulo de entrada da
subestação, pode ser excessivamente caro.
IX - PROTEÇÃO POR DISSIPADORES DE SURTO

Um dissipador de surto ê, num bom sentido, um dis­


positivo de proteção tipo centelhador a ar. Ele se compõe de
uma serie de centelhadores com um material resistivo não-
linear, em serie com os centelhadores, para limitar a cor­
rente em 60Hz (potência após a corrente) através do dissipa­
dor. Os centelhadores são projetados não somente para des­
carregar a um nível projetado, mas também para resistir a
corrente de impulso para a terra. Então, quando uma pequena
potência segue a corrente, tendendo para zero, o arco é in­
terrompido pela conexão em série dos centelhadores.

A. Características físicas de um dissipador de surto


Os centelhadores e resistores não-lineares são em­
butidos dentro de uma coluna de porcelana. Esta colunaé se­
lada do contato externo para minimizar a mistura resistiva
e a corrosão resultante nos centelhadores. Enquanto a sela-
gem da coluna de porcelana ê necessária para possibilitar
a operação uniforme do dissipador por um longo tempo, há,
como desvantagem, a sobrepressão resultante, se o dissipador
falhar. Tal pressão pode explodir a estrutura de proteção,
produzindo danos nos equipamentos próximos ao dissipador. Pa­
ra evitar este problema, os dissipadores são projetados com
um diafragma de alívio de pressão, o qual romperá antes da
falha explosiva do dissipador. Os testes destas caracterís­
ticas são cobertos pelas normas^.

Como em qualquer coluna de porcelana ligada a um


alto potencial, em uma extremidade, o gradiente de tensão ao
longo da superfície não é uniforme. Isto se deve à capacitân-
cia a terra não uniforme, e ê uma função da localização fí­
sica do dissipador relativo às superfícies de terra. Esta
tensão não uniforme é acoplada capacitivamente aos aentelhar-
dores como a produção de um gradiente de tensão não unifor­
me, ao longo da série de centelhadores. Em tal situação,se­
rão produzidas descargas irregulares, e são corrigidas pela
instalação de uma impedância com resistência elevada em pa­
ralelo com cada centelhador. Esta alta resistência ê chama­
da de "resistência gradual" e comporta a função de graduação
da tensão ao longo da serie de centelhadores, forçando a uma
tensão uniforme através de cada centelhador. Isto permite um
controle mais completo de descarga do dissipador, e também,
faz com que a descarga seja menos susceptível à influência
de campos externos ao dissipador, que podem, por exeirplo, ser
dominados por planos de terra próximos ao dissipador, ou da
contaminação da superfície externa do dissipador.

Quando um dissipador descarrega, a corrente no oen-


telhador flui na forma de plasma. Quando a corrente nula ê
alcançada, hã uma tendência natural de extinguiro arco. Vá­
rios fatores influenciam a interrupção da corrente de arco,
incluindo a queda de potencial catódico, o comprimento do ar­
co, a temperatura do material nas vizinhanças do arco e a
tensão ascendente, através do centelhador. A queda de poten­
cial catõdica ê aumentada pelo numero de superfícies cente-
lhadoras, e alguns dissipadores forçam o arco dentro de uma
região, na qual o arco ê desdobrado em um grande número de
pequenos arcos. Freqüentemente, campos magnéticos criados pe­
la corrente do dissipador são usados para alongar e aliviar
o arco movendo-o contra uma superfície de alívio. Isto pode
ser referido como uma ação magnética de extensão do arco. Es­
te não contribui significativamente para a tensão IR do dis­
sipador neste caso. Neste sentido fundamental, o propósito
da ação magnética é mover e aliviar o arco para preparã-lo
para interromper a corrente em 60Hz.

Alguns dissipadores modernos são projetados para


produzir "a limitação de corrente" que ê, algumas vezes,cha­
mada de sopro magnético da "potência após a corrente". Em
tal dissipador, o arco'ê enormemente alongado e aliviado,
havendo uma queda de tensão em 60Hz substancial, através da
soma dos arcos dos centelhadores que estão em série. A ten­
são de arco do centelhador é produzida por um campo magné­
tico gerado pelo fluxo da própria corrente. O propósito de
tal ação limitante da corrente é reduzir a energia absorvi­
da necessária do dissipador, durante o fluxo da potência que
segue a corrente, a qual, de fato, permite reduzir a carac­
terística de tensão IR do dissipador, sob condições de im­
pulso, sem resultar numa excessiva potência apõs a corrente.
Disto é possível ver que a ação magnética do dissipador de­
ve ser inativa durante condições de impulso. É também neces­
sário não ter excessiva limitação da corrente pelo dissipa­
dor, durante surtos de manobra ou interrupção das correntes
indutivas.

Figura 2.15

Elementos básicos da estrutura de um


dissipador de surto

A descarga do dissipador ê controlada com alguma


extensão resistores de graduação, em paralelo com os cente-
lhadores. Adicionalmente, os centelhadores são projetados com
prê-ionizadores. Antes de qualquer descarga, algumas partes
do centelhador, dentro do efeito corona que fornece ions na
região do centelhador, fornecem um caminho para a descarga
que se segue. Um pré-ionizador é uma forma de controle, por
projeto, de onde e em que tensão o centelhador serã ioniza­
do. Isto pode ser implementado numa forma simples, pela co­
locação de objetos com arestas na região próxima ao cente­
lhador.
A ação magnética do arco, durante a potência que
segue a corrente, pode ser produzida por uma pequena bobina
em série com a corrente no centelhador. Para evitar um alto
incremento da tensão através desta bobina, durante condições
de correntes de impulso, a bobina é colocada em derivação com
uma pequena estrutura centelhadora auto-restaurativa.

B. Testes padrões em dissipadores de surto

As características dos dissipadores devem ser com­


provadas por uma série de testes padronizados. Eles podem ser:
testes de projeto, testes de comportamentoe testes rotinei­
ros.

Testes de projeto são realizados em dissipadores


protótipos e, no caso de dissipadores de alto potencial, em
seções prõ-nominais de dissipadores. Estes testes confirmam
a capabilidade do dissipador e podem danificar o próprio dis-
sipador (por exemplo, o teste de alívio de pressão). Os tes­
tes de projeto incluem:

a) Testes de tensão admissível isolante do dissipador.


Este teste basicamente avalia a capacidade admis­
sível da coluna de proteção, com as partes internas
removidas.
b) Testes de descarga em freqüência industrial admis­
síveis em dissipadores completos, para provar a ca­
pacidade do dissipador de não descarregar sob ten­
são em 60Hz, para um nível especificado acima da ca­
pabilidade do dissipador.
c) Características da tensão de impulso - Esteteste for­
nece informação dos níveis de descarga (onda plena e
frente de onda). O teste também demonstra as carac­
terísticas de tensão IR de descarga dos dissipado­
res (a tensão IR é obtida com uma onda 8 x 20ys).
d) Corrente admissível de descarga - Este teste mostra
a capacidade do dissipador de conduzir com sucesso
altos valores de corrente por um curto espaço de tem­
po (4 por lOys) e conduzir baixas correntes de lon­
ga duração (isto pode ser tanto um teste de descar­
ga em uma linha de transmissão, ou teste com um de­
grau de corrente, conforme for especificado).
e) Teste de ciclo obrigatório - Ê uma aplicação simul­
tânea de um impulso e de uma tensão em 60Hz para pro­
var a capabilidade de restauração.
f) Teste de rãdio-interferência
g) Teste de alívio de pressão - Para demonstrar as ne­
cessidades de não explosão sob falha do dissipador.

Testes de comportamento são testes realizados quan-


se faz necessário comprovar o comportamento das caracterís­
ticas de um dissipador. Estes incluem:

a) Testes de descarga em 60Hz


b) Testes de descargas impulsivas
c) Testes de tensões desruptivas

Testes rotineiros são testes feitos pelo fabri­


cante em cada dispositivo ou amostra representativa neaessã-
rias à verificação de que o produto alcança as especifica­
ções.

C. Tipos de dissipadores de surto

Hã vários tipos de dissipadores projetados para a-


plicações específicas. Estes incluem:
Dissipadores tipo válvula para subestações
Dissipadores tipo válvula intermediários
Dissipadores tipo válvula para distribuição
Dissipadores tipo expulsão para distribuição
Dissipadores tipo válvula secundários
Tubos protetores

Cada um destes tipos de dissipadores tem caracte­


rísticas específicas para cada aplicação. A escolha do tipo
de dissipador a ser usado ê baseado no custo e comportamen­
to exigidos. Por exemplo, dissipadores de distribuição são
mais baratos do que dissipadores classificados para subes­
tações ou intermediários. Estes são feitos segundo um pro­
jeto e construção simplificados e imposições de testes es­
pecíficos não tão severo como os dissipadores mais caros.Es­
ta diferença também existe entre dissipadores da classe in­
termediaria e de subestação. Os dissipadores da classe de su­
bestação são mais caros e dão um altíssimo grau de proteção.
Isto ê , podem descarregar mais corrente do sistema, sem da­
no do dissipador, e terão uma descarga baixa.

D. Considerações scbre a aplicação de dissipadores de surto

As considerações fundamentais da aplicabilidade para


um dissipador de surto incluem aquelas feitas para disposi­
tivos de proteção tipo centelhador a ar. Isto é , a conside­
ração deve ser dada para um nível de descarga mãxima, sob
condições de surto de manobra e impulso, e assegura que es­
tes são suficientemente inferiores à rigidez admissível do
equipamento protegido e também à mínima descarga do dissi­
pador, devendo ser considerado para evitar descargas desne­
cessárias dos dissipadores. Descargas repetitivas de um dis­
sipador, especialmente quando estas ocorrem sõ num meio ci­
clo, além de sobreaquecimento do dissipador, causam danos ou
falhas.

As diferenças fundamentais entre os dissipadores


de surto e os dispositivos de proteção oentelhadores tipo haste,
são que as descargas nos dissipadores podem ser controladas
mais de perto pelo projeto e, também, que o dissipador "se
reconporã"ou interromperá o fluxo de potência que acompanha a
corrente que sucede a descarga. Então, não opera o disjuntor
ou não ocorre a interrupção do sistema, mas, devido à opera­
ção do dissipador, ê aparente que um fator, que deve ser in­
cluído no projeto do dissipador, é o nível da potência que
acompanha a corrente, a qual deve ser mantida a um nível su­
ficientemente baixo, desde que os relês não operem.Isto não
ê um problema de aplicação de dissipadores de surtos comer­
ciais-, mas é um fator considerado pelos projetistas.

Os dissipadores são projetados e testados”^ para


demonstrar suas capacidades de ” restauração " . A "ca­
pacidade " do dissipador é a descrita na placa e é
normalmente colocada em quilovolts eficazes. Uma tensão
em 60Hz ê aplicada através do dissipadór e, então, um impul­
so descarrega no dissipadór, gerando um fluxo de corrente
impulsiva através do mesmo. Seguindo a corrente de impulso
no dissipadór, a potência que acompanha a corrente fluirá co­
mo determinado pela tensão nominal em 60Hz aplicada no dis-
sipador e no resistor não-linear em série. Quando a potência
que acompanha a corrente passa por zero, o arco ê extingui­
do e a tensão através do dissipadór aumenta como uma onda
senoidal para o valor máximo da tensão nominal em 60Hz.

Se o dissipadór não toma a descarregar durante este tes­


t e , ele ê restaurado. Então, a restauração de um dissipadór ê
um fato que evita uma segunda descarga.

A restauração de um dissipadór é importante por­


que a potência, que segue a corrente através do dissipadór,
é limitada pelo material resistivo que deve absorver consi­
derável energia ou calor, que deve ser dissipada pelo dis-
sipador. 0 material resistivo não-linear, comumente usado
nos dissipadores, tem um coeficiente de resistividade tér­
mico negativo, de forma que, com o aquecimento progressivo do
material resistivo, sua resistência decresce, resultando em
maior corrente e aquecimento nas descargas subseqtientes.

A capacidade do dissipadór ê geralmente muito maior


do que a tensão nominal fase-terra. Uma das razões classicas
para isto é a necessidade do dissipadór não conduzir quando
ocorrer tensões de linha plena num sistema desaterrado. Is­
to ê , se uma falta ocorrer num sistema, a tensão remanescente
nas d uas‘outras fases, é igual ã tensão fase-neutro. Se neste
instante o dissipadór descarrega por um impulso, este deverá
ter a capacidade de "restaurar com tensão plena (de linha)" para
evitar sobreaquecimento ou falha. Um dissipadór especificado
para tensão de linha de um sistema é comumente referido co­
mo um dissipadór a 100%. Quando um sistema ê "aterrado efe­
tivamente "(v. ANÁLISE DE CIRCUITOS DE SISTEMAS DE POTÊNCIA - V. 1) disjun­
tores com capacidades menores são usados (comumente dissipa­
dores de 80%). Este tipo de razão de que a capacidade reque­
rida do dissipador seja maior do que a tensão na fase não de­
feituosa durante uma falta fase-terra, ê freqüentemente u-
sada na escolha da capacidade do dissipador.

Em muitos casos, a tensão da fase não defeituosa


não é a medida adequada da tensão sustentada, sob a qual o
dissipador deve "restaurar-se". Obviamente condições não usuais,
tais como ressonância ou ferro-ressonância, podem produzir
uma tensão sustentada que poderia produzir descargas repe­
titivas de um dissipador, pela manutenção da tensão, acima
da tensão nominal ou capabilidade de restauração. Também ou­
tros, tais como rejeição de carga e sobrevelocidade subse-
qüente das maquinas,podem produzir tensões que devem ser a-
valiadas com relação â capabilidade de restaurar. Não hã re­
gra dominante completa que pode ser aplicada neste caso.Fa­
tores importantes são baseados na experiência operacional an­
tiga e no desejo de minimizar o numero de falhas do dissipa­
dor de surto em um custo mínimo total.

A tensão no dissipador, durante a condução da cor­


rente de impulso é importante para a função de proteção dos
dissipadores. A queda de tensão através do mesmo, durante
a condução de corrente de impulso, ê chamada de tensão IR do
dissipador. Estas tensões são tabeladas para dissipadores e
devem ser "coordenadas" com a rigidez de impulso do equipa­
mento protegido.

Sumarizando, a aplicação do dissipador de surto de­


ve ser baseada nas seguintes considerações:

1. A tensão de descarga do dissipador deve ser menor do


que o impulso admissível do equipamento protegido com
alguma margem apropriada entre os dois. Se o dissi­
pador não ê imediatamente adjacente ao equipamento
protegido, a ãrea de proteção do dissipador deve ser
deve ser determinada (veja o Capítulo 10 da "TEORIA
DE LINHAS DE TRANSMISSÃO").
2. A tensão IR de impulso do dissipador deve ser menor
do que o impulso admissível do equipamento protegi­
do. A corrente usada no calculo de tensão IR é ba­
seada na tensão admissível das linhas que entram na
subestação (ver o Capítulo 1).
3. A tensão sustentada que pode ocorrer nos terminais do
dissipador, durante a falta fase-terra, ou outras con­
dições anormais, devem ser menores do que a capabi-
lidade de restauração do dissipador.
4. O dissipador deve ter a capacidade de dissipar a e-
nergia armazenada num sistema, durante condições de
surto (isto é, tanto a energia do surto iirpulsivo como
a do surto de manobra) . Em sistemas de EAT, a neces­
sidade da dissipação da energia do surto de manobra
ê fundamental.

Como definido pelas normas, os dissipadores de sur­


to são projetados para desempenhar somente em condições nor­
mais de serviço^. A referência 1 define estas condições de
serviço.
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pp. 145-54.
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ghouse Electric Corporation.
11. "The Confidence Limits of High-Voltage Di-electric Test
Results", Brasca, Tellarini, Zaffonella, IEEE Transac­
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12. "Influence of Air Density on Flashover Voltages of Air
Gaps and Insulators", Harada, Ishida, Anjo, Aoshima,
Ichihara, Nimura, IEEE Transactions, 70-TP-85, feverei­
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13. "Predischarge Current Characteristics of Parallel Ele-
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sion Line Design", Annestrand, Bossuyt, Reppen, IEEE
Transactions, PA & S, março 1970, pp. 429-37.
17. "Switching and Lightning Impulse Discharge Characteris­
tics of Large Air Gaps and Long Insulator Strings", L.
Paris, R. Cortina, IEEE Transactions, PA & S, abril
1968, pp. 947-57.
CAPÍTULO

PADRÕES DE RELEVÂNCIA NAS


NECESSIDADES DE ISOLAMENTO

I - INTRODUÇÃO

A função da coordenação de isolamento é um dos es­


tudos que requer a cooperação entre os fabricantes de equi­
pamentos e usuários do mesmo. Esta cooperação é obtida atra­
vés de sociedades profissionais e comitês de padronização,
incluindo a representação tanto de fabricantes como dos uti­
litários. Neste Capítulo uma larga descrição dos vãrios as­
pectos importantes de padrões serã discutido.Adicionalmente
serão referenciados excertos de alguns padrões, detalhando
vãrios aspectos da coordenação de isolamento, contendo in­
formações .

Informações do uso da estatística, nos testes de a-


ceitação padrões e aplicações, são também apresentados.I

II - PADRÕES DA COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

Como acontece com a maioria das capacidade dos e-


quipamentos, hã um incentivo tanto por parte dos usuários co­
mo dos fabricantes, que concordam que haja um numero limi­
tado de capacidades "padrões" para a rigidez isolante dos e-
quipamentos. O "Instituto Nacional Americano de Padrões"(ANSI)
ê o responsável por esta função nos Estados Unidos. Como a-
contece com a maioria dos padrões, há uma entidade similar
internacional quê, neste caso, ê a "Comissão Internacional
Eletromecânica" (IEC).

Os padrões considerados por estas organizações co­


brem um largo conjunto de necessidades para equipamentos, tais
como, perdas em transformadores e motores, testes de aque­
cimento devido à operação, bem como testes de coordenação de
isolamento. A ênfase deste curso é no aspecto dos testes pa­
ra coordenação de isolamento.

Ha um contínuo esforço em coordenar o trabalho da


ANSI e da IEC para levar estas padronizações a uma unifor­
midade. Por razões históricas, bem como devido a sinceras di­
ferenças próprias, isto não tem sido alcançado; mas, espe­
cialmente em anos recentes, tem sido dado grandes passos pa­
ra tornar tais padrões mais uniformes.

Ainda permanecem várias diferenças significantes


entre os padrões de testes de impulso da ANSI e IEC. As sé­
ries de níveis de isolamento padrão nos dois casos diferem
um tanto, e os padrões IEC especificam mais rigidamente os
níveis de isolamento a serem associados com uma dada tensão
do sistema. As normas dos Estados Unidos deixam esta asso­
ciação para os comitês de padronização de equipamentos.

A forma de onda do surto de manobra, adotada tan­


to pela ANSI como pelo IEC, ê de 250x2500ys. Esta forma de
onda tem tolerâncias razoavelmente largas; entretanto, uma
certa diferença da onda ê permitida nos transformadores on­
de o desenvolvimento de um corte longo da onda é virtualmen­
te impossível em circuitos de testes práticos.

Formas de onda apropriadas para testar cabos sub­


terrâneos estão correntemente sob consideração. Para este tes­
te, alguns Engenheiros argumentam que uma onda oscilante é
mais apropriada, desde que ondas desta forma têm se mostra­
do que ocorrem na prática e podem representar uma condição
mais severa no cabo, do que um pulso unidirecional, devido â
constante de tempo eletrostãtica do isolamento do cabo.
III - METODOLOGIA E TIPOS DE TESTES PADRÕES

Vários tipos de testes podem ser feitos em equi­


pamentos elétricos, tanto durante como apôs a fabricação. En­
quanto não há uma uniformidade completa dos nomes dos tes­
tes em todos os padrões, há algumas observações gerais que
podem ser feitas, resguardando os propósitos fundamsntais dos
testes.

Testes de projeto - São feitos para determinar a


adequacidade do projeto, um tipo, estilo ou modelo particular
de equipamento para encontrar sua classe e capacidade espe­
cífica, e para mostrar suas condições operacionais satisfa­
toriamente, sob condições normais de trabalho, ou sob con­
dições não usuais, se especificadas. O teste de projeto efei­
to só em amostras representativas ou em protótipos construí­
dos especificamente para consubstanciar as classes especifi­
cadas do equipamento.

Testes de produção - São feitos para testar a qua­


lidade e uniformidade do material e mão-de-obra usados na
construção do equipamento. Estes testes podem ser especifi­
cados por padrões, ou podem ser baseados nas necessidades dos
fabricantes.

Testes e provas de aceitação - São feitos em equi­


pamentos, após a fabricação e antes da operação comercial, para
demonstrar a qualidade adequada da fabricação do equipamen­
to. Estes testes são freqüentemente feitos em: 1) cada peça
do equipamento fabricado; 2) amostras selecionadas do equi­
pamento fabricado, ou 3) algumas partes especificadas de um
comjunto (por exemplo, uma amostra de uma extensão de cabo).
Estes testes são especificados geralmente por padrões. Al­
guns testes de aceitação são entendidos de serem necessários
pelos padrões, enquanto outros testes, com procedimentos de­
talhados por normas, devem ser especificados pelo comprador
se ele desejar que estes sejam feitos.

Testes e provas de manutenção - São feitos em e-


quipamentos que tenham estado em operação comercial e per-
mitam um meio de avaliar o grau de degeneração, que tem co­
mo resultado após o transporte, instalação e serviço. Com
freqüência, as normas dão recomendações para tais testes. Es­
tes testes não são feitos nos mesmos níveis dos testes cor­
respondentes aos de fabrica (por exemplo, os testes de alta
tensão são geralmente de 60 a 80% dos níveis usados nas fa­
bricas) .

Testes de campo das capabilidades projetadas do e-


quipamento - São algumas vezes feitos especialmente quando é
pela primeira vez, instalado um novo nível de tensão. Fre-
qüentemente, relatórios de tais testes de campo são incluídos
na literatura. Exemplos típicos de tais testes incluem tes­
tes de interrupção de disjuntores de potência, testes de a-
bertura de disjuntores por defeito em linhas, testes de sur­
tos de manobra em disjuntores, testes de descarga em dissi-
padores de surtos e testes de comportamento de centelhadores
para a proteção de capacitores série.

Muitas vezes,tais testes são feitos para testarto­


do o sistema, incluindo a operação dos equipamentos de pro­
teção e de onda portadora, bem como o projeto de um deter­
minado equipamento básico.

Cada um dos tipos de testes apresentados acima te­


rão um grau diferente de importância dentro de um conjunto de
equipamentos diversos. Por exemplo, num disjuntor de potên­
cia de baixa tensão, os "Testes de projeto" e os "Testes de
produção" são importantes para demonstrar a capacidade ul­
timada do equipamento e também o controle de qualidade do fa­
bricante. No caso de disjuntores de potência E AT, "Testes de
projeto" para observar a capacidade de interrupção, são im­
portantes e, além disso, alguns usuários podem especificar
testes de aceitação em algumas amostras de uma grande par­
tida. Em tais casos, os testes de aceitação podem ser obser­
vados pelo comprador e são especificados por normas. Então,
resulta que tais testes são fornecidos para o comprador, en­
quanto que, outras vezes, o usuário pode ter que especificar,
a tempo, quais testes irão ser feitos. Em alguns casos, um
fabricante pode fazer alguns destes testes rotineiramente,
enquanto outros, não. E, de modo geral,proveitoso para o u-
suãrio conhecer bem as necessidades e testes padrões do e-
quipamento.

IV - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS QUANTO Ã METODOLOGIA


DE ACEITAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE EAT

A maior parte das novas técnicas e materiais para


fabricação de equipamentos sugerem mudanças nas padroniza­
ções. Isto resulta numa revisão mais ou menos contínua dos
procedimentos para padronização. Em algumas vezes, como no
caso de equipamentos de EAT, as necessidades únicas do sis­
tema ditam novas técnicas para projetar e testar o equipamen­
to. Em particular, para sistemas de EAT, a importância dos
surtos de manobra tem encorajado o esforço substancial na
indústria, para planejar um teste de surto de manobra ple­
namente justificado.

Os comentários do Capítulo 2 apontaram alguns e-


xemplos de especificações para testes de surto de manobra.

No caso de transformadores, aproximações que têm


sido usadas por um grande número de anos necessitam ser re­
visadas. Estas tendências são abordadas brevemente no ítem
IV.

A. Metodologia para surtos impulsivos

Em 1930, uma série de mõdulos de testes padrões pa­


ra impulsos representativos de descargas atmosféricas foi es­
tabelecido. Estes eram chamados de "Níveis básicos de iso­
lamento" (BIL's). A onda dupla exponencial tinha a forma d e :
sendo suposto como a forma de onda padrão, e com dimensões
de 1,5x40, isto ê, tendo um tempo para atingir o pico l,5ys
40ys, para ir do ponto máximo até o valor médio. Esta foi
recentemente mudada para 1,2x50 para ajustar-se com padrões
do IEC, para esta mesma forma de onda.

Até agora, os BIL's têm sido a principal designa­


ção da rigidez de isolamento para equipamentos elétricos. Na
coordenação de isolamento, o equipamento testado para um da­
do BIL ê suposto ter uma rigidez igual àquela do valor de tes­
te. Um número limitado das aplicações de testes é especifi­
cado pelo Comitê 68 da ANSI, para o isolamento nos transfor­
madores ou outro equipamento onde uma falha do teste poderia
destruir o equipamento. Enquanto este número de testes apro-
xima-se da rigidez estabelecida com qualquer validade esta­
tística, ainda ê defendido que a disposição periódica de um
fabricante, para tais testes, é uma restrição suficiente pa­
ra, assegurar a alta probabilidade de que a rigidez especi­
ficada e a projetada para o equipamento.

Outras formas de onda, que não os impulsos atmos­


féricos padrões, são, algumas vezes, especificadas. Algumas
empresas, por exemplo, optam por um teste de onda cortada,
similar à onda l,2x50ys, mas com uma queda súbita para zero
da tensão apõs o pico impulsivo. Esta forma, presumivelmen­
te, duplica o* esforço sobre um transformador submetido a um
impulso, que é limitado por uma descarga do centelhador no
corte da onda. Este é um teste razoavelmente severo para trans­
formadores, uma vez que a rãpida variação na tensão causa uma
alta tensão entre espiras no enrolamento. Outro teste, al­
gumas vezes especificado, ê o teste de "Frente de onda" on­
de a tensão ê provocada pelo seu aumento numa taxa prescrita
(usualmente 600kV por microsegundo) , até que o isolamento rom­
pa eletricamente.

B. Metodologia para surtos de manobra


Até muito recentemente, o uso de formas de ondas re­
presentativas dos surtos de manobra tem sido um pouco limi­
tado. Módulos padrões para ondas dé surto de manobra,enquan­
to ainda não estabelecidos especificamente, foram comumente
considerados como 83% do BIL. Este fator, 0,83, tem uma fi­
gura "unânime" baseada nos testes de laboratórios limitados
de amostras compostas de õleo/papel.

Como os grupos da IEC e ANSI consideram a padro­


nização dos testes de surto de manobra, da regra dos 83%,
retira-se duas considerações:

1. Foi baseada no surto de manobra para a razão da ri­


gidez ao impulso de um sistema de isolamento espe­
cifico, e não reconhece a variação das razões que o-
correm com outros sistemas de isolamento.
2. A maior parte do isolamento principal na subestação
ê protegido por dissipadores de surto. Foi defendi­
do que a razão de testes dos surtos de manobra, para
os níveis de teste de impulso, seria alinhada à ra­
zão dos níveis de proteção permitido pelo dissipa-
dor de surto, em vez de uma razão de rigidez de um
sistema de isolamento particular.

Nestas condições, tanto os comitês do IEC e da ANSI


abandonaram seus padrões em favor de uma serie de magnitudes
padrões, tais como as usadas para o BIL. Embora uma alter­
nativa para uma serie independente tenha sido considerada ante-
riomente, ambos os grupos decidiram usar a mesma serie nu­
mérica que foi, então, forçada para o BIL.

Esta série é mostrada no Padrão Nacional Americano


C92.1, como proposto para uma revisão (ver o Apêndice I, do
Capítulo 1). A proposição foi aprovada tanto pela NEMAelEEE
em 1970, e serã publicada como mostrado. Os níveis de iso­
lamento listados incluem vãrios valores adicionais interme­
diários na primeira lista de BIL's. Desde que se use uma sé­
rie comum para impulsos atmosféricos (BIL1s) e impulso® de
manobra (BSIL*s), seria, por outro lado, impossível selecio­
nar razões de BSIL's para BIL comparáveis com a razão dos ní­
veis de proteção orientados pelos modernos dissipadores.
C. Metodologia em freqüência industrial

Muitos equipamentos estão sujeitos a uma forma ou


outra para testes em freqüência industrial. 0 significado des­
te teste tem diminuído o impulso atmosférico, e testes de im­
pulso de manobra subseqüente foram introduzidos. Normas de
transformadores anteriormente especificados para testes no
domínio da freqüência industrial, por um minuto em um dado
nível de tensão, que eram fixados em relação ao BIL. Como as
melhorias dos dissipadores de surtos permitiram aumentar bai­
xos BIL's, a tensão do teste em freqüência industrial caiu,
correspondentemente. Isto foi recentemente reconhecido como
um realismo completo, desde que o esforço em freqüência in­
dustrial, visto pelo transformador, não tenha relação com as
necessidades de rigidez a impulsos, como determinado por dis­
sipadores de surto. Mais ainda, um trabalho fundamental p u ­
blicado em 1968, mostrou uma equivalência de tensãoxtempo,
para testes em freqüência industrial, e sugeriu que um tes­
te mais significativo poderia ser conduzido para tensões bai­
xas em freqüência industrial, em lugar do previamente usa­
do. Estes testes em baixos níveis, em freqüência industrial, são
aplicados por um longo período de tempo (por exemplo,uma ho­
ra) . É conveniente que um teste em freqüência industrial de
aproximadamente 1,5 vezes a tensão normal de serviço por uma
hora (independente da classe de impulsos atmosféricos ou de
manobra) seja adotado tanto pelas normas americanas como pe­
lo IEC. Muitos Engenheiros argumentam que esta tensão seria
um pouco superior (da ordem de 2,0 p.u.) para um período que
vai de um segundo até um minuto no início deste teste horá­
rio, de forma a permitir que a geração do efeito corona se
mostre, e que não seria excitado numa tensão de 1,5 p.u.. O
teste, nesta forma poderia tender a simular uma sobretensão
tipo rejeição de carga ou disruptiva, é acompanhado por uma
energização contínua em freqüência industrial.

O teste por uma hora, descrito acima, ê uma indi­


cação melhor da longevidade do transformador do que o teste
por um minuto, especialmente quando acompanhado por especi­
ficações rigorosas, como para o nível de corona que ocorre
durante o período de testes.

V - CQNSIDERAÇÕES ESTATÍSTICAS NOS TESTES CE ACEITAÇÃO


(Surtos de manobra)

As normas IEC fazem distinção entre o isolamento


auto-restaurativo (centelhadores e ar, porcelana, etc.) ei-
solamento sem auto-restauração (papel, sistemas com óleo,i-
solamento sólido, etc.).

Para isolamento sem auto-restauração é obviamente


impraticável projetar o teste que estatisticamente definira
a rigidez do isolamento, uma vez que assim feito significa­
ria a ruptura de muitas amostras das estruturas de isolamento
caras. Por esta razão, testes em freqüência industrial, bem
como testes de impulsos em isolamento sem auto-restauração,
são meramente demonstrações que o isolamento suporta um tes­
te com uma dada severidade de no mínimo uma vez o impulso.

Para isolamento auto-restaurativo é pratico esta­


belecer a rigidez de isolamento com validade estatística,
desde que rupturas repetidas não causem danos na estrutura
de isolamento. Há um fator importante de economicidade que
deve ser considerado no estabelecimento de um teste para o
isolamento auto-restaurativo. O número de testes requeridos
para definir a rigidez estatística para um alto grau de a-
curacidade, na região de uma probabilidade baixa de descar­
ga, ê elevado (possivelmente centenas de testes). Portanto,
ê necessário definir um requisito de isolamento baseado num
número razoável de testes de laboratório, tal que possam ser
feitos em cada peça do equipamento, onde este ê necessário.
Portanto, este teste seria:

1. Necessidade de poucos testes, suficiente para que o


teste possa ser economicamente realizado.
2. O teste mostraria maiores deficiências resultantes da
fabricação ou controle de qualidade, com uma proba­
bilidade razoavelmente alta de sucesso.
3. O teste teria uma baixa probabilidade de um resulta­
do negativo, num projeto satisfatório com deficiências
de fabricação.

Estas metas estão obviamente em conflito, e um com­


promisso deve estar de acordo com as necessidades padrões de­
talhadas do equipamento. Obviamente, encontrando um teste sa­
tisfatório para condições de impulso, ê mais fácil do que para
um teste de surto de manobra. Isto é, porque as caracterís-
cas impulsivas têm um o (desvio padrão) mais baixo do que as
características para surtos de manobra.

Um dos propósitos de um teste de aceitação estatís­


tica ê previsto pelo usuário com informação suficiente, tal
que ela possa fazer uma análise probabilística da coordena­
ção das várias partes do equipamento. Tal análise deveria in­
cluir considerações de: 1) um critério de comportamento; 2)
numero de pontos de exposição, e 3) o custo econômico da me­
lhoria do comportamento, com consideração da influência do
custo, a partir do tipo de equipamento. Maiores discussões
deste ponto ê apresentado na Referência 1, do qual extraímos
os excertos seguintes:

"A seleção de um critério para uma freqüência "aceitá­


vel" de descarga deve ser principalmente uma forma de
definição de engenharia, desde que seja levado em con­
ta o risco da interrupção do serviço devido a outras cau­
sas. É teoricamente possível fazer a escolha da proba­
bilidade de descarga numa base econômica; neste caso, a
probabilidade ótima ê que a soma do custo da instalação
e o.preço atual das falhas futuras prováveis são míni­
mos sobre um tempo de vida presumível da instalação. En­
quanto não ê freqüentemente prático perseguir o crité­
rio, em tal base de economia rigorosa, muitos dos prin­
cípios envolvidos em taí método são completamente prá­
ticos e freqüentemente fatorizados inconscientemente den­
tro de muitas decisões corretas na escolha dos níveis
de i solamento".
" Ê razoável considerar que isoladores de sustenta­
ção de barras, que não são caros, e ainda constituem um
ponto de grande exposição estatística de falha, devido
ao seu numero, poderia ser indicado para uma rigidez
maior do que o isolamento fase-terra da estrutura do
disjuntor, onde o numero de exposições é mais limitado
e o custo da rigidez, alêm do que for prescrito pelos
padrões da industria, pode ser bem alto. Em geralê boa
pratica aumentar o isolamento onde o custo incrementai
da redução de saídas ê menor...."

".... Não hã método pratico no estabelecimento da ri­


gidez atual do isolamento sem auto-restauração, à ex-
cessão da construção de protótipos a serem sacrificados
com este propósito. Este tipo de metodologia tem sido
feito em aplicações de equipamentos incomuns, mas ê ge­
ralmente muito caro para ser pratico. Por esta razão,
um teste "suportável" ê geralmente aplicado ao isola­
mento não auto-restaurativo. 0 teste de suporte conven­
cional poderia ser teoricamente dado de forma estatís­
tica, também, se a forma e dispersão da rigidez de i-
solamento sem auto-restauração forem conhecidas. Con­
siderações de testes práticos, seriam as mesmas do que
resultaria num teste de muito pouca seletividade. É ge­
ralmente sentido que o conhecimento do sistema de iso­
lamento deva ser, no mínimo, suportável a um dado nível
de tensão, ê o suficiente como uma restrição de contro­
le de qualidade dos projetistas de equipamentos e fa­
bricantes baseados nas conseqüências do mesmo numa fa­
lha___ "

vi - p r o p O s i t o s a t u a i s n o s t e s t e s e m t r a n s f o r m a d o r e s

Como previamente mencionado, as normas estão con­


tinuamente sendo revisadas para torná-las mais atuais e sus­
cetíveis às necessidades da industria. Issoé freqüentemente
feito por comitês de padronização que determinam grupos de
trabalho para rever os novos requisitos. Tais mudanças podem
também serem iniciadas por um fabricante ou um usuário que
apresente uma justificativa forte para a mudança desejável.
Provavelmente houveram mudanças nas normas de transformado­
res para os níveis e durações dos testes de alto potencial,
- ~ apresentada em (1968) 2.
como resultado de uma unica publicação
Alguns dos pontos importantes desta publicação serão apre­
sentados aqui, mas, antes, vamos abordar os fatores que mu­
daram as normas do que eram, para o que são hoje, através de
uma revisão breve do histórico dos testes de alto potencial.

A. Revisão histórica dos níveis de testes em transformadores

Historicamente, os transformadores têm sido testa­


dos para aceitação, usando testes de alto potencial. Como
mencionado em Capítulos anteriores, estes eram testessô fei­
tos em transformadores nos idos de 1900, com o teste de im­
pulso introduzido mais tarde. Estes primeiros transformado­
res foram testados a "isolamento pleno", que era definido co­
mo um isolante suficiente para operar sob tensão de linha ple­
na. Os testes de alto potencial de fabrica, para isolamento
pleno, eram definidos como duas vezes á tensão de linha,e o
pico do teste de impulso da onda plena, era calculado como:

Onda plena de tensão de pico impulsiva para isolamento pleno


= 2,25 x (valor eficaz de alto potencial)

Por exemplo, os níveis históricos de isolamento pleno para


138kV são:

Classe de isolamento Testes de alto Pico do teste Pico do teste


entre fases eficaz potencial-tensão de onda plena de onda cor­
eficaz espira de impulso tada de impul­
contra a terra so
138kV 275kV 650kV 750kV

Estes valores do teste de isolamento estão de a-


cordo cçm os comitês de padronização e, a partir desta con­
cordância, uma série de níveis de teste de isolamento foram
estabelecidos:
450kV, 550kV, 650kV, 750kV, 900kV, 1050kV, 1300kV, 1550kV
Com o aprimoramento da aplicação e entendimento dos
sistemas de aterramento dos dissipadores de surto, foram fei­
tos , daí, reduções do "isolamento pleno" aplicados no sis­
tema, resultando no assim chamado "isolamento reduzido".

As. normas definem a redução do isolamento como de­


graus para os níveis mais altos de tensão e degraus médios
para favorecer níveis de tensão razoáveis.

Em intervalos de alta tensão: 1 degrau = 250kV


j degrau = 125kV

Em intervalos de tensões intermediárias: 1 degrau = 150kV


i degrau = 75kV

Em intervalos de tensões baixas: 1 degrau = lOOkV


degrau = não usado

Embora a redução dos níveis de isolamento tenha se justifi­


cado na redução das necessidades de impulso, o teste de al­
to potencial manteve-se fixo ao BIL; portanto, reduções no
nível do BIL correspondem a testes de alto potencial redu­
zidos. Em anos recentes isto tem resultado em necessidades
irrealistas no isolamento do transformador.

B. Uma breve descrição dos testes de alta tensão

0 teste convencional de alto potencial é aplicado


ao enrolamento total em relação à terra. Isto ê, ambasas ex­
tremidades do enrolamento são conectadas à fonte de alto po­
tencial, sendo os demais enrolamentos aterrados. Isto requer,
por exemplo, que o isolamento em relação a terra, de todo o
enrolamento seja para um nível de pleno isolamento. O equi­
pamento de alta tensão, para aplicação com um neutro ater­
rado, tem sido um incentivo para usar isolamento gradual; is­
to ê, um isolamento para terra, maior no enrolamento de alto
potencial que para a extremidade neutra do enrolamento.Para
testar tal enrolamento, especialmente para equipamentos de
alta tensão, ê necessário usar um teste de potencial indu­
zido. Esta tensão orientada ê ligada ao enrolamento de baixa
tensão e por ação transformadora produz uma alta tensão nos
outros enrolamentos.

Este teste deve ser feito numa freqüência superior


à normal para evitar a saturação do núcleo e pode ser feito
de 120 a 400Hz para uma duração de 7200 ciclos. Também, em
transformadores trifãsicos com enrolamentos ligados em delta,
não hã caminhos simples para usar uma fonte de tensão mono-
fãsica que submeta propriamente todos os enrolamentos a es­
forços. Por esta razão, as aproximações usadas neste teste
concordam com o especificado pelos Comitês de padronização.

Como frisado na Referência 2, o teste de alto po­


tencial torna-se menos associado com a tensão operacional e
mais associado com o tipo de proteção de surto no sistema.
Também, como mencionado previamente, o teste monofãsico, po-
deria sobre-esforçar algumas partes do enrolamento, durante
o teste, numa forma que poderia ocorrer em serviço. Por exem­
plo, um teste de alto potencial de 275kV, aplicado a um en­
rolamento delta 138kV, impõe um esforço no enrolamento de baixa
tensão, em relação a terra. No ponto médio do enrolamento,
de aproximadamente sete vezes o esforço normal de operação.
Outras inconsistências resultam em tais testes, conforme ob­
servado na Referência 2.

"As inconsistências resultam da evolução de um teste de


baixa freqüência que, originalmente, foi pretendido pa­
ra provar a habilidade do transformador de suportar não
sõ tensões operacionais normais e permanentes, mas mes­
mo qualquer tipo de tensão transitória. O teste envol­
vido não previa o benefício de um teste de surto de ma­
nobra ou de equipamento para detecção de corona, e, em
seus primeiros estágios de evolução, era mesmo substi­
tuído por um teste de impulso".

C. Independência das condiçoes dos surtos e da freqüência industrial

A tecnologia de projeto de transformadores tem e­


voluído e, geralmente, é permitido que o projetista possame-
lhorar, digamos, a rigidez ao impulso em transformadores,sem
modificação substancial na rigidez â freqtiência normal. 0
esforço atual da padronização procura reconhecer este fato.
Isto permite uma especificação mais ou menos independente da
rigidez de isolamento a um impulso, surto de manobra e sur­
tos em freqüência fundamental. Então, a rigidez ao surto de
manobra e ao impulso poderia ser relacionada às caracterís­
ticas dos dispositivos de proteção, enquanto que os testes de
alto potencial ou em freqüência normal poderiam ser relacio­
nados â tensão de operação. E então necessário definir o me­
lhor método de especificação da natureza do teste de alto
potencial.

D. Proposição de testes de alta tensão

A proposição atual para este teste estabelece a na­


tureza estatística da falha de isolamento e tem resultadq da
avaliação detalhada da natureza do mecanismo de falha do i-
solamento õleo-sõlido. A proposição sugere que, sob condiçoes
livres de efeitos corona, o período para falha do isolamen­
to ê logarítmico. Uma fórmula que descreve esta relação é:

log V = -0,04 log t

onde V ê a tensão de teste aplicada num período t, tal que


o teste produza um esforço que é equivalente ao esforço re­
sultante de um ano de operação em tensão nominal, coma mes­
ma probabilidade de falha. Esta ê mostrada, graficamente,na
Figura 3.01.
Ainda resta a discussão de alguns parâmetros des­
critos neste teste. Como por exemplo, tal teste deveria ser
feito com l,7p.u. ou l,5p.u. por uma hora ? Haveria uma ten­
são preliminar de 2,0p.u. por um minuto, imediatamente an­
tes do teste de uma hora ? 0 que constitui uma definição de
operação sem efeito corona ?

A detecção mais comum do efeito corona usa um me­


didor de rãdio-interferência (RI) para medida da tensão de
rãdio-influência (VRI), gerado pelo corona. A VRI é medida,
em um terminal do enrolamento sob teste, pela conexão do me­
didor da capacitância da bucha terminal, usando uma indutân-
cia para sintonizar a capacitância de 0,85 a l,15mH. Os de­
talhes dos procedimentos deste teste são extraídos da Refe­
rência 3. Tipicamente, valores de VRI, considerados exces­
sivos, são em torno de 1000 microvolts ou mais. Hã contro­
vérsia sobre o nível exato do efeito corona que ê conside­
rado como perigo. Ê possível não ter risco por efeito coro­
na, mas não hã um caminho claro para a determinação do nível
de corona que causa danos sem destacar o transformador.

Figura 3.01

Relações tempo x tensão para ruptura do oleo

Hã outros métodos de detecção do efeito corona em


um transformador, durante um teste. É possível fazer um tes­
te de ãudio, pela colocação de microfones no oleo, em vãrios
pontos, para detectar o som gerado pelo efeito corona. De­
vido à baixa velocidade das ondas sonoras ê, algumas vezes,
possível detectar a localização do efeito corona, por um es­
quema de rastreamento do tipo triangulação.

VII - TESTES PADRÕES PARA MOTORES E TRANSFORMADORES

As normas podem incluir.os requisitos detalhados


de equipamentos, considerações especiais em relação ãsgrande­
zas medidas, com discussão geral do problema e fatores im­
portantes, bem como informações de engenharia geral para o
usuário e fabricante. Para dar algum entendimento â nature­
za das informações comumente encontradas em normas, extra­
tos de várias publicações são indicados aqui. São aquelas on­
de uma permissão escrita requerida tenha sido obtida para re­
produzir as mesmas ou onde não era necessário pagar os di­
reitos autorais de publicação original.
>
A. Testes padrões para transformadores, regulado­
res de potência e distribuição e para reatores
em derivação - USAS - C57.12.90-1968

B. Normas do IEEE para testes de impulso em trans­


formadores - C57.98

C. Norma para teste de isolamento de grandes má­


quinas rotativas em corrente alternada com al­
ta tensão contínua - AIEE n9 95
REFERÊNCIAS

1.."Probability Methodes in Insulation Coordination", L.O.


Barthold, L. Paris, IEEE Transactions, apresentado por
Winter Power Meeting 1970.
2. "Dielectric Tests for EHV Transformers", R.B. Kaufman, J.
R. Meador, IEEE Transactions, PA & S, janeiro 1968,
pp.125-145.
3. "Tests for Damaging Corona for Oil Insulated Power Trans-
formers", IEEE Committee Report, IEEE Transactions, PA &
S, Vol. 85, agosto 1966, pp. 892-893.
4. "Transformer Engineering", Blume, Boyajian, Camilli, Len-
nox, Minneci, Montsinger, John Wiley & Sons, Inc., New
York Chapman & Hall, Ltd,. London 1951.
CAPITULO 4
DISPOSITIVOS DE INTERRUPÇÃO DE
CIRCUITOS DE POTÊNCIA

I - INTRODUÇÃO

Hã uma grande variedade de dispositivos comumen-


te usados para o chaveamento ou interrupção de circuitos e-
lêtricôs. Além disso, são dispositivos que têm caracterís­
ticas únicas de fabricação para propósitos especiais de ope­
ração. Embora executando a mesma função, dispositivos de in­
terrupção aplicados a circuitos de EAT e ÜAT terão caracte­
rísticas e especificações de projeto significantes, ou mes­
mo totalmente diferentes daquelas projetadas para aplicação
em sistemas de distribuição e subtransmissão. Freqüentemen-
te aparece que não hã bases físicas comuns entre tais dis­
positivos .

Serã propósito deste Capítulo revisar a natureza


fundamental dos dispositivos de interrupção mostrando as mui­
tas características comuns daqueles de aplicação diversa e,
ao mesmo tempo, assinalar propriedades que são únicas. Is­
to incluira uma revisão:

A. Tipos de dispositivos de interrupção

B. Tipos de interrupção média

C. O processo físico de interrupção


D. Aplicações específicas
II - TIPOS DE DISPOSITIVOS DE INTERRUPÇÃO

Dispositivos de interrupção podem ser classifica­


dos tanto em função, como pelas características físicas dos
interruptores. Ambas as classificações serão usadas aqui. Em
qualquer caso, o propósito geral de um dispositivo de inter­
rupção ê para ligar ou desligar um circuito elétrico, em al­
gum ponto de um sistema de potência. O dispositivo deve, sob
condições próximas da normal, permitir um caminho de impe-
dância série bãixa para a corrente elétrica que flui. Adi­
cionalmente, ele deve também prover uma rigidez dielêtrica
suficiente para suportar condições a vazio, quando aberto.
Estas são características de uma chave-faca comum. A função
mais difícil de um dispositivo de interrupção é a de permi­
tir a mudança do estado de chave fechada, ou seja, um cami­
nho condutivo para um estado que interrompa o fluxo de cor­
rente. Este processo de interrupção ê um tanto simples em
famílias de dispositivos que transportam só alguns poucos am-
pêres, mas em altas tensões e, mais importante, em altas cor­
rentes da ordem de milhares de ampères, esta capacidade de
interrupção torna o projeto um problema um tanto complexo.

As funções primarias de um dispositivo de interrupção


de circuito devem ser classificadas como:

A. Desconexão de circuito
B. Abertura de carga
C. Interrupção de faltas
D. Manobra de equipamentos

Vãrios dispositivos são disponíveis para executar


estas funções. Em geral, um dispositivo é projetado para e-
xecutar uma destas funções numa forma ideal, e, como um re­
sultado, pode ter uma capabilidade reduzida em outras con­
dições funcionais. Isto ê, um dispositivo projetado especi­
ficamente para interromper correntes muito altas de falta po­
de ter dificuldade de interrupção quando as correntes forem
indutivas ou capacitivas. Para condicionar estas varias fun­
ções, um certo numero de tipos diferentes de interruptores
.tem sido desenvolvido. Estes incluem:

A. Disjuntores secos
B. Chaves seccionadoras
C. Disjuntores secos com sopro magnético
D. Disjuntores a oleo
E. Disjuntores a gãs
F. Disjuntores a vácuo
G. Fusíveis

Cada um destes dispositivos tem características úni­


cas, que o faz idealmente adequado para uma margem de apli­
cações, mas não poderia ser considerado aceitável para o in­
tervalo total das funções de manobra necessária para um sis­
tema elétrico de potência. Também a economicidadeé uma for­
ça significante e determina que qualquer dispositivo de in­
terrupção pode ser aplicado somente onde a maioria de suas
capacidades de projeto são necessárias.

Disjuntores a ar são comumente usados como "inter­


ruptores de baixa tensão" (previstos para operar em circui­
tos de corrente alternada superiores a 600V e circuitos de
corrente contínua superiores a 3000V). Interruptores a ar
têm muitas vantagens, tais como operação rápida, mínimo pe­
rigo de incêndio, requerendo mínima manutenção sob condições
de serviço repetitivas sendo de construção e projeto rela­
tivamente simples.

Disjuntores a ar com sopro magnético são comumen­


te usados em circuitos de tensão média (600V a 15kV ac).Es­
tes interruptores empregam a ação magnética gerada pela cor­
rente de falta para forçar o arco a circular em câmaras on­
de o mesmo ê alongado (isto aumenta a resistência), desaque-
cido e desionizado. Este tipo de disjuntor é comumente usa­
do em cübicuios blindados.

Os interruptores não correm o risco de incêndio em


5leo e requerem menos manutenção do que os disjuntores a õ-
leo em serviço repetitivo. Geraimente, as câmaras de arco de­
vem ser trocadas periodicamente baseadas num número médio de
capacidade de operação especificado pelos fabricantes.
Disjuntores a õleo são usados como interruptores
de potência para circuitos em tensões médias, altas e extra
altas. Em intervalos de tensão mêdia/ tais disjuntores são
usados para serviços externos, onde condições atmosféricas
severas são encontradas. Eles também são usados para classes
de interrupção elevadas, especialmente em tensões entre 15
e 34,5kV. Disjuntores a õleo de alta tensão (AT)(classe de
34,5kV a 230kV) são, provavelmente, os mais comuns. Eles são
disjuntores econômicos e confiáveis para esta classe de ten­
são, são constituídos de um tanque repleto de õleo, com duas
buchas para conexão dos terminais ao sistema. Transforma­
dores de corrente de bucha fornecem um método conveniente e
barato para coletar sinais para os relês de corrente. Dis­
juntores para a classe de extra alta tensão (EAT) são usa­
dos em muitos sistemas de 345kV. As vantagens são fundamen­
talmente as mesmas dos disjuntores a õleo para alta tensão.

Disjuntores a gãs são comumente usados em aplica­


ções tanto em alta como extra alta tensão (138kV até 700kV).
Formas comuns de disjuntores a gãs incluem os disjuntores com
sopro de ar (comprimido) e a SF6. Estes são, geralmente, de
construção muito mais leve do que disjuntores a õleo, e os
mecanismos de operação são geralmente pequenos, resultando em
tempos de interrupção relativamente curtos. Os pequenos me­
canismos e espaçamentos elétricos dos disjuntores a gãs são
obtidos pela consideração da vantagem da alta rigidez die-
létrica do ar sob pressão muito elevada, 400 a 800 psi, e a
alta rigidez dielétrica do gãs SF6 sob condições nominais de
pressão (50 psi). Durante o processo de interrupção, parte
do ar sob alta pressão ê liberado para a atmosfera e,no pro­
cesso, força o desaquecimento e alongamento do arco. Sob tais
condições, tensões extremamente elevadas podem ser suporta­
das mesmo com espaçamento nominais de centelhadores. Em 230
kV, os contatos dos disjuntores plenamente afastados neces­
sitam de um espaçamento de somente algumas poucas polegadas,
frente às 20 ou 30 polegadas no ar, em condições atmosféri­
cas .

Disjuntores a vãcuo são o mais recente avanço da


técnica de interrupção de circuitos. Possuem a vantagem de
necessitar somente um pequeno movimento dos contatos, para
criar o isolamento deles, devido à alta rigidez dielétrica
do vãcuo. Os contatos devem estar contidos dentro de câmaras
sob vãcuo, tornando, então, virtualmente livre de contami­
nação nas proximidades do interruptor.

Estes disjuntores têm provado ter uma alta capaci­


dade de comportar milhares de interrupções sem degradação do
material dos contatos dos pólos. Disjuntores a vãcuo foram
comumente usados, primeiramente, em religadores de media ten­
são e, recentemente, em cubículos de manobra superiores a
34,5kV e provavelmente tornar-se-ão mais evidentes em apli­
cações de manobra em alta tensão. A dificuldade na aplicação
de disjuntores a vãcuo, em condições de alta tensão,é a ne­
cessidade de se usar vãrios interruptores em série com o pro­
blema conseqüente da divisão equânime do gradiente de ten­
são, ou aproximada, em cada interruptor. São usados, normal-
mente, como contactores em dispositivos de comutação em trans­
formadores .

Fusíveis são largamente usados em aplicações sob


tensões baixas até certos valores relativamente altos. Com­
parados aos outros dispositivos mencionados acima, o fusível
é o ünico que ê um dispositivo de interrupção súbita e
deve ser manualmente reposto para restaurar a operacionali-
dade do circuito. Hã um grande numero de fusíveis, cada um
com suas próprias características. Enquanto que os disjunto­
res geralmente usam um relê e um transformador de corrente
para detectar a corrente e fornecer o sinal de operação, o
fusível fornece sua própria função de detecção e interrupção.
Portanto, fusíveis usualmente têm características tensãoxteirpo
que devem ser coordenadas com outros fusíveise disjuntores.
Os fusíveis podem ser feitos com elementos metálicos siitples,
- 2
os quais derretem-se devido as perdas i R no material,ou por
formas mais exóticas, que podem ser molas sob tensão as quais
podem incluir mais de uma forma de interrupção inicializante.
A interrupção do arco dentro do fusível, geralmente resul­
tará no prolongamento e resfriamento do arco ou pela sucção
do mesmo para dentro de uma câmara que desgastara(produzin­
do ação resfriante) e produzirá um efeito desionizante noar-
co.

0 fusível limitador de corrente ê. um dispositivo


de interrupção único, que não aguarda por uma corrente nula
para obter interrupção, mas força a mesma a anular-se. O fu­
sível consiste de condutores de prata envoltos por areia. Quando
os condutores derretem-se há uma pequena quantidade de ar
ionizado na areia e esta própria não ê combustível. Isto re­
sulta em poucos ou nenhum plasma sustentado por ions. Adi­
cionalmente, o arco está em contato com a areia fria que de­
termina o desenvolvimento de uma alta tensão e,conseqüente­
mente, forçando a corrente para zero. A areia também der­
rete, formando uma substância tipo líquido vítrio e, com is­
to, resfriando o elemento vaporizado. Caràcterísticas de
projeto especiais são necessárias para proporcionar uma ação
que force a anulação da corrente rapidamente. Se correntes de
falta estão fluindo através de uma indutância, como normal­
mente está, o corte da corrente pode produzir tensões gran­
des L.di/dt no sistema. 0 fusível limitador de corrente po­
de ter capacidade limitada para interromper correntes da or­
dem de 1 a 3 vezes a nominal.

Chaves seccionadoras são comumente usadas para i-


solar uma porção de um circuito ou uma peça do equipamento.
Geralmente, chaves seccionadoras não têm capacidade de in­
terromper corrente (mesmo corrente de carga nominal de linhas
curtas ou barramentos) e, portanto, devem ser abertas somen­
te quando não há corrente na chave. Algumas seccionadoras tem
dispositivos de interrupção especiais, tal que a corrente ê
transferida, do circuito principal a ser desligado, através
de um braço com capacidade de corrente dotado de uma mola scb
tensão, a qual, abrindo rapidamente, provoca um alongamento
do arco que é facilmente interrompido. Este tipo de chave in­
terromperá uma quantidade limitada de corrente de carga,cor­
rente de excitação ou de magnetização de transformador. Em
uma instalação trifãsica, esta chave será operada em grupo.
Combinações de tipos de disjuntores - Varias com­
binações dos dispositivos acima são usados para condições de
manobra especiais. Alguns interruptores usam um pequeno dis­
juntor SF6 em série com uma chave de desligamento a ar, por­
tanto, permitindo a interrupção de correntes de falta peque­
nas pelo disjuntor SF6, com o subseqüente isolamento do cir­
cuito a ser feito pela chave de desligamento a ar. Freqüen-
temente, dispositivos de manobra de motores usam um inter­
ruptor com sopro magnético para correntes de manobra normais
do motor, mas usam um fusível limitador de corrente, em sé­
rie com este dispositivo, para interrupção de correntes de
falta. A combinação de fusíveis limitadores de corrente e de
disjuntores de baixa tensão são similarmente associados pa­
ra fornecer alta capabilidade de interrupção.

Disjuntores com câmara moldadas podem ser similar-


2
mente protegidos. A característica de permissividade I t do
fusível é menor do que a capacidade suportável I t do disjun­
tor. Ha muitas combinações de chaves de manobra de carga que
usam fusíveis em série para interromper correntes de falta.

III - DESCRIÇÃO DO MECANISMO DE INTERRUPÇÃO BÃSICO

Disjuntores de potência usam contatos orientados


mecanicamente para abrir ou fechar circuitos. Relês são usa­
dos para detectar corrente de falta e enviar sinais de ope­
ração para um disjuntor de potência. Estes sinais de opera­
ção atuam em mecanismos de atuação pneumática, elétrica ou
de mola, que disparam os contatos do disjuntor. No instante
da separação dos contatos, a corrente não se anula, mas, ao
invés, formai-se um arco de plasma que pode conduzir corren­
tes de falta onde somente uma tensão de arco relativamente
pequena decresce.

A tensão do arco é uma função não-linear da cor­


rente. Com a separação dos contatos, este arco plasmãtico,
então, continua a conduzir a corrente de falta até que ela
se anule. Vários mecanismos podem ser usados para alongar e
d e sa q u e c e r o a r c o , t a l que a in t e r r u p ç ã o possa ocorrer na c o r­
re n te n u la .

A. Mecanismo de in te r ru p ç ã o da c o rre n te

V á r io s f a t o r e s in flu e n c ia m o p ro c e s s o de in t e r r u p ­
ção da c o rr e n t e a n u la n d o -a , o p rim e iro sendo a s e p a ra ç ã o dos
c o n t a to s . T ip ic am en te, em d is ju n t o r e s a ó le o , os mecanismos
de c o n ta to são e s t r u t u r a s p esadas que não podem s e r a c e le ­
ra d a s rapidam ente e , p o r t a n t o , podem n e c e s s i t a r uma d uração
e q u iv a le n t e a v á r io s c i c l o s da fr e q ü ê n c ia do s is te m a , p ara
e s t a b e le c e r espaçamento s u f i c i e n t e p a ra e f e t u a r a permanente
in t e r r u p ç ã o do c i r c u i t o . Em r e la ç ã o aos d is ju n t o r e s de ó le o *
o.s d is ju n t o r e s a SF6 e a so p ro de a r podem ser projetados p a ra
n e c e s s i t a r somente uma pequena s e p a ra ç ã o dos co n ta to s,n o es­
ta d o de s e p a ra ç ã o p le n a e , p o r t a n t o , os mecanismos do con­
t a t o são muito menores. E s ta s e s t r u t u r a s de co n ta to menores
podem s e r rapidam ente a c e le r a d a s alcan çan d o uma co n d ição de
c o n tato s plenam ente a b e r t o s , em to rn o de um ou d o is c i c l o s .
I n t e r r u p t o r e s a vácuo também usam c o n ta to s re la tiv a m e n te le ­
v e s , p e rm itin d o r á p id a sep araç ão dos c o n ta to s . O segundo f a ­
t o r im p o rtan te na in te r ru p ç ã o ê a cap acid ad e de d e s lo c a r o
gas io n iz a d o , ou o u tro s m a t e r ia is do a rco p la s m ã t ic o , p a ra
f o r a dos c o n ta to s a b e r t o s , esp e c ia lm e n te no in s t a n t e muito
próxim o de c o rre n te n u la . Is s o ê freqüentem ente obtido em dis­
ju n t o r e s a ó le o , p e la u t i l i z a ç ã o de fo r ç a s magnéticas ou t é r ­
m icas a p a r t i r das p r ó p r ia s c o rr e n t e s de f a l t a ou fo r ç a s me­
c â n ic a s a u x i l i a r e s p a ra f o r ç a r o ó le o f r e s c o e n t re os con­
ta to s. D is ju n t o r e s SF6 e a so p ro de a r u t iliz a m o gás is o -
la n t e armazenado p a ra mover os p ro d u to s do a rc o a t r a v é s de
uma v á l v u l a de d is s ip a ç ã o . D is ju n t o r e s a vácuo devem depen­
d e r de um mínimo de m a t e r ia l de a rc o g e ra d o , bem como b l i n ­
dagens e l e t r o s t á t i c a s p a r a c o l e t a r o m a t e r ia l io n iz a d o ,n a v i­
zin h an ça dos co n tato s de se p a ra ç ã o . O t e r c e i r o a sp e c to im­
p o r ta n te do p ro c e s s o de in t e r r u p ç ã o e n v o lv e o r e s t a b e le c i­
mento da r i g i d e z d i e l é t r i c a , a t r a v é s dos c o n tato s do disjun­
to r, após a in t e r r u p ç ã o em c o rre n te n u la .
üm sistema de potência tem uma inerente taxa de
crescimento da tensão de restabelecimento após esta inter­
rupção. Métodos de cálculo da taxa de crescimento da ten­
são de restabelecimento serão discutidos em mais detalhes,a
seguir, neste Capítulo. A restauração da rigidez do dielê-
trico de um disjuntor pode ser uma função de um numero de
parâmetros, incluindo o grau de remoção dos resíduos do ar­
co ionizado, a temperatura do entorno nas vizinhanças dos
contatos, distância de separação dos contatos, bem como da
natureza estatística do fenômeno de descarga, como foi o ca­
so da descarga em centelhadores a ar, discutido no Capítulo
2. Devido ao movimento lento dos contatos típicos de dis­
juntores a óleo, o processo de interrupção pode ser conse­
guido em cada meio ciclo, por vários ciclos que os arcos re­
acendem provavelmente em menos do que 1/8 de um ciclo, apôs
cada ponto nulo de corrente mas, devido aos contatos estarem
continuamente movendo-se durante este processo, a última in­
terrupção é alcançada. Tipicamente, a interrupção com dis­
juntores a gãs ou vãcuo é alcançada em 1/2 a 1 1/2 ciclo da
freqüência.

Um fator adicional, que tem sido um problema em


disjuntores a óleo, resulta do que é chamado de "falta en­
volvida". Esta situação ocorre quando um disjuntor estã no
processo de interrupção de uma corrente relativamente peque­
na (tal como corrente de carga), produzindo um fraco arco no
óleo, entre os contatos do disjuntor. Se antes da completa
interrupção, uma falta ocorre no sistema, uma corrente de falta
elevada pode ser forçada através da coluna de arco enfraque­
cida. O resultado pode ser uma força explosiva na câmara de
interrupção, que pode destruir o disjuntor.

Esta discussão do comportamento físico de um pro­


cesso de interrupção mostra algumas das razões físicas por­
que uma simples chave seccionadora não pode ser utilizada pa­
ra interromper correntes elevadas. Primeiro, a taxa de se­
paração dos contatos é muito baixa, possivelmente necessi­
tando 30 ciclos, ou mais, para alcançar uma posição de aber­
tura plena. Segundo, não hã maneiras efetivas de alongar e
resfriar o arco plasmãtico para estabelecer a interrupção nu­
ma corrente nula e, terceiro, não hã mecanismo para restau­
rar uma rigidez dielétrica elevada, apõs a anulação da cor­
rente. Enquanto puder haver algum prolongamento do arco com
seccionadoras abertas, não hã mecanismo específico, como hã
nos disjuntores, o qual estã removendo mais energia a par­
tir do arco em um dado meio ciclo, do que o sistema de po­
tência estã suprindo ao arco. Então, mesmo se a interrupção
ocorre ocasionalmente, o arco freqüentemente escorvarã ou
reacenderá, devido â grande quantidade de gãs ionizado, ain­
da na vizinhança entre os contatos em separação, resultando
numa rigidez de restabelecimento do dielêtrico efetivamente
menor.

B. Tensão de restabelecimento do sistema apõs a interrupção

É aparente que quando um disjuntor estã fechado, a


tensão, através dos contatos, seja nula. Apõs a interrupção
de uma falta, a abertura do disjuntor terã de sustentar uma
tensão de circuito aberto de aproximadamente 1 p.u.. Os con­
tatos do disjuntor suportam facilmente este valor, entretan­
to, pode haver uma tensão transitória, através dos contatos,
maior do que 1 p.u., durante a separação dos contatos. A fo:r-
ma precisa, na qual a tensão, através dos contatos,vai a ze­
ro até a sua condição de estado permanente, ê comumente re­
ferida como tensão transitória de restabelecimento do sis­
tema. Em um sistema simples, esta pode ser uma oscilação se-
noidal ünica de alta freqüência, enquanto que, em um siste­
ma mais complexo, a tensão de restabelecimento pode ser com­
posta de um certo número de componentes. Tipicamente, o cál­
culo da tensão transitória de restabelecimento por meios a-
nalíticos requer a solução de uma equação diferencial de or­
dem elevada. Esta complexidade do problema tem motivado aos
Engenheiros de sistemas de potência a utilizar simples cir­
cuitos equivalentes aproximados no cálculo das taxas de res­
tabelecimento e, também, a confiar em estudos generalizados
do sistema e experiências prévias para estabelecer as neoes-
sidades médias de restabelecimento transitório dos disjun­
tores .

Os disjuntores são sensíveis aos vários aspectos


da tensão transitória de restabelecimento que ocorre no sis­
tema. Esta sensibilidade variará de um tipo de disjuntor pa­
ra outro e mesmo de um fabricante para outro. Mas, em ge­
ral, deve ser esperado que ao menos três partes da tensão
transitória de restabelecimento sejam significantes. Estas
são:

A. A taxa inicial de crescimento da tensão de restabe­


lecimento.
B. A taxa média de crescimento da tensão de restabele­
cimento.
C. O pico ou valor máximo da tensão de restabelecimen­
to .

Estes aspectos gerais da tensão transitória de res­


tabelecimento é mostrado na Figura4.01.

Figura 4.01

Transitório da tensão de restabelecimento

Um sistema simples pode ser usado para demonstrar


o cálculo da tensão transitória de restabelecimento,e apon­
tar a parte mais importante do fenômeno, sob o ponto de vis­
ta do disjuntor. Para este propósito podemos considerar um
problema de calculo da tensão transitória de restabeleci­
mento, num sistema composto de uma fonte indutiva, com uma
tensão constante atras desta fonte. Com a falta nos termi­
nais desta indutância achar-se-ia que a tensão de restabe­
lecimento idealizada seria um degrau de tensão que iria de
zero até o valor de pico da fonte de tensão, imediatamente,
após a anulação da corrente. Isto resulta porque a corrente
de falta ê indutiva e atraza a fonte de tensão de 90° e, no
instante de uma anulação da corrente, a fonte de tensão es­
taria em seu valor de pico. Mas, afortunadamente, nenhum sis­
tema pode ser construído com uma fonte indutiva perfeita. A
capacitância elementar dos enrolamentos do transformador, bar-
ramentos de transferência, buchas e divisores capacitivos con­
tribuem para que apareça uma capacitância de barra efetiva,
no ponto de falha. Esta capacitância de barra, apesar de po­
der ser mesmo de somente alguns poucos milhares de pico-farads,
pode influenciar substancialmente a taxa de crescimento da
tensão de restabelecimento nesta situação. A tensão não pode
mudar instantaneamente através de qualquer capacitância e , a
partir disto a taxa de variação da tensão, através da capa­
citância, ira ser proporcional à corrente que flui na capa­
citância. Neste exemplo, a corrente de excitação capacitiva
devera ser suprida através da fonte indutiva, resultando no
surgimento de uma tensão (1-cossenoidal) através da capaci­
tância. Isto ê, a tensão inicializa em zero e cresce como u-
ma função cossenoidal até 2 p.u. , como pode ser observado na
Figura 4.02 e, então, oscila ou evolui na freqüência natural
determinada pela capacitância efetiva e fonte indutiva. Nes­
te caso, a falta ocorre nos terminais do capacitor e a ten­
são de restabelecimento, através dos contatos do disjuntor,
iguala-se à tensão do capacitor, porque um dos contatos do
disjuntor esta conectado a um dos terminais do capacitor,en­
quanto o outro esta ligado ao outro terminal do capacitor,
porém aterrado. Vãrios métodos de calculo da tensão de res­
tabelecimento transitória do sistema serão apresentados em
problemas no final deste Capítulo.
DEFEITO

Figura 4.02b

Tensão de restabelecimento

IV - FATORES A SEREM CONSIDERADOS NO PROJETO DOS CONTATOS DOS DISJUNTORES

Os contatos dos disjuntores devem ser protegidos


da deterioração resultante da ação do arco voltãico. Normal­
mente, a separação dos contatos do disjuntor não estão sin­
cronizadas com a corrente nula em freqüência industrial e,
portanto, com a separação dos contatos, um arco é estabele­
cido entre os contatos, e a corrente de carga ê conduzida a-
travês do plasma resultante. Geralmente, esta tensão de ar­
co ê muito baixa, mas o aquecimento dos contatos, no ponto
onde o arco liga o contato aberto, pode erodir mesmo se for
de ligas de alta dureza. Para minimizar esta ação,forças mag­
néticas e térmicas são usadas para transferir o arco dos con­
tatos de interrupção para contatos de arco, os quais,então,
podem conduzir a corrente perigosa até que ocorra a inter­
rupção completa.

No fechamento, os contatos devem criar üm campo e-


létrico com a mínima resistência de contato, mesmo uma re­
sistência de contato próxima da nominal, sob condições da
corrente elevadas, podem causar aquecimento suficiente para
limitar a capacidade de interrupção do dispositivo. Vários
métodos podem ser usados para minimizar a resistência de con­
tato no fechamento. Comumente, uma ação corrediça é usada quan­
do se conduz a superfície dos eletrodos ao contato mútuo.

Os contatos devem ser especificados tanto para cor­


rentes momentâneas como para correntes de recondução. Este ê
um dos fatores importantes na avaliação das necessidades de
um disjuntor no fechamento. A corrente de pré-condução no­
minal é necessária para fechar os contatos sob uma falta.Se
os contatos conduzem num instante, antes, de estarem com­
pletamente fechados, a corrente resultante não deve produzir
a solda dos contatos ou outro dano que poderia retardar a
subseqüente interrupção da falta. A corrente momentânea no­
minal é necessária para assegurar que forças eletromecânicas
(as forças são proporcionais ao quadrado da corrente), re­
sultando mesmo durante o restabelecimento de correntes ple­
nas durante uma operação de fechamento, não deverão impedir
o disjuntor de fechar completamente, ou influenciar asubse­
qüente operação de interrupção. Um disjuntor fechado deve
suportar as forças geradas pelas correntes de falta, em pri­
meiro ciclo, que podem exceder sua capacidade de interrupção.

O projeto dos contatos é um importante fator no


comportamento de interruptores a vácuo. A composição e con­
figuração dos contatos dependem do tipo de serviço necessá­
rio. Um tipo de contato aceitável para manobras repetitivas
em baixas correntes (menor do que uns poucos ampêres), ê ge­
ralmente insatisfatório para altas correntes de interrupção.

V - O PROCESSO FÍSICO DA INTERRUPÇÃO

Fundamentalmente, o disjuntor compreende um par de


contatos metálicos, sendo um, móvel, e o outro, usualmente
estacionário. O circuito elétrico é completado pela condução
metálica com os contatos fechados. A interrupção do circui­
to ê iniciada com a separação física dos contatos metálicos.
Durante o período de separação, um arco ê formado entre os
contatos. Este arco compreende um gás ionizado em alta tem­
peratura, que continuará a conduzir a corrente da rede, até
que seja extinta de alguma maneira. Geralmente uma vantagem
é tomada nos pontos de corrente nula, que normalmente ocor­
rem na forma de onda da corrente da rede, naquele instante
do processo físico de interrupção em que ocorrerá uma mudan­
ça no plasma altamente condutivo, ou gás ionizado, dentro do
meio isolante. A existência do arco é paradoxal,uma vez que:

a) O circuito não está plenamente interrompido, até que


o arco seja extinto;
b) O arco comporta a função útil de prevenir o corte de
corrente que induz sobretensões, permitindo a dis-
sipação da energia indutiva da rede.

O problema do projeto associado com o processo de


interrupção é, portanto, não de evitar o arco,mas'sim de per­
mitir um envolvimento dos contatos do disjuntor, conduzindo
o arco até o instante de ocorrência de corrente nula e, en­
tão, provendo o arco da melhor maneira possível, para que
ocorra a mudança rápida de um meio altamente condutor para
um outro com isolamento igualmente eficiente. A caracterís­
tica do arco e de seu comportamento, no período crítico de cor­
rente nula e em torno desse período é uma função do meio, no qual
os contatos metálicos estão imersos, seja ele líquido, ga­
soso ou vácuo. O sucesso da execução do processo de inter­
rupção, como abordado acima, é somente possível como conhe­
cimento do comportamento dos arcos sob condições permanen­
tes e transitórias de temperatura, pressão e esforços elé­
tricos .

Características dos arcos elétricos

A condutividade elétrica do arco é uma função ex­


clusiva da temperatura. A Figura a seguir mostra a variação
da condutividade elétrica e função da temperatura em condi­
ções atmosféricas do ar.

3
T E MP E RAT URA 10 ORAUS K

Figura 4.02
Condutividade do ar

Este é um exemplo significanté da capacidade do


plasma de um arco de variar sua condutividade de varias or­
dens de grandeza, meramente como resultado da variação da
temperatura de um fator igual a dez. A velocidade com que
esta mudança pode ocorrer é um fator crítico no sucesso de
extinção do arco.

Para que ò arco exista, deve ser fornecida energia


para manter sua temperatura numa taxa igual ou superior à-
quela em que a energia ê perdida. Esta perda de energia ê
térmica, causada pela condução, convecção e radiação do ca­
lor do plasma. Durante o processo de arco, antes da anulação
da corrente, a condutividade elétrica do arco necessita ser
alta e as perdas térmicas ou condutividade térmica baixas com
corrente nula e imediatamente apés. A energia térmica do ar­
co deve ser imediatamente dissipada, de forma a alcançar ra­
pidamente o estado de condutibilidade elétrica baixa. Isto
significa que a constante de tempo térmica do meio do arco
deve ser menor, ou feita menor, forçando-se o resfriamento.
A constante de tempo têritiica ê definida como o tempo neces­
sário para reduzir a condutância do arco de um fator igual
a 1/e, pelo decréscimo da temperatura, supondo o fluxo de
corrente nula. Provavelmente, a melhor forma de descrever ou
entender o processo de interrupção como um todp ê considerar
separadamente o período que antecede â anulação de corrente
e aquele período em que ocorre e segue a corrente nula.

Produção e manutenção do arco

Com os contatos metálicos do disjuntor separados


fisicamente, o último contato que resta dissolve-se e eva­
pora, devido ao aquecimento Jòule. Isto inicializa o corte
do arco que permanece estável, tánto quanto as perdas tér­
micas de energia não superarem as perdas Joule da corrente de
arco. O gás ionizado ou plasma ê originado basicamente por
dois fenômenos ; um ê a dissociação das moléculas em átomose
o outro, ocorrendo em altíssimas temperaturas, é aionização
dos átomos, devido à colisão térmica. Esta ionização térmi­
ca resulta da colisão aleatória no gás aquecido de elétrons
que tenham sido acelerados num campo elétrico.

G arco, tendo sido estabelecido, pode ser dividi­


do distintamente em três regiões diferentes. Dentro de uma
distância muito próxima dó catodo e do anodo, ocorrem que­
das de tensão da ordem de 10 ou mais, até 30 volts, respec­
tivamente. Es tas regiões são conhecidas como regiões de "que­
da catõdica" e "queda anõdica". Entre estas duas regiões, o
espaço está ocupado pela coluna positiva ou plasma e, neste
o gradiente de potencial, ê razoavelmente uniforme. Os elé­
trons carregam mais de 99% da corrente total, dentro da re­
gião plasmática, mas esta porcentagem cai para aproximadamente
90% nàs regiões de queda anõdica e catódica. Nestas regiões
mais afastadas, a corrente de ions positiva deve aumentar des­
de praticamente zero no plasma, até um em torno de 10%. no
anodo e catodo.
A potência dada pelo produto da tensão de arco pe-
la corrente de arco ê dissipada pelo ambiente circunvi^i-
nho. Uma análise dos mecanismos diferentes de dissipação de
energia ê muito complexa.Condução, convecção e radiação são
os três fenômenos diferentes que envolvem a dissipação tér­
mica de energia.

Condução térmica, num plasma em alta temperatura,


deve-se à colisão entre os constituintes. Adicionalmente, a
energia térmica pode sêr transportada através ou apartir do
plasma, por um fluxo radial de átomos dissociados. O retar­
damento é causado basicamente pelo gradiente de temperatura
radial que existe no arco. Na presença deste gradiente' de
temperatura há um gradiente de concentração de átomos e mo­
léculas. Devido a estes gradientes, o grau de dissociação e
ionização não ê uniforme através do plasma e, daí , haver uma
troca de energia de uma parte do plasma para outra. Em ou­
tras palavras, é condução pelo transporte interno de energia.
A análise quantitativa da.perda.de calor pela condução é feita
de forma complexa, pelo fato de que as conduções pela coli­
são como pelo transporte da energia interna são, ambos, fe­
nômenos não lineares.

O efeito da convecção na interrupção do circuito ê


importante, de forma prática, em todas as operações de dis­
juntores que dependem do fluxo de gás ou de qualquer outro
tipo de auxílio para extinguir o arco. Quando um arco está
num campo com fluxo de gás, ê difícil separar as perdas tér^
micas de forma a separar os fenômenos de condução,convecção
e radiação. O fluxo de gás terá efeito na pressão do arco e
daí a perda por radiação, a forma do arco e a distribuição
da temperatura são afetados, resultando em variação nas per­
das por condução.

Outro efeito, dito turbulência do arco, é signi-


ficante sobre a distribuição da tensão do arco e contribui
para um aumento significativo na condução térmica. Até esta
data, entretanto, o efeito de turbulência tem desafiado as
previsões teóricas.

A radiação não ê um fator significante na dissipa-


ção da energia de um arco, em gases tais como o ar, nitro­
gênio ou hidrogênio, em pressões próximas a uma atmosfera. Em
altas pressões, entretanto, a radiação serã uma tarefa mais
significante. O processo de emissão mais importante, que ccn-
tribui para as perdas por radiação, são:

1) Banda espectral
a) quando as moléculas mudam de um estado de energia
para um menor, a diferença em energia ê emitida
como radiação.

2) Linha espectral
a) quando um elétron salta de um nível de energia
mais alta para uma de mais baixa, a diferença de
energia ê emitida como radiação.

3) Radiação contínua
a) quando um elétron é defletido por um ion, a ace­
leração causa a emissão de radiação. Similarmen­
te, a radiação aparece quando um elétron ê enla­
çado por um átomo ou ion.

Embora a radiação possa proporcionar uma iirportante


tarefa no diagnóstico e análise do plasma, não é muito im­
portante para interruptores de rede que operam em pressões
baixas ou moderadas. É suposto que haja um aumento na tare­
fa importante de dissipar energia en interruptores de alta
pressão, tais como disjuntores com sopro de ar.

0 mecanismo dominante de todos aqueles envolvidos


na perda de energia térmica do arco é o da condução. Entre­
tanto, a convecção e a turbulência no arco dirige uma tare­
fa significante na mudança da condutividade térmica efetiva
do plasma. Durante o processo da ocorrência do arco, uma ccn-
dutividade térmica baixa permite manter a alta temperatura
do arco, e, daí, a alta condutividade elétrica do arco. Is­
so ê consistente com as idéias de queda baixa do arco (isto
é, tensão), e ê necessário dissipar a energia indutiva da rede
antes da anulação da corrente.
Com a corrente aproximando-se de zero e o módulo
da corrente absoluta reduzindo-se, a energia do arco é cor­
rentemente reduzida provocando a queda de temperatura. É a-
gora desejável que a condutividade térmica do arco aumente
significantemente e, em conseqüência, a condutividade elé­
trica decresça. Quando a corrente nula ê alcançada, a ener­
gia térmica residual, dentro do arco, deve ser de forma a
prevenir a quebra térmica do espaçador (reignição).

Corrente nula e pós-arco

A interrupção do arco é, basicamente/ um processo


transitório, durante o qual o gás condutor muda dentro de um
meio isolante. O processo ê, então, uma função do tempo e,
como todo mecanismo de transferência de energia, terã uma cons­
tante de tempo. Estas podem ser calculadas e medidas para ar­
cos em diferentes casos. O melhor comportamento, ou a me­
nor constante de tempo ê obtida com SF6, sendo o ar o seguinte mais
próximo. Os constituintes separáveis do ar, tais como o oxi­
gênio, nitrogênio e dióxido de carbono, têm constantes de
tempo significantemente maiores.

Do ponto de vista prático, a constante de tempo ê


uma medida útil da capacidade do meio de restabelecer sua ri­
gidez dielêtrica, após a anulação da corrente. As constantes
de tempo menores do hidrogênio e do SF6 são as razões nas quais
SF6 e o óleo dos disjuntores são relativamente insensíveis pa­
ra a taxa de crescimento das tensões de restabelecimento.

Durante o período pós-arco, dois tipos de falhas são


possíveis. O interruptor pode falhar de modo térmico devido
a tensão de restabelecimento que aparece através do espaçá-
mento, e da corrente que pós-arco flui então,eventualmente,
a tensão do interruptor entrará em colapso. Este processode
ruptura ê lento e muitos microsegundos podem escoar antes do
arco estar completamente desenvolvido. Õ outro modo de falha
ê a do dielêtricô, onde ò còlapso de tensão ê muito rápido,
mas nenhuma corrente de prêLruptura pode ser detectada. Es­
te tipo de falha ocorre onde a taxa de crescimento
inerente da tensão de restabelecimento ê relativamente bai­
xa.

Abaixo de uma temperatura de 2.000° Kelvin, a ten­


são de ruptura é dependente, em princípio, da densidade e,
em menor escala, da temperatura. Acima deste nível, entre­
tanto, a tensão de ruptura cai com o aumento da temperatura,
e a ruptura pelo modo térmico é mais comum de ocorrer. Se a
ruptura ocorrer do modo dielétrico ou térmico, depende do
campo elétrico através do centelhador. No caso de rupturatér-
mica, muitos quilowatts de potência são alimentados através
de espaçamento, antes da falha. No caso de ruptura dielêtri-
ca, praticamente nenhuma energia ê alimentada através do gãs,
antes da formação de um arco. Tem sido achado que, no caso de
ruptura dielétrica, muitos elétrons de alta energia estão pre­
sentes no gãs. O numero destes ê puramente uma função do cam­
po elétrico que acontece de estar presente através do cen­
telhador. Isto, certamente, é influenciado pelo efeito di­
visor entre a impedância do sistema e a resistividade do gãs,
e ê um bom argumento teórico pará assumir uma interrupção per­
feita pelo interruptor e medida da capacidade da tensãode res­
tabelecimento, considerando somente a configuração do sis­
tema. Isto faz com que os detalhes de qualquer teste sejam
extremamente importantes.

O meio ambiente do arco e disjuntores, nitrogênio e ar

A figura a seguir mostra a variação da condutivi-


dade elétrica e térmica do nitrogênio, como uma função da tem­
peratura. O período de alta condutividade térmica, juntamen­
te com a rãpida taxa de variação da condutividade elétrica,
em torno de 7.000° Kelvin aparenta ser uma notável vantagem
para o uso do nitrogênio e ar e, desta forma para os disjun­
tores. Entretanto, numa temperatura de 5.000° Kelvin,ou mais,
a ionização ainda estã bem acima do seu nível normal e o gãs
ê eletricamente condutor.

Em baixas temperaturas, a baixa condutividade tér­


mica do oxigênio alcança seu mãximo e, então, serâ cpèracicnal
durante uma corrente baixa ou região de corrente nula.Traba­
lhando contra isto, entretanto, ocorre' o fato de que a ener­
gia de ionização do oxigênio é relativamente baixa, situan­
do-se entre 2.000°K e 6.000°K.

C O N O U T IV ID A O E
E L E T RI CA f
cm. S. U N IO A D E S x IO13
C O N O U T IV ID A O E

T É R M IC A K

W. ©i* 1 •K "*

T U R' A 10* *K -

Figura 4.03
Condutividade do nitrogênio

Disjuntores imersos em oleo

O óleo gera hidrogênio por decomposição térmica de


hidrocarbonetos. A condutividade térmica do hidrogênioé al­
ta e produz, daí, altos gradientes elétricos e finas colu­
nas de arco, com baixas constantes de tempo. A condução de
calor, devido ao transporte de energia dissociado e a rigi­
dez dielêtrica, entretarxto, são pobres, a menos que a pres­
são seja alta.

Hexafluoreto de enxofre (SF6)

Este tem vantagens que são marcantes. Primeira-*


mente, em baixas temperaturas, quando a produção de arco te­
nha cessado, a molécula SF6 necessita uma energia de ioni­
zação elevada e tem uma eletronegatividade forte. O nível de
condutividade térmica alcança um máximo em torno de 2.000°K
~e, 1
:
neste intervalo éte temperatura, -nem, SF6 , nem qualquer ra­
dical contendo fluoreto é ionizável. Os elétrons aparecem de-
vido* somente, a ioniização áe enxofre- livre; mas, pela re-
'Combii*ação deste com õ^tluoreto, em torno de 2:«000°K, os e-
létrons livres desaparecem instantaneamente, devido à con­
dutividade elétrica.

Em altas temperaturas, um plasma SF6 tem conduti-


vidades elétricas e térmicas elevadas e torna extremamente
baixos os valores da tensão de arco e potência dissipada. Em
altas correntes, entretanto, o arco em SF6 não se comporta
tão bem quanto o hidrogênio, porque as baixas perdas de po­
tência resultam em largas seções transversais de arco e gran­
des constantes de tempo, se o arco não é constrito pela con­
dução forçada.

Vácuo

O uso do vácuo como um meio.teoricamente, permite


alta rigidez dielétrica, pela inexistência de moléculas i-
onizáveis. Os primeiros experimentos mostraram o aparecimento
de arcos que não extinguiam-se, Isto era devido à liberação
da camada de gás monomolecular absorvida pelos eletrodos. Nos
dias atuais, a camada de gás pode ser evitada e o arco apa­
rece devido à vaporização do metal do eletrodo. Para eletro­
dos com baixa pressão de vapor, o arco pode ser instável em
valores de corrente baixos, e altas sobretensões podem ser
causadas pelo corte da corrente. Para eletrodos dé pressão de
vapor elevados; as densidades altas dè vapor do metal ocor­
rem, e as características inerentes do vácuo desaparecem. Em
intervalos intermediários da pressão de vapor, o arco do va­
por de metal atua com uma tensão de arco extremamente bai­
xa e rápido restabelecimento para uma rigidez dielétrica e-
levada.
VX - FINALIDADES DO CIRCUITO DISRUPTIVO
< Os parágrafos a seguir discutirão; brevemente os ti­
pos de compromissos de um interruptor,que resulta dos dife­
rentes tipos de manobra do circuito. Por exemplo, manobra de
carga, interrupção da corrente de falta, çhaveamento de ca-
pacitores e de correntes indutivas baixas.

Do ponto de vista de sistema, os conceitos físicos


envolvidos nas operações de manobra são fundamentalmente os
mesmos para qualquer tipo de disjuntor ou dispositivo de ma­
nobra de carga, mas cada um destes vários dispositivos podem
ser pro jetados p ara.comportar uma ou mais destas:funções mui­
to bem, enquanto é um pouco restrito.na sua capacidade de su­
portar outras funções de manobrai

A. Çhaveamento de carga

O çhaveamento de cargaê considerado como sendo o


tipo mais simples d e ■manobra a ser executado por um inter­
ruptor. Como mostrado a seguir, se supormos uma carga resis­
ti va, veriamos que a corrente de carga seria aproximadamen­
te em fase com a tensão interna, equivalente Thévenin, atrás
da impedancia equivalente do sistema.

Figura 4.04
Çhaveamento de carga
Por esta razão, mesmo com a interrupção de cor­
rente de carga (a extinção do arco nò plasma dum sistema com
corrente nula), a tensão instantânea no lado da fonte está
muito próxima.de zero. Se esta tensão esta próxima de zero,
no instante da interrupção, não hã mudança transitória da
tensão através da chave, neste instante inicial, e ela cres­
cendo através dos contatos abertos, teria uma forma, senoidal,
com freqüência em 60Hz. A tensão iria de zero ate 1. p.u. em,
aproximadamente, um quarto de ciclo ou 4.000 microsegundos.
Este crescimento relativamente lento da tensão de restabe­
lecimento, do pico de tensão de restabelecimento nominal de
1 p.u. e da corrente de carga típica .relativamente pequena,
que deve ser extinta pelo interruptor, contribuem para as
necesidades nominais de manobra do interruptor.

B. Interrupção da corrente de falta

O problema de interupção dé corrente de falta foi


discutido na Seção III. O maior problema no projeto de um
disjuntor, para interromper correntes de falta elevadas,é o
de prover meios para umá efetiva remoção da energia do arco,
entre os contatos separados, numa taxa maior do qúe pode ser
suprida pelo sistema Jenergia do arco = I ^ ^ ^ x(queda de tensão do
arco) |. As correntes de; falta elevadas fornecem energia su­
bstancial para o arco. Em adição à remoção da energia do ar­
co, numa taxa suficientè, tal que a interrupção possa ser en­
contrada numa anulação de corrente, é também necessário as­
segurar uma rãpida reconstrução da rigidez do dielêtrioo, a-
travês dos contatos dó disjuntor, imediatamente após a anu­
lação da corrente. Tipicamente, as constantes do sistema,que
permitem uma corrente de falta igual à capacidade nominal do
disjuntor, terão certas caraòterísticas típicas quê réául-
tam numa taxa de crescimento nominal dá tensão de •réstâbe-
lecimènto com um pico da ordem de 1,3 p.u.' Exemplos de tais
cálculos de tensões de restabelecimento serão encontrados na
seção seguinte.
C. Chaveamentp capacitivo

Pode aparentar .que qualquer dispositivo que pode


comportar uma interrupção de falta, tenha pouca ou nenhuma
dificuldade de manobrar correntes capacitivas simples, mas
isto não ê necessariamente o caso. Os problemas de manobra
de corrente capacitiva são duplamente envolventes. Primeiro,
a corrente é muito menor do que o correspondente módulo da
corrente de falta e, segundo que a tensão de restabelecimento,
através dos contatos do disjuntor, é completamente diferen­
te daquele que resulta da interrupção de falta. Primeiro,ob­
servemos o comportamento físico simples do problema, como se
pode ver na Figura 4.05.

Figura 4.05
Chaveamento de carga capacitiva

A corrente capacitiva avança a tensão do equivalente Thevenin


interna de 90°. Então, nas proximidades de uma anulação de
corrente, a tensão interna bem como a tensão no capacitor
são aproximadamente um mãximo. Quando a corrente é interrom­
pida neste ponto nulo, a tensão ê distribuída no capacitor e
iguala-se em módulo à fonte de tensão. Esta tensão permane­
ce como uma tensão CC no capacitor, enquanto que a tensão da
fonte continua numa onda senoidal em 6 0Hz e, meio ciclo mais
tarde, produz uma tensão de 2 p.u., através dos contatos da
chave. Se isto for um circuito trifásico, a tensão através dos
contatos pode exceder a 2,0 p.u., sob condições de manobra
capacitiva. Problemas de chaveamento capacitivo têm sido uma
situação particularmente difícil para disjuntores a oleo,
especialmente interruptores que requerem vários meios ciclos
de arco antes de interromperem as correntes de falta. As al­
tas correntes de falta produzem a reignição do arco, resul­
tando na interrupção final da falta, vários meios ciclos a-
põs a separação dos contatos, quando estes estão completa­
mente afastados. Os interruptores são capazes de interrcirper
a corrente capacitiva menor mais cedo. Então, a corrente ca­
pacitiva ê interrompida antes dos contatos terem alcançado
suficiente separação, para estabelecer uma rigidez dielêtrica
elevada requerida para suportar 2 p.u., ou mais, da tensão
de restabelecimento típica para chaveamento capacitivo. Em
tal situação, o disjuntor pode escorvar (veja os comentários
no Capítulo 1), resultando numa sobretensãd transitória e-
levada, após este escorvamento. Alguns disjuntores a óleo
têm sido conhecidos por escorvar um numero múltiplo de vezes,
numa operação de manobra capacitiva, ou queda de linha mo-
nofãsica. Tipicamente, disjuntores a gás (sopro de ar ouSF6)
e a vácuo têm uma capacidade de manobra capacitiva elevada,
resultando na sua rápida separação dos contatos, e incremento
rápido da rigidez do dielêtrico, para ultimar.plenamente sua
rigidez dielêtrica.

D. Chaveamento de,correntes indutivas

O chaveamento de correntes indutivas também pode


ser mais difícil para alguris interruptores, do que o chavea­
mento de corrente de falta.. As razões são muito similares
àquelas discutidas para chaveamentos capacitivos. Primeiro,
a corrente indutiva relativamente pequena é interrcnpida, antes
que a correspondente corrente de falta o seja (poucos ciclos
de ocorrência de arco) e, também, a taxa de crescimento da
tensão de restabelecimento ê muito maior, em geral, paracha-
veamento de correntes indutivas, do que para chaveamento de
falta ou de correntes capacitivas. No chaveamento de corren­
tes capacitivas, o pico da tensão de restabelecimento pode
ser alcançado em torno de meio ciclo da freqüência do sis­
tema, em 60Hz. No caso de chaveamento de correntes indutivas,
a tensão de restabelecimento pode ser da ordem de 2 p.u.,mas
tende a alcançar este módulo num tempo relativamente curto,
possivelmente dezenas ou centenas de microsegundos. Estes
curtos espaços de tempo para atingir o pico da tensão de res­
tabelecimento resulta numa taxa de crescimento muito eleva­
da. Este fenômeno pode ser melhor discutido em relação à F i ­
gura 4.06. Um ingrediente importante no calculo da tensão de
restabelecimento, num problema de chaveamento indutivo, é a
capacitância ocasional que esta efetivamente em paralelo com
a carga indutiva. Esta capacitância ocasional, mesmo apesar
de poder ser somente uns poucos milhares dé pico-farads,po­
dem substancialmente ditar o tempo de pico da tensão de res­
tabelecimento do sistema.

Figura 4.06
Chaveamento de carga indutiva

A carga indutiva produz uma corrente atrasada, tal que, no


instante de interromper a corrente no ponto de anulação da
mesma, a tensão indutiva está num pico de módulo, com a ca-
pàcitância em paralelo associada também ao pico de tensão.
Então, imediatamente após a anulação de corrente,teremos ten­
são nula nos contatos do interruptor. Após este instante, a
tensão do sistema estarã variando lentamente, na taxa nor­
mal, em 60Hz. A carga da pequena capacitância em paralelo com
a indutância tentara descarregar através do indutor, resul­
tando numa oscilação senoidal onde f = 1/2 tt / LC. Os valores
característicos típicos de um reator em derivação de alta
tensão e os efeitos da capacitância ocasional típica nos ter­
minais do reator (buchas, barras, etc.) podem resultar numa
mudança de polaridade da tensão reativa, em 500 microssegun-
dos, ou mais. Num sistema de 500kV, poderia resultar uma
taxa de tensão de restabelecimento da ordem de 2kV/microsse-
gundo, ou mais. Com uma taxa de crescimento da tensão de
restabelecimento tão alta, requer uma restauração muito rá­
pida da rigidez do dielêtrico através dos contatos abertos.

No caso de disjuntores a vãcuo e, ocasionalmente,


em outros tipos de disjuntores, um problema adicional pode
resultar na manobra de correntes indutivas. Se um disjuntor
é projetado para ser completamente eficiente na interrupção
de correntes, isto é, um dispositivo que forçasse a corren­
te para zero justamente antes da interrupção, um fenômeno de
corte de corrente poderia ocorrer. O disjuntor pode forçar a
corrente para zero, antes da anulação da corrente normal em
6 0Hz no indutor. Em tal caso, a energia magnética armazena­
da no reator deve ser descarregada através da capacitância
ocasional no terminal do reator. Isto ê, a tensão Ldi/dt tan­
to deve surgir para opor-se à ação de corte de corrente do
disjuntor, como deve forçar a carga através da capacitância
ocasional dos terminais do reator. Dependendo das constantes
do circuito, isto pode resultar numa tensão elevada no rea­
tor, maior do que 1,0 p.u. oscilante numa freqüência simi­
lar àquela calculada para interrupção numa freqüência natu­
ral de corrente nula. Esta ação de corte de corrente tanto
agrava a taxa de restabelecimento necessária para o disjun­
tor como também pode produzir surtos no reator e equipamentos
adicionais que poderiam ser danificados, especialmente se
tais equipamentos não estiverem protegidos por dissipadores
de surto.

A tensão de restabelecimento resultante do chavea-


mento de correntes indutivas pode resultar num arco prolon­
gado nos contatos do disjuntor. Isto é, a alta tensão de res­
tabelecimento pode escorvar ou reacender através dos conta­
tos do disjuntor, resultando num fluxo de corrente na chave,
a cada meio ciclo. Tais operações repetitivas em disjuntores
podem produzir impurezas no oleo, ditando, então, a maior fre-
qüência de manutenção do equipamento.

E. Interrupção de faltas em linhas de transmissão1cartas

Disjuntores a õleo têm necessitado, como carac^-


terística, de vários ciclos para interromper faltas e, devi­
do à natureza da interrupção em õleo, não têm sido particular­
mente sensíveis â taxa de crescimento da tensão de restabe­
lecimento nos primeiros microsegundos, apôs a interrupção da
falta. Disjuntores a õleo têm sido mais sensíveis ao modulo
do pico, da tensão de restabelecimento. Com o advento de dis­
juntores a gãs (especialmente disjuntores do tipo sopro de
ar), a tensão de restabelecimento de faltas em linhas cur­
tas é de maior importância. Em particular, disjuntores de po­
tência com sopro de ar podem ser mais sensíveis à taxa de
crescimento inicial da tensão de restabelecimento, mesmo que
esta taxa possa não ter um valor particularmente elevado em
modulo. Tal condição de taxa de restabelecimento pode ocor­
rer niím sistema que seja suprido por uma fonte com uma po­
tência de curto-circuito elevada, com uma falta a aproxima­
damente uma milha da subestação. Nesta subestação, a tensão
do equivalente Thêvenin deve cair através da impedância do
sistema equivalente Thêvenin e impedância da linha de trans­
missão entre o disjuntor e a falta (uma milha de linha de
transmissão tem aproximadamente 0,6 a l,0ft). Num sistema ccm
capacidade de curto-circuito muito elevada, a impedância da
linha de transmissão pode ser igual à maior parte da impe-
dância total, e portanto, a maior parte da tensão cairã a-
través da impedância da linha de transmissão. Isso ê mostra­
do no perfil de tensão da Figura 4.07.
FONTE INDUTIVA IMPE DÂNCIA DA LINHA

Perfil de tensão do sistema

No instante de anulação da corrente neste sistema, hãuma ten­


são distribuída na linha de transmissão, e o perfil desta ten­
são é de forma triangular, sendo um máximo no disjuntor e
nulo no ponto de falta. Para esta condição, a tensão de res­
tabelecimento através do disjuntor será uma combinação de
dois efeitos, isto é, a tensão de restabelecimento do lado
da fonte e a do lado da linha. A tensão de restabelecimento
do lado da linha produzirá uma oscilação de tensão de forma
triangular, no lado da linha do disjuntor e, comumente, a
tensão de restabelecimento, do lado da fonte, irá ser osci-
latõria ou exponencial por natureza. Isto resultará numa ta­
xa de restabelecimento similar àquela mostrada na Figura
4.08. A freqüência natural da oscilação triangular de ten­
são é ditada pelo tempo de percurso da linha entre o disjun­
tor e a falta. Para faltas nas proximidades do disjuntor,a
freqtiência básica de oscilação será maior, mas a impedância
efetiva em 60Hz é menor, resultando num pico da onda osci­
lante menor em modulo. Numa aplicação de disjuntores, o En­
genheiro deve considerar a taxa de variação da tensão,do mo­
dulo da tensão oscilante e as características do disjuntor
para determinar qual a taxa dé restabelecimento que causara
o mais severo compromisso na aplicação do disjuntor e, por­
tanto, nenhuma regra geral ou norma pode ser feita numa ma­
neira precisa de avaliar este problema.
TENSÃO DE RESTABELECIMENTO

Defeito em linha curta

Alguns disjuntores utilizam um resistor através dos


contatos abertos, para minimizar este compromisso de tensão
de restabelecimento para faltas próximas do disjuntor. Este
resistor, através dos contatos principais do disjuntor, a-
mortecè a tensão de restabelecimento e reduz tanto o módulo
como a taxa de crescimento da tensão. Este método de reti­
ficação do problema é completamente efetivo, mas requer um
contato adicional: para interromper a corrente no resistor. A-
dicipnalmente, o compromisso térmico, no resistor propria­
mente, deve. ser avaliado.

-F> Çhaveamento defasado

Ò chaveãmento fora de fase ocorre num sistema que


tende para uma condição instável; Se é necessário que o dis­
juntor abra, a separação se dã com as partes do sistema de­
fasados. O compromisso de interrupção do disjuntor deve ser
severo, mesmo se o disjuntor não esteja localizado próximo
ao centro elétrico do sistema. Isto é, porque a elevada ten­
são de restabelecimento de abertura no estado permanente de
2,0 p.u. resulta numa condição fora de fase.Adicionalmente,
a tensão de restabelecimento pode ter uma componente tran­
sitória orientando o pico transitório para 3,0 p.u.,ou mais.
Em adição à elevada tensão de restabelecimento na interrup­
ção, em condições fora de fase; íproblema esta composto por
uma corrente relativamente elevada, no instante de interrup­
ção. Tipicamente, a corrente ê menor que a nominal do dis­
juntor e maior do que a encontrada em chaveamentos de car­
ga ou, de corrente indutiva ou capacitiva. Uma especificação
típica para um disjuntor que pode estar sujeito, a este com­
promisso é que seja possível interromper, fora de fase, até
25% da corrente de interrupção nominal do disjuntor, com uma
tensão de restabelecimento permanénte dè 2,0 -p.u. alcançada
após uma sobrelevação transitória >de 25%.
PROBLEMAS

Problema 1;

Calcular a tensão de restabelecimento do disjun­


tor, para o sistema simples mostrado abaixo.

IMPEDÃNCIA N U LA OE FALTA

•■E.«Ntft

Solução:

Apõs a abertura da chave, para eliminar a falta,


a corrente da rede será descrita pela equação:

di _1_
e = E cos cot = L- idt
dt C

Considerando a transformada de Laplace para esta


equação, resulta:

E S 2 = SLI - L i + ( 1 >
S +U)

onde i e e são a corrente do indutor e tensão do capacitor


o o
no instante t = 0, ou seja, quando a chave abre.

Supondo que a chave abre com corrente nula,então,


a equação (1) se t o m a :
s I
E sLI +
2 2 sC
s +0)

assim

s _ sC
I(s) = 2 2 X 2
(sZ+w ) (sZLC+l)

se a tensão*de restabelecimento, através da chave, é obser­


vada pela V K (s) , no domínio de freqtiência complexa, então:

V r (s ) = 1 ( 8 ) ^

= E/LC ^ 2 )
. 2 , 2. , 2 , 2.
(s +0) ) (s +ü)2)

onde. (n =
2 LC

Considerando a transformada inversa, resulta:

(C O S O J t - C O S ü ^ t )
E
VR (t) LC 2 2 ( 3 )
(02 - (Ü

porque w2 a equação (3) será reduzida a:

V (t) - E(cosü>t - cos t) ( 4 )


R /LC

onde X^ >> X *
L ia

Comentário:

Esta solução mostra uma tensão de restabelecimento


que é aproximadamente igual à tensão orientada do sistema E
cosoot por uma função de alta freqüência cos t//LC, a qual é
uma função dos parâmetros L e C.

*N .T . : LC (w2 - oi2) = 1
Problema 2 ;

Determinar a tensão de restabelecimento para a


chave do Problema 1, usando a técnica de injeção de corren­
te.

Solução;

O artifício de injeção de corrente envolve a in­


jeção de uma corrente através da chave, igual e oposta à cor­
rente de falta que flui por ela. Isto faz com que a corren­
te total na chave se anule e, daí, simula-se um circuito a-
berto.

A solução da rede total para tensão com a chave a-


berta, era a soma para:

a) As tensões da rede sem injeção de corrente com a


chave fechada.
b) As tensões da rede com somente injeção de corrente
com a chave fechada.

A solução por corrente total serã similar.

Para este problema, a corrente de falta da chave


serã dada por:

E
i (t)
c ü)L = sencot
jE
i (s)
c L 2 2
s +0)

Observando através dos contatos da chave, a impe-


dância operacional total da rede serã dada por:

Z(s) = ---- ^ -----


C(s +1/LC)

No domínio da freqüência complexa, a tensão de res­


tabelecimento serã agora dada por:

VR (s) = Ic (s) Z (s)

_E______ 1__________ s
LC ,2^2, ,2 /Tr,v
(s +0) ) (s +1/LC)

a qual é a mesma da equação (2) do problema prévio.

Comentário:

A vantagem desta técnica ê melhor demonstrada on­


de sistemas de maior complexidade forem analisados. A com­
plexidade da solução ê significantemente reduzida.

Problema 3 :

Substituir a capacitância do problema por uma im-


pedância de surto de uma linha de transmissão, e encontrar a
tensão de restabelecimento usando a técnica de injeção de
corrente:

Solução:
A corrente de falta na chave ê dada por:

I (s) L ,2 2.
c
(s +Í1) )

Z .sL
Z(s) c
sL+Z

V r (S) * T " z '


L c
(s2+0)2) (s+a)

onde a = Z /L
c

No domínio do tempo:

EZ -at
C O S ( a ) t - l |l ) ae
v R (t) = - r 2 2
/(a2+w2) a +o)

-1
onde ip = tg
a)/a

Comentário;

O primeiro termo de solução é a tensão permanente,


a qual aparecerá através da chave, na posição aberta, e ê
simplesmente uma razão de impedância da função orientada.
1sto e ; -
j
—E
, fjZ / , i\
cos(a)t-ií;)
ç
i

/((z )2+ (x t )2)


C L

onde ip ê o ângulo de impedância total do circuito. .

O segundo termo é um termo transitório dc, decres­


cente exponencial, próprio da operação da chave, tendo cons­
tante de tempo igual a L/R
Problema 4 ;

Repetir o problema prévio, apôs reinstalar a ca-


pacitância*

Solução;

O circuito agora ê:
L --------------- *c
/«rmo
-------------- f 0 0 0 0 — ■1 • 0 o —

Slo

T /
= C

_ * E 1

L 2 2
S + (ü

A corrente total aparente dos terminais da chave ê, agorá,


uma combinação em paralelo de L, C e Z .

7 ,_x = _______s/C
{S) 1/LC+s(s+l/Z C)

Agora, Vr (3) IC (S) Z(s)

( 1 )
LC (s2+0)2) (s(s+ot)+$2)

onde
a = 3 = / m
Z C V LC
c

Modificando a equação (1) resulta:

E s
VR (s) LC ,2,2
(s^+oT) ( (s +-|-) 2 + y 2 )

onde:
T - /S2 - 2 '
Considerando a transformada inversa resulta:

[sen(ü)t+i(i1)+ i [(f)2+Y2]2'e 2 tsen(yt+H'2)]


VR (t) = r,,0L\2. 2 2 2 A ,a.\ 2 2 (2
LC
[((õ) +Y ^0) j 4 '2> ü) ]T

onde:
ao)
- ^ 1 — ,„,2,
ã- 2 2
(^) +y -ü)

-1 2y -1 aY
4»2 = tg -a - tg 2 2,Y\2
Y -u -(j)

Comentário:

A validade deste resultado pode ser testado peía


colocação de Z igual a 00, que ê feito no circuito, como no
Problema 1, se Z = «.
' c
Então, a = 0 e y = £. Substituindo em (2) redu­
zimos a equação a

sen (<ot+^) + sen ( + * 2>


VR (t) - LC
7 ± \ 2\
^ LC 10

TT
mas 1/1^ = tí/2
*2 2

assim:
[cosojt
E
VR ( t ) como na equação (3) do
LC
1 Problema 1.
LC

A solução ê basicamente aquela mostrada no Pro­


blema 1, mas agora o termo de freqüência alta ê exponencial-
mente decrescente, com uma constante de tempo igual a RC/2 e
ambas as componentes senoidais são defasadas em ângulos e
mõdulos modificados.
Problema 5 :

Determinar o efeito da corrente de corte, no ins­


tante de abertura da chave, para o circuito do Problema 1.

Solução:

Supondo que a corrente de corte estã sendo inter­


rompida no instante de anulação de corrente, então, a cor­
rente injetada será dada por:

i (t) = - — ^ — (sen(u)t -0)+sen0)


C 0) L

onde 0 = ± tt/2, dada pela corrente de corte plena. A trans­


formada serã

+E s. sen(9"ig))>cos9 sen0
Ic <s> - ü)L 2
+ 0) -]

A impedância operacional do circuito é :

Z(s) S/C
s2 + 1/LC

Agora, a tensão de restabelecimento, no domínio de freqüên-


cia complexa, serã dada por

V sl Ic (s).Z(s)

E s.sen(0-0)).cos0 sen0
ü)CL “ 2 “ 2
S +0) J s +1/LC

-E s o)cos9/C sen0/C sen0/C 1/LC


0)L
. (s2+0)2) (s2+l/bC) (s2+w2) ( s 2+1/LC) l/LC(s2+l/LC)

Após rearranjar e obter a transformada inversa no domínio do


tempo, a tensão de restabelecimento serã dada por.
VR(t) = ■2 1 cos(ü)t-0)-n/ (cos 20+o)LC sen20) °°s ~Y)J
k :(0)2- ^

/ 2 \ ^ t
cos(o)t-0)- «y/(oos 0+— — sen 0)cx>s(-^jr - y)
Xr
(ir-i)
c

onde y = tg -1 tg0

Comentário;

Este resultado ê similar ao Problema 1, onde a


componente de freqtiência fundamental ê modificada pela com­
ponente de alta freqtiência, que tem uma freqtiência igual â
freqtiência natural do circuito L-C. Se a razão X^/Xc é mui­
to pequena, então, a componente de alta freqtiência será pro­
porcional a cosfr ou grandeza do corte. A elevada componente
dc devido ao corte, minimizará a magnitude da freqtiência de
oscilação natural na tensão de restabelecimento transitório.
CAPÍTULO 5
BASES DO PROJETO DE
COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO

1 - INTRODUÇÃO

Há, certamente, uma alternância entre o comporta­


mento e o nível de isolamento tanto para um isolamento com
ar como sõlido. Quanto mais alto o nível isolante,melhor se-
rã a segurança ou comportamento do sistema. Entretanto, a
diferença fundamental entre o isolamento do ar e o sõlido é
que, neste ultimo, nunca seria permitido a descarga, ao pas­
so que, no primeiro, pode ser permitido, com a possibilidade
de sõ ocorrer uma interrupção temporária do fornecimento.
Em ambos os casos, os esforços de tensão no isolamento são
os mesmos ou similares; a diferença encontra-se na natureza
do isolamento. O processo de coordenação de isolamento com
isolante sõlido consiste em nunca permitir que os esforços
excedam a rigidez. Isso é acompanhado pela coordenação da
seleção dos níveis de isolamento básico (BIL) e de descarga
dos dissipadores de surto para os esforços máximos.

A coordenação de isolamento, tendo como isolante o


ar consiste da seleção de um comportamento desejado ou de ta­
xa de saída e, daí, coordenando os esforços e rigidez (com­
primento da cadeia de isoladores ou isolamento) para obter
o nível de comportamento. Esta coordenação é, por natureza,
um processo estatístico, tanto para os esforços como para a
rigidez, não tendo valores fixos, mas, sim, distribuídos den­
tro de um intervalo com qualquer valor, tendo uma probabi­
lidade definida de ocorrência. Distribuições típicas são mos­
tradas na Figura 5.01, onde a probabilidade integrada de es­
forços excede a rigidez e proporciona o nível de comporta­
mento.

O processo de estudo ê o de coordenar estas duas


distribuições em cada freqüência industrial, surto de mano­
bra e áreas de descargas atmosféricas, tal que uma taxa de
desligamento esteja associada. Isto pode ser acompanhado pe­
la redução da distribuição dos esforços ou, mais normalmen­
te, pelo incremento da rigidez. Uma alternância importante
é disponível quando a envoltõria do isolamento da cadeia é
especificado para um dado comportamento. Faz-se isso varian­
do o grau de isolamento da cadeia e observando os efeitos no
grau de comportamento, isto ê, permite determinar o gradien­
te de comportamento. Para surtos de manobra, a relação pode
ser mostrada como na Figura 5.02 (reproduzida da Referência
1, Figura 6), onde um aumento de 7% no comprimento da cadeia
(2,3 - 2,45m) traz um aumento de 1.000% no comportamento
(0,01 - 0,001 PFO). Tendo em perspectiva o custo total da
linha, toda a melhoria no comportamento pode ser detectado
como um correspondente incremento nominal no custo global da
mesma.

Métodos convencionais de especificação das dis­


tâncias não indicariam a sensibilidade deste gradiente e, pro­
vavelmente, especificariam distâncias de cadeias conserva-
tivas e desnecessárias. Estes métodos usualmente assumem as
piores condições do caso e podem ser usados para especificar
dados em condições de tempo locais, ou esforços do sistema.
Números típicos podem ser supostos nestes casos. A diferen­
ça nas duas aproximações pode ser grandemente associada ao
estudo de uma linha em projeto. Com base no pior caso, indi­
ca que a mesma pode estar sobredimensionada sem modificar a
distância das cadeias.

Quando a envoltõria de deslocamento da cadeia de


isoladores em cada área de comportamento tenha sido estabe­
lecida para satisfazer os Itens de comportamento seleciona­
dos , então, o projeto de coordenação pode ser determinado.
Geralmente, sõ uma ãrea de comportamento serã limitada e o
abrandamento dos Itens de comportamento pode permitir a re­
dução da cadeia de isoladores. Inversamente, os fatores de
controle do comportamento em outras áreas podem ser abran­
dados de forma que as distâncias das envoltõrias sejam coin­
cidentes. Isto poée ser economicamente desejável, de forma que,
por exemplo, resistências baixas de aterramento não sejam
necessárias. O ponto é que a alternância ê disponível entre
o comportamento e as distâncias de uma área de comportamen­
to e outra, bem como entre o comportamento e aqueles outros
fatores, talvez a distância que controla o comportamento.
A consideração destas preferências pode aumentar ou diminuir
o custo e o bom comportamento de um projeto de linha.

2. ESFORÇOS DE ISOLAMENTO

O meio isolante ê, na maioria dos casos, o ar. Em­


bora os conceitos descritos aqui apliquem-se igualmente bem
a qualquer meio isolante, serão concentrados no ar por ser
o mais popular meio (mais barato). As propriedades auto-res-
taurativas do ar permitem a descarga, sendo considerada co­
mo um parâjaetsjro de projeto. A linha pode, entretanto, ser
projetada para ter uma probabilidade finita de descarga e
esta aproximação ê facilitada pelo grande desvio das variá­
veis que afetam a rigidez do espaçamento de ar. Estas va­
riáveis têm uma característica onde elas não têm efeito so­
bre um certo nível e, apõs este, tenham um efeito de 100%;
dal, não haveria oportunidade de coordená-los para uma pro­
babilidade de descarga desejada.

O efeito do tempo na rigidez ê, primariamente, de­


vido à umidade, densidade do ar, chuva e vento. Estes todos
tem uma variação considerável, dependendo do local. A outra
variável principal é devido ao processo de ruptura do pró­
prio ar. Este processo ê controlado pela avalanche ionizada
do ar e depende da liberação de elétrons pelos ions,pelaoo-
lisão com outros elétrons. É, por natureza, um evento alea­
tório dependente da localização molecular, orientação,etc..
A probabilidade desta ocorrência obviamente incrementa com
o gradiente, mas, para qualquer gradiente dado, haverã uma
probabilidade associada de avalanche. Então, em qualquer ní­
vel de tensão dada, não hã certeza de descarga, somente uma
probabilidade. Este fenômeno tem um largo desvio e ê chama­
do de distribuição da rigidez de isolamento. Uma medida im­
portante da rigidez é o ponto médio (50%), onde o esforço de
tensão neste nível determinara a ruptura em 50% do tempo.
Esta ê a tensão crítica de descarga, conhecida como CFO.

2.1 Efeitos do tempo

A rigidez isolante relativa (RIS) relaciona o CFO


de um dado espaçador, sob condições climáticas determinadas,
com o espaçador com CFO sob condições climáticas padrões.
Isto permite que a rigidez do espaçador seja determinada em
qualquer condição de tempo, a partir de testes de laborató­
rio e sob condições climáticas padronizadas. O RIS é depen­
dente da umidade, da densidade relativa do ar e da chuva, e
é definido como:

CFO = CFO _ .RIS


PADRAO

onde RIS = KH.KD.KP

e CFO CFO
DADO

CFOpADR^Q = CFO sob condições padrões

KH = Fator de correção da umidade


KD = Fator de correção da densidade relativa de
ar
KP = Fator de correção de precipitação

As condições padrões de tempo são definidas como:


Fator de correção
Pressão do vapor 20 milibares (6"Hg) KH = 1
Pressãc barométrica 1013,2 milibares(29,92"Hg) KD = 1
Precipitação Nula KP = 1
Tenperatura de bulbo seco 25°C(77°F) ---
A agua tem um efeito ambíguo na rigidez de um es-
paçador de ar. Na forma de vapor de agua, ele tende a supri­
mir as condições de avalanche, devido a sua afinidade aos e-
lêtrons. Então, seu efeito no CFO é benéfico, como mostrado
(2 )
na Figura 5.03 , para vários comprimentos do espaçador. O
uso deste tipo de dados permite que o fator de correção da
umidade seja derivado da relação do RIS para qualquer com­
primento de espaçador dado.

A agua, na forma de gotícuias ou de chuva contí­


nua, tem um efeito oposto, geralmente reduzindo o CFO, es­
pecialmente nas cadeias de isoladores. Isso é, provavelmen­
te, devido ao efeito de distorção do campo elétrico. Os fa­
tores de correção para varias condições de precipitação ê
mostrado abaixo.

Condições de chuva Correção (KP) (3)


_____ (itity/h)_____

Nenhuma 0 1,0
Fraca < 2,5 0,98
Moderada 2,5-- 7,5 0,96
Forte > 7,5 0,94

Geralmente, o efeito da chuva não é significante na redução


do CFO, com a ocorrência de precipitação numa pequena por­
centagem do tempo, quando comparado com os efeitos seirpre pre­
sentes da (umidade/RAD).

A densidade relativa do ar (RAD) orienta a relação


da influência da ionização em potencial de um elétron livre
num gãs. Este elétron serã acelerado no campo, mas pode nun­
ca ser encontrada energia suficiente para ionizar outro ã-
tomo devido à colisão com ele, se esta constantemente coli­
dindo com outros átomos. Destas colisões, ele perdera ener­
gia na forma de radiação, ou poderá ser capturado. Então, com
o aumento da densidade de ar, o potencial de ionização de-
cresce, mesmo se a probabilidade de colisão aumente, dando
um efeito redutor do CFO. Este efeito ê ainda dependente do
comprimento do espaçador, como mostrado na Figura 5.04 (3) .

Desde que as condições de tempo variem considera­


velmente, dependendo da localização e altitude, ê muito im­
portante o uso dos dados locais. Desta forma, cada linha ê
observada pela sua localização particular, permitindo a ple­
na otimização do potencial da linha. Os parâmetros de clima
que podem ser usados são a pressão barométrica, temperatura
de bulbo seco, temperatura no ponto de orvalho e incidência
de chuva. O primeiro dos três é usado para calcular o RAD e
a pressão do vapor (VP). Uma relação importante, que foi ob­
servada, é que as variáveis acima não são independentes. Is-
-
to pode ser ilustrado pela referencia - Figura 5.05 (3) , que
a
mostra uma correlação definida entre RAD e VP. Então, quan­
do o VP é alto, o RAD tende a ser baixo, e vice-versa. A im­
portância desta interrelação é que, aumentando o VP, aumen­
tará o CFO, enquanto decrescendo o RAD, decrescerá o CFO.En­
tão, eles tendem a compensar um o outro com restrições à a-
nálise de uso das observações simultâneas de pressão e tem­
peratura.

A combinação de todos estes dados de clima produ­


zirá uma distribuição do RIS, como é mostrado na Figura 5.06.
Isso é típico e mostra um intervalo de RIS de 1,05, atê 0,78
com 0,9, sendo um valor médio típico.

O vento é outro valor climático que afeta os con­


dutores e provoca o balanço das cadeias de isoladores. Vis­
to que a distância crítica em relação ao solo está na torre,
é necessário relacionar a oscilação dos isoladores à velo­
cidade do vento. Fatores importantes na determinação do ân­
gulo de oscilação são o diâmetro do condutor, peso de mesmo
e relação entre a força horizontal e a vertical na cadeia de
isoladores. A força vertical é causada pelo peso do condutor
entre os pontos de distância mínima nas distâncias adjacen­
tes, e a força horizontal é causada pela ação do vento no con­
dutor para uma distância média em ambos os lados da cadeia de
isoladores. Com este conceito, ê claro que uma torre, no
alto de uma colina, experimentará menor oscilação dos iso­
ladores do que uma em um vale, suportando a mesma força do
vento.
Com arrazoado similar, o condutor com maior diâ­
metro e menor peso estará mais propenso a oscilar do que um
com relação menor de diâmetro para massa. Os dados de en­
trada, necessários para o cálculo das condições de oscilação,
são, portanto:

1. Vento
2. Razão das distâncias vertical para horizontal
3. Relação entre o diâmetro e o peso do condutor
4. Relação entre a velocidade do vento e o ângu­
lo de oscilação para as condições acima.

Os dados sobre o vento são disponíveis através das


estações meteorológicas, normalmente na forma de"minutos mé­
dios". A duração do período de medida é relevante, com ra­
jadas de vento tendo picos de duração menores do que um mi­
nuto. Também, rajadas de vento, embora elevadas em veloci­
dade, provavelmente serão mínimas em extensão e terão menor
influência na oscilação dos isoladores, do qiífe ventos de in­
tensidade menor, porém longos. Nesta área, uma maior pesquisa
seria desejável, mas, presentemente, médias de um minuto são
consideradas conservativamente adequadas.

A relação entre as distâncias vertical e horizon­


tal, e a razão entre o diâmetro e o peso do condutor são se­
lecionados a partir da consideração de balanço da linha e
escolha do condutor. 0 item remanescente necessário para o
ângulo de oscilação é a relação entre a velocidade do vento
e o ângulo de oscilação. Métodos tradicionais supõem valores
para fatores de obstrução e de incidência no cálculo da pres­
são efetiva do vento no condutor. Entretanto, esta aproxi­
mação é dependente dos valores assumidos para os fatores de
arraste e de intensidade. Valores de fatores de intensidade
podem estar em torno de 0,65 até 0,45. Adicionalmente q u a l ­
quer valor específico ê somente bom para uma dada velocida­
de de vento. Esta conclusão ê baseada em pesquisa (Referên­
cia 4) realizada em Hornesgrinde Test Site, Alemanha, onde
foi mostrado que rajadas de vento de alta velocidade tem lar­
guras estreitas, e vice-versa. Outra conclusão de Hornesgrinde
foi que condutores à sotavento, num enfeixamento, não estão
protegidos do vento incidente, como tinha sido suposto. Deve,
então, ser conservativo supor que o vento age igualmente em
todos os condutores num enfeixamento. A Figura 5.07, repro­
duzida da Referência 5, apresenta os dados de Hornesgrinde,
relacionando o ângulo de oscilação, para um vento com velo­
cidade média de um minuto, como uma função da razão diâme-
tro-peso e razão das distâncias vertical para horizontal.

Ao ângulo de oscilação do vento deve ser adicio­


nado qualquer deslocamento da cadeia de isoladores para qual­
quer ângulo da linha. 0 deslocamento estático da cadeia ê
uma função da tensão do condutor, bem como do ângulo da li­
nha e pode ser calculado por:

A 4. [—2T __ ,ângulo da linha


= Arctg h sen v 2

onde T ê a tensão final do condutor e W o peso do condutor.

2.2 Distribuição dos esforços de isolamento

Para um dado espaçamento de centelhador e tipo (haste-


plano, etc.), um certo numero de valores de rigidez podem ser
obtido. Foi obtido por testes que, para um dado esforço, hã
uma certa probabilidade de descarga.. Em outras palavras,de
um total de 100 testes sob as mesmas condições, somente uma
certa porcentagem poderá descarregar. Quando a porcentagem
ê de 50%, então, a tensão ê denominada tensão de descarga crí­
tica (CFO) . Aumentando a tensãó, esta produzira maiores des­
cargas, e vice-versa. A relação entre a tensão e a probabi­
lidade de descarga foi estabelecida como tendo uma distri­
buição normal com desvio padrão de 5% para surtos de mano­
bra.

2.3 Características dos espaçadores

A configuração de espaçadores mais concernente ê a


do braço ou da perna da torre ao condutor. A rigidez deste ti­
po de espaçador situa-se entre aquela de um centelhadorhas-
te para haste e haste para plano. As curvas de variação da
rigidez, como uma função do tipo de centelhador, forma de onda
e polaridade, foi mostrado previamente no Capítulo 2. Geral­
mente, um centelhador tipo haste para haste ê mais forte do
que um tipo haste para plano; centelhadores têm uma rigidez
a polaridade negativa mais potente do que à polaridade po­
sitiva, e são mais resistentes aos surtos de impulso do que
a sobretênsões de manobra ou em 60Hz. Então pode ser visto
que a rigidez do centelhador ê dependente tanto de suas ca­
racterísticas físicas como da natureza da sobretensão inci­
dente .

Para o trabalho de projeto é costumeiro supor que


todas as sobretensões serão positivas por natureza e usam as
relações de rigidez apropriadas em cada área de comportamen­
to. E sabido que os surtos podem ocorrer em ambas as pola­
ridades, mas, com as incertezas de condições no campo,o ocn-
servacionismo implica no uso de rigidez com polaridade po­
sitiva somente, sendo, portanto, apropriado. A forma de on­
da particular usada ê importante, como pode ser visto na Fi-
(3 )
gura 5.08 , a qual mostra a variaçao na rigidez de espa-
çador, como uma função da forma de onda do surto de mancbra.
O espaçador tem seu ponto mais fraco com um surto com fren­
te de onda de aproximadamente 175ys. Conseqüentemente, tal
tipo de onda tem sido utilizada na determinação da rigidez
do espaçador, como ê mostrado na Figura 2.13.

Tem sido determinado3 que a proximidade com outras


superfícies até o espaçador reduzir o surto de manobra CFO
do espaçador considerado, enquanto não necessariamente mudar
a localização da descarga. Isto torna a determinação da ri­
gidez total de uma janela da torre um procedimento difícil,
que com a influência de outras superfícies deve ser reconhe­
cido. As curvas, como as mostradas na Figura 2.13, são para
uma superfície perticular nas proximidades de outras super­
fícies. Então, pode ser possível determinar a distância ne­
cessária para a superfície em questão, supondo que as outras
superfícies sejam fixadas. Entretanto, a otimização das dis­
tâncias da torre reconheceria a interdependência das super­
fícies e permitiria que a janela da torre, como um todo, possa
ser otimizada.

Curvas de projeto para esta função não estão pre­


sentemente disponíveis, mas tratamento independente de cada
superfície permite uma estimativa conservativa de que o com­
portamento como um todo possa ser feito.

Uma vez que a rigidez de uma torre tenha sido de­


terminada e o PFO correspondente determinado, é necessário
calcular o PFO para toda a linha, no caso de surtos de ma­
nobra. Isso ê devido à natureza do surto de manobra, que im­
prime uma sobretensão ao longo de todo o comprimento da li­
nha. Esta ê completamente diferente das sobretensões atmos­
féricas, ou em 60Hz, onde a sobretensão estará numas poucas
torres, no caso de descarga atmosférica, e a torre com um
ângulo de oscilação extrema, no caso de surto em 60Hz.

Testes em espaçadores em paralelo tem sido executa-


dos :3 ) e estabelecido a lei estatística:

1 - d
PN = - P1)N

onde ê o PFO para n espaçadores


PN
é o PFO para um espaçador
P1
N ê ó numero de espaçadores.

Esta relação está traçada na Figura 5.09 (3) como


uma função do CFO e mostra a redução no CFO, como uma fun­
ção do numero de espaçadores e sua probabilidade de suportar.3

3. ESFORÇOS NO SISTEMA

A natureza dos esforços no sistema foi discutido


no Capítulo 1, com as Tabelas I ell sumarizando os módulos a
serem esperados nas várias condições. Entretanto, quando u-
samos uma aproximação estatística, a distribuição das sobre­
tensões é de importância primeira. Isso é especialmente uma
verdade para o comportamento do su^to de manobra, onde, de­
vido â natureza do fenômeno, a aproximação estatística é par-
ticularmente relevante.

No caso de descargas atmosféricas, a sobretensão ê


confinada a uma ou poucas torres, e a distribuição de sua
magnitude ê largamente dependente da distribuição da corrente
de descarga e da forma de onda. Estas distribuições são in­
dependentes dos parâmetros do sistema e são baseados em ci­
ma de dados empiricamente obtidos. Estes estudos determinam
a distribuição de surtos para cada sistema e não são, neces­
sariamente, como elas são, no caso de surtos de manobra.

Sobretensões em freqüência industrial são geral­


mente confinadas às condições de falta. Também as distâncias,
quando a cadeia de isoladores estâ em repouso, são determi­
nadas pelos surtos de manobra ou atmosféricos, em virtude de
seu módulo. Então, sobretensões em freqüência industrial tor­
nam-se concernentes quando distâncias são consideravelmente
reduzidas, mesmo em condições naturais de extremo vento. Es­
ta hipótese não ê considerada sob condições de surto, devi­
do a probabilidade extremamente remota dos dois ocorrerem si­
multaneamente. Pela mesma forma, sobretensões de falta em
60Hz possam ser descontadas. Entretanto, tensões normais em
freqüência industrial estão sempre presentes e a considera­
ção de condições extremas de vento ê apropriada. Pela sua
natureza, tensões em 60Hz não têm uma distribuição signifi-
cante de módulos, mas, normalmente, em casos de estudos,uma
sobretensão de 5 ou 10% ê considerada para contar com va­
riações mínimas.

Uma distribuição típica de sobretensões de surto


de manobra ê mostrada na Figura 5.10, obtida a partir de es­
tudos digitais ou analógicos. A distribuição é quase normal,
com as áreas superior e inferior truncadas pela ação dos dis-
sipadores de surto, no primeiro caso, e tensões normais em
60Hz, no ultimo cáso. Freqüentemente, a distribuição pode
ser suposta, sem trabalho de pesquisa, pelo conhecimento do
surto de descarga de manobra máximo do dissipador, e arbi­
trariamente suposto igual a 1,2 p.u., como limite inferior.
Os valores probabilísticos são também supostos, e esta apro­
ximação darã uma indicação adequada do comportamento.

4. COMPORTAMENTO EM FREQÜENCIA INDUSTRIAL

O comportamento do chaveamento de linhas de trans­


missão em freqüência industrial consiste de duas considera­
ções: a primeira sendo a rigidez dos isoladores em tensão de
freqüência industrial, sob condições de contaminação, e a
segunda sendo a distância do condutor à torre, sob condições
extremas de oscilação sob vento. A primeira ê, normalmente,
o ponto de partida numa analise do isolamento e serã trata­
da primeiramente. Em ambos os casos é apropriado considerar
somente tensões em freqüência industrial. A probabilidade de
uma ocorrência de surto de manobra, no instante de oscilação
extrema, devera ser discutido. Similarmente, para condições
de contaminação, resultados experimentais, têm mostrado que,
afora uma probabilidade estatística muito baixa de ocorrên­
cia de surto de manobra, no instante de falha de potencial,
por contaminação, os isoladores, que estão muito próximos da
descarga em freqüência industrial devido a contaminação, po­
dem sustentar surtos de manobra, sem aumentar a probabilida­
de de descarga por contaminação.

4.1 Comportamento sob condições de contaminação

As técnicas para determinação quantitativa das con­


dições de contaminação de uma linha estão ainda num estado
relativamente primitivo. A vasta quantidade de pesquisa fei­
ta neste problema tem sido dirigida para a previsão de des­
carga nas cadeias de isoladores cujos estados de contamina­
ção estão cuidadosamente definidos em laboratório. A outra
metade do problema tem somente recebido um estudo cursivo,
isto ê, a previsão do estado de contaminação do isolador,co­
mo uma função de fatores envolventes.

A dificuldade na previsão do comportamento da con­


taminação ê composto por variações extremas em ambos os pa­
drões climáticos vistos para varias linhas e a natureza e
quantidade de poluição nas varias ãreas. Estas dificuldades
não suportáveis, fazem com que exames muito generalizados,
tenham conduzido a regras que determinam o numero de unida­
des isoladas, dando, geralmente, comportamento satisfatório.
Mesmo estas regras devem ser cuidadosamente interpretadas
como aplicação ao projeto geral de uma linha, reconhecendo-
se que em localizações específicas (por exemplo, próximo a
fábricas, áreas costeiras, etc.), a contaminação adicional
ocorre, requerendo o uso de tipos diferentes de isoladores,
programas de lavagem ou lubrificação.
As Tabelas I e II da Referência 6 mostram
as definições do IEC das ãreas de poluição, e recomen­
dam distâncias das correntes de fuga requeridas para su­
portar, em cada uma das categorias poluidoras. Por exemplo,
supondo que tenha sido estabelecido que a maior parte do tra­
çado de uma linha esteja dentro de uma área "não poluída", a
distância para as correntes de fuga, nesta categoria, é de
2,3cm/kV eficaz e, portanto, o numero de isoladores neces­
sários para uma linha de 500kV pode ser calculado a partir
de:

N = — - U- . f = 2 3,95 (24)
/T 30' 5 —
Em 10%, a sobretensão em 60Hz pode ser suposta que o cál­
culo ê baseado no tamanho padrão de isoladores 5,75 x 10 po­
legadas, com 12 polegadas (30,5cm) de distância para o cami­
nho da corrente de fuga.

Um outro* efeito que poderia ser observado ê o efei­


to da saturação com o aumento da cadeia de isoladores em em
níveis baixos de contaminação, então, isto deve ser cuida­
dosamente aplicado na determinação da rigidez por isolador
num modelo linear.

Talvez o aspecto mais importante do projeto em con­


dições de contaminação ê o efeito da possibilidade de mudan­
ças na configuração de isoladores ou tipo. Um grande número
de testes em laboratório tem sido feitos para comparar a ri­
gidez.relativa sob condições de contaminação de isoladores,
numa orientação vertical, horizontal e diagonal ( por exem­
plo, cadeia em V). A despeito das comparações de laborató­
rios serem inconclusivas, um grande numero de companhias de
energia elétrica sugerem, baseado nas experiências opera­
tivas, que existe vantagem na utilização de cadeias em V,
em ãreas de contaminação. Alguma corroboração desta vantagem
demonstrada em serviço tem sido obtida em testes externos. A
maioria dos investigadores, entretanto, conclüem que a van­
tagem da cadeia em V sobre a horizontal é devido à melhoria
da lavagem dada nos isoladores durante a ocorrência de chu­
vas naturais, do que na melhoria da rigidez para um dado es­
tado de contaminação. Atualmente, a vantagem das cadeias em
V, no comportamento de contaminação, ê provavelmente limi­
tado por circunstâncias onde a largura direta é um fator im­
portante na justificativa da disposição 3-V e onde chuvas pe­
riódicas reduzem a deposição, por longo tempo, dos contami-
nantes. Na maioria dos casos, a vantagem de uma cadeia em V
ê limitada pela fase central, sendo muito cara para justi­
ficar uma estrutura 3-V. Além disso, onde longos períodos
secos podem ser esperados, a vantagem da lavagem pode nunca
ser necessário a sua execução.

Supondo que uma disposição 3-V não seja economi­


camente justificável em outras regiões, não é reoonendada co­
mo recurso de projeto possível, somente por motivos de con­
taminação.

Tem havido grande influência do contorno do iso-


lador, no que diz respeito ao comportamento em condições de
contaminação. Desde a introdução primeira de unidades do "tipo
neblina", uma larga variedade de saias de isoladores tem si­
do introduzidas na tentativa de melhorar o comportamento sdb
contaminação. Em anos recentes, um grande número de labora­
tórios tem executado experências extensivas comparando for­
mas alternativas de isoladores, e tem confirmado que melho­
rias significantes tem sido encontradas pelo uso de unidades
com longos caminhos de correntes de fuga. Algumas unidades
têm sido projetadas com cerca de 50% de distância de percur­
so da corrente de fuga, a mais em relaçao à unidade padrão.

Entretanto, à exceção de condições muito extremas


2
de contaminaçao (excedendo em cerca de 0,lmg/cm de NaCl), o
ganho na rigidez de isolamento ê um pouco menor que a razão
das distâncias das correntes de fuga. Experimentos têm mos-
^ 2
trado que, num nível de contaminaçao da ordem de 0,05mg/cm,
as unidades com grande distância para as correntes de fuga,
mostram uma vantagem de aproximadamente 20% sobre as unida­
des com distâncias padrões para o mesmo comprimento total da
cadeia de isoladores.

Os resultados experimentais acima indicam que uma


redução de 20% no comprimento da cadeia de isoladores pode-
ria ser melhorada pela mudança para unidades com elevadas dis­
tâncias de circulação das correntes de fuga, sem arriscar o
comportamento da linha. A substituição por unidades com ele­
vadas distâncias de fuga prediz, certamente, uma vantagem no
custo total da estrutura. Esta vantagem tornar-se-ia signi-
ficante, ou evitaria outras considerações para a adoção ló­
gica de unidades com elevadas distâncias de fuga; elas se­
riam, no mínimo, consideradas para a substituição por uni­
dades normais, em áreas sujeitas a altos níveis de contami­
nação.

Uma inovação mais significante no projeto de iso­


ladores esta fluente no estágio de prova e teste. Isto é, o
isolador com resistência estabilizada usa uma superfície vi-
trificada condutora para provocar uma corrente de fuga con­
tínua que circula na superfície do mesmo. O efeito desta cor­
rente é de duas formas:

1. O calor gerado em cada isolador inibe a condensação


da mistura, durante a ocorrência das diversas con­
dições climáticas onde a taxa de incidência de chu­
va ê menor do que a necessária para lavar a super­
fície dos isoladores.
2. A resistência auxilia no estabelecimento do gradi­
ente do isolador, de forma que a queda de tensão se­
ja uniforme em cada unidade.
Os primeiros resultados mostram vantagens da ordem
de 2:1 sobre as unidades padrões, em termos dos comprimentos
necessários para uma dada tensão e estado de contaminação.

As perdas numa unidade estabilizada são, em geral/


da ordem das perdas por corona normal/ e não apresentam con­
sideração econômica significante na avaliação destas unida­
des.

4.2 Condições de oscilação extrema

Com cadeias de isoladores livres e condições ex­


tremas de vento/ em que ocorrem ângulos de oscilação severos/
a rigidez da distância isolante (condutor-torre) pode ser
reduzida para um nível menor do que o de descarga em 60Hz.
Tal condição ê normalmente expressa em termos de intervalo
de recorrência media (MRI) da descarga em freqüência indus­
trial. 0 MRI corresponde a uma probabilidade anual de ocor­
rência de vento extremo. Por exemplo/ uma a cada 50 anos. Des­
de que um temporal cause um vento extremo, podendo ocorrer
nas proximidades de uma linha por um longo período, pode tor­
nar-se impossível reenergizar a linha durante a duração do
temporal. Ê, então, importante determinar a máxima veloci­
dade do vento que pode ser esperado num dado período e o grau
do ângulo de oscilação que este vento pode causar.

O cálculo do ângulo de oscilação foi discutido pre­


viamente quando da análise das condições climáticas, e tudo
aquilo ainda permanece no cálculo da distância de isolamen­
to necessária. Novamente, supondo uma linha de 500kV e uma
sobretensão de 10%, o máximo esforço em 60Hz será de 450kV
(550x/2//J) . Supondo uma rigidez de isolação relativa (RIS)
de 0>76 e desvio padrão (a) de 2%, e uma suportabilidade de
3a abaixo da tensão crítica de descarga (CFO) épossível cal­
cular o CFO necessário para suportar um esforço em 60hz, dado
pela relação abaixo:

CFO (1 - 3 x 0,02) x 0,76 > 450kV


/. CFO > 630kV
A Figura 2.05 mostra que a distância de isolamen­
to necessária para uma sustentação em 60Hz seria igual, ou
superior, a 45 polegadas (1,15111) . Esta distância ê aplicada
com ângulos de oscilação apropriados para determinar as dis­
tâncias de isolamento adequadas.

O desvio padrão de 2% para a rigidez em freqtiência


industrial tem se mostrado valido a partir dos testes, mas,
com o objetivo de prevenir quaisquer descargas dentro do MRI,
é somente usado para determinar o nível suportável. A inte­
gração com a outra distribuição (RIS) não é apropriada pela
mesma razão.

5. COMPORTAMENTO DO SURTO DE MANOBRA

A previsão da descarga por surto de manobra no i-


solamento de uma linha de transmissão não ê, geralmente,co­
nhecida como uma aplicação das técnicas probabilísticas .Sur­
tos de manobra têm, propriamente, uma distribuição probabi-
lística, tal como a rigidez de isolamento da própria linha.
Uma variável estatística importante, no último caso,ê a ve­
locidade do vento que pode reduzir a distância de isolamen­
to entre os condutores e a torre pela produção do ângulo de
oscilação. Uma discussão completa deste problema profoabilís-
tico ê dado nas Referências 7, 8 e 9. Uma discussão do sig­
nificado destas hipóteses é dado na Referência 1.

Em adição às distribuições de surtos de manobra,


rigidez de isolamento e velocidade do vento, ê necessário
determinar a distribuição da rigidez relativa do isolamen­
to (RIS) para a zona da linha. Outros dados de entrada ne­
cessários são a geometria da torre (incluindo ã largura das
superfícies), razão diâmetro/peso do condutor, razão das dis­
tâncias vertical/horizontal e dimensões dos equipamentos.To-
dos estes fatores já foram previamente discutidos. O ocxrpor-
tamento do surto de manobra ê calculado pela comparação da
rigidez com os esforços para todas as combinações de distri­
buições. A probabilidade de descarga (PFO) para cada combi­
nação ê obtida,e a probabilidade integrada para cada super­
fície e para toda a linha poderã ser calculada. Estas pro­
babilidades são conservativas por natureza e, atualmente,com
PFO significantemente baixos podem ocorrer.

6. COMPORTAMENTO DA DESCARGA ATMOSFÉRICA

O comportamento do desligamento dé uma linha de


transmissão por descarga atmosférica ê influenciado por um
grande número de fatores, muitos dos quais sem interrelação
com o nível prõprio de isolamento da própria linha. Os fa-,
tores que influenciam este comportamento sob descarga são:

1. Freqüência de descarga do surto


2. Forma de onda e módulo da descarga
3. Geometria e altura da torre
4. Angulo de proteção dos cabos guarda
5. Isolamento e distâncias isolantes
6. Comprimento do vão
7. Tensão do sistema
8. Tipo da torre
9. Resistência do pé da torre e características do solo
10. Blindagem natural da linha por arvores e terreno.

O comportamento do desligamento devido à descarga


atmosférica pode ser considerado em duas partes. Falhas de
blindagem (isto é, incidência direta de descargas nos con­
dutores de fase) são quase inteiramente uma função da altu­
ra da torre e do ângulo de blindagem, e relativamente inde­
pendente do nível de isolamento, resistência de aterramento,
etc.. As chamadas "descargas secundarias"à por outro lado,
são causadas por descargas que são interceptadas com suces­
so pelos cabos de cobertura ou torres, mas que resultam em
descargas devido a tensão induzida resultante através da ca­
deia de isoladores. Neste caso, a probabilidade de descarga
é uma função muito complexa dependente das características da
descarga, comprimento dos isoladores, geometria datorre, com­
primento do vão, resistência do pê da torre e tensão instan­
tânea em freqüência industrial.

Observa-se que o comportamento da descarga ê di­


retamente proporcional ao nível de atividade dos surtos at­
mosféricos. Estes estão usualmente descritos em termos de
níveis isocerãunicos, isto ê, o número de dias em cada ano,
no qual as descargas atmosféricas são mais violentas. Esta
medida ê reconhecidamente inadequada, mesmo se escrupulosa-
mente observado pelas estações meteorológicas. Um dia comper-
turbações atmosféricas intensas e de longa duração ê trata­
do da mesma forma que um dia onde ocorra uma descarga ele­
vada, porém isolada. Esta inadequacidade ê devida a forma mui­
to casual de registro, por parte de muitas estações meteo­
rológicas. Por estas razões, o comportamento das descargas
atmosféricas conhecidas, numa linha existente numa dada ã-
rea, ê uma melhor avaliação da intensidade de perturbações
atmosféricas, do que os níveis isocenrãunicos, indiferente a
quanto escrúpulosamente foi medido.

6.1 Falhas de blindagem

A necessidade do emprego de cabos de terra para


blindagem pode ser ilustrado pela consideração das tensões de
impulso geradas nas correntes de fase, na ocorrência de uma
falha de blindagem. Para um valor típico de impedância de
surto de 300fi, e uma corrente de descarga de 20kA, uma onda
de módulo de 3.000KV (IZ/2) incidira no isolamento em cada
lado do ponto de descarga. Com 24 unidades isoladoras pa­
drões, a tensão impulsiva crítica de descarga ê de aproxi­
madamente 1.800kV. A probabilidade de ocorrência deste mó­
dulo de corrente ê da ordem de 85% (Referência 3). Então,po­
de ser visto que, sem.a blindagem, uma elevada porcentagem
de descargas incidira na linha podendo produzir surtos de
tensão.

É impossível localizar os cabos guarda, tal que se


tenha a confiança de que não haverã falhas de blindagem. En­
tretanto, eles podem ser cuidadosamente localizados, de for­
ma que as descargas atmosféricas sejam minimizadas. Devido
â natureza da descarga atmosférica, uma correlação entre a
atividade meteorológica e a taxa de saída da linha esta ain­
da sujeita â opinião de muitos pesquisadores, e diferenças
na previsão das taxas de saída atuais igual a 2:1, ou supe­
rior, não são incomuns neste sentido, A necessidade básica
ê para maiores dados no mecanismo de descarga atmosférica
que é difícil armazenar, devido à notória inconsistência da
natureza da descarga. Os últimos e mais compreensivos dados
presentemente disponíveis provêm do Projeto Pathfinder
Baseado nestes dados, um modelo analítico foi criado para
previsão de falhas de blindagem. Este modelo foi baseado no
conceito de distância crítica de descarga, onde esta distân­
cia foi suposta como sendo uma função da corrente de descar­
ga:

rg = 6,7 x I®'® (metros)

A conjugação da amplitude de descarga e a exposição


dos condutores de fase têm produzido gráficos que dão as ta­
xas de desligamento para vários níveis de isolamento de li­
nhas, ângulos de blindagem e para densidade de descargas da
ordem 10/milhas quadradas/ano. Conhecendo o nível isoceráu-
nico (I) a densidade de descarga pode ser calculada pela re­
lação

N = K.I

onde 0,25 < K < 0,5. Com estes dados ê possível predizer o
comportamento da blindagem de uma linha.

6.2 Descargas subseqüentes


A taxa de desligamento por descargas subseqüentes
pode ser calculada usando-se programas como os descritos an­
tes. Desde que haja um amplo grau de incerteza em relação
às características dos dados de entrada, por exemplo, distri­
buição da corrente de descarga, etc. e à resposta do siste­
ma às descargas, poderá haver erros de mesma magnitude como
na previsão das taxas de desligamento por falhas de blinda­
gem.
Entretanto, as técnicas de previsão podem, com su­
cesso, dar as taxas relativas de comportamento e indicar o
melhor decurso de um projeto a ser seguido..

7. SELEÇÃO DO CRITfiRIO DE COMPORTAMENTO


Como indicado previamente, o gradiente de compor-
tamento/eliminação da falta para surtos de manobra ê muito
grande e, portanto, a escolha acertada de um critério de com­
portamento poderia detectar esta sensibilidade, bem como re­
fletir as condições operacionais ou outras restrições típi­
cas. Um critério típico ê mostrado abaixo:

60Hz
INTERVALO DE RECORRÊNCIA SURTO DE MANOBRA SURTO AUMOSFÉRIGO
________ (anos)________ (PPO)______ W /lOOtaq/ano)
5-50 0,01 - 0,001 0,1 - 1,0

Com cadeias de isoladores livres e condições ex­


tremas de vento causando ângulos severos de oscilação, a ri­
gidez do espaçamento condutor-torre pode ser reduzido para
um nível inferior ao de descarga em 60Hz. Tal condição é nor­
ma lmente expressa em termo de um intervalo de recorrência médio
da descarga em freqüência industrial* Desde que o temporal
cause vento extremo nas proximidades da linha, por um longo
período, pode ser impossível reenergizar a linha durante a
ocorrência do temporal. Baseado nisto, um critério razoável
para o intervalo de recorrência médio da descarga em freqüên­
cia industrial pode estar compreendido entre 5 e 50 anos.

A contaminação do isolamento, quando combinada com


neblina ou condições de elevada umidade, pode causar descar­
gas em 60Hz. Entretanto, com a escassez atual dos dados, dos
diferentes tipos de contaminação, suas taxas de condução e
efeitos do tempo, ê sentido que hã informação insuficiente
para predizer realisticamente a descarga por contaminação,
com base probabilística.

Uma proposição razoável, entretanto, ê especificar


que não haveria saídas por contaminação dos isoladores nas
piores condições,

A probabilidade de descarga em uma linha, pela o-


peração de energização de um disjuntor, ê expressa como o
PFO. Para converter o PFO em descargas totais por ano, é n e ­
cessário determinar o numero de operações de manobra no pe­
ríodo considerado. Por exemplo, se a linha tem um PFO de 0,01
e é energizada 100 vezes ao ano, então, número total de des­
ligamentos estimados por ano será de 1. Como outro exemplo,
considere-se uma linha com o mesmo PFO de 0,01, a qual, es­
tando sendo energizada, descarrega. Supondo que não haja al­
ta velocidade no religamento, durante a reenergização da li­
nha, a probabilidade de uma segunda descarga é de 0,0001. En­
tão pode ser visto que, embora a linha não tenha um compor­
tamento permanentemente satisfatório, pode ser energizada a
contento.

Pelo decréscimo do PFO para 0,001, o comportamen­


to permanente, no exemplo acima, pode ser elevada a um ní­
vel satisfatório (0,1 por ano), com um pequeno aumento no
tamanho da torre. Em conseqüência, com um pequeno custo ex­
tra, o comportamento pode ser melhorado em dez vezes mais. De
modo geral, a comparação entre o custo da torre e o compor­
tamento é muito significante nesta área. Entretanto, uma re­
dução adicional no PFO tem a mínima justificativa ecancmica.
Até recentemente, a maioria das linhas nos Estados Unidos e-
ram projetadas para terem níveis de comportamento da ordem
de 0,6 desligamentos por ano, ou melhor, ainda para áreas como
atividades tempestivas moderadas (níveis isòcerãunicos me­
nores do que 50). Entretanto, com o advento do aumento do i-
solamento com níveis de transmissão elevados para 345, 700 e
765kV, resistências de pé de torre da ordem de 15ft ou menos,
e o entendimento melhor do processo de falha de blindagem, ê
possível esperar comportamentos de descargas atmosféricas da
ordem de 0,3 ou menos.

8. COORDENAÇÃO DA DISTÂNCIA CONDUTOR-TORRE

A coordenação necessária da distância ccndutoi?-torre,


para o comportamento satisfatório em áreas de surtos de 60Hz,
atmosféricos ou de manobra, pode ser obtidaocm um estudo pro­
gressivo. Uma aproximação passo a passo pode ser conseguida
na forma mostrada acima. Isto ê, as distâncias são estabe­
lecidas, primeiramente, para surtos em 60Hz, apõs,para des­
cargas atmosféricas e, finalmente, para surtos de mgndbra. Nos
dois últimos, supomos que, em nenhum dos casos, haja limite
necessário para os surtos em 60Hz. A envoltõria da distân­
cia condutor-torre necessária para as condições de surtos at­
mosféricos pode ser estabelecida e usada como ponto de par­
tida para a otimização das distâncias necessárias para os sur­
tos de manobra. Então, em alguns casos, notadamente com res­
trição da cadeia de isoladores, as distâncias necessárias pa­
ra descargas atmosféricas podem ser limitadas e aenvoltõria
da distância resultante teria um comportamento de surto de ma­
nobra melhor do que o necessário. Em outros, as superfícies
podem ser para fora da envoltõria de descargas atmosféricas, pa­
ra obter o comportamento do surto de manobra necessária.

A distância condutor-torre, então determinada,re­


sultará num comportamento satisfatório das necessidades de
suporte dos surtos de manobra, atmosférico e em 60Hz.

9. Figuras

Figura 5.01
Distribuição capabilidade/esforço .
DISTÂNCIA (D) - MET ROS

Figura 5.02
PnnhaVvt i -i/ta/ía <3e descarga em linha cerno una
função da distância. Casos bases em papel
semi-logaritndoo, Referência 1
DE DESCANSA CNÍTICA
TENSÃO

Figura 5.03
Unidade absoluta versus ca-
pabilidade de surto de ma­
nobra com polaridade posi­
tiva

Figura 5.04

Correções da densidade relativa


do ar para surtos de manefora de
polaridade positiva
U4
K • 1:o n d içõi :S 00 TE MPO DUI IANTE 0! 1
DOAR

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O TE Í ITES PI T T S F IE LD, MAS >
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0.94
O 0,1 0,2 0,3 0.4 0,5 0,6 0,7 0,8
PRESSÃO DO VAPOR - POLEGADAS DE HG

Figura 5.05

Condições do tempo durante os testes do


Projeto EAT em Pittsfiel, Mass.

CORRELAÇÃO DA DENSIDADE DO AR E UMIDADE

CAPA BI L IDADE DE ISOLAMENTO RELATI VO


Figura 5.06

Distribuição típica da C.I.R.


EM GRAUS
ÂNGULO DE OSCILAÇÃO

VELOCIDADE DO VENTO EM UM MINUTO - MPH

Figura 5.0 7

Ângulo de oscilação corno uma função da velocidade do


vento baseado nos resultados de Homesgrinde
TENSÃO DE DESCARRA CRITICA EM PQR-UNIDADE

TEMPO OE CRESCIMENTO DA TENSÃO APLICADA - MICR0SE6UN00S

Figura 5.08

Variação da capabilidade de oentelhadores haste


para plano para o teirpo de crescimento do surto
de tensão de manobra
TENSÃO NOMINAL

V-5Í
0,01 0,1 0,2 ,3 ,5 ,6 ,7 0,0 0,9 0,95 .97 ,99 0^99 0, 995,997,999 ,999
PROBABIL 1D A D E DA T E N S Ã O N O M 1N A L

Figura 5.09

opi 0,1 I 5 IO 20 40 00 009096 00

Porcentagem de valores de surto


que exoedem valores normais
Figura 5.10
TABELA I

E s c a la d os n í v e i s de p o l u i ç ã o n atu ral

N ív el de C o n d iç õ e s a m b ie n t a is C om portam ento d a s lin h a s


poluição do e n t o r n o e x iste n te s

Áreas sem i n d ú s t r i a s e com b a i x a A in ex istê n cia de d e fe ito s é observa­


densidade de residências equipadas ccm da em condições de elevada umidade
Poluição in stalaçõ es de calefação ; áreas com a l ­ (neblina, névoa', e t c . , em linhas de
guma densidade de in dú strias e residên­ 145 kV, mesmo quando equipadas ccm
nula
c ia s , mas s u je it a s a ventos e/ou chuvas menos de 9 a 10 iso lad o res do tip o
freqüentes. Todas as áreas devem ser normal1) nem em linhas de 245 kV,mes­
situadas longe do mar e/ou em elevadas mo quando equipadas com menos de 15
a ltitu d e s , e nunca devem e s ta r expos­ iso lad o res do mesmo tip o .
tas a ventos provindos do mar.
Áreas ccm in d ú strias que não produzam Ocorrem fa l t a s em condições enevoa­
resíduos v o lá te is particularmente po­ das em lin h as de 145 kV com menos de
luentes e/ou com densidade média de 9 a 10 iso lad o res do tip o normal1 e
Poluição casas equipadas ccm in stalaçõ es de ca­ em linhas de 245 kV equipadas com me­
l e fação. Áreas ccm a l t a densidade de nos de 15 iso lad o res do mesmo tip o .
leve
resid ên cias e/ou in d ú strias , mas su­
j e i t a s a freqüentes ventos e ou chuvas
limpas; áreas expostas a ventos vindos
do mar, mas não muito próximas ã costa.
Áreas ccm densidade a lt a de in dú strias As f a lt a s ocorrem em condições de né­
e subúrbios de grandes cidades ccm a l ­ voa, ou quando sopram ventos vindos
t a densidade de in stalações de c a le fa - do mar, em linhas de a lt a tensão equi­
Poluição
ção; produção de poluição; áreas pró­ padas ccm iso lad o res do tip o normal1 (a
elevada ximas ao mar e em qualquer caso expos­ menos que o número de unidades i s o l a -
tas a ventos re lativamente fo rte s vin ­ doras por cadeia s e ja excepcionalmente
dos do mar. grande: mais do que 11 a 12 unidades
em linhas de 145 kV e mais do que 18
unidades em lin h as de 245 k V ).
Áreas,geralmente de extensão moderada, Ocorrem f a lt a s em oondioões de n e b li­
s u je it a s a resíduos v o lá te is in d u stri­ na ou durante temporais marítimos em
a i s , produzindo particularmente fin a s lin h as de a l t a tensão, mesmo quando
Poluição camadas condutoras por deposição; á -
equipadas ccm iso lad o res do tip o an­
muito reas geralmente de extensão moderada tipo lu en te2 (a menos que o número de
muito próximas ã costa e expostas a Unidades por cadeia s e ja excepcional­
elevada
ventos muito fo rte s e salin o s vindos mente elevado: mais do que 11 a 12 u -
do mar. nidades antipoluente s em linhas de 1
145 kV e mais do que 18 unidades do
mesmo tip o em lin h as de 245 k V ).
1) A re fe rê n c ia é f e i t a para iso lad o res do tip o normal com as seguintes c a ra c t e rís t ic a s :
espaçamento: 146 mm
diâmetro : 255 rnn
d is tâ n c ia de escoamento: = 300 mm
2) A re fe rê n c ia a iso lad o res do tip o antipoluente é de certo modo vaga, devido ã gran­
de variedade de iso lad o res do tip o antipoluente que estão sendo empregados presente­
mente em lin h a s de a lt a tensão.
TABELA II

R e la ç õ e s e x i s t e n t e s e n t r e n í v e i s de p o lu i ç ã o ,
n í v e i s de t e s t e e d i s t â n c ia s de esco am en to

Nível de TIPO DE TESTE Distância de


Poluição escoamento
Método da Método da
neblina salina película solida
Tensão fase-
Salinidade Condutividade -terra
nominal peculiar (cm/kVeficaz)
kg/m3 (yS)

Poluição nula 2,5 1,25 2,3

Poluição leve 10,0 5,00 3,2

Poluição elevada 40,0 20,00 1,5


i

Poluição extrema­
00

160,0 6,3
o
o
o

mente elevada

Nota I - Os valores transcritos na tabela foram estabelecidos


com base em isoladores normais tipo pino. Para outros
tipos de isoladores e, particularmente, para isolado­
res muito grandes em subestações, a correlação entre
estes métodos de teste, entre níveis de teste, a dis­
tância de escoamento e a experiência operacional não
são ainda suficientes para dar indicações mais defini­
das.
Nota II -Se .o método de deposição superficial é usado, existirá
então, uma correlação, aproximadamente linear, com o
método da condutividade pelicular.
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nal Report, Publication # 72-900.
A
IMPRENSA UNIVERSITÁRIA-UFSM

CAPA-REINALDO PEDROSO