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3DSTEIÍ U EIÉIRI COS


DE POTÊNCIA
CURSO DE ENGENHARIA
EM SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

- SÉRIE PTI -

RELAÇAO DE VOLUMES E TRADUTORES

1 - Análise de Circuitos de Sistemas de Potência -


Arlindo R. Mayer
2 - Teoria das Linhas de Transmissão I - J.Wagner Kaehler
3 - Teoria das Linhas de Transmissão II - Felix A, Parret
4 - Dinâmica das Máquinas Elétridas I - Somchai A n s u j ,
Arlindo R. Mayer
5 - Dinâmica das Máquinas Elétricas II - Elvio Ráhenschlag
6 - Dinâmica e Controle da Geração - Almoraci S. Algarve,
João M. Soares
7 - Proteção de Sistemas Elétricos de Potência -
Fritz Stemmer
8 - Coordenação de Isolamento - J. Wagner Kaehler
9 - Operação Econômica e Planejamento - Paulo R. Wilson
10 - Métodos Probabilísticos para Projeto e
Planejamento de Sistemas Elétricos - M.Ivone Brenner

Supervisão técnica: Somchai Ansuj

Coordenação geral: Arlindo R. Mayer


Norberto U. de V. Oliveira
Waldemar C . Fuentes
CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

PROTEÇÃO DE
SISTHMAS ELÉTRICOS
DE POTÊNCIA

F. P. DE MELLO

Tradução: Frita A. Stemmer


Prol. Visitante do
CPGEE
Lenois Mariotto
Prol. Aux. de Ensino
do Corso de Engenha­
ria Elétrica

CURSO DE ENGENHARIA EM
SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA
SÉRIE P. T. I.

SAN TA MARIA - RS - 1979


Título do o r i g i n a l :
Protective Relaying

Direitos para o Brasil reservados a Centrais Elétricas


Brasileiras S.A. - ELÉTROBRÁS
Av. Presidente Vargas, 624 - 109 andar
Rio de Janeiro - RJ
1979

F I C H A C A T A L O G R A F I Ç A
C593p Clark, Harrison K
Proteção de sistemas elétricos de potência.
Trad. /de/ Fritz A. Stemmer /e/ Lenois Mariot-
to. Santa Maria, Universidade Federal de San­
ta Maria, 1979.
297p. ilust. 23cm. (Curso de Engenha­
ria em Sistemas Elétricos de Potência - Série
P T I , 7)

Título original: Protective Relaying

1. Eletricidade - distribuição. 2. Corrente


elétrica - proteção. I. Stemmer, Fritz A. (trad.)
II. Mariotto, Lenois (trad.) III, Título.
CDD 621.317
CDU 621.316.9
Obra publicada
Com a colaboração
do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico
da CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A — ELETROBRAS
em Convênio com a
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
APRESENTAÇÃO

Hã cerca de 10 anos v e m a ELETRO B R Â S p a t r o c i n a n ­


do a realização de Cursos na área de Sistemas Elétricos
de Potência, visando o aperfeiçoamento * de eng e n h e i r o s
eletricistas das Empresas do Setor de Ene r g i a Elétrica.
Assim, cerca de 200 profissionais, nesse período, r e c e b e ­
ram formação a nível de Mestrado, tanto no e x t e r i o r como
no Brasil, e m obe d i ê n c i a a currículos es t a b e l e c i d o s pela
ELETROBRÂS, tendo e m vista as necessidades detectadas por
seu pessoal especializado.

Como resultado da e x p e r i ê n c i a de realização d e s ­


ses e de outros Cursos, p or vezes contando com a p a r t i c i ­
pa ç ã o de p r o f e ssores estrangeiros e s p e c i almente c o n t r a t a ­
dos p a r a reforçar as equipes docentes nacionais, v êm s e n ­
do p u blicados livros especializados e m regime de co-
ed i ç ã o com Universidades, e â conta de Recursos do F undo
de Desenvolvimento Tecnológico da ELETROBRÂS.

fí constante a p r e o c upação desta Empresa em


apoiar as Instituições de Ensino Superior, razão p e l a qual,
entre-outras agões, têm sido sistematicamente o ferecidas
vagas a docentes universitários, sempre que grupos de e n ­
genheiros são enviados ao exter i o r para freqüência a c u r ­
sos especiais ainda não oferecidos regularmente no Brasil.
Isso tem p r opiciado mais rápida resposta das Unive r s i d a d e s
no atendimento de necessidades especiais no Setor de E n e r ­
gia Elétrica, inclusive pela imediata implan t a ç ã o de tais
cursos no País, a mais b aixo custo e p o s s i b i l i t a n d o am­
pliar a faixa de atendimento de p r o f i s sionais das E m p r e ­
sas.

E m uma dessas ações, a ELETROBRÂS contratou com


o Power Technologies, Inc. - P.T.I., de S c h e n ectady - U S A ,
a ministração de um curso especial e m Sistemas Elétricos,
e constante dos tópicos que se seguem:
1 - Analise de»Sistemas Elétricos de Potência
2 - Teoria das Linhas de T r ansmissão
3 - Releamento - Características e Princípios
Fundamentais de Operação dos
Reles
4 - Coordenação de Isolamento
5 - O peração E c o n ô m i c a e Planejamento
6 - Dinâmica e Controle da Geração
7 - Dinâmica das Máquinas Elétricas
8 - Métodos Probabilísticos para Projeto e
Plan e j a m e n t o de Sistemas Elétricos
9 - E c o n o m i a das Empresas de Ene r g i a E létrica
Esses tópicos, na forma como foram inicialmente
ministrados p ela equipe do P.T.I., e p o s teriormente re­
produzidos por outros docentes brasileiros em diversas
oportunidades, constituem, a nosso ver, uma fonte de in ­
formações capaz de prop o r c i o n a r uma formação e q u i l ibrada
de profissionais de alto nível que se d e s t i n a m às Empresas
de E n ergia Elét r i c a e que delas p r e c i s e m ter inicialmente
boa visão técnica de conjunto. Posteriormente tais p r o f i s ­
sionais poderão aprofundar seus estudos em tópicos e s p e c í ­
ficos, conforme ne c e s s á r i o ãs suas áreas de atuação.

Foi, pois, com esta intenção que a ELETROBRÂS d e ­


cidiu adqui r i r ao P.T.i. os direitos de reprodução do C u r ­
so, e contratou com a Universidade Federal de Santa Maria
a tradução e edição do mesmo, visando sua d i stribuição âs
Empresas do Setor de Ene r g i a E létrica e demais In s t i t u i ­
ções de Ens i n o Superior que m i n i s t r a m cursos na área de
Engenharia Elétrica. Estamos certos de que a d i vulgação
desse material, agora e m língua p o r t u g u e s a , a t i n g i r á a p r e ­
ciável numero de p r o f i s sionais e estudantes universitários
proporcionando-lhes um nível de aperfeiçoamento m ínimo h o ­
je desejável naquelas Empresas, e ao m esmo tempo consti­
tuindo-se e m o b r a de referencia p ara docentes especiali­
zados.

A rnaldo Rodrigues B a rbalho


Presidente da ELETROBRÂS
PREFACIO

Raros sao os livros publicados em português so­


bre Sistemas Elétricos de Potência. Isso fez com que os
professores do Departamento de Engenharia e professores gue
atuam no Curso de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, da
Universidade Federal de Santa Maria, aceitassem o desafio
de realizar a estafante, porém atraente tarefa de tradução
revisão e acompanhamento na impressão do Curso organizado
por Power Technologies, Inc. - P T I , e cujos direitos de re­
produção foram adquiridos pela E L E T R O B R Á S .
Foi muito valiosa, para a realização desta tare­
fa, a união e o espírito de equipe de um conjunto de p r o ­
fessores que, além de suas atividades d o c e n t e s ,administra­
tivas e de pesquisa, passaram a dedicar-se a mais essa im­
portante tarefa.
Ê nosso dever deixarmos assinalados os nossos a-
gradecimentos a todos os que contribuiram para a elaboração
dessa obra. Destacamos a ajuda prestada pelo Difetor do
Centro de Tecnologia, Prof. Gilberto Aquino Benetti, pelo
Diretor da Imprensa Universitária, Prof. José Antonio Ma­
chado, pelo Chefe do Departamento de Engenharia Elétrica,
Prof. Wilson Antônio Barin, pelo Coordenador do convênio
UFSM/ELETROBRÂS, Prof. Arlindo Rodrigues Mayer, como t am­
bém pelos Professores Waldemar Correia Fuentes, Nilton Fa-
bbrin e Norberto V. de Oliveira.
Pela Companhia Estadual de Energia Elétrica - CEEE-
tiveram participação destacada, nesta realização, o Eng9
Paulo Roberto Wilson, Coordenador do Convênio CEEE/UFSM ,
e os Engenheiros José Wagner Kaheler e Fritz Stemmer, to­
dos eles Professores visitantes do CPGEE da UFSM.
Nossos agradecimentos â Professora Celina Fleig
Mayer por seus serviços de revisão e â Jornalista Veronice
Lovato Rossato pelos serviços de revisão e Assessoria de E-
ditoração. E â Professora June Magda Scharnberg pelo seu
auxílio na organização das fichas catalogrãficas dos vários
volumes.
Nossos agradecimentos, também, ao datilografo U-
byrajara Tajes e aos desenhistas Eng9 Delcio Bolzan e Fran­
cisco Ripolli Filho.
Aos Professores Ademir Carnevalli Guimarães e He-
líc Mokarzel, da Escola Federal de Engenharia de I t ajubã^,
agradecemos a gentileza de nos terem enviado a tradução
parcial de alguns volumes, os quais serviram como valiosas
referencias em nosso trabalho.
Finalmente, é nosso dever deixar registrado n o s ­
sos agradecimentos a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. -
E L ETROBRÁS,por seu apoio e confiança em nós depositados.

Derblay Galvão
Reitor
SUMARIO

Capítulo 1 - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE OPERAÇÃO E


C A R A C T E R Í S T I C A S ............................... 1
I - I n t r o d u ç ã o ........................................... 1
II - Características gerais de r e l ê s ................... 2
- Bandeirola e s e l a g e m ............. 2
- Tempos de o ç e r a ç ã o ............................... 2
- Especificações e grandezas nominais de relês.. 3
- Grandeza nominal contínua ou de curta duração
da b o b i n a .......................................... 3
- Capacidade dos c o n t a t o s .......................... *
III-Relês de atração elet r o m a g n é t i c a . . . . ............. 4
IV -Re l ê s de indução e l e t r o m a g n é t i c a . . . . . ........... 7
- Princípio do motor de i n d u ç ã o . . . . . ............. 7
- Definição da equação de t o r q u e ............... ...14
- Equações de torque de relês com uma grandeza
de e n t r a d a ........................................... 15
- Relês de indução de duas grandezas de
e n t r a d a ............ 16
- Característica d i r e c i o n a l ........................ 19
- Relês c o r r e n t e - t e n s ã o ............................ 20
- Equação universal de torque de r e l ê s . . .........22
- Relês de d i s t â n c i a ................. 23
- Diagrama R - X ....................... 24
- Relê de distância tipo M h o ............ 29
- Relê de distância tipo i m p e d â n c i a ......... 31
- Relê de distância tipo impedância m o d i f i c a d o . .35
- Relê de distância tipo r e a t â n c i a ............ ...36
- Relê de impedância a n g u l a r . ..................... 39
- Aplicações de relês de uma única g r a n d e z a .....40
- Aplicação de relês de duas g r a n d e z a s . . ......... 42
- Relês de sobrecorrente direcionais c o n t r o ­
l a d o s ............... 42
- Relê direcional tipo p r o d u t o .................... 42
V - Notação para as ligações de t e n s ã o ............... 43
V I - C o n e x õ e s usuais de relês de duas g r a n d e z a s ...... 43
- Relês direcionais de p o t ê n c i a , . ................. 43
- Relês direcionais de s o b r e c o r r e n t e ............. 45
- Relês de b a l a n ç o ............ 48
- Relê balanço de c o r r e n t e ............. 49
V I I-Relês d i f e r e n c i a i s ......................... 50
- A conexão d i f e r e n c i a l .............................50
- Relê diferencial p o r c e n t u a l ................... 52

Capítulo 2 - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS PARA A A P L I C A ­


ÇÃO DE R E L Ê S ................................. 59
I - Introdução ......................................... 59
II- Um sistema p r o t e g í v e l ............................. 59
III- Proteção p r i m á r i a ............................ 60
IV - - Localização dos transformadores de corrente.. 64
IV- Proteção de r e t a g u a r d a ............................ 65
- Retaguarda r e m o t a ............................... 65
- Retaguarda l o c a l ......................... 66
V - Seletividade e c o o r d e n a ç ã o .........................68

Capítulo 3 - TRANSFORMADORES PARA INSTR U M E N T O S ......... 70


I - I n t r o d u ç ã o .......................................... 70
I I - Transformadores de potencial (TP's)............. 71
- TP's com núcleo de f e r r o ....................... 71
- Divisores capacitivos de p o t e n c i a l ( D C P 1s ) .... 72
- Divisores resistivos de potencial (DRP)...... 74
- Transformadores de potencial e dispositivos
de p o t e n c i a l ......... 75
- Carga secundária. ................................ 75
- Escolha do dispositivo de p o t e n c i a l .......... 75
- Utilização da menor tensão primária da su­
bestação para todas as necessidades de p o ­
t e n c i a l ................ *......................... 76
- Polaridade dos dispositivos de potencial(DP^) 77
- Conexões de DP's para compensar a defasagem
produzida pelos transformadores de força(TF's). 79
- T P 1s a u x i l i a r e s ............... 80
- T P 1s para polarização de relês direcionais
de t e r r a . ............................ 80
III -Transformadores de corrente (TC's)....... ..... 81
- Relação de transfo r m a ç ã o . . . .................... 82
- Valores nominais contínuos e de curta
d u r a ç ã o ..................... 83
- Exatidão de T C ’s ................................ 84
I V - S a t u r a ç ã o de T C ' s ................................. 85
- Carga secundária de T C ' s ....................... 85
- Saturação por C A . . . . .......... ^ ............... 86
- Métodos para reduzir a saturação por C A ......91
- Saturação por DC - Erros t r a n s i t ó r i o s ........ 92
- Cálculo da saturação por corrente contí­
nua (DC)............... .........^ ............... 93
- Métodos para reduzir a saturação por D C . .....100
- Efeito do fluxo r e m a n e n t e ........ 100
V -Considerações sobre a carga sec u n d á r i a ......... 101
VI - Tipos de T C ' s ...................................... 102
- Tipo primário e n r o l a d o . . .......... 102
- Tipo j a n e l a ....................................... 103
- Tipo b u c h a .............. 103
- Tipo b a r r a . . . ........... 1°4
- Outros tipos de T C * s ............................ 104
VII - Considerações quanto â a p l i c a ç ã o ............. 105
- TC *s p a r a ' c a b o s ............................... 105
- Tensões transitórias devidas â saturação
do T C .................................... ...... 105
- Circuitos diferenciais de g e r a d o r ............ 107
- Chaveamento do banco de c a p a c i t o r e s ........ 107
Conexões de T C ’s .............................. 107
VIII- Transformadores de corrente a u x i l i a r e s ......... 110
- Ajuste da relação de transformação para a
proteção d i f e r e n c i a l ......................... 112
- Shunt de corrente de seqtiência z e r o ........ 112
- Normas para TC 1s ......... ......... ........... 113
Apêndice - Tensão no ponto de joelho do T C ........ 116

Capítulo 4 - CÁLCULO DE CORRENTE DE FALTA E RESPDSTA


DO RELÊ DE D I S T Â N C I A ....................... 118
I n t r o d u ç ã o .......................... , ................. 118
- Componentes s i m é t r i c a s ....................... 119
- Representação do sistema s i m p l i f i c a d o ...... 119
Cálculos de corrente de f a l t a ........ ............... 121
- Falta t r i f ã s i c a ....... ........................ 121
- Falta de fase a f a s e .......................... 124
- Faltas de fase para a t e r r a ................. 127
- Tabelas das correntes e tensões de falta... 129
Ligações de reles de distância - Reles de~fase.... 131
Resposta dos reles de distância de fase âs faltas. 134
- Faltas t r i f ã s i c a s v ............................ 134
- Faltas de fase a f a s e ........................ 135
- Faltas de fase para a t e r r a ................. 138
Ligações de reles de distância - Reles de terra... 139
- Go t o os reles de terra enxergam as faltas
fase a f a s e .................................... 142
- Reles de distância de terra em linhas p a r a l e ­
l a s ............................................. 143

Capítulo 5 - PROTEÇÃO DE GERADORES E M O T O R E S ........... 146


I n t r o d u ç ã o .......... 146
I - Proteção do gerador - g e r a l ................... 146
II - Proteção contra faltas no enrolamento do
estator do g e r a d o r .............................. 147
- Reles diferenciais p o r c e n t u a i s .............. 148
- Proteção contra falta de espira aespira.... 149
- Proteção contra faltas â terra para en-
rolamentos do estator. ... ................... 152
- Proteção de retaguarda para faltas no e s ­
t a t o r ........................................... 157
III- Proteção contra sobreaquecimento do estator... 159
IV - Proteção do rotor do gerador contra sobre-
t e m p e r a t u r a ...................................... 159
V - Proteção do enrolamento de campo do gerador... 161
VI - Outros tipos de proteção do g e r a d o r . . . . ..... 163
- Releamento de retaguarda para faltas externas.. 163
- Proteção contra sobre t e n s ã o ................ 165
- Proteção contra sobrevelocidade ........... 166
- Perda de e x c i t a ç ã o .......................... 167
- Proteção contra a v i b r a ç ã o ................. 168
- Proteção de sobretemperatura nos mancais... . 169
- Proteção contra m o t o r i z a ç ã o ................ 169
VII - Proteção de motor - G e r a l .................... 172
- Reles diferenciais p o r c e n t u a i s ............. 172
- Proteção diferencial aut o b a l a n c e a d a ...... 172
- Relês de sobrecorrente de f a s e ............ 173
- Relês de sobrecorrente de t e r r a ........... 174
- Relês de tensão de sobrecorrente de se-
qüência de fase negativa e relês de so­
brecorrente de seqüência de fase n e g a ­
tiva. .^ ....................................... 174
- Proteção de s u b t e n s ã o ...................... 174
- Proteção contra perda de sincro n i s m o ..... 174
- Proteção contra a perda de e x c i t a ç ã o ..... 175
- Proteção contra a falta ã terra no campo.. 175
- Detectores de temperatura e m b u t i d o s ....... 17 5
Apêndice - Sumario da proteção de g e r a d o r ...... 176

Capítulo 6 - PROTEÇÃO DE T R A N S F O R M A D O R ................ 178


Proteção de transformador - G e r a l ................. 17 8
Analise do g á s ....................................... 17 9
Proteção diferencial do t r a n s f ormador............ 179
Proteção diferencial de t e r r a . . .................... 187
Relês de sobrecorrente instantâneos e de tempo
inverso aplicados como proteção do t rans­
forma d o r ................. ........................ 189
Proteção de sobrecarga do t r a n s f o r m a d o r .......... 190
Relês de pressão devido ãs f a l t a s ................. 190
Proteção de transformadores sem disjuntores
em^cada e n r o l a m e n t o ................. 190
Proteção de transformadores de r e g u l a ç ã o ........ . 191
Proteção de transformadores de a t e r r a m e n t o ....... 193
Proteção de r e a t o r .................................. 193
- I n trodução.................................... . 193
- Tipos de f a l t a s ........................ ...... 19 4

Capítulo 7 - PROTEÇÃO DE B A R R A M E N T O .............. ..... 197


I - Proteção de barramento - G e r a l ................ 197
II - Proteção primaria de b a r r a m e n t o ...... ......... 197
- Esquemas diferenciais aplicados a barra-
m e n t o s ......................................... 198
- Relês de sobrecorrente conectados
d i ferencialmente....................... 198
- Proteção diferencial por relês di­
ferenciais com porcentual de res~
tricão variável, m u l t i - r e s t r i t o s ..... 199
- Relês diferenciais de tensão u t i l i ­
zando acopladores l i n e a r e s .......... 200
- Releamento diferencial de corrente
usando reles de s o b r e t e n s i o .......... 202
III - Proteção de ret^güarda do b a r r a m e n t o ........ 206
IV - Outros tipos de proteção de b a r r a m e n t o ...... 207

Capítulo 8 - PROTEÇÃO DE L I N H A S ........................ 209


Reles de distância para proteção de l i n h a s ....... 209
- Constituição dos relês de d i s t â n c i a ........ 209
- Seleção das características dos relês
de d i s t â n c i a ................................... 210
- Linhas l o n g a s ...... ........................... 212
- Esquemas básicos de relês de d i s t â n c i a ...... 216
Esquemas usando canal piloto e relês de d i s ­
t â n c i a .............. ........... .................. 220
- Transferência de disparo direto de sub-
a l c a n c e ........................................ 220
- Transferência de disparo permissivo de
s u b a l c a n c e ..................................... 221
- Transferência de disparo permissivo de
s o b r e a l c a n c e ................................... 223
- Proteção por comparação d i r e c i o n a l ........... 225
- Variações dos sistemas de transferência
de d i s p a r o .............. 228
- Linhas com dois terminais e derivação
para a c a r g a ................................... 229
- Relês de terra em sistemas de canal p i ­
l o t o ............................................ 239
- Considerações adicionais para linhas de
três t e r m i n a i s ................................ 231
Proteção por comparação de f a s e .................... 233
- Comparação d u p l a .............................. 235
Proteção de linhas c o m p e n s a d a s ...................... 236
- A compensação capacitiva s é r i e .............. 236
- A compensação reativa em d e r i v a ç ã o ......... 238
Os transformadores nas zonas de proteção dos
relês de d i s t â n c i a .....^ ........................ 238
Canais piloto para a proteção de l i n h a s .......... 242
- Proteção por fio p i l o t o .............. ........ 243
- Proteção diferencial com fio p i l o t o ........ 244
- Piloto por corrente p o r t a d o r a ........... 247
- Microonda p i l o t o .............................. 249
Relês estáticos de proteção de l i n h a s ............. 249
Locação dos transformadores de potêncial (TP*s ) ... 253
Considerações sobre releamento em sistemas
de r e l i g a m e n t o ................................... 255
Relês de último r e c u r s o .... ........................ 257

Capítulo 9 - COORDENAÇÃO DE DISPOSITIVOS DE


P R O T E Ç Ã O .................................... 258
G e r a l . ................... 258
Coordenação do relê de sobrecorrente de tempo.... 258
- G e r a l ................... 258
- Relês de sobrecorrente de tempo inversos
aplicados a linhas de t r a n s m i s s ã o . ......... 262
- Reles de sobrecorrente direcionais versus
reles de sobrecorrente nao d i r e c i o n a i s ....
- Aplicabilidade das unidades de sobrecor­
rente instantâneas ............... ............ 263
- Coordenação de unidades de sobrecorrente
de tempo inversas para proteção de linhas.. 264
- Exemplo de c o o rdenação...................... 265
Coordenação de reles de d i s t â n c i a ................. 266
- Primeira z o n a ................................. 266
- Segunda z o n a .................................. 267
- Terceira z o n a .......... 268
- Considerações sobre o ângulo do torque
m á x i m o ................ 268
- Resistência de a r c o . .......................... 269

Capítulo 10 - RELÊS MISTOS E RELÊS E S P E C I A I S .......... 271


Introdução ....... .................................... 2^1
Oscilações de potência e perda de sinc r o n i s m o .... 271
- Esquemas para proteção de perda de sin­
c r o n i s m o ....................................... 279
Relês de volts por h e r t z .......................... 279
Relês de sobretensão para proteção do sistema
e e q u i p a m e n t o .................................. 280
Controle de c a r g a ........................... 281
- Contingências que acarretam sobrecarga
no sistema e queda de freqtiência........... 281
- Energia a r m a z e n a d a ......... 282
- Cálculo da taxa de d e c a i m e n t o .............. *. 283
Uso da equação da taxa de d e c a i m e n t o . .............. 284
- Aplicação de relês de subfreqüência ........ 286
- Proteção da t u r b i n a ........................ 288
Apêndice I - Memorando - Proteção contra perda
de sinc r o n i s m o .......... 289
- Int r o d u ç ã o .................................. 289
- Preparação para o manejo de um esquema
de proteção contra perda de sincronismo.... 290
- Características de perda de sincronismo..., 291
- Equivalente de um sistema de duas máquinas. 292
- Equipamento de proteção utilizado num es ­
quema de proteção contra perda de sincro­
nismo. ...................... 293
- A função do disjuntor sobre interrupção
de sistemas fora de sinc r o n i s m o .......... 296
- C o n c l u s ã o ......... 296
CAPÍTUL0 1

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE OPERAÇÃO E


CARACTERÍSTICAS

I. INTRODUÇÃO

Neste Capitulo serio discutidas as características


dos relês de proteção contra falta, as quais lhes permitem
distinguir logicamente' a diferença entre correntes de curto-
circuito e de carga normal e, em alguns casos, distinguir di ­
ferentes locais de falta.

Os três indicadores que dão as informações ne c e s ­


sárias que permitem distinguir entre as correntes de carga e
de curto-circuito são os seguintes:

a) Tensão
b) Corrente e
c) Ângulo entre a corrente e a tensão.

As correntes de curto-circuito são geralmente m a i o ­


res que as correntes de cárga; as tensões do sistema du r a n ­
te o curto-circuito são menores que as n o r m a i s , e o ângulo
de atraso da correnté em relação ã tensão é, e m geral, maior
para corrente de curto-circuito do que para corrente normal.
Por essa razão, os relês de proteção contra falta usam a ten­
são e a corrente como grandezas características de entrada.
Uma vez que as correntes de falta estão sempre atrasadas, o
ângulo entre a tensão e a c o r r e n t e , além de indicar o tipo
de corrente, mostra a direção d a corrente de falta. Uma o u ­
tra relação, a razão entre a tensão e a corrente determina a
distância entre o local do relê e a falta. Quanto â locali­
zação do relê, faltas próximas provocam correntes grandes, bai­
x a tensão, enquanto defeitos mais distantes provocam oorfen-
tes menores e tensões não tão baixas.

II. CARACTERÍSTICAS GERAIS DE RELÊS

Bandeirola e selagem

A mai o r i a dos relês tem um indicador de operação,


geralmente conhecido por bandeirola, podendo ser ocnbinado ccm
um elemento de selagem. A bandeirola ê geralmente uma b a n ­
deira acionada mecânica ou eletricamente que, na ocasião d a
operação do relê, m uda para uma posição facilmente identi­
ficável pelo operador da USINA ou SE por inspeção visual do
relê. A bandeirola é geralmente retornada manualmente a fim
de que o operador tome conhecimento da operação do relê. A
unidade de selagem (nem sempre disponível e nem sempre ne­
cessária) algumas vezes combinada com a bandeirola, serve pa­
ra garantir o fechamento dos contatos do relê, a fim de as­
segurar o disparo dos disjuntores ou outros dispositivos. A
força mo t o r a que fecha os contatos do relê pode ser muito p e ­
quena em certas situações e, conseqüe n t e m e n t e , os contatos do
relê tocar-se-ão apenas levemente, podendo rebater p ara a
posição aberta. O toque suave dos ccãntatos pode ser de du­
ração insuficiente para iniciar o disparo, razão porque a u-
nidade de selagem, que é um relê auxiliar muito sensível e
de atuação rápida, mantêm o circuito de disparo,assegurando
um disparo positivo. Tanto a selagem como a bandeirola podem
ser obtidas por um relê separado, localizado próximo ou lon­
ge do relê servido. Quando vários relês têm que operar si­
multaneamente ou numa certa seqüência para fornecer um si ­
nal de disparo, pode-se usar uih relê de selagem ou de ban­
deirola para mostrar que a seqüência ocorreu e para produzir
u m disparo positivo.

Tempos de operação
Os relês são de duas categorias gerais quanto ao
tempo requerido para operação. Eles sio do tipo instantâneo
ou de alta velocidade ou do tipo temporizado. Os relês de alta
velocidade incluem um retardo não intencional, enquanto os
relês temporizados incluem um retardo intencional e geralmen-
te ajustãvel. Os relês de alta velocidade operam em alguns
ciclos ou menos (base de 60Hz), enquanto que os relês retar­
dados geralmente requerem 0,1 segundos ou mais, podendo seu
tempo de operação atingir vários segundos. Desenvolveu-se ao
longo dos anos uma diferença entre os termos "instantâneo"
e "alta velocidade", chamando-se instantâneo o relê que o-
pera em 6 ciclos ou menos, reservando-se o termo alta velo­
cidade para aqueles construídos de forma a requerer apenas o
tempo mínimo de operação absolutamente necessário. Os relês
de alta velocidade operam geralmente em 2 ciclos ou menos.

Especificações e Grandezas Nominais de Relês

Alêm das grandezas nominais indicando a sensibi­


lidade do relê, níveis de atuações ajustáveis e tempos de o-
peração que serão discutidos em Capítulos posteriores, to­
dos os relês têm ainda as seguintes grandezas nominais:

Grandeza Nominal Contínua ou de Curta Duração da Bobina

As bobinas de operação dos relês são construídas


para resistir apenas a uma corrente ou tensão limitada erore-
gime permanente. Estes níveis dependem da capacidade que o
relê possui para dissipar o calor desenvolvido nas bobinas
de operação. Por exemplo, bobinas de tensão normalmente ope­
ram na tensão nominal de 115 ou 66 volts e as bobinas de cor­
rente operam na corrente nominal de 5A (corrente nominal u-
sual dos secundários dos TC).
As correntes de CC são, em geral, superiores a va­
rias vezes a corrente de carga. As bobinas são caracteriza­
das por uma corrente nominal de curta duração que indica sua
capacidade para resistir ãs correntes de defeito. Em geral,
a corrente nominal de curta duração ê a máxima corrente que
o relê pode suportar durante 1 segundo. Uma vez que a cor­
rente máxima de curta duração do relê ê baseada na quanti-
dade de calor que a bobina pode suportar, a grandeza nomi­
nal térmica de 1 segundo representa a capacidade de resis-
* - 2
tencia do rele ao fator I t. Considerando que apenas uma
quantidade desprezível de calor será dissipada da bob i n a do
do relê durante o curto período de tempo de duração do de-
2
feito, o calor gerado sera proporcional a I t, e a relaçao
2
I t pode ser usada para avaliar o tempo que o rele pode su­
portar uma determinada corrente. Por exemplo, uma bobina de
relê que sobrevive a 100A durante 1 segundo, sobreviverá a
100 / 5 = 14IA durante 0,5 segundos e a 100/^Q ^5 = 200Adu-
rante 0,25 segundos.

0 tempo total de limpeza, desde o início da falta


até a interrupção pela operação dos disjuntor, deve ser u-
sado para avaliar se a corrente nominal de curta duração do
relê ê adequada ou não. O decréscimo da corrente pode ser
levado em conta nessa avaliação.

Capacidade dos contatos

Os contatos do relê que fecham ou interrompem cir­


cuitos externos para disparar disjuntores, ativar relês auxi­
liares, alarmes, etc., devem ser adequados para os níveis de
corrente que eles vão interromper ou fechar. Por essa razão,
são atribuídos aos contatos capacidades nominais de fecha­
mento e de interrupção. Muitos relês podem ser adquiridos com
várias combinações de contatos normalmente abertos ou nor­
malmente fechados. Muitos relês possuem apenas dois contatos,
ou mesmo um único contato quando o mecanismo de atuação não
desenvolve torque suficiente para operar contatos múltiplos.
Alguns relês podem incluir relês auxiliares internos m u l t i ­
plicadores de contatos, énquanto outros requerem reles m u l ­
tiplicadores de contatos externos, se mais do que uma ou duas
funções devem ser iniciadas pelo relê.

III. RELÊS DE ATRAÇÃO ELETROMAGNfiTICA

A Figura 1.01 m ostra os dois tipos usuais de re ­


lês de atração eletromagnética. Estes relês são do tipo ins­
tantâneo e têm muitas aplicações na proteção de sistemas de
potência. Eles são sensíveis à corrente continua e alterna­
da e, como tais, responderão tanto à corrente fundamental de
CA bem como ã componente de corrente contínua transitória.

R ELE INSTANTÂNEO T IP O MER0U LHAD O R R ELE INSTANTÂNEO COM A R M A O U R A ARTICULAOA

Fig. 1.01

Para qualquer ajuste do nível de atuação, este ti­


po de relê terã um ponto de desarme inerente. Isto é, se o
relê atua quando a grandeza de operação alcança o nível de
atuação, ele desengatarã somente quando a grandeza de o pe­
ração ê reduzida a um ponto mais ba i x o de desarme. O nível
de desarme pode ser significantemente menor do que o nível
de atuação, uma vez que o relê, ao atuar, e n curta o entre-
ferro (a força varia com o quadrado d a d i s t â n c i a ) ,exigindo,
conseqüentemente, menor fmm para manter o relê atuado. Se o
percurso da armadura do relê for longo, este efeito serâpro­
nunciado. A razão entre o nível de desarme e o nível de a-
tuação ê geralmente conhecida por relação de desarme. V a l o ­
res típicos para a relação de desarme estão compreendidos en­
tre 0,9 e 0,95. Estes relês são geralmente projetados visan­
do trazer a relação de desarme tão próximo de 1,0 quanto pos­
sível, sem prejudicar a robustez do relê e sua sensibilida­
de à vibração e falha.
A característica relação de desarme do relê de a-
tração eletromagnética ê fundamental em aplicações onde pos­
sa haver corrente no relê tanto antes quanto depois da ope­
ração de relês, e o ajuste do relê não ê muito maior do que
a corrente apôs operação. O problema ocorre quando uma cor­
rente de curto-circuito opera o relê e depois da limpeza da
falta, a corrente normal de carga não estã abaixo do ponto
de desarme do relê.

A força na armadura dum relê de atração eletromag­


nética ê proporcional ao quadrado da CA instantânea. Logo, a
força na armadura pulsara com uma freqüência de 120Hz (sis­
tema de 60Hz) , e o relê tendera a vibrar. Por esta razão, e s ­
tes relês não são geralmente usados onde uma operação con­
tínua, na posição atuada, for necessária.

Estes relês sozinhos não são direcionais, pois são


de uma única grandeza. Para que um relê se ja direcional êne­
cessário que ele responda ao ângulo entre duas grandezas,
como, por exemplo, corrente e tensão. Um relê de atração e-
letromagnética pode ser supervisionado por outro relê de al­
ta velocidade que provê discriminação direcionál.

Os relês instantâneos são, as vezes, usados em a-


plicações que exigem retardo, isto é, onde um retardo d efi­
nido for necessário. Neste caso, o relê atua instantaneamente
dando partida a um temporizador para disparo retardado. Se
o relê desexcita antes de se completar o ciclo de tempo, o
temporizador retorna, não ocorrendo disparo.

As duas aplicações mais usuais para este tipo de


relê são a detecção de curto-circuitos violentos e a d e t e c ­
ção de correntes de uma a duas vezes a corrente de carga. No
primeiro caso, o relê dispara diretamente o disjuntor ou dã
partida a um temporizador com finalidade de coordenação; en­
quanto que no segundo caso, o relê ê usado como u m d i s p o s i ­
tivo lógico para permitir disparo por outros relês que po­
dem ser incapazes de distinguir entre correntes normais e as
de curto-circuito. Em aplicações em que o relê é ajustado a
um valor muito pequeno, ele pode atuar simplesmente como um
dispositivo de segurança confiável que ajuda a evitar falsos
disparos por outro relê, permitindo que estes últimos sô p ro­
voquem disparo quando a corrente for anormalmente alta,

Este tipo de relê i também popular cpmo relê de sob


e sub tensão de alta velocidade.

O ajuste do nível de atuação dos relês instantâneos


pode ser obtido por diversos mecanismos. Os três métodos mais
usuais são uma b obina de operação com d e r i v a ç õ e s , uma mola de
retenção do elemento mõvel ajustãvel e um posicionamento va­
riável da peça polar, o que altera a distribuição do fluxo e
a força resultante que age sobre o elemento móvel. A posição
inicial do elemento mõvel ê uma variável que afeta o nível de
atuação, mas também afeta a relação de desarme. Com os três
primeiros tipos de ajuste, o percurso do elemento mõvel per*-
manece constante e a relação de desarme não é sensivelmente
afetada.

IV. RELfiS DE INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA

Os relês de indução eletromagnética u sam o princí­


pio d um motor de indução, pelo qual o torque do e n t r e f e r r o ê
desenvolvido por indução num rotor. Estes relês são conhecidos
por relês tipo indução e operam somente com c - a.

H ã dois tipos básicos de relês de indução,isto ê ,


o tipo com retardo usando um disco de alumínio como rotor e
o de alta velocidade (ou i n s t a n t â n e o ) , usando um rotor com
a forma de um copo cilíndrico. O tipo de disco recebe o tor­
que motor d a bobina ou bobinas de operação do re lê e torque de
retenção do cpnjunto m o l a e imã de freio, enquanto os do tipo
de alta velocidade possuem apenas bob i n a de operação e m ola
de retenção.

Por ora limitaremos n ossa discussão aos do tipo dis­


co de indução. 0 imã de freio produz torque de retenção quando
o disco é acionado pela b o bina de operação. O torque provido
pelo imã é uma função da velocidade do disco que, par suavez,
ê função do torque da bo b i n a de operação. As forças resultan­
tes destas duas unidades dão a° relê tipo indução una carac­
terística, conforme mostrado na Figua 1.Q 2. Esta característica
de tempo inverso ê o resultado do torque de retenção combi­
nado provido pelo imã, o torque motor produzido pela bobina
de operação, e saturação na bobina de operação. Por projeto,
a forma inversa pode ser alterada e diversas formas padrão
foram projetadas e desenvolvidas^.

características tempo x corrente

Fig. 1.02

Características tempo-corrente

No relê tipo indução h ã um contato fixo e um con­


tato môvem montado no eixo que suporta o disco de indução.
Quando a bobina de operação ê energizada, aparece torque no
disco que acelera rapidamente ate uma velocidade constante
de regime permanente. Conforme mencionado anteriormente, a
velocidade atingida ê função de diversas forças. Quando o
disco atingir a velocidade de regime p e r m a n e n t e , o tempo n e ­
cessário para que os contatos normalmente abertos fechem, é
determinado pelo percurso que o contato mõvel montado no
eixo tem que realizar para atingir o contato fixo. O con­
tato fixo é montado no chassi do r e l ê , enquanto o contato m õ ­
vel estã no eixo que suporta o disco. A posição inicial do
disco ê ajustada de tal maneira que o comprimento *do cami­
nho que tem que ser percorrido pelo contato mõvel provê o
retardo de tempo desejado. A posição inicial do d i s c o ê con­
tinuamente ajustãvel, e é ajustado por um dial de controle
tendo dez ou mais marcas indicando o tempo relativo requerido
para operação para qualquer corrente especificada- A Figura
1.03 ilustra as diversas partes componentes, não mostrando
o dial de tempo e o batente para ajustar a posição inicial
do disco. Observemos que a peça polar e mo s t r a d a expandida
pois o entreferro entre o disco e os põlos ê geralmente uma
fração de polegada.

As características do relé de indução com retardo


serão descritas com mais detalhes quando se estudar a apli­
cação deste relé.

Principio do Motor de Indução

0 relê tipo disco de indução será explanado em


termos de relê de uma unica grandeza e apôs serã examinado
seu uso em termos de múltiplas grandezas de entrada.

Como nos motores de indução de fase partida, dois


fluxos adjacentes cortam o rotor, induzindo cada um una cor­
rente no rotor (ver Figura 1.03). As duas correntes interagem
na tentativa de criar u m fluxo igual e oposto ao fluxo que
lhes deu origem (o rotor age como um secundário curto-circui-
tado em relação â bobina de operação) . Aparece uma força en­
tre o rotor e a estrutura com os pólos estacionários. O t o r -
que é proporcional aos dois fluxos <J>^ e e ° seno do ân­
gulo entre eles. N a estrutura dos põlos m o s t r a d a n a Figura
1.03, o angulo de defasagem dos dois fluxos ê determinado p e ­
lo projeto da estrutura polar (bobina de sombreamento) e a
força sobre o rotor ê proporcional ao quadrado do fluxo to­
tal produzido pela b obina de operação.

Se a corrente na b o b i n a de operação for senoidal,

^1 = *1 sen (1*01)

♦2 * sen (ü>t + 0) (1.02)

onde $ ê o fluxo máximo produzido, 0 ê a defas a g e m p rovoca­


da pela bobina de sombreamento e w ê a freqüência de corren­
te aplicada e m radianos por segundo.
IMA PERMANENTE
(r e t i r a d o oo motor )

OPERA

RETORNA

ROTOR DE
ALUMÍNIO

BOBINA OU ANEL DE
SOMBREAMENTO
MANCAL DE PEORA

PECA POLAR

Fig. 1.03
Componentes essenciais dum relê
tipo disco de indução
Devido a indutância desprezível no rotor, as cor­
rentes induzidas i ^ e i^2 estarão praticamente em fase com
as tensões e,, e e.~ induzidas no rotor, e
(pi 0Z

-S a aí cos cot (1.03)


dt i

— - ■ a <í>~ U> C O S (a)t + 0) (1.04)


'4>2 dt z

Conforme é mostrado na Figura 1.03, as forças e F2 são


opostas e iguais quando ^ e ^ são iguais e em fase, sendo
a força líquida:

F = (f2 - F x ) « (02i 0 1 - (J^i^) (1.05)

Substituindo i. e 0:
0
2
F oi 4>^4>2 [s e n (wt + 0)cos o)t - sen a>t cos (u>t+6)] (1.06)

Simplificando, verificamos que hã uma força devido à defa-


sagem entre 0^ e 02 :

2
F « a) 4^ <i>2 sen9 (1.07)

Podemos tirar algumas conclusões da equação (1.07).


Primeiro, como a força na equação (1.07)nio é função do tenpo ,
conclui-se que a força sobre o disco é constante, emb o r a a
grandeza de entrada aplicada ao relê fosse senoidal. Segun­
do, a força é proporcional ao seno do ângulo entre os dois
fluxos. Observe-se também que a força é proporcional ao q u a ­
drado da freqüência. Contudo, ê raro que esta característi­
ca seja de interesse, devendo-se notar que uma freqüência
alguns por cento acima d a nominal p r o v ocara saturação e , ocn-
s e q ü e n t e m e n t e , redução da força quando a freqüência aumenta.
A quarta observação importante que se pode tirar da equação
(1.07) é que a força sobre o disco fica negativa se 0 for
negativo. E s t a ultima observação não se coaduna com a e s t r u ­
tura polar m ostrada na Figura 1.03, pois 0 pode somente ser
positivo, mas ficará mais evidente depois da discussão abai­
xo que sugere usar duas estruturas polares e fontes separadas
para os fluxos e • Esta observação é importante, pois o
relê se torna direcional e tende a abrir seu contato quando 0
for negativo. Deve-se notar que Se 0 for positivo, $2 está
avançado em relação a <f>^, e se 0 for negativo, estará a-
trasado em relação a <j>^. A força resultante sobre o disco a-
tuará do fluxo adiantado para o fluxo atrasado.

A relação de desarme dos relês de indução é bem al­


ta, desde que sejam usados mancais de safira de alta quali­
dade para suportar o rotor, e o torque motor necessitar v en­
cer atrito ou torque de mola reduzido. A relação de desarme
é geralmente acima de 95%.

O tempo de retorno dos relês com disco de indução


ê bem alto pois, apôs a operação e tendo desaparecido o tor­
que de operação, só o contratorque da mola é disponível para
girar o disco de volta para o batente, opondo-se a este mo­
vimento o imã. O tempo de retorno requerido pode variar en­
tre 1 e 2 minutos se o dial de tempo estiver no ajuste m á x i ­
mo .

Até agora consideramos somente a força no disco d e ­


vido â bobina de operação. Sabemos, contudo, que tanto o ima
como a mola de retorno produzem torque. Na análise seguinte,
por ora ignoraremos o torque devido ao imã e incluiremos o
contratorque da mola. A razão deste procedimento ê que que­
remos trabalhar com os fatores que determinam o ponto de a-
tuação do relê.

Deve-se observar que na análise anterior ignoramos


o atrito estático e dinâmico nos mancais do relê. O atrito
estático dificulta o movimento inicial do disco e será con­
siderado na aplicação destes relês. Considera-se que os relês
têm tempo de operação imprevisível quando a grandeza de o p e ­
ração está entre 1 e 1,5 vezes o valor de atuação. A manuten­
ção é um fator decisivo quanto à capacidade do relê operar
com correntes levemente superiores ao valor de atuação.

A Figura 1.03 inclui três tipos de estruturas de


operação que,com a estrutura disco de i n d u ç ã o e o relê watt-
métrico,completam o conjunto de tipos habitualmente usados.
0 tipo disco de indução, usando estrutura com põlo s ombrea­
do, for analisado detalhadamente. Um croqui de relê de d i s ­
co de indução o o m duas estruturas de operação não ê i ncluí­
do porque seria similar ao da Figura 1.03, tendo porém uma
segunda estrutura polar sem sombreamento. 0 disco de indução
torna-se direcional com as duas estruturas polares. Este ti­
po serã discutido com detalhes mais tarde.

N Ú C LEO FIXO PIVÔ ROTOR

Fig. 1.031
Estruturas de alta velocidade

Este projeto ê adequado para relês direcionais tem-


porizados (característica i n v e r s a ) , mas uma das estruturas
da Figura 1.031 geralmente seria usada para elementos d i r e ­
cionais de alta velocidade.

A construção da estrutura copo de indução inclui


um rotor com forma de copo que embora possa ter ma s s a igual
ou superior a um disco, possui muito menos inércia do que
resulta operação mais rãpida. A estrutura copo de indução po ­
de ser usada como relê com uma ou duas grandezas de alimen­
tação. No caso de uma grandeza de alimentação, um par de b o ­
binas ê ligado diretamente à grandeza de atuação e o outro
par ê ligado via rede de defasagem. Quando utilizado como
relê de duas grandezas de entrada, cada grandeza de atuação
ê ligada a um par de bobinas.
A estrutura duplo laço de indução e laço simples
de indução são simplesmente variações da estrutura copo de
indução. A estrutura duplo laço de indução é mais parecida
a estrutura copo de indução, distinguindo-se apenas pelo fa­
to do rotor ser formado por dois laços.
A rotação angular requerida para operação nas e s ­
truturas de alta veloòidade da Figura 1.031 é pequena, e o
arranjo dos contatos e da mola de retenção ê similar ao do
relê disco de indução.

Definição da equação de torque

A equação de torque foi introduzida acima, na d i s ­


cussão do relê tipo disco de indução com uma única grandeza
de entrada. A equação de torque relaciona as grandezas de a-
tuação e retenção somente no ponto de mínima atuação (míni­
mo pickup) . Isto é, a equação de torque é valida somente
no ponto em que o relê estã no limiar da operação. Por e x e m ­
plo, num relê de uma única grandeza de entrada, a equação de
torque relaciona o torque produzido pela grandeza de atua­
ção e o torque produzido pela mola de retenção. Observa-se
que, se as grandezas de atuação geram torques de operação
muito superiores ao torque de retenção, a operação do relê
serã positiva e ocorrerá com grande velocidade. A não ser
pelos efeitos da s a t u r a ç ã o e q u a ç õ e s relativamente simples
poderiam ser escritas a fim de calcular tempos de operação
em função das grandezas de atuação e forças de retenção.De­
vido a saturação e diversas outras características não li­
neares do campo magnético de arrastamento, costuma-se na prá­
tica, quando se necessita uma equação que dá o tempo de o p e ­
ração do relê, construir o relê e, então, por teste plota-se
sua característica, isto é, seu tempo de operação e m função
das grandezas de entrada. Uma vez plotada a característica
de operação, métodos de ajuste à curva são usados p a r a de­
terminar equações aproximadas. As equações determinadas des­
ta forma podem ser precisas dentro duma faixa de alguns por­
c e n t o s , o que geralmente satisfaz para propósitos, tais acro
coordenação de relês por computador.

Embora a equação de torque defina apenas o ponto


de atuação, ou a sensibilidade do relê, veremos que ela tem
especial significado particularmente quando aplicada a re­
lês tipo copo de indução que operam m uito rapidamente para
qualquer grandeza que exceda o ponto de atuação. Quando a-
plicado a relês tipo disco de indução, usados em aplicações
que requerem retardo de tempo, a equação de torque tem me­
nos significado e define apenas o ponto de atuação, devendo-
se usar outras equações ou curvas para trabalhar com as ca­
racterísticas de tempo de retardo.

Equações de torque de relês de indução ocm uma grandeza- de entrada

0 relê com uma grandeza de entr a d a pode ser atua­


do por uma fonte de corrente ou de tensão, sendo seu torque
expresso pelas seguintes equações

T = Kj^I2 - K2 (1 .08)

T = K^V2 - K2 (1.09)

O valor de estabelece uma igualdade entre a gran­


deza de atuação e a força produzida pelos dois fluxçs que
cortam o rotor. depende do desenho da peça polar e p r i n ­
cipalmente do módulo e defasagem de <J>^ $2 * 0 torcIue © uma
função do quadrado da grandeza de atuação. Duplicar a gran­
deza de atuação, significa duplicar ^ e <t>2 / e o produto de
<|>2 por $2 quadruplica.

Novamente, as equações de torque acima descrevem,


apenas, o ponto de atuação, isto ê, com Tpositivo, o disco
girara p a r a fechar os contatos, e com T negativo, o disco
tenderá a abrir seus contatos e será forçado contra o ba­
tente .

0 relê com uma grandeza de entrada*operará quando


2 2
K-^I ou K^V excede a nao ser que algum meio de contro­
le seja provido. N a m a ioria das aplicações não existe meio
de controle. Quando se deseja que o relê inicie a contagem
do tempo somente depois que algum outro evento tenha ocor­
rido, a operação do relê pode ser impedida curto-circuitando
a bobina de operação (relês atuados por c o r r e n t e ) ,interrom­
pendo a bobina de operação (relês operados por t e n s ã o ) , ou
utilizando bobinas de sombreamento enroladas com um contato
do relê de controle em série, de maneira que haja torque a-
penas quando o circuito da bobina de sombreamertto esteja com­
pleto.

Relês de indução de duas grandezas de entrada

A estrutura polar mostrada na Figura 1.03 pode ser


substituída por duas estruturas polares, cada uma recebendo
uma quantidade atuante sem bobina de sombreamento. Dessa for­
ma, cada peça polar suprir ia um fluxo singelo ou <|>^ p r o ­
porcional em módulo à grandeza atuante. A equação do torque
para este relê de duas grandezas pode ser obtida diretamen­
te da equação 1.07. Hã três formas possíveis para esta equa­
ção, isto é:

1. As duas grandezas de atuação são tensão


2. As duas grandezas de atuação são corrente
3. Uma grandeza de atuação ê tensão e a outra é
corrente.

As três equações possíveis são as seguintes:

T “ « l1! ^
sen 64) - K2
(1.10)

T = K l V l V 2 sen 04) - K2 (1.11)


h3

sen (1.12)
H

94>
II

<
h-*

- K2
H

Onde 1^, I2 , V 1 e V 2 são os valores eficazes das grandezas


de atuação, e 6<j> é o angulo de fase entre os fluxos produ-
zidos pelas grandezas atuantes e que atravessam o rotor.

Se ambas as peças polares forem similares e ambas


as grandezas atuantes forem corrente ou ambas tensão, p o d e ­
mos admitir que a defasagem entre as duas grandezas atuan­
tes e seus respectivos fluxos (que cortam o rotor) são apro­
ximadamente iguais. Podemos então admitir que as equações 1.10
e 1,11 estejam escritas em termos de ângulo de fase entre as
duas grandezas atuantes. Daqui por diante definiremos 9 co­
mo sendo o ângulo entre as quantidades atuantes, substituindo
e
+#
0 ângulo de defasagem entre as grandezas atuantes
e os respectivos fluxos atravessando o rotor serio d iferen­
tes se uma quantidade atuante for tensão e a outra corrente.
Trataremos, por isso, tais reles de duas grandezas atuantes
separadamente numa seção posterior, onde levaremos em conta
deslocamentos de fase diferentes.

Conforme veremos na aplicação de relês de duas gran­


dezas, ê muitas vezes desejável que o relê supra o máximo
torque de operação com ângulos entre as grandezas atuantes
diferentes de 90°. Um relê de duas grandezas pode facilmen­
te ser modificado a f i m de prover qualquer ângulo de máximo torque
inerente que se desejar (onde o ângulo de máx i m o torque é o
ângulo entre as grandezas atuantes que produz máximo torque
de operação). O processo mais simples de alterar o" ângulo de
máximo torque inerente", num relê de duas grandezas, é in­
serir entre qualquer das grandezas atuantes e sua bobina de
operação um filtro defasador. Estes filtros geralmente as­
sumem a forma de um resistor ou capacitor e m derivação ou sé­
rie com a bobina de operação. A equações de torque para os
dois tipos de relês, indicados pelas equações 1.10 e 1.11,
tomam o seguinte aspecto quando o ângulo de máximo torque foi
alterado por u m filtro:

T = K 1 I1I2 sen (9-a). - K 2 (1.13)

T = K 1V 1V 2 sen (0-a) - K 2 (1.14)

Nestas equações, o ângulo a representa o d e s l o c a ­


mento de fase introduzido por um filtro numa ou em ambas as
grandezas de entrada. 0 ângulo a poderá ser positivo ou ne­
gativo dependendo do filtro e da finalidade do relê. Namaio-
ria das aplicações, a será da ordem de 30 a 45°.

Usaremos a letra t (tau) para "ângulo de máximo


torque" do relê.
Fig. 1.05
As relações entre esses ângulos aparecem na Figu­
ra 1.04. Esta figura representa um relê de duas grandezas tendo
para grandezas atuantes as correntes I 1 e I2 . A bob i n a 1 ê
"shuntada" por um resistor, do que resulta u ma corrente de
bobina Ic atrasada em relação a 1 ^ O ângulo de atraso de
I e m relação a I. ê o ângulo a, isto é ,o deslocamento an-
guiar introduzido para modificar o Mângulo de máx i m o torque
do r e l ê ” , conforme discutido acima.

Catálogos de relês e e s p e c i f i c a ç õ e s , geralmente,


descrevem relês de duas grandezas e m termos do ângulo t (ta u ).
Jâ que T-ct é igual a 90°, as equações de torque p a r a os relês
de duas grandezas tomam o aspecto:

T = k i i i I2 c o s " K2 (1.15)

T « k x V !V 2 c o s (0- t > “ K2 (1.16)

E sta ê a forma geralmente usada nos dados do fa­


bricante. Esta forma é jeitosa, pois verifica-se de imedia­
to que o relê desenvolverá torque máximo qua n d o 0 = t .

Característica direcional

O relê de duas grandezas, conforme descrito aci­


ma, usando duas correntes ou u m a tensão e uma corrente como
grandezas atuantes, ê geralmente usado como relê direcional
com retardo de tempo, ou como elemento direcional com obje­
tivo de apenas discriminar a direção. Quando usado para d i s ­
criminação direcional, uma forma de relê de indução de alta
velocidade é geralmente usado. Es t a forma de relê de alta ve­
locidade opera quase que instantaneamente sempre que t for
positivo. Quando usado para discriminação direcional,os con­
tatos de saída dum relê direcional p o d e m ser usados para per­
mitir ou bloquear o disparo por um outro relê ou bloquear a
operação d um outro relê. Neste ultimo caso, o controle do
circuito da bobina de sombreamento d u m relê de uma ünica
grandeza ê um b o m exemplo.
O relê co r r e n t e - c o r r e n t e , conforme descrito acima,
serã direcional quando uma grandeza atuante, a "grandeza de
o p e r a ç ã o ” , receber corrente de c u r t o - c i r c u i t o , e a ou t r a
gran d e z a atuante, ”a grandeza de p o l a r i z a ç ã o ” , receber cor­
rente d u m a fonte de referência. Usa-se, c o m u m e n t e , relês di­
recionais corrente-corrente n a p roteção contra defeitos à
terra, sendo "a grandeza de o p e r a ç ã o ” 1a corrente residual ou
de seqüê n c i a zero do a l i m e n t a d o r , e ”a gran d e z a p o l a r i z a n t e ”
a corrente de neutro do transformador de força.

Relês corr e n t e - t e n s ã o o p e r a m de m a n e i r a similar,


sendo a corrente "a grandeza de o p e r a ç ã o ” , e a tensão "a g r a n ­
d eza p o l a r i z a n t e ” .

Relês corrente-tensão

Uma vez que muitas aplicações que examinaremos no


restante deste curso tratam de relês direcionais alimentados
por tensão e corrente, examinaremos agora um relê de duas
grandezas similar ao analisado acima (tipo corrente-corrente),
porém, com uma b o b i n a atuada por uma fonte de tensão e a o u -
tra por uma fonte de corrente. Examinaremos este relê a d m i ­
tindo inicialmente que n e n h u m filtro seja utilizado para des­
locar o ângulo de qual q u e r u m a das grandezas atuantes. Fa­
zemos isto porque hã u m ângulo inerente entre o fluxo pro­
duzido pela b o b i n a de tensão e a tensão aplicada ao relê d e ­
vido à na t u r e z a indutiva da b o b i n a de o p eração do relê. Is­
to é, admitiremos que uma corrente I ê aplicada à b o b i n a de
corrente e que uma tensão V ê aplicada à b obina de tensão
do que resulta u ma corrente Iv nesta bobina. A corrente Iv
est a r á geralraente atrasada e m relação à tensão aplicada de
60 a 70°. Desa forma, a característica inerente do relê oor-
rente-tensão sem filtros serã o d a Figura 1.05. As d e f i n i ­
ções para os vários ângulos de s t a figura são essencialmente
'as mesmas que as da Figura 1.04, excetu a n d o o ângulo t (tau)
r esulta d a natureza indutiva d a bob i n a de tensão e m lugar de
resultar do uso do filtro.

0 funcionamento do relê corrente-tensão pode ser


visu a l i z a d o examinando a Figura 1.05 e reconhecendo que, à
m e d i d a que ângulo 6 aumenta move n d o I no sentido anti-horãrio,
o torque do relê aumenta até o mãximo quando 0 = t , e dimi­
nui se continuamos a girar I no mesmo sentido, de maneira que
0 seja maior que x. Por outro lado, se I gira no sentido ho­
rário, o torque diminui, anulando-se quando I coincidir com
Iv - Além disso, o torque torna-se negativo se I tiver um a-
traso em relação a V superior a a. E sta característica de
funcionamento do relé de duas grandezas é ilustrada de for­
m a mais explícita na Figura 1.06.

N a Figura 1.06 pode-se observar que o vetor cor­


respondendo a Iv foi substituído por uma linha reta i ndi­
cando a fronteira entre a região de torque positivo e a re­
gião de torque negativo. Esta linha e s t á deslocada da ori­
gem e indica a mínima corrente necessária no ângulo de mã­
ximo torque para atuar o relê (para um m odulo de V constan­
te) . Novamente, à medida que I for girado e m relação a V,
existirão diversos valores de torque, e para qualquer m ódu­
lo de I haverá um ângulo 0, para o qual a po n t a de vetor I
cairã sobre a característica do relé p roduzindo u m torque nu­
lo. N a Figura 1.06, I* ainda cai na região de torque p osi­
tivo, ao passo que I" cai na região de torque negativo.

A linha que representa a característica do relê ou


a linha entre regiões de torque positivo e negativo pode ser
obtida a partir da equação 1.12. A equação 1.12, em termos
do "ângulo de mãximo torque" x, é dada por:
T « K XIV COS (0-T) - K2 (1.17)

Quando o relê e s t a no limiar d a operação, o tor-


que produzido p e l a m o l a de retenção (K2 ) é igual ao torque
de operação e T serã igual a zero. Igualando T a zero n a e-
qua ç ã o 1.17, e isolando as grandezas de atuação e seu ângu­
lo de fase, teremos:

K2
IV cos (6 -t ) = — ç— (1.18)
K1
E s t a característica ê p l o t a d a n a Figura 1.06. 01
m ínimo necess á r i o p a r a atuação ê inversamente p r oporcional
a V. Uma vez que, sob condições de falta, o aumento de I ê
proporcionalmente m u i t o m a i o r que o decrés c i m o de V, a atu­
ação pode ser assegurada se projetarmos o relê, de forma a
fazer o I o m e n o r possível, ou o pro d u t o I x V, n e cessário
p a r a a operação, pequeno comparado com os módulos normais d e s ­
tas grandezas.

O relê d i s c utido acima, possu i n d o u m ângulo de m á ­


ximo torque n a faixa de 20 a 30°, pode n ão ser adequado p a ­
ra todas as aplicações, e é possível que seja necessário alte­
rar este relê adaptando-lhe filtros defasadores n o circuito
de tensão ou corrente, ou inverter a polaridade de qualquer
destes circuitos a fim de obter u m a d e t e r m i n a d a caracterís­
tica.

Uma aplicação deste relê ê o relê d i recional de


potência. O p r i m e i r o passo seria alterar o ângulo de m á x i m o
torque t p a r a zero graus fazendo com que Iy fique 90° em a-
traso e m relação a V. Dessa forma teríamos u m relê que de­
senvolvería torque posi t i v o p a r a I n a faixa de mais ou menos
90° e m relação a V, e torque nega t i v o p a r a I entre 90 e 270°.
O relê desenvolvería torque posi t i v o p a r a a potên c i a fl u i n ­
d o n u m sentido, e torque n e gativo p a r a a p o t ê n c i a fluindo e m
sentido contrário.

E q u a ç ã o universal de torque de relês


Os relês de indução po d e m ser oonstruídos de maneira
que incluam qualquer combinação dos dois tipos de reles (uma
única grandeza e duas grandezas), conforme jã explicamos. Isto
é, um único disco de unidade copo pode ter diversas bobinas
de operação d e s e n v olvendo torques sozinhas ou aos pares,
proporcionais aos quadrados das grandezas atuantes ou ao pro­
duto de duas grandezas vezes uma função do ângulo entre e-
las, A equação universal para tais relês seria a seguinte:

T = K XI2 + KjV2 + KjVI cos (0-T) + K4 (1.19)

P a r a que essa equação desc r e v a um relê e m p arti­


cular, uma ou mais constantes K^, Kj e p odem ser igualadas
a zero.

Além disso é possível desenvolver outras caracte­


rísticas de operação não incluídas acima, utilizando e s t r u ­
turas de atuação cujos fluxos sejam função de duas ou mais
grandezas atuantes (isto é, substituir I por (I + CV) ou V
por (V + Cl)) segundo u m a técnica conhecida por polarização.

Relês de distância

Escolhendo adequadamente os valores de K^, e


na equação universal de torque (1.19) , podemos obter una fa­
mí l i a de diversos tipos de relês de distância. Estes relês,
geralmente, usam estruturas de alta v e l o c i d a d e , tais como,u-
nidades copo de indução para assegurar operação pra t i c a m e n ­
te instantânea,introduzindo-s e qualquer retardo com tempo-
rizadores fora do relê de distância.

O relê de distância recebeu este nome pelo fato de


que ele realmente mede a distância entre o local do relê e
o ponto de falta na linha de transmissão. Quando ocorre um
curto-circuito na linha de transmissão, uma corrente flui na
impedância da linha, havendo uma queda de tensão n a inpedan-
cia. 0 relê de distância mede a tensão e corrente no temninal
da linha de transmissão, dividindo efetivamente V por I p a ­
ra obter a impedância entre o local do relê (local dos TP*g
e TC*S do relê) e o ponto de falta. Ajustando o relê de m a ­
neira que desenvolva torque positivo para níveis de impedân-
cia abaixo de um valor específico, o relê de distância pode
fazer distinção entre locais diferentes de falta. Dessa for­
ma, o relê de distância pode ser ligado para dar disparo para
faltas no seu trecho de linha protegida e n a q dar disparo em
trechos remotos (admita-se, nesta altura, que os trechos de
linha remotos tenham sua própria p r o t e ç ã o ) .

A proteção de linhas de transmissão com relês de


distância serã tratado pormenorizadamente num Capítulo p os­
terior, tendo sido analisado aqui brevemente para dar uma
melhor compreensão dos diversos tipos de relês de distância
que serão discutidos nas próximas páginas.

Diagrama R-X

0 diagrama R-X serã usado para mostrar as carac­


terísticas de funcionamento dos relês de distância que ana­
lisaremos nas páginas seguintes.

O diagrama R-X serã usado também extensivamente em


em disbussões posteriores relativas à aplicação e coordena­
ção de relês de distância. Convém, portanto, que estejamos
familiarizados e capacitados para pensar em termos de dia­
grama R-X. 0 uso do diagrama R-X implica que as caracterís­
ticas do relê possam ser definidas em termos de impedância.
Pela lei de Ohm, uma tensão dividida por uma corrente pode
ser definida como uma impedância. Dessa forma, qualquer re­
lê de duas grandezas, que responde à aplicação simultânea de
corrente e tensão e o ângulo entre eles, pode ter sua ca­
racterística de funcionamento num diagrama R-X.

Uma vez que, conforme observação anterior, os re ­


lês de distância operam quase que instantaneamente para cor­
rentes e tensões suficientemente grandes e defasagem ade­
quada para dar torque positivo, precisamos plotar apenas num
diagrama R-X a característica do relê que diferencia as re­
giões de torque positivo das de torque negativo, indicando
ãreas nas quais o relê não operará.

Assim, quando ocorrer uma falta, fazendo que o re-


lé "veja" uma impedância dentro de sua zona de torque p o s i ­
tivo, ele atuara, ao passo que faltas determinando impedân-
cias externas â zona de torque positivo provocarão torque
negativo que não resulta em atuação,
&
Para explicar o diagrama R-X, vamos atentar para
uma linha de transmissão ligada entre dois sistemas como na
Figura 1.07. Também vamos localizar um relê em uma das ex­
tremidades da linha de transmissão. Grandezas de entrada no
relé serão tensão e corrente captadas por transformadores para
instrumentos no terminal da linha de t r a n s m i s s ã o ,Por enquanto
admitiremos que estamos trabalhando oan uma única fase do siste­
ma trifãsico e que o nosso relé lê corrente de linha e ten­
são de fase (linha) contra neutro.

Inicialmente, vamos admitir que há uma corrente de


carga na linha de transmissão definida e m termos de P e Q(is-
to ê, megawatts e megavars, respectivamente). Inicialmente,
consideremos que, no local do relê, tanto P carro Q estão fluindo
para a direita. Isto implica corrente atrasada em relação à
tensão, se admitirmos que o relê enxerga para a direita na
Figura 1.07. A Figura 1.08(a) indica a posição do vetor cor­
rente em relação à tensão no local do relé. Se calcularmos a
impedância vista pelo relé pela lei de Ohm, obteremos:

V/0°
-y ^ = z / 9vi = R + 3* (1*20)

onde V/0° ê a referência para I/“ 9vi e ôvi ® ° ^n 9ul° de


atraso de I em relação a V*

Conforme nossa convenção, e sta relação tensão cor­


rente resulta numa impedância de componentes R e jx p ositi­
vos, como é visto pelo relê. E s t a impedância cai no pri m e i ­
ro quadrante do diagrama R-X. A Figura 1.08 indica esta im ­
pedância no diagrama R-X e o respectivo P e Q dirigido para
a direita no primeiro quadrante.
X
N O T A : 6VI ê positivo em
1.08(b) e negativo
e m 1.08(a ) , porem
iguais em modulo.

(a) (b)
Diagrama R-X
Fig. 1.08

Voltando à Figura 1.07, mas admitindo que os MW's


fluem para a direita e os MVAR's p ara a esquerda, temos:

\'/iÇ 7 ~ y - 9vi - R -3X (1*21)

Daí se conclui que o relê vê uma inpedanciano q u a r ­


to quadrante do diagrama R-X. Relações semelhantes podem ser
mostradas para as duas outras combinações nas direções dos
MW's e M V A R 's , conforme indicado n a Figura 1.08 ( b ) .

Um curto-circuito na linha originara uma tensão e


uma corrente no relê R, cujos módulos serão função da "ri­
gidez" do sistema atrãs do terminal A. A razão V/I e o ân­
gulo de fase entre V e I no local do relê dependera, porem,
da impedância Z da linha entre o terminal do relê e a falta,
e não dependerão da "rigidez" do sistema atrãs do terminal A.
Se denominarmos a tensão e a corrente, medidas no relê, de
V_ e I_, respectivamente, e o ângulo entre esta tensão eoor-
r r
rente de 0F , então, pela lei de Ohm, a impedância v ista p ê ­
lo relê serã:

( 1 . 22 )

onde o subscrito F designa valores durante a falta.

0 valor de Z_ conforme visto pelo relê, pode ser


r
plotado no diagrama R-X, bem como a impedância total da li­
nha Z 1 (ver Figura 1.08(b)).

A Figura 1.081 ê um exemplo de diagrama R-X repre­


sentando uma seção de linha e diversos pontos de carga.

Nos resta agora a tarefa de projetar um relê que


possa fazer distinção entre uma falta na linha protegida e
uma falta numa linha remota (ver Figura 1.08), a fim de que
o relê não desligue seu disjuntor no caso de faltas em li­
nhas remotas.

A vantagem dos relês de distância em relação aos


relês de sobrecorrente para a proteção de linhas ficara ob­
via ao estudarmos a aplicação e coordenação de relês de dis­
tância. De qualquer forma, contudo, a v a ntagem basicamente
reside no fato de que o relê de distância pode distinguir e n ­
tre um local de falta e outro, independentemente do módulo
da corrente no relê. Ê preciso lembrar que a corrente de fal­
ta pode variar consideravelmente caso hajam variações na con­
figuração do sistema.

O diagrama R-X pode ser construído usando ohms primã-


rios ou ohms secundários. Quando se usa. ohms primários, a
impedância da linha ê plotada diretamente usando ohms reais.
Quando se usa ohms secundários, a impedância da linha é re­
presentada assim como ê vista pelo relê através dos trans­
formadores de corrente e potencial. Tanto a corrente como a
tensão de linha são reduzidas, dando os ohms secundários em
termos de ohms primários da seguinte maneira:
(1.23)

V N
=
Vp/N pT p cr (1.24)
s - Ip / e V I / n c t ip /e VI Nra

Donde,

^CT
(1.25)

onde o subscrito S se refere a secundário, o subscrito P a


primário, N pT ê a relação de transformação do transformador
de potencial e ê relação de transformação do transfor­
mador de c o r r e n t e .

6RAFIC0 R -X RELACIONANDO MW , MVAR E LINHA Z

Fig. 1.081
Os relês são ajustados e m ohms secundários, mas
incluem boa capacidade de ajuste fino, de m aneira que ê ex­
pediente usual determinar os ajustes desejados (usando o dia­
grama R-X) em termos de ohms primários e, após, converter e s ­
tes ajustes para ohms secundários e ajustar o relê o mais
próximo possível deste valor.

Uma terceira aproximação para utilizar o diagrama


R-X ê trabalhar em termos de valores e m p . u . , convertendo os
ajustes necessários de p.u. para ohms secundários.

Relê de distância tipo MHO

0 relê de distância tipo mho ê basicamente um re ­


lê direcional ocm retenção por tensão, cuja equação de torque é

T = KjVI cos (0-T) - K 2V 2 - K 3 (1.26)

Todas as variáveis e constantes n esta equação já


foram definidas. Pelo método das tentativas e erro, poderia­
mos plotar a característica deste relê nundiagrama R-X (subs­
tituindo os valores de I, V e 0 na equação 1.26que dará t or­
que positivo, ou a região de disparo se T > 0, ou a região
de bloqueio se o torque for negativo, isto ê, T < 0). Ou p o ­
demos anular T e resolver a equação p a r a V / I , plotando este
valor no diagrama R-X, à m edida que 0 varia de +90° a -90°.
No ponto de equilíbrio, quando T ê zero:

K 2V 2 = K^_VI cos (0-T) - K3 (1.27)

dividindo por K 2VI

cos (6 -t )- (1.28)

Se (mqla de controle) for suficientemente pequeno, o ú l ­


timo termo pode ser desprezado (K3 pode ser b e m reduzido e
o termo K 3/ K 2VI tornar-se-ã ainda menos significativo para
correntes de curto-circuito muitas vezes superior à corren­
te normal) e o ponto de equilíbrio do relê assumirá o aspec­
to mostrado na Figura 1.09, onde o tamanho do círculo ê a­
proximadamente independente do valor da tensão e corrente a-
plicados no relê.

Desta forma, n a Figura 1.09, o relê desenvolverá torque


positivo (desligamento) quando Z cai dentro da característi­
ca, e desenvolverá torque negativo quando Z cai fora da ca­
racterística, onde Z = ~ / e / como se mostra na Figura 1.09.

Fig. 1.09

Se sobrepusermos a impedância duma linha típica no


diagrama R-X, ajustando então o relê, podemos tornar o relê
sensível para faltas em trechos selecionados da linha desde
o local do relê e na sua direção. Esta condição mostra-se na
Figura 1.10, onde não desejamos disparo para faltas na ex­
tremidade remota d a linha.

Fig. 1.10

Instalando dois ou três relês raho num local, p o d e ­


mos garantir proteção instantânea para a seção de linha ad-
jacente, b e m coroo proteção de retaguarda retardada para as li­
nhas adjacentes. Um relé m ho de três zonas mostra-se na Fi­
gura 1.11. A zona Z 1 ê instantânea, enquanto que as zonas
Z2 e sao temporizadas*

Fig. 1.11

Relé de distância tipo impedância

O relé de impedância é um relé de scbreaarrente com


retenção por tensão, cuja equação de torque é

T (1.29)

No ponto de equilíbrio

K2V2 = Kjl2 - K3 (1.30)

2
que, dividindo por K 2I , da

(1.31)

2
O termo K 0/ K 0I sera pequeno por causa do valor reduzido de
3 * 2
e alto valor, durante a falta, de I # donde:

V * Z (1.32)
I
A característica do relé é uma impedância cons­
tante e haverá operação quando V/I de entrada ao relê for
menor do que Z. 0 relê ê insensível ao ângulo 0 entre V e I
(ver equação 1.29). No diagrama R-X, a característica do re­
lé é um círculo, conforme se vê^ na Figura 1.12.

Fig. 1.12

Assim como no caso do relé mho, podemos sobrepor


ã característica do relé, num diagrama R-X, a impedância da
linha (vista do local do relê), observando que as faltas dentro
da circunferência característica provocarão torque positivo
(e atuação do r e l ê ) , e as faltas fora da circunferência pro­
vocarão torque negativo.

O tamanho da circunferência característica pode ser


alterado mudando e • Como o relé mho, o relê de impe­
dância ê habitualmente do tipo de alta velocidade.

N a realidade, o relé de impedância olha nas duas


direções em relação à b arra e não é, dessa forma, inerente­
mente direcional como o relé mho.

Nosso primeiro impulso seria supervisionar a o p e ­


ração do relé com um relé de indução de alta velocidade de
duas entradas, conforme jã mencionado. Este é o passo certo,
mas examinemos um relê direcional de duas entradas num d i a ­
grama R-X. A equação de torque ê

T = KjVI cos (0- t ) - K 2 (1.33)

onde: t é negativo quando o "ângulo de máximo torque” estã


atrasado e m relação à tensão.
0 ê negativo quando a corrente e s t ã atrasada e m relação à
tensão.

N o limiar da operação, T = 0 e

K^I cos (0- t ) * K 2 (1.34)

Uma vez que K 2 (mola de controle) é geralmente des*


prezlvel comparado com o torque positivo ou negativo d esen­
volvido por K^VI cos (0- t ) , o relé estã no limiar da op e r a ­
ção quando

KjVI cos (0-x) = 0 (1.35)

ou

0 - T = ± 90°

A característica d a unidade direcional (no dia­


grama R-X serã, então, uma linha reta com u m ângulo 0 = t ±9O°.
A Figura 1.13 mostra isto no diagrama R-X.

Fig. 1.13
A medição do ângulo t , como mostrado n a Figura
1.13, provavelmente não ê óbvia mas tornar-se-ã clara se d e ­
duzirmos novamente a característica do relê direcional, in­
cluindo o efeito da mola de controle e m em termos de Z.

Substituindo I por V/Z na equação 1.34:

COS (0— t ) (1.36)

logo,

Z — V 2 cos (0- t ) (1.37)


2

Uma vez que K 2 ê muito pequeno comparado com e


V 2 , concluimos que a característica Z deste relê ê u m cír­
culo similar ao do relê mho, porém, com u m diâmetro muito
2 2
grande função de V . O fato do tamanho ser função de V nao
nos atrapalhara, desde que V não seja zero, ou K 0 seja mui-
2 ^
to menor do que K 1V .

A localização de t no diagrama R-X é agora reco­


nhecível e ê similar à do relê mho.

Com o efeito da mola de controle incluído, o relê


direcional aparecera como se mostra na Figura 1.14.

A circunferência característica deste relê serã,


e m geral, suficientemente grande, de modo que possa ser subs­
tituída por uma reta na maioria das aplicações.
A b obina de tensão n u m relê direcional supre ape­
nas a polarização e, por essa razão, a magnitude da tensão
necessária para atuação b e m sucedida é pequena. Assim, ape­
nas as falhas excessivamente severas b a ixarão a tensão a p o n ­
to de impedir a atuação do relê. Tal condição pode ocorrer
quando um disjuntor ê fechado em u ma linhaoan um curto-circui­
to muito próximo. Mesmo que o relê seja energizado pelosTT^s
de barra, ele provavelmente receberá tensão prê-falta, pro­
vendo a bobina de tensão com u m circuito sintonizadp série
de alto Q que forçará corrente pela bo b i n a de potencial por
diversos ciclos depois que a tensão desaparece. A corrente
suprida dessa forma está aproximadamente em fase com a cor­
rente pela bobina de potencial antes da falta, e permitirá
atuação rápida do relê.

As características do relê de impedância e do re­


lê direcional podem ser combinadas para se obter um relê d i ­
recional, como mostrado n a Figura 1.15. Os contatos d a u n i ­
dade direcional estarão em serie com os contatos de disparo
do relê de impedância, ou impedirão a atuação do relê de im­
pedância por algum meio, tal como abrir o circuito d a b o b i ­
na de tensão do relê de impedância.

Relê de distância tipo impedância m o dificado

E m algumas aplicações será desejável ter uma ca­


racterística de relê como se m ostra na Figura 1.16.
Unidode de impedõncro

Unidade direcionol

Fig. 1.16

E s t a característica pode ser obtida polarizando


o circuito de retenção por tensão do relê de impedância.

A equação de torque com polarização ê:

T = Kjl2 - K 2 (V + Cl)2 (1.38)

onde Cl supre a polarização. (V + Cl) ê o valor eficaz do


vetor soma de V e Cl. A tensão Cl ê gerada forçando \ima cor­
rente I por uma impedância C e somando esta valor a V ligan­
do Cl e m série com a fonte de tensão.

0 ângulo de fase e a magnitude de C determinarão a


direção e magnitude, respectivamente, do movimento do cen­
tro do círculo.

Uma vez que a saturação da alterações na impedân-


cia C, o offset do relê vai variar com o nível de corrente,
razão porque, em aplicações que requerem ajuste preciso,não
são possíveis.

Relê de distância tipo reatância

0 relê de reatância é um relê de sobrecorrente ocm


retenção direcional. Portanto, a equação do torque é:

(1.39)
2
onde K^I desenvolve torque positivo e I^VIcos (0- t ) faz-se
desenvolver torque negativo (torque de retenção p a r a faltas
na direção do disparo) tornando t = +90°. A equação 1.39 tor­
na-se s

T = K^I + K 2VI cos (6-90)- K 3 (1.40)

onde 0 e negativo quando I e s t ã atrasado e m relação a V.

Substituindo c o s (0-90) por sen 0 , p a r a T = 0, e


2
dividindo por K 2I , obtem-se:

K,
K1 V
0 = —^ s e n 0 - (1.41)
K 2 X'
Rearranjando e desprezando ^/Kj-I ,

K„
sen 6 (1.42)
K,

ou
V
s e n (-0) (1.43)
I

Uma vez que 0 ê negativo para I atrasado e m r ela­


ção a V para direção arbitrariamente atribuída ao relê, fal­
tas na direção de disparo produzirão valores positivos para
sen(-0), e sendo Zcos(-0) = R e Zsen (-0) = X,

K
-j^- = -j- sen(-e) = X (1.44)

Dessa forma, o ponto de equilíbrio do relê ocorre


quando a reatãncia vista pelo relê, (V/I) sen(-6) ou X i gua­
la K 3/K2 . Um desenho deste lugar geométrico ou caracterís­
tica do relê é mostrado na Figura 1.17.

Referindo-nos â equação anterior (1.40), o bserva­


mos que o torque positivo resulta qucindo X < e torque
negativo ê quando X > K^/K ^ .

0 relê de reatãncia é, portanto, um relê direcio­


nal seletivo que pode distinguir distância baseando-se ape­
nas n a componente reativa da impedância. Por exemplo, na Fi ­
gura 1.18, o relê de reatância atuara para Z', porem não para
Z ".
X

| Conjugado nogotivo

f Conjugado positivo

___ _______________________R

Fig. 1.17

Fig. 1.18

O relê de reatância sozinho atuara para defeitos


"atras" do relê (Z,w na Figura 1.18) e correntes de carga com
a componente X abaixo do ajuste d o relê (ver Figura 1.18). Estas
características tornariam o relê inútil para a proteção de
linhas, razão porque o relê de reatância ê sempre supervisio­
nado por outro relê que seja direcional e insensível às cor­
rentes de carga. Para esta finalidade usa-se, e m geral, o r e ­
lê mho e a combinação de duas unidades de r e a t â n c i a , e uma u-
nidade mho é mostrada na Figura 1.19

Nesta aplicação o relê mho é denominado unidade de


p a r t i d a , embora ele constitua, na realidade, a terceira zo­
na de proteção.

As três zonas de proteção formadas são designadas


Z^, e Z3 na Figura 1.19. Z^ atua instantaneamente e p r o ­
tege uma seção de linha adjacente, enquanto Z2 e Z3 sãotem-
porizados e atuam como retaguarda p ara as linhas adjacentes.

Relê de impedância angular

O relê de impedância angular não é geralmente u-


sado como um relê de distância, mas constitui parte i mpor­
tante de muitos esquemas de relês de distância, como os re­
lês de disparo por falta de sincronismo, cegamento(blinder)
e diversos outros usos.

O T e l e de impedância de ângulo ê similar ao relê


de reatância, não sendo, porém, o ângulo de m áximo torque i-
gual a 90°.

T = K jl2 - K 2V I COS (0- t ) - K3 (1 .4 6 )

No ponto de atuação

Kj^I2 = K 2VI cos (6-T) + K3 (1.47)

2
dividindo por I ,
K.
K 1 = K 2 " T " cos(8_t> + — I (1.48)

Ki . k 3
Z cos(8-x) = (1.49)
K
2 K 2I‘

desprezando

V K2
Z = (1.50)
COS(0-t)

A Figura 1.20 indica a característica dum relé de


impedância angular com t = -30°, ao passo que na Figura 1.21
aparece um relé similar com x = +30°. Com x = 0 , a caracte­
rística do relé seria paralela ao eixo do X e poderia ser
chamado de relê de resistência.

Fig. 1.20

Aplicações de reles de uma única grandeza

Analisaremos neste curso duas aplicações de reles


de uma única grandeza de entrada. Estas são o relê de t en­
são e o relê de corrente. E m qualquer u m dos casos, o relé
pode ser construído para atuar em conseqüência de magnitudes
excessivas das grandezas de atuação, ou atuar devido a m a g ­
nitudes baixas da grandeza atuante. As aplicações mais po-
pulares destes relês são como relês de subtensão, sobreten­
são e sobrecorrente. As ligações normais para estes relês
são as indicadas na Figura 1.211

Tronsformodor de corrente

0 relê tipo disco de indução ê usado onde for n e ­


cessária a característica de tempo inverso para coordenação
entre diversos relês do m esmo tipo, ou onde u m a condição p o ­
derá ser de natureza transitória e não seja desejada a atua­
ção do relê, a não ser que esta condição seja m antida por um
c^rto período de tempo. Relês antigos tipo atração eletronag-
nêtica, dos quais alguns ainda são disponíveis, foram cons­
truídos com amortecimento provido por foles que retardava o
fechamento dos relês e lhes dava característica de tempo in­
verso. Contudo, a maioria dos relês de atração elet r o m a g n é ­
tica são agora aplicados onde for desejado resposta i nstan­
tânea. As estruturas copo de indução e laço de indução são
também aplicadas e m esquemas instantâneos. Quando tempo d e ­
finido de retardo ê requerido, pode-se usar u m relê instan­
tâneo para dar partida a u m temporizador que, apos oarpletar
seu ciclo de tempo, atua para disparar o disjuntor, dar a-
larme, etc. Geralmente, a seqtiência de tempo ê i n terrom­
pida e o temporizador restabelece quando o relê instantâneo
restabelece.

A Figura 1.02 m ostra exemplos de características


de tempo inverso para relês de disco de i n d u ç ã o , e aplicação
de reles de tempo definido de retardo e instantâneos.

Aplicação de reles .de duas grandezas

Existem relês de duas grandezas com temporização


(disco de indução) ou instantâneos (copo ou l a ç o ) . 0 tipo
temporizado garante uma característica de tempo inverso e é
pouco usado porque é de difícil coordenação. Os reles de duas
grandezas instantâneos são usados para controle direcional
ou discriminação direcional e são aplicados em conjunto com
outros relês que não possuem discriminação direcional.

Relês de sobrecorrente direcionais controlados

Neste rele, um elemento direcional de duas gran­


dezas controla a atuação duma unidade de sobrecorrente, de
modo geral, controlando o circuito da bobina de sombreamen-
to d u m relê de uma única grandeza ou supervisionando o cir­
cuito de disparo do relê de uma única grandeza. Usa-se ge­
ralmente o primeiro método, u m a vez que falso disparo pode
ocorrer se for permitido que relês de uma única grandeza par­
tam e chaveiem com o disparo bloqueado pela unidade direcio­
nal. Uma rápida inversão n a direção da corrente pode ocorrer
apòs a remoção da falta, do que resultaria a operação d a u-
nidade direcional antes que a unidade de sobrecorrente tem-
porizada pudesse abrir seus contatos.

Relê direcional tipo produto

O relê disco de indução de duas grandezas com ca­


racterísticas de tempo inverso ê chamado relê tipo produto,
porque o torque de operação ê função do produto das duas
grandezas aplicadas e do ângulo de fase entre estas gr a n d e ­
zas. O relê terã uma grandeza de tempo inverso, conforme in­
dicado na Figura 1.02, mas a abscissa da curva serã em uni­
dades, representando o produto das duas grandezas aplicadas
e do coseno do ângulo entre elas.
V, NOTAÇÃO PARA AS LIGAÇÕES DE TENSÃO

A Figura 1.22 mostra um sistema de notação g eral­


mente adotado para relacionar as tensões das conexões dos
relês. Um subscrito simples significa um valor de fase a neu­
tro, e um duplo subscrito significa valores entre fases,
sendo que o primeiro dos dois subscritos indica o ponto do
vetor. Isto leva ao conceito de que Vab = -Vba.

Fig. 1.22

A Figura 1.22 também mo s t r a uma m a n e i r a popular


para relacionar os ângulos de fase das correntes de linha com
as tensões do sistema. Na Figura 1.22 as três correntes são
mostradas na posição correspondente ao fator de potência u-
nitãrio, mas elas poderiam ser giradas para mostrar qualquer
ângulo de fase.

VI. CONEXÕES USUAIS DE RELÊS DE DUAS GRANDEZAS


Relês direcionais de potência

Um relê direcional de potência para u m sistema mo-


nofãsico poderia ser ligado, como se mo s t r a na Figura 1.221,
e ter um ângulo de máximo torque t = 0o , do que resulta uma
característica de operação como se mostra na Figura 1.221.

Este mesmo relê monofãsico poderia ser usado em u-


m a fase dum sistema trifãsico. Contudo, a ligação do TP
as vezes não dâ tensão fase neutro, podendo-se, neste caso,
usar um relê com ângulo de máximo torque de 90° e alimenta­
lo com corrente, de linha e tensões entre fases, como é m o s ­
trado na Figura 1.222. Na Figura 1.222, com fator de p otên­
cia unitário, a corrente 1^ estarã 90° avançada em relação
à tensão e desenvolvera torque máximo

I mínimo-

Bobino de
corrente
Conjugodo Conjupodo
Bobino de negativo positivo
tensoo

Fig. 1.221

Fig. 1.222

A direção do fluxo de potência para o qual o relê


atuara pode ser facilmente invertido, invertendo as ocnexões
do circuito de tensão ou corrente. Deve-se considerar na a-
plicação deste relê seu mínimo de atuação, m ostrado como I
mínimo na Figura 1.222. A maioria dos relês direcionais de
potência têm facilidades de ajuste quanto ao ponto de a t u a ­
ção em termos de watts ou corrente por meio de taps na bo­
bina de corrente.

Os relês direcionais de potência p odem ser instan­


tâneos na operação, usando-se, neste caso, a estrutura de
alta velocidade, ou os relês podem incluir um retardo que se
obtêm utilizando uma estrutura de alta velocidade combinada
com um temporizador ou uma estrutura tipo disco de indução
que garante uma característica de tempo inverso inerente.
Em algumas aplicações pode ser desejável que o relê direcio­
nal responda à potência trifãsica total. Este serã parti­
cularmente o caso dos relês de potência de alta velocidade
que não devem operar devido a transitórios numa fase. Um re­
lê de potência trifãsico pode ser formado interligando os
contatos de saída das três unidades monofãsicos, ou uma ü-
nica unidade pode ser construída, a qual soma o torque pro­
duzido pelos três conjuntos de bobinas de operação, sendo
cada conjunto ligado de forma a produzir o torque aarrespcn-
dente à potência da respectiva fase. Assim como para as u-
nidades direcionais monofãsicas, as unidades trifãsicas po-
dém ser instantâneas ou incluir retardo sob forma de carac­
terística inversa ou característica de tempo constante.

Relês direcionais de sobrecorrente

Relês direcionais de detecção de-curto-circuito podem


ser chamados relês direcionais de VAR, pelo fato que eles são
similares aos relês direcionais de potência, excetuado o ân­
gulo de máximo torque que ê ajustado de m a n e i r a que o relê
desenvolva torque positivo quando a corrente atrasa em r ela­
ção à tensão, tomando como referência a direção de disparo.
Sabendo-se que as correntes de curto-circuito atrasam em re­
lação à tensão de 60 a 85°, esta ê a faixa geral de ângulos
de máximo torque usada no projeto de relês quando instala­
dos, seguindo um dos arranjos discutidos abaixo. Cada uma
destas três ligações convencionais requer u m relê direcicnal
com um ângulo de máximo torque diferente. Uma vez que a u-
nidade direcional serã usada apenas p a r a permitir ou bloquear
a operação desses relês de sobrecorrente, a unidade direcio­
nal somente precisa ser capaz de discriminar entre as duas
direções possíveis do fluxo de corrente. Uma componente re­
ativa da corrente normal de carga, se estiver na direção a-
propriada, pode manter a unidade direcional na posiçãc atua­
da. Isso ê aceitável desde que o tempo de operação da u nida­
de de sobrecorrente seja muito maior do que o tempo de o p e ­
ração da unidade direcional. Isto é, para uma falta na di­
reção contrária a de disparo, a unidade direcional deve r e ­
laxar anter que a unidade de sobrecorrente atue. Isto será
um problema somente quando a unidade direcional supervisiona
uma unidade de sobrecorrente instantânea.

Além das ligações mostradas abaixo, há muitas ou­


tras ligações possíveis, porém, as três discutidas abaixo mi­
nimizam as operações indevidas. Operação indevida é o fecha­
mento dos contatos do relé direcional para faltas na dire­
ção contrária ao disparo. Mesmo se for usada uma das três
ligações abaixo, podem ocorrer condições que resultam em o-
perações indevidas no caso de faltas d e s b a l a n c e a d a s . Capí­
tulos posteriores referentes à aplicação de relês de sobre-
correntes direcionais indicarão estes casos.

Ligaçao 30°

Ligação 90°
Ligaçao 60°
Fig. 1.23

Cada um dos diagramas vetoriais da Figura 1.23 m o s ­


tra a relação entre o vetor tensão e o vetor corrente usada
para reles no caso de fator de potência unitário. A respos­
ta do relê aos vetores corrente e tensão para curto-circuitos
trifãsicos ê facilmente obtida. Contudo, faltas desbalancea-
das (faseXterra, faseXfase e duas fases à terra) provocarão
quedas desiguais de tensão e dessa forma resultam desloca­
mentos tanto do vetor corrente como, possivelmente, também
do vetor tensão. Mais investigações de v e m ser feitas para
garantir que nenhuma falta desbalanceada na direção de não
disparo do relê possa originar torque positivo e m qualquer
uma das três unidades direcionais de fase quando sua respec­
tiva corrente de fase for suficientemente alta p a r a operar a
unidade de sobrecorrente supervisionada.

O relê direcional para discriminar corretamente a


direção deve desenvolver torque para qualquer falta envol­
vendo a fase protegida, devendo o torque ser positivo para
faltas n a direção protegida e negativo para faltas n a d i r e ­
ção não protegida.

A ligação mais popular ê a ligação de 90° e, como


exemplo esta ligação ê examinada minuciosamente abaixo.

A Figura 1.24 mos t r a a resposta d u m relê d irecio­


nal que desenvolve o máximo torque positivo quando a corren­
te está atrasada em relação à sua posição com fator de po­
tência unitário de 45° e que é aplicada à ligação de 90°. A
Figura 1.24 mostra que o relê desenvolverá torque positivo
para faltas trifãsicas faseXfase e faseXterra envolvendo a
fase da qual o relé deriva seu sinal de corrente. Para fal-
tas na direção de não disparo, as magnitudes de tensão serio
aproximadcimente as mostradas n a Figura 1.24, os ângulos das
correntes serão as mesmas, mas as correntes serio as n ega­
tivas daquelas mostradas na Figura 1.24. Logo, faltas na d i ­
reção de não disparo gerarão correntes em atraso em relação
â tensão em quadratura de 100 a 160° e que desenvolverão tor-
que negativo no relê.

Fig. 1.24

Relês de balanço

Os dois tipos de relês de balanço são o tipo de


sobrecorrente e o tipo direcional. Embora ambos os tipos sejam
tratados como tais e se subentende que sejam atuados por ooi>-
rente, ambos podem ser construídos para atuarem p e l a tensão.
Estes relês são construídos com o objetivo de comparar duas
grandezas de entrada e operar quando uma grandeza excede a
outra por um valor suficiente para vencer a m o l a de retenção.
A estrutura tipo gangorra é discutida abaixo para ambos os
tipos de relês, contudo, outros tipos de estruturas podem ser
usadas para prover as mesmas características.
Relé balanço de corrente

A Figura 1.25 m o stra a construção duma estrutura


tipo gangorra que pode ser usada num relé de balanço por so-
brecorrente. As duas bobinas podem ser idênticas ou podem ter
um número diferente de espiras pa r a prover balanço, quando
as duas correntes obedecerem uma determinada relação ocnstan-
te. Isto pode ser mostrado deduzindo a equação de torque des­
te relê. A equação bãsica de torque é:

T = K jl^ - - K3 (1 .5 1 )

Quando o relê estã no limiar da operação, a rela­


ção das duas grandezas de atuação és

(1.52)

Desprezando o efeito da m o l a de controle e rearranjando:

(1.53)

Fig. 1.26

E s t a característica ê most r a d a n a Figura 1.26 on­


de K r = J K 2/ K ^ • E s t a característica de funcionamento d es­
preza o efeito da m ola que ê significativo somente nos b a i ­
xos níveis de corrente conforme será discutido mais adiante.
*

Se o relê tiver dois contatos de operação, um n a região de


torque positivo e outro n a região de torque negativo, uma
segunda m o l a de controle pode ser necessária p ara manter o
relé numa posição de equilíbrio quando as correntes de atua­
ção são pequenas ou nulas.

A característica da Figura 1.26 diz-se ter uma"de-


clividade percentual" determinada pelo valor de Kr . Além
d i s s o , um dos valores atuantes chama-se "valor de retenção"
e o outro "valor de operação".

A característica de operar dois contatos, um para


corrente excessiva numa b obina e o outro p a r a corrente ex­
cessiva na outra bobina, pode também ser assegurada usando
duas estruturas similares à da Figura 1.25, com as bobinas
de correntes opostas das duas estruturas ligadas e m série.
Isto pode permitir uma isolação conveniente dos dois conjun­
tos dç contatos ou declividades diferentes.

0 relê tipo sobrecorrente de balanço pode ser usar


do p ara comparar correntes e m duas fases d u m ünico circuito
ou para comparar correntes em fases correspondentes de dois
circuitos diferentes. N o caso de circuitos p a r a l e l o s , o relé
de balanço pode detectar um curto-circuito n u m ou noutro,ou,
pode detectar carga não equilibrada de dois circuitos não
paralelos. Quando aplicado como relê de proteção para curto-
circuito e ligado p a r a disparar o disjuntor, deve-se tomar
cuidado para que o relê não opere o disjuntor d uma linha com
carga normal, quando uma linha para l e l a for desligada.

VII. RELfiS DIFERENCIAIS


A conexão diferencial

N a sua forma mais simples, u m relé diferencial ê


um relé de indução ou atuação eletromagnética de u ma ünica
grandeza ligado em arranjo diferencial a dois t r ansformado­
res de corrente ( T C ' s } 9 provendo u m deles uma corrente p r o ­
porcional à corrente entrando no elemento p r o t e g i d o , e o o u ­
tro uma corrente proporcional à corrente saindo do mencionado
elemento a proteger. 0 circuito p a r a esta conexão ê indica­
do n a Figura 1.27. O elemento protegido pode ser u m trecho
de circuito de transmissão, um enrolamento de gerador ou m o ­
tor, uma seção de ba r r a ou um transformador. A Figura 1.27
também indicra a direção da corrente no circuito do relê p a ­
ra faltas no equipamento protegido e faltas externas ao e-
quipamento protegido. 0 relê não opera para correntes decar-
ga, uma vez que as correntes de carga são análogas àquelas
produzidas por um defeito externo.

DEFEITO INTERNO DEFEITO EXTERNO

Fig. 1.27

A Figura 1.27 ê muito representativa do circuito


que seria usado para proteger qualquer elemento d o sistema,
excetuando o transformador. N o caso dum transformador, os
transformadores de corrente no primário e no secundário pro­
vavelmente não sio de igual relação de transformação e po­
derá haver u ma diferença de fase entre as correntes primárias
e secundárias. A diferença de fase pode ser compensada pela
conexão dos transformadores de corrente. Por exemplo, se as
grandezas corrente e tensão no lado alta estão avançadas em
relação às de b aixa tensão de 30°. A l é m de assegurar corren­
tes em fase ao relê diferencial, esta conexão faz com que as
correntes desequilibradas de carga ou falta desapa r e ç a m era
cada fase do relé como correntes equilibradas. A diferença
de relação entre os transformadores de corrente do lado de
alta tensão e ba i x a tensão pode ser compensada por transfor­
madores de corrente auxiliares ou usando um relê tal como o
do tipo de sobrecorrente analisado anteriormente e que /provê
taps numa das bobinas de corrente p ara compensar a d iferen­
ça de relação de transformação dos transformadores de cor­
rente .

Um relê tipo indução com u ma e strutura de operação


que permite o desenvolvimento de dois torques independentes
em u m ünico rotor, pode oferecer a me s m a característica que
a estrutura tipo gangorra.

Relé diferencial porcentual

0 relé diferencial porcentual ê uma versão modi­


ficada do relé Balanço de Corrente. A conexão do r e l é é m o s ­
trada na Figura 1.2 8. A modificação consiste dum tap aentral
na bobina de retenção e na ligação das duas bobinas confor­
me mostrado na Figura 1.28.

Fig. 1.28

Para as direções das correntes mostradas n a Figu­


ra 1.2 8, a corrente efetiva nabcbinade retenção será (1^ + I2)/2
e a corrente na bobina de operação serã (1^ - I2 ) . O torque
produzido pela bobina de retenção ê (I1 + I2 )/2, pois 1^ flui
numa metade d a b obina produzindo torque negativo p r o p o r c i o ­
nal a 1^/2, enquanto que I2 flui na outra metade produzindo
torque negativo proporcional a I 2/2, dcnde I j/2+I2/2“ (Ij+I2)/2 .
Observemos que a bobina de retenção produz torque negativo,
não interessando a direção da corrente.

Para uma falta externa, ou sob corrente de carga


normal, 1^ - I2 é zero e plena retenção é produzida pela b o ­
b i n a de retenção, sendo (1^ + I2 )/2 * I I = 12 * Quando ocor­
re uma falta interna, I2 torna-se negativo, a corrente na
bob i n a de operação serã 1^ + I2 e a retenção depende d a r a ­
zão entre 1^ e I2 « Com I 1 = I2 , a retenção serã desprezível
ou zero. Com I 0 = 0 (sõ uma fonte de corrente de f a l t a ) , a
corrente de operação serã 1^ e a retenção será 1^/2. Assim,
com apenas uma fonte, o torque de operação serã o dobro do
torque de retenção.

A Figura 1.30 mostra as características de funcio­


namento dum relê de tipo b alanço de corrente, quando usado
como relê diferencial porcentual.

Na primeira impressão poderia parecer que o relê


diferencial porcentual ê menos sensível que u m relê de uma
ünica grandeza aplicado num circuito diferencial, como na
Figura 1.27, uma vez que não hã torque de retenção no relê
de uma única grandeza. 0 fato ê que o relê diferencial p o r ­
centual serã mais sensível que o relê de uma única grandeza,
pois a sensibilidade do relê de uma única grandeza tem que
ser limitada a fim de evitar a operação por correntes d ife­
renciais provocadas por inexatidão dos transformadores de
corrente submetidos a correntes transitórias elevadas q u a n ­
do ocorrem faltas externas. Este ajuste mais alto requerido
pelo relê de uma única grandeza limita sua sensibilidade pa­
ra defeitos externos. 0 relê diferencial p o r c e n t u a l , por ou­
tro lado, requer que uma corrente exceda a outra por una por­
centagem especificada para que o relê opere, e esta diferen­
ça porcentual (habitualmente ajustãvel) pode ser ajustada pa­
ra previnir a operação devido ãs máximas correntes de erro
previstas e que podem ser geradas pelos transformadores de
corrente CTCsl. nas faltas externas!. Faltas internas p r o d u ­
zem correntes e m sentidos contrários nas duas metades da b o ­
bina de retenção, tornando o torque de retenção pequeno ou
mesmo zero, se no relê 1^ = Uma vez 3ue a bobina de re ­
tenção impedirá a operação por correntes de erro durante as
faltas externas, a sensibilidade da b o b i n a de operação pode
ser aumentada consideravelmente além da possível num relê de uma
única grandeza. Um exemplo most r a r á como o relê diferencial
porcentual trabalha e mostr a r á como ele pode ser mais sen­
sível que u m relê de uma única grandeza e m conexão d iferen­
cial. A Figura 1.29 mostra a mín i m a sensibilidade admissí­
vel para u m relê de uma única grandeza em conexão d i feren­
cial, se se admite que a maior diferença de corrente nos se ­
cundários dos TC's ê de 20% sobre a máxima corrente secun­
dária de falta.

A Figura 1.29 mostra uma máxima corrente de falta


hipotética de 10.000A para uma falta a direita do elemento
protegido. Admite-se que o TC da direita mantem a exatidão,
enquanto que a corrente secundária do TC da esquerda ê 20%
inferior à corrente primária. Este erro do TC daria origem
a uma corrente de 10A na bobina de operação do relé. Se se
quiser evitar a operação do relé para a mencionada falta e x ­
terna, a sensibilidade mínima do relé deve estar acima de
10A. Uma vez que estamos interessados na sensibilidade má­
xima para uma falta interna, vamos t e s t a r a sensibilidaie deste
relé de 10A quando ocorre uma falta interna. Quando fluem 10A
na bobina de operação, a corrente no primário de qualquer um
dos dois TC's será 2.000A ou menos e, uma vez que istoé menos
que duas vezes a nominal, admitiremos que não haja erros nos
T C 1s , quando faltas nos elementos protegidos provocam tais
correntes baixas. Para uma falta interna, I ^ será positivo e
I2 será negativo e a corrente na bobina de operação será
I^ + I2 - Para uma corrente 1^ + I2 de 10A, a corrente total
fluindo de dois sistemas para uma falta interna deve ser de
2.000A primários.

Vejamos agora a sensibilidade que se pode obter


d um relé diferencial porcentual aplicado de forma similar.

Vamos admitir que se possa projetar um relé de so-


brecorrente tipo gangorra, como mostrado na Figura 1.26, com
uma sensibilidade de 0,2A. A sensibilidade deste relê ê d e ­
finida pela corrente necessária para vencer o torque de re­
tenção da mola com corrente nula na bob i n a de retenção. A
sensibilidade de 0 , 2A é razoável e pode ser obtida e m reles
tipo gangorra ou do tipo de indução.

Inicialmente examinaremos o desempenho deste relê


para faltas externas que provocam o erro máximo de corrente
na bobina de operação do relê, importando em 20% da corrente
total. Assim, para uma falta externa como se mo s t r a na Fi­
gura 1.29, 10A fluiriam na bobina de operação, porém, a bo­
bina de retenção também sentiria 40A numa metade da bobina
e SOA na outra metade, resultando numa corrente de retenção
efetiva de 45A. A Figura 1.30 mo s t r a a curva característica
deste relê quando ajustado para uma declividade de 25%. O
ponto 45A na bobina de retenção e 10A na bob i n a de operação
cai na região de torque negativo da característica deste r e ­
lê, e o relê, portanto, não operará para esta falta externa.

Fig. 1.30

Para determinar como este relê reagirá para faltas


internas examinemos alguns casos de faltas internas e as ca­
racterísticas de operação do relê. Conforme mostrado na Fi­
gura 1.30, o relê desenvolverá torque positivo para as con­
dições extremas duma falta interna com apenas um sistema
suprindo corrente de curto e com ambos os sistemas suprindo
correntes de igual mõdulo para a falta- Faltas dando origem
a diferentes relações de corrente dos dois sistemas cairão
entre os lugares geométricos dos pontos de operação m ostra­
dos na Figura 1.30. O desvio da relação dos T C s para defei­
tos internos, com nível extremamente elevado, provocará des­
vios das correntes secundárias originando aumento ou dimi­
nuição do torque positivo no relê, porém,.em nenhum caso, a
inexatidão dos T C s pode provocar o aparecimento de torque
negativo para faltas internas.

Vimos, portanto, que o relê diferencial poroentual


desenvolverá torque positivo para faltas internas e torque
negativo para faltas externas, mesmo com inexatidão de TC.
Podemos, na realidade, ajustar a declividade porcentual do
relê, de modo a levar em conta o máximo erro do T C s em con­
dições de curto-circuito externo máximo sem afetar de forma
significativa a operação para faltas internas. Ficamos ain­
da com a tarefa de examinar a sensibilidade do relê no caso
de pequenas correntes de falta interna.

A capacidade do relê, no sentido de assegurar ope­


ração instantânea no caso de faltas internas de nível extre­
mamente baixo, é uma importante vantagem em relação do relê
de uma ünica grandeza analisado anteriormente. A sensibili­
dade do relê diferencial de uma ünica grandeza seria algo au­
mentada adicionando retardo, porém isto reduziria severamen­
te o benefício do circuito tipo diferencial, e muito minu­
ciosa análise do desempenho do TC seria necessária para de­
terminar o mínimo retardo requerido.

A Figura 1.30 mostra que a mola de controle desvia


a característica de funcionamento do relê da sua caracterís­
tica de declividade constante para correntes extremamente
baixas. Ê obvio que quando 1^ = I2 , não há retenção e o re ­
lê atuará com 0,2A n a bobina de operação. Isto exigiria 20A
de corrente de falta entrando na zona protegida de cada s is­
tema. No outro caso extremo, com apenas um sistema suprindo
corrente de falta, haverá corrente de retenção, e a corren­
te de operação tem que exceder a corrente de retenção em 25%
mais a mín i m a corrente de atuação do relê. A m ínima corren­
te de operaçao do relê seria 0,23A, o gue corresponde a a-
proximadamente 46A primários.

A discussão supra ê algo acadêmica, pois as fal­


tas habitualmente ocorrem quando o equipamento esta sob car­
ga e, conseqtientemente, a corrente de falta tem que ser so ­
breposta à corrente de carga para determinar a sensibilidade
efetiva do relê.

No exemplo acima, se admitirmos uma corrente de


carga de 500A e inexatidão do TC nula, podemos calcular fa­
cilmente a diferença que deve existir entre a corrente en­
trando no elemento protegido e a corrente saindo, a fim de
provocar a operaçao do relê. Observe-se que a corrente de
carga de 500A produzira considerável torque de retenção. Po ­
demos determinar, numa primeira aproximação, a corrente d i ­
ferencial necessária para a operação do relê, calculando a
corrente de operação requerida para sobrepujar o torque de
retenção devido à corrente de carga. A corrente de carga de
50QA dará uma corrente de retenção efetiva de 2,5A.((I^+I2)/2).
Uma vez que a corrente de operação ê igual a 25% da corren­
te de retenção mais 0,2A, acharíamos uma corrente d iferen­
cial. nos T C 1s (I1 - Ij) de 0,825A, o que representa uma d i ­
ferença na corrente primária de 165A.

No exemplo utilizado para explicar a operação de


relês diferenciais porcentuais usou-se TC's com relações i-
guais em ambos os lados do elemento protegido. N e s t a situa­
ção, a probabilidade de grandes erros nos TC's ê reduzida,
pois os TC *s de ambos os lados do elemento protegido são m u i ­
tas vezes da m esma construção. O correm situações, porém, em
que u m TC ê do tipo enrolado e o outro do tipo de bucha. E m
tais casos podem ocorrer erros maiores nos TC's. Particular­
mente no caso da proteção de t r a n s f o r m a d o r , o problema das
correntes de erro existe, pois os TC's do lado primário e
secundário serão de relações diferentes e p odem também ser
de construção, diferente. Conforme discutido a n t e r i o r m e n t e ,0
relê pode ser construído com transformadores de oarrente au­
xiliares internos, bobinas com taps ou transformadores de
corrente auxiliares externos para casar a relação dos TC's
primários e secundários.

Outros problemas quanto à aplicação de relês di­


ferenciais porcentuais na proteção de transformadores serão
discutidos em capitulo posterior.
CAPITULO

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS PARA A


APLICAÇAO DE RELÉS
I. INTRODUÇÃO

Este Capitulo considerara apenas princípios b á s i ­


cos de aplicação e não tratara com minúcias a aplicação de
reles específicos. Serão tratados e m primeiro lugar os as­
pectos de projeto do sistema que afetam os métodos de pro­
teção. Também serão discutidas a função da proteção prima­
ria e duas formas de proteção de retaguarda qua n t o ã sua de-
sejabilidade e relacionamento mutuo e com o projeto do s is­
tema.

II. UM SISTEMA PROTEGlVEL

O planejador do sistema deve levar e m consideração


um conjunto de aspectos a fim de chegar a um arranjo adequa­
do para a expansão do sistema (ele quase sempre estã ex p a n ­
dindo u m sistema e x i s t e n t e ) . Isto significa que os novos e-
lementos do sistema d evem ser compatíveis cora os elementos
e arranjos existentes no sistema, tal como a proteção exis­
tente. 0 planejado deve conceber um s istema que seja e xpan­
dí ve 1 no futuro e que satisfaça os mínimos requisitos de con­
fiabilidade a um custo justificável. Os aspectos econômicos
são complexos e representam uma carga enorme p ara o projé-
tista.
A proteção deve ser um aspecto importante a ser
considerado durante a fase de planejamento. Se não for con­
siderado o que ê freqílentemente o caso, o engenheiro de p r o ­
teção poderá ter grandes p r o b l e m a s , e a proteção poderá e s ­
tar longe da ideal e contribuir para um sistema deficiente
quanto à confiabilidade.

O engenheiro, ao aplicar dispositivos de p r o t e ç ã o ,


planeja seu esquema de proteção baseado nos disjuntores dis­
poníveis. Ê preferível que cada elemento do circuito (linha,
transformador, barra, etc.) possa ser completamente isolado
por seus disjuntores, quando um curto-circuito ocorre no dis­
positivo ou se o dispositivo opera sob condições anormais que
requeiram sua remoção do serviço para proteger o sistema ou
o dispositivo. Contudo, isto não é sempre o caso porque a e -
liminação dos disjuntores ê um dos meios mais fáceis de re ­
duzir os custos do sistema. Quando se elimina disjuntores com
o objetivo de reduzir os custos, as zonas dos dispositivos
de proteção têm que ser aumentadas e podem incluir diversos
equipamentos do sistema. A desvantagem evidente é devido ao
fato de que um defeito em qualquer um dos equipamentos p r o ­
voca o desligamento duma parte maior do sistema do que seria
necessário. Isto não é um problema tão grande quando os e-
quipamentos estão e m série, tal como pode acontecer com uma
linha e um transformador, mas pode tornar a proteção menos
sensível para um ou ambos os elementos. O planejador do sis­
tema, contudo, tem a responsabilidade de pesar estas desvan­
tagens com o benefício d a redução de custos.

A proteção, portanto, desempenha um papel impor­


tante num sistema confiável, e deve ser devidamente consi­
derada ao planejar o sistema. Os disjuntores e os reles as­
sociados devem atuar para proteger o sistema dos efeitos dos
curto-circuitos nos equipamentos e com o objetivo de mini­
mizar os danos nos equipamentos com falta.

XII. PROTEÇÃO PRTMÃRIA

A proteção primária, como a primeira linha de d e ­


fesa contra os c u r t o - circuitos, e um elemento crítico no sis­
tema de potência. N a maioria dos casos, os relês primários
operam dentro de alguns ciclos para iniciar a atuação do dis­
juntor e resultam em tempos de limpezas líquidos da ordem de
três a sete ciclos (base de 6 0 H z ) . Este tempo de limpeza re­
duzido é muitas vezes crítico p a r a a estabilidade e sempre
crítico quanto à minimização dos danos de falta. É imito fre-
qüente, o caso que os tempos de chaveamento críticos p ara a
estabilidade são apenas levemente superiores que os tempos
de limpeza da proteção primaria. E m tais casos, a falha da
proteção primaria, por ocasião d u m a falta severa, praticanen-
te assegura uma condição de falta de sincronismo. A i nter­
rupção da e nergia aos consumidores e os danos ao e q u i p a m e n ­
to, quando o sistema se e sfacela devido a i n s t a b i l i d a d e , são
conseqüências que tornam a proteção prima r i a tão importante.

A fim de cobrir todos os equipamentos dum sistema


com relês de alta velocidade seletivos (somente o e q uipamen­
to defeituoso ê r e m o v i d o ) , tiramos v a n t a g e m dos vãrios tipos
de relês estudados sucintamente n o Capítulo 1. Tratam-se
de relés que distinguem a direção da corrente, sentem a d i s ­
tância do local do relê ate o ponto de falta, ou operam s e ­
gundo o princípio diferencial.

Nosso objetivo ê aplicar estes relés ao sistema,


de m aneira que provoquem, por exemplo, a abertura rãpida dos
disjuntores em ambos os terminais da linha de trananissão (LT)
para uma falta em qualquer ponto (e somente) n a LT. Faltas
e m transformadores d evem desligar os disjuntores de A T e B T .
Seções de ba r r a d evem ser removidas de serviço por relês de
alta velocidade que abram todos os disjuntores que fornecem
corrente de CC â barra. Quando o gerador ê ligado no siste­
m a por unidade, isto ê, se n ã o existe disjuntor entre o ge ­
rador e o transformador elevador ou se u ma LT termina num
transformador (TF) sem disjuntor de alta, estes grupos de e-
quipamentos têm que, naturalmente, ser isolados simultanea­
mente para uma falta e m qualquer um deles, mas a limpeza da
falta deve ser rápida.

Cada seção de linha, barra, transformador e gera­


dor neste sistema ê protegido por prot e ç ã o primária, ocnfar-
me mostrado pelas linhas tracejadas rodeando cada equipa­
mento. Cada contorno tracejado representa uma zona de p rote­
ção assegurada pela proteção primaria (ou par de proteções
primarias, no caso de relês de distância p ara a proteção de
li n h a ) . A fronteira de cada zona de proteção ê definida p e ­
la localização dos TC's de proteção.

1- PROTEÇÃO DO GERADOR
2- PROTEÇÃO DO TRANSFORMAOOR
3- PROTEÇÃO DO BARRAMENTO DE MEDIA TENSÃO (oito tonsõo m ocimo do 6 kV>
4 - PROTEÇÃO DO BARRAMENTO DE ALTA TENSÃO
5 - PROTEÇÃO DA UNHA DE TRANSMISSÃO

Fig. 2.01

As Figuras 2 . 0 2 (a) a 2 . 0 2 (f) dão uma visão mais


detalhada de cada um dos tipos de zonas de proteção primária
mostrado na Figura 2.01. A Figura 2 . 0 2 (a) m ostra uma p r o t e ­
ção diferencial de gerador em que cada um dos três enrola­
mentos do transformador ê protegido por u m relê diferencial
ffK> -JHD—
— Qfflr
® 5“ '
— D fft-
(c ) - fFHD—
-® r

Fig. 2.02

porcentual. A Figura 2.02 (b) mos t r a a proteção diferencial


d um transformador. A proteção diferencial do transformador,
além de ser porcentual, inclui retenção por harmônicas (es­
pecialmente 2as. harmônicas). A Figura 2.02(c) m o s t r a a zo­
n a de proteção duma linha de transmissão utilizando u m con­
junto de reles de distância em cada terminal de linha, cada
u m sensível a faltas e m aproximadamente 90% d a linha e com
transferência de disparo para permitir que o defeito p róxi­
mo do terminal, visto por um relê mas n ão pelo outro, p ro­
voque disparo dos disjuntores em ambos os terminais. As Fi­
guras 2.02 Cd) e 2 . 0 2 (f) m ostram proteções diferenciais duma
seção de barra. A Figura 2.02 (e) m o s t r a a proteção duma li­
n h a de transmissão que termina n u m transformador. Os relês
de distancia protegem a linha, e os relês diferenciais o trans-
formador. A eliminação dos defeitos no transformador, tanto
no lado de AT como no lado de BT é conseguido via transfe­
rência de disparo comandada pelo relê diferencial e utili­
zando o canal de comunicações do relê de distância.

Localização dos transformadores de corrente

O relê diferencial pode ser usado para geradores,


transformadores e seções de linha. N o caso de geradores ou
transformadores, os condutores dos TC's podem ser levados di­
retamente aos relês de ambos os conjuntos de TC's. No caso
duma seção de linha, a comparação das correntes entrando nas
duas extremidades da linha deve ser realizada por canais de
comunicação, pois a carga secundaria dos TC's seria e xces­
siva com o comprimento de condutores necessário para a m a i o ­
ria das linhas. A zona de qualquer relê d i f e r e n c i a l ê d e t e r ­
minada pela localização dos TC's.

A proteção diferencial de barras ê essencialmente


igual â proteção diferencial de outros equipamentos. T C 's de
cada disjuntor ligado à barra são interconectados no relê,
de tal maneira que, se a corrente entrando na barra excede
a que sai, disparo de todos os disjuntores de fonte ocorre­
ra. A zona de proteção dum relê diferencial de barra ê ,por­
tanto, também determinado pela localização dos TC's.

A Figura 2.01 mostra a localização dos TC's. Sem­


pre que o contorno tracejado cruza uma seção de barra,trans­
formador de força ou linha, subentende um conjunto de TC*s.
Note-se que cada diâjuntor estã incluído em duas zonas de
proteção. I ssq ê feito propositadamente e, de fato, é neces­
sário se o sistema for classificado como 100% protegido por
relês de alta velocidade de primeira linha. Uma falta n um
disjuntor e, no caso de equipamento, num metal-clad,uma fal­
ta localizada entre TC*s cairã entre duas zonas de proteção.
Dessa forma, contribuições de corrente de ambas as possíveis
direções seriam interrompidas com alta velocidade.

Qualquer falta no sistema da Figura 2.01, limpada


pela proteção primaria, será limpada por um número mínimo de
disjuntores. Faltas fora da zona com sobreposição serio lim­
padas pelos disjuntores de uma única zona, enquanto que fal­
tas e m ireas de sobreposição das zonas serão limpadas pela
operação de todos os disjuntores das duas zonas de proteção.

XV. PROTEÇÃO DE RETAGUARDA

Estudaremos dois tipos de proteção de retaguarda:


proteção de retaguarda local e proteção de retaguarda remo­
ta.

A proteção de retaguarda, conforme o próprio nome


indica, ê instalada para salvar o sistema no caso de falha
d a proteção primaria. Também salva a situação, n o caso de
falha de disjuntor para limpar curto-circuitos detectados pela
proteção primaria. Esta definição subentende que a proteção
de retaguarda tem que ser alimentada de TC's e TP's e ten­
são continua de controle independente da usada p a r a a pro­
teção primaria. A l é m disso, a proteção de retaguarda tem que
disparar disjuntores diferentes daqueles disparados pela pro­
teção primaria. Aspectos econômicos muitas vezes d itam um
custo menor para a proteção de retaguarda. Ao aprofundarrao-
nos n o estudo da proteção, descobriremos que u m custo menor
habitualmente implica em relês de maior tempo de operação. Disso
se conclui que faltas limpadas p ela proteção de retaguarda
resultam em danos de maior vulto e maior perturbação no s is­
tema do que no caso de faltas limpadas pela proteção p r i m a ­
ria (uma parte maior do sistema serã em geral r emovida de
serviço quando opera a r e t a g u a r d a ) . 0 vulto dessas d esvan­
tagens varia, dependendo da utilização de proteção de r eta­
guarda local ou remota.

Retaguarda remota

Uma forma típica de proteção de retaguarda é m o s ­


trada na Figura 2.03. N esta Figura, o relê RI ê um relê de
distância primário cobrindo aproximadamente 90% da seção de
linha adjacente. Se o relê RI ou o disjuntor 1 falha de m a ­
neira que a falta F1 n ã o é eliminada pelo disjuntor 1,então,
£ Z»
2
Ui

Fig. 2.03

algum disjuntor remoto tem que ser aberto. É função da se­


gunda ou terceira zona do relê R2 abrir o disjuntor 2 se o
relê RI ou o disjuntor 1 falha. Os relês do disjuntor 6 não
podem ser usados para esta finalidade porque estariam olhan­
do n a direção errada. A seletividade entre o relê R2 e o r e ­
lê RI ê conseguida dando retardo a segunda e terceira zonas
do relê R2 suficiente p a r a ultrapassar os tempos de operação
do disjuntor e relê para o relê RI e disjuntor 1 mais uma
margem de segurança. Uma vez que a tensão de controle, cir­
cuitos de TC e TP e circuito do disjuntor no disjuntor 2 são
completamente isolados e independentes daqueles do disjuntor
1, a máxima confiabilidade da proteção de retaguarda ê as­
segurada, pois nenhuma falha singela (não múltipla) pode a-
fetar ambos os conjuntos de proteção e disjuntores. Somente
uma falha simultânea, tal como ajustes ou conexões i ncorre­
tas em ambas as proteções pode resultar e m falha total no
sentido de eliminar a falta.

Retaguarda remota pode ser assegurada por um relê


de varias zonas. Por exemplo, o relê R2 na Figura 2.03 teria
três zonas, uma p a r a proteção em alta velocidade ccbrindo 90%
da linha entre os disjuntores 1 e 2, e duas para a proteção
de retaguarda da seção de linha alêm do disjuntor 1 (o ajus­
te destes dois relês ê discutido em capítulo p o s t e r i o r ) .

Retaguarda local
Ilustramos uma proteção de retaguarda na Figura 2.04.
A proteção de retaguarda local consiste, na sua forma mais
idealizada, da duplicação completa da proteção primaria. A
forma ideal incluiria outro conjunto de TC's, outro supri­
mento de potencial, outros relês, outras fontes de controle,
duplicação da bobina de disparo do disjuntor (disjuntor 1) .

Na prática, geralmente não ê economicamente jus­


tificável uma completa duplicação. O primeiro corte ê feito
no componente mais caro, o suprimento de potencial. Um úni­
co suprimento de potencial com fusíveis separados para cada
circuito ou dois enrolamentos secundários são provavelmente
os arranjos mais populares. Em alguns casos, mais cortes são
efetuados, tais como a utilização de uma única bcbina de dis­
paro e uma única fonte de controle ou disparo. Proteção de
retaguarda, conforme descrição atê aqui, não assegura reta­
guarda para o disjuntor.

A segunda fase da proteção de retaguarda l o c a l ê o


uso dum temporizador, conforme most r a d o n a Figura 2.04. O
temporizador ê energizado pelo relê R ou R* e provoca o d i s ­
paro dos disjuntores 2 e 3 (via dispositivo de bloqueio 86)
se o disjuntor 1 não eliminou a falta dentro do período de
ajuste do temporizador (dispositivo 2). A limpeza da falta e
mostrada pelo relaxamento do relê detector de falta. Este
relê é especialmente projetado para dar relaxamento rápido.
0 ajuste do temporizador será igual à soma do tempo de ope-
raçao do disjuntor, tempo de relaxamento do detector de de­
feito e duma margem de segurança.

A duplicação dos reles primários pode consistir de


dois disjuntores de relês idênticos ou diferentes, ambos de
alta velocidade. Este último arranjo pode ser preferível, pois
ê menos suscetível a falhas do tipo comum às duas proteções.
O uso de componentes comuns, tais como suprimento de poten­
cial, bobinas de disparo, etc, aumentam a possibilidade de
falhas do tipo comum.

Proteção de retaguarda local por duplicação da pro­


teção primária, melhora as probabilidades de sucesso na e-
liminação da falta por disparo dos disjuntores que protegem
o equipamento defeituoso.

Se o insucesso na eliminação da falta ê devido à


falha do disjuntor, a operação de retaguarda de disjuntor se ­
rá assegurada por disjuntores fisicamente mais próximos à
seção defeituosa do que ocorreria no caso da retaguarda r e ­
mota. No caso duma linha em derivação ou de três terminais,
a retaguarda local reduziría a perturbação do sistema dis­
parando somente o disjuntor local. Isto ê, na Figura 2.04,
o disjuntor 2 desligaria em retaguarda ao disjuntor 1 no ca­
so de retaguarda local, e os disjuntores 4 e 5 desligariam
em retaguarda ao disjuntor 1 para o caso de retaguarda re­
mota.

Note-se que a descrição acima sobre proteção local


e remota é de natureza introdutória e usa, apenas, exemplos
básicos. Há muitas variantes tanto da proteção local ocmo da
remota. Além disso, embora apenas tenham sido dados exenplo6
para linhas de transmissão (LT's) e transformadores (TF's),
seções de barra e outros equipamentos também necessitam al­
guma forma de proteção de retaguarda. Mais adiante d i s c u t i ­
remos a proteção de retaguarda com mais detalhes.

V. SELETIVIDADE E COORDENAÇÃO
As zonas da proteção primária estudadas acima são
inerentemente seletivas, isto é, cada relê protege uma zona
ou equipamento específico e não operará para faltas fora dessa
zona.

Reles usados para a retaguarda remota, ccntudo,pre­


cisam ser coordenados para assegurar uma atuação seletiva.
Reles de retaguarda têm que ser seletivos em relação aos re­
lês primários. Isto é, eles não devem operar até q u esejae-
vidente que o relê primário adequado tenha falhado, ou o seu
disjuntor associado não disparou.

Há situações e m que os equipamentos do sistema não


são protegidos por relês primários dos tipos mostrados na
Figura 2.02. Um exemplo ê o circuito de distribuição radial,
no qual um relê temporizado, tal como u m relê de indução de
uma única grandeza, é aplicado como proteção primária. Um
relê instantâneo opera nos níveis mais violentos de CC e ê
incluído n a unidade temporizada que opera em níveis mais bai­
xos de CC. A unidade temporizada será coordenada com d ispo­
sitivos a jusante, tais como fusíveis ou outros relês tem-
porizados. O ajuste d a unidade instantânea também envolve
problemas de coordenação, pois tem que ser ajustada acima da
maior corrente de atuação dos relês a jusante.

Relês de distância com zonas múltiplas asseguram


proteção primária e de retaguarda. O uso de retardo p ara a
segunda e terceira zonas garantem coordenação, como se m o s ­
tra n a Figura 2.03. E s t a figura m o s t r a o relacionamento tem­
po distância de relês de distância com três zonas e m três
linhas adjacentes. Somente interessam os relês dos terminais
esquerdos, pois eles o lham p a r a a direita, enquanto os re­
lês dos terminais direitos olham p a r a a esquerda e não é r e ­
que r i d a coordenação entre os dois conjuntos.

Seletividade e coordenação dos relês será tratado


exaustivamente em capítulo posterior sobre coordenação.
CAPÍTULO’

TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS

I. INTRODUÇÃO

Transformadores para instrumentos são usados para


reduzir correntes e tensões primáris de LT's para níveis e-
conomicamente manipuláveis em relês de proteção, instrumen­
tação e mediçfão. N a maioria das a p l i c a ç õ e s , os transformadores
para instrumentos devem reduzir as tensões e correntes p r i ­
marias do sistema de potência segundo uma relação especifi­
cada, de tal maneira que as quantidades secundarias sejam p ro­
porcionais âs primárias.

Transformadores de potencial quase não causam p r o ­


blemas no que se refere â proteção, mas são mais críticos no
tocante à instrumentação e medição. Transformadores de cor­
rente (TC *s ) , por outro lado, são u m problema permanente pa­
ra o engenheiro de proteção, causando, porém, menos dificul­
dades nas áreas de instrumentação e medição.

A instrumentação e medição requerem b o a exatidão


sob condições normais de tensão e corrente de linha. A p r o ­
teção, por outro lado, requer bom desempenho dos transfor­
madores para instrumento com correntes iguais a muitos m ú l ­
tiplos do valor normal e tensão abaixo da normal. TP's são
geralmente necessários para transformar tensões iguais ou
menores que o valor normal, o que não constitui problema des­
de que não sejam sobrecarregados. TC's, por outro lado, tem
que transformar correntes que podem atingir valores iguais
a 20 vezes sua capacidadè contínua, o que torna sua tarefa
muito mais difícil.

O estudo a seguir revê as características e l é t r i ­


cas básicas e considerações quanto à aplicação de TC's e TP's
em esquemas de proteção. E sta discussão considera a medição
e instrumentação apenas quando estes dispositivos são apli­
cados em T C 1s e T P fs que também alimentam a proteção e que
possam afetar o desempenho da proteção.

Muitas vezes são necessários T C s separados para


a medição e proteção. Raramente são necessários TP*s sepa­
rados.

II. TRANSFORMADORES DE POTENCIAL (TP's)


TP's com núcleo de ferro

TP*s padrões do tipo núcleo de ferro são geralmen-


te de dois e n r o l a m e n t o s . Capacidade padrão de enrolamento
primário geralmente excede a tensão nominal do sistema. A
faixa nominal das tensões primárias vai de 120 a 144.000V no
caso de núcleo singelo, e 360.000V para o caso de multi-núcleo.
As tensões nominais são as entre fases ou fase neutro para
tensões até 168.000V, e entre fase e neutro para tensões a-
cima de 168.000V. Os enrolamentos secundários dos TP's são
geralmente para 69V ( 1 2 0 / / 1 ’) ou 120V com tap de 69V para far-
cilitar a conexão estrela ou triângulo. A tensão secundária
padrão é 120V, e a maio ria dos dispositivos de p r o t e ç ã o , bem
como instrumentação e medição, tem a mesma tensão nominal.

A fim de reduzir a isolação necessária, algunsTP's


operam com o núcleo isolado da terra e ligado a um tap cen­
tral do enrolamento primário. Isto permite 50% de redução no
nível de isolação do enrolamento primário. Alguns TP's para
72kV ou mais utilizam multi-núcleo ou cascata, como s mos­
trado na Figura 3.01. A isolação do enrolamento ê reduzida,
isolando cada núcleo d a terra e ligando-o a um tap central
do enrolamento primário. A Figura 3.01 é uma construção com
dois núcleos que mostra as conexões dos enrolamentos para
minimizar a isolaçao necessária e o custo dos TP's.
(AT)

NÚCLEO DE FERRO

/
V
z
0,75 A T- ENROLAMENTO
DE
ACOPLAMENTO

0,25 AT-
V
V.
SECUNDÁRIO

Fig. 3.01

TP *s com tensões nominais primárias de 36kV ou


mais baixas são do tipo seco ou e m resina epoxy, ao passo que
para as tensões mais altas usam-se enrolamentos mergulhados
em Ôleo.

Divisores capacitivos de potencial (DCP's)

Os D C P 1s desenvolvem uma tensão secundária (69 ou


120V) proporcional à tensão faseXneutro utilizando capaci-
tores para divisor de tensão. Basicamente, DCP's consistem
de dois capacitores ligados de fase a terra com um tap entre
os dois, o qual dará a tensão secundária. Os dois capacito­
res são dimensionados de modo a se obter a tensão secundária
desejada e isolados de acordo com as necessidades. Há dois
tipos gerais: o DCP tipo capacitor de acoplamento e o DCP
IIO IIM W M M W

(b )
tipo bucha. O primeiro ê uma unidade independente e ê usado
quando o DCP tipo bucha não for pratico. 0 tipo bucha tem a
vantagem de ser de menor custo pois pode ser incluído nas
buchas necessárias para outras finalidades como, por exem­
plo, isolar os terminais de disjuntores e transformadores.
A Figura 3.02 mos t r a a forma geral de construção destes dois
tipos de D C P 1s . O transformador que transforma a tensão do
tap, nas tensões secundárias desejadas para facilitar as co­
nexões e m delta ou estrela, pode ser d um tipo similar aD des­
crito acima para aplicação em tensões mais baixas ( isto ê,
resina epoxy ou tipo núcleo a s e c o ) .

Para minimizar a queda de tensão e defasagem de­


vida ã carga secundária no tap, a impedância indutiva da car­
ga no tap é sintonizada próxima da ressonância com a capa-
citância paralelo e das capacitâncias terminais do tap para
a linha e do tap para a terra. A impedância do tap ã terra ê
pequena comparada com a impedância do tap para a linha, do
que resulta um ajuste da reatância de carga no tap quase i-
gual à reatância capacitiva do tap â terra. Isto resulta n u ­
m a regulação de ângulo e tensão aceitáveis para o DCP. 0 DCP
não ê, contudo, tão exato quanto o TP com núcleo de ferro.

Divisor reslstivo de potencial (DRP)

P a r a tensões até 72kV, DRP's são algumas vezes u-


sados. 0 DRP ê construído como se m ostra na Figura 3.03.
Assim como no DCP, um centelhador ê usado para proteger o
núcleo de ferro do transformador contra surtos de tensão que
se originam num sistema de alta tensão. O DRP dã uma tensão
de saída constante, usando diodos zener para carregar o trans­
formador. Se a carga for inadvertidamente removida, o diodo
zener impede que a saída do DRP cresça excessivamente, pro­
vocando a operação do centelhador.

Transformadores de potencial e dispositivos de potencial

Transformadores de potencial e dispositivos de poten­


cial são construídos e aplicados conforme p a d r õ e s , tais como
ANSI, N E M A e IEEE. 0 especificador de transformadores para
instrumentos ou dispositivos de potencial destinados à i nstru­
mentação ou medição deve estar familiarizado com estes pa­
drões, pois estes padrões p odem reduzir o trabalho de e s c o ­
lha de equipamento de potencial adequados p a r a uma aplicação
específica. 0 padrão ANSI C57.13 mos t r a níveis de carga se­
cundaria para os quais testes de relação e ângulo de fase de­
vem ser feitos para assegurar dados comparáveis p a r a esco­
lha de T P 's . Testes com tensão 10% acima e abaixo d a ncntLnal
também dão indicação quanto ao desempenho do TP.

Carga secundária

A carga num TP ê a carga aplicada ao TP durante o


serviço. A carga ê geralmente dada em VA, acrescido do fator
de potência. A carga total serã a soma das cargas impostas
por cada dispositivo em paralelo. Cargas excessivas provo­
carão erros de relação e ângulo maiores que os especificados*
Uma vez que as quedas de tensão na impedância de dispersão do
TP são, principalmente, função do fator de potência da car­
ga, faz-se, muitas vezes, correção do fator de potência da
carga.

Escolha do dispositivo de potencial

0 projetista do sistema, diante do p r o b l e m a de es­


colher o dispositivo de potencial p a r a uma determinada apli­
cação, deve, e m primeiro lugar, determinar quais os d ispo­
sitivos disponíveis para a tensão primária do sistema que satis­
fazem os requisitos de exatidão e carga da aplicação. O p a s ­
so seguinte consistira na avaliação da confiabilidade r ela­
tiva e custo relativo dos dispositivos de potencial que sa­
tisfazem os requisitos de carga e exatidão.

Acima de 500kV aproximadamente, a escolha fica li­


mitada aos D C P 's tipo bucha ou unidades independentes. Abai­
xo de 500kV, a escolha pode recair e m DCP, em DRP ou nos ti­
pos de núcleo de ferro.

A' p rimeira decisão a ser tomada é quanto ao n ú m e ­


ro de locais na subestação (SE) onde são necessários di s p o ­
sitivos de potencial, o número de dispositivos requeridos em
cada local (um, dois ou três) e as cargas secundárias a se ­
rem supridas e m cada local. E m alguns c a s o s , um conjunto de
dispositivos de potencial pode ser instalado na barra p rin­
cipal e servir a todas as necessidades da SE. Outras vezes,
tal como acontece numa ba r r a principal seccionada, dois ou
mais conjuntos podem ser necessários. Os esquemas de p rote­
ção e a instrumentação e medição planejada determinarão as
localizações necessárias para os dispositivos de p o t e n c i a l e
o número desses dispositivos em cada local. É muitas vezes
possível assumir compromissos quanto à confiabilidade ou e-
xatidio, instalando dispositivos de potencial e m menos lo­
calizações do que seria ideal. Estudos de esquemas de p r o t e ­
ção e m capítulos posteriores analisarão localizações p r e f e ­
renciais para os dispositivos de potencial e os possíveis ccro-
promissos.

Quando múltiplas localizações forem necessárias,


ê possível tirar vantagem do menor custo de DCP tipo bucha.

Utilização da menor tensão primária da subestação para


todas as necessidades de potencial

Quando uma SE ou pátio de manobras inclui duas ou


mais tensões primárias, interligadas por t r a n s f o r m a d o r e s , ê
economicamente vantajoso usar dispositivos de potencial li-
gados a menor tensão primaria para a maior carga secundária
possível. E m alguns casos será possível eliminar todos os
dispositivos de potencial que seriam aplicados na tensão mais
alta. É desnecessário dizèr dizer que os serviços auxilia­
res devem ser tirados d a tensão mais baixa. H á inúmeras con­
siderações a fazer quanto ao uso de dispositivos de poten­
cial ligados a uma tensão e alimentando relês destinados a
proteger equipamentos noutro nível de tensão. Capítulos pos­
teriores discutirão as vantagens e desvantagens advindas da
utilização destes níveis mais baixos de tensão para as fon­
tes dos dispositivos de potencial, mas agora discutiremos
brevemente ligações de TP's que compensam a d e fasagem de
transformador estrela-triângulo e triângulo-estrela. N o ca­
so de autotra n s f o r m a d o r e s , não há problema de d e f a s a g e m , e o
uso da tensão mais b aixa p ara o TP ê um po u c o menos compli­
cado .

Reguladores de tensão que introduzem defasagem d e s ­


prezível também não terão efeito significante quanto â lo­
calização dos dispositivos de potencial (DP's). Reguladores
de fase para controle do fluxo de p o tência e m sistemas re-
ticulados p odem introduzir d e fasagem suficiente para p r o v o ­
car a operação de certos relês d i r e c i o n a i s e d e distância. O
uso duma tensão mais ba i x a p a r a suprir os DP's não tem c om­
plicações quando os transformadores (TF's) são ligados em
estrela-estrela ou delta-delta. Transformadores ligados em
delta-delta ou estrela-estrela são raramente usados, contudo,
transformadores estrela-delta-estrela são usados algumas ve­
zes e requerem alguma consideração, especrLalmente quando gran­
dezas polarizantes para relês de terra referentes â tensão
mais alta são derivadas de DP's ligados à tensão mais baixa.

Polaridade dos dispositivos de potencial (.DP's)

Assim como para os transformadores de força, a in­


terligação dos D P 1s requer cuidadosa contabilidade p a r a ga­
rantir que as tensões secundárias tenham a de f a s a g e m adequa­
da em relação ás tensões primárias. A Figura 3.04 mostra as
indicações usadas para designar os enrolamentos de tensão
primaria e secundária e seu respectivo relacionamento de
fases. Nas tensões mais elevadas, quando são usados D C P ^ , o
primário dos DP's sõ pode ter a conexão estrela. Por essa ra
zão, nesta faixa de tensão, os TP's são quase sempre ligados
em estrela-estrela. Esta ligação nos dá tensão entre fases

PRIM. j
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S EN T ID O DA |i
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INSTBIIMFNTnS (j|| 1

MARCAS DE P O L A R ID A D E c b

ESTRELA - ESTRELA

Fig. 3.04

para relês direcionais de fase e relês de distância, e t en­


são fase-neutro para polarização de relês direcionais de terra.
E m tensões mais baixas, os DP's podem ser ligados em delta-
delta. Esta conexão não dá a réplica da tensão faseXneutro
do sistema e, por isso, não facilita a polarização dos relês
direcionais de terra. Esta ligação será usada quando a po l a ­
rização por corrente para os relês direcionais de terra for
suficiente. A ligação mais popular é a ligação em V, que dá
as três tensões entre fases com apenas dois DP's. Esta li­
gação não facilita a polarização dos relês direcionais de
terra. Estas três conexões são mostradas na Figura 3.04.
Ccnexoes de DP *s para compensar a de £ as agem produzida pelos
transformadores de força ( TF1s)

A discussão seguinte considera apenas os TF's de


f o r ç a r em que o lado de AT estã 30° avançado em relação ao
lado de BT, quando são consideradas correntes de carga equi­
librada. As Figuras 3.05(a) e 3 . 0 5 (b) m o s t r a m ligações de
TP's para TF's de força ligados e m estrela-triângulo ou tri-
ãngulo-estrela respectivamente. No caso dò TF de força estrelar
delta, apenas ê necessário ligar os TP's em delta-estrela com
o lado de BT avançado em relação no lado de AT p a r a occpen-
sar a defasagem do TF de força. 0 T P ,;s, então, suprirão as

c b o c b o

as mesmas tensões que seriam supridas por TP*s estrela-estrela


conectados ao lado de AT, não considerando a queda de tensão
no TF de força.

No caso de TF's de força delta-estrela, TP's no


lado de BT são ligados em e s t r e l a - d e l t a , com o lado em delta
30° graus avançado e m relação ao lado ligado em estrela. N o v a ­
mente, não hã compensação para a queda ou subida de tensão
no TF de força e, como o secundário dos TP's está ligado em
delta, são disponíveis apenas tensões entre fases, Quando
este arranjo for usado a forem necessárias tensões faseXneutro,
como no caso de reles de distância de terra, um conjunto de
TP's auxiliares pode ser usado na saída dos TP's da tensão
mais baixa, ligados e m delta-estrela.

T P 1s auxiliares

TP's auxiliares são geralmente pequenos transfor­


madores com núcleo de ferro 120-120V ou 120-69V, Eles podem
ser utilizados para obter tensões faseXneutro de TP's com o
secundário ligado e m alta. Uma outra utilização popular, é
descrita na seção seguinte.

TP's para polarização de relês direcionais de terra

Relês direcionais de terra podem ser polarizados


por corrente ou tensão. Quando polarizados por t e n s ã o , é n e ­
cessário uma fonte cuja tensão esteja e m fase com o compo­
nente de seqtlência zero das tensões faseXneutro do sistema.
Uma falta à terra, no circuito ligado ao enrolamento em e s ­
trela dum TF de força delta-estrela, provoca circulação de
corrente no enrolamento em delta e, d a mesma forma, haverá
corrente circulante no enrolamento ligado e m delta do TP's
estrela-delta, no caso dum defeito fase a terra no sistema
primário. Esta corrente circulante surge porque a soma fa-
sorial das tensões induzidas no secundário do TP*s não se
anula durante uma falta. Se os TP*s forem ligados e m estrela^
delta aberto como na Figura 3.06 (a) , a tensão nos terminais
do delta rompido será três vezes a tensão de seqtiência zero
do sistema (reduzida conforme relação de transformação dos
TP*s). Uma vez que a conexão estrela-delta nos TP's n ã o nos
dá as tensões entre fases necessárias para os relês de d i s ­
tância de fase e relês direcionais de fase, a tensão de se-
qüência zero é geralmente suprida por TP's auxiliares estre­
la-delta aberto alimentados pelos TP's principais em estrela-
estrela (Figura 3.06(b)).
o b c

T P' S P R IN C IP A IS EM E S T R E L A - O E ^T A ABERTO
<o)

Fig. 3.06

III. TRANSFORMADORES DE CORRENTE (TC*s)

Assim como os DP's reduzem as tensões a níveis a-


dequados, TC's são usados para reduzir as correntes de linha
a valores que permitam construção econômica de relês. TC*s
são construídos para fornecer correntes secundarias p ropor­
cionais à corrente primaria, tanto quanto for econ o m i c a m e n ­
te realizável.

Basicamente, um TC consiste de u m núcleo de ferro,


enrolamento primário e enrolamento secundário, consistindo
o primário, em geral, de uma única espira, sendo esta espi-
ra o condutor primário do sistema. A Figura 3 . 2 2 (a) m ostra o
arranjo básico dos enrolamentos primário e s e c u n d á r i o e o nú­
cleo de ferro. O enrolamento secundário é geralmente *distri­
buído e enrolado n uma forma toroidal p ara minimizar a impe-
dância de dispersão. 0 TC não é basicamente diferente d u m T P
no que toca â relação entre a éntrada e a saída. Excetuando
as perdas de excitação e resistivas, os VA's d a entrada são
iguais aos da saída. Os TC*s alimentam tanto a medição como
a proteção. As vezes ê expedito usar TC's comuns p ara a m e ­
dição e proteção, ao passo que e m outras circunstancias a
medição e a proteção requerem TP's separados. Contrariamen­
te aos D P *s que devem operar na faixa de 0 a 120% d a tensão
nominal, os TC*s d e v e m reproduzir as correntes de zero a 20
ou 30 vezes a corrente nominal. 0 desempenho dos TC's e re ­
lês por ocasião de curto-c i r c u i t o s , quando correntes da m e n ­
cionada grandeza existem, são u m aspecto importante a ser
considerado pelo engenheiro de proteção e serã o objetivo cen­
tral da discussão a seguir.

Relação de transformação

Da mesma forma que para qualquer TF de núcleo de


ferro, um TC terã uma relação entre as espiras primarias e
secundarias, contudo, pela maneira de se usar os TC*s, a ter­
minologia usual fica, de certa forma, sem sentido. A relação
de espiras, por outro lado, ê usada p a r a descrever a relação
entre as correntes primarias e secundarias. Á ba i x a inpedãn-
cia secundaria ligada ao secundário resulta e m correntes se­
cundárias induzidas, porem, tensão secundária baixa. Por
exemplo, se um TC com relação 40/1 (40 espiras secundárias e
1 e spira primaria) tivesse que funcionar com o secundário em
circuito aberto e fosse aplicado a u m sistema de 161kV, a
tensão entre os terminais secundários seria 40 vezes a t en­
são fase-neutro primária se ocorresse u m curto-circuito tri-
fásico no sistema. Com o secundário curto-circuitado, con­
tudo, a tensão no enrolamento secundário seria desprezível,
comparado com o valor e m circuito aberto, mas a corrente se­
cundaria seria proporcional à corrente primária versus o in­
verso da relação de espiras. Neste caso, 5.000A primários re­
sultariam e m 125A no circuito secundário se desprezarmos a
corrente de excitação do TC e resistência do enrolamento.

O enrolamento secundário dum TC é sempre operado


e m curto-circuito ou carregado com u m a baixa impedância de
carga. Dessa forma, a tensão secundária ê limitada a poucos
volts e m condições normais de carga, e algumas centenas de
volts e m condições de máxima corrente de falta. Estas ten­
sões estão dentro dos limites razoáveis no que diz respeito
a níveis de isolação econômicos no circuito secundário.

Valores nominais contínuos e de curta duraçáo

Foram elaboradas normas p a r a orientar os fabrican­


tes e usuários quanto á construção e aplicação destes dis­
positivos. Dois aspectos importantes a considerar são a so­
licitação térmica e a mecânica. Os TC's de v e m suportar con­
tinuamente a máxima corrente primária normal de carga, bem
como suportar correntes de curto-circuitos nos curtos perío­
dos de tempo em que elas existem. Nos EEUU, a corrente no­
minal secundária contínua máx i m a é de 5A, enquanto n a E u r o ­
pa ê usual IA. N a norma americana de TC's, a corrente nomi­
nal primária é indicada pela relação de transformação do TC
que ê escrita em termos da corrente secundária nominal ex­
pressa em ampêres, tal como 200/5 ou 400/5. A fim de que a
corrente secundária sempre permaneça dentro d a máx i m a capa­
cidade do enrolamento secundário, a corrente nominal primá­
ria do TC tem que ser superior à m áxima corrente constante
que possa ocorrer no sistema primário.

Há um nível máximo de corrente a que u m TC pode ser


submetido devido ao esforço mecânico, e devido à caracterís-
2 „
tica I T ha limitações térmicas q uanto aos níveis de curto-
circuito e durações. Estas limitações não são geralmente um
problema, pois os TC's têm geralmente u m a capacidade naninal
acima da corrente de curto-circuito p a r a o qual o equipamen­
to ê adequado.

Os níveis de isolação dos TC's também são norma­


lizados e fazem do conjunto de grandezas nominais do TC. O
nível de impulso necessário será uma função do nível da ten­
são primária do sistema e da localização do TC. Tensão no­
minal contínua ou na freqüência do sistema m o s t r a o nível de
isolação entre os enrolamentos primário e secundário do TC.

Os três tipos usuais de isolação usados p a r a TC's


sao o ar, o õleo e a borracha. O tipo de construção depende
da localização do TC, isto é, tipo de bucha, tipo indepen­
dente, terminal de gerador (ver Figuras 3.22, 3.23 e 3.24).
Exatidão de TC*s

A exatidão de TC's no tocante â medição ê ba s i c a ­


mente um compromisso econômico entre exatidão e custo. Em­
b o r a o grau de exatidão mantido para correntes de falta de ­
penda um pouco de fatores e c o n ô m i c o s , h ã um nível mínimo de
exatidão abaixo do qual o relê não opera ou opera com e xa­
tidão inaceitável.

A Figura 3.07 mostra uma curva para o fator de cor­


reção de relaçao dum TC típico. Observemos que, com corren­
tes muito baixais, a corrente de excitação pode tornar-se sig­
nificativa e m relação â corrente nornal de carga, e, oanirui-
tos múltiplos da corrente normal, a saturação no nücleo de
ferro faz crescer a corrente de excitação resultando um erro
de relação considerável. Problemas de medição ocorrem no ex ­
tremo inferior da escala de correntes, ao passo que proble­
mas de proteção ocorrem na escala superior de correntes. A
introdução de mais ferro no núcleo do transformador reduz as
características de saturação e melhora as características do
TC paira relês, raas aumenta a excitação porcentual para cor­
rentes baixas e a capacidade de desempenho adequado do TC
pau:a a medição. Por essa razão, ê freqtiente usar TC's sepa­
rados para medição e proteção. O uso de TC's separados para
estas duas funções, no mesmo local, tem a vantagem adicio­
nal, que analisaremos com mais detalhes p o s t e r i o r m e n t e ,isto
ê, a redução da carga secundaria, o que resulta num melhor
desempenho do TC.

A discussão seguinte estuda mais detalhadamente a


aplicação de TC's para a proteção. Os efeitos da saturação
dos T C 1s na proteção ê um problema significativo para o e n ­
genheiro de proteção. Esboçaremos, a seguir, os recursos u-
tilizados para calcular os efeitos da saturação e reduzir
estes efeitos ou, então, projetar um sistema em que estes e-
feitos ficam minimizados. Atê que ponto o efeito da satu­
ração ê minimizado serã ditado por considerações e c onômi­
cas.
IV. SATURAÇÃO DE T C ’s

As duas formas de saturação que nos interessam sao


a saturação por corrente alternada (ca) e por corrente con­
tínua (dc). A saturação por ca ocorre quando a corrente p r i ­
maria ê senoidal sem componente de dc, mas ê de tal magni­
tude a ponto de ocorrer saturação, do que resulta corrente
secundaria b em menos que a primaria e forma de onda d i s t o r ­
cida. A saturação por dc ocorre quando a corrente primaria
esta deslocada e estabelece uma corrente de polarização ou
um fluxo de polarização nò núcleo, o que aumenta o problema
da saturação por ca.

Carga secundária, de TC's

N o caso de dispositivo de potencial (DP) , aunentar


a carga secundaria resulta em maior corrente de carga ou m e ­
nor impedância de carga no DP, o que tem como conseqtiência
menor exatidão. No caso de TC's, a diminuição d a carga re­
sulta em maior exatidão, onde a carga secundaria equivale â
quantidade de impedância externa no circuito secundário do
TC. Conforme mencionado anteriormente, um secundário curto-
circuitado minimiza os erros dos TC's, pois, neste caso, a
única impedância secundária ê a resistência e reatância de
dispersão do enrolamento secundário. Todos os dispositivos can
bobinas de corrente, tais como amperímetro, varimetro, me­
didores de fator de potência, medidor de varhoras e watthoras
e relês de proteção representam, cada um, uma oerta carga p a ­
ra o TC. Uma vez que todos os dispositivos alimentados por
uma TC têm suas bobinas de corrente conectadas em série, a
soma das impedãncias de todas as bobinas dá a carga s ecun­
dária do TC. Quanto menos dispositivos, menor ê a carga e
mais exato será o TC.

Os dados dos fabricantes geralmente incluem a car­


ga de cada dispositivo a ser ligado no circuito do TC. De­
vido à saturação, a maioria destes dispositivos têm impedãn-
cias não lineares, o que resulta muna carga função do nível
de corrente ou tensão desenvolvida entre os terminais da carga
secundária. Quando se deseja determinar a exatidão dum TC,
muitas vezes é necessário admitir uma carga secundária e cal­
cular a queda de tensão na carga e então corrigir a iirpedân-
cia secundária devido aos efeitos da saturação, e aí r ecal­
cular as correntes e tensões secundárias do TC, continuando
até se alcançar u m a exatidão razoável. Os fabricantes dão
impedâncias apenas para dois ou três níveis de corrente,tal
como uma, dez ou vinte vezes a corrente nominal. Isso ê a-
dequado para a mai o r i a dos cálculos porém, pode-se usar a
interpolação se valores intermediários forem necessários.

A Figura 3.25 mostra TC*s ligados em estrelaeTC's


ligados em triângulo e as conexões habituais das impedâncias
secundárias de carga.

Saturação por CA

A curva do fator de correção de relação ( Figura


3.07) m o s t r a o efeito da saturação com correntes mais altas.
Considerando que a saturação ê uma função da tensão desen­
volvida no enrolamento secundário, para uma determinada cor­
rente secundária a tensão é função da iirpedância secundária, a qual
(devido â saturação) , será função da corrente secundária. Por
sua v e z , a corrente secundária ê função da corrente primária
e da saturação do TC. Portanto, temos três variáveis inter-
r e l a c i o n a d a s , o que significa que uma aproximação iterativa
ê necessária p a r a determinar a corrente secundária real que
fluirá pela impedância secundária para u m a determinada cor­
rente primária. Um método ê usar as duas curvas como se m o s ­
tra n a Figura 3.08. A curva (a) é uma família de curvas para a
correção de relação, tendo no eixo das ordenadas a corrente
primária e n o eixo das ordenadas a corrente secundária para
diferentes impedâncias secundárias. A segunda curva mostra o
efeito líquido da corrente secundária na carga secundária
total. O procedimento para usar essas curvas ê arbitrar uma
impedância secundária, usar a curva (a) para determinar a cor­
rente secundária para esta impedância secundária e respecti­
va corrente primária e, então, retornar ã curva (b) com a n o ­
v a corrente secundária, escolhendo uma nova impedância se-
cundãria e retornando à curva (a) para novamente determinar a
nova corrente secundaria. Este procedimento ê repetido ate
que o valor da corrente secundaria não mude de forma s igni­
ficativa a cada nova iteração.

N a maioria dos casos, a impedancia secundária não


ê facilmente definível como uma única impedancia. Hâ g e r a l ­
mente máis do que um TC envolvido, e diferentes correntes de
fase primárias surgindo de faltas desbalanceadas tornam a
determinação das correntes secundarias mais difícil. Em tais
casos, ê necessário apelar para a característica de e x c i t a ­
ção secundaria do TC (Figura 3.09). E sta curva ê obtida e x ­
perimentalmente como segue. A resistência e m d c do enrola-
mento secundário do TC ê medido e anotado. Uma fonte de ten­
são, tal como um variac, é ligado ao enrolamento secundário
com o enrolamento primário em circuito aberto. A tensão a-
plicada ao enrolamento secundário ê variada e, e m Intervalos,
a tensão e a corrente secundárias são anotadas. Plota-se a
corrente secundária versus a tensão secundária subtraído da
queda interna IR. E s t a curva é mostrada na Figura 3.09 e é
denominada característica de excitação secundária do TC. Em
geral, os dados do fabricante incluem a curva característi­
ca de excitação secundária.

O circuito equivalente do TC é necessário para cal­


cular erros de relação. A Figura 3 . 1 0 (a) mos t r a o circuito
equivalente dum TC. Como a impedancia primária ê pequena com­
parada com a impedancia secundária, ela ê, em geral, despre­
zada, resultando um circuito equivalente como se m o s t r a na
Figura 3 . 1 0 (b).

A seguinte nomenclatura é usada no circuito e qui­


valente :
I * Corrente de linha primária e m ampêres eficazes;

N = Relação entre espiras secundárias e primárias;

Z * Impedancia de enrolamento secundário em ohms;


s
Z = Impedancia secundária de excitação em ohms;
©
E g * Tensão secundária de excitação e m volts eficazes;
I o = Corrente secundaria em ampêres eficazes?

V, = Tensão nos terminais secundários do TC em volts


eficazes.

NOMINAL
C U R V A S DE E X A T I D Ã O

Fig. 3.07

Fig. 3.08
EXCITAÇÃO)
DE
Es ( T E N S Ã O

I# (CORRENTE DE EXCITAÇÃO)

Fig. 3.09

(a) (b)
Fig. 3.10

CIRCUITO EQUIVALENTE DE TC

(a) (b)
Fig. 3.11
CORRENTE, PRIMARIA

VVVr
CORRENTE SECUNOARIA

SATURAÇÃO POR CA TC'S EM SÉR IE

Fig. 3.12 Fig. 3.13

A impedância secundaria, do TC (resistência e rea-


tância de dispersão) serã aproximadamente igual â r e sistên­
cia do enrolamento secundário, e m TC's com enrolamento se­
cundário totalmente distribuído, tal como ocorre nos TC*s tipo
bucha. Quando se deseja fazer cálculos de exatidão dum TC do
tipo enrolado ou barra usando impedâncias equivalentes e a
característica de excitação secundária, será necessário de ­
terminar a reatância de dispersão secundária. E s t a reatância
de dispersão secundária não consta dos dados fornecidos pelo
fabricante,, razão porque tem que ser determinada por m eio de
testes de laboratório. N a maioria dos casos, c o n t u d o , o p r o ­
jetista do sistema trabalhará com TC's tipo bucha quando se
trata da proteção.

E m geral temos TC's com os secundários interccnec-


tados. 0 cálculo d a corrente pelo relê requer a representação
completa dos diversos circuitos equivalentes dos TC*s e as
impedâncias de todas as cargas. A Figura 3 . 1 1 (a) m ostra um
circuito de TC típico. A Figura 3.ll(b) mostra o circuito se­
cundário com os circuitos equivalentes dos TC*s e impedân­
cias secundárias de carga. O método para determinar as cor­
rentes secundárias, dadas as três correntes primárias de fa­
se, é o seguinte.
0 primeiro passo é calcular a corrente secundária
admitindo TC's sem erros. Estes valores darão um ponto de
partida que permitirão determinação razoavelmente exata das
impedâncias de carga. O passo seguinte é admitir correntes
secundárias que permitirão calcular tensões terminais secun­
dárias. Com estas tensões terminais secundárias e a corren­
te e impedância secundárias do TC, o valor de E pode ser
o '
calculado. O valor de I para este E é tirado da caracte-
rística de excitação secundária do TC. 1^ pode ser somado
a I com pouco erro, pois tanto X
como a carga secundária
s e
são quase puramente reativas em condições normais. A soma de
I e I , vezes a relação de espiras, N, dará a corrente pri-
rnária necessária para fornecer a corrente assumida Ig . Se a
corrente primária calculada p ara cada fase for aproximadamente
correta, então, o valor assumido para a corrente secundária
I é a corrente secundária real com razoável exatidão. Con-
s ,
tudo, se a; corrente primária calculada estiver errada, temos
que assumir novas correntes secundárias e o procedimento é
repetido até que a exatidão desejada for alcançada.

O procedimento supra dá resultados utilizáveis so­


mente quando o erro de relação for de 10 a 15% ou menos. Quan­
do o nível de saturação ê grande o suficiente p ara provocar
erros acima destes fatores, a deformação da forma de onda
será suficiente introduzindo mais erro n a operação do rele
do que o erro de relação do TC. Ê possível determinar com
bastante exatidão a forma de onda das correntes secundárias
quando o TC penetra bastante na zona de saturação, porem, a
resposta dos relês a estas correntes nãtí é, a n a l i t i c a m e n t e ,
de t e rmin ãve 1.

A Figura 3.12 mos t r a a corrente secundária típica


de um TC quando o TC e s t á saturado por ca.

Métodos para reduzir a saturação por ca

0 método mais evidente pa r a reduzir a saturação em


ca ê limitar a tensão terminal do secundário. Isto sõ pode
ser conseguido diminuindo a carga secundária. Deve-se veri-
ficar em cada instalação de TC se a carga secundaria não ê
excessiva. Isto significa um minucioso exame dos circuitos
para certificar-se que correntes secundárias adequadas apa­
reçam no secundário para correntes de cc máximas, ou pode
ser apenas um teste para ter certeza que a carga secundária
aplicada seja menor ou igual que a carga previamente veri­
ficada para as mesmas condições do tipo de TC e a magnitude
da corrente de cc primária.

Quando a carga ê excessiva resultando desempenho


nao satisfatório do TC, serve como solução o uso de 2 con­
juntos de TC's e a distribuição da carga secundária entre os
dois. Isto reduz a carga à metade e, em geral, reconduz o de­
sempenho do TC a limites aceitáveis.
«

Um outro método para melhorar o desempenho do TC


é aplicar 2 conjuntos de TC's mas, em vez de distribuir a
carga entre os dois, ligar os secundários dos dois TC's em
série. Considerando que a tensão desenvolvida na carga será
gerada pelos dois TC*s, o valor de E será a m e t a d e e a cor-
5
rente de excitação significantemente reduzida. A Figura 3.13
mostra dois TC's n uma ligação série.

Saturação por dc - Erros transitórios

A análise acima, referente à saturação por ca,ad­


mitia uma corrente de falta na linha caro entrada no TC. Nesta
base, a corrente de linha simétrica máxima permissível, que
não provoca saturação expressiva para um dado T C e carga se­
cundária, pode ser calculada. A verificação da caracterís­
tica de saturação em ca ê tudo o que é necessário quando se
está tratando com relês que incluem um tempo de retardo i-
nerente ou operam via temporizadores auxiliares. O s r e l é s q u e
têm de operar em alguns ciclos para coordenação adequada po­
dem ser afetados pela saturação por dc.

A saturação por dc é mais facilmente definida do ■


que analiticamente calculada. Saturação por corrente contí­
nua ocorre devido a correntes de falta deslocadas. Se uma
onda de ca deslocada é considerada como composta duma com­
ponente de ca simétrica e duma componente de dc, então, a
saturação por dc pode ser explicada da seguinte maneira. A
componente de dc da corrente de falta estabelece um fluxo de
polarização no núcleo do TC, sobre o qual as variações de
fluxo da onda senoidal de ca de falta pode ser sobreposta.
Um TC no limiar da saturação, para uma determinada corrente
de falta primária, pode sofrer severa saturação por dc quan­
do a componente de dc é adicionada à corrente primária. Nos­
so primeiro impulso seria dizer que, se o valor máximo efi­
caz duma falta assimétrica totalmente deslocada pode ser / T
vezes o valor eficaz da componente simétrica, precisamos a-
penas escolher um TC que não sature para u m valor /3" vezes
a corrente eficaz máxima a que o TC ficará exposto. Isto es­
tá longe da verdade, contudo, pois o fluxo induzido no nú­
cleo do TC ê a integral no tempo da tensão E da Figura 3.10.
Quando a corrente primária está deslocada, o crescimento da
tensão E pode ser extremamente rápido provocando um cres-
s
c i mento’rápido do fluxo, e a saturação ocorre mu i t o antes que
o valor eficaz E (devido à componente simétrica de curto-
s
circuito) alcance este valor.

A análise da saturação por dc fica ainda mais com­


plexa pelo fato de que, embora o fluxo de polarização no n ú ­
cleo do TC seja uma função da quantidadb de dc na corrente
de falta primária, o decaimento deste fluxo no núcleo será
uma função dos parâmetros da carga secundária do TC.

Cálculo da saturação por corrente contínua (dc)

Para o cálculo das características de saturação por


dc reportamo-nos ao circuito equivalente do TC e u m equiva­
lente do sistema primário sob curto-circuito com o curto-
circuito aplicado num ângulo que resulte no deslocanento má­
ximo (Figura 3.14).
Nesta condição:

i = K o o s o* -e-6t) 0 * ^ 6 = ^ = ^ = ^ (3.01)
EQUIVALENTE OE SISTEMA
PRIMÁRIO

Fig. 3.14

Sé a corrente I /N é aplicada ao circuito secun-


dário do TC, com Xe considerado constante e igual a zero
(por e n q u a n t o ) , podemos deduzir a seguinte equação para a
componente contínua de I :

-at
(e e - 5t) (3.02)
'DC a
1-

ondes
I Valor de pico da corrente simétrica primaria
referida ao secundário do TC
R
+ ^

(i)
a (constante de tempo do circuito secundário)

a)
6 (constante de tempo da componente ocntínua
■ v v de falta no circuito primário)

Algumas observações referentes a esta equação pa-


ra I, são necessárias. 0 TC saturará quando I exceder o
'DC
valor de pico da corrente de excitação eficaz mostrado pela
curva de saturação do TC* Por exemplo, na Figura 3.09, a s a -
turação por ca ocorre com E de aproximadamente 100 volts,
o que corresponde a uma corrente de pico de aproximadcimente
x 0, IA. Para evitar a saturação por dc neste TC, I

não deve exceder este valor.

Em circuitos usuais, a << 6, do que resulta que


e ~ at controle a taxa de aumento do fluxo no núcleo ou IeDC
e e controle o subseqtiente decaimento de I.. Dessa
DC
forma, o TC não entrara instantaneamente num estado de sa­
turação por dc, mas o alcança via um caminho exponencial e,
semelhantemente, sai da saturação de dc por uma caminho e x ­
ponencial.

A equação 3.02 é valida somente numa faixa de I


'DC
de zero a u m valor no joelho da curva, usando-se X
'nao sat
Após entrar na região saturada deve-se usar X
'sat
Uma vez que o tempo de saturação ê primariamente
controlado p o r e~ , ele ê controlado por X /R ou os para-
W

metros do circuito secundário. Semelhantemente, o tempo de


desaturação ê controlado por X^/R^, parâmetros dos circui­
tos primários.

Ao calcular o tempo de saturação usamos


t enao sat,
q u e ê bem grande e geralmente torna e ~ 1. A equação 3.02
torna-se.:

I = I ---(1 - e- ô t ) (3.03)
DC I
.. - 2tt ft
N a equação 3.03, o termo e~ * e X^/R^ , onde ft é e x ­

presso e m ciclos. Se solucionarmos a equação 3.03 para ft,

. . Ü %c
J2n (3.04)
ftsat(ciclos) :2tt 1 +(1" 7?
oi

Substituindo o valor de I no instante e m que o


e DC
TC entra em saturação, b e m como outros parâmetros a d e q u a d o s ,
é possível calcular ft em c i c l o s , isto e , o tempo desde o i-
n í c i o da fa l t a ate o instante de saturação do TC. Os valores
de ft estão numa faixa compreendida entre alguns centésimos
de ciclo ate vãrios ciclos.

Quando não for pratico instalar u m TC que não e s ­


teja sujeito à saturação por dc., u ma verificação serã geral­
mente necessária para determinar o tempo de saturação, se
relês de alta velocidade forem utilizados. Se relês que po­
dem ser afetados por um período de saturação por dc forem
considerados (tais como relês de s o b r e c o r r e n t e , tempo extre­
mamente inverso de ajuste b a i x o ) , deve-se determinar o t em­
po de saturação bem como o tempo de desaturação.

tempo de saturação e o tempo de desaturação podem


ser calculados diretamente pela equação 3.02, ou uma simpli­
ficação similar aquela usada para determinar a equação 3.04.
O tempo de desaturação e igual ao tempo para saturar (Xe =
XQ ) mais o tempo gasto na saturação (X£ ). A sim-
nao sat e sat
plifiçação baseia-se no fato que na região de saturação e n ­
quanto Xe é Xe , e 0 devido ao valor insignificante de
sat
X . Com esta substituição, a equação 3.02 pode ser resol-
e sat
vida para ft:
X /R
esat 8 DC
(ciclos) = In (3.05)
ftnio sat 2 tt ‘f - 1»- i

A Figura 3.15 é uma curva típica mostrando sa-


turação por dc.
A saturação por ca requer uma tensão em ca
’sat
na reatância Xg que provoque a saturação.

No caso de saturação por dc, esta tensão não p r e ­


cisa ser desenvolvida. De fato, I pode atingir o ponto de
eE>c
saturação quando o valor eficaz de E é apenas uma fração da-
s
quela necessária para saturação em ca.

A discussão acima admitia uma carga secundaria re-


sistiva. Se a equação 3.02 fosse reformulada para um fator
de potência indutivo, resultaria uma saturação um pouco m e ­
nos severa e, mais significativamente, um cegamento do efei­
to de saturação por dc, conforme mostrado na Figura 3.16.

Os três problemas significativos que podem resul­


tar da saturação por dc sao a perda de coordenação entre re­
lês de sobrecorrente de pequeno retardo, operação indevida
de relês de sobrecorrente instantâneos de neutro. A compo-
nente contínua de magnetização de transformador e m o t o r , a s ­
sim como as correntes de curto circuito podem provocar sa­
turação por dc.

SATURAÇÃO POR DC - CARGA SECUNDARIA RESI STI VA

------- C O R R EN TE S E C U N D A R IA

S A T U R A Ç Ã O POR D C -C A R G A SECUNDARIA
IN D U T IV A

Fig 3.16
A perda de coordenação ocorre quando o TC do relê
sofre saturação por dc, não ocorrendo o mesmo com o relê
R 2 (Figura 3.171). O relê RI recebera corrente distorcida ou
nenhuma corrente, ao passo que o relê R 2 operara normalmen-

Operação indevida de relês diferenciais pode ocor­


rer quando um TC satura por dc e o outro não. Relês diferen­
ciais porcentuais aplicados com cuidado contornam o p r o b l e ­
m a da saturação por dc. A utilização de relês de scbreoorrente
instantâneos em esquema diferencial sõ deve ser feito tendo
em v i s t a a saturação por dc. O problema ê mostrado n a F igu­
ra 3.17 para uma proteção diferencial de barras. A soma das
correntes de falta 1 ^, I 2 I 3 e I 4 ê zero, mas, se qualquer
um dos quatro TC's saturar por dc, sua saída serã zero e o
relê operara. Um relê com retardo de tempo pode ser usado pa­
ra contornar o problema. O tempo de operação do relê é ajus­
tado n u m valor maior do que o tempo mãximo de de saturação de
qualquer dos TC's do grupo.

ò jr
lí li ií R

K K

Pig. 3.17

Operação indevida de relês de neutro ocorre q u a n ­


do uma corrente de falta cora componente de dc provoca a s a ­
turação por dc de um ou dois TC's de fase (ver Figura 3.18).
Uma falta bifãsica pode propiciar esta condição se um dos
TC*s for mais suscetível â saturação por dc (devido à ca­
racterística do TC ou diferenças n a carga secundaria) , mas
tera mais possibilidades de ocorrer q uando ocorre uma falta
trifásica e o deslocamento por dc nas três fases difere con­
sideravelmente. Dois TC's podem saturar, o que terá coro ocn-
seqüência que a saída do terceiro fluira pelo circuito de
neutro. Isto pode provocar a operação mais rápida dos relês
de neutro com tempo de retardo situados a montante em rela­
ção àqueles situados a jusante. Relês instantâneos de neutro
não podem ser usados onde a componente contínua de magneti-
zação do motor ou transformador ou componente de dc em cor­
rentes de falta são suficientes para provocar a saturaçãodos
dos T C 1s e falsas correntes de neutro. Se saturação de dc o-
corre quando houver deslocamento máximo n u m a das fases, po­
de-se usar relês de neutro com retardo de tempo ou, então,
ura TC tipo anel abraçando os três condutores de fase (as oom-
ponentes contínuas de deslocamento das três fases se anulam).
Neste último caso pode-se usar relês instantâneos.

Um meio de permitir a utilização de relês i n stan­


tâneos, onde a saturação pode causar problemas, ê inserindo
uma resistência adicional no circuito de carga secundária.
Isso é mostrado na Figura 3.18 p a r a um relê de neutro.

A resistência adicional no circuito de neutro au­


m ent a a carga secundaria em todos os TC's de fase qu a n d o a
corrente ê forçada pelo circuito residual. Este aumento de
carga secundária aumenta a saturação nos TC's menos saturar­
des. Assim,, reduz-se a corrente de erro. A resistência adi­
cionada pode, contudo, reduzir a sensibilidade do relê de
terra quando ocorre falta ã terra, pois o aumento da carga
secundária pode conduzir a maior saturaçao por ca.

Métodos para reduzir a saturação por dc

Alguns dos métodos sugeridos para reduzir a satu­


ração ca (redução da carga secundária, aumento da relação dos
T C 1s sem alteração na carga secundária, aumento da seção de
ferro, melhor qualidade do ferro etc) também se aplicam á
saturação por dc. Contudo, o importante remédio, reduzir a
carga secundária, tem menos efeito na saturação oor dc do
que na saturação por ca. Com efeito, em certas circunstân­
cias, maior carga secundária diminui os efeitos indesejáveis
da saturação por dc (como no caso de relés instantâneos de
neutro,e os de sobrecorrente ligados em esquema diferencial).

Se a equação 3.02 fosse rededuzida com a inclusão


de Rg e Xg, seria fácil demonstrar que, quando o fator de
potência do circuito secundário foi igualado ao fator de p o ­
tência do circuito primário (impedância de c u r t o - c i r c u i t o ) ,
o valor máximo de I é minimizado. Isto resulta num tempo
e DC
menor para desaturação. Em alguns casos, a saturação por dc
pode ser evitada completamente. Uma demonstração deste fato
pode ser realizada usando a equação 3.02, onde I será ze-
DC
ro quando a = 6 . Incluindo Rg, a equação é mais complicada e
o resultado, devido a fatores de potência i g u a i s , menos drás­
tico, mas sem dúvida útil.

Efeito do fluxo remanente

Quando uma falta é eliminada num instante em que


há considerável fluxo no núcleo do TC, muito deste fluxo p o ­
de remanescer apôs a remoção da falta. 0 nível de fluxo no
instante da remoção da falta pode ser muitas vezes o extre­
mo máximo da oscilação normal de fluxo causado pelas corren­
tes de carga. As oscilações de fluxo normais devido às cor­
rentes de carga tenderão a reduzir o fluxo remanente até um
ponto que depende do material do núcleo e do menor laço B-H
em torno do qual a operação normal ocorre. Esta redução o-
correrá durante os vários segundos apõs a remoção da falta,
depois do que um remanente em regime permanente permanece.O
nível final deste fluxo remanente pode ser muito maior do que
as oscilações de fluxo que ocorrem devido ãs correntes n o r ­
mais de carga.

O tempo de saturação, o tempo de desaturaçio, b e m


como o grau de saturação por dc quando uma corrente de fal­
ta cora componente de dc ocorre, dependerão e m larga escala
do nível e da polaridade do fluxo remanente. O fluxo rema­
nente pode tornar a saturação por dc mais severa, ou pode
prevení-la. Ate certo ponto este fator reduz o benefício de
qualquer estudo no sentido de projetar equipamento não sa-
turãvel.

V. CONSIDERAÇÕES SOBRE A CARGA SECUNDÃRIA

A maioria dos relês requerem V A constante para o-


peração, independentemente do ajuste da sensibilidade. Isto
ê, um relê que possui bobina com tap pode ter uma carga de
- 1 2
0,3 ohras no tap de IA e impora uma carga de (q — 5 ) x 0,2 =
0,8 ohms no tap 0,5A.

Dois aspectos quanto a saturação por ca d e v e m ser


considerados. Se aumentamos a relação do TC numa tentativa de
reduzir a saturação por ca, temos que reduzir os ajustes do
relê (bem como a sensibilidade dos instrumentos) para alcan-r
çar a m esma sensibilidade do relê em ampêres primários. O
aumento resultante na carga secundaria deixara o TC com a
relação de transformação mais alta na me s m a situação que o
TC n a relação original mais b aixa - a não ser que o TC de re­
lação mais alta seja d um tipo melhorado, com maior seção de
ferro, ou núcleo de ferro melhor.

Um outro aspecto a considerar devido ao fato que


a carga é inversamente proporcional ao quadrado d a sensibi­
lidade do relê, ê o fato de que o ajuste mais baixo do relê
não dara a mãx i m a sensibilidade e m termos de ampêres p rimá­
rios, se a carga do relê no ajuste mais baixo pro v o c a a sa­
turação do TC. A Figura 3.19 m o s t r a a sensibilidade dum relê
e m ampêres primários quando os ajustes mais baixos provocam
a saturação por ca.

Fig. 3.19

Esta Figura m ostra um relê com sensibilidade va­


riável de forma contínua, mas um relê com taps discretos p o ­
de ser representado de forma similar. Um tap seria escolhido
próximo ao ponto de mínimo da curva se a mãxima sensibili­
dade fosse desejada. E m n e n h u m caso dever-se-ia usar um tap
que resultasse na saturação por ca.

VI. TIPOS DE TC 1s
Tipo primãrlo enrolado

O TC com primário enrolado ê usado principalmente


para medição, mas pode ser usado para relês quando forem r e ­
queridas relações de transformação pequenas (menor que 200/5).
O TC tipo primário enrolado ê construído conforme esquema-
tizado na Figura 3.20.

Fig. 3.20

Isolaçio limitada, devido â proximidade do enrola-


me n t o prim á r i o e o núcleo., e o enrolamento secundário limi­
tam a aplicação do TC tipo primário enrolado a circuitos de
15kV ou menos, A construção de TC limita seu uso a equipa­
mentos de manobra e locais onde possa ser inserido direta­
mente no circuito primário, Eles são disponíveis para uso
externo e interno.

Tipo janela

O TC tipo janela tem construção similar ao tipo


b u c h a descrito abaixo, sendo, porém, usado o ar p ara separar
os enrolamentos primários e secundários. O enrolamento p r i ­
mário pode ser uma barra ou um fio condutor, como na Figura

TIPO JANELA
Fig. 3.21

Tipo bucha

O tipo de TC mais comumente usado e de melhor d e ­


sempenho p a r a serviço de relês ê o tipo de b u c h a que é d i s ­
ponível em várias modalidades dependendo do tipo de monta­
gem. Este TC consiste dum secundário toroidalmente enrolado
e habitualmente distribuído p a r a se obter fluxo disperso mí­
nimo. Quando forem disponíveis taps secundários, o q u e ê n e ­
cessário n um TC de múltiplas relações, o uso dos taps pode
resultar na utilização de u ma seção do enrolamento n ão com­
pletamente distribuída. Resulta daí u m TC com desenpenho piar
do que seria obtido com u m TC que desse a relação desej a d a com
o enrolamento completo.

O TC tipo bucha recebe seu nome devido ao tipo de


monta g e m usada. A Figura 3.22 m ostra u m arranjo típico. A
bu c h a garante a isolação primãrio-secundário.
-T E R M IN A L DE AT

D IS J U N T O R OU
TANQUE DE
TRANSFORMADOR

C O M P AR TIM EN TO
DOS T C ‘ S.

T I P O B U C H A

(a)

Fig. 3.22

Tipo barra

O TC tipo b a r r a ê similar ao tipo bucha, mas o TC


é solidário com o condutor primário (espira única) pela i-
solação (tipo resina Epoxi ou s i m i l a r ) .

Outros tipos de Tc' s

3BB.
BUCH A DE
::
TERM INAL
SECUNDAR K l_K-base

TC 0E AT ISOLADO A AR

Fig 3.23
A Figura 3.2 3 mostra dois tipos de mont a g e m de TCs
para alta tensão com enrolamento toroidal. O TC indicado na
Figura 3.23 pode formar a base para um disjuntor de alta ten­
são com extinção do arco por sopro de ar.

VII. CONSIDERAÇÕES QUANTO A APLICAÇÃO


T C 1s para cabos
Correntes devidas a faltas à terra po d e m estar au­
sentes nos circuitos secundários dos TC's, se a capa ou ar­
madura do cabo passa pelo TC, de maneira que correntes de
terra (3Iq ) que retornam pela capa cancelem a dos condutores
de fase. Se a capa tem que passar pelo TC, a conexão de a-
terramento d a capa deve ser realizada por um condutor que
passa de volta pelo TC p a r a cancelar o efeito de qualquercor-
rente de capa no TC. Dessa forma sô correntes de fase serão
induzidas no TC.

CABO
I i
BLINDAGEM OU j
ARMADURA "~l

INCORRETO CORRETO TIPO ANEL

Fig. 3.24

Tensões transitórias devidas â saturação do TC

Quando um TC satura, a tensão eficaz no circuito


secundário ficara limitada pelo valor baixo da saturação de
X . Tensões transitórias, porem, p o d e m ser geradas duas ve-
w

zes por ciclo quando o fluxo no nücleo do TC m u d a de pola­


ridade e pa s s a por zero. N e s t a ocasião, a taxa de variação
do fluxo ê máxima, podendo ocorrer tensões de vários m i l h a ­
res de volts pico a pico. Uma vez que o TC estará r eprodu­
zindo as correntes fielmente durante este curto período de
tempo correspondente à reversão de fluxo, a tensão d e s e n v o l ­
vida ê essencialmente independente de todos os parâmetros de
circuito, excetuando a relação de espiras do TC.

Testes mostraram a seguinte forma empírica pa r a


sobretensões secundárias e m TC's tipo bucha:

e = 3,5 Z(-i-) 0,53

onde:

e = tensão de pico em volts no circuito secundário


Z = impedância não saturada da carga secundaria,
incluindo relês, medição, instrumentação e im­
pedância de excitação de outros TC*s
I = valor eficaz da corrente de falta primaria
N = relação de espiras do TC

0 valor de Z refere-se apenas a valores n ão s a t u ­


rados. Quando se usa TC*s com t a p s , a tensão calculada serã
apenas a tensão no tap que alimenta a carga secundaria. A
tensão no enrolamento completo serã proporcionalmente maior
do que a d a porção do enrolamento correspondente ao tap.

Tensões calculadas por esta relação não devem e x ­


ceder os valores de tensão usados nos testes de alta tensão
do TC e circuitos secundários associados (1.500V e f i c a z e s ) .

Quando altas tensões devidas â saturação não po­


d e m ser evitadas, algum tipo de protetor de alta tensão d e ­
ve ser usado. Pode-se consultar os fabricantes quanto ao t i ­
po e localização de tais protetores de sobretensão. O pro­
tetor de sobretensão tem que ser capaz de limitar ascbreten-
são a valores seguros, não deve interferir no funcionamento
correto da proteção, o tem que ser capaz de resistir a ener­
gia total que a sobretensão possa gerar n o protetor de so­
bretensão.

As duas áreas seguintes representam situações em


que foram necessários dispositivos de proteção contra scbre-
tensÕes.
Circuitos diferenciais de gerador

Quando um gerador relativamente pequeno e ligado


a uma barra onde a corrente de curto-circuito devido ãs fon­
tes externas for elevada, uma falta na zona p r otegida pelo
relê diferencial do gerador pode resultar em severa s atura­
ção e rápidas reversões de fluxo no TC do disjuntor do ge ­
rador. Amplia este problema o fato de que os relês d i f e r e n ­
ciais muito sensíveis do gerador têm geralraente bobinas de
operação com impedãncia elevada para obter a sensibilidade
necessária.

Chaveamento do banco de capacitores

Quando um de dois bancos de capacitores ê energi-


zado ou desenergizado e se os dois bancos estão eletricanente
próximos, o banco a ser energizado ou desenergizado, farã
fluir fortes correntes transitórias de alta freqüência en­
tre os dois bancos e o sistema. Éstas correntes de alta fre­
qüência tornarão a componente reativa da carga secundaria do
TC muito grande, resultando saturação do TC devido a estas
correntes de alta freqüência. Reversão rãpida de fluxo ocor­
re devido ao estado saturado do TC e a alta freqüência da
onda de corrente.
Conexoes de T C s

A Figura 3.25 (a] m ostra um TC inserido num circuito


primário. As marcas de polaridade m ostram o relacionamento
das correntes instantâneas primarias e secundárias e pe r m i ­
tem que os T C 1s sejam adequadamente ligados quando a corren­
te secundaria do TC tem que ter relações de fase apropria­
das com outras correntes secundarias ou circuitos de tensão.
Isso ê necessário para permitir a soma adequada de corren­
tes em esquemas diferenciais e polarização correta de re­
lês direcionais com duas grandezas de entrada. Marcas de p o ­
laridade têm que ser usadas para garantir a conexão correta
de dois ou três TC's ligados em arranjos, conforme d iscuti­
do abaixo.

A Figura 3.25 m ostra as três conexões mais popu­


lares de TC's para circuitos trifásicos. Mais e x tensivamen­
te usada ê a ligação estrela mostrada na Figura 3.25(a).Es-

l/m

MARCA DE^í d 2 CARGA secundaria


*1
polaridade I DOS
INSTRUMENTOS

(o)

INSTRUMENTOS OU

U)

Fig. 3.25

ta conexão garante correntes secundarias proporcionais a ca­


da uma das três correntes de fase primarias e uma corrente
proporcional a 3 vezes a corrente de seqüência zero que flui
no sistema primário. Sob condição de corrente normal de car­
ga, a componente de seqüência zero serã zero e nenhuma cor­
rente fluirá no circuito residual. Contudo, quando faltas
desbalanceadas envolvendo a terra ocorrem, haverá uma com­
ponente de seqüência zero e os relês inseridos no circuito
residual deterão esta componente da corrente primária. A
corrente residual pode também ser usada para polarizar relês
direcionais de terra, comparando-se a direção desta corren­
te com a direção da corrente de seqüência zero do circuito
primário. Dispositivos de fase, tais como relês de sobre-
corrente temporizados ou instantâneos e m cada um dos três
circuitos secundários a montante do ponto neutro, deterão
sobrecorrentes devido a sobrecargas ou c u r t o - c i r c u i t o s .

A Figura 3.25(c) mostra a conexão delta. Duas co­


nexões delta são possíveis: a mostrada e uma similar à m o s ­
trada, que pode ser facilmente esquematizada e que assegu­
rara correntes proporcionais a I - 1^, 1^ - I e I& - Ic ,
em vez das correntes mostradas na Figura 3.25(c). A conexão
delta tem várias finalidades. Pode ser usada em equemas de
relês de distância, onde a diferença entre pares de corren­
tes é necessária (mais freqüe n t e m e n t e , contudo, TC's ligados
em estrela são usados e duas bobinas de corrente são m o n t a ­
das e m cada relê, uma a ser inserida numa fase, e a outra
noutra fase do circuito ligado em e s t r e l a ) . Uma outra fina­
lidade da ligação delta ê a eliminação da corrente de se ­
qüência zéro no circuito diferencial dos transformadores de
força ligados em estrela-delta ou delta-estrela.

A proteção de transformadores de aterramento re­


quer a conexão delta que não produz corrente de seqüência ze­
ro no circuito de carga secundaria e, dessa forma, não pro­
vocara a atuação dos relês protetivos quando o transformador
de aterramento supre correntes de falta à terra no caso d u ­
ma falta no sistema primário. Correntes de seqtiência zero
não aparecem na carga secundaria dos TC's ligados em delta,
pois as correntes de seqüência zero nas três fases estarão
em fase e serão de igual magnitude e, portanto, circularão
no circuito série formado pelos três enrolamentos secundários
dos T C 1s .

A Figura 3 . 2 5 (d) mostra uma ligação que é usada


por motivos de economia quando as correntes de seqüência ze­
ro não precisam ser consideradas e correntes proporcionais
às duas correntes de fase são necessárias. Esta conexão ga­
rantirá correntes secundarias proporcionais a cada uma das
correntes trifâsicas para medição ou releamento sob todas as
condições, exceto no caso de falta ã terra ou carga ligada
entre fase e neutro. Desde que não existam faltas à terra
nem cargas ligadas entre fase e neutro no primário do sis­
tema, a soma das três correntes de fase tem que ser zero*
Proteção contra sobrecarga de motores e outras cargas pode
ser obtida por esse circuito, pois uma sobrecarga na fase b
não pode ocorrer sem sobrecarga simultaneamente nas fases a
ou c.

Este esquema com dois TC's garante proteção contra


curto-circuito para defeitos bifãsicos e trifãsicos e de­
feitos fase terra nas fases a e c (admitindo que a corrente
de falta à terra não seja limitada por uma impedância de
neutro a um nível inferior â sensibilidade dos relês de fa­
se que fossem u s a d o s ) . Assim, sempre que o esquema de 2 TCs
for usado, proteção de falta à terra tem que ser suprida*
Geralmente garante-se proteção de terra usando TC de bucha
tipo anel, conforme se mostra na Figura 3 * 2 5 (d). Este TC
produz uma corrente secundaria proporcional ã corrente 3IQ
nos condutores primários.

VIII. T C s AUXILIARES

TC *s auxiliares são essencialmente os mesmos que


os T C s discutidos até aqui, quanto ao seu circuito e q u i v a ­
lente e características de saturação. Os T C 1s auxiliares são
geralmente mais suscetíveis â saturação por ca pois, e m ge ­
ral, têm menor seção de ferro. TC's auxiliares também podem
saturar por dc.

Os T Ç 's discutidos acima podem ser usados ocmo TC*s


auxiliares mas a m a ioria dos fabricantes oferece, alêm dos
TC *s convencionais, uma linha de T C s adequados apenas p a r a
função auxiliar. Os T C s auxiliares são mais usados na me­
dição do que na proteção. TC's auxiliares, devido â pequena
quantidade de* ferro usada, são muito suscetíveis à saturação
por ca, porém, sob condições normais de carga, os T C s au­
xiliares têm bom desempenho e são, por isso, aceitáveis p a ­
ra a utilização n a medição.,

TC *s auxiliares são mais aceitáveis em circuitos


de releamento, quando a relação de espiras ê de dois para um
ou menos. Um problema sério que surge quando a relação dos
T C 's excede valores pequenos é a impedância aparente da car­
ga secundaria do TC auxiliar para os TC*s principais. Quan­
do os T C 1s auxiliares são usados ccmo elevadores de corrente,
a carga secundaria do TC auxiliar e a resistência secundá­
ria do TC auxiliar serão, ambos, vistos pelos TC's princi­
pais como o produto do quadrado da relação de espiras vezes
seus valores reais. Por exemplo, um TC auxiliar que eleva a
corrente 3 vezes, e que tem uma impedância secundária, in ­
cluindo a impedância do e n r o l a m e n t o , igual a u m ohm, refle­
tirá este um ohm para o lado primário como nove o h m s . A car­
ga secundária total dos TC's principais seria nove ohms mais
a impedância do enrolamento primário do TC auxiliar.

TC PRINCIPAL C AR GA S

CONDUTOR PRIMÁRIO TC AUXILIAR


<•) I n H - tf i m N r m t R f l
(Al
Fig. 3.26

Os TC's auxiliares são geralmente do tipo com dois


enrolamentos ou do tipo a u t otransformador. A Figura 3 . 2 6 (b)
m ost ra conexões típicas de cada um destes dois tipos. 0 tipo
de dois enrolamentos pode ter um primário enrolado ou ser
construído como um TC toroidal com apenas u m enrolamento fi­
xo neste núcleo toroidal, e o outro enrolamento(primário ou
secundário dependendo da aplicação) f o r m a d a pelo utilizador
ao passar o condutor uma ou mais vezes pelo TC, como se m o s ­
tra na Figura 3.27. Este tipo de TC permite obter u m g ran­
de número de relações de t r a n s f o r m a ç ã o , passando um ocndutor
uma ou mais vezes pelo núcleo do TC.

A seguir mostramos esquemas de utilização de TC*s


bastante freqtientes em circuitos de relês.
TC AUXILIAR

À CARGA

Ajuste da relação de transformação para a proteção diferencial

Quando os T C s disponíveis para a proteção dife­


rencial não têm relações de ajuste adequadas, especialmente
no caso da proteção de transformador, e o relê diferencial
não possui taps ou taps convenientes que se ajustem às re­
lações dos TC's,usa-se TC*s auxiliareá, conforme s e mostra
na Figura 3.28. E m alguns esquemas de proteção diferencial,
os T C 4s auxiliares ôão necessariamente ligados em delta-
estrela ou estrela-delta para garantir que o relê seja su­
prido com as correntes apropriadas.

RELE
5 AUXILIAR

33
■«-ur-rc 2.67/1

y800 /5 300/5
-

E0UIPÀME NTO
P R O T E G Í DO
Fig. 3.28

Shunt de corrente de seqtiência zero

A Figura 3.29 mostra a conexão de três TC's auxi­


liares (qualquer relação) de forma a criar um caminho auxi­
liar às correntes de seqtiência zero, a fim de garantir cor­
rentes de relês proporcionais apenas às componentes de se­
qtiência positiva e negativa. Seguindo o circuito secundário
na Figura 3.29, verifica-sé que as correntes primarias dos
TCs auxiliares têm que estar em fase, pois os TC's auxilia-
res são conectados em delta-estrela e todos os três TC's te­
rão a mesma corrente secundaria, correntes que circularão no
enrolamento delta.

Fig. 3.29

Normas para TC's

0 American National Standards Institute (ANSI) pu­


blicou normas para a classificação dos TC's ocnsiderando sua
exatidão, tanto para o$ TC's de medição como para os TC's de
proteção. Os TC*s usados para a proteção são classificados
de acordo com o seu erro de relação para uma determinada carga
secundaria e correntes dentro da faixa das correntes normais
de carga, enquanto que a classificação dos TC's usados para
a proteção classifica os TC's conforme sua resposta a cor­
rentes que vão até 20 vezes a corrente normal.

A classe de exatidão dos TC's para a proteção, é


mostrada por um código tal como 10T100, 2,5C50, etc. Neste
c ó d i g o r o primeiro numero indica o erro percentual nor m a l i ­
zado que o TC não excedera quando a carga secundaria for tal
que a tensão nos terminais secundários for igual ao segundo
numero dado no cõdico com a corrente secundaria igual a 20
vezes a corrente nominal. Essencialmente, em todos os TC's
usados na proteção nos Estados Unidos, a corrente secundária
nominal é de 5A; neste caso, a classificação representa o
desempenho do TC para uma corrente secundária de 100A. üsan-
se duas classificações percentuais7', isto ê, 2,5% e 1Q%. As
sete classificações de tensão normalizada são: 10, 20, 50,
100, 200, 400 e 800V. H ã duas classificações a l f a b é t i c a s , is­
to ê, C e T, com o C indicando classificações calculadas, e
o T, classificação obtida por teste. TC's com múltiplos en-
rolamentos secundários, ou secundários com taps podem ter mais
do que um valor nominal se o desempenho d o TC difere quando
arranjos diferentes do enrolamento secundário forem usados.

Os dados do fabricante em qualquer TC incluem, ge ­


ralmente, a classificação mais alta a que o TC se enquadrar.
Tanto a classificação 10% como a classificação 2,5% ou ambas
são registradas. Quando o erro percentual não for incluído
(isto é, C50, T 1 0 0 , etc), subentende-se 10%.

A informação significativa provida pela classifi­


cação' do relé é uma indicação quanto ao local do joelho da
curva de saturação. Contudo, uma dada classificação de relê
pode apenas indicar que o joelho da curva de saturação cai
dentro duma determinada zona. Isto ê , um TC que não ê sufi­
cientemente exato para se enquadrar na classificação 10T100
seria considerado um 10T50 e o utilizador não saberia dequan-
to o TC se aproxima da classificação 10T100. Quando se conhe­
ce as capacidades dos T C s p ara 2,5 e 10%, a real capacidade
do TC pode ser melhor fixada.

TCs modernos são especificamente projetados para


se enquadrar na classificação normalizada, enquanto projetos
mais antigos têm capacidades entre os valores nominais nor­
malizados, indicando-se a m áxima capacidade a que se enqua­
dram.

Os fabricantes desde 1969 u sam na classificação dos


TCs as letras T ou C, tendo sido usadas antes desta data as
letras H e L, significando L, um TC de b aixa impedância se­
cundária ( T C s tipo bucha ou janela com enrolamento secundá­
rio totalmente distribuído) e H, um TC de alta impedância se ­
cundária (geralmente o tipo primário e n r o l a d o ) .

As classificações de exatidão da N o r m a ANSI são g e ­


ralmente usadas nos trabalhos de especificação que fornecem
os requisitos mínimos para uma dada aplicação e a menor cias-
sificação que satisfaz estes requisitos. Quando for n e c e s s á ­
ria informação mais exata para permitir calcular com r azoá­
vel exatidão o efeito da saturação por ca, curvas de relação
de s o b r e c o r r e n t e , curvas de fator de correção de relação ou
características de saturação por ca, d e veriam ser usadas.
Cada um destes três tipos de curvas p odem ser fornecidos pe­
lo fabricante para u m determinado TC. A curva característi­
ca de excitação já foi analisada e a Figura 3.07 m o s t r a cur­
vas típicas de relação de sobrecorrente e correção de fator
de relação. Estas curvas, na realidade, constam d u m a faraília
de curvas, u ma curva para cada carga secundária padrão.
APÊNDICE

TENSÃO NO PONTO JOELHO DO TC

O processo de classificação de TC*s pela tensão


no ponto de joelho (tpj) pupularizou-se na E u r o p a e tem m u i ­
tos adeptos nos Estados Unidos.

A tpj define o limite superior d a região apr o x i ­


madamente linear da característica de saturação do transfor­
mador. A tpj é definida no esquema abaixo. A tpj é a tensão
acima da qual um acréscimo de 10% n a tensão com o outro en-
rolamento em circuito aberto provoca u m aumento de 50% na
corrente de excitação.

Para evitar a saturação ê necessário apenas s ele­


cionar um Tc com a tpj acima da tensão secundaria mãximaque
possa ocorrer. Esta tensão é simplesmente o produto d a má­
xima corrente de falta (referida ao secundário do TC) e a
impedãncia da carga secundaria (incluindo a resistência dos
condutores e do secundário do T C ) .

Quando o TC alimenta relês de alta velocidade,tais


como relês de distância, deve-se também evitar saturação par
dc.

Escolhendo um TC, cuja tpj é duas vezes a neces­


sária para evitar saturação por ca, reduz-se sign i f i c a n t e ­
mente a probabilidade de ocorrer operação retardada de relê
devido à saturação por dc.
TENSÃO DE CIRCUITO ABERTO

CORRENTE
DE
EXCITAÇÃO
capitulo4
CALCULO DE CORRENTE DE FALTA E
RESPOSTA DO RELÊ DE DISTANCIA
I. INTRODUÇÃO

A aplicação de reles contra faltas requer conhe-


raento detalhado das correntes e tensões que ocorrerão no ponto
de aplicação de qualquer relê durante os curto-drcuitos. Deve-
se considerar a operação dos relés durante faltas trifãsicas,
faltas bifãsicas à terra, faltas de fase a fase e faltas de
fase para a terra, b e m como todos estes tipos de faltas q u a n ­
do incluem impedância de falta. A resposta dos relés deve
ser conhecida para faltas n a direção de disparo e não dis­
paro no caso de relés direcionais.

Todos estes tipos de faltas podem ser calculadas


com a ajuda de um programa de computador. A técnica da ma­
triz impedância de barra é a mais popular e presta-se ao cal­
culo rãpido de falteis em todas as b a r r a s , uma vez que a m a ­
triz de impedância tenha sido formada. Uma matriz de impe­
dância da rede de seqüência positiva permite somente o e x a ­
me das faltas trifãsicas e das faltas fase a fase, onde as
impedâncias de seqüência negativa e positiva podem ser con­
sideradas iguais. Faltas envolvendo terra podem também ser
calculadas por esta técnica; contudo, a matriz de impedância
de seqüência zero deve também ser formada e as matrizes p o ­
sitivas e de seqüência zero interligadas pelo programa para
simular os tipos de falta desejada e localizações.Variações
no sistema podem ser representadas por casos alternativos em
tal programa. Alternativas típicas que necess i t a m freqüen-
temente ser analisadas são o defeito n a b a r r a com u m a linha
fora e os casos de falta n a extremidade de s t a linha. N a p r i ­
meira, as correntes e tensões de falta em algum ponto do
sistema p odem variar consideravelmente, se u ma linha esta ou
nao em operação. Considerações quanto ao releamento podem
requerer que os relês tenham um desempenho adequado com ou
sem a linha e, assim, estas correntes e tensões de falta de­
vem ser conhecidas e m ambos os casoS. N a situação de falta
na extremidade da linha, verifica-se freqüentemente que os
relês nas duas extremidades de uma linha o peram s i multanea­
mente. Quando o disjuntor, numa extremidade de uma linha sob
falta, abre antes do disjuntor na extremidade oposta, pode
haver uma m u dança significativa na distribuição das corren­
tes de falta. Esta redistribuição de correntes de falta pode
ser de importância na coordenação de relês.

Componentes simétricas

Como esta implícito na introdução desta seção, a


analise de componentes simétricas pode ser u m a ajuda signi­
ficativa na determinação de correntes e tensões durante cur-
t o - c i r c u i t o s . Não ê finalidade deste texto cobrir e m deta­
lhes os programas de calculo das correntes de falta, c ontu­
do, supÕe-se que o estudante tenha sido treinado no uso de
componentes simétricas para calcular faltas.

Representação do sistema simplificado

N a aplicação de relês ê algumas vezes necessário


examinar uma parte particular do sistema detalhadamente. Tarctán
no exame da resposta do relê para fins educacionais, seria
desejável a capacidade de examinar uma seção de um sistema
maior, detalhadamente, sem uma representação m i n u ciosa do
sistema todo.

Para fazer isto examinaremos uma seção de linha de­


t a l h a d a m e n t e , usando um sistema equivalente para o sistema
alêm de cada extremidade da linha. Em alguns casos reais,duas,
três ou mais seções da linha podem ser intimamente interli­
gadas, de tal modo que uma linha simples não possa ser des-
conectada numa representação como esta, mas, e m geral, os e-
lementos remotos do sistema possam ainda ser tratados como
parâmetros concentrados, a fim de simplificar consideravel­
mente os cálculos de corrente e tensão nas linhas ou elemen­
tos de importância.

N a Figura 4.01 e mostrada uma seção de linha que


deve interligar dois sistemas. Os dois sistemas são repre­
sentados por seu equivalente Thêvenin ou por uma tensão a-
trãs de uma reatância. A reatância dos dois sistemas seria
determinada a partir de estudos prévios de curto-circuito.

Podemos achar níveis de falta de linha em termos de


parâmetros dos dois sistemas.

Usando hipóteses simplificadoras convencionais (*),


podemos representar cada sistema por uma tensão atrãs de uma
impedância. Também, seja Z^ a impedância da linha desde o
local do relê ao local da falta. Seja ZA a impedância do sis­
tema A mais Z^, e Zfi a impedância do sistema B mais a impe­
dância da linha remanescente Z^.

T*) O equivalente Thêvenin de fontes resulta e m tensões a-


proximadamente iguais a 1,0 por unidade (negligenciadas
as correntes de carga i n i c i a l ) . Também efeitos de q u a l ­
quer indução mutua de circuitos p a r a l e l o s e correntes de
carga são negligenciados.
CÃLCULOS de corrente de falta

Falta trifâsica

Consideremos primeiramente uma falta trifâsica e-


quilibrada. Somente a rede de seqtiência positiva do sistema
precisa ser representada.

Fig. 4.02

Para uma falta trifâsica, as grandezas de seqtiên-


cia negativa e zero são nulas. As correntes de seqtiência na
falta são:

E (4.01)
1 1â
1 ZA. ZB-
~ + p
ZA 1+ Z B 1 *f

1 1a2 = 0

I,ao = 0

Z A 1 ZB1
Para simplificação, temos: ? — = Z

Z, = impe danei a equivalente da


x rede de seqtiência positiva.

Assim, I'a^ *• — g— — (4.02)

A corrente na localização do relé é:


(4.03)
Ial “ C llàl
ZB,
onde = ~~ZA +ZB— 9 a razao <*a corrente de seqüencia po­

sitiva no local do relé para a corrente de falta da seqüên-


cia positiva total.

Substi t u i n d o :
Iai = c i - z H h r (4.04)

Temos » K
zi + Rf

de modo que
(4.05)
I a l = C 1K

Desde que a falta seja balanceada, correntes de


seqüência negativa e zero são zero e as correntes trifãsicas
são iguais e deslocadas de 120 graus.
II

.K + 0 + 0 = K
H

T al + ra2 + Ia0 = C 1 ! C l*
>

a2C 1K + 0 + 0 = a^C^.]
= a 2lal + aIa2 + Ia0 =

aC^.K % 0 + 0 « aC^.K
II
w
O

aI al + a2ja2 + Ia0 =

A tensão de seqüência positiva no ponto da falta ê:

V 'a 1 = K . Rf (4.07)

A tensão de seqüência positiva no relé e:

V a L * V ,a 1 + C 1 K = K (Rf + Zl^) (4.08)

As tensões de seqüência negativa e zero são zero. A s s i m co­


mo para as correntes, as tensões no relê são balanceadas.

VA " V al + V a2 + V a0 = V al = K ( V C 1Z U )

VB “ a2yal + aV a2 + V a0 = ^ a l * (4*09)
= aval = a K ( R f+C lZjll)
V C “ aVal + a ^V a2 + V a0

Os reles não utilizam correntes de linha direta­


mente, mas recebem correntes reduzidas em magnitude e pro­
porcionais à corrente de linha pelo uso de transformadores
de corrente. Hã duas ligações possíveis p a r a transformadores
de corrente. A ligação popular estrela (y) e a ligação delta.
Os condutores do sistema inerentemente formam uma conexão es­
trela, enquanto os enrolamentos secundários d o t r ansforma­
dor de ccrrente podem ser ligados em estrela (y) ou delta.

N a ligação estrela (y), as correntes secundarias


são proporcionais e em fase com as correntes primarias (ver
Figura 4 . 0 3 (a)).

(o ) ( bi

Fig. 4.03

Na conexão delta, as correntes de fase sao sanadas


para produzir um conjunto de correntes delta adiantadas ou
retardadas de 30° em relação à corrente primaria. Sob con­
dições balanceadas, as correntes delta serão /“T vezes as
correntes de fase.

A Figura 4 . 0 3 (b) indica correntes secundarias a-


vançadas de 30° em relação à corrente primaria.

A maioria dos relés de fase são construídos de m o ­


do a ver adequadamente uma falta de fase a fase, quando as
entradas ao relê são tensões delta (tensão linha a linha) e
correntes delta. Desde que as correntes estrela (y) são ge­
ralmente exigidas para outros propósitos que não sejam de
relês, e correntes de seqüência zero são exigidas para os
relês, a ligação da Figura 4 . 0 3 (a) ê mais popular. Esta li­
gação não produz inerentemente correntes delta; assim, os
relês são providos de um par de bobinas de corrente de modo
que uma bobina possa ser inserida em cada uma das duas fases
da ligação estrela (y) produzindo um fluxo na estrutura de
operação d a relê igual â diferença das correntes das duas
fases.

As magnitudes de corrente secundaria são, para uma


falta trifãsica:

(IA " V - d - a2 ) C 1 .K

(IB " V = d - a2 ) a2C 1 .K = (a2 - a) C^.K

= d - a2 ) aC^.K = (a - 1) C r K (4.10)
(Ic " V

A redução devido à relação de transformação do TC


não ê indicada nas equações 4.10.

Quando as tensões de fase a fase são usadas nos re­


lês, as tensões de relê são:

VAB “ VA - VB =(1’ a2)K (Rf+W

VBC “ VB - VC =(a2 'a)K (Rf+ C l V í4 *1 1 *

VCA “ VC " VA = <a- K (Rf + Cl V

A redução devida ao TP não ê indicada nas equações 4.11.

Faltas de fase a fase

A Figura 4.04 indica a configuração de redes de


seqüência positiva e negativa para uma falta entre as fases
b e c com uma impedância de falta total R^.

As correntes de seqtiência na falta são:

E
(4.12)
I,al 1 'a 2 Z, + Z~ + Z,

IaQ = 0

Z1 = Equação de sistema de seqüência positiva

Z0 = Equação de sistema de seqüência negativa

Z f = Impedância de falta

Onde Z 1 ê o equivalente de rede de seqüência p ositiva e Z2


é o equivalente de rede de seqüência negativa.

Por simplificação, seja:


E
K =í = Ia^ = ” Ia2 (4.13)
Z1 + Z2 + Zf

No local do relé:
Onde = razao entre a corrente de falta de seqüência po­
sitiva que passa pelo relé e aquela na falta, e C 2 = razão
entre a corrente de seqüência negativa que passa pelo relé e
aquela na falta. Resolvendo para as correntes trifãsicas no
local do relê:

CjK - C2K + 0 K (C^ - C2)


It
H
>

= a2C1-K - aC2K 0 K(a2C1 - aC2) (4.15)


+ =

aC^.K - a2C2K 0 KíaC^ - a2C2)


li

+
M

=
O

Observemos que, se redes de seqüência negativa e positiva são


idênticas como usualraente seriam para os primeiros poucos ci­
clos de uma falta, as correntes de fase no relê tornam-se:

*A= 0

XB * K C i (a2 ~ a ) (4.16)

Ic - K C 1 (a - a2 )

Para o restante desta dedução, duas hipóteses poderão ser


feitas:
C, *

Z 1 = Z2

Considerar = C2 significa que a distribuição d a corrente


na rede de seqüência negativa é similar àquela na rede de
seqüência positiva. Isto não significa que as redes sejam
iguais. e C 2 difeririam se as duas fontes, A e B,revelas­
sem diferentes taxas de variação da reatância de eixo d i r e ­
to durante a falta. E m tal caso, variaria durante a fal­
ta, enquanto C 2 permaneceria constante.

A hipótese Z^ = Z2 limita o uso dos resultados a


problemas onde somente relês de alta velocidade estão sendo
examinados, ou onde as impedâncias de gerador são pequenas
comparadas à impedância total entre a falta e a geração

Tensões no ponto de falta são:


V ' a ± = I a 2 (Rf + Z2 ) Observação:
Consideremos
Va2 = - I a 2 (Z2) Zf = + jO

Va 0 = 0 <4.17)

Tensões n a localização de relé sao:

Vax = = -I2 (Rf + Z2) + C1Ia1ZA1

Va2 = V ,a2 ~ C 2 ( “ I a 2 ) Z%2 “ ~Z2 { Z 2 ] + °2 Ia 2 Z l2

VSq = 0 (4.18)

Utilizando as hipóteses c i = C 2 e z i = Z2' substituindo -Ia^

por K, e Zâ2 por Z i ^ pois impedãncias de seqüência n e gativa


e positiva de linha de transmissão são iguais:

Vai = K (Rf + Z x ) + K

V a 2 = K Z 1 “ C 1 K Zí, (4.19)
<
<?

= 0

daqui e m diante usar

Zi = Zlx = Z *2

z *0 = z*0

Resolvendo para tensões de fase no relé:

Vft - Vax + +VaQ - K(Rf + (4.20)

VB = a2Vax + aVaj + VaQ = K( (a2 - a) CjZÍ. - + a2Rf)

Vc = aVa1 + + Vsy = K((a - a2) CjZi - Z1 + a Rf)

Falta de fase para a terra

A Figura 4.05 indica a configuração dos componen­

tes de seqüência para uma falta de linha para a terra na

fase A.
Fig. 4.05

As correntes de seqüência na falta são:

T _ _ _ _ _________ E________
Ial la2 la0 z! + Z2 + Z0 + 3Rf

XA - Iax + + Ia0 Z1 + Z2 + ZQ + 3Rf

= (a2 + a + 1) Iax = 0 (4.22)

= (a + a2 + 1) Ia^ = 0
XC

Observemos que:
ZA0 ZB q
zo ZA0 + ZB 0

ZAX
ZB1
z1 ZAX + ZB^

za2 zb2
z2 zb2
ZA1 +

Definindo CQ como a razão entre a corrente de se-


qüência zero no relê e n a falta, considerando = C2 e

Z1 = Z 2 ^ ' e fazendo:

K (4.23)
+ 3R f

conduz as seguintes correntes de fase no relé:

= K (2CX +
XA V
o

= K (4.24)
o

ZB c l>
1

= K
n
H

c l>
o
O

Como a n t e s , as tensões no relé podem ser calculadas.

Tabela das correntes e tensões de falta

As Tabelas 4.01 e 4.02 são um sumario das corren­


tes e tensões no local do relê, conforme most r a d o n a Figura
4.01 para a falta na linha, também mostrada na me s m a Figura.

TABELA 4.01

CORRENTES DE FALTA N A LOCALIZAÇÃO DE RELÊ

(*> ZAX = ZA2


ZBX = ZB2
Trifãsico De fase b para c De fase a para terra
C^K CjK C 1K
Xal
0 -C^K
xa2 c iK
0

*
o
0

o
*«0
CjK 0 (c^ c ^ R
*a

a2C 1K (a2-a)CjK
Xb (C0 - C 1 )K

aC^K - ( a 2- a ) C 1K

w
H
Tc

O
Ei E1 E1
K
2*1 + R f 2ZX + ZQ + 3Rf
Z i+ R f

TABELA 4.02

TENSÕES DE FALTA N A LOCALIZAÇÃO DO RELÊ

Trifãsico De fase b para c De fase a para terra

(Cj Zj+ R ^ K (Zj+CjZjj+R^) K (C1Zjl+Z1+Z0+3Rf)K


Val

Va2 0 (Zl"ClZI)K (C1ZÍ."Z1)K


Va0 0 0
(cbzto_zo)K

Va (CjZ^+R^K (Rf+2Z1)K (2C^Z -K^ZJ0+3Rf)K

a2 (C1ZJl+Rf)K. ((a2-a) C1ZJl-Z1+a2Rf)K (“Cl2Jl+(a2_a)Z1)K


\

+((a2-l)ZQ)K

+ (C0Zw)+3a2Rf)K

((a-a2)Cj^Z^Z^aRf) K (-CjZj+ía-a2)zi>K
Vc a(ClZ *+ R f )K
+((a-l)Z0)K

+(C0Z 0+3eRf)K

Cbs. 1: Nenhuma indução mutua entre as linhas adjacentes ê considerada.


Cbs. 2s Zt = Zu = Z j^ i zio ~ ZM '
Ligações de reles de distância - Reles de fase

O modo convencional de funcionamento para p rote­


ção de distância de fase é usar um relé por par de fases- A
seguinte discussão mostrará como tal relê é ligado para re­
conhecer corretamente faltas trifãsicas e faltas de fase a
fase entre o par de fase protegido. A impedância v ista pelo
relê para faltais a terra e faltas de fase a fase nos outros
pares de fase serã indicada. As ligações p a r a relês de d i s ­
tância de terra serão examinadas.

Os relês de fase são ligados a "correntes delta" e


"tensões delta" como segue:

Corrente Tensão
de fase a para b I - I. = V
a b V ab a - vb

de fase b p ara c I. - I - V
b c Vb c = vb c

de fase c para a I - I = V
c a V ca c - Va

Um relê de fase a para b com duas bobinas de cor­


rente e b obina de tensão pode ser ligado ocmona Figura 4.06 (b).

CONEXÃO DO T P 'S
COMO NA Fig. 4.062

Fig. 4.06
As duas bobinas de corrente são arranjadas no re­
lê, de modo que qualquer uma das duas ligações produzira um
fluxo ünico proporcional a I -

Alguns relês têm apenas uma bobina de corrente e


são adequados somente para ligação, como na Figura 4 . 0 6 (a).

Um relê de distância desenvolve um torque de fe­


chamento quando a razão entre a tensão e a corrente nas duas
bobinas de operação ê menor que u m certo valor ajustado. Como
foi discutido no Capítulo I, a razão entre a tensão e a cor­
rente vista pelo relê ê uma impedância.

Partindo dos dados das Tabelas 4.01 e 4.02, as im-


pedâncias que os relês de fase verão para faltas, numa linha
de transmissão, pode ser calculada.

A Tabela 4.03 apresenta a impedância que cada um


dos três relês de fase verão para cada um dos três tipos de
faltas. Cada uma dessas impedâncias ê calculada dividindo-
se a tensão d elta pela corrente delta que o relê recebe. Por
exemplo, para uma falta de fase b para c, o relê de fase arb
reagiria segundo a razão de (V -V.)/(I -IK ) . Esta razão pode
ci o a D
ser calculada:

V a - Vb _ [(a-a2 )C1Z Jl+ 3 Z 1+ (l-a2 )Rf]K


(4.25)
Xa - *b C-(a2-a)C1]K
2
a - a 3Z1
+
+ ^ ? Rf (4.26)
-a2 + a (a2- a)C1 (si-a‘ ) C 1

— 7 + 3zi + a-a3 Rf
Z1 (4.27)
j/3C;l a(a-a2 ) C1

j V5zx 1 Rf
= 7. (4.28)
z*
cl ci

ZA1 ZB1 ZB1


Mas e Cx
ZA1+ZB1 ZA1 + ZB1

V C 1 = 2Al
Z£ - j /3 ZA1 (4.29)

falta b-c como vista pelo relê a-b.

Através desse procedimento, a impedância vista por


qualquer relê, na localização do relé para qualquer tipo de
falta na linha, pode ser calculada. A T abela 4.03 indica a
apresentação de três tipos de falta (trifâsica, de fase a
fase, de fase para a terra) para cada u m dos três relês.

TABELA 4.03

RAZÃO DE TENSÕES DE CORRENTES DE FALTA EM RELÊS

Relê Trifãsiao Da fase b para c Da fase a para terra

ZA (1-a ) (Z0+3Rf)
V vb Rf
z* + - é V j/3ZA - 3 - S V * 7T + 3Cj

V,-V R,
b c „ . f Rf
V Tc zi

V -V R. (a-l) (ZQ+3Rf)
c a
I -I Z„-Í
c a i* T T 3CÍ

Esta Tabela registra somente as relações de tensão-


corrente ou impedâncias vistas por cada u m dos três relês pa­
ra faltas trifãsicas, da fase b para a fase c e d a fase a
para a terra. Dever-se-ia reconhecer prontamente que a r ea­
ção dos reles de fase â falta d a fase a para b, e c p a r a a,
e à faltas de fase b e c p ara terra podem ser também d e t e r ­
minadas a partir desta Tabela. Por exemplo, a impedância de
uma falta da fase a para b p a r a o relê de fase c-a seria a
mesma que a impedância de uma falta de fase b p a r a c a um
relé de fase a-b.
RESPOSTA DOS RELÉS DE DISTÂNCIA DE FASE ÃS FALTAS

No Capítulo 1, o uso do diagrama R-X foi d i s c u t i ­


do, apenas para eis faltas trifãsicas. Embora de pouco uso na
aplicação de relês, o exercício de plotar faltas de fase
para fase e de fase para a terra num diagrama R-X, n esta al­
tura, tem um valor educacional considerável.

Uma revelação significante do seguinte exercício


serã que, relês de distância de fase são coordenados para
faltas trifãsicas, eles operarão seletivamente para faltas
de fase a fase e de fase para a terra.

Uma outra lição significante do seguinte material


serâ a compreensão da sensibilidade de u m relê de fase p a r a
faltas que não sejam trifãsicas ou de fase para fase e n v o l ­
vendo o par de fases protegido. Isto ê, quanta proteção de
retaguarda u m relê de fase a-b» darâ para faltas de fase a
fase e de terra envolvendo a fase c e faltas ã terra e n v o l ­
vendo as fases a e b. Também, os seguintes exercícios aju­
darão a revelar o efeito de resistência de arco n o d e s e m p e ­
nho do relê.

Faltas trifãsicas

Para começar, vamos nos referir ã Figura 4.01 e


admitir que'a linha de transmissão tenha um X/R de 5 (apro­
ximadamente 79°). A relação entre a corrente e a tensão no
relê para uma falta trifãsica em serã sem resistência
de falta e + Rf/C^ com resistência de falta (Figura 4.071.•

• Fig. 4.07
Falta trifãsica como vista pelo relê b-c
Faltas de fase a fase

Então, para comparação, traçamos a característica


para as 3 possíveis faltas de fase a fase como vistas por um
relê de fase, o relé de fase b-c.

A falta de fase b para c aparece caro uma falta tri-


fãsica para o relé de fase b-c. Faltas de fase c para a, e
de a para b localizam-se b e m além da característica do relê
b-c (relê m h o ) .

Primeiramente poderia parecer que faltas da fase


c para a, e de a para b, perto da extremidade da mi n h a onde
se encontra o relé, cairia dentro da característica do relê
b-c. Contudo, o retraçado da Figura 4.0 8 para u m a falta mais
próxima da extremidade onde se encontra o relê d a linha fi­
ca ainda fora da característica do relé. A Figura 4.10 re­
presenta uma falta a 60% do comprimento d a linha, medido a
partir do relé. A Figura 4.09 mostra u ma falta a um quarto
do comprimento de linha do relê. Uma olhada mais atenta nas
Figuras 4.09 e 4.10 e nas equações da T a b e l a 4.03 mostra que
o comprimento dô vetor de impedância representando faltas de
fase a fase nas fases c para a, e a para b sao mais uma fun-
ção de ZA1 do que de Z ^ , mas que, mesmo se ZA ^ = Z^1 (osis­
tema A ê infinito) , o vetor ficara fora da zona m h o mostrada.

Fig. 4.09
Faltas fase a fase próximas conforme
vistas pelo relê b-c

Fig. 4.10
Falta no meio da linha para falta de
fase a fase v ista pelo relê b - c
A zona mho nas Figuras 4.08, 4.09 e 4.10 é ajus­
tada para proteger aproximadamente 90% da linha. Se zonas de
retaguarda foram usadas, e ZA1 não for m uito maior que Z^ 1 ,
as zonas de retaguarda poderão proteger u m a porção de u m par
de fase adjacente. Para o caso da Figura 4.10, com a segun­
da zona de retaguarda ajustada em 140% do comprimento de li­
nha, e ZA1 somente 110% de Z ^ faltas de fase a fase dentro
dos primeiros 40% da seção de linha poderão localizar-se d e n ­
tro da segunda zona do relê n u m par de fase a d j a c e n t e .Q ual­
quer aumento significante em ZA1 levará o vetor Z ^ p a r a fo­
ra da segunda zona do relé b-c.

Ê provavelmente mais freqüente o caso em que


ZA l"(Z^i+ z ^1 )(impedância de sistema A externo â linha) serâ
maior ou igual a Z ^ + Z £ ^ (impedância de linha) resultando nos
poucos casos onde o relê n u m par de zona d ará retaguarda a
faltas de fase para fase n u m par de fase adjacente.

Deixa-se ao estudante como um exercício para in­


vestigar a sensibilidade de u m a terceira zona (quando usa­
da) para faltas de fase a fase em pares de fase adjacentes.

Um relê de impedância poderá dar u m a retaguarda um


pouco maior a faltas e m pares de fases adjacentes d o que u m
relê mho, mas mesmo sua capacidade é severamente limitada.
Pode-se traçar uma característica de impedância nas Figureis
4.08, 4.09 e 4.10 para ver isto.

Em resumo, se as zonas totais de possíveis faltas


de fase a fase, conforme visto por um relê de fase, fossem
traçadas, apareceriam como na Figura 4.11.

Fig. 4.11
Zonas de falta fase a fase para relês b-c
E sta Figura inclui uma zona para a variação pos­
sível de impedância da falta que inclui a resistência de
falta.

Faltas d e fase para a terra

A impedância de faltas de fase para a terra para


relês de fase podem ser examinadas de uma m aneira similar à-
quela usada para faltas de fase a fase. A razão entre as ten­
sões delta e as correntes delta para faltas de fase p ara a
terra ê listada na Tabela 4.03.

Traçando as impedâncias das três possíveis faltas


para a terra vistas por u m relê de fase, resulta no d i a g r a ­
ma R-X da Figura 4.12.

Fig. 4.12
Faltas de terra como vistas
pelo relê de fase b-c

O relê de fase b - c é usado como referência, de m o ­


do que a falta da fase a para a terra resulta numa impedân­
cia infinita, e as faltas d a fase b p a r a a terra e d a fase c
para a terra aparecem como indicadas n a Figura 4.12.

Pela Figura 4.12 reconhece-se facilmente que o r e ­


lê de fase b-c nao detectara e m caso algum u ma falta da fa­
se a para a terra, e somente percebera faltas de fase b p a ­
ra a terra e faltas c para a terra se a localização da fal-
ta estiver relativamente próxima da localização do relê. N a
v e r d a d e , o alcance do relê de fase b-c para as faltas à
terra da fase b e c é dependente das magnitudes de C Z Al,
R f e Z q . A magnitude de Z ^ (impedância de seqüência posi­
tiva entre relê e f a l t a ) , que pod e r á trazer a característi^
ca da falta para dentro da região de disparo de u m relê f p o ­
de ser calculada para um conjunto especifico de valores para
C^, Zai' R f' zo* As m a 9nitudes destes valores serão depen­
dentes das condições de operação de sistema prê-falta.

A experiência m o s t r a r á que o relê de fase d á p o u ­


ca retaguarda para faltas de fase para a terra, mas mais im­
portante, faltas de fase para a terra não aparecerão p a r a os
relês de fase como estando mais próximas do relé que as fal­
tas de fase a fase ou de faltas trifásicas mante n d o as fal­
tas no me s m o local.

LIGAÇÕES DE RELfi DE DISTÂNCIA - RELES DE T ERRA

A melhor mane i r a de apresentar os meios usados


para medir distância para faltas de terra ê derivar breve­
mente as quantidades que de v e m ser entr a d a p a r a u m relê de
distância, a fim de que veja uma impedância representativa
da distância atê a falta.

Fig. 4.13

Consideremos o sistema simplificado da Figura 4.13,


onde Zjy Z2 e ZQ são as impedâncias positiva, n e g a t i v a e ze­
ro da seção de linha entre o relê e u m a falta de terra. Por
componentes simétricos, a tensão fase p a r a n e u t r o d a fase a,
na localização do relê onde uma falta de a p ara a terra o-
corre n a linha, ê:
(4.30)
E a = X 1Z 1 + X2Z2 + V o + x ;Rf

onde 1^ é a corrente total n a falta e 1^, I2 e I q são cor­


rentes de seqüência na localização do relê. Adicionando, ao
lado direito I^Z^ ” I q Z^, su^ st;*-tli:i-n(^0 Z2 Por z i (considerar
Z2 « Z1 ) e fatorando

Ea “ < W V Zl+I0 (4.31)

mas
X a = J1 + X2 + X0

por isso (4.32)


E a = Xa Zl + X0 (Z0-Z 1} + x;R f

Essa ê a tensão fase para neutro d a fase e m falta


na localização do relê em termos de corrente de fase e de
terra é impedâncias de seqüência.

A corrente de fase disponível na localização de


relê ê I , e a corrente de seqüência zero disponível ê 3IA .
a u
Utilizando-se transformadores de correntes auxiliares p o d e ­
mos combinar estes dois em qualquer proporção. A impedância
vista pelo relê ê a relação da tensão e corrente aplicados
ao relê.

Assim, se quisermos que o relê veja a impedância


de seqüência positiva Z^ até a falta, devemos de algum modo
cancelar o efeito de Ig(Zg-Z^) na tensão fase neutro que te­
mos disponível no relê.*

Se aplicarmos E e I +K 3 I n ao relê, o relê vera:


3 U

Ea XaZl + X0 (Z0 " Zl> + xARf


(4.33)
= ZR = K3I„
Xa + K3I0 Xa +

separando termos:
ou
zo - zi
K h (4.35)
ZR = Z1 I + K3I.
*a + ^ 0 a 0

Esta equação sugere que deixemos K, a porção da corrente de


seqtiência zero 3IA que adicionamos a I , ser:
u a

K (4.36)

Se fizermos isso, teremos:

(4.37)

Assinalando isso n u m diagrama R-X temos a Figura 4.14.

P o i s K ê adimensional, e I I e IQ estarão em
condições normais, aproximadamente em fase. O e feito de
r/(I + K3I ) serâ fazer R^ parecer um pouco maior o u menor
do que seu valor real, mas aproximadamente no seu angulo c or­
reto (seu ângulo poderá ser alterado um pouco se I' nao es-
tiver em fase com Ia e IQ ) .

A magnitude de R não ê importante se u m relê de


reatância ê usado para o rele de terra (ver Figura 4.15), pois
a primeira e segunda zonas deste relê são sensíveis â rea­
tância, somente dentro dos limites d a unidade mho.
As correntes necessárias para uso no relê de ter­
ra são prontamente disponíveis, I
dos TCVs de fase e In do
a u
circuito residual dos TC*s de fase ou um neutro de transfor­
mador (quando o neutro do transformador ê a única ligação de
terra n a extremidade da linha correspondente ao r e l e ) .

Os transformadores de corrente auxiliares com de­


rivações são usados para proporcionar adequadamente a c or­
rente compensadora exigida de 3IQ .

Como os reles de terra enxergan as faltas fase a fase

Para u m a falta de fase b p a r a c, a relação d a ten­


são e corrente no relê de terra de fase b i:

[(a2 - a) CjZt -♦ a2Rf] K _ , (4.38)

(a2 - a) CjK ~ 1

+ 0,5-j0,289 Rf

N o relê de terra de fase c, esta relação ê:

0.5 + j0,289
= h + 373 ^ - (4.39)
zr zi +

N o diagrama R-X:
A Figura 4.151 mostra que, particularmente com re­
lês de terra que usam unidades de reatância, faltas de fase
a fase podem aparecer mais próximas dos relês de terra que
uma falta de terra na mesma localização. Uma solução para
este problema ê permitir que a segunda zona de cada relê de
fase bloqueie o disparo do relê de terra apropriado. Por
exemplo, desde que um relê de fase b para fase c, não veja
uma falta de fase a para a terra, mas o relê de terra de fa­
se a possa ver uma falta de fase b para c, o relê de fase b
para c (segunda ou terceira zona que ultrapassa o relê de
terra de fase b) pode seguramente ser usado para bloquear o
disparo do relê de terra de fase b. 0 relê de terra de fase
b pode, então, disparar somente se uma falta de fase b para
c não ocorreu. Se a unidade mho de relê de terra de fase b
ultrapassar a terceira zona de fase b para c, as duas <\evem
ser coordenadas por tempo, de modo que o relê de terra não
dispare para uma falta de fase a fase remota que for remo­
vida no tempo da terceira zona por um relê de fase apropria­
do em qualquer outra parte do sistema.

Relês de distância de terra em linhas paralelas

Acomplamento mutuo de seqüência zero entre linhas


paralelas de transmissão n a mesma faixa de domínio pode dar
origem a disparo falso de relês de distância de terra. Uma
falta â terra numa das linhas paralelas induz correntes de
de seqtlência zero na outra linha, e isso pode aparecer como
uma falta à terra para relês de distância de terra n a se­
gunda linha.

A equação 4.30 pode ser reformada incluindo o a-


coplamento de efeito mutuo como segue:

E a = J1Z 1 + X2Z2 + V o + i ;Rf + IÒZom (4-40)

onde ZQm é a impedância mutua de seqüência zero total e 1^


ê a corrente de seqüência zero circulando na linha sob f al­
ta (Figura 4.16).

Fig. 4.16

Seguindo os mesmos passos que a n t e s ,

- h ) + I'R - + I' Z (4.41)


Ea = V l + V Z0 a f 0 om

Como antes, gostaríamos que o relê sentisse somente a se­


qüência positiva ohms entre o relê e a localização da falta.
Se, como antes, aplicarmos E
ao relê, mas incluirmos um
a
componente de IQ da linha paralela n a corrente aplicada ao
relê, estaremos aplicando a corrente I a+ K 3 I Q+ K 131^. A im­
pedância vista pelo relê seria:
ra2l + V Z0 - Zl> + IÒZcm
(4.43)
ZR = Ia + K3Iq + K'3Iq Ia + K3Iq + K'3Iq

Como antes, seja:

K = 1
z o - Z1

mas também seja:

om
K', _
= 1

Então, a equação 4.43 reduz-se a:

I'R-
a f
(4.44)
zi +
zo - Zl om
Xa + X0 + H

Assim, servindo a b o b i n a de corrente do relê com


1^, u m a porção de Ig da linha protegida e uma p orção de 1^
da linha paralela, teremos efetivamente usado compensação de
corrente p ara permitir-nos medir ohms de seqüência positiva
para uma falta ã terra. Como a n t e s , as correntes de compen­
sação necessárias estão prontamente disponíveis e po d e m ser
proporcionadas com o auxílio de transformadores de correntes
auxiliares.
CAPITULO 5
PROTEÇÃO DE GERADORES E MOTORES

i n t r o d u c Ao

Este Capitulo discutira os esquemas de proteção


comuns, aplicados tanto para motores como para geradores.Os
relês de proteção contra faltas, geralmente aplicados a ge­
radores, têm três propósitos: - a minimização de danos ao
gerador devido a faltas internas; a minimização de distúrbio
ao sistema devido a faltas internas do gerador, pelo d esli­
gamento rãpido da máquina? e a proteção do gerador contra
o efeito causado por faltas sustentadas, desequilíbrios de
carga e condições de fase aberta que possam ocorrer no sis­
tema. A proteção de motores é menos completa, e geralmente,
e limitada ã minimização de danos, por falhas internas, e à
prevenção de danos devido à sobrecarga do motor.

X. PROTEÇÃO DO GERADOR - GERAL

0 releamento de proteção aplicado a geradores pode


geralmente, ser dividido e m dois grupos, isto ê, aqueles re­
lês aplicados para detectar curto-circuitos no enrolamento
do estator do gerador ou enrolamento de campo, e aqueles a-
plicados para detectar as condições no sistema que forem p o ­
tencialmente prejudiciais para o gerador.
O nível de proteção do gerador que deve ser u-
sado ê provavelmente a ãrea de maior controvérsia no que diz
respeito a releamento de proteção, como jã foi mencionado na
introdução deste curso, relês em d emasia podem resultar num
risco em vez de uma garantia. A grande quantidade de conces­
sionárias e o grande numero de i n t e r c o n e x õ e s , geralmente far
zem com que o desligamento indevido das unidades geradoras
seja menos catastrófico; no entanto, isto ê parcialmente com­
pensado pela utilização de unidades geradoras cada vez maio­
res.

Particularmente com condições externas po t e n c i a l ­


mente danosas para o gerador, é possível ficar pendente do
monitoramento do operador, e m vez de usar um releamento de
proteção para alguns tipos de possíveis danos.

A opinião varia consideravelmente, assim como tam-


têm a pratica, no que diz respeito à proteção que os o p e r a ­
dores podem assegurar. Uma solução intermediaria ê a i nsta­
lação de relês que deem alarme em vez de desligamento. Pode
haver uma pressão considerável sobre os operadores durante
períodos de emergência ou de distúrbios no s i s t e m a , e a p o s ­
sibilidade de erro ou inabilidade do operador de agir s ufi­
cientemente rãpido deve ser considerada.

Um critério significante na avaliação dos relês de


proteção do gerador deveria ser a comparação do efeito do
disparo indevido de uma unidade com o efeito de uma inter­
rupção prolongada de produção de energia da unidade que te­
nha sido severamente danificada devido â ausência de algum
tipo particular de proteção. Quando um aparelho de proteção
opera e desliga uma unidade, deve-se efetuar uma inspeção par-
ra determinar se de fato o desligamento não tinha fundamen­
to ou se ocorreram falhas ou danos n a máquina.

II. PROTEÇÃO CONTRA FALTAS NO ENRQLAM33TO DO ESTATOR DO CERfiDOR

O releamento ê aplicado para detectar basicamente


três tipos de faltas no enrolamento do estator, isto ê, fal­
tas à terra, faltas de fase a fase, e faltas de esp i r a a
espira. Alguns dos esquemas de releamento discutidos abaixo
são sensíveis a todos os três tipos, enquanto que outros têm
sensibilidade limitada a um ou a dois tipos apenas.

Relês diferenciais porcentuais

Pode-se obter, da maioria dos fabricantes, relês


diferenciais porcentuais do tipo instantâneo ou do tipo alta
velocidade. E m geral, os tipos instantâneos têm uma c arac­
terística de restrição porcentual constante, enquanto os n o ­
vos tipos de* alta velocidade têm uma característica de r e s ­
trição porcentual variável. A característica de restrição de
porcentual constante foi discutida detalhadamente no Capi­
tulo 1, e a característica de restrição porcentual variável
serã discutida rapidamente aqui. O relê de restrição de p o r ­
centual variável terâ geralmente uma característica de r es­
trição porcentual constante da ordem de 5% para correntes b a i ­
xas até varias vezes a potência nominal da máquina, e terâ
uma característica de restrição porcentual crescente ate a-
proximadamente 50%, entre 10 e 15 vezes a potência da máqui­
na. A característica de restrição porcentual v a r i á v e l é p r o ­
vida pela saturação d a bobina de operação, ou pelo princí­
pio da restrição pelo produto, em que a restrição do torque
ê aumentada ao máximo quando a corrente dos dois TC's e stã
em fase como no caso duma falta externa e a restrição ê ne-
gligenciãvel quando hã uma diferença de fase considerável en­
tre as duas correntes, como quando um sistema externo estã
alimentando corrente para alguma falta interna.

Os relês diferenciais (um por fase) são conectados


para atuar um relê de disparo mestre ou u m relê de bloqueio
de recomposição manual que, por sua vez, dis p a r a o disjuntor
principal do gerador, o disjuntor de campo do g e r a d o r ,o dis­
juntor neutro do gerador, se houver, a m aquina primaria do
gerador e o alarme, e pode iniciar a transferência dos ser­
viços auxiliares da estação e disparar os equipamentos de
proteção contra fogo, tais como CC>2 •

O relê diferencial do tipo de alta velocidade ê


muito popular nos sistemas modernos, pois o dano é minimi­
zado (particularmente quando correntes grandes de falta p o s ­
sam fluir para dentro do gerador do sistema e x t e r n o ) , e para
melhorar a estabilidade quando uma falta próxima aos t ermi­
nais da maquina ou nos próprios terminais da máquina possam
resultar num forte golpe para o sistema.

As Figuras de 5.1 a 5.4 indicam conexões típicas


para os reles diferenciais porcentuais de gerador. Com ex­
ceção d a Figura 5.3, o relê diferencial dá uma proteção cen­
tra faltas de fase a fase e de fase à terra. Quando o neu­
tro do gerador ê formado dentro da máquina, assim como na
Figura 5.3, somente a proteção contra faltas à terra é ga­
rantida pelos relês diferenciais. Os relês diferenciais do
gerador não dão proteção para faltas de espira a espira,uma
vez que a corrente que entra e sai de cada enrolamento é a
mesma. A proteção assegurada para faltas à terra dependerá
do nível da corrente de falta à terra que se possa obter.Se
o nível da corrente de falta à terra é limitado a um valor
muito pequeno, relês suplementares, como descritos abaixo,
podem ser exigidos para detectar faltas â terra nos enro-
lamentos da máquina.

Relês diferenciais porcentuais poderão ser o bti­


dos tanto nos tipos eletromecânicos como nos de estado só­
lido. Os tipos de alta velocidade e de estado sólido geral­
mente proporcionam a operação em quatro ou cinco ciclos,
quando a corrente de operação está apenas levemente acima do
valor de atuação e pode operar em 1,5 ciclos com corrente
bastante acima do mínimo valor de atuação.

Proteção contra faltas de espira a espira

Quando o equipamento de proteção sensível a faltas


de espira a espira não é usado, como ê geralmente o caso com
os geradores de enrolamentos simples, uma falta de espira a
espira deve queimar atê que envolva a terra de uma segunda
fase para ser detectada. Releamento diferencial de alta ve­
locidade e a proteção rápida contra falta ã terra ajudarão a
limitar o dane causado por faltas de espira a espira, pois
dão disparo tão logo a falta inclua uma segunda fase ou t e r ­
ra.

Fig.. 5.1 Fig. 5.2


Conexão poroentual diferencial Qcnexão poroentual diferencial
estrela para o gerador.Máquina delta para o gerador
ocm seis (6) saídas oam seis (6) saídas

estrela, 4 saídas, somente o gerador e transformador


proteção de terra
Um rápido desligamento é necessário quando flui
corrente de falta à terra a fim de minimizar a queima de fer­
ro e o tempo e as despesas requeridas para o reparo.

Uma proteção de espira a e spira pode ter um valor


significativo onde o gerador é operado com grande irrpediaicia
de aterramento, e não for desligado no caso de uma falta à
terra. Em tal caso não é possível dizer-se que a falta ater­
ra iniciou como uma falta de e spira a espira (ou que se d e ­
senvolveu numa falta de espira a espira) e que está causan­
do um dano considerável. A falta deve continuar queimando até
que envolva duas fases e provoque a operação e o disparo dos
relês diferenciais.

O método mais popular de proporcionar proteção con­


tra falta de espira a espira é o m étodo de relearaento em
fase dividida. Duas formas de relé de fase dividida são in­
dicados nas Figura 5.5 e 5.6. Em cada caso, os enrolamentos
de cada fase têm que ser divididos em duas ou mais partes,
com corrente igual fluindo em cada uma, no caso de carga nor­
mal. O releamento, então, como ê indicado na Figura 5.5,d e ­
tecta qualquer diferença de corrente entre os dois enrola­
mentos devido a uma falta de espira a espira e m u m dos en­
rolamentos. Para proporcionar a necessária sensibilidade (para
detectar uma falta que envolva apenas uma espira) um relé de
sobrecorrente de tempo inverso ê usado. Um relé de s obrecor­
rente ê usado para proporcionar a necessária sensibilidade#
mas tem que ser do tipo com retardo de tempo para evitar o-
peração devido a erros nos TC*s provocados por t r a n s i t ó r i o s .
Um relê diferecial porcentual não proporciona a necessária
sensibilidade, já que correntes de carga normal proporcio­
nariam restrição excessiva para a corrente diferecial cau­
sada por uma falta em apenas uma espira. Relês diferenciais
englobando o gerador e o transformador são geralmente ins­
talados e m adição à proteção de e spira a espira de fase di­
vidida, apesar de que a proteção de esp i r a a espira possa
ser sensível a faltas de fase a fase e de fase ã terra. A
proteção diferencial englobando o gerador e o transformador
proporciona uma operação mais rápida na ocorrência de faltas
fase a fase e de fase à terra, e inclui uma zona um pouco
maior, particularmente os terminais do gerador e o disjuntor
do gerador e o trecho do circuito entre o gerador e seu d i s ­
juntor.

O releamento de fase dividida indicado n a Figura


5.6 (mais popular no Canada que nos Estados U n i d o s ) , e l i m i ­
na algumas desvantagens do esquema indicado na Figura 5.5.
Este esquema usa relês instantâneos e ê um pouco mais sen­
sível e por isso ê usado, às vezes, como a única forma de
proteção diferencial. Neste esquema, as correntes grandes e
transitórias no primário não são refletidas ao secundário do
TC, fazendo com que falsas operações do relê sejam imprová­
veis. Um percurso especial para as interconexões dos enro-
lamentos do gerador é necessário p a r a utilizar u m único TC
com dois primários.

Proteção contra faltas à terra para os enrolaroentos do estator

Se a proteção contra faltas à terra ê necessária,


dependerá do tipo de aterramento usado e da sensibilidade dos
relês diferenciais.

Geradores com neutro não aterrado e geradores co­


nectados em delta não exigem relês de proteção contra falta
à terra, mas podem exigir algum tipo de indicação de falta
à terra, tal como lâmpadas indi.cadoras no secundário dos TP's.
Os geradores aterrados por resistência ou reatân-
cia, com corrente de falta à terra bem menor que a corrente
de curto-circuito trifãsica, exigirão relês de proteção con­
tra faltas â terra somente se o nível da corrente de falta
à terra ê limitado atê uma extensão em que os relês diferen­
ciais não proporcionem proteção para uma porção suficiente
do enrolamento. Faltas nos terminais dos geradores conecta­
dos em estrela farão com que a corrente máxima de falta à
terra flua, e a corrente de falta à terra decrescerã linear­
mente atê zero quando a localização de falta ê movida ao longo
do enrolamento em direção ao ponto neutro. Assim, de p e n d e n ­
do da sensibilidade do relê diferencial e da corrente de fal­
ta à terra que se possa obter para uma falta no terminal, ha-
vera algum ponto no enrolamento no qual a corrente de falta
à terra serã igual à sensibilidade do relê d i f e r e n c i a l e t o ­
das as faltas entre este ponto e o neutro farão fluir cor-r
rentes de falta à terra que não serão detectadas pelo relê
diferencial.

Fig. 5.5 Fig. 5.6


Releamento de fase dividida Releamento de fase dividida

Fig. 5.7
Proteção sensível de falta ã terra
0 gradiente de potencial no isolamento ê o maior
nos terminais do gerador e e zero no neutro e varia linear­
mente ao longo do enrolamento. Assim, o isolamento é consi­
deravelmente menos solicitado perto do neutro, dando origem
a poucas faltas nesta ãrea. Assim, a proteção diferencial que
vera faltas â terra e m apenas 70 ou 80% do enrolamento, serã
considerada uma proteção de falta â terra adequada. Se não,
ou se uraa proteção adicional ê desejada, releamento de fal­
ta à terra separado pode ser instalado, o qual serã sensível
a faltas â terra em mais do que 95% do enrolamento, sendo
que os 5% perto do neutro ficarão desprotegidos. Deveria ser
notado que relês diferenciais verão corrente à terra fluin­
do para a falta no enrolamento £0 gerador, oriunda do neutro
do gerador e também oriunda do sistema, quando outros gera­
dores são conectados ao mesmo barramento, ou quando hã um
ponto de aterramento no sistema ao qual o gerador estã co­
nectado.

A Figura 5.7 indica a adição de um relê de terra


direcional do tipo "produto" , que proporcionara proteção p a ­
ra ate 90% do enrolamento do gerador, se a corrente de fal­
ta à terra, limitada pela impedância do neutro do gerador é
de 400 ampêres ou maior. A sensibilidade serã atê maior se
o sistema externo puder alimentar a corrente de falta deter-
ra para uma falta à terra do enrolamento do gerador. Em ge ­
ral, no entanto, estes meios de proteção serão usadbs q u a n ­
do o gerador for do tipo unidade e a unica fonte de corren­
te de falta â terra for o gerador.

Outro meio de ligação à terra do gerador que é u-


sado apenas nos geradores do tipo unidade ê o aterramento por
uma resistência elevada. Um transformador de distribuição é
conectado ao circuito neutro do gerador, como indicado na
Figura 5.8. E m geral, a impedância de passagem do t ransfor­
mador de distribuição serã negligenciãvel, comparada ã re­
sistência do resistor limitador da corrente, e poderá ser
ignorada. A corrente de falta â terra que pode ser obtida
serã a tensão de fase a neutro do gerador, dividida pelo v a ­
lor efetivo do resistor, isto é, o valor do resistor referi­
do ao primário do transformador de distribuição, 0 valor e-
fetivo do resistor, referido ao primário do transformador de
distribuição tem que ser menor do que 1/3 do valor da impedância
capacitiva de seqüência zero do gerador e de seus equipamen­
tos associados, tais como capacitadores de proteção contra
surtos, pára-raios, e enrolamento de ba i x a tensão do trans­
formador elevador, Este valor de resistência ê necessário
para evitar altas sobrevoltagens transitórias devido à fer-
roressonância e características de reescorvamento de algumas
faltas. A corrente total de falta à terra, que pode ser o b ­
tida, será a soma vetorial da corrente capacitiva de seqüên­
cia zero e a corrente de neutro, ou a raiz quadrada do dobro
da ccrrente de neutro. Este valor será na or d e m de 5 a 10 am-
peres ou menos.

Relês convencionais não detectarão tais correntes


baixas de falta à terra, mas é uma questão relativamente s im­
ples usar-se um relê sensível de sobretensão ligado e m pa­
ralelo com um resistor para se detectar faltas à terra. O
relê de sobretensão pode ter u m valor baixo de atuação, mas
deverá ser capaz de suportar a tensão total aplicada ao re ­
sistor, quando uma falta à terra ocorre nos terminais do ge­
rador.

A capacidade do transformador de distribuição e


do resistor dependerá da função do circuito de saída do r e ­
lê de sobretensão, isto ê, dependerá se for usado p a r a d e s ­
ligar o gerador ou simplesmente dar alarme. Se o relê de s o ­
bretensão for usado para desligar o gerador, potências no­
minais de tempo reduzido do transformador e do resistor per­
mitirão uma diminuição considerável nos seus tamanhos e m r e ­
lação ao necessário para operação contínua, com uma faltade
fase â terra no gerador, assim coroo seria necessário com o
relê de sobretensão conectado somente para dar alarme. A
tensão nominal do enrolamento primário do transformador de
distribuição deveria ser a tensão entre fases do gerador p a ­
ra minimizar a corrente m a g n e t i z a n t e , quando ocorre uma fal­
ta de linha à terra. O enrolamento secundário do transfor­
mador de distribuição, o resistor e os relês de sobretensão
deveriam ser para 120 , 240 ou 480 volts.

O desliganento do gerador, pelo relê de sobretensão, tem


uma vantagem significante se a proteção contra falta de e s ­
pira a espira de fase dividida não for usada. Isto é, uma
falta de espira a espira não poderã ser mantida e causar um
grave dano, com os operadores, acreditando haver apenas uma
falta à terra. Mesmo uma falta à terra pode causar algum d a ­
no na laminação do estator se for permitido que ela exista o
tempo sufiqiente. Se o relê de sobretensão que sinaliza uma
falta à terra não estiver conectado para desligar o g e r a d o r ,
é desejável que seja arranjada geração de reserva ou de com­
pensação tão rápido quanto possível, para a unidade de f e i ­
tuosa, de tal forma que possa ser paralizada o mais oedo pos­
sível depois que a falta à terra tenha ocorrido.

Dois casos de operação indevida foram constatados


com a proteção contra falta â terra do tipo sobretensão d i s ­
cutidos acima. Em primeiro lugar, o acoplamento capacitivo
no transformador elevador tipo unidade pode refletir faltas
de linha â terra no sistema de transmissão para o lado ge­
rador do transformador com uma magnitude desequilibrada, su­
ficiente para provocar tensão no relê e a operação do m e s ­
mo. Quando isto pode acontecer, a coordenação por tempo
entre o relê do gerador e a proteção contra falta à terra
externa pode ser necessária. O segundo caso de operação in­
devida ê algo mais provável de acontecer e diz respeito à o-
peração do relê de sobretensão quando uma falta â terra o-
corre no lado secundário dos TP*s ligados e m estrela-estrela.
Neste caso, o relê de sobretensão deveria coordenar com os
fusíveis dos TP's.

0 único tipo de aterramento de geradores que nós


não consideramos ê o neutralizador de falta a terra. O neu-
tralizador de falta ã terra irá limitar a corrente de falta
para um valor negligenciãvel e também limitará as sobreten-
sões transitórias. O neutralizador de falta â t e r r a é g eral­
mente usado onde se pretende operar o gerador por muitas ho­
ras ou mesmo dias, depois que uma falta ã terra ocorrer.
Proteção de retaguarda para faltas no estator

A Figura 5.9 mostra dois tipos de relês de sobre-


corrente que irão operar como retaguarda dos relês d iferen­
ciais de alta velocidade do gerador.

Também são indicados na Figura 5.9 os relês de so-


brecorrente com retenção por tensão aplicados principalmente
para proteger o gerador contra faltas externas não e l imina­
das por outros r e l ê s , mas que proporcionam proteção de so-
brecorrente de retaguarda para para faltas no estator do ge­
rador do tipo fase a fase. 0 relê de sobrecorrente no neu­
tro do gerador proporciona retaguarda para proteção de fal­
ta à terra, tal como o diferencial de fase e o relê diferen­
cial de terra, como mostrado na Figura 5.7. A sensibilidade
do relê de retaguarda de terra farã com que seu uso seja e-
fetivo somente se a corrente de falta à terra for de varias
centenas de ampêres ou mais.

Os relês de fase e de terra n o disjuntor do gera­


dor operam com correntes de falta supridas para faltas no
gerador pelo sistema externo. N o caso de uma unidade gerador-
transformador-elevador conectado e m delta-estrela a corren­
te de falta à terra não fluira do sistema para u ma falta à
terra no gerador, e o relê de terra rião terã outro pro p ó s i ­
to a não ser o de detectar faltas à terra no transformador
da unidade, que sao supridas a partir do gerador. O relê de
terra no circuito de neutro do gerador também operaria para
uma falta â terra no primário do transformador. O relê di­
ferencial de terra como indicado na Figura 5.7, verá faltas
somente nos enrolamentos do gerador e não verá faltas no trans­
formador da unidade.

E m algumas máquinas mais velhas e e m algumas má­


quinas m e n o r e s , tais como geradores de emergência de apoio
ou auxiliares da estação, a proteção diferencial não é ins­
talada e a proteção exclusiva é proporcionada por relês de
sobrecorrente, como indicados na Figura 5.9.
Fig. 5.8 Fig. 5.9
Relê de sohretensão para
detecção de faltas â terra
de gerador aterrado atra­
vés de un transformador de
distribuição

Fig. 5.10
Detecção de aterranento de canpo
III. PROTEÇÃO CONTRA SOBREAQUECÍMENTO DO ESTATOR

A sobretemperatura do estator pode ocorrer por 3


motivos: sobrecarga do gerador, falha do sistema de resfria­
mento, ou lâminas em curto-circuito. As duas primeiras cau­
sas provocam um aumento de temperatura geral e são pronta­
mente detectados pelas resistências detectoras de tempera­
tura, embutidas no enrolamento em locais estratégicos, en­
quanto que a terceira causa ê deficilmente d e t e c t ã v e l , e não
hã nenhum tipo de proteção especial geralmente prcparcicnada.

A resistência detectora de temperatura encaixada


no enrolamento consiste duma unidade de resistência que é
conectada a um relê externo n u m circuito de ponte, tal que
a temperatura excessiva farã com que a temperatura da resis­
tência detectora aumente, desequilibrando a ponte e provo­
cando o alarme. A constante térmica dos geradores acima de
algumas centenas de KVA ê tal que a correção do problema que
causa a situação de sobretemperatura pelos operadores, em
resposta a um alarme, é uma proteção adequada.

IV, PIOTEÇÃO DO ROTOR DO GERADOR OCNTRA SCBTEIEMPBRATURA

A sobretemperatura do rotor pode ser causada pela


operação d a maquina como um gerador de indução, ou por cor­
rentes de fase do estator desequilibradas. A proteção ocntra
operação, como um gerador de indução, e proporcionada por
relês de perda de excitação e por relês de s o b r e v e l o c i d a d e ,
que são discutidos mais adiante n esta seção. Correntes de­
sequilibradas de fase do estator contém correntes de seqüen-
cia negativa. Desde que o rotor do gerador gira e m sincro-
nismo com as correntes de seqüência positiva, ele estã ope­
rando com duas vezes a freqüência do sistema, com respeito
âs correntes de seqüência negativa. As correntes de dupla fre­
qüência induzidas no rotor pela corrente de seqüência n ega­
tiva do estator, desenvolvem um torque em oposição â dire­
ção de rotação do rotor, mas causam, mu i t o mais significan-
temente, um quase aquecimento no rotor. Se a magnitude da
corrente de seqüência negativa é suficientemente grande p a ­
ra fazer com que o calor seja gerado no rotor, numa taxa ocn-
sideraveImente maior do que aquela na qual ela pode ser dis­
sipada, ê certo que o montante líquido do calor desenvol-
2
vido siga uma característica dada por I0 T, com o valor má-
2 z
ximo de I2 T que nao causara dano, especificado pelo fabri­
cante do gerador. Os padrões ANSI têm coordenado as e xigên­
cias da industria e os esforços dos fabricantes, e aqueles
que aplicam aparelhos de proteção para proteger os geradores
contra o perigo do sobreaquecimento por corrente de seqüên-
2 ~
cia negativa, recomendando níveis de I 0 T padrões para os
- Z 2
diferentes tipos de maquinas. Os valores I2 T recomendados
são aqueles que não deveriam ser excedidos se qualquer pos­
sibilidade de dano à maquina deva ser evitada. Níveis d i f e ­
rentes de prováveis danos são especificados para a exposição
- 2
da maquina a ^ T acima dos valores padrões.

O valor padrão ê 40 para geradores acionados por


turbina hidráulica e 30 para geradores com turbina r esfria­
da a ar e a hidrogênio, condensadores síncronos e converso­
res de freqüência, e 10 para geradores com resfriamento do
condutor. Em qualquer aplicação específica, o fabricante de­
veria ser consultado, considerando as limitações de aqueci-
2
mento por I2 T da máquina.

A proteção contra dano devido ao aquecimento por


corrente de seqüência negativa pode ser efetuada por relês
conectados para desligar, ou conectados siirplesmente para dar
alarme. Particularmente com máquinas com resfriamento do
condutor, sérios desequilíbrios, tais como aqueles que podem
ser causados por qualquer fase aberta, podem exigir que a
máquina seja desligada dentro de uma questão de poucos se­
gundos para prevenir o dano.

Os dois tipos de relês que podem ser usados para o


alarme ou para o disparo são do tipo de balanço da corrente
de fase, e os relês de sobrecorrente de seqüência negativa.
Os relês de balanço de corrente com uma característica de
retardamento de tempo podem ser usados para alarme ou para
dar disparo. A sensibilidade do relê e o retardamento de tem­
po usado tim que ser, ambos, coordenados com as limitações
I2 T da m a quina e com o tempo de operação dos relês de p r o ­
teção contra faltas no sistema. Os relês de balanço de cor­
rente, usados para comparar as correntes de fase e para d e ­
terminar a quantidade de seqüência negativa, n ã o são tão fa­
cilmente aplicados como o segundo tipo mais comum de p rote­
ção, o relê de sobrecorrente de seqüência negativa. Os re­
lês de sobrecorrente de seqüência n e gativa são construídos
especificamente para proteger a m aquina e têm u ma caracte-
rlstica de I2 T que pode ser casada com a característica de
aquecimento da maquina. O ajuste do relê de seqüência nega-
2 _
t iva I2 T deve permitir a coordenação com reles de proteção
contra faltas externas e ainda proteger a maquina. Os relês
de sobrecorrente de seqüência n egativa podem ser adquiridos
com dois elementos, u m menos sensível usado para o disparo,
e outro muito sensível usado apenas para o alarme. Os relês
de seqüência negativa incluem u m filtro de seqüência nega­
tiva que separa a corrente de seqüência nega t i v a das corren­
tes trifãsicas fornecidas pelos transformadores de corrente
conectados e m estrela.

A proteção do rotor por relês de balanço de cor­


rente ou de seqüência negativa ê ãs vezes considerado uma
proteção de retaguarda, uma vez que faltas desequilibradas e
os condutores de fase abertos deveriam, em geral, resultar
n u m a operação d a proteção do sistema de transmissão.

V. PROTEÇÃO DO ENROLAMENTO DE CAMPO DO GERADOR

Os enrolamentos do campo do gerador d e v e m ser p r o ­


tegidos contra dano devido ao s o b r e a q u e c i m e n t o , e eles de­
v e m possuir uma proteção contra faltas à terra pau:a limitar
o dano à maquina, quando ocorre uma falta n a isolação.

A proteção contra sobreaquecimento dos enrolamen­


tos d o campo ê geralmente executada pelos operadores que con­
trolam a potência de carga d o gerador. A comparação das cur­
vas de capabilidade, fornecidas pelo fabricante, e da capa­
cidade de produção do gerador irã indicar qua n d o as condi­
ções dos terminais d a máquina alcançaram u m po n t o que pode
causar sobreaquecimento do campo. Fica a cargo dos o p e r a d o ­
res resolver a situação que causa o sobreaquecimento, antes
que po s s a ocorrer dano. P equena sobrecarga transitória ê
tolerável, mas operação prolongada, além da capacidade das
curvas de capabilidade dentro da faixa de sobreexcitação irã
causar dano à isolação d o campo. Os operadores de v e m também
proteger o gerador de dano devido ao aquecimento n a extre­
midade do núcleo, para operação s u b e x c i t a d a e sobrecarga ge ­
ral, quando a excitação esta n u m a faixa normal.

Os enrolamentos de campo do gerador n ã o são geral­


mente aterrados p a r a reduzir o gradiente de tensão n a isola-
ção que ocorreria quando altas tensões no enrolanento de cam­
po fossem induzidas pelas correntes transitórias do estator.
A ocorrência de u m a única falta à terra no enro l a m e n t o de
campo n ã o afeta a capacidade do gerador de fornecer potên­
cia ao sistema, mas aumenta o gradiente de tensão n a isola-
ção do campo, quando fluem correntes transitórias n o esta­
tor, o que torna m uito mais provável que u m a segu n d a falta à
terra ocorra apôs a primeira, d o que a ocorrê n c i a d a primei­
ra falta ã terra. E n quanto que u ma ú n i c a falta ã terra não
afeta a operação da máquina, a segunda falta à terra pode
distorcer a distribuição do fluxo do campo e dar o rigem a
graves vibrações no rotor. Esta vibração é capaz de quebrar
pedestais e fazer com que a excentricidade do eixo seja su­
ficientemente grande a ponto de o rotor roçar o estator .

Também existe a possibilidade de uma segunda fal­


t a â terra fazer com que o chispamento e o aquecimento do
ferro do rotor sejam suficientes p ara provocar a i n terferên­
cia do rotor com o estator.

As práticas va r i a m quanto â quantidade de proteção


e a ação a ser tomada e m relação ã ocorrência de u m a ú nica
falta ã terra n o campo. Algumas concessionárias preferem d e s ­
ligamento imediatamente apôs a ocorrência de u m a falta â
terra, enquanto outras dei x a m a m á q u i n a com def e i t o funcio­
nando até que a paralização da m a q u i n a provoque apenas o m í ­
nimo de distúrbio ou risco à continuidade de serviço do s is­
tema. 0 risco de ocorrer uma segunda falta à terra e de um
conseqtiente dano na m aquina (se houver algum) ê equilibrado
pelo risco de um distúrbio que pode ser causado por um des­
ligamento repentino do gerador.

A Figura 5.10 indica o tipo usual de proteção a-


plicada ao campo do gerador para detectar a o c orrência da
primeira falta à terra. O relê de tensão atua q u a n d o ocorre
uma falta â terra p a r a completar um circuito série. U m a es­
cova no eixo do rotor do gerador pode ser n e c e s s á r i a p ara
assegurar que uma falta à terra, no campo do gerador, pro­
voque a operação do relê de tensão e pode ser ne c e s s á r i a p a ­
ra evitar que as superfícies dos mancais sejam esburacadas,
particularmente se o relê de sobretensão não provocar um
desligamento imediato. O relê de sobretensão pode ser usado
para disparo ou alarme. Se o relê de sobretensão estiver co­
nectado apenas ao alarme, e, em particular, se u m relê de
sobretensão ou o equipamento de detecção de terra no campo
não for usado, u m equipamento de vibração sensível deveria
ser usado e conectado ao alarme. Dois equipamentos de detec­
ção de vibração, u m sensível e conectado ao alarme, o outro
menos sensível e conectado ao disparo (forma convencional)
pode ser desejável como retaguarda ao equipamento de d e t e c ­
ção de terra no campo, indicado na Figura 5.10.

VI. OUTROS TIPOS DE PROTEÇÃO DO GERADOR


Releamento de retaguarda para faltas externas

A Figura 5.9 mos t r a relês de retagu a r d a de scbre-


corrente de fase de dois tipos, isto ê, com restrição por ten­
são e controlados por tensão. Dependendo do m é t o d o de liga­
ção da máquina â terra, u m relê de falta â terra de retaguar­
da também pode ser desejável.

Espera-se que os relês de sobrecorrente de fase


desliguem o gerador pa r a faltas n a estação, ou na rede de trans­
missão que nao forem eliminadas por reles aprcpr±a3os da pro­
teção primaria de retaguarda. P o r isso, os relês de sobre-
corrente de retaguarda (preferivelmente no lado neutro do ge­
rador, de tal forma que faltas no estator do gerador também
sejam detectadas) devem ser ajustados para serem seletivos com
todos os outros relês de fase do sistema. Se os relês de re­
taguarda para falta externa ao gerador forem do tipo sobre­
corrente, isto significa coordenação de tempo e de c orren­
te. Se eles forem do tipo de distância, isto significa co­
ordenação de distância e tempo.

õ efeito do decréscimo da corrente no gerador d e ­


ve ser considerado ao ajustar-se relês de retaguarda de fal­
tas no gerador. Particularmente com os tipos de sobrecorrente
de tempo, um ajuste de tempo grande para este relê signifi­
cará que sua operação geralmente irã ocorrer n u m tempo em
que o decréscimo de corrente chegou a um ponto em que a m a ­
quina ê essencialmente operada n a impedância síncrona e com
a excitação dando salda máxima. O tipo de sobrecorrente com
restrição por tensão compensa o decréscimo d a corrente, ao
aumentar a sensibilidade do relê (diminuindo o ponto de a-
tuação e, c o n s e q üentemente, o tempo de operação) â medida
que a tensão terminal do gerador cai. A este r e s p e i t o , o re ­
lê de sobrecorrente com restrição por tensão ê algo semelhan­
te ao relê de distância. A atuação do relê de sobrecorrente
com restrição por tensão estará por volta de 1,5 a 2 vezes a
corrente de plena carga do gerador na tensão nominal, e por
volta de 50% da corrente nominal do gerador com n e n h u m a ten­
são de restrição aplicada. O tipo com tensão controlada se­
rá inoperante, exceto quando a tensão cai abaixo de,digamos,
80%, ou terã dois ajustes de sobrecorrente temporizado, um
fechado com tensão acima acima de 80% e outro ajuste mais
baixo fechado quando a tensão cai abaixo de 80%. O uso de um
relê de distância, como relê de retaguarda de falta no ge­
rador, requer apenas uma coordenação cuidadosa com outros re­
lês de distância e, em geral, ê aplicável apenas qua n d o o
relê de retaguarda de falta à terra tem que ser coordenado
apenas com outros relês de distância.
Proteção contra sobretensão

A proteção contra sobretensão ê geralmente dese­


jável onde o desligamento de algum elemento do circuito po­
de causar uma redução repentina de carga do gerador,mas dei­
xa linha de transmissão considerável conectada ao gerador.
Este problema, conhecido por rejeição de carga, pode causar
sobretensão e sobrevelocidade combinadas e m geradores acio­
nados por turbina hidráulica, e apenas sobrevelocidade nos
geradores de turbina a gás e turbina a vapor. As tendências
modernas de localizar a geração longe de centros de carga (como
sempre tem sido o caso para geração hidráulica) aumentou a
necessidade de proteção contra sobretensão. Sobretensão ou
sobreexcitação ê prejudicial a, essencialmente, todos os e-
quipamentos do sistema. Em resumo, sobretensões p odem su­
jeitar linhas de transmissão a d e scarga e létrica de contor­
no, sujeitar pãra-raios a corrente fundamental excessiva, su­
jeitar a isolação dos transformadores a grandes gradientes
de potencial e excessivo aquecimento do ferro e degradação
da isolação e sujeitar a isolação dos geradores a grandes gra­
dientes de potencial e ao aquecimento do ferro. Para apare­
lhos eletromagnéticos, tais como geradores e transformado­
res, o problema do aquecimento é reduzido, se a sobretensão
ê acompanhada pela sobrefreqtiência.

A proteção con t r a a sobretensão pode consistir de


relês com retardo de tempo, ajustados para operar com 5 a
10% acima das tensões nominais, ou relês de sobretensão ins­
tantâneos ajustados n u m a faixa de 130 a 150% da tensão no­
minal. Tais reles deveriam, em geral, ser sensíveis apenas â
tensão na freqüência fundamental e d e veriam operar d evido â
tensão real eficaz, indiferentes a mudanças n a freqQência fun­
damental do sistema.

Estes relês de sobretensão p odem ser conectados tan­


t o para desligar os geradores a fim de desenergizar o sis­
tema, como para desligar seções de linha de transmissão p a ­
ra reduzir a corrente capacitiva que e s t á sendo abastecida
pelos geradores e que resultam em sobretensões. Os relês de
sobretensão também podem ser conectados para u ma diminuiçãq
rápida da corrente de campo do gerador numa tentativa de con­
trolar a sobretensão.

Um relê de volts-por-ciclo pode ser, as vezes, usa­


do quando o disparo ou a ação for tomada apenas quando a ra­
zão entre volts e ciclos estã acima d a nominal. Os efeitos
térmicos de sobreexcitação e m maquinas rotativas e transfor­
madores são menos graves se a s o b r e t e n s ã o ê acompanhada pela
sobrefreqttência, e em casos onde uma sobretensão transitó­
ria e uma condição de sobrefreqüência podem existir, assim
como quando os reguladores de velocidade e excitatrizes são
capazes de controlar a condição, o desligamento pode não ser
desejado. Ao relê de volts-por-ciclo ê permitido disparar a-
penas quando a tensão aumenta sem u m aumento proporcional
na freqüência. 0 relê de volts-por-ciclo pode ser usado em
conjunção com os relês de sobretensão.

Proteção contra a sobrevelocidade

A proteção contra a sobrevelocidade é,geralmente,


assegurada pelo circuito d o regulador de velocidade da ma­
q uina p r imaria do gerador. E m alguns casos, os relês de so ­
brefreqüência são usados para executar a função de proteção
de s o b r e v e l o c i d a d e , ou são usados como retaguarda ao e qui­
pamento n o circuito regulador de velocidade. Os aparelhos de
sobrevelocidade operados p e l a freqüência nos terminais da
maqu i n a deveriam ter uma característica de freqüência inde­
pendente d a tensão.

Os ajustes dos equipamentos de proteção de sobre­


velocidade dependerão d a capacidade de sobrevelocidade da
maquina primaria e do gerador, e esta informação geralmente
pode ser obtida d o fabricante. Alguns tipos de turbina de­
veriam ter aparelhos de sobrevelocidade ajustados com algu­
ma porcentagem acima da velocidade estimada, enquanto que
outras, tais como turbinas hidráulicas, são designados atê
50% de sobrevelocidade, e p odem incluir proteção de sobre-
velocidade inerente ã operação normal d o gerador.

Perda de excitação

A perda da excitação pode levar ao aquecimento da


extremidade d o núcleo da armadura (aquecimento da espira da
extremidade) , sobre aquecimento do rotor devido a operação como
um gerador de indução, e pode ser prejudicial ao desempenho
do sistema devido ã drenagem de reativos imposta ao sistema.
O aquecimento d a espira da extremidade ê mais freqüentemente
associado à operação de sobreexcitação e constitui parte da
curva de capabilidade do gerador. 0 aquecimento do rotor de­
vido a correntes induzidas no rotor pode causar perigosas so­
bre temperaturas em menos de algins minutos. O sobreaqueci-
mento do estator também pode ocorrer devido à combinação da
potência que é fornecida pelo gerador e o grande fluxo de
reativos para dentro do gerador, mas a taxa de formação do
calor geralmente serã consideravelmente menor do que aquela
que ocorre no rotor. E m muitos casos, o efeito da perda de
suprimento reativo e a drenagem de reativos do sistema pode
ser superior a outros efeitos e resultar n a instabilidade e
condições graves de baixa tensão na vizinhança do gerador
com defeito.

A p erda de excitação é geralmente detectada por


relês de sob recorrente ou subtensão no circuito de campo, ou
por relês direcionais de distância que olham para dentro do
gerador a partir dos terminais do gerador. A operação dos re­
les de corrente e de tensão no circuito do campo ê absoluta­
mente obvia, e a operação do relê de distância pode ser mais
prontamente v i s u a l i z a d a pelo uso do diagrama R-X, como m o s ­
trado n a Figura 5.11. Quando falta o campo do g e r a d o r ,o flu­
xo de eixo direto do rotor vai decair, e a maquina vai au­
mentar sua velocidade e sair fora de sincronismo com o res­
to do sistema. 0 choque para o sistema, quando a m aquina sai
fora de sincronismo, não serã tão grave, desde que o nível
do fluxo do rotor do gerador (ou da tensão interna da máqui­
na) seja baixo. Negligenciando qualquer oscilação de potên­
cia devido ao fluxo no rotor, a m á quina farã a transição de
gerador síncrono para gerador de indução, incluindo um pe ­
ríodo de velocidade aumentada do rotor com produção constan­
te de potência. Durante a transição, n o entanto, a produção
de reativos irã diminuir a zero e em seguida ficara n e g a t i ­
va, e a maquina absorvera sob forma de reativos de 2 a 4 ve­
zes sua capacidade nominal. A Figura 5.11 m ostra o gráfico
que seria traçado por um gerador de 100MVA (fator de p o t ê n ­
cia 0,8 indutivo), inicialmente operando a plena c a r g a e p a ­
ra o qual falta a excitação (note-se que se mantemos cons­
tante o fluxo de potência ativa nos TC*s e TP's do relê e
variamos o fluxo de reativos de mais infinito p a r a menos in­
finito, traçamos um círculo no diagrama R-X como indicado n a
Figura 5.11).

Como deveremos estudar mais tarde, é possível que


a característica de perda de sincronismo passe através da
característica do relê de distância de perda de excitação e
cause um disparo falso ou indesejável.

Proteção contra a vibração

Correntes desequilibradas do e s t a t o r , devido a fal­


teis desequilibradas e fases abertas, e faltas duplas â ter­
ra no campo são as duas causas elétricas que comumente dão
vibração no rotor. As causas mecânicas, tais como falha nos
mancais e falhas no eixo do rotor também p odem ser detecta­
das por equipamento sensível à vibração. O equipamento sen­
sível à vibração pode ser usado para registrar o nível de vi­
bração (par,a detectar .mudanças com o tempo indicando p o s s í ­
veis faltas futuras no gerador) ou para alarme ou desligar. Se
houver proteção contra sobreaquecimento do rotor, devido a
correntes desequilibradas, e proteção de falta à terra no
campo, o equipamento de vibração geralmente não é conectado
para o disparo. Ê este o caso, desde que a maior parte das
falhas mecânicas não ocorrem de repente e po d e m ser detec­
tadas nos seus estágios iniciais por detectores de vibração
sensíveis ou por registradores de vibração.
Proteção de sobretemperatura nos mancais

A s s i m como com a detecção de vibração, os apare­


lhos para detectar sobreaquecimento dos mancais são geral-
mente usados para dar alarme. C o m detectores de temperatura
sensíveis e com ajuste baixo, o lapso de tempo cintes que as
temperaturas dos mancais atinjam níveis críticos geralmente
dá aos operadores tempo adequado p a r a duplicarem a supervi­
são por equipamento de proteção, para assegurar-se que a s o ­
bre temperatura dos mancais estã ocorrendo e para procurar por
qualquer m a u funcionamento obvio, tal como uma bomba de oleo
lubrificante com defeito. Uma rápida mas ordenada paraliza-
ção na maquina pode ser iniciada, se julgada n e cessária,pe­
lo operador.

A sobretemperatura dos mancais é detectada por d e ­


tectores de sobretemperatura do tipo convencional de bulbo
ou por um tipo de relê com resistor detector de temperatura,
como descrito anteriormente para o monitoramento d a tempe­
ratura do estator. Os sensores p ara tais aparelhos são em­
butidos no suporte dos mancais perto d a superfície dos m a n ­
cais. O monitoramento da temperatura do oleo de lubrificação,
quando e circulado através dos mancais, também pode se u sa­
do, m a s deve ser acompanhado^ por relés que detectam o fluxo
do ôleo ou a pressão do óleo, já que u m a interrupção no flu­
xo iria evitar a detecção de sobretemperatura pelo relê de
temperatura do õleo.

Prot e ç ã o contra motorização

Os relês direcionais de potência ou relês de ní­


vel de potência aplicados nos terminais do gerador podem ser
usados para alarmar ou disparar, quando a produção do g era­
dor cai abaixo de um nível especifico ou fica n e gativo.Es­
ta proteção pode ser aplicada por u m a ou duas razões. O flu­
xo de potência para dentro do gerador, de tal forma que ele
opere como motor mantendo a velocidade d á máqu i n a p r imária
e do gerador no seu nível nominal, pode causar dano â má­
q u i n a primária. E m alguns casos a potência m otora solicita­
da do sistema pode ser uma carga excessiva, pondo e m perigo
a continuidade do serviço.

E m turbinas a vapor com níveis de produção m uito


baixos e, p a r t i c u l a r m e n t e , com produção zero ou negativa, a
turbulência e a fricção do ar n a turbina p o d e m gerar mais ca­
lor do que o que ê usado, pelo limitado ou não existente
fluxo de vapor. O tempo exigido p a r a chegar-se a um
nível de temperatura prejudicial pode ser de menos de u m m i ­
nuto ou ate trinta minutos, dependendo das condições e do
tipo de turbina. A proteção pode ser incluída no circuito re­
gulador de velocidade pelo fabricante, ou a proteção pode
ser necessária nos terminais da maquina. Dependendo das con­
dições que podem dar origem às temperaturas perigosas, um
relê direcional de potência muito sensível pode ser ne c e s ­
sário, o qual detectará o fluxo de potência para dentro da
máquina; ou poderão ser necessários relês de subpotência,os
quais detectarão os níveis perigosamente baixos de produção.
Em ambos os casos, relês com retardo de tempo d e v e m ser u s a ­
dos para evitar a operação com oscilações do sistema ou o s ­
cilação de sincronização. N o caso de motorização total, as
turbinas a vapor podem solicitar do sistema apenas 2 ou 3%
da p otência nominal e a sensibilidade do relê de potência de­
ve ser escolhida de acordo.

Relês antimotorização são aplicados à turbinas hi­


dráulicas para evitar a cavitação. Cavitação é o dese n v o l ­
vimento de vapor de baixa temperatura n a superfície da lâ­
mina da turbina quando a turbina age como uma bomba, causan­
do b aixa pressão na parte traseira da lamina. A conversão da
água para vapor de água ocorre na superfície da lâmina, nu­
m a multitude de minüsculas explosões, que tendem a desalojar
partículas de metal da superfície d a lâmina. O resultado fi­
nal ê a corrosão e erosão do material da lâmina. Da m esma
forma como para as turbinas a vapor, os relês direcionais de
potê n c i a têm que ser suficientemente sensíveis para detectar
fluxo de potência inversa de apenas uma pequ e n a p o rcentagem
da potência nominal do gerador. Geradores acionados por m o ­
tor diesel podem solicitar do sistema ate 15 ou 20% d a sua
potência nominal no caso de motorização total. A proteção
antimotorização, neste caso, pode ser desejável para e limi­
nar a carga de motorização do sistema e evitar a possibili­
dade de fogo ou explosão de combustível não queimado ainda,
bombeado através do motor de combustão interna.

Fig. 5.11
Trajetória da perda de caotpo e
relê de proteção

Fig. 5.12 Fig. 5.13


Motor aito-equi librado
Proteção de motor
Proteção diferencial
Turbinas a gãs podem solicitar potência inversa tão
baixa como 5 ou 10% nos tipos de eixos múltiplos e tão alta
como 50% em tipos de eixo único. Reles de potência inversa,
são facilmente aplicados em ambos os casos e são geralmente
desejáveis para eliminar a carga imposta ao sistema por uma
turbina a gãs motorizada.

VII. PROTEÇÃO DE MOTOR - GERAL

A proteção de motor varia consideravelmente e de­


pende primariamente da importância do motor para o processa­
mento ou para a fábrica, e do tamanho e do custo do motor.
A proteção instalada no motor depende, além disso, do motor
estar numa estação atendida ou não atendida. Motores não a-
tendidos terão geralmente uma quantidade maior de proteção e
todos os aparelhos de proteção aplicados estarão conectados
para desligar, enquanto que em estações atendidas os o p e r a ­
dores podem substituir certos tipos de proteção e em outros
casos os aparelhos de proteção estarão conectados somente
para dar alarme.

Em motores menores e de tensão mais baixa, o có­


digo elétrico nacional, proporciona orientação considerável
para a proteção.

O que se segue é uma discussão dos relês de pro­


teção comuns aplicados para proteção de motor. Os relês são
aplicáveis tanto para a indução como para motores síncronos,
a não ser que seja indicado de outra forma.

Relês diferenciais porcentuais são geralmente a-


plicados para proteção contra falta à terra e entre fases do
estator, e para motores maiores e mais críticos, onde a d e s ­
pesa pode ser justificada. Estes relês são utilizados, como
discutido 'a n t eriormente, para a aplicação em geradores.

Proteção diferencial a u t o b a l a n c e a d a , como indica­


da na Figura 5.12, proporciona uma sensibilidade maior do que
o releamento diferencial porcentual e tem u m custo mais b a i ­
xo. Este releamento exige roteiro intrincado dos condutores
do motor e caixa de terminais sobredimensionada. O circuito
diferencial não inclui os condutores entre o motor e a cha­
ve de partida do motor, como o faz o relearaento diferencial
porcentual.

Reles de sobrecorrente de f a s e , Figura 5.13, na


forma tanto do tipo inverso como do tipo de replica térmica
com um elemento instantâneo, em ambos os casos proporciona
proteção contra curto-circuito, proteção de sobrecarga do
motor (sobretemperatura do estator e do r o t o r ) , e proteção
contra operação monofãsica, quando a carga do motor é sufi­
cientemente grande para causar sobrecorrente. Estes dispo­
sitivos são aplicados com a unidade com retardo de tempo,a-
justada para atuar com 110 a 140% de corrente de carga no­
minal do motor, dependendo da aplicação do motor, e com a u-
nidade de tempo ajustada suficientemente alta para não atuar
com as correntes de rotor bloqueado que ocorrem durante a
partida do motor. A unidade instantânea é ajustada em apro­
ximadamente duas vezes a corrente de rotorbloqueado para e-
vitar a operação devido â corrente transitória de partida e
para proporcionar um rápido desligamento no caso de faltas
de fase a fase ou de faltas trifãsicas. Um dispositivo es­
pecial instantâneo de ajuste baixo pode ser incluído, com sua
operação bloqueada durante uma partida normal, mas nao b l o ­
queada depois que a partida tenha sido completada. Este d i s ­
positivo ajustado para aproximadamente duas a três vezes a
corrente de carga normal irã desligar o motor i n stantanea­
mente, se a corrente do motor aumentar a um nível que se a-
proxime do seu valor de rotor travado. Sem este dispositivo,
uma condição de rotor travado somente serã sanada depois que
o elemento d e tempo inverso ou de réplica térmica completar
seu ciclo de tempo. Quando u m motor sustenta, durante um p e ­
ríodo, a corrente de rotor bloqueado e se aproxima de sua
limitação térmica, varias horas de resfriamento po d e m ser e-
xigidas antes que o motor possa ser reenergi-zado, jâ que a
formação do calor, devido à partida, ê acumulativa. O relê
de sobrecorrente de tempo inverso restabelecera, e não e vi­
tará as várias partidas sucessivas do m otor que poderiam cau­
sar dano ao motor. O tipo de réplica térmica, por outro la­
do, lembrar-se-á d a recente história do m o t o r e irã desligá-
lo no meio de uma partida ou evitara uma partida, se esta
partida acumular mais tempo no nível da corrente travada do
rotor do que o motor pode suportar sem nenhum dano possível.

Relês de sobrecorrente de terra são aplicados tan­


to na conexão residual como na conexão diferencial, indica­
dos na Figura 5.13. A conexão residual irã usar um relê de
sobrecorrente de tempo inverso e poderá ter um elemento ins­
tantâneo, se a corrente transitória de partida do motor não
produzir corrente desequilibrada no circuito residual do TC.
No circuito diferencial de terra, um relê i n s t a n t â n e o ê u s a ­
do.

Relês de tensão de seqüência de fase negativa e


relês de sobrecorrente de seqüência de fase negativa en c o n ­
tram, ambos, aplicação na proteção contra o sobreaquecimento
do rotor devido a correntes de fase desequilibradas. Estes
aparelhos são particularmente aplicáveis onde a queima do fu­
sível possa provocar operação monofãsica, ou onde o carre­
gamento desequilibrado possa causar tensões desequilibradas
no terminal do motor e resultar numa corrente de seqüência
negativa. Mesmo uma corrente de seqüência negativa de baixa
porcentagem pode causar significante aquecimento do rotor e
possivelmente danificação.

Proteção de subtensao é desejável para evitar d a ­


no térmico que pode resultar quando tensões baixas do sis­
tema resultam n uma corrente excessiva no motor.

Proteção contra a perda de sincronismo é desejável


e m motores síncronos particularmente no caso de motores que
partem carregados. Perda de sincronismo devido á falha na
sincronização durante a partida, ou devido a curto-circuito
pode causar sérios danos aos motores síncronos. Motores sín­
cronos são projetados para resistir a faltas trifásicas nos
seus terminais, mas a perda de sincronismo com centro elé­
trico, ocorrendo dentro da máquina, pode causar correntes su­
periores aquelas que fluiriam para uma falta trifásica nos
terminais. Formas simples de relês de perda de sincronismo
foram desenvolvidas para proteção do motor síncrono.

Proteção contra a perda de excitação na forma de


de um relê de sobre corrente no circuito de canpo é particular­
mente desejável onde outros dispositivos de proteção que i-
riam detectar altas correntes resultantes do estator não fo­
rem aplicados ou não forem suficientemente sensíveis. D is­
positivos de proteção de sobretemperatura do estator d etec­
tariam a condição de perda de excitação, mas se as constan­
tes de tempo são tais que a sobretemperatura do rotor pode
ocorrer antes que o aparelho de sobrecorrente de fase atue,
então, o aparelho de subcorrente no seu circuito de campo é
necessário.

Proteção contra a falta à terra no c a m p o , cano dis­


cutida antes para geradores, também é usada às vezes para moto­
res importantes ou para motores slncronos para serviço es­
sencial.

Detectores de temperatura e m b u t i d o s , tais como um


bulbo ou um resistor podem ser usados para detectar a sobre-
temperatura do estator ou a sobrecarga do motor e disparar
ou alarmar. Os relês conectados para dar alarme serio usual­
mente ajustados para serem mais sensíveis do que aqueles co­
nectados para disparar. Os detectores embutidos suplementam
a proteção de sobrecarga de sobrecorrente de fase. A sobre-
temperatura do rotor não pode ser seguramente d e tectada p e ­
los dispositivos embutidos no estator devido a grande cons­
tante de tempo para a transferência de calor através do en-
treferro de ar. Um tipo de detector embutido consiste de con­
tatos bimetãlicos em cada local de detector, de tal forma
que a geração é um discreto sinal de "liga-desliga" para um
nível de temperatura pré-ajustado (para cada d e t e c t o r ) .
APÊNDICE - S U M A R I O DA PROTEÇÃO DE GERADOR

Proteção â turbina e â caldeira não mostrada

* 87G, 87TG Reles diferenciais. Disparo.


* 5IV Retaguarda para falta externa. Disparo.
* 64 Relê de falta à terra do gerador. Alarme
ou disparo.
60C Proteção espira a espira. Relê de equilí­
brio de corrente.
49S Proteção de sobrecarga do estator operado
por corrente ou RTD. Alarme.
46 Proteção térmica do rotor. Relê de sobre-
corrente de seqüência negativa. Alarme ou
disparo ou ambos (dois n í v e i s ) .
67, 67N Relês direcionais de sobrecorrente. Reta­
guarda do diferencial. Usado quando muitas
máquinas num barramento podem desligar si­
multaneamente pelo 51V, se uma delas e s t i ­
ver com falta. Disparo.
51TN Proteção sensível contra falta à terra do
transformador. Disparo.
63 Relê contra falta por pressão. Alarme ou
disparo.
78 Proteção contra a falta de sincronismo.
Disparo.
32 Proteção antimotorização. Relê direcional
de potência. Proteção de turbina a vapor.
Alarme ou disparo ou ambos. Alavanca de
disparo do resfriamento auxiliar d a turbi­
na, se houver. Pode ser de dois níveis.
40 Proteção de perda de excitação. Relê do
tipo distância. Alarme ou disparo.
39 Relê de temperatura dos mancais. Alarme.
25 Equipamento de sincronização.
60V Relê de equilíbrio de tensão. Alarme, b lo­
queia a operação do 5 IV.
59 Relê de sobretensão. Alarme ou disparo.
V/H Volts por Heçtz. Alarme ou disparo. Pode
disparar o disjuntor principal ou o d i s ­
juntor de campo.
81 Relê de freqüência. Disparo ou alarme na
sobrefreqüência e/ou n a subfreqtiência.
59E Disparo ou alarme do relê de sobretensão
da excitação.
64E Detecção terra-campo. Alarme ou disparo.
Apenas os três primeiros relês são os quase
universalmente aplicados. O uso dos relês
restantes ê uma função de: 1 ) experiência
de cada concessionária de eletricidade? 2 )
local^da m áquina com respeito ao sistema ?
conexão direta a extra alta tensão remota
e conectada através d a linha longa, m á q u i ­
na simples ou uma de muitas máquinas d a u-
sina; 3) tamanho d a máquina? 4) tipo de m á ­
quina, turbina a vapor, gás, hidro? 5) etc.
CAPITULO 6

PROTEÇÃO DE TRANSFORMADOR

PROTEÇÃO DE TRANSFORMADOR - GERAL

A parte principal deste Capitulo esta voltada aos


dispositivos de proteção que se destinam para proteção de
transformadores de força e para autotransformadores de for­
ça.

Alguns dos dispositivos discutidos serio aplicáveis


a outros tipos de transformadores, tais como transformadores
de regulação, reguladores de tensão por degrau, transforma­
dores de forno de arco voltãico e transformadores de ater-
ramento.

Os transformadores estão sujeitos a faltas de fa­


se a fase, mas muito mais freqtientemente sofrem faltas de
fase à terra, espira a espira, ou do enrolamento de AT para
o enrolamento de BT. Faltas nos transfqrmadores são geral­
mente de dois tipos: os de ocorrência repentina e os de o-
corrência lenta. Do ultimo tipo são geralmente as faltas in­
cipientes e, em alguns casos, podem ser detectadas por p r o ­
cedimentos de proteção, tais como analise do gás. Faltas in­
cipientes terminando em faltas totais e faltas totais de o-
corrência repentina deveriam ser detectadas e iniciar o d i s ­
paro no menor tempo possível para proporcionar o máximo de
proteção ao transformador e ao sistema. A quantidade de
proteção proporcionada e a sensibilidade da proteção, assim
como a proteção de outros elementos do sistema ê uma questão
de economia e de considerações quanto â confiabilidade a ser
conferida ao sistema. Uma proteção maior irã exigir um in­
vestimento maior e maior manutenção, e u m exagero de p rote­
ções pode conduzir a um excesso de desligamento indevidos.
Sobreproteção e disparo indevido excessivo ê ótimo para o
elemento protegido, mas diminui a confiabilidade do sistema
e a continuidade dos serviços.

Os seguintes tipos de proteção podem ser aplicados


em esquemas de proteção de transformadores.

Analise do gás

A analise do gãs que se junta acima do nível de


óleo num tanque de transformador pode dar significante in­
formação no que diz respeito ã condição d a isolação do trans­
formador. Em particular, testes repetitivos do gás do trans­
formador podem detectar mudanças que podem significar con­
dições que conduzem a uma condição de possível falta ou m u ­
danças que resultam de uma falta incipiente e de correntes
de dispersão através do isolamento. Um aparelho chamado re­
lê BUCHHOLZ foi usado na Europa e no Canada p a r a dar alarme
com a produção de gãs no transformador. Este relê é aplicá­
vel apenas quando um conservador ou tanque auxiliar é usado
acima do tanque do transformador, de tal forma que o g ã s que
se forma no tanque do transformador e que se dirige para o
conservador possa ser coletado. Um alarme atuado por este re­
lê detector de gãs ê vantajoso em estações atendidas. A ana­
lise do gãs detectado no relê determinara o tipo de deterio­
ração do isolamento que estã ocorrendo.

Proteção diferencial do transformador

A proteção diferencial, como discutida brevemente


no Capítulo 1, ê aplicada por muitas empresas de eletricidade
para todos os transformadores de força de 5.000KVA emaiores,
e autotransformadores de força de capacidade equivalente.
Muitas empresas de eletricidade e indústrias jã aplicam re-
leamento diferencial para transformadores de força a partir
de 1.000KVA e para autotransformadores de força de capacidade
equivalente.

Relês diferenciais ou de proteção do transformador,


assim como com outros tipos de releamento diferencial, ge­
ralmente não estão conectados para desligar os disjuntores
diretamente, mas através de um relê de bloqueio de multiocn-
tatos rearmável a mão. Este relé introduz um retardamento de
tempo negligenciãvel, mas força os operadores a reconhecerem
que o relé diferencial operou.

A Figura 6.1 mostra conexões de TC*s para proteção


diferencial de um transformador de força delta-estrela. N o ­
te-se que a interconexão dos TC's conectados em d e l t a n o la­
do do enrolamento estrela do transformador de força com os
TC's conectados em estrela no lado do enrolamento delta do
transformador de força supre a cada um dos 3 relês d iferen­
ciais correntes equilibradas durante o fluxo normal da cor­
rente de carga. Note-se que mesmo um carregamento desequi­
librado do transformador de força não darã origem à corren­
te diferencial.

Se a conexão do relê diferencial não der origem â


corrente diferencial para correntes de carga desequilibrada
não funcionará para correntes de passagem que fluem para fal­
tas externas equilibradas e desequilibradas. O fato do relê
diferencial não operar para faltas â terra externas, no la­
do estrela do transformador, ê menos óbvio. A análise por com­
ponentes simétricas de ambas as correntes, p r i m á r i a e secun­
dária, do TC para uma falta externa â terra, ou o diagrama
das correntes primárias que fluirão para uma falta externa â
terra e o respectivo diagrama das correntes secundárias do
TC, irão indicar que o relê diferencial não operará para tais
faltas.

Apesar da Figura 6.1 indicar a aplicação de relês


diferenciais para um transformador de dois e n r o l a m e n t o s , os
relês diferenciais são igualmente aplicáveis para transfor­
madores de mu l t i e n r o l a m e n t o s , sendo que a única diferença ê
que uma bobina de restrição é exigida para cada enrolamento.

A zona de proteção do relê diferencial do trans­


formador pode ser aumentada para incluir os enrolamentos do
gerador em esquemas de gerador operados por unidade, e tam­
bém pode ser aumentada para incluir transformadores de s e r ­
viços auxiliares, onde forem conectados aos terminais do ge­
rador. O relê diferencial do transformador serã considera­
velmente menos sensível que o relê diferencial do gerador e,
assim, proporciona apenas uma forma de retaguarda para os
relês diferenciais do gerador. A sensibilidade do relê di­
ferencial do transformador de força não era usualmente p r o ­
porcionar proteção adequada para o transformador de serviço
auxiliar bem menor, exigindo um relê diferencial separado,
aplicado como proteção primaria para o transformador de s er­
viços auxiliares. A Figura 6.2 indica estas alternativas. Dois
outros esquemas de proteção diferencial deveriam ser mencio­
nados brevemente para ser completo. A Figura 6 . 3 (a) indica a
proteção de um banco de transformadores em conexão Scott,
enquanto que a Figura 6 . 3 (b) indica a proteção de um t r a n s ­
formador de dois enrolamentos com um transformador de ater-
ramento conectado n um lado, dentro da zona de proteção di­
ferencial. N o último caso, o transformador de aterramento
pode dar origem à corrente de seqüência zero nos TC's ocnec-
tados em estrela, e resultar numa falsa operação do relê d i ­
ferencial. Um desvio da corrente de seqüência zero, ocmo dis­
cutido no Capítulo 3, ê por isso necessário.

A localização dos TC*s para a proteção diferencial


do transformador de força é usualmente aquela indicada na
Figura 6.1, para incluir os disjuntores em ambos os lados do
transformador. Os relês diferenciais do transformador, por
isso, protegem uma zona bem maior do que a que protegeriam,
se os transformadores usados estivessem localizados nas b u ­
chas do transformador. Os transformadores de corrente loca­
lizados nas buchas do disjuntor discriminam b e m entre faltas
dentro do disjuntor e aquelas externas ao disjuntor longe do
transformador e que não devem dar operação do disjuntor.
Relês diferenciais porcentuais convencionais po­
dem ser usados para proteção de transfo r m a d o r e s , mas têm uma
desvantagem sign i f i c a n t e , pois eles são sensíveis a corren­
tes transitórias de m a g n e t i z a ç i o , que ocorrem na energização
normal do transformador e também na remoção da falta, o que
causa um aumento repentino na tensão nos terminais do trans­
formador. Meios seguros devem ser providenciados para evitar
tal operação indevida na energização do transformador, jã
que o tempo e o custo exigido para localizar a falta, após
uma operação do relê diferencial do transformador para d e s ­
cobrir se ele estã ou não com falta, pode ser considerável.

Relê diferencial porcentual aplicado a


um transformador de tensão de dois, en***
rolamentos, mostrando através de cor­
rentes, em termos de correntes prima­
rias de entrada.
Fig. 6.1(b)
Localizações do TC diferencial
do transformador

RfTCNCÂO

Fig. 6.2

Proteçib diferencial do transformador


principal extendida oano retaguarda
.ao gerador e transformador auxiliar
e b o

r É
l- - - - - - - - - - -
f j ■

0
"u J L r p *—
-J T T T T T L jjr n n m _ - v —

— -\ t |

i_ _ _ _ _ _ _ _ _ L
i 1________■ 1 ■

c’ t>* o*

(b ) .
Uma fase da proteção diferencial de um
(a) transformador de 2 enrolamentos com um
Proteção diferencial transformador de aterramento dentro da
da ccnexão do trans­ zona de proteção
formador Soott

Fig. 6.3

Três meios têm sido usados para evitar a operação


do relê diferencial porcentual devido a correntes transitó­
rias de magnetizaçio de transformadores. 0 primeiro ê o uso
do retardamento de tempo de cerca de 0,1 a 0,2 segundos. As
desvantagens de tal retardamento de tempo têm sido discuti­
das em outra parte deste texto. Um segundo método dessensi-
biliza o relê diferencial porcentual durante o período de
magnetização transitória através de um resistor shunt na b o ­
bina de operação,por alguns segundos, cada vez que o trans­
formador de força é energizado. Este mecanismo dessensibi-
lizador pode não funcionar com sucesso, quando a remoção de
uma falta causa uma rápida mudança na tensão do transforma­
dor, e por isso ê geralmente usado com relês diferenciais per­
centuais instantâneos (não de alta v e l o c i d a d e ) , que são m e ­
nos susceptíveis ao desligamento após a corrente de magne-
tização menor, que ocorre na remoção de falta.

Um terceiro método de controlar a resposta do re­


lê diferencial porcentual para correntes transitórias de magne­
tização é o supressor de disparo. 0 supressor ocnsistede três
relês de tensão monofãsicos de alta velocidade com contatos
normalmente abertos, conectados em séries. Cada vez que o
circuito série ê completado, o circuito de disparo do relê
diferencial porcentual é aberto por 0,1 a 0,2 segundos.

Quando um transformador que não tem defeito ê e-


nergizado, os três relês de tensão supressores atuam e b l o ­
queiam a operação do relê diferencial. Quando um transformador
com defeito é energizado, e um ou mais dos relês de tensão
não atuar, permite-se que o relê diferencial opere.

Se uma falta externa ê suficientemente violenta


para causar uma o p e r a ç ã o ,indevida do relê diferencial, um
dos relês de tensão irã relaxar e, após a remoção da falta,
serã reenergizado, resultando e m supressão do relê d i f e r e n ­
cial. 0 supressor não impede, de forma alguma, a operação
quando ocorre uma falta no transformador energizado.

Apesar de ser um melhoramento em relação aos mé­


todos acima citados, o supressor pode retardar o d i s p a r o , se
um transformador com uma falta leve, ê energizado.

Os três métodos acima citados deram origem, nos ü-


timos anos, ao uso de relês diferenciais porcentuais com uma
restrição por correntes harmônicas. Este tipo de relê não
exige um equipamento dessensibilizador externo ou de r etar­
damento, e pode atê permitir um disparo em alta velocidade
durante o influxo de correntes, quando um transformador com
defeito ê energizado. Dois mecanismos são usados p ara evitar
a operação com correntés transitórias de magnetização. Uma
analise das harmônicas de uma onda de corrente transitória
de magnetização típica, irã mostrar que a corrente ê princi­
palmente composta por componentes harmônicas, enquanto que
u ma corrente de falta serã principalmente composta por uma
corrente de freqtiência fundamental. O relê diferencial p o r ­
centual com restrição por harmônicas leva vantagem, por e s ­
te fato, de dois modos. Um relê de b alanço é usado com uma
corrente da bob i n a de operação e uma corrente da bob i n a de
restrição, sendo ambas as quantidades retificadas (C.C.). A
corrente da bobina de operação ê derivada de um filtro que
proporciona uma corrente na bobina de operação p ro­
porcional à diferença de corrente n a freqttência fundamental
apenas. A corrente da bobina de restrição ê d e senvolvida a
partir de ambas as freqüências, fundamental e harmô n i c a da
corrente de passagem, mais a corrente harmônica da corrente
diferencial (isto é, a corrente diferencial ê filtrada, e a
freqttência fundamental passa através d a bob i n a de operação e
as freqttências harmônicas passam através d a b o b i n a de res­
trição) .

A sensibilidade do relê p a r a correntes de falta,


na ausência de correntes harmônicas, serã essencialmente a
m esma que aquela para o relê diferencial porcentual. A sen­
sibilidade p a r a faltas durante o fluxo das correntes tran­
sitórias de magnetização depanderã d a quantidade de restri­
ção adicionada pelas correntes harmônicas da corrente tran­
sitória de magnetização. Qualquer harmcnicagerada pelos trans­
formadores de corrente também pode causar restrição falsa e
reduzir a sensibilidade.

Todos os relês diferenciais do transformador es ­


tão sujeitos à operação indevida n a sobreexcitação do trans­
formador. A saturação do transformador provoca o fluxo das
correntes terceiras harmônicas (seqttência z e r o ) . Estas cor­
rentes circulam no enrolamento delta e são supridas pelo sis­
tema para o enrolamento estrela. O relê diferencial recebe
esta corrente do lado estrela, apenas, e interpreta-a como
corrente para uma falta interna.

Uma solução para este problema utiliza um TC em


cada um dos três enrolamentòs na conexão de l t a para suprir
correntes que equilibram as correntes do lado estrela no re­
lê.
Proteção diferencial de terra

Os relês diferenciais porcentuais terão, geral­


mente, uma sensibilidade adequada p a r a faltas ã terra nos
enrolamentos delta mas não providenciarão proteção satisfa- '
tõria para faltas à terra nos enrolamentos conectados e m es­
trela. Isto será particularmente provável q uando o enrola-
mento ocnectaio em estrela não estiver solidamente ligado à ter­
ra através de uma impedãncia externa. Os dois esquemas de
proteção indicados n a Figura 6.4 po d e m ser usados pa r a p r o ­
porcionar sensibilidade maior p a r a faltas à terra no enro-
lamento estrela. A Figura 6 . 4 (a) indica uma conexão diferen­
cial que requer um transformador de corrente auxiliar de a-
juste da relação de transformação e u s a u m relê de sobre-
corrente de tempo inverso. Muito cuidado deve ser tomado na
escolha de um transformador de corrente auxiliar, j ã q u e uma
tensão considerável será desenvolvida através do seu p r i m á ­
rio, devido à alta impedãncia do relê de sobrecorrente de
tempo sensível conectado diferencialmente. A Figura 6.4(b)
indica o uso de um relê direcional de terra com polarização
por corrente. 0 relê ê conectado para olhar p a r a dentro do
enrolamento estrela do transformador e, por isso, as loca­
lizações de seus transformadores de corrente determinam sua
zona de proteção que ê limitada aos e n rolamento estrela e
aos terminais associados. Jã que tanto a b o b i n a de operação
como a bobina de polarização devem ser energizadas para p r o ­
porcionar o torque, este relê apenas sentirá faltas à terra
no enrolamento estrela quando u m a fonte externa de corrente
à terra estiver disponível n o lado estrela, üm relê de tempo
inverso é usado para evitar a operação indevida em correntes
indesejáveis que surgem quando u m a falta exte r n a b i f ã s i c a â
terra ocorre. Ambos os esquemas da Figura 6.4 podem estender
a proteção do transformador para mais de 90% do enrolamento
conectado em estrela. Quando o relê de sobrecorrente conec­
tado diferencialmente ê ajustado para ser sensível a faltas
perto do neutro dos transformadores solidamente ligados â
terra, ele pode operar indevidamente p ara faltas externas de
Fig. 6.4(a) Fig. 6.4(b)
Diferencial de terra Direcional de terra

Sobrecarga e retaguarda
do transformador
nível elevado, que provocam o fluxo de uma corrente 3IQ ou
r e s i d u a l , devido à saturação por corrente contínua de um dos
T C 's de fase. Para uma falta de fase a fase nao haverã cor­
rente no TC do neutro, mas poderã haver corrente no TC au­
xiliar, a qual irá fluir através do relê diferencial. Uma
vez que a impedância alta do relê não serã problema para
faltas internas de baixo nível, ela pode ser usada para e-
vitar a operação com correntes diferenciais devido a faltas
externas. Alta impedância de relê pode ser obtida tanto pe­
lo uso de um relê de alta impedância, como pela adição de um
resistor estabilizante em série com um relê de ba i x a impe­
dância. A impedância total é ajustada para limitar a corren­
te do relê a valores justamente abaixo da m ínima atuação do
relê para a mais grave falta externa e completa saturação do
TC de uma fase.

Relês de sobrecorrente instantâneos e de tempo inverso


aplicados como proteção do transformador

Relês de sobrecorrente de tempo inverso, com ou


sem relê instantâneo, podem ser aplicados como indicado na
Figura 6.5 para proporcionar proteção primária quando os r e ­
lês diferenciais não são justificados, proteção de retaguar^
da quando os relês deferenciais porcentuais são usados, e
proteção de retaguarda de falta externa. Esses relês talves
precisem ser direcionais ou direcionalmente controlados p a ­
ra fins de coordenação. Também, o numero de relês e s u a s lo­
calizações podem variar; isto depende se Sua função é de
proteção primária ou de retaguarda.

A Figura 6.5 também indica o uso de um relê de so­


brecorrente de tempo inverso na conexão neutra do t ransfor­
mador. Este relê também geralmente tem a função de retaguar­
da para faltas externas e faltas no enrolamento do transfor­
mador, mas em geral irá proporcionar m uito mais sensibili­
dade para faltas à terra no enrolamento estrela do que os
relês diferenciais. Por isso, este relê, apesar de poder ter
retardo de tempo p a r a proporcionar coordenação ocm outros re­
lês de falta à terra no sistema, irá proteger uma parte do
enrolamento do transformador não protegida pelos relês di-
f e renciais.

Proteção de sobrecarga do transformador

Relês de sobrecorrente temporizados podem propor­


cionar alguma proteção contra sobrecarga se o ajuste do relê
pode estar suficientemente perto da potência naninal do trans­
formador. Uma forma de proteção mais adequada ê um aparelho
monitor de temperatura do õleo no topo do tanque que alarma
(estações atendidas) ou registra a mais alta tenperatura al­
cançada desde seu último restabelecimento (estações não a-
tendidas). A mesma unidade seria usada para ligar os venti­
ladores.

Relês de pressão devido âs faltas

Uma forma de relê de proteção contra falta de grande


popularidade ê o relê de pressão devido â falta. Este relê ê
montado externamente no tanque, acima ou abaixo do nível do
õleo, e responde a ondas de pressão no õleo (ou ao gãs do to­
po) gerado pelo arco na falta. Modelos modernos deste relê
são extremamente sensíveis e são considerados por alguns como
mais sensíveis e mais confiáveis do que os relês diferenci­
ais. O relê de pressão devido à falta é, em geral, aplicado
como retaguarda dos relês diferenciais. Modelos primitivos
de relê de pressão devido à falta provocavam operações in­
devidas no caso de faltas externas, mas nos modelos modernos
foi reduzida esta tendência. Em alguns casos, a operação de
um relê de pressão para uma falta externa foi, mais tarde,
descoberto ter sido indicação de uma condição de falta in­
terna incipiente.

O relê de pressão ê aplicável a todos os tipos de


transformadores com õleo isolante.

Proteção de transformadores sem disjuntores em cada en­


r o la m e n t o

A proteção proporcionada para transformadores que


têm um enrolamento conectado a uma linha de transmissão sem
um disjuntor ê essencialmente como foi descrita acima,exce-
to que alguns meios têm de ser proporcionados para o d ispa­
ro do disjuntor na extremidade mais remota da linha. Dois
meios são geralmente usados, disparo remoto ou disparo trans­
ferido via um canal de comunicações (como será discutido no
Capítulo 8 , Proteção de Linha) e o uso de uma chave de ater^
ramento rápido que aplica uma falta à linha no lado da linha
do transformador, provocando, dessa forma, operação de relês
de distância na extremidade mais distante da linha. Se o re-
ligamento automático ê usado na extremidade mais distante da
linha, a chave de aterramento tem que ser uma unidade tri-
fãsica para evitar o religamento automático. As chaves de
aterramento rápido podem exigir mais de 15 ciclos para fe­
char, dependendo do tipo e custo e, assim, resultar numa lim­
pes a da falta relativamente lenta comparada ao uso de u m ca­
nal de comunicações.

Proteção de transformadores de regulação

Reguladores de tensão exigem proteção diferencial


de uma maneira muito semelhante a dos transformadores de força.
O transformador regulador de tensão, n o entanto, tanfoém exige
proteção para seu enrolamento de excitação. A proteção para
este enrolamento é geralmente proporcionada por um relê de
equilíbrio de corrente pois a corrente no enrolamento não
deve jamais exceder a mudança de tensão porcentual p ropor­
cionada por este enrolamento. A Figura 6.6 indica a aplica­
ção destes relês. O rele diferencial porcentual pode pr o t e ­
ger tanto o transformador regulador como o transformador de
força se os dois estiverem em série. 0 relé de equilíbrio de
corrente deveria ser ajustado para operar quando a corrente
de excitação do enrolamento excedesse de aproximadamente 25%
a corrente do enrolamento em série. Assim como com transfor^
madores com comutador de derivação, a característica de res­
trição do relê diferencial porcentual deve permitir a cor­
rente diferencial que pode ser gerada pela variação na re­
lação de transformação com a comutação.

A proteção dos transformadores defasadores difere


pouco da dos transformadores reguladores de t e n s ã o , exceto
que mudanças de fase maiores que aproximadamente 10°, pode
causar operação indevida dos relês diferenciais poroentuais.

Fig. 6.6
Proteção a transformadores reguladores

BANCO Y—A
OU Z I G U E - Z A G U E
DE AT ERRAMENT O

Fig. 6.7
Proteção de transformador
de aterramento
De qual q u e r forma, o alto p o r c e n t u a l de r e s t r i ç ã o
s erá e x i g i d o p a r a evi t a r a o p e r a ç ã o nas d e f a s a g e n s normais,
e os de s l o c a m e n t o s de fase que s u r g e m n o t r a n s f o r m a d o r du­
rante as faltas externas d e v e r i a m ser testados p a r a deter­
m i n a r se d i s p a r o falso pode o correr p a r a faltas externas.
D e scobriu-se que, âs vezes, um dos reles d i f e r e n c i a i s por-
centuais i r ã operar indevidamente e os outros n ã o ,r e s u l t a n ­
do e m circuitos de d i s p a r o que e x i g e m a o p e r a ç ã o de dois re ­
lês, antes que o d i s p a r o s e j a permitido.

Releamento de p r e s s ã o e p r o t e ç ã o c o n t r a f alta ã
te r r a ê part i c u l a r m e n t e importante e m t r a n s f ormadores r e g u ­
ladores, se a sensibilidade d a p r o t e ç ã o d i f e r e n c i a l n ã o for
j ulgada adequada.

P r o t e ç ã o de transformadores de aterramento

A Figura 6.7 i ndica a p r o t e ç ã o usual a p l i c a d a a


transformadores de a t e r r amento ligados em ziguezague ou t r a n s ­
formadores de aterramento ligados e m e s t r e l a - d e l t a . O s trans­
formadores de corrente conectados e m d e l t a f azem com que os
relês de p r o t e ç ã o do b a n c o de aterramento atuem apenas p a r a
defeitos no b a n c o e sejam sensíveis e rápidos. U m relê in­
serido n a conexão d e l t a dos transformadores de corrente p o ­
de ser us a d o como prot e ç ã o de ret a g u a r d a p a r a faltas à ter­
ra n o transformador de a t erramento ou faltas ex t e r n a s â ter­
ra n ã o eliminadas.

PROTEÇÃO DE R E A T O R

INTRODUÇÃO

A p roteção de reator pode, n a m a i o r parte das v e ­


zes, ser t r a t a d a como u m caso e special de transformador. 0
reator ê um aparelho um po u c o mais simples e p o r isso mais
fácil de proteger.

E s s a discu s s ã o n ã o inclui reatores com enrolamen-


tos secundários que d e v e m ser tratados como transformadores.
Tipos de faltas

Faltas de fase a fase, linha à terra e de espira


a espira podem ocorrer e m reatores. Em reatores mcnofãsicos,
a falta de fase a fase deve ser externa ao tanque e não es ­
taria dentro da zona de proteção do reator, a não ser que es­
ta zona inclua parte do barramento externo.

Os relês de proteção comumente usados para prote­


ção do reator paralelo incluem o seguinte:

Proteção
Relê Çf-G Qf-p espira a espira
Pressão de falta X X* X
Sobreoarrente de fase-tempo X X X
Distância de terra X - X
Sabre corrente neutro-tenpo X - X
Diferencial (tipo gerador
ou de barramento) X X _
De tempo ocnectado diferen-
cialmente ou de scbreoorren-
te instantâneo X X
Diferencial de terra X - -
Terra ocnpensado 0/C** X X

* - Para faltas dentro do tanque de reatores trifãsicos


** - Ver paper B.C. Hydro no Capítulo 8 .

Um conjunto suficiente de reles deve ser aplicado


para proporcionar proteção tanto contra falta primaria como
secundária, para cada tipo de falta.

Retaguarda remota ou local deve ser aplicada para


proteção do reator. N o caso de reatores de derivação conec­
tados sem disjuntores â linha de transmissão, deve-se des­
ligar a linha para faltas no reator. Isto requer algum tipo
de disparo de transferência (onda portadora ou micro-onda) .

Mesmo se rapidamente detectada, uma falta de espira


a espira exigirá um reparo grande no reator e muito prova­
velmente necessitar-se-ã um novo enrolamento. No entanto,
a detecção de uma falta de fase a fase, antes que ela envol-
va terra, evitará dano ao núcleo. A detecção de falta de
espira a espira ê difícil. A análise resumida que segue mostra
o problema.

Haverá uma reatância de dispersão relativamente grande


entre as espiras com defeito e sem defeito. O reator com de­
feito será muito parecido com um autotransformador de alta
relação de transformação e com o secundário em curto. A re­
lação de transformação efetiva irá decrescer quanto mais es­
piras forem envolvidas na falta pelo calor gerado.

ESPfRAS EM
CURT O

O circuito equivalente para a análise por compo­


nentes simétricas ê constituído por três impedâncias iguais
e por uma impedância adicional de fase â terra na fase de­
feituosa, representando a diferença entre a impedância nor­
mal e de lado defeituoso. 0 xaeseqUxxíbrio rePresenta 111113
impedância de linha aterra no local do reator. Dado x(}eseqUilíbr oi
as correntes de fase e de terra para o reator podem ser prcn-
tamente calculadas. A impedância de dispersão aproximada pode
ser obtida do fabricante, mas terá que ser, provavelmente,
estimada através de um estudo da construção do enrolamento.
o

*4esbofonc«o<to
Elétricos de Potência.
CAPÍTULO

PROTEÇÃO DE BARRAMENTO

I - PROTEÇÃO DE BARRAMENTO - GERAL

A proteção de barramento segue as regreis gerais de


proteção de equipamento, instalando-se geralmente tanto a
proteção primaria como a de retaguarda. 0 cuidado com que à
proteção de barramento é escolhida dependera da importância
do barramento para o sistema. Faltas no barramento , em mui­
tas instâncias, põem em perigo a estabilidade, mais do que
faltas de linha. Em alguns casos, a eliminação de uma falta
no barramento irã dividir o sistema e inerentemente evitar a
instabilidade. Em outros casos, a eliminação de uma falta no
barramento, pode abrir um laço (como também ocorreria com a
eliminação de uma falta de linha), de tal forma que a falta
não apenas submeter ia os geradores a um choque que possivel­
mente conduziria à instabilidade, mas a abertura de um laço
iria geralmente aumentar a impedância de transferência, au­
mentando a tendência â instabilidade.

II - PROTEÇÃO PRIMÃRIA DE BARRAMENTO

A proteção primaria de barramento e, geralmente,


proporcionada por algum tipo de esquema de relê diferencial.
O esquema de relê diferencial pode ser separado, proporcio­
nando apenas proteção de barramento, ou o barramento pode
ser incluído numa zona de proteção diferencial de um trans­
formador, ou ser incluído dentro de uma zona de proteção de
alta velocidade de uma linha de transmissão.

Esquemas diferenciais aplicados a barramentos

As Figuras 7.1 a 7.4 indicam os 4 esquemas dife­


renciais de barramento mais freqüentemente usados. O que se­
gue ê uma breve discussão de cada um.

Reles de sobre corrente conectados diferencialmente


formavam os primeiros esquemas diferenciais de barramento p r i ­
mitivos. Esta proteção indicada n a Figura 7.1 tem a vantagem
de ser relativamente barata, mas tem significantes desvan­
tagens que deveriam ser prontamente reconhecidas através de
nossa discussão de transformadores de corrente no Capítulo
3. O problema significante são as correntes de erro geradas
tanto pela saturação c-a como pela c-c. Correntes de erro,
não causarão dano, e em nenhuma ocasião serão grandes, a n ã o
ser que uma ou duas das linhas de transmissão conectadas ao
barramento possam alimentar quantidades extremamente grandes
de corrente de falta ao barramento. As correntes de erro que
podem ser geradas para faltas externas, por outro lado, p o ­
d em ser extremamente grandes desde que a corrente nos TC's
do circuito com defeito vejam a soma de todas as correntes que
estão sendo alimentadas para a falta, desde outros circuitos
conectados ao barramento. Jã que todas as relações de trans­
formação dos T C 's têm que ser as mesmas para proporcionar
corrente diferencial desprezível sob condições normais de
carga, os erros serão primeiramente devidos ã diferença nos
níveis de corrente de falta e devidos âs tolerâncias na fa­
bricação destes TC's.

Se o relê de sobrecorrente for do tipo instantâ­


neo, nem a saturação c-c nem a c-a podem ser t o l e r a d a s , e um
teste cuidadoso no desempenho do TC é exigido. Isto pode e x i ­
gir um relê de sobrecorrente de impedância muito b a i x a e r e ­
lações de transformação dos TC's relativamente altas cuTC's
com grande seção transversal de ferro. O uso de um relê de
impedãncia baixa e altas relações de transformação dos TC's
resultarão em sensibilidade reduzida para faltas internas.
Se um relê de sobrecorrente de tempo inverso ê u-
sado, uma certa quantidade de saturação por c-c pode ser to­
lerada mas erros de regime permanente devido â saturação por
c-a, não devem causar correntes de erro que conduzem à atua­
ção do relê no caso de faltas externas. A interconexão dos
T C *s , n u m local central onde o relê está l o c a l i z a d o , exigi­
rá um comprimento considerável de condutor. A resistência des­
te condutor pode afetar significantemente o desempenho dos
T C 1s individuais, e pode ser tirada vantagem desta resistên­
cia de condutor para equilibrar o desempenho dos TC's. Se o
nível d a corrente de falta, que flui do barramento p a r a u ma
falta externa, for aproximadamente o mesmo,não inportando qual
dos circuitos estiver com o defeito, o melhor que se pode fa­
zer ê equilibrar a resistência de condutor entre cada T C e o
relê. Se u ma falta em um dos circuitos pode resultar no flu­
xo de uma corrente de falta consideravelmente maior neste
circuito, uma resistência reduzida de condutor, entre aque­
le TC e o relê pode ajudar a equilibrar o desempenho do TC.

Detalhes adicionais consideráveis poderiam ser in­


corporados a este texto, com respeito à aplicação deste e s ­
quema que, contudo, raramente é usado em sistemas modernos,
exceto em barramentos não críticos de baixa tensão. 0 livro
"A Arte e a Ciência d a P roteção” , de C.R. Mason, inclui d e ­
talhes consideráveis deste esquema e menciona referências d o ­
cumentando estudos detalhados do esquema.

Proteção diferencial por relês diferenciais com


porcentual de restrição variável multi-restritos pode ser a-
plicado á proteção do barramento, da mesma forma q u e ê apli­
cado o relê diferencial porcentual â proteção do gerador e
â proteção do transformador, discutidas nos Capítulos 5e 6
(ver Figura 7.2).

Um relê típico deste tipo é o Westinghcmse CA- 6 ,


que tem três estruturas de restrição e uma estrutura de o p e ­
ração com duas bobinas em cada estrutura de restrição. As
bobinas de restrição são interconectadas com TC's e m cada
circuito emanando do barramento de forma tal que a restrição
é aproximadamente proporcional ã corrente de passagem para
uma falta externa. As considerações de aplicação p ara este
relé são relativamente complicadas, e recomenda-se ao aluno
o livro "Applied Protective R e l a y i n g " , d a W e s t i n g h o u s e , p a ­
ra detalhes adicionais. Um cuidado particular na aplicação
deste relé é necessário quando mais de quatro circuitos e-
manam de um barramento. Desde que apenas três estruturas de
restrição são proporcionadas, a ligação em paralelo de al­
guns TC's é necessária e deve ser feita cuidadosamente para
assegurar que a restrição suficiente seja proporcionada pa ­
ra correntes de passagem para faltas externas.

Como exemplo, se vários alimentadores do barra­


mento servirem carga e não contribuirem com corrente de fal­
ta para uma falta no barramento ou falta em um dos alimen­
tadores sem carga, estes TC's podem ser ligados em paralelo.

Este relê permite um condutor de TC comum, mas e-


xige um condutor de cada TC até o local do relé. Este relê
poderia ser denominado relê instantâneo, já que seu tempo de
operação está na ordem de 3 a 6 ciclos, dependendo da mag­
nitude da falta.

Relês diferenciais de tensão utilizando acoplado-


res l i n e a r e s , também são usados para a proteção do barranen-
to. Este é u m esquema Westinghouse e utiliza acopladores li­
neares produzidos pela Westinghouse que são basicamente t rans­
formadores de corrente toroidalmente enrolados com núcleo de
ar, do tipo bucha ou enrolado. Estes TC's com núcleos de ar
ou acopladores lineares são construídos para terem uma im-
pedância m útua de 0,005 ohms que resulta em 5 volts induzi­
dos no secundário por 1.000 ampères de corrente primária,
quando a impedância de carga do secundário ê alta. Os aco­
pladores lineares são conectados,em série e e m série com o
relé como indicado na Figura 7.3. Ambas as tensões c-a e c-c
induzidas nos secundários dos acopladores lineares irão so­
mar zero no circuito série para faltas externas, e irão dar
FALTA INTERNA

Fig. 7.1
Fig. 7.2
Diferencial de corrente
Diferencial ccra reles dife­
renciais poroentuais nulti-
restritos

ò ò ò Ti 5 à A~ ~5

h 5Ljfi—í
(o ) SOMENTE FASE
fpOfUOORES
LINEARES

UNIDADE DE
RELES DE SOBRECOR-
TENSÃO RENTE
DE FASE

(b ) FASE E T E R RA
RELE DE TENSÃO
DE TERRA

Fig. 7 3
Diferencial de tens3~ Fig. 7.4 _
aoopladores U n e ^ g 0^ Diferencial de tensão ocro
TC 1s de núcleo de ferro
u m total que proporcione uma tensão proporcional â corrente
de falta total para faltas internas. N o ultimo caso, a t e n ­
são será aplicada ao relê de tensão sensível e causar a o-
peração.

A ünica consideração significante n a aplicação deste


relê ê o teste da tensão de erro m áxima que pode ser p r o d u ­
zida. Os acopladores lineares têm um limite de erro de mais
ou menos 1%, o que permite calcular o máximo erro possível
de forma expedita.

Quando a corrente de falta à terra é limitada a


1/25 ou menos da corrente de falta trifãsica, um relê de ter­
ra sensível pode ser adicionado a este esquema, como indi­
cado n a Figura 7 . 3 (b).

Este relê terá um tempo de operação da ordem de 1


ciclo ou menos, exceto com níveis de corrente muito próximos
da atuação. Detalhes consideráveis, nas considerações de a-
plicação para este esquema, são apresentados no livro "Applied
Protective Relaying" da W e s t i n g h o u s e .

Releamento diferencial de corrente, usando relês


de sobretensão também é aplicado para proteção do barramen-
to. Este esquema indicado na Figura 7.4 é a resposta da Ge­
neral Electric para o método do acoplador linear. Neste e s ­
quema, os transformadores de corrente do tipo convencional
de b u c h a com núcleo de ferro são usados e conectados n um e s ­
quema diferencial de corrente, como descrito a n t e r i o r m e n t e ,
mas, em vez de usar um relê de s o b r e c o r r e n t e , um relê de so­
bre tensão é usado. Um circuito ressonante ê usado p ara li­
mitar a corrente no relê à corrente de freqtiência fundamen­
tal, e a retificação é usada de tal forma que o relê de so-
bretensão de alta impedância aparecerá como uma carga de al­
ta resistência para os TC's. Como indicado n a Figura 7*4, u-
m a segunda unidade operadora, um relê de sobrecorrente tam­
bém ê usado e posto em série com ura elemento limitador de
tensão que protege o circuito secundário de tensões e xces­
sivas que podem ser geradas pelos transformadores de oorren-
te para níveis altos de corrente de falta interna. Este relê
ê usado primariamente com transformadores de corrente do ti­
po de bucha, toroidalmente enrolados, com secundários com­
pletamente distribuídos. Os secundários totalmente distribuí­
dos e a característica de b aixa impedância dos transforma­
dores de corrente do tipo de b u c h a são necessários se o re­
lê possuir sensibilidade aceitável. O ajuste do relê ê algo
complicado e exige o conhecimento da corrente de falta de fa­
se máxima, níveis de corrente de falta à terra m á x i m o s , n í ­
vel mínimo de corrente de falta à terra, resistência do
condutor do ponto de junção diferencial ao TC mais distante,
e curvas de excitação secundárias dos TC's usados. Os TC's,
ê claro, devem ter a m esma relação de transformação e, em
geral, a sensibilidade do relê será m áxima quando a relação
de transformação do TC ê alta, n a proporção de 1.000 ou 2.000
para 5.

Tanto o nível de atuação do relê de scbretensão ocmo


o nível de atuação do relê de sobrecorrente são ajustáveis,
e seus níveis de atuação são calculados para cada instala­
ção. A operação do relê é direta, e o relê de sobrecorrente
ê ajustado para operar em diferenças de correntes maiores,
como pode ser gerada apenas por faltas i n t e r n a s , e a sensi­
bilidade do relê de sobretensão ê ajustada de tal forma que
ele não operará na tensão máx i m a que pode ser desenvolvida
no circuito p ara faltas externas. A sensibilidade d a un i d a ­
de de tensão geralmente permite a atuação em corrente de fal­
ta, que flui p a r a faltas internas, de menos de 100 a m p ê r e s ,
fazendo com que a unidade seja adequada ã sistemas com ní­
veis restritos de corrente de falta ã terra. 0 tempo de o-
peração para a unidade de tensão está n a ordem de 3 a 6 ci­
clos , qualificando o relê não apenas como instantâneo p ara
faltas de níveis moderados, mas como de alta velocidade p a ­
ra faltas de nível maior, e m que a operação da unidade de
sobrecorrente instantânea seja extremamente rápida.

Cada um dos quatro tipos de proteção pelos relês


acima citados, exigem um relê por fase, e, no caso do esque­
m a de acoplamento linear, pode exigir um relê de terra. Até
um certo ponto, a aplicação de u m ou outro dos tipos de p r o ­
teção dependerá do fabricante dos disjuntores para os quais
o equipamento se destina. Uma comparação dos dois esquemas
mais p o p u l a r e s , o acoplamento linear (Westinghouse), e o ti­
po de relê de sobretensão (G.E.) pode ser melhor feita atra­
vés da referência aos dados dos fabricantes. Os dados da
Westinghouse dão uma relação dos benefícios do acoplamento
linear, e as desvantagens do tipo de tensão, enquanto que
os dados da G.E. dão uma relação das vantagens do tipo de
sobretensão e as desvantagens do tipo de acoplamento linear.

Os relês diferenciais do transformador podem ser


arranjados para proporcionar proteção diferencial ao barra-
mento. Isto geralmente ê feito apenas quando não hã d i s j u n ­
tor entre o transformador e o barramento, ou quando o trans­
formador ê conectado a dois disjuntores. Um transformadorpode
ser conectado a dois disjuntores n u m arranjo de barramento
em anel num disjuntor duplo ou esquema disjuntor e meio, ou
numa subestação onde o barramento alimenta apenas duas li­
nhas de transmissão e um transformador. A linha única da Fi­
gura 7.6 ê representativa destes vários tipos de conexão.

0 meio mais simples de incluir uma seção de barra­


mento na zon$ diferencial do transformador ê análogo àquele
indicado na Figura 5.1, do Capítulo 5. A Figura 5.1 indica
a extens«ão da proteção diferencial do gerador para incluir
dois disjuntores, e é representativa d a extensão da proteção
ao gerador para incluir uma seção do barramento em qualquer
"dos três tipos de arranjos citados acima. Como é o caso com
a proteção ao gerador, o uso de TC's em paralelo, p ara ex-
tender a zona de proteção, ê efetivo apenas se as correntes
de passagem, isto ê, correntes de faltas que entram no b a r ­
ramento por uma linha de transmissão e que saem do barramen-
to n a outra linha de transmissão para uma falta externa não
forem de magnitude suficiente para causar correntes diferen­
ciais ou correntes de erro que podem provocar a atuação in­
devida do relê diferencial. Tais correntes de passagem irão
forçar a corrente apenas através de uma metade do enrolamen-
to de restrição.
Quando as correntes de passagem descritas aci­
m a podem causar operação indevida do relê d i f e r e n c i a l , os en-
rolamentos de restrição múltipla serão necessários como in­
dicado n a Figura 7.7(a). Neste relê, as correntes de p a s s a ­
gem irão gerar torque de restrição, não importando e m qual
circuito externo está a falta e que circuitos suprem a cor­
rente de falta.

Fig. 7.6 Fig. 7 . 7 (a)


Barranento incluído Proteção diferencial de
na zcna de proteção transformador/barranento
da linha

Fig. 7 . 7 (b) Fig. 7.8


Proteção Retaguarda a o ‘relé p ara
transformador/barramento proteção diferencial de
melhorada barramento
Uraa desvantagem significante do arranjo, indicado
nas Figuras 5.1 e 7.7(a), pode ser devida ã necessidade dos
TC's nos dois circuitos de linha terem que ser maiores dó
que seria necessário se eles fossem instalados entre o bar-
ramento e o transformador. Se as correntes de carga normal
que passam através da seção do barramento, entrando via uma
linha e saindo pela outra, forçam para cima a relação dos
T C 's , então, a sensibilidade do relê diferencial do trans­
formador para faltas internas no transformador ficará d i m i ­
nuída. Quando esta perda de sensibilidade for i n t o l e r á v e l ,o
arranjo da Figura 7 . 7 (b) pode ser usado. Neste arranjo, am­
bos os reles diferenciais podem ser conectados p a r a operar
o mesmo relê de disparo principal. Proteção primária pode ser
proporcionada para as seções do barramento por reles de p r o ­
teção de linha de alta velocidade, em certos arranjos. Casos
particulares são o disjuntor e meio, disjuntor duplo, e os
arranjos do barramento em anel. A Figura 7.8 indica este ti­
po de proteção.

III - PROTEÇÃO DE RETAGUARDA DO BARRAMENTO

üma proteção de retaguarda local e completa de al­


ta velocidade não pode ser proporcionada para as estruturas
do barramento, desde que dois disjuntores em série seriam
exigidos em cada circuito que emana do barramento. N o entan­
to, vários esquemas proporcionam alguma forma de retaguarda
local para os relês primários do barramento; não será uma pro­
teção de alta velocidade, mas geralmente eliminará o d e f e i ­
to na segunda zona de tempo do relê de distância. Há d i v e r ­
sos meios possíveis de proporcionar este tipo de proteção, e
a Figura 7.8 indica um típico. A unidade mho de segunda zo­
na ê deslocada para incluir o barramento e uma porção de ca­
da um dos circuitos que emanam do barramento. A quantidade
de deslocamento nao deve permitir que a unidade mho de se­
gunda zona veja além das extremidades de qualquer uma das li­
nhas ou transformador que emana do barramento, mas sim p r o ­
porcionar proteção de retaguarda para òs relês primários do
barramento, e proporcionar uma forma de proteção de retaguar­
d a de b a i x a velocidade (como oposição à de alta velocidade)
para os outros circuitos que emanam do barramento.

Mesmo se nenhuma proteção de retaguarda local for


usada, a proteção de retaguarda remota ê inerente nos esque­
mas de releamento de distancia e serã discutida mais oarple-
tamente no Capítulo 8. Note-se que serã necessário coorde­
nar a retaguarda remota com a retaguarda local.

Proteção diferencial parcial ê, as vezes, usada


quando apenas a proteção de sobrecorrente de tempo inverso
for usada, ou quando o releamento de sobrecorrente de tempo
inverso for usado como retaguarda para esquemas de releamen-
to de distancia. A Figura 7.9 indica este tipo de proteção.

IV - OUTROS TIPOS DE PROTEÇÃO DE BARRAMENTO

Um outro método de proteção do barramento, que ê


usado, utiliza um relê direcional em cada circuito emanando
do barramento, conectado p a r a ver na direção do barramento,
de tal forma que apenas faltas n a seção do ba r r a m e n t o irão
atuar os relês direcionais em todos os circuitos. Os relês
direcionais são interconectados pa r a disparar todos os d i s ­
juntores de barramento apenas quando todos os relês tiverem
operado. Este tipo de proteção elimina a e x igência de TC's
especiais para a proteção diferencial do barramento, mas e-
xige um grande número de relês e muitos circuitos de controle.
A confiabilidade deste esquema ê menor, jã que, se qualquer
u m dos relês falha, o esquema falha. E ste esquema foi p r i n ­
cipalmente aplicado onde a maio r i a das faltas de barramento
são faltas à terra, e as demais faltas incluem a terra m u i ­
to rapidamente, e, por isso, apenas relês direcionais de terra
são necessários. Isto limita os relês necessários a u m relê
por circuito'.

Um outro esquema, que é baseado n o fato de que mui­


tas faltas irão envolver terra muito rapidamente, ê o arrai-
jo de falta do barramento. A Figura 7.10 indica que o bar­
ramento como u m todo deve ser isolado d a terra, e u m relê de
sobrecorrente alimentado por u m T C n a conexão entre o barra-
mento propriamente dito e o aterranento da estação. Este tipo de p ro­
teção é geralmente aplicado onde proteção de diferencial to­
tal não ê justificável, e onde essencialmente todas as fal­
tas envolvem a terra. Muito cuidado deve ser tomado n a iso-
lação de todas as peças d a terra, de tal forma que apenas
faltas n a área protegida possam fluir através do condutor de
terra da embalagem do barramento.

Fig. 7.9 Fig. 7.10


Proteção diferencial parcial Proteção de falta
de barramento do barramento
CAPÍTULO

PROTEÇÃO DE LINHAS

Relês de distância para a proteção de linhas

N o Capitulo 1 discutimos os princípios eletrome-


cânicos fundamentais que, em conjunto, constituem u m relê de
distância. N o Capitulo 2 dicutimos brevemente relês de d i s ­
tância com respeito âs aplicações básicas, p ara termos uma
noção de relês primários e de retaguarda. N e s t a seção do Ca­
pítulo 8 vamos discutir o uso dos relês de distância em v á ­
rios esquemas comuns de proteção. Discutiremos primeiramen­
te estes esquemas em termos de relês de proteção de fase,e,
então, discutiremos proteção de falta â terra.

Constituição dos relês de distância

N o Capítulo 1 discutimos os métodos usados para


obtermos as características de impedância, reatância e con-
dutância.

Também mencionamos que podemos combinar estas ca­


racterísticas de vários modos. Os processos utilizados, a-
tualmente, são o de combinar as características do relê ou
em um pacote por zona ou em u m pacote monofãsico.

0 primeiro inclui três unidades em u ma sõ caixa ex­


traí vel, u m a unidade para cada par de fases. Este paoote ofe­
rece u m a zona de proteção, mas inclui todos os 3 pares tri-
fãsicos. O pacote monofãsico também compõe-se dos três e l e ­
mentos e m uma sõ caixa, mas oferece três zonas de proteção
para um sõ par de fases. Assim, para três zonas de proteção
e três fases, tanto u m pacote de três zonas ou um pacote de
três fases pode ser usado.

Para duas zonas de proteção, relês de duas zonas


por caixa deveriam ser utilizados.

Os relês de distância são também disponíveis num


arranjo de uma zona e monofãsico, onde cada elemento mono­
fãsico do relê ê fornecido com sua própria caixa extraível.

0 retardo de tempo solicitado pelo esquema de dis­


tância de segunda e terceira zonas é provido por u m tempo-
rizador, separado do relê de distância.

Tanto temporizadores e l e t r o m e c â n i c o s , quanto es­


táticos são utilizáveis e são geralmente fornecidos com suas
próprias caixas e localizados no painel adjacente aos relês
de fase.

Seleção das características do relê de distância

As três características comuns dos relês de dis­


tância, impedância, reatância e condutância, foram descritos
no Capitulo 1.

Estes relês, sozinhos ou e m combinações, são u ti­


lizáveis em esquemas de relê de di*stância de fase; contudo,
a configuração do sistema é que indicará qual das caracte­
rísticas ou combinações são mais apropriadas.

As três considerações significantes (não incluin­


do preço) n a determinação das características dos relês de
distância para proteção de linhas são dadas abaixo:

1. O alcance do relê deve ser aproximadamente indepen­


dente d a parcela de resistência de arco incluída n a
falta.
2. O relê não deve ser suscetível de disparo por cor­
rentes de sobrecarga.
3. O relê não deve ser suscetível de disparo por o sci­
lação em sistemas de potência estáveis.

As primeiras duas destas considerações são dis­


cutidas a seguir, enquanto a terceira é discutida r apida­
mente aqui e mais detalhadamente n o Capítulo 10.

A Figura 8.1 indica duas linhas com as mesmas mag-


nitudes de corrente de falta e construção física. A resis­
tência do arco é assim aproximadamente 1,75 ohms em cada ca­
so, mas a relação entre a resistência de arco e a inpedançia
total da linha diferem conforme é mostrado. Estudaremos a-
gora o efeito desta relação na determinação das caracterís­
ticas de um relê.

1 2 3 R

Rtcistincio primorio (OHMS)

Linha de 10 milhas
Fig. 8.1

A Figura 8.2 indica a proteção de linha curta,por


relês de impedância, mho e reatância (com unidade de p a r t i ­
da tipo m h o ) . Ê prontamente observado que somente a p r i m e i ­
ra zona de alta velocidade do relê de reatância proporciona
uma b o a proteção contra faltas para a linha L^.

Com os relês de impedância, as faltas nos 40% re­


motos da linha poderão ser detectadas pela unidade d a segun­
da zona (com retardo de t e m p o ) , se a falta incluir a re s i s ­
tência de arco.

Com os relês tipo mho, mesmo as faltas próximas ao


terminal de linha do relê deverão ser protegidas pela uni­
dade da segunda zona se houver uma resistência de arco con­
siderável.

Dos três tipos, o relê de impedância é o mais sus­


cetível a operar por correntes de cargas altas, jã que sua
zona estende-se a uma distância considerável no eixo das re­
sistências

Linhas longas
A linha longa a ser discutida a seguir não será
necessariamente uma linha longa n a acepção das concessionã-
rias, mas é aqui interpretada como longa comparada com a m a g ­
nitude das resistências de arco que podem ocorrer.

A Figura 8.3 nos dã aplicação dos três tipos de


relê p ara tal linha. Observa-se que, em cada caso, a zona de
alta velocidade Z1 proporciona u m a b o a proteção para 90% d a
linha, não importando a magnitude da resistência de arco.

Particularmente, os relês de impedância e al­


guns relês de reatância e mho, atingem uma distância maior
para dentro da região normal do vetor de carga.

Os efeitos das oscilações de um sistema de potên­


cia, os quais serio discutidos e m detalhes mais adiante, no
Capitulo 10, sao apresentados rapidamente na Figura 8.4. A
oscilação ê caracterizada pelo movimento do vetor de carga
no diagrama R-X.

A Figura 8 . 4 (a) nos mostra uma oscilação estável


e uma instável. Em uma oscilação estivei, o vetor irã mover-
se a partir do ponto inicial da carga em direção à impedân-
cia da linha, e então retornara para as proximidades do p o n ­
to inicial de carga, normalmente oscilando um pouco antes de
estabilizar. A Figura 8.4 indica que a zona de alta v e loci­
dade do relê pode realmente operar se a característica da
instabilidade passar pela seção protegida da linha.

Neste ponto não desejamos evitar disparo quando o


sistema perde o sincronismo e esta característica de perdade
sincronismo passa pela zona protegida da linha, mas nõs p r e ­
cisaríamos, isto sim, evitar disparos, quando o vetorde car­
ga for sentido pelo relé, como uma indicação de uma osc i l a ­
ção estãvel. Na Figura 8 . 4 (a) a unidade da zona um irã d i s ­
parar instantaneamente se o vetor atingir sua zona, quer a
trajetória seja estãvel ou não.

A Figura 8.4(b) indica que, com a aplicação dos


relês mho, a m esma trajetória atinge somente a terceira zo­
na e, desse modo, o disparo ocorrera somente se a v e locida­
de de percurso do vetor for suficientemente lenta, de tal mo­
do que este permaneça dentro da terceira zona durante o tempo
de retardo desta zona.
Um dos estudos de estabilidade serã necessário para
a determinação da trajetória estável e sua velocidade de
percurso.

A Tabela a seguir, indica as conclusões que podem


ser tiradas das discussões já feitas.

Impedância Reatância Mho


Suscetibilidade p ara operar Sim Máxima Mínima
nas oscilações d o sistema
(quando aplicado em linhas
longas)
Suscetibilidade para operar Máxima Sim Sim
com cargas altas (quando a-
plicado e m linhas longas)
Proteção de linhas curtas Razoável Boa Pobre
(capacidade de ver faíltas
com resistência de arco)

De um m o d o geral podemos concluir que os relês de


reatância são mais b e m aplicados na proteção de linhas cur­
tas, enquanto que os relés mho são mais b e m aplicados na p ro­
t e ç ã o de linhas longas.

Notemos que, se todos outros casos forem iguais,


todos os tipos de relês serão menos suscetíveis a oscilações
do s istema ou a cargas altas, quando aplicados em linhas cur­
tas.

A Figura 8.5 faz esta comparação apresentando a


proteção de linhas longas unindo os pontos "a" e "b" em um
sistema n a Figura 8 . 5 (a), e a proteção de linhas curtas r e ­
unindo os mesmos pontos na Figura 8.5(b).

N a Figura 8.5 está sendo usado u m relê de condu-


tância, mas as mesmas diferenças existem para o caso de re­
lês de impedância ou reatância.

Bloqueadores poderão ser usados p a r a evitar ope­


ração dos reles com sobrecarga ou oscilações estáveis. Um
relê de ângulo de impedância é usado coroo u m controle per­
missivo p a r a o relê de distancia. N a Figura 8 . 5 (a), o relê
de ângulo de impedância permite disparo somente se o vetor
(de carga, oscilação ou falta) cair â esquerda de sua carac-
terística. Ver o Capítulo 10 para maiores esclarecimentos
sobre os efeitos das oscilações nos relês.

Fig. 8.5

Esquemas básicos de relês de distância

A proteção de distância sem canal piloto de onda


portadora, entre os pontos de instalação dos relês, ê fei­
to como indicado n a Figura 8.6.

0 relê usado para dar este tipo de proteção pode


ser o de reatância, impedância ou condutância (mho).

Os relês normalmente possuem três unidades, pro­


porcionando desse modo, efetivamente, três zonas de p r o t e ­
ção.

A zona 1 é ligada de modo a disparar instantanea­


mente. A zona 2, para disparar após um pequeno retardo de
tempo, suficiente para ultrapassar o tempo de operação da
zona 1, mais o tempo de operação dos disjuntores de p rote­
ção d a zona 1 das linhas adjacentes.

A zona 3 ê ajustada com um retardo suficiente pa­


ra que não opere antes dos elementos de distância da zona
2, dos seus temporizadores e tempo de operação dos d i s j u n ­
tores. E m cada caso ê deixada uma m a r g e m de tolerância no
ajuste do temporizador para assegurar a seletividade.
O símbolo de relês Rl, R 2 , etc, ê usado nestas Fi­
guras para indicar um terminal com releamento completo.

Desse modo, Rl pode incluir varias zonas de relea­


mento de distância, tanto para falta entre fases como falta
â terra. Os relês de distância necessitam fontes de alimen­
tação de potencial e de corrente; no entanto, para simpli­
ficar os esquemas, somente os transformadores de corrente ê
q u e aparecem.

Alêm disso, a localização do transformador de cor­


rente ê o que determina o limite d a zona protegida, enquan­
to que o transformador de potencial pode ser localizado em
qualquer posição nas redondezas do relê.

Existem, no entanto, varias considerações a serem


feitas q uanto â localização dos transformadores de potencial,
as quais serão discutidas mais tarde, neste mesmo Capítulo.

A ação das três zonas do relê ê a seguinte: uma


falta dentro do alcance da zona 1 ê detectada por todas as
três unidades, mas a zona 1 dispara d i r e t a m e n t e , enquanto as
zonas 2 e 3 atuam sobre os seus t e m p o r i z a d o r e s , os quais irão
dar o d i sparo somente apôs os retardos já descritos.

Uma falta dentro da zona 2, mas fora da zona 1,


seria detectada instantaneamente pelas unidades das zonas 2
e 3 e estas atuariam sobre os seus temporizadores r especti­
vos. Uma falta dentro da zona 3, mas fora d a zona 2, seria
detectada somente pela zona 3 e seu temporizador operaria.
As faltas com as zonas 2 e 3, as quais tenham sido e limina­
das antes de completar-se o ciclo do t e m p o r i z a d o r , resulta­
rão n o restabelecimento dos relês e temporizadores.

O esquema funciona da seguinte mane i r a para os v á ­


rios pontos de falta indicados n a Figura 8.6.
Falta Fl

A falta Fl cai dentro da zona 1 de alta v e locida­


de para ambos os relês RI e R2. Desse modo os disjuntores 1
e 2 ope r a m em alta velocidade.

Falta F2

Uma falta no ponto F2 esta dentro das zonas 1, 2


e 3 do relê R2 e dentro das zonas 2 e 3 do relê Rl. Desse mo­
do , o relê R2 iria disparar o disjuntor 2 ou alta v elocida­
de, enquanto o relê Rl iria disparar o disjuntor 1, após o
retardo de tempo d a sua zona 2.

Falta F3

A falta F3, cai dentro d a zona 2 dos relês Rl e R4.


O temporizador da zona 2 ê ajustado de modo a ficar seleti­
vo cora as zonas 1 dos outros relês de distância, que são de
alta velocidade, ficando desse modo, também seletivo com o
relê diferencial de ba r r a de alta velocidade.

Assim, para falta no ponto F 3 , se os relês dife­


renciais de barraraento falharem (não o p e r a r e m ) , ou os dis­
juntores 2 ou 3 falharem, os disjuntores 1 e/ou 4 irão o pe­
rar apôs o retardo de tempo da zona 2.

Deve-se observar que, se o barram e n t o no ponto de


falta F3 ê protegido por relês diferenciais de sobrecorrente
com tempo inverso ou por algum outro tipo de relê de barra-
mento de ba i x a velocidade, o ajuste do temporizador da zona
2 poderá ter que ser aumentado para que ha ja seletividade ocm
os relês de barramento.

Falta F4

A falta F4 esta den t r o das zonas 1, 2 e 3 d o relê


R3 e 2 e 3 do relê Rl. Assim, o relê R3 devera disparar o
disjuntor 3 em alta velocidade p a r a a falta F4. Se o relê R3
ou o disjuntor 3 falharem, Rl irã disparar o disjuntor 1 a-
pós o retardo de tempo da zona 2. A zona 2 do relê Rl atua
como proteção de retaguarda em caso de faltas na linha 3-4
próximo ao disjuntor 3. Quando for possível „o alcance da zo­
na 2 será aumentado e pode cobrir 50 ou 60% da linha 3-4. Is­
to será discutido mais a fundo n a seção sobre coordenação
dos relês de distancia.

Falta F5

A Falta F5 estará dentro das zonas 1, 2 e 3 do re­


lê R3 e dentro d a zona 3 do relê Rl. A zona 3 do relê RI a-
tua como proteção de retaguarda para o relê R3 e disjuntor
3.

Falta F6

Falta no ponto F6 ê análoga à falta localizada no


ponto F3, com exceção de que o relê R3 atua como proteção de
retaguarda para os relês diferenciais de barramento.

Falta F7

Idem à falta no ponto F4.

A Figura 8.7 indica o esquema básico de relês de


distância para uma linha com 3 terminais.

Fig. 8.7
Esquemas usando canais piloto e relês de distância

O acréscimo de canal piloto entre os terminais da


linha de transmissão aumenta consideravelmente a qualidade
da proteção. Sem discutirmos os aspectos construtivos de um
canal piloto, neste ponto vamos discutir como ele é usado em
vários esquemas básicos de proteção. Tudo que necessitamos
saber sobre canais piloto é que cada terminal de linha será
equipado com um ou mais transmissores e receptores, de tal
modo que cada terminal possa comunicar-se com todos os ou­
tros terminais, em uma base individual ou em uma base de gru­
po, conforme o exigido pelo esquema. Os quatro esquemas fun­
damentais, usando canais piloto de onda portadora, são dis­
cutidos abaixo. Em cada um dos três primeiros esquemas, o
esquema básico do relê de distância opera conforme descrito
anteriormente, de modo' a atuar como proteção primária e de
retaguarda, mas a proteção primária é melhorada pela trans­
ferência de disparo, além do disparo local.

Transferência de disparo direto de subalcance

Ao esquema básico de transferência â distância é


adicionado um canal de comunicações com um transmissor e um
receptor em cada um dos terminais. Este canal de ocminicações
é usado para dar condições para que a unidade da primeira zo­
na transfira o disparo ao disjuntor localizado no terminal re­
moto da linha, bem como de disparar o disjuntor a ele asso­
ciado. A vantagem importante deste esquema sobre o esquema bá­
sico de relês de distância é que as faltas nos terminais da
linha são eliminadas em alta velocidade em ambos os termi­
nais, em vez de somente no terminal mais próximo.

A Figura 8.8 indica as funções básicas deste es­


quema. Observa-se que somente as unidades da primeira zona
estão representadas, porque somente elas participam do es­
quema de transferência de disparo.

O esquema de transferência de disparo direto de


subalcance pode ser aplicado a linhas cctn três terminais, con-
forme indicado na Figura 8.9. Todas as faltas irão cair pe­
lo menos dentro de uma das primeiras zonas e provocam dis­
paro de alta velocidade em todos os terminais.

Fig. 8.8

Fig. 8.9

Transferência de disparo permissivo de subalcance

Este esquema difere do anterior somente pelo fato


de que o sinal de transferência de disparo enviado pelo relê
da primeira zona somente pode provocar disparo no extremo re­
moto da linha, se a unidade da segunda zona localizada nes­
te fim de linha também detectar a falta. Neste caso, também
são normalmente utilizados dois canais de transmissão para
aumentar a confiabilidade. A operação deste esquema é indi­
cada na Figura 8.10.

Este esquema leva a mesma vantagem significante so­


bre o esquema bãsico de relês de distância que a transferên­
cia de disparo direto de subalcance.

Faltas nas extremidades (as quais çaem somente em


uma das primeiras zonas) serão eliminadas em alta velocida­
de em ambos os terminais. A vantagem deste esquema sobre a
transferência de disparo direto de subalcance é que um si­
nal de disparo transmitido inadvertidamente não causa dis­
paro indevido, sendo bloqueado por um contato normalmente a-
berto da unidade da segunda zona.

Uma vez que, com este esquema são exigidas três


etapas(*) para que a falta seja eliminada em alta velocida­
de nas zonas extremas, enquanto que com a transferência de

2 - Piloto opera;
3 - R 2 , 7, 2 operam;
disparo direto de subalcance somente são necessárias duas e-
tapas, as probabilidades de uma operação com sucesso ficam
um pouco mais reduzidas. O aumento ê conseguido âs expensas
de sucesso de operação, por ocasião da ocorrência de faltas.
Um esquema de proteção permissiva de subalcance,
aplicado a uma linha de três terminais, é mostrado na Figu­
ra 8.11.

Transferência de disparo permissivo de sobrealcance

Este esquema é obtido fazendo-se uma mudança no


esquema de transferência de disparo permissivo de s u balcan­
ce. Esta mudança consiste no uso das unidades da segunda zo­
na para enviarem o sinal, ao invês das unidades da primeira
zona. A operação deste esquema é apresentada na Figura 8.12.
Deve-se observar que a segunda zona dá início à transmissão
do sinal do disparo transferido, ou dá condições para rea­
lização do disparo em alta velocidade. Isto é, a saída da u-
nidade de distância da zona 2 é usada diretamente para dar
início à transmissão do sinal de disparo ou pa r a fechar os
contatos permissivos, enquanto, ao mesmo tempo, energiza o
temporizador da zona 2 para cumprir sua função de proteção
de retaguarda.

0 esquema de transferência de disparo permissivo


de sobrealcance leva u m a pequena vantagem sobre o permissivo
de subalcance. Todas as faltas ocorridas n a linha protegida
irão provocar transferência de disparo em alta velocidade
pela ação das unidades da segunda zona, adição ao disparo de
alta velocidade em um ou outro, ou ainda em ambos os termi­
nais, devido a operação das unidades da primeira zona.

O esquema de proteção permissiva de subalcance é


menos suscetível de operar (disparar) com oscilações do que
o esquema de proteção permissiva de sobrealcance.

De acordo com o previamente descrito sobre os dois


esquemas, concluímos que a vantagem do esquema de transfe­
rência de disparo de sobrealcance sobre os esquemas •básicos
de relé de distancia ê a alta velocidade dos disparos para
todas as faltas na linha, e não só para as faltas ocorridas
dentro das duas primeiras zonas.

Fig. 8.13

Este esquema pode ser aplicado a linhas de três


terminais, conforme indicado na Figura 8.10.

Aqui, como n a transferência de disparo permissivo


de subalcance, são necessários vários receptores, transmis­
sores e canais de comunicação. Os canais de comunicação são
interconectados de tal modo que o disparo em alta v e locida­
de, em qualquer terminal, pode ocorrer somente se todas as
três unidades da segunda zona já operaram. Somente faltas o-
corridas na seção protegida d a linha podem provocar a ope­
ração de todas as três unidades da segunda zona.

Proteção por comparação direcional

Diferentemente dos três esquemas discutidos ante­


riormente, a comparação direcional irã necessitar ou u ma u-
nidade de distância adicional em cada terminal, ou n e c e s s i ­
tará que as primeiras unidades da primeira ou terceira zonas
sejam retiradas do esquema básico de proteção de distância.

A Figura 8 . 1 4 (a) apresenta um método de obtenção


de proteção por comparação direcional.

Observe-se que uma das unidades apresentadas é e~


quivalente â unidade de segunda zona usada num esquema bá­
sico de relês de distância, enquanto que a outra ê uma nova
unidade, não incluída na constituição do pacote básico dum
esquema a relês de distância.

Vamos, e m primeiro lugar, discutir a operação fun­


damental do esquema em termos dos relês mais simples que po-
deriam ser aplicados. Os dois requisitos básicos seriam duas
unidades direcionais em cada terminal, u m a "olhando” para a
linha protegida, como seria uma unidade normal de segunda zcna
e uma zona em cada terminal olhando no sentido contrário da
linha.

Estas duas unidades são indicadas como Z2 e Z^ na


Figura 8.14.

Em cada terminal, a unidade Z^ ê conectada para


disparar através de um par de contatos normalmente fechados,
operados pelo receptor.

A unidade Z^ ê conectada somente para operar o trans­


missor que, por sua vez, d á partida ao receptor e m cada ter­
minal. A unidade Z^ ê arranjada para ter um tempo de opera­
ção menor que a unidade Z2 , ou então, a operação da unida­
de Z2 ê levemente retardada, de modo a que, quando uma falta
externa ocorrer, a unidade Z^ possa bloquear com sucesso o
disparo através da unidade Z2 -

Pig. 8 . 1 4 (b)

A operação ocorre então do seguinte modo:


Itoa falta Fl (em qualquer ponto da linha protegida) causará
a atuação e o disparo de ambas unidades Z 2 e m alta veloci­
dade.
Faltas em F3 e F4 causarão o acionamento d a u ni­
dade do relê RI e da unidade Z2 d o relê R2. E n t r e t a n t o ,a
unidade será acionada primeiro e transmitirá um sinal de
bloqueio, o qual irá evitar o disparo p e l a unidade Z2 .

Falta e m F5 irá acionar somente a atuação da u ni­


dade do relê RI sem conseqüência alguma.

Falta e m FS não provocará nenhuma ação da p r o t e ­

ção por comparação direcional.


A Figura 8.14 (b) indica uma maneira alternada de
obtenção do sinal de bloqueio. Neste caso, por exemplo, a
falta em F4 causara acionamento da unidade Z^ somente, e um
sinal de bloqueio será transmitido. Falta em F 1 , por outro
lado, irá acionar ambas as unidades e Z^ de R l , s e n d o que
a unidade Z2 irá interromper o sinal de bloqueio iniciado p e ­
la unidade Z^ e permitirá o disparo.

Desta maneira poderá ser usado um relê n ão dire­


cional tal como uma unidade de impedância ou um relé n ã o d i ­
recional de sobrecorrente com a função de unidades de blo­
queio (Z^) .

O esquema por comparação direcional pode ser mon­


tado usando os relês básicos apresentados anteriormente no
esquema básico de relês de distância. Para fazer isto, a u-
nidade d a primeira zona poderia ser alterada p a r a desempe­
nhar a função de bloqueio, quer seja invertendo s u a direção
ou deslocando sua característica mho.

E m qualquer um dos casos ê n ecessária a coordena­


ção dos tempos das unidades de bloqueio (Z^) e disparo (Z2).

Outro método seria seria deixar o esquema b ásico


de relês de distância assim como ele é, e adicionar u m a u-
nidade de impedância ou uma de sobrecorrente, a fim de de­
sempenhar a função de bloqueio, usando somente o sinal de Z2
do esquema básico de relês de distância no esquema por com­
paração direcional.

O sistema por comparação direcional pode ser usado


em uma linha de três terminais, providenciando-se u m a uni­
dade do tipo de segunda zona e u m a unidade de bloqueio em
cada terminal com as comunicações devidas entre os terminais.

Como nos esquemas anteriores já discutidos, cer­


tas considerações entram n a aplicação dos sistemas de canal
piloto de onda portadora para linha de três terminais. Estas
considerações serão discutidas mais adiante.

A descrição do sistema por comparação diredcnal com


canal de onda portadora, feita acima, é base a d a no tipo de
bloqueio, Um sistema de desbloqueio pode taetém ser usado. N e s ­
te sistema, a unidade Z2 irá disparar o disjuntor local so­
mente se for recebido um sinal da unidade Z, do extremo re-
b
moto, indicando que não hã uma falta externa.

O esquema de bloqueio favorece a confiabilidade,


pois o disparo ocorrera se um sinal de bloqueio deixou de
chegar. O sistema de desbloqueio favorece a segurança, pois
um sinal de desbloqueio tem que chegar se o disparo é para
ocorrer.

A comparação confiabilidade versus segurança deve


ser feita cuidadosamente. A questão é a seguinte: é uma fa­
lha de disparo, devido a uma falta na linha protegida, mais
perigosa do que um disparo falso devido a uma falta na li­
nha adjacente ? Em muitos casos, a falha de disparo não se ­
rá tão séria jã que existira um relê secundário ou de re­
taguarda para fazer o serviço, embora levemente mais lento.
Entretanto, um disparo falso, devido a uma falta na linha ad ­
jacente, significa que duas linhas irão ser removidas. Em
muitos sistemas, isto cria um distúrbio mais severo do que
um disparo levemente retardado. Isto será praticamente v e r ­
dadeiro se os reles secundários também usarem portadora (*).

Por estas razões, este sistema mais novo de des­


bloqueio está ganhando a preferência.

Variações dos sistemas de transferência de disparo

Existem inúmeras possibilidades de variações d e s ­


tes sistemas. A mais significante área de variação de uma
companhia para outra ê no caso de múltiplos canais de comu­
nicação.

As variações usuais são canais de disparo r edun­


dantes (dois a dois devem operar para causar o disparo).No
caso de comunicações por portadora, devem ser usadas duas
fases para obter-se dois canais, ou ainda um canal de m i c r o ­

(*) DUTT - Direct Under-Reaching Transferred Tripping


POTT - Permissive Over-Reaching Transferred Tripping
PUTT - Permissive Under-Reaching Transferred Tripping
ondas e uma portadora devem ser usados.

Em nenhum esquema são necessárias ou usadas todas


as três zonas dos relês de distância, para aplicação no es­
quema de transferência de disparo, o qual seria considerado
como uma proteção primária. Deste modo, as zonas de proteção
menos importantes podem ser eliminadas do esquema de trans­
ferência de disparo, e incluídas como proteção de distância
de retaguarda. Também no sistema de transferência de dispa­
ro permissivo de sobrealcance, as unidades da zona 1 podem
ser usadas como um bloqueio de falta de sincronismo,ao invés
de um disparo redundante de alta velocidade.

Tanto as unidades de impedância, quanto as mho po ­


dem ter características deslocada para vários efeitos, tais
como uma proteção de retaguarda.

Linhas com dois terminais e derivação para carga

A Figura 8.15 indica o método que poderia ser u s a ­


do para facilitar uma derivação de linha, a qual alimenta s o ­
mente carga no caso de uma linha de dois terminais com p ro­
teção direta de subalcance ou permissiva de subalcance, ou
permissiva de sobrealcance. 0 método consiste em instalar um
relê na derivação, conforme apresentado, e usã-lo para o cha-
veamento de um transmissor a um canal piloto numa freqüência
diferente das outras instalações de proteção de t r ansferên­
cia de disparo. Os receptores da linha de dois terminais com
esta freqüência são conectados para bloquear o disparo de
alta velocidade da primeira zona. Tanto o tempo de operação
do relê 3, como o tempo de transmissão-recepção e recepção,
devem ser menores do que o tempo de operação dos relês da
primeira zona «RI e R 2 , ou retardar e R 2 para levar em con­
ta o tempo de operação de R3 e seu equipamento de canal p i ­
loto.

A segunda e terceira zonas dos relês RI e R2 p r o ­


videnciariam proteção de retaguarda p ara as faltas na deri­
vação da carga. O tempo das zonas 2 e 3 dos relês RI e R2 te-
riam coordenação de distância com o relê R3.
Fig. 8.15

Relês de terra em sistemas de canal piloto

As discussões jã feitas nos sistemas de proteção


não fizeram diferença entre reles de fase e relês de terra.
As considerações quanto ao alcance dos relês e ações de trans­
ferência de disparo são todas validas para relês de distân­
cia de fase ou de terra.

Alguma economia pode ser feita, através do uso de


relês de sobrecorrente direcionais de terra no lugar de re­
lês de distância de terra. Um relê direcional de terra (so-
brecorrente de tempo inverso e unidade instantânea) s ubsti­
tui seis relês de distância de terra {duas zonas por f a s e ) .
Os relês de distância têm um alcance constante, enquanto o
alcance e tempo de operação dos relês de sobrecorrente, de­
pende do nível d a corrente de falta, o qual pode variar no
modo de operação do sistema, tornando difícil a coordenação.
As correntes de curto-circuito à terra são, em geral, m e n o ­
res do que os curto-circuitos fase-fase ou trifãsicos, e as
faltas â terra ameaçam menos a estabilidade do sistema. Além
disso, uma vez que 2^ > p ara linhas, os níveis de curto-
circuito à terra são mais função da localização da falta do
que os níveis de curto-circuito fase-fase.

Desse m o d o o uso de relês de sob recorrente para


defeitos à terra ê frequentemente praticável, onde não o e
para proteção de fase.

Reles direcionais de sobrecorrente de terra são a-


plicãveis, p a r t i c u l a r m e n t e , no sistema básico de relês de
distancia e no sistema por comparação direcional, com canal
piloto de onda portadora. Eles podem também ser usados nos
tris outros sistemas de canal piloto.

O alcance da unidade instantânea irá depender do


esquema usado, enquanto a unidade de tempo inverso será a-
justada para coordenar com outras unidades de tempo inverso.
A unidade instantânea irá substituir a unidade da zona 1 no
sistema de transferência de disparo de subalcance e a uni­
dade da zona 2 no sistema de transferência de disparo per­
missivo de s o b r e a l c a n c e . No sistema permissivo de s ubalcan­
ce, duas unidades instantâneas seriam n e c e s s á r i a s ,umasubs-
tituindo a zona 1 e o utra substituindo a zona 2.

Linhas paralelas com acoplamento m utuo de seqüên-


cia zero podem causar uma operação indevida do relê de sobre-
corrente direcional de neutro (ou não d i r e c i o n a l ) . Isto i,
uma falta â terra numa linha poderá causar a operação dos
relês de neutro n a linha com a falta e também na linha sem
defeito. Este problema pode ser evitado fazendo-se uma com­
pensação de seqüência zero nos reles de distância de neutro.
E s t a ê u m a razão importante para se usar relês de d istância
de neutro.

Considerações adicionais para linhas de três terminais

Irão surgir situações nas quais o sistema piloto


não irã desempenhar o seu papel de disparo em alta veloci­
dade quando aplicado em linhas de três terminais. Tais si­
tuações, se intermitentes ou temporárias, podem ser t olera­
das, mas po d e m também ser motivo para rejeição de u m s iste­
m a de proteção proposto*

N a situação d a Figura 8.16, um pequeno trecho e x ­


terno de baixa impedãncia, entre B e C, ou u ma pe r d a tempo­
rária do "sistema" atrás do terminal C pode fazer c m q u e os
relês em C "vejam" fl como u m a falta externa. Dependendo do
sistema piloto usado, o resultado pode ser a eliminação da
falta através da proteção de retaguarda ou disparo "seqOência"
(o disjuntor B abre em alta velocidade e somente depois os
relês A e C veem a falta e operam em alta v e l o c i d a d e ) .

A *

Outro problema pode ser a ocorrência de um "ponto


cego". Â medida que a falta fl se desloca para a esquerda,
sob as condições apresendas na Figura 8.16, em algum ponto a
corrente no terminal C serã baixa ou zero, e o relê C, não
irã ver uma falta externa nem interna.

Outro problema importante ê a dificuldade para a-


justar os vãrios relês. O problema da injeção de corrente é
descrito no Capítulo 9 e resulta na situação da Figura 8.17.

Suponhamos que o sistema atras de C seja relativa­


mente firme e que o sistema atras de B seja relativamente fra­
co. A falta fl irã aparecer bastante afastada do relê A, en­
quanto a falta f2 irã aparecer bastante próxima. Em certos
sistemas isto se apresenta como um problema de coordenação
desafiante.

Fig. 8.17
Proteção por comparação de fase

A proteção por comparação de fase n ã o é baseada em


nenhum dos princípios dos relês de distância. Proteção com­
pleta pode ser obtida através de um relê em cada terminal e
um canal piloto entre os terminais. A operação da proteção
por comparação de fase é indicada nas Figuras 8.18 e 8.19.
N a Figura 8.18 são apresentadas as condições para faltas e x ­
ternas e internas. Os relês de comparação de fase geram um
sinal de onda portadora durante cada meio ciclo alternado.
Conectando-se um relê para gerar portadora no meio ciclo po ­
sitivo e u m outro para gerar portadora no meio ciclo nega­
tivo, no caso de faltas externas, um sinal contínuo de onda
portadora ê produzido pelas falteis externas, enquanto um si­
nal pulsante liga-desliga ê gerado para faltas internas.

Fig. 8.18

Cada relê irâ disparar se este não estiver geran­


do onda portadora ou recebendo a mesma. Assim, o disparo o-
correra somente nas faltas internas. N a pratica, neste sis­
tema, o disparo irã ocorrer quando a sobreposição dos .dois
sinais de onda portadora excederem um certo valor reduzido
(determinado pelos retardos d o relê e d o canal p i l o t o ) .
Os relés de comparação de fase operam cmfoone in­
dicado no diagrama de blocos d a Figura 8.19*

Uma vez que correntes de seqüência negat i v a cir­


culam sempre que ocorrem faltas entre duas fases, entre duas
fases e terra, e entre fase e terra, um ünico relê em cada
terminal p o d e r á proporcionar a proteção (operando através d a
corrente de seqüência negativa) contra todas as faltas, com
exceção das faltas trifãsicas equilibradas.

CORRENTES
DE
LINHA «b
lc

Fig. 8.19

Existem vãrios métodos de complementar o sistema


de proteção, isto ê, proporcionar também proteção contra fal­
tas trifãsicas: depender d a proteção de retaguarda pa r a pro-
teção contra as faltas trifãsicas menos freqüentes. A lguma
forma de proteção de retaguarda ê necessária e é possível fi­
car dependente dos relês de distância ou de sobre corrente de
retaguarda.

Desequilibrar o filtro de seqüência negativa, quaido


os detectores de falta indicarem u ma falta trifãsica. 0 re­
lê de comparação de fase pode ser construído p ara operar as­
sim nas faltas trifãsicas, mas a sensibilidade do sistema de
proteção ê diminuída.

Aplicar proteção por comparação direcional para


defeitos entre fases e comparação de fase p a r a faltas â ter­
ra. N ã o existe nenhum problema de acoplamento m utuo no sis­
tema de comparação direcional p a r a faltas entre f a s e s , e os
dois relês po d e m usar o mesmo equipamento de cnda portadora.
De qualquer modo, continua sendo necess á r i a a proteção de
retaguarda.

Os relês de comparação de f a s e :

- não são relês de distância?


- necessitam apenas alimentação por corrente;
- são imunes aos efeitos de indução mutua;
- dão apenas proteção primaria, sem retaguarda;
- são eletrônicos ou estáticos.

São necessários três componentes funcionais e m ca­


d a terminal, alêm do canal piloto, equipamento transmissor e
receptor:

- detector de faltas - sensível


- detector de faltas - menos sensível
- relê de comparação de í a s e .

Para maximizar o caso do canal piloto, os detec­


tores de falta, suprimem a saída do relê, exceto qua n d o os
níveis de corrente forem excessivos (indicativos de u m a fal­
ta) . O detector de faltas sensível d á condições p a r a que o
relê local controle o canal piloto e transmita sinal apro­
priado sempre que os níveis de corrente de linha e x c e derem o
nível normal de corrente de carga.

O detector de falta menos sensível b l o q u e i a o d is­


paro através do relê local, a menos que a corrente de linha
seja consideravelmente maior do que o nível normal de cor­
rente de carga, ou igual, ou ainda ultrapasse o ní v e l m í n i ­
mo possível de corrente de falta.

O tempo de operação d a proteção por comparação de


fase ê de u m ciclo ou menos. Um máximo de m e i o ciclo de so­
breposição pode seguir a u m a falta, antes que a portadora pa­
re e o disparo seja iniciado. O tempo de disparo ê função do
ângulo de incidência d a falta.

Comparação dupla
Os sistemas de comparação de fase são pacotes cons­
tituídos de dois relês, de modo que, em cada terminal, um
relê gera a onda portadora de freqüência fl durante os meios
ciclos p o s i t i v o s , enquanto o outro relê gera a portadora na
freqüência f2 durante os meios ciclos negativos. Os dois re­
lês funcionam essencialmente, com exceção do disparo, na mesma
lõgica discutida acima. Alguns elementos comuns, tais como
detectores de faltas e geradores de ondas quadradas, fazem
com que a comparação dupla de fase seja levemente mais cara
que a comparação simples de fase. Este sistema reduz o tem­
po de operação a meio ciclo ou menos.

PROTEÇÃO DE LINHAS COMPENSADAS

Tanto a compensação reativa em derivação como a


compensação capacitiva em série devem ser cuidadosamente a-
nalisadas pelo engenheiro de relês.

A compensação capacitiva série pode afetar a p r o ­


teção aplicada à linha compensada, b e m como aos relês nas
linhas adjacentes e relês de retaguarda remotos. Os efeitos
dos centelhadores de proteção e sua possibilidade de cente­
lhar devem ser considerados. Tanto os relês direcionais de
fase, como os de distância de fase são afetados pelos capa-
citores em série. O efeito nos relês direcionais de neutro
ê menor, mas os relês de distância de neutro p odem ser afe­
tados. A localização do banco de capacitores em série pode
ser feita ao livre arbítrio do engenheiro de relês, e claro,
ao b om senso.

A quantidade de compensação é também u m fator crí­


tico. 0 engenheiro de relês poderá depender dos centelhado­
res de proteção para obter proteção primária de alta velo­
cidade b e m sucedida e admitir um maior tempo de eliminação
da falta para as faltas de baixo nível que não provocam ar­
co.

A Figura 8.20 (a) indica uma compensação de 5Q% nopcn-


to central da linha, enquanto a Figura 8 . 2 0 (b) indica uma
compensação de 50% próximo aos terminais da linha.
A B

[_CH€---------D-|

Fig * 8.20

Por razoes econômicas, a compensação ê n o r m a l m e n ­


te feita próxima ao terminal da linha e ê um problema para o
engenheiro de relês. Quando a compensação serie ê grande ou
localizada próximo aos terminais da linha, a proteção por
comparação direcional e comparação de fase tem se m ostrado a
mais satisfatória. Proteção por comparação direcional pode
necessitar ajustes especiais d a unidade direcional e irã d e ­
pender dos centelhadores de proteção de arco p a r a a operação
em alta velocidade para alguns pontos de falta. P oderá ser
necessário um retardo de tempo, quando as faltas externas p o s ­
sam causar a operação da unidade de disparo sem operar a u-
nidade de bloqueio.

A comparação de fase ê geralmente aplicável ã li­


nhas com compensação série, já que as correntes nos dois ter­
minais entrarão na linha p a r a faltas internas, indepe n d e n ­
temente da localização das faltas. Foram registradas situa­
ções nas quais o número de capacitores e sua localização era
tal que exigia u m centelhador protetor de arco p ara d eter­
minados pontos de falta, a fim de obter a relação de fase
necessária para a operação dos relês de comparação de fase.
Quando em sistemas EHV (Extra High Voltage) o nível de falta
poderá não ser significantemente maior que os níveis de car­
ga, os detectores de falta usados normalmente poderão ter
que ser substituídos por um relê mho, o qual pode supervi­
sionar a operação do relê de comparação de fase, através da
diferenciação entre correntes de falta e de carga. Mesmo com
capacitores e m serie, em um terminal d a linha, geralmente não
serã econômico locar os TP's e TC's dos relês de distâ n c i a
no lado da linha do banco de capacitores. Isto iria s i m p l i ­
ficar e melhorar a proteção da linha, mas iria exigir pro­
teção diferencial separada para o banco de capacitores.

A compensação reativa em derivação pode afetar a


operação do rele de distância durante carga leve, ou a cir­
culação da corrente de falta. A maioria das aplicações não
irã exigir nenhuma proteção especial, no máximo um ajuste da
regulagem do alcance. Poderão ser adicionados TC*s (prefe-
rentemente no neutro) aos reatores para cancelarem a corren­
te do reator no relê de distância.

E m geral, transferência de disparo direto de sub-


alcance irã operar mais satisfatoriamente com um m ínimo de
ajustes especiais, quando a corrente do reator shunt não for
filtrada da alimentação do relê. Os reatores shunt deverão
ser protegidos por seus próprios relês diferenciais p e r c e n ­
tuais, relês de pressão e relês de sobrecorrente de fase e
de neutro.

Para detecção rápida de faltas de e s p i r a a e s p i r a ,


poderão ser usados três relês de distância de neutro. Ver o
capítulo sobre transformador, para maiores detalhes sobre a
proteção de reatores.

06 TRflNSPQPMADOEES NAS ZCNAS EE PROTOgO DOS KEl£S EE DISTANCIA

Como pode ser esperado, um transformador Y-Y ou


A-A simplesmente soma impedância e se assemelha a uma seção
d a linha para os relês de distância. Existe uma exceção, no
entanto, e esta é a do transformador d e l t a - d e l t a q u e dã uma
interrupção no circuito de seqfiência zero e bloqueia, deste
modo, a visão dos relês de neutro em u m lado do transforma­
dor p ara as faltas à terra que ocorram no outro lado. Trans­
formadores Y-delta ou delta-Y, por outro lado, mu d a m a apa­
rência de todas as faltas, menos as trifãsicas. Trabalhando
com o método das componentes simétricas para transformado­
res com conexão delta-Y ou Y-delta, uma falta à terra do se-
cundãrio aparece como uma falta fase a fase p a r a os disposi­
tivos de proteção do primário; uma falta de fase a fase no
secundário aparece como um desequí librio envolvendo todas as
três fases, enquanto uma falta trifãsica no secundário apa­
rece como uma falta trifásica para os dispositivos de pro­
teção do primário.

Existem muitas aplicações e m que os relês de li­


n h a terão que olhar para dentro e através dos transformado­
res. Dois exemplos, são linhas que terminam em transforma­
dores, e barras, as quais são conectadas diretamente tanto
as linhas de transmissão como aos transformadores locais.

A Figura 8.201 resume estas situações.

O relê Rl é a proteção primária para linha a-b e


a proteção de retaguarda remota para o barramento b,para se ­
ção transformador/linha b-d e para o transformador que fica
entre as barras b e c. A zona 1 da proteção do relê Rl ê a
normal. A zona 2 do relê Rl deve ir alêm do ponto b, o su ­
ficiente para que a zona 3 dos relês, que ficam atrás de Rl,
p ossa ser devidamente ajustada. Isto não chega a ser um p r o ­
blema, já que a zona 2 do relê Rl pode ser ajustada b astan­
te alta sem exergar através do transformador. Por outro la­
do, a zona 3 do relê Rl é a proteção de retaguarda remota pa­
ra a linha b'-d e deve enxergar através do transformador da
b-b' p a r a dar esta proteção de retaguarda.

E s t a zona 3 deve enxergar alêm do barramento d ,mas


deve ser coordenada e m tempo ou distância com a segunda zo­
na do relê R2. Ao mesmo tempo, a zona 3 do Rl, deve ser se-
letiva com a proteção do barramento c. O relê R2 pode ser
ajustado para interpretar faltas através do transformador b-b■,
ou as conexões dos TP's e TC's do R2 podem ser feitas de tal
modo que o R2 enxergara, em termos de transformador b'-d,
valores do lado b* (com compensação para queda de tensão no
transformador b'-d incluída) ou, ainda, o relê R2 pode ser
movido para o lado b 1 do transformador. Em qualquer uma das
duas últimas opções, o ajuste do relê R2 é evidente. Uma des­
tas opções ê normalmente utilizada.

0 relê R3 terã sua zona 1 ajustada para enxergar


toda a linha b'-d, e para dentro do transformador b - b 1 , mas
não através dele. A zona 2 do relê R3 deve enxergar através
do transformador b-b * e além do barramento b para todos os
tipos de faltas. Similarmente, a terceira zona do relê R3,
devera proporcionar proteção de retaguarda para a linha a-b
e para o transformador b-c. E m suma, as respostas dos relês
de distancia localizados em um lado do transformador, para
faltas ocorridas no outro lado, devem ser calculadas p ara os
seguintes relês da Figura 8.201:

RI - zonas 2 e 3
R2 - zonas 1, 2 e 3

O relê R2 admite-se ser servido por sinais de b'


ou por sinais compensados de b.

A zona 2 do relê RI e zona 1 do R3 sao prontamente


ajustadas para enxergar para dentro do transformador b-b ' ( a
partir de seus respectivos lados), mas não através deste,
limitando-se seu alcance para dentro do transformador para
um valor menor que o valor da impedância de seqtiência p o s i ­
tiva do mesmo. Uma vez que as faltas trifãsicas (30) serão
as faltas mais próximas vistas através dum t r a n s f o r m a d o r ,os
relês não irão ver através dos transformadores para nenhum
outro tipo de falta.

As Figuras 8.21 e 8 . 2 1 (b) indicam estes ajustes.

A zona 2 do R3 deve prover proteção de retaguarda


para o barramento b. Poderá Ser impossível calibrar a zona 2
Fig. 8.21

dos relês de fase R 3 f p ara detectarem faltas â terra no bar-


ramento b, mas eles deverão operar para faltas fase a fase
e faltas trifãsicas. Pode ser necessária uma escolha sensa­
ta do ângulo de máximo torque (relês mho) ou do tipo de relê ,
para que se consiga atuação em caso de faltas 0-0 (fase a
fase) , mas que não alcance longe demais em caso de faltas 30.
A Figura 8.22 indica os ajustes para a segunda zona do relê
R3.

Fig. 8.22

Pode-se tirar vantagem da capacidade que os relês


de distancia de terra têm para detectarem faltas fase a fase.
O ajuste da unidade de fase poderia ser reduzido (ver Figura
8.22) , a fim de reduzir o alcance pa r a faltas t r i f á s i c a s ,se
os relês de terra puderem ser utilizados p a r a detectarem as
faltas fase a fase no lado mais afastado. Uma impedância de­
verá ser incluída nas considerações acima.
O ajuste da zona 3 do Rl, com a finalidade de en ­
xergar através do transformador b-b' e através do barramen-
to d (mas não além do alcance da segunda zona de R2) r serã
ainda mais complexa. Se a zona 3 do RI deve alcançar além da
zona 2 do R2 para faltas trifásicas, a fim de detectar todas
as faltas fase a fase da linha b'-d, então, a zona 3 do RI
devera ter seu tempo de operação coordenado com a zona 3 do
R2. Se, após a coordenação dos relês de distancia p a r a todos
os tipos de faltas, continuar existindo uma falta de pro­
teção adequada de retaguarda, para alguns tipos de faltas e
pontos de ocorrência, os relês de distância poderão ter que
ser suplementados por relês de sobrecorrente de tempo defi­
nido ou tempo inverso.

CANAIS PILOTO P A R A A PROTEÇÃO DE LINHAS

Uma discussão completa dos vãrios tipos de canais


de comunicação entre os relês estã além do objetivo deste
texto e deste curso; no entanto, a breve discussão a ser fei­
ta a seguir d evera servir como uma introdução a e sta ãrea.
Seguidamente, o engenheiro de aplicação de relês necessitara
somente selecionar um tipo de canal de comunicação, e p o d e ­
rá deixar que os fabricantes dos equipamentos do relê e e-
quipamentos de comunicações procupem-se com os problemas e s ­
pecíficos do projeto. 0 engenheiro de aplicação de r e l ê s ,em
geral, irá adquirir um modelo e simplesmente seguir as ins­
truções dos fabricantes com respeito â sua instalação, uso e
manutenção.

O sistema de relês com piloto, que fornece m á x i m a


velocidade para proteção da linha, ê o tipo mais popular de
proteção para linhas de alta tensão. O sistema piloto é u-
sado quase que exclusivamente e m linhas EHV (Extra Alta Itensão).

A capacidade de alta velocidade do sistema piloto,


particularmente em linhas m u l t i t e r m i n a i s , é útil no religa-
mento automático de alta velocidade. E s t a combinação maxi­
m i z a a utilização de u m sistema de transmissão, permitindo
que a carga fique muito perto dos limites de estabilidade.
Relês de alta velocidade providos com o sistema piloto tam-
b e m reduzem consideravelmente os danos por faltas. Sistema
piloto é freqüentemente uma exigência p ara linhas curtas,
nas quais os erros de distância (relativos ao comprimento da
linha) podem ser muito elevados se usarmos um simples s is­
tema de relê de distância, tornando o seu ajuste muito di­
fícil ou impossível. Os três tipos comuns de canais pilotos
são o fio piloto, a corrente portadora piloto e a microonda
piloto. As vantagens, desvantagens e considerações sobre a-
plicações destes três métodos serão discutidos agora resu­
midamente .

Proteção por fio piloto

A proteção por fio piloto ê usada para transmitir


tantos sinais de c.c. ou c.a. N o entanto, os sinais de c.a.
são os mais populares e ê a única proteção usada nas insta­
lações novas. O canal de comunicação do tipo fio piloto é o
mais barato e ê geralmente usado onde corrente portadora ou
microonda não ê justificável economicamente, ou ainda em cir­
cuitos de cabos onde a atenuação da portadora seria nuLto al­
ta e torres de microonda não fossem permitidas. Fios pilotos
vão desde poucas centenas de pês ate valores tão elevados co­
mo 10 a 15 milhas. O fio piloto consiste, geralmente, de um
circuito de dois fios de propriedade do proprietário da li­
n h a de transmissão ou é alugado de uma companhia telefônica.
Quando o proprietário fornecer seu próprio canal de fios pi­
loto, um par de condutores irã por v i a subterrânea ou aérea,
entre os dois terminais da linha. No caso de um circuito te­
lefônico alugado, a companhia telefônica irã fornecer o ca­
nal de terminal â terminal, exatamente como se fosse um ser­
viço telefônico a ser fornecido. Nos esquemas de fios p ilo­
to ê necessário levar em consideração a resistência e a ca-
pacitância dos fios entre os terminais da linha, e as linhas
alugadas de uma companhia telefônica devem ser aplicadas cui­
dadosamente. Sistemas com fios piloto geralmente incluem pro­
teção contra circuitos interrompidos e curto-circuitos dos
fios piloto, a fim de evitar os disparos inoportunos e per­
mitir que o operador detecte prontamente as condições que per­
mitam evitar a eliminação do defeito e m alta velocidade. 0
sistema com fio piloto ê aplicável em linhas m u l t i t e r m i n a i s ;
no entanto, a sensibilidade ê habitualmente mais baixa no
sistema de fio piloto do tipo diferencial que será d i s c u t i ­
do a seguir.

O canal de fio piloto pode ser usado simplesmente


para transferir o disparo para disjuntores distantes, para
transferir sinal de bloqueio do disparo, e t c . , para os es ­
quemas de distancia jã discutidos; entretanto, a aplicação
usual utiliza o canal piloto para comparação de correntes nos
dois fins de* uma linha, e inclui a capacidade de transferência
de disparo como uma função secundaria. A transferência de
disparo ê geralmente parte de um equipamento de monitor ou
verificação de fio piloto.

Proteção diferencial com fio piloto

O canal de comunicações com o fio piloto pode ser


usado nos sistemas de subalcance direto, subalcance p ermis­
sivo, sobre alcance permissivo ou comparação direcional com
relês de distância. N o entanto, a disponibilidade de u m par
de fios piloto sugere um meio de proteção por corrente di­
ferencial. Existem duas maneiras populares para se cbter p ro­
teção diferencial com fios piloto sem incluir a reatância e
a resistência dos fios piloto como parte da carga secunda­
ria do TC, quando ocorre um curto-circuito externo. A impe-
dância do fio piloto serã parte da carga do TC durante con­
dições n o r m a i s , quando somente a corrente normal de carga es­
tiver circulando. Uma proteção com fio piloto tipo corrente
circulante em c.a. i indicada na Figura 8.23.

Um relê de equilíbrio de corrente é locado em ca­


da terminal, e cada relê de equilíbrio de corrente atua p a ­
ra disparar o disjuntor associado a ele quando ocorrer uma
falta interna.

Excetuando o fato de que um relê de equilíbrio é


usado e m cada terminal, o princípio de operação do relê ê o
mesmo que o do relê diferencial porcentual, jã descrito no
no Capitulo 2.

Ralé da bolanço da corranta


_ Corrente de carga ou para falta externa é mostrada
PROTEÇÃO COM FIO P I L O T O TIPO CORRENTE CIRCULANTE

Fig. 8.23

O segundo tipo de proteção com fio piloto em c.a.


ê o de oposição de tensão, conforme aparece na Figura 8.24.
Este sistema não ê muito diferente que o tipo de corrente c ir­
culante. Um relê de equilíbrio de corrente é usado em cada
terminal, mas as bobinas de operação e restrição trocam de
lugar, e os fios do canal piloto são i n t e r c a m b i a d o s , de tal
modo que, sob corrente normal de carga, não circula corrente
alguma pelos fios piloto. Uma falta interna causa a r ever­
são na direção d a circulação da corrente e m u m dos transfor­
madores de corrente e força a corrente a circular pelo cir­
cuito dos fios piloto e, e m conseqüência, por cada bcbina de
operação. N o principio de oposição de tensão, acorrente cir­
cula nos fios pilotos durante c u r t o - c i r c u i t o s . Desse m o d o a
impedância do circuito piloto terã uma influência na sensi­
bilidade da proteção provida.
Os dois sistemas descritos acima, de proteção com
fio piloto em c.a., conforme o que foi discutido, requerem
pelo menos quatro fios piloto para proteção de fase e neu­
tro. Os sistemas disponíveis c o mercialmente, entretanto, fun­
cionam simplesmente com dois fios piloto. Isso é feito u-
sando-se um filtro de seqtiência de fase para derivar um si­
nal proporcional às correntes trifãsicas, conforme indicado
na Figura 8.25. A Figura 8.25 também mostra relês de e q uilí­
brio de corrente, em corrente contínua, os quais possuem maior
sensibilidade do que as unidades em c.a. Também ê mostrado,
um transformador saturãvel para limitar as tensões eficazes
no circuito piloto, uma lâmpada neon, um resistor de tirita
ou dispositivo similar para limitar ospioos de'tensão e trans­
formadores de isolação para dar isolamento entre os equ i p a ­
mentos dos dois terminais e entre os fios pilotos e e quipa­
mentos terminais.

Fig. 8.25

N o sistema de fio piloto do tipo de corrente al­


ternada (c.a.) circulante, ba s t a que uma corrente de falta
entre numa extremidade da linha para causar disparo em anbas
as extremidades, se a impedância de fio piloto não for tão
grande a ponto de limitar excessivamente a circulação decor­
rente n a bobina de operação da extremidade sem fonte. A
transferência de disparo é feita aplicando-se corrente con­
tínua nos fios pilotos em uma das extremidades, tendo-se no
outro extremo um relê de c.c. sensível para receber o sinal
transferido. A Figura 8.26 mostra a parte similar de um sis-
tema de proteção com fio piloto de tensão oposta em corrente
alternada.

Proteção com fio piloto pode ser aplicada em li­


nhas com derivação ou linhas m u i t i t e r m i n a i s , dependendo de
certas condições. As recomendações do fabricante devem ser
seguidas, se proteção for aplicada em linhas multiterminais.
As recomendações do fabricante deverão também ser seguidas,
no que diz respeito ao comprimento do fio piloto, p r oximi­
dade dos mesmos cora condutores de de linhas de transmissão
(problemas de indução de t e n s ã o ) , compensação para a capa-
citância dos condutores do fio piloto, e ainda problemas,tais
como diferenças entre os potenciais de terra entre os dois
terminais protegidos pelo sistema de fio piloto.

Piloto por corrente portadora

,Esta discussão sobre comando por corrente po r t a ­


dora não ira examinar e m detalhes os pormenores dos e quipa­
mentos dos terminais, ou seja, os transmissores e recepto­
res, mas irã discutir rapidamente como os t r a n s m i s s o r e s ,re­
ceptores, bloqueios de linha, capacitores de acoplamento e
as linhas de transmissão são todos usados conjuntamente p a ­
ra formarem um canal de comunicações.

Os transmissores e os receptores são unidades de


alta freqüência (nos EUA) , na faixa de 30 a 200 kilociclojs.
A saída do transmissor-receptor ê feita entre um conector de
fase da linha de transmissão e a terra. 0 modo básico de o-
peraçio1’ de um par de transmissor-receptor poderá ser o do
tipo de mudança da freqüência, onde o modo n o r m a l é a t rans­
missão contínua de uma freqüência e, então, uma m udança re­
pentina para uma segunda freqüência, causada pelo chaveanento
de um transmissor, indica ao receptor que alguma ação, tal
como um disparo, ê necessária. O método da mudança de fre­
qüência fornece considerável segurança, de que tanto atrans-
missão contínua de uma freqüência normal no receptor deva
cessar, b em como a transmissão da segunda freqüência deva i-
niciar para provocar o fechamento do relê de saída do recep­
tor.

Em alguns sistemas, os transmissores e receptores


em todos os terminais de linha de uma linha protegida o pe­
ram n a mesma freqüência, e a transmissão feita por qual­
quer um dos transmissores opera todos os receptores. E m ou ­
tros sistemas, freqüências distintas são usadas para comu­
nicações de u m a via. Neste caso, um transmissor, em um dos
terminais, opera somente o receptor localizado no terminal
mais afastado. Técnicas de transmissão em faixa lateral Cí­
nica têm sido utilizadas em alguns equipamentos modernos.

A Figura 8.27 indica a maneira p e l a qual recepto­


res e transmissores são in ter conectados can as linhas de trans­
missão. O bloqueio de linha e m cada extremidade da linha é
um filtro de rejeição de faixa, o qual apresenta uma impe-
dância desprezível e m relação às correntes de 60 ciclos, e
uma impedância praticamente infinita para as freqüências u-
sadas no equipamento de onda portadora.
Os capacitores de acoplamento conectam os trans­
missores e receptores à linha, e apresentam u ma b a i x a impe-
dãncia à freqüência de onda portadora usada e ,p r a t i c a m e n t e ,
uma impedância infinita à freqüência do sistema. Os bloqueios
de linha apresentam um ponto morto para as correntes de o n ­
da portadora. Desse modo, equipamentos similares de onda par-
tadora podem ser usados e m numerosas linhas no sistema, sem
que h a j a interferência de uma com outra.

O maior problema de aplicação com corrente de o n ­


da portadora é o de atetluação durante as faltas (sistemas de
atenuação de transferência de disparo, sem nenhuma oanseqüencLa
nos sistemas de bloqueio) e granizo ou acumulação de cama­
das de gelo.

Microonda piloto

0 comando por microonda piloto ê análogo ao coman­


do por corrente de onda portadora no seu uso em sistemas de
proteção. Exigências de torres, estações repetidoras, etc.,
podem fazer com que o comando por m i c r o o n d a torne-se bastan­
te dispendioso. E m geral, comando por mi c r o o n d a piloto não ê
justificável no sistema bãsico de proteção jã d e s c r i t o ,m a s ,
se este estiver disponível, serã um valioso canal de comu­
nicações. Sua confiabilidade estã abaixo d a corrente de on­
d a portadora, mas, no entanto, n ã o ê suscetível a atenuação
durante as faltas.

As freqüéncias de microondas estão n a faixa de 950


a 30.000 megaciclos e, como com a corrente de o nda portadora,
a informação e transmitida por modulação de tonalidade.

RELÊS estãticos de proteção de linhas

Em grande parte, relês de distância estãticos são


eletrônicos, análogos aos equivalentes do tipo eletromecâ-
nico.
Os tipos eletrônicos, no entanto, possuem algumas
vantagens? uma das quais e a capacidade para alterar a ca­
racterística do relê.
Características lente e mho dos relês
de distancia estáticos

A Figura 8,28 mos t r a a característica lente, a qual


ê o método de variação (desvio) possível mais freqüentemente
usado e m relês de distância estáticos. A lente não e n x e r g a ­
ria resistência de arco para as faltas n a extremidade da li­
nha e, assim, usada para supervisionar outros relês, tais
como pontos cegos para u m relê mho.

Os relês estáticos têm a vantagem õbvia de n e c e s ­


sitarem menos manutenção que os relês eletromecânicos. Tem­
pos mais rápidos de operação ê outra de suas vantagens. Os
relês eletromecânicos operam no máximo em 1 a 2 ciclos,mui­
tas vezes abaixo dos níveis mínimos da corrente de atuação.
Relês estáticos geralmente utilizam diodos, transistores, e
SCR's. Estes são agrupados e m entradas "E" e "OU", os quais
processam a informação lõgica proveniente da tensão e cor­
rente de alimentação. Um relê mho ê discutido a seguir,como
exemplo.

Tanto a corrente como a tensão delta são aplicados


ao relê, como acontece nos tipos eletromecânicos. No relê
desenvolvem-se dois sinais, uma onda quadrada em fase com a
tensão aplicada e uma onda quadrada e m fase ocma tensão IZR-V,
onde I ê a corrente de linha, ZR ê uma imagem da impedância
da linha no relê, e V ê a tensão aplicada (todos nos v a l o ­
res referidos ao secundário) (Ver Figura 8.29).
O significado destas duas quantidades serã reco­
nhecível se ZR for ajustado para o desejado alcance do r e l ê .
Feito isso, uma falta que vier a ocorrer no ponto de equi­
líbrio tornara IZR- V igual a zero; uma falta ocorr i d a alêm
do ponto de equilíbrio tornara IZR-V n egativo (V > IZR ) , e
uma falta dentro dos limites de alcance do relê tomara IZ -V,
positivo.

O estabelecimento de uma referência e a medição do


sinal de IZL -V não iria determinar u ma característica mho?
desse modo usa-se uma outra técnica. A imagem d a iiqpedânda
do relê é feita de forma ser mais resistiva (permanecendoos
mesmos ohms totais) para que IZ -V não chegue n u n c a a ser ae-
X\

ro, mas que adquira u m a faixa de v a l o r e s , conforme o i ndi­


cado n a Figura 8.30 (o ângulo de fase demarcado p a r a V ou
IZR ê arbitrário, mas para u m a conveniência posterior dei­
xar IZD demarcado e m 9, ).
R ZR
Observa-se que o ângulo a, entre V e IZ - V ê , me-
nor que 90°, igual a 90° e maior que 90° pa r a os respectivos
pontos de falta assinalados na Figura 8.30.

Referentemente ainda à Figura 8.29, observa-se que


o ângulo entre V ç IZR-V pode ser medido através da duração
de coincidência (superposição) das duas ondas quadradas.
FALTA ALEM 0 0 ALCANCE F A LT A NO A L C A N C E FALTA DENTRO DO
ALCANCE

Fig. 8.30

Ambas as ondas quadradas são alimentadas por uma


"entrada E" e se a coincidência de períodos exceder 4,16
m i l i s s e g u n d o s , o ângulo serã maior que 90° e o disparo serã
iniciado. A Figura 8.30 pode ser interpretada e m termos de
uma diagrama R-X, dividindo-se V, IZR -V e IZR pela corren­
te aplicada I. V/I virá a ser o Z para a falta, IZR- V tor­
na-se ZR-ZL e IZR , por sua vez, tornar-se-ã ZR . ZR n a Figu­
ra 8.30 descreve o diâmetro do círculo mho. O círculo m h o é
determinado através da passagem da corrente I através de uma
impedância auxiliar Z e somando a tensão produzida por V.
aU X
Assim, IZ é comparada com IZ
+ V. A operação do relê po-
k aux
de ser visualizada movendo-se a falta ao longo da linha e
observando-se as mudanças de V e IZR . V aumenta e IZR d i m i ­
nui à medida que a falta é deslocada para longe do relê, ver
Figura 8.31. N o pontó de equilíbrio V = IZR .

Fig. 8.31

A característica de lente é obtida através do d i s ­


paro somente quando a duração do período de coincidência e x c e ­
de um ajuste de tempo, o qual é maior que 4,16 milissegundos.
Isto ê, disparo ocorre quando o ângulo a exceder, vamos d i ­
zer, 120° (um tempo de ajuste de 5,55 m i l i s s e g u n d o s ) .

Uma característica de impedância pode ser obtida


comparando-se as magnitudes de |v| e |IZR |. Como foi obser­
vado previamente |XZR | > |v| para faltas dentro do ajuste de
alcance do relê. A parte mais alta ê a geração de uma onda
quadrada proveniente de IZR-V e um pico (b) n o ponto zero da
curva senoide de V (Ver Figura 8.32). A relação de tempo do
pico e da onda quadrada IZR -V estabelece, então, a l õ g i c a d e
disparo.

Fig. 8.32

Relês estáticos levam a vanta g e m de se r e m capazes


de incluir numerosas características R -X n u m único relê, jã
que cada característica ê pouco maior do que u m simples car­
tão impresso. Cegamento (blinders), bloqueios contra perda
de sincronismo, rearmes ou funções similares são facilmente
montadas e m u m relê. A comparação dupla de fase, ou umaocm-
paração de cada meio ciclo de fase ê prontamente obtida com
um único relê. A aplicação de relês estáticos segue as mesmas
regras jã estudadas para relês eletromecânicos.

LOCAÇÃO DOS TRANSFORMADORES DE POTENCIAL (TP's)

A Figura 8.33 indica 5 possibilidades de locação


dos TP's, as quais possam estar sendo usadas no sistema de
proteção de linha das três linhas que chegam n a subestação.

Foi discutida, a n t e r i o r m e n t e , a possibilidade de


usar TP's e m u m lado de u m transformador p a r a proteger a li­
n ha no outro lado. Tanto a compensação de queda de tensão na
impedância do transformador de potência quanto conexões de
compensação para o TP podem ser necessárias. Uma outra con­
sideração importante ê a existência de tensão no relê de d is­
tância, quando uma linha com defeito for energizada. S omen­
te faltas que possam rapidamente provocar uma queda de ten­
são de menos de dois ou três por cento são levadas em con­
sideração. Para que isso ocorra, a falta terã que ser inter­
na (close in) e de uma natureza fechada (bolted n a t u r e ) .

A "ação memória" faz-se necessária no relê de d i s ­


tância, para serem detectadas tais faltas. Esta ação m e m ó ­
ria é fornecida por um circuito ressonante no relê, o qual
suporta o decaimento da corrente por um período após a ten­
são cair. Este decaimento de corrente iria fazer com que o
relê atue somente quando a falta provocar uma comleta queda
de tensão. A ação memória só poderá funcionar quando a li­
nha com falta estiver energizada e se o relê estiver rece­
bendo alimentação antes da seccionadora da linha ser fecha­
da. Desse modo, ou o relê serã alimentado por TP*s no lado
do barramento da seccionadora de linha, ou uma outra forma
de proteção deverá ser providenciada nesta contingência.Uma
alternativa ê o uso de três relês de sobrecorrente instan­
tâneos, os quais são tirados de serviço 15 ciclos após a li­
nha ser energizada.

Figure 8.33
A colocação do TP nas posições 1 ou 5 (Figura 8.33)
para o relê RI poderia deixá-lo sem alimentação e a linha b-c
sem proteção quando a linha a-b ou transformador b-d esti­
verem fora de serviço. A posição 2 ê o local mais apropriado
para um TP de alimentação do relê Rl. Uma pequena interrup­
ção de proteção do relê Rl pode ser tolerada se forem usa­
dos relês de sobrecorrente de retaguarda no Rl ou se os t em­
pos de operação da proteção remota de retaguarda forem ajus­
tados adequadamente para curtos p e r í o d o s , os quais serão a
ünica proteção.

A vantagem econômica em usar a tensão mais b aixa


em uma subestação, ou alimentar todos os relês por um grupo
de TP's (conforme sua localizção) deve ser estudado de acor­
do com o efeito que isto poderá ter no desempenho do relê.
Dispositivos capaciti^os de potencial do tipo bucha, d i s p o ­
níveis nas buchas dos disjuntores a óleo fornecem a tensão
do barramento, enquanto que quando os disjuntores são a ar
(secos) ou a SFg , tornam-se necessários dispositivos de po­
tencial separaios e a economia pode levar ao uso da tensão de
barramento para a proteção. Dispositivos de potencial de b u ­
cha ou transformadores de potência são econômicos nas s ub­
estações com disjuntores secos (a a r ) . 0 barramento será a
fonte de potencial mais disponível na subestação, já que so­
mente faltas no barramento, ou operação da proteção de re­
taguarda para faltas na linha, irão desenergizar o barramen­
to.

CONSIDERAÇÕES SOBRE RELEAMENTO E M SISTEMAS DE RELIGAMENTO

Este item fala, em geral, sobre disparos automá­


ticos de alta velocidade e religamentos na ocorrência de fal­
tas. O religamento ê providenciado tendo como base que a maio­
ria das faltas são de natureza transitória e são desfeitas
e m um período muito pequeno de tempo de desenergização (10
a 30 ciclos) . A extinção do arco requer a desionização e d is­
persão ao vento do gás formado, para evitar reincidência da
falta. Religamento ê usado para melhorar a continuidade do
serviço, limitando as interrupções da linha a menos de um se­
gundo para a maioria das faltas, diminuindo assim a pe r d a de
serviço. Seguidamente a função mais significante do religa­
mento ê a manutenção da estabilidade. Ê lógico que quando o-
correm faltas não transitarias, o re ligamento irã promover a
i n stabilidade.

Religamento em alta velocidade ê definido cano sen­


do "um disparo de alta velocidade, seguido de um religamento
com retardo de t e m p o " . E m circuitos de distribuição são fei­
tas varias tentativas de religamento, enquanto que, em cir­
cuitos de transmissão, ê feita apenas 1 tentativa, apôs a
qual ocorre o bloqueio. O religamento em linhas de transmis­
são é geralmente tentado apenas para faltas de fase à terra,
jã que são as que mais ocorrem, e existe uma razoável pos­
sibilidade de se extinguirem ou serem de natureza transitó­
ria. O religamento pode ser feito pela abertura das três fa­
ses (único método possível, ,quando os disjuntores de cada fase
possqirera um dispositivo mecânico comum de a c i o n a m e n t o ) , ou
também por operação somente do disjuntor da fase em falta.

Os relês que comandam o religamento devem ser se ­


letivos com os tipos de faltas, e devem operar e m alta ve­
locidade. A operação em alta velocidade deve ocorrer e m to­
dos os terminais de linha e, por isso, a proteção por p i l o ­
to ê fundamental.

Numerosos outros critérios devem ser considerados


em proteção. Se uma segunda falta ocorrer durante o período
d e s e n e r g i z a d o , o religamento ê bloqueado e os disjuntores re­
manescentes são abertos e m "sistema de põlo simples". O r e ­
ligamento nao deverá ocorrer quando um disjuntor estiver a-
limentando uma linha cõm falta. No chaveamento de põlo s i m ­
ples, todos os reles locais e remotos nao devem operar in-
devidamente para condição de fase aberta ou sobre corrente nas
fases que permanecerem energizadas. Cuidado especial deve e-
xistir (particularmente no religamento de põlo simples de
E H V - Ex t r a Alta Tensão) para que os reles de fase n ã o res­
pondam a faltas â terra, para que não bloqueiem o religamen­
to.
O efeito das correntes de carga (especialmente cn-
de correntes de falta não excederem muito as maiores corren­
tes de carga) no surgimento de faltas â terra, p a r a os re­
lês de fase, ê importante.

RELES de Ol t i m o recurso

Os reles de ultimo recurso prestam duas funções.


Eles operam para proteger linhas e transformadores, quando
todos as outras proteções falharem. Eles incluem,ainda, um
longo retardo de tempo e podem, desse modo, serem ajustados
para um valor muito próximo do valor máximo d a corrente de
segurança da linha, carga do transformador, etc., n a p r o t e ­
ção do equipamento.

Os relês de ultimo recurso podem ter caracterís­


tica de tempo inverso (ou muito inverso), ou tempo definido.
E m geral não são feitas tentativas de coordenar estes r e l ê s .
Eles são particularmente desejados onde os relês primários e
secundários sao todos do tipo distancia (usando ca­
nais pilotos). Por exemplo, se as correntes de falta â ter­
ra estiverem abaixo do valor mínimo de corrente do relê de
distância sob as condições d a contingência, ou faltas á ter­
ra com resistência muito alta, o relê de ultimo recurso re­
sidual ou de neutro poderá ser o unico relê que irá operar.
CAPITULO 9

COORDENAÇÃO DE DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO


GERAL

Este Capítulo apresenta algumas considerações b á ­


sicas na coordenação dos relês de sobrecorrente de tempo in­
versos e relês de distância.

As s i m como o restante deste texto, a proteção dos


circuitos de distribuição não e sta incluída neste Capítulo.
A proteção dos circuitos de distribuição é uma arte e uma
ciência própria, e este Capítulo trata apenas dos circuitos
de transmissão e subtransmissão. No entanto, os relês de so-
brecorrente de tempo inversos e os relês de scbreoorrente ins­
tantâneos realmente encontrara aplicação tanto nos mecanismos
de transmissão como nos de distribuição. Neste sentido, a
seção seguinte de coordenação de relês de sobrecorrente de
tempo inverso é aplicável tanto nas situações de transmissão
como nas de distribuição.

COORDENAÇÃO DO RELÊ DE SOBRECORRENTE DE TEMPO

GERAL

Os relês de sobrecorrente de tempo inversos(inver­


sos, muito inversos, por tempo muito inversos, etc.)são mui­
to usados nos EUA, enquanto que os relês de sobrecorrente de
tempo definido são muito usados na Europa, Os relês de so-
brecorrente de tempo inversos aparecem predominantemente nos
circuitos de distribuição, subtransmissão e nos circuitos de
menor tensão, enquanto que os relês de distância predominam
nos circuitos de transmissão de tensão mais elevada.

O ajuste dos relês de sobrecorrente de tempo in­


versos, para proporcionar uma operação seletiva, envolve a
coordenação de conexões instantâneas e de relês de sobrecor­
rente instantâneos distintos (separados), os próprios relês
inversos, fusíveis, e disparos de ação direta (abaixo de 600
volts).

Os fundamentos da coordenação do relê de s obrecor­


rente serão apresentados na forma de u m exemplo- A Figura
9.1 indica a coordenação de um fusível, e três relês de so-
brecorrente invérsos de sentido contrario à corrente. O s is­
tema 1 linha estã incluído como um suplemento n a Figura 9.1.
O processo de coordenação inicia com a escolha do aparelho
de maior corrente no sentido normal que, neste caso, ê o
fusível. 0 fusível foi previamente selecionado para proteger
equipamentos de corrente de sentido normal. O dispositivo de
corrente contrária seguinte é o relê 2 no chaveamento de 4,16
KV. Este relê ê escolhido com uma característica mu i t o in­
versa, jã que esta característica combina mais com a do fu­
sível de corrente de sentido normal. A escolha deste relê ê
feita em primeiro lugar por estar acima da característica do
fusível, estar acima do máximo carregamento do alimentador e
por proporcionar proteção de sobrecarga para o cabo ou ao
circuito aéreo.

O indicador de tempo ê escolhido para proporcionar


um tempo mínimo de aproximadamente 2 segundos entre a carac­
terística de tempo de abertura m áxima do fusível e o tempo
de operação do relê para todas as correntes abaixo da cor­
rente m áxima devido a uma falta simétrica. Este tempo de 2
segundos inclui a permissão p ara o sobrepercurso do disco e
desvios de fabricação e ajuste. A permissão de sobrepercur-
so é geralmente de 1 segundo, enquanto proporciona-se 1 a 2
9.1
Fig.
888288? 8 8 V 0*0V il 0 3*S «3 ÕdW3i
segundos para permitir desvios de fabricação e de ajuste. Não
se usa nenh u m a conexão instantânea ou relê no relê 2, jã
que não operaria seletivamente com o fusível. E m alguns ca­
sos, a ação de limitação de corrente dos fusíveis permite,
n a verdade, o uso de unidades instantâneas altamente ajus­
tadas nas proximidades do relê de corrente de sentido c on­
trario.

O Relê 3 é o relê do disjuntor principal do se c u n ­


dário do transformador. Este relê proporciona prot e ç ã o de
sobrecarga para o transformador, e proporciona retaguarda p a ­
ra faltas nao desligadas no alimentador e barramento. Es­
te relê deve ser capaz de suportar carga m áxima e estar co­
ordenado com todos os relês do alimentador de corrente de
sentido normal. N a Figura 9.1 tem-se por certo que o relê 2
é o relê de sobrecorrente do alimentador de ajuste mais ri­
goroso. Com a partida deste relê a 1.200 ampêres (apenas 2
vezes abaixo d a corrente do transformador a p l e n a carga) e
o ajuste no indicador de tempo de n9 2, o tenpo mínimo entre
sua curva característica e aquela do relê 2 para qualquer n í ­
vel de corrente de falta possível ê de 0,35 segundos.Este in­
tervalo de tempo ê proporcionado para considerar sobrepercur-
so, desvios de fabricação e ajuste e o tempo de operação do
disjuntor do alimentador. N enhuma unidade instantânea ê u-
sada no relê 3.

O relê 4, no lado primário do transformador não


deve operar n a magnetização do transformador, deve proteger
o transformador de acordo com as recomendações d a ANSI, e
deve ser seletivo com o relê 3. O relê 4 ê ajustado no tape
de 5 ampêres. e no indicador de tempo n9 3, de tal forma que
sua partida ê acima daquela do relê 3, e o tempo mínimo de
limpesa entre as duas características ê de 0,35 segundos em
todos os níveis de corrente de falta possíveis. Então, este
ajuste ê checado para se assegurar que o disparo ocorrera a-
baixo do ponto ANSI. O ponto ANSI é discutido nos critérios
da ANSI C57.12. E s t a regra aconselha que o nível de corren­
te de falta, acima do qual as correntes de falta deuerlcna ser
limitadas, seja menor do que um tempo especificado. Jã que.
num transformador conectado delta-estrela, uma falta fase-
terra pode fazer com que o enrolamento estrela atinja uma
magnitude de falta trifãsica, enquanto que as correntes de
linha primaria são apenas 58% para transformadores delta-
estrela. A Figura 9.1 indica que o ajuste escolhido para o
relê 4 vai de encontro a este critério. Jã que h â inpedâncLa
considerável (o transformador) entre os relês 3 e 4, uma u-
nidade instantânea é usada no relê 4. A esta unidade ins­
tantânea é dado um ajuste acima da corrente de falta assi­
métrica máxima que pode fluir para falta no lado secundário.

Ambos os relês 3 e 4 são do tipo inverso, a fim


de proporcionar tempos de operação maiores para correntes de
nível mais baixo. Em algumas situações, uma b o a coordenação
não pode ser adquirida quando o relê de corrente de sentido
contrario tem uma característica menos inversa do que o relê
de corrente de sentido normal seguinte. Isto pode ser mos­
trado na Figura 9.1, ao se notar que, se o ajuste de "pickup"
do relê 3 fosse diminuído, as características dos relês 3 e 2 iriam
tocar primeiramente num ponto consideravelmente abaixo do
nível de falta máximo. Isto seria indesejável; e os tempos
de operação menores são mais desejáveis para o nível de fal­
ta mais alto que possa ocorrer.

Os relês de sobrecorrente de tempo inversos, apli­


cados a cabos e seções de linha de transmissão, são co­
ordenados quase totalmente da mesma forma que aquela coor­
denação indicada para os relês 3 e 4 na Figura 9.1. Se a
seção da linha protegida ê suficientemente longa, ou inclui
impedância suficiente, os relês de ambas as extremidades po­
dem incluir unidades instantâneas. Em geral, linhas de trans­
missão numa rede exigirão relês de sobrecorrente inversos
direcionais.

RELÊS DE SOBRECORRENTE DE TEMPO INVERSOS APLICADOS A LINHAS


DE TRANSMISSÃO

A Figura 9.2 indica a aplicação de relês de so­


brecorrente de tempo inverso com conexões instantâneas, on­
de estes são aplicáveis a varias seções de linha de trans­
missão. N u m a tensão mais baixa, o relê de sobrecorrente de
tempo inverso e sua conexão instantânea pode formar tanto u-
m a proteção primaria como de retaguarda, enquanto que, em
tensões mais elevadas, o relê de sobrecorrente de tempo in­
verso, se usado, irã preencher apenas uma função de reta­
guarda.

RELfiS DE SOBRECORRENTE DIRECIONAIS VERSUS RELfiS DE S OBRE­


CORRENTE NÃO-DIRECIONAIS

Os relês de sobrecorrente direcionais são aplica­


dos onde correntes de falta podem fluir em qualquer direção
para o local do relê, mas o disparo ê desejado para faltas
e m uma direção ou outra apenas. Por exemplo, n a Figura 9.2
o propósito do relê R2 ê disparar o disjuntor 2 ou nas faltas
na linha entre as barras 1 e 2. A corrente de falta fluira
para a localização do relê R2 para as faltas nas linhas e n ­
tre a§ barras 2 e 3 também. Para evitar-se a operação do re­
lê R2 para faltas na linha entre as barras 2 e 3, uma uni­
dade direcional ê usada para supervisionar as unidades de
sobrecorrente do relê R2. O relê R 3 , por outro lado, não
precisa ser direcional jã que o fluxo da corrente de falta
pode ser na direção da barra 2 para a barra 4 apenas.

APLICABILIDADE DAS UNIDADES DE SOBRECORRENTE INSTANT&NEAS

Unidades de sobrecorrente instantâneas são apli­


cadas sempre que o nível de partida da unidade possa ser e s ­
tabelecido, de tal forma que a unidade distinguirã entre faltas
na linha protegida e faltas em linhas remotas ou barras. A
unidade instantânea ê sensível a ambos os oanpcnenbes de cor­
rente de falta a-c e d-c. Por isso, a unidade instantânea d e ­
ve ser ajustada de tal forma que ela não operara n a corren­
te de falta máxima que pode fluir para u m a falta na extre­
midade máxima da linha. Por exemplo, uma unidade instantânea
no relê RI não deve operar para falta Fl. Por isso, se uma
falta perto da extremidade máxima da linha não inclui com­
ponente d-c substancial, provavelmente ela não operara a u­
nidade de sobre corrente instantânea no relê Rl. Se o X/R do
sistema e da linha for alto, a corrente RMS total pode ser
até 1,5 ou 1,6 vezes o valor simétrico. E m linhas curtas, o n ­
de a diferença entre os níveis da corrente de falta na ex­
tremidade próxima e na extremidade máxima ê pequena, pode
ocorrer que o relê de sobrecorrente instantâneo não operará
de forma alguma para nenhuma falta, a não ser que ela con­
tenha a componente d-c.

Outra consideração a ser feita é a inflexibilidade


do sistema que esta suprindo a corrente de falta. Se a in­
flexibilidade deste sistema pode variar consideravelmente o
ajuste da unidade instantânea sob condições -de falta máxima
pode fazer com que seu ajuste seja tão alto que ele não o-
perarã, de forma alguma, sob condições de falta mínima. Es­
ta situação ocorre mais provavelmente e m linhas curtas, e
pode ser razão para não se usar uma unidade instantânea.

COORDENAÇÃO DE UNIDADES DE SOBRECORRENTE DE TEMPO INVERSAS


PARA PROTEÇÃO DE LINHAS

Unidades de sobrecorrente de tempo inversas podem


ser coordenadas por algum procedimento automatizado ou pela
semelhança grafica, como indicado na Figura 9.1 como um e-
xemplo, o relê R 6 , n a Figura 9.2, teria de ser coordenado com
os relês R2 e R3. 0 relê R6 seria ajustado para ser seleti­
vo com o relê R2 para a corrente de falta máxima que pode
fluir do sistema B par a falta F1 e todas as correntes mais
baixas, como ocorreria para faltas mais próximas ao sistema
A. Canoa tíorrente de falta que flui do sistema B para falta
F1 serã a mesma nos relês R2 e R 6 , a coordenação ê r elati­
vamente direta. A coordenação do relê R6 com o relê R3 pode
ter a vantagem do fato de que uma falta no sentido normal da
corrente do relê R3 estará recebendo corrente de falta de
ambos os sistemas A e B. Por isso, a corrente de falta, no
relê R3, serã maior do que e m R 6 , permitindo que o ajuste de
tempo do relê R6 seja reduzido. Por outro lado, se a linha
entre as barras 1 e 2, ou alguma linha remota no sistema A
estiver aberta, a corrente de falta no relê R3 e no relê R6
será a m esma para a corrente de sentido normal das faltas do
relê R3, e o relê R6 operará mais rapidamente que o relê R3.
Isto não seria proibitivo no entanto, para o sistema mostra­
do n a Figura 9.2, já que o disparo de ambos os relês R3 ou
R6 iria remover a falta sem interromper nenh u m a carga alêm
da necessária. 0 relê R 6 , no entanto, teria de ser coorde­
nado com o relê R4.

Fig. 9.2

EXEMPLO DE COORDENAÇÃO

A Figura 9.3 indica a coordenação dos relês R2 ou


R3, R6 e R7. R2 inclui uma conexão instantânea devido ao com­
primento da linha entre as ba r r a 1 e 2. As linhas entre as
barreis 2 e 3 e 3 e 5 são curtas e, por isso, os relês R6 e
R7 não incluem conexões instantâneas. O relê R6 ê ajustado
para ter o mesmo, ou levemente maior "pickup” do que o relê
R2. Dependendo de quanto perto está o ponto de part i d a da
carga máxima, R6 pode exigir um "pickup” maior do que R 2 , que
quando a corrente de carga flui da b arra 2 para a b a r r a l,o
relê R6 verá tanto a corrente de carga fluindo p ara a barra
4,* como aquela fluindo para a b a r r a 1. Já que todas as fal­
tas nas linhas entre as barras 1 e 2, acima do ajuste da u-
nidade instantânea no relê R 2 , serão removidas em alta ve­
locidade, a característica tempo x corrente do relê R6
necessita ser ajustada p ara ser seletiva com aquela de R2
para correntes iguais ou menores do que o ajuste da unidade
instantânea do relê R2. J á que R6 n ã o inclui uma unidade ins­
tantânea, o relê R7 deve ser seletivo com o relê R6 em todas
as correntes iguais ou menores do que a corrente de falta m á ­
xima que pode fluir para uma falta em F2. A Figura 9.3 in­
dica o uso de tempo de coordenação de 0,35 segundos

Fig. 9.3

COORDENAÇÃO DE RELES DE DISTÂNCIA

A discussão seguinte de considerações no ajuste de


relês de distância ê aplicável â proteção de distância bá­
sica de linhas, b e m como os esquemas de transferência de d i s ­
paro.

PRIMEIRA ZONA

E m muitas instalações, a primeira zona estâ conec­


tada para disparar seu disjuntor associado, sem nen h u m re­
tardamento de tempo intencional. A unica vez que o retarda­
mento de tempo e introduzido, serã quando esta unidade tiver
que esperar por um sinal de bloqueio n um esquema de trans­
ferência de disparo. Por exemplo, com uma derivação de car­
ga n u m a linha de 2 terminais que inclui u m relê para bloqueio
via um canal piloto, o tempo de operação do relê que e sta
começando o bloqueio, o tempo de acionamento do t r a n s m i s s o r ,
e o tempo de operação do relê do receptor deve ser menor do
que o tempo de "pickup" do relê da primeira zona, ou o relê
da primeira zona tem de ser retardado p ara permitir que e s ­
tas funções aconteçam. Isto pode resultar n u m retardamento
de dois ou três ciclos n a primeira zona para aplicações com
um terminal de bloqueio.

O alcance da primeira zona deveria ser maximizado.


Os fatores limitadores no ajuste do alcance da prime i r a zo­
n a são a precisão do relê e dos transformadores dos i nstru­
mentos, e a tendência do relê para o sobrealcance devido a
componente d-c na corrente de falta. Como foi discutido no
Capítulo 1, a tendência de sobrealcance de tipo atração mag­
nética dos relês ê s i g n i f i c a n t e , enquanto o efeito dos ti ­
pos de indução alcança proporções desprezíveis. N o entanto,
no caso de unidades copos de indução de alta velocidade, o
tempo de operação pode ser menor do que u m c i c l o r e o e fei­
to d a distorção do primeiro ciclo de corrente devido a uma
componente d-c pode causar um leve sobrealcance do relê.

Nas linhas de 2 terminais, o alcance da primeira


zona ê ajustado em 85 a 90% do comprimento d a linha, a p o r ­
centagem exata depende da quantidade de componente d-c
que se espera, e a precisão esperada do relê e do T C ( t r a n s ­
formador de c o r r e n t e ) . Também, a precisão dos cálculos da
impedãncia da linha pode ser um fator.

SEGUNDA ZONA

A unidade de segunda zona e sta conectada para d i s ­


parar através de um retardamento de tempo n a ordemi de 0,15 a
0,35 segundos. Este retardamento de tempo ê necessário, jã
que o alcance da unidade da segunda zona sobrepõe a p r i m e i ­
ra zona de relês e m linhas adjacentes n a direção do disparo.
0 alcance da segunda zona deve estender-se além da barra, na
extremidade máxima da linha, para proporcionar proteção de
retaguarda para a barra. 0 alcance da segunda zona não deve
se estender alêm da primeira zona de relês nas linhas adja­
centes, n a direção do disparo. Em geral, o alcance da segun­
da zona se estenderá a aproximadamente 50 a 75% da menor li­
n h a adjacente. E m linhas de três terminais, o alcance da u-
nidade da segunda zona não pode sobrealcançar as unidades da
primeira zona em linhas adjacentes que saem de ambos os t er­
minais r e m o t o s .
TERCEIRA ZONA

O alcance da terceira zona sobreporá o alcance das


unidades da segunda zona nas seções de linha adjacentes, e
por isso é conectada para disparar depois de um retardamen­
to de tempo de 0,5 a 1 segundo, dependendo do retardamento
de tempo máximo usado em qualquer das unidades da segunda zo­
n a de linha adjacente. A fim de proporcionar retaguarda p a ­
ra todas as linhas adjacentes, o alcance de cada unidade da
terceira zona deve incluir 100% de cada seção de linha ad­
jacente. Quando as linhas adjacentes v ariam ocnsideravelinente
em comprimento, será difícil ajustar a unidade da terceira
zona, de tal forma a alcançar 100% da linha mais comprida,
sem que h aja um sobrealcance nas unidades da segunda zcna dos
relês nas linhas adjacentes. Tal situação ê indicada na Fi­
gura 9.4. Há duas soluções disponíveis p a r a esta situação. O
alcance da terceira zona pode ser retrocedido, e adicionada
retaguarda local a tais linhas que não estão propriamente co­
bertas pela terceira zona. Um segundo caminho é ajustar-se
a zona 3, de tal forma que ela alcance 100% de todas as li­
nhas adjacentes, mas aumentando seu retardamento de tempo,
de tal forma que ela irá operar seletivamente com as u n i d a ­
des de relês e m linhas adjacentes da terceira zona.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÂNGULO DE TORQUE MÁXIMO

Muitos relês de distância têm u m ângulo de torque


máximo ajustãvel entre 60 e 75 graus. Duas considerações es­
tão envolvidas no ajuste deste ângulo, o ângulo de impedân-
cia d a linha de transmissão (impedância do transformador, im-
pedância do reator, e outras impedâncias n a zona protegida)
e a habilidade de acomodar a impedância do arco em faltas pró­
ximas da extremidade m áxima da zona protegida. Como indi­
cado n a Figura 8.3 a conexão de 60 graus permite u m a impe­
dância de falta maior dentro da zona de d i s p a r o . A primeira,a
segunda e a terceira zona podem ser ajustadas independente-
mente, e as considerações que ditam o ajuste do ângulo podem
variar de uma zona e outra. Em aplicações piloto, geralmen­
Fig. 9.4

te é preferível que a segunda zona inclua u m ajuste de ân­


gulo de 60 graus para assegurar que ela tenha sensibilidade
adequada para faltas na extremidade da linha com i m pedância
de arco. Isto aumenta as chances de um disparo em alta v e ­
locidade para todas as faltas de linha, o que ê a m e t a do
esquema de proteção piloto.

RESISTÊNCIA DE ARCO

Muitos curto-circuitos de linhas de transmissão


irão incluir impedância do arco. Apenas faltas do tipo fe­
chado (bolted t y p e ) , como ocorreriam se os reparadores d e i ­
xassem u m interruptor de terra na linha, ou se um operador
de guindaste atingisse a linha, não incluiriam impedância
substancial do arco. Paura todos os propósitos práticos, p o ­
demos ter por certo que a impedância do arco é bastante re-
sistiva. As características dos arcos de 60 ciclos no ar têm
sido estudados e as seguintes relações derivaram;

Ifa lta > 1000 snpêres: = 500 volts/pe

_ (500) (ocnprimento do arco em pês


arco I„_
aroo

Ifalta < 1000 srçèxes:Varoo = 875°/I<°'4) volts/pé

R -(S750/I*0*4*) (q^ rjjnento do ^ o o em pes^


aroo
Uma vez que um arco ê iniciado, ambas as forças do
vento e magnética tendem a alongar ou espichar o arco. O
vento ê o fator significativo, e a seguinte relação empírica
foi desenvolvida para relacionar o comprimento do arco(e, por­
tanto, a resistência do arco) como u m a função de tempo que
segue a iniciação do arco.

Comprimento do arco = 3vt + ZQ

v ~ velocidade do vento (mph)(milhas por hora)


t = tempo (segundos)
ZQ = comprimento inicial do arco

A resistência do arco ê muito máis prontamente p r e ­


vista para faltas fase-fase do que para faltas fase-terra.
Dependendo das condições de início da falta, a resistência
do arco pode ser substancial ou n ã o - e x i s t e n t e . Por exemplo,
um condutor quebrado, que entra em contato com a terra, p o ­
de causar apenas uma pequena quantidade de resistência do
arco, mas a resistividade d a terra pode ter u m efeito sig-
nificante. Os relês de sobrecorrente de terra podem geral-

mente ser ajustados com bastante sensibilidade, onde a cor­


rente de carga não é uma consideração na sua sensibilidade
mínima. Uma resistência de falta de 30 ohms ê geralmente u-
sada como base para determinar a sensibilidade adequada p a ­
ra proteção de faltas â terra.
CAPITUL0 10

RELÊS MISTOS E RELÊS ESPECIAIS

INTRODUÇÃO

Neste Capitulo sao discutidos três esquemas impor­


tantes de relê que não foram discutidos anteriormente. Os
esquemas são: proteção de subfreqttência (controle de carga),
proteção descompassada ou proteção de perda de s i n c r o n i s m o ,
e proteção de sobretensão.

OSCILAÇÕES PE POTfiNCIA É PE R D A DE SINCRONISMO

Os relês protetores, aos quais a maior parte d es­


te texto tem se relacionado, foram concebidos para detectar
e disparar seletivamente, sobretudo na ocorrência de curto-
circuitos. .A coordenação de relês protetores com d e feito é
decisiva para o b om desempenho de qualquer sistema de po­
tência. Ê raro que um engenheiro de proteção aplique, com
conhecimento de causa, um relê que atue p ara faltas fora de
uma zona específica de disparo; no entanto, o engenheiro de
proteção deve saber n ã o somente como seus relês responderão
a c u r t o - c i r c u i t o s , mas também como responderão a oscilações
do sistema de potência.

Um defeito em uma parte de um sistema, que não


seja sanado dentro do tempo crítico de comutação para esta-
bilidade (devido a falha d a proteção de primeira linha, au­
sência de velocidade adequada, ou condições de operação, a-
normais) , pode fazer com que os relês de distância remota o-
perem, devido não a correntes e tensões de defeito ‘'que apa­
recem no relê, mas devido a correntes e tensões que resultam
de oscilações de potência estáveis ou instáveis.

Estudos sobre estabilidade transitória podem for­


necer informações que permitirão que o engenheiro de p rote­
ção determine o aparecimento de uma oscilação de potência
(estável ou instável) aos relês de distância em qualquer lu­
gar do sistema.

Este fenômeno pode ser compreendido mais facilmen­


te com a ajuda de um equivalente de dois geradores, ou dois
sistemas interconectados com uma única linha de transmissão.
Jã que oscilações de potência e perda de sincronismo afetam
quantitativamente as três fases do mesmo modo, o problema po­
de ser analisado, utilizando-se apenas a rede de seqüência
positiva.

É raro que um problema desse tipo possa ser real­


mente analisado com um simples equivalente de duas máquinas.
m ■

Assim, estudos de estabilidade serão a principal fonte de


informação necessária ao engenheiro de proteção. No e n t a n t o ,
o equivalente de duas máquinas nos conduz prontamente a uma
compreensão do fenômeno.
Apenas relês de distância são sensíveis a este fe­
nômeno trifásico e, assim, interessam nesta análise.

A Figura 10.1 indica um equivalente de dois gera­


dores. Encontram-se incluídos a impedância do sistema A, a
impedância do sistema B, a impedância da linha de transmis­
são e a tensão antes da impedância em cada sistema. Um relê
está localizado em uma extremidade da linha de transmissão.
Analisaremos o desempenho deste relê.

A impedância, como será vista pelos relê sob todas


a condições, pode ser derivada em termos das impedâncias do
sistema e das tensões antes das duas impedâncias e q uivalen­
tes do sistema. Note-se que as cargas nas barras terminais e
carregamento de linha são postos de lado para e s t a deriva­
ção.

A corrente no relê (rele de fase) ê:

ea - eb

ZA + ZL + ZB

A voltagem no relê ê

V = E - IZ,

(e a - eb ) za
= E
ZA + ZL + ZB

Resolvendo para a razão de V sobre I, ou como a


impedância seria vista pelo relê,

■f = z = E a --~ E - (ZA + ZB + V - ZA

As condições iniciais do fluxo de potência n a li­


nha geralmente indicam que EA não é igual a E^. Assim, se
deixarmos

E, = nE
B

n(cos 9 + jsen 6)
Z Z
n(cos 0 + jsen 0)-l (ZA + ZB + V A

onde 8 é o ângulo através do qual E ^ se adianta E^. 0 ângu­


lo 0 tendera a manter-se positivo para defeitos perto do ge-
rador h , e negativo p a r a defeitos perto d o gerador B.

Através de curvas de oscilação de estudo de e s t a ­


bilidade, como n a Figura 10,2, e através do conhecimento de
limites de e s t a b i l i d a d e , sabemos que, me s m o uma oscilação e s ­
tável pode provocar uma oscilaçao angular entre EA e E fi de
até 120 a 130 graus elétricos. Uma oscilação instável fará
com que o angulo vã até e além de 180°.

A substituição de vãrios valores de n e 6 na e-


quação por Z fornece os valores de impedância que aparecem
em u ma diagrama R-X, como m ostra o d i a g r a m a n a Figura 10.3.

/
/

A Figura 10.4 m ostra a propagação da irnpedandavis­


ta por um relê de distancia. Quando ocorre um defeito , é
sanado, e resulta era uma oscilação de potência do sistema. 0
ponto de carga inicial é P^. Quando ocorre o defeito, a im-
pedãncia salta imediatamente p a r a P 2# a localização do de­
feito. Quando o defeito é sanado, a impedância salta para P0,
que reflete as mudanças angulares e de excitação que o cor­
rem durante o defeito. 0 lugar geométrico move-se como uma
função do tempo do ponto P^, ou através da característica da
linha (oscilação instável) ou se aproxima d a linha e, então,
volta à ãrea de carga normal (oscilação e s t á v e l ) .

Fig. 10.3
B
I
I

Fig. 10.4

A Figura 10.3 inclui a característica da linha, as


características do sistema A e B, todos vistos do ponto de
locaçao do rele, assim como uma característica de relê m h o e
a oscilação do sistema ou a característica de perda de sin­
cronismo, vistas pelo relê.

As características do sistema, a característica de


perda de sincronismo e a característica do relê mho podem to­
das ser desenhadas no mesmo diagrama R-X, jã que as oscila­
ções de potência e a perda de Sincronismo são equilibradas,
e a linha e as impedâncias dó sistema que delineamos são li-
n h a a neutro para defeitos trifãsicos equilibrados. Os relês
mho de fase vêem as condições trifãsicas como se fossem i­
guais às características de fase a fase. Durante uma o sci­
lação estável, o ângulo entre EA e E fi propagar-se-ã na fai­
xa de 100 a 120° e, então, retornara a um número mais baixo.
Haverá u m a oscilação amortecida deste ângulo, mas a p r i m e i ­
ra oscilação ê a mais forte e é a que pode causar a operação
do relê. Quando ocorre uma oscilação instável, a caracterís­
tica passa de 120° e 180° e além, caindo e m uma condição de
ciclo de escorregamento. No caso de perda de sincronismo se­
guida por condição de escorregamento de estado, a trajetó­
ria d a impe d ân cia vista pelos relês serã um círculo semelhan­
te a uma das três caracerísticas de pe r d a de sincronismo,
mostradas n a Figura 10.3. A impedância vi s t a pelo relê atra­
vessará a característica circular de perda de slncrcnismo uma
vez a cada ciclo de escorregamento. Deve-se notar que, na
Figura 10.3, as três características de pe r d a de sincronismo
mostradas são apenas três entre u m numero infinito de pos­
sibilidades. A característica de pe r d a de sincronismo de li­
n h a reta ê também, na verdade, a característica de u m c ír­
culo de raio infinito (N=l).

Os efeitos da capacitância paral e l a e cargas de


sistema, assim como diversas impedâncias de gerador ou ní­
veis de excitação, tornam esta derivação m uito aproximada.
Também serã raro que um sistema equivalente tão siirples pos­
sa ser usado. Como foi mencionado acima, pode-se inserir nos
programas de estabilidade transitória a capacidade de iirpri-
mir a impedância aparente em pontos específicos do sistema,
de maneira que a operação do relê possa ser verificada. Em
um sistema multimãquinas pode ser que exi s t a m muitas linhas
que, uma vez ou outra, devido a padrões de geração, carga do
sistema, circuitos e m funcionamento ou fora de funcionamen­
to, etc., incluirão o centro elétrico do sistema. Também em
u m sistema multimãquinas, geralmente e x i s t e m varias condi­
ções possíveis para a perda de sincronismo. A condição para
a perda de sincronismo de qualquer mane i r a dependerá, atê um
certo ponto, da localização da falta causadora da perda de
sincronismo.

Um programa de estabilidade transitória pode ser


concebido para verificar continuamente a característica da
impedaneia em qualquer ponto do sistema durante uma pertur­
bação, acionando uma bandeira de sinalização ou um alarme,
se a impedância cair em uma zona específica do relê. Pode-
se até chegar ao ponto de permitir que o programa desligue
uma linha quando a característica da impedância cair dentro
da característica do relê.

Um aspecto mais importante deste prcblema para nossa


consideração ê o que fazer a respeito disto. Existem,na ver­
dade, dois problemas: como evitar desligamento de linha em
oscilações estáveis, e como controlar o desligamento na per­
da de sincronismo. N o ultimo caso sempre serã necessário se­
parar um sistema e m seções para permitir que as seções in­
dividuais continuem a operar.

Temos, então, dois objetivos que se chocam: como


evitar desligamentos e m oscilações e, ao mesmo tempo, permi­
tir o desligamento em localizações importantes sem perda de
sincronismo.

Quando uma estabilidade transitória indica que e-


xistem inúmeras linhas no sistema que possam estar sujeitas
â operação de relê em perda de sincronismo ou oscilação,u-
m a decisão deve ser tomada a respeito de cada linha, cano par
exemplo, se deve-se deixar que os relês desliguem e m perda
de sincronismo ou, então, que deva ser instalada proteção con­
tra desligamento em perda de sincronismo.

Relês protetores podem ser instalados para evitar


ou bloquear operação de relês de distância em perda de sin­
cronismo e, também, para provocar operação, especificamerte,
em perda de sincronismo.

Duas observações adicionais podem ser feitas com


relação âs Figuras 10.3 e 10.4. Primeiro, foi levado em con­
sideração apenas u m a extremidade d a linha; no entanto,um
relê na outra extremidade da linha, também encarando a li­
nha, estaria sujeito ao mesmo fenômeno, e seu diagrama de
impedância apareceria essencialmente como o da Figura 10.4.
Nas Figuras 10.3 e 10.4 moôtrou-se que a impedân-
cia d a linha era aproximadamente duas vezes a impedância de
qualquer um dos sistemas A ou B. Se tivesse, por exemplo,
Z^ * Z a e = 3 vezes Z^, a característica de p e r d a d e s i n -
cronismo para N * 1 teria caldo, e m alguma parte, n a impe­
dância Z^. A ceuracterística passaria por um ponto n a impe­
dância Z^ só se N fosse consideravelmente menor que 1. Se
fosse este o caso, os reles de distância em A' e B* não ve-
riam a característica de p erda de sincronismo, e n a o es t a ­
riam sujeitos à operação. No entanto, algum outro rele de
distância no sistema Z^ experimentaria a característica de
pe r d a de sincronismo e estaria sujeito ao disparo. Também,
dependendo do tamanho de Z^ em relação a Z^, a caracterís­
tica de perda de sincronismo, através de toda impedância de
A a B e m Z^, pode cair n a segunda ou terceira zonas d o relê
e m A',

Oútra observação que pode ser feita aobre a Figu­


ra 10.4, é que a impedância d a seção d a linha Z^ torna-se
pequena comparada a Za e Z^, uma grande oscilação angular se ­
rá necessária para levar a característica de oscilação cau­
sada por uma oscilação estável p a r a a zona do relê q ue p r o ­
tege a linha.

Esquemas para proteção de perda de sincronismo

Encontra-se incluído no fim deste Capítulo (Apên­


dice I) um memorando PTI recente, resumindo os relês p rote­
tores que po d e m ser coordenados para fornecer um padrão pre­
visível de divisão de sistemas quando ocorre a p erda de s in­
cronismo. Me s t a altura o aluno deveria ler o Apêndice I.

RELÊS DE VOLTS P O R HERTZ

Os relês de volts por hertz são instalados e m u-


nigades geradoras de operação, p ara evitar sobreexcitações
inadvertidas dos transformadores durante o começo do funcio­
namento da unidade. Se o sistema de excitação do gerador toma-
se ativo durcinte o aumento de velocidade da turbina,ele ten­
tara estabelecer uma tensão nominal na freqüência baixa de
20 ou 30 hertz. Isto representa essencialmente um nível de
excitação de três por unidade para o transformador da uni­
dade. O mesmo pode ocorrer, enquanto a unidade não estiver
funcionando, se a excitação da maquina n ã o ê removida. O re ­
lê de volts por hertz nesta função ê um recuo para a rapi­
dez do operador e normalmente seria conectado para acionar
um disjuntor de campo. O relê de volts por hertz também po­
de ser aplicado ã geração remota como unidades hidro, como
parte de um esquema para evitar sobreexcitação do gerador e
do transformador sobre rejeição de carga. Se a velocidade e
a tensão do gerador crescem proporcionalmente, não ocorre a
sobreexcitação, mas se a tensão cresce sem um aumento pro­
porcional e m velocidade, então acontece a sobreexcitação, e
o relê deveria, mais uma vez, remover a excitação ou colo­
car a excitação em sua posição mínima.

RELfíS de sobretensão para proteção do sistema e equipamento

Relês de sobretensão sãp usados e m esquemas para


auxiliar o controle de sobretensão tanto em tipos de sis­
tema radial ou não radial, quando o sistema contém insoli-
tamente grande quantidade de transmissão de EHV. Tanto o C a ­
nada quanto o Brasil têm estes sistemas. E m geral, os relês
de sobretensão devem ser conectados para desligar linhas de
transmissão, para eliminar a fonte da corrente de carga. Par­
ticularmente, em sistemas interconectados e em sistemas com
varias instalações de geração, o desligamento dos geradores
e dos transformadores podem compor o problema de sobreten­
são, forçando a geração restante a fornecer quantidades ca­
da vez maiores de corrente de carga.

A proteção de sobretensão é um assunto complexo e


não tem sido bem documentado. .Muitos sistemas não têm sido
afetados por este tipo de problemas, mas poderão ser no fu­
turo, à medida que os fatores operacionais de potência dos
geradores aumentem devido â transmissão nas mais altas t e n ­
sões e o aumento do uso de circuitos de cabo em tensões mais
altas. A corrente de carga fornecida por cabos e m base por
milha supera, era muitas vezes, a das linhas de transmissão
aberta de tensão semelhante.

CONTROLE DE CARGA

Controle de carga (algumas vezes chamada de con­


servação de carga) ê o ato de desligar carga do sistema p a ­
ra eliminar sobrecarga do gerador e evitar q ueda de freqflên-
cia e colapso do sistema. Quando a potência real exigida por
uma carga do sistema excede a potência desenvolvida pela tur­
bina de ura gerador, a energia armazenada nas partes e m ro­
tação dos geradores é usada para alimentar a carga resultan­
do na queda de velocidade nos geradores. Â m e d i d a que a fre­
qüência do sistema diminui, o desempenho de equipamentos au­
xiliares de rotação como excitação, refrigeração forçada, ban­
has, etc. começa a decair pondo e m risco a continuidade de
operação d a maquina. Uma referência de nível muito usada para
definir a freqüência mais baixa, n a qual pode-se esperar que
uma m a quina continue a funcionar, ê 56 hertz (sistema de 60
hertz 1. Quando uma sobrecarga acarreta q u e d a de freqüência,
a ação de controle de carga tem que ocorrer antes que a fre-
qtiência do sistema atinja este nível mínimo, se a r ecupera­
ção é esperada.

Contingências que acarretam sobrecarga no sistema e q ueda


de freqüência

As duas contingências predominantes, que dão lugar


a situações nas quais a carga do sistema excede a capacida­
de da turbina do gerador, são desligamentos súbitos e não
planejados de estratégicos sistemas interconectados e o d e s ­
ligamento súbito de uma grande unidade de geração em u m sis­
tema isolado. Outras causas po d e m ser a pe r d a de fornecimento
de vapor, devido a uma falha n a caldeira ou m a u funcicnanento
do sistema, e a pe r d a de geração e m u m sistema interconec­
tado, que faz com que as ligações diretas de intersistema
tornem-se sobrecarregadas com conseqüente desligamento.
Energia armazenada

Os rotores dos geradores (e rotores de motores se


a carga do motor for significante) armazenam energia em for­
m a de energia cinêtica quando sao postos e m velocidade de o-
peração. Quando existe uma condição, a partir d a qual a po­
tência de saída elétrica do gerador excede a de entrada me­
cânica da turbina para o gerador, a energia armazenada em
rotação é retirada e fornecida através d a saída elétrica do
gerador. E m geral as contingências, para as quais u m e sque­
m a de controle de carga ê planejado, são aquelas que ocor­
rem repentinamente e resultam e m coeficiente negativo e sú­
bito de mudança d a freqüência do sistema. Â m e d i d a que a fre­
qüên c i a ou a velocidade d a maq u i n a diminui, os reguladores
tentarão aumentar a velocidade d a turbina. O sucesso d a a-
ção do regulador dependera d a taxa de muda n ç a de freqüência,
da quantidade de reserva de repuxamento disponível quando a
sobrecarga repentinamente apareceu, e a velocidade de res­
posta do sistema regulador.

E m alguns casos, a resposta do regulador alimenta­


ra a velocidade da turbina o suficiente p ara desviar a q u e ­
da de freqüência e aplicar potência acelerante para substi­
tuir a energia armazenada e fazer com que a e n ergia volte a
um nível normal, mas serâ seguida por uma segunda q ueda de
freqüência devido a transitórios ou falta de capacidade do
equipamento a vapor de manter o fluxo de vapor necessário.

Os programas de controle de carga são c o n c e b i d o s ,


geralmente, com a suposição pessimista de que a resposta do
regulador e a reserva de repuxamento não estão disponíveis
por ocasião d a perturbação. Neste caso, o esquema de ccntro-
le de carga ê concebido p a r a lidar com o pior caso. Também,
quando a reserva de repuxamento e a resposta do regulador a-
judam a corrigir um desequilíbrio entre entrada e saída do
gerador, a quantidade de carga em qualquer contingência so­
frerá uma redução.
Cálculo d a taxa de decaimento

A aceleração ou desaceleração do gerador e da tur­


b i n a po d e m ser calculados prontamente, se ê dada a constan­
te de inércia do gerador, e a diferença entre a entrada do
torque p ara o gerador e o equivalente torque elétrico de saí­
da. A seguinte equação aproximada ê usada geralmente:

ds
dt V

onde: ds
= taxa de variação de freqüência e m hertz
dt
por segundo.

= freqüência base e m hertz


£o
H = energia armazenada pela m áquina em
megawatt-segundos por MVA.

T =» torque mecânico de entrada p ara gerador


(por u n i d a d e ) .

T, » torque elétrico no gerador (por u n i d a d e ) .

A aceleração ou desaceleração ê calculada em hertz


por segundo para facilitar a avaliação das regulações de re­
lês de freqüência usados em esquemas de controle de carga.
A constante H é calculada usando-se a seguinte equação:

H = 0,231 W K 2* (RPM)2 10~9


MVA base da m a quina
2
0 valor WK nesta equaçao deve ser referido a v e ­
locidade nominal da máquina. Deve-se tomar cuidado quando en­
grenagens e s t ã o e n v o l v i d a s , de man e i r a que a inércia de to­
das as partes da m á quina se refiram, adequadamente á velo-
cidade u s a d a na equação. A l é m disso, o símbolo WK deve in ­
cluir tanto a inércia da turbina como d o gerador.

A s quantidades T
e T 0 não apareceríam para uso i-
9 x *
mediato nos cálculos das taxas de decaimento de freqüência,
m as o fato d estas quantidades estarem em "por unidade", e que
estamos tratando com pequenas variações em velocidade em t o m o
da velocidade de operação nominal, isso nos permite uma sim­
plificação. Jã que potência é igual a torque vezes veloci­
dade, e os desvios de velocidade com os quais estamos tra­
balhando têm 5% ou menos de velocidade estimada, pode-se con­
siderar e iguais às quantidades e P^, respectiva­
mente a entrada de potência mecânica no gerador e a saída de
potência elétrica do gerador.

Deve-se notar também que tanto T quanto T 0 não


~ _ 9 *
serão constantes durante uma perturbação de velocidade ou de
freqüência, jã que a turbina do gerador terã uma característi­
ca de velocida d e - t o r q u e , ou característica velocidade-potên­
cia.

As turbinas a vapor geralmente têm torques cres­


centes com velocidade decrescente, dado um fluxo constante
de vapor, enquanto a potência da carga cai, à medida que a
freqüência decresce.

Se Tg e são supostas constantes durante a p e r ­


turbação, estas características fornecerão resultados pes­
simistas para ds/dt, resultando em desenvolvimento de um es ­
quema de controle de carga um tanto quanto conservador.

USO DA EQUAÇÃO DA T AXA DE DECAIMENTO

A equação da taxa de decaimento, acima, foi intro­


duzida considerando-se apenas um gerador unico. E sta e qua­
ção pode ser aplicada a um sistema somando-se (em uma base
MVA comum) a constante H de todos geradores, e usando carga
de sistema total e níveis de potência de geradores na equa­
ção.

Um desequilíbrio de potência em u m sistema pode


ser acompanhado por oscilações de potência s i n c r o nizadoras,
acrescentadas na rede de deficiência do gerador. Esta o sci­
lação farã com que os níveis de potência de diferentes ge­
radores variem, mas a rede de deficiência de potência resul­
tará em uma taxa de decaimento da freqüência do sistema, em­
bora esta taxa de freqüência possa estar variando e m barras
indi v i d u a i s .
Como um exemplo para o da equação da taxa de de­
caimento , consultar a Figura 10.6.

E s t a Figura representa um sistema com 1.000 mega-


watts de geração e 1.200 megawatts de carga, com 200 mega-
watts trazidos de um sistema interconectado. Suponhamos que
haja uma energia armazenada insignificante n a carga, e que
os geradores do sistema têm ura H constante de 4 megawatt se­
gundos por MVA e m sua própria base MVA. Isto resultaria n u ­
ma constante total de 40 usando 100 MVA base do sistema. 0
desligamento súbito da ligação d ireta d e ixaria o sistema oan

200 megawatt de carga em excesso. O T 0 e o T por unidade se-


x, g
rã 12 e 10 respectivamente. Substituindo-se estes valores na
equação, temos:

ds
dt <10 ~ 12> = 0,75(-2)

= -1,5 Hz/seg.

O sinal negativo indica desaceleração e q ueda na


freqtiência do sistema. Este número é preciso n o primeiro ins­
tante após o desligamento da linha, mas a taxa vai decrescer
um pouco, devido a características de carga e maior saída da
turbina, devido a ação do regulador. No entanto, supondo que
a ação do regulador i insignificante e ignorando as carac­
terísticas de torque da turbina e da velocidade de carga, po­
demos supor uma taxa contínua de 1,5 hertz por segundo. Neste
coeficiente teremos 2,67 segundos antes que o sistema atin­
ja a freqüência crítica de 66 hertz.

Aplicação de relês de subfregüência

Se o sistema ao qual estamos nos referindo fosse


muito compacto como uma usina industrial, o desligamento da
ligação direta pode causar imediatamente desligamento de car­
ga, usando-se um interruptor de contatos remotos. No e n t a n ­
to, e m um sistema concessionário, ele não é geralmente p r a ­
ticável e os reles de subfreqtiência têm que estar localiza­
dos próximos ao sistema e perto de cargas a serem derruba­
das. Esquemas que usam coeficiente de muda n ç a de relês de
freqüência foram construídos para controlar grandes q u a n t i ­
dades de carga proporcional à taxa de decaimento da freqüên­
cia. Isto seria desejável, mas, em geral, não se acha tais
tipos de relês n a pratica. Assim, relês de subfreqüência do
tipo eletromecânico ou estado sólido são os mais populares.
Com relê tipo estado sólido h á quatro ciclos de períodos de
operação de interruptores, o que permite que a carga seja
desligada entre 6 a 10 ciclos do tempo da freqüência de a-
juste do relê. Os relês eletromecânicos requerem um período
de operação um pouco maior. Atraso de tempo pode ser apli­
cável e m certas circunstâncias, mas quando sobrecargas podem
fazer com que a freqüência caia para mais de 5 hertz por se­
gundo, o atraso de tempo pode arriscar o sucesso do esquema
de controle de carga.

Relês de controle de carga podem ser preparados p a ­


ra operar seletivamente com rejeição de carga em blocos, como
a carga de mais baixa prioridade conectada para desligar em
freqtiências mais altas. 0 uso de vários passos de controle
de carga permite uma combinação razoável da quantidade de
rejeição de carga com a grandeza da sobrecarga. A rejeição
de carga deve sempre ultrapassar a quantidade de sobrecarga,
mas apenas com uma quantidade q u e # assegure uma reaceleração
razoavelmente rápida do sistema para perto da freqüência n o r ­
mal.
A Figura 10.7 indica uma curva muitas vezes esbo-
çada para visualizar a resposta para o sistema de controle
de carga, Uma curva deste tipo ajuda, jã que o esquema de re­
jeição das cargas é concebido por tentativa e erro, conside­
rando-se as contingências mais prováveis de causar sobrecar­
gas.
EM
FREQUÊNCIA

Fig. 10.7

A Figura 10.7 indica u m total de 600 megawatts co­


nectados a relês de subfreqtiência em qua t r o passos d o con­
trole de carga. Assim, quatro níveis de prioridade estão d i s ­
poníveis e relês instalados e m qualquer das freqüências po-
t —
dem estar localizados e m vários lugares no sistema. As duas
curvas na Figura 10.7 indicam uma sobrecarga inicial de 200
e 400 megawatts. E m cada caso, o relê responde antecipado e
ê esboçada a perturbação da freqtiência do sistema.

A curva na Figura 10.7 é apenas u m a ferramenta e


em distúrbios reais, a excursão da freqüência não segue exa-
tamente estes caminhos. N a verdade, oscilações de sistema po­
d em causar desvios de freqtiência em barras individuais de
ate mais ou menos 1 hertz. E m tais circunstancias, as cargas
podem não ser rejeitadas do sistema, na seqüência indicada
pela Figura 10.7. Isto é, algumas cargas com relês prepara­
dos a 58,5 hertz podem cair antes que outras cargas com re ­
lês preparados a 59,0 hertz.
Proteção da turbina

Uma consideração importante no desenvolvimento de


um esquema de controle de carga ê a proteção de turbinas a
vapor. A vida de uma turbina a vapor pode ser muito reduzida,
se ê exigida para operar em saída integral a freqüências m u i ­
to abaixo da freqüência nominal. A Figura 10.8 indica tempo
de operação permissível em freqüência reduzida para uma oer-
ta turbina a vapor. Dados do fabricante sobre os limites re­
comendados para operações de baixa freqüência, podem ser u-
sados para construir uma curva desse tipo. Essencialmente,
esta curva representa os limites do tempo de operação, que não
provocarão uma diminuição significante na vida da turbina.

Os tempos são a c u m u l a t i v o s , de maneira que a ope­


ração a uma certa freqüência, digamos 58 hertz, no início da
vida da máquina, ê reduzida â quantidade de tempo de opera­
ção de baixa freqüência, quç deveria ser p e r m i t i d o a qual­
quer freqüência, mais tarde, na vida d á máquina.

FREQUÊNCIA
( Hzl

TEMPO DE OPERAÇÃO A FREQUÊNCIA REDUZIDA (Minutos)

Fig. 10.8
APÊNDICE I

MEMORANDO

PROTEÇÃO CO N T R A PE R D A DE SINCRONISMO

INTRODUÇÃO

Como os tamanhos do sistema aumentam, e mais in-


terconexões de alta tensão são adicionadas entre os sistemas
existentes, uma carga cada vez maior ê colocada n a proteção
para a continuidade do serviço. Os sistemas de proteção e s ­
tão crescendo em sofisticação para se adequarem a tais e xi­
gências. Uma ãrea de proteção do sistema, que estã ganhando
cada vez mais atenção, é a proteção contra perda de sincro-
nismo.

O termo geral, proteção "contra perda de sincro-


nismo" refere-se à divisão seletiva de grandes sistemas in-
t e r c o n e c t a d o s , quando distúrbios, tais como curto-circuitos
ou desligamento de linha ou transformador, fazem com que os
geradores ou grupo de geradores percam o sincronismo. Ê im­
praticável projetar-se um sistema que se mantenha estável em
resposta a todas as contingências possíveis. Tais contingên­
cias fora dos limites de projeto- do sistema,que podem levar
a uma situação de perda de sincronismo, são a preocupação de
um engenheiro em projetar um sistema de proteção contra per­
d a de sincronismo.
A habilidade de pré-selecionar os pontos, nos quais
um sistema ira'se dividir, é necessária para minimizar a preo­
cupação dos consumidores. O fato de duas seções de um siste­
m a estarem entrando numa condição de pe r d a de sincrcnismo n ão
precisa necessariamente resultar e m quantidades significan-
tes de carga, sendo interrompidas, ou mesmo, o sistema so-
fra um black-out. Se duas seções de u m sistema que sai de
sincronismo podem ser separadas num ponto que d eixara ambos
com carga aproximadamente igual de geração, ocorrera proble­
m a mínimo aos consumidores.Não ê sempre possível que p r o t e ­
ção de perda de sincronismo pode separar sistemas, de tal
forma que não é necessário uma rejeição de carga, m as uma a-
plicação cuidadosa de tal proteção pode otimizar razoavel­
mente o procedimento programado de divisão do sistema para
minimizar perturbações.

Um esquema de proteção de pe r d a de sincronismo irá


incluir coordenação da proteção de linha com relês de dis­
tância existentes e outros relês especiais instalados p ara
controlar os pontos onde o disparo ocorre p a r a separar, se­
ções do sistema que estão fora de sincronismo ou que estão
entrando n uma condição de p erda de sincronismo.

Preparação para o m a n e j o de um esquema de prot e ç ã o contra


p e r d a de sincronismo

Um esquema de proteção contra perda de s i ncronis­


m o irá utilizar tanto os relês de proteção de linha padrões,
como os relês especialmente aplicados p a r a tal proteção,mas
é necessário que tais relês se j a m cuidadosamente aplicados
p a r a otimizar a proteção proporcionada. A ferramenta de m a ­
nejo mais significante que se pode obter p a r a proporcionar
dados nas características dinâmicas do sistema, necessários
para o projeto de um esquema de proteção contra perda de sin­
cronismo, é o programa de estabilidade transitória.

0 nível de otimização do esquema de proteção coh-


tra perda de sincronismo dependerá do numero de operações de
estabilidade transitória executados no sistema e da eficá­
cia com que o engenheiro de proteção examinar os resultados
de tais operações e os vários relês disponíveis para o uso
em tal esquema. Um estudo convencional de estabilidade tran­
sitória deveria incluir todos os distúrbios do sistema dig­
nos de crédito e todas as formas de operação do sistema que
se pode esperar que persistam por uma quantidade razoável de
tempo. N a forma convencional, este estudo ê usado n a p r o j e ­
ção conceptual de um sistema que ira permanecer estável pa­
ra uma lista pré-determinada de contingências e pode resultar
num ajuste final de operações, todas mostrando oscilações es­
táveis do sistema. Um esquema de proteção contra pe r d a de
sincronismo deveria impedir disparo acidental nas oscilações
estáveis do sistema, e por isso os resultados de um estudo
de estabilidade convencional serão úteis. No entanto, o co­
nhecimento da resposta do sistema ã contingências que levam
a condições instáveis (falha no disjuntor, desligamento simultâ­
neo de linhas de circuito duplo, faltas ou abertura de uma
linha estratégica que ocorrem quando o sistema está num'es-*
tágio de e m ergência ou de operação anormal) também deve ser
solvido e ex i g e u ma extensão do alcance do estudo convencio­
n a l de estabilidade transitória.

Assim, como com a extensão da investigação analí­


tica da d i n â m i c a do sistema, também a sofisticação do esque­
ma de proteção contra perda de sincronismo ê principalmente
uma questão de grande importância econômica. Como em muitos
aspectos de aplicação do relê e no trabalho de coordenação,
o projeto de u m esquema de proteção contra perda de sincro­
nismo ê, até um certo ponto, um procedimento de tentativa e
erro. O problema ê muito menos complicado quando o sistema
de transmissão junta 2 centros de geração, e se torna cada
vez mais como tal quando a geração e espalhada e m volta do
sistema ou cai era centros múltiplos de geração.

Características de perda de sincronismo

Quando o gerador ou grupo de geradores sai de sin­


cronismo com relação ao restante do sistema, ocorrerá uma
tensão zero em algum ponto no sistema entre os dois grupos
de geradores, quando eles passam de 180 graus elétricos en­
tre suas fontes de tensão equivalentes. E s t a tensão zero irá
cair em algum ponto da impedância que separa as duas fontes
de tensão (reatância do gerador, reatâncias do transformador
e da lin h a ) . Esta tensão zero aparecerá como uma falta tri-
fãsica a certos reles de proteção de faltas. As caracterís­
ticas da impedância equivalente, como apareceriam aos relês
de distância, quando os dois grupos de geradores saem de sin-
cronismo, são mostrados n u m diagrama R-X na Figura 2.

Quando os dois sistemas saem de s i n c r o n i s m o , a ca­


racterística de perda de sincronismo traça um local exato,
começando num ponto de carga inicial e depois cruzando a im ­
pedância do sistema e continuando para dentro de um grande
molde circular, retornando à área do ponto de carga inicial
e depois continuando a atravessar a mesma grande órbita cir­
cular, uma vez por cada um dos ciclos de escorregamento. O
ponto em que a caràcterística de perda de sincronismo atra­
vessa a característica de impedância do sistema dependerá de
muitas variáveis e pode ser determinado apenas a partir de
estudos compreensíveis de estabilidade transitória e m q u a l ­
quer dos mais simples dos sistemas.

Equivalente de um sistema de duas máquinas

A Figura 1 indica um equivalente de u m sistema que


inclui dois centros de geração interligados por uma rede de
transmissão. A rede de transmissão ê simplificada numa seção
simples de linha. Este equivalente ou sistema simplificado
é usado na seguinte discussão dos diversos tipos de relê u-
sados em esquemas de proteção contra perda de sincronismo.
O equivalente de dois sistemas é usado apenas com propósito
acadêmico e ê raro que um sistema real possa ser s i mplifi­
cado a tal ponto. Quando tal simplificação não ê possível,
um programa digital de estabilidade transitória multimãqui-
nas deve ser usado para examinar a resposta do sistema a v á ­
rios distúrbios.

Apesar das discussões seguintes se referirem a uma


seção de linha de transmissão simples, os mesmos relês e
considerações de aplicação serão aplicados a cada uma das
linhas, paralelas e a muitas linhas numa rede.
Equipamento de proteção utilizado num esquema de proteção
contra perda de sincronismo

Muitos esquemas de proteção contra faltas, u tili­


zando relês de distancia irão disparar qua n d o u m a caracte­
rística de perda de sincronismo atravessa uma seção de li­
n h a protegida.

Tanto a primeira,como a segunda e a terceira zonas


de impedãncia, os relês de distancia do tipo de reatância e
mho podem começar a disparar quando u ma característica de
perda de sincronismo cai dentro da característica de d i s p a ­
ro do relê. A Figura 3 indica a primeira e segunda zonas de
um relê de distância mho. A comparação desta Figura e da Fi­
gura 2 indica como a característica de p erda de sincronismo
pode atravessar a característica do relê e resultar em d e s ­
ligamento de linha.

Quando um estudo de estabilidade transitória in ­


dica que a característica de sincronismo pode travessar a
seção de linha protegida com relés de d istância e nao é d e ­
sejável p a r a tal seção de linha disparar sob tais condições,
um relê mho pode ser utilizado para bloquear o disparo, co­
mo mostra a Figura 4. Este relê mho adicionado ê mostrado
proporcionando bloqueamento apenas p ara a zona 1 do relê mho
de proteção de linha. A lõgica do esquema de bloqueamento ê
baseada no fato de que uma caractersitica de pe r d a de sin­
cronismo d arã partida ao relê de bloqueamento muitos ciclos
antes de acionar o relê m h o da zona 1, enquanto os curto-
circuitos irão disparar ambos os relés simultaneamente. Por
isso, se ambas as unidades dispararem simultaneamente,o dis­
paro ê bloqueado ou retardado, dependendo do propósito d a u-
nidade de controle mho.

O desligamento de uma seção de linha particular,


quando a característica de perda de sincronismo atravessa a
impedãncia da linha, pode ser desejável como parte de um es­
quema de proteção contra pe r d a de sincronismo; no entanto, a
função do disjuntor (como discutida abaixo) pode fazer dis­
paro instantâneo sob perda de sincronismo perigoso aos dis­
juntores do circuito. Quando é este o caso, a unidade mho,
como mostrada n a Figura 4 e discutida acima num esquema de
bloqueamento, também pode ser usada para proporcionar a in­
formação que uma condição fora de sincronismo ocorreu e o
disparo deveria começar, mas retardado, até que a separação
angular entre os dois sistemas estiver numa zona tolerável.
A quantidade de retardamento de tempo necessário nao é fa­
cilmente determinada e pode variar consideravelmente, depen­
dendo das condições iniciais do sistema e da seriedade do
distúrbio que causa a condição de perda de sincronismo. As
variações do tempo exigido serão representadas pelas opera­
ções de estabilidade transitória no sistema. Em alguns ca­
sos, um simples retardamento de tempo serã adequado, e em
outros casos, o retardamento de tempo necessário devera ser
arranjado como uma variável dependente do tempo exigido p a ­
ra que a característica de perda de sincronismo atravesse da
característica do relé mho de bloqueamento para a caracte­
rística do relé de distância da zona 1.

Existem esquemas de proteção de linha, tais como


comparação de fase que não irão disparar em perda de sincro­
nismo; hã outros elementos de impedância do sistema, tais
como reatores e, em particular, transformadores (que são ge­
ralmente protegidos por relês diferenciais) que também não
estão sujeitos ao disparo por perda de sincronismo. tfti trans­
formador, no entanto, pode cair dentro da segunda zona de um
relê de distância e, neste caso, o disparo pode acontecer se
uma característica de perda de sincronismo atravessa a ca­
racterística de impedância do transformador. Se o disparo por
perda de sincronismo ê desejado em algum ponto onde os reles
de distância não sao regulados para sentir a característica
de perda de sincronismo, ou onde o disparo é desejado num
ponto em que uma característica de perda de sincronismo a-
travessar uma seção de linha remota (zonas externas de relês
de distância localizados no ponto de disparo d e s e j a d o ) , um
relé ângulo-impedância de disparo contra falta de sincrcnismo
pode ser usado. A característica de tal relê é mostrada na
Figura 5. Este relê pode operar para disparar diretamente
ou apôs retardamento de tempo, quando as características de
direita e esquerda transformam o estado com u m a mudança mui­
tos ciclos antes do outro. Um curto-circuito irã mudar o e s ­
tado de apenas u m a das características, sendo que aquela m u ­
dada depende de onde o ponto de carga inicial está (â esquer­
da ou à direita do diagrama R-X) , enquanto uma característica
de perda de sincronismo irã atravessar uma característica e ,
então, muitos ciclos depois do outro. O alcance do relé an­
gu 1 o- impedân cia de disparo contra p erda de s i n c r o n i s m o ê es­
sencialmente infinita e, por isso, irã disparar, não impor­
tando onde a característica de perda de sincronismo atra-
vesar a característica de impedância do sistema. Quando ne­
cessário, um relê mho pode ser usado p a r a limitar a zona do
relê ângulo-impedân cia de disparo contra perda de sincrcnis-
mo, como mostra a Figura 6. Desta forma, muitos relês de dis­
paro contra perda de sincronismo podem ser colocados num
sistema, com cada um deles localizado n u m ponto de disparo
desejado e controlando uma certa porção do sistema. Os relés
de ângulo-impedância. de disparo contra p erda de sincronismo
supervisionados podem ter zonas sobrepostas em certas apli­
cações .

Um outro relé de disparo contra p e r d a de sincro­


nismo pode ser projetado a partir das características de 2
relês mho com off-set ou de impedância, como m o s t r a a F i g u ­
ra 7. As saídas das duas características do relê são inter­
ligadas de tal forma que o disparo pode ocorrer instantanea­
mente se o grau de percurso d a característica de p erda de
sincronismo (quando ela atravessa u ma e depois a o utra das
duas características) for suficientemente baixo, e o tempo
exigido para o início e a operação do disparo do disjuntor
não permitir que os ângulos do sistema excedam mais do que
aproximadamente 90°, antes que o disparo seja completado.Se
a característica de perda de sincronismo esta se movendo tão
rapidamente que o ângulo seja excessivo antes do disparo ser
completado, o disparo não ê iniciado até que a caracterís­
tica de pe r d a de sincronismo ocorra no lado oposto das ca­
racterísticas do relé. No ultimo caso, o disparo ê instan­
tâneo e iniciado quando a característica de perda de sincro-
nismo atravessa a característica externa do relé. Este relé
de disparo contra perda de sincronismo ê usado onde as os­
cilações do sistema vão além de 75 a 8G graus elétricos, e
resultando numa condição de perda de sincronismo.

Se um sistema pode sustentar oscilações estáveis


maiores que 90°, um relê ângulo-impedância de disparo con­
tra perda de sincronismo (Figuras 5 e 6) deve ser usado e o
disparo ser retardado até depois dos sistemas terem alcança­
do um ângulo de separação de aproximadamente 270° ou mais.
O relê ângulo-impedância de disparo contra perda de sincro­
nismo irã sustentar oscilações tão altas como de 160 a 170°
sem nenhuma das características operando.

A função do disjuntor sobre interrupção de sistemas fora de


sincronismo

Quando um disjuntor é exigido para abrir e s epa­


rar dois sistemas que estão a 180° fora de fase, a tensão de
recuperação de estado permanente através dos põlos abertos
do disjuntor, serã de 2,0 por unidade, com excursões t r ansi­
tórias em algumas condições não usuais maiores que 3,0 por
unidade. Tais níveis, especialmente seguindo a interrupção
de correntes que se aproximam dos 25% do grau do disjuntor,
podem causar a destruição do disjuntor do circuito, e é por
isto que, em sistemas sem um esquema de proteção contra per­
da de sincronismo, devem ser proporcionados meios para, pelo
menos, evitar o disparo em perda de sincronismo (assim como
um relê mho de controle, discutido acima) em linhas parti­
culares prováveis de perceber uma característica de perda de
sincronismo.

Conclusão

A discussão acima é necessariamente rápida e in­


clui apenas conceitos básicos. Muitas variações dos tipos de
arranjo de proteção discutidos são possíveis, e outros tipos
de relés não discutidos podem também entrar em jogo. 0 pro­
jeto de um esquema de proteção contra falta de sincronismo,
exige um estudo completo de Engenharia em ambas as ãreas de
simulação dinâmica e de proteção. O engenheiro que projetar
tal esquema de proteção deve ser capaz de avaliar o ben e f í ­
cio econômico de um esquema de proteção sofisticado que ele
projeta, a fim de justificar os gastos necessários. Um es­
quema de proteção contra falta de sincronismo pode ser tão
simples como o disparo de bloqueamento em vários locais e s ­
tratégicos e permitir o disparo em outros, ou pode incluir,
essencialmente, todas as linhas que pos s a m ver u m a caracte­
rística de perda de sincronismo.

Também, h ã muitas considerações sobre cplicaçiò que


devem ser avaliadas na aplicação de tal esquema de p rote­
ção, que não foram discutidas aqui. Uma discussão completa
sobre esquemas de proteção contra perda de sincrcnismo e con­
siderações, iria exigir um texto considerável.

SISTEMA •

Fig. 1
Sistema equivalente

Fig. 2 Fig. 3
Característica de perda C a ra c te rístic a do
de sincronismo r e lê nho
Fig. 4 Fig. 5
Relê mho para bloqueio ou Relê ângulo-inpedância
disparo contra perda de de disparo centra perda
sincronismo de sincrcnismo

Fig. 6 Fig. 7
Relê de disparo oentra perda Relê tipo inpedância de
de sincrcnismo supervisionado disparo centra perda de
sincrcnismo
»

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Centrais Elétricas Brasileiras SA

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