Você está na página 1de 4

AULA TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

1. Origem

A expressão “direitos fundamentais” surgiu na França durante o movimento


político e cultural que originou a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão,
de 1789.
Alguns autores dizem que os direitos fundamentais iniciaram pela Magna Carta de
1215. Nesta Magna Carta foi imposta uma limitação aos poderes do Rei João Sem Terra.

2. Diferença entre as expressões DIREITOS DO HOMEM (DIREITO NATURAL), DIREITOS


HUMANOS (DIREITO EXTERNO) E DIREITOS FUNDAMENTAIS (DIREITO INTERNO).
• Direitos humanos: têm base jusnaturalista. Os direitos humanos são
pertencentes ao homem universalmente considerado, não precisando estar consagrado em
qualquer ordenamento jurídico. Pertencem ao homem por ser uma pessoa humana.
• Direitos fundamentais: refere-se a direitos relacionados às pessoas inscritos
dentro dos textos normativos de cada Estado. Eles vigoram numa determinada ordem jurídica.
• Direitos do homem: é uma expressão jusnaturalista que conceitua direitos
naturais aptos a proteção global do homem, carecendo estes direitos de qualquer positivação,
seja nacional ou internacional.

3. Natureza
Normas constitucionais (princípios e/ou regras) de caráter vinculante para todos
os poderes públicos (Legislativo, Executivo e Judiciário).

4. Teoria dos quatro status de Jellinek


Segundo Jellinek, há a teoria dos quatro status:
• Status passivo: o indivíduo está numa posição de subordinação dos poderes
públicos, tendo deveres perante o Estado.
• Status negativo: o indivíduo é titular de direitos de liberdade, sem ingerências
do Estado.
• Status positivo: o indivíduo é beneficiado pela atuação estatal, por meio de
prestações positivas.
• Status ativo: o indivíduo passa a influir na vontade estatal, participando
politicamente da opinião do Estado.
5. Direitos fundamentais e garantias fundamentais
Direito fundamental é o bem em si considerado. Ex.: direito à liberdade de
locomoção.
Garantia fundamental é instrumento para proteção desse direito fundamental.
Ex.: habeas corpus, que protege a liberdade de locomoção.

6. Características dos direitos fundamentais


Alexandre de Moraes traz algumas das principais características:
• Imprescritibilidade: o não exercício do direito fundamental não faz com que ele
desapareça. Em caso de violação, as ações que visem reparar um direito fundamental têm
caráter imprescritível, dada esta característica.
• Inalienabilidade: não é possível alienar o direito fundamental a outrem.
• Irrenunciabilidade: não se renuncia em caráter perene.
• Inviolabilidade: não é possível que o direito fundamental seja violado.
• Universalidade: os direitos fundamentais são de titularidade de todos os
indivíduos.
• Relatividade (Ilimitabilidade): não existem direitos fundamentais de caráter
absoluto.
OBS: Canotilho estabelece que os direitos fundamentais são de caráter aberto
(elasticidade/plástico), admitindo a previsão de novos direitos fundamentais não previstos,
quando da elaboração da Constituição. A própria CF, no art. 5º, §2º, adota esta característica
de caráter aberto dos direitos fundamentais. Vejamos:
“Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que
a República Federativa do Brasil seja parte.”

7. Dimensão objetiva e dimensão subjetiva


Os direitos fundamentais possuem uma dimensão objetiva e uma dimensão
subjetiva:
• dimensão subjetiva: considera o sujeito da relação jurídica, sendo o indivíduo
em face do poder público ou em face de outro indivíduo.
• dimensão objetiva: considera o conjunto de valores básicos de conformação do
Estado, devendo ser analisados os direitos fundamentais como parâmetro da forma que o
Estado deverá agir. Com isso, os direitos fundamentais passam a ter uma eficácia irradiante,
seria a capacidade de orientar o exercício da atividade do poder público, fazendo ele atuar
daquela determinada forma.

8. Classificação dos direitos fundamentais


OBS: Geração ou dimensão? Qual usar? Resposta: o surgimento de uma nova
dimensão não implica o fim da geração antecedente.
Os direitos fundamentais podem ser classificados em:
• Direitos de 1ª geração (Liberdade): princípio da liberdade, ganhando o
contorno de direitos civis e políticos, impondo restrições à atuação do Estado. O direito
clássico é o direito de propriedade. São os direitos de liberdade (status negativo) e direitos
políticos (status ativo).
• Direitos de 2ª geração (Igualdade): exige um agir do Estado, estabelecendo um
direito de igualdade material. São os direitos econômicos, sociais e culturais. Exige do Estado
um fazer: saúde, trabalho e educação. São os direitos prestacionais (direitos positivos).
• Direitos de 3ª geração (Fraternidade): tem a ver com o princípio da
fraternidade, protegendo direitos de titularidade coletiva, tais como direito ao meio ambiente
e paz. Estão aqui os direitos difusos.
• Direitos de 4ª geração: Paulo Bonavides diz que é o direito à democracia,
informação e pluralismo político. Para Norberto Bobbio, é direito de 4ª dimensão a
decorrência da engenharia genética, pois ela coloca em risco a própria existência humana,
quando é possível fazer a manipulação do patrimônio genético.
• Direito de 5ª geração: Paulo Bonavides diz que a paz seria um direito de quinta
geração. No entanto, há autores que defendem seriam de 5ª geração os direitos advindos da
realidade virtual, em função a preocupação do sistema constitucional com a difusão e
desenvolvimento da cibernética na atualidade, o que envolve a internacionalização da
jurisdição constitucional em virtude do rompimento das fronteiras físicas através da "grande
rede".
• Direito de 6ª geração: Segundo Uadi Lâmmego Bulos, a sexta dimensão alcança
democracia, pluralismo político e o direito à informação. Também há doutrina diversa
mencionando que a sexta geração seria referente ao direito à água potável.
• Direito de 7ª geração: Não há entendimento consolidado acerca de sétima
geração, mas já há apontamentos doutrinários defendendo que se trata do direito à internet,
com a crítica que a internet seria meio para alcançar certos direitos, e não uma nova
dimensão. O surgimento de uma nova dimensão não implica o fim da geração antecedente.
9. Destinatário dos direitos fundamentais
Os destinatários dos direitos fundamentais podem ser as pessoas naturais, as
pessoas jurídicas e até mesmo o Estado.
Para se ter uma ideia, o direito de propriedade é garantido a todos eles, inclusive
ao Estado.
Há direitos que não se enquadram em todos os destinatários, tal como ocorre
com o direito à locomoção. Todavia, também há direitos fundamentais próprios do Estado,
como é o direito à requisição administrativa.

10. Eficácia horizontal dos direitos fundamentais


Em regra, os direitos fundamentais se aplicam entre as relações verticais
(indivíduo x Estado). Todavia, é possível que os direitos fundamentais se apliquem entre
particulares, por meio da teoria da eficácia horizontal dos direitos fundamentais (ou privada ou
externa).

11. Restrições dos direitos fundamentais


É admissível que os direitos fundamentais comportem restrições, inclusive de
caráter legal, pois não têm caráter absoluto. É possível que a CF estipule que os direitos
fundamentais serão restringidos por meio de uma lei ordinária.
Exemplo disso é o direito de profissão que será exercido nos termos da lei.
Esta reserva legal pode ser qualificada, restringido a que termos esta lei deverá
atuar, conforme ocorre com o art. 5º, XII, em relação à interceptação telefônica.

12. Teoria dos limites dos limites


A restrição dos direitos fundamentais não pode ser total, pois, do contrário,
haveria restrição ao núcleo duro do direito e o desnaturalizaria, violando a proporcionalidade.
Os direitos fundamentais possuem um limite interno que contém a essência do
direito fundamental, o qual não pode ser restringido.
Ex.: brandura dos requisitos para a interceptação telefônica