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BIODIESEL: CONSIDERAÇÕES SOBRE ASPECTOS GERAIS DA PRODUÇÃO E A BUSCA

POR MATÉRIAS-PRIMAS ALTERNATIVAS

Givaldo dos Santos Andrade1


UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DA BAHIA – UFOB
CENTRO DAS CIÊNCIAS EXATAS E DAS TECNOLOGIAS
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM QUÍMICA PURA E APLICADA - POSQUIPA
1
e-mail: givaldopjr@gmail.com

1. Resumo
As mudanças climáticas, causadas, em grande parte, pela emissão de altas taxas de gases do efeito estufa,
oriundas principalmente da queima de combustíveis fósseis, aliado ao aumento do consumo energético,
tem mobilizado pesquisadores de todo o mundo em busca de novas fontes de energia, sobretudo
renováveis, que possa substituir os combustíveis derivados do petróleo. Neste contexto, os
biocombustíveis surgem como uma alternativa a essa necessidade. O biodiesel que tem como matéria-
prima óleos vegetal e gordura animal e é uma das principais alternativas ao diesel de petróleo. Biodiesel é
definido como um combustível composto de éster mono-alquílicos de ácidos graxos, produzido pela
transesterificação de óleos ou gorduras com um álcool na presença de um catalisador. O Brasil é um dos
principais produtor e consumidor desse biocombustível. Este artigo apresenta uma série de pesquisas no
que visam viabilizar economicamente sua produção usando matéria-prima alternativa, baixo custo e com
bom rendimento energético.
Palavras-chave: Biodiesel, transesterificação, energia renovável.

Abstract
Climate change, caused largely by the emission of high greenhouse gas emissions, mainly from the
burning of fossil fuels, coupled with increased energy consumption, has mobilized researchers from
around the world in search of new sources of energy. , mainly renewable, which can replace petroleum
fuels. In this context, biofuels emerge as an alternative to this need. Biodiesel has as its raw material
vegetable oils and animal fat and is one of the main alternatives to petroleum diesel. Biodiesel is defined
as a fuel composed of monoalkyl fatty acid ester produced by transesterification of oils or fats with an
alcohol in the presence of a catalyst. Brazil is one of the main producer and consumer of this biofuel. This
article presents a series of researches aiming at economically viable production using alternative raw
material, low cost and with good energy yield.
Keywords: Biodiesel, transesterification, renewable energy.

2. Introdução/Referencial Bibliográfico de término para os próximos 100 anos


A demanda energética para as diversas (SCHUCHARDT et al,2001), tem impulsionado
atividades humanas aumentou a busca de alternativa que futuramente substitua
exponencialmente nas últimas décadas. Em os combustíveis não renováveis. Assim, muitas
paralelo, aumentou também a preocupação com pesquisas tem se desenvolvido em torno do uso
os impactos ambientais, já que a principal fonte de biomassa para produção de biocombustíveis
de energia ainda é a proveniente de (PALÁCIO, 2012). Neste contexto, além da já
combustíveis fósseis, os quais são apontados consolidada produção de etanol, grande atenção
como potencias agentes causadores de tem sido dada aos óleos vegetais e gorduras
mudanças climáticas devido às emissões de animais para produção de biodiesel (MA e
gases de efeito estufa, resultado da queima HANNA, 1999).
desses combustíveis principalmente pelas No Brasil, a importância de produzir
indústrias e pelos meios de transportes biodiesel a partir dessas fontes de lipídeos, vai
(EICHLER et al 2015). além das questões de cunho energético, visa
Além disso, o fato desses combustíveis também o possível desenvolvimento
serem uma fonte de recurso finito, com previsão socioeconômico de diferentes regiões,
principalmente em torno do cultivo de (KNOTHE et al, 2006, apud RAMOS et al,
oleaginosas (como soja, mamona, amendoim, 2001).
dendê, licuri, café entre outras) fortalecendo Quimicamente define-se biodiesel como
assim a agricultura bem como gerando direta e combustível composto de éster mono-alquílicos
indiretamente milhões empregos (RAMOS et al, de ácidos graxos, produzido pela
2017). transesterificação de óleos ou gorduras, de
Embora atualmente se discuta sobre a plantas ou animais, com álcoois de cadeia curta,
utilização dos biocombustíveis como alternativa como metanol e etanol. A glicerina é,
aos combustíveis fósseis em motores de consequentemente, um subproduto da produção
combustão interna, a ideia não é recente. O de biodiesel (PINTO et al, 2005).
inventor do motor a diesel, Rudolf Diesel, no No Brasil, as primeiras tentativas de inserir
ano de 1900 já previa a possibilidade de uso de o biodiesel como alternativa aos combustíveis
óleos vegetais, como óleo de amendoim, em fósseis tiveram inicio na década de 1920 com o
seus motores (PALÁCIO, 2012). Instituto Nacional de Tecnologia. Contudo, só
Contudo, o uso do óleo vegetais in natura ganhou relevância em 1970 com a criação do
ou misturado não mostrou ser viável devido à Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins
formação de resíduos, o que reduzia a potencia Energéticos (Pró-Óleo), em meio à primeira
dos motores exigindo paradas constantes para crise do petróleo. Em 1986, os investimentos
limpeza e desentupimento dos bicos injetores neste programa foram extintos por dois motivos:
devido à alta viscosidade desses óleos a normalização do preço do petróleo e os
(PALÁCIO, 2012). investimentos ao programa Pró-Álcool
Para superar esses obstáculos e tornar os (MANZONI e BARROS, ano desconhecido).
óleos vegetais próprios para o uso como O biodiesel retornou à pauta do Governo
combustíveis, esforço considerável foi dedicado Federal como alternativa ao diesel comum em
à pesquisa com o objetivo de ao desenvolver 2002, com o lançamento do Programa Nacional
derivados de óleo vegetal que se aproximam das de Biocombustível, o PROBIODIESEL (Ramos
propriedades e desempenho do combustível et al, 2017). No entanto, com o inicio de um
diesel à base de hidrocarbonetos (FUKUDA et novo governo em 2003, o programa foi
al,2001). Pelo que está documentado, esse reformulado para torná-lo não somente uma
objetivo foi alcançado pela primeira vez em fonte de energia, mas também um instrumento
1937, pelo belga Charles Chavanne com o de desenvolvimento regional e inclusão social
processo de transesterificação do óleo de palma com a inserção da agricultura familiar como
(quebra da molécula de óleo em ésteres etílicos) fornecedora de matéria-prima para a cadeia
onde obteve um combustível análogo ao diesel produtiva (RICO e SAUER, 2015).
de petróleo, rendendo-lhe a patente pelo referido Então, em dezembro de 2004 foi lançado o
trabalho (KNOTHE, 2010). O termo biodiesel, Programa Nacional de Produção e Uso de
entretanto, foi publicado pela primeira vez em Biodiesel (PNBP) e em janeiro de 2005 através
1988 num artigo chinês, vindo a ser usado da Lei Federal Nº 11097 de 13 de Janeiro de
comumente somente a partir de 1991 2005 o biocombustível foi oficialmente inserido
na matriz energética brasileira, sendo autorizada
a mistura de 2% de biodiesel ao diesel de Gráfico 1 Produção regional de Biodiesel em
2018
petróleo (chamado de B2) (FLEXOR, 2007).
Esse percentual passou a ser obrigatório em
2008, sendo aumentado gradativamente em anos
posteriores: 2009 (B4), 2010 (B5), 2014 (B6 e
B7) (NOGUEIRA et al, 2016). Em 2016, a Lei
13.263 fixou a meta de que o teor de biodiesel
fosse de 8% (B8) em 2017, 9% (B9) em 2018 e
10% (B10) até março de 2019 (PINHO e
SUAREZ, 2017).
A Resolução CNPE nº 16, publicada em 07
de agosto de 2019, dispõe que a partir de 01 de
setembro do corrente ano, o percentual mínimo
de biodiesel a ser acrescentado ao óleo diesel Fonte: EPE a partir de (ANP, 2018)
comercializado no Brasil, será de 11% (ANP,
2019). Ainda, segundo a resolução, nos Dos estados, o maior produtor é o Rio
próximos quatro anos serão adicionados Grande do Sul, com volume de
anualmente 1% de biodiesel à mistura para que aproximadamente 1,5 milhões de m3,
em 2023 o percentual seja de 15%. correspondendo à 27,7% da produção nacional.
Essa política de elevação gradual do teor de Na sequência está o Mato Grosso, com 1,1
biodiesel ao diesel de petróleo tem assegurado milhão de m3, (21,2% do total nacional). A
ao Brasil uma posição de destaque como o Bahia é o quinto maior produtor nacional e o
segundo maior produtor e consumidor mundial maior do Nordeste com aproximadamente 376
de biodiesel, ficando atrás apenas dos Estados mil m3, ou seja, 7% da produção nacional (ANP,
Unidos (EPE, 2018). 2019).
Segundo dados da ANP (2019), a produção Embora a produção atual de biodiesel esteja
nacional de biodiesel em 2018 foi de em 62,7% de sua capacidade total, com a
aproximadamente 5,4 milhões de m3 o que criação do Programa Nacional de Produção e
correspondeu a 4% da matriz energética Uso do Biodiesel (PNPB), o Brasil já produziu
nacional. Até setembro de 2019 a produção já até setembro de 2019, mais de 39 milhões de m3
alcança 4,2 milhões de m3 se igualando à de biodiesel. Assim, de 2008, quando a mistura
produção de todo o ano de 2017. O Gráfico 1 de biodiesel ao diesel fóssil tornou-se
aponta que as regiões Centro-oeste e Sul, em obrigatória, até 2018, estima-se que o Brasil
2018, foram responsáveis por 82,5% de toda a deixou de importar 27 milhões de m3 de diesel
produção nacional, seguidas respectivamente, fóssil (EPE, 2018; ANP, 2019).
pelas regiões Sudeste, Nordeste e Norte (EPE,
2018). Matéria-prima para produção de
biodiesel
Um dos fatores importantes para a
produção do biodiesel é a grande diversidade de
matérias-primas disponíveis. São mais de 350
espécies de plantas oleaginosas identificadas no A escolha da fonte lipídica adequada é
mundo, que oferecem grande potencial para a fundamental para garantir o baixo custo de
produção de biodiesel (ATABANI et al, 2012). produção do biodiesel, pois esta representa 75%
Contudo, algumas delas apresentam propriedade do custo de produção do biocombustível
indesejável como baixa estabilidade oxidativa e (AHMAD et al, 2011). Dessa forma, a matéria-
alta viscosidade que são transferidas para o prima deve atender a dois requisitos principais:
biocombustível tornando-o improprio para o uso baixos custos de produção e grande escala de
direto em motores do ciclo Diesel (RAMOS et produção. Quanto ao último ponto, o clima
al, 2017). Sendo assim, para além da regional, localização geográfica, condições
disponibilidade, é necessário que a matéria- locais do solo e práticas agrícolas de qualquer
prima forneça um produto que esteja dentro das país são indispensáveis para garantir uma
especificações internacionais do biodiesel. produção que divida espaço com outros
Para tanto, as tecnologias aplicadas para combustíveis (SILITONGA et al, 2011).
refinar a matéria-prima e convertê-la em Neste aspecto, o Brasil é privilegiado,
biodiesel são determinantes para que o sobretudo porque possui uma extensa área
combustível produzido atenda aos padrões de territorial naturalmente rica em diversas culturas
especificação projetados (ATADASHI et al, de plantas oleaginosas com grandes potenciais
2010). de matéria-prima como babaçu, o dendê, o licuri
Atadashi e colaboradores ressaltam que a dentre outras variedades. Além do mais, o
pureza e a qualidade do biodiesel é influenciado território brasileiro é composto por regiões com
tanto pela qualidade quanto pela composição clima e solos bem distintos que potencializam o
química da matéria-prima, estando está última plantio de tantas outras culturas como a soja, a
relacionada à sua origem. A matéria-prima para mamona, o milho, o girassol, o amendoim, o
produção do biodiesel pode ser organizado em algodão que podem ser matéria-prima para o
quatro categorias distintas: óleo vegetal biodiesel (BERGMANN, 2013).
comestível, óleo vegetal não comestível, Embora o Brasil possua uma imensa
resíduos ou óleos reciclados e gorduras animais diversidade de matéria-prima, 69,8% do
(ATABANI et al, 2012). biodiesel brasileiro é a base de óleo de soja,
16,2% gordura animal e 14% outros materiais
Gráfico 2 Participação de matérias-primas para
a produção de biodiesel graxos (ANP, 2019).

Fonte: EPE a partir de (ANP, 2018)


Mais de 95% de todo o biodiesel no mundo Outas matérias-primas alternativas são as
é produzido a partir de óleos comestíveis, isso fontes de lipídeos residuais como, a borra de
no futuro, pode comprometer a segurança café, óleos de vísceras de peixe e óleos de
alimentar de uma parcela significativa da frituras que além de serem materiais de baixo
população, principalmente nos países em custo, sua utilização na produção de biodiesel
desenvolvimento (BALAT, 2011). explora o potencial energético dessas biomassas
Portanto, diversos países e organismos e evitar que seu descarte inadequado provoque
internacionais mostram a preocupação com o problemas ao meio ambiente (ATABANI et al,
aumento da crise mundial dos alimentos, 2012; RAMOS et al, 2017).
argumentando que a demanda das industrias Obtenção do biodiesel
produtoras de biocombustíveis tem provocado o Os principais métodos de obtenção do
deslocamento de áreas que anteriormente eram biodiesel são através da transesterificação e
utilizadas no plantio de alimentos para o cultivo esterificação de óleos vegetais e/ou gordura
de insumos destinados à produção de animal, mediante catalise ácida, básica ou
biocombustíveis (SUAREZ, et al, 2009). enzimática, que pode ser homogênea ou
Uma alternativa é o uso de óleos não heterogênea (CORDEIRO et al, 2011).
comestíveis na produção do biodiesel. Esta Na reação de transesterificação, também
possibilidade já vem sendo extensivamente chamada de alcoólise, um mol de
explorada há alguns anos em diversos países no triacilglicerídeo reage com três mols de álcool
mundo. O Brasil possui várias dessas de cadeia curta, preferencialmente metanol ou
oleaginosas para produção de biodiesel como o etanol, na presença de um catalisador, sendo
pinhão manso, a mamona, caroço de algodão, obtidos três mols de ésteres aquílicos e um mol
seringueira, semente de tabaco, além das de de glicerol, principal subproduto da reação
origem animal como o sebo bovino e as (SCHUCHARDT et al, 1998).
gorduras de frango e de suínos (BALAT, 2011).

Figura 1 Alcoólise de óleos vegetais. "R" representa grupamentos alquila contendo em média de 18 a 22
carbonos e R1 é o grupamento alquila do álcool utilizado como agente de transesterificação
O
O O OH
O R O
catalisador
+ 3 R1OH + HO
R
3 R
O O R1

OH
O R

Fonte: RAMOS, 2011.


De acordo com Freedman et al.(1986) e intermediário, por sua vez, é convertido a
outros tantos autores, a transesterificação monoacilglicerídeo originando outra molécula
consiste em reações consecutivas e reversíveis, de éster e num último ciclo, o
onde o triacilglicerídeo é inicialmente monoacilglicerídeo é convertido numa molécula
convertido em um intermediário diacilglicerídeo de glicerol e outra de éster (MA e HANNA,
liberando uma unidade de éster alquílico. Este 1999).
Em meio alcalino, como ilustrado na Figura formação dos ésteres alquílicos (MA e
2, essas séries de reações são catalisadas HANNA, 1999).
mediante a ação do íon alcóxido que é o Na produção do biodiesel, o processo mais
nucleófilo que promove o ataque ao carbono comumente usado é a catálise homogênea em
carbonil do triacilglicerídeo e dos outros dois meio alcalino. Porém, para que a reação ocorra
intermediários da reação. O íon alcóxido pode com sucesso, em termos de rendimento, via
ser adicionado diretamente à reação ou ser catálise alcalina, a fonte lipídica deve estar
previamente produzido pela dissolução isenta ou possuir baixo teor de umidade, pois a
alcóolica do hidróxido de sódio ou potássio presença de água pode induz tanto a hidrolise
(RAMOS et al, 2011). dos íons alcóxidos como dos monoésteres
Devido ao caráter reversível destas formados o durante a reação (CORDEIRO et al,
reações, é usado álcool em excesso para que o 2011).
equilíbrio da reação seja deslocado a favor da

Figura 2 Mecanismo de transesterificação alcalina de óleos vegetais



O O
CH3
O O O O O –
O O
O R1 O O
– O CH3 R1 +
CH3O R3 R3
R3 – O CH3
O O O

O R2 O R2 O R2

O O – O O
O OH
R3 R3 –
O
+ H2O + HO
O

O R2 O R2

Fonte: RAMOS, 2011.

Além disso, deve apresentar baixo teor de Nesta reação (Figura 3), o ácido provoca a
ácidos graxos livres, evitando que estes, na protonação da carbonila, gerando um
presença da base alcalina favoreça a reação de carbocátion que na sequência sofre o ataque
saponificação o que reduz o rendimento da nucleofílico do álcool formando um
transesterificação e dificulta o processo de intermediário tetraédrico, a partir do qual é
purificação do biodiesel (CANAKCI e VAN gerado uma molécula de éster, uma de
GERPEN, 1999). Sendo assim, quando a diacilglicerol e, consequentemente, regenerando
matéria-prima é rica em ácido graxo livre é mais catalisador que em ciclos subsequentes
recomendável o uso da catálise ácida, na qual converterá o diacilglicerol em mais duas
geralmente são usados ácidos de Brönsted- moléculas de éster, eliminando o glicerol como
Lowry como ácido sulfúrico (SCHUCHARDT subproduto (SCHUCHARDT et al, 1998).
et al, 1998; CORDEIRO et al, 2011).
Figura 3 Mecanismo de transesterificação ácida de óleos vegetais
+ H H
O O O
.. R1
O O O O CH 3OH
.. O O
O R1 O R1 O +
HA O CH3
R3 R3 R3 H
O A- O O

O R2 O R2 O R2

H
O
+ R1
O O H O O +
O
R1 R1 O CH3
R3 H
O CH3 O CH3 O
O O
OH
O R2
R3
O

O R2

Fonte: RAMOS, 2011.

Segundo Cordeiro e colaboradores (2011) a Diferente da catálise básica onde as


catálise ácida pode ser estrategicamente usada condições de reação são mais amenas, como
no pré-tratamento de matéria-prima de acidez tempo de reação menor, temperatura mais
muito elevada por meio da reação de brandas, a catálise ácida exige tempo de reação
esterificação. Este método tem sido empregado maior e temperaturas elevadas para que se
no desenvolvimento de processos híbridos como obtenham condições de reação mais rápidas.
em reações de esterificação seguida de Um comparativo entre os processos catalíticos
transesterificação, esterificação ácidos e básicos é mostrado na tabela 01
simultaneamente à transesterificação ou (ABBASZAADEH et al, 2012).
hidrólise seguida de esterificação (RAMOS et
al, 2011).

Tabela 01 Comparação da produção de biodiesel por processo homogêneo de catálise alcalina e catálise
ácida

Catálise alcalina Catálise ácida


Precisa de alta
Temperatura de reação 40 – 60° C
temperatura (60 –100° C)
Comparativamente mais Processo catalítico mais
Velocidade de reação
rápido lento que a base
Produtos saponificados Sem influência (produção
Ácidos graxos livres na matéria-prima
(formação de sabão) de ésteres alquílicos)
Água em matérias-primas Inibição da velocidade de Sob baixo teor de água, a
reação reação não é prejudicada

Rendimento do produto Normal Alto

Fonte: ABBASZAADEH et al, 2012.


Analisando as diferentes variáveis do para depois ser submetido à reação de
processo de produção do biodiesel, é notório transesterificação, a qual ocorreu em escala
que a escolha da matéria-prima é um dos fatores laboratorial e em um reator com capacidade
que mais contribuem na qualidade e na para 100 litros.
composição do custo final do biodiesel A transesterificação em escala laboratorial,
(RAMOS et al, 2017). Este, por sinal, é o catalisada por hidróxido de sódio via rota
principal obstáculo à comercialização do metílica obteve uma conversão de 92% de
produto sendo que a produção do biodiesel é ésteres metílicos. No reator foram
mais cara do que o diesel fóssil (BALAT, transesterificados 80 litros de óleo residual em
2011). uma solução de 500 gramas de NaOH em 16
Assim, no decorrer dos anos, inúmeras litros de metanol, à uma temperatura média de
pesquisas vem aprimorando os métodos de 40° C por 15 minutos, sendo obtido 76 litros de
síntese do biodiesel para torna-los mais baratos. biodiesel, que representa uma conversão de
Quanto à matéria-prima, as investigações têm 95%, o que demostra um grande potencial para
explorado as mais diversificadas fontes de a síntese do biodiesel a partir dessa fonte
lipídios como estratégia de melhorar a alternativa de baixo custo (DIB et al, 2010).
viabilidade econômica de produção de biodiesel Silva (2011) apresenta os resultados
(DELATORRE, 2011). obtidos com a síntese do biodiesel a partir de
3. Objetivos óleo residual em que usa as rotas metílica e
-Reconhecer a importância de pesquisas etílica catalisadas por ácidos e bases, onde
envolvendo biodiesel para a demanda energética obteve resultados satisfatórios acima 85% de
atual; ésteres etílicos e 95% de ésteres metílicos.
-Compreender os principais processos Ainda buscando tornar a produção de
químicos que envolvem a produção de biodiesel mais viável economicamente,
biodiesel; Sirisomboonchai (2015) e Mahesh (2015) e
-Apresentar fontes alternativas para colaboradores usaram não só óleos residuais,
produção de biodiesel através de pesquisas já como também catalisadores heterogêneos
consolidadas. alternativos e de baixo custo, como o CaO
4. Produção de Biodiesel a partir de matéria- impregnado com íons de potássio. Os
prima alternativa pesquisadores relatam que o catalisador pode
Na perspectiva de reduzir os custos da ser preparado a partir de diferentes materiais
produção e ampliar o leque de possibilidades como, casca de ovo, conchas de ostras e ossos
para síntese do biodiesel, as produções de animais. Ambas as pesquisas obtiveram
acadêmicas têm apresentado bons resultados resultados similares, sendo que Sirisomboonchai
nesta direção. e colaboradores (2015) conseguiram produzir o
Dib e colaboradores (2010) relatam a biodiesel com rendimento superior a 82% para o
necessidade do pré-tratamento da matéria- primeiro ciclo catalítico.
prima, que envolveu a filtragem, para eliminar Para Mahesh e colaboradores (2015), a
qualquer resíduo sólido oriundo do processo de condição reacional que obteve melhor
fritura, secagem e neutralizado via esterificação rendimento, 78,9% de biodiesel, foi quando
usaram a proporção metanol/óleo 12:1 e 4% de Após a extração, o hexano foi evaporado,
catalisador em relação à massa de óleo em 2 restando apenas o óleo puro, o qual foi
horas de reação. caracterizado na sequência. As reações
Seguindo a linha de aproveitamento de transesterificação foram feitas usando enzimas
óleo residual para produção de biodiesel, Dias do tipo lipases como catalisadores. A
(2009) optou por usar o óleo extraído a partir otimização da síntese foi alcançada ao usar a
dos resíduos gerados pela indústria de Lipozyme RM IM e etanol, onde foi obtido um
beneficiamento de peixe. O óleo foi extraído de biodiesel de melhor qualidade com rendimento
vísceras de tilápia, do qual foram produzidos os de 83,5% de ésteres etanolícos (CAETANO et
biodiesel metílico e etílico utilizando a reação al, 2016).
de transesterificação alcalina com NaOH. A Liu Yang e colaboradores (2017)
obtenção de biodiesel em ambas as rotas (etílica estudaram a influência do método e do solvente
e metílica) foram de 89,5% e 96,9% no rendimento do óleo extraído da borra de café.
respectivamente, com a qualidade dentro das O estudo mostrou o uso da ultrasonificação
especificações exigidas pela a ANP. aliada à extração via soxhlet não só aumenta o
Outro resíduo que tem despertado o rendimento como também diminui a quantidade
interesse dos pesquisadores em relação à sua de solvente usado. Outra observação foi o
capacidade lipídica é a borra de café, resíduo rendimento maior da extração a quente em
sólido tanto em pequena escala em casas relação à extração a frio. Embora o óleo possua
residenciais, quanto grandes quantidades pelas teor de ácidos graxos livres, os pesquisadores
indústrias produtoras de café solúvel. Segundo não usaram o método em três etapas comumente
Durán e colaboradores (2017), a cada tonelada usado: extração, esterificação e
de café cru, é liberado, em média, 480 kg de transesterificação. Liu Yang e colaboradores
borra, ou seja, quase 50%. Devido à sua (2017) empregaram o método de
composição química, em que o teor de lipídeos transesterificação direta, onde a produção do
presente é de 24 a 30%, este resíduo torna-se biodiesel combina extração, esterificação e
uma fonte de matéria-prima muito interessante, transesterificação do óleo em uma única etapa,
sobretudo, levando em conta que 52% do conhecida também como transesterificação in
consumo mundial de café, em 2015, foi do tipo situ.
solúvel, segundo a Associação Brasileira da A condição ideal dessa reação foi de 70°C
Indústria de Café Solúvel (ABICS, 2016) e 12 h com 20% em peso de H2SO4 como
(DURÁN et al, 2017). catalisador. O rendimento do biodiesel de café
Diante do potencial produtivo a partir atingiu 17,08% em peso, sendo que a taxa de
dessa matéria-prima, Caetano e colaboradores óleo de café convertido a biodiesel foi de
(2016), avaliaram a possibilidade de utilização 98,61%, em que os ésteres formados continham
do óleo extraído da borra de café para produção majoritariamente C16:0 (palmilato de metila) e
de biodiesel via transesterificação enzimática C18:2 (linoleato de metila).
em etanol. Inicialmente, o óleo foi extraído Outras fontes alternativas também tem se
usando o extrator Soxhlet e hexano como tronado objeto de estudo para a síntese do
solvente extrator. biodiesel. Drumond (2007) cita a oiticica
(Licania rigida), a faveleira (Cnidosculus Oléico (18:1) 7,0 52,0
quercifolius), o buriti (Mauritia flexuosa), a Linoléico (18:2) 3,0 11,0
macaúba (Acrocomia aculeata), o babaçu Linolênico (18:3) - 1,0
Cadeias saturadas (%) 90,0 30,0
(Orbygnia barbosiana), o pequi (Caryocar
Cadeias
brasiliense) e o licuri (Syagrus coronata), que 7,0 52,0
monoinsaturadas (%)
são plantas oleaginosas perenes que produzem Cadeias poli-insaturadas
3,0 18,0
(%)
óleo de boa qualidade e que possuem grande
potencial para a produção de biodiesel. Fonte: (IHA et al, 2014).

Nos trabalhos desenvolvidos por De La e


No referido trabalho, os autores também
colaboradores (2010), Santos (2011), Iha (2014)
comparam o rendimento da reação de
dentre outros pesquisadores foi estudado a
transesterificação quando catalisada por ácido e
produção de biodiesel a partir do óleo de licuri
base, onde observaram que a catálise básica
(Syagrus coronata).
apresenta uma eficiência maior em relação à
O licuri (Syagrus coronata) é uma
catálise ácida. O rendimento médio dos ésteres
palmeira que pertence à família Arecaceae,
metílicos formados via catálise básica foi de
sendo característica do semi-árido nortdestino e
98%, enquanto que com ácido sulfúrico, foi
que se desenvolve muito bem em regiões secas
inferior a 20% de ésteres formados.
e áridas como na caatinga (DRUMOND,
Independentemente do método catalítico usado,
(2007). No Brasil, sua distribuição geográfica
o biodiesel obtido pela metanólise do óleo de
compreende parte dos estados de Minas Gerais,
licuri, possui propriedades físico-químicas que
Bahia, Sergipe e Alagoas (NOBLICK, 1986).
atendem as especificações exigidas (DE LA,
De La e colaboradores (2010) verificaram
2010).
que a amêndoa do licuri contém, em média, por
Iha e colaboradores examinaram o
39% de óleo, sendo que a composição de ácidos
potencial das palmeiras Syagrus coronata
graxos do óleo de licuri apresentada na tabela 2,
(licuri) e Acrocomia aculeata (macaúba), para a
86% do óleo é composta de ácidos graxos
produção de biodiesel. Os ésteres metílicos do
saturados, majoritariamente ácido láurico, e
óleo de macaúba, diferentemente dos ésteres do
14% por ácidos graxos insaturados, contendo
óleo de licuri, como apresentado anteriormente,
predominantemente uma ligação dupla, com
exigiu a síntese em duas etapas devido ao alto
predominância do ácido oleico.
teor de ácidos graxos livres.

Tabela 2. Composição de ácidos graxos de Na primeira etapa o óleo foi submetido a


Syagrus coronata (Mart.) Becc. (SC) e uma esterificação por 2 horas com metanol e
Acrocomia aculeate (AA).
ácido sulfúrico, e na sequência foi realizada a
Ácidos graxos SC AA reação de transesterificação via catálise básica
Caprílico (8;0) 13,0 - em uma solução de metanólica de hidróxido de
Cáprico (10: 0) 8,0 -
potássio por igual período em temperatura
Láurico (12:0) 48,0 -
ambiente, em que foi obtido um biodiesel
Mirístico (14:00) 14,0 -
Palmítico (16:0) 5,0 25,0 contendo ésteres metílicos de ácidos graxos com
Palmitoleico (16:1 cis 9) - 6,0 pureza superior a 99%.
Esteárico (18:0) 2,0 5,0
Embora as propriedades físico-químicas do onde relaciona a composição química dos
biodiesel de ambas as espécies sejam bem ácidos graxos das matérias-primas (tabela 2)
distintas, a tabela 3 é um comparativo com as características apresentadas pelos ésteres
apresentado por Iha e colaboradores (2014), metílicos.

Tabela 3 Propriedades físico-químicas dos óleos Syagrus coronata (Mart.) Becc (SC) e Acrocomia
aculeate (AA) e seu biodiesel

Análise SC AA Método padrão


Óleo Biodiesel metílico Óleo Biodiesel metílico
Viscosidade cinemática (mm2 s−1) 27,6 2,9 41,9 5,6 ASTMD445
Acidez (mg de KOHg−1 óleo) 1,5 2,1 112,0 >0,5 AOCSCD3d-63
Densidade a 20 ◦C (gm−3) 922 871 919 883 NBR7138
Ponto de obstrução do filtro frio (◦C) 5 -10 10 -2 ASTM6371
Resíduo de carbono (%) 0,20 0,02 2,70 0,05 ASTMD189
Calor de combustão (MJ kg−1) 38,6 37,0 40,3 43,5 ASTMD240
Estabilidade oxidativa (h) 10,7 9 0,07 0,17 EM14112
Corrosão de cobre - 1A - 1ª ASTMD130

Fonte: (IHA et al, 2014)

Os dados apresentado na tabela 3 reafirma possuam propriedades físico-químicas


o que outros trabalhos já haviam mencionado, diferentes, ambas as matérias-primas têm
que as propriedades do biodiesel dependem da grande potencial para serem matrizes
matéria-prima de origem. Iha e colaboradores energéticas, sendo necessário apenas o uso de
(2014) o fato do biodiesel de SC apresentar aditivo antioxidante para em AA (IHA et
menor viscosidade, densidade e ponto de al,2014).
obstrução do filtro frio quando comparado ao Outro trabalho que merece destaque é o
biodiesel de AA, embora, este possua maior teor que Cunha e colaboradores desenvolveram com
de cadeia insaturada. Este comportamento, no biomassas alternativas para a produção de
entanto, é explicado pela presença majoritária biodiesel em aulas de graduação. No referido
de ácidos graxos em SC com cadeias carbônicas trabalho, os pesquisadores usaram as biomassas
menores de 8 a 14 carbonos, enquanto que os de abacate (Persea americana), leite de coco
ácidos graxos do AA possuem cadeias (Cocos nucifera), borra de café e licuri (Syagrus
carbônicas maiores de 16 a 18 carbonos. coronata), onde enfatizou a extração das frações
Outro dado a ser destacado é que alto teor lipídicas, a produção do biodiesel de todas as
de ácidos graxos insaturados no AA, pode biomassas e por fim realizaram a análise
explicar a baixa estabilidade oxidativa espectral comparativa dos triglicerídeos e
apresentada por este biodiesel, uma vez que os biodieseis.
ésteres mais insaturados estão mais propensos a Segundo Cunha e colaboradores (2018) a
serem oxidados (IHA et al,2014). extração do óleo de abacate se deu a partir da
De acordo com os autores, embora óleos e, polpa da fruta, a qual foi desidratada em estufa e
consequentemente, o biodiesel formado
em seguida submetida à extração via soxhlet, catálise básica, seguindo procedimentos
sendo obtidos 14 mL de 200g da polpa. similares aos de Dias (2009) e Dib et al, (2010).
A extração do óleo da borra de café foi o Os rendimentos dos respectivos biodieseis são
mesmo feito por CAETANO e colaboradores mostrados na tabela 4, onde se observa que, em
(2016), anteriormente citado. O rendimento foi relação ao licurí há uma concordância com
obtido nessa extração foi de 4 a 5%, bem rendimentos de outros trabalhos citados
inferior ao conseguido em outras extrações. anteriormente.
Porém, o teor de óleo contido na borra é Tabela 4 Rendimentos de óleos e biodieseis
dependente do tipo e da qualidade do pó de café
Biomassa Rendimento (%)
usado, bem como do modo de preparo da bebida Licuri 95
(Cunha et al, 2018). Coco 68
Como afirma os pesquisadores, o óleo de Borra de café 19
coco foi extraído de forma diferente à Abacate 75

geralmente usada, onde se usa solvente apolar. Fonte: Adaptado de Cunha et al, 2018.
A extração ocorreu a partir do leite de coco
comercial, via evaporação da água em um Em relação à borra de café, o rendimento
micro-ondas doméstico, sendo extraído 64 mL obtido por Cunha e colaboradores concorda com
de uma massa de 300g de leite. o alcançado por Liu Yang e colaboradores
O óleo de licuri, embora possa ser extraído (2017), mas é muito discrepante com o
por solvente ou via mecânica, no referido rendimento obtido por CAETANO e
trabalho, foi obtido comercialmente. colaboradores (2016).
Todos os óleos forma submetidos à análise Como já mencionado, neste trabalho,
de espectroscopia de infravermelho (IV) e Cunha e colaboradores (2018) apresentam de
ressonância magnética de hidrogênio (RMN forma muito didática, comprovam que a reação
1
H), os quais foram posteriormente comparados de transesterificação ocorreu ao comparando os
com as análises espectroscópica dos biodieseis. espectros de RMN 1H e IV dos óleos e dos
A conversão dos óleos a biodiesel foi biodieseis (Figura 4 e 5).
realizada via transesterificação com metanol via
Figura 4 Espectros parciais de RMN de 1H (CDCl3, 90 MHz) dos óleos e biodieseis

Figura 5 Intervalo dos espectros na região do infravermelho (1500-1000 cm-1, ATR) do óleo
(abaixo) e o biodiesel (acima) das biomassas alternativas estudadas.

Na figura 4, onde aparece o comparativo são o desaparecimento dos sinais dos


1
de RMN de H, Cunha e colaboradores (2018) hidrogênios metilênicos carbinólicos da porção
apresenta as principais mudanças ocorridas, que glicerina dos triglicerídeos (OCH2: δ 4,00-4,50
ppm) e o aparecimento do singleto da metoxila novas tecnologias não só no campo energético,
no biodiesel (OCH3: δ 3,54 ppm), o que mas de forma geral.
comprova a ocorrência da reação de
transesterificação com metanol (Cunha et al,
2018).
Na figura 5 os autores agruparam as
porções dos espectros na região do
infravermelho (1500-1000 cm-1) dos óleos e dos
biodieseis das quatro biomassas alternativas
estudadas onde, é possível distinguir
triglicerídeos de seus biodieseis.
De acordo com Cunha e colaboradores, as
comparações das bandas de absorções presentes
nos triglicerídeos em 1464-1470 e 1456 cm-1
(como um ombro da primeira) são válidas, ainda
que nos biodieseis existam as mesmas absorções
em 1462-1464 e 1456 cm-1 (também como um
ombro da primeira) mas sempre seguida da
absorção em 1435 cm-1 (inexistente no
triglicerídeo).
Além disso, Cunha e colaboradores,
observam que nos triglicerídeos sempre se
observa a ocorrência de uma banda larga em
1153-1163 cm-1, enquanto que no biodiesel esta
absorção desaparece e dá lugar ao conjunto de
absorção em 1196 e 1169-1171 cm-1. Este
conjunto de bandas aditivas à banda da função
éster metílico permite o diagnóstico preciso da
ocorrência da reação e distinção entre matéria-
prima e produto (Cunha et al, 2018).

5. Considerações finais.
Os trabalhos aqui mencionados
demonstram a enorme viabilidade de ampliar a
produção do biodiesel para além das matérias-
primas que atualmente sustentam a cadeia
produtiva. Além disso, os resultados alcançados
nas pesquisas com fontes de alternativas de
lipídios acenam para haja maiores investimentos
nos centros acadêmicos que se desenvolvam
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