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UM OLHAR ÉTICO SOBRE A MAGISTRATURA JUDICIAL E DO MINISTÉRIO

PÚBLICO EM MOÇAMBIQUE

Índice
Introdução...................................................................................................................................2

Objectivos...................................................................................................................................3

Um olhar ético sobre a magistratura judicial e do ministério público em moçambique.............4

Ética do Magistrado do Ministério Público................................................................................4

Independência dos magistrados do Ministério Público..............................................................5

Imparcialidade e Isenção.............................................................................................................6

Objectividade..............................................................................................................................7

Direitos e deveres dos Magistrados do Ministério Público........................................................7

Responsabilidade disciplinar dos magistrados do Ministério Público........................................9

Ética do Magistrado Judicial em Moçambique.........................................................................11

Conceito de Ética......................................................................................................................11

Ética do Magistrado Judicial.....................................................................................................11

Deveres do Magistrado judicial................................................................................................14

Integridade pessoal e profissional do Magistrado Judicial.......................................................15

Imparcialidade dos Magistrados judiciais.................................................................................17

Independência do Juiz...............................................................................................................18

Desvios Éticos...........................................................................................................................19

Conclusão..................................................................................................................................21

Bibliografia...............................................................................................................................22

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UM OLHAR ÉTICO SOBRE A MAGISTRATURA JUDICIAL E DO MINISTÉRIO
PÚBLICO EM MOÇAMBIQUE

1. Introdução

O presente trabalho individual da cadeira de ética e deontologia jurídica tem como tema
primordial abordar um olhar da ética sobre a magistratura judicial e do ministério público em
moçambique concretamente.

De salientar que em cada sociedade existem costumes que ensinam como as pessoas devem
estar e se comportar perante a mesma sociedade, ou seja, os costumes de uma sociedade nem
sempre são os mesmos que de outra sociedade, porém, a moral existe independentemente de
cada cultura.

Quer-se com isso dizer que a ética (costume ou carácter) respeita os fundamentos da vida
moral, e que a ética não só existe na sociedade no geral mas também faz-se presente em cada
profissão que faz parte da sociedade, recebendo portanto, o nome de ética profissional ou
deontologia.

A ética existe independentemente de existir ou não alguma profissão, porém, para que haja
deontologia é necessário que exista alguma profissão.

A deontologia comporta um conjunto de normas éticas de que uma profissão se dota através
de uma organização profissional, isto é, a deontologia orienta os profissionais a exercer as
suas actividades e a relacionar-se com os seus colegas de trabalho.

O trabalho da cadeira de Ética e Dentologia tem o carácter avaliativo e tem por finalidade
fazer uma análise metotológica da deontologia do Magistrado judicial e do ministério publico.

Com recurso a doutrina fornecida por meios informáticos bibioteca, a legislação vigente na
República de Moçambique e outros, far-se-á à um estudo da ética do magistrado e dessa
forma perceber se à da sua posição na sociedade onde está inserido e da forma como a
sociedade o encara.

Com este estudo apercebe-se que a tarefa de magistrado judicial como ao do ministério
publico por mais que não pareça são das mais exigentes tanto no plano social como
profissional.

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1.1. Objectivos
Geral:

Abordar sobre um olhar da ética do magistrado do Ministério Público e a magistratura


judicial em Moçambique.

Específicos:

Compreender como um magistrado do Ministério Público e magistrado judicial deve


comportar-se perante a sua profissão e na sociedade;
Analisar as normas éticas que regem os magistrados do Ministério Público e
magistrado judicial;
Saber como um magistrado do Ministério Público e magistrado judicial deve ser e
estar perante uma sociedade, garantindo ao cidadão uma boa harmonia no
ordenamento jurídico moçambicano

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1.1. Um olhar ético sobre a magistratura judicial e do ministério público em


moçambique

2. Ética do Magistrado do Ministério Público


O estatuto dos magistrados do Ministério Público condensa um amplo conjunto de regras que
regem a estrutura, as funções e o regime de intervenção, mas também a organização e o estatuto,
constituindo uma arquitectura jurídica e institucional que molda a actuação e intervenção desta
magistratura na realização das múltiplas funções em que foi investida para a realização da
justiça.
A essas regras devem unir-se um conjunto de valores e princípios que sejam aceites pelos
magistrados do Ministério Público e que constituam um referencial de integridade, de ética e de
identidade socioprofissional, que democraticamente devem resultar de um debate no interior da
magistratura do Ministério Público como condição para a auto-vinculação a esse conjunto de
princípios e valores.
Os magistrados do Ministério Público, devem ser entes presentes e activos nos processos que lhe
caibam actuar. Devem assistir pessoalmente aos actos judiciais, quando obrigatória ou
conveniente a sua presença, assim como obedecer aos prazos processuais, garantindo, assim, o
empenho pela justiça e celeridade do processo. Aliado a isto, importa referir que incumbe-se ao
Ministério Público representar o Estado junto dos tribunais (art. 1 do EMMP).

Aquando da sua actuação devem os Magistrados do Ministério Público respeitar o princípio da


legalidade, conforme se pode extrair do artigo 1, 2 n.º 2, e 108 n.º 2 todos do EMMP; podendo,
quando se tratar de ordens ilegais, não acatar as directivas, basta que faça por escrito e
fundamente sua decisão (art. 113 n.ºs 1 e 2 EMMP).

Um outro dever ético que se pode mencionar é a questão da responsabilidade, quer-se com isto
afirmar que os magistrados do Ministério Público, devem ser responsáveis, ou seja, devem
responder pelo cumprimento dos seus deveres (vide o art. 223 n.ºs 1 e 2 do EMMP).

Tamanha responsabilidade e autonomia não impedem que se estabeleçam regras éticas do


magistrado do Ministério Público em relação a seus superiores. Deve ele acatar as decisões de

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sua administração superior, bem como prestar informações, quando solicitadas pelos órgãos da
instituição 8art. 108 n.º 1 do EMMP.

O magistrado do Ministério Público deverá desempenhar as suas funções com zelo e presteza,


pois representa a sociedade e em razão disso deverá zelar pelas actividades profissionais.

Assim como para todos os profissionais na área judiciária, existe para os magistrados do
Ministério Público dever de urbanidade e respeito para com as partes, juiz, colegas de trabalho e
demais funcionários e auxiliares da justiça. 

3. Independência dos magistrados do Ministério Público


Os magistrados do Ministério Público são independentes. A independência do Ministério Público
e a autonomia dos seus magistrados são condição de uma justiça imparcial e da realização do
Estado de Direito. Cabe aos magistrados do Ministério Público defender a independência e
imparcialidade da Justiça, tanto por via da lei e da intervenção institucional, como por via do
exemplo e da conduta individual.

Os magistrados do Ministério Público exercem as suas funções de acordo com a lei e a sua
convicção, imunes a quaisquer influências ou ingerências, pressões ou interferências, directas ou
indirectas, dos poderes legislativo ou executivo ou de qualquer outra fonte externa.
Os magistrados do Ministério Público agem autonomamente em relação a outros órgãos ou
instituições e repudiam e rejeitam qualquer intervenção ou tentativa de intervenção de qualquer
natureza que pretenda interferir ilegitimamente na sua actuação.
Os magistrados do Ministério Público, se forem objecto de qualquer actuação susceptível de pôr
em causa a sua independência no exercício de funções, reportam-na superiormente.
Os magistrados do Ministério Público respeitam a separação de poderes do Estado e reconhecem
que a autonomia que lhes é conferida para o exercício das suas funções não é um privilégio seu,
mas sim uma garantia dos cidadãos para a realização de valores constitucionais e a salvaguarda
de direitos fundamentais.
Os magistrados do Ministério Público abstêm-se de qualquer actividade susceptível de afectar
negativamente o seu desempenho de funções ou a confiança dos cidadãos na independência e na
integridade do Ministério Público.

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3.1. Imparcialidade e Isenção


Os magistrados do Ministério Público, no exercício das suas funções, actuam e decidem sempre
com razões objectivas e jurídicas, sem discricionariedade, imunes aos seus interesses ou de
quaisquer terceiros por si não representados.
Os magistrados do Ministério Público não favorecem nem discriminam ninguém, nomeadamente
em razão da nacionalidade, sexo, raça, cor ou origem étnica ou social, características genéticas,
língua, religião ou convicções, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria nacional,
riqueza, nascimento, deficiência, idade, orientação sexual ou por impressão subjectiva.
Os magistrados do Ministério Público observam sempre as exigências profissionais mais
elevadas, abstendo-se de intervir, enquanto tais, nos processos onde eles próprios, as suas
famílias, amigos ou pessoas a quem se achem ligados tenham um interesse, ou uma ligação
pessoal, privada ou financeira.
Os magistrados do Ministério Público assumem o dever de cuidado de modo a acautelar a
ocorrência de conflitos de interesses entre os seus deveres funcionais e a sua vida social.
Os magistrados do Ministério Público, quando tenham dúvidas sobre factos ou situações que
possam por em causa a sua imparcialidade, suscitam o procedimento tendente à remoção desse
risco.
Os magistrados do Ministério Público desempenham as suas funções sem receios, temores,
preconceitos ou influências.
Os magistrados do Ministério Público adoptam uma conduta, no exercício das suas funções e
fora delas, que fomenta a confiança na imparcialidade da Justiça e reduz o risco de situações que
poderiam levar à sua recusa.
Os magistrados do Ministério Público não são influenciados pela opinião pública ou pela
comunicação social.
Os magistrados do Ministério Público exercem as suas liberdades de expressão e de associação
de modo compatível com as suas funções, sem afectar a independência ou a imparcialidade,
próprias ou de outrem.

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4. Objectividade
Os magistrados do Ministério Público procuram sempre a descoberta da verdade, em termos
processualmente válidos e no respeito pelos princípios do processo equitativo, seja esta favorável
ou desfavorável a qualquer dos interessados ou envolvidos no processo, recolhendo ou
promovendo a recolha e produção de toda a prova pertinente.
Os magistrados do Ministério Público tomam em consideração todos os factos relevantes para a
solução do caso e a produção de uma decisão justa.
Os magistrados do Ministério Público actuam na defesa do interesse público e não na defesa de
interesses individuais ou corporativos.
Os magistrados do Ministério Público fiscalizam a correcta observância da lei e dos princípios do
processo equitativo e asseguram o respeito pelos direitos e garantias do cidadão.

4.1. Direitos e deveres dos Magistrados do Ministério Público


O artigo 141 do EMMP já aborda sobre os deveres dos magistrados do Ministério Público, dentre
os quais:

Desempenhar as suas funções com honestidade, lealdade, isenção, zelo e dignidade: Uma
actuação bem-sucedida depende da forma honesta e íntegra como decorreu esse processo.
Só assim é possível criar confiança e garantir a credibilidade dos seus resultados.Os
magistrados do Ministério Público orientam-se no seu comportamento profissional,
pessoal e social, por um padrão de conduta digno, probo, ponderado e correcto. Os
magistrados do Ministério Público respeitam a lei e abstêm-se de qualquer
comportamento desleal ou desonesto.

Guardar segredo profissional: É o dever e o direito que tem o profissional de silenciar


sobre fatos de que tem conhecimento no desempenho de sua profissão. Os magistrados do
Ministério Público guardam reserva, quer em público, quer em privado, abstendo-se de
declarações ou comentários sobre processos; quando tal lhes seja excepcionalmente
permitido, manifestam a sua opinião de forma comedida e ponderada, sem ter ou criar no
cidadão a impressão de uma ideia preconcebida sobre o caso. Os magistrados do
Ministério Público não revelam informações ou documentos a que tenham tido acesso no
exercício das suas funções que, nos termos da lei, se encontrem cobertos por segredo.

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Comportar-se na vida pública e privada de acordo com a dignidade e prestígio do cargo


que desempenha.

Tratar com urbanidade e respeito todos os intervenientes no processo, os profissionais do


fórum e os funcionários: Os magistrados do Ministério Público tratam com respeito todos
os cidadãos com quem contactam no exercício das suas funções, designadamente
testemunhas, partes, outros intervenientes processuais e utentes dos serviços de justiça,
bem como magistrados e demais profissionaisdo foro. Os magistrados do Ministério
Público, na organização do trabalho, estão atentos às dificuldades e necessidades de todos
os envolvidos no caso, que devem procurar satisfazer com adequação e razoabilidade.

Comparecer pontualmente as diligências: esse dever, quanto à magistratura do Ministério


Público, é não só um dever de consciência, mas também de organização, de intervenção e
de deontologia.

Residir na área de jurisdição onde se situa o órgão do Ministério Público em que exerce
funções;

Usar traje profissional em todas as audiências de discussão e julgamento e em todos os


actos oficiais cuja solenidade o exija;

Não se ausentar da área de jurisdição em que exerça funções sem prévia autorização do
superior hierárquico, salvo as ausências por motivos de férias, etc.;

Cumprir todos os demais deveres estabelecidos por lei.

Saindo da seara dos deveres dos magistrados do Ministério público, impõe-se-lhes vedações, que
são impedimentos de praticarem actos contrários ao propósito da instituição. Não pode o
procurador exercer advocacia ou comércio, ou ainda participar de sociedade comercial. Tal
vedação, além de proteger o bom senso do titular do cargo, denota a confiança da sociedade em
seu trabalho, pois assim não poderá cair em devaneios acerca de causas particulares, e exercerá,
única e exclusivamente, a sua função pública, que lhe exige tempo e trabalho.

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Não pode o procurador, em regra, exercer qualquer outra função pública remunerada, salvo a de
docência, como frequentemente se verifica em salas de aula de todo o país, eis que o
conhecimento e experiência da autoridade pública será deveras importante para os acadêmicos.
Óbvio que o acúmulo de actividades dentro de sua área de actuação no Ministério Público não
será contado como exercício de mais de uma função pública, visto que concernente a uma
mesma entidade e com fim afectos (nos termos dos arts. 138 e 139 EMMP).

Ademais, encontramos no artigo 142 do EMMP alguns direitos do magistrado do Ministério


público, dentre os quais:

 Uso e porte de arma de defesa pessoal;

 Cartão especial de identificação;

 Livre trânsito, mediante exibição do cartão especial de identificação;

 Assistência médica e medicamentosa a cargo do Estado para si, seu cônjuge, ascendente,
descendente, e demais familiares a seu cargo;

 Uso pessoal de viatura de serviço;

 Uso de passaporte de serviço;

 Casa de habitação: durante o exercício da sua função o magistrado do Ministério Público


tem direito a casa de habitação mobiliada pelo Estado (art. 143 EMMP);

 Férias: o magistrado do Ministério Publico tem direito a férias (art. 154 EMMP).

5. Responsabilidade disciplinar dos magistrados do Ministério Público


Todos os actos culposos praticados pelo magistrado do Ministério Público, que violem os
deveres profissionais e os actos da sua vida pública incompatíveis com a dignidade indispensável
ao exercício das suas funções são punível nos termos da lei.

Deste modo, a lei faz menção das seguintes sansões disciplinares no artigo 162 e ss do EMMP:

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Advertência: consiste na admoestação ou mero reparo pela irregularidade praticada. Esta


sansão disciplinar recai sobre as faltas que não tragam prejuízo a terceiros.

Repreensão registada: esta sansão consiste na censura escrita. Aplica-se esta medida
sancionatória às infracções que revelem falta de interesse pelo serviço.

Multa: consiste no pagamento de uma quantia fixada entre um mínimo de três dias e um
máximo de 30 dias de vencimento (não podendo exceder um terço em cada mês). Aplica-
se a multa nos casos de negligência ou falta de zelo no cumprimento dos deveres.

Despromoção: consiste na descida de uma categoria pelo período de seis meses a dois
anos. Vai-se aplicar a despromoção nos casos de manifesta incompetência profissional,
ou cometimento de erros graves.

Transferência compulsiva: consiste na colocação do magistrado em cargo da mesma


categoria numa Procuradoria diferente daquela em que exercia funções. Esta sansão é
aplicável nos casos de infração que implique quebra de prestígio exigível ao magistrado.

Inactividade: consiste no afastamento completo de serviço durante um período


determinado, não inferior a 30 dias. Há lugar para esta sansão nos casos de negligência
ou desinteresses graves pelo cumprimento de deveres profissionais ou quando o
magistrado for condenado em sansão de prisão por crime não doloso.

Aposentação compulsiva: consiste na imposição da aposentação ou da reforma. Aplicar-


se-á esta sansão quando o magistrado revele grave falta de honestidade, grave
insubordinação, ou tenha sido condenado por crime praticado em grave e flagrante abuso
de função.

Demissão: consiste no afastamento definitivo do magistrado, com cessação de todos os


vínculos com a função de magistrado do Ministério Público. Aplica-se quando o
magistrado revele incapacidade de adaptação às exigências da função, revele inaptidão
profissional, divulgue informações que conheça em razão do serviço, e tenha sido
condenado por crime praticado em grave e flagrante abuso de função.

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Expulsão: consiste no afastamento definitivo do magistrado do Aparelho do Estado. Esta


sansão é aplicável nos casos de abandono do lugar e condenação a pena de prisão maior
por delito cometido no exercício das suas funções.

5.1. Ética do Magistrado Judicial em Moçambique

5.2. Conceito de Ética

Segundo Cortella (2010, p.106-110), a ética é o conjunto de princípios e valores da nossa


conduta na vida junta, na vida no bairro e em sociedade. É aquilo que orienta os seres humanos
no que concerne à capacidade de decidir, julgar e avaliar, pressupondo, portanto, a liberdade.

Nessa perspectiva, diz se que enquanto o exercício prático da conduta no dia a dia chama-se
conduta moral, a ética consiste nos princípios que orientam essa referida conduta, residindo,
assim, mais no campo teórico.

Alerta ainda que: Não existe “falta de ética”. Essa expressão é equivocada, talvez o que se queira
dizer é: “Isto é antiético”, algo contrário a uma ética que esse grupo compartilha e aceita.

Posso dizer que um bandido tem ética? Posso. Ele tem princípios e valores para decidir, avaliar e
julgar.

O que eu posso dizer, é que a ética que ele tem é contrária à minha e à sua. Então, é antiético
para mim. Não confunda a ética – isto é, aquele a quem não se aplica a questão da ética – com
antiético (CORTELLA, 2010, p. 109).

6. Ética do Magistrado Judicial

Rosana Soibelmann Glock e José Roberto Goldim (2003) ensinam que a fase da escolha
profissional deve ser permeada pela reflexão sobre quais as acções que serão necessárias realizar
quando do exercício da prática profissional.

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Sustentam ainda que: A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de
deveres profissionais passam a ser obrigatórios.

Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira sem conhecer o conjunto de deveres que
está prestes a assumir tornando-se parte daquela categoria que escolheu.

Toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências e habilidades referentes à


prática específica numa determinada área, deve incluir a reflexão, desde a formação em nível
superior, antes do início dos estágios práticos.

Ao completar a formação jurídica, a pessoa faz um juramento, art 21 do estatuto dos Magistrados
judiciais, “Eu... juro por minha honra, aplicar fielmente a constituição e demais leis em vigor e
administrar justiça com imparcialidade e insenção, no respeito pelos direitos dos cidadãos e na
defesa dos superiores interesses do Estado Moçambicano” o que significa sua adesão e
comprometimento com a categoria profissional onde formalmente ingressa. Isto caracteriza o
aspecto moral da chamada Ética Profissional do Magistrado Judicial, esta adesão voluntária a um
conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício (GLOCK;
GOLDIM, 2003).

Conforme assinalam os autores, as leis de cada profissão são elaboradas com o objectivo de
proteger os profissionais, a categoria como um todo e as pessoas que dependem daquela
categoria, mas há muitos aspectos não previstos especificamente e que fazem parte do
comprometimento do profissional eticamente correcto.

No que toca a magistratura, ensina o ilustre professor Herkenhoff (2010) que a ética do
magistrado é mais que uma ética profissional, diz que a magistratura é mais que uma profissão, a
ponto de afirmar que:

A sociedade exige dos magistrados uma conduta exemplarmente ética.

Atitudes que podem ser compreendidas, perdoadas ou minimizadas, quando são assumidas pelo
cidadão comum, essas mesmas atitudes são absolutamente inaceitáveis quando partem de um
magistrado (HERKENHOFF, 2010).

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Nas lições de Nancy Andrighi (2001), diz: ao ser investido nas funções jurisdicionais o juiz
agrega ao seu ser a responsabilidade da imagem da instituição que representa, do Estado e da
sociedade que vai servir, de sorte que a imagem do homem-juiz, no ser, no estar e no participar,
sempre estará de forma indissolúvel e permanente associada a do Poder Judiciário.

E chega a afirmar que: O juiz é um espelho social onde o jurisdicionado se mira e encontra
justificativas para agir de tal e qual forma, isto porque, no seu modo de ver crítico é permitido
concluir que “se o juiz assim age, mais do que nunca, eu que sou um simples cidadão, posso
fazê-lo”. (ANDRIGHI, 2001).

Com o brilhantismo que lhe é peculiar, aduz a Ministra que a função precípua do juiz é ser o
pacificador social e, para tanto, precisa ser respeitado pela coletividade. Destaca pontos que
tocam a ética na magistratura, a exemplo da necessidade de uma nova postura para apagar a
notícia que transita nos meios forenses, de que é mais fácil tomar um copo de cerveja com um
Ministro de Justiça, do que com um juiz de direito, bem assim, ressalta que o juiz ético é aquele
adequado a seu tempo, rente aos factos e principalmente rente à vida, que nunca olvida que atrás
de cada página do processo está um cidadão aflito aguardando a sua decisão.

No mesmo sentido, José Soares Filho (2012) aduz que os juízes representam, para a sociedade,
modelos de cidadãos que devem encarnar o referencial maior da justiça pela qual anseiam todos
os homens, razão pela qual deles se espera e se cobra um comportamento segundo os padrões
éticos que enriquecem o espírito humano.

Afirma ainda que: Cristalizou-se em nossa cultura a idéia do juiz como um super-homem,
intangível, dotado de poderes quase sobrenaturais, posicionado acima do bem e do mal. Isso
porque ele exerce uma profissão excelsa, que de certo modo encerra atributos do próprio Deus.

A propósito, disse Carnelutti: "No mais alto da escala está o juiz. Não existe um ofício mais
elevado que o seu, nem uma dignidade mais imponente. Os juízes são como os que pertencem a
uma ordem religiosa. Cada um deles tem que ser um exemplo de virtude, se não quer que os
crentes percam a fé". (SOARES FILHO 2012).

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Prossegue o ilustre professor, aduzindo que a ideia grandiosa que se tem do juiz, de certa forma,
não traduz a realidade do ser humano falível, limitado, frágil e que se expõe às mesmas
vicissitudes de que padecem seus concidadãos. Diz que a simples investidura no cargo não o
transforma, e a toga, por si só, não é capaz de torná-lo imaculado.

6.1. Deveres do Magistrado judicial

Segundo Wilclem de Lázari Araujo (2011), os nortes principais dos deveres e preceitos éticos
incompatíveis da magistratura são encontrados no artigo 36 (do Estatuto dos magistrados
judiciais).

Assevera o autor que o legislador se preocupou com critérios éticos para a magistratura ao
estabelecer acerca do ingresso na carreira mediante concurso de provas e títulos, após
completados dois anos de formaçao jurídica; a ascensão da carreira  obriga ao cumprimento
obrigatório de deveres especiais previstos no art. 39 do mesmo estatuto:

 “Desempenhar a sua função com honestidade, seriedade, imparcialidade e dignidade;


 Guardar segredo profissional nos termos da lei;
 Comportar se na vida pública e privada de acordo com a dignidade e o prestígio do cargo
que desempenha;
 Tratar com urbanidade e respeito os intervenientes nos processos, nomeadamente, o
representante do ministério público, os profisionais do forum e os funcionários;
 Comparecer pontualmente às deligências marcadas;
 Abster se de manifestar por qualquer meio, opinião sobre o processo pendente de
julgamento ou de decisão, ou juizo sobre despachos, pareceres, votos ou sentenças de
órgão judiciais ou do Ministério Público, ressalvada à crítica nos autos no exercício de
judicatura ou em obras técnicas;
 Abster se de aconselhar ou instruir as partes, em qualquer litígio e sob qualquer pretexto,
salvo nos casos permitidos pela lei.

De entre outras limitaçoes é expressamente vedado aos magistrados judiciais a desempenharem


quiasquer outras funções públicas ou privadas, excepto a actividade de docente ou de

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investigação jurídica ou outra divulgação e publicação científica, literária, artistica e técnica,


mediante prévia autorização do conselho superior de magistratura judicial. Art 36 do estatuto dos
magistrados judiciais.

Nessa esteira, prossegue Araujo (2011) dizendo que o Código de Ética do Magistrado Judicial
elenca os grandes elementos a serem seguidos pelos magistrados no exercício da profissão, quais
sejam: a independência, a imparcialidade, a transparência, a integridade pessoal e profissional, a
diligência e dedicação, a cortesia, a prudência, o sigilo profissional, o conhecimento e a
capacitação, a dignidade, a honra e o decoro. Art 21 e 39 do EMJ.

Percebe-se, assim, que o Conselho Nacional de Magistratura Judicial ao aprovar e editar o


Estatuto dos Magistrados Judiciais, o fez cônscio de que é fundamental para a magistratura
Moçambicana cultivar princípios éticos, pois cabe aos juízes também a função educativa art 213
CRM e exemplar de cidadania em face dos demais grupos sociais, entendendo a essencialidade
de os magistrados incrementarem a confiança da sociedade em sua autoridade moral,
fortalecendo a legitimidade do Poder Judiciário através da excelência da prestação dos serviços
públicos e da distribuição da justiça.

7. Integridade pessoal e profissional do Magistrado Judicial

A conduta íntegra (aqui no sentido de inteireza, de ser indivisível, que não se dissocia) é
importantíssima a todos aqueles que se dediquem à actividade jurisdicional: “quem não tem a
capacidade de ser honesto não pode envergar a toga”.

A integridade de conduta, dentro e fora do âmbito estrito da actividade jurisdicional, contribui


para uma fundada confiança dos cidadãos na judicatura. Nalini (2009, p. 137)

Complementa com a expressão: “Inviabilidade da compartimentalização de personalidades” – se


o magistrado tem uma personalidade “de juiz”, no fórum e outra extramurus, ele se torna um
verdadeiro caso de “dupla personalidade”, que prejudica a imagem do judiciário perante a
opinião pública.

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Assim, deve o juiz manter a unidade e a coerência de condutas em todos os actos que exercer,
sejam estes de âmbito público ou privado, fora e dentro de suas atribuições judiciais.

Na mesma linha de raciocínio, o magistrado deve comportar-se, na vida privada, com reserva e
austeridade, de modo a dignificar a função que exerce, cônscio de que o exercício da actividade
jurisdicional impõe sacrifícios, restrições e exigências pessoais distintas.

A magistratura é um verdadeiro sacerdócio, uma missão – pois, ao juiz, lhes são exigidas muitas
renúncias: há actividades sociais, mesmo que consideradas lícitas, que não são convenientes a
quem tem, por ofício, julgar seus semelhantes. Segundo Direito (1998, p. 4): “não se deve pensar
que a judicatura é só a beleza do exercício do poder e das prerrogativas; a beleza da judicatura é,
exactamente, a capacidade de abrir mão aos feriados, sábados e domingos, quando os processos
estão atrasados, pois deve cumprir-se primeiro o dever”.

Ao magistrado Judicial é vedado usar, para fins privados, e sem autorização do tribunal, os bens
públicos ou os meios disponibilizados para o exercício de suas funções.

O abuso na utilização da estrutura estatal, para fins pessoais, confundindo o bem de uso público,
como se fosse privado, aproveitando os servidores da repartição para serviços de caráter
doméstico e, ainda mais, servindo-se de relacionamentos gerados pelo cargo público no
favorecimento pessoal, ou de familiares, discrepa, totalmente, do que se entende por Res Publica;
tais privilégios só são encontrados nas Monarquias Absolutistas dos imperadores e czares.

O magistrado deve evitar transparecer, para a sociedade, uma desnecessária “aparência de


riqueza”. Seus bens, seu padrão de vida devem ser compatíveis com os subsídios que recebe do
Estado. Cumpre, ao magistrado, adotar um estilo de vida que não suscite qualquer dúvida
razoável sobre a legitimidade de suas receitas e de sua situação econômico-patrimonial, evitando,
desta forma, a famosa “síndrome do cidadão acima de qualquer suspeita”, onde o juiz arroga-se o
direito de não ter que dar nenhum tipo de satisfação à sociedade – tal regalia não tem cabimento
em uma República, onde todos os agentes públicos têm que prestar contas de seus actos à
sociedade.

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Sobre a retribuição financeira pelo exercício da magistratura, conclui Menezes Direito que: “A
melhor atitude é a dedicação integral ao trabalho na magistratura. Não vem para enriquecer. Vem
para exercer a sua vocação”. DIREITO (1998, p. 5).

A remuneração do magistrado, embora seja o teto do funcionalismo público, não há que fazê-lo
enriquecer. Muito menos, com o seu múnus público, pode o magistrado, amealhar fortuna,
sendo, por isso mesmo, muito importante que este venha a ter uma correspondência proporcional
e equitativa entre seus rendimentos e seu modus vivendi.

7.1. Imparcialidade dos Magistrados judiciais


Exige-se do juiz que seja perito na difícil arte da neutralidade ante a profunda desigualdade
natural existente entre os litigantes. A luta deve ser permanente contra o preconceito em desfavor
dos excluídos e das minorias sociais. É preciso visar à hierarquia normativa dos princípios para
se dar o atendimento necessário às partes envolvidas. Chiarini Júnior (2010)

O juiz é mero agente de um dos sujeitos processuais, que é o Estado; não participa do jogo de
interesses contrapostos, e sim comanda a atividade processual desinteressadamente e
imparcialmente. Ele não está no processo em nome próprio, mas sim na condição de órgão do
Estado, que não se coloca em pé de igualdade com as partes, nem actua em defesa de interesses
próprios, e sim em benefício geral.(Idem)

O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas, constantes nos autos, a verdade dos
factos, com objectividade e fundamento, mantendo, ao longo de todo o processo, uma distância
equivalente das partes, e para obter isonomia, tratando os desiguais na medida de suas
desigualdades, evitando, assim, todo tipo de comportamento que possa reflectir favoritismo,
predisposição ou preconceito.

Ao magistrado, no desempenho de sua actividade, cumpre dispensar às partes igualdade de


tratamento, é vedada qualquer espécie de injustificada discriminação. 

Não se considera tratamento discriminatório injustificado:

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 A audiência concedida a apenas uma das partes ou seu advogado, contanto que
se assegure igual direito à parte contrária, caso seja solicitado;
 O tratamento diferenciado resultante de lei.

Muitas vezes, o que se observa na praxis forense é o reflexo do que existe na própria sociedade –
a reprodução das mazelas sociais – onde se abrem os cancelos (que separam os espaços
reservados aos magistrados) aos expoentes da advocacia e às partes mais favorecidas
economicamente, e onde também prevalece um corporativismo – natural em toda e qualquer
instituição social. Patologias institucionais, que quebram o princípio sadio da imparcialidade e
que devem ser combatidas para que prevaleça o princípio do due process of law.

8. Independência do Juiz
A independência (lato sensu) é um dos “pilares” da estrutura do Poder Judiciário; sem ela, a
própria função judicial fica esvaziada de sentido. É condição sine qua non, para um Estado de
Direito, que seja garantida, ao cidadão, a total independência dos tribunais.

Para que o juiz possa exercer bem o seu mister, vê-se impossibilitado, por força de lei, em
realizar certos actos. Isto decorre da sua indispensável independência funcional (CHIARINI
JÚNIOR, 2010) – e implica, para tanto a independência ética, bem como a  financeira, factor
extremamente necessário, pois: “O magistrado precisa de independência econômica [financeira],
para que os problemas mesquinhos de subsistência não lhe tire a serenidade do espírito” nr 1 do
art 217 CRM

A independência do Juiz não reside em demonstrações vazias de poder, ao contrário, está na


demonstração de ter consciência quando emitir uma decisão e evitar que as decisões conflitantes
com a jurisprudência dominante nas Cortes superiores prejudiquem as partes com uma esticada
recursal inútil.

Do magistrado, pois, exige-se que seja eticamente independente e que não interfira, de modo
algum, na actuação jurisdicional de outro colega, excepto em respeito às normas legais.
Ratificando o exposto anteriormente, impõe se ao magistrado pautar-se, no desempenho de suas
actividades, com justa convicção, na busca de solução, ante os casos que lhe sejam submetidos,

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sem receber indevidas influências externas e estranhas, pois é dever do magistrado denunciar
qualquer interferência que vise a limitar sua independência. Enfim, a independência judicia
desaconselha, ao magistrado participar de qualquer tipo de actividade político-partidária. Assim
sendo, o juiz deve ser um órgão apolítico, que necessita manter-se, portanto, supra-partidário.

8.1. Desvios Éticos

Segundo António Sebastião de Lima, os magistrados, assim como os demais seres humanos,
estão sujeitos a idiossincrasias. Aduz o ilustre professor que a diferença consiste no facto de que,
pela sua posição e relevante função no Estado e na Sociedade, os magistrados esforçam-se por
manter sua conduta dentro de um padrão ético, cujas regras vêm positivadas na lei orgânica da
magistratura, nos códigos de organização judiciária e nos códigos de processo. Prossegue o autor
dizendo que, de quando em vez, deparamo-nos com algum magistrado, tanto em tribunal
ordinário como em tribunal superior, que foge daquele padrão ético esperado. E chega a afimar
que:

Os motivos que levam o magistrado ao desvio ético podem ser:

 De ordem econômica, nem sempre em proveito próprio ou de seus familiares, mas, por
simpatia às classes abastadas (banqueiros, usineiros, fazendeiros, industriais, empresários
do ensino e do sector de transportes);
 De ordem social, para demonstrar prestígio, marcar presença na mídia e inflar o próprio
ego;
 De ordem política, quando actua dentro do Judiciário, como a longa manus do Poder
Executivo ou de um partido com quem tenha afinidade ideológica. No meio forense são
conhecidos os fazendários, apelido que se dá aos juízes que sempre decidem e votam a
favor da Fazenda Pública, ainda que a razão esteja com a parte contrária. Há, também, os
juízes adeptos do direito alternativo, caminho que pode levar ao arbítrio e à colisão com o
princípio da segurança jurídica, que em nome dos “novos tempos” mas, sem poder
legisferante para tanto e fazendo tabula rasa da separação dos poderes, derrogam a lei,
como, por exemplo, a que protege a família, deixando de aplicá-la. (LIMA 2012)

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Percebe-se que desvios éticos cometidos por magistrados têm sido frequentemente apurados e
punidos pelo Conselho Nacional da Magistratura Judicial (CNMJ) al b) do art 222 da CRM, em
cumprimento a sua missão institucional de controlar administrativamente o Poder Judiciário e
aperfeiçoar o serviço público na prestação da Justiça. 

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9. Conclusão
O presente prabalho individual da cadeira de ética e deontologia jurídica com o tema um olhar
sobre a ética dos magistrados judicial e do ministério pública em moçambique conclui que pela
natureza da sua profissão os magistrados tanto do Ministério Público devem sempre agir com
ética, seja no exercício das suas funções, assim como na sua vida pública.

Constitui um dos principais deveres do magistrado do Ministério Público agir em conformidade


com o princípio da legalidade, agir com responsabilidade e honestidade.

Fica ainda claro que o magistrado do Ministério Público não deve desempenhar outras
actividades além da docência.

É dever dos magistrados obedecer as ordens dos superiores hierárquicos, salvo quando a ordem
seja ilegal. De igual modo os magistrados do Ministério Público tem o dever de urbanidade para
com as partes e os demais colegas.

O Estatuto dos Magistrados do Ministério Publico indica ainda alguns direitos e deveres dos
magistrados, dentre os quais os seguintes direitos: Uso e porte de arma de defesa pessoal; Cartão
especial de identificação; Livre trânsito, mediante exibição do cartão especial de identificação;
Férias etc.; e os seguintes deveres: Desempenhar as suas funções com honestidade, lealdade,
isenção, zelo e dignidade; Guardar segredo profissional; Comportar-se na vida pública e privada
de acordo com a dignidade e prestígio do cargo que desempenha, etc.

Ademais, podem-se aplicar as seguintes sanções disciplinares aos magistrados do Ministério


Públio: Advertência; Repreensão registada; Multa; Despromoção; Transferência compulsiva;
Inactividade; Aposentação compulsiva; Demissão; e Expulsão.

Conclui se que a magistratura judicial está entre as profissões de cuja ética é a mais exigida por
necessitar de uma integridade moral e profissional pois o juiz deve ser o espelho da sociedade
que representa tanto à nível moral como profissional.

O Magistrado Judicial não deve apresentar dualidades entre o que diz na sala de audiências e o
que faz fora dela devendo como diz o ditado popular educar pelo exemplo.

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10. Bibliografia

CORTELLA, Mario Sergio, 2010 Não nascemos prontos Brasilia

GLOCK, Rossana Sibelmann, 2002 Ética profissional é compromisso social Editora Saraiva S.
Paulo

HERKENNOFF, Augusto, 2011 Direito e utopia S. Paulo

ARAÚJO, Wilclem de Lazaro2002 Corregedoria Nacional deJustiça Brasília

https://jus.com.br/artigos/19525/a-etica-presente-nas-profissoes-juridicas

Legislação consultada:

Constituição da República de Mçambique

Estatuto dos Magistrados Judiciais

Lei nº 4/2017 de 18 de Janeiro

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