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Ensino a Distância
Disciplina
Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Autores
Carmem Aristimunha de Oliveira
Christiane Martinatti Maia
Design / Diagramação
Tina Perrone
Guilherme Cruz da Silveira
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Apresentação Geral do conteúdo
Caros Alunos,
Nesta disciplina, irão estudar as temáticas que se seguem:
Psicologia Enquanto Ciência do Comportamento Humano, Psicologia Como
Profissão, Comportamento Humano, Processos Básicos do Comportamento,
Desenvolvimento da Personalidade, Comportamento Normal,
Comportamento Anormal, Bases Determinantes do Comportamento Social,
Comportamento Grupal, e Ética e Comportamento Humano.
A disciplina tem como objetivo principal assegurar uma visão
abrangente do comportamento humano, a psicologia como profissão
e as diferentes áreas de atuação do profissional Psicólogo, bem como
os conceitos básicos para possibilitar a identificação dos fenômenos
psicossociais nas relações entre indivíduo e grupo em diferentes contextos
sociais e institucionais.
O programa desta disciplina está distribuído em capítulos. Aconselho-
os a dedicarem muita concentração ao auto-estudo aqui proposto, a fim
de poderem elaborar seu próprio conhecimento a partir da leitura, dos
exercícios e do diálogo em nossas aulas.
Cada capítulo tem, além do desenvolvimento do conteúdo, seções
de Atividades de Aprofundamento, Referências e Auto-Avaliação, esta
última proposta com base nas competências desenvolvidas ao longo do
capítulo, tendo como objetivo direcionar o seu processo de reflexão
relativo à aprendizagem que vem realizando, e não apenas avaliar seus
conhecimentos em termos de conteúdo.
Serão momentos de muitas descobertas e muito trabalho. Vamos
começar?!
Seja Bem-Vindo!!!
Professoras Autoras:
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SUMÁRIO
1. Psicologia: Ciência e Profissão 6
2. Comportamento Humano 18
4. Desenvolvimento da Personalidade 51
7. Comportamento Grupal 87
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capítulo 1
Psicologia: Ciência e Profissão
Você sabe qual é a diferença entre Ciência e Senso comum? Vamos discutir
agora as diferenças...
Como podemos distinguir a Ciência do senso comum? Sempre que utilizamos nossas
opiniões calcadas em experiências e saberes populares utilizadas no cotidiano, estamos
a utilizar o senso comum. Já a Psicologia científica é uma atividade eminentemente
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
reflexiva que busca compreender, elucidar e alterar o cotidiano a partir de seu estudo
sistemático (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999; DAVIDOFF, 2001). ATKINSON e cols. (2002)
conceituam Psicologia como o estudo científico do comportamento e dos processos
mentais.
A Psicologia, como ciência, vem desenvolvendo, a partir de uma linguagem
precisa e rigorosa, métodos que exigem observação e experimentação cuidadosamente
controladas e estabelecendo generalizações válidas, apesar da complexidade humana. O
conhecimento é, assim, transmitido, verificado, utilizado e desenvolvido (BRAGHIROLLI
e cols., 2002; BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999).
VOCÊ SABIA?
Que o comportamento abrange tudo o que fazemos: conduta, emoções, formas
de comunicação, processo de desenvolvimento, processos mentais (DAVIDOFF,
2001). Os processos mentais são formas de cognição: perceber, participar, lembrar,
raciocinar, resolver problemas, sonhar, fantasiar, desejar ou ter esperança.
O comportamento, desta forma, inclui atividades diretamente observáveis,
como falar, caminhar, bem como atividades relacionadas a reações fisiológicas
internas tais como os batimentos cardíacos entre outros. Dessa forma, a Psicologia
abarca todas as manifestações do ser humano, observáveis ou não.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
INSERÇÃO DE ENTREVISTA
Entrevista com psicóloga a respeito do fazer do psicólogo.
Indicação de entrevistada: Tatiana Maia – fone: 93261107
Perguntas:
1. Como ocorre a profissionalização do psicólogo?
2. Em quais áreas o psicólogo pode atuar?
Psicologia: Ciência e Profissão
Trabalhar com a promoção da saúde não implica em que o psicólogo não possa
intervir na doença. Muito antes disso, quer dizer que o psicólogo deverá utilizar toda
a sua técnica e conhecimentos psicológicos no sentido de uma intervenção específica
junto a indivíduos, grupos e instituições, numa postura de promoção de saúde. Trabalhar
com a promoção da saúde implica em lidar com a subjetividade, com o mundo interior
do indivíduo, um mundo construído ao longo de sua vida a partir de relações sociais,
com possibilidades e limitações. Devemos entender saúde mental como a possibilidade
do indivíduo pensar-se como ser histórico, que constrói sua subjetividade ao longo da
vida, inserido em uma sociedade onde se torna homem. O psicólogo trabalha para que
as pessoas desenvolvam uma compreensão, cada vez maior, de sua constituição histórica
e social, favorecendo a tomada de decisão frente às diversas situações de seu cotidiano.
(BOCK, FURTADO e TEIXEIRA, 1998)
O psicólogo, deste modo, pode atuar em distintos segmentos, entre eles: clínico,
organizacional, escolar, hospitalar, jurídico, esporte, trânsito e na psicologia comunitária.
Mas o que significa cada um deles? Vamos compreender esta questão através do seguinte
quadro:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
A psicologia organizacional
surgiu nas décadas de 20
e 30 com a necessidade Atua em atividades relacionadas a análise e
dos exames psicotécnicos. desenvolvimento organizacional, ação humana
Atualmente encontra-se nas organizações, desenvolvimentos de
em níveis mais amplos, equipes, consultoria organizacional, seleção,
ORGANIZACIONAL desenvolve, analisa, acompanhamento e desenvolvimento de pessoal,
diagnostica e orienta estudo e planejamento de condições de trabalho,
casos na área da saúde do estudo e intervenção dirigidos a saúde do
trabalhador, observando trabalhador.
níveis de prevenção,
reabilitação e promoção de
saúde.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Psicologia do Esporte é o
Trabalha com o psicológico dos atletas, técnicos e
estudo científico de pessoas
comissões técnicas; No sentido de colaborar com
e seus comportamentos
sua saúde, equilíbrio emocional, maximização
em contextos esportivos,
do rendimento e otimização da performance.
de exercícios, e
Sua atuação é tanto diagnóstica, desenvolvendo
aplicações das práticas
e aplicando instrumentos para determinação de
ESPORTE de tal conhecimento.
perfil individual e coletivo, capacidade motora
Saber ganhar ou saber
e cognitiva voltada para a prática esportiva,
perder tem sido um
quanto interventiva atuando diretamente na
dos grandes desafios
transformação de padrões de comportamento que
daqueles que escolheram
interferem na prática da atividade física regular
viver constantemente a
e/ou competitiva.
competição.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
A psicologia comunitária é
um campo relativamente
novo, estruturado a partir
da década de sessenta, Atua junto à comunidade, grupos, programas de
COMUNITÁRIA que visava trazer uma prevenção em saúde na comunidade;
voz humanitária ao
modelo de Psicologia da
época, principalmente ao
comportamental.
Apesar dos diversos campos ou áreas de atuação para o psicólogo, BOCK, FURTADO
e TEIXEIRA (1998) referem que existe a Psicologia como corpo de conhecimento
científico, que é aplicada a processos individuais ou relações entre pessoas em diferentes
instituições e contextos. Cabe reforçar que, independente desses campos, o psicólogo
geralmente não está só, isolado de outros profissionais, é necessário compor-se em
equipes multidisciplinares, onde cada profissional contribui com seus conhecimentos
específicos, integrando e compartilhando ações, possibilitando uma visão global do
fenômeno estudado e uma prática integrada.
Psicologia: Ciência e Profissão
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Referências Bibliográficas
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1) Psicologia Educacional
2) Psicologia aplicada ao Trabalho
3) Psicologia aplicada a Medicina
4) Psicologia Jurídica
GABARITO: 1. b / 2. V, V, F, V / 3. 2, 4, 1, 3
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 2
Comportamento Humano
A Psicanálise criada por Sigmund Freud (1856-1939) buscou as origens mentais dos
comportamentos, defendendo a noção de motivações inconscientes para o comportamento
e enfatizando o papel da primeira infância na formação da personalidade. Para Freud,
os desejos inaceitáveis da infância são afastados da percepção consciente, tornando-se
parte do inconsciente onde continuam a interferir no comportamento. O inconsciente
se expressa através de sonhos, erros de linguagem e peculiaridades do comportamento.
A ênfase na sexualidade como um motivo básico para o comportamento e fonte de
conflitos causou grande polêmica em torno de sua teoria. O método utilizado era a
associação livre (dizer tudo o que vem a mente como uma forma de trazer ao consciente
aspectos inconscientes) (ATKINSON e cols., 2002; BRAGHIROLLI e cols., 2002).
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
FREUD E O CARNAVAL
Moacyr Scliar
Segundo Freud, que não era construtor (mas que em algum momento deve ter
pensado em fazer uma incorporação a preço de custo para escapar das agruras da
psicanálise), a nossa mente é como uma casa em que vivem três habitantes. No térreo
mora um sujeito simples e meio atucanado chamado Ego. Ele não é propriamente o dono
da casa, mas cabe-lhe pagar a luz, a água, o IPTU, além de varrer o chão, lavar a roupa
e cozinhar. Estas tarefas fazendo parte da vida cotidiana, Ego até não se queixaria. O
pior é ter de conviver com os outros dois moradores.
No andar superior, decorado em estilo austero, com estátuas de grandes vultos
da humanidade e prateleiras cheias de livros sobre leis e moral, vive um irascível senhor
Comportamento Humano
chamado Superego. Aposentado – aos pregadores de moral não resta muito a fazer em
nosso mundo –, Superego dedica todos os seus esforços a uma única causa: controlar o
pobre Ego. Quando Ego se lembra de alguma piada boa e ri, ou quando Ego se atreve a
cantar um sambinha, Superego bate no chão com o cetro que carrega sempre exigindo
silêncio. Se Ego resolve trazer para casa uma namorada ou mesmo uns amigos, Superego,
de sua janela, adverte: não quer festinhas no domicílio.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Jung, psiquiatra suíço, nasceu em 1875 e faleceu em 1961. Foi o discípulo mais
amado por Freud, mas, mesmo assim, infelizmente, foi o próprio Jung, que rompeu suas
relações com Freud no ano de 1914, e o motivo principal desse rompimento foi que,
para Jung, o conceito de INCONSCIENTE não era igual como para Freud.
Para Freud o inconsciente era individual e, para Jung, o “INCONSCIENTE É
COLETIVO”. Qual a diferença de “inconsciente” do Freud, para o “inconsciente
coletivo” do Jung?
Se for inconsciente é porque não está consciente, a diferença básica é que
Comportamento Humano
para Jung as coisas se dão de forma “coletiva”. Assim, o inconsciente não é único da
pessoa, não é individual, ele é a “herança herdada de nossos antepassados” - o que
ele chamou de “arquétipos” - VAI PASSANDO DE UMA GERAÇÃO PARA OUTRA.
Jung trabalhou muito com o lado mais místico, mais simbólico. Aliás, para entender
Jung é preciso entender da mitologia grega, entender de símbolos, de premonições...
Tanto é assim que para Jung O SONHO PODE REPRESENTAR UMA PREMONIÇÃO, diferente
de Freud, que diz ser a realização de um desejo. Jung é místico - daí a intuição, a
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
VOCÊ SABIA?
Feedback é um processo de ajuda para as mudanças de comportamento; é
comunicação a uma pessoa ou grupo, no sentido de fornecer-lhe informações sobre
como sua atuação está afetando outras pessoas. Feedback eficaz ajuda o indivíduo (ou
grupo) a melhorar seu desempenho para alcançar seus objetivos (MOSCOVICI, 2003).
JEAN PIAGET
Biólogo suíço, nascido em 1896 e falecido em 1980. Iniciou seus estudos com
plantas e moluscos e foi através deles que percebeu o poder de transformar, de modificar.
Dizia que o ser humano MODIFICA E SE MODIFICA, ou seja: as experiências sobre os
objetos de conhecimento, as experiências com outros sujeitos nos levam a isso.
Tornou-se um grande estudioso do desenvolvimento infantil, reestruturando o
conceito de inteligência a qual não considerava INATA (o sujeito não nasce totalmente
com ela) pois seria CONSTRUÍDA a partir das experiências concretas do sujeito sobre
os objetos, daí a importância do sujeito poder vivenciar, experimentar e a partir disso
construir seu conhecimento e constituir-se.
Para Piaget, a criança não é um adulto em miniatura, o que acabou por demonstrar
em suas pesquisas, que a criança não pensa e nem age como adulto. Ela possui o
pensamento EGOCÊNTRICO no início, onde a mãe é dela, a casa é dela, tudo gira ao
seu redor.
Para o teórico, o sujeito, ao interagir com o mundo e com os objetos presentes
nele, age sobre ele sofrendo a influência da ação deste sobre si, em um constante
processo de adaptação, entendida como trocas de ação entre o sujeito e o meio
entendemos um indivíduo ativo, capaz de transformar esta realidade na qual interage
e de transformar a si mesmo, construindo seus conhecimentos, ou seja, a sua própria
inteligência (CHIAROTTINO, 1984, p.30).
Comportamento Humano
MAX WERTHEIMER
mas como também na área da educação. Segundo ele e os demais teóricos da Gestalt,
somos guiados pela percepção visual, que funciona com um campo exploratório – o que
vemos e a forma como vemos é que vai nos possibilitar interagir com o meio que nos
rodeia.
Os teóricos da Gestalt afirmam que ‘O TODO É MAIS IMPORTANTE DO QUE AS
PARTES”. Com isso, a Gestalt quer dizer que primeiro PERCEBEMOS O TODO EM SEU
CONJUNTO, para depois PARTIRMOS PARA A PERCEPÇÃO E/OU CONHECIMENTO DAS
PARTES.
Um coelho... ou um pato?
Dica: o pato está olhando à esquerda, o coelho à direita
Um exemplo claro disso, é a “primeira impressão”. Esta primeira impressão
significa nossa primeira visualização das coisas, das pessoas, dos objetos, do contexto
em si.
Quantos de nós já julgamos algo de BOM ou de RUIM guiados pela primeira
impressão, não? Há quem diga até que “a primeira impressão é a que fica, é que vale”.
Na verdade, nem sempre isso é verdadeiro. Com o conhecimento mais aprofundado,
com uma intimidade maior que o dia-a-dia nos oportuniza, acabamos conhecendo “as
partes”, as peculiaridades e, a partir disso, nosso julgamento acaba se modificando
– isto é, aquela primeira impressão mais real, com dados reais –, porque passamos a
conhecer melhor e já não nos baseamos pela impressão inicial.
A inteligência para a Gestalt é inata, ou seja, já nascemos com ela. Necessitamos
de estímulos visuais adequados para desenvolver cada vez mais nossa percepção e,
conseqüentemente, nossa inteligência. Daí a importância dos recursos visuais para a
aprendizagem; ENXERGAR, VISUALIZAR nos desenvolve, aprimora nossa capacidade
perceptiva e cada vez mais estimulamos nosso potencial de inteligência.
INSIGHT, termo que vem do inglês, é bastante utilizado pela Gestalt para
mostrar que “O ESTALO” aprimora nossa percepção e nos conduz ao crescimento e
desenvolvimento.
Assim como a criança, todos nós, mesmo adultos, necessitamos da oportunidade
de termos nossos próprios insights – isto favorece nossa inteligência; a gente não
esquece mais quando a gente têm a oportunidade de ERRAR E APRENDER é quase que
um feedback para nós mesmos. Tanto a família, quanto à escola, quanto às empresas
Comportamento Humano
devem PERMITIR que cada um tenha seu próprio insight. Lembram do dito popular, “é
errando que se aprende”?
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
BURRHUS SKINNER
Para Skinner, os reforços podem ser positivos e negativos. Por reforço positivo
compreende-se um estímulo que promove o comportamento desejado: a recompensa.
Representa prazer, ganho, busca por recompensa ou notoriedade. Exemplos? Funcionário
do mês, aluno destaque, viagem no fim do ano relacionada à aprovação na escola etc.
O reforço negativo visa reduzir, extinguir ou eliminar determinada resposta. Para
Skinner, “os reforços negativos denominam-se adversos no sentido em que constituem
aquilo de que os organismos fogem”. Pretende fortalecer, assim, a resposta que o remove,
o enfraquece. Tapetinho ou cadeirinha do pensar em casa ou na escola – lembraram-
Comportamento Humano
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Ainda corre-se um risco muito grande: o risco da saciação. A saciação poderá resultar
na extinção do comportamento. Podemos saciar alguém reforçando continuamente
suas atitudes, ações e comportamentos – significa que a recompensa já não é mais
vista como tal. Torna-se banalizada no processo. Mas e então, trabalhamos ou não com
reforços para modelar o comportamento???
Vejam os exemplos:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ALBERT BANDURA
forma, um funcionário novo buscará no funcionário antigo um suporte que lhe permita
ser igual ou melhor do que este para garantir sua permanência.
Por fim, para a escolha de bons modelos, para saber guiar-se ou não pelos modelos
que valha a pena imitar ou não, Bandura fala em Auto-eficácia – que se refere justamente
à importância da pessoa conhecer-se para poder agir e interagir com o meio.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Referências Bibliográficas
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1. Coloque (V) para verdadeiro ou (F) para falso, de acordo com cada afirmação:
1) Reforço positivo
2) Reforço Negativo
3) Reforço Contínuo
3. Mariana e sua mãe fizeram uma combinação: se Mariana fosse aprovada na escola
seria recompensada com uma viagem para Santa Catarina com as suas amigas.
Mariana estudou o ano inteiro para ganhar a viagem tão sonhada. Foi aprovada e
acabou por viajar com suas amigas. Frente à teoria Behaviorista, a mãe de Mariana
utilizou:
a) reforço negativo;
b) reforço positivo;
c) punição;
d) comportamento operante.
Atividades
GABARITO: 1. V, V, F, V, V / 2. 3, 1, 2 / 3. b
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 3
Processos Básicos do Comportamento
Neste capítulo, voltaremos nosso olhar para o sujeito e seus processos básicos do
comportamento. Iremos focar nosso estudo no entendimento da percepção, emoção,
aprendizagem, inteligência, memória, pensamento e linguagem.
Percepção
De início, convido-os a conhecermos a percepção e seus processos. É importante
salientar que percepção e sensação é um processo único, pois uma não ocorre sem a
outra, e conseqüentemente precisamos ter consciência do mundo que nos rodeia.
Apresentaremos, a seguir, os conceitos, que muitas vezes aparecerão de
forma isolada, apenas como recurso didático de apresentação, pois vocês já sabem
antecipadamente que a percepção ocorre quando a sensação se faz consciente.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Criam expectativas e
Muitos ligam o evento
motivos. A pessoa vai se
chuva com frio, o que
basear em experiências
Experiências sabemos, que não
passadas para interpretar
necessariamente estão
os dados do sujeito da
interligados.
percepção.
VOCÊ SABIA?
O ato de perceber requer seletividade (nos concentramos em poucos detalhes).
Necessidades, interesses e valores influenciam a atenção. Nosso estilo de atenção
tem um valor de sobrevivência: atenção mínima a eventos rotineiros e atenção
máxima a mensagens que não podem ser ignoradas com segurança.
Imagem 1
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Imagem 2
Fonte: http://bigbangnet.vilabol.uol.com.br/ilusoesambiguas05.htm.
Imagem 3
Processos Básicos do Comportamento
Fonte: http://bigbangnet.vilabol.uol.com.br/ilusoesambiguas05.htm.
Com base nas imagens podemos discutir que a percepção enquanto processo
cognitivo relaciona-se as nossas experiências e com o que percebemos do todo observado.
Neste sentido, a percepção nos abre cognitivamente para a testagem de hipóteses ao
observamos e tentarmos identificar o que nos cerca.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Operações Sensoriais
Processamento de
Detecção: Transdução e Transmissão: informações:
receptor é uma célula ou os receptores em nossos sen- receptores e cére-
grupo de células respon- tidos convertem a energia que bro processam infor-
sivas a um tipo específico entra em sinais eletroquímicos mações sensoriais.
de energia (estreita faixa que o sistema nervoso usa para
de estímulos). Exemplo: a comunicação (impulsos trafe-
células do ouvido – vibra- gam por fibras nervosas até de-
ções de ar. terminadas regiões do cérebro).
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
EMOÇÃO
Vocês com certeza, muitas vezes falam de afeto e outras vezes, até para referir
o mesmo sentimento, falam em emoção. Vejamos a diferença entre afeto e emoção:
Afeto é o tom do sentimento, prazeroso ou desprazeroso, que acompanha uma
idéia. Costumo fazer comparação com uma carta de cores. Penso que vocês, de alguma
forma, já viram uma carta de cores. Por exemplo: quando vamos escolher uma tinta, nos
é oferecido um mostruário que vai do branco gelo até o vermelho mais intenso. Assim,
quando falamos em tom de sentimento, me parece que podemos dizer que pode ir do
branco gelo até o vermelho mais intenso.
O afeto que sentimos poderá determinar a atitude que tomaremos em algumas
situações. Por exemplo: atitude de rejeição, aceitação, luta, fuga. Fornecendo desse
jeito à motivação. Verificamos as expressões de afeto através dos relatos pessoais,
comportamentos observáveis e indicadores fisiológicos.
Você sabia que Qualquer lesão cerebral que altere o nível de consciência modifica
o estado afetivo. Álcool e as drogas fazem isto ...
subjetiva
Por exemplo: João sente amor (afeto) por Maria, logo, chora (emoção/expressão
fisiológica do afeto) quando esta não aparece ao encontro marcado.
VOCÊ SABIA?
Emoções volúveis: as emoções humanas estão em constante mudança. Os
afetos ou humores brandos parecem predominar e, raramente, as pessoas são presas
de emoções violentas.
Como surgem as emoções? Até o momento, a evidência não favorece um único
modelo de emoção.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RAIVA E AGRESSÃO
Apesar dos termos não serem nada agradáveis, raiva, agressão e frustração fazem
parte de nossas emoções. Sentir tudo isso faz parte da normalidade do ser humano, o
que devemos, entretanto, é saber controlar nossas emoções e saber diferenciar um de
outro:
• raiva: emoção caracterizada por fortes sentimentos de contrariedade, os
quais são acionados por ofensas reais ou imaginárias;
• agressão: qualquer ato praticado com o fim de ferir ou prejudicar uma vítima
involuntária;
• frustração: surge quando um obstáculo impede as pessoas de fazer algo que
desejam, de atingir um objetivo, um desejo, uma necessidade. Costuma gerar
raiva, freqüentemente seguida de agressão;
• influências ambientais: presenciar violência entre os pais é uma condição
prognóstica de violência em jovens (rejeição parental, negligência,
disciplina dura, crueldade); frustração e fracasso escolar contribuem para a
agressividade; e condições sociais como anonimato (sobrecarga sensorial e
cognitiva resulta em clima impessoal, pessoas urbanas carentes de identidade
pessoal), pobreza e competição.
O mundo não gira em torno de situações apenas desagradáveis, o que nos motiva
a continuar e sermos felizes são alguns outros sentimentos como:
• prazer e alegria: surgem sempre que uma necessidade biológica é satisfeita
(centros de prazer no cérebro). Também surgem na vida cotidiana, chamados
de enlevamentos (meia-idade – relacionar-se bem com o companheiro; amigos,
finalizar uma tarefa, sentir-se saudável...; adolescentes – diversão); e
• felicidade: satisfação geral com a vida.
Processos Básicos do Comportamento
VOCÊ SABIA?
Alegria e prazer são emoções positivas relativamente curtas; já felicidade e
serenidade são mais plenas e duradouras.
ANSIEDADE
Quando dizemos que estamos ansiosos, estamos nos referindo a um medo vago,
desconhecido. Sim, pois o medo propriamente é de um perigo real, concreto. Aí lhes
pergunto, vocês têm medo ou ansiedade de prova? Estão certos os que responderam
ansiedade, pois só teremos medo de prova se ela estiver na nossa frente, e enquanto
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
não for real, concreta, teremos apenas ansiedade de prova. Vamos aprofundar os
conceitos? A ansiedade é caracterizada por sentimentos de antecipação de perigo,
tensão e sofrimento e por tendências de esquiva ou fuga:
APRENDIZAGEM
1. SKINNER
MAIA (2008, p. 33) destaca que o ensino na escola, para Skinner, se processará através
da relação estímulo-resposta, sendo o professor o responsável pelo estabelecimento de
reforços positivos e negativos a fim de se estabelecerem comportamentos desejados.
Frente à questão didático-metodológica, Moreira (1999) destaca a instrução programada
como exemplo de aplicação da abordagem skinneriana na escola, cujos princípios básicos
são:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
2. PIAGET
3. VYGOTSKY
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Princípios fundamentais:
1. para entender o indivíduo, primeiro devemos entender as relações sociais nas
e pelas quais ele se desenvolve. A partir das relações sociais estabelecidas
pelo indivíduo, é possível mostrar como as respostas individuais surgem das
formas de vida coletivas;
2. era contrario as explicações realizadas a partir do reducionismo psicológico
individual;
3. criticava o estudo objetivo do comportamento externo, considerando-o
um materialismo mecanicista, incapaz de explicar o passo da quantidade
para a qualidade, o que impossibilitava a análise dos processos das funções
psicológicas;
4. a psicologia evolutiva de Vygotsky deve ser situada no contexto da gênese da
cultura. Partindo do interesse pelos mecanismos de criação artística, função
da arte e literatura, buscou estudar questões relacionadas à consciência;
5. seus princípios teóricos seguem três princípios: afastar-se de todo reducionismo
e idealismo; explicar os fenômenos através de modelos das ciências naturais
e não se contentar com descrições; e adotar uma perspectiva genética (e
dialética) buscando explicações na história e no desenvolvimento.
INTELIGÊNCIA
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Medindo a Inteligência:
(número que descreve o desempenho relativo em um teste). A idade mental era dividida
pela idade cronológica e o resultado multiplicado por 100. QI = (IM/IC) x 100. Exemplo:
uma criança de 10 anos que obtivesse um resultado de idade mental de 11 anos, obteria
um QI de 110 (11/10 x 100 = 110);
Testes de inteligência atuais: embora poucos cientistas tenham questionado
a ideia da Escala Stanford-Binet, alguns tentaram aperfeiçoá-la, construindo novos
instrumentos em linhas parecidas; e
Há mais de 200 testes de inteligência sendo usados por educadores nos EUA. Todo
ano surgem 15 novos testes. O teste Wechler Adult Intelligence Scale-Revised (WAIS-R,
1981) é um dos testes mais usados pelos psicólogos (BRAGHIROLLI et al., 2003).
40 www.ulbra.br/ead
Psicologia Geral e do Desenvolvimento
VOCÊ SABIA?
Como a herança influencia o desempenho em um teste?
As pessoas não herdam comportamentos, mas os pais passam adiante estruturas
fisiológicas e a química que tornam mais prováveis uma série de comportamentos
sob determinado ambiente.
MEMÓRIA
Vamos mais a fundo nos processos mentais? Chegou à vez de sabermos por que
guardamos algumas informações e outras parecem terem se perdido no tempo e no
espaço. Antes de qualquer coisa, penso ser importante entendermos que as coisas se
ligam, somos seres integrados... O que quero dizer? Vejamos a citação de Davidoff
(2002):
Se não tivéssemos memória, teríamos problemas de percepção. Quando você percebe o céu
cinza de um dia frio, está fazendo comparações implícitas com os dias ensolarados dos quais
se lembra. O ato de falar requer relembrar palavras e regras gramaticais. A capacidade de
resolver problemas depende da capacidade de reter cadeias de idéias (p. 140).
VOCÊ SABIA?
Existem alguns tipos de esquecimento:
aparentemente, perdemos lembranças durante a codificação, o armazenamento
e a recuperação;
falhas na codificação: os materiais deixam de ser representados por completo.
Processos Básicos do Comportamento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
LINGUAGEM E PENSAMENTO
PENSAMENTO
Elementos do Pensamento
i
Imagem g Ação g Representação
IMAGEM:
Muitos cientistas acreditam que as pessoas respondem a determinadas perguntas
por meio da formação de alguma imagem. Exemplo: Para organizar um jantar
você pode imaginar se os sabores e aromas de brócolis e pimenta combinam.
As pessoas tratam as imagens da mesma forma pela qual tratam as percepções.
Embora alguns tipos de pensamento possam usar a imaginação, as imagens não
são essenciais a todo e qualquer pensamento. Exemplo: Você não formará uma
imagem se lhe pedirem para comparar dois governos ou para somar dois números.
Para idéias como verdade ou justiça, há poucas imagens que poderiam ser usadas.
Processos Básicos do Comportamento
AÇÃO:
A ação assim como a imaginação, frequentemente, acompanha o pensamento.
Mas, podemos pensar sem agir? Sim, mesmo quando não há mais movimentos
musculares, as pessoas relatam ainda estar pensando.
REPRESENTAÇÃO:
Representação ou conceito refere-se ao componente básico do pensamento. Diz
respeito a uma idéia desprovida de palavras e de imagens. Muito do pensamento
envolve a representação de itens que não estão imediatamente presentes.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Exemplo: “Vou passar minhas férias em Roma” (posso formar idéias a respeito
sem jamais ter estado em Roma). Não precisamos entrar em contato direto com
algo para que possamos ter conhecimento sobre.
VOCÊ SABIA?
− Os seres humanos falam idiomas para comunicar seus pensamentos. Os 5.500 idiomas
em uso em nosso planeta compartilham todos as mesmas características básicas.
− A fala desenvolve-se rapidamente. Quando ouvimos, temos de interpretar o que está
sendo dito em um ritmo muito mais rápido do que quando lemos.
− A fala é frequentemente ambígua ou pouco clara. As pessoas falam cerca de 200
Processos Básicos do Comportamento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
MOTIVAÇÃO
Por motivo entende-se algo que age internamente no indivíduo, uma condição
interna relativamente duradoura que predispõe o indivíduo a persistir em um
Processos Básicos do Comportamento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Referências Bibliográficas
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1. Complete as lacunas de
acordo com as questões.
mória.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
2. Coloque (V) para verdadeiro ou (F) para falso de acordo com cada afirmação:
GABARITO: 1.
Atividades
2. V, V, F, V, V.
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 4
Desenvolvimento da Personalidade
DISCUSSÕES INICIAIS.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Para Ballone (2003) as pessoas desempenham vários papéis em sua sociedade, cada
um há seu tempo. Papel de filho, pai, irmão, namorado, profissional, etc. Jung chama
de persona essa apresentação social. Persona significa máscara, ou seja, caracteriza a
maneira pela qual o indivíduo irá se apresentar no palco da vida em sociedade. Portanto,
diante do palco social cada um ostente sua máscara. Mas há, porém, uma respeitável
distância entre o papel do indivíduo e aquilo que ele realmente é, ou entre aquilo que
ele pensa ou pensam que é e aquilo que ele é de fato.
DAVIDOFF (2001, p.504) destaca que a personalidade estrutura-se a partir de
padrões relativamente consistentes e duradouros de percepção, pensamento, sentimento
e comportamento que dão às pessoas identidade distinta.
Podemos compreender então que a personalidade é construída com base em nossa
inserção no mundo e não apenas com base biológica, significando que desde o nosso
nascimento até a nossa fase adulta, as relações sociais, a cultura e outros aspectos acabam
por constituir nossa personalidade. FILHO (1992) nos auxilia neste entendimento:
Com base nas ideias de VOLPI (2004) aspectos hereditários e ambientais compõe
nossa personalidade. Os aspectos hereditários estariam relacionados a nossa herança
genética e os aspectos ambientais se constituem a partir da cultura, das relações
familiares, nos ambientes institucionais formais e não formais dos quais participamos
entre outros. Estes fatores tornam nossa personalidade única e dinâmica.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
a) Fase Oral:
Desde o nascimento, necessidade e gratificação estão ambas concentradas predominantemente
em volta dos lábios, língua e, um pouco mais tarde, dos destes. A pulsão básica do bebê não
é social ou interpessoal, é apenas receber alimento para atenuar as tensões de fome e sede.
Enquanto é alimentada, a criança é também confortada, aninhada, acalentada e acariciada.
No início, ela associa prazer e redução da tensão ao processo de alimentação (FADIMAN,
1986, p.13)
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
b) Fase Anal:
À medida que a criança cresce, novas áreas de tensão e gratificação são trazidas à consciência.
Entre dois e quatro anos, as crianças geralmente aprendem a controlar os esfíncteres anais e
a bexiga. A criança presta uma atenção especial à micção e a evacuação. O treinamento da
toalete desperta um interesse natural pela autodescoberta. A obtenção do controle fisiológico
é ligada a percepção de que esse controle é uma nova fonte de prazer (FADIMAN, 1986, p.18)
c) Fase Fálica:
Bem cedo, já aos três anos, a criança entra na fase fálica que focaliza as áreas genitais do
corpo. Freud afirmava que essa fase é melhor caracterizada por “fálica” uma vez que é o
período em que uma criança se dá conta de seu pênis ou da falta de um. É a primeira fase
em que as crianças tornam-se conscientes das diferenças sexuais. (D’ANDREA, 1978, p.64).
MAIA (2008) destaca que nesta fase, para Freud, meninos e meninas refletiriam
sobre a ausência do pênis ou o temor pela perda do pênis. Nas meninas existiria um
sentimento de inveja do pênis, principalmente relacionada à micção e masturbação.
Salientava ainda que o clitóris seria percebido como uma parte inferior feminina. Ainda
hoje, vários teóricos e pesquisadores debatem esta questão – Erikson, Jung, entre outros.
Porém, os meninos, focalizariam seus temores na ideia da castração do pênis, ou seja,
o medo da perda do pênis ao pecar.
Desenvolvimento da Personalidade
A manifestação edipiana teria inicio para o teórico, nesta fase que ocorreria por
volta do 3º-4º ano até o 6º-7º ano de vida. Esta fase, para Freud seria a mais importante
para o desenvolvimento da personalidade. Partindo das idéias de D’Andrea (1978), a
criança nesta fase, desenvolveria um grande interesse, desejo pelo genitor do sexo
oposto, apresentando assim uma rivalidade pelo genitor do mesmo sexo. Ansiedade,
medo e culpa constituem-se nesta fase: “(...) para o menino que deseja estar perto de
sua mãe, o pai assume alguns atributos de um rival. Ao mesmo tempo, o menino ainda
quer o amor e a afeição de seu pai e, por isso, sua mãe é vista como uma rival. A criança
está na posição insustentável de querer e temer ambos os pais (FADIMAN, 1986, p.14)
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
d) Fase de latência:
Denomina-se fase de latência o período que vai, aproximadamente, dos cinco aos 10 anos
de idade. Este período caracteriza-se por uma aparente interrupção do desenvolvimento
sexual, em que os impulsos eróticos exercem menor influencia na conduta e o ego encontra
uma trégua para os conflitos emocionais que vinham se desenrolando nas fases anteriores
(D’ANDREA, 1978, p.73).
Desta forma, a criança utiliza sua força psíquica para fortalecer o ego e o
superego em desenvolvimento, voltando-se para o estreitamento de laços afetivos, busca
de amizades e outras atividades. Mudanças endocrinológicas nesta fase possibilitam
novas transformações.
e) Fase Genital:
A fase final do desenvolvimento biológico e psicológico ocorre com o início da puberdade e
o consequente retorno da energia libidinal aos órgãos sexuais. Neste momento, meninos e
meninas estão ambos conscientes de suas identidades sexuais distintas e começam a buscar
formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais (FADIMAN, 1986, p.14).
sujeitos. Os NEOFREUDIANOS partem das ideias de Freud com ênfase no contexto social.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
TRAÇO DE
TEMPERAMENTO CARÁTER PERSONALIDADE
PERSONALIDADE
Desenvolvimento da Personalidade
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
(...) não se nasce personalidade, chega-se a ser personalidade por meio da socialização e
da formação de uma endocultura, através da aquisição de hábitos, atitudes e formas de
utilização de instrumentos. A personalidade é um produto da atividade social e suas formas
poderão ser explicadas somente nestes termos.
Desta forma, para esta corrente teórica a personalidade se constitui a partir das
relações entre as condições objetivas (externas) e subjetivas (individuais) dos sujeitos
inseridos em determinado contexto social. Finalizamos com um pensamento de CIAMPA
(1987, p. 241-242) sobre identidade:
[...] identidade é identidade de pensar e ser (...). O conteúdo que surgirá dessa
metamorfose deve subordinar-se ao interesse da razão e decorrer da interpretação
que façamos do que merece ser vivido. Isso é busca de significado, é invenção de
sentido. É autoprodução do homem. É vida.
Recapitulando
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1. Coloque (V) para verdadeiro ou (F) para falso, de acordo com cada afirmação:
1) Freud
2) Rogers
3) Cattell
( ) Teorias Psicodinâmicas
( ) Teorias Disposicionais
( ) Teorias Fenomenológicas
Atividades
GABARITO: 1. V, V, V, V / 2. 1, 3, 2.
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 5
Comportamento Normal e Anormal
Conforme Atkinson et al. (2002), não existe um consenso geral para definição de
normalidade. Cada sociedade tem certos padrões, ou normas, para o comportamento
aceitável, e o comportamento que se desvia acentuadamente dessas normas é
considerado anormal. O comportamento é anormal se é mal-adaptativo, se tem efeitos
adversos sobre o indivíduo ou sobre a sociedade.
Para Teiga et al. (2007), tanto na psiquiatria clássica como na abordagem
psicológica está implícita a questão de padrões de normalidade, elas se assemelham no
sentido de que ambas supõem um critério do que é normal.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
que:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Em muitos momentos de sua vida, uma pessoa pode sofrer situações difíceis e de
sofrimento intenso, pensando que algo vai arrebentar dentro de si, que não vai suportar
ou vai perder o controle sobre si mesmo... que vai enlouquecer. Isso pode acontecer
quando se perde alguém muito próximo, em situações altamente estressantes, em
situações em que o indivíduo se vê com muitas dúvidas e não percebe a possibilidade de
pedir ajuda e/ou resolver sozinho tal situação.
A pessoa busca a superação desse sofrimento, o restabelecimento de sua
organização pessoal e de seu equilíbrio, isto é, retornar àquelas condições de rotina de
sua vida, em que não tinha insônia, não chorava a toda hora, não tinha os medos que
agora tem, por exemplo. Na verdade, o indivíduo necessita de apoio de seus grupos (a
família, o trabalho, os amigos), isto é, os que estejam continentes de seu sofrimento e
que não o excluam, tornando mais difícil o momento em que vive.
O indivíduo pode necessitar de uma ajuda psicoterápica, no sentido de facilitar a
compreensão dos conteúdos internos que lhe causa o transtorno, o que poderá levá-lo a
uma reorganização pessoal, aprendendo a conviver com perdas, frustrações e descobrir
outras fontes de gratificação na sua relação com o mundo. Neste modo de relatar e
compreender o sofrimento psíquico fica claro que o critério de avaliação é o próprio
indivíduo e seu desajustamento psicológico, isto é, ele em relação a si próprio, e não o
critério de adaptação ou desadaptação social.
Embora o desajuste psicológico possa levar à desadaptação social e esta possa
determinar uma ordem de distúrbios psíquicos, não se pode sempre estabelecer uma
relação de causa e efeitos ente ambos. Abordar a questão da doença mental, neste
enfoque psicológico, significa considerá-la como produto de interação das condições de
vida social com a trajetória específica do indivíduo e sua estrutura psíquica.
O indivíduo apresenta um sintoma ou vários: ele vê o diabo; tem um medo
intenso de sair de casa ou de ir para algum lugar sozinho; não consegue dormir à noite;
não articula com lógica um raciocínio sobre determinado assunto; ouve vozes que o
aconselham ou o apavoram; ou está extremamente eufórico e, no momento seguinte,
Comportamento Normal e Anormal
fica muito deprimido e se recusa ao contato com os outros. Esses sintomas podem ser
agrupados em diferentes casos clínicos que recebem um nome, o nome da doença:
neurose, histeria, psicose, esquizofrenia.
A psiquiatria clássica considera os sintomas como um sinal de um distúrbio orgânico,
isto é, doença mental é igual à doença cerebral. Sua origem é endógena, dentro do
organismo, e refere-se a alguma lesão de natureza anatômica ou distúrbio fisiológico
cerebral. Algum distúrbio ou anomalia da estrutura ou funcionamento cerebral leva a
distúrbios do comportamento, da afetividade, do pensamento etc. O sintoma apóia-se
e tem sua origem no orgânico. Existem mapas cerebrais que localizam em cada área
cerebral, funções sensoriais, motoras afetivas e de intelecção.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Freud destaca que a NEUROSE pode ser entendida como os sintomas que
são a expressão simbólica de um conflito psíquico que tem suas raízes na história
infantil do indivíduo.
Psicose, é o termo usado para se referir, de modo geral, à doença mental. Para a
psicanálise, refere-se a uma perturbação intensa do indivíduo na relação com a
realidade, ficando o ego sob domínio do id, dos impulsivos. O ego reconstrói a realidade
de acordo com os desejos do id. As psicoses subdividem-se em: paranoia, esquizofrenia
e transtorno bipolar ou psicose maníaco-depressiva
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
MAIA (2000) destaca que para Hennigen (2006, p.47) a cultura é compreendida como
Comportamento Normal e Anormal
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a
sujeição constante de suas forças e lhes impõe uma relação de docilidade/utilidade são o que
podemos chamar as disciplinas (...). A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados,
corpos dóceis. A disciplina aumenta as forças do corpo - em termos econômicos de utilidade - e
diminui essas mesmas forças - em termos políticos de resistência (Foucault, 1998, p.126).
(...) a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés
disso, à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam,
somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades
possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos simplificações.
(HALL, 2002, p.13)
Elas são o resultado de um processo de identificação que permite que nos posicionemos no
interior das definições que os discursos culturais (exteriores) fornecem ou que nos subjetivemos
(dentro deles). Nossas chamadas subjetividades são, então, produzidas parcialmente de
Comportamento Normal e Anormal
modo discursivo e dialógico. Portanto, é fácil perceber porque nossa compreensão de todo
este processo teve que ser completamente reconstruída pelo nosso interesse na cultura; e
por que é cada vez mais difícil manter a tradicional distinção entre “interior” e “exterior”,
entre o social e o psíquico, quando a cultura intervém. (HALL, 2002, p. 37)
Maia (2000) destaca que desta forma, os discursos, em geral, são constituídos a
partir de inúmeras vozes, que concorrem entre si para construir e posicionar os sujeitos,
produzindo diferentes efeitos em cada um de nós. Os discursos constroem significados,
valores, crenças e emergem de visões particulares, de modos de agir e de pensar sobre
o mundo, como salienta Costa (2004, p.48):
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Silva (2004) em Maia (2005) destaca que a chamada política de identidade reúne
duas relações centrais do conceito de representação: representação como “delegação”
e como “descrição”. Por delegação, pergunta-se quem tem o direito de representar
quem, em instâncias nas quais se delega um número reduzido de representantes o direito
a voz e o poder de decisão de um grupo inteiro. Essa idéia de representação constitui-se
como “democracia representativa”, destaca Hall (2004).
SILVA (2004) destaca que: a delegação de alguns para falar e agir em nome
do “outro”, faz com que o processo de apresentação e descrição do “outro” seja
dirigido por quem possui esta delegação, pois quem fala pelo outro controla as
formas de falar do outro.
Representação é o processo pelo qual membros de uma cultura usam a língua (amplamente
definida como qualquer sistema que empregue signos, qualquer sistema significante) para
produzirem significados. Esta definição já carrega a importante premissa de que as coisas
- objetos, pessoas, eventos do mundo - não têm em si qualquer significado estabelecido,
Comportamento Normal e Anormal
final ou verdadeiro. Somos nós - na sociedade, nas culturas humanas - que fazemos as coisas
significarem, que significamos. Os significados, consequentemente, mudam sempre de uma
cultura ou época para outra. (HALL, 2002, p.61).
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Nós exigimos mais dos monstros, pedimo-lhes, justamente, que nos inquietem, que nos
provoquem vertigens, que abalem permanentemente as nossas mais sólidas certezas; porque
necessitamos de certezas sobre a nossa identidade humana ameaçada de indefinição. Os
monstros, felizmente, existem não para nos mostrar o que não somos, mas o que poderíamos
ser. Entre esses dois pólos, entre uma possibilidade negativa e um acaso possível, tentamos
situar a nossa humanidade de homens.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BHABHA, Hoci. A questão do “outro”: diferença, discriminação e o discurso do
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Curitiba: IBEPX, 2007.
___. Brincar, não brincar: eis a questão? Um estudo sobre o brincar da criança portadora
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Referências Bibliográficas
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
O que significa ser normal? O que significa ser anormal? Como estes conceitos
influenciam nossa constituição? A visibilidade do outro, do meu eu?
A construção histórica do processo de hegemonia do normal se constitui a partir
da Modernidade, com seu processo de enclausuramento do corpo, da padronização da
infância, da família, do sujeito: nada pode escapar do controle, das relações de poder
que se estabelecem entre os sujeitos que compõe o espaço cultural, social. Um poder
que não se detêm, apenas se exerce através de práticas discursivas, de distintas técnicas
e artefatos.
Deste modo, a anormalidade delimita, torna o outro incapaz dentro de sua
capacidade, torna-o deficiente, diferente, o monstro a ser combatido pelos demais
normais, não deficientes, não diferentes, não loucos. SILVA (2000, p.38) nos auxilia nesta
questão:
Dividir mundo social entre “nós” e “eles” significa classificar. O processo de classificação
é central na vida social. Ele pode ser entendido como um ato de significação pelo qual
dividimos e ordenamos o mundo social em grupos, em classes. A identidade e a diferença estão
estreitamente relacionadas às formas pelas quais a sociedade produz e utiliza classificações.
As classificações são sempre feitas a partir do ponto de vista da identidade. Isto é, as classes
nas quais o mundo social é dividido não são simples agrupamentos simétricos. Dividir e
classificar significa, neste caso, também hierarquizar. Deter o privilégio de classificar significa
também deter o privilégio de atribuir diferentes valores aos grupos assim classificados.
Recapitulando
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1. Coloque (V) para verdadeira ou (F) para falso, de acordo com cada afirmação:
1) Critério estatístico
2) Antropólogos
3) Organização mundial de saúde
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
3. Coloque (V) para verdadeira ou (F) para falso, de acordo com cada afirmação:
GABARITO: 1. V, V, F, V, V / 2. 1, 2, 3 / 3. V, V, F, V, V
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 6
Bases Determinantes do Comportamento Social
As propriedades que fazem do homem um ser particular, que fazem deste animal um ser
humano, são um suporte biológico específico, o trabalho e os instrumentos, a linguagem,
as relações sociais e uma subjetividade caracterizada pela consciência e identidade, pelos
sentimentos e emoções e pelo inconsciente. Com isso queremos dizer que o humano é
determinado por todos esses elementos. Ele é multideterminado (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA,
1999, p. 177).
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Maia (2008) destaca que a cultura deste modo, esta impregnada de práticas
sociais, tradições, práticas das instituições sociais, produções humanas relacionadas às
questões técnicas, cientificas e artísticas: tudo que é obra do homem, que sofre ação do
Bases Determinantes do Comportamento Social
homem. Ao longo dos períodos históricos diferenciados com base nas questões culturais,
Vygotsky (1997, p. 29-30) nos auxilia a destacar que:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Da mesma maneira que a vida da sociedade não representa um todo único e uniforme, e a
sociedade é subdividida em diferentes classes, assim, durante um dado período histórico,
a composição das personalidades humanas não pode ser vista como representando algo
homogêneo e uniforme, e a psicologia deve levar em conta o fato fundamental que a tese
geral que foi formulada recentemente só pode ter uma conclusão direta, confirmar o caráter
de classe, a natureza de classe e as diferenças de classe que são responsáveis pela formação
dos tipos humanos. As várias contradições internas que foram encontradas em diferentes
sistemas sociais encontram sua expressão, ao mesmo tempo, no tipo de personalidade e na
estrutura da psicologia humana neste período histórico.
que o sujeito seja refém das necessidades, das carências presentes em seu ambiente.
Para o teórico, a relação do sujeito com seu ambiente possui característica dialética de
atividade, e não de uma suposta dependência que o cercearia:
A adaptação ao ambiente pode implicar a mais dura luta contra seus diferentes elementos,
denotando sempre inter-relações ativas com este. Portanto, no mesmo ambiente social pode
haver orientações sociais totalmente diversas do individuo, e toda questão reside em saber
em que direção essa atividade será educada (2003, p. 197).
É por meio dos campos interativos dialógicos que o sujeito se desenvolve para a
RedSig. O desenvolvimento da criança, do sujeito se processa através de sua relação com
o outro social. Ferreira-Rossetti et al. (2004, p. 23) salientam que: (...) esse outro social
passa a inserir a criança em contextos ou posições sociais, agindo como seu mediador.
É esse outro que completa e interpreta o bebê para o mundo e o mundo para ele. É por
meio do outro e dos movimentos desse outro que suas primeiras atitudes tomam forma.
As relações interpessoais, consideradas fundantes, se processam durante toda a
vida da pessoa. Ferreira-Rossetti et al. (2004, p. 25), compreendem que: múltiplos papéis/
contra-papéis e posicionamentos são possíveis de serem apreendidos e transformados
por cada pessoa, ao longo de seu desenvolvimento, a partir das múltiplas e complexas
experiências pessoais, em contextos variados.
Isto significa dizer, que as relações sociais estabelecidas desde a infância pela
pessoa, a constitui, assim como sua relação com o mundo: o ser humano é relação,
constrói-se na relação com o outro e com o mundo e só se diferencia e se assemelha no
espaço relacional. (Ferreira-Rossetti et al., 2004, p. 25).
A partir deste processo relacional, o sujeito se constitui pelo outro e o outro se
constitui pelo sujeito. Este interjogo possibilita a construção das identidades individuais
Bases Determinantes do Comportamento Social
e grupais. O sujeito torna-se múltipla, pelas múltiplas interações, pelas vozes que a
constituem nas práticas discursivas. Ferreira-Rossetti et al., (2004, p. 25), colocam que:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
(...) entende-se que não existe uma única rede de significações, mas várias redes articuladas
entre si, interligando e interligadas por nodos, compondo uma malha com diversos pontos
de encontro. Essa noção permite, ainda, romper com as tradicionais dicotomias interior/
exterior e macro/micro, pois é entendido que cada nodo encontra-se articulado a redes mais
amplas e, simultaneamente, pode se constituir, a cada momento, de redes menores.
Isto significa dizer que os múltiplos sujeitos que compõe a rede de significações
se constituem de forma diferenciada, promovendo recortes de situações, frente suas
motivações, emoções e significações. Se desenvolvem e aprendem de maneiras distintas.
Desta forma, os sujeitos se constituem a partir de conflitos, relacionados aos recortes
de situações que estas realizam. Ferreira-Rossetti et al. (2004, p. 30), nos auxiliam no
entendimento do movimento de dialeticidade presente na rede de significação:
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da
pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba,
Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele
amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você
é o que você lembra. Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito
quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não
ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de
um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
chora. Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é
o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você
é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços
que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você
é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo,
o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você
é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que
você queima. Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua
verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você
é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você
pleiteia. Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer,
recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
VALSINER, Jaan & VEER, René Van Der. Vygotsky: uma síntese. São Paulo: Loyola, 1999.
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Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
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___. Psicologia Pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2003.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
Recapitulando
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1) indivíduo
2) grupo
3) conceito recente de facilitação social
4) só poderemos falar em aprendizagem
5) socialização primária
6) socialização secundária
( )
ocorre na infância.
( )
desempenho de papéis, liderança etc.
( )
processos de socialização, percepção social e atitudes sociais
( )
processo que conduz ao fortalecimento de respostas dominantes num determinado
indivíduo devido à mera presença de outras pessoas
( ) oferecer uma mudança no comportamento desencadeada pela experiência.
( ) integração do indivíduo no grupo ou em situação social
GABARITO: 1. 5, 2, 1, 3, 4, 6 / 2. F, F, V
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 7
Comportamento Grupal
O trecho que acabamos de assistir, ilustra o que iremos discutir neste capítulo:
como desenvolvemos as relações interpessoais? De que forma o grupo é importante na
construção das relações de trabalho? Como se estabelece o comportamento de grupo?
Qual a importância das dinâmicas de grupo nos espaços organizacionais?
Um pouco de história
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Uma ideologia política, interessada nas formas de organização e direção de grupos. Essa
ideologia acentua a importância da liderança democrática, a participação dos membros nas
decisões e as vantagens tanto para a sociedade quanto para os indivíduos das atividades
cooperativas em grupos.
Comportamento Grupal
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Isso significa dizer que se é possível ‘viver’ o grupo é também possível dar, receber e trocar
idéias e sentimentos. Viver o grupo significa ainda lidar com a diversidade, com a falta de
algo pronto e acabado, com a possibilidade do conflito e do confronto, mas também, com a
união e a criação.
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89
Psicologia Geral e do Desenvolvimento
GRUPOS FORMAIS
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
GRUPOS INFORMAIS
Sempre que as pessoas se reúnem de maneira mais ou menos contínua surge uma
tendência de se formarem grupos cujas atividades podem ser diferentes das atividades
da organização. Fazem parte dos grupos informais os grupos de interesse e os grupos de
amizade.
Os grupos de interesse caracterizam-se por indivíduos que podem ou não ser
membros de um mesmo grupo de comando ou grupo de tarefa podem juntar-se para
um objetivo comum. Os funcionários que se organizam, numa frente unificada, que
se contrapõe à administração, pedindo melhores salários, e as garçonetes, que fazem
“caixinhas em comum”, são exemplos de grupos de interesse.
Os grupos de amizade, por sua vez, se estruturam através de membros que
possuem alguma coisa em comum, como idade, crenças políticas ou traços étnicos.
Estes grupos de amizade freqüentemente estendem suas atividades e sua comunicação
para fora do trabalho.
É importante neste momento, colocarmos que dentro de cada grupo, os indivíduos
possuem uma posição, um status e um papel. Vejamos o que significa?
O que vem a ser Coesão do grupo? Esta nada mais é do que o resultado de
todas as forças que atuam sobre os membros, a fim de que permaneçam no grupo. Um
grupo coeso: trabalha vinculado por um objetivo comum e/ou está pronto a aceitar a
responsabilidade pelo trabalho coletivo; possui disposição para tolerar dor e frustração;
defende-se de críticas e ataques externos e dispõe de um grau maior de aceitação das
mesmas normas de comportamento e crenças.
líder formal - é aquele indicado por uma chefia para liderar o grupo;
líder informal - é aquele que surge espontaneamente no grupo.
OLIVEIRA e LILJA ( 2005) destacam que o líder pode se apresentar como:
autocrático – aquele que determina toda a atividade do grupo e acredita que
todos lhe devem obediência independentemente de justiça, certo ou errado.
As relações interpessoais sofrem considerável deterioração;
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93
Psicologia Geral e do Desenvolvimento
domínio, autoridade, influência e força poderá ocorrer através das seguintes estruturas:
1. Poder com base irracional é a autoridade anuncia o que é bom para o homem;
promulga a lei e as normas de conduta. Este tem origem no medo e culpa. O poder
irracional gera dependência, fraqueza e falta de negociação.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
2. Poder com base racional é o próprio homem é que fixa as normas e a elas se
sujeita. Este tem origem na competência. O poder racional gera auto-imagem positiva,
independência e negociação.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
O que se percebe através das ideias da autora é que pertencer significa ser co-
responsável, co-participie, constituidor e constituinte dos grupos nos quais fazemos
parte: da mesma forma que construímos o grupo, o grupo se constrói a partir de todos
os que o compõe.
Recapitulando
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
1) Grupo de comando
2) Grupo de tarefa
3) Poder com base irracional
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
( ) Poder com base racional – o próprio homem é que fixa as normas e a elas se
sujeita. Este tem origem na competência. O poder racional gera auto-imagem
positiva, independência e negociação.
( ) Poder Legítimo é o poder atribuído a um indivíduo que ocupe uma posição
específica dentro de uma organização. Está, portanto, ligado aos “cargos” e não
às pessoas.
( ) Poder de Recompensa é também inerente à estrutura organizacional. Pelo
desejo de serem recompensadas, as pessoas se deixam influenciar por quem
tem a possibilidade de atender a estas necessidades.
( ) Poder da Especialização é derivado de talentos especiais, do conhecimento,
das habilidades, das experiências. Como a organização ou as pessoas necessitam
desta especialização, atribuem poder a seu possuidor.
( ) Poder de Referência é oriundo da posse de uma informação importante em um
momento crítico.
( ) Poder da Informação também conhecido como “carisma pessoal.” É oriundo da
estrutura de personalidade de cada um.
Atividades
GABARITO: 1. b / 2. 3, 1, 2 / 3. V, V, V, V, F, F
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 8
Infância, Cultura Juvenil, Adulto e Velho:
Novos Rumos conceituais, apenas?
A criança hoje...
Crianças entre cinco, seis anos de idade... na praça, brincando com trava-línguas,
jogos cantados, cantigas de roda? Amarelinha/sapata, esconde-esconde? Pega-pega,
cinco-marias, bilboquê, pião, piora? Cantando músicas infantis?
Infelizmente, não! A grande maioria de nossas crianças hoje, estão nos shopping
centers, ou estão escutando música em seu mp3, pensando em namorar e escutando
músicas de rap, funk e pagode. Erotização da infância?
Mas quem são nossas crianças hoje? Como conceituar criança, infância?
MAIA (2005) destaca que utilizando – se das ideias de ÁRIES (1993), o conceito de
infância aceito hoje começou a fortalecer-se no século XVII, atingindo seu apogeu no
século XX, sendo apenas uma miragem antes do Renascimento. A infância individualizada
esteve ausente da representação iconográfica – túmulos, pinturas religiosas – antes do
séc. XIII. A partir daí, apareciam, no máximo, como adultos miniaturizados3.
O alto índice de mortalidade infantil desestimulava os sentimentos referentes às
crianças: “O sentimento de que se faziam crianças para conservar apenas algumas era e
durante muito tempo permaneceu muito forte” (1993, p. 102).
3 Para Áries, esse conceito remete a uma criança vista como um pequeno adulto, ou seja, travestida de adulto – gestos, vestuário, etc.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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101
Psicologia Geral e do Desenvolvimento
GÉLIS (in ÀRIES & DUBY, 1991: 326, v.3) buscando reconstruir o processo histórico
de individualização da criança, destaca que a criança da realeza desde o início já nascerá
uma criança pública, pois todos seus atos seriam observados, registrados e modificados
– o que se esperaria de um delfim.
Mas e as outras crianças, não as da realeza....
Para essas o público e o privado sempre se fizeram presentes: o público sendo
representado pelas redes sociais e o privado pelos seus pais. Sendo assim, (...) o que
mudou ao longo dos séculos clássicos foi à parte respectiva de um e de outro. O estudo
da situação da criança remete, pois, constantemente a vários níveis de representações
e de práticas (...) explicita GÉLIS (p.327).
Talvez, nossa dificuldade de conceituar infância e criança se encontre nesta
problemática: quais seriam os nossos níveis de representação e de prática associadas a
essas hoje?
POSTMAN (1999) alerta que se a infância foi inventada, poderia deixar de existir,
desaparecer. Salienta em seus estudos algumas questões sociais que contribuiriam para
a mudança atual da infância vivida, da criança existente: a televisão – com seu caráter
de erotizar as crianças, as relações sociedade – criança, pais – filhos, o processo de
escolarização, mas principalmente a homogeneização que a sociedade tanto busca: ser
igual se faz imprescindível. Lembrem-se: imagem é tudo!!!
Infância, Cultura Juvenil, Adulto e Velho: novos rumos conceituais, apenas?
O imaginário adulto opera hoje, com significações frente ao ser criança: uma
criança esperta, mini-adulto que não necessita de vestuário próprio, brincadeiras
antigas, musicas infantis.
Tudo é público, social, cultural! O espaço considerado infantil transformando-
se em espaço adulto, acarretando em si um discurso e um engendramento sobre o ser
criança, seu brincar: retorno a pré-modernidade?
Talvez encontremos a resposta para a transformação do brincar, do conceito de
criança, de infância, seguindo este ponto de vista: por que ocorrer trocas de brincares
entre os sujeitos, roupas diferenciadas, se hoje na televisão, as apresentadoras infantis
servem de babás eletrônicas, modelos, professoras?
Se não podemos deixar de concordar que a criança é um dado etário, natural, não podemos
esquecer também que este dado está imerso na história e, consequentemente, é em relação
à História que este etário se define. Se é verdade, ao menos em princípio, que todas as
crianças crescem, é verdade também, que a direção deste crescimento estará em relação
constante com o ambiente sociocultural (PERROTTI, 1986, p.14 in FARIA, 2002, p.45).
Cultura Juvenil
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
HINDE (1997) afirma que todas as pessoas estão continuamente buscando um sentido para
suas ações e para as ações dos outros. Segundo ele, as pessoas precisam sentir que possuem
algum grau de controle sobre os acontecimentos e, para isto, elas precisam ver o mundo
como previsível. As suas interações e os seus relacionamentos estão, portanto, pautados nos
significados pessoais que os indivíduos atribuem a si mesmos e na compreensão mútua entre
eles e aqueles que com eles convivem. E toda a construção da identidade ´pessoal é formada
pela experiência, especialmente pela experiência social. ASPESI in DESSEN (2005, p. 25).
adultos jovens e dos 40 aos 60 anos, adultos-meia idade. Desta forma, PAPALIA & OLDS
(2000) destacam que nesta fase da vida a maioria das pessoas encontrariam-se no auge
da energia, resistência e força-principalmente dos 20 aos 40 anos.
Mas será uma regra?
É importante destacar que nesta fase há necessidade de deixarmos o lar, assim
nos desapegando aos nossos pais. Outras questões estariam relacionadas a processos de
escolhas: parceiro(a); amizades, profissão, emprego entre outras. A maternidade e a
paternidade seriam papéis a serem pensados, repensados e planejados.
GIDDENS (2000) declara que: para o bem e para o mal, somos impelidos rumo
a uma nova ordem global que ninguém compreende plenamente, mas cujos efeitos
se fazem sentir sobre todos nós: globalização. Podemos destacar então que frente as
práticas sociais e culturais vamos reconstruindo nossa identidade a partir das mediações
discursivas.
Assim, temos que ter em mente que as profundas alterações econômicas,
tecnológicas e sociais também modificam-nos a partir da reestruturação e do
entendimento de homem e mulher hoje, de feminino e masculino.
Maslow, psicólogo humanista, propôs em seus estudos, uma Hierarquia de
necessidades. Segundo o autor, os indivíduos possuem necessidades humanas, as quais
priorizam frente seus interesses. Acreditava que as pessoas auto-realizadas aceitariam
a si mesmas e aos outros, buscando assim, seu processo de realização.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
PAPALIA & OLDS (2000, p. 408) frente às ideias de MASLOW destacam que as teorias
humanistas dão atenção especial aos fatores internos da personalidade: sentimentos,
valores e esperanças. Porém, como estruturam-se em uma premissa subjetiva, não
Passamos a vida inteira ouvindo os sábios conselhos dos outros. Tens que
aprender a ser mais flexível, tens que aprender a ser menos dramática, tens que
aprender a ser mais discreta, tens que aprender… praticamente tudo. Mesmo as
coisas que a gente já sabe fazer, é preciso aprender a fazê-las melhor, mais rápido,
mais vezes. Vida é constante aprendizado. A gente lê, a gente conversa, a gente faz
terapia, a gente se puxa pra tirar nota dez no quesito “sabe-tudo”. Pois é. E o que a
gente faz com aquilo que a gente pensava que sabia? As crianças têm facilidade para
aprender porque estão com a cabeça virgem de informações, há muito espaço para
ser preenchido, muitos dados a serem assimilados sem a necessidade de cruzá-los:
tudo é bem-vindo na infância. Mas nós já temos arquivos demais no nosso winchester
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
cerebral. Para aprender coisas novas, é preciso antes deletar arquivos antigos. E isso
não se faz com o simples apertar de uma tecla. Antes de aprender, é preciso dominar
a arte de desaprender. Desaprender a ser tão sensível, para conseguir vencer mais
facilmente as barreiras que encontramos no caminho. Desaprender a ser tão exigente
consigo mesmo, para poder se divertir com os próprios erros. Desaprender a ser tão
coerente, pois a vida é incoerente por natureza e a gente precisa saber lidar com o
inusitado. Desaprender a esperar que os outros leiam nosso pensamento: em vez de
acreditar em telepatia, é melhor acreditar no poder da nossa voz. Desaprender a
autocomiseração: enquanto perdemos tempo tendo pena da gente mesmo, os demais
seguiram em frente. A solução é voltar ao marco zero. Desaprender para aprender.
Deletar para escrever em cima. Houve um tempo em que eu pensava que, para isso,
seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta
mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar.
EIZIRIK (2001) nos auxilia na discussão, com base nos que os entrevistados
responderam de forma geral, ao destacar que a velhice é uma etapa do ciclo vital
com características próprias e necessidades específicas, assim salienta algumas perdas
mais frequentes nesta faixa etária como: saúde física, a diminuição das capacidades,
sentimento de solidão e a perda do cônjuge. A diminuição da rede social na velhice é um
fator cada vez mais crescente.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
O tempo não é o mesmo para todos os povos, raças, culturas e homens. Ao observar tais
nuanças na visão do fenômeno tempo, percebi a grande interferência que elas exercem na
aceitação ou rejeição da velhice e, consequentemente, da morte. Da ideia que se tenha da
morte e do morrer é que resulta a postura sobre velhice e sobre a vida em geral. LOUREIRO
(1998, p.13)
Desta forma destaca-se que o conceito de velhice, de velho tem relação direta
com a cultura na qual estamos inseridos, com as práticas sociais estabelecidas e
principalmente com as redes sociais. Que podem incluir ou excluir.
A teoria das redes sociais descreve transações entre as pessoas. Cada indivíduo
é um nó da rede, cada troca é uma ligação, EIZIRIK (2001,173): uma rede social é
geralmente definida pelos sociólogos como o conjunto de ligações dentro de um grupo
específico de pessoas, ligações essas cujas características têm algum poder explanatório
para o comportamento social das pessoas envolvidas.
Institucionalização, família, longevidade, mortalidade, saúde mental, saúde
física e participação em atividades sociais. Questões relacionadas à qualidade de vida
dos idosos. Várias pesquisas nacionais e internacionais destacam a importância das
redes de familiares e de amigos no estado de saúde e bem-estar emocional dos idosos,
principalmente o da família, através do suporte afetivo e de intimidade.
Os idosos que realizam atividades físicas e lúdicas estão mais predispostos
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
NÃO SEI...
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Cora Coralina
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADES
a) pré-modernidade
b) modernidade
c) pós-modernidade
d) nenhuma resposta esta correta
2. Partindo das ideias de Feixa (1999) podemos conceituar Cultura Juvenil como:
3. Para Postman (1999) se a infância foi inventada poderia deixar de existir, desaparecer.
Esta afirmação do pesquisador pode ser associada:
GABARITO: 1. c / 2. c / 3. a
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 9
Psicologia da Adolescência
O que significa ser jovem, adolescente? Como se constitui esta etapa da vida
no sujeito? Qual a importância da família, de outros jovens, do processo educativo e
do mercado de trabalho nesta fase da vida? Estas são algumas das questões a serem
abordadas no presente capítulo com base em distintas correntes teóricas.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Percebe-se que para Erikson (1972) a identidade define quem é o sujeito, seus
valores e a construção de seu plano de vida. Defende que a identidade é a concepção de si,
composta por crenças, valores, objetivos, necessidades as quais o sujeito estabelece para si
e se compromete em construir. T.H. Schoen-Ferreira et al.(2003, p.107) colocam que:
Crescer é um assunto familiar (Kimmel & Weiner, 1998). O crescimento consiste em aprender
a ser independente dos pais e de outros adultos significativos. Ao se compreender que o
adolescente precisa de liberdade para ser ele mesmo, escolher seus amigos e preservar a
Psicologia Infantil e da Adolescência
intimidade de seus pensamentos e sentimentos, entende-se que ele não luta contra os pais,
mas a favor de seu crescimento. T.H. Schoen-Ferreira et al.(2003, p.112).
Com base nas ideiais de Feixa (1999), trabalhadas no capítulo anterior, podemos
destacar que algumas problemáticas se constituem na cultura juvenil hoje, tais como:
tornar-se parte integrante de determinado grupo, a relação entre seus pares e familiares,
o processo de inclusão no espaço educacional formal e nos espaços sociais e o consumo
de determinados objetos e estilos de vida perpetuados pela mídia e pelas redes sociais
presentes em outdoors, propagandas, imagens presentes no dia a dia dos jovens e
adultos. Willis (1997, p.44) nos auxilia na compreensão da relação entre sociedade e
consumo:
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115
Psicologia Geral e do Desenvolvimento
Frente às propostas visuais, a cultura juvenil estende-se para modos de ser, ver e
estar no mundo: com suas escolhas de tribos, com suas escolhas de vestuário, de portar-
se em público, de consumir e ser consumido nos espaços virtuais: nada mais é privado,
tudo é público – as postagens em sites de relacionamentos quando acordo, se vou almoçar,
se estou com sono, ou seja, aquilo que desejo – desde objetos as necessidades distintas:
O consumo não é apenas reprodução de forças, mas também produção de sentidos: lugar de
uma luta que não se restringe à posse dos objetos, pois passa ainda mais decisivamente pelos
usos que lhes dão forma social e nos quais se inscrevem demandas e dispositivos de ação
provenientes de diversas competências culturais (Martín-Barbero, 1997, p. 290).
Deste modo, a articulação entre os jovens não ocorre mais nos espaços presenciais,
mas sim nos espaços virtuais e na utilização das diferentes tecnologias que se encontram
disponíveis. E os espaços institucionais educacionais, os quais, em grande número,
que ainda não utilizam as novas tecnologias nos processos didático – metodológicos
distancia-se dos diálogos estabelecidos em rede, das ofertas visuais e das possibilidades
de problematização do que se estabelece nas redes sociais:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
mundo cinza, parado e passivo. As imagens na escola são manipuladas como se fossem neutras
e inofensivas, além de serem mal aproveitadas em termos de possibilidade educativa. Não
se prepara o professor para desempenhos comunicativos e expressivos ao nível do desafio
do ensino e das crianças atuais, não se prepara o professor, sobretudo, para dialogar com o
mundo através de um universo imaginado (Meira, 1999, p. 132).
É um ponto de vista que permita articular dois elementos presentes nessa dinâmica: os
comportamentos (recuperando os aspectos da mobilidade, dos modismos etc., enfatizados
nos estudos sobre esse segmento) e os espaços, as instituições e os equipamentos urbanos
que, ao contrário, apresentam um maior (e mais diferenciado) grau de permanência na
paisagem – desde o “pedaço”, mais particularista, até a “mancha”, que supõe um acesso
mais amplo e de maior visibilidade. O que se pretende com esse termo, por conseguinte, é
chamar a atenção (1) para a sociabilidade, e não tanto para pautas de consumo e estilos de
expressão ligados à questão geracional, tônica das “culturas juvenis”; e (2) para permanências
e regularidades, em vez da fragmentação e do nomadismo, mais enfatizados na perspectiva
das ditas “tribos urbanas”. (Magnani, 2005, p. 177).
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Naify, 2004.
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MAGNANI, José Guilherme Cantor. Os circuitos dos jovens urbanos. Tempo soc. [online].
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MEIRA, Marly. Educação Estética, arte e cultura do cotidiano. In: PILLAR, Analice Dutra
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WILLIS, Susan. Cotidiano para começo de conversa. Rio de janeiro: Graal, 1997. Referências Bibliográficas
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
RECAPITULANDO
O que significa ser jovem, ser adolescente nos diais atuais? Qual a importância da
família, dos amigos para o desenvolvimento do sujeito nesta fase? Como o avanço das
tecnologias reestruturam a construção das relações interpessoais dos jovens?
Um mundo globalizado, tecnológico exige a retomada de valores, conceitos éticos
e morais nos quais os adolescentes percebam a importância de sua participação nos
processos de construção de si e do outro. E que esta relação, interdisciplinar, possibilite
a (re) definição de seus planos de vida – comprometido, intencional e participativo –
na/para a sociedade e demais sujeitos inclusos no processo e na constituição de sua
identidade.
Pois, como diria MYERS (1999, p.86), identidade é a reformulação gradativa de
uma autodefinição que unifica os vários eus num sentimento coerente e concreto de
quem se é.
Recapitulando
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
ATIVIDADE
a) pode ser visto apenas como uma questão econômica, onde alguns adquirem
produtos e outros não;
b) deixa de ser apenas uma questão econômica para tornar-se um processo de
relação social, apenas;
c) não esta associado à construção de identidade dos sujeitos, apenas a construção
de hábitos.
d) deixa de ser apenas uma questão econômica para tornar-se um processo de
relação social, perpassando questões políticas, econômicas, culturais, de gênero,
raça/etnia e (re)produção de discursos e construção de verdades sobre o sujeito.
2. Cansei de procurar pelas criticas, Porque elas estão por todo lado, Eles não gostam
do meu jeans, Não entendem o meu cabelo, Rigorosos com nós mesmos, E somos o
tempo todo, Por que fazemos isso? Por que faço isso? Por que faço isso? Com base
nos trechos da música Fuckin’ Perfect, da cantora americana Pink, relacionando-
os com a premissa dos Estudos Culturais, frente à construção do sujeito, é correto
afirmar que:
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
GABARITO: 1. d / 2. a / 3. b
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PSICOLOGIA GERAL E DO DESENVOLVIMENTO
Capitulo 10
Psicologia da Adultez e do Idoso
Erikson propôs oito estágios relacionados ao ciclo vital da vida humana que
constituiriam a identidade: confiança básica X desconfiança básica; autonomia X
vergonha e dúvida; iniciativa X culpa; diligência X inferioridade; identidade X confusão
de identidade; intimidade X isolamento; generatividade X estagnação; integridade X
desespero. Cada estágio seria responsável por uma nova dimensão de interação social
do sujeito para consigo e para com os outros – seu contexto social. Vamos entender
agora, o que o teórico propõe em cada um deles:
O primeiro estágio proposto por Erikson, que corresponde à fase inicial da infância,
relaciona-se ao estágio oral proposto por Freud, e compreende o desenvolvimento dos
sentimentos de confiança ou desconfiança oriundos da relação de atenção e cuidado
provenientes dos adultos para com o bebe. Rabello & Passos (s/d) destacam que nesta
fase:
O bebê tem a ideia de sua mãe como um ser supremo, numinoso, iluminado. Nesta mesma
época, começam as identificações com a mãe, que é por enquanto, a única referência social
que a criança tem. Se esta identificação for positiva, se a mãe corresponder, ele vai criar o
seu primeiro e bom conceito de si e do mundo (representado pela mãe). Se a identificação
for negativa, temos o idolismo, ou seja, o culto a um herói, onde o bebê acha que nunca
vai chegar ao nível de sua mãe, que ela é demasiadamente capaz e boa, e que ele não se
identifica assim. Inicialmente, a criança vai se tornar agressiva e desconfiada; mais tarde,
elas vão se tornar menos competentes, menos entusiasmadas, menos persistentes.
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Psicologia Geral e do Desenvolvimento
3. INICIATIVA X CULPA
4. DILIGÊNCIA X INFERIORIDADE
Fase correspondente à fase de latência para Freud, é descrita como uma das
fases mais importantes para Erikson, visto que representa a entrada da criança no
processo de educação formal:
Psicologia da Adultez e do Idoso
Com a educação formal, além do desempenho das funções intelectuais, a criança aprende o
que é valorizado no mundo adulto, e tenta se adaptar a ele. Da ideia de propósito, ela passa
à ideia de perseverança, ou seja, a criança aprende a valorizar e, até mesmo, reconhece que
podem existir recompensas a longo prazo de suas atitudes atuais, fazendo surgir, portanto,
um interesse pelo futuro. (RABELLO & PASSOS, s/d).
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6. INTIMIDADE X ISOLAMENTO
Ego não é suficientemente seguro, a pessoa irá preferir o isolamento à união, pois terá medo
de compromissos, numa atitude de “preservar” seu ego frágil. Quando esse isolamento ocorre
por um período curto, não é negativo, pois todos precisam de um tempo de isolamento para
amadurecer o ego um pouco mais ou então para certificar-se de que ele busca realmente
uma associação. Porém, quando a pessoa se recusa por um longo tempo a assumir qualquer
tipo de compromisso, pode-se dizer que é um desfecho negativo para sua crise.
Psicologia da Adultez e do Idoso
7. GENERATIVIDADE X ESTAGNAÇÃO
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Nesta fase também a pessoa tem um cuidado com a tradição e, por ser “mais velho”, pensa
que tem alguma autoridade sobre os mais novos. Quando o indivíduo começa a pensar que
pode se utilizar em excesso de sua autoridade, em nome do cuidado, surge o autoritarismo.
Cada vez mais esta fase tem se ampliado (Rabello & Passos, s/d).
8. INTEGRIDADE X DESESPERO
Agora é tempo do ser humano refletir, rever sua vida, o que fez, o que deixou de fazer. Pensa
principalmente em termos de ordem e significado de suas realizações. Essa retrospectiva
pode ser vivenciada de diferentes formas. A pessoa pode simplesmente entrar em desespero
ao ver a morte se aproximando. Surge um sentimento de que o tempo acabou, que agora
resta o fim de tudo, que nada mais pode fazer pela sociedade, pela família, por nada. São
aquelas pessoas que vivem em eterna nostalgia e tristeza por sua velhice. A vivência também
pode ser positiva. A pessoa sente a sensação de dever cumprido, experimenta o sentimento
de dignidade e integridade, e divide sua experiência e sabedoria. Existe ainda o perigo do
indivíduo se julgar o mais sábio, e impor suas opiniões em nome de sua idade e experiência.
(Rabello & Passos, s/d).
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Referências Bibliográficas
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RECAPITULANDO
Se no passado o outro era de fato diferente, distante e compunha uma realidade diversa
daquela de meu mundo, hoje, o longe é perto e o outro é também um mesmo, uma imagem
do eu invertida.
No espelho, capaz de confundir certezas pois, não se trata mais de outros povos, outras
línguas, outros costumes. O outro hoje, é próximo e familiar, mas não necessariamente é
nosso conhecido.
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ATIVIDADES
1. A fase de intimidade X isolamento proposta por Erikson pode ser compreendida como:
3. Não faz só tricôt e bolinho, vai a praia e tome um chopinho, também gosta de ouvir
um chorinho, e um pagode legal, Faz um grupo e sai por aí, o negócio é se divertir, o
amor é pra si dividir, alegria geral, A terceira idade, é a felicidade, A terceira idade,
é a voz da verdade. Com base em alguns trechos da música A terceira idade de Leci
Brandão, e das ideias da Teoria Histórico-cultural podemos dizer que:
a) os modos de ser idoso tem por base os processos de mediação social, cultural em
tempos sociais e singulares que se modificam frente as necessidades da sociedade
e dos sujeitos, inclusive econômicas;
b) o idoso é fruto de aspectos biológicos e fisiológicos;
c) a terceira idade é apenas a fase final do ciclo de desenvolvimento que não
possibilita aprendizados;
d) todas as alternativas estão incorretas.
Atividades
GABARITO: 1. b / 2. b / 3. a
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