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GEDPU - RETA FINAL -


RODADA 3

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Professores

Dr. Pedro Coelho


Defensor Público Federal desde 2011. Graduado em direito pela Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE). Especialista em Direito Criminal. Professor de Direito Processual Penal da
EBEJI. Aprovado em Concursos de Defensoria Pública (DPE/AL).

Dr. Gleiton Barbosa


Advogado da União desde janeiro de 2017. Ex-Analista Judiciário, Área Judiciária no Superior Tribunal
de Justiça. Ex-Servidor do Tribunal Superior Eleitoral; Ex-Servidor da Procuradoria Geral do Distrito
Federal; Ex-Servidor da Secretaria de Gestão Administrativa do Distrito Federal; Ex-Servidor do
Ministério da Educação; Ex-Colaborador da Defensoria Pública do Distrito Federal e Territórios.
Especialista em Direito Penal e Processual Penal.

Dr. Danilo Mota


Defensor Público Federal. Ex-Analista do Ministério Público Federal. Aprovado no Concurso para
Promotor de Justiça do MPDFT, dentre outros. Pós Graduado em Direito Público.

Dr. João Paulo Cachate


Defensor Público Federal. Defensor Público-Chefe da DPU em Alagoas. Especialista em Direito Público.
Professor de Direito Administrativo e de Princípios Institucionais da Defensoria Pública na EBEJI. Foi
Defensor Público-Chefe da DPU/RR. Foi intercambista do Bloco de Defensores Públicos Oficiais do
Mercosul - BLODEPM. Ex-Analista do MPU. Aprovado nos concursos de Analista do TRF 5ª Região e
INSS.

Hitala Mayara
Advogada da União

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Questão 1
Direito Civil

Julgue o próximo item:


Com a aprovação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, o Código Civil sofreu uma
mudança profunda no sistema das incapacidades. Atualmente, o deficiente é
considerado pessoa plenamente capaz, sendo-lhe assegurado o direito ao exercício
de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas, não
podendo mais ser submetido ao instituto da curatela.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A Lei nº 13.146, de 6.7.2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência – derrogou os artigos 3º, 4º,
1.548 e 1.557 do Código Civil.

O art. 3º, que tratava dos absolutamente incapazes, teve todos os seus incisos revogados.
Atualmente, APENAS os menores de 16 (dezesseis) anos são ABSOLUTAMENTE incapazes
para a lei civil.

O art. 4º, por sua vez, que trata dos RELATIVAMENTE incapazes, suprimiu no inc. II “os que, por
deficiência mental, tenham o discernimento reduzido”. No inc. III também houve supressão da
expressão “os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo”, que foi substituída por
aqueles que “por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade”.

O art. 1.548, inciso I, tratava da nulidade do casamento contraído por “enfermo mental sem o
necessário discernimento para os atos da vida civil”. Também foi revogado.

Já o art. 1.557, incisos III e IV, tratava do erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge a
despeito de defeito físico irremediável e doença mental grave. No inc. III houve alteração da
redação legislativa, ao passo que no inc. IV (doença mental grave) houve revogação.

Tais mudanças são absolutamente importantes e pertinentes, sobretudo para a prova que se
aproxima, isso porque o CESPE tem cobrado reiteradamente a mudança legislativa:

• (CESPE – 2017 – PC-GO – Delegado de Polícia) De acordo com o Código Civil, deve ser

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considerado absolutamente incapaz aquele que, por enfermidade ou deficiência mental, não
possuir discernimento para a prática de seus atos. Gabarito: Errado. Comentário: Só os menores
de 16 anos são absolutamente incapazes. Com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência,
os portadores de deficiência são, em regra, plenamente capazes.

• (CESPE – 2016 – FUNPRESP-JUD – Analista) Pessoa que se encontre com paralisia cerebral é
considerada absolutamente incapaz porque não pode exprimir sua vontade. Gabarito: Errado.
Comentário: Mesmo da questão anterior.

• (CESPE – 2016 – TCE-PA – Auditor) Será considerada absolutamente incapaz a pessoa que,
por causa permanente, não puder exprimir sua vontade, caso em que necessitará de
representante legal para exercer os atos da vida civil. Gabarito: Errado. Comentário: Mesmo da
primeira questão.

• (CESPE – 2016 – PC-PE – Delegado de Polícia) (I) O indivíduo que não consegue exprimir sua
vontade é considerado absolutamente incapaz; (II) Somente os menores de dezesseis anos de
idade são considerados absolutamente incapazes pela lei civil. Gabarito: (I) Errado e (II) Certo.

Voltando para o Estatuto da Pessoa com Deficiência, dois artigos comunicam-se diretamente
com o Código Civil. O art. 6º e o 84:

Art. 6o A deficiência NÃO AFETA a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:

I- casar-se e constituir união estável;

II- exercer direitos sexuais e reprodutivos;

III- exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequadas
sobre reprodução e planejamento familiar;

IV- conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;

V- exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e

VI- exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em
igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade
legal em igualdade de condições com as demais pessoas.

O enunciado da nossa questão dialoga com o art. 84 da Lei 13.146⁄2015, mas incorre em erro ao
indicar que a pessoa com deficiência não poderia mais ser submetida à curatela.

Ocorre que a própria legislação autoriza, QUANDO NECESSÁRIO, que a pessoa com deficiência
seja submetida à curatela (§ 1º, art. 84). Vale salientar, entretanto, que a curatela da pessoa com
deficiência “constitui MEDIDA PROTETIVA EXTRAORDINÁRIA, proporcional às necessidades
e às circunstâncias de cada caso, e durará o menor tempo possível” (§ 3, Art. 84).

Por todo o exposto, o item encontra-se incorreto.

Questão 2
Direito Civil

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No tocante à aplicação derivada do princípio da boa-fé no direito civil, julgue o próximo


item:
Durante a execução de contratos ou obrigações de duração, é comum ocorrer a
consolidação de determinadas situações de fato, conforme a ação ou inação de
alguma das partes na relação jurídica. Dentre estes fenômenos, a doutrina costuma
chamar de supressio o surgimento de um direito subjetivo para uma das partes, por
ação positiva ou negativa reiterada da outra.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A doutrina civilista costuma indicar algumas aplicações derivadas do princípio da boa-fé.
Dentre elas, vamos revisar as principais, cuja cobrança em concursos e em 2ª fase tem sido
recorrentes.

Aplicações Derivadas do Princípio da Boa-fé:

a) SUPRESSIO: implica a perda ou limitação de determinado direito subjetivo de um agente em


uma relação jurídica sempre que, de suas ações ou inações, for possível à outra parte presumir,
pela boa-fé objetiva, que não há mais lugar para o exercício dessa prerrogativa. Um exemplo
julgado pelo STJ tratava da relação contratual entre um advogado e seu cliente. Na avença,
convencionou-se o reajuste anual do valor da prestação dos serviços advocatícios pela correção
monetária. Por longos anos, todavia, o advogado deixou de aplicar o índice de reajuste.
Posteriormente, requereu cobrança pelas atualizações correspondentes a todo o período. O STJ,
contudo, considerou hipótese de supressio, em atenção ao princípio da boa-fé objetiva. (REsp
1.202.514-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 21⁄06⁄2011). Perceba que a atuação
negativa do advogado (não cobrar as atualizações ano a ano) desencadeou a perda do direito
subjetivo estabelecido no contrato de prestação de serviços.

b) SURRECTIO: a surrectio, todavia, representa situação oposta à da supressio, uma vez que
acarreta o surgimento de um direito subjetivo para uma das partes contratantes, por ação positiva
ou negativa reiterada da outra. A bem da verdade, fazendo uma leitura mais cuidadosa, percebe-
se que os dois institutos são interligados, uma vez que o surgimento do direito para um lado,
ocasiona a supressão⁄limitação do direito para o outro lado da relação jurídica e vice-versa.

c) VENIRE CONTRA FACTUM PROPIUM: pelo referido instituto, não pode o agente criar
situação teoricamente favorável a si e dela se valer enquanto lhe convém para, depois,

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quando já não mais lhe interessa, voltar-se contra fato por si próprio praticado, frustrando,
com isso, legítimas expectativas de quem mais integra a relação jurídica. Um exemplo bastante
comum na jurisprudência é caso da empresa de seguro-saúde que não submete seu segurado a
exames prévios, no momento da contratação, e depois lhe nega cobertura de atendimento sob o
argumento de que a doença de que reclama é preexistente ao contrato. O STJ, nesse caso, tem
decidido reiteradamente que, não demonstrada a má-fé do segurado que tinha conhecimento
da doença no momento da celebração contratual, não pode o segurador se eximir da
cobertura, se não submeteu o cliente a exames prévios, criando-lhe a justa expectativa de
adimplemento da cobertura contratada. (REsp 1080973⁄SP, Rel. Min. Nancy Andrigui, 09⁄12⁄2008).

Em suma, pode-se concluir que a vedação do comportamento contraditório, extraído dos


princípios da segurança jurídica e da boa-fé objetiva, impede que a parte, após praticar ato em
determinado sentido, venha a adotar comportamento posterior e contraditório. Vale anotar que tal
instituto também é aplicado no âmbito do processo: "Não se admite, no direito processual
brasileiro, o venire contra factum proprium" (RMS 29.356/RJ, Rel. Min. BENEDITO
GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/10/09).

d)TU QUOQUE: por tal instituto, proíbe-se que determinado agente invoque direitos, numa
relação bilateral, antes de cumprir a sua prestação ou sem atender às suas obrigações.
Essa ideia é estampada no art. 476 do Código Civil: “Nos contratos bilaterais, nenhum dos
contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro”. O
professor Sebastião de Assis Neto lembra ainda duas aplicações expressas no CC: (i) Art. 150:
“Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou
reclamar indenização” e (ii) Art. 180: “O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para
eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela
outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior”.

Observação: Os institutos tu quoque e venire contra factum proprium são bastante semelhantes.
Entretanto, temos duas diferenças sensíveis: (i) Ao passo que no tu quoque a conduta inicial é
indevida, o que acarreta a incompatibilidade da conduta posterior, no venire contra factum
proprium, os dois comportamentos são aparentemente devidos, mas, considerados em conjunto,
são contraditórios; (ii) no venire contra factum proprium não se pesquisa a conduta da outra parte
(os comportamentos contraditórios são de um mesmo agente), entretanto, no tu quoque há
comportamento da parte inocente em virtude de ato anterior abusivo da outra parte.

e) DUTY TO MITIGATE THE LOSS: conforme o enunciado 169 da III Jornada de Direito Civil do
CJF “o princípio da boa-fé objetiva deve levar o credor a evitar o agravamento do próprio
prejuízo”. Ou seja, o credor deve intentar medidas para diminuição (mitigação) do próprio
prejuízo, a fim de não assoberbar sobremaneira a situação do devedor.

f) EXCEPTIO DOLI GENERALIS: pelo instituto, um dos contratantes busca impedir que um dos
agentes se valha da intenção maliciosa para auferir vantagem em detrimento do prejuízo do
outro. Vale dizer que o referido instituto não se confunde com o dolo, enquanto defeito do
negócio jurídico, que pode causar a invalidade do próprio contrato. Ao revés, pela exceptio doli se
opõe contra a má-fé de qualquer ato que possa prejudicar outrem.

Feita esta breve revisão, posso dizer que o tema “princípio da boa-fé objetiva” é assunto que
deve estar na ponta da língua do candidato, cuja cobrança pode (vai!) se dar em todas as
fases do concurso da DPU.

No tocante ao enunciado propriamente dito, a narrativa confunde supressio com surrectio, de


modo que encontra-se incorreto, vez que o surgimento de um direito subjetivo para uma parte,
por ação ou omissão reiterada da outra, é caso de surrectio e não propriamente de supressio.

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Questão 3
Direito Empresarial

Julgue o próximo item:


É incontroversa a natureza jurídica do estabelecimento empresarial como
universalidade de fato, ou seja, como um conjunto de bens que se mantêm unidos,
destinados a um fim, por vontade e determinação de seu próprio proprietário.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O art. 1.142 do CC oferece um conceito legal de estabelecimento empresarial, quando afirma que
se considera estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa,
por empresário, ou por sociedade empresária.

Alguns doutrinadores, sem embargo das divergências, costumam indicar como sinônimos de
estabelecimento as expressões fundo de comércio, azienda e aviamento.

A respeito da natureza jurídica do estabelecimento empresarial existem, no mínimo, 9 (nove)


teorias que buscam explicá-la. Daí a incorreção da questão, quando considera “incontroversa” a
natureza jurídica do estabelecimento empresarial. Muito cuidado com expressões categóricas!

Apesar disso, as discussões giram em torno, primordialmente, de duas teorias: (i) universalidade
de fato e (ii) universalidade de direito.

Professor, e qual é a posição majoritária?

Sem dúvida alguma, a doutrina nacional aponta o estabelecimento empresarial como verdadeiro
caso de UNIVERSALIDADE DE FATO. Segundo o art. 90 do CC⁄2002, constitui universalidade de
fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação
unitária.

No que toca ao estabelecimento empresarial, tanto os bens materiais (mercadorias, instalações,


equipamentos, veículos) quanto os bens imateriais (ponto, marcas, patentes, direitos) estão
incluídos no seu conceito. Por fim, importante aclarar, como o faz Fábio Ulhoa Coelho, três
pontos essenciais a respeito do estabelecimento empresarial:

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a) O estabelecimento empresarial NÃO é sujeito de direito;

b) O estabelecimento empresarial é um bem; e

c) O estabelecimento empresarial integra o patrimônio da sociedade empresária.

Questão 4
Direito Empresarial

Julgue o próximo item:


Quanto ao nome empresarial, a sociedade limitada pode adotar firma ou
denominação, desde que integradas pela palavra final “limitada” ou a sua abreviatura
(LTDA), sob pena de responsabilização solidária e ilimitada.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Na sociedade limitada, nos termos do art. 1.052 do Código Civil, a responsabilidade de cada
sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela
integralização do capital social.

Professor, quais são as principais características da sociedade limitada? Podemos apontar


as seguintes:

• Pessoas físicas e jurídicas podem se tornar sócias;

• Todos os sócios respondem de forma limitada;

• Nome empresarial: firma social (ou razão social) ou denominação (art. 1.158);

• A administração da sociedade compete tanto para sócios como para não sócios (art. 1.061,
CC/2002);

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• Rege-se pelas normas próprias e, no que seja omisso, pelas normas da sociedade simples (art.
1.053), podendo o contrato social estipular regência supletiva pelas normas da sociedade
anônima (art. 1.053, parágrafo único). Veja como o CESPE já cobrou essa matéria:

(Analista/STJ/2012-CESPE) Uma sociedade limitada pode ser regida pela Lei das Sociedades por
Ações, desde que seu contrato social assim preveja; nesse caso, a Lei será aplicada quando
houver necessidade de suprir lacuna deixada pelo regime do Código Civil. Gabarito: Certo.

A nossa questão trata, especificamente, sobre o nome empresarial das sociedades limitadas. Seu
regramento está no art. 1.158 do Código Civil que assegura a possibilidade da sociedade adotar
firma ou denominação.

Quanto ao nome da sociedade limitada, ele pode conter o nome de um ou mais sócios? Sim! O §
1º do art. 1.158 estabelece que “a firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde
que pessoas físicas, de modo indicativo da relação social”.

Professor, e se for omitida a palavra “limitada” no nome empresarial, qual a consequência?

Conforme estatui o § 3º do art. 1.158 do CC, “a omissão da palavra ‘limitada’ determina a


RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA dos administradores que assim empregarem
a firma ou a denominação da sociedade”.

Por todo o exposto, o item encontra-se correto.

Questão 5
Direito do Consumidor

Julgue o próximo item:


Segundo o STJ, é passível de gerar responsabilização civil a atuação do órgão
mantenedor de cadastro de proteção ao crédito que, a despeito da prévia
comunicação do consumidor solicitando que futuras notificações fossem remetidas ao
endereço por ele indicado, envia a notificação de inscrição para endereço diverso.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
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Na primeira rodada do GEDPU, tivemos a oportunidade de levantar uma série de entendimentos


jurisprudenciais recentes sobre os Cadastros de Proteção ao Crédito. Esgotamos o tema?
Acreditávamos que sim.

Contudo, no dia 15⁄03⁄2017, através do Informativo nº 597, o STJ publicou um novo


entendimento.

Trata-se do REsp 1.620.394-SP, de relatoria do Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado no fim
do ano passado.

A matéria enfrentada pelo STJ foi a seguinte:

Determinado consumidor informou novo endereço ao órgão mantenedor do cadastro de proteção


ao crédito, requerendo que futuras notificações fossem enviadas para o endereço informado.
Ignorando a solicitação do consumidor, o órgão encaminhou a comunicação prévia de
inscrição ao endereço antigo.

Nesse caso, o serviço que mantém o cadastro de proteção ao crédito pode ser
responsabilizado?

Conforme decidido pelo STJ, sim! É absolutamente possível que o órgão seja
responsabilizado ante a sua atuação negligente.

É vital que o candidato perceba a sutileza do aresto do Tribunal, vez que encontra relação com
outro precedente bastante conhecido. No REsp 1.083.291-RS, Segunda Seção, DJe 20/10/2009, o
STJ deixou assentado que:

“A comunicação prévia ao consumidor a ser realizada pelos órgãos mantenedores de


cadastro SE CONCLUI COM O ENVIO DE CORRESPONDÊNCIA AO ENDEREÇO FORNECIDO
PELO CREDOR. A prova desse fato é feita com a demonstração de remessa ao endereço
informado pelo credor, não se exigindo a juntada do aviso de recebimento”.

Ou seja: basta o envio da correspondência, sem se demonstrar – efetivamente – que o


consumidor tenha recebido a comunicação, para que o ato seja considerado válido. Não se
exige nem mesmo a juntada do aviso de recebimento.

Neste julgamento, que fora submetido ao rito dos recursos repetitivos, o STJ entendeu que
INEXISTE qualquer imposição legal para que o mantenedor do cadastro procedesse à
investigação da veracidade das informações fornecidas por seus associados. Ante a
ausência de obrigação legal, NÃO HÁ, em regra, liame causal entre eventuais danos
sofridos pelo consumidor pelo envio de notificação a endereço diverso e a conduta do
mantenedor do cadastro de proteção ao crédito, atribuindo-se a responsabilidade àquele
que submete a informação (REsp 1.083.291-RS, Segunda Seção, DJe 20/10/2009).

Entretanto, NO NOVÍSSIMO PRECEDENTE, o STJ mudou suas razões de decidir em virtude de


uma particularidade, qual seja: o consumidor, anteriormente ao envio das comunicações, notificou
extrajudicialmente o órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito, informando-lhe que
eventuais notificações fossem enviadas ao novo endereço por ele informado. Nesse caso, o
Tribunal consignou que:

“Ora, o fato de não se poder exigir que o órgão mantenedor do cadastro proceda à
investigação de toda e qualquer informação que lhe é submetida não se confunde com a
ausência de responsabilidade pela sua atuação negligente. Se o próprio consumidor teve a
cautela de informar-lhe o endereço ao qual deveriam ser enviadas as futuras notificações,
há de se concluir que não se está exigindo que o órgão mantenedor proceda à verificação
das informações que lhe são prestadas, não se está criando qualquer obrigação
desproporcional ou impossível” (REsp 1.620.394-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, por

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unanimidade, julgado em 15/12/2016).

Por todo o exposto, o enunciado está CORRETO.

Questão 6
Direito Ambiental

Julgue o próximo item:


O Município é competente para legislar sobre o meio ambiente, juntamente com a
União e o Estado-membro/DF, no limite do seu interesse local e desde que esse
regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes
federados.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
O tema de competência em matéria ambiental é bastante recorrente em provas do CESPE.

No plano geral, podemos dividir a competência em dois níveis: (I) Competência Legislativa e (II)
Competência Administrativa.

No tocante à competência legislativa em matéria ambiental, o art. 24, VI, VII e VIII, da CF⁄88,
estabelece a competência legislativa CONCORRENTE da União, dos Estados e do Distrito
Federal, excluindo os Municípios, para legislar sobre:

i) Florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção do meio ambiente e controle da poluição;

ii) Proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; e

iii) Responsabilidade por dano ao meio ambiente.

Para solucionar os conflitos de competência entre as unidades federativas, é comum valer-se do


princípio da predominância de interesses. Em tese, cabe à União legislar e estabelecer normas
gerais, ao passo que cabe aos Estados⁄DF legislar de forma suplementar.

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Apesar de NÃO existir no art. 24 da CF previsão de competência legislativa concorrente para o


Município, não resta dúvida que este p o s s u i competência suplementar caso esteja
caracterizado o interesse local (Art. 30, I e II, da CF). Por evidente, os Municípios não podem
violar as normas gerais estabelecidas pela União, tampouco invadir a competência de outras
entidades federativas.

Por isso que a questão está correta.

Vale lembrar que inexistindo lei federal sobre normas gerais, podem os Estados e o Distrito
Federal exercerem a competência legislativa plena para atenderem a suas peculiaridades (art.
24, § 3º). Contudo, com a superveniência de lei federal sobre normas gerais, suspende-se a
eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário (art. 24, § 4º). Pontua-se que o constituinte
menciona “suspensão” e não “revogação”. Fala-se em suspensão porque a norma federal pode
ser revogada e, por consequência, a norma estadual, no todo ou em parte, retoma a sua eficácia.

Ainda assim, questão que geralmente pega alguns candidatos é a atinente à competência
para legislar sobre matérias relacionadas, direta ou indiretamente, ao meio ambiente.

Que matérias seriam essas, Professor? As estabelecidas nos incisos IV, XII e XXVI do art. 22 da
CF, que trata da Competência Privativa da União para legislar sobre:

i) Águas e energia;

ii Jazidas, minas e outros recursos minerais; e

iii) Atividades nucleares de qualquer natureza.

Por fim, a respeito das discussões sobre competência para legislar em matéria ambiental, no
começo de 2015, por intermédio do Informativo 776, o STF julgou inconstitucional lei
municipal que proibia, sob qualquer forma, o emprego de fogo para fins de limpeza e
preparo do solo no referido município, inclusive para o preparo do plantio e para a colheita
de cana-de-açúcar e de outras culturas. Naquela oportunidade, o Supremo deixou assentado
que:

“(...) seria necessário ponderar, de um lado, a proteção do meio ambiente obtida com a proibição
imediata da queima da cana e, de outro, a preservação dos empregos dos trabalhadores que
atuem neste setor. No caso, o STF entendeu que deveria prevalecer a garantia dos empregos dos
trabalhadores canavieiros, que merecem proteção diante do chamado progresso tecnológico e da
respectiva mecanização, ambos trazidos pela pretensão de proibição imediata da colheita da cana
mediante uso de fogo. Além disso, as NORMAS FEDERAIS que tratam sobre o assunto
apontam para a necessidade de se traçar um planejamento com o intuito de se extinguir
gradativamente o uso do fogo como método despalhador e facilitador para o corte da cana.
Nesse sentido: Lei 12.651/2012 (art. 40) e Decreto 2.661/98. (STF. Plenário. RE 586224/SP, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 5/3/2015 - repercussão geral).”

Questão 7
Direito Ambiental

Considerando a jurisprudência do STJ, julgue o próximo item:

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A responsabilidade por dano ambiental é objetiva, informada pela teoria do risco


integral, sendo o nexo de causalidade o fator aglutinante que permite que o risco se
integre na unidade do ato, sendo cabida a invocação, pela empresa responsável pelo
dano ambiental, de excludentes de responsabilidade civil para afastar sua obrigação
de indenizar.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A adoção da teoria da RESPONSABILIDADE OBJETIVA por dano ambiental implica quatro
consequências:

i) Prescindibilidade da discussão sobre a culpabilidade;

ii) Irrelevância da licitude ou ilicitude da atividade;

iii) Irrelevância do caso fortuito e da força maior; e

iv) Não aplicação da cláusula de não indenizar.

Para Nelson Nery Junior, “pela teoria do risco integral, a indenização é devida
independentemente de culpa, e, mais ainda, pela simples razão de existir a atividade pela qual
adveio o prejuízo: o titular da atividade assume todos os riscos dela oriundos”.

No âmbito doutrinário e jurisprudencial, a adoção da teoria do risco integral por dano ambiental é
amplamente majoritária. Nesse sentido, o STJ já decidiu reiteradas vezes:

“É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos danos ambientais, INCIDE A TEORIA DO
RISCO INTEGRAL, advindo daí o caráter objetivo da responsabilidade, com expressa previsão
constitucional (art. 225, § 3º, da CF) e legal (art.14, § 1º, da Lei nº 6.938/1981), sendo, por
conseguinte, descabida a alegação de excludentes de responsabilidade, bastando, para tanto,
a ocorrência de resultado prejudicial ao homem e ao ambiente advinda de uma ação ou omissão
do responsável” (REsp nº 1.374.342/MG, DJe 25.09.2013).

Sob o rito do antigo art. 543-C (recurso repetitivo) do CPC⁄1973, o Superior Tribunal de Justiça
consolidou a tese que encabeça nossa questão (REsp 1.374.284-MG, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 27/8/2014). Entretanto, o item encontra-se incorreto por admitir a
invocação de excludentes de ilicitude. É de se anunciar que há autores (por todos, Paulo
Affonso Leme Machado) que admitem a exclusão da responsabilidade civil por danos ambientais
quando se tratar de força maior ou caso fortuito, mas trata-se de posição minoritária.

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Vale lembrar ainda outra tese levantada pelo STJ: “A obrigação de recuperar a degradação
ambiental é do titular da propriedade do imóvel, mesmo que não tenha contribuído para a
deflagração do dano, tendo em conta sua natureza propter rem.”

Para o STJ, então, se A desmata uma área de reserva legal na propriedade de B, este não poderá
alegar o fato exclusivo de terceiro para afastar sua responsabilidade, cabendo-lhe tão somente
intentar ação regressiva.

Por todo o exposto, o item encontra-se INCORRETO.

Questão 8
Direito Processual Civil

Julgue o próximo item:


Nas fases de liquidação e de cumprimento de sentença, bem como no processo de
execução de título extrajudicial, qualquer decisão interlocutória exarada pelo juízo será
atacável por agravo de instrumento, mesmo que tal pronunciamento judicial não
conste do rol taxativo previsto no CPC.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
O CPC⁄2015 trouxe uma inovação substancial no tocante às decisões agraváveis. Somente as
hipóteses expressamente previstas em lei podem ser impugnadas por agravo de
instrumento. Tais hipóteses estão previstas no art. 1.015 do CPC que, para boa parte da doutrina,
encerra um rol taxativo.

Essa ideia, entretanto, restringe-se à fase de conhecimento, não se aplicando às fases de


liquidação e cumprimento da sentença, nem aos processos de execução de título extrajudicial e de
inventário.

Nestes casos, TODA E QUALQUER DECISÃO INTERLOCUTÓRIA é passível de agravo de


instrumento (DIDIER; CUNHA, Curso de Direito Processual Civil, Vol. 3, 2016, p. 205). Essa é a
inteligência que decorre do parágrafo único do art. 1.015 do CPC:

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Art. 1.015. (...) Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões
interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença,
no processo de execução e no processo de inventário.

Professor, e as decisões interlocutórias que não constem do rol do art. 1.015?

Nesse caso, as “decisões não agraváveis” deverão ser impugnadas na apelação ou nas
contrarrazões de apelação, sob pena de preclusão.

É possível ampliar as hipóteses de decisões agraváveis por intermédio de convenção processual,


nos termos do art. 190 do CPC? (Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam
autocomposição, é lícito às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para
ajustá-lo às especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e
deveres processuais, antes ou durante o processo).

Fredie Didier Jr e Leonardo Carneiro da Cunha entendem que não, assentando a tese na premissa
de que somente a lei pode criar hipóteses de decisões agraváveis.

Uma última pergunta: considerando a taxatividade do rol do art. 1.015 do CPC, é admissível
interpretação extensiva para abarcar situações não previstas na lei processual?

Essa é, de longe, uma das questões que o candidato deve ficar bastante atento para saber como
os Tribunais vão se posicionar.

Didier e Cunha entendem que a taxatividade não é incompatível com a interpretação


extensiva. Desse modo, os autores admitem, por exemplo, que a decisão que verse sobre
COMPETÊNCIA pode ser recorrida por agravo de instrumento, uma vez que uma das
hipóteses previstas no rol taxativo é a “decisão que rejeita alegação de convenção de arbitragem”,
que nada mais é que uma decisão que o juiz resolve, na verdade, sobre sua própria competência.
Assim, em virtude da semelhança das situações, os processualistas defendem o mesmo
tratamento normativo.

Há autores, todavia, que rechaçam a tese acima, sob o argumento de insegurança jurídica, uma
vez que a parte que alegasse a incompetência na apelação poderia ser surpreendida por
interpretação do magistrado no sentido do cabimento do agravo de instrumento e, portanto, da
preclusão da questão.

Nesse sentido tem-se o magistério de Fernando da Fonseca Gajardoni, André Vasconcelos


Roque, Luiz Dellore, Marcelo Pacheco Machado e Zulmar Duarte em artigo coletivo
(https://jota.info/colunas/novo-cpc/hipoteses-de-agravo-de-instrumento-no-novo-cpc-os-efeitos-
colaterais-da-interpretacao-extensiva-04042016).

Enfim, a questão posta é deveras tormentosa. Havendo, inclusive, decisões dos Tribunais
Regionais Federais, sob a égide do NCPC, ora acatando o Agravo de Instrumento, ora
rechaçando-o quando veiculam discussão sobre competência. É aguardar para ver como o STJ
enfrentará a matéria. Por enquanto, vale ficar por dentro da discussão doutrinária, inclusive para
enfrentá-la em eventual 2ª fase.

Questão 9
Direito Processual Civil

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Julgue o próximo item:


O Novo Código de Processo Civil adotou expressamente o princípio da fungibilidade
entre as tutelas de urgência, isto é, caso o juiz entenda que a tutela cautelar requerida
em caráter antecedente tenha natureza satisfativa, poderá assim recebê-la, desde que
seguindo o rito adequado. O inverso, conversão da tutela provisória satisfativa em
tutela cautelar, não é possível.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Nos termos do art. 305, parágrafo único, do Novo CPC, caso o juiz entenda que o pedido
antecedente de natureza cautelar tem natureza antecipada, o órgão jurisdicional observará
o procedimento previsto para essa espécie de tutela.

A doutrina lembra que trata-se de hipótese de fungibilidade progressiva, convertendo-se a


medida cautelar em satisfativa (saindo de uma situação menos agressiva para uma mais
agressiva).

Professor, seria possível admitir a fungibilidade regressiva, isto é, converter a tutela satisfativa
para cautelar? (Nesse caso, a situação se inverte: da mais agressiva para a menos agressiva).
Sim, conforme a melhor doutrina.

Daniel Assumpção, a despeito, faz uma ponderação:

“Curiosamente, o Novo Código de Processo Civil deixa de prever expressamente o caminho


inverso, mantendo a falsa impressão de que a fungibilidade entre as diferentes espécies de tutela
de urgência pode ter apenas uma via de direção. A omissão legislativa, ainda que pouco elogiável,
não terá força para afastar a lógica de se aplicar a fungibilidade de tutela cautelar para antecipada
e vice-versa”. (Novo CPC, 2016, São Paulo, Método, p. 220).

No mesmo sentido é o magistério de Fredie Didier Jr, para o qual “fica admitida uma fungibilidade
de mão dupla, exigindo-se, contudo, que venha acompanhada da conversão do procedimento
inadequado para aquele que é o adequado por força de lei”.

Essa é a inteligência já consolidada, também, no Enunciado 502 do Fórum Permanente de


Processualistas Civis: “Caso o juiz entenda que o pedido de tutela antecipada em caráter
antecedente tenha natureza cautelar, observará o disposto no art. 305 e seguintes”.

Com isso, podemos concluir que: se o pedido tem natureza satisfativa, mas foi postulado como

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tutela cautelar antecedente, cabe ao juiz examinar o requerimento de acordo com a sua verdadeira
natureza. Da mesma forma, inversamente, se o pedido tem natureza de tutela cautelar, mas foi
chamado pelo autor de tutela antecipada, o juiz deve decidir em conformidade com a verdadeira
natureza do requerimento, mesmo porque ambas são hipóteses de tutela de urgência.

Por todo o exposto, o item encontra-se incorreto.

Questão 10
Direito Processual Civil

Julgue a assertiva:
Suponha que você, Defensor (a) Público (a) Federal, interponha ação revisional de
benefício previdenciário em favor do assistido. Ao fim do processo, o juiz reconhece a
existência de coisa julgada e não conhece do pleito autoral. Inconformado (a) com a
decisão, você interpõe Apelação. Nesse caso, ante a ausência de efeito regressivo no
recurso interposto, o juiz não poderá se retratar.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
No CPC de 1973, a possibilidade de retratação de sentença diante da interposição de apelação só
era possível nas sentenças liminares, ou seja, aquelas proferidas antes da citação do réu.

No CPC de 2015, entretanto, houve substancial alteração do efeito regressivo da Apelação.

Isso porque o § 7º do art. 485 admite que o juiz se retrate da sua decisão, no prazo de 5 dias,
caso a SENTENÇA SEJA TERMINATIVA.

Ou seja: caso a apelação insurja-se contra sentença que extingue o processo sem exame
do mérito (art. 485, § 7º, CPC), CABE O EFEITO DE RETRATAÇÃO.

Aliás, vale rememorar outras hipóteses que autorizam o órgão a quo rever a decisão
recorrida:

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1.apelação contra sentença que indefere a petição inicial (art. 331, CPC);

(ii) apelação contra sentença de improcedência liminar do pedido (art. 332, § 3º, CPC); e

( iii) apelação contra sentença nas causas que digam respeito a direitos da criança e do
adolescente (art. 198, VI, ECA).

Na nossa questão, o juiz reconheceu a coisa julgada – pressuposto processual negativo – e não
examinou o mérito. Dessa forma, estamos diante de sentença terminativa, cuja apelação terá
efeito regressivo por expressa disposição legal (art. 485, § 7º, CPC⁄2015).

Por todo o exposto, a assertiva encontra-se incorreta.

Questão 11
Direito Tributário

Nos termos da jurisprudência do STJ, julgue a seguinte afirmativa:


Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não
apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou
punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Trata-se do recente enunciado sumular 554 do STJ.

Havia quem defendesse que a responsabilidade tributária na sucessão empresarial dar-se-ia


apenas em relação aos TRIBUTOS, ante a previsão específica da legislação:

Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação
de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas
jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.

Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título,
fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a

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respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual,
responde pelos tributos (...)

Desse modo, não seria legítima a responsabilidade por sucessão para os créditos tributários
relativos a multas. Ricardo Alexandre anota que uma das argumentações levadas a cabo era de
que a multa, por “ser sanção por ato ilícito teria por consectário a responsabilidade pessoal do
infrator, de forma a não ser possível que uma outra pessoa venha a suceder aquele na obrigação
de arcar com o encargo punitivo”.

Entretanto, a tese NÃO FOI ACOLHIDA pelo STJ:

“(...) 2. Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a RESPONSABILIDADE INTEGRAL


tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter
moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do
contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido
permanece como responsável. Portanto, é devida a multa, sem se fazer distinção se é de
caráter moratório ou punitivo, visto ser ela imposição decorrente do não pagamento do tributo
na época do vencimento. 3. Na expressão ‘créditos tributários’ estão incluídas as multas
moratórias. 4. A empresa, quando chamada na qualidade de sucessora tributária, é
responsável pelo tributo declarado pela sucedida e não pago no vencimento, incluindo-se
o valor da multa moratória. 5. Precedentes das 1.ª e 2.ª Turmas desta Corte Superior e do
colendo STF” (STJ, 1.a T., REsp 432.049/SC, Rel. Min. José Delgado, j. 13.08.2002, DJ
23.09.2002, p. 279).

Portanto, a tese a ser levada para a prova de concurso é a de que “Na hipótese de sucessão
empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela
sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores
ocorridos até a data da sucessão”. (Súmula 554-STJ, 1ª Seção. Aprovada em 09⁄12⁄2015).

Questão 12
Direito Tributário

Julgue o próximo item:


A obrigação tributária acessória independe da obrigação tributária principal, de modo
que a lógica “o acessório segue o principal” não necessariamente encontra guarida no
direito tributário.

Correta

Errada

Sem Resposta

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GABARITO: CORRETA

Justificativa:
As obrigações tributárias, conforme o art. 113 do CTN, podem ser de dois tipos: (i) obrigação
principal e (ii) obrigação acessória.

A obrigação tributária principal é aquela que nasce com a ocorrência do fato gerador previsto
em lei, tendo por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (vale dizer que a
multa é obrigação principal, pois envolve o dever de pagar. E mais: a multa tributária não é tributo,
mas a obrigação de pagá-la tem natureza tributária).

Já a obrigação tributária acessória (dever tributário instrumental), ao contrário, tem por objeto
obrigações de fazer ou não fazer, previstas na legislação tributária, instituídas no interesse da
arrecadação e da fiscalização tributárias (art. 113, § 2º, do CTN).

Percebe-se, nitidamente, que enquanto a obrigação tributária principal tem natureza patrimonial
(obrigação de dar), a acessória tem natureza não patrimonial (obrigação de fazer ou não fazer).

Professor, um ato administrativo (decreto, por exemplo) poderia prever uma obrigação
tributária acessória?

Sim. Perceba que a obrigação tributária acessória pode ser prevista na LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA, que, nos termos do art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados, as convenções
internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre
tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.

Quanto à independência da obrigação acessória em relação à obrigação principal, de fato, é


inaplicável a lógica do direito civil de que “o acessório segue o principal” no Direito Tributário.

Isso porque, por exemplo, contribuintes imunes ou isentos permanecem obrigados a cumprir
as obrigações acessórias na medida que estas servem de prova do direito de fruição dos
benefícios.

É assim que tem se manifestado a jurisprudência do STF:

“A tese assentada pela 1ª T. é da viabilidade de exigência de cumprimento de obrigações


acessórias, ainda que haja incidência de imunidade constitucional, ante o disposto no art. 14,
cabeça e inciso III, do Código Tributário Nacional” (RE 250.844-SP, 1a T., rel. Min. Marco Aurélio, j.
12-11-2012)

“Só há como fruir da norma imunizante após tal demonstração, o que é realizado justamente pelo
cumprimento desses deveres instrumentais. Contraria a lógica, portanto, sustentar que, na
hipótese, a inexistência de obrigação principal torna inexigível a obrigação acessória, já que só
com cumprimento da obrigação acessória é que se pode afirmar a inexistência de obrigação
principal (...) Em suma, os deveres instrumentais (como a escrituração de livros e a
confecção de documentos fiscais) ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de
incidência do tributo, porquanto dotados de finalidades próprias e independentes da
apuração de certa e determinada exação devida pelo próprio sujeito passivo da obrigação
acessória” (RE 250.844-SP, 1a T., trecho extraído do voto-vista Min. Luiz Fux, 29-5-2012).

Portanto, o item encontra-se correto.

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Questão 13
Direito Penal e Criminologia

A coação física irresistível e a obediência hierárquica podem acarretar isenção de


pena, tendo em vista que o coagido ou subalterno não agem com dolo na produção do
resultado.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Primeiramente, é imperioso diferenciar coação FÍSICA irresistível de coação MORAL
irresistível. No primeiro caso, o indivíduo coagido tem sua vontade completamente suprimida, ou
seja, não há aspecto volitivo e, portanto, exclui-se o próprio fato típico.

Já no segundo caso, o autor realiza a conduta por temor. Destarte, seu aspecto volitivo é viciado,
de modo a afastar a exigência legal de agir de maneira diversa. Nesse ponto, afasta-se a
culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa. O mesmo acontece com o subalterno que,
cumprindo ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico, realiza conduta típica.

Portanto, em nenhum dos casos mencionados afasta-se o dolo do agente executor.


Enquanto no primeiro afasta-se a conduta (o fato não é típico), no segundo afasta-se a
culpabilidade.

Relembre-se o artigo do CP que dispõe sobre a coação moral irresistível e a obediência


hierárquica:

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem

Perceba que o dispositivo, quando menciona “coação irresistível”, diz respeito apenas à
coação MORAL irresistível, e não à física.

Em seguida, vide explicação de Cleber Masson acerca dos mencionados institutos:

Coação moral irresistível: Embora o dispositivo legal use a expressão “coação irresistível”, refere-
s e exclusivamente à coação moral irresistível. Na coação moral, o coator, para alcançar o
resultado ilícito desejado, ameaça o coagido, e este, por medo, realiza a conduta criminosa. Essa
intimidação recai sobre sua vontade, viciando-a, de modo a retirar a exigência legal de agir de

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maneira diferente. Exclui-se a culpabilidade, em face da inexigibilidade de conduta diversa. Por sua
vez, na coação física irresistível elimina-se por completo a vontade do coagido. Seu aspecto
volitivo não é meramente viciado, mas suprimido, e ele passa a atuar como instrumento do crime a
serviço do coator. Exclui-se a conduta, e, consequentemente, o próprio fato típico praticado pelo
coagido. Justifica-se a excludente porque a lei não pode impor às pessoas o dever de atuar de
modo heroico. Destarte, se presente uma ameaça séria, grave e irresistível, não é razoável exigir o
cumprimento literal pelo coagido do direito positivo, sob pena de suportar riscos que o Direito não
será hábil a reparar.

(...)

Obediência hierárquica: Obediência hierárquica é a causa de exclusão da culpabilidade, fundada


na inexigibilidade de conduta diversa, que ocorre quando um funcionário público subalterno pratica
uma infração penal em decorrência do cumprimento de ordem, não manifestamente ilegal, emitida
pelo superior hierárquico. Essa regra se fundamenta em dois pilares: (1º) impossibilidade, no caso
concreto, de conhecer a ilegalidade da ordem; e (2º) inexigibilidade de conduta diversa.

Item do edital do V Concurso: 4. Coação irresistível e obediência hierárquica.

Questão 14
Direito Penal e Criminologia

A ilicitude possui concepção formal e material. Todavia, tal constatação não autoriza a
criação de causas excludentes não previstas em lei. Em outras palavras, o rol de
excludentes de ilicitude previsto no CP é taxativo.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A primeira parte da questão é objeto de divergência doutrinária. Uma parcela da doutrina entende
que a ilicitude tem caráter meramente formal, ou seja, reside na contrariedade entre a conduta do
indivíduo e o ordenamento jurídico. Outra parcela da doutrina entende que a ilicitude detém
também caráter material, de forma que deve ser perquirido se houve ofensa da conduta aos fins

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que constituem o escopo da norma.

Todavia, ao contrário do que afirma o enunciado, é justamente a concepção material de


ilicitude que possibilita a existência de causas supralegais excludentes de ilicitude. O
exemplo clássico da doutrina é o consentimento do ofendido.

No âmbito nacional, prevalece o entendimento de que as causas excludentes não se


limitam às dispostas na lei, de forma que o rol não seria taxativo.

Veja-se os ensinamentos de Cleber Masson:

Ilicitude formal e ilicitude material: Ilicitude formal é a mera contradição entre o fato praticado
pelo agente e o sistema jurídico em vigor. É a característica da conduta que se coloca em oposição
ao Direito. Ilicitude material, ou substancial, é o conteúdo material do injusto, a substância da
ilicitude, que reside no caráter antissocial do comportamento, na sua contradição com os fins
colimados pelo Direito, na ofensa aos valores necessários à ordem e à paz no desenvolvimento da
vida social. Em sede doutrinária, prevalece o entendimento de que a ilicitude é formal, pois
consiste no exame da presença ou ausência das suas causas de exclusão. Nesses termos, o
aspecto material se reserva ao terreno da tipicidade. Cumpre ressaltar, porém, que somente a
concepção material autoriza a criação de causas supralegais de exclusão da ilicitude. De fato, em
tais casos há relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico, sem, contudo,
revelar o caráter antissocial da conduta.

(...)

“Causas supralegais de exclusão da ilicitude: Prevalece na doutrina e na jurisprudência o


entendimento de que as causas de exclusão da ilicitude não se limitam às hipóteses previstas em
lei, se estendendo também àquelas que necessariamente resultam do direito em vigor e das suas
fontes. Seria impossível exigir do legislador a regulamentação expressa e exaustiva de todas as
causas de justificação, seja porque algumas delas resultam de novas construções doutrinárias,
seja porque derivam de valores ético-sociais, cujas modificações constantes podem acarretar no
desenho de novas causas ainda não previstas em lei, mas que em determinada sociedade se
revelam imprescindíveis à adequada e justa aplicação da lei penal. E como essas eximentes não
fundamentam nem agravam o poder punitivo estatal – operando exatamente em sentido contrário
–, a criação de causas supralegais não ofende o princípio da reserva legal, inseparável do Direito
Penal moderno. Para quem admite essa possibilidade, a causa supralegal de exclusão da ilicitude
por todos aceita é o consentimento do ofendido. Anote-se, porém, ser vedado o reconhecimento
de causas supralegais para os partidários do caráter formal da ilicitude: se esta é compreendida
como a mera contrariedade entre o fato praticado e o ordenamento jurídico (posição legalista),
somente esse mesmo ordenamento jurídico pode, taxativamente, afastar a ilicitude legalmente
configurada.

Item do edital do V Concurso: 5 Causas excludentes da ilicitude.

Questão 15
Direito Penal e Criminologia

A concepção do estado de necessidade como sendo, invariavelmente, uma

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excludente de ilicitude, decorre da adoção da teoria diferenciadora, albergada pelo


CP..

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Primeiramente, relembre-se o dispositivo que trata do estado de necessidade:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual,
que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida
de um a dois terços.

O ordenamento pátrio adotou a TEORIA UNITÁRIA do estado de necessidade. Por isso, o


estado de necessidade sempre resulta em exclusão da ilicitude, conforme o art. 23, I, do CP.

Para a sua configuração, exige-se apenas que haja razoabilidade no sacrifício do bem de outrem
em favor da manutenção do bem de quem pratica o fato. O dispositivo não faz menção aos
eventuais valores do bem salvaguardado e do sacrificado. No entanto, parcela da doutrina
(v.g, Cezar Bitencourt) entende que o sacrifício não pode ser considerado razoável se o bem
salvaguardado for de igual ou de menor valor do que o bem sacrificado.

Nesse caso, seria razoável exigir o sacrifício do direito ameaçado por parte de seu detentor, motivo
pelo qual seria aplicável a redução de pena do §2º do art. 24 do CP. Veja-se escólio de Cleber
Masson, também nesse sentido:

Teoria unitária: o estado de necessidade é causa de exclusão de ilicitude, desde que o bem
jurídico sacrificado seja de igual valor ou de valor inferior ao bem jurídico preservado. Exige,
assim, somente a razoabilidade na conduta do agente. Foi a teoria adotada pelo CP.

A análise conjunta do art. 24, caput e § 2º, autoriza um raciocínio bastante simples: se o
bem em perigo é igual ou superior a outro, sacrifica-se este, e restará consagrada a licitude
do fato. Nesse caso, há razoabilidade na conduta do agente, o qual, para preservar
interesse próprio ou de terceiro, pode sacrificar interesse alheio, desde que igual ou menos
valioso do que o preservado. Não há crime. Se, todavia, o interesse sacrificado for superior
ao preservado, tanto que era razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, subsiste o

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crime, autorizando, no máximo, a diminuição da pena, de um a dois terços.

Por outro lado, a adoção da TEORIA DIFERENCIADORA do estado de necessidade concebe


tal instituto como excludente de ilicitude ou de culpabilidade, a depender dos valores do
bem salvaguardado e do bem sacrificado. Se o bem salvaguardado for de maior valor do que o
sacrificado, o estado de necessidade será justificante (excluirá a ilicitude).

Se o bem salvaguardado for de igual ou menor valor do que o sacrificado, o estado de


necessidade será exculpante (excluirá a culpabilidade), sendo exigida a razoabilidade nesse
último caso (ex: não se pode matar uma pessoa para resguardar direito patrimonial). Acerca
dessa teoria, veja-se comentário de Cléber Masson:

Teoria diferenciadora: derivada do direito penal alemão e alicerçada no princípio da ponderação


de bens e deveres, diferencia o estado de necessidade justificante (excludente da ilicitude) do
estado de necessidade exculpante (excludente da culpabilidade). Para essa teoria, há estado de
necessidade justificante somente com o sacrifício de bem jurídico de menor relevância para a
proteção de bens jurídicos de mais elevada importância. Nas hipóteses em que o bem jurídico
sacrificado for de valor igual ou superior ao do bem jurídico protegido, haverá o estado de
necessidade exculpante – causa supralegal de exclusão da culpabilidade, em face da
inexigibilidade de conduta diversa. No Brasil, a teoria diferenciadora foi acolhida somente no
Decreto-lei 1.001/1969 – CÓDIGO PENAL MILITAR –, em seu art. 39, o que não obsta, ainda, a
previsão castrense do estado de necessidade como excludente da ilicitude (art. 43).

Com mencionado no comentário acima, o CPM adotou a TEORIA DIFERENCIADORA.


Justamente por esse motivo, há imensa probabilidade de essa questão ser, MAIS UMA VEZ,
questionada no próximo concurso da DPU! Atenção REDOBRADA!

Vide os dispositivos pertinentes, primeiro a excludente de culpabilidade e, após, a de ilicitude:

Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito próprio ou de pessoa a quem está
ligado por estreitas relações de parentesco ou afeição, contra perigo certo e atual, que não
provocou, nem podia de outro modo evitar, sacrifica direito alheio, ainda quando superior ao direito
protegido, desde que não lhe era razoavelmente exigível conduta diversa.

Art. 43. Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para preservar direito seu ou
alheio, de perigo certo e atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, desde que o
mal causado, por sua natureza e importância, é consideravelmente inferior ao mal evitado, e o
agente não era legalmente obrigado a arrostar o perigo.

Item do edital do V Concurso: 5 Causas excludentes da ilicitude.

Questão 16
Direito Penal e Criminologia

A imputabilidade é definida com a capacidade que o indivíduo tem de entender o


caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento. No
ordenamento jurídico brasileiro, a imputabilidade pode ser afastada caso se constate

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que o indivíduo, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou


retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Portanto,
como regra, o CP adotou o sistema biopsicológico para aferição da inimputabilidade
do agente.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Para ser considerado inimputável, o agente deve apresentar alguma espécie de problema
mental à época do fato e, como consequência desse problema, não ter conseguido
entender o caráter ilícito do fato ou se determinado de acordo com esse entendimento. São
requisitos cumulativos, o que denota a adoção do critério biopsicológico.

Caso fosse adotado o critério biológico, seria suficiente apenas a constatação de que o agente
possui problema mental.

Por outro lado, se adotássemos o critério psicológico, a conclusão de que o agente é incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, bastaria.

A regra no CP, portanto, é o critério biopsicológico. Como exceção, utiliza-se o critério


biológico para afastamento da imputabilidade dos menores de 18 anos. Presume-se que os
menores tenham desenvolvimento mental incompleto como decorrência da tenra idade (é o
que afirma boa parte da doutrina).

Veja-se comentário de Cleber Masson:

“Sistemas ou critérios para identificação da inimputabilidade: Como já mencionado, ao


completar 18 anos de idade todo ser humano presume-se imputável. Essa presunção, todavia, é
relativa (iuris tantum), pois admite prova em contrário. E para a aferição da inimputabilidade
existem três sistemas ou critérios: (1º) Critério biológico: basta, para a inimputabilidade, a
presença de um problema mental, representado por uma doença mental, ou então por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado. É irrelevante tenha o sujeito, no caso concreto,
se mostrado lúcido ao tempo da prática da infração penal para entender o caráter ilícito do fato e
determinar-se de acordo com esse entendimento. Esse sistema atribui demasiado valor ao laudo
pericial, pois se o auxiliar da Justiça apontasse um problema mental, o magistrado nada poderia
fazer. Seria presumida a inimputabilidade, de forma absoluta (iuris et de iure).

(2º) Critério psicológico: pouco importa se o indivíduo apresenta ou não alguma deficiência
mental. Será inimputável ao se mostrar incapacitado de entender o caráter ilícito do fato ou de

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determinar-se de acordo com esse entendimento. Seu inconveniente é abrir espaço para o
desmedido arbítrio do julgador, pois competiria exclusivamente ao magistrado decidir sobre a
imputabilidade do réu.

(3º) Critério biopsicológico: resulta da fusão dos dois anteriores – é inimputável quem, ao tempo
da conduta, apresenta um problema mental e, em razão disso, não possui capacidade para
entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com esse entendimento. Esse sistema
conjuga as atuações do magistrado (que trata da questão psicológica) e do perito (que cuida da
questão biológica). A presunção de imputabilidade é relativa (iuris tantum): após os 18 anos,
todos são imputáveis, salvo prova pericial em sentido contrário revelando a presença de
causa mental deficiente, bem como o reconhecimento de que, por tal motivo, o agente não
tinha ao tempo da conduta capacidade para entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

O CP, em seu art. 26, caput, acolheu como regra o sistema biopsicológico. Excepcionalmente,
entretanto, foi adotado o sistema biológico no tocante aos menores de 18 anos (art. 228 da
CF e art. 27 do CP).

Item do edital do V Concurso: 6 Imputabilidade Penal.

Questão 17
Direito Processual Penal

Empresa de plano de saúde, ainda que não caracterizada como seguradora, constitui
instituição financeira, nos termos de expressa disposição legal. Dessa forma, indivíduo
que gere fraudulentamente plano de saúde incorrerá em crime contra o sistema
financeiro nacional, cujo processamento deverá ocorrer no âmbito da Justiça Federal,
conforme previsão legal e constitucional.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A Lei nº 7.492/86, que define os crimes contra o sistema financeiro nacional, dispõe em seu art. 1º:

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Art. 1º Considera-se instituição financeira, para efeito desta lei, a pessoa jurídica de direito público
ou privado, que tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação,
intermediação ou aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou
estrangeira, ou a custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de
valores mobiliários.

Parágrafo único. Equipara-se à instituição financeira:

I- a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer
tipo de poupança, ou recursos de terceiros;

II- a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades referidas neste artigo, ainda que de forma
eventual.

A referida lei também define o crime de gestão fraudulenta de instituição financeira:

Art. 4º Gerir fraudulentamente instituição financeira:

Pena - Reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa.

Relembre-se que, por expressa previsão constitucional, nos casos definidos em lei, cabe à
Justiça Federal processar e julgar os crimes contra o sistema financeiro nacional:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

(...)

VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o
sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;

Apesar da expressão “nos casos determinados em lei”, a Lei nº 7.492/86 (que define os crimes
contra o sistema financeiro) determinou que os delitos tipificados em seu âmbito serão
processados pela Justiça Federal:

Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo Ministério Público
Federal, perante a Justiça Federal.

Portanto, apesar da literalidade da Constituição Federal, na prática, todos os crimes contra o


Sistema Financeiro Nacional são processados na Justiça Federal.

Esclarecido esse ponto, para que determinado indivíduo cometa o crime de gestão
fraudulenta de instituição financeira no comando de plano de saúde, este último deve, por
motivos óbvios, ser considerado instituição financeira.

Caso contrário, é impossível que haja a ocorrência do mencionado delito e, assim,


eventuais fraudes devem ser apuradas no âmbito da Justiça Estadual.

O STJ, ao analisar a questão, ENTENDEU QUE O ART. 1º DA LEI Nº 7.492/86 NÃO ABRANGE
OS PLANOS DE SAÚDE, a menos que este seja também caracterizado como seguradora.
Vide o recente julgado da Corte:

TEMA: Operadora de plano de saúde não caracterizada como seguradora. Impossibilidade


de equiparação à instituição financeira. Crime contra o sistema financeiro nacional
afastado. Possíveis crimes falimentares ou patrimoniais. Competência da justiça estadual.

DESTAQUE

Compete à justiça estadual o processamento e julgamento de ação penal que apura


supostas fraudes praticadas por administrador na gestão de operadora de plano de saúde
não caracterizada como seguradora.

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INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Cuidou-se de conflito negativo de competência suscitado pelo Juízo Estadual em face de decisão
de Juízo Federal que se reputou incompetente para julgar ação penal, na qual o sócio-
administrador de operadora de plano de saúde que teve sua falência decretada foi denunciado
pela prática de gestão fraudulenta, por ter cometido uma série de ilegalidades, destacando-se a
falta de recolhimento de tributos e contribuições ao FGTS e a ausência de contabilidade
organizada e regular. O ponto controverso consistiu em saber se essa pessoa jurídica
poderia ou não ser considerada instituição financeira por equiparação, nos termos do art.
1º parágrafo único da Lei 7.492/86, e, assim, ser objeto do delito de gestão fraudulenta. Da
leitura do dispositivo citado, percebe-se que a única possibilidade desse enquadramento
seria na condição de captadoras e administradoras de seguros. Entretanto, as operadoras de
planos de assistência à saúde não possuem natureza jurídica uniforme. Com base no artigo 1º,
inciso II, da Lei nº 9.656/98 – regulamentado pela Resolução RDC n. 39 da ANS –, nota-se que o
conceito de operadora de plano de assistência à saúde é bastante amplo: abrange cooperativas,
sociedades “civis” (atualmente denominadas sociedades simples), sociedades “comerciais”
(atualmente sociedades empresárias) e entidades de autogestão. Além destas, também as
sociedades seguradoras podem ser consideradas como operadoras de plano de assistência à
saúde “desde que estejam constituídas como seguradoras especializadas nesse seguro”,
consoante os artigos 1º e 2º da Lei nº 10.185/2001 e que operem, obrigatoriamente, sob a forma
de sociedade anônima, conforme resolução da ANS. A diferença fundamental entre as
seguradoras e as demais operadoras de planos de assistência à saúde consiste na possibilidade
que lhes é franqueada de negociarem – captarem e administrarem – seguro-saúde, que não se
confunde com as demais formas de planos privados de assistência à saúde. O seguro-saúde é
uma modalidade de contrato de seguro formalizado junto a seguradoras especializadas, destinado
a proteger segurados e seus dependentes incluídos na apólice em situações de doenças e lesões
estipuladas contratualmente. Nos termos da apólice, a seguradora obriga-se a reembolsar o
segurado, ou pagar em nome deste e à sua ordem, despesas de natureza médico-hospitalar que
resultem da ocorrência de eventos (sinistros) cobertos. Com base nessas premissas, constatou-se
que a operadora de plano de saúde em análise no caso concreto não poderia ser considerada
uma sociedade seguradora. No direito penal, é vedada a analogia in malan partem, por afronta ao
princípio da legalidade (artigo 5º, XXXIX, Constituição, e artigo 1º do Código Penal), de modo que
não é legítimo que se pretenda promover a equiparação das demais operadoras de planos
privados de assistência à saúde às seguradoras para justificar uma imputação penal. Com isso,
concluiu-se que a prática de fraudes à frente da operadora de plano de saúde em análise
pode caracterizar, em tese, crimes contra o patrimônio – como estelionato e apropriação
indébita – ou crimes falimentares, MAS JAMAIS UM CRIME CONTRA O SISTEMA
FINANCEIRO NACIONAL. Assim sendo, a competência para o processamento e julgamento
do feito recai sobre a Justiça Estadual.

Item do edital do V Concurso: 3.1 Competência: critérios de determinação e modificação.

Questão 18
Direito Processual Penal

Suponha que Caio, no intento de matar Tício, proceda à realização de atos

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executórios na circunscrição judiciária de Brasília-DF. Tício, contudo, empreende fuga


e se dirige, de carro, à comarca de Goiânia-GO, onde vem a falecer em face dos
ferimentos sofridos. Nesse caso, a jurisprudência dominante e doutrina entendem que
o crime pode ser processado em Brasília-DF, contrariando previsão expressa do CPP.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
O art. 70 do CPP adotou, para fins de fixação de competência, a TEORIA DO RESULTADO, a
qual leva em consideração o local onde se consumou o delito:

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou,
no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

§ 1o Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a


competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de
execução.

§ 2o Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o
juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu
resultado.

§ 3o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a
jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a
competência firmar-se-á pela prevenção.

Contudo, doutrina e jurisprudência dominante entendem ser possível o processamento do


crime de homicídio no local da realização dos atos executórios (adota-se,
excepcionalmente a teoria da atividade, que leva em consideração o local da ação ou
omissão), em face da facilitação da instrução probatória.

No caso em tela, mostra-se plenamente possível o processamento do delito em Brasília-DF.

Vide julgados do STJ nesse sentido:

RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. LUGAR DO ÚLTIMO ATO


DE EXECUÇÃO. DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA PARA FACILITAR A INSTRUÇÃO
PROBATÓRIA QUE SE JUSTIFICA NA HIPÓTESE. RECURSO NÃO PROVIDO.

1 . Consoante o art. 70 do Código de Processo Penal, a competência será, em regra,


determinada pelo lugar em que se consumar a infração ou, no caso de tentativa, pelo lugar
em que for praticado o último ato de execução. Todavia, admite a jurisprudência,

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EXCEPCIONALMENTE, o deslocamento da competência para local diverso, a fim de garantir


que o processo possa atingir a sua finalidade primordial e no intuito de facilitar a
apuração dos fatos e a produção de provas. 2. O Tribunal de origem justificou o
deslocamento da competência, por entender que o local mais favorável à produção da prova é
a Comarca de Jataí, onde foi instaurado o inquérito, onde fica o domicílio da vítima, dos
réus e da maioria das testemunhas e, também, onde a vítima supostamente foi vista pela última
vez. Desfazer o entendimento a que chegaram as instâncias ordinárias implicaria no reexame
de matéria fático-probatória dos autos, providência que, como cediço, é vedada em
recurso especial, consoante o disposto na Súmula n. 7 do STJ. 3. Recurso especial não provido.
(REsp 1570596/GO, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
27/09/2016, DJe 10/10/2016).

PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO DOLOSO, OCULTAÇÃO


DE CADÁVER E FALSIDADE IDEOLÓGICA. COMPETÊNCIA PARA A AÇÃO PENAL.
RELATIVIZAÇÃO DA TEORIA DO RESULTADO. LOCAL DO INÍCIO DOS ATOS EXECUTÓRIOS.
FACILITAÇÃO DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. BUSCA DA VERDADE REAL. PRISÃO
PREVENTIVA. NECESSIDADE DE GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. CONSTRANGIMENTO
ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. RECURSO DESPROVIDO.

01. Conforme a jurisprudência dominante, "tendo em vista a necessidade de se facilitar a


apuração dos fatos e a produção de provas, bem como garantir que o processo possa
atingir à sua finalidade primordial, qual seja, a busca da verdade real, a competência pode
ser fixada no local de início dos atos executórios" (STJ, HC 95.853, Rel. Ministro Og
Fernandes, Sexta Turma, julgado em 11/09/2012; HC 196.458, Rel. Ministro Sebastião Reis
Júnior, Sexta Turma, julgado em 06/12/2011; STF, HC 112.348, Rel. Ministro Ricardo
Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 04/12/2012). 02. Não há "ilegalidade ou abuso de
poder" (CR, art. 5º, inc. LXVIII), de modo a autorizar a concessão do habeas corpus, na decisão
que, fundada na gravidade das condutas delituosas imputadas ao réu - homicídio qualificado e
ocultação do cadáver da vítima, seu próprio filho -, decreta-lhe a prisão cautelar (STJ, RHC
52.700/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 02/12/2014; HC 294.499/DF, Rel.
Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 27/06/2014; STF, RHC 116.964, Rel.
Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 01/10/2013; HC 124.994, Rel. Ministro Teori
Zavascki, Segunda Turma, julgado em 09/12/2014). O fato de o réu ser primário, possuir bons
antecedentes, ter residência fixa e exercer atividade lícita são circunstâncias pessoais que, por si
sós, não impedem a decretação da custódia cautelar (STF, HC 108.314, Rel. Ministro Luiz Fux,
Primeira Turma, julgado em 13/09/2011; HC 112.642, Rel. Ministro Joaquim Barbosa, Segunda
Turma, julgado em 26/06/2012; STJ, HC 297.256/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma,
julgado em 25/11/2014, RHC 44.212/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado
em 25/02/2014). 03. Recurso em habeas corpus desprovido. (RHC 53.020/RS, Rel. Ministro
NEWTON TRISOTTO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SC), QUINTA TURMA, julgado
em 07/05/2015, DJe 16/06/2015).

Item do edital do V Concurso: 3.1 Competência: critérios de determinação e modificação.

Questão 19
Direito Processual Penal

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A decisão que determina a produção antecipada de provas, em face da ausência de


comparecimento e constituição de advogado por parte do réu, deve ser concretamente
fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. Nesse
contexto, é inadmissível que se proceda à colheita antecipada de prova testemunhal
meramente pelo fato da testemunha ser policial.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Primeiramente, relembre-se o teor do art. 366 do CPP:

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão
suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção
antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos
termos do disposto no art. 312.

A primeira frase do enunciado é baseada na redação da Súmula 544 do STJ:

Súmula 455, STJ: “A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo
366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso
do tempo”.

Contudo, o próprio STJ vem flexibilizando a aplicação da súmula em casos nos quais as
testemunhas são policiais. É cediço que os profissionais que atuam na segurança pública estão
constantemente respondendo ocorrências policiais, o que torna muito mais difícil rememorar os
fatos específicos ocorridos com cada réu.

Vide julgamento recente do STJ nesse sentido:

PROCESSO

RHC 64.086-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Rogério Schietti Cruz, por
maioria, julgado em 23/11/2016, DJe 09/12/2016.

RAMO DO DIREITO

DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA

Réu foragido. Produção antecipada de provas. Testemunhas policiais. Art. 366 do CPP.
Súmula 455 do STJ. Temperamento. Risco de perecimento da prova.

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DESTAQUE

É justificável a antecipação da colheita da prova testemunhal com arrimo no art. 366 do


Código de Processo Penal nas hipóteses em que as testemunhas são policiais. O atuar
constante no combate à criminalidade expõe o agente da segurança pública a inúmeras
situações conflituosas com o ordenamento jurídico, sendo certo que as peculiaridades de
cada uma acabam se perdendo em sua memória, seja pela frequência com que ocorrem, ou
pela própria similitude dos fatos, sem que isso configure violação à garantia da ampla
defesa do acusado.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Tratou-se de recurso ordinário em habeas corpus em que pretendeu o impetrante a declaração de


nulidade da decisão que determinou a produção antecipada de provas na forma do art. 366 do
CPP, ante a ausência de fundamento concreto para a produção, incidindo ao caso a Súmula 455
do STJ. Do artigo anteriormente mencionado, pode-se concluir que, na hipótese de ser
desconhecido o paradeiro do acusado após a sua citação por edital, fica o Juiz autorizado a
determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes, visando justamente
resguardar a efetividade da prestação jurisdicional, diante da possibilidade de perecimento da
prova em razão do decurso do prazo que o processo permanecerá suspenso. Se, de um lado,
pondera-se que a produção antecipada de provas poderia representar prejuízo à ampla defesa,
visto que não oportunizaria ao acusado o exercício da autodefesa, não se desconhece que,
cuidando-se de prova testemunhal, evidencia-se certa urgência em sua colheita, haja vista o
possível esquecimento dos fatos pelos depoentes durante o período em que o processo
permanece, por força da norma referida, sobrestado. Este Superior Tribunal firmou o
entendimento segundo o qual o simples argumento de que as testemunhas poderiam esquecer
detalhes dos fatos com o decurso do tempo não autorizaria, por si só, a produção antecipada de
provas, sendo mister fundamentá-la concretamente, sob pena de ofensa à garantia do devido
processo legal. É que, muito embora esse esquecimento seja passível de concretização, não
poderia ser utilizado como mera conjectura, desvinculado de elementos objetivamente deduzidos.
Nesse sentido, a súmula n. 455 do STJ: "A decisão que determina a produção antecipada de
provas com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando
unicamente o mero decurso do tempo". Contudo, o enunciado na súmula anteriormente
mencionada deve ser interpretado criteriosamente. Tem-se que, a prova testemunhal é, se
comparada a outros meios de prova, mais urgente, de maneira que a tardança em coletá-la
compromete, definitivamente, a prestação jurisdicional, com reflexos nos fins a que se destina a
jurisdição penal. Ademais, o atuar constante no combate à criminalidade expõe o agente da
segurança pública a inúmeras situações conflituosas com o ordenamento jurídico, sendo certo que
as peculiaridades de cada uma acabam se perdendo em sua memória, seja pela frequência com
que ocorrem, ou pela própria similitude dos fatos, sem que isso configure violação à garantia da
ampla defesa do acusado, caso a defesa técnica repute necessária a repetição do seu depoimento
por ocasião da retomada do curso da ação penal. De mais a mais, não se pode olvidar que a
realização antecipada de provas não traz prejuízo para a defesa, visto que, além de o ato ser
realizado na presença de defensor nomeado, o comparecimento eventual do réu – e a
consequente retomada do curso processual – lhe permitirá requerer a produção das provas que
julgar necessárias para sua defesa e, ante argumentos idôneos, poderá até mesmo lograr a
repetição da prova produzida antecipadamente.

Item do edital do V Concurso: 4 Prova: conceito, princípios básicos, objeto, meios, ônus, limitações
constitucionais das provas, sistemas de apreciação.

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Questão 20
Direito Penal Militar

Considerado apenas o disposto no CPM, conclui-se que, caso adolescente de


dezessete anos pratique crime militar e revele suficiente desenvolvimento psíquico
para entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de acordo com este
entendimento, será considerado imputável. Nesse ponto, o CPM adotou o critério
biopsicológico.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Antes de tudo, registre-se que a questão, já no seu início, contém a expressão,
“considerado apenas o disposto no CPM”. E, de fato, levando-se em consideração apenas
o Código, os menores de dezoito e maiores de dezesseis anos podem ser considerados
imputáveis, nos termos do seguinte artigo:

Art. 50. O menor de dezoito anos é inimputável, salvo se, já tendo completado dezesseis anos,
revela suficiente desenvolvimento psíquico para entender o caráter ilícito do fato e determinar-se
de acordo com este entendimento. Neste caso, a pena aplicável é diminuída de um terço até a
metade.

Aqui, portanto, o CPM adotou o critério biopsicológico, aliando a idade e o aspecto psíquico (vide
explicação na parte de Direito Penal desta rodada).

Contudo, é óbvio que tal dispositivo não foi recepcionado pela CF, considerando o disposto no art.
228:

Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da
legislação especial.

Acerca desse dispositivo, eis o escólio de Guilherme Nucci:

“Menoridade penal: preceitua o art. 228 da Constituição Federal: “são penalmente inimputáveis
os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial”. Esta diz respeito ao
Estatuto da Criança e do Adolescente. Por isso, o disposto neste artigo é parcialmente inválido.
Todos os menores de 18 anos são inimputáveis, sem exceção.”

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Item do edital do V Concurso: 3 Imputabilidade Penal.

Questão 21
Direito Penal Militar

Na prática de crime de autoria coletiva necessária, reputam-se cabeças os que


dirigem, provocam, instigam ou excitam a ação. Segundo o CPM, o fato de
determinado agente ser oficial e cometer crime em concurso com seus inferiores o
equipara ao “cabeça”. A literalidade do código não exige perquirição acerca de real
direção, provocação, instigação ou excitação.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Conforme determinado expressamente no CPM, quando “o crime é cometido por inferiores e
um ou mais oficiais, são estes considerados cabeças, assim como os inferiores que
exercem função de oficial”.

Vejamos os dispositivos pertinentes:

Art. 53. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas.

(...)

§ 4º Na prática de crime de autoria coletiva necessária, reputam-se cabeças os que dirigem,


provocam, instigam ou excitam a ação.

§ 5º Quando o crime é cometido por inferiores e um ou mais oficiais, são estes considerados
cabeças, assim como os inferiores que exercem função de oficial.

Contudo, o dispositivo não é isento de críticas pela doutrina. Sobre o conceito de cabeça e
sua equiparação, vide comentário de Guilherme Nucci:

Cabeça: é o líder de um grupo, que, naturalmente, dirige, provoca, instiga ou excita a conduta de

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outros. Refere-se o artigo em comento a delito de autoria coletiva, ou seja, plurissubjetivo, que
somente pode ser cometido por duas ou mais pessoas. Na realidade, portanto, o disposto no § 4o
é dispensável, pois óbvio.

Equiparação artificial: o disposto neste parágrafo é inadequado, pois simplesmente presume


quem seja o cabeça de um crime, pela condição de oficial na prática delituosa. O dirigente deve
ser extraído da realidade e não de mera presunção.

Item do edital do V Concurso: 4 Concurso de agente.

Questão 22
Direito Processual Penal Militar

Imagine que Tício, militar, pratique ato de hostilidade contra país estrangeiro, expondo
o Brasil a perigo de guerra. A situação fática configura crime contra a segurança
externa do país, o qual, pela sua gravidade, independe de qualquer tipo de requisição
para o processamento, devendo ser ajuizada ação penal pelo promotor militar, tão
logo se verifique a justa causa.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Ao contrário do afirmado no enunciado, alguns dos crimes contra a segurança externa
exigem requisição do Ministro Militar ao qual se encontra subordinado o agente,
justamente por conveniência política. É o caso do delito de hostilidade contra país estrangeiro,
disposto no art. 136 do CPM:

Art. 136. Praticar o militar ato de hostilidade contra país estrangeiro, expondo o Brasil a perigo de
guerra.

A necessidade de requisição encontra-se disposta no art. 31 do CPPM:

Art. 31. Nos crimes previstos nos arts. 136 a 141 do Código Penal Militar, a ação penal; quando o

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agente for militar ou assemelhado, depende de requisição, que será feita ao procurador-geral da
Justiça Militar, pelo Ministério a que o agente estiver subordinado; no caso do art. 141 do mesmo
Código, quando o agente for civil e não houver coautor militar, a requisição será do Ministério da
Justiça.

Parágrafo único. Sem prejuízo dessa disposição, o procurador-geral da Justiça Militar dará
conhecimento ao procurador-geral da República de fato apurado em inquérito que tenha relação
com qualquer dos crimes referidos neste artigo.

Acerca desse ponto específico, vide os ensinamentos de Guilherme Nucci:

Requisição do Ministro Militar ou da Justiça: para alguns casos, previu-se a participação


discricionária de órgão do Poder Executivo, dando legitimidade para a atuação do
Ministério Público, diante da complexidade do tema e da conveniência política de se levar o
caso à apreciação do Poder Judiciário. Portanto, a requisição é a exigência legal que o Ministro
Militar (Exército, Marinha ou Aeronáutica, dependendo da situação concreta) ou da Justiça
encaminha ao Ministério Público para que seja apurada a prática de determinada infração penal e
sua autoria. Não deixa de ser uma delatio criminis postulatória (cf. Rogério Lauria Tucci, Teoria do
direito processual penal, p. 124).

Trata-se de uma condição para o exercício do direito de ação, integrando o quadro do


interesse de agir. Nos termos do art. 122 do Código Penal Militar, demanda-se a requisição nos
crimes previstos nos artigos 136 a 141. Se o agente for militar, cabe ao Ministro Militar a que
estiver subordinado; sendo civil, sem coautor militar, ao Ministro da Justiça.

São delitos contra a segurança externa do país: hostilidade contra país estrangeiro (art. 136,
CPM), provocação a país estrangeiro (art. 137, CPM), ato de jurisdição indevida (art. 138, CPM),
violação de território estrangeiro (art. 139, CPM), entendimento para empenhar o Brasil à
neutralidade ou à guerra (art. 140, CPM) e entendimento para gerar conflito ou divergência com o
Brasil (art. 141, CPM). Essas condutas criminosas podem levar à ruptura de relações externas ou
a conflito armado, motivo pelo qual há nítido interesse político em saber se é caso de processar
quem se envolva nesse contexto. Feita a requisição, havendo provas suficientes, nos termos do
artigo 30 do CPPM, é obrigatório o oferecimento de denúncia. Não há prazo legal para a requisição
do Ministro Militar ou da Justiça, permanecendo hipótese válida enquanto não estiver extinta a
punibilidade do agente (pela prescrição, por exemplo).”

Item do edital do V Concurso: 4 Ação penal militar e seu exercício.

Questão 23
Direito Processual Penal Militar

Atualmente, a defesa das praças é feita pelos advogados de ofício, cujo patrocínio é
obrigatório, devendo preferir a qualquer outro.

Correta

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Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A figura do advogado de ofício foi há muito extinta. Hoje, a seara militar, a defesa dos réus
hipossuficientes ou revéis é feita pela Defensoria Pública da União. O enunciado remete à
previsão expressa do CPPM, datada da época da existência dos mencionados advogados:

Art. 71. Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem
defensor.

§ 5º As praças serão defendidas pelo advogado de ofício, cujo patrocínio é obrigatório, devendo
preferir a qualquer outro.

Registre-se que o CPPM tem previsão específica de nomeação de advogado de ofício como
assistente de acusação:

Art. 63. Pode ser assistente o advogado da Justiça Militar, desde que não funcione no processo
naquela qualidade ou como procurador de qualquer acusado.

Nesse ponto, a DPU poderá atuar como assistente de acusação, nos exatos termos do
dispositivo. Veja comentário de Guilherme Nucci:

“Advogado de ofício: não mais existe tal função. Atualmente, a Defensoria Pública da União
patrocina a defesa do réu carente de recursos. Eventualmente, pode ingressar no polo ativo,
como assistente de acusação, desde que a vítima seja pobre e necessite de advogado. Se já atuar
no polo passivo, não cabe o ingresso como assistente; assim ocorrendo, deve o juiz nomear um
advogado para patrocinar o interesse do ofendido.”

Frise-se que a possibilidade de atuação, pela Defensoria, como assistente de acusação,


não fica adstrita ao processo militar. A jurisprudência admite o exercício dessa função no
processo penal “comum”:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSUAL


PENAL. TRIBUNAL DO JURI. DEFENSOR PÚBLICO. ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO. RELAÇÃO
PRIVADA. IRREGULARIDADE DA CONSTITUIÇÃO PROCESSUAL. NECESSIDADE DE REEXAME
DE PROVAS. VEDAÇÃO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. NÃO HÁ NULIDADE SEM PREJUÍZO. PAS
DE NULLITÉ SANS GRIEF. HOMICÍDIO. MATERIALIDADE E AUTORIA. COMPROVAÇÃO.
SOBERANIA DOS VEREDICTOS. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. SÚMULA 126/STJ.
DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. VIOLAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA
284/STF.

1. Nos termos do art. 4º, XV, da Lei Complementar 80/1994, é função da Defensoria Pública,
entre outras, patrocinar ação penal privada e a subsidiária da pública. Sob esse prisma,
mostra-se incipiente a tese recursal, pois, se a função acusatória não se contrapõe às
atribuições institucionais da Defensoria Pública, o mesmo ocorre com o exercício da
assistência à acusação. Precedentes.

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2. Eventual irregularidade na constituição do representante processual incumbido da


assistência à acusação não evidencia relação direta com o caso concreto nem prejuízo capaz
de justificar a declaração da nulidade pretendida. Ademais, a análise da questão dependeria de
revolvimento de matéria fático-probatória, medida que, em recurso especial, enfrenta o óbice da
Súmula 7/STJ. 3. O Tribunal deixou de proceder à reanálise das provas consideradas pelo
Tribunal do Júri em atenção ao princípio constitucional da soberania dos veredictos - ex vi
art. 5º, XXXVIII, da CF. O agravante não cuidou de interpor o competente recurso
extraordinário. Assim, é inadmissível o recurso especial, conforme orientação da Súmula
126/STJ. 4. O agravante não expôs de forma clara a razão porque entende violada a
distribuição do ônus da prova, o que atrai também a incidência à Súmula 284/STF. 5. O
agravante não trouxe elementos suficientes para infirmar a decisão agravada, que, de fato,
apresentou a solução que melhor espelha a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de
Justiça sobre a matéria. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 568.936/PB, Rel.
Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe
01/06/2016).

Item do edital do V Concurso: 4 Juiz, auxiliares e partes do processo.

Questão 24
Direito Eleitoral

De acordo com o STF, a instituição de norma prevendo a impressão de número


identificador do voto, associado à assinatura digital do eleitor, não viola a garantia
constitucional do voto secreto.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O art. 5º da Lei 12.0334/2009 tentou instituir a possibilidade referida no enunciado:

Art. 5o Fica criado, a partir das eleições de 2014, inclusive, o voto impresso conferido pelo eleitor,

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garantido o total sigilo do voto e observadas as seguintes regras: (Vide ADIN 4543)

§ 1o A máquina de votar exibirá para o eleitor, primeiramente, as telas referentes às eleições


proporcionais; em seguida, as referentes às eleições majoritárias; finalmente, o voto completo para
conferência visual do eleitor e confirmação final do voto.

§ 2o Após a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica imprimirá um número único de
identificação do voto associado à sua própria assinatura digital.

§ 3o O voto deverá ser depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local
previamente lacrado.

§ 4o Após o fim da votação, a Justiça Eleitoral realizará, em audiência pública, auditoria


independente do software mediante o sorteio de 2% (dois por cento) das urnas eletrônicas de cada
Zona Eleitoral, respeitado o limite mínimo de 3 (três) máquinas por município, que deverão ter
seus votos em papel contados e comparados com os resultados apresentados pelo respectivo
boletim de urna.

§ 5o É permitido o uso de identificação do eleitor por sua biometria ou pela digitação do seu nome
ou número de eleitor, desde que a máquina de identificar não tenha nenhuma conexão com a urna
eletrônica

Contudo, na ADIN 4543, o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo em comento,


asseverando que a disposição fere o princípio do voto secreto:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. ELEITORAL. ART. 5º DA LEI N. 12.034/2009: IMPRESSÃO DE


VOTO. SIGILO DO VOTO: DIREITO FUNDAMENTAL DO CIDADÃO. VULNERAÇÃO POSSÍVEL DA
URNA COM O SISTEMA DE IMPRESSÃO DO VOTO: INCONSISTÊNCIAS PROVOCADAS NO
SISTEMA E NAS GARANTIAS DOS CIDADÃOS. INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. AÇÃO
JULGADA PROCEDENTE. 1. A exigência legal do voto impresso no processo de votação,
contendo número de identificação associado à assinatura digital do eleitor, vulnera O
SEGREDO DO VOTO, garantia constitucional expressa. 2. A garantia da inviolabilidade do
voto impõe a necessidade de se assegurar ser impessoal o voto para garantia da liberdade
de manifestação, evitando-se coação sobre o eleitor. 3. A manutenção da urna em aberto
põe em risco a segurança do sistema, possibilitando fraudes, o que não se harmoniza com
as normas constitucionais de garantia do eleitor. 4. Ação julgada procedente para declarar a
inconstitucionalidade do art. 5º da Lei n. 12.034/2009. (ADI 4543, Relator(a): Min. CÁRMEN
LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-199 DIVULG 10-
10-2014 PUBLIC 13-10-2014)

Item do edital do V Concurso: 2 Direitos Políticos

Questão 25
Direito Administrativo

Acerca da organização administração, julgue o item seguinte:


Um dos pontos que diferenciam a Empresa Pública da Sociedade de Economia Mista
é a competência para julgamento das ações. No caso da Empresa Pública, as ações

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em que a empresa pública federal seja autora, ré, assistente ou oponente, serão
julgadas pela Justiça Federal. Quanto à Sociedade de Economia Mista, a competência
é da Justiça Estadual, ainda que se trate de empresa federal. No entanto, segundo
entendimento sumulado do STF, se houver interesse da União, a competência será
transferida para a Justiça Federal.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Traços comuns e importantes entre as empresas públicas e sociedades de economia mista

Essas pessoas jurídicas recebem o mesmo tratamento para criação e extinção, vale dizer,
autorização por lei específica e registro dos atos constitutivos no órgão competente. Na ausência
da lei, ela não será uma empresa pública ou sociedade de economia mista, e sim mera empresa
estatal sob controle acionário do Estado. É importante ressaltar que não poderá o Poder
Legislativo fazer uma autorização genérica. É preciso que a lei designe que entidade pretende
gerar, que escopo deverá por ela ser cumprido e quais as atribuições que para tanto lhe confere.
Registre-se que, por paralelismo jurídico, se a lei autoriza a sua criação, também se exige lei para
autorizar a sua extinção, não podendo mero ato administrativo, que é inferior a ela, fazê-lo.
Contrariando as autarquias, essas empresas estatais, para que passem a existir efetivamente,
dependem, além da lei, do registro dos atos constitutivos no órgão competente, seja no Cartório de
Registro de Pessoas Jurídicas quando de natureza civil, ou na Junta Comercial quando de
natureza empresarial. O texto constitucional também estabelece expressamente a exigência de lei
para autorizar a criação de pessoas jurídicas subsidiárias a essas empresas, havendo, da mesma
forma, a dependência da lei para autorizar a sua extinção. A personalidade jurídica de direito
privado também se repete nas duas empresas, assim como a derrogação parcial do regime de
direito privado por normas de direito público, quando tiver previsão expressa na Constituição ou
em leis, constituindo o denominado regime híbrido, misto, semipúblico, o que é fundamental para
manter a vinculação entre a Administração centralizada e a descentralizada. Essas derrogações,
nos âmbitos estadual e municipal, devem obedecer à previsão constitucional e às leis federais de
âmbito nacional, visto que esses entes não têm competência para legislar sobre Direito Civil e
Comercial. Também é comum àquelas empresas a sujeição ao controle estatal, bem como a
aplicação de regras orçamentárias da entidade que as criou. Submetem-se à supervisão ministerial
e a controle pelo Tribunal de Contas, além da possibilidade de interposição de ação popular e dos
demais controles previstos para o cidadão. O Decreto n. 8.945/2016 que regulamenta a Lei n.
13.303/2016 no âmbito federal estabelece regras mais específicas acerca das estruturas e práticas
de gestão de riscos, controle interno e fiscalização pelo Estado e pela sociedade, apontando
mecanismos de controle interno e externo que necessariamente deverão ser observados pelas

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estatais. O Capítulo IV, cujo título foi denominado como “Da fiscalização pelo Estado e pela
Sociedade” é dedicado a especificar tais regras de controle (art. 45 a 50). Submetem-se à
vinculação aos fins definidos na lei instituidora, como exercício do princípio da especialidade ou até
da legalidade, além das finalidades: prestação de serviços públicos ou exploração da atividade
econômica.

Pontos relevantes do regime jurídico das empresas públicas e sociedades de economia


mista

No que tange ao regime jurídico, deve-se alertar que não será idêntico para as duas empresas
estatais, distinguindo-se, principalmente, em razão da finalidade por elas exercidas (serviço público
ou atividade econômica). Essas empresas estatais, apesar de terem personalidade jurídica de
direito privado, não têm regime verdadeiramente privado. A doutrina prefere denominá-lo como
regime híbrido ou misto, isso porque ele mistura regras de direito público com as de direito privado,
ora se aproximando mais de um, ora de outro. Para as exploradoras de serviços públicos, em que
pese a personalidade jurídica de direito privado, o seu regime em muito se aproxima do direito
público, até porque são inafastáveis do conceito de serviços públicos. No silêncio da lei, aplicam-se
as regras do regime jurídico-administrativo. De outro lado, encontram-se as exploradoras da
atividade econômica cujo regime, em razão dessa finalidade, é o que mais se aproxima do direito
privado. Para essas pessoas jurídicas, a regra é a aplicação do direito privado; o direito público é a
exceção e deve ser aplicado restritivamente, quando tiver previsão expressa. Essas pessoas estão
definidas no art. 173 da CF, que estabelecia no texto original que as empresas públicas e
sociedades de economia mista e as demais exploradoras da atividade econômica estavam sujeitas
ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas.
Entretanto, essa regra foi alterada pela Emenda Constitucional no 19/98. Hoje o art. 173, § 1o, da
CF3 , reconhece a possibilidade de um regime especial para as empresas públicas e as
sociedades de economia mista e suas subsidiárias, por intermédio de um estatuto jurídico próprio
para sua função e formas de fiscalização, com regras quanto aos direitos civis, comerciais,
trabalhistas e tributários, licitação e contratos, conselhos de administração e fiscal e mandatos dos
administradores. Este estatuto foi aprovado em 30.06.2016 pela Lei n. 13.303/2016 que
estabeleceu inúmeras novas regras para as empresas estatais inclusive quanto ao regime de
licitação. Um dos pontos questionados é o fato da Lei ter estendido de forma expressa as suas
regras para as prestadoras de serviços públicos.

Adentrando a questão, um dos pontos que diferenciam a Empresa Pública da Sociedade de


Economia Mista é a competência para julgamento das ações. No caso da Empresa Pública, as
ações em que a empresa pública federal seja autora, ré, assistente ou oponente, serão julgadas
pela Justiça Federal (art. 109, I, da CF). Quanto à Sociedade de Economia Mista, a competência é
da Justiça Estadual, ainda que se trate de empresa federal. A Súmula no 556 do STF prescreve: “É
competente a justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista.”
No entanto, não se pode esquecer que, se houver interesse da União, a competência será
transferida para a Justiça Federal. Nessa vertente, tem-se a Súmula no 517 do mesmo Tribunal:
As sociedades de economia mista só tem foro na Justiça Federal, quando a União intervém como
assistente ou opoente.

Do que se expôs, correta a questão.

Fonte: http://www.marinela.ma/tipo-de-arquivo/cadernos-de-aula/

Ponto do edital do V Concurso: 11 Organização administrativa

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Questão 26
Direito Administrativo

Ainda sobre organização administrativa, analise o item seguinte:


As Autarquias são pessoas jurídicas de direito privado que desenvolvem atividades
administrativas típicas de Estado e gozam de liberdade administrativa nos limites da
lei que as criou. Não são subordinadas a órgão nenhum do Estado, mas apenas
controladas, tendo direitos e obrigações distintos do Estado.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Com o intuito de revisão do assunto, utilizo-me de um resumo de Fernanda Marinela:

AUTARQUIAS - são pessoas jurídicas de DIREITO PÚBLICO que desenvolvem atividades


administrativas típicas de Estado e gozam de liberdade administrativa nos limites da lei que
as criou. Não são subordinadas a órgão nenhum do Estado, mas apenas controladas,
tendo direitos e obrigações distintos do Estado.

Regime Jurídico:

Criação e extinção por intermédio de lei ordinária específica, conforme previsão do


art. 37, XIX, da CF.
Sujeitas a controle tanto interno, quanto externo, seja pela Administração Direta,
pelos Poderes Judiciário e Legislativo, seja pelo povo, por via dos instrumentos
processuais previstos em lei
Seus atos e contratos seguem regime administrativo, estão obrigadas ao
procedimento licitatório, consoante regras da Lei no 8.666/93 e da Lei no 10.520/02,
só não tendo que realizá-lo quando a própria norma expressamente liberá-lo, como
ocorre com as hipóteses de dispensas e inexigibilidades de licitação previstas no
diploma.
A responsabilidade civil é, em regra, objetiva, aplicando-lhe o art. 37, §6º, da

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Constituição Federal. Lembrando que o Estado responde subsidiariariamente


A regra quanto a prescrição é a prevista no Decreto nº 20.910/32 – prescrição
quinquenal
Bens autárquicos seguem regime de bem público: alienabilidade condicionada,
impenhorabilidade, impossibilidade de oneração e imprescritibilidade
Débitos judiciais seguem regime de precatório (art.100 da CF)
Possuem os seguintes privilégios processuais: prazos dilatados , juízo privativo e
duplo grau de jurisdição necessário
Imunidade tributária para os impostos, desde que ligada à sua finalidade especifica
(art.150, §2º da CF);
Quanto às regras orçamentárias, se submetem às mesmas da entidade que as criou,
estando, inclusive, sujeitas ao controle pelo Tribunal de Contas. No que tange aos
procedimentos financeiros, as autarquias também se submetem às regras de Direito
Financeiro e contabilidade pública da Administração Direta, previstas na Lei no
4.320/64, além das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n o 101/00).
Regime de pessoal é o mesmo aplicável aos entes da Administração Direta que as
criou. Em regra são estatutários, e no âmbito federal regidos pela Lei n º 8.112/90.

Adentrando a questão, está errada, pois a Autarquia possui personalidade jurídica de Direito
Público.

Ponto do edital do V Concurso: 11 Organização administrativa

Questão 27
Direito do Trabalho

A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição Federal, só é


exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
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Só para registrar, caso você ainda não tenha lido(https://blog.ebeji.com.br/mapeamento-


que-nada-fizemos-uma-ultrassonografia-da-ultima-prova-de-defensor-publico-federal-dpu-
cespe/), dentre as questões do Grupo III da última prova, 54% envolviam jurisprudência, 8%
doutrina e 38% legislação. NÃO DEIXEM de conferir a proporção apontada e as
fundamentações exaradas no post do professor Pedro Coelho no blog da EBEJI.

De toda forma, não dá para descuidar das súmulas vinculantes do STF...

Aliás, não se pode perder questões desse tipo, beleza? Portanto, inclua na sua rotina a
leitura das súmulas do STF, STJ, TST!

Vamos à questão?

SÚMULA VINCULANTE 40: A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição
Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

Do que se viu, correta!

Ponto do edital do V Concurso: não havia menção expressa a tal tema.

Questão 28
Direito do Trabalho

A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização


por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por
empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença
de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional nº
45/04.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Na mesma linha da questão anterior, ou seja, baseada em súmula vinculante do STF:

SÚMULA VINCULANTE 22: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações

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de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por
empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em
primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional nº 45/04.

Do que se viu, correta!

Ponto do edital do V Concurso: 14 Indenizações em decorrência da dispensa do empregado.

Questão 29
Direito Processual do Trabalho

A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição


Federal não alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas
ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela
homologados.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Da mesma forma como se apontou acima, é possível extrair e confirmar a informação, a partir da
leitura do Mapeamento da Última prova da DPU publicado pelo blog da EBEJI, que o assunto
envolvendo COMPETÊNCIA da Justiça do Trabalho é tema praticamente certo nos
concursos...Além disso, súmula e jurisprudência nortearam a prova do V Concurso e,
provavelmente, seguirá a mesma toada no próximo certame!

Sendo assim, na mesma linha das questões anteriores, ou seja, baseada em súmula vinculante do
STF:

SÚMULA VINCULANTE 53: A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da
Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao
objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela homologados.

Do que se viu, errada a questão!

Ponto do edital do V Concurso: 7 Execução no processo trabalhista

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Questão 30
Direito Processual do Trabalho

A Justiça do Trabalho não é competente para processar e julgar ação possessória


ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da
iniciativa privada, vez que tal atribuição não está arrolada no art. 114 da CF.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Encerrando esse bloco de questões dessa rodada, mais uma baseada em súmula
vinculante do STF:

SÚMULA VINCULANTE 23: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação
possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da
iniciativa privada.

Do que se viu, errada a questão!

Ponto do edital do V Concurso: 2 Princípios gerais que informam o processo trabalhista.

Questão 31
Direito Previdenciário e da Assistência Social

Segundo o STJ, ausente requerimento administrativo no INSS, o termo inicial para a


implantação da aposentadoria por invalidez concedida judicialmente será a data da
perícia judicial realizada.

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Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Também na disciplina do direito previdenciário, o estudo exaustivo e a atualização quanto aos
temas pacificados e sumulados pelos Tribunais Superiores é OBRIGAÇÃO dos candidatos! Dessa
maneira, vejamos o teor da Súmula 576 do STJ:

“Ausente requerimento administrativo no INSS, o termo inicial para a implantação da aposentadoria


por invalidez concedida judicialmente será a data da citação válida”.

Veja alguns precedentes que deram origem a tal enunciado:

"[...] APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. CITAÇÃO VÁLIDA.


MATÉRIA JÁ DECIDIDA SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. [...] 1. O tema relativo ao termo
inicial de benefício proveniente de incapacidade laborativa já foi exaustivamente debatido nesta
Corte, a qual, após oscilações, passou a rechaçar a fixação da Data de Início do Benefício - DIB a
partir do laudo pericial, porquanto a prova técnica prestar-se-ia unicamente para nortear o
convencimento do juízo quanto à pertinência do novo benefício, mas não para atestar o efetivo
momento em que a moléstia incapacitante se instalou. 2. Atualmente a questão já foi decidida
nesta Corte sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), restando pacificada a
jurisprudência no sentido que "A citação válida informa o litígio, constitui em mora a autarquia
previdenciária federal e deve ser considerada como termo inicial para a implantação da
aposentadoria por invalidez concedida na via judicial quando ausente a prévia postulação". (REsp
1.369.165/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Seção, DJe 7/3/2014). [...]" (AgRg
no AREsp 760911 RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/10/2015,
DJe 10/11/2015)

"[...] APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. DATA DA CITAÇÃO


VÁLIDA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.369.165/SP. [...] 2. No julgamento do recurso
especial representativo de controvérsia 1.369.165/SP, o STJ assentou o entendimento de que o
termo inicial do benefício previdenciário aposentadoria por invalidez concedido na via judicial,
quando ausente requerimento administrativo, é a data da citação válida. [...]" (AgRg no AREsp
823800 SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
01/03/2016, DJe 08/03/2016)

"PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. TERMO INICIAL. 1. O termo inicial da


concessão do benefício previdenciário de aposentadoria por invalidez é a prévia postulação
administrativa ou o dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença. Ausentes a postulação
administrativa e o auxílio-doença, o termo a quo para a concessão do referido benefício é a
citação. Precedentes do STJ. [...]" (AgRg no REsp 1418604 SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 11/02/2014, DJe 07/03/2014)

Do que se viu, errada a questão!

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Ponto do edital do V Concurso: 2.3.4 Aposentadoria por invalidez.

Questão 32
Direito Previdenciário e da Assistência Social

Segundo entendimento recente do STJ, ante à fragilidade da prova testemunhal, não


é possível reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais antigo
apresentado no processo.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Recente súmula do STJ tratou do assunto:

Súmula 577 do STJ: É possível reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais
antigo apresentado, desde que amparado em convincente prova testemunhal colhida sob o
contraditório.

Veja alguns precedentes que deram origem ao enunciado:

"[...] APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. COMPROVAÇÃO DO LABOR RURAL POR MEIO DE
INÍCIO DE PROVA MATERIAL COMPLEMENTADA POR PROVA TESTEMUNHAL. [...] 1. A CF/88
incluiu o trabalhador do campo no Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 201, §
7o., II, tendo a Lei 8.213/91, que regula os Benefícios da Previdência Social, estabelecido um
período de transição em que o trabalhador rural que já integrava o sistema de previdência social
encontra-se dispensado do recolhimento das contribuições necessárias ao reconhecimento do
tempo de atividade agrícola. 2. A Lei 8.213/91 dispõe em seu art. 143 que será devida
aposentadoria por idade ao trabalhador rural que completar 60 anos de idade, se homem, e 55
anos de idade, se mulher, além de comprovar o exercício de atividade rural, ainda que de forma
descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em número de
meses idêntico à carência. 3. O art. 55, § 3o. e o art. 106, parágr. único da Lei 8.213/91 elencam
os documentos necessários à comprovação do exercício de atividade rural, ressalvando não ser
admitida prova exclusivamente testemunhal, salvo na ocorrência de motivo de força maior ou caso
fortuito. Esta Corte já pacificou entendimento de que o rol previsto no citado art. 106 da Lei

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8.213/91 é meramente exemplificativo 4. A concessão de aposentadoria rural possui relevante


valor social, uma vez que busca amparar o obreiro rural por meio de distribuição da renda pela via
da assistência social. Dessa forma, não se deve aplicar rigor excessivo na comprovação da
atividade rurícola, sob pena de tornar-se infactível, em face das peculiaridades que envolvem o
trabalhador do campo, que normalmente não dispõe de documentos que comprovem sua situação.
Diante dessa situação, conforme orientação jurisprudencial do STJ, para a demonstração do
exercício de trabalho rural não se exige que a prova material abranja todo o período de carência
exigido pelo art. 142 da Lei 8.213/91, sendo necessário apenas início de prova material
complementado por prova testemunhal. [...] (AgRg no AgRg no AREsp 591005 SP, Rel. Ministro
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/05/2015, DJe 21/05/2015)

"PREVIDENCIÁRIO. TRABALHADOR RURAL. APOSENTADORIA POR IDADE. TEMPO DE


SERVIÇO. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA NO PERÍODO DE CARÊNCIA. INÍCIO DE
PROVA MATERIAL AMPLIADO POR PROVA TESTEMUNHAL. [...] 2. Para o reconhecimento do
tempo de serviço do trabalhador rural, não há exigência legal de que o documento apresentado
como início de prova material abranja todo o período que se quer comprovar; basta o início de
prova material ser contemporâneo aos fatos alegados e referir-se, pelo menos, a uma fração
daquele período, corroborado com prova testemunhal, a qual amplie sua eficácia probatória, como
ocorre na hipótese. Precedentes. [...]" (AgRg no AREsp 286515 MG, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 19/03/2013, DJe 25/03/2013)

"PREVIDENCIÁRIO. [...] APOSENTADORIA. TEMPO DE SERVIÇO RURAL. INÍCIO DE PROVA


MATERIAL RECONHECIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS E AMPLIADO PELAS PROVAS
TESTEMUNHAIS. [...] 1. O tempo de serviço rural pode ser comprovado mediante a produção de
início de prova material, complementada por prova testemunhal idônea - quando necessária ao
preenchimento de eventuais lacunas -, não sendo esta admitida exclusivamente, a teor do disposto
no art. 55, § 3º, da Lei 8.213/91 e na Súmula 149 do STJ. 2. Não se exige prova documental plena
da atividade rural em relação a todos os anos integrantes do período correspondente à carência,
mas um documento que, juntamente com a prova oral, criando um liame com a circunstância fática
que se quer demonstrar, possibilite um juízo de valor seguro. [...]" (AgRg no AREsp 730275 PR,
Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2015, DJe 02/09/2015)

Do que se viu, errada a questão!

Ponto do edital do V Concurso: 2.3.1 Benefícios urbanos e rurais.

Questão 33
Direito Previdenciário e da Assistência Social

Segundo o STJ, é devida a pensão por morte aos dependentes do segurado que,
apesar de ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção
de aposentadoria até a data do seu óbito

Correta

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Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Mais uma questão baseada em súmula...

Súmula 416 do STJ: É devida a pensão por morte aos dependentes do segurado que, apesar de
ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção de aposentadoria até a
data do seu óbito.

Veja entendimento recente que reitera o teor da súmula de 2009:

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 745.715 - SP (2015/0172521-2) RELATOR : MINISTRO


GURGEL DE FARIA AGRAVANTE : OLGA MAZUCO DE CASTRO ADVOGADOS : MARCIO
ANTONIO VERNASCHI E OUTRO(S) - SP053238 FERNANDO TADEU MARTINS - SP107238
AGRAVADO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL DECISÃO Trata-se de agravo
interposto por OLGA MAZUCO DE CASTRO contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª da
Região, o qual não admitiu recurso especial fundado nas alíneas a e c do permissivo constitucional
e desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 130): PREVIDENCIÁRIO. DECISÃO MONOCRÁTICA.
AGRAVO LEGAL. ART. 557 DO CPC. MANUTENÇÃO DO JULGADO AGRAVADO. PENSÃO POR
MORTE. 1 - Nos termos do artigo do art. 557, "caput" e parágrafo 1°-A, do Código de Processo
Civil, cabe ao relator o julgamento monocrático do recurso, negando-lhe seguimento quando se
manifeste inadmissível, improcedente, prejudicado ou para lhe dar provimento se a decisão
recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou jurisprudência do respectivo tribunal ou
dos tribunais superiores. 2 - Inviabilidade do agravo legal quando constatada, de plano, a
improcedência da pretensão recursal, mantidos os fundamentos de fato e de direito do julgamento
monocrático, que bem aplicou o direito à espécie. 3 - Agravo legal desprovido. No especial
obstaculizado, a recorrente apontou violação aos arts. 3º, § 1º, da Lei n. 10.666/2003, 24, 74 e 102
da Lei n. 8.213/1991. Postula, em suma, a concessão do benefício de pensão por morte ao
fundamento de que deve ser desconsiderada a qualidade de segurado para fins de aposentadoria,
prestigiando-se o período de carência. Aduz que, embora o de cujus não preenchesse ao tempo
do óbito o requisito idade, já contava com 26 anos de contribuições pagas à previdência social.
Transcorrido in albis o prazo para contrarrazões, o apelo nobre recebeu juízo negativo de
admissibilidade pelo Tribunal de origem, ao entendimento de que o STJ possui jurisprudência
no sentido de que "a perda da qualidade de segurado não impede a concessão do
benefício de pensão por morte, desde que o falecido instituidor da pensão tivesse, em vida,
adquirido direito a alguma modalidade de aposentação. (e-STJ fl. 144). Na presente
irresignação, a agravante sustenta que a perda da qualidade de segurado não será considerada
para a concessão das aposentadorias por tempo de contribuição e especial. Passo a decidir.
Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no
CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os
requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado 2). A Terceira Seção do STJ, ao julgar o
REsp n. 1.110.565/SE, sob a sistemática do art. 543-C do CPC/1973, de relatoria do Min. FELIX
FIXER, decidiu que a condição de segurado do de cujus é requisito ao deferimento do benefício de

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pensão por morte aos seus dependentes. Excepciona-se dessa regra, porém, a hipótese de o
falecido ter preenchido, ainda em vida, os requisitos à concessão de uma das espécies de
aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, conforme inteligência da Súmula
416 do STJ. O precedente ficou assim ementado: RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO AOS
DITAMES DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO Nº 8/STJ. PENSÃO POR MORTE. PERDA
PELO DE CUJUS DA CONDIÇÃO DE SEGURADO. REQUISITO INDISPENSÁVEL AO
DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO. EXCEÇÃO. PREENCHIMENTO EM VIDA DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS À APOSENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RECURSO PROVIDO. I - A condição de
segurado do de cujus é requisito necessário ao deferimento do benefício de pensão por
morte ao(s) seu(s) dependente(s). Excepciona-se essa regra, porém, na hipótese de o
falecido ter preenchido, ainda em vida, os requisitos necessários à concessão de uma das
espécies de aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Precedentes. II -
In casu, não detendo a de cujus, quando do evento morte, a condição de segurada, nem tendo
preenchido em vida os requisitos necessários à sua aposentação, incabível o deferimento do
benefício de pensão por morte aos seus dependentes. Recurso especial provido (STJ, REsp
1.110.565/SE, Rel. Ministro FELIX FISCHER, TERCEIRA SEÇÃO, DJe de 03/08/2009). Assim,
ficando incontroverso, nos autos, que o de cujus faleceu em 26/01/2001, sem recolher
contribuições desde 1993, e sem ter preenchido, em vida, os requisitos necessários à aposentação
(e-STJ fl. 115), impossível deferir pensão por morte aos seus dependentes. Nesse sentido:
PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO DO INSTITUIDOR DA
PENSÃO. REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DE APOSENTADORIA. NÃO PREENCHIMENTO,
EM VIDA, PELO INSTITUIDOR DA PENSÃO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO. I. Consoante pacífica jurisprudência do STJ, "a condição de segurado do de
cujus é requisito necessário ao deferimento do benefício de pensão por morte ao(s) seu(s)
dependente(s). Excepciona-se essa regra, porém, na hipótese de o falecido ter preenchido,
ainda em vida, os requisitos necessários à concessão de uma das espécies de
aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social - RGPS. In casu, não detendo a de
cujus, quando do evento morte, a condição de segurada, nem tendo preenchido em vida os
requisitos necessários à sua aposentação, incabível o deferimento do benefício de pensão por
morte aos seus dependentes" (STJ, REsp 1.110.565/SE, Rel. Ministro FELIX FISCHER, TERCEIRA
SEÇÃO, DJe de 03/08/2009, feito submetido ao procedimento previsto no art. 543-C do CPC). II.
No caso, tendo o de cujus falecido em 29/06/2003, sem recolher contribuições desde 1998, e sem
ter preenchido, em vida, os requisitos necessários à aposentação, impossível deferir pensão por
morte aos seus dependentes. III. Agravo Regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp
1474558/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2015,
DJe 26/10/2015) Ainda, as seguintes decisões monocráticas da Primeira Turma: REsp 1503289,
Ministro SÉRGIO KUKINA e REsp 1370563, Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. Ante o
exposto, com base no art. 253, II, b, do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NEGAR PROVIMENTO
ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. Brasília (DF), 17 de fevereiro de 2017. MINISTRO
GURGEL DE FARIA Relator. AREsp 745715, 24/02/2017.

Do que se viu, correta a questão!

Ponto do edital do V Concurso: 2.3.8 Pensão por morte.

Questão 34

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Princípios Institucionais da Defensoria Pública

Acerca da evolução histórica da prestação da assistência jurídica, e levando em


consideração a assistência judiciária, assistência jurídica e a Defensoria Pública nas
Constituições Brasileiras (panorama da Defensoria Pública no Brasil), julgue o item
seguinte:
A CF de 1937, outorgada por Getúlio Vargas, previu o benefício da assistência
judiciária.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O tema “a evolução histórica da prestação da Assistência Jurídica”, “a Assistência Judiciária,
Assistência Jurídica e Defensoria Pública nas Constituições Brasileiras” e “Panorama da Defensoria
Pública no Brasil” é comumente exigido nos concursos públicos.

O surgimento da assistência judiciária, na histórica constitucional brasileira, ocorreu com o advento


da CF de 1934, em seu art. 113. Tal dispositivo:

(a) impunha a obrigação de criar o serviço de assistência judiciária apenas à União e aos
Estados;

(b) apontava a necessidade de criação de órgãos especiais para prestação de tal serviço
público;

(c) impunha isenção de emolumentos, custas, taxas e selos.

A CF de 1937, outorgada por Getúlio Vargas, omitiu-se em estatuir o benefício da assistência


judiciária. Tal “omissão”, muito provavelmente, deu-se em razão do momento histórico de
atuação do Executivo, que operava com mão de ferro. Entretanto, não proibiu que a União e os
Estados editassem leis e criassem órgãos expressamente com o objetivo de prestá-la.

O CPC de 1939 disciplinou o benefício da “justiça gratuita” nos artigos 68 a 79.

A CF de 1946, seguindo os passos da CF de 1934, tratou da assistência judiciária aos


necessitados, em seu art. 141, § 35. A redação foi bem mais concisa, remetendo ao legislador
infraconstitucional todo o trabalho de desenvolvê-la. Ao contrário da CF de 1934, não havia a
previsão de criação de órgãos especiais.

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A lei n.º 1060/1950 foi quem efetivamente implantou o sistema de assistência judicial (assistência
judiciária e justiça gratuita). Tal lei ainda hoje se consubstancia no mais importante diploma
garantidor do acesso à justiça.

A CF de 1969 seguiu uma linha parecida com a CF de 1946.

Finalmente, a CF de 1988 trouxe profundas mudanças no cenário da assistência judiciária,


começando pela extensão do benefício, descrito no art. 5º, LXXIV: “O Estado prestará assistência
jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”

Perceba que mudou-se a nomenclatura de assistência judiciária para assistência jurídica.


Com isso, a assistência passou a ser endoprocessual (judiciária) e exoprocessual, ou fora
do processo (jurídica). Assim, o âmbito de atuação passou a desbordar para além do processo
judicial; passou a atuar extrajudicialmente (lides administrativas; aspectos consultivos, etc). Com
essa nova modalidade, a assistência passou a ser integral.

Outra inovação da CF de 1988 foi a criação da Defensoria Pública, erguida como função
essencial à Justiça (art. 134). Até 1988, as Constituições faziam alusão à atividade
(assistência judiciária), mas não ao órgão incumbido de prestá-la. A CF atribuiu tal mister à
Defensoria Pública, dotando-lhe de independência, autonomia e estrutura própria.

Terminando essa breve evolução história, no CPC de 2015, há uma parte especialmente
dedicada à Gratuidade de Justiça e à Defensoria Pública.

Seção IV

Da Gratuidade da Justiça

Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para
pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da
justiça, na forma da lei.

§ 1o A gratuidade da justiça compreende:

I - as taxas ou as custas judiciais;

II - os selos postais;

III - as despesas com publicação na imprensa oficial, dispensando-se a publicação em outros


meios;

IV - a indenização devida à testemunha que, quando empregada, receberá do empregador salário


integral, como se em serviço estivesse;

V - as despesas com a realização de exame de código genético - DNA e de outros exames


considerados essenciais;

VI - os honorários do advogado e do perito e a remuneração do intérprete ou do tradutor nomeado


para apresentação de versão em português de documento redigido em língua estrangeira;

VII - o custo com a elaboração de memória de cálculo, quando exigida para instauração da
execução;

VIII - os depósitos previstos em lei para interposição de recurso, para propositura de ação e para a
prática de outros atos processuais inerentes ao exercício da ampla defesa e do contraditório;

IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores em decorrência da prática de registro,


averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à efetivação de decisão judicial ou à
continuidade de processo judicial no qual o benefício tenha sido concedido.

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§ 2o A concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas


processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência.

§ 3o Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição


suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos
subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou
de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade,
extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.

§ 4o A concessão de gratuidade não afasta o dever de o beneficiário pagar, ao final, as multas


processuais que lhe sejam impostas.

§ 5o A gratuidade poderá ser concedida em relação a algum ou a todos os atos processuais, ou


consistir na redução percentual de despesas processuais que o beneficiário tiver de adiantar no
curso do procedimento.

§ 6o Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de despesas processuais


que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento.

§ 7o Aplica-se o disposto no art. 95, §§ 3o a 5o, ao custeio dos emolumentos previstos no § 1o,
inciso IX, do presente artigo, observada a tabela e as condições da lei estadual ou distrital
respectiva.

§ 8o Na hipótese do § 1o, inciso IX, havendo dúvida fundada quanto ao preenchimento atual dos
pressupostos para a concessão de gratuidade, o notário ou registrador, após praticar o ato, pode
requerer, ao juízo competente para decidir questões notariais ou registrais, a revogação total ou
parcial do benefício ou a sua substituição pelo parcelamento de que trata o § 6o deste artigo, caso
em que o beneficiário será citado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se sobre esse
requerimento.

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação,
na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.

§ 1o Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser


formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso.

§ 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a
falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o
pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.

§ 3o Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa


natural.

§ 4o A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade


da justiça.

§ 5o Na hipótese do § 4o, o recurso que verse exclusivamente sobre valor de honorários de


sucumbência fixados em favor do advogado de beneficiário estará sujeito a preparo, salvo se o
próprio advogado demonstrar que tem direito à gratuidade.

§ 6o O direito à gratuidade da justiça é pessoal, não se estendendo a litisconsorte ou a sucessor


do beneficiário, salvo requerimento e deferimento expressos.

§ 7o Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente estará dispensado


de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao relator, neste caso, apreciar o
requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para realização do recolhimento.

Art. 100. Deferido o pedido, a parte contrária poderá oferecer impugnação na contestação, na
réplica, nas contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por

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terceiro, por meio de petição simples, a ser apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, nos autos
do próprio processo, sem suspensão de seu curso.

Parágrafo único. Revogado o benefício, a parte arcará com as despesas processuais que tiver
deixado de adiantar e pagará, em caso de má-fé, até o décuplo de seu valor a título de multa, que
será revertida em benefício da Fazenda Pública estadual ou federal e poderá ser inscrita em dívida
ativa.

Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua revogação
caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na sentença, contra a qual
caberá apelação.

§ 1o O recorrente estará dispensado do recolhimento de custas até decisão do relator sobre a


questão, preliminarmente ao julgamento do recurso.

§ 2o Confirmada a denegação ou a revogação da gratuidade, o relator ou o órgão colegiado


determinará ao recorrente o recolhimento das custas processuais, no prazo de 5 (cinco) dias, sob
pena de não conhecimento do recurso.

Art. 102. Sobrevindo o trânsito em julgado de decisão que revoga a gratuidade, a parte deverá
efetuar o recolhimento de todas as despesas de cujo adiantamento foi dispensada, inclusive as
relativas ao recurso interposto, se houver, no prazo fixado pelo juiz, sem prejuízo de aplicação das
sanções previstas em lei.

Parágrafo único. Não efetuado o recolhimento, o processo será extinto sem resolução de mérito,
tratando-se do autor, e, nos demais casos, não poderá ser deferida a realização de nenhum ato ou
diligência requerida pela parte enquanto não efetuado o depósito.

Por fim, vale frisar que no CPC de 2015 há um título dedicado à Defensoria Pública:

TÍTULO VII

DA DEFENSORIA PÚBLICA

Art. 185. A Defensoria Pública exercerá a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a
defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, em todos os graus, de forma integral e
gratuita.

Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações
processuais.

§ 1o O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor público, nos termos do art. 183, § 1o.

§ 2o A requerimento da Defensoria Pública, o juiz determinará a intimação pessoal da parte


patrocinada quando o ato processual depender de providência ou informação que somente por ela
possa ser realizada ou prestada.

§ 3o O disposto no caput aplica-se aos escritórios de prática jurídica das faculdades de Direito
reconhecidas na forma da lei e às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em razão de
convênios firmados com a Defensoria Pública.

§ 4o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma


expressa, prazo próprio para a Defensoria Pública.

Art. 187. O membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável quando agir
com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

O novo CPC de 2015 também se preocupou com o tema assistência judiciária no âmbito da
Cooperação Internacional:

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Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz parte e
observará:

II- a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no Brasil, em


relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, assegurando-se assistência judiciária
aos necessitados;

Voltando à questão, a CF de 1937, outorgada por Getúlio Vargas, omitiu-se em estatuir o benefício
da assistência judiciária. Tal “omissão”, muito provavelmente, deu-se em razão do momento
histórico de atuação do Executivo, que operava com mão de ferro. Entretanto, não proibiu que a
União e os Estados editassem leis e criassem órgãos expressamente com o objetivo de prestá-la.
Do que se viu, errada a questão.

Fonte:

LIMA, Frederico Rodrigues Viana de. Defensoria Pública. 4ª Edição. Editora Juspodivm,
2015.
Roger, Franklin. Princípios institucionais da defensoria pública : De acordo com a EC
74/2013 (Defensoria Pública da União) / Franklin Roger, Diogo Esteves. – Rio de Janeiro :
Forense, 2014.

Ponto do edital do V Concurso: 1.1.1 A evolução da prestação a assistência jurídica no Brasil

Questão 35
Princípios Institucionais da Defensoria Pública

Justiça gratuita é o direito à dispensa provisória das despesas exercíveis em relação


jurídica processual, perante o juiz que promove a prestação jurisdicional. Em outras
palavras, a gratuidade de justiça, como atualmente se chama, é a gratuidade de todas
as custas e despesas, judiciais ou não, relativas a atos necessários ao
desenvolvimento do processo e à defesa dos direitos do beneficiário em juízo. Tal
instituto será deferido pelo Defensor Público ao analisar a situação econômico do
solicitante.

Correta

Errada

Sem Resposta

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GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Tema importantíssimo para sua prova da Defensoria Pública é saber o conceito e distinção
entre gratuidade judiciária, assistência judiciária e assistência jurídica gratuita.

Muitos editais (ou todos!) querem que você saiba sobre a Defensoria Pública e a justiça gratuita
(distinções), bem como os pressupostos para obtenção da justiça gratuita e a presunção de
hipossuficiência.

É possível encontrar, de maneira farta, uma ampla e generalizada confusão entre os termos
assistência judiciária gratuita e justiça gratuita. A própria lei n.º 1060/1950 confunde os termos (art.
3º, 6º, 7º e 9º usa o termo assistência judiciária gratuita no sentido de justiça gratuita). A
jurisprudência do STJ e STF também!

A CF de 1988 positivou a Defensoria Pública na ordem constitucional. Distinguiu-se o serviço –


assistência jurídica – de quem seria o responsável por prestá-lo – Defensoria Pública.

Justiça gratuita é o direito à dispensa provisória das despesas exercíveis em relação jurídica
processual, perante o juiz que promove a prestação jurisdicional. Em outras palavras, a gratuidade
de justiça, como atualmente se chama, é a gratuidade de todas as custas e despesas, judiciais ou
não, relativas a atos necessários ao desenvolvimento do processo e à defesa dos direitos do
beneficiário em juízo.

Para Frederico Rodrigues Viana de Lima, o benefício da justiça gratuita (ou gratuidade judiciária)
constitui, puramente, a dispensa do pagamento adiantado das despesas processuais, em favor de
quem não dispõe de recursos para custeá-las sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.

Resume-se ao fato de a parte (autor ou réu) não adimplir antecipadamente os custos decorrentes
do processo judicial. Quem desfruta da gratuidade judiciária não precisa pagar previamente custas,
honorários sucumbenciais, despesas com diligências, gastos com perícias, etc. É uma hipótese de
condição suspensiva de exigibilidade (ver novo CPC de 2015, art. 98, § 3º)!

Para o CPC de 2015, a gratuidade de justiça ocorre quando a pessoa natural ou jurídica, brasileira
ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os
honorários advocatícios, tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei. Tal deferimento ocorre
em qualquer situação e em qualquer ramo do Poder Judiciário.

Em suma, é instituto eminentemente processual; aplica-se apenas no âmbito das relações jurídico-
processuais. O Poder Judiciário é quem deferirá ou não a gratuidade de justiça.

Assistência judiciária é o serviço público organizado, consistente na defesa em juízo do


assistido, que deve ser oferecido pelo Estado, mas que pode ser desempenhado por entidades
não estatais, conveniadas com o Poder Público ou não. Em consonância com a CF de 1988, onde
houver escrito “serviço de assistência judiciária” leia-se “Defensoria Pública”.

OBSERVAÇÃO: Diante da confusão feita pela doutrina, legislação e jurisprudência, cabe frisar que
a expressão acima possui três sentidos distintos: (a) assistência judiciária como órgão estatal, em
vez de Defensoria Pública; (b) assistência judiciária como espécie de serviço público (sentido
correto!); (c) assistência judiciária como benefício de isenção de despesas processuais, em vez de
justiça gratuita. Na sua prova pode vir com sentido errado sem que isso configure “pegadinha” de
concurso; então, leia com cautela o enunciado.

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Assistência judiciária é o ato de assistir alguém judicialmente. Consiste no auxílio jurídico


prestado a determinada pessoa na esfera judicial. Toda ação que exprima a atividade de amparar
alguém em uma relação jurídico-processual expressa uma ação de assistência judiciária.

A assistência judiciária pode redundar de um contrato (advogado privado), de uma relação jurídico-
administrativa (Defensoria Pública), ou de nomeação pelo Poder Judiciário (advogado dativo ou ad
hoc).

A expressão assistência judiciária deve ser entendida como o amparo judicial prestado por alguém
(advogado, Defensoria Pública) a uma das partes do processo. Pode ser gratuita ou remunerada,
pública ou privada. A assistência judiciária privada pode ser remunerada ou gratuita (pro bono) e a
assistência judiciária pública será sempre gratuita.

A locução assistência judiciária gratuita deve ser utilizada para designar o serviço público prestado
pelo Estado.

Em suma, a assistência judiciária gratuita exprime a noção de atividade desempenhada por


profissional do direito e circunscrita ao campo processual, em que não há contraprestação
financeira pela parte beneficiária. E espécie de assistência jurídica.

Assistência jurídica integral compreende a consulta e a orientação extrajudicial, representação


em juízo e a gratuidade do respectivo processo. Assistência jurídica é o todo, pois diz respeito às
esferas judicial e extrajudicial; assistência judiciária é uma parte, porque se refere ao campo
judicial.

De tudo o que se leu, errada a questão, pois é o Poder Judiciário quem deferirá ou não a
gratuidade de justiça.

Ponto do edital do V Concurso: 4 Assistência jurídica gratuita e gratuidade de justiça. Distinções.

Questão 36
Princípios Institucionais da Defensoria Pública

O Salaried Staff Model é o modelo adotado no Brasil quanto à assistência


judiciária/jurídica gratuita. Consiste na remuneração de agentes públicos pelo Estado
para realizarem assistência judiciária/jurídica gratuita. O art. 4º, § 5º, da LC n.º
80/1994, deixa isso bem claro, ao dizer que a assistência jurídica integral e gratuita
custeada ou fornecida pelo Estado será prestada pela Defensoria Pública.

Correta

Errada

Sem Resposta

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GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Os modelos de assistência judiciária gratuita podem ser assim sintetizados:

( a ) Pro bono: implica na prestação de assistência judiciária gratuita por profissionais liberais
(advogados), sem nenhuma espécie de contraprestação por parte do Estado. A atividade é
desenvolvida de modo caritativo, imbuída do aspecto humanitário.

A principal ferramenta para o exercício da advocacia pro bono é o instituto da gratuidade de


justiça, uma vez que permite que a parte mesmo sendo patrocinada por um profissional liberal, não
arque com as despesas processuais. Nesse modelo, a atividade de assistência judiciária gratuita
não é considerada um direito do economicamente incapaz, que contam com a boa vontade dos
advogados para obter a tutela judicial.

(b) Judicare: o modelo judicare se caracteriza por ser custeado pelos cofres públicos. Trata-se de
um sistema através do qual a assistência judiciária é estabelecida como um direito para todas as
pessoas que se enquadrem nos termos da lei. Os advogados particulares, então, são pagos pelo
Estado. A finalidade do sistema judicare é proporcionar aos litigantes de baixa renda a mesma
representação que teriam se pudessem pagar um advogado. O sistema judicare contempla a
assistência judiciária gratuita como um direito do carente, bastando que se enquadre nos termos
legais. Assemelha-se ao sistema pro bono por também ser a assistência judiciária prestada por
advogado particular; diferencia-se, entretanto, por ser um direito do hipossuficiente e, ainda, pelo
fato de o advogado constituído receber uma remuneração do Estado pelo serviço jurídico que foi
realizado. Tal modelo é encontrado no sistema judiciário brasileiro, nas situações em que a
Defensoria Pública ainda não se encontra habilitada materialmente para se desincumbir do
seu mister; nesses casos, nomeia-se advogados particulares para exercerem o múnus da
assistência judiciária em favor dos necessitados, com o custeio subsequente das verbas
honorárias pelo Estado. Mais frequentemente é encontrado na defesa de réus no processo
criminal.

(c) Salaried Staff Model: É o modelo adotado no Brasil. Consiste na remuneração de agentes
públicos pelo Estado para realizarem assistência judiciária gratuita. Tal sistema se desdobra em
duas vertentes: (i) o próprio poder público opta pela criação de organismos estatais destinados à
prestação direta dos serviços de assistência judiciária, contratando para tantos agentes públicos,
que manterão vínculo funcional com o próprio ente público (é a Defensoria Pública que
conhecemos); (ii) no outro modelo, o serviço pode ser prestado por entidades não estatais, via de
regra sem fins lucrativos, que recebem subsídios dos cofres públicos para custeio de suas
despesas, inclusive o pagamento dos advogados contratados cujo vínculo empregatício será
estabelecido com essas respectivas entidades e não com o Estado. Cabe frisar que no art. 4º, § 5º,
da LC n.º 80/1994 diz que a assistência jurídica integral e gratuita custeada ou fornecida pelo
Estado será prestada pela Defensoria Pública. Destaque-se ainda que apesar de ser o modelo
vigente no Brasil, ainda temos resquícios do sistema judicare, até a completa estruturação da
Defensoria Pública no Brasil.

( d ) Misto ou híbrido: Combina fórmulas hauridas do sistema judicare e salaried staff model.
Nesse caso, o beneficiário tem a opção sobre método de assistência judiciária recairá a sua
escolha.

Do que se expôs, correta a questão.

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Ponto do edital do V Concurso: 1.1 Direito à assistência jurídica gratuita.

Questão 37
Direito Constitucional

É inconstitucional normas previstas no Estatuto da Pessoa com Deficiência que


acarretem obrigações às instituições particulares de ensino regular no atendimento de
todo e qualquer portador de necessidade especial, tendo em vista que é dever do
Estado oferecer atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência
(art. 208, III, da Constituição) e considerando-se, ainda, o princípio da razoabilidade.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O STF julgou recentemente ação direta de inconstitucionalidade que visava afastar obrigações das
instituições particulares de ensino no atendimento de todo e qualquer portador de necessidade
especial. Devido à importância do tema que tangencia o direito constitucional, o direito
internacional e os direitos humanos, recomendamos o estudo da matéria para o concurso da
Defensoria Pública da União.

A Constituição de 1988 trouxe ampla gama protetiva às pessoas com deficiência. Há previsões
expressas nos seguintes pontos do texto: art. 7º, XXXI; art. 23, II, art. 24, XIV; art. 37, VIII; art. 203,
IV e V; art. 208, III; art. 227, §§ 1º, II, e 2º; art. 244.

Em âmbito internacional, a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com


Deficiência e seu Protocolo Facultativo foram assinados em Nova York, em 30 de março de
2007. No Brasil, a Convenção foi aprovada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto
Legislativo n. 186, de 9 de julho de 2008, conforme o procedimento do § 3º do art. 5º da
Constituição. Portanto, foi incorporada ao direito brasileiro com estatuto normativo equivalente ao
de emenda constitucional.

Por meio da ratificação da Convenção, cabe ao Brasil adotar todas as medidas legislativas,
administrativas e de qualquer outra natureza, necessárias para a realização dos direitos
reconhecidos, bem como eliminar os dispositivos e práticas, que constituírem discriminação contra

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pessoas com deficiência.

O art. 5º da Convenção estabelece que todas as pessoas são iguais perante e sob a lei e que
fazem jus, sem qualquer discriminação, a igual proteção e igual benefício da lei. Além disso,
os Estados devem proibir qualquer discriminação baseada na deficiência e garantirão às pessoas
com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a discriminação por qualquer motivo.

No âmbito interno, foi editada a Lei 13.146 de 2015 que foi objeto de ADI. Ao analisar a questão o
STF entendeu que a igualdade não se esgota com a previsão normativa de acesso
igualitário a bens jurídicos, mas engloba também a previsão normativa de medidas que
possibilitem, de fato, esse acesso e sua efetivação concreta (igualdade material).

A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reconhece o direito à
educação como isento de discriminação e determina que os Estados partes da Convenção
assegurem sistema educacional inclusivo em todos os níveis, de maneira que as pessoas com
deficiência não poderão ser excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência.
Ademais, inexiste qualquer limitação da educação das pessoas com deficiência somente a
estabelecimentos públicos ou privados que prestem o serviço público educacional.

Desta forma, a Lei 13.146/2015 estabelece a obrigatoriedade de as escolas privadas promoverem


a inserção das pessoas com deficiência no ensino regular e prover as medidas de adaptação
necessárias sem que o ônus financeiro seja repassado às mensalidades, anuidades e
matrículas.

O STF entendeu, ainda, que o serviço privado de educação não pode ser prestado de forma
ilimitada e sem responsabilidade, não podendo eximir-se dos deveres de estatura
constitucional impostos ao sistema educacional do País.

Vejamos a ementa do julgado:

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. LEI 13.146/2015.


ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. ENSINO INCLUSIVO. CONVENÇÃO
INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. INDEFERIMENTO DA
MEDIDA CAUTELAR. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 13.146/2015 (arts. 28, § 1º e 30, caput, da
Lei nº 13.146/2015). 1. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência
concretiza o princípio da igualdade como fundamento de uma sociedade democrática que respeita
a dignidade humana. 2. À luz da Convenção e, por consequência, da própria Constituição da
República, o ensino inclusivo em todos os níveis de educação não é realidade estranha ao
ordenamento jurídico pátrio, mas sim imperativo que se põe mediante regra explícita. 3.
Nessa toada, a Constituição da República prevê em diversos dispositivos a proteção da pessoa
com deficiência, conforme se verifica nos artigos 7º, XXXI, 23, II, 24, XIV, 37, VIII, 40, § 4º, I, 201, §
1º, 203, IV e V, 208, III, 227, § 1º, II, e § 2º, e 244. 4. Pluralidade e igualdade são duas faces da
mesma moeda. O respeito à pluralidade não prescinde do respeito ao princípio da igualdade. E na
atual quadra histórica, uma leitura focada tão somente em seu aspecto formal não satisfaz a
completude que exige o princípio. Assim, a igualdade não se esgota com a previsão normativa de
acesso igualitário a bens jurídicos, mas engloba também a previsão normativa de medidas que
efetivamente possibilitem tal acesso e sua efetivação concreta. 5. O enclausuramento em face do
diferente furta o colorido da vivência cotidiana, privando-nos da estupefação diante do que se
coloca como novo, como diferente. 6. É somente com o convívio com a diferença e com o seu
necessário acolhimento que pode haver a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, em
que o bem de todos seja promovido sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação (Art. 3º, I e IV, CRFB). 7. A Lei nº 13.146/2015 indica
assumir o compromisso ético de acolhimento e pluralidade democrática adotados pela Constituição
ao exigir que não apenas as escolas públicas, mas também as particulares deverão pautar sua
atuação educacional a partir de todas as facetas e potencialidades que o direito fundamental à

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educação possui e que são densificadas em seu Capítulo IV. 8. Medida cautelar indeferida. 9.
Conversão do julgamento do referendo do indeferimento da cautelar, por unanimidade, em
julgamento definitivo de mérito, julgando, por maioria e nos termos do Voto do Min. Relator Edson
Fachin, improcedente a presente ação direta de inconstitucionalidade. (ADI 5357 MC-Ref,
Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 09/06/2016, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-240 DIVULG 10-11-2016 PUBLIC 11-11-2016)

Fonte: informativos do STF e André de Carvalho Ramos, Curso de Direitos Humanos.

Questão 38
Direito Constitucional

O princípio da supremacia da constituição é importante mecanismo que funciona


como limitador da atuação dos poderes constituídos conduzindo à defesa do cidadão
perante o legislativo e governantes com apoio na rigidez constitucional.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
De fato, o princípio da supremacia da constituição é um valor jurídico único na Constituição que
atua como instrumento de submissão dos poderes a limites e impõe a supremacia da Constituição
sobre as leis. Trata-se de princípio fundamental do constitucionalismo moderno a que se ligam os
princípios da separação de poderes, a independência do judiciário e a responsabilidade política
dos governantes.

Como se sabe, o conflito de leis com a Constituição encontrará solução na prevalência desta,
justamente por ser a Carta Magna produto do poder constituinte originário, ela própria elevando-se
à condição de obra suprema, que inicia o ordenamento jurídico, impondo- se, por isso, ao diploma
inferior com ela inconciliável. De acordo com a doutrina clássica, por isso mesmo, o ato contrário à
Constituição sofre de nulidade absoluta.

Essa concepção da Constituição como norma jurídica suprema criou as condições necessárias
para que se admitisse aos juízes a função de controlar a legitimidade constitucional das leis e atos

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governamentais. Somente há supremacia da Constituição quando se extraem consequências


concretas para as normas com pretensão de validez opostas à Carta - isto é, quando se pode
expulsar do ordenamento jurídico a norma editada em contradição com a Lei Maior. O controle
jurisdicional de constitucionalidade foi o instrumento adotado para sancionar uma plena e efetiva
supremacia da Constituição.

Nessa linha, a rigidez é atributo que se liga muito proximamente ao princípio da supremacia da
Constituição. A supremacia fixa o status hierárquico máximo da Constituição no conjunto das
normas do ordenamento jurídico. Essa superioridade se expressa na impossibilidade de o
legislador ordinário modificar a Constituição, dispondo em sentido divergente do que o constituinte
estatuiu. Se a Constituição pudesse sofrer transformações pela mesma maneira como se elaboram
as demais leis, não se asseguraria a supremacia da Carta sobre o legislador ordinário. Como se
sabe, a rigidez distingue o poder constituinte dos poderes constituídos e positiva uma hierarquia
entre as normas jurídicas, em que a Constituição aparece como o conjunto de normas matrizes do
ordenamento jurídico, em posição de prevalência sobre todos os atos normativos que nela
encontram fundamento último. A rigidez, expressando a supremacia da Constituição, demanda,
também, a instituição de um sistema de controle de validade dos atos praticados pelos poderes
constituídos, em face das normas do Texto constitucional. A rigidez, para ser efetiva, requer um
sistema de controle de constitucionalidade das leis e atos normativos, como garantia eficaz da
supralegalidade das normas constitucionais.

Assim, as constituições rígidas, como a CF de 88, marcam a distinção entre o poder constituinte
originário e os constituídos, inclusive o de reforma; reforçam a supremacia da Constituição, na
medida em que repelem que o legislador ordinário disponha em sentido contrário do texto
constitucional; e levam, afinal, à instituição de mecanismo de controle de constitucionalidade de
leis, como garantia real da superlegalidade das normas constitucionais.

O reconhecimento da supremacia da Constituição e de sua força vinculante em relação aos


Poderes Públicos leva à concepção de formas e modos de defesa da Constituição e controle de
constitucionalidade dos atos do Poder Público.

Fonte: Curso de Direito Constitucional/ Gilmar Ferreira Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco.

Questão 39
Direito Constitucional

A liberdade de expressão é direito constitucional absoluto, não cabendo ao legislador


restringi-lo por meio de norma infraconstitucional. Entretanto, eventual abuso é
passível de reparação.

Correta

Errada

Sem Resposta

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GABARITO: ERRADA

Justificativa:
Quando temos restrições a determinados direitos, deve-se indagar não apenas sobre a
admissibilidade constitucional da restrição eventualmente fixada, mas também sobre a
compatibilidade das restrições estabelecidas com o princípio da proporcionalidade.

Ao julgar a Lei Geral da Copa o STF entendeu que é possível a limitação da liberdade de
expressão em casos de colidência de direitos e interesses, utilizando-se como critério de
julgamento o princípio da proporcionalidade. Vejamos a ementa do julgado:

Ação direta de inconstitucionalidade. §1º do art. 28 da Lei n. 12.663/2012 (“Lei Geral da Copa”).
Violação da liberdade de expressão. Inexistência. Aplicação do princípio da proporcionalidade.
Juízo de ponderação do legislador para limitar manifestações que tenderiam a gerar maiores
conflitos e atentar contra a segurança dos participantes de evento de grande porte. Medida
cautelar indeferida. Ação julgada improcedente. (ADI 5136 MC, Relator(a): Min. GILMAR
MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 01/07/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-213 DIVULG
29-10-2014 PUBLIC 30-10-2014)

O julgado acima é exemplo de aplicação do princípio da proporcionalidade como método de


solução de eventuais conflitos de estatura constitucional.

O princípio em questão decorre das ideias de justiça, equidade, bom senso, prudência,
moderação, direito justo e valores afins, de forma que é regra de interpretação para todo o
ordenamento jurídico. Assim, será proporcional a solução que melhor atender a tarefa de
otimização das normas em conflito, considerando-se que cada qual apresenta pesos variáveis de
importância, conforme o caso concreto que esteja em exame.

O princípio da proporcionalidade possui três subprincípios: necessidade, adequação e


proporcionalidade em sentido estrito. Assim, exige-se que o meio escolhido atinja o objetivo
almejado (adequação); que não haja outro meio menos danoso para atingir o resultado desejado
(necessidade) e que seja proporcional em sentido estrito, isto é, que o ônus imposto ao
sacrificado não sobreleve o benefício que se pretende obter com a solução (proporcionalidade
em sentido estrito).

Ademais, devem-se comprimir no menor grau possível os direitos em causa, preservando-se a sua
essência, o seu núcleo essencial.

O princípio da proporcionalidade é invocado, igualmente, quando Poderes, órgãos, instituições ou


qualquer outro partícipe da vida constitucional ou dos processos constitucionais colocam-se em
situações de conflito.

Daí a aplicação do referido princípio nas situações de conflito de competência entre União e
Estado ou entre maioria e minoria parlamentar ou, ainda, entre o parlamento e um dado
parlamentar.

Logo, conclui-se que a liberdade de expressão NÃO É um direito absoluto (pode sofrer
restrições pelo Judiciário e Legislativo). E, diante do conflito entre valores constitucionais é possível
a limitação do direito levando em conta a adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido
estrito.

Fonte: informativos do STF e Curso de Direito Constitucional/ Gilmar Ferreira Mendes e Paulo
Gustavo Gonet Branco.

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Questão 40
Direito Constitucional

O princípio da presunção de constitucionalidade, derivado da supremacia da


constituição, justifica a existência da cláusula de reserva de plenário, que é condição
de eficácia da decisão declaratória da inconstitucionalidade da lei ou ato normativo do
poder público, sejam estes de efeitos gerais ou atos de efeitos concretos.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O art. 97 da Constituição prevê a chamada cláusula de reserva do plenário, segundo a qual
somente o plenário do tribunal ou o seu respectivo órgão especial, onde houver, poderá
declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público.

Assim, órgão fracionário do tribunal (câmara ou turma ou seção) não pode declarar
inconstitucionalidades, salvo nos casos em que já houver pronunciamento do plenário ou órgão
especial ou, ainda, do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.

A regra do art. 97 consiste em exigir, para as decisões de inconstitucionalidade proferidas pelos


tribunais: (a) o quórum de maioria absoluta de seus membros, e (b) a reserva de plenário ou, no
tribunal onde houver, do órgão especial.

Trata-se de condição de eficácia da decisão declaratória da inconstitucionalidade da lei ou ato


normativo do poder público baseada no princípio da presunção de constitucionalidade das leis e
atos estatais. Assim, como condição de eficácia da decisão, exige a Constituição que a
declaração de inconstitucionalidade proclamada pelo tribunal seja pronunciada pela
maioria absoluta de seus membros ou daqueles que compõem o órgão especial.

A cláusula também se aplica às decisões colegiadas proferidas em sede de medida cautelar.

A reserva de plenário deve ser observada mesmo quando o tribunal não declare expressamente a
inconstitucionalidade da lei ou aro normativo, limitando-se a afastar a sua incidência, total ou
parcial, conforme disposto na súmula vinculante n. 10 do STF.

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Traçado o panorama geral da cláusula de reserva de plenário, é importante trazer recente julgado
divulgado no Informativo 844 do STF que tratou da DESNECESSIDADE de cláusula de reserva
de plenário para ATOS DE EFEITOS CONCRETOS:

Ato de efeitos concretos e Enunciado 10 da Súmula Vinculante

A Segunda Turma, em conclusão e por maioria, negou provimento a agravo regimental interposto
contra decisão que havia desprovido reclamação em que se discutia se órgão fracionário de
tribunal regional federal, ao afastar a aplicação do Decreto Legislativo 006/2010, editado pela
Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, teria violado o Enunciado 10 da Súmula Vinculante
[“Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal
que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”]. O referido decreto havia sustado o
andamento de ação penal movida contra deputado estadual, com fundamento no art. 53, § 3º, da
Constituição Federal e no art. 34, §§ 4º e 5º, da Constituição do Estado de Roraima — v.
Informativo 788.

O agravante sustentava que o ato normativo possuiria grau de abstração, generalidade e


impessoalidade suficientes a exigir a observância do art. 97 da CF e do Enunciado 10 da Súmula
Vinculante.

O Colegiado considerou que, em razão de o mencionado decreto legislativo não constituir lei
em sentido formal ou material, nem possuir caráter de ato normativo, não se aplica ao caso
a regra do art. 97 da CF, inexistindo, dessa forma, ofensa ao Enunciado 10 da Súmula
Vinculante. Ademais, por ter um destinatário específico e referir-se a uma dada situação individual
e concreta, exaurindo-se no momento de sua promulgação, o decreto não atende às exigências de
abstração, generalidade e impessoalidade, o que caracteriza típico ato estatal de efeitos concretos.
Vencidos os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que proviam o agravo. Rcl 18165 AgR/RR, rel.
Min. Teori Zavascki, 18.10.2016. (Rcl-18165)

Fonte: Informativos do STF e Fonte: Curso de Direito Constitucional/ Gilmar Ferreira Mendes e
Paulo Gustavo Gonet Branco.

Questão 41
Direito Constitucional

A interpretação conforme a constituição, princípio de envergadura legal, foi técnica


utilizada pelo STF para considerar constitucional norma que utilizou o salário mínimo
como indexador de benefício assistencial.

Correta

Errada

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Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Conforme tratado na rodada passada, o princípio da interpretação conforme a constituição, impõe
que, no caso de normas com polissemia ou em caso de normas plurissignificativas, deve
ser dado preferência às interpretações compatíveis com conteúdo da constituição.

Ademais, conforme art. 7º, inciso IV da Constituição Federal, é vedada a vinculação do salário
mínimo para qualquer fim. Tal norma objetiva que o salário mínimo não seja utilizado como
indexador econômico, evitando-se, com isso que não haja pressões tendentes a evitar o aumento
do valor nominal do salário mínimo.

O Supremo Tribunal Federal ao julgar caso que lei estadual criou benefício social vinculado ao
salário mínimo conferiu interpretação conforme a constituição e afirmou que o dispositivo
previu que o valor do benefício seria igual ao salário mínimo vigente à época em que a lei
foi editada.

Após, mesmo aumentando o salário mínimo, o valor do benefício não pode acompanhar
automaticamente os reajustes realizados sobre o salário mínimo, pois ele não pode servir como
indexador. Assim, a referência ao salário mínimo contida na LE pode ser considerada como
valor certo que vigorava na data da edição da lei, passando a ser corrigido nos anos
seguintes por índice econômico diverso.

Vejamos a ementa do julgado:

INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Toda vez que a norma atacada


viabiliza dupla interpretação, cumpre adotar a teoria que revela o sentido harmônico com a Carta
da República. BENEFÍCIO – SALÁRIO MÍNIMO. A referência ao salário mínimo contida na
norma de regência do benefício há de ser considerada como a fixar, na data da edição da
lei, certo valor, passando a ser corrigido segundo fator diverso do mencionado salário.
EXECUTIVO – CRIAÇÃO DE ÓRGÃO – INICIATIVA. A iniciativa visando criar órgão no Executivo é
deste último, não podendo resultar de emenda parlamentar. (ADI 4726 MC, Relator(a): Min.
MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-041
DIVULG 03-03-2015 PUBLIC 04-03-2015)

Dessa forma, a Interpretação conforme a constituição deve ser vista como forma de preservar a
vontade legislativa quando for possível extrair do dispositivo impugnado interpretação compatível
com a CF, ainda que não seja a mais óbvia. Preservam-se, por meio da técnica, o princípio da
separação de poderes – conducente à valorização da manifestação do legislador democrático – e
a efetividade da Constituição da República.

Fonte: informativos do STF e Curso de Direito Constitucional/ Gilmar Ferreira Mendes e Paulo
Gustavo Gonet Branco.

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Questão 42
Direito Internacional

A cooperação jurídica internacional para execução de decisão estrangeira ocorre por


meio de carta rogatória ou homologação de sentença estrangeira, ações constitutivas
necessárias. Assim, o ordenamento não admite que decisão estrangeira tenha eficácia
no Brasil sem a prévia homologação de sentença estrangeira ou concessão
do exequatur às cartas rogatórias.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
A disciplina da homologação de decisão estrangeira e da concessão do exequatur à carta rogatória
está nos artigos 960 e seguintes do CPC. Tendo em vista que o diploma processual é
relativamente recente é importante que o candidato a cargos jurídicos se atenha ao texto da lei,
pois a tendência, em um primeiro momento, é a abordagem do texto “seco” da norma em alguns
temas. A recente prova do 29º Concurso de ingresso no MPF foi uma prova disso, revelando
a maior parte das questões a partir de uma análise das novas previsões, bem como em
parâmetros comparativos com o CPC de 1973. Vejamos o que diz o art. 40 e 960/961 do novo
CPC:

Art. 40. A cooperação jurídica internacional para execução de decisão estrangeira dar-se-á por
meio de carta rogatória ou de ação de homologação de sentença estrangeira, de acordo com o art.
960.

Art. 960. A homologação de decisão estrangeira será requerida por ação de homologação de
decisão estrangeira, salvo disposição especial em sentido contrário prevista em tratado.

§ 1o A decisão interlocutória estrangeira poderá ser executada no Brasil por meio de carta
rogatória.

§ 2o A homologação obedecerá ao que dispuserem os tratados em vigor no Brasil e o Regimento


Interno do Superior Tribunal de Justiça.

§ 3o A homologação de decisão arbitral estrangeira obedecerá ao disposto em tratado e em lei,


aplicando-se, subsidiariamente, as disposições deste Capítulo.

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Art. 961. A decisão estrangeira somente terá eficácia no Brasil após a homologação de sentença
estrangeira ou a concessão do exequatur às cartas rogatórias, salvo disposição em sentido
contrário de lei ou tratado.

§ 1o É passível de homologação a decisão judicial definitiva, bem como a decisão não judicial que,
pela lei brasileira, teria natureza jurisdicional.

§ 2o A decisão estrangeira poderá ser homologada parcialmente.

§ 3o A autoridade judiciária brasileira poderá deferir pedidos de urgência e realizar atos de


execução provisória no processo de homologação de decisão estrangeira.

§ 4o Haverá homologação de decisão estrangeira para fins de execução fiscal quando prevista em
tratado ou em promessa de reciprocidade apresentada à autoridade brasileira.

§ 5o A sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos no Brasil,


independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça.

§ 6o Na hipótese do § 5o, competirá a qualquer juiz examinar a validade da decisão, em caráter


principal ou incidental, quando essa questão for suscitada em processo de sua competência.

Diante d novo texto parte da doutrina passa a entender que é possível que uma decisão
estrangeira seja plenamente eficaz no Brasil mesmo sem a homologação pelo STF, pois o
art. 960, caput, permite a conclusão de que tal ação poderá ser dispensada por tratado.

Além disso, a própria legislação brasileira poderá dispensá-la. Aliás, o art. 961, § 5º do próprio
CPC traz caso em que a legislação dispensa a homologação ao permitir que a sentença
estrangeira de divórcio consensual gere efeitos no Brasil independentemente de
homologação.

Também a decisão interlocutória é cumprida no Brasil por carta rogatória, independentemente,


portanto, de homologação (art. 960, § 2º, do Novo CPC). Dessa forma, nem sempre a decisão
estrangeira precisa ser homologada para gerar efeitos no Brasil.

Entretanto, a doutrina entende que, via de regra, a homologação de sentença estrangeira é


caso de ação constitutiva necessária, que é a ação que visa à criação de uma nova
situação jurídica que só pode ser obtida por meio de intervenção jurisdicional, ou seja, o
bem da vida pretendido não pode ser obtido por outro meio que não uma decisão judicial.

Assim, a possibilidade de dispensa da homologação por tratado ou lei não afastam a natureza de
ação constitutiva necessária da ação de homologação de sentença estrangeira porque
sempre que a lei exigir a homologação para que tal decisão gere efeitos no Brasil – o que
será a regra – as partes não terão outra opção que não pedir a homologação perante o
Poder Judiciário.

Fonte: Direito Internacional Público e Privado, Paulo Henrique Gonçalves Portela

Questão 43
Direito Internacional

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É vedado ao Superior Tribunal de Justiça conceder homologação de sentença


estrangeira que tenha determinado o perdimento de imóvel situado no Brasil, tendo
em vista o disposto no artigo 23, I do CPC que atribui competência exclusiva à
autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, para conhecer de
ações relativas a imóveis situados no Brasil.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
É possível a homologação de sentença penal estrangeira que determine o perdimento de
imóvel situado no Brasil em razão de o bem ser produto do crime de lavagem de dinheiro.

O processo de homologação de sentença estrangeira visa aferir a possibilidade de decisões


estrangeiras produzirem efeitos dentro da ordem jurídica nacional. A competência para
homologação de sentença estrangeira é do Superior Tribunal de Justiça, nos moldes do art. 105, I,
“i” da Constituição Federal.

De fato, o artigo 23, I do NCPC estabelece que: “Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira,
com exclusão de qualquer outra: I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;”

No entanto, no caso em análise o STJ entendeu que a sentença não tratou especificamente
sobre a situação dos bens imóveis, sobre a sua titularidade, mas sim sobre os efeitos civis
de uma condenação penal, determinando o perdimento de bens que foram objeto de crime
de lavagem de capitais.

Sendo que o confisco dos bens, além de ser previsto na legislação interna, também tem suporte na
Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (Convenção de
Palermo), promulgada pelo Decreto n.º 5.015/2004, de que também é signatária a Finlândia
(país de onde se originou a sentença em análise), e dispõe que os Estados Partes adotarão, na
medida em que o seu ordenamento jurídico interno o permita, as medidas necessárias para
possibilitar o confisco do produto das infrações previstas na Convenção ou de bens cujo valor
corresponda ao desse produto (art. 12, 1, a), sendo o crime de lavagem de dinheiro tipificado na
Convenção (art. 6), bem como na legislação brasileira (art. 1.º da Lei n.º 9.613/98).

A questão em análise versa sobre tema tratado no informativo 586 do STJ. Vejamos a ementa do
julgado:

HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA. CONFISCO DE BENS IMÓVEIS,


PRODUTOS DE ATIVIDADE CRIMINOSA, SITUADOS NO BRASIL. COOPERAÇÃO

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INTERNACIONAL. CONVENÇÃO DE PALERMO. CRIME TIPIFICADO NAS LEGISLAÇÕES


ESTRANGEIRA E NACIONAL. EFEITO DA CONDENAÇÃO PREVISTO TAMBÉM NA LEI
BRASILEIRA. AUSÊNCIA DE OFENSA À SOBERANIA NACIONAL. REQUISITOS PREENCHIDOS.
HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA.

1 . A sentença homologanda determinou a perda de bens imóveis da Requerida, situados


no Brasil, pois foram objeto do crime de lavagem de dinheiro a que ela foi condenada. 2.
Nos termos do art. 9.º, inciso I, do Código Penal, "A sentença estrangeira, quando a aplicação da
lei brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil
para" "obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis". É o que
ocorre no caso, pois também a lei brasileira prevê a possibilidade de perda, em favor da
União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé, do produto do crime,
como um dos efeitos da condenação (art. 91, inciso II, alínea b, do Código Penal). 3. Não há
ofensa à soberania nacional, pois a sentença não tratou especificamente sobre a
situação dos bens imóveis, sobre a sua titularidade, mas sim sobre os efeitos civis de
uma condenação penal, determinando o perdimento de bens que foram objeto de crime de
lavagem de capitais. O confisco dos bens, além de ser previsto na legislação interna, tem
suporte na Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional
(Convenção de Palermo), promulgada pelo Decreto n.º 5.015/2004, de que também é signatária a
Finlândia. 4. Os bens imóveis confiscados não serão transferidos para a titularidade do país
interessado, mas serão levados a hasta pública, nos termos do art. 133 do Código de Processo
Penal. 5. Pedido de homologação deferido. (SEC 10.612/EX, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE
ESPECIAL, julgado em 18/05/2016, DJe 28/06/2016).

Ressalto, por fim, que no caso a DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO ATUOU COMO CURADOR
ESPECIAL, tendo em vista que o réu era revel. Veja o que dispõe o Novo CPC:

Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:

I- incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste colidirem com os daquele,
enquanto durar a incapacidade;

II- réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa, enquanto não
for constituído advogado.

Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos termos da lei.

Fonte: informativos do STJ e Direito Internacional Público e Privado, Paulo Henrique Gonçalves
Portela

Questão 44
Direito Internacional

O caráter laico do Estado Brasileiro, previsto na Constituição Federal, impede a


homologação de sentenças eclesiásticas.

Correta

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Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
De fato, o art. 19 da CF qualifica o Estado brasileiro como Estado laico, uma vez que veda a
qualquer ente federativo estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes
o funcionamento ou manter com eles ou suas representantes relações de dependência ou aliança,
ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

A laicidade do Estado não significa, entretanto, inimizade com a fé. Não impede a colaboração com
confissões religiosas, em benefício do interesse público (CF, art. 19 , I ) . A sistemática
constitucional acolhe, expressamente, medidas de ação conjunta dos Poderes Públicos com
denominações religiosas.

A Santa Sé é a entidade que comanda a Igreja Católica Apostólica Romana, chefiada pelo Papa
(que goza de status e prerrogativas de Chefe de Estado) e composta pela Cúria Romana, conjunto
de órgãos que assessora o Papa. A Santa Sé pode celebrar tratados, participar de
organizações internacionais e exercer o direito de legação (direito de enviar e receber
agentes diplomáticos).

Importante ressaltar que o sujeito de direito internacional é a Santa Sé e as relações e acordos


diplomáticos com outros estados soberanos são com ela estabelecidos e não com o Vaticano, que
é um território sobre o qual a Santa Sé tem soberania.

Neste contexto, as decisões eclesiásticas confirmadas pelo órgão superior de controle da


Santa Sé são consideradas sentenças estrangeiras para efeitos de homologação. Isso
porque o § 1º do art. 12 do Decreto federal n. 7.107/2010 (que homologou o acordo firmado entre
o Brasil e a Santa Sé, relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, aprovado pelo
Decreto Legislativo n. 698/2009) determina que a "homologação das sentenças eclesiásticas em
matéria matrimonial, confirmadas pelo órgão de controle superior da Santa Sé, será efetuada nos
termos da legislação brasileira sobre homologação de sentenças estrangeiras”.

Neste sentindo, o STJ, no informativo 574, assentou que é POSSÍVEL A HOMOLOGAÇÃO PELA
CORTE DA CIDADANIA DE SENTENÇA ECLESIÁSTICA DE ANULAÇÃO DE MATRIMÔNIO,
CONFIRMADA PELO ÓRGÃO DE CONTROLE SUPERIOR DA SANTA SÉ:

DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO E PROCESSUAL CIVIL. HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA


ECLESIÁSTICA DE ANULAÇÃO DE MATRIMÔNIO. É possível a homologação pelo STJ de
sentença eclesiástica de anulação de matrimônio, confirmada pelo órgão de controle
superior da Santa Sé. De início, o § 1º do art. 216-A do RISTJ prevê a possibilidade de serem
homologados "os provimentos não judiciais que, pela lei brasileira, tiverem natureza de sentença".
Nesse contexto, as decisões eclesiásticas confirmadas pelo órgão superior de controle da Santa
Sé são consideradas sentenças estrangeiras para efeitos de homologação. Isso porque o § 1º do
art. 12 do Decreto federal n. 7.107/2010 (que homologou o acordo firmado entre o Brasil e a Santa
Sé, relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, aprovado pelo Decreto Legislativo n.
698/2009) determina que a "homologação das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial,

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confirmadas pelo órgão de controle superior da Santa Sé, será efetuada nos termos da legislação
brasileira sobre homologação de sentenças estrangeiras". Aliás, não há como sustentar a
inconstitucionalidade deste dispositivo legal, tendo em vista que ele apenas institui, em matéria
matrimonial, que a homologação de sentenças eclesiásticas, confirmadas pelo órgão de controle
superior da Santa Sé - que detém personalidade jurídica de direito internacional público -, será
realizada de acordo com a legislação brasileira. Além disso, o caráter laico do Estado brasileiro não
impede a homologação de sentenças eclesiásticas, tanto que o Brasil, nos termos do art. 3º de
referido Decreto federal n. 7.107/2010, reconhece a personalidade jurídica das instituições
eclesiásticas. Além do mais, vale salientar, quanto ao procedimento, que o Código de Direito
Canônico assegura plenamente o direito de defesa e os princípios da igualdade e do contraditório,
sendo que, nas causas que tratem da nulidade ou dissolução do casamento, sempre atuará o
defensor do vínculo, que, por ofício está obrigado a apresentar e expor tudo o que razoavelmente
se puder aduzir contra a nulidade ou dissolução (Cân. 1432) e, mais, a sentença favorável à
nulidade do matrimônio será submetida a reexame necessário pelo tribunal de segundo grau (Cân.
1682). SEC 11.962-EX, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 4/11/2015, DJe 25/11/2015.

Fonte: informativos do STJ e Fonte: Direito Internacional Público e Privado, Paulo Henrique
Gonçalves Portela.

Questão 45
Direito Internacional

O auxílio direito pode visar à obtenção de provimento jurisdicional emanado pelo


judiciário brasileiro, diferenciando-se, assim, da homologação de sentença estrangeira
e carta rogatória.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: CORRETA

Justificativa:
O AUXILIO DIREITO é mecanismo de cooperação judiciária que visa à realização de diligência de
natureza administrativa no Brasil ou busca de prolação de uma decisão judicial brasileira relativa a
litígio que tem lugar em Estado estrangeiro.

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O manual de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça define que o “auxílio


direto consubstancia-se na realização de uma diligência de natureza administrativa no
Brasil ou na busca de prolação de uma decisão judicial brasileira relativa a litígio que tem
lugar em Estado estrangeiro. Nesse último caso, não se trata de reconhecimento e
execução de uma decisão judicial estrangeira no Brasil, mas da obtenção de uma decisão
judicial genuinamente brasileira”.

Assim, no auxílio direto o que se pretende é obter uma decisão judicial/medida administrativa no
Estado requerido para auxiliar um processo que tramita no Estado requerente, diferenciando-se,
portanto, da homologação de sentença estrangeira em que a decisão é prolatada no território
estrangeiro e homologada para produzir efeitos no território nacional.

Através do auxílio direto, órgãos centrais dos Estados em cooperação providenciam o ajuizamento
da medida solicitada ou a realizam diretamente caso haja possibilidade. Exemplos de providencias
decorrentes de auxílio direto: fixação de pensões alimentícias, determinação de medidas
cautelares (como o bloqueio de ativos financeiros), produção de provas, restituição de menores
ilicitamente levados de seus lugares de residência habitual.

No que tange à diferenciação em relação à carta rogatória temos que o auxílio direito visa
obtenção de decisão judicial do estado a quem se pede sob processo que tramita no estado que
pede o auxílio. Logo, no auxílio direito não há uma decisão do estado requerente, mas sim um
pedido para que o estado requisitado profira decisão ou atos materiais administrativos que terão
impacto no estado requerente.

Ademais, na rogatória há um juízo de delibação da autoridade do estado rogado, ao passo


que no auxílio direto não há juízo de delibação e sim uma decisão de mérito do estado
requerido.

Fonte: Direito Internacional Público e Privado, Paulo Henrique Gonçalves Portela

Questão 46
Direitos Humanos

A proteção internacional dos direitos humanos recai em três sub-ramos do direito


internacional que possuem, entre si, relações de especialidade, convergência,
complementariedade e influência reciproca.

Correta

Errada

Sem Resposta

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GABARITO: CORRETA

Justificativa:
Segundo André de Carvalho Ramos, a proteção dos direitos essenciais do ser humano no
plano internacional recai em três sub-ramos específicos do Direito Internacional Público: (i)
o Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH), (ii) o Direito Internacional Humanitário (DIH) e
(iii) o Direito Internacional dos Refugiados (DIR).

Sendo que, ao DIDH incumbe a proteção do ser humano em todos os aspectos (direitos civis,
políticos, sociais, econômicos e culturais); o DIH foca na proteção do ser humano na situação
específica dos conflitos armados (internacionais e internos); o DIR age na proteção do refugiado,
desde a saída do seu local de residência, trânsito de um país a outro, concessão do refúgio no
país de acolhimento e seu eventual término.

O Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional dos Refugiados são lex


specialis em relação ao Direito Internacional dos Direitos Humanos, que é lex generalis, e
aplicável subsidiariamente a todas as situações, na ausência de previsão específica.

Além da relação de especialidade, há também uma relação de identidade e convergência, pois as


normas internacionais convergem para a proteção de direitos humanos básicos, como o direito à
vida e integridade física em tempo de paz.

Também é constatada uma relação de complementaridade. Tanto o DIH quanto o DIR não
excluem a aplicação geral das normas protetivas do Direito Internacional dos Direitos Humanos.

Também a relação de complementaridade se dá no uso do DIDH para suprir eventuais


insuficiências dos demais, uma vez que somente no DIDH é que existem sistemas de acesso das
vítimas a órgãos judiciais e quase judiciais internacionais (o que não ocorre no DIR ou no DIH).

Há ainda uma relação de influência recíproca. De início, o Direito dos Refugiados está ancorado no
direito de todos, previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, de procurar e
obter, noutros países, asilo contra as perseguições de que sejam alvo, bem como o direito de
regressar ao seu próprio país. Além disso, as violações graves dos direitos humanos,
nomeadamente em casos de conflito armado, são um dos fatores que conduzem à criação de
refugiados

Fonte: André de Carvalho Ramos, Curso de Direitos Humanos.

Questão 47
Direitos Humanos

O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos teve como objetivo tornar direitos
já previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 vinculantes aos
estados. Entretanto, o pacto acabou por trazer mecanismo que permite a suspensão

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de todas as obrigações dele decorrentes em situações excepcionais que ameacem a


existência da nação e sejam proclamadas oficialmente.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, promulgado no Brasil por meio do Decreto
Legislativo n. 592, de 06 de junho de 1992, realmente teve por finalidade tornar juridicamente
vinculantes aos Estados vários direitos já contidos na Declaração Universal de 1948, detalhando-os
e criando mecanismos de monitoramento internacional de sua implementação pelos Estados
Partes.

Ademais, há previsão de suspensão das obrigações decorrentes do pacto em situações


excepcionais que ameacem a existência da nação e sejam proclamadas oficialmente, desde que
as medidas não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhes sejam impostas
pelo Direito Internacional e não acarretem discriminação alguma apenas por motivo de raça,
cor, sexo, língua, religião ou origem social (art. 4º), situação que deve ser comunicada
imediatamente aos outros Estados Partes do presente Pacto, por intermédio do Secretário-Geral
da ONU.

Entretanto, ALGUNS DIREITOS NÃO PODEM SER SUSPENSOS NESTAS HIPÓTESES. Vejamos
o que diz o artigo 4º do pacto:

ARTIGO 4

1. Quando situações excepcionais ameacem a existência da nação e sejam proclamadas


oficialmente, os Estados Partes do presente Pacto podem adotar, na estrita medida exigida pela
situação, medidas que suspendam as obrigações decorrentes do presente Pacto, desde que tais
medidas não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhes sejam impostas pelo Direito
Internacional e não acarretem discriminação alguma apenas por motivo de raça, cor, sexo, língua,
religião ou origem social.

2 . A disposição precedente NÃO AUTORIZA qualquer suspensão dos artigos 6, 7, 8


(parágrafos 1 e 2) 11, 15, 16, e 18.

3. Os Estados Partes do presente Pacto que fizerem uso do direito de suspensão devem
comunicar imediatamente aos outros Estados Partes do presente Pacto, por intermédio do
Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, as disposições que tenham suspendido, bem
como os motivos de tal suspensão. Os Estados partes deverão fazer uma nova comunicação,
igualmente por intermédio do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, na data em
que terminar tal suspensão.

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Os direitos resguardados são os seguintes: Artigo 6º: direito à vida; art. 7º: direito de não ser
submetido a tortura, nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, ou a
experiências médicas ou científicas; art. 8º§ 1º e 2º: direito de não ser submetido à escravidão e à
servidão; art. 11: direito de não ser preso apenas por não cumprir obrigação contratual; art. 15:
direito de não ser condenado por atos ou omissões não definidos como crime no direito nacional
ou internacional, de não ser submetido a pena mais grave que a aplicável no momento da
ocorrência do delito e de ver aplicada a lei penal mais benéfica; art. 16: direito ao reconhecimento
da personalidade jurídica; art. 18: liberdade de pensamento, consciência e religião.

Fonte: André de Carvalho Ramos, Curso de Direitos Humanos.

Questão 48
Direitos Humanos

O Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais foi importante


marco na superação da doutrina que via os direitos sociais como mera recomendação
das cartas políticas, trazendo a ideia do princípio da vedação do retrocesso,
considerado como princípio de ordem absoluta no ordenamento pátrio.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais surgiu em uma época de
valorização das constituições sociais e reconheceu , em seu texto, que os direitos sociais em
sentido amplo são de realização progressiva, devendo os Estados dispor do máximo dos recursos
disponíveis para a sua efetivação, o que não exclui a obrigatoriedade de sua promoção e, após, a
proibição de retrocesso social. Logo, os direitos nele previstos são obrigatórios, e, após sua
implementação, estão protegidos pela proibição do retrocesso. Sendo que, nem mesmo por
tratados internacionais pode-se impor restrições ou diminuir a proteção de direitos humanos já
alcançada.

Por oportuno, importante falar que a proibição do retrocesso (“efeito cliquet” ou princípio do

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não retorno da concretização) consiste na vedação da eliminação da concretização já alcançada


na proteção de algum direito, admitindo-se somente de aprimoramentos e acréscimos e
possui raiz nos seguintes dispositivos constitucionais:

(1) Estado democrático de Direito (art. 1º, caput); (2) dignidade da pessoa humana (art. 1º, III); (3)
aplicabilidade imediata das normas definidoras de direitos fundamentais (art. 5º, § 1º);(4) proteção
da confiança e segurança jurídica (art. 1º, caput, e ainda art. 5º, XXXVI – a lei não prejudicará o
direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada); e (5) cláusula pétrea prevista no art. 60,
§ 4º, IV.

Importante salientar, contudo, que a proibição de retrocesso não representa vedação absoluta
a qualquer alteração da proteção de um direito. A inalterabilidade absoluta de alguns direitos
poderia levar o Estado a destinar mais recursos a um direito social, diminuindo-se a proteção de
outros direitos.

Assim, a doutrina aponta três condições para que eventual diminuição na proteção possa ocorrer:

(1) que haja justificativa também de estatura jusfundamental; (2) que a diminuição supere o crivo
do princípio da proporcionalidade (vide explanação sobre o princípio nas questões de direito
constitucional) e; (3) que seja preservado o núcleo essencial do direito envolvido.

Ademais, aos Estados Partes do Pacto, permitiu-se a submissão dos direitos econômicos, sociais e
culturais unicamente a limitações estabelecidas em lei, em medida compatível com sua natureza, e
apenas tendo por finalidade favorecer o bem-estar geral da sociedade. Aos países em
desenvolvimento, permitiu-se que determinem em que medida os direitos econômicos serão
reconhecidos àqueles que não são seus nacionais.

PARTE II

ARTIGO 2º

1. Cada Estado Parte do presente Pacto compromete-se a adotar medidas, tanto por esforço
próprio como pela assistência e cooperação internacionais, principalmente nos planos econômico e
técnico, até o máximo de seus recursos disponíveis, que visem a assegurar, progressivamente, por
todos os meios apropriados, o pleno exercício dos direitos reconhecidos no presente Pacto,
incluindo, em particular, a adoção de medidas legislativas.

2. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a garantir que os direitos nele


enunciados e exercerão em discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião,
opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento
ou qualquer outra situação.

3. Os países em desenvolvimento, levando devidamente em consideração os direitos humanos e a


situação econômica nacional, poderão determinar em que garantirão os direitos econômicos
reconhecidos no presente Pacto àqueles que não sejam seus nacionais.

Fonte: André de Carvalho Ramos, Curso de Direitos Humanos.

Questão 49
Filosofia do Direito, Noções de Sociologia Jurídica e Noções de Ciência Política

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Segundo o Marxismo, o Direito é um produto histórico, decorrente, não da divindade


ou da razão, mas sim da consciência coletiva dos povos, formado gradativa e
paulatinamente pelas tradições e costumes.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O item está incorreto. O conceito trazido no enunciado é o da Escola Histórica do Direito. Como
explica rgio Cavalieri Filho ( rograma de ociologia Jurídica – 2007, p. 37, cap1):

A Escola Histórica do Direito surgiu na Alemanha, no final do século XVIII e começo do século XIX,
tendo como principais protagonistas Gustavo Hugo e Frederico Charles de Savigny, este último
considerado o seu fundador. A escola inicia as suas atividades em pleno apogeu do neo-
humanismo, quando o direito era considerado pura criação da razão humana.

Pela primeira vez, essa escola rebelou-se contra a existência de um direito natural,
permanente e imutável. Em vez de indagar o que deveria ser o direito, passou a pesquisar
como se formava nas sociedades.

Para ela, o Direito era um produto histórico, decorrente, não da divindade ou da razão, mas sim da
consciência coletiva dos povos ( Volks geist), formado gradativa e paulatinamente pelas tradições e
costumes.

A formação do Direito seria tão natural e espontânea como a origem da linguagem. Embora se
tenha pensado que a linguagem fora criada por Deus, ou era resultado de um acordo entre os
homens, a filosofia demonstrava que sua gênese, o processo de sua formação foi gradativo e
paulatino, decorrente das necessidades e usos do povo, sujeito a transformações progressivas.

Inúmeros vocábulos surgem em uma língua à medida que vão se tornando mais complexas as
relações sociais, ao passo que em outras o número de palavras é ainda reduzido por causa da
estagnação da vida social.

Também o Direito se constituíra naturalmente, como a linguagem, por força das necessidades e
usos do povo.

Seguindo essa linha de raciocínio, entendia Savigny que, em vez de um direito geral e universal,
cada povo em cada época teria o seu próprio direito, expressão natural de sua evolução histórica,
de seus usos, costumes e tradições de todas as épocas passadas.

A grande preocupação da Escola Histórica, como se vê, foi afastar a concepção do direito natural,

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pelo que se esforçou em demonstrar que o direito era um produto histórico, sujeito a permanente e
natural evolução, nem estabelecido arbitrariamente pela vontade dos homens, nem revelado por
Deus, nem pela razão, mas sim pela consciência nacional do povo.

Questão 50
Filosofia do Direito, Noções de Sociologia Jurídica e Noções de Ciência Política

Para os organicistas, a sociedade é mera soma de partes, que não gera nenhuma
realidade suscetível de subsistir fora ou acima dos indivíduos. Para os mecanicistas, a
sociedade é uma reunião de várias partes, que preenchem funções distintas e que,
por sua ação combinada, concorrem para manter a vida do todo.

Correta

Errada

Sem Resposta

GABARITO: ERRADA

Justificativa:
O item está incorreto, pois, embora existam essas duas teorias para conceituar sociedade, os
conceitos se encontram invertidos. A teoria orgânica é a que dá a ideia de pessoas exercendo
funções distintas e em uma ação combinada (como um organismo ou um corpo). Segundo Paulo
Bonavides, o organicismo acaba por inspirar ideias autoritárias.

Senão vejamos a lição de Paulo Bonavides (Ciência Política, 10 ed., Malheiros, p. 64 e 65):

“Se a Sociedade é o valor primário ou fundamental, se a sua existência importa numa


realidade nova e superior, subsistente por si mesma, temos o organicismo. Aliás, de
organicismo Del Vecchio nos dá o seguinte conceito: “Reunião de várias partes, que preenchem
funções distintas e que, por sua ação combinada, concorrem para manter a vida do todo”.

“Se, ao contrário, o indivíduo é a unidade embriogênica, o centro irredutível a toda


assimilação coletiva, o sujeito da ordem social, a unidade que não criou nem há de criar
nenhuma realidade mais, que lhe seja superior, o ponto primário e básico que vale por si
mesmo e do qual todos os ordenamentos sociais emanam como derivações secundárias,
como variações que podem reconduzir-se sempre ao ponto de partida: a ele, ao indivíduo, aqui
estamos fora de toda a dúvida em presença de uma posição mecanicista. Os primeiros, por se
abraçarem ao valor Sociedade, são organicistas; os segundos, por não reconhecerem na

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Sociedade mais que mera soma de partes, que não gera nenhuma realidade suscetível de
subsistir fora ou acima dos indivíduos, são mecanicistas”.

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