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Quando eu era criança e passava na frente dos botecos, olhava com alguma aqueles homens que

discutiam sobre política com toda a autoridade que a esquina lhes concedia. Olhava-os como pessoas de
uma sabedoria inalcansável, afinal, para discutir com tal convicção e energia, a pessoa deve entender
muito sobre todos aqueles temas, pensava eu com as minhas elucubrações de criança. Homens que
bradam suas ideias, costurando, entre impropérios e piadocas, os seus argumentos políticos. Me lembro
também de ouvir, sem nenhum interesse, os discursos presidenciais. Fernando Henrique falava de uma
forma pouco entusiamante para a minha psiqué infantil. Diferentemente, dos homens do bar que
falavam sobre tudo com uma convicção apaixonada (paixão essa muitas vezes movida pela cerveja), ele
falava ponderado e com palavras herméticas. Os palavrões dos doutos das esquinas me eram muito mais
claros que os discursos acadêmicos dos cientistas sociais.
Hoje sou adulto e ainda observo tal fenômeno com incredulidade infantil. Eu, que não posso me gabar
de dominar as ciências políticas, tenho conhecimento o suficiente para separar aqueles que se
agigantam nos ombros da própria ignorância dos que se calcam em conhecimentos sólidos. Hoje
percebo que o ar de certeza que um sujeito assume no debate pode ser inversamente proporcional a sua
base de conhecimento.

Se eu fosse criança hoje, acho que iria adorar os discursos do presidente. Palavrões, argumentos
maniqueístas e discursos agressivos que visam eliminar o questionamento. Às favas com esses discursos
entediantes sobre inflação, comércio exterior e direitos humanos! A minha cognição pueril iria assimilar
a política atual com muito mais facilidade porque o que havia de pior naqueles cientistas políticos de
botequim encontra-se materializado na esfera máxima de autoridade do poder executivos do meu país.

Acho saudável a construção e debates de ideias em que ambiente for, mas o que

Hoje, eu que pouco posso me gabar sobre entender de política

Quando eu era criança e passava na frente dos botecos, olhava com alguma aqueles homens que
discutiam sobre política com toda a autoridade que a esquina lhes concedia. Olhava-os como pessoas de
uma sabedoria inalcansável, afinal, para discutir com tal convicção e energia, a pessoa deve entender
muito sobre todos aqueles temas, pensava eu com as minhas elucubrações de criança. Homens que
bradam suas ideias, costurando, entre impropérios e piadocas, os seus argumentos políticos.

Hoje sou adulto e ainda observo tal fenômeno com incredulidade infantil. Eu, que não posso me gabar
de dominar as ciências políticas, tenho conhecimento o suficiente para separar aqueles que se
agigantam nos ombros da própria ignorância dos que se calcam em conhecimentos sólidos. Hoje
percebo que o ar de certeza que um sujeito assume no debate pode ser inversamente proporcional a sua
base de conhecimento.

No Brasil atual, o que havia de pior naqueles cientistas políticos de botequim encontra-se materializado
na esfera máxima de autoridade do poder executivo do meu país.