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SEMANAS 01 e 02

PREPARAÇÃO PGE PERNAMBUCO


FASE DISCURSIVA - SEMANAS 01 e 02
ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO


DIA 01 DIA 02 DIA 03 DIA 04 DIA 05 DIA 06 DIA 07
SEM. 01
22/01 23/01 24/01 25/01 26/01 27/01 28/01

SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO


DIA 08 DIA 09 DIA 10 DIA 11 DIA 12 DIA 13 DIA 14
SEM. 02
29/01 30/01 31/01 01/02 02/02 03/02 04/02

SEMANA 01

DIA 01 E 02

CONSTITUCIONAL:

1 Teoria da Constituição. 1.1 Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo: conceitos,


características, classificação, evolução histórica, constitucionalismo e democracia. 1.2
Constituição: conceitos, características, classificação, evolução histórica. 1.3 Teoria do Poder
Constituinte. 1.3.1 Poder Constituinte Originário, Derivado e Decorrente: características gerais;
reforma e revisão; mutação constitucional; teoria da recepção; emendas à Constituição de 1988 e
suas limitações

TRABALHO:

26 Terceirização na administração pública e responsabilidade da administração pública

DIA 03 E 04 - vanessacfreire@gmail.com

ADMINISTRATIVO:

2.3 Princípios expressos e implícitos da administração pública. 2.4 Administração pública na


Constituição Federal. 3 Regime jurídico-administrativo. 3.1 Conceito. 3.2 Supremacia do interesse
público sobre o privado e indisponibilidade do interesse público. 4 Organização administrativa. 4.1
Centralização, descentralização, concentração e desconcentração. 4.2 Administração direta. 4.2.1
Conceito. 4.2.2 Órgão público: conceito; teorias sobre as relações do Estado com os agentes
públicos; características; e classificação. 4.3 Administração indireta. 4.3.1 Conceito. 4.3.2
Autarquias. 4.3.3 Agências reguladoras. 4.3.4 Agências executivas. 4.3.5 Fundações públicas. 4.3.6
Empresas públicas. 4.3.7 Sociedades de economia mista. 4.3.8 Consórcios públicos. 4.4 Serviços
sociais autônomos; entidades de apoio; organizações sociais; organizações da sociedade civil de
interesse público.

FINANCEIRO:

1 Direito financeiro. 1.1 Conceito e objeto. 1.2 Direito financeiro na Constituição Federal de 1988.
1.2.1 Normas gerais e orçamento. 2 Orçamento público. 2.1 Conceito, espécies e natureza jurídica.

DIREITOS RESERVADOS. É VEDADA, POR QUAISQUER MEIOS E QUALQUER TÍTULO, A SUA REPRODUÇÃO, CÓPIA, DIVULGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
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2.2 Princípios orçamentários. 2.3 Leis orçamentárias. 2.3.1 Espécies e tramitação legislativa. 2.4 Lei
nº 4.320/1964 e suas alterações. 2.5 Fiscalização financeira e orçamentária.

AMBIENTAL:

1 Direito ambiental constitucional. 1.1 Meio ambiente como direito fundamental. 1.2 Princípios
estruturantes do estado de direito ambiental. 1.3 Competências ambientais legislativa e material.
1.4 Deveres ambientais. 1.5 Instrumentos jurisdicionais. 1.5.1 Ação civil pública, ação penal
pública, mandado de segurança individual e coletivo, ação popular, mandado de injunção
ambiental. 1.6 Função ambiental pública e privada. 1.7 Função social da propriedade. 1.8 Art. 225
da Constituição Federal de 1988. 2 Conceito de meio ambiente e seus aspectos. 3 Princípios de
direito ambiental. 3.1 Prevenção, precaução, poluidor-pagador e usuário-pagador, cooperação,
informação, participação, equidade intergeracional.

DIA 05 E 06- Vanessa Cristina Freire - vanessacfreire@gmail.com

PROCESSO CIVIL:

1 Lei nº 13.105/2015 – Novo Código de Processo Civil. 2 Normas processuais civis. 3 Jurisdição. 4
Ação. 4.1 Conceito, natureza, elementos e características. 4.2 Condições da ação. 4.3 Classificação.
5 Pressupostos processuais. 6 Preclusão. 7 Sujeitos do processo. 7.1 Capacidade processual e
postulatória. 7.2 Deveres das partes e procuradores. 7.3 Procuradores. 7.4 Sucessão das partes e
dos procuradores. 8 Litisconsórcio. 9 Intervenção de terceiros.

TRIBUTÁRIO:

1 Sistema Tributário Nacional. 1.1 Conceito. 1.2 Relação do direito tributário com o direito
financeiro e com os demais ramos do direito. 1.3 Fontes. 1.4 Princípios do direito tributário. 1.5
Limitações do poder de tributar. 1.6 Repartição das receitas tributárias. 2 Tributo. 2.1 Conceito. 2.2
Natureza jurídica. 2.3 Espécies. 2.4 Imposto. 2.5 Taxa. 2.6 Contribuição de melhoria. 2.7
Empréstimo compulsório. 2.8 Contribuições.

DIA 07 Vanessa Cristina Freire - vanessacfreire@gmail.com

RESOLUÇÃO DO SIMULADO 1 QUE SERÁ DISPONIBILIZADO ANTECIPADAMENTE.

SEMANA 02Vanessa Cristina Freire - vanessacfreire@gmail.com

DIA 08 E 09Vanessa Cristina Freire - vanessacfreire@gmail.com

CONSTITUCIONAL:

4 Direitos e Princípios Fundamentais na Constituição de 1988. 4.1 Princípios fundamentais. 4.2


Direitos e garantias fundamentais. 4.3 Direitos e deveres individuais e coletivos. 4.9 Ações

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constitucionais: habeas corpus, mandado de segurança, mandado de injunção, habeas data, ação
popular; ação civil pública; ação de improbidade.

ADMINISTRATIVO:

5 Atos administrativos. 5.1 Conceito. 5.2 Fatos da administração, atos da administração e atos
administrativos. 5.3 Requisitos ou elementos. 5.4 Atributos. 5.5 Classificação. 5.6 Atos
administrativos em espécie. 5.7 O silêncio no direito administrativo. 5.8 Extinção dos atos
administrativos: revogação, anulação e cassação. 5.9 Convalidação. 5.10 Vinculação e
discricionariedade. 5.11 Atos administrativos nulos, anuláveis e inexistentes. 5.12 Decadência
administrativa. 6 Processo administrativo. 6.1 Lei nº 9.784/1999. 6.2 Disposições doutrinárias
aplicáveis. 7 Poderes e deveres da administração pública. 7.1 Poder regulamentar. 7.2 Poder
hierárquico. 7.3 Poder disciplinar. 7.4 Poder de polícia. 7.5 Dever de agir. 7.6 Dever de eficiência.
7.7 Dever de probidade. 7.8 Dever de prestação de contas. 7.9 Abuso do poder

DIA 10 E 11- Vanessa Cristina Freire - vanessacfreire@gmail.com

PROCESSO CIVIL:

14.5 Nulidades. 14.6 Distribuição e registro. 14.7 Valor da causa. 15 Tutela provisória. 16 Formação,
suspensão e extinção do processo. 17 Processo de conhecimento e do cumprimento de sentença.
17.1 Procedimento comum. 17.2 Disposições Gerais. 17.3 Petição inicial. 17.4 Improcedência
liminar do pedido. 17.5 Audiência de conciliação ou de mediação. 17.6 Contestação, reconvenção
e revelia. 17.7 Audiência de instrução e julgamento. 17.8 Providências preliminares e de
saneamento

DIA 12 E 13 - Vanessa Cristina Freire - vanessacfreire@gmail.com

TRIBUTÁRIO:

3 Competência tributária. 3.1 Classificação. 3.2 Exercício da competência tributária. 3.3 Capacidade
tributária ativa. 3.4 Imunidade tributária. 3.5 Distinção entre imunidade, isenção e não incidência.
3.6 Imunidades em espécie

AMBIENTAL:

4.3 SISNAMA: estrutura e funcionamento. 4.4 Lei nº 6.938/1981 e suas alterações. 6.1 Lei nº
12.651/2012 e suas Alterações. Lei Complementar nº 140/2011.

DIA 14 - vanessacfreire@gmail.com

LEITURA DOS MATERIAIS DE APOIO DISPONIBILIZADOS


MODELOS DE PEÇAS JURÍDICAS
APONTAMENTOS SOBRE AS PRINCIPAIS PEÇAS JURÍDICAS

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SUMÁRIO

DIA 01 E 02 ......................................................................................................................................................... 8
RESUMO DO DIA ........................................................................................................................................9
CONSTITUCIONAL ......................................................................................................................................9
TRABALHO ...............................................................................................................................................20
LEITURA APARTADA.................................................................................................................................23
LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO ...............................................................................................23
SÚMULA VINCULANTE TODO DIA............................................................................................................23
SÚMULA DO STF TODO DIA .....................................................................................................................24
SÚMULA DO STJ TODO DIA .....................................................................................................................25
SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ........................................................................................................26

DIA 03 E 04 ....................................................................................................................................................... 31
RESUMO DO DIA ......................................................................................................................................33
ADMINISTRATIVO ....................................................................................................................................33
FINANCEIRO .............................................................................................................................................47
AMBIENTAL..............................................................................................................................................71
LEITURA APARTADA.................................................................................................................................81
LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO ...............................................................................................81
SÚMULA VINCULANTE TODO DIA............................................................................................................81
SÚMULA DO STF TODO DIA .....................................................................................................................82
SÚMULA DO STJ TODO DIA .....................................................................................................................83
SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ........................................................................................................85

DIA 05 E 06 ....................................................................................................................................................... 95
RESUMO DO DIA ......................................................................................................................................96
PROCESSO CIVIL .......................................................................................................................................96
TRIBUTÁRIO ...........................................................................................................................................115
LEITURA APARTADA...............................................................................................................................133
LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO .............................................................................................133
SÚMULA VINCULANTE TODO DIA..........................................................................................................133
SÚMULA DO STF TODO DIA ...................................................................................................................134

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SÚMULA DO STJ TODO DIA ...................................................................................................................134


SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ......................................................................................................136

DIA 07 ............................................................................................................................................................. 138


SÚMULA VINCULANTE TODO DIA..........................................................................................................138
SÚMULA DO STF TODO DIA ...................................................................................................................139
SÚMULA DO STJ TODO DIA ...................................................................................................................139
SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ......................................................................................................140

DIA 08 E 09 ..................................................................................................................................................... 142


RESUMO DO DIA ....................................................................................................................................143
CONSTITUCIONAL ..................................................................................................................................143
ADMINISTRATIVO ..................................................................................................................................160
LEITURA APARTADA...............................................................................................................................191
LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO .............................................................................................191
SÚMULA VINCULANTE TODO DIA..........................................................................................................191
SÚMULA DO STF TODO DIA ...................................................................................................................192
SÚMULA DO STJ TODO DIA ...................................................................................................................192
SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ......................................................................................................193

DIA 10 E 11 ..................................................................................................................................................... 196


RESUMO DO DIA ....................................................................................................................................196
PROCESSO CIVIL .....................................................................................................................................196
LEITURA APARTADA...............................................................................................................................209
LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO .............................................................................................210
SÚMULA VINCULANTE TODO DIA..........................................................................................................210
SÚMULA DO STF TODO DIA ...................................................................................................................211
SÚMULA DO STJ TODO DIA ...................................................................................................................211
SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ......................................................................................................212

DIA 12 E 13 ..................................................................................................................................................... 215


RESUMO DO DIA ....................................................................................................................................216
TRIBUTÁRIO ...........................................................................................................................................216
AMBIENTAL............................................................................................................................................223
LEITURA APARTADA...............................................................................................................................245
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LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO .............................................................................................245


SÚMULA VINCULANTE TODO DIA..........................................................................................................245
SÚMULA DO STF TODO DIA ...................................................................................................................246
SÚMULA DO STJ TODO DIA ...................................................................................................................246
SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA ......................................................................................................248

DIA 14 ........................................................................................................................................................250

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DIA 01 E 02

DISCIPLINA
CONSTITUCIONAL:

1 Teoria da Constituição. 1.1 Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo: conceitos,


características, classificação, evolução histórica, constitucionalismo e democracia. 1.2
Constituição: conceitos, características, classificação, evolução histórica. 1.3 Teoria do Poder
Constituinte. 1.3.1 Poder Constituinte Originário, Derivado e Decorrente: características gerais;
reforma e revisão; mutação constitucional; teoria da recepção; emendas à Constituição de 1988
e suas limitações

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Direito Constitucional Esquematizado: Pedro Lenza

CAPÍTULOS: 4, 8 e 21

2. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL (2017)


9a Edição Conforme o Novo CPC e EC 95/2016
Autor: Bernardo Gonçalves Fernandes

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/8231c4771e13a7e79806b
1df15648e8b.pdf

CAPÍTULOS: 2 e 5

2. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL (2017)


12a ed.: Rev., amp. e atualizada - Conforme NOVO CPC
Autor: Marcelo Novelino

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/602bdfb8953fd99b738e53
164430040c.pdf
CAPÍTULOS: 4 e 17
Boa opção de resumo para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. Resumo de Direito Constitucional Descomplicado: Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino

http://www.mktgen.com.br/MET/Sumario/9788530975784_SUM.pdf
CAPÍTULO: 1 (Item 6)
DISCIPLINA
TRABALHO:

1 Princípios e fontes do direito do trabalho. 2 Direitos constitucionais dos trabalhadores (Art. 7º


da Constituição Federal de 1988). 3 Relação de trabalho e relação de emprego. 3.1 Requisitos e
distinção. 3.2 Relações de trabalho lato sensu (trabalho autônomo, eventual, temporário e
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avulso). 4 Sujeitos do contrato de trabalho stricto sensu. 4.1 Empregado e empregador (conceito
e caracterização). 4.2 Poderes do empregador no contrato de trabalho. 5 Grupo econômico. 5.1
Sucessão de empregadores. 5.2 Responsabilidade solidária.

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Direito do Trabalho para Concursos Públicos (2017)
19ª Edição: Revista, ampliada e atualizada
Autores: Rafael Tonassi Soutto e Renato Saraiva

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/17aefc16633fdab94db476
e9e53c2503.pdf

CAPÍTULOS: 1 (Itens 1.3, 1.4 e 1.5), 2 (Itens 2.3.2.3 e 2.8), 3 e 9

RESUMO DO DIA

CONSTITUCIONAL

Constituição. Supremacia da Constituição. Aplicabilidade das normas constitucionais.


Interpretação das normas constitucionais. Métodos, princípios e limites. Poder constituinte.
Características. Poder constituinte originário. Poder constituinte derivado. Mutação
constitucional. Princípios fundamentais.

1. Supremacia da Constituição: Constitucionalismo e neoconstitucionalismo

1.1. CONSTITUCIONALISMO: O constitucionalismo é o movimento a partir do qual emergem as


Constituições. Parte da noção de que todo Estado deve possuir uma Constituição. A ideia é
GARANTIR DIREITOS para LIMITAR O PODER ESTATAL. Contrapõe-se ao absolutismo.
FASES:
a) ANTIGO: É o da Antiguidade Clássica, com a ideia de garantir direitos para limitar o poder, evitar
o arbítrio.
- Hebreus: estabelecimento no estado teocrático de limitações ao poder político através da
legitimidade dos profetas para fiscalizar os atos governamentais que extrapolassem os limites
bíblicos.
- Idade Média: Carta Magna de 1215 – estabelece a proteção a direito individuais.

b) CLÁSSICO (LIBERAL): século XVIII


• Surge a 1ª geração de direito fundamentais (liberdade): direitos civis e políticos. Exigem
abstenção do Estado.
• Separação de Poderes.
• CF rígida e supremacia da CF
• O Poder Judiciário é o principal encarregado de garantir a supremacia da CF Surgem as
primeiras Constituições escritas.
- Quadro europeu: o reconhecimento do valor jurídico das Constituições tardou na Europa. Os
movimentos liberais (século XVIII) enfatizam o princípio da supremacia da lei e do parlamento. A
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Constituição NÃO era norma vinculante, embora esse entendimento já começasse a ser
desenvolvido nos EUA.
- Nessa fase, há uma diferença entre o quadro europeu e o americano:

QUADRO EUROPEU QUADRO AMERICANO


- Supremacia da lei e do parlamento - Supremacia da Constituição
- O Judiciário NÃO pode controlar a - Para acentuar a supremacia do Poder
legitimidade constitucional das leis, Constituinte, adotou-se procedimento mais
limitando-se a ser a “boca da lei” (Supremacia dificultoso e solene de mudança da
do parlamento) Constituição.
- A primazia da Constituição só ocorreu a - Para garantir a efetiva supremacia da
partir do fim da 2ª guerra mundial Constituição, cresceu o papel do controle
(redemocratização). Supremacia do Poder judicial: ao Judiciário cabe fazer a interpretação
Constituinte. final e aplicar a Constituição (judicial review).

c) MODERNO (SOCIAL): após fim da 1ª Guerra Mundial até o início da segunda.


• Exigem atuação positiva do Estado (Estado Social, intervencionista, prestador de serviço
público).
• Crise do liberalismo diante das demandas sociais que abalaram o século XIX. O
abstencionismo estatal não garantia a igualdade essencial para a existência de igualdade de
competições.
• Consagração dos direitos fundamentais de 2ª dimensão: gravitam em torno do valor
IGUALDADE, mas não meramente formal e sim a IGUALDADE MATERIAL (direitos sociais,
econômicos e culturais). Possuem um caráter positivo: exigem uma prestação do Estado.
Surgem garantias institucionais.
• Adoção do Estado Social: o Estado transforma-se em prestador de serviços, intervindo no
âmbito social, econômico e laboral.

d) CONTEMPORÂNEO: após fim da 2ª Guerra Mundial.


• Surgem os direitos fundamentais de 3ª geração (fraternidade): direitos transindividuais,
como meio ambiente, comunicação, consumidor.
• Alguns o chamam de neoconstitucionalismo. Outros diferenciam:
o No constitucionalismo contemporâneo, a hierarquia entre Constituição e lei é
apenas formal: o foco é a limitação do poder estatal.
o No neoconstitucionalismo, a hierarquia é de grau e também axiológica (tem que
observar espírito e valores da CF): o foco é a concretização dos direitos
fundamentais.
- Caracteriza-se pelas Constituições garantistas, que tem como pilar a defesa dos direitos
fundamentais.
- Período marcado pelas CONSTITUIÇÕES DIRIGENTES, que prescrevem programas a serem
implementados pelos Estados, normalmente por meio de normas programáticas.

1.2. NEOCONSTITUCIONALISMO: A doutrina passa a desenvolver, a partir do pós-2ª Guerra


Mundial, uma nova perspectiva em relação ao constitucionalismo, denominada
neoconstitucionalismo, ou, segundo alguns, constitucionalismo pós-moderno, ou, ainda, pós-
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positivismo. Busca-se, dentro dessa nova realidade, não mais apenas atrelar o
constitucionalismo à ideia de limitação do poder político, mas, buscar a eficácia da Constituição.

CARACTERÍSTICAS DO NEOCONSTITUCIONALISMO:
• BUSCA EFICÁCIA DA CF E CONCRETIZAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS;
• PÓS-POSITIVISMO: O positivismo tinha permitido barbáries com base na lei. Veio, então, o
pós-positivismo (o direito deve ter um conteúdo moral, vai além da legalidade estrita. Não
basta apenas respeitar a lei, tem que observar os princípios da moralidade e da finalidade
pública).
• NORMATIVIDADE DA CONSTITUIÇÃO: A Constituição Federal era documento político. Com o
neoconstitucionalismo, passa a ser documento JURÍDICO, com força vinculante
• FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO: as normas constitucionais têm aplicabilidade d
ireta (conforme sua densidade jurídica), os direitos irradiam da CF.
• CENTRALIDADE DA CONSTITUIÇÃO: A CF é o epicentro do ordenamento jurídico. Tem
supremacia formal e material. Consequências:
o Constitucionalização do direito: normas de outros ramos do direito estão na
Constituição Federal e há releitura dos institutos previstos na legislação
infraconstitucional à luz da Constituição.
o Filtragem constitucional: há interpretação da lei à luz da Constituição Federal.
Segundo a interpretação conforme a CF, passa a lei no filtro da CF para extrair seu
sentido constitucional. Para Luiz Roberto Barroso, toda interpretação jurídica é uma
interpretação constitucional.
• REMATERIALIZAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES: Surgem Constituições prolixas, com extenso rol de
direitos fundamentais.
• MAIOR ABERTURA NA INTERPRETAÇÃO: Os princípios deixam de ser meras diretrizes e
passam a ser espécies de norma;
• FORTALECIMENTO DO JUDICIÁRIO: O Judiciário irá garantir a supremacia da Constituição
Federal. É o ativismo judicial, postura mais ativa do Judiciário na implementação dos direitos.
O Judiciário passa a atuar como legislador positivo.

Marcos do Neoconstitucionalismo (Luís Roberto Barroso):


(i) Marco histórico: A formação do Estado constitucional de direito, cuja consolidação se deu ao
longo das décadas finais do século XX;
(ii) Marco filosófico: O pós-positivismo, com a centralidade dos direitos fundamentais e a
reaproximação entre Direito e ética; e
(iii) Marco teórico: o conjunto de mudanças que incluem a força normativa da Constituição, a
expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática da
interpretação constitucional.

2. Aplicabilidade das normas Constitucionais: Segundo o Doutrinador José Afonso da Silva, as


normas Constitucionais podem possuir eficácia plena, contida ou limitada:

• Plenas: são as que não necessitam de complementação para que possam produzir efeitos,
tais normas possuem aplicabilidade imediata e integral;

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• Contidas (ou prospectivas): são as que também possuem aplicabilidade imediata e integral,
por não necessitarem de complementação, no entanto podem ter sua abrangência reduzida
por norma infraconstitucional, o exemplo clássico apontado pela doutrina é a disposição
contida no inciso XIII, do artigo 5º da CF/88 ( “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício
ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.) – são
autoaplicáveis, mas se inserem na discricionariedade do legislador;
• Limitadas: são as que necessitam de integração por norma infraconstitucional para que
possam produzir efeitos. No entanto, mesmo sem sua regulamentação, tais normas
produzem, mesmo que de forma mínima, efeitos jurídicos, como o de vincular o legislador.
– José Afonso da Silva entende que há dois tipos de normas limitadas:
o Normas de princípio institutivo ou organizativo: contém o início ou esquema de
determinado órgão, entidade ou instituição, deixando a efetiva criação e
estruturação a cargo de lei ordinária ou complementar;
o Normas de princípio programático: normas através das quais o constituinte, ao invés
de regular direta e imediatamente determinados interesses, limitou-se a traçar-lhes
os princípios a serem cumpridos pelos seus órgãos. – Tais normas NÃO dispõem de
aplicabilidade imediata, mas possuem carga eficacional, ante o princípio da força
normativa da Constituição.

ATENÇÃO - CLASSIFICAÇÃO DE MARIA HELENA DINIZ: a Autora incluiu mais uma espécie na
classificação acima apontada, afirmando a existência de normas constitucionais de eficácia
absoluta ou supereficazes, que são as cláusulas pétreas, ou seja, aquelas normas que não podem
ser retiradas nem mesmo por emenda constitucional.

3. Interpretação das normas Constitucionais


3.1. Hermenêutica x Interpretação Jurídica:
• Hermenêutica: É o domínio da ciência jurídica que se ocupa em formular e sistematizar os
princípios que subsidiarão a interpretação;
• Interpretação: Atividade prática que se dispõe a determinar o sentido e alcance dos
enunciados normativos. Cumpre à interpretação construir a norma. Envolve duas atividades:
o Desvendar/ construir o sentido do enunciado normativo;
o Concretizar o enunciado.

3.2. Interpretação Jurídica x Interpretação Constitucional


• A interpretação jurídica é gênero do qual a interpretação constitucional é espécie.
• A interpretação constitucional tem por objeto a compreensão e aplicação das normas
constitucionais, razão pela qual se serve de princípios próprios que lhe conferem
especificidade e autonomia, sendo informada por métodos e princípios específicos e
adequados ao seu objeto.
• Enquanto as normas legais possuem um conteúdo material fechado, as normas
constitucionais apresentam um conteúdo material aberto e fragmentado, circunstância que
justifica e reivindica a existência de uma interpretação especificamente constitucional.
• Além de superiores, as normas constitucionais normalmente veiculam conceitos abertos,
vagos e indeterminados, que conferem ao intérprete um amplo espaço de conformação, não
verificável entre as normas legais.
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• As normas constitucionais são ainda:


o Normas de organização e estrutura;
o Dotadas de forte carga política.

3.3. Correntes Norteamericanas:


a) Corrente interpretativista: Nega qualquer possibilidade de o juiz, na interpretação constitucional,
criar Direito, indo além do que o texto lhe permitir. O juiz deve apenas captar e declarar o sentido
dos preceitos expressos no texto constitucional, sem se valer de valores substantivos, sob pena de
se substituir as decisões políticas pelas judiciais.

b) Corrente não-interpretativista: Defende um ativismo judicial na interpretação da Constituição,


proclamando a possibilidade, e até a necessidade, de os juízes invocarem e aplicarem valores
substantivos, como justiça, igualdade e liberdade. Assim, o juiz torna-se co-participante do processo
de criação do Direito, completando o trabalho do legislador, ao fazer valorações para conceitos
jurídicos indeterminados e realizar escolhas entre as soluções possíveis e adequadas.

3.4. Métodos de interpretação


- Canotilho: Leciona que a questão do “método justo” em direito constitucional é um dos problemas
mais controvertidos. Por isso, para ele, NÃO há apenas um método de interpretação constitucional,
podendo-se afirmar que, atualmente, a interpretação das normas constitucionais obtém-se a partir
de um conjunto de métodos distintos, porém complementares.

a) Método jurídico ou hermenêutico cláSsico [SAVIGNY]


Parte da consideração de que a Constituição é uma lei, de modo que a interpretação da
Constituição não deixa de ser uma interpretação da lei. => TESE DA IDENTIDADE DA INTERPRETAÇÃO
CONSTITUCIONAL E INTERPRETAÇÃO LEGAL.
Com isso, para a interpretação da Constituição, deve o intérprete utilizar os elementos
tradicionais ou clássicos da hermenêutica, que remontam à Escola Histórica do Direito de Savigny:
• Elemento gramatical: também chamado de literal ou semântico, a análise se realiza de modo
textual e literal;
• Elemento histórico: analise o projeto de lei, a sua justificativa, exposição de motivos,
pareceres, discussões, as condições culturais e psicológicas que resultaram na elaboração da
norma;
• Elemento sistemático ou lógico: busca a análise do todo;
• Elemento teleológico ou racional: busca a finalidade da norma;
• Elementos genético: busca investigar as origens dos conceitos utilizados pelo legislador.
A doutrina, de modo geral, NÃO repele a interpretação de tal método jurídico. No entanto, por
outro lado, a CF traz situações mais complexas cuja interpretação não se realiza com o emprego do
método tradicional. O método jurídico, portanto, é insuficiente e não satisfaz, por si só, a
interpretação constitucional.

b) Método Tópico-problemático [THEODOR VIEHWEG]


Theodor Viehweg – “Tópica e Jurisprudência” => Para o autor, a tópica seria uma técnica de
pensar o problema, ou seja, uma técnica mental que se orienta para a solução do problema. O
método segue as seguintes premissas:
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• Caráter Prático da interpretação: Toda a interpretação se destina a solucionar problemas


práticos e concretos;
• Caráter Aberto, Fragmentário ou indeterminado das normas constitucionais, em razão de
sua estrutura normativo-material;
• Preferência pela discussão do problema em razão da abertura das normas constitucionais
que não permitem qualquer subsunção a partir delas próprias.
- Conclusão: A interpretação constitucional leva a um processo aberto de argumentação entre os
vários partícipes ou intérpretes, para se adaptar a norma constitucional ao problema concreto para,
só ao final, se identificar a norma adequada.
- Parte-se do problema para a norma. Para este método, deve a interpretação partir da discussão
do problema concreto que se pretende resolver para, só ao final, se identificar a norma adequada.
Parte-se do problema (caso concreto) para a norma, fazendo caminho inverso dos métodos
tradicionais, que buscam a solução do caso a partir da norma.
- Canotilho critica esse método, ao fundamento de que a interpretação NÃO deve partir do problema
para a norma, mas desta para os problemas.

DICA: Para não esquecer o nome do criador do método na hora da prova, relacionar
as iniciais: Theodor – Tópico.

c) Método Hermenêutico-concretizador (Concretista) [HESSE]


- Parte da ideia de que a leitura de todo o texto e da Constituição deve se iniciar pela pré-
compreensão do seu sentido através de uma atividade criativa do intérprete.
- Admite o primado da norma constitucional sobre o problema.
- O método considera a interpretação constitucional como uma atividade de concretização da
Constituição, circunstância que permite ao intérprete determinar o próprio conteúdo material da
norma.
- Afasta-se do método tópico-problemático porque a interpretação, para ele, está limitada e se inicia
pelo texto, superando o problema da abertura e indeterminação dos enunciados normativos através
da pré-compreensão do intérprete.
- Parte da ideia de que a leitura do texto, em geral, e da Constituição, deve se iniciar pela pré-
compreensão do seu sentido através de uma atividade criativa do intérprete. Ao contrário do método
tópico-problemático, que pressupõe o primado do problema sobre a norma, o método concretista
admite o primado da norma constitucional sobre o problema.

DICA: É possível, igualmente, relacionar as iniciais para não esquecer: Hesse – Hermenêutico.

d) Método científico-eSpiritual [Rudolf Smend]


A interpretação constitucional deve levar em consideração a compreensão da Constituição
como uma ordem de valores e como elemento do processo de integração. Deve o intérprete levar
em consideração o sistema de valores que é subjacente ao texto constitucional e à realidade da vida.
Idealizado por Rudolf Smend, este método dispõe que a interpretação constitucional deve
levar em consideração a compreensão da Constituição como uma ordem de valores e como elemento
do processo de integração. Assim, a interpretação deve aprofundar-se na pesquisa do conteúdo
axiológico subjacente ao texto, pois só o recurso à ordem de valores obriga a uma captação espiritual
desse conteúdo axiológico último da Constituição.
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e) Método normativo-estruturante [ FRIEDERICH MULLER]


Parte da premissa de que existe uma relação necessária entre o texto e a realidade. Foi
idealizado por Friederich Müller, que afirma que o texto é apenas a ponta do iceberg, não
compreendendo a norma apenas o texto, mas também um pedaço da realidade social. É um método
também concretista, diferenciando-se dele, porém, na medida em que a norma a ser concretizada
não está inteiramente no texto, sendo o resultado entre este e a realidade.
- DPE-MG: Diz-se método normativo estruturante ou concretista aquele em que o intérprete parte
do direito positivo para chegar à estruturação da norma, muito mais complexa que o texto legal.
Há influência da jurisprudência, doutrina, história, cultura e das decisões políticas.

3.5. Regras, princípios e postulados normativos


As normas podem revelar-se sob a forma de princípios, regras ou postulados normativos.
Normas e princípios NÃO guardam hierarquia entre si, especialmente diante do princípio da unidade
da Constituição.
Segundo Canotilho, os princípios são fundamento das regras, ou seja, são normas que estão
na base ou constituem a ratio de regras jurídicas, desempenhando, por isso, uma função
normogenética fundamentante.

REGRAS PRINCÍPIOS
Grau de abstração reduzido Grau de abstração elevado
Suscetíveis de aplicação direta Carecem de mediações concretizadoras
Podem ser normas vinculativas com São standards juridicamente vinculantes
conteúdo meramente funcional radicados nas exigências de justiça ou na ideia
de direito
Relatos descritivos de condutas a partir dos A previsão dos relatos dá-se de maneira mais
quais, mediante subsunção, chega-se à abstrata, sem se determinar a conduta correta,
conclusão. já que cada caso concreto deverá ser analisado
para que o intérprete dê o exato peso entre os
princípios em choque
São mandamentos ou mandados de São mandados de otimização (Alexy): devem
definição: são sempre ou satisfeitas ou não ser realizados na maior medida do possível.
satisfeitas (tudo ou nada) Podem ser satisfeitos em graus variados, a
depender das possibilidades jurídicas.
Uma das regras em conflito OU será afastada A colisão resolve-se pela ponderação ou
pelo princípio da especialidade, OU será balanceamento de princípios.
declarada inválida.

- Postulados normativos ou metanormas: são normas sobre a aplicação de normas. Com o


reconhecimento da força normativa da Constituição, a expansão da jurisdição constitucional e o pós
positivismo, houve o deslocamento da Constituição para todos os demais ramos do direito, dando
origem a uma FILTRAGEM CONSTITUCIONAL. Os postulados são denominados pela maioria da
doutrina, como princípios, mas não têm a mesma função dos princípios. São normas de segundo
grau utilizadas para se interpretar os princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau).

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3.6. Princípios de interpretação Constitucional


a) UNIDADE DA CONSTITUIÇÃO: A Constituição é una e indivisível. Por isso, deve ser interpretada
como um todo, de modo a evitar conflitos, contradições e antagonismos entre suas normas. Em
decorrência, não há hierarquia entre normas constitucionais e não há normas constitucionais
originárias inconstitucionais.
É usado no conflito ABSTRATO de normas constitucionais.

b) CONCORDÂNCIA PRÁTICA OU HARMONIZAÇÃO: No caso de aparente conflito entre normas


constitucionais, devem ser harmonizadas ao caso concreto, respeitando ambas. Não pode haver
sacrifício total de um em relação ao outro, faz uma redução proporcional (sem supressão), para
harmonizá-los. Há uma ponderação de interesses, já que não há diferença de hierarquia ou de valor
entre os bens constitucionais. E só NO CASO CONCRETO é que podemos dizer qual prevalece, já que
não há hierarquia entre normas constitucionais (unidade da Constituição).

c) EFEITO INTEGRADOR: O intérprete deve preferir a interpretação que gera mais paz social, reforço
da unidade política, integração da sociedade.

d) MÁXIMA EFETIVIDADE: Deve preferir a interpretação que dê mais eficácia e aplicabilidade aos
direitos fundamentais.

e) FORÇA NORMATIVA: Na aplicação da Constituição, deve ser dada preferência às soluções


concretizadoras de suas normas que as torne mais eficazes e permanentes. A principal função desse
princípio tem sido para afastar interpretações divergentes. Segundo o STF, quando se tem
interpretações divergentes sobre a Constituição, estas enfraquecem a sua força normativa.

OBS: o da Força Normativa serve para todas as normas constitucionais; já o da Máxima Efetividade,
serve especificamente para os direitos fundamentais.

f) JUSTEZA OU CONFORMIDADE FUNCIONAL: Tem por finalidade impedir que os órgãos


encarregados da interpretação constitucional cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o
esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. É um princípio de competência
constitucional.

g) PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE OU CONVENIÊNCIA DAS LIBERDADES PÚBLICAS: Não existem


direitos absolutos, pois todos encontram limites em outros direitos ou em interesses coletivos
também consagrados na Constituição. De acordo com Bobbio, teriam caráter absoluto o direito a
não ser torturado e o direito a não ser escravizado.

h) INTERPRETAÇÃO CONFORME A CF: No caso de normas plurissignificativas (vários significados),


deve-se preferir aquela que mais se aproxime da Constituição.

i) PROPORCIONALIDADE OU RAZOABILIDADE: Significa justiça, bom senso, moderação. É para


evitar interpretações absurdas, podendo ser dividida em três subprincípios:
• Adequação: os meios usados têm que ser aptos a atingir os fins. Aptidão entre meio e fim.

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• Necessidade: o meio deve ser o menos gravoso possível. Jellinek: não se pode abater pardais
com canhões.
• Proporcionalidade em sentido estrito: ponderação entre o custo e o benefício da medida.
Para ser proporcional, a medida tem que trazer mais benefícios do que custos.

3.7. Técnicas de interpretação Constitucional


O movimento doutrinário chamado de moderna hermenêutica constitucional diz que toda a tarefa
de interpretação da CF deve estar voltada para um único objetivo: concretizar os direitos
fundamentais. Dentre essas modernas técnicas, estão previstas:

a) Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade: O Tribunal reconhece a


inconstitucionalidade da norma, porém NÃO a tira do ordenamento jurídico, com a justificativa de
que a sua ausência geraria mais danos do que a presença da lei inconstitucional. É possível, também,
que se opere a suspensão de aplicação da lei e dos processos em curso até que o legislador, dentro
de prazo razoável, venha a se manifestar sobre a situação inconstitucional;

b) Declaração de inconstitucionalidade com apelo ao legislador: Nessa técnica de interpretação,


"busca-se não declarar a inconstitucionalidade da norma sem antes fazer um apelo vinculado a
"diretivas" para obter do legislador uma atividade subsequente que torne a regra inconstitucional
harmônica com a Carta Maior. Incumbe-se ao legislador a difícil tarefa de regular determinada
matéria, de acordo com o que preceitua a própria Constituição."
A técnica possui relevância no caso da ação de inconstitucionalidade por omissão, em que o
Tribunal limita-se a constatar a inconstitucionalidade da omissão, exortando o legislador a abandonar
o seu estado de inércia, possuindo a decisão um cunho mandamental.

c) Interpretação conforme a Constituição: O Orgão jurisidicional declara qual das possíveis


interpretações se mostra compatível com a Lei Maior. É princípio que se situa no âmbito do controle
de constitucionalidade, e não simples regra de interpretação.

INTERPRETAÇÃO CONFORME A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE


CONSTITUIÇÃO PARCIAL SEM REDUÇÃO DE TEXTO
ADI é julgada parcialmente procedente ADI é julgada parcialmente procedente
Técnica de interpretação Técnica de aplicação (Lei “i” NÃO se aplica à
hipótese “H”)
É imprescindível que haja mais de uma Expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de
interpretação possível determinada hipótese de aplicação sem
(André Ramos Tavares: “O Tribunal NÃO alteração do texto legal. É mais incisiva do que a
declara que todas as demais interpretações interpretação conforme.
são inconstitucionais”)

4 Poder constituinte. 2.1 Características. 2.2 Poder constituinte originário. 2.3 Poder constituinte
derivado.

Segundo Canotilho, o Poder Constituinte se revela como uma questão de “poder”, “força” ou
“autoridade” política que, em uma situação concreta, pode criar, garantir ou eliminar uma
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Constituição entendida como lei fundamental da comunidade política. A doutrina aponta a existência
de três poderes constituintes: originário, derivado e difuso.

4.1. Poder Constituinte Originário: Instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com
a ordem jurídica precedente e possui como características:
• Inicial: Inaugura toda a normatividade jurídica;
• Autônomo: NÃO convive com nenhum outro poder que tenha a mesma hierarquia;
• Incondicionado: Não se sujeita a nenhuma outra norma jurídica;
• Ilimitado;
• Latente: É atemporal, contínuo, pois está pronto para ser acionado a qualquer momento.

A natureza do poder constituinte é jurídica ou extrajurídica?


Existem duas correntes doutrinárias:
a) Juspositivistas (Kelsen): O poder constituinte é um poder histórico, e inaugura toda
normatização jurídica. Adotado no Brasil.
b) Jusnaturalistas (Tomás de Aquino): o fundamento de validade está no direito
natural, e não seria completamente ilimitado, autônomo, soberano e incondicionado.

4.2. Poder Constituinte Derivado: Decorre do poder constituinte originário e da constituição e possui
como características:
• Subordinado hierarquicamente em plano inferior, ou seja, está abaixo do Poder Constituinte
Originário;
• Condicionado ou limitado: Só pode ser exercitado nos casos previstos pelo Poder Constituinte
Originário.

O Poder Constituinte Derivado possui três subespécies:

4.2.1. Reformador: Tem o poder ou competência para modificar a Constituição por meio de um
procedimento específico, estabelecido pelo Poder Constituinte Originário. Ao contrário deste, que
é um poder político, o Poder Constituinte Derivado Reformador tem natureza jurídica, pois deve
obedecer as limitações impostas pelo Originário.
- Em princípio, o Poder Constituinte de Reforma NÃO pode criar cláusulas pétreas: somente o Poder
Constituinte Originário pode fazê-las. No entanto, pode ampliar o catálogo dos direitos
fundamentais criados pelo Poder Constituinte Originário.

LIMITES AO PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR


• Temporais – NÃO previstos na CF/88;
• Circunstanciais: Estado de defesa, estado de sítio e intervenção federal;
• Materiais - excluem determinadas matérias do Poder Constituinte derivado reformador.
Os limites podem ser EXPRESSOS ou IMPLÍCITOS;
o Expressos: são as cláusulas de intangibilidade ou cláusulas pétreas do art. 60, §4º,
da CF. Tutela-se a proposta tendente a ABOLIR. Impede-se que haja a
DELIBERAÇÃO da emenda. O STF entende possível a impetração de MS por
parlamentar (controle de constitucionalidade preventivo judicial);

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o Implícitos: as próprias regras de reforma, titularidade do poder, proibição de


violar limitações expressas;
• Formais:
o Subjetivas: Iniciativa;
o Objetivas: quórum de 3/5 em dois turnos, por exemplo.

ATENÇÃO: O DIREITO ADQUIRIDO é oponível à Constituição quando o preceito constitucional for


fruto do Poder Constituinte derivado reformador, já que o direito adquirido é cláusula pétrea,
insuscetível de qualquer proposta de emenda para aboli-lo. Quanto ao poder constituinte originário,
NÃO se pode invocar direito adquirido.

É admitido o controle concentrado ou difuso de constitucionalidade de normas


produzidas pelo poder constituinte originário?
Em virtude do princípio da unidade normativa e do caráter rígido da Constituição
brasileira, admite-se no Brasil o controle de constitucionalidade apenas das normas
constitucionais que foram inseridas na Constituição pela via das emendas
constitucionais.
O STF não admite a tese das normas constitucionais inconstitucionais, ou seja, de
normas contraditórias advindas do poder constituinte originário. Assim, se o
intérprete da Constituição se deparar com duas ou mais normas aparentemente
contraditórias, deverá compatibilizá-las, de modo que ambas continuem vigentes.
Isso porque o princípio da unidade da Constituição afasta a tese de hierarquia entre
os dispositivos da Constituição.

4.2.2. Poder Constituinte Derivado Decorrente: Assim como o reformador, também é jurídico e
limitado pelo originário. Possui o objetivo de estruturar a constituição dos Estados-membros, em
decorrência da capacidade de auto- organização estabelecida pelo originário. Tal capacidade consta
artigo 25 da CF/88, o qual dita que “os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e Leis
que adotarem, observados os princípios desta Constituição.

A doutrina aponta que os princípios que devem ser seguidos pelos Estados-membros são:
a) Princípios sensíveis: Essência da organização constitucional da Federação brasileira - art. 34, VII,
da CF - se violados ensejam intervenção federal;
b) Princípios constitucionais estabelecidos: regras previstas para outros entes que, por
consequência, veda a atuação do Estado naquela matéria e;
c) Princípios constitucionais extensíveis: Normas organizatórias da União aplicadas aos estados pelo
princípio da simetria, e podem ser expressos ou implícitos. Ex: Sistema eleitoral, imunidades e
impedimentos dos Deputados.

Há poder constituinte derivado decorrente nos Municípios?


1ª Corrente: Há quem compreenda que as leis orgânicas são efetivo exercício do
poder constituinte derivado decorrente.
2ª Corrente (MAJORITÁRIA): Inexiste tal poder no âmbito dos municípios, pois estes
submetem-se a um poder de terceiro grau, na medida em que devem observância a
CF/88 e a respectiva Constituição Estadual. Entende-se que o poder derivado
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decorrente somente existe em face do segundo grau, ou seja, quando extrai seu
fundamento de validade da própria constituição.

4.2.3. Poder Constituinte Derivado Revisor: Também é condicionado e limitado às regras do


originário. Tal manifestação ocorreu cinco anos após a promulgação da atual Constituição, por
determinação do artigo 3º do ADCT.

4.3. Poder Constituinte Difuso: é um poder de fato manifestado por mutação constitucional.
Trata-se de mais um mecanismo de mudança da Constituição. Se por um lado a modificação
introduzida pelo Poder Constituinte Derivado Reformador é formal, por intermédio de emenda
constitucional, a do difuso se instrumentaliza de modo informal e espontâneo, como verdadeiro
poder de fato, modifica a Constituição sem alterar o seu texto. Pelo Poder Constituinte Difuso, a
interpretação do texto constitucional é alterada.

Referência Bibliográficas:
Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado.
Marcelo Novelino. Curso de Direito Constitucional.
Dirley da Cunha Junior. Curso de Direito Constitucional.

TRABALHO

Terceirização na administração pública e responsabilidade da administração pública

Terceirização: Ocorre quando a empresa, ao invés de executar serviços diretamente através de seus
empregados, contrata outra empresa para que esta os realize com pessoal sob sua responsabilidade.
Vejamos o teor da súmula 331 TST:
Súmula 331 do TST. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do
item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e
31.05.2011
I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo
diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019,
de 03.01.1974).
II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de
emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da
CF/1988).
III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei
nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados
ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação
direta.
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a
responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que
haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial.
V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem
subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa
no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização
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do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como


empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das
obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.
VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas
decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral.

I. Sujeitos envolvidos:
• Empregado terceirizado;
• Empresa intermediadora;
• Empresa tomadora.
II. Requisitos:
• Atividade-meio ou atividades secundárias da empresa;
• Ausência de pessoalidade e subordinação entre trabalhador e empresa tomadora, já que esta
contrata os serviços, e não a pessoa. O empregado se subordina à empresa intermediadora,
e não à tomadora.
III. Responsabilidade da tomadora: Se a empresa prestadora de serviços não pagar aos
trabalhadores, a tomadora deverá arcar com os encargos trabalhistas (RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA).
IV. Direito dos terceirizados: São os direitos pertencentes à categoria profissional da empresa
intermediadora (ou prestadora) de serviços. Logo, NÃO há possibilidade de o terceirizado requerer
equiparação salarial sendo o parâmetro o salário do empregado da tomadora, SALVO se ocorrer
fraude na terceirização.
OJ nº 383 da SDI-I do TST: A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa
interposta, não gera vínculo de emprego com ente da Administração Pública, não afastando,
contudo, pelo princípio da isonomia, o direito dos empregados terceirizados às mesmas verbas
trabalhistas legais e normativas asseguradas àqueles contratados pelo tomador dos serviços,
desde que presente a igualdade de funções. Aplicação analógica do art. 12, “a”, da Lei nº 6.019,
de 03.01.1974.
V. Terceirização na Administração Pública: Há possibilidade de terceirização da atividade-meio da
Administração Pública, a exemplo dos serviços de vigilância, limpeza e telefonia. No entanto, se
houver fraude, NÃO ocorre a formação de vínculo empregatício direto entre trabalhador e
Administração. Outrossim, a Administração Pública NÃO responde pelos encargos trabalhistas (NÃO
SERÁ RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIA).
ATENÇÃO: A Administração só será responsabilizada pelo descumprimento de eventuais encargos
trabalhistas se comprovada CULPA, ou seja, se for demonstrada a ausência de fiscalização do
contrato de prestação de serviços.

QUARTEIRIZAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: O QUE É ISSO?

Consiste na terceirização da atividade de gerenciamento à empresa que fiscaliza os


demais contratos de terceirização no âmbito da administração. Existe doutrina que
defende ser o estágio seguinte à terceirização, consistindo na contratação pela
Administração de um terceiro privado, especializado em gerenciar pessoas físicas ou
jurídicas, os “quarteirizados”, que o terceiro contratará para a execução de

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determinados serviços ou o fornecimento de certos bens necessários ao serviço


público.
- NÃO há relação jurídica entre a Administração e empresas quarteirizadas, mas entre
a Administração e empresa gerenciadora, razão pela qual o Estado NÃO possui
responsabilidade pelos atos praticados pelas quarteirizadas.
- Exemplo: contratação de empresa especializada no gerenciamento da manutenção
preventiva e corretiva de veículos de órgãos policiais. No contrato, a empresa
privada, vencedora da licitação, tem o dever de gerenciar a frota de veículos da
administração, incluindo fornecimento de peças, acessórios, mão-de-obra e
transporte por guincho.

ATENÇÃO: NOTÍCIAS IMPORTANTES DO STF SOBRE O TEMA

O Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu, nesta quinta-feira (30), o julgamento do Recurso
Extraordinário (RE) 760931, com repercussão geral reconhecida, que discute a responsabilidade subsidiária
da administração pública por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empresa terceirizada.
Com o voto do ministro Alexandre de Moraes, o recurso da União foi parcialmente provido, confirmando-
se o entendimento, adotado na Ação de Declaração de Constitucionalidade (ADC) 16, que veda a
responsabilização automática da administração pública, só cabendo sua condenação se houver prova
inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na fiscalização dos contratos.
Na conclusão do julgamento, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, lembrou que existem pelo menos
50 mil processos sobrestados aguardando a decisão do caso paradigma.
Para a fixação da tese de repercussão geral, os ministros decidiram estudar as propostas apresentadas para
se chegar à redação final, a ser avaliada oportunamente.
Desempate
Ao desempatar a votação, suspensa no dia 15/2 para aguardar o voto do sucessor do ministro Teori Zavascki
(falecido), o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que a matéria tratada no caso é um dos mais profícuos
contenciosos do Judiciário brasileiro, devido ao elevado número de casos que envolvem o tema. “Esse
julgamento tem relevância no sentido de estancar uma interminável cadeia tautológica que vem
dificultando o enfrentamento da controvérsia”, afirmou.
Seu voto seguiu a divergência aberta pelo ministro Luiz Fux. Para Moraes, o artigo 71, parágrafo 1º da Lei
de Licitações (Lei 8.666/1993) é “mais do que claro” ao exonerar o Poder Público da responsabilidade do
pagamento das verbas trabalhistas por inadimplência da empresa prestadora de serviços.
No seu entendimento, elastecer a responsabilidade da Administração Pública na terceirização “parece ser
um convite para que se faça o mesmo em outras dinâmicas de colaboração com a iniciativa privada, como
as concessões públicas”. O ministro Alexandre de Moraes destacou ainda as implicações jurídicas da decisão
para um modelo de relação público-privada mais moderna. “A consolidação da responsabilidade do estado
pelos débitos trabalhistas de terceiro apresentaria risco de desestímulo de colaboração da iniciativa privada
com a administração pública, estratégia fundamental para a modernização do Estado”, afirmou.
Voto vencedor
O ministro Luiz Fux, relator do voto vencedor – seguido pela ministra Cármen Lúcia e pelos ministros Marco
Aurélio, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – lembrou, ao votar na sessão de 8/2, que a Lei
9.032/1995 introduziu o parágrafo 2º ao artigo 71 da Lei de Licitações para prever a responsabilidade
solidária do Poder Público sobre os encargos previdenciários. “Se quisesse, o legislador teria feito o mesmo
em relação aos encargos trabalhistas”, afirmou. “Se não o fez, é porque entende que a administração
pública já afere, no momento da licitação, a aptidão orçamentária e financeira da empresa contratada”.
Relatora

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O voto da relatora, ministra Rosa Weber, foi no sentido de que cabe à administração pública comprovar que
fiscalizou devidamente o cumprimento do contrato. Para ela, não se pode exigir dos terceirizados o ônus de
provar o descumprimento desse dever legal por parte da administração pública, beneficiada diretamente
pela força de trabalho.
Seu voto foi seguido pelos ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Celso de
Mello.
Processos relacionados
RE 760931

Plenário define tese de repercussão geral sobre responsabilidade de entes públicos em terceirização
O Plenário do Supremo Tribunal Federal definiu, nesta quarta-feira (26), a tese de repercussão geral firmada
no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 760931, que discute a responsabilidade da administração
pública gerada pelo inadimplemento de verbas trabalhistas de empresas prestadoras de serviços
contratadas por meio de licitações.
A tese aprovada foi proposta pelo ministro Luiz Fux, autor do voto vencedor no julgamento, concluído no
dia 30/3, e foi redigida nos seguintes termos:
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere ao poder público
contratante automaticamente a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou
subsidiário, nos termos do artigo 71, parágrafo 1º, da Lei 8.666/1993.

LEI Nº 8.666
Art. 71
§ 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não
transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto
do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de
Imóveis.

Referências bibliográficas:
Henrique Correia. Direito do Trabalho para concursos de analista do TRT e MPU.
Rafael Carvalho Resende Oliveira. Curso de Direito Administrativo.

LEITURA APARTADA

PODER PÚBLICO EM JUÍZO PARA CONCURSOS – RELEITURA DE GRIFOS


CAPÍTULO 01, 02, 03 e 04

LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO

PÁGINAS 21 a 46

SÚMULA VINCULANTE TODO DIA

Alta chance de ser cobrado (+++)


Média chance de ser cobrada (++)
Pouca chance (+)

SÚMULA VINCULANTE 1 (+)


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Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que, sem ponderar as circunstâncias do
caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante de termo de adesão instituído pela
Lei Complementar nº 110/2001.

SÚMULA VINCULANTE 2 (+++)

É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e
sorteios, inclusive bingos e loterias.

SÚMULA VINCULANTE 3 (+++)

Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando
da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado,
excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

SÚMULA VINCULANTE 4 (+++)

Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de
cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.

SÚMULA VINCULANTE 5 (+++)

A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

SÚMULA VINCULANTE 6 (+++)

Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças
prestadoras de serviço militar inicial.

SÚMULA VINCULANTE 7 (+)

A norma do § 3º do artigo 192 da Constituição, revogada pela Emenda Constitucional nº 40/2003, que
limitava a taxa de juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicação condicionada à edição de lei complementar.

SÚMULA VINCULANTE 8 (++)

São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei


nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.

SÚMULA DO STF TODO DIA

SÚMULA Nº 101

O MANDADO DE SEGURANÇA NÃO SUBSTITUI A AÇÃO POPULAR.

SÚMULA Nº 164

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NO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO, SÃO DEVIDOS JUROS COMPENSATÓRIOS DESDE A ANTECIPADA


IMISSÃO DE POSSE, ORDENADA PELO JUIZ, POR MOTIVO DE URGÊNCIA.

SÚMULA DO STJ TODO DIA

DIREITO ADMINISTRATIVO

CONCURSO PÚBLICO

Súmula 266 - O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não na
inscrição para o concurso público. (Súmula 266, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2002, DJ 29/05/2002 p.
135)

Súmula 377 - O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas
reservadas aos deficientes. (Súmula 377, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 05/05/2009)

DESAPROPRIAÇÃO

Súmula 12 - Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios. (Súmula 12, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 30/10/1990, DJ 05/11/1990)

Súmula 56 - Na desapropriação para instituir servidão administrativa são devidos os juros compensatórios pela
limitação de uso da propriedade. (Súmula 56, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 29/09/1992, DJ 06/10/1992)

Súmula 67 - Na desapropriação, cabe a atualização monetária, ainda que por mais de uma vez, independente
do decurso de prazo superior a um ano entre o cálculo e o efetivo pagamento da indenização. (Súmula 67,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 774)

Súmula 69 - Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos desde a antecipada imissão na
posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel. (Súmula 69, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775)

Súmula 70 - Os juros moratórios, na desapropriação direta ou indireta, contam-se desde o transito em julgado
da sentença. (Súmula 70, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775)

Entendimento superado em parte.

Vejamos a lição do Dr. Márcio André Lopes Cavalcante:

Se a ação de desapropriação for proposta por uma pessoa jurídica de direito público: não se aplica a
súmula 70 do STJ. Isso porque após o trânsito em julgado o valor fixado na sentença ainda será inscrito
como precatório e o art. 100 da CF/88 confere um prazo mínimo para ele ser pago. A Constituição
afirma que, uma vez inscrito até 1º de julho de um ano, o precatório deverá ser pago até o final do ano
seguinte. Logo, enquanto estiver dentro desse prazo conferido pela CF/88, não há que se falar em mora
(não sendo devidos os juros de mora). Assim, se a ação foi proposta por pessoa jurídica de direito
público, os juros moratórios serão contados a partir de 1º de janeiro do exercício financeiro seguinte
àquele em que o pagamento deveria ser efetuado, nos termos do art. 100 da CF/88. Aplica-se aqui a
regra prevista no art. art. 15-B do Decreto-Lei nº 3365/41 (incluído pela MP nº 1577/97).

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Se a ação de desapropriação for proposta por pessoa jurídica de direito privado (empresas públicas,
sociedades de economia mista*, concessionárias etc.): aplica-se a súmula 70 do STJ e o termo inicial
dos juros moratórios será o trânsito em julgado da sentença. Isso porque as entidades privadas não
gozam dessa regra especial de pagamento por meio de precatórios.

* Atenção: É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de


serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial (STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017).

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Súmula 70-STJ. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1517c8664be296f0d87d9e5fc5
4fdd60>. Acesso em: 28/12/2017

Súmula Vinculante 17
Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora
sobre os precatórios que nele sejam pagos.

SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA

Súmula nº 6 do TST

EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ART. 461 DA CLT (redação do item VI alterada) – Res. 198/2015, republicada em
razão de erro material – DEJT divulgado em 12, 15 e 16.06.2015

I - Para os fins previstos no § 2º do art. 461 da CLT, só é válido o quadro de pessoal organizado em carreira
quando homologado pelo Ministério do Trabalho, excluindo-se, apenas, dessa exigência o quadro de carreira
das entidades de direito público da administração direta, autárquica e fundacional aprovado por ato
administrativo da autoridade competente. (ex-Súmula nº 06 – alterada pela Res. 104/2000, DJ 20.12.2000)

II - Para efeito de equiparação de salários em caso de trabalho igual, conta-se o tempo de serviço na função e
não no emprego. (ex-Súmula nº 135 - RA 102/1982, DJ 11.10.1982 e DJ 15.10.1982)

III - A equiparação salarial só é possível se o empregado e o paradigma exercerem a mesma função,


desempenhando as mesmas tarefas, não importando se os cargos têm, ou não, a mesma denominação. (ex-
OJ da SBDI-1 nº 328 - DJ 09.12.2003)

IV - É desnecessário que, ao tempo da reclamação sobre equiparação salarial, reclamante e paradigma estejam
a serviço do estabelecimento, desde que o pedido se relacione com situação pretérita. (ex-Súmula nº 22 - RA
57/1970, DO-GB 27.11.1970)

V - A cessão de empregados não exclui a equiparação salarial, embora exercida a função em órgão
governamental estranho à cedente, se esta responde pelos salários do paradigma e do reclamante. (ex-Súmula
nº 111 - RA 102/1980, DJ 25.09.1980)

VI - Presentes os pressupostos do art. 461 da CLT, é irrelevante a circunstância de que o desnível salarial tenha
origem em decisão judicial que beneficiou o paradigma, exceto: a) se decorrente de vantagem pessoal ou de
tese jurídica superada pela jurisprudência de Corte Superior; b) na hipótese de equiparação salarial em cadeia,
suscitada em defesa, se o empregador produzir prova do alegado fato modificativo, impeditivo ou extintivo
do direito à equiparação salarial em relação ao paradigma remoto, considerada irrelevante, para esse efeito,
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a existência de diferença de tempo de serviço na função superior a dois anos entre o reclamante e os
empregados paradigmas componentes da cadeia equiparatória, à exceção do paradigma imediato.

VII - Desde que atendidos os requisitos do art. 461 da CLT, é possível a equiparação salarial de trabalho
intelectual, que pode ser avaliado por sua perfeição técnica, cuja aferição terá critérios objetivos. (ex-OJ da
SBDI-1 nº 298 - DJ 11.08.2003)

VIII - É do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da equiparação salarial.
(ex-Súmula nº 68 - RA 9/1977, DJ 11.02.1977)

IX - Na ação de equiparação salarial, a prescrição é parcial e só alcança as diferenças salariais vencidas no


período de 5 (cinco) anos que precedeu o ajuizamento. (ex-Súmula nº 274 - alterada pela Res. 121/2003, DJ
21.11.2003)

X - O conceito de "mesma localidade" de que trata o art. 461 da CLT refere-se, em princípio, ao mesmo
município, ou a municípios distintos que, comprovadamente, pertençam à mesma região metropolitana. (ex-
OJ da SBDI-1 nº 252 - inserida em 13.03.2002)

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ARTIGO 461 DA CLT

“Art. 461. Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao MESMO empregador, NO
MESMO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia,
nacionalidade ou idade.
§ 1o Trabalho de igual valor, para os fins deste Capítulo, será o que for feito com igual produtividade e com
a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o MESMO empregador
NÃO seja superior a quatro anos e a diferença de tempo na função NÃO seja superior a dois anos.
§ 2o Os dispositivos deste artigo NÃO prevalecerão quando o empregador tiver pessoal organizado em
quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de negociação coletiva, plano de
cargos e salários, DISPENSADA QUALQUER FORMA DE HOMOLOGAÇÃO OU REGISTRO EM ÓRGÃO PÚBLICO.
§ 3o No caso do § 2o deste artigo, as promoções poderão ser feitas por merecimento e por antiguidade, ou
por apenas um destes critérios, dentro de cada categoria profissional.
......................................................................................
§ 5o A equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função,
ficando vedada a indicação de paradigmas remotos, AINDA que o paradigma contemporâneo tenha obtido
a vantagem em ação judicial própria.
§ 6o No caso de comprovada discriminação por motivo de sexo ou etnia, o juízo determinará, além do
pagamento das diferenças salariais devidas, multa, em favor do empregado discriminado, no valor de 50%
(cinquenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.” (NR)

Súmula nº 85 do TST

COMPENSAÇÃO DE JORNADA (inserido o item VI) - Res. 209/2016, DEJT divulgado em 01, 02 e 03.06.2016

I. A compensação de jornada de trabalho deve ser ajustada por acordo individual escrito, acordo coletivo ou
convenção coletiva. (ex-Súmula nº 85 - primeira parte - alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003)

II. O acordo individual para compensação de horas é válido, salvo se houver norma coletiva em sentido
contrário. (ex-OJ nº 182 da SBDI-1 - inserida em 08.11.2000)
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III. O mero não atendimento das exigências legais para a compensação de jornada, inclusive quando encetada
mediante acordo tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal diária,
se não dilatada a jornada máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional. (ex-Súmula nº 85 -
segunda parte - alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003)

IV. A prestação de horas extras habituais descaracteriza o acordo de compensação de jornada. Nesta hipótese,
as horas que ultrapassarem a jornada semanal normal deverão ser pagas como horas extraordinárias e, quanto
àquelas destinadas à compensação, deverá ser pago a mais apenas o adicional por trabalho extraordinário.
(ex-OJ nº 220 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)

V. As disposições contidas nesta súmula não se aplicam ao regime compensatório na modalidade “banco de
horas”, que somente pode ser instituído por negociação coletiva.

VI - Não é válido acordo de compensação de jornada em atividade insalubre, ainda que estipulado em norma
coletiva, sem a necessária inspeção prévia e permissão da autoridade competente, na forma do art. 60 da
CLT.

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ARTIGO 59 DA CLT

“Art. 59. A duração diária do trabalho PODERÁ ser acrescida de horas extras, em número NÃO excedente de
duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.
§ 1o A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal.
......................................................................................
§ 3o Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da
jornada extraordinária, na forma dos §§ 2o e 5o deste artigo, o trabalhador terá direito ao pagamento das
horas extras NÃO compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão.
§ 4o (Revogado).
§ 5o Obanco de horas de que trata o § 2o deste artigo PODERÁ ser pactuado por acordo individual escrito,
desde que a compensação ocorra no período máximo de seis meses.
§ 6o É lícito o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para
a compensação no MESMO mês.” (NR)

Súmula nº 90 do TST

HORAS "IN ITINERE". TEMPO DE SERVIÇO (incorporadas as Súmulas nºs 324 e 325 e as Orientações
Jurisprudenciais nºs 50 e 236 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I - O tempo despendido pelo empregado, em condução fornecida pelo empregador, até o local de trabalho de
difícil acesso, ou não servido por transporte público regular, e para o seu retorno é computável na jornada de
trabalho. (ex-Súmula nº 90 - RA 80/1978, DJ 10.11.1978)

II - A incompatibilidade entre os horários de início e término da jornada do empregado e os do transporte


público regular é circunstância que também gera o direito às horas "in itinere". (ex-OJ nº 50 da SBDI-1 -
inserida em 01.02.1995)

III - A mera insuficiência de transporte público não enseja o pagamento de horas "in itinere". (ex-Súmula nº
324 – Res. 16/1993, DJ 21.12.1993)
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IV - Se houver transporte público regular em parte do trajeto percorrido em condução da empresa, as horas
"in itinere" remuneradas limitam-se ao trecho não alcançado pelo transporte público. (ex-Súmula nº 325 –
Res. 17/1993, DJ 21.12.1993)

V - Considerando que as horas "in itinere" são computáveis na jornada de trabalho, o tempo que extrapola a
jornada legal é considerado como extraordinário e sobre ele deve incidir o adicional respectivo. (ex-OJ nº 236
da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ARTIGO 59 DA CLT

“Art. 58. A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, NÃO excederá
de 8 (oito) horas diárias, desde que NÃO seja fixado expressamente outro limite.
§ 2o O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de
trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo
empregador, NÃO será computado na jornada de trabalho, por NÃO ser tempo à disposição do
empregador.
§ 3o (Revogado).” (NR)

O que dizia o parágrafo 3º revogado?

§ 3º Poderão ser fixados, para as microempresas e empresas de pequeno porte, por meio de acordo ou
convenção coletiva, em caso de transporte fornecido pelo empregador, em local de difícil acesso ou não
servido por transporte público, o tempo médio despendido pelo empregado, bem como a forma e a natureza
da remuneração.

Súmula nº 100 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA (incorporadas as Orientações Jurisprudenciais nºs 13, 16, 79, 102, 104, 122
e 145 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005

I - O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em


julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não. (ex-Súmula nº 100 - alterada pela Res.
109/2001, DJ 20.04.2001)

II - Havendo recurso parcial no processo principal, o trânsito em julgado dá-se em momentos e em tribunais
diferentes, contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão,
salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida,
hipótese em que flui a decadência a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial. (ex-
Súmula nº 100 - alterada pela Res. 109/2001, DJ 20.04.2001)

III - Salvo se houver dúvida razoável, a interposição de recurso intempestivo ou a interposição de recurso
incabível não protrai o termo inicial do prazo decadencial. (ex-Súmula nº 100 - alterada pela Res. 109/2001,
DJ 20.04.2001)

IV - O juízo rescindente não está adstrito à certidão de trânsito em julgado juntada com a ação rescisória,
podendo formar sua convicção através de outros elementos dos autos quanto à antecipação ou postergação
do "dies a quo" do prazo decadencial. (ex-OJ nº 102 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003)
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V - O acordo homologado judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT. Assim
sendo, o termo conciliatório transita em julgado na data da sua homologação judicial. (ex-OJ nº 104 da SBDI-
2 - DJ 29.04.2003)

VI - Na hipótese de colusão das partes, o prazo decadencial da ação rescisória somente começa a fluir para o
Ministério Público, que não interveio no processo principal, a partir do momento em que tem ciência da
fraude. (ex-OJ nº 122 da SBDI-2 - DJ 11.08.2003)

VII - Não ofende o princípio do duplo grau de jurisdição a decisão do TST que, após afastar a decadência em
sede de recurso ordinário, aprecia desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e
estiver em condições de imediato julgamento. (ex-OJ nº 79 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002)

VIII - A exceção de incompetência, ainda que oposta no prazo recursal, sem ter sido aviado o recurso próprio,
não tem o condão de afastar a consumação da coisa julgada e, assim, postergar o termo inicial do prazo
decadencial para a ação rescisória. (ex-OJ nº 16 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

IX - Prorroga-se até o primeiro dia útil, imediatamente subseqüente, o prazo decadencial para ajuizamento de
ação rescisória quando expira em férias forenses, feriados, finais de semana ou em dia em que não houver
expediente forense. Aplicação do art. 775 da CLT. (ex-OJ nº 13 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

X - Conta-se o prazo decadencial da ação rescisória, após o decurso do prazo legal previsto para a interposição
do recurso extraordinário, apenas quando esgotadas todas as vias recursais ordinárias. (ex-OJ nº 145 da SBDI-
2 - DJ 10.11.2004)

Súmula nº 214 do TST

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. IRRECORRIBILIDADE (nova redação) - Res. 127/2005, DJ 14, 15 e 16.03.2005

Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso
imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou
Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetível de impugnação mediante recurso
para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para
Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, §
2º, da CLT.

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DIA 03 E 04

DISCIPLINA
ADMINISTRATIVO:

2.3 Princípios expressos e implícitos da administração pública. 2.4 Administração pública na


Constituição Federal. 3 Regime jurídico-administrativo. 3.1 Conceito. 3.2 Supremacia do
interesse público sobre o privado e indisponibilidade do interesse público. 4 Organização
administrativa. 4.1 Centralização, descentralização, concentração e desconcentração. 4.2
Administração direta. 4.2.1 Conceito. 4.2.2 Órgão público: conceito; teorias sobre as relações do
Estado com os agentes públicos; características; e classificação. 4.3 Administração indireta. 4.3.1
Conceito. 4.3.2 Autarquias. 4.3.3 Agências reguladoras. 4.3.4 Agências executivas. 4.3.5
Fundações públicas. 4.3.6 Empresas públicas. 4.3.7 Sociedades de economia mista. 4.3.8
Consórcios públicos. 4.4 Serviços sociais autônomos; entidades de apoio; organizações sociais;
organizações da sociedade civil de interesse público.

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO (2016) Autor: Rafael Carvalho Rezende Oliveira –
Ed. GEN

http://www5.trf5.jus.br/novasAquisicoes/sumario/Curso_de_direito_administrativo_1063-
16_sumario.pdf

CAPÍTULOS: 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 12

2. Manual de Direito Administrativo. Autor: José dos Santos Carvalho Filho

CAPÍTULOS: 1 (Item V) e 9

Boas opções de resumos para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. Sinopses para Concursos - v.9 - Direito Administrativo. Autores: Fernando Ferreira Baltar
Neto e Ronny Charles Lopes de Torres
https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/cfd730840ad982ca54e27c
49ee6d024f.pdf

CAPÍTULOS: 2 (Item 3), 3 (Itens 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7) e 4

2. Resumo de Direito Administrativo Descomplicado: Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino

http://www.mktgen.com.br/MET/Sumario/9788530975791_SUM.pdf

CAPÍTULOS: 2, 3 e 5
DISCIPLINA
FINANCEIRO:
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1 Direito financeiro. 1.1 Conceito e objeto. 1.2 Direito financeiro na Constituição Federal de 1988.
1.2.1 Normas gerais e orçamento. 2 Orçamento público. 2.1 Conceito, espécies e natureza
jurídica. 2.2 Princípios orçamentários. 2.3 Leis orçamentárias. 2.3.1 Espécies e tramitação
legislativa. 2.4 Lei nº 4.320/1964 e suas alterações. 2.5 Fiscalização financeira e orçamentária.

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Manual de Direito Financeiro (2017)
6ª Edição: Revista, ampliada e atualizada
Autor: Harrison Leite

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/4d3e5c4185c8d0d2c5765
64e2a18cca9.pdf

CAPÍTULOS: 2 e 6

2. Leis Especiais para Concursos – V. 13. Direito Financeiro (2017)


3ª Edição: revista, ampliada e atualizada
Autores: Marcelo Jucá Lisboa e Ricardo Almeida

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/9473c8cd5273f2bd709797
0080b827d0.pdf

CAPÍTULOS: Títulos I até VIII.


DISCIPLINA
AMBIENTAL:

1 Direito ambiental constitucional. 1.1 Meio ambiente como direito fundamental. 1.2 Princípios
estruturantes do estado de direito ambiental. 1.3 Competências ambientais legislativa e
material. 1.4 Deveres ambientais. 1.5 Instrumentos jurisdicionais. 1.5.1 Ação civil pública, ação
penal pública, mandado de segurança individual e coletivo, ação popular, mandado de injunção
ambiental. 1.6 Função ambiental pública e privada. 1.7 Função social da propriedade. 1.8 Art.
225 da Constituição Federal de 1988. 2 Conceito de meio ambiente e seus aspectos. 3 Princípios
de direito ambiental. 3.1 Prevenção, precaução, poluidor-pagador e usuário-pagador,
cooperação, informação, participação, equidade intergeracional.

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Direito Ambiental Esquematizado - Frederico Amado

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/83acdae2128388c5b30ba
3b556f5a1f2.pdf
CAPÍTULOS: 2, 3, 4, 5 E 27.

2. MANUAL DE DIREITO AMBIENTAL (2017)


7a edição: Revista, ampliada e atualizada
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Autor: Romeu Thomé


Curso de Direito Ambiental. Autor: Romeu Thomé – Ed. Juspodivm

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/1ec1f2a3f753abba6316e1
0bae181935.pdf

CAPÍTULOS: 2, 3 e 14.

Boa opção de resumo para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. Leis Especiais para Concursos - v.10 - Direito Ambiental - Leonardo de Medeiros Garcia e
Romeu Thomé

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/d648192336c9dd2ea3be1
592ce5c1e73.pdf
CAPÍTULOS: 1 e 2

RESUMO DO DIA

ADMINISTRATIVO

Princípios expressos e implícitos da administração pública. Administração pública na Constituição


Federal. Regime jurídico-administrativo. Conceito. Supremacia do interesse público sobre o
privado e indisponibilidade do interesse público. Organização administrativa. Centralização,
descentralização, concentração e desconcentração. Administração direta. Conceito. Órgão
público: conceito; teorias sobre as relações do Estado com os agentes públicos; características; e
classificação. Administração indireta. Conceito. Autarquias. Empresas públicas. Sociedades de
economia mista. Entidades de apoio; organizações sociais; organizações da sociedade civil de
interesse público.

1) Princípios inerentes à organização administrativa


• Planejamento
• Coordenação
• Descentralização Administrativa
• Delegação de competência
• Controle: Exercido em todos os níveis e órgãos do governo

2) Descentralização x Desconcentração
I. Desconcentração:
- Distribuição dentro da mesma pessoa jurídica – criam centros de competência dentro da mesma
pessoa jurídica;
- Baseia-se na hierarquia (subordinação);
- Transferência de órgãos da mesma pessoa jurídica.
- A DESCONCENTRAÇÃO DECORRE DO PODER HIERÁRQUICO.
- Desconcentração = divisão interna de tarefas
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II. Descentralização:
- Deslocamento para uma nova pessoa (física ou jurídica);
- NÃO existe hierarquia, mas há controle e fiscalização (sem subordinação).
- Transferência para pessoa da Administração indireta ou particulares.
- TEORIA DA INSTITUCIONALIZAÇÃO (MARÇAL JUSTEN): Os órgãos públicos, embora NÃO contem
com personalidade jurídica, podem adquirir vida própria. Ex: Exército brasileiro.
- STF: É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja
previsão para esse fim na própria lei que instituiu a empresa estatal, visto que a lei criadora é a
própria medida autorizadora.

2.1) Espécies de descentralização:


a) Outorga:
- Transfere execução + titularidade;
- Destina-se a pessoas jurídicas de direito público especializadas;
- Requer lei específica
b) Delegação ( = descentralização por colaboração):
- Só transfere a execução;
- Entidades de direito privado da administração indireta e particulares;
- Formalizada por contrato (particulares) ou Lei (Administração indireta).

Descentralização Territorial ou geográfica: Ocorre com entidade geograficamente


delimitada, dotada de personalidade jurídica própria de direito público, com
capacidade de administração e possibilidade de execução das atividades estatais.
- Típica da França e Itália => NÃO admitida no Brasil desde a proclamação da república.
- Alguns doutrinadores aplicam para os territórios federais.

ATENÇÃO – DESCENTRALIZAÇÃO SOCIAL (DIOGO DE FIGUEIREDO MOREIRA NETO): Consiste em


aliviar do Estado a execução direta ou indireta de atividades de relevância coletiva que possam ser
convenientemente cometidas por credenciamentos ou reconhecimentos a unidades sociais
personalizadas.

CONTROLES ADMINISTRATIVOS: TUTELA X HIERARQUIA


I) TUTELA:
• NÃO se presume – Depende de Lei
• Pressupõe a existência de duas pessoas jurídicas, onde uma exerce controle
sobre a outra (fruto da descentralização);
• Condicionada pela lei.

II) HIERARQUIA
• Inerente à organização interna dos entes federativos – NÃO depende de
previsão legal.
• Existe no interior de uma mesma pessoa – ideia de desconcentração.
• Incondicionada, sendo-lhe inerente uma série de poderes administrativos.

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3) Órgãos Públicos: Parcelas integrantes da pessoa jurídica e, por isso, NÃO possuem vontade
própria, sendo a criação e extinção por lei.
- Hely Lopes: Órgãos são centros especializados de competências.
- Ausência de personalidade jurídica própria.
- Existem dentro da Administração direta e indireta.

3.1) Teorias:
• Teoria do Mandato: O agente público é mandatário da pessoa jurídica, sendo a relação
construída em função de um contrato de mandato.
- Crítica: NÃO se admite que um Estado, que NÃO tem vontade própria e nem tem como exterioriza-
la, possa assinar um contrato, instrumento que depende da autonomia da vontade.
• Teoria da Representação: O agente público seria representante do Estado por força de lei,
equiparando-se ao tutor ou curador, representando os incapazes.
- Críticas:
o A representação pressupõe duas figuras independentes, com suas vontades, o que na
verdade NÃO acontece, já que a vontade do agente e do Estado NÃO se confundem.
o A pessoa jurídica ficaria equiparada a um incapaz por essa teoria, sendo absurda a ideia de
que o incapaz confere representante de si mesmo.
o O incapaz NÃO pode ser civilmente responsabilizado, o que NÃO ocorre com o Estado.
• Teoria do Órgão (Teoria da imputação volitiva) – Otto Von Gierke – A vontade do agente
público manifesta a do Estado.
- Explica a teoria do funcionário de fato, que é aquele cuja investidura foi irregular ou viciada, mas
cuja situação tem aparência de legalidade. Para a Teoria, consideram-se válidos os atos praticados
por um funcionário de fato, em nome da boa-fé dos administrados, segurança jurídica e legalidade
dos atos, pois o ato é do órgão, não do agente.

CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS


1) Quanto a hierarquia:
a) Independentes: NÃO estão hierarquicamente subordinados a nenhum outro órgão,
se sujeitando apenas ao controle dos poderes estruturais do Estado. Ex: Presidente da
República. – têm origem na CF.
b) Autônomos: Órgãos imediatamente subordinados aos órgãos independentes.
Possuem autonomia administrativa e financeira e são órgãos diretivos. Ex: Ministério
da Fazenda.
c) Superiores: Possuem apenas poder de direção e controle sobre assuntos específicos
de sua competência, mas NÃO possuem autonomia e independência, embora
conservem o Poder de decisão. Ex: SRF, Polícias, Procuradorias.
OBS: O MP É UM ÓRGÃO INDEPENDENTE, EMBORA NÃO SEJA UM PODER.
d) Subalternos: Órgão com reduzido poder de decisão, destinado a mera execução de
atividades administrativas.

CESPE: Quanto à posição estatal, os órgãos públicos superiores são considerados


órgãos de direção, controle e comendo sujeitos à subordinação e ao controle
hierárquico de uma chefia e NÃO possuem autonomia administrativa e financeira.
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2) Quanto à atuação funcional


a) Singular
b) Colegiado

3) Quanto à estrutura
a) Simples - Atuam sozinhos (um único centro de competência)
b) Composto – Há mais de um órgão atuando em sua estrutura.

4) Quanto às funções
a) Ativos
b) Consultivos
c) De controle

5) Quanto ao âmbito de atuação


a) Central
b) Local

CESPE: Quanto à posição estatal, os Órgãos públicos superiores são considerados


órgãos de direção, controle e comendo sujeitos à subordinação e ao controle
hierárquico de uma chefia, e não possuem autonomia administrativa e financeira.

- CESPE: Como regra, a criação e a extinção de órgãos públicos NÃO pode acontecer por decreto do
chefe do executivo, mas apenas por lei.
- CESPE: A competência do órgão é intransferível e irrenunciável, porém pode ser delegada ou
avocada.
- ATENÇÃO: Em regra, os órgãos, por NÃO terem personalidade jurídica, NÃO têm capacidade
processual, SALVO nas hipóteses:
• Previsão legal
• Em que os órgãos são titulares de direitos subjetivos, o que lhes conferem capacidade
processual para a defesa das prerrogativas e competências, para defesa de atribuições institucionais.
Ex: Órgãos independentes e autônomos, desde que:
o Órgão de cúpula de hierarquia administrativa;
o Defesa de suas prerrogativas institucionais.
- STJ: Já reconheceu a capacidade processual para a Câmara dos Vereadores impetrar MS, quando
caracterizada inércia do Município, na defesa de suas prerrogativas institucionais.

4) Descentralização – Espécies:
a) Descentralização política – Feita pela CF, ao dividir a competência entre os entes federativos;
b) Descentralização Administrativa – Feita aos entes da administração indireta e a particulares.
- Controle Finalístico (= vinculação/ tutela administrativa/ supervisão ministerial): É o controle pela
administração direta à pessoa política a qual é vinculada a Administração indireta.

ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – CARACTERÍSTICAS:

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1) Devem gozar de personalidade jurídica e possuir patrimônio próprio quando da


sua criação, e a entidade responsável transfere parte de seu patrimônio ao novo ente,
o qual terá liberdade para usá-lo.
2) Possuem capacidade de autoadministração (autonomia técnica + administrativa).
3) Lei específica cria as autarquias e autoriza a criação dos demais entes da
administração indireta (no último caso, imprescindível o registro dos atos
constitutivos no cartório de pessoas jurídicas ou na junta comercial para empresas
estatais).
4) Devem ter finalidade pública.
5) Sujeitas a controle finalístico + Tribunal de Contas. – Supervisão ministerial.

5) Entes da Administração indireta


- Administração indireta: o fim NÃO poderá ser o lucro, mas será consequência da atividade.
- A competência do órgão é intransferível e irrenunciável, mas pode ser delegada ou avocada.

5.1) Autarquias
- Súmula 620 STF: As entidades autárquicas NÃO gozam do reexame necessário => A jurisprudência
AFASTA essa súmula, de modo que gozam do duplo grau obrigatório.
- Responsabilidade civil: Subsidiária.
- Sujeitas a controle financeiro do Tribunal de Contas.
- Regime estatutário => Peculiaridades:
• Promulgação da CF/88: Obrigatoriedade do regime jurídico único;
• Reforma Administrativa – EC 19/98: Fim da obrigatoriedade do Regime Jurídico Único.
• Decisão liminar do STF em ADI – Retorno da obrigatoriedade do RJU, liminar com efeitos ex
nunc => CONCLUSÃO: regime deve ser estatutário, SALVO contratações celetistas antes da decisão
do STF e após a reforma administrativa.
- Responsabilidade civil objetiva
- NÃO possuem autonomia política
- Possuem autonomia financeira e de autorregulação.
- NÃO se admite o ingresso de servidores celetistas para a prestação dos serviços nos entes da
administração direta, autárquica e fundacional, pois são regidos pela Lei 8.112/90.
- São ainda espécies de autarquias:

a) Autarquias profissionais: As anuidades são tributos, SALVO a OAB, por ser entidade sui generis,
conforme entendeu o STF.
b) Autarquias Territoriais: Art. 33 CF/88. É a manifestação da descentralização política a criação de
territórios, e por isso NÃO ostentam no Brasil a qualidade de entes da Administração indireta.
c) Autarquias em regime especial:
i.Autarquias culturais: Universidades Públicas. Possuem:
➢ Autonomia Pedagógica;
➢ Escolha do Reitor pelos docentes/ discentes;
➢ Mandato certo dos dirigentes.
ii.AGÊNCIAS REGULADORAS

NOTAS SOBRE AS AGÊNCIAS REGULADORAS:


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a) Origem: De origem norte-americana, foram instituídas no Brasil a partir da década de 90, para
estabelecer novo modelo regulatório brasileiro.
b) Definição: Autarquias com regime jurídico especial, dotadas de autonomia reforçada em relação
ao ente central, com base em dois fundamentos:
• Despolitização (desgovernamentalização), dando tratamento técnico e maior segurança
jurídica ao setor regulado;
• Necessidade de celeridade na regulação de determinadas atividades técnicas.
c) Características:
• Autonomia Administrativa:
o Estabilidade forçada dos dirigentes: É estabilidade diferenciada. Possuem mandato certo –
NÃO pode ultrapassar a legislatura do Presidente da República- só perdendo o cargo mediante (pode
haver outras condições):
▪ Renúncia;
▪ PAD;
▪ Condenação Criminal
o Impossibilidade de recurso hierárquico impróprio: O objetivo é assegurar que a decisão final
na esfera administrativa seja da autarquia regulatória.

ATENÇÃO: Embora doutrina majoritária, a exemplo de Celso Antônio entendam incabível o recurso
hierárquico impróprio, o PARECER VINCULANTE AC-51 DA AGU entende possível a revisão pelo
chefe do executivo ou respectivo Ministério da decisão da agência por provocação do interessado
(recurso hierárquico impróprio) ou de ofício (avocatória), com fundamento na direção superior
exercida pelo chefe do executivo sobre toda a Administração!

• Nomeação diferenciada dos dirigentes – Nomeados pelo Presidente da República após


aprovação prévia do Senado para cumprir mandato certo (demais autarquias: demissíveis ad nutum
e comissionados);
• Período de quarentena dos dirigentes (Lei específica pode estabelecer prazo diferenciado dos
04 meses. Ex: 01 ano para ANEEL, ANS, ANP). Nesse período, ficará o antigo dirigente vinculado à
agência, fazendo jus à remuneração compensatória equivalente a do cargo que exerceu.
• Gozam de poder normativo: NÃO é poder legislativo, devendo se ater a aspectos técnicos,
subalternos à lei.
• Autonomia financeira: Podem instituir as taxas regulatórias e enviam proposta orçamentária
ao Ministério ao qual estão vinculadas.
• Admite-se também na ordem estadual e municipal.

- CESPE: Apenas ANATEL (art. 21, XI) e ANP (art. 177, §2º) têm previsão constitucional.
• As agências reguladoras NÃO inovam no ordenamento jurídico, ou seja, NÃO expedem atos
normativos primários (fundamentam-se na CF).
• Agências reguladoras exercem funções executivas, normativas e judicantes de Estado, NÃO
desempenhando funções de governo. Podem exercer as seguintes atividades:
o Administrativas clássicas. Ex: Poder de Polícia;
o Poder normativo
o Judicante – resolver conflitos entre os judicados.
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OBS: O PODER NORMATIVO SÓ OBRIGA O PRESTADOR DE SERVIÇOS, JAMAIS O PARTICULAR.

d) Poder normativo e deslegalização: A legislação confere autonomia às agências reguladoras para


editar atos administrativos normativos, dotados de conteúdo técnico e respeitados os parâmetros
legais no setor regulado. Há controvérsias em relação à constitucionalidade, existindo duas
correntes:
• 1ª Corrente: Inconstitucionalidade do poder normativo amplo das agências reguladoras, por
violar a separação de poderes e legalidade, sendo vedada a criação de direito e obrigações por meio
de atos regulatórios editados com fundamento em delegação legislativa inominada. Celso Antônio e
Di Pietro (Di Pietro só excepciona dessa vedação a ANATEL e ANP, por possuir previsão
constitucional).
• 2ª Corrente: Constitucionalidade do poder normativo técnico ampliado reconhecido às
agências reguladoras que poderão editar atos normativos, em razão da deslegalização. José dos
Santos, Diogo de Figueiredo.
- O fundamento normativo seria a DESLEGALIZAÇÃO:

DESLEGALIZAÇÃO (DELEGIFICAÇÃO)
- Definição: É a retirada, pelo próprio legislador, de certas matérias do domínio da lei,
passando-as ao domínio do regulamento.
- Com a deslegalização, opera-se uma degradação da hierarquia normativa de
determinada matéria que, por opção do legislador, deixa de ser regulada por lei e
passa para a seara do ato administrativo normativo.
- A lei deslegalizadora NÃO chega a determinar o conteúdo material da futura
normatização administrativa, limitando-se a estabelecer standards e princípios a ser
respeitados na atividade administrativo- normativa.
- Limites constitucionais à deslegalização:
• Casos de reserva legislativa específica previstos na CF => devem ser veiculados
por lei formal;
• Matérias a serem reguladas por lei complementar NÃO admitem
deslegalização, pois são reservas legislativas específicas.

AGÊNCIAS REGULADORAS ESTADUAIS – Na ADI 1949/RS, em 2014, entendeu o STF:


• Constitucional a nomeação de dirigentes, possuindo como etapas prévias a
indicação do Governador do Estado e aprovação pela Assembleia Legislativa =>
Modelo simétrico ao previsto na CF/88;
• Inconstitucionalidade da exoneração dos dirigentes ANTES do termo final, por
decisão da Assembleia Legislativa, por alijar a participação do executivo.

ATENÇÃO: FENÔMENO DA CAPTURA DAS AGÊNCIAS REGULADORAS:


A "captura" descreve a situação em que o ente regulador passa a atuar sem
imparcialidade, favorecendo sistematicamente uma das partes envolvidas com a
atividade regulada ou passa a ser uma estrutura inoperante, meramente figurativa.
Pode significar o risco de concussão (corrupção dos dirigentes), como também, a
captura por contaminação de interesses, em que o órgão regulador assume os valores
e interesses do regulado, como se fossem interesses da coletividade, a captura por
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insuficiência de meios, que ocorre quando a atuação do agente regulador é


inviabilizada pela ausência ou má qualidade de seus recursos e a captura pelo poder
político, situação que ocorre quando não existem os instrumentos legais capazes de
assegurar a efetiva autonomia da agência reguladora e ela passa a ser um mero agente
dos interesses políticos-partidários dos governantes.

iii.Agências Executivas: Gozam de dispensa de licitação para celebração de contrato em até 20% da
modalidade convite.
- Requisitos:
• Autarquia ou fundação ter plano estratégico de reestruturação e desenvolvimento em
andamento;
• Celebração de contrato de gestão com Ministério Supervisor com periodicidade mínima de
01 ano.
- O Presidente da República expede decreto, concedendo a qualidade de agência executiva.
- A desqualificação da fundação como agência executiva é realizada por decreto, por iniciativa do
Ministério Supervisor.

5.2) Fundações Públicas


- Definição: Pessoas jurídicas sem fins lucrativos, cujo elemento essencial é a utilização do patrimônio
para a satisfação de objetivos sociais, definidos pelo instituidor
- Possuem regime híbrido ou misto.
- Direito Público: Autarquias fundacionais – criadas por lei específica.
- Direito Privado: Fundações governamentais (regime híbrido ou misto) – A fiscalização do MP
Estadual é afastada, já que essas entidades se sujeitam à supervisão ministerial.
- Celso Antônio: As fundações são pura e simplesmente autarquias.
- Rafael Oliveira: A ausência de lucro NÃO afasta a necessidade de eficiência por parte da entidade.
Na hipótese de resultados financeiros positivos, quando os créditos superam as despesas, os valores,
considerados superávit (e não lucro), deverão ser reinvestidos nas finalidades da entidade, não sendo
permitida a sua distribuição ou repartição entre seus administradores.
- Regime de pessoal:
• Direito público: Estatutário;
• Direito Privado: Celetista
- As fundações estatais NÃO se submetem ao controle do MP, pois a previsão do art. 66 do CC
refere-se, exclusivamente, às fundações privadas, instituídas por particulares, bem como o DL
200/67 afasta a aplicação do CC às fundações estatais.

5.3) Empresas Estatais: NUNCA serão titulares de serviço, recebendo apenas sua descentralização
para a execução (NÃO há outorga do serviço).
- Capital:
• Empresas Públicas – 100% Público;
• Sociedade de Economia Mista – Misto (maior parte público)
- Forma Societária:
• Empresas Públicas – Qualquer forma societária. Há a possibilidade, inclusive, de empresas
com um único sócio, a exemplo da CEF (exceção à regra geral de direito societário, que exige a
presença de pelo menos dois sócios para instituir a sociedade);
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• Sociedade de economia mista – Sociedade anônima


- Competência:
• Empresa Pública Federal – Justiça Federal;
• Sociedade de economia mista federal – Justiça Estadual. Exceção (serão processadas na
Justiça Federal):
o Se a União intervier como assistente ou opoente;
o Para processar e julgar MS contra ato ou omissão do dirigente da sociedade de economia
mista federal, investido em função administrativa.
- Regime de pessoal: Celetista, mas se sujeitam a concurso público, teto remuneratório, regras de
cumulação de empregos públicos, à lei de improbidade administrativa.
- Patrimônio: Bens privados, mas sofre modulações de direito público, especificamente no tocante à
alienação, que depende do cumprimento das exigências do art. 17 da Lei 8.666/93.
- Há controle do Tribunal de Contas. O STF entendeu existir esse controle, pois na instituição das
empresas estatais haveria contribuição ao erário (patrimônio público).
✓ Se empresas estatais com mais de um Ente Federado participando, o controle será exercido
apenas pelo Tribunal de Contas responsável pelo controle das contas do ente federado
administrador da estatal, conforme decidiu o STF.
- Imunidade tributária:
• Se atuam em regime concorrencial: NÃO gozam de imunidade;
• Se prestadoras de serviços públicos não remunerados por preços públicos ou tarifas + estatais
que exercem atividades monopolizadas: Gozam de imunidade.
- ECT: Regime de Fazenda Pública. NÃO configura irregularidade a transferência de atividades
auxiliares da atividade postal (Ex: Entrega de encomendas e impressos podem ser delegados, por
NÃO serem considerados serviços postais propriamente dito).
ECT: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
- Se as empresas estatais e subsidiárias NÃO receberem recursos dos entes federativos para custeio
e manutenção de pessoal, pode haver pagamentos acima do teto remuneratório.
- TCU: Quando a empresa estatal exploradora de atividade econômica licita para contratações
referentes a sua atividade fim, NÃO precisam realizar procedimento licitatório.
- CESPE: A criação de uma sociedade de economia mista por uma unidade da federação é exemplo
de descentralização por serviços.
- FALÊNCIA: A lei de falências exclui as estatais, mas a doutrina é divergente:
• 1ª Corrente: Sujeitam-se à falência, ante art. 173, §1º, II da CF, sendo inconstitucional o
dispositivo da lei de falências;
• 2ª Corrente: Interpretação conforme a Constituição, para compatibilizar a lei de falências com
o art. 173 CF: apenas empresas estatais prestadoras de serviços públicos são afastadas da falência.
Celso Antônio, José dos Santos, Diógenes Gasparini e Di Pietro.
• 3ª Corrente: Não se sujeitam à falência. Rafael Oliveira.
- CESPE: As sociedades de economia mista e empresas públicas exploradoras de atividade econômica
NÃO se sujeitam à falência e nem são imunes aos impostos sobre o patrimônio, renda e os serviços
vinculados as suas finalidades essenciais ou delas decorrentes.
- ATENÇÃO: Excluem-se da Administração Indireta e do conceito de empresas estatais as entidades
privadas que possuem participação minoritária do Estado, ainda que recebam influência estatal
em razão de classe especial (GOLDEN SHARES).

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✓ GOLDEN SHARE: Prevista expressamente na lei do PND – sempre que houver razões que
justifiquem, a União deterá, direta ou indiretamente, ação de classe especial do capital social da
empresa ou instituição financeira objeto de desestatização, que lhe confira poderes especiais em
determinadas matérias, as quais deverão ser caracterizadas nos seus estatutos sociais.. Ex: EMBRAER
e VALE.

6) Entidades do terceiro setor: NÃO integram a estrutura da Administração direta e indireta, mas
são particulares em colaboração, sem fins lucrativos, que atuam ao lado do Estado na prestação de
serviços públicos. Tais entidades recebem incentivos do Poder Público, mediante dotação
orçamentária, cessão de bens públicos, e se submetem, consequentemente, às restrições de controle
impostas ao ente estatal, sujeitos ao controle do Tribunais de Contas.
a) Espécies:
• Serviço Social Autônomo;
• OS;
• OSCIP;
• Entidades de Apoio.

b) Foro processual:
- É a Justiça Estadual, inclusive para as entidades que formalizam parcerias com a União.
- Serviços Sociais autônomos que recebem recursos federais: Justiça Estadual – VIDE SÚMULA 516
STF.
c) Controle: Sujeitam-se ao controle do TCU.
d) Regime de Pessoal: Empregados celetistas, sendo inaplicável as regras de concurso público.
e) Patrimônio: Os bens são privados.

6.1) Serviço Social Autônomo: São entidades criadas mediante autorização legal para a realização da
atividade de fomento, auxílio e capacitação de determinadas categorias profissionais, seja indústria
ou comércio. É o chamado SISTEMA “S”.
- NÃO atuam na prestação de serviços públicos exclusivos de estado por meio de delegação de
atividades, mas sim executam atividades particulares de cunho social, sem a intenção de auferirem
qualquer espécie de lucro. A ATUAÇÃO É DE FOMENTO E NÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO.
- Estas entidades são particulares, criadas por autorização legal para a execução de atividades de
interesse do Estado, admitindo-se que sejam constituídas sob a forma de associação ou fundação ou,
ainda, por meio de estruturas não previstas no direito civil e reguladas pela lei específica da entidade.
- Para auxiliar na execução de suas atividades, o Poder Públicos lhes transfere a capacidade tributária,
de modo que os entes do serviço social autônomo gozam de parafiscalidade, que é a transferência
do poder de cobrar tributos.
- Não obstante a concessão da capacidade tributária, trata-se de entidades privadas e, por isso, NÃO
gozam de privilégios administrativos, sejam fiscais, processuais ou contratuais.
- NÃO gozam de imunidade tributária recíproca, mas podem gozar da imunidade do art. 150, VI, c da
CF.
- Por receberem verba pública, através da cobrança de tributos, estão sujeitos a controle pelo
Tribunal de Contas e devem respeitar os princípios inerentes à licitação. No entanto, o TCU afastou
a exigência de licitações.

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- As ações propostas em face desses entes deverão tramitar na Justiça Estadual. => VIDE SÚMULA
516 STF.
- Regime de pessoal: CLT e NÃO dependem de concurso público para ingressos em suas atividades.
No entanto, os empregados são considerados agentes públicos e se submetem à LIA (Lei 8.429/92).
- Por constituírem pessoas jurídicas privadas, NÃO se submetem ao regime de precatório em relação
ao pagamento de seus débitos oriundos de sentença judicial, conforme decidiu o STF.

6.2) Entidades de Apoio: Instituídas por servidores públicos, porém em nome próprio, sob forma de
fundação, associação ou cooperativa para prestação, em caráter privado, de serviços sociais não
exclusivos do Estado.
- As fundações de apoio são fundações instituídas por particulares com o objetivo de auxiliar a
Administração Pública, pela elaboração de convênios ou contratos.
- Particulares que atuam ao lado de hospitais e Universidades Públicas, auxiliando no exercício da
atividade destas entidades, através da realização de programas de pesquisa e extensão.
- Podem ser constituídas sob a forma de fundações, associações e cooperativas, sempre sem
finalidade lucrativa, atuando ao lado do órgão público, NÃO se confundindo com a entidade estatal.
- O vínculo com o poder público decorre da assinatura de convênio, que lhe garante a destinação de
valores públicos, com dotação orçamentária específica, além da possibilidade de cessão de bens
públicos e, até mesmo, a cessão de servidores.
- Possuem personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio e administração próprios, NÃO
fazendo parte da Administração indireta, sendo suas demandas julgadas pela Justiça Estadual.
- As entidades de apoio, quando tiverem natureza jurídica de fundação, deverão estar constituídas
sob a forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos, regidas pelo Código Civil.
- Essas fundações NÃO integram a Administração Pública e possuem natureza de fundações de direito
privado, sujeitas à fiscalização do MP, à legislação trabalhista e ao prévio registro e credenciamento
no Ministério da Educação, e no Ministério da Ciência e tecnologia, renovável bienalmente.
- Na execução dos vínculos jurídicos (convênios, contratos, acordos e/ou ajustes), que envolvam a
aplicação de recursos públicos, as fundações de apoio sujeitam-se às seguintes obrigações:
• Observância da legislação de licitações e contratos administrativos
• Prestação de contas de recursos aplicados aos órgãos públicos financiadores;
• Submissão ao controle finalístico e de gestão pelo órgão máximo da Instituição Federal de
ensino;
• Fiscalização da execução dos contratos pelo TCU e órgão de controle interno competente.
- Podem se utilizar de servidores públicos federais, que NÃO possuirão vínculo empregatício com a
fundação e poderão receber bolsas de ensino, pesquisa e extensão, respeitadas condições e limites
fixados no regulamento.

6.3) Organizações Sociais (OS): São particulares, sem fins lucrativos, criadas pela Lei 9.637/98 para a
prestação de serviços públicos NÃO exclusivos de estado, como ensino, pesquisa científica,
desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente.
- NÃO integram a estrutura da administração, não dependendo de lei para a sua criação.
- Por executarem atividades de interesse social, sem escopo de lucro, recebem o auxílio do ente
estatal de diversas formas e, por isso, se sujeitam a algumas restrições impostas à Fazenda Pública.

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- O vínculo com o Poder Público ocorre pelo CONTRATO DE GESTÃO, meio pelo qual a entidade se
qualifica como Organização Social e poderá gozar de privilégios, como a dotação orçamentária,
cessão de bens públicos e de servidores públicos.
- Durante a execução do contrato de gestão, a OS receberá sua contraprestação em função do
atingimento da META DE DESEMPENHO FIXADA, e não das atividades realizadas.
- Para a qualificação como OS, deve haver a aprovação do Ministro ou titular de órgão supervisor ou
regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da
Administração Federal e Reforma do Estado.
- É indispensável ainda a comprovação do registro de seu ato constitutivo, devendo conter:
• Natureza social de seus objetivos;
• Finalidade não-lucrativa;
• Previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação superior e direção, um
conselho de administração e uma diretoria definidos nos termos do estatuto;
• Previsão de participação no órgão colegiado do representante do Poder Público e de
membros da comunidade de notória capacidade profissional e idoneidade moral;
• Composição da diretoria e atribuição de seus membros;
• Obrigatoriedade de publicação anual, no DOU, dos relatórios financeiros e do relatório de
execução do contrato de gestão;
• Se associação civil, a forma e critério de aceitação de novos associados, na forma do estatuto;
• Proibição de distribuição de bens ou parcela do patrimônio líquido em qualquer hipótese,
inclusive em desligamento;
• Previsão de incorporação integral do patrimônio, legados ou das doações que lhe foram
destinados, bem como dos excedentes financeiros de sua atividades.
- A definição do contrato de gestão enseja discussões doutrinárias, já que as vontades convergem,
guardando as características de um convênio (nesse sentido, defende José dos Santos Carvalho
Filho).
- Formado o contrato de gestão, a entidade se qualifica como OS e goza de benefícios, como a
destinação de servidores estatais e bens públicos (através de permissão de uso, sem necessidade de
prévia licitação), e dotação orçamentária.
- Para os servidores estatais cedidos, o pagamento de sua remuneração será feito pelos cofres
públicos e NÃO será incorporado aos vencimentos de origem do servidor cedido qualquer
vantagem pecuniária que vier a ser paga pela organização social a servidor cedido, com recursos
provenientes do contrato de gestão.
- Ante os benefícios concedidos, estas entidades se submetem a controle, efetivado pelo Ministério
supervisor daquela atividade executada, e pelo TCU, com submissão à Lei de Improbidade
Administrativa.
- Os resultados atingidos com a execução do contrato de gestão devem ser analisados,
periodicamente, por comissão de avaliação, indicada por autoridade supervisora.
- As OS devem possuir um Conselho de Administração, nos moldes da Lei, com participação
obrigatória de representantes do povo e poder público, nos percentuais estipulados em lei.
- As OS gozam de dispensa de licitar.
- A qualificação de entidade privada como OS é temporária, somente sendo vigente enquanto durar
o vínculo firmado. A desqualificação enseja a reversão automática dos bens permitidos e dos valores
entregues à OS.

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- Os recursos de fomento de uma OS que celebre contrato de gestão serão mantidos como superávit,
de modo a evitar que sejam contabilizados como receita.
- As OS NÃO são passíveis de qualificação como as OSCIP.

6.4) Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)


- Particulares sem finalidade lucrativa, criadas para a prestação de serviços públicos não exclusivos
de:
• Promoção de assistência social;
• Cultura;
• Defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
• Educação;
• Saúde;
• Segurança alimentar e nutricional;
• Defesa, preservação e conservação do meio ambiente;
• Desenvolvimento sustentável.
- O vínculo celebrado com o poder público ocorre pela celebração de TERMO DE PARCERIA, que
discriminará direitos, responsabilidades e obrigações das partes signatárias.
- O termo de parceria deve conter as seguintes cláusulas:
• Objeto;
• Definição de metas;
• Critérios objetivos de avaliação de desempenho;
• Previsão de receitas e despesas;
• As obrigações da OSCIP;
• Obrigatoriedade de publicação na imprensa oficial do Município, Estado ou União, de extrato
de termo de parceria e de demonstrativo de execução física e financeira.
- O TERMO DE PARCERIA permite a destinação de valores públicos às instituições privadas, mediante
dotação orçamentária, com liberação destes recursos em conta bancária específica, NÃO havendo
previsão da cessão de servidores e bens públicos, e tampouco dispensa de licitação.
- Para a celebração e termo de parceria NÃO há a necessidade de realizar licitação, ante o vínculo de
convênio.
- O termo de parceria é ato vinculado do Poder Público. Porém, se houver mais de um interessado
na celebração do termo de parceria, e todos cumpram os requisitos legais, a Administração deverá
realizar procedimento simplificado que justifique a escolha de uma entidade em detrimento de
outra, a DESIGNAÇÃO DE PROJETOS.
- As entidades se sujeitam ao controle financeiro e orçamentário exercido pelo Tribunal de Contas,
além do acompanhamento e fiscalização do termo de parceria por órgão do Poder Público.
- As OSCIP devem constituir conselho fiscal ou órgão equivalente, dotado de competência para opinar
sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil e sobre as operações patrimoniais
realizadas.
- A Lei veda a celebração do termo de parceria com algumas entidades privadas, como sociedades
comerciais, sindicatos, associações de classe ou de representação de categoria profissional,
organizações partidária, organizações sociais, cooperativas, etc. => VIDE ART. 2º DA LEI 9.637/98
- Servidores Públicos podem participar da composição do conselho de uma OSCIP, sendo vedada a
percepção de remuneração ou subsídio a qualquer título.

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- Compete ao MINISTRO DE JUSTIÇA a qualificação das pessoas jurídicas de direito privado sem fins
lucrativos, como OSCIP.
ATENÇÃO:
• A lei exige que a OSCIP tenha um CONSELHO FISCAL, mas NÃO existe um
conselho de administração;
• A lei exige que tenha um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, mas NÃO exige que
tenha um conselho fiscal.

ENTIDADES ORGANIZAÇÕES SOCIAIS OSCIP


Qualificação Discricionária Vinculada
Competência para a Ministério ou Órgão Ministério da Justiça
qualificação regulador responsável pela
área de atuação da
entidade
Órgão de deliberação Presença obrigatória do Presença facultativa de
superior da entidade representante do Poder servidor público na
Público composição do Conselho
da entidade
Vínculo Jurídico (parceria) Contrato de gestão Termo de parceria
Fomento Repasse de recursos Repasse de recursos
orçamentários, permissão orçamentários, permissão
de uso de bem público e de uso de bem público.
cessão especial de servidor
sem custo para a entidade.

7) Novo marco regulatório para OS e OSCIP – LEI 13.019/2014


a) Objetivo da lei: Regular, em âmbito nacional, o regime jurídico das parcerias voluntárias,
envolvendo ou não a transferência de recursos financeiros, firmados entre a Administração e as
organizações da sociedade civil sem fins lucrativos.

b) Principais novidades da lei:


• Aplicabilidade: Parcerias entre Administração direta e indireta e organizações da sociedade
civil;
• Formas de seleção das organizações:
o Procedimento de manifestação de interesse social (PMIS) – instrumento pelo qual as
organizações da sociedade civil, movimentos sociais e cidadãos poderão apresentar propostas ao
Poder Público para que avalie a possibilidade de realização de chamamento público para a celebração
de parceria;
o Chamamento público – Procedimento para selecionar organização da sociedade civil para
celebrar termo de colaboração ou de fomento, e já era consagrado pelo TCU;
o Parcerias diretas – Casos de dispensa e inexigibilidade.
o Instrumentos públicos de parceria:
▪ Termo de colaboração: Instrumento de parceria para consecução de finalidades públicas
propostas pela administração;

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▪ Termo de fomento: instrumento de parceria para consecução de finalidades públicas


propostas pela OSCIP;
• Parcerias “ficha limpa”: Objetiva garantir a moralidade. VIDE ART. 39 DA LEI.
• Contratações: As contratações de bens e serviços realizadas pelas entidades da sociedade,
com recursos públicos, devem observar procedimento que atenda aos princípios da Administração
Pública.
• Pessoal contratado pela entidade parceira: A seleção da equipe de trabalho deve ser
precedida de processo seletivo, com regras transparentes, impessoais e objetivas para a seleção dos
empregados. A remuneração NÃO gera vínculo com a Administração.
• Prestação de contas e accountability: A lei traz normas detalhadas sobre a prestação e contas
das entidades privadas.
• Responsabilidade e sanções: A OSCIP possui responsabilidade exclusiva pelos encargos
trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais relativos ao funcionamento da instituição e ao
adimplemento do termo de colaboração ou de fomento, inexistindo responsabilidade solidária ou
subsidiária da Administração na hipótese de inadimplemento => Sequer estabelece responsabilidade
do Poder Público para débitos previdenciários.

Referências bibliográficas:
Rafael Carvalho Resende Oliveira. Curso de Direito Administrativo
Matheus Carvalho: Manual de Direito Administrativo
Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Curso de Direito Administrativo.

FINANCEIRO

Direito financeiro. Conceito e objeto. Direito financeiro na Constituição Federal de 1988. Normas
gerais e orçamento. Orçamento público. Conceito, espécies e natureza jurídica. Princípios
orçamentários. Leis orçamentárias. Espécies e tramitação legislativa. Lei nº 4.320/1964 e suas
alterações. Fiscalização financeira e orçamentária.

1. Conceito: A atividade financeira do Estado é ação estatal destinada à criação, obtenção, gestão e
dispêndio de dinheiro público, com o escopo de satisfazer as necessidades públicas.

2. Objeto:
• Obtenção de recursos Receita Pública;
• Gerência de recursos Orçamento Público;
• Dispêndio de recursos Despesas Públicas;
• Obtenção de recursos emprestados Crédito Público.

Qual a diferença entre Direito Financeiro e Direito Tributário?


O direito financeiro estuda a despesa pública, o orçamento público, o crédito
público e as receitas públicas. Já o Direito Tributário, a partir de princípios
próprios, estuda as receitas tributárias, que são arrecadadas a partir do poder
coercitivo do Estado.

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3. Princípios que norteiam o Direito Financeiro


a) LEGALIDADE: O Orçamento, metas, diretrizes, distribuição de receitas e despesas serão objeto de
processo legislativo oriundo do Poder Legislativo. Vejamos alguns dispositivos Constitucionais:

Art. 167. São vedados:


I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
(...)
V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem
indicação dos recursos correspondentes;
(...)
§ 1º Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser
iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena
de crime de responsabilidade.

* Exceção: Poder Executivo pode dispor sobre crédito adicional em caso de guerra, comoção ou
calamidade por medida provisória, atendidos os pressupostos materiais (ADI 4048).
b) ECONOMICIDADE: Trata-se da exigência relativa à eficiência do gasto público do ponto de vista
econômico. A grosso modo, é desempenhar as atividades materiais com excelência, mas a um baixo
custo possível.
c) TRANSPARÊNCIA: Aplicação do Princípio da Publicidade (art. 37, caput, CF) no tema atividade
financeira. Há previsão específico no arts. 48 e 49 da lei de responsabilidade fiscal.
d) RESPONSABILIDADE FISCAL: Assegura que o gasto público seja realizado dentro de certos limites
e de acordo com as regras estritas que, se não cumpridas, acarretam sanções aos entes públicos.

4. Fontes do Direito Financeiro


a) Constituição Federal: Há inúmeras matérias de direito financeiro, a exemplo:
• Repartição de receitas tributárias: arts. 157 a 162;
• Empréstimos públicos: art. 163;
• Sistema monetário: art. 164;
• Orçamento: arts. 165 a 169;
• Fiscalização contábil, financeira e orçamentária: arts. 70 a 75.
b) Leis complementares: A CF/88 determina que algumas matérias devem ser tratadas por lei
complementar:
Art. 163. Lei complementar disporá sobre:
I - finanças públicas;
II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades
controladas pelo Poder Público;
III - concessão de garantias pelas entidades públicas;
IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública;
V - fiscalização financeira da administração pública direta e indireta;
VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios;
VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as
características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional.

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165, §9º § Cabe à lei complementar:


I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do
plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual;
II - estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta
bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos.

ATENÇÃO: Dentre as leis complementares, possui destaque a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade


Fiscal – LRF).

c) Leis ordinárias: Comumente utilizadas em direito financeiro, destacando-se o Plano Plurianual


(PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).

d) Leis Delegadas: O art. 68, §1º, III, da CF/88 proíbe a delegação dos planos plurianuais, diretrizes
orçamentárias e orçamentos. Logo, para doutrina majoritária, leis delegadas NÃO são fontes do
Direito Financeiro.

e) Medida Provisória: O art. 62, §1º, III, da CF/88 veda a edição de MP em matéria de lei
complementar e, no inciso I, “d”, veda a edição relativa a planos plurianuais, diretrizes orçamentárias,
orçamento, créditos adicionais e suplementares, SALVO o art. 167, §3º. Como conclusão, é possível
inferir que NÃO cabe medida provisória em matéria financeira/ orçamentária, exceto para atender
a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna e
calamidades públicas.

FONTES SECUNDÁRIAS

f) Decretos: Ato do executivo para dar fiel execução às leis financeiras, quando não são
autoexecutáveis. NÃO podem inovar no que a lei não estabeleceu;
g) Atos normativos: Atos escritos das autoridades administrativas que complementam a lei ou
decreto, a exemplo das portarias, pareceres normativos. Em Direito Financeiro, ganham destaque as
resoluções dos Tribunais de Contas.
h) Decisões Administrativas dos Tribunais de Contas e Decisões Judiciais.

5. Competência Legislativa

O Direito Financeiro está dentro da competência concorrente da União, Estados e do Distrito


Federal, conforme art. 24, I, da CF/88. A competência da União limitar-se-á a estabelecer normas
gerais (art. 24, §1º). Os Estados e o DF, por sua vez, exercem a competência suplementar (§2º). Se
inexistir lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para
atender a suas peculiaridades (§3º). E a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende
a eficácia da lei estadual (ou distrital), no que lhe for contrário (§4º).

Os Municípios possuem competência para legislar sobre Direito Financeiro? A matéria possui
divergências:
a) Há os que defendem que, embora o artigo 24 da CF não tenha conferido essa competência aos
Municípios, ela estaria estabelecida no art. 30, inc. II da CF, que permite aos Municípios
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suplementarem a legislação estadual e federal no que couber. A competência para elaboração e


aprovação de leis orçamentárias pelos Municípios reforça essa tese.
b) Outra corrente adota interpretação literal da Carta Magna e entende que, como tal competência
não pode ser compreendida da leitura do art. 24 da CF/88, inexistiria competência dos Municípios
para legislar sobre direito financeiro.

ATENÇÃO: Em provas objetivas, não raramente é cobrada a literalidade do art. 24, da CF/88, razão
pela qual, nessa hipótese, não há competência concorrente do Município para legislar sobre as
matérias ali delineadas, incluindo o Direito Financeiro!

1. Orçamento: É o ato pelo qual o poder legislativo prevê e autoriza o Poder Executivo a realização
de despesas e receitas para um período determinado. Reflete o plano de ação governamental,
espelhando a vida econômica do Estado.

2. Aspectos do orçamento:
• Político: Ato político pelo qual se permite a atuação harmônica e interdependente dos
Poderes. Reflete a execução do programa político- partidário e os anseios de quem está no
poder.
• Econômico: É distribuição de renda ou regulação da economia
o Superavitário: Mais receitas do que despesas;
o Equilibrado: receitas iguais às despesas;
o Deficitário: mais despesas do que receitas.
• Jurídico: Meio pelo qual se preveem receitas e autorizam os gastos.
• Contábil ou técnico.

3. Natureza Jurídica: O art. 165, da CF/88 estabelece que orçamento é lei. A discussão é se é lei
material ou se possui caráter formal:
a) Orçamento é lei formal e material, na medida em que se origina de um órgão legiferante (Poder
Legislativo), não havendo porque indagar sobre a sua substância;
b) O orçamento, embora com aparência de lei, é apenas lei formal: o orçamento apresenta
extrinsecamente a forma de uma lei, mas seu conteúdo é de mero ato administrativo. Logo, o
orçamento seria, então, apenas lei em sentido formal, materialmente não constituindo regra de
direito.
c) O orçamento é, em relação às despesas, um mero ato administrativo, mas em relação à
realização das receitas, lei em sentido material: tem Léon Duguit como seu defensor. Seria o
orçamento, em relação às despesas, um mero ato administrativo e, em relação à receita tributária,
lei em sentido material, já que a arrecadação tributária dependeria de autorização orçamentária (o
que não é o caso do Brasil).
d) O orçamento é uma condição para a alocação dos recursos, sendo apenas lei formal, mas
substancialmente um ato-condição: para Gaston Jèze, o orçamento seria apenas um ato
administrativo (um ato-condição), ou seja, o implemento de uma condição para cobrança e gasto.

* ATENÇÃO: A posição que prevalece é a que considera o orçamento como lei formal.

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- O STF passou a adotar o entendimento de que o orçamento é lei, como qualquer outra,
independente de ter efeitos concretos ou não, sendo possível sofrer controle de constitucionalidade,
no julgamento da ADI 2.925, em 2003. Para o STF, a lei orçamentária qual tem, em regra, caráter
autorizativo. Porém, excepcionalmente, poderá ter caráter impositivo, como ocorre no caso das
receitas de contribuições e com a EC 86/2015.
O ORÇAMENTO É AUTORIZATIVO OU IMPOSITIVO?
Prevalece que o orçamento é autorizativo, pois reflete os programas de governo, a
exceção das vinculações pré-orçamentárias (normas legais que já preveem uma
vinculação):

Autorizativo Impositivo
Comando criado na própria lei Comando normativo criado por leis
orçamentária anteriores ao orçamento
Vinculações que NÃO geram direito Vinculações com direito subjetivo, por
subjetivo força de normas diversas do orçamento
O Executivo pode ou não cumprir a O Executivo NÃO tem
norma, a depender das discricionariedade sobre o
disponibilidades orçamentárias e da cumprimento ou não das normas
vontade política
Vinculações orçamentárias Vinculações pré-orçamentárias

Normas pré-orçamentárias: São impositivas, obrigatórias, e devem ser cumpridas,


não por vinculadas ao orçamento, mas porque previstas em outros instrumentos,
com força normativa vinculante:
• Gastos com pessoal;
• Transferências Constitucionais;
• Gastos na educação e saúde.

4. Espécies

TRADICIONAL DESEMPENHO PROGRAMA


- Desvinculado de qualquer - Apenas estima e autoriza as - Os recursos se
planejamento, com foco despesas pelos produtos finais a relacionam a objetivos,
mais em questões obter ou tarefas a realizar, com metas e projetos de um
contábeis, em detrimento ênfase limitada ao resultado, SEM plano de governo.
de um foco administrativo e vinculação a programa ou - Adotado no Brasil a
de gestão. planejamento governamental. partir da lei nº 4.320/64.
- Orçamento seria mera - NÃO há vinculação entre - Instrumento de
peça contábil. planejamento e orçamento. planejamento da ação de
governo.
- Privilegia aspectos
gerenciais e alcance de
resultados.

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- Pode ser elaborado com


a técnica de Orçamento
base zero ou por
estratégia: todo recurso
solicitado é analisado.
· Há necessidade de
justificar todo programa
no início de cada ciclo
orçamentário;
· Ausência de vinculação
ao exercício anterior com
o parâmetro para o valor
inicial mínimo gasto.

* ATENÇÃO: Orçamento participativo – Caracteriza-se pela participação direta e efetiva da


população nas propostas orçamentárias do Governo.
5. Princípios Orçamentários
a) Legalidade: Não pode haver despesa pública sem autorização na lei orçamentária, bem como
devem ser observadas as leis já existentes (Ex: PPA, LDO) na elaboração do orçamento. Para mais
detalhes.
b) Unidade: A peça orçamentária deve ser única, contendo todos os gastos e todas as receitas para
cada ente da Federação, em cada exercício financeiro. Note, atualmente existe orçamento fiscal, da
seguridade social e de investimento, mas o aludido princípio se refere à unidade política, e não
meramente documental.
c) Universalidade: Todas as receitas e despesas devem estar previstas na lei orçamentária, inclusive
operações de crédito autorizadas por lei (art. 3º, Lei 4.320/64).
Exceções:
• Receitas e despesas operacionais (correntes) das empresas estatais independentes;
• ARO;
• Emissões de papel moeda;
• Outras entradas compensatórias no ativo e no passivo (cauções, depósitos, consignações,
etc).
d) Anualidade: O orçamento deve ser atualizado a cada ano;
e) Programação: O orçamento se preocupa com macroalocações, devendo focar em programas que
atendam a todos, e não na atenção individuada de pedidos. Remete à ideia de planejamento das
ações.
f) Equilíbrio orçamentário: NÃO consta expressamente na CF/88, busca assegurar que as despesas
não sejam superiores às receitas.
g) Proibição do estorno de verbas: Impossibilidade de transpor, remanejar ou transferir recursos de
uma categorias de programação para outra, ou de órgão para outro sem autorização legislativa
prévia.
*ATENÇÃO – A EC 86/2016 incluiu o art. 167, § 5º: A transposição, o remanejamento ou a
transferência de recursos de uma categoria de programação para outra poderão ser admitidos, no
âmbito das atividades de ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de viabilizar os resultados de

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projetos restritos a essas funções, mediante ato do Poder Executivo, sem necessidade da prévia
autorização legislativa prevista no inciso VI deste artigo.
• REMANEJAMENTO: Realocações na organização de um ente público, com
destinação de recursos de um órgão para outro;
• TRANSPOSIÇÕES: Realocações no âmbito de programas de trabalho, dentro
do mesmo órgão;
• TRANSFERÊNCIAS: Realocações de recursos entre as categorias econômicas
de despesas, dentro do mesmo órgão ou trabalho. Ou seja, repriorizações
dos gastos a serem efetuados.

h) Princípio da não afetação da receita: É VEDADO afetar a receita de impostos a órgão, fundo ou
despesa (art. 167, IV, CF/88), a EXCEÇÃO de:
• Repartição de receitas tributárias;
• Recursos para a saúde e educação;
• Atividades da Administração tributária;
• Prestação de garantia em relação às operações de crédito por antecipação de receitas
orçamentárias (ARO);
• Fundo de combate à erradicação da pobreza;
• Vinculação de 0,5% da receita tributária líquida dos Estados e Distrito Federal para programas
de apoio à inclusão e promoção social;
• Vinculação de 0,5% da receita tributária líquida dos Estados e Distrito Federal para fundos
destinados ao financiamento de programas culturais;
• EC 86/2016 – Art. 166, §§9º a 18º: Emendas individuais a projetos de leis orçamentárias, com
metade dos recursos destinados à saúde.

i) Princípio da exclusividade: As leis orçamentárias só podem conter a fixação de despesas e previsão


de receitas, a fim de evitar a inserção de matérias estranhas (“caudas orçamentárias” ou
“orçamentos rabilongos”).
CAIU NO TCE/PR – 2015 (CESPE): Considerando que, conforme o § 8.º do art. 165 da
Constituição Federal de 1988, a lei orçamentária anual não conterá dispositivo
estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, redija um texto dissertativo
acerca do princípio orçamentário da exclusividade. (Questão TCE/PR 2015)
A) justifique a necessidade de adoção do princípio;
B) indique as exceções ao princípio previstas na legislação
C) discuta o tratamento dado à previsão da receita pública e à fixação da despesa
pública no contexto desse princípio.
R: No que se refere à justificativa para a adoção do princípio, espera-se que o
candidato mencione o rito especial para a tramitação e aprovação da lei
orçamentária anual. Como se trata de procedimento excepcionalmente rápido, se
comparado com a tramitação dos projetos de lei ordinária, não existindo a vedação
estabelecida pelo princípio da exclusividade, haveria o risco de o orçamento da
União ser utilizado impropriamente como veículo de aprovação de normas legais
que nada têm a ver com o programa de trabalho do governo, exatamente como
ocorreu no passado com as chamadas caudas orçamentárias.

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Em relação às exceções ao princípio previstas na legislação, o candidato não pode


deixar de mencionar a previsão estabelecida na própria Constituição Federal de
1988 de que a lei orçamentária contenha autorizações de abertura de créditos
suplementares e de contratação de operações de crédito, ainda que por
antecipação de receita. Esses dois atos, embora sejam geralmente urgentes quando
as circunstâncias próprias se apresentam, somente podem ser executados quando
expressamente autorizados pela lei, razão por que a lei orçamentária pode
promover a autorização prévia.
No que concerne ao tratamento dado à receita e à despesa públicas no contexto do
princípio da exclusividade, o candidato deve abordar a previsão da receita e a
fixação da despesa. Quanto à previsão da receita, a lei orçamentária jamais pode
fixar um valor arbitrário, já que se trata de uma variável definida no curso do
exercício financeiro e, em grande parte, influenciada pela atividade econômica. No
caso da fixação da despesa, por outro lado, não apenas é possível como também
indispensável para o governo fixar seu valor exato, tendo em vista que a
Constituição Federal de 1988 proíbe a realização de despesas que excedam os
créditos orçamentários ou adicionais.

j) Princípio da Publicidade: Necessidade de se dar publicidade à execução orçamentária.


k) Princípio da especificação ou discriminação: O orçamento não deve ser genérico, e as despesas e
receitas devem aparecer no orçamento de maneira discriminada, para que se possa saber,
pormenorizadamente, a origem os recursos e sua aplicação.
Exceções:
• Reservas de contingência: dotação global e genérica, inserida na lei orçamentária para
atender aos passivos contingentes e outras despesas imprevistas;
• Programas especiais de trabalho: Programas que, pela singularidade, não podem ser
detalhados.
l) Princípio do orçamento-bruto: Receitas e despesas constarão na lei orçamentária pelos seus totais,
vedadas deduções.

6. Peças orçamentárias: A CF/88 estabeleceu três leis orçamentárias, que devem ser elaboradas,
aprovadas e executadas de forma integrada, sendo as normas aplicadas aos demais entes da
Federação, pelo princípio da simetria.
a) Plano Plurianual – PPA: Estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e metas
da administração pública federal para despesas de capital e outras delas de correntes e para as
relativas ao programa de duração continuada.
- É um instrumento de planejamento governamental de longo prazo.
- Vigência: 4 anos - Começa a produzir efeitos a partir do segundo exercício financeiro do mandato
do Chefe do Executivo até o final do primeiro exercício do mandato subsequente.
- Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem
prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de
responsabilidade.
- Como o PPA se adstringe à integração de políticas, gestão estratégica e programas finalísticos,
NÃO o integram programas destinados a fins específicos (operações especiais), ou seja, aquelas
despesas que não contribuem para manutenção, expansão ou aperfeiçoamento das ações de
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governo, dos quais não resulta um produto e não gera contraprestação direta na forma de bens e
serviços. Ex: pagamentos de juros, sentenças judiciais, etc.
- Prazo de envio do projeto do plano plurianual pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo: Até
quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro (31 de agosto), do primeiro ano do
mandato do Presidente.
- Prazo de devolução pelo Congresso para sanção do presidente: É até o encerramento da sessão
legislativa (22 de dezembro).

b) Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO: Possui as seguintes funções:


• Estabelece metas e prioridades na Administração, incluindo despesas de capital para o
exercício seguinte => A LDO é recorte do PPA;
• Orienta a elaboração da LOA;
• Dispõe sobre alterações na legislação tributária;
• Estabelece a política das agências oficiais de fomento, desenvolvidas através dos bancos
oficiais de fomento;
• Autoriza a concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração de servidores,
criação de cargos, empregos, funções ou alteração na estrutura da carreira e admissão.
- Vigência: Embora alguns doutrinadores defendam que a LDO tem vigência anual, na prática, não
é o que ocorre. A LDO normalmente é aprovada em meados do exercício financeiro, continuando a
vigorar até o final do exercício financeiro subsequente. O período de vigência da LDO é, então,
variável, dependendo da data de sua publicação.
- Prazo de envio do projeto do plano plurianual pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo: Até
oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro.
- Prazo de devolução pelo Congresso para sanção do presidente: É até o encerramento do 1º
período da sessão legislativa.
- A sessão legislativa NÃO será interrompida sem aprovação da LDO.

c) Lei Orçamentária Anual – LOA: Deve estar compreendida na LOA:


• Orçamento fiscal: Refere-se aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da
administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder
Público;
• Orçamento de investimento: É o orçamento que registra os investimentos (aquisição de
bens componentes do ativo imobilizado) das empresas em que a União, direta ou
indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;
• Orçamento da seguridade social: abrange todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da
administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos
pelo Poder Público, nas despesas relacionadas à saúde, previdência e assistência social, nos
termos do § 2º do art. 195 da Constituição.

- Vigência: do dia 1º de janeiro, até o dia 31 de dezembro.


- Prazo de envio do projeto de lei orçamentária anual pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo: É
de até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro (31 de agosto), do primeiro
ano do mandato do Presidente.
- Prazo de devolução pelo Congresso para sanção do presidente é até o encerramento da sessão
legislativa (22 de dezembro).
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*DICA: O prazo de remessa e retorno da LOA é igual ao PPA!

AS LEIS ORÇAMENTÁRIAS PODEM SER OBJETO DE CONTROLE CONCENTRADO DE


CONSTITUCIONALIDADE?
- A postura tradicional do STF era no sentido da imposibilidade de controle em
abstrato de leis orçamentárias, ao fundamento de que tais leis seriam, do ponto de
vista material, atos administrativos concretos e, por isso, não estariam alçancadas
pelo controle concentrado de constitucionalidade.
- Em 2003, o STF recebeu uma ADI questionando se a Lei 10.640/03, que determinou
a desvinculação de parte das receitas a serem arrecadadas com a CIDE combustíveis,
seria constitucional. Neste caso específico, o STF decidiu que a norma teria
densidade normativa abstrata suficiente para ser objeto de controle concentrado de
constitucionalidade.
- Em 2008, o tema foi novamente levado ao STF, com a análise MP 405/2005,
convertida na Lei 11.685/08, que determinou a abertura de créditos extraordinários
sem que estivessem presentes as justificativas constitucionais para tanto, quais
sejam; calamidade pública, guerra ou comoção interna. Neste julgado,
o STF mudou a posição anteriormente firmada e reconheceu a possibilidade de
controle das leis orçamentárias, sob o fundamento de que o simples fato de se tratar
de uma lei questionada perante o Tribunal, já justificava a possibilidade de controle
em abstrato de sua constitucionalidade, independentemente do caráter concreto ou
abstrato da norma em questão.
- Conclusão: Atualmente é admitido o controle concentrado de constitucionalidade.

7. Anomia Orçamentária: Consiste na ausência da lei orçamentária, seja pelo atraso ou não
aprovação. Assim, há algumas soluções possíveis:
a) O executivo NÃO encaminha o projeto da LOA no prazo previsto no CF/88:
• Art. 32, da Lei nº 4.320/64: “Se não receber a proposta orçamentária no prazo fixado nas
Constituições ou nas Leis Orgânicas dos Municípios, o Poder Legislativo considerará como
proposta a Lei de Orçamento vigente”.
• Art. 10, da Lei nº 1.079/65: Crime de responsabilidade.
b) Se a lei orçamentária anual for rejeitada pelo legislativo:
• Se PPA ou LDO: A maioria da doutrina entende ser vedado ao Poder Legislativo rejeitar o
plano plurianual e a lei de diretrizes orçamentárias, pois a CF/88 previu, no artigo 35 do ADCT,
que ambas as leis devem ser devolvidas para sanção, nada dispondo sobre eventual rejeição.
Além disso, o art. 57, §2º prevê que a sessão legislativa não será interrompida sem a
aprovação da LDO.
• Se LOA: Prevê o art. 166, §8º que “os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou
rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes
poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com
prévia e específica autorização legislativa”. Nessa hipótese, o Poder Executivo demandaria
autorização legislativa para efetuar gastos, por meio de créditos suplementares ou especiais.
c) Se o Legislativo NÃO devolver a LOA votada até o final da sessão legislativa:
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• A CF e Lei 4.320/64 são omissas, então vai para a LDO, que fala em “ANTECIPAÇÃO
ORÇAMENTÁRIA”, sendo liberado 1/12 (duodécimo) das despesas que não podem parar.

8. Ciclo Orçamentário: É um conjunto de etapas que não se adstringem ao exercício financeiro,


composto das seguintes fases:
a) Iniciativa:
- Sempre do executivo (iniciativa privativa e indelegável).
- STF: O legislativo NÃO possui competência para iniciar um projeto de lei orçamentária, mas através
de leis tributárias, sobretudo concessivas de benefícios fiscais, podem alcançar reflexamente o
orçamento, sem com isso ferir a competência exclusiva do executivo no orçamento.
- A omissão do executivo em elaborar leis orçamentárias é crime de responsabilidade.
- É inconstitucional LDO que fixa limites ao Poder Judiciário/MP quando da elaboração de sua
proposta orçamentária sem a sua participação.

É POSSÍVEL AO EXECUTIVO ALTERAR PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA DO


JUDICIÁRIO?1
Depende:
a) Se os poderes e MP, ao elaborarem suas propostas, NÃO observarem os
limites estipulados conjuntamente na LDO, o Poder executivo poderá proceder
aos ajustes necessários para consolidar a proposta orçamentária anual;
b) Se houve observância dos limites da LDO, mas o executivo NÃO concordou
com a proposta, ele não pode consolidá-la segundo a sua visão e encaminhar
projeto de LOA diferente do encaminhado pelos demais poderes e MP. No caso,
pode apenas propor uma emenda modificativa à comissão mista permanente.

b) Apreciação:
- A proposta será apreciada em análise conjunta das duas casas do Congresso Nacional.
- Antes de submeter o projeto à apreciação do legislativo, será encaminhado à Comissão Mista
Permanente, que o examinará e emitirá parecer, podendo apresentar emendas.
- Após emitido o parecer, irá para o Congresso para votação conjunta, embora a contagem seja em
separado. Posteriormente, vai ao Presidente da República para sanção e publicação, seguindo o
trâmite das demais leis ordinárias.

QUAIS AS RESTRIÇÕES ÀS EMENDAS PARLAMENTARES ÀS LEIS


ORÇAMENTÁRIAS?
I) Âmbito material:
• Compatibilidade com PPA e LDO;
• O projeto deve indicar os recursos necessários (que serão
necessariamente provenientes de anulação de despesas) – NÃO podem

1
Para mais informações sobre o assunto, acessar:
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=278801

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ser recursos novos, pois NÃO se admite aumento de despesa nos


projetos de lei de iniciativa do Presidente;
* ATENÇÃO: São vedadas anulações:
o Dotação de pessoal e seus encargos;
o Serviços da dívida;
o Transferências tributárias constitucionais para E, M, DF.
II) Âmbito Formal:
• Relacionadas à correção de erros e omissões;
• Relacionadas com dispositivos do texto do projeto de lei.

c) Execução:
- Aprovada e publicada, a lei orçamentária entra em vigor e começa a ser cumprida.
- LRF: O executivo deve estabelecer, em até 30 dias após a publicação dos orçamentos, a
programação financeira e mensal do desembolso.
- Após o final de cada bimestre, o executivo publicará o relatório resumido da execução
orçamentária.
- Se verificado ao final de um bimestre que a realização da receita poderá não comportar o
cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecida no anexo de metas fiscais,
os poderes e MP promoverão limitação de empenho nos 30 dias seguintes.

É ADMISSÍVEL QUE O PODER LEGISLATIVO APROVE ORÇAMENTO PÚBLICO


DEFICITÁRIO? (CESPE - Procurador TCU/2015)
É possível a aprovação de orçamento com déficit fiscal. A CF estabelece um
conjunto sistemático de normas jurídicas que objetivam a fixação de parâmetros
gerais de conduta e desenvolvimento da atividade financeira pelos distintos entes
federativos.

A sistematicidade e a racionalidade têm por objetivo orientar a atuação dos


agentes públicos para a efetiva realização do bem comum, de forma a atender os
objetivos fundamentais do Estado brasileiro, descritos no art. 3.º da CF. Um dos
aspectos primordiais inerentes à sistematização das finanças públicas consiste no
planejamento da atividade financeira, que se concretiza mediante a elaboração e
observância das leis orçamentárias previstas no art. 165 da CF, a saber: o plano
plurianual, destinado a estabelecer as ações governamentais a médio prazo,
assumindo a periodicidade de quatro anos; a lei de diretrizes orçamentárias, que
concretiza os objetivos estabelecidos pelo plano plurianual para determinado
exercício financeiro, orientando a programação financeira e a execução
orçamentaria; e, por fim, a lei orçamentária anual, que individualiza as despesas
que serão realizadas e estima as receitas a serem obtidas no decorrer do exercício.

Dessa forma, o planejamento da ação governamental e das politicas públicas com


vistas a satisfação das necessidades públicas e a realização do bem comum torna-
se atividade essencial para o Estado brasileiro plasmado pela CF. O planejamento,
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como atividade prospectiva e ordenadora frente às contingências e incertezas


futuras, exige a previsão, coordenação e consecução de objetivos determinados,
assegurando ao gestor público condições adequadas para a tomada de decisões
para a alocação de recursos financeiros destinados à cobertura dos gastos públicos
a serem realizados, além da obtenção dos recursos necessários à satisfação dessas
despesas, seja mediante o exercício do poder de tributar, seja pela exploração do
patrimônio estatal, seja por meio do crédito público. (Carlos Valder do Nascimento.
Planejamento e Orçamento-Programa. In: Ives Gandra da Silva Martins; Gilmar
Ferreira Mendes; Carlos Valder do Nascimento. Tratado de Direito Financeiro. Vol.
1. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 287).

Portanto, o orçamento público possui função eminentemente instrumental e


planificadora, cumprindo-lhe indicar os projetos, planos, objetivos e metas do
Estado, o que por definição constitui-se no orçamento-programa. A partir da
utilização da técnica orçamentária que vincula a atividade financeira do Estado às
ações governamentais mediante prévio planejamento, obtenção de recursos
financeiros e sua alocação em gastos anteriormente estimados, chega-se à gestão
fiscal responsável.

A responsabilidade fiscal encontra-se prevista no art. 1.º da Lei Complementar n.º


101/2000 — denominada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) — e pressupõe “a
ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios
capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de
metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições
no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da
seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito,
inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a
Pagar”.

A gestão fiscal responsável é implementada mediante a observância de quatro


parâmetros fundamentais: planejamento, transparência, precaução e equilíbrio. O
equilíbrio das contas públicas é princípio implícito da Constituição de 1988 em
virtude das exigências de planejamento da atividade financeira, mas encontra-se
expresso na LRF. Trata-se, por conseguinte, de norma jurídica de caráter geral e que
informa a atuação do gestor público na condução da atividade financeira do Estado,
impedindo-se que as despesas autorizadas na lei orçamentária não sejam
superiores à previsão de receitas.

O equilíbrio das contas públicas pressupõe, portanto, a compatibilidade entre a


estimativa da receita e a previsão das despesas a serem realizadas no exercício
fiscal, o que não impossibilita a existência de déficit. Com efeito, o equilíbrio das
contas públicas não se vincula à premissa de que somente se admite a despesa na
correlata proporção das receitas, uma vez que se coloca a possibilidade de
realização de operações de crédito para a satisfação das despesas a serem

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executadas, observando-se a capacidade de pagamento da dívida e sua


amortização em determinado período de tempo.

Assim, o equilíbrio fiscal não corresponde a uma “equação matemática rígida, em


que a diferença numérica entre o montante de receitas e de despesas deva ser
sempre igual a zero, mas, sim, que essa equação tenha valores estáveis e
equilibrados, a fim de permitir a identificação dos recursos necessários à realização
dos gastos”. (Marcus Abraham. Curso de Direito Financeiro Brasileiro.3.ª ed. Rio de
Janeiro: Forense, 2015, p. 111).

O art. 7.º, § 1.º, da Lei n.º 4.320/1964 admite expressamente a possibilidade de


déficit orçamentário, desde que sejam indicadas as fontes de recursos que o Poder
Executivo fica autorizado a utilizar para atender a sua cobertura. Não obstante, o
déficit orçamentário não se revela como opção sistemática a ser utilizada pelos
agentes públicos, pois a Constituição de 1988 estabeleceu parâmetros para o
endividamento público, indicando aos agentes públicos as condições admitidas
para a realização de operações de crédito, como se observa do art.167, II, III e V.

A restrição à realização de despesas sem prévia dotação orçamentária ou


autorização legislativa, bem como à assunção de dívida sem correspondência com
a despesa de capital, são inequívocas orientações à preservação do equilíbrio
orçamentário. De outro lado, a LRF estabelece diversos instrumentos para
assegurar o princípio do equilíbrio fiscal, especialmente a fixação de limites de
endividamento, garantindo-se, assim, a estabilidade financeira e a assunção dos
objetivos firmados por meio do planejamento da atividade financeira, conforme se
constata das disposições do art. 30 dessa norma geral de direito financeiro. De fato,
o crédito público revela-se como fonte de financiamento estatal, mas a sua
obtenção deverá ter em consideração as condições financeiras do Estado para
honrar as dívidas assumidas e impedir eventuais riscos decorrentes do
comprometimento de sua capacidade de pagamentos.

Assim, para conferir efetividade ao princípio do equilíbrio fiscal, a dívida pública


precisa ser identificada e detalhada e ser associada a limites estabelecidos por
resolução do Senado Federal, na hipótese da dívida pública consolidada, e do
Congresso Nacional, para a dívida mobiliária federal, conforme estipulam os arts.
48, XIV, e 52, VI, VII, VIII e IX, da Constituição da República de 1988. Portanto, pode-
se afirmar que a adoção de déficits orçamentários é admissível no ordenamento
jurídico brasileiro, mas sujeita-se a condicionamentos pertinentes ao controle e
evolução do endividamento dos entes federativos, propiciando-se a adequação da
dívida pública à sua capacidade de pagamentos e, assim, assegurando-se o
equilíbrio das contas públicas.

9. Créditos adicionais: São autorizações do legislativo para a efetivação de despesas não previstas
ou insuficientemente previstas na LOA. E podem ser suplementares, especiais ou extraordinários:

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Suplementar Especial Extraordinário


Finalidade Reforço de dotação Atender a categorias não Atender a despesas
orçamentária existente na contempladas na LOA imprevisíveis e
LOA urgentes
Autorização Decreto do Poder executivo Prévia, em lei especial. Sem necessidade
legislativa – exige autorização NÃO pode ser a LOA. prévia
legislativa prévia, podendo
ser incluída na LOA ou em lei
especial
Forma de Decreto do Poder executivo, Decreto do Poder Por MP (União) ou
abertura após autorização legislativa, executivo, após decreto (E/M), com
até o limite estabelecido em autorização legislativa, remessa imediata ao
lei até o limite estabelecido Legislativo
em lei
Recursos Indicação Obrigatória Indicação Obrigatória Facultativa
Valor/ Limite Obrigatório, indicado na lei Obrigatório, indicado na Obrigatório, indicado
de autorização e no decreto lei de autorização e no na MP OU no decreto
de abertura decreto de abertura de abertura
Vigência Sempre no exercício Em princípio, no exercício Em princípio, no
financeiro em que foi aberto financeiro em que foi exercício financeiro em
aberto que foi aberto
Prorrogação NÃO permitida Quando autorizado nos Quando autorizado
últimos 04 meses do nos últimos 04 meses
exercício financeiro do exercício financeiro

QUAIS AS FONTES PARA A ABERTURA DE CRÉDITOS ADICIONAIS?


As fontes estão previstas no art. 43 da Lei 4.320/64:
• Superávit financeiro: Resultado da diferença positiva entre ativo financeiro
e passivo, conjugando-se os saldos dos créditos adicionais transferidos e as
operações de créditos a eles vinculadas;
• Excesso de arrecadação: É o saldo positivo das diferenças acumuladas mês
a mês entre a arrecadação prevista e a realizada;
• Anulação parcial ou total de dotações: Anulam-se as dotações existentes
para liberar recursos para as despesas que se quer ver realizadas,
indicando-se a despesa cancelada e a que será criada ou reforçada;
• Operações de crédito: verdadeiros empréstimos que o ente público realiza,
através de ARO.
- Normalmente classificada como receita de capital e paga através de
despesas do próprio orçamento.
- Serve para financiar despesas de capital, sendo a ARO exceção ao
princípio da exclusividade.
• Reserva de contingência: dotação global que NÃO é destinada a
determinado programa ou unidade orçamentária;

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• Recursos sem despesas correspondentes: recursos que em razão de veto,


emenda ou rejeição da LOA ficaram sem despesas correspondentes.

10. Fiscalização Orçamentária e financeira: É a fiscalização de todo o ciclo orçamentário.


- Previsão Legal (embora relacionados à fiscalização dos dispêndios da União, aplicam-se às demais
esferas políticas):
• Arts. 70 - 75 CF;
• Arts. 43 – 59 LRF;
• Arts. 75 – 82 Lei 4.320/64
- O controle do orçamento NÃO fica adstrito à legalidade, mas também moralidade e legitimidade.
- A ausência de prestação de contas no prazo legal poderá ensejar a intervenção da União nos
Estados, e do Estado nos Municípios.

10. 1. Alcance do controle: Art. 70 CF (Verdadeiros princípios da Administração Pública):


a) Legalidade;
b) Legitimidade – relação entre o gasto e a sua valoração diante do atendimento do interesse
público;
c) Economicidade – concretização da eficiência pública, para obter maior aproveitamento com
menor custo possível;
d) Aplicação de subvenções – verificação se os valores repassados aos entes sem fins lucrativos
foram realmente aplicados no que se comprometeram a gastar;
e) Renúncia de Receitas – Análise se as desonerações fiscais atingiram a sua finalidade.

10.2. Áreas de Controle: A fiscalização do CD, mediante controle externo e pelo controle interno de
cada poder alcança as áreas contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial (COFOP):
a) Contábil: Apuração dos registros contábeis voltados aos lançamentos, balanços, escrituração
e observância às regras da Lei 4.320/64 e LRF;
b) Orçamentária;
c) Financeira – controle da arrecadação das receitas e efetivação das despesas;
d) Operacional – Cumprimento de metas, resultados e eficiência na gestão dos gastos públicos.
São analisados moeda, crédito e endividamento;
e) Patrimonial – Análise do patrimônio, seu crescimento e redução.

10.3. Espécies de Controle


a) Quanto ao momento (art. 77, Lei 4.320/64):
• Concomitante – Realizado ao longo da execução do orçamento;
• Posterior

b) Quanto ao órgão ou agente que realiza a fiscalização


• Controle Interno – Exercido pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário (art. 70 + 74 CF).
O alcance é amplo, abrangendo a fiscalização COFOP, e também possui como finalidades
específicas:
o Avaliar o cumprimento das leis orçamentárias;
o Comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, doas
gastos públicos;
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o Controlar as operações de crédito, avais e garantias;


o Auxiliar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
ATENÇÃO: O controle interno também é baseado no controle hierárquico, apurando irregularidades
dentro de cada esfera de poder, incumbindo ao hierarquicamente superior dar ciência do Tribunal
de Contas do apurado, sob pena de responsabilidade solidária.

• Controle Externo – Exercido exclusivamente pelo Poder Legislativo de cada ente, com o
auxílio do Tribunal de Contas (Arts. 70 – 73 CF). É um controle político, na medida em que é
o legislativo quem faz. Quanto aos demais processos, é um controle técnico, por ser feito por
órgão especializado (Tribunal de Contas), aperfeiçoando o controle interno.
• Controle Popular ou Privado – Exercido por qualquer cidadão, partido político, associação ou
sindicato para, na forma da lei, denunciar ilegalidades perante Tribunal de Contas da União.

10. 4. Objeto do Controle


- Além da Administração direta e autarquias, abrange:
• Administração Indireta;
• Entidades de direito público que manipulem bens ou fundos do Governo;
• Pessoas Jurídicas que recebam contribuições parafiscais;
• Qualquer empresa em que haja investimento público;
• Pessoas Físicas que por qualquer título utilizem, arrecadem, guardem, gerenciem ou
administrem dinheiro, bens ou valores públicos;
• Fundos.
- Quanto aos Fundos, questiona-se qual órgão se encarregará de sua fiscalização:
• Enquanto os recursos estão no Banco do Brasil, prontos para a sua distribuição –
Competência do Tribunal de Contas da União;
• Repassados para Estados e Municípios – Competência dos Tribunais de Contas Estaduais ou
Municipais;
• Para Fundos em que há participação das 03 entidades federativas, compete a fiscalização a
todos os Tribunais de contas.

ATENÇÃO: O STF reviu antigo posicionamento e atualmente entende que o TCU tem competência
para fiscalizar as empresas públicas, sociedades de economia mista e demais responsáveis das
entidades integrantes da administração indireta, além dos conselhos regulamentares, SALVO OAB,
que NÃO se sujeita a controle da Administração nem está vinculada a qualquer das partes.

10. 5. Dos Tribunais de Contas

a) Conceito e Função
- Órgãos colegiados, prepostos ou auxiliares dos Poderes Legislativos, encarregados de fiscalização e
controle do orçamento.
- Possuem a função precípua de auxiliar o legislativo, mas NÃO estão a ele subordinados.

Embora o Tribunal de Contas possua competências próprias, a titularidade da função


do controle externo, segundo a CF, é:

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• União: CN;
• Estados: Assembleia Legislativa;
• DF – Câmara Legislativa;
• Municípios – Câmara de Vereadores.

b) Natureza Jurídica
- O Tribunal de Contas é Órgão técnico, com diversas funções previstas na CF, possui autonomia
administrativa e financeira, SEM subordinação aos Poderes.
- STF: julgou inconstitucional, por vício formal, lei estadual que alterou e revogou diversos
dispositivos da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Tocantins, por violação da iniciativa, que
deveria ser do Tribunal.
- O fato de exercer o controle das contas e auxiliar o CN NÃO torna o TCU submisso a esse poder, até
porque o TCU pode realizar auditorias e inspeções a pedido dos outros poderes.
- O Tribunal de Contas NÃO possui personalidade jurídica, mas apenas capacidade processual ou
postulatória.
- O TCU é parte legítima para figurar no polo passivo do MS, quando sua decisão está revestida de
caráter impositivo.
- O Tribunal de contas NÃO analisa a conveniência e oportunidade da despesa pública, por fazer
parte da discricionariedade do executivo.

c) Tribunais de Contas da União, Estados, DF e Municípios


- Pelo art. 75 CF, as regras aplicáveis aos Tribunais de Contas da União são extensíveis aos demais
Tribunais de Contas, observando o princípio da simetria, de modo que NÃO pode haver qualquer
atribuição de função a algum outro Tribunal de Contas, previsto na Constituição Estadual, diferente
do disposto na CF.
- STF: A competência para apurar eventuais infrações penais cometidas na gestão de verbas
educacionais é do MPF, ainda que não envolvam repasses de dinheiro federal, porque a política de
educação é nacional e há evidente interesse da União na correta aplicação dos recursos. Por outro
lado, em âmbito cível, em regra a competência será da Justiça Estadual, salvo se houver dinheiro
federal envolvido ou exista superveniente interesse da União na gestão das verbas. Vejamos as
regras:
• Quando há repasse de recursos federais para o Estado ou Município, a competência é da
Justiça Federal, desde que os recursos estejam sujeitos à fiscalização de órgãos federais. Ex:
Verbas de transferências voluntárias (convênios) e transferências automáticas, bolsa família.
=> VIDE SÚM. 208 STJ.
- No casos de verbas do SUS, como a União mantém competência fiscalizatória e sancionatória em
relação a esses recursos, o TCU vislumbrou o caráter convenial dessas transferências e, assim,
reconheceu a natureza federal dos recursos.
• Quando a verba repassada, embora federal, incorporou-se ao patrimônio do Município, a
competência é da Justiça Estadual => VIDE SÚM. 209 STJ. Ex: FPM
- Em alguns casos, o próprio contrato informa a impossibilidade de incorporação. Ex: PNAE –
Programa Nacional de Alimentação escolar (fiscalização pelo TCU), PNAT – Programa Nacional
de Apoio ao Transporte Escolar (competência Federal).
• Quando a verba repassada, independente da sua origem, incorpora-se ao patrimônio do
Estado ou do Município, mas persiste interesse federal na matéria, a competência é da JF.
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Ex: FUNDEB (Se ação de improbidade, verificar se houve ou não complementação de verbas
do FUNDEB pela União).

d) Natureza das decisões do TC


- Meramente administrativa, haja vista o monopólio da jurisdição.
- As decisões do Tribunal de Contas vinculam a Administração, que deverá cumprir as deliberações
do Tribunal de Contas ou ingressar com ação própria no Judiciário, caso discorde.
- SÚMULA 347 STF – O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a
constitucionalidade de leis e atos do poder público (serve como parâmetro apenas para as suas
decisões, NÃO se aplicando fora delas), sendo difuso e incidental, desprovido de efeitos vinculantes.

e) Eficácia das Decisões do Tribunal de Contas


- As decisões do Tribunal de Contas terão eficácia de título executivo. Aplicada a penalidade, cabe ao
erário executar a cobrança. Ex: Se a penalidade foi de aplicação errônea de recursos pelo gestor do
Município X, caberá a este mesmo Município cobrar a penalidade.
- Em âmbito Federal: a cobrança da penalidade se dá pela AGU.
- O representante do MP que atue junto ao TC NÃO tem legitimidade para promover essas
execuções.
- Para essas cobranças, NÃO é necessária a inscrição em dívida ativa, nem se regem pela LEF, pois as
decisões já são títulos executivos extrajudiciais.
- Em se tratando de débitos imputados pelo Tribunal de Contas, se for cobrança de ressarcimentos,
será imprescritível.
- STF: O Estado-membro NÃO tem legitimidade para promover execução judicial para cobrança de
multa imposta por Tribunal de Contas estadual à autoridade municipal, uma vez que a titularidade
do crédito é do próprio ente público prejudicado (Município, no caso), por meio de seus
representantes judiciais.

f) Competência dos Tribunais de Contas:


• Emissão de parecer prévio do executivo;
• Julgamento de contas (exceto do executivo);
• Controle de atos de pessoal;
• Fiscalização em sentido estrito;
• Aplicação de sanções;
• Competência corretiva;
• Dever de representação;
• Fixação de índices dos Fundos de Participação;
• Auxílio à Comissão Mista Permanente;
• Poder Regulamentar

I) Emissão de Parecer Prévio


- Compete ao Tribunal de Contas apreciar as contas anualmente prestadas pelo Presidente da
República, mediante parecer prévio, que deverá ser elaborado em 60 dias, a contar do seu
recebimento.

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- O Tribunal de Contas NÃO julga as contas do executivo, pois esse papel pertence ao legislativo. O
parecer do TC é meramente opinativo, não vinculante da decisão de julgamento, que será feita
pelo legislativo, mas serve como importante subsídio.
- Se no âmbito Municipal, o parecer prévio vincula até certo ponto o legislativo Municipal, pois só
deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos membros da Câmara dos Vereadores.
- O julgamento realizado pelo Legislativo NÃO poderá ser modificado pelo Judiciário, posto que não
possui competência. O Judiciário só poderá analisar se houve ou não observância dos princípios
constitucionais e se o rito procedimental foi observado, não podendo entrar no mérito para afastar
ou aproximar algum ponto que não foi levado em consideração no ato do julgamento.
- Contas de Governo: O legislativo apenas julga contas de governo, pois sobre elas o TC emite parecer
prévio, que NÃO vincula aquele poder. As contas de governo estão atreladas ao cumprimento de
índices constitucionais de gastos em educação e saúde, limites de gastos com pessoal, etc. - Para os
gastos com as contas de governo, O TC emite parecer prévio e o Poder Legislativo realiza o
julgamento político.
- Contas de Gestão: vinculadas à realização de despesas e às suas especificidades, o Tribunal de
Contas teria o papel de julgá-las de modo técnico, não podendo, nesse ponto, o Legislativo realizar
julgamento político, pautado na conveniência. Para contas de Gestão, o julgamento realizado pelo
TC é técnico e possui caráter definitivo, consubstanciado em acórdãos, com eficácia de título
executivo quando imputar débito ou aplicar multa. Nesse caso, poderá o Judiciário adentrar no
mérito, já que nenhuma lesão ou ameaça de lesão poderá ser afastada do Judiciário.
ATENÇÃO: O tema de competência para julgamento de contas de governo e de gestão é muito
polêmico! O TSE tem entendimento no sentido de que a competência para julgar o executivo é do
legislativo, e não do Tribunal de Contas, mesmo em relação às contas de gestão. TEMA PENDENTE
DE JULGAMENTO NO STF!

II) Julgamento das Contas


- Compete ao Tribunal de Contas julgar as contas dos Poderes Legislativo e Judiciário, do MP, órgãos,
fundos e empresas da Administração direta e indireta, e de toda pessoa física ou jurídica que
administre verbas públicas.
- Fica de fora apenas as contas do governo, feitas pelo Legislativo.
- Os Tribunais de contas, embora autônomos perante o Legislativo, estão sujeitos ao seu controle
externo.
- STF consolidou dois temas importantes:
• O julgamento das contas do Tribunal de Contas dos Estados ficaria a cargo do Poder
Legislativo;
• O julgamento das contas do Tribunal de Contas do Município é realizado pelo Tribunal de
Contas dos Estados, e não perante a Assembleia legislativa dos Estados-Membro.
- Quanto ao TCU, compete à Comissão Mista Permanente do Legislativo dar parecer prévio sobre
suas contas, restando ao TCU a análise dos aspectos administrativos dos gastos, como despesas com
pessoal, contratos, etc. Após o parecer da Comissão Mista do Orçamento, as contas são enviadas ao
CN, que delibera por decreto legislativo.

III) Controle dos Atos de Pessoal


- Art. 71 CF:

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• Toda e qualquer admissão no serviço público, inclusive contratações por tempo determinado,
deve ser apreciada pelo Tribunal de Contas, SALVO as nomeações para cargos em comissão,
que são de livre nomeação e exoneração;
• Compete ao Tribunal de Contas apreciar as concessões de aposentadorias, reformas e
pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato
concessório.
- TODOS os atos de admissão de pessoal e de aposentadoria são, na essência, atos complexos, que
demandam posterior análise do Tribunal de Contas para a sua perfeição.
- Súmula vinculante 03 – A segunda parte da súmula afirma que na apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão NÃO se
observam o contraditório e a ampla defesa. Isso ocorre porque, como reconhecido
pelo STF, o ato de concessão inicial de aposentadoria é ato complexo, que depende
da manifestação do órgão + TC, dois órgãos diferentes. Assim, uma vez que há apenas
expectativa de direito do interessado, NÃO se garante o contraditório e a ampla
defesa, pois NÃO se tem direito em discussão.
O STF voltou ao tema, e ratificou que o contraditório e ampla defesa devem
ser exercidos apenas na Administração e NÃO perante o TC, já que a análise do
Tribunal era apenas técnica, aperfeiçoadora do ato. Porém, se o TC demorasse a
decidir, deveria se observar o contraditório e a ampla defesa ao interessado, em
virtude da segurança jurídica em jogo e estabilidade das decisões.
Assim, o STF entendeu que o prazo para a análise dos processos é de 05 anos
para decidir sobre a concessão ou não da aposentadoria, tempo em que não se
observam os princípios do contraditório e ampla defesa. Ultrapassado esse período,
deve se garantir ao interessado as garantias.
Se a Administração reconhecer algum vício no ato de controle de pessoal,
mesmo após a análise do Tribunal de Contas pela sua regularidade, poderá anular o
ato, em virtude da autotutela, devendo o mesmo, para surtir efeito, ser novamente
apreciado pelo Tribunal de Contas. => VIDE SÚMULA 06 STF.

IV) Fiscalização em sentido estrito


- A CF dá aos TCs poderes de fiscalização propriamente dito:
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de
Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;
- O TC pode realizar inspeções e auditorias, sendo amplo o alcance dessa fiscalização, abarcando os
âmbitos contábil, operacional, financeiro, orçamentário e patrimonial (COFOP)
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União
participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
- A competência da fiscalização do TC se entende a qualquer órgão da Administração Pública, desde
que esteja na sua alçada a origem dos recursos (Ex: recursos federais – TCU; Estaduais – TCE).
- Havendo consórcio público entre Municípios, por exemplo, cada TCM ou TCE estará investido do
poder fiscalizatório sobre as contas referentes ao patrimônio do ente a ele vinculado.

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VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio,


acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a
Município;
- Celebrado um convênio entre a União e um Estado, o TCU será sempre competente para fiscalizar
a parte referente aos recursos federais eo TCE referente aos recursos estaduais. O critério da
fiscalização é a origem dos recursos.
- Se houver omissão na prestação de contas ou irregularidades na aplicação de recursos, compete ao
controle interno setorial do TC instaurar Tomada de Contas Especial, a ser julgada pelo Próprio
Tribunal, para apurar fatos, identificar os responsáveis e quantificar o dano.
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas,
ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções
realizadas;
- Qualquer solicitação dos órgãos competentes do CN sobre as despesas públicas e a aplicação dos
recursos públicos deve ser prontamente atendida pelo respectivo Tribunal de Contas. No caso do
TCU, possui um Comitê Técnico de Auxílio ao CN, para os casos de urgência.

V) Aplicação de sanções
- As sanções devem estar previstas na Lei do respectivo TC, para que não se ofenda o direito segundo
o qual NÃO há pena sem prévia cominação legal.
- TCU: A Lei Orgânica autorizou a:
• Aplicar penalidades, desde multa e obrigação de devolução do débito apurado até
afastamento provisório do cargo;
• Solicitar ao órgão competente o arresto dos bens de responsáveis julgados em débito;
• Inabilitação ao exercício de cargo em comissão ou função de confiança na Administração, etc.
- Essas penalidades NÃO excluem a aplicação de sanções penais e administrativa pelas autoridades
competentes, em razão das mesmas penalidades encontradas pelos Tribunais de Contas.

VI) Competência Corretiva


- Constatada alguma irregularidade, o Tribunal de contas tem a competência para fixar prazo para
que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, ou sustar o
ato impugnado.
- Se CONTRATOS, o Tribunal comunica o fato ao CN, a quem compete adotar o ato de sustação. O
Legislativo, por sua vez, deverá sustar o contrato e solicitar ao executivo, de imediato, as medidas
cabíveis. Se o executivo nada deliberar a respeito, no prazo de 90 dias, o TC fará uma análise técnica
da irregularidade e dará seu parecer. O TRIBUNAL NÃO PODE SUSTAR O CONTRATO, POR SER
ATRIBUIÇÃO EXCLUSIVA DO CN. No entanto, existe doutrina administrativista que entende ser
possível o TCU sustar contratos, se inerte o CN (usar esse último entendimento em provas
subjetivas, se questionado).
- Se ATO ADMINISTRATIVO, o TC pode sustar o ato, devendo comunicar ao Legislativo.

VII) Dever de Representação


- Se numa fiscalização o TC apurar irregularidade ou abuso, que compete a algum outro órgão
fiscalizar, apurar e responsabilizar, o TC deverá comunicar ao Poder competente a falha apontada,
para que sejam adotadas as providências cabíveis.
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VIII) Auxílio aos Fundos de Participação


- Art. 61 CF: O TC possui a atribuição de efetuar o cálculo das quotas referentes aos fundos de
participação:
• Dos Estados e DF;
• Municípios;
• Fundo de Compensação pelas exportações de produtos industrializados (IPI-EXPORTAÇÕES);
• Fundos constitucionais de financiamento no norte, nordeste e centro-oeste.
• Note que esses recursos, embora transferidos pela União, são receitas dos entes
recebedores, NÃO sendo fiscalizados pelo TCU, mas pelos TCEs e TCM.
• A atribuição de fixar os coeficientes dos Fundos de Participação é EXCLUSIVA do TCU.

IX) Auxílio à Comissão Mista permanente


- O TC ainda tem o dever de auxiliar a Comissão Mista Permanente do CN quando da ocorrência de
investimentos não programados ou de subsídios não aprovados.
Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios de
despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de
subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental responsável que, no
prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.
§ 1º - Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes insuficientes, a Comissão
solicitará ao Tribunal pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.
§ 2º - Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se julgar que o gasto possa
causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional
sua sustação.
X) Poder Regulamentar
- O Tribunal de Contas possui poder normativo, podendo expedir atos e instruções normativas que
orientam e guiam os administradores públicos a prestarem contas de forma correta.

XI) Tribunal de Contas e LRF


- Além das funções constitucionais, a LRF trouxe diversas atribuições ao Tribunal de Contas:
Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema
de controle interno de cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das
normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se refere a:
I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias;
II - limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em Restos a Pagar;
III - medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao respectivo limite, nos
termos dos arts. 22 e 23;
IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31, para recondução dos montantes
das dívidas consolidada e mobiliária aos respectivos limites;
V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos, tendo em vista as restrições
constitucionais e as desta Lei Complementar;
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando houver.
- Além dessas funções, o §1º prevê a FUNÇÃO ALERTA dos Tribunais, que ocorre quando a despesa
de pessoal atinge o limite de 90% (não se confunde com o limite prudencial do art. 22 LRF), deverão
exercê-la quando constatarem:
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§ 1o Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos referidos no art. 20 quando


constatarem:
I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas no inciso II do art. 4 o e no art. 9o;
II - que o montante da despesa total com pessoal ultrapassou 90% (noventa por cento) do
limite;
III - que os montantes das dívidas consolidada e mobiliária, das operações de crédito e da
concessão de garantia se encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respectivos
limites;
IV - que os gastos com inativos e pensionistas se encontram acima do limite definido em lei;
V - fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou indícios de
irregularidades na gestão orçamentária.
§ 2o Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os cálculos dos limites da despesa total
com pessoal de cada Poder e órgão referido no art. 20.
§ 3o O Tribunal de Contas da União acompanhará o cumprimento do disposto nos §§ 2 o, 3o e
4o do art. 39.

XII) Tribunal de contas e sigilo bancário


- STF: entende que o TCU NÃO detém legitimidade para requisitar diretamente informações que
importem quebra de sigilo bancário.

XIII) Composição dos Tribunais de Contas


A) Composição
- 09 Ministros, com quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo território nacional. Sua sede fica
em Brasília.
- Tribunais de Contas dos Estados e Municípios: 07 membros.

B) Requisitos para o provimento dos cargos


• Ser brasileiro;
• Possuir mais de 35 e menos de 65 anos de idade;
• Ter idoneidade moral e reputação ilibada;
• Possuir notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de
administração pública;
• Ter mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos do item anterior => STF: O notório conhecimento NÃO precisa ser formado
normalmente.

C) Competência para indicação dos membros


- TCU: 1/3 pelo Presidente, com aprovação do Senado Federal, sendo 02 alternadamente entre
auditores e membros do MP junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo
critérios de antiguidade e merecimento; 2/3 escolhidos pelo CN
- TCE/ TCM: 03 escolhidos pelo governador, e 04 pelo legislativo. Os indicados pelo governador
devem se submeter à aprovação da Assembleia legislativa => VIDE SÚM. 653 STF

D) Equivalência de impedimentos e vantagens

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- Os Ministros do TCU terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e


vantagens dos Ministros do STJ.
- Para TCE/ TCM: Mesmas vantagens dos Desembargadores do TJ.
- Se auditor: mesmas garantias e impedimentos que as de juiz de TRF

OBS: Qualquer cidadão pode denunciar irregularidades perante o Tribunal de Contas, tornando
este um órgão auxiliar, não apenas do legislativo, mas da própria comunidade.

E) Tribunal de contas e Poder de investigação


- O Tribunal de contas tem atribuição para investigar, independente de provocação, podendo agir de
ofício.
- É parte legítima para denunciar irregularidades:
• Qualquer cidadão;
• Partido Político;
• Associação;
• Sindicato
- STF: Entendeu que o denunciado tem o direito de saber quem está apresentando a denúncia para
eventualmente exercer o seu direito de resposta, proporcional ao de agravo.
- Em caso envolvendo a prática de crime, o STF admitiu a denúncia anônima, desde que acompanhada
dos demais elementos colhidos a partir dela

Referências Bibliográficas:
Harrison Leite. Manual de Direito Financeiro.
Rafael Carvalho Resende Oliveira. Curso de Direito Administrativo.

AMBIENTAL

Direito ambiental constitucional. Meio ambiente como direito fundamental. Princípios


estruturantes do estado de direito ambiental. Competências ambientais legislativa e material.
Deveres ambientais. Art. 225 da Constituição Federal de 1988. Conceito de meio ambiente e seus
aspectos. Princípios de direito ambiental. Prevenção, precaução, poluidor-pagador e usuário-
pagador, cooperação, informação, participação, equidade intergeracional. Artigos 182 e 183 da
Constituição Federal.

1. Conceito: Define Edis Milaré que o Direito Ambiental é o “complexo de princípios e normas
reguladores das atividades humanas que, direta ou indiretamente, possam afetar a sanidade do
ambiente em sua dimensão global, visando a sua sustentabilidade para as presentes e futuras
gerações".
2. Meio ambiente como direito fundamental: Embora não conste no rol do artigo 5º da CF, o meio
ambiente é considerado um direito fundamental de terceira geração, entendido como uma extensão
do direito à vida e necessário à pessoa humana. Nesse sentido:
Art. 225, da CF/88: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Segundo Anderson Furlan, o meio ambiente é direito fundamental e tem dupla natureza jurídica:
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• Direito Subjetivo da personalidade: Todos os indivíduos podem pleitear o direito de defesa


contra atos lesivos ao meio ambiente;
• Elemento fundamental de ordem objetiva: decorre do art. 225, da CF/88, a obrigação de que
os poderes constituídos realizem a proteção e promoção do meio ambiente.
3. Princípios do Direito Ambiental
a) Princípio da Prevenção: Enfatiza a prioridade que deve ser dada às medidas que previnam a
degradação ambiental, com a finalidade de que o dano possa chegar a produzir-se. Tal princípio se
apoia na certeza científica do impacto ambiental, sendo o nexo causal cientificamente
comprovado. Ex: Exigência do EIA ANTES de iniciada uma atividade potencialmente degradadora do
meio ambiente.
b) Princípio da precaução: É a garantia contra riscos potenciais que ainda não podem ser
identificados, dado o estágio atual de conhecimento. A ausência de certeza científica absoluta não
deve servir de pretexto para postergar a adoção de medidas efetivas para evitar a degradação
ambiental, mas é requerida CAUTELA na utilização das medidas, a exemplo do uso dos transgênicos.
* ATENÇÃO: Paulo Affonso Leme Machado defende que, em certos casos, a relação de causalidade
é presumida com o objetivo de evitar a ocorrência do dano. Pela aplicação do princípio da precaução,
vigora no Brasil o in dubio pro natura, de modo que, na dúvida, deve prevalecer a interpretação que
melhor proteja o meio ambiente. Assim, a aplicação do princípio da precaução INVERTE o ônus
normal da prova e impõe ao autor potencial provar, antecipadamente, que sua atividade NÃO
causará danos ao meio ambiente, conforme já decidiu o STJ.
c) Princípio do Poluidor-Pagador: É instrumento econômico que exige do poluidor, uma vez
identificado, suportar as despesas de prevenção, reparação e repressão dos danos ambientais, de tal
sorte que o causador da poluição deverá arcar com os custos necessários à diminuição, eliminação
ou neutralização do dano ambiental. O princípio NÃO se reduz à finalidade de somente compensar o
dano ao meio ambiente, mas deve englobar os custos necessários para a precaução e prevenção dos
danos, assim como a adequada repressão. Previsão: Art. 225, §3º CF e PNMA.
d) Princípio do Usuário – Pagador: Funda-se na premissa de que os recursos ambientais são escassos.
Assim, estabelece que o usuário dos recursos naturais deve pagar por sua utilização, e não
necessariamente pelos danos causados ao meio ambiente, de tal sorte que NÃO seria uma punição.
* ATENÇÃO: Decorre desse princípio, segundo o STF, a cobrança de compensação ambiental.
e) Princípio do protetor-recebedor: Encontra previsão legal na Política Nacional de resíduos sólidos,
e consiste a possibilidade de compensação financeira aos agentes públicos ou privados que protegem
o meio ambiente em favor da comunidade como forma de incentivo ao comportamento
protecionista prestado (sanção premial).
f) Princípio da natureza pública da proteção ambiental: Conhecido como princípio da
obrigatoriedade de atuação ou intervenção estatal obrigatória na defesa do meio ambiente, foi
previsto no item 17 da Declaração de Estocolmo de 1992, e prevê que o Estado deve providenciar,
seja no âmbito administrativo, legislativo e jurisdicional, a adequada proteção do meio ambiente,
adotando as políticas públicas e programas de ação necessários. Frise-se que a atuação estatal é
obrigatória, mas não é exclusiva, sendo papel de toda a coletividade.
g) Princípio da participação comunitária (= princípio democrático): Conforme princípio 10 da Rio 92,
é dever da comunidade proteger e preservar o meio ambiente, bem como possui o direito a opinar
sobre políticas públicas e ter acesso aos mecanismos de controle políticos e administrativos.
h) Princípio do Equilíbrio: Trata-se da aplicação do princípio da proporcionalidade no direito
ambiental. É a necessidade de sopesar os prejuízos e impactos ambientais com os benefícios e ganhos
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que determinada atividade possa gerar na esfera ambiental, possuindo grande relevância na
elaboração de políticas públicas.
i) Princípio da ubiquidade: Também conhecido como princípio da variável ambiental no processo
decisório das políticas públicas. Determina que a preservação do meio ambiente deve ser levada em
consideração em toda decisão política que seja tomada.
j) Princípio da correção da fonte: Canotilho defende que a poluição deve ser corrigida no local em
que foi produzida, para que se evite o turismo de poluição, que ocorre quando as consequências da
poluição gerada em determinada área são sentidas por outro espaço geográfico, até então livre
daquelas mazelas.
k) Princípio da função socioambiental da sociedade: Previsto no art. 186, da CF/88, a função social
da propriedade é atendida quando há aproveitamento racional e adequado, utilização adequada dos
recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; observação das disposições que
regulam as relações de trabalho; exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e
trabalhadores. É o princípio que justifica serem as obrigações ambientais propter rem.
l) Princípio da vedação ao retrocesso: o efeito cliquet em matéria ambiental seria um retrocesso nas
leis e normas que protejam o meio ambiente, de tal forma que as garantias de proteção ao meio
ambiente NÃO podem retroagir.
m) Princípio do desenvolvimento sustentável: É aquele que atende às necessidades do presente sem
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades. Parte da ideia
de que as necessidades humanas são ilimitadas, mas os recursos ambientais não o são, sendo
necessário buscar o equilíbrio, pela sustentabilidade, e decorre de uma ponderação casuística entre
o direito fundamental ao desenvolvimento econômico e o direito fundamental à preservação
ambiental.
n) Princípio da equidade intergeracional (solidariedade intergeracional): Prevê que o direito ao
desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas equitativamente as
necessidades das gerações futuras.

4. Competências ambientais
4.1. Competência Legislativa:A regra é que todos os entes políticos têm competência para legislar
concorrentemente sobre o meio ambiente, cabendo à União editar normas gerais, a serem
especificadas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, de acordo com a amplitude do interesse,
se regional ou local.
- Em princípio, não há conflito quando as normas estaduais, distritais ou municipais são mais
restritivas que as federais, ou seja, instituam regras mais protetivas ao meio ambiente, desde que a
lei federal o permita.
- O STF declarou a inconstitucionalidade de normas estaduais e municipais mais protetivas em face a
usurpação/ou contrariedade com a lei federal, embora exista doutrina que defenda sempre a
prevalência das leis mais protetivas ao meio ambiente, em caso de conflito.
a) União: PossuiCOMPETÊNCIA PRIVATIVA e CONCORRENTE para legislar sobre o meio ambiente.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: IV – águas, energia, informática,
telecomunicações e radiodifusão; XII – jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
XIV – populações indígenas; XVIII – sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia
nacional; XXVI – atividades nucleares de qualquer natureza. Parágrafo único. Lei complementar
poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas
neste artigo.
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- No entanto, o fato de ser da União o poder legiferante não significa, em princípio, que só a ela
caiba a fiscalização, pois Estados e Municípios podem e devem zelar pela proteção do meio ambiente
e combater a poluição em qualquer de suas formas (competência material comum).
- Outrossim, compete à União, no âmbito das ATRIBUIÇÕES CONCORRENTES, estabelecer normas
gerais sobre as matérias discriminadas no art. 24 da CF/88:
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I
– direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; VI – florestas, caça,
pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do
meio ambiente e controle da poluição; VII – proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico,
turístico e paisagístico; VIII – responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a
bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
b) Estados e Distrito Federal: Legislam concorrentemente sobre as matérias consignadas no já
transcrito art. 24 da CF. Não possuem competência enumerada, sendo identificada por exclusão,
quando não for privativa na União e dos Municípios, ou por se tratar de competência concorrente.
c) Municípios: Predomina na doutrina o entendimento de que os municípios também detêm
competência no que se refere à matéria ambiental, com fulcro no art. 30, I e II, da Carta Magna:
Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; II - suplementar
a legislação federal e a estadual no que couber; IX - promover a proteção do patrimônio
histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.
4.2. Competência Material: O art. 23, da CF/88 prevê ser competência comum dos entes federativos,
não importa quem detenha o domínio do bem ou o ente que legislou a respeito. Logo, todos podem
atuar na preservação ambiental, de forma ampla, nas matérias do art. 23:
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: III
– proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os
monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV – impedir a evasão, a
destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico
e cultural; VI – proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII – preservar as florestas, a fauna e a flora; IX – promover programas de construção de
moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; XI – registrar,
acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos
e minerais em seus territórios. Parágrafo único. Lei complementar fixará normas para a
cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o
equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
4.3. Critérios definidos para competência (INF. 432 STF):
• Critério da preponderância do interesse;
• Critério da colaboração entre as pessoas políticas;
• Privilegiar a norma que atenda de forma mais efetiva ao interesse comum;
• Interesses da União são maisabrangentes e devem, ordinariamente, ter precedência.
• Não há hierarquia de pessoas políticas, mas de interesses.

4.4. Entendimento jurisprudenciais relevantes:

a) Lei complementar ou ordinária pode retirar da Floresta Amazônica a condição de bioma


relevante para o patrimônio Nacional?

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Como a CF entendeu ser a Floresta Amazônica patrimônio nacional, nos termos do art. 225,
em tese, apenas Emenda Constitucional poderia retirar essa condição. No entanto, a doutrina
entende que, por sua relevância, seria direito fundamental, insuprimível, por configurar cláusula
pétrea, de modo que eventual tentativa de supressão esbarraria no princípio da vedação ao
retrocesso.

b) A implantação de usina nuclear em unidade de conservação estadual depende de autorização


específica em lei estadual?
A Constituição exige lei federal, no art. 225, §6º. Assim, o STF já julgou inconstitucional a
exigência de Constituição Estadual que subordinava a oitiva prévia de sua assembleia legislativa para
a construção de instalações de contrais nucleares.
c) (TJMA – JUIZ 2013) - O governo de determinado estado da Federação proibiu totalmente, por
meio de lei, o cultivo, a manipulação e a industrialização de organismos geneticamente
modificados no âmbito estadual. Na exposição de motivo que justificava a proposta, mencionou-
se o objetivo de se evitarem riscos possíveis ao meio ambiente, devido à incerteza científica quanto
a repercussões decorrentes da inserção ambiental de tais organismos. Após a publicação da lei, foi
ajuizada, perante o STF, ADI contra a norma, sob o argumento de que a lei federal que dispõe sobre
biossegurança permite, com ressalvas, atividades com organismos geneticamente
modificados. Seria correto afirmar que o STF deve julgar procedente a ADI, porque a lei estadual
contraria o que dispõe a lei federal sobre biossegurança?
Em se tratando de meio ambiente, a competência é concorrente, conforme art. 24 CF. E No
âmbito da competência concorrente, a União limita-se a estabelecer normas gerais e os Estados a
suplementar (CF, art. 24, §§1º e º2).
Contudo, o Estado ao exercer esta competência suplementar NÃO pode contrariar as normas
gerais, sob pena de incidir em inconstitucionalidade. A afronta é justamente à norma do art. 24, §§1º
2º, da CF. Como a União exerceu sua competência ao estabelecer normas gerais acerca de
organismos geneticamente modificados, permitindo o cultivo (vide art. 35 da Lei 11.105 da Lei de
biossegurança), o Estado não poderia simplesmente impedir a comercialização, a pretexto de exercer
sua competência suplementar. No máximo o Estado poderia criar novos condicionantes para o
exercício da atividade, contanto que não contrariassem o que está disposto na lei federal:
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 14.861/05, DO ESTADO DO PARANÁ.
INFORMAÇÃO QUANTO À PRESENÇA DE ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS
EM ALIMENTOS E INGREDIENTES ALIMENTARES DESTINADOS AO CONSUMO HUMANO E
ANIMAL. LEI FEDERAL 11.105/05 E DECRETOS 4.680/03 E 5.591/05. COMPETÊNCIA
LEGISLATIVA CONCORRENTE PARA DISPOR SOBRE PRODUÇÃO, CONSUMO E PROTEÇÃO E
DEFESA DA SAÚDE. ART. 24, V E XII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ESTABELECIMENTO DE
NORMAS GERAIS PELA UNIÃO E COMPETÊNCIA SUPLEMENTAR DOS ESTADOS. 1.
Preliminar de ofensa reflexa afastada, uma vez que a despeito da constatação, pelo
Tribunal, da existência de normas federais tratando da mesma temática, está o exame na
ação adstrito à eventual e direta ofensa, pela lei atacada, das regras constitucionais de
repartição da competência legislativa. Precedente: ADI 2.535-MC, rel. Min. Sepúlveda
Pertence, DJ 21.11.03. 2. Seja dispondo sobre consumo (CF, art. 24, V), seja sobre proteção
e defesa da saúde (CF, art. 24, XII), busca o Diploma estadual impugnado inaugurar
regulamentação paralela e explicitamente contraposta à legislação federal vigente.
3. Ocorrência de substituição - e não suplementação - das regras que cuidam das
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exigências, procedimentos e penalidades relativos à rotulagem informativa de produtos


transgênicos por norma estadual que dispôs sobre o tema de maneira igualmente
abrangente. Extrapolação, pelo legislador estadual, da autorização constitucional voltada
para o preenchimento de lacunas acaso verificadas na legislação federal. Precedente: ADI
3.035, rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 14.10.05. 4. Declaração de inconstitucionalidade
conseqüencial ou por arrastamento de decreto regulamentar superveniente em razão da
relação de dependência entre sua validade e a legitimidade constitucional da lei objeto da
ação. (ADI 3645, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 31/05/2006,
DJ 01-09-2006 PP-00016 EMENT VOL-02245-02 PP-00371 RTJ VOL-00199-02 PP-00633
LEXSTF v. 28, n. 334, 2006, p. 75-91)

5. Art. 225, da CF/88:


Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das
espécies e ecossistemas;
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as
entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a
serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através
de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem
sua proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de
significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias
que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública
para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma
da lei.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-
Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei,
dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso
dos recursos naturais.
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações
discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
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§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei
federal, sem o que não poderão ser instaladas.

a) Titularidade: Com o art. 225, da CF/88, o cidadão deixa de ser mero titular passivo do direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado e passa também a ter a titularidade de um dever de
defesa e preservação. Outrossim, os titulares do bem jurídico “meio ambiente” não são apenas os
cidadãos do país – as presentes gerações, mas também gerações futuras.
b) Antropocentrismo ou biocentrismo: A doutrina diverge se o art. 225 adotou visão antropocêntrica
ou biocêntrica:
• Teoria Minimalista: a expressão “todos” do dispositivo se refere a todos que estão sujeitos ao
regime constitucional - visão antropocêntrica.
• Teoria Maximalista: a expressão “todos” do dispositivo se refere a todos que integram o meio
ambiente, não apenas os homens, mas também a fauna e a flora.

Referências Bibliográficas:
Edis Milaré. Direito do ambiente.
Leonardo de Medeiros Garcia. Direito Ambiental.
Paulo Affonso Leme Machado. Direito Ambiental Brasileiro.
Anderson Furlan. Direito Ambiental.

NOÇÕES DE DIREITO URBANÍSTICO

1. Alguns princípios do direito urbanístico2

• Urbanismo como função pública: O direito urbanístico é instrumento normativo pelo qual o
Poder Público atua no meio social e no domínio privado, para ordenar a realidade no interesse
coletivo, sem prejuízo do princípio da legalidade.
• Princípio da conformação da propriedade urbana pelas normas de ordenação urbanística;
• Princípio da afetação das mais-valias ao custo da urbanização: os proprietários dos terrenos
devem satisfazer os gastos da urbanização, dentro dos limites do benefício dela decorrente
para eles, como compensação pela melhoria das condições de edificabilidade que dela deriva
para seus lotes;
• Princípio da justa distribuição dos benefícios e ônus derivados da atuação urbanística.
• Princípio da função social da propriedade urbana.

V. Direito de construir e direito de propriedade: O direito de propriedade é direito complexo e possui


tradicionalmente um conteúdo privativo, entendido como um direito subjetivo de o proprietário se
valer dos atributos de gozar, reaver, usar e dispor. Decorre do direito de propriedade o direito de
construir.

2
Elencados por José Afonso da Silva na obra Direito Urbanístico Brasileiro.
77

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No entanto, necessário destacar que o direito de construir NÃO é amplo e irrestrito, pois deve
obedecer à função social da propriedade e às limitações urbanísticas. Sobre o assunto, preleciona
Nelson Rosenvald:
“Há muito já sucumbiu o cenário em que o proprietário arbitrariamente definia quando, como
e o quê construir. Não tardará o momento em que o direito de construir será destacado do
direito subjetivo de propriedade, para se converter em uma concessão da municipalidade, ao
delinear o regime jurídico de utilização do solo. Para o civilista conservador, esta afirmação
seria uma agressão, pois não se poderia conceber a propriedade desfalcada da essência de
umas de suas maiores faculdades, o que implicaria em um “soco no estômago” da autonomia
privada de seu titular”.
Nesse sentido, as leis urbanísticas trazem uma série de limitações ao direito de propriedade,
a exemplo:
• Lei nº 6.766/79 (lei do parcelamento urbano): Traz requisitos para o loteamento;
• Lei nº 10.257/01 (Estatuto da Cidade): Traz uma série de limitações ao direito de propriedade,
sobretudo com os instrumentos da política urbana (art. 4º).
VI. Justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização: O art. 2º, XI,
da Lei nº 10.257/01 (Estatuto das Cidades) dispõe ser uma das diretrizes gerais da política urbana a
justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização. Tal diretriz se
alicerça na função social da cidade, prevista no art. 182, da CF/88:
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder público municipal,
conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento
das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
O intuito é a garantia de que todos os cidadãos tenham acesso aos serviços, equipamentos
urbanos e a toda e qualquer melhoria realizada pelo poder público, superando a eventuais
distorções. Com base nas diretrizes gerais estabelecidas pelo art. 2º do Estatuto da Cidade, estão
previstos, no Capítulo II, os instrumentos da política urbana, distinguindo-se as seguintes categorias:
planejamento, tributários, financeiros, jurídicos e políticos, listados ao longo do art. 4º da Lei em
questão, alguns com a finalidade de recuperar a valorização fundiária oriunda de ações do Poder
Público.
Para tal, o Estado dispõe de mecanismos fiscais ou urbanísticos:
• Modalidades tributárias de instrumentos de recuperação de mais-valias:
o Imposto Predial Territorial Urbano – IPTU;
o Contribuições de melhoria;
• Instrumentos regulatórios:
o Operações urbanas consorciadas;
o Outorga onerosa do direito de construir;
o Transferência do direito de construir;
o Direito de preempção;
o Certificado de Potencial Adicional de Construção – CEPAC.

2. Poder de Polícia Urbanístico


a) Conceito de Poder de Polícia: Art. 78, do CTN:

Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em
78

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razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à


disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de
concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

b) Poder de polícia urbanístico: No direito urbanístico, o Poder de Polícia pode se apresentar de


várias formas, com o objetivo de ordenar o espaço urbano. Nesse sentido, a lei do Plano Diretor deve:
• Prever limitações administrativas, formas de aplicação e fiscalização;
• Trazer parâmetros técnicos e critérios para a escolha e imposição de limitações
administrativas;
• Trazer sanções para o descumprimento da função social da propriedade urbana.

Assim, o poder de polícia urbanístico se manifesta com medidas reguladoras e sancionadoras. É


possível citar como exemplos do exercício do Poder de Polícia urbanístico:
• Controle das edificações, através da ordenação, uso e ocupação do solo urbano;
• Licenças urbanísticas;
• Sanções administrativas.
o Anulação/cassação de alvará: ato unilateral, mas exige garantia do direito ao
contraditório e ampla defesa;
o Embargo de obra: deve estar previsto em lei, caso contrário, apenas o Poder Judiciário
poderá expedir a ordem. Poderá ser feita a interdição compulsória desde que prevista
em lei. Se não houver previsão, a medida é admitida se houver risco iminente aos
moradores ou vizinhos;
o Demolição de obra: Cabível quando a construção for clandestina, com força
autoexecutória. Porém, se verificado que a mesma, a despeito de ausência de
licenciamento, atende aos requisitos urbanísticos da lei, proceder-se-á à notificação
para regularização, e não à sua derrubada.

c) Controle das edificações: Busca garantir que as edificações sejam seguras e salubres para as
pessoas e para o meio ambiente, e estruturalmente idôneas à função para qual se destina. No plano
urbanístico, tem por escopo assegurar que novas edificações sejam compatíveis com o Plano Diretor
vigente para determinada cidade.
- É instrumento de TUTELA PREVENTIVA DE DIREITOS DIFUSOS, SOCIAIS E INDIVIDUAIS
INDISPONÍVEIS.
- Para um eficaz exercício desse poder-dever do Município, impõe-se, no plano institucional, a
estruturação de um processo administrativo de licenciamento e acompanhamento de construções,
ampliações, reformas e demolições bem como ações de vigilância contra obras clandestinas, no
exercício do poder de polícia.
- Preenchidos os requisitos legais, é expedida uma licença, materializada sob a forma de alvará de
construção, reforma, ampliação ou demolição. Podem ainda ser exigidas licenças específicas, a
depender do tipo de atividade desenvolvida.

LICENÇA ALVARÁ
(Ato administrativo) (Materialização da licença)

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* ATENÇÃO - ESTUDO DE IMPACTOS AMBIENTAIS:


- Grandes empreendimentos, a exemplo de empreendimentos habitacionais de vulto,
rodovias urbanas, loteamentos, e construções que causem impacto visual significativo
na paisagem urbana, por serem potencialmente causadoras de significativa degradação
do meio ambiente e da qualidade de vida urbana, precisam previamente submeter a
estudo de impactos no ambiente urbano, especialmente na vizinhança(Constituição
Federal, artigo 225, § 1º, IV; Lei da Política Nacional de Meio Ambiente - Lei Nacional
6.938/1981, artigo 8º, II; Estatuto das Cidades - Lei Nacional 10.257/2001, artigo 4º, VI
e artigos 36 e 37).
- Trata-se de etapa do procedimento de licenciamento de empreendimento ou
atividade na qual se avaliarão os impactos positivos e negativos do empreendimento
ou atividade no meio ambiente.
- Mesmo previamente licenciadas, as obras urbanas precisam ser fiscalizadas durante a
sua execução, para assegurar-se de sua conformidade ao alvará expedido. O fiscal que
inspecioná-las lavrará termo de ocorrência das irregularidades que constatar,
encaminhando-o à autoridade superior, a qual, se for o caso, expedirá auto de infração
e intimará o interessado para regularizar a construção.
- Depois de terminada, o Poder Público Municipal terá que verificar se a edificação foi
executada em conformidade com o projeto previamente aprovado. Confirmada a
regularidade, expedir-se-á a licença respectiva.

- Se obras clandestinas, sem prévia licença ou executadas em desconformidade com a licença


expedida: O Poder Executivo Municipal deve embargá-las, ordenando a paralisação dos trabalhos,
interditar atividades que se desenvolvam no local, bem como proceder à demolição compulsória nos
casos em que não for possível a regularização.
- É possível ainda prever multas pela inobservância das regras de uso e ocupação do solo, desde que
exista lei.
- Excepcionalmente, e sem prejuízo do pagamento de multa, construções clandestinas, mas
instaladas em conformidade com os parâmetros da legislação urbanística, podem ser regularizadas,
mediante outorga de licença a posteriori.

d) Uso e ocupação do solo urbano: Decorre da noção de poder de polícia o controle preventivo sobre
o uso e ocupação do solo urbano, por meio do processo de licenciamento, notoriamente quanto ao
parcelamento e à atividade edilícia.
- É possível destacar que inexiste direito subjetivo ao parcelamento do solo urbano, pois o ato de
aprovação de loteamentos e desmembramentos tem natureza de autorização, sujeitando-se a juízo
de conveniência e oportunidade da Administração.
- O Estatuto das cidades disciplina a matéria, bem como a lei de parcelamento urbano traz os
contornos do tema e dispõe sobre autorizações para a realização das obras.

e) Licenças urbanísticas: Diferentemente da aprovação de projeto de parcelamento do solo, a


documentação da aprovação de projetos de construção, reforma ou demolição se dá mediante
alvarás de licença, e não de autorização.
- Espécies de alvarás (Hely Lopes Meirelles):

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• Alvará de licença: Quando se tratar de construção definitiva em terreno do requerente.


Decorre de direito do requerente;
• Alvará de autorização: Quando for obra provisória, em terreno do domínio público ou mesmo
particular. É ato discricionário da administração.

- A doutrina estabeleceu, quanto às licenças urbanísticas, algumas regras:


• Necessidade: o particular que deseje exercer atividade edilícia está obrigado a licenciar a
obra, nas hipóteses da lei municipal;
• Caráter vinculado: O Poder Público, no momento de outorga da licença, esta adstritos às
exigências legais, não podendo legitimamente negá-la quando verificados os requisitos.
Alguns autores, porém, falam em certa discricionariedade técnica do Município, inclusive na
caracterização dos requisitos legais;
• Transferibilidade: alienado o imóvel, a licença para nele edificar segue o principal,
favorecendo os sucessores ou adquirentes;
• Autonomia: não cabe à administração discutir, para concessão da licença, quaisquer
divergências quanto a relações privadas sobre domínio do imóvel;
• Definitividade: exercida a atividade nos termos e nos prazos das licenças, o ato não pode ser
discricionariamente revisto ou revogado por razões de mera conveniência ou oportunidade.
• Compatibilidade: Deve haver a compatibilidade da obra com os índices urbanísticos da zona
em que se situa o imóvel em questão, tais como taxa de ocupação, recuos, taxa de
permeabilidade, coeficiente de aproveitamento, gabarito, entre outros.

Referências Bibliográficas:
Leonardo Madeiros Garcia e Romeu Thomé. Direito Ambiental. Coleção Leis Especiais para
concursos.
Dizer o Direito.

LEITURA APARTADA

PODER PÚBLICO EM JUÍZO PARA CONCURSOS – RELEITURA DE GRIFOS


CAPÍTULO 05, 06, 07, 08 e 09

LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO

PÁGINAS 47 a 71

SÚMULA VINCULANTE TODO DIA

Alta chance de ser cobrado (+++)


Média chance de ser cobrada (++)
Pouca chance (+)

SÚMULA VINCULANTE 9 (+)

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O disposto no artigo 127 da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido pela ordem constitucional
vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo 58.

SÚMULA VINCULANTE 10 (+++)

Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que embora
não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte.

SÚMULA VINCULANTE 11 (+++)

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade
física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob
pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou
do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

SÚMULA VINCULANTE 12 (+++)

A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição
Federal.

SÚMULA VINCULANTE 13 (+++)

A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro
grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de
direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de
função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas,
viola a Constituição Federal.

SÚMULA VINCULANTE 14 (+++)

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária,
digam respeito ao exercício do direito de defesa.

SÚMULA DO STF TODO DIA

SÚMULA Nº 266

NÃO CABE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA LEI EM TESE.

SÚMULA Nº 267

NÃO CABE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL PASSÍVEL DE RECURSO OU CORREIÇÃO.

O STJ ADMITE UMA EXCEÇÃO

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AgRg no MANDADO DE SEGURANÇA Nº 18.995 - DF (2012/0165907-9) RELATOR : MINISTRO


ARNALDO ESTEVES LIMA IMPETRANTE : ANTONIO CARLOS DE MENEZES E OUTRO IMPETRADO :
SEGUNDA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NO MANDADO DE SEGURANÇA. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO JUDICIAL. TERATOLOGIA
OU PREJUÍZO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO. AUSÊNCIA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
CABÍVEL. REDISCUSSÃO NO MANDAMUS . NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO NÃO
PROVIDO. 1. "Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição"
(Súmula 267/STF). 2. Segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça, em situações
teratológicas, abusivas, que possam gerar dano irreparável, o recurso previsto não tenha ou não
possa obter efeito suspensivo, admite-se que a parte se utilize do mandado de segurança contra ato
judicial. 3. Hipótese em que contra o acórdão impugnado, proferido pela Segunda Seção nos autos
da Rcl 2.826/BA, Rel. p/ acórdão Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, era cabível recurso passível de
atribuição de efeito suspensivo, tanto que a parte impetrante interpôs embargos de declaração.
Posteriormente, impetrou o presente mandamus , em que repisou as alegações ali deduzidas. 4.
Agravo regimental não provido.

SÚMULA DO STJ TODO DIA

Súmula 102 - A incidência dos juros sobre os compensatórios, nas ações expropriatórias, não constitui
anatocismo vedado em lei. (Súmula 102, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 17/05/1994, DJ 26/05/1994 p.13081)

Entendimento superado:
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS COMPENSATÓRIOS E
MORATÓRIOS. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA 102/STJ.
1. Orientou-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Súmulas 12 e 102/STJ) no sentido de
que "os juros moratórios podem incidir sobre os juros compensatórios, não consistindo anatocismo
vedado em lei" (REsp 766.495/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ13.8.2007).
2. Ademais, na atual sistemática constitucional, os juros moratórios não recairiam sobre os
compensatórios. Isso porque estes últimos são calculados tão só até a expedição do precatório
original, e os primeiros, somente após esgotamento do prazo para pagamento do requisitório.
Precedente do STJ em repetitivo. 3. Agravo Regimental não provido.
(STJ - AgRg no Ag: 1402314 PR 2011/0080339-3, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de
Julgamento: 02/02/2012, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/02/2012)

Súmula 113 - Os juros compensatórios, na desapropriação direta, incidem a partir da imissão na posse,
calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente. (Súmula 113, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado
em 25/10/1994, DJ 03/11/1994 p. 29768)

Súmula 114 - Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem a partir da ocupação, calculados
sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente. (Súmula 114, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
25/10/1994, DJ 03/11/1994 p. 29768)

E qual a base de cálculo dos juros compensatório e moratórios?

A base de cálculo dos juros moratórios é a mesma dos juros compensatórios, qual seja, a diferença
entre os 80% do valor da oferta inicial depositada e o que foi fixado em sentença para a indenização,
ou seja, os valores que ficaram indisponíveis ao expropriado, que somente serão recebidos após o
trânsito em julgado.

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(STJ RECURSO ESPECIAL Nº 1.272.487 - SE, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de
Julgamento: 14/04/2015, T2 - SEGUNDA TURMA)

Súmula 119 - A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos. (Súmula 119, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 08/11/1994, DJ 16/11/1994 p. 31143)

Entendimento superado:

ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. PRAZO PRESCRICIONAL. AÇÃO


DE NATUREZA REAL. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA 119/STJ. PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA.
CÓDIGO CIVIL DE 2002. ART. 1.238, PARÁGRAFO ÚNICO. PRESCRIÇÃO DECENAL. REDUÇÃO DO PRAZO.
ART. 2.028 DO CC/02. REGRA DE TRANSIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 27, §§ 1º E 3º, DO
DL 3.365/1941.
1. A ação de desapropriação indireta possui natureza real e, enquanto não transcorrido o prazo para
aquisição da propriedade por usucapião, ante a impossibilidade de reivindicar a coisa, subsiste a
pretensão indenizatória em relação ao preço correspondente ao bem objeto do apossamento
administrativo.
2. Com fundamento no art. 550 do Código Civil de 1916, o STJ firmou a orientação de que "a ação de
desapropriação indireta prescreve em 20 anos" (Súmula 119/STJ).
3. O Código Civil de 2002 reduziu o prazo do usucapião extraordinário para 10 anos (art. 1.238,
parágrafo único), na hipótese de realização de obras ou serviços de caráter produtivo no imóvel,
devendo-se, a partir de então, observadas as regras de transição previstas no Codex (art. 2.028), adotá-
lo nas expropriatórias indiretas.
4. Especificamente no caso dos autos, considerando que o lustro prescricional foi interrompido em
13.5.1994, com a publicação do Decreto expropriatório, e que não decorreu mais da metade do prazo
vintenário previsto no código revogado, consoante a disposição do art. 2.028 do CC/02, incide o prazo
decenal a partir da entrada em vigor do novel Código Civil (11.1.2003).
5. Assim, levando-se em conta que a ação foi proposta em dezembro de 2008, antes do transcurso
dos 10 (dez) anos da vigência do atual Código, não se configurou a prescrição.
6. Os limites percentuais estabelecidos no art. 27, §§ 1º e 3º, do DL 3.365/1941, relativos aos
honorários advocatícios, aplicam-se às desapropriações indiretas. Precedentes do STJ. 7. Verba
honorária minorada para 5% do valor da condenação.
8. Recurso Especial parcialmente provido, apenas para redução dos honorários advocatícios.
(STJ RECURSO ESPECIAL Nº 1.300.442 - SC, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento:
18/06/2013, T2 - SEGUNDA TURMA)

Comentários “Dizer o Direito”: (Link)

“Qual é o prazo da ação de desapropriação indireta?


• No CC-1916: era de 20 anos.
• No CC-2002: é de 10 anos.
Foi o que decidiu a 2ª Turma do STJ no REsp 1.300.442-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
18/6/2013.
Repetindo: atualmente, segundo este julgado do STJ, o prazo de desapropriação indireta é de 10 anos.
Cuidado porque todos os livros de Direito Administrativo trazem informação diferente disso. No
entanto, em concursos CESPE, deve-se adotar o entendimento do STJ.
Qual é o fundamento jurídico para esse prazo?

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Segundo o STJ, a ação de desapropriação indireta possui natureza real e pode ser proposta pelo
particular prejudicado enquanto não tiver transcorrido o prazo para que o Poder Público adquira a
propriedade do bem por meio da usucapião.
Em outras palavras, como não há um prazo específico previsto na legislação, o STJ entendeu que
deveria ser aplicado, por analogia, o prazo da usucapião extraordinária.
Assim, enquanto não tiver passado o prazo para que o Estado adquira o imóvel por força de usucapião,
o particular poderá buscar a indenização decorrente do ato ilícito de apossamento administrativo.
Qual é o prazo de usucapião extraordinária?
No CC-1916: era de 20 anos (art. 550).
No CC-2002: 15 anos (art. 1.238). No entanto, este prazo passa a ser de 10 anos se o possuidor tiver
realizado obras ou serviços de caráter produtivo no local (parágrafo único do art. 1.238). Como na
desapropriação indireta pressupõe-se que o Poder Público tenha realizado obras no local ou tenha
dado ao imóvel uma utilidade pública ou de interesse social, entende-se que a situação se enquadraria
no parágrafo único do art. 1.238 do CC, de sorte que o prazo para a usucapião seria de 10 anos.
Logo, atualmente, o prazo prescricional aplicável às expropriatórias indiretas passou a ser de 10 anos,
com fundamento analógico no parágrafo único do art. 1.238 do CC.”
Fonte: Dizer o Direito

SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA

Súmula nº 277 do TST

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA.


ULTRATIVIDADE (redação alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) - Res. 185/2012,
DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012

As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram os contratos individuais de
trabalho e somente poderão ser modificadas ou suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho.

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ARTIGO 8º, §3º, e 614, § 3º, DA CLT

Art. 8º, § 3o No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará
exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art.
104 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da
intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.” (NR)

...

“Art. 614. Os Sindicatos convenentes ou as emprêsas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente,


dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acôrdo, o depósito de uma via do MESMO, para fins
de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter
nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos
demais casos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)

§ 3o NÃO será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho superior
a dois anos, sendo vedada a ultratividade.” (NR)

Súmula nº 331 do TST


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CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI


à redação) - Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011

I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o
tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974).

II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com
os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988).

III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de
20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do
tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta.

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade


subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação
processual e conste também do título executivo judicial.

V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas
condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666,
de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da
prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento
das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.

VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da


condenação referentes ao período da prestação laboral.

ATENÇÃO: NOTÍCIAS IMPORTANTES DO STF SOBRE O TEMA

O Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu, nesta quinta-feira (30), o julgamento do Recurso
Extraordinário (RE) 760931, com repercussão geral reconhecida, que discute a responsabilidade subsidiária
da administração pública por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empresa terceirizada.
Com o voto do ministro Alexandre de Moraes, o recurso da União foi parcialmente provido, confirmando-
se o entendimento, adotado na Ação de Declaração de Constitucionalidade (ADC) 16, que veda a
responsabilização automática da administração pública, só cabendo sua condenação se houver prova
inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na fiscalização dos contratos.
Na conclusão do julgamento, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, lembrou que existem pelo menos
50 mil processos sobrestados aguardando a decisão do caso paradigma.
Para a fixação da tese de repercussão geral, os ministros decidiram estudar as propostas apresentadas para
se chegar à redação final, a ser avaliada oportunamente.
Desempate
Ao desempatar a votação, suspensa no dia 15/2 para aguardar o voto do sucessor do ministro Teori Zavascki
(falecido), o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que a matéria tratada no caso é um dos mais profícuos
contenciosos do Judiciário brasileiro, devido ao elevado número de casos que envolvem o tema. “Esse
julgamento tem relevância no sentido de estancar uma interminável cadeia tautológica que vem
dificultando o enfrentamento da controvérsia”, afirmou.
Seu voto seguiu a divergência aberta pelo ministro Luiz Fux. Para Moraes, o artigo 71, parágrafo 1º da Lei
de Licitações (Lei 8.666/1993) é “mais do que claro” ao exonerar o Poder Público da responsabilidade do
pagamento das verbas trabalhistas por inadimplência da empresa prestadora de serviços.
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No seu entendimento, elastecer a responsabilidade da Administração Pública na terceirização “parece ser


um convite para que se faça o mesmo em outras dinâmicas de colaboração com a iniciativa privada, como
as concessões públicas”. O ministro Alexandre de Moraes destacou ainda as implicações jurídicas da decisão
para um modelo de relação público-privada mais moderna. “A consolidação da responsabilidade do estado
pelos débitos trabalhistas de terceiro apresentaria risco de desestímulo de colaboração da iniciativa privada
com a administração pública, estratégia fundamental para a modernização do Estado”, afirmou.
Voto vencedor
O ministro Luiz Fux, relator do voto vencedor – seguido pela ministra Cármen Lúcia e pelos ministros Marco
Aurélio, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – lembrou, ao votar na sessão de 8/2, que a Lei
9.032/1995 introduziu o parágrafo 2º ao artigo 71 da Lei de Licitações para prever a responsabilidade
solidária do Poder Público sobre os encargos previdenciários. “Se quisesse, o legislador teria feito o mesmo
em relação aos encargos trabalhistas”, afirmou. “Se não o fez, é porque entende que a administração
pública já afere, no momento da licitação, a aptidão orçamentária e financeira da empresa contratada”.
Relatora
O voto da relatora, ministra Rosa Weber, foi no sentido de que cabe à administração pública comprovar que
fiscalizou devidamente o cumprimento do contrato. Para ela, não se pode exigir dos terceirizados o ônus de
provar o descumprimento desse dever legal por parte da administração pública, beneficiada diretamente
pela força de trabalho.
Seu voto foi seguido pelos ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Celso de
Mello.
Processos relacionados
RE 760931

Plenário define tese de repercussão geral sobre responsabilidade de entes públicos em terceirização
O Plenário do Supremo Tribunal Federal definiu, nesta quarta-feira (26), a tese de repercussão geral firmada
no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 760931, que discute a responsabilidade da administração
pública gerada pelo inadimplemento de verbas trabalhistas de empresas prestadoras de serviços
contratadas por meio de licitações.
A tese aprovada foi proposta pelo ministro Luiz Fux, autor do voto vencedor no julgamento, concluído no
dia 30/3, e foi redigida nos seguintes termos:
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere ao poder público
contratante automaticamente a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou
subsidiário, nos termos do artigo 71, parágrafo 1º, da Lei 8.666/1993.

LEI Nº 8.666
Art. 71
§ 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não
transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto
do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de
Imóveis.

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DA LEI Nº 6.019, DE 3 DE JANEIRO DE 1974.

Art. 4o Empresa de trabalho temporário é a pessoa jurídica, devidamente registrada no Ministério do


Trabalho, responsável pela colocação de trabalhadores à disposição de outras empresas
temporariamente.
Art. 4o-A. Empresa prestadora de serviços a terceiros é a pessoa jurídica de direito privado destinada a prestar
à contratante serviços determinados e específicos.
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DIREITOS RESERVADOS. É VEDADA, POR QUAISQUER MEIOS E QUALQUER TÍTULO, A SUA REPRODUÇÃO, CÓPIA, DIVULGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
PREPARAÇÃO PGE PERNAMBUCO
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ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

§ 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus
trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços.
§ 2o Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de
serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante.
Art. 4o-B. São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros:
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
II - registro na Junta Comercial;
III - capital social compatível com o número de empregados, observando-se os seguintes parâmetros:
a) empresas com até dez empregados - capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais);
b) empresas com mais de dez e até vinte empregados - capital mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil
reais);
c) empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados - capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e
cinco mil reais);
d) empresas com mais de cinquenta e até cem empregados - capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais);
e
e) empresas com mais de cem empregados - capital mínimo de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil
reais).
Art. 5o Empresa tomadora de serviços é a pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada que celebra contrato
de prestação de trabalho temporário com a empresa definida no art. 4o desta Lei.
Art. 5o-A. Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços
determinados e específicos.
§ 1o É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em atividades distintas daquelas que foram objeto
do contrato com a empresa prestadora de serviços.
§ 2o Os serviços contratados poderão ser executados nas instalações físicas da empresa contratante ou em
outro local, de comum acordo entre as partes.
§ 3o É responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos
trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado
em contrato.
§ 4o A contratante poderá estender ao trabalhador da empresa de prestação de serviços o mesmo
atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências
da contratante, ou local por ela designado.
§ 5o A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao
período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará
o disposto no art. 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.
Art. 5o-B. O contrato de prestação de serviços conterá:
I - qualificação das partes;
II - especificação do serviço a ser prestado;
III - prazo para realização do serviço, quando for o caso;
IV - valor.

Súmula nº 338 do TST

JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA (incorporadas as Orientações Jurisprudenciais nºs 234
e 306 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I - É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na
forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não-apresentação injustificada dos controles de freqüência gera presunção

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ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário. (ex-Súmula nº
338 – alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003)

II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode
ser elidida por prova em contrário. (ex-OJ nº 234 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)

III - Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de
prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo
a jornada da inicial se dele não se desincumbir. (ex-OJ nº 306 da SBDI-1- DJ 11.08.2003)

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ART. 818 DA CLT

“Art. 818. O ônus da prova incumbe:


I - aoreclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - aoreclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do reclamante.
§ 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à
excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à maior facilidade de obtenção da
prova do fato contrário, PODERÁ o juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por
decisão fundamentada, caso em que DEVERÁ dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe
foi atribuído.
§ 2o A decisão referida no § 1o deste artigo DEVERÁ ser proferida antes da abertura da instrução e, a
requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência e possibilitará provar os fatos por qualquer
meio em direito admitido.
§ 3o A decisão referida no § 1o deste artigo NÃO pode gerar situação em que a desincumbência do encargo
pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.” (NR)

Súmula nº 354 do TST

GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes,
integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio,
adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.

Súmula nº 363 do TST

CONTRATO NULO. EFEITOS (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice
no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada,
em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores
referentes aos depósitos do FGTS.

Súmula nº 368 do TST

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ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO


RECOLHIMENTO. FORMA DE CÁLCULO. FATO GERADOR (aglutinada a parte final da Orientação
Jurisprudencial nº 363 da SBDI-I à redação do item II e incluídos os itens IV, V e VI em sessão do Tribunal
Pleno realizada em 26.06.2017) - Res. 219/2017, DEJT divulgado em 28, 29 e 30.06.2017

I - A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A


competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às
sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que
integrem o salário de contribuição. (ex-OJ nº 141 da SBDI-1 - inserida em 27.11.1998).

II - É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais,


resultantes de crédito do empregado oriundo de condenação judicial. A culpa do empregador pelo
inadimplemento das verbas remuneratórias, contudo, não exime a responsabilidade do empregado pelos
pagamentos do imposto de renda devido e da contribuição previdenciária que recaia sobre sua quota-parte.
(ex-OJ nº 363 da SBDI-1, parte final)

III – Os descontos previdenciários relativos à contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas,


devem ser calculados mês a mês, de conformidade com o art. 276, § 4º, do Decreto n º 3.048/1999 que
regulamentou a Lei nº 8.212/1991, aplicando-se as alíquotas previstas no art. 198, observado o limite
máximo do salário de contribuição (ex-OJsnºs 32 e 228 da SBDI-1 – inseridas, respectivamente, em
14.03.1994 e 20.06.2001).

IV - Considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas


reconhecidos ou homologados em juízo, para os serviços prestados até 4.3.2009, inclusive, o efetivo
pagamento das verbas, configurando-se a mora a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação (art.
276, “caput”, do Decreto nº 3.048/1999). Eficácia não retroativa da alteração legislativa promovida pela
Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que deu nova redação
ao art. 43 da Lei nº 8.212/91.

V - Para o labor realizado a partir de 5.3.2009, considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias
decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo a data da efetiva prestação dos
serviços. Sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas a partir da prestação dos serviços incidem
juros de mora e, uma vez apurados os créditos previdenciários, aplica-se multa a partir do exaurimento do
prazo de citação para pagamento, se descumprida a obrigação, observado o limite legal de 20% (art. 61, §
2º, da Lei nº 9.430/96).

VI – O imposto de renda decorrente de crédito do empregado recebido acumuladamente deve ser calculado
sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da
multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela
progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito, nos termos do art. 12-A da Lei nº
7.713, de 22/12/1988, com a redação conferida pela Lei nº 13.149/2015, observado o procedimento
previsto nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil.

ATUALIZADA EM JUNHO 2017

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ART. 876, PARÁGRAFO ÚNICO, DA CLT

“Art. 876. As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo;
os acordos, quando não cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público
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do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão


executada pela forma estabelecida neste Capítulo.

Parágrafo único. A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na


alínea a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais,
relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos que homologar.”
(NR)

Plenário define tese de repercussão geral sobre


responsabilidade de entes públicos em terceirização
O Plenário do Supremo Tribunal Federal definiu,
nesta quarta-feira (26), a tese de repercussão geral
firmada no julgamento do Recurso Extraordinário
(RE) 760931, que discute a responsabilidade da
administração pública gerada pelo inadimplemento
de verbas trabalhistas de empresas prestadoras de
serviços contratadas por meio de licitações.
A tese aprovada foi proposta pelo ministro Luiz Fux,
autor do voto vencedor no julgamento, concluído no
dia 30/3, e foi redigida nos seguintes termos:
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos
empregados do contratado não transfere ao poder
público contratante automaticamente a
responsabilidade pelo seu pagamento, seja em
caráter solidário ou subsidiário, nos termos do
artigo 71, parágrafo 1º, da Lei 8.666/1993.
LEI Nº 8.666
Art. 71
§ 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não
transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto
do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de
Imóveis.

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DA LEI Nº 6.019, DE 3 DE JANEIRO DE 1974.

Art. 4o Empresa de trabalho temporário é a pessoa jurídica, devidamente registrada no Ministério do


Trabalho, responsável pela colocação de trabalhadores à disposição de outras empresas
temporariamente.
Art. 4o-A. Empresa prestadora de serviços a terceiros é a pessoa jurídica de direito privado destinada a prestar
à contratante serviços determinados e específicos.
§ 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus
trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços.
§ 2o Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de
serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante.
Art. 4o-B. São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros:
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
II - registro na Junta Comercial;
III - capital social compatível com o número de empregados, observando-se os seguintes parâmetros:
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DIREITOS RESERVADOS. É VEDADA, POR QUAISQUER MEIOS E QUALQUER TÍTULO, A SUA REPRODUÇÃO, CÓPIA, DIVULGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
PREPARAÇÃO PGE PERNAMBUCO
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a) empresas com até dez empregados - capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais);
b) empresas com mais de dez e até vinte empregados - capital mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil
reais);
c) empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados - capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e
cinco mil reais);
d) empresas com mais de cinquenta e até cem empregados - capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais);
e
e) empresas com mais de cem empregados - capital mínimo de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil
reais).
Art. 5o Empresa tomadora de serviços é a pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada que celebra contrato
de prestação de trabalho temporário com a empresa definida no art. 4o desta Lei.
Art. 5o-A. Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços
determinados e específicos.
§ 1o É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em atividades distintas daquelas que foram objeto
do contrato com a empresa prestadora de serviços.
§ 2o Os serviços contratados poderão ser executados nas instalações físicas da empresa contratante ou em
outro local, de comum acordo entre as partes.
§ 3o É responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos
trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado
em contrato.
§ 4o A contratante poderá estender ao trabalhador da empresa de prestação de serviços o mesmo
atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências
da contratante, ou local por ela designado.
§ 5o A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao
período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará
o disposto no art. 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.
Art. 5o-B. O contrato de prestação de serviços conterá:
I - qualificação das partes;
II - especificação do serviço a ser prestado;
III - prazo para realização do serviço, quando for o caso;
IV - valor.

Súmula nº 338 do TST

JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA (incorporadas as Orientações Jurisprudenciais nºs 234
e 306 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I - É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na
forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não-apresentação injustificada dos controles de freqüência gera presunção
relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário. (ex-Súmula nº
338 – alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003)

II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode
ser elidida por prova em contrário. (ex-OJ nº 234 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)

III - Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de
prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo
a jornada da inicial se dele não se desincumbir. (ex-OJ nº 306 da SBDI-1- DJ 11.08.2003)
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DIREITOS RESERVADOS. É VEDADA, POR QUAISQUER MEIOS E QUALQUER TÍTULO, A SUA REPRODUÇÃO, CÓPIA, DIVULGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
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ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ART. 818 DA CLT

“Art. 818. O ônus da prova incumbe:


I - aoreclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - aoreclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do reclamante.
§ 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à
excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à maior facilidade de obtenção da
prova do fato contrário, PODERÁ o juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por
decisão fundamentada, caso em que DEVERÁ dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe
foi atribuído.
§ 2o A decisão referida no § 1o deste artigo DEVERÁ ser proferida antes da abertura da instrução e, a
requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência e possibilitará provar os fatos por qualquer
meio em direito admitido.
§ 3o A decisão referida no § 1o deste artigo NÃO pode gerar situação em que a desincumbência do encargo
pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.” (NR)

Súmula nº 354 do TST

GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes,
integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio,
adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.

Súmula nº 363 do TST

CONTRATO NULO. EFEITOS (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003

A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice
no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada,
em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores
referentes aos depósitos do FGTS.

Súmula nº 368 do TST

DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO


RECOLHIMENTO. FORMA DE CÁLCULO. FATO GERADOR (aglutinada a parte final da Orientação
Jurisprudencial nº 363 da SBDI-I à redação do item II e incluídos os itens IV, V e VI em sessão do Tribunal
Pleno realizada em 26.06.2017) - Res. 219/2017, DEJT divulgado em 28, 29 e 30.06.2017

I - A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A


competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às
sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que
integrem o salário de contribuição. (ex-OJ nº 141 da SBDI-1 - inserida em 27.11.1998).

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DIREITOS RESERVADOS. É VEDADA, POR QUAISQUER MEIOS E QUALQUER TÍTULO, A SUA REPRODUÇÃO, CÓPIA, DIVULGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
PREPARAÇÃO PGE PERNAMBUCO
FASE DISCURSIVA - SEMANAS 01 e 02
ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

II - É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais,


resultantes de crédito do empregado oriundo de condenação judicial. A culpa do empregador pelo
inadimplemento das verbas remuneratórias, contudo, não exime a responsabilidade do empregado pelos
pagamentos do imposto de renda devido e da contribuição previdenciária que recaia sobre sua quota-parte.
(ex-OJ nº 363 da SBDI-1, parte final)

III – Os descontos previdenciários relativos à contribuição do empregado, no caso de ações trabalhistas,


devem ser calculados mês a mês, de conformidade com o art. 276, § 4º, do Decreto n º 3.048/1999 que
regulamentou a Lei nº 8.212/1991, aplicando-se as alíquotas previstas no art. 198, observado o limite
máximo do salário de contribuição (ex-OJs nºs 32 e 228 da SBDI-1 – inseridas, respectivamente, em
14.03.1994 e 20.06.2001).

IV - Considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas


reconhecidos ou homologados em juízo, para os serviços prestados até 4.3.2009, inclusive, o efetivo
pagamento das verbas, configurando-se a mora a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação (art.
276, “caput”, do Decreto nº 3.048/1999). Eficácia não retroativa da alteração legislativa promovida pela
Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que deu nova redação
ao art. 43 da Lei nº 8.212/91.

V - Para o labor realizado a partir de 5.3.2009, considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias
decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo a data da efetiva prestação dos
serviços. Sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas a partir da prestação dos serviços incidem
juros de mora e, uma vez apurados os créditos previdenciários, aplica-se multa a partir do exaurimento do
prazo de citação para pagamento, se descumprida a obrigação, observado o limite legal de 20% (art. 61, §
2º, da Lei nº 9.430/96).

VI – O imposto de renda decorrente de crédito do empregado recebido acumuladamente deve ser calculado
sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da
multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela
progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito, nos termos do art. 12-A da Lei nº
7.713, de 22/12/1988, com a redação conferida pela Lei nº 13.149/2015, observado o procedimento
previsto nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil.

ATUALIZADA EM JUNHO 2017

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DO ART. 876, PARÁGRAFO ÚNICO, DA CLT

“Art. 876. As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo;
os acordos, quando não cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público
do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão
executada pela forma estabelecida neste Capítulo.

Parágrafo único. A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na


alínea a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais,
relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos que homologar.”

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DIA 05 E 06

DISCIPLINA
PROCESSO CIVIL:

1 Lei nº 13.105/2015 – Novo Código de Processo Civil. 2 Normas processuais civis. 3 Jurisdição. 4
Ação. 4.1 Conceito, natureza, elementos e características. 4.2 Condições da ação. 4.3
Classificação. 5 Pressupostos processuais. 6 Preclusão. 7 Sujeitos do processo. 7.1 Capacidade
processual e postulatória. 7.2 Deveres das partes e procuradores. 7.3 Procuradores. 7.4 Sucessão
das partes e dos procuradores. 8 Litisconsórcio. 9 Intervenção de terceiros.

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Manual de Direito Processual Civil – Vol. Único: Daniel Amorim Assumpção Neves.

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/4e8308241f130df48edf97
d63854d8bd.pdf
CAPÍTULOS: 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8

2. Direito Processual Civil Esquematizado - 8ª Ed. 2017. Marcus Vinicius Rios Gonçalves

CAPÍTULOS: Livro I (Itens 2 e 3), Livro II (Itens 3 e 4) e Livro III ( Itens 1, 2, 3 e 4)

DISCIPLINA
TRIBUTÁRIO:

1 Sistema Tributário Nacional. 1.1 Conceito. 1.2 Relação do direito tributário com o direito
financeiro e com os demais ramos do direito. 1.3 Fontes. 1.4 Princípios do direito tributário. 1.5
Limitações do poder de tributar. 1.6 Repartição das receitas tributárias. 2 Tributo. 2.1 Conceito.
2.2 Natureza jurídica. 2.3 Espécies. 2.4 Imposto. 2.5 Taxa. 2.6 Contribuição de melhoria. 2.7
Empréstimo compulsório. 2.8 Contribuições.
.
INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA

1. Direito Tributário Esquematizado. Autor: Ricardo Alexandre

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/554a02ceb4368aa43680f7
9326608639.pdf

CAPÍTULOS: 2 e 14

2. Curso de Direito Tributário e Financeiro - 6ª Ed. 2016. Autor: Cláudio Carneiro – Ed.
Saraiva

CAPÍTULOS: 1 (Item 7) e 7

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Boa opção de resumo para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. SINOPSES PARA CONCURSOS - V.28 - DIREITO TRIBUTÁRIO (2017)


4ª edição conforme NOVO CPC
Autor: Roberval Rocha

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/776524fb226b7d83bd46b
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CAPÍTULOS: 3 e 4 (Item 7)

RESUMO DO DIA

PROCESSO CIVIL

Lei nº 13.105/2015 –Novo Código de Processo Civil. Normas processuais civis. Jurisdição. Ação.
Conceito, natureza, elementos e características. Condições da ação. Classificação. Pressupostos
processuais. Preclusão. Sujeitos do processo. Capacidade processual e postulatória. Deveres das
partes e procuradores. Procuradores. Sucessão das partes e dos procuradores. Litisconsórcio.
Intervenção de terceiros.

1. Alguns Princípios Processuais


a) Devido Processo Legal: Funciona como um princípio-base ou superprincípio, norteador de todos
os demais. A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da CF/88 que “ninguém será privado da
liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. Subdivide-se em:
• Devido processo legal substancial (ou material): Forma de controle de conteúdo das decisões
(razoabilidade e proporcionalidade), para evitar abusividades;
• Devido processo legal formal (processual): Diz respeito ao conjunto de garantias processuais
mínimas.

b) Contraditório: Tradicionalmente, é formado pelo binômio informação e possibilidade de reação.


As partes devem ser devidamente comunicadas de todos os atos processuais, para que possam se
manifestar em juízo, acaso desejem.
*ATENÇÃO: Em algumas hipóteses, o contraditório pode ser diferido, a exemplo do que ocorre nas
tutelas de urgência, situações de extrema urgência, nas quais a decisão judicial precede informação
e possibilidade de reação da parte adversa. Um exemplo para ilustrar diz respeito à concessão de
tutela antecipada para cobertura de planos de saúde.
c) Motivação das decisões: Dispõe o art. 93, IX, da CF/88 a necessidade de motivação das decisões
judiciais, a fim de demonstrar a correção e imparcialidade do julgador, além de possibilitar o controle
da decisão pela coletividade.
d) Isonomia: Está pautada na ideia de “paridade de armas”, a fim de manter equilibrada a disputa
judicial entre as partes. No entanto, alguns sujeitos processuais possuem tratamento diferenciado
no processo, seja pela qualidade de parte ou pela natureza do direito discutido, a exemplo da
assistência judiciária gratuita
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*ATENÇÃO: Outra hipótese de tratamento diferenciado diz respeito às prerrogativas da Fazenda


Pública no processo civil, a exemplo do prazo em dobro para se manifestar3, isenção do recolhimento
de custas, vedação à concessão de liminar em algumas matérias4, justificáveis pelos interesses da
coletividade e burocracia inerente à atividade estatal.
Necessário destacar ainda que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, pela qual
os juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença
ou acórdão.
e) Publicidade dos atos processuais: Possibilita o controle do comportamento dos sujeitos
processuais, com previsão expressa da Constituição. O princípio NÃO é absoluto, pois é possível a
limitação da publicidade, nas hipóteses de exigência do interesse público.
f) Instrumentalidade das formas: Busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito
à forma legal, desde que:
• O ato tenha preenchido a sua finalidade;
• NÃO haja prejuízo à parte contrária ou ao processo.
g) Razoável duração do processo: Busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver
uma harmonização, haja vista que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais
das partes com o escopo de obter a celeridade processual.
h) Princípio da boa-fé e lealdade processual: A boa-fé é regra de conduta que deve nortear o
comportamento das partes. Nesse sentido, diante da prática de ato que macule o processo, o NCPC
tutela mecanismos para coibir a litigância de má-fé, a exemplo:
Art. 142. Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que autor e réu se serviram do processo
para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá decisão que
impeça os objetivos das partes, aplicando, de ofício, as penalidades da litigância de má-fé.

Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer


ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela
específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as
medidas necessárias à satisfação do exequente.
§ 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando injustificadamente
descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua responsabilização por crime de
desobediência.

Art. 184. O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável quando
agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções.

ATENÇÃO: Duplo grau de jurisdição é princípio explícito na Constituição? O duplo grau de jurisdição
prevê a possibilidade de reapreciação das decisões judiciais pelos Tribunais Superiores, sobretudo
em grau de recurso, e NÃO é princípio expresso na Constituição, mas alguns autores entendem ser

3
Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito
público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da
intimação pessoal.
4
Vide Leis nº 8.437/92, 12.016/09.
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um desdobramento da ampla defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes. Embora NÃO
conste na CF/88, consta expressamente no Pacto São José da Costa Rica.

ALGUNS PRINCÍPIOS POSITIVADOS COM O NOVO CPC:

i) Primazia do julgamento do mérito: Dispõe sobre a possibilidade de sanar eventuais falhas


processuais que não maculem o processo, para buscar o julgamento do mérito, fundado na boa-fé
objetiva. Nesse sentido, o art. 4º do NCPC:
Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito,
incluída a atividade satisfativa.

Como exemplo, é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças
eventualmente ausentes no recuso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças:

Art. 932. Incumbe ao relator:


(..)
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de
5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação
exigível.

O princípio NÃO é absoluto, pois eventuais falhas que maculem o processo


irremediavelmente não poderão ser sanadas.

j) Proibição da decisão surpresa: O juiz NÃO pode proferir decisão contra uma das partes sem que
ela seja previamente ouvida (art. 9º, NCPC), SALVO algumas hipóteses legalmente previstas, a
exemplo da tutela de urgência.

k) Princípio da Cooperação: Prevê que todos os sujeitos processuais devem cooperar entre si para
obter, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º). Sobre o tema:
“Observação importante que merece ser feita é que a cooperação prevista no dispositivo
em comento deve ser praticada por todos os sujeitos do processo. Não se trata, portanto,
de envolvimento apenas entre as partes (autor e réu), mas também de eventuais terceiros
intervenientes (em qualquer uma das diversas modalidades de intervenção de terceiros),
do próprio magistrado, de auxiliares da Justiça e, evidentemente, do próprio Ministério
Público quando atue na qualidade de fiscal da ordem jurídica”.
(BUENO, Celso Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Editora
Saraiva. pág. 45).

PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO E NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS


- No tocante ao princípio da cooperação, o NCPC trouxe autonomia às partes em
alguns aspectos do procedimento, por exemplo, ao estipular um calendário
processual para a prática dos atos, o que não deixa de ser uma caracterização do
aludido princípio:
Art. 191. De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a
prática dos atos processuais, quando for o caso.
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§ 1o O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos


somente serão modificados em casos excepcionais, devidamente
justificados.
§ 2o Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual ou
a realização de audiência cujas datas tiverem sido designadas no calendário.

2. Jurisdição

2.1. Conceito: A jurisdição pode ser compreendida como o PODER-DEVER Estatal de APLICAR O
DIREITO objetivo ao caso concreto, para resolver com DEFINITIVIDADE uma situação de crise jurídica
e gerar a PACIFICAÇÃO SOCIAL. O poder jurisdicional é o que permite o exercício da função
jurisdicional e se materializa por meio da atividade jurisdicional.

2.2. Equivalentes Jurisdicionais: São formas alternativas de solução de conflitos.


a) Autotutela: É o sacrifício integral do interesse de uma das partes envolvidas em função do
exercício da força pela parte vencedora. Não é admitida de forma ampla e irrestrita, salvo nas
hipóteses legalmente previstas. Ex: Legítima defesa e desforço imediato no esbulho.
* Atenção: É possível, no entanto, rever a autotutela pelo Poder Judiciário, ante o princípio da
inafastabilidade da jurisdição.
b) Autocomposição: Está fundada no sacrifício integral ou parcial do interesse das partes, mediante
vontade unilateral ou bilateral dos sujeitos. São espécies:
• Transação: Há sacrifício recíproco de interesses;
• Renúncia: O titular de pretenso direito abdica;
• Submissão: O sujeito se submete à pretensão contrária, ainda que fosse legítima a sua
resistência.
No tocante à transação, necessário destacar a mediação e conciliação:
• Conciliação: Um terceiro oferece soluções fundadas no sacrifício recíproco dos interesses
das partes;
• Mediação: O terceiro NÃO faz propostas, mas possibilita um diálogo entre as partes, a fim
de que elas resolvam o conflito entre si.
c) Arbitragem: As partes escolhem um terceiro de sua confiança, responsável pela solução do
conflito, e a decisão desse terceiro será impositiva. Pode ser realizada de duas formas:
• Cláusula compromissória: É uma convenção entre as partes que estabelece que eventuais
conflitos futuros serão dirimidos pela arbitragem;
• Compromisso arbitral: É convenção de arbitragem para solucionar conflito que já existe,
ainda que não exista cláusula compromissória prévia.
* ATENÇÃO: Admite-se a arbitragem na Administração Pública.

A SENTENÇA ARBITRAL É DE CUNHO JURISDICIONAL?


Embora a MAIORIA da doutrina entenda ser a arbitragem equivalente jurisdicional,
há corrente minoritária que entende ser a arbitragem verdadeira espécie de
jurisdição, com base nos seguintes fundamentos:
1) É manifestação da autonomia da vontade e a opção por árbitro implica renúncia à
jurisdição;

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2) A jurisdição só pode ser exercida por pessoa previamente investida na autoridade


de juiz;
3) A decisão que resolve a arbitragem é atualmente sentença arbitral;
4) A sentença arbitral torna-se imutável e indiscutível, fazendo coisa julgada
material.

2.3. Características principais da jurisdição


a) Substitutividade: O Estado substitui a vontade das partes pela vontade da lei no caso concreto,
a fim de promover a pacificação social.
b) Lide: Segundo Carnelutti, é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida.
c) Inércia: O movimento inicial da jurisdição é condicionada à provocação do interessado.
* Note que a inércia diz respeito ao início do processo, pois uma vez provocada pelo interessado
com a propositura da demanda, a jurisdição já não será mais inerte, aplicando-se a regra do
IMPULSO OFICIAL. Há algumas exceções à inércia, com a possibilidade de atuação de ofício do
magistrado, a exemplo do inventário (art. 610 NCPC) e exibição de testamento (art. 626 NCPC).
d) Definitividade ou imutabilidade:
As decisões jurisdicionais tendem à imutabilidade, não podendo mais ser discutidas. O objetivo
é o de evitar a eternização dos conflitos, como consequência da segurança jurídica.
ATENÇÃO: Embora a definitividade seja característica da jurisdição, apenas decisões de mérito.
Transitadas em julgado são imutáveis. As decisões sobre jurisdição voluntária, por exemplo, não
fazem coisa julgada.
e) Imperatividade: a decisão proferida pelo Estado é imperativa e de observância compulsória.

2.4. Princípios da jurisdição:


a) Investidura: A jurisdição só pode ser exercida por quem dela se encontre
legitimamente investido. Assim, atos
processuais praticados por quem não é investido legitimamente são considerados ine
xistentes, e inclusive caracterizam crime tipificado no código penal. No Brasil, admitem-se duas
formas: concurso público (art. 91, I, da CF) e através do quinto constitucional (art. 94 da CF).
b) Territorialidade ou aderência: O juiz devidamente investido de jurisdição só pode exercê-la
dentro do território nacional, como consequência da limitação da soberania do Estado brasileiro
ao seu próprio território.
c) Indelegabilidade: A atividade jurisdicional não pode ser delegada. Ressalte- se que a carta
precatória não constitui delegação de competência, já que é expedida justamente porque o
juízo deprecante não possui competência para realizar aquele ato.

* ATENÇÃO: HÁ EXCEÇÃO À INDELEGABILIDADE? Embora seja a regra, é possível excepcionar a


indelegabilidade em algumas hipóteses:
• Na expedição de carta de ordem pelo Tribunal;
• Na delegação da função executiva dos julgados dos Tribunais aos juízes de primeiro grau.
Nessa hipótese, a delegação NÃO é completa, porque atinge somente os atos materiais de
execução, e o Tribunal mantêm-se como o único órgão competente para proferir decisões
que digam respeito ao mérito da execução.

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d) Inafastabilidade: Art.5º, XXXV, da CF/88 preleciona que o Estado não pode negar decisão, uma
vez provocado (Non liquet). O aludido princípio pode ser entendido em algumas acepções:
• Relação entre jurisdição e solução administrativa de conflitos: Não há obrigatoriedade de
provocação prévia da Administração para, só então buscar o judiciário.
Exceção:
o Justiça Desportiva (art. 217, §1º, CF/88): Exige-se o exaurimento prévio do
processo administrativo na Justiça Desportiva;
o Habeas Data: Só é cabível se houver recusa das informações pela autoridade
administrativa.
• Acesso à ordem jurídica justa:
o Acesso ao processo, com o mínimo possível de obstáculos;
o Acesso dos necessitados econômicos, a exemplo da assistência judiciária gratuita;
o Tutela jurisdicional coletiva, em especial a Lei de Ação Civil Pública e o Código de
Defesa do Consumidor (“Molecularização dos conflitos”);

e) Juiz Natural: Ninguém será processado senão pela autoridade competente (art. 5º, LIII, da CF/88).

2.5. Jurisdição contenciosa e voluntária

A jurisdição contenciosa pode ser compreendida como a jurisdição propriamente dita,


pois se trata da atuação da vontade concreta da lei. Já a jurisdição voluntária ou integrativa é
conceituada como a administração pública de interesses privados para integrar e fiscalizar a
vontade das partes.

Jurisdição Contenciosa Jurisdição Voluntária


Objetiva a composição de litígios Objetiva a integração da vontade, para
torna-la apta a produzir efeitos
Há lide Ausência de lide, porque as vontades
são convergentes
Existem partes Existem interessados
A decisão faz coisa julgada material A decisão faz coisa julgada apenas
e formal formal
O juiz segue estrita legalidade O juiz pode decidir com base em juízo
de equidade.
Há os efeitos da revelia Não há os efeitos da revelia
Princípio do dispositivo Princípio do inquisitivo:
- O juiz pode dar início de ofício a
algumas demandas de jurisdição
voluntária;
- Maiores poderes instrutórios para o
juiz, que pode produzir provas mesmo
contra a vontade das partes;
- O juiz pode decidir contra a vontade de
ambas as partes;

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3. Ação
a) Conceito: Pode se conceituar ação, de forma simples, como o direito de provocar a tutela
jurisdicional do estado. E, também, como a forma pela qual o cidadão exerce o seu direito
preexistente de acesso à justiça. No entanto, o conceito preciso de ação dependerá da teoria
adotada.

b) Teorias da Ação

I. Teorias civilista (clássica ou imanentista) – Savigny: O Direito material e o direito de ação se


confundem, de modo que NÃO existe direito de ação sem existir o direito material. O direito de ação
seria mero procedimento.
- PFN/2012: Essa teoria vigorou até surgir disputa doutrinária entre Windscheid e Muther, quanto
ao conceito de actio romana e de suas aplicações no conceito de ação => O direito de ação ficou
desvinculado do material.

II. Teoria concretista – Adolf Wach: O direito de ação corresponderia ao direito a um sentença
favorável. O direito de ação é independente do direito material, mas só possui o direito de ação
quem possui o direito material.
- Wach desenvolveu suas ideias a partir das ações declaratórias.

III. Teoria abstrata - Degenkolb (Alemanha), Plosz (Hungria) e Alfredo Rocco (Itália): Ação é
vista como direito público, subjetivo e abstrato a um pronunciamento do estado-juiz, por uma
sentença favorável ou não. Mantem a autonomia do direito de ação, mas NÃO se confunde com o
direito material.
- NÃO existiria nenhuma condição para exercer o direito de ação.

III. Teoria eclética – Liebman: O direito de ação seria autónomo e independente do


direito material, mas não seria universal e incondicionado. Só seria considerado seu titular o autor
que, em concreto, tem direito a um julgamento de mérito, o que só ocorrerá se preenchidas as
chamadas condições da ação.
A ação seria, portanto, direito a julgamento de mérito.
Para Liebman, o direito de ação é visto como o direito de ter uma sentença de mérito, no caso do
preenchimento das condições da ação.

IV. Teoria da Asserção (Della prospettazione): Intermediária entre a teoria abstrata e a eclética.
Prevê que as condições da ação devem ser analisadas com os elementos fornecidos pelo próprio
autor.
- A ausência de uma das condições da ação passa a ser matéria de mérito, fazendo coisa julgada
material (condições analisadas ANTES de produzir as provas).
- Interessa na aferição das condições da ação a mera alegação do autor.

c) Elementos da Ação: Identificam a ação


I. Partes: Relaciona-se com os sujeitos. Abrangência:

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• Teoria Restritiva (Chiovenda): parte é quem pede e contra quem se pede a tutela
jurisdicional.
• Teoria Ampliativa (Liebman): partes são todos os sujeitos que participam do processo
exercendo ônus, faculdades, direitos, deveres e se colocando em estado de sujeição. Assim,
partes são todos aqueles que se submetem a situações/posições jurídicas.

Formas de adquirir a qualidade de parte:


• Ingresso na demanda;
• Citação;
• De forma voluntária. Ex: Assistente;
• Sucessão processual.

II. Pedido: Relaciona-se com o objeto. Deve ser certo e determinado.


Requisitos para a cumulação de pedido:
• Mesmo réu;
• Pedidos compatíveis;
• Mesmo juiz competente
• Identidade procedimental.

Espécies de Cumulação:
• Própria:
o Simples: O resultado de um pedido NÃO interfere nos demais;
o Sucessiva: Há relação de prejudicialidade.
• Imprópria:
o Subsidiária: pede que, em não acolhendo um pedido, acolha o outro;
o Alternativa: pede que se acolha um pedido ou outro.
III. Causa de pedir: Relaciona-se com o fato.
Teorias sobre a causa de pedir:
• Teoria da individuação: A causa de pedir é composta apenas pelo fundamento jurídico do
pedido;
• Teoria da substanciação (ou substancialização): A causa de pedir é composta pelos fato
jurídico + relação jurídica. (Adotada pelo NCPC, artigo 319).
d) Requisitos de admissibilidade do processo (pelo CPC/73 seriam as condições da ação):
I. Legitimidade: É pertinência subjetiva da lide;
II. Interesse de agir: Subdivide-se em:
• Necessidade: quando a intervenção do Poder Judiciário for indispensável para a obtenção
do bem da vida pretendido.
• Utilidade: a tutela pretendida deve ser apta a gerar uma efetiva melhora na situação fática
do autor.
• Adequação: o pedido do autor deve ser apto a resolver o conflito de interesses descrito pelo
autor.

ATENÇÃO: Pelo CPC/73, a possibilidade jurídica do pedido era compreendida como uma das
condições da ação. Pode ser definido como a possibilidade de apreciação do pedido, por não ser
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proibido pelo ordenamento. O NCPC não mais considera o possibilidade jurídica do pedido como
condição da ação, arrolando apenas a legitimidade ad causam e o interesse jurídico. Os dois
últimos são “requisitos de admissibilidade do processo” e não mais “condições da ação”.

4. Pressupostos Processuais: São requisitos mínimos para que a relação processual se desenvolva
regularmente. Subdividem-se em
a) Subjetivos:
• Investidura: Exige que o julgador possua poder jurisdicional, o qual é conferido pelo Estado.
É pressuposto de existência.
• Imparcialidade: Necessidade de que o julgador seja um terceiro neutro na relação jurídica
processuais. Pressuposto de validade.
• Competência: Gera a nulidade de pleno direito dos
atos decisórios, sendo pressuposto processual de validade.
ATENÇÃO: A competência relativa, segundo parte da
doutrina, não pode ser considerada como pressupostos processual subjetivo, pois pode ser
convalidada.

• Capacidade de ser parte: Capacidade do sujeito d gozo e exercício de direitos e


obrigações. É pressuposto processual de existência.
• Capacidade de estar em juízo: É a capacidade processual, tendo os incapazes representação
ou assistência no processo. É pressuposto de validade.
• Capacidade postulatória diferencia-se das demais por exigir a presença de advogado
habilitado pela OAB. É pressuposto de validade do processo.

b) Objetivos:

EXTRÍNSECOS: Referentes a fatos estranhos ao processo que não podem se verificar para que o
processo seja considerado válido. São pressupostos de validade
• Coisa julgada material;
• Litispendência;
• Perempção;
• Convenção de arbitragem;
• Transação.

INTRÍNSECOS
• Demanda: É pressuposto de existência;
• Petição inicial apta: É pressuposto de validade;
• Citação válida: É pressuposto de validade;
• Regularidade Formal: É pressuposto de validade.

5. Preclusão: É a perda de uma faculdade processual.

Espécies:

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• Preclusão temporal: Impossibilidade de praticar o ato, por não ter sido praticado no prazo
previsto em lei;
• Lógica: Impossibilidade de praticar um ato, pois o ato processual anterior, produzido pela
mesma parte, é incompatível com o novo ato.
• Consumativa: Impossibilidade de se repetir ou complementar ato processual já praticado
validamente.

EXISTE PRECLUSÃO PRO JUDICATO?


A preclusão pro judicato se atrela ao prazo para a prática de atos processuais pelo
juiz.
• Preclusão temporal: Não existe, pois os prazos são impróprios.
• Preclusão consumativa ou lógica: É possível falar em preclusão.

Ponto 6. Dos sujeitos do processo. Das partes e dos seus procuradores. Da responsabilidade das
partes por dano processual. Das despesas e dos honorários advocatícios. Das multas. Do juiz e dos
auxiliares da justiça. Do Ministério Público, da Advocacia Pública e da Defensoria Pública.

6. Litisconsórcio. Da intervenção de terceiros

6.1) Capacidade de ser parte x capacidade de estar em juízo x capacidade postulatória: Embora
ambos sejam pressupostos processuais subjetivos, não se confundem:
• Capacidade de ser parte: diz respeito à capacidade do sujeito de gozo e exercício de
direitos e obrigações, sendo pressuposto processual de existência.
• Capacidade de estar em juízo: Demanda capacidade processual, tendo os incapazes
representação ou assistência no processo, sob pena de ofensa a pressuposto de validade.
• Capacidade postulatória diferencia-se das demais por exigir a presença de advogado
devidamente habilitado pela OAB, sendo que, em grande parte das demandas, sua
ausência pode ser entendida como pressuposto de validade do processo. Via de regra, só
se pode ir a juizo por meio de advogado, salvo as seguintes hipóteses:
o Quem possuir capacidade postulatória (for advogado);
o Ausência de advogado no local;
o JEC até 20 SM, em primeira instância;
o JEF, até 60 SM em primeira instância;
o Reclamação trabalhista.

6.2) Deveres das partes e dos Procuradores: O NCPC, assim como no CPC/73, dedicou os arts. 78-
102 para enunciar os deveres das partes e dos procuradores. As partes devem atuar no processo
com boa-fé e lealdade processual. Nesse sentido, o art. 77 enuncia os deveres das partes no
processo:

Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores
e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;

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II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de
fundamento;
III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa
do direito;
IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar
embaraços à sua efetivação;
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou
profissional onde receberão intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer
qualquer modificação temporária ou definitiva;
VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso. => Note, com o
NCPC, virou dever da parte, em substituição à ação cautelar de atentado.

Em relação à responsabilidade das partes por dano processual, o NCPC manteve a aplicação
de multa por litigância de má-fé, naquelas hipóteses delineadas no art. 80. No entanto, é possível
observar algumas inovações no NCPC em relação à temática:
• A multa por litigância de má-fé, de 1% (um por cento) no CPC/73, passa a ser de 1% a 10%
(um a dez por cento);
• A multa pode ser em salários mínimos;
• A indenização deve ser apurada em liquidação, não existindo um percentual definido.

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:


I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;
IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;
V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
VI - provocar incidente manifestamente infundado;
VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.
Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o litigante de má-fé a pagar multa, que
deverá ser superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido da causa, a
indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários
advocatícios e com todas as despesas que efetuou.
§ 1o Quando forem 2 (dois) ou mais os litigantes de má-fé, o juiz condenará cada um na
proporção de seu respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se coligaram
para lesar a parte contrária.
§ 2o Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada em até 10
(dez) vezes o valor do salário-mínimo.
§ 3o O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja possível mensurá-lo, liquidado
por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos.
6.3) Procuradores e sucessão das partes e dos procuradores:
a) Procuradores: A parte será representada em juízo por advogado inscrito na OAB, salvo se possuir
habilitação legal. Via de regra, os atos devem ser praticados munidos de instrumento procuratório,
salvo para evitar:
• Preclusão;
• Decadência ou prescrição;
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• Praticar ato considerado urgente


- Nas hipóteses acima, o advogado deverá exibir a procuração em 15 (quinze) dias, prorrogável por
igual período por despacho judicial, sob pena de o ato não ratificado ser considerado ineficaz.
b) Substituição processual x sucessão da parte x representação processual
• Substituição processual: É a legitimação extraordinária. Só quando a lei permitir é admissível
que terceiro venha a juízo tutelar direito alheio como próprio.
• Sucessão da parte: É a alteração da pessoa que figura em um dos polos do processo (ocorre
a troca de sujeitos no processo). Nem mesmo a eventual alienação do objeto litigioso implica
alteração das partes, conforme art. 109 do NCPC.
• Representação processual: O representante não é parte, somente figura no processo para
suprir a incapacidade da parte (o substituto processual é parte) ou como representante de
pessoa jurídica.

6.4) Litisconsórcio: É possível verificar quando duas ou mais pessoas litigam no mesmo processo,
ativa ou passivamente.
a) Cabimento (art. 113):

• Quando houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;


• Quando houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
• Quando ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
b) Classificação:
• Inicial: Formado desde a propositura da ação (originário);
• Ulterior (posterior, incidental, superveniente): Formado após a propositura;
• Necessário: Obrigatoriedade na formação, seja por lei ou natureza indivisível. Conforme art.
114, do NCPC, “o litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza
da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que
devam ser litisconsortes”.
• Unitário: Se o juiz estiver obrigado a decidir de modo uniforme para todos os litisconsortes.
Art. 166: O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver
de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes.
• Simples: Sempre que for possível decisão de conteúdo diverso para cada um dos
litisconsortes;
• Alternativo: Possibilidade aberta ao autor para demandar duas ou mais pessoas quando
tenha dúvidas fundadas a respeito de qual deve participar no polo passivo;
• Eventual (sucessivo): A parte sabe com precisão quem são os sujeitos a demandar na relação
jurídica processual, e somente é possível acolher o segundo pedido se o primeiro for aceito.
LITISCONSÓRCIO MULTITUDINÁRIO
O litisconsórcio multitudinário consiste em um litisconsórcio facultativo com número
excessivo de litisconsortes, o que prejudica e dificulta a celeridade e a defesa
processual. Diante disso, o processo poderá ser dividido em outros processos,
limitando-se assim, o número de litigantes.
- A iniciativa de limitação pode ser tanto da parte quanto do juiz:
Art. 113.(...)

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§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de


litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução,
quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o
cumprimento da sentença.
§ 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou
resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar.
c) Alcance dos atos praticados por um litisconsorte: O ato praticado pelo litisconsorte em um
litisconsórcio simples não produz efeito quanto aos demais, ou seja, não os beneficia, nem os
prejudica. No que tange ao Unitário, no entanto, o ato benéfico pode beneficiar a todos, ao passo
que o maléfico não produz efeito para ninguém, nem mesmo para o que praticou.
Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como
litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de
um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.

d) Sentença proferida sem a citação de litisconsorte:


Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem a integração do contraditório, será:
I - nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a todos que deveriam ter integrado o
processo;
II - ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram citados.
Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio passivo necessário, o juiz determinará ao autor
que requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar, sob
pena de extinção do processo.
ATENÇÃO: Segundo Fredie Didier, seria possível falar em litisconsórcio necessário por força de
convenção processual, decorrente do princípio do autorregramento da vontade e cláusula geral de
negociação sobre o processo.
e) Prazo de manifestação: Prevê o art. 229, do NCPC, que os litisconsortes terão prazo em dobro
para suas manifestações, se tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos.
No entanto, o prazo em dobro NÃO se aplica ao processo eletrônico.
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia
distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo
ou tribunal, independentemente de requerimento.
§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa
por apenas um deles.
§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.
f) Recurso contra decisão que rejeita ou limita ou pedido de litisconsorte: Agravo de instrumento.
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem
sobre:
(...)
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
* ATENÇÃO: O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou
opostos os seus interesses (art. 1005, NCPC).
5) Intervenção de terceiros.

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a) Conceito: É o ato jurídico processual pelo qual um terceiro, estranho à relação processual entre o
autor e o réu, autorizado por lei, transformando-se em parte.

b) Efeitos no processo:
• Ampliação subjetiva do mérito, ao trazer parte nova para o processo;
• Ampliação objetiva do processo: Trazer novos pedidos, a exemplo da denunciação da lide.

- É necessária a existência de interesse jurídico, não apenas o interesse econômico ou moral.


 ATENÇÃO – Se INTERVENÇÃO ANÔMALA, prevista no art. 5º, da Lei nº 9.469/97, pode haver
interesse meramente econômico.

INTERVENÇÃO ANÔMALA ( = ANÓDINA)

- Art. 5º, da Lei nº 9.469/97:


Art. 5º. A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou
rés, autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas
públicas federais.
Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas cuja
decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica, intervir,
independentemente da demonstração de interesse jurídico, para esclarecer
questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais
reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer, hipótese em que,
para fins de deslocamento de competência, serão consideradas partes.
- É forma de intervenção de terceiros que independe da presença de interesse
jurídico, satisfazendo-se com a simples potencialidade de a decisão gerar,
eventualmente, efeitos reflexos, mesmo que indiretos, de natureza econômica.
- Não é preciso que haja interesse jurídico nem que a esfera da Fazenda Pública seja
atingida.
- A INTERVEÇÃO FUNDA-SE, EM VERDADE, EM INTERESSE ECONÔMICO, NÃO
JURÍDICO.

c) Modalidades de intervenção de terceiros – comparativo do CPC/73 X CPC/15:

CPC/1973 CPC/2015
• Assistência; • Assistência (simples e litisconsorcial)
• Oposição; (arts. 119 a 124);
• Nomeação à autoria; • Denunciação da lide (arts. 125 a 129);
• Denunciação da lide; • Chamamento ao processo (arts. 130 a
• Chamamento ao processo; e 132);
• Recurso de terceiro. • Incidente de desconsideração da
personalidade jurídica (arts. 133 a
137);
• Amicus Curiae (art. 138).
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ATENÇÃO: A oposição e a nomeação à autoria NÃO constam mais no rol de intervenções de


terceiros do NCPC, e a oposição foi prevista como procedimento especial (arts. 682 a 686). De
acordo com Daniel Neves, o propósito da nomeação da autoria não desapareceu no NCPC, diante
do disposto nos arts. 338 a 339, que admitem a modificação do polo passivo, no caso de alegação
de ilegitimidade do réu.

d) Notas sobre a oposição e a nomeação à autoria

ATENÇÃO: Tanto a oposição quanto a nomeação à autoria foram retiradas das modalidades de
intervenção de terceiros do NCPC. No entanto, como a ideia dos institutos permanece no Código,
trazemos alguns apontamentos alusivos ao tema:

I. Oposição: É prevista como procedimento especial no NCPC, deixando de ser tratada como
intervenção de terceiro. Consiste em um terceiro intervir no processo com o objetivo de haver para
si o bem jurídico disputado.

II. Nomeação à Autoria: Não é mais prevista no NCPC como intervenção de terceiros, mas remanesce
o seu propósito nos arts. 338 e 339 do NCPC. O mero detentor da coisa ou cumpridor de ordem,
quando demandado, indica pessoa que deveria figurar no polo passivo da relação processual.
Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo
prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial
para substituição do réu.
Parágrafo único. Realizada a substituição, o autor reembolsará as despesas e pagará os
honorários ao procurador do réu excluído, que serão fixados entre três e cinco por cento do
valor da causa ou, sendo este irrisório, nos termos do art. 85, § 8o.

Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação
jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas
processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
§ 1o O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da
petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
§ 2o No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir,
como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu.

NOTE: No NCPC, NÃO se trate de modalidade de intervenção de terceiros deslocada, mas de


manutenção da ideia da nomeação à autoria na resposta do réu, como forma de corrigir o polo
passivo da demanda. No NCPC, houve uma ampliação dos casos de correção em relação à
nomeação à autoria, já que passou a ser admitida para qualquer hipótese de ilegitimidade passiva.
Enunciado nº 42 do FPPC: "(art. 339) O dispositivo aplica-se mesmo a procedimentos especiais que
não admitem intervenção de terceiros, bem como aos juizados especiais cíveis, pois se trata de
mecanismo saneador, que excepciona a estabilização do processo".
Enunciado nº 44 do FPPC: "(art. 339) A responsabilidade a que se refere o art. 339 é subjetiva".
e) Assistência: O terceiro intervém no processo para prestar colaboração a uma das partes.
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I. Pressupostos de admissibilidade:
• Existência de uma relação jurídica entre uma das partes do processo e o terceiro assistente
(interesse jurídico);
• Possibilidade de a sentença influir na relação jurídica.

II. Tipos de assistência:


• Simples: Há relação jurídica de direito material entre o assistente e o assistido, que poderá
ser indiretamente atingida pela futura sentença. O assistente simples atuará como auxiliar
da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus
processuais que o assistido.

Art. 121. O assistente simples atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos
poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.
Parágrafo único. Sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente será
considerado seu substituto processual.

Art. 122. A assistência simples não obsta a que a parte principal reconheça a procedência do
pedido, desista da ação, renuncie ao direito sobre o que se funda a ação ou transija sobre
direitos controvertidos.

Art. 123. Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o assistente, este
não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
I - pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi
impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
II - desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa,
não se valeu.

• Litisconsorcial: Há interesse jurídico direto entre o assistente e o adversário do assistido


(art. 124 do NCPC), que poderá ser afetada pela futura sentença.

Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença
influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.

III. Cabimento: em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição, recebendo o assistente


o processo no estado em que se encontrar (art. 119, NCPC). Se não houver impugnação em 15
(quinze) dias, o pedido do assistente será deferido, SALVO se for hipótese de rejeição liminar.
f) Denunciação da lide: É ação regressiva incidente, a ser proposta tanto pelo autor como pelo réu,
para garantir a indenização do denunciante caso perca a demanda. O NCPC prevê expressamente
que somente se passará ao julgamento da denunciação da lide, caso denunciante reste vencido
(art. 129, "caput"). Caso contrário, a ação de denunciação não terá o seu pedido examinado, sem
prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do
denunciado.
I. Hipóteses de admissibilidade:
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:

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I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao


denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o
prejuízo de quem for vencido no processo.
§ 1o O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for
indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida.
§ 2o Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu
antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não
podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual
direito de regresso será exercido por ação autônoma.

II. Obrigatoriedade da denunciação: Sob a égide do CPC/73, havia discussão se a denunciação da


lide era obrigatória ou facultativa. O NCPC prevê, expressamente, a facultatividade da
denunciação da lide (art. 125, § 1º).
- Enunciado nº 120 do FPPC: "(art. 125, §1º, art. 1.072, II) A ausência de denunciação da lide gera
apenas a preclusão do direito de a parte promovê-la, sendo possível ação autônoma de regresso".

IV. Denunciações sucessivas:


• O NCPC não admite mais a denunciação "per saltum", ao estabelecer o "alienante
imediato" como denunciado (art. 125, I).
• O NCPC admite, de outro lado, uma única denunciação sucessiva (art. 125, §2º).
V. Procedimento da denunciação à lide:
Art. 126. A citação do denunciado será requerida na petição inicial, se o denunciante for autor,
ou na contestação, se o denunciante for réu, devendo ser realizada na forma e nos prazos
previstos no art. 131.

Art. 127. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de
litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se
em seguida à citação do réu.

Art. 128. Feita a denunciação pelo réu:


I - se o denunciado contestar o pedido formulado pelo autor, o processo prosseguirá tendo, na
ação principal, em litisconsórcio, denunciante e denunciado;
II - se o denunciado for revel, o denunciante pode deixar de prosseguir com sua defesa,
eventualmente oferecida, e abster-se de recorrer, restringindo sua atuação à ação regressiva;
III - se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor na ação principal, o denunciante
poderá prosseguir com sua defesa ou, aderindo a tal reconhecimento, pedir apenas a
procedência da ação de regresso.
Parágrafo único. Procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer
o cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação deste na
ação regressiva.

Art. 129. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento da
denunciação da lide.

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Parágrafo único. Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido
examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de
sucumbência em favor do denunciado.

g) Chamamento ao processo: objetiva a inclusão do devedor ou dos coobrigados pela dívida para
integrarem o polo passivo na relação processual já existente, a fim de que o juiz declare, na mesma
sentença, a responsabilidade de cada um.
I. Hipóteses de admissibilidade:
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I - do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento
da dívida comum.

h) Incidente de desconsideração da personalidade jurídica: Embora já existisse entendimento


jurisprudencial e doutrinário sobre o tema, o NCPC positivou a matéria expressamente, nos arts. 133-
137.
I. Instauração: Deve ser instaurado a pedido da parte ou Ministério Público, requerido
fundamentadamente. O direito material deve dispor dos casos de desconsideração não tratados pelo
NCPC.
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido
da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os pressupostos
previstos em lei.
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da
personalidade jurídica.

II. Cabimento: É cabível em todas as fases do processo de conhecimento, cumprimento de sentença


e na execução fundada em título executivo extrajudicial e, uma vez instaurado, suspenderá o
processo, SALVO se requerida na petição inicial.
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de
conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo
extrajudicial.
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as
anotações devidas.
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for
requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2 o.
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais específicos
para desconsideração da personalidade jurídica.

III. Contraditório: Como o reconhecimento implica sanção, deve haver o contraditório. O sócio ou
pessoa jurídica será citado para, em 15 dias, manifestar-se:
Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e
requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
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Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão
interlocutória.
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno.

Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida


em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.

I) Amicus curiae: De origem norteamericana, sua função não é auxiliar a parte, mas o juízo. Trata-se
de auxiliar do juízo.
I. Requisitos:
• Relevância da matéria;
• Especificidade do tema objeto da demanda; ou
• Repercussão social da controvérsia.

II. Quem pode figurar como amicus curiae:


• Pessoa natural ou jurídica;
• Órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada.

- A intervenção poderá ser espontânea ou provocada, por decisão irrecorrível.


- Não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a
oposição de embargos de declaração e o recurso contra decisão que julgar o incidente de resolução
de demandas repetitivas.
- Os poderes do amicus curiae serão definidos na decisão que solicitar ou admitir a intervenção.

Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema


objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível,
de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir
a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com
representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.
§ 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a
interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do §
3o.
§ 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os
poderes do amicus curiae.
§ 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas
repetitivas.

6) Advocacia Pública: Segundo art. 182, do NCPC, Incumbe à Advocacia Pública, na forma da lei,
defender e promover os interesses públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, por meio da representação judicial, em todos os âmbitos federativos, das pessoas
jurídicas de direito público que integram a administração direta e indireta.
a) Prazo: Será em dobro para todas as suas manifestações, SALVO se a lei estabelecer de forma
expressa o prazo próprio para o ente público (art. 183, NCPC).

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* Note: No CPC/73 era em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer. O NCPC determinou
prazo em dobro para as manifestações da Fazenda Pública.
b) Honorários Advocatícios: O NCPC prevê no art. 85 percentuais para as hipóteses de condenação
em honorários advocatícios nas causas em que a Fazenda Pública seja parte:
Art. 85, §3º Condenação Percentual
I Até 200 Salários Mínimos 10 a 20%
(SM)
II De 200 – 2000 SM 8 a 10%
III 2000 – 20000 SM 5 a 8%
IV 20000 – 100000 3 a 5%
V Mais de 100000 1 a 3%

* ATENÇÃO: A definição do percentual ocorre apenas em sentença líquida. Em sentença ilíquida, a


definição do percentual ocorrerá na liquidação.
9) Defensoria Pública: É função essencial à justiça. Segundo o NCPC, exercerá a orientação jurídica,
a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados,
em todos os graus, de forma integral e gratuita.
a) Prazo: Será em dobro para todas as suas manifestações, SALVO se a lei estabelecer de forma
expressa o prazo próprio para o ente público (art. 186).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Manual de Direito Processual Civil. Daniel Assumpção;
Diálogos sobre o Novo CPC. Mozart Borba.

TRIBUTÁRIO

Sistema Tributário Nacional. Princípios do direito tributário. Limitações do poder de tributar.


Repartição das receitas tributárias. Tributo. Conceito. Natureza jurídica. Espécies. Imposto. Taxa.
Contribuição de melhoria. Empréstimo compulsório. Contribuições.

A Constituição Federal estatui as principais limitações ao exercício da competência tributária,


mas não necessariamente todas, pois existem outras garantias estipuladas em dispositivos diversos
da CF/88. Embora a doutrina fale em “dever fundamental de pagar tributos”, para que o Estado
exercer as suas atribuições, o poder estatal de criar a cobrar tributos sofre limitações na própria
Constituição, a exemplo dos princípios e imunidades do Direito Tributário.

1.1. Princípios do Direito Tributário

Os princípios constitucionais tributários estabelecem as regras pelas as quais a tributação será


realizada e estabelecem os requisitos mínimos para o exercício da tributação pelos entes públicos. É
possível mencionar os seguintes princípios:

a) Legalidade: Está previsto no art. 150, I, da Constituição:

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Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Assim, nem a União, nem Estados, nem DF e nem Municípios poderão exigir ou aumentar
tributos sem lei que o estabeleça. No mesmo sentido, preleciona o art. 97 do CTN:

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:


I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57
e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no
inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos
artigos 21, 26, 39, 57 e 65;
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou
para outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa
ou redução de penalidades.
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe
em torná-lo mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a
atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.

Atenção: O prazo de pagamento é elemento do tributo e, portanto, exige lei? O STF entende que o
prazo de pagamento NÃO integra a configuração mínima dos tributos, razão pela qual não precisa
ser estabelecido mediante lei. E além de não precisar ser mediante lei, não precisa observar nenhum
dos princípios constitucionais tributários.

I. Instituição do tributo: Via de regra ocorre por LEI ORDINÁRIA. No entanto, exigem lei
complementar:
• Criação de empréstimos compulsórios (Art. 148 CF);
• Imposto sobre Grandes Fortunas (Art. 153, VII CF);
• Impostos RESIDUAIS da União (Art. 154, I CF);
• Outras contribuições residuais de seguridade social (Art. 195, § 4º CF).

ATENÇÃO: Nem todas as contribuições têm que ser criadas por lei complementar. Só as contribuições
RESIDUAIS, ou seja, novas contribuições para a seguridade social que venham a ser criadas.

II. NÃO requerem lei:


• Mera atualização monetária da base de cálculo do tributo:

Art. 97, § 2º, do CTN: NÃO CONSTITUI MAJORAÇÃO DE TRIBUTO, para os fins do disposto no
inciso II deste artigo, A ATUALIZAÇÃO DO VALOR MONETÁRIO DA RESPECTIVA BASE DE
CÁLCULO.
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Súmula 160 STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual
superior ao índice ofi cial de correção monetária.

• Fixação/ alteração de prazo de pagamento do Tributo;


• Estipulação de obrigações acessórias.

III. Exceções ao princípio da legalidade: São alguns tributos que podem ter as alíquotas instituídas
por ato infralegal. Estão associados a tributos extrafiscais, a fim de se compatibilizar com as políticas
de arrecadação estatal:
• II, IE, IPI e IOF: As ALÍQUOTAS poderão ser ALTERADAS por DECRETO do Presidente da
República, sem necessidade de lei.
ATENÇÃO: As alíquotas podem ser ALTERADAS, e NÃO CRIADAS por ato infralegal. Eventual
criação do tributo requer lei.
• CIDE-combustíveis: Redução ou restabelecimento de alíquotas podem ocorrer por ato
infralegal.
• ICMS-combustíveis: A Constituição diz que as alíquotas desse imposto serão estabelecidas
por CONVÊNIO.

IV. Instituição de tributos por medida provisória


É cabível a instituição e majoração de tributos por medida provisória, SALVO os que exigem
lei complementar para a sua criação, já que não cabe MP para regular matérias de lei complementar.
NÃO cabe MP:
• Para regular matérias do art. 146 CF;
• Para detalhamentos normativos do ICMS, ITCMD, ISS, que exigem lei complementar.
* Atenção: Ressalvados o II, IE, IPI, IOF (impostos extrafiscais) e os impostos extraordinários de
guerra, a medida provisória que implique MAJORAÇÃO de IMPOSTOS só produzirá efeitos no
exercício financeiro seguinte se for convertida em lei até o ultimo dia daquele em que foi editada.

b) Anterioridade

I. Definição: É a vedação à cobrança do tributo no mesmo exercício financeiro em que haja sido
publicada a lei que instituiu ou aumentou a exação. Anterioridade guarda relação com o prazo para
a produção de efeitos da lei tributária.

Informativo 757 STF: A revogação de benefício fiscal deverá obedecer ao princípio da


anterioridade tributária? Há duas correntes:
* SIM. O ato normativo que revoga um benefício fiscal anteriormente concedido
configura aumento indireto do tributo e, portanto, está sujeito ao princípio da
anterioridade tributária. Precedente da 1ª Turma do STF.
* NÃO. A revisão ou revogação de benefício fiscal, por se tratar de questão
vinculada à política econômica, que pode ser revista pelo Estado a qualquer
momento, não está adstrita à observância das regras de anterioridade
tributária. Precedente da 2ª Turma do STF.
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STF. 1ª Turma. RE 564225 AgR/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em


2/9/2014 (Info 757).
STF. 2ª Turma. RE 617389 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
08/05/2012.

* Atenção – NÃO se sujeitam à anterioridade:


• Redução ou extinção de desconto para pagamento;
• Alteração do prazo de recolhimento do tributo;
• Redução do tributo (benéfico ao contribuinte).

II. Regra da anterioridade


• Regra Geral - Anterioridade anual: É a vedação à cobrança do tributo no mesmo exercício
financeiro em que haja sido publicada a lei que instituiu ou aumentou a exação;
• Somada a essa regra - Anterioridade nonagesimal: Entre a publicação e a data da produção
de efeitos, deve haver um intervalo mínimo de 90 dias

Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
III - cobrar tributos:
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou
aumentou;
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu
ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Alterado pela EC-000.042-2003)

* ATENÇÃO: Qual a justificativa para a previsão da anterioridade nonagesimal? Que as leis


tributárias eram criadas em dezembro, aumentando e criando tributo. Muitas publicadas em 31 de
dezembro. Pela anterioridade anual, essa lei deve respeitar a anterioridade tributária e só pode
produzir efeitos a partir do exercício seguinte. Logo, se a lei é publicada em 31/12/15, já começa a
produzir efeitos em 1º/01/16, o que frustra o escopo da anterioridade, que é justamente o de
proteger o contribuinte.
Por isso, em 2003, foi editada a EC 42/03, com a seguinte exigência: entre a data de publicação
e a data da produção de efeitos, deve haver um intervalo mínimo de 90 dias.

CONCLUSÃO:
• Tributo criado ou majorado entre janeiro e setembro de um ano – incidência do gravame
sempre em 1º de janeiro do ano seguinte;
• Tributo criado ou majorado entre outubro e dezembro – data da incidência posterior a 1º de
janeiro (impacto temporal de 90 dias).

A regra da anterioridade anual e nonagesimal se aplica às contribuições? As contribuições


previdenciárias não estão na regra, e seu prazo de anterioridade é de 90 dias, conforme art. 195,
§6º, da CF/88:

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Art. 195, § 6º: As contribuições sociais de que trata este artigo (PREVIDENCIÁRIAS) só poderão
ser exigidas após decorridos NOVENTA DIAS da data da publicação da lei que as houver
instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no Art. 150, III, (b).

ATENÇÃO: Para as demais contribuições, aplica-se a regra geral. Observem o esquema:

Tipo de contribuição Anterioridade Artigo Termo a quo


Social- 90 DIAS Art. 195, §6º
Publicação da lei que
Previdenciária houver instituído ou
modificado
CIDES e sociais (não COMUM + 90 Art. 150, III CF – Alínea B + Publicação da lei que
previdenciárias) DIAS C houver instituído ou
(Nonagesimal) majorado

III. Tributos que NÃO se sujeitam à anterioridade:

Anterioridade anual Nonagesimal (obedecem Obedecem a anterioridade


(obedecem apenas à apenas a anual) Anual + nonagesimal
nonagesimal)
II II II
IE IE IE
IOF IOF IOF
EC GUERRA/CAL EC GUERRA/ CAL EC GUERRA/CAL
IEG IEG IEG
IPI IR
CIDE- COMBUSTÍVEL Alterações na base de cálculo
do IPTU e IPVA
ICMS - COMBUSTÍVEL

IV. Anterioridade e medida provisória

O Art. 62, §2º CF dispõe: “ A MP que implique majoração ou instituição de impostos só produzirá
efeitos se convertida em lei até o último dia em que foi editada, no exercício financeiro seguinte”.
Exceção para os impostos extrafiscais, que passam a produzir efeitos a partir da edição originária da
MP:
• II
• IE
• IPI
• IOF
• IEG
* Para contribuições social-previdenciárias: o prazo nonagesimal flui a partir da edição originária da
MP.

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c) Irretroatividade

I. Definição: A lei tributária não pode retroagir para que a cobrança do tributo alcance fatos passados.
Previsto no art. 150, III, “a”, CF/88:

Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver
instituído ou aumentado;

E art. 105, CTN:

Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos
pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja
completa nos termos do artigo 116.

II. Situações em que a retroatividade é admitida:

• Lei que estabelece novos critérios de fiscalização tributária: Art. 144, § 1º, do CTN:

Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-
se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
§ 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador
da obrigação, TENHA INSTITUÍDO NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE
FISCALIZAÇÃO, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou
outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito
de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.

• Lei interpretativa ou que deixe de cominar penalidade às infrações ou lhe comine penalidade
menos severa (Art. 106 CTN):

Art. 106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:


I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de
penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde
que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática.

LEI INTERPRETATIVA E LC 118/05


- A LC 118/05 demarcava o termo a quo para a contagem do quinquênio prescricional
da restituição do indébito, avocando o rótulo de norma interpretativa em seu art. 3º.
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Para o STF, essa Lei inovou no ordenamento jurídico, ao reduzir o prazo de 10 anos
contados do fato gerador (tese dos 5 + 5) para 05 anos, contados do pagamento
indevido, e por isso deve ser considera lei nova, NÃO podendo retroagir.
- Para o STF, o prazo de 5 anos será aplicado às ações ajuizadas após o decurso da
vacatio legis de 120 dias (art. 4º da LC 118/05).

d) Isonomia

I. Definição: A lei tributária não poderá instituir tratamento desigual ou discriminatório entre
contribuintes que se encontrem na mesma situação. O princípio da isonomia está previsto no art.
150, II, da Constituição.

Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles
exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;

Viola a isonomia a tributação diferenciada para microempresas e empresas de


pequeno porte?
A Constituição prevê que as microempresas e empresas de pequeno porte terão
tratamento tributário diferenciado, porque não estão na mesma situação que uma
empresa de grande porte. Esse tratamento diferenciado NÃO ofende o princípio da
isonomia, já que há contribuintes em situações diferentes: grandes empresas, com
toda estrutura x pequenos e médios empresários. Haveria ofensa ao princípio da
isonomia se, dentro desse grupo das microempresas e empresas de pequeno porte,
houvesse tratamento diferenciado do ponto de vista da tributação.

II. Isonomia e capacidade contributiva: A capacidade contributiva é uma das faces da isonomia e
garante as seguintes dimensões:
• Equidade horizontal: Contribuintes de igual capacidade deverão pagar o mesmo valor
pecuniário;
• Equidade vertical: Contribuintes com desigual capacidade deverão pagar diferentes
quantidades pecuniárias.

TÉCNICAS PARA SE ANALISAR A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA:


• Progressividade: Técnica de incidência de alíquotas variadas, cujo aumento se
dá com a majoração da base de cálculo, podendo ser fiscal ou extrafiscal.
• Proporcionalidade: O desembolso será proporcional à grandeza da expressão
econômica do fato tributado. A alíquota é uma constante e a base de cálculo
é variável. NÃO vem explícita na CF como a progressividade.
o ATENÇÃO: REGRESSIVIDADE – Possui como característica tributar mais
fortemente as pessoas de baixa renda. Os impostos indiretos tendem
à regressividade, pois todos devem pagar o tributo. Ex: Todos os
indivíduos devem pagar o ICMS incidente sobre mercadorias
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eventualmente adquiridas para consumo, razão pela qual as pessoas


de baixa renda sofrem mais com o pagamento do mesmo tributo do
que pessoas com maior poder aquisitivo.
• Seletividade: Meio para inibir a regressividade, sendo forma de concretização
da capacidade contributiva em tributos indiretos.
• Não-cumulatividade: Segundo Leandro Paulsen, a não-cumulatividade
objetiva impedir que incidências sucessivas nas diversas operações de uma
cadeia econômica de produção ou comercialização de um produto impliquem
ônus tributário muito elevado, decorrente da tributação da mesma riqueza
diversas vezes. Consiste em fazer com que os tributos NÃO onerem em cascata
o mesmo produto (ex: Incidências sucessivas de IPI ou ICMS).

* ATENÇÃO: Embora a CF tenha previsto a aplicação do princípio da capacidade contributiva apenas


para os impostos no art. 145, §1º, a jurisprudência do STF entende que nada impede sua aplicação
a outras espécies tributarias.

e) Princípio do não-confisco: a tributação não poderá ser tão gravosa a ponto de expropriar o
patrimônio. Está previsto no art. 150, IV, da CF:

Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

Há diferença entre tributo confiscatório e tributo com efeito de confisco?


Embora comum a utilização dos dois termos como sinônimo, compreende-se que
tributo confiscatório seria um tributo que servisse como punição, ao passo em que
tributo com efeito de confisco seria o tributo com incidência exagerada, de forma
que, absorvendo parcela considerável do patrimônio ou da renda produzida pelo
particular, gerasse nesse e na sociedade em geral uma sensação de verdadeira
punição.
As duas situações são proibidas. O confisco pela própria definição de tributo (que
não pode ser sanção por ato ilícito) e o efeito de confisco pelo princípio previsto no
art. 150, IV, da CF/88.

* ATENÇÃO: A identificação do efeito confiscatório se dá pela totalidade da carga tributária, à luz de


todo sistema tributário (STF).

f) Liberdade de tráfego: O inciso V do art. 150 da CF proíbe os entes federados de estabelecer


limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais,
ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo poder público. Como
exceções ao princípio, é possível citar:
• Possibilidade de cobrança de ICMS interestadual: Como a cobrança tem fundamento
constitucional, é plenamente válida, não havendo que se discutir sua legitimidade.
• Cobrança de pedágio pela utilização de vias públicas.
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g) Uniformidade geográfica: A União deverá conferir tratamento tributário igualitário, equânime em


relação a todos os entes da federação:

Art. 151 da CF/88: É vedado à União:


I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em
detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o
equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;

h) Uniformidade geográfica: Art. 151, I, da CF/88.

Art. 151. É vedado à União:


I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em
detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o
equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País;

* ATENÇÃO: O STF entende que a concessão de isenção se funda no JUÍZO DA CONVENIÊNCIA E


OPORTUNIDADE de que gozam as autoridades públicas na implementação de suas políticas fiscais e
econômicas. Portanto, NÃO CABE AO PODER JUDICIÁRIO, que não pode se substituir ao legislador,
estender a isenção a contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia.

i) Vedação à concessão de isenções heterônomas: A isenção é forma de exclusão do crédito


tributário consistente na dispensa legal do pagamento do tributo. É benefício fiscal concedido
EXCLUSIVAMENTE por lei, elaborada pelo ente que tem competência para a criação do tributo. Assim,
NÃO pode a União conceder isenção de tributo que não seja de sua competência:

Art. 151, CF/88. É vedado à União:


III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios.

ATENÇÃO – Exceções ao princípio (ou seja, hipóteses em que a União pode conceder isenção de
tributos dos Estados e Municípios):
• A União pode conceder, por meio de lei complementar, isenção heterônoma do ICMS
incidente nas operações com serviços e outros produtos destinados ao exterior.
• Possibilidade de a União conceder, também via lei complementar, isenção heterônoma do
ISS, da competência dos Municípios nas exportações de serviços para o exterior.
• Possibilidade de o tratado internacional conceder isenções de tributos estaduais e municipais.

j) Não discriminação em razão da procedência ou destino: Dispõe o art. 152 da CF:


Art. 152. É vedado aos ESTADOS, AO DISTRITO FEDERAL E AOS MUNICÍPIOS estabelecer
diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência
ou destino.

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DICA: Note que a vedação NÃO abrange a União, que está autorizada a estipular tratamento
diferenciado entre os estados da federação tendo por meta diminuir as desigualdades
socioeconômicas tão comuns no Brasil.

2. Repartição de receitas tributárias

A repartição de receita sempre consiste na participação dos entes menores na arrecadação dos
entes maiores, jamais ocorrendo no sentido inverso. Pode ocorrer de duas formas:
• Direta: o ente beneficiado pela repartição da receita recebe-a diretamente, sem qualquer
intermediário e sem que esta receita faça parte de qualquer fundo constitucional. Ex. a CF
atribui aos municípios metade do IPVA arrecadado pelos estados em virtude dos veículos
automotores licenciados em seu território.
• Indireta: os recursos a serem repartidos são destinados a um fundo de participação, cujas
receitas são divididas entre os beneficiários. Segundo os critérios legais e constitucionais
previamente definidos.

ESQUEMA DE REPARTIÇÃO

a) Repartição direta – Tributos Federais:


União IRRF – IRPF – IOF- IMP. CIDE- ITR IPI –
157, I 158, I Ouro Residuais Comb 159, II
Estados 100% 30% 20% 29% 10%
Municípios 100% 70% 25% 50% OU 25%
100% (*)
(*) Se Município optar por arrecadar, 100% do ITR.
Obs: Na Cide-Combustível e IPI, os Estados recebem e repassam aos Municípios um percentual.

b) Repartição direita – Tributos Estaduais:


Estados IPVA – Art. 158, III ICMS – Art. 158, IV
Municípios 50% 25% (#)
(#) ¾ para valor adicionado (quem mais contribuiu) E ¼ o Estado define o critério. O STF entendeu
que o Estado NÃO pode afastar Município da participação de recursos.

c) Repartição por intermédio de fundos:


IR + IPI (ART. 159, I) – Total: 49%:
• 21,5% - Fundo de Participação dos Estados;
• 22,5% - Fundo de Participação dos Municípios;
• 3% - Programas de financiamento do Norte, Nordeste5 e Centro-oeste;
• 1% - Fundo de participação dos Municípios, entregue no 1º decêndio do mês
de dezembro de cada ano;
• 1% - Fundo de participação dos Municípios, entregue no 1º decêndio do mês

5
Desse percentual, METADE dos recursos do nordeste serão destinados ao semiárido.
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de julho de cada ano (EC 54/14).

3. Tributos

São receitas derivadas, necessárias à manutenção da máquina estatal, e possuem definição no


art. 3º do CTN.

Art. 3º - Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se
possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante
atividade administrativa plenamente vinculada.

- Note: A compulsoriedade é requisito de existência do tributo.


O CTN, no seu artigo 5º, dispõe que os tributos são impostos, taxas e contribuição de
melhoria, claramente adotando a teoria da tripartição das espécies tributárias. Ao se deparar com o
tema, o STF tem adotado a teoria da pentapartição, e acrescenta os empréstimos compulsórios e
as contribuições especiais.

3.1. Impostos

I. Definição: É tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer
atividade estatal específica (É não-vinculado).
- É tributo UNILATERAL, desvinculado de qualquer atividade estatal. Assim, conforme decidiu o STJ:
o contribuinte NÃO pode obrigar o Município a realizar certa obra ou serviço sob a alegação de que
teria pago o IPTU.
- A receita dos impostos visa custear as despesas públicas gerais ou universais.
- A receita NÃO se atrela a órgão, fundo ou despesa: NÃO se pode majorar um imposto e vincular tal
aumento a uma dada finalidade, sob pena de inconstitucionalidade (o conjunto de receitas deverá
compor massa distinta e única a cobrir o conjunto de despesas). Exceções ao princípio da não-
afetação dos impostos, previstas no art. 167, da CF/88:
o Repartição de receitas tributárias;
o Destinação de recursos para saúde, educação e atividades da Administração
tributária;
o Prestação de garantias:
▪ Operação de crédito por ARO;
▪ Para a União (garantias e contragarantias);
▪ Para pagamento de débitos com a União.

II. Competência para instituir impostos


- A competência instituir impostos é atribuída pela CF/88 de maneira enumerada e privativa a cada
ente federado. Entretanto, a União pode instituir, mediante LEI COMPLEMENTAR, novos impostos,
desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados na CF, no exercício da competência tributária residual.

Art. 154. A União poderá instituir:

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I - mediante LEI COMPLEMENTAR, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam
não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados
nesta Constituição;

Além da competência residual, a União detém as competências para criar, na iminência ou no


caso de guerra externa, IMPOSTOS EXTRAORDINÁRIOS DE GUERRA, compreendidos ou não em sua
competência tributária, sendo DESNECESSÁRIA A EDIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR.

Art. 154
II - na iminência ou no caso de guerra externa, IMPOSTOS EXTRAORDINÁRIOS,
compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos,
gradativamente, cessadas as causas de sua criação.

III. Classificação dos impostos


a) Diretos e indiretos:
▪ Diretos: A carga econômica é suportada pelo contribuinte e NÃO repercute para
terceiros. Ex: IR, IPTU, IPVA, ITBI, ITCMD.
▪ Indiretos: O ônus tributário repercute sobre terceira pessoa (contribuinte de fato),
NÃO se onerando o contribuinte de direito. Ex: ICMS, IPI.
b) Pessoais e reais:
▪ Pessoais: Levam em conta as condições particulares do contribuinte. Ex: IR;
▪ Reais: Consideram a matéria tributária (o próprio bem ou coisa), sem cogitar das
condições pessoais do contribuinte. Ex: IPI, ICMS, IPTU, IPVA, ITR, IOF.
c) Fiscais e extrafiscais:
▪ Fiscais: Possuem intuito nitidamente arrecadatório. Ex: IR, ITBI, ITCMD, ISS.
▪ Extrafiscais: Finalidade reguladora de mercado ou da economia. Ex: II, IE, IPI, IOF.

3.2. Taxas

I. Definição: É tributo vinculado à ação estatal, e NÃO está relacionado à condição econômica do
contribuinte.
- Luciano Amaro: O fato gerador da taxa NÃO é um fato do contribuinte, mas um FATO DO ESTADO,
qual seja, prestação de serviço público ou exercício do Poder de Polícia.

Art. 145, CF/88 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os
seguintes tributos:
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial,
de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua
disposição;

II. Competência: No plano competencial tributário (competência comum), a taxa pode ser exigida
por U, E, M e DF, NÃO se admitindo em face de atividade privada. – O Território Federal NÃO pode
instituir taxa (quem faz é U/M).

III. Taxa de Polícia: Em seu art. 78, o CTN conceitua poder de policia:
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Art. 78. Considera-se PODER DE POLÍCIA atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em
razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à
disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de
concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado
pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e,
tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

- O STF entendia que o exercício regular do poder de polícia era o policiamento efetivo, concreto ou
real. Porém, posteriormente alterou o seu entendimento, de modo que o simples fato de existir um
órgão estruturado e em funcionamento viabiliza a cobrança da taxa.
- Quanto aos casos em que o procedimento fiscalizatório é cíclico, devendo ser renovado em dada
periodicidade, o STF tem entendido que deve haver a repetição concreta da atividade fiscalizadora,
como condição à exigência da taxa renovável. No entanto, o STF vem admitindo a constitucionalidade
da taxa de renovação anual de licença para localização, instalação e funcionamento de
estabelecimentos comerciais e similares, desde que haja órgão administrativo que exerça o poder de
polícia.

IV. Taxa de Serviço Público: A criação das taxas de serviço só é possível mediante disponibilização de
serviços públicos que se caracterizam pela divisibilidade e especificidade.

Art. 79, do CTN. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77 consideram-se:


I - utilizados pelo contribuinte:
a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título;
b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam postos à sua disposição
mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento;
II - específicos, quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de
unidade, ou de necessidades públicas;
III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos
seus usuários.

STF Súmula Vinculante nº 19 - A taxa cobrada EXCLUSIVAMENTE em razão dos serviços


públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de
imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.

Súmula 670 STF - O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.

- NÃO pode ser cobrado por taxas:


• Segurança pública – Inclusive segurança para eventos de grande porte privados;
• Limpeza pública – Note que se for “coleta domiciliar de lixo”, pode ser cobrada por taxa
municipal, por serem suscetíveis de utilização, de modo separado, por cada usuário.
• Iluminação pública – S. 670 STF
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• Asfaltamento – No contexto de obras públicas, deve ser cobrada contribuição de melhoria.

V. Base de cálculo: NÃO pode haver integral identidade entre a base de cálculo das taxas com alguns
impostos. No entanto, é possível a coincidência de alguns dos elementos:

STF - Súmula Vinculante nº 29 - É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um


ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja
integral identidade entre uma base e outra.

OBSERVAÇÕES:
- Deve haver equivalência razoável entre o valor pago e o custo da atividade estatal.
- Taxa de coleta de lixo: Há certas taxas instituídas com base na dimensão da área construída do
imóvel beneficiado. Para o STF, a sistemática é válida, pois o cálculo com base na metragem do imóvel
NÃO implica por si só identidade com a base de cálculo do imposto. Havendo taxa de fiscalização
calculada pela extensão da obra, tal situação é perfeitamente possível.
- STF: As custas e emolumentos, por serem taxa, só podem ser fixadas por lei, em face do princípio
da reserva legal, para instituir ou aumentar tributo.
- As taxas NÃO cumpre funções extrafiscais.
- É constitucional a cobrança de taxa de fiscalização ambiental sobre o mesmo fato gerador pela
União e pelos Estados, pois ambos têm competência para exercer a fiscalização desta atividade, por
se tratar de competência comum.

VI. Taxa x Preço Público

TAXA PEDÁGIO
Regime jurídico de direito público: É Regime jurídico de direito privado:
tributo NÃO é tributo
O vinculo de natureza tributária. O vínculo de natureza contratual.
O sujeito ativo é uma pessoa jurídica O sujeito ativo pode ser uma pessoa
de direito público. jurídica de direito público ou de
direito privado.
O vínculo nasce da lei, Há necessidade de válida
independentemente de manifestação de vontade
manifestação de vontade (facultativo).
(compulsório).
Pode ser cobrada em virtude de Somente pode ser cobrada em
utilização efetiva ou potencial do virtude de utilização efetiva de
serviço público. serviço público.
Pode ser cobrada pelo exercício do NÃO existe taxa em função do
Poder de Polícia. exercício do Poder de Polícia.
A receita é derivada. A receita é originária (decorre da
exploração de patrimônio estatal).
Sujeita-se aos princípios tributários. Não se sujeita aos princípios
tributários.

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QUAL A NATUREZA JURÍDICA DO PEDÁGIO?


- Para parte da doutrina, a atribuição da natureza de taxa ou de tarifa ao pedágio
dependerá da pessoa jurídica que explora aquela rodovia. Segundo Ricardo
Alexandre, o pedágio considerado tributo, na espécie taxa, é apenas aquele
cobrado pelo Poder Público pela utilização de vias por ele conservadas. Se cobrado
por particulares em regime de concessão, permissão ou autorização,possui
natureza de tarifa.
- Há corrente que ainda defende que a natureza jurídica irá depender da existência
ou não de uma via alternativa para locomoção: Inexistindo a via, a passagem seria
obrigatória e a cobrança compulsória, aproximando-se, portanto da taxa.
- O STF, por meio do julgamento da ADI/800, publicada no informativo 750/STF,
acabou por pacificar a questão, fixando o entendimento de que o pedágio
corresponderia a um PREÇO PÚBLICO, de forma que não seria necessário o respeito
aos princípios tributários. Ademais, definiu o STF pela não necessidade de
existência de uma via alternativa, sem que isto retire a natureza de tarifa do
pedágio.

VII. Taxa de iluminação pública: NÃO é possível instituir taxa de iluminação pública, por não se tratar
de serviço específico e divisível:

STF Súmula nº 670 - O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.

No entanto, a EC-39 acresceu à Constituição o art. 149-A, possibilitando a cobrança de


contribuição sobre iluminação pública (COSIP):

Art. 149-A - Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das
respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art.
150, I e III.

- STF: A COSIP é contribuição de caráter sui generis, em que podem ser eleitos contribuintes os
consumidores de energia elétrica, a base de cálculo pode ser definida conforme o consumo e, ainda,
podem ser impostas alíquotas progressivas que consideram a quantidade de consumo e as
características dos diversos tipos de consumidor.
- NÃO é aplicada à COSIP a anterioridade do art. 195, §4º CF, mas obedece à anual e nonagesimal.

3.3. Contribuição de Melhoria:

I. Definição: É o poder impositivo de exigir o tributo dos proprietários de bens imóveis valorizados
com a realização de obras públicas.
• NÃO se confunde com imposto, pois depende de atividade estatal específica.
• NÃO se confunde com taxa, pois pressupõe obra pública E valorização do imóvel, e não um
serviço público.

II. Elementos:
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• Necessidade de valorização (mais valia imobiliária);


• Necessidade de que a valorização ocorra sobre bens imóveis: Deve haver a valorização do
imóvel de propriedade privada em virtude de obras públicas. O decreto lei 195/67 traz o rol
de obras públicas ensejadoras do tributo.

STF: a realização de pavimentação na rua, suscetível de valorizar o imóvel, pode justificar a cobrança
de contribuição de melhoria, o que não acontece com o mero recapeamento da via pública já
asfaltada

III. Base de Cálculo: É o quantum de valorização experimentada pelo imóvel.


- Base de cálculo e os limites de cobrança:
• Limite global (total): É o teto de cobrança, NÃO se podendo admitir arrecadação acima do
custo da obra;
• Limite individual: É ilícita a cobrança sobre cada um em montante superior à mais-valia
imobiliária percebida por cada beneficiário;
ATENÇÃO: Além do limite individual e total, o art. 12 do DL 195/67 prevê que a parcela anual paga
pelo contribuinte NÃO pode exceder 3% do maior valor fiscal de seu imóvel, atualizado à época da
cobrança.

Art. 81, CTN - A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer
face ao custo de obras públicas de que decorra VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA (fato gerador),
tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor
que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.

3.4. Empréstimos compulsórios

I. Definição: são empréstimos forçados, coativos, porém restituíveis.

Art. 148. A UNIÃO (competência exclusiva), mediante LEI COMPLEMENTAR, poderá instituir
EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra
externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional,
observado o disposto no art. 150, III, "b".
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será
VINCULADA à despesa que fundamentou sua instituição.

II. Instituição e competência: Devem ser instituídos por lei complementar e a competência é
exclusiva da União, ainda que haja catástrofe em apenas 01 município ou Estado, NÃO se exigindo
que o cataclismo tenha proporções gigantescas a justificar a competência da União.

III. Pressupostos fáticos a autorizar a instituição:


• Despesas extraordinárias decorrentes de calamidades públicas, guerra externa ou a sua
iminência
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o Calamidades públicas: Situações limítrofes, hecatombes;


o Guerra externa: conflito armado internacional, NÃO podendo ser iniciado pelo Brasil
nem ser comoção interna.
• Investimento público urgente e relevante interesse nacional: É Antecipação de receita.

IV. Empréstimos compulsórios e o princípio da anterioridade:


• Se decorrente de calamidade pública ou guerra externa: NÃO se sujeitam à anterioridade;
• Se instituídos para a realização de investimentos públicos de caráter urgente e relevante
interesse social: deve observar a anterioridade.

3.5. Contribuições

I. Definição: tributos cujo produto de suas arrecadações deve ser para financiar atividades de
interesse público, beneficiando certo grupo, e direta ou indiretamente o contribuinte. A contribuição
NÃO se confunde com imposto, pois enquanto este apoia-se no poder de império, aqueles
adstringem-se à SOLIDARIEDADE, na busca de uma dada finalidade.
- As espécies tributárias se distinguem, originariamente, a partir de seu fato gerador. Porém, com as
contribuições de mesmo FG sobre o IR, a CF inaugurou um novo critério de distinção, de natureza
específica, para impostos e contribuições sociais, razão pela qual é possível cobrar IRPJ e CSLL.

II. Espécies de contribuições e competência: Dispõe o art. 149 da CF ser competência EXCLUSIVA da
União a instituição das contribuições ali delineadas:

Art. 149 - Compete EXCLUSIVAMENTE À UNIÃO instituir contribuições sociais, de intervenção


no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como
instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e
150, I e III, e sem prejuízo do previsto no Art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que
alude o dispositivo.
§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus
servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art.
40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos
da União.

O legislador constituinte previu a possibilidade de a União instituir três espécies de


contribuições, quais sejam:
• Contribuições sociais;
• Contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE); e
• Contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas.

NOTE: Embora seja competência exclusiva da União instituir as contribuições, Estados e Municípios
podem instituir contribuição de seus servidores para custeio, em benefício destes, do regime
previdenciário, ante previsão Constitucional expressa.

a) Contribuições Sociais: As contribuições sociais são espécies de contribuições especiais. Segundo


entendimento do STF, essa subespécie ainda está sujeita a mais uma subdivisão.
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• Contribuições de seguridade social. Ex: PIS, COFINS, CSLL;


• Outras contribuições sociais (Residuais e instituídas por Lei Complementar);
• Contribuições sociais gerais - salário educação + sistema S + Contribuição do FGTS (LC 110).

É possível instituir contribuições com o mesmo fato gerador de impostos?


O STF entende que a exigência de inovação quanto a base de cálculo e fato gerador,
só existe dentro da mesma espécie tributária, ou seja, um novo imposto deve possuir
base de cálculo e fato gerador diferentes daqueles que servem para incidências de
impostos já existentes. Já uma nova contribuição só pode ser criada se o seu fato
gerador e sua base de cálculo forem diferentes daqueles definidos para as
contribuições já criadas.

Exige-se lei complementar para a instituição de uma contribuição


A exigência de utilização de lei complementar só é aplicável para a criação de novas
contribuições (contribuições residuais). Para a criação daquelas cujas fontes já
constam da constituição, é possível a utilização de lei ordinária. Exemplificando: É
possível instituir contribuição corporativa por lei ordinária, já que está prevista na
Constituição Federal.

b) CIDES: São contribuições de intervenção no domínio econômico e possuem caráter nitidamente


extrafiscal. A competência é exclusiva da União, e seu exercício, por NÃO estar sujeita a reserva de
lei complementar, pode se dar na via de lei ordinária ou da medida provisória.
- Dica: A CIDE-Combustível é a única com fato gerador previsto na Constituição Federal, no Art. 177
§ 4º.

C) Contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas – Contribuições


corporativas: São criadas pela União com o objetivo parafiscal de obter recursos destinados a
financiar atividades de interesses de instituições representativas ou fiscalizatórias de categorias
profissionais ou econômicas. Podem ser:
• Contribuição Sindical: É modalidade de contribuição parafiscal, na subespécie corporativa ou
profissional, também chamado de “imposto sindical”, obrigatória a todos os trabalhadores
celetistas, integrantes da categoria, sindicalizados ou não, os quais devem arcar com o
montante equivalente a um dia de trabalho.

ATENÇÃO: NÃO se confunde com a contribuição confederativa, esta de natureza não tributária. A
compulsoriedade na contribuição confederativa ofende o direito de livre associação e sindicalização
garantido pela CF.

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA


- É tributo - NÃO é tributo
- Compulsória - Voluntária
- Obrigação ex lege - Obrigação ex voluntate
- Deriva de lei - Deriva de contrato
- Depende de ato do poder legislativo - Depende de ato da assembleia geral
- Exigível de todos os trabalhadores - Exigível dos trabalhadores sindicalizados
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- Respeita os princípios constitucionais - NÃO respeita os princípios constitucionais


tributários tributários.

• Contribuições corporativas para o custeio das entidades de fiscalização do exercício de


profissões regulamentadas: É típica utilização do tributo com finalidade parafiscal, uma vez
que o Estado cria o tributo por lei e atribui o produto de sua arrecadação a uma terceira
pessoa que realiza atividade de interesse público. Ex. CREA, CRM.
ATENÇÃO: O STF entendeu que a OAB NÃO é autarquia, mas entidade sui generis na defesa
da democracia. Assim, a anuidade da OAB NÃO possui natureza tributária.

Referências Bibliográficas:
• Ricardo Alexandre. Direito Tributário Esquematizado;
• Eduardo Sabagg. Manual de Direito Tributário;
• Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. O Direito Tributário na Constituição e no STF;
• Leandro Paulsen. Curso de Direito Tributário

LEITURA APARTADA

PODER PÚBLICO EM JUÍZO PARA CONCURSOS – RELEITURA DE GRIFOS


CAPÍTULO 10 e 11

LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO

PÁGINAS 72 a 91

SÚMULA VINCULANTE TODO DIA

Alta chance de ser cobrado (+++)


Média chance de ser cobrada (++)
Pouca chance (+)

SÚMULA VINCULANTE 15 (+++)

O cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público não incide sobre o abono utilizado para se
atingir o salário mínimo.

SÚMULA VINCULANTE 16 (+++)

Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC 19/98), da Constituição, referem-se ao total da remuneração
percebida pelo servidor público.

SÚMULA VINCULANTE 17 (+++)

Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre
os precatórios que nele sejam pagos.

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SÚMULA VINCULANTE 18 (+)

A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista
no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal.

SÚMULA VINCULANTE 19 (+++)

A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou
destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.

SÚMULA VINCULANTE 20 (+)

A Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa - GDATA, instituída pela Lei nº


10.404/2002, deve ser deferida aos inativos nos valores correspondentes a 37,5 (trinta e sete vírgula cinco)
pontos no período de fevereiro a maio de 2002 e, nos termos do artigo 5º, parágrafo único, da Lei nº
10.404/2002, no período de junho de 2002 até a conclusão dos efeitos do último ciclo de avaliação a que se
refere o artigo 1º da Medida Provisória no 198/2004, a partir da qual passa a ser de 60 (sessenta) pontos.

SÚMULA VINCULANTE 21 (+++)

É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade


de recurso administrativo.

SÚMULA VINCULANTE 22 (+++)

A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e
patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive
aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda
Constitucional nº 45/04.

SÚMULA DO STF TODO DIA

SÚMULA Nº 268

NÃO CABE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO.

SÚMULA Nº 269

O MANDADO DE SEGURANÇA NÃO É SUBSTITUTIVO DE AÇÃO DE COBRANÇA.

SÚMULA DO STJ TODO DIA

Súmula 131 - Nas ações de desapropriação incluem-se no cálculo da verba advocatícia as parcelas relativas
aos juros compensatórios e moratórios, devidamente corrigidas. (Súmula 131, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
18/04/1995, DJ 24/04/1995 p. 10455)

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Súmula 141 - Os honorários de advogado em desapropriação direta são calculados sobre a diferença entre a
indenização e a oferta, corrigidas monetariamente. (Súmula 141, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/06/1995,
DJ 09/06/1995 p. 17370)

Súmula 354 - A invasão do imóvel é causa de suspensão do processo expropriatório para fins de reforma
agrária. (Súmula 354, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/06/2008, DJe 08/09/2008)

Súmula 408 - Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida Provisória n.
1.577, de 11/06/1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001 e, a partir de então, em 12% ao ano,
na forma da Súmula n. 618 do Supremo Tribunal Federal. (Súmula 408, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
28/10/2009, DJe 24/11/2009, REPDJe 25/11/2009)

Até 10/06/1997 11/06/1997 – 13/09/2001 14/09/2001 → dias atuais


12% 6% 12%

PRESCRIÇÃO

Súmula 85 - Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, quando
não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição atinge apenas as prestações vencidas antes do
quinquênio anterior à propositura da ação. (Súmula 85, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/06/1993, DJ
02/07/1993)

Aplicável nas relações de trato sucessível

PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

Súmula 343 - É obrigatória a presença de advogado em todas as fases do processo administrativo disciplinar.
(Súmula 343, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 12/09/2007, DJ 21/09/2007 p. 334)

Superada em razão da SÚMULA VINCULANTE 5

A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a
Constituição.

PROCESSO ADMINISTRATIVO

Súmula 373 - É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo.
(Súmula 373, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/03/2009, DJe 30/03/2009)

SÚMULA VINCULANTE 21

É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para


admissibilidade de recurso administrativo.

Súmula 467 - Prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da
Administração Pública de promover a execução da multa por infração ambiental. (Súmula 467, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 13/10/2010, DJe 25/10/2010)

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SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA

Súmula nº 378 do TST

ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº 8.213/1991. (inserido item III) - Res.
185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012

I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por
período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 -
inserida em 01.10.1997)

II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a conseqüente


percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que
guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. (primeira parte - ex-OJ nº 230 da
SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)

III –III - O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória
de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no n no art. 118 da Lei nº 8.213/91.

Súmula nº 398 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. AUSÊNCIA DE DEFESA. INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA (alterada em decorrência


do CPC de 2015) - Res. 219/2017, DEJT divulgado em 28, 29 e 30.06.2017

Na ação rescisória, o que se ataca é a decisão, ato oficial do Estado, acobertado pelo manto da coisa julgada.
Assim, e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública, a revelia não produz confissão
na ação rescisória. (ex-OJ nº 126 da SBDI-2 - DJ 09.12.2003)

ATUALIZADO EM JUNHO DE 2017

Súmula nº 401 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. DESCONTOS LEGAIS. FASE DE EXECUÇÃO. SENTENÇA EXEQÜENDA OMISSA. INEXISTÊNCIA
DE OFENSA À COISA JULGADA (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 81 da SBDI-2) - Res. 137/2005 – DJ
22, 23 e 24.08.2005

Os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetuados pelo juízo executório, ainda que a sentença
exeqüenda tenha sido omissa sobre a questão, dado o caráter de ordem pública ostentado pela norma que os
disciplina. A ofensa à coisa julgada somente poderá ser caracterizada na hipótese de o título exeqüendo,
expressamente, afastar a dedução dos valores a título de imposto de renda e de contribuição previdenciária.
(ex-OJ nº 81 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002)

Súmula nº 402 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. PROVA NOVA. DISSÍDIO COLETIVO. SENTENÇA NORMATIVA (nova redação em
decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 25.04.2017
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I – Sob a vigência do CPC de 2015 (art. 966, inciso VII), para efeito de ação rescisória, considera-se prova
nova a cronologicamente velha, já existente ao tempo do trânsito em julgado da decisão rescindenda, mas
ignorada pelo interessado ou de impossível utilização, à época, no processo.

II – Não é prova nova apta a viabilizar a desconstituição de julgado:

a) sentença normativa proferida ou transitada em julgado posteriormente à sentença rescindenda;

b) sentença normativa preexistente à sentença rescindenda, mas não exibida no processo principal, em
virtude de negligência da parte, quando podia e deveria louvar-se de documento já existente e não ignorado
quando emitida a decisão rescindenda. (ex-OJ nº 20 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000).

ATENÇÃO: NOVA REDAÇÃO – ABRIL DE 2017

Súmula nº 403 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. DOLO DA PARTE VENCEDORA EM DETRIMENTO DA VENCIDA. ART. 485, III, DO CPC
(conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 111 e 125 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005

I - Não caracteriza dolo processual, previsto no art. 485, III, do CPC, o simples fato de a parte vencedora haver
silenciado a respeito de fatos contrários a ela, porque o procedimento, por si só, não constitui ardil do qual
resulte cerceamento de defesa e, em conseqüência, desvie o juiz de uma sentença não-condizente com a
verdade. (ex-OJ nº 125 da SBDI-2 - DJ 09.12.2003)

II - Se a decisão rescindenda é homologatória de acordo, não há parte vencedora ou vencida, razão pela qual
não é possível a sua desconstituição calcada no inciso III do art. 485 do CPC (dolo da parte vencedora em
detrimento da vencida), pois constitui fundamento de rescindibilidade que supõe solução jurisdicional para a
lide. (ex-OJ nº 111 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003)

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DIA 07

RESOLUÇÃO DO SIMULADO 01

SÚMULA VINCULANTE TODO DIA

Alta chance de ser cobrado (+++)


Média chance de ser cobrada (++)
Pouca chance (+)

SÚMULA VINCULANTE 23 (+++)

A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do
exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.

SÚMULA VINCULANTE 24 (+++)

Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90,
antes do lançamento definitivo do tributo.

SÚMULA VINCULANTE 25 (+++)

É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.

SÚMULA VINCULANTE 26 (+)

Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo
da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, sem
prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício,
podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.

SÚMULA VINCULANTE 27 (+)

Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço público de telefonia,
quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva necessária, assistente, nem opoente.

SÚMULA VINCULANTE 28 (+++)

É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual
se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.

SÚMULA VINCULANTE 29 (+++)

É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria
de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base e outra.

SÚMULA VINCULANTE 30
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(A Súmula Vinculante 30 está pendente de publicação)

SÚMULA DO STF TODO DIA

SÚMULA Nº 330

O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NÃO É COMPETENTE PARA CONHECER DE MANDADO DE SEGURANÇA


CONTRA ATOS DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DOS ESTADOS.

SÚMULA Nº 339

NÃO CABE AO PODER JUDICIÁRIO, QUE NÃO TEM FUNÇÃO LEGISLATIVA, AUMENTAR VENCIMENTOS DE
SERVIDORES PÚBLICOS SOB FUNDAMENTO DE ISONOMIA.

Súmula Vinculante 37

Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores
públicos sob o fundamento de isonomia.

SÚMULA DO STJ TODO DIA

SERVIDORES PÚBLICOS

Súmula 346 - É vedada aos militares temporários, para aquisição de estabilidade, a contagem em dobro de
férias e licenças não-gozadas. (Súmula 346, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/02/2008, DJe 03/03/2008)

Súmula 378 - Reconhecido o desvio de função, o servidor faz jus às diferenças salariais decorrentes. (Súmula
378, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 05/05/2009)

DIREITO CIVIL

CONTRATOS

Súmula 76 - A falta de registro do compromisso de compra e venda de imóvel não dispensa a prévia
interpelação para constituir em mora o devedor. (Súmula 76, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/04/1993, DJ
04/05/1993 p. 7949)

Súmula 322 - Para a repetição de indébito, nos contratos de abertura de crédito em conta-corrente, não se
exige a prova do erro. (Súmula 322, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 23/11/2005, DJ 05/12/2005 p. 410)

Súmula 332 - A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia.
(Súmula 332, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/03/2008, DJe 13/03/2008)

Súmula 380 - A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do
autor. (Súmula 380, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em22/04/2009, DJe 05/05/2009)

DANO MORAL

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Súmula 37 - São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato. (Súmula
37, CORTE ESPECIAL, julgado em 12/03/1992, DJ 17/03/1992)

Súmula 227 - A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. (Súmula 227, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
08/09/1999, DJ 08/10/1999 p. 126)

Súmula 281 - A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa. (Súmula
281, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/04/2004, DJ 13/05/2004 p. 200)

SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA

Súmula nº 404 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. FUNDAMENTO PARA INVALIDAR CONFISSÃO. CONFISSÃO FICTA. INADEQUAÇÃO DO


ENQUADRAMENTO NO ART. 485, VIII, DO CPC DE 1973 - Res. 209/2016, DEJT divulgado em 01, 02 e
03.06.2016

O art. 485, VIII, do CPC de 1973, ao tratar do fundamento para invalidar a confissão como hipótese de
rescindibilidade da decisão judicial, referia-se à confissão real, fruto de erro, dolo ou coação, e não à
confissão ficta resultante de revelia.

Súmula nº 405 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. TUTELA PROVISÓRIA (nova redação em decorrência do CPC de 2015) – Res. 208/2016,
DEJT divulgado em 22, 25 e 26.04.2016

Em face do que dispõem a MP 1.984-22/2000 e o art. 969 do CPC de 2015, é cabível o pedido de tutela
provisória formulado na petição inicial de ação rescisória ou na fase recursal, visando a suspender a
execução da decisão rescindenda.

Súmula nº 406 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. LITISCONSÓRCIO. NECESSÁRIO NO PÓLO PASSIVO E FACULTATIVO NO ATIVO. INEXISTENTE


QUANTO AOS SUBSTITUÍDOS PELO SINDICATO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 82 e 110 da
SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005

I - O litisconsórcio, na ação rescisória, é necessário em relação ao pólo passivo da demanda, porque supõe
uma comunidade de direitos ou de obrigações que não admite solução díspar para os litisconsortes, em face
da indivisibilidade do objeto. Já em relação ao pólo ativo, o litisconsórcio é facultativo, uma vez que a
aglutinação de autores se faz por conveniência e não pela necessidade decorrente da natureza do litígio, pois
não se pode condicionar o exercício do direito individual de um dos litigantes no processo originário à anuência
dos demais para retomar a lide. (ex-OJ nº 82 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002)

II - O Sindicato, substituto processual e autor da reclamação trabalhista, em cujos autos fora proferida a
decisão rescindenda, possui legitimidade para figurar como réu na ação rescisória, sendo descabida a
exigência de citação de todos os empregados substituídos, porquanto inexistente litisconsórcio passivo
necessário. (ex-OJ nº 110 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003)
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Súmula nº 407 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE "AD CAUSAM" PREVISTA NO ART. 967, III, "A", "B"
e "C" DO CPC DE 2015. ART. 487, III, "A" e "B", DO CPC DE 1973. HIPÓTESES MERAMENTE EXEMPLIFICATIVAS.

A legitimidade "ad causam" do Ministério Público para propor ação rescisória, ainda que não tenha sido
parte no processo que deu origem à decisão rescindenda, não está limitada às alíneas "a", "b" e "c" do inciso
III do art. 967 do CPC de 2015 (art. 487, III, "a" e "b", do CPC de 1973), uma vez que traduzem hipóteses
meramente exemplificativas (ex-OJ nº 83 da SBDI-2 - inserida em 13.03.2002).

Súmula nº 408 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. PETIÇÃO INICIAL. CAUSA DE PEDIR. AUSÊNCIA DE CAPITULAÇÃO OU CAPITULAÇÃO


ERRÔNEA NO ART. 966 DO CPC DE 2015. ART. 485 DO CPC DE 1973. PRINCÍPIO "IURA NOVIT CURIA" (nova
redação em decorrência do CPC de 2015) – Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e 26.04.2016

Não padece de inépcia a petição inicial de ação rescisória apenas porque omite a subsunção do fundamento
de rescindibilidade no art. 966 do CPC de 2015 (art. 485 do CPC de 1973) ou o capitula erroneamente em
um de seus incisos. Contanto que não se afaste dos fatos e fundamentos invocados como causa de pedir,
ao Tribunal é lícito emprestar-lhes a adequada qualificação jurídica ("iuranovitcuria"). No entanto,
fundando-se a ação rescisória no art. 966, inciso V, do CPC de 2015 (art. 485, inciso V, do CPC de 1973), é
indispensável expressa indicação, na petição inicial da ação rescisória, da norma jurídica manifestamente
violada (dispositivo legal violado sob o CPC de 1973), por se tratar de causa de pedir da rescisória, não se
aplicando, no caso, o princípio "iuranovitcuria". (ex-Ojsnºs 32 e 33 da SBDI-2 - inseridas em 20.09.2000)

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DIA 08 E 09

DISCIPLINA
CONSTITUCIONAL:

Direitos e garantias fundamentais. Direitos e deveres individuais e coletivos. Habeas corpus,


mandado de segurança, mandado de injunção e habeas data.
INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA

1. Direito Constitucional Esquematizado: Pedro Lenza

CAPÍTULOS: 1, 2 (Item 2.3.5), 14 e 15 (Item 15.2.2)

2. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL (2017)


9a Edição Conforme o Novo CPC e EC 95/2016
Autor: Bernardo Gonçalves Fernandes

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/8231c4771e13a7e79806b
1df15648e8b.pdf
CAPÍTULOS: 1 (Item 5), 6, 7, 8 e 9 (Item 8.1).

3. CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL (2017)


12a ed.: Rev., amp. e atualizada - Conforme NOVO CPC
Autor: Marcelo Novelino

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/602bdfb8953fd99b738e53
164430040c.pdf
CAPÍTULOS: 3 (Item 2), 18, 19, 20, 21, 22 e 42 (Item 4)

Boa opção de resumo para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. Resumo de Direito Constitucional Descomplicado: Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino

http://www.mktgen.com.br/MET/Sumario/9788530975784_SUM.pdf

CAPÍTULOS: 2 (Itens 1 até 5)

DISCIPLINA
ADMINISTRATIVO:

Atos administrativos. Conceito. Fatos da administração, atos da administração e atos


administrativos. Requisitos ou elementos. Atributos. Classificação. Atos administrativos em
espécie. O silêncio no direito administrativo. Extinção dos atos administrativos: revogação,
anulação e cassação. Convalidação. Vinculação e discricionariedade. Atos administrativos nulos,
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anuláveis e inexistentes. Decadência administrativa. Processo administrativo. Lei nº 9.784/1999.


Disposições doutrinárias aplicáveis. Poderes e deveres da administração pública. Poder
regulamentar. Poder hierárquico. Poder disciplinar. Poder de polícia. Dever de agir. Dever de
eficiência. Dever de probidade. Dever de prestação de contas. Abuso do poder.
INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA

1. CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO (2016) Autor: Rafael Carvalho Rezende Oliveira – Ed.
GEN

http://www5.trf5.jus.br/novasAquisicoes/sumario/Curso_de_direito_administrativo_1063-
16_sumario.pdf
CAPÍTULOS: 14 e 15

2. Manual de Direito Administrativo. Autor: José dos Santos Carvalho Filho

CAPÍTULOS: 2, 3, 4 e 15 (Item 7).

Boas opções de resumos para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. Sinopses para Concursos - v.9 - Direito Administrativo. Autores: Fernando Ferreira Baltar Neto
e Ronny Charles Lopes de Torres
https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/cfd730840ad982ca54e27c
49ee6d024f.pdf
CAPÍTULOS: 5, 6 e 14.

2. Resumo de Direito Administrativo Descomplicado: Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino

http://www.mktgen.com.br/MET/Sumario/9788530975791_SUM.pdf
CAPÍTULOS: 7, 8 e 14.

RESUMO DO DIA

CONSTITUCIONAL

Direitos e garantias fundamentais. Direitos e deveres individuais e coletivos. Habeas corpus,


mandado de segurança, mandado de injunção e habeas data.

1. Princípios Constitucionais: São decididos antes da elaboração do texto, no momento de


construção das normas. Têm natureza de vetores interpretativos que imprimem coesão, harmonia e
unidade ao sistema.

O que é o preâmbulo e qual a sua natureza jurídica?

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O preâmbulo é a parte precedente da CF. Segundo o STF, é mero vetor interpretativo


do que se acha inscrito no texto constitucional. Não possui força normativa, logo,
não pode ser parâmetro nem objeto de controle de constitucionalidade.

“Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. Invocação da proteção de


Deus: não se trata de norma de reprodução obrigatória na Constituição estadual, não
tendo força normativa.” (ADI 2.076, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 15-8-
2002, Plenário, DJ de 8-8-2003.)

* ATENÇÃO – PRINCÍPIOS QUE REGEM AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS (ART. 4º):


Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes
princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e
cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de
nações.

OUTROS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

- Os Princípios Constitucionais estão presentes não só no art. 5º, mas em diversos dispositivos, a
exemplo dos princípios tributários, previstos no art. 150, e dos princípios expressos da Administração
Pública (art. 37). Assim, atentem-se brevemente aos princípios da dignidade da pessoa humana,
legalidade e isonomia, sem prejuízo dos demais que se inserem na Carta Magna – e serão tratados
nas matérias específicas:

a) Dignidade da pessoa humana: Define Luis Roberto Barroso que o “princípio da dignidade humana
expressa um conjunto de valores civilizatórios que se pode considerar
incorporado ao patrimônio da humanidade. Dele se extrai o sentido mais nuclear dos direitos
fundamentais, para tutela do mínimo existencial e da personalidade humana, tanto na dimensão
física como na moral”. Pode-se acrescentar também que a dignidade humana possui um enfoque
moral, consistente na máxima de Kant segundo a qual o homem é um fim em si mesmo, e um
enfoque material, relativo à manutenção do mínimo existencial. Decorre do aludido princípio, por
exemplo, a impenhorabilidade do bem de família.
b) Legalidade: O princípio da legalidade significa que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de
fazer algo que não esteja previamente estabelecido na própria CR e nas normas jurídicas dela

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derivadas. O princípio da legalidade, desta forma, se converte em princípio da constitucionalidade


(Canotilho), subordinando toda atividade estatal e privada à força da Constituição.
I. Legalidade x Reserva Legal: O princípio da reserva legal é um desdobramento da legalidade, que
impõe e vincula a regulação de determinadas matérias constantes na constituição à fonte formal do
tipo lei.
II. Acepções do princípio da legalidade:
• Para particulares: Somente a lei pode criar obrigações, de forma que a inexistência de lei
proibitiva de determinada conduta implica ser ela permitida.
• Para a Administração Pública: O Estado se sujeita às leis, e deve atuar em conformidade à
previsão legal.

c) Isonomia: Segundo bem definiu Rui Barbosa, “ a regra da igualdade não consiste senão em
quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social,
proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade (...). Tratar com
desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade
real”. Logo, é possível extrair:
• Isonomia formal: Igualdade perante a lei;
• Isonomia Materiais: Tratar os iguais na medida de sua desigualdade.

É possível estabelecer critérios diferenciadores para admissão de candidato em


concursos públicos?
A jurisprudência vem admitindo algumas hipóteses de discriminação, podendo
ocorrer em relação à idade, sexo, altura, etc, desde que sejam observados dois
requisitos:
• Previsão legal anterior definindo os critérios de admissão para o cargo; e
• Razoabilidade da exigência, decorrente da natureza das atribuições do cargo
a ser preenchido.

Gestante e direito à remarcação de teste físico


O STJ proferiu alguns julgados, em posição contrária ao STF, entendendo que a
gestante teria direito à remarcação de teste físico em concurso público. No entanto,
no RMS 47582/MG, a Segunda Turma do STJ modificou decisão colegiada
anteriormente tomada para se alinhar ao entendimento do STF (RE 630.733), que
afasta o direito de remarcar teste de aptidão física, previsto em edital de concurso
público, por causa de circunstância pessoal do candidato. Entendeu, portanto, que a
vedação NÃO viola o princípio da isonomia.

Sob o pretexto da observância do princípio constitucional da isonomia, é possível ao


Poder Judiciário estender benefício fiscal a contribuinte não alcançado pela norma
concessiva?
Não. Porque sob o pretexto de concretizar a isonomia tributária, não pode o
judiciário estender benefício fiscal sem que haja previsão legal específica. Caso
pudesse, o judiciário estar-se-á imiscuindo em função típica do legislativo, isto é,
estaria o judiciário atuando como legislador positivo.

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Ações Afirmativas
A Carta Magna busca a igualdade material. Para aplicação do princípio da isonomia,
são necessárias as ações afirmativas, a exemplo: mercado de trabalho da mulher,
cotas de vagas sem serviços públicos, cotas em universidades, cotas para
afrodescendentes.

2. Direitos e garantias fundamentais6


2.1. Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais:
• Direitos: São normas de conteúdo declaratório da existência de um interesse, de uma
vantagem. Ex: direito à vida, à propriedade;
• Garantias: normas de conteúdo assecuratório, que servem para assegurar o direito
declarado. As garantias são estabelecidas pelo texto constitucional como instrumento de proteção
dos direitos fundamentais e writs constitucionais. São também chamadas de instrumentos de
tutela das liberdades e ações constitucionais.
• Remédios Constitucionais: Embora todo remédio constitucional seja uma garantia, nem
toda garantia é um remédio constitucional, porque este é um instrumento processual que tem
por objetivo assegurar o exercício de um direito. Ex: Habeas Corpus, Mandado de Segurança.

ATENÇÃO: Alguns dispositivos constitucionais contêm direitos e garantias no mesmo enunciado. O


art. 5º, X, estabelece a inviolabilidade do direito à intimidade, vida privada, honra e imagem das
pessoas, assegurando, em seguida, o direito à indenização em caso de dano material ou moral
provocado pela sua violação.

2.2. Direitos Fundamentais x Direitos Humanos: Embora materialmente ambos objetivem a


proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana, não se confundem:
• Direitos Humanos: são direitos reconhecidos no âmbito internacional.
• Direitos fundamentais: são direitos reconhecidos no plano interno de um determinado
Estado. Preferencialmente, positivados na CF.

Como se classificam as normas constitucionais de direitos fundamentais quanto à


eficácia e aplicabilidade?
Pela classificação de José Afonso da Silva e considerando não haver direito
fundamental absoluto, as normas não possuem eficácia plena, podendo apresentar,
conforme a hipótese, eficácia contida (ou restringível) ou limitada. Nesse sentido, a
doutrina majoritária defende que a maioria das normas seriam de eficácia contida,
enquanto que a maior parte daquelas que reconhecem os direitos sociais seriam de
eficácia limitada.

2.3. Geração dos direitos fundamentais:

6
Para aprofundamento no assunto, consultar:
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_dos
_direitos_fundamentais.pdf

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• Direitos de primeira geração (individuais ou negativos): Relacionados à luta pela liberdade e


segurança diante do Estado. Trata-se de impor ao Estado obrigações de não-fazer e se relacionam às
pessoas, individualmente. Ex: propriedade, igualdade formal (perante a lei), liberdade de crença, de
manifestação de pensamento, direito à vida etc.
• Direitos de segunda geração (sociais, econômicos e culturais ou direitos positivos): São os
direitos de grupos sociais menos favorecidos, e que impõem ao Estado uma obrigação de fazer, de
prestar. Ex: direitos positivos, como saúde, educação, moradia, segurança pública.
• Direitos de terceira geração (difusos e coletivos): São direitos transindividuais, isto é, direitos
que são de várias pessoas, mas não pertencem a ninguém isoladamente. Transcendem o indivíduo
isoladamente considerado. São também conhecidos como direitos metaindividuais (estão além do
indivíduo) ou supraindividuais (estão acima do indivíduo isoladamente considerado).
• Direitos de quarta geração: Há autores que se referem a essa categoria, mas ainda não há
consenso na doutrina sobre qual o conteúdo desse tipo de direitos. Há quem diga tratarem-se dos
direitos de engenharia genética (Norberto Bobbio), enquanto outros referem-nos à luta pela
participação democrática (Paulo Bonavides).
• Direitos de quinta geração: Direito à paz.

2.4. Características dos direitos fundamentais:


• Historicidade: o que se entende por direitos fundamentais varia de acordo com o momento
histórico, não são conceitos herméticos e fechados. Há uma variação no tempo e no espaço.
• Inalienabilidade: são direitos sem conteúdo econômico patrimonial, não podem ser
comercializados ou permutados.
• Imprescritibilidade: são sempre exigíveis, ainda que não exercidos;
• Irrenunciabilidade: o indivíduo pode não exercer os seus direitos, mas não pode renunciá-
los, de modo geral.
• Relatividade: não são direitos absolutos. Se houver um choque entre os direitos
fundamentais, serão resolvidos por um juízo de ponderação ou pela aplicação do princípio da
proporcionalidade.

TEORIA DA RESTRIÇÃO DAS RESTRIÇÕES (= LIMITAÇÃO DAS LIMITAÇÕES)


- É teoria alemã, adotada no Brasil pelo STF;
- Uma das características dos direitos fundamentais é que eles são relativos, ou seja,
podem sofrer limitações. Porém, essas restrições devem ser feitas com critérios e
de forma excepcional a não esvaziar o seu núcleo essencial. Conclusão: Pode haver
restrições aos direitos fundamentais, mas essas restrições devem ser restritas.
- Só podem ser impostas restrições se obedecerem aos seguintes requisitos:
• Requisito formal: Os direitos fundamentais só podem ser restringidos em
caráter geral por meio de normas elaboradas por órgãos dotados de atribuição
legiferante conferido pela CF/88. A restrição deve estar expressa ou implicitamente
autorizada.
• Requisitos materiais: para a restrição ser válida, deve observar aos
princípios:
o Não retroatividade;

147

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o Proporcionalidade;
o Generalidade e abstração;
o Proteção do núcleo essencial.

• Personalidade: não se transmitem.


• Concorrência e cumulatividade: são direitos que podem ser exercidos ao mesmo tempo.
• Universalidade: são universais, independentemente, de as nações terem assinado a
declaração, devem ser reconhecidos em todo o planeta, independentemente, da cultura, política e
sociedade.
• Proibição de retrocesso: não se pode retroceder nos avanços históricos conquistados.
2.4. Dimensão dos Direitos Fundamentais
• Dimensão subjetiva: Os direitos fundamentais conferem aos seus titulares o poder de exigir
algo, seja ação ou omissão;
• Dimensão objetiva: Os direitos fundamentais encarnam valores que permeiam toda a
ordem jurídica, condicionam e inspiram a interpretação e aplicação de outras normas (EFICÁCIA
IRRADIANTE) e criam dever geral de proteção sobre os bens salvaguardados.

2.5. Eficácia dos direitos fundamentais:


• Vertical: Aplica-se à tradicional ideia de limitação de poder do Estado e respeito aos direitos
dos indivíduos, conferindo direitos básicos e garantias aos indivíduos. Há um poder superior
(Estado), em face do indivíduo, em posições diferentes (ESTADO X PARTICULAR);

TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLINECK


São as possíveis relações do indivíduo com o Estado:
• Passivo: O indivíduo encontra-se em posição de subordinação com relação
aos poderes públicos;
• Ativo: É o poder do indivíduo de interferir na formação da vontade do Estado,
sobretudo através do voto;
• Negativo: O indivíduo pode agir livre da atuação do Estado, podendo
autodeterminar-se sem ingerência estatal (abstenção estatal);
• Positivo: É a possibilidade do indivíduo exigir atuações positivas do Estado em
seu favor.

• Horizontal: Com a evolução da teoria dos direitos fundamentais, atualmente é reconhecida


a incidência também na relação entre particulares, em igualdade de armas. Logo, pode se definir a
incidência e necessidade de observância de todos os direitos fundamentais nas relações privadas
(PARTICULAR X PARTICULAR). O STF já reconheceu a aludida eficácia;
• Diagonal: Teoria desenvolvida por Sérgio Gamonal, e consiste na incidência e observância
dos direitos fundamentais nas relações privadas marcadas por desigualdade de forças, ante a
vulnerabilidade de uma das partes. Na hipótese, embora as partes teoricamente estejam em
posição equivalente (PARTICULAR X PARTICULAR), na prática há império do poder econômico, a
exemplo de demandas consumeristas e trabalhistas. O TST já adotou a eficácia diagonal em alguns
julgados, inclusive.
2.6. Direitos individuais implícitos e explícitos: Os direitos individuais podem ser explícitos ou
148

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implícitos.
• Explícitos: são aqueles previstos expressamente no texto da Constituição Federal. Como
exemplo, os contidos no art. 5° da CF. e seus incisos, em especial os previstos no caput do
mencionado artigo, como a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade.
• Implícitos: O reconhecimento decorre de interpretação do texto da Lei das Leis. Isto se
evidencia pela leitura do art. 5º, parágrafo 2º, que reconhece a existência de outros direitos
individuais "decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais de que a República Federativa do Brasil seja parte".

Classificação dos direitos individuais explícitos:


• Direitos individuais e coletivos: direitos ligados ao conceito de pessoa humana e sua própria
personalidade, com, por exemplo, vida, dignidade da pessoa humana, honra, liberdade, etc. Estão
espalhados pela CF, mas uma grande parte consta no art. 5º, CF/88;
• Direitos sociais: Caracterizam-se como verdadeiras liberdades positivas, de observância
obrigatória em um Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria das condições de vida
aos hipossuficientes;
• Direitos de nacionalidade: nacionalidade é o vínculo jurídico político que se liga a um
indivíduo acerto e determinado Estado fazendo deste individuo um componente do povo, da
dimensão pessoal deste Estado, capacitando - o a exigir sua proteção e sujeitando - o ao
cumprimento de deveres impostos;
• Direitos políticos: conjunto de regras que disciplina as formas de atuação da soberania
popular. São direitos públicos subjetivos que permitem ao indivíduo o exercício concreto da
liberdade de participação nos negócios políticos do Estado;
• Direitos relacionados à existência, organização e participação em partidos políticos: a
Constituição Federal regulamentou os partidos políticos como instrumentos necessários e
importantes para preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando-lhes autonomia e
plena liberdade de atuação, para concretizar o sistema representativo.

2.7. Destinatários: Os destinatários das normas dos direitos individuais, que são os direitos
fundamentais, são os brasileiros e os estrangeiros residentes no Brasil. Grande parte da doutrina
entende que esses direitos devem estender-se a toda e qualquer pessoa, mesmo àquelas que se
encontrem apenas em trânsito no solo nacional.

2.8. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos: O ordenamento
jurídico brasileirou adotou um sistema aberto de direitos fundamentais no Brasil, não se podendo
considerar taxativo o rol do artigo 5º. Inclusive, o art. 5°, §3°, da CF/88, reconhece que nos tratados
internacionais sobre direitos humanos passam a gozar de status de emenda constitucional, se forem
aprovados nas duas casas, em dois turnos, pelo quórum de 3/5.
- Caso não sejam aprovados pelo quórum constitucional, os tratados em direitos humanos revestem-
se de supralegalidade. Sem alterar a constituição, bloqueiam a legislação federal que lhes seja
contrária. Se o tratado não versar sobre direitos humanos, mantém a sua hierarquia
infraconstitucional e equivalente à lei ordinária.
CONCLUSÃO:
149

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• Tratado internacional sobre direitos humanos, aprovado no rito da EC: Status de EC;
• Tratado internacional sobre direitos humanos, aprovado com quórum diverso das emendas:
Supralegalidade;
• Tratados Internacionais diversos: Status de lei ordinária, desde que haja o processo de
incorporação.

2.9. Alguns direitos constitucionais

a) Direito à vida: abrange o direito do mínimo necessário a uma existência digna:


• Direito à integridade física: direito à saúde, vedação de pena de morte, proibição do aborto,
etc;
• Direito a condições materiais e espirituais mínimas necessárias a uma existência digna.
b) Direito à dignidade: É um valor, um princípio, servindo como parâmetro para a definição dos
direitos formal e materialmente fundamentais.

ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL7


1) Inspiração: Corte Constitucional Colombiana.
2) Definição: Quadro insuportável de violação massiva de direitos
fundamentais, agravado pela inércia continuada das autoridades.
3) Pressupostos:
• Violação generalizada e sistemática de direitos fundamentais;
• Inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em
modificar a conjuntura;
• Situação que exige a atuação de uma pluralidade de autoridades públicas.
4) Análise pelo STF em ADPF (PSOL X União e Estados) – Concessão parcial de
liminar para:
• Obrigar a União a liberar o saldo acumulado no FUNPEN;
• Implementação pelos juízes e Tribunais da audiência de custódia, no máximo
em 90 (noventa) dias;
• Responsabilidade dos três poderes e de todos os entes Federativos.
ATENÇÃO: No julgado, entendeu-se que incumbiria ao STF retirar os demais poderes
da inércia, coordenando ações para resolver os problemas e monitorar resultados.
Porém, NÃO cabe ao Judiciário definir o conteúdo dessas políticas públicas (Ex:
Medidas judiciais para abater o tempo de prisão).

c) Direito à integridade: A Carta Magna proíbe a prática lesões, psíquica e moral (provocação de
dor interna e sofrimento). Ademais, veda a prática da tortura, bem como qualquer tipo de
comercialização de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e
tratamento (art. 199, §4º).

d) Direito à privacidade - Dimensões:

7
Para aprofundamento do julgado: http://www.dizerodireito.com.br/2015/09/entenda-decisao-do-stf-sobre-o-
sistema.html
150

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• Intimidade: é o direito de estar só;


• Vida privada: é o direito do indivíduo de ser do modo que quiser, sem a intervenção de
outrem.
• Honra: Ligada à honra objetiva (visão da sociedade) e honra subjetiva (visão da própria
pessoa).
• Imagem: É a representação da pessoa, por meio de desenhos, fotografias.
I) Privacidade e Sigilo bancário e fiscal: O STF admite a quebra do sigilo pelo Judiciário ou
por CPI (federal ou estadual, mas não municipal), mas resiste a que o MP possa requisita-
la diretamente, por falta de autorização legal específica, salvo a hipótese de existir
procedimento administrativo investigando utilização indevida de patrimônio público.

LC 105/2001 E QUEBRA DE SIGILO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA8


- A Lei Complementar n.º 105/2001 atribui a agentes tributários, no exercício do
poder de fiscalização, o poder de requisitar informações referentes a operação e
serviços das instituições financeiras, independente de autorização judicial.
Inicialmente, nos autos do RE 389808, o STF entendeu NÃO ser possível o
afastamento do sigilo.
- Recentemente, o STF entendeu possível o repasse das informações dos bancos
para o Fisco, pelos seguintes argumentos, pois as informações são remetidas ao
Fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na Administração
Tributária, inacessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo.

II) Privacidade e inviolabilidade de domicílio: O conceito de domicílio, segundo o STF, abrange todo
lugar privativo, ocupado por alguém, com direito próprio e de maneira exclusiva, mesmo sem caráter
definitivo ou habitual. A abrangência do conceito alcança o escritório de trabalho, o estabelecimento
industrial e clube recreativo.
* ATENÇÃO - Exceções ao direito à inviolabilidade do domicílio:
• Em caso de flagrante delito, a qualquer momento;
• Em caso de desastre ou para prestar socorro;
• Através de autorização judicial, durante o dia.

e) Direito às liberdades: Abrange as liberdades física, de pensamento, de locomoção,


• Liberdade de consciência: foro íntimo. Subdivide-se em:
o Liberdade de crença: é a liberdade de pensamento de foro íntimo em questões de natureza
religiosa, incluindo o direito de professar ou não uma religião, de acreditar ou não na existência de
um, em nenhum ou em vários deuses (art. 5º, VI); e
o Liberdade de consciência em sentido estrito: é a liberdade de pensamento de foro íntimo em
questões não religiosas.
• Liberdade de exteriorização de pensamento:
o Liberdade de culto: A CF assegura ampla liberdade de crença;

8
Para aprofundamento, sugerimos leitura do julgado comentado pelo Dizer o Direito:
http://www.dizerodireito.com.br/2016/02/a-receita-pode-requisitar-das.html
151

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o Liberdade de informação jornalística: Essa liberdade NÃO é ampla e irrestrita, a exemplo do


DIREITO AO ESQUECIMENTO. Deve ser exercida de forma compatível com a intimidade e da honra
das pessoas.

BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS9


O STF entendeu na ADI 4815 que, para ser publicada uma biografia, NÃO é necessária
autorização prévia do indivíduo biografado, das demais pessoas retratadas, nem de
seus familiares, porque a autorização prévia seria uma forma de censura,
incompatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88.
Se o biografado ou qualquer outra pessoa retratada entenda ter os seus direitos
violados, terá direito à reparação, não apenas por meio de indenização pecuniária,
mas também por outras formas, a exemplo da publicação de ressalva, de nova edição
com correção, de direito de resposta etc.

DIREITO AO ESQUECIMENTO10
É o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda que verídico,
ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao público em geral,
causando-lhe sofrimento ou transtornos. Há um conflito entre a privacidade, honra
e intimidade x informação. O STJ possui julgados entendendo que o ordenamento
jurídico tutela o direito ao esquecimento.

• Liberdade de expressão: É o direito de se exprimir, não se expressar, de calar e de não se


informar.
* ATENÇÃO: Em virtude do aludido direito, o STF afastou a exigência de diploma de jornalista para o
exercício da profissão e entendeu inconstitucional a disciplina da lei de imprensa.
• Liberdade artística e os veículos de comunicação social: É ampla liberdade na produção da
arte.
* ATENÇÃO: Embora exista a liberdade artística, o Poder Público poderá estabelecer faixas etárias
recomendadas, locais e horários para a apresentação. Ao mesmo tempo, lei federal deverá
estabelecer meios para que qualquer pessoa ou família possa defender-se de programações de rádio
e televisão que atentem contra os valores éticos vigentes (art. 220, §3º, I e II).
• Liberdade de locomoção: É o direito de ir e vir.
• Liberdade de reunião: É o agrupamento organizado de pessoas de caráter transitório, com
uma determinada finalidade.
o Se em locais abertos ao público (art. 5º, XVI, da CF/88):
▪ Reunião pacífica;

9
Para aprofundamento do julgado, recomendamos a leitura: http://www.dizerodireito.com.br/2015/06/para-que-seja-
publicada-uma-biografia.html

10
Para aprofundamento do julgado, recomendamos a leitura:

http://www.dizerodireito.com.br/2013/11/direito-ao-esquecimento.html

152

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▪ Sem armas;
▪ Fins lícitos;
▪ Deve ocorrer um aviso prévio à autoridade competente.
• Liberdade de associação: Agrupamento de pessoas, organizado e permanente, para fins
lícitos. Abrange:
o Direito de associar-se a outras pessoas para a formação de uma entidade;
o Aderir a uma associação já formada;
o Desligar-se da associação;
o Autodissolução das associações.
• Liberdade de ação profissional: É o direito de cada indivíduo exercer qualquer atividade
profissional.
* ATENÇÃO: O STF entendeu desnecessária a exigência de diploma de jornalista (RE 70563), bem
como a exigência de inscrição em Conselho Profissional, como condição ao exercício de profissão
artística de músico (RE 635023)

REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
3. Remédios Constitucionais: são garantias que consubstanciam meios colocados à disposição do
indivíduo para salvaguardar os seus direitos diante de ilegalidade ou abuso de poder cometido pelo
Poder Público.
3.1. HABEAS CORPUS
- Típico de direito de primeira geração, o HC visa a garantir o direito individual de locomoção, por
meio de ordem exarada por órgão do Poder Judiciário, para que seja cessada a ameaça ou coação à
liberdade de locomoção do indivíduo.
- STF: A pessoa jurídica NÃO pode figurar como paciente de HC, pois jamais estará em jogo a liberdade
de locomoção, ainda que se trate da possibilidade de apenação da pessoa jurídica por crimes
ambientais.
- Ação de natureza penal, procedimento especial e isenta de custas.

a) Modalidades - O HC pode ser:


• Repressivo (liberatório): Quando o indivíduo já tiver desrespeitado o seu direito de
locomoção;
• Preventivo (salvo-conduto): Quando há apenas ameaça ao seu direito de locomoção.
b) Legitimidade ativa: Universal.
* ATENÇÃO:
• É possível até mesmo impetrar HC por pessoa jurídica em favor de pessoa física a ela ligada.
• É possível impetrar HC contra ato do sujeito coator, que tanto poderá ser autoridade pública
quanto agente privado (ex: agente de hospital que ilegalmente impede a saída do paciente).

c) HC e ofensa indireta
- STF: Será cabível o HC não só contra ofensa direta, mas também contra ofensa indireta, reflexa ou
potencial ou direito de locomoção, a exemplo do uso do HC para atacar a quebra de sigilo bancário
em procedimento que possa resultar prisão => Se a quebra de sigilo for determinada por autoridade
fiscal, no curso de procedimento administrativo tributário, é incabível HC, pois em processo
administrativo NÃO implica ofensa ao direito de locomoção.
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d) Descabimento – STF:
• Impugnar decisões de plenário de qualquer das turmas do STF;
• Impugnar determinação e suspensão dos direitos políticos;
• Impugnar penalidade administrativa de caráter disciplinar;
• Impugnar decisão condenatória à pena de multa, ou relativa a processo em curso por infração
penal a que a pena pecuniária seja a única cominada (SÚMULA 693 STF);
• Impugnar a determinação de quebra de sigilo telefônico, bancário ou fiscal, se desta medida
não puder resultar condenação à pena privativa de liberdade;
• Discutir o mérito das punições disciplinares militares => STF: NÃO cabe a discussão do mérito,
mas cabe HC para se analisar os pressupostos de legalidade da medida.
• Questionar afastamento ou perda de cargos públicos;
• Dirimir controvérsia sobre a guarda de filhos menores;
• Discutir matéria objeto de processo de extradição;
• Questionamento de condenação criminal quando já extinta a pena privativa de liberdade
(SÚMULA 695 STF);
• Impedir o cumprimento de decisão que determina o sequestro de bens imóveis;
• Discutir condenação imposta em processo de impeachment;
• Impugnar o mero indiciamento em inquérito policial, desde que presentes indícios de autoria
de fato que configure crime em tese;
• Impugnar omissão de relator na extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja
prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito (SÚMULA 6925 STF).

3.2. MANDADO DE SEGURANÇA


a) Natureza Jurídica: Ação judicial de natureza residual, subsidiária, civil, cabível quando o direito
líquido e certo protegido não for amparado por outros remédios constitucionais.

b) Cabimento: Proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD, sempre que, ilegalmente
ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de
sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

c) NÃO cabe MS:


• De ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independente de caução
=> Se o MS for impetrado contra omissão ilegal, descabe a aplicação da restrição deste inciso.
• Decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
• Decisão judicial transitada em julgado.
• Contra lei em tese.

OBS: A concessão de MS NÃO produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais
deverão ser reclamados administrativamente, ou pela via judicial própria.

MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA DECISÃO JUDICIAL


Para ser cabível, deve comprovar dois requisitos:
• Inexistência de recurso adequado à impugnação da decisão judicial;
154

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• Demonstração de que a decisão é teratológica, por abuso de poder ou


ilegalidade.

d) Direito Líquido e Certo


- Só cabe MS para direito líquido e certo, demonstrado de plano.
- NÃO cabe dilação probatória no MS;
- OBS: A exigência de liquidez e certeza recai sobre a matéria de fato, as quais necessitam de
comprovação de plano. A matéria de direito, por mais complexa que se apresente, pode ser
apreciada em MS.

e) Legitimidade Ativa
• Pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, domiciliadas ou não no Brasil;
• Universalidades reconhecidas por lei;
• Órgãos públicos de grau superior, na defesa de suas prerrogativas e atribuições;
• Agentes políticos na defesa de suas atribuições e prerrogativas;
• MP, quando o ato emanar de juiz de primeiro grau de jurisdição.

f) Legitimação Passiva
• Autoridades públicas de quaisquer poderes da União, Estados, DF e Municípios;
• Representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades
autárquicas;
• Dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado, desde que no exercício de atribuições do
Poder Público.
- Em se tratando de atribuição delegada, a autoridade coatora será o agente delegado e não a
autoridade delegante => VIDE SÚMULA 510 STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de
competência delegada, contra ela cabe MS ou medida judicial.

TEORIA DA ENCAMPAÇÃO NO MANDADO DE SEGURANÇA


Quando há indicação errônea da autoridade coatora, é possível aplicar a Teoria da
encampação para sanar tal vício, desde que observados alguns requisitos:
• Existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou as
informações e a que ordenou a prática do ato impugnado;
• Ausência de modificação de competência estabelecida na CF/88;
• Defesa do mérito do litígio nas informações prestadas.

g) Vedação à concessão de liminar


• Compensação de créditos tributários;
• Entrega de mercadorias ou bens provenientes do exterior;
• Reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou extensão
de vantagens ou pagamentos de qualquer natureza.

h) Prazo para impetração


- Prazo: 120 dias, a contar da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do ato a ser
impugnado.
155

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- O prazo decadencial NÃO se suspende ou interrompe. Nem mesmo o pedido de reconsideração


administrativo interrompe a contagem desse prazo.
- Se o ato impugnado é de trato sucessivo, o prazo de 120 dias renova-se a cada ato.
- Mandado de segurança preventivo: NÃO se pode falar em prazo decadencial para a sua impetração,
pois NÃO há ato coator a marcar a contagem.

i) Competência
- Definida pela categoria da autoridade coatora e pela sua sede funcional.
- STF: NÃO lhe cabe julgar, originariamente, MS contra atos praticados por outros Tribunais e seus
Órgãos. Os próprios Tribunais é que têm competência para julgar, originalmente, MS contra seus
atos, dos respectivos presidentes, câmaras e seções.

j) Recursos
- Agravo de instrumento: cabível da decisão que conceder ou denegar a liminar;
- Apelação: Indeferimento da inicial pelo juiz, e da sentença que concede ou denega o mandado.

OBS 2: O MS admite desistência em qualquer tempo e grau de jurisdição, independente do


consentimento do impetrado, desde que não ocorrido o trânsito em julgado.
k) MS COLETIVO
- Pode ser impetrado:
• Partido político com representação no CN, na defesa de seus interesses legítimos relativos a
seus integrantes ou à finalidade partidária.
• Organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há, pelo menos, 01 anos, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de
parte, dos seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes às suas
finalidades, dispensadas, para tanto, autorização especial.
- A legitimidade é extraordinária, sendo o caso de substituição processual, razão pela qual NÃO se
exige autorização expressa dos titulares do direito.
- Os direitos protegidos pelo MS podem ser:
• Coletivos
• Individuais homogêneos
- Os direitos defendidos por organização sindical NÃO precisam ser o mesmo direito para todos os
seus membros, podendo ser um direito de apenas parte dos membros da entidade.
- Mandado de segurança coletivo impetrado contra autoridade vinculada à pessoa jurídica de direito
público: a liminar só poderá ser concedida após audiência do representante judicial da pessoa
jurídica, que deverá se pronunciar no prazo de 72 horas.
- STF: Estado-membro NÃO possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em
defesa da população residente na unidade federada.

3.3. MANDADO DE INJUNÇÃO11

11
Para aprofundamento, sugerimos: http://www.dizerodireito.com.br/2016/06/primeiros-comentarios-lei-133002016-
lei.html

156

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- Remédio à disposição de qualquer um que se sinta prejudicado pela falta de norma


regulamentadora, sem a qual resulte inviabilizado o exercício dos direitos, liberdades e garantias
constitucionais. => Caso de inércia governamental (“violação negativa do texto constitucional”).
- STF: Embora não haja previsão na CF, cabe o MI coletivo, nos mesmos termos do MS coletivo.
- A competência para o julgamento do MI é determinada em razão da pessoa obrigada a elaborar a
norma regulamentadora, e que permanece inerte.
- NÃO é gratuito e depende de advogado para impetrar.

a) MI X ADO
Mandado de Injunção ADO
Legitimação Intentado por qualquer Legitimação restrita aos
pessoa física ou jurídica, entes do art. 103 CF.
que se veja impossibilitada
de exercer determinado
direito constitucional.
Objeto Busca-se solução para o O controle da omissão é
caso concreto, realizado em tese, sem a
individualmente necessidade de estar
considerado, diante da configurada uma violação
inércia do legislador. concreta a um direito
individual.
Julgamento STF, STJ, TSE, etc. (controle STF (controle concentrado)
difuso)

b) Cabimento
- Existência de direito ou liberdade constitucional, ou de prerrogativa inerente à nacionalidade,
soberania, cidadania, cujo exercício seja inviabilizado pela ausência de norma infraconstitucional
regulamentadora.
- NÃO é qualquer omissão do Poder Público que enseja o ajuizamento do MI, mas apenas as
omissões relacionadas a normas constitucionais de eficácia limitada de caráter mandatório, ou
seja, normas constitucionais que devem ter a sua plena aplicabilidade assegurada.
- Normas constitucionais definidoras de princípios institutivos ou organizativos de natureza
facultativa, por outorgarem mera faculdade ao legislador, NÃO autorizam o ajuizamento do MI.
- Para o conhecimento do MI, o impetrante deve comprovar a titularidade direta do direito
constitucional em questão.

c) Descabimento
• Se já existe norma regulamentadora do direito previsto na CF, ainda que defeituosa => O MI
repara a falta de norma regulamentadora de direito previsto na CF. Se já existe norma, ainda que
defeituosa, deverá ser discutida em outras ações;
• Diante de falta de norma regulamentadora de direito previsto em normas infraconstitucionais
=> o MI se destina a falta de normas regulamentadoras na CF.
• Diante da falta de regulamentação dos efeitos de MP não convertida em lei pelo CN;
• Se a CF outorga mera faculdade do legislador para regulamentar direito previsto em algum de
seus dispositivos.
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d) Legitimação
• Polo Ativo: Qualquer pessoa física ou jurídica, que se veja impossibilitada de exercer o seu
direito.
• Polo Passivo: Órgãos ou autoridades públicas que têm obrigação de legislar, mas estejam
omissos quanto à elaboração de norma regulamentadora.
- STF: Os particulares NÃO se revestem de legitimidade passiva ad causam para o processo em MI,
pois somente ao Poder Público é imputável o dever constitucional de produção legislativa para dar
efetividade aos direitos, liberdades e prerrogativas constitucionais

e) Competência: É fixada a partir da autoridade legiferante, e não a partir do legitimado ativo.


- STF: A competência só é do STJ quando o ato normativo supostamente faltante é de competência
de Ministro de Estado. Nas demais hipóteses em que se tratar de autoridade federal, a competência
é da Justiça Federal.

f) Eficácia da decisão
- STF: É incabível a concessão de medida liminar em MI, uma vez que esse instituto se destina à
verificação da ocorrência, ou não, de mora da autoridade ou do Poder de que depende a
elaboração da norma regulamentadora do texto constitucional.
- A Lei 13.300/16 NÃO previu a concessão de liminar.

g) Correntes acerca dos efeitos da decisão do Judiciário em MI:


• CONCRETISTA: Sempre que presentes os requisitos constitucionais exigidos para o MI, o
Judiciário deveria reconhecer a existência da omissão legislativa ou administrativa e possibilitar
efetivamente a concretização do exercício do direito, até que fosse editada a regulamentação pelo
órgão competente.
o CONCRETISTA GERAL: A decisão do Judiciário teria efeito erga omnes, alcançando todos os
titulares daquele direito, até que fosse expedida a norma regulamentadora pelo órgão competente.
o CONCRETISTA INDIVIDUAL: A decisão do Judiciário teria efeito inter partes:
▪ Concretista individual direta: O Judiciário, ao julgar procedente o MI, concretiza direta e
imediatamente a eficácia da norma constitucional para o autor da ação;
▪ Concretista individual intermediária: Após julgar procedente o MI, o Judiciário dá ciência ao
órgão omisso, fixando-lhe prazo para a expedição de norma regulamentadora (fala-se em 120 dias).
Após esse prazo, se a omissão persistir, o Judiciário fixa as condições necessárias ao exercício do
direito pelo autor do MI.
• NÃO CONCRETISTA
- Deverá o Poder Judiciário, apenas, reconhecer formalmente a inércia do Poder Público e dar ciência
da sua decisão ao órgão competente, para que edite a norma faltante.
- O STF inicialmente adotava a corrente não concretista, mas posteriormente mudou o
entendimento e passou a adotar a corrente concretista. VIDE MI sobre direito de greve e do
reconhecimento ao direito de aposentadoria especial à servidora pública => Ainda não há consenso
se é a concretista geral ou individual direta.

h) Mandado de injunção coletivo: Embora não previsto na Constituição, veio na Lei 13.300/16. Deve
ser proposto por legitimados previstos na Lei, em nome próprio, mas defendendo interesses alheios.
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Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo são os


pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por
grupo, classe ou categoria.

3.4. HABEAS DATA


- Poderá ser impetrado:
• Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes
de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
• Para retificação desses dados, quando não se prefira fazer por meio sigiloso, judicial ou
administrativo;
• Para anotação nos assentamentos do interessado de contestação ou explicação sobre dado
verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
- STF: O HD NÃO é instrumento jurídico adequado para pleitear o acesso a autos de processos
administrativos.
- Pode ser ajuizado por qualquer pessoa física, brasileira ou estrangeira, bem como por pessoa
jurídica.
- Ação personalíssima.
- Para impetrar HD, deve ter ocorrido o prévio requerimento administrativo e a negativa pela
autoridade administrativa.
- NÃO se sujeita a prazo prescricional ou decadencial.
- Procedimento gratuito e não há ônus de sucumbência, mas exige-se advogado para impetrar HD.

3.5. AÇÃO POPULAR


- NÃO é destinada à defesa de interesse subjetivo individual, mas de natureza coletiva, para anular
ato lesivo ao patrimônio público, moralidade administrativa, meio ambiente e patrimônio histórico
e cultural.
- Pode ser utilizada de modo preventivo ou repressivo.
- Somente o cidadão pode propor ação popular.
- A CF isenta o autor da ação popular de custas e ônus da sucumbência, SALVO comprovada má-fé.
- A gratuidade beneficia o autor da ação, mas os réus, se condenados, deverão ressarcir as despesas
havidas pelo autor da ação.

a) Objeto
- A sentença possui natureza cível, e se julgada improcedente, se sujeita ao duplo grau de jurisdição.
- O cabimento da ação popular NÃO exige a comprovação de efetivo dano material, pecuniário.
Entende o STF que a lesividade decorre da ilegalidade, e a ilegalidade do comportamento, por si
só, causa dano.
- STF: A AP não pode servir como substituto da ação direta de inconstitucionalidade, por não se
prestar ao ataque de lei em tese. Isso porque o julgamento de lei em tese, em ação popular, por juiz
de primeiro grau, implicaria usurpação de competência do STF para o controle abstrato, acarretando
a nulidade do respectivo processo.
- STF: NÃO cabe AP contra ato de conteúdo jurisdicional, praticado por membro do Judiciário no
desempenho de sua função típica.

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- STF: A AP restringe-se, quanto ao seu âmbito de incidência, à esfera de atuação administrativa de


qualquer dos poderes do Estado, abrangendo apenas os atos administrativos, fatos administrativos,
resoluções que veiculam conteúdo materialmente administrativo.

b) Competência
- Definida pela origem do ato a ser anulado.
- O juízo da Ação Popular é universal, impondo-se a reunião de todas as ações conexas, com
fundamentos jurídicos iguais ou assemelhados.
- STF: O foro especial por prerrogativa de função NÃO alcança ações populares ajuizadas contra
autoridades detentoras dessa prerrogativa.

ADMINISTRATIVO

Atos administrativos. Conceito. Fatos da administração, atos da administração e atos


administrativos. Requisitos ou elementos. Atributos. Classificação. Atos administrativos em
espécie. O silêncio no direito administrativo. Extinção dos atos administrativos: revogação,
anulação e cassação. Convalidação. Vinculação e discricionariedade. Atos administrativos nulos,
anuláveis e inexistentes. Decadência administrativa. Processo administrativo. Lei nº 9.784/1999.
Disposições doutrinárias aplicáveis. Poderes e deveres da administração pública. Poder
regulamentar. Poder hierárquico. Poder disciplinar. Poder de polícia. Dever de agir. Dever de
eficiência. Dever de probidade. Dever de prestação de contas. Abuso do poder.

1. PROCESSO ADMINISTRATIVO X PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO


a) Processo Administrativo: Série concatenada de atos administrativos, respeitando ordem posta na
lei, com finalidade específica, ensejando a prática de ato final.
- Trata-se de competência legislativa autônoma, inexistindo competência da União para a elaboração
de normas gerais sobre a matéria.
b) Procedimento Administrativo: Forma pela qual os atos do processo se desenvolvem. É rito
respeitado pela Administração para se alcançar a finalidade do processo.
- O Brasil adotou sistema de jurisdição única, ou sistema inglês, no qual o processo administrativo
não exaure a discussão de nenhuma matéria com caráter de definitividade, sendo sempre admitida
a discussão da matéria já decidida na via judicial. Logo, o sentido de COISA JULGADA
ADMINISTRATIVA é restrito a essa seara.
- O direito administrativo possui como tendência a processualização das atividades administrativas,
tendo em vista os seguintes fatores:
• Legitimidade: maior participação do administrado na elaboração das decisões
administrativas;
• Garantia: Confere maior garantia aos administrados, sobretudo em processo punitivos;
• Eficiência.

2. Finalidades do Processo Administrativo


• Instrumento de controle da atividade pública: Todos os atos do processo ficam sujeitos ao
controle e fiscalização da autoridade responsável.
• Garantia da democracia: É instrumento hábil a impedir arbitrariedades do Poder Público;
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• Diminuição dos encargos do Judiciário: O processo administrativo reduz a litigiosidade;


• Aperfeiçoar a atuação estatal

3. Obrigatoriedade dos processos administrativos


- Doutrina e Jurisprudência entendem que a validade dos atos administrativos que podem repercutir
na esfera jurídica dos particulares está condicionada à prévia realização do processo regular, em que
se respeite o contraditório e ampla defesa.

4. Princípios aplicáveis ao processo administrativo


a) Oficialidade (Impulso Oficial): Os processos administrativos podem ser instaurados SEM a
necessidade de provação de qualquer particular interessado, e não depende de manifestação deste
para o seu impulso.
b) Devido processo legal: Abarca a garantia de transparência na condução do processo, para se evitar
abusos e arbitrariedades pelo administrador. Possui dois sentidos:
• Sentido procedimental (procedural due process): a Administração deve respeitar os
procedimentos e as formalidades previstas na lei;
• Sentido substantivo (substantive due process): A atuação administrativa deve ser pautada
pela razoabilidade, sem excessos.
c) Contraditório e ampla defesa: É o direito do particular de saber o que acontece no processo
administrativo ou judicial de seu interesse, bem como de se manifestar na relação processual.
* Defesa Técnica: É facultado aos particulares acusados em processos administrativos disciplinares a
faculdade de se fazerem representar por advogado.
* Defesa Prévia: O particular deve poder se manifestar antes de ser proferida decisão administrativa
acerca da matéria objeto do processo. Porém, em situações emergenciais que coloquem o interesse
público em perigo, admite-se que a atuação administrativa anteceda à manifestação do particular
(CONTRADITÓRIO DIFERIDO).
* Duplo grau de julgamento ou direito ao recurso administrativo: É a prerrogativa de reanálise dos
atos praticados pela Administração, por provocação do particular, devendo ser motivado.
=> VIDE SÚMULA VINCULANTE 21 E SÚMULA 373 STJ.
d) Direito à informação: NÃO pode ser negado ao particular interessado do feito o direito de ter vista
e tirar cópia dos atos processuais considerados relevantes.
=> SÚMULA VINCULANTE 03.
e) Instrumentalidade das formas: É aproveitamento dos atos processuais, admitido até o
saneamento do processo quando se tratar de nulidade sanável, cuja inobservância prejudique a
administração ou o administrado.
f) Informalismo ou formalismo necessário: Em geral, os atos praticados pelos particulares em
processos administrativos não dependem de forma prescrita em lei.
g) Verdade Real: O processo administrativo busca a verdade material em contraponto aos processos
jurídicos. Logo, os processos administrativos admitem todos os tipos de provas lícitas, apresentados
em qualquer fase do processo, ainda que após o encerramento da instrução.
- Inclusive, na busca pela verdade real, é admissível, em sede de recursos administrativos, a
reformatio in pejus.
h) Gratuidade: Os processos administrativos são gratuitos, não havendo cobrança de custas,
emolumentos ou ônus sucumbenciais.

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i) Legalidade: O agente público só pode atuar conforme determinação legal, sendo todos os atos do
processo previamente estipulados em lei e de observância obrigatória do administrador.
j) Motivação: É dever imposto ao ente estatal de indicar os pressupostos de fato e de direito que
motivaram a prática dos atos administrativos (é princípio constitucional implícito).

5. Processo Administrativo Federal


- Para o Processo administrativo Federal aplica-se a Lei 9.784/99, sendo editadas nos Estados e
Municípios leis próprias para a regulamentação da matéria. Todavia, nos E e M em que não haja lei
específica, a 9784 pode ser utilizada.
- A Lei nº 9.784/99 é subsidiária, devendo ser aplicada a legislação específica, se houver.
- A Administração deverá obedecer aos seguintes princípios previstos na Lei 9.784/99:
• Legalidade;
• Finalidade;
• Motivação;
• Razoabilidade;
• Proporcionalidade;
• Moralidade;
• Ampla Defesa;
• Contraditório;
• Segurança jurídica;
• Interesse Público;
• Eficiência
- O processo administrativo pode iniciar-se por provocação interessado ou de ofício, por interesse da
Administração Público, sendo tal poder decorrente do Direito de Petição.
- Competência Administrativa: A competência para a prática de atos administrativos deve ser
definida em lei ou em ato administrativo geral, sendo irrenunciável, imprescritível e insuscetível de
prorrogação. Embora a impossibilidade de renúncia de competência, é admitida por lei a delegação
e avocação da competência, desde que de forma temporária e excepcional, devendo ser justificada.
• Delegação de Competência: A delegação é a extensão da competência efetivada de um
agente competente para outro de mesma hierarquia ou hierarquia inferior. É ato
discricionário, pode ser revogado a qualquer tempo e NÃO implica a renúncia de
competência.
- O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.
- É VEDADA a delegação de competência:
I – Edição de atos de caráter normativo;
II – Decisão de recursos administrativos;
III – Matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.
• Avocação de competência: É a possibilidade de o agente público tomar para si,
temporariamente a competência de agente subordinado.
- Suspeição e impedimento: A Lei dispõe que estão impedidos de proferir decisão no processo
aqueles agentes que tenham interesse direto ou indireto na causa, por qualquer motivo, ainda que
tenha competência legalmente atribuída.

6. Dos atos processuais

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6.1. Forma, tempo e lugar dos atos processuais


- Em princípio, os atos do processo administrativo NÃO dependem de forma determinada, salvo
disposição legal em contrário. No entanto, todas as páginas dos processos serão numeradas
sequencialmente e rubricadas, devendo ainda os atos do processo serem escritos e em vernáculo.
- O prazo genérico para a prática de atos é de 05 (cinco) dias, salvo razões de força maior.

6.2. Comunicação dos atos processuais


- O interessado deve ser comunicado de todos os atos processuais.
- Requisitos de intimação em processos administrativos:
• Identificação do interessado e nome do órgão ou entidade administrativa;
• Finalidade da intimação;
• Data, hora e local em que deve comparecer;
• Se o intimado deve comparecer pessoalmente ou se pode fazer-se representar;
• Informação da continuidade do processo independente de seu comparecimento;
• Indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes.
- A intimação deve observar a antecedência mínima de 03 dias úteis para o comparecimento.
- O desatendimento da intimação NÃO importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a
renúncia a direito pelo administrado, de modo que no processo administrativo, a revelia não produz
os efeitos que costuma produzir nos processos judiciais.

7. Fases do Processo Administrativo


7.1. Instauração
- O processo administrativo será instaurado mediante portaria do órgão responsável, por provocação
do interessado ou ex officio, por interesse da Administração Pública.
- A lei ainda confere legitimação às entidades representantes de determinadas classes ou de toda a
coletividade para defesa de interesses coletivos e difusos.

7.2. Instrução processual, defesa e relatório


- A fase instrutória é a fase de dilação probatória nos procedimentos administrativos, podendo, em
decorrência do princípio da oficialidade, a produção de provas em processo administrativo ser feita
pelo interessado ou pela própria administração, de ofício, independente da provocação do particular.
- Em processos administrativos, só nãos e admitem as provas obtidas por meios ilícitos.
- É facultado ao interessado, na fase instrutória e antes de proferida decisão no processo, juntar
documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à
matéria objeto do processo.
- Também pode ser cobrada a emissão de PARECERES de órgãos consultivos. Nesse caso, o prazo
para emissão de parecer será de 15 dias, salvo norma específica ou necessidade devidamente
justificada de maior prazo.
- Não sendo emitido parecer, podem ocorrer as seguintes situações:
a) Se o PARECER FOR OBRIGATÓRIO E VINCULANTE, será paralisado o processo até a
apresentação do parecer, sem prejuízo da responsabilização civil, penal e administrativa do
agente que deu causa à não emissão do parecer ao atraso.
b) Se o PARECER FOR OBRIGATÓRIO E NÃO VINCULANTE, o processo poderá prosseguir sem a
emissão do parecer, inclusive com decisão final, sem prejuízo da responsabilização civil,

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penal e administrativa do agente que deu causa à não emissão do parecer devido, no prazo
fixado por lei.
- Encerrada a fase instrutória, os interessados terão o prazo de 10 dias para manifestação, salvo se
outro prazo for fixado por disposição legal específica.

7.3. Decisão
- Concluída a instrução, o poder público terá o prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período, desde
que justificadamente, para proferir decisão final no processo.

8. Motivação dos atos processuais


- A Lei 9.784/99 determina o dever de motivar os atos administrativos todas as vezes que:
• Neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
• Imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
• Decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
• Dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
• Decidam recursos administrativos;
• Decorram de reexame de ofício;
• Deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão;
• Discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
• Importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
- A Lei ainda prevê a MOTIVAÇÃO ALIUNDE, que ocorre todas as vezes que a motivação de um
determinado ato remete à motivação de ato anterior que embasa a sua edição, ou seja, ao invés de
o administrado justifica a razão de seu ato, justifica com base em motivos expostos em ato prévio.

9. Extinção do Processo
- Se faz por ato administrativo devidamente fundamentado, desde que comprovados os requisitos
estampados na lei de inutilidade ou impossibilidade da decisão, ou até mesmo prejudicialidade por
fatos posteriores.
- A manifestação de desistência do processo pelo interessado não gera, necessariamente, extinção
do feito, podendo a administração pública dar continuidade do processo, se exigido pelo interesse
público.

10. Recursos Administrativos


- Em sentido amplo, o recurso administrativo é meio formal de impugnação das decisões
administrativas e possui as seguintes espécies:
• Recurso hierárquico próprio: dirigido à autoridade hierárquica superior àquela que proferiu
a decisão recorrida – Fundado na hierarquia administrativa;
• Recurso hierárquico impróprio: Interposto para fora da entidade que proferiu a decisão
recorrida. Ante ausência de hierarquia, o cabimento depende de previsão legal expressa.
• Pedido de reconsideração: É o requerimento de exame destinado à própria autoridade que
proferiu a decisão recorrida. Segundo o STF, o pedido de reconsideração na via administrativa
NÃO interrompe o prazo para o mandado de segurança.

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• Revisão: Possibilita a revisão, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, da decisão


administrativa, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de
justificar a inadequação da sanção aplicada, sendo vedado o agravamento de penalidade.
- O prazo para a interposição de recurso administrativo, salvo lei específica dispondo em contrário, é
de 10 dias, devendo o recurso ser encaminhado como pedido de reconsideração à autoridade
superior, se dentro de 05 dias não houver reconsideração, pela autoridade julgadora.
- Recebido o recurso, a outra parte interessada será intimada para apresentação de contra razões,
em prazo de 05 dias.
- A autoridade do recurso deverá julgá-lo no prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período,
mediante ato devidamente justificado.
- Salvo disposição legal em contrário, os recursos administrativos NÃO têm efeito suspensivo,
podendo ser concedido pela autoridade superior.
- O limite de tramitação na instância administrativa é de 03 instâncias, ou seja, é possível o
julgamento inicial e mais 02 recursos, se houver estrutura hierárquica para tanto, ocorrendo, após o
trâmite por todas as instâncias, a COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
- NÃO será conhecido recurso interposto fora do prazo, por quem não é legitimado ou após exaurida
a esfera administrativa.
- Na seara administrativa, NÃO há vedação à reformatio in pejus e uma decisão de recurso
administrativo poderá piorar a situação do recorrente, em respeito ao princípio da verdade material
e legalidade estrita da atuação administrativa.
- É possível ainda revisar os processos administrativos punitivos. NÃO há prazo para pedido de
revisão, que depende da alegação de fatos novos a serem analisados pela autoridade julgadora que
justifiquem o entendimento de inadequação da penalidade aplicada. => No julgamento da revisão
NÃO pode resultar agravamento da penalidade inicialmente aplicada, ou seja, nestes casos é
VEDADA a reformatio in pejus.

DECADÊNCIA ADMINISTRATIVA
(Aprofundamento para subjetivas)
- Em âmbito Federal, a Administração Pública tem o prazo decadencial de 05 anos
para anular seus atos administrativos, quando geradores de efeitos favoráveis aos
destinatários, SALVO comprovada má-fé.
- Qual o prazo quando a lei é omissa na fixação do prazo decadencial?
• 1º Entendimento: O prazo decadencial é contado apenas a partir da entrada
em vigor da legislação que estipula o prazo decadencial, tendo em vista o
princípio da irretroatividade da lei. STJ;
• 2º Entendimento: Em razão do princípio da segurança jurídica, na hipótese de
omissão legislativa, deve ser aplicado o prazo prescricional previsto no art. 205
do CC/02 (10 ANOS);
• 3º Entendimento: Prevê a aplicação analógica dos prazos extintivos previstos
na legislação administrativa que, normalmente, consagra o prazo de
prescrição e decadência de 05 anos.

ATOS ADMINISTRATIVOS

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1) Necessária Distinção
a) Fato - é todo e qualquer acontecimento, seja decorrente de condutas humanas ou simples
sucessão de eventos alheios à atuação das pessoas;
b) Fato Jurídico – Quando os fatos interferem nas relações travadas entre pessoas e, por isso,
precisam de regulamentação por meio de normas jurídicas. Podem se subdividir em:
b.1. Fatos da Natureza (fatos jurídicos strictu sensu) – ex: Nascimento e morte
b.2. Fatos de Pessoas (atos jurídicos) – Ato humano que manifesta vontade de forma a
interferir no direito.
FATO – Acontecimento
ATO – Manifestação de Vontade

2) Atos Administrativos x Atos da Administração


- Nem todo ato praticado pela Administração Pública é ato administrativo, sendo o ato da
administração mais amplo do que a noção de ato administrativo, uma vez que este é espécie
daquele, podendo ser divididos em:
a) Atos Políticos ou de governo – Quando há exercício da função política e podem exercê-la os
membros do Legislativo, Judiciário e do Executivo. Na prática, não são sequer considerados atos da
Administração, pois são exercidos pelo Estado no exercício de função política. O controle
jurisdicional será admitido somente quando houver prejuízo específico à esfera individual de
particulares.
JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO entende que esses atos NÃO seriam propriamente
administrativos, mas atos de governo, já que seu fundamento de encontra na CF e, por isso,
inexistiriam parâmetros prévios de controle. Por outro lado, são esses os atos que permitem
a condução das políticas, diretrizes e estratégias do governo, comportando tais atos maior
discricionariedade para os governantes.
b) Atos Privados – São os atos da Administração Pública regidos pelo direito privado, em que a
Administração atua sem prerrogativas, como se particular fosse.
c) Atos Materiais – Também chamados de FATOS ADMINISTRATIVOS, já que não manifestam a
vontade do Estado, sendo atos de mera execução de atividade. Ex: ato de determina a demolição de
um prédio => a demolição em si é mero ato material.
DI PIETRO entende que os atos materiais da Administração NÃO contem manifestação de
vontade, mas envolvem apenas a execução.
d) Atos Administrativos – Atos por meio dos quais a Administração atua por meio da função
administrativa, sob o regime de direito público e ensejando a manifestação do Estado ou de quem
lhe faça as vezes. Podem ser praticados ou não pela Administração Pública, haja vista que podem ser
delegados.
3) Atos Administrativos
- São atos jurídicos decorrentes da manifestação de vontade humana que repercute na esfera dos
cidadãos, devendo ser emanado por agente público.
- Inexistem, na esfera do Direito Administrativo, atuações totalmente discricionárias, haja vista a
definição legal com critérios objetivos de determinados elementos dos atos administrativos, mesmo
nos discricionários. Até mesmo os elementos do ato administrativo que podem ter feição
discricionária (como o motivo e objeto), quando devidamente regulamentados ou discriminados
pela Lei, passam a ser vinculados, perdendo o caráter discricionário.

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- ATOS VINCULADOS - Se preenchidos os requisitos objetivamente definidos no texto legal, o ato


administrativo deve ser praticado pelo Poder Público, não havendo qualquer possibilidade e emissão
de juízo de valor pela autoridade estatal, de modo que a simples ocorrência de previsão legal enseja
direito adquirido a particulares.
- ATOS DISCRICIONÁRIOS – É aquele ato determinado em lei, em que o dispositivo confere margem
de escolha ao administrador público mediante análise das razões de oportunidade e conveniência. A
discricionariedade NÃO se confunde com arbitrariedade, somente sendo exercida dentro dos
limites definidos pela legislação aplicável.
4) Elementos ou Requisitos do Ato Administrativo
DICA: COM FI FOR M OB
• Competência
• Finalidade
• Forma
• Motivo
• Objeto

4.1. COMPETÊNCIA
a) Disposições Gerais
- Definido em lei ou atos administrativos gerais, e em algumas situações decorrem da previsão da CF
e não pode ser alterado por vontades das partes ou do administrador público.
- MARÇAL JUSTEN – defende que a competência administrativa é a atribuição normativa da
legitimação para a prática de um ato administrativo.
QUAIS SÃO AS FONTES DE COMPETÊNCIA?
A doutrina identifica duas fontes de competência:
• Fonte primária - é quem define no primeiro plano a competência, ou seja,
lei em sentido amplo (englobando o texto constitucional);
• Fonte secundária - é quem define no plano interno do órgão, ou seja, para
apontar exatamente quem é o sujeito, que será previsto em ato
administrativo.

- A atuação administrativa é um poder-dever conferido ao Poder Público e distribuído entre os seus


agentes e órgãos internos.
- É elemento vinculado do ato!
- A competência administrativa decorre SEMPRE da lei, mas a avocação e a delegação podem
ocorrer por atos infralegais:
• AVOCAÇÃO: Decorre da hierarquia;
• DELEGAÇÃO: NÃO exige hierarquia.

b) Características da competência
- IMPRESCRITÍVEL – Não se extingue com a inércia do agente;
- IMPRORROGÁVEL – Não pode ser atribuída ao agente público pelo fato de ter praticado o ato para
o qual não tinha atribuição, sem que houvesse objeção por parte de terceiros, devendo o agente
público manter a sua competência originária;

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- IRRENUNCIÁVEL (= inderrogável) – Em função do princípio da indisponibilidade do interesse


público, não se pode renunciar total ou parcialmente os poderes ou competências, salvo autorização
em lei.

c) Delegação e Avocação de Competência

* DELEGAÇÃO: É extensão de competência, de forma temporária, para outro ente de mesma


hierarquia ou de nível hierárquico inferior, para o exercício de determinados atos especificados no
instrumento de delegação.
- No ato de delegação, deve se definir o tempo e a matéria delegada de forma específica,
estabelecendo os limites de atuação do agente delegado, já que os atos de delegação genérica são
NULOS, devendo ainda ser publicado.
- Cláusula de Reserva – Como regra geral, o agente delegante NÃO transfere a competência, mas
apenas a amplia, mantendo-se competente após a delegação com o agente delegado.
SÚMULA 510 STF – PRATICADO ATO POR AUTORIDADE, NO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA
DELEGADA, CONTRA ELE CABE MS OU A MEDIDA JUDICIAL => Esse entendimento se respalda no
fato de que o ato praticado por delegação deve ser considerado praticado pelo agente delegado.
- Vedação à delegação de competência :
* Dica para decorar: ANO RAD EX
• Competência exclusiva, definida em lei – No entanto, é admitida a delegação para a prática
de atos decorrentes de competências privativas de determinado agente público;
• Para a decisão de recurso hierárquico;
• Para a edição de atos normativos – No entanto, o art. 84 CF permite a delegação de algumas
atribuições do Presidente da República aos Ministros de Estado, AGU e PGR.

* AVOCAÇÃO: Ocorre quando o agente chama para si a competência de outro agente, devendo haver
a subordinação, sendo alteração de competência de caráter temporário e restrito, possuindo como
objetivo evitar decisões contraditórias.
- STF: É legítima a delegação de competência pelo Governador de Estado a secretário estadual para
a aplicação da pena de demissão a servidores público.
- DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA X DELEGAÇÃO DE ASSINATURA – Na delegação de competência, há
efetiva transferência de competência e da responsabilidade pela função que será exercida pelo
delegatário; na segunda hipótese, o delegatário apenas assina atos administrativos em nome do
delegante, sem assumir qualquer responsabilidade pelo respectivo conteúdo. A delegação de
assinaturas é comum no cotidiano da Administração e tem por objetivo desafogar os trabalhos e
garantir celeridade administrativa.
- RENÚNCIA DA COMPETÊNCIA X DELEGAÇÃO – Na renúncia, o agente de recusa a exercer a função
administrativa, denotando completa omissão administrativa, que deve ser punida disciplinarmente.
Na delegação, o agente transfere a competência para outro agente para que a função administrativa
seja efetivamente exercida.

QUAIS SÃO OS VÍCIOS QUE PODEM ATACAR O ELEMENTO COMPETÊNCIA DO ATO?


O elemento competência pode ser viciado por incompetência e por incapacidade.
a) Por incompetência: ocorre por excesso de poder, usurpação de função ou função
de fato.
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• Ocorre excesso de poder quando o agente atua fora ou além de sua esfera de
competências, estabelecida em lei. Trata-se de espécie do gênero abuso de
poder. Assim, abuso de poder é o gênero, do qual são espécies o excesso de
poder (vício de competência) e o desvio de poder (vício no elemento finalidade
dos atos administrativos).
• Tanto o excesso como o desvio de poder podem configurar crime de
abuso de autoridade (Lei 4.898/65), hipótese em que ficará sujeito à
responsabilidade administrativa e à penal, podendo ainda responder
civilmente, se de seu ato resultarem danos patrimoniais e morais.
• O vício de competência (excesso de poder) admite convalidação, salvo
se se tratar de competência em razão da matéria ou de competência
exclusiva. Nestes dois últimos casos, o excesso de poder gera um ato
nulo.
• A usurpação da função é crime (art. 328 do CP) cometido por alguém que não
foi por nenhuma forma investido no cargo, emprego ou função pública. O
agente não tem nenhuma espécie de vinculo funcional com a administração
(DI PIETRO). Neste caso, a maioria da doutrina considera o ato inexistente.
• Ocorre a função de fato quando a pessoa foi investida no cargo, emprego ou
função pública, mas há alguma ilegalidade em sua investidura ou
impedimento para a prática do ato. Em função da teoria da aparência (para os
administrados, a situação tem total aparência de legalidade, de regularidade),
o ato é considerado válido, ou pelo menos o são os efeitos dele decorrentes.
b) Por incapacidade: A Lei 9.784/99 prevê, em seu art. 18, os casos de impedimento,
e no art. 20, os casos de suspeição de autoridade ou servidor público, praticamente
nos mesmos moldes do CPC. Cumpre salientar, porém que, no Direito Administrativo,
ambas as hipóteses se enquadram como atos anuláveis, passíveis de convalidação por
autoridade que não esteja na mesma situação de impedimento ou suspeição.

4.2. FINALIDADE
- É escopo do ato, sendo tudo aquilo que se busca proteger com a prática do ato.
- Para a doutrina, todo ato administrativo possui DUAS FINALIDADES:
I – Finalidade Genérica: Presente em todos os atos, é o atendimento ao interesse público;
II – Finalidade Específica: É definida em lei e estabelece qual a finalidade de cada ato
especificamente.
OBS: Em determinadas situações, o ato é praticado no interesse público, mas com desvio da
finalidade específica, a exemplo de quando se exonera um servidor público com a intenção de puni-
lo. Assim, sendo violada a finalidade específica, mesmo que o agente esteja buscando o interesse
público, há o desvio de finalidade.
- Ainda que o Administrador Público NÃO atue com a intenção de satisfazer interesses pessoais, a
prática do ato com a intenção de alcançar finalidade diversa da expressamente imposta na regra que
a definiu configura vício, por desvio de poder, SALVO nos casos de tredestinação lícita, na
desapropriação.

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- A finalidade é SEMPRE elemento vinculado do ato quanto à finalidade específica, podendo ser
discricionário se analisada a finalidade genérica que é o interesse público (conceito jurídico
indeterminado).
- ABUSO DE PODER – Subdivide-se em:
• Desvio de poder ( = desvio de finalidade): Ocorre quando o agente público pratica ato
visando fim diverso do previsto.
• Excesso de poder ( = vício de competência): Ocorre quando o agente público excede os
limites da sua competência.

4.3. FORMA
- É a exteriorização do ato, determinada por lei, decorrente do PRINCÍPIO DA SOLENIDADE. A
ausência de forma importa a inexistência do ato administrativo, já que a forma é instrumento de
projeção do ato.
- Não basta a manifestação de vontade, mas a formalização deve respeitar os critérios previamente
definidos em lei, sob pena de irregularidade da conduta. Nesse caso, o desrespeito às finalidades
específicas NÃO gera a inexistência do ato, mas a sua ilegalidade, devendo ser anulado.
- A declaração de ilegalidade poderá ser feita pela própria Administração Pública, no exercício da
autotutela estatal, ou mediante decisão judicial fundamentada.
- Os atos administrativos devem ser praticados por escrito, em língua portuguesa, salvo em algumas
exceções.
- A forma NÃO configura a essência do ato – finalidade estatal -, mas tão somente o instrumento
necessário para que a conduta administrativa alcance os seus objetivos.
- SILÊNCIO ADMINISTRATIVO – O silêncio administrativo, diante de determinada situação, NÃO
produz qualquer efeito, salvo as hipóteses previstas no próprio texto legal. A ausência de conduta
NÃO configura um ato administrativo, mas somente um fato da administração.

É POSSÍVEL A RESPONSABILIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DECORRENTE DO


SILÊNCIO ADMINISTRATIVO?
Caso a omissão da Administração Pública venha a resultar em um dano jurídico, tal
omissão poderá ensejar responsabilização patrimonial do Estado, bem como a do
próprio servidor, nos casos de dolo ou culpa (art. 37, §6° da CF/88).
As hipóteses de responsabilização não se restringem à ausência de resposta pelo
exercente da função administrativa, devendo ser também aplicáveis às situações em
que a resposta surja quando já superado o tempo razoável para aquela manifestação
(direito à razoável duração do processo - inciso LXXVIII, do artigo 5º da Carta Magna).
Nas hipóteses de não haver previsão legal específica de prazo para a oferta de
resposta pela Administração, deve-se aplicar, subsidiariamente, o lapso de 30 dias
previsto na Lei 9.784/99 (arts. 49 e 59, § 1º), responsável pela regulação do processo
administrativo no âmbito federal.

Diante de provocação feita pelo particular, a inércia administrativa é ilicitude sanável por
meio de provocação do Poder Judiciário, o qual pode determinar que o agente público pratique o
ato, cessando a ilegalidade que decorria da omissão estatal, não configurando invasão no mérito
administrativo, desde que o Judiciário NÃO interfira no conteúdo da conduta a ser praticada.

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- O vício de forma é sanável quando não gerar prejuízo ao interesse público nem a terceiros,
devendo ser mantido o ato viciado. No entanto, em algumas situações, o vício de forma é insanável,
por atingir diretamente o próprio conteúdo do ato.
- De modo geral, a forma é sempre elemento vinculado, mesmo nos atos administrativos
discricionários, SALVO se a lei estabelecer mais de uma forma possível para o ato ou for silente
quanto à forma a ser obedecida para a prática de determinado ato, quando então será
discricionária.

4.4. MOTIVO
- São as razões de fato e de direito que justificam a prática do ato.
- Para que o motivo do ato seja válido, e consequentemente não haja irregularidades, exige-se que o
fato narrado no ato praticado seja real e efetivamente tenha ocorrido da forma como descrita na
conduta estatal, bem como a situação fática perpetrada pelo particular deve corresponder
exatamente à situação disposta em lei como justificadora do ato administrativo (subsunção da norma
à situação de fato).
- O motivo é elemento do ato administrativo que pode ser discricionário.
- Deve haver adequação entre o motivo que deu ensejo à prática do ato e o resultado a ser obtido
pela atuação estatal propriamente dita (para alguns doutrinadores, isso seria a causa do ato
administrativo, configurando-se pressuposto de validade da conduta).

MOTIVO X MÓVEL
• Motivo – É a situação prevista em lei que ocorre, de fato, justificando a prática
do ato administrativo;
• Móvel – É a real intenção do agente público quando pratica a conduta estatal.

4.5. OBJETO
- É aquilo que o ato dispõe, é o efeito causado pelo ato administrativo no mundo jurídico, em virtude
de sua prática.
- Para a doutrina majoritária, objeto e conteúdo são expressões sinônimas, representando a
disposição do ato administrativo. Todavia, há quem defenda que o conteúdo seria a disposição do
ato, enquanto o objeto seria o bem ou a relação jurídica sobre a qual o ato administrativo incide.
- Para que o ato administrativo seja válido, o objeto deve ser lícito, possível e determinável ou
determinado.
- Pode possuir feição discricionária nos atos administrativos discricionários.

ELEMENTOS DO ATO E ANÁLISE DE DISCRICIONARIEDADE OU VINCULAÇÃO


ELEMENTOS DISCRICIONÁRIOS OU VINCULADOS
Competência Vinculado
Finalidade - Em regra Vinculado
- Discricionário sempre que for analisada no seu aspecto
genérico, que corresponde à busca pelo interesse público
Forma - Em regra Vinculado
- Discricionário sempre que não houver forma definida em lei
para a prática do ato, ou quando o texto legal estipular mais de
uma forma possível.
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Motivo Discricionário
Objeto Discricionário

• Para MOTIVO E OBJETO, por serem discricionários, não pode haver controle pelo Judiciário,
conforme maioria da doutrina, já que se refere à conveniência e oportunidade do
administrador público. Logo, o Poder Judiciário pode controlar a legalidade, mas não o mérito
dos atos administrativos discricionários.

5) Elementos e pressupostos do ato administrativo segundo Celso Antônio Bandeira de Mello

- Seriam ELEMENTOS do ato administrativo, intrínsecos ao próprio ato e cuja ausência de algum deles
implicaria a ausência do próprio ato:
a) Conteúdo – corresponde à disposição do ato;
b) Forma do ato – É a exteriorização da vontade do ato administrativo praticado.
- Seriam PRESSUPOSTOS DE EXISTÊNCIA, sem os quais a conduta NÃO se efetivará:
a) Objeto – Coisa ou relação jurídica sobre a qual o ato incidirá;
b) Pertinência da função administrativa – Para que a conduta do estado exista, enquanto ato
administrativo, deve ser praticada no exercício de função administrativa e não na execução
das demais atividades do Estado.
Seriam PRESSUPOSTOS DE VALIDADE dos atos administrativos:
a) Sujeito Competente – o ato administrativo deve ser praticado por alguém com
legitimação;
b) Motivo
c) Causa – Correlação lógica entre o motivo e o conteúdo do ato administrativo no exercício
da finalidade pública.
d) Finalidade ou pressuposto teleológico do ato administrativo
e) Formalização ou pressuposto formalístico – É o meio pelo qual o agente deve exteriorizar
a sua vontade, NÃO se confundindo com a forma, pressuposto de validade definida como
condição formal para a expedição do ato.
f) Requisitos procedimentais – presente em alguns atos que, para serem regularmente
expedidos, devem respeitar a existência de procedimentos anteriores.

6) Atributos do Ato Administrativo


- São prerrogativas de Poder Público presentes no ato administrativo em decorrência do princípio da
supremacia do interesse público sobre o privado.

a) Presunção de Veracidade – Prerrogativa presente em todos os atos administrativos, de modo que


até prova em contrário, o ato administrativo goza de fé pública e os atos presumem-se verdadeiros
(presunção juris tantum). Diz respeito a fatos e causa a inversão do ônus da prova dos fatos alegados
pelo particular.

b) Presunção de Legitimidade – Trata-se de presunção jurídica, de modo que até prova em contrário
presume-se que o ato foi editado em conformidade com a lei e o ordenamento jurídico (presunção
juris tantum). Esse atributo NÃO diz respeito a fatos, mas à adequação da conduta com a norma

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jurídica posta. – É atributo de TODOS os atos da administração, inclusive os de direito privado, dada
a prerrogativa inerente aos atos praticados pelos agentes integrantes da estrutura do Estado.

c) Imperatividade – Todo ato administrativo que cria obrigação ao particular encerra um poder dados
à Administração de, unilateralmente, estabelecer obrigação aos particulares, desde que dentro dos
limites da Lei. Trata-se de característica presente apenas nos atos que dispõem acerca de obrigações
e deveres aos particulares, ao passo em que os atos que definem direitos e vantagens NÃO são
imperativos.
- A imperatividade está presente mesmo diante de atos administrativos reputados como inválidos
pelo particular, em decorrência da presunção de legitimidade da qual essa atuação se reveste.
- Poder Extroverso – seria o atributo a imperatividade nos atos administrativos restritivos, em que
as determinações impostas pelo poder público devem ser cumpridas. – NÃO incide para atos
negociáveis e enunciativos.
- A imperatividade é atributo presente apenas nos atos administrativos que imponham restrições de
direitos, NÃO se aplicando aos atos ampliativos de direito.

d) Exigibilidade – Não sendo cumprida a obrigação imposta pelo ato administrativo, o poder público
terá que, valendo-se de meios indiretos de coação, executar imediatamente o ato desrespeitado. O
exercício desse atributo não dispensa o respeito ao devido processo legal, com contraditório e ampla
defesa.
=> VIDE SÚMULA 312 STJ: No processo administrativo para a imposição de multa de trânsito, são
necessárias as notificações da autuação e da aplicação da pena decorrente da infração.
e) Executoriedade ou autoexecutoriedade – Aplicação de meio diretos de execução dos atos
administrativos, em que o Estado executa o ato administrativo diretamente, frente ao
descumprimento pelo particular, sem que haja participação deste e auxílio do Poder Judiciário =>
CONTRADITÓRIO DIFERIDO!
- A executoriedade afasta o controle judicial prévio dos atos administrativos, sendo possível apenas
a posteriori.
- Não está presente em todos os atos administrativos, dependendo sempre de previsão legal ou de
uma situação de urgência em que a prática do ato de imponha à garantia do interesse público.

f) Tipicidade (Di Pietro) – Seria a exigência de que todo ato administrativo esteja previsto em lei. Em
verdade, não é prerrogativa concedida ao ente estatal, mas limitação para a prática de atos não
previamente estipulados por lei.

7) Fases de constituição do ato administrativo

7.1. Perfeição (ou existência)


- Decorre do cumprimento das etapas previstas em lei, necessárias à formação do ato. Isso ocorre
pois todo ato administrativo é formalizado por procedimento administrativo prévio.
- O ato perfeito NÃO é retratável, mas pode ser revisado ou anulado (princípio da autotutela).
- Ato imperfeito – é aquele que ainda está em formação.

7.2. Validade (ou regularidade)

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- Aferida quando todas as etapas realizadas estiverem de acordo com a Lei. A validade é a
compatibilidade entre o ato jurídico e o disposto na norma legal
- É segundo plano de análise dos atos administrativos, só podendo ser analisado de o ato for ao
menos existente (perfeito).

7.3. Eficácia
- Aptidão para a produção de efeitos concedida ao ato administrativo. Alguns têm eficácia imediata,
logo após a publicação, mas outros podem ter sido editados com previsão de termos iniciais ou
condições suspensivas, sendo atos ineficazes enquanto a situação de pendência não for resolvida.
JOSÉ DOS SANTOS CARVAHO FILHO discorda, ao entender que o ato que completou o seu
ciclo de formação é eficaz, ainda que depende de termo ou condição futuros para ser
executado, posto que, no seu entender, termo e condição podem ser óbices à imperatividade
do ato, mas nem por isso descaracterizariam a sua eficácia => Ocorre que o autor diferencia
eficácia de exequibilidade, considerando que esta pode ser obstada por previsão no próprio
ato, opinião da qual discorda a doutrina majoritária.
- Atos Administrativos Pendentes: São os atos perfeitos e válidos que ainda não estão aptos a
produzir efeitos em decorrência da pendência de alguma condição ou termo.

EFEITOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS


a) Próprios – Efeitos típicos do ato, configurando o objeto ou conteúdo da conduta
estatal;
b) Impróprios (atípicos) – Decorrem, de forma indireta, da prática do ato
administrativo, embora não esteja estipulado em sua redação nem seja sua intenção
inicial. Podem ser:
I – Efeito Reflexo: atingem uma relação jurídica estranha à tratada no bojo da conduta
estatal, gerando consequências a terceiros não previstos diretamente no ato
praticado.
Ex: Locatário de um imóvel desapropriado/ Reintegração de servidor público, para o
que será reconduzido.
II – Efeito Prodrômico (efeito preliminar): Efeito por meio do qual se impõe uma nova
atuação administrativa diante do início do ato praticado.
- Alguns atos administrativos somente estarão perfeitos após a manifestação de
vontade de mais de uma autoridade pública, como os atos administrativos
compostos e complexos. Logo, quando o primeiro órgão manifesta a sua vontade,
dando início à formação do ato administrativo, esta conduta tem como efeito
impróprio obrigar a manifestação de vontade do segundo órgão. O efeito prodrômico
determina a quebra da inércia administrativa quando, estando o ato em formação, a
vontade que dá início à sua perfeição é manifestada.

7.4. Atos após a formação


a) Ato perfeito, válido e eficaz – Quando o ato cumpre todas as etapas de sua formação e a conduta
é praticada dentro dos limites definidos pela lei;
b) Perfeito, válido e ineficaz – O ato cumpriu todas as etapas de formação e foi expedido em
conformidade com a Lei, mas não está apto a produzir efeitos por depender de termo ou condição,
ou ainda de publicidade = > ATOS ADMINISTRATIVOS PENDENTES
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c) Perfeito, inválido e eficaz – Não corresponde às normas legais definidas para a sua prática, no
entanto produzirá efeitos até que seja declarada a irregularidade.
d) Perfeito, inválido e ineficaz – Sempre que a ilegalidade do ato for demonstrada, NÃO poderá
produzir efeitos contrários àqueles definidos na legislação que trata da sua edição.

8) Classificação dos Atos Administrativos

8.1. Quanto ao grau de liberdade


- Atos Vinculados: Definidos em lei que não confere ao agente público qualquer margem de escolha.
- Atos Discricionários: Não obstante regulamentados por lei, admitem uma análise de pressupostos
subjetivos pelo ente estatal. A lei confere ao Administrador uma margem de atuação, dentro dos
limites estipulados pela Legislação.

8.2. Quanto à Formação


- Ato Simples: Para a sua formação depende de uma única manifestação de vontade;
- Ato Composto: Para a sua perfeição depende de mais de uma manifestação de vontade, sendo
compostos por uma vontade principal( ato principal) + vontade que ratifica esta (ato acessório).
Composto de dois atos, geralmente do mesmo órgão público, em mesmo patamar de igualdade. –
Ato composto é formado pela manifestação de vontade de um único órgão, sendo apenas ratificado
por outra autoridade.
Ex: Atos administrativos que dependem de visto/ homologação da autoridade revisora.
- Ato Complexo: Formado pela soma de vontades de órgãos públicos independentes, em mesmo
nível hierárquico, de forma que tenham a mesma força, não se podendo imaginar a dependência de
uma em relação à outra.

ATOS COMPOSTOS X ATOS COMPLEXOS


A diferença entre os atos completos e compostos decorre do fato de que, a despeito
de serem atos que dependem de mais de uma vontade para a sua formação, no ato
complexo estas vontades são expedidas por órgãos independentes para a formação
de um ato, enquanto que no ato composto, haverá manifestação de autoridades
diversas, dentro de uma mesma estrutura orgânica, sendo que uma das condutas é
meramente ratificadora e acessória da outra.

- É majoritário o entendimento de que a aposentadoria de servidor público é ato complexo, por


depender da atuação do órgão a que o agente é subordinado e da aprovação do Tribunal de Contas.
Inclusive, a não aprovação pelo Tribunal de Contas do ato de aposentadoria NÃO é considerado novo
ato, mas sim impedimento da perfeição do ato de aposentadoria, não dependendo sequer da
garantia de contraditório. => VIDE SÚMULA VINCULANTE 03.

8.3. Quanto aos destinatários


- Ato Gerais – Se referem a quantidade indeterminada de pessoas, com caráter abstrato e impessoal.
- Atos Individuais - Se referem a determinados indivíduos, especificados no próprio ato. Se
subdividem em:
* Atos Múltiplos – Se referem a mais de um destinatário;
* Atos Singulares – Se destinam a um único sujeito descrito na conduta.
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8.4. Quanto ao objeto


- Atos de império – Aqueles nos quais a Administração atua com prerrogativa de Poder Público,
valendo-se da supremacia do interesse público sobre o privado;
- Atos de Gestão – Executados pelo Poder Público sem as prerrogativas de Estado, atuando a
Administração em situação de igualdade com o particular;
- Atos de Expediente – Praticados como forma de dar andamento à atividade administrativa, sem
configurar uma manifestação de vontade do Estado, mas a execução de condutas previamente
definidas.

8.5. Quanto à estrutura


- Atos Concretos – Praticados com a finalidade de resolver uma situações específica, exaurindo os
seus efeitos em uma única aplicação, não perdurando após a prática e a execução. Ex: Multa de
trânsito, aplicação de penalidade de demissão a servidor faltoso.
- Atos abstratos – Definem regra genérica que deverá ser aplicada sempre que a situação descrita no
ato ocorrer de fato.

8.6. Quanto aos efeitos


- Atos constitutivos – Criam uma situação jurídica nova, previamente inexistente, mediante a criação
de novos direitos ou a extinção de prerrogativas anteriormente estabelecidas.
- Atos declaratórios – afirmam um direito preexistente, mediante o reconhecimento de situação
jurídica previamente constituída. Ex: Certidão e atestado.
- Ato modificativo – Altera situação já existente, sem que seja extinta, NÃO retirando direitos e
obrigações. Ex: alterar horário de atendimento.

8.7. Quanto aos resultados na esfera jurídica


- Atos ampliativos – Atribuem direitos e vantagens aos seus destinatários, normalmente,
concedendo vantagens previamente requeridas pelo interessado.
- Atos Restritivos – Atos que impõem obrigações ou aplica penalidades aos destinatários, sempre
dentro dos limites da lei, como uma multa de trânsito.

8.8. Quanto ao alcance


- Atos Internos – Produzem efeito dentro da estrutura da administração pública responsável por sua
edição, não atingindo pessoas estranhas à organização administrativa interna;
- Atos Externos – Produzem efeito em relação aos administrados, estranhos à estrutura da
administração pública, dependendo de publicação em órgão oficial, podendo ser divididos em
bilaterais e unilaterais.
9. Espécies de Atos Administrativos
9.1. Atos Normativos
- São atos gerais e abstratos que geram obrigações a uma quantidade indeterminada de pessoas.
- Enseja a produção de normas gerais, sempre inferiores aos comandos legais, NÃO podendo inovar
no OJ.

I – Regulamento – Ato Normativo privativo do chefe do poder executivo, apresentado por um


DECRETO. Podem ser:
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a) Regulamentos executivos – Editados para a fiel execução da lei. Caso inove, viola o
princípio da legalidade;
b) Regulamentos Autônomos – atuam substituindo a lei e inovam o OJ, determinando
normas sobre matérias não disciplinadas mediante previsão legislativa. São admissíveis
apenas para as situações previstas no art. 84, VI da CF.
II – Aviso – Ato normativo expedido pelos órgãos auxiliares direto do Poder Executivo (Ministérios
ou Secretarias), a fim de dar conhecimento à sociedade de determinado assunto ligado à atividade
fim daquele Órgão. Para alguns doutrinadores, seria espécie de ato ordinatório.
III – Instruções Normativas – Atos expedidos por quaisquer autoridades públicas ou órgãos públicos
com atribuição legal para a execução de decretos e regulamentos.
IV – Regimento – Ato normativo para definição de normas internas, estabelecendo as regras para o
regular funcionamento de órgãos colegiados.
V – Deliberações – Ato normativo expedido pelos órgãos colegiados como representação de vontade
da maioria dos agentes que o representam.
VI – Resolução – atos normativos dos órgãos colegiados, usados pelos Poderes legislativo e Judiciário,
e Agências Reguladoras, para disciplinar matéria de sua competência específica.
As agências reguladoras possuem poder normativo que se restringe ao âmbito
técnico da prestação do serviço e expedem os atos por meio de manifestação de seu
conselho diretivo.

9.2. Atos Ordinatórios


- Atos de ordenação e organização interna que decorrem do poder hierárquico, destinados a produzir
efeitos apenas no âmbito da Administração Pública.
- ATOS INTERNOS NÃO GERAM DIREITOS ADQUIRIDOS AOS SEUS DESTINATÁRIOS, PODENDO SER
REVOGADO A QUALQUER TEMPO POR QUEM OS EXPEDIU.
I – Portaria – Ato administrativo individual que estipula ordens e determinações internas e
estabelece normas que geram direitos ou obrigações internas a indivíduos específicos.
II – Circular - Expedido para a edição de normas uniformes a todos os servidores subordinados a
determinados órgãos. Define regras gerais dentro da atividade administrativa.
III – Ordem de Serviço – Conduta estatal com a finalidade de distribuir e ordenar o serviço interno
do órgão, escalonando entre os setores e servidores vinculados àquela entidade.
IV – Despacho – Ato administrativo por meio do qual as autoridades públicas proferem decisões
acerca de determinadas situações específicas, de sua responsabilidade funcional.
V – Memorando – Ato de comunicação interna para melhor executar a atividade pública.
VI – Ofícios – Ato emanado para garantir a comunicação entre autoridades públicas ou entre estas e
particulares, destinadas a comunicações externas.

9.3. Atos Negociais


- Direito outorgado ao Estado, em virtude de requerimento formulado pelo cidadão.
- NÃO se trata de contrato administrativo, por emanar de vontade unilateral do poder público,
mesmo que em situação de interesse do destinatário; e NÃO goza de imperatividade ou
coercibilidade, por NÃO estabelecer obrigações ou aplicar penalidades, mas garante a concessão
de um benefício nos limites da Lei.
- É ato administrativo ampliativo, acrescentando na esfera jurídica do sujeito.

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I – Autorização – Ato discricionário e precário por meio do qual a Administração autoriza o uso de
bem público por um particular de forma anormal ou privativa, no interesse eminentemente do
beneficiário. Podem ser:
a) Autorização de uso de bem público – Para uso anormal e privativo de determinado bem
público por um particular, quando não viola o interesse coletivo de utilização normal deste
bem. Para uso normal, não precisa de autorização.
b) Autorização de Polícia – Necessário para que o particular exerça atividades fiscalizadas
pelo Estado.
• Em ambas as situações, a autorização é ato discricionário e precário, podendo ser desfeito
a qualquer momento SEM direito à indenização, não gerando direito adquirido aos
beneficiários.

II – Permissão – Ato unilateral, discricionário e precário e é veiculada para conceder ao particular o


uso de determinado bem público de forma anormal ou privativa. – É ato que faculta a utilização
privativa de bem público, no qual a administração autolimita o seu poder de revogar unilateralmente
o ato.

AUTORIZAÇÃO X PERMISSÃO
A) Doutrina Tradicional
* Autorização de uso – Ato adequado para o uso de bem público em situações mais
transitórias, como no caso de fechar uma rua para festa ocasional;
* Permissão – Caráter mais permanente ou duradouro que a autorização. Ex: Banca
de Revistas a ser colocada em determinada calçada.

B) Doutrina Moderna
* Autorização de uso – Concedida no interesse particular.
* Permissão – Sempre concedida no interesse público. Apesar de ser ato
discricionário, deve ser precedida de licitação sempre que houver mais de um
interessado em usufruir do benefício.

 Em determinadas situações, a permissão de uso é concedida por prazo


determinado, situação na qual estará mitigada a precariedade, sendo
impedido o Poder Público de revogar esse ano sem a devida indenização ao
particular beneficiado.

III – Licença – Ato de polícia através do qual o Poder Público permite a realização de determinada
atividade sujeita à fiscalização do Estado.
- É ato vinculado, e caso o particular preencha os requisitos legais, adquire o direito subjetivo à
concessão da licença para o exercício de atividade profissional.
- A licença é ato vinculado e NÃO pode ser revogada nem pela administração, nem pelo judiciário.
- ATENÇÃO: O alvará é o instrumento da licença ou da autorização, sendo a FORMA (revestimento
exterior do ato), enquanto a licença e autorização são conteúdo do ato.
• Licença: Conteúdo;
• Alvará: Forma.
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- Se for licença para construção e reforma, a jurisprudência entende ser possível a sua revogação,
desde que justificada por razões e interesse público superveniente, caso em que o ente estatal
deverá indenizar o particular pelos prejuízos comprovados.
IV – Admissão – Ato unilateral e vinculado pelo qual o poder público permite que o particular usufrua
de determinado serviço público, mediante a inclusão em um estabelecimento público. Ex: admissão
em hospitais públicos.
V – Aprovação – Ato administrativo discricionário para o controle da atividade administrativa, com
base na legalidade de ato anterior, além dos critérios de oportunidade e conveniência do agente que
executou a conduta.
VI – Homologação – Ato vinculado de controle de legalidade de ato anteriormente expedido pela
própria Administração Pública, sendo possível haver o controle de mérito na atuação estatal. – É ato
vinculado e unilateral pelo qual a administração reconhece a legalidade de um ato jurídico. Se realiza
a posteriori e examina apenas a legalidade.

9.4. Atos Enunciativos – NÃO produzem efeitos e NÃO podem ser revogados. Certificam ou atestam
uma situação existente, NÃO contendo manifestação de vontade da Administração. Por isso, NÃO
produzem efeitos e NÃO podem ser revogados.
I – Atestado: Quando o Poder Público tem de comprovar, mediante verificação de determinada
situação de fato, para então proferir ato que ateste aquela ocorrência fática.
II – Certidão – É ato por meio do qual a Administração Pública certifica um determinado fato que já
se encontra previamente registrado no Órgão.
III – Apostila ou Averbação – Ato administrativo pelo qual o ente estatal acrescenta informações
constantes em registro público.
IV – Parecer – ato administrativo por meio do qual se emite opinião de órgão consultivo do Poder
Público sobre assunto de sua competência, assuntos técnicos ou de natureza jurídica.
- O parecer pode ser facultativo, nas situações em que não é obrigatória a sua emissão para a
prática regular do ato administrativo, sendo obrigatório nas hipóteses em que a apresentação do
ato opinativo é indispensável à regularidade do ato, casos em que a ausência do parecer enseja a
nulidade do ato por vício de forma.
- Mesmo quando obrigatório, o parecer NÃO tem natureza vinculante, sendo somente ato que
manifesta opinião técnica sobre determinado assunto de interesse da Administração Pública => A
conclusão NÃO obriga a administração pública.
- Para a doutrina majoritária, só haverá responsabilidade do emissor do parecer se ele tiver atuado
de forma dolosa ou com erro grosseiro ao emanar ato de opinião.

9.5. Atos Punitivos


- Atos por meio dos quais o Poder Público determina a aplicação de sanções em face do cometimento
de infrações administrativas pelos servidores públicos ou particulares.

10. Extinção dos Atos Administrativos

10.1. Extinção Natural – Ocorre quando o ato já cumpriu todos os efeitos nele dispostos ou pelo
advento do termo final ou prazo ou ainda mediante o esgotamento do conteúdo jurídica desta
conduta.

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- O cumprimento dos efeitos decorre da execução material da situação apresentada no ato


administrativo, ex: término do prazo da construção, a licença para construir se extingue.
- Advento do termo final ou da condição resolutiva extingue os atos sujeitos a prazo determinado
ou que dependam da ocorrência de evento futuro e incerto para que deixe de produzir efeitos, Ex:
autorização por porte de armas concedida por 01 ano que se extingue após expirado esse prazo.
- Esgotamento do conteúdo jurídico é a extinção natural.

10.2. Renúncia – É forma de extinção que se aplica somente para atos ampliativos, que geram
direitos a particulares, por não ser possível renunciar a obrigações.

10.3. Desaparecimento da pessoa ou coisa sobre a qual o ato recai – Situação na qual o
desfazimento do ato decorre do desaparecimento do seu objeto ou do sujeito ao qual ele se destina.

10.4. Retirada – Extinção de uma determinada conduta estatal, mediante a edição de ato concreto
que a desfaça. É forma de extinção precoce do ato administrativo.
- Para alguns doutrinadores, é chamada de TEORIA DAS NULIDADES

10.5. Anulação
TEORIA DAS NULIDADES NO DIREITO ADMINISTRATIVO
1) Direito Privado - Sistema dicotômico (arts. 166 e 171 do CC):
• Atos nulos
• Atos anuláveis
2) Direito Administrativo
a) Teoria Monista: NÃO é possível reconhecer atos anuláveis (Hely Lopes
Meireles);
b) Teoria Dualista: Há atos anuláveis e nulo (Celso Antônio + José dos Santos)
* A diferença fundamental entre nulidade e anulabilidade baseia-se, quase que
exclusivamente, na possibilidade de convalidação:
• Ato absolutamente nulo: Impossível a convalidação;
• Ato anulável: Pode ser saneado pela Administração.
- Atos sanáveis:
• Forma – salvo se exigida como condição do ato
• Competência – salvo se competência exclusiva.

- É a retirada do ato administrativo por motivo de ilegalidade, operando efeitos ex-tunc, ressalvados
os direitos adquiridos de terceiros de boa-fé.
- NÃO existe direito adquirido à manutenção de ato nulo no ordenamento jurídico, mas tão somente
a manutenção de determinados efeitos deste ato.
- Os atos expedidos em desconformidade à lei podem ser divididos em 04 espécies:
I – Atos inexistentes – estão fora do ordenamento jurídico em virtude da violação a princípios
básicos que norteiam a atuação das pessoas dentro de determinada sociedade.
II – Atos Nulos – Decorre do desrespeito à lei em alguns de seus requisitos, ensejando a
impossibilidade de convalidação por não admitir conserto.
III – Atos Anuláveis – Possuem vícios que admitem consertos, não obstante editados em
desacordo com a legislação aplicável.
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IV – Atos Irregulares – Sofrem vício material relevante, não ensejando a nulidade, mas
responsabilizando o agente público que o praticou. Esse vício NÃO atinge a esfera jurídica
dos destinatários do ato.
- STF: A Administração pode anular seus próprios atos, quando ilegais (autotutela). Porém, se a
invalidação desses atos repercute em interesses individuais, será necessária a instauração de
procedimento administrativo que assegure o devido processo legal e a ampla defesa.
- TEORIA DA APARÊNCIA – A nomeação de servidor sem concurso público é nula, mas os atos
praticados são válidos, em atenção ao princípio da segurança jurídica. Ademais, não há devolução
dos salários, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração Pública. Embora o ato
administrativo não produza efeitos, os direitos adquiridos por terceiros de boa-fé são resguardados,
não podendo ser atingidos pela anulação de ato que ensejava benefícios aos seus destinatários. A
anulação poderá ser feita pela própria Administração pública ou pelo Poder Judiciário.
- O Poder Judiciário, além da própria Administração, também pode anular os atos administrativos
com vícios de ilegalidade, desde que o faça mediante provocação, possuindo a administração o prazo
decadencial de 05 (cinco) anos para anular atos administrativos ampliativos, salvo no caso de má-fé
do beneficiário.
- Na anulação, NÃO há o efeito repristinatório.

CONVALIDAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO


- Se o interesse público exigir, o ato administrativo pode ser convalidado em razão da
oportunidade e conveniência, desde que:
(i) a convalidação NÃO cause prejuízos a terceiros;
(ii) o vício for sanável.
- Vícios de forma e competência devem ser corrigidos, se for mais interessante ao
interesse público e causar menos prejuízo do que a sua anulação. Nesses casos, a
convalidação opera efeitos ex-tunc, retroagindo à data de edição do ato para que
sejam resguardados os efeitos pretéritos desta conduta.
- CONFIRMAÇÃO – Se a convalidação for feita pela mesma autoridade que havia
praticado o ato originariamente.
- RATIFICAÇÃO – Quando a convalidação é efetivada por ato de outra autoridade.
- A convalidação NÃO se aplica aos casos de atos discricionários que sofram vício de
incompetência, haja vista que nesses casos a autoridade deva exercer uma margem
de escolha acerca da manutenção ou não do ato.
- CONVALIDAÇÃO X CONVERSÃO – Na conversão, o ato administrativo que sofre de
um vício de forma pode ser convertido em outro mais simples, praticado para a
produção dos mesmos efeitos jurídicos.
- São passíveis de convalidação os atos com defeito na competência ou na forma.
Defeitos no objeto, motivo ou finalidade são insanáveis, obrigando a anulação do
ato.
ATENÇÃO:
- Vício de competência quanto à matéria: NÃO se convalida;
- Vício de competência em relação à pessoa: Se convalida.
- São convalidáveis tanto os atos administrativos vinculados quanto os
discricionários.

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MANUTENÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS INVÁLIDOS


- É a possibilidade reconhecida pela doutrina e jurisprudência e ocorre quando o
prejuízo resultante da anulação for maior do que o decorrente da manutenção de ato
ilegal. Nesse caso, o interesse público norteará a decisão.
- Deve se considerar:
• Aspecto objetivo (estabilidade das relações jurídicas): princípios do interesse
público e segurança jurídica;
• Aspecto subjetivo: proteção à confiança e boa-fé.

10.6. Revogação – É competência exclusiva da Administração Pública.


- Extinção do ato administrativo por motivo de oportunidade e conveniência (razões de mérito),
produzindo efeitos ex-nunc e mantendo os atos já produzidos.
- O Judiciário NÃO possui competência para examinar o mérito do ato administrativo.
- NÃO há previsão de limite temporal para a revogação dos atos administrativos.
- Tanto na anulação quanto na revogação NÃO há o efeito repristinatório.
- NÃO SE ADMITE REVOGAÇÃO:
* Dica para memorizar: V C Po De Da R
I – De atos consumados;
II – Atos Irrevogáveis;
III – Atos que geram direitos adquiridos;
IV – Atos Vinculados – Pois NÃO admitem análise de oportunidade e conveniência.
V – Atos Enunciativos;
VI – Atos de Controle;
VII – Atos Complexos

10.7. Cassação
- Ocorre quando o beneficiário do ato deixa de cumprir os requisitos de quando teve o ato deferido.
É hipótese de ilegalidade superveniente por culpa do beneficiário.

10.8. Caducidade
- Trata-se da extinção do ato administrativo por lei superveniente que impede a manutenção do ato
inicialmente válido. Trata-se de ilegalidade superveniente decorrente de alteração legislativa.

10.9. Contraposição (derrubada)


- Ocorre nas situações em que um ato administrativo novo se contrapõe a um ato anterior
extinguindo seus efeitos. Não de trata de ilegalidade originária, mas da impossibilidade de
manutenção do ato, por colidir com ato novo que trata da matéria.

11. Estabilização dos efeitos do ato


- A estabilização é instituto criado para garantir a preservação da boa-fé e segurança jurídica. Nesse
sentido, nenhum princípio poderá ser considerado de forma absoluta, inclusive a legalidade, que
deve admitir ponderação para a garantia dos demais princípios.
Em determinadas situações, a retirada do ato com efeito retroativos, ante a uma ilegalidade,
enseja prejuízos aos cidadãos de boa-fé, razão pela qual em algumas situações devem ser mantidos
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os efeitos produzidos pelo ato ou, ainda, o próprio ato deve ser mantido no OJ em que pese a sua
ilegalidade.
No instituto da estabilização dos efeitos, não há convalidação do ato administrativo, não
havendo conserto dos seus vícios. O ato continua com os vícios que levariam à sua invalidação,
mas por questão de segurança jurídica e boa-fé, ele permanece aplicável no OJ e seus efeitos se
estabilizam.
O que ocorre com a estabilização é que tais efeitos passam a ser vistos como se decorrentes
de ato legal fossem. Ex: TEORIA DO FUNCIONÁRIO DE FATO ( São válidos os efeitos dos atos
praticados por agentes públicos regularmente investidos, por se revestirem de aparência de
legalidade) e a MODULAÇÃO DOS EFEITOS EM ADI.
Em algumas situações, a estabilização de efeitos decorre do decurso do tempo, consolidando
uma legítima expectativa aos destinatários do ato.

ESTABILIZAÇÃO DOS EFEITOS DO ATO X TEORIA DO FATO CONSUMADO


- A Teoria do Fato consumado garante de forma automática a manutenção do ato
pelo simples fato de a situação concreta já ter se realizado, NÃO sendo possível
retornar ao status quo ante.
- Na estabilização é preciso que a retirada do ato comprometa outros princípios de
ordem jurídica, causando prejuízos sérios que justifiquem a manutenção da situação.

PODERES ADMINISTRATIVOS

1. Abuso de Poder - Se subdivide em:


• Excesso de Poder: A autoridade pública atua fora dos limites de sua competência => VÍCIO
DE COMPETÊNCIA
• Desvio de Poder: O agente público visa interesses individuais OU a autoridade busca o
interesse público, mas NÃO respeita a finalidade da lei para determinado ato => VÍCIO NA
FINALIDADE

2. PODERES EM ESPÉCIE
2.1. Poder Normativo (ou regulamentar): Vai além da edição de regulamentos, pois abarca outros
atos normativos, como deliberações, instruções, resoluções.
* Espécies de Regulamentos:
a) Regulamentos Executivos: Editados para fiel execução de lei, NÃO inovam no OJ;
b) Regulamentos Autônomos: Substituem a Lei e inovam o OJ, não se submetem à intermediação
legislativa => Brasil: art. 84, VI CF, art. 103-B, §4º, I (CNJ), art. 130-A, §2º, I (CNMP) =>
=> Ao lado dessas exceções supra, previstas expressamente na CF, Rafael Oliveira entende ser
possível admitir outros casos não expressos de poder normativo, a partir do princípio da juridicidade.
Regulamentos Autônomos – Controvérsias:
(Aprofundamento para subjetivas)
• 1ª corrente: CONSTITUCIONALIDADE – Teoria dos Poderes implícitos: A
administração tem a prerrogativa de suprir as omissões do legislativo por
meio da edição de regulamentos que visem à concretização de seus deveres
constitucionais. Hely Lopes.

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• 2ª corrente: INCONSTITUCIONALIDADE – Princípio da reserva de lei: A


Administração só possui legitimidade para atuar se expressamente autorizada
pelo legislador. Celso Antônio, Di Pietro, Carvalho Filho.

RESERVA DE ADMINISTRAÇÃO
- Entendido como o núcleo funcional da administração resistente à lei, ou seja, o
tratamento de algumas matérias seria adstrito à Administração, sendo ilícita
ingerência do parlamento.
• Reserva geral de administração: princípio da separação e poderes – a atuação
de cada órgão estatal NÃO pode invadir ou cercear o núcleo essencial da
competência de outros órgãos, sobretudo no exercício da discricionariedade
administrativa;
• Reserva específica de Administração: A CF destaca determinadas matérias,
submetendo-as à exclusiva competência administrativa do poder executivo.
Ex: declaração pelo legislativo da nulidade de concurso realizado pelo
executivo por suposta violação às normas legais.

c) Regulamentos autorizados (delegados): Editados no exercício de função normativa delimitada em


ato legislativo.
d) Regulamentos de necessidade: Produzidos em situação de emergência.

PODER REGULAMENTAR X PODER REGULATÓRIO


- Poder regulamentar:
• Competência privativa do chefe do executivo;
• Envolve a edição de normas gerais para fiel cumprimento da lei;
• Conteúdo político.
- Poder regulatório:
• Competência atribuída às entidades administrativas, com destaque para as
agências reguladoras;
• Engloba o exercício de atividades normativas, executivas e judicantes;
• Conteúdo técnico.

* Classificações dos regulamentos:


I) Efeitos:
• Regulamentos Jurídicos (normativos): Editados com fundamento em relação de supremacia
estatal geral;
• Regulamentos administrativos (ou de organização): estabelecem normas sobre a
organização administrativa ou afetam apenas os particulares que se encontram em relação
especial de sujeição com a administração. Ex: militares, presos, agentes públicos, estudantes
de escolas públicas.
o Relações de poder especial => relação mais estreita do particular com o Estado.

2.2. Poder Hierárquico: É poder de estruturação interna da atividade pública, de modo que NÃO
existe manifestação de hierarquia externa. Relação de subordinação administrativa entre agentes
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públicos, que pressupõe o escalonamento vertical de funções no interior da organização


administrativa.
- Avocação: O chefe chama para si, de forma temporária, a competência que seria de agente
subalterno.
- Delegação: Extensão de atribuições de um órgão a outro de mesma hierarquia ou de hierarquia
inferior.
• Cláusula de Reserva: O agente delegante NÃO perde a competência delegada;
• MS: Autoridade competente => Agente que praticou (Súmula 510 STF).
• Não se delega:
i. Casos de competência exclusiva definida em lei;
ii. Para decisão de recurso hierárquico;
iii. Para edição de atos normativos.
- O ato de delegação de competência, revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante,
decorre do poder hierárquico, mas não precisa ser hierarquicamente subordinado.
- ESAF: Os órgãos administrativos consultivos, embora incluídos na hierarquia administrativa para
fins disciplinares, fogem à relação hierárquica.
- NÃO há hierarquia nas funções típicas jurisdicionais e administrativas.
- CESPE: A lei permite que o órgão administrativo e seu titular deleguem parte de sua competência a
órgão não hierarquicamente subordinado. Se AVOCAÇÃO, é obrigatória a vinculação hierárquica.
- Prerrogativas aos agentes públicos:
• Ordens, a serem cumpridas por todos os subordinados;
• Controle ou fiscalização;
• Alteração de competências via delegação ou avocação;
• Rever atos praticados pelos subordinados;
• Resolução de conflitos de atribuições;
• Disciplina

2.3. Poder Disciplinar: É o poder de investigar e aplicar sanções, após contraditório e ampla defesa.
- As sanções NÃO podem ser aplicadas a particulares => deve ser vínculo de natureza especial.
- Engloba duas situações:
• Relações funcionais travadas com agentes públicas, independente da natureza do vínculo –
legal ou negocial.
• Particulares inseridos em relações jurídicas especiais com a administração, mas que não são
considerados agentes públicos.
- Pode incidir o poder aludido sobre os contratos administrativos.
- STF: É impossível substituir o mérito administrativo pelo Poder Judiciário, estando o controle
limitado à legalidade das sanções aplicadas.
- ATENÇÃO: O poder disciplinar pode ter facetas de discricionariedade e vinculação, a depender do
caso concreto. Porém, em ambos os casos, para aplicar penalidade, deve assegurar o contraditório e
ampla defesa.
- PGE/RN: O Poder disciplinar pode ser decorrente do poder hierárquico, mas também pode projetar
efeitos para além das relações travadas interna corporis.

2.4. Poder de Polícia:


- Definição: art. 78 CTN
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- Sentidos:
• Sentido amplo: compreende toda e qualquer atuação estatal restritiva à liberdade e
propriedade;
• Sentido restrito: diretamente relacionada ao exercício da função administrativa.
- Pode ser:
• Preventiva;
• Repressiva;
• Fiscalizadora.
- A atuação pode ensejar obrigações negativas (não fazer) ou positivas (fazer
- Polícia Judiciária x Administrativa
• Judiciária – Incide sobre as pessoas, atividade legislativa.
o Exaure-se em si mesma;
o Incide sobre os próprios indivíduos;
o Predominantemente repressiva.
• Administrativa – Incide sobre bens e direitos, edição de atos administrativos.
o Se exaure em si mesma;
o Incide sobre bens e direitos;
o Eminentemente preventiva.

Poder de Polícia x Função de Polícia (Diogo de Figueiredo Moreira)


- Poder de Polícia: Exercício pelo legislador e compreende a criação de limites e
condições às liberdades e aos direitos;
- Função de Polícia: Exercida pelo administrador, restringindo-se à aplicação da lei.

SUPREMACIA GERAL X SUPREMACIA ESPACIAL


- Supremacia Geral: O exercício do poder de polícia tem por destinatários todos os
particulares que se submetem à autoridade estatal.
- Supremacia Especial: Quando os administrados travam relações jurídicas
específicas com o Estado.
* Inicialmente, entendia-se que essas relações de sujeição especial ficavam
excluídas do Direito, sendo desnecessário observar o devido processo legal. A
doutrina moderna entende que se aplica o princípio da legalidade a tais relações,
mas de forma mais flexível, reconhecendo-se maior liberdade à atuação
administrativa.
* A distinção entre supremacia geral e especial é usada para definir poder de polícia
(geral) e disciplinar (especial).

- Atributos:
a) Discricionariedade: Liberdade conferida pelo legislador ao administrador para escolher o
melhor momento de atuação ou a sanção mais adequada. Porém, o poder de polícia também
pode se manifestar por atos vinculados. Ex: Licenças para construir;
b) Autoexecutoriedade: Prerrogativa da administração de implementar seus atos sem a
participação do Judiciário. O contraditório é diferido, pois em caso excepcional, a
Administração pode praticar ato de polícia para impedir prejuízo à coletividade, conferindo
direito de defesa após a prática do ato.
186

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- Alguns atos de polícia NÃO possuem o atributo, a exemplo da multa que não é adimplida
e a respectiva cobrança ocorre por execução fiscal.

EXECUTORIEDADE X EXIGIBILIDADE
- Executoriedade (executoriedade propriamente dita ou direta): o Administrador
utiliza meios diretos de coerção para implementar a vontade administrativa.
- Exigibilidade (executoriedade indireta): meios indiretos de coerção

É necessário previsão legal expressa para reconhecer a autoexecutoriedade?


▪ 1ª corrente: Depende de lei ou do caráter emergencial da medida. Di Pietro,
Celso Antônio, José dos Santos Carvalho Filho;
▪ 2ª corrente: A executoriedade é regra e só pode ser afastada por expressa
vedação legal. Hely Lopes, Diogo de Figueiredo.

 A autoexecutoriedade NÃO significa arbitrariedade, pois a atuação


administrativa sempre deverá observar a juridicidade (regras e princípios
no ordenamento jurídico).

c) Coercibilidade: impõem restrições ou condições a serem cumpridas pelos particulares. Há


atos que são despidos de coercibilidade, a exemplo da licença solicitada pelo particular.
- Natureza dos Atos: É poder negativo, mas em alguns casos também é positivo. Ex: Exigência para o
proprietário conferir função social à propriedade.
- Delegação dos atos de polícia – Compreende:
• Fiscalização – Delegável;
• Atos de consentimento – Delegável;
• Poder de Legislar – Indelegável
• Aplicar sanções – Indelegável
- CESPE: A expedição de autorização de lavra de recurso mineral é ato administrativo que configura
exercício do poder de polícia.

ATENÇÃO: CICLOS DO PODER DE POLÍCIA (Diogo de Figueiredo Moreira Neto):

a) ORDEM DE POLÍCIA: é o preceito legal básico que dá validade à limitação prevista, para
que não se pratique ato que lesionará o interesse público ou para que não deixe de fazer
algo que evitará a lesão ao interesse público.
Ex: Código de Trânsito Brasileiro que contém normas genéricas e abstratas para a
obtenção da Carteira Nacional de Habilitação.

b) CONSENTIMENTO DE POLÍCIA: é o ato administrativo que confere anuência ao exercício


de atividade ou ao uso de propriedade. Pode ser:
• Licença: ato vinculado;
• Autorização: Ato discricionário.

 Classificação das licenças ou autorizações:

187

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Licença ou autorização por operação: O ato se esgota com a sua
emissão, sem estabelecer relação jurídica permanente entre particular
e Estado. Ex: Licença para construir edifício;
▪ Licença ou autorização operativa (ou de funcionamento): estabelece
relação jurídica especial e duradoura entre o particular e o Estado.
Ex: emissão da carteira corporifica a vontade o Poder Público.

c) FISCALIZAÇÃO DE POLÍCIA: é a verificação se as ordens de polícia estão sendo cumpridas


(se não está sendo exercida uma atividade vedada ou se uma atividade consentida está
sendo executada dentro dos limites estabelecidos).
Ex: Administração instala equipamentos eletrônicos para verificar se há respeito à
velocidade estabelecida em lei.

d) SANÇÃO DE POLÍCIA: é a fase em que, verificada afronta à ordem de polícia, é aplicada


a pena de polícia. Ex: aplicação das multas de trânsito.
• LEGISLAÇÃO e FISCALIZAÇÃO são as únicas fases que sempre existirão num ciclo
de polícia;
• O CONSENTIMENTO nem sempre estará presente, pois há atos que, embora sem
consentimento, são aplicados por previsão legal.
- Poder de polícia delegável e indelegável: Nos dizeres de Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, a
doutrina tem dividido os meios de atuação da polícia administrativa em dois grupos: Poder de
Polícia Originário e Poder de Polícia Delegado. Conforme os autores:
• Poder de Polícia Originário: É aquele exercido pelas pessoas políticas do Estado (União,
Estados, Distrito Federal e Municípios), alcançando os atos administrativos provenientes de
tais pessoas;
• Poder de Polícia Delegado: É aquele executado pelas pessoas administrativas do Estado,
integrantes da chamada Administração Indireta. Diz-se delegado porque esse poder é
recebido pela entidade estatal a qual pertence.

MULTA
- Aplicação da multa: natureza autoexecutória, podendo a Administração impor
penalidade pecuniária ao administrado, sem a necessidade de recorrer ao Judiciário.
- Cobrança da Multa: Acaso NÃO paga no vencimento, a cobrança da multa NÃO é
dotada de autoexecutoriedade, devendo a Administração valer-se de instrumentos
próprios para viabilizar a cobrança.
- EM RESUMO: Requisitos para se exigir o pagamento da multa como condição
liberatória do veículo:
• A sanção aplicada deve ter sido a de apreensão e não a de retenção (mais
leve);
• Liberação condicionada ao pagamento de multas já vencidas e regularmente
notificadas – É vencida quando esgotado prazo de defesa, inerte o particular
ou após julgamento do recurso administrativo;

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• NÃO há prazo máximo para que o veículo permaneça apreendido, mas o


proprietário só será responsável pelas despesas dos primeiros 30 dias de
depósito do veículo.
- Atividades comunicadas: São as atividades privadas que devem ser comunicadas ao Estado, por
determinação legal, facilitando a fiscalização de polícia. Ex: comunicar reunião pacífica em lugares
abertos ao público.

DELEGAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA: LIMITES E POSSIBILIDADES


(APROFUNDAMENTO PARA SUBJETIVAS)
• 1ª Corrente (majoritária): Impossibilidade de delegação do poder de polícia
a particulares, o que NÃO impede o exercício privado de atividades materiais
acessórias, prévias ou posteriores ao poder de polícia. Celso Antônio, Marçal
Justen;
• 2ª Corrente: Possibilidade de delegação de fiscalização e consentimento aos
particulares, integrantes ou não da administração indireta. Diogo de
Figueiredo;
• 3ª Corrente: Pode haver delegação do poder de polícia para entidades de
direito privado que integram a Administração Pública. Cláudio Brandão;
• 4ª Corrente: Pode delegar, desde que preenchidos três requisitos:
▪ Delegação feita por lei, NÃO se admitindo via contrato;
▪ Apenas a fiscalização pode ser delegada;
▪ Entidades privadas delegatárias devem integrar a Administração
indireta, não sendo lícita a delegação às entidades privadas em geral.
Carvalho Filho.
- STF: Impossibilidade genérica de exercício do poder de polícia por particulares, pois
seria indelegável atividades típicas de Estado
- STJ: Possibilidade de delegação da FISCALIZAÇÃO e CONSENTIMENTO de polícia
para empresas públicas e sociedades de economia mista.
- O ordenamento jurídico reconhece a possibilidade de exercício de poderes
públicos, inclusive de autoridade, por particulares em alguns casos, como
comandantes de aeronaves, atividade de notários, instâncias da justiça desportiva.
- Rafael Oliveira entende possível a delegação a particulares, desde que respeitados
os seguintes requisitos:
• Exercida preponderantemente por entidades de direito público e,
excepcionalmente, por entidades de direito privado.
• Princípio da legalidade (juridicidade): a delegação deve ser por norma
constitucional ou legal, que deve fixar o exercício e limites para a função
delegada;
• Conteúdo da delegação: apenas podem ser delegadas atividades
instrumentais ou técnicas, sendo vedada a transferência regular das
atividades punitivas ou vinculadas à soberania;
• Obediência à razoabilidade e proporcionalidade;
• Respeitar direitos e garantias dos administrados.

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STF/2015: As guardas municipais podem realizar a fiscalização de trânsito? SIM. As


guardas municipais, desde que autorizadas por lei municipal, têm competência para
fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e impor multas. O STF definiu
a tese de que é constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício do
poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções administrativas
legalmente previstas (ex: multas de trânsito). STF. Plenário.RE 658570/MG, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 6/8/2015
(Info 793).
- A lei municipal pode conferir às guardas municipais competência para fiscalizar o
trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e impor multas. O STF entendeu que a
tese do MP não está correta porque a questão em tela não envolve segurança pública,
mas sim poder de polícia de trânsito. Para o Min. Roberto Barroso, poder de polícia
não se confunde com segurança pública. O exercício do poder de polícia não é
prerrogativa exclusiva das entidades policiais, a quem a CF outorgou com
exclusividade apenas as funções de promoção da segurança pública (art. 144). A
fiscalização do trânsito, com aplicação das sanções administrativas (multas), embora
possa se dar ostensivamente, constitui mero exercício de poder de polícia, não
havendo, portanto, proibição de que seja exercida por entidades não-policiais (como
é o caso das guardas municipais).
- O Código de Trânsito Brasileiro estabeleceu que a competência para o exercício da
fiscalização de trânsito é comum, cabendo tanto a União, como aos Estados/DF e
Municípios. A receber essa competência do CTB, o Município pode determinar, por
meio de lei, que esse poder de polícia (fiscalização do trânsito) seja exercido pela
guarda municipal. 12

CONTROLE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DISCRICIONÁRIOS:


- O Administrador está livre para agir diante de competência discricionárias, mas nos
devidos parâmetros do Direito, sem prejudicar ou desrespeitar os direitos dos
Administrados.
- A discricionariedade deve ser entendida de forma ampla, a abarcar não só a ideia de
mérito administrativo, mas de conceitos indeterminados e a sua compreensão a partir
de princípios.
- O Poder Judiciário, quando chamado a emitir controle jurisdicional sobre atos
administrativos, deve inicialmente verificar se os atos são discricionários ou
vinculados.
• Se vinculado – o controle se efetiva tendo por base a LEGALIDADDE;
• Se discricionário – Deve ser apreciada a correspondência da NORMA + MÉRITO
- Existe corrente doutrinária que entende que o Judiciário NÃO pode analisar os atos
administrativos discricionários de forma ampla, pois são expedidos segundo juízo de
discricionariedade e oportunidade do administrador e se refere ao mérito

12
Extraído do site do Dizer o Direito. http://www.dizerodireito.com.br/

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administrativo. Por isso, outro poder que não o próprio que expediu o ato pode
apreciá-lo, em face da separação dos poderes.
- É pacífico o entendimento de que o Judiciário NÃO pode apreciar o mérito dos atos
administrativos;
- Cresce na doutrina e jurisprudência o entendimento de que é possível ao Judiciário a
análise dos atos discricionários para se evitar arbitrariedades, desde que NÃO seja
modificado o mérito administrativo.
- Há possibilidade de o Judiciário verificar, à luz da legalidade, a validade dos atos
administrativos discricionários.

Referências bibliográficas:
Rafael Carvalho Resende Oliveira. Curso de Direito Administrativo
Matheus Carvalho: Manual de Direito Administrativo
Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Curso de Direito Administrativo.
José dos Santos Carvalho Filho. Manual de Direito Administrativo.

LEITURA APARTADA

PODER PÚBLICO EM JUÍZO PARA CONCURSOS – RELEITURA DE GRIFOS


CAPÍTULOS 12, 13, 14, 15, 16 e 17

LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO

PÁGINAS 105 a 114 E PÁGINAS 115 a 141

SÚMULA VINCULANTE TODO DIA

Alta chance de ser cobrado (+++)


Média chance de ser cobrada (++)
Pouca chance (+)

SÚMULA VINCULANTE 31 (+++)

É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de
locação de bens móveis.

SÚMULA VINCULANTE 32 (+++)

O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras.

SÚMULA VINCULANTE 33 (+++)

Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da previdência social sobre
aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei
complementar específica.

SÚMULA VINCULANTE 34 (+)


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A Gratificação de Desempenho de Atividade de Seguridade Social e do Trabalho – GDASST, instituída pela


Lei 10.483/2002, deve ser estendida aos inativos no valor correspondente a 60 (sessenta) pontos, desde o
advento da Medida Provisória 198/2004, convertida na Lei 10.971/2004, quando tais inativos façam jus à
paridade constitucional (EC 20/1998, 41/2003 e 47/2005).

SÚMULA VINCULANTE 35 (+)

A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e,
descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a
continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

SÚMULA VINCULANTE 36 (+)

Compete à Justiça Federal comum processar e julgar civil denunciado pelos crimes de falsificação e de uso
de documento falso quando se tratar de falsificação da Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) ou de Carteira
de Habilitação de Amador (CHA), ainda que expedidas pela Marinha do Brasil.

SÚMULA VINCULANTE 37 (+++)

Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos
sob o fundamento de isonomia.

SÚMULA VINCULANTE 38 (+++)

É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial.

SÚMULA DO STF TODO DIA

SÚMULA Nº 365

PESSOA JURÍDICA NÃO TEM LEGITIMIDADE PARA PROPOR AÇÃO POPULAR.

SÚMULA Nº 429

A EXISTÊNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO COM EFEITO SUSPENSIVO NÃO IMPEDE O USO DO MANDADO
DE SEGURANÇA CONTRA OMISSÃO DA AUTORIDADE.

SÚMULA DO STJ TODO DIA

Súmula 370 - Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. (Súmula 370,
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 16/02/2009, DJe 25/02/2009)

Súmula 387 - É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. (Súmula 387, SEGUNDA
SEÇÃO, julgado em 26/08/2009, DJe 01/09/2009)

Súmula 388 - A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. (Súmula 388, SEGUNDA
SEÇÃO, julgado em 26/08/2009, DJe 01/09/2009)

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Súmula 403 - Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de
pessoa com fins econômicos ou comerciais. (Súmula 403, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe
24/11/2009)

HIPOTECA

Súmula 308 - A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou posterior à
celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel. (Súmula
308, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 30/03/2005, DJ 25/04/2005 p. 384)

LOCAÇÃO

Súmula 214 - O fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu.
(Súmula 214, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/1998, DJ 02/10/1998)

Súmula 335 - Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à indenização das benfeitorias e ao
direito de retenção. (Súmula 335, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/04/2007, DJ 07/05/2007 p. 456)

PRESCRIÇÃO

Súmula 101 - A ação de indenização do segurado em grupo contra a seguradora prescreve em um ano.

Súmula 194 - Prescreve em vinte anos a ação para obter, do construtor, indenização por defeitos da obra.
(Súmula 194, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/09/1997, DJ 03/10/1997)

SUPERADA

Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o


empreiteiro de materiais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela
solidez e segurança do trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo.
Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não propuser a ação
contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito.

Súmula 229 - O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o
segurado tenha ciência da decisão. (Súmula 229, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 08/09/1999, DJ 08/10/1999)

Súmula 278 - O termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que o segurado teve
ciência inequívoca da incapacidade laboral. (Súmula 278, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/05/2003, DJ
16/06/2003 p. 416)

SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA

Súmula nº 409 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. TOTAL OU PARCIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 7º, XXIX, DA CF/1988.
MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 119 da SBDI-2) - Res. 137/2005,
DJ 22, 23 e 24.08.2005

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Não procede ação rescisória calcada em violação do art. 7º, XXIX, da CF/1988 quando a questão envolve
discussão sobre a espécie de prazo prescricional aplicável aos créditos trabalhistas, se total ou parcial, porque
a matéria tem índole infraconstitucional, construída, na Justiça do Trabalho, no plano jurisprudencial. (ex-OJ
nº 119 da SBDI-2 - DJ 11.08.2003)

Súmula nº 410 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE (conversão da Orientação Jurisprudencial


nº 109 da SBDI-2) - Res. 137/2005 DJ 22, 23 e 24.08.2005

A ação rescisória calcada em violação de lei não admite reexame de fatos e provas do processo que originou
a decisão rescindenda. (ex-OJ nº 109 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003)

Súmula nº 411 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. SENTENÇA DE MÉRITO. DECISÃO DE TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO EM AGRAVO


REGIMENTAL CONFIRMANDO DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR QUE, APLICANDO A SÚMULA Nº 83 DO
TST, INDEFERIU A PETIÇÃO INICIAL DA AÇÃO RESCISÓRIA. CABIMENTO (conversão da Orientação
Jurisprudencial nº 43 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005

Se a decisão recorrida, em agravo regimental, aprecia a matéria na fundamentação, sob o enfoque das
Súmulas nºs 83 do TST e 343 do STF, constitui sentença de mérito, ainda que haja resultado no indeferimento
da petição inicial e na extinção do processo sem julgamento do mérito. Sujeita-se, assim, à reforma pelo TST,
a decisão do Tribunal que, invocando controvérsia na interpretação da lei, indefere a petição inicial de ação
rescisória. (ex-OJ nº 43 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

Súmula nº 412 do TST


AÇÃO RESCISÓRIA. REGÊNCIA PELO CPC DE 1973. SENTENÇA DE MÉRITO. QUESTÃO PROCESSUAL (nova
redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 25.04.2017
Sob a égide do CPC de 1973, pode uma questão processual ser objeto de rescisão desde que consista em
pressuposto de validade de uma sentença de mérito. (ex-OJ nº 46 da SBDI-2 - inserida em20.09.2000)

ATENÇÃO: NOVA REDAÇÃO – ABRIL DE 2017

Súmula nº 413 do TST

AÇÃO RESCISÓRIA. SENTENÇA DE MÉRITO. VIOLAÇÃO DO ART. 896, "A", DA CLT (nova redação em
decorrência do CPC de 2015) - Res. 209/2016, DEJT divulgado em 01, 02 e 03.06.2016

É incabível ação rescisória, por violação do art. 896, "a", da CLT, contra decisão transitada em julgado sob a
égide do CPC de 1973 que não conhece de recurso de revista, com base em divergência jurisprudencial, pois
não se cuidava de sentença de mérito (art. 485 do CPC de 1973). (ex-OJ nº 47 da SBDI-2 - inserida em
20.09.2000)

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DIA 10 E 11

DISCIPLINA
PROCESSO CIVIL:

14.5 Nulidades. 14.6 Distribuição e registro. 14.7 Valor da causa. 15 Tutela provisória. 16
Formação, suspensão e extinção do processo. 17 Processo de conhecimento e do cumprimento
de sentença. 17.1 Procedimento comum. 17.2 Disposições Gerais. 17.3 Petição inicial. 17.4
Improcedência liminar do pedido. 17.5 Audiência de conciliação ou de mediação. 17.6
Contestação, reconvenção e revelia. 17.7 Audiência de instrução e julgamento. 17.8 Providências
preliminares e de saneamento

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Manual de Direito Processual Civil – Vol. Único: Daniel Amorim Assumpção Neves.

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/4e8308241f130df48edf97
d63854d8bd.pdf
CAPÍTULO: 12.

2. Direito Processual Civil Esquematizado - 8ª Ed. 2017. Marcus Vinicius Rios Gonçalves

CAPÍTULO: Livro V.

3. Fazenda Pública em Juízo: Leonardo José Carneiro da Cunha

http://www.mktgen.com.br/FOR/Sumario/9788530973254_SUM.pdf

CAPÍTULOS: 11 e 15.

4. Poder Público em Juízo para Concursos - Guilherme Freire de Melo

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/20faa24fdf6e2d8cead4b1
b9a0f96422.pdf

CAPÍTULOS: 7 e 8.

RESUMO DO DIA

PROCESSO CIVIL

Nulidades. Tutela provisória. Formação, suspensão e extinção do processo. Procedimento


comum. Disposições Gerais. Petição inicial. Improcedência liminar do pedido. Audiência de
conciliação ou de mediação. Contestação, reconvenção e revelia. Audiência de instrução e
julgamento. Providências preliminares e de saneamento.

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1. Tutela provisória – Dividida em:


• Tutelas de urgência
◦ Antecipadas: Possuem cunho satisfativo;
◦ Cautelares: meramente preventivas.
• Tutelas de evidência.

a) Efetivação da tutela provisória: O Juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas
para a efetivação da tutela provisória. Segundo o art. 297, do NCPC, a efetivação da tutela provisória
é realizada pelo cumprimento provisório de sentença.

b) Provisoriedade: Segundo o art. 297, do CPC, o Juiz poderá determinar as medidas que considerar
adequadas para a efetivação da tutela provisória. Ademais, deve ser confirmada, se concedida
provisoriamente. Se em sentença não houver manifestação expressa, o status da tutela provisória
dependerá do conteúdo da sentença:
• Se procedente o pedido do autor: A tutela provisória terá sido implicitamente confirmada;
• Se improcedente o pleito autoral, ou extinto o processo sem resolução do mérito: revogação
implícita da tutela antecipada.

c) Tutela provisória e agravo de instrumento: Se deferida ou indeferida tutela provisória por decisão
interlocutória agravada, diante da superveniência de sentença, entende Daniel Assumpção que o
recurso perde o objeto com a sentença, ainda que o julgamento do agravo de instrumento seja
superveniente à sentença.

d) Competência:
Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando antecedente, ao juízo
competente para conhecer do pedido principal.
Parágrafo único. Ressalvada disposição especial, na ação de competência originária de tribunal
e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão jurisdicional competente para
apreciar o mérito.

2. Tutelas de urgência
2.1. Requisitos: Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
• Probabilidade do DIREITO;
• Perigo de dano ou resultado útil ao processo.

2.2. Algumas regras:


• A tutela antecipada NÃO pode ser concedida se houver risco de irreversibilidade dos efeitos
da decisão.
• Pode ser exigida a caução do autor em qualquer das tutelas de urgência.

2.3. Tutela antecipada genérica:

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a) Requisito Negativo – Irreversibilidade: NÃO se concederá a antecipação de tutela se houver


perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.

b) Legitimação:
• Se houver pedido de tutela antecipada em caráter antecedente: o legitimado é o autor do
pedido;
• Se pedido incidental, no curso do processo: autor e réu podem formular o pedido.

I. Tutela antecipada em caráter antecedente

a) Procedimento: Conforme art. 303 do NCPC, quando a urgência for contemporânea à propositura
da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do
pedido de tutela final, com exposição da lide. NÃO se trata de uma petição inicial, mas de um
requerimento inicial voltado exclusivamente à tutela de urgência pretendida:

Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a petição
inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela
final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco
ao resultado útil do processo.

* ATENÇÃO: Note que o autor deverá indicar na petição inicial que pretende se valer do benefício do
art. 303 (art. 303, §5º, NCPC).

A partir daí, abrem-se duas possibilidades:

• Se indeferido o pedido: caberá ao autor emendar a petição inicial em até 05 (cinco) dias, sob
pena de ser indeferida e o processo ser extinto sem resolução do mérito;
• Se a tutela antecipada for concedida: o autor deverá aditar a petição inicial, com
complementação da sua argumentação, juntada de novos documentos e confirmação do
pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias:

Art. 303, § 1o. Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo:
I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a
juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias
ou em outro prazo maior que o juiz fixar;
II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma do
art. 334;
III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 335.
§ 2o Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo, o processo será
extinto sem resolução do mérito.
§ 3o O aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo dar-se-á nos mesmos autos,
sem incidência de novas custas processuais.

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b) Estabilização da tutela: Conforme art. 304, do NCPC, a tutela antecipada concedida de forma
antecedente se estabiliza se não for interposto pelo réu recurso contra a decisão concessiva da tutela
antecipada.

Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão
que a conceder não for interposto o respectivo recurso.
§ 1o No caso previsto no caput, o processo será extinto.
§ 2o Qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever, reformar ou
invalidar a tutela antecipada estabilizada nos termos do caput.
§ 3o A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou invalidada
por decisão de mérito proferida na ação de que trata o § 2o.
§ 4o Qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos em que foi concedida
a medida, para instruir a petição inicial da ação a que se refere o § 2o, prevento o juízo em que
a tutela antecipada foi concedida.
§ 5o O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto no § 2o deste artigo,
extingue-se após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo, nos
termos do § 1o.
§ 6o A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos respectivos
efeitos só será afastada por decisão que a revir, reformar ou invalidar, proferida em ação
ajuizada por uma das partes, nos termos do § 2o deste artigo.

Com a estabilização da tutela, o processo será extinto sem resolução do mérito (art. 304, §1º,
NCPC), e a tutela outrora concedida continua produzindo efeitos enquanto não revista, reformada
ou invalidada. Essa reforma pode ocorrer mediante uma ação autônoma com pedido de revisão,
reforma ou invalidação da decisão estabilizada, a ser demandada no prazo de 02 (dois) anos por
qualquer das partes prejudicadas (art. 304, §2º, NCPC).

II. Tutela antecipada em caráter incidental: Pode ser concedida a qualquer momento do processo,
inclusive antes mesmo da citação do réu.
- É possível conceder a tutela antecipada em sentença, desde que haja prévio requerimento da parte.
A concessão da tutela antecipada em sentença se revela útil, sobretudo nos casos que desafiam
recurso SEM efeito suspensivo. Se concedida a tutela antecipada em sentença, o art. 1.013, §5º, do
NCPC prevê expressamente que o capítulo de sentença que confirma, concede ou revoga a tutela
antecipada é impugnável por apelação..

2.4. Tutela antecipada contra a Fazenda Pública: É possível a concessão de tutela antecipada contra
a Fazenda Pública. Inclusive, mesmo nas obrigações de pagar quantia certa, excepecionalmente o STJ
tem admitido a tutela antecipada em caso de fornecimento de medicamentos não entregues pelo
Estado, inclusive com bloqueio de verbas públicas.
- Em algumas hipóteses, são vedadas as tutelas antecipadas contra a Fazenda Pública, a saber:
• Lei nº 9.494/97: Prevê uma série de restrições para a concessão de liminares e cautelares:
◦ Concessão de liminares e cautelares em mandado de segurança contra a Fazenda Pública;
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◦ Reclassificação ou equiparação de servidores públicos, ou concessão de aumentos ou


extensão de vantagens para pagamentos de vencimentos e vantagens pecuniárias.

• Lei nº 8.437/97:

Art. 1° Não será cabível medida liminar contra atos do Poder Público, no procedimento
cautelar ou em quaisquer outras ações de natureza cautelar ou preventiva, toda vez que
providência semelhante não puder ser concedida em ações de mandado de segurança, em
virtude de vedação legal.
§ 1° Não será cabível, no juízo de primeiro grau, medida cautelar inominada ou a sua liminar,
quando impugnado ato de autoridade sujeita, na via de mandado de segurança, à competência
originária de tribunal.
§ 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos processos de ação popular e de ação
civil pública.
§ 3° Não será cabível medida liminar que esgote, no todo ou em qualquer parte, o objeto da
ação.
§ 4° Nos casos em que cabível medida liminar, sem prejuízo da comunicação ao dirigente do
órgão ou entidade, o respectivo representante judicial dela será imediatamente intimado.
§5o. Não será cabível medida liminar que defira compensação de créditos tributários ou
previdenciários.

• Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de segurança):

Art. 7º, § 2o Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de
créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação
ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens
ou pagamento de qualquer natureza.

2.5. Tutela antecipada cautelar: No NCPC, ocorreu a extinção do processo cautelar incidental, tanto
que o art. 308, §1º, do NCPC expressamente admite que o pedido principal seja formulado
conjuntamente com o pedido de tutela cautelar.

a) Algumas características da tutela cautelar:


• Sumariedade:
◦ Formal: É procedimento sumarizado aplicável ao processo cautelar;
◦ Material: Suficiência da cognição sumária desenvolvida pelo juiz para a concessão
da tutela cautelar.
- A tutela cautelar é concedida mediante cognição sumária, diante da mera probabilidade de o direito
material existir. Trata-se da exigência decorrente da própria urgência da tutela cautelar. O art. 300,
do NCPC prevê os mesmos requisitos para as duas espécies de tutelas de urgência (antecedente e
cautelar), o que não impede de utilizar, para o processo cautelar, a terminologia antiga do fumus boni
iuris para explicar a probabilidade de o direito alegado existir para a concessão de tutela cautelar,
segundo defende Daniel Assumpção.

• Instrumentalidade: Tal espécie de tutela serve como instrumento apto a garantir que o
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resultado final do processo seja eficaz, para que o resultado tenha condições materiais
para gerar os efeitos práticos normalmente esperados.

b) Tutela cautelar em caráter antecedente: Sendo o pedido cautelar formulado de forma


antecedente, o procedimento a ser observado dependerá do acolhimento ou rejeição do pedido:
• Se acolhido o pedido e efetivada a medida cautelar: O autor terá o prazo de 30 dias para
aditar a petição inicial elaborando o seu pedido principal, sendo adotado a partir desse
momento o procedimento comum;
• Se rejeitado o pedido: A conversão do processo cautelar em processo principal é uma mera
faculdade do autor, e justamente para a possibilidade de o autor continuar com sua pretensão
cautelar o NCPC prevê um procedimento cautelar.

I) Procedimento:
- Petição inicial: A petição inicial deverá indicar a lide e seu fundamento, a exposição sumária do
direito que visa assegurar e o perigo da demora da prestação da tutela jurisdicional.
- Resposta do réu: Segundo o art. 306, do NCPC, o réu será citado no prazo de 5 dias para contestar
o pedido, sendo aplicável o prazo em dobro quando o réu for a Fazenda Pública, Ministério Público,
Defensoria Pública e quando houver no polo passivo litisconsórcio com patronos distintos de
diferentes sociedades de advogados. Se não for contestado o pedido, os fatos alegados pelo autor
serão presumidos verdadeiros.
- Instrução probatória: Embora no processo cautelar exista uma sumariedade, tal situação NÃO
dispensa a necessidade de instrução probatória, razão pela qual todos os meios de prova admitidos
em direito podem ser produzidos no processo cautelar.
- Sentença: Se deferido o pedido de tutela cautelar formulado em caráter antecedente, há duas
situações:
• Se efetivada a tutela: O autor terá o prazo de 30 dias para formular o pedido principal por
emenda à petição inicial (art. 308, NCPC). Caso o autor não deduza o pedido principal dentro
do prazo legal, cessa a eficácia da medida cautelar.

Art. 308. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser formulado pelo autor no
prazo de 30 (trinta) dias, caso em que será apresentado nos mesmos autos em que deduzido o
pedido de tutela cautelar, não dependendo do adiantamento de novas custas processuais.
§ 1o O pedido principal pode ser formulado conjuntamente com o pedido de tutela cautelar.
§ 2o A causa de pedir poderá ser aditada no momento de formulação do pedido principal.
§ 3o Apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a audiência de conciliação
ou de mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou pessoalmente, sem necessidade
de nova citação do réu.
§ 4o Não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art.
335.

• Se indeferido o pedido de tutela cautelar: O processo seguirá nos termos dos arts. 305 a 307
do NCPC, ou seja, seguirá como processo cautelar até ser sentenciado.
Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter
antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se objetiva
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assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.


Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem natureza antecipada,
o juiz observará o disposto no art. 303.
Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar as
provas que pretende produzir.
Art. 307. Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados pelo autor presumir-se-ão aceitos
pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 5 (cinco) dias.
Parágrafo único. Contestado o pedido no prazo legal, observar-se-á o procedimento comum.
- Coisa julgada material: Segundo entendimento do STJ e de parte da doutrina, há coisa julgada
material no processo cautelar. Segundo Daniel Assumpção, a existência de coisa julgada material na
sentença cautelar viria confirmada pelo art. 309, do NCPC, que impede a parte de repetir o pedido,
salvo por novo fundamento, se por qualquer motivo cessar a medida cautelar.
II) Cessação da eficácia da tutela cautelar:
Art. 309. Cessa a eficácia da tutela concedida em caráter antecedente, se:
I - o autor não deduzir o pedido principal no prazo legal;
II - não for efetivada dentro de 30 (trinta) dias;
III - o juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo autor ou extinguir o processo
sem resolução de mérito.
Parágrafo único. Se por qualquer motivo cessar a eficácia da tutela cautelar, é vedado à parte
renovar o pedido, salvo sob novo fundamento.

3. Tutela de Evidência: Já constava no art. 273, II, do CPC/73 e art. 1.102-a do CPC/73, mas ganhou
projeção no NCPC.
- Enunciado 418 do FPPC: As tutelas provisórias de urgência e de evidência são admissíveis no sistema
dos Juizados Especiais.
- Enunciado 422 do FPPC: A tutela de evidência é compatível com os procedimentos especiais.
- Enunciado 423 do FPPC: Cabe tutela de evidência recursal.
3.1. Hipóteses de cabimento:
Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de
perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando:
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da
parte;
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese
firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante;

- Enunciado 30 da ENFAM: É possível a concessão da tutela de evidência prevista no art. 311, II, do
CPC/2015 quando a pretensão autoral estiver de acordo com orientação firmada pelo STF em sede
de controle de constitucionalidade ou com tese prevista em súmula dos tribunais,
independentemente de caráter vinculante.
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato
de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob
cominação de multa;
IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do
direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente.
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* Atenção – Tutela de evidência atípica: O art. 311 do NCPC NÃO consegue contemplar todas as
hipóteses de cabimento da tutela de evidência, sendo criada pelo legislador a tutela de evidência
atípica, prevista de forma esparsa pelo ordenamento legal, a exemplo da concessão da liminar
possessória (art. 561, NCPC), conforme defende Daniel Assumpção.

Referências Bibliográficas:
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil.
Mozart Borba. Diálogos sobre o novo CPC.

PETIÇÃO INICIAL

1. Funções da petição inicial:


Instaura o processo;
Indica os limites objetivos e subjetivos da sentença;
Permite a verificação de eventual litispendência, coisa julgada ou conexão;
Fornece elementos para a fixação de competência;
Indica ao juiz a ausência de alguma das condições da ação;

2. Requisitos da petição inicial:

Art. 319. A petição inicial indicará:


I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número
de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o
endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
Alguns reflexos da atribuição do valor da causa:

• Determinação de competência do juízo segundo as leis de organização judiciária;


• Recolhimento de taxa judiciária;
• Fixação do valor para fins de aplicação de multas;
• Fixação do depósito prévio na ação rescisória;
• Nos inventários e partilhas o valor da causa influi sobre a adoção do rito procedimental.

VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.

POSTURAS DO JUIZ DIANTE DA PETIÇÃO INICIAL

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1. Emenda da petição inicial: Segundo o STJ, a emenda consiste em um direito do autor, não podendo
o juiz indeferir a petição inicial antes de oportunizar a emenda ao autor, se for possível ao caso
concreto.
- Segundo o art. 321 do NCPC, o juiz concederá o prazo de 15 dias ao autor para que emende ou
complete a inicial, mas pode o juiz ampliá-lo quando entender que o prazo é exíguo para
cumprimento.
- O art. 1.015 do NCPC não prevê entre as decisões interlocutórias recorríveis por agravo de
instrumento o pronunciamento que determina a emenda da petição inicial.
- Doutrina e jurisprudência entendem pela possibilidade de emendas sucessivas, sendo o limite
apreciado no caso concreto.
- Se o juiz determinar a emenda e a parte autora ficar inerte, resta o indeferimento da inicial.

2. Indeferimento da petição inicial: Ocorre nas hipóteses em que o juiz se depara com vícios
insanáveis na petição inicial, se o autor não tiver conseguido sanar eventuais irregularidades;
- Art. 331: Acaso indeferida a petição inicial, o autor pode apelar, facultado ao juiz retratar-se no
prazo de 05 (cinco) dias.
• Se não houver retratação, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso.
• Sendo a sentença reformada pelo Tribunal, o prazo para a contestação começará a partir do
retorno dos autos;
• Se não for interposta a apelação, o réu será intimado tão somente do trânsito em julgado da
sentença.
- Hipóteses de indeferimento da inicial:
• Inépcia da inicial:
◦ Falta de pedido ou causa de pedir;
◦ Pedido indeterminado, salvo as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico;
◦ Da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
◦ Contiver pedidos incompatíveis entre si.
• Ilegitimidade da parte;
• Falta de interesse de agir;
• Ausência de emenda da petição inicial.

3. Julgamento de improcedência liminar: É a possibilidade de julgamento de improcedência do


pedido do autor antes da citação do réu, nas hipóteses do art. 332, NCPC:

Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação
do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar:
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em
julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção
de competência;
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.
§ 1o O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo,
a ocorrência de decadência ou de prescrição.

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- Se interposta apelação, o juiz poderá retratar-se em 05 (cinco) dias.


- Não havendo retratação da sentença, a apelação recebida pelo juízo de primeiro grau deverá ser
encaminhada ao Tribunal de segundo grau competente para o seu julgamento. Antes disso, o réu
deve ser citado para responder ao recurso. A doutrina majoritária entende que essa resposta do réu
tem natureza de contestação, devendo o réu alegar em sua defesa todas as matérias que alegaria se
tivesse sido regularmente citado.

AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO


- Recebida a petição inicial, se não for causa de improcedência liminar do pedido, o juiz designará
audiência de conciliação ou mediação, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo o réu
ser citado com antecedência mínima de 20 (vinte) dias.
- O art. 334, §2º, do NCPC, prevê que poderá haver mais de uma sessão de conciliação e mediação,
desde que necessária para a composição das partes, num período máximo de 02 (dois) meses,
embora esse prazo possa ser extrapolado pela vontade das partes.
- O autor será intimado na pessoa do seu advogado acerca da realização da audiência. O fato de o
autor ter manifestado na petição inicial que não deseja a realização da audiência não é suficiente
para que ela não seja realizada, pois dependerá de manifestação no mesmo sentido pelo réu. No
entanto, se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse, o juiz dispensará a
realização da audiência. Para o réu, o desinteresse deve ser indicado em petição, apresentada com
10 (dez) dias de antecedência.
- Se o direito material não admitir autocomposição, não serpa realizada audiência de conciliação e
mediação.
- Se existirem litisconsórcios, todos devem manifestar o desinteresse na realização da audiência.

RESPOSTA DO RÉU:
- Lembrar que o NCPC acabou com a exceção de incompetência e suspeição em peças apartadas.
Agora, eventual alegação de incompetência, suspeição, impedimento, impugnação ao valor da
causa, por exemplo, deve ser formulada em contestação, via de regra.
Contestação:
1. Defesas Processuais (indiretas): Não dizem respeito propriamente ao direito material alegado pelo
autor, mas à regularidade formal do processo. Podem ser dilatórias (não provocam o fim do processo)
e peremptórias (acolhidas, extinguem o processo sem resolução do mérito).
1.1. Defesas dilatórias:
• Inexistência ou nulidade de citação;
• Incompetência do juízo: Lembrar que com o NCPC, a alegação de incompetência relativa
passa a ser preliminar de contestação, e não mais em exceção.
- Da decisão que acolhe ou rejeita a alegação de incompetência do réu, tanto absoluta quanto
relativa, não cabe agravo de instrumento, por não estar previsto no rol do art. 1.015, do NCPC. Assim,
a recorribilidade deve ser feita por alegação em apelação ou contrarrazões à apelação.
• Conexão e continência: O efeito principal, acaso reconhecida, será a reunião de processos
com ações não conexas, perante o juízo prevento.
- No caso da continência, a defesa apresentada pelo réu poderá ter natureza peremptória, porque
nem sempre o reconhecimento da continência levará á reunião dos processos. Conforme art. 57 do
NCPC, quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, o processo

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relativo à ação contida será extinto por sentença, sem resolução de mérito; caso contrário, as ações
serão necessariamente reunidas.

1.2. Defesas peremptórias:


• Inépcia da petição inicial;
• Perempção: Quando o autor da causa dá extinção do processo, por três vezes, à extinção do
processo, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, embora possa
alegar em defesa o seu direito.
• Litispendência;
• Coisa julgada;
• Convenção de arbitragem;
• Carência da ação por falta de interesse de agir e ilegitimidade.

1.3. Defesas dilatórias potencialmente peremptórias:


• Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização;
• Falta de caução ou outra prestação que a lei exige como preliminar: Nos casos em que a lei
exige a prestação de caução, cabe ao autor comprovar o cumprimento do requisito. Caso não
cumpra, o juiz deve determinar que o autor emende a petição inicial no prazo de 15 (quinze)
dias, sob pena de indeferimento da petição inicial.
• Incorreção no valor da causa;
• Carência da ação por ilegitimidade da parte: Incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da
relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas
processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
- Enunciado 42 do II FPPC: O art. 339 do NCPC aplica-se mesmo a procedimentos especiais que não
admitem intervenção de terceiros e aos juizados especiais cíveis;
- Enunciado 44 do II FPPC: A responsabilidade do art. 339 é subjetiva.
- O prazo para o autor aceitar a indicação correta da parte é de 15 dias, destinado à manifestação
sobre a contestação ou sobre essa alegação de ilegitimidade do réu.
• Indevida concessão do benefício da gratuidade da Justiça.

1.4. Defesas de mérito: É a impugnação do conteúdo jurídico da pretensão autoral. Pode ser:
• Defesa de mérito direta: O réu enfrente frontalmente os fatos e fundamentos jurídicos
narrados pelo autor na petição inicial, para demonstrar que os fatos não ocorreram ou as
consequências jurídicas não ocorreram ou que as consequências jurídicas pretendidas pelo
autor não são as mais adequadas ao caso concreto.
• Defesa de mérito indireta: Nessa espécie, o réu, sem negar as afirmações lançadas pelo autor
na petição inicial, alega fato novo que tenha natureza impeditiva, modificativa ou extintiva
do direito do autor.

2. Princípios que regem a contestação:


• Impugnação específica dos fatos: Segundo o art. 341, do NCPC, serão presumidos
verdadeiros os fatos que não sejam impugnados especificamente pelo réu em sua
contestação. É o ônus do réu em rebater pontualmente os fatos narrados pelo autor com os
quais discorda, sob pena de preclusão.

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- O ônus da impugnação específica NÃO se aplica ao advogado dativo, curador especial e defensor
público, que podem elaborar contestação com base em negativa geral.
• Eventualidade: O réu deve expor todas as matérias de defesa de forma cumulada e
alternativa na contestação. No entanto, há algumas matérias que podem ser alegadas após a
contestação (art. 342, NCPC):
1. Matérias relativas a direito ou fato superveniente;
2. Matérias que o juiz pode reconhecer de ofício;
3. Matérias que por expressa previsão legal podem ser alegadas a qualquer momento e grau
de jurisdição.

3. Reconvenção: É o exercício do direito de ação do réu dentro do processo em que primitivamente


o autor originário tenha exercido o seu direito de ação. Com a reconvenção, há a ampliação objetiva
ulterior do processo, que passa a contar com duas ações: a originária e a reconvencional. Não se trata
da pluralidade de processos, pois o processo continua sendo um só, mas com o pedido feito pelo réu,
passa o processo a contar com mais uma ação, de natureza reconvencional.
a) Natureza: Como a reconvenção tem natureza de ação, devem estar presentes as condições da
ação.
b) Diminuição subjetiva na reconvenção: A doutrina admite a diminuição subjetiva na reconvenção.
Logo, existindo litisconsórcio na ação originária, o mesmo litisconsórcio não será necessariamente
formado na reconvenção, admitindo-se que somente um dos autores da ação originária figure como
réu na reconvenção, por exemplo.
c) Pressupostos processuais específicos da reconvenção:
• Litispendência: É imprescindível que exista demanda originária para haver a reconvenção;
• Competência: O juízo da ação originária é absolutamente competente para a ação
reconvencional;
• Conexão com a ação originária ou com os fundamentos da defesa.

d) Procedimento: Pelo NCPC, a reconvenção deve ser apresentada na própria contestação. Segundo
o Enunciado 45, do FPPC, não há necessidade de utilizar o nome “reconvenção”, mas o réu deve
manifestar, inequivocamente, o pedido de tutela jurisdicional qualitativa ou quantitativamente
maior do que a simples improcedência da demanda inicial.
- Se o réu não contestar, pode apresentar reconvenção de forma autônoma.
- Apresentada a reconvenção, a mesma passa a ser autônoma em relação à ação originária, e se a
ação originária for extinta sem resolução de mérito, tal extinção NÃO afetará a reconvenção, que
prosseguirá normalmente. E se a reconvenção for extinta, a ação ordinária também prossegue
normalmente.
- Não sendo o caso de indeferimento liminar da reconvenção, o autor/ reconvindo será intimado, na
pessoa do seu advogado, para responder ao processo em 15 (quinze) dias.
- É cabível reconvenção de reconvenção, embora parcela da doutrina entende que o seu cabimento
está condicionado às hipóteses de reconvenção com fundamento na conexão com os fundamentos
de defesa.

REVELIA
1. Conceito: É estado de fato gerado pela ausência jurídica de contestação. A ausência deve ser
necessariamente jurídica porque ocorre revelia mesmo nos casos em que o réu apresenta
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contestação, em algumas hipóteses, a exemplo do protocolo de contestação intempestiva: a


contestação existirá, mas juridicamente não produzirá efeitos.
- O réu revel pode intervir no processo em qualquer fase, recebendo o processo no estado em que
se encontrar.
- O réu revel poderá produzir provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça
representar nos autos a tempo de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção.

2. Efeitos:
• Os fatos alegados pelo autor são reputados verdadeiros: Essa presunção é relativa, pois pode
ser afastada no caso concreto, nas hipóteses do art. 345, do NCPC:
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se:
I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável
à prova do ato;
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em
contradição com prova constante dos autos.

• Desnecessidade de intimação do réu revel: Para que não ocorra a intimação do réu revel, é
indispensável que não esteja representado por patrono nos autos. Assim, se eventualmente
foi protocolada a contestação intempestiva, o patrono deve ser intimado.
• Julgamento antecipado do mérito.

PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES CONFORME O ESTADO DO PROCESSO

- NÃO constituem fase obrigatória do procedimento, dependendo as circunstâncias do caso concreto.


- Se o réu for revel:
• Sendo presumidos verdadeiros os fatos alegados pelo autor: julgamento antecipado do
médito;
• NÃO sendo presumidos verdadeiros os fatos alegados pelo autor: Aplica-se o art. 348, do CPC,
com determinação do autor para especificar as provas a serem produzidas.
- Se o réu apresenta contestação e alega as matérias do art. 337, o Juiz determinará a oitiva do autor
para apresentar réplica.

1. Julgamento conforme o Estado do processo: Ultrapassada a fase das providências preliminares,


abre-se a fase do julgamento conforme o Estado do processo, ocasião em que pode haver algumas
situações:
• Extinção do processo sem resolução do mérito: O juiz, ao perceber a inutilidade da
continuação do processo, em razão de vício insanável, deve determinar a extinção do
processo sem resolução do mérito.
• Extinção do processo com resolução do mérito, fundada no art. 487, II e III, do NCPC.
• Julgamento antecipado do mérito: É a possibilidade de julgamento do processo, quando for
desnecessária a produção de provas ou quando o réu for revel e não houver requerimento
para a produção de provas (art. 355, NCPC).
• Julgamento antecipado parcial do mérito:
208

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Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou
parcela deles:
I - mostrar-se incontroverso;
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.

2. Saneamento e organização do processo:

Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de
saneamento e de organização do processo:
I - resolver as questões processuais pendentes, se houver;
II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os
meios de prova admitidos;
III - definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373;
IV - delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito;
V - designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.

- O número de testemunhas arroladas NÃO pode ser superior a 10 (dez), sendo 03 (três), no máximo,
para a prova de cada fato.

AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

- É ato processual complexo, no qual várias atividades são praticadas pelo juiz, serventuário das
partes, partes, membros do Ministério Público. São realizadas atividades preparatórias,
conciliadoras, saneadoras, instrutórias, de discussão da causa e decisórias.
- Na audiência de instrução e julgamento, deve-se observar a seguinte ordem:
• Abertura;
• Pregão;
• Tentativa de conciliação;
• Fixação dos pontos controvertidos;
• Esclarecimento dos peritos e assistentes técnicos;
• Depoimento pessoal;
• Oitiva de testemunhas;
• Debates orais;
• Prolação de sentença.
- Segundo o art. 365, NCPC, a audiência é una e contínua, mas pode ser cindida de forma excepcional,
desde que haja ausência do perito ou de testemunha, ou que haja concordância das partes.
Outrossim, a audiência pode ser adiada pela vontade das partes.

Referências Bibliográficas:
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil.

LEITURA APARTADA

PODER PÚBLICO EM JUÍZO PARA CONCURSOS – RELEITURA DE GRIFOS


CAPÍTULO 18 e 19
209

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LEITURA VADE MECUM DIZER O DIREITO

PÁGINAS 142 a 163

SÚMULA VINCULANTE TODO DIA

Alta chance de ser cobrado (+++)


Média chance de ser cobrada (++)
Pouca chance (+)

SÚMULA VINCULANTE 39 (+)

Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do
corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.

SÚMULA VINCULANTE 40 (+++)

A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição Federal, só é exigível dos filiados ao
sindicato respectivo.

SÚMULA VINCULANTE 41 (+++)

O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.

SÚMULA VINCULANTE 42 (+++)

É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices


federais de correção monetária.

SÚMULA VINCULANTE 43 (+++)

É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia
aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual
anteriormente investido.

SÚMULA VINCULANTE 44 (+++)

Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público.

SÚMULA VINCULANTE 45 (+++)

A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido exclusivamente pela constituição estadual.

SÚMULA VINCULANTE 46 (+++)

A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e


julgamento são da competência legislativa privativa da União.
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SÚMULA VINCULANTE 47 (++)

Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante principal devido ao credor


consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a expedição de precatório ou
requisição de pequeno valor, observada ordem especial restrita aos créditos dessa natureza.

SÚMULA DO STF TODO DIA

SÚMULA Nº 629

A IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO POR ENTIDADE DE CLASSE EM FAVOR DOS


ASSOCIADOS INDEPENDE DA AUTORIZAÇÃO DESTES.

SÚMULA Nº 630

A ENTIDADE DE CLASSE TEM LEGITIMAÇÃO PARA O MANDADO DE SEGURANÇA AINDA QUANDO A


PRETENSÃO VEICULADA INTERESSE APENAS A UMA PARTE DA RESPECTIVA CATEGORIA.

SÚMULA DO STJ TODO DIA

RESPONSABILIDADE CIVIL

Súmula 43 - Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo. (Súmula
43, CORTE ESPECIAL, julgado em 14/05/1992, DJ 20/05/1992)

Súmula 54 - Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade


extracontratual. (Súmula 54, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/09/1992, DJ 01/10/1992)

Súmula 130 - A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos
em seu estacionamento. (Súmula 130, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 29/03/1995, DJ 08/08/1995 p. 8294)

Súmula 132 - A ausência de registro da transferência não implica a responsabilidade do antigo proprietário
por dano resultante de acidente que envolva o veículo alienado. (Súmula 132, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
26/04/1995, DJ 05/05/1995 p. 12000)

Súmula 145 - No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador só será civilmente


responsável por danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou culpa grave. (Súmula 145,
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 08/11/1995, DJ 17/11/1995 p. 39295)

Súmula 221 - São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela
imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação. (Súmula 221, SEGUNDA
SEÇÃO, julgado em 12/05/1999, DJ 26/05/1999)

Súmula 402 - O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula expressa
de exclusão. (Súmula 402, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/11/2009)

211

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Súmula 529 - No seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo terceiro
prejudicado direta e exclusivamente em face da seguradora do apontado causador do dano. (Súmula 529,
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/05/2015, DJe 18/05/2015)

Súmula 532 - Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa
solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa
administrativa. (Súmula 532, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/06/2015, DJe 08/06/2015)

Súmula 537 - Em ação de reparação de danos, a seguradora denunciada, se aceitar a denunciação ou


contestar o pedido do autor, pode ser condenada, direta e solidariamente junto com o segurado, ao
pagamento da indenização devida à vítima, nos limites contratados na apólice. (Súmula 537, SEGUNDA
SEÇÃO, julgado em 10/06/2015, DJe 15/06/2015)

SÚMULAS E OJ´S DO TST TODO DIA

Súmula nº 414 do TST

MANDADO DE SEGURANÇA. TUTELA PROVISÓRIA CONCEDIDA ANTES OU NA SENTENÇA (nova redação em


decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 25.04.2017

I – A tutela provisória concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado de segurança,
por ser impugnável mediante recurso ordinário. É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso
ordinário mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao vice-presidente do
tribunal recorrido, por aplicação subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 2015.

II – No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes da sentença, cabe mandado de
segurança, em face da inexistência de recurso próprio.

III – A superveniência da sentença, nos autos originários, faz perder o objeto do mandado de segurança que
impugnava a concessão ou o indeferimento da tutela provisória.

ATENÇÃO: NOVA REDAÇÃO – ABRIL DE 2017

Súmula nº 415 do TST

MANDADO DE SEGURANÇA. PETIÇÃO INICIAL. ART. 321 DO CPC DE 2015. ART. 284 DO CPC DE 1973.
INAPLICABILIDADE..(atualizada em decorrência do CPC de 2015) – Res. 208/2016, DEJT divulgado em 22, 25 e
26.04.2016

Exigindo o mandado de segurança prova documental pré-constituída, inaplicável o art. 321 do CPC de 2015
(art. 284 do CPC de 1973) quando verificada, na petição inicial do "mandamus", a ausência de documento
indispensável ou de sua autenticação. (ex-OJ nº 52 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000).

Súmula nº 416 do TST

MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO. LEI Nº 8.432/1992. ART. 897, § 1º, DA CLT. CABIMENTO (conversão
da Orientação Jurisprudencial nº 55 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005
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ATENÇÃO – É PROIBIDO O RATEIO DESTE MATERIAL SOB PENA DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

Devendo o agravo de petição delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, não
fere direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no
agravo. (ex-OJ nº 55 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

Súmula nº 417 do TST

MANDADO DE SEGURANÇA. PENHORA EM DINHEIRO (alterado o item I, atualizado o item II e cancelado o


item III, modulando-se os efeitos da presente redação de forma a atingir unicamente as penhoras em
dinheiro em execução provisória efetivadas a partir de 18.03.2016, data de vigência do CPC de 2015) - Res.
212/2016, DEJT divulgado em 20, 21 e 22.09.2016

I - Não fere direito líquido e certo do impetrante o ato judicial que determina penhora em dinheiro do
executado para garantir crédito exequendo, pois é prioritária e obedece à gradação prevista no art. 835 do
CPC de 2015 (art. 655 do CPC de 1973).

II - Havendo discordância do credor, em execução definitiva, não tem o executado direito líquido e certo a
que os valores penhorados em dinheiro fiquem depositados no próprio banco, ainda que atenda aos
requisitos do art. 840, I, do CPC de 2015 (art. 666, I, do CPC de 1973). (ex-OJ nº 61 da SBDI-2 - inserida em
20.09.2000).

Súmula nº 418 do TST

MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO (nova redação em decorrência do CPC


de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 25.04.2017

A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via
do mandado de segurança.

ATENÇÃO: NOVA REDAÇÃO – ABRIL DE 2017

ATENÇÃO: REFORMA TRABALHISTA – NOVA REDAÇÃO DOS ARTIGOS 652, f, 855-B e 855-E, DA CLT

“Art. 652. Compete às Varas do Trabalho:


.....................................................................................
f) decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial em matéria de competência da Justiça do Trabalho.
..........................................................................” (NR)

‘Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo
obrigatória a representação das partes por advogado.
§ 1o As partes NÃO poderão ser representadas por advogado comum.
§ 2o Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria.’

‘Art. 855-C. O disposto neste Capítulo NÃO prejudica o prazo estabelecido no § 6o do art. 477 desta
Consolidação e NÃO afasta a aplicação da multa prevista no § 8o art. 477 desta Consolidação.’

ART. 477, §6º ART. 477, §8º


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§ 6º A entrega ao empregado de documentos que § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste


comprovem a comunicação da extinção contratual artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por
aos órgãos competentes bem como o pagamento trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a
dos valores constantes do instrumento de rescisão favor do empregado, em valor equivalente ao seu
ou recibo de quitação deverão ser efetuados até salário, devidamente corrigido pelo índice de
dez dias contados a partir do término do contrato. variação do BTN, salvo quando,
(Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) comprovadamente, o trabalhador der causa à
mora.
a) (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.467, de
2017)

b) (revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.467,


de 2017)

‘Art. 855-D. No prazo de quinze dias a contar da distribuição da petição, o juiz analisará o acordo, designará
audiência se entender necessário e proferirá sentença.’

‘Art. 855-E. A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional da ação
quanto aos direitos nela especificados.
Parágrafo único. O prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão
que negar a homologação do acordo.’”

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DIA 12 E 13

DISCIPLINA
TRIBUTÁRIO:

3 Competência tributária. 3.1 Classificação. 3.2 Exercício da competência tributária. 3.3


Capacidade tributária ativa. 3.4 Imunidade tributária. 3.5 Distinção entre imunidade, isenção e
não incidência. 3.6 Imunidades em espécie

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA

1. Direito Tributário Esquematizado. Autor: Ricardo Alexandre

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/554a02ceb4368aa43680f7
9326608639.pdf

CAPÍTULOS: 1 (Itens: 1.3, 1.4 e 1.5) e 3 (Item 3.1)

2. Curso de Direito Tributário e Financeiro - 6ª Ed. 2016. Autor: Cláudio Carneiro – Ed. Saraiva

CAPÍTULOS: 4 e 6

Boa opção de resumo para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. SINOPSES PARA CONCURSOS - V.28 - DIREITO TRIBUTÁRIO (2017)


4ª edição conforme NOVO CPC
Autor: Roberval Rocha

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/776524fb226b7d83bd46b
7766da15dab.pdf
CAPÍTULOS: 2 e 4 (Itens 1 até 4)
DISCIPLINA
AMBIENTAL:

4.3 SISNAMA: estrutura e funcionamento. 4.4 Lei nº 6.938/1981 e suas alterações. 6.1 Lei nº
12.651/2012 e suas Alterações. Lei Complementar nº 140/2011.

INDICAÇÃO BIBLIOGRAFICA
1. Direito Ambiental Esquematizado - Frederico Amado

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/83acdae2128388c5b30ba
3b556f5a1f2.pdf

CAPÍTULOS: 6, 7, 8, 9 (Itens 9.1 até 9.4)


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2. MANUAL DE DIREITO AMBIENTAL (2017)


7a edição: Revista, ampliada e atualizada
Autor: Romeu Thomé
Curso de Direito Ambiental. Autor: Romeu Thomé – Ed. Juspodivm

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/1ec1f2a3f753abba6316e1
0bae181935.pdf

CAPÍTULOS:4, 5 e 6

Boa opção de resumo para os candidatos que tem horário reduzido para os estudos:

1. Leis Especiais para Concursos - v.10 - Direito Ambiental - Leonardo de Medeiros Garcia e
Romeu Thomé

https://d24kgseos9bn1o.cloudfront.net/editorajuspodivm/arquivos/d648192336c9dd2ea3be1
592ce5c1e73.pdf
CAPÍTULOS: 3 e 4

RESUMO DO DIA

TRIBUTÁRIO

Competência tributária. Classificação. Exercício da competência tributária. Capacidade tributária


ativa. Imunidade tributária. Distinção entre imunidade, isenção e não incidência. Imunidades em
espécie.

1. Competência Tributária
É o poder constitucionalmente atribuído de editar leis que instituam tributos. O exercício
desse poder é uma faculdade, de tal sorte que cada ente decide sobre o exercício da sua competência
tributária.
a) Características:
• Indelegável: O ente federativo NÃO poderá transferir a sua competência tributária para
nenhum outro ente, NÃO se confundindo com a capacidade tributária ativa, esta
administrativa e delegável, inclusive no tocante à capacidade processual para o ajuizamento
da execução fiscal (As funções fiscais são delegáveis).
• Facultativa: Os entes federativos NÃO se obrigam a instituir os tributos cuja competência lhe
foi atribuída pela CF/88, em que pese o art. 11 LRF (LC 101/01) vedar as transferências
voluntárias aos entes que não instituírem os impostos.
* ATENÇÃO: O STF, em MC na ADI 2238, entendeu que NÃO há violação à CF pelo art. 11 LRF, por se
tratar de transferências voluntárias, já que as obrigatórias só podem deixar de ser repassadas quando
o ente não aplicar o percentual mínimo.

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• Incaducabilidade: O direito do ente federativo instituir o tributo pode ser exercido a qualquer
tempo, e não se condiciona a prazo decadencial.
• Inalterabilidade: A competência tributária NÃO pode ser alterada por lei infraconstitucional.
• Irrenunciabilidade: O ente federativo NÃO pode renunciar a sua competência tributária em
favor de outro ente, pode apenas deixar de exercê-la.

b) Competência tributária x Capacidade tributária ativa

• COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA: Se refere à possibilidade de editar lei instituindo o tributo,


definindo seus elementos essenciais e decorre de previsão constitucional – É INDELEGÁVEL;
• CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA: Decorre da competência tributária, mas possui natureza
administrativa, referindo-se as funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar
leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária – É DELEGÁVEL.

* ATENÇÃO: O Art. 7º,§ 2º do CTN dispõe que a delegação pode ser revogada, a qualquer tempo, por
ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido:
Art. 7º, § 2º: A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa
jurídica de direito público que a tenha conferido.
c) Espécies de competência
• Competência privativa ou exclusiva:A própria CF determina o rol dos impostos relativos a
cada ente tributante.Inclui-se o poder para a criação de outros tributos, diversos de impostos:
o União: Empréstimo compulsório + contribuições especiais;
o Estados: Contribuições sociais para custeio do seu sistema previdenciário;
o Municípios: Contribuições sociais para custeio do seu sistema previdenciário e COSIP.
• Competência comum: Diz respeito aos tributos vinculados, em que todos os entes podem
cobrar (taxa e contribuição de melhoria;
• Competência cumulativa ou múltipla: Atrelado ao poder legiferante de instituição de
impostos pela União nos territórios federais, e pelo DF (cobrança tanto dos impostos
Estaduais e Municipais pelo DF), em sua base territorial.
• Competência especial: É o poder de instituir empréstimos compulsórios e contribuições
especiais;
• Competência residual ou remanescente: É o poder de instituir tributo diverso dos já
existentes. Ex: Competência da União para instituir impostos residuais;
• Competência extraordinária: É o poder de a União instituir, por lei ordinária, imposto
extraordinário de guerra (pode ser por MP, inclusive).

2. Imunidades
Segundo Amilcar Falcão, a imunidade é forma qualificada ou não especial de não- incidência por
supressão, na CF, da competência impositiva ou do poder de tributar. Trata-se de delimitação
negativa de competência, prevista no próprio texto constitucional.
ATENÇÃO – CONCEITOS RELEVANTES:
a) Não incidência: São coisas que ocorrem no mundo, NÃO aplicáveis ao direito
tributário (Tout cout). O ente federativo, embora autorizado
constitucionalmente, NÃO exerce a sua competência tributária.
- O tributo NÃO é instituído;
217

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- NÃO há fato gerador, NÃO nasce a obrigação tributária, nem o crédito


tributário.
- A situação NÃO se enquadra na regra matriz de incidência.
b) Imunidade: Casos que se enquadrariam na hipótese de incidência, mas a CF
diz que NÃO incidirão determinados tributos.
- É IRREVOGÁVEL, e deve ser interpretada à luz dos princípios (a imunidade
delimita o âmbito de atuação da competência).
- É exoneração tributária prevista na CF.
- Há o exercício (vedado pela CF) de competência tributária.
c) Isenção: É a dispensa legal do pagamento do tributo. Se dá no plano da
legislação ordinária, devendo ser interpretada literalmente. Pode ser
revogada, SALVO a hipótese do art. 178 CTN (prazo certo e em função de
determinadas condições).
- Benefício fiscal que pressupõe a existência de competência tributária e seu
exercício.
d) Alíquota zero: Ocorre com tributos extrafiscais, em que o governo decide
temporariamente reduzir a zero a carga de determinados produtos. O governo
quer reduzir sem isentar.
- A competência tributária é exercida, o fato gerador ocorre, mas NÃO há o
dever de pagar tributo em razão da multiplicação da base de cálculo pela
alíquota zero.
OBS: A isenção é para políticas perenes; já na alíquota zero, o tributo pode voltar ao
seu patamar a qualquer momento.

Na Constituição Federal/88, existem imunidades relativas a taxas, impostos e contribuições


para a seguridade social, ainda que não estejam integralmente contidas no art. 150, da CF/88.
As mais importantes imunidades são as do art. 150 VI da CF, aplicáveis exclusivamente aos
impostos:

Art.150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir IMPOSTOS sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c)patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades
sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou
literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros
bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de
replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional
nº 75, de 15.10.2013)

a) Imunidade Recíproca
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I) Definição: É a vedação à tributação de impostos sobre o patrimônio, rendas e serviços, uns dos
outros entes políticos, a fim de preservar o pacto federativo. Trata-se de CLÁUSULA PÉTREA.

Note: A aludida imunidade se refere apenas aos IMPOSTOS, razão pela qual o município pode cobrar
taxa da União, por exemplo.

* ATENÇÃO: Embora a vedação constitucional se refira ao patrimônio, renda e serviços dos entes da
federação, o STF adota interpretação ampla, a abarcar todos os impostos. Por meio do RE 192.888,
o STF disse que a União NÃO pode tributar o Município com IOF.

II) Imunidade recíproca e entes da administração indireta: O art. 150, § 2º, da Constituição dispõe:

§ 2º - A vedação do inciso VI, (a), é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e


mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços,
vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Em princípio, as autarquias e fundações, instituídas e mantidas pelo Poder Público, são


imunes ao pagamento de impostos, desde que a imunidade se condicione à existência de
patrimônio, renda ou serviços que se relacionem às finalidades essenciais desses órgãos e que,
portanto, tenham finalidade pública.

Para empresas públicas e sociedades de economia mista, o art. 150, §3º, da CF/88, dispõe:

§3º - As vedações do inciso VI, (a), e do parágrafo anterior (autarquias e fundações)NÃO se


aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades
econômicasregidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja
contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente
comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.

Caso se trate de um ente da Administração Indireta que atue como agente privado, com fins
lucrativos, se inserindo na exploração de uma atividade econômica, esse ente da Administração
Indireta não fica sujeito à imunidade tributária recíproca num primeiro momento. No entanto, o STF
tem entendido ainda que certas empresas públicas e sociedades de economia mista, executoras
de serviços públicos de prestação obrigatória do Estado também seriam imunes, por serem “longa
manus” das pessoas políticas que lhes criam e apontam os objetivos, a exemplo dos Correios, CAERD,
CODESP e INFRAERO.

CONCLUSÃO: a imunidade tributária recíproca abrange as empresas públicas e sociedades de


economia mista prestadoras de serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do estado,
DESDE QUE observem alguns REQUISITOS:
• Restringir-se a propriedade, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos
institucionais imanentes do ente federado;
• Não beneficiar atividades de exploração econômica, destinada primordialmente a aumentar
o patrimônio do Estado ou de particulares;
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• Não deve ter como efeito colateral relevante a quebra dos princípios da livre concorrência e
do exercício da atividade profissional ou econômica lícita.
• NÃO podem cobrar preços ou tarifas.

ATENÇÃO: a regra imunizante NÃO exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto
relativamente ao bem imóvel. Nesse sentido:
Súmula 583 STF: Promitente comprador de imóvel residencial transcrito em nome de autarquia
é contribuinte do imposto predial territorial urbano.

b) Imunidade Religiosa

I. Definição: Decorre da liberdade de crença, e é aplicável EXCLUSIVAMENTE AOS IMPOSTOS, não


sendo extensiva, por exemplo, as contribuições sindicais. Como a imunidade tem por objetivo evitar
a submissão da entidade religiosa ao Estado, a proteção abrange todo o patrimônio, todas as
rendas e todos os serviços destas entidades, e não apenas o local da celebração religiosa.

II. Requisitos elementares para a imunidade:


• Investimento integral do montante pecuniário na consecução dos objetivos institucionais da
igreja;
• Inexistência de prejuízo à livre concorrência, vedando-se o cunho empresarial.

III. Alguns entendimentos do STF


- Os bens pertencentes à diocese, quando destinados as suas finalidades essenciais, NÃO devem
sofrer a incidência de impostos.
- Se os imóveis da entidade são usados como estacionamento para auferir recursos para utilizar no
objeto social dessas entidades, subsiste a imunidade.
- Se um imóvel que pertence ao ente imune é alugado, não deixa de estar vinculado as finalidades
essenciais do ente, não perdendo a imunidade, desde que os rendimentos obtidos com o aluguel do
imóvel se revertam para as finalidades essenciais da instituição.
- A imunidade é extensiva aos CEMITÉRIOS que funcionem como entidade sem fins lucrativos. Mas
não se aplica a imunidade religiosa aos cemitérios instituídos por particulares com manifesta
finalidade lucrativa.

IV. Imunidade e tributos indiretos


• NÃO incide ICMS nas operações de venda de mercadorias fabricadas pelos templos, desde
que o lucro seja revertido na finalidade da entidade religiosa;
• Incide o ICMS na compra de mercadoria pelos templos.

c) Imunidade tributária dospartidos políticos, sindicatos de trabalhadores e entidades educacionais


e assistenciais sem fins lucrativos

I. Abrangência: Apenas abarca os impostos, SALVO as entidades beneficentes de assistência social,


imunes às contribuições social – previdenciárias.

NOTE: Alcança os sindicatos de trabalhadores, NÃO se aplicando ao sindicato de empregadores!


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II. Requisitos para a concessão da imunidade: Para a aludida imunidade ser concedida, é necessária
a regulamentação legal, o que deve ocorrer por meio de lei complementar.

Art. 146. Cabe à LEI COMPLEMENTAR:


II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;

Quem faz o papel da lei complementar reguladora da imunidade é o art. 14 do CTN, pois
embora o CTN seja lei ordinária, foi recepcionado com status de lei complementar:

Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos


seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos
institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades
capazes de assegurar sua exatidão.
§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade
competente pode suspender a aplicação do benefício.
§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os
diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este
artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.

ATENÇÃO – CAIU NA 2ª FASE DA PFN/2015: No tocante às entidades assistenciais,o STF fez a


seguinte diferenciação:
• Para tratar dos contornos que envolvem a concessão da imunidade, há reserva de lei
complementar, conforme artigo 146, II, da CF;
• Eventuais normas meramente sobre a constituição e o funcionamento de uma entidade pode
vir a ser tratada por lei ordinária, e não exigem lei complementar, pois NÃO se trata de
imunidade.

III. Imunidade e imóveis das entidades: O STFvem adotando uma interpretação ampliativa,
aplicando-a aos mais diversos imóveis das entidades beneficentes, desde que o uso ali realizado
reverta para as finalidades da entidade.
* Necessário destacar um julgado, que NÃO reflete a posição consolidada da jurisprudência, em que
o STJ, ao analisar em 2014 uma situação em que a entidade beneficente se tornou franqueada dos
Correios, entendeu que incidia ICMS nas atividades praticadas enquanto franqueada, mesmo que
toda a receita advinda desta entidade seja utilizada para o seu proveito, sob a justificativa de que
a atividade prestada foge aos seus fins institucionais.

IV. Súmulas e entendimentos jurisprudenciais relevantes


- Súmula 724 STF: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, "c", da constituição, desde que o
valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.

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- SÚMULA VINCULANTE 52 (antiga Súmula 730 STF) A imunidade tributária conferida a instituições
de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, vi, "c", da constituição, somente alcança as
entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários.
- STF: É ônus da Fazenda provar que algum dos requisitos concessivos da imunidade estão sendo
descumpridos pela entidade, vigorando, assim, uma verdadeira presunção a favor da instituição.
- STF: Em regra, presume-se que o imóvel vago possui a imunidade, cabendo à Fazenda demonstrar
que seu uso não está de acordo ou revertendo às finalidades da entidade.

As cooperativas foram imunizadas dos tributos pela CF?


Não. A CF apenas determina no seu art. 146, III, “c” que a LC confira tratamento
tributário adequado ao ato cooperativo, sem falar em imunidade. Como essa lei
que trará normas gerais ainda não foi criada, os Estados podem dar às
cooperativas o tratamento tributário que julgarem adequado, em razão da
competência concorrente para legislar sobre normas gerais.

d) Imunidade Cultural

I. Definição: É imunidade objetiva, e incide tão somente nos impostos incidentes diretamente sobre
os livros, jornais, periódicos e sobre o papel destinado a impressão.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir IMPOSTOS sobre:
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.

II. Abrangência da imunidade: Não existe possibilidade de diferenciar livros, jornais e periódicos
quanto ao conteúdo, de forma a reconhecer a imunidade apenas às publicações cujas informações
veiculadas possuam relevante valor didático ou artístico. Ex. Álbum de figurinhas é imune, apostilas
são imunes.
- São imunes:
• Livros: são imunes livros que transmitem pensamentos e ideias formalmente orientadas,
independente do conteúdo.
- Inclui-se a apostila e manuais técnicos, livro piano, livro erótico, álbum de figurinhas, listas
telefônicas, revistas em quadrinhos.
- Excluem-se: livros de pontos, livros de bordo, livros fiscais.
• Jornais – O STF inclui na imunidade até as propagandas feitas, desde que impressas no jornal
ou periódico.
• Papel destinado à impressão: é o único insumo imune. O benefício alcança não só o papel,
mas filmes e papel fotográfico.

e) Imunidade musical

I. Definição: A EC 75/2013, originada pela aprovação da chamada "PEC da Música", inseriu nova
alínea no texto constitucional com intuito de assegurar condições especiais para a exploração
comercial, por artistas nacionais, do mercado de venda de músicas.
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Art. 150, VI, “e”: fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras
musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas
brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na
etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 75, de 15.10.2013)

II. Requisitos:
• Fonogramas e videogramas produzidos no Brasil;
• Conteúdo: obras musicais OU autores brasileiros ou interpretados por artistas brasileiros.

Referências Bibliográficas:
• Ricardo Alexandre. Direito Tributário Esquematizado;
• Eduardo Sabagg. Manual de Direito Tributário;
• Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. O Direito Tributário na Constituição e no STF;
• Leandro Paulsen. Curso de Direito Tributário

AMBIENTAL

SISNAMA: estrutura e funcionamento. Lei nº 6.938/1981 e suas alterações. Lei nº 12.651/2012 e


suas Alterações. Lei Complementar nº 140/2011.

1. Política Nacional do meio ambiente: A Política Nacional do Meio Ambiente, Lei nº 6.938/81, é
norma geral sobre proteção ambiental, estabelecendo princípios, objetivos e instrumentos para
preservar recursos naturais no país, bem como institui o Sistema Nacional do Meio Ambiente
(SISNAMA).
2. Objetivos e princípios: No art. 2º, caput, da Lei nº 6.938/81 se encontra previsto, como objetivo
geral, a “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. E no art. 4º
estabelece objetivos específicos.

Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao
desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana, atend