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Universidade Federal de Sergipe

Centro de ciências agrarias aplicadas


Departamento de ciências florestais

efeitos do fogo na qualidade da madeira: influencia na propriedade


físico e químico da madeira

discente:

Maria Eduarda Correia Carvalho

Docente: Prof. Dr. Genésio tâmara Ribeiro

São Cristóvão- SE
2020
discente:

Maria Eduarda Correia Carvalho

efeitos do fogo na qualidade da madeira: influencia na propriedade


físico e químico da madeira

Revisão bibliográfica entregue na


matéria prevenção e controle de
incêndio florestal como parte da
avaliação da disciplina. Entregue em
26 de março de 2020.

São Cristóvão- SE
2020
INTRODUÇÃO

Os danos causados em decorrência de incêndios florestais no brasil e no mundo


são imensos, deis de danos diretos, fácies de identificar e calcular as perdas, e
danos indiretos difíceis de identificá-los e passiveis de prejuízos por tempo
prolongado. tem por convicção que entorno de 95% dos incêndios tenham sua
origem da ação antrópica. (BELO HORIZONTE,2017) 1de acordo com Gava
(1995) a intensidade dos danos gerados está correlacionada com adaptações
evolutivas da madeira ao fogo e a intensidade do mesmo.

O grau de efeito do fogo depende, particularmente da sua intensidade, região


atingida, a qual por sua vez depende da tríade, composta por condições
meteorológicas o combustível e a topografia que influenciam na região atingida.

Dessa forma a madeira tem seu uso abrangendo na construção civil ,


principalmente na forma de vigas e barras de sustentações sendo vital a qualidade
mecânica e física dessa madeira para tal feito , além disso a qualidade química
dessa madeira deve ser analisada para o conhecimento do potencial de combustão
dessa madeira e suas possíveis perdas em matéria prima pelo fogo .

Dessa forma, esse estudo teve como objetivo avaliar as propriedades da madeira
diante da ameaça ao fogo e sua perda em termos de qualidade da madeira.
REVISÃO DE LITERATURA

intensidade do fogo

Os danos principais caudados pelo fogo são decorrentes da intensidade do


mesmo. sendo que a intensidade do fogo é definida como a taxa de calor liberado
por unidade de tempo e unidade de comprimento da frente do fogo, sendo
numericamente igual ao produto da quantidade de calor disponível da sua
combustão, como mostra a equação (SOARES, 1984).

I = H.W. r

I = intensidade do fogo em kcal/m.s.


H = calor de combustão em kcal/kg (+ ou -4000 kcal/kg) do material seco.
W = peso do combustível disponível em kg/m2.
r = velocidade de propagação do fogo em m/s.

De acordo com a intensidade, estimam-se que permaneciam prologadas de alta


intensidade do fogo, gerem os maiores danos a madeira, permitindo que
estruturas mais internam sejam expostas para a ocorrência da carbonização.

potencial de combustão da madeira

A velocidade da queima da madeira, depende de inúmeros fatores, de um ponto


de vista químico ,segundo Browning (1963), e citado por CUNHA et al. (1989) a
quantidade de compostos com alto poder calorífero como a lignina e extrativos
na madeira favorecem a queima e a liberação de calor pelo material. além disso ,
o teor de umidade do material combustível é um importante fator para a
velocidade de carbonização.

Ao tratar de material de construção civil em que o material é usado na forma


seca, é importante dar favorecimento a madeiras de alta densidade, por diminuir a
taxa de degradação desse material estrutural.
degradação térmica da madeira

É provado que diante da ação do fogo, a madeira sofre perturbações físicos e


químicas. sobre o gradiente térmico a madeira sofre perda de umidade e por
conseguintes contrações mecânicas, e sobre altas temperaturas ocorre a
despolimerização da madeira, liberação de gases voláteis, combustão do material
lenhoso e a carbonização. (SCHAFFER ,1973 BROWNE, 1958; WINANDY;
ROWELL, 2005)

As primeiras mudanças físicos químicas surgem a parti de 50°C , entre 150°C e


160°C iniciam os processos exotérmicos, sendo que as maiores perdas de massa
dão – se nas temperaturas acima de 200° C onde há perdas altas na resistência
mecânica da madeira(SCHAFFER ,1973 e PONCSÁK et al., 2006).

fases da degradação da madeira

O processo de degradação da madeira é dividido normalmente em cinco fases,


como detalhado abaixo:

Fase I Até 200 ºC

- Processo denominado pirólise lenta.


- Liberação de vapor d’água e gases.
- A madeira não se igniza.
- Existência de algumas reações exotérmicas de oxidação.
- Mudança de cor.

Fase II 200 a 280 ºC

- Aumento de reação química e eliminação de gases.


- Ocorrência de reações exotérmicas primárias sem inflamação.
- Temperatura considerada como a temperatura de ignição.
- Fase conhecida como pirólise rápida.

Fase III 280 a 380 ºC


- Produção de grandes quantidades de destilados, principalmente ácidos
acéticos e metanol.
- O resíduo final dessa fase já é carvão vegetal, mas que ainda apresenta
compostos volatilizáveis em sua estrutura.
- Fase exotérmica.

Fase IV 380 a 500 ºC

- Redução da emissão de gases.


- Produção de ácido acético, metanol, alcatrão e diversas substâncias gasosas
condensáveis.
- A perda de massa é da ordem de 70% em relação à massa original.
- Fase exotérmica.

Fase V Acima de 500 ºC


- Término da carbonização e início da gaseificação do carvão.
- O carvão é o resíduo principal.
- No interior da madeira permanece a temperatura das fases I, II e II.
- Fase exotérmica

figura 1:seção carbonizada da madeira

taxa de carbonização da madeira

A carbonização da madeira produz o subproduto carvão de resistência mecânica


desprezível, ela é definida como a unidade de tempo em que a madeira é
convertida em carvão. esse parâmetro é determinado por meio de testes de
incêndio com elementos estruturais e elevação de temperatura assim descrito nas
normas ISO 834 (1975) e ASTM E 119-08a (2009).
Os valores encontrados na literatura para a taxa de carbonização variam de 288°C
a 300°C os principais fatores que influencia essa variação, são a massa
especifica, a espécie, dimensão da peca, intensidade do calor, etc. (BUCHANAN,
2001; COLLIER, 1992; LIE, 1977; NJANKOUO; DOTREPPE; FRANSSEN,
2004; SCHAFFER, 1967).

influencia da temperatura sobre os polímeros e propriedades mecânicas da


madeira

Vários estudos caracterizam a temperatura de amolecimento da madeira,


conhecida como transição vítrea. ela é a passagem de um estado desordenado
rígido, para um estado desordenado maior, no qual as cadeias polímeras possuem
um trabalho maior.

O amolecimento desses polímeros na zona de transição vítrea é acompanhado de


mudanças nas propriedades mecânicas da madeira, como o modulo de
elasticidade dela, que traduz no desempenho mecânico. (BACK; SALMÉN,
1982; IRVINE, 1984).

Os efeitos nas propriedades mecânicas decorrentes das altas temperaturas, podem


ser temporários, quando ao resfriar não apresentar danos, ou permanentes, que ao
resfriar provoca danos consideráveis, geralmente ao passar de 65°C, não
ocorrendo perdas significativas de carboidratos. Enquanto que a ruptura de
ligações químicas começa ocorrer a temperaturas superiores a 100°C, com perdas
de carboidratos e reflete na qualidade da madeira. (ATREYA, 1983; BRYDEN,
1998; BROWNE, 1958; MILLER; BELLAN, 1996; SHAFIZADEH, 1985)

CONCLUSÃO
esse trabalho é uma revisão bibliográfica que abrange os efeitos da influencia de
altas temperaturas sobre a influência das características químicas e mecânicas da
madeira.

levando as seguintes conclusões:

a) composição química, como a quantidade de extrativos e lignina influencia na


taxa de combustão.

b) ocorre a degradação da madeira pela influência de altas temperaturas

c)as perdas da resistência mecânicas aumentam em decorrência do aumento da


temperatura

d)efeitos da temperatura sobre a madeira podem ser temporários ou permanentes

REFERÊNCIAS
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