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11/13/2016 A Psicologia da Arte | Papeando Com a Psicologia

Papeando Com a Psicologia

A Psicologia da Arte

6 de novembro de 2008 — Grupo Papeando

À primeira vista, este título é intrigante mas, todavia, sabemos que ele relaciona duas componentes
conhecidas: a arte e a psicologia. Mas a Arte e a Psicologia parecem irreconciliáveis e, mais do que isso,
são dois conceitos demasiado carregados para emparceirar num título de fusão.

O que é, afinal, a Psicologia das Artes? Quais são as suas possibilidades de existência como ciência
social? Quais são as suas garantias de método? Qual é a relação que um psicólogo mantém com as
obras de arte? O que levou a que sej untassem estes dois assuntos numa contracção tão incomum?

Antes  de  mais,  entenda‑se  por  Psicologia  da  Arte  o  exclusivo:  Psicologia  da  Arte  plástica,  ou
psicologia  da  forma  (mesmo  que  não  corresponda  a  uma  forma  estética),  ou  psicologia  da
conformação, ou psicologia da percepção visual(…).

(…)A  primeira  preocupação  é  entender  o  que  é  uma  obra  de  arte.  Como  é  que  determinada  obra
conseguiu afectar o público/receptor de tal forma que, por existir, foi considerada artística? Antes de
mais,  devemos  entender  que  todas  as  obras  concebidas  —  com,  ou  sem  pretensão  artística  —
correspondem a estímulos e esses estímulos (desencadeantes) ficam à disposição dos nossos sentidos
que os recebem (desta forma, e muito genericamente, os estímulos criados pela pintura apelam, ou
revelam‑se, ou entendem‑se através da visão; os estímulos criados pela escultura revelam‑se através
do  tacto,  os  estímulos  musicais  captam‑se  pelo  ouvido,  etc.).  E  como  funcionam  os  nossos  sentidos
que,  desdes  empre,  foram  considerados  enganadores?  Será  que  as  informações  procedentes  dos
sentidos  correspondem  sempre  à  realidade?  É  que  a  realidade  está  em  constante  mutação  e  possui
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11/13/2016 A Psicologia da Arte | Papeando Com a Psicologia

sentidos  correspondem  sempre  à  realidade?  É  que  a  realidade  está  em  constante  mutação  e  possui
regras próprias que os sentidos não são capazes de recolher(este é, justamente, o fulcro dos debates
que especulam sobre o valor e a possibilidade de existência de uma ciência empírica).

Em  Psicologia  da  Arte,  tentamos  estudar  como  nos  chegam  os  estímulos  visuais(trata‑se  de  uma
psicologia  de  recepção,  da  contemplação,  mais  do  que  da  criação),  como  e  porque  são  eles
desencadeados,  como  actuam,  como  se  modificam  e  como  são  depois  veiculados  ao  cérebro  que  os
digere.  É  que,  tradicionalmente,entendia‑se  que  psicologia  da  arte  seria  uma  área  de  conhecimento
cujo objecto consistiria na decifração de tudo aquilo que o artista põe em obra, ou seja, a exegese das
suas  representações  inconscientes.  Tratava‑se,  enfim,  de  descobriras  manifestações  mais  recônditas
da  personalidade  do  artista,  através  da  leitura  da  sua  obra  mas,  como  seria  levado  a  cabo  este
trabalho  e  qual  seria  o  método  objectivo  (científico)  que  possibilitaria  desempenhar  esta  tarefa  tão
imbuída de caracteres subjectivos e aleatórios? Este preconceito de que a Psicologia da Arte serviria
para escrutinar e resolver os problemas interiores do artista serviu apenas para afastar os artistas do
trabalho interdisciplinar com o psicólogo.

Devemos  nós  admitir  que  um  pintor  usou  o  amarelo  para  pintar  um  cão  guiado  pelo  seu
inconsciente, ou porque o amarelo tinha, indubitavelmente, um significado pessoal relacionado com
um  qualquer  fundamento  de  ordem  psíquica  e  emocional,ou  devemos  inquirir‑nos  sobre  a
possibilidade desse pintor não possuir, na sua paleta, outra cor que pudesse usar? Embora a primeira
hipótese  de  trabalhoc  onstitua  um  terreno  à  partida  mais  aliciante,  ele  colhe‑se  na  suai
mpraticabilidade  científica.  Constitui  um  erro  tentarmos  decifrar  códigos  interiores  do  autor
servindo‑nos apenas do diálogo (desapegado) com as obras de arte. (…)É este o perigo que corre a
psicanálise da arte, quando se debruçan as pesquisas feitas em solo movediço. As obras de arte não
podem  constituir‑se  como  alvos  de  terapia  e  o  escrutínio  deve  ser  outro,  os  inquéritos  que  a
Psicologia  da  Arte  leva  a  cabo  são,  ou  deveriam  ser,  bastante  diferentes.  É  aquilo  que  as  obras
provocam e, antes das obras, as configurações de uma forma geral, as formas, as imagens… Qual é o
real poder das imagens?

É que uma obra de arte é o fruto de um complexo sistema de inter‑relações que aplicam, para a sua
conformação,  factores  de  ordem  psíquica  e  emocional,  mas  também  de  ordem  prática,  e  de  cariz
cultural  e  sociológico.  O  ser  humano  é  uma  entidade  comprometida  com  a  sua  individualidade
(fenómeno  indesmentível)  mas  também  com  o  mundo,  nas  suas  múltiplas  disposições:  culturais,
religiosas,sociais, políticas, ideológicas, etc. E todas as obras que se produzem pelo homem, artísticas
ou  não‑artísticas,  são  enformadas  neste  vasto  e  complexo  contexto  de  ininterruptas  relações.  O
fracasso  da  fortuna  da  Psicologia  da  Arte  passaria  por  este  entendimento  da  sua  matriz  subjectiva,
aleatória  e  parcial  mas,  ao  invés,  regista‑se  que  o  objecto  desta  área  do  conhecimento  não  é  o
inquérito  exclusivo  do  impulso  artístico,  ou  dos  caracteres  mais  recônditos  que  o  artista  pôs
inconscientemente em obra.

A  psicologia  da  arte  interessa‑se,  então,  pelo  problema  do  que  é  uma  obra  de  arte;  o  que  é  que
caracteriza  um  objecto  para  que  ele  possa  tornar‑seartístico;  interessa‑se  pelo  estímulo  que
determinado  objecto  ou  imagem  desencadeia  no  receptor  e  como  se  processa  este  maquinismo  de
estímulo‑resposta; interessa‑se pelo facto de um receptor de uma determinada obra, no seu contacto,
desencadear  esta  ou  aquela  emoção  como  resposta,  isto  é,como  é  que  o  mesmo  objecto/imagem
provoca amor num receptor e ódio noutro? A Psicologia da Arte preocupa‑se, então, com os critérios
de apreciação estética.

Fonte: Universidade Aberta de Portugal

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Uma resposta to “A Psicologia da Arte”

ANA NERI Says: 
17 de outubro de 2012 às 14:52
Fiquei maravilhada com o artigo.

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A Relação da Criação Artística Com a Psicologia Profunda_III »

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