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Quinagem

Introdução
Quinagem é o processo de deformação plástica de chapa que permite o fabrico de superfícies
planificáveis de geometria cilíndrica, cónica ou prismática.

Para realizar a operação utiliza-se um


cunho e uma matriz montados numa
máquina ferramenta designada por
Quinadora.

O seu princípio de funcionamento é


semelhante ao de uma prensa hidráulica
ou mecânica.

Exemplos de Aplicação:
Balcões frigoríficos, mobiliário metálico, chassis, painéis
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Quinagem

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Quinagem
Classificação dos processos de quinagem
Quinagem é o processo de deformação plástica de chapa que permite o fabrico de superfícies
planificáveis de geometria cilíndrica, cónica ou prismática.

Quinagem no ar Quinagem em V Quinagem em U

Quinagem de flange Quinagem rotativa


Quinagem a fundo
com cunho de arraste
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Quinagem
Quinagem no ar

Na quinagem no ar o ângulo entre as abas


da chapa a enformar é estabelecido pela
penetração do cunho na matriz.
As forças envolvidas são baixas, mas a
precisão dimensional é limitada, devido à
recuperação elástica que o material sofre
após deformação plástica alterando a
geometria final da peça.

Quinagem em V
Na quinagem em V a chapa é deformada
até encostar às ferramentas, sendo a
folga entre cunho e matriz igual à
espessura da chapa.
A operação é mais precisa que a anterior
e é geralmente utilizada para quinar
chapas com ângulos de 90º ou
ligeiramente inferiores, com espessuras
que podem variar entre os 0.5 e os 25
mm.

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Quinagem
Quinagem em U

Na quinagem em U existem 2 eixos de


dobragem paralelos. Normalmente
utiliza-se um encostador que promove o
contacto com a chapa na zona do fundo
do cunho, evitando defeitos de forma na
peça. A força de quinagem tem um
acréscimo de cerca de 30 a 40%.

Quinagem de flange com cunho de arraste

Uma das abas é fixada por um encostador,


enquanto que a outra é dobrada a 90º pela
acção do cunho. Com a variação do curso,
é possível alterar com facilidade a
dimensão da aba enformada e o ângulo de
dobragem.

Quinagem
Quinagem a fundo

Na quinagem a fundo (quebra do


nervo) a chapa é esmagada entre o
cunho e a matriz no final da
operação e a folga entre cunho e
matriz é inferior à espessura da
chapa.
Geralmente utilizada para chapas
de espessura inferior a 3 mm, e
permite reduzir, ou até mesmo
eliminar a recuperação elástica.
A força necessária para a operação
é consideravelmente superior à da
quinagem ao ar, podendo o valor
triplicar ou quintuplicar.

3
Quinagem
Quinagem rotativa

Na quinagem rotativa
recorre-se a uma matriz
rotativa para enformar a
chapa.
Não é necessário utilizar
encostador e as forças
requeridas são baixas.
O efeito de mola pode ser
compensado diminuindo
o ângulo de dobragem.

Quinagem
Vantagens da quinagem no ar relativamente à quinagem a fundo
ƒ A quinagem pode ser efectuada em máquinas
ferramenta de menor capacidade, pois a força e
energia necessárias são menores

ƒ O desgaste e o perigo de inutilização das


ferramentas é menor

ƒ O mesmo conjunto cunho/matriz pode ser utilizado


para efectuar dobragens de diferentes ângulos,
reduzindo-se os custos de preparação e montagem
das ferramentas

Vantagens da quinagem a fundo relativamente à quinagem no ar

ƒ Peças mais precisas, podendo ser enformadas com raios de


quinagem inferiores à espessura da chapa

ƒ Redução ou mesmo eliminação do fenómeno de recuperação


elástica

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Quinagem

Quinagem de uma caixa rectangular

Quinagem a fundo

Quinagem de flange
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Com cunho de arraste

Quinagem
Noção de fibra neutra

Por acção do cunho a zona em deformação fica solicitada por um momento flector M e uma
força axial F de tracção.
Para chapas finas, pode admitir-se
que as secções rectas se mantém
A B M A
l1
B
M planas durante a deformação e
que convergem no centro de
v

C D C D F
F
curvatura.
l0
Considera-se que as direcções
θ principais das tensões e das
rM ri extensões coincidem com as
l0 = AB direcções radial, tangencial e
segundo a largura.
AB = l1 = (rM + v )θ

l ⎡l ⎛ v ⎞⎤ ⎛ lM ⎞ ⎛ v ⎞
(εθ ) AB = ln 1 = ln ⎢ M ⎜1 +
l0 l r
⎟ ⎥ = ln ⎜⎜ ⎟⎟ + ln ⎜1 + ⎟ lM = rMθ
⎣⎢ 0 ⎝ M ⎠ ⎦⎥ ⎝ l0 ⎠ ⎝ rM ⎠

Fibra neutra é a linha cujo comprimento não varia após a deformação da peça e cuja posição
depende fundamentalmente da espessura da chapa e do tipo de solicitação introduzida pelas
ferramentas.

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Quinagem em V no ar
Cálculo da dimensão da estampa plana

Para se determinar as dimensões da estampa plana é necessário conhecer-se o comprimento


da fibra neutra, lN.

De acordo com a norma DIN 6935, o comprimento da estampa plana será dado por:

Abertura das abas Abertura das abas Abertura das abas entre
entre 0 e 90º entre 90 e 165º 165 e 180º

Cálculo de k:
β ângulo de abertura das abas
h espessura da chapa
ri raio interior de dobragem
k factor de correcção para a linha neutra
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Quinagem
Flexão de peças direitas

Distribuição de tensões numa peça direita de espessura h e largura b, quando solicitada por
um momento puro, Mz.
Simplificações:
h

- Material é homogéneo e isotrópico


y - Comportamento elasto-pefeitamente plástico
σx - As secções inicialmente planas permanecem
2
b/

Mz Mz
planas durante a deformação
z
x σx LM=LN
- Os princípios de Saint Venant e da
sobreposição são válidos

Desprezando as tensões segundo y e considerando que a linha neutra e a linha média


coincidem, então a distribuição de tensões segundo x depende da intensidade do momento
flector aplicado:
M é o momento flector, y a distância da fibra em análise à linha
My neutra e Iz é momento de inércia relativamente à fibra neutra e é
σx = ± dado por:
Iz bh3
I z=
12
O sinal mais ou menos deve-se ao facto de σx ser e tracção no lado exterior da peça e de compressão no
lado interior.
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Quinagem
Flexão de peças direitas
A distribuição de σx pode encontrar-se nos seguintes três casos de solicitação:

(a) Elástica (b) Elasto-plástica (c) Plástica


−σe 0 σe −σe 0 σe −σe 0 σe
σx σx σx
Me Me Mep Mep Mp Mp

σ e b(h − 2d p ) σ e bh2
Me =
σ e bh2 M ep =
6
(
+ σ e bd p h − d p ) Mp =
6 4

Valor máximo do momento dp é a parcela da espessura que se Momento que produz uma
que a chapa suporta, as encontra em domínio plástico distribuição de tensão
fibras exteriores estão na constante em toda a secção
eminência de entrar no A primeira parcela quantifica o transversal e igual à tensão
domínio plástico momento flector da zona elástica e limite de elasticidade.
a segunda parcela o momento
flector da zona plástica

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Quinagem em V no ar
Raio Mínimo de quinagem

Raio mínimo de quinagem, rmin, é o raio


para o qual surgem fissuras na superfície
exterior da chapa.

Para a sua determinação existem dois


métodos alternativos:

• Baseado nas propriedades


mecânicas do material

• Natureza empírica

A extensão tangencial, eθ, para uma fibra à distância y da linha média com um raio de curvatura
rm e um ângulo de dobragem α é dada por:

O ângulo de dobragem é dado por , então a extensão tangencial para a fibra exterior é
dada por:

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Quinagem em V no ar
Raio Mínimo de quinagem
Considerando válidas as seguintes hipóteses:
• Na flexão em domínio plástico a extensão verdadeira na fibra exterior para a qual a
fractura sobrevém é igual à extensão verdadeira na fractura no ensaio de tracção
uniaxial.
• O material é homogéneo e isotrópico.
• O estado de tensão na flexão é plano, ou seja, a relação entre o comprimento de
dobragem e a espessura, b/h, é pequena.

A extensão verdadeira no ensaio de tracção é dada por:

Igualando a extensão verdadeira na fibra exterior da flexão, à extensão verdadeira do ensaio


de tracção:

Verificou-se experimentalmente a determinação do


rmin através da expressão anterior era precisa para
valores de q inferiores a 0.2. Assim sendo:

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Quinagem
Raio Mínimo de quinagem
O facto da chapa possuir anisotropia, devido a ter sido laminada, pode originar defeitos na
quinagem.

Assim, a implantação das peças na chapa deve fazer-se,


sempre que possível, de modo a que a direcção de
quinagem se desenvolva perpendicularmente à direcção
de laminagem. Quando não for possível, deve-se
aumentar os raios de dobragem para evitar a fractura.

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Quinagem
Raio Mínimo de quinagem
Outra forma de determinar o raio mínimo de quinagem pode ser a partir de ábacos,
construídos com base em ensaios experimentais.

Por vezes o raio mínimo de quinagem é definido em função da abertura da matriz, v,


utilizada na operação:

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Quinagem em V no ar
Abertura da matriz
Do valor da abertura da matriz dependem a força de quinagem, o raio mínimo de quinagem e
a dimensão mínima da aba.

Considera-se duas operações de quinagem com abertura de matriz diferente (uma dupla da
outra):

v v
=6 = 12
h h Evolução da curvatura desde a zona central de quinagem
até à região de contacto com a matriz para duas aberturas
de matriz diferentes.
A evolução da curvatura indicia que a deformação da chapa para se atingir o mesmo ângulo de abertura
entre abas, depende significativamente da abertura da matriz, sendo superior no caso de matrizes de maior
abertura. Assim, com base em resultados experimentais temos:

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Quinagem em V no ar
Profundidade de quinagem
Uma das vantagens da operação de quinagem no ar reside na possibilidade de se poderem
efectuar quinagens com ângulos diferentes, utilizando o mesmo conjunto cunho/matriz.
Assim, para a preparação das quinagens será necessário relacionar o ângulo de abertura
das abas, β, com a penetração do cunho na matriz.
Considerando que a espessura da chapa se mantém
constante:

y é a compensação da curvatura da chapa, sendo


dada por:

Então a profundidade de quinagem, em função do


ângulo da zona de dobragem, α, será dada por:

A profundidade de quinagem, em função do ângulo


de abertura das abas, β, será dada por:

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Quinagem
Recuperação elástica ou efeito de mola

O fenómeno de recuperação elástica ou efeito de mola, acontece sempre que a solicitação


exterior que originou a flexão é retirada.
Assim, tanto o ângulo de dobragem, como o raio de curvatura aumentam, modificando-se a
geometria da peça.
M

Uma das principais dificuldades da


quinagem ao ar reside no controlo
deste fenómeno , o qual se faz sentir
quando as solicitações que
provocaram a deformação plástica,
θ
M
ri1
ri0 geralmente numa zona muito
localizada, desaparecem.
θ
θ+ ∆

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Quinagem
Recuperação elástica ou efeito de mola

A descarga (cessação das solicitações exteriores) provoca o aparecimento do fenómeno de


recuperação elástica. O estudo do mecanismo de descarga pode ser efectuado recorrendo
ao princípio da sobreposição, aplicando no final do carregamento um momento flector de
igual intensidade ao do momento de carga, mas com sentido contrário, para restituir as
condições de equilíbrio.
O material na fase de descarga reentra em domínio elástico, passando o seu
comportamento mecânico a ser regido pelas equações constitutivas lineares elásticas.
A distribuição das tensões de descarga é linear.

Sobreposição das tensões de descarga aos diagramas das tensões de carga:

−σe 0 σe −3/2σe −σe 0 σe 3/2σe −3/2σe −σe 0 σe 3/2σe


σxd σxc σxd σxc σxd σxc

bh2 σe b (h − 2 d p )
2
σe b h 2
Mec = Med = σ e
6
Mepc = Mepd = + σe b d p (h − d p ) M pc = M pd =
6 4

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Quinagem
Recuperação elástica ou efeito de mola

A soma das tensões de carga com as que surgem na fase de descarga (situação que
corresponde à posição de equilíbrio) permite determinara distribuição das tensões residuais
que permanecem na peça no final do processo de deformação.

Diagrama das tensões residuais resultantes dos carregamentos e descarregamentos:


−σe 0 σe −σe 0 σe −σe −1/2σe 0 1/2σe σe
σxres σxres
σxres

σ x res = 0 y ⎛ y⎞
σx res = ±σ e m 3σ e = σ e⎜± 1 m 3 ⎟
h ⎝ h⎠

Analiticamente a distribuição de tensões residuais pode ser determinada a partir do conhecimento das
tensões de carga e de descarga:

σ x res = σ xc + σ xd

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Quinagem
Ângulo de recuperação elástica
A estimativa do ângulo de recuperação elástica é necessária para que as ferramentas possam
ser corrigidas na fase de projecto e a flexão possa ser compensada.
O valor aumenta nos materiais com maior tensão limite de elasticidade ou com maior
propensão ao encruamento.
O trabalho a frio também faz aumentar o seu valor, decrescendo nos materiais com menor
módulo de elasticidade. Também as características geométricas da operação influenciam a
recuperação elástica, como o raio interior de quinagem, a abertura da matriz e a espessura da
chapa.
∆α dl e 2 dl e
tan = =
2 h h h(2 − k )
+ (1 − k )
2 2
Considerando a definição de extensão e
notando que a recuperação se dá em
domínio elástico (válida a lei de Hooke)

∆α le σ θe ∆α
tan = ≈
2 h(2 − k ) E 2

2l e σ θe
∆α =
h(2 − k ) E
A recuperação elástica aumenta com o valor das tensões aplicadas, com a
diminuição do módulo de elasticidade do material, com a diminuição da espessura
e com o aumento do raio de curvatura. 23

Quinagem
Factor de recuperação elástica
Alternativamente existem tabelas com dados empíricos que permitem quantificar a
recuperação elástica da operação. É habitual admitir-se que a recuperação elástica se faz em
torno da linha média, obtendo-se pela constância do seu comprimento:

Factor de recuperação elástica, kR

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Quinagem
Métodos de minimização ou eliminação da recuperação elástica

ƒ Correcção ou compensação dos ângulos das ferramentas durante o seu projecto, para
quinagem no ar

ƒ Correcção do valor de profundidade de quinagem com o valor correspondente ao da


recuperação elástica, para operações de quinagem no ar

ƒ Dobragem com forças de tracção, como o momento necessário à deformação é reduzido,


também a recuperação elástica será menor

ƒ Substituição da quinagem no ar pela quinagem a fundo

ƒ Realização das operações a temperaturas elevadas, já que a recuperação elástica vem


reduzida com a diminuição da tensão limite de elasticidade

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Quinagem
Força e trabalho de quinagem
Para determinar a força necessária à quinagem em V no ar, considere-se a figura seguinte,
que apresenta o sistema de forças que se desenvolve durante a operação.

Admitindo como 1ª aproximação, que as reacções, R sã verticais e


que as forças de atrito, Fa podem ser desprezadas, o momento
flector na secção central da chapa será dado por:

Simplificando a solicitação que actua sobre a chapa, pi, momento


plástico, Mp, necessário para plastificar a totalidade da secção
transversal da chapa é dado por:

Igualando os dois momentos, vem:

Todavia esta expressão em termos práticos não é capaz de fornecer estimativas muito correctas para o
valor da força. Atribuindo-se este facto às simplificações introduzidas durante a dedução.

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Quinagem
Força e trabalho de quinagem
Simplificações consideradas:

ƒ Encruamento do material não considerado


ƒ Forças de atrito desprezadas
ƒ Reacções na matriz consideradas verticais

Assim sendo, a norma DIN 6935 propõe um factor correctivo, K, dado por:

Assim, para calcular a força de quinagem em V no ar, utiliza-se a seguinte expressão:

O trabalho de quinagem é dado pela área


delimitada pela curva da força de quinagem num
gráfico F vs deslocamento do cunho.

Em que Qw é um coeficiente que depende do tipo de


evolução que a força de quinagem tem com o curso
do cunho, variando geralmente entre 0.5 e 0.8.

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Quinagem
Defeitos de quinagem - esbeiçamento e efeito de sela

Os defeitos característicos da flexão


b
em domínio plástico são o
esbeiçamento (deformação lateral) e
efeito de sela. B
h M
Estes fenómenos devem-se à
ri
deformação longitudinal (segundo z)
das fibras exteriores e interiores da A
zona deformada, e têm origem no facto
de a zona dos bordos estar sujeita a M
um estado de tensão plano, em
oposição ao que se verifica na zona
central da chapa, onde o estado de
deformação pode ser considerado
plano.
b
De facto, verifica-se que relativamente h
Secção AB
à largura inicial da chapa, b, as fibras
mais exteriores sofrem contracções,
enquanto que as fibras mas interiores
sofrem alongamentos, originando
irregularidades nas zonas extremas de
dobragem (esbeiçamento).
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Quinagem
Defeitos de quinagem - esbeiçamento e efeito de sela
Análise dos modos de deformação de ambas as zonas:
εr εr
εz σz
σθ σθ εr
εθ εθ
σθ εz
εθ
C A C A

D D εr
εr B εr B
εz
εz
σθ σθ σz
εθ σθ εθ
εθ

Na zona central da peça (A e B) quando Na zona dos bordos da peça (C e D)


suficientemente afastada dos bordos da peça
(b/h>8), pode considerar-se deformação plana εZ = 0 Considera-se tensão plana σZ = 0
σr = 0 (por condição de fronteira)
εθ + ε r + ε z = 0 ⇒ ε r = −εθ σθ= ± σe

σr = 0 (por condição de fronteira nas fibras exteriores) Surge deformação na direcção radial e
σθ= ± σe (tensão tangencial atinge o valor limite) longitudinal como consequência da deformação
tangencial
σ r + σθ σe
σz = =±
2 2 dε dε ⎛ 1 ⎞
d εθ = ± σe d ε r = −d ε z = ± σ
σ σ ⎜⎝ 2 e ⎟⎠ 29

Quinagem
Defeitos de quinagem - esbeiçamento e efeito de sela

Ponto A Ponto B

dε ⎛ 3 dε ⎛ 3 ⎞
⎞ σθ = −σ e d εθ = − σ
σθ = σ e dε θ = σ
σ ⎜⎝ 4 e ⎟⎠ σ ⎜⎝ 4 e ⎟⎠
σe σe
σz = dε z = 0 σz = − dε z = 0
2 2
dε ⎛ 3 ⎞
dε ⎛ 3 ⎞ σr = 0 dε r = σ
σr = 0 dε r = − σ
σ ⎜⎝ 4 e ⎟⎠ σ ⎜⎝ 4 e ⎟⎠

Ponto C Ponto D

σθ = σ e d εθ =
σ
(σ e ) σθ = −σ e dε θ = −

(σ e )
σ
dε ⎛ 1 ⎞ dε ⎛ 1 ⎞
σz = 0 dε z = − σ
σ ⎜⎝ 2 e ⎟⎠ σz = 0 dε z = σ
σ ⎜⎝ 2 e ⎟⎠
dε ⎛ 1 ⎞ dε ⎛ 1 ⎞
σr = 0 dε r = σ
σ ⎜⎝ 2 e ⎟⎠ σr = 0 dε r = − σ
σ ⎜⎝ 2 e ⎟⎠

No caso da peça ter uma relação b/h pequena, verifica-se que o efeito de rotação das
extremidades se propaga em toda a largura, não havendo condições para que o estado de
deformação na zona central possa ser considerado plano.
E o facto da extensão radial na zona central ser maior do que a correspondente nas
extremidades, leva a que a linha de dobragem da peça deixe de ser plana, originando o
efeito de sela.
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Quinagem
Elementos de Projecto
Exemplos de preparação do planificado para evitar defeitos nas zonas de concordância:

Método para evitar o aparecimento de fissuras Método para compensar o esbeiçamento:


junto às zonas dobradas:

Distância mínima para evitar Distância mínima para evitar


alterações de forma dos furos defeitos de dobragem
após dobragem

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Quinagem
Dobragem de abas curvas
Dobragem de abas cujo eixo de dobragem da
peça tem geometria circular.
Aconselha-se a dobrar duas peças juntas e
depois separá-las através de corte por
arrombamento, de modo a equilibrar os cunhos
e matrizes, evitando irregularidades nas peças
fabricadas.

Sendo o estado de tensão uniaxial para a


extremidade da aba, verifica-se a seguinte relação de
extensões verdadeiras:

com

Expansão Retracção
Limites de enformação de alguns materiais para a dobragem de
abas curvas
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Quinagem
Posicionamento dos esbarros da quinadora

Na preparação de trabalho de peças com


quinagens múltiplas o projectista deve definir a
sequência de quinagens procurando cumprir dois
requisitos fundamentais:

- que o tempo de operação seja o mínimo


- que a peça seja exequível na quinadora, ou
seja, que não existam interferências com os
elementos da quinadora

Os esbarros (posicionadores da chapa) podem ser


anteriores ou posteriores, consoante se situam na
frente ou na traseira da quinadora.

Nas quinadoras sem comando numérico,


dependendo do número de peças a quinar, os
esbarros são posicionados manualmente de modo
a tornar a operação mais cómoda, mais precisa e
mais económica.

As quinadoras com comando numérico permitem


definir a sequência de quinagem, posicionando
automaticamente os esbarros em cada quinagem,
rentabilizando o tempo de operação.

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Quinagem
Quinagem em U Diferentes fases da dobragem em U

Sem encostador Com encostador

F = 0.5σ R hb

Sem encostador Com encostador

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Quinagem
Quinagem a fundo ou “Quebra do nervo”

A operação consiste em esmagar a chapa entre


o cunho e a matriz no final da operação, de
modo a que a folga entre o cunho e a matriz seja
inferior à espessura da chapa.

Aplica-se sobretudo em chapas finas, com


espessuras inferiores a 3 mm. E permite reduzir
ou mesmo eliminar a recuperação elástica do
material.

Principais inconvenientes são a redução local


de espessura e a necessidade de forças
elevadas na operação.

Força necessária à quinagem a fundo em função do


valor da quinagem no ar correspondente

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Quinagem
Quinagem de flanges com cunho de arraste

Na operação de quinagem de flanges com cunho de arraste a estampa


é posicionada na ferramenta através de um encostador que a prende
de encontro à matriz.
A dobragem da aba é efectuada através do movimento descendente
do cunho, podendo o ângulo de quinagem ser diferente de 90º em
função do curso do cunho.

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Quinagem
Quinagem com borracha

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