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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

AULA 5

Prof. Paulo Seixas


CONVERSA INICIAL

Nesta aula serão abordadas as últimas melhorias energéticas do curso,


dos sistemas de aquecimento, dos sistemas de ar comprimido, de refrigeração
e de bombeamento. Também trataremos da arquitetura bioclimática, e
abordaremos as melhorias em projetos que possibilitam utilizar os recursos
naturais com aumento da eficiência de residências, comércios entre outros.

TEMA 1 – MELHORIA EM EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE SISTEMAS DE


AQUECIMENTO

De acordo com o Guia de Eficiência Energética em Edificações, Sindigás


(2013, p. 21-42), as principais fontes de energia utilizadas para aquecimento de
água, listadas nas regulamentações de eficiência energética para edificações,
são sistemas:

 a gás combustível;
 solares;
 elétricos;
 a combustíveis líquidos.

Os tipos de equipamentos existentes para cada fonte são apresentados a


seguir.

1.1 Sistemas a gás

Tanto o gás liquefeito de petróleo (GLP) quanto o gás natural (GN) podem
ser utilizados em aquecedores para produção de água quente. Existem
basicamente duas classificações para esses equipamentos: de passagem e de
acumulação. A Figura 1 apresenta um aquecedor conjugado, com a divisão típica
entre queimador – ou queimadores (aquecedores de passagem) – e reservatório.
Figura 1 – Aquecedor conjugado

1.2 Sistemas solares

No sistema de aquecimento solar, temos um coletor solar responsável


pela transferência de radiação do sol para o aquecimento de seu fluido
circulante.
Então, nesse sistema, temos o coletor solar, um reservatório térmico, um
sistema auxiliar de aquecimento, além de válvulas, termostatos e outros
dispositivos de controle e segurança e suas mangueiras hidráulicas.
Na Figura 2, vemos os dois tipos de sistemas instalados em uma
residência:

Figura 2 – Aquecimento solar por termossifão (a) e por circulação fechada (b)

1.3 Sistemas elétricos

Os aquecedores elétricos podem ser divididos em três tipos: de


passagem, de acumulação e bomba de calor.
Os aquecedores de passagem ou instantâneos são instalados
diretamente no ponto de uso, sendo compostos basicamente por uma resistência
elétrica e um diafragma de borracha. O tipo mais comum de aquecedor de
passagem utilizado no Brasil é o chuveiro elétrico.
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O aquecedor de acumulação tem o mesmo princípio de funcionamento do
aquecedor de acumulação a gás. Nele, temos um reservatório com uma fonte
que fornece calor ao volume de água armazenado, e um termostato (que controla
a temperatura da água) ou um sistema de controle automático (que mantém a
temperatura de acordo com a demanda).

Figura 3 – Aquecedor de acumulação elétrico vertical

As bombas de calor retiram calor de um ambiente que tenha menor


temperatura e transferem esse calor para um ambiente com maior temperatura
– esse processo é semelhante ao do funcionamento do ar-condicionado. A
eletricidade nesse sistema aciona um motor elétrico que comprime o fluido
refrigerante.
O seu esquema de funcionamento é apresentado na Figura 4:

Figura 4 – Esquema simplificado de funcionamento de uma bomba de calor

1.4 Sistemas a combustíveis líquidos

A produção de água quente a partir de combustíveis líquidos como óleo


combustível, óleo diesel ou outros derivados do petróleo é possível com a
utilização de caldeiras. Nelas, a queima do combustível é realizada em um
queimador, que eleva a temperatura da água até o ponto necessário. A utilização

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dessas caldeiras é mais comum na indústria ou no comércio, em que há altas
demandas de água quente, como é o caso de hotéis e hospitais.
A Figura 5 apresenta uma ilustração desse tipo de equipamento:

Figura 5 – Caldeira a gás natural

1.5 Avaliação da eficiência do aquecimento de água a gás

Para evidenciarmos a eficiência de um sistema, utilizamos a Etiqueta


Nacional de Conservação da Energia (ENCE). Ela informa o atendimento a
requisitos mínimos de desempenho (em alguns casos, também fornece os de
segurança) estabelecidos por normas e regulamentos técnicos. A ENCE
classifica equipamentos, veículos e edifícios em faixas coloridas, que de modo
geral vão de A (mais eficiente) a E (menos eficiente).
Essa classificação da eficiência varia de acordo com uma pontuação total
calculada com a ajuda de diferentes equações para o comércio e residências. A
variação do nível de eficiência segue uma metodologia estabelecida pelo
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), apresentada
na Tabela 1.

Tabela 1 – Classificação do nível de eficiência de acordo com a pontuação obtida

Pontuação total (PT) Classificação


PT  4,5 A
3,5  PT < 4,5 B
2,5  PT < 3,5 C
1,5  PT < 2,5 D
PT < 1,5 E
Fonte: anexo da Portaria Inmetro n. 18/2012.

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O processo de avaliação das edificações é composto por três critérios:
pré-requisitos; nível de eficiência dos sistemas individuais; e bonificações.
Os pré-requisitos apenas punem o nível de eficiência, reduzindo a
pontuação total quando não são atingidos. Podem ser divididos em gerais (nível
de eficiência da edificação) e específicos (nível de eficiência dos sistemas
individuais).
Os sistemas individuais representam diferentes elementos que compõem
uma edificação. Nas edificações residenciais, avalia-se envoltória e sistema de
aquecimento de água, enquanto nas edificações comerciais, avalia-se
envoltória, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar.
Finalmente, existem ainda diferentes bonificações que podem ser obtidas
para elevar o valor da pontuação total e, consequentemente, o nível de eficiência
da edificação. As bonificações são diferentes para os edifícios residenciais e
comerciais e podem ser consultadas na íntegra nos Regulamentos Técnicos da
Qualidade (RTQs) do Inmetro.
O processo de avaliação dos sistemas de aquecimento de água também
se dá de forma diferente para as edificações comerciais e residenciais. Nas
primeiras, são avaliados como pré-requisito, enquanto nas segundas, como
sistemas individuais.
Há também diferenças na forma como as informações são apresentadas
nas ENCEs: para edificações comerciais, como vemos na Figura 6, enquanto
para residenciais, como vemos na Figura 7.

Figura 6 – ENCE completa para edificações comerciais

Fonte: Procel, S.d.(b).


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Figura 7 – ENCE completa para edificações residenciais.

Fonte: Procel S.d.(c).

No caso das edificações residenciais, cada apartamento ou residência,


caracterizado como Unidade Habitacional Autônoma (UH), também recebe uma
ENCE com a avaliação dos sistemas individuais, como mostra a Figura 8.

Figura 8 – ENCE completa para Unidade Habitacional Autônoma (UHA)

Fonte: Procel, S.d.(a).

Foram criadas tabelas para os níveis máximos de eficiência a partir dos


energéticos utilizados para as edificações residenciais e comerciais, para efeito
de favorecimento ou punição dos sistemas de aquecimento de água. A primeira
tabela relaciona as diferentes fontes de energia e o nível máximo possível de
eficiência de ser atingido para o Equivalente Numérico do Sistema de

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Aquecimento de Água (EqNumAA), enquanto a segunda relaciona o nível de
eficiência total da edificação em função dos valores obtidos para o EqNumAA.

Tabela 2 – Nível máximo de eficiência possível de ser atingido em função da


fonte de energia utilizada

EDIFICAÇÃO RESIDENCIAL
– Gás Eletricidade Eletricidade Solar Óleo
(bomba de (resistência)
calor)
Gás A A - A -
Eletricidade A A* - A -
(bomba de
calor)
Eletricidade - - D A (70% -
(resistência) Fração Solar)
/ B (60% FS) /
C (50% FS) /
D (< 50% FS)
Solar A A A (70% A* -
Fração Solar)
/ B (60% FS) /
C (50% FS) /
D (< 50% FS)
Óleo - - - - E
* Desde que 100% da demanda atual de água quente seja atendida.

As tabelas 2 a 4 apresentam o nível máximo possível de ser atingido por


cada fonte de energia em combinação com outra complementar (como sistema
solar com complementação eletricidade (resistência), por exemplo) em
edificações residenciais e comerciais, respectivamente.
Na prática, as edificações multifamiliares dificilmente terão condições
mínimas para que os sistemas atendam 100% da demanda, o que faz com o
sistema solar e a bomba de calor não obtenham o Nível A. Nesses casos, o uso
do gás combustível como complemento permite a obtenção do Nível A.
O GLP, devido à sua portabilidade, permite ao consumidor dimensionar o
complemento adequado, eliminando o risco de interrupção no consumo
energético.
Uma vez obtido o Nível A no EqNumAA, pode-se analisar como esse
resultado impacta no nível total de eficiência da edificação, partindo da premissa

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de que a envoltória apresenta um nível de eficiência médio, que não se altera
nas comparações. Os resultados são apresentados na Tabela 3:

Tabela 3 – Nível máximo de eficiência possível de ser atingido pela edificação


em função do nível de eficiência dos sistemas individuais

EDIFICAÇÃO RESIDENCIAL
Sistema parcial Nível de eficiência dos Nível de eficiência da
sistemas individuais edificação
Envoltória C (EqNumEnv = 3)
D
Aquecimento de água E (EqNumEnv = 1)
Envoltória C (EqNumEnv = 3)
B
Aquecimento de água A (EqNumEnv = 5)

Analisando a Tabela 3, nota-se que o nível de eficiência do sistema de


aquecimento de água pode elevar consideravelmente o nível de eficiência total
da edificação, sem que alterações sejam realizadas na envoltória.
A Tabela 4 apresenta o nível máximo possível de ser atingido por cada
fonte de energia em uma edificação comercial.
Os valores encontrados são semelhantes aos das edificações
residenciais, porém, o nível máximo possível de ser obtido pelo uso de sistemas
elétricos resistivos é maior.

Tabela 4 – Nível máximo de eficiência possível de ser atingido em função da


fonte de energia utilizada

EDIFICAÇÃO COMERCIAL
– GLP Eletricidade Eletricidade Solar
(bomba de (resistência)
calor)
GLP A A - A
Eletricidade A A* - A
(bomba de
calor)
Eletricidade - - C A (> 70%
(resistência) Fração Solar)
Solar A A A (> 70% A*
Fração Solar)
* Desde que 100% da demanda atual de água quente seja atendida.

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A Tabela 5 é similar à Tabela 3 para edificações residenciais, e mostra o
impacto da avaliação do pré-requisito da água quente em relação ao nível de
eficiência dos sistemas individuais para edificações comerciais. Parte-se do
princípio de que todos os demais sistemas individuais (envoltória, iluminação e
condicionamento de ar) possuem níveis máximos de eficiência e apenas o
sistema de água quente tem seu nível alterado.

Tabela 5 – Nível de eficiência máxima possível de ser atingido pela edificação


em função do nível de eficiência dos sistemas individuais

EDIFICAÇÃO COMERCIAL
Sistema parcial / Nível de eficiência Nível de eficiência da
Pré-requisito dos sistemas edificação
individuais
Envoltória A (EqNumEnv = 5)
Iluminação A (EqNumEnv = 5)
C
Ar-Condicionado A (EqNumEnv = 5)
Aquecimento de água C (Pré-requisito)
Envoltória A (EqNumEnv = 5)
Iluminação A (EqNumEnv = 5)
A
Ar-Condicionado A (EqNumEnv = 5)
Aquecimento de água A (EqNumEnv = 5)
* Nas edificações comerciais, os sistemas de aquecimento de água são avaliados como pré-
requisito (válido apenas para casos específicos, que tenham uso expressivo de água aquecida).

A avaliação do sistema de água quente não é ponderada em função dos


demais sistemas individuais.
Nota-se que o pré-requisito de água quente tem um impacto significativo,
reduzindo o nível total de eficiência de A para C, independentemente do nível
máximo de eficiência obtido nos sistemas individuais.

TEMA 2 – MELHORIA NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM SISTEMAS DE AR


COMPRIMIDO

O livro Eficiência energética: teoria e prática (2007, p.191-222) nos traz


em seu tema “Sistemas de ar comprimido” que esses sistemas são uma forma
de transporte de energia com muitas utilidades e aplicações. Em algumas

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atividades, o sistema de ar comprimido é necessário – tal como em minerações
subterrâneas, em que o uso de energia elétrica é restrito, pois podem existir
gases explosivos ou mesmo abaixo d’água.
A composição básica do ar comprimido é de aproximadamente 20,5% de
oxigênio, 79% de nitrogênio e alguns gases raros. Mundialmente, cerca de 6
bilhões de toneladas de ar são comprimidos ao ano, gerando um consumo de
500 bilhões de kWh.
O ar comprimido tem várias aplicações, e é utilizado na indústria, em
aeroportos, hospitais, obras de engenharia, portos marítimos, postos de
combustível e mineradoras para climatização, entre outros. Ele é empregado em
máquinas operatrizes, pórticos (para transporte e movimentação de materiais),
motores pneumáticos, ferramentas manuais, instrumentação, automação
industrial entre muitos outros, que possam utilizar o ar comprimido para
movimentação de motores, peças etc.
O ar comprimido possui a vantagem de poder ser armazenado e
conduzido até o local de utilização sem a necessidade de utilizar isolamento
térmico. Ele não oferece risco de incêndio ou de explosão, por isso o seu uso
vem crescendo em escala. Tem como principal desvantagem o consumo de
energia, maior que o da energia elétrica, na produção de um determinado
trabalho, o que não impede seu uso em determinadas situações. Deve-se
observar se não existem vazamentos ou perdas na distribuição do sistema.

2.1 Conceitos teóricos básicos

2.1.1 Rendimento dos compressores

O rendimento global dos compressores pode ser determinado por meio


de cálculos simples. Basta expressar a potência útil em termos de vazão e
pressão disponível e depois fazer uma comparação entre ela e a potência
utilizada pelo motor elétrico.
A potência desenvolvida em um cilindro pneumático que não tenha atrito,
cuja haste esteja se movendo com velocidade constante e exercendo uma força
também constante, é igual a:

P=F.ν (2.1)

onde: P = potência [W]


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F = força [N]
ν = velocidade [m/s]
Fazendo esses valores em função da área do pistão do cilindro
pneumático, teremos:

F=p.A (2.2)

onde: F = força [N]


p = pressão [Pa]
A = área [N]
E, sabendo-se que a velocidade da haste é igual à vazão dividida pela
área, temos que:

𝑄
𝑣= (2.3)
𝐴

onde: ν = velocidade [m/s]


Q = vazão [m³/s]
A = área [m²]
Assim, substituindo-se esses valores nas expressões potência ((2.1) a
(2.3)), temos:

De 2.2 em 2.1: P = p . A . v (2.2a)

De 2.3 em 2.2a: P = p . A. Q/A

E, cancelando-se o termo da área (acima), temos:

P=p.Q (2.4)

Assim, podemos assumir que a Equação (2.4) pode ser a potência útil (P)
que está disponível em um fluxo de ar comprimido (Q).
Tendo-se em mãos os dados de operação de um compressor,
determinamos sua eficiência. A Tabela 6 apresenta os resultados para três
compressores industriais, de tipos e fabricantes diferentes, que podem ser
encontrados no mercado nacional.

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Tabela 6 – Faixa de rendimento de compressores

Compressor Vazão Pressão Pot. útil Pot. elétrica Rendimento


(m³/min) (bar) (kW) (kW) (%)
A 49 3,5 63 239 26,4
B 40 7,0 58 224 25,7
C 34 10,0 52 225 23,0
Fonte: Eficiência energética: teoria e prática, 2007, p.193.

De acordo com a tabela, seus rendimentos são muito baixos. Eles são
limitados por processos termodinâmicos que ocorrem no sistema, rejeitando
calor e perdendo energia para o meio. Diante disso, em termos de eficiência, se
a tecnologia que o substituir for mais avançada, melhor. O compressor só deve
ser usado onde é insubstituível.

2.1.2 Compressão dos gases

Uma das experiências físicas que pode ser comprovada com muita
precisão é a que foi realizada por Clapeyron, em 1834, na qual demonstrou a
equação dos gases perfeitos. A baixas pressões e em temperaturas distantes
do ponto de liquefação, o comportamento dos gases reais se aproxima muito da
equação teórica que se apresenta a seguir.

P.ν=R.T (2.5)

onde: P = pressão [Pa]


ν = volume específico [m³/kg]
R = constante particular do gás [kJ/(kg.K)]
T = temperatura [K]
A constante da expressão acima, R, depende da natureza molecular do
gás e pode ser determinada experimentalmente. Para as aplicações normais
com ar comprimido, a Equação (2.5) pode ser usada com boa precisão.
Quando se comprime um gás perfeito, mantendo-se a temperatura
(constante), temos uma compressão isotérmica. Para esse tipo de compressão,
temos que:

p1 . ν1 = p2 . ν2 = R . T (2.6)

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sendo: p1 = pressão inicial [Pa]
ν1 = volume inicial [m³]
p2 = pressão final [Pa]
ν2 = volume final [m³]
R = constante do gás [kJ / (kg . K )]
T = temperatura [K]
Em um diagrama em função de P x V, resultam 3 hipérboles equiláteras,
como pode ser visto na Figura 9:

Figura 9 – Gráfico P x V para compressão isotérmica

Outra maneira de compressão de um gás é quando não há troca de calor,


ou seja, quando temos uma compressão adiabática. O comportamento do gás
vai depender da pressão, do volume e da relação entre os calores específicos
medidos em pressão e volume constantes.
As relações que representam a compressão são:

p1 . ν1k = p2 . ν2k = const. (2.7)

onde: p1 = pressão inicial [Pa]


ν1= volume específico inicial [N]
p2 = pressão final [Pa]
ν2 = volume específico final [N]
k = relação entre os calores específicos [/]

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Figura 10 – Gráfico P x V para compressão adiabática

Na prática, os dois processos de compressão não são possíveis. Um


exige trocas de calor perfeitas, T = constante, o que implica resistências térmicas
nulas, coeficientes de película infinitos e tamanhos proibitivos; além disso, a
compressão teria de ser feita lentamente. No segundo caso, Q = 0 (zero),
necessitamos de um isolamento perfeito e paredes muito espessas feitas com
materiais de resistência térmica infinita.
O que mais se aproxima da realidade é a compressão politrópica, que é
um processo intermediário entre o caso isotérmico e o caso adiabático. Para
essa situação, o expoente que aparece sobre o volume recebe o nome de
expoente da politrópica (n). Ele assume valores maiores que a unidade e
menores que a relação CP/CV. Essa forma de compressão é dada pela seguinte
equação:

p1 . ν1n = p2 . ν2n = constante (2.8)

onde: p1 = pressão inicial [Pa]


v1 = volume específico inicial [N]
p2 = pressão final [Pa]
ν2 = volume específico final [N]
n = expoente da politrópica [/]
A Figura 11 mostra esses três processos em um diagrama P x V.

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Figura 11 – Gráfico P x V para compressão politrópica

Observa-se que as curvas que representam a compressão politrópica e a


adiabática são mais inclinadas, pois o expoente da politrópica e o valor da
relação CP/CV é sempre maior que a unidade. A compressão politrópica pode ser
considerada como uma generalização. Para n = 1, temos a isotérmica e para n
= k, temos a adiabática.

2.1.3 Trabalho teórico de compressão

Sabe-se que o trabalho específico (teórico), ao se efetuar a compressão


de um fluxo de gás, é dado pela integral (área) mostrada a seguir:

𝑤 = ∫ 𝑣 × 𝑑𝑝 (2.9)

onde: w = trabalho específico teórico [kJ / kg]


ν = volume específico do gás [m³/kg]
p = pressão do gás [Pa]
No diagrama P x V, esse trabalho efetuado sobre o gás durante a
compressão é numericamente igual à área delimitada pelas duas retas de
pressão constante paralelas ao eixo horizontal, pelo eixo vertical e pela curva
que representa o processo de compressão.

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Figura 12 – Gráfico P x V para processo isotérmico

Na Figura 12, o trabalho específico de compressão para o processo


isotérmico corresponde à Área 1. O processo politrópico corresponde à soma da
Área 1 e da Área 2. O processo adiabático, por sua vez, corresponde à soma
das três: Área 1, mais Área 2, mais Área 3.
Demonstra-se que, resolvendo a integral anterior para a compressão
isotérmica, temos:

𝑃
𝑤 = 𝑅 × 𝑇1 × ln (𝑃2 ) (2.10)
1

E, resolvendo-se a compressão politrópica, temos:

𝑛
𝑛 𝑃 𝑛−1
𝑤= ×𝑅× 𝑇1 [(𝑃2 ) − 1] (2.11)
𝑛−1 1

sendo: w = trabalho específico teórico [KJ / kg]


n = expoente da politrópica [/]
R = constante do gás [kJ / (kg . K)]
T1 = temperatura inicial [K]
p1 = pressão inicial [Pa]
p2 = pressão final [Pa]
Pela inspeção da Figura 12 ou das equações (2.10) e (2.11), verifica-se
que o trabalho específico de compressão aumenta à medida que aumenta o valor
do expoente da politrópica.

2.1.4 Compressão em estágios

Durante a compressão é importantíssimo que haja um estágio de


resfriamento. Para economizar energia na compressão do ar, com menores

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temperaturas de descarga e uma maior vida útil de nossos equipamentos, a
compressão é feita por estágios, tornando-se mais eficiente à medida que se
aumenta as pressões de operação.

Figura 13 – Gráfico P x V para compressão em múltiplos estágios

Essa economia com a compressão em estágios está bem representada


pelas áreas hachuradas da Figura 13; nesse caso, foram feitos três estágios.
Quando o número de estágios for muito grande, o trabalho de compressão tende
ao valor mínimo, que é o mesmo trabalho de uma compressão isotérmica.
O trabalho específico teórico para mais de um estágio é calculado a partir
da equação que segue:

𝑛−1
𝑛 𝑒 𝑃2 𝑛
𝑤= × 𝑅 × 𝑇1 × 𝑒 [( √𝑃 ) − 1] (2.12)
𝑛−1 1

sendo: w = trabalho específico teórico [KJ / kg]


n = expoente da politrópica [/]
R = constante do gás [kJ / (kg . K)]
T1 = temperatura inicial [K]
e = número de estágios [/]
p1 = pressão inicial [Pa]
p2 = pressão final [Pa]
A expressão anterior também é válida para compressores com apenas um
estágio, bastando fazer e = 1.

2.1.5 Potência real de compressão

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Com o trabalho específico teórico, a vazão mássica e os rendimentos
apropriados, determina-se a potência real para a compressão do gás usando a
equação mostrada a seguir.

𝑚̇ ×𝑤
𝑊̇𝑐 = 𝜂 (2.13)
𝑡 × 𝜂𝑚𝑒𝑐 ×𝜂𝑒𝑙𝑒

onde: 𝑊̇𝑐 = potência real de compressão [kW]


𝑚̇ = vazão mássica do gás [kg / s]
w = trabalho específico teórico [kJ / kg]
𝜂𝑡 = rendimento termodinâmico [/]
𝜂𝑚𝑒𝑐 = rendimento mecânico [/]
𝜂𝑒𝑙𝑒 = rendimento elétrico [/]

2.2 Melhoria na eficiência de sistemas de ar comprimido

Diante do exposto, os principais pontos potenciais para a melhoria de


eficiência energética dos sistemas de ar comprimido estão listados a seguir.

2.2.1 Diminuição da massa de ar

Na Equação (2.13), vimos que o consumo de energia é diretamente


proporcional à vazão de ar; diminuindo-se essa vazão, haverá uma redução de
consumo. No caso de vazamentos de ar, o valor máximo aceitável é de 5% da
vazão total. Os maiores vilões em vazamentos são os engates rápidos, as
válvulas e as mangueiras.

2.2.2 Redução da temperatura de aspiração

Analisando as equações (2.11) e (2.12), vemos que a temperatura de


aspiração do ar também afeta o consumo de energia e a compressão. O trabalho
específico é calculado em função dessa temperatura. Para a melhoria, pode-se
usar alguns metros de dutos e retirar o ar quente da sala de compressores. Por
exemplo, ao passarmos a temperatura de aspiração de 35º C para uma
temperatura de 25º C com a implantação citada, teremos uma economia de 3,2%
no consumo de energia.

2.2.3 Redução da pressão de operação

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Ainda por meio das equações (2.11) ou (2.12), podemos comprovar o
efeito da pressão de descarga do compressor, calculando o trabalho específico
para condições constantes, modificando somente a pressão de descarga
(exemplo: para uma pressão, P1, de 1 bar e uma temperatura, T1, de 30º C, com
um expoente da politrópica, n, igual a 1,3). Para a pressão de 10 bar, o trabalho
de compressão é de 264 kJ/kg; quando a pressão passa para 8 bar, esse
trabalho se reduz para 232 kJ/kg, o que significa cerca de12% de redução ((1-
232/264)*100).
A redução da pressão de trabalho contribui com a diminuição dos
vazamentos. Isso pode proporcionar uma economia anual excelente e um ótimo
retorno econômico.

2.2.4 Diminuição das perdas de carga

As perdas de carga têm como consequência um maior consumo de


energia, devido ao sistema trabalhar com uma pressão superior à de trabalho. O
atrito do ar passando pelas rugosidades das tubulações e suas conexões
causam perdas de carga, assim como ocorre nos aumentos de vazão. Fixando-
se uma perda máxima nos cálculos de dimensionamento da rede, podemos
minimizar esses problemas. Normalmente arbitra-se o valor de 0,5 bar de perda
para a rede mais distante. Pequenos aumentos de diâmetro reduzem a perda
drasticamente. Elementos filtrantes, trocadores de calor e secadores também
são pontos em que pode ocorrer perdas, e merecem nossa atenção em termos
de monitoramento para garantir uma operação eficiente.

2.2.5 Compressão em estágios

A partir dos resultados dos cálculos das equações (2.11) e (2.12),


verificamos que o trabalho para a compressão é menor quando ela é feita em
estágios. Quanto maior a relação de pressão, maior essa vantagem, isto é,
quanto maior a relação entre a pressão de descarga, P2, e a pressão de
admissão, P1.
Se considerarmos, como exemplo, uma admissão do ar, P1, de 1 bar, a T1
de 27º C, expoente da politrópica, n, igual a 1,3, pressão de descarga, P2, igual
a 15 bar, e compressão em um estágio, e = 1, temos para o trabalho específico
o valor de 327 kJ/kg. Se a compressão fosse feita em dois estágios, e = 2, esse

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valor seria de 277 kJ/kg, ocasionando uma redução de 15%. Caso a pressão de
descarga, P3, fosse de 25 bar, o trabalho em um estágio, e = 1, seria de 415
kJ/kg; para compressão em dois estágios, e = 2, o trabalho seria reduzido para
339 kJ/kg, um valor 18% menor, além de menor temperatura de descarga. A
compressão em um só estágio levaria a valores de temperatura inadmissíveis,
criando vários problemas de ordem técnica, tais como carbonização do
lubrificante e diminuição da vida útil.

2.2.6 Sistema de controle do compressor

As demandas do ar comprimido são variáveis, então os seus sistemas de


controle devem acompanhar essas variações, com perturbações mínimas na
pressão de descarga. É recomendado que sistemas como tipo cascata, que
contenham pressostatos mecânicos, sejam substituídos por sensores mais
modernos, como os sensores eletrônicos de pressão que operam com faixas de
ajuste bem mais precisas. Controladores programáveis devem ser utilizados
para uma forma inteligente de redução de consumo. Os equipamentos de
velocidade variável podem ser utilizados para assumir cargas de ponta, que seria
uma boa opção do ponto de vista energético.
Como exemplo de aplicação dessa medida de melhoria da eficiência,
podem ser implantados sistemas de controle baseados em CLPs, substituindo-
se os controles que empregavam pressostatos e controle cascata, hoje
obsoletos.

2.2.7 Aproveitamento do calor rejeitado

Na compressão, grande parte da energia é transformada em calor, que


pode ser utilizado como uma fonte de energia para baixas temperaturas
(exemplos: aquecimento de água (cerca de 90º C) ou de ar quente para estufas
de secagem). Com isso, o rendimento global de nosso sistema pode chegar a
um patamar de 70%. A empresa pode montar um sistema para utilizar o calor
rejeitado no aquecimento da água usada em banhos dos funcionários, o que
pode aumentar ainda mais a economia anual da empresa.

TEMA 3 – MELHORIA NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE SISTEMAS DE


REFRIGERAÇÃO

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O livro Conservação de energia (2006 p. 293-294) nos diz que a
refrigeração industrial deve controlar a temperatura de algum componente, ou
do próprio setor ou meio. Tem componentes como compressores, trocadores de
calor, ventiladores, bombas, dutos e tubos, além de controles de temperatura e
pressão.
O livro Eficiência energética em edifícios (2012, p. 62) informa que

[...] o processo básico de refrigeração pode ser explicado da seguinte


forma: o compressor aspira os vapores do fluido frigorífico formado no
evaporador, elevando sua pressão e temperatura. Assim, o fluido
passa para o condensador (trocador de calor) que, sob pressão
constante sofre uma mudança de estado, condensando-se com a
dissipação de parte de seu calor para o exterior. Isso pode ser feito
pelo resfriamento direto do ar externo ou por água. Uma vez liquefeito
e em temperatura próxima à do ambiente externo, o fluido é admitido
na válvula de expansão, lá sofre uma redução brusca de pressão,
provocando uma queda acentuada de temperatura. Assim, fecha-se o
ciclo, sendo o fluido admitido no evaporador, no qual absorve calor do
ambiente ou do meio que se deseja resfriar (da parte interna da
geladeira doméstica, no mesmo exemplo anterior).

3.1 Refrigeração industrial

A refrigeração industrial caracteriza-se pela faixa de temperatura de


operação. A temperatura varia de − 60º C a +15º C. A indústria da criogenia
utiliza temperaturas menores que o limite inferior apresentado, e nelas há
produção e utilização de oxigênio e nitrogênio líquidos e de gás natural liquefeito.
A refrigeração industrial é muito utilizada nas indústrias químicas, de
alimentos e de processos, que são responsáveis por 66% de toda a sua
utilização. As indústrias manufatureira e de laboratórios também a utilizam, pois
efetuam um controle ambiental a baixas temperaturas.

3.2 Medidas de eficiência energética

Na análise de sistemas de refrigeração, Silva (2005, p. 245-255) aponta


os seguintes itens a ser considerados:

 níveis de temperatura adotados em câmaras frigoríficas, balcões e


ilhas;
 tipo e nível de iluminação adotados;
 exame da forma e condições de armazenagem de produtos nos
espaços refrigerados;
 local de instalação do espaço refrigerado, verificando se a
instalação ficou próxima a fontes de calor e ou em locais sujeitos a
incidência de raios solares;
 vedação das portas e cortinas;
 existência de termostatos;

22
 existência de forçador de ar;
 inexistência de controle manual (interruptor) ou automatizado
(batente da porta) da iluminação interna;
 fechamento de ilhas e balcões;
 automação do forçador de ar.
 formação de gelo junto ao evaporador e nas tubulações;
 falta de forçador de ar;
 condensador próximo a fontes de calor;
 presença de impurezas (óleo e/ou poeira) nas aletas e tubos dos
trocadores;
 falta de colarinho de proteção em torno da hélice do ventilador do
condensador;
 descentralização da hélice em relação à superfície de troca de
calor;
 condensador instalado em que dificulte a circulação de ar;
 conjunto motor/compressor não alinhado e/ou mal fixado à base;
 vazamento de óleo na ponta do eixo, juntas do cabeçote e conexões
das tubulações de refrigerante;
 compressor ou central de refrigeração instalado em nível superior
ao dos evaporadores; e
 falta de separador de óleo.

Esses itens devem ser verificados para permitir o funcionamento eficiente


do sistema. Alguns itens confirmam o consumo excessivo de energia, sendo
possível quantificá-lo. Nesses casos são utilizados dados de entrada obtidos em
campo, e constantes. Alguns desses dados são: tipo de isolamento da câmara e
sua espessura; dimensões da câmara; exposição ou não da câmara à incidência
direta de raios solares; e indicação de se a superfície dela é de cor clara, escura
ou média.

3.2.1 Avaliações quantitativas

3.2.1.1 Perda devido ao nível inadequado de temperatura (Pt)

Quando verificamos condições de temperatura abaixo da temperatura


recomendada em uma determinada aplicação, a perda de energia é calculada
em função da quantidade de calor, Q, retirada em excesso:

𝑄 = 𝑉̇ × 𝜌𝑎𝑟 × 𝐶𝑝𝑎𝑟 × ∆𝑇 [𝑘𝑐𝑎𝑙/ℎ] (3.1)

onde: 𝑉̇ = vazão do forçador


𝜌𝑎𝑟 1,293 = massa específica do ar nas CNTP (0ºC e 1 atm);
𝐶𝑝𝑎𝑟 0,24 [kcal/kg ºC] = calor específico do ar
∆𝑇 = diferença entre a temperatura recomendada e a temperatura medida.
Essa perda de calor, Q, é uma porcentagem da capacidade de geração
CG [kcal/h], então, temos que a perda é dada por:
23
𝑄
𝑃𝑡 = × 𝐶𝑚 [𝑘𝑊ℎ/𝑚ê𝑠] (𝟑. 𝟐)
𝐶𝐺

sendo: Cm o consumo de energia elétrica do motor do compressor em [kwh/mês].


Com relação a Cm, quando o sistema for composto de dois ou mais
compressores em paralelo, esse valor que aparece na Equação (3.2) deve ser
igual à soma do consumo de energia de todos os compressores que alimentam
o espaço refrigerado em consideração.

3.2.1.2 Perda devido ao tipo inadequado de iluminação (Pil)

Para o caso de utilizarmos lâmpadas incandescentes na câmara, a


simples troca por lâmpadas mais eficientes produz economia – as lâmpadas
fluorescentes podem operar em temperaturas a partir de +5ºC. No caso de
câmaras com temperatura inferiores a +5ºC, a substituição fica comprometida
devido às dificuldades de partida dessas lâmpadas em baixas temperaturas.
Nesse caso, não é feita nenhuma quantificação de perdas por iluminação.
Considerando-se o nível de iluminação na câmara, que é de
aproximadamente 10W/m², e o regime de funcionamento de uma câmara em
horas/dia e dias/mês, a perda por iluminação inadequada é determinada pela
diferença entre o consumo atual e o consumo das lâmpadas fluorescentes. A
quantificação é dada por:

[(𝑁𝑖𝑛𝑐 𝑃𝑖𝑛𝑐 ) − (10 × 𝑆𝐶 )]


𝑃𝑖𝑙 = × ℎ𝑑𝑖𝑎 × 𝐷𝑚ê𝑠 [𝑘𝑊ℎ/𝑚ê𝑠] (𝟑. 𝟑)
1000

sendo que: 𝑁𝑖𝑛𝑐 𝑃𝑖𝑛𝑐 indicam, respectivamente, o número de lâmpadas


incandescentes e a potência de cada lâmpada
𝑆𝐶 = área da câmara em m²
ℎ𝑑𝑖𝑎 = número de horas estimada de funcionamento da
iluminação
𝐷𝑚ê𝑠 = número de dias de utilização da câmara por mês.

3.2.1.3 Perda devido à inexistência de termostato ou pressostato (Pit)

Os equipamentos de geração de frio são dimensionados para operar, em


média, de 16 a 18 horas para cada ciclo de 24 horas. Na falta de acessórios de

24
controle (termostato ou pressostato), o funcionamento é contínuo, o que provoca
desperdício de energia. Adotando-se um período de funcionamento médio de 18
horas/dia, a perda devido à falta desse tipo de controle pode ser determinada
por:

6
𝑃𝑖𝑡 = 𝐶 = 0,25 𝐶𝑚 [𝑘𝑊ℎ/𝑚ê𝑠] (𝟑. 𝟒)
24 𝑚

onde: Cm = consumo médio (kWh/mês) do(s) motor(es) do(s) equipamento(s) de


geração de frio.

3.2.1.4 Perda devido à incidência direta de raios solares e isolamento


deficiente (Pirr)

Para câmaras frigoríficas, a perda pode ser estimada em função das


dimensões da câmara, da diferença entre as temperaturas externa e interna, do
material e da espessura do isolamento e do número de horas de funcionamento
diário.
Deve-se estimar a quantidade de calor que é introduzida na câmara nas
condições atuais, por metro quadrado de parede ou teto da câmara. Para tal,
considera-se como efetiva apenas a camada de isolante, desprezando, a favor
da segurança, as demais resistências térmicas (paredes, reboco etc.).

𝑄 𝑘𝑖
= ∆𝑡 (𝟑. 𝟓)
𝑆 𝑙𝑖

onde: ki = coeficiente de transferência de calor do material


li = espessura do isolante
t = diferença de temperatura entre o ar externo acrescido do valor
constante da Tabela 7 e o interno, sendo ainda de acordo com a cor e a
orientação da parede.

Tabela 7 – Correção para a diferença de temperaturas em câmaras frigoríficas


(T’)

Tipo de superfície Paredes Teto


Leste Oeste Norte Plano

25
Cor escura (preto, azul escuro, marrom, 5,0 5,0 ºC 3,0 11,0
ardósia etc.) ºC ºC ºC
Cor média (cinza, amarelo, azul etc.) 4,0 4,0 ºC 2,5 9,0
ºC ºC ºC
Cor clara (branco, azul claro, verde claro) 3,0 3,0 ºC 2,0 5,0 ºC
ºC ºC

A valor calculado pela Equação (5.5) deve ser comparado com um valor
empregado comumente em projetos de câmaras frigoríficas, que é de 10
kcal/m²h. Se o valor calculado for superior a 10, calcula-se então o calor
excedente por:

𝑄
𝑄𝑖𝑟𝑟 = ( − 10) × 𝑆 (𝟑. 𝟔)
𝑆

onde: S = área da parede em consideração.


Essa perda Qinn é uma porcentagem da capacidade de geração CG kcal/h].
Sendo o consumo de energia elétrica do motor do compressor, tem-se que a
perda é dada por:

𝑄𝑖𝑟𝑟
𝑃𝑖𝑟𝑟 = 𝐶 [𝑘𝑊ℎ/𝑚ê𝑠] (𝟑. 𝟕)
𝐶𝐺 𝑚

Com relação ao coeficiente de transferência de calor do isolamento,


podem ser utilizados alguns dos materiais típicos apresentados na Tabela 7.
Caso o isolante utilizado não esteja na tabela, deve-se fornecer o valor de ki, o
qual pode ser obtido em catálogos de fabricantes.

3.2.1.5 Perda por vedação precária de portas e cortinas (Pved)

Pode ser obtida aproximadamente, em função da área estimada A EST dos


vãos e aberturas, pela seguinte expressão:

𝑄𝑣𝑒𝑑 = 150 × 𝐴𝑒𝑠𝑡 [𝑘𝑐𝑎𝑙/ℎ] (𝟑. 𝟖)

em que: Aest = é dada em metros quadrados [m²].


Como Qved é uma porcentagem da capacidade de geração C G [kcal/h], e
Cm [kWh/mês], o consumo de energia elétrica do motor do compressor, tem-se
que a perda por vedação precária é dada por:

26
𝑄𝑣𝑒𝑑
𝑃𝑣𝑒𝑑 = 𝐶 [𝑘𝑊ℎ/𝑚ê𝑠] (𝟑. 𝟗)
𝐶𝐺 𝑚

3.3 Avaliações qualitativas

Alguns problemas levantados em campo podem ser avaliados, mas não


quantificados, no que se refere ao consumo de energia. No entanto, é importante
que sejam resolvidos, já que sua eliminação resulta em redução de perdas e
aumento de eficiência do sistema. A seguir, são apresentados alguns desses
problemas

 exame da forma de armazenagem de produtos nos espaços refrigerados;


 armazenagem inadequada de produtos nos espaços refrigerados, que
prejudica a circulação de ar frio no ambiente, acarretando aumento no
consumo de energia elétrica;
 instalação do espaço refrigerado próximo a fontes de calor;
 instalação do espaço a ser refrigerado próximo a fontes de calor, o que
eleva a carga térmica e o consumo de energia elétrica;
 existência de forçador de ar;
 ausência de forçador de ar, o responsável pela circulação do frio no meio
ambiente refrigerado, o que gera formação de gelo no evaporador,
diminuição da eficiência das trocas térmicas e aumento do consumo de
energia elétrica;
 inexistência de controle da iluminação interna;
 iluminação interna que deve ser desligada com o fechamento da porta do
ambiente refrigerado. A instalação de um interruptor no batente da porta
contribui para a redução do consumo de energia elétrica;
 fechamento de ilhas e balcões;
 aberturas de ilhas e balcões devem ser fechadas no final da jornada de
trabalho, para que não haja perda de frio para o ambiente. Pode-se ainda
desligar o equipamento, quando as características do produto e/ou
operacionais permitirem, ao final do expediente;
 formação de gelo no evaporador e nas tubulações de refrigerante;
 formação ou acúmulo de gelo no evaporador e nas tubulações causada
pela falta de isolamento das tubulações, desregulagem da válvula
termostática ou ausência de forçador de ar no evaporador. A formação de
27
gelo no evaporador dificulta a troca de calor, ocasionando redução de
eficiência e aumento no consumo de energia;
 automação do forçador de ar;
 o forçador de ar deve permanecer desligado enquanto a porta do
ambiente refrigerado permanecer aberta para evitar a fuga de ar
refrigerado e a entrada de ar quente. A automação do funcionamento do
forçador de ar, por meio da instalação de um interruptor liga/desliga na
porta, desliga o motor do forçador de ar dos evaporadores, economizando
energia elétrica e térmica;
 condensador próximo a fontes de calor;
 instalação do condensador próximo a fontes de calor, que aumenta a
temperatura de condensação, reduz a eficiência do sistema e eleva o
consumo de energia elétrica;
 presença de impurezas (óleo e poeira) nas aletas e tubos do
condensador;
 presença de impurezas, como óleo ou poeira, na área responsável pela
troca térmica (aleta e tubos), o que reduz a eficiência do condensador e
eleva o consumo de energia elétrica. É recomendável a limpeza periódica;
 falta de colarinho de proteção em torno da hélice do condensador;
 o colarinho é responsável pelo correto direcionamento do ar através do
condensador, elevando sua eficiência térmica e, consequentemente,
diminuindo o consumo de energia elétrica;
 descentralização da hélice em relação à área responsável pela troca
térmica;
 direcionamento incorreto do ar devido ao posicionamento da hélice
descentralizada em relação à área responsável pela troca térmica, o que
diminui a eficiência do sistema,
 condensador instalado em local obstruído, dificultando a circulação de ar;
 instalação do condensador em local obstruído, o que dificulta a circulação
de ar através da área responsável pela troca térmica, fato que contribuí
para a elevação do consumo de energia elétrica;
 conjunto motor/compressor não alinhado ou mal fixado à base;
 alinhamento incorreto ou má fixação do conjunto motor/compressor à
base, que pode provocar danos ao equipamento, reduzindo a eficiência
da transmissão e elevando o consumo de energia elétrica;
28
 vazamento de óleo na gaxeta, cabeçote do compressor ou em conexões;
 vazamento de óleo na gaxeta do eixo, na junta do cabeçote do
compressor ou, ainda, nas conexões, que pode carregar fluido
refrigerante, reduzindo a vida útil e eficiência térmica do compressor e
elevando o consumo de energia.
 compressor ou central de refrigeração não instalado em nível inferior ao
dos evaporadores;
 instalação do compressor ou central de refrigeração em nível superior ao
dos evaporadores, o que dificulta o retorno do óleo lubrificante ao cárter,
além de provocar o acúmulo desse óleo no evaporador e na tubulação,
reduzindo a vida útil do compressor e diminuindo a eficiência do sistema.
 falta de separador de óleo;
 falta do separador de óleo na saída do compressor, o que permite a
passagem do óleo do cárter para a instalação, comprometendo a
eficiência do sistema de refrigeração devido ao acúmulo desse óleo nas
superfícies dos trocadores de calor. Além disso, o compressor pode ser
danificado em decorrência da falta de óleo.

3.4 Recomendações gerais

 o isolamento é o fator mais importante no consumo energético de uma


instalação de conservação pelo frio, tanto por sua influência em relação à
entrada de calor no ambiente refrigerado quanto pela dificuldade que
existe em modificá-lo após construído ou colocado. A transferência de
calor para dentro da câmara depende da forma e do tamanho das
câmaras, que determinam a superfície exterior por metro cúbico interior.
Teoricamente, as perdas mínimas são obtidas para formas cúbicas;
 quanto maior a altura da câmara, maior a relação entre o volume interno
e a superfície isolada. Essa altura está limitada pela possibilidade de
empilhamento, que, para paletes normais, é de 8 metros. O mesmo é
válido para a área da planta da câmara. Quanto maior essa área, maior a
relação entre o volume interno e a superfície isolada. Uma vez
estabelecida a superfície a isolar, os fluxos de calor dependem da
natureza e da espessura do isolante;

29
 a utilização de carretilhas elevadoras pode requerer portas maiores na
câmara, o que implica maior entrada de ar durante a abertura dessas
portas. Em câmaras de baixa temperatura, torna-se necessária a
utilização de portas adicionais de tiras ou flexíveis (vai e vem), que
reduzem a entrada de ar em torno de 70%. A utilização de portas
automáticas reduz ainda mais a entrada de ar. Com a entrada de ar na
câmara, juntamente com o calor é introduzida a umidade, que provoca a
formação de gelo nos evaporadores, aumentando o consumo de energia,
pela redução da transmissão de calor e pela necessidade de degelo
frequente;
 é importante acondicionar as antecâmaras existentes na entrada das
câmaras de conservação. A entrada de calor e umidade com o ar exterior
depende das condições no ambiente externo à porta. Ao acondicionar a
antecâmara, a entrada de calor se reduz à metade e a entrada de umidade
se reduz a um terço em câmaras a −30ºC;
 em câmaras de conservação a baixa temperatura, além de portas
normais, devem ser instaladas portas flexíveis;
 deve-se considerar a possibilidade de aplicação de compressores
parafuso para ajustar melhor a capacidade do sistema a cargas parciais.
Os compressores parafuso permitem uma variação de capacidade entre
10 e 100% de sua potência nominal;
 empregar sistemas de compressão em estágios com resfriamento
intermediário com separadores de líquido;
 considerar o aumento da capacidade dos condensadores;
 permitir que a pressão de condensação seja tão baixa quanto possível.
Deve-se observar que, em instalações dotadas de válvulas de expansão
termostática, evita-se reduzir a pressão abaixo de determinado limite por
razões práticas de funcionamento da válvula;
 empregar motores elétricos com controle de velocidade;
 dar preferência a instalações de equipamentos centralizados. Existe uma
vantagem geral a favor desses equipamentos, principalmente em
sistemas que em determinadas épocas do ano apresentam reduções na
quantidade de produtos a refrigerar. Equipamentos centralizados podem
trabalhar as cargas parciais com rendimentos superiores quando
comparados aos equipamentos não centralizados;
30
 por razões semelhantes, unidades que trabalham com vários
condensadores ou evaporadores apresentam funcionamento mais
econômico que unidades monobloco;
 na utilização de congelamento por ar, deve-se dar atenção especial ao
consumo dos ventiladores. Em geral, o consumo de energia, ainda que
grande, não incide em grande proporção no custo total do congelamento;
 considerar a possibilidade de utilizar os horários noturnos para a geração
de frio (congelamento de produtos, armazenamento de frio em forma de
gelo, salmoura). A utilização de energia elétrica fora do horário de ponta,
além de estar favorecida por tarifas menores, contribui para a redução da
potência instalada das centrais geradoras;
 no caso de câmaras com diferentes temperaturas, instalar circuitos
independentes para cada uma delas;
 empregar motores elétricos ajustados ao consumo. Os motores
superdimensionados trabalham com baixo rendimento;
 considerar a elevação da temperatura de evaporação a valores
compatíveis com a qualidade dos produtos ou processos de refrigeração;
 em sistemas que funcionam em função de temporada, como
armazenagem de frutas, deve-se dispor de um número de compressores
com capacidade de suprir a carga de verão e que permitam o
funcionamento econômico no inverno. Em geral, deve-se instalar três
compressores, mas, no inverno, funcionar com apenas um;
 verificar o isolamento de tubulações, equipamentos e câmaras,
valorizando a importância da barreira de vapor como possível fonte de
perdas;
 as bombas centrífugas devem estar ajustadas às necessidades reais de
pressão;
 em sistemas de bombeamento, deve-se manter os filtros limpos;
 deve-se manter limpos os filtros das linhas de refrigerante líquido;
 caso se disponha de uma central geradora de vapor a alta pressão, deve-
se estudar a possibilidade de utilizar turbinas a vapor para o acionamento
dos equipamentos do sistema de refrigeração;
 reparar os vazamentos de água ou salmoura;
 empregar um tratamento de água adequado para evitar incrustações e
sujeira nos condensadores;
31
 no tratamento de água, não se deve utilizar mais produtos químicos que
o necessário;
 verificar e ajustar periodicamente a purga contínua das torres de
resfriamento para evitar a perda de água e produtos químicos;
 estabelecer um programa de manutenção preventiva;
 verificar, ajustar e balancear as instalações;
 verificar frequentemente a calibragem dos dispositivos de controle;
 automatizar as instalações de controle manual;
 manter os dispositivos de controle de temperatura longe do alcance de
pessoas não autorizadas;
 em câmaras de conservação, comprovar se os relógios programadores
funcionam corretamente e manter os ventiladores parados durante o
degelo;
 em evaporadores com degelo elétrico, instalar um termostato de controle
de desconexão das resistências;
 empregar a água de condensação para o pré-aquecimento da água
utilizada em processos de aquecimento a baixas temperaturas;
 utilizar a água quente da saída do condensador como fonte de calor para
outra instalação que funcione como bomba de calor.

TEMA 4 – MELHORIA NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DE SISTEMAS DE


BOMBEAMENTO

Chamamos de bomba o equipamento que pode transferir energia de uma


fonte para outra, que pode ser um líquido que realize trabalho. O abastecimento
público de água é feito pelo deslocamento de certo volume de água, pela
tubulação, realizando trabalho.
O sistema de abastecimento conta com a automatização de processos.
Simuladores hidráulicos são utilizados para os cálculos.

4.1 Oportunidades para aumentar a eficiência

Ao se planejar uma medida de eficientização em uma parte do sistema,


os impactos nas demais partes devem ser avaliados, além de suas
consequências: utilização de mão de obra, insumos químicos e custos com
manutenção, que devem ser quantificados e considerados para avaliar
32
economicamente essas alterações. Quaisquer que sejam as alterações a ser
feitas, as áreas financeira, comercial, de engenharia, manutenção e produção
devem ser consultadas ou estar representadas.

4.1.1 Identificação das oportunidades no uso final da água

Antes de atuar em um sistema de bombeamento, onde temos consumo


de energia, devemos priorizar ações de melhoria na utilização final da água, além
de na atuação dos sistemas de distribuição. Os ganhos nesses locais serão
incrementados quando no sistema de bombeamento.

4.1.2 Identificação dos fatores que afetam a eficiência no bombeamento

As oportunidades de eficiência energética devem estar focadas no que


melhora ou piora esses sistemas. Assim, nada melhor do que consultar as
equações de potência e consumo de energia:

𝛾 × 𝑄 × 𝐻𝑀𝑇
𝑃= e 𝐶 =𝑃 ×𝑡
𝜂𝑏 𝜂𝑀

onde: P = potência absorvida da rede elétrica


 = peso específico
Q = vazão bombeada
HMT = altura manométrica total
𝜂𝑏 = rendimento da bomba
𝜂𝑀 = rendimento do motor elétrico
C = consumo de energia
t = tempo.
Temos ao todo cinco elementos que interferem nos cálculos. Dois deles
são os rendimentos: da bomba, 𝜂𝑏 , e do motor elétrico, 𝜂𝑀 , que são inversamente
proporcionais aos outros três elementos: peso específico, , vazão bombeada,
Q, e a altura manométrica total, HMT. Isto é: eles afetam diretamente no
resultado da potência necessária à realização do trabalho, P.
As ações empreendidas devem focar a redução de P, , Q, HMT e t, e no
aumento de b e M. Isso implicará, ao menos, a redução do consumo de
energia e, espera-se, dos custos.

33
Como salientado na parte I, a eficiência deve ser medida por indicadores
específicos; por exemplo, kWh/m³ faturado. Logo, as medidas a serem adotadas
devem, nesse caso, ou reduzir o numerador dessa relação (kWh) ou aumentar
o denominador (m³ faturado), de forma para os demais indicadores.
Sem perder a visão sistêmica, e de acordo com as áreas relacionadas
anteriormente, descrevemos a seguir as principais oportunidades de melhorias
no uso final da água.

4.2 Áreas de oportunidade para aumentar a eficiência no uso final da


água:

4.2.1 Redução de perdas por vazamento

Sendo a maioria dos sistemas de abastecimento de água bombeados, é


óbvio que a redução da perda de água se traduz em reduzir o consumo de
energia elétrica. O cruzamento das informações do volume disponibilizado para
a rede de distribuição com a somatória dos volumes apurados nos medidores
dos clientes permite, de forma sistemática, conhecer o valor dessa perda. No
entanto, deve ser observado o seguinte ponto: nem toda perda é física pode ser
traduzida como vazamento ou consumo próprio. Uma parte importante das
perdas se deve à imprecisão dos próprios medidores taquimétricos (as normas
NBR 8194/2013 e 8009/1997 da Associação Brasileira de Normas Técnicas –
ABNT – regulam esse tipo de medidor); outra parte, deve-se aos consumidores
clandestinos; e outra parte, ainda, deve-se àqueles que violam o medidor, de
várias formas. Assim, parte da perda, se corrigida ou minimizada, não representa
redução de consumo de energia elétrica, mas redução ou aumento de
faturamento do serviço de água considerado.
Para a reduzir as perdas físicas, sugere-se adotar as seguintes medidas:

 reduzir a pressão da rede pelo uso de válvulas redutoras de pressão;


 promover a setorização da rede de distribuição conforme faixa de HMT;
 fazer a automação e o controle da rede, visando detectar mais
rapidamente as perdas e providenciar sua correção;
 realizar pesquisas de vazamentos de forma planejada e frequente.

Para a reduzir as perdas não físicas, sugere-se as seguintes medidas:

 promover campanha de aferição de medidores;

34
 realizar instalação de macromedição para setorizar as perdas e identificar
áreas críticas;
 fazer o monitoramento e o cadastramento de consumidores em regiões
de maiores perdas (favelas) e de consumidores desativados.

4.2.2 Redução do desperdício de água

A água é usada para diversos fins (limpeza, alimentação, diluição). O


questionamento da real necessidade de uma determinada utilização ou de um
determinado montante deve ser a fonte de inspiração para promover seu uso
adequado e eficiente.
Empresas éticas e com responsabilidades social e ambiental devem
apoiar e incentivar o uso racional desse recurso natural precioso, a água,
principalmente se ela tiver sido tratada ou beneficiada, mesmo que isso
signifique uma perda momentânea e de curto prazo de receita.
As empresas de saneamento devem se conscientizar de que a redução
do desperdício, apesar de significar menos faturamento, também implica
redução do custo operacional, do investimento (ao custo marginal de expansão)
em sistemas de abastecimento e de esgoto, e aumento do custo unitário da
energia por consumidor, uma vez que, devido ao mecanismo tarifário, a água
economizada é a última a ser consumida e a que tem a tarifa mais baixa.
Do ponto de vista do consumidor, toda água economizada representa
mais poupança ou lucro, a despeito do benefício ambiental. As principais
medidas sugeridas são:

 incentivar o uso de equipamentos de baixo consumo de água (bacias,


duchas e válvulas com restritores ou reguladores de vazão);
 promover campanhas educativas com orientações sobre procedimentos
adequados, processos ou equipamentos alternativos, para reduzir o
tempo de uso e/ou a quantidade usada;
 indicar aos usuários bons profissionais para executar projetos eficientes
ou manutenção adequada, por meio de cadastros, capacitação e
certificação desses profissionais;
 promover a compatibilização do uso com a qualidade da água (água bruta,
industrial, tratada), incentivando a reciclagem ou o reaproveitamento;
 realizar campanhas de caça aos vazamentos;

35
 incentivar a captação de água pluvial e seu uso em substituição à água
beneficiada;
 estabelecer políticas tarifárias que penalizem o uso abusivo da água;
 criar códigos ou leis de incentivo ao uso eficiente e restritivas a projetos e
instalações ineficientes;
 participar da criação ou da alteração dos códigos de ocupação do solo
com vistas ao uso adequado da água e da disposição da rede de
distribuição;
 realizar programas e projetos que visem à redução do consumo próprio
de água, gerando menos esgoto.

4.2.3 Exemplos

A redução do consumo final de água implica também a redução do


tratamento de esgotos. Assim, considerando uma perda média de 20% nos
sistemas de abastecimento do Brasil (valor conservador), a economia de 1 litro
de água no consumo final evita a captação, o bombeamento e o tratamento de
1,25 litro, bem como reduz um litro de tratamento de esgoto.
Atualmente, existem bacias sanitárias com volume de descarga reduzido
(6 ℓ/descarga), que economizam de 40 a 50% da água tratada que as bacias
usuais gastam (10 a 12 ℓ/descarga).
Do mesmo modo, o uso de restritores ou reguladores de vazão em duchas
e torneiras pode levar a reduções de até 70% do consumo de uma torneira/ducha
normal, principalmente se há uma elevada pressão de carga (altura
manométrica).

TEMA 5 – ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA

Em artigo sobre arquitetura bioclimática, o grupo Novelec (2017) nos dá


uma boa introdução:

Os edifícios em que vivemos e trabalhamos são responsáveis por uma


porcentagem muito alta do consumo de energia do país. Esse
consumo, seja na forma de calor ou de eletricidade, além de aumentar
os custos, contribui significativamente para a poluição do ar. Em
resposta a isso, nasce a arquitetura bioclimática, uma nova maneira de
entender o design e a construção.

A arquitetura bioclimática consiste, então, em desenhos de edifícios


levando-se em consideração as condições climáticas, utilizando-se os recursos
36
disponíveis na natureza (sol, vegetação, chuva, vento) para minimizar os
impactos ambientais e reduzir o consumo energético.
Uma casa bioclimática pode conseguir grandes economias de energia e,
inclusive, ser sustentável em seu todo. Embora atualmente o custo da
construção possa ser elevado, o investimento nesse tipo de construção pode ser
compensado com o decréscimo de gastos em energia.
O fato de hoje em dia a construção não ter em conta a arquitetura
bioclimática deve-se ao pouco respeito que países desenvolvidos e em
desenvolvimento têm pelo ambiente, não acionando os meios que têm ao se
dispor a travar o desastre ecológico que se aproxima.
O consumo de energia nos edifícios representa cerca de um quarto da
despesa total em todo o país. Sua redução pode ser alcançada com algumas
técnicas possíveis, dentro de um projeto estudado da infraestrutura: isso pode
ser chamado de arquitetura bioclimática, um termo que, embora pareça novo, já
indica há alguns anos o caminho a seguir de nossas casas e edifícios.
A arquitetura bioclimática é tradicionalmente utilizada desde a
antiguidade. Pode ser vista, por exemplo, no desenho das cidades romanas,
construídas de acordo com a orientação solar, ou em casas conjugadas ao Sul
de Portugal ou em pátios interiores de origem árabe.

5.1 O que é arquitetura bioclimática

Esse conceito se refere ao design de espaços, localizados em um clima


específico e local, que leva em consideração o conforto térmico e visual. Seus
elementos básicos são sistemas passivos que são incorporados à estrutura e
aproveitam os recursos ambientais para aquecer, resfriar, ventilar e iluminar
edifícios.
É, portanto, uma arquitetura que se conecta à natureza e busca a perfeita
coesão entre o projeto de um edifício e o meio ambiente, resultando na
otimização dos recursos.

5.1.1 Adaptação à temperatura

A adaptação à temperatura dos edifícios é o ponto em que é mais comum


referir-se à influência da arquitetura bioclimática. Tradicionalmente, aproveita-se
o calor do Sol quando o tempo está mais frio, para aquecimento do ambiente e

37
para as águas quentes sanitárias, aproveitando, por exemplo, o calor do efeito
de estufa dos jardins de inverno. Se houver necessidade de aquecimento,
minimiza-se as perdas de calor com um bom isolamento térmico envolvendo o
exterior do edifício (fachadas, pavimentos e cobertura).
Quando o clima é mais quente, tradicionalmente as paredes são mais
grossas, para aproveitar a inércia térmica das paredes; os telhados e a fachada
têm cores claras, para minimizar o efeito da radiação solar. Os toldos a sombrear
os vãos, os vidros especiais ou vidros duplos e uma boa ventilação natural são
outras soluções. No caso de utilizar um sistema de arrefecimento, isolar a
habitação é também uma boa medida de redução de consumo energético.

5.2 Princípios

A arquitetura bioclimática apresenta alguns padrões, dependendo do


clima específico em que o edifício em questão está localizado. Estes são os mais
importantes:

 consideração e estudo das condições climáticas, hidrografia e


ambiente em que os edifícios são construídos para alcançar a máxima
eficiência e o mínimo impacto;
 proteção de propriedade, tanto no inverno quanto no verão, com
medidas e técnicas relacionadas ao design externo. Em particular, com
isolamento adequado e um aperto que evita vazamentos e vazamentos
de ar.
 uso de energia solar para o sistema de aquecimento durante o inverno
e para a iluminação durante todo o ano. Isso pode ser alcançado com a
orientação adequada da janela (geralmente para o sul) e as entradas do
edifício;
 proteção do exterior e da fachada dos raios solares, especialmente no
verão, por meio de tratamento adequado, como cores e superfícies
refletivas;
 eficiência e moderação na escolha de materiais de construção;
 ajustes e melhorias das condições ambientais no interior dos edifícios,
para que as pessoas que o habitam o achem agradável (exemplo: forçar
a ventilação do ar ou armazenar frio ou calor).

38
5.3 Relação com um sistema de bioclimatização

Nessa linha em direção a edifícios mais sustentáveis, uma nova


tecnologia chamada sistema de bioclimatização surgiu nos últimos anos.
Existem várias marcas que o oferecem. Trata-se de uma série de equipamentos
capazes de gerar ar fresco por meio do processo de evaporação da água, ou
seja, um processo absolutamente natural. Como não requer gases refrigerantes,
é um sistema totalmente ecológico e limpo.
Assim, os sistemas de bioclimatização são a base e o pilar da arquitetura
bioclimática, uma vez que seu principal objetivo é otimizar a eficiência
energética, mas sem afetar o meio ambiente. Seu consumo é muito baixo
(praticamente semelhante ao de um ventilador), e a economia que representa é
incomparável se pensarmos em um aparelho de ar-condicionado. Seu cuidado
perfeito com a temperatura, mas também com a umidade, o torna um sistema de
instalação altamente recomendado para os edifícios que desejam reduzir seu
impacto no meio ambiente”.

5.4 Materiais e métodos utilizados no projeto

Em seu blog, a ArchTrends PortoBello (2017) afirma que com a


popularização de técnicas sustentáveis, existem muitos sistemas e mecanismos
que podem ser aplicados aos mais variados projetos. Para escolher as soluções
mais adequadas, devemos nos basear nas características próprias de cada
local.

5.4.1 Isolamento

Em um clima frio, como o de regiões mais altas, o interessante é aplicar


materiais isolantes que assegurem conforto térmico. O objetivo é ter construções
frescas no verão e aconchegantes no inverno.
As fachadas, a cobertura, os pisos e as paredes podem ser revestidos
para a diminuição da dissipação de calor. Os materiais mais usados são os de
origem natural ou reciclados, como fibras de papel, lã de PET e de vidro, que
vão no interior da estrutura da parede. Essas alternativas têm boa eficiência nos
isolamentos acústico e térmico, além de serem feitas com substâncias não
tóxicas, inofensivas para o meio ambiente.

39
5.4.2 Janelas e vidrarias

Quanto mais transparente for o vidro, mais radiação solar entrará na


estrutura. Os vidros duplos também são ótimas opções para aumentar os
confortos térmico e acústico, e normalmente são utilizados em regiões de clima
frio. Em áreas quentes, a iluminação solar necessita ser controlada para que a
temperatura interna não suba demais. Nesses locais, adotam-se vidros menos
transparentes (escuros) que, tratados, podem ser a solução, aliados a outras
técnicas que deixam o ambiente fresco.

5.4.3 Ventos

A ventilação pode ser uma boa aliada para diminuir a temperatura. O


vento entra por vãos em paredes e sai por aberturas no telhado, seguindo a
ventilação vertical e esfriando rapidamente a estrutura interna.
A ventilação horizontal também pode refrescar o ambiente, já que é
facilitada pela ação dos ventos em janelas e portas. A ventilação cruzada é uma
alternativa que traz mais comodidade por levar o vento de uma abertura a outra,
permitindo o uso de venezianas que controlem e direcionem a brisa.

5.4.4 Aproveitamento da radiação solar

Em regiões quentes, a incidência do sol tende a ser mais forte. Por isso,
investir em painéis solares fotovoltaicos é outra opção muito interessante e com
resultados rápidos.
Outra boa e simples aplicação é a iluminação natural, que diminui o gasto
energético e o uso de lâmpadas. Essa estratégia é ótima, pois serve tanto para
regiões quentes quanto para as temperadas e frias.

5.4.5 Aberturas controladas

Às vezes, a iluminação solar esquenta muito o ambiente interno. Por isso,


as técnicas de coberturas e de sombreamento natural podem ajudar a controlar
a luminosidade e a temperatura.
O uso de marquises, beirais, toldos e brises (fixas ou móveis) possibilita
a iluminação indireta (focada no teto, por exemplo) e o controle dos ventos, e
ainda permite que a janela fique sempre aberta, mesmo em dias de chuva.

40
5.4.6 Sistemas de sombreamento

O plantio de árvores de grande porte nas proximidades da construção é


outra solução para controlar a iluminação. Essa técnica garante sombra e
arrefecimento passivo, bem mais eficiente que formas internas de bloqueio e
passagem de luz. Em média, cortinas e outros mecanismos semelhantes são
30% menos eficazes, considerando a absorção de calor pela edificação.
Com as mudanças de estação em climas mais temperados, as árvores
garantem sombra no verão, mas deixam que os raios solares alcancem a casa
no inverno, fase em que as folhas caem.

5.4.7 Orientação e dimensionamento das construções

Uma das principais preocupações de um projeto de arquitetura


bioclimática deve ser a orientação da construção em relação à incidência do sol,
considerando ainda a variação de acordo com as épocas do ano.
Em termos gerais, o que se recomenda é que a fachada maior esteja
voltada para o Norte (no hemisfério Sul). Isso faz com que ela receba o máximo
de energia durante o inverno e que, no verão, a incidência solar fique restrita ao
período das 9h às 15h.
As fachadas Leste e Oeste têm maior incidência solar durante as
primeiras horas do dia e pela tarde, respectivamente. Por isso, as áreas mais
úmidas e os ambientes que precisam de aquecimento à noite devem ficar
voltados para o Oeste.

5.4.8 Escolha dos materiais

Essa etapa é fundamental para toda a cadeia bioclimática e sustentável


proposta. A ideia do bioclimatismo é levar para as construções materiais que
causem menos impacto na natureza e que proporcionem qualidade de vida,
valorizando a cultura tradicional e local. Portanto, até as cores escolhidas
influenciam no conjunto.
As chamadas técnicas vernaculares são caracterizadas por aproveitar e
valorizar os conhecimentos mais antigos e populares da região. Elas são muito
utilizadas para melhorar a performance do edifício de forma simples, contando
com materiais como barro, algodão, adobe, materiais reaproveitados, madeiras
de reflorestamento, entre outros.

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A tecnologia também se faz presente e consegue resolver problemas que
técnicas mais comuns não são capazes de solucionar. Os vidros de proteção
solar, os painéis solares, os dispositivos que diminuem o gasto de água, as tintas
ecológicas, os telhados verdes, os sistemas de construção verdes (steel frame
e wood frame), as lâmpadas mais duráveis e os revestimentos modernos, por
exemplo, apresentam funcionalidades só permitidas pela inovação e pela alta
tecnologia.
Quanto às cores, as tonalidades claras estão conectadas ao ambiente
natural e, além disso, absorvem menos energia (calor) e refletem melhor a luz
do sol. Essa característica é interessante principalmente em locais quentes, uma
vez que pode aumentar a eficiência energética. No entanto, para lugares muito
frios, as tonalidades escuras e fechadas podem trazer aconchego e conforto, e
ainda evitam que o calor se dissipe.

FINALIZANDO

No Tema 1, tratamos da eficiência energética em sistemas de


aquecimento e vimos que existem diversos tipos de equipamentos utilizados que
possuem características próprias de funcionamento. Além disso, vimos que
precisamos conhecer cada um deles para poder melhorar cada vez mais a sua
eficiência.
No Tema 2, apresentamos o ar comprimido, e vimos que atitudes simples
no tratamento das tubulações e emendas podem ser essenciais para aumentar
a eficiência energética desses aparelhos.
No Tema 3, vimos que os aparelhos de refrigeração também levam em
conta muitas fórmulas da física em seu processo. Também vimos que a
refrigeração atinge valores de −60ºC ou até menos, e que precisamos levar em
conta quando queremos alterar seus componentes para aumentar sua eficiência.
No Tema 4, avaliamos os sistemas de bombeamento e vimos que o
rendimento desses sistemas é crítico, e que temos que ter rendimentos
excelentes tanto nas bombas quanto nos motores para que potência aumente.
No Tema 5, estudamos a arquitetura bioclimática, em que se busca a
eficiência de equipamentos na natureza, aproveitando iluminação e aquecimento
naturais, ventos, entre outros, para que o ambiente se torne autossustentável.

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REFERÊNCIAS

ARQUITETURA bioclimática: o que é e qual seu propósito? Archtrends


Portobello, 9 out. 2017. Disponível em:
<https://archtrends.com/blog/arquitetura-bioclimatica/>. Acesso em: 13 nov.
2019.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8194:


medidores de água potável: padronização. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8009:


hidrômetro taquimétrico para água fria até 15,0 m³/h de vazão nominal:
terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 1997.

ETIQUETAGEM em edificações [comercial]. Procel, S.d.(b). Disponível em:


<http://www.procelinfo.com.br/main.asp?View={F48ABFE1-2335-4951-9FF9-
C5E9B27815AC}>. Acesso em: 14 nov. 2019.

ETIQUETAGEM em edificações [residencial]. Procel, S.d.(c). Disponível em:


<http://www.procelinfo.com.br/main.asp?View={683221F1-1596-41CF-B239-
8BB8B43A355C}>. Acesso em: 14 nov. 2019.

EFICIÊNCIA energética: Unidade Habitacional Autônoma. Procel, S.d.(a).


Disponível em:
<http://www.procelinfo.com.br/data/documents/storedDocuments/%7BEB3DAE

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90-58CB-48BF-86E9-1CA876F683B0%7D/%7BA5253934-4245-465E-8112-
B9DF90649647%7D/R5.jpg>. Acesso em: 14 nov. 2019.

¿QUÉ es la arquitetura bioclimática? Novelec, 24 abr. 2017. Disponível em:


<biohttps://blog.gruponovelec.com/climatizacion/arquitectura-bioclimatica/>.
Acesso em: 13 nov. 2019.

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