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MÍDIA: MEIO DE PROPAGAÇÃO E INCENTIVO A VIOLÊNCIA

Silas Bruno Ferreira dos Santos1


RESUMO
Este artigo busca, de modo simples e direto, abordar uma reflexão sobre a violência na
sociedade atual, que se manifesta de diversas formas e em diversas áreas da sociedade,
sendo a mídia uma grande colaborada para o desenvolvimento e propagação da cultura
de violência. Varias são as formas que a mídia usa para alienar os indivíduos, levando-
os a crer em uma violência naturalizada, que faz parte do dia-a-dia, por isso se faz
necessário a criação de meios que eduque o jovem de hoje para poder lidar com tal
fenômeno.
Palavras-chave: Mídia. Cultura da Violência. Jovens. Violência
Institucionalizada. Sociedade.

INTRODUÇÃO

Devido ao crescente desenvolvimento e utilização das redes sócias, para a


interatividade e a busca de um aumento nas “pseudo – relações” nota-se, também, um
crescimento exagerado, e até ofensivo, da chamada “violência virtual”.
Nas redes sociais as pessoas se sentem livres para dizerem o que sente e querem,
mostrando afeição ou repugnação de uma e outra situação e, em nome de uma falsa
liberdade, ofertada pelas redes, contribuem para o aumento da violência, quando não, as
praticam. E devido a tal evento, este trabalho procura, de uma maneira simples, discutir
sobre a influência que a mídia e das redes sociais exercem sobre a violência em suas
múltiplas formas e aspectos.
A ciência é caracterizada pelo uso de um método cientifico que, em suma, é um
conjunto de atividades sistemáticas e racionais que permitem alcançar um objetivo,
traçando caminhos seguros a serem seguidos, detectando erros e auxiliando nas decisões
a serem tomadas pelo cientista.2 Tal rigor será observado neste trabalho, pois partindo

1
Bacharel em Filosofia pelo INTEFISA, Instituto de Filosofia e Teologia São Francisco e Santa
Clara, em Mococa, SP, e atualmente cursa o primeiro período da Teologia na PUC-GO, e é seminarista da
Diocese de São Luís de Montes Belos.
2
Cf. MARCONI, Marina de A.; LAKATOS, Eva M. Métodos Científicos. In: LAKATOS, Eva M.
Fundamentos da metodologia cientifica. 6. Ed. São Paulo: Atlas, 2005. 314 p. cap. 4, p. 83 – 114.
da leitura de textos e pesquisas bibliográficas iremos, através do método indutivo-
dialético, dissertar sobre esta temática.
Iremos discorrer sobre a influência da Mídia e das Redes Sociais para a
Propagação e Incentivo da Violência. Definido o que é violência e quais as suas
principais características, vamos discorrer sobre a influência da mídia na contribuição
para a propagação da violência, apontando meios para modificar a influência da mídia,
transformando-a em um meio de construção da paz e da justiça.

1. VIOLÊNCIA E SUAS FORMAS

Ao falar-se de violência, sempre se depara com um tema amplo e ambíguo, pois


muitas são suas formas e modo operandis, implicando “vários elementos e posições
teóricas e variadas maneiras de solução ou eliminação”3. Todos são capazes de
identificar uma ação ou atitude violenta, contudo conceituar o que é violência, se torna
uma tarefa difícil, devido as várias facetas com que se apresenta, já que a ação geradora
ou sentimento relativo a ela pode adquirir vários sentidos e significados diferentes de
acordo com a cultura de cada indivíduo, o momento histórico e as condições em que ela
ocorre.
Ao tratar sobre uma definição, a melhor que se pode dar é a Rocha (1996).

A violência, sob todas as formas de suas inúmeras manifestações, pode ser


considerada como uma vis, vale dizer, como uma força que transgride os
limites dos seres humanos, tanto na sua realidade física e psíquica, quanto no
campo de suas realizações sociais, éticas, estéticas, políticas e religiosas. Em
outras palavras, a violência, sob todas as suas formas, desrespeita os direitos
fundamentais do ser humano, sem os quais o homem deixa de ser
considerado como sujeito de direitos e de deveres, e passa a ser olhado como
um puro e simples objeto. 4

Essa violência pode ser manifesta de forma natural ou artificial. Ela não somente
algo que o ser humano produz como um ato externo, mas é algo que está intrínseco
dentro de si. A violência natural é própria do ser humano e dela ninguém está livre,
enquanto a artificial é entendida como o uso excessivo ou abuso de força sobre outrem.5

3
PAVIANI, Jayme. Conceito e Formas de Violência, in MODENA, Maura Regina (org.),
Conceitos e Formas de Violência, Caxias do Sul, RS, Educs, 2016, p. 8.
4
ROCHA, Z. Paixão, violência e solidão: o drama de Abelardo e Heloísa no contexto
cultural do século XII. Recife: UFPE, 1996. p. 10 in LEVISKY, David Léo, Uma Gota da
Esperança, in ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na Sociedade Contemporânea,
Porto Alegre, EdiPUCRS, 2010, p. 6.
5
PAVIANI, 2016, p. 8.
A origem do termo violência, do latim, violentia, expressa o ato de violar
outrem ou de se violar. Além disso, o termo parece indicar algo fora do
estado natural, algo ligado à força, ao ímpeto, ao comportamento deliberado
que produz danos físicos (...) Dito de modo mais filosófico, a prática da
violência expressa atos contrários à liberdade e à vontade de alguém e reside
nisso sua dimensão moral e ética.6

A violência é um termo que, hoje, está alta sendo utilizado nas mídias, internet,
nas ruas, tornando-se “uma das principais realidades a serem discutidas e tem inspirado
diversas formas de políticas públicas”7.
A CNBB, citando a Organização Mundial da Saúde (OMS), define violência
como “uso intencional da força contra si mesmo, contra outras pessoas ou contra um
grupo de pessoas”8. Desta forma vemos que seu resultado pode ser físico, psicológico,
sexual ou, até mesmo, a morte.

1.1. Violência Cotidiana

“A violência humana, onipresente no cotidiano contemporâneo, ignora nossos


esforços para mantê-la distante e invade nossas vidas das mais diversas maneiras” 9,
assim contraria a ideia que se tem sobre um Brasil pacifico, acolhedor, onde todos os
credos e raças se encontra, visto que a violência é um grande fator presente em nossa
sociedade, quebrando o ideal positivista que se tem.
Muitas são as situações que mostram a fragilidade do país, onde os números de
violência estampam essas contradições. Pessoas amedrontadas pela possibilidade de
serem roubadas ou assaltadas, o medo do tráfico de drogas e da polícia, são os temores
com que a população brasileira convive cotidianamente.

Homicídios, sequestros, estupros e diversas outras formas de violência são


traduzidas em números e constituem a principal e a mais imediata
preocupação dos cidadãos. É essa a forma de violência que costuma ser
objeto de políticas públicas cm vista tanto no combate como na punição10

Estas violências existentes no cotidiano, alvos de políticas de combate, não são as


únicas formas diretas de violência, muitas acontece de forma silenciosa e sutis, quase
imperceptível. Exemplo disso, temos as redes sócias que contribuem para dar
visibilidade a violência, que é também traduzido para as relações sócias que demonstra
6
PAVIANI, 2016, p. 8
7
CNBB, Campanha da Fraternidade 2018: Texto-Base, Brasília, ed. CNBB. 2017, n. 16.
8
OMS in CNBB, 2017, n. 6.
9
LEVISKY, 2010, p. 13.
10
CNBB, 2017, n. 27.
uma fragilidade em seu equilíbrio, que é necessário para uma convivência pacifica, por
motivos banais, dando margem para a intolerância 11, consolidando a nação como uma
sociedade que fazer justiça com as próprias forças.
Contudo, é possível “em meio à vida conturbada das grandes cidades, encontram-
se situações de coexistência pacifica”12, mostrando que, cotidianamente, convivência
pacifica e sociabilidade violenta disputam o mesmo espaço. Ostenta-se “a vida pacifica,
produz-se e promove-se a violência, tanto no espaço público como no ambiente
privado”13 seja por interações pessoas diretas ou mediadas pela tecnologia.
Por isso se faz necessário três fatores para definir o espaço de paz e de guerra. O
primeiro deles é a ação do poder público, que funciona quase que como uma omissão,
pois onde o Estado deveria se fazer presente, como nas periferias, observa-se uma
ausência de políticas de proteção, deixando seus moradores entregues a grupos armados,
ao tráfico e a outros tipos de desordem social. Contudo, “em áreas nobres, a presença do
poder público se faz de múltiplas formas, garantindo direitos dos cidadãos e protegendo
o patrimônio das elites”.14
O segundo fator diz respeito ao poder do dinheiro. “Quem pode pagar por
segurança privada tem uma serie de privilégios (...) que são negados à maioria dos
cidadãos”15. Assim, vemos que segurança, na realidade não apenas brasileira, mas
mundial, deixou de ser um direito de todos para ser privilégio de alguns.
O terceiro fator está relacionado “ao tratamento seletivo dado pelos órgãos
públicos, dos três poderes, em relação à garantia de direitos, como o acesso à justiça” 16.
Tal realidade é visível quando olhamos para os presídios, onde mais da metade dos
encarcerados, não foram julgados.

1.2. Violência Institucional

Embora a violência direta seja a forma mais extrema de agressão, ela representa
apenas uma pequena expressão das relações sociais violentas. “Diferentemente das
formas de violência direta, existem outras que não se configuram como um fato ou

11
Cf. CNBB, 2017, n. 28-29.
12
Ibid., n. 30.
13
Loc. Cit.
14
Ibid. n. 31.
15
Ibid. n. 32.
16
Ibid. n. 33.
evento remissíveis a um ou mais agressores que causem um dano a outra pessoa ou a
outras pessoas”17.
Este modelo de violência está ligado a modelos de organização e a práticas
sociais, que alcançam um nível institucional e sistemático de produção e perpetuação de
modos de vida violentos, que permeiam as instituições sociais, não transparecendo,
apenas, nas formas de interação cotidianas.
Muitos associam o aumento da violência letal, ocorrido nos 80 com a crise
econômica vivida naquele período, mostrando a correlação entre violência e o contexto
social. Esta relação não busca estabelecer causa e efeito, uma vez que os fatores que
determinam a violência são vários, contudo, mostra que não se deve ignorar o fator
socioeconômico como um meio influenciador da violência.
Contudo, no começo deste século “muitos fatores contribuíram para a ocorrência
de uma certa diminuição da taxa de homicídios (...) houve (...) mudanças importantes no
debate político e na gestão da segurança que podem ter produzido o resultado
benéfico”18.
A existência pacifica sempre esteve sitiada pela ação do Estado e por outros
setores da sociedade que não veem na violência um mal funcionamento do aparato
social, mas como um processo de produção e reprodução de desigualdades, cujo os
danos causados só são perceptíveis a longo prazo.
“Os pobres constituem as principais vítimas das mazelas econômicas por que
sucessivamente passa o país. E, também, são as maiores vítimas da violência. (...) não
haverá redução dessa forma de violência a menos que as condições de exclusão sejam
modificadas”19.

1.3. Violência Cultural

“Na expressão ‘violência cultural’, a palavra ‘cultura’, neste texto, remete à ideia
de cultivo”20, sendo resultado dos próprios mecanismos que a formam e a reproduzem
no dia a dia e, não apenas uma interpretação da realidade que precede o indivíduo.
Quando falamos em “violência cultural” entende-se as condições pelas quais uma
determinada sociedade não reconhece mais, como sendo violência, atos ou situações em
que pessoas são agredidas, criando uma falsa legitimação de certas atitudes violentas,
17
CNBB, 2017. n. 35.
18
Ibid., n. 39.
19
Ibid. n. 43-44.
20
Ibid. n. 45.
criando assim, meios com os quais se torna difícil reconhecer um ato como violento ou
não.21
Isto leva a uma indiferença pois, a reação violenta se naturaliza de forma
passional, se mostrando como uma reação natural de reagir a uma situação de conflito.
Tal argumento, muitas vezes, é usado para justificar a violência sofrida por jovens,
mulheres, negros quando fazem algo indevido.

A estuprada por vestir-se de forma “imoral” ou por não se dar ao respeito. O


adolescente, por ser drogado, delinquente ou marginal. Dessa forma, entende-
se que uma certa dose de violência seria, inclusive, benéfica para manter as
“as pessoas de bem” longe do crime e dar o “devido castigo” a quem deixou
de fazer “aquilo que é certo”.22

Ligada as construções simbólicas, a violência cultural, naturaliza as


desigualdades, invertendo as relações de causa e efeito, reduzindo ao silencio as
contradições existentes em uma nação, subsistindo nas decisões que inviabilizam a
construção da justiça e da equidade, escondendo-se entre crenças legitimas, a formas de
pensamento e de linguagem.

2. TIPOS DE VIOLÊNCIA

2.1. Violência Racial

A violência racial no Brasil, supõe uma forte relação entre as três formas de
violência, direta, estrutural e cultural, sendo a direta a forma mais concreta e evidente de
questões socioeconômicas históricas, deixando representações culturais naturalizadas
sobre os negros, índios, imigrantes e migrantes.

A história do Brasil se inicia sob o imperativo da violência direta, através da


intervenção física, primeiro com o extermínio da população indígena por
contaminação de doenças, por imposição de trabalhos forçados ou pelas
guerras de disputa pelo espaço. O mesmo ocorre com a população africana
retirada à força de seu lugar de origem e submetida aos mais cruéis
tratamentos.23

21
Cf. CNBB, 2017. n. 46.
22
Ibid., n. 48.
23
PEREIRA, Lúcia Regina Brito, A Visibilidade da Violência e a Invisibilidade sobre o Negro
no Brasil in ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na Sociedade Contemporânea,
Porto Alegre, EdiPUCRS, 2010, p. 89.
No Brasil, vários são os relatos de imigrantes que ainda vivem situação de
desrespeito e exploração de trabalho chegando, alguns, quase a condição de escravo.
Contudo a xenofobia, não algo novo em nosso país, mas a décadas vemos essa situação
que se estende também aos migrantes dentro do próprio país.

2.2. Violência Contra os Jovens

“O século XXI começa com uma taxa de 199 mil assassinatos de crianças e
jovens”24, cuja principal causa e morte é o homicídio, que cresce a cada dia em nossa
sociedade, sendo o principal com armas de fogo.

Os jovens (entre 151 e 29 anos de idade) (...) correspondem a 58% das


vítimas desse tipo de homicídio. A disseminação das armas de fogo parece
estreitamente ligada à letalidade da violência envolvendo jovens (...) o
assassínio de jovens ultrapassa os limites das políticas de segurança e a
transformam em um problema de saúde pública e de civilidade.25

No cenário nacional, percebemos que o jovem realiza o papel de agente e de


vítima da violência urbana, causando uma desestrutura familiar, graças à violação dos
direitos humanos que causam sofrimento. Também, na tentativa de superar a pobreza
partem para o mundo das drogas e do tráfico, ficando “à mercê das rigorosas regras que
proíbem a traição e a evasão de quaisquer recursos, por mínimos que sejam, além de
ganharem o rótulo de eternos suspeitos, portanto incrimináveis, quando são usuários de
drogas”26.

2.3. Violência Contra Mulheres

Sendo em sua maior parte homens, o assassinato de mulheres crescera 17,2%


entre os anos de 2001 e 2011, observando uma alta tendência de vulnerabilidade das
mulheres. Neste caso, destaca-se, como local de agressão, o domicilio da pessoa, sendo
a violência contra a mulher “um fenômeno muito ligado ao ambiente doméstico”27.

24
CARVALHO, Claudia Maciel. Violência Infanto-juvenil, uma triste herança in ALMEIDA,
Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na Sociedade Contemporânea, Porto Alegre, EdiPUCRS,
2010, p. 30.
25
CNBB, 2017, n. 81-82.
26
CARVALHO apud ZALUAR, 2010, p. 66-67.
27
CNBB, 2017, n 85.
“Por muito tempo, as violências contra a mulher foram socialmente aceitas, o que
impregnou as identidades culturais de homens e mulheres de um grau elevado de
tolerância para com tais manifestações de agressividade”28. Contudo, este tipo de
violência não foi bem estruturado socioculturalmente e, nos dias atuais é reprovado pela
legislação, sendo exemplo desta reprovação a Lei Maria da Penha.

2.4. Violência Domestica

“Por violência doméstica deve-se entender aquela conduta que cause danos físico,
psíquico ou sexual não só à mulher como a outras pessoas que coabitem na mesma casa,
incluindo empregados e agregados”29. Contudo, as maiores vítimas desse tipo de
violência é a mulher.
“A violência contra a mulher corre, principalmente, dentro de casa. 71,8% das
agressões registradas pelo SUS em 2011 aconteceram no domicilio da vítima.
Frequentemente, o agressor é o parceiro ou ex-parceiro da vítima (43,3%)” 30. Sendo
mais frequente casos de violência contra mulheres jovens e, nestes casos a violência
contra a mulher demonstra o caráter cultural da violência.
A OMS31 estima que uma a cada seis pessoas, ou seja 16%, com mais de 60 anos
de idade já foram vítimas de abusos, onde o agressor é quase sempre alguém da família,
notadamente filhos ou cônjuges32.
Outro grupo, também vítima da violência doméstica, é formado por crianças e
adolescentes. Muitas situações de violência são naturalizadas, não chegando a ser
reconhecida como tal, mas como práticas de educação e de convivência familiar. “O
abuso sexual, os ataques verbais ou físicos e a negligência constituem as formas de
violência mais comuns enfrentadas por crianças e adolescentes no ambiente
doméstico”33.
Uma das piores formas de violência que uma criança pode enfrentar é a pobreza,
sendo a causa da morte de “pelo menos 17 mil crianças e jovens todos os dias”34.

28
CELMER, Elisa Girotte, Violência Contra a Mulher baseada no Gênero, ou a Tentativa de
Nomear o Inominável in ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na Sociedade
Contemporânea, Porto Alegre, EdiPUCRS, 2010, p. 74.
29
CELMER, 2010, p. 73.
30
CNBB, 2017, n. 88.
31
Organização Mundial da Saúde.
32
Cf. CNBB apud OMS, 2017, n. 91.
33
CNBB, 2017, n. 92.
34
CNBB apud ONU, 2017, n. 95.
A pobreza e a desigualdade social, prejudicam a saúde, diminui o tempo de vida,
causando um impacto no desenvolvimento da criança desde o seu nascimento. Se faz
necessário um apoio incondicional durante a primeira infância. Por isso a sociedade, e
todos os seus segmentos, devem se mobilizar, para acabar com a pobreza e garantir que
a criança seja acolhida e protegida pela família.

3. VIOLÊNCIA E MÍDIA

“Seja em representação ou em ato, a violência significa, em todas as suas


possíveis variações, uma violação do espaço pessoal físico ou mental. O acesso não
permitido ao corpo de sentimentos ou percepção constitui uma violência” 35. Contudo,
quando o ato violento não se aplica ao físico, sua concepção se torna subjetiva dada a
particularidade de cada caso.

A representação de violências, como a exibição visual de um ato de violência


física, ou de um ato sexual explícito, pode ser considerada um ato violento ou
não, dependendo inicialmente do contexto, mas, principalmente, da aceitação
ou permissão do espectador em ter contato com essa cena.36

Tais cenas, seja no meio fictício ou nos telejornais, causam grande impacto nas
pessoas que os assiste, os prendendo através de imagens fortes, criando uma curiosidade
mórbida e, assim, a violência causada por isto necessita de uma aceitação por parte do
telespectador.

O que está em jogo na comunicação de massa é a atenção do público (...) esse


tipo de propósito é, em boa medida, comercial (...) o que a mídia deseja é
conquistar os olhos e os ouvidos das pessoas para vende-los aos anunciantes
(...) o que predomina no público é a desatenção (...) um clic cognitivo e
emocional. A audiência acaba observando esses estímulos como
sonâmbulos.37

Por isso vários canais da grande mídia, cumprem o papel de formadores de


pensamento, criando um pensamento único, onde “a ideia de que a opinião externada

35
POZZA, Gustavo L., A Violência no Cinema, apud MELTZER D.; WILLIAMS, M. H. The
apprehension of beauty: the role of aesthetic conflict in development, art and violence. London:
Karnac Books, 2008, in MODENA, Maura Regina (org.), Conceitos e Formas de Violência, Caxias do
Sul, RS, Educs, 2016, p. 123.
36
POZZA, 2016, p. 123.
37
WAINBERG, Jacques A., Mídia e Violência: A Luta contra a Desatenção e a Sonolência das
Massas in ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na Sociedade Contemporânea, Porto
Alegre, EdiPUCRS, 2010, p. 138.
pelo veículo de comunicação coincide com o próprio fato” 38, tornando impossível
ultrapassar o senso comum, reduzindo a notícia a um simples entretenimento,
produzindo contextos de interpretação da realidade, pois não se vê mais o que se passa a
sua volta, gerando um comportamento opaco e de autodefesa.
Para as emissoras tal efeito do público é desesperador, pois tudo se dilui numa
alienação das massas. Nunca se informou tanto como hoje e, contudo, a incomunicação
permanece sendo um fenômeno epidêmico.39
Há uma luta constante entre os diversos veículos pelo raro e desejado ato de amor
e de afeto por parte do público, pois não mais se interpreta, analisa, compreende e
aplica, não apenas o que lê, mas também o que o vê e ouve, fazendo, assim,
“propaganda aberta e favor da justiça como vingança social”40.
A sofreguidão41 é apenas um lado dessa moeda e se mostra necessitado de um “ato
de força para acordar as pessoas de seu refúgio de hibernação” 42 e por isso, a mídia
gosta muito da violência que desperta a paixão. O jornalismo e a ficção evocam esses
lados obscuros da vida com tanto denodo e apreço e a informação acaba sendo desejada
porque seu efeito terapêutico é diminuir a incerteza. O medo é uma maravilha para a
educação.
A ficção tem por missão imitar a vida como ela é, e os indivíduos violentos o
fazem naturalmente gerando uma catarse43, como uma consequência positiva da
violência ficcional, contudo, hoje o seu mecanismo não é mais suscetível44.
Porém o efeito negativo é o mimetismo social 45. Vamos todos ao cinema para ser
manipulados de alguma forma. E a violência serve aos fins da ignição do espirito nesse
amplo campo do entretenimento e recreação.
Os militantes de causas variadas, encenam ocorrências com graus de violência
variados. Enquanto os fortes entram livremente pela porta da frente das redações, os
fracos, só conseguem faze-lo pela porta de trás. Nessa ótica o terrorismo é a única arma
disponível aos fracos na sua luta contra com os fortes.

38
CNBB, 2017, n. 131.
39
Cf. WAINBERG, 2010, p. 139.
40
CNBB, 2017, n. 134.
41
Anseio exagerado para conseguir alguma coisa rapidamente; ambição, impaciência, pressa.
42
WAINBERG, 2010, p. 139.
43
Κάϑαρσις: libertação do que estava reprimido; ato de liberdade produzido por certas atitudes,
representado pelo medo ou pela raiva; purgação da mente.
44
Cf. GIRANDOLA, Fabien, Violence dans les Médias: Quels effets sur les Comportement?
s/l. Presses Universitaire de Lorraine, 2004, p. 57.
45
Perca da personalidade social.
3.1. Ação Teatral

“As críticas à violência nas representações audiovisuais, mais do que fomentar a


discussão, já servem por si mesmas como uma demonstração da presença massiva e do
impacto causado por essas cenas”46.
Tais representações são chamadas de “pseudo-eventos”, uma ação cênica
premeditada que visa conquistar a atenção da mídia. “A mídia precisa do ato cênico
para poder enquadrar o fato nos seus valores de noticiabilidade. (...) Violência
empunhada, entra-se nas páginas dos jornais e nas edições de telejornais, através destes,
na mente do público”47.
“Vive-se, hoje, uma cultura que espetaculariza, banaliza e naturaliza a violência,
através da produção e recepção dos meios de comunicação de ‘massa’” 48. O segredo é
incomodar alguém. Matam-se alguns para conquistar a atenção de todos e, a ação é
usada de modo persuasivo, premeditada, visando produzir no público um efeito e um
impacto calculado pelo emissor/produtor/manipulador.
Para a imprensa o mal que é bom e os efeitos cognitivo e afetivo são estupendos
pois rompem o silencio, conquistam os olhos e produzem a tão almejada audiência. A
atenção, em suma, é dominada “Por tal ênfase e alguma preferência da mídia e da
indústria cultural pela violência, fica novas gerações sempre a impressão de que a vida
pregressa foi marcada por esse drama da guerra incessantes”49.
A capacidade de persuasão da mídia foi uma das primeiras descobertas e, todos os
veículos foram utilizados para as operações psicológicas dos exércitos e a mobilização
das frentes de guerra. O jornal foi a mídia da guerra do fim século XIX. No dia a dia,
predomina, tanto em sua programação de entretenimento como jornalística, ora o
trágico ora o ato violento.

3.2. Cavaleiros do Apocalipse

Este shownarlismo50 tem como prato principal dessa dieta diária o alerta à
sobrevivência comunal. A má conduta dos atores sociais e políticos está em primeiro
46
POZZA, 2016, p. 124.
47
WAINBERG, 2010, p. 141.
48
MEDEIROS, Magno, Cultura Mediática, Cultura da Violência e Cidadania, s/d. p. 33.
Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/ci/article/view/23504/14026. Acessado em 28 de maio de
2018.
49
WAINBERG, 2010, p. 142.
50
WAINBERG, 2010, p. 143.
lugar entre as categorias de ocorrências noticiadas. “Os “quatro cavaleiros do
apocalipse” da realidade brasileira, são a corrupção, o crime do colarinho branco,
crimes e assaltos, seguido de acidentes de carros, desordem social interna e a
drogadição”51.
Tanto nos noticiários nacionais, como também nos internacionais dá-se
preferência à violência. A tela da televisão brasileira demonstra gostar da violência, mas
a apresenta com cuidado, e por isso, pode-se dizer que a TV brasileira tem uma tela
sanitizada.
Atingindo 94,5% dos domicílios brasileiros, o impacto da televisão no Brasil é
obvio. A relevância social da mídia audiovisual deve ser destacada, pois ela exerce um
papel estratégico, gerando uma unidade simbólica a população dispersa. “A TV é um
sistema centralizado de se contar histórias às multidões” 52. É uma fonte primaria da
socialização e informação. Pode-se por isso falar de era AT e na era DT, antes da
televisão e depois da televisão. Esse veículo de comunicação é hoje o mais importante
lubrificante social do país.

3.3. Ressonância e Influência

Os tele – dependentes constroem uma visão de mundo condicionada pelas cenas


da TV, não mais enxergando com os próprios olhos a realidade. A violência que aparece
no vídeo torna o mundo muito mais violento do que realmente é. Criando uma imagem
distorcida, onde os estereótipos culturais são animados e explorados e estimulo ao
consumo aparece de forma exacerbada.

A televisão colabora com a “reorganização do homem com o espaço” através


de um processo complexo: ela valoriza o espaço privado ao estimular a vida
familiar, ou mesmo solitária, em frente ao aparelho transmissor; ela transmite
“notícias e imagens” do que acontece “na rua”, simulando a participação do
sujeito na vida pública – vide a proposta de televisão interativa. Ao transmitir
o que acontece “na rua”, ocorre a interpretação do ocorrido, transformando,
na maioria das vezes, a versão em realidade; com a seleção do que acontece
“na rua”, alguns fatos ganham status de realidade e outros se esfumaçam na
penumbra do desconhecido.53

51
WAINBERG, 2010, p. 143
52
Ibid., p. 148.
53
SOUZA, Méreti de., Televisão, Violência e efeitos Midiáticos, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/pcp/v23n4/v23n4a12.pdf. Acessado em 23 de maio de 2018.
“A frequência da discussão do tema da violência, nas artes e mídias, demonstra
que essa área tem importância e suscita um posicionamento ético por parte dos
teóricos”54. A preocupação é óbvia: mimetismo social. Várias são as acusações que a
TV sofre por estimular todo tipo de crime e de violência, pois desinibe e dessensibiliza
o público.

Verifica-se, portanto, que a violência na mídia pode contribuir, de fato, para a


proliferação gradativa de efeitos antissociais junto à sociedade. Porém, estes
efeitos não são imediatos, nem definitivos, nem automáticos. Ao contrário,
eles dependem de uma série de variáveis, como por exemplo: faixa etária
(criança, adolescente, adulto); personalidade e temperamento; formação
cultural e psicológica; contexto social, familiar e institucional; condições de
recepção, dentre outras.55

Com isto vemos que, pessoas frustradas e violentas, olham para a violência
apresentada na mídia e a leem como um sinal para canalizar sua frustração na agressão,
exemplo disso são as crianças que, convivendo em ambientes agressivos, demonstram
comportamento agressivo.

Um segundo quadro concerne à aprendizagem social, considerada como um


processo favorecedor da agressão. (...) a violência televisionada serviria de
modelo aos mais novos. Uma serie de experimentações mostra, por exemplo,
que crianças se comportam mais agressivamente após ter visto um filme
violento onde aparece seus personagens preferidos56

Com isso percebe-se que há uma perca da personalidade social da pessoa, que
passa a assumir comportamentos violentos e agressivos de acordo com a medida que
recebe tais estímulos através da mídia, gerando um mimetismo.
O medo do mimetismo social, tem gerado uma autocensura da mídia. A cobertura
da mídia de dramas, parece estimular inúmeras outras ocorrências do tipo. A dieta de
notícias atormenta pelo sonambulismo do público e oferece as massas um prato tipo
fast-food.

3.4. Os Intelectuais

54
POZZA, 2016, p. 124.
55
MEDEIROS, s/d, p. 34.
56
GIRANDOLA, 2004, p. 57. Un deuxième cadre concerne l’apprentissage social, considéré
comme un processus favorisant l’agression (...) la violence télévisée servirait de modèle aux plus jeunes.
Une série d’expérimentations montre, par exemple, que des enfants se comportent plus agressivement
après avoir visionné un film violent où apparaissent leurs personnages préférés.
A violência tem sido também muito prezada por uma boa parcela de ilustres
intelectuais. A força destruidora dos atos de força os comove. A vitimização turva o
olhar dos menos críticos e fortalece o senso de identidade dos fiéis e cegos seguidores.
A mística revolucionaria de que é necessário destruir tudo para poder recomeçar a
história do zero. Para Johnson57, tais celebridades da cultura são perigosas, pois criam
um consenso e um clima de opinião que deriva, na verdade, do medo que todos eles têm
de contrair o senso comum das ortodoxias da moda. Tal pregação permeável à violência
política encontra também simpatia e adesão entre os mais vulneráveis à persuasão: os
jovens e os mais bem-sucedidos.
Os menos educados fazem pouco sentido dos gritos de guerra, dos slogans e
manifestações. À frente desses grupos, estão sempre os mais letrados. A educação deixa
a mente mais porosa, mais disposta a fazer sentido de recanto onde antes havia plena e
confortável escuridão58.
Paul Johnson59 denomina esse rationale de “Síndrome da Violência Necessária”.
O assassinato e a perseguição de inocentes são vistos como desculpas da dura jornada
que tais “vanguardas” são obrigadas a fazer rumo à “boa-nova”.

3.5. Tradição e Inovação

Sem propaganda não há liberdade. Nesses embates entre a tradição e a inovação, a


mídia e a indústria cultural movem-se como num campo minado. Advogam a máxima
moral. A mídia trata a realidade com luvas de pelica, adotando postural magistral.

(...)remete à ideia de que esse contexto possibilita ao discurso televisivo


assumir o lugar de porta-voz do telespectador ao oferecer-lhe a narrativa
cultural e social produzida por segmentos da sociedade como sendo seu
próprio discurso. Postulamos essa ideia com base nas discussões realizadas
por Piera Aulagnier (1979), nas quais a autora defende a tese da existência da
violência necessária à constituição psíquica do sujeito, denominada violência
primária, e daquela considerada desnecessária à vida emocional, e posta a
serviço da ordem social, denominada violência secundária. 60

A violência simbólica contra grupos e minorias torna-se inadmissível em muitos


desses casos de mobilidade das ideias e das convicções. Os polemistas tentam fazer
surgir o que antes hibernava reprimido pela voz da maioria e pela tradição. Tal

57
WAINBERG apud JOHNSON, PAUL, 2010, p. 151.
58
WAINBERG, 2010, p. 152
59
Loc. Cit.
60
SOUZA, 2013, p. 82 – 83.
resistência do senso comum pode ser observada nos comportamentos humanos. O
polemista desafia o establishment.61
“A torcida se apega emocionalmente à fala de um, tornando-se surda à
argumentação do outro”62. A polemica mediada é sempre um show de esgrima no qual o
inimigo é visível. A luta disfarça-se de retorica da razão, mas é no fundo cabra manda
do coração.

3.6. Celebridade e Amizade

No tempo das telecomunicações o espaço privado e o social se entrelaçam. “Há


uma dissociação total entre o espaço físico e a situação social” 63. Esta distribuição em
massa da informação, através do espaço, que cria, em boa medida, a sociabilidade. A
TV oferece a ilusão da interação face a face com tais figuras da mídia. Meyrowitz 64
(1985) fala de figuras de media-friends, os amigos da mídia.
A cobertura midiática e televisa dos casos de violência é valorosamente explorada
pois possui elementos dramatúrgicos capazes de capturar e sustentar a atenção do
público. É natural, portanto, que haja por parte de segmentos das sociedades alguma
aversão à TV. São casos, por exemplo de grupamentos religiosos, cristãos anabatistas
dos Estados Unidos, judeus ultra ortodoxos. Algumas autoridades religiosas hareditas
proíbem não só a audiência à televisão, como também aos filmes e só autorizam o uso
comercial da internet65.

CONCLUSÃO

Ao analisarmos o fator da violência, percebemos suas várias formas de


manifestação na sociedade que, de certo modo, com a ajuda das grandes redes de
telecomunicação, contribuem para a construção de cultura da violência.
Os efeitos desta culturalização da violência são sentidos, principalmente, pelas
classes mais desemparadas, como os pobres, mulheres, jovens e crianças, sendo este
último o que mais sofre e o que mais é influenciado por esta violência pois, além de ser
vítima é influenciado, pelas mídias e redes sociais, a reproduzi-la no dia-a-dia.
61
Cf. WAINBERG, 2010, p. 154.
62
WAINBERG, 2010, p. 154.
63
Loc. Cit.
64
WAINBERG apud MEYROWITZ, 2010, p. 155.
65
WAINBERG, 2010, p. 156.
Tal tentativa de reprodução poder ser observada pois “a vida, já há algum tempo,
imita a ficção”66. A TV passou a ocupar um papel grave e central em nossas vidas.
Marshall McLuhan67, vislumbrou tal realidade, quando nos anos 60, falou do
surgimento da Aldeia Global. A seu ver a televisão iria permitir finalmente uma
retribalização do mundo. Hoje percebe-se claramente a noção deste autor canadense de
que o meio é de fato a mensagem.
“A desconexão eventual dos indivíduos das empresas, dos lares, das organizações
e dos governos a web é tão intolerável quanto a ideia de viver sem televisão” 68.
McLuhan, afirmava que o sistema elétrico é a extensão do sistema nervoso das pessoas
é hoje evidencia, pois há uma interdependência.
A mídia tem sido utilizada de diversas formas, tanto para o mal como para o bem.
O que se vê hoje é um mal-estar geral e de grau variável devido ao poder intrusivo da
TV na vida dos indivíduos, em seus lares, com os seus conteúdos. A violência é
somente um entre vários aspectos dessa programação que provocam a crítica social.
Macular a esperança de todos nós de que a vocação da mídia deveria ser em primeiro
lugar, o de servir a paz, ao bem, ao justo progresso da humanidade.
Se faz necessário um controle desta violência, apresentada de vários modos na
mídia, pois é notório sua influência, principalmente em crianças, que ao ver uma cena
violenta, já buscam imita-la, e até mesmo em adultos que diante de tanta barbaria se
veem alienados por notícias e perspectivas de realidade, muitas vezes, totalmente fora
de contexto.
Este grande poder da mídia é difícil de ser controlado, primeiro devido a
dependência que a sociedade atual possui dela e em segundo as próprias leis favorecem
tal ato violento midiático. Qualquer tentativa de barrar esse poder é classificado como
censura e é previsto como crime. Mas como diminuir tal influencia?
Para isso se faz mister, uma educação midiática desde a infância, onde os jovens e
as crianças são educados e preparados para dialogar neste mundo do showrealismo sem
ser totalmente afetado por ele.
Já se faz uso de meios de regulamentação dos meios de comunicação, como se
pode notar na Constituição Federal Brasileira, que aponta e regulamenta toda a ação dos
meios de comunicação.

Compete à lei federal: regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo


ao poder público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não
66
WAINBERG, 2010, p. 157.
67
WAINBERG apud McLUHAN, 2010, p. 157.
68
Loc. Cit.
se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre
inadequada; estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a
possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e
televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de
produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio
ambiente.69

Com isto vemos que algo já foi feito para diminuir o impacto da mídia no
quotidiano das pessoas, contudo, muito ainda deve ser feito para que possamos ter uma
sociedade, menos alienada ao meios de comunicação, mais calcadas nas relações
interpessoais, vivendo em uma realidade verdadeira e não perdido em um mundo, onde
tudo é show e não se respeita mais o outro.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Claudia Maciel. Violência Infanto-juvenil, uma triste herança in


ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na Sociedade Contemporânea,
Porto Alegre, EdiPUCRS, 2010, p. 30 - 43.
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LEVISKY, David Léo, Uma Gota da Esperança, in ALMEIDA, Maria da Graça
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MEDEIROS, Magno, Cultura Mediática, Cultura da Violência e Cidadania, s/d. p.
33. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/ci/article/view/23504/14026. Acessado
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PAVIANI, Jayme. Conceito e Formas de Violência, in MODENA, Maura Regina
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PEREIRA, Lúcia Regina Brito, A Visibilidade da Violência e a Invisibilidade sobre o
Negro no Brasil in ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na
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69
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POZZA, Gustavo L., A Violência no Cinema, apud MELTZER D.; WILLIAMS, M.
H. The apprehension of beauty: the role of aesthetic conflict in development, art
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SOUZA, Méreti de., Televisão, Violência e efeitos Midiáticos, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/pcp/v23n4/v23n4a12.pdf. Acessado em 23 de maio de 2018.
WAINBERG, Jacques A., Mídia e Violência: A Luta Contra a Desatenção e a
Sonolência das Massas, in ALMEIDA, Maria da Graça Blaya (org.), A Violência na
Sociedade Contemporânea, Porto Alegre, EdiPUCRS, 2010, p.139 – 158.

RÉSUMÉ
Cet article cherche, de manière simple et directe, à réfléchir sur la violence dans la
société actuelle, qui se manifeste de différentes manières et dans différents domaines de
la société, et les médias sont de grands collaborateurs pour le développement et la
propagation d’une culture de la violence. Les médias utilisent de nombreuses façons
pour aliéner les individus, les amenant à croire en une violence naturalisée qui fait partie
de la vie quotidienne, il est donc nécessaire de créer des moyens pour éduquer les jeunes
d’aujoud’hui afin qu’ils puissent faire face à tel phénomène.
Mots-clés : Média. Culture de la Violence.Jeunes. Violence Institutionnalisée.
Société.

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