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“Para o estudo do direito grego é particularmente interessante o período que se inicia com o

aparecimento da polis, meados do século VIII a.C., e vai até o seu desaparecimento e
surgimento dos reinos helenísticos no século III a.C.”
Antes que tais reinos helenísticos se formassem, a colonização permitiu que os gregos se
espalhassem pelo Mediterrâneo, estimulando de maneira ímpar o comércio e a indústria. A
época arcaica foi cenário de várias transformações e inovações, como, por exemplo, a
utilização da moeda.
            Com o advento de tais mudanças, surgiram os plutocratas, enquanto a aristocracia
manteve apenas o poder político. Este poder também foi retirado das mãos dos aristocratas,
através da reforma dos legisladores e tiranos. Retirar da aristocracia o poder foi papel dos
legisladores, que compilaram a tradição e os costumes e os modificaram a fim de apresentar
uma estrutura legal em forma de leis codificadas.
            Tal codificação das leis só foi possível com o surgimento da escrita. As leis
passaram a ser inscritas nos muros das cidades e o monopólio da justiça foi retirado da
aristocracia, com o estabelecimento de instituições democráticas, com participação popular.
            “A escrita surge como nova tecnologia, permitindo a codificação de leis e sua
divulgação através de inscrições nos muros das cidades. Dessa forma, junto com as
inscrições democráticas que passaram a contar com a participação do povo, os aristocratas
perdem também o monopólio da justiça”.
            Atenas conheceu o seu primeiro código de leis, sob o comando de Dracón, que
introduziu importantes princípios do direito penal. Por sua vez, Sólon realizou uma reforma
institucional, social e econômica.
O direito ateniense criou o tribunal popular. Deste modo, a Assembléia do Povo era a
principal instituição grega, onde as decisões eram tomadas.
Uma nova Constituição foi instalada por Clístenes, considerado o pai da democracia grega.
Atuando como legislador, ele realizou uma reforma que transformou o sistema legal da
época.
            Entretanto, a escrita ainda não vivia o seu auge, fato que explica por que o Direito
grego não influenciou muito outras civilizações. Somente a partir da primeira olimpíada
ocorreu a adoção do alfabeto fonético, que era uma versão do alfabeto semítico usado pelos
fenícios.
            Além disso, a sociedade grega negava a profissionalização do direito. A participação
de um advogado não era considerada manifestação profissional, sendo que eles não
recebiam pagamento.
Os gregos preferiam falar a escrever. Os escritores eram, na maioria, oradores e
professores de retórica; dessa forma, o direito grego é considerado um direito retórico. De
qualquer modo, a escrita foi utilizada para escrever e publicar leis, possibilitado o acesso de
todos à legislação.
            A retórica predominava, provocando a inexistência de juízes, promotores e
advogados nos termos atuais. A parte processual era formada por logógrafos (considerados
os primeiros advogados da história), que forneciam os discursos para os litigantes que
recitavam como de sua autoria. O governo estava dividido em instituições políticas, como a
Assembléia do Povo, o Conselho, a Comissão Permanente do Conselho e magistrados.   
Diante disso, constata-se que a sociedade grega deixou importantes legados na área
jurídica, como a diferenciação dos tipos de homicídio e a gradação das penas de acordo
com a gravidade dos delitos.
 

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