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Índice

Introdução
Linguagem e Comunicação...................................................................................1
Redundância e Entropia.........................................................................................3
Hipótese de Estudo................................................................................................4

Método
Objectivos..............................................................................................................5
Material..................................................................................................................5
Procedimento.........................................................................................................5

Resultados.........................................................................................................................6

Discussão...........................................................................................................................8

Referências Bibliográficas............................................................................................10

Anexos.............................................................................................................................11
Psicologia Cognitiva II

Introdução

Ao longo da sua história a humanidade desenvolveu a vida fundamentalmente a partir


da comunicação, construindo textos que foram (e continuarão a ser) veículos de partilha
de decisões e de saber entre emissores e receptores. Naturalmente que essa comunicação
começou por assumir um carácter familiar e a ser materializada pela linguagem, com
toda a carga de artificialismo que este meio de expressão comporta. Mas a linguagem
não foi o único veículo de interacção com o mundo, mesmo no homem mais primitivo.
O seu sentido de sobrevivência leva-o a arquitectar as formas de subsistência possíveis e
a pintura rupestre, representando cenas de caçadas, é reveladora dessa outra vertente da
comunicação, mais duradoura do que a linguagem, e que é hoje um dos documentos
fundamentais que a humanidade possui para penetrar no "segredo" da vida dos nossos
antepassados.

Linguagem e Comunicação
.
A linguagem e a comunicação são dois conceitos importantes do ponto de vista clínico,
educacional e organizacional.
A linguagem é um processo mental de manifestação do pensamento e de
natureza essencialmente consciente, significativa e orientada para o contacto inter-
pessoal. Apesar do processo da linguagem ser essencialmente consciente, entretanto
entende-se que o fluxo e a articulação desta provém de camadas mais profundas e não
conscientes, tais como do subconsciente e inconsciente, segundo o esquema de Willian
James.
No estudo da linguagem, deve-se distinguir a expressão verbal e a expressão gráfica
Ambas as expressões são um conjunto de sinais próprios de cada língua com os quais
manifestamos nosso pensamento e tanto a expressão verbal quanto a expressão gráfica,
devem constar de dois elementos fundamentais - a sintaxe e a palavra.
A linguagem permite ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o que sente,
registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela marca o ingresso do
homem na cultura, construindo-o como sujeito capaz de produzir transformações nunca
antes imaginadas.
Apesar da evidente importância do raciocínio lógico-matemático e dos sistemas
de símbolos, a linguagem, tanto na forma verbal, como em outras maneiras de

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comunicação, permanece como meio ideal para transmitir conceitos e sentimentos, além
de fornecer elementos para lançar, explicar e expandir novas aquisições de
conhecimento.
A linguagem, prova clara da inteligência do homem, tem sido objecto de
pesquisa e discussões. A palavra tem uma importância excepcional no sentido de dar
forma à actividade mental e é factor fundamental de formação da consciência. Ela é
capaz de assegurar o processo de abstracção e generalização, além de ser veículo de
transmissão do saber.

De facto a Comunicação é um processo indispensável à própria sobrevivência do


homem enquanto homo loquens que é. Embora possamos encontrar processos
comunicacionais entre animais, a sua necessidade vital não é absoluta senão dentro da
espécie humana do “homo sapiens” .
É difícil, senão impossível , dar da comunicação uma definição clara, exaustiva e
unívoca. Isto em razão da multiplicidade das designações que habitualmente são
empregadas neste campo e em razão da diversidade dos pontos de vista que podem
presidir à maneira de a considerar.
Podemos definir a comunicação, tendo em conta a abundante literatura hoje
existente nesse domínio: sistema organizado de produção, difusão e recepção de
mensagens de vários géneros com um público indiferenciado.
Foi um linguista eminente que formalizou com maior clareza o processo
comunicacional: Roman Jakobson. Segundo este autor, todo o processo comunicacional
é uma relação bidireccional entre protagonistas ou interlocutores, entre um pólo emissor
e ou pólo receptor. Além deste primeiro eixo, que articula os protagonistas, a
comunicação comporta ainda um eixo de objecto e um eixo da referência da
comunicação. O eixo do objecto articula a mensagem com o código que preside à sua
expressão. O eixo da referência articula o contacto entre protagonistas com o contexto
em que o contacto se insere.
Podemos então afirmar que sem a linguagem não se daria a comunicação e se
não fosse necessária comunicação não haveria linguagem. São dois conceitos que se
relacionam completamente e se interligam por inteiro.

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Redundância e Entropia

O conceito de redundância caracteriza-se por tudo aquilo que estamos à espera, isto é,
está fortemente ligado às características da informação e tem a ver com a previsibilidade
de uma mensagem. A redundância facilita da descodificação da informação e
consequentemente de compreensão do discurso. Permite ainda cortar as dificuldades de
ruído que existem no local da comunicação. Quanto mais redundante for um discurso
maior audiência esse mesmo discurso terá pelo seu carácter previsível. Podemos ainda
afirmar que quanto mais experiência tivermos, mais redundantes somos.

Em oposição à redundância temos a Entropia. A entropia caracteriza-se por uma


linguagem limitada e é dotada de uma menor previsibilidade. Com a entropia a
comunicação torna-se mais complicada e restrita a determinados grupos de pessoas que
partilham o mesmo nível de comunicação e consequentemente de linguagem, pois o
código é altamente elaborado e por vezes técnico dificultando assim a comunicação.

Metodologia de Cloze

O Cloze é uma técnica de leitura e da sua testagem criada por Wilson Taylor em 1953 e
usada como técnica de ensino desde 1970. Consiste, na sua variedade mais clássica, na
omissão sistemática de palavras num texto ("fixed-ratio method") e a sua substituição
por espaços em branco que os sujeitos preencherão. É hoje considerada como uma das
técnicas essenciais para a compreensão da leitura, tanto na língua materna como numa
segunda língua.

Utilizando a técnica de Cloze treinam-se os sujeitos a fazer previsões, encorajando-os a


correr riscos, o que significa que, por vezes, as suas previsões poderão estar erradas.
Mas também é um facto que frequentemente obtemos informação útil quando os erros
surgem. O erro pode, na verdade, constituir uma boa oportunidade para aprendermos. A
técnica de cloze encoraja o leitor a fazer previsões, e os espaços em branco solicitam do
aluno a formulação de questões específicas sobre os vocábulos que poderão preenchê-
los. Para responder a essas questões e fornecer as palavras em falta os alunos têm de
proceder a um trabalho de amostragem do material linguístico impresso, fazer

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previsões, testar e confirmar as suas hipóteses. Este processo constitui o acto de


reconstrução da mensagem do escritor, segundo Goodman (in Bastidas, 1984, p. 21).

Na análise de cloze o leitor necessita de um conhecimento da língua (sistemas


semânticos, sintácticos e grafo-fonéticos), de um conhecimento da história ou do tópico
sobre que incide a sua leitura, e também dos factos relatados anteriormente pelo escritor
na história que está a ser lida. Estes três factores, adicionados ao conhecimento
específico de como ler, constituem o que se designa por informação não visual,
essencial para a redução antecipada de incertezas a para a tomada de decisões com base
numa informação visual menor. Uma das estratégias à disposição dos professores para o
enriquecimento desta informação não visual poderá ser o encorajamento da leitura
extensiva em casa. Ela contribuirá para a expansão do conhecimento geral e da cultura.

Hipótese de Estudo
Nesta experiência realizada, espera-se melhores resultados no texto Jornalístico do que
no tipo de texto Cientifico, pois o tipo de texto Jornalístico é mais previsível.

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Método

Objectivos

Identificar o número de palavras encontradas para casa um dos 3 tipos de textos.


Verificar se o texto jornalístico sendo o mais redundante leva a que os sujeitos
encontrem mais palavras no método de Cloze.
Por seu lado, sendo o texto cientifico mais entrópico, os sujeitos sentirão mais
dificuldades a encontrar as palavras adequadas para preencher os espaços em branco.

Material

 Folhas com 3 tipos de texto, contendo cada um cerca de 150 palavras;


 Nos textos obedecendo ao Método de Cloze, foi retirada uma palavra de 5 em 5
palavras;
 Assim o primeiro texto é jornalístico, seguindo-se um texto literário e por último
um texto cientifico.
 Caneta ou lápis (para preenchimento do espaços).

Procedimento

Foram distribuídas folhas contendo 3 tipos de texto (jornalístico, literário e cientifico).


Foi solicitado aos sujeitos que lessem com atenção, para que de seguida completassem
os espaços em branco com a palavra que considerassem adequada.
Cada texto foi corrigido individualmente.
Depois de terminado o exercício, os dados de todos os elementos foram recolhidos para
posterior análise e discussão dos resultados.

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Resultados

Passamos então de seguida aos resultados obtidos após a experiência realizada.

Tabela 1. Diferenças das médias das palavras obtidas para os 3 tipos de texto na análise
de Cloze.

Texto Média Qui Sig.

Jornalístico 7,63 2,0 0,368


Literário 5,79
Científico 4,04

Como podemos verificar na tabela acima, a média do tipo de texto Jornalístico é a mais
elevada (7,63) comparando com as restantes. De seguida é a do texto Literário (5,79) e
com valores mais baixo encontra-se o tipo de texto Cientifico (4,04). Após a análise em
SPSS, tivemos acesso ao valor do Sig do texto Jornalístico que é de 0,368 e também do
valor do Qui que é de 2.

De seguida, vamos então analisar os dados de uma forma mais esclarecedora após a
realização de um gráfico com os valores dos três tipos de textos e as suas respectivas
médias.

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Gráfico 1. Valores médios dos 3 tipos de texto.

Valores Médios dos 3 tipos de texto

5 Jornalistico
Média

Literário
4 Científico

0
Tipos de texto

Como podemos verificar no gráfico, a Média do texto Jornalístico é de 7,63, ou seja a


mais elevada de todos os tipos de texto. Com média de 5,79 temos o tipo de texto
Literário. E com os valores mais baixo temos o texto Científico com a respectiva média
de 4,04.

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Discussão

Após a experiência realizada podemos verificar que o tipo de texto Jornalístico teve
maiores resultados que os restantes textos, nomeadamente o texto Cientifico. Verificou-
se que os sujeitos (N=24) preencheram no texto Jornalístico um maior número de
palavras num total de 183 que no texto Cientifico no qual só foram acertadas 97
palavras pela totalidade dos sujeitos que realizaram a experiência. No texto Literário as
palavras acertadas foram 139.
Portanto podemos referir de seguida que as hipóteses feitas inicialmente confirmam os
resultados esperados. Ou seja, foram identificadas correctamente um maior número de
palavras no texto Jornalístico (uma média de 7,63) que no texto Cientifico (média de
4,04).
Neste sentido podemos então abarcar nesta discussão os conceitos de redundância e
Entropia, pois perante os resultados pudemos verificar que quanto mais uma linguagem
é redundante mais facilitada fica a compreensão da mensagem, neste caso dos textos
transcritos para posterior preenchimento. O tipo de texto Jornalístico é uma texto
redundante e por isso previsível e de maior compreensão para quem o lê. No
preenchimento dos espaços em branco, neste texto era mais fácil fazer associação de
ideias e buscar experiências para preencher correctamente os espaços. Enquanto o
último texto (Cientifico) continha uma linguagem tecnicista, rara e mais limitada e por
isso não tão conhecida pelos sujeitos, consequentemente com menos palavras correctas
preenchidas.
As limitações deste estudo foi a experiência ter sido feita com alunos de psicologia, pois
para estes o texto Cientifico pode ser mais previsível que o texto Literário. Devia ter
sido utilizado um texto cientifico numa outra área. O silêncio foi também um entrave ao
preenchimento com concentração dos textos.
Na metodologia de Cloze os sujeitos são treinado a fazer previsões e por isso são
encorajados a correr riscos e por vezes as suas previsões encontram-se erradas. Neste
âmbito os sujeitos poderão desistir e isto torna este método um tanto ou quanto limitado.

O estudo foi pertinente pois revela-se importante identificar os diferentes tipos de


linguagem utilizadas socialmente para uma melhor comunicação entre grupo. Talvez no
futuro fosse favorável ter em atenção a quem são dadas as folhas de preenchimento pois
os resultados variam de grupo para grupo e existem grupos com determinados

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conhecimentos que influenciaram ou não a experiência e o estudo feito. Neste sentido


ou se faz a experiência a sujeitos com características favoráveis ou então faiar-se-ão
novos tipos de textos.
Concluímos então, a discussão com o comentário que a experiência foi receptiva
e deverão neste sentido haver mais estudo e nomeadamente experiências para avaliar
este tipo de conceitos que são importantes na sociedade e estão sempre presente no
nosso quotidiano e muitas das vezes nem lhes damos a devida atenção.

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Psicologia Cognitiva II

Referências Bibliográficas

CALDEIRA, P. & Ferreira, A. (no Frelo). Psicologia Cognitiva II. Análise de Cloze.
Lisboa: Universidade Lusíada Editora.

RODRIGUES, D. A. A comunicação Social. Noção, história, linguagem. Lisboa:


Editorial Veja

http://www.ipv.pt/millenium/arq8_1.htm

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Anexos
Leia com atenção os seguintes textos e preencha os espaços com a palavra que achar
conveniente:
Texto A - Portugal em alerta máximo.
O vírus está ____________(1). As festas do Senhor Santo Cristo, nos Açores, _________(2)
milhares de emigrantes do Canadá. Portugal __________(3) a ser um país de risco.
Apesar de todos os __________(4), o vírus da pneumonia atípica continua imparável. A
____________(5) é o país mais atingido. O Canadá vem logo em ____________(6) lugar- e
tem uma comunidade de emigrantes açorianos. _____________(7) que muitos emigrantes
visitem os Açores durante as ______________(8) do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a 20 de
Maio. O ____________(9) Regional já anunciou que irá reforçar as medidas de
___________(10) nos aeroportos do arquipélago. Apesar da prevenção, Portugal
_____________(11) na rota do vírus.
As más notícias não _______________(12) por aqui.
Na semana passada, os investigadores do ___________(13) Genómico de Pequim anunciaram
que o vírus teria _____________(14) capacidade de mutação. O indícios surgiram quando um
______________(15) de 300 doentes de Hong Kong, todos residentes no mesmo bloco de
______________(16), apresentou sintomas diferentes dos habituais. Tinham
______________(17) mais frequentemente e reagiam mal aos medicamentos
______________(18) no hospital para combater a infecção. Depois de feitas as
______________(19) genéticas ao vírus e de efectuadas as comparações com amostras de
______________(20) pontos do Planeta, os cientistas comprovaram que se tratava de um
agente com uma grande capacidade mutante. Pior: temem que o vírus se torne mais perigoso e
mortífero.
Focus, p.44 – 185/2003

Texto B - Carta para Josefa, minha Avó _________(1) 90 anos. És velha, dolorida. Dizes-me
que foste a _____________(2) bela rapariga do teu tempo - e eu acredito. Não sabes
__________(3). Tens as mãos grossas e deformadas, os _________(4) encortiçados. Carregaste
à cabeça toneladas de restolho e ____________(5), albufeiras de água. Viste nascer o sol
__________(6) os dias. De todo o pão que amassaste se faria um _____________(7) universal!
Criaste pessoas e gado, ____________(8) os bácoros na tua própria cama quando o frio
__________(9) gelá -los.
Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, _________(10) questões de família, um crime
de morte. Trave da tua __________(11), lume da tua lareira – sete vezes engravidaste,
__________(12) vezes deste à luz.
Não sabes nada do ___________(13). Não entendes de política, nem de economia, nem de
literatura, nem de filosofia, nem de ___________(14). Herdaste uma centena de palavras
práticas, um vocabulário ___________(15). Com isto viveste e vais vivendo. És
___________(16) às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de
___________(17) e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes _______(18) por motivos
de que já perdeste lembrança, _________(19) dedicações que assentam em coisa nenhuma.
Vives. Para ti, a __________(20) Vietnam é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu
círculo de légua e meia de raio…
José Saramago – “Deste mundo e do Outro”

Texto C - Literacia – O papel da família na sua apreensão


Nos últimos _________(1) tem-se verificado progressivamente o abandono de uma visão
____________(2) e mecanicista da aprendizagem da leitura e da escrita. Em ________(3)
iniciais de aprendizagem, a ênfase posta no domínio da _________(4) da decifração tem sido
assim, gradualmente ___________(5). Procura-se passar a uma abordagem mais globalizante
como uma _____________(6) complexa de linguagem, não esquecendo que se trata de
linguagem ____________(7).
Associado a esta perspectiva tem surgido cada ______(8) mais, o termo literacia, procurando
precisamente ___________(9) e enfatizar a componente comunicativa e funcional da
linguagem ____________(10).
Referindo-se ao termo literacia, e procurando defini-lo, Hannon (1995), __________(11) como
a «capacidade de utilizar a linguagem escrita para __________(12) e exprimir significados».
Para Cooper (1993), a construção de sentido ou __________(13) é também um dos aspectos
importantes da ___________(14). Assim considera que a literacia inclui todos os
___________(15) da linguagem - ler, escrever, ouvir, falar e ________(16) – que se
desenvolvem simultaneamente e de uma __________(17) interrelacionada.
Benavente, Rosa, Costa e Ávila (1996), procurando também especificar este termo,
_____________(18) literacia como as capacidades de leitura, escrita e __________(19), com
base em diversos materiais escritos (textos, __________(20), gráficos) de uso corrente na vida
quotidiana….
Lourdes Mata, Análise Psicológica Vol. 17, Nº1