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Inicialmente, essa personagem se apresentou em meus sonhos.

Eu costumo ter sonhos


bem estranhos que, acredito eu, dariam bom material pra histórias fictícias. Diante dessa
hipótese é que eu te apresento uma personagem surgida diretamente dos meus sonhos.
Não somente ela, mas também, a história em torno dela.

Sabe o tipo de sonho que se tem a impressão de estar assistindo um filme? Foi assim
que aconteceu. Em uma dimensão mágica, com o cenário contendo referências
medievais em relação à arquitetura do pequeno vilarejo, a locomoção dos seres viventes
deste vilarejo por animais selados, de natureza própria e característica da dimensão, a
iluminação do vilarejo era através de lamparinas espalhadas pelo cenário, eram de
material desconhecido ao utilizado antigamente, com azeite de oliva, óleo de peixe e
fogo, a matéria luminosa era de fonte da própria dimensão.

Prosseguindo, sobre a penumbra da noite, esgueirando-se pelas sombras que banhavam


os recônditos do vilarejo, a salvo da denuncia das luzes, uma mulher, fisicamente, mas
sua natureza mística, uma fada, portava firmemente contra seu corpo, oculto pela
coberta espessa e pesada de sua capa negra, um recém-nascido. Seus olhos alertas e
vigilantes percorriam toda a extensão territorial periférica do vilarejo, certificando-se de
que não estava sendo seguida enquanto dirigia-se para a casa de um conhecido. Seus
braços abraçavam forte o corpo da criança, em posição rígida de defesa e proteção. A
frente da casa do conhecido bateu levemente na porta de entrada, na intenção de não se
fazer notada sua presença, a não ser para o morador. O morador ao abrir a porta, a
expressão em seu olhar era a de reprovação para a mulher, ele sabia o que estava
encoberto pela capa negra, fez-lhe sinal para entrar, pôs-se apenas a cabeça para fora da
porta, mirando o olhar para os lados, inspecionando de que não a haviam seguido, ou
sua presença tivesse sido notada, atraindo a atenção da curiosidade dos vizinhos. Não
era comum o morador receber visitas. Era um homem solitário, cheio de segredos. Do
seu passado, os que conheciam sua história, já haviam morrido. O mistério envolto
dessas mortes eram que elas eram de causas homicidas e suicidas. Estranhamente,
aquela mulher que estava de pé, situada no centro da moradia daquele homem, de
somente um cômodo, era a única que parecia ter algum tipo de relacionamento com ele.
O homem, na verdade, é um senhor que aparenta já ter certa idade. Vendo a mulher
estática, ridiculamente, no meio de sua casa, pediu-lhe para que se sentasse. A mulher,
absorta em seus pensamentos, não compreendeu o que o velho lhe disse, no entanto, foi
arrancada de sua profusão pelo som da voz. Apressando-se para dar explicações, o
velho fez sinal com a mão para que parasse, e disse-lhe que não necessitava saber de
mais nada, pois o que sabia já era o suficiente. O velho, então, instruiu a mulher a levar
a criança para o mundo humano, assim ele estaria a salvo. A mulher relutou contra a
idéia, não queria se separar daquele pequeno ser a que sentia forte conexão de afinidade,
mas entendia que se separar dele, pelo menos temporariamente, era o sábio a se fazer,
em prol da segurança da criança. O velho, irritado com as lamentações da mulher,
diante da separação com a criança, revelou-lhe que era tolice que ela se incomodasse
com um curto espaço de tempo, comparado que eles dois se reencontrariam
futuramente, e se uniriam. A mulher, constrangida, indagou para o velho que tipo de
união ele se referia. O velho, divertindo-se da mulher, sarcasticamente disse-lhe que era
exatamente o tipo de união que passou na cabeça dela e a fez corar diante do
pensamento. A mulher, se sentido desconfortável com a petulância e falta de decoro do
velho, exigiu respeito, dizendo-lhe que era uma infâmia insinuar tal coisa, considerando
as circunstâncias de que ela era uma mulher madura, e o pequeno em seus braços, uma
criança com poucos dias de existência. O velho bufou entediado, e proferiu o que foram
suas ultimas palavras para com aquele assunto. Disse que o menino em seus braços era
uma criança hoje, mas que essa criança iria crescer e tornar-se um homem, e então
encontraria um jeito, conscientemente ou inconscientemente de encontrá-la, pois a
ligação que ambos tinham um com o outro eram além de uma vida, e que em todas as
vidas que eles já tinham vividos, eles sempre deram um jeito de encontrarem um ao
outro. A mulher sabia que o tempo na terra passaria diferente da dimensão mágica,
enquanto o menino crescesse e amadurecesse, ela permaneceria com a mesma aparência
durante todos os anos transcorridos na terra. Os seres da dimensão mágica não são
imortais, eles são vulneráveis a morte, ao envelhecimento, as doenças, no entanto, a
noção de tempo no mundo mágico é diferente que se tem na terra. Fim do sonho.

Agora, um pouco de mitologia celta para a natureza de fada da mulher:

Sendo uma fada, ela é, particularmente, um ser Elemental do ar, porque na mitologia há
duas variações de fadas: às escuras e as do ar.

Segue o link para mais informações sobre os tipos de fadas:

https://mundoesoterico6616.wordpress.com/2005/10/09/o-reino-das-fadas/

Seres que usavam flechas e dardos com venenos para caçar.

Obs.1: Podemos aproveitar desse detalhe para a sugestão da arma dela.

As fadas no contexto mágico atual são definidas como uma espécie de ser parcialmente
material, parcialmente espiritual, com o poder de mudarem a sua aparência e de,
conforme a sua vontade, serem visíveis ou invisíveis para os seres humanos.

Com relação à divisão das dimensões mágicas que você me falou, poderíamos usar
referências da lenda da Aine, a Deusa Solar Irlandesa, Rainha dos Povos das Fadas.

Na lenda, antigamente o povo das fadas e os humanos viviam conjuntamente no mundo


material, mas a ambição tomou conta do coração dos humanos. Travavam guerras em
troca da conquista de suas cobiças materiais. As fadas sendo seres pacíficos decidiram
partir do mundo material, tecendo um véu de invisibilidade ao redor da construção do
seu Novo Mundo, para se protegerem da violência das guerras.

Obs. 2: Nesse caso, com a separação das dimensões teria o surgimento do Novo Povo
das Fadas. Um povo que havia se tornado bárbaro e rompido o seu relacionamento com
a Mãe Terra, e que permaneceu do lado de fora do véu, por terem sido corrompidos
pelas sombras da violência. Enquanto, o Velho Povo era os de natureza pacífica e vivia
em perfeita harmonia com a Mãe Terra, ou seja, os que não foram corrompidos pelas
sombras.

Acho interessante que na história do seu livro tenha essa caracterização entre sombras e
luzes sobre o contexto neutro. O que quero dizer, falando em uma visão espiritualista,
não existe luz sem que existam sombras em si, e vice versa. Como Yin e Yang, o que
torna o convívio entre esses opostos saudável é o equilíbrio. Então, sobre os
personagens, embora existam aqueles de natureza neutra, como a gárgula, de natureza
luz, como o anjo e as fadas, eles ainda são propensos as luzes ou as sombras,
igualmente, porque o que determinará quem você é será você mesmo. Finalizei com um
pouco de Psicologia, mas não deixa de ser uma verdade.

Segue o link da lenda da rainha Aine, caso você queira pegar mais algumas referências
para a história:

http://www.teiadethea.org/?q=node/216

Quanto à aparência e a personalidade da personagem fada, eu não escrevi, devido, que,


como falei inicialmente, essa sugestão de personagem pra história surgiu de um sonho
que tive faz algum tempo, e que há alguns dias estive pensando que poderia ser uma boa
utilização de personagem pra a sua história. Se você gostar, me avisa, e começo a
trabalhar nesses detalhes.

Obs. 3: Na verdade é mais uma sugestão do que uma observação. Em relação ao menino
que a mulher fada está protegendo, poderíamos relacioná-lo a história da gárgula!

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