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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACVEST

DISCIPLINA: OPERAÇÕES UNITÁRIAS II


PROFESSORA: NILVA REGINA ULIANA

CRISTALIZAÇÃO

Dielson Josemir Rodrigues


Dionei Klug

Lages-SC
Novembro 2016
1. DEFINIÇÃO

A cristalização é o segundo processo de separação mais utilizado na Indústria


Química, sendo de grande importância devido à grande quantidade de materiais que são
comercializados na forma cristalina.
É um processo de separação sólido-líquido em que ocorre a transferência de
massa de um soluto, a partir de uma solução líquida, para uma fase cristalina pura. Um
exemplo é a produção de sucrose a partir do açúcar de beterraba, em que a sucrose é
cristalizada a partir de uma solução aquosa.
Por definição, Cristalização é a formação de partículas sólidas no estado
cristalino a partir de uma fase homogênea. Este processo pode ocorrer no congelamento
da água para formar gelo, na formação de partículas de neve a partir do vapor, na
formação de partículas sólidas a partir de um líquido fundido ou na formação de cristais
sólidos a partir de uma solução líquida.
A cristalização baseia-se no princípio de que uma solução saturada ao ser
resfriada ou concentrada, sofre um fenômeno de histerese, no qual uma única fase
(líquida) pode sobreviver por algum tempo sem que ocorra a formação de sólido. Ao
prosseguir o processo, a supersaturação atinge seu nível máximo, quando ocorre a
formação dos primeiros sólidos (núcleos), tendendo a voltar ao equilíbrio do sistema
pelo crescimento dos núcleos. Ao longo deste caminho, denomina-se Supersaturação a
diferença entre a concentração da solução e a concentração de equilíbrio naquela
condição; sendo esta a força motriz do processo. A supersaturação em uma solução
pode ser criada tanto pelo resfriamento quanto pela evaporação do solvente.
Em toda a história da indústria química moderna, se tem produzido cristais
mediante métodos que vão desde o mais simples, como se deixar esfriar tabuleiros com
soluções concentradas quentes, até os mais complexos, como os processos de
cristalização contínuos, cuidadosamente controlados em várias etapas e que visam à
obtenção de um produto com partículas de dimensões, forma, teor de umidade e pureza
muito uniformes.
O processo de cristalização trata da remoção de um produto (Soluto) de uma
solução, através de sua precipitação, para uma fase sólida. O processo é atrativo porque
combina a formação e a separação do produto, e os cristais podem ser formados mesmo
a partir de soluções impuras. As impurezas presentes na solução influenciam no
produto, alterando, de maneira desejável ou não, a forma dos cristais ou mesmo nas
características físicas, como a resistência.
O processo pode ser efetuado a temperaturas relativamente baixas, numa escala
que varia de alguns gramas até milhares de toneladas por dia de cristais.
No processo comercial, não somente o rendimento e a pureza são importantes,
mas também a forma e o tamanho dos cristais. Uma uniformidade de tamanho é
desejável para minimizar a formação de blocos no empacotamento, para facilitar o
escoamento, para facilitar a lavagem e filtração, e para que tenha um comportamento
uniforme quando utilizado.
O produto inicial de um cristalizador é chamado de magma, uma mistura
bifásica de cristais e seu líquido mãe. Os cristais são quase puros, mas o licor não é.
Estas impurezas são removidas pela separação dos cristais de seu líquido por filtração
ou centrifugação. É também importante impedir que o licor seque nos cristais, tanto que
eles são lavados com solvente puro para produzir o cristal sólido final. A pureza do
produto final também precisa ser controlada para que o licor não fique ocluído nos
cristais.
Um sólido é chamado cristalino se os átomos e moléculas que o constituem estão
organizados em uma estrutura tridimensional regular. Se na há um estrutura
tridimensional regular que se repete ao longo de todo o sólido, o material é chamado de
amorfo.
Grandes quantidades de substâncias cristalinas são produzidas comercialmente e,
muito embora alguns desses produtos sejam produzidos em pequena quantidade,
principalmente os da indústria farmacêutica, alimentícia, de orgânica fina e pigmentos,
eles possuem alto valor agregado e alta pureza.

2. APLICAÇÕES DA CRISTALIZAÇÃO

Este processo é utilizado em diversos processos, tanto na produção de produtos


finais quanto de intermediários. Entre esses processos, a cristalização esta presente nos
seguintes processos:
 nas formulações de sorvete, cremes e outros alimentos, muitas vezes,
recorre-se a artifícios para utilizar surfactantes no intuito de estabilizar uma emulsão,
formando pequenas gotas de líquidos de alta concentração, para evitar, por exemplo, a
formação de cristais de gelo;
 o setor sucroalcooleiro no Brasil utiliza na obtenção de açúcar (sacarose,
sucrose) a partir do caldo tratado de cana-de-açúcar. A cristalização ocorre após a
evaporação da água, para concentração do caldo. Este produto é uma commodity;
 ainda na área de commodities, a produção de ácido tereftálico e ácido
adípico, intermediários na produção de fibras têxteis;
 a indústria farmacêutica utiliza a cristalização no processo do ácido
acetilsalicílico, que é um dos princípios ativos de analgésicos e antipiréticos. Ele é
precipitado pela reação de ácido salicílico e anidro acético e o produto obtido, muitas
vezes, é recristalizado para aumentar sua pureza;
 na indústria cosmética, na produção do ácido hialurônico, que é um
biopolímero, existe uma etapa final de cristalização para sua separação com alto grau de
pureza; entre outros.

3. FORMAÇÃO DOS CRISTAIS

3.1 Nucleação

O primeiro passo num processo de cristalização é a nucleação. É necessário criar


condições no seio da mistura para as moléculas se aproximarem e darem origem ao
cristal.
A “driving force” para a cristalização é a existência de sobressaturação na
mistura líquida, ou seja, a existência de uma concentração de soluto na solução superior
à concentração de saturação (limite de solubilidade). Este estado é naturalmente muito
instável, daí ser possível a nucleação. Contudo, para haver cristalização é mesmo assim
necessário ocorrer agitação ou circulação da mistura líquida, a qual provoca a
aproximação e choque entre as moléculas. A nucleação a que nos referimos até aqui é a
Nucleação Primária.
Uma vez formados os primeiros cristais, pequenos fragmentos desses cristais
podem transformar-se também em novos núcleos. Estamos perante a Nucleação
Secundária. Muitas vezes, para tornar o processo de cristalização mais rápido, podem-se
introduzir sementes (núcleos) no cristalizador.

3.2 Crescimento

Uma vez formado o núcleo o cristal começa a crescer, e entramos na etapa de


crescimento do cristal. A velocidade de agitação ou circulação no cristalizador, o grau
de sobressaturação, a temperatura, etc. são parâmetros operatórios que condicionam a
velocidade de crescimento dos cristais e as características do produto final. Por
exemplo, um grau de sobressaturação demasiado elevado e, consequentemente, uma
situação muito instável, pode dar origem a uma velocidade de nucleação muito elevada.
Formam-se muitos núcleos simultaneamente e o produto final é formado por cristais
muito pequenos.

4. EQUIPAMENTO E TIPOS DE CRISTALIZAÇÃO

4.1 Tipos de cristalização

Os processos de produção de partículas por meio de cristalização podem ser


conduzidos em sistemas descontínuos ou contínuos.
Os cristalizadores contínuos possuem custo operacional menor que os
descontínuos e exigem menor espaço físico, menor custo de mão de obra com
operadores e permitem a filtração e a lavagem mais efetiva dos cristais. Nesta operação,
o produto obtido tem propriedades (DTC e hábito) constantes. São equipamentos mais
complexos, dando margem a mais possibilidades de falhas, por isso os operadores
devem ser mais treinados.
Uma grande variedade de produtos cristalinos é obtida em pequena e média
escala, levando ao maior uso de cristalizadores descontínuos na indústria. Em geral, são
mecanicamente mais simples que os contínuos, sendo a sua maior vantagem, pois os
defeitos mecânicos são reduzidos. Os custos de operação podem ser mais elevados,
podem ocorrer variações do produto de uma batelada para outra e, sua maior
desvantagem é a dificuldade em operá-lo a supersaturação constante.
A escolha do tipo de operação (batelada ou contínua) de um cristalizador leva
em consideração uma série de fatores: técnica de cristalização, fatores econômicos,
pureza desejada, aplicação do produto e know-how do processo, entre outros.
Uma diferença importante entre muitos cristalizadores comerciais é a maneira
pela qual o líquido supersaturado entra em contato com os cristais que estão crescendo.
Os cristalizadores podem ser classificados convenientemente em termos do
método usado para se obter o depósito das partículas. Os grupos são:
1. Cristalizadores que conseguem a precipitação mediante o resfriamento de uma
solução concentrada quente. Pode ser usado para aquelas substâncias que tem a curva de
solubilidade diminuída com a temperatura. Podem-se incluir os resfriadores de
tabuleiro, os cristalizadores descontínuos com agitação e o cristalizador contínuo
Swenson-Walker.
2. Cristalizadores que conseguem a precipitação mediante a evaporação de uma
solução. Sua principal aplicação é na obtenção do sal, onde a curva de solubilidade é tão
plana que a produção de sólidos pelo resfriamento é desprezível. Podem-se incluir os
evaporadores-cristalizadores, os cristalizadores com tubo de tiragem e os cristalizadores
Oslo.
3. Cristalizadores que conseguem a precipitação pela evaporação adiabática e pelo
resfriamento. Neste grupo estão os cristalizadores a vácuo. É um dos principais métodos
para produção em grande escala. Se uma solução quente é introduzida no vácuo, onde a
pressão total é menor que a pressão de vapor do solvente na temperatura em que ele foi
introduzido, o solvente deve sofrer um “flash”, e o “flash” deve produzir um
resfriamento adiabático. A combinação da evaporação com o resfriamento produz a
supersaturação desejada.

4.2 Tipos de cristalizadores

· Cristalizador de tabuleiro: são constituídos por tabuleiros nos quais se permite que
uma solução arrefeça e cristalize. Hoje, na indústria, raramente são usados exceto em
operações de pequena escala, pois ocupam muito espaço e muita mão de obra e os
produtos obtidos são de baixa qualidade.

· Tanques de cristalização descontínua com agitação: provavelmente o método mais


antigo e básico de cristalização. Soluções saturadas são deixadas para resfriar em
tanques abertos de fundo cônico, em geral. Após a cristalização, a solução mãe é
drenada e os cristais são coletados. Em alguns casos, o tanque é resfriado por
serpentinas ou por uma jaqueta, e um agitador é utilizado para melhorar a transferência
de calor, manter a temperatura da solução mais uniforme, manter os cristais finos em
suspensão para que eles cresçam mais uniformes. Este tipo possui aplicação limitada,
sendo utilizado para produção de fármacos e na química fina.

Suas principal desvantagem: equipamento essencialmente descontínuo com


solubilidade mínima na superfície das serpentinas de resfriamento. Consequentemente,
os cristais crescem mais rápido neste ponto, e as serpentinas são cobertas rapidamente
com a massa de cristais diminuindo a taxa de transferência de calor.
· Cristalizador Swenson-Walker: é um cristalizador de resfriamento destinado a operar
continuamente. Consiste numa grande calha semicilíndrica, com 24 in de largura e 10 ft
de comprimento, com camisa de água de resfriamento e um misturador de fitas que gira
cerca de 7 rpm. A solução quente concentrada é introduzida continuamente numa das
extremidades do cristalizador e flui lentamente para a outra extremidade enquanto vai
resfriando. O agitador é utilizado para raspar os cristais das paredes frias da unidade e
agitar os cristais na solução, de modo que a precipitação ocorra principalmente pelo
acúmulo de material sobre os cristais formados anteriormente, ao invés de ser fruto da
formação de novos cristais. No final do cristalizador, a solução-mãe e os cristais saem
juntos e são drenados, a partir daí a solução-mãe retorna ao processo e os cristais
úmidos são centrifugados.

· Cristalizador a vácuo: a evaporação é obtida pelo “flash” da solução quente num vaso
a baixa pressão. A energia para vaporização é obtida pelo calor sensível da carga e, por
isso, a temperatura de mistura do líquido e vapor, depois do “flash” é muito mais baixa
que antes do “flash”. Este resfriamento provoca a cristalização. As unidades podem ser
operadas descontinuamente; a carga é bombeada para o vaso e inicia-se a agitação da
solução. Dá-se a partida nos ejetores, a pressão e a temperatura do sistema diminuem
gradualmente. Durante a corrida, a vaporização do líquido ocorre em todas as pressões
situadas entre a atmosférica e a pressão mínima final.
· Evaporador-Cristalizador de circulação forçada: é o cristalizador mais comum. O
líquido é aquecido no trocador de calor, seguindo para o recipiente de cristalização,
onde ocorre uma vaporização flash, reduzindo a quantidade de solvente na solução. O
licor supersaturado segue então para uma área onde ocorre a cristalização. Os cristais
são separados, o licor é misturado com a corrente de alimentação e retornam para serem
aquecidos novamente.

· Cristalizador Krystal: a unidade é adaptada para a produção de cristais uniformes,


grandes, que são usualmente um pouco arredondados. O equipamento é um evaporador
com circulação forçada, com calefator externo contendo uma combinação de filtro para
o sal e de classificador de partículas no fundo do corpo do evaporador. Quando se
deseja, o aquecedor externo pode ser usado como resfriador, e assim a cristalização
ocorre pelo resfriamento da solução. O fluxo de líquido ascende pelo aquecedor externo.
O tubo de escoamento, que transpassa o corpo do cristalizador, vai até o fundo do
coletor e classificador de cristais. O escoamento é ascendente no classificador, o que
possibilita o contato entre os cristais e a solução ligeiramente supersaturada,
simultaneamente com a classificação dos cristais. Esta é uma característica peculiar do
equipamento. As partículas maiores são as que atingem o fundo do classificador e são
retiradas na forma do magma (cristais suspensos na solução) do produto. Os cristais
finos e a solução saturada saem pelo topo do leito e são reciclados.
BIBLIOGRAFIA

Disponível em: http://fisicoquimicaovar.blogspot.com.br/p/equipamento-e-tipos-


de-cristalizacao.html. Acesso 29/11/2016
Disponível em: https://docs.google.com/viewer?
a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxlbmdxdWk4fGd4OjdkYTAwMzY2
MTRhNDY3Mjk. Acesso 29/11/2016
Disponível em: http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?
option=com_content&task=view&id=42&Itemid=159. Acesso em: 29/11/2016
Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristaliza
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