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DANIEL MIRANDA GOMES

FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ

MANUAL DE DOUTRINA PARA GRUPOS DE ESTUDO

Notas sobre o autor: Dr. Daniel Miranda Gomes, advogado, cursou Teologia no Seminário Cristão
Evangélico do Brasil, em Anápolis, GO. Exerceu o ministério pastoral de 1991 a 1999, e atualmente
é membro da 1ª Igreja Batista do Sétimo Dia de Curitiba – PR.

Contato: e-mail: advgomesdm@hotmail.com.

Advertência: Estes estudos bíblicos não representam a Declaração de Fé da Conferência Batista do


Sétimo Dia Brasileira.
SUMÁRIO

Sugestões Para Dirigir uma Reunião de Grupo Familiar 01

01. As Sagradas Escrituras 03


02. A Existência de Deus 08
03. A Trindade Divina 11
04. Jesus Cristo 13
05. A Obra De Cristo: Sua Morte 16
06. O Espírito Santo 19
07. A Origem do Homem 22
08. A Constituição Humana 24
09. O Homem Natural 27
10. O Pecado 30
11. O Perdão 33
12. Arrependimento e Conversão 36
13. Novo Nascimento 38
14. Batismo nas Águas 40
15. Igreja – O Corpo de Cristo 42
16. A Ceia do Senhor 45
17. Doutrina da Fé Cristã 48
18. A Oração 50
19. A Graça de Deus 53
20. A Lei de Deus 55
21. O Dia do Senhor 58
22. O Dia da Morte de Jesus 61
23. Mordomia Cristã 65
24. Conduta Cristã 68
25. O Inferno 72
26. As Ressurreições 75
27. A Vinda de Jesus 77
28. O Milênio 80
29. Juízo Final 82

Bibliografia 84
1

SUGESTÕES PARA DIRIGIR UMA REUNIÃO DE GRUPO


FAMILIAR

I- QUANTO AO SEU PREPARO E ATITUDE

1. Oração. Nunca comece uma reunião de grupo familiar antes de uma oração a sós com
Deus. Repasse mentalmente o que você gostaria de fazer, mas dê liberdade ao Espírito
Santo para conduzir o estudo.
2. Horário. Comece o estudo no horário e termine-as dentro do prazo estabelecido. Isto
gera seriedade e confiança no instrutor e no que ele diz.
3. Humor. Mantenha o bom humor e o bom senso. Não demonstre irritação, nem faça
comentários negativos quanto ao seu ou outro grupo.
4. Entusiasmo. Seja entusiasmado, mostre que você gosta do que faz. Nunca reclame ou
murmure, principalmente perto de visitantes. Um segredo para se estar cheio do Espírito
Santo desde o começo do estudo é procurar ter tudo pronto uma hora antes para não
chegar ao estudo aflito e correndo. Lembre-se que não devemos participar de nenhum
ministério para o qual não temos tempo suficiente para interceder.
5. Críticas. Evite criticar outras religiões e seitas ou evangelizar alguém à força. Isto só
conduz o indivíduo contra o evangelho.
6. Postura. Cuide para que todos se sentem próximos uns dos outros, pois isto ajuda na
participação e envolvimento geral. Não se coloque de pé (a não ser em casos especiais),
à frente do grupo; sente-se com todos junto ao grupo.
7. Compreensão. Lembre-se que no grupo você encontrará tipos diferentes de pessoas e
temperamentos. Saiba identificá-los e entender como aproveitá-los no grupo. Por
exemplo, pode-se pedir a uma pessoa, que fale muito, que ajude o grupo deixando
espaço para que outras pessoas também aprendam.

II- QUANTO AO ESTUDO

1. Preparo. Prepare bem o estudo para evitar que sejam semeadas no grupo posições sem
base bíblica. Elabore pesquisas e anotações, buscando noutras fontes subsídios para a
complementação dos estudos. Lembre-se: os comentários do estudo servem apenas para
fornecer uma correta interpretação e comentário do texto ao instrutor.
2. Perguntas. Use boas perguntas. Lembre-se: as pessoas só aprendem quanto elas mesmas
tomam parte ativa do processo do ensino. Não fale sozinho. Coloque uma pergunta e
deixe as pessoas darem suas opiniões. Quando a discussão cai ou toma um rumo
diferente do proposto, direcione o estudo por meio de outra pergunta e, novamente,
deixe-os falar. Seja cuidadoso ao dirigir perguntas às pessoas tímidas. Evite palavras
difíceis ou “chavões evangélicos”.
3. Versão. O instrutor não deve apegar-se apenas a uma versão da Bíblia. Os principais
textos bíblicos, a serem lidos, aparecem no final de cada frase em negrito, sendo que os
demais poderão ser citados ou não, conforme o caso.
4. Liberdade. Permita liberdade de expressão para que cada um exponha sua opinião,
porém, mantenha em vista o objetivo da reunião e do estudo.
5. Respostas. Não se sinta obrigado a dar respostas às perguntas levantadas. Não se
preocupe com perguntas difíceis que surgirem. Se as perguntas estão dentro do tema,
responda-a de forma clara e concisa. Se não souber a resposta, diga que irá pesquisar
durante a semana e que trará uma resposta no próximo encontro. Caso surjam perguntas
fora do tema, agradeça a pessoa pela participação e diga que irá conversar com ela,
depois do estudo, sobre o assunto.
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6. Resumo. No final, faça um pequeno resumo, recordando o que foi estudado. Isto ajuda a
assimilar e ver se todos compreenderam o que ouviram. Se você puder reconhecer as
pessoas que fizeram os comentários que está resumindo, com certeza gostarão muito!

III- QUANTO AO LOUVOR (OPCIONAL)

1. Adoração. Procure conduzir os participantes à presença de Deus. Este momento precisa


ser espontâneo. Não force ninguém a cantar. Deixe o Espírito Santo conduzir a adoração.
2. Facilitação. Use uma folha de cânticos para ajudar todos a participarem. Tenha sempre
cópias de canções sobrando para dar aos visitantes. A folha limita o número de canções,
o que é bom para que os visitantes aprendam por meio de repetições.
3. Preparo. Demonstre preparo e zelo pelo grupo, escolhendo os cânticos
antecipadamente, sendo no máximo três.
4. Instrumento. Se houver alguém no grupo com dom musical, ou que toque violão,
poderá encarregar-se desta parte.

IV- QUANTO À ORAÇÃO

1. Anotação. O grupo pode ter um caderno para anotar os pedidos de oração. Estimule as
pessoas a orarem pelos assuntos listados em casa. Peça que as pessoas indiquem
respostas de orações ou bênçãos que tenham recebido na última semana. Desta forma
poderão ver como Deus responde às orações e então louvá-lo por Seu amor.
2. Pedidos. Peça que o grupo compartilhe pedidos de oração. Pode-se pedir que as pessoas,
ao lado de quem formular um pedido, fiquem orando de forma especial durante a
semana.
3. Imposição de mãos. Identifique se a necessidade e situação favorecem um momento de
oração com imposição de mãos do grupo sobre uma pessoa necessitada. Porém deve-se
ter sensibilidade para não causar constrangimento aos presentes.
4. Atenção. Dê a devida atenção ao momento de oração. A grande maioria das pessoas
acaba sendo negligente, gastando todo o tempo da reunião com as primeiras partes. Se a
duração da reunião for de uma hora, procure reservar pelo menos dez minutos para esta
parte.

V- QUANTO AO ENCONTRO

1. Local. O ideal é que cada grupo de estudo tenha o seu encontro num local permanente,
que possibilite a freqüência de todos.
2. Convites. Estimule os membros do grupo a fazerem pontes-de-amizade com seus
vizinhos e, então, convidá-los para as reuniões do grupo. Todos deverão ser
conscientizados da importância de trazer visitantes para a reunião.
3. Lanche. Normalmente a casa hospedeira pode prover água ou outra coisa para beber. Se
houver lanche, deverá ser espontâneo.
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Estudo 01

AS SAGRADAS ESCRITURAS

Introdução: A Bíblia tem sido reconhecida como o maior livro de todos os tempos devido à sua
antigüidade, à sua circulação total, ao número de línguas para as quais já foi traduzida, à sua
extraordinária grandeza como obra literária e por sua extrema importância para toda a humanidade.
É, sem dúvida alguma, o livro de maior circulação do mundo, traduzido em cerca de 2.233 idiomas
e dialetos. Nosso objetivo neste estudo é de aprendermos um pouco mais sobre este precioso livro.

I- A COMPOSIÇÃO DA BÍBLIA

1. Quanto ao nome. Bíblia é uma palavra de origem grega escrita no plural – biblos – e
significa “livros”, ou, para ser mais exato, “rolos”. Desta forma podemos dizer que a Bíblia é um
conjunto de livros sagrados agrupados em um único volume. O termo “Bíblia” não se encontra
escrito nas Sagradas Escrituras. Quando esta fala de si mesma, refere-se como: Palavra de Deus
(Hb. 6:5); Livro do Senhor (Is. 34:16); Escrituras (Jo. 5:39); Palavra de Cristo (Cl. 3:16); Palavra da
Verdade (II Tm. 2:15), entre outros nomes. Segundo consta, foi o teólogo cristão Orígenes quem,
por volta de 250 d.C, pela primeira vez usou o termo “Bíblia” para designar os livros do Novo
Testamento. Depois, por volta do ano 800 d.C, o termo entrou no latim, para designar o conjunto
dos livros sagrados.
2. Quanto à autoria. O autor da Bíblia é um só: Deus. Mas, para escrever a Sua
mensagem, Deus usou cerca de 40 homens provenientes de vários lugares, incluindo a Península do
Sinai, Israel, Babilônia, várias regiões da Ásia Menor, Roma, pequenas ilhas do Mediterrâneo, entre
outros. O nível social dos escritores da Bíblia também era muito diversificado, indo de letrados a
pessoas bem simples, tais como: reis, generais, sacerdotes, profetas, pecuaristas, agricultores,
pescadores, um médico e um coletor de impostos.
Algumas pessoas dizem que a Bíblia foi escrita por homens e, por isso, negam sua fidelidade
e autenticidade. Todavia, os homens que escreveram a Bíblia não foram, de fato, seus autores, mas
sim seus escritores, uma vez que não registraram suas opiniões pessoais, mas tão somente
escreveram as palavras inspiradas por Deus. Em toda a Escritura, a frase “Deus disse” é usada cerca
de 3.800 vezes. Isto comprova, ao longo de toda a Bíblia, que seus escritores não escreveram seus
próprios pensamentos ou experiências, por vontade própria, mas tão somente aquilo que Deus lhes
ordenou.
3. Quanto à inspiração. A Bíblia é a Palavra de Deus, escrita pelos Seus servos, tanto no
Antigo quanto no Novo Testamento. Todavia, a Bíblia não é apenas palavras de homens escritas
segundo a sua própria vontade, mas a Palavra de Deus que nos foi entregue pelas mãos de homens
inspirados pelo Espírito Santo. Por “inspiração” entendemos a ação supervisionadora de Deus sobre
os autores humanos da Bíblia de modo a, usando suas próprias personalidades e estilos, comporem
e registrarem sem erro as palavras de Sua revelação ao homem. Isso significa dizer que cada palavra
(verbal) e todas as palavras (plenária) da Bíblia foram inspiradas pelo Espírito Santo. A inspiração
se aplica apenas aos manuscritos originais (chamados autógrafos).
4. Quanto ao tempo de composição. A Bíblia foi escrita num período aproximado de
1.600 anos, começando no ano 1500 a.C. e acabando por volta do ano 98 d.C. Entre a composição
do livro de Malaquias e do Evangelho de Mateus há um intervalo de tempo que, segundo as
melhores informações históricas atualmente aceitas, durou mais ou menos 400 anos. Esse período é
conhecido como “Período Interbíblico”, o qual se caracteriza pela cessação da Revelação Bíblica,
pelo silêncio profundo em que Deus permaneceu em relação ao seu povo, pois durante esse período,
nenhum profeta se levantou em nome de Deus. Foi nesse período que os livros “apócrifos” foram
escritos, como veremos adiante.
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II- A NATUREZA DA BÍBLIA

O escritor da carta aos Hebreus descreve algo muito interessante sobre natureza da Palavra
de Deus, dizendo: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais,
pelos profetas, falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as
coisas, e por quem fez também o mundo” (Hb. 1:1,2). As duas ênfases principais nestes versículos
são: 1) Deus falou no passado; 2) Deus falou nestes últimos tempos. O que Deus disse parcialmente
através dos profetas, ele disse plenamente em Jesus.
Vejamos então a natureza dessa Palavra que nos foi transmitida:

1. Palavra eterna (Is. 40:7,8). Deus compara a duração da vida do homem tão breve como
a de uma simples erva. Passamos num pedaço minúsculo da história e logo perecemos, mas a
Palavra de Deus é de geração em geração, subsiste para sempre.
2. Fonte de vida eterna (Jo. 5:39). Os judeus tinham o hábito de examinar as Escrituras
porque reconheciam que elas continham o segredo da vida eterna. Assim podemos dizer que é por
meio do estudo, do examinar as Escrituras que encontramos a fonte da vida eterna.
3. Fonte de verdade (Jo. 8:32). A verdade aqui proferida é a própria Palavra de Deus que
liberta o homem das amarras do pecado e de satanás. Leia também João 17:17.
4. Origem divina (II Pd. 1:19-21; Ec. 3:14). As escrituras não vieram meramente por
vontade dos homens. Elas vieram quando “os homens da parte de Deus falaram movidos pelo
Espírito Santo”. A palavra que é traduzida como “movidos” significa literalmente “carregados” ou
“levados”. “Levados” ou “possuídos” pelo Espírito Santo, eles falaram. O que eles falaram, na
verdade, era a mensagem de Deus. Assim podemos afirmar que a Bíblia não foi inventada por
vontade dos homens e sim inspirada pelo Espírito Santo. É importante frisar que “toda Escritura é
inspirada”, ou seja, a vontade de Deus está expressa em toda a Bíblia, e não apenas em parte dela.
5. É viva e eficaz (Hb. 4:12-13). Este texto contém a essência de tudo o que a Palavra de
Deus pode fazer nas nossas vidas. A Palavra de Deus é viva e eficaz, pois ela é capaz de fazer o que
Deus pretende na vida do ser humano. Ela produz efeito e dá bons resultados (Is. 55:11). Ela é mais
penetrante do que espada de dois gumes, ela entra no homem e age de dentro para fora. Penetra na
divisão da alma e do espírito, juntas e medulas, isto é, age nos nossos sentimentos, pensamentos e
mexe com nossas emoções, no nosso interior.
A Palavra de Deus traz à nossa consciência o que realmente somos. Ela é apta para discernir
os pensamentos (desejos) e sentimentos (intenções).

III- OBJETIVOS DA BÍBLIA

1. Ensinar os princípios de Deus (II Tm. 3:16,17). A Palavra de Deus é útil para nos
ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer compreender o que está errado na nossa vida. Ela nos
conduz ao caminho certo, nos ensinando a fazer o que é justo. A Bíblia também é um meio de que
Deus se utiliza para nos preparar de todo modo para agirmos corretamente.
2. Produzir a fé (Rm. 10:17). O objetivo da Bíblia é o de despertar a fé nos homens,
dirigindo-lhes a vida para o seu destino apropriado. Porém, a fé só pode surgir através da audição
ou leitura da Palavra de Deus.
3. Preservar de pecar (Sl. 119:11: Mt. 22:29). Veja o efeito da Palavra viva na vida do
homem. A Palavra de Deus estando em nossos corações, funciona como prevenção contra o pecado,
nos previne, evita e impede que pequemos (Pv. 30:5).
4. Mostrar o caminho verdadeiro (Sl. 119:105). A Bíblia ilumina nosso caminho, é
lâmpada para os pés, isto é, nos capacita a ver, enxergar o perigo de perto para que você não tropece
e caia. Luz para o meu caminho, porque capacita a enxergar longe, ver o perigo antes, a tempo de
evitá-lo. Em conhecendo a Palavra de Deus, vamos conhecer também o destino, o fim do homem
que não é guiado por esta luz.
5. Alimentar o homem (Mt. 4:4). A Palavra de Deus nos alimenta, sustenta, faz nos
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mantermos firmes na presença de Deus (Jr. 15:16). O alimento da Palavra causa efeito no coração
do homem, faz com que ele tenha gozo. Assim como o alimento é para o sustento do nosso corpo, o
estudo da Bíblia é alimento espiritual para a nossa vida.
Em Provérbios 2:3-5 lemos: “E, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a
voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então,
entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus”. Aqui está a condição para
entendermos o conteúdo da Palavra de Deus. A compreensão das Escrituras requer mais do que o
entendimento humano, requer a direção do Espírito Santo, que a deu.

IV- DIVISÕES PRINCIPAIS DA BÍBLIA

A Bíblia, como a conhecemos hoje, tem 66 livros, sendo que 39 deles fazem parte do
“Antigo Testamento”, escritos originalmente em hebraico e algumas porções do aramaico nos livros
de Daniel e Esdras. E, 27 livros se encontram no “Novo Testamento”, escritos originalmente em
grego. Estes livros, de Gênesis a Apocalipse, constituem o cânon da Bíblia, ou seja, aqueles livros
que foram escolhidos e catalogados pela Igreja nos primeiros séculos da era Cristã. A escolha
desses livros específicos e a rejeição de muitos outros evidencia que o Autor divino não só inspirou
a sua escrita, mas também cuidou meticulosamente da sua compilação e da sua preservação. As
bases em que se fundamentava a escolha de alguns documentos e a rejeição de outros foram, na
verdade, três: a cristocentricidade, a biblicidade e a apostolicidade.

1. Antigo Testamento e Novo Testamento. Hoje em dia é comum chamar as Escrituras


escritas em hebraico e aramaico de “Antigo (ou Velho) Testamento”. Isto está baseado na leitura de
II Coríntios 3:14, em algumas versões bíblicas. Algumas pessoas, após uma simples leitura deste
versículo, concluem que o “Velho Testamento” foi abolido por Jesus Cristo e, portanto, não
precisamos mais obedecer às normas que ali se encontram. Todavia, esta interpretação está
incorreta.
A palavra portuguesa “testamento” corresponde à palavra hebraica berith, que significa,
originalmente, “pacto, aliança, acordo, convênio, contrato”, e designa a aliança que Deus fez com o
povo de Israel no Monte Sinai, tal como descrito no livro de Êxodo (Êx. 24:1-8; 34:10-28). Tendo
sido esta aliança quebrada pela infidelidade do povo, Deus prometeu uma nova aliança (Jr.s 31:31-
34) que deveria ser confirmada com o sangue de Cristo (Mt. 26:28). Os escritores neotestamentários
denominam a primeira aliança de antiga (Hb. 8:13), em oposição à nova (II Co. 3:6-14). Os
tradutores da Septuaginta, uma versão grega das Escrituras hebraicas, traduziram a palavra hebraica
berith para a palavra grega diatheke, embora não haja perfeita correspondência entre as palavras, já
que berith designa “aliança”, denotando um compromisso bilateral, e diatheke tem o sentido de
“última disposição dos próprios bens”, o que nós chamamos em nossa língua de “testamento”,
portanto implica num compromisso unilateral.
O termo “testamento” veio até nós por meio do latim, quando a primeira versão latina do
Velho Testamento grego (Septuaginta) traduziu diatheke por testamentum. São Jerônimo, revisando
esta versão latina, manteve a palavra testamentum, equivalendo ao hebraico berith – aliança,
concerto –, quando, na verdade, a palavra não tinha essa significação no grego. Afirmam alguns
pesquisadores que a palavra grega para “contrato”, “aliança” deveria ser suntheke, por traduzir
melhor o hebraico berith.
As denominações “Antigo Testamento” e “Novo Testamento”, para as duas coleções dos
livros sagrados, começaram a ser usadas somente no final do século II d.C, quando os evangelhos e
outros escritos apostólicos foram considerados como parte do cânon sagrado, passando a designar, a
partir de então, a coleção dos escritos que contém os documentos escritos respectivamente durante a
primeira e a segunda aliança. Portanto, o apóstolo Paulo não estava se referindo às Escrituras
hebraicas e aramaicas. Ele, antes, estava falando do antigo pacto da Lei, registrado por Moisés no
Pentateuco e que constitui apenas uma parte das Escrituras pré-cristãs. Por este motivo ele disse no
próximo versículo: “sempre que se lê Moisés”.
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Portanto não há base válida para as Escrituras Hebraicas e Aramaicas serem chamadas de
“Antigo (Velho) Testamento”, e para as Escrituras Gregas serem chamadas de “Novo Testamento”.
O próprio Jesus Cristo chamou a coleção dos escritos sagrados de “as Escrituras” (Mt. 21:42; Mc.
14:49; Jo. 5:39). O apóstolo Paulo chamou-as de “Sagradas Escrituras”, “Escrituras” e “sagradas
letras” (Rm. 1:2; 15:4; II Tm. 3:15).

2. Capítulos e versículos. A subdivisão da Bíblia em capítulos e versículos, na forma


como conhecemos hoje, não foi feita pelos escritores originais, mas foi uma adição realizada em
momentos diferentes da história.
A divisão das Escrituras hebraicas em versículos foi estabelecida por estudiosos judeus das
Escrituras Sagradas, chamados de massoretas, os quais dedicavam suas vidas à recitação,
preservação e cópia das Escrituras, bem como à formulação da gramática hebraica e técnicas
didáticas de ensino do texto bíblico. Foram eles que, entre os séculos IX e X, primeiro dividiram a
Escritura hebraica (Antigo Testamento) em versículos.
A primeira divisão da Bíblia em capítulos foi realizada pelo ao arcebispo Stephen Langton
da Cantuária, no século XIII, que fez as marcações dos mesmos por meio de uma seqüência
numérica em algarismos romanos nas margens dos manuscritos. Por fim, em 1551, um impressor
francês chamado Robert d’Estienne dividiu uma edição grega do Novo Testamento em versículos.
No ano de 1553 foi publicada a primeira Bíblia completa com as atuais divisões de capítulos e
versículos.

V- CLASSIFICAÇÃO LITERÁRIA DOS LIVROS DA BÍBLIA

A Bíblia está classificada em quatro tipos de literaturas: Históricos, poéticos, proféticos e


epístolas. Vejamos como se classifica o Antigo Testamento:

1º. Históricos: Incluem os livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio,


Josué, Juizes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
2º. Poéticos: Começam no livro de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de
Salomão (ou Cântico dos Cânticos).
3º. Proféticos: Estão agrupados nos seguintes livros: Isaías, Jeremias, Lamentações de
Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque,
Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Vejamos agora a classificação do Novo Testamento:

1º. Históricos: Começando no Evangelho de Mateus, Marcos, Lucas, João, e Atos, achamos
os livros históricos. Estes descrevem a história de Jesus Cristo, desde o nascimento, ministério,
morte e ressurreição, bem como a origem da igreja.
2º. Epístolas: Ao todo são 21 epístolas (cartas), sendo que 13 delas foram escritas por
Paulo. Estas são: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II
Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon e Hebreus. Estas são cartas específicas para igrejas
daquela época. Do livro de Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas estão as epístolas gerais.
3º. Profético: Por fim temos o livro de Apocalipse (Revelação). Este é um livro profético
escrito por João no final do 1º século na ilha de Pátmos.

VI- OS LIVROS APÓCRIFOS

Dependendo da editora, a Bíblia pode conter 73 livros, ou seja, 7 livros a mais: I e II


Macabeus, Judite, Baruc, Tobias, Eclesiástico, Sabedoria e um acréscimo de dois capítulos (13 e
14) no livro de Daniel. Estes 7 livros e mais estes dois capítulos acrescentados no livro de Daniel
não são inspirados pelo Espírito Santo porque foram escritos num período em que Deus não falou
com Israel (400 anos). Os próprios autores de tais escritos não reclamam inspiração para eles, mas
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confessam a falta do Dom profético (I Macabeus 4:46; 9:27; 14:41). Estes livros não têm, portanto,
autoridade em matéria de fé na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou
empregados senão como escritos humanos.
Estes livros recebem o nome de Apócrifos. A palavra “apócrifo” é de origem grega
(apokrypha), e significa: “escondido”, “secreto”, “oculto”, “misterioso”. Este nome foi dado a esses
livros porque os seus verdadeiros autores são desconhecidos. Portanto, este termo, quando no uso
específico dos colecionadores dos documentos sacros, significa: origem ignorada ou duvidosa;
literatura revelacionalmente falsa ou espúria; documentos não canônicos. A data de seus escritos é
também matéria duvidosa, embora seja geralmente colocada entre os anos 200 e 100 a.C. Apesar
dos livros apócrifos não serem inspirados pelo Espírito Santo, são de grande valor histórico.
O que nos leva a crer que estes livros não foram inspirados pelo Espírito Santo? Por que são
os livros apócrifos rejeitados pelo protestantismo?
1º- Porque tais livros antes constavam apenas na Septuaginta, tradução grega das Escrituras
hebraicas, e jamais foi aceita pelos judeus palestinenses ortodoxos.
2º- Porque o próprio São Jerônimo que, por volta de 382 d.C., traduziu para o latim a Bíblia
hebraica, incluindo os apócrifos, constantes apenas na versão da Septuaginta, fez a recomendação
de que eles não deveriam servir como base de fundamentação doutrinária.
3º- Porque estes livros somente foram oficialmente incluídos no Canon da Bíblia Sagrada
em 15 de abril de 1.546, pela Igreja Católica Romana, no Concílio de Trento, ou seja, 1.200 anos
depois da canonização da Bíblia Sagrada.
4º- Todos os livros do Antigo Testamento foram citados no Novo Testamento cerca de 453
vezes, mas os livros apócrifos nenhuma vez (compare Hb. 2:6,7 com Sl. 8:4,5).
5º- O Senhor Jesus e Seus apóstolos nunca fizeram deles qualquer citação. Flávio Josefo
(historiador judeu) rejeitou-os, e Jerônimo, ao traduzir a Vulgata (versão da Bíblia em Latim)
recusou reconhecê-los.
6º- Em II Macabeus 15:35-39, o autor pede desculpa aos seus leitores, caso não tivesse sido
claro em sua narração, o que torna claro não ter sido divina sua inspiração.
7º- Há controvérsias nos escritos apócrifos, isto é, contradiz em alguns de seus ensinos em
relação aos demais livros inspirados, a exemplo de Tobias 12:9, que garante que a esmola nos livra
da morte, apaga o pecado e nos faz encontrar a vida eterna (salvação pelas obras). A Bíblia toda nos
ensina que o que nos livra da morte eterna é Jesus, mediante a nossa confissão como sendo ele o
Senhor e Salvador de nossa vida, e que nossos pecados somente são perdoados mediante nosso
arrependimento e crença no sacrifício vicário de Cristo na cruz do calvário.
8º- Faltam aos apócrifos o planejamento progressivo e mútua interconexão das Escrituras do
Novo e Antigo Testamentos. Erros históricos, inexatidões, evidentes histórias e discursos de ficção
aparecem.
Por estas razões os livros apócrifos não são aceitos como canônicos e por esses motivos não
serão citados nestes estudos. Por outro lado, se sua Bíblia contiver livros a mais não significa que
ela não servirá para o estudo, pode usá-la normalmente, porém com esta observação que já
mencionamos acima.
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Estudo 02

A EXISTÊNCIA DE DEUS

Introdução: Numa época em que tantas idéias e conceitos a respeito de Deus são divulgados, é
bom verificarmos o que o próprio Deus revelou a respeito de Si mesmo. A Bíblia é a Palavra de
Deus e é o único livro que pode falar, com autoridade, sobre o assunto.
O cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé. Entretanto, esta fé não é uma fé
cega, mas fé baseada em provas, e as provas se acham, primariamente, na Escritura como a Palavra
de Deus inspirada, e, secundariamente, na revelação de Deus na natureza. A prova bíblica sobre este
ponto não nos vem na forma de uma declaração explícita e muito menos na forma de um argumento
lógico. Nesse sentido a Bíblia não procura provar a existência de Deus, mas parte do pressuposto de
que Deus existe e que se revela em Sua Palavra divina aos que o buscam em espírito e em verdade.
A Bíblia pressupõe a existência de Deus em sua declaração inicial: “No principio criou
Deus os céus e a terra” (Gn. 1:1). Ela não somente descreve a Deus como o Criador de todas as
coisas, mas também como o Sustentador de todas as Suas criaturas, e como o Governador de
indivíduos e nações. Ela testifica o fato de que Deus opera todas as coisas de acordo com o
conselho da Sua vontade, e revela a gradativa realização do Seu grandioso propósito de redenção.
Portanto, neste estudo vamos verificar o que a Bíblia ensina a respeito da existência e da
pessoa de Deus.

I- OS NOMES DE DEUS

A palavra “Deus” não é nome. Refere-se antes a um título que usamos para designar o Ser
supremo, o criador de todas as coisas. Não obstante a Bíblia registre vários nomes de Deus, fala
também do Nome de Deus no singular como, por exemplo, nas seguintes declarações: “Não tomarás
o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êx. 20.7); “Quão magnífico em toda terra é o teu nome!” (Sl
8:1): “Como o teu nome, ó Deus, assim o teu louvor se estende até os confins da terra” (Sl 48:10);
“Grande o seu nome em Israel” (Sl 76:1); “Torre forte é o nome do Senhor, à qual o justo se acolhe
e está seguro” (Pv 18.10). Nesses casos “o nome” vale por toda manifestação de Deus em Sua
relação com o Seu povo.
Os nomes, nas Sagradas Escrituras, têm significados, os quais geralmente transmitem
alguma idéia quanto ao caráter da pessoa que usa o nome. Todos os nomes pelos quais a Bíblia
designa Deus são significativos; e, assim, cada um deles permanece como o símbolo de alguma
verdade relativa a Ele.
Os três principais nomes da Divindade no Antigo Testamento são:

1. Elohim (Gn. 1:2,26,27). A Bíblia começa com a afirmação de que Elohim é o Criador.
Este nome é freqüentemente usado no Antigo Testamento, aparecendo também como El ou Eloá.
Elohim é o plural, reconhecido pelo pronome plural: “façamos”; e Eloá é o singular, este último
aparecendo geralmente na poesia sagrada.
2. Adonai (Gn. 15:1,2,8; Dt. 3:24). O significado de Adonai é “Senhor”, e é distinguido na
versão portuguesa com letras maiúsculas. Este nome da Divindade aparece no Antigo Testamento
com grande freqüência e expressa o domínio e a possessão soberana.
3. Jeová (Êx. 3:14; Is. 42:8). Ao revelar-se a Israel, Deus revelou-se como “EU SOU”,
dizendo com isso que era um Deus auto-existente. Em Isaías, encontramos a expressão: “Eu sou o
SENHOR; este é o meu nome”. A pronúncia “Senhor” vem do tetragrama hebraico YHWH, o qual é
traduzido em muitas Bíblias como: Jeová, Jahve, Iavé, Yahweh. O nome de Deus é pessoal e
sagrado, e por isso deve ser reverenciado (Êx. 20:7).
9

II- A NATUREZA DE DEUS

A Bíblia tem muitas expressões que nos falam a respeito da natureza e do caráter de Deus.
Vejamos algumas dessas expressões:

1. Deus é espírito (Jo. 4:24). Esta declaração define a natureza de Deus como sendo
espiritual. Porém, Deus é espírito com personalidade; Ele pensa, sente e fala, pode ter comunhão
direta com suas criaturas feitas à sua imagem. Como ser espiritual Deus está livre de todas as
limitações do corpo, embora algumas vezes os escritores bíblicos tenham de usar a figura do corpo,
para ilustrar aspectos diferentes de sua atuação com relação ao homem (Êx. 6:6; Sl. 34:15).
2. Deus é infinito (I Re. 8:27). Deus é infinito e, por isso, não está sujeito às limitações
naturais e humanas. Ele está além de ser plenamente compreendido pela mente do homem (Rm.
11:33-36). Com relação ao espaço, Deus caracteriza-se pela imensidade. Deus está presente em todo
o espaço infinito e em todas as suas partes.
3. Deus é eterno (Êx. 15:18; Dt. 33:27; Sl. 90:2). Em relação ao tempo, Deus é eterno.
Significa que Ele não tem começo nem fim; que Ele está livre de toda a passagem de tempo, e que
Ele é a causa do tempo.

III- OS ATRIBUTOS NÃO-MORAIS DE DEUS

Com atributos de Deus, distintos da natureza de Deus, queremos dizer as qualidades


atribuídas a Deus, e que são inerentes à substância e que constituem uma descrição analítica do
próprio Deus. Os atributos não morais são aqueles predicados necessários da essência divina, mas
que não envolvem qualidades morais. Estudá-los-emos na ordem indicada.

1. Deus é onipotente (Êx. 15:7; Mt. 19:26). Ele é o Deus Todo-Poderoso. A onipotência
de Deus significa duas coisas: a) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com
sua natureza; b) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir.
2. Deus é onipresente (Gn. 28:15; Sl. 139:7-12). Com onipresença de Deus queremos
dizer Sua infinidade em relação às Suas criaturas. Por ser imenso, Deus é onipresente. Deus está em
toda a parte, isto é, o espaço material não o limita em ponto algum. Embora Deus esteja em todo
lugar, Ele não habita em todo lugar.
3. Deus é onisciente (Gn. 18:18; II Tm. 2:19). Deus é onisciente, porque conhece todas as
coisas. Ele conhece o passado, o presente e o futuro. O conhecimento de Deus é perfeito, Ele não
precisa questionar, ou pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente.
4. Deus é soberano (Jr. 18:4-6; Mt. 20:15). Isto é, Ele tem o direito absoluto de governar
suas criaturas e delas dispor como lhe apraz. Ele possui esse direito em virtude de sua infinita
superioridade, de sua posse absoluta de todas as coisas, e da absoluta dependência delas perante ele
para que continuem a existir.
5. Deus é imutável (Ml. 3:6; Tg. 1:17). Com imutabilidade de Deus queremos dizer que
em essência, atributos, consciência e vontade, Deus é imutável. Todas as mudanças têm que ser
para melhor ou para pior. Mas Deus não pode mudar para o melhor, pois é absolutamente perfeito;
nem tampouco mudar para o pior, pela mesma razão.

IV- OS ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS

Os atributos morais de Deus se referem aos predicados necessários da divina essência que
envolve qualidades morais. Sob este tópico consideraremos os seguintes atributos:

1. Deus é justo e santo (Êx. 15:11; Lv. 19:2). A santidade de Deus significa a sua absoluta
pureza moral; Ele não pode pecar nem tolerar o pecado. Como um Deus justo, Ele faz aquilo que é
correto. A justiça é a santidade de Deus manifesta no tratar retamente com suas criaturas.
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2. Deus é bom (Sl. 25:8; Rm. 2:4). A infinita bondade de Deus é uma perfeição do Seu ser
que caracteriza a Sua natureza e é a fonte de tudo o que é bom no universo. Os termos específicos
empregados para estabelecer a bondade de Deus são: a) benevolência, que é a bondade no seu
sentido genérico, abrangendo todas as Suas criaturas; b) complacência, que é aquilo em Deus que
aprova todas as Suas próprias perfeições como também aquilo que se conforma com Ele; c)
misericórdia, que é a bondade de Deus exercida em benefício das necessidades de Suas criaturas; d)
graça, que é a livre ação de Deus em benefício daqueles que não têm merecimentos.
3. Deus é amor (I Jo. 4:8-10). A natureza de Deus é amor, em razão da qual Ele deseja
relação pessoal com aqueles que possuem a sua imagem. O amor, que é a essência do seu caráter, é
manifestado em cada palavra e em cada ato seu. Observe a descrição do amor de Deus (Dt. 7:8; Ef.
2:4). A quem ele foi manifestado e como ele foi demonstrado (Jo. 3:16; I Jo. 3:1).

V- O SER E A NATUREZA DE DEUS

“O que nos vem à mente quando pensamos em Deus é a coisa mais importante a nosso
respeito” (A.W. Tozer). Esse pensamento expressa o supremo significado da doutrina de Deus. Em
certo sentido sua aplicação é tanto imediata como penetrante; as convicções que temos sobre Deus
irão afetar tudo sobre nós, se o tivermos visto na plenitude de seu ser divino, Pai, Filho e Espírito
Santo, perfeito em glória, senhorio, santidade e amor.

1. Ele deve ser adorado (Jo. 4:23,24). Crer na existência de Deus significa reconhecê-lo e
adorá-lo. De acordo com Jesus, o Deus revelado nas páginas das Escrituras Sagradas é um Deus
cuja natureza requer adoração espiritual e sincera. Ele tudo sabe e tudo pode. Esse fato, além de
levar-nos a ter mais cuidado com aquilo que falamos e fazemos, constitui-se em motivo de alegria,
pois Deus está sempre ao nosso lado para no ajudar.
2. Ele deve ser servido (II Co. 5:15). A única resposta adequada a Deus é servi-lo. A
adoração faz parte desse serviço, que se estende a todas as áreas da vida. O serviço a Deus implica
em renunciar a todo direito e a nós mesmos e submeter nossa vontade inteiramente à vontade dEle.
A melhor maneira de sermos gratos a Deus pelo seu amor é através da entrega incondicional da
nossa vida para o seu serviço.
3. Ele deve ser proclamado (Atos 17:16, 22-31). Parte de nossa resposta a Deus, à medida
que Ele revela seu ser e natureza a nós, é torná-lo conhecido em um mundo em que Ele é
largamente ignorado ou rejeitado. O mundo não é neutro, mas cheio de ídolos, isto é, falsos objetos
de adoração. Somos chamados a desafiar e a confrontar os falsos deuses em o nome do Deus vivo e
verdadeiro. Isto envolve espalhar o conhecimento do Deus verdadeiro através do mundo inteiro
(Mt. 28:19,20).
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Estudo 03

A TRIUNIDADE DIVINA
Introdução: Neste estudo, veremos alguns aspectos relacionados às três pessoas da divindade: o
Pai, o Filho e o Espírito. Ao ensino de que há um só Deus em três pessoas distintas, separadas uma
das outras, porém da mesma essência, chama-se Doutrina da Trindade ou Triunidade.
A palavra “trindade” não se encontra nas Escrituras, mas foi criada para expressar uma
verdade encontrada em toda a Bíblia: a de que Deus subsiste eternamente em três pessoas distintas e
co-iguais. Todas elas são, igual e plenamente, divinas; no entanto, existe um único Deus (Dt 6:4; Tg
2:19). Somente no Novo Testamento existem 108 passagens comprobatórias acerca desta doutrina
cristã. Muitos acham a doutrina de difícil compreensão. Assim, nosso objetivo, aqui, é mostrar,
através da Bíblia, a nossa crença sobre cada uma das pessoas da triunidade.

I- A UNIDADE DE DEUS

Deparamos com um mistério infinito ao estudar a natureza de Deus. Mesmo assim, há


algumas verdades sobre este assunto que são reveladas com clareza. Daquilo que as Escrituras
ensinam sobre a natureza de Deus nada contradiz a verdade de que só há um Deus.

1. A Bíblia afirma que há um só Deus (Dt. 6:4; Mc. 12:29). O hebraico de Deuteronômio
diz literalmente: “Jeová [Yahweh] nosso Deus [Elohim], Jeová [é] Um”. Essa passagem afirma que
Jeová, nosso Elohim, é Um no sentido de que não há outro, ou seja, Ele é o único Deus (Êx. 20:3;
Dt. 4:35,39). A palavra “único”, quando ligada a Deus, vem do hebraico ehadh que indica uma
unidade composta. Quando esta palavra é indicada no sentido absoluto, é empregada a palavra
yahadh. É preciso distinguir entre duas qualidades de unidade: unidade absoluta e unidade
composta. A expressão “um homem” traz a idéia de unidade absoluta, porque se refere a uma só
pessoa. Mas quando lemos que o homem e a mulher serão “uma só carne”, essa é a unidade
composta, visto que se refere à união de duas pessoas.
2. As três pessoas divinas são um (I Jo. 5:7,8). Com unidade de Deus queremos dizer que
a natureza divina é uma unidade indivisível. Isto é, Deus não consiste de partes nem pode ser
dividido em partes. Assim, a doutrina da Trindade divina ensina que as três Pessoas Divinas são
uma mesma essência. Eles são divisíveis apenas na unidade numérica e indivisível na unidade de
Deus.
3. A unidade absoluta não desfaz a sua individualidade (Mt. 3:16,17). O Pai, o Filho e o
Espírito Santo são constantemente citados como Pessoas separadas com operações específicas
operadas por cada uma. Porém, os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que
no pleno sentido da palavra, são “um”.

II- A TRIUNIDADE DIVINA

Não há contradição entre o ensino da unidade de Deus e o ensino da Trindade. Com


Trindade queremos dizer que há três distinções eternas em uma essência divina. Estas três
distinções são três pessoas, conhecidas respectivamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Devemos,
portanto, buscar nas Escrituras a verdadeira doutrina da Trindade.

1. A Trindade no Antigo Testamento (Gn. 1:1,26). Muito embora a doutrina da Trindade


não fosse explicitamente mencionada no Antigo Testamento, sua origem pode ser vista nos textos
bíblicos. A expressão “Deus” vem do hebraico Elohim que literalmente quer dizer “deuses”, pois a
palavra é plural e às vezes se usa, em hebraico, acompanhada de adjetivo plural e com verbo no
plural. Todos os membros da trindade são mencionados no Antigo Testamento: a) o Pai (Is. 63:16;
12

Ml. 2:10); b) o Filho de Jeová (Sl. 2:6,7; Is. 9:6); c) o Espírito Santo (Gn. 1:2; Is. 61:1).
2. A Trindade no Novo Testamento (II Co. 13:13). Dentro do Novo Testamento, a
doutrina da Trindade fica grandemente ampliada. Cada pessoa da divindade é declarada como sendo
divina: a) o Pai é Deus (Mt. 6:8; Gl. 1:1); b) o Filho é Deus (Jo. 1:1-4,14,18; Rm. 9:5; Cl. 2:8,9, Tt.
2:13; II Pd. 1:1); c) o Espírito Santo é Deus (Mc. 3:29; Atos 5:3,4; II Co. 3:17,18). A Bíblia
apresenta assim esta realidade singular e misteriosa: um Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

III- A TRINDADE E OS ATRIBUTOS DIVINOS

É um fato insofismável que os atributos da Divindade sejam atribuídos a cada uma das
Pessoas da Trindade.

1. Eternidade. O Pai (Sl. 90:2); o Filho (Cl. 1:17); o Espírito Santo (Hb. 9:14).
2. Onipresença. O Pai (Jr. 23:24); o Filho (Mt. 18:20); o Espírito Santo (Sl. 139:7).
3. Onisciência. O Pai (Jr. 17:10); o Filho (Ap. 2:23); o Espírito Santo (I Co. 2:10,11).
4. Onipotência. O Pai (I Pd. 1:5); o Filho (II Co. 12:9); o Espírito Santo (Rm. 15:19).
5. Santidade. O Pai (I Pd. 1:16); o Filho (Atos 3:14); o Espírito Santo (Lc. 12:12).
6. Amor. O Pai (I Jo. 4:8,16); o Filho (Ef. 3:19); o Espírito Santo (Rm. 15:30).
7. Verdade. O Pai (Jo. 7:28); o Filho (Ap. 3:7); o Espírito Santo (I Jo. 5:6).

IV- A OBRA DA TRINDADE DIVINA

Além de cada obra distinta de Deus ser realizada por uma Pessoa da Divindade, também as
obras principais de Deus são atribuídas a cada uma das Três Pessoas. Podemos observar a atuação
da Trindade Divina em pelo menos quatro áreas:

1. Na criação do universo (Gn. 1:2; Sl. 102:25; Cl. 1:16). A criação do universo foi uma
realização de cada Pessoa da Trindade. Todos igualmente participaram neste empreendimento. Os
atos da criação separados, ainda que completos, da parte de cada Pessoa reúnem-se na afirmação:
“No princípio criou Deus (Elohim – nome que pressagia o mistério da pluralidade na unidade e a
unidade na pluralidade) os céus e a terra” (Gn. 1:1).
2. Na criação do homem (Gn. 1:26; 2:7; Jó 33:4; Cl. 1:16). A criação do homem é um
ato criador de Deus. Este ato criador de Deus é obra das Pessoas separadas na Trindade. Houve a
participação de Jeová Elohim, do Senhor Jesus e do Espírito Santo. À vista disto, Salomão adverte:
“Lembra-te do teu Criador (palavra plural no hebraico) nos dias da tua mocidade” (Ec. 12:1, veja
ainda Is. 54:5, onde o termo “criador” também é plural).
3. Na salvação do homem (Jo. 3:16). O Espírito gerou o Filho (Lc. 1:35), mas de tal
maneira que o filho sempre se dirige à primeira Pessoa chamando-a de Pai (Jo. 17:1-8). Cristo, o
Filho, sempre fez a vontade do Pai e, para isto, recebeu o Espírito sem medida (Jo. 15:10; Lc.
3:21,22). Na sua morte houve a participação do Pai (Sl. 22:15; Rm. 8:32), do próprio Jesus (Jo.
10:18; Gl. 2:20), e do Espírito Santo (Hb. 9:14). Também na sua ressurreição podemos perceber a
atuação dos três (Atos 2:24; Jo. 10:18; I Pd. 3:18).
4. Na ressurreição da humanidade (Jo. 5:21; Rm. 8:11). Mais uma vez os três estarão
atuando em favor de todos os seres humanos para o Dia da Redenção. Assim a unidade e
pluralidade ficaram demonstradas que existem na Divindade em um plano de relacionamento acima
e além do alcance da experiência humana.
13

Estudo 04

JESUS CRISTO
Introdução: Chegamos ao ponto central da fé cristã: Jesus Cristo, embora verdadeiro homem, era,
também, verdadeiro Deus. Esta é uma das particularidades do Cristianismo.
A Bíblia no Antigo e Novo Testamento funciona como duas engrenagens trabalhando e
encaixando-se harmoniosamente. Todos os livros do Antigo Testamento, direto ou indiretamente
fazem referência a Jesus. Por tudo isso nosso objetivo neste estudo é pesquisarmos alguns aspectos
fundamentais sobre o Senhor Jesus Cristo.

I- JESUS EXISTIA ANTES DO SEU NASCIMENTO

A existência de Jesus não teve início como a de todos nós. O seu nascimento foi diferente.
Ele já existia num passado eterno. Quando Deus criou o mundo Jesus já existia e estava com Deus.
Vejamos o testemunho bíblico a respeito.

1. O evangelista João dá testemunho da preexistência de Jesus (Jo. 1:1,2). “No


princípio era o verbo”. Jesus era o verbo, ou seja, a Palavra ou, ainda, aquele que os homens ouviam
falar nas profecias das Escrituras, mas que ainda não tinha se tornado realidade visível, mas que
pela fé na palavra, no verbo, se cria que um dia haveria de nascer de uma virgem, e viria habitar no
meio dos homens. “Estava no princípio com Deus”. Portanto Jesus já existia e toda criação foi feita
por Ele.
2. O Novo Testamento menciona claramente a preexistência de Cristo antes de seu
nascimento (Cl. 1:15-17). Jesus não veio a existir quando gerado no ventre de Maria. Ele já fazia
parte com Deus na criação e por Ele foram feito todas as coisas. Paulo afirma que todas as coisas
foram criadas por Jesus. Observe que este texto diz que Jesus já existia antes de Deus criar qualquer
coisa e que, nele, foram criadas todas as coisas visíveis e invisíveis.
3. O próprio Jesus declarou que viveu antes de vir a este mundo (Jo. 8:57,58). “Em
verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou”. Em várias ocasiões Jesus se
referiu à sua existência no passado (Veja oração de Jesus – Jo. 17:5).

II- JESUS VEIO EM FORMA HUMANA

Jesus, o eterno Filho de Deus, veio à Terra assumindo a forma humana. “E o verbo se fez
carne, e habitou entre nós” (Jo. 1:14). Essa afirmação da Bíblia tem dois significados fundamentais:

1. Jesus era verdadeiramente Deus (Jo. 14:9). “Quem me vê a mim, vê o Pai”. Jesus não
era apenas Filho de Homem, mas também Filho de Deus. Suas afirmações são categóricas nesse
sentido: “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10:30).
2. Jesus era verdadeiramente homem (Fl. 2:6,7). “O qual subsistindo em forma de Deus,
não considerou ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de homem,
tornando-se semelhante aos homens”. Mas apesar de ser homem (sentindo fome, cansaço e sono,
Lc. 2:52; Jo. 4:6; Mt. 4:2), foi diferente dos demais em seu caráter. Ele não pecou. Falou com
poder. Realizou sinais extraordinários (Hb. 4:15; Jo. 7:46; Mc. 6:56).

III- JESUS É DIVINO

Medite no ensino da Bíblia a respeito da divindade de Jesus:

1. Seu nascimento diferente (Lc. 1:26-35; Mt. 1:18-23). Jamais houve alguém que
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tivesse um nascimento igual ao de Jesus. A concepção de Jesus foi diferente da de todos os homens,
bem a forma como seria gerado. Na palavra profética de Isaías (750 a.C.), Jesus haveria de nascer
de uma mulher virgem (Is. 7:14). Miquéias (780 a.C.), que profetizou nos tempos de Isaías,
informou o lugar onde nasceria Jesus – Belém (Mq. 5:2; comp. Mt. 2:1). É interessante saber que
José e Maria não moravam em Belém, mas em Nazaré, cerca de 128 km dali. Por causa de um
recenseamento o casal viajou para Belém, para fazer o alistamento, e quando lá chegaram,
completou-se o tempo da gestação e nasceu Jesus.
2. Suas palavras e seus ensinos eram diferentes (Mt. 7:28,29; Jo. 3:10-12; 7:46). Os
fariseus e a multidão notavam a vasta diferença entre a maneira de instruir que Jesus usava e da que
estavam acostumados a ouvir. A pregação de Jesus atraia a multidão para Deus. Os rabis viam que,
por Seus ensinos, era reduzido a nada todo o teor das instruções por eles ministradas ao povo.
3. O testemunho de seus discípulos (Jo. 20:28). Tomé compreendeu que não estava
tratando com um homem terreno, que fora seu Senhor e Mestre, mas, antes, com aquele que unira o
temporal ao eterno, o humano ao divino, em sua própria pessoa.
4. A maneira diferente como viveu (Hb. 4:15). Jesus viveu uma vida perfeita. Ele sofreu
toda espécie de tentação conhecida pelo homem e talvez até algumas que jamais conheceremos. Ele
era como nós em tudo, menos em uma coisa: não conheceu o pecado, principalmente o da
desobediência a Deus.
5. Sua gloriosa ressurreição (Rm. 1:3,4). Paulo declarou que a ressurreição de Jesus foi
uma prova de sua divindade. Segundo Paulo, o descendente de Davi, Jesus, era Deus. Para ele, a
divindade e a humanidade combinaram-se misteriosamente, e o homem e Deus tornaram-se um.
Realmente a ressurreição de Jesus é mais uma prova inconfundível de sua divindade (Sl. 16:10;
comp. Lc. 24:36-48).

IV- A MORTE DE JESUS NA CRUZ

A morte de Jesus na cruz do Calvário é a prova e a demonstração do amor de Deus, tendo


em vista a nossa salvação (Rm. 5:8). Fazendo uma leitura da Bíblia, perceberemos que até a sua
morte seria diferente dos demais seres humanos:

1. Antes de morrer seria escarnecido (Sl. 22:7,8; comp. Mt. 27:41-43).


2. Suas mãos e pés seriam furados (Sl. 22:16; comp. Lc. 23:33; Jo. 20:25-28).
3. Seria crucificado entre malfeitores (Is. 53:12; comp. Mt. 27:38).
4. Ele intercederia pelos seus algozes (Is. 53:12; comp. Hb. 9:24; I Jo. 2:1; Lc. 23:34).
5. Seus amigos o contemplariam de longe (Sl. 38:11; comp. Lc. 23:49).
6. Ele sentiria sede e lhe dariam vinagre e fel (Sl. 69:21; 22:15; comp. Jo. 19:28,29; Mt.
27:34).
7. Ele seria abandonado por Deus (Sl. 22:1; comp. Mt. 27:46).
8. Seus ossos não seriam quebrados (Sl. 34:20; comp. Jo. 19:32,33).
9. Em uma sepultura de um homem rico colocariam seu corpo (Is. 53:9; comp. Mt. 27:57-
60).

A morte de Jesus na cruz foi voluntária (Jo. 10:17,18), preferindo morrer em nosso lugar
para nos justificar diante de Deus (II Co. 5:21). Ele morreu de uma vez por todas para ser o único e
suficiente salvador da humanidade (Hb. 9:26-28 e 10:12).

V- A RESSURREIÇÃO DE JESUS

Após sua morte na cruz do Calvário, Jesus foi sepultado no túmulo de José de Arimatéia,
mas ao terceiro dia ressurgiu dentre os mortos (Mt. 28:1-15). Jesus morreu e ressuscitou para nos
dar garantia da ressurreição (Rm. 6:9), completando assim a obra redentora da cruz, reconciliando-
nos com Deus (I Co. 15:17). Dessa forma podemos dizer que a ressurreição de Cristo é também o
15

penhor (objeto de garantia) de nossa ressurreição (Fl. 3:20,21; I Ts. 4:14-17).

VI- A ASCENSÃO DE JESUS

Após sua ressurreição Jesus esteve quarenta dias instruindo os seus discípulos. Depois
ascendeu visivelmente aos céus, para estar na presença de Deus. Lá ele intercede por nós (Atos 1:9;
Hb. 7:24,25).

VII- A SEGUNDA VINDA DE JESUS

A Bíblia ensina que Jesus voltará visivelmente, um dia, a fim de levar os seus (Jo. 14:2,3;
Atos 1:6-11). Nada é mais claramente ensinado no Novo Testamento do que a volta de Cristo. Esta
é a esperança de todos os cristãos verdadeiros. O fato de Jesus estar nos céus, não quer dizer que
está ausente do mundo. Ele mesmo nos assegurou de sua presença em nossa vida (Mt. 28:20).

VIII- JESUS CRISTO É SENHOR

Jesus Cristo deve ser senhor de nossas vidas em todos os aspectos:

1. Em nossas relações comerciais e de trabalho (Ef. 6:5-9; Cl. 3:22: I Tm. 6:1,2)
2. Em nossas relações domésticas (I Co. 6:15-20; Cl. 3:5; Hb. 13:4).

Esta soberania deve ser demonstrada através da completa submissão de nossa vida. O cristão
não deve ter nenhum aspecto de sua existência fora do controle de Cristo.
16

Estudo 05

A OBRA DE CRISTO: SUA MORTE

Introdução: Falamos da morte de Cristo como uma “obra” que Ele executou, porque não caiu
sobre Ele inevitavelmente ou sem que Ele o soubesse, mas porque resultou de uma escolha definida
da parte dEle. É também uma “obra” por causa do que trouxe para os beneficiários dessa morte. O
uso do termo “obra” é claramente justificado pelo conceito bíblico e significação da morte de
Cristo.

I- A IMPORTÂNCIA DA MORTE DE CRISTO

Ao contrário do que acontece no caso das pessoas comuns, é a morte de Cristo mais do que a
vida de Cristo (isto é, a vida terrena) que é de importância suprema. Isto é provado por muitas
considerações.

1. É anunciada no Antigo Testamento (Gn. 3:15; Sl. 22:1,7,8,18; Is. 53:4-6). É da morte
de Cristo que tratam muitos tipos de profecias no Antigo Testamento. O animal que morreu para
fornecer vestimentas para Adão e Eva é um exemplo (Gn. 3:21; Ap. 13:8). Os sacrifícios dos
patriarcas em geral (Gn. 8:20; 12:8; 26:25; 33:20), o cordeiro pascal no Egito (Êx. 12:1-8; I Co.
5:7), os sacrifícios levíticos (Lv. 1 a 7) e outros, todos eles apontam para a maior de todas as ofertas
que seria feita por Cristo. Temos ainda as profecias da traição que seria feita a Cristo (Sl. 41:9-11;
Atos 1:16), de Sua crucificação e dos eventos que a acompanharam. Vemos assim, que a morte de
Cristo é uma parte importante do ensinamento do Antigo Testamento.
2. É proeminente no Novo Testamento (Mt. 16:21-23; 20:17-19; Atos 2:22-24). A morte
de Cristo ocupa lugar proeminente no Novo Testamento. Os três últimos dias da vida terrena de
nosso Senhor ocupam aproximadamente um quinto das narrativas dos quatro evangelhos. A morte
de Cristo é mencionada diretamente no Novo Testamento mais de 175 vezes. Evidentemente a
morte e ressurreição de nosso Senhor eram consideradas de suprema importância pelo Espírito
Santo.
3. É a principal razão da encarnação (Hb. 2:9,14; 9:26; I Jo. 3:5). Cristo não veio
principalmente para nos dar um exemplo, ou nos ensinar uma doutrina, mas para morrer por nós.
Sua morte não foi uma reflexão posterior ou um acidente, mas o cumprimento de um propósito
definido ligado à encarnação. A encarnação não é uma finalidade em si, mas um meio para atingir
uma finalidade, e essa finalidade é a redenção dos perdidos através da morte do Senhor na Cruz.
4. É essencial para a nossa salvação (Jo. 3:14,15). O filho do homem tem que ser
erguido, para o homem ser salvo; o grão de trigo tem que cair ao chão e morrer para produzir frutos
(Jo. 12:24). Deus não poderia perdoar o pecado simplesmente com base no arrependimento do
pecador. Para que Deus pudesse perdoar ao pecador e permanecer justo ao mesmo tempo, Cristo
pagou a pena do pecador (veja Jo. 19:30. A palavra “consumado”, do grego tetelestai, significa:
“Está pago. Não resta mais dívida”). Ele tinha que morrer para Deus justificar os ímpios (Rm. 3:24-
26).

II- O SIGNIFICADO DA MORTE DE CRISTO

O profeta Isaías nos dá a verdade central sobre o significado da morte de Cristo quando
declara que “Deus fará de Sua alma (de Cristo) uma oferta pelo pecado” (Is. 53:10). Compreender o
que essa declaração significa é compreender a expiação. Examinemos melhor os detalhes
envolvidos nesta declaração.

1. A morte de Cristo é vicária (Is. 53:5,6; I Co. 15:3; II Co. 5:21). Sofrimento vicário é
17

o sofrimento pelo qual passa uma pessoa em vez de outra, isto é, em seu lugar. Supõe
necessariamente a isenção da parte em cujo lugar o sofrimento é suportado. É evidente que Cristo
não morreu por Seu próprio pecado (Jo. 8:46; Hb. 4:15). Lemos na Palavra que “Cristo morreu
pelos nossos pecados” (Rm. 5:8; I Pd. 2:22,24; 3:18).
2. A morte de Cristo é a expiação dos nossos pecados (Lv. 4:13-20; 6:2-7; Hb. 2:17,18).
A morte de Cristo é tanto uma expiação como uma propiciação (sacrifício) pelos nossos pecados.
Por estas passagens fica claro que o novilho ou carneiro tinha que morrer, e que o perdão só era
possível apenas através da morte de um substituto (I Ts. 5:9,10; I Jo. 4:10). Ligada à idéia de
propiciação está a idéia de reconciliação. As duas idéias parecem estar intimamente ligadas uma à
outra como causa e efeito (Rm. 5:10; Ef. 2:13-16).
3. A morte de Cristo é um resgate (Mc. 10:45; Hb. 9:12). A morte de Cristo é mostrada
como sendo o pagamento de um preço ou resgate. Jesus mesmo é quem diz que Ele havia vindo
para dar a Sua vida em resgate de muitos, e fala-se da obra de Cristo como sendo a de redenção (Lc.
1:68; 2:38). A palavra “redenção” vem do grego lutron e significa o pagamento de um preço para
livrar alguém que esteja aprisionado.

III- A EXTENSÃO DA MORTE DE CRISTO

Morreu Cristo por todo o mundo ou somente pelos eleitos? Se foi pelo mundo inteiro, então
porque é que nem todos se salvam? Se foi apenas para os eleitos, onde está a justiça de Deus? A
resposta a estas perguntas está ligada ao conceito que se tem da ordem dos decretos.

1. Cristo morreu pelos eleitos (Mt. 20:28; Jo. 17:9; I Tm. 4:10). As Escrituras ensinam
que Cristo morreu principalmente pelos eleitos. Ele morreu pelos eleitos, não apenas no
sentido de tornar a salvação possível para eles, mas também no sentido de
verdadeiramente salvá-los quando crêem em Cristo.
2. Cristo morreu pelo mundo inteiro (Jo. 1:29; I Tm. 2:6; Tt. 2:11; I Jo. 2:2). As
Escrituras também ensinam que Cristo morreu pelo mundo inteiro. Existe uma ordem
necessária na salvação do homem. Ele precisa primeiro crer que Cristo morreu por si,
antes de poder apropriar os benefícios de Sua morte para si próprio. Apesar de Cristo ter
morrido por todos, no sentido de reconciliar o mundo com Deus, nem todos são salvos,
porque sua salvação em si é condicionada a serem reconciliados com Deus (II Co. 5:18-
20).

IV- A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

Se a morte de Jesus na cruz é fundamental para a nossa salvação, Sua ressurreição também o
é. A morte e ressurreição de Jesus Cristo é doutrina fundamental do Cristianismo. Todos aqueles
que admitem a necessidade da morte de Cristo também admitem a importância de ressurreição
física de Cristo. Vejamos alguns aspectos da ressurreição.

1. A importância da ressurreição de Cristo (Rm. 10:9,10; I Co. 15:12-19). De acordo


com as Escrituras, crer na ressurreição de Cristo é essencial para a salvação. Paulo mostra que tudo
depende da ressurreição de Cristo: a) a pregação apostólica; b) a fé dos Coríntios; c) os apóstolos
como testemunhas; d) os Coríntios e o perdão de seus pecados; e) os que dormiram em Cristo; f) e
os Cristãos são os mais infelizes dos homens se Cristo não tiver ressurgido.
2. A natureza da ressurreição de Cristo (Mt. 28:9; Lc. 24:39-45). A ressurreição de
Jesus foi uma ressurreição corporal. O próprio Jesus declarou depois da Sua ressurreição que tinha
carne e ossos e Mateus declarou que as mulheres que encontraram a Cristo abraçaram-lhe os pés.
Ele tomou refeição com os discípulos e foi reconhecido por eles depois da ressurreição (Lc. 24:34;
Jo. 20:25-28). Cristo mesmo predisse Sua ressurreição corporal (Jo. 2:19-21). No entanto, Seu
corpo era diferente em alguns aspectos após a ressurreição (Jo. 20:19). Ele está vivo agora e para
18

todo o sempre (Rm. 6:9,10; II Tm. 1:10; Ap. 1:18).


3. Os resultados da ressurreição de Cristo (Rm. 1:4; 4:25). A ressurreição de Cristo
atesta a Sua divindade, pois através dela Ele “foi designado Filho de Deus com Poder” (Mt. 28:18).
Outro resultado adquirido é o da nossa justificação, pois Sua ressurreição é a garantia de que Deus
aceitou Seu sacrifício. Através da Sua ressurreição dos mortos, Ele se tornou o nosso mediador.
Paulo nos diz ainda que a ressurreição de Cristo é a garantia de que nossos corpos também
ressurgirão dentre os mortos (Rm. 8:11).
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Estudo 06

O ESPÍRITO SANTO

Introdução: Em todas as páginas da Bíblia encontramos referências sobre o Espírito Santo. Não
poderia ser de outra maneira, pois as Escrituras Sagradas foram produzidas por seu intermédio (I
Pd. 1:12). Logo no início, em Gênesis 1:2, encontramos a primeira menção da pessoa do Espírito
Santo: “... o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas”.
No presente estudo vamos destacar apenas os aspectos mais importantes de ensino bíblico a
respeito do Espírito Santo e de Sua obra na Igreja.

I- O ESPÍRITO SANTO É:

1. Uma pessoa (Rm. 8:26,27). As Escrituras apresentam o Espírito Santo como uma
pessoa, e não simplesmente como uma influência, energia ou poder em ação no mundo. Como
pessoa, desempenha as mesmas funções de um indivíduo (sentimento, vontade e intelecto). Ele dá
testemunho. Ele corrige, conforta, ensina, dirige, esforça-se e ajuda (Rm. 15:30; Jo. 14:26; 16:8;
Atos 8:29; 10:19).
2. Deus (Atos 5:3,4). O Espírito Santo é identificado como Deus. Possui as mesmas
qualidades ou atributos de Deus: a) está presente em toda parte (Sl. 139:7); b) tem conhecimento de
todas as coisas (I Co. 2:10); c) é Todo-Poderoso, reparte os Dons conforme a sua vontade (I Co.
12:11); d) ele é o Espírito eterno (Hb. 9:14).
3. A Ele se atribuem as obras divinas (Gn. 1:2). Ele tomou parte ativa na criação do
mundo e é responsável pela renovação do mesmo (Sl. 104:30). Produz novas criaturas em Cristo
Jesus (Jo. 3:5). A ressurreição de Cristo é obra do Espírito Santo (Rm. 1:4; 8:11). Ele mesmo
procede do Pai e de Jesus Cristo, seu Filho (Jo. 15:26; 16:7). É mencionado em pé de igualdade
como o Pai e o Filho (Mt. 28:19; II Co. 13:13).

II- NOMES DO ESPÍRITO SANTO

O terceiro membro da Divindade, por ordem de revelação, é conhecido por muitos nomes,
porém faremos uma análise de quatro nomes principais, sendo eles:

1. Espírito de Deus (I Jo. 4:2). Por meio deste nome, chama-se a atenção à relação
especial entre o Espírito Santo e Deus Pai. Ele é o executivo da divindade, operando tanto na esfera
física como na moral. Por meio do Espírito, Deus opera na esfera espiritual, convertendo os
pecadores, santificando e sustentando os cristãos.
2. Espírito de Cristo (Rm. 8:9). Por que o Espírito Santo é chamado o Espírito de Cristo?
a) Porque ele é enviado em nome de Cristo (Jo. 14:26); b) Porque ele é enviado por Cristo (Lc.
24:49; Jo. 16:7); c) O Espírito Santo é chamado de Espírito de Cristo porque também foi enviado
por Deus pai (Gl. 4:6).
3. Espírito Santo (Lc. 3:16; 12:12). Ele é chamado Espírito Santo, porque é Deus, e
porque sua obra principal é a santificação. O Espírito Santo veio para organizar a natureza do
homem e para opor-se a todas as suas tendências más (Jo. 16:8). A santidade, pois, é a mais notável
característica deste membro da Divindade.
4. Consolador (Jo. 14:16). Jesus anunciou a vinda do Espírito Santo como sendo “o
Consolador”. Esta é a única referência a Ele por esse nome. A palavra “Consolador” deriva do
grego Parakletos significa literalmente: “Aquele que vem quando é chamado para estar ao nosso
lado, como advogado, com o propósito de nos ajudar”. Ele satisfaz todas as necessidades do cristão
com a intimidade de um companheiro fiel e compreensivo.
20

III- A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

1. A obra do Espírito Santo na vida do ser humano. a) Ele convence o homem do


pecado, levando ao conhecimento as verdades absolutas de Deus (Jo. 16:8); b) Ele regenera o ser
humano, lavando-o de seus pecados (Tt. 3:5); c) após a conversão, o Espírito Santo passa a habitar
no cristão (Jo. 14:17; Rm. 8:9; I Co. 6:19); d) na regeneração o Espírito Santo efetua uma mudança
radical no homem, concedendo-lhe um novo princípio de vida, isso é o que chamamos de
santificação (I Pd. 1:2); e) o Espírito Santo também reveste o cristão de poder, capacitando-o para
um viver santo e também para o testemunho do evangelho (Atos 1:8).
2. A obra do Espírito Santo na Igreja de Deus. a) Ele faz crescer as igrejas (Atos 9:31);
b) Ele dirige a Igreja (Atos 15:28); c) concede dons espirituais aos cristãos, visando o crescimento
do Reino de Deus (I Co. 12:7-11); d) constitui pastores sobre as igrejas, vocacionando-os e dando-
lhes capacidade (Atos 20:28).
3. A obra do Espírito Santo no mundo (Jo. 16:9-11). Ele opera no mundo, agindo na
vida daqueles que ainda não experimentaram o processo da conversão. a) o Espírito Santo veio ao
mundo para convencer do pecado; b) o Espírito Santo convence o mundo da justiça; c) o Espírito
Santo convence do juízo vindouro de Deus.

IV- O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO

Em Gálatas 5:22,23, o apóstolo Paulo dá-nos uma lista de características que nos permitem
identificar a presença do Espírito Santo na vida do cristão.

1. Em seu interior. O primeiro resultado da presença do Espírito Santo no cristão é sentido


através do que se manifesta em seu interior: amor, gozo e paz. O amor aqui referido não é o afeto
sentimental entre duas pessoas. É algo mais profundo, vasto e nobre, que faz parte essencial da vida,
e a governa, e que só o Espírito Santo pode dar.
2. Em sua vida exterior. O segundo resultado manifesta-se na vida exterior: benignidade,
bondade e longanimidade (longo + ânimo), significa serena resignação, em face de injustiças. É a
capacidade de suportar maus tratos, sem procurar vingança. É contender com pessoas exaltadas,
sem, contudo, se irritar; é manter a calma no meio de injúrias e calúnias.
3. Em seus relacionamentos. O terceiro resultado do Espírito Santo manifesta-se no
íntimo relacionamento da pessoa consigo e com os outros: fidelidade, humildade, domínio próprio.
Fidelidade significa honestidade, lealdade para com os homens e para com Deus. Humildade quer
dizer modéstia, respeito e submissão. Por último, temos o domínio próprio, que é o controle físico-
emocional. O único poder que, na terra, pode dar ao homem vitória sobre essas coisas é o Espírito
Santo de Deus.

V- ATITUDES DO CRISTÃO PARA COM O ESPÍRITO SANTO

A Bíblia nos orienta a respeito de nossa relação com o Espírito Santo de Deus.

1. Devemos buscar a plenitude do Espírito (Ef. 5:18-21). “Enchei-vos” está no presente,


indicando uma experiência contínua. A plenitude do Espírito Santo deve ser a nossa constante
preocupação.
2. Não apagar a influência do Espírito Santo (I Ts. 5:19). “Não extingais o Espírito
Santo” é o mesmo que não apagar o seu fogo (Mt. 3:11), nem desprezar os seus dons para o
ministério da igreja. Parece que alguns cristãos “precavidos” puseram em dúvida o uso dos dons
espirituais na igreja, sendo então corrigidos por Paulo.
3. Evitar entristecer o Espírito Santo (Ef. 4:29,30). O nosso comportamento, as nossas
atitudes e palavras, pensamentos e sentimentos, podem entristecer o Espírito Santo, ferindo-o e
negando, na prática, o significado de Sua presença santificadora no cristão, que é uma amostra da
21

redenção final dEle (Ef. 1:13,14).


4. Não resistir à sua voz (Atos 7:51). Quando não damos ouvidos à voz do Espírito Santo,
estamos entristecendo-o e resistindo à sua correção para nossas vidas.
5. Não mentir ao Espírito Santo (Atos 5:3,4). Mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus,
pois o Espírito Santo é Deus.
6. Não blasfemar contra o Espírito Santo (Mt. 12:31,32). A blasfêmia contra o Espírito
Santo é a rejeição deliberada do testemunho que o Espírito Santo dá de Cristo, da Sua palavra e da
Sua obra de convencer o homem do pecado. A blasfêmia também se caracteriza pela atribuição das
obras do Espírito Santo a Satanás. Ao fazer isso, o homem afasta de si mesmo o único recurso que
pode levá-lo ao perdão.
7. Não ultrajar o Espírito Santo (Hb. 10:29). Ultrajar é o mesmo que insultar o Espírito
Santo e rebelar-se contra Ele, o qual comunica a graça de Deus. É a tentativa de desfazer a obra do
Espírito Santo, ou seja: apostasia total (Is. 63:10).
22

Estudo 07

A ORIGEM DO HOMEM
Introdução: Vivemos numa época em que muitas teorias são propostas, visando explicar a origem
e a natureza do homem. É importante que se conheça o ensino da Bíblia, a respeito do ser humano.
Na Bíblia encontramos a resposta e a orientação do próprio Deus sobre a origem, natureza e
finalidade da existência do homem, respondendo, assim, quatro perguntas fundamentais: De onde
vim? O que sou? Por que vim? Para onde vou?

I- A ORIGEM DO HOMEM

A Bíblia ensina claramente a doutrina de uma criação especial, que significa que Deus fez
cada criatura “segundo a sua espécie”. Ele criou as várias espécies e então as deixou para que se
desenvolvessem e progredissem segundo as leis do seu ser. A distinção entre o homem e as
criaturas inferiores implica a declaração de que “Deus criou o homem à sua imagem”.
Os dois primeiros capítulos de Gênesis fornecem a descrição bíblica, no tocante à criação do
homem. Em cada capítulo há uma narrativa. A primeira é de natureza geral. A segunda fornece
alguns detalhes a mais. É como se fosse um complemento da primeira narrativa. O capítulo 2 de
gênesis, todavia, não deixa de apresentar a criação do homem e da mulher como devida a uma
intervenção especial do Criador.
Das duas narrativas, pode-se notar o seguinte:

1. O homem é a mais elevada de todas as criaturas de Deus (Gn. 1:26-28). Ele é


chamado a “coroa da criação”, não apenas por ter sido o último a ser criado, mas pela sua própria
natureza. O homem difere de todos os outros habitantes deste mundo, e está imensuravelmente
acima deles. Ele possui qualidades de Deus (Sl. 8). Esse fator explica porque o homem pode manter
comunhão com Deus, o seu Criador.
2. O homem, como criado por Deus, é bom (Gn. 1:31). Depois de realizar a criação de
todas as coisas, inclusive a do homem, “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom...”. O
homem, como ser criado por Deus, é bom. Sua imagem foi desfigurada pelo pecado, mas pode ser
reabilitada pela regeneração e conversão ao Senhor Jesus Cristo.
3. O homem é uma criatura (Gn. 2:7). Nesta passagem percebemos que o fato de o
homem ser formado do pó da terra, por Deus, caracteriza bem a sua existência como criatura e, ao
mesmo tempo, o adverte quanto à fraqueza e mortalidade do ser humano. Como criatura, o homem
é dependente do seu Criador. Não obstante, o fato de o Criador ter animado o homem com seu
próprio sopro sugere sua superioridade incomensurável sobre todos os animais.
4. O homem foi criado um ser inteligente (Gn. 2:15-20). A capacidade de grandes
faculdades intelectuais do homem está subentendida na ordem para “cultivar” o jardim e o
“guardar”, a exercer domínio sobre a terra e todas as criaturas da terra, e nas declarações de que ele
dê nomes a todos os animais da terra.
5. O homem foi criado à “imagem e semelhança de Deus” (Gn. 5:1; 9:6). As Escrituras
demonstram a condição original do homem com a frase: “à imagem e semelhança de Deus”. Os
atributos essenciais de uma pessoa são razão, consciência e vontade. Ao criar o homem à Sua
própria imagem, portanto, Deus o dotou com aqueles atributos que pertencem à Sua própria
natureza.
6. O homem é um ser moral (Ec. 7:29; Ef. 4:24). Deus o fez como ser responsável, com
liberdade de escolha. Isso é o que se pode notar da leitura de Gênesis 2:15-17 e 3:1-15. Nessas duas
passagens encontram-se retratadas a glória e a tragédia do gênero humano. Criado para a comunhão
com Deus, o homem afastou-se, pelo mau uso de sua liberdade, do caminho que o Criador lhe
traçara, visando sua felicidade.
23

II- A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM

O ser humano é uma unidade dinâmica. Não podemos separá-lo em compartimentos. Porém
todos concordam que o homem tem tanto uma natureza física como uma espiritual (Gn. 2:7).

1. A natureza física. A noção de corpo é usada para descrever o homem como um


organismo constituído, como um todo, uma unidade. As funções psíquicas e espirituais estão
ligadas à idéia de um organismo corporal (Sl. 104:29,30).
2. A natureza espiritual. O homem é um ser vivo. Nesse aspecto é igual aos outros
animais. Entretanto, não se confunde com eles, por causa dos atributos que recebeu de Deus por ser
criado conforme à sua imagem e semelhança.

III- A RELAÇÃO DO HOMEM COM DEUS

1. O homem, por ser criatura, depende de Deus (Mt. 6:26-30; Atos 17:24-30). O
homem, como um todo, pertence a Deus. Sua existência, como ser livre, inteligente, responsável,
deve-se única e exclusivamente a Deus.
2. A recusa do homem em reconhecer a sua relação com Deus (Jo. 3:3-6; Rm. 1:18-32;
I Co. 2:14). De acordo com sua própria natureza, o homem sente necessidade de filiação com Deus
e comunhão com seu próximo, mas não consegue alcançar essa finalidade por si mesmo, devido à
operação do pecado que perverte a sua natureza.
3. O homem natural está perdido (Is. 53:6; Lc. 19:10; Jo. 3:16). Quando a Bíblia fala
em homem natural, significa o homem afastado de Deus e dominado pelo pecado. A necessidade de
conversão encontra-se pelo fato de o homem se encontrar perdido (Ef. 2:1-3).
4. Há salvação em Jesus Cristo (II Co. 5:17,18). Através de Jesus Cristo, o homem
natural pode tornar-se parte integrante de uma nova criação. Jesus veio para salvar e reconciliar o
homem perdido com Deus. Reconciliar significa remover barreiras, aproximar novamente. Jesus
nos aproxima novamente de Deus. Através dele, somos feitos membros da família de Deus (Ef.
2:14-19), na categoria de filhos (Jo. 1:12).
24

Estudo 08

A CONSTITUIÇÃO HUMANA

Introdução: Hoje em dia há grande interesse no assunto da vida após a morte. A idéia da
imortalidade da alma tem impregnado as religiões da humanidade por muitos séculos. Por isso é
muito importante conhecer a verdade sobre este assunto como salvaguarda contra a arremetida de
filosofias e religiões que estão envolvendo numerosos cristãos e não-cristãos.

I- A FORMAÇÃO DO HOMEM

O ser humano é uma unidade e não podemos separá-lo em compartimentos. O fato de a


Bíblia mencionar em I Tessalonicenses 5:23 “espírito, alma e corpo” como elementos constituintes
do ser humano não significa que cada um desses elementos tenha existência própria, independente
do outro. Tais palavras denotam aspectos diferentes da natureza humana, mas são partes integrantes
do homem como um todo.

1. O homem é produto das mãos de Deus. Depois da criação do universo, da terra, da


natureza e dos animais, aquáticos e terrestres, Deus passou a criar o homem que viria a constituir a
parte mais importante da criação divina (Gn. 2:7).
2. O homem foi formado do pó da terra. A palavra “pó” vem do hebraico afar, a parte
mais frágil da terra. O homem foi tirado dela e é destinado a ela depois que morrer (Gn. 3:19). Mas
não é evolução natural da terra. Foi plasmado (que traduziria melhor que “formou”) por Deus. O
verbo “formou” é o hebraico iitser, verbo para o trabalho típico do oleiro ou do artista plástico.
3. O homem tornou-se alma vivente. Recebendo o fôlego de vida em suas narinas, o
homem tornou-se “alma vivente”. Isto é, passou a ter vida própria, tornou-se uma pessoa, passou a
ter personalidade. O relato não diz que Deus implantou uma alma imortal, ou uma entidade
espiritual. Diz que quando o poder de Deus energizou o corpo de Adão, este “veio a ser alma
vivente”. Portanto o homem é uma alma, um ser vivo. Veja o mesmo texto na Bíblia Linguagem de
Hoje: “Então, do pó da terra, o Deus Eterno formou o ser humano. Ele soprou no seu nariz uma
respiração de vida, e assim esse ser se tornou um ser vivo”. Uma vez que o corpo humano foi feito
do pó da terra, recebe agora o “fôlego de vida” em suas narinas (do hebraico nishemath rayym, que
significa: sopro que faz viver, que dá respiração).

II- O CONCEITO BÍBLICO DE ALMA

No Antigo Testamento, a palavra hebraica néfesh, comumente traduzida por “alma”, ocorre
754 vezes. No Novo Testamento, a palavra grega psykhé, também geralmente traduzida por “alma”,
aparece 102 vezes. Ao examinarmos como essas palavras são usadas na Bíblia, passaremos a ter o
seguinte conhecimento sobre suas diversas variações:

1. Como sendo a vida biológica (Lv. 17:14; Dt. 12:23; Gn. 35:18). De acordo com o
contexto, pode ser traduzida por: alma, vida, ser vivente. Nesse caso, os termos estão relacionados
ao sangue como sendo a vida da carne.
2. Como sendo a vida emocional (II Sm. 5:8; Sl. 35:9; Pv. 4:23; Jr. 13:17). Nestes textos
relacionados, a “alma” está ligada ao desejo, coração, ou também à emoção, paixão e mente. A
alma pode jurar, almejar algo ou ficar com temor (Lv. 5:4; Dt. 12:20; Atos 2:43). Por conseguinte
estes termos não indicam algo invisível que resida no homem, mas o próprio homem. A esta
expressão pertencem o entendimento, a emoção e a sensibilidade, que terminam com a morte.
3. Como sendo a vida física (Gn. 12:5; Lv. 16:29; Atos 2:41; I Pd. 3:20). A alma não tem
existência separada do corpo. Por isso, a melhor tradução em muitos casos é “pessoa” contida na
25

realidade corpórea. Assim: a alma come (Ex. 12:16). Alguém pode raptar uma alma (Dt. 24:7). A
alma morre (Ez. 18:4). Ela pode jejuar (Sl. 35:13). Pode desfalecer (Jn. 2:7). A alma pode ser
perseguida ou posta em correntes (Sl. 7:5; 105:18). Estas coisas só podem ser feitas por pessoas ou
a pessoas.
4. É também aplicado aos animais (Gn. 1:24; Lv. 11:10;). A Bíblia chama as criaturas
marinhas de alma (néfesh). Essa palavra, como vemos, também se refere aos animais terrestres:
domésticos, moventes e selváticos.

III- O CONCEITO BÍBLICO DE ESPÍRITO

A palavra “espírito” constitui a tradução do vocábulo hebraico ruáh, o qual ocorre 378 vezes
no Antigo Testamento. O equivalente grego usado no Novo Testamento é pneuma, que ocorre 220
vezes. Estas palavras têm diversos significados: Aragem, vento, brisa suave (Êx. 14:21); sopro da
boca de Deus (Sl. 33:6; II Ts. 2:8); o princípio que dá vida ao corpo (Gn. 6:17; 7:15,22; Lc. 8:49-
55); as emoções, funções intelectuais e atitudes de vontade (Gn. 41:8; Dt. 34:9; I Co. 2:11; II Co.
2:13).
Somente depois que a filosofia grega influenciou o cristianismo foi que os vocábulos ruáh e
pneuma ganharam a conotação de “espírito” como sendo uma entidade consciente e invisível,
aplicando-se, assim, aos seres humanos. Antes disso, na teologia judaica, essa conotação só era
aplicada a seres espirituais (Deus, anjos e demônios). Vejamos como a Bíblia aplica esses termos:

1. O fôlego de vida como princípio animador (Sl. 104:29; Ec. 12:7). Quando se usa
“espírito”, em contraste com “carne”, o objetivo não é diferenciar uma parte material duma
imaterial do homem. Algumas versões não usam a palavra “espírito”, mas a expressão “sopro de
vida”. Como se pode observar o escritor de Eclesiastes não quis afirmar que a personalidade do
homem continua em existência após a morte. Neste texto retratam-se os efeitos da velhice e da
morte. Após a morte, o corpo finalmente se decompõe e se torna novamente parte do pó da terra. O
“espírito”, ou seja, o fôlego de vida, o sopro divino, retorna ao verdadeiro Deus. Assim, o que fica
claro aqui é que o homem morre porque lhe é tirado esse fôlego de vida (espírito).
Mas, se espírito não significa uma entidade consciente, então o que retorna e como? A
palavra “retorno” não significa somente um movimento real dum lugar para o outro. Quando Deus
diz em Malaquias 3:7: “retornai a mim e eu vou retornar a vós”, não está dizendo que os israelitas
deveriam deixar sua terra e ir literalmente à presença de Deus, e nem Deus deixaria sua posição no
céu para morar com eles. Retornar aqui significa voltar sua atenção favorável para seu povo.
Retornar envolve aqui uma atitude, não um movimento literal dum lugar geográfico. Assim se dá no
caso do espírito. Na morte, não precisa haver nenhum movimento real da terra para o domínio
celeste para ele “retornar a Deus”. Mas o dom ou a concessão da existência como criatura
inteligente, antes usufruída pela pessoa falecida, reverte então para Deus. O que é preciso para
animar a pessoa, ou seja, o espírito ou força de vida, está nas mãos de Deus, como diz o salmista:
“Nas tuas mãos entrego o meu espírito (fôlego de vida, ruah); tu me remiste, Senhor Deus da
verdade” (Sl. 31:5). Assim o espírito retorna a Deus no sentido de que Ele controla as perspectivas
de vida futura da pessoa. Cabe a Deus decidir se vai ou não devolver o “espírito” ou força de vida
ao falecido na sua segunda vinda a esta terra.
2. As emoções, funções intelectuais e atitudes de vontade (Sl. 146:4; Ef. 4:23; II Tm.
1:7). A Bíblia nos diz: “Sai lhes o espírito (ruah), e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia perecem
todos os seus pensamentos”. A Bíblia descarta a continuação duma existência consciente, após a
morte. O espírito não continua os processos humanos de pensamento. É apenas uma força de vida
sem existência consciente à parte do corpo. Tanto o Antigo como o Novo Testamento usam às
vezes a palavra “espírito” para referir-se à mente do homem, à sua capacidade de raciocínio, bem
como a sua faculdade de sentir e escolher (razão, vontade e consciência - o que o torna diferente dos
animais irracionais). Essas faculdades intelectuais e emocionais não sobrevivem à morte da
existência do corpo (Ec. 9:5-10). A pessoa falecida não possui mais a faculdade de raciocínio,
26

emoções ou força de vontade. Tendo-lhe sido tirado a força vital (fôlego = espírito), ela deixou de
ser uma pessoa que vive. Outros termos usados na língua original, traduzidos para “espírito” ou
“fôlego de vida”, são nessamáh no hebraico e pnoé no grego (Gn. 2:7; Atos 17:25). Ao usar os
termos “sopro” ou “fôlego” como tradução alternativa para “espírito”, os tradutores mostram que os
termos das línguas originais se aplicam a algo que não tem personalidade, mas que é essencial para
a continuação da vida. Tiago afirma o seguinte: “O corpo sem espírito (pneuma) está morto” (Tg.
2:26).
3. Fôlego de vida também aplicado aos animais (Gn. 7:22; Ec. 3:18-21). É interessante
notarmos que tal força de vida não reside apenas no homem. A Bíblia relata sobre a destruição da
vida humana e animal num dilúvio global: “Morreu tudo que tinha fôlego (nessamah) de espírito
(ruah) de vida em seus narizes, tudo o que havia no solo seco morreu”. O mesmo ponto é salientado
com relação à morte: “Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos
animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim, morre o outro, todos têm o mesmo
fôlego (ruah); e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são
vaidade. Todos vão para um lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão. Quem adverte que o
fôlego (ruah) dos filhos dos homens sobe para cima, e que o fôlego (ruah) dos animais desce para
baixo da terra?... porque quem o fará voltar para ver o que será depois dele?”. O que fica claro aqui
é que o homem não é superior aos animais no que se refere ao espírito que anima seu corpo. A
mesma força de vida é comum a ambos.

Concluímos assim que a Bíblia mostra claramente que não há continuação da existência
consciente por meio duma alma ou dum espírito que abandone o corpo por ocasião da morte. A
sentença de Deus foi clara no Jardim do Éden: “Tu és pó e ao pó tornarás” (Gn. 3:19). Porém; o ser
humano total “espírito, alma e corpo” deve estar preparado para a vinda do Senhor Jesus Cristo (I
Tes.5:23).
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Estudo 09

O HOMEM NATURAL

Introdução: Sendo criado por Deus, o homem é um ser racional. Deus lhe concedeu o livre
arbítrio, ou seja, a liberdade de escolher entre o bem e o mal; de obedecer-lhe ou ignorar Seus
mandamentos.
A história da humanidade revela a seqüência de decisões tomadas pelo homem. Este, por sua
vez, tornou-se rebelde, egoísta e orgulhoso. O homem fez mau uso desta dádiva divina, escolhendo
quase sempre o caminho que conduz à morte. Dessa forma, neste estudo iremos ver que todo ser
humano indistintamente nasce sob três condições naturais:
- Condenado à morte.
- Separado da família de Deus.
- Sem esperança (num lugar terrível).

I- CONDENADO À MORTE

Em Adão todos nós recebemos, por herança do pecado, a morte (Rm. 5:12). A Bíblia garante
que não há um justo sequer e que todos pecaram (Rm. 3:23), sendo que o salário do pecado é a
morte (Rm. 6:23). Por isso a Bíblia define a condição do ser humano que ainda não conhece o plano
de Deus, como: cego, morto, nas trevas, dormindo (Ef. 5:14; 2:5). Nossa condição natural resulta
em morte moral e física. O ser humano está morto espiritualmente quando se apega ao pecado e a
um sistema de vida pecaminoso. O pecado separa o pecador de Cristo, o Doador da vida.
O apóstolo Paulo descreve em Efésios 2:1-3 como é a vida da pessoa sem Cristo:

1. Todos os homens possuem uma natureza pecaminosa e cometem pecados (Sl. 51:5).
2. Todos estão mortos nos delitos e pecados. “Delitos” significa transgressão aos princípios
de Deus. Pecado é não atingir o padrão exigido por Deus. Assim ambos expressam a deficiência do
homem em viver como pode e deve viver.
3. O procedimento da pessoa sem Cristo é determinado:
a) Pelos padrões do mundo (sistema mundial funcionando contra tudo o que é
verdadeiro em Jesus Cristo);
b) Pelo príncipe da potestade e do ar (o diabo);
c) Pelo espírito que atua nos filhos da desobediência;
d) Pelas inclinações (maneira de pensar) da carne (princípio pecaminoso que opera em
nós) e dos pensamentos: vida centralizada em si mesmo e independente de Deus.
4. O fruto produzido por este tipo de vida é: “Imoralidade, impureza, ações indecentes,
adoração de ídolos, feitiçarias, inimizades, brigas, ciumeiras, acessos de raiva, ambição egoísta,
desunião, paixão partidária, invejas, bebedeiras, farras e outras coisas parecidas com essas” (Gl.
5:19-21).

II- SEPARADO DA FAMÍLIA DE DEUS

O homem quando vem a este mundo, não nasce filho de Deus. Todos nós nascemos órfãos.
Não temos Deus como nosso Pai, somos apenas criaturas de Deus. Por que nascemos criaturas de
Deus e não filhos? Porque pelo pecado perdemos o direito de sermos filhos de Deus (Ef. 2:1-3,12).
Quando o homem deixou de obedecer a Deus no jardim do Éden, obedecendo a serpente, ou seja, o
diabo, tornou-se servo (escravo) do maligno (Rm. 6:16).
Nos dias de Jesus os judeus gostavam de afirmar que Deus era o “Pai” deles. Mas Jesus
disse francamente a certos opositores que eles eram “filhos do Diabo” (Jo. 8:41,44,47), pois tinham
prazer em fazer sua vontade. Isto mostra novamente que a filiação com Deus, por parte de qualquer
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dos descendentes de Adão, requer não a mera descendência carnal, natural, mas primariamente a
provisão de Deus, de uma relação espiritual com Ele, e que tal relação, por sua vez, requer que os
“filhos” sejam fiéis a Deus por manifestar as qualidades Dele, por serem obedientes à Sua vontade e
servirem fielmente aos Seus propósitos e interesses.

III- SEM ESPERANÇA NO MUNDO

O apóstolo Pedro diz que Deus “nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz”, e que
antes não éramos povo, sem direito à misericórdia (I Pd. 2:9,10). Paulo complementa esse
pensamento dizendo que as pessoas que não têm Cristo encontram-se “...separados de Israel (o povo
de Deus), e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Ef.
2:12). Sobre isso aprendemos quatro lições importantes sobre a condição do homem natural:

1. Está desprovido do Messias (salvador).


2. Não tem o direito de cidadania dentro da nação eleita (o povo de Deus).
3. Sofre privação espiritual, perdendo os privilégios e vantagens da aliança.
4. Não tem esperança, pois está sem Deus no mundo.

De fato, sem Cristo estamos nas trevas “e quem anda nas trevas não sabe para onde vai” (Jo.
12:35).

IV- COMO SAIR DA CONDENAÇÃO DA MORTE?

Para sairmos da condenação da morte é preciso que sigamos alguns passos importantes:

1. Crer no sacrifício feito por Jesus na cruz (Jo. 3:16). Quando a Bíblia fala que
precisamos crer, não é um simples crer, pois a Bíblia diz que até os demônios crêem e tremem (Tg.
2:19) e nem por isso herdarão a salvação. Crer, no Novo Testamento, indica mais do que simples
consentimento intelectual para com um fato. A palavra grega pistis significa: adesão, compromisso,
confiança em uma pessoa ou objeto, e isto envolve não apenas o consentimento da mente, mas um
ato do coração e da vontade da pessoa. “Todo o que nele crê” é o equivalente a “todo o que nele
confia ou se entrega a ele (Cristo)”.
João mesmo é quem diz: “Quem nele crê não é julgado; o que nele não crê já está julgado”
(Jo. 3:18; 5:24).
Observando a história do evangelista Felipe e o eunuco em Atos 8:26-39, podemos afirmar
que o ato de crer culmina em uma atitude de mudança e compromisso com Deus.
2. Crer que Jesus veio Trazer-nos a vida (Jo. 10:10). Vida, aqui, corresponde a ser salvo.
Por meio da morte e ressurreição, Jesus tomou posse das “chaves da morte” (Hb. 2:14; Ap. 1:18),
anulando, assim, a autoridade da morte que fora concedida a Satanás.
3. Crer que Jesus é o único que pode nos dar a vida eterna (Jo. 17:2,3). Conhecer a Deus
é ter um compromisso existencial com Ele como um sujeito vivo, em vez de aceitar certos fatos a
seu respeito como um objeto de contemplação.

V- COMO PERTENCER A FAMÍLIA DE DEUS?

1. Pelo processo de adoção feito por Jesus (Jo. 1:12,13). Se cremos em Jesus, adquirimos
o privilégio, ou direito, de nos tornarmos filhos de Deus. Esta figura sugere a comunhão da Família
da fé (Ef. 2:19; 3:14,15). Implica também a noção de um novo começo. Leia Efésios 1:5; somos em
Jesus, filhos adotivos de Deus, mediante a fé (Gl. 3:26).
2. Deixando-nos guiar pelo Espírito Santo (Rm. 8:14-17). Aqueles que são liderados pelo
Espírito Santo são chamados de Filhos de Deus e ainda recebem o testemunho interior acerca desse
fato. Os filhos adotivos de Deus são agora tanto seus filhos como seus herdeiros.
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3. Reconhecendo Jesus como nosso irmão (Rm. 8:29). A decisão de Deus é que, aqueles
que confessam a Jesus, sejam semelhantes a Seu filho em forma e aparência. O termo
“primogênito” significa o mais alto em hierarquia ou posição. Como irmão de Cristo, todos os
crentes compartilharão do seu destino (Hb. 2:10-17).

VI- COMO TER ESPERANÇA?

1. Crendo no livramento divino (Gl. 1:3,4). Jesus Cristo se deu por nossos pecados, para
nos livrar. Isto indica o propósito do seu sacrifício voluntário em favor da humanidade (Jo.
10:17,18). Se crermos nesse livramento, Deus nos livra do pecado e da morte e nos dá esperança de
uma vida diferente e abençoada.
2. Entrando pela única Porta da Salvação (Jo. 10:9). O privilégio do usuário da porta é a
salvação, de imediato, para sempre, completamente. Isso só é alcançado pela fé pessoal em Cristo
Jesus.
3. Reconciliando-nos com Deus (Rm. 5:1-11). A morte de Cristo expiou os pecados de
todas as pessoas que já viveram (I Jo. 2:2). Cristo levou sobre Si a culpa de nossos pecados e sofreu
a punição que nós devíamos receber (I Pd. 2:24). A salvação é oferecida a todos, embora nem todos
a aceitem.
4. Aceitando a Jesus como nosso Salvador (Atos 16:31; Rm. 10:9-11). Somente aceitando
a Jesus como Salvador, entregando-se a Ele sem reserva, é que o homem poderá tornar-se filho de
Deus e participante da Sua graça.
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Estudo 10

O PECADO
Introdução: Deus nos ama e deseja que sejamos felizes. Ao mesmo tempo Ele quer que o amemos
e depositemos nossa confiança nEle. É nosso amigo, e deseja que sejamos seus amigos.
Deus conhece o que é melhor para cada um de nós. É uma atitude sábia obedecer à sua
vontade. Necessitamos confiar nEle. Visando a nossa felicidade Deus nos concedeu seus
mandamentos. Eles são bons (leia Salmos 19). Ao cumprirmos suas leis, tornamo-nos melhores
seres humanos, e mais felizes. Infelizmente, porém, o homem natural não confia em Deus como
deveria. Em lugar de seguir Seus ensinos, quer andar pelos seus próprios caminhos. Reluta em
depender de Deus e, sempre que deixa de realizar a vontade de Deus, para fazer a sua própria
vontade, está pecando.

I- O QUE SIGNIFICA PECADO?

A Bíblia, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, registra várias palavras
que descrevem aspectos diferentes do pecado, na vida do indivíduo e na sociedade. Todas as
palavras, porém, procedem de uma mesma atitude básica: a rejeição da vontade de Deus, em favor
da vontade do próprio indivíduo. Em todo o caso, pecado é separação. Estar no estado de pecado é
estar no estado de separação. Mas, vejamos alguns aspectos desintegradores da personalidade que o
pecado assume na vida diária.

1. Pecado é transgressão (Rm. 2:25; 4:15; I Jo. 3:4). É passar por cima da linha
divisória, traçada por Deus, entre o bem e o mal.
2. Pecado é erro (Lv. 4:13,14; Mt. 18:15). Como erro, significa desvio do caminho do
bem.
3. Pecar é errar o alvo (Lc. 15:18,21). Na Bíblia, errar o alvo significa deixar de atingi-lo.
Como tal, denota a falha do homem em alcançar o ideal divino para o caráter humano.
4. Pecado é uma intromissão da vontade própria na esfera da autoridade divina (Rm.
1:18-32). O homem ímpio suprime a verdade na esfera da injustiça na qual ele vive.
5. Pecado é iniqüidade e perversidade (Mt. 7:21-23; Rm. 4:7). Uma das manifestações
mais comuns do pecado é a descrença. A descrença é um insulto à veracidade divina.

II- A ORIGEM DO PECADO

As Escrituras traçam a origem do pecado, e sua relação com Satanás, contando-nos como o
pecado entrou no mundo. Também nos revelam as conseqüências desastrosas do pecado na história
humana, e como foi necessário Jesus Cristo morrer na cruz, para libertar-nos do seu poder. A Bíblia,
do princípio ao fim, é um testemunho eloqüente do amor de Deus por todos nós!
Em Gênesis 3:1-6 encontra-se o relato de como satanás tentou Eva, a primeira mulher. Eva
foi induzida a desobedecer ao que Deus estabelecera. Observe como Satanás é sutil em sua maneira
de agir. Com grande astúcia ele oferece sugestões, que, ao serem abraçadas, abrem caminhos a
desejos e atos pecaminosos (Tg. 1:14,15). Compare a ordem de Deus (Gn. 2:16,17), com a
interpretação da serpente (Gn. 3:1-6). Por meio desta pergunta ele lança a tríplice dúvida acerca de
Deus: a) Sobre a bondade de Deus; b) Sobre a retidão de Deus, introduzindo assim a descrença
quanto à Palavra de Deus; c) Sobre a santidade de Deus. Além do mais, despertou a vaidade na
mulher, realçando o aspecto formoso do fruto da árvore proibida, e fazendo-lhe desejar ser igual a
Deus.
O desejo da independência e a busca de poder supremo dominam o homem. A dúvida é a
arma que Satanás utiliza com eficácia na disseminação do pecado na face da terra.
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III- A UNIVERSALIDADE DO PECADO

O pecado não atinge apenas a determinados indivíduos. Após sua queda, Eva deu o fruto
também ao seu marido, que ao comer também transgrediu a ordem divina. Com sua transgressão,
toda a raça humana ficou contaminada. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado
no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos
pecaram” (Rm. 5:12).

1. O pecado atingiu toda a raça humana existente (Rm. 3:23). Dessa forma entendemos
que as Escrituras ensinam que o pecado é universal, atingindo a todos os homens (I Re. 8:46; I Jo.
1:10). A palavra “todos” é pequena, mas engloba toda a raça, todas as gerações que o mundo já
conheceu. Cruza os mares e continentes, incluindo todo ser humano já existente no mundo atual.
Estende-se até o fim dos tempos, a todas as gerações futuras.
2. O pecado atingiu todo o homem como ser (Rm. 7:14-24). A extensão do pecado é
total, não simplesmente num sentido racial, mas também na vida do indivíduo. O pecado afeta o ser
humano inteiro: a vontade (Jo. 8:34); a mente e o entendimento (I Co. 1:20-24; Ef. 4:17); as
afeições e emoções (I Tm. 6:10); assim como nossas palavras e comportamento (Gl. 5:19-21; Tg.
3:5-9). Isto tem sido expresso tradicionalmente como “depravação total”.
3. O pecado atingiu toda a criação de Deus (Gn. 3:17-19; Rm. 8:21,22). Aqui fica
demonstrada que até natureza inanimada sofre a maldição do pecado do homem. Em vista disto, a
Escritura nos diz que está chegando a hora em que “a própria criação será redimida do cativeiro da
corrupção...”.

IV- AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO

A queda de Adão e Eva trouxe conseqüências desastrosas não apenas para eles, mas também
para toda a humanidade, pois em vista da queda, o pecado tornou-se universal. Veja o que diz a
Bíblia: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3.23).
O pecado é tanto um estado como um ato. Como rebelião contra a lei de Deus, é um ato da
vontade do homem; como separação de Deus, vem a ser um estado pecaminoso. Ao nos dar Suas
leis, desejou Deus ajudar-nos a ficarmos livres do pecado (Jo. 8:34). Quando deixamos de cumpri-
las, sofremos as conseqüências (sofrimento, dor, doenças e morte). O pecado produz resultados
desastrosos para o presente e para o futuro. Por isso, a palavra que melhor define as conseqüências
do pecado é “morte”. Paulo afirma que: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no
mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens; por isso, que
todos pecaram” (Rm. 5.12). Esta é uma revelação terrível! A morte passou a todos os homens!
Deste modo, o pecado foi a herança maldita deixada a todos os homens.
Pecado é a transgressão da lei de Deus. Na Lei, Deus estabeleceu como castigo a morte (Rm.
6:21-23). Há duas espécies de morte e ambas são resultados do pecado:

1. Morte física (Gn. 3:22-24). A morte do corpo. A limitação da vida humana é uma parte
do castigo pelo pecado. Paulo foi enfático ao afirmar que “o salário do pecado é a morte...”. Desde
Adão e Eva todos os homens estão destinados a experimentar a morte física.
2. Morte espiritual (Is. 59:1,2, Ef. 2:1). A morte espiritual equivale à separação eterna de
Deus. O homem sem Deus está morto como afirma o apóstolo Paulo ao dizer aos irmãos que
“antigamente vocês estavam espiritualmente mortos por causa da sua desobediência a Deus e por
causa dos seus pecados”. Mas nem todas as pessoas têm que continuar vivendo neste estado
espiritual. Ao aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, o indivíduo recebe o perdão de
Deus para os seus pecados, é purificado de toda injustiça, e torna-se participante do novo
nascimento em Jesus Cristo, cujo princípio operante é a vida abundante, e não mais a morte (I Jo.
1:9;II Co. 5:17). O salvo por Jesus tem a segurança de permanecer para sempre na presença de Deus
(Jo. 6:47; I Co. 15:54).
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V- QUAL DEVE SER A NOSSA ESPERANÇA?

A nossa única esperança está depositada em Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo (Jo. 1:29). Ele é aquele que fora prometido para esmagar a cabeça da serpente e
derrotar o poder de Satanás (compare Gn. 3:15 com Ap. 12:9). Agora, podemos dizer, como Paulo a
Tito: “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador
Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar,
para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt. 2:14).
33

Estudo 11

O PERDÃO

Introdução: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos
devedores”. Com certeza, estas palavras não são estranhas para ninguém. É a parte da oração do
“Pai Nosso” – tantas vezes orada por todos nós – que fala sobre o perdão.
O Deus que tem prazer em nos perdoar, deseja que tenhamos também um coração
perdoador. Especialmente no contexto de nossa vida cristã, a prática do perdão deve ser algo
presente sempre que se fizer necessário.

I- O QUE É PERDÃO?

No Novo Testamento há dois termos gregos que são traduzidos como “perdoar”: aphiemi,
que significa “remir ou deixar de lado”, e apoluo, que significa “libertar, colocar em liberdade”. Daí
surge duas definições básicas para o termo “perdoar”: 1) Parar de culpar alguém por alguma ofensa
ou de ter ressentimento contra o ofensor; 2) Cancelar ou anular uma dívida.
A palavra “perdoar” nos traz à mente diversos conceitos como: “quitar, absolver, anistiar,
isentar, desculpar e eximir”.

II- O ENSINO BÍBLICO SOBRE PERDÃO

O elaborado sistema de sacrifícios do Antigo Testamento estava diretamente vinculado à


idéia de expiação e, conseqüentemente, de perdão (Rm. 3:25). O apóstolo Paulo dá a entender que o
perdão divino, no Antigo Testamento, estava condicionado ao futuro ministério de Cristo. Tendo
isso em mente, vejamos quais são as bases do perdão outorgados por Deus.

1. O perdão divino está alicerçado sobre a misericórdia de Deus (Êx. 34:6,7). A palavra
“misericórdia” vem do hebraico hessed e tem seu correspondente no grego charis, que é traduzido
por “graça”, e significa: “o Dom imerecido de Deus”. Assim, o perdão divino está alicerçado sobre
a misericórdia, a bondade e a veracidade de Deus. O perdão torna-se impossível se Deus não se
mostrar gracioso. E essa graciosidade divina, como é óbvio, manifesta-se exclusivamente por meio
de Cristo e sua Palavra.
2. O perdão dos pecados é uma prerrogativa divina (Sl. 130:4; Dn. 9:9). O perdão é
encarado como um ato da graça divina, que deve ser recebido com profunda gratidão. O pecado
merece ser punido, e o perdão é uma medida da graça e da misericórdia divina. O recebimento
desse benefício deve criar o senso de temor no coração dos homens.
3. O perdão depende diretamente da expiação de Cristo (I Jo. 1:9; 2:1,2). Ao abordar a
questão do pecado, o apóstolo João reafirma o valor da morte de Cristo como “expiação”. Ele
afirma que seu valor é pelo mundo inteiro, pelo pecado de todo e qualquer homem. A missão
celestial de Cristo faz dele um advogado em favor dos pecadores. E isso assegura a plena salvação
para todos quantos nEle confiam.
4. O perdão dado por Deus é completo (Sl. 103:12; Is. 38:17). Ele afasta de nós os
nossos pecados tanto quanto o Oriente dista do Ocidente. Ele lança para trás de suas costas as
nossas transgressões, sem mais considerá-las. Ele apaga as transgressões dos perdoados (Is. 43:25) e
nunca mais relembra os seus pecados (Mq. 7:19).

III- O PERDÃO E A MISERICÓRDIA DE DEUS

Ao nos perdoar, Deus revela a Sua misericórdia para conosco. Não se pode falar de perdão
sem antes compreender a graça do perdão divino. Esta graça é alcançada mediante os seguintes
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passos:
1. O reconhecimento da culpa (Dn. 9:8). O reconhecimento do pecado cometido é
condição indispensável para se experimentar a graça do perdão. Precisamos tomar cuidado com a
tentação de se ignorar ou transferir para outros a nossa culpa.
2. Arrependimento e confissão (Sl. 51:1-4). O reconhecimento da culpa abre caminho
para o arrependimento interior e a confissão exterior. Davi descreve também no Salmo 32:1-5 a sua
experiência de arrependimento e confissão. É preciso reconhecer o pecado, arrepender-se e
confessá-lo ao Senhor.
3. O abandono do erro (Pv. 28:13). É preciso entender, que o recebimento do perdão, da
graça misericordiosa de Deus, inclui não apenas o reconhecimento, o arrependimento e a confissão
do pecado. Exige-se o abandono do mesmo. Segundo as palavras do próprio Senhor, o perdão e as
bênçãos dele decorrentes estão condicionados ao abandono dos “maus caminhos”.

IV- OS MOTIVOS PARA COMPARTILHAR O PERDÃO

Visto que Deus perdoa gratuita e abundantemente, os cristãos deveriam fazer o mesmo. A
Palavra de Deus oferece algumas razões pelas quais devemos compartilhar esta graça, perdoando
aqueles que nos ofendem.

1. Por causa do exemplo dado pelo Senhor (Ef. 4:32; Cl. 3:13). Como convém à nova
qualidade de vida em Cristo, o cristão deve procurar ser amável, com uma disposição compassiva e
perdoadora, que é baseada no fato simples, mas surpreendente, de que esta é a atitude que lhe foi
demonstrada no perdão de Deus, oferecido “em Cristo”. Assim, o perdão de Cristo é tanto o modelo
como motivo para perdoarmos àqueles que nos ofenderam. Se esse espírito de perdão pudesse ser
conduzido a todos os lares, o egoísmo, a desconfiança e o rancor que destroem tantas famílias
seriam eliminados e os homens viveriam em paz.
2. Por causa dos resultados que proporciona (Mt. 18:23-35). A parábola do servo
desapiedado serve bem para tornar claros a natureza e o princípio do perdão. Ela contrasta a enorme
dívida do homem para com Deus com a insignificância do que tendemos a considerar como os
débitos dos outros para conosco. A incapacidade de perdoar demonstra falta de aceitação do
princípio do perdão, gerando com isso, em nossos corações, os sentimentos de frustração, raiva e,
conseqüentemente, vingança. Dessa forma entendemos que nosso bem-estar espiritual e emocional
depende da disposição de perdoarmos àqueles que nos magoaram (os nossos devedores).
3. Por causa da condição imposta pelo Senhor (Mt. 6:14,15). Jesus liga o fato de sermos
perdoados quando perdoamos. O perdão ao próximo não confere, porém, mérito para merecer o
perdão de Deus. Mas, de acordo com Jesus, a pessoa precisa estar disposta a perdoar a fim de que
seja capaz de receber o perdão. Não que Deus não esteja disposto a perdoar aquele que não perdoa,
mas a condição da pessoa que não perdoa é tal que ela é incapaz de receber perdão.

V- OS LIMITES DO PERDÃO

Perdão é reconciliação e diz respeito ao cristão, da mesma forma como a Cristo, e não
conhece limites (II Co. 5:18-20). Partindo do fato de que o perdão é uma graça que desconhece
limites, busquemos compreender a:

1. Intensidade do perdão (Mt. 18:21,22). O Apóstolo Pedro estava preocupado com os


limites do perdão, quando perguntou: “Eu preciso perdoar sempre?” Jesus respondeu à esta
pergunta mostrando a ilimitada misericórdia de Deus para com os pecadores. Quantas vezes
devemos perdoar? Jesus ensinou que o espírito de perdão vai muito além dos mesquinhos cálculos
humanos. A preocupação não deve ser quanto ao número de vezes. Sempre que houver
arrependimento deve haver perdão (Lc. 17:3,4).
2. Extensão do perdão (Mt. 6:12). A quem devemos perdoar? Qual a extensão do perdão?
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A oração do Pai Nosso nos ensina que deve se entender “a todos os nossos devedores”. Isto indica
que o perdão, a prática do perdão não pode ser restrita; a sua extensão é ilimitada.
3. Gravidade do perdão (Lc. 23:34; Atos 7:58-60). O que devemos perdoar? Será que
existem faltas mais amenas que devem ser perdoadas e outras mais graves, às quais é impossível
perdoar? Ainda que, na prática, muitos demonstrem que sim, a verdade é que, à luz da Palavra de
Deus, nunca devemos deixar de perdoar. A atitude de Jesus e de Estevão diante de seus executores
comprovam isto.

Não encontramos nas Escrituras apoio para ficar devendo perdão, pois, além de
constrangedor, e antibíblico, é anticristão. O apóstolo Paulo recomenda: “A ninguém fiqueis
devendo cousa alguma, exceto o amor” (Rm. 13:8-10).
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Estudo 12

ARREPENDIMENTO E CONVERSÃO

Introdução: O conhecimento da Palavra de Deus, que é a verdade, nos leva a tomar consciência da
nossa situação diante de Deus, proporcionando em nós a análise da importância da Salvação em
nossa vida. Mediante este conhecimento, esta análise, se nós abrirmos o coração, nasce em nós um
desejo ardente de acertar a nossa situação, ou seja, romper essa separação que há entre nós e Deus.
O lado divino da salvação refere-se ao novo nascimento, que é obra do Espírito Santo de
Deus no coração do que crê. Mas, qual a participação do homem nessa experiência? A parte que
cabe ao homem para ser salvo é chamada de “conversão”. Neste estudo iremos entender o que é
arrependimento e conversão e o que nos leva a tomar essa atitude, e porque temos que passar por
esse processo.

I- DEFINIÇÃO DE ARREPENDIMENTO E CONVERSÃO


1. Arrependimento (Lc. 18:13). Para ser salvo é preciso que o indivíduo se arrependa dos
seus pecados. Isso significa que o arrependimento é mais do que convicção, pois, uma vez convicto,
é preciso que haja arrependimento. A palavra grega (para significar) arrependimento no Novo
Testamento é Metanóia. Este termo significa: “Ter outra mente” ou “mudar de opinião”. A pessoa
que se arrepende muda sua mente em relação ao pecado. Arrepender é tomar consciência, ter pesar,
de que a maneira de vida que você viveu, e vive, é errada. Arrependimento é mais do que sentir
tristeza pelos pecados (II Co. 7:9,10). Muitos sentem tristeza pelos pecados cometidos, mas não se
arrependem. A Bíblia fala de duas espécies de tristeza: uma que procede de Deus e outra mundana.
A tristeza que produz o arrependimento verdadeiro é obra do Espírito Santo no coração do homem.
O arrependimento implica uma mudança de opinião sobre o pecado e, conseqüentemente, uma
mudança de vida (Lc. 15:17). A tristeza, segundo o mundo, traz o desgosto, intranqüilidade e
remorso e, por conseqüência, a morte (Mt. 27:3-5).
2. Conversão (Atos 26:20). Converter é mudar de rumo, mudar de direção, sair do
caminho que nos leva ao distanciamento de Deus e procurar a direção que nos aproxima do autor,
sustentador e salvador nosso: Jesus. Na nossa vida com Deus, de nada adianta arrepender e não se
converter. A conversão é pôr em prática o arrependimento. Imagine você, alguém se arrepender de
algo e continuar praticando a mesma coisa, não tem sentido algum. Não tem sentido arrepender sem
se converter. Mesmo porque, a conversão é conseqüência do arrependimento. O arrependimento e a
conversão são os primeiros passos para reatarmos o relacionamento entre nós e Deus.

II- QUAIS SÃO OS PROPÓSITOS DO ARREPENDIMENTO E CONVERSÃO?

1. Cancelar nossos pecados (Atos 3:19). Quando nos arrependemos de nossos pecados e
nos voltamos para Deus num ato de fé e obediência, os nossos pecados são cancelados. Assim, pois,
a grande lista de registros negativos, contra o indivíduo, chamados “pecados”, é anulada, ficando
inteiramente limpo o registro.
2. Produzir a salvação (Lc. 13:1-5). Conta-se que Pilatos matava pessoas e misturava o
sangue delas com o sangue de animais que ele sacrificava, para oferecer aos seus deuses. Relata-se
também, que uma torre havia caído acidentalmente e havia matado dezoito pessoas. Segundo a
crença dos judeus, só morriam de morte trágica os grandes pecadores. Jesus, então os alertou
dizendo que se eles não se arrependessem, de igual modo morreriam. Estava-se falando da morte
eterna. Isto nos mostra que não importa se somos pessoas terrivelmente desonestas ou honestas aos
olhos humanos, o que importa é que nascemos pecadores e se não reconhecermos nossa situação e
nos humilharmos, pereceremos na ignorância. Só pelo fato de dizer que não somos pecadores, já
pecamos (I Jo. 1:8).
3. Produzir cura física e emocional (Sl. 32:3; 51:1-13). Arrependimento e conversão de
37

vida são absolutamente necessários. O motivo que muitos vivem uma vida infeliz é que não se
arrependem. Levam uma vida de cristãos frios e indiferentes, e nunca experimentaram a paz de
espírito de um sincero arrependimento.

III- QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS ADQUIRIDOS?

1. Reatamos o relacionamento com Deus (Atos 2:37-39). Pedro havia pregado o


evangelho. Os judeus conheceram o plano de Deus para suas vidas e compungiram-se em seus
corações, ou seja, ficaram aflitos mediante o conhecimento da Palavra de Deus, e logo procuraram
perguntar o que deveriam fazer, e na seqüência disse o Apóstolo: Arrependei-vos. O
arrependimento é o passo primordial para um íntimo relacionamento com a divindade.
2. Renovamos nossa vida com Deus (II Co. 5:17). Não mais é levado em conta o que se
passou, não importa o tipo e o tamanho do pecado (Atos 17:30). O tempo da ignorância aqui
proferida é o tempo que a pessoa não conhecia a Palavra de Deus, o plano de Deus para sua vida.
3. Passamos o controle de nossa vida para Cristo (Gl. 2:20). Quando acontece a
conversão, existe uma mudança porque Jesus passa a ser Senhor de nossa vida, esta mudança é
notória aos olhos de muitos.
4. Somos livres da morte eterna (Ez. 33:9,11-20; Ap. 20:6). Através do arrependimento e
conversão estamos livres da morte eterna, que é o aniquilamento total da vida humana (é também
chamada de “segunda morte”).
5. Somos perdoados e temos nossas orações atendidas (II Cr. 7:14,15). Mediante
arrependimento e a conversão alcançamos não só o perdão de Deus, mas também, nossas orações
agora são ouvidas e atendidas por Deus (Is. 59:1,2).

IV- COMO EXPERIMENTAR O ARREPENDIMENTO E CONVERSÃO?

1. Pela ação do Espírito Santo (Jo 16:7-11). É o Espírito Santo que nos convence do
pecado, da justiça e do juízo. Convencer tem aqui três sentidos básicos: a) “convencer” no sentido
de levar a uma convicção; b) “iluminar”, no sentido de trazer à luz; c) “refutar”, no sentido de
corrigir nossos erros.
2. Pela ação da Palavra de Deus (Hb 4:12,13). Na medida em que vamos conhecendo a
Palavra de Deus, que é viva e eficaz, ela penetra lá no fundo do nosso ser, na divisão do nosso
sentimento, do nosso pensamento, da nossa razão, produzindo efeito em nossa vida, convencendo-
nos do pecado e do juízo. A palavra de Deus nos comove, ensina, exorta, faz tudo o que precisa ser
feito, por isso é eficaz e essencial para que sejamos transformados.
3. Pelo reconhecimento de que sou um pecador (Lc. 18:9-14; Rm. 3:23). Em terceiro
lugar, devo sentir a minha culpa, que sou um pecador. Mas o que é pecado? Pecado, conforme as
Escrituras o definem é “transgressão da lei” (Rm. 4:15; I Jo. 3:4). Se queremos conhecer a nossa
verdadeira condição, devemos pedir a Deus que nos mostre a nossa verdadeira condição (Sl. 19:12;
139:23,24).
4. Pela confissão dos meus pecados (Pv. 28:13; I Jo. 1:9). O passo seguinte é a confissão.
O arrependimento não é genuíno se não houver disposição de confessar o pecado. Aquele que
esconde o seu pecado e o não confessa, nada alcança de Deus. A confissão nem sempre é fácil. É
necessário coragem e humildade para admitir que erramos e confessar que pecamos. Mas, só assim
alcançaremos perdão (Lv. 5:5).
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Estudo 13

NOVO NASCIMENTO
Introdução: Um dos assuntos mais importantes para meditação da mente humana é o do novo
nascimento. Jesus é categórico em afirmar que todos nós precisamos nascer de novo. Não basta
apenas termos um assentimento intelectual sobre quem é Jesus ou sermos convencidos de quem Ele
é o do que fez por nós. É preciso que todos passemos por um processo convulsivo e compulsivo de
profundo arrependimento. O novo nascimento é uma das três grandes ordenações para a
humanidade: 1) A morte (Hb. 9:27); 2) O julgamento (Rm. 14:9-12; Ap. 20:11-15); 3) A
regeneração, ou novo nascimento (Jo. 3:3-7).

I- O QUE O NOVO NASCIMENTO NÃO É – JOÃO 1:12,13

1. Um processo natural. Novo nascimento não é de geração natural ou hereditário – “Não


do sangue”. O fato de uma pessoa ser filha de pais cristãos não a torna cristã. Novo nascimento
também não é um processo evolutivo. Os pecadores, como a Bíblia nos ensina, estão
espiritualmente mortos. A vida não se pode desenvolver onde não existe (Ef. 2:1,2).
2. Um produto de um esforço de vontade. “Nem da vontade da carne”. Assim como uma
criança não pode impor a sua vontade e nascer fisicamente, assim também ninguém pode alcançar o
novo nascimento sem a ação do Espírito Santo. Assim podemos dizer que o novo nascimento é um
aperfeiçoamento, produzido pelo Espírito Santo, mediante o qual se abandona os maus hábitos.
3. O resultado da mediação humana. “Nem da vontade do varão, mas de Deus”. Nenhum
ser humano, por eminente que seja a sua posição eclesiástica, pode transmitir a outrem o novo
nascimento. Todos os ritos e cerimônias de quaisquer ou de todas as religiões organizadas são
impotentes para reproduzir o novo nascimento. “Nascer de novo” não é a tradução exata do original
grego, que diz “nascer de cima”. Isto indica a origem do novo nascimento. O nascimento físico é do
homem e da terra; o nascimento espiritual tem a sua origem em Deus e é do céu.

II- O QUE É NOVO NASCIMENTO?

1. Novo nascimento é arrependimento (Jo. 3:5). “Nascer da água”. A água se refere à


ênfase de João Batista dada ao arrependimento e purificação do pecado como antecedente
necessário do novo nascimento. Água, neste contexto, denota a purificação, a mudança de mente e
opinião com relação ao pecado (Ez. 36:25-27).
2. Novo nascimento é uma mudança espiritual (Tt. 3:4-6). “Nascer do Espírito”. Novo
nascimento é uma obra regeneradora do Espírito Santo. Novo nascimento é regeneração. É a injeção
da nova vida criadora pelo poder regenerador do Espírito Santo. Através desse processo nossos
pensamentos são alterados, nosso coração muda, bem como os valores e convicções também se
modificam.

III- COMO ACONTECE O NOVO NASCIMENTO?

1. Pela regeneração produzida pela Palavra de Deus (Tg. 1:18I; Pd. 1:23-25). Assim
como a água, quando aplicada, remove dos nossos olhos a sujeira, que de outro modo obscureceria
a nossa visão, também a Palavra de Deus, quando lida e aceita, lava a mente do pecador as suas
idéias errôneas acerca de Deus e Sua salvação.
2. Pela recepção do Espírito de Deus (Jo. 16:7-15; Ef. 1:13). O Espírito Santo, a terceira
Pessoa da Trindade, foi enviado por Cristo após a Sua ascensão para, mediante a Palavra de Deus,
convencer os homens do seu pecado, levá-los a depositar a sua confiança em Cristo, para habitar em
cada novo crente, comunicando-lhe uma natureza Divina, ou seja, capacidade para as coisas
espirituais (II Pd. 1:3-4).
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3. Pela fé no sacrifício substitutivo de Cristo (Jo. 3:14-16). Nesta passagem, Cristo dá um


perfeito esclarecimento sobre como esta nova vida pode ser conferida a um pecador. Cristo serviu-
se de um incidente registrado no Antigo Testamento para ilustrar como é que o novo nascimento se
efetua (Nm. 21:4-9). Moisés identificou o pecado do povo fazendo uma serpente de bronze, a qual
era a própria expressão do pecado. Semelhantemente Cristo, sem pecado, se fez pecado por nós,
levando sobre si todos os nossos pecados (Is. 53:4-6; II Co. 5:21; Gl. 3:13; I Pd. 2:24).

IV- POR QUE HÁ NECESSIDADE DE NASCER DE NOVO?

1. Por causa duma natureza espiritual que falta ao homem (Jo. 3:6). Aqui a palavra
“carne” refere-se à natureza pecaminosa que recebemos quando nascemos. “Carne” quer dizer o
“eu”. Pelo seu pecado, Adão adquiriu uma natureza pecaminosa, natureza que foi transmitida a
todos os seus descendentes (Rm. 5:12,18,19). O caráter desta natureza pecaminosa chamada a
“carne” vem descrito em Romanos 8:5-8. Consiste na inimizade contra Deus e na desobediência à
Sua lei, com conseqüente incapacidade de Lhe agradar. Noutras palavras, o homem natural não
possui capacidade espiritual que lhe permita desejar, compreender ou gozar as coisas de Deus (I Co.
2:14).
2. Por causa dum reino espiritual que o homem natural não pode ver e no qual não
pode entrar (Jo. 3:3). O que significa aqui “o reino de Deus”? Ele é descrito como uma
experiência espiritual (Rm. 14:7). Todo ser humano ingressa no reino dos homens por um
nascimento físico o qual lhe comunica uma natureza física. Para que ele possa ver o valor e desejar
entrar no “reino de Deus” tem que nascer de novo, ou seja, passar por um nascimento espiritual que
o levará dentro deste novo domínio. Mediante o novo nascimento, ele passará a possuir uma
natureza espiritual que o preparará para gozar as realidades que caracterizam o reino de Deus.
3. Por causa duma vida espiritual que o homem natural não possui (Ef. 2:1-6). Por
natureza, o homem encontra-se “morto em delitos e pecados”, separado da vida de Deus, destituído
da vida (Ef. 4:18; I Jo. 5:11,12). Assim como um corpo sem vida física está fisicamente morto,
também uma pessoa sem vida espiritual está espiritualmente morta (I Tm. 5:6; Lc. 15:24). Como se
pode transmitir esta vida espiritual a pessoas espiritualmente mortas? O problema é solucionado em
João 5:25. Todo aquele que ouve a voz do Filho de Deus, que recebe a Sua Palavra e confia nele
como seu Salvador recebe a vida espiritual, ou seja, nasce de novo.

V- QUAIS SÃO AS BÊNÇÃOS DO NOVO NASCIMENTO?

1. A salvação (Jo. 3:15-17). A salvação é a primeira benção do novo nascimento, sendo que
esta está intimamente ligada à mesma. Novo nascimento não é salvação, mas é impossível alguém
estar salvo sem ter antes nascido de novo. É através do novo nascimento que temos a certeza da
vida eterna e de que estamos salvos em Cristo Jesus.
2. A absolvição do julgamento (Jo. 3:18; Rm. 8:1,2). O juízo não é distribuído
arbitrariamente por Deus, na vida futura, mas é claramente determinado pelos homens na vida
presente, com base em sua resposta ao unigênito de Deus (Jesus). Uma vez que a libertação vem por
meio de Jesus Cristo não existe nenhuma condenação para os que já nasceram de novo. Aqueles que
estão em Cristo não são condenados porque “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo
Jesus”.
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Estudo 14

BATISMO NAS ÁGUAS

Introdução: Para ter significação, o batismo tem de ser o testemunho público de aceitação do que
Deus já efetuou em nós, para habilitar-nos a ser membros da família de Deus. Sendo assim, nosso
objetivo neste estudo é o de analisarmos o significado bíblico deste rito na igreja de Deus.

I- ORIGEM DO BATISMO

O que significa a palavra batismo? A palavra “batizar”, usada na fórmula de Mateus


28:19,20, significa literalmente mergulhar ou imergir. Essa interpretação é confirmada por eruditos
da língua grega e pelos historiadores da igreja. Mesmo eruditos pertencentes a igrejas que batizam
por aspersão admitem que a imersão era o modo primitivo de batizar.
Qual é a origem do batismo? Como rito religioso ele se originou em tempos anteriores ao
cristianismo. Foi praticado pelos Judeus como meio de receber prosélitos ao judaísmo. O batismo
era também praticado pelos essênios (seita religiosa do judaísmo) em conexão com os seus ritos
religiosos.

II- QUE É BATISMO?

Batismo é um selo ou aliança. É um acordo assumido com Jesus, onde publicamente se


confirma aquilo que creu e aceitou.
João Batista ensinava que o rito do batismo tinha que ver com a purificação espiritual.
Recomendava que as pessoas demonstrassem pelo batismo que reconheciam sua pecaminosidade, e
que estavam arrependidas. O convite de João ao batismo indicava que era necessária uma mudança
drástica, a fim de preparar as pessoas para a vinda de Jesus. Assim podemos dizer que:

1. Batismo é confissão de fé (Atos 2:38, 41). Este texto contém a admoestação de Pedro
aos novos conversos á fé cristã: ser batizados como símbolo da remissão dos pecados. O batismo é
um ato de confirmação pública, e solene de compromisso e aceitação do plano de salvação na vida
do batizando.
2. Batismo é o testemunho da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo e
expressão de novidade de vida (Rm. 6:3-6; Cl. 2:12,13). O batismo atesta não somente nossa
morte para o pecado, mas também nossa ressurreição para nova vida em Cristo. A expressão
“morremos para o pecado” expressa a insistência de Paulo para que a pessoa realmente esteja morta
para o pecado e para o eu, para que não abuse da nova liberdade da vida cristã.
3. Batismo é requisito prévio para unir-se à Igreja (Jo. 3:1-5). Não devemos procurar
tornar-nos membros da Igreja sem o batismo, pois é ele o sinal externo de nosso compromisso com
Cristo.

III- QUE SIGNIFICA BATISMO?

Antigos locais de batismos demonstram a grande importância do mesmo para a Igreja


Primitiva. O significado não está no rito em si, mas no que ele representa, para a Igreja e para o
mundo, quando a nossa morte para o pecado e novidade de vida em Cristo.

1. Ele representa que Cristo é o Senhor de nossa vida (Gl. 3:27). O batismo por imersão
simboliza a experiência da conversão pessoal. Esta experiência abrange a tristeza pelo pecado e o
afastamento dele. O pecador que confessa os seus pecados é perdoado e recebe a nova vida em
Cristo. Todos estes passos devem preceder o batismo.
41

2. Ele representa que pertencemos ao Corpo de Cristo (I Cor. 12:12-14). O batismo nos
identifica publicamente como cristãos – isto é, como membros do corpo de Cristo. Paulo diz que
por meio do Espírito somos batizados em um corpo. Nesta e em outras passagens do Novo
Testamento, a comunidade dos cristãos é comparada a um corpo cuja cabeça é Cristo. O batismo é a
entrada tanto para a família celestial como para a parte dessa família que é a Igreja de Cristo na
Terra.

IV- COMO É MINISTRADO O BATISMO?

1. Em nome da Trindade Divina (Mt. 28:19). A fórmula completa a ser empregada é “em
nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, o que enfatiza o caráter distintivo desse batismo
cristão. Esta é a mais antiga fórmula trinitariana conhecida, sendo mencionada também por Paulo.
2. Imersão na água (Mt. 3:13-17; Jo. 3:23). Paulo compara o rito do batismo com a morte,
com o sepultamento e com a ressurreição de Cristo. Esse simbolismo não teria significação se a
Igreja Apostólica não praticasse o batismo por imersão. Que a imersão era a forma empregada nos
tempos do Novo Testamento é claro pelo significado da palavra grega, pelas descrições da
realização da cerimônia e pelas aplicações espirituais que a Bíblia faz desse rito. O vocábulo
baptizo era usado antigamente para descrever a imersão de tecidos nos corantes e o ato de
submergir uma vasilha, a fim de enchê-la de água. Seu significado mais evidente, ao ser aplicado ao
batismo cristão, é “imergir”.

V- A CONDIÇÃO ESSENCIAL PARA SER BATIZADO

1. Crer no Evangelho (Mc. 16:16). O batismo cristão é uma expressão de fé e de dedicação


a Jesus como Senhor. É necessário que aceitemos Cristo pela fé, crendo que é o único que pode nos
remir de todos os nossos pecados. Não há, nas Escrituras, nenhuma referência sobre o batismo de
crianças, pois são incapazes de arrepender-se, ou de obedecer à vontade de Deus.
2. Instrução nas Escrituras (Mt. 28:20). A ordem de Jesus é “fazer discípulos, ensinando-
os a guardar todos os mandamentos...”. Aqueles que aceitam o ensino e se tornam discípulos estão
aptos para o batismo nas águas.
3. Aceitação dos ensinamentos bíblicos (Atos 8:12, 35-38; 18:8). O batismo cristão exige
entendimento da Palavra de Deus e uma decisão de se apresentar para fazer a vontade revelada de
Deus.
4. Arrependimento e conversão (Atos 3:19). O batismo esvazia-se de conteúdo se não
exprimir verdadeiramente a passagem da morte para a vida, através do arrependimento pelos
pecados. A palavra “arrependimento” indica uma mudança de direção na vida da pessoa e significa
muito mais do que apenas uma alteração mental de atitude, ou sentimento de remorso; significa o
repúdio do modo de vida pecaminoso do ímpio.
42

Estudo 15

IGREJA – O CORPO DE CRISTO

Introdução: A palavra “igreja” tem dois significados fundamentais no Novo Testamento. Na maior
parte de suas ocorrências significa “congregação”. Nesse sentido, a ênfase está no grupo local de
cristãos, que se reúnem para adoração, companheirismo e serviço cristão (Atos 8:1; Rm. 16:16).
Outras vezes a palavra igreja é usada para descrever todos aqueles que aceitaram Jesus Cristo como
Salvador. É o sentido global e mais amplo da palavra igreja (I Co. 15:9).
Em nosso estudo vamos nos preocupar com a igreja no sentido de congregação. É no
contexto da congregação local que o cristão se desenvolve no estudo e na prática da fé no Senhor
Jesus Cristo. Ali ele deve encontrar os recursos para crescer à “estatura de varão perfeito” (Ef.
4:13).

I- O QUE É UMA IGREJA?

Quando se fala em igreja, hoje em dia, logo se pensa em uma organização ou instituição.
Mas nos tempos do Novo Testamento a igreja era conhecida como um organismo vivo e dinâmico.
O próprio significado da palavra igreja, que é derivada do grego ekklesia, dá-nos uma idéia do
dinamismo de sua existência, pois significa o grupo daqueles que foram “chamados para fora”. A
palavra ekklesia foi aplicada ao povo de Israel que foi chamado para fora do Egito, sendo chamados
de “congregação de Israel” (Atos 7:38). Semelhantemente Deus nos chama em Cristo para fora do
poder do pecado. Constituímos, dessa forma, o corpo de Cristo na face da terra. Como um corpo
eclesiástico temos algumas características peculiares:

1. A igreja é um grupo de comunhão (Atos. 2:41-44). A palavra comunhão vem do grego


koinonia e significa: parceria, conversa íntima, sociedade, coisas em comum. Estas características
descrevem bem o relacionamento que deve existir entre os cristãos (Rm. 12:10).
2. A igreja é o corpo de Cristo presente no mundo (Rm. 12:3-9; I Co. 12: 12-27; Cl.
1:18,24). O corpo humano é formado de várias partes, a saber: cabeça, tronco e membros. Mas
nenhuma dessas partes possui vida própria ou independente uma da outra. Todas trabalham juntas.
Assim acontece na igreja. Existem muitos e diferentes membros, mas todos trabalham juntos, sob a
liderança do Espírito Santo.
3. A igreja é um templo espiritual (I Pd. 2:5,9). A igreja não é o prédio que nos reunimos
para adorar a Deus (este serve apenas de abrigo). O templo dos judeus, no Antigo Testamento, foi
construído com elementos materiais como: pedra, madeira, metais e tecidos etc. Mas a igreja, o
templo de Deus, é espiritual, formada por homens e mulheres que foram regenerados pelo Espírito
Santo. No Antigo Testamento Deus habitou no meio do povo de Israel, no Templo de Salomão (I
Re. 6:11-13). Hoje, Deus habita conosco, ou seja, em nós (I Co. 3:16,17; 6:19,20). Na Nova Aliança
nós somos sacerdotes santos, não precisando mais de sacerdotes para oferecer um sacrifício por nós.
Aliás, nós somos o próprio sacrifício agradável a Deus (Rm. 12:1,2; Hb. 13:15,16).

II- A ORIGEM DA IGREJA DE JESUS

1. A igreja começou em Jesus Cristo (Mt. 16:16-18). A expressão: “Sobre esta pedra
edificarei a minha igreja”, não estava se referindo a Pedro, mas ao próprio Jesus Cristo. O nome
“Pedro” é a tradução da palavra grega masculina Petros, que significa “pedra, pedregulho, pedrinha
solta” – uma pedra movediça. Em contraste com isso, a “pedra” sobre a qual Cristo edificou Sua
Igreja constitui a tradução da palavra grega feminina petra, que freqüentemente é usado para
designar penhascos, camadas de rocha ou cordilheiras. Essas duas palavras gregas ilustram muito
bem o caráter de Pedro e o de Cristo.
Durante o seu ministério, Jesus tentou restaurar a antiga comunidade, mas foi rejeitado (Jo.
43

1:11,12). Então ele convocou um grupo de discípulos e lhes deu princípios normativos que
deveriam reger essa nova comunidade. Estes princípios estão registrados no Sermão do Monte (Mt.
5 a 7). Desse grupo de discípulos, escolheu doze homens, a quem chamou de apóstolos (Mc. 3:13-
19), os quais serviriam de líderes para Sua igreja. A essa nova comunidade, Jesus chamou-a de
Igreja.
2. O fundamento da igreja é o próprio Jesus Cristo (Ef. 2:19-22). De acordo com os
métodos antigos de edificação, a pedra angular tinha importância especial como a pedra usada pelo
arquiteto-edificador para determinar o ângulo ou inclinação de todo o edifício. Os crentes são
assemelhados a pedras vivas, edificadas na estrutura, que, por sua vez, repousa sobre um
fundamento que é Cristo (I Co. 3:10,11). Assim, Jesus Cristo é o padrão pelo qual a vida e o
crescimento de sua Igreja são moldados por Deus. Essa é a razão por que a igreja jamais será
derrotada, por mais que se esforcem os poderes do mal.
3. A igreja está em processo de edificação (Ef. 2:21,22). A igreja é um edifício, mas em
nenhum sentido estático ou inanimado. Ela é semelhante a um organismo vivo, que toma forma pela
orientação do Espírito, através das circunstâncias da história. Isso significa que continuamente Jesus
está chamando outras pessoas, a fim de que desfrutem das bênçãos do Reino dos Céus.

III- CARACTERÍSTICAS DA IGREJA VERDADEIRA

Os seguintes fatos caracterizam a igreja do Novo Testamento:

1. Reconhecimento de Cristo como a cabeça do corpo (Ef. 1:22). Todo o povo de Deus
sobre a Terra é um corpo, desde o princípio até o fim do tempo, e Jesus Cristo é a suprema cabeça
desse corpo. O fato dEle ser o cabeça implica em que toda a direção da nossa vida emana dele. Nós
vivemos dEle, por Ele, através dEle e para Ele.
2. Pregação de Cristo como Salvador e Senhor (I Co. 2:1,2). A igreja tem como função
principal proclamar a salvação por Jesus Cristo. Paulo não fazia questão de usar uma oratória
sofisticada e nem raciocínios astutos. Paulo tinha uma mensagem clara, que pregava por toda a
parte: o Cristo crucificado.
3. Os seus membros vivem em comunhão e amor (Jo. 13:34,35). O amor é a marca
distintiva da Igreja. Esta passagem refere-se especificamente ao relacionamento que há no corpo de
Cristo, isto é, o relacionamento com os outros cristãos.
4. Ensino da Bíblia como única regra de fé (Lc. 24:27; Atos 17:11; Gl. 1:8,9). A Bíblia
é a única autoridade e norma de conduta da Igreja de Jesus Cristo. A Igreja de Jesus Cristo deve
estar edificada no fundamento dos apóstolos (Novo Testamento) e dos profetas (Antigo
Testamento) e nada mais além disso.
5. Observância dos mandamentos de Deus (Ap. 12:17; 14:12). Deus revela, nestas
passagens, que aqueles que fazem parte de Sua Igreja guardam os seus mandamentos (Jo. 14:15;
15:10).

IV- POR QUE DEVEMOS PERTENCER À IGREJA?

Deixemos que a Bíblia exponha as responsabilidades de cada um dos membros da Igreja e as


razões, pelas quais, devem fazer parte dela.

1. Um membro não tem vida independente (I Co. 12:12; Ef. 4:15,16). O corpo de Cristo
é formado de muitos membros, que, embora diferentes em vários aspectos, assim mesmo fazem
parte de um único corpo, que é a igreja universal. Não há como viver de modo independente do
corpo, assim como não é possível um membro do corpo humano, uma vez amputado, ter vida em si
mesmo.
2. É o meio estabelecido por Deus para o nosso crescimento (Hb. 10:24,25). Deus quer
que sejamos maduros ou adultos, e para isso providenciou-nos a verdade para o nosso crescimento
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espiritual. Sendo assim, a Igreja é o ambiente apropriado para o crescimento espiritual. Através dela
somos encorajados, instruídos e compartilhamos uns com os outros, a fim de que cada um seja
ajudado em seu progresso na vida cristã.

V- COMO PODEMOS PERTENCER À IGREJA?

As figuras usadas pelos escritores do Novo Testamento para descrever a Igreja indicam que
existe o mais íntimo vínculo espiritual possível entre Cristo e o Seu povo, e entre os próprios
crentes. A Bíblia diz que só pertencem a Cristo aqueles em cujo coração habita o Espírito Santo
(Rm. 8:9,10). Só eles pertencem à comunhão espiritual que constitui a verdadeira Igreja de Jesus
Cristo.

1. Sendo ligados no Corpo de Cristo (I Co. 12:13). Somos ligados no Corpo de Cristo
pelo Espírito Santo quando nos arrependemos e entregamos nossa vida a Ele. É a operação do
Espírito Santo que atrai os homens a Cristo, convencendo-os do pecado, da justiça e do juízo (Jo.
16:7-11). E a nossa aceitação de Cristo é declarada pelo nosso batismo em um só corpo. Nós não
criamos o corpo: Cristo o faz. Nós entramos nele. Pessoas de todas as nações e de todas as classes,
mediante a fé, pertencem ao mesmo corpo.
2. Tendo convicção da salvação pela fé em Cristo (I Jo. 5:12). Não se trata de crença em
uma coisa, em doutrina ou instituição. A Bíblia ensina claramente que a fé salvadora é a fé em Jesus
Cristo. Essa fé implica, pois, a aceitação de Jesus Cristo como o único caminho para a salvação.
3. Recebendo o batismo ordenado por Jesus (Atos 2:38). Através do batismo nos
identificamos com Cristo e com Seu corpo, a Igreja. Não devemos procurar tornar-nos membros da
Igreja sem o batismo, pois é ele o sinal externo de nosso compromisso com Cristo. Pelo batismo nas
águas, possuímos novidade de vida; e vivemos em um corpo, a Igreja, para Deus e para os outros
(Rm. 6:3,4).
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Estudo 16

A CEIA DO SENHOR
Introdução: A Ceia do Senhor é uma participação nos emblemas do corpo e do sangue de Jesus,
como expressão de fé nele, nosso Senhor e Salvador. As passagens acerca da Ceia do Senhor
encontradas em I Coríntios constituem o relato escrito mais antigo, a respeito da Ceia, em o Novo
Testamento. Este rito é citado com nomes variados pelos apóstolos: 1) “O partir do pão”; 2) “A
mesa do Senhor”; 3) “A Ceia do Senhor”; 4) “A Comunhão”.
Paulo apresenta a Ceia como um memorial da morte de Cristo. Os homens constroem seus
memoriais com os materiais mais duráveis possíveis que se podem achar. Cristo, por outro lado,
escolheu material muito frágil e perecível para servir como memorial: pão e vinho. Isto significa
que Jesus não esperava que seu monumento durasse devido à substância da qual foi feito. Muito
mais, Ele sabia que a permanência de seu memorial dependeria do amor de Deus no coração do seu
povo.

I- A CERIMÔNIA DA HUMILDADE – JOÃO 13:1-17

1. A ocasião. A Santa Ceia foi instituída por Jesus na noite anterior à Festa da Páscoa. Foi
nessa ocasião que Ele instituiu a cerimônia da humildade para a Igreja – o lava-pés. As
circunstâncias que favoreceram este rito se deu quando os discípulos disputavam entre si sobre
quem era o maior no meio deles (Lc. 22:24-27). Ao chegarem ao cenáculo, para comemorarem a
Ceia da Páscoa, nenhum deles ofereceu-se a lavar os pés uns dos outros, pois o ato de lavar os pés
antes da refeição era comum no meio judaico, mas nem mesmo aos escravos judeus se pedia
executar tarefas tão servis. Jesus, porém, demonstrou que a grandeza verdadeira consiste não no
lugar onde se assenta, mas no modo como se serve. Foi desta forma que ele instituiu este rito para
sua Igreja celebrar antes da Santa Ceia.
2. O significado do ato. Enquanto prosseguia a disputa pelo lugar mais elevado, Jesus
ajoelhou-se e lavou os pés dos discípulos. O Salvador abaixou-se para servir, demonstrando com
isso o trajeto percorrido por Ele desde o trono de Seu Pai. O ato de lavar os pés demonstra assim a
mais alta purificação feita na cruz do Calvário, limpando-nos dos pecados e da impureza, porém
mostra-nos também a necessidade da confissão diária e reconhecimento de que constantemente nos
vemos ainda enredados pelo pecado. Dessa forma podemos afirmar que o lava-pés é uma
preparação essencial para o serviço da comunhão. Pelo ato de nosso Senhor, esta cerimônia tornou-
se uma ordenança consagrada. Devia ser observada pelos discípulos, a fim de poderem conservar
sempre em mente Suas lições de humildade e serviço.

II- COMPREENDENDO A CEIA DO SENHOR

1. A ocasião (Mt. 26:26-30; Lc. 22:17-20). Esta ordenança foi instituída por Cristo na
noite em foi traído. A ocasião que Jesus escolheu para instituir a Ceia foi na Festa da Páscoa anual,
dos judeus, a qual era comemorada no dia 14 do primeiro mês, no calendário hebraico. Visto que
era a última páscoa antes da morte de Jesus, ele especialmente quis comemorar esta páscoa com os
apóstolos. Durante a Ceia da Páscoa, havia quatro (taças) cálices de vinho, os quais eram bebidos
cerimonialmente. Tomando um destes cálices, Jesus instituiu a Ceia do Senhor.
2. Os elementos usados (I Co. 11:23-25). O pão que Jesus usou na Ceia do Senhor era um
pão sem fermento da Festa da Páscoa. Durante sete dias, naquele período, os judeus comeriam
somente pão sem fermento. Isto era para lembrar-lhes de sua saída apressada do Egito (Êx. 12:39).
O conceito que o fermento representa o mal é outro ponto de vista de evidência em favor do pão
sem fermento (I Co. 5:6-8).
A Segunda parte da Ceia do Senhor é referida como o “Cálice” ou “o Fruto da Vide”. O
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termo “fruto da vide” se refere ao suco de uva. Deus tinha se referido ao suco de uva como o
“sangue de uva” (Dt. 32:14). Isto é significante para que Jesus escolhesse o “sangue de uva” como
figura do “sangue da aliança”, o sangue de nosso Salvador. Este, por sua vez, também era bebido
sem fermento e sem álcool na semana da Páscoa.

III- O SIGNIFICADO DA CEIA DO SENHOR – I CORÍNTIOS 11:25,26

1. Um memorial da morte de Cristo. É nos dito expressamente que a Ceia do Senhor


simboliza a morte de nosso Senhor. Em outras palavras, ao observar a Ceia do Senhor a Igreja está
lembrando a si própria e ao mundo o fato de Cristo ter morrido. A razão de ser dessa ordenação,
portanto, é a de manter viva no cristão a lembrança do sacrifício vicário de Cristo, e de impressionar
o mundo com a necessidade de um sacrifício assim pelo pecado.
2. A proclamação da morte de Cristo. É certo que a proclamação do evangelho também
inclui a apresentação do significado da morte de Jesus, pois o apóstolo Paulo diz que quando nós
participamos da Ceia nós proclamamos a morte do Senhor. A Ceia do Senhor é um marco da nossa
salvação. A Ceia do Senhor proclama que o homem é redimido e recebe perdão dos pecados pelo
sangue de Cristo (Ef. 1:7; I Pd. 1:18-20).
3. A proclamação da vinda de Cristo. Na Ceia nós proclamamos a volta do Senhor. Paulo
afirma que quando nós participamos da Ceia do Senhor, “proclamamos a morte do Senhor até que
ele venha”. A Mesa do Senhor volta a memória ao calvário onde nossa salvação se tornou possível.
Também aponta para o dia em que Cristo voltará e nossa salvação será completamente realizada.
Esta é a grande consumação do plano da redenção quando os redimidos de todos os tempos serão
reunidos para estar com o seu Senhor que os salvou do pecado. Somente aqueles que,
verdadeiramente, antecipam sua Segunda Vinda consistentemente participarão desta ceia.

IV- COMO PARTICIPAR DA CEIA DO SENHOR

Quando Jesus instituiu a Ceia do Senhor, ele não especificou o tempo ou freqüência da
observância. Ele simplesmente disse: “Fazei isto em memória de mim”. Porém quanto à
participação da mesma existem certas restrições às quais devemos observá-las:

1. Os Cristãos devem participar da Ceia como membros do corpo de Cristo (I Co.


10:16,17). O reconhecimento de participação em unidade com os outros, no significado da morte de
Cristo. Significa comunhão com outros cristãos. Centraliza-se em uma verificação em direção ao
alto, uma percepção da presença do Senhor Vivo, uma participação em sua morte sacrificial,
mediante a fé e uma proclamação, em palavras e em obras, do significado de sua morte no tempo
presente da salvação.
2. Fazer um exame pessoal antes da Ceia é de fundamental importância (I Co. 11:27-
28). O apóstolo aconselha dizendo que “examine-se, pois, o homem a si mesmo e assim coma do
pão e beba do cálice”. De fato, os cristãos devem refletir a respeito dos requisitos intensamente
importantes que uma significativa observância da Ceia do Senhor acarreta: a) ela requer um exame
da vida interior – uma verificação da vida íntima do cristão; b) ela requer um exame exterior – o
reconhecimento de participação em unidade com os outros, no significado da morte de Cristo.
Significa comunhão com outros cristãos. Centraliza-se em uma verificação em direção ao alto, uma
percepção da presença do Senhor Vivo, uma participação em sua morte sacrificial, mediante a fé e
uma proclamação, em palavras e em obras, do significado de sua morte no tempo presente da
salvação; c) a ceia requer também um exame anterior - um exame do que ficou para trás, uma
memória vivificada do Crucificado, que morreu pelo homem; d) a ceia requer um exame posterior -
um exame do que está adiante, da esperança do seu segundo advento. Na Ceia do Senhor, a igreja
dá testemunho da esperança que tem.
3. Não podemos participar da Ceia do Senhor de forma indigna (I Co. 11:29). O que
significa participar “indignamente”? Cada um que participa da Ceia do Senhor deverá examinar-se
47

para estar certo de que está participando de maneira correta, discernindo o verdadeiro significado do
memorial. A palavra “indignamente” é freqüentemente mal entendida. Ela não descreve a dignidade
da pessoa (ninguém é verdadeiramente digno de comunhão com Cristo). Esta palavra descreve o
modo de participar. A pessoa que não leva a sério esta comemoração está menosprezando o
sacrifício de Cristo e está se condenando por não discernir o corpo de Cristo. Por esta razão,
devemos ser muito cuidadosos cada vez que participarmos da Ceia do Senhor. É imperativo que
esqueçamos as preocupações mundanas e prestemos atenção exclusivamente à morte de Cristo. Se
tratarmos a Ceia do Senhor como um mero ritual, ou se a tomarmos levianamente e deixarmos de
meditar no seu significado, condenamo-nos diante de Deus.
48

Estudo 17

DOUTRINA DA FÉ CRISTÃ

Introdução: Não existe no mundo uma única pessoa que não tenha fé; a própria vida o prova
quando fazemos coisas que exigem certa dose de convicção. Esse é o tipo de convicção que
chamamos de fé natural. Mas entre tantas demonstrações de fé, falta ainda no coração do homem
aquela fé essencial, sem a qual ele não pode viver em paz: a fé em Deus. Neste estudo vamos
aprender sobre a “fé” que é o termo usado para identificar a verdade que o cristão dá crédito ou
como qualquer outro termo para o cristianismo (Jd. 3).

I- DEFINIÇÃO DO QUE É FÉ

Em Hebreus 11:1 encontramos a definição clássica da fé cristã: “Ora, a fé é a certeza de


cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. Assim, pois:

1. Fé é esperança no futuro (Rm. 4:16-21; Hb. 11:17-19). Ao contrário do que muitos


pensam, a fé não cria as coisas pelas quais esperamos. A fé não transforma a vida em um sonho
com os olhos abertos. Pelo contrário, a fé traz, para o presente, as coisas que Deus já preparou para
nós no futuro, e as torna reais agora. Ela baseia-se na mais clara luz que Deus pode dar ao homem e
nas suas inabaláveis promessas.
2. Fé é convicção de fatos. Quando o escritor aos Hebreus diz que a fé é “a convicção de
fatos que não se vêem”, está querendo nos dizer que a fé cristã não é uma emoção caprichosa,
transitória. Ela se apóia na rocha da convicção de que as grandes realidades da vida são as coisas
que não vemos. Desta forma, a convicção no dá a firme certeza de que as melhores bênçãos de Deus
ainda estão no futuro.

II- A NECESSIDADE DA FÉ NA VIDA CRISTÃ

1. Ela aproxima o homem de Deus (Hb. 10:22,23). O objetivo da verdadeira religião é


aproximar o homem de Deus. Aqueles que se aproximam de Deus precisam crer em duas coisas:
primeiro, que Ele existe; segundo, que ele é galardoador dos que o buscam. Não basta apenas crer
que Deus existe, é preciso também crer que ele se importa conosco.
2. Ela abre o caminho da salvação (Rm. 10:8-10). A fé é útil, não significando
simplesmente uma bagagem religiosa, informação ou crença. Ela é mais que entendimento ou
compreensão. Ela é algo capaz de modificar a sua vida, pois fé é ação. Muitas pessoas que se
consideram cristãs crêem que Jesus morreu na cruz pela salvação do mundo, mas até hoje não
confiaram nEle por um ato pessoal de fé. Crer em Jesus não salva ninguém. Para ser salvo de seus
pecados você precisa depositar sua fé em Jesus. A fé que salva não é fé na doutrina da salvação;
tampouco na igreja que prega sobre a vida eterna; ou na tradição de uma família cristã. A fé é um
ato de entrega pessoal a Deus.

III- COMO RECEBER A FÉ

1. Pela leitura da palavra de Deus (Rm. 10:17). Quanto a isto não há segredo: de nada
serve à vida espiritual aquela fé natural que todo o mundo possui, e que nos ajuda a viver neste
mundo. Para ele só adianta a fé em Deus, fé esta que é gerada pelo fato de ouvirmos e lermos a
Palavra de Deus. É importante perceber a grande diferença entre inspiração, entusiasmo e fé
genuína. As pessoas podem ser inspiradas por outros a fazerem certas coisas, ou ficarem
entusiasmadas com o que outras fazem ou dizem, porém a fé genuína é unicamente baseada na
Palavra de Deus e tem como único propósito fazer ou pedir coisas que agradem a Deus (I Jo.
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5:4,14,15).
2. A fé resulta de uma aceitação do testemunho ou evidência (Jo. 5:46,47). As
Escrituras indicam claramente que a fé é produzida pela aceitação da evidência concernente a
Cristo. Esta passagem demonstra claramente que a fé cristã, como toda outra fé, deve repousar
sobre o testemunho de Jesus, que é anunciada tanto nos livros de Moisés (o Pentateuco), nos
Profetas, como também nas palavras de Jesus (Lc. 24:27).

IV- FÉ E OBEDIÊNCIA

Muitas pessoas estão confundidas sobre a exata relação da fé e obediência. Alguns sentem
que há um conflito entre as duas. Contudo um estudo mais cuidadoso das Escrituras indicará que
em vez da fé e obediência sendo duas ações separadas, elas são realmente duas partes de um todo.

1. A obediência da fé (Rm. 1:5; At. 6:7). O que Paulo quer dizer por “obediência da fé”?
É a obediência que a fé produz ao corpo objetivo de ensinamentos encontrados abundantemente nas
Escrituras. Paulo está afirmando que o evangelho deve ser pregado para produzir obediência que é
produzida pela fé divina.
2. A obediência é simplesmente a fé em ação (Tg. 2:14-26). Isto é o que Tiago pretendeu
dizer quando disse que a fé, se não expressada em obediência ou ação, não é verdadeira fé. Até
mesmo os demônios crêem que Jesus existe, mas sua fé nunca resulta em obediência. Um homem
não tem a verdadeira fé a menos que ela o guie em obediência a Deus.

V- OS RESULTADOS DA FÉ

A importância da fé não pode ser ignorada, uma vez que é o mais alto princípio na vida
cristã.

1. A fé assegura a salvação para o homem (Atos 15:9; Ef. 2:8). Em todos os tempos,
Deus tem salvado o homem e o abençoado com o princípio da fé. Como foi afirmado antes, quando
as Escrituras falam em ser salvo pela fé, é entendido que esta fé é manifestada em obediência.
2. A fé agrada a Deus (Hb. 11:6). Talvez o maior insulto que o homem faz a Deus, é
duvidar da Sua Palavra (a Bíblia). Jesus repreendeu os seus discípulos por causa da fraqueza muitas
vezes mais do que por causa de qualquer falta. A dúvida demonstra a nossa falta de confiança no
amor, na graça e no poder de Deus para abençoar o homem.
3. A fé traz paz e justificação ao coração do homem (Rm. 5:1). Jesus afirmou que o
conforto para as tristezas e incertezas só seria achado na genuína fé em Deus e também nele. A fé é
indispensável a uma vida feliz, e só é feliz aquele que está em paz com Deus. Neste contato com o
Criador é fundamental demonstrar fé nEle.
50

Estudo 18

A ORAÇÃO
Introdução: “Oração é comunicação com Deus. É um diálogo entre duas pessoas que se amam
mutuamente: Deus e o Homem”. Deus está interessado em tudo o que você faz. Assim sendo, Ele
tem prazer na oração de seus filhos (Pv. 15:8). Comunicar-se com Deus é um dos grandes
privilégios daqueles que já se tornaram filhos de Deus. A oração, dessa forma, é um dos elementos
básicos da vida cristã.

I- PRECISAMOS APRENDER A ORAR

Em Lucas 11:1 vemos que pela observação, os discípulos verificaram que na vida de Jesus a
oração era o segredo do poder, isso forneceu a ocasião para o pedido dos discípulos. Não era
incomum um discípulo pedir instruções do seu rabi (mestre) quanto à oração, principalmente estes,
que agora estavam vivendo uma nova vida em Jesus. Por semelhante modo, os cristãos devem
procurar adquirir o hábito da oração em sua nova vida com Cristo, pois esta constitui o segredo da
vitória sobre a tentação e o pecado.

II- PROPÓSITOS DA ORAÇÃO

1. Glorificar a Deus (Jo. 14:13,14). Jesus prometeu aos discípulos que faria tudo o que
estes pedissem em seu nome, isto é, coerente com sua natureza revelada por sua vida terrena. Ao
atender estes pedidos, feitos em oração, o nome do Pai poderia ser glorificado, isto é exaltado pelos
homens.
2. Satisfazer as nossas necessidades básicas (Hb. 4:16). Segundo o escritor aos Hebreus
podemos, com ousadia e confiança, nos aproximar do trono da graça, com a plena certeza de que
encontraremos ajuda para nossas necessidades pessoais, e isso o fazemos por meio da oração.
3. Obter respostas de Deus para situações específicas (Mt. 7:7,8). Pedi, buscai, batei
significa primariamente uma predisposição para Deus, para sua instrução, orientação ou dádivas.
Pode ser que a pessoa não receba o que pede, não encontre o que busca, e a porta a que está batendo
pode não ser a que se abrirá; mas a certeza é que, onde houver pedidos, haverá resposta, onde
houver busca, haverá encontro, e onde houver batidas insistentes, Deus abrirá a porta.
4. Obter vitória sobre as tentações (Mt. 26:41; Ef. 6:10-18). A ordem para vigiar e orar
não era somente para os discípulos, mas para todos os cristãos, em todas as épocas, para suportarem
as provas e tentações. Nessa vigilância e oração estão os verdadeiros armamentos para a guerra do
cristão (II Co. 10:3-5).
5. Apresentar a Deus as nossas preocupações (Fl. 4:6,7). Oração é mais do que pedir,
porém pode pedir. A fé pode pedir, mas nunca exigir. Pedir é confiar no outro. Exigir é confiar em
si mesmo. É preciso que apresentemos os nossos pedidos diante de Deus, não que Deus queira ser
informado ou que roguemos a ele. É que precisamos pedir, para nos havermos com as nossas
necessidades, reconhecê-las e procurar solucioná-los.

III- SEGREDOS DA ORAÇÃO

1. Pedir e crer (Mt. 21:22). Deus deseja atender, mas quer que nós peçamos. Isto não
significa que Deus desconheça as nossas necessidades. Ele sabe o que precisamos antes mesmo que
lho peçamos (Mt. 6:8). Mas Deus quer que reconheçamos a nossa dependência dele (Atos 17:25).
2. Pedir de acordo com a vontade de Deus (I Jo. 5:14,15). “Se pedimos alguma coisa
segundo a sua vontade, ele nos ouve”. A condição é: segundo a sua vontade. Portanto, Deus não
atende uma oração egoísta que não é feita segundo a Sua palavra, a Bíblia (Sl. 37:4; I Jo. 3:22). A
51

vontade de Deus deve sempre estar em primeiro lugar em nossas orações.


3. Orar em nome de Jesus (Jo. 16:23,24). Orar em nome de Jesus significa mais do que
simplesmente mencionar-lhe o nome no começo e fim da oração. Significa a aceitação do seu
sacrifício, a crença nas Suas promessas e o fazer as Suas obras.
4. Confiar na intercessão do Espírito Santo (Rm. 8:26). O Espírito Santo está
constantemente intercedendo em favor do homem. Ele atua em nosso coração, ocasionando orações
de arrependimento, louvor e ações de graças. A ajuda do Espírito Santo é necessária por causa da
fraqueza e ignorância humanas.
5. Ser perseverante (Lc. 11:5-13). Devemos perseverar orando, quando aparentemente a
resposta demora. A benção de Deus é às vezes retardada para que examinemos nossa condição e
vejamos as falhas do nosso caráter, ou para nos provar a fé.
6. Orar com sinceridade (Hb. 10:22). Não adianta tentarmos enganar a Deus com orações
fingidas, ou mostrarmos uma espiritualidade que não possuímos, ou ainda usarmos palavras que
nem mesmo nós entendemos. Uma oração insincera, pretensiosa é sempre uma abominação para
Deus (Lc. 18:9-14). Nossas orações devem ser simples, diretas e sinceras.

IV- OBSTÁCULOS À ORAÇÃO

1. Não pedir com fé (Tg. 1:5-8). A verdadeira oração exige fé, sem vacilações (Hb. 11:6).
Tiago não apenas encoraja-nos a orarmos, mas também enfatiza que a oração precisa estar no
contexto da confiança em Deus. Duvidar, aqui, refere-se à indecisão e aplica-se à pessoa que deseja
tanto confiar em Deus quanto andar em seu próprio caminho.
2. Pedir com motivos errados (Tg. 4:3). Muito do que pedimos a Deus não é o melhor.
Pedimos muitas vezes e não recebemos porque pedimos mal. São os deleites, os prazeres, que nos
levam a pedir mal, de forma deslocada da vontade divina. Uma condição da oração eficaz é que nós
devemos ser desinteressados. Devemos colocar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua vontade.
3. Pecados não confessados (Sl. 66:18; Pv. 28:13). Deus é um Deus santo. Não há pecado
Nele e Ele não tolerará o pecado. Estes versículos se referem a pecado na vida dos Seus filhos.
Quando Ele diz que não ouvirá Ele está falando de ouvir provavelmente os pedidos feitos em
oração, pois o pecado nos afasta de Deus (Is. 59:1,2).
4. Desobediência à Lei de Deus (Pv. 28:9). A oração daquele que, deliberadamente,
desobedece à Palavra se torna abominável diante de Deus, pois a transgressão da lei constitui-se em
pecado (I Jo. 3:4), e Deus, sendo Santo, não pode compactuar com ele.
5. Usar repetições vazias e orar para agradar pessoas (Mt. 6:5-8). Há pessoas que
ensaiam orações, que programam como vão falar. Isto não é oração; é um desempenho. Os fariseus
gostavam de orar em pé nas esquinas das praças para sem vistos e admirados pelos homens. Jesus
não condena a oração em público, mas sim a exibição vaidosa. O ficar repetindo uma oração era
uma característica dos pagãos. Tal atitude é como se a oração fosse um esforço para vencer a má
vontade de Deus em responder, cansando-o com palavras. Jesus usa aqui o termo grego batologeo
(vãs repetições, falar sem pensar), que significa emitir sons sem sentido, tal qual fazem alguns
cristãos quando oram sem saber o que realmente estão falando com Deus.
6. Problemas na vida familiar (I Pd. 3:7). Uma atitude errada do marido para com a
mulher, ou vice versa, pode ser nociva à oração do casal. Como podem orar juntos, se atitudes de
inimizade e atos de ressentimento e desdém se lhes interpõem? Ressentimentos que se originam da
conduta egoísta no lar torna impossível a oração eficaz. A oração eficaz tem de ser “sem ira e
rancor” (I Tm. 2:8).

V- ELEMENTOS DA ORAÇÃO

1. Louvor e adoração (Atos 16:24-26; Ap. 4:11). Uma parte importante da oração é o
louvor e adoração, pois é a expressão de puro amor a Deus. Da mesma forma que as petições
indicam as necessidades de uma pessoa, o louvor e adoração refletem a atitude de uma pessoa para
52

com Deus.
2. Ações de graças (I Ts. 5:18). É o reconhecimento cheio de gratidão de que Deus está
interessado em nossas vidas. A oração não é só para pedir, mas muito mais, para agradecer. Ao
orarmos devemos tomar tempo para expressar ao Senhor a nossa apreciação por Suas inúmeras
bênçãos, e o nosso agradecimento por elas.
3. Confissão (I Jo. 1:9). Apresentar o pecado específico para Deus é um elemento
fundamental para a oração eficaz. Confessar significa literalmente “dizer a mesma coisa que Deus
diz com respeito ao pecado” ou “ter a mesma visão que Deus tem”.
4. Intercessão (Atos 12:5-10; I Tm. 2:1). É a oração em favor de outras pessoas. Devemos
orar pelas autoridades constituídas, para que tenhamos paz e também pela ampliação do reino de
Deus na terra.
5. Petição (Jr. 29:12,13; Jo. 16:24). Consiste em apresentarmos nossos pedidos pessoais a
Deus, pois a oração sempre vem de um senso de necessidade. A necessidade unida com a fé resulta
em recompensa daqueles que buscam a Deus diligentemente. Até mesmo Deus conhece nossas
necessidades antes de lhe pedirmos e tem prazer em supri-las (Fl. 4:19).

VI- QUANDO ORAR?

1. Sempre (I Ts. 5:17). A oração deve ser a nossa atitude constante, pois ela é tanto uma
atitude como uma atividade. A atitude de devoção a Deus pode ser sem cessar, mesmo que a
atividade não for sem cessar.
2. Momentos específicos que separamos exclusivamente para oração (Mt. 6:6). Aqui
Jesus fala de um tipo ou forma de oração individual, isto é, somente nós e Deus. Este momento de
oração é essencial para nós. A porta fechada é de extrema importância espiritual. Pois a porta
fechada tem duplo efeito: ela exclui e encerra.
3. Em qualquer circunstância (Ne. 2:4). A oração pode ser feita em qualquer lugar, em
qualquer circunstância e em qualquer momento que nos vermos diante de uma dificuldade ou ao
necessitarmos de uma resposta divina.
4. Publicamente (Atos 4:23-31). A oração pública é aquela que fazemos junto com outras
pessoas. É também chamada de oração coletiva. Apesar de Jesus incentivar a oração particular (no
nosso quarto), também orava em público (Lc. 10:21,22; Jo. 11:41,42).
53

Estudo 19

A GRAÇA DE DEUS
Introdução: Um dos mais belos aspectos da fé cristã é o da graça de Deus. A palavra graça vem do
grego charis (ocorre 156 vezes no Novo Testamento) e significa favor imerecido, referindo-se
sempre ao infinito amor de Deus e a tudo que Seu amor O levou a fazer para a nossa salvação.
A graça de Deus não somente abrange o imerecido favor estendido aos pecadores, mas
também a dádiva de poder habilitar Seus filhos a cumprirem a Sua vontade. Sobre este assunto
existem três posições teológicas, sendo que duas são extremas, e uma moderada.

I- DOUTRINAS SOBRE A GRAÇA

1. A doutrina da segurança eterna (Rm. 6:1,2; Jd. 4). Esta doutrina garante que, uma
vez aceito o pecador como filho de Deus, nada do que ele venha fazer o pode arrebatar de Suas
mãos. Se assim fosse, a graça de Deus não passaria de simples licença para pecar.
2. A doutrina da salvação pelas obras (Gl. 5:4). Há os que temem a graça de Deus; que
suspeitam da bondade divina. Para eles a santificação é resultado de um esforço de sua própria
vontade, condicionada a sua salvação na obediência à lista de proibições e regulamentos ensinados
pela sua igreja.
3. A doutrina da salvação pela graça (II Co. 8:9). Em Adão todos nós herdamos o
pecado e perdemos o direito da vida eterna. Porém, Jesus Cristo veio a este mundo para atribuir-nos
este direito.

II- A IMPORTÂNCIA DA GRAÇA NA VIDA CRISTÃ

1. A salvação vem pela graça (Rm. 3:23,24). Tão somente através da graça vem a
salvação. O pecador é incapaz de ajudar-se a si próprio, quanto mais pensar em sua própria
salvação. A idéia da salvação foi concebida por Deus, e do céu ele enviou Seu Filho para nos salvar.
Portanto, salvação é obra divina, completa e perfeita (Ef. 2:8,9). A graça é “Dom” de Deus, ou seja,
uma dádiva, um presente para a humanidade (Rm. 6:23).
A razão de sermos salvos pela graça é “... para que ninguém se glorie”. Pessoa alguma, por
mais santa que seja, recebe a salvação de seus pecados por seus méritos (I Tm. 1:15).
2. A vida cristã depende da Graça (Tt. 2:11-14). Ignorar a graça de Deus na vida cristã é
um grave erro, pois é pela graça que somos salvos, e é através dela que vivemos. Veja o que Paulo
diz em Col. 2:6: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele”. Como se recebe
Jesus como salvador? Pela graça. A sua salvação depende única e exclusivamente da graça e toda a
sua vida deve ser baseada nela.
3. A graça é liberdade para crescer (II Pd. 3:18). Um aspecto fundamental para a
compreensão da vida cristã é o de que todo mundo nasce débil, pequeno e ignorante (sem
conhecimento). A graça então nos proporciona o ambiente ideal para o crescimento espiritual.
4. A graça enriquece e informa (I Co. 1:4,5, 26). A vida dos coríntios é marcada pela
graça de Deus. Embora os coríntios sejam, em sua maioria, materialmente pobres, pela graça de
Deus, são espiritualmente ricos, porque foram enriquecidos em “toda Palavra e em todo
conhecimento (compreensão espiritual)”.
5. A graça é o poder pelo qual os cristãos realizam boas obras (II Co. 9:8,14). Paulo
afirma que Deus nos propicia os meios para agirmos generosamente, corretamente com relação às
outras pessoas. A lição do texto é de que só podemos dar aquilo que recebemos diretamente de
Deus.
54

III- LEI E GRAÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

Muitas pessoas não conseguem perceber que a lei e a graça revelam o mesmo aspecto da
natureza divina. Se por um lado a Lei revela a justiça e santidade de Deus, por outro, a Graça revela
o seu lado misericordioso, amoroso e benigno. A graça sempre se manifestou aos homens, mesmo
no Antigo Testamento:

1. A graça no jardim do Éden (Gn. 3:15; II Tm. 1:9). A graça já era plano de Deus antes
mesmo da queda do homem. No Éden encontramos a promessa de um Salvador e Redentor da
humanidade. Este Salvador poria fim ao poder de Satanás em enganar a humanidade, conduzindo-a
ao pecado.
2. A graça de Deus na morte do cordeiro (Gn. 3:21; Ap. 13:8). Por causa do pecado do
homem um cordeiro teve de ser sacrificado. O sangue de um inocente foi derramado e a pele do
animal serviu como vestimenta (justiça). Este cordeiro, de acordo com João, é a prefiguração de
Jesus Cristo que morreria em nosso lugar (Jo. 1:29), manifestando dessa forma a graça de Deus
(perdão, clemência, favor divino imerecido pelo homem).
3. A graça de Deus na vida de Davi (Sl. 32:1,2; 51:1-12). Estes dois salmos foram
escritos por Davi. Ao perceber o pecado que havia cometido e a iminência de perder a presença do
Espírito Santo ele clama pela misericórdia de Deus. Misericórdia (hessed, no hebraico) tem o seu
correspondente etimológico na palavra grega charis. Isto é, “misericórdia” no hebraico é a mesma
palavra “graça” do Novo Testamento.

IV- DEBAIXO DA GRAÇA E NÃO DA LEI

Há dois erros contra os quais os filhos de Deus devem precaver-se: O primeiro é o de tomar
em consideração as suas próprias obras, confiando em qualquer coisa que possam fazer, a fim de
conseguirem a salvação (Ef. 2:5-9; Rm. 11:6). O erro oposto é o de que a crença em Cristo isente o
homem da observância da Lei de Deus; que, visto como só pela fé é que nos tornamos participantes
da graça de Cristo, nossas obras nada têm que ver com nossa redenção.

1. Debaixo da lei (Rm. 6:14 a). Que significa a frase “debaixo da lei”? É evidente que em
certo sentido todos os homens, a raça humana toda, estão debaixo da lei de Deus, debaixo de sua
jurisdição, de seu domínio, uma vez que a Terra pertence a Deus e é parte de seu universo.
Certamente Paulo não queria dizer que os cristãos não estão debaixo da lei neste sentido. Logo a
frase “não estais debaixo da lei” deve significar “não debaixo da condenação da lei” já que a pessoa
está em Cristo (Rm. 8:1).
2. Debaixo da graça (Rm. 6:14 b). Que significa estar “debaixo da graça”? Uma vez que a
graça é definida como favor, disposição de mostrar bondade, clemência, misericórdia, perdão, favor
divino imerecido pelo homem, o estar “debaixo da graça” significa estar sob o favor de Deus, sob
Sua misericórdia, sob Seu perdão.
55

Estudo 20

A LEI DE DEUS

Introdução: Um dos assuntos mais importantes da teologia bíblica é a Lei. Este tema tem chamado
a atenção de estudiosos desde o início da história do cristianismo.
Na língua hebraica a palavra “lei” tem um sentido bastante abrangente designando um
ensinamento dado por Deus para regular a conduta do homem. Pode-se dizer que a lei, dada a Israel
sob a liderança de Moisés, é o eixo central do qual circula toda a vida do povo escolhido por Deus.
A lei dos mandamentos também ocupa papel importante no Novo Testamento. Em resumo,
pode-se dizer que, na visão do Novo Testamento (especialmente nos escritos de Paulo), ela tem o
objetivo de apontar para Cristo, o único que pode salvar. “Porque a finalidade da Lei é Cristo para
justificação de todo o que crê” (Rm. 10:4, A Bíblia de Jerusalém).
Este estudo tem o objetivo, ainda que resumidamente, ver um pouco do que a Bíblia ensina
sobre a Lei de Deus.

I- A CLASSIFICAÇÃO DA LEI

Mesmo um exame superficial dos textos que falam sobre este assunto, é capaz de mostrar
como a lei do povo de Israel era ampla o bastante para cobrir uma vasta área de atividades. Um
certo estudioso da Bíblia sugeriu que a lei do Antigo Testamento pode, significativamente, dividir-
se em três aspectos: Cerimonial (as observâncias rituais que apontavam para a frente, para a
expiação final em Cristo); Judicial ou Civil (as leis que Deus prescreveu para uso no governo civil
de Israel), e Moral (corpo de preceitos morais de aplicação universal, permanente, a toda a
humanidade). Poderíamos ainda classificar a Lei da seguinte forma:

1. Criminal ou Civil. O aspecto, dessa lei, abrange os preceitos dados a Israel para o
governo do seu estado civil. Previa, inclusive, pena de morte para alguns delitos (Êx. 21:12,15,17;
22:18,20; Lv. 20:10-16,27, etc.).
2. Circunstancial. Lei que deveria ser aplicada conforme o caso, a circunstância ou a
situação. Geralmente inicia-se com um “se”, que transmite idéia de condição. Os seguintes textos
dão vários exemplos de leis circunstanciais (Êx. 22:1-17; Dt. 15:12-17).
3. Familiar. A instituição familiar tinha grande peso na vida do povo de Israel. Por isso
havia leis que regulamentavam, por exemplo, o castigo aos filhos rebeldes (Dt. 21:15-21), a
castidade e o casamento (Dt. 22:13-30), a herança dos filhos primogênitos.
4. Cerimonial. Outro aspecto importantíssimo da vida de Israel era o culto ao Senhor.
Diversas leis, que tratavam do ritual de culto, abrangiam os vários sacrifícios e ritos cerimoniais que
serviram como figuras ou tipos que apontavam para o Redentor vindouro, conforme Hebreus nos
capítulos 7 a 10. Vários textos do Antigo Testamento confirmam que os israelitas tinham concepção
do significado espiritual desses ritos e cerimônias (Lv. 20:25,26; Sl.26:6; 51:17; Is. 1:16). Diversos
textos do Novo Testamento diferenciam o aspecto cerimonial da lei e apontam para seu
cumprimento em Cristo (Ef. 2:14,15; Hb. 7:26-28; 9:9-15; 10:1-12).
5. Sanitárias e alimentar. Havia também as chamadas “leis sanitárias”, que
regulamentavam sobre a higiene, a alimentação, etc. Como exemplos de leis sanitárias e alimentares
podem-se citar as coletâneas de leis que aparecem em Levítico.
6. Caridade. Outra característica da lei de Israel, que freqüentemente é ignorada, é o
aspecto humanitário que ela apresenta. Estas leis incluíam proteção aos fracos: viúvas, órfãos,
levitas e estrangeiros (Êx. 22:21-24); justiça para com os pobres (Ex. 22:25); imparcialidade (Ex.
23:6-8); generosidade por ocasião da colheita (Lv. 19:9-10); respeito pelas pessoas e pela
propriedade, mesmo de um inimigo (Ex. 23:4,5); o pagamento imediato de salários ganhos pelo
trabalhador contratado (Lv. 19:13); sensibilidade para com as pessoas de quem se tomavam objetos
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como penhor (Ex. 22:26,27); consideração para com as pessoas recém-casadas (Dt. 20:5-7; 24:5) e
até mesmo cuidado para com os animais, domésticos e selvagens, e com as árvores frutíferas (Dt.
20:19,20; 22:6,7; 25:4).
7. Moral. Diz respeito aos Dez Mandamentos (Ex. 20:1-17). Esta lei reflete a natureza e
perfeição moral de Deus. Uma vez que a natureza moral de Deus permanece inalterável, Sua lei
também o é, e ela é tão aplicável ao crente hodierno quanto o foi aos crentes aos quais foi dada. O
cristão está justificado do poder condenador da lei (Rm. 8:1-3), mas ainda permanece sob sua
ordem de obediência como guia para a vida reta diante de Deus (Rm. 3:31; I Co. 6:9-20).

II- CONTRASTE ENTRE A LEI MORAL E CERIMONIAL

Há passagens das cartas de Paulo em que ele deixa claro que existe mais de uma lei (Ef.
2:15; Rm. 3:31). Nestes dois textos citados Paulo usou a mesma raiz grega para as palavras aqui
traduzidas por “desfez” e “anulamos”. Esta raiz, katargeo, significa “tornar inoperante”, “fazer
cessar”, “afastar” alguma coisa, “anular”, “abolir”. A uma igreja Paulo afirma que a lei foi desfeita
e a outra, falando sobre a anulação da lei, ele exclama: “de maneira nenhuma”. Obviamente Paulo
deve estar falando de duas leis diferentes.
Vejamos, abaixo, alguns aspectos dessas leis.

1. A Lei Moral (Ex. 20:1-17). A Lei Moral, os Dez Mandamentos, chamamos Lei de
Deus. Esta lei vem da eternidade. Os princípios desta lei são a base do governo de Deus. Foi escrita
pelo “dedo de Deus” em duas “tábuas de pedra” (Êx. 31:18), denotando, com isso, sua autoria e
tempo de duração (eterna). É denominada: “a Lei Real” (Tg. 2:8). Ela era guardada dentro da Arca
da Aliança, a qual foi vista por João, na sua visão, no templo de Deus (Êx. 40:20; Ap. 11:19). É
uma lei perfeita (Sl. 19:7,8). Nem tampouco é anulada pela fé (Rm. 3:31).
2. A Lei Cerimonial (Ef. 2:15; Cl. 2:14). A Lei Cerimonial continha sete sábados
semanais (Lv. 23:27; 23:32); foi desfeita por Cristo em seu sacrifício. Foi escrita por Moisés num
livro, o qual foi colocado ao lado da Arca da Aliança (Dt. 31:9,24-26), denotando com isso a
temporalidade da lei, freqüentemente chamada de “Lei de Moisés” – título dado aos cinco primeiros
livros do Antigo Testamento(Atos 15:5), veio a existir depois da queda do homem. A Lei
Cerimonial “nenhuma coisa aperfeiçoou” (Hb. 7:19). Esta lei “consistia em manjares e bebidas, e
várias abluções e justificações da carne” e sacrifícios, e destinava-se a chamar a atenção para a
primeira vinda de Jesus (Hb. 9:10). Com Sua morte, essa lei foi “cravada na cruz”; era transitória
(Hb. 10:1).

III- A NATUREZA DA LEI DE DEUS

1. A lei é eterna e imutável (Mt. 5:18). A expressão do versículo citado deixa evidente o
fato irrefutável de que a lei é eterna. É eterna porque se baseia na imutável natureza de Deus e nas
relações permanentes do homem sobre a terra.
2. A lei é santa e justa (Rm. 7:12). O mandamento é santo por origem, visto que provém
de Deus, justo por natureza, uma vez que expressa a Sua vontade; bom em seus efeitos, visto que
serve ao Seu propósito de levar o homem à sua origem santa.
3. A lei é espiritual (Rm. 7:14). Conforme o pensamento hebraico, o que é espiritual está
ao lado de Deus, assim como o que é carnal está ao lado do homem. O homem espiritual pode
cumprir a lei (Rm. 8:1-4).
4. A lei é boa (Rm. 7:16; I Tm. 1:8). Paulo enfatiza um ponto muito importante: “a lei é
boa”. O que Paulo deseja dizer com essa afirmação é que ela desmascara o pecado, isto é, mostra a
pecaminosidade humana. É coisa boa, pois, alerta-nos que o pecado é um instrumento que produz a
morte.
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IV- OS PROPÓSITOS DA LEI

1. Santificação (Lv. 20:7,8). A lei foi dada para a santificação do povo. Este texto do livro
de Levítico diz claramente que uma das razões de ser da lei é a santificação do povo escolhido. Um
dos principais atributos, isto é, das características de Deus é a santidade. O Deus, que é santo, quer
que seu povo também seja santo. Israel deveria ser diferente de seus vizinhos que não serviam ao
Deus verdadeiro. Esta diferença era proveniente da obediência à lei, produtora de santidade para o
povo (I Pd. 1:15,16).
2. Apontar o pecado (Gl. 3:19). A lei “foi adicionada por causa das transgressões”. A Lei
Moral foi dada por Deus para dar ao pecado o caráter de transgressão (Rm. 4:15; 7:7,8). Ela torna
claro o que é pecado, especificando as transgressões. Assim, a lei prova conclusivamente a natureza
pecadora do homem (Rm. 3:20).
3. Conduzir a Cristo ( Rm. 10:4 ;Gl. 3:24). A palavra traduzida por “aio” é paidagogos no
texto grego, e significa: preceptor ou tutor de crianças. Assim também a lei é um tutor, protetor e
guia, e o seu objetivo é o de conduzir-nos a Cristo, o qual através de Sua morte na cruz proveu a
justificação pela fé como realidade histórica (Rm. 5:15-18).

V- CRISTO E A LEI

1. Jesus viveu sob a Lei (Gl. 4:4,5). Cristo nasceu e viveu no período anterior à cruz, em
que a lei era a principal revelação de Deus à humanidade. Ele veio fazer a revelação suprema, mas
viveu como judeu, sob o sistema judaico. Durante Sua vida terrestre Ele submeteu-se a todos os
preceitos da lei (Jo. 15:10). Foi bem sucedido naquilo em que todos os outros fracassaram: cumpriu
perfeitamente a justiça da lei.
2. Jesus não ab-rogou a Lei (Mt. 5:17-19). Estes versículos constituem uma resposta
tanto para as acusações farisaicas de que Jesus estava destruindo “a lei e os profetas” (as duas partes
do Antigo Testamento), como também desmentindo a idéia de que a liberdade em Cristo significava
a abolição da Lei. Ele não veio para abolir, mas para cumprir. Cumprir não significa apenas levar a
efeito as predições, mas a realização da intenção da Lei e dos Profetas. A salvação é dádiva de Deus
em misericórdia e perdão, mas os Seus requisitos por isso não perdem a força.
3. Jesus resumiu a Lei em dois mandamentos (Mt. 22:34-40). Os fariseus haviam
descoberto que as leis eram em número de 613, sendo que 365 proibições e 248 mandamentos
positivos. Jesus, ao citar Dt. 6:5, faz do amor não apenas o grande mandamento, mas também a
essência e cumprimento da lei e dos profetas. Isso significa que o duplo mandamento para amar é o
princípio da interpretação das Escrituras. Também significa que, ao executarmos a lei de amor para
com Deus (do primeiro ao quarto mandamento) e ao próximo (do quinto ao décimo mandamento),
todas as leis de Deus são cumpridas, pois aquela é a essência da Lei (Rm. 13:8-10).
58

Estudo 21

O DIA DO SENHOR

Introdução: Vamos tratar de um assunto relevante, o Sábado. Um estudo cuidadoso a este respeito,
tanto do ponto de vista doutrinário como histórico deixará bem claro que o dever do homem de
guardar o Sábado permanece enquanto ele existir sobre a terra.
A palavra “Sábado” vem do hebraico shabath, significa: desistir, cessar, acabar, pausa,
interromper, donde vem a idéia de descanso. Logo depois que se completou a grande obra da
criação, foi instituído o Sábado (Gn. 2:1-3), e, por causa da sua origem divina, é dia que se deve
santificar perpetuamente.

I- A INSTITUIÇÃO DO SÁBADO – GÊNESIS 2:1-3

1. O Sábado foi instituído no fim da Criação. No fim da semana da Criação, quando os


três reinos (mineral, vegetal e animal), tinham saído com absoluta perfeição da mão do Criador,
Deus estabeleceu o Sábado. A observância do Sábado não era desconhecida antes da entrega da lei
no Sinai, como supõem muitos cristãos. Ela não é uma instituição privativa dos judeus. O Sábado é
uma instituição que existe desde a Criação.
2. O Sábado foi abençoado e santificado por Deus. Após haver concluído todo o trabalho
da criação, Deus descansou no sétimo dia e lhe conferiu a benção e a santificação, dois atributos
que nenhum outro dia da semana possui. O Criador descansou não porque estivesse cansado, mas
para dar exemplo ao homem criado (Is. 40:28). Deus o separou dos demais dias para nele o homem
também santificar o Seu nome. Santo ou santificado quer dizer: separado para o fim do que é santo.

II- O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. O Sábado foi observado por Abraão, o pai da fé (Gn. 26:5). Tanto no Antigo como no
Novo Testamento, a experiência de Abraão é apresentada como grande exemplo de justiça pela fé
em Cristo (Gl. 3:6-14). Abraão obedeceu, porém, às leis de Deus. A observância do Sábado não era
uma experiência legalista para ele. Constituía uma benção, pois era um ato de fé no seu Criador.
2. O Sábado foi observado antes de ser dada a lei no Monte Sinai (Êx. 16:4,5,16-30). Os
israelitas foram lembrados do Sábado antes da entrega dos Dez Mandamentos no Sinai. Eles deviam
colher uma porção dobrada de maná no sexto dia, a fim de santificar o Sábado do sétimo dia. O
período de escravidão no Egito (400 anos) interrompera a prática de sua observância religiosa.
Depois do Êxodo, o Senhor reapresentou o Sábado. Note atentamente as palavras “prova” e “lei” no
verso 4. Elas indicam claramente a existência da lei e do Sábado como prova de lealdade antes do
Sinai.
3. A observância do Sábado foi incluída no quarto mandamento da Lei de Deus (Êx.
20:8-11). Quando Deus entregou Sua lei na forma escrita, incluiu o Sábado como o dia de repouso.
Entre os dez mandamentos só no quarto pode-se identificar o Criador do Universo. É o centro da
Lei e sinal entre Deus e o Seu povo (Êx. 31:12-17; Ez. 20:12,20). Entre os Dez Mandamentos, o 4º
é o mais citado pelos escritores sagrados, demonstrando isto que Deus teve o cuidado de sempre
lembrar ao homem o seu dever de santificá-lo.

III- CRISTO E O SÁBADO

1. O Sábado foi observado por Jesus em seu ministério terreno (Lc. 4:14-16,31). A
visita de Jesus à sinagoga da cidade em que Ele residiu ocorreu no fim de uma série de pregações e
ensinos aos sábados. Em regra, tanto a presença de Jesus como a de Paulo, numa sinagoga, indicam
a observância do Sábado. O “costume” de Jesus era freqüentar, regularmente, a sinagoga aos
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sábados, enfatiza o escritor Lucas.


2. O Sábado e todos os demais mandamentos foram defendidos por Jesus (Mt. 5:17-
20). Jesus respondeu as acusações farisaicas de que estava destruindo a lei e os profetas (as duas
partes mais importantes do Antigo Testamento), dizendo que não veio para abolir a Lei ou os
Profetas. Ele não veio para abolir, mas para cumprir. Cumprir não significa apenas levar a efeito as
predições, mas a realização da intenção da Lei e dos profetas. Dessa forma ele reafirma que num só
“i” (iota: letra menor do alfabeto grego) nem um só “til” (um pequeno acento que formava parte de
uma letra hebraica) passariam, mas que a lei toda iria ser cumprida.
3. Jesus reafirmou a verdadeira instituição do Sábado (Mc. 2:23-28). Os rabis haviam
publicado, no Talmude, uma lista de 39 grandes trabalhos proibidos no Sábado. Cada um desses
trabalhos se dividia em outros menores, que também eram proibidos. Colher, debulhar e joeirar
faziam parte dessa lista. Foi por isso que os fariseus acusaram a Jesus de não reprimir Seus
discípulos. Então Jesus disse: “O Sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por
causa do Sábado”. O Sábado foi estabelecido para ser uma bênção, benefício, não um fardo. Por
esta razão, Jesus, que instituiu o Sábado, não o cobriu de muitas ordens negativas e positivas. Ele
expôs um princípio que todo indivíduo deve interpretar por si mesmo. O preceito positivo de Cristo
para a observância do sábado é o seguinte: “é lícito fazer bem aos sábados” (Mt. 12:12). A ocasião
em que Ele proferiu estas palavras foi durante a cura, no Sábado, do homem da mão ressequida.

IV- OS APÓSTOLOS E O SÁBADO

1. O Sábado foi observado pelos seguidores de Jesus após sua morte (Lc. 23:54-56).
“Preparação” é a palavra judaica para Sexta-feira. Nessa época do ano, o Sábado começava,
aproximadamente, às 18 horas. As mulheres prepararam as especiarias e ungüentos, substâncias
aromáticas usadas para ungir o corpo dos mortos, antes do Sábado, enquanto esperavam uma
primeira oportunidade para uma visita ao túmulo. Porém, “no Sábado repousaram conforme o
mandamento”. Como Mateus relata que a primeira visita deu-se ao pôr-do-sol no dia de Sábado
(Mt. 28:1), entende-se que o verdadeiro Sábado bíblico é o período de vinte e quatro horas do pôr-
do-sol da sexta-feira ao pôr-do-sol do Sábado (Lv. 23:32; Ne. 13:19; Mc. 1:21).
2. O Sábado foi observado pelos Apóstolos em Antioquia (Atos 13:14,15; 42-44). Essas
reuniões de Sábado ocorreram durante um período de dez anos (cerca de 45 a 55 d.C.). Por que
Lucas relatou todas essas reuniões que os apóstolos realizaram no Sábado, sem dizer uma só palavra
sobre alguma mudança com relação ao Sábado? Por certo, se houvesse algum conselho inspirado
para prestar culto noutro dia, ou para não prestar culto em dia algum, Lucas teria mencionado isso.
3. O Sábado era observado mesmo onde não havia Igreja (Atos 16:12-15). Em Filipos,
Paulo e seus auxiliares guardaram o Sábado “junto do rio”. Eles não foram lá porque o lugar era
conveniente para se encontrarem com judeu; e, sim, porque nesse local lhes “pareceu haver um
lugar de oração”. O relato demonstra que os apóstolos observaram o Sábado como dia de oração e
testemunho.
4. O Sábado foi também observado em Tessalônica e Corinto (Atos 17:1,2; 18:1,4,11).
Alguns cristãos crêem que Paulo ia às sinagogas no dia de Sábado só porque podia encontrar ali
uma assistência de judeus dispostos a ouvir o evangelho. Sem dúvida, Paulo usava as sinagogas
como centro evangelístico; mas ele guardava o Sábado, quer fosse a sinagoga, quer não.

V- TIRANDO DÚVIDAS SOBRE O SÁBADO

1. Diferença entre o Sábado moral e os Sábados cerimoniais (Ez. 20:12,20; Os. 2:11).
As Escrituras Sagradas fazem referência clara a dois sábados. A saber: o Sábado moral e o Sábado
cerimonial. Um é o Sábado do sétimo dia da semana. O outro ocorria em datas fixas do ano, como
se fosse um feriado nacional, visto que em hebraico não existe um termo para a expressão “feriado”,
pois a própria palavra shabath significa cessar, pausa (veja Êx. 5:4,5, onde se usa a mesma palavra
no original), denotando, portanto, um descanso religioso (como os que temos no Brasil). Assim é
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que, em forma ampla, shabath assinalava certos dias de festa instituídos por quando se exigia a
pausa do trabalho, mas que necessariamente não caíam no dia da semana cognominado Sábado (Lv.
16:29-31). Esses Sábados cerimoniais eram em número de sete. Eles tinham uma finalidade: “Eram
sombras das coisas futuras” (Hb. 10:1). Esses festivais sabáticos eram os seguintes: 1) Páscoa – 15º
dia do primeiro mês; 2) Festa dos Pães Asmos – 21º dia do primeiro mês; 3) Festa das Primícias
(Pentecostes) – 6º dia do terceiro mês; 4) Memória da Jubilação (Festa das Trombetas) – 1º dia do
sétimo mês; 5) Dia da Expiação – 10º dia do sétimo mês; 6) 1º Dia da Festa dos Tabernáculos – 15º
dia do sétimo mês; 7) Último Dia da Festa dos Tabernáculos – 22º dia do sétimo mês.
2. O Sábado que foi abolido por Deus (Cl. 2:14-17). Como já dissemos anteriormente,
todos aqueles sábados cerimoniais apontavam para um futuro, ou seja, para Cristo, sendo dessa
forma cravados na cruz do calvário, uma vez que já tinham cumprido o seu propósito profético.
3. A instituição do Domingo como dia de guarda (Dn. 7:25). Na primeira parte do quarto
século, Constantino, o imperador romano, se tornou cristão. Ele ainda era pagão quando decretou
que os escritórios do governo, cortes e as oficinas dos artesãos deveriam fechar no primeiro dia da
semana, “o venerável dia do Sol”, como era chamado. E foi naquele mesmo século que o Concílio
de Laodicéia (321 d.C.) expressou a preferência pelo domingo. Uma vez que muitos cristãos tinham
sido adoradores do Sol antes de sua conversão ao cristianismo (os adoradores do Sol guardavam o
primeiro dia da semana há séculos), tornar o domingo um costume cristão seria uma vantagem para
a igreja.
Assim, por vários séculos, ambos os dias foram observados lado a lado. De fato, essa prática
paralela continuou até o século VI com o verdadeiro sábado sendo observado em muitas áreas do
mundo cristão. Mas com o paganismo se infiltrando na igreja, sob a influência tanto da
popularidade como da perseguição, o domingo foi enfatizado cada vez mais, e o sábado cada vez
menos. Os escritos dos pais da igreja primitiva nos contam a história. Eles traçaram o caminho da
apostasia. Eles registraram as práticas da igreja primitiva. Nenhum escritor eclesiástico dos
primeiros três séculos atribuiu a origem da observância do domingo a Cristo nem aos apóstolos.
Augusto Neander, um dos principais historiadores da era cristã, escreveu: “O festival do
domingo, como todos os outros festivais, era apenas uma ordenança humana, e estava longe da
intenção dos apóstolos estabelecer um mandamento divino a esse respeito. Não era intenção deles
nem da igreja apostólica primitiva transferir as leis do sábado para o domingo” (A História da
Religião e da Igreja Cristã, p. 186).
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Estudo 22

O DIA DA MORTE DE JESUS

Introdução: Em que dia morreu e ressuscitou Jesus Cristo? Para a maioria dos cristãos a resposta à
esta pergunta é: “morreu na Sexta-feira e ressuscitou no Domingo de Páscoa”. Porém não é tão
simples assim. Examinando as Escrituras encontraremos a verdade sobre o dia da morte de Jesus na
Cruz. O presente estudo tem como objetivo examinar uma série de textos bíblicos que o farão
entender melhor os fatos que envolveram a pessoa de Cristo com relação à sua morte e ressurreição.

I- A PÁSCOA: SUA RELAÇÃO COM A MORTE DE CRISTO

Há uma estreita relação entre a antiga Páscoa judaica e a morte de Cristo. E não se pode
analisar os fatos que culminaram com Sua morte sem se levar em conta a relação existente entre ela
e a Páscoa que lhe serviu de sombra (Cl. 2:17).

1. A instituição da Páscoa (Êx. 12:1-14; Dt. 16:6,16; Nm. 28:17,18). A Páscoa era
celebrada no dia 14 de Abibe, que mais tarde tornou-se conhecido como mês de Nisã. Este era o
primeiro mês do calendário hebraico (o que corresponde a março/abril do calendário atual). A data
da Páscoa era fixa, diferindo da Páscoa cristã, pois esta correspondia à lua cheia do equinócio de
inverno. A Páscoa comemorava a libertação do cativeiro egípcio. O cordeiro escolhido, para esse
jantar familiar, deveria ser separado no dia 10 e imolado no dia 14, no crepúsculo da tarde. O
décimo quinto dia, o primeiro dos festejos pascais era separado para o repouso (em hebraico
“shabbat”), nele não se fazia nenhuma obra. Do décimo sexto ao vigésimo primeiro dia eram os
dias dos pães ázimos (sem fermento); e no vigésimo segundo dia, observava-se um novo repouso
(Lv. 23:8).
2. Os elementos da Páscoa (Êx. 12:5). O cordeiro, a ser morto na ocasião da Páscoa,
deveria ter um ano de idade e ser perfeito. Essa exigência divina no tocante ao cordeiro justificava-
se por ser ele uma representação de Cristo, o Filho de Deus (Jo. 1:29). Ainda havia naquela
composição: pão asmo e ervas amargosas. O pão da Páscoa precisava ser asmo ou ázimo, isto é,
sem fermento, e não podia haver nenhum traço de impureza, significada pelo fermento (Êx. 12:18-
20), pois prefigurava o Cristo (também sem pecado); e as ervas amargosas os sofrimentos de Israel,
e o ministério de Jesus com suas aflições (Jo.19:17).
3. A morte de Jesus e sua relação com a Páscoa (I Co. 5:7). Jesus, como o Cordeiro de
Deus, é a nossa Páscoa e comemora a libertação da escravidão do pecado. Relacionada ao
ministério público de Jesus, a Páscoa é algo determinante que faz coincidir, também, no mesmo dia
e hora a morte de Jesus. O cordeiro da Páscoa era imolado à tarde do décimo quarto dia de Nisã e
comido depois ao pôr-do-sol. Da mesma forma que o cordeiro pascal lembra a salvação da
escravidão do Egito, Cristo, o cordeiro pascal, lembra a salvação do pecado.

II- A DETERMINAÇÃO DA DATA DA MORTE DE JESUS

Vamos agora descobrir o ano da crucificação de Jesus, tendo já descoberto que o dia da Sua
morte se deu no dia 14 de Abibe, quando se comemorava a Páscoa.

1. A profecia de Daniel (Dn. 9:24-27). O anjo explicou a Daniel que passaria 69 semanas
proféticas desde a saída da ordem de restaurar e edificar Jerusalém até ao Messias, o Príncipe. Na
profecia de Daniel, a palavra semana, segundo se entende no contexto, significam 7 anos. Tomando
isso por base, faremos o cálculo para saber o tempo em que apareceria o Messias. Segundo as
Escrituras, desde que se deu a ordem para a restauração de Jerusalém nos dias do rei Artaxerxes,
que foi no ano 457 a.C. (Ne. 2:1), até o dia quando chegasse o Messias, passariam 483 anos (69x7 =
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483 – 457 = 26). Este tempo cumpriu-se literalmente no batismo de Jesus, quando João o batizou no
rio Jordão, iniciando, assim o seu ministério no outono do ano 27 d.C. Segundo a profecia, o
Príncipe seria tirado (morto) no meio da septuagésima semana profética, ou seja, três anos e meio
depois do concerto, o que se deu no ano 31 d.C.
2. A ano da Sua morte (Lc .3:1-3). Lucas declara que João Batista começou a batizar no
décimo quinto ano do reinado de Tibério César, o imperador romano. Isso ocorreu 15 anos após o
ano 12 d.C., quando começou a reinar com Augusto. Portanto, temos aqui o ano do batismo de
Jesus, que se deu no ano 27 d.C. O ministério de Jesus foi de três anos e meio, o que somado aos
27, somos transportados ao ano 31 d.C. Sendo assim, temos o ano 31 como sendo o ano da morte de
Cristo.
3. O sinal da sua morte (Mt. 12:40). Há três palavras gregas para designar milagres: a)
teras, coisa maravilhosa; b) dunamis, poder maravilhoso; c) semeion, uma prova ou sinal
sobrenatural. Os judeus pediram um sinal para Jesus. Para confirmar a obra de Jesus, haveria o
maior prodígio de todos. O tempo de permanência na sepultura foi dado por Jesus como o sinal da
Sua messianidade. Esse tempo seria, segundo Jesus, de três dias e três noites. A analogia a Jonas
serviu ao propósito de Jesus para apontar para Sua ressurreição.

III- O MINISTÉRIO DA ÚLTIMA SEMANA

Um cuidadoso exame dos textos bíblicos vai mostrar com suficiente clareza onde Jesus
esteve em cada um dos dias da última semana de Seu ministério terreno. Entretanto, é oportuno
esclarecer que os acontecimentos narrados nos evangelhos não obedecem a nenhuma ordem
cronológica. A despeito disto, porém, é possível ordenar-se boa parte dos acontecimentos, inclusive
porque a maioria ocorreu durante a última semana.

1. Sexta-feira anterior à morte (Jo. 12:1; Lc. 13:22). Jesus saiu de Efraim e se dirigiu
para Betânia. Isso ocorreu 6 dias antes da comemoração da Páscoa dos judeus. Isto significa que a
referida saída ocorreu no dia 9. O percurso entre Efraim e Betânia não poderia ser feito senão em
um dia comum de trabalho, em razão da distância, cerca de vinte quilômetros.
2. Sábado anterior à morte (Lc. 13:10, 31-33; 14:1; 18:31-34; 19:1-5). Jesus ensina
numa sinagoga. Neste mesmo dia vamos encontrá-lo participando de um banquete. De acordo com
o costume judaico, o Senhor não teria prosseguido com Sua viagem no Sábado. No final daquele
Sábado, Jesus foi informado de que Herodes procurava ocasião para matá-lo, e isso fez com que se
retirasse dali com Seus discípulos para Jericó (Mc. 10:46,51-52). Porém, antes de sair, mandou
dizer a Herodes que tinha uma agenda a ser cumprida, abrangendo três dias de intensa atividade e
que só depois disso, seria consumado. Naquela noite, Jesus pousou na casa de Zaqueu, em Jericó.
3. Primeiro dia da semana anterior à morte (Mt. 20:29; 21:1-11). Pela manhã do
primeiro dia da semana, Jesus juntou-se à uma caravana de peregrinos vindo da região da Peréia,
dalém do Jordão, e com eles entrou em Jerusalém, montado em um jumentinho. Nesse mesmo dia
expulsou os cambistas do templo (Lc. 19:45,46). À noite, retirou-se para Betânia, onde pousou (Mc.
11:11). Chegava ao fim o primeiro dia da sua agenda de trabalhos mencionada em Lucas 13:31-33.
4. Segunda-feira anterior à morte (Mt. 26:1, 14-16, 22). Jesus voltou à Jerusalém na
manhã de Segunda-feira, dia 12 de Abibe, indo ao templo, onde ficou ensinando (os ensinos são os
que estão em Mateus 21:23 a 25:46). Mateus registra que “daqui a dois dias é a Páscoa...”. E ele
ainda acrescenta que é nesse dia que “o Filho do homem será entregue para ser crucificado”. Isto
iria ocorrer no dia 14 de Abibe, numa Quarta-feira, o último dos 6 dias de João 12:1 e também o
último dos 3 dias mencionados em Lucas. Ainda nesse mesmo dia Judas procurou o príncipe dos
sacerdotes para combinar o preço da traição.
5. Terça-feira anterior à morte (Lc. 22:17-19). Ao pôr-do-sol daquele dia Jesus mandou
preparar o local dos preparativos da Páscoa que seria comido ao entardecer do dia 14. Jesus, porém,
antecipou para a noite do dia 13 (Terça-feira), comendo assim a Páscoa com seus discípulos uma
noite antes do normal. Depois se levantou da mesa e lavou-lhes os pés (Jo. 13:1-17) e instituiu a
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Santa Ceia (Mt. 26:26-29). Logo após anunciou a traição dando um bocado de pão a Judas que saiu
para chamar os soldados, “e era já noite” (Jo. 13:30). Jesus deu as últimas instruções aos Seus
discípulos (Jo. 13:31 a 17:26). Depois saiu com eles para além do ribeiro de Cedrom, onde havia
um horto “e Judas, que o traia, também conhecia aquele lugar” (Jo. 18:1,2). Logo após, Judas chega
com soldados, “a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio ali com lanternas, tochas
e armas” para prenderem a Jesus. Os discípulos fogem, deixando Jesus sozinho. Ainda nessa mesma
noite, Ele foi levado perante Anás (Jo. 18:3,12,13).

IV- O DIA DA MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS

Já pudemos observar que a última Páscoa comemorada por Jesus ocorreu no ano 31 d.C., e o
cordeiro pascal, segundo as Escrituras, devia morrer exatamente no dia 14 do mês de Abibe.
Vejamos agora em que dia ocorreu a morte do nosso Salvador.

1. O dia da Sua morte (Lc. 22:66-71; 23:6-12; Jo. 18:39,40). Cedo, de manhã, na Quarta-
feira, dia 14 de Abibe, Jesus foi levado da casa de Caifás para a audiência com Pilatos. Antes,
passou pelo julgamento formal diante do Sinédrio. Pilatos enviou Jesus a Herodes. Herodes enviou
Jesus novamente a Pilatos, que soltou a Barrabás (Mt. 27:15,16,26). Jesus é coroado, espancado e
forçado a levar a cruz até o monte do Gólgota, onde é crucificado entre dois ladrões (Mt. 27:27-38),
e desde a hora sexta (meio-dia) até a hora nona (três horas após meio-dia) houve trevas. Houve um
grande terremoto e o véu do templo se rasgou em duas partes (Mt. 27:45,51). À hora nona Jesus
expirou, e caindo a tarde, José de Arimatéia foi ter com Pilatos para pedir o corpo de Jesus. A
seguir, com Nicodemos, prepararam o corpo para o sepultamento (Mt. 27:57-60; Jo. 19:38-42), e o
sepultaram num sepulcro novo, ao pôr-do-sol. A partir daqui começam “os três dias e três noites”.
2. A preparação dos Judeus (Mt. 27:62). Sendo Jesus crucificado na Quarta-feira, o dia
imediato, Quinta-feira, era o dia chamado “o grande Sábado” (feriado judaico, Jo. 19:31); era o dia
15 de Abibe ou Nisã, o primeiro dia após o sacrifício do cordeiro pascoal. Este dia da preparação
não era a Sexta-feira, mas sim o preparo dos judeus para a Páscoa (Mt. 26:1-5; Mc. 14:1,2). Esse é o
motivo de Mateus não ter usado o termo “Sábado”, para não ser confundido com esse dia.
3. O dia da ressurreição (Mt. 28:1). Mateus registra que “no findar do Sábado, quando já
despontava o primeiro dia da semana”, as mulheres foram ver o sepulcro de Jesus. É importante
notar que o dia hebraico termina no pôr-do-sol. Portanto, fica evidente que Jesus ressuscitou no pôr-
do-sol do Sábado, e não no Domingo de manhã, como é ensinado por muitos. A ressurreição de
Jesus teria de se dar no Sábado, ao pôr-do-sol, no momento exato quando se completariam os três
dias e as três noites – no seio da terra. Relembremos aqui o tempo: Jesus passou na sepultura, as
noites de: Quarta para Quinta; de Quinta para Sexta e de Sexta para o Sábado = três noites; passou
os dias de: Quinta, Sexta e Sábado o dia todo até o momento da ressurreição, no findar do dia,
segundo as Escrituras = três dias. Portanto, “três dias e três noites” (veja o diagrama).
Gráfico Ilustrativo

Sepultamento Ressurreição
Mateus 27:57 Mateus 28:1

Domingo Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado

Noite
Dia

Lucas 13:31-33 Mateus 12:40


“Três dias e três noites”
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V- A HARMONIA DOS EVANGELHOS

Há textos que se apresentam como forte objeção ao assunto; porém, o estudo dos mesmos
ajuda a entender essas coisas. Quando comparados uns com os outros: a causa justa aparece.
Vejamos como se harmonizam os evangelhos.

1. A preparação das mulheres (Mc. 16:1,2; Lc. 23:53-56). Lucas registra a preparação
das mulheres antes do Sábado e Marcos depois do Sábado. Como se explica isso? É importante
lembrar que aquela semana teve dois sábados: o Sábado pascal e o sétimo dia. O Sábado pascal era
comemorado no dia 15 de Abibe (não importava o dia da semana em que caísse). Neste dia era feita
a “santa convocação” (Lv. 23:6,7). Assim fica claro que as mulheres compraram as especiarias na
Sexta-feira daquela semana, e que o escritor Marcos faz referência ao Sábado pascal, o qual ocorreu
numa Quinta-feira, enquanto Lucas menciona o Sábado do sétimo dia da semana.
2. A ressurreição no primeiro dia da semana (Mc. 16:9). A Bíblia, quando foi escrita,
não tinha as divisões de capítulos e versículos, como tem agora, tampouco, a pontuação, pois os
textos eram escritos à mão e em ordem seguida, mesmo sem separação de palavras. Por
conseguinte, a vírgula que aparece logo após a palavra “semana” não foi colocada por Marcos.
Porém quando a pontuação entrou em vigor, foi colocada de acordo com o pensamento da
ressurreição no primeiro dia da semana. Entretanto, o texto precisa ser lido com a pontuação da
seguinte maneira: “E tendo Jesus ressuscitado, na manhã do primeiro dia da semana, apareceu
primeiramente a Maria madalena, da qual tinha expulsado sete demônios”. A referência do primeiro
dia é então ao encontro de Jesus com Maria e não à ressurreição.
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Estudo 23

MORDOMIA CRISTÃ

Introdução: O termo “Mordomia” abrange várias fases da responsabilidade cristã tais como o dar o
tempo e talentos tão bem quanto bênçãos materiais. Este estudo, no entanto será limitado ao que
Deus ensina sobre a adoração do homem através da oferta. A Palavra de Deus tem muito a dizer a
respeito disto. Nós estudaremos os princípios básicos sobre os quais a oferta cristã repousa.

I- TODAS AS COISAS PERTENCEM A DEUS

O Senhor nos deu tudo que o amor podia prover. Sua dádiva mais generosa é o livre-arbítrio
ou faculdade de escolha. Nós mesmos decidimos o que faremos com as dádivas concedidas pelo
amor divino. E para tomar a decisão correta, precisamos reconhecer que tudo o que temos e somos
provém de Deus. Aqui estão um pouco das coisas que a Bíblia diz pertencer a Deus.

1. Prata e ouro (Ag. 2:8). “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos”.
2. Os rios (Ez. 29:9). “Porque ele disse: O rio é meu, e Eu o fiz”.
3. Toda a terra e pessoas (Sl. 24:1,2). A Deus pertence o título de toda a terra. Ele
alegremente concede ao homem o privilégio de continuar morando nela por um curto tempo. Deus
relembra Israel, em Êxodo 19:5: “Porque toda a terra é minha”.
4. Nossos corpos (I Co. 6:19,20). “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito
Santo, que habita em vós, proveniente de Deus e que não sois de vós mesmos?”.

II- TODO CRISTÃO É UM MORDOMO

O Cristão dedicado aceita o fato de que Deus é o proprietário de tudo e de que Seus filhos
são os administradores dessas dádivas (Mt. 6:25-34). Um mordomo é uma pessoa que supervisiona
e administra em favor de seu proprietário. Paulo diz que a principal qualificação para um mordomo
é a fidelidade. “Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” (I Co. 4:2).

III- MORDOMIA É ENTREGA TOTAL

No sentido mais amplo, a mordomia pode ser definida como a completa e irrestrita entrega
de nós mesmos a Jesus Cristo (Lc. 12:15). Nossa responsabilidade para com Deus e para com os
seres humanos não depende da quantidade ou da qualidade de nossas posses materiais. Nossa
mordomia se baseia em dois fatos salientados nos textos que seguem:

1. A entrega de Jesus por nós (II Co. 8:9). A base de toda mordomia é a vida e morte de
nosso Senhor Jesus Cristo. Mordomia é abnegação e altruísmo. É entregar-se completamente a
Deus e prestar serviços aos semelhantes. Quando vemos a vida simples que Jesus levou e a morte
horrível que Ele suportou, como podemos reter aquilo que o Salvador pede de nós? Cristo não deu
somente o que tinha; deu-se a Si mesmo. Isto é mordomia da espécie mais elevada.
2. A nossa entrega pessoal a Jesus (Rm. 12:1,2). A mordomia de entrega total da vida
consiste em muito mais do que doações financeiras. Com efeito, as dádivas materiais só constituem
uma pequena parte daquilo que aqueles que resolvem seguir a Deus têm o prazer de dedicar-lhe.
Mas o que fazemos com os meios que Ele nos concedeu torna-se uma boa indicação de que nos
entregamos, ou não, completamente a Ele.
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IV- O DÍZIMO COMO FORMA DE MORDOMIA

1. Sua prática voluntária (Gn. 14:18-20; 28:20-22). Antes que Deus revelasse uma lei
escrita a Moisés, para governar os descendentes de Israel, encontramos duas ocasiões quando
homens deram ou prometeram dízimos a Deus. Depois do resgate de pessoas e de bens que tinham
sido tomados de Sodoma numa guerra, Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, o sacerdote de Deus.
Mais tarde, Jacó (o neto de Abraão) prometeu devolver a Deus o Dízimo de sua prosperidade. Estes
dízimos parecem ter sido voluntários, o que deixa ainda mais claro quais são os atos de um coração
agradecido a Deus.
2. Sua prática ordenada por Deus (Lv. 27:30-33). É indiscutivelmente claro que Deus
ordenou o dízimo na Lei que Ele deu através de Moisés. Muitas passagens mostram essa exigência.
O dízimo era uma característica da relação especial entre Deus e o povo escolhido de Israel. A
manutenção dessa lei era necessária para mostrar que eles eram um povo separado, escolhido.
3. Sua prática confirmada por Jesus (Mt. 23:23; Lc. 10:7). Durante sua vida, Jesus
reconheceu a autoridade da lei de Moisés. Jesus criticou os que negligenciavam outros
mandamentos divinos, enquanto zelosamente aplicavam a lei do dízimo, dizendo: “deveis, porém,
fazer estas coisas [dizimar], e não omitir aquelas [praticar o juízo, a misericórdia e a fé]”. Quando
Jesus disse que o obreiro é digno do seu salário, Ele estava confirmando que aquele que serve à
Causa, deve ter o seu sustento mantido pela Igreja.
4. Sua prática validada no ministério Apostólico (I Co. 9:7-14; II Co. 11:8). Como já foi
dito, o dízimo foi destinado à manutenção do ministério daqueles que servem na Casa de Deus.
Desde que a missão principal da igreja é espiritual, não é surpresa que as igrejas do Novo
Testamento usassem o dízimo e as ofertas para espalhar o evangelho. Exemplos deste emprego dos
fundos arrecadados incluem o sustento financeiro de homens que pregavam o evangelho, e aos que
serviam como presbíteros em tempo integral nas igrejas locais (I Tm. 5:17-18).

V- AS OFERTAS VOLUNTÁRIAS COMO FORMA DE MORDOMIA

1. Sua prática ordenada por Deus (Dt. 16:16,17; Pv. 3:9, 10). Nossa oferta deve ser
constante para Deus, isto porque as bênçãos sobre nossa vida não cessam. Devemos ser coerentes
para com Deus. Segundo Salomão, o fiel mordomo que oferta ao Senhor prosperará em tudo o que
fizer.
2. Sua prática confirmada pelos Apóstolos (Atos 4:34,35; II Co. 9:6-8). O Novo
Testamento estimula o cristão a dar liberalmente; generosamente e alegremente. As palavras “com
alegria” constituem a tradução do vocábulo grego hilaros, do qual proveio o adjetivo hílare (alegre,
contente) em português. Deve haver alegria entusiástica e contagiante ao darmos para Deus não
somente os nossos recursos, mas também todo o nosso ser.

VI- AS BÊNÇÃOS DE DEUS PARA OS MORDOMOS FIÉIS

De acordo com o profeta Malaquias, há quatro bênçãos prometidas ao dizimista (Ml. 3:7-12)

1. Deus promete voltar-se para nós com sua graça. Quando damos um passo com fé para
o Senhor, estamos dando permissão para que a Sua eterna graça nos alcance e isto em todos os
aspectos. Se semearmos bênçãos materiais com certeza colheremos.
2. Deus promete abençoar-nos de forma abundante. Quando somos fiéis a Deus nos
dízimos e ofertas temos a autorização para pedirmos suas bênçãos. A promessa de Deus é que essas
bênçãos serão derramadas de forma abundante sobre nós. Aqui há uma idéia de fartura. Por isso,
bem parafraseou a Bíblia Viva: “Abrirei as janelas do céu e derramarei uma bênção tão grande que
não terão lugar para guardá-la”.
3. Deus promete abençoar nossos investimentos financeiros. O maior investimento
financeiro naquela época era o plantio de uvas, oliveiras e outros cereais. Assim os piores inimigos
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seriam a seca e os gafanhotos (Jl. 1:4). Quando houvesse arrependimento e adoração com dízimos e
ofertas, a bênção voltaria, pois os inimigos da colheita seriam afastados.
4. Deus promete abençoar nossa reputação social. O que Deus quer é que sejamos “bem-
aventurados”, ou seja, felizes, abençoados. Isso só ocorre mediante nossa fidelidade a Deus. Isto
deve nos instigar. Em nossas vidas é possível as pessoas verem o cuidado de Deus por nós?
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Estudo 24

A CONDUTA CRISTÃ

Introdução: Um ponto muito importante no evangelho é a restauração do ser humano. Ela abrange
os aspectos mental, físico, espiritual e social. A autêntica vida cristã não significa que a pessoa não
pode usar isto, ver aquilo ou fazer alguma coisa. Significa, isto sim, que ela pode resolver comer o
que é bom; pode resolver usar o que é decente, modesto e saudável; pode decidir ver e fazer o que é
melhor e mais útil. Se esta atitude significar o abandono de alguma prática ou hábito acariciado, o
cristão sabe que isso é para o seu bem. A relação pessoal com Cristo é mais importante do que
qualquer outra coisa na vida.

I- A VIDA MAIS ABUNDANTE

O sábio Salomão comparou o corpo humano a uma casa com janelas e portas (Ec. 12:3,4).
Séculos depois, o apóstolo Paulo chamou-o de “casa terrestre” (II Co. 5:1,2). Igual a uma casa,
nosso corpo precisa do devido cuidado para tirarmos o pleno proveito dele. Isto por várias razões:

1. A lei da semeadura (Gl. 6:7). O princípio bíblico, de que “ceifamos o que semeamos”,
aplica-se no cuidado que temos com o nosso corpo. A “ceifa” pode ser boa ou má, dependendo de
nós. E não se precisa esperar até que se fique velho para começar a ceifar. Isto começa cedo, às
vezes já muito cedo na vida.
2. O direito de propriedade (I Co. 3:16,17; 6:19,20). Falando do corpo como templo,
Paulo enfatiza que ele deve ser usado – e não abusado – para o objetivo para que foi criado por
Deus. “Não sois de vós mesmos”, de forma que os nossos interesses egoísticos não podem suplantar
os interesses de Deus.
3. O perigo do escândalo (I Co. 10:23,31,32). Paulo, de forma literal, diz: “Não sejais
escandalosos; não causeis problemas, no que depender de vós. Sede sensíveis, como crentes, tanto
quanto possível, para com todas as pessoas, crentes e não-crentes”. A prova da liberdade cristã está
nas reivindicações que ela faz, não para si mesma, e, sim, para os outros (Mt. 18:7).
4. As obras da carne (Gl. 5:16-25). Aqui é apresentada uma ética evangélica completa. O
cristão que não quer “cumprir a cobiça da carne” deve andar de acordo com a orientação do Espírito
Santo. A pessoa que faz mau uso de seu corpo, acaba tendo problemas nas áreas: a) sexual:
pensamentos impuros, ansiedade pelo prazer carnal; b) religiosa: idolatria e feitiçaria; c) social: ódio
e brigas; ciúme e ira; egoísmo, queixas e críticas; o sentimento de que todo mundo está errado; falsa
doutrina, inveja, assassinato, embriaguez, divisões ferozes. A conseqüência é: “os que tais coisas
praticam não herdarão o reino de Deus”.

II- A CONDUTA CRISTÃ - RESPONSABILIDADE DE TODOS

A vida cristã possui um caráter distinto e um padrão característico, e a intenção dela é ser
tanto um desafio quanto uma repreensão para a sociedade contemporânea. Não há nenhuma
autorização para que os cristãos se retirem do mundo, pelo contrário, devemos influenciar o mundo
com a nossa conduta, e isto de duas maneiras:

1. A prática do amor (I Pd. 3:8,9). Pedro fala do dever dos cristãos em viverem o amor de
maneira concreta. É interessante observar que Pedro não fala de maneira teórica sobre o amor.
Antes, ele apresenta de maneira bem prática como o amor pode e deve ser vivido em unidade,
compaixão, amizade fraterna, misericórdia, humildade e perdão.
2. A prática do bem (I Pd. 3:10-12). Na parte final de sua exortação, Pedro cita o Salmo
34:12-16. O sentido destes versículos é a prática do bem. Isto se pode dar das seguintes maneiras: a)
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linguagem limpa: “refreie sua língua do mal”; b) linguagem honesta: “os seus lábios não falem o
engano”; c) vida pacífica: “busque a paz, e siga-a”. As razões para termos essas atitudes são três: a)
os olhos do Senhor estão procurando as pessoas que vivem esse tipo de vida; b) os seus ouvidos
estão atentos às orações dos que vivem essa espécie de vida; c) o seu rosto é contra os que fazem o
mal (Ef. 5:1-7).

III- A CONDUTA CRISTÃ NA SOCIEDADE - I PEDRO 2:11-21

Pedro diz que os cristãos devem ter um comportamento exemplar na sociedade, isto é, um
comportamento digno de ser imitado. Conforme o texto, a conduta cristã exemplar se manifesta de
duas maneiras, uma negativa não fazer algumas coisas) e uma positiva (fazer algumas coisas).

1. Abstenção das paixões carnais (v. 11). Quais são estas paixões mundanas das quais os
cristãos devem se abster? Na epístola de Pedro encontram-se três listas de vícios morais e
espirituais que devem ser evitados, que são: a) maldade, engano, falta de sinceridade, inveja e falar
mal de alguém (I Pd. 2:1); b) imoralidade, desejos carnais, bebedeiras, orgias, embriaguez e
abomináveis idolatrias (I Pd. 4:3); c) assassinato, roubo, crimes em geral e intrometimentos em
questões alheias (I Pd. 4:15).
2. Prática das boas obras (v. 12). O aspecto positivo da conduta cristã na sociedade é a
prática das boas obras. Pedro exorta os cristãos a “praticar o que é bom e a hospitalidade” (I
Pd.4:9). Em um mundo marcado por terríveis injustiças e desigualdades sócio-econômicas, é cada
vez mais necessário que os filhos e filhas de Deus tenham uma conduta social marcada pela justiça
e pelo amor.
3. Liberdade com responsabilidade (vs. 15-17). Os cristãos são livres, mas nunca devem
usar a sua liberdade como desculpa para fazerem o mal. Pelo contrário, o cristão é obrigado a um
poder controlador maior, o reconhecimento de que é um servo de Deus. Portanto, em sua vida toda,
o cristão deve exercitar uma conduta apropriada em todos os relacionamentos: a) deve honrar a
todos, respeitar todos os homens como pessoas; b) deve amar os irmãos em Cristo; c) deve temer a
Deus; d) deve honrar ao rei (ou Presidente da República) como pessoa que é responsável, em última
análise, pela lei e pela ordem civil.
4. Respeito aos superiores (vs. 18-20). “Servos” é a palavra grega usada para designar os
servos da casa ou escravos. Em nossa sociedade não temos escravos. No entanto, há um princípio
de conduta, aqui, que pode ir longe na solução de problemas entre empregados e empregadores.
Pedro enfatiza o dever dos cristãos de demonstrarem submissão respeitosa para com seus
superiores, quer eles sejam maus, bons ou moderados.
5. Imitação de Cristo (v. 21). Com estas palavras, Pedro diz que a conduta ética e moral
dos cristãos na sociedade deve ser cristocêntrica, isto é, deve ter Cristo como modelo, alvo e
conteúdo. Imitar a Cristo na vida é a essência do Cristianismo. Jesus é o exemplo supremo para seus
seguidores. Estes devem aprender com sua vida, suas reações, perante os acontecimentos, e
procurar moldar-se para que seu exemplo seja seguido.

IV- A CONDUTA CRISTÃ E O DEVER DO CASAL

Em qualquer situação, o lar consiste em um dos maiores segmentos da vida em sociedade. O


apóstolo Pedro escreve de maneira didática e instrutiva. Fala primeiramente sobre como as
mulheres cristãs devem viver no lar, e depois sobre como os maridos devem viver com as mesmas.

1. As mulheres devem ter um comportamento honesto e cheio de temor (I Pd. 3:1,2).


De acordo com Pedro, a esposa cristã deve: a) ser submissa ao seu marido. A sujeição da esposa não
tem nada a ver com a suposta superioridade masculina. Significa, antes, aceitação de posição, ou
função; b) não forçar na argumentação como meio de procurar atrair o marido para Cristo; c) honrar
o marido na palavra e no procedimento. Isso só é possível se o modo de vida é caracterizado por
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reverência e pureza. O apóstolo diz que as esposas devem, com sua vida, influenciar positivamente
seus maridos, a fim de ganhá-los para Cristo.
2. Os maridos devem ter consideração e respeito para com as mulheres (I Pd. 3:7). O
apóstolo recomenda aos maridos que tenham consideração para com a fragilidade das mulheres. Isto
se aplica a todos os aspectos da vida das mulheres – emocional, físico, espiritual etc. – em todos
estes, devem receber a consideração de seus maridos. Esta atitude inclui viver a “vida comum do
lar”. Isto indica que os maridos devem viver uma vida de parceria e bom senso, sem dominação ou
imposição. É interessante observar que a maneira como os maridos tratam as mulheres tem
influência na vida espiritual, pois se maltratarem suas esposas, suas orações serão interrompidas. As
mulheres são apresentadas como estando em pé de igualdade com os homens, pois homens e
mulheres são “juntamente herdeiros da mesma graça de vida”. Se os maridos cristãos, da atualidade,
querem ter felicidade no casamento, precisam aprender os conselhos de Pedro quanto à conduta
cristã em casa.

V- ENTRETENIMENTO EQUILIBRADO

Somos chamados para ser um povo piedoso que pensa, sente e age de acordo com os
princípios do céu. Para que o Espírito Santo recrie em nós o caráter de nosso Senhor, nós só
devemos nos envolver naquelas coisas que produzirão em nossa vida pureza, saúde e alegria
semelhantes às de Cristo. Isto significa que nossas diversões e entretenimentos devem corresponder
aos mais altos padrões do gosto e beleza cristãos.

1. Com relação ao que vemos (Mt. 6:22,23). Aquilo que a mente assimila, aprende e
retém é adquirido por meio dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. O mais
poderoso deles é a visão. O tipo de filmes e diversão, no cinema ou na televisão, que escolhemos
pode afetar nossa relação com Deus. Quase todos estão cientes do poder que a televisão tem para
influenciar a mente das pessoas, por meio da visão e da audição. Certos programas podem causar
grande dano. Linguagem baixa, violência, lascívia e crime são aspectos freqüentes e comuns. Os
cristãos devem exercer cuidadoso controle sobre ela.
2. Com relação ao que ouvimos (Jó 12:11). A música tem poder, e assim como qualquer
outro poder, pode servir para o bem ou para o prejuízo. A música tem capacidade de induzir certo
sentimento, disposição de ânimo nas pessoas. A música pode descansar e acalmar, ou revigorar e
animar. Podem produzir reverência, tristeza, ira, ódio e paixão. Você terá de usar a mente e o
coração para discernir o valor individual de certa música e deve deixar-se guiar por princípios
bíblicos. E a sua escolha dirá aos outros algo sobre a espécie de pessoa que você é.
3. Com relação às palavras e ações (Ef. 5:4; Tg. 3:5-12). As palavras “conversa tola e
gracejos indecentes” devem ser consideradas não como a condenação de diversão inocente ou
alegria bem-humorada. Mas, em associação com “baixeza” (lit.: grosseria, torpeza, no sentido de
rudeza de linguagem), estes termos se referem a palavrões, maldições e brincadeiras maliciosas, que
vão além dos limites de bom gosto.
4. Com relação aos pensamentos (Fl. 4:8). A mente humana é o centro que controla a
conduta. É ela que torna as pessoas muito superiores a qualquer outra criatura neste mundo. A
mente humana pode receber poder para ter pensamentos de origem divina, para escolher, aprender,
guardar e relembrar fatos e verdades. O apóstolo Paulo diz que é preciso “pensar” em coisas
verdadeiras, honestas, justas, puras, amáveis, de boa fama, virtude e louvor. É preciso realmente
considerar ou levar em conta, e não apenas refletir, mas permitir que as coisas consideradas afetem
o curso da existência de quem nelas pensa.

VI - A VIDA DE JESUS COMO MODELO CRISTÃO

Pedro apresenta Cristo como modelo de vida, dizendo: “Porque para isso fostes chamados,
porquanto Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas” (I Pd.
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2:21). Imitar a Cristo na vida é a essência do Cristianismo. Jesus convocou as pessoas com uma
ordem enfática: “segue-me” (Lc. 5:27; 9:23,57-62). Seguir a Cristo e imitá-lo são expressões que
têm o mesmo significado. Jesus é o exemplo supremo para seus seguidores. Estes devem aprender
com sua vida, suas reações, perante os acontecimentos, e procurar moldar-se para que seu exemplo
seja seguido.
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Estudo 25

O INFERNO
Introdução: Na Bíblia, desde o Antigo Testamento encontramos em algumas versões a palavra
“inferno’. Muitos cristãos foram ensinados a crer num inferno de tormento, de dor e sofrimento.
Mas, será que o sentido dado aos versos onde se traduzem as palavras Hades (sheol, heb.), Geena e
Tártaro por inferno está correto? Vejamos como a Bíblia define esses termos.

I- HADES E SHEOL - SEPULTURA

1. Definição de Hades. Segundo a mitologia, Hades era o deus das regiões dos mortos.
Hades é uma transliteração comum para o português da palavra grega correspondente hades. A
palavra é inúmeras vezes traduzida por inferno, mas o sentido próprio não significa isso, e sim: “o
mundo subterrâneo como lugar dos mortos” ou ainda “o lugar não visto”.
2. Como é empregada esta palavra na Bíblia. A palavra Hades, ao todo, ocorre dez vezes
nos mais antigos manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs (Mt. 11:23; 16:18; Lc. 10:15; At.
2:27,31; Ap. 1:18; 20:13,14). Na versão Almeida (revista e corrigida), a palavra inferno é traduzida
28 vezes de Sheol e 7 vezes de Hades. Porém, nesta versão Sheol também é traduzido 27 vezes por
“sepultura”, 5 vezes “sepulcro”, 1 vez “terra”, 1 vez “enterrados”, 1 vez “mundo invisível”, e 2
vezes é transliterado seol.
3. O uso correto da palavra Hades. É um grande erro ter o inferno como lugar de
tormento, pois seu sentido único, nesse caso, é “sepultura”, ou seja, o lugar onde os mortos são
colocados após a morte. Inferno também quer dizer “lugar de silêncio, parte inferior, lugar dos
mortos”. Observe o que diz a Bíblia em Jonas 2:1,2: “E orou Jonas ao Senhor, seu Deus, das
entranhas do peixe, e disse: Na minha angústia clamei ao Senhor, e Ele me respondeu; do ventre do
inferno gritei, e tu ouviste a minha voz”. Observe que, aqui, inferno não dá idéia de suplício, nem
de fogo, nem de punição, tormento ou agonia, mas simplesmente de um lugar inferior; as
profundezas do Mar Mediterrâneo.

II- GEENA – LUGAR DE JUÍZO

1. Definição de Geena. É a forma grega do hebraico Geh Hinnóm, significando “Vale de


Hinom”. Este nome aparece 12 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs, e embora muitos tradutores
tomem a liberdade de traduzir a palavra por “inferno”, diversas traduções modernas transliteram a
palavra grega geena (Mt. 5:22,29,30; 10:28; 18:8,9; Mc. 9:43-48; Lc. 12:5). O estreito e fundo vale
pertencia aos filhos de Hinom, por isso foi mais tarde conhecido por esse nome. Era um vale ao sul
e ao sudoeste de Jerusalém. Nos dias dos reis judeus Acaz e Manassés, o Vale de Hinom serviu
como local para ritos religiosos idólatras, inclusive era usado para sacrificar crianças vivas em
honra ao deus Moloque (II Cr. 28:1,3; 33:1,6; Jr. 7:31-34; 19:6,7; 32:35). Mais tarde o Rei Josias
acabou com a adoração idólatra realizada ali e tornou o vale impróprio para o uso na adoração (II
Re. 23:10).
2. A Geena nos dias de Jesus. O Vale de Hinom era usado no tempo de Jesus como
depósito de lixo, detritos, cadáveres de malfeitores, corpos de animais e toda sorte de imundícies
existentes na cidade. Era um depósito de lixo. Ali era acendido um “fogo que nunca se apagava”,
isto é, estava constantemente aceso, haja visto o povo abastecê-lo com seu lixo. Em Mateus 5:30, a
versão de J.B. Phillips, verte Geena como “montão de lixo”. Os condenados à pena Marcial eram
esquartejados e jogados na Geena para serem queimados; assim também os condenados por Jesus,
no dia do grande juízo, serão levados ao lago de fogo para serem consumidos.
3. O uso correto do termo Geena. Os escribas e fariseus, como classe iníqua, foram
denunciados como “filhos para o inferno (Geena)”, (Mt. 23:13-15,33). Jesus, ao fazer uso da
palavra, usa-a sempre como símbolo de juízo final, associando o fogo com a Geena. Tiago, irmão
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de Jesus, também fez uso dessa palavra de uma forma figurada em sua carta (Tg. 3:6). O
comentador judeu David Kimhi (1160-1235? d.C.), no seu comentário sobre o Salmo 9:17, dá a
seguinte informação histórica a respeito de Gehinnom: “E é um lugar no terreno adjacente a
Jerusalém, e é um lugar repugnante, e eles lançam ali coisas impuras e cadáveres. Havia ali também
um fogo contínuo para queimar as coisas impuras e os ossos dos cadáveres. Por isso, o julgamento
dos iníquos é simbolicamente chamado de Gehinnom”.
4. Como Jesus usava o termo Geena (Mc. 9:43-47). Jesus, segundo o evangelho de
Marcos, faz alusão a Isaías 66:24 ao descrever a Geena como lugar “onde o seu bicho não morre e o
fogo não se apaga”. O profeta Isaías falando sobre a vida futura dos salvos na nova terra relata: “E
sairão, e verão os corpos mortos dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu bicho
nunca morrerá, nem seu fogo se apagará; e serão um horror para toda a carne”. Que este quadro
figurativo não é de tortura, mas, antes, de destruição completa, é evidente no fato de que o texto de
Isaías não trata de pessoas vivas, mas de cadáveres de homens que transgrediram contra Deus.
Conforme a evidência disponível indica, se o Vale de Hinom, era um lugar de eliminação de lixo e
de cadáveres, então o fogo, talvez aumentado em intensidade pelo acréscimo de enxofre (Is. 30:33),
seria o único meio adequado para eliminar tal refugo. Onde o fogo não alcançava, proliferariam os
vermes, consumindo tudo o que não fora destruído pelo fogo. Nesta base, as palavras de Jesus
significariam que o efeito destrutivo do julgamento adverso de Deus não cessaria até se ter
alcançado a destruição total. Nesse caso o uso bíblico de Geena corresponde ao “lago de fogo” no
livro de Apocalipse 20:14,15. Dessa forma podemos dizer que Geena é o único termo significando
inferno existente na Bíblia, mas nunca no sentido de tormento eterno, todavia no de aniquilamento
eterno. Dizer que é o lugar de castigo sempiterno é ir contra a Bíblia, ao que ela afirma.

III- TÁRTARO – LUGAR DE PRISÃO

1. Definição de Tártaro. Conta-nos a mitologia grega, que “os Titãs rebelaram-se contra
Zeus, e a sua guerra - a Titanomaquia - foi terrível; mas Zeus venceu-os e precipitou-os no Tártaro.”
Tártaros, no contexto do Novo Testamento, passou a ser o termo clássico para indicar a esfera
intermediária onde os anjos caídos aguardam o julgamento final.
2. O uso bíblico do termo (II Pd. 2:4). Já no tempo do apóstolo Pedro, sabia-se que a
palavra tártaro designava prisão. Assim, quando Pedro fez uso dessa palavra (veja Judas v.6), que é
a única vez em que esse termo é empregado na Bíblia, o sentido da mesma quer abranger a própria
terra, no sentido de prisão onde as hostes das trevas estão a aguardar o juízo. Apocalipse 12:7-12
retrata o arcanjo Miguel e seus anjos lutando contra Satanás (o dragão) e seus anjos, e precipitando-
os na terra. Esta passagem de Pedro reflete a opinião comum da época neotestamentária de que
havia anjos que haviam caído do seu lugar, outrora exaltado, do serviço de Deus. Aqui é declarado
que Deus lançou-os no inferno. Assim a palavra traduzida como “inferno” aqui não é a Geena dos
evangelhos, mas sim a palavra grega, “tártaro”, que, na mitologia grega, era o lugar de prisão.

IV. EXPLICANDO O QUE É TORMENTO ETERNO

Temos alguns textos bíblicos que nos dizem claramente que o fogo eterno do inferno
resultará em total aniquilação. Vejamos apenas alguns exemplos.

1. A destruição de Sodoma e Gomorra (II Pd. 2:6). Parece que o destino de Sodoma e
Gomorra é um exemplo do destino dos maus no fim dos tempos. Estão essas cidades ainda em
chamas? Estão os ímpios cidadãos de Sodoma e Gomorra sendo atormentados ainda? Claro que
não, seria ridículo pensar isto. Leia o verso 7 de Judas; aqui o escritor nos fala que Sodoma e
Gomorra: “... são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.” Qual foi o resultado
disso? Aniquilação total dos habitantes. Eles pereceram. Isto é o que devemos concluir sobre o
inferno, se entendemos a Bíblia literalmente.
2. O lago de fogo e o tormento eterno (Ap. 19:20; 20:10). Aqui está aparentemente a
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maior prova a favor do tormento eterno. Duas passagens em Apocalipse falam sobre o lago de fogo.
João descreve aqueles que adoram a besta sendo consumidos pelo fogo e enxofre, e diz: “a fumaça
do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos” (Ap. 14:11). Apocalipse 19 fala da besta e do falso
profeta e do diabo sendo atormentados para todo o sempre no lago de fogo. Esses textos certamente
parecem descrever um inferno de sofrimento eterno. Há uma coisa, porém, que deveríamos manter
em mente. O livro de Apocalipse está cheio de linguagem simbólica. Não é uma narrativa literal. É
literatura apocalíptica, um tipo de escrito profético que mostra eventos através de imagens, vívidas,
mas simbólicas. O Apocalipse nos apresenta um cordeiro que abre um livro, fala de escorpiões
movendo-se num abismo sem fundo, um dragão fazendo guerra com uma mulher grávida, e bestas
horrendas saindo do mar. Nenhum teólogo estuda estas imagens literalmente. O dragão e a besta
que são atirados no lago de fogo são figuras simbólicas. A fumaça do tormento subindo pelos
séculos dos séculos também é simbólica. É uma forma poética de falar sobre uma terrível
conclusão, a natureza irrevogável do julgamento final. Afinal de contas, o profeta Isaías usou a
mesma linguagem para falar do julgamento de Deus contra a ímpia Edom. Ele usou a expressão
“para sempre” (Is. 34:9,10). A terra (isto é, Edom) se tornaria “em piche ardente”, ele disse, e não
se apagaria de dia nem de noite; sua fumaça subiria para sempre. Hoje, porém, a terra de Edom não
está em chamas. O fogo se apagou muito tempo atrás. O que Deus queria dizer, então? Ele estava
usando linguagem poética para enfatizar a meticulosidade da destruição total. Ele estava falando de
um julgamento que seria final. Isto é o que o lago de fogo bíblico quer dizer. Destruição completa e
total. Apocalipse 21:8, nos diz claramente que o lago que queima com fogo e enxofre é a “segunda
morte”. Os ímpios serão totalmente consumidos, morrerão, perecerão, serão aniquilados.

Se a Bíblia diz claramente, nos ensinos de Jesus, ou nas cartas de Paulo, que os ímpios
perecem, são destruídos, são aniquilados, experimentam a morte, então devemos usar estas
passagens para entender as vívidas imagens do Apocalipse, e, não o contrário.
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Estudo 26

AS RESSURREIÇÕES

Introdução: A ressurreição do corpo humano, a volta à vida a partir da ruína, da destruição, do


esquecimento do túmulo, é um fato sobrenatural. Os mortos podem reviver? Há alguma força capaz
de conquistar a morte? Há esperança de vitória sobre o túmulo? Esta tem sido a indagação, ansiosa
e mesclada de lágrimas, de todas as épocas. Nosso objetivo neste estudo é o de respondermos a
estas perguntas.

I- A CERTEZA DA RESSURREIÇÃO

1. O ensinamento do Antigo Testamento quanto à ressurreição. Para começar, o Antigo


Testamento registra a ressurreição de pelo menos três pessoas: o filho da viúva (I Re. 17:21,22), o
filho da sunamita (II Re. 4:32-36), e o homem que reviveu quando tocou os ossos de Eliseu (II Re.
13:21). Abraão esperava que Deus levantasse a Isaque dos mortos no Monte Moriá (Gn. 22:5; Hb.
11:18). Jó confiadamente esperava ver a Deus em seu corpo ressurrecto (Jó 19:25-27). Davi
também manifestou essa mesma certeza (Sl. 16:9-11). O fato disso incluir uma profecia da
ressurreição de Cristo, não afeta o argumento (Atos 2:24-28). As declarações dos profetas Isaías,
Oséias e Daniel também provam que essa doutrina era ensinada e aceita neste período bíblico (Is.
26:19; Os. 13:14; Dn. 12:1-3,13).
2. O ensinamento do Novo Testamento quanto à ressurreição. O Novo Testamento
registra a ressurreição de muitas pessoas: a filha de Jairo (Mt. 9:24,25), o jovem de Naim (Lc.
7:14,15), Lázaro (Jo. 11:43,44), Dorcas (Atos 9:40,41). Quanto ao ensinamento de uma futura
ressurreição, observamos o seguinte: o próprio Jesus ensinou isso (Jo. 5:28,29; 6:39,40,44,54); os
Apóstolos ensinaram isso (Atos 24:15; I Co. 15:12-19; Fl. 3:11). Há, portanto, uma prova
abundante de que o Novo Testamento ensina a doutrina da ressurreição.

II- A NATUREZA DA RESSURREIÇÃO

“Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêem?” (I Co. 15:35).
Observemos primeiro que as Escrituras falam de três tipos de ressurreição: 1) ressurreição judicial
(direito adquirido – ex. batismo), na qual o cristão foi ressuscitado com Cristo (Rm. 6:4,5); 2)
ressurreição espiritual, recebida através da aceitação do evangelho, equivalente à regeneração (Jo.
5:25,26); 3) ressurreição física (Jo. 5:28,29). Estamos interessados agora na ressurreição física e
observamos:

1. O fato da ressurreição do corpo (Sl. 16:9; Rm. 8:23-25). As Escrituras indicam que o
corpo será ressurrecto de pelo menos quatro maneiras: a) em declarações claras a esse respeito; b)
na declaração de que o corpo está incluído em nossa redenção. Quando Cristo morreu por nós,
morreu pelo homem todo. Os benefícios completos de Sua expiação não são cumpridos até que o
corpo tenha sido tornado imortal, o que se dará na ressurreição; c) no tipo de corpo com que Cristo
ressurgiu. Ele ressurgiu em um corpo físico (Lc. 24:39); e negar a ressurreição física é negar a
ressurreição física de Cristo (I Co. 15:13); d) na literalidade da volta e julgamentos do Senhor. Jesus
Cristo voltará para julgar, não espíritos incorpóreos, mas sim homens corpóreos. Assim, vemos que
haverá uma ressurreição corporal.
2. A natureza da ressurreição do corpo (I Co. 15:37-44). Podemos afirmar que, de modo
geral, a ressurreição do corpo não será uma criação inteiramente nova. Se assim o fosse, não seria o
corpo presente, e sim outro. Nem, por outro lado, será o corpo ressurrecto necessariamente
composto da mesma matéria contidas neste presente corpo. Tudo o que as Escrituras nos permitem
dizer é que o corpo ressurrecto manterá uma relação ao corpo presente, sendo, portanto, semelhante.
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III- AS RESSURREIÇÕES

1. Haverá duas ressurreições distintas (Jo. 5:28,29). As Escrituras não dizem que haverá
uma ressurreição geral das pessoas na vinda de Jesus, mas sim que os mortos em Cristo
ressuscitarão primeiro. “Os mortos em Cristo” abrangem os justos que morreram desde o tempo de
Adão até o fim do tempo (I Co. 15:22,23). Esse “todos” inclui os salvos do Antigo Testamento, bem
como do Novo Testamento. O apóstolo João a classificou como “a primeira ressurreição” e disse
que estes serão “bem aventurados” (Ap. 20:6). A segunda morte será no lago de fogo e enxofre (Ap.
20:15).
2. Haverá um intervalo de mil anos entre as ressurreições (Ap. 20:4-6). Embora
vejamos tanto no Antigo como no Novo Testamento que a ressurreição dos justos para a vida eterna
e a ressurreição dos ímpios para a condenação eterna, são distintas uma da outra (Dn. 12:2), aqui
pela primeira vez encontramos revelado o intervalo preciso entre as duas ressurreições: Um período
de 1000 anos. A primeira ressurreição – a dos justos – dar-se-á na Segunda Vinda de Cristo. Os
ímpios mortos ressuscitarão na ressurreição geral, no fim dos mil anos.

IV- A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO

1. Dar-se-á na vinda de Jesus (I Ts. 4:13-18). Paulo diz que, na vinda de Jesus, serão
reunidos os justos que estiverem vivos como os justos que ressuscitarem nesta ocasião. Portanto,
somente os “mortos em Cristo” serão ressuscitados nessa ocasião. A frase “mortos em Cristo”
descreve a união fundamental, entre os mortos e Cristo.
2. Receberemos um corpo especial (I Co. 15:43-51). Diversas passagens declaram ou dão
a entender que o corpo ressurrecto dos crentes será semelhante ao corpo glorificado de Cristo (I Jo.
3:2). O novo corpo será glorioso e poderoso, isto é, não se cansará. Será um corpo espiritual.
Finalmente será um corpo celestial, em contraste com o presente, que é terreno.
3. Receberemos a imortalidade (I Co. 15:51-54). A palavra “incorruptível” quer dizer:
imortal, que não se decompõe, que não se destrói. Portanto, o nosso corpo não estará mais sujeito à
doença, morte e decomposição. Esta mudança dos vivos e a ressurreição dos mortos em Cristo é
chamada de “redenção do nosso corpo” (Rm. 8:23).

V- A SEGUNDA RESSURREIÇÃO.

1. Os não salvos serão mortos pela ocasião da vinda de Jesus (Is. 24:1; Jr. 25:33; Ap.
6:12-17). De acordo com o profeta Isaías e Jeremias, os incrédulos serão destruídos por ocasião da
vinda de Jesus. O apóstolo João também descreveu esta cena de guerra mostrando a morte dos
inimigos de Deus.
2. Ocorrerá após o Milênio (Ap. 20:1-6). A segunda ressurreição terá lugar mil anos
depois da primeira. João declara o seguinte sobre os ímpios: “Os restantes dos mortos não
reviveram até que se completassem os mil anos”. Em contraste com os corpos ressuscitados na
vinda do Senhor, os ímpios sairão da sepultura, terra ou mar, com os corpos mortais, fracos e
doentes. Os indícios da maldição são visíveis em todos.
3. Os ímpios mortos serão ressuscitados para o julgamento de Deus (Ap. 20:6,11-15).
João nos ensina claramente que os não salvos serão ressuscitados, julgados e lançados no lago de
fogo. Assim, fica claro que os não salvos também serão ressuscitados corporalmente e eles sofrerão
o castigo eterno de Deus.
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Estudo 27

A VINDA DE JESUS

Introdução: Uma das verdades mais solenes, e não obstante mais gloriosas, reveladas nas
Escrituras Sagradas; é a da segunda vinda de Cristo, para completar a grande obra da redenção. A
segunda vinda de Cristo é a grande esperança da Igreja. Será literal, pessoal e visível. Nosso
propósito neste estudo é o de averiguarmos biblicamente os ensinamentos sobre a volta de Jesus.

I- A PROMESSA DA SEGUNDA VINDA

1. Afirmada pelo próprio Jesus (Jo. 14:1-3). Ao enfrentar a crise final de Sua vida na
Terra e a separação de Seus discípulos, Cristo fez essa gloriosa promessa para encorajamento dos
que o seguissem no decorrer dos séculos. Esta é uma das 318 vezes que a Segunda Vinda de Cristo
é mencionada no Novo Testamento (veja ainda outros testemunhos de Jesus: Mt. 24:30; 26:64).
2. Confirmada pelos Anjos (Atos 1:8-11). Jesus havia sido morto, ressuscitado, já há
quarenta dias, e deixa, agora, as últimas instruções no Monte das Oliveiras e sobe ao céu, tendo
como testemunhas os seus apóstolos, repentinamente suas mentes voltaram para a terra pela
aparência de dois varões (anjos) que também afirmaram que Jesus voltaria da mesma forma como
subiu aos céus. As Escrituras dizem-nos que os anjos o acompanharão na sua volta. Certamente eles
sabiam a esse respeito e que seu testemunho é confiável.
3. Pregada pelos Apóstolos (Atos 3:20; I Tm. 6:14; II Pd. 3:3-13). O apóstolo Pedro é
muito enfático tanto quanto a volta do Senhor como ele refuta aqueles que a negam. O apóstolo
Paulo, mais do que os outros apóstolos, ensinou e regozijou na certeza da volta do Senhor (I Ts.
5:1-10; 4:13-17). João acrescenta a sua voz a muitas testemunhas sobre a Segunda Vinda de Cristo
à Terra (Ap. 1:7; I Jo. 2:28; 3:2).

II- COMO VIRÁ JESUS?

Uma descrição completa da volta do Senhor é impossível. Neste evento, nosso Senhor
glorificado irá manifestar-se de um modo inusitado. A volta de Cristo irá evidentemente transcender
todos os acontecimentos até então experimentados no espaço e no tempo. Porém as Escrituras
oferecem muitos detalhes referentes à maneira da volta do Senhor. Aqui veremos algumas poucas
descrições da sua vinda.

1. Ele virá de forma visível e pessoal (Ap. 1:7,8). Da mesma forma como subiu aos céus
ele virá novamente (Atos 1:9-11). Uma pessoa não precisará adivinhar sobre a sua vinda, pois ela
será universal (Mt. 24:27). Aqueles que estiverem vivos na terra O verão.
2. Ele virá com as nuvens (Mt. 24:30). As nuvens têm sempre tido um lugar especial na
obra redentora de Deus: a) Deus veio ao Monte Sinai numa nuvem (Êx. 24:16); b) Ele também veio
ao Monte da Transfiguração numa nuvem (Mt. 17:5); c) Na sua ascensão, foi recebido por uma
nuvem (Atos 1:9); d) Ele retornará numa nuvem com poder e grande glória.
3. Ele virá acompanhado de Seus santos anjos (Mt. 25:31; Jd. 14). Quando Jesus vier
outra vez será a marcha triunfal de um rei conquistador (II Ts. 1:7). A primeira vez Ele veio em
humildade, a segunda vez será gloriosa, pois além do esplendor e grande glória, será, ainda,
acompanhado por milhares de milhares de anjos celestiais.
4. Com grande alarido (Mt. 24:31). O Senhor descerá do céu com um alarido. Isto é
traduzido como “um grito de comando”, “um alto clamor de convocação”. Exatamente como será
este clamor ou alarido nós não sabemos. Paulo também afirma que a vinda de Cristo será anunciada
pela trombeta de Deus. Como voz do arcanjo chama aqueles que estão vivos, a trombeta pode ser
usada para levantar os santos da morte. Juntos, eles serão reunidos nas nuvens “a encontrar com o
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Senhor”.

III- PARA QUE VIRÁ JESUS?

Na sua vinda, Cristo irá completar os propósitos redentores de Deus através dos séculos.
Todos os inimigos de Deus, o pecado, a morte e o diabo, serão removidos do mundo de Deus e uma
nova ordem será estabelecida, na qual os propósitos originais de Deus para a humanidade e a
criação vão ser finalmente concretizados. Vejamos, então, alguns motivos na Bíblia, pelos quais
Jesus virá novamente:

1. Para coroar os que O esperam para salvação (II Tm. 4:7,8). Aqui o apóstolo Paulo,
já velho, confessa ter acabado a carreira e que aguarda com grande esperança a coroa da justiça, ou
ainda, a recompensa que o Senhor, isto é, o Justo Juiz dará naquele dia a todos que amaram a sua
vinda, os que aguardaram com amor e esperança a sua vinda.
2. Para trazer a imortalidade ao salvos (I Co. 15:51-58). Nem todos os cristãos
“dormirão” ou morrerão, antes da segunda vinda. Os que estiverem vivos quando Cristo retornar
serão transformados. Quando a trombeta soar, o cristão falecido será ressuscitado incorruptível, já
não sujeito à corrupção, e os que estiverem vivos receberão corpos espirituais. A vida na era porvir
requer uma natureza incorruptível e imortal, a qual nos será dada pelo Redentor.
3. Para ressuscitar os salvos e arrebatar sua Igreja (I Ts. 4:16,17). “Primeiro”, aqui,
não se refere a uma ressurreição seguida mais tarde por outra. Significa que os cristãos falecidos se
levantarão antes que os vivos deixem a terra. Eles definidamente participarão da Parousia (vinda de
Jesus) juntamente com os vivos. Será uma coisa simultânea. Ao mesmo tempo em que os mortos
ressuscitam, os vivos são transformados e juntos serão arrebatados para encontrar o Senhor nos
ares.
4. Para recompensar os fiéis (Mt. 25:34). A palavra “benditos” designa os cristãos que,
agora, são objetos de benção de Deus. Os benditos devem possuir por herança o reino de Deus, que
está preparado desde a criação do mundo.
5. Para trazer juízo sobre a Terra (Mt. 25:41). Na ocasião da sua vinda, o Senhor Jesus
apartará os justos dos malditos da maneira como um pastor separa as ovelhas dos cabritos. Os que
forem apartados como “malditos” serão julgados e condenados à morte eterna (II Tm. 4:1; Atos
17:31). Todos se apresentarão diante dele na sua volta.

IV- O TEMPO DA VINDA DE JESUS

Desde o dia que Cristo subiu para o Pai, os homens têm especulado o tempo de sua volta. Os
cristãos em Tessalônica estavam certos de que ele viria em sua vida (II Ts. 2:2,3). A Bíblia é muito
clara quanto à certeza da segunda vinda de Cristo. A coisa que não está revelada é a data de sua
volta. O Senhor tornou claro esta questão de marcar datas dizendo que ninguém sabia o dia e hora
de sua vinda (Mc.13:32; Atos 1:7).
Ao responder à pergunta feita pelos seus discípulos acerca da sua vinda (Mt. 24:3), Jesus
fala de um tempo precedente à sua volta, caracterizado por quatro condições gerais: 1) Apostasia
religiosa (Mc. 13:5,6); 2) Guerras e conflitos entre as nações (Vs.7,8); 3) Perseguição e testemunho
mundial da Igreja (Vs.9-13); 4) Distúrbios da ordem natural (Vs.24,25).
Não devemos tentar criar um esquema detalhado dos acontecimentos dos últimos dias e
prever assim a data e a hora da volta de Jesus. Nenhum estudo dos sinais removerá a surpresa, nem
mesmo entre os fiéis (Mt. 24:44). Tudo que o homem precisa saber é como estar pronto para a volta
do Senhor. O fator realmente importante é a nossa atitude moral: o que somos, nossa vontade de
obediência ao Senhor e de encorajar outros a terem essa mesma obediência.
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V- COMO AGUARDAR A VINDA DE JESUS?

Em vista da certeza da volta de Cristo, a questão deve ser feita: Qual deve ser a
responsabilidade do cristão para com isto? Muitos cristãos professam esta doutrina, mas, na
verdade, não estão preparados de fato para a Sua vinda (Mt. 25:1-13). Vejamos algumas qualidades
esperadas daqueles que aguardam a vinda do Senhor:

1. Separados do mundo (Tt. 2:12-13). Segundo Paulo devemos viver uma vida devota no
presente e esperar ansiosamente a consumação da esperança cristã. O objetivo positivo dos cristãos
no presente mundo é “viver sóbria, e justa, e piamente”. Estes três advérbios descrevem o
relacionamento do cristão consigo mesmo, com seu próximo e com Deus. Pessoalmente ele leva a
vida a sério, controlando suas paixões e desejos. Com referência aos outros, ele é justo, digno de
confiança. Com referência a Deus, é genuinamente devoto.
2. Vivendo uma santidade pessoal (II Pd. 3:14). Pedro considera o fim certo da ordem
mundial presente como um incentivo para vidas de santidade e piedade. No decorrer de todo o
Novo Testamento, a vinda de Cristo é apresentada como motivação para uma vida reta, imaculada e
irrepreensível. Esta santidade pessoal inclui: Sinceridade (Fl. 1:10,11). Sobriedade (I Ts. 5:2-6).
Integridade (I Ts. 5:23). Generosidade de mente, ou seja, moderados (Fl. 4:5). Paciência (Hb.
10:36,37). Esta paciência é uma firmeza, uma segurança até o fim, esperando por sua vinda.
3. Vivendo em vigilância (Mt. 24:42). O Novo Testamento menciona a palavra “vigiar”
para a volta do Senhor cerca de 50 vezes. Vigilância por parte de um cristão indica fé. Ele crê que o
seu Senhor está voltando. Portanto ele está vigiando e esperando. Vigilância indica estar preparado
para sua vinda (II Pd. 3:12).
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Estudo 28

O MILÊNIO

Introdução: O estudo dos “mil anos” de Apocalipse 20 é essencial por diversas razões: 1) Ele
aumenta nossa compreensão da vindicação final do caráter de Deus; 2) Indica a recompensa dos
justos e sua obra depois da Segunda Vinda de Jesus; 3) A correta compreensão do Milênio evita que
aceitemos ensinos que se opõem ao que diz a Bíblia, tais como a doutrina do arrebatamento secreto
antes do Milênio e a teoria da “segunda oportunidade” durante o Milênio.

I- DEFINIÇÃO DO TERMO “MILÊNIO”

A palavra “Milênio” não se encontra na Bíblia, mas provém de duas palavras latinas: Mille,
que significa “mil”, e annum, que significa “anos”; assim, mil anos, seja o que for que esta
passagem particular das Escrituras quer dizer. Somente em Apocalipse 20 temos a frase “os mil
anos”, fator cronológico mencionado seis vezes em seis versículos. O Milênio começa com uma
ressurreição e termina com outra ressurreição.

II- ACONTECIMENTOS NO COMEÇO DO MILÊNIO

1. A volta de Jesus visível e pessoal (Mt. 24:30; Ap. 1:7). Jesus voltará à terra para
buscar a sua Igreja. É a esperança de todos os crentes de todos os séculos. Quando ele vier, todo
olho o verá. Não haverá arrebatamento secreto, pois não há base bíblica para isto. Que a Igreja de
Cristo atravessará a Grande Tribulação está claro nas palavras de Jesus (Mt. 24:20-31).
2. Ressurreição dos justos mortos (I Ts. 4:13-16). Já foi dito que não haverá uma
ressurreição geral das pessoas na vinda de Cristo, mas sim que os “mortos em Cristo ressuscitarão
primeiro”. Os justos ressurrectos também participarão da Sua vinda à terra.
3. Justos vivos transformados e trasladados (I Ts. 4:17). Na vinda de Jesus, os corpos
dos justos que estiverem vivos vão ser instantaneamente transformados (I Co. 15:50-53; Fl.
3:20,21). Os nossos corpos serão incorruptíveis, glorioso, poderoso e espiritual (I Co. 15:42-44,49).
Os justos não permanecerão na terra durante o Milênio, pois Jesus virá para buscá-los (Jo. 14:1-3).
4. Os ímpios vivos são mortos (II Ts.2:7,8). Isto acontecerá quando do céu se manifestar
o Senhor Jesus. Neste dia, o Senhor tomará vingança contra aqueles que se recusam a agir com base
naquilo que sabem a respeito de Deus e aqueles, que mais especificamente, rejeitam a revelação em
Cristo.
5. Satanás será aprisionado (Ap. 20:1-3). O apóstolo João nos fala de um anjo que tem na
mão a chave do abismo e uma grande corrente para prender Satanás e seus anjos durante mil anos.
O abismo, mencionado neste texto, se refere à própria terra (Gn. 1:2; 7:11; Sl. 71:20). O Diabo e
seus demônios ficarão presos à terra no sentido de que não terão ninguém para tentar durante mil
anos, visto que os salvos estarão no céu e os ímpios mortos por ocasião da vinda de Cristo.

III- ACONTECIMENTOS DURANTE O MILÊNIO

1. A terra ficará desolada (Jr. 4:23-27; 25:33). A vinda do Senhor Jesus desencadeará o
fim da ordem mundial da maneira como os homens a conhecem agora. O mundo não está destinado
a durar para sempre. A ordem pecaminosa atual está condenada à destruição. Neste tempo, a visão
de Jeremias se cumprirá em uma escala mundial.
2. Os santos reinarão no céu (Ap. 20:4-6). Todos aqueles cuja profissão de fé for
considerada genuína serão levados para o céu por ocasião do Segundo Advento de Cristo. Segundo
João, irão reinar com Cristo no Milênio: a) Os mártires de todas as épocas (profetas, apóstolos,
primeiros cristãos, etc.); b) Os que aceitaram a mensagem do evangelho e rejeitaram o sinal da besta
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nos últimos dias.

IV- ACONTECIMENTOS NO FIM DO MILÊNIO

1. Ressuscitam os ímpios mortos (Ap. 20:5). A primeira parte deste versículo deve ser
considerada como estando entre parêntesis. A última parte do verso 5 e todo o verso 6 se acham
ligados ao assunto do verso 4. Desta forma, segundo João, os outros mortos não foram ressuscitados
senão depois que se passaram os mil anos.
2. Satanás é solto por um pouco de tempo (Ap. 20:7,8). Uma vez que Satanás estava
preso por circunstâncias, não tendo a quem enganar, pois os ímpios estavam mortos; portanto o seu
libertamento será o reverso dessas circunstâncias que significaram a sua prisão. O “pouco tempo”
de que fala o verso 3 certamente indica que esse período será bem limitado.
3. A nova Jerusalém desce do céu (Ap. 21:2). O Senhor descerá do céu com seu povo
santo sobre a face da terra, visitando-a novamente (Is. 24:22). Isto é mais uma prova de que os
santos passarão o Milênio no céu.
4. Satanás e os ímpios atacam a nova Jerusalém (Ap. 20:8,9). Aquilo que Satanás fará
depois do Milênio, procurando tomar a cidade santa e arrebatá-la de Deus, não é diferente do que
esteve fazendo anteriormente. Sua história consistiu em batalhar contra Deus e acusá-lo, atacar a
Cristo e enganar as pessoas, levando-as a servirem e adorarem a ele e aos poderes do mal, por meio
dos quais tem atuado.
5. Satanás e os pecadores serão destruídos (Ap. 20:9,10). O Diabo, após a tentativa
fracassada de tomar a nova Jerusalém, será lançado no lago de fogo e enxofre, para se juntar aos
seus cortesãos: a besta e o falso profeta. Este é o julgamento final de Satanás e de seus seguidores,
bem como dos anjos decaídos (Ml. 4:1-3; II Pd. 2:4).
6. A terra será purificada e renovada (II Pd. 3:8-13). No fim do Milênio, Satanás e
aqueles que aderirem a sua rebelião serão destruídos. O universo ficará livre do pecado. E então
Deus recriará a Terra para que seja o lar eterno dos salvos.
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Estudo 29

JUÍZO FINAL

Introdução: Apesar das duas ressurreições já indicarem o futuro estado do homem, elas não
impedem os julgamentos. Toda a filosofia dos julgamentos futuros se apóia sobre o direito soberano
de Deus de punir a desobediência do homem (Is. 2:4). A consciência do homem demonstra que
haverá um julgamento, tanto do justo como do injusto (Ec. 11:9; 12:14). Paulo diz que a
consciência acusa ou então desculpa o homem, em vista do “dia em que Deus... julgar o coração dos
homens” (Rm. 2:15,16). E Hebreus 10:27 declara que todos aqueles que pecarem deliberadamente,
tem uma “certa expectação horrível do juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”.
Vejamos os fatos bíblicos relacionados aos julgamentos.

I- QUEM SERÁ JULGADO?

Antes de iniciarmos este assunto, temos que dizer que, na pessoa de Cristo, nossos pecados
foram julgados de uma vez por todas (II Co. 5:21). O crente em Cristo está, conseqüentemente, livre
da culpa e castigo do pecado, porque Cristo aceitou a culpa e pagou o castigo por ele (Jo. 5:24).
Mas estamos interessados aqui nos julgamentos ainda por vir.

1. A Besta, o falso profeta e seus exércitos (II Ts. 2:8). Os maus espíritos emanados do
dragão, da besta e do falso profeta, sairão a reunir as nações da terra para a peleja do grande dia do
Deus Todo-Poderoso (Ap. 16:13-16). Mas o conflito é breve e decisivo. A besta e o falso profeta
são levados e lançados vivos no lago de fogo, e seus exércitos são mortos com a espada que procede
da boca de Cristo. Deve ser observado que esse julgamento ocorrerá após o milênio.
2. Satanás e seus anjos (Is. 24:21-23; I Co. 6:2,3; Ap. 20:7-10). Quando Cristo vier à
Terra, pela segunda vez, Satanás será aprisionado por mil anos (Ap. 20:1-3). Depois dos mil anos,
ele será solto por algum tempo. Ele sairá a seduzir as nações da terra para guerrear contra a cidade
santa. Mas descerá fogo dos céus e a todos devorará. Satanás será julgado e, juntamente com seus
anjos, será “lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde foram lançados não só a besta
como também o falso profeta” (Jd. 6; II Pd. 2:4; Mt. 25:41).
3. Os mortos não-salvos (Ap. 20:11-15; 21:8). Este é o julgamento do Grande Trono
Branco. No final do milênio ocorrerá a segunda ressurreição (Ap. 20:5). As pessoas que tiverem
parte nesta ressurreição ressurgem e comparecem perante este Grande Trono Branco para serem
julgados. São, portanto, os não-salvos de toda a história passada. “os grandes e pequenos [social,
financeiro, intelectual] são postos em pé diante deste trono”. “E os mortos [agora ressuscitados]
foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros”.

II- LOCAL DO JULGAMENTO

João foi tirado da terra, em visão, e passou a contemplar “um grande trono branco e aquele
que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” . Nesse
julgamento, nenhum lugar foi encontrado para aqueles que habitam os céus e a terra. Isso não
significa, contudo, que a terra e o céu sumiram, e não mais existem, mas tão somente que não terão
lugar nesse julgamento final.

III- A BASE DO JULGAMENTO

Conforme o livro de Apocalipse 20:12,13, pode-se dizer que duas coisas são as bases para o
julgamento final:
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1. Os livros. Eles serão julgados “conforme o que se acha escrito nos livros”. Os “livros”,
conforme alguns comentaristas, são os livros da Bíblia, especialmente as palavras de Cristo,
conforme reveladas naqueles livros (Jo. 12:48). De acordo com outros comentaristas, esses “livros”
contém os registros dos feitos de todos os homens. Porém, não se deve pensar que esses livros são
literais, de papel e tinta. Antes, são símbolos espirituais que nos informam que nada escapa ao
conhecimento de Deus, porquanto Ele sabe de tudo e que a sua justiça será absoluta (Ml. 3:16). Mas
além dos “livros”, lemos a respeito de “outro livro”, e este é definido como o “livro da vida”. Este
é, sem dúvida, o livro da graça divina, no qual os nomes dos herdeiros estão registrados (Lc. 10:20;
Ap. 3:5; 13:8; 20:12,15; 21:27).
2. As “suas obras”. O cristão será galardoado de acordo com as suas obras (II Co. 5:10);
mas o ímpio será julgado de acordo com elas. O homem é julgado com base no que ele fez com o
que tinha na vida. Mateus declara que Jesus “retribuirá a cada um conforme as suas obras” (Mt.
16:27).

IV- A SENTENÇA FINAL

1. O lago de fogo (Ap. 20:15). João diz que todos aqueles cujos nomes não forem
encontrados no livro da vida, serão lançados no lago de fogo. A besta, o Diabo, o falso profeta
também serão lançados nesse lugar (Ap. 19:20; 20:10). Finalmente, a morte e o Hades (sepultura)
serão colocados ali (Ap. 20:14; I Co. 15:26). O lago de fogo é a segunda morte (Ap. 20:14; 21:8). A
segunda morte, por assim dizer, é a separação final e completa de Deus. Isto levanta a seguinte
pergunta: o castigo futuro será eterno? Em Mateus 25:41 e 46, lemos que os ímpios irão para o
“tormento eterno”, ou “fogo eterno”. Estas expressões não indicam uma eternidade de sofrimento,
mas, sim, denotam a ação do juízo de Deus. Basta ler Judas 7, onde Sodoma e Gomorra sofreram a
pena do fogo eterno, porém a eternidade daquele fogo devorador durou apenas “um momento”
(Lm. 4:6). A Bíblia menciona várias vezes essas expressões para denotar a força do juízo divino (Jr.
17:27; Is. 34:9,10; Ez. 25:13,14). Nem Jerusalém, nem Edom estão queimando até hoje, como
pode-se perceber pelos fatos da atualidade.
2. O aniquilamento eterno (Ml. 4:1-3). As palavras “eterno” e “todo o sempre” não
significam necessariamente que “nunca terão fim”. No Novo Testamento, vêm do grego aíon, ou do
adjetivo aíonios. É impossível forçar este radical grego para significar sempre um período que não
tem fim. Quando aplicado a coisas terrenas tem sentido restrito de duração enquanto durar a coisa a
que se liga; quando junto de Deus ou coisas derivadas de Deus, então, sim, exprime “duração sem
fim”. Deus, através do profeta Malaquias, deixa claro que o aniquilamento do pecador seguir-se-á
imediatamente após haver pago todos os seus pecados, na vinda de Cristo. O profeta Isaías
consolida o assunto afirmando que Deus “aniquilará a morte para sempre” (Is. 25:8).

Finalizando, dizemos, os ímpios desaparecerão sob a ação do fogo de Deus, junto com
Satanás e suas hostes de maldade, e com esse fogo, que os destruirá para sempre, Deus purificará
toda a terra, tornando-a apta para receber a volta do jardim do Éden e posteriormente doando-a em
possessão eterna para os salvos (Mt. 5:5).
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