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A tributação das mais-valias na reforma fiscal

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Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

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UNIVERSIDADE DE COIMBRA
FACULDADE DE DIREITO
BOLETIMDECIENCIASECONÓMICAS

COIMBRA
A Tributação das Mais-Valias
na Reforma Fiscal

1. Quando em 1965 se iniciou entre nós, com o Imposto de Mais-Valias, a tributação sistemática delas, escreveu-
se no Relatório do respectivo Código que se haviam considerado mais-valias os aumentos de valor dos bens que não
foram produzidos ou comprados para vender. E procedeu-se de seguida á imposição desses aumentos de valor em
casos selectos.
A reforma fiscal que, tendo adoptado o conceito de rendimento-acréscimo ('), incluiu naturalmente neste
rendimento as mais-valias, não nos apresentou delas uma noção genérica, limitando-se a indicar nos Códigos as
espécies de ganhos havidos como tais (r).

Assim, o artigo 100. do Código do IRS dispõe:


1 -Constituem mais-valias os ganhos obtidos que, não sendo considerados rendimentos comerciais, industriais ou
agrícolas, resultem de:
a) alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis, afectação de bens imóveis do património

(') Ver TEIXEIRA RIBEIRO, •A noção de rendimento na reforma fiscal•, na Revista de Legislação e de Jurisprudência, ano 127 (1994-95). págs. 322
segs.,
(2) Esta é a segunda vez que escrevemos sobre a tributação das mais-valias na reforma fiscal. A primeira fizemo-lo em TEIXEIRA RIBEIRO, A Refonna Fiscal,
Coimbra Editora, Coimbra, 1989, pág. 239 segs., mas em termos que, como se verá pelo presente texto, hoje não subscrevemos.
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particular a actividade comercial, industrial ou agrícola, silvícola ou pecuária exercida em nome


individual pelo seu proprietário, bem como da afectação a actividade comercial ou industrial
exercida pelo mesmo de prédios rústicos afectos ao exercício de actividade agrícola, silvícola ou
pecuária;
b) alienação onerosa de partes sociais, incluindo a sua remissão e amortização com redução de capital,
e de outros valores mobiliários;
c) alienação onerosa de propriedade intelectual ou industrial ou de experiência adquirida no sector
comercial, industrial ou científico, quando o transmitente não seja o ser titular originário;
d cessão onerosa de arrendamento e de outros direitos e bens afectos, de modo duradouro, ao exercício de
actividades profissionais independentes, incluindo a afectação permanente daqueles bens a fins alheios
á actividade exercida.

2 - Excluem-se do disposto no número anterior as mais-valias provenientes da alienação de:


a) obrigações e outros títulos de dívida;
b) unidades de participação em fundos de investimento;
c) acções detidas pelo seu titular durante mais de 12 meses.

Em linhas gerais constituem, pois, mais-valias os ganhos que, não sendo considerados rendimentos comerciais,
industriais ou agrícolas, provenham da alienação onerosa quer de direitos reais sobre imóveis ou de valores mobiliários,
quer de propriedade intelectual ou industrial, bem como da cessão onerosa de arrendamento e outros direitos e bens
afectos duradouramente ao
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exercício de actividades profissionais independentes. Excluem-se e, portanto, não são tributados como mais-valias, os
ganhos resultantes da alienação onerosa de alguns valores mobiliários, nomeadamente dos títulos de dívida e das
acções detidas durante mais de 12 meses (3).
Nos termos do n° 4 desse mesmo artigo 10.°, as mais-valias representam a diferença entre o seu valor de
realização através da alienação dos bens e o valor de aquisição destes ( 4), pelo que se tributam as mais-valias
realizadas, e não as simplesmente verificadas em contabilidade.
É quase sempre, assim, já que as mais-valias, referidas na alínea a) do n°. 1 do artigo corno resultantes da
afectação de bens imóveis do património particular a uma actividade empresarial do seu dono, ou da afectação, por
este, a actividade comercial ou industrial, de prédios rústicos adstritos ao exercício de actividade empresarial, só se
consideram obtidas no momento da ulterior alienação dos bens (art°. 10°, n°. 3, al. b) , embora os valores destes
sejam reportados á data da afectação (art°. 42°, n°. 1, al. d) .
Mas não é sempre assim, visto que as mais-valias resultantes da afectação permanente, a fins alheios á actividade
exercida, de bens adstritos de modo duradouro ao exercício de actividades profissionais independentes se consideram
desde logo obtidas (art°. 10°, n° 1., al. d) .
2. 0 artigo fala de ganhos que, não sendo considerados rendimentos comerciais, industriais ou agrícolas ....
Importa, pois, saber quando é que aqueles ganhos são considerados estes rendimentos
(3) Esses ganhos não são tributados como mais-valias, o que não significa ficarem necessariamente imunes de tributação em IRS,
pois são sujeitos a ela como rendimentos comerciais ou industriais se provierem de actos isolados de natureza comercial ou industrial
[Código do ERS, art. 4°, n° 2, al. g)].
(4) Salvo no caso da primeira parte da alínea d) do n° 1 do artigo 10°, em que a mais-valia representa a diferença entre a importância
recebida pelo cedente e o preço por que ele tenha eventualmente obtido os direitos e bens objecto de cessão.
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A resposta é dada nos artigos 4° e 5° do Código do IRS. Com efeito, a alínea d) do n°. 2 do artigo 4° inclui
entre os rendimentos comerciais e industriais as mais-valias definidas nos termos do Código de IRC, bem como
as inclui entre os rendimentos agrícolas, embora com excepções ( 5), o n°. 2 do artigo 5°. Ora, o Código do IRC
define as mais-valias no seu artigo 42°:

1 - Consideram-se mais-valias ou menos-valias realizadas os ganhos obtidos ou as perdas sofridas relativamente a


elementos de activo imobilizado mediante transmissão onerosa, qualquer que seja o título por que se opere, e,
bem assim, os derivados de sinistros ou os resultantes da afectação permanente daqueles elementos a fins
alheios á actividade exercida.

Ainda em linhas gerais, constituem, pois, mais-valias, nos termos do Código do IRC, os ganhos realizados
relativamente a elementos do activo imobilizado das empresas, obtidos mediante a transmissão onerosa deles ou em
resultado da sua afectação permanente a fins alheios á actividade exercida, bem como os provindos de
indemnização por sinistro.

(5) Que são as das mais-valias resultantes da alienação onerosa de prédios rústicos afectos ao exercício de uma actividade agrícola, silvícola ou pecuária. de transferência
destes para o património do empresário, e da afectação dos mesmos prédios a unia actividade comercial ou industrial por ele exercida.
A primeira e a última excepções traduzem-se em as respectivas mais-valias ficarem sujeitas ao regime do Código do IRS, e não ao regime do Código do IRC, menos
favorável do que aquele; a segunda excepção explica-se por naturalmente não se considerar realização de mais-valias a transferência de prédios do património da empresa individual
para o património particular do seu dono.
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Trata-se, como se diz expressamente, de mais-valias realizadas, mas a realização delas opera-se umas vezes
através da alienação dos bens, embora presumida na indemnização por sinistro, e outras vezes através da simples
verificação em contabilidade, como sucede com a afectação de bens a fina alheios á actividade exercida.
De qualquer modo, temos duas espécies de mais-valias: as mais-valias consideradas rendimentos comerciais,
industriais ou agrícolas, que são as do artigo 42° do Código do IRC, e as mais-valias propriamente ditas, que são as
do artigo 10° do Código do IRS. As primeiras constituem rendimentos tanto de pessoas colectivas como de pessoas
singulares, as últimas só rendimentos de pessoas singulares. Pois estas pessoas ou obtêm ganhos de mais-valias no
exercício profissional de actividade comercial, industrial ou agrícola, isto é, de actividade empresarial, e nessa
altura são os ganhos do artigo 42° do Código do IRC, ou os obtêm fora do exercício profissional daquela actividade,
e nessa altura são os ganhos do artigo 10° do Código do IRS.
Umas e outras mais-valias representam a diferença positiva entre o valor de realização delas e o valor de
aquisição dos respectivos bens, de modo que só existe mais-valia quando o valor de realização supera o valor de
aquisição; por outro lado, nenhuma das espécies é por si própria rendimento colectável da pessoa singular ou colectiva
que a usufrui: pois, se se trata das mais-valias do activo imobilizado ou de sinistros, elas são inscritas nos proveitos das
empresas, a que se deduzem os custos contemporaneos, onde figuram as menos-valias (Código do IRC, art°. 23°), e se se
trata das mais-valias propriamente ditas, elas são deduzidas das menos-valias realizadas no mesmo período (Código do
IRS, art°. 41°). Em qualquer caso, portanto, são as mais-valias excedentes das menos-valias os valores que representam
parcelas do lucro tributável das empresas e do rendimento global das pessoas singulares.
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3. Vale a pena assistir, através de um exemplo, á aplicação das normas sobre mais-valias. O exemplo pode ser
a venda de um prédio urbano.
Se o imóvel pertence a pessoa colectiva colectada pelo lucro tributável, como é o caso de urna sociedade
comercial, e faz parte do seu activo imobilizado, o produto da venda é mais-valia, a inscrever corno proveito de mais-
valia na contabilidade da empresa; se o imóvel faz parte do activo mobilizável, o produto da venda não é proveito de
mais-valia, mas proveito simples, o que tem importância porque, sendo proveito simples não se deduz, e deduz-se
sendo proveito de mais-valia, o valor de aquisição do imóvel.
Dá-se exactamente o mesmo se o prédio, urbano pertence a uma empresa individual, quer constituida ou não
sob a forma de empresa individual de responsabilidade limitada; mas se pertence ao património particular do dono
da empresa, ou de outro qualquer indivíduo que nào é empresário, então, o produto da venda é mais-valia, segundo
o artigo 100 do Código do IRS.
Temos ainda a hipótese de o imóvel pertencer a uma pessoa colectiva que não é colectada pelo lucro tributável,
e sim pelo rendimento global. Ora, conforme preceitua o artigo 47° do Código do IRC, o lucro de tal pessoa
colectiva é determinado nos termos deste Código e os restantes rendimentos dela são-no nos termos do Código do
IRS. De modo que, se a pessoa colectiva exerce a título acessório uma actividade comercial, industrial ou agrícola e
o prédio urbano faz parte do activo imobilizado, o produto da venda é proveito de mais-valia; se faz parte do activo
mobilizável, o produto é proveito simples; e se não faz parte do activo, o ganho é mais-valia (art°. 10° do Código do
IRS).

Sob o ponto de vista fiscal, as mais-valias têm um tratamento favorável: primeiro, porque só são objecto de tributação
as constantes dos Códigos do IRS e do IRC, as quais representam uma reduzida parte da totalidade; segundo, porque
as mais-valias das alíneas a), c) e d) do n°. 1 do artigo 10° do Código do IRS são colectadas só por metade do saldo
positivo entre elas e as menos-valias sofridas no mesmo período (Código do IRS, art°. 41°, n°. 2), e o saldo positivo
das mais-valias da alínea b) daquele número, que são as dos valores mobiliários, encontra-se sujeito a uma taxa
liberatória de apenas 10% (Código do IRS, art°. 75°).

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Ora, este benévolo tratamento das mais-valias, que são rendimentos do capital, faz com que elas beneficiem fre-
quentemente de tributação mais baixa do que a dos rendimentos do trabalho, o que é duvidoso seja conforme á
Constituição (6).
De qualquer modo, o facto é que também em vários outros países as mais-valias gozam de tratamento de favor
(deixaram de o gozar nos Estados Unidos com a reforma fiscal de 1986). E o argumento que geralmente se apresenta
para justificar isso é o de as mais-valias constituírem um rendimento

(') A dúvida resulta do seguinte: o n° 3 do artigo 107° da Constituição dispunha, na sua leitura primitiva, "O imposto sobre as
sucessões e as doações será progressivo, de modo a contribuir para a igualdade entre os cidadãos, e tornará em conta a transmissão por
morte dos frutos do trabalho", Tomará em conta esta transmissão, decerto para a beneficiar relativamente à dos frutos do capital. Ora, se os
frutos do trabalho deviam ser beneficiados aquando da sua transmissão por morte, igualmente o deviam ser aquando da sua aquisição em
vida. Portanto, era princípio constitucional a discriminação tributária a favor do, rendimento, do trabalho. Simplesmente, aquela última
parte do n° 3 do artigo 107° foi suprimida na primeira revisão constitucional - a revisão de 1982. Mas não o foi por se discordar da sua
doutrina, e sim por se reconhecer a impossibilidade prática da sua aplicação. De modo que é perfeitamente legitimo sustentar-se que a
discriminação a favor dos rendimentos do trabalho continua a ser princípio constitucional. Mas não é de todo desrazoável sustentar-se o
contrário, com base em ter sido riscado da Constituição o único preceito que estabelecia a discriminação. Cfr. TEIXEIRA RWEIRO, A
Reforma Fiscal, cit., pág. 146 segs.; Lições de Finanças Públicas, 5' ed., Coimbra Editora, Coimbra, 1995, pág 352.
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deveras irregular, sobretudo por só serem atingidas aquando da realização, o que as torna muito niais gravosamente
tributadas pelos impostos progressivos do que os rendimentos regulares. Se bem que esse maior gravame seja em
parte compensado pelo adiamento da cobrança do imposto até á realização (7).
O argumento pesou entre nos, mas a taxa excepcionalmente reduzida de 10%, aplicável ao saldo positivo das
mais-valias dos valores mobiliários, tem a sua particular explicação numa política de incremento do mercado de
capitais.

5. Conhecidos e apreciados os casos de mais-valias, quer como proveitos das empresas colectivas ou
individuais, que como ganhos particulares de indivíduos, interessa agora saber se elas se coadunam com a noção
teórica dessa espécie tributária. Vimos ensinando desde há urna trintena de anos ( 8); primeiro, que as mais-valias
são aumentos inesperados do valor dos bens; segundo, que se consideram inesperados os aumentos de valor dos
bens que não foram produzidos, comprados ou conservados para vender; terceiro, que não se consideram
produzidos, comprados ou conservados para vender os bens que não constituem objecto da actividade
especulativa de industriais, comerciantes ou agricultores, ou dos que, não sendo tais, não revendam a curto prazo
quaisquer mercadorias.
Em face desses pressupostos, vejamos, pois, se as soluções da nossa lei coincidem com os ensinamentos da
teoria.
Sem dúvida que sim, pelo que toca às mais-valias de elementos do activo imobilizado, referidas no artigo 42°
do Código do IRC. Na verdade, se as subidas de valor respeitam

(7) Ver TEIXEIRA RIBEIRO, Lições de Finanças Públicas, 5' ed., rit., pág.
306.
(8) Cfr. TEIXEIRA RIBEIRO, A Reforma Fiscal, cit., pág. 29 segs.. O texto é de 1965.
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a esses elementos, elas verificam-se em bens que as empresas, tendo-os incluído no imobilizado, não destinaram á
actividade especulativa e, portanto, não conservaram para vender. Por seu turno, se as subidas de valor respeitam a
bens do activo mobilizável, é de presumir que as empresas, não os tendo incluído no imobilizado, os produziram,
compraram ou conservaram para vender. Nesta parte, como se vê, o artigo 42° conforma-se à teoria. Mas já não sucede
o mesmo na parte restante, visto que as indemnizações por sinistro tanto podem respeitar a bens do activo imobilizado,
pressupondo-se serem mais-valias, ou a bens do activo mobilizável, pressupondo-se não o serem.
Pelo que toca às mais-valias do artigo 10° do Código do IRS, a desconformidade à teoria é muito maior. Com
efeito, os ganhos lá referidos respeitam a transmissões de bens que umas vezes foram e outras não foram produzidos,
comprados ou conservados para vender, isto é, que umas vezes não constituem, e outras constituem mais-valias.
Dir-se-á que, tratando-se de ganhos de indivíduos não empresários, quase sempre é impossível saber qual a
intenção destes ao produzirem, comprarem ou conservarem os bens. Mas por isso se adianta a presunção de que o
fizeram para vender se os vendem a curto prazo, por exemplo até decorrido um ano. Presunção perfeitamente
aceitável, pois, se quem quer compra um prédio e o revende passados poucos meses, é de supor que o adquiriu para o
vender e, portanto, que o ganho porventura obtido não representa mais-valia, mas lucro comercial. Ora, é essa
distinção tão significativa entre o curto e o longo prazo que a lei não traça a propósito das mais-valias do artigo 10° do
Código do IRS, e daí que fiquem no mesmo saco coisas heterogéneas.

Conclui-se, portanto, que temos um regime correcto de mais-valias, que é o dos elementos do activo imobilizado das
empresas, o qual se aplica às valorizações desses elementos quer de empresas colectivas ou individuais, e um regime
incorrecto de mais-valias, que é o das indemnizações por sinistros, o qual respeita a sinistros sofridos por aquelas
empresas, bem como o do artigo 10° do Código do IRS, o qual concerne às valorizações de alguns bens que são
propriedade particular de indivíduos ou de pessoas colectivas tributadas pelo rendimento global.
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5. Das várias diferenças entre as normas dos dois Códigos resulta que a tributação das mais-valias feita
pela reforma fiscal leva por vezes a consequências algo criticáveis.
Assim, estas duas:
- Se uma empresa colectiva ou individual vende obrigações que fazem parte do seu activo imobilizado como bens de
fruição, o produto da venda é mais-valia, mas se um indivíduo vende obrigações que pertencem ao seu património parti-
cular, o produto da venda não é colectado, pois não constituí mais-valia, e nem sequer rendimento comercial ou industrial,
visto a venda não ser acto isolado de natureza comercial a incluir na alínea g) do n° 2 do artigo 4° do Código do IRS;
- Se uma sociedade vende um prédio que não faz parte do seu activo imobilizado, o produto da venda é proveito
que contribui integralmente para a determinação do respectivo lucro tributável, mas se um indivíduo vende um
prédio que pertence ao seu património particular, o ganho da venda é mais-valia, cujo saldo líquido das menos-valias
só entra por metade na determinação do competente rendimento global.
Como se vê, em ambos os casos há um favorecimento dos não empresários, o qual, pelo menos nessa extensão,
não é facilmente compreensível.

J. J. Teixeira Ribeiro
Faculdade de Direito de Coimbra

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