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1.

A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS - TEXTO INTRODUTÓRIO

As Ciências Humanas se destaca por tomar o ser humano ou a sociedade


como objeto de pesquisa. Nesse sentido, pretendem analisar, explicar e
explicar seu estilo de vida e tudo ao seu redor. Portanto, essa área do
conhecimento aborda os mais diversos aspectos da humanidade em um
determinado tempo e espaço.

Assim, as humanidades são de grande importância para a educação e a


formação do indivíduo, já que ajudam a estabelecer valores, construir a
dignidade humana e uma sociedade mais justa. Portanto, por meio de seus
ensinamentos, é possível formar cidadãos sensíveis, conscientes e solidários,
que se consideram agente principal de uma determinada sociedade e buscam
agir para conseguir as mudanças necessárias para alcançar as relações
mútuas e outras.

Nesse contexto, a função dessa ciência também leva em conta a formação


profissional. Eles ajudam os alunos a compreender e usar seus direitos e
deveres. Além disso, elas influenciam na conduta profissional, na maneira
como a tecnologia é utilizada, no conceito de ferramentas de trabalho e no
respeito à diversidade. Esta é a raiz para mudar a sociedade.

O processo de colonização implementado no Brasil, resultou na morte da


maioria das comunidades indígenas e na degradação dos afrodescendente.
Assim, o distribuição geográfica do Brasil é o resultado desse histórico
brasileiro, que combina diferentes taxas de ocupação e taxas de ocupação
territorial. Portanto, geografia e história, como parte do currículo de diálogo e
integração com a área aqui discutida, refletem o raciocínio espaço-temporal, a
partir do fato de que o ser humano gerou o espaço em que vive e o alocou em
circunstâncias históricas específicas.

História e geografia trazem uma grande contribuição para ajudar crianças e


jovens a expandir a forma como veem o mundo ao seu redor, visto que elas
têm como base o conceito de Tempo, Espaço e Movimento, que por sua vez
estão sempre presente na sociedade.
Senda assim, as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular no que condiz
ás Ciências Humanas estabelecem:

“A área de Ciências Humanas contribui para que os alunos


desenvolvam a cognição in situ, ou seja, sem prescindir da
contextualização marcada pelas noções de tempo e espaço,
conceitos fundamentais da área. Cognição e contexto são, assim,
categorias elaboradas conjuntamente, em meio circunstâncias
históricas específicas, nas quais a diversidade humana deve ganhar
especial destaque, com vistas ao acolhimento da diferença. O
raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano
produz o espaço em que vive, apropriando-se dele em determinada
circunstância histórica. A capacidade de identificação dessa
circunstância impõe-se como condição para que o ser humano
compreenda, interprete e avalie os significados das ações realizadas
no passado ou no presente, o que o torna responsável tanto pelo
saber produzido quanto pelo controle dos fenômenos naturais e
históricos dos quais é agente” (BNCC,2017, p. 349)

Portanto, o objetivo das Ciências Humanas é buscar o desenvolvimento de


uma consciência crítica dos indivíduos por meio de uma política educacional
que proporcione aos alunos a possibilidade de decifrar o mundo e interpretar os
eventos sociais, econômicos, políticos e culturais, para que seja possível
afirmar esses valores e respeitar a diversidade regional e local, visto que o
Brasil é um país multiétnico.

As Ciências Humanas devem ser pautada pela pesquisa. Isso deve estabelecer
um elo entre teoria e prática para inspirar um método que envolve os primeiros
e últimos anos para procurar um entendimento dos aspectos históricos,
geográficos, sociais, políticos, econômicos e culturais da vida social. Esta
pesquisa deve ser complementada a partir de situações problemáticas
inerentes ao ambiente da comunidade escolar e deve ser entendida como
sugestões de atividades relacionadas a outros campos.

O currículo das Ciências Humanas devem considerar os parâmetros


educacionais atuais que devem atender a determinadas necessidades sociais,
inclusive aquelas baseadas no uso de tecnologias de informação e
comunicação digital. O docente não pode se limitar apenas à função de
disseminador de informação - não só porque a mídia digital tem dado uma
grande contribuição nesse sentido, mas também como material complementar
ao trabalho.
O dever do aluno é investigar e pesquisar questões com base no uso da leitura
e das competências próprias, com o objetivo de identificar, classificar, organizar
e comparar aos ambientes locais e/ou globais, assegurando assim um melhor
entendimento do seu eu, da escola e da comunidade.

A formação na área de humanidades integra temas que interferem na vida


humana em todos os seus aspectos. Assim, devem estar presentes nos
currículos da área diferentes atuações sobre: os direitos da criança e do jovem;
educação ambiental; educação inclusiva; educação do trânsito; processo de
envelhecimento; educação alimentar e nutricional; respeito e reconhecimento
do idoso; aprendizagem sobre os direitos humanos; diversidade de gênero;
relações étnicas; e conhecimento das culturas raciais, como as afro-brasileiras
e indígenas.

1.1 As competências específicas da área de Ciências Humanas asseguram,


para os seus componentes, os direitos fundamentais de aprendizagem de
modo pormenorizado que levam ao desenvolvimento das competências gerais
previstas pela BNCC 2017 para todo Ensino fundamental.

1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma


a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e
promover os direitos humanos.

2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-


científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências
Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no
espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante
de problemas do mundo contemporâneo.

3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na


natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias
e ações que contribuam para a transformação espacial, social e
cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida
social.

4. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com


relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base
nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas,
promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de
indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e
potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

5. Comparar eventos ocorridos simultaneamente, no mesmo espaço e


em espaços variados e eventos ocorridos em tempos diferentes no
mesmo espaço e em espaços variados.
6. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências
Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e
promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental,
exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem
comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e
inclusiva.

7. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e


diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e
comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal
relacionado a localização, distância, direção, duração,
simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão. (BNCC, 2017, p.353)

Assim na Área de Ciências Humanas, perpassa todos os anos do Ensino


Fundamental, visando estimular os estudantes para continuar seus estudos e
preparar os estudantes para os desafios do mundo contemporâneo.

1.2 GEOGRAFIA:

O ensino da Geografia tem como base a compreensão do ambiente, a


construção coletiva, a relação do lugar com a diversidade cultural, e também o
entendimento da paisagem geográfica, contribuindo assim para a construção
do conceito de identidade.

O conceito da Geografia está baseada na relação do ser humano com o meio e


respaldada na apropriação do espaço. Nesse sentido, é construído o conceito
de espaço-tempo, que está relacionado com a ideia de que o ser humano cria o
espaço que vive com base nos contextos históricos. Assim, a Ciência
Geográfica também se associa as demais Ciências Humanas.

O conhecimento geográfico, inclui teorias e métodos que trabalha em conjunto


com a complexidade da vida real e o processo organizacional do espaço
geográfico. O conhecimento existente e o novo conhecimento são combinados
para atualizar a base do raciocínio geográfico, ou seja, a forma de pensar
sobre o espaço. Isso significa que é um processo em constante mudança,
trazendo desafios para professores e alunos.

Segundo o componente curricular de Geografia da BNCC (2017) há uma


divisão de unidades temáticas que são introduzidas no Ensino Fundamental:
A unidade O Sujeito e seu lugar no mundo referem-se a uma espécie
de pensamento geográfico em que um indivíduo se considera um
revolucionário do espaço que ocupa. De acordo com sua experiência,
os alunos se identificam como integrantes e atores desse ambiente
social e cultural, e ele contribuí para mudar o espaço em que vivem.

Em Conexões e escalas, pode-se estabelecer a relação de conexão


do espaço social, ou seja, o aluno poderá reconhecer que o mundo
em que vive pode se expressar em diferentes proporções,
estabelecendo assim uma relação dinâmica do espaço social.

Em Mundo do trabalho - Ao ler e interpretar essa unidade, os alunos


podem compreender a real possibilidade de sua inserção mercado de
trabalho.

Na unidade temática Formas de representação e pensamento


espacial, é estabelecida a relação entre localização espacial e a
situação no espaço. É orientado aos alunos à analisar entre o
processo de transformação do espaço e o seu papel como sujeito de
direito no espaço.

A unidade temática Natureza, ambientes e qualidade de vida enfatiza


a importância do tema, já que quando inserido no espaço gerado, o
sujeito deve ser solidariamente responsável pela proteção do meio
ambiente, pela transformação dos diversos ambientes e pelo bem
viver na sociedade. (BNCC,2017, p.357-360)

A característica destas Unidades Temáticas é propor um método de prática


pedagógica que penetre no currículo tanto na horizontal como na vertical.
Dessa forma, garante que os alunos pensem e coloquem em prática suas
habilidades, visto que recurso configura um currículo flexíveis que possam
garantir que todos tenham o direito de aprender.

Assim, elas garantem ao aluno aprender a ler o mundo por meio: do


pensamento sobre o espaço; o desenvolvimento do raciocínio geográfico e da
autonomia para estimular o pensamento crítico; a compreensão da interação
sociedade/natureza; o entendimento e aplicação do raciocínio geográfico; o uso
da linguagem cartográfica e iconográfica; a utilização do método científico; a
construção de argumentos com base em informações geográficas,
considerando aspectos relevantes relacionados às novas tecnologias; e por
fim, saber praticar princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários.

1.2.1 De acordo com as competências específicas de Geografia para o Ensino


Fundamental previstas na BNCC 2017, apontaram caminhos para a construção
do Organizador Curricular de Geografia para cada ano.
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação
sociedade/ natureza e exercitar o interesse e o espírito de
investigação e de resolução de problemas.

2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento


geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a
compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos
recursos da natureza ao longo da história.

3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e


aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e
produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão,
diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.

4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens


cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das
geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam
informações geográficas.

5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de


investigação para compreender o mundo natural, social, econômico,
político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e
propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões
que requerem conhecimentos científicos da Geografia.

6. Construir argumentos com base em informações geográficas,


debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e
promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade
e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza.

7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia,


responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo
ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios
éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. (BNCC,2017,362)

A aprendizagem da Geografia no Ensino Fundamental – Anos Iniciais conta


com o conhecimento das próprias crianças, aliado ao conhecimento de outros
elementos do currículo, a fim de desenvolver diferentes concepções à cerca da
percepção e domínio do espaço.

O estudo da geografia propicia a dinâmica das relações entre as pessoas e


grupos sociais e entre estes e a natureza, no trabalho e nos tempos livres. Para
a faixa etária associada a esta fase do ensino básico, é importante desenvolver
a capacidade de leitura de fotos, desenhos, plantas, maquetes e
representações diversas. Desta forma, os alunos florescem a compreensão do
espaço em sua volta. Nesse sentido, o Documento Curricular Referencial da
Bahia (2020) dispõe:
Essa tendência vem resgatar um conjunto de ideias, sentimentos e
percepções que as pessoas têm do seu lugar de experiências, que
tem o potencial de reforçar o compromisso cidadão das pessoas
com as futuras gerações, como é expresso nesta proposta
formativa em todo o Ensino Fundamental, desde o 1º até o 9º ano.
Essa aproximação entre a visão crítica e a percepção humanista
agregando as vivências e o afeto entre os grupos sociais com o
“espaço vivido”, considerando as dimensões simbólicas e estéticas
dos indivíduos em seu cotidiano, envolve práticas capazes de ser
contextualizadas nos diferentes territórios de identidade do nosso
estado. (DCRB, 2020, p.405)

Neste estágio, é importante que os alunos sejam capazes de aprender e


responder algumas perguntas sobre si mesmos, pessoas e assuntos: Onde
está localizado? Por que está localizado? Como é distribuído? Essas questões
fazem com que as crianças a pensarem sobre a posição de objetos e pessoas
no mundo, permitindo-lhes entender sua função no mundo.

No ensino fundamental, é importante avaliar e questionar as experiências dos


alunos e experiências pessoais e familiares por meio de jogos, comunicação,
escuta e fala sensível em vários ambientes educacionais (bibliotecas, terraços,
praças, parques). Este método é propício ao desenvolvimento de pesquisas de
campo, entrevistas, observações, análises e argumentações para melhorar as
vivências, de modo à encorajar a criatividade e o pensamento crítico.

Esse processo de aprendizado abre caminhos para práticas de


estudo provocadoras e desafiadoras, em situações que estimulem a
curiosidade, a reflexão e o protagonismo. Pautadas na observação,
nas experiências diretas, no desenvolvimento de variadas formas de
expressão, registro e problematização, essas práticas envolvem,
especialmente, o trabalho de campo. (BNCC, 2017, p.151)

A cognição da criança ao pensamento geográfico do espaço, quando em


desenvolvimento, necessita de um apoio concreto, no qual a criança possa
compreender melhor os conteúdos. Dessa forma o brincar (jogos e outras
atividades lúdicas), aparece sendo um suporte indispensável para a construção
da personalidade interventiva de um indivíduo, pois a personalidade
interventiva de um indivíduo tem o direito de ser estabelecida e
transformada/dinamizada por ele no espaço. Logo, é por meio da estrutura
lúdica da criança no meio ambiente que ela desenvolverá formas de se integrar
ao mundo e interagir socialmente com os outros.
Os conteúdos do Ensino Fundamental – Anos Iniciais enfatiza o local de
aprendizagem, o que oferece oportunidades para desenvolver a apropriação,
localização, direção e conceitos organizacionais da experiência em diferentes
lugares. Esses conceitos são a base para o processamento do conhecimento
geográfico.

Em geral, é preciso assegurar que uma conexão seja estabelecida entre


conceitos e fatos para que os alunos possam compreender a dinâmica do
ambiente natural, social, econômico e político. Assim, deve-se garantir que os
alunos entendam os atributos naturais e culturais das diferentes comunidades e
lugares ao seu redor, incluindo o conceito de tempo e espaço.

Nos últimos anos do Ensino Fundamental os alunos devem ver os horizontes


possíveis, sendo protagonistas do processo de transformação do espaço. Além disso,
é esperado que na Geografia dos Anos Finais, os alunos demonstrem não só a
capacidade de visualizar, mas também a capacidade de associar e compreender fatos
e fenômenos, bem como a ordenação dos objetos técnicos e regiões utilizadas. De
acordo com a BNCC (2017):

Anseia-se, também, que entendam o papel do Estado-nação em um


período histórico cuja inovação tecnológica é responsável por
grandes transformações sócio espaciais, acentuando ainda mais a
necessidade de que possam conjecturar as alternativas de uso do
território e as possibilidades de seus próprios projetos para o futuro.
Espera-se, também, que, nesses estudos, sejam utilizadas diferentes
representações cartográficas e linguagens para que os estudantes
possam, por meio delas, entender o território, as territorialidades e o
ordenamento territorial em diferentes escalas de análise.
(BNCC,2017, p.379)

Assim, nesse movimento de consolidação do processo formativo dos alunos, além de


compreender a produção social, os alunos também poderão compreender o mundo
em que vivem com diferentes escalas analíticas, desde o lugar da experiência até o
mundo globalizado, além do entendimento do espaço e as mudanças que ocorrem
nele.

Nesse sentido, utilizando ferramentas geográficas, o estudante poderá configurar seu


próprio raciocínio geográfico para construir e compreender seus projetos de vida. Além
disso, ele será capaz de desempenhar uma função importante no espaço em que vive
e no espaço que constrói e transforma, podendo não só configurar o seu próprio
território, mas também transformar o espaço social, baseando-se pelo raciocínio
geográfico.
1.3 HISTÓRIA:

Os historiadores realizam pesquisas para identificar, analisar e compreender


diferentes objetos, localizações, ambientes, atualidades, movimentos das
pessoas, significados das coisas e conhecimentos. As questões remetem a
criação de várias hipóteses, que não só encontraram marcos na memória, mas
também encontraram diferentes formas narrativas, incluindo a expressão do
tempo, características sociais e a prática da produção de conhecimento
histórico.

As questões que nos levam a pensar a História como um saber


necessário para a formação das crianças e jovens na escola são as
originárias do tempo presente. O passado que deve impulsionar a
dinâmica do ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental é aquele
que dialoga com o tempo atual. (BNCC, 2017, p. 393)

Ao selecionar objetos ou fontes históricas para promover o diálogo entre o


passado e o presente, descobrimos que eles podem atuar como mediadores
entre temas e diferentes tempos e espaços, já que pensar e discutir realidades
remotas e abstratas torna-se possível através da realização e integração do
presente e do passado.

Considerando as ações e relações humanas ao longo do tempo


enquanto objeto de estudo da História, destacamos que o passado é
compreendido em sua articulação com outras estruturas temporais:
presente e futuro. Sendo assim, as fontes históricas devem ser
entendidas como evidências que auxiliam na compreensão de um
passado específico, a partir das problematizações, análises e
confrontos entre as mesmas, de modo que apontem suas relações
com o presente e a possibilidade de articulação com expectativas de
futuro. Tais elementos favorecem o conhecimento elaborado a partir
de diferentes realidades, objetos, lugares, temporalidades,
movimentos, pessoas e saberes (RÜSEN, 2015).

Portanto, é necessário considerar que a prática da investigação está sempre


norteando o ensino de História, que deve estimular a pesquisa; levantar
desafios; questionar objetos e fontes de dados de pesquisa; contribuir com a
análise e discussão para os alunos; aprimorar suposições e possibilitar a
condução do conhecimento científico;

Para isso, utilizar objetos como: documentos de pesquisa, fotos, gravuras,


pinturas, mapas, vídeos, música, itens de casa e/ou coleções institucionais,
cartas, jornais, anúncios, literatura, edifícios, rotas, narrativas orais ou escritas
e pesquisas ajudam a compreender melhor o percurso da história e memória
correspondentes aos problemas e conteúdo do universo escolar.

Nesse sentido, dar contexto aos elementos investigados no tempo e espaço


lógicos, análise da mudança e persistência, simultaneidade e ruptura, e os
motivos que levaram ou não a esta mudança, podem perceber a passagem do
tempo, a construção e a novidade da memória histórica. Para tanto, é
necessário fornecer conexões com objetos, locais, imagens e narrativas que
representem os temas discutidos nos diferentes períodos, o que auxilia no
desenvolvimento do conceito de tempo, bem como na compreensão e
transformação de conceitos e narrativas no processo de problematização.

Em relação ao momento de transição entre a educação infantil e a educação


básica, o texto do BNCC (Brasil, 2017) enfatiza a relevância do brincar e da
expressão de experiências e adesões que ocorrem no processo de educação
infantil, bem como a importância da sistematização gradual da complexidade. A
fim de garantir a integração e a sequência do processo de ensino e
aprendizagem, bem como a possível mediação quando as crianças recebem a
educação básica, para que nesse processo de transição, a consciência
histórica seja formada desde cedo.

Ao considerar a fase da infância, além do processo de aprendizagem e do


conhecimento, devemos também estar atentos ao conhecimento das crianças,
jovens e adolescentes, e promover o seu acolhimento e adaptação na inserção
em diferentes espaços. Para tanto, é imprescindível a troca de experiências e
materiais didáticos entre as professoras de educação infantil e fundamental. Os
primeiros e últimos anos são indispensáveis porque permitem clarificar um
trabalho docente significativo e, gradativamente, expandir e aprofundar os
objetivos explorados nas fases de ensino anteriores.

1.3.1 A seguir apresentamos as competências do componente de História,


presente na BNCC (2017), para que possam contribuir ainda mais na formação
integral do estudante:
1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e
processos e mecanismos de transformação e manutenção das
estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do
tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir
no mundo contemporâneo.
2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando
acontecimentos e processos de transformação e manutenção das
estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como
problematizar os significados das lógicas de organização cronológica.

3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições


em relação a documentos, interpretações e contextos históricos
específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando
a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o
respeito.

4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes


sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto
histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos,
democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias


no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em
conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações.

6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos


norteadores da produção historiográfica.

7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e


comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo
seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais.
(BNCC,2017, p. 398)

Na fase inicial do ensino fundamental, o aprendizado torna-se mais complicado


porque os sujeitos percebem que existe um "outro" e todos prestam atenção ao
mundo de uma forma especial. A percepção da distância entre objetos e
pensamentos, e os passos necessários para a autonomia do sujeito, são
considerados produtores de diferentes linguagens. Nesse sentido, essa é a
função da história.

A BNCC de História no Ensino Fundamental – Anos Iniciais


contempla, antes de mais nada, a construção do sujeito. O processo
tem início quando a criança toma consciência da existência de um
“Eu” e de um “Outro”. O exercício de separação dos sujeitos e um
método de conhecimento, uma maneira pela qual o indivíduo toma
consciência de si, desenvolvendo a capacidade de administrar a sua
vontade de maneira autônoma, como parte de uma família, uma
comunidade e um corpo social. (BNCC, 2017, p. 155)

Assim, desenvolver o conceito de noção de criador da sua própria história entre


os alunos é indispensável na História no Ensino Fundamental – Anos Iniciais.
Sob o mesmo viés, é importante o aluno si compreender como um produto da
comunidade ou sociedade da qual participa, sem se extinguir totalmente sua
formação. Isso significa apontar que cada sujeito é um determinado produto
histórico, ou seja, uma determinada relação com o tempo, e a partir daí, por
meio dos dados territoriais, se estabelece o vínculo de pertencimento,
identidade, unidade e cidadania. Bem como existência, localização geográfica,
etc.

Ao longo do processo de aprendizagem de história nos Anos iniciais, é


necessário marcar a particularidade desse conhecimento histórico no caminho
formativo do aluno. É nesta fase de ensino que a componente de história se
diferencia dos demais matérias. É o estudo do tempo e das pessoas em um
determinado espaço, de certa forma, também enfatiza que cada tempo e
espaço produzirá pessoas diferentes, e essa distinção se reflete primeiro, no
vínculo entre o presente e o passado.

Portanto, o professor dos Anos Iniciais, não podem ignorar essa dimensão que
reflete esse saber no trabalho e no ensino de história, ou seja, ele coopera com
as disciplinas de história, que se refere à mudança de um determinado padrão
de relação no tempo e no espaço. Assim, o currículo da História nos Anos
Iniciais deve permitir esse processo permanente de construção e
desconstrução da identidade e dos bens sem deixar de lado a relação entre
lugar, região e país.

1.3.3 Segundo a BNCC 2017, o processo de ensino e aprendizagem da


História no Ensino Fundamental– Anos Finais está pautado por três
procedimentos básicos:

1. Pela identificação dos eventos considerados importantes na


história do Ocidente (África, Europa e América, especialmente o
Brasil), ordenando-os de forma cronológica e localizando-os no
espaço geográfico.
2. Pelo desenvolvimento das condições necessárias para que os
alunos selecionem, compreendam e reflitam sobre os significados da
produção, circulação e utilização de documentos (materiais ou
imateriais), elaborando críticas sobre formas já consolidadas de
registro e de memória, por meio de uma ou várias linguagens.
3. Pelo reconhecimento e pela interpretação de diferentes versões
de um mesmo fenômeno, reconhecendo as hipóteses e avaliando os
argumentos apresentados com vistas ao desenvolvimento de
habilidades necessárias para a elaboração de proposições próprias.
(2017, BNCC, p. 412)

Ou seja, no Ensino Fundamental – Anos Finais, é mostrado aos alunos a


dimensão espaço-temporal, que está relacionada à mobilidade da população
na sociedade e suas diferentes formas de inserção ou marginalização.
Portanto, é desenvolvido habilidades, como contextualização, comparação,
interpretação e proposições de solução.

Tal percepção estimula o pensamento crítico, pois ajuda a compreender que os


indivíduos agem de acordo com a época e o lugar nos quais vivem, o que
sintetiza uma operação fundamental na construção do conhecimento histórico,
qual seja a contextualização.

Logo, é importante estabelecer um currículo de história para os últimos anos,


que deve apoiar a diversidade, que deve incluir as diferenças, particularidades
e particularidades inerentes à história de países, regiões e nações e de todas
as suas nações e raças que os constituem.

Ao Ensino de História cabe um papel educativo, formativo, cultural e


político, e sua relação com a construção da cidadania perpassa
diferentes espaços de produção de saberes históricos. Desse modo,
no atual debate da área, fica evidente a preocupação em localizar, no
campo da História, questões problematizadoras que remetam ao
tempo em que vivemos e a outros tempos, num diálogo crítico entre a
multiplicidade de sujeitos, tempos, lugares e culturas. Portanto, as
configurações das histórias vividas e ensinadas pelos professores,
entre as quatro paredes da sala de aula e, também, fora dos limites
dos territórios escolares, bem como das histórias que os alunos
aprendem nesses e noutros espaços, é bem mais complexa do que
muitos supõem (SILVA e GUIMARÃES, 2010, p. 24).

Desse modo, consoante à SILVA e GUIMARÃES (2010) a história, portanto,


cumprirá sua função docente de: orientar os alunos a se compreenderem como
sujeitos históricos, capazes de atuar em seu próprio tempo e espaço, e se
conectar de forma democrática e solidária, aceitar a diversidade, promover a
dignidade, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável do meio
ambiente, para assim, permite-lhes criar uma sociedade mais justa, solidária e
digna para todos
REFERÊNCIAS

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base.


Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2017.

RÜSEN, Jörn. Razão histórica: teoria da história: os fundamentos da ciência


histórica. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.

SILVA, Marcos Antônio da; FONSECA, Selva Guimarães. Ensino de história


hoje: errâncias, conquistas e perdas. Revista Brasileira de História, São
Paulo, v. 31, n. 60, p. 24, 2010.

BRASIL. Documento curricular referencial da Bahia para educação infantil


e ensino fundamental. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2020.

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