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Francisco Cosntanze

Direito Criminal

CSI = Crime Sob Investigação


DIREITO PENAL

CONCEITO DE DIREITO PENAL

Direito Penal é o ramo do direito que define os crimes, delitos e suas penas. O
conjunto dessas regras está determinado no Código Penal brasileiro.
Nele se encontram normas jurídicas disciplinadoras estabelecidas pelo Estado, que
devem ser cumpridas por toda a sociedade e as sanções e conseqüências aos que
violarem as mesmas.
A finalidade do Direito Penal é proteger a sociedade (tutela do bem jurídico) e
também os bens jurídicos fundamentais como: a vida, a integridade física e mental,
o patrimônio, a honra, a liberdade, os costumes, etc.

O CÓDIGO PENAL SE DIVIDE EM DUAS PARTES

PARTE GERAL PARTE ESPECIAL


(ART. 1º AO 120) (ART. 121 AO 361)

Prevê todas as leis não Prevê todas as leis incriminadoras:


incriminadoras: são aquelas que descrevem as
*Permissivas: são condutas que se condutas e cominam as suas penas.
tornam lícitas, algumas condutas
tipificadas em leis incriminadoras.
Ex: Art. 23 do CP (causas de São os tipos penais.
excludentes de antijuridicidade).
*Finais (complementares ou Ex: Art.121. Matar alguém:
explicativas): são aquelas que Pena – reclusão, de 6 a 20 anos.
esclarece o conteúdo de outras
normas e delimitam o âmbito de sua
aplicação.
Ex: Arts. 1º e 2º do CP.

CLASSIFICAÇÃO DO DIREITO PENAL


DIREITO PENAL OBJETIVO DIREITO PENAL SUBJETIVO
São as normas criadas pelo Estado É o dever do estado de punir (“jus
que definem os crimes e suas penas puniendi”)
respectivamente.

DIREITO PENAL COMUM DIREITO PENAL ESPECIAL


É o direito aplicado a todas as É aplicado somente a uma determinada
pessoas. categoria de acordo com a sua
Exemplo: o Código Penal. qualidade especial.
Exemplo: o Código Militar.

DIREITO PENAL MATERIAL DIREITO PENAL FORMAL


(SUBSTANTIVO) (ADJETIVO)
São as normas que definem as figuras Estabelece a forma pela qual o Estado
penais, suas respectivas sanções e irá aplicar o direito penal material.
também os princípios gerais. Atualmente se encontra em desuso,
pois foi reconhecida a autonomia da
existência do Direito Processual Penal.

FONTES DO DIREITO PENAL

Fonte significa origem, causa, de onde provém. E assim, ao se falar de fontes do


Direito Penal, é correto dizer que se trata de todo e qualquer fator que contribui
para a origem das normas penais.
As fontes podem ser MATERIAIS ou FORMAIS
As fontes MATERIAIS tratam da matéria, de como é feito, como é produzido,
elaborado o Direito Penal. Conhecido também como fontes substanciais ou de
produção. A única fonte de produção de Direito Penal é a União, como determina a
Constituição Federal em seu art. 22, inciso I:

“Art.22. Compete privativamente à União legislar sobre:


I – direito civis, comerciais, penais, processuais, eleitorais, agrários, marítimos,
aeronáuticos, espaciais e do trabalho”.
A Lei Complementar, prevista no parágrafo único do mesmo artigo, autoriza os
Estados a legislar sobre algumas questões específicas, porém, não podem jamais
alterar quaisquer dispositivos ou criar crimes.
As fontes FORMAIS são aquelas onde o Direito toma forma, ou seja, como é
aplicado a determinado fato. Divide-se em fontes DIRETAS (IMEDIATAS) ou
INDIRETAS (MEDIATAS OU SUBSIDIÁRIAS).
A única fonte formal DIRETA do Direito Penal é a própria lei. São as LEIS
INCRIMINADORAS (arts. 121 ao 361) e as LEIS NÃO INCRIMINADORAS
(arts. 1º ao 120).
As fontes formais INDIRETAS são aquelas que contribuem para o surgimento do
Direito Penal de forma indireta, ou seja, não tem influência nenhuma em sua
elaboração ou surgimento. São os COSTUMES e os PRINCÍPIOS GERAIS DO
DIREITO.
Os COSTUMES se referem às condutas praticadas pela sociedade de maneira
constante e freqüente, pelo fato de acreditarem na sua obrigatoriedade jurídica.
É notável a influência do costume na elaboração da lei penal uma vez que, é
através do mesmo que se torna possível obter o exato significado de alguns termos
como honra, dignidade, decoro, ato obsceno, etc.
Os princípios gerais do direito tratam dos princípios que são extraídos do
ordenamento jurídico. São guiados pela consciência ética de determinada
civilização e suprem as lacunas se omitindo assim, da lei penal. Ex: a mãe que fura
as orelhas de sua filha comete crime de lesão corporal, porém a conduta é
suprimida pelos costumes e não há que se falar em crime.

APLICAÇÃO DA LEI PENAL


PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Também conhecido como PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL é um dos


princípios básicos de Direito Penal. Encontra-se nos arts. 5º da CF e 1º do CP:
“Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação
legal”.
Este mesmo artigo mostra também o PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE, ou
seja, a lei deve ser anterior ao fato para o mesmo ser considerado crime.
VIGÊNCIA DA LEI PENAL

A lei penal começa a vigorar 45 dias após a data da sua publicação no Brasil
inteiro, e no exterior após três meses, se este não for o caso, vigora somente na data
nela indicada.
Esse período é conhecido como VACATIO LEGIS.
É um período de adaptação para que a sociedade tome conhecimento das novas
normas e tenham suas condutas corretas a partir do momento em que passar a
vigorar a lei. Porém é raro acontecer no nosso ordenamento, uma vez que, a lei
passa a vigorar na data da sua publicação.
Um exemplo recente de vacatio legis, é o Novo Código Civil Brasileiro que passou
a vigorar um ano depois de sua publicação.

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL

Esse princípio é um dos mais importantes do Estado de Direito. Tem por finalidade
proibir que outras normas ao regularem um fato criminoso, sejam modificadas e a
situação jurídica do agente seja prejudicada.
Encontra-se no Art. 5º, XL da C.F.:
“A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”.

LEI PENAL NO TEMPO – “ABOLITIO CRIMINIS”

Acontece quando, a lei nova já não considera mais algum fato que antes, era tido
como crime.
Está disposto no Art. 2º, caput, do CP:
“Art. 2º. Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória.
Parágrafo único: As leis posteriores, que de qualquer modo favorecer o agente
aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado”.
O “abolitio criminis” presume que ninguém será punido por fato que
lei posterior deixe de considerar crime.
Este princípio abrange inclusive, os casos que já foram julgados e tiveram as suas
sentenças proclamadas (transitados em julgado).
Isso faz com que a nova lei seja vista como mais adequada que a anterior, e ainda
demonstra que não existe mais nenhum interesse por parte do Estado na punição do
autor e de determinado fato.
O “abolitio criminis” pode ocorrer em qualquer momento do inquérito policial ou
da ação penal.

TEMPO DO CRIME

Para que sejam evitados possíveis erros na aplicação da lei penal é necessário saber
qual é o tempo do crime. É o que assevera o Art. 4º do Código Penal:
“Art.4º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que seja outro o momento do resultado”.

É a chamada TEORIA DA ATIVIDADE.


A importância em saber o tempo do crime, evita que existam confrontos para a
aplicação das leis penais, no tempo, da anistia, de imputabilidade, prescrição, etc.

CRIME

Como já foi abordado, o Direito Penal, é um ramo do Direito Público que


determina INFRAÇÕES PENAIS, estabelece suas PENAS e MEDIDAS DE
SEGURANÇA.
No direito brasileiro, as INFRAÇÕES PENAIS se dividem em CRIMES OU
DELITOS, que são sinônimos e CONTRAVENÇÕES que são infrações penais
de menor porte e estão elencadas na Lei das Contravenções Penais.

CONCEITO DE CRIME

Crime é todo FATO TÍPICO, ANTIJURÍDICO e CULPÁVEL.


O FATO TÍPICO é determinado pela CONDUTA (ação ou omissão) descrita na
lei. Deve sempre existir uma ligação direta entre a conduta e o fato descrito no tipo
penal, para que o crime seja caracterizado. São elementos do fato típico:
 CONDUTA (AÇÃO OU OMISSÃO);
 O RESULTADO;
 A RELAÇÃO DE CAUSALIDADE;
 A TIPICIDADE.

A falta de qualquer um desses quesitos no caso concreto, não caracteriza o fato


típico, portanto, não há crime.

FORMAS DE CONDUTA

* AÇÃO (CRIMES COMISSIVOS): consistem numa ação positiva do agente, ou


seja, o atirar, o subtrair, o ofender, etc. Trata-se do comportamento ativo.
* OMISSÃO (CRIMES OMISSIVOS): é o “não fazer” o que determina a lei.
Divide-se em:
- CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS (OMISSIVOS PUROS): é a mera
conduta de não fazer o que a lei determina. A lei pune pela simples omissão,
independente de qualquer resultado. Ex: omissão de socorro (art. 135 do CP) ou
omissão de notificação de doença (art. 269 do CP).
- CRIMES COMISSIVOS IMPRÓPRIOS (COMISSIVOS POR OMISSÃO):
é quando o agente deixa de cumprir um dever que pela lei estava obrigado. A
omissão é a forma de alcançar o resultado. Ex: o médico ou a enfermeira que não
ministra os medicamentos necessários ao paciente, que vem a morrer.

O RESULTADO

O resultado, como elemento do fato típico, nada mais é do que o fim provocado
pela conduta típica do agente, e é ligado a ele, pela relação de causalidade. É a
morte da vítima, no caso do homicídio ou a destruição do patrimônio no caso do
dano material. O resultado é, na verdade, a lesão ou o perigo de lesão que o
interesse protegido pela norma penal possa sofrer.

A RELAÇÃO DE CAUSALIDADE OU NEXO CAUSAL


Para existir o fato típico deve também estar presente entre a conduta e o resultado,
a relação de causalidade.
Causar significa originar, produzir, motivar.
Não existindo o nexo causal não há que se falar de responsabilidade penal e nem
em qualquer tipo de atribuição de conduta típica ao agente.

A TIPICIDADE

É o último elemento do fato típico, e é exatamente a correlação exata entre o fato


concreto e o que está descrito na lei.
O tipo é a descrição da ação, proibida ou permitida, contida na lei penal.
A ANTIJURIDICIDADE é o fato que contraria o ordenamento jurídico, ou seja, o
ato ilícito.
O fato típico pode existir sem a antijuridicidade e não ser considerado crime como,
por exemplo, no homicídio por legítima defesa ou em estado de necessidade.
Nestes casos, se pratica um fato típico, porém não antijurídico.
CULPABILIDADE é a noção que o indivíduo faz sobre o caráter injusto de sua
conduta. Para isso ele deve possuir a capacidade de entendimento do fato.
É através da culpabilidade que se torna possível à condição de declarar culpado o
autor de qualquer fato típico e ilícito.

ESPÉCIES DA CULPABILIDADE

DOLO

Dolo é o propósito de praticar o fato descrito na lei penal. Quando se diz que um
crime foi doloso significa que ele foi intencional, ou seja, o agente teve a sua
intenção direcionada a produção dos fatos. É o que assevera o art. 18, I do CP.
“Art. 18. Diz-se do crime:

Crime Doloso
I – doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo”.
ESPÉCIES DE DOLO

*DOLO DIRETO (DETERMINADO): é aquele que o agente quer o resultado,


ou seja, quer matar, quer subtrair ou causar lesão corporal.
*DOLO INDIRETO (INDETERMINADO): é aquele não é exatamente definido
e divide-se em:
*DOLO ALTERNATIVO: o agente quer entre dois ou mais resultados (matar ou
ferir, por exemplo) quaisquer que sejam eles.
*DOLO EVENTUAL: à vontade do agente não está direcionada a obter o
resultado, mas sim, algo diverso e mesmo prevendo que o evento possa acontecer,
decide assumir o risco. Ex: participar de “racha" e ocasionar a morte de várias
pessoas.

CULPA

A culpa consiste na prática do delito, sem intenção de produzir o resultado


antijurídico, mas que poderia ser evitado com a devida atenção. A previsibilidade é
a essência da culpa (não prever o que se devia e podia prever), que pode ser
objetiva (do homem médio) ou subjetiva (do agente em particular). Ocorre a
inobservância do dever de cuidado, o que torna punível o comportamento do
agente.
A legislação brasileira limita as modalidades de culpa no art.18, inciso I do CP:

“Art.18. Diz-se do crime:

Crime culposo

II – culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,


negligência ou imperícia”.

IMPRUDÊNCIA

A imprudência ocorre quando o agente atua com precipitação e não toma os


devidos cuidados para evitar possíveis acidentes no momento da conduta, criando
assim perigo desnecessário. Ex: dirigir com sono, fatigado, ou em alta velocidade
em local inadequado.

NEGLIGÊNCIA

Negligência é a falta de atenção devida, a indiferença do agente ao não tomar


devidos cuidados por relaxamento ou preguiça mental. Ex: deixar substâncias
tóxicas ao alcance de crianças.

IMPERÍCIA

A imperícia pressupõe sempre a qualidade de habilitação legal para a arte


(motorista amador) ou profissão (engenheiro, cirurgião, etc.). A falta de habilidade
técnica caracteriza a imperícia. Ex: médico não habilitado para uma cirurgia que
exija conhecimento apurado e específico.

ESPÉCIES DE CULPA

*CULPA INCONSCIENTE: é a culpa comum, na negligência, na imprudência


ou na imperícia. O agente não tem o conhecimento do perigo que sua conduta pode
provocar para o bem jurídico alheio e não previu o que deveria prever, por falta da
atenção devida.
*CULPA CONSCIENTE: é quando o agente confia erradamente na sua perícia
ou circunstância. Ele prevê o resultado, mas espera, sinceramente, que o mesmo
não ocorra. Ex: o caçador avista o companheiro próximo ao animal que deseja
abater, confia em sua condição de atirador para não atingir o amigo quando
disparar, mas causa ao final, alguma lesão ou até mesmo a morte da vítima ao
efetuá-lo.

OBS: Existe uma diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual que vale ser
esclarecida. Na primeira, o agente prevê o resultado e não o aceita como possível.
Na segunda, o agente aceita ou tolera o resultado e não se importa que venha a
ocorrer.
*CRIME PRETERDOLOSO: ou crime qualificado pelo resultado, ocorre
quando há dolo no antecedente e culpa no conseqüente. A intenção do agente é
direcionada para um determinado resultado, mas por culpa acaba ocasionando
outro mais grave. Ex: o agente agride a vítima com um soco (intenção de ferir),
mas por ter tropeçado e batido com a cabeça em uma pedra, a vítima vem a falecer.
O resultado é maior do que o previsto pelo agente (art. 129 § 3º do CP).

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES QUANTO AO RESULTADO

CRIMES DE DANO: se consumam com a efetiva lesão ao bem jurídico visado,


com o resultado da ação. Ex: homicídio (morte), furto e roubo (subtração), etc.
CRIMES DE PERIGO: o delito se consuma com o perigo criado para o bem
jurídico. Divide-se em:
*CRIMES DE PERIGO CONCRETO: o crime deve ser provado e demonstrado.
Ex: perigo de contágio venéreo (art. 130 do CP).
*CRIMES DE PERIGO ABSTRATO: ou crimes de perigo presumido, não
precisam ser demonstrados e nem provados por terem sua presunção na própria lei.
Ex: art. 253 do CP, que trata da fabricação, manuseio e transporte de explosivos,
etc.
CRIMES MATERIAIS: além da ação do agente, é necessária a ocorrência do
resultado descrito na lei, para que ocorra o crime material. Se não ocorre o
resultado, existe apenas a tentativa.
CRIMES FORMAIS: não há a necessidade da realização daquilo que é
pretendido pelo agente, e o resultado previsto no tipo ocorre ao mesmo tempo em
que se dá a conduta. Ex: no delito de ameaça, no de injúria, etc.
CRIMES DE MERA CONDUTA: ou de simples atividade. A consumação desses
crimes se dá com a simples ação ou omissão, também são chamados de CRIMES
PURAMENTE FORMAIS. Há uma ofensa de dano ou de perigo, presumida pela
lei na prática da conduta. Ex: violação de domicílio (art. 150 do CP) e ato obsceno
(art. 233 do CP).
GRÁFICO

ESPÉCIES A LEI DESCREVE CONSUMAÇÃO


Descrição da conduta e Consuma-se com o
CRIME MATERIAL
do resultado. resultado. Admite a tentativa.

Consuma-se com a
Descrição da conduta e conduta, sem esperar o
CRIME FORMAL
do resultado. resultado, ou ao mesmo
tempo em que a conduta.

CRIME DE MERA Descrição só da Consuma-se com a


CONDUTA conduta. simples conduta.

CONSUMAÇÃO
Quando o fato concreto descrito na lei penal está inteiramente realizado, diz-se que
o crime foi consumado. É o que destaca o art. 14, I do CP:
“Diz-se o crime:
Crime consumado
I – consumado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal”.

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES QUANTO AO MOMENTO DA CONSUMAÇÃO:


*CRIME INSTANTÂNEO: é aquele que uma vez consumado, está encerrado, o
resultado fica logo definido a partir de certo instante. Ex: o furto se consuma e
termina com a subtração da coisa alheia móvel.
Se as conseqüências do crime instantâneo forem duradouras e não podem mais ser
revertida pelo agente, fala-se em CRIME INSTANTÂNEO DE EFEITO
PERMANENTE. Ex: a morte da vítima no crime de homicídio.
CRIMES PERMANENTES: dá-se quando a consumação se prolonga no tempo,
independente da ação do agente e, sendo assim, encontra-se em estado de flagrante
permanente. Ex: no crime de seqüestro, a consumação se dá ao longo do tempo em
que a vítima, privada da liberdade, permanece sob o domínio do agente. Enquanto
durar a permanência não ocorre prescrição (art.111, do CP); e pelo fato do crime se
encontrar em fase de consumação, pode ser efetuada a prisão em flagrante.
ITER CRIMINIS
Entre o momento da realização e da consumação do crime se encontra um
itinerário, algumas etapas, a trajetória do crime chamada iter criminis.
O iter criminis é composto das seguintes fases: a cogitação, os atos
preparatórios, a execução e a consumação. A consumação é a última etapa e já
foi devidamente esclarecida.
A COGITAÇÃO não é punida, a não ser que se constitua o fato típico. Ex: crime
de ameaça (art. 147) ou no crime de quadrilha ou bando (art. 288) do CP.
OS ATOS PREPARATÓRIOS são a etapa seguinte à cogitação, são as ações do
agente para conseguir os meios para a realização do crime e também não são
punidas pela lei penal. Ex: adquirir arma de fogo para a prática do homicídio
A EXECUÇÃO é os atos voltados à prática do crime, são os atos mais próximos
do fato típico e que colocam imediatamente o bem jurídico em perigo.
TENTATIVA
Quando iniciada a execução, mas por circunstancias alheias a do agente o crime
não se consuma, fala-se de CRIME TENTADO.
É como esclarece o art., II do CP:
“Art. 14. Diz-se o crime: Tentativa
II – tentado, quando iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente”.
Aos crimes tentados, aplica-se a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços, de acordo com o parágrafo único do art. 14.
Os crimes culposos, de mera conduta, omissivos próprios e preterdolosos não
admitem tentativa.
Não é punível a tentativa de contravenção (art. 4º da Lei de Contravenção Penal).

ESPÉCIES DE TENTATIVA

TENTATIVA BRANCA A vítima sai ilesa.


TENTATIVA CRUENTA A vítima sai lesionada

Chamado também de CRIME


TENTATIVA PERFEITA OU FALHO OU FRUSTRADO.
ACABADA O agente consegue praticar todos
os atos necessários à consumação,
embora essa acabe não
acontecendo.

A ação do agente é interrompida


TENTATIVA IMPERFEITA OU no meio do caminho, antes de
INACABADA acabar a sua capacidade ofensiva
contra o bem jurídico visado.

*OBS: não existe diferença de tratamento entre a tentativa


perfeita ou tentativa imperfeita no Código Penal.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA
Prevista no art. 15 do CP:
“Art 15. O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados”.
Essa lei tem por finalidade estimular o retrocesso do agente no momento da
conduta.
ARREPENDIMENTO EFICAZ

Também relacionado ao art. 15. E o agente só responderá pelos atos já praticados.


Nesses casos o agente impede que o resultado se produza depois de realizados e
esgotados todos os meios que dispunha para a prática do crime. Ex: age com
arrependimento eficaz quem retira da água a vítima que pretendia afogar.
O arrependimento eficaz relaciona-se com a tentativa perfeita.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR
Trata-se do art. 16 do CP:
“Art. 16. Nos crimes cometidos SEM VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, Poe ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços”.
CRIME IMPOSSÍVEL

O art.17 do CP trata do crime impossível e assevera:

“Art.17. Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto é impossível consumar-se o crime”.
Quando se fala em ineficácia absoluta do meio tem-se o seguinte exemplo: o
agente ministra inadequadamente em uma tentativa de homicídio com a arma sem
munição, ou ainda, usar açúcar pensando se tratar de arsênico em uma tentativa de
envenenamento.
Já na hipótese de absoluta impropriedade do objeto o art. 17 trata da
circunstância em que não se torna possível consumar o crime. Ex: atirar em um
cadáver ou efetuar manobras abortivas em mulher não grávida.

ESPÉCIES DE ERROS

ERRO DE TIPO: ocorre quando o agente comporta-se erroneamente em relação a


algum elemento do tipo. O erro nada mais é do que uma falsa interpretação da
realidade. Ex: uma gestante ingere substância abortiva achando que está tomando
calmante.
Tal erro pode ocorrer em uma situação de fato, ou em algum aspecto normativo.
Refere –se ao art. 20 do CP:
“Art. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei”.

OBS: Vale salientar que, o erro de tipo é diferente do erro de proibição. O


erro de proibição relaciona-se com a falta de conhecimento da
antijuridicidade, levando o agente a pensar que tal fato é permitido pela lei,
quando este não é. Já no erro de tipo o agente se engana sobre um elemento do
tipo.
O § 1º do art 20 trata das Discriminantes Putativas e determina que será punido por
crime culposo quem supõe estar agindo com as excludentes de ilicitude elencadas
no art. 23 do CP:
§ 1º É isento de culpa quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo”.
ERRO ACIDENTAL OU SECUNDÁRIO: o “aberratio persona”. O erro
acidental refere-se a circunstâncias situadas à margem da descrição do crime e
subdividem –se em:
*ERRO SOBRE O OBJETO: é o erro que versa sobre as coisas, mas não altera a
figura do crime. Ex: o agente pretende subtrair farinha de trigo de um armazém,
porém acaba levando farelo.
*ERRO SOBRE PESSOA: refere-se à pessoa e nesses casos é levada em conta
não à qualidade da vítima real, mas sim da pessoa contra quem o agente pretendia
agir. Ex: o agente mata “B” pensando se tratar de “A”, responderá pelo homicídio
porque pretendia praticar a conduta prevista no art. 121 (matar alguém), mas com a
qualidade de erro acidental. E se “B” for ascendente do agente, responderá por
crime contra ascendente, agravante prevista no art. 61, II, mas se queria matar “A”
porque este estuprara sua filha momentos antes, responderá por homicídio
privilegiado.
ERRO NA EXECUÇÃO: O “aberratio ictus”. É o erro que ocorre na execução
material do crime. E o agente responde como se tivesse praticado o crime contra a
pessoa visada e se além desta pessoa, outra também for atingida, aplica-se à regra
do concurso formal. Ex: o agente por inabilidade ou acidente acaba atingindo
pessoa diversa da que procurava atingir.
ERRO DE DELITO: ou ainda resultado diverso do pretendido. Nesses casos a
lesão de um bem é diversa daquela pretendida pelo agente. O agente responde por
culpa se o fato não for desejado e se for previsto como crime culposo. Ex: o agente
deseja quebrar a vitrine de uma loja (crime contra o patrimônio), mas acaba
acertando uma funcionária (crime contra a integridade corporal), ou vice-versa.

CLASSIFICAÇÃO DE CRIMES

CRIMES PRÓPRIOS: são aqueles que atribuem uma determinada qualidade ao


agente. Ex: a mãe no infanticídio.
CRIMES DE MÃO PRÓPRIA: tem que ser praticados pessoalmente pelo agente.
Ex: crime de falso testemunho ou falsa perícia.
CRIMES HABITUAIS: são os crimes que exigem habitualidade, com reiteração
seguida de conduta. Ex: crime de exercício ilegal da medicina ou crime de casa de
prostituição.
CRIME DE AÇÃO MÚLTIPLA: nesses crimes são descritas duas ou mais
condutas. O crime será um só, mais são praticadas duas ou mais condutas.
Ex:induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio.
CRIME FALHO: é idêntico ao de tentativa perfeita, ou seja, o agente esgota todos
os atos necessários para obter o resultado, mas esse não acontece.
CRIMES PLURISSUBJETIVOS: nesse crime é necessário que exista o concurso
de agentes, ou seja, a participação de três ou mais pessoas. Ex: crime de rixa ou
crime de quadrilha ou bando.
CRIME PROGRESSIVO: é aquele cujas etapas anteriores também são
considerado crime. Nesse caso o crime anterior fica absorvido pelo posterior. Ex:
caso de homicídio com relação às lesões corporais, que são por este absorvida.
CRIME EXAURIDO: ou crime esgotado, é aquele que já foi consumado de
acordo com a lei e fatos posteriores não alteram o fato típico. Ex: o pagamento do
resgate em um crime de seqüestro, o fato é posterior e indiferente, ou seja, a
obtenção do pagamento de resgate é mero exaurimento do crime do art. 159 do CP
que já estava consumado a partir do momento do seqüestro da vítima.
CRIME COMPLEXO: é composto por duas ou mais figuras penais. Ex: o crime
de roubo é composto por furto e violência ou grave ameaça à vítima.
CRIMES VAGOS: são aqueles onde o sujeito passivo é uma coletividade sem
personalidade jurídica, como a família, o, público ou a sociedade. Ex: crime de ato
obsceno (art. 233 CP).
CRIMES UNISUBSISTENTES: são os que, na pratica são realizados com um só
ato. Ex: injúria verbal (art. 140 do CP). Não admite tentativa.

CRIMES PLURISUBSISTENTES: realizam-se através de vários atos. Ex: crime


de redução análoga a de escravo (art. 140 do CP).
CRIME DE FLAGRANTE PROVOCADO: o agente é levado à ação por
instigação de alguém que, toma as medidas para evitar a consumação do delito e,
ao mesmo tempo torna possível a prisão em flagrante do agente.
Se o flagrante preparado pela polícia não levar o agente à consumação não há que
se falar em flagrante provocado.
CRIMES SIMPLES: são as formas básicas de delitos. Ex: art 121 que trata do
homicídio simples.
CRIMES QUALIFICADOS: são aqueles que o legislador acrescentou alguma
circunstância ao tipo básico para agravar a pena. Ex: art.121, § 2º (homicídio
qualificado).
CRIMES PRIVILEGIADOS: são aqueles que o acréscimo ao tipo básico serve
para diminuir a pena. Ex: art. 121, § 1º (homicídio privilegiado).
CRIME FUNCIONAL: é aquele praticado pelo funcionário público no que se
refere ao exercício das suas funções.
CRIME CONTINUADO: o crime continuado utiliza a teoria da ficção jurídica,
pois consideram como sendo um único crime a ocorrência de vários crimes. Haverá
crime continuado quando o agente pratica mais de uma conduta, o que leva a
ocorrência de mais de um crime. O código penal permite que o crime continuado
ocorra apenas para crimes da mesma espécie. Se os crimes forem idênticos aplica-
se a pena de um crime e uma porcentagem (1/6 a 2/3) pelos demais, se forem
diferentes aplica-se a pena do mais grave com o acréscimo de 1/6 a 2/3 pelos
demais.

EXCLUDENTES DE ILICITUDE

Refere-se ao art. 23 do CP:


“ Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato:
I – em estado de necessidade;
II – em legítima defesa;
III – em estrito cumprimento do dever legal, ou no exercício regular
de direito”.

Podem ser chamados também de excludentes de antijuridicidade ou excludentes de


criminalidade.
ESTADO DE NECESSIDADE: está previsto no art 24 do CP:
“Art. 24. Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar
de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se”.
Ex: furto famélico, onde o agente desempregado, devendo prover o sustento da
prole numerosa e da esposa grávida, subtraí alimentos do supermercado, o agente
que ferido a faca no peito e em busca de socorro médico, atropela um pedestre,
causando-lhe a morte ou ainda a disputa de náufrago pela posse de tábua de
salvação, causa ferimentos á vítima.
LEGÍTIMA DEFESA: é o que assevera o art. 25 do CP:
“Art.25. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem”.
A reação deve ser contra agressão humana. Contra animais ou coisas caracteriza-se
estado de necessidade, a agressão deve ser injusta, atual ou ao menos iminente, ou
seja, em vias de acontecer, deve ser também moderada e necessária.
ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL OU EXERCÍCIO
REGULAR DE DIREITO: não há crime quando o agente pratica o fato em estrito
cumprimento do dever legal. Ex: policiais que revidam tiros de assaltantes e matam
alguns deles.

Também não há crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de


direito. Ex: o agente se recusa a depor em Juízo devido à existência do dever de
sigilo.

IMPUTABILIDADE

Imputabilidade é a capacidade em entender que o fato é ilícito e de agir de acordo


com esse entendimento. A culpabilidade como elemento essencial do fato típico,
não existirá se faltar ao agente à capacidade psíquica de compreender a ilicitude do
fato.
São imputáveis todas as pessoas maiores de 18 anos na data do fato. Porém
existem alguns benefícios para os imputáveis entre 18 e 21 anos como a redução
pela metade dos prazos prescricionais (art.115) e também as atenuantes previstas
no art. 65, I do CP.
INIMPUTABILIDADE

Inimputáveis são aqueles que no momento da ação não tem a capacidade de


entender a ilicitude ao ato. O inimputável é isento de pena pelo ato ilícito e é
absolvido do crime, porém fica sujeito a medida de segurança. Mesmo que o
inimputável seja emancipado na esfera civil, jamais poderá ser responsabilizado na
esfera penal. A maioridade no Direito penal corresponde a 18 anos completos na
data do fato.
De acordo com o art.26 do CP, são inimputáveis:
“Art.26. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento".
No caso dos portadores de doença mental, a incapacidade deve ser completa em
relação à compreensão da ilicitude do fato. Além dos doentes mentais a lei também
faz referencia as moléstias mentais de qualquer origem.
Os que possuem desenvolvimento mental incompleto ou retardado são os surdos–
mudos sem aprendizado e os silvícolas não totalmente integrados a sociedade e que
não demonstrem discernimento comprovado através de perícia médica, não
bastando apenas à condição de silvícola.
No que se refere ao art. 27, os menores de 18 anos são classificados como
infratores, tem os seus atos apurados pela Vara da Infância e Juventude através de
sindicância e ficam sujeitos às providências previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA):

“Art. 27. Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis,


ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial”.

Nos casos dos semi-imputáveis que são os que por ocasião do fato não se
apresentam como inteiramente capaz, a culpabilidade não é excluída, mas a pena é
reduzida de 1/3 a 2/3, ou substituída por medida de segurança, pois a
responsabilidade estava diminuída devido à perturbação da saúde mental ou pelo
desenvolvimento mental meio incompleto ou retardado.
EMOÇÃO E PAIXÃO: a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade (art.
28 do CP). A emoção é um estado emotivo agudo, de breve duração e a paixão é
um estado emotivo crônico e de longa duração.
Em vários casos ambos servem como atenuantes ou como causas de diminuição de
pena. (arts. 65, II, ”c”, 121, § 1º, 129, §4º do CP).
EMBRIAGUEZ: a embriaguez voluntária e a culposa não excluem a
imputabilidade. Nos casos de embriaguez fortuita completa a pena é isenta e se for
incompleta é reduzida de 1/3 a 2/3.

EMBRIAGUEZ VOLUNTÁRIA É buscada intencionalmente.

Resulta da imprudência na
moderação no uso de bebidas
EMBRIAGUEZ CULPOSA alcoólicas ou substância de efeito
análogo.

EMBRIAGUEZ FORTUITA OU DE Resulta de causas alheias à


FORÇA MAIOR vontade do sujeito.

O agente se embriaga para


EMBRIAGUEZ PREORDENADA cometer o crime. E nesse caso a
embriaguez serve para o aumento
da pena.

CONCURSO DE CRIMES

O código penal estabelece o concurso de crimes entre condutas criminosas nos arts.
69, 70 e 71.
CONCURSO MATERIAL: O art. 69 trata do concurso material. O agente
mediante mais de uma conduta, que praticar mais de um crime responderá pela
somatória dessas ocorrências (as penas serão somadas). Ex: “A” pratica um roubo
em um posto de gasolina, três dias depois mata uma testemunha que o viu e
algumas semanas depois rouba um carro, responderá por cada um dos crimes cujas
penas serão somadas.
Obs: os processos correm em separado, mas caberá ao juiz de execução
unificar as penas, cujo cumprimento não poderá ser superior a 30 anos (art.
75 do CP).
CONCURSO FORMAL: art. 70 do CP. Esse concurso faz com que o agente
tenha uma redução na pena quando, mediante uma só conduta são praticados mais
de um crime. Ex: “B” bebe, bate o seu carro e mata duas pessoas, ou seja, cometeu
três crimes: dirigiu alcoolizado e matou duas pessoas. Na aplicação das penas,
ocorre a seguinte situação: se os crimes forem idênticos (concurso formal
homogêneo) aplica-se a pena de um dos crimes e acréscimo de 1/6 até 1/2 pelos
demais. Já na hipótese de crimes diferentes (concurso formal heterogêneo) aplica-
se a pena do crime mais grave com o acréscimo de 1/6 até 1/2 pelos demais.
Obs: esse concurso é chamado do concurso formal próprio, porque existe uma
única vontade de praticar o crime.
Já nos casos de concurso formal impróprio, as penas são somadas como se o
concurso fosse material, apesar do agente praticar uma única conduta resultando
mais de um crime. A diferença entre a forma própria e a imprópria e que faz com
que a pena seja somada é a expressão “designo autônomo”, essa expressão
significa ter vontade de praticar mais de um crime. Ex: “C” quer matar sua mulher
e o amante dela. Ele atropela os dois, pois seu desejo era praticar dois crimes, logo,
as penas são somadas.
CRIME CONTINUADO: disposto no art 71 do CP, o crime continuado utiliza a
teoria da ficção jurídica, pois consideram como sendo um único crime a ocorrência
de vários crimes. Haverá crime continuado quando o agente pratica mais de uma
conduta, o que leva a ocorrência de mais de um crime. O código penal permite que
o crime continuado ocorra apenas para crimes da mesma espécie. Se os crimes
forem idênticos aplica-se a pena de um crime e uma porcentagem (1/6 a 2/3) pelos
demais, se forem diferentes aplica-se a pena do mais grave com o acréscimo de 1/6
a 2/3 pelos demais.
CONCURSO DE PESSOAS

Há concurso de pessoas quando dois ou mais indivíduos concorrem para a prática


de um mesmo crime (art. 29 do CP). Há então a necessidade em diferenciar a co-
autoria e a participação, a fim de entender a aplicação da pena nesses casos. É que
se vê no gráfico a seguir:
CO-AUTORIA PARTICIPAÇÃO

O co-autor participa da execução dos atos O partícipe exerce função


tipificados na lei, é como se fosse o autor acessória no crime e apesar de
e exerce o papel determinante na prática também contribuir para a prática
do crime. do crime, não executa os atos
Ex: no caso de roubo é o co-autor que tipificados na lei. Ex: é partícipe o
entra na casa armado, rende os moradores indivíduo que ficou esperando no
e subtrai as mercadorias e o dinheiro. E na carro servindo como motorista aos
aplicação penal responderá pelo crime na ladrões que entraram na casa. A
sua totalidade. sua pena é reduzida de 1/6 a 1/3 e
responde na medida da sua
atuação e intenção.

AUTORIA MEDIATA: é aquela onde o autor de um crime não o executa


pessoalmente, mas através de um terceiro não culpável. Esse terceiro não culpável
pode ser um menor inimputável, alguém sob coação irresistível ou ainda alguém
que nem saiba estar participando de um crime. Nesses casos não há concurso de
agentes, mas sim, só um agente imediato. Ex: enfermeira que ministra veneno a um
paciente, por ordem do médico, pensando se tratar de medicamentos.

DAS PENAS

O código penal trata das penas nos arts. 32 ao 120.


Pena é a conseqüência jurídica aplicada ao agente que fere o ordenamento jurídico
penal. Quem infringe o ordenamento sofre as conseqüências.
CARACTERÍSTICAS DA PENA
A pena possui as seguintes características:
*CARÁTER RESSOCIABILIZADOR: A pena deve fazer com que o individuo
após o cumprimento de parte dela ou toda, volte ao convívio social e não retorne a
delinqüir.
*CARÁTER PREVENTIVO: A pena serve para prevenir a ocorrência de delitos,
uma vez que ela impõe medo, pelas suas conseqüências a sociedade. Essa
prevenção que ocorre antes da prática do delito é chamada de prevenção geral. O
rigor da pena serve para impedir que aquele que já praticou o delito volte a repeti-
lo e também serve para demonstrar para a sociedade o temor da pena isso é
chamado de prevenção especial.
*CARÁTER RETRIBUTIVO: Tem a característica da vingança e retribui o mal
praticado pelo delinqüente através da pena designado pelo Estado.

CARACTERÍSTICAS DA PENA PELA CONSTITUIÇÃO

A Constituição Federal no seu art.V tratou de várias características sobre a pena


que são:
*PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: a pena só pode ser aplicada em decorrência
de um tipo penal previsto em lei;
*DEVIDO PROCESSO LEGAL: a pena deriva de um processo onde todas as
garantias de defesa devem ser dadas ao delinqüente;
*PERSONALÍSSIMA: a pena aplicada é restrita a pessoa do delinqüente;
*DETERMINADA: a pena deve ser determinada. O delinqüente tem o direito de
receber do Estado a pena aplicada para o seu delito dentro dos parâmetros legais.
Ex: “A” matou “B” e foi condenado a seis anos e 7 meses de reclusão, ou seja, é a
pena cominada de acordo com o delito punitivo e se refere à pretensão punitiva do
Estado;
*PRINCÍPIO DA INOCÊNCIA: o indivíduo não será considerado culpado até
que o processo seja encerrado com transito em julgado da sentença;
*PROPORCIONAL: a pena aplicada ao delinqüente deve ser proporcional ao
delito praticado, ou seja, quanto mais grave maior a pena aplicada;
*Na pena são proibidas as seguintes práticas:

- morte
- prisão perpétua
- trabalhos forçados
- penas cruéis (tortura)
- banimento
ESPÉCIES DE PENAS

O CP em seu art. 32 prevê três espécies de penas que são:

- Penas privativas de liberdade


- Penas restritivas de direito
- Penas de multa

*PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE: o CP no seu art. 33 elenca as


espécies de penas privativas de liberdade que são: reclusão e detenção.
Em caso de pratica de infração, a pena prevista pelo código é a privativa de
liberdade que pode ser somada a multa, ou ainda em alguns casos ser substituída
pela mesma. Esse fenômeno é chamado de conversão e está previsto nos arts. 45 e
51 do CP.
Ex: o art.155 tem a pena cominada de um a quatro anos E multa. E no caso do
art.163 a pena é de um a seis meses OU multa.
Na reclusão a forma de cumprimento da pena é mais grave, uma vez que o
estabelecimento prisional é de maior segurança. É cabível para os regimes fechado,
semi-aberto e aberto.
Na detenção o estabelecimento prisional é de menor segurança, sendo cabível para
os regimes semi-aberto e aberto.
Na prática os estabelecimentos prisionais não fazem distinção entre detenção e
reclusão, normalmente porque não há condição de separação.
Vale salientar os tipos de regimes de cumprimento de pena usados nos casos de
pena privativa de liberdade, e em que estabelecimentos penais são cumpridos:

REGIME FECHADO REGIME SEMI-ABERTO REGIME


ABERTO

Nesse regime o Nesse regime o condenado Esse regime tem


condenado inicialmente tem o direito a trabalho como fundamento
permanecerá preso em sua durante o período diurno ou à
cela sendo que aos poucos direito a cursos acadêmicos, autodeterminação
poderá sair da mesma fora do estabelecimento do condenado, que
para banho de sol e prisional. O condenado deve se manter por
trabalho. deverá retornar ao si só. Portanto o
A pena é cumprida na estabelecimento no período cumprimento é
penitenciária que são noturno. fora do
estabelecimentos de A pena é cumprida em estabelecimento
segurança máxima. colônia agrícola, industrial prisional e de
ou similar e vale tanto para a forma vigiada.
reclusão ou detenção nesse A casa do
tipo de regime. albergado destina-
se ao cumprimento
da reclusão ou
detenção em
regime aberto.

No que se refere aos estabelecimentos prisionais podemos ainda citar:


*CADEIA PÚBLICA: que se destina apenas ao recolhimento de presos
provisórios (art.102 da Lei de Execução Penal, nº 7.210/1984).
*PRISÃO ESPECIAL: que se destina a mulher que devem cumprir suas penas em
local específico e separado de presos homens (art.37 do CP).
*PRISÃO DOMICILIAR: é compatível apenas com o regime aberto e ocorrem
nos seguintes casos: condenado maior de 70 anos, portador de doença grave e nos
casos de mulheres condenadas com filho menor ou incapaz ou condenadas gestante
(art.117 da LEP).

PROGRESSÃO E REGRESSÃO

A progressão garante ao preso a passagem de um regime mais rigoroso para um de


menor rigor.
Ex: fechado para o semi-aberto e semi-aberto para aberto.
Essa passagem nunca é direta, sendo feita de regime em regime. A transferência de
um regime para o outro está condicionada aos requisitos previstos no art. 112 da
LEP.
Já a regressão faz com que o condenado retorne a um regime mais grave. Isso
ocorrerá de forma direta e sem etapas.
Ex: do regime aberto para o fechado.
São condições para a regressão:
- o condenado ter praticado crime doloso ou falta grave;
- condenação definitiva posterior que torne o regime atual inadequado. Ex: “A”
está gozando regime aberto e é condenado por crime hediondo em outro processo,
logo, deverá retornar ao regime fechado.

TRABALHO DO PRESO

O condenado a pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na medida de


suas aptidões e capacidade (art.31 da LEP) e será de no mínimo seis e de no
máximo 8 horas diárias de segunda a sexta-feira.
O trabalho do preso contribui para a progressão de regime e também para a redução
da pena (remição).
DETRAÇÃO PENAL

Está prevista no art. 42 do CP e deve ocorrer o desconto na pena aplicada ao


condenado do período em que o mesmo já esteve preso pelo mesmo fato. Assim o
tempo da prisão provisória, da prisão em flagrante, prisão no exterior, prisão
administrativa (policial militar) ou medida de segurança será abatido da pena
definitiva.
REMIÇÃO DA PENA

É direito do condenado descontar para cada três dias trabalhados um dia da sua
pena. Para isso serve o trabalho externo e interno (art. 126 a 130 da LEP).

Obs: REMISSÃO é o perdão total da dívida (Direito Civil).


*PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO: estão previstas no art 43 do CP. São
autônomas e servem para substituir as penas privativas de liberdade e isso ocorre
para impedir que uma pessoa vá para a prisão por um ato de pouca importância e o
Estado prefere puni-la de uma forma branda para recuperá-la. São chamadas de
penas alternativas e são ao todo cinco espécies:
1-) PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA: essa prestação é uma forma de indenização
que é paga a vítima, seus dependentes ou, na falta deles, para uma entidade
assistencial publica ou privada. O valor é fixado pelo juiz de sentença, sendo de no
mínimo um e no máximo 360 salários mínimos. Esse valor não representa uma
condenação civil de reparação, mas será descontada da mesma. O condenado terá
que ter condições para efetuar o pagamento ou senão a vítima poderá aceitar outra
forma de reparação. Ex: o condenado pinta a casa da vítima (art. 45, §2º).
2-) PERDA DE BENS: o condenado poderá perder bens e valores para o Fundo
Penitenciário Nacional. O valor será fixado pelo juiz da condenação levando em
conta o montante do prejuízo causado à vítima ou com base no lucro obtido pela
venda dos bens que geraram prejuízo. Ex: “A” praticou estelionato, causou um
prejuízo de 50 mil reais e vendeu o produto do crime por 100 mil reais, o juiz
poderá decretar a perda com base em um desses valores.
3-) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES
PÚBLICAS: o condenado a essa pena restritiva de direito, poderá descontar um
dia da pena para cada hora de trabalho em locais públicos ou privados. Ele poderá
trabalhar mais de uma hora por dia, se a pena for superior a um ano, até o limite de
metade da pena. O trabalho é compatível com a aptidão do condenado e a prestação
de serviço comunitário é aplicada às penas privativas de liberdade superiores há
seis meses até o limite de quatro anos, conforme o art. 44 do CP.
4-) INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS: o art. 47 do CP faz com
que o indivíduo perca, em virtude da violação dos seus deveres funcionais, por um
período temporário, o direito de exercer atividade profissional pública ou privada,
mandato eletivo, habilitação técnica ou até mesmo freqüentar determinados locais.
Esse impedimento não se confunde com o art. 92 do CP que tem efeitos
permanentes.
5-) LIMITAÇÃO DE FINAL DE SEMANA: o juiz poderá determinar que o
condenado permaneça sábados e domingos, por até cinco horas diárias,
participando de palestras sócio-educativas em casas de albergados ou em outros
locais. Ex: “A” alcoolizado, provoca uma lesão corporal culposa ao passar no farol
vermelho e cursará palestras aos sábados nos Alcoólicos Anônimos.
Os requisitos necessários para a aplicação das penas restritivas de direito estão nos
arts. 44 e 54 ao 57 do CP e deverão ser observados pelo juiz da sentença. Já para
juiz da execução a matéria se encontra no art 147 ao 155 da LEP.
* PENA DE MULTA OU PENA PECUNIÁRIA: a multa está prevista nos arts.
49 a 51 e art. 60 do CP. A multa é um pagamento feito pelo condenado até dez dias
após o trânsito em julgado que pertence ao Estado. A multa deve ser fixada pelo
juiz da condenação, sempre que o condenado possuir condições de pagá-la. A
multa poderá ser de no mínimo 10 e no máximo 360 dias /multa e o valor do dia
/multa também será fixado pelo juiz em no mínimo 1/30 (um trinta avos) e no
máximo cinco salários mínimos. Se o condenado possuir patrimônio e a multa não
é suficiente para impor o sentido preventivo especial, o juiz poderá inda aumentá-la
em três vezes. Se a multa não for paga será convertida em divida fiscal. O
condenado ainda poderá descontar o pagamento da multa não autoriza a sua
conversão em outro tipo de pena. A pena de multa deve ser aplicada em
substituição à pena privativa de liberdade quando essa for inferior a quatro meses
(art. 60).
Obs: não se deve confundir PENA pecuniária com PRESTAÇÃO pecuniária.
A prestação pecuniária é uma pena restritiva de direito que consiste no
pagamento em dinheiro à vítima e está prevista no art. 45, § 1º do CP.

MEDIDAS DE SEGURANÇA (MS)

A medida de segurança não é considerada pena e sim ato administrativo. Essa


matéria está prevista nos arts. 96 a 99 do CP e 171 a 179 da LEP. A medida de
segurança tem natureza preventiva uma vez que retira do convívio social o agente
que apresenta periculosidade. É a periculosidade o fundamento da MS. A
periculosidade pode ser entendida como sendo o potencial que o indivíduo tem de
praticar anos. São pré-supostos da periculosidade a ocorrência de crime e o aspecto
violento do agente (art.97 do CP). As medidas de segurança têm as seguintes
espécies:
*DETENTIVA: prevista no art. 96, I que é a internação. Essa medida impede que
o agente tenha sua liberdade plena.

*RESTRITIVA: está prevista no art.96, II. É de menor de gravidade, pois o agente


apresenta menor periculosidade, isso faz com que ele fique submetido a tratamento
ambulatorial.
A medida de segurança não é uma pena, mas uma medida judicial administrativa
imposta ao inimputável ou semi-imputável que apresenta problemas mentais e
praticou delito devido a sua periculosidade.
O prazo para a aplicação da MS será de no mínimo um ano e no máximo três.
Dependendo de perícia médica, elaborada anualmente, e da personalidade do
paciente.
Obs: o prazo da MS dura enquanto o agente apresentar periculosidade.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (SURSIS)

Esse instituto tem por fim evitar que o condenado a uma pena de curta duração e
que não tenha personalidade tendente à criminalidade, seja recolhido a
estabelecimento penitenciário e aí, em companhia de delinqüentes perigosos, sofra
efeitos negativos.
É através da audiência admonitória que o condenado toma conhecimento das
condições da sursis e do período de prova e nesse período se inicia o prazo do
período de prova e o réu estará sujeito às condições impostas.
Se o favorecido for maior de 70 anos terá direito ao beneficio quando a pena
privativa de liberdade não ultrapassar quatro anos e o período de prova nesses
casos será de quatro a seis anos.
De acordo com o art. 77 do CP tem direito a esse benefício, o condenado a pena
privativa de liberdade que preencher os seguintes requisitos:

 Ter sido condenado a pena inferior ou igual há dois anos;


 Que a pena não possa ser substituída por outros tipos (multa,
etc);
 Que o condenado não seja reincidente em crime doloso;
 Quando for autorizada a concessão do benefício com base nos
antecedentes, na personalidade, na conduta social e outras
características do agente.
O condenado ficará sujeito a um período de prova de dois a quatro anos que é
fixado pelo juiz, e o condenado fica sujeito às condições legais previstas no art. 78,
§ 1º do CP. Se cumprir todos os requisitos e não voltar a delinqüir, a pena será
extinta, caso contrário cumprirá a pena integralmente, pois, não cabe a detração
penal nesse caso.
O condenado beneficiado pela surcis deverá cumprir pré-requisitos que poderão
ser impostos pelo juiz ou determinadas pela lei. O juiz pode fixar a sentença como
também pode fixar condições ao beneficiário chamadas de condições judiciais
(art.79 do CP). São condições judiciais:
 A proibição de freqüentar determinados lugares;
 Proibição de se ausentar da comarca onde reside, sem
autorização do juiz;
 Comparecimento pessoal e obrigatório s Juízo, mensalmente,
para informar e justificar suas atividades.

Caso o beneficiário não cumpra as condições, o juiz poderá revogar o beneficio ou


prorrogar o período de prova.
A revogação poderá ser obrigatória, que foge ao poder discricionário do juiz e
ocorre quando o condenado é novamente apenado em definitivo por crime doloso,
quando não pagou a pena de multa, sendo que tinha condições de fazê-lo, quando
não presta o serviço comunitário ou não cumpre a limitação de final de semana sem
justificativa (art.81, I, II e III do CP) ou facultativa que depende do poder
discricionário do juiz e que ocorre quando o condenado não cumpre as condições
que lhe foram impostas ou quando é condenado em definitivo por crime culposo
(art. 81, § 1º do CP).
Obs: a revogação é um ato feito pelo juiz de execução e caso o benefício seja
revogado, o condenado terá que cumprir a pena integralmente, sem o
benefício da detração. Após o término do período de prova, haverá extinção de
punibilidade (art. 82 do CP).

Já a prorrogação do período de prova (art. 81, §§ 2º e 3º) ocorre quando o


condenado estiver sendo processado por outro crime. Isso ocorre para permitir, em
caso de condenação, que ele venha a cumprir as duas penas e não sofra o beneficio
da suspensão.
Se o crime for culposo a prorrogação da pena será de no máximo quatro anos,
dentro do limite do período de prova e no caso de crime doloso, a prorrogação irá
até o trânsito em julgado.
O sursis é direito subjetivo do condenado e o juiz não pode, em nenhum momento,
negar sua concessão ao réu quando preenchidos os requisitos legais.

LIVRAMENTO CONDICIONAL
Previsto nos arts. 83 a 90 do CP e nos arts. 131 a 146 da LEP.

O condenado à pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos, terá


direito ao livramento condicional, ou seja, a antecipação provisória da liberdade.
O livramento condicional é uma forma de benefício onde o condenado será
colocado em liberdade, cumprindo condições impostas pelo juiz de execução. Terá
direito ao beneficio o condenado que cumprir os seguintes requisitos:

 Cumprir mais de 1/3 da pena para o condenado primário e para


o condenado reincidente em crime culposo e de bons
antecedentes;
 Cumprir mais da metade da pena em caso reincidência em
crime doloso;
 Cumprir mais de 2/3 da pena se o crime for hediondo;
 Terá que comprovar bom comportamento durante a execução
da pena e que tem condições de manter o próprio sustento;
 O condenado deve ter reparado o dano causado quando
possível;
 Em caso de crime doloso praticado com violência ou grave
ameaça o beneficio será concedido apenas quando a
personalidade do agente for compatível com o mesmo.

O beneficio poderá ser requerido ao juiz da execução do Ministério Público, pelo


diretor do estabelecimento, pelo condenado, pelo conselho penitenciário, pelo
próprio juiz entre outros. Deverão ser ouvidos o Ministério Público e o Conselho
Penitenciário.
Para o benefício, poderão ser somadas as penas de vários delitos.Caberá ao juiz da
execução, se não ocorrer na condenação, fixar condições obrigatórias que deverão
ser cumpridas pelo beneficiado conforme o art.132 da LEP:

 Obter ocupação lícita, em tempo razoável se for apto para


trabalhar;
 Comunicar sua ocupação, periodicamente ao juiz;
 Não mudar da comarca do Juízo da execução, sem prévia
autorização deste.

Já as condições facultativas se encontram no mesmo artigo, porém no § 2º:

 Não mudar de residência sem comunicação ao juiz;


 Recolher-se à habitação em hora fixada;
 Não freqüentar determinados lugares.

Caso o condenado não cumpra as condições impostas ou venha a sofrer nova


condenação em definitivo, cuja pena não seja privativa de liberdade, poderá o juiz
revogar o benefício de maneira facultativa (art. 87 do CP). E será obrigatória a
revogação se o beneficiado vier a praticar novo crime durante o período (restante a
pena) do beneficio.
EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Essa matéria é encontrada nos arts. 91 e 92 do CP e determina os efeitos


secundários da pena que deverão ser fixados e declarados pelo juiz da seguinte
maneira:

 A obrigação de indenizar a vitima pelo dano que lhe foi


causado (a sentença penal condenatória é um titulo
executivo judicial que pode ser utilizado para executar
civilmente o condenado);
 O juiz declara a perda de bens em favor da União ou do
Fundo Penitenciário Nacional. Para a perda de bens, são
considerados os instrumentos utilizados para a pratica do
crime, o produto adquirido com o proveito do crime. Ex:
um traficante adquire uma casa com o dinheiro do tráfico e
assim perderá a casa;
 O juiz deve declarar a perda do exercício da atividade
pública ou do mandato eletivo quando a pena for igual ou
inferior a um ano por prática de crime funcional ou quando
a pena for superior a quatro anos pela pratica de outros
crimes;
 O juiz deve declarar a incapacidade para o exercício do
pátrio poder ou outras formas de representação. Ex: o tio
perde a tutela da sobrinha por tê-la estuprado;
 O juiz deve declarar a restrição para dirigir veículos além
do exercício de outras habilidades técnicas.
REABILITAÇÃO: A reabilitação está prevista nos arts. 93 a 95 do CP. É um
instituto que tem como objetivo tornar sigiloso os registros sobre a condenação de
uma pessoa.
Com o sigilo apenas o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia terão como
saber se aquela pessoa sofreu condenação. Para requerer a reabilitação há a
necessidade dos seguintes requisitos:

 Prazo de mais de dois anos após a extinção da punibilidade (a


reabilitação poderá ocorrer a qualquer momento após esse
prazo);
 Dever ter tido domicilio no Brasil durante esse prazo;
 Durante o prazo de mais de dois anos, deve demonstrar bom
comportamento;
 Deve ressarcir o dano, salvo se não tiver condições para fazê-
lo.

A reabilitação é requerida na Vara de Execução Penal e será ouvido o Ministério


Público que pode impedir a revogação da reabilitação em caso de ocorrência de um
novo crime ou concordar com o pedido. Se for denegada a reabilitação poderá ser
requerida novamente.
AÇÃO PENAL

Ação penal é um instituto processual que está inserido no direito material, pois,
determina o tipo de ação em decorrência do fato criminoso.Está previsto nos
arts.100 ao 106 do CP. Ex: no crime de injúria, previsto no art. 140 o processe se
dá por meio de ação penal privada de acordo com o próprio CP no art. 145.
Na maioria dos casos do CP e das leis posteriores o crime se processa por meio de
ação penal publica incondicionada. A ação pena é dividida nos seguintes tipos:
*AÇÃO PENAL PÚBLICA: é promovida pelo Ministério Público (MP) que
inicia a atividade jurisdicional (exercício do Estado através do juiz e do Poder
Judiciário, que tem a função de resolver as lides que lhe são submetidas
substituindo as partes no conflito) por meio de uma peça chamada denúncia. A
ação penal pública subdivide-se em:
A-) AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA: essa ação é regra no
Código Penal. A denúncia é oferecida pelo MP sem nenhum requisito por parte do
ofendido. A vítima não influi na decisão de ingressar, ou não, com a denúncia.
Nesse caso, basta que o MP possua as condições que demonstrem a autoria e a
materialidade do crime. Ex: roubo.

B-) AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA: em alguns casos a lei exige a


representação do ofendido ou a requisição do Ministério da Justiça para que o
processo e até mesmo o inquérito policial possam ser iniciados.
A representação é uma autorização da vítima para que o inquérito ou o processo
possa ser iniciado. Decorre do interesse pessoal da vítima que não quer sofrer
exposição. Ex: “A” foi estuprada e não que publicidade sobre o ocorrido. Deve ser
feita por escrito e o prazo para o exercício da representação é de seis meses
contados a partir do conhecimento da autoria do fato. Esse prazo é decadencial (se
perde o direito de representação).
Depois que a representação é dada cabe ao MP o oferecimento da denúncia (o
oferecimento é caracterizado pela distribuição da ação no fórum).
Caso a denúncia não seja oferecida dentro do prazo, a lei determina que a vítima ou
o seu representante legal apresente queixa-crime em substituição a denúncia para
evitar a prescrição. Essa ação é chamada de ação penal privada subsidiária da
ação pública. Após o oferecimento da queixa o MP será intimado para participar
do processo, podendo até assumir como pólo ativo (acusação ou autor da ação),
conforme o art. 100, § 3º.
*AÇÃO PENAL PRIVADA: a ação penal privada tem início por uma peça
chamada de queixa-crime. A queixa tem o papel da denúncia e é feita por um
advogado e narra os fatos, a autoria, a materialidade, o enquadramento legal, etc. A
queixa pode sofrer renúncia, que é a desistência da continuidade da ação privada e
pode ocorrer antes da citação do réu. Pode se expressa (por ato conhecido), ou
tácita (atos contrários à vontade de punir o réu).
Pode sofrer também o perdão da vítima que pode ser dado a qualquer momento
após a citação, porém antes do trânsito em julgado e impede o prosseguimento da
ação. Da mesma maneira que a renúncia, o perdão tem que ser expresso ou tácito e
necessita da anuência do réu (consentimento).

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Com a extinção da punibilidade, prevista nos arts. 107 a 120 do CP, não ocorrerão
mais os efeitos principal e secundário da condenação, porém, mesmo extinta a
punibilidade, caberá indenização de natureza cível.

São causas da extinção da punibilidade:

1-) Morte do autor: com a morte do autor do crime, não haverá punição, mas
poderá ocorrer indenização cível em relação às bens por ele deixados;
2-) Anistia, graça ou indulto: todos eles são formas de dispensa da aplicação da
lei penal:
* Anistia, na anistia, um fato deixa de ser considerado crime por motivos políticos,
eleitorais ou militares. Na anistia o condenado é beneficiado e sua aceitação é
indiferente para a ocorrência do beneficio. A anistia pode ser geral ou restrita,
incondicionada ou condicionada. Apaga o crime e extingue os efeitos penais da
sentença. E mesmo do no caso de ser total, caberá a indenização de esfera cível.
*Graça e Indulto, graça é uma forma de indulto individual, uma vez que a CF
vigente não se refere mais à graça. Atinge a pessoa do condenado e não o fato,
trazendo benefícios que podem ser em relação à diminuição de sua pena, concessão
de livramento condicional, saída temporária da prisão (indulto do Dia das Mães),
entre outros. Pode ser total, alcançando todas as sanções impostas ao condenado,
ou parcial, com a redução ou substituição da sanção, caso que leva o nome de
comutação. Pode ser provocado por petição do condenado, pelo Ministério Público,
pelo Conselho Penitenciário, ou pela autoridade administrativa (art.188 da LEP).
O indulto é coletivo e espontâneo e abrange grupos de sentenciados. É competência
do Presidente da República a concessão do indulto (art.84, XII da CF).
3-) Retroatividade da lei que não considera mais o fato como sendo criminoso
(”abolitio criminis”).
4-) Pela prescrição, decadência ou perempção: prescrição é a perda do direito de
ação. A decadência é a perda do próprio direito. A perempção é um instituto
processual aplicado à ação penal privada que faz com que não haja possibilidade da
continuidade da ação penal quando a queixa-crime apresenta falhas que levem a
anulação do processo.
5-) Pela renúncia do direito de queixa ou pela aceitação do perdão
6-) Pela retratação do autor do crime, nos casos permitidos pela lei. Ex: crime de
injúria.
7-) Pelo casamento entre a vítima e o autor nos casos de crime contra os
costumes.
8-) Pelo casamento da vítima com terceiro quando há interesse pela não
continuidade e eventual punição do autor do crime. Nesse caso o crime não deverá
ocorrer com violência ou grave ameaça.
9-) Pelo perdão judicial (art. 120 do CP) que é concedido pelo juiz da
condenação e somente ocorrerá nos casos previstos por lei. O perdão extingue a
pena, mas é computado no caso de reincidência e poderá gerar efeito secundário.

PRESCRIÇÃO PENAL

É a perda do direito de aplicar ou exigir algo por meio de uma ação judicial.Ocorre
em todos as áreas do direito e é dividida da seguinte maneira:
*PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA (PPP): ocorre antes do
trânsito em julgado da sentença e tem como conseqüência o desaparecimento da
pena e de todos os efeitos da sentença e subdivide-se em:
A-) PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA PROPRIAMENTE DITA:
começa a correr a partir da consumação do crime até o recebimento da denuncia ou
da queixa, ou também a partir do momento desta até a sentença. É fixada pelo valor
máximo da pena base (pena em abstrato) cominada ao crime de acordo com a
tabela do art. 109 do CP.

1º-)
/_____________________________/
/ /
Ação. Recebimento da denúncia
Consumação. ou queixa
(passando o prazo
estabelecido no art.
109 do CP prescreve).

2º-)
/_____________________________/
/ /
Recebimento da Sentença.
Denuncia ou queixa.

B-) PRESCRIÇÃO SUPERVENIENTE: é uma modalidade da prescrição da


pretensão punitiva, apaga a pena e todos os seus efeitos da sentença condenatória.
A sentença condenatória recorrível interrompe a prescrição e faz com que o prazo
corra novamente por inteiro (art.117, IV do CP). O prazo que começa a correr após
a sentença condenatória é o prazo da prescrição superveniente (ou subseqüente),
que vai da sentença até o dia do trânsito em julgado definitivo ou do recurso
improvido da acusação (MP).
O prazo é contado de acordo com o art. 110, § 1º do CP, mas para isso é
necessário que a sentença tenha transitado em julgado para a acusação (mas não
para a defesa).
Tem que ter transitado
Para acusação.
/_____________________________/
/ /
Sentença
Se Pega a pena
aplicada
Trânsito em julgado
definitivo.

C-) PRESCRIÇÃO RETROATIVA: volta-se para períodos anteriores à


sentença para verificar se houve prescrição pela pena em algumas das faixas
prescricionais que precederam a sentença (art. 110, § 2º do CP). Apaga a pena e
todos os efeitos da condenação.

/___________________________/___________________/
/ / /
Consumação Recebimento da Sentença com
do delito. denúncia ou queixa. trânsito em julgado
para acusação.

*PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA (PPE): ocorre após o


trânsito em julgado da sentença condenatória e extingue as penas impostas,
livrando o condenado de seu cumprimento, mas não afasta os efeitos secundários
da sentença. Apaga a execução da pena e permanecem os demais efeitos da
condenação.
*PRESCRIÇÃO DA PENA DE MULTA: a prescrição da pena de multa é
regulada pelo art. 114 do CP. Se a pena aplicada pelo juiz for apenas a de multa a
prescrição ocorrerá em dois anos. Se a multa for alternativa ou cumulativamente
aplicada, prescreve no mesmo prazo estabelecido para as penas privativas de
liberdade (art 114, II do CP). Ex: na pena de multa E pena privativa de liberdade
ou ainda, na pena de multa OU pena privativa de liberdade o prazo prescricional
ocorre pela pena privativa de liberdade (art. 118 do CP).
* REDUÇÃO DOS PRAZOS DE PRESCRIÇÃO: o menor de 21 anos na data
do fato ou o maior de 70 anos na data da sentença tem uma redução de metade nos
prazos prescricionais (art. 115 do CP).
* CAUSAS DE INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO: ocorre a perda do período
decorrido e passa assim a possuir um novo prazo de idêntico período ao anterior. A
prescrição não foi idealizada para beneficiar o réu, mas sim para possibilitar a sua
punição. Ex: “A” praticou um roubo simples, cuja prescrição, baseada na pena
máxima que é de 10 anos, ocorrerá em 16 anos. Foram-se 7 anos durante a fase do
inquérito. Ministério Público ofereceu denúncia e a prescrição foi interrompida.
Sendo assim o Estado tem outros 16 anos para punir o criminoso. São causas
interruptivas:

A-) o recebimento da denúncia ou da queixa;


B-) a pronúncia nos procedimentos do júri;
C-) a decisão do recurso que confirma a pronúncia;
D-) a sentença condenatória recorrível;
E-) o início ou a continuação do cumprimento da pena (PPE);
F-) pela reincidência.
Obs: a interrupção atinge todos os participantes do crime, com exceção das
letras (E) e (F).

TÍTULO I – DOS CRIMES CONTRA A PESSOA


CAPÍTULO I - CRIMES CONTRA A VIDA

São crimes contra a vida:

Homicídio simples:

“Art. 121. Matar alguém:


Pena – reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.”

A figura do homicídio simples, citado no “caput” do artigo tem caráter doloso. Este
é o único crime contra a vida que admite a figura culposa.

Espécies de homicídio:

1-) Homicídio simples (doloso).


2-) Homicídio Privilegiado (art. 121, § 1º): Caso de diminuição de pena - o juiz
pode reduzir a pena de um sexto a um terço se o agente comete o crime impelido
por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta
emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.
3-) Homicídio Qualificado (art. 121, § 2º):

I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;


II – por motivo fútil;
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível à defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

 TORPE: repugnante
 FÚTIL: banal

4-) Homicídio Culposo (art.121, § 3º).


*Aumento de pena no homicídio culposo (art. 121 § 4º): a pena é aumentada e o
crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o
agente deixa de prestar socorro à vítima.
*Perdão judicial (art. 121 § 5º): o juiz poderá deixar de aplicar a pena ao agente,
quando a própria vida já se encarregou de puni-lo. Isso se houver grau de
parentesco e o tamanho do dano sofrido.

Induzimento, instigação e auxílio ao suicídio (art. 122):


Induzir: significa inspirar, sugerir quando se induz alguém está sendo colocada
uma idéia, que nunca foi cogitada, na mente dessa pessoa.
Instigar: significa estimular, incentivar, pois nesses casos, já existe a idéia na
mente da pessoa.
Auxiliar: o auxílio é a ajuda material, o fornecimento dos meios.
O induzimento, instigação ou auxílio não admitem tentativa.
O suicídio não admite tentativa e só existe na forma dolosa. É um crime material,
ou seja, só se consuma com a morte da vítima, onde a pena é de reclusão de dois a
seis anos ou com lesões corporais de natureza grave, onde a pena é de reclusão de
um a três anos
Infanticídio (art. 123):

É a morte dada ao próprio filho durante o parto ou logo após, sob influencia do
estado puerperal. O estado puerperal e um “estado de perturbação que da
consciência diminui a capacidade de entendimento”, assim definido pela Medicina
Legal através da perícia.Trata-se de um crime próprio, pois somente a mulher, na
qualidade de mãe, pode cometê-lo. O infanticídio pode ser cometido por omissão (a
mãe que deixa de amamentar o filho) e admite tentativa.

Aborto (art. 124 ao 128):


É a interrupção voluntária da gravidez com a morte do produto da concepção (ovo,
embrião ou feto). O CP define seis figuras de aborto que são:
I – aborto provocado pela gestante (auto-aborto) – art. 124, 1ª parte (essa pena
também é cominada para a gestante no caso do art. 126);
II – com o consentimento da gestante a que outrem venha lhe provocar o aborto –
art. 124, 2ª parte (Pena: detenção de um a três anos);
III – aborto provocado por terceiros sem o consentimento da gestante – art.125
(Pena: reclusão de três a dez anos);
IV - aborto provocado por terceiros com o consentimento da gestante – art 126
(Pena: reclusão de um a quatro anos; pena cominada ao terceiro);
V – aborto qualificado: se em conseqüência do aborto ou dos meios empregados
para provocá-lo a gestante sofre lesões corporais de natureza grave, ou se por
qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte – art. 127 (Penas: aumentadas em
1/3 para lesão corporal grave ou duplicadas se ocorrer à morte).
VI – o aborto legal, provocado por médico não é punível – art. 128.
 Aborto necessário – para salvar a vida da gestante.
 Aborto sentimental – se a gravidez resultou de estupro.

Não se pune como tentativa de aborto as modalidades:

1. Auto-aborto provocado pela gestante (art. 124);


2. Aborto provocado não consentido (art. 125);
3. Aborto consentido pela gestante (art. 126);
4. Aborto qualificado (art. 127);
5. Aborto necessário (art. 128, I);
6. Aborto sentimental (art. 128, II).

*Aborto eugenésico: é realizado quando existir riscos fundados de que o


produto da concepção será portador de graves anomalias genéticas de
qualquer natureza ou de outros defeitos físicos ou psíquicos decorrentes da
gravidez. Ex: casos de fetos anencéfalos (tem a vida extra-uterina inviável em
100% dos casos) que não tem embasamento jurídico e nem legislação
específica sobre o tema.
DAS LESÕES CORPORAIS

Lesão corporal simples:


“ Art. 129 Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano”.
Lesão corporal de natureza grave Lesão corporal de natureza
Art. 129, § 1º. gravíssima
Resulta-se: Art. 129, § 2º. Resulta-se:

I – Incapacidade para as ocupações I – Incapacidade permanente para


habituais (lucrativas ou não), por mais de o trabalho (ocupações lucrativas);
trinta dias;

II – Perigo de vida (atestado por laudo II – Enfermidade incurável


pericial); (atestado por laudo médico
pericial);

III – Debilidade permanente de membro, III – Perda ou inutilização de


sentido ou função (ex: enfraquecimento membro, sentido ou função (ex:
dos membros ou da visão); amputação do braço);

Não possui IV – Deformidade permanente


(dano estético visto a olho nu);

IV – Aceleração do parto (nascimento V – Aborto (morte do nascituro,


com vida). importante analisar o dolo).

Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º):


É um crime preterdoloso (dolo no antecedente, culpa no conseqüente). O agente
não queria o resultado e nem assumiu o risco de produzi-lo.
Casos de diminuição de penas (art. 129, § 4º):
O corre a diminuição da pena se o agente comete o crime impelido por motivo de
relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima o juiz poderá reduzir a pena de 1/6 à 1/3
Casos de substituição de pena (art. 129, § 5º):
Pode o juiz substituir a pena de detenção pela pena de multa. Se as lesões forem
recíprocas, ignorando de quem partiu a iniciativa da agressão, absolve-se por
deficiência de prova e se houver dúvida quanto à iniciativa da agressão é alegada a
um dos agentes legitima defesa.

Lesão corporal culposa (art. 129, § 6º):

É provocada por negligência, imprudência ou imperícia e não importa se o


resultado foi leve, grave ou gravíssimo. O agente não quis o resultado, mas este
poderia ser previsível.
Causas de aumento de pena (art. 129, § 7º e 8º):
Há o aumento da pena em um terço se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, §
4º e as regras do art.121, § 5º nos casos de lesão culposa.

CAPÍTULO III
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE

Periclitar significa colocar em perigo, estar em perigo, sendo assim, este capítulo se
refere aos crimes que colocam em perigo a vida e a saúde. Os crimes deste
capítulo são crimes de perigo e para a sua caracterização é necessário, tão somente,
colocar alguém em perigo.
Perigo de contágio venéreo (art.130):
“Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a
contágio de doença, venérea, que sabe ou deve saber que está contaminado”.
Este delito se refere somente às doenças venéreas onde o contágio se dá através de
relação sexual ou ato libidinoso. (Ex: gonorréia, herpes genital, etc.).
Se o agente não tem a intenção de transmitir a doença, mas expõe a vítima ao
perigo, a pena é mais branda (detenção de três meses a um ano). Nos casos em que
o agente tem a intenção de transmitir a doença, responde pelo art. 130, § 1º, onde a
pena é de reclusão de um a quatro anos.
Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131):
“Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está
contaminado, ato capaz de produzir o contágio”.
Nesse artigo se enquadra a AIDS, pois para efeitos da lei penal, não é
rigorosamente moléstia venérea e também, sua transmissão não se dá
exclusivamente por contato sexual.
O agente responderá pelo art.121 e não pelo art. 131, se tinha intenção de matar.

Abandono de incapazes (art.133):

“Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade,
e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos. Pena detenção se seis
meses a três anos”. O abandono – temporário ou definitivo – importa em deixar a
vítima desamparada ou sob o poder de quem não lhe dispensa a devida assistência.
É indispensável à existência de uma especial relação entre a vítima e o agente, cuja
transgressão implique perigo concreto à incolumidade deste, caso contrário
responderá o agente pelo delito de omissão de socorro (art. 135).
Se a vítima for recém-nascido, o delito se enquadra como exposição ou abandono
de recém-nascido (art.134). Se do abandono resulta lesão corporal de natureza
grave ou morte, são elevadas as margens penais do art. 133, §§ 1º e 2º.

Causas de aumento de pena (art. 133, § 3º, I, II, III):


Aumenta-se de 1/3 a pena se o abandono ocorre em lugar ermo, se o agente é
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, tutor ou curador da vítima ou se a
vítima é maior de 60 anos.

Omissão de socorro (art.135):

“Deixar de prestar assistência à pessoa que estiver precisando, ou não pedir socorro
da autoridade policial quando possível fazê-lo sem risco pessoal. Pena de um a seis
meses”.
Isso inclui também quem se recusa a transportar em seu veículo pessoa gravemente
ferida e a demora ao socorrer. É um crime omissivo puro e é necessário que o
agente tenha consciência do perigo em que está a vítima. Não se pune, quem por
culpa ou imperícia não avalia a gravidade deste perigo. Se da omissão resultar
lesão corporal de natureza grave a pena é aumentada de metade. Se resulta a morte
a pena será triplicada, porém, não se aplica o aumento da pena se a morte era
inevitável e não foi resultante da omissão.

Maus-tratos (art. 136, §§ 1º, 2º e 3º):

“Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou


vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a
de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo
ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina. Pena reclusão de
dois meses a um ano”. Se o fato levar a lesão grave à pena é de reclusão de um a
quatro anos, se resulta a morte aumenta para o mínimo quatro e no máximo doze
anos e se o crime for praticado contra pessoa menor de quatorze anos o aumento é
de 1/3.
CAPÍTULO IV
DA RIXA

Rixa (art. 137):

Trata-se de um crime coletivo bilateral, as pessoas se agridem mutuamente, ou seja,


é uma briga generalizada. É necessário o concurso entre três ou mais pessoas a
briga deve ser com violência material, pois não bastam ofensas verbais, e o contato
entre os participantes é desnecessário devido à possibilidade de arremesso de
objetos.

CRIMES CONTRA A HONRA

São crimes contra a honra:


Calúnia (art. 138):
Imputar falsamente a alguém fato tido como criminoso (“A” roubou, matou,
estuprou alguém) e caracteriza-se consumado quando chega ao conhecimento de
terceiros.
Difamação (art. 139):
Imputar fato ofensivo, porém, não criminoso, a alguém que atinja a sua reputação
(ex: O professor estava bêbado no bar). Atinge a honra a honra objetiva, ou seja, o
que todos irão pensar da pessoa. Vale também para quem imputar a outrem fato
tido com contravenção penal.
Injúria (art. 140):
Imputar ofensa à dignidade da pessoa, são adjetivos qualificativos e podem ser
gestos ou palavras. Atinge a honra subjetiva, ou seja, a honra pessoal de cada um.
Pode ser:
*Injúria real: é derivada de uma agressão, mas não chega a causar
lesão (art. 140, § 2º). Ex: um tapa ou um cuspe.
 Injúria qualificada: é referente a preconceito de cor, raça, etnia, etc (art.140, §
3º).
De acordo com o art. 140, § 1º, o juiz poderá deixar de aplicar a pena nos casos:
I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II – no caso de retorção imediata, que consiste em outra injúria.
Esses casos se referem ao Perdão judicial, que é uma das causas de extinção de
punibilidade (art.107, IX).
Exceção da verdade (art. 139, parágrafo único):
É a defesa apresentada pelo acusado da calúnia com o fim de demonstrar que a
imputação outrora feita é verdadeira.
A exceção da verdade cabe também no delito de difamação quando a ofensa for
contra funcionário público, no exercício da função.
No delito de injúria não cabe a exceção da verdade, uma vez que o fato imputado
feriu a honra subjetiva da vítima.
Retratação (art. 143):
É a oportunidade do querelado de retirar o que disse e é válida até antes do
momento da sentença. É válido somente para os delitos de calúnia e difamação e o
ofendido não precisa aceitar. Com a retratação o agente fica isento da pena.

Se os crimes forem praticados por meio de imprensa a retratação é permitida nos


três casos.
Imunidade judiciária (art. 145):
Não constitui a injúria ou a difamação quando a ofensa foi irrogada sem juízo, na
discussão da causa. Não se aplica ao crime de calúnia.

DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL


Seção I – Crimes contra a Liberdade Pessoal

Constrangimento ilegal (art.146):


“Constranger alguém a fazer algo ou deixar de faze-lo mediante violência ou grave
ameaça.”, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade
de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena
– detenção, de três meses a um ano, ou multa”.
Casos de aumento de pena (art.146,§ 1º):
As penas são duplicadas se para a execução do crime se reúnem três ou mais
pessoas, ou há o emprego de armas.

Não pratica esse crime (art. 146, § 3º, I e II):


I – a intervenção médica ou cirúrgica , sem o consentimento do paciente ou de seu
representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II – a coação exercida para impedir suicídio.
Esse delito é subsidiário com relação a todos os crimes em que o constrangimento é
meio ou elemento, ou seja, trata-se de crime meio para chegar ao crime fim.
Sempre haverá absorção ainda que o outro delito seja mais levemente apenado e
consuma-se quando o ofendido faz ou deixa de fazer a coisa a que foi constrangido.
Nos casos onde o intuito era obter vantagem econômica, haverá o crime de
extorsão.
Para a caracterização deste delito é necessário que o agente tenha o conhecimento
sobre a ilegitimidade da pretensão, pois, se houver o erro, não há o dolo. Não há
forma culposa no crime de constrangimento.

Ameaça (art. 147):


“Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico,
de causar-lhe mal injusto e grave. Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa”.
Ameaçar significa intimidar, prometer malefício. O delito e consuma quando o
ofendido toma conhecimento dela e não é necessário que a vítima se sinta
intimidada. A ameaça tem que ser idônea séria, capaz de intimidar e deve provir de
ânimo calmo e refletido. Admite tentativa somente na forma escrita.

Seqüestro e Cárcere privado (art. 148):


“Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado. Pena –
reclusão de um a três anos”.
Diferença entre seqüestro e cárcere privado:
A diferença entre seqüestro e cárcere privado é muito pequena, são formas muito
semelhantes de privação do direito de ir e vir. O cárcere privado possui um sentido
maior de privação de liberdade, uma vez que o espaço físico é menor. Já no caso
de seqüestro o espaço físico é maior e a restrição de liberdade é relativamente
menor.
Causas de aumento de pena (art. 148, § 1º):

Se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou


maior de 60 anos, se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de
saúde ou hospital, se a privação dura mais de 15 dias, se o crime é praticado contra
menor de 18 anos e se o crime é praticado com fins libidinosos (incisos I, II, III, IV
e V, respectivamente). E se a vítima ficar privada de comida, água, condições
mínimas de higiene, ou seja, se da natureza da detenção ou em razão de maus-
tratos, exista grave sofrimento físico ou moral (art. 148, § 2º).

Obs: Alterações da Lei 11.106/1995 no art. 148:


O legislador incluiu no inciso I a expressão “ou companheiro” e
adicionou os incisos IV e V.
Se a privação de liberdade é realizada com a finalidade especial, o crime poderá ser
outro. Ex: extorsão mediante seqüestro.

Nesse caso, o seqüestro nada mais é do que a privação total ou parcial da liberdade
de locomoção de alguém, pois a finalidade do agente é realmente isolar a pessoa. É
um crime autônomo.
Já a extorsão atinge a pessoa, a integridade física e psíquica do ser humano e o
patrimônio e tem a finalidade específica de obter vantagem. É um crime complexo.
Os seqüestros anunciados em reportagens, na verdade são extorsões mediante
seqüestro (art. 159).

Redução à condição análoga à de escravo (art . 149):


“Submeter alguém a sujeição absoluta, reduzindo-o a condição semelhante,
comparável à de um escravo”.
Para a tipificação, não se exige que haja uma verdadeira escravidão nos moldes
antigos. Esse crime pode ser praticado com o uso de fraude, com a retenção de
salários ou ainda com ameaça ou violência.
É comum, nos dias de hoje a existência deste delito em fazendas ou plantações. É
um crime permanente , sendo possível o flagrante, enquanto durar a submissão.

SEÇÃO II
CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO

Violação de domicílio (art. 150):


“Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, contra a vontade expressa
ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências. Pena,
detenção de um a três meses, ou multa”.
De acordo com CF/88 no art. 5º, XI:
“Casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do orador, salvo em delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial”.
De acordo com o § 4º a expressão “casa” se refere a qualquer compartimento
habitado, aposento ocupado de habitação coletiva ou compartimento não aberto ao
público, onde alguém exerce profissão ou atividade. Não configura o crime se
entrou na casa para escapar de perseguição policial.
Hospedaria, habitação coletiva, taverna ou casa de jogo não se referem à expressão
“casa” (art. 150, § 5º).

SEÇÃO III
CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA

Violação de correspondência (art. 151):

“Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a


outrem. Pena detenção de um a seis meses, ou multa”.
Pode ocorrer o delito mesmo sem a abertura. Ex: olhando sob luz forte. É um
crime de mera conduta
Há a excludente de ilicitude quando há o exercício regular de direito e o estado de
necessidade.
A lei 6.538/78 trata dos crimes contra o serviço postal e em seu art. 10 define que
não constitui violação de correspondência quando:
A-) endereçada a homônimo, com igual endereço;
B-) suspeita conter objeto tributável, valor não declarado ou objeto proibido, desde
que a abertura seja realizada na presença do remetente ou destinatário;
C-) a ser inutilizada, por ser impossível à entrega ou restituição.

SEÇÃO IV
DOS CRIMES CONTRA A VIOLABILIDADE DOS SEGREDOS

Divulgação de segredo (art. 153):


“Revelar, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função,
ministério, oficio ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem. Pena
um a seis meses, ou multa” .
Somente pessoas que tem conhecimento do segredo em razões de certas condições.
Ex: médicos, advogados.
É um crime próprio quanto ao sujeito.
Justa causa são as condutas previstas na lei, ou seja, estado de necessidade, estrito
cumprimento do dever legal ou exercício regular de direito. E a expressão “possa
produzir dano”, demonstra que deve haver a probabilidade de dano a terceiros.

TÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
CAPÍTULO I
DO FURTO

Furto (art. 155):

“Subtrair coisa alheia móvel, para si ou para outrem. Pena – reclusão de um a


quatro anos, e multa.”
Casos de aumento de pena (art. 155, § 1º):
A pena será aumentada em um terço se o crime é praticado durante o repouso
noturno. Esse tipo de furto é denominado furto agravado ou furto com aumento
de pena pelo repouso noturno e cabe somente a figura do furto simples.

Furto privilegiado (art.155, § 2º):


Se o criminoso é primário e é de pequeno valor a coisa furtada.
Furto qualificado (art. 155, § 4º):
A pena é de reclusão de 2 a 8 anos e multa se o crime é cometido:
I – mediante concurso de agentes;
II – com emprego de chave falsa;
III – com abuso de confiança, ou mediante fraude, escala ou destreza;
IV – furto de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou
para o exterior.
Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro
Estado ou para o exterior a pena é de reclusão de três a oito anos.

CAPÍTULO II
DO ROUBO E DA EXTORSÃO

Roubo (art. 157):


“Subtrair coisa móvel, para si ou para outrem, mediante violência ou grave ameaça.
Pena – reclusão de quatro a dez anos, e multa”.

Roubo próprio:

O agente pratica a violência para subtrair a coisa, sendo assim, a violência vem
antes da subtração.
Roubo impróprio:
O agente subtrai, e após, pratica a violência para garantir a posse tranqüila da coisa
ou a sua impunidade.
Roubo qualificado (art.157, § 2º):
As penas aumentam de 1/3 até a metade:
I – se a violência ou ameaça é exercida com o emprego de arma;
II – se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III – se a vitima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal
circunstância;
IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para
outro Estado ou para o exterior;
V – se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
Extorsão (art.158):
“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se
faça ou deixar de fazer alguma coisa. Pena – reclusão de quatro a dez anos, e
multa”.
A extorsão constitui infração penal cujo momento consumação deriva da ação,
omissão ou tolerância impostas a vítima. Consuma-se o delito de extorsão com o
resultado do constrangimento desde que haja grave ameaça e desde que a vantagem
que o agente procura obter seja indevida, não sendo necessário que ele tenha
permanecido com o produto da extorsão.
O STJ editou a súmula 96 nesse sentido:
“O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem
indevida”.
Extorsão mediante seqüestro (art.159):
“Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem,
como condição ou preço do resgate. Pena – reclusão de oito a quinze anos”.
Causas de aumento de pena (art.159, §§ 1º, 2º e 3º):

Se o seqüestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos, se o crime é cometido por


bando ou quadrilha e se o seqüestro perdura mais de 24 horas, as penas variam
entre 12 até 20 anos de reclusão. Se a vítima sofrer lesão corporal grave a pena é
de 16 a 24 anos de reclusão e se resulta morte a pena é de 24 a 30 anos.
Benefício da delação premiada (art.159, § 4º):
Quando o crime é cometido em concurso de pessoas, e um dos agentes denunciar à
autoridade facilitando a libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a
dois terços.
O crime de extorsão mediante seqüestro é um crime formal, e como tal, a simples
privação da liberdade de locomoção da vítima, ainda que o seqüestrado não tenha
sido conduzido ao local de destino (cativeiro) é crime consumado. Quando se trata
da característica do crime de extorsão mediante seqüestro em seu âmbito de crime
permanente, é certo dizer que, a consumação se prolonga no tempo, de forma que,
a qualquer momento antes da liberação da vítima, os autores poderão ser presos em
flagrante delito.

CAPÍTULO IV
DO DANO

Dano (art. 163):


Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena – detenção de 1 a 6 meses , ou
multa.
Este delito é de natureza privada, só se procede mediante queixa do ofendido,
conforme dispõe o artigo 176 do CP.

CAPÍTULO V
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA

Apropriação indébita (art. 168):

Apropriar-se de coisa móvel de que tenha posse ou a detenção. Pena – reclusão de


1 a 4 anos e multa.

Causas de aumento de pena (art. 168, § 1):

Se o agente recebeu a coisa em depósito necessário, na qualidade de tutor, curador,


sindico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial ou em
razão de ofício, emprego ou profissão.
Apropriação indébita previdenciária (art. 168-A):
Referente às contribuições da previdência social recolhida pelos contribuintes
“Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional. Pena – reclusão de 2 a 5
anos e multa”.

DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES


Estelionato (art.171):
“Obter para si ou para outrem, vantagem ilícita,em prejuízo, alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer meio fraudulento.
Pena – reclusão de 1 a 5 anos, e multa”.

Estelionato Privilegiado (art. 171, §§ 1° e 2 º):

O juiz aplica a pena de acordo com o art. 155, § 2º se é de pequeno valor o prejuízo
e se o réu é primário.
Os incisos de I a VI determinam que incorre nas mesmas penas:
I – Disposição de coisa alheia como própria;
II – Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria;
III – Defraudação de penhor;
IV – Fraude na entrega da coisa;
V – fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro;
VI – Fraude no pagamento por meio de cheque.
Vale salientar as diferenças entre os diversos delitos que já foram mencionados:

Roubo e furto: no furto ocorre apenas subtração e no roubo a subtração ocorre


mediante violência ou grave ameaça.
Roubo e furto qualificado: no roubo a violência é contra a pessoa e no furto
qualificada a violência é em relação ao objeto.

Extorsão e roubo: na extorsão a vítima entrega a coisa por estar sendo coagida e
no roubo o agente subtrai a coisa da vítima.
Extorsão e estelionato: na extorsão a vítima entrega a coisa por estar sendo
coagida a entrega-la, já no estelionato a vítima entrega a coisa iludida, pensando
estar entregando certo.

DA RECEPTAÇÃO
Receptação (art. 180):
“Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, coisa que sabe ser produto de
crime. Pena – reclusão de 1 a 4 anos e multa”.
Receptação Dolosa (art. 180, § 1º):
Se ocorrer o tipo penal acima, mas no exercício de atividade comercial ou
industrial.
Receptação Culposa (art. 180, § 3º):
O agente não sabe que a coisa é produto de crime, mas pela desproporção entre o
valor da coisa e o preço pedido e também, as condições de quem a oferece, deveria
presumir ser produto de crime.

DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO


E CONTRA O RESPEITO AOS MORTOS
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO

Ultrage a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo (art. 208):

*Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;


*Impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso;
*Vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.
Vilipendiar significa aviltar, ultrajar e pode ser por gestos ou escritos e escarnecer
significa zombar.

CAPÍTULOII
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO AOS MORTOS

Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária (art.209):

Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária .

Violar = Abrir.
Profanar = Ultrajar.
Sepultura = Lugar onde o cadáver está enterrado.
Urna funerária = lugar onde se guardam as cinzas ou os ossos.
Vilipêndio a cadáver (art.212):
“Vilipendiar cadáver ou suas cinzas”
Vilipendiar aviltar, ultrajar e pode se praticado mediante palavra, escritos ou
gestos.
O agente que praticar necrofilia (praticar sexo com cadáver) se enquadra no delito
de vilipendio.

DOS CRIMES CONTRA OS COSTUMES


DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL

Estupro (art. 213):


“Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça.
Pena - reclusão de 6 a 10 anos”.
A conjunção carnal é a penetração pênis/vagina e é elemento do crime. Somente o
homem pode ser o sujeito ativo nesse crime assim como somente a mulher pode ser
sujeito passivo.
Existe estupro entre marido e mulher e também com prostituta.
Atentado violento ao pudor (art. 214):
“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir
que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal. Pena –
reclusão de 6 a 10 anos”.
Nesses casos o sujeito passivo e o ativo podem ser qualquer pessoa.
E todos os atos diversos da conjunção carnal, que proporcionam o prazer sexual
são os elementos desse crime.

Posse sexual mediante fraude (art. 215):

“Ter conjunção carnal com mulher mediante fraude. Pena – reclusão de 1 a 3


anos”.
Obs: Alterações da Lei 11.106/2005:
Foi suprimida da nova lei a expressão “honesta” para evitar discriminação.
Atentado ao pudor mediante fraude (art. 216):
“Induzir alguém, mediante fraude, a praticar ou submeter-se à prática de ato
libidinoso diverso da conjunção carnal. Pena – reclusão de 1 a 2 anos”.
O legislador suprimiu a expressão “mulher honesta” e trocou o antigo verbo
“permitir” por “submeter-se” e o termo “ofendida” por “vítima”.
Assédio sexual (art. 216-A):
“Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,
prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou
ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena -
reclusão de 2 a 4 anos”.
O delito de assédio sexual se consuma com a prática de atos concretos, efetivos,
suficientemente idôneos para demonstrar a existência de constrangimento,
independentemente de a vítima submeter-se ou não à chantagem sexual
constrangedora.
É um crime próprio, pois só pratica este delito quem ostenta a condição especial de
“superior hierárquico ou ascendência” sobre a vítima, inerentes ao exercício do
emprego, cargo ou função.

CAPÍTULO II
DA SEDUÇÃO E DA CORRUPÇÃO DE MENORES

Sedução (art. 217):


“Manter conjunção carnal, com mulher virgem, menor de 18 e maior de 14,
aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança. Pena – reclusão de
2 a 4 anos”.
O sujeito ativo é o homem e somente mulher virgem menor de 18 e maior de 14 e
inexperiente. A justificável confiança se refere à promessa de casamento e é
necessário namoro longo. Neste delito não há violência, o agente se aproveita da
inexperiência da moça.

Corrupção de menores (art. 218):


“Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 e menor de 18 anos,
com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a pratica-lo ou presencia-lo.
Pena – reclusão de 1 a 4 anos”.
Se a vítima for menina e menor de 14 anos, caracteriza-se violência presumida e se
for menor de 14 anos e houver conjunção carnal é caracterizado como estupro.
Nos casos em que a vítima é menino e menor de 14 anos, é crime de atentado
violento ao pudor.

DO RAPTO

Rapto violento ou mediante fraude (art. 219):


Retirada de mulher honesta, para fins libidinosos, mediante violência, grave
ameaça ou fraude. Pena reclusão de 2 a 4 anos.
Nesses crimes somente o homem é o sujeito ativo e a mulher é o sujeito passivo,
afinal, visa fins libidinosos. Se a vítima for homem o delito é de seqüestro.
Rapto consensual (art. 220):
Nesse delito o sujeito passivo sempre será a mulher maior de 14 e menor de 21 e a
pena é de detenção de 1 a 3 anos.
Casos de diminuição de pena (art. 221):
A pena é diminuída de um terço se o rapto é para fim de casamento e se o agente
entrega a vítima a sua família ou a liberta sem ter praticado nenhum ato libidinoso.
Se da violência resultar lesão corporal grave ou morte a pena é aumentada. Para os
casos de lesão corporal grave a pena é de 8 a 12 anos de reclusão e nos casos de
morte da vítima, a pena é de 12 a 25 anos de reclusão.
Presunção de violência (art. 224):
Os casos de presunção de violência se referem às vítimas que são menores de 14
anos, débeis mentais ou alienadas e se não puderem oferecer resistência.
Ação penal (art. 225):
Os crimes dos capítulos I ao III se procedem mediante queixa-crime. Via de regra,
os crimes contra os costumes são de natureza privada. A natureza pública
incondicionada é valida somente se a vítima não possuir condições financeiras para
as custas processuais.
Os crimes de natureza pública incondicionada abrangem os crimes que envolvem
casos de abuso do pátrio poder, ou se da violência resultar a morte, ou ainda se o
estupro for praticado mediante violência real (súmula 608 do STF).
A súmula 608 fala de CRIMES COMPLEXOS que é a fusão de dois delitos e
determina que nos casos onde um delito seja de ação penal pública e outro de ação
penal privada, conforme determinação do art. 101 do CP, prevalecerá à ação penal
pública. Ex: estupro seguido de morte – o estupro é de natureza privada e o delito
de homicídio é de natureza pública, prevalece então, a ação penal pública.
Aumento de pena (art.226):
Esse artigo sofreu alterações advindas da lei 11.106/2005, e são elas:
O legislador ao invés de manter o aumento único de quarta parte, estabelece
aumentos distintos em cada inciso:
No inciso II suprimiu “pai adotivo”, pois é ascendente, seja ele pai
biológico ou não, e, acrescentou os termos “madrasta, tio, cônjuge e
companheiro”.

DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOAS

Obs: alteração da lei 11.106/2005:

O art. 3º da nova lei, alterou o título do capítulo V, do título IV de


“Do lenocínio e do tráfico de mulheres” para “Do lenocínio e do tráfico de
pessoas” , e em seu § 1º o legislador substituiu a expressão “marido” por
“cônjuge ou companheiro”.
O lenocínio é caracterizado pelo fato de se prestar assistência à libidinagem alheia.
Casa de prostituição (art.229):
Trata-se de um crime habitual e nada mais é do que manter lugar destinado a
encontros para fins libidinosos.
Rufianismo (art. 230):
É o “cafetão”, na linguagem popular. E tira proveito da prostituição alheia. Esse
delito exige habitualidade e que o proveito seja econômico e mesmo com o
consentimento da pessoa ou que o agente tenha um outro emprego lícito não
retiram a tipificação do crime.

Tráfico internacional de pessoas (art. 231):


“Promover, intermediar ou facilitar a entrada, no território nacional, de pessoa que
venha exercer a prostituição ou a saída de pessoa para exercê-la no estrangeiro.
Pena – reclusão de 3 a 8 anos e multa”.
Obs: Alterações da lei 11.106/2005: o legislador acrescentou o verbo
“intermediar”, suprimiu a expressão “de mulher” por “pessoa” como sujeito
passivo.
“§ 1º Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do art.227. Pena – reclusão de 4 a 10
anos e multa.”
*O legislador acrescentou pena de multa.
“§ 2º Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude, a pena é de reclusão de
5 a 12 anos e multa além da pena correspondente a violência”.
DO ULTRAGE PÚBLICO AO PUDOR
Ato obsceno (art. 233):
Praticar ato obsceno em lugar público ou aberto ou exposto ao público.
Obs: Ato obsceno e ato libidinoso:
O ato obsceno é crime e o ato libidinoso não é crime e sim, elemento de um
crime, quando praticado mediante violência ou grave ameaça.

DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA


CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO
Bigamia (art.235):
Contrair alguém, sendo casado, novo casamento. Pena – reclusão de 2 a 6 anos.
O § 1º assevera que quem não é casado e casa-se com quem é casado, sabendo
dessa situação responde pela pena de reclusão ou detenção de 1 a 3 anos, pois, é
sujeito ativo na sua figura mais branda.
Já o § 2º fala que se o primeiro casamento for anulado, mas não pelo delito da
bigamia, o crime inexiste. Se o caso for de casamento inexistente (casamento entre
pessoas do mesmo sexo) não há bigamia.
Com relação á falsidade, é absorvida pelo delito de bigamia. O Estado, o cônjuge
do 1º casamento e o cônjuge do 2º casamento de boa-fé são sujeitos passivos neste
artigo.
Simulação de casamento (art. 239):

Simular significa fingir, representar. O Estado e o contraente ou o seu representante


legal iludido, são os sujeitos passivos. O delito admite o concurso de pessoas desde
que se tratem do escrivão, as testemunhas ou outras pessoas. Se a simulação do
casamento for crime meio para a prática de delito mais grave, será excluído.

DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO

Registro de nascimento inexistente (art. 241):


“Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente Pena – reclusão
de 2 a 6 anos”.
Parto suposto ou alteração de direito inerente ao estado civil de
recém-nascido (art.242):
1. dar parto alheio como próprio;
2. registrar como seu filho de outrem;
3. ocultar recém-nascido ou;
4. substitui-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado
civil.
Forma privilegiada (parágrafo único):
Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza a pena é de detenção de
1 a 2 anos, podendo o juiz beneficiar o agente com o Perdão judicial.

DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR

Abandono material (art. 244):


Alguém que deixa de dar a subsistência à família (esposa e filhos), além de ser
preso civilmente, incorre penalmente neste artigo.
Não se configura o delito se a pessoa a ser assistida possuir recursos próprios para
subsistir. E é imprescindível que o pagamento da pensão alimentícia tenha sido
determinado judicialmente, independentemente se é de forma provisória ou
definitiva e o pagamento posterior não descaracteriza o crime consumado.

Abandono intelectual (art. 246):


“Deixar, sem justa causa, de prover a instrução primária de filho em idade escolar.
Pena – 15 dias a 1 mês ou multa”.
A instrução dos menores, conforme estabelece a CF/88 em seus arts. 229 e 208, I. é
um delito omissivo permanente e somente os pais são os sujeitos ativos e
independentemente da ilegitimidade do filho e de viver ele, ou não em companhia
dos genitores. O artigo se refere como “justa causa”:

I – a falta de escolas
II – a falta de vagas
III – à distância a percorrer
IV – a penúria da família e até a instrução rudimentar dos pais.

DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA


DOS CRIMES DE PERIGO COMUM

Incêndio (art.250):
“Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de
outrem”
Causas de aumento de pena (art. 250, § 1º):
As penas aumentam em um terço se:
I – se o crime é cometido com o intuito de obter vantagem pecuniária
em proveito próprio ou alheio;
II - se o incêndio é:
a) em casa habitada ou destinada a habitação;
b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de
assistência social ou de cultura;
c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte
coletivo;
d) em estação ferroviária ou aeródromo;
e) em estaleiro, fabrica ou oficina;
f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável;
g) em poço petrolífero ou galeria de mineração;
h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta.

Incêndio culposo (art. 250,§ 2º):


A pena é de 6 meses a 2 anos.
Explosão (art.251):
“Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem mediante
explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de
substância de efeitos análogos”.
Causas de aumento de pena (art. 251, § 2º):
Se ocorrer qualquer uma das hipóteses do art.250, § 1º, I ou é visada ou atingida
qualquer das coisas enumeradas no inciso II do mesmo parágrafo.
Inundação (art. 254):
“Causar inundação, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio
de outrem”.
Desabamento ou desmoronamento (art. 256):
“Causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida, a integridade
física ou patrimônio de outrem”.

DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA


Epidemia (art.267):
“Causar epidemia mediante a propagação de germes patogênicos”.
Epidemia é o contágio de uma doença infecciosa que atinge grande número de
pessoas ou habitantes de uma mesma região (ex: epidemia de varíola, febre
amarela, etc.).
Os germes patogênicos são os microorganismos (vírus ou bactérias) capazes de
produzir a moléstia infecciosa. Propagar significa difundir, multiplicar ou
transmitir.
Omissão de notificação de doença (art.269):
“Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é
compulsória”.
É um delito omissivo puro, afinal, só alguém na qualidade de médico, pode faze-
lo.
Charlatanismo (art. 283):
“Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”.

Inculcar significa aconselhar, recomendar, indicar. Neste delito é indispensável que


a inculca ou divulgação da cura, se faça de maneira em meio secreto (oculto,
ignorado) ou infalível (de eficiência garantida, certa).
Curandeirismo (art. 284):
“Exercer curandeirismo:
I – prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;
II – usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III – fazendo diagnósticos.
Parágrafo único: Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica
também sujeito á multa”.
Curandeirismo é a atividade de quem se dedica a curar, sem habilitação ou título
para tal. Para a caracterização deste delito é necessário habitualidade na conduta, o
comportamento ocasional não basta para a tipificação.
Orações de fé, os passes no espiritismo, as seitas religiosas registradas que
ministram hóstias, águas e óleos bentos e pregam curas milagrosas na dependência
da fé dos fiéis, não são consideradas formas de charlatanismo.

DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA


Incitação do crime (art. 286):
“Incitar publicamente a pratica do crime”.
Incitar significa estimular, provocar, excitar.
Apologia de crime ou criminoso (art. 287):
“Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime”.
Fazer apologia significa, louvar, enaltecer, exaltar, elogiar.

Quadrilha ou bando (art. 288):


“Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim
de cometer crimes”.
Se a quadrilha ou bando for armado, a pena é aplicada em dobro. O número para a
caracterização do delito é de quatro (4) pessoas e a reunião deve ter como objetivo
a prática de crimes. Se a quadrilha ou bando não chegou a se formar o crime não se
constitui, pois apenas no momento da associação e que se consuma o fato.

DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

Moeda falsa (art. 289):


“Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel de curso legal no
país ou no estrangeiro”.
O núcleo falsificar, significa apresentar como verdadeiro o que não é, de dar
aparência enganosa a fim de passar por original.

DA FALSIDADE DOCUMENTAL
Falsificação de documento particular (art.298):
“Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento
particular verdadeiro”.
Neste tipo de delito a falsidade diz respeito à falsidade material, ou seja, à forma
do documento.
O que se frauda neste tipo de falsidade, é a própria forma e a matéria do
documento, no todo ou em parte. O conteúdo é forjado ou o agente cria um novo
documento para causar prejuízo alheio. Na falsidade material é a forma do
documento, a materialidade gráfica, visível do documento que é alterada. Nos
casos de falsificação de documentos, o delito é de falsidade material e não
falsidade ideológica.
A falsidade ideológica diz respeito ao conteúdo do documento. A forma do
documento é verdadeira. Mas seu conteúdo é falso, isto é, a idéia ou declaração que
o documento contém não corresponde à verdade. O teor do ideal ou do intelectual
do documento é falsificada. Para a lei penal documento é: “Todo escrito devido a
um autor determinado, contendo exposição de fatos ou declaração de vontade,
dotado de significação ou relevância jurídica”.

Falsidade ideológica (art. 299):


“Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar,
ou nele inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de
prejudicar direito, criar obrigação, ou alterar a verdade sobre fato juridicamente
relevante”.
Exemplos de falsidade ideológica:

O pai afirmar que era ele quem estava na direção do veículo no momento da
colisão, quando na verdade era o seu filho menor de idade, na lavratura do boletim
de ocorrência para conseguir a liberação do seguro de seu carro.
Falsidade de atestado médico (art. 302):
“Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso”.
Trata-se de um crime próprio, não bastando que o agente seja médico, é necessário
que a conduta seja praticada no exercício de sua profissão e deve ser praticado por
escrito, afinal, trata-se de atestado.

Uso de documento falso (art.304):


“Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os
arts. 297 a 302”.
As penas cominadas são as mesmas do delito de falsificação ou alteração.

DE OUTRAS FALSIDADES
Falsa identidade (art.307):
“Atribuir-se ou atribuir falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio
ou alheio, ou causar dano a outrem”.
Incrimina-se também quem irroga ou imputa a si próprio ou a terceira pessoa,
identidade que não é a verdadeira. Na doutrina, a expressão identidade
compreende a idade, filiação, nacionalidade, estado civil, profissão, etc. Ex: a
substituição de fotografia em documento de identidade subtraído da vítima.
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor (art.311):
“Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo
automotor, de seu componente ou equipamento”.

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Peculato (art.312):

“Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem


móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desvia-lo,
em proveito próprio ou alheio”.
O crime de peculato é semelhante ao de apropriação indébita, mas é praticado por
funcionário público.
Peculato-furto (art.312, §1º):
“Subtrair algo da Administração Pública, em proveito próprio ou alheio,
aproveitando-se de sua qualidade de Funcionário Público”.
Peculato culposo (art.312, §2º):
“Se o funcionário público concorre culposamente para o crime de outrem.”
Porém, se houver a reparação do dano antes da sentença irrecorrível extingue a
punibilidade do agente (só é valido na modalidade culposa), e se a reparação for
após o trânsito em julgado da sentença, a pena será reduzida pela metade.
Concussão (art.316):
“Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função
ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida”.
Este delito nada mais é do que a extorsão cometida por funcionário público.
Corrupção passiva (art.317):
“Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que
fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem”.
Facilitação de contrabando ou descaminho (art. 318):
“Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou
descaminho (art.334)”.
Trata-se do funcionário público que facilita o crime de contrabando ou
descaminho, infringindo o seu dever funcional, praticado por particular.
Prevaricação (art. 319):
“Retardar ou deixar de praticar ato de ofício para satisfazer interesse ou sentimento
pessoal”.

DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A


ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
Resistência (art. 319):
“Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário
público”.
Opor-se em sentido de resistir.
Para a caracterização deste delito tem que ser mediante violência ou grave ameaça
ao funcionário público.
Desobediência (art. 331):
“Desobedecer à ordem legal de funcionário público”.
Desobedecer tem o sentido de não cumprir, não atender.
É mais brando que a resistência, pois não existe a violência ou grave ameaça, no
entanto é necessário que a ordem seja legal.
Desacato (art. 331):
“Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela”.
Neste delito, não basta apenas ser funcionário público, é necessário também que
este esteja no exercício de suas funções ou em razão dela.
O agente tem que agir com dolo, ou seja, vontade livre e consciente de humilhar o
funcionário público que esteja no exercício das suas funções ou em razão desta.
Corrupção ativa (art.333):
“Oferecer ou promover vantagem indevida a funcionário público, para determina-la
a praticar, omitir ou retardar ato de ofício”.
É um crime praticado por particular contra a administração pública e se o
funcionário público aceitar esta vantagem indevida, responderá pelo crime de
corrupção passiva (art. 317).

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA


Denunciação caluniosa (art.339):
“Dar causa a instauração de investigação policial ou de processo judicial contra
alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente”.
Dar causa significa provocar, motivar, originar e o agente indica uma pessoa
determinada.
Comunicação falsa ou de contravenção (art. 340) :
“Provocar a ação da autoridade, comunicando-lhe a ocorrência, de crime ou de
contravenção, que sabe não se ter verificado”.
Neste delito não se instaura o inquérito policial e a pessoa é indeterminada.
Auto–acusação falsa (art. 341):
“Acusar-se perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem”.
Falso testemunho ou falsa perícia (art.342):
São crimes próprios de testemunhas, peritos, tradutores e interpretes, que são
chamados de auxiliares da justiça.
Exercício arbitrário das próprias razões (art. 345):
Significa fazer justiça com as próprias mãos e visa satisfazer pretensão. Ex: médico
que retém o paciente até o pagamento dos custos hospitalares.
Patrocínio infiel (art.355):
“Trair, na qualidade de advogado ou procurador ou dever profissional,
prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado”.
Tergiversação ou patrocínio simultâneo (art. 355, parágrafo único):
Advogado ou procurador judicial que defende na mesma causa, partes contrária,
simultânea ou sucessivamente.
São dois crimes próprios de advogados.

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