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CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO ALCANÇA MAIOR NÍVEL EM CINCO MESES

Quarta alta mensal consecutiva eleva Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec)
acima de 100 pontos, indicando que os comerciantes estão otimistas. Resultado foi motivado por
avanços em oito dos nove itens da pesquisa, com destaque para a avaliação das condições
atuais da economia e as intenções de contratação de funcionários.

Confiança do Empresário do Comércio – Evolução e Abertura do Índice

140

120 107,7
103,1
índice (0-200)

100

80

60
out/18 dez/18 fev/19 abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 fev/20 abr/20 jun/20 ago/20 out/20
ICEC ICEC (com ajuste sazonal)

Variação Variação
Índice out/20
Mensal* Anual
Condições Atuais do Empresário do Comércio 71,9 +27,9% -25,4%
Economia 57,0 +37,7% -34,4%
Setor 77,0 +25,3% -18,0%
Empresa 81,8 +24,2% -24,5%
Expectativas do Empresário do Comércio 147,7 +4,9% -8,5%
Economia 141,6 +6,3% -10,1%
Setor 148,7 +4,7% -7,7%
Empresa 152,7 +3,8% -7,8%
Intenções de Investimentos 89,7 +8,2% -15,6%
Na contratação de funcionários 117,1 +14,2% -10,6%
Na empresa 70,9 +10,5% -26,1%
Em estoques 81,2 -1,0% -11,9%
ICEC 103,1 +10,5% -15,1%

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do


Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), alcançou 103,1 pontos em outubro, alta de 10,5%
com ajuste sazonal. O índice recuperou 36,5 pontos da mínima histórica, apurada em junho, e
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após seis meses retornou para a zona otimista, acima dos 100 pontos do corte de indiferença. Na
comparação interanual, no entanto, a confiança registrou queda de 15,1%.

Na satisfação quanto às condições correntes, o Índice de Condições Atuais do Empresário do


Comércio (Icaec) chegou a 71,9 pontos, o terceiro e expressivo aumento (+27,9%) após cinco
meses de quedas intensas, que fizeram o indicador alcançar o mínimo histórico em julho (34,2
pontos). Em relação a outubro de 2019, o índice de avaliações correntes caiu 25,4%.

O subíndice referente às expectativas, Índice de Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC),


avançou pela quarta vez consecutiva, situando-se no maior nível dentre os subíndices do
Icec (147,7 pontos), indicando que os comerciantes seguem otimistas no curto prazo, em relação
à economia, ao desempenho do comércio e ao da própria empresa. Comparativamente a
setembro, o aumento foi de 4,9%, mas em relação a outubro de 2019 o nível das expectativas
reduziu em 8,5%.

Quanto às intenções de investimento, o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC)


obteve o terceiro aumento mensal consecutivo (+8,2%), o segundo maior já observado para o
indicador, que chegou a 89,7 pontos. No ano, porém, a redução foi de 15,6%.

Condições Correntes: comerciantes melhoram avaliação da situação atual da economia

O item referente às condições atuais da Condições Atuais da Economia (%)


economia cresceu pela terceira vez, Pioraram
+37,7%, na passagem mensal, atingindo Muito;
40,8%
57 pontos em outubro, após queda de Melhoraram
muito; 3,4%
mais de 90 pontos entre março e julho.
Pioraram
Na comparação com outubro de 2019, no pouco;
entanto, a queda foi de -34,4%. Houve 33,5%
Melhoraram
novo alívio na avaliação dos comerciantes
pouco;
quanto ao desempenho atual da 22,3%
economia: 74,3% consideram que as
condições estão piores do que há um ano, o indicador havia alcançado 83,1%, em setembro, e
52,5 pontos em outubro de 2019.

A percepção menos pessimista quanto ao nível atual de atividade econômica pode ser explicada
por resultados recentes dos indicadores de atividade, que vêm apresentando dinamismo nos
últimos meses. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que tenta antecipar o
resultado do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou a quarta alta consecutiva em agosto, +1,06%,
com ajuste sazonal.

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Quanto às condições correntes do setor Condições Atuais do Setor (Comércio) (%)
do comércio, o índice atingiu 77,0 pontos
Pioraram
em outubro, aumento mensal de 25,3%, Muito;
mas queda de 18,0%, em comparação a 28,3%

outubro do ano passado. As avaliações Melhoraram


pouco;
negativas representaram 62,6% das Pioraram 29,9% Melhoraram
respostas dos empresários, menores do pouco; muito; 7,5%
34,3%
que os 72,6% de setembro, mas acima
dos 49,1% de outubro de 2019.

O volume de vendas do comércio


varejista cresceu em agosto pelo quarto mês seguido, +3,4%, no conceito restrito e, +4,6%, no
ampliado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A recuperação
das vendas tem ocorrido nos segmentos considerados não essenciais, com a flexibilização do
isolamento social e os benefícios emergenciais.

O grau de satisfação quanto ao


desempenho atual das empresas Condições Atuais da Empresa (%)
Pioraram
também aumentou em outubro (81,8 Muito;
pontos, +24,2%), embora a maioria dos 24,8%
varejistas ainda perceba condições de Melhoraram
Pioraram
muito; 7,9%
operação piores (59,7%). Essa proporção pouco;
34,9% Melhoraram
negativa está abaixo da registrada em pouco;
setembro (70,9%), porém acima de 32,4%

outubro do ano passado (40,2%).

Expectativas: comércio melhora perspectivas com aquecimento das vendas no último trimestre

Em relação às expectativas para a


economia, o índice renovou a alta em Expectativa para a Economia (%)
outubro pelo quarto mês, +6,3%, Piorar
alcançando 141,6 pontos. O otimismo pouco;
10,9%
reflete a maior proporção dos Piorar
Melhorar
empresários que esperam melhora no muito; 7,7%
pouco; Melhorar
nível de atividade da economia nos meses 53,3% muito;
à frente: 81,4, ante 74,2%, em setembro, 28,1%
e 90,2% em outubro de 2019.

A flexibilização do distanciamento social


em conjunto com a manutenção dos
benefícios emergenciais e condições favoráveis do crédito devem seguir apoiando o consumo e
sustentar a retomada da atividade econômica no último trimestre. Este cenário reflete a
percepção cada vez mais otimista dos comerciantes sobre a economia nos meses à frente.

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As expectativas dos comerciantes para o Expectativa para Setor (Comércio) (%)
desempenho do setor nos próximos
meses também cresceram em outubro, Piorar
+4,7%, atingindo 148,7 pontos. O maior pouco; 9,0%
Piorar
Melhorar
pouco; muito; 5,2%
grau de otimismo em relação ao
54,9% Melhorar
comércio retrata que, para 85,9% dos muito;
comerciantes, o desempenho do 30,9%

comércio vai melhorar no curto prazo,


ante 79,9% no mês anterior e 92% em
outubro de 2019.

Mesmo no contexto de pandemia, as perspectivas são de melhor desempenho do varejo no


último trimestre, que será favorecido pelo aumento do faturamento com as festas de fim de ano.
A CNC estima que, em 2020, as vendas no varejo restrito deverão crescer 2,1%, mas, no conceito
ampliado, a redução deverá ser de 4,2%.

O item referente à expectativa em


Expectativa para Empresa (%)
relação à empresa registrou
crescimento mensal, de +3,8%, com Piorar
pouco; 7,4%
152,7 pontos, maior índice dentre os Piorar
Melhorar
componentes das expectativas e pouco; muito; 4,4%
dentre todos os indicadores do Icec. A 54,8% Melhorar
proporção de 88,2% dos empresários muito;
acredita que as condições de operação 33,4%

de sua empresa vão melhorar nos


meses à frente, ante 83,4% em
setembro e 94% em outubro do ano
passado.

Investimentos: intenção de contratar atinge maior nível em cinco meses

Dentre os indicadores de
Expectativa Contratação de Funcionários (%)
investimento, a intenção de Reduzir
contratação de funcionário retornou à pouco;
27,7%
zona positiva, com 117,1 pontos, Reduzir
terceiro crescimento mensal de muito; 7,3%

14,2%. A intenção de contratar pelo Aumentar Aumentar


pouco; muito;
comércio novamente avançou em 11,7%
53,3%
todas as regiões do País, em outubro.
Também pela terceira vez cresceu a
proporção dos comerciantes que
pretendem aumentar o quadro de
funcionários: de 50,6%, em setembro, para 65% em outubro. Em julho, cerca de 75% dos
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comerciantes afirmavam que reduziriam a quantidade de funcionários, quadro que se reverteu
rapidamente em três meses.

O índice de intenções de investimento


Nível de Investimento das Empresas (%)
na empresa alcançou 70,9 pontos,
Muito
crescimento de 10,5% entre setembro
menor;
e outubro, embora esteja no menor 29,7%
nível dentre os componentes dos Muito
investimentos. A despeito de as maior; 8,6%
Pouco Pouco
intenções de investimento na empresa menor; maior;
estarem quase 33 pontos abaixo do 38,9% 22,9%
período pré-pandemia, aumentou
pelo terceiro mês o percentual de
empresários dispostos a ampliar esses
investimentos: de 26,9% em setembro para 31,5% em outubro.

Dentre todos os indicadores do Icec, o


Situação Atual dos Estoques (%)
índice de situação atual dos estoques foi
Acima da Abaixo do
o único a registrar queda mensal em
Adequada; Adequada;
outubro, -1%, atingindo 81,2 pontos. O 31,9% 13,1%
índice de estoques havia apresentado Não Sabe /
melhora entre agosto e setembro, o que Não
não se sustentou. Todos os componentes Adequada; Respondeu;
54,6% 0,4%
da pesquisa mostram retomada em
formato V ou U, com exceção do
indicador dos estoques.

Embora o índice que reflete a situação


dos estoques tenha se reduzido, pela segunda vez é menor a proporção de comerciantes que
considera o nível dos estoques acima do adequado, diante da programação das vendas: de 33,4%
em setembro para 31,9% em outubro.

Com o isolamento social e as lojas do varejo não essencial fechadas por meses durante a
pandemia, os estoques inevitavelmente ficaram obsoletos, ainda que parte das vendas tenha sido
efetuada pelo comércio eletrônico e outros canais digitais. Mesmo com a recuperação do
comércio até agosto, o indicador de estoques não apresenta esta mesma dinâmica. Isso pode
indicar que o comerciante enfrenta algumas dificuldades conjunturais para renovação dos
estoques, seja pressão de custos (preços em geral, câmbio), seja algum desequilíbrio de oferta,
ou mesmo da demanda, em função de mudanças temporárias do comportamento dos
consumidores.

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Sobre a pesquisa:

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) é um indicador antecedente apurado entre os


tomadores de decisão das empresas do varejo, cujo objetivo é detectar as tendências das ações
empresariais do setor. A amostra é composta por aproximadamente seis mil empresas situadas em todas
as capitais do País; e os índices, apurados mensalmente, apresentam dispersões entre zero e 200 pontos,
sendo 100 pontos o nível base de satisfação.

O índice é construído a partir de nove questões. As três primeiras, que constituem o Índice de Condições
Atuais do Empresário do Comércio (Icaec), comparam a situação econômica do País, do setor de atuação e
da própria empresa em relação ao mesmo período do ano anterior. As três perguntas seguintes avaliam os
mesmos aspectos, mas em relação ao futuro no curto prazo, e formam o Índice de Expectativas do
Empresário do Comércio (IEEC).

Em todas as seis primeiras perguntas, as opções de resposta são as seguintes: (i) Melhorou/Melhorará
muito; (ii) Melhorou/Melhorará um pouco; (iii) Piorou/Piorará muito; e (iv) Piorou/Piorará um pouco. Além
dos dados nacionais, os nove componentes do Icec também são divulgados segundo as cinco regiões
geográficas do Brasil.

As últimas três perguntas que compõem o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC)
abordam questões mais específicas, relativas aos seguintes temas: (i) Expectativa de contratação de
funcionários para os próximos meses (aumentar muito, aumentar pouco, reduzir pouco ou reduzir muito);
(ii) Nível de investimentos em relação ao mesmo período do ano anterior (muito maior, um pouco maior,
um pouco menor ou muito menor); e (iii) Nível atual dos estoques diante da programação de vendas (abaixo
do adequado, adequado ou acima do adequado).

Ajuste sazonal: sujeitas ao comportamento sazonal do nível de atividade do comércio e da atividade


econômica em geral, as séries passaram a ser dessazonalizadas através do método de médias móveis
centradas, permitindo a comparação mensal (mês sobre o mês anterior) dos componentes do Icec.

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