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Chaiane Schoen, et al.

Estudos de impacto ambiental:


potencialidades, deficiências e perspectivas
de elaboradores e avaliadores

Environmental impact assessment: potentials,


deficiencies and prospects from developers
and evaluators
Chaiane Schoena
Júnia Schultzb
Kássia Heinzc
Suelen Cristina Grottd
Adilson Pinheiroe

a
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da
Universidade Regional de Blumenau (Furb), Blumenau, SC, Brasil
End. Eletrônico: chaiane.schoen@gmail.com

b
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal e Bioprocessos da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
End. Eletrônico: juniaschultz@gmail.com
c
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da
Universidade Regional de Blumenau (Furb), Blumenau, SC, Brasil
End. Eletrônico: kassiaghh@gmail.com
d
Mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade Regional de Blumenau (Furb),
Blumenau, SC, Brasil
End. Eletrônico: suelengtt@bol.com.br

Professor do Departamento de Engenharia Civil e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental


e

da Fundação Universidade Regional de Blumenau (Furb), Blumenau, SC, Brasil


End. Eletrônico: pinheiro@furb.br

doi:10.18472/SustDeb.v7n2.2016.17644

Recebido em 04.02.2016
Aceito em 23.05.2016
ARTIGO - VARIA

RESUMO
O estudo de impacto ambiental (EIA), apesar de constituir instrumento fundamental para a tomada de
decisão sobre a implantação e operação de empreendimentos potencialmente causadores de impac-
tos negativos no ambiente, apresenta desafios para consolidá-lo como ferramenta de desenvolvimento
sustentável. Diante disso, este estudo teve o objetivo de avaliar EIA disponíveis em plataforma digital
federal e estadual quanto ao desenvolvimento baseado em legislação reguladora e entender a pers-

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Estudos de Impacto Ambiental: potencialidades,
deficiências e perspectivas de elaboradores e
avaliadores

pectiva de profissionais avaliadores e elaboradores de EIA em relação à prática atual. Foram analisados
151 EIA e aplicados 27 questionários a profissionais elaboradores e avaliadores de EIA. Os EIA avaliados
apresentam como principais potencialidades a composição predominante de equipes multidisciplina-
res e como principais deficiências encontradas as relacionadas à de etapa de avaliação dos impactos
(valoração, significância e análise dos impactos cumulativos e sinérgicos). Os participantes da pesquisa
apontaram ainda fatores para a melhoria do processo nas fases de elaboração, avaliação e implemen-
tação.

Palavras-chave: Avaliação ambiental. Sustentabilidade ambiental. Impacto ambiental.

ABSTRACT
Despite being a basic tool for decision-making about the implementation and operation of enterprises
with potential negative impacts on the environment, Environmental Impact Assessments (EIA) still face
challenges to its consolidation as an effective tool for achieving sustainable development. This study
seeks to evaluate the EIAs available in the digital platforms of both federal and state agencies, with a
focus on their development (based on regulatory laws), as well as to understand the perspectives of
the professionals involved in the drafting and assessment of EIAs. A total of 151 EIA were analyzed and
27 questionnaires were applied to professional EIA drafters and evaluators. EIAs display as their main
positive features a predominant authorship by multidisciplinary teams, while their main deficiency lies
in their impact evaluations (including the valuation, significance and analysis of cumulative and syner-
gistic impacts). Survey participants pointed out as potential improvement areas the phases of design,
preparation, evaluation and implementation of EIAs.

Keywords: Environmental assessment. Environmental sustainability. Environmental impact.

INTRODUÇÃO
A avaliação de impacto ambiental (AIA) é um instrumento utilizado para identificar e gerenciar os po-
tenciais impactos do desenvolvimento econômico sobre o ambiente natural, e compõe o conjunto de
instrumentos elementares para o desenvolvimento sustentável (BASSO; VERDUM, 2006; CLAUSEN; VU;
PEDRONO, 2011). “É o exercício prospectivo, antecipatório, prévio, preventivo” (SANCHÉZ, 2008, p. 40)
e de exploração de cenários futuros ante a intervenções no ambiente (DUNKER; GREIG, 2007).

O estudo de impacto ambiental (EIA) é um documento integrante da AIA, onde são consolidados os
resultados de avaliações técnicas (ALMEIDA, 2013). Por meio do EIA criam-se mecanismos de publici-
dade, consulta e discussão pública que auxiliam a tomada de decisão pelos órgãos licenciadores e pela
sociedade (MPU, 2004).

No Brasil, o EIA está ligado ao processo de licenciamento ambiental do empreendimento (GLASSON;


SALVADOR, 2000) e embora a adoção desse instrumento na política ambiental do Brasil tenha sido
tardia, representou importante avanço para o País (FOWLER; AGUIAR, 1993). O marco legal do EIA no
Brasil iniciou em 1981, com a publicação da Política Nacional do Meio Ambiente, pela Lei nº 6.938, de
31 de agosto de 1981 (BRASIL, 1981), onde o instrumento foi posteriormente regulado pelo Conselho
Nacional de Meio Ambiente – Conama (BRASIL, 1986; 1997). Um pouco mais tarde, em 1988, o EIA
também foi considerado instrumento da política ambiental do País por meio da Constituição Federal
(BRASIL, 1988).

Desde que o EIA se tornou um instrumento de gestão ambiental internacionalmente aceito, diversas
discussões apontam a necessidade de investigações para evolução e amadurecimento dos procedi-
mentos e práticas de EIA para que ele cumpra o seu potencial como ferramenta de desenvolvimento
sustentável (CASHMORE, 2004; JAY et al., 2007).

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Alguns autores têm se dedicado na avaliação dos procedimentos e práticas que ainda necessitam de
evolução e amadurecimento em EIA. Galaś et al. (2015), ao analisarem as diretrizes para a avaliação
de impactos ambientais (AIA) de países pertencentes ao Grupo de Visegrado (Polônia, Eslováquia, Re-
pública Checa e Hungria), apontaram desafios importantes para aprimorar procedimentos e práticas
visando aumentar a eficácia dessa ferramenta na promoção do desenvolvimento sustentável. Entre
os desafios, destacam-se: a melhor qualificação e o maior comprometimento profissional tanto para
aqueles que elaboram quanto para os que avaliam esse sistema, ambos com maior independência e
menor influência de empreendedores ou de demais setores de interesse no empreendimento; maior
consciência e participação pública em todas as fases do estudo ambiental; procedimentos do estudo
que sejam mais eficazes, flexíveis e transparentes; metodologia e critérios de avaliação de impacto
universais; desenvolvimento de metodologia eficaz para monitoramento e acompanhamento dos pos-
síveis impactos ambientais gerados pelo empreendimento após a sua implantação.

A evolução e amadurecimento de procedimentos e práticas de EIA em países em desenvolvimento,


como o Brasil, podem ser ainda mais desafiadores em virtude da limitação de recursos, pressões eco-
nômicas e políticas, e limitações de procedimentos e legislação para EIA. Glasson e Salvador (2000)
compararam procedimentos e práticas do instrumento AIA no Brasil e em países da União Europeia,
especialmente do Reino Unido, por meio de sete critérios. Os autores observaram que o Brasil apresen-
ta alta deficiência nos procedimentos de monitoramento e fiscalização e na prática de implementação;
deficiência no quadro institucional e administrativo e na disponibilidade de recursos; média deficiência
no papel dos atores-chave no estudo ambiental e pouca independência da equipe multidisciplinar
diante do empreendedor.

Essa dependência é evidenciada em decorrência da Resolução do Conama n. 237/1997 (BRASIL, 1997)


que revogou a imparcialidade da equipe multidisciplinar dos elaboradores de EIA perante o empreen-
dedor contratante, contida no artigo 7º da Resolução do Conama n. 001/1986 (BRASIL, 1986), onde era
estabelecida a independência do proponente do projeto a ser analisado. Essa alteração na Resolução
foi considerada um retrocesso para o sistema de avaliação ambiental, pois permite a parcialidade da
equipe contratada e contratante.

Complementarmente, outros desafios em procedimentos e práticas de EIA no Brasil podem ser citados,
tais como a dificuldade no atendimento de todos os itens instrutivos do Termo de Referência para a
elaboração do EIA/RIMA, incoerência na delimitação de alternativas tecnológicas e locacionais, difi-
culdade na avaliação dos impactos cumulativos e sinérgicos, falta de comprometimento entre alguns
atores envolvidos no processo, abordagem subjetiva na quantificação e significância dos impactos,
determinação dos impactos baseados em metodologias internacionais e a falta de dados ambientais
(GLASSON; SALVADOR, 2000; SALVADOR, 2001; MPU, 2004; CLAUSEN; VU; PEDRONO, 2011).

Os diversos desafios encontrados nos procedimentos e práticas de EIA no Brasil, nas etapas de elabo-
ração, avaliação e execução, pode refletir em vulnerabilidade nos processos de tomada de decisão e
prejudicar a sua consolidação como ferramenta potencial para um desenvolvimento sustentável (DENG
et al., 2014). Diante desse contexto, este estudo teve os objetivos de: i) diagnosticar EIA disponíveis
em plataforma digital federal e do estado de Santa Catarina quanto ao desenvolvimento baseado em
legislação reguladora, ii) observar a perspectiva de profissionais avaliadores e elaboradores de EIA em
relação às potencialidades e deficiências da prática atual e iii) registrar sugestões de melhorias em pro-
cedimentos e práticas de EIA apontadas pelos profissionais entrevistados.

METODOLOGIA

ASPECTOS ÉTICOS
O estudo obteve aprovação do Comitê de Ética na Pesquisa em Seres Humanos sob o parecer número
742.702/2014. O consentimento dos indivíduos para participação foi obtido após informação, escla-
recimento sobre os objetivos e procedimentos da pesquisa, e garantia do anonimato, com posterior
assinatura de formulário de Consentimento Livre e Esclarecido.

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avaliadores

COLETA DE DADOS
Para atender aos objetivos propostos no trabalho, o estudo foi dividido em duas vertentes, realizadas
de maneira concomitante, no período de outubro de 2013 a outubro de 2014:

1) A primeira vertente de trabalho constitui a interpretação de questionário semiestruturado com per-


guntas abertas e fechadas, respondidas por escrito e na ausência do entrevistador.

Os grupos amostrais de aplicação dos questionários foram: (1) avaliadores de EIA, composto por pro-
fissionais de (a) quatro instituições licenciadoras municipais do estado de Santa Catarina, (b) uma ins-
tituição licenciadora do estado do Paraná e uma do estado de Santa Catarina e (c) uma instituição
licenciadora federal; (2) profissionais elaboradores e executores de EIA, composto por profissionais
liberais ou vinculados a empresas de consultorias e que possuíam endereços profissionais nos estados
de Santa Catarina e Paraná, mas que atuavam em todo o País.

Os questionários (Apêndices 1 e 2) foram construídos de forma a (1) caracterizar o contexto básico de


envolvimento do participante em elaboração e execução, ou avaliação de EIA; (2) observar as práticas
atuais utilizadas para elaboração e execução, ou avaliação de EIA, que se baseou em (2.1) Instrumentos
legais: Lei Federal n. 6.938/1981, Constituição Federal de 1988, Decreto Federal n. 99.274/1990 e as
Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) n. 01/1986 e n. 09/1987 e (2.2) Práticas
inerentes à elaboração de EIA observadas na literatura e (3) registrar as potencialidades e deficiências
identificadas pelos participantes.

Para ambos os grupos, os questionários foram encaminhados em formato digital, através dos seus en-
dereços eletrônicos oficiais ou entregues em meio físico no endereço oficial da unidade entrevistada.
Os questionados respondiam de forma individual e, após o preenchimento, o questionário era devol-
vido em meio digital ou fisicamente. Foram encaminhados 201 questionários, sendo 130 para elabora-
dores de EIA e 71 para avaliadores de EIA. Do montante enviado, 24 profissionais elaboradores e três
profissionais avaliadores (dois ligados a órgão estadual e um ligado a órgão municipal) apresentaram
respostas aos questionamentos.

2) A segunda vertente constitui a análise de EIA disponível em meio digital nos âmbitos federal e do
estado de Santa Catarina.

Adotou-se procedimento de análise quantitativa de EIA realizados no Brasil a partir de documentos


disponíveis no portal digital do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renová-
veis – Ibama (http://www.ibama.gov.br/) e da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina – Fatma
(http://www.fatma.sc.gov.br/), de 2000 a outubro de 2014 (Quadro 1).
Quadro 1 – Tipos de empreendimentos encontrados nos EIA selecionados, conforme a característica da ativida-
de, agrupadas com base na Resolução CONAMA nº 237 (BRASIL, 1997).

Fonte: Elaborado pelos autores.

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Para a coleta dos dados dessa etapa, utilizou-se uma lista de verificação (Quadro 2) elaborada pelos
autores, com base na Resolução Conama n. 01 (BRASIL, 1986), instrumento regulador que estabelece
definições, responsabilidades, critérios básicos e diretrizes gerais para EIA. Para preenchê-lo, verificou-
se a presença ou ausência dos itens no EIA avaliado e, se presente, lia-se a seção correspondente.
Quadro 2 – Lista de verificação para análise de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) organizado de acordo com a
Resolução CONAMA nº 01 (BRASIL, 1986).

Fonte: Elaborado pelos autores.

ANÁLISE DOS DADOS


Para os resultados provenientes da avaliação rápida (sim ou não), no caso de questionários e prove-
nientes da identificação da presença ou ausência, no caso de análise de EIA, foi efetuado o cálculo da
frequência e realizada representação gráfica. As opiniões apontadas pelos participantes da pesquisa
foram interpretadas e apresentadas de forma descritiva.

Os dados quanto à análise de EIA foram submetidos às seguintes avaliações estatísticas, utilizando o
Microsoft Excel 2010: 1) teste qui-quadrado de independência para o total de EIA coletados nos órgãos
federal e estadual e 2) teste de proporções independentes para comparar os resultados dos itens da
lista de verificação entre EIA coletados nos órgãos federal e estadual.

RESULTADOS

PERSPECTIVAS DOS PROFISSIONAIS ELABORADORES E AVALIADORES DE EIA


Profissionais elaboradores de EIA

Os profissionais elaboradores de EIA que participaram da pesquisa pertencem a diversas áreas do co-
nhecimento, incluindo ciências humanas, exatas e naturais, 50% deles estão envolvidos na elaboração
de EIA de 3-10 anos e 46% dos participantes envolvidos somente de 1-2 anos. Participaram, principal-
mente, de EIA que visavam à instalação de empreendimentos como barragens e usinas de geração de
energia elétrica (19%), estradas de rodagem (15%), linhas de transmissão (13%) e aterros sanitários
(10%).

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Quanto ao formato e/ou área específica que se envolveram durante a elaboração dos EIA, os partici-
pantes da pesquisa atuaram nas diferentes etapas do processo, sendo mais representativas as etapas
de elaboração dos documentos e relatórios finais (22%), análise do meio biótico (19%), identificação
e avaliação dos impactos ambientais (19%) e elaboração dos programas ambientais (16%). Embora
alguns profissionais tenham atuado somente em áreas específicas, como análise do meio físico ou bió-
tico, a maioria (67%) participou das discussões e compilação dos dados para elaboração do relatório
final, tendo, em todos os estudos que participaram ocorrido troca de informações e discussão sobre os
trabalhos com profissionais de outras áreas.

Os oito questionamentos e as respectivas avaliações rápidas (sim ou não) relacionadas às práticas na


elaboração de EIA e a respectiva elaboração conforme preceitos básicos da legislação são apresenta-
dos na Figura 1.

Figura 1 – Práticas e preceitos básicos da legislação para elaboração de EIA.


Fonte: Elaborado pelos autores.

Na etapa final do questionário (Apêndice 1) os participantes apontaram observações para o aperfei-


çoamento nos procedimentos e práticas de EIA, onde puderam registrar: 1) as dificuldades nas etapas
de elaboração, avaliação e execução; 2) os pontos positivos e negativos em práticas e procedimentos e
3) as sugestões de alterações em práticas e procedimentos de EIA.

As dificuldades nas etapas de elaboração, avaliação e execução de EIA listadas pelos profissionais par-
ticipantes referem-se a:

a) Escassez e dificuldade na coleta de informações para as seções de diagnóstico (meio físico,


biótico e socioeconômico);

b) Ausência de profissionais capacitados para a elaboração e execução de EIA e a existência de


trabalho informal;

c) Ausência de trabalho interdisciplinar, dificultada pela visão reducionista de alguns profissio-


nais;

d) Obrigatoriedade de apresentação de informações desnecessárias, as quais não contribuem

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efetivamente para a análise do EIA, refletindo em documentos extensos;

e) Limitação na interpretação, compilação e integração dos dados coletados nas diferentes áreas
e a definição da matriz de impactos, especialmente no que se refere às escalas de relevância do
impacto;

f) Ineficácia ou ausência de orçamento adequado para aplicação na elaboração dos estudos;

g) Baixa participação da comunidade.

Os pontos negativos apontados pelos participantes foram: a) ausência de políticas públicas eficientes
que consolidem o EIA; b) ausência de análise criteriosa dos órgãos licenciadores; c) análise morosa
dos órgãos licenciadores; d) ausência de fiscalização; e) falta de retorno do poder público; f) falta de
comprometimento dos profissionais elaboradores e dos empreendedores; g) baixo envolvimento co-
munitário e h) inaplicabilidade ou deficiência na aplicação dos programas ambientais e das medidas
mitigadoras.

Os pontos positivos nas práticas e procedimentos de EIA apontados pelos participantes foram: a) multi-
disciplinaridade e interação profissional; b) possibilidade de desenvolvimento de ações para mitigação
dos impactos ambientais; c) existência de Termos de Referência e d) levantamento de grande número
de informações.

As sugestões de alterações em práticas e procedimentos de EIA apontadas pelos participantes se rela-


cionam aos quatro atores sociais envolvidos no processo: poder público enquanto avaliador, empreen-
dedor, profissional elaborador e comunidade.

Para o poder público, ações de mudança devem ser focadas na estruturação dos órgãos licenciadores;
rigorosidade nas análises e exigências das medidas mitigadoras e do feedback com a comunidade; me-
lhoria de documentos suporte, a exemplo dos Termos de Referência; inclusão, nos itens de exigência,
da necessidade de apresentação de levantamentos de grupos específicos do meio biótico, a exemplo
de espécies endêmicas e ampliação dos prazos para monitoramento.

Para o empreendedor sugerem aumento dos prazos de análise, interpretação dos dados e monito-
ramento; aumento da credibilidade dos profissionais elaboradores; mudança de postura para que o
EIA constitua instrumento de tomada de decisão e roteiro de ações futuras e não mero procedimento
formal; exigência de formalidade na contratação profissional e ampliação dos espaços de participação
e discussão comunitária.

Para o profissional elaborador, as modificações propostas referem-se à objetividade na elaboração


dos EIA, salientando nos estudos informações mais úteis ao processo e o mais próximo da realidade
do empreendimento e rigor na periodicidade das campanhas amostrais, na etapa de coleta de dados.

Por fim, à comunidade, sugerem mudanças quanto ao aumento na participação, que deve ocorrer des-
de a fase de concepção do projeto até o monitoramento dos programas ambientais.

Profissionais avaliadores de EIA

O contexto básico em que os profissionais avaliadores de EIA que responderam ao questionário estão
envolvidos possui as seguintes características: a) pertencem às áreas do conhecimento das ciências
humanas e naturais; b) estão vinculados a órgãos licenciadores estaduais e municipais (2 estaduais e 1
municipal); c) possuem experiência na área de avaliação de EIA até 10 anos (1 com experiência de até
2 anos, 1 com experiência de até 6 anos e 1 com experiência de até 10 anos); d) avaliam em média de
1 a 5 EIA/ano e não receberam qualquer treinamento para a realização da atividade.

A seção secundária do questionário para os avaliadores buscou compreender algumas práticas de-
senvolvidas para avaliação e análise dos estudos, assim como a sua relação com preceitos básicos da
legislação. Dos 12 questionamentos efetuados nessa seção, seis são apresentados na Figura 2, com as
respectivas avaliações rápidas dos participantes (sim ou não).

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Figura 2 – Práticas e preceitos básicos da legislação para avaliação de EIA.


Fonte: Elaborado pelos autores.

Dois participantes apontaram que a equipe envolvida na avaliação dos EIA é multidisciplinar. Quanto à
equipe envolvida na elaboração dos EIA, todos os participantes afirmam que no momento da avaliação
é dada preferência e/ou analisado com maior rigor a existência de equipe multidisciplinar. No entanto,
dois dos participantes não observaram a existência de trabalho interdisciplinar no documento do EIA
apresentado ao órgão licenciador.

Ainda nessa seção, foi questionado a respeito de metodologia específica para avaliação das etapas de
apontamento de programas ambientais, medidas mitigadoras e compensatórias. Dois participantes
afirmaram que se baseiam em metodologia específica para avaliação dos programas ambientais. Para
avaliação das medidas mitigadoras e compensatórias, todos afirmaram que se baseiam em metodo-
logia específica. Tais avaliações têm como base: a) equilíbrio adequado com os impactos ambientais
identificados no estudo e na análise técnica; b) apresentação de relatórios de acompanhamento; c)
abrangência da área de influência dos impactos e d) demonstração de base científica de efetividade.

Por fim, etapa final e elementar do questionário aplicado referiu-se a indagações que permitiram aos
participantes apontar observações que visam o aperfeiçoamento nas práticas de elaboração e avalia-
ção dos EIA.

Em dois questionamentos foi oportunizado aos participantes relatar as principais deficiências encontra-
das nos EIA, assim como as dificuldades encontradas na etapa de avaliação do respectivo documento.

As deficiências encontradas nos EIA e relatadas pelos participantes foram a tendenciosidade na valora-
ção dos impactos ambientais, ressaltando os positivos e minimizando os negativos, a superficialidade
dos estudos, a adoção demasiada de dados secundários, a ausência de informação clara a respeito da
metodologia utilizada e a falta de profissionalismo e/ou desvio de função profissional.

Quanto às dificuldades encontradas na etapa de avaliação dos EIA, os participantes destacaram como
pontos que comprometem a efetividade da análise e implementação do EIA a interferência do setor
privado no setor público, o distanciamento do poder público e da comunidade no gerenciamento do
território, a falta de organização e padronização interna do órgão licenciador, a falta de capacitação e
estrutura física de trabalho.

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Por fim, a maioria dos participantes acredita ser necessária a elaboração de legislação complementar
a fim de melhorar a atual prática dos EIA (as quais devem ser focadas, especialmente na consolidação
de uma gestão comunitária dos recursos naturais), Termos de Referência com conteúdo mínimo indis-
pensável e a instituição da avaliação de impacto ambiental integrada.

CENÁRIO DOS ESTUDOS DE IMPACTO AMBIENTAL NO BRASIL


Não foram observadas diferenças significativas entre o total de EIA analisados entre os dois órgãos
(p=0,16) e entre os itens avaliados na lista de verificação (p>0,5 para todos os itens). Em virtude disso,
os itens da lista de verificação (Quadro 2) foram agrupados para o total de EIA analisados (Figura 3).

Figura 3 – Resultados da análisede conteúdo da amostra de EIA selecionadas.


Fonte: Elaborado pelos autores.

Quando da análise das alternativas tecnológicas e locacionais, foi observado que 54% dos estudos
apresentam ambas as alternativas propostas, 28% tratavam somente da alternativa locacional, 5% so-
mente tecnológica e 13% dos EIA analisados não apresentaram alternativas.

Além disso, quanto à conclusão dos estudos, foi observado que alguns documentos ressaltam a existên-
cia de poucos impactos negativos significantes e apresentam apenas observações que reafirmam que
as medidas propostas são eficientes para a minimização dos impactos gerados pelo empreendimento.

DISCUSSÃO
Estudos de impacto ambiental (EIA) representam importante ferramenta para a gestão do território
diante de um grupo de tomadores de decisão (WATHERN, 2004) e têm o potencial de assegurar e ga-
rantir que as medidas preventivas e de controle do ambiente sejam compatíveis com o desenvolvimen-

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to econômico (XIMENES et al., 2008). Apesar disso, há ainda alguns desafios a serem superados para
garantir a sua eficácia na gestão do território. Por outro lado, há de se constatar que muitos fatores já
evoluíram e constituem importantes potencialidades para garantir a eficácia do processo.

Entre os EIA analisados, 99,33% foram desenvolvidos por equipe multidisciplinar. Da mesma forma, os
profissionais elaboradores que responderam aos questionários declararam que, nos estudos dos quais
participaram, as equipes eram compostas de profissionais de diversas áreas. Os profissionais avalia-
dores não observam a realização de atividades interdisciplinares por essas equipes, fator apontado
também como item dificultador para os profissionais elaboradores. Mello, Verdum e Medeiros (2002) e
Andrade e Romero (2005) já citaram dificuldades para realização de trabalhos interdisciplinares e expli-
cam que decorrem especialmente da especialização do saber a que os profissionais estão submetidos
desde os cursos universitários.

Embora as principais diretrizes de elaboração de EIA já estejam consolidadas no País desde 1986, ob-
servou-se neste estudo a ausência de cumprimento de todos os requisitos solicitados. Essas lacunas
relacionavam-se especialmente ao estabelecimento de programas ambientais e de monitoramento,
caracterização e previsão da magnitude dos impactos e determinação das áreas de influência. A pre-
sença dessas lacunas na elaboração de EIA podem ser explicadas diante de fatores como a característi-
ca da atividade licenciada ou a negligência de profissionais elaboradores no cumprimento desses itens
em EIA.

Constata-se que, embora o Brasil possua uma legislação moderna e avançada e que muitas vezes care-
ce apenas de melhor fiscalização para a sua aplicação e cumprimento (ROCHA; CANTO; PEREIRA, 2005),
é necessário um processo de reflexão sobre a eficiência de alguns instrumentos da política ambiental
brasileira, especialmente o EIA. O principal instrumento regulador do EIA já possui quase 30 anos e, em
virtude do dinamismo do cenário ambiental, um processo de amadurecimento do instrumento seria
relevante. Algumas lacunas no cumprimento do escopo mínimo para elaboração de EIA encontradas
neste estudo também podem ser explicadas por essa necessidade de amadurecimento e poderá re-
velar que itens que atualmente exigidos para EIA não são apropriados, exigindo então regulamentos
secundários e orientações de boas práticas (GLASSON; SALVADOR, 2000).

Quanto ao requisito de caracterização e previsão da magnitude dos impactos, não observado em to-
dos os EIA analisados neste estudo, Briggs e Hudson (2013) também apontam como fator deficiente
na maioria dos processos de EIA. Já em relação à determinação da significância dos impactos positivos
e negativos em EIA, Bevan (2009), ao analisar 40 estudos de impacto ambiental do Reino Unido e o
Ministério Público da União (2004), citam que os dados e/ou justificativas quanto à metodologia usada
para atribuir valores aos impactos é comumente omitida em EIA. Corroboram também os estudos de
Almeida et al. (2012) quando avaliaram como inadequada a metodologia utilizada para avaliar a magni-
tude dos impactos em EIA para centro de tratamento e disposição de resíduos. A ausência de metodo-
logias (ou também a diversidade de metodologias desenvolvidas) para a significância dos impactos, so-
mada à inconsistência de seu uso, torna os resultados difíceis de comparar e avaliar (TREWEEK, 1999).

Entre as explicações da frequente problemática relacionada à determinação da significância dos im-


pactos, pode-se atribuir a não adoção de metodologias que expressem a sua incerteza, que é natural-
mente decorrente da complexidade do EIA e do envolvimento do julgamento humano (DENG et al.,
2014). A consolidação, no EIA, da existência de incertezas no processo de significância e valoração dos
impactos, poderia abrir espaço mais amplo de discussão entre os atores envolvidos no processo, auxi-
liando a tomada de decisão.

Outros autores também observaram que, frequentemente, os efeitos sinérgicos e cumulativos não são
levados em consideração na etapa de caracterização dos impactos. Análises de EIA brasileiros desen-
volvidos nos estudos de Silva e Soares (2012) e Ferreira e Cantarino (2011) observaram que impactos
que poderiam surgir em decorrência da soma ou interação de um ou mais impactos não eram citados
e, quando mencionados, não eram tratados dentro do processo de identificação, avaliação e valoração,
notando-se que a avaliação quantitativa desses impactos ainda não tem sido incorporada aos EIA.

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Foi observado também neste estudo que a maioria dos entrevistados considera que a subjetividade no
processo de elaboração e avaliação de EIA é difícil de ser evitada, igualmente observado por Briggs e
Hudson (2013). Os dados também corroboram com os estudos de Toro, Requena e Zamorano (2010)
que constataram que em alguns estudos avaliados ocorreu análise subjetiva perante o avaliador, sem
qualquer referência à legislação. A utilização da subjetividade é, segundo Wilkins (2003), imprescin-
dível para a realização de estudos ambientais e desfavorável para Treweek (1999), que aponta a sua
utilização como desnecessária e prejudicial para uma análise mais precisa dos EIA.

Dos profissionais elaboradores de EIA consultados, 58% indicaram que nos estudos que participaram
não houve as etapas de monitoramento e feedback tanto aos profissionais quanto à comunidade. Esse
apontamento corrobora com os resultados encontrados por Bevan (2009) e Briggs e Hudson (2013),
que também observaram em suas análises ausência das etapas de monitoramento e feedback “pós
-EIA”.

Problemática apontada pelos avaliadores participantes da pesquisa incluiu a interferência do setor


privado nas etapas de elaboração e avaliação dos estudos, buscando benefícios ao empreendimento.
O’Faircheallaigh (2010) também cita esse item como uma dificuldade, afirmando que conflitos são
resolvidos por meio de um concurso de interesses, onde especialmente o proponente busca o rápido
desenvolvimento do projeto com o menor custo possível. Smart, Stojanovic e Warren (2014), em en-
trevista com diversos profissionais, observaram que a maioria advertiu que, independentemente do
método utilizado para avaliação dos EIA, o público ainda pode perceber consultores agindo de acordo
com o interesse do empreendedor, como um resultado da natureza comercial inerente de seu relacio-
namento.

Tal aspecto pode prejudicar a tomada de decisão, beneficiando a implantação do empreendimento.


Neste estudo, por exemplo, todos os EIA analisados apontaram pela viabilidade de implantação do
empreendimento. Esse fato se reflete também na não adoção de uma relação de igualdade ou de bom
senso entre os aspectos ambientais, econômicos e sociais, quando da tomada de decisão, tendo isso
sido citado como prática habitual pela maioria dos participantes da pesquisa. Análise do EIA da Usina
Hidrelétrica de Belo Monte desenvolvida por Costa et al. (2012), observou que interesses econômi-
cos (privados) foram mais relevantes em relação aos bens coletivos (meio ambiente). Fowler e Aguiar
(1993) também afirmam que na maioria dos EIA brasileiros, considerações sociais e econômicas têm
maior prioridade sobre as preocupações ecológicas.

Para evitar as problemáticas decorrentes da interferência do setor privado na elaboração do EIA, as


práticas e procedimentos de EIA necessitam de amadurecimento. Um meio de solucionar essa questão
pode se dar por meio da criação de um banco de dados de instituições especializadas na elaboração de
EIA e adotar como procedimento a contratação via poder público, mediante pagamento pelo empreen-
dedor como parte dos custos do processo. Essa proposta pode também oportunizar maior autonomia
dos profissionais elaboradores nas etapas de coleta de dados e na tomada de decisão pela viabilidade
do empreendimento.

A relação de pertencimento dos diferentes atores das etapas do EIA foi foco de apontamentos pelos
participantes da pesquisa. Maior destaque nos apontamentos se deu pela baixa participação da co-
munidade, que exerce papel essencial no controle social dos EIA, podendo influenciar a eficácia pro-
cessual dos estudos (CHANCHITPRICHA; BOND, 2013). Nadeem e Fischer (2011) afirmam que é uma
característica global a baixa participação pública nos processos de decisão dos EIA, no entanto, essa
característica fica mais evidente nos países em desenvolvimento.

Vários fatores podem contribuir para que o fórum participativo não cumpra seus objetivos. Jacobi
(2003) aponta que a desinformação é um dos principais fatores que afetam negativamente a participa-
ção da população. Esse fato também foi detectado por Nadeem e Hameed (2008), quando avaliaram a
limitada participação da população em EIA implementados no Paquistão e constataram que a proble-
mática ocorria, entre outros fatores, devido à ausência de entendimento da população local sobre os
impactos ambientais positivos e negativos decorrentes da implantação dos empreendimentos.

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Estudos de Impacto Ambiental: potencialidades,
deficiências e perspectivas de elaboradores e
avaliadores

Adicionalmente, Hartley e Wood (2005), Saito et al. (2011) e Fonseca (2011) apontam outras barreiras
que limitam a participação da comunidade em processos decisórios como os de discussão de EIA: (1)
instâncias forjadas, pouco integradas e não descentralizadas de participação; (2) limitação quanto ao
entendimento e domínio de linguagens técnicas ou a ausência de técnicas adequadas para diálogo
com o saber leigo; (3) controle do processo deliberativo; (4) assimetrias de poder; (5) tempo limitado
para participação do público; (6) descrença com a capacidade de influenciar o processo de tomada de
decisão e (7) falta de representatividade e possível constrangimento à participação de determinados
grupos.

Os demais atores envolvidos no processo também foram apontados pelos participantes da pesquisa.
Apontamentos de que não há responsabilização dos empreendedores na aplicação das medidas apon-
tadas no EIA e há ineficácia ou ausência de medidas institucionais adotadas pelo poder público para
consolidar o EIA como um instrumento de desenvolvimento sustentável, também são indicações da
ausência de pertencimento por esses dois atores.

Cashmore (2004) afirma que a participação de todos os atores envolvidos em EIA é importante em
virtude de dois tópicos principais: tornar mais ágil e transparente a tomada de decisão em matéria
ambiental e a necessidade de abraçar (e não apenas enfrentar) a pluralidade de prioridades e valores
sociais. Os resultados observados apontam para a necessidade de aprimorar os processos de parti-
cipação social em EIA e, para isso, ações como adotar critérios de avaliação da eficácia dos métodos
utilizados no processo participativo podem ser relevantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A exigência de elaboração de EIA para o licenciamento ambiental de atividades e obras com potencial
de gerar danos ambientais representou significativo avanço na dimensão ambiental do Brasil. No en-
tanto, o processo de elaboração, avaliação e execução do EIA não é estático.

O dinamismo do EIA, determinado pelos mais diferentes e novos empreendimentos, implica na fre-
quente necessidade de adaptações e amadurecimento institucional e procedimental para que efetiva-
mente se consolide como um instrumento de publicidade, consulta e discussão pública para a tomada
de decisão.

O amadurecimento institucional e procedimental em EIA necessita de conhecimento da realidade de


deficiências e potencialidades das práticas do momento atual. A contribuição deste artigo vem ao en-
contro da apresentação das deficiências e potencialidades nos procedimentos e práticas atuais de EIA,
visando evolução e amadurecimento.

A partir da representação da realidade atual, é então possível elaborar uma agenda de investigação
em EIA visando o seu amadurecimento para que ele possa cumprir seu papel de informar, influenciar
e integrar processos de tomada de decisão e atuar como ferramenta de gestão ambiental e desenvol-
vimento sustentável.

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