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INTRODUÇÃO À PESQUISA

Pesquisa e Profissão
Cynthia Maria Nascimento Morais¹
Lindaura de Souza Dias¹
Thais Rodrigues da Silva¹
Francisleny Barros de Amorim²

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo demonstrara importância da pesquisa científica na


profissão de docente, pois é preciso estar sempre buscando novos saberes, onde a pesquisa está
ligada a qualquer área e ciência do universo acadêmico. A busca pelo conhecimento é uma valiosa
aliada a profissão de docente. Para Nóvoa (2001), A relevância da pesquisa cientifica abrange
muito mais que a formação acadêmica, entretanto, nota-se que um grande número de pedagogos se
acomodaram nas funções por si exercidas, passando a não contribuir com pesquisas científicas ou
estudos relacionados a sua prática de formação como um professor pesquisador. O tal, iremos
evidenciar a importância do professor pesquisador, para sua carreira, para dentro de sala de aula
e para além das paredes que cercam o conhecimento dos alunos. As escolas assim como todas as
outras entidades e organização fazem parte desde grande contexto global de mudanças, onde o
professor pode contribuir no processo de ensino-aprendizagem. Para tal, utilizaremos um
abordagem de pesquisa de revisão bibliográfica.

Palavras-chave: Pesquisa. Mudanças. Docente.

1. INTRODUÇÃO

No decorrer do trabalho apresentaremos a importância da pesquisa científica na vida daquele


que é um agente transformador na vida das pessoas, o professor. Abordaremos a importância de
todo o contexto em que está ligado a pesquisa, desde a sua importância para a formação do
profissional até os impactos causados por essa vertente na vida daqueles que são impactados com os
estudos, teorias e ensinamentos vivenciados e passados pelo professor pesquisador.
Nos dias atuais é perceptível as mudanças contidas no mundo globalizado em que vivemos,
tecnologias novas para serem evidenciadas e um bombardeio de informação que recebemos
diariamente, de diversas áreas e diversas fontes, partindo desse princípio podemos perceber que o
professor deve estar sempre em atualização com o contexto daquilo que estamos vivendo, para que
esteja enterrado daquilo que ocorre no mundo em que se está inserido, sendo de suma importância
para sua formação, podendo ser levado em consideração que um professor que não usufrui do papel
de pesquisador sempre estará alguns passos atrás daquele que busca novos conhecimentos para a
sua jornada.
Para Mendes e Baccon (2015), a conhecida “sociedade do conhecimento”, que nós estamos
inseridos, trazem certas implicações para o “ser professor”, haja vista que existe uma certa

1 Cynthia Maria Nascimento Morais, Lindaura de Souza Dias, Thais Rodrigues da Silva.
2 Francisleny Barros de Amorim.
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (Código da Turma) – Prática do Módulo I - dd/mm/aa
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complexidade e na profissão que vive em estado constante de pressão e uma certa tensão, vivida
através das dificuldades e desafios que estão presentes no dia a dia.
Sendo assim, o professor tem por missão formar o aluno, tendo o intuito de construir um ser
para viver em sociedade, sendo essa sociedade estando em constante mudança e rodeada de
incertezas, para além disso, ser capaz de passar por todas adversidades por elas impostas.
Ainda segundo Mendes e Baccon (2015), há um cobrança em cima do professor que ele
contribua para um avanço, em se tratando de melhoria, de caráter qualitativo da sociedade, fazendo-
o de nós agentes de transformação, sendo isso somente possível quando há o compromisso político-
social na docência, para que assim possa existir a formação cidadã dos sujeitos.
Em conivência com isso, Marcelo (2009) traz que a profissão de professor é vista como a
“profissão do conhecimento, partindo da premissa de que o conhecimento e o saber legitimam a
profissão do professor, sendo o trabalhado baseado em torno do compromisso em mudar, ou
transformar esse conhecimento em aprendizagens relevantes para os alunos. Sendo assim, olhando
por essa perspectiva, o professor passa a ser visto como aquele que trabalha com o conhecimento,
necessitando haver o compromisso total com a aprendizagem discente.
Podemos nos atentar também ao estudo de Souza (2011) que nos traz a ideia de que a
pesquisa se faz um componente importantíssimo da formação dos professores, estando inerente as
obras de grandes nomes da educação, sendo citadas em leis, projetos e planos governamentais.
Existe uma máxima que diz que há uma unanimidade em favor das pesquisas em planos
curriculares, em projetos de escola, nos programas de desenvolvimento profissional de formação
inicial e continuada, havendo posição hegemônica quanto a isso, porém, uma grande parcela dos
docentes não têm a consciência desses princípios educativos, que permeiam esse enfoque.
Freire (1996) contribui dizendo que o que há de pesquisador no professor não é uma
qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza da
prática docente a indagação, a busca, a pesquisa, e do que se precisa é que, em sua formação
permanente, o professor se perceba e se assume, porque professor, como pesquisador.
Sendo assim, a pesquisa deve ser parte integral do processo pedagógico, pois em todo o
processo de aprendizado há indagação e para que haja harmonia em entre as dúvidas e o
aprendizado deve-se ter um novo conhecimento pautado em pesquisas a todo momento. Traremos a
tona no estudo a importância do professor pesquisador para a sua jornada dentro e fora de sala de
aula.
Para o desenvolvimento do estudo, utilizamos o método de pesquisa bibliográfica, onde
levantamos dados através dos mecanismos de buscas SCIELO (Scientific Electronic Library
Online), LILACS (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde) e Google acadêmico,
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utilizando dos descritores “pesquisa”, “mudanças”, e “docente”, onde à partir desses separamos os
artigos utilizados para o desenvolvimento do trabalho.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para exercer a função de docente, é necessário que esse profissional precise desenvolver
inúmeras competências, sendo de forma indispensável que haja uma capacitação específica,
fornecendo subsídios teórico-práticos para que ele possa desenvolver e desempenhar a sua função
com coerência e competência técnica e política. É insuficiente que o professor obtenha um grande
domínio do seu conteúdo de enfoque, se faz quase que obrigatoriamente necessário que esse
conteúdo esteja em consonância com aquilo que é vivido na atualidade pelos homens, que tenha um
domínio daquilo que está sendo vivido na sociedade contemporânea para que assim consiga
relacionar aquilo que foi vivido e o que está presente em nossa sociedade, mostrando aquilo que
está sendo produzido, nesse estilo de vida ao qual temos hoje, competitivo, com ênfase na
eficiência, com competências múltiplas (NETO; MACIEL, 2009).
É possível verificar nos dias atuais que a questão da formação de professores em nível
superior não está mais restrita apenas aos cursos de licenciatura, sendo que isso vem sendo
fortemente questionado e debatido a simples transposição de um profissional, sendo esse
conhecedor de sua especificidade, porém desconhecedor daquilo que está inserido dentro da prática
pedagógica. É nítido que assim como qualquer outro profissional, não está inerente ao ser humano o
ser professor, mas é preciso uma longa, exaustiva e constante formação para que assim possa-se
“professorar” (NETO; MACIEL, 2009).
Neto e Maciel (2009) também trazem em seu estudo que a forma como é designada o termo
“pesquisa” se dá através da investigação, sendo esse o meio que o profissional adquire ou produz
um novo conhecimento, ao qual ainda não se conhecia. Pressupõe-se que são necessários alguns
elementos concebidos como fundamentais para a sua realização, sendo essas a criatividade,
inovação, a elaboração própria, o questionamento da realidade, a criação e a descoberta. Sendo
assim, a pesquisa, num caráter bem amplo, dentro do âmbito educacional é compreendida como a
capacidade do professor pesquisador em elaborar e construir a partir disso um conhecimento por si
próprio, sendo uma construção pessoal que também pode ser vista como coletiva, e por mais
individual que possa ser, sempre trará benefícios para a coletividade.
Quando se fala em pesquisa na área da educação, pode-se incluir nessa prerrogativa que o
papel empunhado pelo professor pesquisador, que tem sua formação continuada, vista as constantes
mudanças ocorridas no mundo, oferece novos rumos as práticas educativas. Quando nos referimos a
pesquisa dentro da formação do pedagogo, nos referimos aquilo que é a peça fundamental para sua
atuação, sendo o meio mais importante para aprimorar novos conhecimentos, imbuído desses
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aprimoramentos, podendo se aventurar por outros setores onde as problemáticas da educação estão
inseridas.
Ao falar da formação do novo educador Marcelo (2009, p.02):
A formação deve estar em primeiro lugar em sua carreira, senão perderá esse dom,
deixando-o escorrer por entre seus dedos. E as qualidades necessárias ao bom professor ou
professora são as dimensões que envolvam as qualidades emocionais, políticas, éticas,
reflexivas e críticas, e, sobretudo as de caráter do saber: o conhecimento acima de tudo e a
pesquisa constante (Marcelo 2009, p.02)

Conseguimos ver com clareza a necessidade do professor/pedagogo estar em um constante


processo de formação e atualização, em se tratando de novas metodologias que são e serão
utilizadas nas práticas docentes, visando que sua atuação não seja obsoleta diante os outros
profissionais. À partir disso, pode-se destacar a atuação do professor/pesquisador sendo aquele que
traça como meta ou objetivo fazer com que seus alunos sejam donos do seu próprio caminho dentro
do ensino, tendo autonomia nesse processo do aprender, apenas norteando-os, oferecendo meios
para que haja a construção de seu processo de aprendizagem (SILVA; SANTOS, 2017).
O professor que tem o faro de pesquisador consegue tirar o melhor do aluno, instigando-o a
pesquisar e dando o caminho de como pesquisar. A pesquisa dentro da formação do pedagogo vem
para assumir uma divisão criteriosa, sendo acima de tudo objetiva, sendo condizente com toda a
realidade vivenciada pelos sujeitos que participam desse processo.
Sendo assim, o professor passa a ser peça fundamental para a transformação e pela criação
de um novo indivíduo, um ser pensante ao qual tenha domínio e bons resultados para aquilo que
almeja, mas para isso é preciso juntar o seu dom ao aperfeiçoamento pessoas, visando sempre
respeitar a integralidade da diversidade cultural, a linha que marca o maior obstáculo do aluno
fazendo disso sua dificuldade, sendo um parceiro, participando coletivamente na construção do
Projeto Político Pedagógico da Escola.
Silva e Santos (2017, p.27):
Então ser educador ou educadora, é sublime, é “construir cabeças” que podem evoluir para
o bem ou para o mal, porém esse dueto bem-mal faz parte do ser humano. Ser educador ou
educadora é “construir cabeças” que percebam que podem transformar as suas vidas e a de
outras pessoas, como Paulo Freire dizia o indivíduo deve “saber” sua realidade, para só
então transforma-la. Através de uma educação transformadora, problematizadora isso pode
ocorrer e, o poder dos educadores e educadoras é muito grande, eles podem ajudar ou
prejudicar várias pessoas ao mesmo tempo. Ser educadora é como ser arquiteto, podemos
construir obras inabaláveis, admiráveis ou obras medíocres que nada representam para o
contexto onde estão inseridas (SILVA E SANTOS, 2017, p.27).

É perceptível que os professor necessitam de ter uma bagagem, em se tratando de


conhecimento pedagógico, mas também esse conhecimento haverá de ser aliado as técnicas e
metodologias de ensinos, Marino-Araújo e Almeida (2008) trazem com maior clareza que dominar
o conteúdo não é a garantia do sucesso de um profissional docente, é necessário que esse
profissional tenha um olhar holístico, pois o professor trabalha com pessoas e sentimentos,
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vivenciando assim uma dualidade entre o saber e o afeto. Por isso é de suma importância saber que
as características de um bom professor vai muito além do domínio de conteúdo, o ser professor é
perceber que está envolvido em uma relação interpessoal e a partir disso saber como utilizar essa
relação voltada para o ensino.
Assim como afirma Carvalho (1999), o professor presencia experiências que estão
envolvidas com interações com outros seres humanos, com isso há uma rica relação de
envolvimento afetivo dos docentes com o seus alunos, gerando assim uma grande preocupação do
docente no desarrolhar da aprendizagem desse discente. Essa relação afetiva jamais pode ser
exclusa do processo de formação do professor, por a partir dela é que se criam laços com os alunos,
fazendo com que isso também seja espelhado na parte de desenvolvimento profissional do docente,
sendo uma via de mão dupla de aprendizado, o professor aprende com o aluno e o aluno aprende
com o professor.
Nóvoa (1995) contribui dizendo que o docente precisa ser um ser reflexivo e responsável
pelo seu desenvolvimento profissional, sendo ele que vai avaliar sua conduta para visar melhora-la,
ter esse “eu” refectivo permite que o professor saiba onde melhorar, onde errou, onde são suas
fraquezas, onde são suas limitação para assim traçar uma melhorias e transformar isso em suas
potencialidades, sendo isso de suma importância para o desenvolver de um professor pesquisador,
pois é a partir da reflexão que podemos nos enxergar para além de somente os nossos erros.
O professor necessitará de sempre estar preparado para exercer com aptidão sua principal
função, a de ensinar, levando em consideração que o seu dia a dia e o seu trabalho é desenvolvido
com serres humanos, sendo esses seres humanos donos do seu pensar, tendo suas ações e reações
totalmente diferentes para uma mesma situação descrita. Porém se trata de um trabalho permeado
por teorias e práticas (ENS; DONATO, 2011), assim sendo de incumbência do docente a
participação ativa e crítica nos processos de inovação e mudança, sendo principalmente flexível e
dinâmico para lidar com as adversidades contidas no dia a dia (IMBERNÓN, 2011).
Sobre os desafios que os docentes enfrentam diariamente, Nóvoa (1995, p.27) observou que:
os problemas da prática profissional docente não são meramente instrumentais; todos eles
comportam situações problemáticas que obrigam decisões num terreno de grande
complexidade, incerteza, singularidade e de conflito de valores (SCHÖN, 1990). As
situações que os professores são obrigados a enfrentar (e a resolver) apresentam
características únicas, exigindo, portanto, respostas únicas: o profissional competente
possui capacidades de autodesenvolvimento reflexivo (Nóvoa 1995, p.27).

Visando isso, os processos utilizados na formação de professores jamais pode deixar de lado
a realidade das problemáticas vivencias pelos mesmos, sempre tendo uma forma que resolver isso
cotidianamente. À partir disso Imbernón (2011), coloca que a formação admite função que
ultrapassa a atualização didática, pedagógica e científica, transformando-se em alternativa de
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criação de “espaços de participação, reflexão e formação para que as pessoas aprendam e se


adaptem para poder conviver com a mudança e com a incerteza.
O professores/docentes que estão na área da pesquisa assimilam que as consequências
daquilo que estamos vivenciando hoje serão de suma importância para o seu exercício profissional,
o ser professor está imerso em relações interpessoais, convivendo com pessoas, logo assim estará
sujeito as transformações sociais a partir daquilo que é vivenciado no agora. Partindo desse
princípio os professores pesquisadores trazem consigo que o professor também pode exercer vários
papeis sociais na vida dos cidadãos, pois cabe a esses nicho de professores a reflexão daquilo que já
aconteceu e está refletindo hoje, e o que está acontecendo hoje que refletirá no futuro, mas que
também está ligado totalmente ao que está acontecendo no agora (IMBERNÓN, 2011).
Levando em consideração o que foi supracitado acima, pode provocar um turbilhão de
sentimentos para o professor, pois pode ser visto a alegria no professor em construir com o
crescimento pessoal e intelectual dos adolescentes, a ânsia em ajudar na mudança de vida de cada
um deles, não tão somente desses alunos, mas da sociedade em que estão inseridos. Nos dias atuais
é muito amplo ser professor, há muitas atribuições para o professor dentro da escola, utilizando
desses artifícios o professor passa a ser uma fonte confiável para o aluno, sendo até um canal que o
aluno utiliza para contar algo que jamais contaria até para alguém mais próximo (IMBERNÓN,
2011).
O professor pesquisador, para sua formação, dará condições para que os professores possam
arrogar-se de sua realidade, tornando ela um objeto de pesquisa, de reflexão e posteriormente de
análise, sendo imbuído de um movimento movimento contra-hegemônico, frente ao processo de
desprofissionalização do professor e de instrumentalização da sua prática (NÓVOA, 2001).
É necessário que esses professores possam enxergar no ato de pesquisar uma chance de
amadurecer e crescer profissionalmente e intelectualmente, desta forma contribuindo para a
comunidade científica e o cotidiano escolar. Perante várias mudanças no meio social e tecnológico,
o professor pesquisador precisa estar a par de toda mudança contida no meio social e tecnológico,
utilizando isso a seu favor, para que possa ser um pesquisador que acompanhe o ritmo de
desenvolvimento e conhecimento da sociedade, porém, exercer esse papel crucial e de suma
importância para a sociedade acarretam muitas barreiras e desafios durante suas atividades (SILVA;
SANTOS, 2017).
É possível perceber que dentro das prioridades contidas no processo de governo, em
nenhuma delas está a educação. A educação brasileira vem há um grande tempo sendo carregada
pelos bravos professores que mesmo sem incentivo não fogem a luta de ensinar, e mesmo com
pouquíssimos recursos, pesquisar. Podemos elencar mais problemas, como a má remuneração de
profissionais da educação, as pífias condições de infraestruturas encontradas nas salas de aulas por
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todo o brasil, a superlotação sendo utilizada para como estratégia de corte de gastos, sendo todas
essas características que inibem o docente de exercer suas funções de forma integra e competente,
de forma compromissada e ética em concordância com o projeto pedagógico e com a sociedade na
qual se está inserido. Também podemos destacar o desprestígio e o não reconhecimento do seu
ofício contribuem de forma valorosa para a desvalorização da autoimagem do professor (SILVA;
SANTOS, 2017).
Sendo assim, correlacionado com a importância da pesquisa acadêmica, o docente precisa
avaliar a pesquisa nesse processo de ensino e aprendizagem, trazendo para o mais próximo possível
o sendo comum e a realidade mostrada, partindo do princípio que ele tem como atribuição se fazer
como um condutor, inteligente e ativo entre o conhecimento que é construído na área da educação e
as novas evidências que serão enaltecidas a partir delas (SILVA; SANTOS, 2017).
Nos dias atuais pode-se verificar que a participação dos alunos no processo de escolha de
conteúdo é muito maior do que no passado, isso é uma tentativa de buscar o interesse e a
cooperação deles, pois é possível verificar que já não há mais um prazer na pesquisa nem no hábito
de pesquisar, e Freire (2001) diz com maestria que “não existe pesquisa sem ensino e nem ensino
sem pesquisa”.
É de suma importância que o professor entenda o seu poder de persuasão e de transformação
e que através disso, possa ser usada como uma estratégia valiosa, podendo ser determinante para o
futuro dos alunos, principalmente em se tratando em seu exercício de cidadão. Partindo dessa
premissa, os professores possibilitam aos seus alunos uma formação crítica e autônoma, instigando-
os a ser mais pensantes e menos manipuláveis.
Para André (2001), pode-se compreender que o professor tem uma tarefa árdua que
diariamente é extremamente complexa, o seu dia a dia exige decisões e ações imediatas, sendo
imprevisíveis na maioria das vezes. Nem sempre há tempo para distanciamento e para atitude
analítica como na atividade da pesquisa. O autor ainda afirma que isso não pode significar que o
professor não deva ter um ar de investigador, mas que é de suma importância que ele tenha o poder
de aprender a observar, que possa formular questões e hipóteses e que possa selecionar métodos e
instrumentos que o norteie, ajudando-o a elucidar os problemas encontrando assim um caminho que
seja alternativo na prática docente.
Soares (apud Santos, 2001) nos faz refletir trazendo que é de suma importância que o
professor não seja somente informado sobre a produção de diferentes áreas do conhecimento,
porém, que ele possa se utilizar dos próprios conhecimentos, não somente daqueles que são
previstos e que já estão escritos. Sendo assim, a importância da pesquisa na formação de um
professor não está delimitada somente pelo fato de dar a possibilidade do acesso ao conhecimento,
mas a probabilidade de, através do conhecimento da vivência com a pesquisa e sendo até mais que
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isso, através da vivência diária da pesquisa, que o professor poderá apreender e aprender os
processos de produção de conhecimento em sua área específica.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo de revisão narrativa. Para a realização deste trabalho foi utilizado o
método de pesquisa bibliográfica, que se dá através de estudos e artigos, teve-se como base de
dados SCIELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana em
Ciências de Saúde), e Google acadêmico, com publicações que enfatizam esse tema.
Gil (2006) afirma que “A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já
elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”.
Segundo Vosgerau e Romanowsk (2014) a revisão narrativa, é constituída por uma análise
ampla da literatura, a qual não estabelece uma metodologia rigorosa e replicável em nível de
reprodução de dados e respostas quantitativas para questões específicas.
A mesma, é fundamental para a aquisição e atualização do conhecimento sobre uma
temática específica, trazendo novas ideias, métodos e subtemas que têm recebido maior ou menor
ênfase na literatura selecionada (ELIAS et al., 2012).
O critério utilizado para inclusão dos artigos científicos foi ter as expressões utilizadas nas
buscas, (descritores) no título ou palavras-chave, ou ter o texto que se relaciona Pesquisa e
Profissão, dando foco na importância do professor pesquisador, evidenciado no resumo e ainda,
serem artigos publicados em língua portuguesa. Os artigos excluídos não apresentavam o critério de
inclusão estabelecido e/ou apresentavam dualidade, ou seja, publicações encontradas em mais de
uma das bases de dados.
Para buscas na base de dados SCIELO (Scientific Electronic Library Online), foram
utilizados os descritores de forma combinada “pesquisa” and “docência”, encontrando assim 39
periodicos, desses foram selecionados apenas os em língua portuguesa somando 34 artigos
periódicos, sendo exclusos pelo título 27 artigos, restando 7 artigos para a leitura do resumo, e
utilizados 6 na íntegra para a discussão do trabalho.
Na base de dados Google Acadêmico foram utilizados os descritores de forma combinada
“pesquisa” and “docência”, encontrando 70 artigos, desses foram selecionados apenas os em língua
portuguesa somando 54 artigos, após a leitura do título foram excluídos 23 artigos e após a leitura
do resumo foram excluídos 26, e utilizados 2 na íntegra para a discussão do trabalho.
Buscou-se classificar-se os estudos de acordo com suas particularidades e foi observada a
metodologia utilizada, resultados e conteúdo trazido no mesmo para suas contribuições na revisão.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
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Quadro 1: Caracterização dos artigos selecionados segundo título, ano de publicação, base de
dados, método utilizado e resultados.
TÍTULO AUTOR/ANO BASE DE MÉTODO Pesquisa e Profissão
DADOS (A importância do professor pesquisador)

Pesquisa, Formação ANDRÉ, M. Scielo Pesquisa de ressalto a necessidade de desenvolver com os


e Prática docente (2001) caráter futuros professores não só uma atitude de
qualitativo. pesquisador, mas também habilidades
necessárias à realização de uma pesquisa, tais
como: ter como ponto de partida uma
problemática, o que vai requerer a
aprendizagem da problematização; aprender a
localizar fontes de consulta e a selecioná-las;
a formular questões orientadoras; a conhecer
procedimentos metodológicos como
observação, entrevista, análise documental,
registro de áudio e vídeo; a construir
instrumentos de coleta de dados; a analisar
dados e relatar a pesquisa.
Ensino, uma CARVALHO, Scielo Pesquisa de A capacidade de relacionamento com as
atividade relacional M. (1999) caráter pessoas era colocada pela maioria de meus
quantitativo entrevistados/as como importante para o bom
e exercício da profissão, como expressou a
qualitativo professora Taís 4: “Eu acho que a pessoa que
vai para o magistério, ela tem isso, tem essa
sensibilidade. Porque senão ela não fica. Não
agüenta, cai fora”.
Ser professor e ENS, R. T.; Scielo Pesquisa de Para a efetivação do respeito, em relação à
formar professores: DONATO, S. caráter formação é fundamental um salário
tensões e incertezas P. (2011) qualitativo compatível e condições de trabalho. No
contemporâneas. entanto, ao falarem de formação alguns o
fazem de forma isolada, o que é comprovado
na argumentação do formando 9 ao afirmar:
“O professor precisa ser valorizado no que diz
respeito a sua formação, pois necessita estar
sempre pesquisando, se atualizando para
melhorar a sua prática docente”.
Formação docente e IMBERNÓN, Google Pesquisa de A formação admite função que ultrapassa a
profissional: F. (2011) Acadêmico. caráter atualização didática, pedagógica e científica,
formar-se para a qualitativo transformando-se em alternativa de criação de
mudança e a “espaços de participação, reflexão e formação
incerteza para que as pessoas aprendam e se adaptem
para poder conviver com a mudança e com a
incerteza.
Desenvolvimento MARCELO, Scielo Pesquisa de A formação deve estar em primeiro lugar em
profissional C. (2009) caráter sua carreira, senão perderá esse dom,
docente: passado e qualitativo deixando-o escorrer por entre seus dedos. E
futuro. as qualidades necessárias ao bom professor
ou professora são as dimensões que envolvam
as qualidades emocionais, políticas, éticas,
reflexivas e críticas, e, sobretudo as de caráter
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do saber: o conhecimento acima de tudo e a


pesquisa constante
A PESQUISA NA SILVA, A. C. Google Revisão de Pode-se destacar a atuação do
PRÁTICA (2017) Acadêmico literatura professor/pesquisador sendo aquele que traça
DOCENTE: como meta ou objetivo fazer com que seus
Dilemas na alunos sejam donos do seu próprio caminho
contemporaneidade. dentro do ensino, tendo autonomia nesse
processo do aprender, apenas norteando-os,
oferecendo meios para que haja a construção
de seu processo de aprendizagem
As pesquisas nas SOARES, M. Scielo Revisão de Nos faz refletir trazendo que é de suma
áreas específicas (2001) literatura importância que o professor não seja somente
influenciando o informado sobre a produção de diferentes
curso de formação áreas do conhecimento, porém, que ele possa
de professores. se utilizar dos próprios conhecimentos, não
somente daqueles que são previstos e que já
estão escritos.
Refletindo sobre a SOUZA, A. Scielo Revisão de A pesquisa se faz um componente
importância da (2011) literatura importantíssimo da formação dos professores,
pesquisa na estando inerente as obras de grandes nomes
formação e na da educação, sendo citadas em leis, projetos e
prática docente planos governamentais. Existe uma máxima
que diz que há uma unanimidade em favor
das pesquisas em planos curriculares, em
projetos de escola, nos programas de
desenvolvimento profissional de formação
inicial e continuada, havendo posição
hegemônica quanto a isso, porém, uma
grande parcela dos docentes não têm a
consciência desses princípios educativos, que
permeiam esse enfoque.

5. CONCLUSÃO

Percebeu-se que é nítida a busca pelas atualizações do mundo globalizado hoje em dia, todo
dia uma tecnologia diferente, todo dia um conhecimento diferente, e isso não foge a realidade do
professor. A pesquisa está completamente englobada dentro da carreira profissional da vida do
professor, estando estritamente ligada ao quão sucesso esse professor terá no futuro.
Percebe-se que também que um professor pesquisador, além de claro, estar à frente daqueles
que não fazem o uso da pesquisa, conseguem harmonizar de forma suave o conteúdo na vida dos
seus alunos, construindo vínculos que prestarão para toda uma vida, sendo uma via de mão dupla de
conhecimento, sendo o professor um agente transformador na vida do aluno. Também o professor
pesquisador tem imbuída em sua carreira a missão, mesmo que passivamente, de ser um agente
transformador de indivíduos, formando indivíduos politizados e críticos como cidadãos.
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O professor está em constante aprendizado, haja vista suas relações diárias com o seres
totalmente diferentes, que partilham vivências e sentimentos diferentes, essas formas diferentes de
visão daquilo que é exposto pelo professor faz com que o instinto de pesquisador do professor seja
aguçado, pois cada dia é uma lição diferente, e o professor lida com o inesperado, tendo que agir de
forma rápida para solucionar problemas, sendo assim instigado a cada dia mais aumentar o seu
saber.
O professor pesquisador tem de forma ímpar a missão, mesmo que não sendo tão prestigiada
por um modelo de educação fadado a continuar em segundo plano, de ajudar seus colegas com
estudos, periódicos, artigos, que mudem a perspectiva do ensino atual, fazendo com que seja mais
ampla a forma de se debater e fazer educação, trazendo à tona estudos que vão permear a educação
futura, trazendo frutos que renderão possíveis novos estudos no futuro.
E por fim, é necessário ressaltar a importância da pesquisa na vida do professor, pois o
professor vive em constante aprendizagem, uma dúvida do aluno gerada em sala de aula que o
professor, num presente momento pode até não saber, mas que provavelmente irá pesquisar para
sanar a dúvida do aluno, e assim segue a vida de um professor pesquisador, sempre em constante
aprendizado, para que outros que venham no futuro possam usufruir de seus estudos, de forma que
busquem a melhoria do modelo de educação em que estamos inseridos, trazendo elementos do
ontem, do hoje e que refletirão no futuro, podendo mudar não tão somente a visão de um aluno
dentro de sala de aula, mas instigando esses alunos a serem também agentes transformadores de
suas comunidades, como seres críticos e pensantes, e por que não, do mundo?

REFERÊNCIAS

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formação e na prática dos professores. Campinas, SP: Papirus, 2001, pp. 55-70.

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contemporâneas. In: ENS, R. T.; BEHRENS, M. A. (Orgs.). Ser professor: formação e os desafios
na docência. Curitiba: Champagnat, 2011. p.79-100.
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MARINHO-ARAUJO, C. M.; ALMEIDA, S. F. C. de. Psicologia escolar: construção da identidade


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MENDES, T. C. BACCON, A. L. P. PROFISSÃO DOCENTE: O QUE É SER PROFESSOR?


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NETO, A. S, MACIEL, L. S. B. A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA PARA A PRÁTICA


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