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AULA 1

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS
DE GERAÇÃO

Prof. Guilherme Steilein


CONVERSA INICIAL
Caro aluno, seja bem-vindo à sua primeira aula de Integração de Sistemas
de Geração. Nela, abordaremos a evolução do Sistema Elétrico Brasileiro com
ênfase nos sistemas de geração de energia elétrica. Você conhecerá a estrutura
organizacional do setor elétrico, composta por diversos agentes e empresas
reguladoras. Analisaremos a situação atual do SIN (Sistema Interligado Nacional)
e dos Sistemas Isolados no norte do país. Por fim, veremos as conexões do Brasil
com os demais países da América do Sul e os sistemas de transmissão vigentes
na América do Norte e na Europa. Neste contexto, a ideia é que, ao final da aula,
você tenha uma boa noção da matriz energética brasileira e de como acontece a
integração dos sistemas de geração.

CONTEXTUALIZANDO

A energia elétrica desempenha um papel fundamental na vida moderna. Ao


lado de transporte, telecomunicações, saúde e saneamento, compõe a
infraestrutura mínima necessária para integração no sistema socioeconômico
vigente, portanto, a geração e a integração dos sistemas de geração,
principalmente com as novas tecnologias de geração distribuída, ganharam um
enfoque especial nos últimos anos. Porém, antes de mergulharmos nas novas
tecnologia, vamos, nesta primeira aula, entender um pouco mais sobre a origem
e o atual funcionamento do Sistema Interligado Nacional.

TEMA 1 – ORIGEM DO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO

O desenvolvimento do setor elétrico brasileiro pode ser dividido em cinco


períodos. O primeiro deles se inicia no século XIX (a chegada da empresa
canadense Light ao país, em 1889, construindo sua primeira usina em 1901), e
termina no início da década de 1930, tendo como principal fonte energética o
carvão vegetal.
No Paraná, o primeiro esforço para a eletrificação ocorreu em 9 de
setembro de 1890, quando o presidente da Intendência Municipal de Curitiba, Dr.
Vicente Machado, assinou contrato com a Companhia de Água e Luz do Estado
de São Paulo para iluminar a cidade com "uma força iluminativa de quatro mil
velas" (Copel, 2016). Baseada nesse contrato e com uma concessão de 20 anos,
a Companhia instalou a primeira usina elétrica do Paraná num terreno próximo à

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antiga estação ferroviária, localizada atrás do então Congresso Estadual (atual
Câmara Municipal de Curitiba). A usina começou a funcionar oficialmente em 12
de outubro de 1892, sob a direção do engenheiro Leopoldo Starck, seu construtor.
Duas unidades a vapor fabricadas em Budapeste produziam 4.270 HP de força,
consumindo 200 metros cúbicos de lenha por dia.
O segundo período estendeu-se de 1930 a 1945, e foi caracterizado pela
aceleração do processo de industrialização. Na era Vargas, o Estado promoveu
uma maior regulação do setor, por exemplo, promulgando o Código de Águas
(1934) que transmitiu à União a propriedade das quedas d’água e a exclusividade
de outorga das concessões para aproveitamento hidráulico, e a criação, em março
de 1939, do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE), que tinha
como finalidade estudar o problema da exploração e utilização da energia elétrica
no país.
O terceiro período iniciou-se no pós-guerra e se estendeu até o final da
década de 1970, sendo caracterizado pela forte presença do Estado no setor
elétrico, principalmente por meio da criação de empresas estatais em todos os
segmentos da indústria, tais como a Chesf (Companhia Hidrelétrica do São
Francisco), em 1945, Furnas, em 1957, Ministério de Minas e Energia (MME), em
1960, Eletrobras, em 1962, e o Departamento Nacional de Águas e Energia
Elétrica (DNAEE), em 1979. Para se ter uma ideia do nível de investimentos
realizados nesta época, a potência instalada no país passou de 1.300 MW para
30.000 MW em pouco mais de 20 anos.
O quarto período iniciou-se na década de 1980, com a inauguração da
hidrelétrica Itaipu Binacional (Brasil e Paraguai), em 1984, e foi marcado pela crise
da dívida externa brasileira, que resultou em altos cortes de gastos e
investimentos pelo governo. As tarifas de energia, que eram iguais para todo o
país, foram mantidas artificialmente baixas como medida de contenção da
inflação, não garantindo às empresas do setor uma remuneração suficiente para
o seu equilíbrio econômico.
Nesse contexto, iniciou-se o quinto período do desenvolvimento da
indústria de eletricidade no Brasil, que perdura até os dias atuais. Em meados da
década de 1990, a partir de um projeto de reestruturação do setor elétrico,
denominado RESEB, o Ministério de Minas e Energia preparou as mudanças
institucionais e operacionais que culminaram no atual modelo do setor. Este foi
baseado no consenso político-econômico do “estado regulador”, o qual deveria
direcionar as políticas de desenvolvimento, bem como regular o setor, sem se
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postar como executor em última instância. Assim, muitas empresas foram
privatizadas e autarquias de caráter público e independente foram criadas, como
é o caso da própria agência reguladora, a Aneel (Abradee).
Uma das principais alterações promovidas em 2004 foi a substituição do
critério utilizado para concessão de novos empreendimentos de geração.
Passaram a vencer os leilões do investidor que oferecesse o menor preço para a
venda da produção das futuras usinas. Além disso, o novo modelo instituiu dois
ambientes para a celebração de contratos de compra e venda de energia: o
Ambiente de Contratação Regulada (ACR), exclusivo para geradoras e
distribuidoras, e o Ambiente de Contratação Livre (ACL), do qual participam
geradoras, comercializadoras, importadores, exportadores e consumidores livres.

TEMA 2 – ESTRUTURA INSTITUCIONAL DO SETOR

Em 2004, com a implantação do Novo Modelo do Setor Elétrico, o Governo


Federal, por meio das leis n. 10.847/2004 e n. 10.848/2004, manteve a formulação
de políticas para o setor de energia elétrica como atribuição do Poder Executivo
Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME) e com assessoramento
do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e do Congresso Nacional.
Os instrumentos legais criaram novos agentes. Um deles é a Empresa de
Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao MME, cuja função consiste em realizar
os estudos necessários ao planejamento da expansão do sistema elétrico. Outro
deles é a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que abriga a
negociação da energia no mercado livre (Aneel, 2008).
O novo modelo preservou a Aneel, agência reguladora, e o Operador
Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por coordenar e supervisionar a
operação centralizada do sistema interligado brasileiro. Para acompanhar e
avaliar permanentemente a continuidade e a segurança do suprimento
eletroenergético em todo o território nacional, além de sugerir das ações
necessárias, foi instituído o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE),
também ligado ao MME (Aneel, 2008).
O ONS, entidade também autônoma que substituiu o GCOI (Grupo de
Controle das Operações Integradas, subordinado à Eletrobrás), é responsável
pela coordenação da operação das usinas e redes de transmissão do Sistema
Interligado Nacional (SIN). Para tanto, realiza estudos e projeções com base em

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dados históricos, presentes e futuros da oferta de energia elétrica e do mercado
consumidor (Aneel, 2008).
Para decidir quais usinas devem ser despachadas, opera o Newave,
programa computacional que, com base em projeções, elabora cenários para a
oferta de energia elétrica. O mesmo programa é utilizado pela Câmara de
Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para definir os preços a serem
praticados nas operações de curto prazo do mercado livre (Aneel, 2008).
As figuras 1, 2 e 3 a seguir, apresentam a hierarquia do setor elétrico
brasileiro moderno, mostrando a relação entre os diversos agentes que planejam,
operam e controlam o sistema de forma integrado sob supervisão do estado.

Figura 1 – Organograma da estrutura do setor elétrico brasileiro

Fonte: Aneel / Energia Elétrica – Geração, Transmissão e Sistemas Interligados (2008).

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Figura 2 – Estrutura do sistema elétrico brasileiro

Fonte: Aneel / Energia Elétrica – Geração, Transmissão e Sistemas Interligados (2008).

Figura 3 – Estrutura do sistema elétrico brasileiro

Fonte: MME - ABCE / Energia Elétrica – Geração, Transmissão e Sistemas Interligados (2016).

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2.1 Sistema dos leilões e mercado livre

Do Ambiente de Contratação Regulada (ACR) participam, na parte


compradora, apenas as distribuidoras, para as quais essa passou a ser a única
forma de contratar grande volume de suprimento a longo prazo. As vendedoras
da energia elétrica são as geradoras. O início da entrega é previsto para ocorrer
um, três ou cinco anos após a data de realização do leilão (que são chamados,
respectivamente, de A-1, A-3 e A-5) (Aneel, 2008).
O MME determina a data dos leilões, realizados pela Aneel e pela CCEE.
Por meio de portaria, fixa o preço teto para o MWh a ser ofertado, de acordo com
a fonte da energia: térmica ou hídrica. Como as geradoras entram em “pool” (ou
seja, a oferta não é individualizada), a prioridade é dada ao vendedor que pratica
o menor preço. Os valores máximos devem ser iguais ou inferiores ao preço teto
(Aneel, 2008).
Os leilões dividem-se em duas modalidades principais: energia existente e
energia nova. A primeira corresponde à produção das usinas já em operação e os
volumes contratados são entregues em um prazo menor (A-1). A segunda, à
produção de empreendimentos em processo de leilão das concessões e de usinas
já outorgadas pela Aneel que estão em fase de planejamento ou construção.
Neste caso, o prazo de entrega, geralmente, é de três a cinco anos (A-3 e A-5).
Além deles, há os leilões de ajuste e os de reserva. Nos primeiros, as
distribuidoras complementam o volume necessário ao atendimento do mercado
(visto que as compras de longo prazo são realizadas com base em projeções),
desde que ele não supere 1% do volume total. Nos leilões de reserva, o objeto de
contratação é a produção de usinas que entrarão em operação apenas em caso
de escassez da produção das usinas convencionais (basicamente hidrelétricas)
(Aneel, 2008).
Entre 2004 e 2008, a CCEE organizou mais de 20 leilões por delegação e
sob coordenação da Aneel. Dois deles, pelo menos, foram significativos pela
contribuição à diversificação e à simultânea “limpeza” (aumento da participação
de fontes renováveis) da matriz nacional. O primeiro, em 2007, foi exclusivo para
fontes alternativas. Nele, foi ofertada a produção de pequenas centrais
hidrelétricas (PCHs) e termelétricas movidas a bagaço de cana e a biomassa
proveniente de criadouro avícola. No outro, realizado em 2008 e caracterizado
como o primeiro leilão de energia de reserva, foi contratada exclusivamente a
energia elétrica produzida a partir da biomassa. A maior parte das usinas

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participantes será movida a bagaço de cana (apenas uma é abastecida por capim
elefante).
Como são realizados com antecedência de vários anos, esses leilões são,
também, indicadores do cenário da oferta e da procura a médio e longo prazos.
Para a EPE, eles fornecem variáveis necessárias à elaboração do planejamento.
Para os investidores em geração e para as distribuidoras, proporcionam maior
segurança em cálculos, como fluxo de caixa futuro, por permitir a visualização de,
respectivamente, receitas de vendas e custos de suprimento ao longo do tempo.
Segundo o governo, o mecanismo de colocação prioritária da energia ofertada
pelo menor preço também garante a modicidade tarifária (Aneel, 2008).
No mercado livre, ou ACL, vendedores e compradores negociam entre si
as cláusulas dos contratos, como preço, prazo e condições de entrega. Da parte
vendedora, participam as geradoras enquadradas como PIE (produtores
independentes de energia). A parte compradora é constituída por consumidores
com demanda superior a 0,5 MW que adquirem a energia elétrica para uso
próprio. As transações geralmente são intermediadas pelas empresas
comercializadoras, também constituídas na década de 90, e que têm por função
favorecer o contato entre as duas pontas e dar liquidez a esse mercado (Aneel,
2008).

2.2 Operações de curto prazo

Os contratos têm prazos que podem chegar a vários anos. O comprador,


portanto, baseia-se em projeções de consumo. O vendedor, nas projeções do
volume que produzirá – e que variam de acordo com as determinações do ONS.
Assim, nas duas pontas podem ocorrer diferenças entre o volume contratado e
aquele efetivamente movimentado. O acerto dessa diferença é realizado por meio
de operações de curto prazo no mercado “spot”, abrigado pela CCEE, e têm por
objetivo fazer com que, a cada mês, as partes “zerem” as suas posições por meio
da compra ou da venda da energia elétrica. Os preços são fornecidos pelo
programa Newave e variam para cada uma das regiões que compõem o SIN, de
acordo com a disponibilidade de energia elétrica (Aneel, 2008).
Além de abrigar essas operações, a CCEE também se responsabiliza pela
sua liquidação financeira. Esta é a sua função original (Aneel, 2008).

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Nos últimos anos, a entidade passou a abrigar a operacionalização de parte
dos leilões de venda da energia que, junto às licitações para construção e
operação de linhas de transmissão, são atribuição da Aneel.

Figura 4 – Leilão de Energia na BM&FBovespa

Fonte: LUZ- BM&FBOVESPA.

TEMA 3 – SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL

O atual Sistema Interligado Nacional (SIN) apresenta um desafio


permanente no sentido de promover a expansão da infraestrutura energética de
forma sustentável para garantir o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Segundo dados do IBGE, MME e ANEEL (2014), a população brasileira,
atualmente em 204 milhões de pessoas, tem um consumo médio per capita de
2,061kWh/hab.ano. Para atender esta demanda, são necessários mais de 89,2
mil quilômetros nas tensões de 230, 345, 440, 500 e 750 kV (também chamada
rede básica que, além das grandes linhas entre uma região e outra, é composta
pelos ativos de conexão das usinas e aqueles necessários às interligações
internacionais) (MME, 2016). Além disso, abriga 96,6% de toda a capacidade de
produção de energia elétrica do país – oriunda de fontes internas ou de
importações, principalmente do Paraguai, por conta do controle compartilhado da

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usina hidrelétrica de Itaipu, com uma capacidade instalada de 134 GW e uma
oferta de eletricidade de 624,3 TWh.

Figura 5 – Sistema Interligado Nacional

Fonte: <http://www.ons.org.br/conheca_sistema/mapas_sin.aspx>

A Capacidade Instalada de Geração está distribuída da seguinte forma


entre as diversas fontes:

Tabela 1 – Capacidade Instalada (MW) pelo tipo de fonte

FONTE CAPACIDADE INSTALADA (MW) Nº USINAS %


HIDRO 94.234 1.225 64,56%
TÉRMICA 42.446 2.911 29,08%
EÓLICA 9.265 379 6,35%
SOLAR 23 40 0,02%
TOTAL: 145.968 4.555 100,00%
Fonte: Banco de Informação de Geração (BIG) ANEEL (2016).

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Do total de 29,08% da energia térmica produzida, ainda podemos subdividi-
la pela origem dos combustíveis e classificá-los entre não-renováveis e renováveis
(MME, 2016).

Gráfico 1 – Combustíveis das usinas termelétricas

Gás Natural
(13.036 MW)
Biomassa
8%5% (11.554 MW)
31%
Petróleo
29% (12.254 MW)
Carvão
27% (3.612 MW)
Nuclear
(1.990 MW)

Fonte: Banco de Informação de Geração (BIG) ANEEL (2016).

A Figura 6, a seguir, apresenta o centro regional de operação sudeste do


ONS. No monitor grande, podem ser observadas, entre outras, a curva de carga,
as linhas operando, a frequência de geração etc. O ONS trabalha 24 horas por
dia, 365 dias por ano.

Figura 6 – Centro Regional Sudeste do ONS

Fonte: ONS.

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TEMA 4 – OS SISTEMAS ISOLADOS

Os Sistemas Isolados (estabelecidos pela Lei n. 12.111, de 9 de dezembro


de 2009, que dispõe sobre o serviço de energia elétrica nesses sistemas, pelo
Decreto n. 7246, de 28 de julho de 2010, e pela Resolução Normativa Aneel
n. 427, de 22 de fevereiro de 2011) são predominantemente abastecidos por
usinas térmicas movidas a óleo diesel e óleo combustível – embora também
abriguem Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), Centrais Geradoras
Hidrelétricas (CGH) e termelétricas movidas a biomassa (Aneel, 2008).
Estão localizados principalmente na região Norte: nos Estados de
Amazonas, Amapá, Roraima e na Ilha de Fernando de Noronha. Os Estados de
Acre e de Rondônia se interligaram ao SIN em 2009, quando entrou em operação
a linha Jauru-Samuel, ligando, assim, Rio Branco (AC) até Vilhena (RO) com uma
extensão total de 947 km. Em junho de 2013, o Ibama assinou as licenças de
operação das linhas de transmissão da interligação Tucuruí-Manaus-Macapá,
conectando as capitais Manaus e Macapá ao SIN (Aneel, 2008).

Figura 7 – Conexão do sistema isolado Acre-Rondônia ao SIN

Fonte: ONS (2008).

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Eles são assim denominados por não estarem interligados ao SIN e por
não permitirem o intercâmbio de energia elétrica com outras regiões, em função
das peculiaridades geográficas da região em que estão instalados. Apesar de
estarem localizados em 45% da área territorial brasileira, com cerca de 1,2 milhão
de consumidores, os sistemas isolados respondem apenas por 3,4% da energia
elétrica produzida no país (2010). Após a interligação do Acre de Rondônia, o
mercado dos sistemas isolados alcançou, no primeiro semestre de 2010, 1,6% do
total do mercado nacional. Em 2013, com a interligação de Manaus e Macapá ao
SIN, chegou a menos de 1% de participação.
A capital de Roraima, Boa Vista, e seus arredores são, na verdade,
abastecidos pela Venezuela. De características predominantemente térmicas, os
Sistemas Isolados apresentam custos de geração superiores ao SIN. Além disso,
as dificuldades de logística e de abastecimento dessas localidades pressionam o
frete dos combustíveis (com destaque para o óleo diesel). Para assegurar os
benefícios usufruídos pelos consumidores do SIN à população atendida por esses
sistemas, o Governo Federal criou a Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis
(CCC), encargo setorial que subsidia a compra do óleo diesel e óleo combustível
usado na geração de energia por usinas termelétricas que atendem às áreas
isoladas (cobrado nas tarifas de distribuição e de uso do sistema de transmissão
e distribuição – TUST e TUSD). Essa conta é paga por todos os consumidores de
energia elétrica do país. Em 2008, o valor da CCC foi de 3 bilhões de reais. Os
recursos da CCC são administrados pela Eletrobras, e os valores (recolhidos
mensalmente nas contas de luz pelas distribuidoras de energia elétrica) são
fixados pela Aneel (Reis, 2011).
A Diretoria de Geração da Eletrobras é responsável pela coordenação do
Grupo Técnico Operacional da Região Norte (GTON), criado por meio da Portaria
MINFRA n. 895, de 29 de novembro de 1990. “Esse órgão colegiado é
responsável pelo planejamento e acompanhamento da operação dos sistemas
isolados, visando assegurar a esses consumidores, não contemplados com as
vantagens oferecidas pelo Sistema Interligado, o fornecimento de energia elétrica
em condições adequadas de segurança e qualidade” (Brasil, 1990).
O GTON é composto por uma Secretaria Executiva (SGTON) e cinco
Comitês Técnicos: Planejamento (CTP), Operação (CTO), Distribuição (CTD),
Mercado (CTM) e Financeiro (CTF), todos coordenados pela Eletrobras. Também
conta com o apoio do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras Cepel)
em projetos pesquisa e desenvolvimento (Eletrobras).
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TEMA 5 – SISTEMAS INTERLIGADOS INTERNACIONAIS

Devido às suas características regionais e ao seu tamanho continental, o


Brasil tem diversas interligações elétricas com os países da América do Sul, os
quais são destacados abaixo (Reis, 2011):
1. Com o Paraguai – por meio de quatro linhas de Transmissão em 500 kV
que interligam a usina de Itaipu, à subestação Margem Direita (Paraguai) e
à subestação Foz do Iguaçu (PR, Brasil).
2. Com o Uruguai – por meio da estação conversora de frequência de Rivera
(Uruguai), com capacidade de 70 MW e uma linha de transmissão em
230/150 kV, ligando-a à subestação Livramento, em Sant’Ana do
Livramento (RS, Brasil). Entrou em operação em 2001 mediante acordo
entre a uruguaia UTE e a Eletrosul. Não entrou em operação comercial
ainda, embora já tenha sido usada para atender demandas emergenciais
em ambos os países.
3. Com a Argentina – por meio da estação conversora de frequência de
Uruguaiana (RS, Brasil), inaugurada em 1994, com capacidade de 50 MW
e uma linha de transmissão em 132 kV, ligando-a ao Paso de los Libres
(Argentina). Não se encontra em operação comercial e foi usada para
atendimentos emergenciais em ambos os países.
4. Com a Venezuela – por meio de uma interligação entre o complexo
hidrelétrico de Guri/Macágua e Boa Vista, em uma extensão total de 676
km, tendo sido inaugurada em 2001. Uma linha de transmissão de 400 kV,
sob a responsabilidade da empresa venezuelana Edelca – Electrificación
del Caroní C. A.). Compõe o trecho dentro do território venezuelano entre
as SE´s de Macágua e Las Claritas, passando, em seguida, para 230 kV,
até alcançar a fronteira com o Brasil, perto da cidade de Santa Elena de
Uairén. O trecho brasileiro tem 191 km de extensão a partir da fronteira até
Boa Vista, por uma linha de 230 kV, estando sob responsabilidade da
Eletronorte.

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Figura 8 – Intercâmbio Energético do Brasil com os países da América do Sul

Fonte: Aneel / Energia Elétrica – Geração, Transmissão e Sistemas Interligados (2008).

5.1 Sistemas Interligados na América do Norte e Europa

No mundo todo, há dois modelos para estruturação da transmissão: um


operador independente do sistema (ISO) e um operador do sistema. O ISO atua
sem fins lucrativos, é independente e usa preços que levam à eficiência da rede
por meio de preços nodais. No segundo caso, o operador atua ligado a uma
empresa de transmissão, em um modelo chamado de Transco. Ambos
apresentam vantagens e desvantagens. Apesar do modelo ISO parecer ideal,
existem críticas que alegam ser uma estrutura governamental complexa,
envolvendo diretores independentes e um comitê de interessados. Algumas
vezes, um operador do sistema pode ter atuação regional, como no caso dos
Estados Unidos, que contam com três grandes redes, podendo, desse modo, ser
apenas um operador ou a combinação deste com uma empresa de transmissão
(Reis, 2011).
Nos Estados Unidos, a maior Transco é a ITC Transmission, fundada em
2003. A ITC consiste em três companhias: ITC Transmission; METC (Michigan
Electric Transmission Company; e ITC Midwest. Em 2009, a AEP (American
Electric Power Company) anuncionou a formação de uma nova Transco para
cobrir, pelo menos, 11 estados. Existem também as RTOs (Regional Transmission
Organizations), entidades independentes sem relação com qualquer outra
organização do mercado, administrando a rede de transmissão em uma área

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regional. Há dez RTOs na América do Norte que servem a 2/3 dos consumidores
de eletricidade nos Estados Unidos e a 50% no Canadá (Reis, 2011).
Na Europa, temos o ENTSO-E (The European Network of Transmission
System Operators for Electricity), a associação dos operadores de transmissão,
composto por 41 operadores de 34 países, com 800 GW de capacidade de
geração e 3.200 TWh de consumo de eletricidade (2012). Devido à crescente
demanda por energia elétrica na Europa, o ENTSO-E foi criado em 2008, em
Bruxelas, na Bélgica. Completamente operacional desde 2009, ele gerencia 305
mil quilômetros de linhas de transmissão para 535 milhões de clientes. Não há
uma agência reguladora geral para o ENTSO-E. Uma agência independente de
cada Estado-membro coopera com o ERGEG (European Regulator´s Group for
Eletricity and Gas). O ENTSO-E incorpora as cinco maiores organizações de
operadores de transmissão, UCTE, Nordel, UKTSOA, Baltso e ATSOI (Reis,
2011).

FINALIZANDO

Como vimos nesta primeira aula, o Sistema Elétrico Brasileiro tem


dimensões continentais, com uma extensão territorial de mais de 4.000 km, que
impõe diversos desafios para a Integração dos Sistemas de Geração. Alguns
exemplos são: a distância entre a fonte de energia e o consumidor, e até mesmo
o tipo de relevo e a disponibilidade da fonte (queda d´água, carvão, gás natural,
radiação solar), entre outros. Por isso, a partir da próxima aula, aprofundaremos
os conhecimentos nos principais tipos de energia, com um enfoque especial para
as novas fontes limpas e renováveis.

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REFERÊNCIAS

ABRADEE – Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica. Visão


geral do setor. Disponível em: <http://www.abradee.com.br/setor-eletrico/visao-
geral-do-setor>. Acesso em: 16 set. 2017.

BRASIL. Decreto n. 7.246, de 28 de julho de 2010. Diário Oficial da União,


Brasília, DF, 2010. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7246.htm>.
Acesso em: 16 set. 2017.

______. Lei n. 10.847, de 15 de março de 2004. Diário Oficial da União, Brasília,


DF, 2004. Disponível em: <http://www2.aneel.gov.br/cedoc/lei200410847.pdf>.
Acesso em: 16 set. 2017.

______. Lei n. 10.848, de 15 de março de 2004. Diário Oficial da União, Brasília,


DF, 2004. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2004/Lei/L10.848.htm>. Acesso em: 16 set. 2017.

______. Lei n. 12.111, de 9 de dezembro de 2009. Diário Oficial da União,


Brasília, DF, 2009. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12111.htm>.
Acesso em: 16 set. 2017.

______. Portaria n. 895, de 29 de novembro de 1990. Diário Oficial da União,


Brasília, DF, 1990. Disponível em:
<http://infoener.iee.usp.br/legislacao/legisla_nac/eletrico/leis/portaria_895.html>.
Acesso em: 16 set. 2017.

ANEEL. Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas da Energia Elétrica do


Brasil. Brasília, DF: Aneel, 2008. Disponível em:
<http://www2.aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas3ed.pdf>. Acesso em: 16 set. 2017.

______. Agência Nacional de Energia Elétrica. Resolução Normativa n. 427, de


22 de fevereiro de 2011. Brasília, DF, 2011. Disponível em:
<http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2011427.pdf>. Acesso em: 16 set. 2017.

017
COPEL – Companhia Paranaense de Energia. História da energia no Paraná.
Disponível em:
<http://www.copel.com/hpcopel/root/nivel2.jsp?endereco=%2Fhpcopel%2Froot%
2Fpagcopel2.nsf%2F0%2F938F473DCEED50010325740C004A947F>. Acesso
em: 16 set. 2017.

Ministério de Minas e Energia. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/>. Acesso


em: 19 set. 2017.

REIS, L. B. dos. Geração de energia elétrica. 2. ed. rev. e atual. Barueri, SP:
Manoele, 2011.

018
AULA 2

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE
GERAÇÃO

Prof. Guilherme Steilein


CONVERSA INICIAL

Caro aluno, após a introdução ao Sistema Elétrico Brasileiro na primeira


aula do nosso curso de Integração de Sistemas de Geração, nesta segunda aula,
revisitaremos os conceitos de geração hidráulica junto dos conceitos de ciclo
hidrológico, bacia hidrográfica, regulação de vazão e produção de energia elétrica.
Também abordaremos os componentes principais das centrais hidrelétricas,
especificação de turbinas e tipos de centrais. Depois, estudaremos as
características das Centrais Termelétricas, seus principais tipos de combustíveis,
seus principais esquemas de geração e cogeração, com ênfase em gás natural e
biomassa.

CONTEXTUALIZANDO

Nos últimos anos, a redução da capacidade de regularização do SIN


ocorreu concomitantemente ao aumento das restrições de confiabilidade. A
incorporação das usinas da região amazônica, altamente sazonais e a fio d’água,
aumentarão o desafio de conciliar economicidade na geração e segurança de
suprimento. Ao final do período seco, os reservatórios devem estar mais vazios
para armazenar a grande disponibilidade dessas usinas no período chuvoso e,
por outro lado, mais cheios, devido à incerteza dessa disponibilidade. Além disso,
houve um aumento da participação de usinas térmicas na expansão da matriz de
geração de energia elétrica. Assim, uma parte cada vez maior da carga deve ser
atendida, pelo menos em termos estruturais, por recursos que não estão
armazenados nos reservatórios. Dessa maneira, embora haja uma percepção de
que a capacidade de armazenamento tenha sido reduzida, isso decorre, em parte,
em função da comparação do mercado total apenas com os recursos hidráulicos,
hoje apenas uma parcela dos recursos totais que devem atender a esse mercado.

TEMA 1 – HIDROLOGIA E CONTROLE DE VAZÃO

Um bom conhecimento de hidrologia é fundamental para que haja um maior


aproveitamento dos recursos hídricos. Isso acontece porque cada projeto de
aproveitamento hídrico supõe um conjunto de condições físicas, sociais e
ambientais específicas, as quais devem ser consideradas no projeto. É por essa
razão que, dificilmente, podem ser utilizados projetos padronizados como
soluções para problemas relativos a recursos hídricos.

02
1.1 Bacias hidrográficas

Bacia hidrográfica de um curso d’água é a área da superfície do solo capaz


de coletar a água das precipitações e conduzi-la ao curso d’água. A sua
determinação é feita por meio de cartas topográficas com curvas de nível e
identificação dos espigões. Para determinação das bacias hidrográficas, deve-se
considerar sempre áreas a montante do local onde se analisa o aproveitamento.
A superfície obtida é também denominada área de drenagem. Em uma visão mais
simples, a bacia hidrográfica de um rio é formada por toda a área de terra que
conduz as precipitações ao mesmo rio e a seus afluentes.

1.2 Vazão em curso d’água

Uma característica de um curso d’água importante para o seu


aproveitamento adequado é a vazão, ou seja, o volume de água que passa em
uma seção reta na unidade de tempo. Essa variável, usualmente medida em m³/s,
em conjunto com a queda d'água disponível em uma seção do rio, determinará a
potência elétrica que pode ser obtida nesse ponto. Um processo usual para
obtenção de um registro contínuo das vazões em determinada seção de um rio é
o estabelecimento da relação entre os valores da vazão e o nível d'água no rio
naquele local. É possível medir a vazão em pequenos rios utilizando um vertedor
ou uma calha medidora aferida em laboratório. Em grandes cursos d´água, a
medição de vazões com dispositivos calibrados em laboratório é impraticável.
Nesses casos, é preciso fazer uso de métodos mais apropriados, alguns
baseados na medição direta da vazão e outros na medição da velocidade do
escoamento em diversos pontos da seção reta e sua integração na mesma seção.
Dentre esses métodos, podemos citar o dos flutuadores e o dos molinetes, ambos
baseados na medição da velocidade de escoamento, devido, principalmente, à
sua facilidade de uso (dos flutuadores, principalmente para pequenos
aproveitamentos) e ao seu grande uso (dos molinetes) (Reis, 2011).
Em certos casos, é necessário calcular o volume total do escoamento de
uma bacia em um período de tempo determinado. Entretanto, é mais frequente
que um projeto exija o cálculo do valor máximo instantâneo da vazão. Para isso,
utiliza-se o fluviograma, que representa o comportamento da vazão em uma seção
reta (local) do rio ao longo do tempo. O fluviograma pode ser apresentado para
diversos períodos de tempo: dia, mês, ano ou períodos arbitrários.

03
1.3 Regularização de vazões: capacidade de um reservatório

Considerando o comportamento variável das vazões no rio caso nada


tenha sido feito, apenas uma vazão muito pequena poderia ser usada na maior
parte do tempo. Em muitos casos, então, é conveniente que se armazene água
de forma a permitir o uso mais constante de uma vazão média d’água superior
àquela garantida apenas pelo comportamento natural do rio. Isso é feito por meio
de barragens de acumulação e reservatórios, os quais permitem o
armazenamento da água para uso em modo e momento mais convenientes. As
vazões médias obtidas após a instalação da barragem no rio recebem o nome de
vazões regularizadas. O processo do armazenamento de água e obtenção das
vazões regularizadas recebe o nome de regularização do rio (Reis, 2011).
A energia associada à vazão a fio d´água recebe o nome de energia
primária. A energia firme é a que pode ser garantida durante quase todo o tempo.
Para os aproveitamentos a fio d’água, a energia firme coincide com a energia
primária. Como a função primordial dos reservatórios é proporcionar a cumulação,
sua característica mais importante é o volume do reservatório. A capacidade dos
reservatórios construídos em terrenos naturais é calculada, em geral, com base
na altura máxima de operação do reservatório a partir do levantamento
topográfico. Obtidos os dados relativos ao reservatório, podem-se traçar as curvas
Área vs Altitude e Capacidade vs Altitude. A curva Área vs Altitude, que permite a
obtenção da área inundada pelo reservatório em função do nível máximo da água,
tem grande importância, pois por meio dela é possível visualizar, de forma
preliminar, parte dos impactos ambientais e sociais provocados pela obra
executada (população deslocada, inundação de áreas). É denominada vazão
firme a vazão máxima que pode ser garantida durante um período crítico de
estiagem, ou, de um outro ponto de vista, aquela vazão que pode ser garantida
praticamente durante todo um período em que a operação desse aproveitamento
não se altera. O valor dessa vazão varia ao longo da vida útil do reservatório (Reis,
2011).

1.4 Vazão regularizada

O diagrama de Rippl (ou de massa) é um gráfico onde se marcam os


volumes acumulados ao longo do tempo em uma seção reta de rio. Dessa forma,
tal diagrama é uma integração no tempo do fluviograma ou da curva de duração.

04
De posse de um diagrama de massas, pode-se fazer uma análise visando o
cálculo da vazão regularizada. Esse diagrama permite a verificação de algumas
características importantes (Reis, 2011).

Figura 1 – Diagrama de Rippl

A vazão regularizada máxima é a que seria possível obter continuadamente


do reservatório, durante todo o período analisado. A tangente ao diagrama de
Rippl, em qualquer ponto, é a vazão natural afluente a seção reta do rio em
análise. Assim, na figura 1, o reservatório está se enchendo nos períodos OA e
BC e esvaziando nos períodos AB e CD (Reis, 2011).

1.5 Regularização parcial

Se dispuséssemos de um volume do reservatório menor do que o volume


do reservatório determinado na regularização total não seria possível obter a
mesma vazão regularizada o tempo todo, mas, por outro lado, teríamos menores
custos de investimentos, como na barragem, por exemplo, e menores impactos
ambientais. Entretanto, é possível obter, com o volume menor, várias vazões
regularizadas cuja média é igual a vazão regularizada total. Considerando que há
a possibilidade de interligação de usinas via sistema elétrico, a ideia é sempre
determinar a melhor solução global. Temos, então, a “melhor" operação do

05
sistema de energia elétrica, interligando hidrelétricas com reservatório,
hidrelétricas a fio d’água, termelétricas, centrais solares, eólicas etc. Assim,
operando em sistemas interligados, é possível, no conjunto, superar a eventual
desvantagem de não se ter apenas uma vazão regularizada ao mesmo tempo em
que se desfruta das vantagens (custos e impacto ambiental) da regularização
parcial. Um reservatório que opera com um conjunto de vazões parciais
regularizadas apresenta várias vantagens nos mais diversos aspectos: a menor
capacidade de armazenamento diminuirá sensivelmente o custo das obras civis.
Por permitir a utilização de diversas vazões regularizadas, o reservatório possui
maior flexibilidade para operar de forma interligada ao sistema (Reis, 2011).

TEMA 2 – CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

Até a chegada das modernas turbinas hidráulicas usadas nas hidrelétricas,


ocorreu um longo processo de desenvolvimento tecnológico. O mais antigo projeto
de usina hidrelétrica data de 1878, em Cragside (Inglaterra), a partir de um
esquema do cientista e engenheiro inglês William George Armstrong (1810 –
1900). A primeira usina hidrelétrica do mundo foi construída junto às quedas
d´água das Cataratas do Niágara, na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá,
em 1879.
O termo hidroeletricidade se refere à geração de eletricidade por meio da
conversão da energia cinética da água em energia potencial mecânica, que
acionará um conjunto turbina-gerador e, assim, produzirá eletricidade.
Essa tecnologia precisa de um investimento inicial relativamente alto,
porém, tem um longo tempo de vida útil, entre 50 e 100 anos, aliado a baixos
custos de operação e manutenção. Além disso, estamos tratando de um recurso
local (água do rio), que não é dependente das variantes do mercado, como é o
caso dos combustíveis fosseis, o que gera uma segurança financeira.
A Aneel (Aneel, 2008) classifica as centrais da seguinte maneira:
 Central Geradora Hidrelétrica (CGH – com potencial de até 1 MW);
 Pequena Central Hidrelétrica (PCH – com potencial maior do que 1 MW e
menor igual a 30 MW);
 Usina Hidrelétrica (UHE – com potencial maior que 30 MW).
Dentre os componentes existentes nas centrais hidrelétricas, podemos citar
(Aneel, 2008):

06
 As Estruturas Hidráulicas – que incluem a barragem, o vertedouro, o
reservatório e as comportas d´água;
 As Turbinas – equipamentos usados para converter a energia da queda
d´água em energia mecânica. Tipicamente, uma turbina é composta por
cinco partes: Caixa Espiral, Pré-Distribuidor, Distribuidor, Rotor e Eixo e
Tubo de Sucção.

2.1 Tipos de turbinas

Os principais tipos de turbinas usadas em hidrelétricas são de impulso (ou


ação) e de reação (ou propulsão). A eficiência típica é muito alta, acima de 95%.
(Pinto, 2014).
Nas Turbinas de impulso, o trabalho mecânico é obtido por meio da energia
cinética do fluxo de água pelo rotor da turbina. São usadas preferivelmente para
quedas altas e baixas taxas de escoamento, em que toda a pressão da água é
convertida em energia cinética. Um exemplo deste tipo de turbina é a Pelton.
A turbina Pelton é considerada uma das mais eficientes turbinas
hidráulicas, tanto com eixo horizontal quanto vertical, é encontrada em unidades
de até 200 MW de potência. É indicada para uso em altas quedas d´água, na faixa
de 250 a 2.500 m, por isso é mais utilizada em relevos acidentados e regiões
montanhosas. A velocidade do jato d´água na saída do bocal da Pelton pode
chegar, dependendo da queda d´água, a algo em torno de 150 a 180 m/s. O nome
Pelton deriva de seu inventor, Lester Allan Pelton (1829-1908), que desenvolveu
tal turbina na década de 1870. (Pinto, 2014).
Nessa turbina, ao longo de sua roda, injetores distribuídos regularmente
conduzem um jato d´água que alcança tangencialmente os corpos coletores.
Existe uma regulação da potência mecânica extraída, dada por meio da ação de
válvulas de agulha dos injetores. Assim, os bocais são acionados (de forma
independente) de acordo com a potência de geração desejada. A alta velocidade
com que a água atinge o rotor da turbina pode ocasionar o problema da erosão.
Nas Turbinas de Reação, o trabalho mecânico é obtido por meio da
transformação das energias cinéticas e de pressão do fluxo de água no rotor da
turbina. São usadas para baixas e médias quedas de água. As turbinas Francis e
as Kaplan são exemplos de turbinas de reação (Pinto, 2014).
Turbina Francis: caracterizada por ter o escoamento de água em seu
interior perpendicular ao eixo da máquina (que pode ser vertical ou horizontal). O

07
fluxo de água na entrada da turbina é conduzido por um tubo em espiral, aliado a
um conjunto de palhetas estáticas, forçando o escoamento a ser normal (radial)
em relação ao rotor. As turbinas Francis são melhor empregadas em quedas
d´água na faixa de 40 a 400 m, podendo operar de 10 a 650 m. Sua potência de
saída também é ampla: geralmente, de 10 a 750 MW até 1 GW. As usinas de
Itaipu, Tucuruí, Furnas e boa parte das hidrelétricas da Chesf usam turbinas
Francis, assim como a maioria das PCHs. A usina de Três Gargantas na China
utiliza 34 turbinas Francis.

Figura 2 – Uma das seis novas turbinas Francis, da hidrelétrica Grand Coulee

Fonte: Acervo Técnico.

A Turbina Kaplan é semelhante à turbina Francis, exceto pelo rotor, que foi
reduzido a um núcleo com poucas pás (duas a seis) em formato de hélice, que
giram sobre si mesma mudando os ângulos de entrada e saída. Semelhante a
uma hélice marinha, as turbinas Kaplan são mais adequadas às quedas fracas,
de 20 a 50 metros, com faixa de potência geralmente entre 30 e 250 MW. São
vistas como uma evolução das turbinas Francis, permitindo uma produção
eficiente de energia para os casos de pequenas quedas, o que não era possível
com aquelas. Kaplan e hélice são geralmente turbinas de eixo vertical, as de eixo
horizontal são chamadas de bulbo. As turbinas Kaplan são mais indicadas para

08
elevado escoamento e pequenas quedas d´água. Reguladas por um distribuidor
e pela variação do ângulo de entrada de ataque das pás do rotor, elas têm um
sistema de êmbolo e manivelas instaladas dentro do cubo do rotor, que controla
a inclinação angular das pás. Turbinas Kaplan de grande porte são
individualmente projetadas para funcionar na mais alta eficiência possível. No
Brasil, as hidrelétricas de Três Marias (MG) e Barra Bonita (SP) utilizam essas
turbinas.

TEMA 3 – CENTRAIS TERMELÉTRICAS

O processo fundamental de funcionamento das centrais termelétricas


baseia-se na conversão de energia térmica em energia mecânica, e esta em
energia elétrica. A conversão de energia térmica em mecânica se dá pelo uso de
um fluído que produzirá, em seu processo de expansão, trabalho em turbinas
térmicas. O acionamento mecânico de um gerador elétrico acoplado ao eixo da
turbina permite a conversão de energia mecânica em elétrica (Reis, 2011).
A produção da energia térmica pode se dar pela transformação da energia
química dos combustíveis por meio do processo de combustão, ou da energia
nuclear dos combustíveis radioativos, com a fissão nuclear. Centrais cuja geração
é baseada na combustão são conhecidas como termelétricas, já as baseadas na
fissão nuclear são chamas de centrais nucleares (Reis, 2011).
As centrais termoelétricas (convencionais) são classificadas de acordo com
o método de combustão utilizado.
 Combustão externa: O combustível não entra em contato com o fluído de
trabalho. Este é um processo usado principalmente nas centrais
termoelétricas a vapor, nas quais o combustível aquece o fluído de trabalho
(em geral a água) em uma caldeira até gerar o vapor que, ao se expandir
em uma turbina, produzirá trabalho mecânico.
 Combustão interna: A combustão se efetua sobre uma mistura de ar e
combustível. Dessa maneira, o fluído de trabalho será o conjunto de
produtos da combustão. A combustão interna é o processo usado
principalmente nas turbinas a gás e nas máquinas térmicas a pistão
(motores a diesel).
A Figura 3, a seguir, mostra um diagrama simplificado de uma central
termoelétrica com combustão externa (a vapor).

09
Figura 3 – Diagrama simplificado de uma central termoelétrica com combustão
externa

Segundo o princípio de Rankine, o vapor se expande (a pressão passa de


alta à baixa) na turbina, gerando energia. Este vapor que sai da turbina vai ao
condensador, onde o calor é retirado e se obtém líquido. O líquido é bombeado
de volta à caldeira, fechando o ciclo (Reis, 2011).

Figura 4 – Diagrama simplificado de uma central termoelétrica com combustão


externa

Os principais combustíveis usualmente aplicados nas centrais a vapor são


o óleo, o carvão, a biomassa (madeira, bagaço de cana, lixo etc.) e derivados
pesados de petróleo. Os principais combustíveis usados nas máquinas térmicas
a gás são o gás natural e o óleo diesel. No caso da central nuclear, o calor para o
010
aquecimento da água não é produzido por processo de combustão, mas sim pela
energia gerada pelo processo de fissão nuclear (reação nuclear controlada em
cadeia) (Reis, 2011).
Em muitas aplicações no sistema de cogeração, centrais térmicas são
utilizadas para produção conjunta de eletricidade e vapor para uso em processos
industriais. Na produção exclusiva de energia elétrica, podemos usar como
elemento no circuito um vapor ou um gás. Na utilização de vapor, temos as
centrais a vapor de condensação, com turbinas a vapor. Na utilização do gás,
temos as centrais a gás, com motores a pistão diesel ou turbina a gás.
Quando se pretende produzir energia elétrica e vapor para processo
industrial, o elemento utilizado no circuito é a água na forma líquida em parte do
circuito e na forma de vapor na outra. Este tipo de utilização (cogeração) faz
simultaneamente a geração de energia elétrica e térmica a partir de um único
combustível, tais como gás natural, carvão, biomassa ou derivados de petróleo.
Os principais tipos, esquemas e configurações das centrais térmicas são:
 centrais a diesel;
 centrais a vapor;
 centrais a gás.

TEMA 4 – CENTRAIS TERMELÉTRICAS E GÁS NATURAL

4.1 O papel da geração termelétrica e gás natural

No Brasil, a geração termelétrica a gás natural desempenha o papel de


complementação da geração hidrelétrica e das fontes eólica e solar, além de
oferecer flexibilidade operativa ao Sistema Interligado Nacional. Essas usinas
funcionam como um seguro nos períodos de escassez hidrológica, ou nos
períodos de indisponibilidade de geração a partir dos ventos e do sol, contribuindo
para a garantia do suprimento de energia e reduzindo o risco de déficit no sistema
(Aneel, 2008).
A inserção crescente na matriz elétrica brasileira de geração renovável
intermitente (eólica e solar) requer, a longo prazo, interconexões, gerenciamento
da demanda e a contratação de potência complementar de reserva, como
hidrelétricas reversíveis ou, a curto e médio prazos, turbinas a gás, que podem
ser acionadas de forma rápida em caso de falta de ventos ou de irradiação solar
adequada. Assim, a disponibilidade do gás natural pode vir a caracterizar-se como

011
uma condicionante importante no planejamento da expansão da geração de
energia (Aneel, 2008).

4.2 Potencial de geração termelétrica a gás natural

Um potencial teórico de expansão da geração elétrica a gás natural pode


ser estimado a partir do volume de combustível disponível para uso termelétrico.
Pode ser estimado um volume de 60 milhões de m³/dia para geração termelétrica
até 2030, sem que haja esforços de aumento da oferta interna de gás natural e
mantida a demanda não termelétrica nos níveis de 2014. O parque térmico a gás
natural tem 15.271 MW de potência instalada em operação e em construção,
incluindo as usinas de cogeração, sendo 6.999 MW de usinas em ciclo combinado.
Admite-se 35% de rendimento para as turbinas a gás em ciclo simples e 55% para
o ciclo combinado, de modo que a eficiência média ponderada é de
aproximadamente 42%. Assim, na hipótese de despacho máximo, o parque
instalado consumiria, em média, 85 milhões de m³/dia de gás natural. Visto que a
expansão da geração termelétrica a gás natural deve ocorrer prioritariamente com
a utilização de usinas em ciclo combinado, a eficiência média do parque instalado
tende a se aproximar de 50%. Dessa forma, a partir de um volume de 60 milhões
de m³/dia, estima-se um potencial de 112 TWh por ano. Avaliando-se a
capacidade de geração térmica a gás com o fator de capacidade variando entre
30% e70%, conclui-se que o potencial teórico de geração a partir desta fonte
localiza-se numa faixa aproximada entre 43.000 MW e 18.000 MW
respectivamente. (Tolmasquim, 2016).
Descontando-se a capacidade instalada de termelétricas e usinas de
cogeração a gás natural de 15.271 MW, o potencial teórico de expansão pode ser
estimado na faixa aproximada de 3.000 a 27.000 MW.

4.1 Desafios para a expansão termelétrica a gás natural

Incertezas como a necessidade de expansão da infraestrutura de


transporte de gás vinculada à oferta do combustível, por sua vez, condicionada a
uma demanda que pode ou não ser firme no horizonte de longo prazo, podem
afetar a expansão da geração termelétrica a gás natural e levar à necessidade de
utilização de outros combustíveis, como o óleo diesel e o carvão mineral, este
exclusivamente na base, ou outras fontes de energia. A competitividade do gás
natural em relação a outros combustíveis fósseis pode ser aumentada se forem

012
aplicados limites de emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global,
visto que sua contribuição equivale a até a metade de dióxido de carbono por
unidade de energia do carvão mineral. Contudo, os impactos das emissões e dos
custos operacionais associados devem ser analisados no sistema como um todo.
(Tolmasquim, 2016).

TEMA 5 – BIOMASSA

A biomassa é uma das fontes para produção de energia com maior


potencial de crescimento previsto para os próximos anos. Tanto no mercado
internacional quanto no interno, ela é considerada uma das principais alternativas
para a diversificação da matriz energética e a consequente redução da
dependência dos combustíveis fósseis. Dela é possível obter energia elétrica e
biocombustíveis, como o biodiesel e o etanol, cujo consumo é crescente, em
substituição a derivados de petróleo, como o óleo diesel e a gasolina. Mas se,
atualmente, a biomassa é uma alternativa energética de vanguarda,
historicamente tem sido pouco expressiva na matriz energética mundial. Ao
contrário do que ocorre com outras fontes, como carvão, energia hidráulica ou
petróleo, não tem sido contabilizada com precisão. As estimativas mais aceitas
indicam que representa cerca de 13% do consumo mundial de energia primária
(Aneel, 2008).
Um dos mais recentes e detalhados estudos publicados a este respeito no
mundo, o Survey of Energy Resources (2007), do World Energy Council (WEC),
registra que a biomassa respondeu pela produção total de 183,4 TWh (terawatts-
hora) em 2005, o que correspondeu a um pouco mais de 1% da energia elétrica
produzida no mundo naquele ano. A pequena utilização e a imprecisão na
quantificação são decorrências de uma série de fatores. Um deles é a dispersão
da matéria-prima – qualquer galho de árvore pode ser considerado biomassa,
definida como matéria orgânica de origem vegetal ou animal passível de ser
transformada em energia térmica ou elétrica. Outro é a pulverização do consumo,
visto que ela é muito utilizada em unidades de pequeno porte, isoladas e distantes
dos grandes centros. Finalmente, um terceiro é a associação deste energético ao
desflorestamento e à desertificação – um fato que ocorreu no passado, mas que
está bastante atenuado. Algumas regiões obtêm grande parte da energia térmica
e elétrica que consomem desta fonte, principalmente do subgrupo madeira – o
mais tradicional – e dos resíduos agrícolas. A característica comum dessas

013
regiões é a economia altamente dependente da agricultura. O estudo do WEC
mostra que, em 2005, a Ásia foi o maior consumidor mundial ao extrair da
biomassa de madeira 8.393 PJ (petajoules1), dos quais 7.795 PJ foram
provenientes da lenha. A segunda posição foi da África, com 6.354 PJ, dos quais
5.633 PJ da lenha (Tolmasquim, 2016)

5.1 Geração de energia elétrica no Brasil

A utilização da biomassa como fonte de energia elétrica tem sido crescente


no Brasil, principalmente em sistemas de cogeração (pela qual é possível obter
energia térmica e elétrica) dos setores industrial e de serviços. Em 2007, ela foi
responsável pela oferta de 18 TWh (terawatts-hora), segundo o Balanço
Energético Nacional (BEN) de 2008. Este volume foi 21% superior ao de 2006 e,
ao corresponder a 3,7% da oferta total de energia elétrica, obteve a segunda
posição na matriz da eletricidade nacional. Na relação das fontes internas, a
biomassa só foi superada pela hidroeletricidade, com participação de 85,4%
(incluindo importação). (Tolmasquim, 2016)
De acordo com o Banco de Informações de Geração da Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel), em novembro de 2008 existiam 302 termelétricas
movidas a biomassa no país, correspondentes a um total de 5,7 mil MW
(megawatts) instalados.
Do total de usinas relacionadas, 13 são abastecidas por licor negro (resíduo
da celulose) com potência total de 944 MW; 27 por madeira (232 MW); três por
biogás (45 MW); quatro por casca de arroz (21 MW) e 252 por bagaço de cana (4
mil MW). Uma das características desses empreendimentos é o pequeno porte
com potência instalada de até 60 MW, o que favorece a instalação nas
proximidades dos centros de consumo e suprimento (Aneel, 2008).
Dentre as fontes de biomassa, a cana-de-açúcar é um recurso com grande
potencial para geração de eletricidade existente no país, por meio da utilização do
bagaço e da palha. A participação é importante não só para a diversificação da
matriz elétrica, mas também porque a safra coincide com o período de estiagem
na região Sudeste/Centro-Oeste, onde está concentrada a maior potência
instalada em hidrelétricas do país. A eletricidade fornecida neste período auxilia,
portanto, a preservação dos níveis dos reservatórios das UHEs (Tolmasquim,
2016).

014
Vários fatores contribuem para o cenário de expansão. Um deles é o
volume já produzido e o potencial de aumento da produção da cana-de-açúcar,
estimulada pelo consumo crescente de etanol. Em 2007, inclusive, foi a segunda
principal fonte primária de energia do país: os derivados da cana-de-açúcar
responderam pela produção de 37,8 milhões de toneladas equivalentes de
petróleo (tep), um aumento de 14,7% em relação a 2006, diante de uma produção
total de 33 milhões de tep. De acordo com estimativas da Unica (União da
Indústria de Cana-de-açúcar de São Paulo), em 2020 a eletricidade produzida
pelo setor pode representar 15% da matriz brasileira, com a produção de 14.400
MW médios (ou produção média de MWh ao longo de um ano), considerando-se
tanto o potencial energético da palha e do bagaço quanto a estimativa de
produção da cana, que deve dobrar em relação a 2008, e atingir 1 bilhão de
toneladas (Tolmasquim, 2016).
Segundo o Plano Nacional de Energia 2030 (Brasil, 2007), “o maior
potencial de produção de eletricidade encontra-se na região Sudeste,
particularmente no Estado de São Paulo, e é estimado em 609,4 milhões de giga
joules (GJ) por ano. Na sequência estão Paraná (65,4 milhões de GJ anuais) e
Minas Gerais (63,2 milhões de GJ anuais)”.
A evolução da regulamentação, da legislação e dos programas oficiais
também estimulam os empreendimentos. Em 2008, novas condições de acesso
ao Sistema Interligado Nacional (SIN) foram definidas pela Aneel, o que abre
espaço para, principalmente, a conexão das termelétricas localizadas em usinas
de açúcar e álcool mais distantes dos centros de consumo, como o Mato Grosso.
Além disso, um acordo fechado entre a Secretaria de Saneamento e
Energia de São Paulo, a transmissora Isa Cteep, a Unica e a Associação Paulista
de Cogeração de Energia, estabelece condições que facilitam o acesso à rede de
transmissão paulista e a obtenção do licenciamento ambiental estadual. A
iniciativa pode viabilizar a instalação de até 5 mil MW pelo setor sucro-alcooleiro.
Em novembro de 2008, dos 19 empreendimentos termelétricos em construção
relacionados no BIG da Aneel, cinco são movidos a biomassa e, destes, um a
bagaço de cana-de-açúcar. Mas, para as 163 unidades já outorgadas, com
construção ainda não iniciada, 55 serão movidas à biomassa, sendo quase
metade (30) à cana-de-açúcar. As demais serão abastecidas por madeira, carvão
vegetal, licor negro, casca de arroz e biogás.

015
FINALIZANDO

A constante evolução das restrições na construção de novas usinas para


atendimento à crescente demanda do SIN impõe novos desafios à sua operação.
O atendimento de objetivos conflitantes, como geração ao menor custo e geração
com menor risco de não atendimento, ficará cada vez mais difícil. Por um lado, o
pleno aproveitamento da energia a ser gerada pelas usinas hidráulicas da região
amazônica dependerá de um deplecionamento mais intenso dos reservatórios ao
longo do período seco, ao passo que a segurança de atendimento após o período
chuvoso dependerá de reservatórios mais cheios. Além disso, novas usinas
termelétricas movidas a gás natural e a biomassa surgem a todo o instante.

016
REFERÊNCIAS

BRASIL. Empresa de Pesquisa Energética. Plano Nacional de Energia 2030. Rio


de Janeiro: EPE, 2007. Disponível em:
<http://www.epe.gov.br/PNE/20080111_1.pdf>. Acesso em: 25 set. 2017.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas da Energia Elétrica do


Brasil. Brasília, DF: Aneel, 2008. Disponível em:
<http://www2.aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas3ed.pdf>. Acesso em: 25 set. 2017.

PINTO, M. de O. Energia elétrica: geração, transmissão e sistemas interligados.


Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: LTC, 2014.

REIS, L. B. dos. Geração de energia elétrica. 2. ed. rev. e atual. Barueri, SP:
Manole, 2011.

TOLMASQUIM, M. T. Energia termelétrica: gás natural, biomassa, carvão,


nuclear. Rio de Janeiro: EPE, 2016.

WORLD Energy Council. Survey of energy resources 2007. Londres, 2007.


Disponível em:
<http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.478.9340&rep=rep1&t
ype=pdf>. Acesso em: 25 set. 2017.

017
AULA 3

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE
GERAÇÃO

Prof. Guilherme Steilein


CONVERSA INICIAL

Seguindo a linha dos precursores dos atuais aerogeradores, os dispositivos


de vento mais simples datam de milhares de anos atrás, como os moinhos de
vento de eixo vertical encontrados nas fronteiras da Pérsia (Irã), por volta de 200
a.C. Algumas centenas de anos depois, acontece a era de ouro dos moinhos de
vento na Europa ocidental (entre 1200 e 1850), onde se estima que tenha havido
cerca de 50 mil deles, principalmente na Inglaterra, Alemanha e Holanda. Os
moinhos tiveram seu apogeu e evolução entre 1850 e 1930, quando
aproximadamente 6 milhões de pequenas máquinas com múltiplas pás foram
utilizadas para bombeamento de água nos EUA.
O uso do vento para a obtenção de energia elétrica é relativamente recente:
data do final século XIX, na Dinamarca, com a utilização de máquinas que
geravam eletricidade a partir do vento, denominados aerogeradores. Vale lembrar
que a eletricidade com fins comerciais, nos moldes similares aos que conhecemos
hoje, data também dos finais do século XIX. Um século depois, quando a
eletricidade já era fortemente provida por combustíveis fósseis, acontece a crise
do petróleo de 1973, levando o governo dos Estados Unidos (EUA) a apoiar a
pesquisa e o desenvolvimento da energia eólica.

CONTEXTUALIZANDO

A localização geográfica e o tamanho continental do Brasil são pontos de


apoio importante para o aproveitamento da fonte eólica. Isso tem permitido a
implantação de parques eólicos localizados em diferentes regiões com diferentes
regimes de ventos. Por outro lado, os principais desafios relacionados à energia
eólica estão ligados à sua natureza variável, que podem causar problemas de
estabilidade e garantia de abastecimento. Dada a natureza não controlável deste
recurso, a plena integração dessas fontes intermitentes, em particular o
atendimento à carga em todos os momentos, é uma questão não trivial. Contudo,
uma série de possibilidades surge para auxiliar sua inserção, como a ampliação
da transmissão, o armazenamento de energia, a gestão de carga, a mudança de
operação das atuais usinas, a flexibilização da carga, entre outras.

02
TEMA 1 – INTRODUÇÃO A ENERGIA EÓLICA

Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar


em movimento (vento). O aproveitamento desse recurso é obtido quando o vento
move as pás de um aerogerador, que são projetadas para capturar sua energia
cinética. A extração da energia disponível no vento por um moinho ou aerogerador
é baseada na teoria da quantidade de movimento axial. Tal extração possui um
limite teórico, conhecido como limite de Lanchester-Betz, que estabelece que o
potencial máximo de extração de energia de um rotor é estimado em 59%
(Tolmasquim, 2016).

Figura 1 – Pá de um aerogerador sendo transportada

Fonte: Shutterstock

A primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública foi


instalada em 1976, na Dinamarca. O uso do vento para fins elétricos se tornou
mais relevante nos anos 1990 por meio de significativos avanços tecnológicos,
aparecimento expressivo de fabricantes e um grande incentivo causado pelas
preocupações ambientais, com foco nas emissões de gases de efeito estufa e na
independência energética.
A geração eólica tende a ser separada em dois tipos, com base na
localização da instalação: onshore (em terra) ou offshore (marítima). A instalação
offshore é uma tendência em países com pequena extensão territorial e pouco
espaço disponível para as instalações em terra, ou com recursos eólicos
substancialmente melhores no mar. A instalação onshore costuma ser dividida em
duas subcategorias, a centralizada e a distribuída. A centralizada se caracteriza
03
por grandes aerogeradores (maiores que 100 kW) organizados em conjunto,
formando parques eólicos que são ligados aos sistemas elétricos (regionais ou
nacionais). Na outra subcategoria, a distribuída, os aerogeradores fornecem
energia diretamente para casas, fazendas, empresas e instalações industriais,
geralmente compensando a necessidade de adquirir uma parte da eletricidade da
rede. Podem operar em modo independente, no qual os pequenos aerogeradores
fornecem energia em locais que não estão conectados à rede, seja por opção
(geralmente econômica) ou necessidade (locais mais remotos que não são
atendidos pela rede de distribuição de energia elétrica) (Tolmasquim, 2016).

Figura 2 – Instalação offshore

Fonte: Shutterstock

TEMA 2 – TECNOLOGIAS DE APROVEITAMENTO

Os aerogeradores possuem três elementos principais: (i) o rotor, (ii) o eixo


e (iii) o gerador, e vários elementos secundários que variam de acordo com o tipo
e projeto do aerogerador. Sucintamente, o rotor é o conjunto das pás e do cubo
do aerogerador responsável por capturar a energia no vento; o eixo é o elo que
transfere a energia captada no rotor para o gerador, e o gerador é o responsável
pela conversão de energia mecânica em elétrica.
Existem dois tipos básicos de rotores, os de eixo vertical e os de eixo
horizontal, sendo a maioria das turbinas eólicas de eixo horizontal, com três pás
que rodam em torno de um eixo horizontal que deve permanecer alinhado com a
direção do vento (a favor ou contra o vento). No caso de rotores projetados para
ficar contra o vento (upwind), o vento atinge as pás antes da torre, evitando a
04
influência dela no vento, contudo há necessidade de algum mecanismo ativo que
direcione o rotor para a direção do vento (yaw control system). Nos rotores
projetados para ficar a favor do vento (downwind), o vento atinge a torre antes das
pás. Eles possuem um design tal que a nacele – a carcaça que contém os
componentes do aerogerador – siga o vento passivamente, sendo esta a sua
vantagem. O rotor com três pás é mais comum devido ao compromisso entre a
eficiência aerodinâmica, custo, velocidade de rotação, peso, estabilidade e ruído.

Figura 3 – Componentes básicos dos aerogeradores de eixo horizontal

Fonte: ANEEL, 2016.

Os rotores de eixo vertical têm seu eixo de rotação perpendicular à direção


do vento, operando com ventos de qualquer direção. Os rotores de eixo vertical
tendem a dois modelos principais, Savonius e Darrieus. No caso do primeiro, a
energia é gerada utilizando a transferência de quantidade de movimento (um
dispositivo de arrasto) e, no segundo, usando forças aerodinâmicas (força de
sustentação). O rotor Savonius é caracterizado pelo seu alto torque, baixa
velocidade e baixa eficiência, geralmente inferior à metade do limite de
05
Lanchester-Betz. O rotor Darrieus se caracteriza pela sua elevada velocidade e
alta eficiência, aproximando-se do limite de Betz. Os aerogeradores de eixo
vertical têm problemas inerentes que têm limitado a sua utilização em parques
eólicos terrestres, sendo a eficiência o maior problema do tipo Savonius, e a
preocupação sobre o custo da pá, no caso do Darrieus. A pá de aerogerador
Darrieus é aproximadamente duas vezes mais longa que a de um aerogerador de
eixo horizontal com uma área varrida equivalente. Assim, as pás para um
aerogerador de eixo vertical podem custar significativamente mais do que as pás
equivalentes de um de eixo horizontal. É importante ressaltar que as pás
representam em torno de 22% do custo de um aerogerador de eixo horizontal.
(Tolmasquim, 2016). A Figura 4 (a seguir) ilustra os três tipos mais comuns de
rotores de aerogeradores.

Figura 4 – Tipos de rotores de aerogeradores

Fonte: EPE (S.d.).

Com a descoberta do potencial eólico encontrado no recurso offshore


mundo afora, os aerogeradores de eixo vertical voltaram a ser examinados como
uma opção, e até uma vantagem competitiva, para esta situação. As
características principais que favorecem os aerogeradores de eixo vertical para
instalação offshore são de que todo o equipamento pesado associado com a
geração de energia, isto é, a transmissão e o gerador, são tipicamente montados
por baixo do rotor. Esta configuração permite que projetos localizados no mar
possam colocar esses componentes abaixo ou ao nível da água, proporcionando
uma maior estabilidade à plataforma (estrutura) que suporta o aerogerador e uma

06
redução dos seus custos de capital. Apenas o rotor e uma torre central precisam
estar acima da superfície da água. Outra característica, já mencionada, é que eles
operam com ventos de qualquer direção, sem a necessidade de um sistema de
alinhamento com a direção do vento. A ausência de um sistema de orientação
aumenta a confiabilidade da turbina e diminui os seus custos de capital e de
manutenção. A eliminação do sistema de controle de direção é particularmente
importante em turbinas excepcionalmente grandes (vários MW), tanto pela
redução de custo, quanto pela eliminação de um sistema que tenha que mover
uma estrutura (nacele e rotor) muito grande e pesada.
Outra possível oportunidade para os aerogeradores de eixo vertical é a
geração distribuída. Neste caso, suas vantagens principais são tolerar bem a
turbulência dos ventos e operar com ventos de qualquer direção. Estes fatos são
particularmente importantes para um recurso em baixa altura, entre 10 e 20 m,
onde há muita influência da rugosidade e dos obstáculos encontrados no seu
entorno.

TEMA 3 – TURBINAS EÓLICAS

O crescimento do mercado de geração eólica nos últimos 25 anos fez


emergir várias tecnologias de conversão de energia eólica visando à redução de
custos, o aumento da eficiência e a melhoria na confiabilidade. Essa evolução
focou basicamente nas pás, em mecanismos de controle, no uso ou ausência de
caixa de engrenagem (multiplicadora) e o tipo de gerador. Essa evolução ocorreu
tendo como base o aerogerador com eixo horizontal com três pás e rotor
posicionado contra o vento (upwind), melhor opção de captação de energia do
vento definida pelo mercado (ABDI, 2014).
O tipo de sistema de conversão elétrica de energia eólica mais antigo é o
gerador de indução (assíncrono) com rotor de gaiola conectado diretamente à
rede. Devido ao desenvolvimento da eletrônica de potência, os aerogeradores de
velocidade variável com caixa de engrenagem de múltiplo estágio, com gerador
de indução duplamente excitado e conversor de escala, propostos para expandir
a gama de funcionamento e eficiência do sistema. A partir de 1991, aerogeradores
sem caixa de engrenagem (acionamento direto) começaram a surgir na tentativa
de eliminar as falhas associadas à caixa de engrenagem e reduzir problemas de
manutenção. Posteriormente, o gerador síncrono de excitatriz com ímãs
permanentes foi adotado para substituir o seu equivalente eletricamente excitado.

07
De acordo com a velocidade de rotação e o tipo de trem de acionamento (drive
train), os aerogeradores tradicionais podem ser classificados nas seguintes
topologias (ABDI, 2014):
1. De velocidade fixa e caixa de engrenagem de múltiplo estágio – A
topologia com velocidade fixa, controle de estol, caixa de engrenagem de
múltiplo estágio e gerador de indução com rotor de gaiola (SCIG) com
conexão direta à rede por meio de um transformador foi muito utilizada nos
anos 1980 e 1990 pela simplicidade, confiabilidade e baixo custo.

Figura 5 – Forma esquemática de aerogerador de velocidade fixa, caixa de


engrenagem de múltiplo estágio e SCIG

Fonte: ABDI, 2014.

2. De velocidade variável limitada e caixa de engrenagem de múltiplo


estágio – Estes aerogeradores são compostos por uma caixa de
engrenagem de múltiplo estágio e um gerador de indução com rotor
ventilado (WRIG).

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Figura 6 – Esquema de aerogerador com velocidade variável limitada e caixa de
engrenagem de múltiplo estágio

Fonte: ABDI, 2014.

3. De velocidade variável e caixa de engrenagem de múltiplo estágio –


Esta topologia possui três configurações básicas de acordo com o gerador
utilizado e a eletrônica de potência associada (ABDI, 2014), sendo estas:

Figura 7 – Configuração com DFIG e conversor de energia em escala parcial

Fonte: ABDI, 2014.

Figura 8 – Configuração com SCIG com conversor de larga escala

Fonte: ABDI, 2014.

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Figura 9 – Configuração com gerador síncrono com conversor de larga escala

Fonte: ABDI, 2014.

4. De acionamento direto e velocidade variável – Aerogeradores com


acionamento direto (sem caixa de engrenagem) começaram a surgir a
partir de 1991 com o intuito de eliminar as falhas associadas à caixa de
engrenagem e reduzir problemas de manutenção (ABDI, 2014).

Figura 10 – Aerogeradores de acionamento direto com EESG

Fonte: ABDI, 2014.

5. De velocidade variável e caixa de engrenagem de único estágio – Os


aerogeradores de acionamento direto com PMSG têm se tornado mais
atrativos pela melhoria de desempenho e diminuição dos custos dos ímãs
(ABDI, 2014).

010
Figura 11 – Aerogeradores de acionamento direto com PMSG

Fonte: ABDI, 2014.

TEMA 4 – POTENCIAL EÓLICO BRASILEIRO

Embora ainda haja divergências entre especialistas e instituições na


estimativa do potencial eólico brasileiro, vários estudos indicam valores
extremamente consideráveis. Até poucos anos, as estimativas eram da ordem de
20.000 MW. Hoje a maioria dos estudos indica valores maiores que 60.000 MW.
Essas divergências decorrem principalmente da falta de informações (dados de
superfície) e das diferentes metodologias empregadas (ANEEL, 2008).
De qualquer forma, os diversos levantamentos e estudos realizados e em
andamento (locais, regionais e nacionais) têm dado suporte e motivado a
exploração comercial da energia eólica no país. Os primeiros estudos foram feitos
na região Nordeste, principalmente no Ceará e em Pernambuco. Com o apoio da
ANEEL e do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o Centro Brasileiro de
Energia Eólica (CBEE), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),
publicou em 1998 a primeira versão do Atlas Eólico da Região Nordeste. A
continuidade desse trabalho resultou no Panorama do Potencial Eólico no Brasil,
conforme Figura 12 (ANEEL, 2008).
Os recursos apresentados na legenda da Figura 12 referem-se à
velocidade média do vento e energia eólica média a uma altura de 50 metros
acima da superfície para cinco condições topográficas distintas (ANEEL, 2008):

• zona costeira – áreas de praia, normalmente com larga faixa de areia,


onde o vento incide predominantemente do sentido mar-terra;
• campo aberto – áreas planas de pastagens, plantações e/ou vegetação
baixa sem muitas árvores altas;

011
• mata – áreas de vegetação nativa com arbustos e árvores altas mas de
baixa densidade, tipo de terreno que causa mais obstruções ao fluxo de
vento;
• morro – áreas de relevo levemente ondulado, relativamente complexo,
com pouca vegetação ou pasto;
• montanha – áreas de relevo complexo, com altas montanhas.

Ainda na legenda, a classe 1 representa regiões de baixo potencial eólico,


de pouco ou nenhum interesse para o aproveitamento da energia eólica.
A classe 4 corresponde aos melhores locais para aproveitamento dos
ventos no Brasil. As classes 2 e 3 podem ou não ser favoráveis, dependendo das
condições topográficas.
A Tabela 1 mostra a classificação das velocidades de vento e regiões
topográficas utilizadas no mapa da Figura 12. Os valores correspondem à
velocidade média anual do vento a 50 m de altura em m/s (Vm) e à densidade
média de energia média em W/m² (Em). Os valores de (Em) foram obtidos para
as seguintes condições padrão: altitude igual ao nível do mar, temperatura de
20 ºC e fator de Weibull de 2,5. A mudança de altitude para 1.000 m acima do
nível do mar acarreta uma diminuição de 9% na densidade média de energia, e a
diminuição de temperatura para 15 ºC provoca um aumento de cerca de 2% na
densidade de energia média.
Outro estudo importante, em âmbito nacional, foi publicado pelo Centro de
Referência para Energia Solar e Eólica – CRESESB/CEPEL. Trata-se do Atlas do
Potencial Eólico Brasileiro, cujos resultados estão disponíveis em
<www.cresesb.cepel.br/atlas_eolico_brasil/atlas-web.htm>. Nesse estudo
estimou-se um potencial eólico brasileiro da ordem de 143 GW. Existem também
outros estudos específicos por unidades da Federação, desenvolvidos por
iniciativas locais.

Tabela 1 – Definição das classes de energia

Fonte: Feitosa, 2003.

012
Figura 12 – Mapa potencial eólico brasileiro

Fonte: Feitosa, 2003.

TEMA 5 – PAPEL DAS EÓLICAS NO SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL

A capacidade instalada no país está em constante evolução em função,


principalmente, do aumento do uso de energia elétrica no país, exigindo a
expansão das interligações para garantir a continuidade do atendimento à carga.
Exemplo desta evolução é o crescimento da potência instalada total e a grande
penetração de parques eólicos no período entre janeiro de 2014 e outubro de 2015
(Tabela 2), cujo crescimento nesse período foi de 177%.

013
Tabela 2 – Evolução da potência instalada no Brasil entre 2014 e 2015

Fonte: CCE, 2016

Essa crescente participação da geração eólica na matriz elétrica brasileira


demandou o desenvolvimento e aprimoramento da previsão de geração eólica,
em virtude da variabilidade e não despachabilidade intrínseca da fonte. A previsão
do recurso, com um maior grau de certeza devido à introdução de melhores
técnicas e modelos, é de fundamental importância para os processos de
programação e despacho do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), pois
permite minimizar os impactos no sistema da variação da fonte (ONS, 2015).
Outro ponto que preocupa o ONS é o dimensionamento da reserva operativa, a
qual permite o atendimento da demanda máxima e mitigações dos impactos das
variações de geração das usinas eólicas. A reserva operativa é utilizada para
controlar e prevenir erros de previsão de demanda e situações de
indisponibilidade não programada. No caso da eólica, acaba por prevenir também
os erros de previsão do recurso. Portanto, o binômio previsão-reserva passa a ser
cada vez mais importante para a operação com a crescente penetração das
eólicas.
O sucessivo aproveitamento da energia eólica, já com vista à instalação de
mais de 15 GW até 2019, somente pelo mercado regulado, e com quase 90%
deste total na região Nordeste, implica em contínuo redimensionamento da rede
básica dessa região. Isto ocorre dada a necessidade de escoar a energia dos
parques já licitados e de fornecer folga ao sistema elétrico de transmissão para
conexão de futuros empreendimentos, visto que a maior parte do potencial eólico
brasileiro se encontra na região Nordeste e ao fato de que os maiores centros de
carga estão presentes nas regiões Sul e Sudeste. Nesse sentido, já foram
efetuadas expansões na rede de transmissão, e se realizam contínuos estudos

014
de ampliação sob responsabilidade da EPE. A Figura 13 ilustra a expansão da
malha de transmissão, com cerca de 7.300 km de linhas em 500 kV, que possibilita
um incremento de 6.000 MW na capacidade da interligação NE-SE (EPE, 2014).

Figura 13 – Expansão da malha de transmissão para integração eólica e aumento


da interligação NE-SE

Fonte: EPE, 2014

Além de aumentar a capacidade das interligações e garantir a conexão de


novos parques e outros empreendimentos, como o solar, a expansão da malha
de transmissão possibilita um aumento de confiabilidade, criando novas rotas de
escoamento de energia.
Atualmente, no sistema hidrotérmico brasileiro, quando ocorrem períodos
de condições hidrológicas desfavoráveis, as usinas térmicas são despachadas,
permitindo menor deplecionamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas,
com o intuito de assegurar o atendimento futuro do sistema (ONS, 2014).
A entrada das usinas eólicas, embora com perfil de oferta variável,
apresenta papel importante na segurança operativa do Sistema Interligado
nacional (SIN), na medida em que sua geração ajuda no menor esvaziamento dos
reservatórios e na redução de usinas térmicas em utilização em períodos de
015
hidrologia desfavorável. Além disso, ainda atuam com alguma
complementariedade com a geração hidráulica nos períodos secos de cada ano
(ONS, 2014), em especial as usinas eólicas localizadas no Nordeste, visto que o
breve histórico indica uma tendência de maior capacidade de geração no período
considerado seco para o SIN (maio-novembro). Cabe destacar que a entrada das
eólicas faz parte dos estudos de planejamento da expansão do sistema,
elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), na qual é avaliada a
sinergia dessa fonte com as demais, para o melhor dimensionamento da
necessidade de contratação.

FINALIZANDO

Como vimos, a energia eólica já é uma realidade em nosso país, com


diversos parques eólicos de diversos fabricantes surgindo de norte a sul,
principalmente na costa brasileira nos estados do Nordeste e também no estado
do Rio Grande do Sul.
Ainda existem limitações e obstáculos (como a intermitência dos ventos),
que limitam o uso da energia eólica como energia firme, porém diversos avanços
na tecnologia prometem mitigar essas limitações no futuro.

016
REFERÊNCIAS

ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Mapeamento da cadeia


produtiva da indústria eólica no Brasil. Brasil, 2014.

BRASIL. ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas de energia


elétrica do Brasil. Brasília, 2008. Disponível em:
<http://www2.aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas3ed.pdf>. Acesso em: 27 out. 2017.

CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Resultado consolidado


dos leilões – 03/2015. Disponível em:
<http://www.ccee.org.br/ccee/documentos/ccee_347805>. Acesso em: 27 out.
2017.

EPE – EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Disponível em:


<http://www.epe.gov.br/paginas/default.aspx>. Acesso em: julho 2017.

_____. Caracterização do recurso eólico e resultados preliminares de sua


aplicação no sistema elétrico: recursos energéticos. Rio de Janeiro, ago. 2013.

_____. Expansão das interligações N–SE e NE–SE para atender a cenários


extremos de exportação das regiões N e NE – concepção inicial de
alternativas: estudos para a expansão da transmissão. Rio de Janeiro, out. 2014.

FEITOSA, E. A. N. et al. Panorama do potencial eólico no Brasil. Brasília, 2003.

ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico. O operador nacional do sistema


elétrico e os procedimentos de rede: visão geral: procedimentos de rede. Rio de
Janeiro, 8 maio 2009. Disponível em:
<http://extranet.ons.org.br/operacao/prdocme.nsf/be4c5a1e96b00ff083257635000
041e4/dfd86be228a97dc0832576310044f04f?opendocument>. Acesso em: 27 out.
2017.

_____. Requisitos técnicos mínimos para a conexão às instalações de


transmissão: procedimentos de rede. Rio de Janeiro, 16 set. 2010.

_____. Plano da operação energética 2014/2018: pen. Rio de Janeiro, 2014.

TOLMASQUIM, M. T. Energia termelétrica: gás natural, biomassa, carvão,


nuclear. Rio de Janeiro: EPE, 2016

017
AULA 4

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE
GERAÇÃO

Prof. Guilherme Steilein


CONVERSA INICIAL

Caro aluno, quase todas as fontes de energia conhecida (hidráulica,


biomassa, eólica, combustíveis fósseis e energia dos oceanos) são, na verdade,
formas indiretas de energia solar. No entanto, o uso do Sol como fonte primária
para a produção de eletricidade é relativamente recente, datando de meados do
século passado. Com essa finalidade, distinguem-se duas tecnologias de
geração, que serão abordadas ao longo desta aula: a fotovoltaica, que consiste
na conversão direta da luz em eletricidade; e a heliotérmica, que é uma forma de
geração termelétrica, na qual um fluido é aquecido a partir da energia solar para
produzir vapor.

CONTEXTUALIZANDO

A utilização da energia proveniente do Sol apresenta enorme potencial,


apesar de suas características intermitentes, como condição climática: dia limpo,
dia nebuloso, posição da terra (em Porto Alegre, a duração do dia varia entre 10
horas e 13 minutos no inverno a 13 horas e 47 minutos no verão). Além desses
fatores, a potência máxima gerada pelos painéis solares se dá próximo às 12h,
quando a demanda diminui. Em virtude dessas restrições, o Operador Nacional
do Sistema Elétrico (ONS) ainda considera essa fonte como complementar. Nesse
contexto, é importante conhecer as tecnologias existentes e suas limitações para
encaixar a produção da energia solar ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

TEMA 1 – ORIGEM DO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO

Além das condições atmosféricas (nebulosidade, umidade relativa do ar


etc.), a disponibilidade de radiação solar, também denominada energia total
incidente sobre a superfície terrestre, depende da latitude local e da posição no
tempo (hora do dia e dia do ano). Isso se deve à inclinação do eixo imaginário em
torno do qual a Terra gira diariamente (movimento de rotação) e à trajetória elíptica
que a Terra descreve ao redor do Sol (translação ou revolução), como ilustrado
na Figura 1.

02
Figura 1 – Representação do movimento da Terra em torno do Sol

Fonte: MAGNOLI, D.; SCALZARETTO, 1998.

Desse modo, a duração solar do dia – período de visibilidade do Sol ou de


claridade – varia, em algumas regiões e períodos do ano, de zero hora (Sol abaixo
da linha do horizonte durante o dia todo) a 24 horas (Sol sempre acima da linha
do horizonte). As variações são mais intensas nas regiões polares e nos períodos
de solstício. O inverso ocorre próximo à linha do Equador e durante os equinócios.
O Mapa 1 apresenta a média anual de insolação diária, segundo o Atlas
Solarimétrico do Brasil (2000).

Mapa 1 – Média anual de insolação diária no Brasil (horas).

Fonte: ATLAS.., 2000.


03
A maior parte do território brasileiro está localizada relativamente próxima
da linha do Equador, de forma que não se observam grandes variações na
duração solar do dia. Contudo, a maioria da população brasileira e das atividades
socioeconômicas do país se concentra em regiões mais distantes do Equador. Em
Porto Alegre, capital brasileira mais meridional (cerca de 30º S), a duração solar
do dia varia de 10 horas e 13 minutos a 13 horas e 47 minutos, aproximadamente,
entre 21 de junho e 22 de dezembro, respectivamente.
Desse modo, para maximizar o aproveitamento da radiação solar, pode-se
ajustar a posição do coletor ou painel solar de acordo com a latitude local e o
período do ano em que se requer mais energia. No Hemisfério Sul, por exemplo,
um sistema de captação solar fixo deve ser orientado para o Norte, com ângulo
de inclinação similar ao da latitude local. Como indicado anteriormente, a radiação
solar depende também das condições climáticas e atmosféricas. Somente parte
da radiação solar atinge a superfície terrestre, devido à reflexão e absorção dos
raios solares pela atmosfera. Mesmo assim, estima-se que a energia solar
incidente sobre a superfície terrestre seja da ordem de 10 mil vezes o consumo
energético mundial (CRESESB, 2000).
No Brasil, entre os esforços mais recentes e efetivos de avaliação da
disponibilidade de radiação solar, destacam-se os seguintes: a) Atlas
Solarimétrico do Brasil, iniciativa da UFPE, CHESF e CRESESB; b) Atlas de
Irradiação Solar no Brasil, elaborado pelo INMET e pelo LABSOLAR, da UFSC.
O Atlas Solarimétrico do Brasil (2000) apresenta uma estimativa da
radiação solar incidente no país, resultante da interpolação e extrapolação de
dados obtidos em estações solarimétricas distribuídas em vários pontos do
território nacional. Em virtude, porém, do número relativamente reduzido de
estações experimentais e das variações climáticas locais e regionais, o Atlas de
Irradiação Solar no Brasil faz estimativas da radiação solar com base em imagens
de satélites. Ambos os modelos apresentam falhas e limites e não devem ser
vistos como concorrentes. Ao contrário, devem ser complementares, na medida
em que reúnem o máximo possível de dados e podem, dessa forma, melhorar as
estimativas e avaliações da disponibilidade de radiação solar no Brasil
(CRESESB, 2000).
Os Mapas 2 e 3 apresentam o índice médio anual de radiação solar no país,
segundo o Atlas Solarimétrico do Brasil (2000) e o Atlas de Irradiação Solar no
Brasil (1998), respectivamente. Como pode ser visto, os maiores índices de

04
radiação são observados na região Nordeste, com destaque para o Vale do São
Francisco.
É importante ressaltar que mesmo as regiões com menores índices de
radiação apresentam grande potencial de aproveitamento energético. Como se
poderá observar nos próximos itens, existe uma infinidade de pequenos
aproveitamentos da energia solar no Brasil, mas isso ainda é pouco significativo,
diante do grande potencial existente.

Mapa 2 – Radiação solar global diária – média anual típica (MJ/m².dia)

Fonte: Adaptado de ATLAS..., 2000.

05
Mapa 3 – Radiação solar global diária – média anual típica (Wh/m².dia)

Fonte: ATLAS de Irradiação Solar no Brasil. 1998 (adaptado).

TEMA 2 – PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

2.1 Fotovoltaica

A energia solar fotovoltaica é a energia obtida por meio da conversão direta


da luz em eletricidade e tem como base o efeito fotovoltaico. O efeito fotovoltaico,
relatado por Edmond Becquerel em 1839, é o aparecimento de uma diferença de
potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, produzida
pela absorção da luz. Semicondutores são caracterizados pela presença de
bandas de energia nas quais é permitida a presença de elétrons (bandas de
valência e bandas de condução) e de outra totalmente vazia (banda proibida ou
gap). À temperatura de 0 K, a banda de valência em semicondutores é totalmente
preenchida, enquanto a banda de condução se encontra vazia. Já à temperatura
ambiente, há energia necessária para que alguns elétrons atravessem o gap e
passem para a banda de condução. Entretanto, essa quantidade de elétrons é
pequena, sendo necessário realizar o processo conhecido como dopagem para
utilização do semicondutor na produção de energia elétrica.

06
O semicondutor mais usado é o silício, abundante na crosta terrestre. Seus
átomos se caracterizam por apresentarem quatro elétrons que se ligam aos
vizinhos, formando uma rede cristalina. Ao se adicionar átomos com cinco elétrons
de ligação, como o fósforo, por exemplo, haverá um elétron em excesso, que não
poderá ser emparelhado e ficará "sobrando", fracamente ligado a seu átomo de
origem. Isto permite que, com pouca energia, estse elétron seja liberado, indo para
a banda de condução. Diz-se, assim, que o fósforo é um “dopante” doador de
elétrons e denomina-se dopante n.
Se, no entanto, são introduzidos átomos com apenas três elétrons de
ligação, como é o caso do boro, “faltará” um elétron para satisfazer as ligações
com os átomos de silício da rede. Essa falta é denominada buraco ou lacuna. Da
mesma forma, é demandada pouca energia para que um elétron de um sítio
vizinho possa ocupar essa posição, fazendo com que o “buraco” se desloque. Diz-
se, assim, que o boro é um “aceitador de elétrons” ou um dopante p.
Se, partindo de um silício puro, forem introduzidos átomos de boro em uma
metade e de fósforo na outra, será formado o que se chama junção pn. O que
ocorre nessa junção é que elétrons livres do lado n passam ao lado p onde se
encontram os buracos a serem ocupados; isto faz com que haja um acúmulo de
elétrons próximo à interface, no lado p, tornando essa região negativamente
carregada, e uma redução de elétrons na região da interface do lado n, o que o
torna essa parcela eletricamente positiva. Essas cargas aprisionadas dão origem
a um campo elétrico permanente que dificulta a passagem de mais elétrons do
lado n para o lado p. Esse processo alcança um equilíbrio quando o campo
elétrico forma uma barreira capaz de barrar a movimentação dos elétrons livres
remanescentes no lado n.

Figura 2 – Estrutura de um painel solar 3D

07
Se uma junção pn for exposta a fótons com energia maior que o gap,
ocorrerá a geração de pares elétron-lacuna; se isso acontecer na região onde o
campo elétrico é diferente de zero, as cargas serão aceleradas, gerando, assim,
uma corrente através da junção. Esse deslocamento de cargas dá origem a uma
diferença de potencial a qual é chamada de efeito fotovoltaico. Se as duas
extremidades do pedaço de silício forem conectadas por um condutor, haverá
circulação de elétrons. Essa é a base do funcionamento das células fotovoltaicas.

2.2 Heliotérmica

Ao contrário da geração fotovoltaica, na heliotérmica a energia solar é


convertida primeiramente em energia térmica, para depois ser convertida em
eletricidade. O primeiro passo, portanto, consiste na utilização de espelhos para
concentrar a irradiação direta solar (HDIR) em um ponto focal, onde está um
receptor pelo qual passa um fluido absorvedor (óleos sintéticos, sal fundido ou
vapor d’água). Posteriormente, os fluidos aquecidos são expandidos diretamente
através da turbina (no caso do fluido de transferência de calor ser igual ao fluido
de trabalho da turbina), ou aquecem outro fluido que será expandido (MIT, 2015).
Nesse ponto, o processo já é bastante similar ao de uma termelétrica convencional
que utiliza um conjunto turbina-gerador.
A existência de uma etapa térmica no processo de geração confere duas
possibilidades às plantas heliotérmicas: 1) a incorporação de uma unidade de
armazenamento térmico (sal fundido, por exemplo), alternativa já comercialmente
disponível há anos, ao contrário do armazenamento elétrico; 2) a hibridização com
uma fonte auxiliar de calor, como biomassa, por exemplo. Essas possibilidades
permitem estender o funcionamento da planta a períodos noturnos, e/ou
complementar a geração em momentos de baixa irradiação solar, conferindo
assim maior despachabilidade à energia solar heliotérmica.
Como as temperaturas atingidas atualmente através das plantas
heliotérmicas são menores que as praticadas em plantas modernas a carvão ou
a gás natural, a eficiência calor-eletricidade de uma heliotérmica é menor que das
plantas termelétricas convencionais. Como exemplo, numa heliotérmica típica,
42% da energia solar incidente é transferida como calor ao fluido. Posteriormente,
no ciclo Rankine, 40% da energia térmica é transformada em eletricidade, fazendo
com que ultimamente somente cerca de 16% da energia solar incidente seja
transformada efetivamente em eletricidade (MIT, 2015).

08
Figura 3 – Gerador termelétrico solar

Fonte: Green-Planet-Solar-Energy.com.

TEMA 3 – TECNOLOGIA ATUAL

O elemento principal para a geração fotovoltaica é a célula fotovoltaica.


Contudo, o aproveitamento em escala comercial desse tipo de energia se faz com
o auxílio de outros componentes. Primeiramente, as células são agrupadas e
revestidas para formar os módulos fotovoltaicos (Figura 4).

Figura 4 – Camadas de um módulo fotovoltaico típico

Fonte: Adaptado de http://www.riteksolar.com.tw/eng/p2-solar_modules.asp.

Cada uma das camadas ilustradas é descrita a seguir:

 Moldura: parte externa estruturante do módulo, geralmente de alumínio.


É por meio dela que é feita a fixação do módulo.
 Selante: composto adesivo usado para unir as camadas internas do
módulo com a moldura. Deve impedir a entrada de gases e umidade,
além de proteger o interior de vibrações e choques mecânicos.

09
 Vidro: camada rígida externa que protege as células e condutores do
ambiente, ao mesmo tempo em que permite a entrada de luz para ser
convertida em eletricidade. É um vidro especial, com baixo teor de ferro,
com uma camada antirreflexiva, e com superfície texturizada, as quais
evitam a reflexão da luz que atinge o vidro.
 Encapsulante: filme que envolve as células, protegendo-as da umidade
e dos materiais externos, além de otimizar a condução elétrica. O
encapsulante mais utilizado é o EVA (etil vinil acetato).
 Células fotovoltaicas: componente eletrônico responsável pela
conversão direta da energia eletromagnética em energia elétrica. Os
diferentes tipos de células serão detalhados na sequência.
 Backsheet: parte inferior do módulo que previne a entrada de umidade e
protege as células de elementos externos. Além disso, oferece
isolamento elétrico adicional.

Os módulos então são associados em série e paralelo para formar os


arranjos de geração com a tensão e a corrente desejadas. A geração é feita em
corrente contínua (CC), portanto, geralmente é necessário o uso de um inversor
para transformá-la em corrente alternada (CA), podendo assim ser utilizada
normalmente em aplicações convencionais conectadas à rede. A Figura 5 ilustra
essas informações.

Figura 5 – Principais componentes do sistema fotovoltaico

Fonte: Energia Renovável (Tolmasquim, 2016).

010
Os inversores são equipamentos de alta eficiência (até 98%) utilizados para
converter a corrente contínua (CC) em alternada (CA) (Pinho; Galdino, 2014).
Podem ser classificados basicamente em três tipos: inversores centrais, string e
microinversores.
Os inversores centrais são inversores de grande porte, com potência da
ordem de centenas de kW até MW, utilizados majoritariamente em usinas
fotovoltaicas. Nele são conectados vários arranjos de módulos fotovoltaicos.
Os inversores string (monofásicos ou trifásicos) são os mais utilizados em
instalações residenciais e comerciais, congregando um grupo de módulos em
cada inversor de pequeno porte.
Os microinversores são inversores individuais, projetados para serem
acoplados a cada módulo fotovoltaico de uma instalação. Ao trabalhar com esses
dispositivos, a produção de cada módulo é maximizada. Adicionalmente, os
efeitos de sombreamento ou defeitos nos módulos são isolados utilizando os
microinversores, sem prejudicar a produção de todo o arranjo, como ocorreria se
fosse utilizado um inversor convencional. Como os microinversores não são
submetidos a potências e temperaturas de operação tão elevadas como em
inversores centrais, costumam também ter garantias mais longas (20-25 anos).
Ultimamente, o uso de microinversores simplifica o design da planta e reduz o uso
de cabos. Como desvantagem, destaca-se o maior investimento inicial (em
US$/W), as maiores despesas com O&M, e a menor eficiência desses
equipamentos, em relação a inversores maiores. Uma alternativa disponível no
mercado são módulos com microinversores integrados. Dessa maneira, os
terminais dos módulos já fornecem tensão em C.A.

TEMA 4 – CUSTOS DE GERAÇÃO

Historicamente, o custo dos sistemas fotovoltaicos caiu mais de 100 vezes


desde 1950, mais do que qualquer outra tecnologia neste período (Nemet, 2006),
sendo que entre 1980 e 2013 a curva de aprendizagem dos módulos fotovoltaicos
foi de 21,5% (Fraunhofer ISE, 2015). Os módulos fotovoltaicos representaram por
anos a parcela mais significativa nos custos totais dos sistemas fotovoltaicos
(67%, na média, em 2008, por exemplo (GTM Research, 2012)). No entanto, a
produção desse componente barateou bastante nos últimos anos, de forma que a
parcela dos módulos no custo total dos sistemas esteja atualmente abaixo de
50%. Nos EUA, por exemplo, esse percentual varia entre 20 e 35%, dependendo

011
do tipo e escala do sistema FV (Feldman et al., 2015). Dadas as limitações para
reduções adicionais nos custos dos módulos, estima-se que as próximas quedas
ocorram principalmente nos custos de instalação e outros componentes (Barbose
et al., 2013).

4.1 Geração distribuída

Os custos de investimento de sistemas fotovoltaicos apresentam ampla


faixa de variação e dependem de diversos fatores, por exemplo, localização,
configuração, tipos e tamanho do sistema. No caso da geração distribuída, o custo
de um sistema de até 5 kWp instalado no Brasil em 2014 esteve próximo a US$
2,64/Wp24 (IDEAL, 2015), conforme aponta a Figura 6.

Figura 6 – Preço dos sistemas fotovoltaicos no Brasil/2014 por faixa de potência

Fonte: Adaptado de IDEAL, 2015.

Adicionalmente, entre os sistemas de geração distribuída instalados em


2014 no Brasil, foi verificada a distribuição de custos ilustrada na Figura 7.

012
Figura 7 – Composição do custo total

Fonte: IDEAL, 2015.

A Figura 8 mostra que esse investimento é financeiramente atrativo em


pouco mais da metade do país, desconsiderando a aplicação de bandeiras
tarifária (na área de 33 das 61 distribuidoras analisadas, o que representa 54%
dos consumidores residenciais). Na vigência de bandeira tarifária vermelha, a
viabilidade aumenta, atingindo 47 distribuidoras (88% dos consumidores
residenciais). Esses resultados também podem ser estendidos ao setor comercial
atendido em baixa tensão, em função da semelhança entre as duas tarifas (B1 e
B3).

Figura 8 – Tarifa de eletricidade versus custo da geração distribuída fotovoltaica

Fonte: Adaptado de IDEAL, 2015.

013
4.2 Geração centralizada

Uma planta geradora fotovoltaica é muito simples, sendo basicamente uma


ampliação de um sistema de pequeno porte. Esta simplicidade se reflete em pouco
tempo necessário para construir uma central fotovoltaica, em geral, levando
menos que um ano. Ainda, a relativa simplicidade dos sistemas, sem partes
móveis e girantes ou utilização de fluidos de trabalho, confere robustez às
instalações, de forma que seja necessária pouca manutenção, ou quando
necessária (limpeza dos módulos, por exemplo) podendo ser realizada à noite,
sem interferir na operação. Dessa forma, estima-se que as despesas anuais com
O&M sejam da ordem de 1% do valor do investimento da planta (Montenegro,
2013).
A vida útil dos módulos fotovoltaicos costuma ser de 25 anos, e os
fabricantes que atendem aos padrões internacionais de qualidade garantem 80%
da potência nominal do módulo ao final deste período (Montenegro, 2013). Essa
queda na produção é devida à degradação natural das células fotovoltaicas,
podendo ser considerada uma redução média de 0,5% a.a. na produção
fotovoltaica (Benedito, 2009). Os inversores, por sua vez, costumam ter garantias
de 5 a 10 anos, podendo a vida útil se estender um pouco sobre este período
(Pinho; Galdino, 2014).
Internacionalmente, os custos levantados em 2014 para plantas
fotovoltaicas indicam uma média ponderada de US$ 2.250/kW nos EUA, enquanto
na Europa esteve em torno de US$ 1.950/kW, sendo os menores valores
observados em instalações na China (média de US$ 1.650/kW). No Brasil, até
2015, apenas algumas plantas-piloto haviam sido instaladas, de forma que os
custos reais de instalação dessa fonte no país ainda não estejam consolidados.
Como estimativa, é possível utilizar os dados dos empreendimentos vencedores
dos leilões realizados. No 6° Leilão de Energia de Reserva, realizado em 2014, o
custo de investimento médio entre os projetos vencedores foi igual a US$
1.915/kW, ou US$ 1.610/kWp. Os valores mínimos e máximos estiveram na faixa
de US$ 1.400/kWp e US$ 2.100/kWp, respectivamente.
Com base nas informações apresentadas, foram definidos parâmetros para
cálculo do custo nivelado (LCOE) da geração fotovoltaica centralizada no Brasil.
Seguindo a tendência observada nos leilões realizados em 2014 e 2015, foi
considerada uma planta de geração com seguimento de um eixo. Segundo os

014
parâmetros, o custo da geração fotovoltaica centralizada foi estimado entre US$
71/MWh e US$ 103/MWh.

TEMA 5 – INTEGRAÇÃO COM O SIN

Estudos internacionais (Bird; Milligan; Lew, 2013) apontam algumas


soluções para lidar com a variabilidade das fontes renováveis não despacháveis
e assegurar a estabilidade do sistema e garantir a segurança de suprimento
energético. Entre as principais, destacam-se:

 Previsão de geração: previsões meteorológicas podem ser utilizadas para


prever a geração de usinas fotovoltaicas e eólicas, reduzindo a incerteza
quanto à geração. Essas informações auxiliam o operador na determinação
de entrada e saída de operação de outros geradores, alocando recursos de
forma mais eficiente e reduzindo custos. Embora esse recurso seja valioso,
diz respeito apenas para plantas de grande escala, que fornecem dados de
geração em tempo real para o operador. Unidades de geração distribuída
não realizam este controle, o que dificulta ao operador do sistema saber se,
por exemplo, um aumento na carga líquida é pelo aumento da demanda ou
um decréscimo da geração distribuída naquele momento.
 Infraestrutura de transmissão: à medida que se aumenta a distribuição
geográfica dos parques eólicos e fotovoltaicos, diminui-se a variação da
geração do conjunto. Parques solares espalhados, por exemplo, não são
afetados por nuvens ao mesmo tempo (Figura 9). Um sistema de
transmissão interconectado permite que haja um balanceamento entre
esses parques, entre diferentes fontes, e em diferentes locais, aumentando
a confiabilidade do sistema.

015
Figura 9 – Potência de saída normalizada para diferentes níveis de agregação de
usinas fotovoltaicas no sul da Califórnia num dia parcialmente nublado

Fonte: LEW et al., 2013.

 Resposta da demanda: oferecer estímulos ao consumidor para que ele


ajuste seu padrão de consumo, como uma alternativa para lidar com a
variação da geração eólica e fotovoltaica. Além de auxiliar na redução do
pico de consumo, o consumidor pode fornecer serviços ancilares ao
sistema elétrico, como reserva girante e regulação de frequência
(MANAGAN, 2014). As redes inteligentes têm papel importante para
realização desse potencial.
 Armazenamento: dispositivos de armazenamento energético também
podem ser úteis para balancear as flutuações das fontes renováveis
intermitentes. O conceito é armazenar a energia excedente em períodos de
abundância de geração para utilizá-la posteriormente, em períodos de
ponta ou em intervalos de baixa geração. As usinas reversíveis (UHR)
representam a tecnologia de armazenamento de grande escala mais
difundida mundialmente, presente em estágio comercial em diversos
países. As baterias, impulsionadas pelo desenvolvimento do veículo
elétrico, tiveram grande avanço tecnológico nos últimos anos e ainda têm
potencial para redução de custos, ao contrário das UHR. Com a vantagem
de existirem em várias escalas, estas podem vir – a depender da redução
de custos – a ser utilizadas como fonte de armazenamento para o sistema
elétrico tanto no nível da oferta como ferramenta de resposta da demanda
(IEA, 2014).
 Geração flexível: para acomodar a variação da geração fotovoltaica e
eólica, são necessários geradores flexíveis, capazes de responder às
necessidades do sistema rapidamente. São plantas com alto ramp rate,

016
ampla faixa de operação, rápido acionamento e desligamento, e baixo
custo de ciclagem. Em geral, turbinas a gás em ciclo simples, usinas
hidrelétricas e motores de combustão interna estão entre os geradores
mais flexíveis, enquanto plantas a carvão e usinas nucleares são as menos
flexíveis.

Cabe destacar que lidar com os problemas advindos da inserção de fontes


não despacháveis deve ser pensado como um conjunto das soluções elencadas,
não apenas através da escolha de uma opção. Isso porque nenhuma alternativa
é capaz de resolver todos os aspectos da intermitência. Adicionalmente, para que
grande parte dessas alternativas se viabilizem, é necessário que o mercado de
energia elétrica no Brasil se adapte, de forma a remunerar adequadamente esses
serviços.

FINALIZANDO

Em termos estruturais, atualmente, o Brasil, em virtude de sua vasta malha


de transmissão e do predominante parque de geração hidrelétrica, tem margem
para a acomodação de novas fontes intermitentes (IEA, 2014). No entanto,
enquanto a demanda máxima continuar crescendo, será necessária uma
capacidade instalada de back-up para cobrir a potência fotovoltaica e eólica nos
momentos em que o sol não estiver brilhando ou o vento não estiver soprando.
De fato, a EPE, em sua nota técnica intitulada Análise da Inserção da Geração
Solar na Matriz Elétrica Brasileira, de maio de 2012, destacava que “em razão da
característica de seu ciclo diário, limitado ao período diurno, a geração fotovoltaica
não substitui investimentos na ampliação da capacidade instalada do sistema
elétrico, mas pode ser vista como uma fonte “economizadora” de combustíveis de
maior valor econômico”.

017
REFERÊNCIAS

ATLAS Solarimétrico do Brasil. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2000.

BARBOSE, G. et al. Tracking the sun VI: an historical summary of the installed
price of photovoltaics in the United States from 1998 to 2012, jul. 2013.

BENEDITO, R. da S. Caracterização da geração distribuída de eletricidade


por meio de sistemas fotovoltaicos conectados à rede, no Brasil, sob os
aspectos técnico, econômico e regulatório. Dissertação (Mestrado) – São
Paulo, SP: Programa de Pós-graduação em Energia, USP, 2009.

BIRD, L.; MILLIGAN, M.; LEW, D. Integrating Variable Renewable Energy:


Challenges and Solutions, set. 2013.

FELDMAN, D. et al. Photovoltaic System Pricing Trends - Historical, Recent,


and Near-Term Projections – 2015. Disponível em:
<https://emp.lbl.gov/sites/all/files/pv_system_pricing_trends_presentation_0.pdf>.
Acesso em: 2 out. 2017.

FRAUNHOFER ISE. Current and future cost of photovoltaics: long-term


scenarios for market development, system prices and LCOE of utility-scale pv
systems. Study on behalf of Agora Energiewende, 2015.

GTM RESEARCH. Solar Balance-of-System Costs Account for 68% of PV


System Pricing: New GTM Report, 15 nov. 2012. Disponível em:
<http://www.greentechmedia.com/articles/read/Solar-Balance-of-System-
Accounts-for-68-of-PV-System-Pricing-New-GTM-Repo>. Acesso em: 2 out.
2017.

IDEAL. O mercado brasileiro de geração distribuída fotovoltaica. Instituto Ideal,


31 ago. 2015. Disponível em:

<http://issuu.com/idealeco_logicas/docs/2015_ideal_mercadogdfv_150901_final>.
Acesso em: 2 out. 2017.

IEA. World Energy Outlook 2014, 2014.

MANAGAN, K. Demand response: a market overview. [s.l.] Institute for Building


Efficiency, 2014.

MONTENEGRO, A. de A. Avaliação do retorno do investimento em sistemas


fotovoltaicos integrados a residências unifamiliares urbanas no Brasil. Dissertação

018
(Mestrado) – Florianópolis, SC: Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Civil, UFSC, 2013.

MIT. The future of solar energy – and interdisciplinary mit study, 2015. Disponível
em: <https://mitei.mit.edu/futureofsolar>. Acesso em: 1 out. 2017.

NEMET, G. F. Beyond the learning curve: factors influencing cost reductions in


photovoltaics. Energy Policy, v. 34, n. 17, p. 3218-3232, nov. 2006.

PINHO, J. T.; GALDINO, M. A. Manual de engenharia para sistemas


fotovoltaicos, 2014.

019
AULA 5

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE
GERAÇÃO

Prof. Guilherme Steilein


CONVERSA INICIAL

Caro aluno, agora que já vimos os principais tipos de geração de energia,


com ênfase nas tecnologias renováveis, nesta aula vamos estudar os aspectos
físicos necessários para integração dos diversos sistemas de geração espalhados
pelo Brasil. Para manter todas as fontes de geração interligadas, dois subsistemas
são essenciais: as linhas de transmissão e as subestações.
As linhas de transmissão são responsáveis por transferir grandes blocos
de energia de norte a sul, de leste a oeste, interligando todo o sistema. As
subestações são responsáveis por controlar o fluxo de potência, alterar o nível de
tensão e proteger o sistema por meio da manobra de seus equipamentos.

CONTEXTUALIZANDO

Toda a eletricidade produzida pelas mais diversas fontes (hidráulica,


térmica, eólica, solar) necessita de um sistema comum de transmissão para que
a energia gerada seja utilizada pelos consumidores. Assim como os aspectos
físicos das localidades afetam o tipo de geração, eles também afetam o tipo das
subestações e comprimento das linhas de transmissão.
Por causa dos diversos fenômenos físicos, é inviável transportar um grande
bloco de energia em baixa tensão, exigindo transformação de tensão nas
subestações, tanto para elevar “pré-transporte” quanto para rebaixar “pré-
consumidor”. Ocorre que, elevar o nível de tensão e a potência enviada, envolvem
sistemas cada vez mais robustos e confiáveis.

TEMA 1 – INTRODUÇÃO A SUBESTAÇÕES

O Comitê Internacional de Eletrotécnica (IEC – International


Electrotechnical Commission) define a subestação como “sendo a parte do
sistema de potência, concentrada em um determinado ponto, incluindo os
terminais de linha de transmissão, distribuição, os módulos de manobra,
encapsulamentos, podendo inclusive incluir os transformadores”. Pode-se definir,
então, a subestação como sendo um conjunto de equipamentos usados para
controlar, modificar, comandar, distribuir e direcionar o fluxo de energia elétrica de
um sistema elétrico.
Existem diferentes formas de classificar uma subestação (SE). A primeira
delas é em relação à função que ela desempenha, podendo ser uma SE de

02
manobra, de transformação, de seccionamento, de distribuição de conversão ou
de conversão de frequência. Uma mesma SE pode apresentar uma ou mais das
funções listadas (IEC, 1983).
Outra forma de classificá-las é quanto ao sistema do qual a subestação faz
parte – transmissão, distribuição ou de consumidor. Quanto ao nível de tensão,
classificamos em baixa (até 1 kV), média (entre 1 kV e 66 kV), alta (entre 69 kV e
230 kV), extra-alta (entre 231 kV e 800 kV) ou ultra-alta-tensão (acima de 800 kV).
Essa classificação é realizada pelo maior nível de tensão encontrado na
SE. As subestações podem estar ao ar livre ou abrigadas (classificação quanto à
instalação). Por fim, são classificadas quanto ao tipo de isolamento (Godoy, 2010):

• Subestações isoladas a ar (AIS – Air Insulated Substation): são


subestações em que o meio isolante que separa as partes energizadas
entre si e da terra é o ar. São as subestações de menor custo, porém, o
terreno utilizado é maior.
• Subestações isoladas a gás (GIS – Gas Insulated Substation): são
subestações que apresentam um dielétrico gasoso como meio isolante, o
hexafluoreto de enxofre (SF6). São denominadas de subestações
blindadas, pois os barramentos e equipamentos apresentam envoltório de
alumínio e um gás preenchendo os espaços entre a tubulação e os
componentes energizados. São indicadas para instalações em regiões com
elevados custos de terreno ou onde a questão do espaço é determinante,
por suas características particulares de encapsulamento e reduzidas
dimensões. São também indicadas onde às condições ambientais são
severas (salinidade, poluição, alto índice de interferência eletromagnética,
etc.). No entanto, têm um elevado custo.
• Subestações com isolamento híbrido (HIS – (Hybrid Insulated Substation):
são subestações que têm o ar e o gás como meio isolante em pontos
específicos, a fim de reduzir a área ocupada. Apresentam menor custo do
que as blindadas.

No projeto de uma subestação, é necessário definir o tipo de isolação que


será usada, pois essa escolha está relacionada ao espaço físico necessário e ao
custo da construção. Outro fator importante para o projeto é o arranjo físico da
subestação, o seu layout, ou seja, as formas de se conectarem linhas,
transformadores e cargas de uma subestação. Antes de mostrar os tipos de

03
arranjo físico e suas considerações, é necessário apresentar os esquemas de
manobra mais utilizados.

1.1 Esquemas de manobra

O esquema de manobra de uma subestação apresenta o arranjo elétrico e


físico dos equipamentos de manobra e do barramento. Segundo Godoy,
denomina-se arranjo “a configuração dos equipamentos eletromecânicos que
constituem um pátio pertencente a um mesmo nível de tensão, de tal forma que
sua operação permita dar à subestação diferentes graus de confiabilidade,
segurança ou flexibilidade de manobra, transformação e distribuição de energia”.
Os esquemas de manobras mais utilizados em Alta-Tensão (AT) e Extra-Alta-
Tensão (EAT) são barra principal e transferência, barra dupla a quatro chaves e
disjuntor e meio.

1.1.1 Barra principal e transferência

Nesse esquema, representado na Figura 1, utilizam-se duas barras e um


disjuntor reserva. As linhas são normalmente ligadas à barra de operação
(principal) e, em caso de manutenção no disjuntor, à barra de transferência. A
efetividade do arranjo requer a instalação de um disjuntor a mais, o disjuntor de
transferência, que é utilizado como reserva para qualquer disjuntor que esteja fora
de operação. Com essa configuração, não teremos a interrupção de energia em
nenhum circuito em caso de manutenção no disjuntor (Cigre, 1992).

Figura 1 – Esquema de manobra barra principal e transferência

Fonte: Frontin (2013)

04
1.1.2 Barra Dupla a Quatro Chaves

O arranjo de barra dupla é uma evolução do arranjo barra principal e


transferência, em que os circuitos são divididos entre as duas barras. Tem maior
flexibilidade e mais segurança quanto às falhas nas barras que o arranjo anterior,
pois, como a carga está dividida, mesmo que ocorra uma falha em uma das
barras, parte da subestação continuará operando (Cigre, 1992).

Figura 2 – Esquema de manobra barra principal e transferência

Fonte: Frontin (2013)

1.1.3 Disjuntor e meio

Neste arranjo, Figura 3, para cada entrada e saída temos um disjuntor e


meio. Esse arranjo é mais utilizado no Brasil, nos sistemas de 500 e 765KV, por
apresentar alta confiabilidade (Cigre, 1992).

Figura 3 – Esquema de manobra barra principal e transferência

05
Fonte: Frontin (2013)

Na falta de informações, deve ser considerado o Submódulo 2.3 dos


Procedimentos de Rede do ONS, que normatiza o seguinte no seu Subitem 6.1.1:

Os arranjos de barramentos para subestações com isolamento a ar da


rede básica são estabelecidos nos grupos abaixo, diferenciados por
classe de tensão:
• Barramentos de 230kV: barra dupla com disjuntor simples a quatro
chaves.
• Barramentos de tensão igual ou superior a 345kV: barra dupla com
disjuntor e meio.

TEMA 2 – SUBESTAÇÕES

Agora que já vimos o básico, para entender mais a fundo o princípio de


funcionamento de uma subestação, vamos analisar o projeto de ampliação da
Subestação Paranaíta. A ampliação consiste na ampliação do setor de 500 kV e
a construção do setor 138 kV.
Para facilitar a compreensão, vamos analisar e comparar três projetos
principais de uma subestação de transmissão:

• Diagrama unifilar – é considerado o documento mais importante do projeto,


pois é ele quem determina a topologia da subestação, o arranjo e a
quantidade dos equipamentos, as proteções disponíveis nos relés de
proteção, etc.
• Arranjo eletromecânico (planta) – demonstra a disposição física de todos
os equipamentos e estruturas necessários para o funcionamento da SE, de
acordo com o diagrama unifilar.
• Arranjo eletromecânico (corte) – demonstra um corte específico da planta,
importante para demonstrar as distâncias de segurança, e os materiais
utilizados no projeto, tais como tipo e quantidade de cabos, conectores, etc.

A Figura 4 apresenta o diagrama unifilar de proteção e controle do setor


500 kV. Devido ao nível de tensão (500 kV), foi escolhido o arranjo “disjuntor e
meio”, porém, é possível observar que existem apenas dois disjuntores, pois
nesse arranjo há somente um circuito de transformador.

Figura 4 – Diagrama unifilar do setor 500 kV

06
A Figura 5 apresenta o diagrama unifilar de proteção e controle do setor
138 kV. Para esse setor, foi escolhido o arranjo “barra dupla a quatro chaves”.
Nesse exemplo, existem três circuitos, o de conexão do transformador 500/138
kV, o circuito da linha de transmissão e o circuito do disjuntor interligador de
barras.

Figura 5 – Diagrama unifilar do setor 138 kV

As figuras 6 e 7 a seguir apresentam o arranjo eletromecânico (planta e


corte) do setor 500 kV. É interessante observar as distâncias entre fases, 8,5 m,
e os tipos de estruturas utilizadas (metálicas), em virtude das distâncias e alturas
exigidas neste tipo de projeto.

07
É interessante observar também a altura dos barramentos em relação ao
solo, 8 m, a disposição dos equipamentos, os espaços disponíveis para
manutenção (representação do caminhão no corte).

Figura 6 – Arranjo-planta do setor 500 kV

Figura 7 – Arranjo-corte do setor 500 kV

As figuras 8 e 9 apresentam os arranjos do setor 138 kV, já bastante


diferentes do setor 500 kV, pela disposição dos equipamentos, pela utilização de
estruturas de concreto, ou também pelas distâncias, por exemplo, a distância
entre fases de 3 metros.

Figura 8 – Arranjo-planta setor 138 kV

08
Figura 9: Arranjo-Planta Setor 138 kV

TEMA 3 – PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS

Os principais equipamentos utilizados numa subestação são os seguintes.

3.1 Transformador de potência

Consistem em dois ou mais enrolamentos posicionados de forma que


estejam ligados pelo mesmo fluxo magnético. A alteração na corrente presente no
enrolamento do circuito primário altera o fluxo magnético nesse circuito e também
no enrolamento do circuito secundário, este último montado de forma a se
encontrar sob a influência direta do campo magnético estabelecido no circuito
primário. Por sua vez, a mudança no fluxo magnético na bobina secundária induz
tensão elétrica na própria bobina secundária (Frontin, 2013).

09
3.2 Reatores

Quando uma linha de transmissão opera em vazio, ou com carga leve, a


linha se comporta como um capacitor fornecendo energia reativa ao sistema.
Contudo, em carga pesada a linha absorve energia reativa. A forma de evitar o
transporte de energia reativa (que não gera receita) através das linhas consiste
na produção e absorção da energia reativa utilizando-se reatores indutivos para
satisfazer às necessidades de energia reativa das linhas nas subestações
(Frontin, 2013).

3.3 Disjuntores

Os disjuntores têm a função de interromper correntes de curto-circuito em


curtíssimos intervalos de tempo, sendo esta uma das tarefas mais difíceis
confiadas aos equipamentos instalados em sistemas de potência. Ao mesmo
tempo, devem ser capazes de estabelecer correntes de falta, de estabelecer e
interromper correntes de magnitudes muito menores e de isolar partes dos
sistemas quando na posição aberta. A necessidade de realizar todas essas
tarefas de forma absolutamente confiável, para impedir danos aos demais
equipamentos, inclui os disjuntores entre os equipamentos de maior complexidade
instalados nas subestações de geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica (Frontin, 2013).

3.4 Chaves secionadoras

Uma das principais funções do secionador de alta-tensão é garantir uma


distância segura de isolamento após a abertura do equipamento de bloqueio da
corrente principal, geralmente um disjuntor, propiciando que equipamentos ou
linhas de transmissão, por exemplo, possam ser seguramente isolados. Os
disjuntores, por si só, não são capazes de oferecer essa garantia, em virtude da
pequena distância de isolamento entre os contatos após a abertura. Do ponto de
vista ainda dielétrico, o seccionador deve garantir a perfeita coordenação de
isolamento para terra e entre contatos abertos (open-gap) (Frontin, 2013).

010
3.5 Transformadores de instrumentação

Os medidores, os relés de proteção e os dispositivos de controle do tipo de


corrente alternada funcionam alimentados por tensões e correntes supridas por
transformadores de potencial e de corrente, respectivamente. Esses
transformadores proporcionam isolamento contra a alta-tensão do circuito
primário. Eles são chamados de transformadores de instrumentos e suprem os
medidores, relés de proteção e os dispositivos de controle com tensões e
correntes proporcionais às que circulam pelos circuitos de potência,
suficientemente reduzidas, de forma que estes instrumentos podem ser fabricados
relativamente pequenos, do ponto de vista de isolamento. Os medidores, relés de
proteção e outros dispositivos de controle ficam instalados no circuito secundário
dos transformadores de instrumentos (Frontin, 2013).

3.6 Para-raios

Os para-raios ou, de forma mais genérica, supressores de surtos de tensão,


são os equipamentos responsáveis pelo controle de parte das sobretensões
existentes nos sistemas elétricos de potência, contribuindo decisivamente para a
sua confiabilidade, economia e continuidade de operação. Os equipamentos de
uma subestação podem ser solicitados por sobretensões provenientes de
ocorrências internas ao sistema ou associadas com a ocorrência de descargas
atmosféricas (Frontin, 2013).

3.7 Banco de capacitor em derivação

A instalação de bancos de capacitores em derivação (shunt), em pontos


estratégicos do sistema e em diferentes níveis de tensão, proporciona uma melhor
utilização da rede elétrica, com reflexos positivos na qualidade e no custo da
energia elétrica entregue aos consumidores. Os principais benefícios da utilização
de bancos de capacitores estão listados a seguir (Frontin, 2013):

• Controle de tensão;
• Correção do fator de potência;
• Elevação da capacidade da rede;
• Redução das perdas;
• Redução do consumo de energia;

011
• Filtragem de harmônicos, quando da utilização de bancos na forma de
filtros passivos.

3.8 Banco de capacitor série

Os capacitores série são utilizados em linhas de transmissão para diminuir


suas reatâncias série e, em consequência, a distância elétrica entre suas barras
terminais.
A utilização de capacitor série proporciona (Frontin, 2013):

• Aumento da capacidade de transmissão de potência na linha.


• Aumento da estabilidade do sistema.
• Diminuição das necessidades de equipamentos de controle da tensão,
como capacitores em derivação, pois propicia menor queda de tensão ao
longo da linha.
• Melhor divisão de potência entre linhas, reduzindo as perdas globais do
sistema.
• Economia nos custos, quando comparados a outras alternativas
tecnicamente possíveis, notadamente outras linhas de transmissão.

TEMA 4 – DISPOSITIVOS FACTS

Foi a partir da tecnologia da eletrônica de potência aplicada nos processos


de retificação em linhas de transmissão em corrente contínua que surgiu o
conceito de Facts (Flexible Alternating Current Transmission Systems), o qual
propõe a aplicação dessa mesma eletrônica de potência em sistemas de
transmissão em corrente alternada, de forma a prover a esses sistemas a mesma
capacidade de resposta frente a comandos de controle, ou seja, fornecer ao
sistema de transmissão CA a mesma flexibilidade já conquistada nos sistemas em
CC (Hingorani, 2000).
Atualmente, os dispositivos Facts são o resultado dos avanços ocorridos
na eletrônica de potência baseados em componentes semicondutores de alta
potência, capazes de controlar grandezas elétricas como impedância, tensão,
corrente e fluxo de potência e que, quando instalados, permitem maior
flexibilidade no controle da rede de transmissão em virtude de suas características
especiais de controle. O desenvolvimento dessa tecnologia se deve, em grande
parte, na busca de soluções aos problemas relacionados com a rede de

012
transmissão, como: estabilidade, limites térmicos, segurança e eficiência na
transmissão de grandes blocos de energia. Essas características, as quais são
intrínsecas a uma rede elétrica, fazem com que surjam pontos de estreitamento
na transmissão, e esses pontos se deslocam e mudam de lugar de acordo com
as alterações nos fluxos de potência resultantes do despacho de geração
conforme as condições de carga e as contingências do sistema (Frontin, 2013).
As soluções convencionais inicialmente empregadas para tentar corrigir
esses problemas foram a utilização de bancos de capacitores e reatores
manobráveis mecanicamente.
Entretanto, a falta de flexibilidade atribuída à instalação destes
equipamentos levou à pesquisa de novos dispositivos que permitissem alterar
com rapidez e segurança os parâmetros elétricos que controlam a dinâmica de
funcionamento de uma linha de transmissão.
Nos dias de hoje, a busca por sistemas de potência flexíveis é justificada
também pela necessidade dos planejadores e operadores em controlar sistemas
extremamente dinâmicos e com pequena margem operacional. Restrições
ambientais, políticas e econômicas incertezas quanto à previsão de demanda,
matriz energética, custos de geração e transmissão impõem diretrizes e
tendências no desenvolvimento destes dispositivos Facts.

4.1 Classificação dos principais dispositivos Facts

A classificação dos dispositivos Facts nem sempre é clara e unânime entre


os especialistas do assunto. Alguns dispositivos apresentam capacidades e
propriedades que diferem de alguma forma da definição original de um dispositivo
Facts. Atualmente, os dispositivos Facts podem ser classificados de formas
diferentes, conforme descrito a seguir.
Existem algumas formas de classificar os dispositivos Facts (Rodrigues,
2010):
Classificação por gerações:

• 1ª geração: Facts comutados por tiristores;


• 2ª geração: Facts comutados por transístores ou tiristores;
• 3ª geração: Facts constituídos pela associação da compensação série e
paralela na mesma linha de transmissão;
• 4ª geração: Facts constituídos pela associação da compensação série e
paralela em linhas de transmissão diferentes.

013
Classificação pelo tipo de comutação:

• Comutados pela rede (baseado em tiristores);


• Autocomutáveis (baseado em semicondutores mais modernos, totalmente
controlados).

Classificação pela forma de conexão com a rede elétrica:

• Compensadores série;
• Compensadores paralelo;
• Compensadores combinados série-paralela;
• Compensadores combinados série-série.

Outra forma de classificação, mais geral, divide os dispositivos FACTS em


dois grandes grupos: Facts baseados em elementos reativos passivos (reatores e
capacitores) e Facts baseados em conversores (fonte de corrente ou fonte de
tensão).

4.1.1 Facts Baseados em Elementos Reativos Passivos

Esse tipo de dispositivos Facts utiliza elementos passivos, como bancos de


capacitores, reatores de núcleo de ar, resistores de potência e transformadores
de potência, e sua conexão com a rede elétrica é feita pela comutação de
semicondutores. O tiristor é o semicondutor mais utilizado nesse tipo de
dispositivos. Os principais dispositivos dessa categoria são:

• TSC (Thyristor Switched Capacitor);


• TSR (Thyristor Switched Reactor);
• TCR (Thyristor Controlled Reactor);
• FSC (Fixed Series Capacitor);
• TSSC (Thyristor Switched Series Capacitor);
• TCSC (Thyristor Controlled Series Compensator);
• SVC (Static Var Compensator);
• GCSC (Gate Controlled Series Compensator);
• NGH-SSR (Narain G. Hingorani – Sub Synchronous Resonance);
• TCSR (Thyristor Controlled Series Reactor);
• TSSR (Thyristor Switched Series Reactor);
• TCBR (Thyristor Controlled Braking Resistor);
• TCVL (Thyristor Controlled Voltage Limiter);

014
• TCVR (Thyristor Controlled Voltage Regulator);
• TCPST (Thyristor Controlled Phase Shifting Transformer);
• TCPAR (Thyristor Controlled Phase Angle Regulator);
• DFC (Dynamic Flow Controller);
• IPC (Interphase Power Controller);
• MERS (Magnetic Energy Recovery Switch).

4.1.2 Facts Baseados em Conversores

São dispositivos que utilizam semicondutores de última geração,


totalmente controlados, como: GTO (gate turn-off thyristor), IGBT (Integrated Gate
Commutated Thyristor), IGCT (Insulated Gate Bipolar Transistor), e seu principal
componente é uma fonte de corrente ou uma fonte de tensão. Esse tipo de
dispositivo possibilita, de um modo geral, maior flexibilidade que a tecnologia
baseada em elementos reativos passivos.

• STATCOM (Static Synchronous Compensator);


• SSG (Static Synchronous Generator);
• BESS (Battery Energy Storage System);
• SMES (Superconducting Magnetic Energy Storage);
• SSSC (Static Synchronous Series Compensator);
• UPFC (Unified Power Flow Control);
• IPFC (Interline Power Flow Control);
• CSC (Convertible Static Compensator);
• GIPFC (Generalized Interline Power Flow Controller).

A evolução das gerações das tecnologias aplicadas aos dispositivos Facts


está diretamente relacionada ao desenvolvimento dos dispositivos
semicondutores, que são a base de funcionamento e operação dos dispositivos
conversores de eletrônica de potência.

TEMA 5 – LINHA DE TRANSMISSÃO

A primeira linha de transmissão de que se tem registro no Brasil foi


construída por volta de 1883, na cidade de Diamantina, Minas Gerais. Tinha como
finalidade transportar energia produzida em uma usina hidrelétrica, constituída por
duas rodas d´água e dois dínamos Grame, a uma distância de 2 km,
aproximadamente. Entre 1945 e 1947, foi construída a primeira linha de 230 km
015
no Brasil, com um comprimento aproximado de 330 km, destinado a interligar os
sistemas Rio Light e São Paulo Light, operando inicialmente em 170 kV, passando
em 1950, a operar em 230 kV. Esta foi a primeira interligação de dois sistemas
importantes realizado no Brasil (Labegalini et al., 1992).
Seguiram-se, em rápida sucessão, as linhas de 345 kV da Cemig e Furnas,
460 kV da Cesp, as linhas de 500 kV do sistema de Furnas e 800 kV do sistema
Itaipu.

5.1 Componentes das linhas aéreas de transmissão

O desempenho elétrico das linhas está diretamente relacionado às


características de seus componentes e de sua configuração geométrica. Temos,
de um lado, a suportabilidade elétrica de sua estrutura isolante e seu desempenho
técnico, e do outro lado, sua capacidade de suportar as solicitações mecânicas a
que são submetidas, que devem ser consideradas concomitantemente. Isso sem
descuidar de um outro fator de igual importância, que é o econômico. O transporte
de energia elétrica pelas linhas de transmissão tem o caráter de “prestação de
serviço”. Deverá ser eficiente, confiável e econômico. Para se transportar uma
determinada quantidade de energia elétrica a uma distância preestabelecida, há
um número muito grande de soluções possíveis, em razão do grande número de
variáveis associadas a uma linha, como (Labegalini et al., 1992):

• Valor da tensão de transmissão;


• Número, tipo e bitolas dos cabos condutores por fase;
• Número e tipo dos isoladores e distâncias de segurança;
• Número de circuitos trifásicos;
• Materiais estruturais e a forma dos suportes resistirem aos esforços.

Essa solução é encontrada através de estudos de otimização, para tanto,


para cada solução aceitável, são feitos verdadeiros anteprojetos eletromecânicos,
que são avaliados tecnicamente. Feitos os orçamentos de custos e de perdas de
energia, por comparação é encontrada a solução mais adequada.
Uma linha de transmissão é composta das seguintes partes principais
(Labegalini, 1992):

• Condutores: a teoria da transmissão mostra que os agentes do transporte


de energia elétrica são os campos elétricos e os campos magnéticos, para
os quais os condutores são “guias”. Sua escolha e dimensionamento

016
corretos são decisivos na limitação das perdas de energia (por efeito Joule
ou por Corona), e também para controlar os níveis de radiointerferência e
ruídos acústicos.
• Isoladores e ferragens: os condutores das linhas devem ser isolados
eletricamente de seus suportes e do solo, o que nas linhas é feito
basicamente pelo ar, auxiliado por elementos feitos de material dielétrico,
denominados isoladores. As cadeias de isoladores são completadas por
um conjunto de peças, que se destinam a suportar os cabos e ser ligados
a elas e estas, às estruturas.
• Estruturas: também designadas suportes, são responsáveis pela fixação
dos cabos condutores através de sua estrutura isolante, assim como
transmitem as forças resultantes de todas as solicitações as fundações.

FINALIZANDO

Nesta aula, avançamos no tema da integração dos sistemas de geração


por meio da análise das linhas de transmissão, das subestações e dos
equipamentos utilizados.
Vimos os tipos de arranjo e um exemplo prático de um sistema 500/138 kV,
mostrando os dois arranjos mais usuais no sistema atual, sendo o arranjo barra
dupla a quatro chaves para as tensões 138/230 kV e disjuntor e meio para as
tensões 345/500 kV. Vimos também os principais equipamentos e os novos
equipamentos que estão surgindo, os dispositivos Facts.
Por fim, falamos sobre as linhas de transmissão, responsáveis pela
interligação das usinas com as subestações, estas com outras subestações e, por
fim, com o consumidor.

017
REFERÊNCIAS

CIGRE. General Guidelines for the Design of Outdoor A. C. Substations.


Paris: Cigre, 1992.

FRONTIN, S. de O. Equipamentos de alta-tensão: prospecção e hierarquização


de inovações tecnológicas. Brasília, 2013.

GODOY, A. V. Subestações. Recife, 2010. CD-ROM.

HINGORANI, N. G.; GYUGLI, L. Understanding FACTS. Piscataway, USA: IEEE


Press, 2000.

IEC – International Electrotechnical Comission. International Electrotechnical


Vocabulary. Suíça, 1983.

LABEGALINI, P. R. et al. Projetos mecânicos das linhas aéreas de


transmissão. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1992.

RODRIGUES, J. M. F. Análise e Modelação de Dispositivos FACTS Aplicados


nas Redes de Transporte e de Distribuição de Energia Eléctrica. Dissertação
apresentada à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal,
2010.

018
AULA 6

INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE
GERAÇÃO

Prof. Guilherme Steilein


CONVERSA INICIAL

Caro aluno, finalizando nosso curso de Integração de Sistemas de


Geração, vamos estudar quais são os passos e como se faz o processo técnico-
administrativo para fazer a conexão da geração com o SIN – Sistema de
Integração Nacional. Podemos dividir o processo em dez passos, iniciando pelo
cronograma, passando pelo ponto de conexão, estudos de sistema, projetos, indo
até o parecer de acesso final.

CONTEXTUALIZANDO

Ao longo do curso aprendemos um pouco sobre as características do SIN


e também sobre os agentes responsáveis pela sua gestão, como o ONS. Vimos
os quatro principais tipos de geração, com foco especial nas energias renováveis,
e, por último, vimos as linhas e subestações.
Mas como juntamos todo esse conhecimento? Como colocar na prática
todo o conteúdo apresentado? A ideia nessa aula é apresentar o processo de
conexão da PCH Córrego Fundo, com potência de 10.000 kW, localizada no Rio
Pirapó, na região Norte do Estado do Paraná, próximo à divisa com o Estado de São
Paulo, com a Copel – Companhia Paranaense de Energia.

TEMA 1 – CRONOGRAMA E DEFINIÇÃO DO TRAÇADO

1.1 Passo 1 – estabelecer cronograma de entrada em operação do


empreendimento

É com base no mês e no ano de entrada em operação do empreendimento


que o acessante poderá realizar as análises de alternativas de conexão no SIN.
O cronograma geralmente abrange os seguintes processos: projeto básico,
projeto executivo, licenciamento ambiental, contratos de prestação de serviço
(conexão com a distribuidora/transmissora), obras civis, obras eletromecânicas,
comissionamento e data para entrada em operação comercial.
Como dito, é com base na data em operação comercial que o acessante
deverá analisar as opções disponíveis de conexão. É importante entender que
existem diversas possibilidades de conexão com uma subestação, e também
existem diversos outros agentes, que também podem querer acesso naquela

02
subestação. A data de entrada em operação comercial é importante para balizar
os estudos de sistema.

Figura 1 – Cronograma padrão ANEEL

1.2 Passo 2 – selecionar o ponto de conexão

É do acessante a responsabilidade de selecionar o ponto de conexão do


seu empreendimento ao SIN. Para isso, deverá realizar os estudos sob a ótica do
critério de mínimo custo global, com o qual será selecionada a alternativa de
conexão de menor custo de investimento nas instalações de conexão e na rede
pública, considerando os custos de perdas elétricas.
Tais estudos deverão estar em consonância com o Plano de Ampliações e
Reforços (PAR), com o Plano Anual de Ampliações e Reforços de Instalações de
Transmissão não Integrantes da Rede Básica (PAR-DIT) e/ou o Plano Decenal de
Expansão (PDE), conforme o cronograma definido no Passo 1.
A Figura 2, a seguir, apresenta o relatório de traçado que foi apresentado
à Copel. Nesse relatório foram apresentadas diversas opções do traçado da linha
da PCH até a chegada na Subestação Colorado. Observe que, além de definir o
traçado pelo campo/cidade, é necessário definir o ponto de chegada na
subestação. Nesse exemplo, optou-se por utilizar um traçado com uma linha um
pouco mais longa (4 km), porém, sem alterar as linhas existentes da Copel.

Figura 2 – Relatório de traçado da PCH para conexão com a SE Colorado

03
04
TEMA 2 – ATO AUTORIZATIVO E SOLICITAÇÃO DE ACESSO

2.1 Passo 3 – obter ato autorizativo para o seu acesso

Com o ponto de conexão definido, o acessante deverá requerer ao poder


concedente o ato autorizativo para a instalação e a conexão do seu
empreendimento no SIN. A regulação a ser seguida e a instituição onde requerer
ou alterar o ato autorizativo dependem do tipo de acessante, conforme indicado
no Quadro 1, a seguir.

Quadro 1 – Legislação e ato autorizativo relacionados ao tipo de acessante

Fonte: ONS

Os documentos necessários para requerer ato autorizativo também


dependem do tipo de acessante. Estão indicados na legislação mencionada no
Quadro 1 e são a seguir citados, de forma resumida.
Consumidor livre ou autoprodutor com carga maior que a sua geração

1. Apresentar ao MME – Ministério de Minas e Energia estudo de mínimo


custo global de interligação e reforço nas redes elétricas, compatível com
o planejamento da expansão do setor elétrico para um horizonte mínimo de
cinco anos, objetivando a definição do seu ponto de conexão na rede
básica.

05
2. Emissão de portaria do MME reconhecendo que a alternativa de conexão
na rede básica proposta pelo acessante atende aos critérios de mínimo
custo global.
3. Obter no ONS o correspondente parecer de acesso à rede básica.
4. De posse da portaria do MME e do parecer de acesso, o acessante está
apto para solicitar à ANEEL a autorização para a sua conexão na rede
básica e para as suas instalações de uso restrito.
5. Após a ANEEL emitir a correspondente resolução autorizativa, o acessante
está apto para celebrar com o ONS o Contrato de Uso do Sistema de
Transmissão (CUST) e, com a transmissora acessada, o Contrato de
Conexão às Instalações de Transmissão (CCT).

Produtor independente de energia elétrica ou autoprodutor com


geração maior que a sua carga

a. Primeira outorga de autorização para exploração de central geradora


1. O agente interessado protocola na ANEEL o requerimento de
outorga de autorização para exploração de central geradora e
recebe dessa agência um despacho de recebimento do
requerimento de outorga emitido pela superintendência de
concessões e autorizações de geração (SCG).
2. De posse do despacho de recebimento do requerimento de outorga,
o interessado solicita ao ONS a informação de acesso, documento
que atesta a viabilidade sistêmica da conexão do empreendimento
no ponto pleiteado, e após sua emissão protocola na ANEEL junto
com os demais documentos requeridos por essa agência. Ressalta-
se que a informação de acesso não é válida como parecer de acesso
e, portanto, não pode ser considerada como tal.
b. Alteração de ato de outorga vigente para exploração de central geradora
1. O agente de geração interessado protocola na ANEEL, na
Superintendência de Concessões e Autorizações de Geração
(SCG), o requerimento de alteração da outorga de autorização para
exploração de central.
2. De posse do ato de outorga vigente, o interessado solicita ao ONS
a informação de acesso da viabilidade sistêmica da alteração
pretendida na central geradora e, após sua emissão, a protocola na

06
ANEEL, junto com os demais documentos requeridos por essa
agência.
3. É de responsabilidade do agente interessado verificar a viabilidade
física da sua conexão com a transmissora detentora da concessão
das instalações a serem acessadas.
4. Após a ANEEL emitir a correspondente resolução autorizativa, o
acessante está apto para formalizar ao ONS a sua solicitação de
acesso às instalações de transmissão.

Figura 3 – Modelo de carta de solicitação de informação de acesso

Fonte: ONS

07
2.2 Passo 4 – elaborar a solicitação de acesso

Nesta etapa, começam os procedimentos para a elaboração da solicitação


de acesso propriamente dita, que deve ser composta por:

a. Ato autorizativo para o acesso;


b. Carta de solicitação de acesso;
c. Estudos;
d. Dados e informações do acesso, conforme submódulo 3.4 do módulo 3,
dos procedimentos de rede.

A ANEEL despacha o Ato autorizado, com os seguintes dizeres:

“RESOLUÇÃO AUTORIZATIVA Nº 6.459, DE 4 DE JULHO DE 2017


O DIRETOR-GERAL DA ANEEL, com base no art. 16, IV, do Regimento
Interno da ANEEL, resolve:

Processo nº 48500.002082/2003-93. Interessados: Córrego Fundo SPE


Ltda., a autorização referente à PCH Córrego Fundo, CEG
PCH.PH.PR.029505-1.01, outorgada por meio da Resolução nº 717, de
31 de outubro de 2006, c/c a Resolução Autorizativa nº 6.009, de 6 de
setembro de 2016, localizada nos municípios de Colorado e
Paranapoema, estado do Paraná. ”

Além disso, cabe ressaltar um esclarecimento do ONS quanto as


ferramentas para elaboração dos estudos de sistema.

“O ONS utiliza os programas citados no Submódulo 18.2, e toda a base


de dados de referência do Sistema Interligado Nacional está
representada nos formatos desses programas. No caso de análise de
curto-circuito é o ANAFAS, de fluxo de potência é o ANAREDE e de
estabilidade eletromecânica, o ANATEM. Outros softwares poderão ser
utilizados desde que compatíveis com os casos de referência
disponibilizados pelo ONS, para fins de elaboração dos estudos de
integração ao sistema de transmissão, os quais são de responsabilidade
do acessante. Entretanto, cabe ressaltar que o acessante deverá
fornecer ao ONS os dados e modelos do seu empreendimento nos
formatos dos programas indicados no Submódulo 18.2, para fins de
incorporação e atualização da base de dados do Operador.”

Dados do empreendimento
A PCH apresentará uma área de drenagem de 4.760 km². Seu reservatório
abrangerá uma área de 2,40 km², com volume útil de 2,304x10 m³. O nível de
água normal de montante (NAM) está previsto para elevação 284,0 m e nível de
água normal de jusante (NAJ) na elevação 268,50 m, caracterizando uma queda
bruta de 15,50 metros.

08
Os estudos hidrológicos identificaram uma vazão média de longo termo de
66,8 m³/s e vazão de 4,90 m³/s, a ser liberada permanentemente. A vazão
turbinada será de 82,87 m³/s.
A casa de força será do tipo casco estrutural impermeável em concreto
armado e lastro em concreto ciclópico. No interior da qual serão abrigadas quatro
unidades de turbina Kaplan eixo horizontal de regulação simples, com potência
unitária de 2,5 MW, vazão unitária de 20,72 m³/s e queda líquida nominal de 14,37
m, e quatro unidades de gerador do tipo Brushless horizontal, com potência
unitária de 3.125 kVA, tensão nominais de 4,16 kV e frequência de 60 Hz. O eixo
da turbina e gerador ficará na cota 269,00 m.

TEMA 3 – SOLICITAÇÃO DE ACESSO

3.1 Passo 5 – realizar os estudos de integração do seu empreendimento ao


sistema de transmissão

De posse do ato autorizativo, o acessante está apto para formalizar ao ONS


a sua solicitação de acesso. Junto com a carta de solicitação de acesso, além dos
dados e informações requeridos no Submódulo 3.4, do Módulo 3, dos
Procedimentos de Rede, deverão também ser enviados ao operador os estudos
de integração do empreendimento à rede básica ou às DIT, conforme indicado na
Quadro 2.
Para a realização desses estudos, o acessante deverá utilizar os casos de
referência do ONS com horizonte compatível com a data de entrada em operação
do seu empreendimento.
É do acessante a responsabilidade de efetuar os estudos, os projetos e a
implantação das instalações de uso exclusivo e de conexão no sistema de
transmissão.

Quadro 2 – Estudos de integração do empreendimento às instalações de


transmissão

09
Fonte: ONS

3.2 Passo 6 – preparar dados e informações sobre o acesso

Para tipo de empreendimento, existem diversos anexos e formulários,


constantes no Submódulo 3.4, do Módulo 3, dos Procedimentos de Rede, que
você deverá preencher e entregar junto com a sua solicitação de acesso
permanente.

 Central geradora termelétrica (PIE ou autoprodutor)


 Central geradora hidrelétrica (UHE ou PCH)
 Central geradora eólica
 Central geradora solar fotovoltaica
 Consumidor livre
 Distribuição de energia elétrica
 Exportação de energia elétrica
 Importação de energia elétrica a partir de um sistema de transmissão

Seguindo nosso exemplo, o Quadro 3 apresenta os dados necessários para


conexão de uma central geradora hidrelétrica (PCH).

Quadro 3 – Formulários para solicitação de acesso de geração hidráulica

010
Fonte: ONS

Quadro 4 – Formulários para solicitação de acesso de geração eólica

Fonte: ONS

011
Quadro 5 – Formulários para solicitação de acesso de geração fotovoltaica

Fonte: ONS

TEMA 4 – CARTA DE SOLICITAÇÃO DE ACESSO

4.1 Passo 7 – elaborar a carta de solicitação de acesso

A carta de solicitação de acesso deverá ser impressa em papel timbrado


do acessante e conter, no mínimo, as seguintes informações:

 Nome do empreendimento, sua localização (município, estado);


 Ponto de conexão no sistema de transmissão objeto da solicitação;
 Data de primeira sincronização (no caso de central geradora) e de entrada
em operação comercial;
 Ato autorizativo;
 Relação de documentos anexados (dados, informações, formulários,
anexo, estudos, diagramas, etc.);
 Nome por extenso e assinatura do solicitante, com informações para
contato.

Figura 4 – Modelo de carta de solicitação de acesso

012
Fonte: ONS

4.2 Passo 8 – protocolar a solicitação de acesso

Protocolar a carta de solicitação de acesso, junto com os estudos, os dados


e informações requeridos no Submódulo 3.4, do Módulo 3, dos Procedimentos de
Rede, no seguinte endereço:
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Escritório Central, Rua Júlio
do Carmo, 251, 5º andar, Cidade Nova, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20.211-160, em
atenção ao Dr. Álvaro Fleury Veloso da Silveira, Diretor de Administração dos
Serviços de Transmissão (DAT).

TEMA 5 – PARECER DE ACESSO

5.1 Passo 9 – início do processo de acesso

O ONS, após receber a solicitação de acesso, realiza a conferência dos


documentos recebidos e a análise dos estudos de integração preparados pelo
solicitante e, não existindo pendências impeditivas por parte do acessante,
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elabora e emite o parecer de acesso conforme os prazos indicados no Quadro 6,
com validade de 90 dias.
Existindo pendências impeditivas, o acessante é informado pelo ONS na
carta de resposta à sua solicitação de acesso. Nesse caso, o acessante tem os
prazos estabelecidos no Submódulo 3.3, do Módulo 3, dos Procedimentos de
Rede, para solucionar as pendências e enviar as informações faltantes ao ONS.

Quadro 6 – Anexos e Formulários para serem entregues junto a solicitação de


acesso de geração fotovoltaica.

Fonte: ONS

5.2 Passo 10 – emissão do parecer de acesso

O ONS, não existindo pendências impeditivas por parte do acessante,


emite o parecer de acesso conforme os prazos indicados no Quadro 6, com
validade de 90 dias.
O acessante, de posse de sua autorização e do seu parecer de acesso,
está apto para celebrar o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST)
com o ONS e o Contrato de Conexão às Instalações de Transmissão (CCT) com
a transmissora acessada.
Conclusão do parecer de acesso:

“A alternativa de conexão, a partir da SE Colorado 138kV,


através de alimentador exclusivo 34,5kV, atende a todos os critérios
técnicos estabelecidos para o planejamento e expansão do sistema
elétrico da COPEL, porém observamos que de acordo com os problemas
relatados no sistema de distribuição AT, a conexão sem restrições só
poderá ser efetuada após setembro de 2021, quando se espera que
estejam concluídas as obras estruturais previstas para a região. No
entanto, a mesma poderá ser liberada já a partir de 2018 desde que o
acessante esteja ciente que o despacho da usina ficará sujeito a
restrições, tais como redespacho ou até mesmo corte total de sua
geração, dependendo das condições do momento. Essas restrições

014
deverão constar no Acordo Operativo que o acessante assinará com a
Distribuidora.
Ainda, ressaltamos que a conexão apresentada será válida se
forem respeitados os seguintes prazos e procedimentos, conforme
PRODIST – Módulo 3 – Seção 3.1 – Revisão 5:
 Os contratos necessários ao acesso devem ser assinados entre
as partes no prazo máximo de 90 (noventa) dias após a emissão
do parecer de acesso.
Ainda, ressaltamos que após a PCH Córrego Fundo entrar em
operação o acessante deverá comunicar à ANEEL para que seja emitido
o Certificado de Registro, ou documento equivalente, devendo
encaminhá-lo à COPEL em até 30 dias após sua emissão pela Agência.”

Figura 5 – Capa do Parecer de Acesso

Figura 6 – Diagrama Unifilar de Proteção da PCH

015
FINALIZANDO

Nesta aula consolidamos todos os conhecimentos adquiridos ao longo do


curso, falamos sobre como acessar o SIN, como fazer o relacionamento com a
ANEEL, ONS e demais agentes (Copel). Vimos como é necessário conhecer os
tipos de geração e suas características, nesse caso, uma PCH com turbinas
Kaplan, e os detalhes técnicos, como tipo e traçado da linha de transmissão e os
diagramas unifilares e demais projetos que compõem o sistema.

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REFERÊNCIAS

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Despacho nº 4.309, de 4 de


novembro de 2014. Diário Oficial da União, 10 nov. 2014.

______. Resolução n. 281, de 1 de outubro de 1999.

______. Resolução n. 351, de 11 de novembro de 1998. Diário Oficial da União,


12 nov. 1998a.

______. Resolução n. 395, de 4 de dezembro de 1998. Diário Oficial da União,


7 dez. 1998b.

______. Resolução Normativa n. 67, de 8 de junho de 2004. Diário Oficial da


União, 11 jun. 2004.

______. Resolução Normativa n. 320, de 10 de junho de 2008. Diário Oficial da


União, 11 jun. 2006.

______. Resolução Normativa n. 343, de 9 de dezembro de 2008. Diário Oficial


da União, 22 dez. 2008.

______. Resolução Normativa n. 390, de 15 de dezembro de 2009. Diário Oficial


da União, 18 dez. 2009a.

______. Resolução Normativa n. 391, de 15 de dezembro de 2009. Diário Oficial


da União, 18 dez. 2009b.

______. Resolução Normativa n. 412, de 5 de outubro de 2010. Diário Oficial da


União, 8 out. 2010.

______. Resolução Normativa n. 442, de 26 de julho de 2011. Diário Oficial da


União, 5 ago. 2011.

______. Resolução Normativa n. 666, de 23 de junho de 2015. Diário Oficial da


União, 29 jun. 2015a.

______. Resolução Normativa n. 673, de 4 de agosto de 2015. Diário Oficial da


União, 2 set. 2015b.

______. Resolução Normativa n. 676, de 25 de agosto de 2015. Diário Oficial da


União, 1 set. 2015c.

BRASIL. Decreto n. 2.655, de 2 de julho de 1998. Diário Oficial da União,


Brasília, DF, 3 jul. 1998.

017
_____. Decreto nº 5.597, de 28 de novembro de 2005. Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 29 nov. 2005.

______. Lei n. 9.648, de 27 de maio de 1998. Diário Oficial da União, Poder


Legislativo, Brasília, DF, 28 mai. 1998.

BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Portaria n. 311, de 1 de outubro de 2015.


Diário Oficial da União, 2 out. 2015.

ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico. Procedimentos de Rede, Revisão


1.1 do Módulo 3 - Acesso aos sistemas de transmissão.

______. Procedimentos de Rede, Revisão 1.0 do Módulo 18 - Sistemas e modelos


computacionais.

______. Procedimentos de Rede, Revisão 1.1 do Módulo 15 - Administração de


serviços e encargos de transmissão.

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