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DEFINIÇÃO DA TRANSFORMADA DE FOURIER

REPRESENTAÇÃO DE UMA FUNÇÃO QUALQUER EM TODO


INTERVALO (   ,  ) :

Vimos que qualquer função g (t ) pode ser representada em termos de uma série
exponencial ( ou trigonométrica ) em um intervalo finito. No caso especial de uma
função periódica, pode-se extender a representação a todo o intervalo ( , ) .
Sem dúvida convém representar qualquer função periódica ou não em todo intervalo
( , ) em termos de sinais exponenciais. Veremos que um sinal não periódico
pode ser expresso geralmente como soma ( integral ) continua de sinais
exponenciais, em contraste com os sinais periódicos, que podem ser representados
mediante uma soma discreta de sinais exponenciais.
Este problema pode-se tratar de duas formas. Podemos expressar g (t ) em termos de
funções exponenciais em um intervalo finito ( T 2  t  T 2 ) e supor que T tende
a infinito.
Também podemos construir uma função periódica com período T de modo que
g (t ) represente o primeiro ciclo de uma onda periódica. No limite, o período T
tende a infinito e então a função periódica somente terá um ciclo no intervalo
(  t  ) representado por g (t ) .

A Transformada de Fourier
DEFINIÇÃO :

A transformada de Fourier é uma operação matemática linear que transforma uma


descrição no domínio do tempo de um sinal em uma descrição do mesmo sinal no
domínio da frequência, sem perda da informação, o que significa que o sinal
original pode ser totalmente recuperado da descrição do sinal no domínio da
frequência.
Porém , para um sinal passar pelo processo de transformada de Fourier, são
necessárias certas condições.

1. A transformada de Fourier de um sinal especifica as amplitudes complexas


das componentes que constituem a descrição no domínio da freqüência ou o
conteúdo espectral do sinal. A transformada inversa de Fourier recupera,
unicamente, o sinal, dada a sua descrição no domínio do tempo.
2. A transformada de Fourier possui várias propriedades importantes, as quais,
de forma individual ou conjunta fornecem informações valiosas sobre a
relação entre o sinal definido no domínio do tempo e sua descrição no
domínio da frequência.
3. Um sinal pode ser estritamente limitado no domínio do tempo ou da
frequência, mas não em ambos.

Tomando-se uma função no domínio do tempo representada por g(t), obtem-se sua
correspondente função no domínio da frequência representada por G(w), a partir do
uso do processo de transformadas de Fourier, onde :
Se g(t) é a transformada inversa de G(w)

Então G(w) é a transformada direta de g(t)

Podemos representar estas funções g(t) e G(w) a partir da Integral de Fourier


como segue :

 
1
 G( )e 0 d  G( )   g (t )e
 jn t  jn 0 t
g (t )  dt
2 n   n  


Resultando : e1g (t ) 
1
 G( )e
j 0 t
d  g (t )
2 n  

A função G(w) é a transformada direta de g(t), e é a representação de g(t) no


domínio da frequência.

A representação no domínio do tempo especifica a função em cada instante do


tempo,
e a representação no domínio da frequência e especifica as amplitudes relativas
as componentes de frequência da função.

Muitas vezes a função G(w) é complexa e necessita de dois diagramas para sua
representação gráfica completa.
Assim G(w) precisa ser representado por um diagrama de amplitude G( ) e um
diagrama de fase  ( )

DIAGRAMA DO PROCESSO DE TRANSFORMADAS DE FOURIER

 g (t ) e

 j t
dt

Transformada
De
g(t) G(w)
Fourier


1
2  G ( w) e

 j t
dw

REPRESENTAÇÃO DE UM SINAL NO DOMÍNIO DO TEMPO E EM FREQUÊNCIA

A transformada de FOURIER é um instrumento com o qual se expressa um dado


sinal em termos de suas componentes exponenciais. A função G( ) é a
transformada direta de g (t ) e representa as amplitudes relativas de suas diferentes
componentes. Portanto G( ) é a representação de g (t ) no domínio da frequência.
A representação no domínio do tempo específica a função em cada instante no
tempo, e a reprsentação no domínio da frequ~encia específica as amplitudes
relativas das componentes de frequência da função.
Ambas as representações especificam de forma única a função. Em geral a função
G( ) é complexa e necessita de dois diagramas para sua completa representação
gráfica.

j ( )
G( )  G( ) e

onde o módulo G( ) é a amplitude e     t 0 é a fase

Desta forma necessita-se de um diagrama para a amplitude e outro para a fase.

Isto pode ser visto claramente partindo-se do fato que g (t ) é uma função real e
então

 g (t )e
 jn 0t
G * ( )  G( ) e G ( )  dt
n  

 g (t )e
jn 0t
e da mesma maneira G ( )  dt
n  

Das equações acima infere-se que se g (t ) é uma função real de t, então :

G * ( )  G( )

j ( )  j ( )
e portanto G( )  G( ) e e G( )  G( ) e
Fica evidente pois que a partir destas equações o espectro da amplitude G( ) é
uma função PAR e o espectro de fase     t 0 é uma função IMPAR de  .
Exemplo : Dada a função exponencial unilateral e  at . u(t ) , determine a amplitude
e fase desta função e represente –as graficamente.

g (t )  e  at u(t ) g(t)

e  at u (t )

0 t
 

 g (t )e 0 dt = G( )  e
 jn t
G ( )   at
. e  jn 0t . u (t ) dt
n   n  


1 1
e
 ( a  j 0 ) t
G ( )  dt   G( ) 
n  
a  j a2   2
  
   arc tg  
 a 

Graficamente G( )


0

    t 0

Exemplos de Transformadas de Fourier

1. Dada a função g (t )  cosot


Determine a transformada desta função

Solução
 e  e  jt  Relação de Euler
1 jt
cos o t 
2

e jt  2  (  0 )
e  jt  2  (  0 )

coso t 
1
2

2 (   0 )  2  (  0 ) 

coso t  2 
1
2
 
 (  0 )   (  0 ) que resulta :


coso t    (  0 )   (  0 ) 
Espectro da Função

cos0 t

 0 

2. Dado g (t )  senot , ache a sua transformada

Demonstração :

 e  e  jt  Relação de EULER


1 jt
sen  o t 
2j

e jt  2  (  0 )

e  jt  2  (  0 )

sen  o t 
1
2j

2 (   0 )  2  (   0 ) 

sen  o t  2 
1
2j

 (  0 )   (  0 )  que resulta :


sen  o t 
j
 (   )   (   )
0 0

Espectro da Função sen 0 t


j

0 0 
Transformada de uma Constante

Dada a função g (t )  A , determine a transformada G( ) desta função. Faça sua


representação gráfica.

g(t)

AG (t )

t
 
2 2

No limite quando   0 a função pulso tende a se converter numa função constante A

A transformada de Fourier de uma constante A é a transformada de Fourier de uma função


pulso retangular rect ( t ) para    .

A transformada da função será :

Arect ( t )  A Sinc 
  2 

Assim teremos :

   2 

A  lim A Sinc   2 A lim Sinc 
   2
 
Considerando-se que uma função impulso  (t ) pode ser a amostragem do sinal num
K
determinado instante e pode ser representada por  (t )  lim Sinc ( Kt ) , e ainda que
K  
esta função define uma função impulso  ( ) no domínio da frequência, podemos escrever
finalmente :

 A  2 A ( ) ou 1  2  ( )

Representação Grafica

f(t) F( )

A 2 A ( )

0 t 0

Transformada da Função SIGNUM

Sgn(t )  Signum

1 t 0
Sgn(t )  
 1 t 0

Sgn(t )  2u(t )  1 Sgn(t )  lim e  at . u(t )  e at . u(t )


a 0

Sgn(t )

0 t

-1

  at  jt 0

 Sgn(t )  lim e e dt   e at e  j t dt  
a 0
0  

  2 j 
 Sgn(t ) 
2 2
 lim 2 2  
a 0  a    j j

senx
Função
x

senx senx
A função é também conhecida como função sinc ( x ) = e é chamada
x x
de função de interpolação sinc ( x ).

senx
A função é o seno de x sobre o argumento x na sua representação
x
matemática.
Esta função gera uma importante regra de processamento de sinal,e é cnhecida
como função de filtragem e interpolação.

Define-se matematicamente esta função como sendo:


senx senx
= sinc ( x ) = , sendo esta última a representação mais comum da
x x
função.

Observando-se a função acima podemos afirmar que :

1. sinc ( x ) é uma função par

2. sinc ( x ) = 0 quando o seno de x é igual a zero, exceto em x= 0, onde a


função é indeterminada ( ver figura acima ).

3. Em média sinc ( x ) = 0 para x   ,2 ,3  ..........

4. Usando-se a regra de L’Hopital ( vocês se lembram???) , nós temos sinc ( 0 )


=1

5. sinc ( x ) é o produto de um sinal oscilante sem x de período 2π ede uma


função monotônicamente decrescente 1/x.

Portanto sinc ( x ) exibe uma oscilação senoidal de período 2πcom amplitude


decrescente continuamente em 1/x.

Como exemplo a figura a seguir mostra a função sinc ( x ) para valores de x que são
positivos e negativos múltiplos de π

Exercícios Resolvidos – Transformadas de Fourier

1. Encontre a Transformada inversa de Fourier da função  (  0 )

Solução :

Usando a propriedade de amostragem da função impulso temos :

 
1

  (   0 )  
1
2   (   0 )e jt
d 
1
2 e  j t
d 
1 jt
2
e
 

Portanto ;

1 jt
e   (   0 ) ou e jt  2  (  0 )
2
temos ainda que : e  jt  2  (  0 )

2. Encontre a Transformada inversa de  ( )


1
 G( ) e
jt
g(t )  G( ) g( t )  d onde G( )   ( )
2 


1  ( ) 
1 1
  ( )e
jt
d 
2 
2

 (t )  ( )

0 t 0 w

1
  ( ) ou 1  2 ( )
2

3. Mostre que a transformada de Fourier de g (t ) pode ser expressa como :

 

G( ) 

 g(t ) cos t dt  j  g(t ) sen  t dt


Solução :

Se g (t ) é par, a Segunda integral é zero, e a primeira integral é expressa por :

G ( )  2  g (t ) cos t dt
0

Igualmente se é impar, a primeira integral é zero, e a segunda é expressa por :

G ( )  2 j  g (t ) sen  t dt
0
Como para qualquer função podemos expressar:

g (t )  g P (t )  g I (t )  soma de função par + função impar

 

G( )  2  g (t ) cos t dt  2 j  g (t ) sen  t dt


0 0

ou

 

G( )   g(t ) cos t dt  j  g(t ) sen  t dt


 

4. Encontre a transformada de Fourier de um sinal periódico ( genérico ) g (t )

Solução :

m sinal periódico g (t ) pode ser representado por uma série exponencial de Fourier do
tipo :

2
g (t )   Gn e jn t com  0 
 T

Assim :

g (t )  G

n e jn t d

Sabendo-se que : e jn t  2  (  0 )

Temos que :

 

g (t )   G 2  (  n

n 0 ) d  2  Gn (  n 0 ) d



g (t )  2  Gn  (  n 0 )


A transformada de Fourier de um sinal periódico é a sequência de impulsos com


 n0 onde
n = 0;1; 2; 3; 4; ...........
5. Encontre a transformada de Fourier de um trem de impulsos unitários (figura
abaixo)

g(t)

-3T -T 0 T 3T t


1  jnot
g (t )    (t  nt 0 ) 
n 
e
T0 n 

temos que :

2 
  (t  nt 0 ) 
n 
  ( n0 )
T0 n 


2
 0   (t  nt
n 
0 ) com  0 
T0

Assim :
 

  (  n0 ) 
n 
0   (  n
)
n 
0
 


g(t ) G ( )

G( )

 20  0 0 0 2 0 
PROPRIEDADES DA TRANSFORMADA DE FOURIER

1) Propriedade da Simetria

Se g (t )  G ( )
então G (t )  2 g ( )

Demonstração :

1
 G(w)e
 jt
g (t )  dw
Tomando - se a equação 2 


temos : 2g (t )   G ( w)e  jt dw


Nesta integral, w é uma variável símbolica e portanto pode ser substituída por uma
outra variável qualquer.
Por exemplo uma variável x ; assim :

2 f ( t )   F ( x )e
 jxt
dx


então

 F ( x )e
 jx
2 f (  )  dx


Da mesma forma substituindo a variável simbólica x por outra variável t, teremos :



2 f (  w)   F (t )e
 jt
dt   F (t )


Assim:
F (t )  2 f (  )

Isto demonstra claramente a propriedade de simetria quando f(t) é uma função par.

No caso em que f ( )  f () a equação F (t )  2 f ( ) se reduz a:

F (t )  2 f ()

Como foi demonstrado, pode se notar que a transformada de fourier de uma função
pulso retangular, é a função amostragem e que a transformada de fourier de uma
função amostragem é um pulso retangular.
Assim fica demonstrado que a propriedade de simetria se aplica a todas as funções
pares.

(figuras)

2) Propriedade da Linearidade

g11 (t )  G11 ( )

g 2 (t )  G2 ( )

g1 (t )  g 2 (t )  G1 ( )  G2 ( )

então se considerarmos quaisquer constantes arbitrárias a1 e a 2

a1 g1 (t )  a2 g 2 (t )  a1G1 ( )  a2G2 ( )

a1 g1 (t )  a2 g 2 (t )  .....  an g n (t )  a1G1 ( )  a2G2 ( )  .....  anGn ( )

3) Propriedade da Escala

Uma expansão do domínio do tempo equivale a uma compressão no domínio da


frequência e vice - versa.

Se g (t )  G( )

Então para uma constante real a , temos g (at ) 


1 
a
G  
a
Demonstração :


Se a > 0 ( Real )  g (at )   g (at )e
 jt
dt


fazendo x  at

(  j ) x 1  
g (at )
1
temos : 
a 
g ( x)e a dx  G 
a a

 g (at )  G( )
1
portanto
a a
1  
se a < 0 então g (at )  G 
a  a 

1  
g (at )  G 
a a

SIGNIFICADO DA PROPRIEDADE ESCALAR

g (at ) representa g (t ) comprimida na escala do tempo por um fator a .

Da mesma forma G   a representa G(w) expandida na escala da frequência pelo


mesmo fator a .

Conclusão : A propriedade escalar estabelece que comprimir uma função no


domínio do tempo equivale a uma expansão no domínio da frequência e vice-versa.

EXEMPLO

Se na escala do tempo expandirmos a função f(t), esta varia de forma mais lenta e
seus componentes no espectro diminuem, ou seja o espectro se comprime.

Como exemplo, tomemos o sinal cos0t que contém componentes de frequência


em  0 .

O sinal cos20t , representa uma compressão de cos0t num fator (2) dois e
seus componentes de frequência se encontram em  20 . Portanto é evidente que
seu espectro expandiu-se num fator igual a 2 (dois) .

Assim:

No caso em que a = -1, a propriedade escalar pode ser representada como


g (t )  G( )

Exemplo Gráfico :
TEOREMA DA TRANSLAÇÃO DE FREQUÊNCIA ( Importante )

Se g (t )  G( ) então g (t )e j 0t G(  0 )

Este teorema estabelece que numa defasagem de 0 no domínio da frequência


equivale a multiplicar a função f(t) por e j 0 t no domínio do tempo.

A multiplicação da função pelo fator e j 0 t translada todo o espectro da frequência


em 0 .

Demonstração :
g (t )e j 0 t  G (   0 )
 

 g (t )e j 0 t
   g (t )e j 0 t  j 0 t
e dt   g (t )e
 j (  0 ) t
dt  G    0 
 

Portanto :

g (t )e j o t G  0 

PROPRIEDADE DA DEFASAGEM NO TEMPO ( Importante )

Teorema

Se g(t )  G( w)

Então g(t  t 0 )  G( w). e  j t0


Demonstração :


 g (t  t 0 )   g(t  t ) .e 0
 j t0
dt
x

Substituindo

t  t0  x e dt  dx

teremos :
x x

 g (t  t 0 )   g (t  t 0 ). e  j ( x  t 0 )
dx =  g( x). e  jx
. e  jt0 dx
x x

aonde

 g( x). e
x
 jx
dx  G ( w)

Portanto : g(t  t 0 )  G( w). e  j t0

INTERPRETAÇÃO FÍSICA DA FASE LINEAR

Atraso no tempo em um sinal causa um deslocamento de fase no espectro do sinal.


Este resultado pode tambem ser derivado por argumentação heurística.
Imagine g (t ) sendo composto por suas componentes de FOURIER, as quais são
senoides com certas amplitudes e fase.
O sinal atrasado g (t  t0 ) pode ser composto pelos mesmos componentes senoidais,
cada um atrasado de t0 segundos.
As amplitudes dos componentes premanecem inalteradas. Portanto, a amplitude do
espectro de g (t  t0 ) é idêntica a de g (t ) .
O atraso no tempo ( time delay) de t0 em cada senoide, entretanto, faz a troca de fase
em cada componente.
Então um sinal senoidal cos 0t defasado de t0 é dado por :

cos  (t  t 0 )  cos( t   t 0 )

Portanto um atraso no tempo de t0 em uma senoide com frequência  apresenta um


atraso de fase de  t0 .
Esta é uma função linear de  , significando que componentes de alta frequência
precisam proporcionalmente de maior defasagem de fase para realizar um mesmo
atraso no tempo ( defasagem).
Este efeito é mostrado na figura a seguir com duas senoides, a frequência da snoide de
baixo é duas vezes maior que a de cima.
O mesmo atraso no tempo t0 equivale a um deslocamento de fase de  na senoide
2
de cima e um deslocamento de fase de  na senoide de baixo. Isto mostra que para
realizar uma mesma defasagem no tempo, a senoide com maior frequência necessita
proporcionalmente um maior deslocamento de fase.

Exemplo :

Usando a propriedade da defasgem no tempo encontre a transformada de


 a t t 0
g (t )  e
Solução :

a t 2a
Tomando-se o par de transformada e  e usando a propriedade da
a2   2
defasagem no tempo g(t  t 0 )  G( w). e  j t0 teremos :

 a t t 0 2a
e  e j t0
a  2
2

ALGUNS IMPORTANTES SINAIS E SUAS TRANSFORMADAS

FUNÇÃO IMPULSO UNITÁRIO


IMPULSO DE DIRAC

A função Impulso Unitário  (t ) é uma das mais importantes funções no estudo de


sinais e sistemas. Esta função foi inicialmentedefinida por P.A.M.DIRAC como :

Definição :


   ( t ) dt  1 t0

 ( t )  0 t0

A função impulso só tem sentido de definição na área em que a mesma se concentra
ou seja na origem em t=0.

Portanto

 0

  (t )dt    (t )dt  1
 0

onde 0  e 0  são valores arbitrários pequenos que se aproximam da origem pela


direita e pela esquerda.

A função impulso unitário pode ser considerada um pulso estreito de área unitária
com o limite de largura   0 e amplitude 1   conforme figura a seguir :

1

2 
2

Desta forma como  ( t )  0 para qualquer ponto, exceto em t=0 temos :

 

 f (t ) (t )dt 

f (0)   (t )dt  f (0)

para t0

Pode-se deduzir tambem que

 f (t ) (t  t

0 )dt  f (t 0 )

Representação Gráfica da Função Impulso de DIRAC

f(t)

 (t )

0 t
F( )


0

A transformada de Fourier de uma função impulso unitário, pode ser obtida usando-
se a propriedade de amostragem de uma função impulso.

  (t )  (t ) dt   (0)


aonde  (0) é uma função continua na origem. A propriedade da amostragem é


provada através da multiplicação  (t ) por um pulso estreito como mostrado na figura
abaixo, que representa  (t ) com limite de   0 .

 ( 0)

 (t )

2 
2

Multiplicação de uma função por um Impulso

Vamos examinar o que acontece quando multiplicamos o impulso unitário  (t ) por


uma função  (t ) coninua em t = 0.
Desde que o impulso existe somente em t = 0 , e o valor de  (t ) em t = 0 é  (0) ,
nós obtemos :

 (t ) (t )   (0) (t )

O produto  (t ) (t ) é
 ( 0)



no intervalo  2 ,

2 e


 (0) 2

  (t ) (t )dt  lim   dt  (0)


 2
Este resultado significa que a área sob o produto da função com um impulso  (t ) é
igual ao valor da função no instante onde o impulso unitário é localizado.
Esta propriedade é muito importante e usual, e, é conhecida como amostragem.

Usando-se o mesmo argumento e similarmente se  (t ) é multiplicado por um


impulso do tipo  (t  t 0 ) , ( um impulso localizado em t  t 0 ) , o resultado acima
pode ser generalizado para :

 

  (t )  (t  t ) dt   (t )

0 0 e   (t  t )  (t  t ) dt   (t
1 2 2  t1 )


Neste caso o impulso  (t  t 0 ) é localizado em t  t 0 . Portanto a área sob


 (t ) (t  t 0 ) é  (t 0 ) e o valor de  (t ) no instante onde o impulso é localizado é
t  t0 .
Com esta derivações assumimos que a função é continua no instante em que o
impulso é localizado.

FUNÇÃO DEGRAU UNITÁRIO

Uma outra função usual e também bastante importante no estudo de sinais é a Função
Degrau Unitário, denominada de u (t ) e definida por :

1 t0
u (t )  
0 t 0

Sua representação gráfica é dada por :

u (t )

0 t

Se nós procuramos um sinal para começar em t = 0 ( que tenha valor zero para t < 0 ),
nó s só precisamos multiplicar o sinal por u(t).
Para sinais com valores iniciados em t = 0 , damos o nome de SINAL CAUSAL .

Em outras palavras um sinal g (t ) qualquer é um sinal causal se :

g (t )  0  t  0
Vamos observar um exemplo conforme mostrado abaixo:

O sinal e  at ( fig. 1 ) representa uma exponencial que começa em t  0 . Se


quisermos que este sinal comece em t = 0 ( forma causal), devemos descrever este
sinal como e  at . u(t ) e sua representação gráfica pode ser vista na figura (2)

g(t) g(t)

e  at e  at . u (t )

0 t 0 t

fig. 1 fig. 2

EXERCíCIOS PROPOSTOS

1. Encontre a transformada de Fourier de f (t )  e  a t . Desenhe seu espectro

2. Encontre a transformada de Fourier de f (t )  e  a t t0 . Desenhe seu espectro

3. Dada a função g (t ) sen  0 t no domínio do tempo, determine sua Transformada de


Fourier no domínio da frequência.

4. Determine a transformada de Fourier do pulso retangular mostrado na figura a


seguir.
Desenhe seu espectro de frequência.

g (t )

 T2 T
2 t

5. Encontre a transformada de Fourier para a função representada abaixo:

g(t)

e  at

t
T
6. Mostre que g (t  T )  g (t  T )  2G( ) cos T

7. Mostre que e
j 0 t
 2 (   0 )