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Pessoa Jurídica:

1) Teoria da Ficção: foi superada pela Teoria da Equiparação (Pessoa Jurídica era algo
equiparado à pessoas naturais). Por fim, a teoria vencedora foram as Teorias da Realidade:

a) Teoria da Realidade Objetiva: É alguém que pertence à realidade das relações jurídicas (são
sujeitos da relação jurídica – tem capacidade jurídica, mas não tem legitimação para tudo). Por
essa teoria, elas são pessoas reais, mas a vontade que ela manifesta não é dela, mas sim de
seus sócios representantes. Isso quebra a ideia da total autonomia da pessoa jurídica. Por essa
última questão, essa teoria é menos aceita que a próxima.

b) Teoria da Realidade Institucional: A PJ não manifesta a vontade de seus sócios, mas sim a
vontade autônoma. Pratica atos em nome próprio, manifestando vontade própria.

A criação da PJ é bifásica: Ocorre de maneira formal, através do estabelecimento dos


atos constitutivos (estatuto ou contrato social). Depois essa criação deverá ser levada a
registro. O registro, diferentemente nos casos das pessoas naturais, é elemento essencial para
criação da PJ (art. 45 CCB).

Obs.: A criação poderá ser trifásico, no caso de pessoa jurídica que precisa de
autorização especial para funcionar (Seguradora – precisa de autorização da
SUSEP) (atos constitutivos + registro + autorização especial).

Apesar de a PJ não existir formalmente, alguns princípios podem prevalecer, como por
exemplo, a possibilidade de aplicação da Teoria da Aparência, que possibilita tratar um ente
despersonalizado como o responsável.

Obs.: Condomínio de Fato – Não é formalizado, mas no TRJ prevalece o


princípio do não locupletamento sem causa (Cavalieri – Súmula 69 do TJRJ).

2) Personalidade Jurídica:

*Ato ultra vires societatis não se confunde com a desconsideração da personalidade jurídica.

3) Teoria da Desconsideração:

São 3 características:

 Casuísmo: A desconsideração precisar ser analisada caso a caso


 Absoluta excepcionalidade
 Interpretação restritiva:

O abuso da personalidade jurídica (art. 50 CCB), está ligado ao abuso de direito (art. 187).

Desconsideração Maior: Deverá haver dolo (elemento subjetivo). Deverá haver análise do
elemento subjetivo da conduta. No direito civil moderno a análise da boa-fé já não é mais
subjetivo, pois passa a se basear no padrão do homem médio, passando a fazer um juízo de
adequação.

Aqui, se busca os elementos fáticos para verificar se houve má-fé na hora de separar
os patrimônios.

Há um consenso de quer o art. 50 do CCB adotou a teoria maior.

Desconsideração Menor: Essa parte de uma objetividade (como na boa-fé objetiva). Há um


consenso que o art. 28 do CDC adotou a teoria menor.

Desconsideração Inversa: É o oposto da desconsideração da personalidade jurídica. O sócio


protege o patrimônio de uma eventual separação conjugal.

Nestes casos, deve-se tomar cuidado, pois também há interesse da sociedade e dos
demais sócios, que são terceiros de boa-fé.

Desconsideração Indireta: Ocorre nos grupos econômicos. Alcança o patrimônio de uma PJ


maior, que não foi com a qual eu contratei. Aplica-se muito a empresa de propósito específico.

SOCIEDADE X ASSOCIAÇÃO X FUNDAÇÃO


Se a atividade não for econômica, tecnicamente não há Sociedade. Antes do Código
Civil atual, havia a expressão “sociedade civil sem fim lucrativo”. Atualmente, porém trata-se
de erro grave, pois se é sociedade tem fim lucrativo (art. 981) (mas não necessariamente será
sociedade empresária), e se não tem fim lucrativo não é sociedade, mas sim uma Associação,
cujo conceito está também no CCB, art. 53. Associação e Sociedade são conceitos muito
próximos. A diferença está no fim lucrativo, uma vez que ambas são reunião de pessoas.
Associação pode até ter lucro (superávit), mas não pode ter finalidade lucrativa, já que todo o
lucro da associação deve ser revertido em seu próprio benefício ou de seus associados. Já em
uma sociedade, o lucro tem que ser distribuído proporcionalmente entre os sócios.

Também não há que se confundir Associação e Fundação, apesar de nenhuma delas


perseguir o lucro. A fundação pode ser constituída por uma pessoa só, não precisa ter reunião de
pessoas. Conforme disposto no artigo 62 do CCB, fundação nada mais é do que parte do
patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, destacada e vinculada a uma atividade lícita. Esse
ato de criação da fundação pode ser inter vivos ou causa mortis.
) Fundações (art. 62):

Essas são as fundações privadas (não confundir com as públicas). As fundações


privadas possuem caráter de ordem pública.

Existe a função social da pessoa jurídica, havendo um regramento do Estado referentes


às PJ.

As fundações exercem uma atividade voltada para o campo social (finalidade social –
art. 62).

(pegar diferença entre associação e fundação).

) Entes despersonalizados

Há um coletivo de pessoas, nesse coletivo de pessoas existe um patrimônio, e esse


patrimônio e pessoas podem exercer atos que o interesse é comum. O cenário é próximo de
uma PJ comum. Essa união poderá ser por ordem legal, em que os interesses almejados estão
fixados na legislação. Portanto, praticam atos específicos previstos em lei.

Há quem diga que não há diferença entre esse e as PJ, pois praticam atos da vida civil
de maneira colegiada.

Esses entes despersonalizados ensejam um conjunto de direitos e obrigações de


pessoas e bens, com capacidade processual, mediante representação (art. 12 CPC), sem
personalidade jurídica. Essas possuem capacidade processual, embora não tenham
personalidade jurídica autônoma.

Há quem defenda que a família possa ser considerada um ente despersonalizado.


Porém isso não é pacífico.

) Condomínio:

Há quem defenda que o Condomínio já é uma pessoa jurídica. Embora o art. 12, IX, o
trate como ente despersonalizado, parte da jurisprudência e doutrina o trata como PJ.

Para muitos, materialmente já é pessoa jurídica.


Desconsideração da Personalidade Jurídica da Pessoa
Jurídica
(Ver informativo 501 – STJ)

A desconsideração deverá ser a exceção e não a regra, sob pena de ferir o valor da livre
iniciativa, prevista como fundamento do Estado Democrático de Direito no art. 1º, IV, CRFB.
O Estado buscou tutelar o patrimônio da pessoa jurídica.

1) Origem da Desconsideração Personalidade Jurídica:


Predomina o entendimento de que a desconsideração surgiu no início do século XIX
(1897), no caso Salomon (Inglaterra). Neste caso, não havia lei ou precedente sobre o caso.
Discutiu-se o abuso (que já existia anteriormente no direito francês), no qual se pressupõe a
titularidade de uma situação jurídica qualquer, e o abuso funcionaliza essa situação para alguns
fins (boa-fé, bons costumes, finalidade econômica e social).

O abuso, portanto, era o desvirtuamento da finalidade, e serviu de fundamento para a


desconsideração da personalidade jurídica. Assim, a desconsideração, nesse caso, foi analisada
sob a perspectiva do abuso (a desconsideração nasceu pelo abuso), e estava ligada à teoria
maior.

Posteriormente, Rolf Serick, na Alemanha, no ano de 1950, publicou uma monografia


estruturando cientificamente o tema da desconsideração.

2) Conceito:
A desconsideração é a faculdade atribuída à Parte ou Ministério Público, de requerer a
extensão dos efeitos de uma determinada relação obrigacional ao patrimônio de um membro da
pessoa jurídica ou do seu administrador.

Obs.: Não se pode incluir o abuso no conceito, pois isso excluiria a teoria
menor da desconsideração.

2.1) Efeitos:
Alguns autores utilizam o termo “despersonificação”. Porém, tal nomenclatura
não está correta, uma vez que a personalidade jurídica se mantém, e apenas é afastada
no caso concreto (certa de determinada relação obrigacional), de modo que o débito se
afaste da Pessoa Jurídica e atinja a Pessoa Natural.

Assim, para as demais relações jurídicas ainda prevalecerá a autonomia da


pessoa jurídica.

Portanto, o efeito da desconsideração não é despersonalizar, mas sim


estender o débito de uma relação jurídica, que tenha a Pessoa Jurídica como
devedora, para uma Pessoa Natural.

Inclusive, esta extensão não impossibilita que o credor pratique atos de


constrições sobre a própria Pessoa Jurídica.

3) Teorias da Desconsideração
3.1) Teoria Maior
Corresponde à origem, na jurisprudência inglesa, e na doutrina alemã, exigindo o abuso
no uso ou exercício da autonomia patrimonial.

A maior exige, além disso, um prejuízo para atribuir interesse no requerimento de


desconsideração, segundo o Prof. Fábio Ulhoa.

Obs.: Na prática, a desconsideração é utilizada nos casos de insolvência.


Porém, conceitualmente, a desconsideração não depende da insolvência.

* Art. 50 do CCB – Este artigo reúne as chamadas teoria subjetiva e teoria objetiva da
desconsideração, respectivamente, ao se referir a “desvio de finalidade” e “confusão
patrimonial”. A Doutrina e o STJ entendem que o artigo deva ser interpretado restritivamente,
para exigir esses pressupostos caracterizadores de uma forma de abuso para a desconsideração.

3.2) Teoria Menor:


A menor exige apenas o prejuízo causado ao credor.

* Art. 34 da Lei 12.529, no caso de infração da ordem econômica.


* Art. 4º da Lei 9.605.

* Art. 28 do CDC.

Na Desconsideração Direta a Pessoa Jurídica pratica o abuso e o patrimônio do sócio é


atingido.

Já na Desconsideração Indireta, uma PJ comete um abuso e a responsabilidade se


estende ao patrimônio de outra que compõe o mesmo conglomerado econômico.

Na Desconsideração Inversa, o sócio ou administrador comete a ilicitude e a PJ é


alcançada no seu patrimônio (Ex.: Direito de Família – marido transfere dinheiro e automóveis
para uma PJ para evitar a partilha em divórcio que se aproxima).

Resposta Oficial n.1:

Sobre essa questão devemos analisar o seguinte

1) Por se tratar de revenda, fica afastada a destinação final exigida pelo art. 2º, CDC,
devendo ser aplicado o art. 50 do CCB para o debate.
2) A penhora online pode ser deferida antes de expedir o mandado de penhora portas a
dentro, por envolver dinheiro e promover a efetividade do processo.
3) O fundamento alegado pelo autor da ação é baseado na teoria menor da
desconsideração. Deve ser afastada porque o caso é regulado pelo art. 50 do CCB.
4) A desconsideração não pode ser deferida ou indeferida através de um “simples
despacho”, sendo obrigatória uma decisão interlocutória, devidamente fundamentada
para cumprir o art. 93, IX, CRFB, e permitir a sua impugnação pelo devido processo
legal.
5) Há uma discussão em torno do momento processual para ocorrer a desconsideração.
Um primeiro entendimento, sustentado por Fabio Ulhoa, exige a presença do sócio no
polo passivo durante o processo de conhecimento, de forma a evitar a violação dos
limites subjetivos da coisa julgada.
Porém, a doutrina majoritária admite a desconsideração incidental. Primeiro,
porque não se confunde a autoridade da coisa julgada com a eficácia natural da
sentença. A autoridade se aplica apenas às partes, mas a eficácia a todos, ou seja, o
sócio poderá discutir amplamente o conteúdo da decisão.
Segundo, porque os artigos 592, II, e art. 596 preveem hipóteses de penhora de
bens do sócio por dívida da sociedade.
Terceiro, porque não há ofensa ao contraditório, mas uma simples postergação
do debate para o momento posterior.
Por último o princípio da efetividade do processo impediria a inclusão do sócio
em um primeiro momento.
(Informativo 524 do STJ – VER)