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ARLS

AURORA SANTARROSENSE

Nº 3.802

TEMA:

MIrCTMR
 

Or Santa Rosa de Viterbo/SP

Junho de 2019 – EV


A R L S AURORA SANTARROSENSE - Nº 3.802
FUNDADA EM 04 de julho de 2006
Reuniões às 4ªs feiras – 20:00 hs
 14.270-000 - Santa Rosa de Viterbo – CP 22 – Estado de São Paulo – Brasil
: carlosbaruco@yahoo.com.br

À GDGADU


FRATERNIDADE

A Maçonaria, fundamentada sobre os pilares da Liberdade, Igualdade e Fraternidade,


tem nesta última sua estrutura fisiológica mais elementar e ao mesmo tempo mais nobre e
pujante.
Assim como outrora, nas origens operativas da Gloriosa Ordem, profissionais da
construção se organizavam em corporações laborais, denominadas “Guildas”, onde eram
admitidos após submeterem-se a cerimoniais, prestando juramentos para manter incólumes
as tradições ali transmitidas e praticadas. A qualidade de membro de tais instituições garantia
liberdade para a prática de ofício, bem como proteção comercial, política e financeira.
De igual maneira, em nosso tempo, o candidato que submetido à Iniciação maçônica
passa a compor uma grande família, sendo tratado por “irmão”. Este epíteto apela à face
espiritual da Ordem, uma vez que reúne homens de distintas origens genealógicas em uma só
criatura, quando morrem na Câmara das Reflexões para renascerem produzidos através do
germe filosófico que os transforma.
A qualidade de irmãos pressupõe características comuns e afeto sólido, uma vez que os
maçons devem dedicar-se uns aos outros tendo a obrigação de proceder sempre que seus
pares necessitarem de auxílio. Ela permite a dissolução de quaisquer desajustes, uma vez que
propicia a igualdade, pois entre colunas todos devem estar desprovido de seus metais, e a
liberdade de poderem expressar os mais nobres sentimentos inspirados pelo Grande
Arquiteto do Universo.
A expressão “irmão” apresenta tamanho significado, que é referenciado explicitamente
nos mais relevantes documentos que servem como base para a estruturação da Ordem, como
por exemplo no “Poema Regius”, tido pelos historiadores como o mais antigo documento
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maçônico conhecido, sendo datado de 1390, no seguinte trecho:

“Todavia, um maçom jamais deveria querer chamar um


outro no ofício, diante de todos os demais, de servo ou servidor,
mas sim de meu caro irmão”

E de igual maneira nas “Constituições dos Franco-Maçons” do Ir James Anderson, de


1721:

“Os Artesãos devem evitar qualquer linguagem ofensiva, e


não dirigirem-se uns aos outros por nomes que não sejam Irmão ou
Companheiro, e conduzirem-se cortesmente dentro ou fora da
Loja.”

RECONHECIMENTO
Assim como expresso no Ritual do 1º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito na
Abertura Ritualística das Sessões Ordinárias, ao ser indagado pelo VenM: “Sois

Maçom?”, o Ir1º Vigresponde “MIrCTMR"Mas, em que consiste este


reconhecimento? Quais as formas de um maçom ser reconhecido por seus irmãos?
Logo na cerimônia de iniciação, em suas primeiras instruções, o neófito aprende sobre
diversos sinais, gestos, toques e palavras para reconhecer e ser reconhecido como membro da
Ordem Maçônica. Eles garantem aos irmãos maneiras claras e seguras de firmarem-se uns
aos outros, porém de maneira discreta, passando muitas vezes despercebida àqueles que não
os conhecem.
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Contudo, em que pese ser iniciado e compor os quadros de determinada obediência, o


caminho a ser seguido é senão de trabalho árduo, tal qual o executado pelos construtores, que
forjam com pedra, aço e argamassa as mais belas e sutis obras de arquitetura.
O maçom é, antes de mais nada, aquele que se reconhece como tal, amoldando-se a
cada instante, ajustando sua conduta aos mais sublimes ideais, elevando os seus “bons
costumes”, condição sine qua non do iniciado, e desbastando as imperfeições que lhe restam
do espirito e do coração, que ainda o fazem uma pedra bruta.
De igual maneira, é reconhecido por seus irmãos, sobremaneira, pelas atitudes que
apresenta, tanto em loja quanto na vida cotidiana, pois a primeira nada mais é, em seu
conjunto, do que símbolo do universo que nos rodeia.
O caminho é longo e muitas vezes tortuoso. Não se espera que um irmão seja um
“super herói” imerso em uma realidade permeada de hipocrisia e podridão, como nos soa o
mundo profano, mas que seja um entusiasta na busca do autoconhecimento e auto
aperfeiçoamento, e que se iluminando possa trazer um pouco de luz a toda a humanidade.

MENS IN CORPORE TANTUM MOLEM REGIT

Outro significado atribuído comumente ao acrônimo MICTMR seria a


expressão latina “Mens In Corpore Tantum Molem Regit”, que em tradução literal representa
“A mente rege todo o corpo”.
A dualidade entre corpo e alma foi explorada na filosofia ocidental primeiramente por
Platão na obra intitulada “Fédon”, onde a personagem Fédon de Élis, discípulo de Sócrates,
relata as derradeiras horas de seu mestre ao filósofo pitagórico Equécrates, onde são
apresentadas profundas reflexões a respeito da morte e da sobrevivência do que seria a
porção imaterial do ser humano, aquela que o confere a capacidade de raciocinar,
diferenciando-o dos demais seres.
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Mais tarde o filósofo matemático René Descartes conclui que além de uma realidade
material, haveria também uma realidade imaterial que interagiria com a realidade física,
constituída por entidades não extensas, que seriam responsáveis pelas faculdades racionais
do homem. Tais entidades ou espíritos caracterizar-se-iam por serem indivisíveis, não
ocupando lugar no espaço e não estando sujeitas às leis da mecânica.
Como a mente possui as capacidades de raciocínio, percepção e vontade, ela influencia
o corpo e é por ele influenciada. Por exemplo, quando pensamos em executar alguma ação,
essa decisão influencia os músculos para execução da ação desejada. Do mesmo modo,
quando o corpo recebe algum estímulo, como a luz, por exemplo, a mente capta esse
estímulo, o interpreta e determina a resposta adequada.
Para Descartes, o único ato realmente verdadeiro e que é produzido pela mente é o
pensamento, sendo todo o resto, inclusive o mundo material, passível de dúvida, ou seja,
tudo que vemos, sentimos, tocamos, pode ser fruto de nossa imaginação, não existindo
realmente. Apenas o pensamento tem força e prova de verdade, chegando o ilustrado filosofo
à celebre conclusão: “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum).
As sensações seriam uma espécie de apreensão, pelo pensamento, do que se passa no
plano corpóreo. Porém, a relação entre as sensações e o pensamento (em especial a vontade)
não obedece a uma lógica pré-determinada, indicando o autor que aqueles que se aproximam
mais de sua porção imaterial, e naturalmente se afastam de sua materialidade (animal),
tendem a resistir mais à sensações efêmeras, aquelas que trazem prazeres momentâneos, tais
como as paixões e os vícios.
Em consonância com o glorioso filósofo, no Ritual do 1º Grau do Rito Escocês Antigo
e Aceito, quando do interrogatório que é aplicado aos visitantes das Lojas, conhecido por
“Telhamento”, são realizadas as seguintes indagações:

VenM “O que se faz em vossa loja?”


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Vis “Levantam-se templos à virtude e cavam-se masmorras ao vício”

VenM “O que vindes aqui fazer?”

Vis “Vencer minhas paixões, submeter minha vontade e fazer novos


progressos na Maçonaria”

É evidente, portanto, que a Maçonaria em seu caráter progressista, apela o iniciado


pelo domínio de suas inclinações mais espúrias. O trabalho do maçom, é transformar a pedra
bruta, aplanando suas arestas, polindo, até a perfeição cúbica, ou seja, partir do animalesco
(corporal, carnal, material) ao sublime (divino, espiritual), aproximando-se cada vez mais
dos propósitos do Grande Arquiteto do Universo.
Em ambas as abordagens, a máxima MIrCTMRserve de guia ao irmão
maçom em sua conduta íntima e social, e assim como todos os outros ensinamentos da Real
Arte deve ser considerado como verdadeiro tesouro proporcionado aos que dele são
merecedores, resumido nas palavras do eminente IrBenjamin Franklin:

“O trabalho maçônico é puramente um trabalho de amor.


Aquele que buscar receber salários na Maçonaria em ouro ou prata,
ficará desapontado. Os salários de um maçom são ganhos e pagos
na interação com seus irmãos. Simpatia gerará simpatia, bondade
gerará bondade, auxílio gerará auxílio e estes são o salário de um
maçom.”
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

https://www.freemason.pt/secmaconaria/simbolismo/irmaos-reconhecem-me-como-tal/

https://www.banquetemaconico.com.br/os-meus-irmaos-reconhecem-me-como-tal/

https://www.revistauniversomaconico.com.br/vivencia-maconica/ninguem-e-macom-somos-

reconhecidos-como-tal/

https://www.revistauniversomaconico.com.br/curiosidades/a-origem-da-palavra-irmao/

https://www.infoescola.com/psicologia/descartes-e-a-natureza-do-corpo-e-da-mente/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dualismo_mente-corpo#Plat%C3%A3o_e_Arist%C3%B3teles

Daniel Luporini de Faria (2006) – O Problema da Relação Mente-Corpo e a Consciência

como sua Manifestação.

Grande Oriente do Brasil (2009)- Ritual do 1º Grau: Aprendiz-Maçom do Rito Escocês

Antigo e Aceito

Jules Boucher (2015)- A Simbólica Maçônica

René Descartes (1641)- Meditações Sobre Filosofia Primeira

Rizzardo da Camino (2018)- Dicionário Maçônico