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TEXTO: CONSIDERAÇÕES ACERCA DA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ DA GESTAÇÃO AO

PUERPÉRIO

A relação que a mãe estabelece com o bebê é essencial para o desenvolvimento


emocional, social e cognitivo da criança. Isso vai espelhar as suas relações futuras e
ajudar a organizar sua vida psíquica. Afeta não só o bebê mas todo o núcleo familiar
(pais), principalmente a mãe.

A forma como a mãe vivencia a experiência da revelação da gravidez (foi uma gravidez
planejada? ela quis ou quer dar continuidade a isso?), as modificações que vão ocorrer no
seu corpo, o apoio emocional, social, familiar. Todas as experiências que a mulher
vivenciar durante a gravidez até o momento do parto e puerpério são essenciais para que
ela consiga estabelecer o vínculo afetivo com o seu bebê.

É importante que a ideia de que amar o filho é intrínseco à mãe não faça da mulher refém
dessa situação, mais uma exigência social. Pois as experiências vividas por ela durante
toda a sua vida (infância, relação com os pais, gravidezes na família, outras gravidezes
que ela tenha passado, aborto, etc.), sua relação com o parceiro, sua gravidez atual,
influenciam na formação desse vínculo. Algumas experiências influenciam positivamente
e outras negativamente. Essa mãe precisa de amparo, de ajuda. E não de mais uma
imposição social. As experiências de vida da gestante e sua relação com os pais
influenciam a sua relação com o próprio filho. Esses sentimentos vêm à tona nesse
período. É o que o autor chama de “"Terremoto hormonal, físico e psicológico"

No período pré-natal, os pais imaginam como será o seu bebê, qual será o seu
temperamento, com qual dos dois ele vais e parecer, quais características vai herdar. Aos
poucos, com a realização dos exames isso vai se concretizando. Vão descobrindo o sexo
do bebê com a USG, qual a posição em que ele está, o seu rostinho; pequenas
características, mas que são muito importantes para a concretização do bebê e a
formação do vínculo afetivo. Esse bebê aos poucos sai do campo imaginário e ganha a
realidade.

Dificuldade da mãe em transformar o bebê que estava na sua barriga, naquele bebê
materializado à sua frente. Muitas entram em negação nas primeiras semanas.
Gravidez é um período de sentimentos ambivalentes. No qual a mulher quer e não quer
estar grávida, no qual a mulher ao mesmo tempo que fica mais compreensiva, também
tem momentos de raiva e choro, ansiedade. sentimentos muito contraditórios em um curto
espaço de tempo. São muitas modificações acontecendo ao mesmo tempo.

Algumas podem ter um sentimento de amputação após o parto. Foi retirado algo dela, que
era dela, saiu dela. Isso pode ser vivenciado como algo negativo.

Descoberta de que o bebê que nasceu é uma pessoa independente, não é mais parte da
mãe. É preciso materializar isso e entender.

As primeiras relações da mãe com esse bebê são não verbais e, por isso, é carregada de
emoção e instinto. Erros e acertos. Até a mãe aprender a estabelecer essa comunicação
e entender quais são as necessidades do bebê e por que ele está se comportando assim
em várias situações diferentes.

Formação do vínculo: pais com o bebê / Apego: bebê com os pais/quem cuida dele
A criança, através da formação do "apego" ela sente-se segura para explorar esse novo
mundo, as novas experiências. Isso se torna um "conforto mental", amparo. Ele sente-se
seguro nessa relação.

Termo "mãe suficientemente boa" me traz um desconforto. Não concordo com a utilização
desse termo. A mãe pode estar fazendo o seu máximo pela criança, por esse vínculo, e
ainda assim o máximo dela pode não se encaixar com o ideal para uma mãe
"suficientemente boa". Devemos então culpar a mulher? Por que um homem deve
estabelecer quais os critérios para que uma mãe seja considerada "suficientemente boa".

"Preocupação Materna Primária" tem relação com permitir que o filho tenha suas próprias
experiências desde bebê. Permita que ele tenha suas próprias sensações com o
ambiente ao seu redor. Deixe ele explorar, ter certa independência.

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