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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1° UJ – 2° JD CÍVEL

DA COMARCA DE GOVERNADOR VALADARES/MG

Processo n°.: 0096940-39.2018.8.13.0105

ROBSON JÚNIO VIEIRA DE SOUZA, já qualificado na peça preambular, vem,


nos termos do art. 41 da Lei 9.099, interpor

RECURSO INOMINADO

Em face da decisão que julgou parcialmente procedente a ação de danos


materiais e morais ajuizada em face de LATAM AIRLINES DO BRASIL.

Requer desde já o recebimento do presente recurso e sua retratação.

Assim não sendo, requer seja remetida à Turma Recursal competente.

Termos em que pede e espera deferimento.

Governador Valadares, 06 de março de 2020.

ROBSON JÚNIO VIEIRA DE SOUZA


OAB/MG 163.996

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RAZÕES DE RECURSO INOMINADO

Processo n°.: 0096940-39.2018.8.13.0105


Recorrente: Robson Júnio Vieira de Souza
Recorrido: LATAM Airlines do Brasil

EGRÉGIA TURMA RECURSAL

Há de ser reformada a decisão ora recorrida, porquanto proferida em completa dissonância


para com as normas aplicáveis à espécie, inviabilizando, portanto, a realização da Justiça.
 
 
I – BREVE SÍNTESE E DA DECISÃO RECORRIDA
 

O recorrente contratou a recorrida para transporte aéreo no trecho Belo Horizonte/São


Paulo/SP, devidamente marcado para o dia 21 de Julho de 2018, com saída prevista
para 06:15 horas. No entanto, faltando pouco tempo para o embarque, o Autor fora
surpreendido com a notícia de que seu voo havia sido cancelado, sem qualquer outra
explicação da empresa Ré.

Nesse momento, um grande sentimento de angústia afetou o recorrente, tendo em vista


que a viagem era motivada pela prestação de um concurso público na cidade de São
Paulo/SP, o qual o autor havia se dedicado e estudado por diversos meses.

Inconformado, o autor buscou suporte junto à companhia aérea, sem êxito, mesmo
após inúmeros contatos e uma grande espera em filas e por telefone, conforme os
protocolos informados na fl. 03. Assim, após todo esse desconforto e constrangimento,
o autor foi obrigado a adquirir nova passagem aérea de outra companhia para não
perder sua prova e todo o esforço que havia feito para chegar até ali.

Contudo, não obstante a prova constituída nos autos, o juiz sentenciante não acolhera o
pedido indenizatório formulado. Em síntese, rechaçou o pleito sob o enfoque de que
existira, tão só, mero aborrecimento. Por isso, mesmo reconhecimento a má prestação
do serviço, fundamentou inexistir dano moral a ser reparado.

Nesse compasso, acreditando existir error in judicando, apresenta-se este Recurso


Inominado para que seja reformada a r. sentença.

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2.1. A existência do dano moral
O ponto nodal do debate limita-se ao exame da existência, ou não, da responsabilidade
civil da recorrida. Isso, sobremaneira, porquanto a sentença guerreada se fundamenta
na inexistência der dano moral, ocorrendo, tão só, fato trivial do cotidiano humano.

Prima facie, urge asseverar que a situação em espécie ultrapassa, e muito, o mero
aborrecimento, o simples dissabor.

Do enredo, descrito na exordial, da prova carreada, vê-se que houve longa espera até o
embarque em outro voo. O espaço de tempo, registre-se, foi superior a cinco horas.  
Longo período, indiscutivelmente. Para além disso, inúmero outros contratempos,
atrasos, desconfortos.

Assim, inquestionável que isso, per se, converte-se em gravidade, suficiente a causar
desequilíbrio emocional, afetando o bem-estar, máxime com relevante sofrimento
psicológico.

Noutro giro, apesar disso, a recorrida não disponibilizou qualquer suporte, mormente
material. É dizer, não tivera o mínimo de zelo, de respeito, com todos os passageiros
daquele voo.

Nesse passo, não se trata, como revelado no decisum, de transtorno do cotidiano de


passageiros. Dessarte, faz jus à reparação por dano moral.

Nessa mesma ordem de ideias, apregoam   Flávio Tartuce  e  Daniel Amorim Assumpção
Neves ,  ad litteram:

Assim, deve-se atentar para louvável ampliação dos casos de dano moral,
em que está presente um aborrecimento relevante, notadamente pela perda
do tempo útil. Essa ampliação de situações danosas, inconcebíveis no
passado, representa um caminhar para a reflexão da responsabilidade civil
sem dano, na nossa opinião. Como bem exposto por Vitor Guglinski, “a
ocorrência sucessiva e acintosa de mau atendimento ao consumidor,
gerando a perda de tempo útil, tem levado a jurisprudência a dar seus
primeiros passos para solucionar os dissabores experimentados por
milhares de consumidores, passando a admitir a reparação civil pela perda
do tempo livre... 
                       
Nessa esteira, inclusive, é o entendimento jurisprudencial: 
 
 
RECURSO INOMINADO. TRANSPORTE AÉREO. AÇÃO DE
INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS.

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ATRASO DE VOO. ALEGAÇÃO DE MANUTENÇÃO
EXTRAORDINÁRIA. FORTUITO INTERNO.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. FALHA NA PRESTAÇÃO
DE SERVIÇO EVIDENCIADA. DANO MATERIAL
CONFIGURADO. DANO MORAL CONFIGURADO.
QUANTUM ADEQUADO AO CASO. SENTENÇA MANTIDA
POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO
CONHECIDO E NÃO PROVIDO.
(TJPR – 2ª Turma Recursal – 0000446-88.2016.8.16.0141 – Realeza –
Rel.: Marcos Antonio Frason – J. 23.05.2018)

RECURSO INOMINADO. TRANSPORTE AÉREO.


APLICABILIDADE DAS CONVENÇÕES INTERNACIONAIS
DE VARSÓVIA E DE MONTREAL. ALTERAÇÃO DE
ITINERÁRIO INJUSTIFICADA. FALHA NA PRESTAÇÃO DO
SERVIÇO. DANOS MATERIAIS COMPROVADOS.
RESTITUIÇÃO DEVIDA. DANO MORAL. REDUÇÃO DO
VALOR FIXADO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
1.São aplicáveis as disposições da Convenção Internacional de
Varsóvia e Montreal aos conflitos que envolvem relação de
consumo em transporte aéreo internacional de passageiros, haja
vista a decisão, com repercussão geral, do Supremo Tribunal
Federal, por força do Recurso Extraordinário (RE) 636331 e do RE
com Agravo (ARE) 766618: “Nos termos do art. 178 da
Constituição da República, as normas e os tratados internacionais
limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de
passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal,
têm prevalência em ”.relação ao Código de Defesa do
Consumidor.
2.De acordo com o art. 19 da Convenção de Montreal, a companhia
aérea tem o dever de adotar “todas as medidas que eram
razoavelmente necessárias para evitar o dano ou .”que lhes foi
impossível, a um e a outros, adotar tais medidas.
3.A mera alegação de readequação da malha aérea, somada ao
descaso e relapsia da companhia aérea quanto à demonstração da
causa e forma de administração do incidente, não exime a ré de
sua responsabilidade pela alteração do itinerário do consumidor,
razão pela qual deve responder pelos prejuízos causados.
4.Havendo nexo causal entre as despesas comprovadas nos autos e
o atraso do voo, patente o dever de restituir.
5.O quantum fixado na sentença a título de danos morais (R$
8.000,00) se mostra excessivo, razão pela qual ser diminuído para
R$ 5.000,00, a fim de atender o limite indenizatório estipulado
internacionalmente (art. 22, item 1, da Convenção de Montreal),
bem como os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e os
parâmetros desta Turma Recursal.
6.Recurso parcialmente provido para minorar a condenação em
danos morais.

4
(TJPR – 2ª Turma Recursal – 0021154-26.2015.8.16.0035 – São José
dos Pinhais – Rel.: Alvaro Rodrigues Junior – J. 22.05.2018)

2.2. DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA EMPRESA AÉREA


 
É inconteste que que a recorrida se enquadra na classe de fornecedora de serviços.
(CDC, art. 3º). Lado outro, o recorrente se ajusta à categoria de consumidor, máxime
quando é destinatário final dos serviços/produtos. (CDC, art. 2º).   É conta disso, há
inegável relação de consumo. 
Nesse passo, assentada o enlace consumerista, é indiferente se há conduta culposa do
fornecedor, existindo defeito na prestação do serviço, alberga-se a responsabilidade
civil desse. (CDC, art. 14) É dizer, configura-se a teoria da responsabilidade civil
objetiva. 
É de todo oportuno gizar o entendimento de  Fábio Podestá, quando, levantando
considerações acerca da má prestação de serviços, leciona, ad litteram:  

Aos sujeitos que pertencerem à categoria de prestadores de serviço, eu não


seja pessoas físicas, imputa-se uma responsabilidade objetiva por defeitos
de segurança do serviço prestado, sendo intuitivo que tal responsabilidade
é fundada no risco criado e no lucro que é extraído da atividade.

O defeito do serviço tanto pode ser apurado em função do modo de


prestação (qualidade inadequada) ou na forma de comercialização
(informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos)
(Nessa linha HERMAN E BENJAMIN, Comentários ao Código de Proteção
ao Consumidor, p. 79).

 
Importa destacar estes arestos de jurisprudência:
 
TRANSPORTE AÉREO INTERNACIONAL. AÇÃO DE
INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
MORAIS. CANCELAMENTO DE VOO. BAGAGEM
EXTRAVIADA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. APELAÇÃO
DA RÉ.
Cancelamento de voo poucas horas antes do embarque em razão de
supostos problemas. Mecânicos da aeronave, resultando em atraso
na chegada do autor a Nova Iorque. Prestação de serviços
inadequada em razão dos transtornos suportados pelo autor.
Responsabilidade objetiva da ré evidenciada, ante a falha na
prestação dos serviços. Indenização por danos morais devida, sendo
o montante da condenação corretamente quantificado e de acordo

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com o pretendido pelo autor. Sentença mantida. Recurso não
provido.
 
Uma vez que, nessa situação, o dano é presumido, maiormente face à má prestação do serviço,
caberia à recorrida, por isso, desincumbir-se em comprovar a regularidade nos préstimos
ofertados, o que não o fizera.
 

DO PEDIDO

Diante do exposto, requer:

A) O recebimento e a total procedência do presente recurso, para fins de


condenação da parte ré ao pagamento de danos morais ao recorrente;

B) A intimação do recorrido para se manifestar querendo, nos termos do art. 1010


do CPC;

C) Protesta e pugna pela concessão dos benefícios da justiça gratuita, a teor das
Leis n° 1.060/50 c/c com art. 1º da Lei 7. 115/83 e Lei 7.510/86; art. 5º inciso
LXXIV, da CF e art. 19 do CPC;

D) A condenação do recorrido ao pagamento de despesas processuais e


sucumbência.

Nesses termos, pede deferimento.

Governador Valadares, 06 de março de 2020.

ROBSON JÚNIO VIEIRA DE SOUZA


OAB/MG 163.996

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