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Ação de prestação de contas de campanhas eleitorais: fundamentos jurídicos e contábeis

RESUMO

Esta pesquisa tem por objetivo compreender os fundamentos jurídicos e/ou contábeis que justificam a
desaprovação da Ação de Prestação de Conta de Campanha dos candidatos nas eleições de 2010. Para sua
realização foi efetuada uma pesquisa bibliográfica, exploratória e documental, visando identificar as atribuições
da Justiça Eleitoral e o seu envolvimento na hora de avaliar a prestação de contas dos candidatos. Este trabalho
está organizado em cinco tópicos: Inicialmente é apresentada a Introdução do trabalho; O segundo é referente à
Revisão da Literatura, onde são apresentados os conceitos, as atribuições, finalidades e sua área de atuação tanto
da Contabilidade como do Direito Eleitoral, para com a sociedade brasileira; O terceiro trata sobre a Abordagem
Metodológica da pesquisa, em que, são analisados os resultados da pesquisa exploratória e documental. O quarto
capitulo, apresenta o resultado obtido da pesquisa, que evidência as ferramentas utilizadas pela Justiça Eleitoral
para analisar as prestações de contas de campanha, são elas: as normatizações de procedimentos desenvolvidos
nas diversas áreas da Justiça Eleitoral através de suas Leis e Resoluções; e a utilização da Contabilidade como
forma de garantir a adequada verificação da origem e aplicação dos recursos apresentados nas prestações de
contas de campanha eleitoral dos candidatos durante e após as eleições; E por ultimo as Considerações Finais.

Palavras – chaves: Direito Eleitoral; Ação de Prestação de Contas de Campanhas e Rejeição


de Contas Eleitorais; Contabilidade.

1. INTRODUÇÃO

O tema deste trabalho está dentro do Direito Eleitoral, precisamente dentro do Direito
Processual Eleitoral, que é uma das ramificações do Direito Público Brasileiro. O trabalho
abordou a Ação de Prestação de Contas Campanhas Eleitorais (APCCEs,) apresentando em
sua bibliografia os principais conceitos relativos à matéria, os fundamentos jurídicos e
contábeis, e os efeitos das decisões proferidas nas APCCEs.
O presente trabalho delimita-se a fazer comentários sobre a legislação eleitoral,
devendo ser abordado ao longo da pesquisa os aspectos essenciais da Ação de Prestação de
Contas de Campanha Eleitoral (APCCEs), como conceito, natureza jurídica, forma e prazos.
Respondendo à seguinte questão: Quais os fundamentos Jurídicos e/ou Contábeis que levam
às Prestações de Contas de Campanhas a serem rejeitadas?
O objetivo deste artigo é, então, evidenciar os fundamentos legais que justificam a
desaprovação da Ação de Prestação de Conta de Campanha Eleitoral; apresentar a
organização da Justiça Eleitoral; Falar das leis eleitorais em vigor para as eleições 2010;
Apresentar os aspectos essenciais das APCCEs; E apresentar os efeitos desse tipo de ação na
vida política dos candidatos.
Estudar os meios de exercício da Democracia Brasileira e as formas jurídicas que lhe
dão suporte, torna-se importante à medida que fortalece o estado democrático que precisa
também ser de direito, conforme preceitua a Constituição Federal do Brasil de 1988. Somente
no ano de 1997, com a promulgação da Lei 9.504 de 1997, mais conhecida como Lei das
Eleições, o Brasil “democrático” veio a ter uma lei de eleições forte, que instituiu um modelo
de processo eleitoral duradouro, diferente do que ocorria durante o período militar.
O Tribunal Superior Eleitoral, usando das atribuições que lhe conferem o artigo 23,
inciso IX, do Código Eleitoral e o artigo 105 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997,
expediu a RESOLUÇÃO TSE de nº 23.217, de 02.03.2010, que normatizou as APCCEs, nas
eleições do ano de 2010, estabelecendo as normas de Limites de Gastos; dos Recibos
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Eleitorais; dos Comitês Financeiros; da Conta Bancaria; da Arrecadação dos recursos; das
Doações recebidas; dos Gastos Eleitorais; dos Recursos não identificados; e da Obrigação de
Prestar Contar a Justiça Eleitoral.
O estudo das APCCEs, bem como dos fundamentos do Direito Eleitoral garante a
população brasileira um processo eleitoral seguro, lícito e integro, o que deve ser incentivado
por esta academia a abordagem de assuntos relacionados ao tema que se propõe estudar.
Os motivos que justificam esta pesquisa acadêmica são três: a primeira é pessoal, isso
por que o pesquisador serviu a Justiça Eleitoral, especificadamente na 191ª Zona Eleitoral, da
Comarca de Capim Grosso – Bahia, por mais de dez anos, vivenciando na prática o conteúdo
abordado, e presenciando as dificuldades da pouca quantidade de material didático na área. A
segunda é a científica, como são poucos os trabalhos acadêmicos sobre o tema, este estudo
busca ser de grande valia para o dia-a-dia dos profissionais do direito eleitoral, especialmente
àqueles que lidam com as APCCEs, seja nas Zonas Eleitorais, seja nos Tribunais Eleitorais.
Por ultimo, considerando que o Brasil é um estado democrático do Direito, e como a pesquisa
trata da questão eleitoral, a terceira justificativa deste trabalho é a social, pois visar
possibilitar transparência ao cidadão e a sociedade como um todo.
As razões que fundamentam e dão suporte às APCCEs, foram feitos através da
pesquisa bibliográfica, que deu notória atenção às definições doutrinárias referentes ao tema,
aspectos históricos relacionados e fundamentação jurídica.
Para uma melhor compreensão, o artigo foi dividido em uma introdução e três
capítulos, como segue: A introdução é composta pelos os objetivos, a justificativa, e a
problemática do trabalho. No segundo capítulo, a Revisão da Literatura, são descrita as
noções introdutórias do Direito Eleitoral, e da Contabilidade, seguido de um entendimento
sobre APCCEs. Já o terceiro capítulo delineia de forma bem sucinta sobre a Metodologia e a
estrutura do trabalho. O quarto capítulo, consta a pesquisa de levantamento, realizada nos site
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) e da
análise dos seus dados. A proposta desse trabalho é finalizada com a apresentação das
Considerações Finais onde foram tecidas as recomendações, as limitações e apresentadas as
sugestões para futuros trabalhos.

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. DIREITO ELEITORAL

2.1.1. Conceito

Vários são os conceitos utilizados para definir o Direito Eleitoral, tomando-se como
base os conceitos dos juristas: Cândido (2004, p.23), fala que o Direito Eleitoral é um ramo do
Direito Público que trata de instituições relacionadas com os direitos políticos e das eleições,
em todas as suas fases, como forma de escolha dos titulares dos mandatos eletivos e das
instituições do Estado. O jurista Ramayana (2005, p.24) conceitua que o Direito Eleitoral é:

Direito Eleitoral é um conjunto de normas jurídicas que regulam o processo de


alistamento, filiação partidária, convenções partidárias, registro de candidaturas,
propaganda política eleitoral, votação, apuração, proclamação dos eleitos, prestação
de contas de campanhas eleitorais e diplomação, bem como as formas de acesso aos
eletivos através dos sistemas eleitorais.
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Desta forma, seguindo o entendimento destes renomados juristas, e o que reza no art.
22, inciso I, da Carta Magna, que [...] é competência privativa da União legislar sobre: Direito
civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do
trabalho; assim, não resta dúvida quanto à natureza pública do Direito Eleitoral, uma vez que
sua finalidade interessa a toda a coletividade, na solução dos problemas que envolvem as
eleições, sem falar do quanto é imprescindível para o Estado Democrático Brasileiro, que visa
em suas normatizações, estabelecer regras e procedimentos que garanta a vontade do povo,
livre e secreta nas urnas.

2.1.2. Estrutura e Finalidade

A Justiça Eleitoral é um dos “braços” do Poder Judiciário, e é composta dos seguintes


órgãos: Tribunal Superior Eleitoral, Tribunais Regionais Eleitorais, Juízes Eleitorais e Juntas
Eleitorais. Sendo a jurisdição de cada um destes órgãos a seguinte: TSE em todo o País; os
TREs, nos Estados e no Distrito Federal; os Juízes e as Juntas Eleitorais nas Zonas Eleitorais.
Destina-se, primordialmente, à preparação, organização e condução do processo de
escolha de representantes do povo, além da execução de plebiscitos e referendos. Mas é por
meio de suas fontes que se podem alcançar os dados necessários que garantam a sua
aplicabilidade como um todo.

2.1.3. Fontes do Direito Eleitoral

A Constituição Federal de 1988 é a fonte primaria do Direito Eleitoral brasileiro, nela


estão fixadas suas principais normas e princípios que dão norte a todos os procedimentos da
Justiça Eleitoral. Através de seus artigos 14, 15, e 16, que dispõem sobre os Direitos Políticos,
o art. 17 que trata dos Partidos Políticos e os artigos 118 a 121, que falam da organização da
Justiça Eleitoral.
As fontes secundárias do Direito Eleitoral são leis complementares e leis ordinárias de
número: Lei nº 4.737/65 – Código Eleitoral, que trata da estruturação e organização da Justiça
Eleitoral; Lei 64/2000 que regulamenta os registros de candidatura; Lei nº 9.096/98 – Lei dos
Partidos Políticos, que normatiza a estrutura e os procedimentos que os partidos devem
seguir; Lei nº 9.504/97 – Lei das Eleições, que aborda toda a organização do processo
eleitoral; Lei nº 12.034/2009 – que veio alterando a Lei dos Partidos Políticos; Lei nº
11.300/2006 – que altera a Lei 9.504/1997.
Por último, são resoluções normativas emitidas pelo Tribunal Superior Eleitoral,
conforme atribuições outorgadas no art. 1º, parágrafo único e art. 23, inciso IX do Código
Eleitoral, abaixo:

Art. 1º(...) – Este código contém normas destinadas a assegurar a organização e o


exercício de direitos políticos, precipuamente o de votar e ser votado.
Parágrafo Único – O Tribunal Superior Eleitoral expedirá instruções para sua fiel
execução.
Art. 23 – Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior:
IX – expedir as instruções que julgar convenientes as execuções deste Código.

Diante do que foi apresentado, pode se dizer que a Justiça Eleitoral possui dupla
função: a jurisdicional e a administrativa. Na primeira, vê-se nos julgamento de processos
relacionados aos pleitos eleitorais e a na segunda, que é voltada para todos os procedimentos
que envolvem a organização e execução de todo o processo eleitoral.
Mesmo sendo a Justiça Eleitoral um órgão do Poder Judiciário, (art. 92, V, da
Constituição Federal), não é limitada à esfera jurisdicional. O legislador concedeu-lhe
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competências e atribuições que vão além das questões eleitorais. Exemplos: em processos
administrativos os Juízes Eleitorais têm poder de polícia, e as resoluções feitas pelo o
Tribunal Superior Eleitoral. Conforme preceitua o eleitorista Adriano Soares da Costa (2006,
p. 369-370):

À Justiça Eleitoral brasileira, portanto, foi confiada não apenas a resolução dos
conflitos de interesses exsurgidos no prélio eleitoral, mas também a competência
para organizar e administrar o processo eleitoral, além da função de editar
regulamentos normativos para as eleições. Assim, a Justiça Eleitoral exerce uma
atividade administrativo-fiscalizadora das eleições, compositiva de conflitos e
legislativa.

Dessa forma, o Juiz Eleitoral é, ao mesmo tempo, magistrado e executor, sendo que,
na primeira situação, por se tratar de atos administrativos como é o caso das ações de
prestações de contas de campanha eleitoral, o magistrado, não tem suas decisões ou atos
revistos por um órgão de nível superior, já no segundo sim, podendo ser revisto tanto pelo
TRE como também pelo TSE.

2.2. CONTABILIDADE

A contabilidade possui dois grandes pilares, o primeiro é a mensuração contábil, e o


segundo é a evidenciação contábil, que se utiliza de outras áreas do conhecimento, como o
direito, a informática, a economia, a medicina e outras ciências, com respaldos técnicos para a
tomada de decisão. Assim neste capítulo, será descrita de modo sucinta o conceito e
finalidade da Contabilidade bem como os demonstrativos contábeis das APCCEs.

2.2.1. Conceito

Diante dos inúmeros conceitos de Contabilidade, pode-se dizer que ela é a ciência
responsável por estudar, anotar, controlar, mostrar, mensurar e interpreta os fatos ocorridos no
patrimônio das entidades com ou sem fins lucrativos. O considerado cientista contábil, o prof.
Dr. Antônio Lopes de Sá menciona que a Contabilidade é a ciência que estuda os fenômenos
patrimoniais, preocupando-se com a realidade, evidências e comportamentos dos mesmos, em
relação à eficácia funcional das células sociais. (2008, p. 42)

2.2.2. Objeto da Contabilidade

A Contabilidade tem o patrimônio das entidades como seu objeto de estudo e a sua
finalidade é revelar como se encontra e quais os fatores que proporcionaram mutações ao
mesmo, fornecendo assim, informações úteis para a tomada de decisões por seus usuários. O
ilustre professor Eugênio Sérgio Gonçalves (2004, p. 23), em seu livro de Contabilidade Geral,
conceitua contabilidade como sendo:

Ciência que tem por objeto o estudo do Patrimônio a partir da utilização de métodos
especialmente desenvolvidos para coletar, registrar, acumular, controlar, resumir e
analisar todos os fatos que afetam a situação patrimonial de uma empresa ou pessoa.

Dessa forma, ver-se claramente que o objetivo da Contabilidade pode possibilitar a


todos os usuários interessados, condições de obter informações necessárias para a tomada de
decisões. Para tanto, não basta só ter os relatórios é preciso também analisá-lo, para poder
tirar suas conclusões. Pode-se citar o exemplo a análise dos relatórios de prestação de contas
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de uma campanha eleitoral, sua análise pode permitir o entendimento do financiamento da


campanha e como esses recursos foram aplicados no pleito eleitoral.

2.3. As Prestações de Contas de Campanhas Eleitorais

As Agremiações Políticas de um modo geral adquirem maior parte de suas receitas


financeiras por meio do Fundo Partidário Nacional, o que já é razão suficiente para prestarem
contas. No entanto, ainda que assim não fosse obrigatória, se faria a demonstração da
movimentação dos recursos, pois é "direito impostergável dos integrantes da comunhão
política saber quem financiou a campanha de seus mandatários e de que forma esse
financiamento se deu" [01]. Pela mesma razão, a sociedade tem o direito de conhecer o
financiamento das agremiações partidárias.
Sendo o Brasil um Estado democrático, presume-se, dentre outros fundamentos, a
igualdade entre os cidadãos e a transparência dos atos públicos ou de entidades ou pessoas
financiadas pelo Poder Público. A renomada eleitorista Sídia Maria Porto Lima instrui:

"Uma das principais preocupações atuais dos Estados, no que diz respeito à
implantação de um sistema de governo genuinamente democrático, consiste,
exatamente, em garantir a liberdade de escolha dos representantes, preservando-a, o
mais possível, de interferências externas, pressões, abuso do poder político e, com
mais razão, do abuso do poder econômico, práticas não exclusivas do Brasil." [02]

Esta preocupação, de prestar contas no campo eleitoral, no mundo, mostra-se comum,


há registros legais que à Inglaterra do séc. XIX, em que "se estabeleceu que as despesas dos
candidatos e de seus agentes deveriam ser examinadas pelos comissários das despesas
eleitorais" [03].
Assim, mesmo que a Constituição ou as demais legislações do Brasil não determinasse
claramente a obrigação da entrega da apresentação das contas de campanha, ela seria
inevitável, em obediência e respeito aos princípios da moralidade e publicidade.
As ações de prestação de contas de campanha eleitorais são procedimentos
genuinamente, do caráter administrativo, pelo qual são mostradas todas as movimentações
financeiras dos partidos políticos, das coligações e dos candidatos. Não há partes, vencedora
ou derrotada. Há interessados. Sua natureza é essencialmente administrativa [04].
Sídia Maria Porto Lima (2006, p. 90) em seu livro de Prestação de Contas e
Financiamento de Campanhas Eleitorais, descreve as prestações de contas eleitorais como:

Um instituto que tem como finalidade primordial, emprestar transparência às


campanhas eleitorais, através da exigência da apresentação de informações,
legalmente determinadas, que têm o condão de evidenciar o montante, a origem e a
destinação dos recursos utilizados nas campanhas de partidos e candidatos,
possibilitando a identificação de situações que podem estar relacionadas ao abuso do
poder econômico, além de prever sanções pelo desrespeito aos dispositivos que o
regulam.

Assim para que sejam evidenciados todos os atos financeiros da campanha, foram
instituídas as normatizações: Lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, artigos 28 a 32, e as
Resoluções de número 22715/08/TSE, 22.250/06/TSE, 23.216/10/TSE e 23.217/10/TSE, para
melhor transparência e controle dos recursos financeiros da campanha por parte da Justiça
Eleitoral.
As APCCEs são feita pelos Comitês Financeiros, ou ainda pelo próprio candidato no
caso de eleições proporcionais. A responsabilidade pelos erros pode alcança o candidato em
qualquer hipótese, mesmo sendo feita pelo comitê, como também o comitê financeiro.
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Durante a campanha, partidos, coligações e candidatos são obrigados a divulgar no site


do Tribunal Superior Eleitoral, nos dias 06 agosto e 06 de setembro, relatório discriminando
os recursos recebidos e os gastos realizados, sem a necessidade, por ora, da identificação dos
doadores e valores. Após a campanha as prestações de contas eleitorais dos partidos, das
coligações e/ou dos candidatos deverão ser entreguem a Justiça Eleitoral até 30 dias após o
Pleito Eleitoral.

2.3.1. Peças contábeis apresentadas a Justiça Eleitoral

As peças contábeis que devem compor as APCCEs, exigidas pelo Tribunal Superior
Eleitoral, possibilitam compreender as movimentações financeiras do candidato, comitê e/ou
partido, durante todo o processo eleitoral. E estão relacionadas no artigo 30 da Resolução de
número 22.715 de 2008, abaixo:

Art. 30º(...)
A prestação de contas deverá ser instruída com os seguintes documentos, ainda que
não haja movimentação de recursos financeiros ou estimáveis em dinheiro:
I – Ficha de Qualificação do Candidato ou do Comitê Financeiro, conforme o caso;
II – Demonstrativo dos Recibos Eleitorais Recebidos;
III – Demonstrativo dos Recibos Eleitorais Distribuídos, no caso de prestação de
contas de comitê financeiro;
IV – Demonstrativo dos Recursos Arrecadados;
V – Demonstrativo das Despesas Pagas após a Eleição;
VI – Demonstrativo de Receitas e Despesas;
VII – Demonstrativo do Resultado da Comercialização de Bens e da Realização de
Eventos;
VIII – Conciliação Bancária;
IX – Termo de Entrega à Justiça Eleitoral dos recibos eleitorais não utilizados,
acompanhado dos respectivos recibos;
X – Relatório de Despesas Efetuadas;
XI – Demonstrativo de Doações Efetuadas a Candidatos ou a Comitês Financeiros;
XII – extratos da conta bancária aberta em nome do candidato ou do comitê
financeiro, conforme o caso, demonstrando a movimentação ou a ausência de
movimentação financeira ocorrida no período de campanha;
XIII – canhotos dos recibos eleitorais utilizados em campanha;
XIV – guia de depósito comprovando o recolhimento à respectiva direção partidária
das sobras financeiras de campanha, quando houver;
XV – declaração da direção partidária comprovando o recebimento das sobras de
campanha constituídas por bens e/ou materiais permanentes, quando houver;
XVI – documentos fiscais que comprovem a regularidade dos gastos eleitorais
realizados com recursos do Fundo Partidário, na forma do art. 32.

O TSE determina que a prestação de contas do processo eleitoral seja confeccionada


através do programa denominado, Sistema de Prestação de Contas – SPCE2008, por ele
desenvolvido. As peças emitidas por este sistema são de caráter obrigatório, pois são
demonstrativos contábeis essenciais para análise das contas de campanha, estes
demonstrativos estão listadas nos incisos I a XI, da Resolução anteriormente citado.

3. ABORDAGEM METODOLÓGICA

Esta pesquisa tomou por base as APCCEs, focada principalmente nos fundamentos
jurídicos e/ou contábeis que justificam as suas desaprovações. Quanto aos procedimentos,
Esta qualificada na categoria de pesquisa bibliográfica, exploratória e documental. No
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primeiro caso, para a coleta de informações sobre o tema, decidiu-se pela a bibliográfica. Que,
de acordo com Martins e Pinto (2001, p. 41) é: “A pesquisa bibliográfica procura explicar e
discutir um tema com base em referências teóricas publicadas [...]. Baseando-se em textos
normativos, tais como a Constituição Federal Brasileira de 05 de outubro de 1988; o Código
Eleitoral Anotado; a Lei das Eleições de nº 9.504/97; a Lei nº 6.404/76, muito conhecida
como a Lei da Contabilidade; a Lei 11.638/07, que aborda a atualização da Lei 6.404/76; a
Lei dos Partidos Políticos de nº 9.096/95; e as Resoluções do TSE; No segundo caso, a
exploratória que, de acordo com o conceituado professor Gil (2002, p.41) “têm como objetivo
proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explicito ou a
construir hipótese.” E por ultimo o terceiro caso, a documental, o ilustre professo Martins
(2009, p.55) constitua que:

A pesquisa documental tem semelhanças com a pesquisa bibliográfica. A principal


diferença entre elas decorre da natureza das fontes: a pesquisa bibliográfica utiliza
fontes secundárias, isto é, materiais transcritos de publicações disponíveis na forma
de livros, jornais, artigos etc. por sua vez, a pesquisa documental emprega fontes
primárias, assim considerados os materiais compilados pelo próprio autor do
trabalho, que ainda não foram objeto de análise, ou que ainda podem ser
reelaborados de acordo com os propósitos da pesquisa.

Deste modo, fica explícito que neste tipo de pesquisa, o autor busca ter uma visão
geral acerca de determinado fato estudado. Para assim formular seus próprios conceitos e
intentos.

4. REJEIÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTA DE CAMPANHA ELEITORAL

A Resolução nº. 22.715/08 tem por apoio as Leis nº. 11.300/06 e 9.504/97, a Instrução
Normativa Conjunta RFB/TSE nº. 838/2008 referem-se às APCCEs dos candidatos e dos
comitês financeiros dos partidos, que são publicadas a cada eleição e que visam um processo
eleitoral transparente e seguro não só para os candidatos, mas também para toda a sociedade
brasileira. Elas ainda dão poderes a Justiça Eleitoral para fiscalizar as contas dos candidatos,
comitês, fornecedores, doadores e todos aqueles que tiverem vínculo com a arrecadação ou
com as despesas dos candidatos durante o pleito eleitoral.

4.1.1. A Pesquisa e os Fundamentos Jurídicos e Contábeis

A Resolução de número 22.715 de 28 de fevereiro de 2008, identifica as


impropriedades que são objeto de ressalva na análise das APCCEs, como também as
irregularidades que são compostas de dois grandes grupos: As irregularidades que podem ser
sanadas em até setenta e duas horas depois de recebido a intimação do cartório e as insanáveis
que quando comprovadas, desaprovam de imediato a prestações de contas do candidato.

4.1.2. Irregularidades Sanáveis

a) Peças integrantes da prestação de conta de campanha.

As APCCEs devem ser compostas, obrigatoriamente, das peças produzidas


automaticamente pelo Sistema de Prestação de Contas Eleitoral (SPCE) 2008. São elas: Ficha
de qualificação do candidato, demonstrativo dos recibos recebidos, demonstrativo dos recibos
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distribuídos, demonstrativos dos recursos arrecadados, demonstrativo das despesas pagas após
a eleição, demonstrativo de receitas e despesas, demonstrativo do resultado da
comercialização de bens, conciliação bancária, termo de entrega à Justiça Eleitoral dos
recibos eleitorais, relatório de despesas efetuadas e demonstrativo de doações efetuadas. Caso
o candidato não as apresente dentro do prazo estabelecido pela Legislação Eleitoral, ficará
inviável o exame das contas de campanha do candidato. Este será intimado para no prazo de
setenta e duas horas, a contar da data do recebimento da notificação, a apresentar a Justiça
Eleitoral todas as peças requeridas.

b) A não abertura da conta bancária.

A conta bancária, sendo um dos instrumentos contábil que assegura a fidedignidade de


toda a movimentação financeira do candidato durante o pleito eleitoral, garante a Justiça
Eleitoral à comprovação dos valores arrecadados e dos gastos efetuados no curso da
campanha através dos extratos bancários. O candidato que não estive com a conta aberta no
registro da candidatura, será intimado para apresentar documentação bancária que confirme a
abertura da conta bancária em nome do candidato. Exemplo disso: foi o que aconteceu com o
candidato a Deputado Federal pelo PSOL, José Cícero dos Santos do estado de Alagoas, que
só não teve suas contas rejeitadas, por que sanou dentro do prazo a irregularidade. (Ac. Nº
8.332/2011. Proc. 2356-56.2010, classe 25. Relator Des. Antônio José Bittencourt Araújo -
TRE/AL).

c) Não apresentação de documentos que comprovem alterações na prestação de


contas retificadora.

Todas as receitas e despesas de campanha deverão estar devidamente comprovadas


por documentação fiscal que lhes dê base legal. A prestação de conta de campanha
retificadora permite que o candidato, diante de eventual necessidade, retifique os dados
originalmente informados, a fim de adequá-los à legislação concernente à matéria. Desse
modo, sendo promovidas alterações nas APCCEs, e/ou prestar novas informações, deverão
ser anexados documentos comprobatórios da sua efetivação à prestação de conta retificadora,
servindo de meio de prova que motivaram a retificação. A mera alteração, sem lastro
documental, compromete a consistência e a confiabilidades das contas de campanha eleitoral.
Razão pela qual é imprescindível a comprovação documental.

d) Ausência de entrega de recibos eleitorais não utilizados.

Os recibos eleitorais não utilizados durante a campanha são os documentos que


comprovam, juntamente com os canhotos dos recibos eleitorais, a arrecadação dos recursos de
campanha. A sua falta na prestação de contas de campanha, portanto, dificulta o efetivo
controle, por parte da Justiça Eleitoral, no momento de analisar os recursos arrecadados na
campanha. O recolhimento dos recibos não utilizados tem por objetivo, ainda, evitar o uso
indevido após a prestação de contas. Como ocorreu com o candidato a senador pelo Estado de
Alagoas Ildefonso Rebouças Lacerda do PRTB (Ac. Nº 8.044/2011. Proc. 2571-32.2010,
classe 25. Relator Juiz Raimundo Alves de Campos Júnior - TRE/AL)
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e) Utilização de recibos eleitorais com numeração divergente daquela distribuída


pelo partido político.

A utilização de recibos eleitorais com numeração divergente daquela distribuída pelo


partido político não permite o efetivo controle dos recibos eleitorais e compromete o exame
dos recursos arrecadados pelo comitê financeiro. Como cita a Ementa abaixo.

EMENTA: ELEIÇÕES 2010. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA.


CARGO DE DEPUTADO ESTADUAL. Avaliação prévia das contas.
Impropriedades constatadas. Não devolução de todos os recibos eleitorais. Ausência
dos extratos bancários de campanha. Abertura extemporânea da conta corrente
bancária. Peças contábeis não subscritas pelo candidato ou administrador financeiro.
Divergência na numeração dos recibos eleitorais. Irregularidades que comprometem
a confiabilidade das contas. prejuízos para a análise da contabilidade. prestações de
contas parciais entregues fora do prazo legal. rejeição que se impõe. RES. TSE Nº
23.217/2010, ART. 39, INCISO III. Decisão unânime. (Ac. Nº 7.922/2011. Proc.
2544-49.2010, classe 25. Relatora Juíza Ana Florinda Mendonça da Silva Dantas -
TRE/AL)

O candidato que cometer este falha formal será intimado para sanar o erro, caso não
consiga, terá suas contas rejeitadas, conforme é ocorreu com o candidato citado acima.

f) Inconsistência nas documentações ou nos Demonstrativos Eleitorais.

Geralmente por falha de digitação, a incompatibilidade de dados cadastrais do


candidato, doadores ou fornecedores nos demonstrativos contábeis, como por exemplo: a
numeração dos recibos constantes nos Demonstrativos de Recursos Arrecadados não pode ser
diferente das encontradas nos canhotos dos talões de Recibos Eleitorais, essa inconsistência,
constitui irregularidade na identificação dos respectivos doadores. Sendo assim, o candidato
será intimado para apresentar uma prestação de conta retificadora, caso não apresente, terá
suas contas rejeitadas.

g) Entrega da documentação complementar.

O candidato deve apresentar na sua prestação de conta de campanha, os extratos da


conta de campanha eleitoral de todo o período, mês a mês; os talões dos recibos eleitorais,
contendo os canhotos dos recibos utilizados na campanha e restantes dos recibos não
utilizados; a guia de depósito bancário comprovando o recolhimento à respectiva direção
partidária das sobras financeiras de campanha do candidato; a declaração da direção partidária
comprovando o recebimento das sobras de campanha do candidato; e os documentos fiscais
que comprovem a regularidade de todas as despesas eleitorais realizadas com recursos do
Fundo Partidário e/ou dos recursos arrecadados por meios das doações.

4.1.3. Irregularidades Insanáveis

a) Inscrições no Cadastro Nacional de Pessoal Jurídica (CNPJ).

Todos os candidatos com registro de candidatura solicitado na Justiça Eleitoral


deverão obter suas inscrições no Cadastro Nacional de Pessoal Jurídica, condição
indispensável para a abertura da conta bancária de campanha e para a arrecadação e aplicação
de recursos, uma vez que a referida inscrição deverá ser consignada na documentação
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probatória das receitas e despesas de campanha. A não obtenção do número de CNPJ implica,
na desaprovação das contas.

b) Utilização de recursos doados por fonte vedada.

O legislador eleitoral entendeu que algumas pessoas jurídicas estão proibidas de fazer
doações em dinheiro ou estimável em dinheiro para campanhas eleitorais, direta ou
indiretamente. Até mesmo por meio de publicidade de qualquer espécie, das seguintes fontes:
entidades ou governos estrangeiros, órgãos dos governos, Organização Não Governamental –
ONG, sindicatos, cooperativas, entidades beneficentes e religiosas e outras.
A utilização de recursos de fonte vedada constitui irregularidade insanável, causa para
desaprovação imediata das contas, ainda que o valor seja restituído. Exemplo disso ocorreu
nas Eleições 2008, nas APCCEs de um candidato a vereador, que recebeu a doação de fonte
vedada. Estimável em dinheiro procedente de entidade sindical, ainda que irrisória, causa a
rejeição das contas de campanha, porque constitui irregularidade insanável, como cita no Art.
24 da Lei nº 9.504/97. Como exemplo deste fato, pode-se citar o Recurso improvido Ac.
Tribunal Regional Eleitoral do Ceara (TRE-CE) de número 15011, de 12/03/2009, que teve
como Relator o Dr. Emanuel Leite Albuquerque, publicado no Diário Judiciário de
27/03/2009. Que configurou como sendo irregularidade insanável, infringindo assim o
princípio da razoabilidade. Ficando o candidato com as conta desaprovadas.

c) Arrecadação de recursos e/ou realização de despesas antes da data de


solicitação do registro do comitê financeiro, da obtenção de recibos eleitorais e da abertura da
conta bancária.

A arrecadação de recursos e/ou a realização de despesas antes da solicitação do


registro do comitê financeiro compromete a isonomia no processo eleitoral, o candidato que
assim agir terá suas contas desaprovadas. Como ocorreu com as contas do candidato
Wellington Ribeiro Bento, Ementa 8.279/2011, abaixo:

EMENTA: Prestação de Contas de Campanha. ELEIÇÕES 2010. Candidato Cargo


Deputado Estadual. Avaliação prévia das contas. Impropriedades constatadas.
Diligência sugerida pela comissão de exame das contas de campanha.
SUBSISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES INSANÁVEIS. Inexistência de
documentos comprobatórios de despesas com fundos partidários. Realização de
despesas sem abertura de conta específica prévia. DESAPROVAÇÃO. DECISÃO
UNÃNIME. (Ac. Nº 8.279/2011. Proc. 2271.70.2010, classe 25. Relator Juiz
Luciano Guimarães Mata - TRE/AL)

A desobediência aos requisitos mínimos para arrecadação e aplicação de recursos está


previstas no art. 1º da Res. TSE nº 22.715/2008, o candidato que cometer este erro, terá suas
contas imediatamente reprovadas.

d) Despesas comprovadas regularmente por meio de recibos.

Todas as despesas realizadas deverão estar representadas por documentação fiscal


hábil. Havendo encaminhamento de documentos que visem à comprovação de despesas, estes
deverão atender à forma exigida na legislação fiscal. Os recibos, cuja emissão é precária,
serão aceitos apenas na hipótese de a própria legislação fiscal permitir, quanto deverão estar
revestidos de informações que os legitimem quanto ao cumprimento de sua finalidade, sob
pena de configuração de irregularidade no exame das contas eleitorais. O Candidato a
deputado estadual pelo Estado de Alagoas, Cícero Francisco da Silva, pelo Partido Popular
11

Socialista (PPS), teve suas contas rejeitadas por não apresentar a documentação fiscal das
despesas efetuadas.

EMENTA: PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. ELEIÇÕES 2010,


cargo. Deputado Estadual. Tempestividade. Avaliação prévia das contas.
Impropriedades constatadas, diligência sugerida pela comissão de exame das contas.
Comparecimento do interessado. Falhas remanescentes, não apresentação da
documentação fiscal para fins de comprovação dos gastos realizados. Ausência da
guia de depósito demonstrando o recolhimento das sobras de campanha.
Irregularidades que prejudicam a fiscalização contábil e financeira. Contas
desaprovadas. Decisão Unânime. (Ac. Nº 8.057/2011. Proc. 2.693.-45.2011, Classe
25. Juiz Francisco Malaquias de Almeida Junior - TRE/AL)

O aspirante ao cargo de deputado Estadual acima, Cícero Francisco da Silva cometeu


uma série de falhas que comprometeu drasticamente as suas contas de campanha, uma delas
foi não ter apresentado a documentação fiscal, referente as despesas efetuadas.

4.1.4. Conseqüência da rejeição das contas

São muitas as conseqüências, principalmente para aqueles candidatos que exercerão


mandato. Uma vez rejeitadas as contas, a Justiça Eleitoral remeterá cópia do processo que as
apurou as irregularidades para Ministério Público Eleitoral para que este ingresse com uma
Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e até mesmo com uma Ação de Impugnação a
Mandato Eletivo (AIME), contra a diplomação do candidato e instaurando assim uma e
investigação para apurar eventuais abusos de poder político, o que causará um grande
desgaste na vida política do candidato.
Com o advento da mini-reforma eleitoral, por meio da Lei Nº. 12.034/09, no seu art.
30-A, reza que qualquer partido político ou coligação poderá ingressar na Justiça Eleitoral
com fatos e indicando provas, pedindo assim a abertura de investigação judicial para apurar
condutas em desacordo com as normas desta Lei.
As penalidades são distintas e podem ocorrer simultaneamente, determinando,
inclusive, a perda do mandato eletivo diante de abuso de poder econômico, podendo
responder civil e/ou criminalmente dependendo da irregularidade.
Quando comprovada a captação ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, a
Justiça Eleitoral negará diploma ao candidato, e se já diplomado será cassado seu diploma,
seus direitos políticos serão suspensos de três a oito anos, e geralmente sofrerá pesadas multas
eleitorais. E para as Eleições 2012, os Ministros do Supremo, aprovaram no dia 1º de março
de 2012, a Lei da Ficha suja, onde só poderão concorrer a cargo políticos, as pessoas que não
tem contas rejeitadas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo tem como tema as APCCEs das Eleições 2010, visando os fundamentos
jurídicos e/ou contábeis que justificam a desaprovação das contas de campanha eleitoral.
Todavia, este tema, estar longe de ser esgotado, pois ainda merece maiores estudos e mais
detalhadas considerações. Nos objetivos buscou-se apresentar a organização do Direito
Eleitoral; falar das leis eleitorais em vigor para as eleições de 2010; apresentar os aspectos
essenciais das Ações de Prestação de Contas de Campanha Eleitorais e apresentar os efeitos
desse tipo de ação na vida política dos candidatos. O que foi abordado no segundo capítulo.
Atingindo assim, esta pesquisa os objetivos propostos.
12

Os principais motivos que fundamentam a reprovação das prestações de conta de


campanha eleitoral são: as falhas e/ou equívocos, que muitas vezes são cometidos pelo
candidato antes, durante e depois da campanha eleitoral. É a conta bancária que não foi aberta
dentro do prazo estabelecido; o registro no Cadastro Nacional de Pessoal Jurídica (CNPJ) que
não foi feito; o limite de gastos estabelecidos na conversão que foi ultrapassado; o recibo que
não foi informado na prestação de contas de campanha; é a doação que não foi contabilizada
ou de fonte vedada; são a divergências entre os demonstrativos do SPCE e os documentos
comprobatórios da prestação de contas.
Diante dos resultados obtidos com a pesquisa, conclui-se que é recomendável que os
futuros aspirantes a cargos políticos e/ou partido político, antes de ingressarem numa
campanha eleitoral, deve contratar ou contar com uma boa equipe de assessores jurídicos e
contábeis, que lhe garanta não só a aprovação das contas de campanha, como também garantir
que o candidato saia ileso (juridicamente se falando) de todo o processo eleitoral, sendo eleito
ou não. Este trabalho vem a enriquecer as fontes bibliográficas para futuras pesquisas
acadêmicas.
13

6. REFERENCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988.

BRASIL. Lei no. 6.404 de 16 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações.

BRASIL. Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965, que institui o Código Eleitoral.

BRASIL. Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, que institui a Lei dos Partidos Políticos,
regulamenta os arts. 17 e 14, § 3º., V, da Constituição Federal.

BRASIL. Lei no. 9.504, de 30 setembro1997. Diário Oficial da Republica Federativa do


Brasil, Brasília, DF, 01.10.1997. COL 1, p. 021801. Dispõe sobre as Eleições.

BRASIL. Resolução no. 22.250 de 29 de junho de 2006. Dispõe sobre a arrecadação e a


aplicação de recursos nas campanhas eleitorais e sobre a prestação de contas.

BRASIL. Resolução no. 22.715 de 28 de fevereiro. Dispõe sobre a arrecadação e a aplicação


de recursos por candidatos e comitês financeiros e prestação de contas nas eleições
municipais de 2008.

BRASIL. Resolução no. 23.217 de 02 de março de 2010. Dispõe sobre a arrecadação e os


gastos de recursos por partidos políticos, candidatos e comitês financeiros e, ainda, sobre a
prestação de contas nas eleições de 2010.

CANDIDO, Joel J. Direito eleitoral brasileiro. 10. ed. São Paulo: Edipro, 2004.

COSTA, Adriano Soares da. A petição inicial da ação de impugnação de registro de


candidato: o problema da causa de pedir. In: Jus Navegandi. <Disponível em:
http:\\jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1528>. Acesso em: 25/06/2007.

GONÇALVES, Eugênio Sérgio. Contabilidade geral. 5. ed. São Paulo: Atlas 2004.

LIMA, Sídia Maria Porto. O controle jurídico da movimentação de recursos nas campanhas
eleitorais: uma preocupação mundial. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 917, 6 jan. 2006.
Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7775>. Acesso em: 27 out.
2007.

LOPES SÁ. Antonio. Teoria Geral da contabilidade. São Paulo: Atlas, 2008.

MEDEIROS, João Bosco; Redação cientifica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas.


11. Ed – 2. Reimpr. – São Paulo : Atlas, 2009.

RAMAYANA, Marcos. Direito eleitoral. 3. Ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2005.


TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE ALAGOAS; disponível em: http://www.tre-
al.gov.br/acordaosResolucoes/index.jsp?tipo_doc; acesso em 13 Out 2011.

Acórdão nº 7.922/2011. Proc. 2544-49.2010, classe 25. Relatora Juíza Ana Florinda
Mendonça da Silva Dantas - TRE/AL
14

Acórdão nº 8.044/2011, Proc. 2571-32.2010, classe 25. Relator Juiz Raimundo Alves de
Campos Júnior - TRE/AL

Acórdão nº 8.272/2011. Proc. 2435.-35.2011, classe 25. Relatora Elizabeth Carvalho


Nascimento - TRE/AL

Acórdão nº 8.279/2011. Proc. 2271.70.2010, classe 25. Relator Juiz Luciano Guimarães Mata
- TRE/AL

Acórdão nº 8.332/2011, Proc. 2356-56.2010, classe 25. Relator Des. Antônio José Bittencourt
Araújo - TRE/AL

NOTAS
01
GOMES, José Jairo. Prestação de Contas de Campanha Eleitoral. In: Revista de Doutrina
e Jurisprudência, n. 16, p. 10, jul. 2007.
02
LIMA, Sídia Maria Porto. O controle jurídico da movimentação de recursos nas
campanhas eleitorais: uma preocupação mundial. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 917, 6
jan. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7775>. Acesso em:
27 out. 2007.
03
PAULA, Carlos Alberto Reis de. A prestação de contas dos partidos políticos. In:
Revista do TCU, v. 10, n. 19, p. 97, jun. 1979.
04
GOMES, José Jairo. Prestação de Contas de Campanha Eleitoral. In: Revista de Doutrina
e Jurisprudência, n. 16, p. 10, jul. 2007.