Você está na página 1de 44

Olá, você está iniciando a Aula 4 sobre Empatia.

O objetivo desta aula é apresentar o conceito de Empatia e como


é importante buscarmos ser empáticos no nosso dia a dia e na
nossa vida profissional e pessoal.
De tempos em tempos, algum conceito entra na moda e ouvimos e lemos a palavra em vários
lugares. Já percebeu como isso é frequente?

Esse é o caso da palavra “Empatia”!

Você já deve ter ouvido ou lido algumas definições sobre esse conceito, não?

Durante esta aula vamos abordar algumas definições e tentar entender como essa
atitude/sentimento pode revolucionar nossas vidas no dia a dia, pessoal e profissionalmente, e na
sociedade como um todo.
Há várias razões para este conceito ter entrado na moda. Você desconfia por quê?

Que tal pegar seu caderno e começar a anotar suas respostas?

▪ Como vemos as pessoas se relacionarem hoje em dia?

▪ Como você definiria os relacionamentos cotidianos - Com conhecidos?


- No ambiente de trabalho?
- E com desconhecidos?
Há várias explicações para entendermos as relações entre as pessoas, sejam elas conhecidas, apenas próximas ou
desconhecidas.

Compreender a sociedade em que vivemos e seu momento histórico será nosso o ponto de partida.

Nosso modo de vida, o que fazemos e como fazemos para sobreviver, para morar, para nos educar, nossos
códigos culturais, as leis, a ética e a moral, as tecnologias disponíveis e a mídia definem hoje como nos
relacionamos.

Vamos ver alguns exemplos de como esse contexto impacta as nossas relações?
A maioria da população mundial vive em cidades. E o
número de metrópoles e seus tamanhos são
crescentes.

Os espaços urbanos são expressão e reafirmam as


relações sociais e econômicas que definem nossas
vidas!

Observe as imagens:
Selecionamos alguns pontos em comum nas imagens que representam o tipo de
vida que vivemos:

▪ A impessoalidade – em vida e na morte


▪ Os aglomerados, as multidões, em todos os espaços (moradias, vias públicas,
shoppings, supermercados, escolas, hospitais etc.)
Pegue o que você
▪ Os tempos gastos nas locomoções e nos inúmeros afazeres e compromissos anotou como
▪ O consumo e o lixo excessivo respostas do
▪ Sofisticação tecnológica terceiro slide.
Vamos checar!
▪ O excesso de estímulos e conexões

E quais consequências esse modo de vida têm nas relações?


O resultado de nosso modo de vida são relações
(intersubjetivas) entre as pessoas superficiais,
imediatistas, em que prevalecem o individualismo, o
caráter instrumental e utilitário.

Tudo parece descartável.

São relações de pouco cuidado e atenção.


E para lembrar o que discutimos na nossa segunda aula (Identidade) e como esse modo de vida
nos afeta, assista esse vídeo abaixo, curtinho do filósofo polonês Zygmunt Bauman, falecido em
janeiro de 2017.
Ele fala sobre a construção de um projeto de vida para encontrar uma solução ao dilema da
identidade na contemporaneidade: como compreendemos a vida, quando esta é "dividida em
episódios"? Como alcançamos a "felicidade", quando o próprio significado da vida é
constantemente redefinido?
http://www.fronteiras.com/videos/identidade-pessoal
Pois então, o grande desafio que se impõe à cada um de nós é
estar atento ao que mencionamos na aula sobre
relacionamentos: desenvolver atitudes e posturas que nos

tornem pessoas melhores.

Essas mudanças terão como consequência a transformação das


relações impessoais, descuidadas e desrespeitosas em relações
compreensivas, construtivas, colaborativas e criativas. Lembra-
se?
E como vamos conviver nesse contexto, com tanta diversidade e diferenças, ao mesmo tempo em que tentamos
construir relações compreensivas, construtivas, colaborativas e criativas?

E mais importante: como transformar essas relações superficiais e utilitaristas em RELAÇÕES


EMPÁTICAS?

"Operários" de Tarsila do Amaral, pintado em 1933


Transformar as relações implica transformar a convivência.

Lembramos que convivência é: viver em companhia de outro ou outros,


uma vez que a natureza do ser humano é ser social.

Nenhuma pessoa vive absolutamente isolada do resto, uma vez que a


interação com outros indivíduos é imprescindível para a sobrevivência,
o bem-estar e a saúde.

No seu sentido amplo, trata-se de um conceito relacionado com à


coexistência pacífica e harmoniosa de grupos humanos num mesmo
espaço.

Sendo assim, preste atenção no vídeo a seguir para pensarmos em


como melhorar nossas relações e convivência.
Assista o vídeo abaixo:

How to start an empathy revolution - Roman Krznaric at TEDxAthens


Como começar uma revolução de empatia - tradução livre
(vídeo legendado)
Para conviver e nos relacionarmos bem devemos lembrar de um aspecto racional e outro
socioemocional: a Ética e a Empatia.
Na aula 3, sobre Relacionamentos, mencionamos um aspecto racional essencial para assegurar relações
honestas, cidadãs. Lembram?

Falamos de ÉTICA.

Vamos falar agora de uma aspecto emocional. Esse aspecto é a Empatia.

Mas afinal, você sabe o que é empatia?

A definição de senso comum, que todo mundo usa é a seguinte: estar no lugar do outro. Ou:

Vestir os sapatos do outro, ver a situação com os olhos do outro e sentir o que o outro sente.

Será que é isso mesmo? Isso é possível?


Se pensamos que podemos estar, ver e sentir como o outro,
estamos fazendo suposições sobre a experiência do outro, supondo
como o outro é, vê e sente! Então empatia deve ser outra coisa

...

Podemos dizer que EMPATIA É O ESFORÇO GENUÍNO DE

COMPREENDER COMO É ESTAR, VER E SENTIR O QUE O


OUTRO ESTÁ EXPERIMENTANDO EM UMA DETERMINADA
SITUAÇÃO.

Na verdade, não precisamos e nem podemos nos anular para


compreender o outro.
É possível nascer mais ou menos empático, mas é
possível aprender a ser empático.

E, como tudo nessa vida, aprender seja lá o que for, exige


atenção, abertura, vontade e empenho.

Ser empático exige antes de qualquer coisa


desapego, despojamento.

A história a seguir pode te ajudar a compreender essa


afirmação.
História dos Dois Monges

Dois monges se preparavam para atravessar um rio, conhecido como o Rio da Discórdia, antes de subirem uma montanha, chamada de
Montanha da Fé.
Um deles era novo e o outro velho.
Ao chegarem às margens do rio, os religiosos ficaram ao lado de uma moça muito bem vestida, que também queria chegar ao outro lado
do rio, mas com um detalhe: sem se molhar!
Com um olhar, ela pediu ajuda ao monge mais novo.
Este desviou o olhar e seguiu pelo rio.
A mulher arrumou os cabelos, se abanou com um leque e dirigiu o seu pedido de ajuda com um profundo olhar para o monge mais velho.
Este não teve dúvida: pôs a moça nos ombros e atravessou o rio, carregando-a.
Do outro lado, satisfeita e seca, ela agradeceu o velho e olhou o novo com desdém. E o novo olhou com indignação e raiva para o velho! O
monge retribui aos dois com um olhar de compaixão e tranquila alegria. Nem é preciso dizer que aquilo irritou ainda mais o mais novo!
Os monges continuaram seu caminho rumo a Montanha da Fé. O novo carregava um semblante pesado e carrancudo e o velho levava com
ele sua expressão de leveza e serenidade.
De acordo com as regras de sua fé, os monges não deveriam tocar as mulheres. Caminharam por horas, mas o monge mais novo ainda
estava perplexo com a atitude do mais velho. Quando chegaram ao pé da montanha da fé, o jovem não aguentou mais e expressou seus
pensamentos em voz alta:
- Você sabe muito bem que os monges não devem tocar as mulheres! Por que carregou aquela moça pelo rio?
- Naquele momento, julguei que ajudar um outro ser humano sem julgá-lo fosse mais importante do que não tocá-lo. No entanto, eu
larguei a jovem três horas atrás e a deixei às margens do rio. Por que você continua carregando a moça?
Fonte: http://www.contarhistorias.com.br/2011/10/historia-dois-monges-atravessando-o-rio.html
História dos Dois Monges

Inserir vídeo da
história narrada
Além de desapegar-se, é preciso não supor. Ou, como já falamos
antes, não pré-julgar!

Não é possível deixar seu lugar para estar no lugar do outro.

Não se pode sentir o que o outro sente!

Mas ESCUTAR , RESPEITAR E TENTAR COMPREENDER,

ACOLHER … SIM!
Vamos tentar entender o que isso quer dizer:

Empatia - Brené Brown


Vamos tentar entender o que isso quer dizer:

Empatia - Brené Brown


Assista o vídeo abaixo
Para entender a perspectiva do Outro – o que pode acontecer em variados níveis – é preciso se desapegar de seus
valores e sua leitura particular do mundo, abrindo-se genuinamente ao que ele apresenta. Ao mesmo tempo, é
preciso buscar aquilo que lhe aproxima deste Outro, conectando a vivência dele a outras experiências suas. Mesmo
que você não tenha vivido determinada situação, provavelmente já se sentiu como ele está: feliz, triste, apaixonado,
desamparado, com medo…É da natureza humana assumir uma perspectiva própria sobre a vida e situações, um
jeito próprio de avaliar e pensar sobre o que acontece com as pessoas. E isso não é uma falta, não é um deslize ou
um erro!

Como vimos nas aulas 1, 2 e 3, somos todos


impactados e moldados pelo nosso contexto,
experiências e relações. E, por isso, é chave

entendermos quem somos - e como reagimos


e somos afetados por diferentes situações - a
fim de entendermos e empatizarmos com o
Outro, que vive suas próprias experiências, e tem
sua própria visão de mundo.
História: A Senhora das Ervas
Assista o vídeo abaixo
História da Senhora das Ervas
Gostou da história? Pense nela e vamos recuperar uma afirmação:
Empatia é o esforço genuíno de compreender como é estar, ver e sentir o que o outro está experimentando numa
dada situação.

Esse processo de ‘esforço genuíno’ irá se expressar pela comunicação!

Empatia não faz suposição. Empatia forja a comunicação curiosa, indagadora, que não é de pré-julgamento, que é de validação
e de compaixão. E quando começamos a nos comunicar deste jeito a primeira coisa que acontece é que nós mudamos. Vemos
as pessoas na nossa vida de uma forma diferente, reescrevemos as narrativas que contamos para nós mesmos sobre os outros
de um jeito mais generoso, sensível, delicado. Quando agimos empaticamente aumentamos nossa capacidade de amar, de
perdoar e de aceitar. Porque empatia é o fundamento dessas capacidades.” Paul Parkin
Gostou da história? Pense nela e vamos recuperar uma
afirmação:

Empatia é o esforço genuíno de compreender como é


estar, ver e sentir o que o outro está experimentando
numa dada situação.

Esse processo de ‘esforço genuíno’ irá se expressar pela

comunicação!
E o mais interessante, quando mudamos, provocamos mudanças no nosso entorno.
Há três etapas para se desenvolver um verdadeiro processo de empatia:
1. Ser empático
2. Receber empatia
3. Co-criar empatia

Assista o vídeo abaixo:


Reimaging Empathy: The Transformative Nature of Empathy – Paul Parkin
Em outras palavras,
o pesquisador Roman Krznaric, que realizou diferentes pesquisas sobre
o tema, estamos no meio de uma grande transição da era cartesiana do
"Penso, logo

existo" para uma era empática de "Você é, logo sou".

Assim como Paul Parkin, o estudioso afirma que é possível desenvolver


a empatia humana com exercícios concretos, independente do tipo de
personalidade e temperamento da pessoa, seja ela introvertida ou
extrovertida, aventureira ou cautelosa, grande conhecedora de
emoções ou não.
Ele propõe o exercício de seis hábitos empáticos, a depender da disponibilidade e
possibilidades de cada um. São eles:

1) compreender e internalizar a ideia de que a empatia está no cerne da natureza humana e pode ser expandida ao longo da
vida;
2) fazer um esforço consciente para colocar-se no lugar das outras pessoas, reconhecendo sua humanidade, individualidade e
perspectivas;
3) explorar vidas e culturas diferentes da sua por meio de imersões diretas, viagens empáticas e cooperação social;
4) incentivar a curiosidade por estranhos e a escuta radical, inclusive, expondo as próprias emoções;
5) fazer uso das artes (artes plásticas, literatura, cinema) e até das redes sociais para transportar-se para as mentes de outras
pessoas; e
6) gerar empatia em larga escala, inspirando pequenas ou grandes revoluções que estendam as habilidades empáticas
adquiridas.
Escutar pra valer!

Para agir de forma empática


Para agir de forma empática há uma ação essencial:
"a escuta radical".

Segundo Krznaric escutar radicalmente alguém implica em "abrir os


ouvidos e o coração", despindo-se de julgamentos e tentando
compreender as emoções e sentimentos que a outra pessoa lhe
apresenta. Como veremos na próxima aula, escutar significa falar pouco
ou quase nada, não interromper e se colocar com uma postura
receptiva e aberta, inclusive demonstrando isso no seu próprio corpo.
Que tal praticar a escuta radical em uma próxima conversa com
alguém?
E o que Empatia tem a ver com Relacionamentos?

Vimos que se conseguirmos nos relacionar e conviver com mais


qualidade, temos o poder de transformar o entorno, seja as relações
familiares, de amizade ou profissionais.

Em profissões onde as relações entre pessoas são essenciais, pode-se


afirmar que a necessidade de se estabelecer relações empáticas é mais
premente que em outras.

Na área da educação é mais do que comprovado, inclusive, que a


qualidade das relações afeta diretamente os processos de aprendizagem
e desenvolvimento dos estudantes.

Se as relações forem empáticas, os impactos para todos e, em especial


para os jovens, é sensivelmente positivo.
Vamos assistir a mais um vídeo? Este vai te surpreender:

Assista o vídeo abaixo:


Um importante pesquisador sobre Humanização na Saúde, o médico e
pesquisador Tom Hutchinson, defende um conceito que pode ser aplicado
também na área da educação.
Para ele, um cuidado humanizado requer de todos os profissionais o
estabelecimento de "fronteiras permeáveis" entre o profissional, o Outro -
seja ele paciente, familiar do paciente ou colega de trabalho - e entre o
contexto.

Isso significa que o profissional deve ter empatia suficiente para


compreender o seu cenário de atuação tal como ele é (com abundância ou
escassez de recursos, focado em classes abastadas ou classes menos
favorecidas, com profissionais altamente comprometidos ou com alta
rotatividade de trabalhadores etc.) e para compreender o Outro com todas
as suas características (emocionais, biopsicossociais, histórico, memórias
etc.), mas com distanciamento suficiente para poder atuar
profissionalmente.
Você consegue pensar nesse conceito aplicado em
situações de um profissional da saúde? E aplicado ao seu
cotidiano, na educação?

Como você pode apoiar de fato seus estudantes e


colegas de trabalho no seu atual cenário de atuação sem
ficar imóvel ou absorto nas emoções ali presentes?
A resposta não é única e nem simples, mas é necessário lembrar
que não estamos sozinhos no mundo, nos relacionamos o tempo
todo e precisamos, mais do que nunca, qualificar nossas relações
e transformar nossa convivência.
Precisamos escutar melhor, perceber melhor, não fazer pré-
julgamentos e precisamos nos comunicar melhor. Precisamos ser
éticos e podemos ser cada vez mais empáticos.
Se não nascemos 100% empáticos, nós podemos aprender, e
devemos nos esforçar para isso.
Como vimos, a EMPATIA pode transformar nossas vidas para
melhor.
Então, por que não tentar?
Resumindo, nesta aula abordamos os seguintes aspectos de Empatia:

▪ Empatia é o esforço genuíno de compreender como é estar, ver e sentir o que o outro está experimentando numa dada
situação
▪ Empatia não é o mesmo que de outras expressões compassivas, como, por exemplo, a piedade ou o sentimento de pesar,
pois não diz de compreender as emoções do ponto de vista do Outro
▪ Empatia tampouco é "faça para os outros aquilo que gostaria que fizessem para você", pois isto
supõe que os seus próprios interesses coincidem com os da outra pessoa
▪ Ser empático exige antes de qualquer coisa desapego, despojamento
▪ É importante estabelecer a ideia de "fronteiras permeáveis" entre você, o Outro e o contexto
▪ São 3 etapas para desenvolver o processo de empatia: Ser empático; Receber empatia; e Co-criar empatia
Você terminou a Aula 4 sobre Empatia.

Na Aula 5 vamos conversar sobre Comunicação.

Durante a aula falaremos sobre como se dá o processo de Comunicação e sua importância para estabelecermos
relações produtivas e significativas no dia a dia.

Nos vemos lá!!!


Saiba mais

Filmes
▪ Os intocáveis
Direção:Olivier Nakache & Éric Toledano
▪ O escafandro e a borboleta
Direção: Julian Schnabel
▪ Gandhi
Direção:Richard Attenborough
▪ Meu pé esquerdo
Direção: Jim Sheridan
▪ Segredos e mentiras
Direção: Mike Leigh
▪ I AM - Você tem o poder de mudar o mundo
Direção: Tom Shadyac
Saiba mais
Livros

▪ "O Poder da Empatia. A Arte de Se Colocar no Lugar do Outro Para Transformar o Mundo"- Roman
Krznaric.

▪ "A Importância da Empatia na Educação" - Escolas Transformadoras

Vídeos

▪ Dear future mom (Querida Futura Mamãe) legendado - CoorDown -


https://www.youtube.com/watch?v=fIK5st2s3kA

▪ Como construir relações empáticas? (Leandro Beguoci) - Escolas Transformadoras

https://www.youtube.com/watch?v=vWvlF9Wkl7c

Leituras

▪ Empatia: o material mais importante na volta às aulas - Centro de Referências em Educação Integral
- https://educacaointegral.org.br/reportagens/empatia-material-mais-importante-na-volta-as-
aulas/