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O NA PUBUCAÇÃO
p BRASIL CATALOGAÇÃ RJ
i;;.ro NACÍONAL DOS EDITORES DE LIVROS,
SJN;;

R321

RELIGIÕES NEGRAS
pós-emancipação / organização Valéria
. ·-
Rellg1�es negra
s no Brasil : da escravidão à
2016.
São Paulo : Selo Negro,
Cost.a, FláV10 Gomes. -
384 p.: il.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-8455-OO8-
I

1. Cultos afro-brasileiros - Históri


a. 2. Negros - Religião. 3. Candomblé. I. Costa,
NO BRASIL
Valéri a. 11. Gomes, Flávi o.
COO: 299.67

Da escravidão à pós-emancipação
16-35544 CDU: 259.4

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�-
www.selonegro.com.br
Valéria Costa
Flávio Gomes
(orgs.)

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e os convida a produzir mais sobre o tema;
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REUGIÕES NEGRAS NO BRASIL
Da escravidão à pós-emana'pação

. . Copyright © 2016 by autores


Direitos desta edição reservados
por Summus Editorial

Editora executiva: Soraia Bini Cury


Assistente editorial: Michelle Neris
Capa: Buono Disegno SUMÁRIO
Projeto gráfico: Acqua Estúdio Gráfico
Diagramação: Santana
Impressão: Sumago Gráfica Editorial

Apresentação ................. • ... • ..................................... 7

Revisitando "MagiaJeje na Bahia" ..................................... 13


JoãoJosé Reis

2 Entre o santo e o batuque: os escravos de São Bento


sob a Regra do Glorioso Patriarca ................ ......................... 41
Robson P. Costa

3 Três sacerdotisas africanas no Brasil inquisitorial ......................... 59


LuizMott

4 Casa das Minas e Casa de Nagô: história do Tambor de Mina do Maranhão ... 78
Sergio F. Ferretti

Selo Negro Edições 5 "O célebreJuca Rosa": religiosidades negras no Rio deJaneiro, 1860-18701 ... 94
Departamento editorial Gabriela dos Reis Sampaio
Rua Itapicuru, 613 - 72 andar
05006-000 - São Paulo - SP 6 Desfazendo feitiço: curandeirismo e liberdade nos engenhos
Fone: (11) 3872-3322 do oeste paulista (século XIX) ........................................ 111
Fax: (11) 3872-7476 Adriano Bernardo Moraes Lima
http://www.selonegro.com.br
e-mail: selonegro@selonegro.com.br 7 O candomblé da Bahia e o terreiro do Bogum nos Herskovits Papers ......... 129
Luis Nicolau Parés
Atendimento ao consumidor
Summus Editorial
8 "E se fazendo a adivinhação da peneira caíra no preto acusado":
Fone: (11) 3865-9890
lideranças etnorreligiosas numa sociedade escravista ..................... 150
Vendas por atacado Paulo Roberto Staudt Moreira
Fone: (11) 3873-8638
Fax: (11) 3872-7476 9 "Quem não tem peito não toma mandinga" ........................... . 169
e-mail: vendas@summus.com.br Nilma Teixeira Accioli

Impresso no Brasil
omblés
e africanos e cand
Proc u ando fortuna'· Notícias sobr
. · .. . .• · · · ··········· ········ l 6
lo r
. e no Recife mroc ennsta . 8
no Rio de Janeiro
Gomes
Valéria Costa e Flávio
..ço em notícias de uma insurreiç ão:
li O medo do fein · , 1854 ...• · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · • • 205
ão em !tu e cercamas
o caso de Pai Gavi
Luiz Alber to Couceiro
a ·············· · · · · · • • • .. 224 APRESENTAÇÃO
usos no candomblé da Bahi
12 A fotografia e seus
Lisa Earl Castillo
, e Santa Catarina: prá ticas e desafios
13 O "feitiço' na Ilha d . , . .• • • • · · · · · · · · ·
. em seus prunordios · · · • • • .... 2 47
s
das religiões afro-brasil erra Sobre religiões e experiências nas (das) tolerâncias
Cristiana Tram ante
iros e feiticeiros negros Em épocas de renovados episódios de intolerância, em que ataques raciais e reli­
14 Práticas religiosas de curande
• • · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · • 266
na Para.i'ba do Norte oitocentista giosos trocam de posições e se destacam na imprensa, as reflexões aqui reunidas ga­
Maria da Vitória Barbosa Lima nham múltiplos sentidos.Primeiro, cabe indagar como a historiografia clássica- ainda
exuberante - sobre a escravidão no Brasil ficou acanhada nas explicações sobre forma­
o XIX e primeiras
15 Religiosidade do negro no final do sécul tações culturais.O que a história da escravidão tem a dizer sobre experiências religiosas?
décadas do século XX: Pajelança e Tambo r de Mma do Maranhao .......... 2 80
Só silêncios, repressão e estigmas? Entre as santidades seiscentistas, passando pelos ca­
Mundicarmo Ferretti
lundus coloniais e chegando aos candomblés oitocentistas, quantos africanos, indíge­
16 Mistérios da mandinga - As crônicas de Vagalume e as nas, europeus e seus descendentes foram inventados e se inventaram? Em torno das
"religiões africanas" no Rio de Janeiro da Primeira República .............. 2 98 permanências, tradições e transformações, é possível acompanhar trilhas em uma lite­
Juliana Barreto Farias ratura já consolidada.O que mais faz falta são estudos mais empíricos que cubram todo
o Brasil, avançando para regiões urbanas e rurais da escravidão e da pós-emancipação.
17 Ilé Ti Dudu: memória negra do Recife ................................ 32 0
Pouco se conhece sobre o interior das senzalas ou dos casebres - em becos, ruas e tra­
João Amaro Monteiro da Silva
vessas-, ou das matas e grutas nas quais escravos e livres- a população negra - reinven­
18 O Xangô em Alagoas nas primeiras décadas do século XX ................ 332 tavam o cotidiano entre práticas sagradas e profanas.
Ulisses Neves Rafael Esta coletânea oferece um p anorama amplo, original e diversificado das experiên­
cias religiosas na escravidão e no pós-emancipação, com destaque para aquelas de ori­
19 Guerra de Xangô: ritual, repressão e conflito na gem africana, reinventadas e modificadas permanentemente em variados espaços.Abre
formação do campo religioso afro-sergipano .......................... 3 3
. 5 com o capítulo de João Reis, revisitando a Bahia colonial. Suas abordagens são referên­
Petrônio Domingues
cias para os estudos da temática desde os anos 1980.Mais uma vez somos conduzidos -
entre adaptações e mudanças - às culturas religiosas afro-brasileiras, mergulhando nas
diásporas gbe e ioruba a partir de uma devassa em torno de um calundu em 1785, em
Cachoeira, no Recôncavo Bai ano.É reconstituído não só um episódio, mas também de
tradições religiosas e dimensões do tráfico atlântico, permeadas de etnografias africanas.
Ainda no Nordeste colonial, ouvimos o som dos tambores vindos dos engenhos
beneditinos de Pernambuco.Quem vai aumentar o som é Robson Costa.Entendemos
s" sacerdotes - quase sempre velho
,,autêntico , ,, s africanos-dos
..,..,. le tra minuscu1a que se espalhavam pelo Ri o de muitos "PaIS. de santo

16
c o.. Janeu.
o
0 tratamento diferenciado que a "religião africa
MISTÉRIOS DA MANDINGA -_ AS CRÔNICAS tiJ1ha, pelo m enos, um a explicação: 0 autor daquela
na,, ganhava nas pá
gma· s do GrltieiJ
DE VAGALUME E AS "RELIGIOES AFRICANAS" g0 na ab ertura da s
, .
e ne, o ,
repor ter Francisco Guunara
• -es, o popul ar
.
s linhas. Como vinh
a destaaao1 °"
NO RIO DE JANEIRO DA PRIME IRA REPÚBLI dos extos sobre o "mund V agalume, eralt,
redator t
. _
o dos fetiches" R
· econhea'do nas rodas do
CA Rio defa;l
neiro como o "cap1tao do samba e do carnaval"• ele também estava
"Clubs e Folioes __ ,, à fren te da sepp
FARIAS , que ocupava toda uma página do diári
JULIANA BARRETO o de Mário "'º
n drigues. Cbm o
auxílio de Coryntho de Andrade, o Esfolado, cobria os desfiles e a organizaç
ão de ran-
chos e sociedades, promovia concursos e entrevistava carnavalescos e sambist
as. Po:f
\ rém, esse jornalista-folião, ainda tão negligenciado por nossa historiografia, circulava
por outros salõe s e terreiros da cidade'.
Na última página da edição de 12 de janeiro de 1929, em me io às alar mantes n
. otí- E talvez por isso mesm_o tivesse uma postura bem diferente, por exemplo, da do
aas sobre o "verdadeiro dilúvio" que desabara sobre a cidade do Rio de Janeõ• u o, os re-
jornalista João do Rio, também au tor de repo rtagens sobre esses temas em principias
datores do jornal Critica anunciavam: no dia s eguinte , dariam início à publicação
de do século X X. No famoso inquérito sobre as religiões no Rio que fez para a Gazeta de No­
uma "reportagem sensacional, de aspectos curiosíssimos, sobre mistérios da mandin.
tícias, em 1904, João do Rio já havia revelado o "mundo dos feitiços" que se espalhava
ga". Dali até O dia 25 daquele mês, 11 artigos descortinariam a "religião africana", com
pela capital carioca. Guiado por Antônio, um africano de Lagos, percorrera as ruas de
seus "pais de santo, alufás [líderes muçulmanos] e feiticeiros; candomblés, despachos e São Diogo, Barão de São Félix, Hospício, Núncio e da América, onde se realizavam os
ebós"; enfim, "uma vida de estranho fetichismo no Rio, envolvendo perso nalidades de
candomblés e viviam muitos líderes e sacerdo tes africanos. Em alguns momentos, até
gr an de prestígio político, social e me smo intele ctual" 1• esboçou simpatia por alguns de seus informantes negros. Contudo, o que realmente se
Certamente os leitores do matutino, lançado há me nos de dois me ses pelo polêmi­ ·
observa em seus registros e· que, para o repo· rter da Gazeta africanos e sua s praticas
· · ·
co jornalista Mário Rodrigue s, esperavam d e scriçõ e s e spetaculares de batidas policiais a culturais e relig10sas conformavam corpos estranhos, 'bárbaros"' , numa cidade que ca-
"antros de feitiçaria", com prisões de "temidos fe iticei�os" e exibição de todo o "arsenal minhava para o "progresso e a civilização"'.
_ . .
da macumba". Afinal, a oitava - e última - página do Crítica trazia sempre a crônica Não obstante, esses artigos, ta o permeados por ideias racistas e evoluoomstas, , .
. . a Republica
policial da cidade. Diariamente uma "caravana" percorria bairros e subúrbios, desco· constituíram-se em referência para muitos escntores e J·omalistas da Primeir , .
btindo casos aterradores do submundo carioca e e xplorando -os até a última gota de
. . .
e, ainda hoje, continuam como as pnnopais fiantes documentais em análises b10 • gráfi·
, , . s negra s n Ri o de Janeiro
cas, hist·oricas ou antropolog1cas sob re cultura e religiosidade .
o
sangue'. E naqueles primeiros dias de janeiro de 1929, a campanha contr a candomblés , simplesmente
a mtençao- e
e outros "centros de exploração da credulidade · das primeiras décadas do seculo , XX' · At'e mesmo qu ando
pública" continuava acirrada na ímpren . . rter da Gazeta de Notícias6.
refutar - e, no lirmte, descar tar- as crônicas do repó
sa e nas ruas do Rio. Mas o que se viu
na folha de Rodrigues foi b em diferente. Vagalume no m10 • , ·0 de 1929 permane-
DemonStrando muita intimidade to so·
Por sua vez, as reportagens publicadas por
ões trata-se
. , . com aquele unive rso, o redator do inquéri cem pouco conhecidas . 7. Quan d o s °estud ioso s se refierem a suas descriç
bre os "miste .
nos da mandinga" descrevia - com . bém de roda d o samba , em l933. Ainda assim, em
. . boas dose s de adrmraça- o e tam sobretudo das notas public. . adas n o livro Na ·
c::: . .
ª
rrorua - visitas casas e terre .
iros de líderes religiosos afamados, como O baiano Cipn

1965, indicações sobre esse materia! p.ublica
. do no Cn'ticaJ á aparece m num artigo que
" ' utro destac ado cronis ta
no Abed'e e O pnncip ·
e dos alufás", Assumano Hen andanças
, • . o d e Joa"o Ferreira Gomes (1902_1987),
• pseudomm o
. de seu
. . rique Mina Brasil. Nessas o
Jota Efege, orar a trajetó na
ass1stm do de p erto a mm·tas • , . ect·me n c . escreveu Para o Jornal em 1965 · Ao remem
cenmomas e ntua .
is ou apen as tomand conh ° do carnaval do Rio,
. escnt. o "na Cn,ttca. uma sen .
. •e de reportagens inotulada Misté-
.
desses eventos, descobr
ia histórias, preceitos e com
plic das obrigações aos
.,
orlJ(aS:,E
rll amig o, conta que ele havia
reocupado, contou coisas
interessantíssimas
meio a grupos de adept a té rios da mandinga. No se u es tilO Ieve ' desp
, eos ildes a
os bem heterogen "moças hum
... políticos influentes na ' que reun iam desde r s
o
capit
• a1, como o senador separa
Irine u Machado, pro curava

191 VAúRJA COSTA •


FLÁVIO GOMES
(o.r2s,,.I.---------- - �
-�--------'
seus contatos co m a lufás e feitI' .
s que frequentou e d e ª ce1ros
falando dos terre iro . . a1qu.1 com essa s linha s, o jornalista Antoruo .
,,'.,orres decidira,
. sp ch s e bós os mais e xo, ncos" . M ai s re cente m ente' Leon ardo - . da finalmente, se in,mrmr
nust as de d e a o e
_ pe reira· n S do C orreio Man hã de 13 de ab ril de 1 918.Oestop. nas
m s s la ç oes com cultura s ne
gras, asso ági a
ra de Vaga lu
re
e e ua unf,• 01 a publicaçã
em arn·go sobre a ob . . . sua tese d e d outo rad0 s ei at.tv ' º
pdos os jorna is· da capital , de mais um rel ato sob re uma batid -o-.,...
por t'"

ci lid a d e ' e Nilma Acoo h, e m obre as
is a com and ada pelo d'eleg a
mo dançant e e na ona
Rio de J i d fi . e xp e·. a arcello s contra um g ru po de pesso as que "rezavam uma . ao de
do
trize s africana s n o ane ro e n s do O mu, sica
� • • 0-as re lig iosas d e ma lis m
��os e P
ti rna casa em Bota fogo. Além de protestar contra a prepotênciª d0 de1eg
us Xangõi nu
XX, indicara m e ana ara a lgun s dos a r tigos -
meiras décadas do sécu lo 9•
publica
dos riedad e da irlvasão, Torres parecia ainda mai.s mdignad o com a pasSIVI
. ado e a arbitra-

nal d s nos 1920 . ºd ad e de seus ar


n aquele inquérito do fi
o a
-
silêncio acerca desses textos ? O que , d e fato, os difierenc1av legas. Era só Barc e llos "chamar a report ag em,, que , , otógr afos corriam para "estourarem
Mas p q e t an to , .
0 magne s10 n o xa drez" e repór teres se apressav am em copi ar "d 0 livr 0 d
u
or
. . , a dos
ena a p enas uma questão d e .
oao do Rio e m 1904? S proXUn
registros feitos por J p o
id a r mid áv ei s criminosos". N a man hã segumt . e,Jª .
. erso? Afinal, o rep orter , .
do Cntica ' diferememe de e no mes dos fo . , se IDlag inava a ecenartes a: "Bar
s
identificação com aque le umv " ·,, .
nt e deJ •
ºªº ce llos ain
.
. .da na cama, dep01s de saborea
r o cafezinho mann · ai, lê , encantado n os j ornais
eg r ( ra ça a qual t ant o s e orgulha v a de p erte n
do Rio' i dentificava-se como n o . cer) e co n- .
do dia : , O com1ssano
. , . B
arc e llos fez onte m um a importante diliº g e• na.
a. Rondav a ess a
ns retratado s. Ale, m disso , o que exatamente
vivia com bo a parte dos personage. .. represen- .
z e losa autori da d e p e la rua da Passag em, quando... etc."'.
.s do que i sso, leg1t1m ar - a cha m a d a "religi· a -
cava falar s br e - e, ma.i 0 a frican a" numa
o
D e fato, qu em folheasse qualquer periódico n aquele periodo deparan a com algu-
época em que cultos ditos "não ca tólicos" (muitas vezes n omeado s de fiorm a ale , .a sobre a pnsa . _ o de pessoas fl ag rad as em "s essõ es de feio ·çana· ". seg · do a
... ,, " atória ma notio um qu -
" d '" " . . . 'b . ou m a cumba ") ainda era
como can omble , ",e1nçana" , a.ixo espmnsmo m atacados s e s empre um me smo roteiro , os redatores apresentavam descriçõ es sumárias, saml an­
e criminalizados por parte da imprensa , do Esta do bras il eiro e da própria sociedade? do a a ção policial, con de nando os rituais e seus líderes e listando os nomes dos de tidos
Investigar essas questõe s é ju sta men te um dos o bj eti vo s d es t e cap ítulo, que busca- e das "bugigan gas" apre endidas. Para compl etar, ainda traziam fotografias q ue p are­
rá compreender alguns dos "mist érios da mandinga " rev ela dos p or Vagalum e em fmai i .s ciam mesmo t iradas no int erior d as delegaci as. Posicion ados diante das peç as confisca­

d a década de 1920. Mais do que traz er à luz es ses textos perdidos na s p áginas do Critica, das ou ap en as de p erfil, home ns e mulheres exibiam suas faces compung idas e seus
u
trata-se de perscrutá-los no te mpo e no luga r e m que fora m p roduzidos. Coligindo os olhare s ca bisbaixos, num indisfarçável constrangimento .
proliferaçã o
11 artigos publicados na folha de M ário Rodrigues e t ambém o utras not ícias, crônic as e Em s eu t exto, Antonio Torre s se mostrav a um tanto surp reso com a
dé a as do século
d e ss e t ipo d e registro. No entant o, desde p el o menos as primeiras
c d
report agens que saíram em diferentes p ublica çõe s nas p r imeir as déca da s do século XX,
ç s s páginas
XIX, o candomblé e ou tros cultos de orig em africana eram recha
ado na da
é possível tanto descobrir p ersonagens, es miuça r rituais e pre c e itos e distinguir cerimô• fici ais n s folhas im­
imprensa carioca. Chamados d e "f eiticeiros" nos document
os o e a
nias e cultos da dita "religião a fricana" co mo a v a liar a s r e la ções - ta nta s vezes tensas­ - em geral. escrav os e libertos
p ressa s, adivinhos, curande iros e ch efes d e casas de culto
que jornais e jornalistas mantinham co m esse u niverso tão rico e multifacet ado. ca, ainda que ne m sempre
as au­
africanos - torn avam-se alvo de perseguiçã o sistemáti va p e rig o
puni-l s. Em p a uta, est a o
toridad e s concordassem sobre O melh or métod o d e
o
d man s q arm a-
"Igualdade de deuses"? · e sse s p ersonage ns representavam, sobretud0 em funçã o d as e da ue
que e as r lig iõe s entre
oa ediss minaça· o d ss e
vam par a e nfrentar seu s senhores. E nem mesm tatura social, arref ecia
Em que p aís est amosl· Em q ue e' p oca vivem , · a a vapor·' de

· d b an os de alm,ma es
os? Pois entã o , de scob re-se a maq um • Ulll c
os d e mai·s se tores da populaça- o, incl
r
· o b-
das no Brasil p or
. e,az•5e sub� · ai· s trazidas
nro e r ec o nstituí
cobre-se a eletricida de •· procl amam-se os di.reitos
.
do h ome m na Re volução Francesa, aqueles qu e comba tiam crenças e pra, n•cas
· qu e d e ta• o altos sã o vertig inosos; de sco bre-se a imprensa., pro111 ·
. ca".
ul
a Ciênci a a p arâmetros t ais, home ns e mu lheres proc edentes d a Áfri iri a acentuar-se ain da
b el a ,
u blica, em
1890 ' esse processo .
gam-se leis cuj a estrutura rep ousa n u ma e unia da R p , . m oveu a seculan-
base formada p ela lib erdade de cultos; Com a procla maç .
e
ern o proVIS on o, pro
ão
. d O p el g o v
madrug ada, notável senhor polici· a obrezinh
05
ma1s. O D e creto nº 119-A, promuiga
o
. __oe C ontud o, a p raoca , • da "m e-
l man d a abrir a por ta de uma casa e m que un s P _ .ndo leg alidªde a tod as as relig1 s.
ue 01• fe
ita pa,ra• za ç a o do Estado' garann a p ara a repressao
adoram um deus ign
ot0 e, so, p or i.sso, le va- o rn eceu a base jurídic
s p ara o xadre z! E a imprens a q f, as >'lo· di ·
ema m "cu an d ejrisrno" ' fo _ . _ .
oes realiz ad os p or
r
comb ater tod as as m grafia d .,, r e ligiosa", tida co o
e resoluçao d e afliç

mas e n ·ao se ms
. .
odalidades da trrarua,
notici a o fato' documenta-o com foto
ª ein p
[.,� ª terreir. os e casas de culto. Os n.t os de cur a e d
ublicaJJ

...
· urge, não se re vo1ta, com essa isiç re p
prepotência da Inq u ão
Amén. ca do século XX!" RELIGIÕES NEGRAS NO BIIASll.

JOO V�RJA COSTA •


FLÁVIO GOMES
(orgs.)
amados "feiticeiros", pas savam a se r co .
. , e também pe los ch e droga s e mal eficios
pais e ma-es de santo .
mag a e fal sa m dicina". Os d ::d�ra.
s
A associação e ntr acabou se tornando ta-o .
e m" rátic s de unportante nessasinves-
trav nçõ es, con sis tindo � � : � is P 1t1vos
- es que , em 1937, uma Seção T' .
ço d
dos c on e tiga e macos e Mistificaç-oes ,01 e • 01a
es arogos esp ec1ficos do C odigo Pe nal_ • da n o interior
r presentados por tr a c . ru· . . dá
legais cri dos_ ab ar alll 1, oe l egacia Aux ar do Rio de Jan eir· o, especializada n o controle e na fiscalizaç
e
a ' ' "
ões como p e rigo · sas a sau' de p ublICa e contrárias à mora ão dos
por definir essas religi · · · · , l e ao s centros es pírita s e das ca sas de .
culto. E tudo isso, evid
. entemente, na_o escap
- trucu1ent as batidas p o11c1a.i.s, Jª tão comuns des
· de entao, ou aos jorna-
bons co stumes . A paror . de os listas. Em 192 7, a campanha do jornal A Man hã era anunci dªcom o seguinte tital ª
ram -se mais fre que ntes , resultan do m uitas ve�m�t o:
tempos do Império, torna ura "AI.coo!, cocaína e candomblé". Em sueessJV . . _
as ediçoe s nos meses de Junh . o e julho, os
· • · U
de processos cnnunais . . reda tores descreveram, em detalhes' Ocom bate po liaal .
a es ses trê s "elementos"
essiva, jornais e revis tas d o Rio de Jane iro mtens ·
Na esteir a dessa onda r-epr . • . . ificava Cont u d o, n e m s e mpr e a .
impr ensa era um a aliada mc . o
ndicion al de deiegados e
as
,.. soes", registrando as oc orrencias , divulgando
mva den u, . m .
0 noticiário s obr e
. , . n cias en comissário s. Basta l embrar do artigo de Antoruo T,orres, apropn.ada mente intitulado de
, preparando mque ntos mais ap urados . Nos pri. me
via das por leitores e, por vezes iros "Igualdade dos de uses", e do extenso inquérito 1evado a cabo por Va ga lum e no final
•es anos antes das famos as reportage ns de João do Rio' A Tnbu .
meses de 1901, tr . . . no Rio d e Jane iro
na divuJ dos ano s 1920, que olhava para essas casas de "culto africano " com maIS. s1mpaoa . . e res-
, . sobre ''A r ,emça na ". D urame quase qu .
gou uma detaIhada sene atr o peito. Pore, m, o re port , er do Critica' certamente acompanhando a linha editonal · da pu-
rador do diári o fr qu e nto u c e ntro s o cultos, a ssi s tiu às suas p , . . _ , . Rodri. gues, também não perclia de VIS. ta as escre1t· as ( e à s vezes bem
m eses , um colabo e
ratic a s e' blicaçao de Mano
. de t er se filiado
. a algun d el es, tomou parte em mu ita s sess ões' adqumndo as
..
depoIS s sim promíscuas) re lações que figuras impo rtantes do cen ário po lítico fluminense manti­
"um conhecimento completo e cabal dos mistérios do Rio". nha m com pais d e san to e "feiticeiros". Sem contar ainda que, nessa época, jornalistas e
.
E, como na época essas matérias alcançavam grande sucesso entre os 1e 1to res 0 es critore s modernistas t a mbém e stava m redescobrindo a "cultura negr a" e as "favelas"

assunto muitas vezes rendia em sucessivas ediçõ e s. Na Gazeta, tal foi a cun·os1·dade des- cariocas, com seus sambas e "macumba s"".
pertada pelas reportagens de João do Rio que - n os mes es de março e abril de 1904 _
foram publicadas charges, queixas de alguns p e rsonagens e uma "galena · " com retratos Um jornalista mandingueiro
e biografias de "temidos f eiticeiros africanos"
14
Também e ra comum que os jornalistas
o Guimarães vinha de
Nascido n o Rio de Janeiro provavelmente em 1877, Francisc

decidiss em acompanhar as seg uidas diligências d e autoridades designadas a reprimir , porém laborio­
o p
uma família de tr ab alha dore s ne gros descrita por ele "com
obres
centros e terreiros. Em 1927, quando as açõ e s policiais nas ruas e na imprensa voltaram esc so s, sabem o s -
s os" 16• Embo ra os registro s sobre sua inf'an
cia e juvenrude sejam as
com força, 0 delegado Augusto Mattos M e nde s foi indicado pelo chefe da Polícia Civil o s e esrud i s s e o samba e o
com bas e e m seus próprios escrito s e textos de amig
o so obr
do Distrito Federal• Coreolano de Ar auJO , · Goe , s Filho, para dirigir uma campan ha con· fissi (cri ado p ara dar
no lrIStituto Pr
carnaval - que, Jogo após concluir o s esrudo s
o onal
, .
tra o baixo espiritismo, a cartomancia · e outras formas de explora ção da creduli· dade entre Livre), t rn u-se auxilia r de trem n a
futuro aos jovens b eneficiados pela Lei do V
o o
, ri dor Leonar­
• al A Manha, fundado por Mário Rodrig ues em 1925 o Brasil. C o m d stac his
pública". Ao mesmo tempo, o JOrn a o to a
Estrada de F e rro Pedro JI, arual Central d
o e

também irúciava sua campanha, des vendando os "antros da cidade " d e scoberto s p or
acom panhara de p erto o p rocesso de desman­
do Pe reira, ao longo de sua inf'a ncia, ele m um d muit os afro des­
Manos e sua comissão. io senhorial. E, c o o os
telamento das anúg as po líticas de domín s c minh s d s revivê ncia e
ª teve de buscar nov
ob
es textos ' o a o e
.
Se uma visão moralist e condenato, na dava o tom da maior parte dess cendentes no pós-abolição, ta mbém pass s fo am p ntados co m
es primeiro s
avime
d 'e oca
o r
outras questões iam se assoe"and ao sabor
i ° dos debates políticos e sociais de ca ª p -· af.1rmaçao - prof1ss i 1· 0na1. Em seu ca so ess
. .
, s do século XX · enta 1
E m pnnc1p1o • quando as di.scussõ es sobre raça e mestiçagem rnovun boas doses de sorte e educação '- o j orn alista Luís G a m a (
não o ab olido -
o de arães co nheceu
e:::, vam os ambi.entes intelectuais , . os no Brasil, João do Rio desc revia o " mund
· e literan Na Estrada de F erro, Guim capital. Perce -
feitiços " e "1:: 19Z0' ° ms . ta), que a, e, poca e • rep orta gen s sobre a ferr.
,azia
ovi a p a r a um j orn al da
g u da apuraçao
_
,e1t nos sob essa ótica racial e "científica". Já n os anos ca r

• 1ce1• ros" africa Gam
o jornalismo , o en r e o
,s a s Jetr as e pel
a
ligado a .
b en do n o Jovem o gost P el . .
dessa vez que se lançaria n a unprens . Ant
o
combate às"relig1o ·- es africanas" e aos cu1tos en te a es
mediúnicos estava dir eta m
rª d os ,a =· a n ão seria
e tos no 1oc al. po re, m , ,;nd ali c m voluntário
tou
rnontad p ·
discussoes- sobre saud a a da, l o o
, e pública
A u a Revolta da Arma
s
,
e e se
· epo ca, uma perícia foi especia lmen te
ate diss o, em 1893, quando estouro
identificar e avaliar as"p om
ráticas produtoras de maleficios à saúde". Ao avaliarem ga-
ria! apreendido, os pen. a dr
0
tos deviam, por exemplo, averiguar a presença de algum RELIGIÕES NEGRAS NO BRASIL
i n o m e ad o ''.Alfe r e s ,
do mov im ent o, fo .- u
-io. nor ·
. a dent es.Ao final árto
de pert en
c e r"; o sambist a J. B.d a Silva (Sinh.o), seu
no Batalha• o Tll' te n t d C a p1t ao d a Guard a N
acion al ' do . ana" ; o b a.
amigo e "f,ervor oso adept
, e, na sequ e• nc1·a, rec eb e ria a p
a e e
tt, tu\o 1ano Hilário Jovino, um dos , o da reli-
. g ião afr ic
Exé rc ito' eu pró prio n
om e . " líde res da co muru'dade ne gra (e baian
oran do a s . a)
que acabou inc
orp
a conseguir um e mprego n a re daçao no R io de Ja ne1ro ; e Henrique Assumano M'ma do Brasil ' 0 . pnn , ap .
morou muito par do 1 r " e d os alufás'".
Entre tanto, na•0 de . .
do Rio d e !�ne1ro .� e ss e s prim eir os tem : na1
Emb o r a a firm as s e que era .
católico aposto, lico ro mano" , na
•o escondia sua admira-
m i p op u l ar es diário s . .
do Brasil, um dos
a s
P P s de ção p el a "relig ião afr icana" e pelos principais sacerdotes qu e am • da VMa ..
ietó ri a jornalí s tica
, t e mos poucas no ticias. o ssiv e lm e nt e ficou ª li dei 8 p adr e s e babal orixás, mostrav a reverena .
m na cidade do
I o ga tra , 96 R io , Ent re • a por este s úlnm
o v esp ert ino lib e r,al A Tribuna e p assou a e screver a coJu
n
sua . os. Era tanto membro
nd o ingr essou n ,.
at é 19 04 , qu a ,
g a d a .Dur a nt e qua s e d o is meses (de
18 n a da Ir m and ad e d e Nossa S enhora do Rosan o e Sa_o Ben.edit. o dos Homens Pr etos como
os _ Rep ort ag e m d a m adru 1 0
"Ecos not urn . de frequ entad or assíduo dos candomblés deJoao • AIªb'ª e C1pnano Abedé parttapand · ·
ad a can o c a ac o mp anh_a nd o a moviment açã o des-
m arço a 3 de
maio), sa iu p_ela madrug o que . .
sas r odas ou s 1IDpl esm ent e usando sua pen a' Vagaiume, ass11J1 co mo outros crorus
·
s os canto s d a od a d .
e No s r e g i stro s que fe z de . · tas ne-
no m i dive r ssa s incur- _
aind a pe rs is ti gro s , onent ava o carnav al e , de quebra, ainda negoaav
s
a s a
. .a.1s m arcas: a . . . a a extensao do terreir o na cidade
evid nt s u s prm c1p mfor m ahd a d e , t oque s de hum .. .
sões, já ficavam e e s a
. • or e mobiliz ando imprensa, comérc io e governo· Como assm . aiª Eduardo Gr anja Coutinho
" ans e. e aspir a ço es d as c ama d as p o pul ar e s" . , que
um a clar a afinid a d e com os 10s S o essa mUit as v e.zes acabav a reco r rendo a políticos e ''brancos infIuentes', na so a.edade cario ca
.
b ém "' 101 curt a.Quand o o JOr . n a1 foi transferido par a . a assim, sua atuação fo i d ecisiva pa ra a afirmaçã o da "cultura e dos vaiores negros".
passagem por A Tribuna tam a firma Aind
u sua col aboração.D aí em di ant e , p e rdemos ma1suma .
. ao c ena, no l etr ado carioca d as décadas d e 1920 e 1930, am
Azev e do e C., Vag al u m e encerro Em m eio · d a mwt· o en;,t..
..·
ntrá-lo e m 1910, e no vam ent e no}ornal do Brasil·
vez seus r astros. Só vamos r e e nco tiçado p e lo cosmopolitismo e p e lo s m od e los eu rop e us, Vagalume apostav a e m_ e deli­
m o o grande nome da crônica carnava-
Nessa segunda temporad a, d e spont ar ia co be r ad ament e valorizava - prátic as cultur ais tantas veze s condenadas por se us pares.
le sca, assu mindo a seção d edicad a ao no t iciár
io d as agremi a ções d ançantes e re creat i- Porém, ne m sempre perceb ia em sambas, rit os ou cantos a afirmação de uma id enti da­
vas. Com Vag alum e , o Jornal do Brasil, m ais d o qu e qualqu e r outro p e rio' di co, ,, ,1cana. de é tn i ca excluden te , de caráte r e ssencialista.O que pareda buscar, co nfor me sugere
uma
assoc iado à s p e q u en as so ci e dad e s, to
r nando-s e log o conheci do c o m o O "m a1or
· aliad0 Leonardo Pereira, e r a "u m m e i o de afirmação da legitimidade e da vitalidad e de
pt da de forma integr d a s novos t p os"'°.
dos r ancho s ". A o s air dal i n o início d a déc a da d e 1920, el e já gozava de b ast ante presti­ h er anç a cultur al afri cana ada a a a o em

gio e de "cert a supremacia" e ntr e s eus colegas também esp e cia liza d o s na cobe rtura do
carnaval.Nos anos qu e se s e gu iram, co l ab orou com qu a se todos o s j o rnais do Rio, No rastro da "Caravana Negra"
sempr e falando da "vid a cultural popular", mas não deixando de l ado t ambém a crônica de 1920, uma "caravana" d e repórte­
Em quase todas as manhãs do final da décad a
policial, política e teatral. Conforme assinal a P e reir a , por mais que tenha conquistado o e las r uas do Rio deJaneiro e d
e se us arred o res
• . res d e ixav a a redação do Crítica e co rria p
"mundo d os J·or n ais" com sort e, e stu do s e a1gum a s re des de proteçao, foi com seu ta· o co tidiano da cidade . Autop
ro cla­
em bu s ca d e crimes e out ros fat os que ir rompiam n sce r a do
lento d e croni sta que alcançou um esp aço diferenci ado '•. gredos e mist érios" , e ssa trop a na
m mada "impáv i d a patrulh a, perscrut adora de se da p n­
E, como os d emais cronist as d e M omo da Prim e ir a República, Va galum e t ambé assim re afirmavam a imp ortân cia rese

3 próprio entusiasmo de se us membr o s, que mem rativa de 21 de n o­


era um ardoros o folião.Muit o ligado ao gr upo de bai a nos da C idade Nov a , incluio<lo ç a d'os jor n al i stas no local do s aconte cim
ento s Na ediç ão co o

famosa Tia C iata e os s amb'ISt as Joa- o da B aiana e Hilário Jovin o, p a rticipou des de
0
.
o prim eiro ano da p ublica çã o , ª. "C a r ava na d e
vembro d e 1929, em que se ce lebrava nh e d p erig o s, ar ­
ei·to como " velo z, a tiva, d sc n o
., . e o ec
m,ao de s eus ranchos. pouco a pouco foi angari ando popularid ade e gr and e resp Crít ica" foi en tusiasticament e de sc rita em t o d o
be nsa mento fixo no imp revisto, e la e st á
nessas pequenas socied d e s, d e ta1 m o do que, em 1903, assistiu à fund ação do Clu
ª rostand o todos o s sacrifícios co m o p e

bi S' a ag em""·
Carnavalesco dos Vagalumes, que o elege como ntre saJJ1
st lugar; é o olho v i vo da nossa re port nas palavras d e se us
u p residente de honra. E r Mário Ro drigues em 1928, ou -
. bili· Carro-chefe d a folha criada p
nferll'· VI•si
o
carnavalescos e ch orões . d s e j rnal", a "Car avana" e r a
, ' era reconhead o por abrir espaços, legitimar e co faísc a] da ação pro fícu a e t o
dade à "m� , s �- • próprios editore s_ "o fülmen [a tutino ais po pular do Rio
1 M�lli � parte, ele também deixava evidente ' em algun Crítica m
· ha m to rnado o o ma

registros, a proximidade que man r


asUei .·
3 u m d o s artifícios de suce sso que tin , ele foi p r d is an os (tempo e m
tinh ª com ,,personalidades da cultura afro-br 20 mil exem plare s o o
f 3
l ' n o s ano s 1920. Com urna tiragem de 1
Em Na roda de samba,. (1933) edicató
' úruc • o l'ivr o que publicou, homenageava , já na d _, o lh
Eduardo das Neves, o saudos org"'"
i o art1Sta · negro que tanto honrou a raça a que me RELIGIÕES NEGRAS NO BRASIL ]05

J04 VALtRJA COSTA • FLÁVIO


GOMES (orgs.)
. uiaça-o) 0 principal responsável pelas chamadas .,pag ,
are .
que Permaneceu em . te, escân dalos, mando s e des
UJ. as de
sen.

a noca.· I namen m a ndos de P io, para não dar a perceber · ··,, S
sação" da imprens.a c sente rég
a
. ol íti.c o . .
des que ch oca v am a adade eram des
critos em, se . . o,, e, conf
,,femç · uperst1c10so em excesso, e1e passou a
cnmes e atrocida ar do or me us ar e
Personalidades, . en to, os textos .
vmham prec
detaJh
e
abus
o
O redator d0 Cntíca
, . , 1.a se firma n
d •filh
m movim edidos de s. E o com o
Quase como se esnvessem e . tit gum ". apesar de sab er da eficiência dos traba1hos . o�
. los que já apres enta vam os acontecimentos com exag uJos colll ssassm. to),
realizados (teri
am inclusiveunp. eii
uais e subtítu
letras gam_,. . eradas d dido seu a a quando as respostas nao - eram ime . di.a t
. lementados com fotog r afias e ilustr ações "sens 0ses as, ma nd ava- os cas
tigu
de emoça_o. E ainda eram comp aciona. barbar amente, "mandava meter no tronco".
rrador, tal como apontado por Marialv a Barb0s IS"
J Nessas tramas, oJ•ornalista-na a, cont . As reações logo apareceriam. As cólicas que tanto
llllportunaram D. Pedro em 7 de
·v amente
,. " ou como soubera dos fatos e, de algum a fior m a va
"0 que se passou eu c.eo , . a, trans s ete m bro de 1822, por exemplo, teriam sido apen as O pre
. . 0 núncio das vinganças armadas
conheamento publico. Assim, se nem t0 p r-
tava para o relato algo queJ·á era de . . . dos Pre se por "membros da Caravana Negra". Em verdade , O mon arca na-o goz ava . an. a
de sunp
podiam senti-las p or me10 das narr au·v n.
a.avam as tragédias urbanas' ao menos as prod entr e os "feiticeiros", já que constantemente os maltratav a e quen· a se •·impor como
e s dos uz1-·
das pelos repórteres, que eram como olhos ouvido leitor es 22 •
Imp erador, como Soberano,_quando perante eles deveri a ser sempre um crente dócil e
M as não eram somente as repor tagens policiais ou os escândalos políticos qu e obediente" . Não à toa, portanto, eles fizeram combinações e, lent amente, começaram
,. ,, tam b. 'e m se e cau.
sav am essas sensações. As "Caravanas d e C nuca . mbrenhavam em
outros a prep ar ar um "trabal ho" contra o "filho de Ogum". Ao mes mo tempo, à medida que

recantos e temas da cidade. Desfiles de car naval, festas e rituais religiosos igualme su a situação política se agravava, D. Pedro I tentava reunir novamente a "Caravana Ne­
nte
inspirav am expedições investigativas. Como e m janeiro de 1929, quando O redatorVa- g ra" p ara uma ação conjunta.
galume foi designado para esquadrinhar o "mundo dos fetiches" que ainda "germina­ M as era t arde demais. Muitos já havi am des e rtado; outros, falecido. Olu ou-Oiê, o
va" e se "espalhava" pelo Rio de Janeiro.Já tão acostumado com os confetes e as home­ "vigário-ger al " do g rupo, estava muito velho e cans ado, sem mais forças para executar
nagens que recebia, especialmente p or se manter como titular da s eção "Clubs e tr abalhos que exigiam agilidade e gr a nde atividade. E então "n osso primeiro impera­
dor" foi pe rcebendo que "su a estrela perdera o brilho" e, de forma inesperada, resol­
Foliões", ojornalista pareda muito à vontade ao revelar os "casos e causas" acerca dos
v e u abdicar em 7 de abril de 1831 . Finalmente livres, os "memb ros da Caravan a Ne­
"mistérios da mandinga" africana.
gra" que ainda resisti am no Rio e em outr a s cidades começaram a agir por conta

=
Seguindo a "Caravana Negra" aparentemente sozinho, cruzo u ruas e recônditos . as" , "pais de santo" ··· E teria sido
• ", "aluf:'
p rópria, atuando como 'babaloxa' s", 'bab alaos
da capital carioca e de cidades próximas. Aos registr os dessas andanças, que não sabe­
assim, pela s mãos d e D. P edro !, qu e e1e s mt · rod · amo "feitiço" a "mandinga" e o
mos exatamente quanto tempo durar am, acrescentou históri a s de velhos sacerdotes "cangerê" no B rasil".
terreiros e rodas que frequenta-
afiicanos (alguns já falecidos; outros, retornados à África) r ecolhidas de diferente sinfor·
Com essa história inventada - ou entreouvi•da nos .
o da mandinga ,,
mantes ou mesmo guardadas em sua própria memória. Se, p or u m lado, salta aos olhos v a -, Vagalu me criava uma espeae , de ffiltO de O rigem para a "religiã
. .
.,,
etudo O "candomble e ntos • muçulma-
o caráter marcadamente "etnográfico" desses apontamento s, também sobressaem nos (assim denominada por ele ), que englobava s obr . nao
g1a - tinha
sios , s gene ai o
, ,, · Embora um canto f t an a a e sa
textos misturas de fantasia e-realidade, tão familiares aos leitores de Crítica. E issojá na nos realizados pelos ,,alufas mq uérito do Critica
primeira reportagem do inquérito, quando e en· nada de fortuito, especialmente quand° lem _ os a s rep or t a gens d o ·
ap resentou uma insólita genealogia qu . oc upa çao, sobr etu d o n ess e m omento inicial, com a
volvia "feitiços afiicanos" e D Pedro! dor, em conJunto. P ara al ,
e m de uma Pre
. , identificado como "o n osso primeiro Imp era . . . a parea. a mais t
. m• eressa do em desvelar uma
0 nosso primeiro falsário e o nosso própria prátic a religiosa em si, 0 J ornalist . mundo d a política , que come -
primeiro man dingueiro!" 23• .
linhagem de autond . ades e person a]ida des influentes no
XX_ m a ntinha íntima s, e
inJei ras de. ca da s d o s e, culo
Genealogias çara com D . Pedro I e - a te, a s Pr E essa associação er a tão
m o "mundo dos feitiços".
a1 gumas vezes suspeit • as, rel a ções co Negr a", ele a pre sentava
ostas o n.gens da "Caravana
diret a que, logo após esb oçar as sup Macha do", na qual lembra-
w"..,. t o do G ene ra! Pinheiro
A histo, na
. começav ª mais·
menos assim. De acordo com Vagaiume ' os . te-
ou
,.1�,r10S
uma história intitul ada "O assassina
dosa m� m · o, . a,, ' não deixava de consultar o famoso
anos do Impé rio de .
D · pedro I cernam iml°eJI va como esse chefe militar, "de sau �
p elix
.
para un . agitadíssimos e sua queda p arecia ui sua Barão de Sao ·
.
pedi-la, e ainda evitar S ' pai de sa nto João Alab a, , na ru a
O entusi.asmo que ia pelos quarteis
. Norte a
.
M aJestade mandou , de pre·
vir um .,grande nume . co!P0
, ro de feiticeiros, que aqui chegou

JD6 VAúRJA CO
--
._._____;;...__...::;=��i.l!,.
...!•!.._EÚ.VIO t::OMc.....,'----'"------
--� - - - �
-�-----__:
_.,____. -
os tex tos sobre
o tema que se segu r
mbém presen te n i ani
Essa ênfase - ta p or, ao menos , dois mot:I. vos. E naqUeJe
s er explicada quando se d esenrolou tal disputa, sabemos que Vagaiume também era membro da
mês de jan eiro de
192 9 - p o d e
mente
nt e se tratava de
wna postura afinada com a p rópria linh lll Pti l)e i
a edito l to confraria
e d ecerto tinha lá suas preferen , a.as. E Romão evi"dentement e não estava
entre
lugar, po ssivelm e 1 ·
. e super anvo, o Critica tin 11ar .
rigues. Jornal agressiv
o ha coni da
elas. E
m seu texto, ele foi descrito' entre mwtos qualificativos desab onadores, como um
folha d e Mário Rod o seu le . .
(grafado bem d ebaixo
do frontis píci o ): "D e clara m o s guerr a de m o r te a o
s ladt0e s · lll a
católico p. .
or conve ruência , que entrara ali"pe1a Janela, como se costuro dizer'' "Homem ª .
não escapavam s ena d ore s, deput a do s e qu e .
m mais es t
do
sem cu1nvo
mt e1e ctual" , graças aos trabalhos de Sanyn' consegwr· dommar ª .
a maioriá,
vo". Nesses combates, ivessePo-
na esses . ,
i d sa. A pri m eir a pág ina , dedicada a o s assunto nsf or m a nd o s e u s int er pessoais e m ..mt e re sses da lrmanda de .27

mi r d su na rra tiva imp e o s da olit:J·ca cra . ·


a e a
. P .
de políticos com cabeças distorcidas e cancaturas feitas p ' SeJa co m o for, n e sses artigos sobre os"mISte, n. os da mandinga"' 0 redator d o Crlti-
quase se mpre trazia fotos . e1 a e ntrever que a proximidad e d e p ersonali dades e pessoas influentes
guaio radicado no Br asil· E Ma• no Ro drigues e os rn o. ca também d e ixav
ilustrador Andrés Guevara, para. de ais . de Ja n e i. ro com líd , eres das "re ligiões africanas" , espeaalm . ent e os mais "reconhee
. . ditor Bezerra d e Freitas não hesna • vam em aco do Rio
Jornalistas comandados pelo e . .
mpanhar d
e , . . ª
significados. Mesmo sem bordar D1aJ.S• dendamente a perse-
.
id tur , a c t mã , tr atar uurni go s e m alfe it cidos, , t1n ha amda outros
perto traj etórias, apoiar cand a as ou n on ra o de
ores re algun s daqu el es homens e muJheres ( asta 1emb rar
b que o
ga lume tambe, m tr açava as re des e e,�, guição qu e a inda re caí.a sob
Ainda que sem a mesma virulência, Va . o s ~•u· ., .
havia si do detido e processado em 1927 e 1929), podemos
r ões da po 1.ltlca ca rioc e ª famoso Assum ano Mma Jª
nhos por vez es tortuosos que e nvolviam figu nacional co m o d e indícios ao longo de seus text
os e de ouuos regist ros
. , in f erir - p or m e io sobretud
pais de santo, alufas e outros sacerdotes africanos e se us descendentes· E m l3 de jane·110 senador Irin eu Macha do, o general Pinheiro
Macha do,
. jornalísticos do período - que o unia m em
de 1929, ao descrever os trabalhos que Joã o Ala b,a f"1zera pa ra O general Pinhe iro Ma. polícia Raul Autran e outros cantos que
se r e
o coronel Costa, o d el ega do de ceirament , indi cavam
chad o, enumerou outros "funcionários públi cos d e a lta ca te go r·ia ,, que frequentavam vezes tamb ém os auxiliavam finan
e
. sua s casa s e t er re iros muitas p livrá -l os da detenção. C erta­
sua casa na rua Barão de São Félix ' como o senad or Inneu Machado; o coronel Dam­ " mesmo pagavam fian ças ara
advo gados e "protetores ou ão e o reconhecime
nto de
mus Proença Gomes, secretário-ge ra l da polícia·' o dr. Ra ul Au tra n, delega do de policia liavam suas redes de circulaç
. m e nte re lações d e sse tipo amp e p essoal, do poder
e p restí g io d e cada
e d epois subinspet or d o C orpo d e Se gura n ça, ten ente Hor' a • o pestana , despachante o da autoridad
. . n seus espaços religiosos e m e sm ara impedir as bati d as p olici ais que
muruapal; dr. Monteiro Lopes, advo gado·' d r._ Na bu co de F reita s , médico ; coron el Abí- e isso era suficiente p
um d eles . Contudo, ne m se mpr
lio de Santa Anna, do E sta do-Maior d o E xe, rc1to ; e O famoso ten e nte -cap 1tao ._ acontec era com
Asswnano na". Mi
aravana
-ma1·orco- a inda per sist iam , c o m o entre c erta "C
r lig ações primordiais
' ' ª
ronel Costa o Cost ão d Bngada Policial. .
De u m j e ito ou d e outro, a o co n c eb
ir
e
s" africanos!) e o imperad
or D. Pedro I,
Va­
"feit ic o d en­
as
· · • a sua rep or tagem mostrando como o Negra" (que chegara a reunir 50 á escavam dissemina
e
Na edição de 19 d e Janeiro · de 1929 ' imciav
as " ligi õ es africanas" j
Morro do Pinto era quase sempre p rocura do p or "figu ras de g rande de sta que no n osso galum e não só fazia le mbrar co
mo re .
nno·pios · d 0 século XIX com o
e p elo menos p
o d o Impé -
.
me10 social". Ali morava O "pai. d e san to" s anyn, CUJOS . tra balho s foram solicitados pelo tre os d e mais s et ore s da p opula
çã o d esd
..,..,..entant e máxim
.nma. -las. Afinal, ate• mes m0 0 rer-·- ntanto. o reporter do
. a cab ava tamb e. m por legi
sr. Irineu Macha do para resoI ver uma "encrenca ,, . Tavares. mágt" cos No e
do p le ito com o sr . Me ndes · · àqu les " f • · os" e pod eres
e1nç quer sac erdote ou
líde r
. os, o J.ornalis. ta no bra sil· e1ro re co rri va de qual
e
E como não poderia d eix . . a
na • o s e erata nnca -
a r de ser, ante s mesm o de d etalha r o s tais serviç qu ga" ainda era m au t
x a b em claro.
' e e
. Cntica ta mbém d e i av
f,ez questao - de relata r quai. s eram e . didatos " religi--ao da mandin , .
xa tamente o s co n flito s em que os dois can . .
relig10so. Os ver dad eir os e
maior ais d a
do na Africa.
eStavam e nredados2'· Ali.as, o sen
a d or rnn
dos · essem nasci
. · e u Machado e ra um a s síduo frequ .
ent ador
. . mente africanos, e mbor a n e m t o dos nv
terreiros do Rio de Jane. ro. S1tas as,
r Além de S anyn, Va gal um e aind a m en cion ou suas VI
casas do velho africano B
a1th aza r e d o fam os Qual África?
o Cipr iano Abedé2· • primitivos feiticei-
E, assim como seus co . ambé
rn roJ!lª" [q em ] nos man dou os
mpanherros de redação , F r ancisco Guimarãe s t .i a ,,1..
1,.. ca m qu e o
u
va partido em algu mas b · etel e fo 1,.1 !820 (ano p reci s o e
dessas contendas poli · cas nos ga 111 r Oe acordo com V:aga1Uil1 ' e Para o Mai". D e s de ga
e nas assembleias. n , que não se d avam a p enas · da s po ra o Bem o.e or me seus
c álculos) , a "mandin "
r os que trabalhava m pa il, c ru
Na mesma reporta gem " resolVI .
. . " africano ter-se-ia enraizad O n
oB ra s
proliferaram os
Pai Sanyn no Morro p· em que falou das "en cren cas
· Sil v a oo5
' "femço . ento n o pai•s me • . A partir daí
• eiro
do mto, rememor . R m ã o da " o1V1IIl
ou O nv nto r co meçou a ter grande des env
o lvime o
pleitos dª Irmanda e do s
n pretos . ""
de de Nossa S e
• e São Benedito d os Hom os aata
s
. n , d0 Rosario
Rio de Janerro. . Embora su e hora .
as referencias . . tificarrfl
i
seJam mmto vaga s para iden

3D8 VAL�RIA COSTA


• FLÁVIO GOMES (
orgs.)
e nos trabalhos de mesa ou de t erretro" D
r p ar t · e acor
.
da Costa da Mma. E aos poucos todos acabara,,
m sendo identificados simplesme
nte co. coflla er vavam o noviço ali durante um do com v�,,,.1
. . o
' prenunc1and assim
mo "africanos" ou como originários "da Costa . colapso do g e co , seis meses, podendo • entret qu e ,■
• ��� -
labi. , quatr o• cin
�-
� anto passar e aquieiu:re
. t das nações africa nas que caracterizara o Rio 01tocent1sta . No ce n so de 189
nno cres, . " tam bém podia dispensar a • ' m torno de.
0
. ,, •Por d0 cerreiro internaçao, o
exemplo, os topônimos desapareceram. Eram todos simpl sme nt e africanos"". que p . a
e
lérn de evi denciar condu t as diferente s entre " ovo areci ser o lllais
Além disso' curiosamente, ao lo ngo de todos os textos publica.dos porJoão do ,,, A5SiITl• a ar sua
, .
propna
O p
d e santo o_; •

�� e
. ava esqip presen ça no terreiro. A d
momen to os homens e mulheres africanos descritos ,.. r d . o rne
Período , em nenhum outro ,o am
r
ie )l{
-vnr e ssã o " aqui entre nos , ". Ele
só não
no s ' éo que
do mencio nava suas origens, o termo ã d a e�r indica quern seria de fa
designados por aqueles subgrupos. Quan . ap0ntado ço . to ess e
frican os ou simplesmente todos os frequ en d
era apenas "mina" ou "preto mina ". Não havia nenhuma referência a eles como.mdiV1-, nas, n agôs , a , que, em suas. ta or es?
m esm o e mvestigações' cone1
du os ioru bás ou nagôs. Ainda assim, segundo o jornalista da Gazeta, todos eles talavarn O cert o U!U que não era m..1....;
� con siderado sacerdote ou líder da "rel igiã·0 """"':lueri
entre si um idioma comum: o eubá. Como destacara seu guia Antônio, que havia di s er · da m and oga
estl!da- quep 0 a
,
, ,, . ,, •
i " .Pelo
santo e pa is de santo - com letra maiúscula
\ ..1 do em Lagos, o eubá era para os africanos o qu� o inglês era para os "povos civiliz ad
os". I-Iav1.a "Pais de .,..- -
e com letra minúsailâ
va comprovar com evidên cias de comnnrt•--t
"'
.J
Quem conhecia essa língua podia "atravessar a Africa e viver e ntre os pretos do Rio"" · •o u q e p r o cur a
r~· -•= os e lraJetórlas de lado
çar, os ,,Pais . de santo,, t.
Certamente o ter mo "eubá" era uma corruptela do termo "iorubá"' ou uma mter- d o Pa ra come inham segui do um •-..1.J _,__ • ,wllllll
• a 1a . "'l.&4UCIIOCllISO '-'---
pretação do que ouvira João do Rio. De acordo com o médico-pesquisador Nina Ro gr dativ ment e de aco rdo com o "rito da religião africana"
eeram
subindo
a
dri-
a osque pos-
undo Va galume, eles fal avam pouco' erammuitodiscretos,mas nao·
gues, na Ba hia, muitos dos nomes de "nações aftjcanas" eram deformados. Era O
caso su1,am 0 "ifá" · Seg

I
a o vigário" . Seu s trabalhos eram casos "muito sérios" e,não ra-
por exemplo, da palavra "egbá". Muitos negros não pro n u nciava m o "g". Assim,
er� davam O "seu quinhão
� comum enco ntrar docume ntos que fala va m em negros de Ebá ou simplesmente ro, "interessa ntíssim os" . E, com seu olhar católico-cristão, também os via ora temendo,
� de
de "
Bá". É bem provável que algo semelhan te tenha ocorrido c om os negros do Rio.
No ora implorando a Satanás (que aparecia no lugar "Exu"). Mesmo apulso do Paraí­
er q lhe dera. Assim, os
� Grande dicionário da língua portuguesa de Antônio de Morais Silva , o eubá é identificad
o so", esse "Exu" -Satanás não perder a a força ou o pod ue "Deus"
como o "o nome duma língua muito fala da pelos negros do Rio, que deriva do egbá,­ de comer e beber, "como
verdadeiros "Pais de santo" achavam que era preciso dar-lhe
nome do povo afücano", "tribo de i ndíge nas da África o cidenta l inglesa"'° Embora re­
� . único meio de tapeá-lo". . .
corra ao relato de João do Rio para exemplificar a utiliza ção do termo, Silva acrescenta . minúsculas. Do dia para a notte,
Bem diferentes eram os "pais de santo" com !erras
,escolhendo
qu e a língua era falada por um grupo étnico espec íf ico, os egbás de Abeokutá, também
apos, frequentarem vanos , . " candombles · " , arvoravam-se emlíderes religiosos
al estabel er os seus termIOS ou

i
genericame nte id entificados como iorubás. e c
<'.1 um ponto mais afastado das zonas suburbana e rur para . , . eram auda-
De u m jeito ou de outro, o que se observa ta nto nas descrições de João do Rio co­ • . , . • " Para ojorna!istadóC ritJal.
o quartel-general das suas 1gnobe1s exploraçoes · ' s pelos seus trabalhos,
mo nos artigos de Vagalume é que, nas primeiras décadas do .n e custosos obieto
século XX, os líderes e ciosos e exploi;adores, exigindo grandes quan as "m aiores hbertin.OS": con,
também alguns adeptos das "religiões africana s" e, eram os
ditas autênticas seguia m, em su a Apresentavam-se como mor alistas, mas• e m verdad __,.,,.;taS
.. maioria, práticas e preceitos do culto aos orixás
ioru bá (chamada de mina no Rio d
e Ja neiro
e, qua se sempre, recor riam à lí ngua
• e de na go• em Salva dor) s n-
quistavam as senhoras oasadas que iam
que iam tentar um "casamento rendoso · em c
. "amar rar,, os man'dos e seduzialll as"""""''
" S ontar que 511
as reuniões eramurollliSID

..
" te�
· nos mom•ento . ê óa deuro pro
� tua is/ religiosos ou mesmo no e • · ' " , , · ag r orinflu n
onv1 v10 cottdiano . Porem, isso não exc1ma praticas 0u d e espiritismo ' catolicismo e mandin ga. E pareciam bi P qualquer).
oclo
expressões pro nunciadas em
"gege.,, , "haussa,,, ou ,,tapa"' conforme anotara o Jorn· alist ª _
(Sao Jorge, na maioria das vezes) ou um "i:,-
crnia" (umc a
tar que o tempo de , ·c1a�
aprendizadó
ª
<:::,,
do Critica no fmal da décad , ta
de 1920. -E o que se vê, por exemplo, em suas descn.ço• es s
,

. . . s, ép oss1v el con na•0) pelas a11VI


'1 sobre o momento de "fazer o Por essas caracterizaçoe • s mie1ai• . a .s e a cobr ança (ou
(
santo,, , ,,ato mais . . 1 - soo i --�,.A, Pr o posto
s por ·
solene do preceito africano"". re lig1o so, o comportam ento, as re a ções •
! . ª
Depois de passa r por um serie , ·
de etap as rituais, que quase sempre aconteo·am em apareciam como fundamentais p- ara Os l
cá culos e
d autentici--- , í· portan03•
s
• . .4
P
ç um luga r mais a fastado d
. .
ª ª .
ci'd de e mcluia , m
'ba nho aromático ao ar livre", cantos, s a
me. Ao lado de tudo isso, outro e1ementa as UJDlê da afri. cana. Nos artig0•
• ainda ma l1 i i . 5 qu
danças e sacnfic ·
1os de animais ( CUJO sangue n . c1ade
lhe umedecia a cabeça), o "iniciado" fiica va . d stin ta proc ed " aind a ein at1Vl

i
dª d e co m
recolhi.do à ,,camarinha" . a África o u com urna 10 i .
,, p de sant - o
1
até cone mr sua iniciação,
quando afinal estaria "ap to Pªra na se, n.e do deiros ais
Crítica, alguns dos verdª

312 VALéRIA COSTA •


FLÁVIO COMES (orgs
.)
gem", seus descendentes
. 0os d e ori . . ou o ut
• te - eram diretamente identificados co mo "a& •·afi"l'ª a confran. a ongmal, ang ariando é r o s brasue1.ros latn
cidos ou de volta ao seu connnen . .' ican o a qu e 1 . at m es m béin po .
. . .
.
legínmos ,, ou ..afiieanos de origem" É O caso de Adi-O1e, o " Rei dos Buz1.os", Cuj . . s sa! !1 ssurna no Mm a do Brasil e Cipriano A o mais ç,,_•01na e pre.'
· ,, o . J o- h e d'e , ta bé 1{..:_
. • ,, .Como os "pa .is
go" era respeitado por todos os "Pais de santo e "J\.lufas
e j\ .
riªs d ª' só re a firmam essa situação. Senão . m m ªPresenta
-"'6'U-
de san to" de ' 'v da$ no .Ili
. . ti ei amo s.
letra minúscula, ele "não trabalhava de graça para runguem, mas era cor ret o e sincer do crl or a rnu itas vez es tido .
co mo africano
o" , sm b
.. , Ass m
dizendo sempre a quem o procurava: eu u ano nasceta no .
a d o a n0 de 1880.S s pais, identificados co m° MOh RiodéJ
vol t ., cert amente eram negros amed Salitn
e Fá·
.a sra s1 1 minas• m as n•
ao
_ Fitiço não se faze de graça. Quem póco dá poço, quem tem muito dá mum o. A
di Oiê l,<li!l (ou rnesm o se) chegaram ao Rio. Já O f h i sabemos ':1ªtamen
quaodo . il o de es, q .
joga, faze fitiço, mais qué qui paga[... ]"
os . 1 do Oito
o fma cen ue ViVia na cap
p O1 rnen tos, era cons ider adO O .. ital
� d e s d e e
Pnn. ape
. dos "ai
n eir o e ' segundo Va galu me (co m certo
Foi por isso que conseguiu juntar cerca de 70 contos de réis (!) e bancar a JUo de J a .. . exauero), to a
<> rn ra-se, naque)»p!ÍIMI;
\ ao lado de sua mulher, para a Costa d'Áfiica.Depois de passarem um ano na
viagem,
a s d éªc a d s d o sécu lo XX, um dos mais afamados e conceituad
. os" da•- nwénca do Si:ili
� "sua ter­ r
n te da dificulda de de classificar suas práticas religi osas, podem , inferir
" ra", as autoridades de lá não permitiram qu e se retirassem do país, por co MesmO dia "
.. r eceita s em car acteres ara ICOS., , Orar em '1;nm,•- •'-'---_.,o té __,,,
""=
nta de sua 'b· que,

.f
<! idade avançada. Sem ter mais informações sobre esse velho "afiicano legítimo"
, Vagalu­ ao redigir. �'6uai;cw e a """w-
em rituais específicos, ele demonstrava uma firme �-•-'
me se pôs então a imaginar sua vida do outro lado do Atlântico, onde possi
velmente car car ne!!os . . . -•>WlJd\<IU
---•- em""" r-·
ar memona africana que herdara de seus pais e também
encontrara os mestres, com os quais estaria se aperfeiçoando, "na esperança, ser var e recri a de outros minas­
..' {
talvez, de

i
lados no Rio desde o século XIX".
regressar" ao Brasil. E como um d. Sebastião dos "feiticeiros", ainda h avia
no Rio dos -muçu 1man os msta .. .
·
anos 1920 aqueles que esperavam a sua volta". Por sua Vez , O b a iano C1pnano Abede, . que chegara ao Rio quase uo mesmo peru,,
Enquanto isso, outros tantos (afiicanos ou não) iam se aperfeiçoando ,
deste lado de do, tamb em • era reconhecido como um dos maiores babalaôs da cidade, muito respeita-
cá do Atlântico mesmo, conforme garantia o jornalista do Critica. Depois
de seguirem
· '
do em terreiro s de c andomblé ruas e gabinetes.Recentemente, a historiadora . . Nilma
um "verdadeiro curso", podiam até ingressar na confraria dos verdadeiros . 1 alizou os muitos comentados (mas até então desconhecidos) . estatutos que
"Pais de san­ Amoli oc
to".Como Olympio Telles, um "pai de santo autêntico" (com minúscula, · to'publicado no
� mas no gr upo regu1amentavam as sessões realizadas em sua casa.Por esse regunen
dos maiúsculos?), mais conhecido como Meia Hora.Descrito como um . . e
"preto de esta­ Diário Oficial da União em j unho de 1913, ele ofiaalizava o "culto africano" quecnara
..
tura regular", magro, com a cabeleira repartida ao lado e "costelet
ª
• · ição· Entre seus ob ienvos estaWill 0 estudo a e
d
as em forma de para­ resguardav a para si o contra1e d mStltU
. . os habitanteS da
-lama", era condutor de trem na Estrada de Ferro Central do
desapareceu por uns tempos e, durante esse "período de
Brasil. Ao ser demitido, prática do "Fetichismo segundo O nto doPtado pela ma10r parte d
,
ª . religi"osos 'entoando cân,
..

encu bação", acabou mudando Africa, realizando sessoes • e,azendo preces, semços
e funçoes,
de vida: virou curandeiro. Percebendo que a "coisa ...,
era rendosa", procurou "tirar o curso ticos sa grados acompanha dos ou n-ao de instrumentos ·
de aperfeiçoamento".Enfim transformado em
"pai de santo", transmitia a seus filhos 0 . ais. africanos que adorava, Ahed'epro-
- ou os nru
Mesmo sem especificar as tradiçoes dote. e0nli0rme
.. que ou via de "Eudosaim, Oloou, Emygdio,
bá, Vagô, Obitaiô, Chica Vavá, Crioula
Ololo-teté, Ade-oiê, Sanyn, Abedé,João Ala­
Capitão, Rosenda,.Novasu anan e principalmente
cur ava, com ·essa legaliza ção, legmm · · ar e valorizar .
assin ala Accioli, era o reconhe cimento d e u ma praoc a i.,.
seu Pºder de sacer
, reJ mosa, ainda pers
eguida· pelas
de. B .
!SS o ficara
do velho Fragoso a quem consultava .aç•ao com a afrjcanida
r"' ... constantemente".E o convívio com tantos africa­ autoridades ' e a reafirmação de uma estreita lig Ullla matéria
nos o fizera um "prático da lín a,
gu que ele falav a com desem . can o ' ao responder a
baraço". Naquele final dos ainda mais eviden Cult o Afri .
anos 1920,já não era tão lembrado te quando o secret a• n·o do . anos naAfrica"
na cidade, mas ainda mantinha uma clientela regular h
. • vivido 42
a
,, da revista Epoc , · . Ab de. J3 avt s P
( o o
a, afirmar a que Cipn·an0 . cul0 XX' tant
e
em sua "tenda" definitivamente
ecadas do se.
s
instalada em Barra do P iraí, onde recebia o espírito d o
Ferraz de Andaraí, um velho conh Como se percebe até a qui,.n as cimei ras d' , de difer en t es as·
--. lJI!
ecido dos leitores e mor a dores do Rio 6 P .stas b u sc a va!l1
líderes . o s que era!l1 li
Desses registros - e dos dem '• religiosos como irltelectu ais • e·Jornali
,Ç" ais feitos por Vagalume no decorrer do mês de janeiro
e c u !t o s religios
de 1929- e mesmo em textos - 111.a neiras
' valorizar e legitim ar pra.ri
ca s ica ou c
posteriores, podemos depreend .diret as comª Afr
er algum as consider ações. africa n os mai s ditos •N>1>l'.:s
Ainda que os ditos sacerdotes
ou líderes da "religião a fric m ou tivessem origens ou rela ções c o m 0s rito s
a n a " mais genuín os fosse de Ne ªfin a do s
· sses processos, aqueles que estav am
3:14 VAL�RIA COSTA • FLÁV
IO GOMES (orgs.)
A genor. Desse confronto, co
s de pai ncl
relato do de eng anos e d ados duvidasos qu uern que o
otºª m sob re os cul tos (Lim e rnai. s V s textos de
sobressaíam ainda mais. Porém, esse não era um processo restrito ao Rio de J alflºjp[ o r rna a, 19 9 eicuiarn
ane1ro qo• nte se va l e apen as dos registros de61' P: 63-74). Verta_,P"ton
o •u
lrrt ao Rio e u é
e
Pelo contrário. Sacerdotes, adeptos e intelectuais na Bahia e em outros pontos da · ,,,, i a
b- us ar a aruaç -ao de Va galu me n a irnpr do
di'as- o an a ·r• ) • ensa cam dos
• (op. av a1es ca, 0u
pora também exaltavam essa suposta "superioridade nagô"'º. 7. ,.ootinhº C1
c , l 65). Cf Efegê (2007a ). tínho

llão
e( 9
Sem contar que, a partir dos anos 1920, intensificara-se uma espécie de interc 8. e fe g ,r a (2015, p 13 - 33) e Acciob (2015)
arn- e r e
• c f. p
bio entre a "cidade letrada" e as "camadas populares", com escritores ' p oeta s, arq 9 "IS°ª l dade dos d e uses" Correio da Man hã' 13 de ab
u1te-
1o. . ípios do s e, cu1o XX, todos os preso 'd rild e 1918.
tos, sociólogos - brasileiros ou estrangeiros - descobrindo as favelas cariocas, as ro das nnc ntifica
de 11, opuJanza ção d essas "fotografias Ju dic ián"as.�, elas dos�-'-
!llfl p
ap ci d d e, e b or t arnb-•""1
érn oa,M!tr
samba, os terreiros de "candomblé" e "macumba", que iam se agregando ao sentim ais d a a m a a legislação �--
en­ ánº' l or n ursos e pra, tic as de ident preserv"•·
. � o ca•rá�"Ili a..__º
s dis c ificação c ttrsigil ._
to de nacionalidade em formação. Vagalume, frequentador - e também pratican te_ •e o tr o a l, voltados à-�dt
tão ' adas de 1920 e 1940, v er Cunha (2oo2 p rtrninl9)
u�
as d · · -- -�[
assíduo, também não ficou de fora dessa onda. Só que sua atuação nesses espaços 08, p. 18) -e Accioh (op. Clt., p. 52·1!6). ·
er a f Reis (20
12, C · •'a ggie (1992) e Giu mb elli (1997).
anterior a esses novos tempos de descobertas. Em verdade, como ressalta Leonardo
13 · cf . . ..
1"
Pe­ cussao, v e r F anas, João do Rio
So b re essa rep er e os afrícan os
...• •°t'dt.
reira, expressava uma longa luta por legitimidade travada por ele e pelos homens 14 · tr os, M ttos (2004).
ntre o
a
e r, e u
IS Ve
mulheres de seu meio social e racial". ·, Vagalume (1983, p. 241) e Pereir a (2015, p. 13.33) .
16 . p. 15-16.
Entretanto, ao final de suas andanças no rastro da "Caravana Negra", Vagalume perei ra, op. c,t.,
perío do qu e começou a ass'.°ar seus textos corn o Vagai
concluíra que havia "mistérios da mandinga que não se podem decifrar". E já nem es­ ::: Foi n esse pou c o t e mpo, o pseudommo J
Jl,lo mo. Em _ ornalistico acabarianme.
_wnapdidoqút
ptatlcamenr,
outmho, op. e1t., p. 92).
perar muito da "verdadeira religião africana", que seguia "em caminho da decadência" ide ntidade (C
a, op. cit.
19. Pereir
no final dos anos 1920. Embora quase não tenha mencionado a perseguição policial e cit., p. 29-30.
20_ Per eir a, op.
do Estado que ainda recaía sobre muitos líderes e frequentadores - basta lembrar que a 21. Critica , 21 de nov e mbro de 1929, p. 8.
22 . E não era soment e por m eio da v enda avulsa ou sob a forma de assinatura a
comissão do delegado Augusto Mattos Mendes fora criada em 1927 -, a repressão con­ dí,
acesso à folh a . Como era comum à .época, exemplares -
eram afuados em postes qtltell11llOl,e

D .. �
tirmava ativa na cidade. O que mais parecia incomodá-lo era o modo como os "explora­ ment e ou em grupo. e poss e d a s m orm açoes retumbantes", 0 público tomm partido-ailli'a
_ dos person a gens envolvidos e, mu it as v ezes, podia mesmo chegar a ações maisdimu
dores", alimentados por "um bocadinho de audácia", se autointitulavam 'babaloxá", 60-62) .
'babalaô", "pai de santo" ou "alufá", sem ter "estudado qualquer dos ritos da religião 23, Critica, 13 de j aneiro de 1929.
24. Idem.
africana, sem ter cursado e passado pelas provas indispensáveis à sua elevação a postos
2;. Critica, 13 de j a neiro de 1929; 19 d e j aneiro de 1929.
de tamanha responsabilidade"". Naqueles tempos em que os deuses eram tão desi­ 2 6. Sobr e as rel ações entre Irineu Mach ado, Cipriano Abedé e Ass.sumano Mina, \'l:tl'amsllf'd\lmial;
Soares (2005, p. 273-78).
guais, raros eram os que professavam, com "sinceridade e fé", a "religião africana".
27. Critica, 13 de j aneiro de 1929.
Diante disso, só lhe restava registrar com sua pena as memórias e tradições dos "velhos 28. Fatias apud Faria s, Gom:es e Soares (2005, p. 278).
africanos" e de seus "verdadeiros" seguidores. 2 9. Critica, 15 d e janeiro de 1929; 20 de janeiro de 1929.
lO, Cf. Lima (1976).
11· Critica, 15 de janeiro de 1929.
12 · Coutinho , op. cit., 105-
Notas p. 06.
ll, Cf. Vagalume, Na.
roda. de samba, op. cit., p. 44.
14 · Vagalume,
1. Crítica, 12 d e j aneiro de 1929, p. 8. op . cit. Cf. Coutinho, op. cit., p. 106. 9 deroaiçodcl

35· Jo o do d NOtíciaS;;_,.
Z. Sobre o jorn al Crítica, l ançado em 21 d e nov emb ro de 1928 por Mário Rodrigues (p ai do escri tor Nelso n ã Rio ' "N o mundo do feitiço/Os feiticeir os ". Gaz eta e d _,..� , op. ·
l6 Cf a . . i tidades e
Rodrigu es), ver, por ex emplo: Castro (1993, p. 68-100) e B arb os a (2007). · · F nas, Gomes e Soares (2003, p. 161); Panas, Enm: den_d des e religiosidades(
102, 'Vtven · 1d enn a.
3. A expressão "capitão do s amb a e do c arn av a l" é us ad a por outro dest ac ado cronist a do c arn av al c arioca, Jo o do entre 'parentes de n ação:, trai etóri as recensealllen
. ,,eita no ue
Ferreira Gomes (1902-1987), m ais conhecido como Jot a Efegê, e m artigo sobr e o amigo Vag alume, pubhca 0
_ �
. º"
l7• Dep
ideologia o
· desse censo em 1890 uma nova contagem só ' s ena
mb ranq w
pretendi "e RiD de]antlln
-___. os
ficial e racista do p eríodo, que po r força
0

n'O}on1ill de 10 d e j an eiro de 1965. Cf. Efegê (2007b) e Co utinho (2006). ,. do


laçã0 nao - . Recensea� m<-•-
4. Desenvolvi m ais d et alh ad amente essas qu estõ es no artigo "João do Rio e os afric anos: raç a e ciên cia nas fo, cla ssificada de acordo com a cor. cf.
crônicas da belle époque c ario ca" (2010, p. 243-70). em 1906 ' em9dê
38 , J0_ · Chalhoub (2001, p. 43-45). . tadeNotfciDl
S. Ver, por ex emplo, Cunh a (2001), F aria s (2004) e Arantes (2005). ª0 do Rio, "N m /Os feitic eiros,, · Gaz e
J9· Ro o undo dos feitiços
6. Uma postura adot ad a, por exemplo, p elos pesquis adores Muniz Sodré e Lu ís Felipe de Lim a na biog;:1ª q�: d ·g
fizeram do oluô (adivinho, "dono dos segredos" do jogo d e !fá) Ag enor Mirand a Rocha . N esse tr ab 40, Sil n ues (1988, p. 102 -03). .
t e
�•:s va (1945, african os
compar am as d escriçõ es d e João, do Rio so b re as cerimôni as e os preceitos do c andomblé com entrevis 41 ,
Mes o sem
p. 212, 956).
oliticarn e n t e, o s
m constituírem um pov o unifi . cado P
Min a do Br a sil: persona gens e
urnanº
. " ss s Santos; SOARES,Carlos Eugêni L cas ocultas 1
Afn
'A do ·N 892-19,
vasto território do sudeste da atual Nigéria, compreendendo desde o
poderoso Reino de Oyó a o
nh � � rte, até
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----rís1,.-•"'º
,io " 1 )( · R io de Janeiro: Arquivo Nacionalº,20 o labirinto,""'l!açõ
05 · : r ln:
"'"fiica · PA• ... ul
precisamente Lagos, no extremo sul. Porém, antes da década de 1830, eles ainda não eram co e i. os corno
_ do Rio e os a fricanos: raça e ciên cia
nas crôn• c no, e··=-·•-
•J ianas
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iorubás. Nem mesmo no continente africano. Até então esse e ra o nome pelo qual os haussás refi · "Jºªºz43-70- • asda bell, no 111o
e m•s aos , .
oiós, seus vizinhos do sul. Segundo Robin Law, talvez tenha sido em 1832, com a publicação d itvr e e ---ío10 P· ina s: ,i.-;
ª ' no d entais na lpoqi,,<atioca•.
rcados ,n :i j: rn d n
Praça do
Raban, A voca�lary of the Ey�, or Aku, a dialect of W � stern Afiica, queº
.
t �rmo "iorubá" foi usa do p l� � d �­
e · r,1e Rio /CasaCiv1 qu1vo aCida de doru MercadodoR.ic4,, .
ra vez para designar grupos emicos que falavam
vanantes do mesmo idioma, adoravam os mesmo dpeu mci­ ,,.--_
r a do lian a B.; GOMES. , PI �vio · o, 20l5 ,411tir o(113l) J
s�s e
S, Ju
' dos Santos; SO
AR S. , a . g90) llhide:
tinham uma cultura bem semelhante. Também no início dos anos 1830, na colônia de Serra Lea:'?s Otó s, pAftiA ·,tades no Rw de J i .o, ane r seculo XIX. Ri o de anei. a· E C rlo s E u .._,
J A, .
egbás, ibarapas, ijebus e ijexás que ali se instalaram começaram a ser identificados pelos missionári mgles es 1·det1" eme rson. O cuidado dos mortos: uma htst
r &«uo L N
. ,.· qu1110 Nactona1• 2· • Libirtru., iLz.r
como iorubás. Em Salvador, para onde foram levados muitos desses africanos escravizados, nenº��tna das BL Ll , ona dacon
d,..,,_ ,. 003, p. 16!
c1tJ/IIB .1V0 Nacional, 1997.
:, versões desse etnônimo foi encontrada na documentação, conforme ressalta João Reis. Ali, os cativos A !q u --...,...,,�� do"Pf .
falavam o iorubá ficariam conhecidos como nagôs antes mesmo de se reconhecerem como iorubás na ru:n­ Aq�� e heritage of Oduduwa: tr aditional hist nllsmo.
Robin- "Th oryandpal
1°""'ª
A ,
f Afii c anH istory, v. 14, n. 2, 1 973 . ltic
ca. Porém, ao chegarem ao Rio de Janeiro, esses nagôs logo se transmutavam em minas·. Para ac mpanhar L W. lo aI
l>'Opagana. llllong
esses processos identitários, ver, entre outros: Law (1973); Silva (2002); Reis (2003); Fa ria s (2015�'especial- eli pe de; soDRE,' Mumz. · Um vento sa
radO .
, Luís f Mauad, 1996 ,p. 63_74. g - Htstória d,,,,_ ,. ..,
mente o Capítulo 3, "Na praça, na rua, na irmandade'', p. 141-82. LJr,11\ .1 •ra. Rio de Ja neiro: .. . .....
• �
i,ras•"'
42, Critica, 17 de janeiro de 1929. v-v' al do da Cost a . O conceito de na ção no c
a d
n omble• da Bah "4 tra.1/flo
LJMA, fi . . ia·. Afro-Ásfa
43. Idem.
44, Critica, 18 de janeiro de 1929. t,1A c GI E ' yYon ne. M e d o d o e1t1ço: relaç ões entre

magia e ndD111blé no B asa
r . Rio �
n - IZ, 19 76.
Janeiro··•
)99 2- ·•--�w� w
45, Idem.
46. Critica, 20 de janeiro de 1929. MA•-' ' os Rorn ulo
de
Cost a .A "aldeia do mal" .OMorrodaFavela
o
. , .
Mestra d em H!Stona Social, UFF, 2004_
'ª'°""""'·
·-- ...,...,SCCW <1as.,-..,,.,.,.
Diss ert aç ão l'rfmdn, ljq_4illé,.
47. Critica, 18 de j aneiro de 1929; Farias (2005, p. 265-97) o Affonso de M. "No ritmo do Vagalume: cu]tu
.
48, Diário Oficial da União, 21 de junho de 1913, p. 82.Citado em: Accioli, op. cit., p. 157-59. PE= noJ RJ\, Leonard . . _ rasn•=• ...
pro d uç ao d e Fr a nosco Guunar aes (1904-1933)" •----
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li dade na ..�,u.. Br""1eir
-..--.a""Oâathismo
d,ff . "---·-
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49. Accioli, op. cit., p. 157. Í!lmi4,São Paulo,v.JS, n .6!1
201 5.
50. Ver, por exemplo, Capone (2004). Cf. Accioli, op. cit. Jo sé. Rebeli ão escrava no Brasil. A história do levante dos malà ""' 135
REIS, Joã o -SãoPauio: Companbia
51. Pereir a, op. cit., p. 30. <1at1.eau,
zoo3
52. Critica, 25 dejaneiro de 1929. Dom ing os Sodré: um sacerdote afiica o. São Paulo: Companhia das
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318 VALtRIA COSTA • FLÁVIO GOMES (orgs.)

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