Você está na página 1de 39

Uma questão de

identidade
Manuela Catafesta
introdução

 Grandes ciclos vividos por todo o continente

 Aumento dos debates em busca de parâmetros que configurem


um ambiente latino-americano a partir da década de 80

 Apresentam-se elementos para discussão do que seria a


identidade na arquitetura da AL
identidade

“Pertencer, ser parte de algo comum é uma característica


essencial da identidade. Não poderíamos concebê-la sem esse
sentido integrador, vinculado à ideia de ser o mesmo e de
prolongar nossas formas culturais, tangíveis e intangíveis, até
chegar a um conjunto de elementos que nos conferem identidade
justamente por serem parte de nós mesmos.” (GUTIÉRREZ,
1989, p. 18)
identidade

 Requer uma visão pluralista

 Papel da arquitetura na formação histórica de uma comunidade

 Como documento histórico, a arquitetura mostra a evolução


linear dos valores da sociedade e das formas de pensamento
identidade

“Ao contrário de outros documentos literários, que trazem uma


informação congelada, a obra arquitetônica carrega consigo as
experiências acumuladas de quem a concebeu e a utilizou ao longo
do tempo, tornando-se um testemunho de modos de vida, usos e
valores de uma comunidade.” (CATAFESTA, 2015, p. 57)
américa latina

 Artificialidade do conceito

 Realidade complexa e paradoxal, caráter de multiplicidade e


descontinuidade
américa latina

“Segundo Enrique Browne, o conceito do que seria a América


Latina encontra-se muito mais a nível histórico do que
propriamente em sua essência. Na verdade, o território consiste
numa extensa área de absorção e fusão cultural ibérica,
indígena e africana, incrementada entre os séculos XVI e XVIII
pelos fluxos migratórios europeus.” (CATAFESTA, 2015, p. 58)
arquitetura do continente

 Ambiente extremamente plural e heterogêneo

 Até o momento, dispomos ainda de poucas formas eficazes de


entender o nosso próprio contexto

 Chegada das ideias arquitetônicas europeias


arquitetura do continente

 Marina Waisman: a adoção de instrumentos de conhecimento


forjados nos países centrais pode resultar em equívoco e
exclusão de aspectos fundamentais da realidade histórico-
arquitetônica e urbana latino-americana

 Enrique Browne: Escala cromática de periodização de nossa


produção arquitetônica – arquitetura branca, cinza e multicor
décadas de 20 e 30

 Começava a circular informações sobre o novo ideal na


arquitetura

 Chegada do movimento moderno por meio de estudantes e


arquitetos que regressavam dos países europeus

 Presença de Le Corbusier em conferências no Brasil, Uruguai e


Argentina em 1929 também foi importante
décadas de 40 a 60

 Movimento moderno cada vez mais relacionado aos programas


desenvolvimentistas dos países latino-americanos

 Os países latino-americanos procuraram desenvolver seus


parques industriais e diminuir as importações objetivando o
desenvolvimento
décadas de 40 a 60

 Os Estados passaram a lançar programas de habitação que


previam a construção de conjuntos residenciais.

 A arquitetura dos conjuntos residenciais dos IAPs evidencia um


elevado grau de compreensão e interpretação da ideologia
moderna

 Na década de 1950, já era possível constatar um grande


amadurecimento da arquitetura moderna latino-americana
Conjunto Residencial do Pedregulho,
Brasil
Ministério da Educação e Saúde,
Brasil
Conjunto Universitário de Caracas
Venezuela
Conjunto Universitário de Caracas
Venezuela
Cidade Universitária UNAM
México
Cidade Universitária UNAM
México
MAM,
Brasil
MASP
Brasil
Banco de Londres,
Argentina
Biblioteca Nacional de Buenos Aires
Argentina
década de 70

 Marcada pelos momentos de crise

 As mudanças vindas com os anos 1970 estimularam artistas e


intelectuais a refletir sobre o tema da modernidade

 Surgem as questões de identidade cultural e a necessidade de


um progresso de acordo com a cultura latino-americana.
Obras de Severiano Porto,
Brasil
Sede da ATC,
Argentina
décadas de 80 e 90

 Anos 1980 como década perdida

 Estagnação do crescimento econômico e a arquitetura


moderna, grandemente patrocinada pelo dinheiro público, sofre
as consequências.

 Crescimento e transformação intensos na cidade, sensação de


que tudo é provisório
décadas de 80 e 90

“Com efeito, não há no mundo cidades mais ‘modernas’ do que as


latino-americanas, aonde praticamente se apagaram as débeis ondas
de seus passados, em comparação com as cidades europeias ou
norte-americanas, onde o moderno não destruiu estruturas urbanas
mais sólidas, consolidadas por séculos” (ARANGO, 1995)
décadas de 80 e 90

 Consciência da necessidade de preservação da memória das


cidades

 Discussões sobre o patrimônio histórico, como identificá-lo,


preservá-lo e revitalizá-lo se intensificaram

 Obras interessantes acabaram surgindo em tempos de


dificuldade
Sesc Pompeia,
Brasil
Centro Comercial Villanueva,
Colômbia
décadas de 80 e 90

 Seminário de Arquitetura Latino-americana (SAL) na I Bienal


de Arquitetura de Buenos Aires, 1985:

 Alcançou uma abrangência muito importante no


desenvolvimento de um pensamento crítico arquitetônico
produzido na América Latina
décadas de 80 e 90

 Publicações também contribuíram para o debate:

 Na Argentina, a Revista Summa, coordenada por Marina


Waisman.

No Brasil, a revista Projeto, com os críticos Ruth Verde Zein e


Hugo Segawa.
décadas de 80 e 90

“Era senso comum que a arquitetura latino-americana era herdeira


da modernidade europeia, principalmente sob o viés
corbuseriano, mas que caminhava sob uma base híbrida, de
miscigenação e simbiose entre o pensamento europeu e a cultura
latino-americana” (CATAFESTA, 2015, p. 66)
décadas de 80 e 90

 Cristián Cox e Antonio Fernández


“América Latina: nueva arquitectura.
Una modernidad posracionalista”
analisam a arquitetura produzida no
continente entre os anos 80 e 2000.
décadas de 80 e 90

 Na maioria das capitais latino-americanas há muito pouca


arquitetura de qualidade que tenha se valido do emprego de
fórmulas pós-modernas.

 A boa arquitetura tem evidenciado recursos do Movimento


Moderno, mas que, vista em conjunto, está se encaminhando
para uma outra modernidade, evoluída e mais madura.
século XXI

 A produção arquitetônica do novo milênio ainda está em curso

“A arquitetura realizada nesta década será aquela em que a


globalização passou a ser intensamente discutida e mais
claramente sentida pelos povos da AL.” (CATAFESTA, 2015, p. 67)
século XXI

“Na América Latina, o grande desafio que hoje se apresenta é


precisamente a modernidade em todos os tipos de coisas:
modernização da economia, modernidade na concepção do estado, da
educação, das instituições e dos partidos políticos, do acesso à
informação, da justiça, da saúde pública, da previdência social, etc.”
(COX, 1998, p.9)
conclusão
 Para haver uma arquitetura representativa da identidade
latino-americana, deve existir antes uma nação, produto de
unidade e vontade coletiva

 Buscar os modos de vida das comunidades, recorrendo menos


ao repertório formal de suas construções do que aos conceitos
implícitos de suas formas de vida.

 O arquiteto tem de abandonar o papel de ditador de formas e


espaços impostos à sociedade.
conclusão

 Ruth Verde Zein: propõe que ao invés de esperar a formação


de uma arquitetura latino-americana, ela seja tratada como um
conceito básico a ser desenvolvido.

“A identidade da arquitetura latino-americana será construída


através do comprometimento com a realidade da região, sem
esquecer-se de que está em contínuo movimento, sendo portanto,
variável em seus parâmetros.” (CATAFESTA, 2015, p. 67)