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As tarifas de uso da rede para BT e os


custos das distribuidoras
21-28 minutos

Tarifas baseadas em volume ($/kWh) não fornecem incentivos


adequados para os consumidores adotarem eficiência
energética, e ainda geram subsídios cruzados entre categorias
de usuários. Mas qual a melhor estrutura tarifária para refletir,
da forma adequada e mais justa possível, os custos de rede
causados por cada tipo de cliente da baixa tensão, incluindo
os minigeradores? Este artigo investiga a questão e analisa
dois exemplos.

Pavla Mandatova, da Eurelectric (União Europeia), Marco


Massimiano, da Enel (Itália), Daphne Verreth, da Enexis (Holanda)
e Carlos Gonzalez, da Unesa (Espanha)

Data: 20/02/2017

Edição: EM Janeiro 2017 No 514

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Uma das principais missões das companhias distribuidoras de


energia elétrica é garantir a confiabilidade e a qualidade do
fornecimento aos consumidores. O contexto de transição para a
economia de baixo carbono exige investimentos adicionais no
sistema elétrico, para manter o serviço de alto nível esperado. A
maior parte desses recursos deverá ser alocada pelas
distribuidoras, uma vez que suas redes precisarão acomodar uma
quantidade crescente de geração distribuída, incluindo fontes
renováveis e outros recursos distribuídos, como os veículos
elétricos.

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Nesse cenário, a capacidade de as distribuidoras coletarem,


através das tarifas, as receitas requeridas para cobrir os custos e
os investimentos necessários nas respectivas redes elétricas é
uma questão-chave nos anos vindouros. Este artigo explica por
que é necessária uma reconsideração da estrutura tarifária de uso
da rede para consumidores residenciais, e esboça opções de
estruturas tarifárias alternativas. O trabalho também estuda os
casos da Holanda e Espanha, onde existem tarifas alternativas.

Precificação da rede de distribuição

Custos incluídos nas tarifas da rede

Na maioria dos países, as tarifas de uso da rede elétrica


representam uma parcela significativa — em média, 40% [1] — da
conta de eletricidade do consumidor residencial, e ela deverá
crescer ainda mais. Estão inclusos nessas tarifas os custos da
rede de distribuição (incluindo custos de capital, de operação, de
serviço ao consumidor, etc.), os da rede de transmissão e outros
encargos regulatórios. A maioria dos custos diretos da rede é
determinada pela demanda de ponta (kW) e é independente da
energia efetivamente fornecida — pelo menos a curto termo. Na
verdade, os custos de investimento e manutenção são
determinados pelo desenvolvimento da rede elétrica, levando em
conta a potência de ponta demandada pelo sistema. Logo, é
improvável que esses custos diminuam com o aumento da geração
distribuída, uma vez que a rede precisa ser projetada para cobrir a
demanda de ponta quando não houver produção local.

Este artigo enfoca a alocação dos custos diretamente relacionados


à rede. Outros tipos de tributos regulatórios incluídos nas tarifas de
uso da rede (como encargos para fontes de energias renováveis –
FERs) não são considerados neste trabalho, uma vez que podem
evoluir diferentemente dos custos da rede.

Estrutura tarifária de uso da rede

Hoje, a recuperação dos custos da rede depende fortemente da

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quantidade de eletricidade vendida. As tarifas de uso da rede para


residências e pequenas empresas são quase inteiramente
baseadas no volume de energia (kWh). A Eurelectric realizou uma
pesquisa sobre as estruturas tarifárias de uso das redes que
contou com a participação de representantes de 19 países
(associações da indústria, associações de operadores e
distribuidoras). Os resultados mostraram que cerca de 50–70% das
receitas permitidas das distribuidoras geralmente são recuperadas
usando tais custos volumétricos [1]. Nos países analisados, as
tarifas de uso da rede eram ao menos parcialmente volumétricas,
ou seja, baseadas na energia vendida ($/kWh). Além disso, na
maioria dos países, os encargos de demanda de
potência/capacidade ($/kW) e os encargos fixos destinados à
recuperação dos custos associados ao suporte e gerenciamento
do consumidor ($) (algumas vezes também chamado de custo do
consumidor) são comuns para os consumidores residenciais (ver
figura 1). Já em alguns países, os encargos fixos dependem da
demanda (por exemplo, capacidade do fusível de entrada).

Fig. 1 – Componentes da tarifa de uso da rede em diversos países


– pesquisa da Eurelectric

Precificação da rede no futuro

Por que a estrutura tarifária de uso da rede deve mudar?

Os reguladores se esforçam para proporcionar um equilíbrio entre


múltiplos objetivos conflitantes, particularmente a adequação das
receitas, capacidade de refletir os custos, eficiência econômica e
inteligibilidade. No entanto, se as tarifas de uso da rede não forem
capazes de refletir os custos, vários problemas podem surgir,
como:

ocorrência de subsídios cruzados entre diferentes classes de


consumidores;

as tarifas não sinalizam preços adequados aos consumidores


finais; e

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as distribuidoras podem enfrentar problemas de recuperação de


receitas.

Tarifas de uso da rede com uma significativa parte volumétrica —


ou seja, baseadas no consumo de energia das unidades
consumidoras residenciais — são um exemplo típico de tarifação
que não reflete os custos. Como resultado, unidades com consumo
muito baixo de energia e alta potência de pico (que ocorre no
momento em que a rede é mais solicitada) pagam muito menos do
que os custos que geram para a rede. Da mesma forma,
consumidores que geram sua própria energia e requerem a
potência de pico apenas quando sua planta de geração fica fora de
operação (como, por exemplo, durante manutenções) pagam um
valor insignificante pelo uso da rede (apenas pelos kWh que
absorvem do sistema naquela ocasião) quando comparado aos
custos que geram (baseados na potência de pico).

Em outras palavras, as tarifas volumétricas de uso da rede


fornecem um incentivo distorcido para que os consumidores
residenciais invistam na produção de energia (tornando-se os
chamados “prossumidores” [N. da R.: de produtores/consumidores
– o termo usado no original é “prosumers”]) e não estimulam o uso
eficiente da rede. Tais “prossumidores” não reduzirão a potência de
pico solicitada da rede, uma vez que ela tem impacto muito
reduzido no seu custo de eletricidade. As tarifas volumétricas criam
riscos de impacto econômico significativo sobre os “não-
prossumidores” (se elas forem reajustadas para compensar a
queda da energia fornecida pela rede) e sobre as distribuidoras.

Na verdade, devido ao elevado desenvolvimento da autoprodução


e à economia instável, os reguladores estão com mais dificuldades
para prever com confiabilidade os volumes de energia que serão
demandados da rede nos próximos anos. Isso pode gerar déficits
financeiros e/ou econômicos para as distribuidoras. Se os volumes
reais forem menores do que os volumes previstos, as receitas não
vão cobrir os custos. Mesmo que ajustes ex post possam ser feitos
para corrigir o desvio entre as receitas real e a prevista, os déficits
temporários podem colocar em perigo a implementação dos planos
de investimento, que são cruciais para todo o setor elétrico.

Tarifas de rede baseadas em maior capacidade/demanda de


potência para fornecer melhores incentivos

A Diretiva de Eficiência Energética 2012/27/EU exige a eliminação


de tarifas de uso da rede que possam impedir a eficiência
energética e/ou a resposta da demanda. As estruturas tarifárias de
uso da rede devem incentivar o comportamento de resposta da
demanda e de eficiência energética, proporcionando ao mesmo
tempo uma estrutura estável tanto para as faturas dos

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consumidores quanto para as receitas das distribuidoras. Uma


nova estrutura tarifária deve considerar as naturezas diferentes dos
custos fixos e variáveis (dependentes do uso real da energia).
Além disso, essas novas opções tarifárias devem alocar os custos
adicionais de reforço e de perdas na rede aos consumidores que
os causam.

Com o objetivo de incentivar os consumidores a utilizarem a


energia e a rede de forma mais eficiente, abordagens apropriadas
podem incluir tarifas binomiais de uso do sistema, com um
componente de capacidade predominante e outro de energia, ou
tarifas de rede volumétricas baseadas na hora do uso, com
diferentes preços para horário de ponta e fora de ponta. Além
disso, a precificação dinâmica (que requer medidores inteligentes)
pode incentivar os consumidores a evitarem o consumo em
momentos de pico, o que proporcionará melhor utilização da
capacidade da rede. Vários estudos concluem que uma
precificação que reflita os custos é necessária e recomendam a
precificação dinâmica ou regionalmente diferenciada [2–4].

Na nossa visão, as tarifas de uso da rede devem ser


principalmente baseadas na demanda de potência/capacidade,
pois dessa forma refletem os custos mais adequadamente, uma
vez que os custos da rede estão principalmente relacionados à
capacidade. Uma tarifa com essa estrutura não impede a eficiência
energética, conforme exigido pela citada Diretiva da União
Europeia, porque possui outras partes importantes, as quais,
corretamente neste caso, são baseadas no consumo de energia.

A tabela I compara o impacto de diversas tarifas: volumétricas fixas


(A), baseadas na capacidade (B), volumétricas baseadas no
horário de uso (C) e tarifas binomiais com componentes de
potência/capacidade e de energia (D).

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A principal vantagem das tarifas volumétricas fixas (A) é sua


simplicidade e aceitação histórica em alguns países. Contudo, não
representam exatamente a verdadeira natureza dos custos da
rede, colocando em risco a adequação das receitas das
distribuidoras. Tais tarifas incentivam apenas uma redução do
consumo global, independentemente do tempo, o que pode ter
pouco ou nenhum impacto sobre a demanda de pico da rede.

Já as tarifas baseadas no horário de uso (C), devido à sua forte


sinalização de preço durante horários de ponta, induzem a uma
redução maior no consumo global (não apenas no horário de
ponta) do que a precificação volumétrica fixa (A).

As abordagens B, C e D representam melhor os custos induzidos


do que (A), podendo conduzir a um uso mais eficiente da rede. A
adequação de receitas é mais garantida pelas abordagens (B) e
(D), embora ajustes de receitas ex post e uma definição adequada
de receitas permitidas possam fornecer o mesmo resultado.

As abordagens (C) e (D) são mais complexas e possuem mais


requisitos de medição. Por sua vez, a (B) pode produzir o menor
incentivo para redução do consumo global, em comparação com
as outras abordagens.

A demanda de ponta é um dos principais causadores dos custos


da rede. As abordagens B, C e D têm todas maior potencial de
redução dos custos da rede do que (A). Elas incentivam a redução
do consumo de ponta, por exemplo pelo deslocamento do uso para
horários fora de ponta.

Estudos de caso

Holanda - Tarifas baseadas na capacidade

A partir de 2009, pequenos consumidores residenciais e pequenas


empresas holandesas têm pago uma tarifa de capacidade plana
(flat) pela distribuição da eletricidade, a qual se baseia na
capacidade de suas conexões, isto é, na potência máxima
admissível na conexão ou na instalação do consumidor de acordo
com a capacidade do fusível, e não mais no uso real ou no horário
de consumo. A maioria dos pequenos consumidores tem uma
conexão elétrica limitada, ou seja, 3 x 25 A. Para consumidores
com conexão de maior capacidade (3 x 35 A ou 3 x 50 A), como
residências com bombas de calor ou elevadores, é aplicada uma
tarifa de capacidade muito maior. Embora esses consumidores
necessitem de maior capacidade, eles podem ter consumo de
energia anual inferior à média dos demais. Portanto, dois anos
após a introdução da tarifa, estes consumidores foram
compensados com uma tarifa reduzida para diminuição da
capacidade de sua conexão, ou receberam uma compensação

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financeira (bônus) de transição.

Outra solução, destinada especialmente a consumidores com


consumo abaixo da média, consiste em que cada residência
recebe um crédito anual fixo para o imposto (ou seja, um desconto
no imposto da conta total de energia, que inclui eletricidade e gás).
Para as distribuidoras, a introdução da tarifa de capacidade
resultou em menor complexidade nos custos de administração e
menor probabilidade de erros, devido à redução no volume de
troca de dados. Isso também facilita o modelo de mercado
centrado no varejo (o fornecedor é responsável pelo faturamento
correto e pontual dos consumidores). É necessário observar que
as receitas permitidas para as distribuidoras holandesas
dependem, entre outras coisas, de sua participação no mercado. O
percentual de mercado por distribuidora mudou após a introdução
da tarifa de capacidade porque as receitas de distribuição para as
distribuidoras também foram modificadas.

Apesar dos benefícios mencionados, a tarifa baseada na


capacidade pode não incluir incentivos suficientes para a eficiência
energética e fontes renováveis. Portanto, junto com as tarifas,
também a estrutura do imposto sobre a energia mudou em 2009: o
imposto foi aumentado para incentivar a eficiência energética. Os
pequenos consumidores passaram a ser tributados em €
0,1185/kWh. No final, a tarifa de capacidade é planejada para que,
incluindo os impostos e o crédito do imposto, o efeito líquido sobre
os pequenos consumidores seja mínimo.

Testes piloto: Impacto da precificação dinâmica no uso da


capacidade da rede – O projeto piloto “Seu Momento de Energia”
teve o objetivo de compreender melhor a disposição dos
consumidores de usar a eletricidade de forma mais flexível. Aos
participantes desse projeto foi oferecida uma tarifa integrada de
kWh com variação horária, incluindo fornecimento e uso da rede,
baseada no carregamento da rede local (por exemplo, no final da
tarde e no início da noite, eletricidade mais cara do que durante o
horário do meio-dia) e nos preços do mercado atacadista
(representado pelo mercado de dia seguinte [day-ahead] na Bolsa
APX).

Os participantes produziam sua própria energia usando painéis


fotovoltaicos e possuíam medidor inteligente, um computador e
lavadora de roupas inteligente, os quais se comunicavam uns com
os outros. Esse sistema permitiu o balanceamento em escala local.
Foram oferecidos dois incentivos diferentes para que os
participantes escolhessem sua forma de utilização da eletricidade:
incentivos financeiros, isto é, os consumidores recebiam uma
previsão de 24 horas do preço por hora; ou incentivos de

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sustentabilidade, em que era fornecida uma previsão de 24 horas


da produção de energia solar. Os dispositivos inteligentes
permitiram aos participantes tomar decisões racionais, baseadas
no uso real da energia, aumentando sua eficiência energética.

Os primeiros resultados do projeto piloto mostraram que os


incentivos financeiros foram escolhidos pela maioria dos
participantes (95%), constituindo uma motivação importante para
as mudanças no consumo de energia. Dentre estes,
aproximadamente 77% consideraram que a redução de custos
“valia a pena”. Em segundo lugar, os consumidores mostraram
entusiamo em aderir ao projeto piloto, acreditando na importância
de ser ambientalmente amigáveis e orientados ao futuro.

A aplicação de redes inteligentes e tarifas dinâmicas pode ajudar a


mudar o comportamento dos consumidores em relação ao uso da
energia. Como resultado, a necessidade de expansão do sistema
elétrico é diminuída, porque a rede pode ser utilizada de forma
mais eficiente por meio de TIC - Tecnologia da Informação e
Comunicação.

Tarifas baseadas em demanda de potência na Espanha

Na Espanha, o acesso à rede responde por cerca de 50% da conta


de eletricidade de residências e empresas de pequeno porte (sem
impostos). As tarifas de acesso à rede incluem não apenas os
custos da rede mas também outros custos relacionados à energia,
como de políticas sociais e territoriais. As tarifas são formadas por
duas partes: custo de demanda ($/kW) e custo de energia ($/kWh).
As categorias de consumidores são definidas pelo nível de tensão.
Na BT e MT, as duas categorias são diferenciadas de acordo com
a demanda contratada (BT: ≤15 kW / >15 kW; MT: ≤450 kW / >450
kW). Os pequenos consumidores contratam uma demanda (kW)
limitada por uma chave de controle cuja potência nominal é
geralmente menor do que a capacidade da instalação. Há
normalmente uma reserva de capacidade para um aumento futuro
da demanda devido à expansão dos equipamentos elétricos do
consumidor, ou seja, a demanda contratada pode ser
aumentada/reduzida. A potência reativa é cobrada quando o fator
de potência for inferior a 0,9.

A metodologia de tarifas de rede aplicada até 2013 alocava os


custos regulados de acesso à rede da seguinte forma: 30% ao
custo da demanda e 70% ao custo da energia, para residências e
pequenas empresas (tarifa 2.0A). Consequentemente, mais de
80% dos custos de fornecimento de eletricidade (serviço de rede +
energia + outros custos) eram alocados ao custo da energia nas
contas dessas categorias de consumidores. Essa divisão forneceu
um incentivo excessivo para a geração própria.

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Após realizar uma consulta pública sobre a metodologia para


alocação dos custos de acesso à rede, a CNE [Comisión Nacional
de Energía, ente regulador espanhol] emitiu uma nova proposta em
junho de 2012, baseada na alocação dos custos da rede
(transmissão e distribuição), com percentual de 82,1% a 91,4%
relativo ao custo da demanda de potência, e de 8,6% a 17,9%
relativo ao custo da energia. Para os custos regulados restantes,
não relacionados ao uso da rede, a CNE não propôs critério de
alocação.

Após duas revisões nas tarifas de acesso à rede, realizadas em


agosto de 2013 e janeiro de 2014, verificou-se uma mudança
significativa na estrutura de custos: o custo da demanda passou
então a representar 59%, e o custo da energia 41% das receitas de
uso da rede vindas de residências e pequenas empresas. De
forma global, o custo da demanda de potência aumentou de 28% a
112,6% e o custo da energia diminuiu de 20,58% a 36,20%,
dependendo da tarifa. Segundo o governo espanhol, essa
mudança na estrutura de custos é uma das medidas que visam
garantir a sustentabilidade econômica do sistema elétrico.

Para o consumidor residencial médio, a mudança foi neutra. No


entanto, para unidades consumidoras com fator de carga muito
baixo, como segundas residências e irrigação agrícola sazonal, o
aumento foi considerável. Para outros consumidores com baixo
fator de carga, como consumidores vulneráveis, o impacto foi
atenuado por um bônus social na forma de desconto na conta de
eletricidade. Alguns consumidores reagiram reduzindo a demanda
contratada. Reduções de 2% a 10% foram reportadas,
dependendo da área de distribuição, o que significa melhor
utilização dos ativos de distribuição.

Conclusão

Mostrou-se aqui que incentivar a resposta da demanda e o uso


mais eficiente da energia por parte do consumidor, e fornecer ao
mesmo tempo uma estrutura estável tanto para as faturas dos
consumidores quanto para as receitas das distribuidoras, conduz à
reformulação das estruturas tarifárias volumétricas de uso da rede,
ainda muito comuns hoje. Como essas tarifas volumétricas não
fornecem sinais de preços adequados, os consumidores não são
incentivados a adotar comportamentos de consumo eficientes, o
que faz surgirem custos mais elevados que não são pagos pelos
consumidores que os causam.

Por isso, recomendam-se tarifas de rede baseadas em


capacidade/demanda de potência, como tarifas de rede binomiais,
com um componente predominante de capacidade e um
componente de energia, ou tarifas de rede volumétricas baseadas

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no momento do uso, com preços diferenciados para consumos em


horário de ponta e fora de ponta. Dessa forma, os subsídios
cruzados entre diferentes categorias de usuários serão
minimizados, garantindo que os consumidores paguem somente
pelo que for utilizado.

As experiências holandesa e espanhola mostram que informações


e uma transição gradual são a chave para manter os consumidores
engajados. Uma estrutura dinâmica de preços da rede, que reflita
melhor os custos marginais e permita a promoção da resposta da
demanda e eficiência energética, deverá ser mais explorada. Além
disso, o potencial de consumidores distintos e resultados de
análise de custo-benefício nacional para uma implantação em larga
escala de medidores inteligentes devem ser considerados na
concepção de novas estruturas tarifárias.

Referências

1. Eurelectric, 2012: Net work tariff structure for a smart energy


system.

2. Jamasb, T., (eds.), 2005: Long-term framework for electricity


distribution access charges. Report commissioned by Ofgem, 5.
Electricity Policy Research Group, Cambridge.

3. Kohlmann, J., (eds.), 2011: Integrated design of a demand-side


management system. Proceedings 2011 IEEE PES ISGT Europe
Conference, Manchester Dec. 5-7, 2011.

4. Niesten, E., 2010: Net work investments and the integration of


distributed generation: Regulatory recommendations for the Dutch
electricity industry . Energy Policy, vol. 38, 4355–4362.

Trabalho apresentado no Cired Workshop realizado em Roma,


Itália. Tradução e adaptação da redação de EM.

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