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EFA B3

LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

FORMADORA: SUSANA NICOLAU

NOME: _______________________________________________________________ DATA: ___ / ___ /


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Texto Narrativo

O texto narrativo pressupõe o relato de acontecimentos reais ou fictícios que se sucedem no tempo.

O texto narrativo caracteriza-se, sobretudo, pela presença de um narrador, aquele que conta uma
“história”, original e/ou vivida por personagens (individuais ou colectivas). Estas personagens situam-se
num determinado espaço e actuam num determinado tempo.

Narrador

É a entidade responsável pelo discurso narrativo, através do qual uma "história" é contada. O narrador
nunca se identifica com o autor: este é um ser real, enquanto aquele é um ser de ficção, uma
"personagem de papel" que só existe na narrativa. Pode ser exterior à "história" que narra ou identificar-
se com uma das personagens (presença) e só pode contar aquilo de que teve conhecimento (ciência).
Classificação do narrador quanto à presença:

NARRADOR PARTICIPANTE

Autodiegético O narrador identifica-se com a personagem


principal. A narração é feita na 1.ª pessoa.

Homodiegético O narrador identifica-se com uma personagem


secundária. A narração é feita na 1.ª pessoa.

NARRADOR NÃO PARTICIPANTE

Heterodiegético O narrador é totalmente alheio aos acontecimentos


que narra. A narração é feita na 3.ª pessoa.

Classificação do narrador quanto ao ponto de vista (ciência):

Focalização omnisciente O narrador revela um conhecimento absoluto, quer dos


acontecimentos, quer das motivações. É capaz de penetrar no
íntimo das personagens, revelando os seus pensamentos e as
suas emoções.

Focalização externa O narrador é um mero observador, exterior aos


acontecimentos. Narra aquilo que pode apreender através dos
sentidos: descreve os espaços, narra os acontecimentos, mas
não penetra no interior das personagens.

Focalização interna O narrador é também um observador: narra aquilo que vê e


ouve. Este tipo de focalização distingue-se da "focalização
externa", porque o narrador adopta o ponto de vista de uma
Narrativa
personagem, narrando os acontecimentos tal como eles são
Autor Narrador vistosDiscurso
por essa personagem.Narratário Leitor

Acção
Por acção, entendemos o conjunto de acontecimentos que se desenrolam em determinados espaços e
ao longo de um período de tempo mais ou menos extenso.

Acção principal – É constituída pelo conjunto das sequências narrativas que assumem maior relevo.

Acção secundária – É constituída por sequências narrativas consideradas marginais, relativamente à


acção principal, embora geralmente se articulem com ela. Permitem caracterizar melhor os contextos
sociais, culturais, ideológicos em que a acção se insere.

Sendo a acção um conjunto de sequências narrativas, existem vários possibilidades de articulação


dessas sequências.

Encadeamento – As sequências sucedem-se segundo a ordem cronológica dos acontecimentos:

S1 S2 S3 S4 S5 S6 Sn

Encaixe – Uma acção é introduzida no meio de outra, cuja narração é interrompida, para ser retomada
mais tarde:

B
A A

Alternância – Duas ou mais acções vão sendo narradas alternadamente:

A A A
B B

Personagens

As personagens são os seres fictícios agentes ou intervenientes na acção. Têm características físicas e
psicológicas e, normalmente, é-lhes atribuído um nome.
As personagens suportam a acção, visto que é através delas que a acção se concretiza. Elas vão
adquirindo "forma" à medida que a narração evolui, num processo designado por caracterização.

Caracterização directa – Os traços físicos e/ou psicológicos da personagem são fornecidos


explicitamente, quer pela própria personagem (autocaracterização), quer pelo narrador ou por outras
personagens (heterocaracterização).

Caracterização indirecta – Os traços característicos da personagem são deduzidos a partir das suas
atitudes e comportamentos. É observando as personagens em acção que o leitor constrói o seu retrato
físico e psicológico.

Relevo

Assume um papel central no desenrolar da acção e


Personagem principal ou protagonista
por isso ocupa maior espaço textual.

Participa na acção, sem no entanto desempenhar um


Personagem secundária
papel decisivo.

Não tem qualquer participação no desenrolar da


Figurante acção, cabendo-lhe apenas ajudar a compor um
ambiente ou espaço social.

Composição

É dinâmica; possui densidade psicológica, vida interior, e


Personagem redonda ou
por isso surpreende o leitor pelo seu comportamento que
modelada
se vai modificando ao longo da acção.

Personagem plana ou desenhada É estática; caracteriza-se por possuir um conjunto limitado


de traços que se mantêm inalterados ao longo da
narração. É desprovida de densidade psicológica e com
um número reduzido de atributos. Frequentemente
assume a forma de personagem-tipo, na medida em que
representa determinado grupo social ou profissional.

Representa um conjunto de indivíduos, que age como se


Personagem colectiva
fosse movido por uma vontade única.

.
3. Espaço

3.1. Espaço físico — trata-se do espaço onde as personagens se movimentam e onde ocorrem os
acontecimentos:

.geográfico

.interior

.exterior
3.2. Espaço social — é um espaço construído através de ambientes vividos pelas personagens; liga-se
às características da sociedade em que as personagens se inserem.

3.3. Espaço psicológico — este espaço é construído pelo conjunto de elementos que traduzem a
interioridade das personagens (como, por exemplo, o sonho, a memória, as emoções, as reflexões...).

4. Tempo

4.1. Tempo da história — é o tempo em que decorre a acção.

4.2. Tempo histórico — refere-se à época em que os acontecimentos têm lugar.

4.3. Tempo do discurso — trata-se da forma como o narrador relata os acontecimentos — pode voltar
atrás no tempo (analepses), adiantar determinado episódio (prolepse), omitir o que se passou em
determinado período temporal (elipse), contar sumariamente o que aconteceu num certo período de
tempo (resumo).

4.4. Tempo psicológico — é o tempo vivido pelas personagens de forma subjectiva, ou seja, relaciona-se
com o modo como as personagens sentem a passagem do tempo.
1.Texto narrativo

1.1.O conto é um texto narrativo.

1.2.O texto narrativo não inclui a descrição.

1.3.O relato de acontecimentos caracteriza o texto narrativo.

1.4.O texto narrativo é construído pela existência de personagens e de uma acção.

1.5.Justifica as tuas opções.

2.Acção
2.1. A acção consiste nos acontecimentos produzidos ou sofridos pelas personagens.

2.2. A acção fechada revela-nos o destino final das personagens.

2.3. A acção é aberta quando se refere o passado do protagonista.

2.4. A acção é constituída por sequências de acontecimentos.

2.5. A acção pressupõe um princípio, um meio e um fim.

2.6.O texto narrativo nunca é um convite à reflexão do leitor.

3. Personagens

3.1. O narrador é sempre uma personagem.

3.2. As personagens podem ser individuais ou tipos.

3.3. As personagens complexas são aquelas que são definidas por um traço que as acompanha durante
todo o texto.

3.4. As personagens que apresentam uma multiplicidade de traços caracterizadores

aproximam-se do ser humano.

3.5. O autor é a personagem que escreve na primeira pessoa.

Funções (estrutura actancial)

destinador objecto destinatério

adjuvante sujeito oponente


Entidade ou força superior que permite (ou não) ao sujeito alcançar o
Destinador
objecto.

Personagem ou entidade sobre quem recaem os benefícios ou malefícios


Destinatário
da decisão do destinador.

Sujeito Personagem ou entidade que procura alcançar determinado objecto.

Objecto Personagem, entidade ou aquilo que o sujeito procura alcançar.

Adjuvante Personagem ou entidade que ajuda o sujeito a alcançar o objecto.

Personagem ou entidade que dificulta a obtenção do objecto por parte do


Oponente
sujeito.

Espaços físico, social e psicológico

4.1. O espaço físico e constituído pelo conjunto de locais onde decorre a acção.

4.2. O espaço físico e sempre interior.

4.3. O espaço social relaciona-se com o meio em que as personagens se movimentam.

4.4. O espaço social serve, muitas vezes, uma intenção crítica.

4.5. As atitudes das personagens são, geralmente, condicionadas pelo espaço social.

4.6. O espaço psicológico contribui para a caracterização das personagens.


4.7. O espaço psicológico revela-se nas atitudes das personagens, causando o avanço da acção.

Espaço

Espaço físico È o espaço real, exterior ou interior, onde as personagens se movem.

Designa o ambiente social em que as personagens se integram. A


Espaço social caracterização deste espaço é feita principalmente pelo recurso aos
figurantes.

É o espaço interior da personagem, o conjunto das suas vivências,


Espaço psicológico
emoções e pensamentos.

5. Tempo da história, tempo histórico, tempo do discurso, tempo psicológico

5.1. O tempo histórico e o tempo cronológico em que decorre a acção.

5.2. O tempo da história liga-se à época em que a acção tem lugar.

5.3. No conto, nem sempre existem referências ao tempo histórico.

5.4. O tempo da história é assinalado, no conto, através de indicadores temporais.

5.5. O tempo do discurso associa-se à forma como o narrador relata os acontecimentos.

5.6. O tempo do discurso pode não ser linear; este pode sofrer prolepses ou analepses.

5.7. O narrador pode omitir o que se passou durante um determinado período temporal.

5.8. O tempo psicológico e a forma como as personagens sentem a passagem do tempo.

5.9. Ao tempo objectivo, vivido pelas personagens, chama-se tempo psicológico.

Tempo
Aquele ao longo do qual decorrem os acontecimentos
Tempo da história ou cronológico
narrados.

Resulta do modo como o narrador encara o tempo da


história. O narrador pode respeitar a ordem cronológica
ou alterar essa ordem, recuando no tempo (analepse)
ou antecipando acontecimentos futuros (prolepse). Pode
Tempo do discurso
ainda narrar ao ritmo dos acontecimentos, recorrendo ao
diálogo (isocronia), fazer uma narração abreviada
(resumo ou sumário), ou até omitir alguns
acontecimentos (elipse)

É de natureza subjectiva; designa o modo como a


Tempo psicológico
personagem sente o fluir do tempo.

6. Tipo(s) de narrador

6.1. Um conto pode apresentar um narrador heterodiegético.

6.2. Nos contos estudados, o narrador era autodiegético.

6.3. O narrador nunca é uma personagem do conto.

7. Focalização da narrativa

7.1. Na focalização omnisciente, o narrador sabe tanto como as outras personagens.

7.2. Na focalização interna, o narrador conhece os sentimentos e pensamentos das personagens.

7.3. Na focalização heterodiegética, o narrador relata a história na primeira pessoa e participa nela.
7.4. Na focalização heterodiegética, o narrador descreve o aspecto físico das personagens (fisionomia,
traje, etc.).

7.5.O narrador heterodiegético identifica-se com o autor.

7.6. Na focalização omnisciente, o narrador tem um conhecimento parcial dos acontecimentos e das
personagens.

7.7. Na focalização heterodiegética, o narrador conta a história, mas é exterior a ela.

7.8. A focalização da narrativa consiste na emissão de juízos por parte do narrador.