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EXAME

PREPARAR O
ENSINO
SECUNDÁRIO

NACIONAL
12.º ANO
Fernanda Bel
a Delindro
Maria João P
ereira

Português

D
Apresentação

APRESENTAÇÃO
Preparar o Exame Nacional – Português 12.º ano é um livro concebido para ajudar o aluno
a ficar bem preparado para realizar com sucesso a prova de Português do Exame Final
Nacional do Ensino Secundário.
Na Parte I, Dicas e estratégias para o exame, incluímos informações que o aluno deve ter
em conta na elaboração da prova de exame. Trata-se de aspetos determinantes para que
possa realizar com sucesso esta prova, mas também outras provas escritas que tem de rea-
lizar durante o ano letivo. Nesta secção, merecem, por isso, especial atenção:
– a compreensão do significado dos verbos presentes nos enunciados das questões;
– as operações mais frequentes nas respostas às questões de interpretação: saber encon-
trar relações de sentido nos textos, distinguir diferentes recursos expressivos e expli-
car o seu valor, fazer corretamente transcrições e citações, entre outras;
– a correta utilização dos sinais de pontuação na redação das respostas, quer nos textos
mais curtos quer nos textos mais longos;
– o respeito pelas marcas específicas de cada género textual e a correta utilização dos
conectores e marcadores discursivos.
No que diz respeito à Educação Literária, as orientações do Ministério da Educação
determinam que serão alvo de avaliação os conteúdos dos três anos do Ensino Secundário.
Por essa razão, nas Partes II e III deste livro, incluímos revisões para o exame dos conteú-
dos do 10.º e do 11.º ano, que permitem ao aluno rever e consolidar os seus conhecimentos
e praticar as questões que, na prova de exame, integram o Grupo I, com recurso a exercí-
cios selecionados de acordo com o modelo das provas de exame.
Seguidamente, na Parte IV deste livro, apresentamos o essencial dos conteúdos do
12.º ano que é necessário saber para a resolução dos exercícios que habitualmente integram
o Grupo I da prova de exame.
Para além da revisão dos conteúdos essenciais para o exame, o aluno tem oportunidade
de praticar, através de numerosos exercícios semelhantes aos da prova de exame. Para cada
conteúdo, o aluno dispõe de exercícios resolvidos e explicados, na secção Aprendo como se
faz. Seguidamente, são propostos mais exercícios, também semelhantes aos da prova de
exame, na secção Agora faço eu. Todos os exercícios propostos apresentam soluções. Na
Parte IV, incluímos poemas analisados de todos os 12 poetas contemporâneos que podem
ser alvo de avaliação, no exame. Para todos eles, há exercícios resolvidos e propostos, com
soluções.
No final das revisões de cada ano, incluímos exercícios resolvidos e exercícios propostos para
o aluno exercitar a redação de uma exposição sobre um tema literário (Grupo I – Parte C da
prova de exame).
A Parte V deste livro é dedicada aos géneros textuais. O Programa de Português dá espe-
cial destaque à noção de género textual e ao facto de os diferentes géneros convocarem abor-
dagens diferenciadas, que o aluno deve aprender ou consolidar. No exame, o correto enten-
dimento dos diferentes géneros textuais é fundamental quer no domínio da Educação
Literária quer no domínio da Leitura, designadamente para a interpretação de texto habi-
tualmente presente no Grupo II, quer ainda no domínio da Escrita, designadamente para a

ISBN 978-989-767-655-0

2
Apresentação
redação de texto que habitualmente é solicitada no Grupo III. Por essa razão, nesta parte do
livro, para além de exemplos, explicações e esquemas relativos aos diferentes géneros tex-
tuais, o aluno dispõe de exercícios de interpretação com base nos géneros textuais que
habitualmente integram o Grupo II da prova de exame, bem como de exercícios de escrita,
semelhantes aos que habitualmente integram o Grupo III, todos com propostas de
resolução.
O aluno pode ainda, na Parte VI deste livro, rever os recursos expressivos que tem de
saber para o exame, recorrendo a explicações e exemplos significativos.
No que respeita à preparação do aluno para resolver os exercícios de Gramática que inte-
gram o Grupo II da prova de exame, na Parte VII deste livro incluímos os conteúdos de
Gramática do 3.º Ciclo e do Ensino Secundário, sistematizados e com exemplos significati-
vos, seguidos de 12 fichas de Gramática, com questões semelhantes às do Grupo II da
prova de exame.
No final deste livro, o aluno dispõe de provas-modelo e da prova oficial de 2020, todas
com as respetivas propostas de resolução.
Preparar o Exame Nacional – Português 12.º ano inclui ainda audiossínteses: em poucos
minutos, o aluno pode escutar perguntas e respostas respeitantes ao essencial de cada
autor/obra do Ensino Secundário (ver p. 464).
Deste modo, o aluno pode rever e consolidar rapidamente todos os temas, autores e
obras estudados nos três anos do Ensino Secundário.
Os alunos que adquirem este livro têm ainda ao seu dispor, em versão exclusivamente
digital, em www.escolavirtual.pt, temas opcionais, abordados do mesmo modo que na ver-
são em papel, incluindo exercícios resolvidos e propostos, com soluções.
Em suma, com este livro, o estudo e a preparação para o Exame ficam facilitados porque
o aluno dispõe da explicação dos conteúdos que são alvo de avaliação, no exame, da exem-
plificação prática com recurso a exercícios resolvidos passo a passo e da possibilidade de
praticar para o Exame a partir de numerosos exercícios selecionados de acordo com o
modelo das provas de exame, bem como de provas-modelo e a última prova oficial de
exame, todos com propostas de resolução.
Preparar o Exame Nacional – Português 12.º ano permite ao aluno encarar com mais oti-
mismo e confiança o desafio de realizar com sucesso a prova de Exame.
As autoras

Nota:
Para a realização das provas de exame, devem ser consultadas regularmente as informações disponibilizadas
pela entidade responsável pela sua elaboração, o Instituto de Avaliação Educativa, IP (IAVE). Essas informa-
ções podem ser consultadas em http://www.iave.pt.

3
Índice

I III
Dicas e estratégias para o 11.º ano: revisões para o exame 83
exame

© AREAL EDITORES
8
1. Padre António Vieira, “Sermão de
Santo António (aos Peixes)” 85
Praticar: questões de exame
Aprendo como se faz 87
Agora faço eu 91
II Propostas de resolução 94

10.º ano: revisões para o exame 17 2. Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa 95

1. Poesia trovadoresca 18 Praticar: questões de exame


Aprendo como se faz 102
Praticar: questões de exame
Agora faço eu 105
Aprendo como se faz 21
Propostas de resolução 108
Agora faço eu 24
Propostas de resolução 26 3.1. Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra 109
2. Fernão Lopes: Crónica de D. João I 27 Praticar: questões de exame
Aprendo como se faz 115
Praticar: questões de exame 28
Agora faço eu 118
Aprendo como se faz 30
Propostas de resolução 121
Agora faço eu 33
Propostas de resolução 36 3.2. Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição 122
3. Gil Vicente: Farsa de Inês Pereira Praticar: questões de exame
e Auto da Feira Aprendo como se faz 125
Agora faço eu 130
Praticar: questões de exame 37
Propostas de resolução 133
Aprendo como se faz 43
Agora faço eu 45 4. Eça de Queirós, Os Maias 135
Propostas de resolução 50 Praticar: questões de exame
4. Luís de Camões, Rimas 52 Aprendo como se faz 144
Agora faço eu 148
Praticar: questões de exame
Propostas de resolução 150
Aprendo como se faz 57
Agora faço eu 59 5. Antero de Quental, Sonetos Completos 151
Propostas de resolução 61 Praticar: questões de exame
5. Luís de Camões, Os Lusíadas 62 Aprendo como se faz 153
Agora faço eu 155
Praticar: questões de exame
Propostas de resolução 157
Aprendo como se faz 67
Agora faço eu 70 6. Cesário Verde, Cânticos do Realismo 158
Propostas de resolução 72 Praticar: questões de exame
Redigir uma exposição sobre um Aprendo como se faz 162
tema literário 73 Agora faço eu 165
Propostas de resolução 168
Redigir uma exposição sobre um
tema literário 169

4
Índice
IV
12.º ano: o essencial para o exame 179
1. Fernando Pessoa, poesia do ortónimo 180 Eugénio de Andrade 244
Praticar: questões de exame Aprendo como se faz 246
Aprendo como se faz 186 Alexandre O’Neill 247
Agora faço eu 189 Aprendo como se faz 249
Propostas de resolução 192 António Ramos Rosa, 250
Aprendo como se faz 252
2. Fernando Pessoa, poesia dos Herberto Helder 254
heterónimos 194 Aprendo como se faz 255
Alberto Caeiro 194 Ruy Belo 256
Ricardo Reis 196 Aprendo como se faz 257
Álvaro de Campos 197 Manuel Alegre 259
Praticar: questões de exame Aprendo como se faz 260
Aprendo como se faz 200 Luiza Neto Jorge, 261
Agora faço eu 202 Aprendo como se faz 262
Propostas de resolução 204 Vasco Graça Moura 263
3. Fernando Pessoa, Mensagem 206 Aprendo como se faz 264
Praticar: questões de exame Nuno Júdice 265
Aprendo como se faz 214 Aprendo como se faz 266
Agora faço eu 217 Ana Luísa Amaral 267
Propostas de resolução 218 Aprendo como se faz 268
Agora faço eu: 12 exercícios de
4. Contos 220 interpretação de poemas 270
Manuel da Fonseca, “Sempre é uma Propostas de resolução 280
companhia” 220
Maria Judite de Carvalho, “George” 223 6. José Saramago, O Ano da Morte de
Mário de Carvalho, “Famílias desavindas” 226 Ricardo Reis 286
Praticar: questões de exame Praticar: questões de exame
Aprendo como se faz 229 Aprendo como se faz 298
Agora faço eu 232 Agora faço eu 301
Propostas de resolução 235 Propostas de resolução 305

5. Poetas contemporâneos: tópicos de 7. José Saramago, Memorial do Convento 307


análise de 12 poetas 237 Praticar: questões de exame
Praticar: questões de exame Aprendo como se faz 322
Miguel Torga 238 Agora faço eu 326
Aprendo como se faz 240 Propostas de resolução 329
Jorge de Sena 242 Redigir uma exposição sobre um
Aprendo como se faz 243 tema literário 331

Disponível em suporte digital:


Temas opcionais – 11.º ano:
Alexandre Herculano, “A Abóbada”
Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires
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Estes temas e outros recursos estão disponíveis em www.escolavirtual.pt.

5
Índice

V
Géneros textuais. 3. Processos fonológicos 377

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Leitura e escrita: o essencial 4. Processos de formação de palavras.
para o exame 336 O significado das palavras com a base
1. Géneros textuais nos processos de formação 378
A – Apreciação crítica 337 5. Classes de palavras 382
B – Artigo/texto de opinião 338 6. Funções sintáticas 385
C – Cartoon 340 7. Frase simples e frase complexa:
D – Discurso político 341 coordenação e subordinação 389
E – Exposição sobre um tema. Síntese 343 8. Texto e textualidade 391
F – Relato de viagem 345 9. Situações de comunicação, interlocutores e
registos de língua 393
2. Leitura e Escrita no exame – géneros 10. Referência deítica: pessoal, temporal,
textuais 346 espacial 394
A – Análise de um texto: leitura e 11. Modalidades de reprodução do discurso
interpretação 347 no discurso 395
Praticar: questões de exame 12. Valores aspetual e modal das frases 397
Aprendo como se faz 348
Agora faço eu: exercícios de leitura e B – A Gramática no Exame 400
interpretação 351 Aprendo como se faz 400
B – Redação de um texto 361 Agora faço eu: 12 fichas de Gramática 403
Praticar: questões de exame Propostas de resolução 420
Aprendo como se faz: exercícios de escrita
resolvidos 361
Agora faço eu: exercícios de escrita
propostos 365 VIII
Propostas de resolução 367
Provas-modelo 422
5 provas-modelo, com propostas de
resolução e matriz de conteúdos 423
VI Propostas de resolução 448

Recursos expressivos a saber


para o exame 369
IX
Exame nacional resolvido 453
VII Prova de exame 2020 (1.ª fase),
com propostas de resolução e
Gramática: o essencial para o matriz de conteúdos 454
exame 375
A – Temas de Gramática 376
1. Origem, evolução e distribuição geográfica Índice das Audiossínteses 464
do Português 376
2. Valores semânticos de palavras, tendo
em conta o étimo 377

6
I C I A L
SSEN
O EA O EXAME
PAR

Dicas e
estratégias
para o exame

7
I O essencial para o exame

DICAS E ESTRATÉGIAS PARA O EXAME


Nas páginas que se seguem vai encontrar informações que lhe podem ser muito úteis no
Exame Nacional, mas também ao longo do ano letivo.

A PARA COMPREENDER OS VERBOS DE INSTRUÇÃO

Quando tem de responder a uma pergunta, deve atentar no verbo introdutor e no respetivo sig-
nificado. Atente na lista apresentada com os verbos de instrução mais frequentes.

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Verbos introdutores
Significado
do questionário
examinar atentamente para relacionar as ideias principais, defendendo uma
1. analisar
posição com argumentos claros e objetivos.
2. aperfeiçoar apurar, melhorar, tornar mais perfeito.
3. caracterizar indicar as características; dizer como é.
4. classificar determinar o grupo/classe a que pertence.
5. comentar criticar; apreciar; dar uma opinião fundamentada.
demonstrar semelhanças e/ou diferenças entre dois ou mais elementos
6. comparar
apresentados.
7. consolidar tornar os conhecimentos mais consistentes; fortalecer.
8. definir explicar claramente um conceito.
9. delimitar dizer onde começa e onde acaba.
10. demonstrar dar exemplos; apresentar provas.
11. descrever dizer pormenorizadamente como é.
12. distinguir indicar as diferenças.
13. elaborar fazer; produzir; construir.
14. enumerar indicar, no mínimo, três dados ou elementos.
15. estabelecer relações confrontar, estabelecer ligação ou analogia.
16. esquematizar apresentar as ideias principais organizadas em esquema.
17. explicar dizer como é, nas suas próprias palavras.
18. explicitar tornar explícito; extrair de um todo alguma ideia e expô-la claramente.
19. expor apresentar; enunciar; desenvolver uma ideia.
20. expressar exprimir; dar a entender por palavras ou gestos.
21. exprimir pontos de vista colocar os pensamentos e os sentimentos em palavras.
22. fundamentar apoiar; justificar.
23. identificar indicar; referir; dizer o que é.
24. inferir deduzir por meio de raciocínio; concluir.
25. interpretar explicar o sentido; esclarecer a causa.
26. justificar fundamentar; provar; explicar, apresentando razões.
27. localizar dizer o lugar ou o tempo.
28. mobilizar pôr em ação conhecimentos; convocar conhecimentos anteriormente adquiridos.
29. observar princípios respeitar princípios; cumprir.
30. ordenar pôr por ordem.
31. pautar regular; modelar; tornar metódico.
32. pesquisar procurar informação sobre; investigar; inquirir.
33. planificar preparar e estabelecer um plano para; organizar de acordo com um plano.
34. produzir criar; realizar um trabalho.

8
Dicas e estratégias para o exame

Verbos introdutores
Significado
do questionário
35. reconhecer identificar algo que já se conhece.
36. recontar contar por suas palavras.
37. redigir escrever; compor; organizar um texto.
38. reescrever escrever de novo.
39. registar escrever; fixar em registo.
40. relacionar estabelecer ligações entre.
41. respeitar tema, regras cumprir regras ou preceitos estabelecidos; observar.
42. resumir dizer em poucas palavras as ideias mais importantes.
43. retomar recuperar; rever; voltar a ver.
44. selecionar escolher.
45. transcrever copiar; extrair.
46. utilizar fazer uso de; usar; empregar.
47. valorizar realçar; salientar.
48. verificar examinar; demonstrar; confirmar.

B QUESTIONÁRIO INTERPRETATIVO: RELAÇÕES INTRATEXTUAIS

Quando lhe é pedido que estabeleça relações de sentido entre as diversas partes constitutivas de
um texto ou entre características e pontos de vista das personagens, deve ter em conta os diferentes
tipos de relações intratextuais:
1. semelhança / identidade / igualdade / proximidade;
2. oposição / contraste / distanciação;
3. causa-efeito / efeito-causa / consequência;
4. parte-todo / todo-parte;
5. geral-particular / específico-geral / genérico-específico.

C QUESTIONÁRIO INTERPRETATIVO: RECURSOS EXPRESSIVOS E VALOR EXPRESSIVO

Quando tem de identificar um recurso expressivo e explicar o seu valor expressivo, não deve
simplesmente apresentar uma definição. Explicar a expressividade é interpretar a utilização do
recurso no contexto em que ele surge.
1. Por exemplo, no Canto I de Os Lusíadas:
No verso “Que, da Ocidental praia Lusitana”, está presente uma sinédoque. Com a utiliza-
ção deste recurso, pretende-se realçar que Os Lusíadas deixaram um país suspenso daquela
partida. Dito de outro modo, a referência à praia do Restelo é uma alusão a Portugal, aos
portugueses e aos sucessos obtidos nas viagens marítimas. Também se sugere que a “praia”
é o lugar central, de onde se parte e onde as descobertas começam.

2. Por exemplo, no Capítulo I de Os Maias:


Na frase “do antigo Ramalhete só restava a fachada tristonha”, está presente uma personifi-
cação. Com a utilização deste recurso, pretende-se humanizar o palacete que os Maias
foram habitar em Lisboa, no outono de 1875. Dito de outro modo, a referência à fachada
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triste da habitação indicia a futura infelicidade da família. Também se sugere que entre o
palacete e a família existe uma simbiose que a personificação do edifício enfatiza.
9
II Revisões para o exame
10.º ano

paralelismo anafórico (repetição literal de uma ou mais palavras no início de um verso ou estrofe);
e paralelismo semântico (repetição com recurso a um sinónimo). Estes processos encadeiam-se de
forma a conferir unidade rítmica e semântica ao poema.
Em contraste, a cantiga de amor caracteriza-se por ter expressos os sentimentos de um sujeito mas-

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culino e apresenta geralmente um vocabulário menos repetitivo do que as de amigo, frases mais
complexas e ausência de refrão (cantiga de mestria). O sujeito demonstra, nestas composições, a com-
plexidade dos seus sentimentos e os respetivos argumentos com as razões do seu sofrimento.
As cantigas satíricas de escárnio e maldizer versam temas ligados à crítica de costumes, recor-
rendo frequentemente à ironia, ao humor e ao sarcasmo.
Nas composições da lírica trovadoresca é frequente a presença de recursos expressivos como a
comparação, a ironia e a personificação de elementos da natureza.

POESIA TROVADORESCA: O ESSENCIAL EM TÓPICOS


Cantiga de Cantiga de Cantiga de
GÉNEROS
amigo amor escárnio e maldizer
Origem • peninsular • provençal • cruzamento de influências
provençais e peninsulares

Características • sujeito poético feminino • sujeito poético masculino • crítica encoberta


• cenário natural • ambiente cortês • crítica direta
• relações entre personagens: • relações entre • temas satíricos:
personagens:
– parentesco – paródia do amor cortês
– confidência – vassalagem (sobrevalorização da
– amizade… – hierarquia mulher amada,
– senhor/vassalo artificialidade do amor)
• caráter narrativo frequente
• expressão “sincera” de • mulher idealizada – crítica de costumes
sentimentos • descrição hiperbolizada da (cobardia dos fidalgos,
mulher amada condutas imorais, temas
• presença de elementos
políticos e religiosos, …)
simbólicos: água, aves, • expressão do amor cortês
estações, cervos… • expressão da coita de amor • retrato satírico da
• simplicidade e beleza do sociedade medieval
• hiperbolização do
poema sentimento amoroso
• retrato social do quotidiano • retrato da vida na corte
rural

Linguagem • vocabulário simples e ligado ao • vocabulário com • vocabulário sarcástico e


e estilo universo rural peninsular expressões cultas, algumas humorístico
• frases simples ou coordenadas de origem provençal: • trocadilhos (expressões
“sen”, “prez”, “parlar”, … com dois sentidos)
• presença de elementos
simbólicos e expressivos • frases subordinadas • uso cómico do diminutivo
• recursos expressivos: • recursos expressivos: e do aumentativo
personificação, apóstrofe, antítese, metáfora, • recursos expressivos:
aliteração, … gradação, … adjetivação, ironia, …

Estrutura • cantiga de refrão • cantiga de mestria • cantiga de mestria


formal • cantiga paralelística • cantiga de refrão • cantiga de refrão
• recurso a formas de repetição: • organização em três ou • presença de rima
“leixa-prem”, refrão, … quatro estrofes de sete • regularidade estrófica e
• musicalidade do par de estrofes versos métrica
(dísticos com refrão) • regularidade estrófica e
• presença de rima métrica (geralmente versos
de sete, oito ou dez sílabas
• regularidade estrófica e métrica
métricas)

20
Aprendo como se faz Poesia trovadoresca
1

Questões-tipo de exame
Como pode surgir em exame a poesia trovadoresca?
Análise de um poema a partir de um questionário interpretativo.
OU
Redação de uma exposição (130-170 palavras) a partir de um tema proposto. Ver pág. 73

Exercício resolvido
Análise de um poema
Leia o poema.

Ondas do mar de Vigo,


Questão 1:
se vistes meu amigo1? • Interpelação das ondas
E ai Deus, se verra2 cedo3! • Confidência
• Cumplicidade
• Cenário personificado
Ondas do mar levado4,
5 se vistes meu amado? Questão 2:
E ai Deus, se verra cedo! • Ansiedade
• Preocupação
• Inquietação
Se vistes meu amigo,
o por que5 eu sospiro?
Questão 2:
E ai Deus, se verra cedo! • Saudade
• Amor
10 Se vistes meu amado,
por que ei gram cuidado? Questão 1:
• Inquietação
E ai Deus, se verra cedo! • Preocupação
Martin Codax, CV 884, CBN 1228, in
A Lírica Galego-Portuguesa, Elsa Gonçalves e Maria Ana Questão 3:
Ramos, Lisboa: Editorial Comunicação,1983, p. 261. • Preocupação em crescendo pela
repetição do refrão
1
Deve ler-se: Por acaso, vistes o meu amigo?
2
Virá.
3
Deve entender-se: Oxalá, venha cedo!
4
Mar bravo.
5
Aquele por quem.

1. Identifique a relação que se estabelece entre o sujeito poético e o cenário envolvente.

2. Caracterize o sujeito poético, apoiando-se em elementos textuais.

3. Infira a expressividade da repetição do verso do refrão.

Como responder ao questionário?


• Leia o poema duas vezes.
• Leia todas as questões colocadas.
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• Releia o poema.
• Sublinhe o verbo de instrução de cada pergunta.

21
Redigir uma exposição sobre um tema literário

Exercício proposto 1 Farsa de Inês Pereira


Tendo em conta o conhecimento global da Farsa de Inês Pereira, demonstre a atualidade da

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peça, numa exposição (130-170 palavras). Ilustre o seu texto com referências concretas à obra que
estudou.

Exercício proposto 2 Auto da Feira


Numa exposição (130-170 palavras), apresente a importância da alegoria no Auto da Feira. Apre-
sente exemplos ilustrativos que apoiem a sua exposição.

Exercício 1 Exercício 2
Gil Vicente é um dramaturgo do século XVI O Auto da Feira é um auto de moralidade es-
com uma vasta obra que retrata a sociedade crito por Gil Vicente que alterna a crítica reli-
do seu tempo, na transição da Idade Média giosa com quadros do quotidiano popular.
para a época renascentista, mas que, ainda
De entre a galeria de personagens intervenien-
hoje, se mantém atual.
tes destacam-se os conceitos abstratos, como
Os temas abordados na Farsa de Inês Pereira o Tempo, Roma, Mercúrio, Serafim e o Diabo.
levantam problemas que persistem nos nossos Deste modo, o auto apresenta personagens
dias e que contribuem para a atualidade da alegóricas que polarizam o Bem e o Mal. Os
obra. Assim, a dissimulação e a degradação de vários quadros que constituem a peça decor-
costumes constituem um mal que afeta o fun- rem num cenário alegórico de uma Feira das
cionamento da sociedade e as relações inter- Graças organizada por Mercúrio, aonde se
pessoais. As pessoas continuam a privilegiar deslocam mercadores e compradores. Assim,
os bens materiais em detrimento dos valores num cenário simbólico de uma feira tornam-se
humanos e todos os meios parecem aceitáveis evidentes os desencontros entre o Bem e o
para os conseguir. A mulher continua numa Mal, numa “discordia concors”, expressão latina
posição social de subalternidade e, mesmo no que significa desarmonia harmónica. Também
plano doméstico, impera o domínio do homem. na mesma linha, a linguagem dos vários qua-
Alguma atualidade existe também no interesse dros do auto oscila do lírico ao rústico, pas-
pelas relações amorosas e pela crise do casa- sando pelo divino.
mento.
Em suma, o Auto da Feira recorre à alegoria
Em suma, se os problemas abordados na para criticar, mas também como forma de cor-
Farsa de Inês Pereira se mantêm hoje, signi- rigir os vícios sociais e moralizar os costumes.
fica que ainda falta à sociedade atual algum
caminho por percorrer no sentido da justiça e
da liberdade de todos e para todos.

78
Luís de Camões, Rimas

Exercício resolvido
Tendo em conta a sua experiência de leitura das Rimas, de Luís de Camões, apresente as
principais características da lírica camoniana, numa exposição de cento e trinta a cento e
setenta palavras, fundamentando as suas afirmações.

Planificação e tópicos de resposta


• Luís de Camões escreveu poesia em moldes tradicionais e clássicos. Introdução
• Conciliação entre uma vertente tradicional e a inovação renascentista
de influência italiana.
Desenvolvimento
• Formalmente, escreveu redondilhas e sonetos, entre outras composi-
• explicação
ções poéticas.
• exemplificação
• Vários e diversificados temas: amor, saudade, relação do “eu” com a
natureza, sofrimento, revolta,…
• Afirmação do homem universal. Conclusão

Resposta
Luís de Camões, poeta do século XVI, escreveu poesias que reto-
mam a tradição, ao mesmo tempo que desenvolveu poemas de
Introdução
influência renascentista.
Nas Rimas de Camões, coexistiram uma poesia com sabor trova-
doresco (lírica tradicional) e uma poesia (lírica renascentista) que
revela, pelos modos formais e pela temática, a cultura humanística e Desenvolvimento
clássica do autor, que encontrou em Platão, Petrarca ou Dante os seus • explicação
mentores. Cantando o amor nas suas múltiplas formas, o poeta soube
definir a alma humana como poucos, oferecendo-nos a sua experiên-
cia de vida ou o mundo no seu desconcerto. O mundo do “eu” camo-
niano transmite-se excessivamente nos sonetos através do seu sau-
dosismo, da definição de estados amorosos, da comunicação do “eu” • exemplificação
com a natureza, das várias formas de evasão do sujeito descontente
e, por vezes até, revoltado contra o seu destino.
Em suma, os temas da lírica camoniana são variados, percorrendo
a análise da vida interior, a caracterização da realidade ou a busca do
dimensionamento do homem universal.
(161 palavras)
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79
VII
Questões-tipo de exame Aprendo como se faz
B – A GRAMÁTICA NO EXAME

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Como responder às questões de gramática?
• Leia o texto.
• Leia as questões.
• Tente responder às questões sem ver as opções de resposta.
• Confronte a resposta que escolheu com as opções de resposta.
• Reflita, esclareça dúvidas, voltando a ler o texto.
• Responda.

Exercício resolvido

FICHA 1 Funções sintáticas

Leia o texto.

O VERBO CONTRABALANÇAR
Parece um verbo idiota este contrabalançar. Não seria mais correto pensar
que as coisas simples são ou não são e deveriam aspirar por todos os meios a
essa clareza, ponto final? Contrabalançar dá a ideia de ficar a meio caminho,
abdicando daquela inteireza que, contra ventos e marés, objetiva a nossa ver-
5 dade. Soa a uma prática de equilibrismo existencial, um pé aqui e outro ali, o
balanço de lá e cá. É como se, em vez de lutar por uma unidade imediata, acei-
tássemos a divisão como ponto de partida ou como processo, condescendendo
com a disparidade que nos coube e enredando-se num jogo de compensações.
É como se assumíssemos a nossa trajetória biográfica como alguma coisa que
10 está e não está completamente nas nossas mãos, alguma coisa cindida que, ao
mesmo tempo, dominamos e nos ultrapassa, determinando que viver seja,
desta maneira, uma incessante e dolorosa iniciação à arte possível, sem passar
disso. Estranho verbo este, contrabalançar, que se diria esconder dentro de si a
nossa capitulação.
15 E, contudo, em muitas etapas da vida, contrabalançar é precisamente o con-
trário: é um necessário e desassombrado exercício de sobrevivência. É a única
forma de não desistir de escutar e de dar legitimidade, nas condições reais que
nos coube experienciar, não apenas àquilo que nos atinge exteriormente, mas
àquilo que emana de dentro de nós, a essa vida soterrada, mas que nos per-
20 tence mais do que qualquer outra, porque é a expressão singular da nossa
alma.
José Tolentino Mendonça, A Revista do Expresso, 29 de julho 2017, p. 94.

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Gramática

Questões-tipo de exame
Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

1. A expressão “este contrabalançar” (l.1) desempenha a função sintática de


(A) sujeito.
(B) complemento direto.
(C) complemento do nome.
(D) complemento do adjetivo.
Resposta: (A)
Nota: a expressão pode ser substituída por uma das formas do pronome pessoal forma sujeito: “ele”.
O sujeito, neste caso, está depois do predicado.

2. A expressão “um verbo idiota” (l.1) desempenha a função sintática de


(A) modificador (do grupo verbal).
(B) complemento indireto.
(C) complemento oblíquo.
(D) predicativo do sujeito.
Resposta: (D)
Nota: a expressão é selecionada por um verbo copulativo.

3. A expressão “em muitas etapas da vida” (l. 15) desempenha a função sintática de


(A) complemento oblíquo. (C) complemento do adjetivo.
(B) complemento do nome. (D) modificador o grupo verbal.
Resposta: (D)
Nota: a expressão pode ser retirada da frase sem que esta perca a sua gramaticalidade.

4. A expressão sublinhada “Soa a uma prática de equilibrismo existencial” (l. 5) desempe-


nha a função sintática de
(A) sujeito. (C) complemento oblíquo.
(B) complemento direto. (D) complemento indireto.
Resposta: (C)
Nota: a expressão é selecionada pelo verbo soar.

5. As expressões “de ficar a meio caminho” e “daquela inteireza” (ll. 3-4)


(A) desempenham a função sintática de complemento oblíquo.
(B) desempenham a função sintática de modificador do grupo verbal.
(C) desempenham as funções sintáticas de complemento oblíquo e de modificador,
respetivamente.
(D) desempenham a função sintática de complemento do nome e de complemento oblí-
quo, respetivamente.
Resposta: (D)
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Nota: Complemento do nome porque é uma expressão selecionada pelo nome “ideia”; complemento
oblíquo porque a expressão é selecionada pelo verbo “abdicar”.

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