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CONTRATO DE VESTING

É uma fusão de um contrato de investimento com uma garantia de participação num


empreendimento.

Ele indica a aquisição de direitos sobre um determinado negócio em troca do serviço


prestado.

Vesting pode ser traduzido como "aquisição". É um instrumento contratual por meio


do qual é oferecida futura aquisição de participação societária em uma empresa,
usualmente de forma fracionada e progressiva, desde que atendidas as premissas
estipuladas no contrato.

Com um contrato de Vesting, os interesses da empresa e dos


colaboradores garantem uma parcela mais justa desta participação,
pois fica estabelecido que ela é alcançada a medida em que o negócio
se desenvolve.
Funciona basicamente da seguinte forma: o fundador/gestor da
startup contrata um colaborador de alto gabarito, por exemplo, um
programador de software, e lhe oferece 10% de participação na
empresa. Contudo, ele só terá direito a esse valor se permanecer
pelo menos 2 ou 3 anos no emprego ou após desenvolver
determinada tarefa essencial à empresa/startup, conforme ficar
acordado em cada caso.
Esse formato estimula o colaborador a trabalhar com foco no
resultado e isso também vale para os sócios fundadores, já que nem
sempre aquele que investiu na ideia inicial da startup, permanece na
equipe. Ou seja, o vesting garante recompensas justas aos
envolvidos no negócio, conforme o investimento de cada um no
crescimento da empresa.

Oferecer participação na empresa por meio do contrato de vesting


pode ser a oferta irrecusável para esse colaborador e, assim,
garantir a permanência e o empenho no desenvolvimento do
negócio. Além disso, imaginemos a seguinte situação: a startup
contrata uma pessoa e oferece 10% da empresa a esse novo sócio.
Após poucos meses de contrato, ele não desenvolve um trabalho
com a qualidade esperada ou então, sai do projeto para trabalhar
em outra empresa. Com o decorrer do tempo a startup se
desenvolve, ganha visibilidade no mercado, passa a ser lucrativa e,
consequentemente, suas ações passam a valer um preço bem mais
alto do que quando o contrato foi feito com aquele funcionário e,
este então, decide exigir sua porcentagem no negócio. Não parece
razoável que ele tenha direito a receber 10% dos lucros da empresa,
já que não participou efetivamente de seu crescimento, não é
mesmo?!
Outra situação é quando um dos sócios que inicia a startup e
abandona o projeto após alguns meses, enquanto o outro sócio
segue trabalhando. Quando a startup finalmente decola e passa a
valer um bom dinheiro, o ex-sócio ressurge querendo receber sua
quota parte na proporção 50-50 que havia sido acordado lá no início
do negócio.
 Mas como assim?

É justamente este tipo de situação que o contrato de vesting se


propõe a impedir, pois um período mínimo de dedicação à empresa
é determinado para que os acionistas que têm participação no
negócio possam requisitar seus lucros.
Um funcionário que trabalhou na startup por somente alguns meses
não teria o direito de receber os lucros de suas ações anos após ter
se desligado do negócio. Também é muito importante que o fim da
sociedade já seja ajustado no começo de tudo, quando todos estão
bem intencionados, motivados e felizes. Isso gera uma menor
chance de desentendimentos, brigas e demandas judiciais.

 Quem pode fazer contrato de vesting?

No Brasil, os tipos societários mais comuns são a sociedade limitada


e a sociedade anônima. No caso das Sociedades Limitadas (LTDA), o
capital social é dividido em quotas e o Código Civil, em seu artigo
1.055, §2º, veda a constituição do capital social que consista em
prestação de serviços, ou seja, o contrato de vesting não é possível
para startups constituídas sob a forma de sociedade limitada.
Já para empresa constituída sob a forma de Sociedade Anônima é
possível utilizar-se do vesting, já que não existe qualquer vedação
legal para a contribuição em prestação de serviço. Contudo, um
cuidado essencial é o tipo de ação que se disponibiliza no vesting. O
mais indicado é que sejam ações preferenciais sem voto (art. 111 da
lei das S/A), já que esse tipo de ação evita futuras disputas de
poder e tomada de decisões pelos colaboradores.

 E no caso do contratado mediante vesting se retirar da


sociedade antes do tempo estabelecido?

Aquele que adquire percentual da empresa mediante contrato de


vesting não pode permanecer como sócio após sair de seu emprego,
exceto se tiver expressa autorização estatutária. Também não terá
direito a vender as ações adquiridas pelo vesting, à terceiros.
Contudo, não é razoável que esse empregado perca suas ações. O
indicado é que seja feita uma dissolução do contrato, com a
respectiva indenização. Mais uma vez ressalta-se a importância de
estar tudo muito bem definido nas cláusulas contratuais.

 Existe algum risco em fazer um contrato de vesting?

Esse tipo de contrato foi importado e vem sendo utilizado há pouco


tempo no Brasil, razão pela qual ainda gera certa insegurança. No
que diz respeito aos direitos trabalhistas, o vesting não substitui, em
hipótese alguma, direitos básicos do trabalhador. Nada de trocar os
deveres de empregador pela promessa de pagar uma fortuna ao
colaborador no futuro!
A startup precisa pagar salário a todos os colaboradores,
independente do percentual de participação que foi ajustado no
contrato de vesting. Muito importante que o contratante tenha
consciência de que esse tipo de o contrato não pode e não deve ser
utilizado para mascarar uma relação empregatícia. A questão do
poder de controle da sociedade e o direito a voto nas assembleias,
tomada de decisões é outro ponto que demanda muito cuidado no
momento de elaborar o contrato, conforme já ponderado acima.
Os sócios podem ter receio que o empregado que ingressou na
sociedade mediante o contrato de vesting venha a disputar o
controle da empresa no futuro. Mas com o cuidado de estabelecer
que apenas quem investir capital poderá disputar o controle da
empresa, os sócios podem ficar tranquilos. O contrato de vesting
traz segurança às startups e é um detalhe a ser observado logo no
início da empresa.

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