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A dublagem surgiu da necessidade dos estúdios

hollywoodianos exportarem seus filmes para outros países,


outras culturas. Veja bem, assim que o cinema surgiu, os
filmes eram mudos, então eles eram passados em vários
países sem problema algum, todos entendiam a mensagem.
Porém, a tecnologia avançou e o cinema falado surgiu: “O
Cantor de Jazz” foi o primeiro filme com falas e “Luzes de Nova
York” foi o primeiro longa-metragem” totalmente falado.

Philipp kemmp cita em seu livro “Tudo sobre Cinema” uma


frase do produtor da Warner Brothers, Darryl F. Zanuck: “’O
cantor de jazz’ trouxe o som, ‘Luzes de Nova York’ trouxe
diálogo. Depois disso, tudo mudou.” Com isso, os produtores
de Hollywood encontraram uma dificuldade: como levar o filme
falado para países que não falavam inglês? Nessa época
(estamos falando das décadas de 30 e 40), França, Itália e
Alemanha, por exemplo, consumiriam esses produtos
audiovisuais.

Pois bem, não demoraram muito para fazer o primeiro teste:


regravar o filme com atores que falavam a língua alvo, ou seja,
regravar o filme em alemão, francês e italiano, por exemplo.
Nem preciso enfatizar que a solução foi um fracasso.
Primeiro pela despesa monstruosa para o estúdio e segundo
que o próprio público estrangeiro rejeitou aquela ideia porque
os atores do filme não eram os mesmos do filme original.

Sendo assim, surge uma nova tentativa: regravar o filme com


os mesmos atores do original, só que dessa vez, falando a
língua alvo. Pausa para você imaginar o trabalho que isso deu.
E não funcionou, óbvio.

Foi então que os produtores tiveram a ideia que é usada até hoje: a
dublagem. Naquela época, Jacob Karol e Edwin Hopkins inventaram um
sistema de gravação que possibilitava sincronizar áudio e imagem,
então tornou-se prática refazer os áudios das cenas externas em
estúdio após as filmagens porque muitas vezes os ruídos da rua e
barulhos do maquinário atrapalhavam os diálogos. Logo, era muito
comum que os atores dublassem suas próprias falas após as gravações
do filme. Assim, Hollywood começou a dublar seus filmes em outros
idiomas e o público recebeu a alternativa muito bem. Vale lembrar que o
processo de criação de legendas era muito complicado.

Hoje, existem softwares para que o legendador produza as


legendas através de seu computador e de qualquer lugar.
Naquela época, as legendas eram coladas letrinha por letrinha
no negativo do filme para a sua reprodução.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Itália e a França usaram


a dublagem como forma de fechar fronteira e não permitir a
entrada da língua inglesa em suas telas. O medo da invasão
cultural era enorme por parte dos governantes e assim a
dublagem ganhou força nesses países, sendo a principal
escolha do público até hoje. Nesse caso, a dublagem
também foi usada como forma de propagar e fortalecer a
própria língua, além de mantê-la viva diante da instabilidade
causada pela guerra.

No Brasil, a dublagem chegou no final da década de 30. Há


relatos de que o primeiro filme dublado por nós foi o clássico A
Branca de Neve, em 1937, e quem deu a voz a princesa foi
Dalva de Oliveira.

Infelizmente essa versão do clássico se perdeu e a versão que


assistimos hoje é a dublagem da década de 50 feita nos
estúdios Herbert Richers pela grande Maria Alice Barreto, uma
das grandes vozes que tivemos em nossa história.

No Rio de Janeiro, o dono do Estúdio Herbert Richers


(conhecido como seu Herbert entre os dubladores) era amigo
pessoal do Walt Disney, criador do universo Disney, e do Silvio
Santos, dono da emissora SBT. Por isso, Herbert Richers foi o
grande responsável pela dublagem da maioria dos clássicos
de animação da Disney como: A Bela e a Fera, A Bela
Adormecida e A Branca de Neve (redublagem). Além das
famosas novelas mexicanas exibidas no SBT como Maria do
Bairro, Rubi, Esmeralda, A Usurpadora e muitas outras.

Em São Paulo, um dos primeiros estúdios a surgir, na década


de 50, foi o Gravasom, que posteriormente, passou a se chamar
AIC.

No Brasil, a dublagem ganhou muita força após 1961, quando


o presidente Janio Quadros assinou uma lei que garantia o
espaço da dublagem na exibição de qualquer filme estrangeiro.
Mas foi nas décadas de 70, 80 e 90 que a dublagem ganhou
muito mais força.

1989 Surge a TV por Assinatura.

Os canais de desenho ganham força.


1989
1991 Surgem os canais globosat.

Surge o Cartoon Network.


1992
1993 Surge a Fox.

Canais Discovery no Brasil.


1994
1996 Lançamento do Primeiro Filme
em DVD nos EUA: Twist

Fundação da Netflix com


serviços de locação de DVD 1997
2002 Popularização do DVD no Brasil

A Netflix anuncia o sistema


de streaming. 2007
2010 Começa a expansão internacional
da Netflix com o Canadá

A Netflix chega ao Brasil


2011
2016 Surge a Sociedade Brasileira de Dublagem com o propósito
de impulsionar e capacitar o mercado da dublagem.

A Netflix anuncia que conteúdo dublado


é preferência absoluta no Brasil. 2017

www.sbdublagem.com.br

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