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FACULDADE ASSIS GURGACZ MARCIA MARA MOTTA GALVÃO

DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL E ULTRA-SOM NO TRATAMENTO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE EM REGIÃO GLÚTEA – UM ESTUDO DE CASO

CASCAVEL 2005

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MARCIA MARA MOTTA GALVÃO

DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL E ULTRA-SOM NO TRATAMENTO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE EM REGIÃO GLÚTEA – UM ESTUDO DE CASO
Trabalho apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz – FAG. Orientadora: Profª Daniele Zanato.

CASCAVEL 2005

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MARCIA MARA MOTTA GALVÃO

DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL E ULTRA-SOM NO TRATAMENTO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE EM REGIÃO GLÚTEA – UM ESTUDO DE CASO

Trabalho apresentado à Banca Avaliadora como requisito para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia da Faculdade Assis Gurgacz – FAG.

BANCA AVALIADORA

____________________________ Profª Esp. Daniele Zanato Orientadora

_____________________________ Prof.º Esp. Rodrigo Luiz Lima Jucá Avaliador

________________________________ Profª Msc. Leda Paes Walker Avaliadora

15 .

The parameters chosen as clinical picture improvement measurement were: the abdominal. associated to manual lymphatic drainage. it was possible to see positive alterations in some of them with a variation percentage of 1 to 2%. abdominal. The patient had as a positive result the maintenance and decrease of her body measurements and FEG aggravation. there can be satisfactory effects. which were the FEG decrease or elimination. decrease in the absolute fat and a small increase in the body mass and the variation percentage was alternated from 2 to 17%. Through the perimetry. and the visual analysis didn't show FEG significant results. where the application of US was done first.700 Kg compared to her initial weight.FEG in the gluteus region. which was predictable by the weight increase. It is known that FEG is the undertaking which affects a great part of female population and that its appearance involves several factors. three times a week in specified place for the application. right and left lateral and in ventral decumbent position. supra iliac. positively. It is concluded that. triceps cutaneous plicate and pictures performed in post postures with contracted and relaxed gluteus. the results didn't match the goals. ultrasound. Key words: Fibro Edema Geloide. arm and thigh region perimetry. gluteus.16 ABSTRACT A female individual aged 41 took part in this research that aimed to determine if the use of a protocol which included the manual lymphatic drainage associated to ultrasound . in this patient.US. using neutral PH gel as the coupling product. but that the research gives way to many other studies from this one and that they can be converted in more satisfactory results. followed by the stimulation of the body main lymphatic ganglions and after a manual lymphatic drainage was performed in gluteus region. with intervening variables which occurred during the treatment. manual lymphatic drainage. The patient increased 2. it is also known that US is an important adjuvant tool in the treatment of this pathology and that. would be effective in the treatment of Fibro Edema Geloide . The patient was submitted to 20 sessions of 1 hour and 30 minutes. what makes believe that the protocol action had efficacy. in the measurement of the cutaneous plicate was observed a great decrease in the measurements of the compared plicate. the patient was reevaluated in all aspects to get to a conclusion of the obtained results. . First the patient went through a detailed anamneses and general physical exam for the analysis of which kind and level of FEG undertaking was diagnosed. the measurement of thigh. being necessary a general analysis of the patient to determine the ones involved in this pathology. there wasn't undertaking increase. After the treatment.

Davi e Alexandre por serem a luz da minha vida e a única razão pela qual cheguei até aqui! .17 Aos meus filhos Edmar.

Maria José. pela gentileza de realizar a mensuração das dobras cutâneas em minha paciente. Às minhas inseparáveis amigas Adri. mediando-nos seus conhecimentos. pelo privilégio de sua amizade no decorrer desses 5 anos. suportando-me e mais do que nunca me fazendo dar muitas risadas nas nossas infidáveis madrugadas. por permanecer ao meu lado apesar das interpéries.18 AGRADECIMENTOS À minha mãe. À toda “primeira turma de Fisioterapia da FAG”. Ao Professor José M. À minha paciente por sua boa vontade. Daniele Zanato. À minha orientadora. pelas correções e dicas para um melhor desenvolvimento do meu trabalho. pelas horas dispensadas ao meu estudo e acima de tudo pela confiança em minha capacidade. À Deus que me permitiu vivenciar tudo isso. pela capacidade de termos transformado a nossa instituição em “Conceito A”. A todos os professores que estiveram conosco nesta jornada. . me entendendo. Vilagra. Lindo e Meiry. paciência e disponibilidade. Ao Professor Maurício Bertolossi Moreira. Profª.

... 20 1........................................................................... 15 1.....1 A PELE ..................... 28 2..............1.............19 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ....................................................2 Formação da linfa ............................................................25 1.................................................................36 2....... 40 3.....3 Identificação do FEG ................. 42 .......................... 26 CAPÍTULO 2 .........................................................................................................1.........................................2 Histopatologia do tecido acometido pelo FEG ........................4 Circulação linfática .16 1.....................................................................................................2 Constituição da pele ........................1 Ultra-Som .........................................................................17 1........................................................1 ABORDAGENS TERAPÊUTICAS ..............................................2............................1 FIBRO EDEMA GELÓIDE ..4 Formas clínicas ......................................................1 Capilares linfáticos e linfonodos .................2 SISTEMA LINFÁTICO . 15 1............................................1........................................................................... 28 2....................... 30 2....6 Avaliação do FEG ..............................................................................................................................................................................................................................................................................................37 2...................... 25 1....1 Estrutura da pele humana: constituição básica ...............2.........................................................................................1........................ 39 CAPÍTULO 3 . 12 CAPÍTULO 1 ...............................3 Diferenças de gênero da pele ............................... 40 3...3 Funções fisiológicas dos linfáticos .........................2 Efeitos físicos do US ..........................................................................................................................1 Etiopatogenia do FEG ............................ 32 2..................................................................1.............34 2..........................1...1...........1.........................................1.. 40 3............................................................................................. 24 1..................................2..1......................................... 22 1........................................................................................................................2....................................................................1...........................5 Estágios do FEG ................................

.............................. 57 3...........7 Efeitos fisiológicos e terapêuticos da aplicação do US no FEG............................................................ 68 CAPÍTULO 6 ......1....2 Dobras cutâneas....................76 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................20 3............................................................................................................................................2..................................................................................................................................... 61 4................................................... ............3 Características do US ........... 61 4............................................... 46 3..........................................................................................................................................1......................................................................................................1 METODOLOGIA ..........2.............................................................................................2...................................................2 DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL .............................................1 RESULTADOS......................................1..1....... 47 3............. 57 3..........................................73 CAPÍTULO 7...........................................................80 ............................ 52 3................... 43 3.................................................................3 A prática da drenagem linfática manual ..1 Perimetria.......6 Aplicação do US no FEG ..........................................2.................................................................1...........................3 Fotos........................................................................................................................................... 51 3...................2 Indicações e contra-indicações da drenagem linfática manual .............1 Componentes da drenagem linfática manual ............................................. 60 CAPÍTULO 4 .........2 Perimetria ....... 71 6.......................................................................................................................71 6.......................................72 6................................................................1.........76 7.....................................4 Orientações gerais para a drenagem linfática manual ..........................5 Técnicas de aplicação ..................................... 68 5......................................1...................1........................71 6............. 64 4....................1.... 58 3.............................1 MÉTODOS UTILIZADOS COMO AVALIAÇÃO......1........ 66 CAPÍTULO 5 ......1 Dobras cutâneas ............................................... 46 3.................. 61 4.................................1 DISCUSSÕES..........................................................................3 Documentação fotográfica.................................1..........................................................................4 Indicações e contra-indicações ............

.......21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................81 APÊNDICE A – Ficha de avaliação APÊNCIDE B – Termo de consentimento ...................................................

podem surtir efeitos satisfatórios. e a análise visual não demonstrou os resultados significativos do FEG. sendo necessário uma análise geral do paciente para a determinação dos mesmos envolvidos nessa patologia. mas também não houve aumento do acometimento. diminuição de gordura absoluta e um pequeno aumento no índice de massa corporal e o percentual de variação alternou de 2% a 17% positivamente. drenagem linfática manual. sabe-se também que o US é uma ferramenta adjuvante importante no tratamento desta patologia e que. a medida das dobras cutâneas de tríceps. Constatou-se através da perimetria que houve alterações positivas em algumas delas com um percentual de variação de 1% a 2%. ultra-som.FEG em região glútea. seriam eficazes no tratamento do Fibro Edema Gelóide . braço e coxa. a paciente passou por uma detalhada anamnese e exame físico geral para análise de qual tipo e grau de acometimento do FEG era diagnosticada. o que nos leva a crer que a atuação do protocolo teve sua eficácia. glútea. associado à drenagem linfática manual. três vezes por semana em local específico para a aplicação do mesmo. mas que a pesquisa abre um leque para inúmeros outros estudos a partir deste e que podem converterse em resultados mais satisfatórios.US. Sabe-se que o FEG é um acometimento que compromete uma grande população do sexo feminino e que o seu aparecimento envolve diversos fatores. seguida da estimulação dos principais gânglios linfáticos do corpo e depois realizada a drenagem linfática manual em região glútea.700 Kg em relação ao seu peso inicial. Concluiu-se que. com as variáveis interferentes que ocorreram no decorrer do tratamento. Palavras-chaves: fibro edema gelóide.22 RESUMO Um indivíduo do sexo feminino com idade de 41 anos participou dessa pesquisa que tinha como objetivo determinar se a utilização de um protocolo que incluía a drenagem linfática manual associada ao Ultra-Som . . Os parâmetros escolhidos como mensuração de melhora do quadro foram: a perimetria das regiões abdominal. o mesmo não atingiu plenamente os objetivos que foram a diminuição ou eliminação do FEG. o que seria previsível pelo aumento de peso. Após a realização do tratamento a paciente foi reavaliada em todos os aspectos para que se chegasse a uma conclusão dos resultados obtidos. na mensuração das dobras cutâneas observou-se uma diminuição acentuada nas medidas das dobras aferidas. tendo como produto de acoplamento gel com PH neutro. A paciente aumentou 2. A paciente obteve como resultado positivo a manutenção e diminuição de suas medidas corporais e o não agravamento do FEG. Primeiramente. abdominal e coxa e fotos realizadas nas posturas posteriores com glúteo relaxado e contraído. supra ilíaca. nessa paciente. onde primeiramente era realizada a aplicação do US. lateral esquerda e direita e em decúbito ventral. A paciente submeteu-se a 20 atendimentos de 1 hora e 30 minutos.

23 Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar as minhas opiniões porque não me envergonho de raciocinar e aprender. Que a tua sabedoria não seja uma humilhação para o teu próximo! Omar khayyam .

............1 - Anatomia da pele ..1 Valores de atenuação para cada tecido ....... 27 Ilustração 2.............3 Gânglio Linfático ....................Acometimento do FEG em glúteos e coxas ...... 38 Ilustração 2........... 20 Ilustração 1.............................................................................. 24 Ilustração 1.............1 ............................................................................................. 38 Ilustração 2.............2 Teste em “casca de laranja”.......... 30 Ilustração 2...........FEG grau 3 ...........................35 Ilustração 2..........4 .............................5 .........................................................................24 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1...................................................FEG grau 2 .................................................................Esquema do Sistema Linfático ........................................ 44 Ilustração 3................................3 .........................................FEG grau 1 ......................................................................2 .............................................4 Sistema linfático (capilares e nódulos)....Variáveis dependentes da freqüência ..... 23 Ilustração 1....................... 45 ...................................................................2 ........ 39 Ilustração 3.............................................................

53 Ilustração 3.............................1 .8 .............Dobra cutânea tricipital .........11 Círculos fixos.....................Respiração diafragmática....6 Círculos fixos....................................................Manobra do bracelete ........................................................12 ..........................60 Ilustração 4...... ..................................................... 51 Ilustração 3...... 58 Ilustração 3....................56 Ilustração 3...............Manobra de deslizamento .....25 Ilustração 3.....................................................................10 .................7 .8 ...........3 ................................................................................................................... 59 Ilustração 3.................. 56 Ilustração 3......................Técnica de aplicação direta do US ...........................5 Drenagem dos linfonodos.......................Passo de ganso .......59 Ilustração 3.............................................................4 Drenagem linfática manual ..............................................................................................................59 Ilustração 3...9 Círculos com os dedos.............. 63 ....................................................Deslizamento superficial em direção à região inguinal ............................................................................ 56 Ilustração 3................................................55 Ilustração 3........................................

........... 72 Ilustração 6.................................Dobra cutânea supra-ilíaca ..............65 Ilustração 4.... 63 Ilustração 4............3 ...................................6 Perimetria do abdome.....7 Perimetria da coxa proximal...............1 Foto da região glútea com demarcação dos quadrantes ...........5 Dobra cutânea da coxa ....................................Dobra cutânea abdominal ..26 Ilustração 4.............73 Ilustração 6....................................3 Fotos da região tratada .............................................................................1 Quadro comparativo de perimetria ......................................2 .........................................................................................................................66 Ilustração 5.............................................. 74 ..... 63 Ilustração 4.................................................................. 64 Ilustração 4.......................................4 ............Dobra cutânea subescapular .......................................................... 64 Ilustração 4..2 Quadro comparativo da espessura das dobras cutâneas .......................................................70 Ilustração 6..............

27 .

Além dos vasos sanguíneos. que altera toda a harmonia da pele. pois deriva. percepção e secreção. O FEG é uma desordem metabólica regional com maior incidência na mulher. como este. esse órgão tão complexo e de aparência tão plana e suave é acometido por um aspecto anti-estético e irregular o qual damos o nome de Fibro Edema Gelóide – FEG. Constitui-se em uma complexa estrutura de tecidos inter-relacionados. Pode apresentar-se do tipo dura ou mole e nos graus I. por exemplo. tornando-a de aspecto rugoso e sem brilho.28 INTRODUÇÃO O sucesso do tratamento de qualquer patologia depende essencialmente do seu pleno conhecimento. o sistema linfático. A pele é composta de epiderme. As principais funções da pele são a proteção. A pele é como um todo e faz parte do sistema neuro-sensorial. sendo que esta não faz parte da pele. conceitos amplos sempre serão usados para defini-las. O FEG costuma evidenciar-se com maior freqüência quando há um déficit ou mau funcionamento de um dos sistemas do organismo como. Os vasos linfáticos têm uma capacidade de . Tem topografia localizada nos quadris. o corpo humano é munido desse sistema paralelo de vasos muito finos. derme e hipoderme. fatores desencadeantes (hiperestrogenismo) e fatores coadjuvantes (endógenos e exógenos). Quando não se consegue estabelecer com clareza suas características. chamados “Vasos Linfáticos”. termorregulação. membros inferiores – MMII. do folheto germinativo e é portadora de extensas percepções sensoriais. II e III. e em menor escala no abdome e face látero-posterior do braço. A pele é o manto de revestimento do organismo. nádegas. As causas do FEG são complexas e multifatoriais que etiologicamente pode ser classificada em fatores predisponentes (herança genética). isola os componentes orgânicos do meio exterior. Algumas vezes. mas serve de apoio e permite a mobilidade da pele em relação aos órgãos subjacentes. a pele.

vem sendo utilizado em medicina e fisioterapia há muitos anos. da permeabilidade das membranas. absorção e atenuação. entre outras. mesmo partículas maiores e moléculas de proteínas podem passar diretamente para dentro deles juntamente com o líquido intersticial. levando-se em conta o biotipo . oxigenação dos tecidos. baseado em conhecimento teórico e prático. Uma das formas de estimular o bom funcionamento deste sistema é a drenagem linfática manual. sendo que este último é o mais indicado na Fisioterapia Dermato Funcional por seu efeito mais superficial e por seus efeitos fisiológicos como aumento da circulação sangüínea. no qual associa a utilização do US e da drenagem linfática manual. o Ultra-Som – US. Em alguns pontos ao longo dos vasos linfáticos encontramos os nódulos linfáticos. aumento da extensibilidade das fibras colágenas. A drenagem linfática manual é uma técnica que tem como principal objetivo o aumento do volume da linfa e o aumento da velocidade de seu transporte através dos vasos linfáticos. sobre a motricidade do intestino. É indicada para edema tecidual.29 permeabilidade muito grande. pré e pós-cirurgia plástica e FEG. nutrição celular. que são pequenos órgãos que filtram a linfa (líquido extravasado dos espaços teciduais). vasos e tronco). esperando atingir o melhor resultado possível dentro de um prazo pré-determinado. Os aparelhos mais usados no mercado utilizam freqüências de 1MHz e 3MHz. rejuvenescimento. aumento da quantidade de líquidos excretados entre outras. no tratamento da acne. almejando atingir objetivos prédeterminados. O sistema linfático é composto de vias linfáticas (capilares. Além da drenagem linfática manual que é utilizada na estimulação do sistema linfático e conseqüentemente na melhora do FEG. sendo assim. Este trabalho tem como objetivo sugerir um protocolo de tratamento. que indiretamente influenciam outras funções biológicas como atuar sobre a musculatura esquelética. O US trabalha com vibrações mecânicas de alta freqüência e apresenta propriedades como reflexão. comprometimento do retorno da circulação sangüínea e esteticamente. linfa e gânglios.

. sua idade. condições psicológicas e as possíveis variáveis que interfiram no tratamento.30 específico da paciente.

a formação da vitamina D. secreção de ferormônios. nos vertebrados (dos peixes ao homem).5 Kg – kilogramas. proteção contra radiação danosa ultravioleta dos raios do sol. principalmente. A pele apresenta 12% do peso seco total do corpo. num total de 640. delimitando sua forma e controlando a entrada e saída de várias substâncias. Um pedaço de pele com aproximadamente 3 cm . existe um esqueleto interno. . O número de fibras sensoriais oriundas da pele que entram na medula espinhal por via de raízes posteriores é superior a meio milhão. precisam de um envoltório complexo que.2 A PELE Todos os organismos possuem um envoltório que serve para protegê-los.000 receptores sensoriais. e um tegumento externo.centímetros de diâmetro contém mais de 3 milhões de células. De acordo com Farias (2004). 50 terminações nervosas e 90 cm de vasos sangüíneos.31 CAPÍTULO 1 1. que recobre totalmente o corpo do animal. 2004). Os organismos pluricelurares. entre 100 e 340 glândulas sudoríparas. 2002). com peso de aproximadamente 4. O mesmo autor refere ainda que. Estima-se ainda que existam em torno de 50 receptores por 100 mm² milímetros quadrados. auto-renovável e extremamente especializado: a pele (FARIAS. a pele tem como funções a proteção contra agressões físicas. termorregulação e não perda de água. é de longe o maior sistema de órgãos expostos ao meio ambiente. químicas e biológicas. 2004). feito de material altamente flexível. os órgãos dentro de cavidades e protegidos por ossos e músculos. que habitam nichos ecológicos diversificados. Ocorre acentuado declíneo no número dessas estruturas ao longo da vida (GUIRRO. regule a temperatura e controle a entrada e saída de água e sais (FARIAS.

vasos sanguíneos. associada a outras estruturas denominadas anexos da pele. definida como epitélio pavimentoso estratificado com queratina.1. b) Tecido conectivo: constitui a derme. estruturalmente. formações fibrilares. camada não considerada como parte da pele e na qual se acumula gordura (tecido adiposo). com 0. defesa imunológica e a estrutura que varia conforme a região do corpo de maior ou menor atrito como das palmas. conectivo. substância fundamental. Fica entre a derme e a fáscia geral do organismo. as células morrem por se impregnarem de queratina. que crescem continuamente de dentro para fora. em proporções adequadas. é a combinação dos quatro tecidos fundamentais. Segundo Ciporkin e Paschoal (1992). linfáticos e nervos.1 mm de espessura média. mas flexível. a) Tecido epitelial: recebe o nome de epiderme. pode-se dizer que esse tecido é formado por cinco elementos que são células.32 percepção e sensibilidade. 2004). uma logo abaixo do epitélio e outra mais profunda que se prolonga com a hipoderme. essa estrutura é constituída por quatro tecidos: epitelial. camada contínua que se estende por toda a superfície do corpo. plantas e polpas digitais. Segundo o mesmo autor citado acima. na qual se distinguem duas camadas.1 Estrutura da pele humana: constituição básica A pele. Durante o ciclo de crescimento. . possuindo várias camadas de células. 1. muscular e nervoso. Existe equilíbrio entre as células que morrem e as que são produzidas. que são diferenciações dela própria (FARIAS. As células da superfície são todas mortas. um tipo de proteína que torna a pele resistente.

2 Constituição da pele De acordo com Junqueira e Carneiro (1999). a pele apresenta-se constituída por uma porção epitelial de origem ectodérmica. respectivamente. 2004). e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica. receptores de tato e pressão. pressão) até estruturas especializadas. como os corpúsculos de Meissner e Pacini que são. se ligam aos ossos. na epiderme. não faz parte da pele. a epiderme. calor. por sua vez. . camada lúcida e camada córnea (FARIAS. apenas lhe serve de suporte e união com os órgãos subjacentes. Na epiderme. d) Tecido nervoso: na pele encontram-se desde terminações nervosas livres (dor. têm-se: camada basilar. embora tenha a mesma origem da derme. A porção mais profunda da epiderme é constituída de células epiteliais que se proliferam continuamente para que seja mantido o seu número. camada espinhosa. a) Epiderme: segundo Guirro (2002). Abaixo e em continuidade com a derme está a hipoderme. é constituída essencialmente por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. Para Dângelo e Fattini (1988). 1992). que. a derme.1. de dentro para a superfície. Na derme é encontrado um músculo liso associado ao pêlo: músculo eretor do pêlo. 1. nas camadas superficiais elas morrem e se convertem em escamas de queratina. c) Tecido muscular: a pele e a hipoderme repousam sobre as camadas de músculo estriado esquelético que. as diferentes camadas que a constitui mostram as fases pelas quais passam as células que vão sendo substituídas continuamente.33 No tecido com FEG a circulação se encontra comprometida devido às progressivas transformações ocorridas nesse tecido (CAMPOS. camada granulosa.

As células perdidas são constantemente substituídas por células provenientes das camadas mais profundas da epiderme. linfócitos. por exemplo. A essas saliências. A epiderme apresenta ainda três tipos de células: os melanócitos e as células de Langerhans e de Merkel. observando-se saliências que acompanham as reentrâncias correspondentes da epiderme. A derme é ricamente irrigada. com muitas fibras colágenas e elásticas. b) Derme: constituída por tecido conectivo não modelado. Segundo Farias (2004). 1988). a derme apresenta espessura variável de acordo com a região observada. atingindo um máximo de 3 mm na planta do pé. Segundo Junqueira e Carneiro (1999). trazendo maior resistência à pele. reforçam essa barreira imunológica. com extensas redes capilares. . 2002). A renovação do estrato córneo ocorre em aproximadamente 14 dias (GUIRRO. voltando ao estado original desde que cesse a tração. As fibras colágenas e elásticas conferem à pele sua capacidade de distender-se quando tracionadas.34 As células mais superficiais são continuamente eliminadas como resultado do abrasão. Sua superfície externa é irregular. pigmento marrom escuro que protege a pele da ação dos raios ultravioleta do sol. 1999). constituída por mucopolissacarídeos (FARIAS 2004). Já as células de Langerhans constituem a primeira linha de defesa imunológica contra substâncias nocivas da pele. que aumentam a área de contato derme-epiderme. O mesmo autor afirma ainda que as células de Merkel são considerados pela maioria dos autores como mecanorreceptores. pelo atrito com a roupa. Os melanócitos são células que produzem um pigmento chamado melanina (JUNQUEIRA e CARNEIRO. vasos linfáticos e nervos (DÂNGELO e FATTINI. essas células sintetizam a melanina. deu-se o nome de papilas dérmicas. fibroblastos e macrófagos mergulhados em substância amorfa. Juntamente com os linfócitos da epiderme.

e a camada reticular. contribuindo para a modelagem do corpo (FARIAS. Segundo ainda Azulay e Azulay (2004). o pênis e as dobras articulares. a mais superficial. e que a camada reticular constitui-se de tecido conectivo denso com grossos feixes de fibras colágenas. . nervos. Em outras regiões. há maior acúmulo de tecido adiposo: a porção proximal dos membros. ao contrário. a hipoderme é a camada mais profunda da pele. constituída de lóbulos de lipócitos delimitados por septos de colágenos com vasos sangüíneos. a mais profunda. Sua espessura varia. linfáticos e nervos. Esse tecido adiposo constitui o panículo adiposo. a distribuição da gordura não é uniforme em todas as regiões do corpo. Nos indivíduos normais. pois nela pode se acumular maior ou menor quantidade de gordura. permitindo a mobilidade da pele em relação aos órgãos subjacentes. Farias (2004). corpúsculos de Pacini. 2002). especialmente nas palmas e plantas. dependendo da região e do estado de nutrição do indivíduo. vasos sangüíneos e linfáticos. algumas regiões nunca acumulam gordura. Esta camada funciona também como um depósito de calorias. A arquitetura dérmica varia na pele normal de região para região. O acúmulo de gordura é diferente nos dois sexos. De acordo com Guirro (2002). com fibras elásticas e fibrilas de colágeno que ajudam a fixar a derme na epiderme. mas serve de apoio. como a pálpebra. a cicatriz umbilical. que age como isolante térmico protetor contra o frio e amortecedor. a parede abdominal e especialmente as porções laterais. afirma ainda que a camada papilar é constituída por tecido conectivo frouxo. a região esternal. fibras elásticas e reticulares. não existindo uma média de variação entre indivíduos da mesma idade ou diferentes faixas etárias (GUIRRO. c) Hipoderme: constituída por tecido conectivo frouxo não faz parte da pele.35 De acordo com Guirro (2002). observa-se na derme a camada papilar. glândulas sudoríparas e sebáceas. 2004). folículos pilosos.

Diferenças sexuais.36 A tela subcutânea (hipoderme) da nádega. geralmente é espessa e gordurosa.br/anatomia_pele. Uma bolsa sinovial é encontrada nessa camada.3 Diferenças de gênero da pele A pele é um espelho que reflete características do corpo. O acúmulo de tecido adiposo nessa região pode ser muito amplo. 1.htm . a espessura da pele é maior nos homens do que nas mulheres. em quase toda faixa etária da vida humana.Anatomia da pele. A disposição dos vasos e nervos é tal que o quadrante súpero-lateral da nádega e a parte anterior da região glútea são relativamente avasculares (PRATES.1 mostra as diversas camadas que compõe a pele detalhando sua anatomia e mostrando detalhes das estruturas que a compõe. 2004). Fonte: www. A pele feminina . genéticas e hormonais afetam a estrutura e a função da pele. Ilustração 1. PRATES. A ilustração 1. PRATES FILHO.1. sobre o trocânter maior.clinicacide.com. resultando em variações entre homens e mulheres. Essa diferença de gênero também se altera com a idade.acessado em 18/01/05.1. a) Variações estruturais e anatômicas: nos seres humanos. 2004). A pele masculina apresenta afinamento gradual desde a infância até a velhice. Fatores ambientais influenciam diferentemente ambos os sexos (MAIO.

a gordura tende a se acumular na região abdominal e parte superior do corpo. O autor afirma ainda que na fase adulta. Deste último plexo partem finos ramos para as papilas dérmicas. O maior conteúdo de oleosidade sobre a pele. enquanto nas mulheres localiza-se na parte inferior do corpo. As influências dos hormônios femininos ocorrem sobre o estrato córneo e sobre as ceramidas. dois na posição descrita para as artérias e um na região da derme. . um que se situa no limite entre a derme e a hipoderme e outro entre as camadas papilar e reticular. 2004). 1996). principalmente nas regiões glúteas e femorais. Nos homens. decrescendo com o tempo após esse período. na composição bioquímica. 2004).37 mantêm-se constante até a 5ª década de vida. As mulheres iniciam a vida com menor quantidade de colágeno e por isso aparentam envelhecer mais cedo do que os homens (MAIO. b) Composição bioquímica: as diferenças sexuais. As mulheres apresentam mais problemas de hidratação da pele do que os homens (MAIO. estão relacionadas ao processo de envelhecimento. no sexo masculino. promove maior resistência à pele no dia-a-dia e durante o processo de envelhecimento. d) Microcirculação: há dois plexos arteriais que suprem a pele. daí partem ramos para um outro plexo localizado no limite da derme com a hipoderme (GUIRRO. Há diferenças significativas na composição de esfingolipídios no estrato córneo feminino e consequentemente na hidratação. a distribuição de gordura sobre o corpo torna-se ainda mais diferente entre homens e mulheres. e três plexos venosos. Esses lipídios assumem importante papel na função barreira e permeabilidade de água na epiderme humana. c) Diferenças funcionais: segundo Maio (2004). a secreção sebácea é maior no sexo masculino. O sistema de vasos linfáticos inicia-se nas papilas dérmicas e converge para um plexo entre as camadas papilar e reticular. fase de grandes alterações hormonais.

2004). como o estrógeno que induz à vasoconstrição. Segundo Guyton (1988).2 (JACOMO. Provavelmente há ação direta dos hormônios sexuais sobre a parede dos vasos sangüíneos. como a ausência de um órgão central bombeador no sistema linfático. como a presença de telangiectasias. como mostra a ilustração 1. 1. mas essa diferença desaparece após os 50 anos de idade. 2002). essas estruturas atuam filtrando a linfa e são responsáveis pela resposta imune. Ao longo do trajeto dos linfáticos existem grupos compactos de linfócitos encapsulados denominados de linfonodos. além deste ser microvasculotissular. em ambos os lados. que está intimamente relacionado anatômica e funcionalmente ao sistema linfático. existem diferenças entre os dois sistemas.38 Maio (2004).2 SISTEMA LINFÁTICO O sistema linfático assemelha-se ao sistema sanguíneo. ANDRADE. novamente ao sangue na confluência das veias jugular interna e subclávia. Esse sistema recolhe os líquidos extravasados dos vasos sangüíneos. os linfáticos representam sistema acessório para o fluxo de líquido desde os espaços teciduais até a circulação. Porém. Os capilares linfáticos são tão permeáveis que até mesmo grandes partículas e moléculas de proteínas passam diretamente para seu . Há alterações estruturais e funcionais da microcirculação com a idade. destruição de microorganismos e partículas estranhas da linfa e respostas imunes específicas. afirma que fatores hormonais afetam o fluxo sangüíneo. no espaço intersticial. Esse importante sistema possui várias funções importantes: retorno do líquido intersticial para a corrente sanguínea. O fluxo sangüíneo basilar é menor em mulheres que em homens. como a produção de anticorpos (GUIRRO. RODRIGUES JR. e os leva.

é chamado de linfa e tem os mesmos constituintes que o líquido intersticial normal. o líquido intersticial e reconduzi-lo ao sistema vascular sangüíneo. dela extraindo todo material particulado.acessado em 18/05/05. isto é. vasos coletores e troncos linfáticos. que incluem tonsilas. Segundo o mesmo autor esse sistema consiste de um sistema vascular constituído por um conjunto particular de capilares linfáticos. antes que atinja o sistema venoso. 2002). .htm . Ilustração 1. e órgãos linfóides. Fonte: www. ele somente retorna o líquido intersticial para a corrente circulatória e dessa forma previne a formação do edema (GUIRRO.com/remise/massaggio/linfodrenaggio_energetico. O sistema linfático é um sistema de mão única. os mesmos atravessam os gânglios linfáticos. na intimidade dos tecidos. em muitos pontos ao longo dos linfáticos. Portanto. linfonodos. particularmente onde vários linfáticos de menor calibre se juntam para formar vasos mais calibrosos. o líquido que flui pelos linfáticos é o líquido que transborda dos espaços teciduais. De acordo com Guyton (1988). baço e timo. que servem como filtros do líquido coletado pelos vasos.benessere.39 interior.2 – Sistema Linfático. junto com os líquidos dos tecidos. encarregados de recolher. que são pequenos órgãos que filtram a linfa.

e na produção celular. Rodrigues Jr (2004). O linfonodo apresenta.3 – Gânglio Linfático. Esses capilares formam os vasos linfáticos aferentes. na cartilagem. Segundo Guirro (2002).5 cm de diâmetro e quase sempre apresentam forma ovalada ou redonda como mostra a ilustração 1.2. na placenta e no bulbo do olho. Andrade. há grupos de linfonodos na axila. desempenhando papel importante imunológico. Ilustração 1. saem os vasos linfáticos eferentes. Fonte: iris. duas funções: na filtração da linfa.1 Capilares linfáticos e linfonodos Segundo Jacomo.. uma vez que as células são de dois tipos principais: linfócitos e plasmócitos. até alcançar a porção cortical do linfonodo. pescoço. na medula óssea. podendo alcançar até 2.40 1. geralmente. Dispõe-se em cadeias e variam o tamanho. seguem de forma paralela.cnice. através do seu hilo. .es/biosfera/alumno/. Deste. Técnicas que visam incrementar o fluxo da linfa devem considerar o sentido natural da drenagem nos diferentes segmentos. basicamente. perna. os capilares linfáticos acompanham os capilares venosos.mecd. exceto no sistema nervoso central. com calibre maior e em menor número e que se dirigem. a um outro linfonodo..htm – acessado em 18/01/05. nos ossos.3./contenidos4. Os mesmos autores afirmam ainda que os linfonodos variam em número e são encontrados mais ou menos em certas regiões definidas do corpo. bem como em várias regiões profundas do corpo. na qual partículas estranhas podem ser retiradas durante a passagem da linfa. que diferentemente das veias. virilha.

tais como as bactérias. Como cerca de dois terços de toda a linfa normalmente derivam do fígado e dos intestinos. mesmo as grandes partículas. Como a linfa passa através dos linfonodos. podem forçar sua passagem entre as células endoteliais dos capilares linfáticos e dessa forma entrar na linfa. Não existe nenhum outro meio para que as proteínas retornem à circulação. que é as misturas das linfas de todas as áreas do corpo. 1988). geralmente tem concentração de proteína de 3 a 5 g/dl (GUYTON e HALL.2.2.41 1. a linfa que é formada no fígado tem concentração de proteína que pode atingir até 6 g/dl. Inversamente. a linfa tem quase a mesma composição do líquido intersticial.3 Funções fisiológicas dos linfáticos a) Devolução de proteínas à circulação: a função que é a mais importante desempenhada pelos linfáticos é a devolução das proteínas à circulação quando vazam dos capilares sangüíneos. e a linfa formada nos intestinos tem concentração de proteína de até 3 a 4 g/dl. 1. a linfa do canal torácico. b) Fluxo de linfa pelos linfáticos: dois fatores principais determinam a intensidade do fluxo de linfa pelos vasos linfáticos: a pressão do líquido intersticial e o grau de . logo que entra nos linfáticos terminais. e a concentração de proteína na linfa que flui a partir desses tecidos é próxima desse valor. Segundo os mesmos autores.2 Formação da linfa A linfa deriva do líquido intersticial que flui para os linfáticos. 2002). a não ser por meio dos linfáticos (GUYTON. essas partículas são removidas e destruídas. A concentração de proteína no líquido intersticial da maioria dos tecidos é em média de cerca de 2 gramas por decilitro . Dessa forma.g/dl.

1. . bem diferente do que acontece nos capilares sangüíneos. No membro superior os vasos superficiais e profundos fluem para os linfonodos inguinais superficiais. o fluxo de linfa varia dentro de extremos muito amplos de intensidade. onde desembocam os vasos que recolhem o quilo intestinal. maior será a quantidade de linfa formada a cada minuto. o líquido flui com grande facilidade dos espaços intersticiais para os capilares linfáticos. Já o ducto linfático direito recolhe a linfa proveniente do membro superior direito. Portanto. além do membro superior esquerdo (ilustração 04). porque os “poros” dos capilares linfáticos estão muito abertos. 1988).2. Ele se origina na cisterna do quilo.42 “bombeamento” pelos vasos linfáticos. do pescoço e da cabeça. o fluxo total de linfa por todos os vasos. um mecanismo chamado de bomba linfática (GUYTON. sempre que a pressão do líquido intersticial aumentar até acima do normal. na pessoa média. uma dilatação situada anteriormente à segunda vértebra lombar.ml por hora. O ducto torácico recebe a linfa proveniente dos membros inferiores. 1988). Toda a linfa do organismo acaba retornando ao sistema vascular sangüíneo através de dois grandes troncos: o ducto torácico e o ducto linfático direito. é da ordem de 100 mililítros . passando através de vários linfonodos. sendo aí filtrada e recolocada na circulação até atingir os vasos sangüíneos. quanto maior a pressão dos tecidos. do hemotórax direito.4 Circulação linfática A linfa absorvida nos capilares linfáticos é transportada para os vasos pré-coletores e coletores. Segundo o mesmo autor. ou cerca de 1 a 2 ml por minuto (GUYTON. mas. c) Intensidade do fluxo de linfa e retorno de proteína à circulação: em função do tempo. o que acontece sempre que o volume desse líquido intersticial ficar muito aumentado. do hemitronco esquerdo.

4 – Sistema linfático (capilares e nódulos).htm .br/basicos/Linfa1. tais fatores são: contração dos músculos esqueléticos circundantes. pulsação das artérias adjacentes aos linfáticos e compressão dos tecidos por objetos fora do corpo (GUYTON e HALL. . Ilustração 1. 2002). jugular e broncomediastinal direito (GUIRRO.bio. Fonte: www. Este ducto é formado pela união dos troncos subclávios. qualquer fator externo que comprima intermitentemente a vaso linfático também pode causar bombeamento.afh.43 do pescoço e da cabeça. Em ordem de importância. Além do bombeamento causado pela contração intrínseca intermitente das paredes do vaso linfático. movimentos das partes do corpo. 2002).acessado em 18/01/05.

Pellegrino. tem-se demonstrado como o conceito mais adequado para descrever o quadro historicamente conhecido e erroneamente denominado de “celulite”. bioquímicas e ultra-estruturais (GUIRRO. Contudo. paniculopatia edemato-fibroesclerótica e paniculose. além de ser desagradável aos olhos. mas também histoquímicas. um complexo de alterações no tecido adiposo. Pellegrino. resultando em macronódulos na superfície cutânea. Mapeli (2004) colocam ainda que o FEG. fibro edema gelóide. lipodistrofia ginóide. Essas modificações não são apenas morfológicas. nas quais o fator hormonal influi na disposição das células adiposas e nos compartimentos interlobulares. hidrolipodistrofia ginóide. as mulheres são “preferencialmente” atingidas pelo FEG devido ao fato de terem duas vezes mais células adiposas que o homem e que quanto mais avançada a idade maior poderá ser o agravamento das condições do mesmo. Segundo Borelli. a denominação FEG. Nesta patologia. portanto comprovadamente ocorre nesta disfunção uma série de alterações estruturais na derme. Os autores Borelli. os tecidos cutâneo e adiposo são afetados em diversos graus. do ponto de vista estético. É uma afecção que provoca sérias . na microcirculação e nos adipócitos. acarreta problemas álgicos nas zonas acometidas e diminuição das atividades funcionais. Mapeli (2004) entende-se por lipodistrofia ginóide (designação nominal que o autor dá à FEG). 2002).2 FIBRO EDEMA GELÓIDE Vários termos são designados para essa patologia. Os autores afirmam ainda que “acomete exclusivamente as mulheres”. na tentativa de adequar o nome às alterações histomorfológicas encontradas: lipodistrofia localizada. Já para Campos (1992). lipoesclerose nodular.44 CAPÍTULO 2 2.

Segundo Ciporkin e Paschoal (1992). podendo levar até à quase total imobilidade dos MMII. menor na senil). De acordo ainda com o mesmo autor se considerarmos o FEG separadamente. com topografia localizada nos quadris. b) Etiopatologicamente: é um processo reativo da substância fundamental seqüente a uma alteração do meio interno. a derme e a hipoderme. transformam-se em moléculas denominadas de proteoglicanas e vários fatores podem causar alterações nessas moléculas: variações topográficas (vinculadas à espécie. seguida de polimerização da substância fundamental que. gestação. Pode-se defini-la como uma dermatose de coxas e nádegas. além de dores intensas e problemas emocionais. glicosaminoglicanas. As macromoléculas extracelulares. membros inferiores e em menor escala no abdome e face látero–posterior dos braços e que ocorre mais freqüentemente durante a puberdade ou nos episódios da vida pré-menopausa ou na ocorrência da mesma. sob três diferentes pontos de vista. o histológico. produz uma reação fibrótica consecutiva. caracteres individuais e regionais). de maior incidência na mulher. infiltrando-se nas tramas. favorecido por causas locais e gerais. diabetes. Já Guirro . que afeta a epiderme. nádegas. teremos três diferentes definições importantes: a) Histologicamente: é uma infiltração edematosa do tecido conjuntivo. antiestética. estrógenos. em virtude dos quais as glicosaminoglicanas (antes denominadas mucopolissacarídeos) que a integram sofrem um processo de hiperpolimerização. idade (maior quantidade na fase embrionária e.45 complicações. não inflamatória. hipotireoidismo e corticoesteróides. o etiopatogênico e o clínico. com mecanismos patôgenicos iguais. c) Clinicamente: é um espessamento não inflamatório das capas subepidérmicas. o FEG é uma hipodermodistrofia regional. às vezes doloroso que se manifesta em forma de nódulos ou placas de variada extensão e localização.

Ilustração 2.2.1 – Acometimento do FEG em glúteos e coxas.com.46 (2002). região glútea (ilustração 2. não se pode falar em “causa”. de maneira geral pode-se delinear uma etiologia para o FEG. causada por edema do tecido conectivo. Segundo Guirro (2002). Mapeli (2004). ântero e posteriormente.html – acessado em 18/01/05. exceto as palmas das mãos. há um enfoque "global" quanto à etiologia do FEG e. enumerando e subdividindo os fatores que provavelmente desencadeiam o processo em três classes: . a porção interna dos joelhos. com mais freqüência a porção superior das coxas. as plantas dos pés e o couro cabeludo. contribuem para o aparecimento do distúrbio. visto que seria impossível garantir sua verdadeira influência. interna e externamente. 2. segundo Guirro (1996).br/estcelulite. que aumentam a capacidade de retenção de água. coloca que o FEG pode atingir qualquer parte do corpo.1 Etiopatogenia do FEG Segundo Ciporkin e Paschoal (1992). região abdominal.haircenter. Fonte: www. que somados.1) e porção superior dos braços. não sendo possível isolar cada um desses fatores. pela polimerização de mucopolissacarídios. Pellegrino. São atingidas. essa é uma afecção evolutiva. De acordo com Borelli.

sexo e desequilíbrio hormonal. podemos ter uma probabilidade da instalação da mesma.47 a) Fatores predisponentes: estes fatores podem predispor o FEG. Neste contexto pode-se citar o estresse. facilitando o processo infiltrativo. c) Fatores condicionantes: a partir dos fatores já vistos. qualquer forma de stresse provoca uma alteração em nível glandular que leva a retenção hídrica. diminuindo a drenagem e a oxidação de toxinas. O autor ainda afirma que estes fatores provocam alterações no tecido conjuntivo. desequilíbrios glandulares. . hipotireoidismo e altas dosagens de cortisona podem determinar o surgimento do FEG. fazendo com que ele retenha mais água. será alvo de fácil acesso para as infiltrações teciduais. Para Campos (1992). sedentarismo. De acordo Ciporkin e Paschoal (1992). maus hábitos alimentares e disfunções hepáticas. o sedentarismo diminui a capacidade circulatória. idade. somando-se esses fatores que são genéticos. com maus hábitos alimentares e ainda com um desequilíbrio hormonal. os desequilíbrios glandulares e metabólicos como diabetes. a herança genética está presente tanto nas diferentes formas de obesidade quanto nas do FEG e que esta característica herdada determinaria a estrutura corporal do tecido adiposo. ocasionando um trânsito lento de líquidos na região. Observa-se ainda que principalmente em fases de picos como menarca e menopausa. criam-se perturbações hemodinâmicas locais que podem aumentar a pressão capilar. o fumo provoca vasoconstrição dos vasos diminuindo a circulação. fumo. perturbações metabólicas do organismo em geral. b) Fatores determinantes: estes fatores estabelecem que uma pessoa do sexo feminino. fumante. há um favorecimento no aparecimento do FEG. dificultar a reabsorção linfática e favorecer a transudação linfática nos espaços intersticiais.

2 Histopatologia do tecido acometido pelo FEG Segundo Guirro (2002). As fibras esclerosadas realizam como que uma rede que comprime os vasos e nervos. principalmente hormonais. Em um terceiro estágio as fibrilas se agregam em fibras colágenas e se distribuem em arranjos capsulares em torno de grupo de adipócitos. com conseqüente hiperplasia e hipertrofia. afirma que o tecido encontra-se espesso e com proliferação das fibras de colágeno interadipocitárias e interlobulares que provocam ingurgitamento dos tecidos. As fibras elásticas tornam-se frágeis e rompem-se. 2. o edema dificulta as trocas metabólicas e desencadeia uma resposta conjuntiva. formando os micronódulos. . destacam quatro estágios de evolução: O primeiro é marcado por uma alteração esfincteriana arteriolar. De acordo com Campos (1992). a circulação de drenagem é sensivelmente reduzida e os fibroblastos são encarcerados. pré-capilar. No segundo estágio.2. pela confluência de muitos micronódulos. levando a formação de uma trama irregular de fibrilas. criam condições propícias e facilitam a deposição de gordura na região. com transudação e edema pericapilar e interadipocitário. o tecido com FEG encontra-se com aumento em número e volume de células adiposas. O tecido com FEG é mal-oxigenado. A dor ao contato em fases avançadas é explicada pelo aumento da compressão nos nervos. levando a uma modificação da permeabilidade do capilar venoso e ectasia capilar. tendo como base a fisiopatologia do FEG. Guirro (1996).48 que associados a outros fatores. e o quarto estágio caracteriza-se por esclerose das traves conjuntivas e formação de macronódulos. Este quadro cria uma aparência nodulosa em nível de epiderme.

Entrase num círculo vicioso que evolui para a cronicidade da patologia. provocando sua rápida mutilação. A continuidade desta congestão leva a uma compressão dos vasos mais importantes. d) Quarta fase: há uma continuidade do processo e ocorre um espessamento do tecido conjuntivo interadipocitário. O tecido adiposo torna-se mais cerrado. que não desempenhando o seu papel normal e são obrigados a se dilatar perante a dificuldade. puramente circulatória e de estase linfática. Origina-se um verdadeiro tecido fibroso. aumentando assim a pressão. a congestão e os fenômenos de bloqueio. comprimindo todos os elementos do tecido conjuntivo. fazendo com que o tecido tome uma consistência gelatinosa. de malhas muito cerradas. A dilatação e a distensão das paredes da rede venosa aumentam a sua permeabilidade. A densificação do meio conjuntivo irrita as fibras do tecido. Esta é a fase congestiva simples. veias e nervos. que é resultado de um mau funcionamento do sistema circulatório e das transformações do tecido conjuntivo. cada vez mais densa. dissocia-se em fibrilas. Ocorre a diminuição na drenagem do líquido intercelular ocasionando o inundamento do tecido.49 subnutrido. muito densas. Há uma hipertrofia das células adiposas devido ao acúmulo de lipídios. c) Terceira fase: considerada fase nodular. o que resulta no escape para o tecido conjuntivo do líquido seroso. Esses resíduos provocam reações de defesa no tecido ocasionando o espessamento dos septos interlobulares. É o processo de floculação e de precipitação de substância amorfa do tecido conjuntivo. proliferação das fibras colágenas. De acordo com Guirro (2002). artérias. é uma fase breve. O líquido seroso lançado no tecido conjuntivo contém todos os resíduos das diferentes células das regiões vizinhas. b) Segunda fase: considerada a fase exsudativa. endurece continuamente . desorganizado e sem elasticidade. podemos descrever as alterações que ocorrem no nível tecidual em quatro fases histológicas: a) Primeira fase: não é percebida pelos pacientes.

maior consistência tecidual. Tais alterações nem sempre se fazem por igual. correspondente ao edema intercelular.2. hipertrofia e hiperplasia adipocitária. fixam-na aos planos profundos. 2002). Segundo o mesmo autor. um pregueamento cutâneo. 2. em vez de permitir a permeabilidade da pele.3 Identificação do FEG Uma das funções do tecido conjuntivo é de ligação entre os músculos e o revestimento cutâneo. o paciente apresenta sintomas gerais como fadiga. maior sensibilidade à dor e diminuição da mobilidade por aderência aos planos mais profundos. . principalmente o aumento de sua densidade. sensação de peso nas pernas.50 e com o tempo torna-se esclerosado. podendo chegar a câimbras noturnas (CIPORKIN e PASCHOAL. as quatro evidências clínicas encontradas na palpação do FEG são: aumento da espessura do tecido celular subcutâneo. que nos mostra uma sucessão de saliências e depressões. de maneira que a pele apresentará um aspecto acolchoado. irreversível. além da fibro-esclerose (GUIRRO. De acordo com Guirro (2002). isto é. aprisionado nas suas malhas. As transformações deste tecido. um tecido duro. firme. 1992). os sinais patológicos do FEG são facilmente verificáveis por testes simples e seguros. estanque. tensão e às vezes dores espontâneas difusas que aumentam de intensidade com o repouso. irregular. Quando há repercussão a nível circulatório periférico. astenia. Em certos estágios não é necessário teste algum. Com o tecido muito denso é produzida uma irritação contínua nas terminações nervosas resultando em dores à palpação. um espessamento aparente. sem qualquer chance de libertação. ou seja.

onde o tecido encontra-se flácido.2. varizes. Além das alterações de relevo inspecionam-se alterações associadas como coloração tecidual.2 – Teste em “casca de laranja”.acessado em 18/01/05 Geralmente os sintomas de acometimento são: a presença de nódulos. fadiga e aumento dos sintomas no período pré-mestrual. a inspeção deve ser efetuada com a paciente na posição ortostática. pressão deslizante ou palpação deslizante com movimentos de rolamento. Ilustração 2. . com aparência rugosa.br/Dermato/celulite. hiperceratose folicular. afirma que na inspeção encontram-se ainda uma superfície irregular e ondulada.amrscirurgiaplastica.51 pois o simples olhar permite identificar a patologia. a palpação deve ser feita por pinçamento. coloca que o primeiro teste para reconhecer o FEG consiste no “teste da casca de laranja”. com relevos e depressões. Ciporkin e Paschoal (1992). como mostra a ilustração 2. equimoses. é importante a realização minuciosa da inspeção e da palpação: a) Inspeção: de acordo com Guirro (2002). tonicidade muscular e dor à palpação. estrias. palpação profunda. De acordo com Ciporkin e Paschoal (1992). onde pressiona-se o tecido adiposo entre os dedos polegar e indicador ou entre as mãos e a pele se parecerá com uma casca de laranja. Fonte: www. telangiectasias. No exame físico.htm .med. pele "acolchoada" com depressões alternadas e com protuberâncias. b) Palpação: Guirro (2002).

tanto em número quanto nas manifestações aparentes. é mais localizada e não muda de posição conforme a mudança de decúbito. não tem qualquer formação própria. que nunca tenham tido uma anterior perda de peso importante. a afecção primária permanece a mesma. Embora com aspectos diferentes. condicionadas pela textura das próprias lesões. É mais dolorida e o prognóstico é pior. não são comuns as grandes deformações (GUIRRO. os mesmos sinais e sintomas e as mesmas conseqüências. pois é de difícil mobilização do tecido (CAMPOS. Campos (1992) e Guirro (1996) diferenciam as formas clínicas do FEG em compacta. flácida.1. 1992). distribui-se sem resistência. sentada ou em pé). possui sempre as mesmas causas. É de melhor prognóstico (CAMPOS. mista e edematosa: a) Compacta ou dura: nessa forma as zonas atingidas geralmente conservam uma conformação bastante regular e uniforme. as mesmas transformações essenciais e fundamentais do tecido conjuntivo. segue a forma determinada pela posição (deitada. O FEG exterioriza-se e manifesta-se sob diferentes aspectos. e são comuns as varicosidades associadas a uma sensação de peso nos membros acometidos. 1992).52 2. 2002).4 Formas clínicas Para Guirro (2002) entende-se por formas clínicas do FEG o aspecto aparente. É encontrada em pessoas com bom trofismo muscular. . b) Flácida: segundo Guirro (2002). em atletas e grandes obesos. as manifestações visíveis. é a forma mais importante. Guirro (2002) coloca também que essa forma do FEG é encontrada em indivíduos de peso médio ou ligeiramente elevado. Os nódulos parecem duros com pouca mobilidade.

d) Edematosa: Guirro (2002) observa que esse tipo forma clínica apresenta um aspecto exterior de um edema tecidual puro e simples. ou muito firme na coxa. São consideradas as alterações macroscópicas e a sensibilidade à dor. . a classificação de Ulrich (1982) é relevante porque leva em consideração a gravidade das lesões teciduais que surgem em três estágios. acompanhado de um muito flácido. subdivididos segundo o acometimento de cada um como FEG brando (grau 1). a) FEG brando (grau 1): é de aspecto visível somente à palpação ou sob contração voluntária.53 c) Mista: Campos (1992). sendo que o prognóstico é sempre ruim. medialmente. Campos (1999). diz que podemos encontrar o FEG firme nas coxas associado ao flácido no abdome. a classificação do FEG pode ser dividida em três ou quatro estágios.5 Estágios do FEG Segundo Guirro (2002). neste estágio o FEG não é visível somente à inspeção e não há sensibilidade à dor (ilustração 2. A consistência pode ser variável. Guirro (2002). Para Campos (1999) e Guirro (1996). 2. encontrado quase que exclusivamente nos MMII. afirma ainda que vem sempre associada a um linfoedema. de muito firme à flácida. bem como o prognóstico. FEG moderado (grau 2) e FEG grave (grau 3).1. afirma que podemos encontrar os dois tipos acima numa mesma pessoa. lateralmente. e pode ou não apresentar sinal de cacifo. é de aspecto pastoso. os membros apresentam-se em forma de coluna.3). mas a classificação em apenas três graus é a mais condizente com a anamnese de rotina nos consultórios. aparece em qualquer faixa de idade ou de peso.

Os estágios do FEG não são totalmente delimitados. Ilustração 2. c) FEG grave (grau 3): há fibrose com predominância.acessado em 19/01/05.05. nesse caso as margens são facilmente delimitadas. Fonte: www.com.br/portal/site/universo/corpo_celulite_5696.br/portal/site/universo/corpo_celulite_5696. É considerada por Ulrich (1982) como incurável ainda que passível de melhora.asp .54 Ilustração 2. É também visível quando ocorre incidência de luz lateralmente. a pele fica enrugada e flácida. o paciente apresenta sensibilidade à dor aumentada e as fibras do conjuntivo estão quase totalmente danificadas.5). Pode ocorrer alteração de sensibilidade (ilustração 2. Fonte: www.boticario.4). enquanto que a branda é sempre curável e a média. podendo ocorrer uma sobreposição de graus em uma mesma área de uma mesma paciente.boticario. . aspecto de "saco de nozes".4 – FEG grau 2.asp . freqüentemente curável (ilustração 2. b) FEG moderado (grau 2): é de aspecto visível em algumas regiões e apresenta fibroses sem predominância.com.3 – FEG grau 1.acessado em 19/01.

asp . Além da anamnese que é de fundamental importância. 2. peso. realiza-se o exame físico que deve conter inspeção. começando pela anamnese.br/portal/site/universo/corpo_celulite_5696. alterações posturais juntamente com a anotação dos sintomas clínicos.1. altura. 1996 e CAMPOS. perimetrias. que deverá ser ampla e completa. Fonte: www. . devendo-se abordar o paciente de modo global.acessado em 19/01/05.boticario. 1992).6 Avaliação do FEG Há um consenso geral dos autores pesquisados quanto à pluralidade etiológica do FEG. entre outros de acordo com a gravidade do acometimento e das necessidades do paciente (GUIRRO. palpação.55 Ilustração 2.com.5 – FEG grau 3.

2003/2004). O principal fator na obtenção de um bom resultado terapêutico é o correto diagnóstico aliado à escolha do melhor recurso para a terapia em questão (GUIRRO. o US se incorpora há mais de 4 anos ao instrumental imprescindível da estética (IBRATE. O tratamento do FEG envolve diversos profissionais.0 MHz.0 ou 3. 3. Segundo Guirro (2002) o US terapêutico no mercado nacional. além de maior aporte hídrico. MAPELI. caracteriza-se por apresentar freqüência de 1. Graças ao desenvolvimento de tecnologias específicas.0 watts por centímetro quadrado – Wcm². PELLEGRINO.1 Ultra-Som O ultra-som .1. quando perfeitamente integrados. com o objetivo de aumentar o gasto energético. patologias reumáticas e dermatológicas. hipoglicídica. A intensidade pode variar entre 0. Deve-se incluir sempre atividade física. rica em fibras. 2004). hipolipídica. Mais recentemente. sendo disponível atualmente também em 5. sendo que existe uma gama de tratamentos e recursos que. 2002). melhorar as trocas metabólicas para aumentar o potencial lipolítico das células adiposas e aumentar os retornos venoso e linfático (BORELLI.1 e 3.MHz.56 CAPÍTULO 3 3. a paciente deve manter uma dieta hipocalórica. principalmente para resolver dores traumáticas.0 megahertz . vitaminas e sais minerais.1 ABORDAGENS TERAPÊUTICAS Para que as técnicas terapêuticas tenham resultados positivos. alguns equipamentos foram projetados para apresentar limites de .US vêm sendo utilizados em medicina e fisioterapia há mais de 40 anos. proporcionam bons resultados.

57 intensidades mais compatíveis com a prática clínica, as quais variam de 0,01 à 2,0 Wcm². Estes equipamentos estão mais próximos da prática terapêutica, uma vez que raramente utilizam-se doses superiores a 2 Wcm². A freqüência de 5 MHz é indicada exclusivamente para a área de dermatologia por apresentar uma pequena capacidade de penetração nos tecidos biológicos. De acordo com Fuirini e Longo (1996), os fatores que envolvem a física do US apresentam-se como: a) Ondas: o US é uma forma de energia mecânica que consiste de vibrações de alta freqüência. As ondas ultra-sônicas são ondas longitudinais e provocam oscilações nas partículas do meio onde se propagam. b) Produção de ondas: na produção do US, hoje, são utilizados cristais cerâmicos sintéticos. A liga entre chumbo, zircônio e titânio é um excelente sintético pela sua durabilidade e eficiência em converter corrente elétrica em vibrações mecânicas. A vibração aciona as partículas do meio, produzindo ondas por compressão e descompressão. Segundo os mesmos autores os tipos de ondas ultra-sônicas podem ser: a onda mais comum que é a longitudinal, na qual a velocidade e aceleração estão na direção da propagação da onda, e são transportadas em meios líquidos não viscosos; as ondas transversais que são formas comuns de propagação de ondas em sólidos, e nelas a movimentação das partículas é perpendicular à direção da propagação das ondas e as ondas estacionárias que podem ser produzidas se a onda que incide na interface e a onda refletida da interface se tornarem superpostas a tal ponto que seus picos de intensidade se somem. A freqüência é medida em Hertz - HZ e é determinada pelas dimensões físicas do cristal. No sistema de unidades observamos que 1Hz equivale a 1 ciclo/s; 1KHz a 1000 ciclos/s e 1MHz a 1000000 ciclos/s (FUIRINI e LONGO, 1996).

58 Os autores citados acima colocam ainda que o US pode ser contínuo ou pulsado, cujas características no modo contínuo apresentam ondas sônicas contínuas, não apresentam modulação, tem efeito térmico, alteração da pressão e micro-massagem (diatermia). Já no modo pulsado encontramos ondas sônicas pulsadas, modulação de amplitude com freqüências de 16Hz a 100Hz, os efeitos térmicos são minimizados, há alteração da pressão e efeitos nãotérmicos. O US pulsado é melhor indicado quando o calor produzir dores; houver necessidade de redução de velocidade da condução em fibras nervosas, raízes nervosas ou gânglios; houver necessidade de regeneração do tecido; a aplicação for feita em processos inflamatórios e houver necessidade de efeitos não térmicos. Já o US contínuo será necessário quando ambos efeitos térmicos e não térmicos forem necessários. O grau dos efeitos térmicos são determinados pelos controles de intensidade do aparelho (FUIRINI e LONGO, 1996).

3.1.2 Efeitos físicos do US

De acordo com Young (2003), quando o US entra no corpo, pode ocorrer um efeito nas células e tecidos por dois mecanismos físicos: térmico e não-térmico. a) Efeitos térmicos: quando o US percorre o tecido, uma porcentagem dele é absorvida, e isso leva à geração de calor dentro daquele tecido. A quantidade de absorção depende da natureza do tecido, seu grau de vascularização e a freqüência do US. O efeito térmico do US é considerado de grande importância. O US atenua-se a medida que atravessa um meio ou diminui sua intensidade durante este trajeto b) Efeitos não-térmicos: existem muitas situações em que o US produz efeitos biológicos sem, contudo envolver mudanças significativas na temperatura. Os mecanismos

59 físicos que parecem estar envolvidos na produção desses efeitos não-térmicos são um ou mais dentre estes: cavitação, correntes acústicas e ondas estacionárias. Para Fuirini e Longo (1996), dentro dos efeitos não-térmicos observa-se a agitação acústica que é um movimento unidirecional do fluído em um campo de pressão ultra-sônica, no qual ficam submetidos o tecido conectivo e membranas do plasma podendo causar efeitos terapêuticos benéficos. A micro-agitação permite movimento das partículas de um lado da membrana da célula para outro, provocando aumento da permeabilidade celular.

3.1.3 Características do US

A propagação do US é retilínea. É excelente no meio sólido ou líquido e muito fraca no ar, onde o US perde a maior parte de sua potência, por isso é aplicado sobre a pele através de um gel ou por imersão. As ondas sônicas se propagam com maior ou menor facilidade dependendo da impedância acústica, que é a possibilidade e rapidez de deformação do material do qual é composto o meio (IBRATE, 2003/2004). De acordo com Fuirini e Longo (1996), o comportamento do US à medida que se propaga através dos tecidos apresenta algumas variáveis como: a) Atenuação: a amplitude e a intensidade diminuem à medida que as ondas ultrasônicas passam através de qualquer meio. Esta diminuição de intensidade é causada pela difusão do som em um meio heterogêneo, pela reflexão e refração nas interfaces e pela absorção do meio. Quanto mais alta for a freqüência, menor será o comprimento da onda e maior será sua absorção. Cada tecido possui valores diferentes de atenuação como mostra a ilustração 3.1. De acordo com Ibrate (2003/2004), a atenuação é um decréscimo que ocorre com a distância e é diretamente proporcional à freqüência e também depende dos tecidos que atravessa.

J..Valores de atenuação para cada tecido. Já o Curso de Especialização do Ibrate (2003/2004). Manual KLD. 1996.6 mm 8 mm Feixe paralelo ao tecido Tecido adiposo Água 50 mm 11500 mm 16. cápsulas intraarticulares. N.2).a 1MHz sua intensidade diminui de 50% ao atravessar 0. sendo mais alta quanto maior for a mesma (ilustração 3. Ultra-Som: KLD . LONGO.5 mm 6.1 .5 mm 3833. Ex: . b) Absorção: Fuirini e Longo (1996). JR.a 1MHz sua intensidade diminui em 50% ao atravessar 5 cm de gordura subcutânea.3 mm Obs Fonte – FUIRINI. diz que a absorção é a retenção da energia acústica no meio irradiado. tendões com alta concentração de colágeno. O US é bem absorvido pela proteína em tecido nervoso. Devido a absorção a intensidade das ondas sônicas diminuem conforme penetram nos tecidos e a absorção depende da freqüência. .60 Ilustração 3. afirmam que a absorção do US ocorre em nível molecular.2 mm 9 mm 3 MHZ ____ 4 mm 2 mm 0.3 cm de músculo.1 mm 6 mm 2. Esta absorção de US dentro do meio ocorre quando a energia vibracional é transformada em energia molecular ou em movimentos moleculares aleatórios. proteína no músculo e hemoglobina.9 cm de músculo.a 3MHz sua intensidade diminui de 50% ao atravessar 0.8 mm 2 mm 3 mm Feixe perpendicular ao tecido 24. ligamentos.1 mm 11. G.Biosistemas Equipamentos Eletrônicos LTDA. PROFUNDIDADE MÉDIA (D1/2) EM DIVERSOS MEIOS 1 MHZ Tecido ósseo Pele Cartilagem Ar Tecido tendinoso Tecido muscular 2. . Ex: .

6 cm de gordura subcutânea. maior será a quantidade de energia ultra-sônica refletida (FUIRINI e LONGO. 1996).Biosistemas Equipamentos Eletrônicos LTDA. c) Reflexão: quando o US traféga de um meio para outro. refratada ou absorvida. esta pode ser refletida. característica de cada tecido.58 Fonte: FUIRINI.04 0. refração é um desvio da onda de som nas várias interfaces do tecido.2 – Variáveis dependentes da freqüência. e) Transmissão: as ondas do US se propagam mais facilmente em determinados tecidos que em outros. Se dois meios possuírem a mesma impedância acústica isto não ocorrerá. LONGO. tornando o tratamento ineficaz. G. Quando uma onda de som encontra um meio diferente do qual estava trafegando.36 COEFICIENTE DE ABSORÇÃO (Db/cm) GORDURA 0. Quando os valores das impedâncias características forem muito diferentes a reflexão será predominante (FUIRINI e LONGO. d) Refração: segundo Fuirini e Longo (1996).12 0. a onda incidente terá parte refletida e o restante refratado em direção paralela a superfície.18 0. Reflexão em uma superfície ocorre quando a impedância acústica dos meios for diferentes.a 3MHz sua intensidade diminui em 50% ao atravessar 1. 1996). J. 1996. pois um desvio maior que 15 graus. Ilustração 3. JR. Manual KLD.. Isto é determinado pela impedância acústica. poderá provocar um ângulo de refração de maneira tal que. A onda de som penetra no tecido ou interface a um ângulo (ângulo de incidência) e sai destes tecidos a um ângulo diferente (ângulo de refração). N.16 SANGUE 0. Ultra-Som: KLD .61 . COMPORTAMENTO DA ABSORÇÃO COM A FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA MHZ MÚSCULO 1 3 0. pode ocorrer reflexão da onda de som. . A energia refletida é sempre menor que a energia incidente. Quanto maior a diferença das impedâncias acústicas dos meios (tecidos). O feixe de US deverá ser aplicado sempre perpendicularmente à superfície de tratamento.

artrite reumatóide em estado propício. anomalias da pele. b) Contra-indicações específicas absolutas: por razões de segurança não deverão ser tratados certos tecidos como: olhos. Neste método utilizamos uma substância cuja impedância acústica é bem próxima a da pele. tromboflebites e varizes. Inclui uma variedade de casos encontrados na Fisioterapia. traumatismos internos orgânicos. os vasos sangüíneos em recuperação podem se romper produzindo hemorragia recorrente. diabetes melitus. de articulações e músculos. 1996). coração e útero gestante. traumatismos do tecido ósseo. transtorno da circulação. devido aos efeitos tanto térmicos quanto mecânicos.62 3. tumores. sendo substâncias em gel a mais utilizada. endopróteses. contratura de Dupuytren e úlceras abertas. 3. placas epifisárias.1. Esse método é usado no .4 Indicações e contra-indicações A variação de indicações do US é bem ampla.5 Técnicas de aplicação Segundo Lucena (1991) refere que são diversas as técnicas de aplicação. intensidade e profundidade do tecido (FUIRINI e LONGO. testículos.1. sendo que a mais comumente utilizada no tratamento da FEG é o método por acoplamento direto ou de deslizamento. como tempo. seqüelas pós-traumáticas. que Fuirini e Longo (1996) observam não existir dados sobre o tema e do porque dessa contra-indicação. a) Indicações: afecções. inflamação séptica. pois nestes casos a circulação pode ser incapaz de reagir de forma adequada. Questionam-se quais são as condições para eleger o US a forma mais adequada para tratamento. tecido cerebral. Torna-se mais claro se considerarmos os fatores que limitam o uso da energia ultra-sônica.

PELLEGRINO. mantendo sempre o cabeçote numa posição plana e bem aderido à pele. Baseia-se na produção de uma vibração mecânica de característica igual à da vibração sonora. A pele tem que estar íntegra. 2004). A aplicação principal do US na estética é para o tratamento do FEG em especial quando é de característica fibrosa. MAPELI. 2004). regulares. sem acidentes ósseos.63 tratamento de áreas planas. as aplicações terapêuticas do US realizam-se com freqüência de 3MHz (BARACAT. se houver muitos pelos no local aconselha-se uma leve tricotomia. 3.6 Aplicação do US no FEG Usado no tratamento tanto da gordura localizada quanto do FEG. realiza-se movimentos circulares leves com uma certa pressão.1. Lucena (1991) sugere que se coloque o gel na região a ser tratada e no cabeçote. que pressionam as estruturas vasculares sangüíneas e linfáticas causando estase de líquidos na região favorecendo a formação de nódulos (IBRATE. Manter constantemente saturado com a substância para evitar reflexão e facilitar os movimentos. e que suportem a pressão do cabeçote ou transdutor. Fuirini e Longo (1996) observam que o paciente deva estar o mais relaxado possível. 2003/2004). estimulando a microcirculação dermo-hipodérmica (BORELLI. trata-se de uma miliamperagem capaz de promover vasodilatação local. Se a área for circunscrita. a área deve ser limpa com sabonete ou álcool 70% para eliminar a oleosidade e permitir uma ótima transmissão do US. Na prática. . para evitar "ar" entre o cabeçote e a pele. porém com freqüências muito mais elevadas. O US vem sendo utilizado há alguns anos no mundo da estética. cabeçote fica em contato direto com a parte a ser tratada.

entre um impulso e outro há um tempo que facilita a dispersão do calor. quando enfatiza que na medicina estética estão mais indicadas as aplicações de 3MHz. De acordo com Soriano e Busquets (1990). portanto. O autor ainda refere que apesar da profundidade de penetração da onda sônica ser menor nas freqüências maiores. como já foi citado anteriormente. que são profundamente absorvidas por tecidos superficiais como FEG. Como os coeficientes de absorção afetam a profundidade de penetração é que se tem indicado a utilização do US de 3MHz nas afecções estéticas como o FEG. De acordo com Soriano e Busquets (1990) as freqüências elevadas se utilizam preferencialmente em tratamentos superficiais. as freqüências maiores apresentam índices de atenuação maiores. próteses mamárias encapsuladas. sendo aplicado quando se objetiva um efeito de diatermia localizada. de efeito térmico menor. Para a obtenção de resultados satisfatórios. antiinflamatória. pósoperatório em cirurgias plásticas e cicatrizes. Por outro lado. concorda com as afirmações anteriores citando que quanto maior a freqüência.64 Segundo Guirro (1996). e antiedematosa. em nível dérmico. fibroses pós-cirúrgicas. sendo. podem ser obtidos utilizando-se o regime pulsado. na emissão contínua predomina o efeito térmico. Segundo Guirro (1996). portanto indicadas para o tratamento de tecidos superficiais como ocorre no FEG. o regime contínuo proporciona um efeito térmico mais pronunciado. os efeitos não–térmicos como cavitação estável e o microfluxo. Já quando se aplica em regime pulsado. Campos (1992). o aquecimento do tecido é maior. sendo. devem ser bem analisados fatores como tempo de aplicação. Observamos ainda a colocação de Baracat (2004). dosimetria e a técnica de aplicação: . maior será absorção nos tecidos superficiais e menor será a profundidade de penetração. nesse regime temos apenas efeitos mecânicos como ação analgésica.

sendo sua ação tanto mais profunda quanto maior for a intensidade. as doses aplicadas dependem da potência de emissão e da superfície de radiação eficaz. Guirro (1996) afirma existir uma íntima relação entre o tempo de aplicação e a intensidade do feixe ultra–sônico. Por isso. os quais são inversamente proporcionais. 20 minutos em áreas muito extensas. no máximo. Já Baracat (2004). um US de alta intensidade e alta freqüência seria absorvido numa pequena camada de tecido (por penetrar pouco) e muita energia seria depositada nesta pequena camada (em virtude da alta intensidade). Para Duarte (2004).65 a) Tempo de aplicação: o tempo de aplicação e a intensidade da radiação ultra–sônica devem ser mensurados. 2002). gerando muito calor e efeitos destrutivos sobre o tecido. tipo e profundidade do mesmo. já que o paciente demonstra a sensação de dor em tal caso. da forma de onda que será . A intensidade mais apropriada do US para o tratamento dependem de diversos fatores como: estado do tecido. O risco de acidente por superdosagem é mínimo. com risco de acidentes bastante reduzido. inutilizando assim os efeitos do aparelho. ou várias áreas numa mesma sessão. E como regra geral pode-se estabelecer o tempo de 2 minutos para áreas próximas de 10 cm² (GUIRRO. suspendendo o tratamento por 1 a 2 meses antes de reiniciá-lo para evitar a acomodação dos tecidos. b) Dosimetria: segundo Baracat (2004). No trabalho estético o US tem potência de 2 W/cm² em modo contínuo e 3 W/cm² em modo pulsado. portanto. coloca que a duração de uma sessão é de 5 a 10 minutos. A intensidade varia segundo o efeito desejado e o tecido a ser estimulado. Já um US de baixa intensidade e baixa freqüência seria pouco absorvido e depositaria pouca energia. opina-se que o número máximo de aplicações deve ser de 20. podendo levar. resultando num efeito muito pequeno do US sobre o tecido. a dose é expressa em watts/cm². No Curso de Especialização em Dermato Funcional apud (2003/2004).

mas deve-se tomar como referência o fato de estarmos trabalhando com tecidos superficiais. em torno de 1. . evitando assim as cunhas de ar (ilustração 3. no qual é preferencialmente utilizado o pulsado para o FEG duro de terceiro e segundo graus. a aplicação sobre a pele com movimentos circulares do transdutor também está relacionada à energia depositada no tecido: o tecido local é aquecido e o movimento circular faz com que o US seja aplicado em diferentes regiões. estéril para se evitar qualquer forma de contaminação e não apresentar bolhas de ar no seu interior. e a escolha da forma de aplicação. 1996). Existem controvérsias entre vários autores com relação à dosimetria. O mesmo autor coloca ainda que independentemente da área a ser tratada é essencial que durante a emissão da energia ultra-sônica o transdutor esteja em constante movimentação e seja mantido em completo contato com o agente de acoplamento. De acordo com Duarte (2004). o que favoreceria a atenuação do feixe. deverão ser realizadas simples rotações contínuas com o mesmo e o movimento deve ser constante (GUIRRO. e nessas condições poderemos utilizar intensidades mais altas. afirma que a aplicação do US deve ser realizada via um agente de acoplamento. A velocidade de movimento não deve ser excessivamente rápida. sendo que este deve ser suficientemente viscoso para agir como um lubrificante entre o transdutor e a pele. distribuindo o calor gerado e evitando um aquecimento local muito intenso.5 à 2 Wcm² (IBRATE. nem se deve manter o transdutor fixo. com pouca perda de atenuação.0 W/cm². 2003/2004). a densidade do tecido adiposo que com este acometimento é sempre acentuado.3). no caso do FEG.66 utilizada (contínuo e pulsado) e a freqüência do aparelho. pode retardar consideravelmente o processo de cura. O modelo contínuo. c) Técnica de aplicação: Guirro (2002). pulsado ou contínuo. com intensidade maior que 2.

estado sólido para estado gel. 1996).7 Efeitos fisiológicos e terapêuticos da aplicação do US no FEG As vibrações sônicas no meio irradiado causam um atrito nos complexos celulares.3 – Técnica de aplicação direta do US. estão: neovascularização com conseqüente aumento da circulação sangüínea e hiperemia. e doenças por desgaste que levam a perda da elasticidade (CAMPOS. acontece o aumento da permeabilidade das membranas. Ilustração 3. O metabolismo tecidual pode ser modificado (GUIRRO. Haverá a produção de um efeito químico denominado "ação colóido química". 1999). O uso do US no tratamento do FEG está vinculado aos seus efeitos fisiológicos. Segundo Campos (1992).1. facilitando a troca de . moléculas e produz uma micromassagem e o atrito citado anteriormente conduz a geração de calor. Fonte: Da autora. O fluído tissular é forçado através da membrana celular. a qual possibilita a transformação de colóides em estado gel para colóides em estado sol. ou seja. que é decorrente das vibrações mecânicas (causando a aceleração da difusão dos íons pela membrana).67 3. como é o caso do FEG. rearranjo e aumento da extensibilidade das fibras colágenas e melhora das propriedades mecânicas do tecido. Esta ação tem sido eficaz no tratamento de transtornos metabólicos. Dentre os efeitos que influenciam no tratamento em conseqüência dos efeitos biofísicos.

diz que o aumento da permeabilidade e da elasticidade no tecido superficial favorece a penetração de substâncias farmacológicamente ativas. a massagem de drenagem linfática é uma forma especial de massagem destinada a melhorar as funções essenciais do sistema linfático . o US é um importante recurso terapêutico adjuvante. 2004). nas áreas acometidas. eletrônica ou pressórica. ainda cita outros efeitos fisiológicos. muitas vezes encontrado no FEG severo (BARACAT. produzindo. Campos (1992).2 DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL A drenagem linfática é uma das inúmeras funções do organismo com os objetivos de reabsorver proteínas plasmáticas que continuamente abandonam o leito capilar em direção ao interstício. podendo-se também usar gel com princípios ativos. termoterapia com raios infravermelhos e drenagem linfática manual. permeabilidade das membranas e vasodilatação na eliminação do edema. objetivando aproveitar os efeitos de aumento de metabolismo local. No tratamento do FEG. realiza-se a drenagem linfática.68 substratos celulares e a reabsorção de líquidos e restos metabólicos. conseqüentemente. no modo contínuo. além de ter importante contribuição com o sistema imunológico ao produzir linfócitos e dar lugar à fagocitose macrófagica nos linfonodos (TACANI e CERVERA. terapia subdérmica não invasiva. Segundo os mesmos autores citados acima. 2004). de manter a composição estável do fluído intercelular. 3. na freqüência de 3MHz. como: relaxamento (aumento da circulação sangüínea que favorece a eliminação de estimulantes tissulares) e efeito analgésico (obstrui a transmissão do estímulo doloroso). Recomenda-se duas ou mais sessões por semana. A afirmação de Soriano e Busquets (1990). com duração máxima de 20 minutos. um efeito antiinflamatório e antiedematoso. junto com a mesoterapia. Após cada sessão.

Ela é também responsável pela evacuação dos dejetos provenientes do metabolismo celular (LEDUC. o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais.4). leves. mas a massagem era decididamente a mais eficaz. 2004). foram realizadas comparações na influência da massagem. os efeitos fisiológicos da drenagem linfática manual são inúmeros como: a) Move o fluido tissular para dentro dos linfáticos iniciais (aumenta a formação da linfa). A drenagem linfática drena os líquidos excedentes que banham as células. . adquirindo hoje lugar de destaque no tratamento de edemas e linfedemas. especialmente da massagem clássica. Esta se diferencia de outros métodos de massagem. De acordo com Tacani e Cervera (2004). fazendo parte integrante da fisioterapia complexa descongestiva. lentas e rítmicas. mantendo. suaves. 2000). que obedecem ao trajeto do sistema linfático superficial. dessa forma.69 por meio de manobras precisas. Todos eles causavam aumento do fluxo. do exercício passivo e da estimulação elétrica dos músculos sobre o fluxo linfático.4 – Drenagem linfática manual. Fonte: Da autora. método reconhecido pela Sociedade Internacional de Linfilogia como o mais eficaz para o tratamento do linfedema (TACANI e CERVERA. por não produzir vasodilatação arteriolar superficial (hiperemia) e por utilizar pressões manuais extremamente suaves e lentas (ilustração 3. Segundo Guirro (2002). A drenagem linfática manual foi e continua a ser aperfeiçoada. Ilustração 3.

70 b) Favorece a evacuação de macromoléculas. maior é a recaptação pelos capilares linfáticos. longe da região infiltrada. e) Previne a formação de fibrose. Segundo Leduc (2000). j) Aumenta a contratilidade da musculatura lisa. Leduc (2000) concorda com o autor citado anteriormente e acrescenta ainda que a captação é a conseqüência do aumento local da pressão tissular e a evacuação é o transporte da linfa que se encontra nos vasos e a transferência dos líquidos captados longe da zona de captação. h) Exerce efeito vagotônico com ação sedante e analgésica sobre as estruturas tratadas. de reabsorção de evacuação. O segundo processo consiste na evacuação. a de captação. A captação é a conseqüência do aumento local da pressão tissular. Já para Guirro (2002). i) Produz relaxamento das fibras musculares esqueléticas. em decorrência da ativação do sistema nervoso parassimpático. c) Estimula o peristaltismo dos coletores linfáticos. O primeiro processo é a captação realizada pela rede de capilares linfáticos. Quanto mais a pressão aumenta. k) Melhora a resposta defensivo-imunitária. A diferença entre elas reside somente no local de aplicação: . dois processos muito diferentes contribuem para a evacuação desses líquidos intersticiais. a drenagem linfática manual associa três categorias de manobras. d) Aumenta a capacidade de transporte do sistema linfático. dos elementos recaptados pelos capilares. g) Aumenta a reabsorção de uma fração do edema no nível do capilar venoso sangüíneo. f) Dissolve fibroses linfostáticas.

c) Evacuação: o processo de evacuação ocorre nos linfonodos que recebem a confluência dos coletores linfáticos. visando aumentar a captação da linfa pelos linfocapilares. seguindo o sentido da drenagem linfática fisiológica (ilustração 3.7). o bracelete e o deslizamento. os círculos fixos. b) Círculos fixos: são manobras que visam à captação da linfa. os quais transportarão a linfa captada pelos linfocapilares. exercendo leve compressão e descompressão (ilustração 3. Fonte: Da autora. Fukushima (2004) ressalta ainda manobras específicas como a drenagem dos linfonodos.71 a) Captação: é realizada diretamente sobre o segmento edemaciado. b) Reabsorção: as manobras dão-se nos pré-coletores linfáticos.5 – Drenagem dos linfonodos.6). Pode ser realizada uni ou bi-manual. . mas a pressão sempre deve obedecer ao sentido da drenagem fisiológica (ilustração 3. médio e anelar sobre a região ganglionar em questão. a) Drenagem dos linfonodos: é uma monobra realizada pelo contato direto dos dedos indicador.5). Ilustração 3. Os movimentos são leves. c) Bracelete: essa manobra tem o objetivo de aumentar o fluxo da linfa direcionandoa aos linfonodos regionais. realizada ao longo das vias linfáticas ou em direção a elas.

Fonte: Da autora.8).6 – Círculos fixos. Pode ser associada leve compressão e descompressão. Ilustração 3. é executada sem deslocamento da pele.72 Ilustração 3. Ilustração 3.7 – Manobra do bracelete.8 – Manobra de deslizamento Fonte: Da autora . por toda a extensão da mão (ilustração 3. Fonte: Da autora d) Deslizamento: também chamada de effleurage.

iniciando-se pela região proximal e depois pela distal. c) Ritmo: sempre constante. Ela deverá ser suficiente para facilitar a reabsorção do líquido intersticial e impulsioná-lo.2.2.2 Indicações e contra-indicações da drenagem linfática manual Segundo Guirro (2002). linfedemas. queimaduras. É citado ainda como indicação da drenagem linfática manual em tratamentos estéticos e para pré e póscirurgia plástica (IBRATE. 2003/2004). Tacani e Cervera (2004) acrescentam ainda as indicações em úlceras varicosas. enfermidades crônicas da pele. b) Pressão: a pressão adequada irá variar de acordo com as condições do tecido no momento da massagem. lento e suave. trombose venosa profunda e erisipela. asma-brônquica. 2003/2004).73 3. Apesar de ser um método leve. enfermidades crônicas das vias respiratórias. Guirro (2002) acrescenta outras contra indicações que são na presença de processos infecciosos. FEG. Também são consideradas contra-indicações hipertireoidismo.1 Componentes da drenagem linfática manual De acordo com Fukushima (2004). neoplasias. . enxertos e acne. suave e superficial a drenagem linfática manual possui algumas precauções e restrições quanto ao seu uso. são três componentes importantes e que devem ser observados durante a drenagem linfática manual: a) Direção: o movimento deverá sempre acompanhar a direção da circulação sangüínea e do fluxo linfático. totais em alguns casos e parciais para outros como distúrbios do ritmo cardíaco e acidentes cardíacos recentes e hipertireoidismo. insuficiência cardíaca congestiva e inflamações agudas (IBRATE. cicatrizes e rejuvenescimento facial. 3. as manobras são indicadas na prevenção e/ou tratamento de edemas.

10.11) encaminhando a linfa da região do cóccix para a parte interna da nádega (rotação no lugar). O paciente encontra-se em decúbito ventral e a drenagem linfática manual da região glútea começa em nível dos gânglios inguinais. b) Círculos com os dedos drenam em direção à parte externa das nádegas (ilustração 3. Ilustração 3.2.74 3. que lhe permita trabalhar com calma e concentrar sua atenção sobre o estado do tecido e sobre as reações gerais do seu paciente (IBRATE. evidenciando as técnicas de Leduc (2000) e Fukushima (2004). d) Círculos fixos (ilustração 3. . após segue-se a seqüência: a) Deslizamento superficial no sentido da região inguinal (ilustração 3. c) Da prega glútea. Falaremos especificamente da drenagem linfática manual da região glútea.8 – Deslizamento superficial em direção à região inguinal Fonte: Da autora. em direção à parte externa das nádegas realizar movimentos com os polegares (passo de ganso) como mostra a ilustração 3. 2003/2004). estimulando os mesmos. O profissional também deve encontrar-se numa posição cômoda.8). que é o interesse da nossa pesquisa.3 A prática da drenagem linfática manual O paciente deve encontrar-se em uma posição cômoda com a pele limpa e sem produtos.9).

Fonte: Da autora.75 Ilustração 3. Fonte: Da autora. e) Com as mãos paralelas realizar deslizamentos compressivos com pressão em direção aos linfonodos inguinais. .11 – Círculos fixos. Ilustração 3. Ilustração 3.10 – Passo de ganso.9 – Círculos com os dedos. Fonte: Da autora.

Ilustração 3.76 3.2. e) As manobras devem ser realizadas de forma rítmica e intermitente com uma pressão de 45 mmHg na presença de linfedema. 2002).12). f) Em lesões recentes. objetivando descongestionar as vias linfáticas e com a realização da técnica da respiração diafragmática (ilustração 3. d) O conhecimento das vias de drenagem é de vital importância para o sucesso da terapia. as manobras de arraste devem ser dispensadas pelo risco de promover cicatrização inadequada.12 – Respiração diafragmática. . a) O segmento corpóreo em questão deve estar em posição de drenagem. b) A pressão exercida deve seguir sempre o sentido fisiológico da drenagem.4 Orientações gerais para a drenagem linfática manual Para a execução correta da massagem de drenagem linfática manual deve-se atentar para as seguintes questões (GUIRRO. Fonte: Da autora. c) A massagem deve iniciar pelas manobras que facilitem a evacuação.

1 Dobras cutâneas Uma estimativa da gordura corporal total é realizada a partir da mensuração da gordura subcutânea. afastando-a do tecido muscular subjacente. a base lógica para as mensurações das pregas (dobras) cutâneas com a finalidade de estimar a gordura corporal total reside no fato de existir uma relação entre a gordura localizada nos depósitos diretamente debaixo da pele e tanto a gordura interna quanto a densidade corporal. São realizadas algumas mensurações de dobras cutâneas e os valores obtidos são utilizados em equações para o cálculo da densidade corporal (POWERS e HOWLEY. Katch (1998). 2000). Essa limitação temporal é imposta para evitar a compressão da prega cutânea ao realizar as mensurações. dentro de 2 segundos após aplicar toda a força do compasso. A espessura da dupla camada de pele e tecidos subcutâneos a seguir é lida diretamente no mostrador do compasso e registrada em milímetros.1 MÉTODOS UTILIZADOS COMO AVALIAÇÃO 4. com o polegar e o indicador. utilizava-se um compasso tipo pinça pra medir com exatidão a gordura subcutânea em locais selecionados do corpo. Segundo McArdle.77 CAPÍTULO 4 4. Os autores colocam ainda que o equipamento para essa função é chamado de compasso e que por volta de 1930. uma prega de pele e gordura subcutânea. Katch. O procedimento para medir a espessura das pregas cutâneas consiste em pinçar fortemente. seguindo o contorno natural da prega cutânea. .1.

abdominal e superior de coxa. fazer uma terceira.1). em dias consecutivos. . sexo. medir sempre no hemicorpo direito. o Hapenden (John Bull British Indicators. PINHO. Pinho. England) e o CESCORF. produzido no Brasil (BENEDETTI. gordura total e a técnica de mensuração utilizada. e os indivíduos mais velhos do mesmo sexo apresentam menos gordura subcutânea do que os mais jovens (POWERS e HOWLEY. Quando as pregas cutâneas são medidas com finalidades de pesquisa. ou até mesmo com intervalos de semanas. em geral o investigador já acumulou considerável experiência e conseguirá reproduzir os valores para o mesmo indivíduo obtidos no mesmo dia. RAMOS. “espessímetro”. Ramos (1999) deve-se realizar duas medidas e se houver diferenças nos resultados.2). “adipômetro” ou ainda “plicômetro”. Os modelos mais utilizados no Brasil são: Lange (Cambridge Scientific Instruments. objetiva medir a espessura do tecido adiposo em determinados pontos da superfície corporal. dependendo da idade. Katch. 2000). estando o avaliado numa posição cômoda e relaxada. 1999). as mulheres apresentam menos gordura subcutânea que os homens. Segundo McArdle. USA). b) Subescapular: prega oblíqua medida imediatamente abaixo da ponta da escápula (ilustração 4. O “compasso de dobras”.78 De acordo com Benedetti. Numa gordura corporal específica. Os cientistas descobriram que a gordura subcutânea representa uma fração variável da gordura total (20-70%). As cinco áreas de pregas cutâneas medidas mais freqüentemente são especificadas a seguir: a) Tríceps: prega vertical medida na linha média da parte superior do braço. as áreas mais comuns para realizar as mensurações das pregas cutâneas são no nível tricipital e subescapular e nos locais suprailíaco. Katch (1998). a meio caminho entre a ponta do ombro e a ponta do cotovelo (ilustração 4.

sanny. Às vezes.3).br/si/site/030201 .sanny.acessado em 20/02/05. d) Abdominal: prega vertical medida 2. Fonte: www. e) Coxa: prega vertical medida na linha média da coxa.br/si/site/030201.br/si/site/030201 – acessado em 20/02/05. Fonte: www.5). c) Supra-ilíaca: prega ligeiramente oblíqua .79 Ilustração 4. Fonte: www.4). Ilustração 4.com.1 – Dobra cutânea tricipital.5 cm à direita do umbigo (ilustração 4.3 – Dobra cutânea supra-ilíaca. a dois terços da distância entre a parte média da patela e o quadril (ilustração 4. medida imediatamente acima do osso do quadril. lateral e posterior e na parede torácica anterior (homens) ao nível da axila.2 – Dobra cutânea subescapular. Ilustração 4.acessado em 20/02/05.sanny. . a prega é levantada para que seja possível seguir a linha diagonal natural nesse ponto (ilustração 4.com.com. as pregas cutâneas são determinadas também na panturrilha medial.

e que devem ser realizadas com uma fita métrica de pano ou de plástico.acessado em 20/02/05.80 Ilustração 4.1. 4. rápida e mais adequada a estas populações. medido em ângulo reto em relação ao seu maior eixo”. como mensuração das circunferências. aplicada levemente sobre a superfície cutânea.sanny. idosos e crianças.br/si/site/030201 .sanny. Fonte: www. Fonte: www. Outros autores como McArdle. Ilustração 4. 1999).5 – Dobra cutânea da coxa. que correspondem às circunferências. também chamadas medidas antropométricas podem ser definidas como o “perímetro máximo de um segmento corporal. por ser uma forma de mensuração antropométrica de aplicação simples. de forma a ficar justa. A mensuração dos perímetros corporais facilita o estudo da composição corporal de indivíduos jovens.com. Katch. se comparada com outras técnicas de medida (LOPES e MARTINS. Este procedimento evita a compressão cutânea que produz escores .4 – Dobra cutânea abdominal.com.2 Perimetria A mensuração dos perímetros dos segmentos corporais. porém não apertada. esta técnica. Katch (1998) denominam ainda.acessado em 20/02/05.br/si/site/030201 .

geralmente à altura do umbigo (ilustração 4.5 cm acima do umbigo. A seguir será abordada a mensuração de alguns perímetros corporais que mais interessam em nossa pesquisa de acordo com Lopes e Martins (1999). c) Quadril: maior proporção da região glútea (nádegas). Katch. a) Braço relaxado (bíceps): parte-se do ponto central entre o acrômio e a articulação úmero-radial. Katch (1998).81 inferiores aos normais. medir sempre que possível com a pele nua.6). d) Coxa: a partir do perímetro proximal imediatamente abaixo da prega glútea (ilustração 4. b) Abdome: região abdominal. Lopes e Martins (1999) acrescentam ainda que devem ser observados: se o dedo não fica entre a fita e a pele. . Ilustração 4. sugerem ainda essa mensuração a 2. determinar os pontos com lápis dermográfico e realizar a leitura da medida olhando sempre de frente e à altura do valor numérico da fita. McArdle.6 – Perimetria do abdome. Fonte: Da autora.7). em seu maior perímetro. As medidas de perímetro podem auxiliar estudos de crescimento bem como fornecer índices de estado nutricional e níveis de gordura (estimativas indiretas).

82 Ilustração 4.7 – Perimetria da coxa proximal.

Fonte: Da autora.

4.1.3 Documentação fotográfica

Os pacientes de procedimentos estéticos talvez sejam os que tenham maiores expectativas quanto aos resultados obtidos. Freqüentemente, surgem dúvidas sobre qual o verdadeiro grau de melhora ou piora decorrente de algum procedimento. Deve-se, portanto, fotografar corretamente todo paciente antes de todo e qualquer procedimento estético que venha a se fazer nele (LEITE, 2004). O mesmo autor citado acima coloca que, pela comparação dos resultados obtidos, a cada nova maneira de execução de um determinado procedimento, pode-se aperfeiçoar e refinar a técnica aplicada. Vendo o resultado obtido pode-se estar constantemente reavaliando e aperfeiçoando o método escolhido. Com boa documentação fotográfica, pode-se, ainda, mostrar os resultados e compartilhá-los nos benefícios ou desvantagens de determinada técnica. De acordo ainda com Leite (2004), a documentação fotográfica deve ser tecnicamente perfeita e fiel. Os objetos importantes e seus detalhes devem estar todos em foco, nítidos. Deve ser padronizada e reprodutível: uma imagem clara daquilo que foi visto, com qualidade

83 profissional. Só assim ela pode ser considerada um documento legal e comprobatório. Para isso, deve-se padronizar e adequar à iluminação, a exposição e a profundidade de campo, o enquadramento e os fundos das fotos. A iluminação deve ser sempre constante e de resultados uniformes, especialmente se forem fotos destinadas a comparações do tipo “antes e depois” de algum procedimento. Se, a cada foto, houver uma incidência diferente de luz que ressalte ou esconda as sombras, que torne as superfícies mais planas ou mais definidas, as fotos perderão a sua credibilidade. Assim sendo, caso se use uma certa iluminação, seja ela frontal ou lateral, ela deve ser a mesma a ser usada na foto depois. As fotos para comparação de resultados obrigatoriamente deverão ter a mesma distância focal, o mesmo enquadramento, os mesmos pontos de referência e, é claro, serem tiradas utilizando as mesmas lentes fotográficas. O fundo da foto, o que aparece atrás do paciente, também não deve chamar a atenção, deve ser neutro e de um material que não proporcione reflexos ou permita a projeção de sombras (LEITE, 2004). O mesmo autor ainda ressalta que para ter valor comparativo, a foto tem de ser padronizada e reprodutível, com a mesma distância, posicionamento e atitude do sujeito, bem como a mesma técnica fotográfica.

84 CAPÍTULO 5

5.1 METODOLOGIA

Participou deste estudo um indivíduo do sexo feminino, com idade de 41 anos. A aceitação do procedimento por parte da mesma foi total. Foram explicados os detalhes de como se realizaria o tratamento e a paciente assinou um termo de consentimento antes de iniciar os atendimentos (apêndice A), e foram sugeridas algumas condições do que não deveria acontecer com a mesma no decorrer do tratamento como perda de peso (dieta rígida) ou a utilização de outros métodos para redução de medidas, as quais foram também aceitas pela paciente. O tratamento foi realizado em uma sala equipada com divã e instrumentos apropriados para o mesmo. O número total de atendimentos foram 20. A metodologia da avaliação foi subdividida em basicamente três etapas: na primeira foi realizada a avaliação constando de: anamnese, coleta de dados pessoais e hábitos de vida, aferições das perimetrias, plicometria e fotos; na segunda etapa realizou-se o tratamento propriamente dito e na terceira fase a reavaliação para coleta dos resultados obtidos. A ficha de avaliação (apêndice B) foi elaborada no Curso de Pós-graduação em Fisioterapia DermatoFuncional, com estrutura mista em um dos módulos que abordavam o tema de avaliação em FEG e foi readequada para atender os ítens necessários a uma boa avaliação da paciente em questão. Cada uma das etapas que constaram desse estudo será relatada a seguir: a) Primeira etapa: a paciente compareceu ao local de atendimento para uma avaliação inicial onde foram colhidos dados relativos ao bom desempenho do trabalho como sua principal queixa, quando surgiram os primeiros sinais do FEG, como está a parte hormonal, hábitos de vida, peso, altura, entre outros.

membros superiores . Em glúteo utilizou-se como ponto de referência a crista ilíaca. entre acrômio e olécrano e em MMII foi realizada a perimetria logo abaixo da prega glútea. Em abdome utilizou-se como ponto de referência a cicatriz umbilical. com aparelho da marca IBRAMED. com pH neutro e sem álcool. sobre a mesma e 3 cm abaixo. A plicometria foi realizada por um profissional da área de Educação Física o qual utilizou o método Polock para o mesmo. sobre a mesma. 1MHz e 3MHz e com ERA de 3 cm de circunferência. 5 cm. que transcorreu no período de 28/02/05 à 10/04/05.MMSS e membros inferiores . O gel utilizado para acoplamento do US foi o de nome comercial ULTRA-GEL. 10 cm e 15 cm abaixo. Em MMSS utilizou-se direito como ponto de referência o ponto meso-umeral. o que foi arredondado para 3 minutos pois o aparelho apresentava esse como menor tempo de aplicação. cujo fabricante é a Industria . lateral direita e esquerda e decúbito ventral. com glúteo relaxado.1).85 Na avaliação foram realizadas perimetrias com fita métrica plástica em glúteos. que foi anteriormente subdivida em quatro quadrantes de mais ou menos 8 cm² cada (ilustração 5.MMII. abdome. em incidências posteriores com glúteo relaxado e contraído. Foi utilizada também uma perimetria na região em que o glúteo forma sua maior circunferência. A paciente compareceu três vezes por semana ao local de atendimento. dando um total de 2. com máquina fotográfica analógica. com aparelho CESCORF e foram colhidos dados de pregas cutâneas de tríceps. Utilizamos a freqüência de 3MHZ na região glútea. com a paciente posicionando-se ao lado do pano de fundo e a 1 m da fotógrafa. à 18 cm da crista ilíaca póstero-superior. com a fita fazendo o contorno da mesma. modelo CANON – EOS 3000.9 minutos de aplicação de US por quadrante. b) Segunda etapa: deu-se início ao tratamento propriamente dito. supra-ilíaca e coxa medial. modelo SONOPULSE III. onde primeiramente era realizado o US. As fotos foram realizadas por uma profissional no laboratório fotográfico Colorest.

86 DALLKÍMICA. Após a aplicação do US. Utilizou-se uma intensidade de 1.Foto da região glútea com demarcação dos quadrantes. totalizando 12 minutos por hemicorpo. com a mesma aparelhagem e a mesma fotógrafa. A paciente foi novamente fotografada no mesmo local onde realizou as primeiras fotos. Logo após o último atendimento foram realizadas as perimetrias nos mesmos parâmetros e a plicometria pelo mesmo profissional que a realizara anteriormente. . Ilustração 5. Fonte: Da autora.1 . c) Terceira etapa: foi realizada a reavaliação na data de 15/04/05. cisterna do quilo e inguinais e em seguida iniciada a drenagem na região do glúteo. era realizado a estimulação dos linfonodos do ângulo venoso linfático.3 W/cm² no modo contínuo em cada quadrante. supra e infra claviculares.

1. membro inferior direito .700 Kg durante o tratamento. glúteo.500 Kg e no final de 58.1). Estes dados foram mensurados em uma paciente de 41 anos.. e de 2 cm à 3 cm abaixo da C. O percentual de variação – PV.MIE. Apresentação da paciente: Idade: 41 anos . Observou-se um aumento de 2.59 m. Em abdome houve um diminuição de 1 cm sobre a cicatriz umbilical . houve uma diminuição de 2 cm e à 5 cm abaixo da mesma encontramos um decréscimo de 1 cm.MID e membro inferior esquerdo . Totalizaram-se então onze medidas perimétricas. sendo que em abdome e glúteo foram executadas mais que uma medida pré-estabelecida com o intuito de uma maior precisão. as medidas das dobras cutâneas e as fotos. 6. com estatura de 1.C.U. nos mostra uma variação de -1% à -2% de perda de medidas como nos mostra o quadro abaixo (ilustração 6. utilizou-se de três métodos de mensuração específicos que foram: a perimetria. das quais quatro delas sofreram alterações.MSE.U.1 Perimetria Na realização da perimetria foram utilizadas as medidas de membro superior direito MSD e membro superior esquerdo .I.C. peso no início do tratamento de 55.200 Kg.1 RESULTADOS Para a observação dos resultados neste estudo. Serão apresentados agora os resultados separadamente de cada uma dessas medidas de avaliação. em glúteo observou-se que em crista ilíaca .87 CAPÍTULO 6 6. abdome.

I.U.1 .Quadro comparativo de perimetria e percentual de variação (PV). circunferência de quadril e de cintura e através destes dados chegou-se a outros dados como quantidade de gordura relativa e absoluta e massa magra. DADOS COLETADOS MSD MSE ABDOME 29 cm 28 cm C. coxa medial.200 Kg Ilustração 6. 78 cm 3 cm abaixo: 81 cm C. a critério do profissional responsável.500 Kg Peso final: 58.: 86 cm 5 cm abaixo: 92 cm 10 cm abaixo: 96 cm 15 cm abaixo: 99 cm Maior circunferência glútea: 96 cm MID MIE Fonte: Da autora 63 cm 63 cm 63 cm 63 cm 0% 0% ANTES DEPOIS 29 cm 28 cm C.59 m Peso inicial: 55.I. totalizando dez resultados . 79 cm 3 cm abaixo: 83 cm GLÚTEO C.: 84 cm 5 cm abaixo: 91 cm 10 cm abaixo: 96 cm 15 cm abaixo: 99 cm Maior circunferência glútea: 96 cm PV 0% 0% -1% -2% -2% -1% 0% 0% 0% 6.2 Dobras cutâneas Para a mensuração das dobras cutâneas utilizou-se.1. supra-ilíaca.88 Estatura: 1.U. as mais realizadas para este tipo de estudo que são tricipital.

0 Kg/m² 0.0 Kg 36. DADOS COLETADOS TRICIPITAL SUPRA ILÍACA COXA MEDIAL CIRCUNFERÊNCIA DE QUADRIL CIRCUNFERÊNCIA DE CINTURA INDICE DE MASSA CORPORAL RELAÇÃO CIRCUNFERÊNCIA CINTURA/QUADRIL QUANTIDADE DE GORDURA RELATIVA QUANTIDADE DE GORDURA ABSOLUTA MASSA MAGRA ANTES 25 mm 27 mm 36.3 mm -17% 94.5 cm 75 cm 22. um manteve-se inalterado.8 % 34.1.PV de 4% à 8% de ganho e de -2% à -17% de perda em relação às primeiras medidas.2 % 19. em pé com a lateral esquerda e direita à mostra e deitada em decúbito ventral. 6.Quadro comparativo da espessura das dobras cutâneas e PV.00 cm -3% 73. Observa-se discreta melhora quando há contração em região inferior de glúteos e quando relaxado essas regiões apresentam a pele com menos ondulações e com aparência mais lisa e brilhante. O quadro abaixo ilustra estes resultados (ilustração 6. com a paciente de costas com glúteo contraído e relaxado. Ilustração 6.7 Kg 39.5 mm 96.00 mm 4% 30. Entre esses resultados. utilizando o protocolo de Pollock.5 Kg -2% 8% PV Fonte: Professor Maurício Bertolossi Moreira. Deitada em decúbito ventral há uma melhora visual em textura da pele em região baixa de glúteo próxima aos culotes e nas posturas laterais percebe-se uma .8 % 32.2 % 18.5 Kg DEPOIS 23.2).1mm -8% 28. houve um aumento de massa corporal de 5% .89 referentes à constituição corporal da paciente.2 . Observa-se que sendo fidedigno ao ganho de peso pela paciente.00 cm -3% 23.0 Kg/m² 5% 0. alternando o percentual de variação .3 Fotos As fotos realizadas deram prioridade às posturas em pé. quatro aumentaram e cinco deles apresentaram diminuição.

3 – Fotos da região tratada.3 apresentada abaixo. como pode ser observado na ilustração 6.90 linha mais harmoniosa na altura da prega glútea. Ilustrações 6. ANTES DEPOIS Glúteo contraído Glúteo relaxado Decúbito ventral .

91 Decúbito lateral direito Decúbito lateral esquerdo Fonte: Da autora realizada em estúdio fotográfico (Colorest). por profissional da área. .

com o avançar da idade ocorrem alterações da substância fundamental e uma conseqüente alteração do meio interno. o principal fator na obtenção de um bom resultado terapêutico é o correto diagnóstico aliado à escolha do melhor recurso para a terapia em questão. a escolha da paciente não foi aleatória. Pellegrino.1 DISCUSSÕES Neste estudo. De acordo com Guirro (2002). supõe-se. pareceu-nos a utilização do US na freqüência de 3MHZ e da drenagem linfática manual. Bacarat (2004) diz que na medicina estética o US de 3MHz é o mais . Tem-se consciência também de que o metabolismo corporal já não é tão eficaz conforme torna-se mais velho. Pellegrino. Mapeli (2004) enfatizando o US no tratamento do FEG porque promove uma vasodilatação local e estimula a microcirculação dermohipodérmica e Guirro (2002) que também coloca o US como fator adjuvante importante no tratamento do FEG. Mapeli (2004). de acordo com alguns autores como Borelli. maior poderá ser o agravamento dessas condições. essa paciente. mas sim preferencialmente escolhemos uma paciente com mais idade.92 CAPÍTULO 7 7. Campos (1992). Sabemos que. causando modificações importantes que levam ao FEG. e que quanto mais avançada a idade. O que levou-nos a essa escolha são alguns fatores que Campos (1992) ressalta como o favorecimento do aparecimento do FEG em fases que antecedem a menopausa ou mesmo em seu pico. será mais persistente no tratamento e também objetivando-se observar a eficácia do protocolo proposto em mulheres de meia idade. como por exemplo a diminuição de moléculas como proteoglicanas. Tendo como referencial uma gama de autores que indicam a aplicação do US no tratamento do FEG como Borelli. O melhor recurso para esse estudo.

sendo portanto indicadas para o tratamento de tecidos superficiais. segundo Guirro (2002) o regime contínuo proporciona um efeito térmico mais pronunciado. com pouca perda de atenuação. Fuirini e Longo (1996) dizem que o modo contínuo apresenta efeito de micro-massagem e que na utilização desse modo obtemos efeitos térmicos e não térmicos associados. Optou-se pelo modo contínuo de aplicação nesse caso porque. Deve-se tomar como referência o fato de estarmos trabalhando com tecidos superficiais. A dosimetria escolhida (1. e Guirro (2002) diz ainda que freqüências maiores apresentam índices de atenuações maiores. Leduc (2000). nos trará os efeitos desejados. e que essa intensidade varia de acordo com os efeitos desejados e o tecido a ser estimulado. onde enfatiza que o risco de acidente por superdosagem é mínimo. pois o paciente demonstraria sensação de desconforto ou dor. Fukushima (2004) como indicada para o tratamento de . aumento da circulação sangüínea. e que no trabalho estético o US tem potência de 2 Wcm² no modo contínuo. hiperemia. e que esta intensidade sendo bem aceita pela paciente no modo contínuo. a qual possibilita a transformação de colóides em estado sólido para o estado gel. e que nesse caso especificamente. (IBRATE. A geração do calor segundo Campos (1999) produz um efeito químico denominado “ação colóido química”. e a densidade deste tecido.93 indicado. porque é melhor absorvido por tecidos superficiais como o FEG. de consistência mole.3 Wcm²) deu-se baseada em colocações como a de Bacarat (2004). trata-se de FEG de 1º e 2º graus. sem nodulações ou fibroses. que é sempre acentuada com este acometimento. no caso do FEG. 2003/2004). aumento da extensibilidade das fibras colágenas e melhora das propriedades mecânicas do tecido. Tacani e Cervera (2004). o que é eficaz para transtornos como FEG e facilita a drenagem linfática manual posterior. Segundo esse autor a utilização do US no FEG está vinculada aos seus efeitos fisiológicos como neovascularização dos tecidos. A drenagem linfática manual é citada por vários autores como Guirro (2000).

que são a perimetria. linfedemas e FEG. Com o aumento na formação da linfa e retorno mais eficaz há um aumento proporcional do fluxo sangüíneo e consequentemente melhor nutrição das células e irrigação dos tecidos. e que após cada sessão realiza-se a drenagem linfática manual objetivando aproveitar os efeitos de aumento de metabolismo local. entre outros. não houve . por seus inúmeros efeitos fisiológicos como favorecer a evacuação de macromoléculas. as dobras cutâneas e as fotos. A drenagem linfática drena os líquidos excedentes que banham as células. com duração máxima de 20 minutos. observando-se alguma melhora em região inferior de glúteo. os resultados obtidos não foram os esperados no que diz respeito à análise visual onde não observamos uma melhora significativa. Ou seja. Analisando e comparando os parâmetros que foram utilizados para mensuração da eficácia do tratamento. As fotos mostrou-nos que o quadro do FEG manteve-se inalterado na maior parte da região tratada. aumento da contratibilidade da musculatura lisa. o que atuará diretamente nos tecidos congestionados próprios do FEG. aumentar a capacidade de transporte do sistema linfático. Segundo ainda Bacarat (2004) o US é um importante recurso juntamente com a drenagem linfática manual no tratamento do FEG.94 edemas. produzir relaxamento das fibras musculares esqueléticas. mantendo o equilíbrio hídrico nos espaços intersticiais e promove a evacuação dos dejetos do metabolismo celular. A paciente submeteu-se a esse tratamento por 20 sessões. permeabilidade das membranas e vasodilatação na eliminação do edema. melhora na textura e qualidade da pele que apresenta-se mais hidratada e mais lisa. e com a prática freqüente desta técnica haverá visivelmente uma melhora externa da pele. mas não insatisfatórios à nossa pesquisa. no modo contínuo. com duração 1 hora e 30 minutos cada sessão. prevenir a formação de fibrose. na freqüência de 3MHZ nas áreas acometidas. e o mesmo ainda recomenda duas ou mais sessões por semana.

como cita Campos (1992) qualquer forma de stresse provoca uma alteração em nível glandular que leva a retenção hídrica. dois deles foram satisfatórios e um parcialmente satisfatório. mas dos três parâmetros que escolhemos para mensuração dos resultados. isso pode ter atuado de forma negativa em relação ao principal objetivo de redução do FEG local através da utilização do US e da drenagem linfática manual. o estado emocional pelo qual a paciente passava no momento do tratamento. facilitando o processo infiltrativo.95 uma eliminação do acometimento como era nosso objetivo. pois. . Dentre as variáveis que com certeza interferiram em nosso tratamento foi o ganho de peso que a paciente obteve. dificultando a eficácia do nosso trabalho.

o que nos comprova o aumento de peso. Diante desse resultado. aplicação do US e as manobras da drenagem linfática manual. a diminuição ou erradicação do FEG em região glútea. não podemos afirmar a ineficácia ou eficácia do tratamento. com certeza deu-se pela aplicação regular do protocolo proposto. mas não houve piora no quadro do FEG e a diminuição de medidas e dobras cutâneas. Analisando todos esses dados podemos dizer que a paciente não apresentou a melhora esperada. cisterna do quilo e inguinais associado às manobras da drenagem estimularam o organismo a uma melhor eficácia do sistema linfático. a paciente realizasse um programa de exercícios localizados? Pode-se afirmar. . Como nossa amostra foi pequena (uma paciente). surgem questionamentos como: poderia haver um prognóstico diferente em uma outra paciente da mesma idade e mesmo comprometimento do FEG se as variáveis que interferiram não se manifestassem? Com a utilização de um gel com princípios ativos os resultados seriam mais eficazes? Se como adjuvante do tratamento. pois temos que levar em consideração o fato de que o mesmo protocolo aplicado em outra paciente poderia reverter em outro tipo de resposta orgânica. suas medidas mantiveram-se inalteradas e outras obtiveram um decréscimo. diante dos resultados dessa pesquisa que esse protocolo é inadequado para qualquer tipo de paciente independente da idade ou de variáveis interferentes? Estes questionamentos servem de base para futuras pesquisas que tenham os mesmos objetivos a atingir.96 CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos concluir que apesar da importante aquisição de peso pela paciente. com exceção do índice de massa corporal que aumentou. a estimulação dos linfonodos supra e infra-claviculares. ou seja. além do US. Na mensuração das dobras cutâneas houve acentuada diminuição de valores. o qual a nossa pesquisa teve.

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In: KITCHEN. 1982. pág. APÊNDICE A .99 ULRICHI. São Paulo: Ediouro.. YOUNG. 211 – 229. São Paulo: Manole. W.ed. 14. A Celulite é curável: Prevenção e Auto-tratamento em 10 semanas. 11. Cap.Terapia com ultra-som. S. S. Eletroterapia: Prática baseada em evidências. 2003.

....... Declaro também que fui informada que posso me retirar da pesquisa a qualquer momento... e que essas informações servirão como base para apresentação de um trabalho de conclusão de curso. e que todos os dados a meu respeito serão sigilosos.. fotos e o tratamento propriamente dito... Eu compreendo e aceito que neste estudo serão realizadas avaliações do meu perfil corporal. declaro que fui informada sobre todos os procedimentos inerentes a essa pesquisa e que recebi de forma clara e objetiva todas as explicações pertinentes a mesma.100 TERMO DE CONSENTIMENTO Eu. Assinatura ______________________________________ Cascavel ____/____/____ . se concluir que a mesma está me prejudicando de alguma forma. RG.

101 APÊNDICE B DERMATO-FUNCIONAL FICHA DE AVALIAÇÃO DATA DA AVALIAÇÃO: ___/___/___ DADOS PESSOAIS NOME:_____________________________________________________________________ ENDEREÇO:________________________________________________________________ CIDADE:_____________________________CEP:__________________________________ TELEFONE:________________________________________________________________ DATA DE NASCIMENTO:________________IDADE:_____________________________ ESTADO CIVIL:_____________________________________________________________ RELIGIÃO:_________________________________________________________________ HEREDITARIEDADE:________________________________________________________ ANAMNESE: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ DISFUNÇÕES VASCULARES: Varizes:____________________________________________________________________ Tratamento cirúrgico:__________________________________________________________ Safenectomia:________________________________________________________________ Varicoses:___________________________________________________________________ Esclerose:___________________________________________________________________ Edema: ____________________________________________________________________ Hematomas com facilidade:_____________________________________________________ Outras alterações:_____________________________________________________________ DISFUNÇÕES HORMONAIS Ciclo mestrual:_______________________________________________________________ Idade da menarca:____________________________________________________________ Menopausa:_________________________________________________________________ Idade da menopausa:__________________________________________________________ TPM:______________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ .

5 cm = __________ CI – 10 cm = __________ Plicometria: Tricipital_____________________ Supra ilíaca___________________ Abdome _____________________ Coxa medial__________________ EXAME POSTURAL: Hipercifose:_________________________________________________________________ Escoliose:___________________________________________________________________ Hiperlordose:________________________________________________________________ Outros:_____________________________________________________________________ CLASSIFICAÇÃO DA FEG: Glúteo: ____________ Coxa: _____________ Abdome: ___________ Grau: ________ Grau: ________ Grau: ________ Tipo: ___________ Tipo: ___________ Tipo: ___________ .102 HÁBITOS ALIMENTARES: Nº de refeições por dia:_________________Horários:_______________________________ Alimentos mais ingeridos:______________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Ingesta líquida:_______________________________________________________________ Hábitos intestinais:____________________________________________________________ HÁBITOS DE VIDA: Atividade física:______________________________________________________________ Outras atividades:_____________________________________________________________ Etilista:________________________________Tabagista:_____________________________ PATOLOGIAS APRESENTADAS: HAS: _________________________________Cardiopatias:__________________________ Diabetes:______________________________Respiratórios:__________________________ Problemas de fígado:__________________________________________________________ Problemas de tireóide:_________________________________________________________ Outros:_____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Faz uso de medicamentos? Quais?________________________________________________ PADRÃO RESPIRATÓRIO: Toracico:_____________________Abdominal:_________________Misto:_______________ EXAME FÍSICO: Peso:_______________________ Altura:_____________________IMC:________________ Perimetria : MMSSd: MMSSe: MMIId: MMIIe: Panturilha:____________________________________________ Glúteo CI – 0 cm = __________ CI -.

103 OBSERVAÇÕES:___________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ PROTOCOLO DE TRATAMENTO: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ATENDIMENTOS: 1º_________________________________________________________________________ 2º_________________________________________________________________________ 3º_________________________________________________________________________ 4º_________________________________________________________________________ 5º_________________________________________________________________________ Responsável:________________________________________________________________ .

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